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Numero do processo: 10166.723602/2013-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ELETRÔNICO E POSTAL. INTELIGÊNCIA DO §4º DO ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72.
A interpretação literal do § 4º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, mormente em atenção à conjunção coordenativa ativa utilizada, deixa claro que, para fins de intimação, poderá ser utilizado tanto a via postal, quanto a via eletrônica, desde que autorizada pelo sujeito passivo.
REEMBOLSO EDUCACIONAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA.
Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente a verba Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada.
AVISO PRÉVIO INDENIZADO. APLICAÇÃO DO RECURSO REPETITIVO JULGADO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC/73. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Tendo o STJ decidido em sede de recurso repetitivo, especificamente no REsp. nº 1.230.957/RS, que não incide contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado, tal entendimento deve ser repetido no CARF, conforme arts. 45, VI e 62, § 1º, 'b', do Anexo II ao RICARF.
INSUFICIÊNCIA DE SALDO. MÚTUOS COM EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Diante da impossibilidade jurídica de incidir contribuição previdenciária sobre mútuo, pois não descaracterizado pela Fiscalização a natureza jurídica do mútuo, demonstrando ser este um salário indireto, deve ser afastada a incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica insuficiência de saldo.
DAS DIVERGÊNCIAS ENTRE FOLHAS DE PAGAMENTO E GFIP. DESCONTOS REALIZADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Não sendo possível a incidência de contribuições previdenciárias sobre descontos, entendo por afastar o lançamento quanto a Divergências entre Folhas de Pagamento e GFIP.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. PLANO DE APOSENTADORIA INCENTIVADA IMPLANTADO PELO CONTRIBUINTE. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Os valores pagos por pessoa jurídica aos empregados, a titulo de incentivo à adesão a plano de aposentadoria incentivada, implantado pelo contribuinte, não se sujeitam à incidência de contribuição social previdenciária, ante o seu caráter indenizatório.
MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MANUTENÇÃO.
Diante do descumprimento de obrigação acessória, mantém-se o lançamento das referidas penalidades.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Considera-se existente grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontram-se sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. Caracterizada a existência do grupo, impõe-se a imputação de responsabilidade solidária a cada um de seus integrantes, pelo cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, por expressa determinação contida no inciso IX do art. 30 do referido normativo.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28.
Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
RELAÇÃO DE VÍNCULOS. SÚMULA CARF Nº 88.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg" e a "Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
Numero da decisão: 2202-004.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por maioria de votos, em negar conhecimento ao recurso do contribuinte Oi Móvel S.A. por intempestividade, admitindo os recursos dos responsáveis solidários, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Ricardo Chiavegatto de Lima e Wilderson Botto (suplente convocado), que conheciam também do recurso do mencionado contribuinte. Acordam ainda, por voto de qualidade, em conhecer da documentação apresentada no recurso voluntário a respeito das divergências entre folha de pagamento e GFIP, vencidos os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Rorildo Barbosa Correia, que não a conheciam, e também quanto a esse ponto, acordam, por maioria de votos, em rejeitar de proposta de diligência destinada à verificação dessa documentação pela fiscalização, proposta essa formulada pelo conselheiro Marcelo de Sousa Sateles, na qual este restou vencido junto com o conselheiro Rorildo Barbosa Correia. Quanto ao mérito, acordam, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores associados ao aviso prévio, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores vinculados ao incentivo aposentadoria, à insuficiência de saldo - mútuos, e às divergências entre folha de pagamento e GFIP, vencidos: os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Ricardo Chiavegatto de Lima e Rorildo Barbosa Correia, que negaram provimento quanto ao incentivo aposentadoria; o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que negou provimento no que tange aos mútuos; e os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Ricardo Chiavegatto de Lima e Rorildo Barbosa Correia, que negaram provimento no tocante às divergências entre folha de pagamento e GFIP. Designada a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira para redigir o voto vencedor com relação ao conhecimento do recurso do contribuinte Oi Móvel S.A.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Nos termos do Art. 58, § 5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Rorildo Barbosa Correia, não votou no que diz respeito ao conhecimento do recurso voluntário do contribuinte, por já haver a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias proferido seu voto na reunião de outubro de 2018.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ELETRÔNICO E POSTAL. INTELIGÊNCIA DO §4º DO ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. A interpretação literal do § 4º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, mormente em atenção à conjunção coordenativa ativa utilizada, deixa claro que, para fins de intimação, poderá ser utilizado tanto a via postal, quanto a via eletrônica, desde que autorizada pelo sujeito passivo. REEMBOLSO EDUCACIONAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. Desincumbindose o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente a verba Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. APLICAÇÃO DO RECURSO REPETITIVO JULGADO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC/73. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Tendo o STJ decidido em sede de recurso repetitivo, especificamente no REsp. nº 1.230.957/RS, que não incide contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado, tal entendimento deve ser repetido no CARF, conforme arts. 45, VI e 62, § 1º, 'b', do Anexo II ao RICARF. INSUFICIÊNCIA DE SALDO. MÚTUOS COM EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 36 02 /2 01 3- 22 Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.360 2 Diante da impossibilidade jurídica de incidir contribuição previdenciária sobre mútuo, pois não descaracterizado pela Fiscalização a natureza jurídica do mútuo, demonstrando ser este um salário indireto, deve ser afastada a incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica “insuficiência de saldo”. DAS DIVERGÊNCIAS ENTRE FOLHAS DE PAGAMENTO E GFIP. DESCONTOS REALIZADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não sendo possível a incidência de contribuições previdenciárias sobre descontos, entendo por afastar o lançamento quanto a Divergências entre Folhas de Pagamento e GFIP. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. PLANO DE APOSENTADORIA INCENTIVADA IMPLANTADO PELO CONTRIBUINTE. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos por pessoa jurídica aos empregados, a titulo de incentivo à adesão a plano de aposentadoria incentivada, implantado pelo contribuinte, não se sujeitam à incidência de contribuição social previdenciária, ante o seu caráter indenizatório. MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MANUTENÇÃO. Diante do descumprimento de obrigação acessória, mantémse o lançamento das referidas penalidades. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Considerase existente grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. Caracterizada a existência do “grupo”, impõese a imputação de responsabilidade solidária a cada um de seus integrantes, pelo cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, por expressa determinação contida no inciso IX do art. 30 do referido normativo. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg" e a "Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.361 3 Acordam os membros do colegiado, , por maioria de votos, em negar conhecimento ao recurso do contribuinte Oi Móvel S.A. por intempestividade, admitindo os recursos dos responsáveis solidários, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Ricardo Chiavegatto de Lima e Wilderson Botto (suplente convocado), que conheciam também do recurso do mencionado contribuinte. Acordam ainda, por voto de qualidade, em conhecer da documentação apresentada no recurso voluntário a respeito das divergências entre folha de pagamento e GFIP, vencidos os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Rorildo Barbosa Correia, que não a conheciam, e também quanto a esse ponto, acordam, por maioria de votos, em rejeitar de proposta de diligência destinada à verificação dessa documentação pela fiscalização, proposta essa formulada pelo conselheiro Marcelo de Sousa Sateles, na qual este restou vencido junto com o conselheiro Rorildo Barbosa Correia. Quanto ao mérito, acordam, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores associados ao aviso prévio, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores vinculados ao incentivo aposentadoria, à insuficiência de saldo mútuos, e às divergências entre folha de pagamento e GFIP, vencidos: os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Ricardo Chiavegatto de Lima e Rorildo Barbosa Correia, que negaram provimento quanto ao incentivo aposentadoria; o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que negou provimento no que tange aos mútuos; e os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Ricardo Chiavegatto de Lima e Rorildo Barbosa Correia, que negaram provimento no tocante às divergências entre folha de pagamento e GFIP. Designada a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira para redigir o voto vencedor com relação ao conhecimento do recurso do contribuinte Oi Móvel S.A. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Nos termos do Art. 58, § 5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Rorildo Barbosa Correia, não votou no que diz respeito ao conhecimento do recurso voluntário do contribuinte, por já haver a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias proferido seu voto na reunião de outubro de 2018. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10166.723602/201322, em face do acórdão nº 0129.077, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), na sessão de julgamento de 24 de abril de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.362 4 O presente processo referese a Auto de Infração relativo à obrigação principal, no total de R$ 324.304,69 incluindo o seguinte debcad: Conforme se extrai dos relatórios que o compõem, os Autos de Infração relativos ao lançamento de obrigação principal, referemse aos estabelecimentos 05.423.963/000111, /000200, /000383, /000464, /000545, /000626, /000707, /000898, /000979, /001002, /001193 e /001274. As contribuições foram lançadas sob os seguintes levantamentos: Registra ainda o Relatório Fiscal às fls. 05 a 19 as informações a seguir explicitadas. Quanto às razões da constituição do crédito previdenciário informa que: o sujeito passivo é obrigado a recolher as contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados que lhe prestam serviços, conforme determina a Legislação Previdenciária; da análise da documentação, verificouse que não houve declaração em GFIP, nem incidência de contribuições sociais sobre as seguintes rubricas: Fonte: Folha de Pagamento Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.363 5 Quanto ao fato gerador AVISO PRÉVIO INDENIZADO informa que: pela análise da Folha de Pagamento, identificou fato gerador de contribuição previdenciária sob a denominação de Aviso Prévio Indenizado, rubrica da folha de pagamento com o código 3310 e Dif Aviso Prévio Indenizado código 3311 (anexoVI); o aviso prévio indenizado é base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), com a revogação da alínea "f" do inciso V do § 9º do art. 214 do Decreto 3.048/1999, pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009; as bases de cálculo referentes ao pagamento de aviso prévio indenizado foram discriminadas no Levantamento: AP – AVISO PRÉVIO INDENIZADO. Quanto ao pagamento de INDENIZAÇÃO informa que: verificou a ocorrência de fato gerador de contribuição previdenciária, Indenização código 2770 e Dif Indenização Código 2771, pago aos empregados da empresa, sem oferecer tais remunerações à tributação (anexo VII); segundo esclarecimentos prestados em 21 de janeiro de 2013 (anexo IV) a empresa BRASIL TELECOM CELULAR informa que a rubrica indenização: tratase de pagamentos de indenizações de incentivo a aposentadoria de natureza salarial que fizemos a colaboradores. Essas indenizações foram levadas a tributação do Imposto de Renda (IRRF) e das Contribuições Previdenciárias (INSS Patronal e Retido) e FGTS. Entretanto, pela análise da folha de pagamento em formato MANAD que tais rubricas estão definidas com o código 8 – não é base para Previdência Social e não sofreram incidência de contribuições previdenciárias em GFIP; o inciso V do § 9º do art. 214 do Decreto 3.048/1999 enumera de forma exaustiva os tipos de indenização que não estão sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias e que o legislador excluiu da incidência das contribuições previdenciárias o valor pago a título de incentivo à demissão, com intuito excluir as verbas pagas como indenização ou compensação pela perda do vínculo empregatício, já que o empregado seria demitido, perdendo assim o seu emprego; já no caso de incentivo à aposentadoria, não há o que se falar em indenização, pois a aposentadoria é um direito de todo trabalhador e não uma penalidade que necessite ser recompensada, recebendo o empregado, uma gratificação para aposentarse, por mera liberalidade do empregador; a própria empresa confirma a natureza salarial das indenizações de incentivo pagas aos seus colaboradores nos esclarecimentos prestados em 21/01/2013 as bases de cálculo referentes ao pagamento de indenizações para incentivo à aposentadoria foram discriminadas no Levantamento: IN INDENIZAÇÕES. Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.364 6 Quanto ao pagamento de INSUFICIÊNCIA DE SALDO relata que: pelo exame das folhas de pagamento apresentadas pelo contribuinte, verificou o pagamento, a segurados empregados, da rubrica designada Insuficiência de Saldo, código 100 (anexo VIII); a empresa informou em esclarecimentos prestados em 02/10/2012 (anexo IV) tal benefício se refere a “Valor adiantado ao empregado quando o total de descontos é maior que o total de proventos nos cálculos rescisórios”; o pagamento de Insuficiência de Saldo é concedido aos empregados por liberalidade, quando o total de descontos dos empregados supera os proventos a que ele teria direito na sua na rescisão do contrato de trabalho; alguns empregados devolveram os montantes recebidos a título de Insuficiência de Saldo à empresa BRASIL TELECOM CELULAR por meio da rubrica de desconto código 102 – Dev Insuficiência Saldo Rescisão, entretanto, a grande maioria não devolveu à empresa os valores recebidos como Insuficiência de Saldo; em análise às bases de cálculo dos segurados que receberam Insuficiência de Saldo, verificase que os descontos que excedem os proventos são oriundos de empréstimos contraídos pelos empregados junto à BRASIL TELECOM CELULAR, por meio da rubrica código 6060 – Desc Empréstimo BT Quitação; quando a empresa realiza um desconto “fictício”, por estar materialmente impossibilitada de realizar este desconto, e depois perdoa a dívida, assumiu o ônus que caberia ao empregado, pois o perdão da dívida não é mera formalidade contábil, mas a exclusão de um passivo do trabalhador, o que lhe proporciona ganhos patrimoniais; o inciso II do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, determina que o fato gerador da contribuição previdenciária não é apenas o pagamento ao trabalhador, mas também o crédito realizado a seu favor; no caso concreto, com a remissão da dívida, é concedido um crédito ao empregado, que tem natureza remuneratória, pois representa um ganho patrimonial ao trabalhador; as bases de cálculo referentes ao pagamento de Insuficiência de Saldo (código 100) foram deduzidas dos valores devolvidos pelos empregados por meio da rubrica Dev Insuficiência Saldo Rescisão (Código 102) e foram discriminadas no seguinte Código de Levantamento: IS – INSUFICIÊNCIA DE SALDO. Quanto ao pagamento de DIVERGÊNCIAS FOLHA DE PAGAMENTO X GFIP relata que: do confronto entre folha de pagamento e GFIP, foram identificados pagamentos a segurados empregados para os quais não havia declaração em GFIP; Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.365 7 os valores considerados pela fiscalização, referentes às divergências apontadas acima, discriminados por trabalhador, encontramse no anexo IX. as divergências Folha x GFIP foram agrupadas no levantamento FP – FOLHA DE PAGAMENTO NÃO DECLARADA EM GFIP Quanto ao pagamento de REEMBOLSO EDUCACIONAL relata que: pelo exame da contabilidade da BRASIL TELECOM CELULAR, foi verificado o custeio de despesas com educação, designada pela fiscalizada como “Reembolso Educacional”, registradas na conta 310354000 – Treinamento Sem. Técnicos e Congressos (anexo XII); além da conta contábil supracitada, foram identificados pagamentos de despesas com educação para a Faculdade UPIS – União Pioneira de Integração Social na conta contábil 0310336100 – Publicidade e Propaganda. Foram solicitados por meio do TIF nº 09 documentos de caixa referentes a esses lançamentos (anexo XII); a empresa prestou esclarecimentos em 09/04/2013 (anexo IV) e informou que a conta 310354000 Treinamento Sem. Técnicos e Congressos é “utilizada para o lançamento de diversos tipos de reembolsos como idiomas, graduação, pósgraduação, inscrições em cursos, seminários e palestras entre outros, incluindo o Educacional”; foram apresentados pela empresa Regulamentos (anexo XII) que confirmam o pagamento de cursos de graduação e pós graduação aos empregados: Concessão de Incentivo à Conclusão de Graduação; Concessão de Pós Graduação; pela informação prestada pela empresa concluise que os empregados são beneficiados com o custeio de diversos cursos educacionais, dentre eles idiomas, graduação, pósgraduação, cursos, seminários e palestras; a empresa foi intimada por meio dos TIF nº 03, 04, 07 e 09 (anexo I) a apresentar os documentos contábeis que originaram os lançamentos contábeis extraídos das contas 310354000 – Treinamento Sem. Técnicos e Congressos e 0310336100 – Publicidade e Propaganda; a empresa foi instada por meio dos TIF nº 09 e 11 (anexo I), a apresentar relação de beneficiários, com Nome/NIT/Competência/Valor pago e tipo de educação; em resposta a empresa apresentou planilha com relação de colaboradores com total consolidado no valor de R$ 4.948,24, o que diferiu consideravelmente daquele registrado na contabilidade, de R$ 919.291,59 (anexo IV); na relação de colaboradores apresentada foram elencados somente os trabalhadores que sofreram descontos por meio da rubrica 1482 – Dev Pós Graduação; a BRASIL TELECOM CELULAR não informou que tipo de educação foi ofertada aos demais trabalhadores não Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.366 8 relacionados na planilha nem tampouco, apresentou os comprovantes/notas fiscais referentes aos lançamentos contábeis mencionados no item 54 do presente relatório; como a empresa deixou claro que financia a seus empregados cursos de idiomas, graduação e pósgraduação, que são despesas educacionais não alcançadas pela isenção prevista no §9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, considerou essas despesas como base de cálculo das contribuições previdenciárias; para apurar a base de cálculo a fiscalização excluiu os valores de educação dos históricos contábeis que continham as empresas Conceitual Capacitação Empresarial e WG7 Consultoria e Treinamento, por serem empresas que tem como atividade fim a capacitação e treinamento de funcionários por meio de cursos, seminários e congressos; todos os históricos contábeis com nomes de empregados da empresa foram considerados como base de cálculo de contribuições previdenciárias e o valor do desconto referente à rubrica 1482 – Dev Pós Graduação foi deduzido de suas remunerações; além dos históricos com nomes de pessoas físicas, foram levantados como reembolso educacional os valores pagos às empresas Berlitz Centro de Idiomas S/A e UPIS – União Pioneira de Integração Social, pois são empresas que oferecem, respectivamente, cursos de idiomas e graduação/pósgraduação; a BRASIL TELECOM CELULAR não apresentou comprovantes/notas fiscais referentes a despesas com a UPIS solicitadas por meio do TIF nº 09 (anexo I); os valores referentes ao custeio de despesas com educação não foram declarados em GFIP, portanto, não foram considerados pela empresa como base de cálculo das contribuições previdenciárias; o gasto do contribuinte com o custeio de cursos de idiomas, de pósgraduação e reembolso educacional de seus empregados é considerado fato gerador de contribuição previdenciária, uma vez que os valores despendidos com referido benefício, embora relativos à despesa com educação, não se encontram alcançados pela norma de isenção de que trata a alínea “t” do § 9º do art. 28 da Lei nº. 8.212/91, que prevê parcela não integrante do salário de contribuição do segurado. Portanto, deve compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. para que o valor despendido com educação não integre o saláriodecontribuição, devem ser atendidos, de forma cumulativa, os requisitos estabelecidos pela legislação, quais sejam: a) plano educacional que caracterize o oferecimento de educação básica ou de cursos de capacitação e qualificação profissional vinculados às atividades da empresa, b) o benefício não pode substituir parcela salarial e, c) disponibilidade de acesso a todos os empregados. Em se tratando de norma de exceção que confere isenção tributária, deve ser interpretada restritivamente. Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.367 9 o valor concedido aos empregados a título de ressarcimento de despesas com custeio de cursos de pósgraduação, de idiomas e reembolso educacional não é isento de contribuições previdenciárias, sendo considerado salário in natura e, portanto, na qualidade de salário indireto, integra o saláriode contribuição do segurado empregado para fins de incidência das contribuições previdenciárias. as bases de cálculo referentes ao reembolso educacional foram discriminadas nos seguintes Códigos de Levantamento: ED2 – Educação Individualizada Por Empregado (contribuição dos segurados empregados calculada de acordo com a faixa salarial) e ED3 Educação Não Individualizada Por Empregado (contribuição dos segurados empregados calculada pela alíquota de 8%) DA MULTA APLICADA SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS DE OFÍCIO Registra que foram aplicadas as multas no lançamento de ofício, conforme disposições expressas, respectivamente, nos artigos 32A e 35A da Lei n. 8.212/1991, incluídos pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o período lançado é 01/2009 a 12/2009. Considerando que não houve recolhimento e nem declaração em GFIP das contribuições previdenciárias apuradas nos levantamentos AP, IN, IS, FP, ED2 e ED3, foi aplicada a multa de ofício de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE OS FATOS GERADORES Informa que em razão da situação verificada configurar, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 9.983/2000, foi emitida representação fiscal para fins penais por sonegação de contribuição previdenciária. Informa que a relação de coresponsáveis está discriminada no Relatório de Vínculos em anexo. DOS ELEMENTOS EXAMINADOS Os elementos que serviram de base para as análises constantes do presente levantamento foram as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ, escrituração contábil digital em formato SPED transmitida à RFB e os documentos apresentados pelo contribuinte. DAS PROVAS Registra que foram entregues ao contribuinte em mídia digital (CD) os seguintes anexos do presente Auto de Infração: ANEXO I: Termos apresentados ao contribuinte TIPF – Termo de Início de Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.368 10 Procedimento Fiscal; TIF n° 01 a 11 – Termos de Intimação Fiscal; TEPF – Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal; ANEXO II Atos Constitutivos, procurações e documentos pessoais dos responsáveis legais; ANEXO III Recibos de Entrega de Arquivos Digitais; ANEXO IV Respostas, do contribuinte, aos Termos de Intimação; ANEXO V Documentos Grupo OI – Cadastro CNPJ e DIPJ; ANEXO VI – Planilha Beneficiários Aviso Prévio Indenizado; ANEXO VII – Planilha Beneficiários Indenização; ANEXO VIII – Planilha Beneficiários Insuficiência de Saldo; ANEXO IX – Planilha Folha de Pagamento Não Declarada em GFIP; ANEXO X Planilha Contribuição dos Segurados; ANEXO XI – Planilha Beneficiários Reembolso Educacional; ANEXO XII – Planilhas Contas Contábeis Reembolso Educacional II DA CIENTIFICAÇÃO DA INTERESSADA A empresa 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A foi notificada do Auto de Infração lançado mediante entrega pessoal em 22/05/2013, conforme assinatura aposta às fls. 25. III DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A apresenta impugnação protocolada em 21/06/2003, conforme atesta o carimbo às fls. 420, por intermédio do instrumento de fls. 420 a 451, acompanhado dos anexos de fls. 452 a 601. Aduz em síntese o que se segue. Da Ilegalidade Da Representação Para Fins Penais Contesta que os fatos verificados não configuram nem mesmo "em tese" o crime de sonegação previdenciária, afirmando que para a verificação do tipo penal, não basta o inadimplemento de contribuição previdenciária, sendo necessário que o sujeito passivo atue com dolo para evitar que o Fisco descubra a ocorrência do fato gerador, o que não ocorreu no seu caso, segundo entende, pois o inadimplemento decorreu justamente da controvérsia quanto à incidência da lei tributária sobre as verbas em questão. Ressalta que a prova disso é que a autuação sequer teve multa majorada. Aduz que de outra feita, o tipo penal será utilizado como forma de sanção política, coagindo os contribuintes a recolherem tributos que consideram indevidos e Direito Penal não pode se presta para fins arrecadatórios. Requer o cancelamento da representação para fins penais em razão da total inadequação do fato típico à conduta realizada pela empresa Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.369 11 Da Exclusão De Diretores Como CoDevedores Reputa que devem ser mantidos como coresponsáveis apenas aqueles que efetivamente desempenhavam funções na empresa 14 Brasil Telecom Celular S/A no período fiscalizado: janeiro/2009 a dezembro/2009 e pede a exclusão das pessoas físicas (1) LUIZ FRANCISCO TENORIO PERRONE; (2) FRANCISCO AURELIO SAMPAIO SANTIAGO; (3) RICARDO KNOEPFELMACHER; e (4) PAULO NARCELIO SIMOES AMARAL, da qualidade de coresponsáveis na representação penal lavrada pelo suposto crime de sonegação previdenciária. DO MÉRITO Da Hipótese De Incidência Das Contribuições Previdenciárias Defende que a legislação constitucional e infraconstitucional determinou que as contribuições previdenciárias patronais devem incidir exclusivamente sobre os rendimentos pagos em virtude do trabalho, ou seja, de natureza salarial e conclui que as parcelas que não tenham natureza contra prestacional estão fora do âmbito de incidência das citadas contribuições Discorre que nem todas as parcelas econômicas pagas pelo empregador aos seus empregados possuem caráter remuneratório, pois há diversos casos em que o pagamento se faz a título indenizatório/compensatório ou assistencial Afirma que a própria Lei 8.212/91 se encarregou de excluir expressamente do salário de contribuição (base de cálculo das contribuições previdenciárias) diversas verbas, seja por (i) se tratarem de parcelas que não ostentam natureza salarial (hipótese em que a lei apenas repete o que está implícito na CF/88), (ii) seja para induzir os empregadores a concederem certos benefícios a seus funcionários. Do Aviso Prévio Indenizado Defende que o aviso prévio indenizado não tem natureza salarial (remuneratória), pois os valores recebidos pelo empregado não remuneram qualquer trabalho, e também não é parcela de caráter habitual (pois só é pago uma vez) , não havendo que se falar em incidência da contribuição previdenciária. Entende que se trata de indenização pela não observação do direito do trabalhador de ser previamente notificado da demissão. Cita jurisprudências administrativa e judicial sobre o assunto. Ressalta que nem mesmo a Lei ordinária poderia determinar a incidência das contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado, pois isso implicaria violação ao art. 195, I, a, da CF/88 e que a norma prevista no art. 214, §9°, inciso V, alínea “f” do Regulamento da Previdência Social apenas explicitava uma determinação que já estava prevista na Lei 8.212/91 e no art. 195 da CF/88. Concluise, portanto, pela ilegalidade do lançamento impugnado no tocante à incidência de contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado. Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.370 12 Da Indenização Por Incentivo À Aposentadoria. Relata que criou um Plano de Desligamento Voluntário (PDV) que também incentivava a aposentadoria de seus funcionários (Plano de Incentivo à Aposentadoria PIA), do qual decorrem as indenizações. Defende que os planos de desligamento voluntário acarretam a dispensa sem justa causa com o pagamento de todas as verbas rescisórias e uma indenização que serve de compensação pela perda do emprego, e que em razão do seu nítido caráter indenizatório, as parcelas recebidas pelo empregado em decorrência do seu desligamento voluntário foram expressamente excluídas do salário de contribuição conforme disposições do art. 28, § 9º, alínea “e”, item 5 da Lei nº 8212/91. Afirma que o CARF já consolidou seu entendimento quanto à natureza indenizatória da verba recebida em programa de incentivo à aposentadoria para fins de incidência do IRPF e entende que a caracterização da verba como indenizatória importa na não incidência tanto do IRPF quanto das contribuições sociais. Explana que não se pode considerar o incentivo à aposentadoria como salário, também ante à ausência do requisito da habitualidade exigido no art. 28 da Lei 8.212/91, uma vez que a indenização é paga uma única vez dentro de um mesmo contrato de trabalho, enquadrandose nas disposições do item 7 da alínea e do § 9o do artigo 28. Cita jurisprudências e doutrinas nesse sentido e conclui que não há que se falar em incidência das contribuições previdenciárias sobre as indenizações para incentivo à aposentadoria. Do Reembolso Educacional Defende que a própria lei determina que o valor pago pela empresa para a educação do funcionário não se caracteriza como salário indireto, citando o art. 28, § 9º, “t” da Lei nº 8.212/91. Destaca que a Fiscalização não levantou dúvidas quanto à disponibilização do plano educacional à totalidade dos funcionários da Impugnante e não considerou que não estariam vinculados às atividades da empresa ou estavam sendo utilizados em substituição ao salário. Argumenta que considerar que apenas o pagamento aos empregados de cursos de natureza tecnológica estariam excluídos do salário de contribuição é uma interpretação restritiva do art. 28, §9°, alínea “t”, da Lei 8.212/91 e que a norma legal não faz essas ressalvas. Defende que o dispositivo é claro ao afirmar que os planos educacionais que disponibilizem "cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa" estão excluídos do salário de contribuição, não havendo necessidade de o curso estar incluído no art. 39 da Lei 9.394/96 (cursos tecnológicos) e não no seu art. 43 (educação superior em geral). Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.371 13 Menciona que o CARF proferiu 03 acórdãos de idêntico teor (2401 001.829, 2401001.830 e 2401001.831) que corroboram com a argumentação da Impugnante. Cita acórdão em que a CSRFCâmara Superior de Recursos Fiscais considerou que cursos de MBA (Master in Business Administration) pagos pela empresa a seus funcionários se caracterizam como curso de capacitação e qualificação para fins de isenção da contribuição previdenciária Conclui que a Fiscalização não apontou qualquer violação às exigências legais (disponibilização a todos os funcionários e ausência de substituição de parcela salarial), e requer o cancelamento da autuação neste ponto é medida que se impõe. Dos Empréstimos Corporativos (Insuficiência De Saldo). Relata que tem um programa pelo qual concede empréstimos corporativos aos seus funcionários sob a forma de mútuo e que posteriormente esses valores são devolvidos de forma parcelada mediante descontos em folha e que quando um funcionário que tomou empréstimo junto à Impugnante é desligado sem pagar todas as parcelas do contrato de mútuo, a empresa opta por não fazer o desconto integral do saldo devedor nas verbas rescisórias e continuar cobrando o empréstimo como acordado. Contesta que, ao contrário do que afirmou a fiscalização, o saldo devedor não é perdoado e continua cobrando administrativamente a dívida de modo que não há como considerar que houve "perdão de dívida" e muito menos liberalidade do empregador. Frisa que a própria Fiscalização comprovou a devolução dos empréstimos por parte dos empregados. Entende que a parcela em questão tem a natureza de pagamento decorrente de contrato de mútuo, dívida de natureza eminentemente contratual (e não trabalhista), sobre a qual não incide a contribuição previdenciária já que não pretende remunerar o labor. Reclama que o agente fiscal deveria ter comprovado que a dívida dos funcionários foram formalmente perdoados, ou que a empresa reconheceu a perda por inadimplência relativa a esses valores e afirma que isso não foi feito. Entende que isso acarreta a improcedência da autuação neste ponto, que está a transferir indevidamente o dever de prova ao contribuinte, o que demonstra a ausência de comprovação clara e segura da ocorrência do fato gerador. Conclui que a autoridade fiscal não se desincumbiu do dever de demonstrar a existência de salário indireto relativo a esta rubrica, e por conseqüência, a ocorrência do fato gerador, gerando a insubsistência da autuação relativamente a este ponto. Da Divergências Entre Folhas De Pagamento e GFIP Afirma que os valores indicados pela autoridade fiscal no Anexo IX do lançamento, constam, de fato, na folha de pagamentos da empresa vinculados a seus empregados. Entretanto afirma que Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.372 14 foram declarados na folha de pagamentos como redutores dos vencimentos a que os empregados teriam direito e não o contrário, pois não se tratam de pagamentos feitos a funcionários, mas de descontos sofridos pelos empregados pelos mais diversos motivos (como faltas). Cita como exemplo os funcionários Danielly da Silva Gomes Oliveira e David Justino Gusmão e afirma que os mesmos valores incluídos pelo Fisco no salário de contribuição se referem a descontos por faltas, que foram abatidos das verbas rescisórias dos mesmos funcionários. Informa que junta aos autos os mesmo documentos referentes à esse desconto para os outros funcionários indicados no Anexo IX. Afirma que os descontos sofridos pelos funcionários não podem ser considerados como remuneração (já que reduzem os vencimentos), razão pela qual este item da autuação também deve ser cancelado Da Contribuição Previdenciária a Cargo Dos Segurados e Das Multas Pelo Descumprimento De Obrigações Acessórias Defende que demonstrada a improcedência da autuação pela ausência de inclusão das rubricas: aviso prévio indenizado, incentivo à aposentadoria, reembolso educacional, insuficiência de saldo e das divergências entre folhas de pagamento e GFIP no salário de contribuição, também deve ser cancelado o lançamento no tocante à falta de retenção das contribuições a cargo do segurado sobre esses valores. Afirma que da mesma forma, as multas constituídas pelo suposto descumprimento de obrigação acessória têm como premissa a existência de obrigação principal, uma vez que as infrações apontadas pela Fiscalização decorrem justamente da natureza jurídica das rubricas por ela glosadas na NFLD: AI 51.027.8450 CFL 30 Deixar de prepara folhas de pagamento de acordo com os padrões da RFB por ter excluído a rubrica aviso prévio indenizado; AI 51.027.8469 CFL 34 Deixar de lançar na contabilidade de forma discriminada os fatos geradores de todas as contribuições, o valor descontado e o montante recolhido a cargo da empresa, por não ter incluído as rubricas autuadas na NFLD em comento no salário de contribuição; AI 51.027.4347 CFL 38 Deixar de apresentar documentos relativos ao reembolso de educação solicitados pela Fiscalização; AI 51.027.4355 CFL 59 Deixar de arrecadar mediante desconto em folha a contribuição dos segurados sobre as rubricas autuadas na NFLD em comento; Assim, verificada a inexistência de obrigação principal, a consequência lógica é o cancelamento do lançamento por descumprimento de obrigação acessória, pois nenhum erro teria sido cometido na elaboração da contabilidade, GFIP ou no desconto em folha. Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.373 15 Requer a total procedência da presente impugnação, para cancelar integralmente a exigência tributária nos termos da fundamentação. Protesta pela juntada posterior de documentos nos termos do art.16, §5° do Decreto 70.235/1972. É o Relatório.” A DRJ de origem julgou pela improcedência da impugnação, mantendo, assim, na integralidade o crédito tributário. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 1158/1357, reiterando as alegações expostas em impugnação. Em anexo ao Recurso Voluntário, a contribuinte junta Relação da Folha de Pagamento do ano de 2009. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator 1.Tempestividade Em recurso voluntário a contribuinte OI MÓVEL S/A alega a nulidade da ciência por via postal, haja vista ser optante do Domicílio Tributário Eletrônico. Em anexo ao recurso, promove a juntada, à fl. 1240, do comprovante de adesão ao DTE. Assim, sendo a contribuinte optante do DTE, entendo por indevida a intimação da contribuinte por meio postal, devendo ser considerado tempestivo o recurso voluntário interposto em 24/11/2014. Por oportuno, transcrevo a declaração de voto do Conselheiro Luis Flávio Neto, nos autos do acórdão 9101002.443, de 21 de setembro de 2016: O art. 23, § 5o, do Decreto n. 70.235/72, resguardou a utilização do domicílio eletrônico para as hipóteses em que o contribuinte o tenha eleito expressamente. A adoção do endereço postal, em linha com o art. 127, II, do CTN, passou a ser utilizado na hipótese de silêncio do particular quanto à adesão aos meios eletrônicos de comunicação. No caso dos autos, o contribuinte expressamente elegeu como domicílio fiscal o seu endereço eletrônico, nos precisos termos do art. 127, caput, do CTN, de forma que as notificações quanto aos assuntos de seu interesse deveriam passar a ser realizadas neste. Concretizada a eleição do endereço eletrônico, a administração fiscal deve restringir as intimações a este endereço. Por obediência ao § 2o do art. 127 do CTN, a administração fiscal apenas pode recusar essa escolha do contribuinte, com o direcionamento de notificações a outro endereço (postal), caso o endereço eletrônico eleito impossibilitasse ou dificultasse a atividade fiscal. Obviamente isso não ocorre nos autos, pois o endereço eletrônico é justamente o que gera menos onerosidade ao fisco, com menos custos, dispêndio de mão de obra, bem como maior agilidade e praticabilidade à administração fiscal. Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.374 16 Estes fundamentos já são suficientes para que se constate a nulidade de intimações realizadas ao contribuinte a endereços diversos de seu domicílio eletrônico expressa e regularmente eleito. No entanto, vale ainda observar que a Portaria MF n. 527/2010, que regulou a forma como as intimações eletrônicas devem ser realizadas em face do contribuite, por reconhecer as normas jurídicas vigentes no sistema, relegou os meios físicos de intimação às hipóteses em que o contribuinte não tenha aderido ao domicílio eletrônico. Merece destaque o art. 4o do aludido ato do Ministério da Fazenda: Art. 4o A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pelo órgão competente do MF mediante: I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (...) § 3o Inexistindo a autorização prevista no § 1º e não sendo realizada a intimação nos termos do inciso II do caput, o órgão do MF deverá realizála por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ao endereço do sujeito passivo, com prova de recebimento, conservandose o comprovante de entrega em meio físico, após a sua respectiva digitalização e juntada ao processo eletrônico, observado o disposto no § 3º do art. 1º desta Portaria. Notese que o art. 4o, § 3o, da Portaria MF n. 527/2010, restringiu a adoção de intimações postais às hipóteses em que contribuinte não tenha optado pelo domicílio eletrônico, encontrase perfeitamente em linha com a norma do art. 127 do CTN: i) o contribuinte possui o direito de “eleger” o seu domicílio fiscal e, caso seja eleito o endereço eletrônico (eCAC), a Portaria MF n. 527/2010 regula como se dará a respectiva intimação pelo meio eletrônico, única forma que se mostra necessária ou mesmo possível nesse ambiente digital desenvolvido pela administração fiscal (eCAC); ii) na falta de eleição expressa de qualquer domicílio, deverá ser considerado o endereço físico, para o qual as intimações poderiam ser enviadas pela via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento. A Portaria MF n. 527/2010 também está em consonância com o art. 23, § 3o, do Decreto n. 70.235/72. Na ausência de eleição expressa de domicílio eletrônico e, assim, com a adoção do endereço físico do contribuinte, não há ordem de preferência em relação à via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio. Por sua vez, na hipótese de eleição expressa pelo domicílio eletrônico, embora nenhuma ordem de preferência seja imposta, é suficiente ou mesmo tecnicamente possível que as Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.375 17 notificações ocorram apenas mediante intimações eletrônicas no ambiente do eCAC. Pelos fundamentos expostos, portanto, é necessário reconhecer que as intimações postais, encaminhadas ao endereço físico do contribuinte após a expressa eleição pelo domicílio eletrônico, devem ser considerados nulas. Nas oportunidades em que o contribuinte, notificado via postal, cumpriu o seu direito de defesa com a apresentação de recursos, podese compreender superada a referida nulidade (Decreto n. 70.235/72, art. 59, §3o). No entanto, a intimação postal quanto ao julgamento da DRJ padece de insanável nulidade, não podendo ensejar a preclusão recursal em face do contribuinte, sob pena de cerceamento de seu direito de defesa perante este Tribunal." Deste modo, o recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 2. Da Composição do Saláriodecontribuição 2.1 Aviso Prévio Indenizado O tema já foi objeto de julgamento no STJ em sede de recurso repetitivo no REsp. nº 1.230.957/RS, no qual se concluiu pela não incidência de Contribuições Sociais Previdenciárias sobre as verbas pagas a título de aviso prévio indenizado. Entendeuse que os valores não se referiam a contraprestação pelo trabalho, e sim que eram pagos a título de indenização ao empregado que não recebeu o aviso prévio. Eis a ementa da decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. (...) 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.376 18 rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. (...) Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/ STJ. (REsp 1230957/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/02/2014, DJe 18/03/2014) Uma vez que o julgamento ocorreu conforme as regras do art. 543C do CPC/1973, o entendimento deve ser replicado no âmbito deste e.CARF, nos termos dos arts. 45, VI, e 62, § 1º, II, 'b', ambos do Anexo II ao RICARF. Como consequência, é necessário dar provimento ao recurso nesse ponto. 2.2 Pagamento de Incentivo à Aposentadoria A legislação previdenciária trata dessa matéria em seu artigo 29, §8º, “e”, “5”, da Lei 8.212/91, asseverando claramente que não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de incentivo à demissão. A referida norma também não colocou qualquer ressalva ao formato estabelecido pela empresa aos planos oferecidos. Vejamos o teor o dispositivo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: e) as importâncias: 5. recebidas a título de incentivo à demissão; Assim, entendo que as verbas indenizatórias decorrentes de adesões ao Programa de Incentivo à Aposentadoria devem ter o mesmo tratamento jurídicotributário dispensado ao PDV, conforme restou decidido no acórdão 2801001.513 (Rel. Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, julgado em 14/04/2011. Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.377 19 Ademais, outros julgados deste Conselho já consideraram a natureza indenizatória de tal rubrica, os quais podemos citar: acórdão nº 2801001.285, 10423199 e 10246770, cujas ementas estão transcritas no recurso voluntário interposto pelos recorrentes. Deste modo, entendo por afastar o lançamento fiscal em relação a rubrica em questão. 2.3 Reembolso Educacional Este Conselho, em processo similar ao ora em exame, teve acórdão proferido (acórdão nº 2401004.472, julgado em 16/08/2016), cujo voto do ilustre Relator Rayd Santana Ferreira, compartilho do entendimento, razão pela qual adoto como minhas razões de decidir. "Como se observa, a contribuinte instada a se manifestar sobre o pagamento do Reembolso Educacional, muito embora tenha apresentado planilha especificando parte das informações solicitadas, deixou de esclarecer qual o tipo de ensino disponibiliza aos beneficiários do Reembolso Educacional. Assim, em que pese ter informado que aludida verba comporta despesas com cursos de idiomas e cursos de pósgraduação, não especificou quais as condições para o seu pagamento, bem como quais cursos precisamente são ofertados. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte seja afastada a tributação sobre aludida verba, argumentando que foram lançados os reembolsos com cursos de idiomas, graduação, pós graduação, inscrições em cursos, seminários, palestras, entre outros, estando completamente equivocado o auditor e a DRJ, uma vez que tais valores despendidos pela autuada não servem para remunerar serviços prestados, mas, sim, custear a qualificação de seus funcionários, com o fito de melhor executarem suas atividades, ou seja, é concedida não pelo trabalho, mas para o trabalho, o que impossibilita a incidência de contribuições previdenciárias, conforme entendimento da jurisprudência dos Tribunais Superiores. Constatase que a contribuinte, ao invés de melhor aclarar a demanda, colacionando aos autos as informações pertinentes a cada curso oferecido, com o destinatário, a natureza do curso, etc, sobretudo objetivando subsumir o fato à norma isentiva, simplesmente traz à colações questões de direito periféricas, que em nada contribuem para o deslinde da controvérsia. Ao contrário, ao buscar repousar sua pretensão em simples alegações de não incidência de contribuições previdenciárias sobre o custeio educacional de seus funcionários, o que é de conhecimento geral e consta da própria lei, deixou de proceder o mais importante, que é a comprovação de que o auxílio educacional ofertado observa os pressupostos legais para fins de não incidência dos tributos ora lançados. [...] Nestes termos, muito embora não compartilhe com parte da conclusão fiscal, que dá a entender que cursos de pósgraduação e de idiomas não estariam abarcados pela norma isentiva em comento, por não se caracterizarem como educação básica e/ou capacitação profissional, entendimento que foge à própria Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.378 20 essência da verba sub examine, o certo é que a contribuinte em momento algum ofereceu condições/informação para se aferir se, de fato, o benefício/auxílio por ela concedido encontra sob o manto dos preceitos do artigo 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/1991. Nessa toada e, na linha do decidido no Acórdão recorrido, impende manter a exigência de contribuições previdenciárias sobre a verba denominada Reembolso Educacional ofertado pela contribuinte aos seus funcionários. Assim, considerando que as recorrentes não ofereceram elementos se aferir se, de fato, o benefício/auxílio por ela concedido encontra sob o manto dos preceitos do artigo 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/1991, impõese a manutenção do lançamento neste tocante. 2.4 Insuficiência de saldo. Mútuos. Alega o recorrente que quanto um empregado que tomou empréstimo é desligado junto à contribuinte, sem, contudo, pagar todas as parcelas do contrato de mútuo, a empresa opta por não fazer o desconto integral do saldo devedor nas verbas rescisórias. Ocorre que, não há como defende a Fiscalização, um perdão da dívida, por liberalidade do empregador. Há, em verdade, contratos de mútuos não finalizados, o qual a contribuinte pode cobrar a dívida, seja judicial ou administrativamente. Valores de mútuo não fazer parte da hipótese de incidência de contribuição previdenciária, por não compor o salário de contribuição. Ademais, para configuração de salário indireto, necessário que a Fiscalização efetivamente demonstrasse que haveria o perdão da dívida no momento da rescisão, o que demonstraria que todo empregado que é desligado ganharia de bônus o perdão da dívida. Porém, inexiste esta demonstração por parte da fiscalização. Deste modo, diante da impossibilidade jurídica de incidir contribuição previdenciária sobre mútuo, pois não descaracterizado pela Fiscalização a natureza jurídica do mútuo, demonstrando ser um salário indireto, entendo pelo provimento do recurso neste tocante, devendo ser afastada a incidência de contribuições destinadas a Terceiros sobre a rubrica “insuficiência de saldo”. 3. Das Divergências entre Folhas de Pagamento e GFIP. A Fiscalização considerou que existiam valores informados na folha de pagamentos da contribuinte que teriam como beneficiários seus empregados, mas que não foram declarados na GFIP. Sustenta a contribuinte que, de fato, os valor indicados no Anexo IX constam na folha de pagamentos da empresa vinculados a seus empregados, entretanto, aduz que a Fiscalização “não se deu conta que não se tratam de pagamentos feitos a funcionários, mas, ao contrários, de descontos sofridos pelos empregados pelos mais diversos motivos (como faltas)”. Para provar o alegado, a empresa juntou com a impugnação documentos referentes a esse desconto para os outros funcionários indicados no Anexo IX do Auto de infração (fls. 807/1068, doc. n° 04 da impugnação). A DRJ, por sua vez, entendeu pela improcedência da impugnação neste tocante, pois não teria a contribuinte demonstrado o que alega. Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.379 21 Diante disso, em recurso voluntário apresentam os recorrentes documentos para provar o que alega, qual seja, a folha de pagamento analítica, com a indicação das rubricas relativas aos valores glosados pela fiscalização, onde ao meu entender, resta comprovado que as divergências decorrem de descontos sofridos pelos empregados. Assim, não sendo possível a incidência de contribuições destinadas a Terceiros sobre descontos, entendo por afastar o lançamento quanto a Divergências entre Folhas de Pagamento e GFIP. 4. Sujeição passiva solidária. A solidariedade decorre de lei específica, vez que o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, citado no relatório fiscal, dispõe que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si solidariamente pelas obrigações tributárias, conforme reproduzido: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Assim, temse que considera existente grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. Caracterizada a existência do “grupo”, impõese a imputação de responsabilidade solidária a cada um de seus integrantes, pelo cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, por expressa determinação contida no inciso IX do art. 30 do referido normativo. Como se pode perceber, em que pese o entendimento diverso das recorrentes, a solidariedade no lançamento que se analisa não é decorrente de suposto interesse comum das empresas envolvidas, mas da aplicação de solidariedade prevista em lei específica. Deste modo, configurada a existência de grupo econômico, entendo por manter a responsabilidade solidária. 5. Representação fiscais para fins penais. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf editou a seguinte súmula: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Sendo a referida Súmula de observância obrigatória neste Conselho, não há como este colegiado se pronunciar sobre as questões alegadas pelos recorrentes sobre a matéria suscitada. 6. Relatório de vínculos. Os recorrentes pedem, em nomes de terceiros, que sejam excluídas as pessoas físicas do relatório de vínculos. Além da impossibilidade de se pleitear direito alheio, temse que a questão já foi tratada pela DRJ de forma clara, vejamos: Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.380 22 “No que diz respeito à responsabilização dos dirigentes da empresa é de se notar que o fato dos diretores da Impugnante constarem do anexo do Auto de Infração denominado “RELATÓRIO DE VÍNCULOS”, não significa que sejam solidariamente responsáveis pelos valores levantados pela auditoria fiscal, contra a pessoa jurídica. Consta do citado anexo que ele “...lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente”. As referidas informações por si só, porém, são incapazes de imputar de responsabilidade tributária ou inclusão dos aludidos administradores no pólo passivo do lançamento tributário sob análise, em que não consta ter sido aplicado o art. 135, inciso III do Código Tributário Nacional.” Ademais, importa citar o disposto na Súmula CARF nº 88: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg" e a "Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Diante disso, carece de razão os recorrentes. 7. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para afastar a incidência das contribuições destinadas a Terceiros sobre as rubricas “aviso prévio indenizado”, “incentivo à aposentadoria”, “insuficiência de saldos” e sobre os descontos (“divergência entre folhas de pagamentos e GFIPs). (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Redatora Designada De início, registro que, no caso em apreço, não há dúvidas de que a recorrentecontribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância. O cerne da discussão, portanto, diz respeito à obrigatoriedade de intimação no domicílio fiscal eletronônico, o qual teria sido supostamente eleito como único meio apto para o recebimento de intimações. Com a devida vênia aos que entendem de forma contrária, a interpretação literal do § 4º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 demonstra a clara opção legislativa pela multiplicidade de domicílios para fins de intimação. Isto porque, o supramencionado Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 10166.723602/201322 Acórdão n.º 2202004.846 S2C2T2 Fl. 1.381 23 dispositivo põe, ao meu aviso, de forma inequívoca que, para tal fim, considerase domicílio do sujeito tributário, I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (destaques deste voto) As conjunções coordenativas aditivas, à exemplo da empregada no § 4º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, expressam a ideia de acréscimo/adição. Em outras palavras, seguramente é possível afirmar que o contribuinte pode ser intimado não só pela via postal, como também pelo endereço eletrônico. Ainda que tivesse sido empregada uma conjunção coordenativa alternativa, outro não seria o entendimento. É que, para fins de intimação, seria considerado domicílio tributário do sujeito passivo o endereço postal ou o endereço eletrônico. A intimação, portanto, poderia se dar em quaisquer destas formas. Sob um aspecto teleológico, o que se almeja com a intimação é que, seguramente, tenha sido o contribuinte cientificado do ato. Para que seja aventada ofensa aos princípios da segurança jurídica, da ampla defesa e do contraditório, precisaria ser demonstrado que o contribuinte não ficou a par da decisão. No caso ora sob escritínio, conforme já frisado e repisado, inconteste que a ora recorrentecontribuiinte tomou, em 01.08.2014, pleno conhecimento do acórdão proferido pela DRJ, quando do envio da intimação para o endereço postal que ela havia fornecido. Se assim é, não há que se cogitar quaisquer nulidades por ofensa a princípios basilares de nosso ordenamento jurídico. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Redatora Designada Fl. 1381DF CARF MF
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Numero do processo: 13985.000156/2005-19
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Diante da fixação da data de exclusão do SIMPLES surge a obrigação de entrega da DCTF nos limites previstos na legislação tributária.
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE NORMA INFRALEGAL. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo: Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração
Numero da decisão: 1003-000.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Diante da fixação da data de exclusão do SIMPLES surge a obrigação de entrega da DCTF nos limites previstos na legislação tributária. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE NORMA INFRALEGAL. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo: Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1529; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 51 1 50 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13985.000156/200519 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.342 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 06 de dezembro de 2018 Matéria MULTA ATRASO OU FALTA ENTREGA DCTF Recorrente TRANSFORMADORES SÃO MIGUEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Diante da fixação da data de exclusão do SIMPLES surge a obrigação de entrega da DCTF nos limites previstos na legislação tributária. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE NORMA INFRALEGAL. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo: Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 5. 00 01 56 /2 00 5- 19 Fl. 51DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Recorrente por discordar do acórdão de nº 0713.768, de 05 de setembro de 2008, proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS, às fls. 2730, julgando, parcialmente, procedente o lançamento a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referentes aos 1°, 2°, 3° e 4° Trimestres/2002, nos moldes da ementa abaixo transcrita: Assumo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Anocalendário: 2002 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF n9 1.364, de 10 de novembro de 2004. Lançamento Procedente em Parte Inconformada com a decisão que manteve parte do lançamento quanto à multa relativa ao 4° trimestre de 2002, a Recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 3644, requerendo sua reforma parcial, e, para tanto, argumentou, em síntese: (i) preliminarmente : a) que o auto de infração fundamentouse em normas revogadas, as quais devem ser tidas como inexistentes, e, que, portanto, o auto de infração é nulo em sua integralidade; (ii) no mérito, que: a) estava dispensada da entrega da DCTF até o segundo semestre de 2003 por ser optante do SIMPLES, ainda que tenha ocorrido sua exclusão do referido sistema com efeitos retroativos a 01.01.2002; (b) são inconstitucionais as multas previstas na Lei n°10.426/02, e, como a multa mantida é relativa ao 4° Trimestre de 2002, não caberia a aplicação retroativa do inciso I do § l° do art. 3° da IN 255/2002, para sua exigência; Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13985.000156/200519 Acórdão n.º 1003000.342 S1C0T3 Fl. 52 3 c) c) a multa isolada aplicada não pode persistir por conta da MP n. 303/06, dando nova redação ao referido art. 44 da Lei n° 9.430/96; que deixou de impor tal penalidade; d) a multa em questão deve ser afastada pela denúncia espontânea, nos termos art. 138 do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que a Recorrente foi cientificada do Acórdão n° 0713.768, proferido pela 3ªTurma da DRJ/FNS em 04/11/2008 (fls. 35) e apresentou o recurso competente em 10/11/2008 (fls. 3635). O recurso voluntário interposto pela Recorrente, portanto, atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Inicialmente, cabe ressaltar que a 3ªTurma da DRJFNS declarou procedente, em parte, o lançamento de fls. 08, cancelando as multas relativas aos 1°, 2° e 3° trimestres de 2002, e, mantendo apenas a referente ao 4° trimestre do mesmo ano. Contudo, a Recorrente entende que nem mesmo a multa relativa ao último trimestre de 2002 deveria prevalecer. PRELIMINARMENTE Em sede de preliminar, alega a Recorrente que o auto de infração é nulo, pois fundamentouse em normas revogadas1 pela IN 255/2002. Neste ponto, por entender que as considerações realizadas pela DRJ no r. acórdão são irretocáveis, colaciono parte de seu texto neste voto: "Não procede a arguição de nulidade pelo fato de terem sido citados no Auto de Infração dispositivos pertencentes a diplomas revogados pela IN SRF n° 255/2002, quais sejam: o art. 4° c/c art. 2° da IN SRF 73/96, e os arts. 2° e 6° da IN SRF 126/98, pois referidos dispositivos mantiveram sua força normativa nos períodos em que vigeram, inclusive no período tratado no lançamento, conforme se vê abaixo: Instrução Normativa SRF n°255, de II de dezembro de 2002: Art. 11. Ficam formalmente revogadas, sem interrupção de sua força normativa, as Instruções Normativas editadas pela 1 Art. 2° da IN SRF 73/96, e arts. 2° e 6° da IN SRF 126/98. Fl. 53DF CARF MF 4 Secretaria da Receita Federal nº 073/96, de 19 de dezembro de 1996, nº 45/98, de 05 de maio de 1998, nº 126/98, de 30 de outubro de 1998; nº 15/99, de 12 de fevereiro de 1999; nº083/99, de 12 de julho de 1999; nº018/00, de 23 de fevereiro de 2000. Ademais, o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, consoante redação do art. 144 do CTN, salvo as seguintes exceções previstas no mesmo dispositivo e que não se aplicam no caso em análise. Logo, impossível prosperar a preliminar de nulidade do auto de infração. MÉRITO No tocante ao mérito, a Recorrente argumenta que, como optante do SIMPLES, estaria dispensada da entrega da DCTF até o segundo semestre de 2003, quando então foi excluída do sistema simplificado. Ocorre que, à exclusão da Recorrente do SIMPLES, foram atribuídos efeitos retroativos a 01/01/2002, conforme se comprova às fls. 20. Baseada neste motivo, bem como pela análise da legislação vigente à época, a DRJ concluiu que, em relação aos três primeiros trimestres de 2002, a Recorrente, de fato, não estava sujeita à entrega da DCTF, sendo então indevida a exigência da multa por atraso do envio, com fulcro no estabelecido pela IN SRF n° 126/98: Art. 3º "Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (...) IV os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas. Parágrafo único. Não está dispensada da apresentação da DCTF, a pessoa jurídica: I excluída do SIMPLES, a partir do II trimestre do ano subseqüente ao da exclusão"; Tal disposição vigorou até a entrada em vigor da IN SRF n° 255, publicada em 12/12/2002, momento desde o qual a pessoa jurídica excluída do SIMPLES, como é o caso da Recorrente, estava obrigada à apresentação da DCTF a partir, inclusive, do trimestre que compreendesse o mês em que a exclusão surtir seus efeitos: Art. 3° "Estão dispensadas da apresentação da DCTF: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13985.000156/200519 Acórdão n.º 1003000.342 S1C0T3 Fl. 53 5 Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), relativamente aos trimestres abrangidos por esse sistema; (...) § 1º Não está dispensada da apresentação da DCTF, a pessoa jurídica: I excluída do Simples, a partir, inclusive, do trimestre que compreender o mês em que a exclusão surtir seus eƒeitos;” Por isso, no que tange ao 4° Trimestre/2002, como a regra mudou com a edição da IN SRF n° 255, em 12/12/2002, é correta imposição da multa e deve ser mantida tal como decidido pela DRJ, não havendo razão para a reforma da decisão recorrida. Em tempo, a Recorrente questiona a constitucionalidade das multas previstas na Lei n°10.426/02 e da aplicação retroativa da IN 255/2002, requerendo que não prevaleça nem mesmo a cobrança da multa relativa ao 4° Trimestre de 2002 . Contudo, é vedado ao CARF pronunciarse sobre questões de constitucionalidade e legalidade de leis tributárias. Esse entendimento está consolidado pela Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, segundo a Recorrente o lançamento, em sua integralidade, deve ser julgado improcedente, ante a retroatividade benigna (art. 106, II, "c", do CTN) da MP nº 303/06, mesmo com a perda de seus efeitos com a restauração da dicção contida no art. 44, da Lei nº 9.430/96. Todavia, equivocase a Recorrente! A redação dos dispositivos citados diz respeito à exclusão/redução da penalidade aplicada nas hipóteses de pagamento do tributo efetuado após o vencimento, mas sem a multa de mora, face a impossibilidade da cobrança cumulada da multa isolada e da multa de ofício. Ora, exigência aqui não é de multa isolada em razão de pagamento de tributo em atraso não acrescido de mora, mas sim de lançamento a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Ou seja, o auto de infração referese à incidência de multa pelo cumprimento intempestivo de obrigação acessória (art. 113, CNT). Assim, mostra cabível, in casu, a aplicação retroativa dos efeitos da MP nº 303/06. Por fim, a Recorrente alega espontaneidade na entrega, com atraso, das declarações aqui já mencionadas. Acerca da questão, dispõe o art. 138 do Código Tributário Nacional: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 55DF CARF MF 6 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Todavia, a questão é objeto da Súmula CARF nº 49, abaixo transcrita, com entendimento vinculante na administração tributária federal determinado pela Portaria MF nº 277, de 7 de junho de 2018: Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". Ante o exposto, voto pela rejeição da preliminar suscitada e , no mérito, pela procedência do lançamento, conforme decidido pela DRJ, devendo ser mantida a multa relativa ao 4° Trimestre/2002. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.909871/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.375
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 09 87 1/ 20 11 -1 7 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 16327.909871/201117 Resolução nº 3201001.375 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição calculada nos termos da Lei nº 9.718/1998, dado o reconhecimento da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do seu art. 3º, que pretendeu estender a base de cálculo da contribuição para além do faturamento, ou seja, para além do resultado da venda de mercadorias e/ou de serviços. Arguiu o então Manifestante que seu pedido não deveria ter sido indeferido de plano, sem intimação para apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Segundo ele, a controvérsia sobre a inclusão das receitas financeiras na receita bruta (conceito de faturamento) das instituições financeiras encontravase pendente de decisão do Supremo Tribunal Federal e que, independentemente disso, não podiam integrar a base de cálculo das contribuições as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e/ou de terceiros em hipóteses que não envolvessem intermediação financeira. Alegou também que, além de auferir receitas decorrentes do exercício de suas atividades sociais típicas, ele realizava também operações no seu próprio interesse, auferindo receitas financeiras em relação à aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. A Delegacia de Julgamento (DRJ) considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcançava as receitas típicas das instituições financeiras (faturamento), dentre elas as receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras), como os juros sobre capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido de outras sociedades e o depósito compulsório rentável. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 16327.909871/201117 Resolução nº 3201001.375 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.345, de 25/07/2018, proferida no julgamento do processo nº 16327.904269/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.345): Tratase de demanda que discute acerca da base de cálculo das contribuições para realizar o PER/DCOMP para instituições financeiras. Sobre o tema já se posicionou a Terceira Turma Câmara Superior no Acórdão 9303 005.051, sendo o Relator Designado o Conselheiro Charles Mayer, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA.EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiro Em recente julgado essa Turma adotou posicionamento de converter o feito em diligência nos autos 16327.720228/201481, por entender que é necessário apresentar de modo detalhado o que são operações financeiras próprias. Em que pese, ter decisão judicial com trânsito em julgado, vejo a necessidade de adotar o mesmo posicionamento do mencionado autos 16327.720228/201481, devendo o feito ser convertido em diligência (...): (...) para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias.(Processo 16327.720228/201481) Fl. 179DF CARF MF Processo nº 16327.909871/201117 Resolução nº 3201001.375 S3C2T1 Fl. 5 4 Diante de tal, a prorrogação pode ser prorrogada por igual prazo em favor do Contribuinte. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual prazo. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.000152/2011-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador:25/07/2007
RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE.
Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-006.224
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 01 52 /2 01 1- 53 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.000152/201153 Acórdão n.º 3302006.224 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento da restituição relativa a PIS/Pasep importação e Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação posteriormente retificada, por falta de apresentação de documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro recolhido indevidamente, consoante o art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Segundo a Fiscalização, o referido crédito tributário recolhido quando do registro da DI poderia ter sido compensado pelo importador, nos termos da legislação de regência, independentemente de autorização da Receita Federal RFB. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que o crédito apurado não podia ser objeto de compensação por ser devido no registro de Declaração de Importação, conforme o artigo 74, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, tratandose de uma exceção legal que não proporcionava segurança jurídica para se requerer a compensação sem prévia concordância do Fisco, tendo em vista o entendimento da Fiscalização quanto à necessidade de comprovação da assunção econômica do encargo. Segundo o então Manifestante, não havendo previsão legal de transferência do encargo financeiro, bem como existindo lei que previa o importador como contribuinte, não era cabível a alegação do Auditor Fiscal de que seria devida a comprovação de assunção do encargo financeiro do tributo recolhido. Ainda segundo ele, mesmo que se entendesse válida a discussão acerca da assunção do encargo financeiro, essa só se justificaria em relação ao montante pago referente à mercadoria desembaraçada, inexistindo fato gerador de PIS/Pasep e Cofins relativos a uma importação não ocorrida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07033.713, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentandose também na necessidade de prova de assunção do encargo financeiro dos tributos, com apresentação de documentos, informações e lançamentos contábeis que demonstrassem de forma inequívoca o efetivo suporte desse encargo. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.000152/201153 Acórdão n.º 3302006.224 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.205, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 11128.000042/201191, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.205): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperioso destacar que a solução do litígio envolve apenas a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, inexistindo discussão sobre as fatos que geraram o pagamento indevido ou a maior, é o que se extrai do despacho decisório de fls. 5153 e da decisão recorrida, a saber: Despacho decisório Os pleitos referemse a importação de mercadoria a granel onde foi constatada falta em relação às quantidades manifestadas, conforme os Laudos Periciais em anexo aos processos supracitados. Todas as DIs foram objeto de retificação após o desembaraço. Cópias dos respectivos pedidos de retificação (PCI) estão anexadas aos processos. As retificações acima referidas, tendo em vista apuração de falta de mercadoria, demonstram que houve pagamento a maior dos tributos em questão, conforme valores discriminados na relação acima. Ocorre que não foi acostada aos processos acima relacionados documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, consoante o Art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Por outro lado, o crédito tributário referente ao PIS e COFINS recolhido quando do registro da DI poderá ser utilizado pelo importador, conforme a legislação que rege os tributos em questão. Este procedimento independe de autorização da RFB. Tendo em vista o acima exposto, proponho o indeferimento dos pedidos de restituição do PIS e COFINS referentes aos processos acima discriminados. Decisão recorrida Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.000152/201153 Acórdão n.º 3302006.224 S3C3T2 Fl. 5 4 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. E o ônus dessa demonstração não cabe ao Fisco. Os sistemas contábeis e respectivos planos de contas são de livre escolha das empresas e, no caso de pedido que envolva a prova prevista no artigo 166 do CTN, devem os requerentes fazer as devidas e satisfatórias demonstrações à vista de suas opções contábeis. E tais demonstrações, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas. Se a interessada, em sua escrituração fiscal, utilizou, em seu favor, de crédito correspondente ao valor de que agora pretende verse ressarcida, referente a PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, resta impossibilitado o deferimento de seu pedido, em decorrência do duplo aproveitamento de um só crédito de tributo. No presente caso, não há comprovação de que o requisito da norma esteja perfeitamente atendido. Ou seja, não se discute a ocorrência de fatos que ensejaram o pagamento indevido ou maior, mas tão e somente a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, previsto no artigo 166, do CTN, outrora utilizado pela fiscalização para indeferir o pedido de Restituição da Recorrente. A respeito disso, verificase que a decisão recorrida manteve o despacho decisório nos seguintes termos: Em primeiro lugar, cumpre mencionar que a restrição legal imposta à solicitação de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outro, encontrase prevista no art. 166 do Código Tributário Nacional CTN, nos seguintes termos: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” No mesmo sentido dispõe a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu art. 6º, nos seguintes termos: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.000152/201153 Acórdão n.º 3302006.224 S3C3T2 Fl. 6 5 “Art. 6º A restituição de quantia recolhida a título de tributo administrado pela RFB que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Das disposições legais transcritas surge o entendimento de que essas alcançam apenas aqueles tributos que comportam a transferência de seu ônus financeiro a terceiros, mediante o registro contábil em conta corrente de débitos e créditos; aqueles cujo contribuinte de fato é o consumidor final, jamais o contribuinte de direito que, embora onerado pelo dever de pagar, não pode, pela própria concepção jurídica desses tributos, suportar economicamente seus encargos. É entendimento que somente os indébitos tributários relacionados a tributos indiretos é que são alcançados pelas disposições contidas no art. 166 do CTN. Assim, o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação são regidos pela nãocumulatividade, estando incluídos no rol dos tributos indiretos, conforme dispõe o art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. Estas contribuições possuem natureza jurídica que comporta a transferência do respectivo encargo financeiro. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005 ) 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.000152/201153 Acórdão n.º 3302006.224 S3C3T2 Fl. 7 6 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. Contudo, entendo que a decisão recorrida merece reforma, posto que os tributos incidentes da importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro, sendo que o sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Essa questão inclusive foi analisada nos autos do PA nº 10909.005708/200842 (acórdão nº 3302004.439), que contou com a participação deste relator, a saber: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/09/2005 a 06/09/2005 RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO DA MERCADORIA IMPORTADA POR CONTA E ORDEM ANTES DO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. LEGITIMIDADE ATIVA DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. Por não comportar a transferência do encargo financeiro, o importador tem legitimidade ativa para pleitear a restituição dos valores indevidos da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação pagos no âmbito da operação de importação por conta e ordem simulada, em que as mercadorias importadas foram objeto de pena de perdimento antes do desembarco aduaneiro e da transferência ao real adquirente. Embargos Rejeitados. Direito Creditório Reconhecido. Neste cenário, deve ser reconhecido o crédito apurado pela Recorrente referente ao PIS/Pasepimportação e a Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.000152/201153 Acórdão n.º 3302006.224 S3C3T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recuso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito apurado referente ao PIS/Pasep importação e à Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.726453/2014-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011
PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA. ASPECTOS TEMPORAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR.
Proventos são acréscimos patrimoniais não derivados da renda. Constitui provento a diferença positiva entre o valor de mercado da ação no dia do exercício da opção de compra e o valor pago pela opção. O fato gerador do imposto ocorre no momento em que a ação passa a acrescer o patrimônio do contribuinte e corresponde ao exercício da opção de compra.
JUROS DE MORA. MULTA DE OFICIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde abrange toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 2301-005.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, (b) no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar que seja abatido, da base de cálculo do lançamento, os valores pagos a maior a título de IRPF sobre ganho de capital; vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator) e Wesley Rocha, que davam total provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Maurício Vital.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Junior (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010, 2011 PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA. ASPECTOS TEMPORAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR. Proventos são acréscimos patrimoniais não derivados da renda. Constitui provento a diferença positiva entre o valor de mercado da ação no dia do exercício da opção de compra e o valor pago pela opção. O fato gerador do imposto ocorre no momento em que a ação passa a acrescer o patrimônio do contribuinte e corresponde ao exercício da opção de compra. JUROS DE MORA. MULTA DE OFICIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde abrange toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, (b) no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar que seja abatido, da base de cálculo do lançamento, os valores pagos a maior a título de IRPF sobre ganho de capital; vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator) e Wesley Rocha, que davam total provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Maurício Vital. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Junior (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
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FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA. ASPECTOS TEMPORAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR. Proventos são acréscimos patrimoniais não derivados da renda. Constitui provento a diferença positiva entre o valor de mercado da ação no dia do exercício da opção de compra e o valor pago pela opção. O fato gerador do imposto ocorre no momento em que a ação passa a acrescer o patrimônio do contribuinte e corresponde ao exercício da opção de compra. JUROS DE MORA. MULTA DE OFICIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde abrange toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, (b) no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar que seja abatido, da base de cálculo do lançamento, os valores pagos a maior a título de IRPF sobre ganho de capital; vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator) e Wesley Rocha, que davam total provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Maurício Vital. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 64 53 /2 01 4- 54 Fl. 435DF CARF MF 2 João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator (assinado digitalmente) João Maurício Vital Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Junior (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrado o auto de infração de fl.14/54, em 24/10/2014, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas dos exercícios 2010 e 2011, anoscalendário 2009 e 2010, no qual se exige imposto sujeito à multa de ofício, no valor de R$ 7.882.305,32, além dos acréscimos legais previstos na legislação de regência, totalizando crédito tributário de R$ 16.685.215,52 (demonstrativo à fl.14). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fl.22/51, a ação fiscal foi realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.04.002014 002885, e teve início em 28/04/2014, quando o contribuinte tomou ciência (fl.04) do Termo de Início do Procedimento Fiscal de fl.02/03. O procedimento fiscal ficou restrito à análise do exercício de opções de compra de ações da BM&F BOVESPA S.A., CNPJ 09.346.601/000125, sucessora de BOLSA DE MERCADORIAS & FUTUROS BM&F S.A., CNPJ 08.936.812/000155, nos anos calendário de 2009 e 2010. O lançamento de ofício foi formalizado em decorrência da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do trabalho com vínculo empregatício, de R$ 12.310.618,32, no anocalendário 2009; e de R$ 16.352.310,12, no ano calendário 2010 Cientificado do lançamento na data de 22/10/2014 (fl.58), o fiscalizado impugnou a exigência em 25/11/2014, por intermédio do instrumento de fl.70/127, apresentada por procuradoras regularmente constituídas, com poderes específicos de representar o interessado no presente processo administrativo fiscal (procuração às fls.134/135). A defesa se baseou em razões de fato e de direito que foram assim sumariadas na peça de impugnação: a) o auto de infração é nulo, pois a fiscalização incorreu em diversas incongruências e equívocos na constituição de suas premissas e fundamentações, confundindo se na diferenciação das opções das ações subjacentes e pautandose a autuação em argumentos contraditórios/equivocados, o que enseja a nulidade do lançamento tributário por conta do vício de motivação; Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10830.726453/201454 Acórdão n.º 2301005.752 S2C3T1 Fl. 428 3 b) a fiscalização mencionou que as opções de compra de ações outorgadas ao impugnante e o exercício da opção teriam natureza de salário ou remuneraçãoutilidade; no entanto, demonstrouse ao longo da presente impugnação o desenquadramento dos planos de stock option do conceito de remuneração, em razão das disposições legislativas acerca do conceito, do entendimento firmado pela jurisprudência trabalhista e pela doutrina, bem como da inexistência dos princípios de contraprestatividade, habitualidade, irredutibilidade, irrenunciabilidade, entre outros; c) incoerentemente, a autuação lavrada para cobrança das contribuições previdenciárias contra a pessoa jurídica (BM&F BOVESPA) elegeu valor diverso a título de remuneração supostamente paga pela empresa ao impugnante, para o mesmo período, o que não pode ser admitido; a base da remuneração deve ser, necessariamente, representada por um único valor para aquele que a paga (pessoa jurídica) e para aquele que a recebe (trabalhador); d) comparandose as duas autuações lavradas contra a pessoa jurídica (BM&F BOVESPA) e a presente autuação lavrada contra o impugnante, verificase que foram eleitos diferentes fatos geradores e bases de cálculo para se determinar o montante da remuneração, ao arrepio dos princípios da segurança jurídica, proteção à confiança e moralidade, que devem lastrear os atos praticados pela administração pública; e) na lavratura da presente autuação, a fiscalização não se atentou à observância das peculiaridades legais específicas aplicáveis à tributação das pessoas físicas, voltando os fundamentos basilares da autuação para a perspectiva da pessoa jurídica; foram exploradas, de forma impertinente, as disposições do CPC 10 e da Lei nº 6.404, de 1976, e, por outro lado, olvidouse de tratar da necessidade de percepção dos rendimentos e da sujeição ao regime de caixa pela pessoa física; f) a fiscalização não poderia ter desconsiderado os Planos de Stock Option em comento, sendo que o artigo 116, § único, do CTN, carece de regulamentação; no entanto, ainda que se admitisse tal procedimento, o correto seria a fiscalização ter desconsiderado os Instrumentos Particulares de Outorga de Opção de Compra de Ações, sendo que estes é que criam o vínculo entre as partes; g) a sistemática de apuração dos ganhos líquidos no mercado de opções regulamentada pela IN nº 1.022, de 2010, revela que a legislação jamais define momento diferente daquele em que os ativos são efetivamente alienados para a geração dos efeitos tributários; o fato gerador ocorre somente no momento e em decorrência da venda das ações adquiridas a partir das opções de compra de ações; h) a fiscalização se aproveitou da legislação específica referente à tributação dos ganhos líquidos na alienação de bens e direitos nas operações de mercado para determinar a base de cálculo no presente caso (correspondente à diferença entre o valor de mercado da ação o preço de exercício), como se houvesse sido praticada pelo impugnante uma ficta operação de alienação quando do exercício das opções, o que não pode ser admitido; i) a outorga de opções de compra de ações para o impugnante atendeu a todas as características essenciais de um contrato mercantil, destinado à formalização de uma modalidade de investimento pelo impugnante, visto que dotado de onerosidade, voluntariedade e risco; Fl. 437DF CARF MF 4 j) a tributação da forma como foi proposta pela fiscalização (no momento do exercício das opções) fere o conceito de renda e o regime de caixa norteador do IRPF, pois no exercício há apenas e tão somente o desembolso por parte do impugnante, inexistindo qualquer tipo de fluxo financeiro por parte da companhia; o fato gerador do IRPF é auferir renda e não pagar a outro para adquirir alguma coisa; k) pelo procedimento de apuração da base de cálculo adotado pela fiscalização, é patente a incompatibilidade do fato tido como tributável no descritivo desenvolvido no TVF em relação à base de cálculo efetivamente adotada, sendo que esta última não reflete a quantificação de uma opção outorgada e sim de uma ação negociada no mercado, em contraposição àquilo que, teoricamente, foi pretendido pela Sra. Auditora Fiscal; l) a base de cálculo eleita é imprópria, não sendo possível mensurar um valor para a incidência do IRPF, pois: (i) antes do vesting, o que há é uma mera expectativa de direito que pode ser tanto materializado, como frustrado, retirandose sequer a possibilidade de apreciação econômica da opção outorgada; (ii) eventual ganho a ser experimentado pelo impugnante em razão das opções de compra de ações pode ser auferido apenas na hipótese de eventual alienação posterior do ativo (a ação) por valor superior ao preço de exercício da opção, mas nunca antes da alienação; (iii) foi utilizada uma base de cálculo ficta, que não reflete o real valor dos supostos rendimentos que a fiscalização pretende imputar ao impugnante; (iv) a base de cálculo não é capaz de mensurar o valor das opções de compra de ações, sendo que é pautada exclusivamente no valor de mercado das ações (ativos diversos); (v) a base de cálculo não guarda qualquer relação com o fato imponível que se pretende tributar (outorga das opções); m) diante da constatação de tantos equívocos no trabalho fiscal, em especial aqueles que afetam o fato gerador e a base de cálculo do IRPF sobre o qual se pretende exigir o tributo em questão, resta evidenciada a ausência de liquidez e certeza da autuação ora combatida; n) ainda que se entenda pela manutenção da autuação em análise, o que se alega para argumentar, é certo que os juros calculados com base na taxa Selic não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal; o) ad argumentandum, caso esta C. turma julgadora mantenha a autuação em apreço, requer o impugnante sejam deduzidos do crédito tributário consignado nos presentes autos os valores pagos a título de Imposto de Renda a maior no momento da apuração dos ganhos líquidos na venda das ações, em razão da adoção do custo de R$ 1,00 em vez do valor de R$ 11,92 (item 96, do TVF). Ao final, com base nas razões apresentadas, a defesa requereu fosse dado provimento à impugnação, a fim de ser cancelado integralmente o auto de infração, com a consequente extinção do crédito tributário exigido. O Acórdão n. 1672.350 da DRJ (fls. 262 a ss) julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011 PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10830.726453/201454 Acórdão n.º 2301005.752 S2C3T1 Fl. 429 5 O fato gerador do imposto sobre a renda, ressalvadas as exceções legalmente expressas, ocorre automática e instantaneamente no momento da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, nele não interferindo qualquer atividade posterior do sujeito passivo ou ativo. O valor relativo à outorga de Plano de Opção de Compra de Ações (stock options) a beneficiários eleitos pela empresa integra os rendimentos dos mesmos, eis que ofertado em função do contrato de trabalho em retribuição aos serviços prestados nas condições estipuladas pelo empregador. As stock options configuram contrato suspensivo, na forma do art. 125 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), ocorrendo o acréscimo patrimonial relativo à outorga das opções de compra de ações no momento em que, findo o prazo de carência, o beneficiário exerce o direito à opção, adquirindo as ações pelo preço de exercício préestabelecido, inferior ao de mercado. JUROS DE MORA. MULTA DE OFICIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde abrange toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Irresignado com a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário reiterando as alegações em impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminar de Nulidade O Recorrente requer a nulidade do auto de infração diante de diversas incongruências e equívocos na constituição das premissas e fundamentações do crédito tributário, confundindose na diferenciação das opções das ações subjacentes e pautandose a autuação em argumentos contraditórios ou equivocados, o que demonstra o vício de falta de motivação. A regra de nulidades no processo administrativo está disposta no artigo 59, do Decreto n" 70.235, de 6 de março de l972, que assim dispõe: Fl. 439DF CARF MF 6 Art. 59. São nulos. I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa Da leitura dos dispositivos acima transcritos, concluise que o Auto de Infração só poderá ser declarado nulo se lavrado por pessoa incompetente ou quando não constar, ou nele constar de modo errôneo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito de defesa. No caso em tela, observase que o auto de infração contém os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. l0 do Decreto n. 70.235/72, bem como Acórdão restou devidamente fundamentado, não ensejando declaração de nulidade. Ademais, referido plano foi objeto de minuciosa análise pela autoridade lançadora conforme se verifica no Termo de Verificação Fiscal, ainda que não venhamos a concordar com os critérios jurídicos adotados. Desta forma, não merece prosperar as alegações de nulidade suscitadas pelo Recorrente. Do Mérito Antes de adentrar no instituto das stock options, cabe contextualizar as condições históricas que culminaram na criação de tal instituto. Em 1932, o advogado Adolph Berle Jr. juntamente com o economista Gardiner Means, ambos professores da Universidade Columbia, elaboraram a obra “A Moderna Sociedade Anônima e a Propriedade Privada”, na qual efetuaram a análise do controle societário das duzentas maiores companhias abertas não bancárias do Estados Unidos da América da época. Berle e Means já identificaram que em plena década de 30, a maior parte das companhias norteamericanas possuía capital pulverizado no mercado de ações, de forma que na maior parte de tais companhias não havia um acionista controlador identificável, o que gerava um grande poder para os administradores das mesmas. (BERLE, Adolph, MEANS, Gardiner. A Moderna Sociedade Anônima e a Propriedade Privada. Tradução de Dinah de Abreu Azevedo. São Paulo: Nova Cultural, 1987). Em decorrência de tal tipo de situação, Berle e Means identificaram uma tendência ao divórcio entre a propriedade das ações (que é dos acionistas) e a gestão da companhia (que é feita pelos diretores). Ocorre que nas situações em que há tal divórcio entre a propriedade e a gestão, sempre há o risco de divergência entre os interesses dos acionistas (que são os proprietários) e os interesses dos administradores (que são os gestores), sendo que idealmente ambos deveriam ter o interesse de maximização do valor da companhia. A possibilidade de conflitos de interesses entre as referidas partes foi sintetizada na teoria da agência, apresentada por Michael Jensen e William Meckling no artigo “Theory of the firm: managerial behavior, agency costs and ownership structure”, de 1976. Segundo a teoria da agência, há um principal, que é representado pelos proprietários das ações, e o agente, que é representado pelos administradores, uma vez que os Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10830.726453/201454 Acórdão n.º 2301005.752 S2C3T1 Fl. 430 7 administradores agem como agentes dos principais na administração da sociedade anônima que é de propriedade dos principais. Nesse cenário, em que há uma separação entre propriedade e controle com grande risco de conflitos de interesse entre os administradores e a companhia, as stock options surgem como um dos vários instrumentos pelo qual se alinham os interesses dos administradores aos interesses da empresa (e consequentemente dos acionistas das empresas), isto é, as stock options podem funcionar como um mecanismo de governança corporativa que diminui os potenciais conflitos de agência existentes entre administradores e empresa. Feitas essas considerações, passamos à análise da tributação das stock options pelo imposto de renda. O Imposto de Renda é imposto de competência da União Federal consoante previsão do artigo 153, inciso III da Constituição Federal, e incide sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A materialidade do imposto de renda é, portanto, auferir renda e proventos de qualquer natureza. O critério temporal de um tributo diz respeito ao momento em que considera se exigível o tributo. No tocante ao imposto de renda sobre a renda da pessoa física, o critério temporal é o momento de percepção dos rendimentos pela pessoa física. Com relação ao critério temporal das stock options, vale lembrar que o artigo 2º da Lei n. 7.713/88 estabelece que o imposto de renda da pessoa física é devido segundo o regime de caixa, conforme abaixo: Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Viviana Castro Neves Pascoal Dal Mas destaca que os planos de concessão de stock options se dividem geralmente em 4 fases: (i) concessão da opção; (ii) possibilidade de exercício da opção de compra; (iii) compra das ações; e (iv) venda das ações (DAL MAS, Viviana Castro Neves Pascoal, Stock Options na Relação de Emprego. São Paulo: LTr, 2008. pp. 2526). Ao analisarmos as diferentes fases dos planos de concessão de stock options com a exigência de tributação da renda pelo regime de caixa da pessoa física, constatase que não há que se falar em renda percebida nas fases de concessão da opção, possibilidade de exercício da opção de compra e compra das ações, uma vez que em nenhum desses momentos a pessoa física percebeu rendimentos. Dessa forma, o único momento passível de tributação seria o da fase de venda das ações, quando a pessoa física estaria sujeita à tributação do ganho de capital decorrente da venda das ações. Nesse sentido, citamos aqui a doutrina de Elizabeth Lewandowski Libertuci, Mariana Neves de Vito e Luciana Simões de Souza, para as quais somente é possível a tributação pelo IRPF no momento de venda das ações adquiridas em função do exercício das opções: Fl. 441DF CARF MF 8 Em termos práticos: entre a concessão/outorga e a maturação do Plano (Grant – Vesting Period), ainda não há que se falar em fato gerador do imposto de renda; à medida que as ações (ou o benefício dela decorrente) passarem a integrar o patrimônio do beneficiário, necessário se faz o implemento de determinadas condições (permanência na empresa, performance etc.). E, por aplicação expressa do art. 117, I, do CTN, o fato gerador do Imposto de Renda – Pessoa Física apenas pode ocorrer depois de superadas referidas condições. (...) Como já dito, entendese por Stock Option (SOP), o direito concedido à pessoa física de vir a adquirir ações da companhia, depois de superadas determinadas condições. O Plano de Ações costuma preestabelecer o investimento que o empregado e/ou o administrador terá de fazer caso pretenda adquirir as ações. A discussão que se coloca é se este “deságio”, ou seja, se a possibilidade de adquirir as ações por um valor menor que o cotado à época da aquisição pode ser considerada fato gerador do imposto de renda da pessoa física. (...) Assim sendo, por menor que venha a ser o investimento da pessoa física na aquisição das ações, o fato gerador do imposto de renda apenas irá ocorrer no momento da venda destas ações e considerando a alíquota aplicável ao ganho de capital. (...) Entendemos não se verificar fato gerador do imposto de renda da pessoa física no exercício do direito de adquirir ações. O IR apenas irá se verificar no momento da venda das ações e se houver ganho de capital (entendido como a diferença algébrica positiva entre o valor de venda e o valor de aquisição das ações, o investimento do beneficiário), com base na alíquota aplicável à época da venda. (LIBERTUCI, Elizabeth Lewandowski, VITO, Mariana Neves de, SOUZA, Luciana Simões de. Stock Options e Demais Planos de Ações – Questões Tributárias Polêmicas e a Lei 12.973/2014. São Paulo: RT, 2015. pp. 157159) Dessa forma, não há que se falar em aquisição de disponibilidade de renda da pessoa física antes do momento de venda das ações. Alcides Jorge Costa destaca que dentre as diversas acepções de dispor, as que são aplicáveis à renda são as seguintes: empregar, aproveitar, servirse, utilizarse, lançar mão de, usar, de modo que a aquisição de disponibilidade de renda pressupõe que tal renda possa ser empregada, aproveitada ou utilizada1. A partir desse raciocínio, Alcides Jorge Costa entende que a tributação de renda virtual ou ainda não realizada estaria afastada, de forma que uma valorização de imóveis 1 COSTA, Alcides Jorge. Imposto sobre a Renda. A aquisição da disponibilidade jurídica ou econômica como seu fator gerador. Limite de sua incidência. In: Revista de Direito Tributário n. 40. São Paulo: Malheiros, 1987. p. 105. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10830.726453/201454 Acórdão n.º 2301005.752 S2C3T1 Fl. 431 9 somente poderia ser tributada quando a renda dela decorrente pudesse ser utilizada ou empregada, o que somente ocorreria quando ela se tornasse efetiva, através de uma alienação2. Assim, o imposto de renda não incidiria sobre a mera valorização do patrimônio, visto que esta valorização nominal poderia desaparecer em momentos posteriores3. Eis que surge a importância do princípio da realização da renda para definição se já houve ingresso ou não da renda no patrimônio do contribuinte. Alcides Jorge Costa menciona que a realização é entendida como a separação do ganho ou da renda de sua fonte produtora4. Do Aproveitamento dos Valores Recolhidos Indevidamente a Título de Imposto de Renda Incidente sobre Ganho de Capital na Alienação de Ações para Dedução do Crédito Tributário aqui Discutido Caso seja vencido, voto no sentido de que sejam deduzidos do crédito tributário consignado nos presentes autos os valores pagos a título de Imposto de Renda a maior no momento da apuração dos ganhos líquidos na venda das ações, em razão da adoção do custo de R$ 1,00 em vez do valor de R$ 11,92 (item 96, do TVF). Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto 2 COSTA, Alcides Jorge. Imposto sobre a Renda. A aquisição da disponibilidade jurídica ou econômica como seu fator gerador. Limite de sua incidência. In: Revista de Direito Tributário n. 40. São Paulo: Malheiros, 1987. p. 105. 3 CARVALHOSA, Modesto. Imposto de Renda – Conceituação no Sistema Tributário da Carta Constitucional. In: Revista de Direito Público n. 1. São Paulo: Revista dos Tribunais. p. 193. 4 COSTA, Alcides Jorge. Conceito de Renda Tributável. In: MARTINS, Ives Gandra da Silva (coord.). Estudos sobre o imposto de Renda (em memória de Henry Tilbery). São Paulo. Resenha Tributária. 1994. p. 21. Fl. 443DF CARF MF 10 Voto Vencedor João Maurício Vital, Redator designado. Respeitosamente, divirjo do relator quanto ao momento da ocorrência do fato gerador e, em consequência, também da base de cálculo do tributo. O fato gerador do Imposto sobre a Renda ou Proventos de Qualquer Natureza é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica. A renda é o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os proventos são acréscimos patrimoniais que não sejam renda5. Para efeito de se estabelecer o aspecto temporal do fato gerador, portanto, devese identificar o momento em que houve o acréscimo ao patrimônio do sujeito passivo, caracterizandose, assim, a percepção de proventos. Esse momento, no caso de stock options, ocorre quando o sujeito passivo exercita o direito que lhe foi outorgado e adquire as ações. A partir de então, mesmo que, eventualmente, haja limitações para que as ações sejam negociadas, elas já integram o patrimônio sujeito passivo, que passa a ter direito a dividendos, pode alugálas, entram na sucessão, podem ser penhoradas e dadas em garantia; enfim, estão sujeitas a várias consequencias da propriedade. Entendo, ainda, que eventual cláusula de limitação temporária de venda das ações recebidas não torna condicionado o negócio jurídico, pois a tradição dos títulos terá ocorrido e dela decorrerão os efeitos jurídicos próprios. Portanto, ainda que haja cláusula de lock up, não vejo, na espécie, a hipótese do inc. I do art. 117 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Uma vez exercida a opção, ela não será desfeita e, por conseguinte, a situação estará definitivamente constituída, nos termos do inc. II do art. 116 do mesmo diploma6. Quanto ao aspecto quantitativo do fato gerador, entendo que corresponde ao quantum acrescido ao patrimônio do indivíduo. Esse valor é o preço de mercado da ação no dia do exercício da opção, pois é por esse montante que o título passa a compor o ativo do beneficiado e é, inclusive, o curso histórico para efeito de apuração de eventual ganho de capital quando e se o ativo for vendido. Porém, como no caso dos autos, em havendo valores pagos para o exercício da opção eles devem ser abatidos do preço de mercado do ativo adquirido, isso porque os pagamentos para o exercício da opção são eventos permutativos que alteram apenas qualitativamente o patrimônio, sem aumentálo. Esse foi critério utilizado no auto de infração e que, ao meu ver, está escorreito. 5 Art. 43 do Código Tributário Nacional. 6 Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: ............................................................................................. II – tratandose da situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. ............................................................................................. Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I – sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10830.726453/201454 Acórdão n.º 2301005.752 S2C3T1 Fl. 432 11 Quanto à compensação do valor pago a título de Imposto de Renda sobre Ganho de Capital, concordo com a conclusão alternativa do relator. Entendo que o custo seja o valor que o título passou a integrar o patrimônio do sujeito passivo, como consequência óbvia de se considerar como proventos a diferença entre o preço pago pelas ações no exercício da opção e o valor de mercado na mesma data. No caso, o contribuinte apurou o ganho de capital e recolheu o respectivo Imposto de Renda tendo por base o valor pago no exercício da opção, que foi de R$ 1,00 por ação, mas as ações integraram o seu patrimônio ao valor unitário de R$ 11,92. Assim, o custo ficou subavaliado e, por conseguinte, resultou em imposto pago a maior. A própria Autoridade Lançadora admitiu, em tese, a existência do indébito (efl. 51) ao atestar: Vale salientar que na apuração do ganho líquido do mês de novembro o fiscalizado apurou o montante de R$6.469.287,97 em virtude da venda de 500.000 ações da BOVESPA que foram adquiridas por meio do Plano de Compra de Opções de Ações de 2007, cujo custo correto de aquisição é R$11,92, conforme descrito anteriormente e não R$1,00 conforme constou de sua declaração de bens. Os DARF’s eventualmente recolhidos, resultado do ganho líquido considerando o custo unitário de R$1,00, devem ser tratados como recolhimentos a maior, podendo ser objeto de PERDCOMP, pedido eletrônico de restituição e compensação. Matematicamente, a tributação da diferença de R$ 10,92 por ação é o cerne da controvérsia: o sujeito passivo entendeu que o valor não era rendimento, mas ganho na alienação das ações, e calculou o imposto sobre o ganho de capital; por outro lado, como já explicado neste voto vencedor, entendo que essa diferença corresponde a proventos e devem ser submetidos à Declaração de Ajuste Anual e sofrer a tributação decorrente. Tendo em conta essa divergência de interpretação, excepcionalmente admito que o valor do Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital pago em excesso deve ser compensado com a exação deste lançamento, por serem tributos de mesma natureza e terem decorrido dos mesmos fatos. É como voto. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000614/2001-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/10/1996
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS. PREJUÍZO À DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Tendo o auto de infração efetuado a perfeita descrição dos fatos, possibilitando ao contribuinte seu amplo direito de defesa, ainda mais que ele foi exercido em sua plenitude, não há que se falar em nulidade da exigência. A capitulação legal, cuja precisão foi prejudicada pela generalidade, tendo apresentado perfeito enquadramento do tipo fiscal, é suficiente para validar o lançamento
Numero da decisão: 9303-007.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/05/1995 a 31/10/1996 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS. PREJUÍZO À DEFESA. INEXISTÊNCIA. Tendo o auto de infração efetuado a perfeita descrição dos fatos, possibilitando ao contribuinte seu amplo direito de defesa, ainda mais que ele foi exercido em sua plenitude, não há que se falar em nulidade da exigência. A capitulação legal, cuja precisão foi prejudicada pela generalidade, tendo apresentado perfeito enquadramento do tipo fiscal, é suficiente para validar o lançamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS. PREJUÍZO À DEFESA. INEXISTÊNCIA. Tendo o auto de infração efetuado a perfeita descrição dos fatos, possibilitando ao contribuinte seu amplo direito de defesa, ainda mais que ele foi exercido em sua plenitude, não há que se falar em nulidade da exigência. A capitulação legal, cuja precisão foi prejudicada pela generalidade, tendo apresentado perfeito enquadramento do tipo fiscal, é suficiente para validar o lançamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 06 14 /2 00 1- 83 Fl. 7689DF CARF MF Processo nº 13609.000614/200183 Acórdão n.º 9303007.929 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório O presente processo originouse mediante a lavratura de auto de infração de IPI, efls. 29 e segs, por meio do qual exigiuse: Imposto R$ 51.994,11, Juros de Mora R$ 52.502,29, Multas de Ofício de 75% e 150% R$ 57.603,61 e a Multa Regulamentar prevista no art. 365, inc. II do RIPI/82 R$ 1.088.869,02, resultando num crédito tributário exigido no montante de R$ 1.250.969,03. A DRJ/Juiz de fora, em julgamento da impugnação do sujeito passivo, cancelou parcialmente o lançamento, reconhecendo a decadência parcial para alguns períodos com a aplicação do art. 173 do CTN. Em julgamento do recurso voluntário, apresentado pelo sujeito passivo, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão nº 20311.368, de 18/10/2006, efls. 728 e segs, o qual possui a seguinte ementa: Assunto Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/05/1995 a 31/10/1996 Ementa: IPI. DECADÊNCIA. FRAUDE. § 4º DO ART. 150 DO CTN. INAPLICABILIDADE. Caracterizado procedimento fraudulento, inaplicável ao caso o § 4º do artigo 150 do CTN para aferição da ocorrência de decadência. MULTA QUALIFICADA. 150%. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE TODOS OS DISPOSITIVOS RELACIONADOS À INFRAÇÃO COMETIDA, FUNDAMENTADORES DA PENALIDADE IMPOSTA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO NO QUE TANGE AO SEU CONTEÚDO SANCIONATORIO VÍCIO FORMAL. É necessário indicar os dispositivos legais que compõem a noção da falta cometida pelo contribuinte, para efeito de imputação de multa qualificada. A "qualificação" depende de plena previsão legislativa, não sendo suficiente a alusão no auto de infração, de dispositivo que simplesmente associa o percentual de 150% à "infração qualificada". MULTA PELA UTILIZAÇÃO DE NOTA FISCAL INIDÔNEA. CONFIRMAÇÃO. Fl. 7690DF CARF MF Processo nº 13609.000614/200183 Acórdão n.º 9303007.929 CSRFT3 Fl. 4 3 A expressa menção do dispositivo legal fundamentador da sanção relacionada à utilização de notas fiscais inidôneas pela empresa (escrituração das entradas por elas supostamente caracterizadas), valida a penalização operada. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E DA COFINS. PESSOAS FÍSICAS. EXCLUSÃO. Matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas, não dão direito ao crédito presumido instituído pela Lei n 9.363/96 como ressarcimento dessas contribuições, devendo seus valores ser excluídos da base de cálculo do incentivo. Recurso provido em parte. O recurso voluntário do contribuinte foi provido somente para afastar a multa qualificada de 150%, tendo sido mantido o lançamento em relação aos demais argumentos de defesa apresentados. A Fazenda Nacional, efls. 744 e segs, apresentou recurso especial por contrariedade à Lei, na parte que ficou vencida, ou seja pede a reversão da qualificação da multa de ofício do IPI para 150%. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio do Despacho nº 203123, de 28/07/2008, efls. 748/749. O sujeito passivo apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional, efls. 768 e segs, pedindo o seu não conhecimento e, caso conhecido, o seu improvimento. O sujeito passivo apresentou recurso especial de divergência, efls. 773 e segs, ao qual foi dado seguimento parcial por meio do Despacho nº 203383, de 06/11/2008. A matéria admitida foi somente a divergência quanto à possibilidade de inclusão dos gastos com insumos adquiridos de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96. O sujeito passivo apresentou Agravo, efls. 837 e segs, em face do Despacho que negou seguimento parcial ao seu recurso especial de divergência. Quando da devolução do processo ao CARF, para apreciação do Agravo, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário Sacat, da DRF/Sete LagoasMG, informou, Fl. 7691DF CARF MF Processo nº 13609.000614/200183 Acórdão n.º 9303007.929 CSRFT3 Fl. 5 4 por meio do despacho de efl. 867, que o contribuinte havia inserido a totalidade dos débitos do presente processo ao parcelamento aprovado pela Lei nº 11.941/2009. Com base nessa informação, o então Presidente do CARF assinou o despacho de desistência, efl. 7559, no qual ficou consignado o reconhecimento da renúncia do sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Posteriormente, após alguns incidentes processuais, a mesma Sacat/DRF Sete Lagoas, proferiu o Despacho EAC2/SACAT/DRF/STL, efls. 7589/7590, informando que os débitos do presente processo não foram incluídos no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009, pois, para tanto, o contribuinte deveria ter apresentado petição expressa de desistência do presente processo administrativo, o que não foi feito. Em sequência, o Agravo apresentado pelo sujeito passivo foi rejeitado por meio do Despacho em Agravo, efls. 7.603 e segs. Cientificada do seguimento parcial do recurso especial de divergência do sujeito passivo, efl. 7623, a Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. Por meio de petição, efls. 7628 e segs, o contribuinte apresenta pedido de desistência da discussão administrativa, em face da adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária, instituído pela Medida Provisória nº 783/2017. Em razão desta petição, novo Despacho de desistência foi assinado pelo então presidente do CARF, efl. 7648, devolvendo o processo à Unidade de Origem para "análise e processamento da petição de desistência, com eventual retorno ao CARF, após os autos serem apartados, no caso de desistência parcial". A Sacat/DRF Sete Lagoas efetuou a transferência de débitos de que trata o 'Termo de Transferência de Débitos', efls. 7680/7682, e devolveu o presente processo ao CARF para julgamento do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 7692DF CARF MF Processo nº 13609.000614/200183 Acórdão n.º 9303007.929 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. Neste sentido concordo na íntegra com o despacho que admitiu o recurso. O recurso especial por contrariedade à aplicação da lei tributária apresentado pela Fazenda Nacional, insurgese quanto à decisão que no acórdão recorrido, pelo voto de qualidade, resolveu afastar a aplicação da multa qualificada de 150% aplicada ao contribuinte. Em síntese, a recorrente alega que o acórdão violou o art. 10, inc. III e IV, do Decreto nº 70.235/72. Sustenta que quando os fatos estão bem narrados e fartamente documentados, como no presente processo, não há que se aplicar a nulidade pela eventual omissão de dispositivos legais. Cita o Acórdão CSRF/0202301, da relatoria do exconselheiro e vicepresidente do CARF, Henrique Pinheiro Torres, que teria firmado a seguinte orientação: "Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo" Cita também os Acórdãos: CSRF/0104.780, CSRF/0104.779 e CSRF/01 04.778, todos da relatoria do exconselheiro José Carlos Passuello, dos quais pode se tirar o seguinte conteúdo: "Tendo a peça impositiva procedido à perfeita descrição dos fatos, possibilita ao contribuinte seu amplo direito de defesa, ainda mais que ele foi exercido em sua plenitude. A capitulação legal, cuja precisão foi prejudicada pela generalidade, tendo apresentado perfeito enquadramento do tipo fiscal, é suficiente para validar o lançamento." Fl. 7693DF CARF MF Processo nº 13609.000614/200183 Acórdão n.º 9303007.929 CSRFT3 Fl. 7 6 Estou de acordo com o raciocínio defendido no recurso especial da Fazenda Nacional. A leitura do auto de infração deixa evidente que a acusação fiscal foi bem configurada não deixando qualquer margem de dúvida ao pleno exercício de defesa por parte do contribuinte. Antes porém, revisitemos os termos em que o acórdão recorrido decidiu pelo cancelamento da multa qualificada: (...) A sanção deveuse ao entendimento de que a contribuinte incorrera em falta qualificada. Não sem razão o auto de infração invocou do artigo 80 da Lei n° 4.502/64 (fl. 46). Artigo 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória,sujeitará o contribuinte às seguintes multas de oficio: II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada. Entretanto, o auto de infração não assinalou o dispositivo que necessariamente deveria ser conjugado à citada previsão legal para efeito do enquadramento do fato nos contornos da falta qualificada. Tratase do § 2° do artigo 68 do aludido diploma: § 2° São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. Tampouco a peça referida fez constar a definição legal de fraude e conluio, que se conjugaria à previsão do § 2° do artigo 68 da Lei n° 4.502/64 para compor lhe o sentido. O auto de infração ressentese, também, da indicação dos artigos 72 e 73 do referido texto normativo: Artigo 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Artigo 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 7694DF CARF MF Processo nº 13609.000614/200183 Acórdão n.º 9303007.929 CSRFT3 Fl. 8 7 A sanção, portanto, ressentese de fundamentação suficiente para justificarlhe a aplicação, conforme dessumese da consulta à fl. 46. Anulo portanto, por vício formal (infringência ao artigo 10, IV do Decreto n° 70.235/72) a imputação de multa de ofício qualificada operada no auto de infração. (...) Primeiramente há que se destacar que no recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, efls. 671 e segs, não há uma linha em que o contribuinte defende a nulidade da aplicação da multa qualificada pela falta de citação completa do seu dispositivo legal. Ao contrário a leitura da íntegra do recurso voluntário demonstra que o contribuinte entendeu bem a acusação fiscal e exerceu integralmente o seu amplo direito de defesa. Os seguintes trechos da descrição dos fatos do auto de infração evidenciam que a fiscalização imputou ao contribuinte a prática de fraude ao registrar como fonte de créditos básicos e de créditos presumidos de IPI uma série de notas fiscais inidôneas, vejamos: (...) Ao se verificarem as aquisições escrituradas, foram detectadas compras de empresas inexistentes de fato, tendo a AVG utilizado as respectivas notas fiscais frias em sua escrituração, conforme Representação dos anexos 15 e 16. (...) a4) Foram deduzidos, também, os valores da notas fiscais inidôneas indevidamente utilizadas pela AVG em sua escrita, conforme Representação aos Delegados da Receita Federal em Belo Horizonte e Divinópolis (anexos 15 e 16). Cada uma das notas fiscais deduzidas está relacionada no Demonstrativo de Notas Fiscais Inidôneas, anexo a Representação. (...) Quanto à utilização de documentos inidôneos (notas fiscais frias), o feito está demonstrado na REPRESENTAÇÃO feita aos Delegados da Receita Federal em Belo Horizonte e Divinópolis, e seus anexos (anexos 15 e 16). Dos relatórios anexos à Representação constam as diligências realizadas nas supostas sedes das empresas inexistentes de fato, termos tomados de supostos sócios destas empresas, documentos emitidos pela Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, Informações do Fisco Estadual, e outros. As notas fiscais supostamente emitidas por tais empresas e utilizadas pela AVG Siderurgia em sua contabilidade, totalizam 536, no montante de R$ 1.088.847,12. (...) O estabelecimento industrial não recolheu o imposto, por ter se utilizado de crédito básico indevido (decorrentes do IPI lançado em notas fiscais inidôneas) e após a reconstituição de escrita (fls. 58/61), verificaramse saldos devedores. Foi feita Representação aos Delegados da Receita Federal em Belo Horizonte e Divinópolis (súmula de documentação tributariamente ineficaz), Fl. 7695DF CARF MF Processo nº 13609.000614/200183 Acórdão n.º 9303007.929 CSRFT3 Fl. 9 8 demonstrando a utilização de notas fiscais inidôneas pela AVG Siderurgia, conforme anexos 15 e 16. (...) De fato, verificase uma pequena imprecisão do auto de infração ao aplicar a multa prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64. Ao aplicar a multa de forma correta, deixou de fazer uma referência expressa aos artigos da mesma Lei, os quais caracterizariam o que seriam as circunstâncias qualificadoras, conforme consta no acórdão recorrido. Porém tal fato só levaria a nulidade de aplicação da referida multa, caso ficasse demonstrado que levou prejuízo ao sujeito passivo. E, como dito, isso não ocorreu. Em todas as suas defesas, o sujeito passivo demonstrou conhecimento completo da acusação fiscal. Não consigo enxergar que o auto de infração não tenha obedecido o disposto no inc. IV do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Veja o seu conteúdo: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Ora, consta no auto de infração tanto a disposição legal infringida quanto a penalidade aplicável. O acórdão recorrido afirmou somente que a penalidade aplicável não foi efetuada de forma completa. Não concordo, a penalidade aplicada está inteiramente expressa no inc. II do art. 80 da Lei nº 4.502/64. Tanto é possível compreender o seu conteúdo, pois a despeito da matéria não ter sido alegada em recurso voluntário, o acórdão recorrido completou a capitulação legal de forma espontânea e sem qualquer dificuldade, como pode se ver do trecho do voto acima transcrito. Pois de fato, a complementação da capitulação legal é praticamente intuitiva. Sobre as nulidades, assim dispõe o art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 7696DF CARF MF Processo nº 13609.000614/200183 Acórdão n.º 9303007.929 CSRFT3 Fl. 10 9 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pois bem, como espero já ter demonstrado, não houve preterição do direito de defesa, não havendo qualquer nulidade na aplicação da multa qualificada. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 7697DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.914742/2012-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
DCTF RETIFICADORA. REDUÇÃO DE DÉBITO. COMPROVAÇÃO.
A retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, no intuito de reduzir ou excluir tributo, é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, suas razões de fato e de direito, bem como a apresentação da escrituração contábil que justifique a redução/exclusão do débito.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO RECONHECIDO
A comprovação do crédito líquido e certo, requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, conforme artigo 170 do CTN, acarreta no provimento do pedido, e homologação das compensações até o limite do valor reconhecido.
Numero da decisão: 1302-003.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães Fonseca, que votaram por não conhecer das provas juntadas no recurso voluntário e, em consequência, por negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 DCTF RETIFICADORA. REDUÇÃO DE DÉBITO. COMPROVAÇÃO. A retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, no intuito de reduzir ou excluir tributo, é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, suas razões de fato e de direito, bem como a apresentação da escrituração contábil que justifique a redução/exclusão do débito. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO RECONHECIDO A comprovação do crédito líquido e certo, requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, conforme artigo 170 do CTN, acarreta no provimento do pedido, e homologação das compensações até o limite do valor reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães Fonseca, que votaram por não conhecer das provas juntadas no recurso voluntário e, em consequência, por negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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REDUÇÃO DE DÉBITO. COMPROVAÇÃO. A retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, no intuito de reduzir ou excluir tributo, é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, suas razões de fato e de direito, bem como a apresentação da escrituração contábil que justifique a redução/exclusão do débito. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO RECONHECIDO A comprovação do crédito líquido e certo, requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, conforme artigo 170 do CTN, acarreta no provimento do pedido, e homologação das compensações até o limite do valor reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães Fonseca, que votaram por não conhecer das provas juntadas no recurso voluntário e, em consequência, por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 47 42 /2 01 2- 53 Fl. 166DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende compensar crédito com origem em pagamento indevido/a maior de CSLL com débitos próprios. A declaração não foi homologada pela DRF/GoianiaGO, pois o pagamento estava integralmente utilizado para quitação de débito da recorrente, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados na DCOMP. A 4ª Turma da DRJ/BSB, por meio do Acórdão nº 0356.203, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. A ciência da decisão recorrida ocorreu em 26/02/2014. Em 27/03/2014, foi apresentado recurso voluntário com as seguintes alegações: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10120.914742/201253 Acórdão n.º 1302003.317 S1C3T2 Fl. 167 3 apresentou Declaração de Compensação utilizando crédito no valor de R$ 19.817,88, evidenciado através do confronto entre os valores declarados a pagar da CSLL na DIPJ/2010 do 2º Trimestre de 2009, de R$ 81.396,67, e pagamento por DARF, no valor total de R$ 101.214,55. declarou erradamente na DCTF do 2º Trimestre de 2009 o valor de R$ 101.214,55, sendo que o correto seria o declarado na DIPJ no valor R$ 81.396,67. retificou o valor da CSLL a pagar através da DCTF do 2º período de 2009 para regularizar as informações perante a Receita Federal e demonstrar que o crédito apresentado através do PER/DCOMP é correto. a decisão recorrida não reconheceu o direito creditório, por entender que não foi comprovada nos autos, solicitando que a empresa apresentasse uma nova manifestação de inconformidade com documentos hábeis que respaldem as afirmações do direito ao crédito, tais como a escrituração contábilfiscal da empresa, com documentos idôneos que demonstrassem a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. o valor de R$ 19.817,88 se deve ao valor da diferença de outras receitas, que na primeira apuração do LALUR foi considerado um valor de R$ 566.904,88, mas posteriormente constatouse que o valor correto seria de R$ 346.706,18. após evidenciar o erro, apontouse uma diferença de R$ 19.817,88 de crédito, entre o valor pago de R$ 101.214,55 e o valor correto de R$ 81.396,67. esse crédito de CSLL de R$ 19.817,88 está evidenciado no Lalur de Apuração do 2° Trimestre 2009, no Balancete de Verificação Consolidado do 2º Trimestre 2009, demonstrado na conta Analítica 3.5.1.01.005, 3.5.1.01.006 e 3.5.1.01.008 Outras Receitas de R$ 346.706,18,e na DIPJ 2009/2010. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora O recurso é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Das provas apresentadas em sede de recurso voluntário. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente afirmou que o crédito de R$ 19.817,88 estaria demonstrado pela diferença entre o valor declarado para a CSLL do 2º trimestre/2009 informado na DIPJ/2010 original, de R$ 81.396,67, e o pagamento do DARF, no valor total de R$ 101.214,55. Esclareceu, ainda, que detectado o erro na DCTF, apresentou declaração retificadora. Para comprovação das alegações, apresentou a DIPJ/2010 original e a DCTF retificadora. Fl. 168DF CARF MF 4 Já no recurso voluntário, a recorrente esclarece que na primeira apuração da CSLL teria considerado, a título de outras receitas, o valor de R$ 566.904,88, mas posteriormente constatouse que o valor correto seria de R$ 346.706,18. Apresentou planilhas contendo o demonstrativo do equívoco: Para comprovação das alegações, além das declarações apresentadas anteriormente, acrescentou o Balancete de Verificação Consolidado do 2° Trimestre 2009, no qual apresenta os seguintes valores a título de Receitas Financeiras: 3.1.5 RECEITAS FINANCEIRAS 372.264,11 3.1.5.1.01.001 Juros Recebidos 91,46 3.1.5.1.01.005 Rend. Aplicações Financeiras 252.321,76 3.1.5.1.01.006 Variações Monetárias Ativas 94.292,96 3.1.5.1.01.008 Reversão de Provisões 25.557,93 A rigor, nos termos dos artigos 14 e 16 do Decreto nº 70.235/72, todos os motivos de fato e de direito, bem como as provas, devem ser apresentadas com a manifestação de inconformidade, quando então é instaurada a lide, que delimita as matérias que deverão ser apreciadas no contencioso administrativo. Após este momento processual, ocorre a preclusão, não podendo o contribuinte apresentar novas alegações ou provas a serem apreciadas em sede de recurso voluntário. Entretanto, o próprio artigo 16 do citado diploma legal excepciona situações em que é permitida a apresentação de provas em momento posterior à apresentação da defesa. Abaixo, transcrevo o citado dispositivo: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10120.914742/201253 Acórdão n.º 1302003.317 S1C3T2 Fl. 168 5 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) É bem verdade que, nos casos de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, é ônus do contribuinte demonstrar o crédito tributário, por força do artigo 373 do CPC (Lei nº 13.105/2015). Entretanto, é fato que a apresentação destes pedidos/declarações por meio de programas informatizados que limitam o contribuinte a apenas prestar informações não ajudam na tarefa de demonstrar o crédito com apresentação de documentos hábeis e idôneos. Outro fator a ser considerado é a dificuldade em se determinar quais provas que devem ser apresentadas na defesa para o convencimento do julgador com o intuito de demonstrar o crédito. No presente caso, a recorrente entendeu que bastaria a apresentação das declarações DIPJ/2010 original e DCTF retificada. Entretanto, a autoridade a quo entendeu que as mesmas seriam insuficientes, consignando no voto que "neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração". Assim, para contrapor os motivos que levaram o julgador a quo a julgar improcedente a manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou maiores esclarecimentos, assim como a escrituração contábil fiscal. Em seu recurso voluntário, a recorrente alega que teria sido a própria Receita Federal a solicitar a apresentação destes documentos, conforme trecho transcrito a seguir: Após a apresentação do Manifesto de Inconformidade a Receita Federal decidiu através do Acórdão 0356.203, não reconhecer o direito creditório, por entender que não foi comprovada nos autos, através do Manifesto de Inconformidade, a existência de direito creditório liquido e certo da empresa contra a Fazenda Publica passível de compensação, entretanto a Receita Federal solicita no acórdão que a empresa apresente urna nova manifestação de inconformidade com documentos hábeis que respaldem as afirmações do direito ao crédito, tais corno a escrituração contábilfiscal da empresa, com documentos idôneos que demonstrem a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Fl. 170DF CARF MF 6 Neste contexto, concluo que restou caracterizada a exceção expressa na alínea "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual passo a análise dos documentos como prova do crédito decorrente de pagamento a maior do IRPJ do 4º trimestre/2009. Do mérito Resumidamente, a recorrente afirma que o crédito seria apurado conforme tabela a seguir: CSLL COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO 2º TRIMESTRE/2009 Primeira Apuração Segunda Apuração Faturamento 1.761.196,93 1.761.196,93 Lucro Presumido (32%) 563.583,02 563.583,02 (+) OUTRAS RECEITAS 595.036,81 372.685,58 ()DEDUÇÕES 28.131,93 25.979,40 (=) OUTRAS RECEITAS TRIBUTÁVEIS 566.904,88 346.706,18 = LUCRO DO TRIMESTRE 1.130.487,90 910.289,20 CSLL DEVIDA (9%) 101.743,911 81.926,03 () CSLL Retida 529,36 529,36 () DARF data arrecadação 31/07/2009 101.214,55 101.214,55 CRÉDITO Pagamento a maior 19.817,88 O artigo 170 do CTN determina que o direito creditório só pode ser reconhecido quando presentes dois requisitos: a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. No caso de pagamento a maior, é necessário verificar a correta apuração do débito, bem como as deduções e pagamentos, uma vez que o crédito decorre do confronto entre estes valores. Assim, tendo por base a tabela supra, a lide se concentra na tributação dos rendimentos decorrentes de aplicações financeiras. A recorrente sustenta que na primeira apuração foram tributados valores superiores ao que seria devido. Os documentos trazidos aos autos se referem a sua própria escrituração, e a DIPJ/2010 original, que foi transmitida em 29/06/2010 com o valor correto, fato que reforça sua tese de equívoco na apuração da CSLL devida quando da apresentação da DCTF original. Ainda, da análise da DIPJ/2010, é possível verificar que: 1) Com base na Ficha 57 Demonstrativo do Imposto da Renda, CSLL e Contribuição Previdenciária Retidos na Fonte, a recorrente teria auferido no anocalendário de 2009 o montante de R$ 1.133.114,19 a título de rendimentos financeiros: CNPJ FONTE PAGADORA RENDIMENTOS IRRF CÓDIGO 01.204.551/000130 CICAL MOTONAUTICA LTDA 50.101,87 10.020,383426 01.534.056/000199 CICAL VEICULOS LTDA 403.430,12 80.686,223426 33.700.394/000140 UNIBANCOUNIÃO DE BANCOS 36,37 8,173426 60.746.948/000112 BANCO BRADESCO S.A. 60.150,40 10.528,953426 05.529.074/000133 LACIC VEICULOS LTDA 326.106,97 65.221,413426 08.449.222/000106 CICAL MOTO TRINDADE 43.948,23 8.789,653426 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10120.914742/201253 Acórdão n.º 1302003.317 S1C3T2 Fl. 169 7 08.722.940/000104 SEMPRE VEICULOS LTDA 49.598,59 9.919,723426 17.192.451/000170 BANCO ITAUCARD S.A. 14.469,44 2.893,886800 60.746.948/000112 BANCO BRADESCO S.A. 185.272,20 43.042,156800 TOTAIS 1.133.114,19 231.110,53 Os valores retidos pelas fontes pagadoras foram todos confirmados nos autos do processo administrativo nº 10120.909369/201219, também da recorrente e de relatoria desta conselheira, conforme os comprovantes de retenção do imposto de renda lá apresentados. Verificase ainda, na tabela a seguir, que os totais de rendimentos financeiros oferecidos à tributação nos trimestres do anocalendário de 2009, no montante de R$ 1.913.290,59, são superiores aos totais acima apurados com base nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, de R$ 1.133.114,19. 1º Trim 2º Trim 3º Trim 4º Trim Totais Receita Operacional 2.247.677,54 1.761.196,93 1.858.001,10 2.518.296,60 8.385.172,17 Receita Financeira 394.315,23 346.706,18 688.618,73 483.650,45 1.913.290,59 IRRF 52.918,27 70.877,08 94.006,08 141.842,09 359.643,52 Assim, ainda que a recorrente tenha reduzido o montante de rendimentos financeiros para tributação no 2º trimestre, o total oferecido no anocalendário é superior àquele informado por terceiros (fontes pagadoras), o que me leva a concluir que houve equívoco. Do exposto, o pagamento no valor de R$ 101.214,55 foi efetuado a maior, restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito no valor de R$ 19.817,88. Do crédito utilizado nesta Declaração de Compensação Na DCOMP nº 20719.30973.221012.1.3.048801, objeto deste processo, a recorrente utiliza uma parcela do crédito, no valor de R$ 3.381,54, conforme tela abaixo reproduzida, motivo pelo qual o reconhecimento do direito creditório será limitado a este valor: Fl. 172DF CARF MF 8 CONCLUSÃO Por todo acima exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 3.381,54, homologando as compensações até o limite do crédito ora reconhecido. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000093/2008-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a contradição e obscuridade apontadas, quando constatado que o acórdão embargado efetivamente tinha esses defeitos.
Numero da decisão: 9202-007.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202- 003.714, de 28/01/2016, sem efeitos infringentes, esclarecer a questão da decadência ao levantamento "COP"
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardoso - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: Patrícia da Silva
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202- 003.714, de 28/01/2016, sem efeitos infringentes, esclarecer a questão da decadência ao levantamento "COP" (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardoso - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a contradição e obscuridade apontadas, quando constatado que o acórdão embargado efetivamente tinha esses defeitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202 003.714, de 28/01/2016, sem efeitos infringentes, esclarecer a questão da decadência ao levantamento "COP" (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardoso Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 00 93 /2 00 8- 60 Fl. 1360DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário – DICAT/DRFRJ2, tendo em vista o acórdão proferido pela 2ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, sob n.º 9202003.714, proferido em 28/01/2016, da Fundação Educacional Souza Marques SC, que decidiu: (a) quanto à preliminar de decadência, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação do art. 173, I, do CTN aos seguintes fatos geradores: com relação à folha de pagamento a competência março/2003; com relação à contribuintes individuais as competências de fevereiro a junho/2003. (b) Quanto ao mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para aplicar a a retroatividade benigna considerando o somatório das multas por descumprimento de obrigação principal e acessória em relação ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva (Relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. A decisão restou assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA O prazo decadencial para os lançamentos sujeitos a homologação obedece ao art. 150, § 4º, do CTN, quando houver antecipação do pagamento, mesmo que parcial, e ao art. 173, I, do CTN, quando não houver pagamento do tributo. Nos termos da Súmula CARF nº 99, o pagamento antecipado caracterizase pelo recolhimento de valor na competência do fato gerador, razão pela qual os fatos geradores devem ser considerados isoladamente. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 12898.000093/200860 Acórdão n.º 9202007.351 CSRFT2 Fl. 1.361 3 lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Os Embargos de Declaração apresentam os seguintes argumentos: (i) omissão: Se deverá ser reestabelecido o crédito tributário referente ao Fato Gerador Cooperativa de prestação de serviços (COP), nas competências de 02 a 06/2003; (ii) contrariedade: A exemplo do Voto Vencedor, em que consta o entendimento do Conselheiro no que tange ao recálculo mais benéfico da multa aplicada, não deveria o Voto Vencedor no que tange a decadência também ser trazido ao Acórdão (iii) obscuridade: Não há no Acórdão nenhuma informação quanto a decisão proferida ser definitiva, motivo pelo qual também solicito que nos informem se ainda cabe algum recurso contra a decisão do CSRF. Na sessão do dia 20 de fevereiro de 2017, a 2ª T CSRF converteu o julgamento dos embargos em diligência para complementação da análise de admissibilidade, conforme transcrito abaixo: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade dos embargos opostos pela DRF/RJ, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento Em 24 de agosto de 2018 foi proferido um novo despacho de admissibilidade de efls. 1.353/1.358, que realizou as seguintes considerações: Observase que quando tratou da decadência, a relatora não fez qualquer menção às rubricas que integram o lançamento, limitandose a dizer que as competências de 02/2003 a 06/2003 deveriam ser restabelecidas. No entanto, na parte dispositiva do acórdão, as conclusões não se coadunam com o voto da Relatora, ao determinar que deveria ser aplicado o art. 173, I, do CTN "aos seguintes fatos geradores: a – com relação à folha de pagamento – março/2003; b– com relação a contribuintes individuais – fevereiro a junho/2003." Ora, ainda que não tenha havido qualquer argumentação no voto da Relatora de que a decadência teria sido apurada por rubricas, o que por si só já contraria a Súmula CARF nº 99, o fato é que o lançamento possui outras rubricas além daquelas mencionadas. Fl. 1362DF CARF MF 4 Verificase assim que a parte dispositiva acima não se coaduna com o que consta no voto da Relatora, motivo pelo qual o acórdão deve ser saneado. Além da inexatidão material apontada, o voto ainda menciona competências estranhas ao período do lançamento, eis que o débito abarca competências do ano de 2003 e no voto são mencionadas competências de 2004. Essa mácula, sem dúvida, deve ser saneada, de modo que se elimine da decisão a menção a competências de 2004, haja vista que o período do débito é 01 a 12/2003. Quanto ao questionamento da RFB de não haver apreciação de decadência no voto vencedor, cabe ressaltar que inexiste tal necessidade, posto que o redator foi designado apenas para tratar do mérito da contenda, parte em que a relatora foi vencida. Também não é necessário o pronunciamento acerca da definitividade da decisão, haja vista que a CSRF é o órgão responsável pela uniformização das dissídios jurisprudenciais entre as turmas do CARF. É o relatório Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Os Embargos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. A Unidade de Origem, em seus aclaratório assim se pronunciou: g) No Acórdão nº 9202003.714, de 28/01/2016, exarado pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verificamos que os membros do colegiado acordaram (a) quanto à preliminar de decadência, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação do art. 173, I, do CTN aos seguintes fatos geradores: com relação à folha de pagamento a competência março/2003; com relação à contribuintes individuais as competências de fevereiro a junho/2003. (b) Quanto ao mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para aplicar a a retroatividade benigna considerando o somatório das multas por descumprimento de obrigação principal e acessória em relação ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva (Relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 12898.000093/200860 Acórdão n.º 9202007.351 CSRFT2 Fl. 1.362 5 3 – Conforme mencionado no item anterior, restam dúvidas, as quais, s.m.j., necessitam ser esclarecidas, quais sejam: a) Na decisão proferida no Acórdão do CSRF nº 9202003.714, de 18/01/2016, consta que quanto à preliminar de decadência, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação do art. 173, I do CTN aos seguintes fatos geradores: com relação à folha de pagamento a competência março/2003; com relação à contribuintes individuais as competências de fevereiro a junho/2003. Verificamos que consta como Voto Vencido o da Relatora, e neste, a mesma relata que os fatos geradores devem ser considerados de forma isolada e que, in casu, não houve antecipação de pagamento nem declaração do contribuinte nas competências de 02/03 a 06/03, e que o prazo decadencial deva ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. Menciona ainda que dá provimento ao Recurso Especial da Fazenda para reestabelecer o crédito tributário com relação às competências 02/2003 a 06/2003. Dessa forma, conforme ficou consignado no voto embargado, esclareço as questões suscitadas pela Unidade de Origem. O Recurso Especial tem como objeto a discussão sobre a regra aplicável para o termo inicial de contagem do prazo decadencial das contribuições relativas às competências 02/2003 a 06/2003 (haja vista que a decadência das competências 01/2003, 07/2003, 08/2003, 09/2003, 10/2003 e 11/2003 foi reconhecida na decisão da decisão proferida pela 11ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil) e sobre a multa aplicável no caso em tela. Quanto ao prazo decadencial, o r. acórdão entendeu que as competências 01/2003 a 11/2003 foram atingidas pela decadência, pois “para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, 4º , do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, §4º , do CTN”. (Grifei). Nesse sentido, a decisão embargada apresentou a seguinte informação: Por conseguinte, considerando que os fatos geradores devem ser considerados de forma isolada e que, in casu, não houve antecipação de pagamento nem declaração do contribuinte nas competências de 02/2003 a 06/2003, o prazo decadencial deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. (GRIFEI) Conforme estabelecido no acórdão, os fatos geradores devem ser considerados de forma isolada, e como ficou consignado, não houve antecipação de pagamento nem declaração do contribuinte nas competências de 02/2003 a 06/2003, o prazo decadencial deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. Fl. 1364DF CARF MF 6 Em relação a citação de competências do ano de 2004 no acórdão embargado, destaco que tal competência é estranha a lide, devendo ser desconsiderada, pois o débito em questão abarca apenas as competência do ano de 2003. Diante de todo exposto, voto no sentido de conhecer dos Embargos de Declaração, para sanar o vício apontado no acórdão nº 9202003.714, para considerar os fatos geradores devem ser considerados de forma isolada e que, in casu, não houve antecipação de pagamento nem declaração do contribuinte nas competências de 02/2003 a 06/2003, o prazo decadencial deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN e que deve ser desconsideradas a citação de competências do ano de 2004, pois o débito em questão abarca apenas as competência do ano de 2003, sem efeitos infrigentes. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 1365DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.000926/2009-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9303-007.794
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMOS DIVERSOS. Recorrentes INDÚSTRIA CARBONÍFERA RIO DESERTO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 26 /2 00 9- 58 Fl. 649DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 3 2 bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3803003.875, que deu provimento parcial ao recurso voluntário. Após ser integrado por acórdão que acolheu, em parte, os embargos de declaração interpostos por Conselheiro, restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao conceito de insumo aplicável para fins de tomada de créditos das contribuições não cumulativas. Dentre outros argumentos, defende que, para dos créditos em foco, a legislação estabelece que se incluem no conceito de insumo, além das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 4 3 Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração alegando contradição e obscuridade quanto ao pronunciamento acerca dos concretos e corretos itens passíveis de aproveitamento do crédito. Todavia, seus embargos foram rejeitados. Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda foram apresentados pelo sujeito passivo. Em síntese, o contribuinte defende que não se deve considerar, para fins de creditamento do PIS e da Cofins não cumulativos, os conceitos de insumos aplicáveis à apuração de créditos do IPI e do ICMS. O sujeito passivo também interpôs Recurso Especial ao qual foi dado seguimento. Foi admitida a rediscussão da questão relativa ao conceito de insumo aplicável para o reconhecimento do direito de créditos das contribuições não cumulativas. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Especial do sujeito passivo. Alega, essencialmente, que não há como se admitir a adoção da legislação do IRPJ para se conceituar insumo para fins de constituição de créditos de PIS e Cofins não cumulativos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.785, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 11516.000925/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.785): "Depreendendose da análise dos recursos interpostos pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que em relação às matérias trazidas foram comprovadas as divergências, conforme preceitua o art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com os exames constantes dos Despachos de Admissibilidade. Em vista do exposto, conheço os recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois, em fevereiro de 2018, o STJ, em sede de recurso repetitivo, ao apreciar o REsp 1.221.170, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 5 4 Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Definiu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que a descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 6 5 Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, era de se constatar que o entendimento predominante considerava o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de Fl. 653DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 7 6 insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 8 7 Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): Fl. 655DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 9 8 “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 10 9 Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados Fl. 657DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 11 10 IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 12 11 Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, o STJ, que apreciou, em sede de repetitivo, o REsp1.221.170 – trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Ademais, importante trazer ainda a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." Tal Nota contempla em seus itens 41 a 43: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Sendo assim, fica firmado pela PGFN o seguinte conceito de insumos: Fl. 659DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 13 12 “Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.” Após superada a conceituação de insumos para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a analisar os itens trazidos pelo sujeito passivo que, por sua vez, tem como atividade a exploração e produção do carvão mineral. Para tanto, importante recordar o voto constante do acórdão recorrido: “[...] Não é possível reconhecer o direito creditório em relação às despesas com o transporte de funcionários, fornecimento de água, leite, pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, refeição, vigilância, limpeza, encadernação, controle e prevenção de pneumoconiose, fornecer equipamento de proteção individual etc, pois estas despesas não podem ser consideradas insumo para efeito de creditamento, ainda que o Acordo Coletivo de Trabalho tenha obrigado a empresa a fornecer, equipamento de proteção aos funcionários, aquisição de caixas de papelão, bem como o fornecimento de água e leite aos seus funcionários. Por certo que estes 2 (dois) últimos produtos, dentre outros, não apresentam nenhuma relação com o processo produtivo de uma mina de extração de carvão mineral e por isso agiu bem a fiscalização em glosálos. [...] A mesma sorte ocorre em relação às despesas resultantes das aquisições com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão e aquisição de caixas de papelão, pois penso que aqui falhou a interessada ao não ter demonstrado se estes produtos foram efetivamente aplicados na atividade de extração mineral. Ainda não deve ser concedido crédito em relação as despesas com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, uma vez que as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, não provam que estes serviços tenham sido realizados em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Cumpre ainda observar que embora a empresa tenha juntado aos autos as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, por outro lado não há provas de que estes serviços tenham sido realizado em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Quanto às despesas com aquisições de explosivos e cursos em relação aos mesmos, penso que estas despesas estão relacionadas com o processo produtivo. Entretanto, o contribuinte não instruiu os autos com notas fiscais de aquisição e nem mesmo contratos de prestação de serviços em relação aos cursos de operacionalização destes explosivos, razão pela qual não demonstrando o seu direito não há fundamento para o reconhecimento dos créditos neste particular. O mesmo digase em relação às despesas com embalagens e etiquetas.” Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 14 13 Após breve recordação, considerando que o acórdão de recurso voluntário não trouxe especificamente os diversos itens constantes do recurso voluntário, ainda que tenha sido apreciado pelo colegiado a quo ao adotar o termo “etc.” no voto recorrido, passarei a analisar os diversos itens questionados em recurso voluntário, com exceção daqueles que o contribuinte logrou êxito no acórdão recorrido (custos relacionados às obrigações ambientais e aos custos de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos, monitoramento do ar e serviços necessários para a recuperação do meio ambiente): 1. Despesas com o transporte de funcionários em trajetos específicos, por não conseguir identificar se referia a trajeto interno (na produção) ou externo (do domicílio do trabalhador para a produção), entendo que não há como reconhecer o crédito das contribuições; 2. Fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches, entendo serem itens passíveis de geração de crédito das contribuições, vez que, pela atividade do contribuinte, o trabalho em minas de carvão traz uma particularidade crítica na movimentação dos trabalhadores – inclusive para sair desse ambiente à procura de estabelecimentos de comércio alimentar e, adotando o teste de subtração da Nota PGFN, entendo que tal item é essencial para a sua atividade; 3. Exames e tratamentos médicos e assistência ao trabalhador acidentado, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições, pois não entendo que há como se vincular direta ou indiretamente à produção do carvão, por exemplo; 4. Uniformes e Equipamentos de Proteção Individual, entendo que tais custos geram o direito ao crédito das contribuições, inclusive por ser obrigatório nessa atividade. Recordo que essa turma já apreciou esse item – o que peço licença para transcrever parte das ementas dos seguintes acórdãos: · Acórdão 9303006.222 – Conselheiro Demes Brito “[...] COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. UNIFORME/VESTUÁRIO. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. LUBRIFICANTES E COMBUSTÍVEIS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS uniforme, vestuário, equipamento de proteção individual, combustíveis e lubrificantes.[...]” · Acórdão 9303005.526 – Charles Mayer de Castro Souza “[...] No caso julgado, são exemplos de insumos: a) os materiais de segurança ou proteção individual, tais como: avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas; b) materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, Fl. 661DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 15 14 parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC [...]” · Acórdão 9303005.912 – Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas “[...] PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acatase os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. [...]” 5. Controle e Prevenção de Pneumoconiose, tal como os custos com exames e tratamentos médicos, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições; 6. Auditorias de certificação de qualidade e de procedimento como as ISO, ainda que necessários, não há como se gerar crédito pois não vinculada diretamente ou indiretamente à produção do carvão; 7. Caixas de Papelão e Sacos BIG Bag, entendo que geram direito ao crédito, pois essenciais para o acondicionamento do carvão produzido; ademais as etiquetas decorrem de exigência obrigatória, por se tratar de produtos perigosos; 8. Correias de Transporte, entendo ser essencial à atividade na exploração da mina, o que entendo ser gerador de crédito; 9. Gastos com explosivos e cursos técnicos relativos à operação da mina, entendo serem essenciais à sua atividade de exploração, bem como o curso atrelado a esses gastos, para se prevenir a segurança; 10. Sondagens, entendo que serem geradores de crédito, pois essencial à sua atividade; 11. Pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, vigilância, limpeza, encadernação, entendo que não há como se reconhecer o crédito, vez que são meros custos administrativos. Quanto à limpeza, não há comprovação da vinculação à sua atividade fim; 12. Custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, entendo que tais itens são essenciais à sua atividade. Em vista do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Quanto aos itens trazidos em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, importante recordar o voto do acórdão recorrido: Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 16 15 “[...] Assim, considerando a planilha anexa aos autos em que estão relacionados os serviços e produtos glosados pela fiscalização, ou seja, excluídos do creditamento da contribuição, reconheço do pleito do contribuinte em relação todas as despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FÁTMA. Assim, partindo da planilha elaborada pelo agente fazendário, concedo créditos em relação às aquisições de serviços e produtos mencionados na tabela abaixo, por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público: [...] Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja: risco ambiental, recuperação ambiental, auditorias ambiental, terraplanagem para recuperação ambiental, prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia, prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas, serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental, serviços de estudos hidrológicos, locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental, de ensaio técnico, serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA), prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas, prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina, prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas, prestação de serviços planialtimétricos, anteprojeto de recuperação de área ambiental e drenagem, serviços de coleta de resíduos sólidos. Ainda assiste razão ao contribuinte quando requer os créditos em relação a depreciação dos bens do ativo imobilizado, principalmente quando o fiscal nada comenda a respeito, bem mesmo o julgador de primeiro grau, uma vez que os contribuintes sujeitos a incidência não cumulativa do PIS/COFINS, em relação aos bens adquiridos, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação, nos termos da legislação aplicável. Assim, podem gerar direito a estes créditos as depreciações das empilhadeiras, bombas hidráulicas, motores etc, desde que registrados no ativo imobilizado.[...]” Em relação aos itens descritos no voto do acórdão recorrido, manifesto minha concordância, pois entendo que todos são essenciais à atividade do sujeito passivo, o que, fazendo o teste de subtração, impossível a operacionalização de sua atividade. Em vista do exposto, voto por: · Dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo; Fl. 663DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 17 16 · Negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional." (...) Transcrevese, a seguir, o voto vencedor do acórdão paradigma, que tratou do direito de crédito quanto ao fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina: "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo parcialmente de suas conclusões quanto aos itens que são possíveis de creditamento à luz do novo conceito de insumos introduzidos pela decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pós industriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, como bem esclareceu a relatora em seu voto, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A própria Fazenda Nacional, editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, a partir desta sessão de julgamento, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado pela relatora e também pela citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 18 17 mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) Fl. 665DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 19 18 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Portanto, partindo dessas premissas é que iremos analisar, em cada caso, o direito ao crédito de PIS e Cofins de que tratam o inc. II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Passemos então à análise dos itens específicos do presente processo, dos quais discordamos da ilustre relatora. No caso específico nossa discordância é em relação a fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Apesar de tanto a relatora quanto eu estarmos em sintonia em relação ao conceito de insumos trazidos pela decisão do STJ, não tenho a mesma conclusão que ela que tais itens possam ser considerados insumos e serem relevantes e pertinentes para a atividade produtiva exercida pelo contribuinte. Com a devida venia, não considero que sejam itens, cuja subtração possa obstar a atividade produtiva do contribuinte. Não há como considerálos como insumos da atividade produtiva do contribuinte. Veja como dispõe a legislação do PIS e da Cofins quanto à possibilidade de creditamento: Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) Creio que a atenta leitura do dispositivo legal é suficiente para afastar o crédito da nãocumulatividade em relação a itens estranhos ao processo produtivo do contribuinte. Portanto, deixo de acompanhar a relatora em relação aos itens: fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Em conclusão, nego o aproveitamento de créditos da nãocumulatividade de PIS/Cofins sobre esses itens." Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11516.000926/200958 Acórdão n.º 9303007.794 CSRFT3 Fl. 20 19 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Recurso Especial do Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão. O colegiado também conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 667DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13876.720412/2011-73
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 72 04 12 /2 01 1- 73 Fl. 172DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: Exercício: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa. Passagens do voto do acórdão de impugnação relataram e sustentaram o seguinte: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa de R$62.425,00. • pagamento de R$55.000,00 para SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA. Apresentou Nota Fiscal de Prestação de Serviços. Este estabelecimento está cadastrado com CNAE FISCAL 8630503 com Atividade Médica ambulatorial restrita a consultas. Não atestou o efetivo pagamento da despesa, apesar de intimado para tanto; • Glosadas as despesas de R$ 7.425,00, para CELSO CARVALHO FERRARI. O recibo apresentado tem descrição genérica como tratamento odontológico, não esclarece quem foi paciente tratado, não teve a comprovação do efetivo pagamento apresentada. Enquadramento legal consta da Notificação de Lançamento supracitada. O contribuinte apresenta impugnação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: Pagou as despesas médicas aos profissionais e à Clínica Sante, na época própria e conforme manda a legislação vigente. Para a Clínica Sante, solicitou a emissão de Nota Fiscal. Todos os pagamentos feitos foram através de cheques e em dinheiro. São tratamentos médicos, dentários e de pré e pós operatório. Quanto ao fato de o agente fiscal solicitar documentos que comprovem o tratamento, está aguardando os profissionais enviarem a ficha dentária e os prontuários médicos. Não encontrou nenhum artigo ou § que proíba o Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13876.720412/201173 Acórdão n.º 2001000.897 S2C0T1 Fl. 3 3 pagamento em dinheiro e nada que o obrigue a efetuar pagamentos em cheques nominais e guardar cópias. Quando da análise da Declaração de Ajuste Anual do impugnante observouse que informação cadastral na base de dados da Receita Federal do Brasil, relativamente à Sante Assistência Médica Ltda, demonstrava que a empresa não se enquadrava nas normas relativas a estabelecimentos hospitalares, vez que o seu cadastro, sob o código CNAE FISCAL 8630503, indicava “Atividade Médica Ambulatorial Restrita a Consultas”. Por óbvio, ainda que hipoteticamente possível, não é razoável conceber o pagamento de R$55.000,00 a título de consulta, sendo, portanto, perfeitamente amparada legalmente a exigência de comprovações outras, como a do efetivo pagamento e da documentação comprobatória dos serviços médicos realizados ou informações mais detalhadas acerca do tratamento a que foi supostamente submetido o contribuinte. A jurisprudência administrativa é pacífica acerca da questão (destaques acrescidos): Deduções com Despesas Médicas – Comprovação – Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. 1º Conselho de Contribuintes/2ª Câmara/Acórdão 10243.935. Assim, a Autoridade Fiscal solicitou ao contribuinte a apresentação de documentos comprobatórios das despesas, bem como a comprovação da efetiva transferência de recursos para o pagamento dos vultosos gastos com saúde pleiteados (Termo de Intimação Fiscal 2009/059, fl. 2526). Curiosamente, a NotaFiscal emitida pela Sante Assistência Médica Ltda dá conta que os pagamentos foram efetuados em cheque (fls. 0910). Ora, se assim ocorreu, é razoável conceber que seria bastante simples para o impugnante solicitar cópia de tais cheques ao Banco e anexálos à impugnação. No que tange ao profissional Celso Carvalho Ferrari, cumpre destacar que a glosa da despesa médica, segundo consta na descrição da infração (fl. 26), ocorreu pela falta do endereço, ausência do nome do beneficiário do tratamento e não comprovação do efetivo pagamento. Fl. 174DF CARF MF 4 O contribuinte reitera seus argumentos e pleiteia provimento integral ao recurso voluntário. Passagem do recurso a seguir: Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas, falta de comprovação do pagamento, CNAE errado e por falta de endereço no recibo, ou indicação do beneficiário. Apresentou Nota Fiscal, com indicação dos cheques que pagaram a nota. CNAE apresentado permite procedimentos cirúrgicos. Apresentou fichas dentárias e orçamentos do trabalho feito. A falta de indicação do nome do paciente, em recibo emitido em nome da contribuinte, sem nenhuma investigação, sem nenhuma indicação de que não se trata o contribuinte o paciente, não se afigura motivo para não aceitação do documento. Constituise Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13876.720412/201173 Acórdão n.º 2001000.897 S2C0T1 Fl. 4 5 prática comum a emissão de recibos dessa maneira. A recusa deve apresentar alguma indicação de falta de idoneidade no documento. Não foi o caso. A falta de endereço no documento, como motivo para recusa, prendese a formalismo que poderia a mais das vezes ser suprido por simples pesquisa. Da mesma forma não inquina o documento de nenhuma inidoneidade. No caso, afora a repetição citada, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento de verificação que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Como as alegações de recusa se prenderam a formalidades, e os documentos indicam prestação de serviços médicos, na dúvida, na falta de fundamentação na recusa e na ausência de indicações desabonadoras claras, entendo pela aceitação dos documentos. Em argumentação geral, os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Fl. 176DF CARF MF 6 No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13876.720412/201173 Acórdão n.º 2001000.897 S2C0T1 Fl. 5 7 E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentos consistentes que indiquem inidoneidade dos documentos usuais de comprovação, é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 178DF CARF MF 8 Fl. 179DF CARF MF
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