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Numero do processo: 16004.000383/2008-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
RECURSO ESPECIAL. FATOS SUPERVENIENTES. ANALISE PELA CSRF. IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DELIMITADA PELO RICARF/2015.
As Turmas da CSRF têm competência delimitada pelo Regimento Interno do CARF - RICARF, não se revestindo do papel de terceira instância no processo administrativo fiscal. Não cabe à CSRF se pronunciar sobre alegação de fato novo que supostamente afetaria a divergência jurisprudencial colocada no recurso especial. Se os fatos não eram de conhecimento do Colegiado a quo e a sua inocorrência constituiu circunstância fática que diferenciou o recorrido dos paradigmas, ensejando o não conhecimento do recurso especial, a CSRF não tem competência para se pronunciar sobre os fatos tardiamente trazidos aos autos. Embargos de declaração acolhidos para suprir a omissão e negar conhecimento à petição por ausência de competência do Colegiado ante à inexistência de divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-006.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada. No mérito, por maioria de votos, acordam em, sem efeitos infringentes, negar conhecimento da petição alegando a existência de fato novo por ausência de competência do colegiado ante à inexistência de divergência jurisprudencial, vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (relator) e Alexandre Evaristo Pinto que votaram por acolher os embargos com efeitos infringentes e determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli Relator
(documento assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Luis Henrique Marotti Toselli, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães da Fonseca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 RECURSO ESPECIAL. FATOS SUPERVENIENTES. ANALISE PELA CSRF. IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DELIMITADA PELO RICARF/2015. As Turmas da CSRF têm competência delimitada pelo Regimento Interno do CARF - RICARF, não se revestindo do papel de terceira instância no processo administrativo fiscal. Não cabe à CSRF se pronunciar sobre alegação de fato novo que supostamente afetaria a divergência jurisprudencial colocada no recurso especial. Se os fatos não eram de conhecimento do Colegiado a quo e a sua inocorrência constituiu circunstância fática que diferenciou o recorrido dos paradigmas, ensejando o não conhecimento do recurso especial, a CSRF não tem competência para se pronunciar sobre os fatos tardiamente trazidos aos autos. Embargos de declaração acolhidos para suprir a omissão e negar conhecimento à petição por ausência de competência do Colegiado ante à inexistência de divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada. No mérito, por maioria de votos, acordam em, sem efeitos infringentes, negar conhecimento da petição alegando a existência de “fato novo” por ausência de competência do colegiado ante à inexistência de divergência jurisprudencial, vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (relator) e Alexandre Evaristo Pinto que votaram por acolher os embargos com efeitos infringentes e determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 03 83 /2 00 8- 81 Fl. 4186DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 Luis Henrique Marotti Toselli – Relator (documento assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Luis Henrique Marotti Toselli, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães da Fonseca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de embargos de declaração (fls. 4.126/4.138) opostos em face do Acórdão nº 9101-005.829, o qual não conheceu do recurso especial interposto pela contribuinte por dois fundamentos: (i) à luz do artigo 67, § 3º, do RICARF, dispositivo este que veda o cabimento de recurso especial de decisão que adote entendimento de súmula do CARF; e (ii) pela ausência de similitude fático-jurídica entre o acórdão recorrido (Acórdão nº 1402-002.679 – fls. 3.668/3.679) e os julgados trazidos como paradigmas (Acórdão nº 2401-005.825 – fls. 3.846/3.876 – e Acórdão nº 2201-003.616 – fls. 3.878/3.898). Mais precisamente, os embargos em questão sustentam a existência de vícios de omissões, obscuridades e contradições. Especificamente quanto ao primeiro ponto, sustenta a embargante que: 3. Inicialmente, de rigor fixar que omisso, “data vênia”, o v. Aresto acerca do reconhecimento --- como já exposto pela Embargante - -- não apenas da existência de fato e de direito da PANTANEIRA --- situação desde o início destacada pela Embargante --- mas sim, como exposto na manifestação mencionada [cf. e-fls. 4.050/4.063], agora, por parte da própria Receita Federal! Ou seja, a Embargada reconhece expressamente a existência da PANTANEIRA e, ainda, opina pela compensação entre o recolhido pela empresa tida na época como “laranja” e o que aqui lhe foi indevidamente reclamado. 4. Não se trata, portanto, do reconhecimento do afirmado pela Embargante quanto a existência da PANTANEIRA, mas sim do acolhimento do requerido pelo Sr. FLÁVIO DE BARROS CUNHA, na qualidade de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil [e- fls. 4.012/4.017], ou seja: Portanto, o que será objeto de julgamento na CSRF, é a possibilidade de aproveitamento/compensação dos tributos pagos/arrecadados em nome da empresa Pantaneira, considerada neste processo, pessoa interposta da empresa fiscalizada – Frigosul, cujos tributos foram apurados em decorrência das receitas omitidas pela Pantaneira e lançadas na empresa fiscalizada – Frigosul. As planilhas anexadas aos autos às efls. 4.006/4.011. demonstra os tributos lançados em nome da Frigosul confrontados com os tributos declarados em DCTF pela empresa Pantaneira inscritos em Dívida Ativa da União e cuja situação atual é “Extinto por Pagamento”, conforme extratos anexados, às efls. 3.956/4.005. ... Salienta-se que foram levados em consideração na análise, os documentos juntados após a apresentação dos Recursos Voluntários e anexados às efls. 3.058/3.579 do presente Fl. 4187DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 processo, entregues após o procedimento fiscal e que foram objeto das diligências realizadas em cumprimento a Resolução do CARF. Na apuração em curso, a diferença de tributos apurado entre o lançado na Frigosul e o confessado em DCTF (valores extintos na PFN) pela Pantaneira, caso positivo, seguirá em cobrança, permanecendo em suspenso os tributos pagos pela Pantaneira. Algumas premissas adotadas na confecção das planilhas: 1. Foram considerados como tributos pagos/arrecadados pela empresa Pantaneira, os valores inscritos em Dívida Ativa da União e cuja situação atual é “Extinto por Pagamento”, conforme extratos anexados às efls. 3.956/4.005; 2. Os tributos constante nas DCTF’s anexadas aos autos referente ao ano-calendário 2004 (efls. 3.063/3.121), não foram levados em conta, pois não foram transmitidas à RFB e consequentemente, seus débitos não foram enviados à PFN para inscrição em Dívida Ativa; 3. No caso do IRPJ e CSLL, os débitos extintos pela Pantaneira foram confrontados com os valores lançados com multa de ofício qualificada. Nos casos em que o valor extinto era maior, o saldo restante foi descontado do valor lançado com multa de ofício de 75%; 4. As multas de ofício lançadas foram reduzidas das multas de mora inscritas e pagas em Dívida Ativa; 5. No caso de períodos onde houve pagamento a maior que o lançado, foi deduzido o valor efetivamente lançado. ...” o que justifica a afirmação de que nada [absolutamente nada], restou decidido pelo v. Aresto embargado acerca do tema, ou seja, NADA RESTOU DECIDIDO ACERCA DA COMPENSAÇÃO REQUERIDA PELA PRÓPRIA RECEITA FEDERAL AS E-FLS. 4.012/4.017 ENTRE O RECOLHIDO PELA PANTANEIRA E O AQUI ERRONEAMENTE RECLAMADO DA FRIGOSUL. 5. Ainda dentro desse capítulo especifico, omisso igualmente o v. Aresto recorrido acerca do fato de que o reconhecimento com respeito à existência de fato e de direito da PANTANEIRA se deu, por parte da Receita Federal do Brasil, muito após a prolação do “decisum” diversas vezes citado, relatado então pelo i. Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO [e-fls. 3.668/3.679], datado de 25 de julho de 2017, verificada com a citação daquela no IDPJ – Incidente de Desconsideração de Pessoa Jurídica [e- fls. 4.050/4.063], ocorrida em meados de 2021 [Processo judicial n. 0000224- 44.2018.4.03.6124 tramitando perante a d. 1ª Vara Cível Federal de Jales, Estado de São Paulo e, ainda, emerge da Informação EREC/SRRF01/DF N. 140/2020, datada de 15 de maio de 2020. 5.1. Impossível, portanto, diversamente do que restou decidido por ocasião do não conhecimento do Recurso Especial, que desses temas tratasse no v. Aresto proferido pela c. 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária deste eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vez que eram fatos novos na exata acepção do termo. 6. Is. Julgadores, claro está que fosse a intenção da Embargante “... ludibriar o FISCO e também induzir em erro os julgadores do CARF ...” jamais teria sido redigida a Informação EREC/SRRF01/DF N. 140/2020, datada de 15 de maio de 2020 [e-fls. 4.012/4.017]! Simples assim! 7. Jamais pretendeu a Embargante ludibriar quem quer que seja! Só esta a Embargante exercendo direito de defesa constitucionalmente assegurado. Se o FISCO errou quando acusou, se resolveu eleger a PANTANEIRA como “laranja” para simplificar o seu trabalho, pelo seu proceder deve responder, não sendo legítimo buscar nos órgãos de julgamento administrativo amparo indevido de salvamento. 8. Apenas busca demonstrar a Embargante que não é responsável pelo recolhimento de imposto incidente sobre faturamento experimentado por outrem, “in casu” pela PANTANEIRA INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA, contra qual não foi elaborado um único lançamento, sequer cassado o seu CNPJ. Fl. 4188DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 9. Sanadas as omissões apontadas, de rigor o conhecimento do Recurso Especial, para apreciação legal da compensação tratada ou, alternativamente, como requerido quando da notícia do fato novo --- agora, repita-se, reconhecido pela Embargada --- a anulação de todas as decisões até agora proferidas, assim se evitando a supressão de instancia, determinado, via de consequência, o retorno dos autos para novo julgamento pela c. 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária deste eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. (...) Tramitado o feito, foi proferido despacho (fls. 4.177/4.184) que admitiu os embargos de declaração opostos para que o Colegiado se manifeste acerca da omissão alegada pelo contribuinte, relacionada à existência de débitos inscritos em dívida ativa e extintos por pagamento em nome da empresa apontada como interposta - Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Ltda. (CNPJ nº 05.111.062/0001-94), nos seguintes termos: A matéria apreciada em sede de recurso especial envolve a análise de existência de dissídio jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas (Acórdãos nºs 2401- 005.825, de 2018, e 2201-003.616, de 2017), no que concerne à necessidade de “compensar” (abater) os tributos da empresa “Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Ltda.” - cujas receitas serviram de base para o arbitramento do lucro neste processo, tendo em vista a constatação fiscal de que tal empresa teria figurado como interposta pessoa (“LARANJA”) em suas operações – com os tributos apurados de ofício e que lhe são ora exigidos. Em seu recurso especial o contribuinte alegou haver duplicidade na cobrança de tributos entre a empresa fiscalizada (Frigosul) e a empresa considerada laranja (Pantaneira) nos seguintes termos (e-fls. 3811/3812): (...) O despacho de admissibilidade da Presidente Substituta da 1ª Seção do CARF admitiu o Recurso Especial no que concerne à referida matéria, por entender que “Enquanto a decisão recorrida entendeu que o ônus, perante a execução fiscal, de assumir dívidas tributárias que, no entendimento do Fisco, pertencem a terceiros, deve ser assumido integralmente pela PANTANEIRA, e não tem qualquer impacto no presente julgamento, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 2401-005.825, de 2018, e 2201- 003.616, de 2017) decidiram, de modo diametralmente oposto” (grifos acrescidos). Vejamos, pois, de que forma o assunto foi apreciado pela CSRF. Merecem ser destacados os seguintes excertos do voto condutor do julgado embargado (grifos acrescidos): (...) Como se observa, o voto condutor manifestou entendimento de que “a alegada divergência jurisprudencial não restou caracterizada em face da ausência de similitude fático-jurídica entre os acórdãos”. Nesse sentido, destaca que “a decisão recorrida acatou a tese de omissão de receita pelo uso de empresa interposta, bem como afastou o alegado direito da empresa de compensar os tributos “pagos” (na verdade, tributos supostamente declarados em nome da empresa “laranja”) porque a documentação apresentada (prova) foi considerada totalmente insuficiente para legitimar essa pretensão, além do que sequer poderia ser aceita à luz da Súmula CARF nº 33” (grifo acrescido). O fato de a negativa do pleito da contribuinte em razão de entendimento sumulado no CARF no sentido de desconsiderar as declarações que teriam sido entregues, “não foi (pre)questionado nem em sede de embargos (fls. 3.732/3.743) e nem no apelo especial, o que já prejudica o próprio conhecimento recursal à luz do RICARF”. Considera que no caso “não houve comprovação de que a empresa considerada interposta de fato recolheu tributos sobre as receitas consideradas omitidas, tendo o Fl. 4189DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 Colegiado negado o pretenso direito de abatimento, repita-se, por desconsiderar as declarações que teriam sido entregues pela empresa interposta” (grifo acrescido). Por sua vez, no caso do primeiro paradigma (Acórdão nº 2401-005.825) “as receitas imputadas à pessoa física já haviam sido tributadas na empresa da qual o autuado seria sócio”. Já no segundo paradigma (Acórdão nº 2201-003.616) a compensação foi admitida “apenas em relação às contribuições previdenciárias efetivamente recolhidas”. Em resumo, pode-se concluir que o fator determinante para fundamentar a falta de similitude fática entre os julgados decorreu do fato de que no acórdão embargado a prova da existência da tributação na empresa Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Ltda. era lastreada em documentação (Cópia de DCTFs) insuficiente para legitimar a pretensão. Com isso, fez referência à súmula CARF nº 33 1 . O voto condutor, entretanto, não se pronunciou quanto à alegação de que parte dos débitos declarados em DCTF já estava extinto por pagamento, após inscrição em Dívida Ativa da União. A existência de tais pagamentos já havia sido ressaltada pela informação fiscal, efls. 4012/4017, que, a partir do extrato emitido pela PFN indicando a situação “EXTINTA POR PAGAMENTO COM AJUIZAMENTO A SER CANCELADO” (e-fls. 3956/4005), elaborou as planilhas às e-fls. 4006/4011. Portanto, por se tratar de matéria que foi suscitada pelo contribuinte em sede de recurso, deveria o colegiado ter se manifestado sobre o assunto. Resta, caracterizada, portanto, a omissão apontada pela embargante. Por ter figurado como Relator do acórdão embargado, os autos foram a mim encaminhados. É o relatório. 1 Súmula CARF nº 33 - A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 4190DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 Voto Vencido Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Conforme relatado, o pedido formulado pela embargante quando do recurso voluntário - de compensar (abater) os supostos tributos confessados e pagos pela empresa interposta Pantaneira -, foi negado em decisão de segunda instância sob o fundamento de que a apresentação de DCTF, desassociada de outras provas (tais como os pagamentos propriamente ditos e comprovação da efetiva existência da empresa), não seria suficiente para reconhecer tal pleito, inclusive à luz da referida Súmula CARF nº 33. Em sede de embargos de declaração (fls. 3.732/ 3.743), a contribuinte alegara que tais provas já teriam sido acostadas nos autos, tendo sido esse fato inclusive confirmado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Despacho de fls. 3.784/3.791 não admitiu esses embargos, merecendo destaque a seguinte passagem: No caso do item 2, indica a falta de análise da "prova de pagamento pela PANTANEIRA de débito dos exercícios fiscalizados e atribuídos à FRIGOSUL, com a aquiescência da PFN nos autos da execução fiscal". Embora se trata novamente de análise de provas, não ensejando a via estreita dos embargos, nem mesmo este foi o caso, pois a referida prova foi analisada e considerada irrelevante pelo colegiado, após o processo inclusive ter sido baixado em diligência. Confirma-se o voto condutor: Cabe, preliminarmente, uma análise referente à diligência determinada por este colegiado. Na Resolução 1402000.175 foi estabelecido o encaminhamento do processo à Unidade Local para que fossem examinados os documentos trazidos aos autos em complementação à peça recursal. Tais documentos correspondem à Declarações retificadoras (DIPJ/DCTF/DACON) referentes aos anos-calendário 2004, 2005 e 2006 da empresa PANTANEIRA, entregues após o término do procedimento fiscal; e cópia de alguns elementos do processo de execução fiscal referente aos débitos informados nessas Declarações. Hoje, melhor refletindo, entendo que não caberia a Resolução nos termos formulados. As Declarações apresentadas não são elementos hábeis a servirem de contraponto à autuação. Em primeiro lugar porque não vieram acompanhadas da documentação comprobatória. Simplesmente foram preenchidas justamente com o registro dos valores de que tratam as presentes autuações sem a apresentação de qualquer elemento de prova que demonstrasse a efetiva existência da empresa e, mais importante, que esclarecesse as operações mercantis que teria realizado para auferir tais receitas. Foi justamente a ausência de comprovação da realização de qualquer atividade, bem como o fluxo financeiro direcionado pela PANTANEIRA à FRIGOSUL (recorrente), que gerou o entendimento fiscal no sentido de que as receitas registradas naquela pertenciam na verdade a essa última. Assim, as conclusões fiscais não podem ser elididas pela simples apresentação das Declarações. (...) No que se refere ao processo de execução fiscal, o procedimento de registrar os valores em DCTF para provocar a execução contra a PANTANEIRA só agrava a situação dos envolvidos, pois demonstra uma tentativa de desviar a atenção das autoridades tributárias em relação aos fatos apurados e desonerar a autuada a qualquer custo. Sob esse aspecto, o ônus perante a execução fiscal de assumir dívidas tributárias que no entendimento do Fisco pertencem a terceiros devem ser assumidos integramente pela PANTANEIRA, e não tem qualquer impacto no presente julgamento. Fl. 4191DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 Corroboro, destarte, as alegações do Relatório de diligência. (...) (Destacou-se) No item 1, por exemplo, afirma que "consultas a arquivos da DRF" conduziriam ao entendimento de que a empresa Pantaneira seria uma empresa efetivamente existente. O item 3 é uma reedição do item 1, chamando à atenção novamente à forma como deveria ter sido valorado prova específica (consulta à site da DRF) em que ficaria constatado que a referida empresa nunca foi "declarada inidônea, suspensa ou atingida por ato oficial de declaração de dúvida quanto à sua existência". É de se rejeitar também tal vício, pois quando se valoriza um conjunto de provas não se pode dizer que se está diante de premissas e conclusões, mas sim de um conjunto de situações variadas que conduz o julgador de forma subjetiva à uma determinada conclusão a depender da valoração da força e do nexo causal que se estabelece entre as provas como um todo. Nesse contexto, supostas omissões não tem sua razão de ser, mesmo porque não é o caso de se rebater ponto a ponto um questionamento da defesa, mas sim fundamentar como se deu a valoração das provas. Como se percebe, tanto a existência da empresa tida por interposta (a Pantaneira) como os supostos pagamentos que teriam por ela efetuados – pagamentos estes que se busca nestes autos serem abatidos da presente cobrança sob a alegação de risco de cobrança em duplicidade – foram prequestionados. Nesse contexto, e após a apresentação de recurso especial pela contribuinte – admitido originariamente, conforme visto, para discutir o pretenso direito de abatimento -, chama atenção a manifestação fiscal de fls. 4.012/4.017, que assim dispõe: No seu Recurso Especial, na parte admitida e que será objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, o Sujeito Passivo alega que há duplicidade na cobrança de tributos entre a empresa fiscalizada (Frigosul) e a empresa considerada laranja (Pantaneira). Assevera o requerente: (...) Portanto, o que será objeto de julgamento na CSRF, é a possibilidade de aproveitamento/compensação dos tributos pagos/arrecadados em nome da empresa Pantaneira, considerada neste processo, pessoa interposta da empresa fiscalizada – Frigosul, cujos tributos foram apurados em decorrência das receitas omitidas pela Pantaneira e lançadas na empresa fiscalizada – Frigosul. As planilhas anexadas aos autos às efls 4.006/4.011, demonstram os tributos lançados em nome da Frigosul confrontados com os tributos declarados em DCTF pela empresa Pantaneira inscritos em Dívida Ativa da União e cuja situação atual é “Extinto por Pagamento”, conforme extratos anexados às efls 3.956/4.005. Conforme informação da PFN/MT, os tributos foram liquidados a vista, com os benefícios da Lei n.º 13.496/2017 (Programa Especial de Regularização Tributária - Pert). Salienta-se, que foram levados em consideração na análise, os documentos juntados após a apresentação dos Recursos Voluntários e anexados às efls. 3.058/3.579 do presente processo, entregues após o procedimento fiscal e que foram objeto das diligências realizadas em cumprimento a Resolução do CARF. Na apuração em curso, a diferença de tributos apurado entre o lançado na Frigosul e o confessado em DCTF (valores extintos na PFN) pela Pantaneira, caso positivo, seguirá em cobrança, permanecendo suspenso os tributos pagos pela Pantaneira. Algumas premissas adotadas na confecção das planilhas: 1. Foram considerados como tributos pagos/arrecadados pela empresa Pantaneira, os valores inscritos em Dívida Ativa da União e cuja situação atual é “Extinto por Pagamento”, conforme extratos anexados às efls 3.956/4.005; Fl. 4192DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 2. Os tributos constante nas DCTF´s anexadas aos autos referente ao ano-calendário 2004 (efls. 3.063/3.121), não foram levados em conta, pois não foram transmitidas à RFB e consequentemente, seus débitos não foram enviados à PFN para inscrição em Dívida Ativa; 3. No caso do IRPJ e CSLL, os débitos extintos pela Pantaneira foram confrontados com os valores lançados com multa de ofício qualificada. Nos casos em que o valor extinto era maior, o saldo restante foi descontado do valor lançado com multa de ofício de 75%; 4. As multas de ofício lançadas foram reduzidas das multas de mora inscritas e pagas em Dívida Ativa; 5. No caso de períodos onde houve pagamento a maior que o lançado, foi deduzido o valor efetivamente lançado. Verifica-se, assim, que a própria auditoria-fiscal da Receita Federal do Brasil já confirmou a duplicidade e simulou os seus efeitos no presente lançamento, mas parece ter condicionado o efetivo abatimento ao provimento recursal. Os efeitos dessa providência administrativa, chamada de fato superveniente pela Embargante, realmente não foram apreciados quando do julgamento que não conheceu o recurso especial, caracterizando uma omissão que realmente ora deve ser sanada. Nesse ponto, e considerando que esse, digamos, reconhecimento indireto da duplicidade possui natureza declaratória e nitidamente tem o condão de desconstruir a premissa fática que se valeu o acórdão recorrido - de que não teria pagamento e nem existência da empresa Pantaneira -, a meu ver a solução para fins de saneamento que melhor se adequa a luz dos princípios da verdade material, ampla defesa, efetividade e impossibilidade de supressão de instância, é a de anular o acordão recorrido, determinando o retorno dos autos ao Colegiado a quo para que, diante da manifestação fiscal de fls. 4.012/4.017 e das planilhas (4.007/4.011) por ela reportadas, nova decisão seja proferida pela Turma Julgadora. Caso assim não se entenda, entendo que ao menos cabe a Unidade de Origem, na execução do julgado, excluir da presente exigência os valores que comprovadamente acabaram sendo cobrados em duplicidade. Conclusão Diante do exposto, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, determinando o retorno dos autos ao Colegiado a quo, para que, à luz dos documentos de fls. 4.007/4.017, nova decisão seja proferida no tocante ao direito de abatimento invocado pela contribuinte. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 4193DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 Voto Vencedor Conselheira Edeli Pereira Bessa, Redatora Designada O I. Relator restou vencido em sua proposta de atribuir efeitos infringentes aos embargos de declaração. A maioria do Colegiado compreendeu que a omissão existente deveria ser sanada sem efeitos infringentes. Como bem exposto no exame de admissibilidade dos embargos opostos pela Contribuinte, este Colegiado foi omisso no acórdão embargado porque: O voto condutor, entretanto, não se pronunciou quanto à alegação de que parte dos débitos declarados em DCTF já estava extinto por pagamento, após inscrição em Dívida Ativa da União. A existência de tais pagamentos já havia sido ressaltada pela informação fiscal, e-fls. 4012/4017, que, a partir do extrato emitido pela PFN indicando a situação “EXTINTA POR PAGAMENTO COM AJUIZAMENTO A SER CANCELADO” (e-fls. 3956/4005), elaborou as planilhas às e-fls. 4006/4011. Portanto, por se tratar de matéria que foi suscitada pelo contribuinte em sede de recurso, deveria o colegiado ter se manifestado sobre o assunto. Resta, caracterizada, portanto, a omissão apontada pela embargante. Os embargos de declaração, assim, foram admitidos para que o Colegiado se manifeste acerca da omissão alegada pelo contribuinte, relacionada à existência de débitos inscritos em dívida ativa e extintos por pagamento em nome da empresa apontada como interposta - Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Ltda. (CNPJ nº 05.111.062/0001-94). No acórdão embargado, foi relatado que após a inclusão do recurso em pauta de julgamento, a contribuinte apresentou petição (fls. 4.050/4.063), onde alega a existência de fato novo. Nas suas palavras: (...) DO FATO NOVO Face o balizamento legal acima citado --- repita-se, de aplicação subsidiária na condução do procedimento administrativo --- cabe trazer ao conhecimento do julgador “Fato Novo” de extrema relevância no deslinde da causa, na medida em que, finalmente, a Procuradoria da Fazenda Nacional reconheceu expressamente a existência fática, jurídica e patrimonial da empresa “Pantaneira” que, tida até então como “Laranja”, pessoa jurídica que se prestou para embasar e dar sustentação, via arbitramento de lucro, ao Lançamento dirigido contra a empresa “Frigosul”, ora Recorrente. Mais precisamente, o Fato Novo - reconhecimento expresso da existência fática, jurídica e patrimonial da empresa “Pantaneira”, se deu na propositura perante a 1ª Vara Federal de Jales (SP) da Ação de “Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica - Processo n.º 0000224- 44.2018.4.03.6124, que corre em apenso/por dependência na Ação de Execução Fiscal - Processo n.º 0000687-54.2016.403.6124, na mesma Vara Federal, ao argumento de que a “Pantaneira” integraria “Grupo Econômico” capitaneado pela Fuga Couros S/A, buscando, sem sombra de dúvida, tão só arrestar patrimônio daquela arrepara garantir a referida Execução Fiscal que tem como “Executada” a empresa “Fuga Couros Jales Ltda”, sendo certo, também, que a “Pantaneira”: Sofreu “Arresto” de bens, foi incluída no “Polo Passivo” e teve determinada sua “Citação” por carta precatória. Fl. 4194DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 assertiva essa confirmada pelas manifestações fiscais --- cita a Requerente, a guisa de exemplo, a Informação EREC/SRRF01/DF n. 140/2020, de 15 de maio de 2020 - -- através da qual pretendem os Publicanos, via imputação, justamente, “... o aproveitamento/compensação dos tributos pagos/arrecadados em nome da empresa Pantaneira, considerada neste processo, pessoa interposta da empresa fiscalizada – Frigosul, cujos tributos foram apurados em decorrência das receitas omitidas pela Pantaneira e lançadas na empresa fiscalizada – Frigosul.” (...) DOS PEDIDOS Assim, com as presentes considerações e diante do “Fato Novo” trazido ao conhecimento deste d. Colegiado, de inegáveis importância e relevância (verdade material) - tal como cabalmente demonstrado e comprovado, espera e confia a recorrente que: - Seja intimada a douta Procuradoria que atua no CARF para que se manifeste acerca de todo o acima exposto e, ato continuo, - Seja o processo “chamado a ordem” para tornar “Nulas” todas as decisões administrativas prolatadas com base em premissa falsa, inclusive a da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ), devendo esta última reapreciar o feito levando em conta o “Fato Novo” aqui noticiado. e, finalmente, alternativamente, na remotissima hipótese de que restem superados os pedidos acima deduzidos – o que se admite tão somente para argumentar face o principio da eventualidade da defesa --- aguarda a Recorrente, pelo menos: - Sejam, pelo menos, imputados no crédito tributário relativo à empresa “Frigosul” todos os pagamentos comprovadamente efetuados pela empresa “Pantaneira”, afastada toda cobrança indevida derivada do arbitramento de lucro realizado, esse, agora, reconhecidamente irregular, repita-se. O recurso especial não foi conhecido sob a premissa de que a decisão recorrida acatou a tese de omissão de receita pelo uso de empresa interposta, bem como afastou o alegado direito da empresa de compensar os tributos “pagos” (na verdade, tributos supostamente declarados em nome da empresa “laranja”) porque a documentação apresentada (prova) foi considerada totalmente insuficiente para legitimar essa pretensão, além do que sequer poderia ser aceita à luz da Súmula CARF nº 33. A distinção determinante para a dessemelhança constatada em relação aos paradigmas situou-se na existência de comprovação, nos paradigmas, dos recolhimentos cujo aproveitamento era pretendido pelos sujeitos passivos autuados. Diante dessa realidade presente nestes autos no momento da interposição do recurso especial, cabia a este Colegiado manifestar-se quanto a alegação de existência de fato novo presente na petição de e-fls. 4050/4063 e que referia, justamente, a comprovação dos alegados pagamentos. O fato novo foi trazido aos autos por ocasião da liquidação do acórdão de recurso voluntário que, contestado apenas parcialmente perante esta instância especial, demandou a determinação dos valores cuja exigibilidade não se encontrava mais suspensa e deveria ser objeto de cobrança. Neste labor, a autoridade local assim consignou às e-fls. 4012/4017: No seu Recurso Especial, na parte admitida e que será objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, o Sujeito Passivo alega que há duplicidade na cobrança de tributos entre a empresa fiscalizada (Frigosul) e a empresa considerada laranja (Pantaneira). Assevera o requerente: Neste tópico, é solar o descompasso do Acórdão recorrido com seus próprios fundamentos (Fatos), na medida em que dá entendimento que a empresa Fl. 4195DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 “Pantaneira” seria “Laranja”, ao mesmo tempo em que, em relação aos tributos pagos por ela, lhe dá um tramento como se “terceiro” fosse para, de forma contraditória, negar a duplicidade da exigência e recusar a “Compensação” dos tributos pagos por ela que, aliás, são da mesma espécie. Vejamos o que diz a esse respeito o Acórdão recorrido: (fls. 7 e 8 do Acórdão Recorrido) No que se refere ao processo de execução fiscal, o procedimento de registrar os valores em DCTF para provocar a execução contra a PANTANEIRA só agrava a situação dos envolvidos, pois demonstra uma tentativa de desviar a atenção das autoridades tributárias em relação aos fatos apurados e desonerar a autuada a qualquer custo . Sob esse aspecto, o ônus perante a execução fiscal de assumir dívidas tributárias que no entendimento do Fisco pertencem a terceiros devem ser assumidos integralmente pela PANTANEIRA, e não tem qualquer impacto no presente julgamento. Em outras palavras, a “Omissão de Receita” identificada na “Pantaneira” e tida pelo fisco como omissão da recorrente - Frigosul, não é a mesma posição mantida em relação às dívidas tributárias pagas pela mesma “Pantaneira” sobre a mesma pretendida “Omissão”, ou seja, em um primeiro momento ela - Pantaneira seria a Frigosul e, em outro momento, seria um “terceiro” estranho ao ocorrido - tudo para, ao arrepio da lógica, concluir que não haveria qualquer impacto no julgamento, o que constitui verdadeiro “paradoxo” - utilizado apenas para negar, não só a “duplicidade” de exigência, mas também a devida e sempre refutada “Compensação” dos tributos efetivamente recolhidos. Portanto, o que será objeto de julgamento na CSRF, é a possibilidade de aproveitamento/compensação dos tributos pagos/arrecadados em nome da empresa Pantaneira, considerada neste processo, pessoa interposta da empresa fiscalizada – Frigosul, cujos tributos foram apurados em decorrência das receitas omitidas pela Pantaneira e lançadas na empresa fiscalizada – Frigosul. As planilhas anexadas aos autos às efls 4.006/4.011, demonstram os tributos lançados em nome da Frigosul confrontados com os tributos declarados em DCTF pela empresa Pantaneira inscritos em Dívida Ativa da União e cuja situação atual é “Extinto por Pagamento”, conforme extratos anexados às efls 3.956/4.005. Conforme informação da PFN/MT, os tributos foram liquidados a vista, com os benefícios da Lei n.º 13.496/2017 (Programa Especial de Regularização Tributária - Pert). Salienta-se, que foram levados em consideração na análise, os documentos juntados após a apresentação dos Recursos Voluntários e anexados às efls. 3.058/3.579 do presente processo, entregues após o procedimento fiscal e que foram objeto das diligências realizadas em cumprimento a Resolução do CARF. Na apuração em curso, a diferença de tributos apurado entre o lançado na Frigosul e o confessado em DCTF (valores extintos na PFN) pela Pantaneira, caso positivo, seguirá em cobrança, permanecendo suspenso os tributos pagos pela Pantaneira. Algumas premissas adotadas na confecção das planilhas: 1. Foram considerados como tributos pagos/arrecadados pela empresa Pantaneira, os valores inscritos em Dívida Ativa da União e cuja situação atual é “Extinto por Pagamento”, conforme extratos anexados às efls 3.956/4.005; 2. Os tributos constante nas DCTF´s anexadas aos autos referente ao ano-calendário 2004 (efls. 3.063/3.121), não foram levados em conta, pois não foram transmitidas à RFB e consequentemente, seus débitos não foram enviados à PFN para inscrição em Dívida Ativa; Fl. 4196DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 3. No caso do IRPJ e CSLL, os débitos extintos pela Pantaneira foram confrontados com os valores lançados com multa de ofício qualificada. Nos casos em que o valor extinto era maior, o saldo restante foi descontado do valor lançado com multa de ofício de 75%; 4. As multas de ofício lançadas foram reduzidas das multas de mora inscritas e pagas em Dívida Ativa; 5. No caso de períodos onde houve pagamento a maior que o lançado, foi deduzido o valor efetivamente lançado. Concluindo, encaminhe-se à Equipe de Contencioso Administrativo – ECOA, para implementação desta Informação Fiscal e demais providências de sua alçada; (destaques do original) Ou seja, a partir das DCTF referidas nos autos, e desprezadas no julgamento do recurso voluntário por não evidenciar pagamento ou conduta espontânea de confissão, vez que apresentadas depois do início do procedimento fiscal, a autoridade encarregada da execução do acórdão de recurso voluntário complementou a prova até então não produzida nos autos, acerca dos pagamentos dos débitos declarados, os quais, segundo se deduz das informações de e-fls. 3956/4005, também seriam posteriores ao início do procedimento fiscal, vez que teriam sido promovidos depois da inscrição dos débitos em Divida Ativa da União em 29/12/2010, com ajuizamento , mediante parcelamento pago entre 13/12/2012 e 15/10/2014, além de liquidação de uma última parcela em 11/08/2017. Note-se que o recurso voluntário foi julgado em 25/07/2017 e, apesar da diligência antes requerida, tais informações não vieram aos autos. De toda a sorte, o voto condutor do acórdão de recurso voluntário observa que: No que se refere ao processo de execução fiscal, o procedimento de registrar os valores em DCTF para provocar a execução contra a PANTANEIRA só agrava a situação dos envolvidos, pois demonstra uma tentativa de desviar a atenção das autoridades tributárias em relação aos fatos apurados e desonerar a autuada a qualquer custo. Sob esse aspecto, o ônus perante a execução fiscal de assumir dívidas tributárias que no entendimento do Fisco pertencem a terceiros devem ser assumidos integramente pela PANTANEIRA, e não tem qualquer impacto no presente julgamento. Para pretender que esta instância especial reformasse este entendimento, a Contribuinte deveria ter identificado casos semelhantes, nos quais a exigência fosse reduzida com base, apenas, na declaração dos débitos por outra pessoa jurídica, ainda que sem espontaneidade para tanto. Se assim fosse instaurado o dissídio jurisprudencial, este Colegiado poderia avaliar se a declaração tardia dos débitos resultaria em efeitos distintos dos considerados no julgamento do recurso voluntário e, eventualmente, até demandar a apreciação de aspectos subsidiários, como os critérios de imputação do reconhecimento de dívida pela outra pessoa jurídica depois do início do procedimento fiscal e do consequente lançamento dos débitos com os acréscimos cabíveis na constituição de ofício do crédito tributário não recolhido. Em tais circunstâncias, este Colegiado até poderia ter em conta as ocorrências posteriores, de pagamento dos débitos no âmbito de parcelamento, e determinar os movimentos processuais daí decorrentes, mas isto apenas se constituída a sua competência de julgamento mediante regular demonstração da divergência jurisprudencial a partir das circunstâncias fáticas que motivaram o julgamento do recurso voluntário. Não tendo a Contribuinte logrado sucesso neste sentido, a resposta a ser dada à petição de e-fls. 4050/4063 é a negativa de seu conhecimento por incompetência deste Colegiado para apreciá-la. Fl. 4197DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 Registre-se que em sustentação oral no julgamento dos embargos, a embargante suscitou a inviabilidade de juntada anterior destes documentos, porque detidos pela empresa Pantaneira e não pela autuada. Esta circunstância, porém, sempre esteve presente na ótica de defesa da Contribuinte, e dela deveria decorrer requerimento de diligência para obtenção de informações pela autoridade fiscal, que, se formulado nestes autos, não produziu o resultado que poderia ser esperado, e isto em virtude de interpretação da legislação tributária que não foi objeto de divergência jurisprudencial regularmente demonstrada para apreciação desta instância especial. Assim, sob qualquer vertente, conclui-se que não há possibilidade de apreciação do alegado fato novo. A informação invocada veio aos autos depois do julgamento do recurso voluntário e da interposição do recurso especial, e as premissas da admissibilidade deste foram regularmente fixadas a partir do julgamento do recurso voluntário, resultando na negativa de competência deste Colegiado para apreciação da divergência jurisprudencial arguída, do que decorre a impossibilidade de este Colegiado determinar qualquer providência em relação à petição referida. A situação presente se assemelha à analisada por este Colegiado no Acórdão nº 9101-006.471 2 , no qual se decidiu, por maioria de votos, negar conhecimento a pedido do Contribuinte quanto ao exame dos documentos apresentados que não dizem respeito à divergência devolvida à CSRF. Naquele caso, houve divergência jurisprudencial demonstrada, mas os fatos novos arguidos não afetavam o ponto que subsistia em debate. A relatora do caso, Conselheira Lívia De Carli Germano, restou vencida no conhecimento parcial da petição, assim fundamentado: Conforme relatado, sete meses após a primeira inclusão do processo em pauta para julgamento o contribuinte apresenta petição propondo a análise de questões que, no seu entendimento, seriam prejudiciais ao presente feito. As demais alegações dizem respeito a vendas das ações ocorridas após a autuação fiscal, as quais teriam gerado a apuração de ganho de capital sobre valores maiores dos que os que seriam apurados caso o contribuinte tivesse adotado os critérios utilizados pela autoridade autuante. O Anexo II ao Regimento Interno do CARF – RICARF/2015, aprovado pela Portaria MF 343/2015, delimita a competência das Turmas da a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) ao julgamento de recursos especiais que versem sobre divergência na interpretação da legislação tributária, atribuindo o papel de instância especial de julgamento com a finalidade de proceder à uniformização da jurisprudência do CARF. Há algum debate sobre se as Turmas da CSRF poderiam, para além de resolver divergências jurisprudenciais, analisar matérias ditas “de ordem pública”, bem como conhecer de questões surgidas após o julgamento do recurso voluntário e a apresentação do recurso especial – neste último caso, considerando, em especial, as situações de exceção à preclusão processual trazidas nos parágrafos 4º e 5º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972: Art. 16. (...) 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Luis Henrique Marotti Toselli, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício), e restaram vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano e Alexandre Evaristo Pinto que votaram por conhecer dos documentos referentes a pagamentos realizados após interposição do Recurso Voluntário. Fl. 4198DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) No caso dos autos, necessário verificar se a questão alegada pelo contribuinte, em tese poderia se encaixar na situação do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 referida no § 4º, “b”, eis que referente a suposto fato ou direito superveniente. Vejamos. No caso, o contribuinte pretende que se conheça de pedido relacionado a vendas que supostamente geraram recolhimentos de IRPJ e CSLL em 2017 (31 de janeiro, 31 de maio e 31 de outubro) e 2019 (2 de março). O recurso voluntário foi apresentado em 2 de março de 2017. Em 16 de maio de 2018 o processo foi colocado em pauta para julgamento, mas a pedido do contribuinte a Turma resolveu sobrestar o julgamento foi sobrestado até que os processos 15586.720037/2016-67 e 15586.720086/2016-08 fossem distribuídos ao mesmo relator, para julgamento em conjunto. O julgamento do recurso voluntário ocorreu em 18 de setembro de 2018. Percebe-se que, quanto aos supostos recolhimentos efetuados em janeiro de 2017, a situação não se encaixa, nem mesmo em tese, na definição de “fatos posteriores” referida no § 4º, “b”, do artigo 16 do Decreto 70.235/1972, não havendo base legal ou processual para que sejam conhecidos por esta 1ª Turma da CSRF. Para estes, o sujeito passivo deveria ter alegado o seu direito no momento oportuno, que seria a apresentação do recurso voluntário. A CSRF, dada a sua específica competência delimitada no RICARF/2015, não pode conhecer de fatos novos supostamente surgidos antes do recurso voluntário. Para estes, a alegação deveria ser tratada em tal peça recursal, de forma a se provocar o prequestionamento da matéria e a possibilidade de questionamento via demonstração de divergência jurisprudencial. Não se está a negar que o CARF, como Tribunal Administrativo, possa rever erros de fato – pelo contrário, admite-se tal possibilidade, na esteira da jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça citada na petição apresentada pelo contribuinte, eis que de fato o Tribunal Superior admite a possibilidade de revisão do lançamento ao versar sobre a fatos desconhecidos à época em que realizado o lançamento tributário (STJ - REsp: 1.130.545 RJ 2009/0056806-7, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 09/08/2010, S1 - PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 22/02/2011). A questão é que tal possibilidade de revisão abordada pelo C. STJ se limita às Turmas Ordinárias do CARF, na medida em que a competência da CSRF é restrita e precisamente delimitada pelo RICARF/2015. Não por outra razão, aliás, todos os precedentes citados pelo sujeito passivo como aptos a demonstrar tal possibilidade são de Turmas Ordinárias do CARF. Vale ressaltar que, mesmo no caso de matérias de ordem pública (que não é o caso dos presentes autos, mas cita-se aqui como esforço argumentativo eis que, para estas, há ainda maior consenso sobre a possibilidade de serem conhecidas inclusive de ofício por Fl. 4199DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 turmas ordinárias do CARF), estas não necessariamente podem ser conhecidas pela CSRF, eis que nesta esfera de julgamento agrega-se a questão acerca da competência específica desta Turma, delimitada no regimento Interno deste Tribunal Administrativo. Neste sentido, inclusive, cita-se precedentes de outras Turmas da CSRF: Acórdão 9202-009.493, de 28 de abril de 2021 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando a matéria suscitada, ainda que de ordem pública, não foi tratada no acórdão recorrido, faltando-lhe o requisito do prequestionamento. Acórdão 9303-010.650, de 15 de setembro de 2020 DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. MATÉRIA PREQUESTIONADA. DECISÕES DIVERGENTES. REQUISITOS. Não pode ser admitido recurso que não apresente, como paradigma, decisão que, confrontada com o acórdão recorrido, denote interpretação divergente dada à legislação tributária. Da mesma forma, também não pode ser objeto de recurso especial matéria que não tenha sido prequestionada, ainda que se revele de ordem pública. Precedentes Superior Tribunal de Justiça - STJ. Registre-se que o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que, nem mesmo quando se trate de matéria de ordem pública (que sequer é o caso dos autos), tal atributo teria o condão de permitir acesso irrestrito às instâncias recursais: "a alegação de que seriam matérias de ordem pública ou traduziriam nulidade absoluta não constitui fórmula mágica que obrigaria as Cortes a se manifestar acerca de temas que não foram oportunamente arguidos ou em relação aos quais o recurso não preenche os pressupostos de admissibilidade."(AgRg no AREsp 982.366/SP, DJe 12/03/2018). Portanto, compreendo que não é possível, nem mesmo em tese, conhecer do pedido formulado pelo sujeito passivo referente a fatos ocorridos antes do recurso voluntário. Quanto às supostos outros eventos ocorridos em 2017 (que geraram recolhimentos de tributos em 31 de maio e 31 de outubro), observo que estes poderiam ter sido reportados nos presentes autos antes do julgamento do recurso voluntário, que ocorreu apenas em 18 de setembro de 2018, principalmente dada a conversão do julgamento em diligência ocorrida em maio do mesmo ano. Não obstante, considerando as datas acima, não é possível deixar de encaixar o pleito como fato ou direito superveniente à apresentação do recurso voluntário, encaixando-se, em tese, na situação referida no § 4º, “b” do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Por fim, para o recolhimento alegadamente realizado em 2 de março de 2019, por sua vez, trata-se efetivamente de fato superveniente tanto à apresentação do recurso voluntário quanto, inclusive, do recurso especial, datado de 20 de fevereiro de 2019. Neste sentido, à exceção das alegações referentes a supostos recolhimentos de IRPJ e CSLL efetuados em janeiro de 2017, conheço do pedido de se levar em consideração, nos presentes autos, os Documentos 01 e 02 e das razões de direito expostas na petição de 20 de dezembro de 2022, eis que se encaixam, em tese, na definição de “fato superveniente” prevista no § 4º, “b” do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. A prevalecer essa posição, tal pleito seria julgado oportunamente, como parte do julgamento de mérito abaixo. Não obstante, observo que o acolhimento dessa preliminar restou vencido na sessão de julgamento quando da votação da questão pela Turma, restando assim negado o pedido Fl. 4200DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 de exame e consideração dos documentos apresentados que não dizem respeito à divergência devolvida à CSRF. O voto vencedor do Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado assim justificou a negativa integral de conhecimento dos fatos novos lá alegados: Em que pese o bem fundamentado voto proferido pela d. relatora, a maioria do colegiado adotou posicionamento em sentido contrário ao por ela defendido para negar provimento ao recurso voluntário, cabendo-me a redação deste voto vencedor. Preliminarmente, discutiu o colegiado acerca do conhecimento de documentos trazidos ao feito pela contribuinte, ora recorrente, por meio de petição protocolizada em 20 de dezembro de 2022 na qual descreve que, entre os anos de 2016 e 2019, a Recorrente teria alienado ações da Azul, apurando e recolhendo IRPJ e CSLL a título de ganho de capital sobre tais operações -- os DARFs anexados a tal petição detalham recolhimentos de IRPJ e CSLL efetuados em 2017 (31 de janeiro, 31 de maio e 31 de outubro) e em 29 de março de 2019, que deveriam ser conhecidas como fatos novos pelo colegiado que impactariam na apuração dos tributos exigidos na presente autuação. A d. relatora se posicionou no sentido de conhecer parcialmente dos documentos, relacionados ao recolhimento alegadamente realizado em 2 de março de 2019, por considera-lo como fato superveniente tanto à apresentação do recurso voluntário e mesmo quanto ao recurso especial, datado de 20 de fevereiro de 2019. Não obstante, o colegiado, em sua maioria, rejeitou o conhecimento da petição apresentada e dos respectivos documentos, por se tratar de matéria estranha à discussão dos autos, ainda que possa ter relação com a alienação das ações que foram objeto da incorporação e objeto da tributação ora discutida. Ocorre que a via de conhecimento do recurso especial é bastante estreita, sendo imprescindível a configuração de divergência jurisprudencial e o prequestionamento da matéria em discussão para que o colegiado da Câmara Superior se manifeste, posto não se revestir da condição de terceira instância no processo administrativo fiscal. Assim, não cabendo à CSRF se pronunciar sobre a alegação de fato novo que supostamente afetaria a divergência jurisprudencial objeto do recurso rejeita-se o conhecimento do pedido. O histórico traçado no voto desta Conselheira, condutor do Acórdão nº 9101- 006.040 3 , bem evidencia os limites reconhecidos por este Colegiado para decisão de questões externas a dissídios jurisprudenciais demonstrados: A Contribuinte argúi a nulidade da decisão do Presidente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, que rejeitou os embargos por ela opostos. Este Colegiado reafirma recorrentemente o entendimento de que a competência de julgamento em sede de instância especial se limita aos dissídios jurisprudenciais admitidos pela Presidência de Câmara competente, impedindo a apreciação de arguições autônomas de nulidade veiculadas em recurso especial. Para ilustrar esse entendimento, tem-se, por exemplo, a manifestação desta Conselheira no voto condutor do Acórdão nº 9101-005.466, em face de arguição de nulidade do acórdão ali recorrido que, na visão da Contribuinte seria nulo por não apreciar praticamente nenhum dos fundamentos e provas trazidos para evidenciação do direito creditório compensado. O recurso especial da Contribuinte fora admitido acerca da necessidade de efetiva análise do crédito utilizado, que seria distinto do equivocadamente informado na Declaração de Compensação – DCOMP, e esta Conselheira ponderou, no conhecimento do recurso especial, que: 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães Fonseca (suplente convocado) e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício). Fl. 4201DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 Registre-se que, considerando a competência deste Colegiado, limitada à solução de dissídios jurisprudenciais previamente admitidos na forma dos arts. 67 a 71, do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o conhecimento do recurso especial se restringe às matérias que tiveram seguimento em exame de admissibilidade do recurso especial. As questões suscitadas como de “ordem pública” e que ensejariam a nulidade do acórdão recorrido serão apreciadas, apenas, no ponto em que afetam as matérias admitidas. Vale também recordar o entendimento da maioria deste Colegiado firmado no Acórdão nº 9101-004.823 4 , refletido nos seguintes termos do voto condutor desta Conselheira: Na sessão de julgamento, a Conselheira Lívia De Carli Germano levantou preliminar de nulidade do acórdão recorrido por suposta inovação na fundamentação, eis que o acórdão recorrido tomou por base o artigo 13 da Lei n° 9.249/95, não mencionado na acusação fiscal. Tal preliminar teve por fundamento o §2º do artigo 60 da Lei 9.784/99, segundo o qual “O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa.”. A questão, porém, foi rejeitada por maioria pelo Colegiado, sob a premissa de que cabia à Contribuinte ter suscitado o vício, restando evidenciado, por sua conduta de interpor recurso especial para suscitar divergência jurisprudencial acerca do mérito da questão, sem abordar a inovação em questão, que não houve prejuízo à sua defesa, aplicando-se o art. 60 do Decreto nº 70.235/72 que dispensa o saneamento de irregularidades em tais circunstâncias. Ademais, prevalece o entendimento de que o ponto suscitado pela Conselheira Lívia De Carli Germano somente poderia ser apreciado se a Contribuinte cumprisse os requisitos regimentais para estabelecer a competência deste Colegiado, mediante apresentação de recurso especial indicando paradigmas nos quais outros Colegiados do CARF negassem a aplicação de norma de regência da matéria porque não indicada no lançamento tributário. Estas as razões, portanto, para REJEITAR a preliminar de nulidade, suscitada de ofício pela Conselheira Lívia De Carli Germano. No presente caso, a Contribuinte arguiu obscuridade no voto vencedor do acórdão recorrido por não esclarecimento dos fundamentos específicos para a rejeição da prova produzida pela Recorrente, especialmente quando se considera tratar-se na espécie de autuação fundada em presunção legal de pagamento sem causa e ausência de escrituração. O Conselheiro Relator originário restara vencido em seu entendimento favorável à Contribuinte, e o Conselheiro Redator do voto vencedor teria se limitado a reproduzir os argumentos da DRJ e da fiscalização, deixando de expor seus elementos de convicção e se contrapor ao voto vencido. Depois de discorrer sobre as características da prova em referência no contexto destes autos, a Contribuinte aduz que a rejeição monocrática dos embargos resultou na manutenção dos vícios apontados que implicam diretamente no cerceamento do direito de defesa da contribuinte. Demanda, assim, manifestação no voto condutor do acórdão recorrido acerca da relação entre a falta de apresentação dos extratos das contas internacionais e as infrações específicas imputadas à Recorrente (pagamento se causa; ausência de escrituração), ou seja, porque a ausência desses extratos seria indispensável no presente caso, onde a acusação de omissão de receitas não decorre de ausência de comprovação de depósitos bancários nas referidas contas, mas sim, repita- se à exaustão, de alegados pagamentos sem causa e ausência de escrituração. 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Livia De Carli Germano, Edeli Pereira Bessa, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Viviane Vidal Wagner, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella, Andréa Duek Simantob (Presidente em Exercício), e divergiu na matéria a Conselheira Lívia De Carli Germano. Fl. 4202DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 A manifestação contestada está assim vertida no despacho de e-fl. 12859/12861: Quanto ao primeiro vício, inexiste razão à embargante. O voto vencedor, acompanhando a decisão de piso, entendeu que a não apresentação dos extratos do BNP e do Bank of Ireland prejudica a formação de prova indireta capaz de afastar as presunções legais de omissão de receita (com base na falta de escrituração de pagamentos) e de pagamentos sem causa. Os referidos "pagamentos" são aqueles tomados como base para a autuação (totalizados anualmente no quadro elaborado no início do voto vencido). Assim, entendeu-se que os valores que saíram das contas discriminadas naquele quadro (mantidas no MERCHANTS BANK NYC e outros) referiam-se a pagamentos que não haviam sido escriturados e eram destituídos de causa. A escrituração dos valores recebidos no País e dos valores posteriormente utilizados para pagamentos relacionados aos serviços prestados, bem como o reconhecimento desses serviços como causa, não foram admitidos porque estavam diretamente vinculados com outra conta bancária, isto é, a conta mantida no Banco do Brasil. Particularmente, não concordei com esse entendimento (e isso ficou expresso no voto vencido), contudo, o raciocínio é claro: como a prova indireta não pôde ser formada, não foram aceitas a escrituração e a causa alegadas. [...] Pelo exposto, concluo que o Acórdão nº 1401-001.550 foi omisso quanto ao segundo e terceiro vícios acima apontados, pelo que proponho sejam ADMITIDOS os embargos interpostos. [...] Com fundamento nas razões expendidas na informação retro, declaro a procedência das alegações suscitadas, de forma que ADMITO os embargos de declaração interpostos por FIGWAL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA, em face do Acórdão nº 1401-001.550, de 01 de março de 2016, para suprir as omissões quanto ao não afastamento da multa qualificada e à aplicação do REsp nº 973.733/SC (recurso repetitivo) na questão da decadência. Tal questionamento guarda relação com a primeira matéria suscitada no recurso especial, e que não teve seguimento em exame de admissibilidade, sob os seguintes fundamentos (e-fls. 13028/13033): [...] A negativa de seguimento foi reafirmada em sede de agravo, ocasião em que a Presidência da CSRF adentrou aos questionamentos dirigidos contra a validade do despacho que rejeitou parcialmente os embargos de declaração da Contribuinte (e-fls. 13055/13061): [...] Apesar da correspondência com a matéria que não teve seguimento, a arguição deduzida pela Contribuinte não afetou o exame de admissibilidade, vez que os paradigmas indicados se pautaram em circunstâncias fáticas substancialmente distintas, sem que a Contribuinte lograsse selecionar casos nos quais o ônus da prova para constituição de presunção de omissão de receita fosse debatido na forma por ela demandada. Se a divergência admitida guardasse correspondência com o vício apontado em embargos de declaração, as considerações da Contribuinte deveriam, necessariamente, ser tomadas como aspectos rejeitados na admissibilidade dos embargos, integrando-se ao acórdão recorrido para verificação da existência da divergência jurisprudencial, o que atribuiria a este Colegiado a competência para dizer se o Colegiado a quo foi omisso ou, ao menos, obscuro, na apreciação do ponto suscitado. Contudo, como a divergência correspondente ao vício não teve seguimento, tem-se que, sem se desincumbir de seu ônus recursal de demonstração de dissídio jurisprudencial, a Contribuinte pretende, por via transversa, a revisão de decisão monocrática de exame de Fl. 4203DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 admissibilidade de embargos de declaração e, em consequência, uma nova apreciação de seus argumentos de defesa pelo Colegiado a quo. O caso, portanto, assemelha-se a outras arguições de nulidade internas ao acórdão recorrido, apesar de vertida em nulidade do despacho de admissibilidade dos embargos de declaração. Nos termos do art. 65, §3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 39/2016, é definitiva a decisão que rejeita embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas. Deflui daí que não há possibilidade de outro órgão do CARF revisar a decisão definitiva do Presidente de Turma que rejeita os embargos, podendo se cogitar, apenas, de revisões indiretas mediante constituição de divergência jurisprudencial passível de apreciação por este Colegiado, ou de revisão hierárquica por nulidades na forma do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Ausente demonstração de dissídio jurisprudencial admitido para apreciação deste Colegiado, e diante da validade formal da decisão que admitiu parcialmente os embargos de declaração, vez que editado por autoridade competente e com motivação expressa, não há possibilidade regimental de este Colegiado adentrar a esta motivação e avaliar sua validade para decidir se houve, como alegado pela Contribuinte, cerceamento ao seu direito de defesa na fundamentação expressa pelo Conselheiro Redator do voto vencedor do acórdão recorrido. Ademais, como também decidido recentemente por este Colegiado no Acórdão nº 9101- 005.805, que por maioria de votos 5 acompanhou o entendimento assim expresso esta Conselheira: Contudo, referida arguição foi veiculada em recurso especial, no prazo de 15 (quinze) dias estipulado para esse recurso e dirigida à apreciação deste Colegiado, cuja competência está limitada à solução de dissídios jurisprudenciais. Em tais circunstâncias, não é possível nem mesmo aplicar a fungibilidade para dirigir a irresignação à autoridade hierarquicamente superior que eventualmente poderia se afirmar competente para revisão do ato apontado como irregular, qual seja, a rejeição dos embargos de declaração pela Presidência da Turma a quo, mormente tendo em conta que o prazo máximo para recursos hierárquicos, na forma na Lei nº 9.784/99 6 , seria de 5 (cinco) dias. Recorde-se, ainda, que no âmbito do contencioso administrativo especializado, o art. 37 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que o julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais far-se-á conforme dispuser o regimento interno e o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015 e alterado pela Portaria MF nº 39/2016, não prevê recurso contra a decisão que rejeitar embargos de declaração, ao estabelecer, em seu Anexo II, art. 65, §3º que o Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas, de modo que eventual questionamento desta decisão somente poderia ser cogitado pela via hierárquica. Esclareça-se que referida arguição foi deduzida em preliminar do recurso especial e dirigida a este Colegiado sem caracterização de dissídio jurisprudencial, circunstância bem observada pela Presidência de Câmara, que negou-lhe seguimento como matéria de recurso especial. De toda a sorte, desnecessária seria essa providência porque, como preliminar de recurso 5 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício) e divergiu na matéria a Conselheira Lívia De Carli Germano. 6 Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo processo e dos administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo motivo de força maior. Fl. 4204DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 especial, sua apreciação caberia diretamente a este Colegiado. Contudo, em sede de conhecimento, impõe-se aqui REJEITAR seu CONHECIMENTO, porque dirigida a autoridade incompetente e para além do prazo que permitiria cogitar de sua conversão em outra modalidade de irresignação contra o ato administrativo questionado. Por tais razões, NEGA-SE CONHECIMENTO à arguição de nulidade do exame de admissibilidade dos embargos de declaração Em declaração de voto apresentada no Acórdão nº 9101-006.407 7 , esta Conselheira concordou com os demais membros do Colegiado em distinguir arguição de nulidade externa à demonstração de divergência que seria passível de apreciação nesta instância especial: Quanto à preliminar de nulidade do lançamento, a alegação se funda em ausência de motivação e dos pressupostos legais da autuação, e repete argumentação apresentada em impugnação e recurso voluntário e rejeitada no acórdão recorrido sob a premissa de que não foram trazidos fatos e provas daquilo que se afirma, sequer indícios do que se alega,, para além de se constatar que há clareza e correta descrição dos fatos e enquadramentos legais, que chegam ser até redundantes em várias trechos do Termo de Verificação Fiscal, com relato de 38 folhas (fora os anexos). Assim, não se trata de fato novo ou de argumento de defesa que deixou de ser apresentado ou apreciado nestes autos, constituindo a rejeição de seus argumentos decisão que somente pode ser revista nesta instância especial se demonstrado o regular dissídio jurisprudencial. Descabe, assim, conhecer da referida arguição. Distintamente, a preliminar de nulidade da intimação do acórdão recorrido representa arguição de cerceamento de direito de defesa que somente tem lugar nesse momento e deve ser necessariamente apreciada por este Colegiado, inclusive como prejudicial do conhecimento do recurso especial, por ter o potencial de afetar a validade de ato que lhe é anterior. Diz a Contribuinte que o acórdão recorrido não lhe foi cientificado em seu endereço virtual do e-CAC, e nem por nenhum outro meio, tendo o i. Conselho se limitado a publicar, de modo geral, a r. decisão no diário oficial. Como se vê às e-fls. 32633/32634 e 32666, a Contribuinte foi cientificada do acórdão recorrido por via postal, mediante correspondência entregue em seu domicílio tributário (Av. Dep. Esteves Rodrigues, 840, And 2 – Centro – Montes Claros/MG) em 29/09/2021. Ocorre que antes mesmo da devolução do aviso de recebimento da correspondência, a Contribuinte já apresentara o recurso especial em 01/10/2021, assim arguindo que não fora cientificada do acórdão recorrido. Em tais circunstâncias, a Contribuinte ainda dispunha de 15 (quinze) dias contados da ciência postal em 29/09/2021 para complementar seu recurso especial, mas não o fez. E isto provavelmente porque, tendo em conta o conteúdo de sua defesa, já a havia deduzido por inteiro, por dispor do acórdão recorrido, em razão de sua publicação no sítio do CARF ocorreu em 16/09/2021. De toda a sorte, adicione-se que o Decreto nº 70.235/72 estabelece em seu art. 23, §3º que os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. Logo, a autoridade local pode optar pela ciência por via postal ou por meio eletrônico, meios previstos nos inciso II e III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, apenas devendo observar, na hipótese de opção pela ciência por meio eletrônico, se o sujeito passivo dispõe do domicílio tributário específico exigido para tanto, na forma do art. 23, § 4º, inciso II, do mesmo diploma legal. 7 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Luis Henrique Marotti Toselli, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães da Fonseca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exerício). Fl. 4205DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 9101-006.573 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16004.000383/2008-81 Por tais razões, deve ser REJEITADA a preliminar de nulidade da intimação para ciência do acórdão recorrido De todo o exposto, conclui-se que a Contribuinte não logrou constituir dissídio jurisprudencial que permitisse a este Colegiado se manifestar quanto aos fatos novos trazidos ao autos depois do julgamento do recurso voluntário. Em tais circunstâncias, resta-lhe dirigir à autoridade encarregada da execução deste acórdão a pretensão que extrai daquelas ocorrências, pois somente no controle da legalidade do crédito tributário que restou definitivamente constituído com a negativa de conhecimento ao recurso especial poderia haver algum espaço para discussão acerca da suposta extinção de valores aqui exigidos por recolhimentos promovidos depois da apresentação de declarações que, entregue após o início do procedimento fiscal, foram consideradas ineficazes em relação ao lançamento de ofício, na forma da Súmula CARF nº 33. Esta as razões para NEGAR CONHECIMENTO à petição alegando a existência de “fato novo”, por ausência de competência do colegiado ante à inexistência de divergência jurisprudencial, e assim acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada SEM EFEITOS INFRINGENTES. (documento assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 4206DF CARF MF Original
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Numero do processo: 35301.007211/2006-67
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/12/2002
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.
Deve ser dada ciência, ao contribuinte, de manifestações
proferidas pelo agente notificante após a impugnação e recurso,
em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa.
A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da
Decisão-Notificação para a correta formalização do lançamento.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 206-01.688
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância. Ausente ocasionalmente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Gabriel Troianelli, OAB/SP n° 180317.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Siai* 751683 MINISTÉRIO DA F Zb~t SEGUNDO CONSELHO DE CONTRLBU/NTES SEXTA CÂMARA Processo ir 35301.007211/2006-67 Recurso n° 150.934 Voluntário Matéria RETENÇÃO Acórdão n° 206-01.688 Sessão de 03 de dezembro de 2008 Recorrente XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/12/2002 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Deve ser dada ciência, ao contribuinte, de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação e recurso, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da Decisão-Notificação para a correta formalização do lançamento. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • St ça *" • IIÇ*1 110 DE CeN1RIBUIS1 t t 1-2 a NA n"IGINAL Processo n° 35301.0072112006-67 • 3 conco6 Acórdão n.° 206-01.688 ; Fts. 2.054 Mal a t:c Fdliffie I e :lha atV14110 Mai. >M N: .M1663 k ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância. Ausente ocasionalmente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Gabriel Troianelli, OAB/SP n° 180317. ELIAS S AIO FREIRE Presidente BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa (Suplente convocado), Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 35301.007211/2006-67 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.688 CONFERE Cum O flIC,INAL na 2.055 Brasília 2,y ' LI as / Maria de Patina Fene:ra de Carvalho Relatório - Mat. Siape 751683 Trata-se de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, referente à obrigação do contratante de serviços mediante cessão de mão- de-obra reter 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelos prestadores de serviços. Consta do Relatório da NFLD (fls. 107 a 116) que a recorrente contratou serviços sob a modalidade de cessão de mão de obra junto a diversas empresas ali discriminadas sem, contudo, efetuar a retenção de 11% do valor bruto das notas/faturas emitidas pelas contratadas, contrariando o disposto na Lei n° 9.711/98, no Decreto n° 3.048/99 e nas Ordens de Serviço n° 203/99, n°209/99 e IN n° 71/2002. A autoridade notificante informa que a recorrente não apresentou os Contratos de Prestação de Serviços firmados com algumas das empresas contratadas, e transcreve o objeto dos contratos das demais prestadoras, esclarecendo que o débito fora apurado após análise dos registros contábeis e contratos firmados. A notificada impugnou o débito via peça de fls. 266 a 305, juntando vasta documentação (fls. 306 a 655) e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, resultando na manifestação fiscal de fls. 689 a 691, e na retificação do débito, conforme FORCED e planilhas de fls. 660 a 688. A Secretaria da Receita Previdenciária — SRP, por meio da Decisão-Notificação n° 17.401.4/0705/2005 (fls. 733 a 742), julgou o lançamento procedente em parte, acatando o parecer retificador da fiscalização e indeferindo o pedido de perícia formulado pela recorrente, por considerá-la prescindível. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo ao CRPS (fls. 747 a 803), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, insiste na nulidade do lançamento pela prorrogação intempestiva do MPF, argumentando que a extinção do Mandato sem a emissão de um novo acabou gerando lançamento nulo. No mérito, defende decadência de parte do débito com a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 40, do CTN, e a impossibilidade da exigência das contribuições antes de se verificar a falta de pagamento da contribuição sobre a folha de salários devida pelo contribuinte prestador dos serviços. Reitera que a fiscalização não comprovou a ocorrência dos fatos geradores alegados, lançando com base em meros indícios e presunções e que a recorrente não sonegou qualquer documento, sendo que a apresentação deficiente dos documentos necessários à comprovação da regularidade fiscal se deu não por culpa da empresa, mas em virtude da total intransigência da fiscalização em conceder tempo hábil para tanto. Aponta o que, no seu entendimento, são inconsistências do lançamento, como retenções e recolhimentos realizados pela recorrente e não considerados na retificação do lançamento, apuração de valores superiores ao devido, inocorrência das hipóteses de 3 ". ME - SE01lr:00 CONSELHO DE CONTRIBUINTES• CONFERE COM O oRIGINAL Processo e 35301.007211/2006-67 Brasities_a_ CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.688 Eis. 2.056 Maria de Fátima Ferreira de Carvalho Mat. Siape 751683 exigibilidade de retenção e de cessão de mão-de-obra em alguns dos contratos elencados, cobrança indevida de retenção de empresas prestadoras optantes do SIMPLES e discorre sobre a necessidade de realização de perícia. Da análise dos novos elementos trazidos na peça recursal, o processo foi novamente encaminhado para a manifestação da autoridade notificante, que emitiu a Informação Fiscal de fl. 1991 a 1994, concluindo novamente pela retificação do débito, conforme FORCED e planilhas às fls. 1874 a 1990. Em contra-razões, a SRP requer que o CRPS reconheça, de oficio, a retificação sugeria no item 17 (fl. 2000) e negue provimento aos demais pontos do recurso. Tendo em vista sentença judicial denegando a segurança e julgando improcedente o pedido para que fosse admitido e processado o recurso independentemente do oferecimento de qualquer garantia, a recorrente efetuou o depósito recursal de 30% e a 2' CAJ do CRPS, por meio do Despacho de fl. 2046, remeteu o processo em diligência prévia para que a RFB tomasse as providências ali expostas. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, em atendimento ao despacho exarado pelo CRPS, prestou os devidos esclarecimentos e devolveu os autos ao Conselho, para a emissão do Acórdão. É o relatório. Voto Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora Da análise dos autos, algumas inconsistências foram observadas. Inicialmente, observa-se que antes do julgamento de 1* instância o processo foi convertido em diligência e a fiscalização se manifestou combatendo os argumentos trazidos na peça impugnatória e retificando o débito, esclarecendo os motivos pelos quais foram utilizados os valores registrados na contabilidade para base de cálculo da retenção. Todavia, verifica-se que não foi dada, à notificada, a oportunidade se manifestar após o pronunciamento da autoridade notificante e antes da decisão da Autarquia Previdenciária, suprimindo uma instância administrativa do contribuinte, configurando, dessa forma, desrespeito ao contraditório e à ampla defesa. O processo, como espécie de procedimento em contraditório, exige a manifestação de uma parte sempre que a outra traz para os autos fatos novos. Assim, se no curso do procedimento, são efetuadas diligências com manifestações do agente notificante e retificação do débito sem conhecimento do sujeito passivo, faz-se necessária a abertura de prazo para sua manifestação, sob pena de cerceamento do direito de defesa. E, o Decreto n° 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina, no art. 293, inciso II, que são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. 4 •MF - SEGUNDO CONSELHO DE cormusurif as CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 35301.007211/2006-67 laminai 2,9 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.688 Wittor Fls. 2.057 Maria de VHS, Ferreira de Carvalho Mat. Siape 751683 Verifica-se, ainda, que a autoridade lançadora se manifestou após a apresentação do recurso, aceitando alguns documentos apresentados pela notificada e concluindo pela retificação do débito e, novamente, a recorrente não foi cientificada do parecer fiscal. Portanto, diante das irregularidades acima apontadas, entendo que a nulidade da DN merece ser decretada afim de que se possa oferecer oportunidade ao recorrente de se manifestar a respeito da IF antes de qualquer decisão da Autarquia a respeito da NFLD e para que seja dada ciência, ao contribuinte, do parecer fiscal emitido após a apresentação do recurso. Pelo exposto e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de CONHECER do recurso e ANULAR A DECISÃO-NOTIFICAÇÃO. Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2008 11-.^ BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Page 1 _0077400.PDF Page 1 _0077500.PDF Page 1 _0077600.PDF Page 1 _0077700.PDF Page 1
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Numero do processo: 35884.000941/2006-23
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. TERCEIROS. FNDE.
PARCELAMENTO/PAGAMENTO DO DÉBITO. EXTINÇÃO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. A comprovação, mediante documentação hábil e idônea, do parcelamento do crédito previdenciário objeto do lançamento, extingue a exigência fiscal, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional, impondo seja decretada a insubsistência do feito, sobretudo quando a autoridade lançadora elucida que referido parcelamento fora promovido à época da ação fiscal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 206-01.676
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Jorge Antônio Duarte Delduque, OAB/RJ n° 107.512.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA
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Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA AssuNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. TERCEIROS. FNDE. PARCELAMENTO/PAGAMENTO DO DÉBITO. EXTINÇÃO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. A comprovação, mediante documentação hábil e idônea, do parcelamento do crédito previdenciário objeto do lançamento, extingue a exigência fiscal, nos termos do artigo 156, inciso I, •do Código Tributário Nacional, impondo seja decretada a insubsistência do feito, sobretudo quando a autoridade lançadora elucida que referido parcelamento fora promovido à época da ação fiscal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 14/ 11/2/ 2° CC/M F - Sexta Cam•ra• Processo n° 35884 CONFERE COM ORIGINAL .000941/2006-23 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.676 Brasika. atuil 111 Fls. 77247 I Mati3 O Fallfria Ferreira • e arva • Matr. Seve 7516a3 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Jorge Antônio Duarte Delduque, OAB/RJ n° 107.512. ELIAS S "AIO FREIRE Presidente Aftedita RYCARD u ENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Relanr Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa, Bemadete de Oliveira Barros, Deusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira e Lourenço Ferreira do Prado. 2 .. t Processo n°35884.000941/2006-23CCO2/C06—7.7E---dis .,: - e n sus Calm••• Acórdão n." 206-01.676 coNFEHt‘ c ass c$ ORIGINAL Fls. 773 -..6Brastb OP.a..4/9 1 -. » i Ortz, • Maria s. Fan ei, °ma, as arv@ens mai, Siar... 751F•3 Relatório VIGBAN - EMPRESA DE VIGILÂNCIA BANCÁRIA, COMERCIAL E INDUSTRIAL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária no Rio de Janeiro/RJ - Centro, DN n° 17.401.4/0721/2005, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, destinadas a Terceiros (Fundo Nacional de desenvolvimento da Educação - FNDE), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, discriminadas em folha de pagamento, em relação ao período de 06/2000 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 111/114 e demais documentos que instruem o processo. Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada em 02/06/2005, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito no valor de R$ 484.477,61 (quatrocentos e oitenta e quatro mil, quatrocentos e setenta e sete reais e sessenta e um centavos). . De conformidade com o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário ora exigido fora objeto de parcelamento pela empresa diretamente com o FNDE durante a ação fiscal, fato não considerado pelo Fisco em virtude de a notificada não ter apresentado convenio com aquele Órgão. A autoridade recorrida achou por bem julgar procedente em parte a exigência fiscal em comento, acolhendo manifestação da fiscalização, às fls. 530/534, mais precisamente em seu item 2, a qual propôs a retificação do crédito previdenciário com a devida dedução da base de cálculo dos valores objeto de parcelamento pela contribuinte diretamente no FNDE. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 576/602, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade da decisão de primeira instância, por ter sido exarada em flagrante cerceamento do direito de defesa e contraditório da contribuinte, ao deixar de intimá-la das alegações e documentos colacionados aos autos após a apresentação de sua impugnação, especialmente quanto à Informação Fiscal de fls. 530/534, a qual, inclusive, serviu de suporte ao decisum recorrido, que considerou o lançamento procedente. Em defesa de sua pretensão, traz à colação legislação que regulamenta a matéria, notadamente artigo 5 0, inciso LV, da CF, c/c artigos 26 e 28 da Lei n° 9.784/99 e, bem assim, doutrina e jurisprudência. Contrapõe-se ao lançamento levado a efeito pelo Fisco previdenciário, suscitando haver divergência/erros na base de cálculo das contribuições ora lançadas, conforme restou demonstrado a partir da documentação colacionada aos autos pela contribuinte em sede de impugnação. Alega que a fiscalização reconheceu tais equívocos na Informação Fiscal, às fls. 530/534, sustentando, ainda, que a análise da escrituração contábil da empresa demonstraria outros valores, diferentes dos adotados por ocasião da lavratura da NFLD. eki 3 • r CC/KAF - Sastirtat—riara CONFERE 4DIVI ORIGIP4Aa_ Processo n° 35884.000941/2006-23 Brasília, Ciè ag CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.676 /111/27 a Maria de Fâtims Roi """" amaino Fls. 774 mau. Siar. ?ilesa Assevera que o lançamento fiscal não pode estar apoiado em base de cálculo provável, sem a liquida certeza, sob pena de contrariar os preceitos inseridos no artigo 243 do Decreto n° 3.048/99, c./c artigo 661 da Instrução Normativa INSS n° 03/2005, os quais determinam que a fiscalização deverá constituir o débito informando clara e precisamente os elementos que serviram de suporte à exigência fiscal, inclusive sua base de cálculo, impondo seja decretada a improcedência do feito. Infere que o ilustre fiscal autuante, bem como a autoridade julgadora de primeira instância, deixaram de considerar pagamentos efetuados pela contribuinte, quando da lavratura da notificação fiscal e emissão da DN, respectivamente, não obstante comprovantes de recolhimentos (GPS) acostados aos autos pela então impugnante, o que faz novamente nesta assentada. Sustenta que o julgador recorrido, ao declarar procedente em parte o lançamento fiscal, somente considerou um dos dois parcelamentos realizados pela contribuinte junto ao FNDE, deixado de deduzir os valores concernentes ao parcelamento consubstanciado no Termo Administrativo de Confissão de Divida, celebrado em 20/05/2005. Insurge-se contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do procedimento, defendendo que o crédito previdenciário objeto da presente notificação encontra-se com a exigibilidade suspensa em decorrência de parcelamentos efetuados diretamente no FNDE, impedindo o prosseguimento do feito, eis que inexiste qualquer inadimplemento a ser autuado. É o que se extrai do Manual do Contencioso, em sua página 47, nos seguintes termos. "Assim, com o deferimento do parcelamento, o contribuinte regulariza sua situação perante o Fisco, já que se desloca a época do pagamento do tributo para adiante (para a época do pagamento das parcelas), e somente será considerado inadimplente se deixar de honrar a obrigação pactuada." Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornando-a sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. A então Secretaria da Receita Previdenciária apresentou suas contra-razões, às fls. 714/719, em defesa da decisão recorrida, propondo simplesmente a apropriação da GPS relacionada à competência 08/2002, a qual não fora considerada à época do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e dispensada a exigência do depósito recursal, por força de decisão judicial, conheço do recurso voluntário e passo a examinar as alegações recursais. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte substancial do crédito previdenciário, aduzindo, entre outros motivos, que 4 2° CC/mF - Sexta Cama CONFER%: M OFteGiNAL Processo n°35884.000941/2006-23 Bras Iha Ï/ La of CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.676 iftse jor Fls. 775 Mana ahrFaGrró F. .' cie Imo NA•tr SJape ?Sten aludido débito encontra-se totalmente parcelado junto ao FNDE, impondo seja decretada a insubsistência do feito. A fazer prevalecer seu entendimento, assevera que a própria autoridade lançadora e, bem assim, o julgador de primeira instância, consideraram o parcelamento efetuado pela contribuinte, consubstanciado no Termo de Confissão de Dívida, às fls. 629/632, promovendo a retificação do lançamento, deduzindo tais valores da presente NFLD, conforme Informação Fiscal, de fls 530/534, deixando, porém, de levar a efeito segundo parcelamento procedido pela notificada; inserto no Termo de Confissão de Dívida, às fls. 634/638, a pretexto de inexistência de efetiva comprovação do acolhimento do pleito da empresa Por sua vez, sustenta a autoridade previdenciária competente, em suas contra- razões, às fls. 714/719, que o próprio FNDE reconhece que as competências remanescentes no presente lançamento não se encontram incluídas em parcelamento, mais precisamente em relação ao período de 02/2000 a 05/2000, conforme manifestação de fls. 710/711. Não obstante o esforço do Fisco, do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que as alegações da contribuinte merecem acolhimento, como passaremos a demonstrar. Com efeito, após o oferecimento das contra-razões da autoridade previdenciária, pugnando pela manutenção parcial da decisão recorrida, a contribuinte fez acostar aos autos novos documentos comprobatórios do parcelamento das competências remanescentes inseridas no presente lançamento, consoante se positiva da petição de fls. 720/723, acompanhada da cópia do Contrato de Parcelamento n° 0000077/2006, às fls. 725/728, Oficio de fls. 729, confirmando o acolhimento do pleito da contribuinte, e Guias de Recolhimento, às fls. 731/763. Assim, uma vez comprovada a inclusão dos valores ora lançados em parcelamento perante o FNDE, com a devida homologação deste Órgão, e correspondentes pagamentos mensais efetuados pela contribuinte, inexiste razão para manutenção do feito, tendo em vista que referido crédito previdenciário já se encontra confessado por parte da empresa, a qual vem recolhendo mensalmente os valores devidos, como se extrai dos documentos acostados aos autos. Aliás, a própria autoridade julgadora de primeira instância, ao constatar a existência de parcelamento de parte das competências ora exigidas, achou por bem declarar a procedência parcial do lançamento, retificando o débito em relação ao período objeto do parcelamento, deixando de fazê-lo para os demais meses em decorrência da falta de comprovação do regular parcelamento da contribuinte junto ao FNDE, o que fora saneado nesta assentada. A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, oferecendo proteção ao insurgimento da contribuinte, consoante se infere dos julgados com suas Sentas abaixo transcritas: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA . 06/99 a 08/00. É improcedente o lançamento de parte de crédito tributário, lavrado em Auto de Infração, quando fica comprovado que o mesmo já fora objeto de adesão ao PAES. • 2" CC -AZÀF - Suam Cav—rie CONFERE COM O ONeCiNAL Processo n° 35884.000941/2006.23 arasaba 2 , CCO2106 Acórdão n.' 206-01.676 Fls. 776M1.4.1na se f atims o C.n.lnu Métt San- 751€113 COF1NS. PERiODOS DE APURAÇÃO 06/1999 A 08/2000. PAES. PARCELAMENTO ESPECIAL. LEI N° 10.684/2003. OPÇÃO POSTERIOR AO INICIO DA FISCALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ESPONTANEIDADE. MULTA DE OFICIO. CABIMENTO. A opção pelo Parcelamento Especial instituído pela Lei n° 10.684, de 30/05/2003, em momento posterior ao início da fiscalização, quando o contribuinte não mais gozava da espontaneidade, não elide a multa de oficio lançada por meio de Auto de Infração, que se incluída no PAES em tempo hábil sofre redução de cinqüenta por cento, consoante as regras desse Parcelamento Especial. [..] " (Terceira Câmara do Segundo Conselho — Recurso n° 126611, Acórdão n° 203-10568, Sessão de 06/12/2005) "EX77NÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PARCELAMENTO - FALTA DE OBJETO AO RECURSO VOLUNTÁRIO - Mesmo impugnando a exigência, o contribuinte efetuou o parcelamento do valor da multa lançada, e, com efeito, nos termos do art. 156 inciso I do C77V; ficou extinto o crédito tributário. Recurso provido." (Sexta Câmara do Primeiro Conselho, Recurso n° 124.128. Acórdão n° 106- 12462, Sessão de 22/01/2002) Como se observa da jurisprudência supratranscrita, a inclusão do contribuinte em parcelamento referente ao período objeto da notificação, extingue o crédito tributário, na forma do artigo 156, inciso I, do CTN, in verbis: "Art. 156. Extinguem o crédito tributário: 1— o pagamento; [.] " Aliás, desde o primeiro momento, a ilustre autoridade lançadora, em seu Relatório Fiscal, às fls. 111/114, mais precisamente no item 5, deixou bem claro que o crédito previdenciário ora exigido fora incluído em parcelamento perante o FNDE, impondo seja decretada a insubsistência do lançamento, como segue: "5.0 Débitos lançados nesta NFLD foram objeto de parcelamento pela empresa diretamente com o FNDE durante esta fiscalização, porém a empresa não apresentou convénio com o FNDE." Na esteira desse entendimento, não se cogita na procedência do feito, uma vez lhe faltar razão de existir, eis que já fora objeto de confissão expressa de dívida, a partir do parcelamento procedido diretamente no FNDE, devendo ser decretada a improcedência do lançamento guerreado. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO E DAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. lisSala das 5- Zes, em 03 de dezembro de 2008 lis ár:,..24 rifi 3 , A a -ta/ RYCARD • ViIENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA 1 6 Page 1 _0069400.PDF Page 1 _0069500.PDF Page 1 _0069600.PDF Page 1 _0069700.PDF Page 1 _0069800.PDF Page 1
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Numero do processo: 12045.000087/2007-62
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/04/2003
PREVIDENCIÁRIO- RESTITUIÇÃO - MÃO-DE-OBRA UTILIZADA - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
A documentação e escrituração contábil da empresa deverão ser
hábeis a demonstrar a real mão-de-obra utilizada na prestação de
serviços para que seja possível concluir sobre a procedência ou
não da restituição de valores retidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-01.530
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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A documentação e escrituração contábil da empresa deverão ser hábeis a demonstrar a real mão-de-obra utilizada na prestação de serviços para que seja possível concluir sobre a procedência ou não da restituição de valores retidos. Recurso Voluntário Negado. I 14F - SEGUNDO CON'311.110 DE CONTRI8u1NTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 12045.000087/2007-62 limel8a °Cl CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.530 ns. 59 - Maria de Fátima Fencira de CarsidhoCC) tett. Siam 731683 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (1)6"\---' ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente fte d/ W9? 4, ARIA BAN EIRA • Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 ME • Mann CONSELHO 14 cotemB. PresProcesso e. 12045.000087/2007-62 CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.530 CONFERE COM O no tnrNAL Fls. 60 Brasiliat_e% C "— Maria de .r arem de ciae-Cpanaulo Relatório mat, siape is I 683 Trata-se de pedido de restituição de contribuição retida em nota fisdal de serviços na competência 04/2003. O serviço prestado refere-se a levantamento de madeira proveniente de desmatamento, transporte e bota fora. O interessado junta cópias de folha de pagamento e GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social indicando a ausência de empregados e somente a retirada de pró-labore do titular da firma individual. Como o percentual de mão-de-obra declarado foi muito inferior àquele estabelecido nas normativas do órgão, os autos foram encaminhados à auditoria fiscal que informou (fls. 40/41) que e o interessado não demonstrou que possuía contabilidade formalizada para corroborar a mão de obra declarada e não constavam recolhimentos para as competências 10/2003, 12/2003 e 03/2004, cujos fatos geradores foram declarados em GFIP.. Assim, manifestou-se pelo indeferimento do pedido. O interessado recorreu tempestivamente (fl. 44) solicitando nova análise à luz dos documentos juntados, quais sejam, cópia do balanço patrimonial do ano de 2003 e declaração do representante legal e contador responsável, bem como cópias de guias de recolhimento das competências 10/2003, 12/2003 e 03/2004. A SRP apresentou contra-razões (fls. 56/57) onde argumenta que a declaração juntada não atende a todos os requisitos estabelecidos pelo art. 216, XII, da IN INSS/DC n° 100/2003. Quanto à cópia do balanço de 2003, foi observado que não há créditos de restituição lançados referentes à retenção do INSS, não consta qualquer despesa relativa à mão- de-obra, o que não se coaduna com a natureza dos serviços prestados que sugere que seria necessário mais de uma pessoa para a realização dos mesmos. Como conclusão, a SRP manteve o indeferimento do pedido de restituição, uma vez que a escrituração contábil apresentada mostrou-se deficiente para demonstrar a veracidade do percentual de 0,71% de mão-de-obra incidente sobre o valor da nota fiscal de serviços. É o relatório. 1)1 3 Processo n° 12045.000087/2007-62 ME - SECUNDO CYPISELEin n CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.530 CONFERI COM 0 ‘. C°Nrrit"-a‘rrES Fls. 61 Raj onioNAL _1 c. r sizeh kvia de Faárlócre a c -Mat. siar.7476g5CarVaih° Voto Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora A recorrente teve o pedido de restituição de contribuições retidas indeferido, em virtude de não haver demonstrado possuir contabilidade formalizada e, posteriormente, em sede recursal, quando apresentou cópia do balanço de 2003 e declaração, estas não terem o condão de comprovar que os valores de mão-de-obra declarados pela recorrente corresponderiam à realidade. Dessa forma, a auditoria fiscal efetuou o cálculo da mão-de-obra mínima que seria utilizada para a prestação dos serviços de acordo com os critérios estabelecidos pelo INSS, que consiste em aplicar um percentual sobre os valores das Notas Fiscais de serviço e como tais valores resultaram superiores aos efetivamente recolhidos, o pedido de restituição foi indeferido. Cabe salientar que a escrituração contábil devidamente formalizada é aquela em que os Livros Diários estejam regularmente registrados no órgão competente. No caso, a recorrente somente veio a registrar o Diário após o indeferimento do pedido de restituição. Ainda assim, os lançamentos contábeis não corroboram que a recorrente tenha prestado os serviços discriminados na nota fiscal de serviços sem o auxilio de qualquer empregado. Ademais, a contabilidade da recorrente sequer possui lançamentos correspondentes aos valores retidos, em conta própria, a fim de demonstrar a correta contabilização dos mesmos. Na análise da procedência dos pedidos de restituição de contribuições, a orientação dada pelas normativas expedidas pelo órgão é que se faça a comparação entre os valores efetivamente recolhidos e àqueles que seriam correspondentes à mão-de-obra necessária para realização dos serviços. Assevere-se que os percentuais instituídos pelo INSS não são definidos aleatoriamente, mas com base em estudos de situações fáticas e, portanto, a mão-de-obra resultante desse cálculo arbitrado aproxima-se da real mão-de-obra empregada. O fato de os valores calculados por arbitramento serem superiores aos apresentados pela empresa pode ensejar a presunção de que a mesma possa estar incorrendo em alguma irregularidade quanto à apuração do real montante de mão-de-obra aplicado. Nestes casos, a existência de Livros Diários devidamente revestidos dos requisitos de validade confere às informações prestadas pelo contribuinte a presunção de veracidade. 4 ME - SECANDO CONSELHO DE CONTEI"- Elt. 'TU• CONFERE COM O ORIONAL Processo n° 12045.000087/2007-62 Naná, gi / (77 CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.530 F1s. 62 ÀS) Maria de Flr:retl'a Mat. Siape 751683 In casu, embora a recorrente tenha apresentado cópias do balanço, este não demonstra de forma inequívoca que a mão-de-obra declarada pela mesma, no valor de 0,71% do total da nota fiscal de serviço, corresponda à realidade. Nesse sentido e considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 05 de novembro de 2008 til • Aív40 A BA DE • Page 1 _0026800.PDF Page 1 _0026900.PDF Page 1 _0027000.PDF Page 1 _0027100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10715.000569/2010-52
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. CONTROLE
DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS NORMATIVOS NO
ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO
CONHECIDA.
De acordo com a Súmula Carf nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Matéria não conhecida.
PEDIDO DE RELEVAÇÃO DE PENALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO
CARF. DECISÃO PRIVATIVA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO
CONHECIMENTO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para apreciar e decidir o pedido de relevação da pena. Matéria de competência privativa do Ministro da Fazenda ou autoridade por este delegada.
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE.
APLICAÇÃO DA MULTA POR CADA VEÍCULO TRANSPORTADOR.
SOLUÇÃO INTERNA COSIT Nº 08/2008. DIRETIVA JÁ OBSERVADA
PELO ACÓRDÃO RECORRIDO.
Descabe o pedido de aplicação da multa por cada veículo transportador, porquanto o acórdão recorrido já adotou tal providência, na forma da Solução de Consulta Interna Cosit nº 08, de 14 de fevereiro de 2008.
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE.
TIPICIDADE. INFRAÇÃO CARACTERIZADA.
A alínea “e”, IV, art. 107, do Decreto-Lei nº 37/1966, autoriza a aplicação da pena nos casos de informações prestadas fora do prazo previsto pela Secretaria da Receita Federal. Alegação afastada.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-000.751
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. CONTROLE DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS NORMATIVOS NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. De acordo com a Súmula Carf nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Matéria não conhecida. PEDIDO DE RELEVAÇÃO DE PENALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. DECISÃO PRIVATIVA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para apreciar e decidir o pedido de relevação da pena. Matéria de competência privativa do Ministro da Fazenda ou autoridade por este delegada. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. APLICAÇÃO DA MULTA POR CADA VEÍCULO TRANSPORTADOR. SOLUÇÃO INTERNA COSIT Nº 08/2008. DIRETIVA JÁ OBSERVADA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. Descabe o pedido de aplicação da multa por cada veículo transportador, porquanto o acórdão recorrido já adotou tal providência, na forma da Solução de Consulta Interna Cosit nº 08, de 14 de fevereiro de 2008. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. TIPICIDADE. INFRAÇÃO CARACTERIZADA. A alínea “e”, IV, art. 107, do Decreto-Lei nº 37/1966, autoriza a aplicação da pena nos casos de informações prestadas fora do prazo previsto pela Secretaria da Receita Federal. Alegação afastada. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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SÚMULA CARF Nº 02. CONTROLE DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS NORMATIVOS NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. De acordo com a Súmula Carf nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Matéria não conhecida. PEDIDO DE RELEVAÇÃO DE PENALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. DECISÃO PRIVATIVA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para apreciar e decidir o pedido de relevação da pena. Matéria de competência privativa do Ministro da Fazenda ou autoridade por este delegada. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. APLICAÇÃO DA MULTA POR CADA VEÍCULO TRANSPORTADOR. SOLUÇÃO INTERNA COSIT Nº 08/2008. DIRETIVA JÁ OBSERVADA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. Descabe o pedido de aplicação da multa por cada veículo transportador, porquanto o acórdão recorrido já adotou tal providência, na forma da Solução de Consulta Interna Cosit nº 08, de 14 de fevereiro de 2008. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. TIPICIDADE. INFRAÇÃO CARACTERIZADA. A alínea “e”, IV, art. 107, do DecretoLei nº 37/1966, autoriza a aplicação da pena nos casos de informações prestadas fora do prazo previsto pela Secretaria da Receita Federal. Alegação afastada. Recurso Voluntário Negado. Fl. 121DF CARF MF Original Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0523.14414.TJIZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0523.14414.TJIZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 19/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que, por unanimidade, manteve parcialmente o crédito tributário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. A lei tributária, em sentido amplo, que comina penalidade aplicase a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 122DF CARF MF Original Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0523.14414.TJIZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0523.14414.TJIZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10715.000569/201052 Acórdão n.º 380200.751 S3TE02 Fl. 90 3 PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. RELEVAÇÃO DE PENALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA EXAME. A relevação de penalidade somente poderá ser exercida dentro dos limites e condições estabelecidos em lei, e pela autoridade para tanto competente. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. POR VIAGEM EM VEÍCULO A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. INFRAÇÃO CONTINUADA. EMBARQUES DIFERENTES. MERA REITERAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL. É incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Discutese, portanto, os pressupostos de aplicação da multa regulamentar decorrente do descumprimento do dever instrumental previsto no art. 37 da Instrução Normativa SRF n.° 28/1994, cominada nos termos da alínea “e”, IV, art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, na redação do art. 77 da Lei nº 10.833/2003. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 5967, sustenta a ausência de subsunção entre o evento ocorrido e a hipótese normativa do art. 107, IV, “e”, da Lei nº 10.833/2003, porque a intempestividade não se confundiria com a falta de prestação de informações. Sustenta seria irrazoabilidade da sanção, ante a inexistência de lesão ou dano ao erário. Pleiteia a relevação da pena (art. 736, § 1º, do Regulamento Aduaneiro) e aplicação da sanção uma única vez, e não sobre cada um dos embarques em que foi constatado o registro tardio das informações. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Original Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0523.14414.TJIZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0523.14414.TJIZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 11/05/2011 (fls. 58) e o protocolo do recurso, em 08/06/2011 (fls. 59). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Não cabe, porém, o exame da alegada violação ao princípio da razoabilidade, uma vez que, como se sabe, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Súmula Carf nº 02, não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. É igualmente incabível o conhecimento do pedido de relevação da pena, uma vez que, nos termos do art. 736, § 1º, do Regulamento Aduaneiro (art. 654 RA/2002), o Conselho não é competente para conhecer e decidir a matéria. No mérito, por outro lado, verificase que decisão da DRJ reformou em parte o auto de infração, adotando um entendimento que se alinha à orientação definida na Solução de Consulta Interna Cosit nº 08, de 14 de fevereiro de 2008: Assunto: Obrigações Acessórias DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS APÓS O PRAZO. Aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos Fl. 124DF CARF MF Original Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0523.14414.TJIZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0523.14414.TJIZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10715.000569/201052 Acórdão n.º 380200.751 S3TE02 Fl. 91 5 dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF no 28, de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN SRF no 510, de 2005. Para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003, a multa a ser aplicada na hipótese de o transportador não informar, no Siscomex, os dados relativos aos embarques de exportação na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF no 28, de 1994, é a que se refere à alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei no 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003. Deve ser aplicada ao transportador uma única multa de R$ 5.000,00, por se tratar de uma única infração. De acordo com a interpretação da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira, a pena prevista na alínea “e”, IV, art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, na redação do art. 77 da Lei nº 10.833/2003, deve ser cominada uma única vez por veículo transportador: [...] 14. O segundo ponto a ser observado, é no que diz respeito a qual ação, ou no caso em estudo, qual a omissão deve ser penalizada com a multa referida no item 13. A Coana questiona se se aplica ao caso o comando do art. 99 do Decretolei no 37, de 1966, que trata da aplicação e graduação das penalidades, que assim dispõe: Art. 99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. 15. Como se pode perceber, o art. 99 do Decretolei no 37, de 1966, trata da cumulatividade de infrações, quando praticadas pela mesma pessoa. No presente caso, não temos duas infrações e sim e tãosomente uma única infração: não prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 15.1. Assim, não cabe a aplicação do art. 99 do Decretolei no 37, de 1966, para sanar a dúvida apresentada. 16. . Restaria, assim, a dúvida se a cada informação não prestada, sobre cada uma das declarações de exportação, geraria uma multa de R$ 5.000,00 ou se a multa seria pelo descumprimento de obrigação acessória de deixar o transportador de informar os dados sobre a carga, como um todo, transportada. Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumprir a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Apesar disso, no caso concreto, consoante destacado, essa orientação já foi observada pela DRJ, razão pela qual é improcedente o pedido do Recorrente. Fl. 125DF CARF MF Original Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0523.14414.TJIZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0523.14414.TJIZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Por fim, não procedente a alegação de não subsunção ao art. 107, IV, “e”, uma vez que o dispositivo legal prevê claramente o cabimento da pena nos casos de informações prestadas fora do prazo previsto pela Secretaria da Receita Federal: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Votase, assim, pelo conhecimento parcial e desprovimento do recurso, mantendose o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 126DF CARF MF Original Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0523.14414.TJIZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0523.14414.TJIZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. A página de autenticação não faz parte dos documentos do processo, possuindo assim uma numeração independente. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado ao processo em 19/12/2011 19:53:41 por SOLON SEHN. Documento assinado digitalmente em 26/12/2011 18:03:09 por REGIS XAVIER HOLANDA e Documento assinado digitalmente em 19/12/2011 19:54:42 por SOLON SEHN. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 29/05/2023. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP29.0523.14414.TJIZ Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 4F5E45F1CD8A67C3EB3CB42B6510514E0BEC0BB7 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10715.000569/2010-52. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 37280.001941/2005-94
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 01/02/1997
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN.
I - Segundo a súmula nº 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 206-01.679
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas. Ausente ocasionalmente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Tiago Conde Teixeira, OAB/DF nº 24259.
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO
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CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. I - Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido,* Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • Mi-SEGUNDO CONSPIRO DE CONTRIBUINTES- CONFFP.P.' c.:.:r. .Nr Processo na 37280.00194112005-94 CCO2JC06 Acórdão n.° 206-01.679 Brunia, 2 tf n o 3 ., 05 Fls. 340 4 04,,,,,„at:sia. 75 ¡jia; ACORDAM os Mem ros da SEX IA Likmaitik do O CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas. Ausente ocasio a ente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Fez sustentação - oral o(a) advogado(a) a : rec• rrente Dr(a). Tiago Conde Teixeira, OAB/DF n" 24259. 0... ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente A /1 ,' 141 ROCE. ELLIS PINTO Rel r Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. . 2 - Processo n° 37280.001941/2005-94 MIL Ramo CONSN.!-H454 /e . • • *rd' Ce02/C06 Acórdão n.° 206-01.679 CONFRE ' .... ai Re 341 fiq (53_, op igfit Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa TELEMAR NORTE LESTE S/A, contra Decisão-Notificação de fls. retro, exarada pela extinta Secretaria da Receita Previdenciária, a qual julgou procedente a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, no valor originário de R$ 234.859,27 (duzentos e trinta e quatro mil oitocentos e cinqüenta e nove reais e vinte e sete centavos). Segundo o Relatório Fiscal de fls. 14 e s., os fatos geradores do presente levantamento são os valores pagos a titulo de abono indenizatório, sendo cobradas apenas as diferenças de contribuições previdenciárias destinadas ao SAT, em decorrência do reenquadramento de alíquota, nos termos expostos pela autoridade fiscal. Em seu recurso diz à empresa que as contribuições referentes às competências anteriores a julho de 2000 encontram-se decadentes. No mérito diz que reenquadramento do grau de risco de sua atividade feito pela autoridade lançadora foi equivocado. Afirma que as atividades dos seus empregados operacionais foi indevidamente enquadradas nos CNAES n° 45.49-7 e n° 32.21-2. Aduz que para considerar qual seria a atividade preponderante da Recorrente e aferição do grau de risco dela decorrente, a fiscalização ignorou os empregados do suporte bem como os que trabalham na área administrativa, o que acabou por considerar preponderante o grau de risco de grave, elevando indevidamente a alíquota correspondente ao GIRALT. Diz que os abonos tributados pela fiscalização tem natureza indenizatória, motivo pelo qual não deveria sofrer a incidência de contribuição previdenciária. Suscita que na qualidade de sucessora, lhe seria inexigível a multa decorrente infrações cometidas pela empresa sucedida. Requer a realização de perícia para comprovar suas alegações, e encerra requerendo o provimento do seu recurso. Apresentadas as contra-razões, onde se requer a manutenção do débito. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO DE LELLIS PINTO, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. O contribuinte alega em sede de preliminar, que o crédito tributário em questão, teria sido alcançado pela decadência, haja vista a extrapolação do qüinqüídio fixados pelo CTN, o que faz como razão. Sem embargos, é sabido que a questão do prazo decadencial das contribuições sociais, foi objeto de constantes e ácidas discussões tanto no âmbito doutrinário, quanto ,: 3 _ _ _ 4"' • • - Do • r Cr Processo n• 37280.001941/2005-94 . 09 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.679 EL 342 - Ma Siam MUS jurisprudencial. Analisando a matéria, o E. STJ, por meio de seu plenário, fixou seu entendimento e em decisão unânime, reconhecendo a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, que fixa o prazo de 10 anos para a decadência das contribuições sociais, reconhecendo a prevalência do prazo quinquenal previsto no CTN. Na esteira do entendimento exarado pelo STJ, o Egrégio Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, e também de forma unânime, reconheceu o mesmo vício de constitucionalidade que pairava sobre as diretrizes insertas no art 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, entendendo que os prazos decadências das contribuições sociais, onde se incluem as previdenciárias, devem respeitar os limites temporais do CTN, norma geral a quem a Constituição atribui a prerrogativa de tratar o tema. Eliminando as divergências interpretativas que impediam a aplicação prática dos prazos decadenciais fixados na norma Codificada em relação às contribuições previdenciárias, o STF acabou por editar a súmula vinculante n° 8, impondo a sua observância pelas demais instâncias judiciárias e administrativas. A referida súmula restou vazada nos seguintes termos: "SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5° DO DECRETO-LEI N° 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO." Assim é que, hoje resta inequívoca que a decadência das contribuições previdenciárias, encontram-se reguladas pelas normas e prazos fixados pelo Código Tributário Nacional, não devendo, portanto, qualquer observância às inconstitucionais previsões do art 45 e 46 da Lei n°8.212/91. Se encontra-se resolvida a aplicação do CTN no que tange a decadência das contribuições previdenciárias, o mesmo não se pode dizer em relação a qual regra deve ser aplicada, ou seja, em todas as situações a do § 4° do art 150, cuja contagem (para fins de homologação) se dá a partir da ocorrência do fato gerador, ou se o art. 173, I, que diz que o referido cálculo se inicia a partir do 1° dia do exercício seguinte aquele em que o débito poderia ser constituído. Em verdade, as contribuições previdenciárias são inegavelmente tributos sujeitos a homologação por parte do Fisco, na medida em que a legislação previdenciária confere ao próprio contribuinte o dever de antecipar o recolhimento dos valores que lhe são reputados, justamente a situação definida no capta do art 150 do CTN. Como efeito, mesmo em se tratando de tributos ditos homologáveis, parte da doutrina vem reconhecendo, na esteira da jurisprudência do próprio STJ (Resp n° 757922/SC), que a regra prevista no § 4° do art 150 do CTN, somente se aplicaria naquelas situações onde o contribuinte efetivamente tenha efetuado algum recolhimento, sobre o qual caberia então ao Fisco pronunciar-se em 05 anos, sob pena de, transcorrido esse prazo, não mais poder constituir o débito remanescente. Para os defensores dessa tese, portanto, a contagem do prazo para que a Fazenda Pública efetue a referida homologação a partir da ocorrência do fato gerador, somente ocorre naquelas hipóteses em que o contribuinte tenha efetuado algum recolhimento. Do contrário,, não havendo antecipação alguma por parte do contribuinte, não haveriam valores a serent 4 . - ber- SECUNDO env r- , • • TP etz•srrEs CONFE- Processo n° 37280.001941/2005-94 Braa tf o 3 o 9 r ccovc-os Acórdão n.° 206-01.679 Fls 343 1Oh/ aria j,/ - • Pinto - Met. -; 752748 homologados, e por conseqüência, incidindo a partir de então regra gera le e • ência fixada no art. 173 do Códex. Não obstante esse raciocínio, filio-me aqueles que acreditam que o fator preponderante para a aplicação da regra contida no mensurado § 4° do art. 150, diz respeito ao próprio regime jurídico do tributo, de forma que o fato da legislação conferir o dever de antecipação do recolhimento do tributo ao contribuinte, sem qualquer prévia verificação do Fisco, nos é suficiente para a incidência do mencionado dispositivo legal, sendo, em verdade, regra a regular a situação telada. Desta feita, temos que a nosso ver, e na linha do que diz o abalizado professor Alberto Xavier, in Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro, 3' Ed. Pág. 100, "o que é relevante, pois, é saber se, em face da legislação, o contribuinte tem ou não o dever de antecipar o pagamento," (...) "a linha divisória que separa o art. 150 § 4° do 173 do CTN está, pois, no regime jurídico do tributo (...)." De qualquer forma, e alheios à discussão acima citada, os débitos constantes da presente NFLD encontram-se decadentes, mesmo que consideremos a regra do art. 173 do CTN, haja vista que as competências envolvidas nesta NFLD são de 01/97 a 02/97, portanto, há mais de 05 anos da ocorrência do fato gerador. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer dos recursos interpostos, para acatar a preliminar aventada pelo Contribuinte, e reconhecer a decadência das contribuições ora lançadas. Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2008 .01 ROG ÁLC(-DÉ-EELLIS PINTO . _ _ Page 1 _0072800.PDF Page 1 _0072900.PDF Page 1 _0073000.PDF Page 1 _0073100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10711.004154/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2008
COMPETÊNCIA SOBRE RELEVAÇÃO DE PENALIDADES
Não é da competência para aplicar relevação de penalidades, a qual foi atribuída ao Subsecretário da Receita Federal do Brasil de Tributação e Julgamento, nos termos da Portaria RFB nº 224/2019.
ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
null
DESPROPORCIONALIDADE. INAPLICABILIDADE.
O controle aduaneiro sobre cargas no comércio exterior tem interesse individualizado sobre cada unidade de carga, conhecimento de embarque ou manifesto de carga, em razão da gestão dos altos riscos potenciais de cada carga para a economia, a segurança fitossanitária e segurança pública não cabendo a alegação de desproporcionalidade da multa de R$ 5.000,00, em razão dos valores potenciais das cargas e das consequências de ausência do controle aduaneiro sobre elas.
PRAZO PARA APRESENTAR INFORMAÇÕES SOBRE CARGA.
A IN RFB nº 800/2007 estabeleceu, em seu artigo 22, os prazos a serem cumpridos para a prestação de informação sobre veículos e cargas, cuja vigência ficou suspensa até 1º de abri de 2009, no entanto, o § 2º, do artigo 50, desta mesma IN RFB, determina os prazos que serão cumpridos até a vigência plena do artigo 22.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
null
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE NAS INFRAÇÕES POR PERDA DE PRAZO PARA APRESENTAR INFORMAÇÕES SOBRE CARGA.
As penalidades decorrentes da perda de prazo para apresentar informações sobre carga não podem ser afastadas pela denúncia espontânea pois o próprio decurso do prazo já aperfeiçoa as condições exigidas para a aplicação da penalidade, reforçado pelo fato de que o próprio sistema realiza o bloqueio automaticamente, configurando-se assim ato administrativo da competência da Autoridade Tributária. Súmula CARF nº 126.
Numero da decisão: 3402-010.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.253, de 21 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 11128.729511/2013-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado(a)), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Renata da Silveira Bilhim, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Mateus Soares de Oliveira.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DESPROPORCIONALIDADE. INAPLICABILIDADE. O controle aduaneiro sobre cargas no comércio exterior tem interesse individualizado sobre cada unidade de carga, conhecimento de embarque ou manifesto de carga, em razão da gestão dos altos riscos potenciais de cada carga para a economia, a segurança fitossanitária e segurança pública não cabendo a alegação de desproporcionalidade da multa de R$ 5.000,00, em razão dos valores potenciais das cargas e das consequências de ausência do controle aduaneiro sobre elas. PRAZO PARA APRESENTAR INFORMAÇÕES SOBRE CARGA. A IN RFB nº 800/2007 estabeleceu, em seu artigo 22, os prazos a serem cumpridos para a prestação de informação sobre veículos e cargas, cuja vigência ficou suspensa até 1º de abri de 2009, no entanto, o § 2º, do artigo 50, desta mesma IN RFB, determina os prazos que serão cumpridos até a vigência plena do artigo 22. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE NAS INFRAÇÕES POR PERDA DE PRAZO PARA APRESENTAR INFORMAÇÕES SOBRE CARGA. As penalidades decorrentes da perda de prazo para apresentar informações sobre carga não podem ser afastadas pela denúncia espontânea pois o próprio decurso do prazo já aperfeiçoa as condições exigidas para a aplicação da penalidade, reforçado pelo fato de que o próprio sistema realiza o bloqueio automaticamente, configurando-se assim ato administrativo da competência da Autoridade Tributária. Súmula CARF nº 126. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 41 54 /2 00 9- 54 Fl. 72DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.256 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.004154/2009-54 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.253, de 21 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 11128.729511/2013-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado(a)), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Renata da Silveira Bilhim, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Mateus Soares de Oliveira. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão de decisão de Primeira Instância, que por unanimidade de votos julgou improcedente a Impugnação do Auto de Infração e considerou devida a exação. Os fundamentos do Auto de Infração e os argumentos da Impugnação estão resumidos no relatório do Acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão. Encontram-se nos autos informações suficientes para atestar a prestação de informações a destempo. O auto de infração informa também a aplicação do artigo 22, da IN RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, em combinação com o artigo 50, desta mesma IN RFB, para determinar os prazos que teriam sido descumpridos, além de dar a fundamentação legal para a multa nos termos da alínea e, do inciso IV, do artigo 107, do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Inconformada com a autuação a Recorrente apresentou Impugnação ao Auto de Infração, onde argumenta que não teria havido dolo, e que a fiscalização não fora prejudicada. A Recorrente tomou ciência do Acórdão de Primeira Instância e apresentou Recurso Voluntário. Em seu Recurso Voluntário alega: a) Ilegitimidade Passiva; b) Inaplicabilidade da Normativa utilizada como fundamentação legal, c) Informação não prestada é diferente de informação prestada fora do prazo; Fl. 73DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.256 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.004154/2009-54 Alega ilegalidade e desproporcionalidade na aplicação da multa, além da denúncia espontânea. Requer a relevação da penalidade com base no artigo 736, do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009. Este é o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, no entanto, tomo conhecimento dele apenas parcialmente. Quanto ao requerimento para a relevação das penalidades, nos termos do artigo 736, do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 (Regulamento Aduaneiro), o Decreto Lei nº 1.042, de 21 de outubro de 1969, em seu artigo 4º, autoriza o Ministro da Economia a relevar penalidades que não decorram de infrações das quais não tenham resultado falta ou insuficiência de pagamento de tributos federais: “ Art 4º O Ministro da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência no recolhimento de tributos federais atendendo: I - A êrro ou ignorância escusável do infrator, quanto a matéria de fato; Il - A eqüidade, em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. § 1º A relevação da penalidade pode ser condicionada à correção prévia das irregularidades que tenham dado origem ao processo fiscal. § 2º O Ministro da Fazenda poderá delegar a competência que êste artigo lhe atribui.” No uso da prerrogativa que lhe foi conferida pelo § 2º, acima transcrito, o Ministro da Economia delegou ao Secretário da Receita Federal do Brasil a competência para a relevar penalidades, pela Portaria MF nº 214, de 28 de março de 1979. “O Ministro de Estado da Fazenda no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto nos artigos 11 e 12 do Decreto-lei nº 200 de 25 de fevereiro de 1967 e no Decreto nº 62.460 de 25 de março de 1968, RESOLVE: I -Delegar competência ao Secretário da Receita Federal para: (...) f) decidir sobre relevação de penalidades nos termos do artigo 49 do Decreto-lei nº 1.042 de 21 de outubro de 1969 II -O Secretário da Receita Federal poderá subdelegar as atribuições de que trata a presente Portaria. (...)” Fl. 74DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-010.256 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.004154/2009-54 O Secretário da Receita Federal do Brasil, por sua vez, subdelegou a competência para o Subsecretário de Tributação e Contencioso, nos termos do artigo 2-B, da Portaria RFB nº 224, de 07 de fevereiro de 2019. “Art. 2º-B Fica subdelegada competência ao Subsecretário de Tributação e Contencioso para decidir sobre relevação de penalidades nos termos do art. 4º do Decreto-Lei nº 1.042, de 21 de outubro de 1969, ressalvado o disposto no parágrafo único. Parágrafo único. Nos casos de relevação das penalidades de que trata o art. 76 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a competência fica subdelegada ao Subsecretário de Aduana e Relações Internacionais.” Sendo assim, a aplicação do previsto no artigo 736, do Regulamento Aduaneiro não é de competência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e o requerimento para a relevação de penalidades também não pode ser conhecido. Desta forma, tomo conhecimento do Recurso Voluntário apenas em relação às demais motivações de fato e de direito da Recorrente. Da revogação do artigo 45, da IN RFB 800/2007 e da ilegalidade da autuação. A base legal para a autuação é a alínea e, do inciso IV, do artigo 107, do Decreto Lei nº 37/1966, nos seguintes termos: “Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a- porta, ou ao agente de carga; e (...)” A repetição do texto da penalidade em uma norma infralegal é irrelevante, assim como a revogação dos dispositivos que a reproduziam. Sendo assim, não há que se falar em ilegalidade neste caso em razão da revogação de artigos da IN RFB nº 800/2007, tendo em vista que a principal função desta IN RFB é cumprir a delegação de competência legislativa à Receita Federal do Brasil em determinar os prazos e forma como as informações serão prestadas. Assim também não há confusão entre a ausência de informação e o atraso na prestação da mesma, posto que o fato gerador da penalidade decorreu no transcurso do prazo regulamentar, e até aquela data e hora, não havia informação prestada, de qualquer forma. Sem razão à Recorrente. Denúncia Espontânea Fl. 75DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-010.256 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.004154/2009-54 A denúncia espontânea é a exclusão da responsabilidade do agente pela comunicação de infração à Autoridade Tributária, antes do início de qualquer procedimento administrativo, acompanhada do pagamento dos tributos devidos e não recolhidos anteriormente e juros de mora, conforme previsto no artigo 138, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Conforme fica claro, no texto transcrito acima, o CTN não exige que para a exclusão da responsabilidade haja o recolhimento de qualquer penalidade, na medida em que seria contraditório excluir a responsabilidade por uma infração e ainda assim proceder a exigência da penalidade cabível. Já o Decreto-Lei nº 37/1966, no § 2º, do seu artigo 102, é bem claro em afastar a aplicação de qualquer penalidade em relação à denúncia espontânea, exceto no que disser respeito às penas de perdimento.. “ Art.102 - A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º - Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento.” No entanto, em ambos os dispositivos legais, há a restrição de que qualquer ato de denúncia espontânea seja praticado após o início de qualquer procedimento fiscal de ofício praticado por servidor competente. O controle das informações de carga é feito de forma informatizada pelo sistema SISCARGA que, dentro de suas funcionalidades, conta com o controle dos prazos de chegada e saída de veículos e dos atos demandados pelos diversos agentes envolvidos, bloqueando automaticamente operações que não atendam as determinações legais que sejam detectadas, entre elas a informação intempestiva de carga o que gera o bloqueio automático da operação. O desbloqueio da operação para prosseguimento da informação é ato de ofício da Autoridade Aduaneira e constitui-se em limite impeditivo da denúncia espontânea. Ademais, as ações dos contribuintes de antecipação dos atos necessários ao lançamento, inclusive o pagamento antecipado do tributo devido, condicionando o direito de lançamento à condição resolutória de posterior homologação, num prazo de até cinco anos, e a Fl. 76DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-010.256 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.004154/2009-54 possibilidade do contribuinte em corrigir eventuais equívocos cometidos, tanto no lançamento por homologação, como antecipando-se ao despacho aduaneiro, afasta o conhecimento futuro pela Autoridade Tributária de infração relacionada ao pagamento de impostos, em razão desta ter sido diligentemente corrigida pelo próprio contribuinte, antes que a Autoridade aja de ofício. Entretanto, o próprio transcurso do prazo para prestar informações configura uma infração prevista na legislação e de caráter irreparável, pois a prestação de informações de forma intempestiva não repara o atraso e suas consequências, e ainda é de conhecimento da Autoridade Aduaneira anterior a qualquer ato do contribuinte, sendo conhecida de forma automática pelo próprio sistema SISCARGA. Não se pode admitir denúncia espontânea em infração relacionada à prestação intempestiva de informações obrigatórias, nem tão pouco que seja isenta da produção de danos à fiscalização. Assim também está consignado na Súmula CARF nº 126: “Súmula CARF nº 126 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em 03/09/2018 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Acórdãos Precedentes: 3102-001.988, de 22/08/2013; 3202-000.589, de 27/11/2012; 3402-001.821, de 27/06/2012; 3402-004.149, de 24/05/2017; 3801-004.834, de 27/01/2015; 3802- 000.570, de 05/07/2011; 3802-001.488, de 29/11/2012; 3802-001.643, de 28/02/2013; 3802-002.322, de 27/11/2013; 9303-003.551, de 26/04/2016; 9303- 004.909, de 23/03/2017.” Sem razão à Recorrente. Desproporcionalidade Na mesma linha, a exigência de uma multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por uma infração de atraso de informação da carga chegada de um veículo do exterior, ou a ele destinado, com o potencial prejuízo ao controle aduaneiro sobre a totalidade da carga de elevadíssimo valor potencial, não pode ser considerada desproporcional. O controle da carga manifestada em veículos de transporte em viagens internacionais, ingressando em território aduaneiro, ou dele saindo, é elemento fundamental da atividade do controle aduaneiro, atividade essencial aos interesses fazendários nacionais, conforme previsto no artigo 237, da Constituição Federal de 1988, conforme transcrevo a seguir: Fl. 77DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-010.256 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.004154/2009-54 “Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda.” Novamente destacamos que o ingresso de qualquer mercadoria estrangeira é feito de forma obrigatória pelas Zonas Primárias, e o controle aduaneiro, além de seu caráter primário de natureza tributária pela administração dos tributos incidentes nas operações de importação e exportação, tem um caráter secundário extrafiscal de grande relevância, o qual envolve a própria segurança da nação brasileira, em seus vários aspectos: o que abarca os controles sanitários de interesse agropecuário e de saúde humana, de segurança pública (pelo impedimento ao ingresso irregular de drogas e entorpecentes proibidos e de armamento ilegal), proteção do patrimônio histórico e de biodiversidade, e ainda pela proteção do mercado brasileiro da concorrência desleal, na medida que as mercadorias exportadas via de regra são isentas da tributação em seus países de origem, introduzindo um desequilíbrio competitivo com a produção nacional tributada internamente. O controle das cargas manifestadas e da obrigatoriedade de prestação detalhada da procedência, descrição e valor das cargas que circulam pelas Zonas Primárias não possui apenas o interesse de se mensurar adequadamente o montante eventual de tributos devidos, mas principalmente impedir que cargas que não sejam do conhecimento da Autoridade Aduaneira possam circular sem controle pelas áreas de segurança alfandegária e posteriormente serem introduzidas no território aduaneiro de forma irregular com grande potencial de risco sanitário, de segurança pública e econômico, pelo uso irregular da escala proporcionada pelas vias regulares de comércio. Tanto é assim que a penalidade capital do Direito Aduaneiro configura-se no perdimento da própria carga quando qualquer tentativa de se burlar o controle de mercadorias não desembaraçadas se manifestar, o que podemos destacar em diversas modalidades de hipóteses de sujeição ao perdimento dos incisos do artigo 105, do Decreto-Lei nº 37/1966. A gestão do controle aduaneiro, não apenas como elemento de fiscalização, mas também como elemento de parte da cadeia logística nacional, pela dimensão do impacto que as ações de fiscalização e controle possam ter no tempo e nos custos envolvidos na manutenção das cargas internacionais em portos, aeroportos e pontos alfandegados de fronteira, depende cada vez mais da gestão antecipada das informações de carga, que entram e saem das Zonas Primárias e das medidas de gerenciamento de riscos que permitem à Autoridade Aduaneira diminuir os custos de sua atividade para importadores, exportadores e outros agentes envolvidos, pela seleção das cargas que serão efetivamente conferidas, e pelo acompanhamento não intrusivo nas demais movimentações. Arguir que atrasos ou falta na prestação de informações de carga não implica em nenhum prejuízo à fiscalização, ou de dano ao erário, Fl. 78DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-010.256 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.004154/2009-54 somente pode decorrer do total desconhecimento do alcance e das consequências do trabalho de controle do comércio exterior realizado nos portos, aeroportos e pontos de fronteira, pois a própria ausência ou atraso nas informações implica em prejuízos difusos em diversas áreas e com consequências nas medidas de tratamento de risco de difícil mensuração, em detrimento à segurança do comércio e aos custos dos próprios operadores regulares. Sem razão à Recorrente. Os Prazos para prestação de informações sobre a carga. A Autoridade Tributária, em cumprimento à delegação de competência prevista em Lei, na alínea e, inciso IV, do artigo 107, do Decreto-Lei nº 37/1966, acima transcrito, estabeleceu os prazos através do artigo 22, da IN RFB nº 800/2007: “Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I - as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II - as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (...)” O texto acima, reproduzido com a redação que tinha à época de ocorrência dos eventos que ensejaram a autuação, determinam os prazos a serem cumpridos, no entanto, até o dia 10 de abril de 2009, os prazos exigíveis são regulados pelo artigo 50, da mesma IN RFB. “Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I - a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II - as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.” Em que pese o artigo 50, acima transcrito, suspender a aplicação dos prazos previstos no artigo 22, conforme o caput, também encontramos no mesmo artigo os prazos que seriam vigentes até a data de 10 de abril de 2009, nos incisos do seu § único, que seria, no caso concreto, “antes da atracação (...) da embarcação em porto no País”. Em todos os casos Fl. 79DF CARF MF Original http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416019 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416019 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=15859#1111414 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=15859#1111414 Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-010.256 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.004154/2009-54 relacionados à autuação, as informações foram prestadas após a data e hora da atracação. Sendo assim, improcedente a argumentação da Recorrente. Com base em todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 80DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10565.000125/2008-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ADUANEIROS
Data do fato gerador: 27/01/2004
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE
RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
Salvo em se tratando de matéria de ordem pública, não cabe o conhecimento de questões não ventiladas na impugnação nem tampouco apreciadas pela decisão recorrida, sob pena de inovação e supressão de instância. Preclusão reconhecida. Precedentes da Turma.
MULTA. ABUSIVIDADE. NATUREZA CONFISCATÓRIA. NÃO
CONHECIMENTO. SÚMULA CARF N° 02. VEDAÇÃO AO CONTROLE
DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS NORMATIVOS NO
ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
De acordo com a Súmula Carf n° 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Matéria não conhecida.
REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA.
BENS CULTURAIS. REEXPORTAÇÃO. PROCESSAMENTO. DRE-E.
REEXPORTAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE LICENÇA DE
IMPORTAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS PRAZOS DO REGIME.
MULTAS REGULAMENTARES. INCIDÊNCIA.
O despacho aduaneiro de retorno ao exterior dos bens de caráter cultural, objeto de Regime Aduaneiro Especial de Admissão Temporária, deve ser processado com base em DSE - Declaração
Simplificada de Exportação (art. 15 da IN SRF nº 40/1999). A dispensa de conferência física depende de autorização do Secretário da Receita Federal. Portanto, se a reexportação ocorreu através de DRE-E - Declaração de Remessa Expressa de Exportação, sem conferência física, considera-se não comprovada a reexportação, o que autoriza a cominação das multas de 30% sobre o valor aduaneiro dos bens pela falta de licença de importação (art. 169, I, “b”, do Decreto-Lei nº 37/1966) e de 10% sobre o valor da mercadoria importada pelo descumprimento das condições, requisitos ou prazos para aplicação do regime (art. 72, I, da Lei nº 10.833/2003).
MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO CABIMENTO.
Se crédito tributário suspenso, constituído através do Termo de
Responsabilidade, não foi objeto de lançamento de ofício, incabível a imposição da multa de ofício por falta de pagamento do imposto, nos termos do art. 44, I da Lei n° 9.430/1996.
MULTA. INTIMAÇÃO PARA PAGAMENTO DO CRÉDITO
TRIBUTÁRIO. NÃO ATENDIMENTO. EMBARAÇO À AÇÃO DE
FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
DIFERENCIAÇÃO ENTRE FISCALIZAÇÃO E COBRANÇA.
A sanção prevista no art. 107, IV, “c”, do Decreto-Lei nº 37/1966, visa proteger a efetividade e o bom andamento da ação de fiscalização aduaneira.
Uma vez constituído o crédito tributário ou imposta a penalidade, encerra-se o procedimento fiscal. Assim, como fiscalização não se confunde com cobrança, se a intimação descumprida pelo contribuinte teve por objeto a exigência do crédito tributário, não cabe a imposição da penalidade do art. 107, IV, “c”, do Decreto-Lei nº 37/1966. O não atendimento da intimação, quando muito, poderia caracterizar inadimplência do crédito tributário, mas jamais embaraço à ação de fiscalização aduaneira, porque a autoridade administrativa fiscal já havia formado seu convencimento em relação ao descumprimento da legislação tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3802-000.643
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SOLON SEHN
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CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. Salvo em se tratando de matéria de ordem pública, não cabe o conhecimento de questões não ventiladas na impugnação nem tampouco apreciadas pela decisão recorrida, sob pena de inovação e supressão de instância. Preclusão reconhecida. Precedentes da Turma. MULTA. ABUSIVIDADE. NATUREZA CONFISCATÓRIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF No 02. VEDAÇÃO AO CONTROLE DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS NORMATIVOS NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. De acordo com a Súmula Carf no 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Matéria não conhecida. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. BENS CULTURAIS. REEXPORTAÇÃO. PROCESSAMENTO. DREE. REEXPORTAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS PRAZOS DO REGIME. MULTAS REGULAMENTARES. INCIDÊNCIA. O despacho aduaneiro de retorno ao exterior dos bens de caráter cultural, objeto de Regime Aduaneiro Especial de Admissão Temporária, deve ser processado com base em DSE Declaração Simplificada de Exportação (art. 15 da IN SRF nº 40/1999). A dispensa de conferência física depende de autorização do Secretário da Receita Federal. Portanto, se a reexportação ocorreu através de DREE Declaração de Remessa Expressa de Exportação, sem conferência física, considerase não comprovada a reexportação, o que autoriza a cominação das multas de 30% sobre o valor aduaneiro dos bens pela falta de licença de importação (art. 169, I, “b”, do DecretoLei nº Fl. 132DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 37/1966) e de 10% sobre o valor da mercadoria importada pelo descumprimento das condições, requisitos ou prazos para aplicação do regime (art. 72, I, da Lei nº 10.833/2003). MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO CABIMENTO. Se crédito tributário suspenso, constituído através do Termo de Responsabilidade, não foi objeto de lançamento de ofício, incabível a imposição da multa de ofício por falta de pagamento do imposto, nos termos do art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. MULTA. INTIMAÇÃO PARA PAGAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO ATENDIMENTO. EMBARAÇO À AÇÃO DE FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DIFERENCIAÇÃO ENTRE FISCALIZAÇÃO E COBRANÇA. A sanção prevista no art. 107, IV, “c”, do DecretoLei nº 37/1966, visa proteger a efetividade e o bom andamento da ação de fiscalização aduaneira. Uma vez constituído o crédito tributário ou imposta a penalidade, encerrase o procedimento fiscal. Assim, como fiscalização não se confunde com cobrança, se a intimação descumprida pelo contribuinte teve por objeto a exigência do crédito tributário, não cabe a imposição da penalidade do art. 107, IV, “c”, do DecretoLei nº 37/1966. O não atendimento da intimação, quando muito, poderia caracterizar inadimplência do crédito tributário, mas jamais embaraço à ação de fiscalização aduaneira, porque a autoridade administrativa fiscal já havia formado seu convencimento em relação ao descumprimento da legislação tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 13/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Fl. 133DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10565.000125/200863 Acórdão n.º 380200.643 S3TE02 Fl. 125 3 Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), dispensado de ementa nos termos da Portaria SRF no 1.364/2004, no qual se discute a legalidade da cominação das multas previstas nos arts. 169, I, “b”, e 107, IV, “c”, do DecretoLei no 37/1966, no art. 44, I, da Lei no 9.430/1996 e art. 72, I, da Lei nº 10.833/2003. A Recorrente, na condição de entidade sem finalidade lucrativa voltada ao apoio do desenvolvimento da linguagem e da produção cinematográfica, obteve Regime Aduaneiro Especial de Admissão Temporária do filme “Te Wolfes of Kromer”, pelo prazo de dois meses. Na impugnação, alegou que, após exibição no 11º Mix Festival da Diversidade Sexual, contratou os serviços da empresa FedEx para fins de reexportação filme, tendo os respectivos comprovantes sido devidamente entregues à Receita Federal (Declaração de Remessa Expressa de Exportação – DRE nº 2003208704, de 21/11/2003). Sustentou ter cumprido o disposto nos arts. 1º, 2º e 19 da Instrução Normativa SRF nº 40/1999, uma vez que, na época, ao contrário do que entendeu a autoridade lançadora, não exigia conferência física. A DRJ rejeitou as alegações da Recorrente, por entender que, nos termos do art. 319, I, § 9º, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002), e do art. 24 da IN SRF nº 285/2003, a conferência física não seria dispensada. Assim, “para todos os efeitos legais, os bens admitidos em regime de admissão temporária cuja regular reexportação ou qualquer outro meio de extinção do regime não tenha sido comprovado, permanecem em território nacional” (fls. 81). Entendeu cabíveis as multas do art. 72, I, da Lei nº 10.833/2003, por descumprimento dos prazos do regime, e do art. 169, I, “b”, do DecretoLei nº 37/1966, pela falta de guia de importação. Decidiu que, embora o crédito tributário suspenso já estivesse constituído através do Termo de Responsabilidade, a multa deofício também seria devida, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Por fim, diante de previsão legal expressa (art. 107, IV, “c”, do Decreto Lei 37/1966), não tendo sido atendida a intimação, não haveria como dispensar a imposição da penalidade pecuniária. As razões recursais de fls. 86104, reproduzem os argumentos da impugnação e acrescentam as alegações de nulidade do auto de infração, que teria sido constituído com base em mera presunção; e de abusividade e do caráter confiscatório das multas. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 11/10/2010 (fls. 84) e o protocolo do recurso, em 04/11/2010 (fls. 86). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. O recurso, no entanto, deve ser conhecido apenas parcialmente, com exclusão das alegações de nulidade do auto de infração, de abusividade e do caráter confiscatório das multas. Tais matérias não foram ventiladas na impugnação. Tampouco restaram enfrentadas pela decisão recorrida, circunstância que, nos termos do art. 17 do Decreto no 70.235/1972, impede o seu conhecimento por ocasião do julgamento do recurso voluntário: Fl. 134DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei no 9.532/1997) Nesse sentido, cumpre destacar o Acórdão no 3802000.585, julgado na sessão de 05/07/2011, relatado pelo eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento e que reflete o entendimento da Turma: [...] PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o princípio da preclusão processual, se o sujeito passivo não contestou a matéria, no todo ou em parte, perante a autoridade julgadora de primeiro grau, não poderá mais fazêlo perante a instância superior, sob pena de inovação do feito e supressão de instância. (Acórdão 3802000.585. 3a S. 2a C. 2a TE. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. de 05/07/2011). Na mesma linha, colocamse os seguintes julgados: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 310100.409. 3a. S. 1a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campelo Borges. S. de 29/04/2010). [...] NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida.” (Acórdão 340100.169. 3a S. 4a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. S. de 13/08/2009). [...] PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas Fl. 135DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10565.000125/200863 Acórdão n.º 380200.643 S3TE02 Fl. 126 5 reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição.” (Acórdão 340300.385. 3a S. 4a C. 3a TO. Rel. Conselheiro Ivan Allegretti. S. de 25/05/2010). Cabe registrar, ademais, que a apreciação da irrazoabilidade e do caráter confiscatório das multas pressupõe o exame da constitucionalidade de atos normativos, o que, como se sabe, encontra obstáculo na Súmula Carf no 02 e no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. No mérito, verificase que o filme importado, objeto do Regime Aduaneiro Especial de Admissão Temporária, foi enviado ao exterior através de Declaração de Remessa Expressa de Exportação (DRE nº 2003209344, de 13/12/2003). A autoridade lançadora, por sua vez, entendeu que retorno deveria ter sido processado com base em DSE (Declaração Simplificada de Exportação). Assim, como essa formalidade não foi seguida, considerou impossível a comprovação da reexportação alegada pelo contribuinte: “Considerando que não é possível comprovar a reexportação alegada pelo contribuinte, já que não houve conferência física da mercadoria no desembaraço do bem acobertado pelo AWB 8425 0056 8631, considerando o disposto no art. 15 da IN SRF n° 40 de 09/04/1999, ou seja, que o despacho aduaneiro de retorno ao exterior dos bens de caráter cultural será processado com base em DSE (Declaração Simplificada de Exportação) e considerando que o prazo do regime encontrase vencido desde 19/01/2004, sem que tenha sido comprovada sua extinção, lavro o presente Auto de Infração para garantir os direitos da Fazenda Nacional, pelo descumprimento do regime de Admissão Temporária, aplicando as multas abaixo discriminadas e justificadas. […]” (fls. 1011). É incontroverso que a reexportação ocorreu através de DREE. O art. 15 da IN SRF nº 40/1999, por outro lado, determina claramente que o despacho aduaneiro de retorno deve ser processado com base em DSE: Fl. 136DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Art. 15. O despacho aduaneiro de retorno ao exterior dos bens de caráter cultural será processado com base em DSE. O Recorrente, no entanto, alega que a conferência física é dispensada para os bens de natureza cultural, consoante disposto no art. 19 da IN SRF n o 40/1999 Art. 19. Serão desembaraçados sem conferência física os bens de caráter cultural: I submetidos a despacho aduaneiro por: a) museu, teatro, biblioteca, cinemateca ou entidade promotora de evento instituído ou mantido pelo poder público ou de notório reconhecimento; […] § 1º O procedimento aduaneiro de que trata este artigo será autorizado por meio de ato declaratório do Secretário da Receita Federal, emitido em caráter permanente ou em caráter eventual, a requerimento do interessado. Essa alegação, porém, não é procedente, porque, de acordo com o § 1º do dispositivo invocado pelo Recorrente, a dispensa da conferência aduaneira depende de autorização do Secretário da Receita Federal, inexistente no caso em exame. Deve ser mantida, assim, a multa de 10% sobre o valor da mercadoria importada, cominada na forma do art. 72, I, da Lei nº 10.833/2003. Art. 72. Aplicase a multa de: I – 10% (dez por cento) do valor aduaneiro da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, ou de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime; e […] § 2º A multa aplicada na forma deste artigo não prejudica a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. Ademais, considerando o disposto no § 2º, aplicase cumulativamente a multa de 30% sobre o valor aduaneiro dos bens, prevista no art. 169, I, “b”, do DecretoLei nº 37/1966, pela falta de licença de importação (§ 6° do art. 319 do RA/2002): Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: I importar mercadorias do exterior: […] b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Fl. 137DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10565.000125/200863 Acórdão n.º 380200.643 S3TE02 Fl. 127 7 Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Entendese, por outro lado, que não é cabível a multa de ofício, porque, segundo destacado pela decisão recorrida, o crédito tributário suspenso não foi objeto de lançamento de ofício, tendo sido encaminhado diretamente para cobrança judicial pela Procuradoria da Fazenda Nacional: Tendo em vista que a suspensão dos tributos ocorre apenas dentro do prazo do regime, nos termos dos arts. 306, 312, 319 e 320 do RA, vencido esse prazo tornam se exigíveis os tributos suspensos e suas respectivas multas. Os créditos tributários constituídos através de Termo de Responsabilidade são cobrados no correspondente processo de execução pela Procuradoria da Fazenda Nacional e as multas pela falta de pagamento do imposto, nos termos do art. 44, I da Lei n° 9.430/96, constituídas pelo presente auto de infração: "Art. 44 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” (grifo meu) […] (fls. 80). A redação do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, foi alterada pela Lei nº 11.488/2007, apresentando, atualmente, o seguinte texto: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Notase que, mesmo antes da Lei nº 11.488/2007, na hipótese destacada pela decisão recorrida, a multa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 somente pode ser imposta quando o crédito tributário é objeto de lançamento deofício. Assim, como esse não ocorreu, incabível a imposição da penalidade. Por fim, também deve afasta a multa por embaraço à fiscalização, uma vez que a intimação não atendida pelo contribuinte, segundo se depreende da fundamentação do auto de infração, foi encaminhada para fins de cobrança do crédito tributário: “Em 31/12/2004, foi emitida a Intimação GRAET n° 173/2004, com prazo para atendimento de 30 (trinta) dias, solicitando ao contribuinte o recolhimento do crédito tributário consignado no Termo de Responsabilidade n° 628/03. A ciência foi dada em 11/01/2005, conforme Aviso de Recebimento dos Correios AR. Porém, até o presente momento, não houve qualquer manifestação por parte do contribuinte” (fls. 10). A sanção prevista no art. 107, IV, “c”, do DecretoLei nº 37/1966, visa proteger a efetividade e o bom andamento da ação de fiscalização aduaneira: Fl. 138DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; O procedimento fiscal ou ação de fiscalização é atividade voltada à verificação da ocorrência dos eventos imponíveis, do regular cumprimento das obrigações tributárias e deveres instrumentais, visando a constituição do crédito tributário e a imposição de penalidades cabíveis. Fiscalização, porém, não se confunde com cobrança. Portanto, uma vez constituído o crédito tributário ou imposta a penalidade, encerrase a ação de fiscalização. Em razão disso, se a intimação descumprida pelo contribuinte tem por objeto a cobrança do crédito tributário, não cabe a imposição da penalidade do art. 107, IV, “c”, do DecretoLei nº 37/1966. Na hipótese dos autos, a intimação foi enviada “solicitando ao contribuinte o recolhimento do crédito tributário consignado no Termo de Responsabilidade n° 616/03 e a comprovação do recolhimento da multa capitulada no inciso I do art. 72 da Lei 10.833/2003”. O não atendimento da intimação, quando muito, poderia caracterizar inadimplência do crédito tributário, mas jamais embaraço à ação de fiscalização aduaneira, porque a autoridade administrativa fiscal já havia formado seu convencimento em relação ao descumprimento da legislação tributária. Votase, assim, pelo conhecimento parcial do recurso e, no mérito, pelo provimento parcial, para fins de afastamento das multas de ofício (art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996) e por embaraço à fiscalização (art. 107, IV, “c”, do DecretoLei nº 37/1966). (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 139DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10380.908962/2008-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO.
ADMISSIBILIDADE.
Admitir-se-á embargos de declaração, dentre outras hipóteses, quando o acórdão for omisso com respeito a questão sobre a qual deveria ter se pronunciado.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS.
IMPOSSIBILIDADE DE GOZO DO INCENTIVO.
Rejeitados os embargos em que a recorrente pretendia fossem dados efeitos infringentes, permanece o entendimento exarado na decisão embargada segundo o qual a empresa que comercializa produtos gravados na TIPI como “NT” não poderá ser beneficiada pelo incentivo de que trata o crédito presumido do IPI (artigo 1º da Lei 9.363/96).
Embargos conhecidos mas não providos.
Numero da decisão: 3802-001.011
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, negando-lhes, contudo, provimento, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. ADMISSIBILIDADE. Admitir-se-á embargos de declaração, dentre outras hipóteses, quando o acórdão for omisso com respeito a questão sobre a qual deveria ter se pronunciado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE GOZO DO INCENTIVO. Rejeitados os embargos em que a recorrente pretendia fossem dados efeitos infringentes, permanece o entendimento exarado na decisão embargada segundo o qual a empresa que comercializa produtos gravados na TIPI como “NT” não poderá ser beneficiada pelo incentivo de que trata o crédito presumido do IPI (artigo 1º da Lei 9.363/96). Embargos conhecidos mas não providos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1829; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 1 1 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.908962/200809 Recurso nº Embargos Acórdão nº 380201.011 – 2ª Turma Especial Sessão de 22 de maio de 2012 Matéria Embargos de Declaração Embargante Amêndoas do Brasil Ltda. Interessado Amêndoas do Brasil Ltda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. ADMISSIBILIDADE. Admitirseá embargos de declaração, dentre outras hipóteses, quando o acórdão for omisso com respeito a questão sobre a qual deveria ter se pronunciado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE GOZO DO INCENTIVO. Rejeitados os embargos em que a recorrente pretendia fossem dados efeitos infringentes, permanece o entendimento exarado na decisão embargada segundo o qual a empresa que comercializa produtos gravados na TIPI como “NT” não poderá ser beneficiada pelo incentivo de que trata o crédito presumido do IPI (artigo 1º da Lei 9.363/96). Embargos conhecidos mas não providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, negandolhes, contudo, provimento, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. Fl. 217DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.14489.UY06. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator designado. EDITADO EM: 06/06/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Fez sustentação oral o Dr. Francisco José Soares Feitosa, OAB/CE no 16.049. Relatório Em sessão transcorrida em 22 de novembro de 2011, esta Segunda Turma Especial, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE GOZO DO INCENTIVO. O caput do art. 1º da Lei 9.363/96, ao dispor que “a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados [...]” revela, de antemão, que o direito a aludido crédito se restringe a pessoa jurídica que, cumulativamente, satisfaça às seguintes condições: seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O alcance conceitual do termo “empresa produtora”, por expressa disposição legal contida no parágrafo único do artigo 3° da Lei n° 9.363/96, deverá ser aquele objeto da legislação do IPI, aplicável para a definição “[...] de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem”. Nesse âmbito, o artigo 6o da Lei n o 10.451/02 exclui do campo de incidência do IPI os produtos relacionados na TIPI com a notação “NT” (nãotributado). Ainda, o artigo 3o da Lei no 4.502/64 considera “estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Como os produtos gravados na TIPI como “NT” estão fora do campo de incidência do IPI, tais produtos, portanto, para fins do referido imposto, não podem ser considerados como advindos de um processo de industrialização, não sendo, pois, abrangidos, pelo incentivo de que trata o crédito presumido do IPI. Recurso ao qual se nega provimento. Conforme consignado no despacho apensado ao eprocesso e datado de 09/03/2012, a interessada fora cientificada do acórdão em tela no dia 26/01/2012. Inconformada, interpôs, tempestivamente (em 31/01/2012, portanto, dentro do prazo de cinco dias prescrito pelo artigo 65, § 1o, do Anexo II do RICARF), embargos de declaração alegando que o acórdão teria sido omisso por não haver se pronunciado sobre “[...] o núcleo central da questão: a condição de produto de alíquota zero, embalagem e apresentação, consoante Parecer Normativo no 408/71”. Fl. 218DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.14489.UY06. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.908962/200809 Acórdão n.º 380201.011 S3TE02 Fl. 2 3 Aduz a embargante que tanto o voto vencido como o voto vencedor não teriam se reportado ao argumento concernente à embalagem de apresentação: o voto vencido, pelo fato de o produto – amêndoas de castanha de caju – independentemente da embalagem de apresentação, atenderem às condições da Lei no 9.363/96; o voto vencedor, por haver sido proferido no sentido de que o processo, ainda que industrial, resultava em produto NT. Assevera estar comprovado nos autos que “o produto com rotulagem de apresentação (PN 408/71) tem sua tipificação fiscal ‘ex’ da TIPI, 0801.3200ex01, como produto alíquota zero”. Colaciona em sua petição fotos de embalagens do produto: a) “[...] caixa de papelão, com os dizeres promocionais e, dentro dela, o saco aluminizado, também promocional, rotulagem de apresentação, alíquota zero, vide PN 408/71”; b) “[...] latas do tipo querosene, devidamente rotuladas, nos precisos termos do PN 408/71, produto de alíquota zero”. Alega, também, que “[...] a manutenção dos créditos sobre as compras (presumidamente, em se tratando de pessoas físicas e suas cooperativas) decorre de imperativo constitucional [...]. [...] De fato, quando o Fisco nega o direito ao creditamento está, ainda que por via indireta, a tributar receitas de exportação, em flagrante inconstitucionalidade, vide EC 32/2001”. Tal argumento também não teria sido examinado pelo acórdão embargado. Fundamentada nesses argumentos, requer sejam acolhidos os embargos e, no mérito, sejamlhes dado efeitos infringentes, para reconhecer que os produtos tem rotulagem promocional nos termos do PN 408/71, tributados à alíquota zero, assim como o direito à imunidade sobre as receitas de exportação, inclusos os créditos de aquisição, independentemente de sua tipificação fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme relatado, a ciência da decisão guerreada ocorreu no dia 26/01/2012, tendo a interessada interposto, em 31/01/2012, os presentes embargos de declaração. Considerando o prazo de cinco dias – contados da ciência do acórdão – para a interposição dos embargos, prescrito pelo artigo 65, § 1o, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009), temse que o recurso é tempestivo. Quanto às alegadas omissões no acórdão vergastado, as questões pontuadas pela recorrente – acima discriminadas –, foram efetivamente aduzidas em sua peça recursal (fls. 148/166). Todavia, o acórdão vergastado foi realmente omisso, pois referidos argumentos não chegaram a ser examinados. Fl. 219DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.14489.UY06. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 E referida omissão exige sejam os embargos admitidos, posto que a realidade se subsume a uma das hipóteses elencadas pelo caput do artigo 65 do Anexo II do RICARF, segundo o qual: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. (grifei) Por essa razão, conheço dos embargos interpostos pela reclamante. Examinemos, pois, o mérito do recurso. A embargante apresenta argumentos relacionados à aduzida embalagem de apresentação do produto. Assevera estar comprovado nos autos que “o produto com rotulagem de apresentação (PN 408/71) tem sua tipificação fiscal ‘ex’ da TIPI, 0801.3200ex01, como produto alíquota zero”. E colaciona em sua petição fotos de embalagens do produto: c) “[...] caixa de papelão, com os dizeres promocionais e, dentro dela, o saco aluminizado, também promocional, rotulagem de apresentação, alíquota zero, vide PN 408/71”; d) “[...] latas do tipo querosene, devidamente rotuladas, nos precisos termos do PN 408/71, produto de alíquota zero”. Assim, defende seja reconhecido que os produtos exportados tem rotulagem promocional nos termos do PN 408/71, enquadrandose, assim, no Extarifário 001, específico para castanhas de caju secas acondicionadas em embalagem de apresentação. O Parecer Normativo CST no 408, de 11 de junho de 1971 (publicado no DOU de 25/06/1971), teve como objeto de estudo o direito a incentivos fiscais objeto da Lei no 5.444/68 e do Decretolei no 491/69 para empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados. Referido Parecer, ao analisar a classificação fiscal de castanhas de caju, dispôs da seguinte forma (item 7): Esclareçase, por oportuno, que as “castanhas de caju” desidratadas (secas), com ou sem cascas, acondicionadas em latas de capacidade de 10 a 20 Kg, com rotulagem de função promocional (desenhos, cores e dizeres), classificamse na posição 08.01, inciso 2. Irrelevante o fato de as latas assim rotuladas serem, posteriormente, acondicionadas, aos pares, em caixas de papelão destinadas a proteção e transporte das mesmas. (grifouse) Os fatos geradores objeto da lide correspondem ao período de apuração de julho a setembro de 2003. Portanto, à época, encontravase vigente o Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto no 4.544. de 26/12/2002, cujo artigo 6o, ao regulamentar o artigo 3o, parágrafo único, inciso II, da Lei no 4.502, de 30/11/19641, dispôs o seguinte: 1 Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: [...] II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; Fl. 220DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.14489.UY06. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.908962/200809 Acórdão n.º 380201.011 S3TE02 Fl. 3 5 Art. 6º Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto, entenderseá (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso II): I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente a tal fim; e II como acondicionamento de apresentação, o que não estiver compreendido no inciso I. § 1º Para os efeitos do inciso I, o acondicionamento deverá atender, cumulativamente, às seguintes condições: I ser feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; e II ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores. § 2º Não se aplica o disposto no inciso II aos casos em que a natureza do acondicionamento e as características do rótulo atendam, apenas, a exigências técnicas ou outras constantes de leis e atos administrativos. § 3º O acondicionamento do produto, ou a sua forma de apresentação, será irrelevante quando a incidência do imposto estiver condicionada ao peso de sua unidade. (grifos nossos) Vale ressaltar que os conceitos quanto ao acondicionamento para transporte ou para apresentação permanecem inalterados desde o Regulamento do IPI vigente à época em que foi editado o Parecer Normativo CST no 408/71, qual seja, o Decreto no 61.514, de 12/10/1967, conforme se vê da redação do artigo 2o do mencionado Decreto, abaixo transcrito : Art. 2º Quando a incidência ou a isenção do impôsto estiver condicionada à forma de embalagem do produto entenderseá: I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente, a tal fim e atender, cumulativamente, às seguintes condições: a) fôr feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetivem valorizar o produto em razão da qualidade do material nêles empregado da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; b) tiver capacidade para conter quantidade do produto superior a vinte quilos ou àquela em que o produto é comumente vendido no varejo aos consumidores; II como recipiente, embalagem ou envoltório de apresentação, o acondicionamento não compreendido no inciso anterior. Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso II aos casos em que a natureza e dizeres do acondicionamento atendam apenas, a exigências técnicas ou estabelecias em lei ou atos administrativos. Fl. 221DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.14489.UY06. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Aliás, questão similar foi também objeto do Parecer Normativo CST no 661/71, que, inclusive, faz referência ao Parecer CST no 408/71. Segundo o Parecer Normativo CST no 661/712, castanhas do Pará acondicionadas em latas de capacidade não superior a 15 2 Parecer Normativo CST no 661/71 01 – IPI 01.06 – Estímulos à Exportação A exportação de produtos classificados nas posições 08.01, inciso 2, da Tabela, está favorecida pelos estímulos fiscais desde o advento da Portaria GB nº 507, de 30/11/67; em seguida, pela Lei nº 5.444, de 1968 e, por fim, pelo DecretoLei nº 491, de 1969. Para classificação no mencionado inciso, é necessário que o produto esteja acondicionado em embalagem de apresentação; latas de até 20 kg, com rotulagem promocional, caracteriza embalagem de apresentação (vide PN nº 408, de 1971). [...] 3. Por vezes interessa ao exportador melhorar a apresentação do seu produto, deslocandoo para a área de incidência (de “não tributado” para “tributado”), com isso adquirindo direito aos incentivos. Isso ocorre, naturalmente, nas hipóteses em que a alternativa se apresente viável, como é o caso da simples mudança de embalagem (de simples transporte, para embalagem de apresentação). 4. É o que verifica, por exemplo, com relação a determinados produtos, mesmo após a promulgação do DecretoLei nº 400, de 30/12/68, cuja incidência do IPI continua determinada pelo seu acondicionamento ou não “em recipientes, embalagens ou envoltórios”, destinados à apresentação dos mesmos. Isso quer dizer que estarão tributados, sujeitos a uma alíquota, quando estejam dessa forma acondicionados, e não tributados quando a embalagem se destine a simples transporte. No primeiro caso, beneficiados com os incentivos; no segundo, deles excluídos. 5. Tais são os casos, entre outros, dos produtos da posição 08.01, inciso 2, em que se classificam castanhasdopará e castanhasdecaju, “quando acondicionados em recipientes, embalagens ou envoltórios, destinados à apresentação do produto. Quanto às castanhasdecaju, já foi traçada orientação, pelo Parecer Normativo nº 408, de 1971, no que diz respeito à caracterização da mencionada embalagem, para efeitos de classificação fiscal. Evidentemente a mencionada orientação é válida para todos os produtos da mencionada posição, inclusive as castanhasdopará. Todavia, é prudente examinarse cada caso concreto, tendo em vista que a questão envolve aspectos subjetivos. 6. Por isso que agora se indaga, sob esse mesmíssimo aspecto, sobre as referidas castanhasdopará. In casu, o produto é recebido com casca e a granel, sendo submetido a aquecimento por meio de jatos de vapor com o fim de amolecer e desprender as amêndoas; depois é submetido a um processo de desidratação, de acordo com as especificações do importador. Por fim, são acondicionadas as amêndoas em latas de folhas de flandres, inteiramente soldadas ou apenas soldadas em determinados pontos, de forma a melhor consolidar o fechamento; em ambos os casos, essas latas são de capacidade não superior a 15 (quinze) quilos. Assim embalado é exportado o produto. 7. O Ripi, no seu artigo 2º, inciso I, define o acondicionamento de simples transporte, verbis: “Art. 2º – Quando a incidência ou a isenção do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto entenderse á: I – como acondicionamento para transporte o que se destinar precipuamente a tal fim e atender, cumulativamente, às seguintes condições: a) for feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetivem valorizar o produto em razão da qualidade do material neles empregados, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; b) tiver capacidade para conter quantidade do produto superior a vinte quilos ou àquela em que o produto é comumente vendido no varejo aos consumidores”. 8. No inciso II, seguinte, declara: “II – como recipiente, embalagem ou envoltório de apresentação, o acondicionamento não compreendido no item anterior”. 9. Pelo Parecer Normativo nº 408, antes mencionado, foi declarado, pelo seu item 7: “Esclareçase, por oportuno, que as ‘castanhasdecaju’ desidratadas (secas), com ou sem cascas, acondicionadas em latas de 10 a 20 kg, com rotulagem de ‘função promocional’ (desenhos, cores e dizeres), classificamse na posição 08.01, inciso 2. Irrelevante o fato de as latas assim rotuladas serem, posteriormente, acondicionadas, aos pares, em caixas de papelão destinadas a proteção e transporte das mesmas”. 10. Conseqüentemente, também as castanhasdopará aqui referidas, na embalagem descrita no item 6, supra, também estarão classificadas na referida posição 08.01, inciso 2, se contiverem rotulagem de função promocional como dito no referido Parecer. 11. Por fim, esclareçase que a exportação dos produtos da posição 08.01, inciso 2, está favorecida pelos incentivos fiscais em forma de crédito do IPI, desde o advento da Portaria GB nº 578, de 30/11/67; posteriormente, pela Lei nº 5.444, de 23/05/68 e Decreto 63.550, de 05/11/68, que a regulamentou; por último, pelo DecretoLei nº 491, de 1969 e Decreto nº 64.833, de 1969. Vide, quanto ao procedimento a adotar, formas de utilização do crédito, manutenção do crédito etc., os Pareceres Normativos nºs 86, 87 e 88 de 1970, entre outros. Quanto à prescrição do direito de reclamar o crédito não utilizado na época própria, vide o Parecer Normativo nº 515, de 1971. (grifos nossos) Fl. 222DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.14489.UY06. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.908962/200809 Acórdão n.º 380201.011 S3TE02 Fl. 4 7 Kg, “também estarão classificadas na referida posição 08.01, inciso 2, se contiverem rotulagem de função promocional como dito no referido Parecer [408/71]”. A própria pleiteante, em seu recurso, informa que o produto é acondicionado em latas tipo querosene ou sacos aluminizados “com rotulagem de apresentação” contendo os seguintes dizeres: “Amêndoas do Brasil. Brazilian Cashew Nuts”, incluídas, ainda, informações sobre o produtor e sobre a entidade certificadora (ver fls. 165) (as duas formas de embalagem utilizadas pela embargante apresentamse mais legíveis na petição de embargos de declaração). Sobre o acondicionamento do produto, a empresa, em declaração prestada do dia 13/10/2008 (fls. 63), esclarece o seguinte: DESCRIÇÃO EMBALAGENS DE PRODUTO ACABADO O produto acabado é embalado inicialmente em sacos metalizados lisos, apenas com uma etiqueta identificadora com dados do tipo de produto, nome da empresa da validade e fabricação. Na sequência, coloca se numa caixa de papelão onde será feito o traslado da mercadoria. Essa caixa contém as seguintes especificações: • marca Amêndoas do Brasil; • peso em Libras e em Quilos; • endereço da empresa; • descrição" Brasilian Cashew Nuts"; • CNPJ da empresa; • a empresa que processa o produto; • tipo de produto; • empresa certificadora "SGS do BRASIL"; A fiscalização, às fls. 96, assevera o seguinte: Como se vê, a embalagem tem importância decisiva na classificação do produto de castanha de caju. De acordo com informações da fiscalizada, documento de fls.__, verificamos que, à época, havia basicamente três tipos de embalagens, a saber: sacos laminados lisos, com capacidade de 22,68 kg, latas metálicas lisas com capacidade de 11,34 kg. Tanto os sacos quanto as latas eram posteriormente colocados em caixas de papelão, sendo que as latas eram colocadas aos pares, de forma que cada caixa continha a mesma quantidade de castanha de caju, ou seja, 22,68 kg (50 libras). Cumpre destacar que as latas lisas e os sacos laminados lisos não possuíam rótulos de apresentação, contendo apenas etiquetas identificadoras do produto. Já as caixas de papelão possuíam inscrições, descritas detalhadamente nas informações prestadas, que nada mais eram que a identificação da empresa, a citação Brazilian Cashew Nuts (castanha de caju), o tipo, peso, empresa que processou e empresa certificadora do produto. (grifouse) Não há, pois, controvérsia quanto à forma de embalagem, mas unicamente concernente ao fato de a mesma permitir ou não o enquadramento no Extarifário 001 do código 0801.32.00, defendido pela reclamante, específico para castanhas de caju secas acondicionadas em embalagem de apresentação. Assim, há que se examinar se a mercadoria, Fl. 223DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.14489.UY06. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 para fins legais, foi comercializada acondicionada somente para transporte ou em embalagem de apresentação. Conforme mencionado, para fins do disposto no artigo 6o do Regulamento do IPI à época em vigor (Decreto no 4.544/2002), o acondicionamento da mercadoria unicamente para transporte será assim considerado se atendidas, cumulativamente, às seguintes condições: a) ser feito em embalagens “sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional”; e b) “ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores”. Embora a questão em exame pareça ser semelhante à que foi objeto de estudo nos Pareceres CST 408/71 e 661/71, penso que a realidade presente diverge da que foi estudada pela administração tributária naquela ocasião, não podendo ser dado ao caso presente o mesmo entendimento aplicado nos referenciados Pareceres, pelas seguintes razões: a) primeiramente, porque a mercadoria comercializada pela recorrente, ao menos em parte, estava acondicionada em embalagens de capacidade superior a 20 Kg; b) em segundo lugar, porque a mercadoria é acondicionada em quantidade superior à em que o produto é comumente vendido no varejo (a menor quantidade referida nas embalagens é de 11,34 Kg); c) por último, porque a descrição contida nas embalagens não pode ser considerada como rotulagem de função promocional, já que contempla unicamente dados relacionados ao tipo do produto “Amêndoas do Brasil. Brazilian Cashew Nuts”, incluídas informações sobre o produtor e sobre a entidade certificadora. Efetivamente, tais informações não apresentam natureza de rotulagem de função promocional, que tem como fulcro a promoção e valorização do produto. Portanto, não há como acolher a tese da recorrente, já que a mercadoria, na forma como comercializada, não pode ser enquadrada no Extarifário 001 do código 0801.32.00, correspondente à alíquota zero do IPI. Prevalece, pois, o entendimento de que o produto comercializado pela recorrente, acondicionado unicamente para transporte, é não tributado, não podendo, assim, ser beneficiado pelo incentivo de que trata o crédito presumido do IPI (artigo 1º da Lei 9.363/96), nos termos postos na decisão embargada. A embargante alegou também que “[...] a manutenção dos créditos sobre as compras (presumidamente, em se tratando de pessoas físicas e suas cooperativas) decorre de imperativo constitucional [...]. [...] De fato, quando o Fisco nega o direito ao creditamento está, ainda que por via indireta, a tributar receitas de exportação, em flagrante inconstitucionalidade, vide EC 32/2001”. Quanto à alegada ofensa a princípios constitucionais, importa ressaltar que é vedado à instância administrativa negar a aplicação de lei que entenda inconstitucional, visto que tal forma de proceder, quanto aos seus efeitos, em nada divergiria da declaração de inconstitucionalidade no controle difuso, ou por via de exceção, que, como se sabe, é prerrogativa do Poder Judiciário. Se isso fosse possível, estarseia diante de hipótese de Fl. 224DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.14489.UY06. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.908962/200809 Acórdão n.º 380201.011 S3TE02 Fl. 5 9 atuação do julgador administrativo como verdadeiro legislador negativo, prerrogativa, como já dito, exclusiva do Poder Judiciário, que tem no Supremo Tribunal Federal o dever de ser o guardião principal da Constituição, nos termos do artigo 102, caput, da Constituição Federal. Aliás, especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais não se enquadra a matéria fática examinada. Vale lembrar que tal restrição já estava contemplada no artigo 49 do antigo Regimento dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF no 147, de 25/06/2007. O disposto acima também está pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Súmula no 02 do CARF, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa interpretá la e aplicála, processo do qual não integra o juízo de valor acerca da justiça ou da injustiça dos efeitos que gerou. Falece, pois, à autoridade administrativa, competência para excluir crédito tributário com fundamento em alegada ofensa a princípio constitucional, que, por natureza, é dirigido ao legislador ordinário. Da conclusão Diante do exposto, voto para conhecer dos embargos interpostos pela interessada, negandolhes, contudo, provimento. Sala de sessões, em 22 de maio de 2012. Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 225DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.14489.UY06. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS em 06/06/2012 10:26:12. Documento autenticado digitalmente por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS em 06/06/2012. Documento assinado digitalmente por: REGIS XAVIER HOLANDA em 14/06/2012 e FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS em 06/06/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 29/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP29.0320.14489.UY06 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: E2E722844695DA48E025FB1A7A9F443E90FAFA18 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10380.908962/2008-09. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11128.002765/2007-49
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 11/01/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO
EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX.
MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA.
OBRIGATORIEDADE.
O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsume-se à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a multa regulamentar fixada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003.
INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO DOS DADOS DO
EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA
ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não se aplica à penalidade decorrente da prática da infração por atraso no registro dos dados de embarque da carga marítima.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-000.568
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/01/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a multa regulamentar fixada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003. INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO DOS DADOS DO EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não se aplica à penalidade decorrente da prática da infração por atraso no registro dos dados de embarque da carga marítima. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. Fl. 166DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 19/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1745.839, de 04 de novembro de 2010 (fls. 91/99), proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II/SP (DRJ/SP2), em que, por unanimidade de votos, julgaram procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 01/10/2006 MULTA PELA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO A DESTEMPO SOBRE CARGA TRANSPORTADA POR VIA MARÍTIMA. Cabível a aplicação da multa do art. 107, inciso IV, alínea “e” do D.L. nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/03, ao transportador pela pelo descumprimento da obrigação acessória, ao prestar, a destempo, informação sobre carga embarcada por via marítima, descumprido o prazo estabelecido pela RFB, disposto no art. 37 da IN SRF nº 28/94, com a redação dada pela IN SRF no 510/05. Cabível também o enquadramento do caso ao entendimento da Solução de Consulta Interna da Cosit nº 8/2008, segundo a qual ‘deve ser aplicada ao transportador uma única multa de R$ 5.000,00, por se tratar de uma única infração’. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Por bem resumir os fatos registrados nos autos até a prolação da decisão de primeiro grau, transcrevo a seguir o Relatório encartado no Acórdão recorrido: Trata o presente processo de auto de infração, fls. 01/09, lavrado contra o contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência da Multa, no valor. de R$ 35.000,00, pelo descumprimento da obrigação acessória de prestação de informação sobre carga transportada por via marítima, no prazo determinado pela Receita Federal do Brasil, estabelecida no art. 37 da IN SRF nº 28/94, com a redação dada pela IN SRF no 510/05, com previsão em seu descumprimento da penalidade do art. 107, inciso IV, alínea ‘e’ do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/03. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11128.002765/200749 Acórdão n.º 380200.568 S3TE02 Fl. 145 3 Relata a autoridade fiscal que as mercadorias objeto das Declarações de Despacho de Exportação (DDE) listadas, fl.02, foram embarcadas ao amparo dos Conhecimentos Marítimos relacionados à fl.02, em 24/09/2006. Ocorre que a empresa responsável pelo transporte das mercadorias somente registrou os dados de embarque no Siscomex, em 25/10/2006, e 11/01/2007, 05/10/2006, 05/10/2006, 25/10/2006, 25/10/2006 e 25/10/2006, fls.20, 24, 27, 31 e 35, respectivamente, referentes às DDE’s mencionadas, à fl. 02. A legislação vigente, quando da exportação em pauta determinava que o registro dos dados de embarque das mercadorias, pelo transportador no Siscomex, deveria ser feito após 7 dias do embarque, conforme estabelecido no art. 37 da IN SRF nº 28/94, com a redação dada pela IN SRF no 510/05. Descumprido o referido prazo o transportador foi intimado (Intimação nº 042/07, fl.10) a apresentar o DARF com o recolhimento da multa prevista no inciso IV, alínea ‘e’ do art. 107 do DecretoLei nº 37/66, alterado pelo art. 77 da Lei nº 10.833/03, no valor. de R$ 35.000,00. A empresa transportadora não promoveu aquele recolhimento, razão pela qual foi lavrado o presente auto de infração, formalizando a exigência da referida multa, mediante a Notificação/GCOT nº 267/2007, fl.41. Cientificada em 08/05/07, fl. 39v., a contribuinte protocolizou a sua Impugnação em 06/06/2007, fls. 40/44, alegando, resumidamente, que: 1. a autuada prestou as informações sobre as cargas transportadas; 2. a intimação apenas compelia a contribuinte a recolher a multa exigida; 3. se trata de excesso de zelo da fiscalização, pois os dados de embarque foram informados; sua responsabilidade fica excluída pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Requer a relevação da infração por sua manifesta improcedência. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Interessada, por via postal (fl. 101v), em 23/11/2010. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 103/109, protocolado em 03/12/2010 (fl. 103), em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou a nulidade do presente Auto de Infração, com base no argumento de que não houve embaraço ou impedimento a ação fiscal. No final, requereu o acolhimento e provimento do presente Recurso, para que fosse julgado totalmente improcedente o lançamento. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 Em atenção ao despacho de fl. 143, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de abril de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso foi apresentado por parte legítima e em tempo hábil, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento, com exceção das alegações acerca da imposição da multa por embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, pela razões a seguir expostas. Da matéria não conhecida. No presente Recurso, alegou a Autuada que nulidade do presente Auto de Infração, com base no argumento de que não houve embaraço ou impedimento a ação fiscal. Em reforço a essa tese, a Recorrente trouxe à colação dos autos o enunciado da ementa e excertos do voto proferido pela DRJ/SPOII, no âmbito do processo administrativo 11128.005826/200487, que trata da aplicação da penalidade por embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “c”, do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003. Evidentemente, tal matéria é estranha aos presentes autos. Aqui se discute a legalidade da aplicação da multa por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada via marítima, destinada à exportação para o exterior, capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Por essa razão, deixo de conhecer das razões recursais atinentes à aplicação da multa por embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, objeto do processo nº 11128.005826/200487. Da matéria conhecida. A presente controvérsia limitase apenas a aplicação de uma das multas de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) objeto do presente Auto de Infração, haja vista que a decisão recorrida, de forma definitiva, já determinou o cancelamento das demais. Conforme já mencionado, nos presentes autos a multa aplicada foi motivada pela prática da infração tipificada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no Fl. 169DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11128.002765/200749 Acórdão n.º 380200.568 S3TE02 Fl. 146 5 prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), verificase que a conduta que motivou a imputação da multa em apreço fora a prestação da informação, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, atinentes às Declarações de Despacho de Exportação (DDE) discriminada na peça exordial (fl. 02), fora do prazo de sete dias, estabelecido no § 2º do art. 371 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, a seguir transcrito: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (...) § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. De fato, analisando os elementos probatórios coligidos aos autos (fls. 11/35), constatase que o embarque das mercadorias, objeto das referidas DDE, ocorreu em 24/09/2006, enquanto que os registros dos dados, no Siscomex, da carga embarcada ocorreram entre os dias 05/10/2006 (primeiro registro) e 11/01/2007 (último), portanto, além do prazo limite estabelecido no referido comando normativo. Assim, encontrase devidamente comprovado nos autos que houve o descumprimento, por parte da Autuada, da obrigação de prestar informação, no Siscomex, dos dados da carga embarcada, dentro prazo de 7 (sete) dias, estabelecido no § 2º do art. 37 da mencionada Instrução Normativa, conduta sancionada com a multa objeto da presente controvérsia. 1 A redação atual do referido artigo é a seguinte: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 3º Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana).(Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) Fl. 170DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Cabe ressaltar que a conduta típica descrita na norma em comente consiste em deixar de prestar informação sobre carga transportada em veículo de transporte de carga internacional, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Portanto, a conduta sancionada não é deixar de prestar informação, mas deixar de prestar informação fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, atualmente, Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). No presente caso, foi exatamente isso que ocorreu, haja vista que a Autuada, embora tenha prestado as informações da carga embarcada, prestouas após o prazo de 7 (sete) dias estabelecido na referida Instrução Normativa. Dessa forma, resta demonstrado que a conduta praticada pela Recorrente subsumese perfeitamente a hipótese da infração descrita no referido preceito legal, portanto sem mácula a presente autuação. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração, inexiste controvérsia nos autos. Com essas considerações, fica demonstrado que a multa remanescente foi aplicada com estrita observância dos preceitos legais vigentes. Da denúncia espontânea da infração por atraso na prestação de informação no Siscomex. Alegou a Recorrente que a multa imposta estaria excluída pela denúncia espontânea da respectiva infração. A alegação da Recorrente procede apenas em relação o requisito da tempestividade estabelecido no § 1º do citado artigo 102 do Decretolei nº 37, de 1966, haja vista que o último registro dos dados de embarque da carga ocorreu em 11/01/2007, ao passo que o presente procedimento fiscal teve início somente em 05/04/2007, conforme se observa na Intimação de fl. 10. Entretanto, por força do efeito excludente da responsabilidade decorrente da denúncia espontânea da infração, tal condição, por si só, não é suficiente para que seja relevada a exigência da multa em questão, conforme a seguir demonstrado. Do instituto da denúncia espontânea no âmbito da legislação aduaneira: condição necessária. No âmbito da legislação aduaneira, o instituto da denúncia espontânea e os requisitos para sua aplicação estão definidos no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 171DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11128.002765/200749 Acórdão n.º 380200.568 S3TE02 Fl. 147 7 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) É de fácil ilação que o objetivo da norma em destaque é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações relativas ao descumprimento das obrigações de natureza tributária e administrativa. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Nesse sentido, resta evidente que é condição necessária para a aplicação do instituto da denúncia espontânea que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator, em outros termos, é elemento essencial da presente excludente de responsabilidade que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, com base no teor do art. 102 do Decreto lei n° 37, de 1966, com as novas redações, está claro que as impossibilidades de aplicação do referido instituto podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica. No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade todas infrações que tem o atraso no cumprimento da obrigação imposta como elementar do tipo da conduta infratora, ou seja, que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial para a concretização da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm, no núcleo do tipo, o atraso no cumprimento da conduta imposta como sendo o elemento determinante da materialização da infração. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados do embarque da carga transportado em veículo de transporte internacional de carga. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar a informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação da informação intempestivamente materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a prestação da informação fora do prazo estabelecido, porém antes do início do procedimento fiscal, realizando o cumprimento da obrigação, mediante a denúncia espontânea, com exclusão da responsabilidade pela infração. Do ponto vista axiológico, nas infrações hipotéticas em apreço, os valores protegidos também são distintos. No primeiro caso, a conduta pretendida pelo legislador é a prestação da informação tempestiva, enquanto que no segundo caso, a conduta exigida é a simples prestação da informação. No presente caso, é evidente que a conduta comissiva que materializou a infração objeto da presente autuação foi a inserção dos dados do embarque no Siscomex após o prazo de sete dias estabelecido no § 2º do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação atribuída pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005. Logo, no caso em destaque, se o registro da informação a destempo materializou a infração tipificada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, não pode ser considerada, simultaneamente, como uma conduta realizadora da denunciação espontânea da mesma infração. De fato, se a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque materializa a conduta típica da infração sancionada com a penalidade pecuniária objeto da presente autuação, em consequência, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que a conduta que materializasse a infração fosse, ao mesmo tempo, a conduta que concretizasse a denúncia espontânea da mesma infração. No caso em apreço, se admitida pretensão da Recorrente, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da mencionada infração nunca resultaria na cobrança da referida multa, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, simultaneamente, a conduta que representativa da denúncia espontânea. Em consequência, tornarseia impossível a imposição da multa sancionadora da dita conduta, ou seja, existiria a infração, mas a multa fixada para sancionála não poderia ser cobrada por força da exclusão da responsabilidade do infrator. Tal hipótese, ao meu ver, representaria um contra senso do ponto de vista jurídico, retirando da prática da dita infração qualquer efeito punitivo. Nesse sentido, porém com base em fundamentos distintos, tem trilhado a jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" Fl. 173DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11128.002765/200749 Acórdão n.º 380200.568 S3TE02 Fl. 148 9 (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). II Agravo regimental improvido.(STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Os fundamentos da decisão apresentados pela E. Corte, foram basicamente os seguintes: (i) a inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária; e (ii) o descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com a devida vênia, tais argumentos não representam o melhor fundamento para a conclusão esposada pela E. Corte no referido julgado. No meu entendimento, para fim de definição dos efeitos do instituto da denúncia espontânea, é irrelevante a questão atinente à natureza intrínseca da multa tributária ou administrativa, isto é, se punitiva (ou sancionatória) ou indenizatória2 (ou ressarcitória), uma vez que toda penalidade pecuniária tem, necessariamente, natureza punitiva, pois decorre sempre da prática de um ato ilícito, consistente no descumprimento de um dever legal, enquanto que a indenização tem como pressuposto um dano causado ao patrimônio alheio, com ou sem culpa do agente. Essa questão, no meu entendimento, é irrelevante para definição do significado e alcance jurídicos da excludente da responsabilidade por denunciação espontânea em análise, seja no âmbito das penalidades tributárias ou administrativas. É consabido que todo ato ilícito previsto na legislação tributária e aduaneira configura, respectivamente, infração de natureza tributária ou aduaneira, independentemente dela decorrer do descumprimento de um dever de caráter formal (obrigação acessória) ou material (obrigação principal). Ademais, toda obrigação acessória tem vínculo indireto com o fato gerador da obrigação principal, instrumentalizandoo e, dessa forma, servindo de suporte para as atividades de controle da arrecadação e fiscalização dos tributos, conforme delineado no § 2º do art. 113 do CTN. Em conclusão, para fins de incidência da norma da denúncia espontânea, seja na esfera tributária ou aduaneira, a condição relevante é que a infração seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator, condição em que não se enquadra a infração objeto da presente autuação. Nesse sentido, consolidouse a jurisprudência deste E. Conselho, conforme enunciado da Súmula Carf nº 49, divulgada por meio da Portaria Carf nº 49, de 01 de dezembro de 2010, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. 2 A origem dessa discussão está na jurisprudência do C. STF (RE nº 79.625/SP) que tratou da natureza jurídica da multa moratória (se punitiva ou ressarcitória), quando julgou questões acerca da aplicação do art. 184 do CTN, que trata dos privilégios do crédito fiscal, no âmbito do processo de falência. Segundo o referido julgado, entendeu a Corte Suprema que a dita multa tinha natureza punitiva. Fl. 174DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 Com base nesse entendimento, rejeito os argumentos aduzidos pela Recorrente, para manter a cobrança da multa remanescente. Da conclusão. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra no Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 175DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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