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Numero do processo: 10283.907065/2009-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.542
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.907065/200959 Resolução n.º 3401000.543 S3C4T1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitida em 14/04/2008, sob o número 25957.64435.140408.1.3.042307, referente à declaração de compensação com crédito de COFINS nãocumulativa – pagamento indevido ou a maior, referente à competência de maio de 2006, no valor total de R$ 255.432,36 (duzentos e cinquenta e cinco mil, quatrocentos e trinta e dois reais e trinta e seis centavos) que com o acréscimo de juros pela Taxa Selic totalizou o montante de R$ 310.120,43 (trezentos e dez mil, cento e vinte reais e quarenta e três centavos), utilizado para abater débito também de COFINS, de março de 2008, no valor de R$ 310.120,43 (trezentos e dez mil, cento e vinte reais e quarenta e três centavos). Em 07/10/2009 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Manaus/AM, emitiu Despacho Decisório, rastreamento nº 848506040, cientificando que diante da inexistência de crédito, não homologa a compensação declarada. O Recorrente tomou ciência através de AR em 22/10/2009. Em 19/11/2009, protocolou Manifestação de Inconformidade de fls. 10/17, mais anexos até fls. 71. Em 24/08/2010 foi prolatado o Acórdão nº 0118950 da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/BEL em BelémPA, fls. 75/76, o qual considerou improcedente a manifestação de inconformidade, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” Em Recurso Voluntário protocolado em 16/11/2010, de fls. 78/106, a Recorrente alega, em síntese: É errônea a alegação sobre a ausência de comprovação da existência do crédito informado na PER/DCOMP, pois o DACON retificador seria documento “hábil e idôneo", diferentemente do posicionamento da Receita federal que afirma que este documento teria apenas caráter informativo, não podendo prevalecer sobre a DCTF que não foi retificada. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.907065/200959 Resolução n.º 3401000.543 S3C4T1 Fl. 3 3 Explica o Recorrente que em 14 de junho de 2006 efetuou um pagamento de DARF no valor de R$ 16.881.863,34, quando na verdade deveria ter pago R$ 16.626.430,97, pois parte de suas receitas que decorriam de vendas de produção própria, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da SUFRAMA (fls 123/131), haviam sido equivocadamente incluídas na base de cálculo da COFINS de alíquota de 6,0%, quando deveriam haver sido incluídas na base de cálculo da COFINS de alíquota de 3,0%, haja vista ter a empresa direito a se submeter a alíquotas diferenciadas a titulo de Contribuição para o PIS e de COFINS, nas condições estabelecidas no artigo 3° do Decreto n° 5.310/2004. Ocorre que, da receita de R$ 280.567.851,83 submetida à tributação por alíquotas diferenciadas, o montante de R$ 11.102.759,00 compõe a base de cálculo da COFINS de alíquota de 3,0% (art. 3°, I, do Decreto n° 5.310/2004), enquanto o montante de R$ 269.465.092,83 compõe a base de cálculo da COFINS de alíquota de 6,0% (art. 3°, II, do Decreto n° 5.310/2004). Ocorre que, inicialmente a Recorrente submeteu apenas o montante de R$ 2.587.210,50 A COFINS de alíquota de 3,0%, ou seja, não incluiu na base de cálculo desta contribuição o montante de R$ 8.515.548,50, submetendo o montante de R$ 277.980.641,33 A. COFINS de alíquota de 6,0%, ou seja, incluiu a maior o valor de R$ 8.515.548,50 na base de cálculo desta contribuição, conforme se verifica na Ficha 19ª do DACON original (doc. 04 e fls 48/69), gerando, com isso pagamento a maior da contribuição. Que assim, o montante da receita auferida pela Recorrente no mês de maio de 2006, decorrente da venda de produção própria de telefones celulares, submetidas à tributação na forma preceituada pelo art. 3° do Decreto n°5.310/2004, seria de R$ 16.626.430,97 e não de R$ 16.881.863,34, pois quando da aplicação da alíquota correta de 3% e não de 6% daria um saldo credor de R$ 255.466, 46. Alega que, não foi respeitado o artigo 18, caput, do Decreto n° 70.235/72 que prevê a realização de diligências ou perícias a requerimento do impugnante ou a sua determinação, de oficio, pela autoridade julgadora de primeira instância, diferentemente do que é alegado pelo auditor no acórdão que alega ter o contribuinte o ônus da prova do direito invocado, conforme artigo transcrito, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) Além do que, já haveria sido verificado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais que cabe à autoridade administrativa a busca pela verdade material e até de forma independente da iniciativa do contribuinte, podendo inclusive determinar diligência, ao passo que o processo administrativo é um processo de formalismo moderado e célere. Dessa forma, a Recorrente alega que, além de não ter sido suficiente a apresentação da Dacon retificadora, conforme dispõe o artigo 11, §1º, da Instrução Normativa SRF n° 590/2005, que comprovaria os débitos e créditos do período usado para se realizar a compensação, não foi feita nenhuma diligência para se certificar dos fatos narrados e demonstrados pela Dacon para se confirmar as suas alegações. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.907065/200959 Resolução n.º 3401000.543 S3C4T1 Fl. 4 4 A Recorrente entende que, diferentemente, como foi proferido no Acórdão de fls, a Dacon, se devidamente analisada, seria suficiente para comprovar a veracidade de suas alegações, não sendo primordial a DCTF retificadora, já que a Dacon pressupõe a DCTF. Aduz ao final que caso não sejam considerados suficientes os elementos demonstrados no recurso para provar a existência do crédito de COFINS decorrente de pagamento indevido ou a maior, que então seja determinado diligência a fim de averiguar as informações trazidas pelo Recorrente, pois isso constituiria mais do que uma faculdade do fisco e sim verdadeira obrigação, conforme preceitua o art. 18 do decreto nº 70.235/72 e o artigo 58, parágrafo 8°, do Anexo II do Regimento Interno desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Acentua os princípios da verdade material e do formalismo moderado como vigentes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e ressaltando que um erro do contribuinte não pode prevalecer sobre a ausência de fato gerador idôneo capaz de gerar uma obrigação tributária, ou seja, a verdade material. É o relatório. Voto Conselheira Ângela Sartori Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Compulsando os autos, especificamente na DACON retificadora constante na fl. 67, verificase que os valores retificados a título de COFINS 3% e 6%, coadunam com os lançamentos contábeis constantes na conta n. 30.000 que compõem o valor das receitas totais de vendas, conforme demonstra o Extrato do lançamento nas fls. 133/159 (doc. 03 do Recurso Voluntário). Verificase, outrossim, por meio da análise da primeira DACON c/c a DACON retificadora, a existência do crédito de COFINS, que foi utilizado na compensação, conforme pode ser visto às fls. 48/69. Esse valor pode ser identificado pelo resumo do Livro registro de saídas em questão (doc. 04 CFOPs 51095, 6101 e 6109). É importante notar que o valor total das vendas (doc. 03) está conciliado com o valor total demonstrado na conciliação (doc. 04.1). Em outras palavras, num primeiro momento, a Recorrente submeteu o montante no valor de R$ 2.587.210,50 para a COFINS na alíquota de 3%, submetendo o montante de R$ 277.980.641,33 para a COFINS com alíquota de 6%, quando na realidade R$ 8.515.548,50 desse valor deveria incidir na base de cálculo daquele valor, o que daria o somatório de R$ 11.102.759,00. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.907065/200959 Resolução n.º 3401000.543 S3C4T1 Fl. 5 5 Dessa forma, a alíquota de 3% da COFINS deveria ser submetida ao valor de R$ 11.102.759,00 e aquele valor de R$ 277.980.641,33 sofreu a diminuição do valor de R$ 8.515.548,50, formando o valor de R$ 269.465.092,83, o qual deveria ser submetido à alíquota de 6%. O montante da receita auferida pela Recorrente no mês de maio de 2006, decorrente da venda de produção própria de telefones celulares, submetidas à tributação na forma preceituada pelo art. 3° do Decreto n° 5.310/2004, seria de R$ 16.626.430,97 e não de R$ 16.881.863,34, pois quando da aplicação da alíquota correta de 3% e não de 6% daria um saldo credor de R$ 255.466, 46. Ocorre que, a Recorrente apenas procedeu à retificação da DACON, sem, contudo, retificar DCTF. Somase também ao fato de uma mera inobservância de formalidade por parte da interessada não pode prevalecer diante do princípio da moralidade e da verdade material, mormente quando o contribuinte apresentou documento aparentemente capaz de confirmar a existência de seu direito. Diante desse quadro, devemos aqui, a exemplo de decisões recentes deste colegiado, converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de Origem manifestese acerca da existência do crédito e de sua utilização no procedimento de compensação postulado na DCTF/DACON diante das provas trazidas aos autos pela Recorrente. A Recorrente deverá ser cientificada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30 dias. Após, o processo deverá retornar a este Colegiado. Ângela Sartori (assinado digitalmente) Fl. 281DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13924.000017/2001-86
Data da sessão: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC.
Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito.
Recursos especiais do Procurador provido e do Contribuinte negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.856
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Leonardo Siade Manzan (Relator), Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho (Substituto convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. 2) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial do Contribuinte.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Leonardo Siade Manzan
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-15T15:17:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-15T15:17:01Z; Last-Modified: 2009-10-15T15:17:01Z; dcterms:modified: 2009-10-15T15:17:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-15T15:17:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-15T15:17:01Z; meta:save-date: 2009-10-15T15:17:01Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-15T15:17:01Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-15T15:17:01Z; created: 2009-10-15T15:17:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2009-10-15T15:17:01Z; pdf:charsPerPage: 1506; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-15T15:17:01Z | Conteúdo => CSRF/T02 Fls. 1 i2,4.L:jã MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS .Ç.4,,te--,- ...•,- ,-~ -,--- SEGUNDA TURMA Processo n° 13924.000017/2001-86 Recurso n° 203-131.663 Especial do Procurador e do Contribuinte Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Acórdão n° 02-03.856 Sessão de 13 de fevereiro de 2009 Recorrentes FAZENDA NACIONAL eINDÚSTRIA DE CO1VIPENSADOS GUARARAPES LTDA. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especiais do Procurador provido e do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos_ ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional . Vencidos os Conselheiros Leonardo Siade Manzan (Relator), Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurj -ão Barreto, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho (Substituto convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. 2) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial do Contribuinte. / AN , 5 1 "Ir- GA ../Pr. /- .' ,,d f a/4/ // dr ,;;rdir . ILSON MA:4r: • R* SENBURG FILHO Redator-Desi . ' ado FORMALIZADO EM: 08 SET 2009 411, 111 1 k Processo n° 13924.000017/2001-86 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.856 Fls. 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Praga (Presidente), Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente substituto convocado), Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjão Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martinez López, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Siade Manzan, Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto Convocado), Elias Sampaio Freire e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 13924.000017/2001-86 CS RF/T02 Acórdão n.° 02-03.856 Fls. 3 Relatório A Fazenda Nacional, por intermédio de sua procuradora, com amparo no antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais - RICSRF, aprovado pela Portaria n° 55, de 12/03/98, recorre a esta Egrégia Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF -, contra decisão majoritária da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, a qual reconheceu a aplicação da taxa SELIC sobre os créditos de IPI a serem ressarcidos ao contribuinte a partir do protocolo do pedido. A douta Procuradora da Fazenda Nacional, em suas razões do presente Recurso Especial, sustenta que o julgado deve ser reformado por ter contrariado a legislação regente da matéria em análise. Ainda segundo a douta PFN, referida contrariedade deve-se ao fato de que o instituto do ressarcimento é diferente do instituto da restituição. Portanto, autorizar a aplicação da taxa SELIC sobre créditos a serem ressarcidos fere o Princípio da Legalidade. Ao final, requer a modificação da decisão que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pela empresa. O então Presidente da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes considerou cumpridos os requisitos de admissibilidade recursal e admitiu o presente apelo especial interposto pela PFN no despacho n.° 203-074. O contribuinte apresentou contra-razões ao Recurso Especial interposto pela douta PFN nas quais reitera os argumentos aventados no Recurso Voluntário e requer seja mantido, sem retoques, o Aresto combatido pela PFN. Todavia, o contribuinte também interpôs Recurso Especial alegando que a Câmara recorrida restringiu seu direito ao considerar devida a taxa SELIC somente a partir do protocolo do pedido quando, o correto, seria considerar o momento em que o crédito é constituído, isto é, desde o momento em que os tributos que estão sendo ressarcidos oneraram as compras de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem. Apresentou como divergente o julgado 201-75.488 e juntou cópia integral do mesmo. O Recurso de Divergência interposto pelo contribuinte foi admitido pelo Despacho n.° 203-172, também do então Presidente da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. A PFN apresentou contra-razões às fls. 320/322. Subiram, pois, os autos a esta Egrégia Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF para julgamento. É o Relatório. 3 V\ Processo n° 13924.000017/2001-86 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.856 Fls. 4 Voto Vencido Conselheiro LEONARDO SIADE MANZAN, Relator Consoante relato supra, tratam os presentes autos de Recurso Especial• interposto tanto pela PFN quanto pelo contribuinte, ambos tempestivos e admissíveis, pelo que, passo à análise da matéria. O núcleo do litígio é a aplicação da taxa SELIC no ressarcimento de crédito presumido de IPI e o termo inicial de sua aplicação. Considerando que o ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, conforme já decidido por esta Turma, tenho que as regas atinentes à restituição devem ser aplicadas ao ressarcimento. Assim, incide a Taxa Selic sobre o valor a ser ressarcido, a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento, em decorrência do que dispõe o art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95. A aplicação de juros calculados à Taxa Selic é entendimento desta Casa, sedimentado no Acórdão CSRF/02-01.160, relatado pelo Ilustre Conselheiro desta Turma, Dalton César Cordeiro de Miranda. O voto proferido no referido processo é esclarecedor, pelo que são transcritos os principais excertos: "Concluindo, entendo, por derradeiro, ser devida a incidência da denominada Taxa SELIC a partir da efetivação do pedido de ressarcimento. Com efeito, a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes firmou entendimento no sentido de que até o advento da Lei 9.250/95, ou até o exercício de 1995, inclusive, não obstante a inexistência de expressa disposição legal neste sentido, os créditos incentivados de IPI deveriam ser corrigidos monetariamente pelos mesmos índices até então utilizados pela Fazenda Nacional para atualização de seus créditos tributários. Tal direito é reconhecido por aplicação analógica do disposto no § 3o, do artigo 66, da Lei 8.383/91. Todavia, com a desindexação da economia, realizada pelo Plano Real, e com o advento da citada Lei 9.250/95, que acabou com a correção monetária dos créditos dos contribuintes contra a Fazenda Nacional havidos em decorrência do pagamento indevido de tributos, prevaleceu o entendimento de que a partir de então não haveria mais direito à atualização monetária, e de que não se poderia aplicar a Taxa SELIC para tal fim, pois teria a mesma natureza jurídica de taxas de juros, o que impediria sua aplicação como índice de correção monetária. Tal entendimento, entretanto, merece uma melhor reflexão. Tal necessidade decorre de um equívoco no exame da natureza jurídica da denominada Taxa SELIC. Isto porque, em recente 1 Processo n° 13924.000017/2001-86 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.856 Fls. 5 estudo sobre a matéria, o Ministro Domingos Franciulli Netto, do Superior Tribunal de Justiça, expressamente demonstrou que a referida taxa se destina também a afastar os efeitos da inflação, tal qual reconhecido pelo próprio Banco Central do Brasil. Por outro lado, cumpre observar a utilização da Taxa SELIC para fins tributários pela Fazenda Nacional, apesar possuir natureza híbrida — juros de mora e correção monetária -, e o fato de a correção monetária ter sido extinta pela Lei 9.249/95, por seu art. 36, II, se dá exclusivamente a título de juros de mora (art. 61, § 3o, da Lei 9.430/96). Ou seja, o fato de a atualização monetária ter sido expressamente banida de nosso ordenamento não impediu o Governo Federal de, por via transversa, garantir o valor real de seus créditos tributários através da utilização de uma taxa de juros que traz em si embutido e escamoteado índice de correção monetária. Ora, diante de tais considerações, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que ao contribuinte titular do crédito incentivado de IPI, a quem, antes desta suposta extinção da correção monetária, se garanta, por aplicação analógica do artigo 66, § 3o, da Lei 8.383/91, conforme autorizado pelo art. 108, I, do Código Tributário Nacional, direito à correção monetária — e sem que tenha existido disposição expressa neste sentido com relação aos créditos incentivados sob exame -, se garanta agora direito à aplicação da denominada Taxa SELIC sobre seu crédito, também por aplicação analógica de dispositivo da legislação tributária, desta feita o art. 39, § 4o, da Lei 9.250/95 — que determina a incidência da mencionada taxa sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido -, crédito este que em caso contrário restará minorado pelos efeitos de unia inflação enfraquecida, mas ainda verificável sobre o valor da moeda. A incidência de juros sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido teve origem exatamente com o advento do citado art. 39, § 4o, da Lei 9.250/95, pois, antes disso, a incidência dos mesmos, segundo o § único do art. 167, do Código Tributário Nacional, só ocorria "a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva" que determinasse a sua restituição, sendo, inclusive, este o teor do enunciado 188 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça." 5 j Processo n° 13924.000017/2001-86 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.856 Eis. 6 CONSIDERANDO os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento a ambos os Recursos interpostos, pelas razões acima expendidas. É o meu voto. Sala das Sessões, em 13 de fev- eiro de 2009. 6 Processo n° 13924.000017/2001-86 CS RF/T02 Acórdão n.° 02-03.856 Fls. 7 Voto Vencedor Conselheiro GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Designado A discordância em relação ao voto do ilustre relator restringe-se na possibilidade da incidência da taxa SELIC no ressarcimento de IPI. Preliminarmente, calha de pronto observar, neste voto, que diferentes são as figuras do ressarcimento e da restituição. A restituição é a repetição de um indébito. Decorre de pagamento indevido ou a maior que o devido. Já o ressarcimento não está vinculado a qualquer pagamento indevido, mas decorre de concessão legal. Sobretudo, não se pode olvidar que o direito subjetivo ao ressarcimento somente é constituído com o advento do despacho da autoridade competente, em oposição ao que ocorre com a repetição do indébito, em que o direito de repetir já nasce imediatamente com o pagamento indevido ou a maior, independentemente de qualquer ato da autoridade administrativa. Nesta linha, fica evidente existir duas figuras que não se confundem: restituição por pagamento indevido ou a maior do que o devido (repetição de indébito); e ressarcimento, previsto em lei concessiva. É certo que restituição e ressarcimento compartilham alguns aspectos, como o de ser ambos passíveis de satisfação em dinheiro ou mediante compensação, mas de nenhum modo ressarcimento é espécie do gênero restituição, senão vejamos: O art. 66 da Lei no 8.383/91, assim dispõe: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenató ria, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3° A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da Ufir. § 40 O Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. 7 t. Processo n° 13924.000017/2001-86 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.856 Fls. 8 Este dispositivo teve sua redação alterada pelo art. 58 da Lei no 9.069, de 29/06/95, verbis: Art. 58. O inciso III do art. 10 e o art. 66 da Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciá rias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenató ria, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1" A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3° A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4° As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo." Já o art. 39 da Lei no 9.250/95, estabelece que: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1° (VETADO) § 2° (VETADO) § 3 0 (VETADO) § 4° A partir de 1° de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de I% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Conforme se pode verificar, todos os dispositivos legais acima se r- erem à compensação ou restituição, que são espécies do gênero repetição de indébito. 1), Ni anto, é lógico inferir que a restituição e a compensação pressupõem a existência de um ,,tii i amento 05, 8Q Processo n° 13924.000017/2001-86 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.856 Fls. 9 anterior efetuado pelo sujeito passivo, pagamento este indevido ou efetuado em montante maior do que o que seria devido. Ora, no caso dos autos o crédito não se originou de nenhum indébito tributário. Tratando-se de ressarcimento de créditos de IPI, consubstancia-se em mera liberalidade do sujeito ativo do tributo que, ao concedê-lo, decidiu fazê-lo sem a aplicação de correção monetária ou de juros, dado o silêncio das normas específicas que regem a espécie e da referência efetuada tão-somente em relação à repetição de indébito, nas normas acima transcritas. Inaplicável, portanto, o Parecer AGU no 01/96, visto que só se referiu à repetição de indébito. Na verdade, o argumento em sentido contrário invoca a aplicação analógica da lei, o que significa admitir a existência de uma lacuna que deveria ser resolvida por aquela técnica de integração. O art. 108 do CTN estabelece que as formas de integração das lacunas na legislação tributária são a analogia, os princípios gerais de direito tributário, os princípios gerais de direito público e a eqüidade, os quais devem ser aplicados sucessivamente e na ordem indicada na lex legum. Leciona Maria Helena Diniz que: A analogia é, portanto, um método quase-lógico que descobre a norma implícita existente na ordem jurídica. É tão-somente um processo revelador de normas implícitas. Requer a aplicação analógica que: 1) o caso sub judice não esteja previsto em norma jurídica; 2) o caso não contemplado tenha com o previsto, pelo menos, uma relação de semelhança; 3) o elemento de identidade entre eles não seja qualquer um, mas sim essencial, ou seja, deve haver verdadeira semelhança e a mesma razão entre ambos.(in: Curso de Direito Civil Brasileiro. Vol. 1. São Paulo: Saraiva, 10' ed., 1994, pp.54/55) Ora, no caso dos autos o terceiro requisito para aplicação analógica da lei não restou caracterizado porque os fundamentos, os motivos, ou seja, as razões que fundamentam os institutos do ressarcimento e da repetição do indébito são totalmente distintas. No caso da repetição de indébito, a devolução das importâncias se assenta na preexistência de um pagamento indevido, cuja devolução é reclamada com base no princípio geral de direito que veda o locupletamento sem causa. Já no caso de ressarcimento de créditos incentivados, o pagament •e efetuadoa pelo sujeito passivo era devido, mas a devolução das quantias se assent. única e exclusivamente na renúncia unilateral de valores que foram licitamente recebidos iár/2 o sujeito ativo do tributo. gl 04 9 k Processo n° 13924.000017/2001-86 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.856 Fls. 10 Como se vê, nos dois casos ocorrem devoluções de quantias ao contribuinte, mas estas devoluções ocorrem por razões distintas. A finalidade do ressarcimento é produzir uma situação de vantagem para determinados contribuintes que atendam a certos requisitos fixados em lei, para incrementar as respectivas atividades; enquanto que a finalidade da repetição do indébito é prestigiar o princípio que veda o enriquecimento sem causa. Nesse passo, não há como conceder o ressarcimento de créditos originados de incentivo fiscal com fundamento nos princípios da isonomia, da finalidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa, porque os dois institutos não apresentam a mesma ratio. Acrescente-se a tudo isso que o art. 3o, II, da Lei no 8.748/93, estabeleceu expressamente distinção entre repetição de indébito e ressarcimento de créditos de IPI, o que toma ilegal a aplicação de qualquer acréscimo ao ressarcimento. Do mesmo modo, não há como fundamentar tal concessão com base na demora da apreciação dos processos pela Receita Federal. Não há que se falar em desvalorização do valor a ser ressarcido, mesmo porque o ambiente de ampla correção monetária que vigia no passado foi abolido pelo Legislador. Com efeito, o mundo jurídico aboliu e repudiou o sistema geral de indexação da economia, através da aprovação das normas legais que consolidaram o Plano Real, inexistindo atualmente previsão de atualização monetária tanto para caso de ressarcimento como para caso de restituição. A Taxa Selic é, isto sim, a expressão numérica dos juros. Não se trata de atualização monetária. Juros, por sua vez, é um acréscimo ao principal, é um plus que inclusive se caracteriza como renda para aquele que o aufere. Ora, o Estado não pode pagar rendimentos — na forma de Taxa Selic, vale dizer, de juros — sem previsão legal, mormente quando o que seria o valor principal (ressarcimento) é, ele próprio, dependente de lei concessiva. É cediço que a regra plasmada no art. 49 da Lei no 9.784, de 29/01/1999, sugere que a Administração tem até 60 dias para decidir o processo, a partir do encerramento da instrução (e não da data de seu protocolo). Entretanto, se a Administração não se desincumbir de seu dever legal, o remédio adequado para sanar a omissão não é a aplicação de correção monetária ou de juros de mora, mas sim a ação judicial que o contribuinte entender cabível para constranger a Administração a se manifestar. Nesse contexto, inadmissível pensar na aplicação da Taxa Selic como um meio de reposição do valor real da moeda. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e de negar provimento ao recurso do contribuinte. , 41 iro de 2009.Sala • i.essõeis Á - 3 d - II- i /i ii, .14f, "41Fir e on lr f‘' : e Rosenburg Filho 4 \ 10 4
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000087/2003-93
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 19/12/1997
Preferência Tarifária Concedida em Razão da Origem. ALADI. Triangulação. Possibilidade. Preferência Tarifária Concedida em Razão da Origem. ALADI. Triangulação. Cumprimento das Exigências Documentais. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 19/12/1997 Preferência Tarifária Concedida em Razão da Origem. ALADI. Triangulação. Possibilidade. Preferência Tarifária Concedida em Razão da Origem. ALADI. Triangulação. Cumprimento das Exigências Documentais. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1930; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 138 1 137 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10209.000087/200393 Recurso nº 344.651 Voluntário Acórdão nº 3102001.548 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de julho de 2012 Matéria Preferência Tarifária Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/12/1997 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. POSSIBILIDADE. Preferência Tarifária Concedida em Razão da Origem. ALADI. Triangulação. Cumprimento das Exigências Documentais. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 00 87 /2 00 3- 93 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000087/200393 Acórdão n.º 3102001.548 S3C1T2 Fl. 139 2 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o crédito tributário no valor R$ 82.788,54, objeto do Auto de Infração de fls. 0208. 2. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa interessada, por meio do processo nº 10209.000700/0068, protocolizou pedido de restituição de parcela do Imposto de Importação, em razão de apuração errônea da sua base de cálculo, no que diz respeito ao valor do frete. Por ocasião do exame do pedido, foi efetuada a revisão da Declaração de Importação (DI), da qual resultou a conclusão de gozo indevido, na importação, da preferência tarifária, prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 27 (ACE 27), no âmbito da Associação Latinoamericana de Integração (ALADI). 3. Em decorrência, foi lavrado auto de infração para exigência de diferença do Imposto de Importação, levando em conta, na apuração da base de cálculo, o requerido pela impugnante no pedido de restituição, ou seja, foi atendido ao pleito de alteração da base de cálculo, mas aplicandose a alíquota integral, sem a preferência tarifária, o que resultou em imposto a pagar. 4. A autuação se baseia nos seguintes fundamentos: 4.1. O certificado de origem apresentado no despacho aduaneiro indica, como país exportador, a Venezuela, fazendo referência à fatura comercial nº 12.5821, emitida pela Petroleo y Gas (PDVSA), não havendo correspondência com a fatura comercial que instruiu o despacho de importação nº BSLSB 75/98, emitida pela Braspetro Oil Service Co. (Brasoil), localizada nas Ilhas Cayman; 4.2 A preferência tarifária pressupõe a vinculação da mercadoria ao emissor da fatura comercial que é informado no certificado de origem emitido na Venezuela, o qual não acoberta a fatura comercial que instruiu a DI e sim a fatura nele mencionada, sendo documento ineficaz para acobertar a redução de alíquota (art. 4º, parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/1985); 4.3. Houve intervenção de terceiro país na qualidade de exportador, não membro da ALADI, o que não está previsto no art. 4º da Resolução nº 78 da ALADI, anexa ao Decreto nº 98.874/1990; 4.4. Constatase o descumprimento das normas, em face da utilização indevida\ da redução tarifária prevista em acordo internacional, por irregularidade na operação de importação, a qual não está acobertada pela legislação; Fl. 139DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000087/200393 Acórdão n.º 3102001.548 S3C1T2 Fl. 140 3 4.5. Foi excluído da base de cálculo do Imposto de Importação, o valor do frete. 5. Cientificado do lançamento em 17/02/2003, conforme fl. 02, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 2429, em 19/03/2003, por meio da qual expõe as seguintes razões de defesa: 5.1. a operação consistiu no seguinte: a PIFCO, subsidiária da Brasoil, a qual, por sua vez, é subsidiária da Braspetro, sendo esta última subsidiária da Petrobrás, adquiriu o produto da Corpoven (subsidiária da PDVSA), sediada na Venezuela; 5.2 não houve registro da primeira compra, realizada pela Brasoil, e a subseqüente revenda, para a Petrobrás, porque o Siscomex impede tais registros, os quais nunca foram exigidos pela Receita Federal bem como a cópia das faturas anteriores; 5.3. considerando o disposto no art. 4º da Resolução nº 78, não há razão para manter a exigência tributária; 5.4 tais operações decorrem da dificuldade de captação de recursos no país, sendo curto o prazo pagamento no mercado de petróleo, de modo que para alongar tal prazo, a impugnante vem utilizando linhas de crédito no exterior, por suas subsidiárias; 5.5. em razão da crise mundial, algumas restrições administrativas têm sido impostas na área cambial, como coincidência de prazos para a autuada fechar o contrato de câmbio e entregar os recursos para sua liquidação, obrigandoa a, nessa mesma,oportunidade, entregar os documentos de importação, o que a própria Receita Federal admite não ser possível e, por isso, concede prazo maior; 5.6. de acordo com a Nota COANA/COLAD/DITEG nº 60/1997, a intermediação em importações não afasta a preferência tarifária prevista em acordo internacional; 5.7. operações dessa natureza são de uso corrente nas trocas comerciais internacionais e no mercado financeiro nacional e internacional, objetivando o financiamento e o aperfeiçoamento das garantias; 5.8. acordos tarifários visam a proteção recíproca das exportações de países que enfrentem especial dificuldade, sendo exemplo disso, o custo mais alto do petróleo da Venezuela, que somente com a redução tarifária se torna suportável, e cuja aquisição conformase no esforço para integração dos países do cone sul, na esteira da decisão governamental de mudanças estratégicas na matriz energética e nas suas fontes fornecedoras; 5.9 a Resolução nº 78 e o Acordo nº 91 não vedam a redução tarifária em caso de importação (compra direta) com intervenção de terceiros, sem trânsito da mercadoria por outro país; Fl. 140DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000087/200393 Acórdão n.º 3102001.548 S3C1T2 Fl. 141 4 5.10. a operação é expressamente acobertada, constituindo inversão lógiconormativa a vedação vislumbrada pelo Fisco, que não é prevista em tema de estrita reserva de lei; 5.11. a Resolução nº 232, promulgada pelo Decreto nº 2.835/1998, passou a admitir expressamente a operação, exatamente para dirimir dúvidas ainda existentes; 5.12 tais operações vêm sendo legitimadas pela Receita Federal, como atestam os precedentes sobre a matéria, favoravelmente à Petrobrás; 5.13. deve ser excluída a utilização da taxa Selic, em razão de sua ilegalidade e inconstitucionalidade, com base no art. 146 da Constituição Federal e art. 161, § 1º do CTN. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 18/02/1998 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a aplicação de preferência tarifária em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, não signatário do Acordo Internacional, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Incabível a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em caso de solicitação indevida, feita no despacho de importação, de reconhecimento de preferência percentual negociada em acordo internacional, quando o produto estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e não ficar caracterizado intuito doloso ou má fé por parte do declarante. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/02/1998 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar argüição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas legais. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000087/200393 Acórdão n.º 3102001.548 S3C1T2 Fl. 142 5 Lançamento Procedente em Parte Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Dado que o montante exonerado é inferior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, não pende recurso de ofício da fração da decisão de primeira instância que afastou parcialmente a exigência. Considerando que a análise da fatura comercial relativa à operação entre a pessoa jurídica PDVSA e a Brasoil seria essencial para decidir acerca do cumprimento dos requisitos inerentes à preferência tarifária pleiteada e que o Sujeito Passivo não foi intimado para apresentar tal fatura, decidiu esta Segunda Turma Ordinária, por meio da Resolução 3102 000.132, converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que fosse providenciada a juntada desse documento. Cumprida tal providência, retornaram os autos para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Em síntese, a alegação de descumprimento do regime de origem está calcada nos seguintes fundamentos: a) há um descompasso entre o certificado de origem e a fatura comercial apresentados por ocasião do despacho de importação; b) a legislação de regência, no caso a Resolução 78, segundo o texto aprovado pelo Decreto nº 98.874/90, exigiria a expedição direta da mercadoria, exigência que não teria sido cumprida; c) a BRASOIL Braspetro Oil Service, pessoa jurídica estabelecida um país não signatário da ALADI, atuara na operação na qualidade de exportadora, hipótese não admitida pelo acordo, que só admitiria essa intervenção na qualidade de “operador”. No presente litígio, portanto, não se discute o descumprimento de regras formais veiculadas a partir de resoluções Aladi promulgadas em período posterior aos fatos geradores, em especial, as resoluções 232, promulgada pelo Decreto nº 2.865, de 1998 ou 252, promulgada pelo Decreto nº 3.325, de 1999. Dito isto, penso que o recurso deva ser provido. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000087/200393 Acórdão n.º 3102001.548 S3C1T2 Fl. 143 6 Em primeiro lugar, considero que a falha documental na instrução do despacho de importação foi devidamente saneada pela apresentação da fatura comercial nº 1258211, o que permitiu o cotejamento entre a mercadoria submetida ao crivo do Fisco e a constante do certificado de origem objeto do presente litígio2. Em segundo, diferentemente do que se alegou, a mercadoria que tem sua origem questionada pelo Fisco embarcou no porto de Jose, Venezuela, a bordo do Navio GURUPA, com destino ao Brasil, tendo sido descarregada no porto de Belém, conforme se depreende da leitura do campo “Dados Complementares” do extrato de DI à fl. 48. Não há notícia, portanto, de que a mercadoria tenha transitado por terceiro país ou mesmo sido alvo de transbordo. Da mesma forma, o Conhecimento de Transporte3 e o Certificado de Origem, noticiam seu embarque com destino aos portos brasileiros. Também discordo que a intervenção da pessoa jurídica Braspetro tenha ocorrido em desacordo com o que preceitua o regime de origem da ALADI. Cabe relembrar, nessa esteira, a distinção entre país de origem, procedência e aquisição gizada nas alíneas “h”, “i” e “j” do art. 425 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985: h) país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; i) país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; j) país de procedência, assim considerado aquele onde se encontrava a mercadoria no momento de sua aquisição; Cotejando os elementos carreados ao processo com os conceitos regulamentares, em especial o consignado na alínea “i”, vêse que as Ilhas Cayman, em verdade, representam o país de aquisição e não, como restou consignado, como país de origem ou procedência. Nessa linha, não há como afirmar validamente que o acordo proíba que a mercadoria seja faturada por um operador situado em um país não membro da ALADI. Com efeito, diz o artigo quarto da resolução 78: QUARTO. Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador, Para esses efeitos, considerase como expedição direta; a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. 1 Cópia à fl. 127 (numeração digital) 2 Cópia à fl. 20 (numeração digital) 3 Doc. à fl. 52 (numeração digital) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000087/200393 Acórdão n.º 3102001.548 S3C1T2 Fl. 144 7 b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem trasbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) O trânsito seja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; A partir do texto acima, sobretudo se levado em consideração o disposto na alínea “a” do artigo quarto, não vejo, com o devido respeito à opinião do Fisco e das autoridades julgadoras de primeira instância, como julgar que a comercialização a partir de operador situado em terceiro país inviabilize o aproveitamento do tratamento tarifário diferenciado. De fato, nos termos da alínea “a”, independentemente de qualquer outra condição, a mercadoria transportada sem passar pelo território de um país estranho ao bloco será considerada como diretamente expedida. Ou seja, só se discute o cumprimento de outras exigências, como, por exemplo, a ausência de comercialização, nas hipóteses em que a mercadoria transita fisicamente por país estranho ao bloco. Assim, sendo certo que, segundo os elementos constantes do processo, a mercadoria foi transportada diretamente para o Brasil, resta cumprida a condição. Não se discute, ademais, sua produção em país diverso. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 18 de julho de 2012 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 35954.001940/2005-44
Data da sessão: Mon Nov 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1997 a 01/12/1998
PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento I parcial, aplica-se o artigo 150, §4°.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-000.804
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fundamento no artigo 150, §4° do CTN, acatar a preliminar de decadência provimento do recurso
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 01/12/1998 PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento I parcial, aplica-se o artigo 150, §4°. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado
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'41 MINISTÉRIO DA FAZENDA *Y7' -L • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS --trA4 SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35954.001940/2005-44 Recurso n° 150.852 Voluntário Acórdão n° 2301-00.804 — r Câmara / i Turma Ordinária Sessão de 30 de novembro de 2009 Matéria DECADÊNCIA Recorrente UNIÃO NORTE DO PARANÁ DE ENSINO S/C LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 01/12/1998 PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento I parcial, aplica-se o artigo 150, §4°. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por • 'dade de votos, com fundamento no artigo 150, §4° do CTN, acatar a preliminar de decad • a provimento do recurso. N' JULIO C S • ' VIEIRA — Presidente LEON 10 H ,viris. # : S LOPES — Relator Processo n° 35954.001940/2005-44 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00204 Fl. 2 Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (suplente), Maria Helena Lima dos Santos (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Esteve presente ao julgamento o advogado da recorrente Dr. Hamilton José Cardoso, OAB/DF 8465. Relatório Trata-se de crédito lançado pela fiscalização em desfavor da empresa acima identificada, referente ao crédito relativo a contribuições devidas à Seguridade Social e a outras entidades (Salário Educação, INCRA e SEBRAE) exigíveis e sem o correspondente recolhimento , no período de 05/97 a 12/98. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi lavrada em 30/08/2004. A Recorrente apresentou Impugnação às fls. 88/139. Tendo a Decisão Notificação de fls. 2215/2235 julgado procedente o lançamento. Inconformada, interpôs Recurso tempestivo, alegando, em síntese, além das questões de mérito a decadência do direito de o Fisco realizar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Sendo tempestivo e atendendo aos requisitos de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. DA DECADÊNCIA Em preliminar, aduz o Recorrente a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. A decisão recorrida, a seu turno, entendeu que o prazo de decadência de que goza o INSS para constituir seus créditos é de 10 (dez) anos, contados a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/01 Pois bem. A NFLD em questão foi lavrada em 30/08/2004 e abrange competências de 05/1997 a 1211998. 2 Processo n° 35954.001940/2005-44 S2-C3T1 Acórdão n.°2301-00.804 Fl. 3 Logo, todas as competências foram atingidas pela decadência, pois nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Superno Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Pane final do voto proferido pelo Ermo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146,111 b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. I03-A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 20 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas lv 3 Processo n° 35954.00194012005-44 S2-C3T1 Acórdão n? 2301-00.804 Fl. 4 esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 100 enunciado da simula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre Órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. No caso em apreço, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n°08 n I para acatar aprazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150,§4°: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (.) 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Aplico as disposições do art. 150, § 40, visto que depreende-se do próprio Relatório Fiscal de fls. 76 que "os recolhimentos das contribuições previdenciárias efetuadas pela notificada foram apropriados a diversos créditos previdenciários constituídos e se encontram discriminados nos relatórios RADA e RDA, sendo hipótese de pagamento parcial da contribuição devida, e que tinha sido declarada pelo Contribuinte. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 01/09/2004 e que a autuação abrange as competências de 05/97 a 12/98, tenho como certo que todo o crédito constituído foi atingido pela decadência qüinqüenal. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso interposto. 4 Processo n° 3 5 9 5 4 . O 019 4 0 2 O O 5 - 4 4 51-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.804 E. 5 CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto por dar PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, declarando decaídas todas as competências referentes ao período da autuação. É como voto. Sala das Sessões, - •e no - obro se 2009 LEON • D O S IRES LOPES — Relator. L.,"/
score : 1.0
Numero do processo: 11080.006888/2006-61
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Descabe a dedução de despesas médicas realizadas com pessoas que apresentaram declaração em separado e que não foram relacionadas como dependentes da declaração de ajuste anual do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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DEDUÇÃO. Descabe a dedução de despesas médicas realizadas com pessoas que apresentaram declaração em separado e que não foram relacionadas como dependentes da declaração de ajuste anual do contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 68 88 /2 00 6- 61 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 11080.006888/200661 Acórdão n.º 2801002.919 S2TE01 Fl. 72 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância (fl. 49 deste processo digital), reproduzido a seguir: Através da Notificação de Lançamento foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 2.064,92 relativos ao exercício de 2005, em decorrência da glosa de deduções na declaração de ajuste de despesas médicas. A descrição dos fatos e a legislação infringida constam da referida Notificação. O total do crédito tributário é de R$4.038,15. Inconformado o contribuinte apresenta impugnação (fls. 1/7) complementada em fl. 40, onde esclarece que as despesas incorridas com Marianne pagas a Santa Casa de Porto Alegre se referem a tratamento de infertilidade do impugnante e de sua esposa, bem como para manutenção da gravidez de alto risco do filho comum (nascituro), conforme recibos e relatório médico em anexo. Argumenta que apesar de todo o tratamento ter sido pago pelo impugnante os recibos foram emitidos em nome de sua esposa a qual apresentou declaração em separado. Entende que deva ser aplicado o mesmo entendimento exposto na pergunta 355 do Perguntas e Respostas IRPF. Esclarece que o valor pago a Dra. Tatiana Ferreira Michelon referese a honorários médicos relativos ao tratamento e manutenção da gestação de seu filho, os valores pagos a Associação dos Procuradores do Município de Porto Alegre correspondem ao convênio médico do qual sua esposa é titular, sendo que R$ 1.832,59 referese a parte do impugnante, como dependente; igualmente quanto aos pagamentos efetuados à UNIMED. Relativamente aos pagamentos a Associação Médica São Paulo S/A , informa que se refere a plano de saúde de seu pai, idoso de 73 anos, percebendo do INSS pensão inferior a R$ 700,00 mensais. Afirma que o total de R$ 15.700,57 de despesas médicas, mais medicações foi totalmente por ele suportado e que sua renda liquida foi de aproximadamente de R$ 35.000,00, tendo, inclusive, passado privações. Pede a insubsistência do lançamento juntando para tanto os documentos em fls. 6/30. O lançamento foi julgado procedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 11080.006888/200661 Acórdão n.º 2801002.919 S2TE01 Fl. 73 3 Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis e/ou não comprovadas mediante documentação hábil e idônea, poderão ser glosadas pela autoridade lançadora. Lançamento Procedente Cientificado da decisão em 30/10/2009 (fl. 68), o Interessado apresentou recurso em 12/11/2009 (fls. 58/64). Na peça recursal aduz, em síntese, que: Em relação às despesas em nome de Marianne Steffen Radovan (esposa do Recorrente) pagas à Santa Casa de Porto Alegre, no valor de R$ 7.065,87 O valor total dessa despesa referese a tratamento contra a infertilidade do casal, bem como para manutenção da gravidez de alto risco do filho em comum. Descoberta a causa dos três abortos de sua esposa, ela finalmente engravidou devido a tratamento médico imunológico aplicado a ambos. O tratamento consistia em aplicar elementos do sangue de sua esposa em sua corrente sanguínea e viceversa. Os recibos relativos ao tratamento conjunto foram emitidos em nome de sua esposa por mera liberalidade da Santa Casa. Todo o tratamento foi custeado por ele. Os cheques foram emitidos de sua contacorrente. Infelizmente, foi mal orientado pela contadora. Ao lhe perguntar se poderia lançar a despesa em sua declaração de rendimentos, ela disse que sim, já que o dinheiro havia saído de sua própria conta bancária. Não compreende a falta de razoabilidade e proporcionalidade na fundamentação da decisão da Turma prolatora do acórdão recorrido. Por mais que as decisões tenham que se basear na letra fria da lei, elas devem ser contrabalançadas com os princípios do nosso ordenamento jurídico. Em relação à despesa em nome de Marianne Steffen Radovan (esposa do Recorrente) paga à Tatiana Ferreira Michelon, no valor de R$ 250,00 Os argumentos são os mesmos do item anterior, pois esta despesa se refere ao mesmo tratamento médico prestado a ele e a sua mulher, de forma conjunta, mas que foi suportada por ele. Em relação às despesas em nome de Marianne Steffen Radovan (esposa do Recorrente) pagas à Associação dos Procuradores do Município de Porto Alegre, no valor de R$ 3.662,94 Tratase de despesa com convênio médico de sua utilização e de sua esposa. Novamente cometeu um erro formal, por má orientação de sua contadora. A titular do convênio é a sua esposa, mas quem arcou com a despesa foi ele. Não fraudou, não roubou, não falsificou. Simplesmente lançou a despesa indevidamente na sua declaração, como poderia ter instruído sua esposa a lançar na dela. Não consegue crer que tenha de ser drasticamente penalizado por cometer, de forma não intencional, tal equivoco. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 11080.006888/200661 Acórdão n.º 2801002.919 S2TE01 Fl. 74 4 Em relação às despesas em nome de Marianne Steffen Radovan (esposa do Recorrente) pagas à UNIMED, no valor de R$ 48,00 Reportase aos argumentos expendidos nos itens anteriores. Em relação às despesas em nome de Maxim Radovan (pai do Recorrente) pagas à Associação Médica São Paulo S/A, no valor de R$ 4.713,76 Tratase de despesa que suportou em prol de seu pai, referente a plano de saúde que ele não tinha como pagar. Então, naquele ano, efetuou o pagamento de todas as mensalidades. Por falta de conhecimento, não o incluiu como dependente, o que talvez até lhe beneficiaria no cálculo do imposto devido. Tratase de erro formal que a decisão recorrida não levou em consideração. Está sendo triplamente prejudicado. Primeiro, porque não se beneficiou do desconto relativo ao dependente; segundo, por não ter podido lançar a despesa médica que suportou; terceiro, porque além de não poder utilizar a despesa, a Receita lhe impôs multa de 75%. Pedido Requer seja acolhido o recurso para determinar o cancelamento do débito fiscal reclamado. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Observo, inicialmente, que todos os comprovantes de pagamento das despesas médicas deduzidas na declaração de ajuste anual do Recorrente foram emitidos em nome de sua esposa ou de seu pai (fls. 15, 20/25, 27/29, 31/34 e 36 deste processo digital). O Recorrente afirma que tais despesas foram custeadas por ele, sem, contudo, colacionar aos autos qualquer documento que demonstre a veracidade de sua afirmação. A prova do pagamento é ônus do contribuinte, porquanto consubstancia fato extintivo do direito da Fazenda Pública. Ademais, consta da decisão recorrida, à fl. 51, que “o contribuinte em questão não informou dependentes na DIRPF do exercício em questão”. Assim, a teor do que dispõe o inciso II do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/1995 (a dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes), não poderia o Recorrente ter deduzido despesas médicas relativas a tratamento de saúde de sua esposa e de seu pai. Acrescento que a esposa do Interessado optou pelo desconto simplificado na declaração de ajuste anual exercício 2005, o que significa dizer que todas as deduções Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 11080.006888/200661 Acórdão n.º 2801002.919 S2TE01 Fl. 75 5 admitidas pela legislação tributária foram substituídas pelo desconto padrão de 20% sobre seus rendimentos tributáveis. A opção pelo desconto padrão afasta, inclusive, a aplicação da pergunta nº 355 do “Perguntas e Respostas” do IRPF (atual pergunta nº 362), veiculado no sítio eletrônico da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Confira: DEDUÇÃO DE DESPESA COM PARTO NA DECLARAÇÃO DO MARIDO 355 — As despesas médicohospitalares, em decorrência de parto, podem ser deduzidas pelo marido quando a mulher faz declaração em separado? As despesas médicohospitalares próprias de um dos cônjuges ou companheiro não podem ser deduzidas pelo outro quando este apresenta declaração em separado. Contudo, como se trata de despesas necessárias ao parto de filho comum, as importâncias despendidas podem ser deduzidas por qualquer dos dois. A leitura do trecho em destaque revela que, em regra, as despesas médicas de um dos cônjuges não podem ser deduzidas pelo outro quando este apresenta declaração em separado. Contudo, se as despesas forem necessárias ao parto do filho comum, poderão ser deduzidas por qualquer dos dois, jamais por ambos. Na espécie, a esposa do Recorrente deduziu as despesas em sua declaração, embora na forma do desconto de 20% sobre seus rendimentos tributáveis. O pai do Recorrente também apresentou declaração de ajuste anual no exercício de 2005. Assim, as despesas de seu plano de saúde não poderiam ser deduzidas em outra declaração, que não a sua própria. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 75DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES
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Numero do processo: 10293.720164/2007-47
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL.
A área de Reserva Legal averbada no registro de imóveis antes da ocorrência do fato gerador está excluída da área tributável, independentemente do requerimento/apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental. do ITR.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2802-002.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do imposto a área de Reserva Legal, na extensão de 13.951,2 ha e que consequentemente seja aplicada a alíquota de 0,45%, para a apuração do imposto suplementar.
Realizou sustentação oral Shiguemassa Iamasaki OAB/PR 35.409
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 26/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. A área de Reserva Legal averbada no registro de imóveis antes da ocorrência do fato gerador está excluída da área tributável, independentemente do requerimento/apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental. do ITR. Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do imposto a área de Reserva Legal, na extensão de 13.951,2 ha e que consequentemente seja aplicada a alíquota de 0,45%, para a apuração do imposto suplementar. Realizou sustentação oral Shiguemassa Iamasaki OAB/PR 35.409 (assinado digitalmente) Jorge Claudio Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. EDITADO EM: 26/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1885; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 2 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10293.720164/200747 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.097 – 2ª Turma Especial Sessão de 19 de fevereiro de 2013 Matéria ITR Recorrente RAFFAELE FARRIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. A área de Reserva Legal averbada no registro de imóveis antes da ocorrência do fato gerador está excluída da área tributável, independentemente do requerimento/apresentação do ADA — Ato Declaratório Ambiental. do ITR. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do imposto a área de Reserva Legal, na extensão de 13.951,2 ha e que consequentemente seja aplicada a alíquota de 0,45%, para a apuração do imposto suplementar. Realizou sustentação oral Shiguemassa Iamasaki OAB/PR 35.409 (assinado digitalmente) Jorge Claudio Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 26/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 29 3. 72 01 64 /2 00 7- 47 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório RAFFAELE FARRIS, recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância, proferida pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário apresentado. Tratase de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR (fls. 35,), no montante de R$ 578.227,86, relativo ao imóvel denominado "Seringal Itatinga", cadastrado na RFB, sob o n° 6.764.6557, com área declarada de 17.439,0 ha., localizado no Município Manoel Urbano AC. O lançamento decorre das seguintes alterações efetuadas de oficio na DITR apresentada: · Área de Reserva Legal Não Comprovada Glosa da área de 13.951,20, declarada a título de reserva legal no imóvel rural. Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada como Reserva Legal. · Alteração do Valor da Terra Nua declarado não comprovado Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. Desta forma, a fiscalização entendeu que o valor da terra nua (VTN) declarado de R$ 200.000,00(RS 11,47/ha) estava subavaliado e com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal arbitrou em R$ 1.307.925,00 (R$ 75,00/ha). Consequentemente elevou a área tributável/área aproveitável e o VTN tributável, resultando o imposto suplementar de R$ 261.405,00, conforme demonstrado às fls. 38. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou tempestivamente impugnação, instruída com os documentos de fls. 74/109, 112/113 e 115/117,alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância o seguinte: · de inicio, discorda do procedimento fiscal que, por presunção, desconsiderou a área de reserva legal informada na DITR/2004, e incluiua como área tributável, apesar de terem sido entregues todos os documentos requeridos na intimação inicial (fls.01/02) dentro do prazo regular, antes da emissão da notificação de lançamento que, assim, é nula de pleno direito ou, no mérito, totalmente improcedente; · afirma faltar embasamento legal na aplicação da taxa Selic e da multa de oficio, essa de caráter confiscatório, conforme reiteradas decisões do STF; · discorre sobre a regra matriz de incidência tributária do ITR, para afirmar que procedimento fiscal não se coaduna com a Lei n° 9.393/1996, pois não excluiu da base de cálculo a área não tributável, Fl. 184DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10293.720164/200747 Acórdão n.º 2802002.097 S2TE02 Fl. 3 3 no caso, a área de utilização limitada/reserva legal averbada, que independe da apresentação do ADA, por ser obrigação acessória e já ter suas informações repassadas pelo IBAMA à RFB; · entende que a averbação da área de reserva legal no registro imobiliário se reveste de caráter meramente declaratório, por não ser ato constitutivo; transcreve a legislação pertinente, além de acórdãos do TRF e do antigo Conselho de Contribuintes, para referendar seus argumentos. · esta área ambiental não está sujeita á prévia comprovação, nos termos do § 7º, art. 10, da Lei 9.393/96; · Ao final, o contribuinte requer seja acolhida a presente impugnação, para que se julgue nulo o lançamento questionado ou, então, no mérito, seja ele julgado improcedente, e julgados desnecessários o ADA, a matricula da Area averbada e o reconhecimento do IBAMA, além de confiscatória a multa de 75% e ilegal a taxa Selic; solicita, ainda, a realização de perícia técnica, para que seja reconhecida a área de utilização limitada declarada. A Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n°. 0331. 964, de 08 de julho de 2009, que se encontra, às fls. 120 a 128, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO. Tendo o procedimento fiscal sido instaurado de acordo com os princípios constitucionais vigentes, possibilitando ao contribuinte o exercício do contraditório e da ampla defesa, é incabível a nulidade de lançamento requerida. DA AREA DE RESERVA LEGAL. Para ser excluída do ITR, exigese que essa área de utilização limitada, glosada pela autoridade fiscal, além de estar averbada tempestivamente margem da matricula do imóvel, seja objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) ARBITRADO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada essa matéria, por não ter sido expressamente contestada nos autos, nos termos da legislação processual vigente. DA MULTA E JUROS DE MORA LANÇADOS. Apurado imposto suplementar em procedimento fiscal, em decorrência de inexatidão dos dados e subavaliação do VTN, informados na declaração do ITR, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Lançamento Procedente Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 25/08/2009(vide AR fls. 132), o contribuinte apresentou, em 16/09/2009, o recurso de fls.133 a 152,. Nas razões de Voluntário (fls133 a 152), o Recorrente argumenta, em apertada sintése, que: · a área de utilização limitada/reserva legal declarada existe de fato na propriedade do requerente e, desde 30/06/2003, está devidamente averbada à margem do registro do imóvel rural objeto da autuação · a averbação de área de reserva legal possui natureza meramente declaratória e não constitutiva de direito. Como conseqüência, a averbação da área de utilização limitada/reserva legal por si só já garante a isenção(no artigo 10, parágrafo 1º, inciso II, alínea "a" da Lei no. 9.393/96), não podendo ser integrada a área de utilização limitada/reserva legal como área aproveitável do imóvel, para efeito de apuração do ITR, sob pena de violação do principio da legalidade e da verdade material. · Da Aliquota Aplicada pelo Fisco A base de cálculo do ITR é definida como sendo o Valor da Terra Nua, conforme definido pelo art. 11, da Lei 9393/96, a seguir transcrito,: Art. 11. 0 valor do imposto será apurado aplicandose sobre o Valor da Terra Nua Tributável VTN a aliquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização GU. Observase que o mesmo artigo supratranscrito determina que o valor do ITR a ser pago é obtido mediante a multiplicação do VTNt pela aliquota correspondente, considerados a área total e o grau de utilização (GU) do imóvel rural. Com relação ao Valor da Terra Nua (VTN), importante destacar que, conforme determinação do art. 10, § 1º , da Lei no 9393/96, é o valor de mercado do imóvel, excluídos os valores de mercado relativos à: I construções, instalações e benfeitorias; II culturas permanentes e temporárias; III pastagens cultivadas e melhoradas; e IV florestas plantadas. Dessa forma, para a obtenção do ITR devese multiplicar o VTN pela aliquota estabelecida para cada imóvel rural, com base em sua área total e no respectivo grau de utilização, a qual é fornecida pela própria Lei no 9696/96), Assim, entende incorreto o presente lançamento que teve como base de cálculo o Valor da Terra Nua da área total do imóvel,sem excluir a área de reserva legal que foi devidamente averbada em tempo hábil, conforme comprovado nos autos. Destarte, indevida também a utilização da aliquota de 20% a qual conforme Legislação,acima citada, deve ser a alíquota de 0,45% para o presente caso (área total do imóvel acima de 5.000ha e grau de utilização maior que 80%). Era o de essencial a ser relatado. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10293.720164/200747 Acórdão n.º 2802002.097 S2TE02 Fl. 4 5 Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O litígio cingese, essencialmente, à caracterização ou não de área de reserva legal correspondente a 13.951,2 ha, devidamente averbada à margem da matrícula do imóvel desde 30/06/2003 (vide doc. de fl. 14/15). O cerne do litígio versa sobre a interpretação a ser dada à legislação de regência a respeito do cumprimento das exigências para fins de acatar a exclusão área de utilização limitada/reserva legal, de 13.951,2 há, declarada da base de cálculo do ITR. Á primeira consiste na averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e a outra seria a informação de tal área, em ADA Ato Declaratório Ambiental, protocolado tempestivamente junto ao IBAMA. De acordo com a decisão recorrida: Da Área de Utilização Limitada/Reserva Legal Na análise dos documentos apresentados para justificar a área de utilização limitada/reserva legal (13.951,2 ha), informada na DITR/2004, verificase que não obstante ter sido comprovado nos autos a averbação tempestiva dessa área á margem da matricula do imóvel, conforme certidão de fls.14/15, não foi comprovado o cumprimento, em tempo hábil, da exigência genérica de protocolização tempestiva de Ato Declaratório Ambiental — ADA no IBAMA, conforme exigido pela autoridade fiscal. Assim, no que diz respeito ao lançamento do ITR/2004, a lide cingese comprovação da protocolização tempestiva do ADA no IBAMA. Essa exigência aplicada ás áreas de utilização limitada (reserva legal/ RPPN/servidão florestal/interesse ecológico), para o exercício de 2004, consta da IN/SRF n° 256/2002 e no Decreto n° 4.382/2002 — RITR (art. 10, § 3°, inciso I), tendo como fundamento o art. 170 da Lei 6.938/81, em especial o caput e parágrafo 1°, cuja atual redação foi dada pelo art. 1° da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, a seguir transcritos: Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratário Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei n° 10.165, de 2000). Fl. 187DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 §1° A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (sublinhouse) Portanto, resta demonstrado que a exigência do Ato Declaratório Ambiental ADA encontrase prevista na Lei 6.938/1981, art. 170, e em especial o caput e § 1°, cuja atual redação foi dada pelo art. 10 da Lei 10.165/2000. Com a adoção de tal procedimento evitamse distorções, garantindo estar a exclusão do crédito tributário em consonância com a realidade material do imóvel e com as normas ambientais em vigor. Quanto à aventada ilegalidade da exigência relativa ao ADA, estendida ao prazo para protocolização do seu requerimento junto ao IBAMA, previsto no parágrafo 3° do art. 9° da IN/SRF n° 256/2002, cabe ressaltar que tanto a autoridade fiscal lançadora, quanto a autoridade administrativa julgadora, especialmente os de primeira instância, por dever funcional, encontramse cingidas aos estritos termos da legislação fiscal, ou seja, deve observar as Leis e os atos normativos da autoridade competente da Receita Federal do Brasil, a quem estão subordinados, conforme art. 7° da Portaria MF n° 058, de 17 de março de 2006, publicada no DOU de 27 seguinte. Dessa forma, a protocolização do requerimento do ADA obviamente não pode ser dissociada de seu aspecto temporal, pois o prazo de seis meses para essa providência foi estipulado por ato normativo da autoridade competente da Receita Federal. Assim, em se tratando do exercício de 2004 e considerado o art. 10, § 4°, inciso II, da IN/SRF n° 043/1997, com redação dada pelo art. 1° da IN/SRF n° 67/1997, e o parágrafo 3° do art. 9° da IN/SRF n° 256/2002, o prazo para a protocolização no IBAMA, do requerimento do ADA expirou em 31 de março de 2005, ou seja, seis meses após o termo final para a entrega da DITR/2004 (até 30/09/2004, de acordo com a IN SRF no 435/2004). No presente caso, consta apenas o Ato Declaratório Ambiental — ADA (Exercício 2007), doc. de fls. 34, transmitido via internet e recepcionado pelo IBAMA, em 15/10/2007, não constituindo, portanto, documento hábil para justificar a Area de reserva legal nele informada, para fins de exclusão do 1TR/2004. Importante salientar que nessa instância administrativa prevalece o entendimento de que a dispensa de comprovação prévia relativa ás áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7º, do art. 10, da Lei n° 9.363/96, introduzido originariamente pelo art. 3° da MP n° 1.95650, de maio de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 24.8.2001, diz respeito unicamente à dispensa de comprovação da efetiva existência de tais Areas no imóvel, não dispensando o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar com documentos hábeis o cumprimento de exigências legais previstas nas legislações ambiental e tributária, para justificar a exclusão dessas áreas de tributação. Em suma, a dispensa de prévia comprovação não pode ser estendida às exigências legais previstas para comprovação das áreas ambientais existentes Fl. 188DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10293.720164/200747 Acórdão n.º 2802002.097 S2TE02 Fl. 5 7 no imóvel, previstas na Lei ambiental (Código Florestal) e legislação tributária (Lei 9.393/96 e Decreto n° 4.382/2002 — RITR), nem à dispensa de protocolização do ADA junto ao IBAMA (art. 170 da' .Lei 6.938/1981, com redação dada pelo art. 1' da Lei n° 10.165/2000). "Para exclusão das áreas nãotributáveis da incidência do ITR é necessário que o contribuinte protocolize o ADA no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou enz órgãos ambientais estaduais delegados por meio de convenio no prazo de até 6 (seis) meses, contado a partir do término do período de entrega da declaração, e que as áreas assim declaradas atendam ao disposto na legislação pertinente". Ver perguntas 072, 077, 083, 088 e 093. (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, § 8", e 44A, § 2°, com a redação dada pela Medida Provisória n°.2.16667, de 2001; Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 1 °, corn a redação dada pela Lei n°.10.165, de 27 de dezembro de 2000, art. 1'; Lei n°.9.985, de 2000, art. 21, § 1°; R1TR/2002, art. 10, § 3'; IN SRF n° 256, de 2002, art. 9°, § 3) Assim, tornase imprescindível que a área de reserva legal, para fins de exclusão de tributação, além de averbada tempestivamente á margem da matricula do imóvel, tenha sido objeto de ADA, protocolado, em tempo hábil, no IBAMA. Vejase também que a averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matricula do imóvel não supre a necessidade de se comprovar, também, a exigência relativa ao ADA. Na realidade, a primeira exigência, cumprida pelo requerente, constitui apenas requisito para preenchimento e entrega, em tempo hábil, do ADA junto ao IBAMA. Por fim, registrese que, quando não cumpridas as exigências legais de averbação e ADA tempestivos, as Areas ambientais declaradas, objeto de glosa, passam a ser computadas para efeito de apuração do VTN tributado, além de integrarem a Area aproveitável do imóvel, para efeito de apuração do seu grau de utilização e aplicação da respectiva aliquota de cálculo, conforme demonstrado pela autoridade fiscal às fls. 38. Enfim, com a glosa da área de utilização limitada/reserva legal declarada, de 13.951,2 ha, toda a área do imóvel passou a ser tributada, além de essa área ter sido incluída na área aproveitável do imóvel, com redução do seu Grau de Utilização, de 80,8% para 16,1%, e aplicação da aliquota de calculo maxima de 20%, prevista para a sua dimensão, conforme Tabela anexa á Lei 9.393/96. Por se tratar de de situação específica e submetida a distintos regimes jurídicos, passo a analisar, em primeiro lugar, a exigência da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 O § 8º do artigo 16 da lei nº.. 4.771/65 (Código Florestal), com as alterações promovidas pela Medida Provisória n.º 2.16667, de 2001 é expresso no sentido de que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Por sua vez, o § 1º, inciso II, alínea “a” do artigo 10 da lei n. 9.393/96, ao definir a base de cálculo do ITR, remete expressamente à lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 (e alterações), para fins de reconhecimento da base de cálculo do imposto, do que se presume que a área de reserva legal, por se tratar de limites mínimos de conservação previstos em lei (art. 16 e incisos da lei nº. 4.771/65), somente opera efeitos redutores do critério quantitativo do ITR, se e somente se averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel à época da ocorrência do fato jurídico tributário. Logo, é de se concluir, nos termos da legislação de regência, que a prova da averbação da área de reserva legal não é pressuposto para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, dada a submissão ao regime jurídico do lançamento por homologação a que o ITR se submete. Entretanto, é pressuposto para fins de reconhecimento do benefício legal, ou melhor, a lei exige a determinação prévia da averbação e não da prévia comprovação para fins de fruição da redução da base de cálculo. Como bem observado pela autoridade lançadora e ratificado pela decisão recorrida, o contribuinte apresentou cópia da certidão da matrícula do imóvel, constando a área averbada, conforme certidão de fls.14/15. Passo agora a análise quanto a exigência prévia de ADA – Ato Declaratório Ambiental para fins de reconhecimento da área de reserva legal. Vejamos: O mandamento que determinou a averbação da área de reserva legal margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, foi inserido no § 8°, do artigo 16 da Lei n°4.771, de 15/09/1965 o chamado Código Florestal, pelo artigo 1° da Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001, litteris: Art.16. As .florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidos, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória n" 2.16667, de 2001) (Regulamento) ( ) 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.(destaques da transcrição) Por oportuno, cabe destacar que a averbação de determinada área imobiliária como reserva legal não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo.Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10293.720164/200747 Acórdão n.º 2802002.097 S2TE02 Fl. 6 9 Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts.1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Ademais, é uma peculiaridade da reserva legal a eleição, pelo proprietário, da parcela do imóvel, não inferior a 20%, que será reservada para a proteção ambiental, que somente se constitui reserva legal com a averbação daquela área no registro de imóveis, o que lhe revestirá dos efeitos contra terceiros. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nessa esteira, apenas depois de cumprida a obrigação legal prévia, qual seja, a averbação da área no cartório de registro de imóveis é que o proprietário constitui, perante as autoridades ambientais competentes e, via de conseqüência, para o órgão tributário, a parte da área passível de preservação (parágrafo 8°, art. 16, da Lei 4.771/1965). A razão de dar tratamento distinto à reserva legal devese ao fato de a norma que torna obrigatória a apresentação do ADA aplicarse tão somente aos casos de isenção com base nesse Ato. Essa interpretação aponta que o §1º, do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 (com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000) teve por finalidade esclarecer que o documento não pode ser substituído por outro, ainda que tenha o mesmo conteúdo e seja registrado em órgão de proteção ambiental. Mas essa exigência taxativa se refere ao caput ( benefício de isenção que tenham por base o ADA), como é o casos das áreas de preservação permanente, mas não é o caso de reserva legal. A propósito, no caso concreto, entendo que essa limitação foi suprida uma vez que o interessado comprovou a respectiva averbação (fls. 14/15), em 30/06/2003. Assim, a recorrente assumiu, perante o órgão de controle, a obrigação de conservar e preservar a referida área, não podendo nela ser feito qualquer tipo de exploração em autorização. Portanto, especificamente neste caso, a Certidão de Averbação de Reserva Legal ( fls. 14/15), comprova que a inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro representa, indubitavelmente, a comunicação ao órgão oficial da existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, fundamentalmente, que tais áreas sejam reconhecidas para fins de redução do valor do 1TR. Deste modo, meu voto é por dar provimento ao recurso voluntário apresentado, para excluir da base de cálculo do imposto a área de Reserva Legal, na extensão de 13.951,2 há e que consequentemente seja aplicada a alíquota de . 0,45%., para a apuração do imposto suplementar. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 191DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10620.000282/2001-91
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO
A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA).
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.062
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso. , /i o; Id _., CAR • AL: :n O FREITAS : • ''TO — Presidenteé 1--- ç_ in ELIAS S • 1 AI'b FREIRE — .. elator EDITADO EM: 18 SET aPi9 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), 1 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em virtude de o acórdão recorrido ter descartado para fins da não incidência do ITR: a exigência do Ato Declaratório Ambiental — ADA no prazo normativamente disciplinado; e a averbação da reserva legal, antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A primeira questão controvertida posta à apreciação trata-se da obrigatoriedade ou não do Ato Declaratório Ambiental — ADA, nos termos em que dispõem as normas do fisco federal, para fins da não incidência do ITR. Para se dirimir a controvérsia dos autos, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural - ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento. Para tanto, ressalto do art. 10 da Lei 9.393/96 os trechos que interessam: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da . administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: 2 Processo n° 10620.000282/2001-91 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.062 Fl. 3 1- VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c)pastagens cultivadas e melhoradas; d)florestas plantadas; II ., - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) compro vadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Da transcrição acima, destaca-se que, quando da apuração do imposto devido, exclui-se da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico e das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, remetendo o dispositivo citado para a Lei 4.771/65 (Código Florestal). O Código Florestal (Lei n° 4.771/65, na redação da Lei n° 7.803/89) foi extremamente minucioso ao estabelecer os parâmetros específicos para a conceituação das áreas de preservação permanente e as de reserva legal, nos arts. 2°, 3 0, 16 e 44, que vão aqui reproduzidos: "Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei n°7.803 de 18.7.1989) 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n°7.803 de 18.7.1989) 01( 3 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei n°7.803 de 18.7.1989) d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45 0, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) • Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervar-se-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Art. 3° Consideram-se, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) afixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor cientifico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; 4 (--2 Processo n° 10620.000282/2001-91 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.062 Fl. 4 h) a assegurar condições de bem-estar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2 0 As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Art. 16. Ás florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 20 e 30 desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições a) nas regiões Leste Meridional, Sul e Centro-Oeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindo-se, nesses casos, apenas a extração de árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucaria angustifolia" (Bert - O. Ktze), não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerando-se, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. § 1° Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computar-se-ão, para efeito de fixação do limite percentual, além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de (4 5 porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. (Parágrafo único renumerado pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n°7.803 de 18.7.1989) § 3° Aplica-se às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro- Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803, de 18.7.1989) A expedição de atos normativas pela Administração Tributária deve ater-se à observância dos princípios da legalidade e da razoabilidade. Embora o Código Tributário Nacional estabeleça que a obrigação acessória decorre da legislação tributária (art. 113, § 2°), expressão que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares (atos normativos, decisões dos órgãos de jurisdição administrativa, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades tributários e convênios), não se deve perder de vista que sobrepaira sobre todo o sistema o princípio da legalidade. Em comentário ao dispositivo, Luiz Alberto Gurgel de Faria enfatiza, na esteira da melhor doutrina, que apenas a lei formal poderia ser fonte de obrigação tributária acessória: (Código Tributário Nacional Comentado, Coord. Vladimir Passos de Freitas, 3a ed., Ed. RT, pp. 551-552) A obrigação acessória decorre da 'legislação tributária' (§ 2°), o que há de ser interpretado em harmonia com a Constituição Federal. Com efeito, nos termos do art. 96 do C7'N, a referida expressão 'compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes', de modo que, na concepção do legislador de 1966 (ano da promulgação do CTN), quaisquer desses atos poderiam instituir uma obrigação acessória. Ocorre que, na Carta Magna em vigor, o principio da legalidade foi reforçado -'ninguém será obrigado afazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei' (art. 5°, II) -, demonstrando que as obrigações acessórias hão de ser criadas 6 Processo n° 10620.000282/2001-91 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.062 Fl. 5 através de lei, formal e materialmente considerada, advinda, portanto, do Poder Legislativo, cabendo aos decretos e demais normas complementares o papel de explicitar a lei, viabilizando a sua melhor forma de execução, quando necessário Portanto Administração Tributária não pode instituir obrigações acessórias sem que haja pertinência objetiva entre ela e a obrigação tributária principal. Não deve o contribuinte ser onerado com exigências desnecessárias e impertinentes para o pagamento do imposto. A leitura das normas constantes no Código Florestal evidencia que ali foram expostos de modo minucioso todas as particularidades relativas à caracterização das áreas de preservação permanente e as de reserva legal. Não há pertinência entre o cumprimento da obrigação tributária principal, no que tange à apuração e o pagamento do imposto, no que diz respeito à exclusão das áreas em tela e a exigência de Ato Declaratório 'Ambiental. Entendo que a IN n° 67/97, no quanto comporta à regulamentação do art. 10, § 1°, inc. II, alínea 'a', da Lei n° 9.393/96, desbordou de seus limites, vale dizer, o ato administrativo operou extra-legem Com efeito, a exigência de ato declaratório se encontra tão-só nas alíneas 'b' e 'c' do inciso II do § 1° da Lei n° 9.393/96. Nessas hipóteses tal exigência da IN n° 67/97 encontra fundamento na lei, condição necessária para sua validade enquanto ato normativo derivado. Entretanto, no que diz com a alínea 'a' do inciso lido 1° da Lei n° 9,393/96, não se vislumbra esse fundamento, até porque essa alínea faz remissão expressa à lei n° 4.771/65 e à Lei n° 7.803/89, que definem quais sejam as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Diferentemente, quando o legislador entendeu necessária a declaração para a determinação de áreas de interesse ecológico e comprovadamente imprestáveis, o fez de maneira expressa. Portanto, a irresignação da Fazenda Nacional, neste ponto, não merece prosperar. Inclusive, porque o r. acórdão se mostra em sintonia com a jurisprudência da CSRF que firmou entendimento de que a comprovação da área de Preservação Permanente não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Colaciono os seguintes precedentes: ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO - A comprovação da área de Preservação Permanente, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato • Declarató rio Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. Não existe previsão legal que determine a necessidade de averbar, à margem da matrícula do imóvel, a área de Preservação Permanente. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/03- 05.514 ) IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) — ÁREAS ISENTAS DE TRIBUTAÇÃO (PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL) — COMPROVAÇÃO — ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) REQUERIDO 7 FORA DO PRAZO REGULAMENTAR. - O ADA, mesmo requerido a destempo junto ao IBAMA, não pode ser descartado para fins de comprovação da existência das áreas isentas de tributação. Além disso, não é tal documento o único meio de prova da existência das referida áreas. Tendo o contribuinte carreado para os autos Laudo Técnico contemporâneo ao fato gerador, indicando a existência de áreas de reserva legal e de preservação permanente, é de se excluí-las da base de cálculo do ITR.Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/03-04.244) Precedentes do STJ também são no sentido de que se permite a exclusão da base de cálculo do ITR de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARA TÓRIO DO IBAMA. 1. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmou-se no sentido de que "o Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007; REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1112283 / PB, PRIMEIRA TURMA, Relator Ministro BENEDITO GONÇALVES, DJe 01/06/2009) TRIBUTÁRIO - IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - BASE DE CALCULO - EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARA TÓRIO AMBIENTAL DO IBAMA. 1. O Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos temos da Lei 9.393/96, permite da excluído da sua base de eákulo a área de preserva çao permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA. 2. Recurso especial provido. (REsp 665123 / PR, SEGUNDA TURMA, Relatora Ministra ELIANA CALMON, DJ 05/02/2007 p. 202) A segunda questão controvertida disse respeito à exigência da averbação da área de reserva legal para fins de isenção do ITR. A decisão recorrida partiu da premissa de que o Código Florestal ao tratar da averbação da área de reserva legal o fez com finalidade diversa da tributária, ao concluir que a 8 Processo n° 10620.000282/2001-91 CSRF-T2 Acórdão n." 9202-00.062 Fl. 6 exigência de averbação como pré-condição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na lei ambiental. Para o deslinde da questão vale repassar as normas legais regedoras da isenção de ITR incidente sobre a área de reserva legal e, conseqüentemente, do próprio conceito de área de reserva legal. Inicialmente, há de se esclarecer que o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, nos termos em que disciplina o art. 144 do CTN. O art. 10, § 1°, inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Por seu turno, a Lei n° Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), portanto, à época dos fatos geradores, previa a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: sS 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989). Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro- Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. 9 Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803, de 18.7.1989) No meu entender a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida área seja, efetivamente, considerada como área de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n° 22.688/PB) é explícito no sentido de que determinada área somente pode ser considerada como área de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis, assim ementado: EMENTA: Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96. (GRIFEI) Mandado de segurança indeferido. Por relevante, transcrevo excerto voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence proferido no julgado do Mandado de Segurança acima ementado, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. io Processo n° 10620.000282/2001-91 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.062 Fl. 7 Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §20 do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legaL (GRIFEI) Portanto, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, trata-se de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Destarte, a área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Por todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Niac. ai, de modo a retificar o acórdão recorrido no que se refere à área de reserva legal. "0" Elias Sampaio Fre ire - Relator 11
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Numero do processo: 10865.900382/2008-12
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/05/2001
BASE DE CÁLCULO. SAÍDAS DE PRODUTOS EM BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE QUALQUER CONDIÇÃO. EXCLUSÃO PERMITIDA. PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE.
Equiparam-se aos descontos concedidos incondicionalmente a que alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as bonificações perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado, emitido imediatamente.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-001.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que negava provimento.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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SAÍDAS DE PRODUTOS EM BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE QUALQUER CONDIÇÃO. EXCLUSÃO PERMITIDA. PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE. Equiparamse aos “descontos concedidos incondicionalmente” a que alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as “bonificações” perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado, emitido imediatamente. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que negava provimento. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 82 /2 00 8- 12 Fl. 454DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de processo que retorna a julgamento em face da conclusão da diligência que deliberáramos por meio da Resolução nº 340100.087, de 27/10/2010. Ocorreu que, em face do Despacho Decisório Eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição de parte da Cofins recolhida em maio de 2001, período de apuração de abril de 2001, a interessada esclarecera em sua Manifestação de Inconformidade que o pagamento a maior tinha origem no fato de ter deixado de excluir da base de cálculo da contribuição daquele período o valor correspondente ao montante das “bonificações” concedidas a clientes. Naquela ocasião, invocara a aplicação da regra contida no inciso I, do parágrafo 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, segundo a qual, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, podem ser excluídos os “descontos incondicionais concedidos”, ou seja, defendeu a equiparação das “bonificações” aos “descontos incondicionais”. Após a conclusão de diligência por ela própria determinada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoSP indeferiu os termos da Manifestação de Inconformidade por entender que “As bonificações concedidas em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento”. (grifei) A decisão recorrida fundamentouse integralmente nos termos da Solução de Consulta proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, de nº 183, em 27 de maio de 2009, ou seja, a pretensão da interessada [de ver reconhecido um pagamento a maior por ter incluído na base de cálculo da contribuição os valores das bonificações de mercadorias a clientes] foi rejeitada por entender aquele Colegiado que as bonificações não poderiam ter o mesmo tratamento dos descontos incondicionais (exclusão da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins) e isso pelo fato de, no presente caso, e consoante a documentação acostada ao processo em face de diligência por ela própria, DRJ, requisitada, não terem as bonificações constado da nota fiscal de venda, ou seja, por terem constado de uma nota fiscal própria [bonificação], emitida posteriormente. Depreendese do voto da DRJ que o reconhecimento da “incondicionalidade” do desconto, no caso, representado pela “bonificação”, depende fundamentalmente da inexistência de qualquer hiato entre as duas modalidades de saída de mercadorias [venda e bonificação]; isto é, para a instância de piso a bonificação somente se caracterizaria como um desconto incondicional se constasse do corpo da própria nota fiscal de venda. Por seu turno, a Recorrente argumentou que a emissão apartada dos documentos fiscais decorrera de uma questão meramente formal, não podendo tal “hiato” dar azo ao cumprimento de qualquer condição. Até porque, ressaltou ela, as notas fiscais de bonificação eram emitidas na sequência imediata à das notas fiscais de venda, dandose conjuntamente a saída das mercadorias do estabelecimento. Aduziu ainda a Recorrente que a bonificação ocorre quando há um abatimento no preço de venda normalmente praticado, ou quando é entregue mercadorias em Fl. 455DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10865.900382/200812 Acórdão n.º 3401001.954 S3C4T1 Fl. 445 3 quantidade superior ao pago pelo comprador, situação esta ocorrida no presente caso, em que não recebeu qualquer valor por conta das bonificações, as quais se revestiram de mero apelo comercial. Daí, a seu ver, as razões pelas quais entende que tal operação equivale a de descontos incondicionais. Outro argumento trazido pela Recorrente é o de que, nos termos do decidido pelo STF no RE nº 170.555PE, a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins é a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, de sorte que, a seu ver, a forma pela qual a concessão da bonificação é documentada tornase irrelevante, dado o fato não corresponder à hipótese de incidência dessas contribuições visto que não recebe qualquer valor nesta operação. Neste ponto, colacionou decisão do TRF da 1ª Região. Invocou, por fim, a Recorrente, que eventuais normais infralegais não poderiam alargar a hipótese de incidência constitucionalmente eleita, mormente porquanto o inciso I do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, deixa claro que devem ser excluídos da receita bruta os descontos incondicionais. Acolhendo minha proposição, esta Turma, com outra composição [o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho era o Presidente], resolveu converter o julgamento em diligencia para que se verificasse junto às notas fiscais de bonificação de que forma as mesmas se relacionavam com as notas fiscais de venda, ou seja, se havia a “incondicionalidade” reclamada pela instância julgadora. Fora então referida Resolução assim elaborada: Por todo o exposto e, em observância aos princípios da legalidade e da verdade material, e, ainda, ao disposto no artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 19723, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem informe a este Colegiado: a) se as notas fiscais de bonificação do período de apuração em discussão estão realmente relacionadas às notas fiscais de venda emitidas no momento imediatamente anterior, ou seja, se, em relação às notas fiscais de venda a que se referem, indicam o mesmo cliente, a mesma data, o mesmo produto, o mesmo transportador, as mesmas placas dos veículos e o mesmo horário de saída; e b) para as notas fiscais de bonificação efetivamente caracterizadas como uma espécie de “descontos incondicionais” (o que se conclui a partir da resposta positiva a todos os quesitos da letra “a” acima), apurar o seu total, calcular o valor da Cofins correspondente e utilizálo no procedimento de compensação indicado pela interessada na Dcomp objeto deste processo, informando a este Colegiado o resultado do encontro de contas. O Relatório de Diligência Fiscal atestou que uma parte apenas daquele montante das bonificações preencheu aos quesitos indicados na letra “a” da Resolução, de sorte que a Cofins correspondente, no valor de R$ 2.627,71, poderia ser reconhecida em favor da interessada como originária de um recolhimento a maior. Cientificada dos termos em que elaborado o Relatório de Diligência Fiscal, a interessada não se manifestou. No essencial, é o Relatório. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho A discussão aqui se cinge a se as “bonificações” concedidas pela empresa a seus clientes, o que se dava na forma de entrega de mercadorias em quantidade superior ao valor pago por elas e mediante a emissão de nota fiscal destacada da venda à qual se referia, podem ser equiparadas como “descontos incondicionais concedidos” para fins da exclusão da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins de que trata o inciso I, do parágrafo 2º, do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Conforme já constara do voto em que resultou na Resolução alhures mencionada, a própria Administração Tributária, por meio de sua Coordenação do Sistema de Tributação, emitiu entendimento acerca do tratamento fiscal a ser dado para as “bonificações” em relação ao imposto de renda das pessoas jurídicas, o que se deu no Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982, trechos abaixo transcritos: Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF n° 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80. Isto pode ser feito computandose, na Nota Fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar, como a quantidade que o vendedor deseja oferecer a título de bonificação, transformandose em cruzeiros o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída, a título de desconto incondicional, a parcela, em cruzeiros, que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a título de bonificações, chegandose, assim, ao valor líquido das mercadorias. Entretanto, ressaltese que, se as mercadorias forem entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, o custo dessas mercadorias não será dedutível na determinação do lucro real. E a citada IN nº 51/78, dispõe: 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. (..) Esse entendimento da Administração Tributária também foi estendido para o PIS/Pasep e a Cofins, consoante se verifica nas “Perguntas e Respostas”, disponibilizado no site da Receita Federal do Brasil na internet1, cujo texto transcrevo: 370 As bonificações concedidas em mercadorias compõem a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins? 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/dipj/2004/pergresp2004/pr363a430.htm Fl. 457DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10865.900382/200812 Acórdão n.º 3401001.954 S3C4T1 Fl. 446 5 Os valores referentes às bonificações concedidas em mercadorias serão excluídos da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, somente quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos. Descontos incondicionais, de acordo com a IN nº 51, de 1978, são as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Portanto, neste caso, as bonificações em mercadoria devem ser transformadas em parcelas redutoras do preço de venda, para serem consideradas como descontos incondicionais e conseqüentemente excluídas da base de cálculo das contribuições. (destaques do original) Para o Fisco, portanto, para que as bonificações possam ser excluídas da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, há que de serem caracterizadas como os descontos incondicionais concedidos assim definidos na IN SRF nº 51, de 1978, isto é, atenderem a duas condições: a primeira, de que constem da nota fiscal de venda dos bens; e, a segunda, de que não dependam de evento posterior à emissão desse documento. No presente caso, o resultado da diligência demonstra que, não obstante as bonificações não tenham constado do corpo das notas fiscais de venda, uma parte delas teve a sua emissão na mesma data, ao mesmo cliente, com numeração sequencial imediata, envolveu o mesmo produto [com ressalvas feitas pela fiscalização quanto às referências dos mesmos, o que, para mim se mostra irrelevante], o mesmo transportador e as mesmas placas dos veículos transportadores. Sob essas condições, portanto, não vejo como elas possam ter ficado na dependência de evento posterior à emissão da nota fiscal de venda, o que permite que possam ser caracterizadas como “descontos incondicionais concedidos”, mostrandose irrelevante, porquanto não fundada em lei, o preenchimento da condição de que constem da própria nota fiscal de venda e não de um documento em separado desta. De outra parte, e tendo a Recorrente quedado inerte, não se reconhece tais características para a parte das bonificações que não puderam ser relacionadas a um mesmo cliente, a um mesmo produto etc. Alem disso, não se tem notícia nos autos, ao contrário, de que a interessada tenha sido paga pelas mercadorias entregues em “bonificação”, situação essa que se lhe retira a característica de integrante da “receita bruta” a que alude a hipótese de incidência das contribuições. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial ao recurso para reconhecer a existência de pagamento a maior no recolhimento da Cofins do período de apuração de abril de 2001, no valor original de R$ 2.627,71, nos termos da diligência fiscal. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 458DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10980.001913/2006-12
Data da sessão: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MIGRO EMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano calendário: 2002
NULIDADE DA AUTUAÇÃO. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO.
Não se caracteriza ofensa aos princípios do contraditório ou ampla defesa, nem macula o lançamento tributário, remissão a documentos obtidos junto a terceiros no objetivo de checar as operações negociais dos contribuintes sob fiscalização, ainda mais quando tais documentos constam do processo administrativo fiscal e foram devidamente citados no Termo de Verificação
Fiscal, parte integrante do Auto de Infração lavrado, tendo o contribuinte acesso para consulta e assim possibilitando que exerça a sua defesa de forma ampla, na fase litigiosa.
ALTERAÇÃO DA DENOMINAÇÃO DO ÓRGÃO. SRF. RFB, COMPETÊNCIA.
A competência dos auditores fiscais federais foi resguardada pela Medida Provisória que deu nova denominação para o órgão responsável pela arrecadação e fiscalização dos tributos federais. A sua não conversão em Lei não gerou efeitos de tomar nulos os atos praticados pelos referidos servidores na sua vigência.
ACESSO AOS EXTRATOS BANCÁRIOS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL QUEBRA DE SIGILO. LEI COMPLEMENTAR N°105/01.
Após a edição da Lei Complementar n" 105/01, que regulou os
procedimentos para obtenção de informações junto às instituições financeiras, urna vez observados os seus preceitos, não há que se argumentar sobre ilegalidade na obtenção de extratos bancários não fornecidos pelo contribuinte sob fiscalização. Ademais, não existe quebra, mas transferência do sigilo bancário para as autoridades administrativas federais, dada a natureza sigilosa do procedimento e do processo administrativo fiscal.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO.
Após intimar o contribuinte a apresentar a contabilidade, não o fazendo, e verificando a autoridade fiscal relevante disparidade entre os valores declarados e a movimentação financeira, é regular o procedimento de efetuar o lançamento tributário pelos créditos espelhados nos extratos bancários, não justificados, por consistir em presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei n°9.430/96.
ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. EMPRESA EXTINTA.
Extinta a empresa, por distrato registrado na Junta Comercial, a
responsabilidade tributária pelos tributos federais não recolhidos passa ao sócio, de fato ou de direito, que administra a empresa, uma vez comprovado que tenham exorbitado de suas atribuições estatutárias ou dos limites legais e que dos atos assim praticados tenham resultado obrigações tributárias. No
caso em concreto restou comprovado que a pessoa indicada como
responsável pelos tributos lançados ex officio era o sócio de fato da empresa, mesmo após ser transferida para terceiros, interpostas pessoas.
MULTA AGRAVADA.
Devida a majoração da multa regular aplicada de oficio nos casos em que o contribuinte se recusa a exibir os livros fiscais e contábeis, bem como a documentação correlata, e não presta os esclarecimentos necessários ao desenvolvimento da ação fiscal em visível movimento para tentar impedir ou retardá-la.
Preliminares de Nulidades Rejeitadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.093
Decisão: Acordam os membros do colcgiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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Bancário Recorrente RAFAEL SELVATICI BORGES Recorrida r TURMA DA DRJ CURITIBA/PR Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. Não se caracteriza ofensa aos princípios do contraditório ou ampla defesa, nem macula o lançamento tributário, remissão a documentos obtidos junto a terceiros no objetivo de checar as operações negociais dos contribuintes sob fiscalização, ainda mais quando tais documentos constam do processo administrativo fiscal e foram devidamente citados no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração lavrado, tendo o contribuinte acesso para consulta e assim possibilitando que exerça a sua defesa de forma ampla, na fase litigiosa. ALTERAÇÃO DA DENOMINAÇÃO DO ÓRGÃO. SRF. RFB, COMPETÊNCIA. A competência dos auditores fiscais federais foi resguardada pela Medida Provisória que deu nova denominação para o órgão responsável pela arrecadação e fiscalização dos tributos federais. A sua não conversão em Lei não gerou efeitos de tomar nulos os atos praticados pelos referidos servidores na sua vigência. ACESSO AOS EXTRATOS BANCÁRIOS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. QUEBRA DE SIGILO. LEI COMPLEMENTAR N° 105/01. Após a edição da Lei Complementar n" 1 05/01, que regulou os procedimentos para obtenção de informações junto às instituições financeiras, uma vez observados os seus preceitos, não há que se argumentar sobre ilegalidade na obtenção de extratos bancários não fornecidos pelo contribuinte sob fiscalização. Ademais, não existe quebra, mas transferência do sigilo bancário para as autoridades administrativas federais, dada a natureza sigilosa do procedimento e do processo administrativo fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. Após intimar o contribuinte a apresentar a contabilidade, não o fazendo, e verificando a autoridade fiscal relevante disparidade entre os valores declarados e a movimentação financeira, é regular o procedimento de efetuar o lançamento tributário pelos créditos espelhados nos extratos bancários, não justificados, por consistir em presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. EMPRESA EXTINTA. Extinta a empresa, por distrato registrado na Junta Comercial, a responsabilidade tributária pelos tributos federais não recolhidos passa ao sócio, de fato ou de direito, que administra a empresa, uma vez comprovado que tenham exorbitado de suas atribuições estatutárias ou dos limites legais e que dos atos assim praticados tenham resultado obrigações tributárias. No caso em concreto restou comprovado que a pessoa indicada como responsável pelos tributos lançados ex officio era o sócio de fato da empresa, mesmo após ser transferida para terceiros, interpostas pessoas. MULTA AGRAVADA. Devida a majoração da multa regular aplicada de oficio nos casos em que o contribuinte se recusa a exibir os livros fiscais e contábeis, bem como a documentação correlata, e não presta os esclarecimentos necessários ao desenvolvimento da ação fiscal em visível movimento para tentar impedir ou retardá-la. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausentes, os Conselheiros momentaneamente, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado) e justificadamente, Marcos Vinícius Barros Ottoni (Vice -Presidente). 2 Processo n° 10980.001913/2006-12 SI -TE01 Acórdão n.° 1801-00.093 Fl. 3 Ambos constituíram, para serem representados, o mesmo advogado que veio, posteriormente, a representar a empresa "Curitiba Gesso Comercial Ltda." e Rafael Selvatici Borges. A fiscalização, diante de todos os indícios corroborados pelo fato de que perante as instituições financeiras a empresa nunca teve suas cotas transferidas, constando nas fichas cadastrais atualizadas os sócios Rafael Selvatici e João Carlos, bem como sendo o emitente de cheques o sr. Rafael Selvatici, em todo o período fiscalizado, e mais, pelo fato de a empresa ter sido liquidade por distrato registrado na Junta Comercial, estabeleceu a sucessão para esse sócio e administrador de fato, como responsável tributário pelas obrigações da empresa. Intimado a esclarecer todos os fatos e apresentar a contabilidade da empresa, nos mesmos moldes das Intimações anteriores dirigidas à empresa, fls. 65 a 69, acrescido de manifestar-se sobre os cheques emitidos pela empresa e assinados por sua pessoa após a transferência de cotas, o sr. Rafael Selvatici, representado pelo escritório do advogado das duas interpostas pessoas, limitou-se a requerer a exclusão de sua pessoa como responsável sucessório fls. 110 a 120. Deve ser esclarecido que a fiscalização formalizou em separado o Auto de Infração relativo à exigência do Simples relativo ao ano-calendário de 2002, protocolizado sob o número desse processo fiscal, e formalizou outro processo — n° 10980.00168412006-28 — no qual a contribuinte foi excluída do Simples a partir de janeiro de 2003 e exigido os tributos federais relativos aos anos-calendários de 2003 e 2004. Todavia, destaco, a fiscalização de todos os períodos foi promovida ao mesmo tempo, com base nos mesmos documentos, respeitados os períodos envolvidos. Os extratos bancários das contas abertas em nome da empresa, bem como as Requisições de Informações sobre as Movimentações Financeiras, as fichas cadastrais bancárias, cópias dos cheques emitidos pela empresa e assinados por Rafael Selvatici (até novembro de 2004), Relatório emitido pelo Serasa em 07 de dezembro de 2005 no qual consta como sócios e administradores responsáveis pela empresa "cancelada" os sócios Rafael Salvatici e João Carlos de Campos, todos esses documentos encontram-se nos Anexos 1, II e III do processo n° 10980.001684/2006-28, e por economia processual, não foram xerocopiados para o presente. Observo, ainda, que foi juntada a cópia do Acórdão n° 11.685/06 proferida nesse processo pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, ao processo n" 10980.001684/2006-28 que exarou o Acórdão n° 11.809/06, tendo sido ambos litígios apreciados pela mesma turma julgadora Diante de todos os fatos, a autoridade lançadora lavrou o Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 130 a 150, parte integrante do Auto de Infração lavrado contra Rafael Selvatici Borges, na qualidade de sucessor da empresa extinta "Big Wall Comercial Ltda", juntado às fls. 151 a 183 deste processo, do qual destaco os seguintes itens: Em decorrência da extinção da pessoa jurídica a ser fiscalizada, encaminhou-se aos sócios por Aviso de Recebimento (AR), o Termo de Inicio de Ação Fiscal (lis. 41/42), sendo que uma delas foi cientificada pessoalmente (EL1AZER PRADO MACHADO). 5 O mesmo termo foi encaminhado ao mesmo tempo para a sede da empresa BIG WALL, por via postal, tendo sido regularmente recepcionado (fls. 44). 11.1 Os irmãos Eliazer Prado Machado e helier Machado, que residem no mesmo endereço, Av. Wenceslau Braz, 23, nas proximidades da sede da fiscalizada (fis. 21 letras a e b) são pessoas humildes como se pode observar pela grafia de suas assinaturas, apostas pelos mesmos nos documentos acostados. Intimadas por Aviso de Recebimento (AR) (fls. 49 e 59) para comprovar a orizem dos recursos utilizados na aquisição das quotas de capital, bem como apresentar documentos de aquisição das referidas cotas, tais como, contratos, recibos, notas promissórias, etc relativos às empresas relacionadas no quadro acima, nada apresentaram, apesar da dilação do prazo para tanto «Is. 56 e 67), permitindo deduzir que não possuem qualquer documento, reforçando a hipótese de que não adquiriram qualquer participação societária, portanto, simples engodo. Corrobora com essa assertiva o exame da única declaração de imposto de renda de pessoa física apresentada pelos mesmos em 2004 Estranhamente, observa-se que os parcos rendimentos declarados são procedentes de pessoas fisicas e não de pessoas jurídicas [.4 A prova contundente de que Eliazer e helier foram usados como interpostas pessoas (Sócios apenas de direito e não de fato) nos foi encaminhada pelo Unibanco S/A em 27/12/2005, e pela Caixa Económica Federal em atendimento à Requisição de Movimentação Financeira [..j. Trata-se de várias cópias de cheques emitidos pela BIG WALL e assinados pelo "ex-sócio" da BIG WALL COMERCIAL LTDA., Rafael Selvatici Borges. Considerando que a movimentação .financeira no ano de 2004 foi realizada pelo sócio "alienante" das cotas e não pelos sócios "adquirentes" anteriormente nominados, o que ocorre normalmente, e considerando que não foi apresentada a procuração dos referidos "quotistas adquirentes" para a pessoa autuada continuasse gerenciando os negócios a partir da alteração contratual, conclui-se que ocorreu uma simulada transferência de cotas. 11.1 Verifica-se assim, que todos os cheques acima relacionados, emitidos no ano calendário de 2004 para liquidação de operações comerciais da fiscalizada B1G WALL, foram assinadas por Rafael Selva tici Borges, sem exceção. Desta forma, repita-se, fiva demonstrado e comprovado que não houve mudança de_gestã • / I a .• Ose • is •• '••• •• tem& 2003 a novembro de 2004, muito embora a I" alteração contratual tenha consignado os nomes de Eliazer e Helier Machado. 6 Processo n° 10980.001913/2006-12 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.093 Fl. 2 P----"» ANA DE BARROS FERNANDES — Relatora e Presidente EDITADO EM: 08/10/2009 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: João Bellini Júnior (Suplente Convocado), Cheryl Berilo, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Rogério Garcia Peres, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado) e Ana de Barros Fernandes (Presidente). 3 Relatório A fiscalização iniciou-se na empresa BIG WALL COMERCIAL LTDA., optante do regime de tributação favorecido do Simples e encenada, voluntariamente, em 22/09/2004, tendo como indício de ilícito tributário, a ser investigado, a significante disparidade entre os valores movimentados financeiramente nas contas bancárias e aqueles informados a título de receita bruta ao fisco, nas DIPJS. Verificou-se, ainda, que os sócios iniciais da empresa referida, srs. João Carlos de Campos e Rafael Selvatici Borges transferiram as cotas para os srs. Eliazer Prado Machado e Helier Machado, em 14/11/2003, mas simuladamente, visto que, quem continuou a gerir a empresa, de fato, inclusive assinando cheques e movimentando as contas bancárias foi o sr. Rafael Selvatici Borges até esta realmente encenasse as atividades, em finais de 2004. Ressalte-se, ainda, que os srs. João Carlos e Rafael Selvatici constituíram nova empresa no local, no mesmo ramo de atividades, com o mesmo objeto social, em fevereiro de 2005 — "Curitiba Gesso Comercial Ltda.". Os períodos objeto de fiscalização foram, inicialmente, os anos-calendários de 2002 e 2003, estendendo-se posteriormente ao ano-calendário de 2004. A discrepância entre os valores movimentados financeiramente e aqueles informados ao fisco a título de receita bruta foram especificados, mês a mês, no Termo de Intimação Fiscal n° 01 de fls. 34 a 36, sendo, em valores totais anuais, da ordem de R$ 107.973,29 para R$ 1.094.150,82, e R$ 473.466,93 para R$ 4.563.120,11, nos anos de 2002 e 2003, respectivamente (aproximadamente 10%). A empresa na pessoa do sócio de direito, Eliazer Machado, foi intimada e re- intimada a apresentar os livros contábeis e fiscais, bem como documentação correlata, e a esclarecer a origem dos valores creditados nos extratos bancários mantidas nos bancos Unibanco, Sudameris e Caixa Econômica Federal, discriminados de forma individualizada. Não atendeu às intimações, solicitando postergação de prazo, e, ainda que deferidos os pedidos de postergação, continuou a não atender às intimações nem prestar os esclarecimentos solicitados. A fiscalização buscou, então, comprovar que os dois sócios de direito que ingressaram na empresa consistiam em interpostas pessoas de Rafael Selvatici e João Carlos. Intimou ambos 'novos sócios' para esclarecerem, dentre outros itens, com que recursos adquiriram cotas de empresas que constaram como sócios originais Rafael Selvatici e João Carlos (ou seu parente, Gustavo Campos), a saber, três empresas: BIG WALL, MHE GESSO COMERCIAL LTDA e BCR COML LTDA. As Intimações Fiscais a essas duas pessoas constam das fls. 38 e 39 e 48 e 49 e estão acompanhadas das cópias de D1RPF Simplificadas relativas ao ano-calendário de 2003, as quais espelham serem essas pessoas vendedores/prestadores de serviços com parcos rendimentos auferidos de pessoas físicas e como único bem declarado as tais cotas da empresa "Big Wall". Processo n° 10980.001913/2006-12 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.093 Fl. 4 [.1 Por Ultimo, em 04/02/2005, Rafael Selvatici Borges e Gustavo Gattass de Campos fundaram a CURITIBA GESSO COMERCIAL LTDA ah. 29 A 33) para, no mesmo ocal, continuar desenvolvendo a mesma atividade comercial da extinta BIG WALL COMERCIAL LTDA consistindo-se dessa forma, o sócio remanescente Rafael Selvatki Borges,. como o sucessor e responsável pelo crédito tributário que vier a ser exigido da BIG WALL. [•1 Apesar de reiteradas solicitações, nenhum extrato bancário, livro contábil ou fiscal, nos foi apresentado, [...] Diante da falta de apresentação dos elementos solicitados no Termo de Inicio de Ação Fiscal, emitiu-se, em 03 de maio de 2005, com amparo na Lei Complementar 105/200], de 10 de janeiro de 2001, Requisição de Informações sobre Movimentações Financeiras (RIVIF) Do exame da informações [...] resultou a planilha denominada Relatório de Movimentação Financeira (créditos) (fls. 160 a 198). A referida relação foi encaminhada para todas as pessoas envolvidas, desde a pessoa jurídica fiscalizada (lis. ), passando pelas interpostas pessoas (fls. 45 a 48), para a pessoa jurídica que continuou as atividades «is. 135 a 138) e principalmente para a pessoa fisica autuada (lis. 155 a 159). [...] Até o presente momento, ninguém apresentou qualquer comprovação, documento, ou justificativa. De fato, a BIG WALL COMERCIAL LTDA foi extinta, por liquidação voluntária, em 26/11/2004, conforme consta do Distrato Social juntado ao processo às fls. 26 e 27), cuja extinção não foi iniciativa das interpostas pessoas mas do efetivo proprietário, um dos sócios primitivos que nunca a abandonou. Nos termos do artigo 287 do regulamento do imposto de renda aprovado pelo Decreto 3000/99 (RIR/99), abaixo transcrito, a falta de comprovação da origem dos valores depositados caracteriza omissão de receita operacional sujeitando-se a empresa fiscalizada ao arbitramento do lucro, tendo em vista a falta de apresentação de livros contábeis e fiscais, que registrem as operações comerciais realizadas pela empresa nos citados anos-calendário e permitam a apuração do lucro real 7 Segue o termo Fiscal explicitando que ao intimar fornecedor que repassa produtos para revenda à fiscalizada, PLACO DO BRASIL LTDA., descobriu-se o que denominou "BIG ESQUEMA". Resumindo, constatou-se que a Placo: a) informou que os responsáveis pelas empresas "Curitiba Gesso" e "Big Wall" eram Gustavo Campos e Rafael Selvatici Borges / João Carlos Campos e Rafael Selvatici, respectivamente, desconhecendo qualquer alteração societária na empresa BIG WALL; b) remeteu diversas cópias das segundas vias de notas fiscais nas quais constavam o nome da outra empresa constituída por Rafael Selvatici e Gustavo campos, localizada em Campo Grande/MS — BCR Comercial Ltda.; c) para cada operação de venda, a Placo emitia uma via da nota fiscal para a BCR, como venda de produção do estabelecimento e outra nota fiscal, extraída em nome da BCR, para a BIG WALL, como simples remessa, mas os produtos eram efetivamente encaminhados para essa última, e apenas simbolicamente à BCR. Tal esquema foi confirmado por diversos documentos acostados ao Anexo 03 do processo n° 10980.00168412006-28, inclusive conhecimentos de transportes obtidos junto ao transportador envolvido e cheques emitidos pela BIG WALL em favor da PLACO, assinados por Rafaela Selvatici, mas a fiscalização apesar de minuciosamente haver explicitado o modus operandi das empresas envolvidas concluiu que: Por outro lado, desconhecem-se os motivos de toda essa trama, possivelmente para favorecer-se da redução de tributos de competência de outras esferas de governo (estaduais ou municipais) bem como para dificultar o conhecimento da autoridade administrativa tributária da ocorrência dos fatos geradores de tributos e contribuições. (grifos não pertencem ao original) Desta forma, a fiscalização procedeu à autuação da empresa com fulcro no dispositivo legal pertinente à presunção de omissão de receitas, evidenciada por créditos bancários cujas origens não foram justificadas pela contribuinte, no caso, extinta, representada pelo seu sucessor tributário, sócio administrador remanescente que continuou a explorar a mesma atividade que antes a empresa exercia, no mesmo local, como sócio de outra empresa. Houve, ainda, exclusão da pessoa jurídica do Simples, lastreada a fiscalização em três fundamentos: a utilização de interposta pessoa; embaraço à fiscalização; e a receita bruta excedente. A multa aplicada aos tributos federais lançados de oficio, neste processo, no qual a empresa foi mantida no regime do Simples, foi agravada pela falta de atendimento às intimações encaminhadas solicitando livros, documentos, extratos bancários, esclarecimentos sobre a origem de créditos bancários etc — percentual de 112,50%. Reitero que a exclusão da contribuinte do Simples, e a autuação cujos objetos foram os períodos relativos aos anos-calendários de 2003 e 2004, são objetos do processo n° 10980.001684/2006-28, a despeito do retromencionado Termo também se referir a esses fatos e à autuação decorrente. O autuado apresentou a impugnação de fls. 188 a 233 argumentando em sua defesa diversartópicosclm—a um aprecia&TWITSeg—tmda iunna de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR. Deixo de relatá-los pois foram repetidos no Recurso Voluntário que mais a frente será -objeto deste =latiu io. 8 Processo n° 10980.001913/2006-12 SI-TE01 Acórdão n.°1801-00.093 Fl. 5 A DRJ Curitiba, por intermédio da Segunda Turma exarou o Acórdão n° 11.685/06, mantendo o lançamento tributário, cuja ementa segue: PRINCIPIO DO CONTRADITÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA NO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. APLICABILIDADE SOMENTE NA FASE LITIGIOSA DA IMPUGNAÇÃO. Descabe suscitar violação ao princípio do contraditório, eis que tal norma não incide no procedimento fiscalizatório, de índole inquisitiva, sendo aplicável somente na fase litigiosa de impugnação ao lançamento. SIGILO BANCÁRIO. DIREITO À INTIMIDADE E À PRIVACIDADE. INOPONIBIL IDADE A PESSOAS JURIDICAS. MATÉRIA NÃO SUJEITA À RESERVA DE JURISDIÇÃO. É improcedente o pedido de insubsistência do auto de infração dos tributos do Simples, por violação do sigilo bancário da empresa, eis que o acesso às informações bancárias diretamente pelo fisco é legítimo, não configurando afronta ao direito de intimidade e privacidade, defesas estas que não são oponíveis em face de pessoas jurídicas, e, além disso, o ato de levantamento do sigilo bancário não se insere nas matérias sujeitas à reserva de jurisdição. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO DE FATO. PROSSEGUIMENTO NA EXPLORAÇÃO DA ATIVIDADE SOCIAL. RESPONSABILIDADE PESSOAL. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA. Responde pelos tributos devidos pela pessoa jurídica extinta o sócio de fato que prossegue na exploração da atividade social, sob outra razão social, responsabilidade esta que se reveste de natureza pessoal em caso de dissolução irregular da empresa. PERDA DA EFICÁCIA DA MEDIDA PROVISÁRIA CRIADORA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. EXISTÊNCIA DO ÓRGÃO RESPONSÁVEL PELO LANÇAMENTO. FATO NOTÓRIO. É infundada a alegação de insubsistência do lançamento por extinção do órgão responsável pelo lançamento, uma vez que a Medida Provisória que criou a Receita Federal do Brasil, que perdeu sua eficácia, apenas conferiu nova denominação à SRF, e ademais, é fato notório que este órgão continua existindo, dispensando-se qualquer comprovação. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. COMPATIBILIDADE ENTRE O ART. 41 DA LEI N° 9430/1996 E A LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir-se de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 9 42 da Lei n° 9.430/1996, dispositivo este que não foi revogado pela Lei Complementar n° 105, de 2001. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. CRIAÇÃO DE TRIBUTO COM MESMA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CPMF. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Descabe alegar violação ao princípio da legalidade, com base em suposta criação de tributo com mesma hipótese de incidência da CPMF, eis que o IRPJ não foi exigido com base na movimentação bancária, mas sim na ausência de comprovação de sua origem. EXCLUSÃO DO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. Não se conhece da impugnação tendo como objeto manifestação de inconformidade pela exclusão do sistema simplificado, pedido este que deve ser formulado em processo administrativo próprio. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE RESPOSTA À SOLICITAÇÃO FISCAL. Incide a forma agravada de penalidade quando o contribuinte, regularmente intimado, deixa de encaminhar livros contábeis/fiscais, documentos e extratos bancários, sem apresentar qualquer justificativa para a omissão, causando embaraço à fiscalização, obrigando o autuante a valer-se de terceiros para a obtenção de informações para embasar os lançamentos. Tempestivamente, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 289 a 327, argumentando em síntese (para remir o tempo, aproveito o relatório do acórdão vergastado já que a defesa reprisou os argumentos): a) Preliminarmente, a impugnante requer a declaração de insubsistência do auto de infração, por violação ao princípio do contraditório decorrente de autuação com base em documentos não submetidos à vista do contribuinte. Reclama que a responsabilização do contribuinte pelos tributos, supostamente devidos pela empresa Big Wall, foi baseada na suposta condição de sucessor desse contribuinte, sendo que tal condição foi apurada com base em documentos e informações ofertados pela empresa Placo do Brasil Ltda, dos quais não teve vista nem oportunidade de manifestação; b) A reclamante pede a declaração de insubsistência do auto de infração em vista da extinção do órgão responsável pelo lançamento. Entende que a Receita Federal do Brasil, criada pela Medida Provisória n° 258/2005, para exercício das competências anteriormente atribuídas à Secretaria da Receita Federal, deixou de existir na estrutura jurídica brasileira, em vista da perda da eficácia da referida Medida Provisória, a partir de 18/11/2005. Conseqüentemente, os atos administrativos praticados= presente ação fiscal devenrserinvalidattos, desde a requisição de informações sobre a movimentação financeira da empresa Big—Wall-its4nstituiçi4 8-das-quais-é-cliente, passando io Processo n° 10980.001913/2006-12 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.093 Fl. 6 pela intimação do contribuinte para a comprovação da origem dos depósitos bancários dessa empresa; c) Ainda preliminarmente, a litigante demanda a declaração de insubsistência do auto de infração por violação ao sigilo bancário da empresa Big Wall. Sustenta a inconstitucionalidade da Lei n° 9.311/96 e Lei Complementar n° I 05/2001, que violam o direito à intimidade e à vida privada garantidas constitucionalmente. Entende que somente por autorização judicial pode ser decretada a quebra do sigilo bancário; d) Pugna pela declaração de insubsistência do auto de infração em vista da impossibilidade de lançamento fundado em simples movimentação bancária. O lançamento assim fundamentado redunda em violação ao art. 150, IV da Carta _Magna, que veda a instituição de tributos corzfiscatórios. Configura-se confiscatório todo tributo que incida sobre hipótese que não contenha sem seu bojo um fato signo-presuntivo de riqueza. Sustenta ainda que o art. 42 da Lei n° 9.430/96, que fundamentou o lançamento, foi revogado pelo art. 5°, §4° da Lei Complementar n°105/2001, de modo que o fisco não pode mais tributar os depósitos bancários com base em presunção, devendo proceder à tributação real e efetiva da omissão de rendimentos ou receitas, encontrada e provada pelo fisco; e)Reclama que, a pretexto de se apurar imposto de renda, está- se lançando outro tributo sobre a movimentaçã o financeira sem que haja previsão para tanto na ordem jurídica. Lembra que, nos termos do art. 2° e incisos da Lei n° 9.311/96, o tributo que ostenta como hipótese de incidência a simples movimentação de recursos é a CPMF; cuja quitação já foi providenciada pelas entidades bancárias, na condição de responsáveis tributárias. Com base em ensinamentos de tributaris tas, recorda que a norma de incidência tributária tem estrutura dual, ou seja, há uma hipótese previamente descrita em lei, e uma conseqüência cujos efeitos são gerados com a subsunção do fato ocorrido à hipótese abstratamente descrita na lei; fi Discorda da responsabilização que lhe foi atribuída em face dos tributos lançados relativos à empresa Big WalL Aponta que foi intimada pela autuante a apresentar documentação comprobatória, relativa aos depósitos bancários em beneficio da empresa Big Wall, sob pena de efetuar-se o lançamento mediante utilização dos documentos disponíveis. Foi consignada como fundamento da intimação, suposta inserção do contribuinte no art. 132 e parágrafo único do CIN., bem corno o art. 207, IV do RIR/99, razão pela qual caberia a ele apresentar as comprovações mencionadas na intimação; g) Contesta a exclusão do Simples, observando que o art. 9°, inciso H da Lei n° 9.317/96 permite que empresas com faturamento até R$ 1.200.000,00 mantenham sua inscrição no Simples desde que, na qualidade de empresas de pequeno porte, em lugar de micro-empresas. Alude ao princípio da proporcionalidade, para concluir que um simples desacerto na C51) 11 classificação legal da contribuinte não pode justificar sua exclusão do sistema. Discorda da existência de interposição de pessoas, sendo que este não foi o motivo determinante constante no ato de exclusão. Afirma que não restou caracterizado o embaraço à fiscalização por falta de apresentação de livros, documentos e extratos bancários, já que este enquadramento, bem como o texto da IN 355/03, não encontram apoio legal; h) Insurge-se contra a multa, no percentual de 225%, aplicada com base nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4502/64, que não comportam aplicação no montante pretendido pelo autuante. Sustenta que a majoração aplicada pelo fisco é reservada aos casos de evidente intuito de fraude, cujos elementos não se vislumbram no caso examinado. Requer a redução da multa decorrente do lançamento de oficio para seu percentual normal, ou seja, 75V4 ou ainda, sucessivamente, e se tanto, de 112,5%. Considerando que dois processos administrativos foram formalizados contra o sujeito passivo em tela, por questão administrativa, interna corporis, consoante já explicitado, e que os documentos pertinentes às conclusões que ensejaram a autuação e a responsabilização por sucessão do contribuinte constaram dos Anexos I, II e III que acompanham somente o processo n° 10980.001684/2006-28, solicitei, em medida saneatória, ao receber o presente por sorteio, o encaminhamento do processo n° 10980.001 684/2006-28 para analisar os documentos citados no Termo de Encerramento de Ação Fiscal que explicita as autuações, bem como que fosse dado ciência expressa ao contribuinte dos documentos constantes nos três anexos, também pertinentes à autuação objeto do presente (fls. 336 e 337). O representante do autuado compareceu à unidade de jurisdição do contribuinte e não só tomou ciência de que os documentos citados no Termo de Encerramento Fiscal constavam nos Anexos I, II e III do processo n° 10980.001684/2006-28, bem como recebeu cópia de todos os documentos (fls. 341). Nada se manifestou a respeito, de certo porque já possuía conhecimento de toda a documentação, uma vez ser o representante das defesas administrativas naquele outro processo administrativo também. Saliento quanto ao processo n° 10980.001684/2006-28 que, apesar de conexo em face dos documentos comuns que embasaram as autuações, não poderá ser apreciado por essa Turma julgadora em vista da limitação do valor de alçada, visto o crédito tributário (tributo + multa) naquele exigido ultrapassar o valor de R$ 1.000.000,00. Tal fato não prejudica que o julgamento dos processos seja realizado de forma independente, tratando-se de conexão relativa, pois o objeto do presente é a exigência de tributos federais apurados de oficio pela sistemática do Simples e relativa ao ano-calendário de 2002, enquanto o outro processo, de competência de Turma Ordinária, corresponde à exigência fiscal de tributos federais apurados pelo regime de tributação do arbitramento de lucros e relativa aos anos-calendários de 2003 e 2004. Considerando que foi possível a análise dos documentos citados pela autoridade lançadora para formar a convicção desse órgão colegiado, nada obsta a apreciação do presente litígio. É o relatório. Passo à análise das razões recursais. 12 Processo n° 10980.001913/2006-12 81-TE01 Acórdão n.° 1801-00.093 Fl. 7 Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES Conheço do recurso interposto, por tempestivo. 1. Das Preliminares Violação do principio do contraditório e da ampla defesa O recorrente argumenta que houve afronta aos princípios constitucionais porque, no curso da ação fiscal, não foi chamado a conhecer os documentos e esclarecimentos fornecidos pela empresa PLACO do Brasil Ltda. mediante Intimação Fiscal, fornecedor dos produtos adquiridos para revenda pela empresa BIG WALL. Todavia, essa inconformidade é inadmissível, tendo em vista que a ação fiscal é desenvolvida com fulcro no poder-dever do Estado ao exercer a ação inerente às suas atividades e independe da autorização ou conhecimento dos fiscalizados para que seja desempenhada, fazendo parte do trabalho de investigação da eventual ocorrência de ilícitos fiscais a circularização junto a terceiros para verificação das operações negociais do contribuinte fiscalizado. Ademais, as respostas e documentos fornecidos à fiscalização não podem ser de desconhecimento do fiscalizado, pois como gestor da empresa é conhecedor das mercadorias adquiridas, emissão de notas e todo o mais relatado no Termo de Encerramento de Ação Fiscal. Deve ser ressaltado, ainda, para afastar de vez as ilações do recorrente neste tocante, que a própria fiscalização concluiu que o "Big Esquema", montado entre as diversas empresas de titularidade do autuado e a PLACO, tem finalidade que não afetou a autuação realizada contra o contribuinte, sucessor legal da BIG WALL, consoante relatado. Também frustra a assertiva do recorrente o fato de que a ação fiscal não se desenvolve como um processo administrativo, mas sim trata-se de um procedimento, de natureza inquisitória, no qual todos os elementos devem ser buscados pelo fisco para comprovar se houve, ou não, a ocorrência de descumprimento da obrigação tributária, acessória ou principal. E determinante foi para a fiscalização a recusa dos representantes da empresa extinta, de direito ou de fato, ao serem intimados a apresentar livros contábeis e fiscais, bem como a documentação correlata a que se obrigam por lei, inclusive extratos bancários, forçando os trabalhos para que buscassem as informações e documentos junto a terceiros, culminando na autuação para os anos-calendários de 2002, 2003 e 2004 com base no levantamento dos créditos bancários, presumindo de forma legal, a omissão de receita. O recorrente eximiu-se do dever de colaborar com o fisco, o que acarretou o agravamento da multa regular de oficio, mas, ao final dos trabalhos fiscais, foi regulamente notificado da autuação imposta recebendo o Termo que descreve minuciosamente todos os fatos e relaciona documentos verificados no curso do procedimento fiscal, sendo lhe facultado CrIr) 13 vistas ao então formalizado processo administrativo e extração de cópias, possibilitando-lhe exercer amplamente os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa no prazo estabelecido por lei, na impugnação. Aliás, como o fez e está a fazer no recurso ora apreciado. Quanto à alegação de que o ato do lançamento tributário por si só atenta contra os direitos dos contribuintes, não tem qualquer respaldo legal ou lógica tal assertiva. O ato do lançamento tributário desde que pautado no princípio da legalidade estrita além de ser dever do Estado, proporciona a tão clamada justiça fiscal, pois só é realizado quando constata- se que o contribuinte não cumpriu as obrigações tributárias a que todos os contribuintes estão sujeitos. Destarte, a atividade fiscalizatória quando resulta em lançamento é instrumento que viabiliza o princípio da isonomia entre os cidadãos, da capacidade contributiva, da livre concorrência e outros mais, pois iguala os contribuintes que cumprem as normas, espontaneamente, com aqueles até então à margem da legalidade, punindo-os com as multas de oficio. No mais, adoto as razões expostas pelo colegiado a quo as quais não foram especificamente refutadas pelo recorrente, invocando os ensinamentos lá transcritos de Alberto Xavier, Mary Elbe G Q Maia e a vasta jurisprudência administrativa acostada ao acórdão combatido. Da extinção do órgão responsável pelo lançamento Não procede a argumentação do recorrente de que os atos praticados pelos auditores fiscais vinculados à Secretaria da Receita Federal, quando esse órgão passou a denominar-se Receita Federal do Brasil, por Medida Provisória não convalidada em lei, carecem de competência e são nulos, desprovidos de eficácia jurídica. Isto porque a própria Medida Provisória resguardou em seu texto, conforme já esclarecido pelo órgão julgador de primeira instância, que a Secretaria da Receita Federal (SRF) passava a denominar-se Receita Federal do Brasil (RFB), mantidas as competências previstas na legislação em vigor na data de publicação da própria MP, ou seja, as competências e investiduras não foram de qualquer forma afetadas pela nova denominação do órgão, no que tange aos tributos federais administrados pela SRF, o que resultou, em não sendo convalidada em lei, ser, a contrario senso, convalidado todos os atos praticados nesse ínterim como se da própria SRF fossem. A tese defendida pelo recorrente não tem substrato jurídico, pelo que não merece acolhida. Violação ao sigilo bancário da empresa BIG WALL Esta matéria já está assente e pacificada tanto na esfera administrativa quanto na judiciária, para os procedimentos fiscais realizados após a vigência da Lei Complementar n° 105/2001. Os dispositivos inseridos na Lei Complementar n° 105/2001, na Lei n° 10.174/2001 (que em seu artigo I° deu nova conotação ao § 3° do artigo 11 da Lei n° 9.311/96) e no Decreto n° 3.724/2001, tratam dessa matéria no sentido de possibilitar ao fisco, através do conhecimento da movimentação financeira, pelos recolhimentos de CPMF, utilizar essa informação nos procedimentos administrativos fiscais como mais um instrumento de investigação,-consistindo-em-normas-cuja natureza- é-ampliar-as- fontes de investigação das ilícitos tributários e regular o procedimento de fiscalização. Independentemente de autorização judicial 14 Processo n° 10980.001913/2006-12 Si-TEU! Acórdão n.° 1801-00.093 Fl. 8 A seguir, transcreve-se a ementa de acórdão modelo a ser copiado por essa relatora, no que respeita à matéria: Acórdão n°103-22.750 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO - TRIBUTÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LC n° 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÉNCIA I. A Lei n a 10.174/01, que deu nova redação ao § 3" do art. 11 da Lei n° 9.311, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valer-se dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (CTN, art. 144, § 19. Trata-se de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. 2. O art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensáveis à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. 3. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar n" 105/01 e pelo Decreto n° 3.724/01" (Ac. da 1° T do TRF da 4"R — mv — ag 2002.04.01.003040-0/PR — Rel. Des. Fed. Maria Lúcia Luz Leiria — DJU 2 05.06.02, p164) (grifos não pertencem ao original) O parágrafo 1° do artigo 144 do CTN — Código Tributário Nacional, a seguir reproduzido, esclarece que as normas adjetivas se aplicam imediatamente, no ato do lançamento, afastando qualquer aspecto temporal, não se podendo lhes atribuir vedação por irretroativas: Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1°. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, erdik 15 neste Ultimo caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Grande lição nos ministra o magistrado Zuudi Sakakihara, in Código Tributário Nacional Comentado (RT), pp 565/566, conforme se extrai do acórdão supra referido: ... na atividade do lançamento é preciso distinguir entre a lei material, que descreve o fato típico tributário e contém a respectiva implicação consistente no pagamento do tributo, das outras leis de natureza apenas adjetiva, que dizem respeito ao modo pelo qual é realizada a atividade do lançamento. A lei material é aquela aplicada na atividade do lançamento, segundo os critérios da qual é determinada e quantificada a obrigação tributária principal e o correlativo crédito tributário. Integra o próprio objeto do lançamento, na medida em que é dele a fonte formal e, por isso, há de ser aquela vigente na data em que surgiram a obrigação e o respectivo crédito. É o que diz o caput deste artigo. Já as leis meramente adjetivas não integram o objeto do lançamento, valendo dizer que não são aplicadas pelo lançamento, mas aplicadas à atividade do lançamento . Dizem respeito à atividade e não ao objeto do lançamento. Em razão disso, são aplicáveis aquelas vigentes na data em que é exercida a atividade, sendo irrelevante que sejam posteriores ao surgitnento do direito que é objeto do lançamento. É esse o sentido do § I° deste artigo. Com efeito, as leis que instituam novos critérios de apuração ou novos processos de fiscalização, ou, ainda, que ampliem os poderes de investigação das autoridades administrativas, são todas, por assim dizer, externas ao fato gerador, no sentido de que não alteram nenhum dos aspectos da hipótese de incidência tributária, afetando, apenas, a atividade do lançamento, e não o crédito tributário. Esclareça- se, por oportuno, que os critérios de apuração são unicamente aqueles investigatórios, e não os que se destinem à quantificação do tributo devido, pois estes afetam diretamente a materialidade da hipótese de incidência no seu aspecto dimensivel Note-se que o § I° não prevê nenhuma hipótese que importe aplicação retroativa da lei. Ao contrário, confirma e consagra o principio da irretroatividade da Lei tributária, pois a legislação aplicável, embora seja posterior à ocorrência do fato gerador, não é posterior à atividade do lançamento, à qual se aplica. (grifos não pertencem ao original) O Poder Judiciário, desde outubro de 2003, tem se manifestado no mesmo sentido, consoante ementa a seguir colacionada, parcialmente, a esse voto: STJ / REsp 506.232-PR RIBUTÁRIO. NORMASTDE CARA—TER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTER TEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS-A PARTIR-DA -ARRECADAÇÃO DA- 16 Processo n° 10980.001913/2006-12 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.093 Fl. 9 CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, 1°1)0 CTIV. 11.1 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 1 05/2001, cujo art. 6° dispõe: 'Art. 6°. As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente'. 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tens aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7.A exegese do art. 144, ,sç I° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade de aplicação dos arts. 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8.Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9.Recurso Especial provido. (grifos não pertencem ao original) Acrescento que é cediço aos operadores do direito, nas mais largas escalas que se pode alcançar, que os princípios constitucionais devem ser sobrepesados uns em relação aos outros, sempre reconhecendo-se a primazia do Estado, ao representar a coletividade, sobre os direitos individuais. Mais urna vez, reitero que a justiça fiscal e a isonomia entre os contribuintes, bem como a capacidade contributiva de cada um, são alvos perseguidos incansavelmente pelo Estado na promoção do bem estar social, acima de qualquer direito individual isolado que possa vir a servir como escudo para eventual sonegação fiscal. tr:P 17 Por todas essas razões, não sendo demais lembrar que declarar a inconstitucionalidade de leis, ordinárias ou complementares, é matéria privativa do Poder Judiciário, fugindo ao escopo da seara administrativa, afasto a argüição de que houve violação ao sigilo bancário, que, aliás, continua a ser preservado pelos órgãos da administração direta estatais, visto que aos elementos que compõem o processo administrativo tributário não é dada qualquer publicidade. Essa bandeira não pode ser erguida contra a Fazenda Pública na defesa de seus interesses. No mais, adoto as razões expostas pelo colegiado a quo as quais não foram especificamente refutadas pelo recorrente. 2. Do Mérito 2.1. Da insubsistência do lançamento tributário com fulcro no artigo 42 da Lei ri° 9.430/96 revogação desse dispositivo legal. As presunções legais vêm expressas na lei tributária. O próprio legislador destaca situações especiais nas quais os indícios pressupõem a ocorrência do fato gerador, no caso, a obtenção de receita. São situações que de tão excepcionais denunciam o ilícito tributário. Situação deveras conhecida, semelhante à ora analisada, é a constatação do saldo credor do caixa — esta situação é materialmente impossível de ocorrer: se a pessoa jurídica não possui dinheiro em caixa, não poderá fazer o pagamento de despesas. Como pode, então, registrar a contabilidade que a despesa foi paga, sem o respectivo numerário? A situação é tão absurda, que a norma tributária presume o óbvio: em algum momento houve a omissão de receitas. A norma tributária se incumbe de declarar o indício da omissão: é o saldo credor do caixa. Semelhantemente ocorre com o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. O numerário depositado em conta bancária, não justificado pelo contribuinte interpelado, constitui omissão de receita. Novamente, nota-se a seguinte situação excepcional: uma pessoa, jurídica ou fisica, ao ser fiscalizada, possui ingressos, em conta bancária, em valores superiores àqueles informados ao fisco (ou não registrados na contabilidade). A norma tributária determina, na verificação desta hipótese, que não sendo demonstrada a origem daquele numerário pressupõe-se que constitui receita omitida (este é o fato gerador da obrigação tributária não percebido pela recorrente). E a prova, a lei expressamente o declara, caberá ao contribuinte. As presunções legais, pois, surgem de situações nas quais, com tranqüilidade, os indícios denotam a ocorrência do ilícito tributário. E a autoridade fiscal colheu as provas dos indícios enunciados na norma tributária: os créditos tributários — não da presunção, em si, pois esta já está declarada como ilícito, pela própria norma. A presunçao, por conseguinte, ergue-se sobre inWalos que devem ser devidamente e fartamente provados, como no presente lançamento. 18 Processo n° 10980.001913/2006-12 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.093 Fl. 10 Vale a pena transcrever o artigo 239 do CPP, que conceitua indício: Art.239.Considera-se indicio a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias. Este link entre os indícios e o fato tributariamente relevante é fornecido pela norma tributária: depósitos não justificados omissão de receitas; saldo credor de caixa omissão de receitas; passivo fictício omissão de receitas, e assim por diante. As presunções enunciadas na norma tributária não são absolutas (Djuris et Djuris). São presunções legais relativas °uris &intui& o que significa que comportam provas em contrário. Estas provas deverão ser apresentadas pelo contribuinte e a própria norma traz esta condição expressa em seu bojo, pois foge à regia geral relativa ao ônus da prova (pertinente ao fisco). A propósito, o artigo 42 não traz qualquer inovação ao ordenamento jurídico quanto à inversão do ônus da prova. Em todos os casos em que a lei expressamente declare a presunção, o ônus da prova é invertido e, na seara tributária, há muitos casos de presunções legais. Assim dispõem os artigos 925 e 926 do RIR/99: Ônus da Prova Art.924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 92, §2). Inversão do Ônus da Prova Art.925.0 disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 92, §39. Destarte, irrelevante para a aplicação do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, no lançamento tributário, a identificação da origem dos ingressos nas contas bancárias ou estabelecer-se qualquer nexo com o faturamento da empresa, ou com efetivos acréscimos patrimoniais. E com Mero no artigo 926 acima reproduzido, quem tem o dever de provar que a origem dos valores depositados em conta de sua titularidade não provêm da obtenção de receitas (fato gerador), até então omitidas, é o sujeito passivo da obrigação tributária. Somente justificando o ingresso de numerários, com documentação hábil, pode ilidir a presunção legal tributária de omissão de receitas. Não o fazendo, entende-se ser mera alegação, inapta para ilidir a tributação contra si imposta. Portanto, não havendo o contribuinte comprovado, documentalmente, que os créditos havidos em conta corrente são, de fato, empréstimos, linhas de crédito bancárias etc, não há que se reformar o lançamento tributário pautado estritamente em conformidade com a 19 norma tributária. Os saldos finais auferidos em cada mês, independentemente de seus valores, não foram estabelecidos como indícios pela norma tributária, da qual não se pode fugir. Quanto à alegação de que os créditos, individualizados, devem ser superiores a R$12.000,00 para serem considerados na tributação, trata-se de interpretação equivocada da norma, pois esta trata de valor totalizado dentro do ano-calendário e o remissivo reporta-se às pessoas físicas sob fiscalização, não sendo aplicável às pessoas jurídicas. Ademais, conforme relatado, os créditos bancários para o ano de 2002 ultrapassam R$1.000.000,00, enquanto para o ano-calendário de 2003 ultrapassam R$ 4.000.000,00. No que respeita à alegação de que o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 fora revogada pela Lei Complementar n° 105/2001, faço meus os fundamentos do acórdão combatido, por suficientemente esclarecedor quanto à natureza de complementação entre as duas normas jurídicas: É igualmente descabida a alegação de que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 foi revogado pelo art. 5 0, §4° da Lei Complementar n° 105/2001. É sabido que, nos termos definidos pela Lei de Introdução ao Código Civil, a revogação de dispositivo legal se dá de forma expressa ou tácita, segundo se a nova lei literalmente dispõe a respeito, ou quando conflita com a antiga ou disciplina totalmente a matéria, respectivamente. Nenhuma das hipótese se aplica ao caso; na realidade, longe de aparentar antagonismo, as duas normas se complementam, já que o intuito da lei complementar foi conferir à Administração Tributária maior poder instrutório com vistas a identificar o patrimônio, rendimentos e atividades econômicas do contribuinte, e a lei ordinária autoriza o lançamento com base em documentação assim obtida. Em outros termos, a lei posterior veio a dar maior eficácia à lei anterior, ao invés de contrariá-la. Tanto assim que o Decreto n" 3.724, de 10 de janeiro de 2001, que regulamenta o art. 6° da Lei Complementar n°105, de 2001, ao dispor sobre a finalidade dos dados bancários do contribuinte requisitados pelo fisco às instituições financeiras, expressamente autoriza a utilização dessas informações para efeito de lançamento findado no art. 42 da Lei n°9.430, de 1996: Art. 5o As informações requisitadas na forma do artigo anterior: - deverão: b) subsidiar o procedimento de fiscalização em curso observado o disposto no art. 42 da Lei n°9.430. de 1996; (Grifou-se) No mais, novamente, adoto as demais razões expostas no acórdão para não acolher a alegação do recorrente de que o lançamento tributário não está devidamente fundamentado no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 ou que essa norma fora revogada. 2.2. Tributação sobre a movimentação financeira. 20 Processo n° 10980.001913/2006-12 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.093 El 11 Novamente trilha o recorrente pelo caminho de acusar de insubsistente a presunção de omissão de receitas esculpida em norma tributária não declarada inconstitucional, em plena vigência desde 1996. Mais uma vez confunde a mera movimentação financeira, cujas informações foram utilizadas para abrir o procedimento fiscalizatório, com a existência, fatídica, de créditos bancários cuja origem não é justificada pelo contribuinte, o que, a norma tributária, atribui o caráter presuntivo de omissão de receitas_ Bastaria o contribuinte comprovar que os créditos discriminados individualmente tem origem diversa àquela proveniente da atividade operacional da empresa, para refutar o lançamento tributário. Mas não o fez durante a fiscalização, não o fez quando impugnou e não o faz em sede recursaL A alegação de confisco ou que o Estado está a requerer parcela que não lhe comporta são infundadas e carecem de plausibilidade. A autuação da empresa, na pessoa de seu sócio-administrador, só ocorreu porque houve ingressos de recursos em suas contas bancárias (da empresa) incompatíveis com os valores informados ao fisco a titulo de receita bruta (faturamento). Se não fossem tais valores dos créditos o faturarnento da empresa, o contribuinte teve oportunidades suficientes para excluir os valores da tributação realizada ex officio. Se assim não o faz, a quantia exigida, de oficio, refere-se aos tributos federais não pagos à época própria, conforme estabelecem as normas tributárias, acrescidas de juros moratórios e da penalidade pelo descumprimento de normas cogentes, de natureza pública. Assim, incongruente a argumentação que está a se exigir recursos que não pertencem ao Tesouro Nacional assenhorados indevidamente nos anos- calendários fiscalizados. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório se dirige ao legislador e não ao aplicador da lei. Consoante já abordado no acórdão proferido em primeiro grau e acima, a fiscalização aplicou a norma tributária em vigência, sendo a atividade administrativa do lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (artigo 142 do Código Tributário Nacional — CTIN. Afasto as argüições doutrinárias trazidas pelo recorrente por não tratarem especificamente a matéria tributável no presente caso, ou por referirem-se a épocas anteriores à edição do artigo 42 da Lei n° 9.430/95 e não mais se aplicarem. 2.3. Da responsabilidade do recorrente Ora, a fiscalização enriqueceu o processo administrativo fiscal com provas de que o sr. Rafael Selvatici Borges era, de fato, o sócio — administrador da empresa BIG WALL extinta pelo distrato registrado na Junta Comercial pertinente. A falsidade ideológica maquinada para retirar-se do quadro societário e "passar no papel" a empresa para duas interpostas pessoas salta aos olhos no presente caso e configura simulação jurídica. 21 Várias são as provas, já relatadas de forma esmiuçada, mas a continuidade dessa pessoa na administração financeira da empresa até que as operações negociais extinguiram-se, é, com certeza, irrefutável. A soma dos indícios todos — comunicação do SER_ASA, informações dos terceiros que negociavam com a empresa, ausência de recursos dos irmãos Machado, sendo que um está identificado como motorista no contrato social da empresa "BCR Comercial" (fls. 34 do processo n° 10980.001684/2006-28, também de responsabilidade de Rafael Selvatici, as diversas empresas cujos quadros societários transitam as mesmas pessoas, as fichas cadastrais bancárias que não deixam margens às dúvidas, as assinaturas apostas nos cheques depois das datas — são elementos que convencem, sem dúvida, a interposição de pessoas com fins espúrios por parte dos sócios originais. Chegam a afrontar as ilações do recorrente no que tange a este tópico, ao dizer, por exemplo que os administradores à época é que devem ser responsabilizados, pois são comprovadamente 'laranjas', e que não há provas de que a empresa fora extinta, quando há cópia do distrato do contrato social remetido pela junta Comercial, juntado ao processo. Entendo-as meramente protelatórias, visto que estão frontalmente em desacordo com os diversos e já referidos documentos acostados aos Anexos I, II e III do processo n° 10980.001684/2006-28 (conexo a esse e formalizado na mesma época), e àqueles juntados ao presente processo. Quanto à reprisada contestação de que não há provas conclusivas no processo de que a atividade foi continuada pelo sócio remanescente, aproveito a magistral abordagem da Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba sobre essa questão, não confrontada pontualmente pelo recorrente, razão pela qual adoto-a integralmente: Os fatos narrados nos autos revelam que a autoridade fiscal, ao imputar a responsabilidade pelos tributos devidos pela empresa Big Wall Comercial Lida à pessoa fisica de Rafael Selvatici Borges, procedeu de acordo com a legislação em vigor à espécie. O caso em tela subsume-se ao disposto no art. 207, inciso IV do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, in verbis: RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES Art. 207. Respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas (Lei n° 5.1 72, de 1966, art. 132, e Decreto-Lei n°1.598, de 1977, art. 59: I - a pessoa jurídica resultante da transformação de outra; - a pessoa jurídica constituída pela fusão de outras, ou em decorrência de cisão de sociedade; III - a pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida; IV - a pessoa física sócia da pessoa jurídica extinta mediante liquidação. ou seu espólio que continuar a exploração da atividade social. sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma-individttal;-(Grifou-se) _ _ V - os sócios, com poderes de administraçãos_d_aasoajurldiro_ que deixar de funcionar sem proceder à liquidação, ou sem 22 Processo n° 10980.001913/2006-12 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.093 Fl. 12 apresentar a declaração de rendimentos no encerramento da liquidação. De acordo com o dispositivo acima transcrito, as condições para que a pessoa física do sócio responda pelos tributos devidos pela pessoa jurídica são: a) extinção da pessoa jurídica mediante liquidação; b) continuação na exploração da atividade social pelo sócio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. A impugnante afirma que não há elemento algum no processo administrativo a indicar a extinção da empresa Big Wall Comercial Ltda. Tal assertiva não condiz com os fatos. Conforme telas extraídas do cadastro do contribuinte do banco de dados da SRF, adis. 249/250, a empresa encontra-se baixada desde 26/11/2004, por motivo de "extinção por encerramento/liquidação voluntária". Ademais, consta ainda cópia do distrato social efetivado pela empresa e encaminhado pela Junta Comercial do Paraná, às fls. 20/22, em que se verifica que os sócios de direito Eliazer Prado Machado e licher Machado voluntariamente decidiram pela extinção da sociedade em 22/09/2004. Não há dúvida, portanto, de que a referida pessoa jurídica foi extinta mediante liquidação. A segunda condição da atribuição de responsabilidade na figura do sócio foi igualmente observada, e comprovada pela autoridade fiscal. Conforme acima relatado, o autuante apontou três provas convergindo para a constatação de que a empresa Curitiba Gesso Comercial Ltda continuou com a exploração da atividade da Big Wall Comercial Ltda: a) coincidência de atividade econômica; b) coincidência de produtos comercializados, quanto à natureza e fornecedor; c) coincidência de pessoas responsáveis perante o fornecedor. Além dessas comprovações, pode-se acrescentar ainda o fato de que a empresa Curitiba Gesso Comercial Lula foi constituída no mesmo endereço da Big Wall Comercial Ltda, conforme consta nos respectivos contratos sociais, às fls. 13 e 24. O quadro probatório, dessa forma, é farto no sentido de confirmar a suspeita de que o sócio Rafael Selvatici Borges prosseguiu na exploração da atividade social antes desempenhada pela extinta pessoa jurídica, sob outra razão social, a partir do momento em que constituiu a empresa Curitiba Gesso Comercial Ltda. Assim, restando comprovado os pressupostos exigidos pela lei para a imputação de responsabilidade pelos tributos devidos pela pessoa jurídica extinta à pessoa do sócio que continua a exploração da atividade, é de se concluir que não há reparos a fazer quanto ao procedimento adotado pelo auditor fiscaL Reconheço como acertada a eleição pela fiscalização do sujeito passivo em comento, com fulcro no que dispõe a norma jurídica acima, em face de estar devidamente caracterizado nos autos que o sr. Rafael Selvatici Borges foi o sócio-administrador da empresa até a sua extinção, passando a explorar a mesma atividade, no mesmo local, sob o nome de outra empresa. 23 2.4. Da multa agravada Mantenho a multa agravada no percentual de 112,50% entendendo ser devida em vista às diversas artimanhas perpetradas pela empresa, através das interpostas pessoas e pelo real responsável por esta, que se materializaram na tentativa de obstar o procedimento fiscal e à apuração da verdade material dos fatos, pela reiterada negativa em prestar os esclarecimentos necessários e à exibição de livros e documentos contábeis e fiscais aos quais está a empresa obrigada por lei a manter em boa ordem e guarda e a exibir à fiscalização. Por fim, reitero que adoto integralmente as razões de decidir do órgão julgador a quo em tudo que não foi especificamente confrontado pelo recorrente, por traduzirem meus próprios fundamentos sobre os assuntos enfrentados, além daqueles ora expostos nesse voto. CONCLUSÃO Voto em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Determino à Secretaria da Terceira Câmara que extraia cópia desse acórdão e junte ao processo n° 10980.001684/2006-28, devolvendo-o para sorteio regular junto à Turma Ordinária. ANA DE BARROS FERNANDES - Relatora 24
score : 1.0
Numero do processo: 35366.002127/2005-11
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1997 a 30/12/1997 DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.541
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISà SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35366.002127/2005-11 Recurso n° 152.680 Voluntário Acórdão n° 2301-00.541 — 3' Câmara / 1* Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2009 Matéria Decadência . Recorrente FENAN ENGENHARIA LTDA E OUTRO Recorrida DRP/SÃO PAULO - CENTRO/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 30/12/1997 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido 2, 7 /r P 1Vistos, relatados e discutidos os presentes autos • 1 1 Processo n°35366.002127/2005-11 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.541 Fl. 269 ACORDAM os membros da 3' Câmara / i a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, po un. idade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso. JULIO k SA 1 VIEIRA ÇOMES Preside?. GAR SILVA VI AL Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de oraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bernadete a ;/. liveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente).' 2 Processo n°35366.002127/2005-li S2-C3T1 Acórdão n." 2301-00.541 Fl. 270 Relatório Trata-se de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, na condição de responsável solidária, referente às contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social, empresa e segurados, incidentes sobre a remuneração auferida pelos segurados empregados, apurada por aferição indireta, mediante arbitramento, com base nas notas fiscais/faturas de serviços relativos à cessão de mão de obra em construção civil, executados pela empresa GTI Comércio e Hidráulica Ltda., sem a comprovação regular e não recolhidas em épocas próprias, no período de 02/1997 a 12/1997. Ciência ao sujeito passivo do lançamento em 30/06/2005 (fls. 01) A prestadora GTI Comércio e Hidráulica Ltda. foi cientificada por Edital em 25/08/2005 e 10/08/2006 (fls. 161 e 176) e não apresentou defesa. A recorrente impugnou o lançamento; no entanto, o lançamento foi julgado procedente. Inconformada com a decisão, interpôs recurso, alegando, em síntese, além das questões de mérito, a decadência do direito de o fisco realizar o lançamento. Nas Contra-Razões (fls. 258/259) a DRP em São Paulo —SP mantém procedente o lançamento, nos termos da DN-21.401.4/365/2006, de 21/06/2006 (fls. 166/173). A 4a CAJ converteu o julgamento em diligência, para que o Auditor-Fiscal apure se a prestadora já foi fiscalizada com cobertura total (com contabilidade) ou aderiu ao REFIS/PAES para as competências lançadas na presente NFLD. A DRP em São Paulo Centro — SP, retorna o processo à CAJ, sem cumprir a diligência, tendo em vista que o CRPS através da Resolução MPS/CRPS n° 01, de 31/01/2007 (DOU de 05/02/2007), editou o Enunciado n° 30, através do qual a Câmara Superior de Recursos da Previdência Social, especializada em matéria de custeio, decidiu, em sessão de julgamento de pedido de uniformização de jurisprudência, por maioria absoluta, que: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços, mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. E, ainda, que de acordo com o disposto no art. 14, § 4° da Portaria MPS n° 88, de 22/01/2004, verbis: Os enunciados exarados pelo Conselho Pleno obrigam os órgãos julgadores no âmbito do Conselho de Recurso as da Previdência Social. A recorrente efetuou arrolamento de bens (fls. 253), autorizada por liminar proferida no Mandado de Segurança n° 2006.61.00.017868-0, da 17 Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo -SP É o relatório. 3 Processo n°35366.002127/2005-li S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.541 Fl. 271 Voto • Conselheiro EDGAR SILVA VIDAL, Relator O Recurso foi interposto tempestivamente e preenche os requisitos para sua admissibilidade. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DECADÊNCIA Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CIN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: • "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 03-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis,fr 4 Processo n°35366.002127/2005-11 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.541 Fl. 272 Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal,. bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei rz 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2' O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. 55' 1' O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normai determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram m obrigados a acatarem a Súmula Vinculante n°. 08. Assim, tendo em vista que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento e, tendo a Contribuição Previdenciária natureza tributária, cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se à sistemática de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral estatuída no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 40 do art. 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Como a inércia da Fazenda Pública homologa tacitamente o lançamento e extingue definitivamente o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (CTN, art. 150, § 4Q), o que não se tem notícia nos autos, entendo decadente o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativamente à contribuição, para os fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos. Mesmo para aqueles que não concordam com a aplicação do art, 50, §4°, do CTN, o crédito previdenciário lançado também está atingido pela decadência. 1/7 5 • Processo n°35366.002127/2005-11 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.541 Fl. 273 Neste caso, a contribuinte tomou ciência da NFL,E) em 30/06/2005. Logo, em se tratando de tributos cujos fatos geradores ocorreram no período de 02/1997 a 12/1997, conclui-se que o crédito tributário foi atingido pela decadência. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para provimento do recurso interposto. • Sala das Sessões, em 19 d gosto de 2009 4 re.''. 7 E b ' AR SILVA VID L - Relator - 6
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