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Numero do processo: 10925.900870/2008-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇÃO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO
O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados.
COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO.
É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis.
Numero da decisão: 3001-000.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que deu lhe provimento parcial para retorno dos autos à DRF de origem para análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇÃO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis.
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COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇÃO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comproválo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 08 70 /2 00 8- 78 Fl. 78DF CARF MF 2 comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que deu lhe provimento parcial para retorno dos autos à DRF de origem para análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. Relatório Despacho Decisório 759972124 Tratase de decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 06562.92759.130904.1.3.040990, referente a pagamento indevido ou a maior, sendo que o limite do Crédito analisado corresponde ao valor do crédito original na data de transmissão do PaR/DCOMP no total de R$ 1.320,00. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante do exposto, foi considerada não homologada a compensação e, como consequencia, posto em cobrança o crédito tributário cujo principal perfaz R$ 1.320,00, acrescido de multa no valor de R$ 264,00 e os correspondentes juros de R$ 677,82. Manifestação de Inconformidade Sustentou a Recorrente a ocorrência de erro na apuração de COFINS. Erro no Recolhimento Na competência Julho de 2004, recolheu, mediante DARF, à época, o valor de R$ 3.252,00, quando, na verdade, deveria ter recolhido R$ 1.932,00. Entregou Per/Dcomp a fim de compensar o valor pago a maior, no montante de R$ 1.320,00. Erro Preenchimento da DCTF Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10925.900870/200878 Acórdão n.º 3001000.203 S3C0T1 Fl. 79 3 Ocorreu que, no preenchimento da DCTF 3.º trimestre de 2004, outro erro. Agora, ao invés de informar a compensação, foi informado apenas os valores efetivamente recolhidos. DRJ/FNS A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 0719.535 4' Turma Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensaçao de créditos tributários depende da comprovaçao da liquidez e certeza dos créditos .contra a Fazenda Nacional. Manifestação de lnconfonnidade Irnprocedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação Dcomp, transmitida em 31/07/2004, por meio da qual a contribuinte acima identificada procedeu à compensação de créditos resultantes de pagamento indevido ou a maior. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis manifestouse por não homologar a compensação pleiteada (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação de que os créditos já teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Inconformada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que recolheu R$ 3.252,00 na competência 07/2004, onde o correto seria R$ 1.932,00. Entregou Per/Dcomp para compensar o valor de R$ 1.320,00 no mês de agosto de 2004. Retificou a DCTF ref. 3°. Trimestre/2004. Na DIPJ os valores foram declarados corretamente. No voto, a autoridade julgadora de primeira instância firma seu entendimento no sentido de delimitar o tema a ser enfrentado, qual seja, verificase nos autos que a contribuinte, ao proceder a compensação instrumentada por Per/Dcomp, não detinha tais créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional, Ausência de Retificação da DCTF No caso concreto que aqui se tem, a contribuinte, na data de apresentação da Dcomp, não havia retificado a DCTF, documento no qual, são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos Meio de Prova Fl. 80DF CARF MF 4 Ressaltase que o mencionado acórdão determinar que apenas retificar formalmente a DCTF, não tem o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por. Só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Concluiu a autoridade julgadora de primeira instância, que a retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a Dcomp apresentadas posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. Recurso Voluntário Sustentou a Recorrente, a ocorrência de erros, tanto na apuração da Cofins quanto no preenchimento da DCTF. Erro na apuração da Cofins A recorrente alegou erro na apuração de COFINS, referente à competência Julho de 2004. Recolheu, mediante DARF à época, o valor de R$ 3.252,00, quando, na verdade, deveria ter recolhido R$ 1.932,00. Entregou Per/Dcomp a fim de compensar o valor pago a maior, no montante de R$ 1.320,00. Erro Preenchimento da DCTF Ocorreu que, no preenchimento da DCTF 3.º trimestre de 2004, outro erro. Agora, ao invés defesa informar a compensação, foi informado apenas os valores efetivamente recolhidos. Como elemento de argumentação, asseverou que haviam outros documentos à disposição da autoridade fazendária, como a DACON, a qual poderia ser facilmente verificada, com o intuito de legitimar a existência do crédito. Após o recebimento do indeferimento, o ora recorrente efetuou imediatamente a retificação da DCTF, que, segundo sua tese, tornaria líquido e certo o crédito objeto da compensação. Finaliza por aduzir que a única exigência para a compensação é a entrega da declação de compensação. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O litígio contido neste processo administrativo fiscal gira em torno da falta, por parte da Recorrente, da efetiva demonstração de seu erro. Pretende a Recorrente, através de seu Recurso Voluntário, ver reconhecida, e, por conseguinte, restar declarada por este Conselho, a ocorrência de erro. Erro no preenchimento Segundo consta, a recorrente teria recolhido COFINS, referente à competência Julho de 2004. o valor de R$ 3.252,00, quando, na verdade, deveria ter recolhido Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10925.900870/200878 Acórdão n.º 3001000.203 S3C0T1 Fl. 80 5 R$ 1.932,00. Também no preenchimento da DCTF 3.º trimestre de 2004, outro erro. Ao invés defesa informar a compensação, foi informado apenas os valores efetivamente recolhidos Origem do Crédito Pleiteado A alegação da Recorrente referese a ocorrência de erro material, tanto na apuração do tributo em tela como em sua declaração em DCTF. Desta feita, ocorrera pagamento a maior, motivo pelo qual manejou a referenciada DCOMP, a fim de ressarcir o que considerou indevido, vez que apontou, a seu entender, a existência de crédito próprio suficiente para fomentar a compensação. Nestes autos, a Recorrente aponta ter retificado a DCTF após o recebimento do indeferimento, havendo, o ora recorrente, e, segundo sua tese, tornando líquido e certo o crédito objeto da compensação. Não assiste razão à tese advogada pela recorrente. A fim de demonstrar seu crédito, é seu dever apontar a origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito como da real ocorrência da operação. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Dos meios para a Comprovação do erro material O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou, o reflexo nas declarações eletrônicas retificadoras obrigações acessórias que servem para constituir o crédito tributário. No entanto, não indicou, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis que permitam, em sede Fl. 82DF CARF MF 6 de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados, de memoriais de cálculo, servirão à apreciação do julgador, e convencerse, justamente, do real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real ocorrência das operações negociais, como comprovantes de pagamentos e da efetiva prestação de serviço. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão: 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PR OVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invo cado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a i Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10925.900870/200878 Acórdão n.º 3001000.203 S3C0T1 Fl. 81 7 nexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus d e prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado. "Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a confissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendose necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Da Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.727412/2015-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012
REGIME NÃO CUMULATIVO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
1. O ICMS substituição tributária (ICMS-ST), pago pelo adquirente na condição de contribuinte substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria.
2. É incabível a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMS-ST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens.
DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA DA ATIVIDADE COMERCIAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. Na ausência de previsão legal, tais receitas não podem ser excluídas da base da referida contribuição.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012
1. O ICMS substituição tributária (ICMS-ST), pago pelo adquirente na condição de substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria.
2. É incabível a apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMS-ST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens.
DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA DA ATIVIDADE COMERCIAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. Na ausência de previsão legal, tais receitas não podem ser excluídas da base da referida contribuição.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA PAGAMENTO DE TRIBUTO. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
No âmbito do lançamento de ofício, é devida a aplicação da multa de de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012
JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE.
A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo que dava provimento parcial para excluir os lançamentos relativos às receitas de descontos obtidos e os Conselheiros José Renato P. de Deus, Diego Weis Jr (Suplente convocado) e Raphael M. Abad que davam provimento parcial para excluir os lançamentos relativos às receitas de descontos obtidos e para excluir a incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012 REGIME NÃO CUMULATIVO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O ICMS substituição tributária (ICMS-ST), pago pelo adquirente na condição de contribuinte substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. 2. É incabível a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMS-ST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA DA ATIVIDADE COMERCIAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. Na ausência de previsão legal, tais receitas não podem ser excluídas da base da referida contribuição. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012 1. O ICMS substituição tributária (ICMS-ST), pago pelo adquirente na condição de substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. 2. É incabível a apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMS-ST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA DA ATIVIDADE COMERCIAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. Na ausência de previsão legal, tais receitas não podem ser excluídas da base da referida contribuição. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA PAGAMENTO DE TRIBUTO. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. No âmbito do lançamento de ofício, é devida a aplicação da multa de de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012 JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012 REGIME NÃO CUMULATIVO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O ICMS substituição tributária (ICMSST), pago pelo adquirente na condição de contribuinte substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. 2. É incabível a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMSST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA DA ATIVIDADE COMERCIAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. Na ausência de previsão legal, tais receitas não podem ser excluídas da base da referida contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012 1. O ICMS substituição tributária (ICMSST), pago pelo adquirente na condição de substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 74 12 /2 01 5- 83 Fl. 4062DF CARF MF 2 2. É incabível a apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMSST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA DA ATIVIDADE COMERCIAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. Na ausência de previsão legal, tais receitas não podem ser excluídas da base da referida contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA PAGAMENTO DE TRIBUTO. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. No âmbito do lançamento de ofício, é devida a aplicação da multa de de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012 JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo que dava provimento parcial para excluir os lançamentos relativos às receitas de descontos obtidos e os Conselheiros José Renato P. de Deus, Diego Weis Jr (Suplente convocado) e Raphael M. Abad que davam provimento parcial para excluir os lançamentos relativos às receitas de descontos obtidos e para excluir a incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus. Fl. 4063DF CARF MF Processo nº 10480.727412/201583 Acórdão n.º 3302005.319 S3C3T2 Fl. 4.063 3 Relatório Por bem descrever os fatos adotase o relatório contido no acórdão recorrido, que segue transcrito: Tratase de impugnação apresentada contra os lançamentos das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas com incidência não cumulativa, referentes às competências de janeiro de 2011 a novembro de 2012. Segundo consta do Relatório de Auditoria Fiscal às fls. 82/102, parte integrante de cada um dos autos de infração, as diferenças dos valores das contribuições lançadas e exigidas decorreram da: I) indevida exclusão da base de cálculo das receitas de: I.1) descontos obtidos programa pagamento (421302); I.2) promoções (430312); I.3) promoção publicidade (430316); I.4) enxoval novas lojas (430320); I.5) acordos de não devolução (430322); e, I.6) não diferidas EITF (430331); II) glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre o valor do ICMS incidente sobre aquisições de mercadorias e materiais de embalagem, pago sob o regime de substituição tributária; e, III) glosa de créditos aproveitados sobre diferenças entre as aquisições de mercadorias constantes do "Relatório/Demonstrativo de Apuração PIS/COFINS 2011 Conta 400001 Conta 400101" e "Relatório Demonstrativo DCPISCOF 2011 Compras Valor Contábil Tributável". Intimado dos lançamentos, o interessado impugnouos (fls. 3.751/3.793), alegando, em síntese, que: I) as receitas escrituradas sob as contas: I.1) descontos obtidos programa pagamento (421302); I.2) promoções (430312); I.3) promoção publicidade (430316); I.4) enxoval novas lojas (430320); I.5) acordos de não devolução (430322); e, I.6) não diferidas EITF (430331), de fato, correspondem a descontos obtidos; assim, não constituem receitas e sim redução de custos acertados previamente com os fornecedores e, ainda, que se aceitasse que desconto é receita e, levandose em conta que só existem duas espécies de descontos, ou seja, incondicional, que não é tributado, e financeiro, que é tributado à alíquota zero, a exigência de contribuições sobre tais receitas é indevida; também, deve se atentar que os valores contabilizados naquelas contas não implicaram ingressos de valores no caixa do interessado, ou seja, não houve entrada de recursos, foram apenas descontos; alegou, ainda, que, segundo o art. 195, I, alíneas "a" a "c", art. 239, caput, e o art. 149, § 2º, III, alínea "a", todos da CF/1988, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento ou receita, o lucro e a folha de salário, sendo que desconto não se enquadra em nenhum destes itens; também, as LCs nº 7, de 1970, nº 70, de 1991, estabeleceram, respectivamente, como base de cálculo do PIS e da Cofins, o faturamento mensal decorrente da venda de mercadorias, Fl. 4064DF CARF MF 4 mercadorias e serviços ou simplesmente de serviços; sustentou que os descontos obtidos por ele interessado, embora não tenham constado das respectivas notas fiscais, como redutores dos custos dos produtos adquiridos, foram todos incondicionais e, portanto, não estão sujeitos às contribuições; alternativamente, se vencido, quanto à incondicionalidade, defende suas classificações como descontos financeiros que são tributados à alíquota zero; II) a glosa dos créditos aproveitados sobre o valor do ICMS pago sob regime de substituição tributária não procede, tendo em vista o disposto no § 1º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que prevê o aproveitamento sobre os custos das mercadorias adquiridas; como o ICMS substituição tributária integra tal custo, a glosa dos valores aproveitados, efetuada pelo autuante, deve ser revertida; e, III) glosa de créditos aproveitados sobre diferenças entre as aquisições de mercadorias constantes do "Demonstrativo de Apuração do PIS/COFINS" e os "Demonstrativos Analíticos", ou seja, no demonstrativo "DCPISCOF 2011 COMPRAS", ala (sic) foi equivocada; sustenta que a entrega do Relatório "DCPISCOF 2011 COMPRAS" foi uma exigência da fiscalização, contudo esse relatório não traduz a veracidade das aquisições que compuseram a base de cálculo dos créditos das contribuições; tratase de um relatório auxiliar utilizado até o ano calendário de 2009, com o objetivo de evidenciar os eventos ocorridos na conta contábil "400001 (Merc Nacionais Compras)"; a partir de 2010, passou a utilizar outro Relatório (FIS990), que foi utilizado até 2011; ocorreu que, no momento da fiscalização, ao tentar gerar esse relatório, verificouse que os dados estavam corrompidos e seria necessário desenvolver um novo relatório para entregar à fiscalização, contudo, como estava havendo demora na sua realização, a fiscalização determinou que fosse juntado o Relatório "DCPISCOF COMPRAS" sob pena de multa por embaraço; assim, embora ciente de que este relatório não representava as efetivas aquisições de mercadorias para revenda, apresentouo à fiscalização, conforme determinado por esta; também, em face das divergências, requereu prazo para justificálas, não obstante tal requerimento, foram lavrados os autos de infração; posteriormente, elaborou o relatório correto das compras efetuadas, apresentandoo juntamente com esta impugnação (doc. 07) no qual estão comprovados os créditos aproveitados, devendo, assim ser revertida a glosa dos valores efetuados pela fiscalização; alegou, ainda, literalmente: "A impugnante salienta inicialmente que tanto o Relatório DCPISCOF COMPRAS quanto o Relatório ora juntado (FIS990) apenas fazem referência aos créditos tomados em relação à conta contábil 400101 MAT EMBALAGEMCOMÉRCIO COMPRAS. Assim, de início, explicase que tanto Relatório DCPISCOF COMPRAS quanto o Relatório ora juntado apresentam como diferença para a apuração da Impugnante os valores referentes aos créditos tomados em relação à contábil 400101 MAT EMBALAGEMCOMERCIOCOMPRAS. Assim, desde já a Impugnante justifica que parte da base de cálculo denominada como "diferença" está incorreta, pois tanto o Fl. 4065DF CARF MF Processo nº 10480.727412/201583 Acórdão n.º 3302005.319 S3C3T2 Fl. 4.064 5 DCPISCOF COMPRAS quanto o presente Relatório de Compras não incluem os créditos da conta contábil 400101, que a fiscalização somou aos créditos da conta contábil 400001 para chegar ao valor da coluna denominada "Total". Assim, dos valores gerados pela Fiscalização há um erro de R$ 5.834.305,48 (ao longo do ano), referente à soma dos créditos da contábil 400101. Por outro lado, tanto o Relatório DCPISCOF COMPRAS quanto o Relatório ora juntado não foram concebidos para evidenciar alguns eventos tais como ajustes manuais e ajustes extemporâneos. Para os meses de abril, maio, julho e agosto, ocorreu um ajuste extemporâneo efetuado pela Impugnante em virtude de adequação à legislação em relação à tomada de créditos de itens de informática (efeitos da MP do bem nº 252/2005). É que por erro no sistema da Impugnante, esses itens de informática, foram cadastrados como alíquota zero na saída, e não tomavam crédito na entrada. Ocorre que os citados itens, apesar de incidir alíquota zero na saída, dão direito ao crédito na entrada. Assim, naqueles meses (abril R$ 13.906.756,51, maio R$ 25.712;203,53, julho 4.029.196,56 e agosto R$ 1.020.300,00), a Impugnante efetuou ajuste que os Relatórios não foram parametrizados para evidenciar. Por isso, a diferença obtida em virtude da não evidenciação dos valores acima pelos relatórios, deve ser excluída da base de cálculo apurada pela fiscalização. Por fim, nos meses de outubro a dezembro, a Impugnante efetuou outro ajuste, dessa feita para adequar créditos indevidos que inicialmente tomou no momento da entrada de iogurtes e bebidas lácteas, e massas. De fato, naqueles meses (outubro R$ (2.596.764,81), novembro R$ (406.898,70), dezembro (R$ 463.967,88) a Impugnante efetuou ajustes que também não foram evidenciados em ambos os relatórios." Contestou o lançamento da multa de ofício sob os argumentos de que a autoridade lançadora não tem competência para aplicála, mas apenas para propôla, nos termos do art. 142 do CTN; o valor lançado e exigido tem efeito confiscatório, fere os princípios da isonomia e da proporcionalidade, e, necessariamente, deveria ter sido individualizada pelo Fisco; insurgiu também contra a exigência de juros de mora sobre a multa aplicada sob o argumento que, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, somente são admitidos acréscimos moratórios referentes aos débitos "decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre penalidades pecuniárias". Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 3943/3954), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: Fl. 4066DF CARF MF 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. A base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência não cumulativa é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua natureza, denominação e classificação contábil. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DE DESCONTOS OBTIDOS SOB CONDIÇÕES. As receitas decorrentes de descontos obtidos, mediante o cumprimento de condições acordadas entre o fornecedor e o adquirente, integram a base de cálculo do PIS sob o regime não cumulativo. BASE DE CÁLCULO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO. AMPARO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Inexiste amparo legal para se excluir da base de cálculo do PIS não cumulativo o valor do ICMS pago antecipadamente sob o regime de substituição tributária. GLOSAS. DIFERENÇAS. RESTABELECIMENTO. PROVAS. O restabelecimento de glosas de valores sobre diferenças apuradas entre as aquisições constantes do Relatório/Demonstrativo de Apuração PIS/COFINS 2011 e às do Relatório Demonstrativo DCPISCOF 2011 Compras Valor Contábil Tributável depende de prova fiscal e contábil de erros nos respectivos relatórios. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. A base de cálculo da Cofins com incidência não cumulativa é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua natureza, denominação e classificação contábil. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DE DESCONTOS OBTIDOS SOB CONDIÇÕES. As receitas decorrentes de descontos obtidos, mediante o cumprimento de condições acordadas entre o fornecedor e o adquirente, integram a base de cálculo da Cofins sob o regime não cumulativo. BASE DE CÁLCULO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO. AMPARO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Inexiste amparo legal para se excluir da base de cálculo da Cofins não cumulativa o valor do ICMS pago antecipadamente sob o regime de substituição tributária. Fl. 4067DF CARF MF Processo nº 10480.727412/201583 Acórdão n.º 3302005.319 S3C3T2 Fl. 4.065 7 GLOSAS. DIFERENÇAS. RESTABELECIMENTO. PROVAS. O restabelecimento de glosas de valores sobre diferenças apuradas entre as aquisições constantes do Relatório/Demonstrativo de Apuração PIS/COFINS 2011 e às do Relatório Demonstrativo DCPISCOF 2011 Compras Valor Contábil Tributável depende de prova fiscal e contábil de erros nos respectivos relatórios. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012 MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício para a constituição e exigência de crédito tributário, é devida a multa punitiva nos termos da legislação tributária então vigente. JUROS DE MORA. MULTA APLICADA. A apreciação e julgamento da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício ficaram prejudicadas pelo fato de esta não fazer parte do crédito tributário impugnado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 27/5/2016, a autuada foi cientificada, por decurso de prazo, da referida decisão (fls. 3961/3967). Inconformada, em 28/6/2016(fls. 3969 e 4050), juntou aos autos o recurso voluntário de fls. 3970/4013, em que reafirmou as razões de defesa apresentadas na peça impugnatória. Em aditamento, a recorrente alegou a nulidade da decisão de primeiro grau por cerceamento do direito defesa, com base no argumento de que, no referido julgado, não foram analisados os argumentos apresentados na peça impugnatória sobre os equívocos da glosa, tendo em vista que o Relatório DCPISCOF COMPRAS não contemplava os créditos relacionados à conta contábil 400101, bem como os ajustes manuais e extemporâneos de créditos. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. De acordo com o relatório precedente, a lide envolve questões preliminares e de mérito. Da Questão Preliminar Fl. 4068DF CARF MF 8 Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida por suposto cerceamento do direito de defesa, sob argumento de que o Colegiado julgador de primeiro grau não havia apreciado as razões de defesa atinentes à glosa dos créditos relacionados à conta contábil 400101 (material de embalagem), bem como os ajustes manuais e extemporâneos de créditos, não contemplados no Relatório DCPISCOF COMPRAS. Não restou demonstrado que tais alegações não foram analisadas no julgado de primeiro grau. A leitura do voto condutor da questionada decisão revela que, diferentemente do alegado pela recorrente, tais alegações foram sim analisadas, porém, após análise dos dados apresentados pela recorrente, o relator do citado voto chegou a conclusão de que se tratava de aquisições de mercadorias que não permitia a apropriação de créditos (produtos sujeitos ao regime monofásico, a alíquota zero, créditos presumidos etc.) e, ademais, a recorrente não se dignou trazer à colação dos autos qualquer documento fiscal ou contábil que confirmassem os valores por ela alegados. Para afastar qualquer dúvida a respeito do asseverado, transcrevese a seguir os excertos pertinentes extraídos do referido voto: Juntamente com a impugnação, o interessado apresentou novo "Relatório Demonstrativo de Apuração PIS COFINS 2011 Conta 400001 e Conta 400101 e Relatório 2011 Compras Valor Contábil Tributável" às fls. 3.908, a "REVISÃO QUADRO Dif Compras Auditor Fiscal", às fls. 3.909, e as planilhas "BPSN ENTRADAS 2011", às fls. 3.910/3.934, de todos os meses de 2011, visando provar o equívoco das glosas efetuadas pela Fiscalização. No entanto, do exame daquelas planilhas, verificase que os valores constantes do relatório às fls. 3.908, item "Relatório 2011 Compras Valor Contábil Tributável", defendidos pelo interessado, como base dos créditos aproveitados, constam valores bastantes elevados correspondentes a aquisições de mercadorias que não geram créditos, dentre eles destacamse: bebidas não alcoólicas, produtos de higiene pessoal, produtos de beleza, medicamentos, cosméticos, todos sujeitos ao regime monofásico; hortifrutis, tributados à alíquota de zero por cento; carnes bovina, suína e de aves geram créditos presumidos (40,0 % para bovinos e 12,0 % para aves e suínos) e não créditos a alíquotas cheias (1,65 % e 7,60 %) considerados pelo interessado; e, custos referentes a commodities, sem, contudo, identificar a natureza destas. Assim, aquele Relatório tornase imprestável para se provar o suscitado equívoco na elaboração do "Relatório Demonstrativo DCPISCOF 2011 Compras Valor Contábil Tributável", apresentado à Fiscalização e utilizado para as glosas. Além disto, veio desacompanhado de documentos fiscais e contábeis, provando a veracidade dos valores e a natureza das mercadorias. Com base no exposto, chegase a conclusão que as mencionadas alegações de defesa suscitadas pela recorrentes foram sim analisadas no voto condutor do julgado, porém, todas elas foram rejeitadas, porque as operações informadas não asseguravam a apropriação de créditos das contribuições e/ou não foram apresentadas as provas documentais necessárias a comprovação das correspondentes operações. Por essas razões, rejeitase a presente preliminar de nulidade e passase a analisar as questões meritórias. Fl. 4069DF CARF MF Processo nº 10480.727412/201583 Acórdão n.º 3302005.319 S3C3T2 Fl. 4.066 9 Das Questões de Mérito Em relação ao mérito, o litígio envolve questões atinentes à legitimidade do lançamento dos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins dos meses de janeiro de 2011 a novembro de 2012, apurados sobre a parcela das receitas tributáveis não incluídas nas bases de cálculo das referidas contribuições, bem como as glosas de créditos indevidamente apropriados pela recorrente, a seguir analisadas. Das receitas de descontos obtidos não incluídas na base de cálculo De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 82/103), que integra as presentes autuações, a autuada não incluiu na base de cálculo das referidas contribuições os valores das receitas registradas nas seguintes contas contábeis: a) 421302 descontos obtidos programa pagamento; b) 430312 promoções; c) 430316 promoção publicidade; d) 430320 enxoval novas lojas; e) 430322 acordos de não devolução; e f) 430331 não diferidas EITF. No entendimento da fiscalização, os valores registrados nas referidas contas representavam faturamento e, portanto, receitas tributáveis pelas citadas contribuições. Diante dessa constatação, o fiscalização intimou a autuada a explicar a natureza jurídica dos valores registrados nas mencionadas contas e a apresentar as razões pelas quais não incluíra tais valores na base de cálculo das referenciadas contribuições, inclusive, o fundamento legal da não tributação das referidas receitas. Em resposta, autuada apresentou os seguintes esclarecimentos, in verbis: Os lançamentos contábeis efetuados nas contas acima mencionadas se referem a descontos recebidos dos fornecedores decorrentes de acordos comerciais (doc. 01) firmados anteriormente a compra. Para que não haja a divulgação do preço praticado com o Bompreço, o fornecedor emite nota fiscal com seu preço base (utilizado para seus clientes). Todavia, já está consignado nos acordos comerciais os percentuais de desconto a serem concedidos ao Bompreço quando do pagamento da fatura. Do ponto de vista econômico, referidos descontos tem o condão de reduzir o custo das mercadorias a serem vendidas. Do ponto de vista gerencial, o Bompreço contabiliza referidos descontos em cada uma das rubricas mencionadas (promoções, aniversário, novas lojas, publicidade, etc.), para melhor controle das negociações. Dessa forma, considerando que os descontos (seja de que natureza for condicional ou incondicional), não se consideram receita do ponto de vista jurídico, apesar de terem sidos tratados do ponto de vista contábil (só para fins de controle gerencial); por conseguinte, não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Esses esclarecimentos revelam a natureza das referidas receitas, ou seja, representam descontos recebidos/obtidos dos fornecedores, bem como o entendimento da recorrente de que tais valores não integravam a base de cálculo das referidas contribuições, porque, sob ponto de vista jurídico, independentemente de serem condicional ou incondicional, Fl. 4070DF CARF MF 10 tais descontos não representavam receitas, apesar de serem tratados como receitas sob o ponto de vista contábil. A fiscalização ainda prestou os seguinte relevantes esclarecimentos sobre o assunto: a) as citadas contas registravam valores recebidos pelo autuada de entidades consideradas “parceiras”, em virtude de entendimentos contratuais (ou não); logo, independente da denominação atribuída a “tais entradas de recursos (‘receitas de promoção’, ‘eventos promocionais’, ‘publicidade’, ‘enxoval nova loja’, ‘acordo de não devolução’, ‘EITF’, ‘descontos obtidos programa pagamento’, etc.)” eles representava efetivas receitas (faturamento) para o negócio da fiscalizada; b) não eram descontos financeiros, porque não representava estímulo a pagamento antecipado de obrigação; c) não eram descontos incondicionais, porque não constavam das respectivas notas fiscais; e d) a apuração dos créditos das contribuições é feita sobre os valores integrais das compras, sem dedução dos citados valores. No recurso em apreço, a recorrente alegou que os valores em questão representavam descontos acertados com os fornecedores, previamente às compras, mediante acordo comercial celebrado por período determinado (normalmente a cada ano). Assim, em essência, tratavase de um redutor do custo de aquisição materializado por um desconto no valor da nota fiscal, que não poderia ser considerado receita, porque foram escriturados e contabilizados em contas contábeis de receitas. Logo, independentemente de como contabilizado, desconto não era receita e não constituía fato gerador das citadas contribuições. Para a recorrente, “descontos são descontos e nada mais”. Entretanto, se para a recorrente “descontos são descontos e nada mais”, para a contabilidade e legislação tributária descontos são receitas e, de acordo com o art. 1º, §§ 1º e 2º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, sujeitas a tributação da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Para que não reste dúvida a respeito, transcrevese a seguir os citados preceitos legais, com redação vigente na data dos fatos geradores, extraídos último diploma legal: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. [...] (grifos não originais) A partir da vigência dos referidos preceitos legais, que introduziram o regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, integram o faturamento e a base de cálculo das referidas contribuições. A recorrente equivocase ao afirmar que, independentemente de serem contabilizados como receita, sob ponto de vista jurídico tais descontos não eram receitas, haja vista que, a simples leitura do referido preceito legal, deixa claro que, para fins de tributação Fl. 4071DF CARF MF Processo nº 10480.727412/201583 Acórdão n.º 3302005.319 S3C3T2 Fl. 4.067 11 das referidas contribuições, o conceito de receita utilizado é o definido e adotado pela contabilidade. Também não é verdade a afirmação da recorrente de que os referidos descontos constavam da nota fiscal, pois, conforme informou a fiscalização tais descontos não constavam das respectivas notas e, ademais, recorrente registrou o valor total da nota fiscal como custo de aquisição dos bens, inclusive sobre este valor calculou os créditos das referidas contribuições. Para que fosse admitida, essa alegação demandava comprovação, o que não foi feito pela recorrente. Também não se aplica os conceitos das Leis Complementares 7/1970 e 70/1991 ao caso em tela, segundo alegou a recorrente. Como anteriormente mencionado, no âmbito do regime não cumulativo, os conceitos de faturamento e de base cálculo a serem utilizados são aqueles definidos no art. 1º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Por mais que a recorrente tenha tentado demonstrar que os referidos descontos não são receita, inclusive com citações doutrinárias, tais argumentos, por mais brilhantes e sofisticados que sejam, certamente, não têm o condão de suplantar o que, expressamente, determina os referidos preceitos legais. A recorrente alegou ainda que o desconto, em alguma de suas modalidades, pudesse ser considerado receita, para fins de apuração das contribuições, o que admitia por hipótese, era certo que o desconto incondicional não se tratava de receita, pois representava redução do custo de aquisição, excluído da base de cálculo das contribuições, por força do disposto no art. 1º, § 3º, V, “a”, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, cuja redação tem o seguinte teor: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: [...] V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; [...] (grifos não originais) A leitura do referido preceito legal conduz a duas conclusões inevitáveis. A primeira que, para fins de incidência das referidas contribuições, os descontos condicionais ou incondicionais são receitas, pois, se não fossem receita, obviamente, não havia necessidade da lei, expressamente, excluílos da base de cálculo das referidas contribuições, para que não houvesse a incidência. Fl. 4072DF CARF MF 12 A segunda conclusão, que somente os descontos incondicionais concedidos podem ser excluídos da base de cálculo das referidas contribuições. A contrário senso, os descontos incondicionais obtidos não foram contemplados com a exclusão permitida pelo preceito legal em destaque. Logo, o fato de ser incondicional, o que se admite apenas por hipótese, em nada favorece a recorrente, haja vista que os descontos em questão foram descontos obtidos e não concedidos. Em outras palavras, foram descontos obtidos pela recorrente nas operações de compra e não de venda. Nesse caso, independentemente de ser condicional ou não, os descontos obtidos do fornecedor não podem ser excluído da base de cálculo da referidas contribuições. No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF no Acórdão nº 9303003.547, cujos enunciados das ementas pertinentes seguem reproduzidos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/01/2008 a 31/12/2009 BASEDECÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração:01/01/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. Além disso, sabese que os descontos incondicionais concedidos ou obtidos nas operações mercantis são os abatimentos nos preços que não se condicionam a evento futuro e incerto, logo, necessariamente, devem estar consignados corpo da nota fiscal que lastreia a respectiva operação mercantil. Se No caso em tela, há elementos seguros nos autos que comprovam que os descontos excluídos da base de cálculo pela recorrente, embora concedidos previamente a operação de venda, conforme afirmado pela própria recorrente, eles não constavam das respectivas notas fiscais que acobertavam as correspondentes operações mercantis. Dessa forma, não são descontos incondicionais e tampouco descontos concedidos, logo, não se enquadram na hipótese de exclusão assegurada no art. 1º, § 3º, V, “a”, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Em caráter alternativo, contraditoriamente, a recorrente alegou que, em essência, os referidos descontos incondicionais foram materializados sob a forma de desconto financeiro, via desconto do passivo a pagar, portanto, tratavase de receita financeira sujeita a alíquota zero das referidas contribuições, nos termos do Decreto 5.442/2005. Fl. 4073DF CARF MF Processo nº 10480.727412/201583 Acórdão n.º 3302005.319 S3C3T2 Fl. 4.068 13 Além de não ser incondicional, como anteriormente demonstrado, os descontos em questão, inequivocamente, não são descontos financeiros, que tem como característica essencial a depender da concretização de evento futuro e incerto, ou seja, um típico desconto condicional e não incondicional como asseverou a recorrente. O desconto financeiro representa vantagem financeira concedida aos portadores de dívidas ou obrigações, normalmente, sujeita a pagamento antecipado, ou seja, a redução pecuniária somente será materializada se o pagamento da dívida for realizado dentro das condições estabelecidas pelo credor. Tratase de estímulo à liquidação antecipada da obrigação assumida, portanto, modalidade de desconto que não tem relação direta com a transação mercantil em si. Ele está relacionado apenas com as condições de pagamento. No caso, é incontroverso que os descontos obtidos pela recorrente foram concedidos previamente as operações mercantis de venda, portanto, sem qualquer dependência a condição de pagamento. Logo, não se trata de descontos financeiros e, em decorrência, os valores reduzidos não são receitas financeiras sujeitas a alíquota zero, como alegado pela recorrente. Enfim, a análise dos documentos referentes aos lançamentos (registros) nas referidas contas contábeis, incluindo o instrumento de acordo comercial, colacionados aos autos na fase impugnatória (doc. 04 a 06), ao contrário do pretendido pela recorrente, contribuem para confirmar que tais valores representam descontos obtidos dos fornecedores, portanto, receita sujeita à tributação por alíquota normal das referidas contribuições e não receita financeira sujeita à alíquota zero, como alegado pela recorrente. Da glosa de créditos apropriados sobre o valor do ICMS Substituição Tributária (ICMSST) De acordo com o citado Relatório de Auditoria Fiscal, a fiscalização apurou que, além da apropriação dos créditos sobre o valor de aquisição de mercadorias e material de embalagem, contabilizados nas contas “400001 – Mercadoria Nacional Compras” e “400101 – MAT EMBALAGEMCOMERCIOCOMPRAS”, a autuada também se apropriou da parcela dos créditos calculada sobre o valor do ICMSST. Para a fiscalização, essa apropriação foi indevida, pelas razões a seguir expostas, in verbis: Como é sabido, nas operações de compra e venda com substituição tributária do ICMS, o comprador (substituído tributário), paga (antecipadamente) o ICMS que será devido na (futura) operação de venda dessa mercadoria. A retenção e recolhimento deste ICMS ST é de responsabilidade do vendedor (substituto tributário). No entanto, o valor do ICMS ST, pago antecipadamente pelo substituído e retido/recolhido pelo substituto, não compõe o custo da mercadoria para o comprador (substituído), portanto, não gera crédito do PIS/Cofins na compra, e igualmente, não compõe a receita do vendedor (substituto), não é base de cálculo dos PIS/Cofins na venda. (grifos não originais) De outra parte, no recurso em apreço, a recorrente alegou que não sendo o ICMSST tributo recuperável, em consonância com o art. 289, § 3º, do RIR/1999, compunha o custo de aquisição, de forma que devia ser incluído na base de cálculo de apuração do crédito das contribuições a ser descontado. Destacou ainda a recorrente que, a teor do art. 8º, § 3º, da Fl. 4074DF CARF MF 14 IN SRF 404/2004, o ICMS integra a base de cálculo das contribuições. E a norma não restringe a origem do ICMS, se oriundo da obrigação tributária do vendedor ou da antecipação das etapas seguintes de circulação. Não procedem a alegação da recorrente. A uma, porque o art. 289, § 3º, do RIR/1999, tratase de disposição normativa específica sobre a apuração de custo de mercadorias para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ. Assim, por ser norma específica do IRPJ, ela não se aplica para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, no âmbito do regime não cumulativo que, sabidamente, tem norma própria e específica sobre o assunto, a saber, o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A duas, porque a previsão contida no art. 8º, § 3º, da Instrução Normativa SRF 404/2004 restringese ao ICMS normal pago pelo adquirente da mercadoria na operação de compra e a razão para essa inclusão está no fato de que, nos termos do art. 13, § 1º, I, da Lei Complementar 87/1996, o montante do ICMS (normal) integra sua própria base de cálculo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. Tratase de critério de apuração denominado de cálculo “por dentro”, que faz com que o montante do imposto não possa ser dissociado do valor da mercadoria e, por essa razão, integre o seu custo de aquisição O referido preceito normativo, diferente do alegado pela recorrente, não contempla o valor do ICMSST, cujo valor é destacado na nota fiscal de venda do contribuinte substituto e cobrado do destinatário (contribuinte substituído), porém, constitui uma mera antecipação do devido pelo contribuinte substituído. Logo, o valor do ICMSST destacado na nota fiscal não integra a base de cálculo das contribuições devidas pelo contribuinte substituto (o vendedor). Este tipo de imposto tem caráter de imposto pago antecipadamente, cujo fato gerador (presumido) ocorrerá posteriormente. Dada essa peculiaridade, o valor do ICMSST destacado na nota fiscal e recolhido antecipadamente pelo contribuinte substituto, obviamente, não pode compor o custo de aquisição da mercadoria adquirida, posto que esse valor, embutido no montante do preço pago pelo adquirente (contribuinte substituído), corresponde exatamente ao valor do imposto que o contribuinte substituído deixará de recolher aos cofres estaduais no instante em que efetuar a operação de venda. Afirmar o contrário, seria admitir a possibilidade de apuração de crédito sobre o imposto devido pelo contribuinte substituído e recolhido antecipadamente pelo contribuinte substituto. Não se pode olvidar que o ICMSST não constitui tributo devido na aquisição da mercadoria para revenda, mas imposto devido pelo adquirente, que deveria recolher o referido imposto quando da saída da mercadoria, mas não o faz, porque o valor já fora recolhido pelo contribuinte substituto na operação anterior. Assim, o contribuinte não pode se creditar de uma parcela que integra o seu faturamento, já que sobre o faturamento, há pagamento de contribuição e não desconto de crédito, os quais incidem sobre custos, despesas ou encargos, conforme estabelecido no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O contrário resultaria ausência de tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins sobre o valor do ICMSST, pois, se simultaneamente à inclusão do ICMSST na base de cálculo do contribuinte substituído, fosse permitido que o mesmo valor do ICMSST compusesse a base para o cálculo dos créditos, o resultado do somatório das duas parcelas seria zero, ou seja, seria aritmeticamente equivalente a não tributar a parte do faturamento a que se refere o ICMSST. Fl. 4075DF CARF MF Processo nº 10480.727412/201583 Acórdão n.º 3302005.319 S3C3T2 Fl. 4.069 15 O entendimento aqui esposado está em perfeita consonância com o externado pela Administração Tributária, por meio das Soluções de Consulta Cosit 106/2014 e 99041/2017, cujos enunciados das ementas seguem transcritos: Solução de Consulta Cosit 106/2014 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. No regime de apuração não cumulativa, o valor do ICMS, incidente na aquisição, integra a base de cálculo da Cofins para fins de crédito, faz parte do custo de aquisição do bem ou serviço, nos termos do inciso II do § 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004. A pessoa jurídica poderá descontar créditos, inclusive de ICMS, calculados com base no custo de aquisição de mercadoria adquirida para revenda, inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. O ICMS substituição tributária (ICMSST), pago pelo adquirente na condição de substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. Sobre a parcela do ICMSST, não poderá a pessoa jurídica descontar créditos de Cofins. Dispositivos Legais: Art. 150 da CF/88; arts. 9º, 10 e 13 da Lei Complementar nº 87, de 1996; arts. 3º e 66 da Lei nº 10.637, de 2002; art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004; Instrução Normativa SRF nº 594, de 2005; Parecer Normativo CST nº 70, de 1972 (Publicado no DOU 22.03.1972); Parecer Normativo CST nº 77, de 1986 (DOU 28/10/86). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. No regime de apuração não cumulativa, o valor do ICMS, incidente na aquisição, integra a base de cálculo da PIS/Pasep para fins de crédito, faz parte do custo de aquisição do bem ou serviço. A pessoa jurídica poderá descontar créditos, inclusive de ICMS, calculados com base no custo de aquisição de mercadoria adquirida para revenda, inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. O ICMS substituição tributária (ICMSST), pago pelo adquirente na condição de substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. Sobre a parcela do ICMSST, não poderá a pessoa jurídica descontar créditos de PIS/Pasep. Fl. 4076DF CARF MF 16 Dispositivos Legais: Art. 150 da CF/88; arts. 9º, 10 e 13 da Lei Complementar nº 87, de 1996; art. 66 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002; Instrução Normativa SRF nº 594, de 2005; Parecer Normativo CST nº 70, de 1972 (Publicado no DOU 22.03.1972); Parecer Normativo CST nº 77, de 1986 (DOU 28/10/86) Solução de Consulta Cosit 99041/2017: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMSST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens. [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMSST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens. [...]. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também manifestou o mesmo entendimento de que o ICMS Substituição Tributária não integra o custo dos bens e serviços, no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.456.648/RS, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/1973. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. VALORES REFERENTES A ICMSSUBSTITUIÇÃO (ICMS ST). IMPOSSIBILIDADE. 1. Não tem direito o contribuinte ao creditamento, no âmbito do regime não cumulativo do PIS e COFINS, dos valores que, na condição de substituído tributário, paga ao contribuinte substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMS substituição. 2. Quando ocorre a retenção e recolhimento do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ICMSST), a empresa substituta não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Nessa situação, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa substituta que se torna apenas depositária de tributo (responsável tributário por substituição ou agente arrecadador) que será entregue ao Fisco. Então não ocorre a incidência das contribuições ao PIS/PASEP, COFINS, já que não há receita da empresa prestadora substituta. É o que Fl. 4077DF CARF MF Processo nº 10480.727412/201583 Acórdão n.º 3302005.319 S3C3T2 Fl. 4.070 17 estabelece o art. 279 do RIR/99 e o art. 3º, §2º, da Lei n. 9.718/98. 3. Desse modo, não sendo receita bruta, o ICMSST não está na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas devidas pelo substituto e definida nos arts. 1º e §2º, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003. 4. Sendo assim, o valor do ICMSST não pode compor o conceito de valor de bens e serviços adquiridos para efeito de creditamento das referidas contribuições para o substituído, exigido pelos arts. 3, §1º, das Leis n n. 10.637/2002 e 10.833/2003, já que o princípio da não cumulatividade pressupõe o pagamento do tributo na etapa econômica anterior, ou seja, pressupõe a cumulatividade (ou a incidência em "cascata") das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. 5. Recurso especial não provido.1 No voto condutor julgado o Ministro Mauro Campbell expôs com clareza e objetividade os fundamentos da decisão nos excertos que seguem transcritos: Quando ocorre a retenção e recolhimento do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ICMSST), a empresa substituta não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Nessa situação, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa substituta que se torna apenas depositária de tributo (responsável tributário por substituição ou agente arrecadador) que será entregue ao Fisco. Então não ocorre a incidência das contribuições ao PIS/PASEP, COFINS, já que não há receita da empresa prestadora substituta. É o que estabelece o art. 279 do RIR/99 e o art. 3º, §2º, da Lei n. 9.718/98, que trata das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS cumulativas, in verbis: RIR/99 Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Lei n. 9.718/98 1 BRASIL STJ. SEGUNDA TURMA. REsp 1456648/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, julgado em 02/06/2016, DJe 28/06/2016. Fl. 4078DF CARF MF 18 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; [...] Desse modo, não sendo receita bruta, o ICMSST não está na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas devidas pelo substituto e definida nos arts. 1º e §2º, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Transcrevo: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Sendo assim, o valor do ICMSST não pode compor o conceito de valor de bens e serviços adquiridos para efeito de creditamento das referidas contribuições para o substituído, exigido pelos arts. 3, §1º, das Leis n n. 10.637/2002 e 10.833/2003. De observar que o princípio da não cumulatividade pressupõe o pagamento do tributo na etapa econômica anterior, ou seja, pressupõe a cumulatividade (ou a incidência em "cascata") das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. (...) Com efeito, o ICMSST, se fosse recolhido na sistemática normal, sem substituição, seria um tributo de ICMS devido na saída da mercadoria do estabelecimento do contribuinte substituído, ou seja, o valor correspondente representaria receita do substituído que seria tributada pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. Assim, representaria DÉBITO de Fl. 4079DF CARF MF Processo nº 10480.727412/201583 Acórdão n.º 3302005.319 S3C3T2 Fl. 4.071 19 contribuições ao PIS/PASEP e COFINS e não CRÉDITO, como pretende o substituído. De ver que seu CRÉDITO está restrito ao valor das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre o ICMS embutido nas mercadorias que adquire do estabelecimento anterior na cadeia e que paga como contribuinte de fato. Admitirse o creditamento também pelo ICMSST pago pelo substituto tributário seria admitir duplo creditamento ao substituído: primeiro pelo valor das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre o ICMS embutido nas mercadorias que adquire do substituto, segundo pelo ICMSST (sobre o qual não incidiram as contribuições ao PIS/PASEP e COFINS) embutido no preço dessas mesmas mercadorias, criandose benefício fiscal não estabelecido em lei. Enfim, cabe ressaltar que, diferentemente do asseverado pela recorrente, a disciplina normativa do assunto foi dada pela Instrução Normativa SRF 594/2005, que dispõe sobre a incidência monofásica da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre os produtos que menciona. E para fim de apuração da base de cálculo dos créditos das citadas contribuições, o valor do ICMSST não integra o custo de aquisição dos citados bens, conforme determina o art. 26, § 6º, II, da citada IN, a seguir transcrito: Art. 26. Na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, a pessoa jurídica pode descontar, do valor das contribuições decorrente de suas vendas, créditos relativos a: (...) § 6º Para efeitos deste artigo: I o IPI incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o custo dos bens; e II o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, não integra o custo dos bens ou serviços. [...] Com base nessas considerações, resta demonstrado que, para fins de apuração da base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o valor do ICMSST não integra o valor de aquisição dos bens sujeitos ao regime de substituição tributária. Da glosa dos créditos apropriados indevidamente No RAF colacionado aos autos, a fiscalização informou que, em atendimento à intimação, a recorrente apresentou as planilhas denominadas de “Demonstrativo de Apuração do PIS COFINS 2011 Conta 400001 Conta 400101” (fls. 1149/1151 Doc. 09A), contendo os valores das contribuições calculados sobre o faturamento mensal, os créditos apurados e descontados, bem como os saldos a pagar, e de “Relatório Demonstrativo DCPISCOF 2011 Compras Valor Contábil Tributável” (fls. 1156/1347 Doc. 09B), Fl. 4080DF CARF MF 20 contendo as entradas (aquisições), analiticamente relacionadas, informando entre outros, grupo de produtos, tipo (natureza), conta contábil vinculada, valor contábil total, valor contábil tributável e valor contábil isento. Do cotejo entre os dados dos dois demonstrativos, a fiscalização apurou divergências entre os valores que compõem a base de cálculo dos créditos referentes às aquisições de mercadorias e de material de embalagem registradas, respectivamente, nas contas (linhas): “400001 Merc Nacionais Compras” e “400101 Mat Embalagem Comercio – Compras”. Em seguida, em 29/6/2015, a fiscalizada foi intimada a esclarecer os valores divergentes das aquisições/compras (fls. 155/156), discriminados na Tabela de fl. 100, e a juntar novos relatórios analíticos das compras. Porém, esgotou o prazo concedido e a recorrente não apresentou qualquer resposta com vistas a justificar as diferenças a menor apuradas. Na ausência de resposta, a fiscalização utilizou os valores dos créditos analíticos registrados nas referidas contas e discriminados no demonstrativo “Relatório DCPISCOF 2011 COMPRAS” (relatório de entradas), onde podiam ser identificados os produtos que (efetivamente) davam direito aos créditos das contribuições. Em decorrência, glosou os créditos não comprovados calculados sobre os valores das diferenças apurados e discriminados na citada Tabela. Em suma, ao comparar os valores das aquisições de mercadorias e embalagens, utilizados como de base de cálculo dos créditos das contribuições pela recorrente, discriminados no “Demonstrativo de Apuração do PIS COFINS 2011”, com os valores analíticos (por operação) das mercadorias e embalagens discriminados no demonstrativo “Relatório DCPISCOF 2011 COMPRAS”, a fiscalização constatou que os créditos apurados pela recorrente foram calculados sobre os valores de aquisições de mercadorias e embalagens não relacionados no último demonstrativo, ou seja, sem a devida e necessária prova da aquisição. Na fase impugnatória e no presente recurso, a recorrente alegou que a entrega do demonstrativo “Relatório DCPISCOF 2011 COMPRAS” fora obrigada a entregar por uma determinação da fiscalização, que lhe exigira a apresentação do relatório apresentado nas fiscalizações anteriores ao ano de 2010. Além de não provar o alegado, para fim comprovação dos valores dos débitos e créditos das contribuições, a fiscalização intimou a recorrente a apresentar os arquivos digitais, no formato Excel, contendo as informações especificadas, sem contudo, determinar qual o tipo de demonstrativo a ser apresentado, conforme explicitado nos itens 4 e 12 do “TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO” (fls. 119/121), a seguir transcritos: 4. Planilha em arquivo do Microsoft Excel, contendo demonstrativo analítico de apuração dos valores mensais do PIS e COFINS, dos períodos de 2010 a 2012, onde esteja identificadas as contas e os valores que a compõem, conforme plano de contas da empresa. [...] 12. Arquivos digitais, no formato Excel, contendo relação dos produtos sujeitos à alíquota zero, à alíquota zero produtos sujeitos à tributação monofásica, produtos isentos, produtos sem incidência e produtos com suspensão, em relação ao PIS e à COFINS; nas operações de compra e venda. Os arquivos a serem apresentados, um para as operações de venda e outro Fl. 4081DF CARF MF Processo nº 10480.727412/201583 Acórdão n.º 3302005.319 S3C3T2 Fl. 4.072 21 para as operações de compra, devem conter as seguintes informações, por produto e por mês; [...] (grifos não originais) A simples leitura dos excertos transcritos infirma a alegação da recorrente, uma vez que a fiscalização limitouse a exigir os arquivos no formato excel contendo as informações especificadas. Não foi localizado nos autos qualquer determinação para a fiscalizada apresentar o demonstrativo que foi por ela apresentado. A recorrente alegou ainda que a partir do ano de 2010 passou a utilizar outro relatório, denominado de “Relatório FIS990”, porém, não o apresentou no curso da fiscalização, porque os arquivos estavam corrompidos. De qualquer forma, mesmo sabendo que não evidenciava os valores dos créditos apurados, entregou o referido demonstrativo (“Relatório DCPISCOF 2011 COMPRAS”). Entretanto, como na fase impugnatória já dispunha do relatório correto (“Relatório FIS990”), em relação às compras efetuadas, fizera a juntada do mesmo aos autos (doc. 07 fls. 3907/3925). Inicialmente, cabe o registrar que, além de não ter informado esses fatos relevantes à fiscalização, a recorrente não trouxe à colação dos autos qualquer elemento probatório idôneo que confirmasse tal alegação. De qualquer sorte, prestados esses breves esclarecimentos, considerados necessários para infirmar a alegação da recorrente de que fora obrigada a apresentar o demonstrativo (“Relatório DCPISCOF 2011 COMPRAS”), passase a analisar as alegações suscitadas pela recorrente sobre as referidas glosas realizadas pela fiscalização. Nesse sentido, a recorrente alegou que, se o “Relatório DCPISCOF COMPRAS” não contemplava os créditos relativos à conta contábil “400101 Mat Embalagem Comercio Compras”, já se encontrava evidenciado o erro na autuação fiscal no valor de R$ 5.834.305,48, referente ao somatório dos créditos da citada conta no ano de 2011. O motivo da glosa do referido material de embalagem foi que ele estava relacionado no demonstrativo sintético de apuração dos créditos (“Demonstrativo de Apuração do PIS COFINS 2011”), mas não constava relacionados no demonstrativo analítico das compras (“Relatório DCPISCOF COMPRAS”), para reverter a glosa a recorrente deveria ter apresentado a relação dos materiais de embalagem adquiridos no período, contendo os dados necessários para a identificação dos referidos produtos, o que não fora feito. Portanto, deve ser mantida a glosa integral dos créditos apurados sobre esses materiais, conforme determinado pela fiscalização. Em seguida, após esclarecer que o “Relatório DCPISCOF COMPRAS” assim como o “Relatório FIS990”, apresentado com a impugnação, não foram concebidos para evidenciar alguns eventos, tais como ajustes manuais e ajustes extemporâneos de créditos, a recorrente alegou que, nos meses de abril, maio, julho e agosto, ocorreu um ajuste extemporâneo de créditos, com vistas a adequação à legislação de informática, decorrente dos efeitos da MP do bem, ou seja, a MP 252/2005. E que por erro no sistema, esses itens de informática foram cadastrados como alíquota zero na saída e sem apropriação de crédito na entrada. Entretanto, apesar incidir alíquota zero na saída, a aquisição de tais itens asseguravam crédito na entrada. “Assim, naqueles meses (abril R$ 13.906.756,51, maio R$ Fl. 4082DF CARF MF 22 25.712.203,53, julho R$ 4.029.196,56 e agosto R$ 1.020.300,00), a Recorrente efetuou ajustes que os Relatórios não foram parametrizados para evidenciar.” Além de não citar o preceito legal da MP 252/2005, que lhe assegurava o direito de apropriar créditos sobre a aquisição de material de informática, a recorrente não trouxe qualquer documento comprobatório dos valores das aquisições citadas. Assim, ainda que fosse permitida a apropriação de tais créditos extemporâneos, o que se admite apenas para argumentar, necessariamente a recorrente deveria ter apresentado a relação dos referidos produtos, acompanhado da menção e/ou da apresentação da documentação contábil e fiscal hábil e idôneo, necessária a comprovação da regular aquisição dos citados bens, o que não feito na fase processual adequada, ou seja, na fase impugnatória, e também na presente fase recursal. E não poderá mais ser feito, em face da preclusão determinada no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972. Dessa forma, devem ser mantida a glosa dos créditos calculados sobre os referidos valores. Por fim, a recorrente alegou que, nos meses de outubro a dezembro, havia efetuado outro ajuste, dessa feita para adequar os créditos indevidos que inicialmente tomara “no momento da entrada de iogurtes e bebidas lácteas, e massas.” Segundo a recorrente, nos citados “meses (outubro R$ (2.896.764,81), novembro R$ (406.898,70), dezembro (R$ 463.967,88) efetuara ajustes que também não foram evidenciados em ambos os relatórios. Com base nos demonstrativos dos referidos meses (fls. 3929/3934) não é possível confirmar os valores informados pela recorrente, vez que não foi apresentado qualquer elemento probatório que confirmasse a aquisição dos produtos discriminados no citado demonstrativo. Aliás, sequer a recorrente apresentou as razões para realização dos referidos ajustes. Por fim, a recorrente defendeu a correção da base de cálculo por ela utilizada e pugnou "pela demonstração de maneira sucinta, através dos documentos juntados, bem como em eventual diligência, que a base de cálculo utilizada pela fiscalização se mostra inteiramente incorreta". Ainda sobre à questão probatória em comento, nos pedidos finais, a recorrente reiterou "o pedido de perícia ou diligência, nos termos pretendidos na impugnação." Cabe esclarecer que, diferentemente do asseverado pela recorrente, na impugnação ela não fez pedido de perícia ou diligência, mas apenas colocouse ao inteiro dispor do Colegiado julgador de primeiro grau "para apresentar, em eventual perícia ou diligência que seja designada, os documentos e outros subsídios necessários à apuração da (im)procedência do lançamento." Além disso, sabese que, no âmbito do processo administrativo fiscal, o protesto genérico para posterior "produção de todos os meios de prova em direito admitidos", embora de praxe na jurisdição cível, não tem o mesmo efeito, ante a existência do princípio da concentração da prova na fase impugnatória ou de manifestação de inconformidade, conforme o tipo de processo. E em se tratando de prova documental, como no caso em tela, ela deve ser apresentada com a peça impugnatória, conforme determina o art. 152 do Decreto 70.235/1972. Nesse sentido, excepcionalmente, o § 4º do art. 163 do citado diploma legal, acrescido pelo art. 2 "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência." 3 "Aart. 16 [...] Fl. 4083DF CARF MF Processo nº 10480.727412/201583 Acórdão n.º 3302005.319 S3C3T2 Fl. 4.073 23 67 da Lei nº 9.532/1997, permite ao impugnante apresentar provas documentais em momento processual posterior, porém, somente quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente ou, ainda, se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim, na seara do processo administrativo fiscal, o momento para apresentação de provas é o predeterminado pelos citados preceitos legais, que também especifica as hipóteses em que elas poderão ser admitidas extemporaneamente, independentemente de prévio protesto. Sendo o caso de obtenção de provas por meio de diligências ou perícias, essas providências devem ser expressamente solicitadas na impugnação, especificandose o seu objeto, sendo exigido ainda o atendimento dos requisitos previstos no art. 164, IV, do Decreto 70.235/1972. E se não atendido tais requisitos, determina o § 1º do citado art. 165, que deve ser considerado não formulado pedido de diligência ou perícia, quando desatendidas tais exigências.6 No caso, o pedido de diligência ou perícia formulado, inequivocamente, não atende os requisitos do citado inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/1972, condição que se demonstra suficiente para o seu indeferimento, nos termos do § 1º do citado artigo e por se tratar de matéria preclusa. Além disso, como não foi colacionado aos autos, na fase processual adequada, segundo determina do art. 16, III, do Decreto 70.235/1972, os documentos contábeis e fiscais necessários à comprovação da questionada diferença das compras apuradas pela fiscalização, a realização de diligência, e muito menos de perícia técnica, para fim de análise do novo demonstrativo apresentado pela recorrente, por razão óbvia, não se revela necessária e, portanto, prescindível. Assim, com base no caput do art. 18 do citado Decreto, propugnase pelo seu indeferimento. Por todas essas razões, deve ser mantida na íntegra as glosas dos créditos calculados sobre os valores das compras/aquisições não comprovadas. Do erro na apuração da multa aplicada Em relação a esse ponto, por se revelarem demasiadamente genéricas as alegações da recorrente, passase a transcrevêlas, para conhecimento dos demais integrantes do Colegiado: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." 4 "Art. 16 – [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." 5 "Art. 16 – [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)" 6 Decreto nº 70.235/72, art. 16 – [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 4084DF CARF MF 24 Por isso é que é necessária a individualização da pena, em obediência, repisese, aos princípios da proporcionalidade e da isonomia. E não existindo na Lei 9.430/96 elementos para tanto, essa individualização deve ser feita de acordo com a equidade, tal como dispõe o art. 108, IV, c/c art. 112, ambos do CTN. E, no caso, a equidade impõe que, havendo dúvida razoável, seja excluída a responsabilidade (numa espécie de anistia). Não se diga, de outro lado, que o julgador administrativo não pode deixar de aplicar a lei que define a multa em 75%, porque não é isso o que se pretende. O que se quer é a aplicação conjunta daquele dispositivo com os arts. 108, V, e 112, ambos do CTN c/c art. 5º, XLVI, da Constituição Federal, [...]. De toda sorte, o que a recorrente pretende é que esse Colegiado afaste a multa de ofício aplicada. Porém, sabidamente, na esfera administrativa de julgamento, por expressa determinação do art. 26A do Decreto 70.235/1972, a autoridade julgadora não pode afastar a aplicação de lei vigente e em plena eficácia, por razões de isonomia, equidade ou outra razão altruísta qualquer. Em face dessa limitação, tendo em conta o disposto no art. 136 do CTN e uma vez comprovado nos autos a falta de pagamento ou recolhimento das contribuições lançadas, induvidosamente, a infração descrita no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 encontrase devidamente configurada, logo, deve ser mantida a cobrança da multa de ofício aplicada. Da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada Enfim, a recorrente alegou que a legislação somente autorizava a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou da contribuição, mas não autoriza, como pretende o Fisco, o cálculo dos juros sobre o valor da multa de ofício aplicada. A matéria já é de conhecimento do Colegiado e já foi objeto de análise anterior por este Conselheiro, em que esposado o entendimento que os juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, incidem tanto sobre o débitos tributários quanto sobre a multa de ofício lançada. A incidência sobre os tributos e contribuições administrados pela RFB dáse forma direta, nos termos do artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (destacouse) Da mesma forma, há expressa previsão legal para cobrança de juros moratórios, calculado com base na variação da taxa Selic, sobre os valores das multas aplicadas isoladamente, segundo determinação do art. 43 da Lei 9.430/1996, a seguir reproduzido: Fl. 4085DF CARF MF Processo nº 10480.727412/201583 Acórdão n.º 3302005.319 S3C3T2 Fl. 4.074 25 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ora, se os preceitos legais anteriormente transcritos pertencem ao mesmo diploma legal, resta evidenciado que o legislador, deliberada e intencionalmente, conferiu tratamento distinto para ambas as situações, mas com o objetivo de conferir tratamento isonômico para as duas situações. E a razão da específica previsão legal para a cobrança dos juros de mora sobre a multa isolada revelase óbvia. Entretanto, não havia necessidade de determinação legal específica para a mula de ofício calculada sobre o valor do tributo lançado, pois, se a multa de ofício incide sobre o valor do tributo devido, acrescido dos juros moratórios, logo, na data do pagamento, tal gravame, automaticamente, também integrará o valor da multa de ofício proporcional. Dito de outra forma, não são os juros moratórios que incidem sobre a multa de ofício nesta hipótese, mas sim a multa de ofício que incide sobre o crédito tributário acrescido de juros moratórios. Logo, por força dessa característica, o valor dos juros moratórios sempre comporá o valor da multa proporcional ou de ofício, calculada sobre a “totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento”, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. No mesmo sentido, o entendimento explicitado nos enunciados das ementas dos julgados das 1ª e 3ª Turmas da CSRF, que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento Fl. 4086DF CARF MF 26 e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº 9101001657. Relator designado Valmir Sandri) Esse também é o entendimento das Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, conforme explicitado no julgamento do AgRg no REsp 1335688/PR, cujo enunciado da ementa segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) (grifos não originais) Por todas essas razões, fica demonstrado que os juros moratórios incidem diretamente sobre o valor da multa isolada e indiretamente sobre o valor da multa de ofício, calculada proporcionalmente ao valor do tributo lançado. Portanto, em qualquer das hipóteses os juros moratórios são devidos. Da Conclusão Por todo o exposto, votase por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 4087DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001623/2010-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/04/2010
ARQUIVOS DIGITAIS. ART. 11 DA LEI Nº 8.218/91. FORMA DE APRESENTAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INOBSERVÂNCIA. MULTA. CABIMENTO.
Consoante disposto no art. 11 da Lei nº 8.218/91, cabe à RFB a expedição dos atos necessários para estabelecer a forma e prazo de apresentação dos arquivos digitais e sistemas eletrônicos utilizados pela pessoa jurídica para escrituração de livros e documentos contábeis e fiscais (IN SRF 86/2001 e ADE Cofins 15/01), de maneira que o seu descumprimento, inclusive quando apresentado em formato diverso, a critério da autoridade requisitante, rende ensejo à aplicação da penalidade prevista no art. 12 do mesmo diploma legal
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/04/2010 ARQUIVOS DIGITAIS. ART. 11 DA LEI Nº 8.218/91. FORMA DE APRESENTAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INOBSERVÂNCIA. MULTA. CABIMENTO. Consoante disposto no art. 11 da Lei nº 8.218/91, cabe à RFB a expedição dos atos necessários para estabelecer a forma e prazo de apresentação dos arquivos digitais e sistemas eletrônicos utilizados pela pessoa jurídica para escrituração de livros e documentos contábeis e fiscais (IN SRF 86/2001 e ADE Cofins 15/01), de maneira que o seu descumprimento, inclusive quando apresentado em formato diverso, a critério da autoridade requisitante, rende ensejo à aplicação da penalidade prevista no art. 12 do mesmo diploma legal Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 16 23 /2 01 0- 63Fl. 230DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Tratase de auto de infração para exigência de multa por inconsistências nos arquivos magnéticos apresentados, consoante art. 504, II do Decreto nº 4.544/02 (art. 12 da Lei nº 8.218/91). Em impugnação o contribuinte defendeu a ausência de tipificação da multa aplicada, uma vez que os arquivos digitais entregues não correspondiam àqueles padronizados por ato vigente da RFB, mas apenas atendiam às determinações efetuadas pela fiscalização; que, mesmo suplantado o obstáculo inicial, a multa fora lançada em duplicidade, quando em uma mesma nota fiscal houve mais de uma inconsistência; e, por fim, que os nomes das mercadorias, arrolado como vício do arquivo, inexistia, pois indicada a descrição genérica do produto, acompanhada da correta classificação fiscal, bem assim, que não houve determinação expressa para que o nome correspondesse à especificação técnica constasse da nota fiscal de entrada. A DRJ Salvador/BA deu parcial provimento à impugnação para ajustar o lançamento, no tocante à exigência de multa cumulada, quando constatada mais de uma inconsistência por documento fiscal registrado, em decisão assim ementada: “ARQUIVO EM MEIO MAGNÉTICO. MULTA REGULAMENTAR. A prestação de informações incorretas em meio magnético enseja a aplicação da multa regulamentar de 5% sobre o valor das operações.” O recurso voluntário, com alguma variação nas matérias remanescentes, repetiu a argumentação deduzida na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Relativamente à suposta ausência de tipicidade, não assiste razão ao recorrente. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10865.001623/201063 Acórdão n.º 3401004.370 S3C4T1 Fl. 11 3 Com efeito, em seu arrazoado aduz que os arquivos magnéticos apresentados não corresponderiam àqueles exigidos pela legislação de regência, mormente o art. 318 do Decreto nº 4.544/02, IN SRF 86/2001 e ADE Cofins nº 15/01, mas apenas atendiam às determinações da fiscalização, cuidandose de meras planilhas informativas, de maneira que, qualquer inconsistência na sua confecção não respaldaria qualquer exigência de multa, visto que é pena aplicável tãosomente aos arquivos magnéticos previstos na legislação. A decisão a quo bem abordou o tema, esclarecendo que a admissão das “planilhas informativas” ocorreu exclusivamente por solicitação do próprio contribuinte, que alegou impossibilidade de apresentação dos arquivos na forma prevista em lei, verbis: “A impugnante alega que cumpriu todas as exigências da fiscalização, dentre elas a apresentação de planilhas de Excel em formato delimitado pelo auditor, e que inexiste tipificação de multa nas hipóteses de erro ou omissões constantes das planilhas apresentadas, as quais não detêm a padronização estabelecida pela Coordenação Geral do Sistema de Fiscalização. Porém, não é isso que se constata dos autos, como se verifica nas intimações emitidas pela fiscalização: Em 16/12/2009, a contribuinte foi intimada (termo 01, itens 4 e 5, fls. 9/10) a apresentar os arquivos digitais dos documentos fiscais, conforme Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15, de 2001. Em 18/12/2009, em face de alteração do período de apuração, a contribuinte foi novamente intimada (termo 02, itens 4 e 5, fls. 11/12) a apresentar os arquivos digitais dos documentos fiscais, conforme Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15, de 2001. Em 14/01/2010, motivado pela solicitação do sujeito passivo exclusivamente quanto ao prazo e forma de apresentação dos arquivos digitais, decorrentes da dificuldade do cumprimento do disposto no ADE Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15, de 23/10/2001, foi apresentado ao sujeito passivo o Termo n° 03, fls. 13/14, intimandoo a apresentar (até o dia 23/02/2010) os arquivos digitais dos documentos fiscais de forma diferente daquela estabelecida pela mencionada norma, conforme disposto no §2º do art. 3º da IN SRF nº 86, de 22/10/2001 e no art. 2º do citado ADE nº 15. Registrese ainda que constam no item 2 (informações adicionais) dessa intimação (termo 03) as seguintes observações: ‘2.1. Os arquivos digitais deverão ser apresentados em "CD — Não Regravável", sendo um CD para o arquivo referente às ENTRADAS e outro CD para o arquivo referente às SAIDAS, com etiqueta identificadora do seu conteúdo, acompanhados com o respectivo recibo de entrega’; ‘2.2. Os arquivos deverão conter as informações relativas a todo período solicitado, ou seja, não poderão ser segregados em períodos mensais ou anuais’; e ‘2.3. Em qualquer hipótese, os arquivos serão recebidos condicionalmente e submetidos a testes de consistência. Constatada inobservância às citadas especificações, os arquivos serão devolvidos para correção e aplicadas as penalidades cabíveis previstas em lei.’ Fl. 232DF CARF MF 4 É importante frisar que a fiscalização, por solicitação da própria contribuinte, flexibilizou a apresentação dos arquivos digitais especificamente quanto ao prazo e a forma de apresentação, e não quanto ao conteúdo dos arquivos, conforme previsto no art. 2º do próprio ADE nº 15, de 2001 e, também, no §2º do art. 3º da IN SRF nº 86, de 2001: Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15, de 23 de Outubro de 2001 (...) Art. 2 º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais de que trata § 1º do artigo anterior poderão ser apresentados em forma diferente da estabelecida neste Ato, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de Outubro de 2001 (...) Art. 3 º Incumbe ao CoordenadorGeral de Fiscalização, mediante Ato Declaratório Executivo (ADE), estabelecer a forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas de que trata o art. 2 º. § 1 º Os arquivos digitais referentes a períodos anteriores a 1 º de janeiro de 2002 poderão, por opção da pessoa jurídica, ser apresentados na forma estabelecida no caput. § 2 º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais poderão ser recebidos em forma diferente da estabelecida pelo CoordenadorGeral de Fiscalização, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. Desta forma, correta a aplicação da multa regulamentar prevista no inciso II do art. 504 do RIPI/2002 (base legal: inciso II do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991, com a redação dada pela MP nº 2.15835/2001) c/c o art. 318 do RIPI/2002 (base legal: art. 11 da Lei nº 8.218/91 e MP nº 2.158 35/2001, art. 72), em virtude de erros e omissões nos dados fornecidos em meio magnético, não representando corretamente as notas fiscais emitidas pela contribuinte.” (destaques no original) Então, o que se vê é a tentativa do contribuinte, ora recorrente, de escudarse da penalidade imposta alegando situação jurídica por ele mesmo criada, o que não encontra respaldo no direito pátrio, por aplicação do princípio “Nemo auditur propriam turpitudinem allegans”, consoante o qual a ninguém é dado beneficiarse da própria torpeza. Ora, intimado a apresentar os arquivos na forma da lei, como dito, o contribuinte solicitou a flexibilização do prazo e da forma de apresentação, ante a dificuldade do cumprimento do disposto no ADE Cofins 15/2001, de modo que não é juridicamente aceitável, após verificadas inconsistências nos arquivos apresentados, a argumentação que ditos arquivos consistiam em planilhas informativas e não correspondiam àqueles exigidos pela lei, para se safar da penalidade aplicável. Demais disso, o raciocínio exposto não procede, porquanto a legislação de regência estabeleceu que os arquivos magnéticos, a critério da autoridade requisitante, Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10865.001623/201063 Acórdão n.º 3401004.370 S3C4T1 Fl. 12 5 poderiam ser recebidos em formato distinto daquele determinado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Fiscalização – art. 3º, § 2º da IN SRF 86/01 e art. 2º do ADE Cofins nº 15/01 – sem que isso o desqualificasse como o arquivo digital a que alude o art. 11 da Lei nº 8.218/91. Assim, distintamente do que prega o recorrente, a multa aplicada conta com respaldo legal nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.212/91, a seguir transcritos: “Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: (...) II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)” (...)” Dessarte, deferida legalmente à RFB a expedição dos atos necessários à regulamentação da forma e apresentação dos arquivos digitais, concretizada na IN SRF 86/2001 e ADE Cofis 15/01, mesmo os arquivos recebidos em forma diversa, a critério da autoridade requisitante, que apresentem inconsistências em seus registros sujeitam o contribuinte à multa de 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação, como decidido pelo colegiado de primeiro grau. Respeitante à inconsistência relativa à descrição das mercadorias, temse que o registro deve corresponder, sim, à especificação técnica do produto constante da nota fiscal de aquisição, não suprindo tal exigência a sua indicação genérica, e.g., madeiras, parafusos, Fl. 234DF CARF MF 6 etc., quando acompanhados do código de classificação fiscal, na Tabela de Incidência do Impostos sobre Produtos Industrializados – TIPI, corretos, haja vista que o já mencionado ADE Cofins 15/2001 (itens 4.3.2 e 4.3.4) exige, a título de descrição complementar do produto, a indicação da “Marca, tipo, modelo, espécie, qualidade e demais informações necessárias a clara identificação do produto. No caso de produtos seriados ou de produtos idênticos, que abrangem uma faixa de números de série, tais informações deverão constar obrigatoriamente dessa descrição.” Como não bastasse, distintamente do que assevera, o recorrente não indicou corretamente os códigos de classificação fiscal dos produtos adquiridos, tanto que essa foi uma das inconsistências verificadas e objeto de autuação: “3.1.5 — Os arquivos digitais (planilhas eletrônicas) apresentados pelo sujeito passivo em 06/04/2010 (em anexo as fls. 130/131) também apresentaram varias irregularidades, conforme abaixo: (...) 3.1.5.3 — CLASSIFICACAO NA TIPI => Conforme demonstrativo (em anexo às fls. 32/34) ‘Inconsistências nos Arquivos Digitais (Ocorrência => Classificação na TIPI)’, as classificações informadas para as notas fiscais relacionadas estão ausentes ou não existem na TIPI.” Portanto, demonstrado que os arquivos digitais entregues pelo contribuinte à fiscalização apresentavam inconsistências em seus registros, cabível a aplicação da multa prevista no art. 12, II da Lei nº 8.218/91. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso apresentado. Robson José Bayerl Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.903260/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1406; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.903260/200990 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.332 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de fevereiro de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente DU PONT DO BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo a seguir: A interessada transmitiu, em 30 de novembro de 2005, a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) numerada 06873.67039.301105.1.3.047438, alegando direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 03 26 0/ 20 09 -9 0 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13896.903260/200990 Resolução nº 1201000.332 S1C2T1 Fl. 3 2 DESPACHO DECISÓRIO Tal declaração foi examinada pela DRF de origem, que prolatou o Despacho Decisório de nº 825083484, de 25 de março de 2009, nos seguintes termos: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Ciente em 1º de abril de 2009 (fl. 7), a interessada apresentou, em 4 de maio de 2009, segundafeira, a manifestação de inconformidade de fls. 9 a 13, em que alegava: Despacho Decisório Número de Rastreamento: 825083484 [...] 5. Ao receber o referido despacho decisório, a Impugnante constatou que tal decisão decorreu de um equívoco no preenchimento da DCTF do 4º trimestre de 2004. 6. Realmente, na DCTF original (Doc. 07), a Impugnante informou, equivocadamente, que o débito devido no mês de outubro de 2004 seria R$ 2.399.095,89 [...]. Contudo, o débito realmente devido no mencionado período era de apenas R$ 1.818.635,46 [...]. 7. Tal fato pode ser comprovado mediante a análise da DIPJ do anocalendário de 2004 (Doc. 08), na qual foi informado como valor devido de CSLL o montante de R$ 1.818.635,46 [...]. [...] 9. Contudo, a Impugnante já havia recolhido o mencionado valor de 2.399.095,89 [...], mediante um DARF no valor de R$ 2.388.598,86 [...] e R$ 10.497,03 [...] mediante compensação efetuada na PER/DCOMP n° 02779.49205.301104.1.3.044340. 10. Desta forma, ocorreu um pagamento indevido no montante de R$ 580.460,43 [...]. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13896.903260/200990 Resolução nº 1201000.332 S1C2T1 Fl. 4 3 11. Percebendo o equívoco, a Impugnante retificou a DCTF do 4º Trimestre de 2004 (Doc. 09), para fazer constar como valor devido no período de apuração de outubro de 2004, o valor correto, qual seja, R$ 1.818.635,46 [...]. [...] 14. Sabese que o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material. Não se pode, portanto, negar a existência de crédito, em razão de um simples erro material, de um simples equívoco cometido no preenchimento da DCTF. 15. Ressaltase, ainda, que a Impugnante somente foi informada sobre o desencontro de informações entre o pagamento a maior da DCTF do 4º Trimestre de 2004 e a mencionada PER/DCOMP com o recebimento do despacho decisório. 16. Ou seja, não foi dada oportunidade para a Impugnante corrigir o equívoco no preenchimento da DCTF antes do recebimento do despacho decisório. Restando, portanto, plenamente válida a retificação efetuada no dia 13/04/2009. [...] Pela decisão, a manifestação de inconformidade foi considerada improcedente, conforme ementa abaixo: DIREITO CREDITÓRIO COMPENSAÇÃO Só é cabível o reconhecimento deste direito quando ele se reveste dos predicados de liquidez e certeza. Em recurso voluntário são repisadas as razões contidas na manifestação de inconformidade, sendo juntados "a apuração da CSLL do mês de outubro de 2004 (doc. “outros”, anexo), o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR) – LALUR (doc. Livros_2, anexo) o balancete de verificação que lhe suporta (doc. “Livros_2, anexo), reforçando a comprovação do montante devido informado na DIPJ". É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Como consta na decisão de piso, a manifestação de inconformidade foi indeferida em face de o valor informado na DIPJ não ser consentâneo com o declarado na DCTF original, posteriormente retificada: A interessada alega dispor do direito creditório negado pelo Despacho Decisório em tela, justificandose com suposto lapso no preenchimento de Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Entretanto, não apresenta a menor prova da liquidez e certeza deste direito, limitandose a dizer que tal valor constaria de DIPJ (meramente informativa) e que a DCTF já haveria sido retificada. Ora, as DCTF, por Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13896.903260/200990 Resolução nº 1201000.332 S1C2T1 Fl. 5 4 óbvio, devem registrar a ocorrência de débitos e créditos tributários, mas, em sede de julgamento administrativo, por si sós, não comprovam a ocorrência destes mesmos débitos e créditos. Para tanto, seria imprescindível que se apresentassem provas robustas de que esta retificação refletiria a realidade empresarial da pessoa jurídica, o que não foi feito no presente caso. Recordese que ao peticionário incumbe o ônus de comprovar suas alegações, como determina o Decreto n.º 70.235, de 1972 nos artigos abaixo transcritos: [...] Relativamente a essas questões, a Receita Federal do Brasil editou o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015, cujas conclusões são as seguintes: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Junto com o Recurso Voluntário a recorrente trouxe planilhas em que demonstra a base de cálculo da CSLL no anocalendário 2004, balancetes e cópia do Lalur (fls. 70, 71, 84 a 106 e 109 a 119). Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade da Receita Federal de origem proceda à verificação da correção quanto ao valor devido da CSLL no mês de outubro de 2004 e ao alegado saldo de pagamento a maior. Para tal, além daqueles já juntados aos autos, a recorrente poderá ser intimada a apresentar outros documentos e livros, a critério da autoridade responsável pela diligência. Encerradas as verificações, deverá ser elaborado relatório circunstanciado do qual se dará ciência à recorrente para que, querendo, manifestese no prazo de trinta dias. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13896.903260/200990 Resolução nº 1201000.332 S1C2T1 Fl. 6 5 Decorrido o prazo, os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 205DF CARF MF
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Numero do processo: 11829.720047/2014-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2010
DESISTÊNCIA. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. EFEITOS
A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso
interposto pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 3402-004.919
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em razão da desistência.
Assinado Digitalmente
WALDIR NAVARRO BEZERRA - Presidente.
Assinado Digitalmente
PEDRO SOUSA BISPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra(presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2010 DESISTÊNCIA. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. EFEITOS A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em razão da desistência. Assinado Digitalmente WALDIR NAVARRO BEZERRA Presidente. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra(presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 47 /2 01 4- 80 Fl. 70850DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 22/10/2014, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional, no valor de R$ 221.414.885,59, em virtude dos fatos a seguir escritos. A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas e que a mesma operava como interposta pessoa em comércio exterior, praticando assim infração à legislação aplicável à matéria com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. Conforme consta do Relatório de Procedimento Fiscal, a sociedade empresária UNILEBER BRASIL LTDA, CNPJ 61.068.276/000104, ocultouse do Fisco em operações de importação para as quais utilizou nome de outras pessoas jurídicas do grupo empresarial a UNILEVER BRASIL HIGIENE PESSOAL E LIMPEZA LTDA, CNPJ03.085.759/000102, e a UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL LTDA, CNPJ 01.615.814/006487. Face ao que determina os §§ 1° e 3° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 31/10/2014 (fls. 69.392), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 01/12/2014, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: ⊙ FATOS ANTECEDENTES Tratase de Auto de Infração decorrente de procedimento fiscal instaurado para verificar o cumprimento das obrigações acessórias (/.e. preenchimento de declarações e de documentos fiscais) relacionadas às operações de importação de mercadorias ocorridas no período compreendido entre setembro de 2008 e dezembro de 2010. Apesar da abrangência do período fiscalizado, foram objeto de autuação apenas as importações realizadas entre novembro de 2009 e dezembro de 2010. Notese que, embora a autuação tenha sido lavrada em outubro de 2014 por I. Agentes da Fiscalização Aduaneira de Viracopos, quase a totalidade das provas utilizadas não foram produzidas pelos I. Fiscais Autuantes, mas sim "emprestadas" da ação fiscal realizada em 2012 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas ("DRF/Campinas" fls. 66.341/66.612), a qual deu origem ao processo administrativo 10830.727214/201331. Notese, nesse sentido, que os obietos desta e daquela autuação são completamente distintos, como será adiante esclarecido, muito embora seja alegado nestes autos (item 20 do TVF) que "a Fiscalização aduaneira teve a mesma interpretação sobre os fatos narrados naquele processo." Nesse sentido, a D. Fiscalização utilizouse de provas emprestadas para chegar, com base em errôneas premissas, à conclusão equivocada de que teria ocorrido uma Fl. 70851DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201480 Acórdão n.º 3402004.919 S3C4T2 Fl. 70.851 3 suposta "ocultação do real importador" com relação a algumas das operações de importação realizadas no período autuado, e que a UBI teria supostamente cedido seu nome para a realização de operação de comércio exterior aue. em tese, seria de terceiros, no caso a UNILEVER BRASIL LTDA. Transcreve o Artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Em termos práticos, D. Fiscalização considera que as operações em questão supostamente ensejaram duas infrações distintas, quais sejam, dano ao Erário, e cessão de nome de pessoa jurídica para acobertamento de terceiros no comércio exterior. A comprovação ou não de cessão de nome por parte da UBI para acobertar operações da UBR, já está sendo discutido no processo nº11829.720048/201424, maneira que a controvérsia destes autos restringese ao dano ao Erário, previsto pelo artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455 de 07 de abril de 1976 ("DL n° 1.455/76. A suposta ocultação do real importador teria ocorrido em razão de a D. Fiscalização equivocadamente considerar que o verdadeiro importador das mercadorias estrangeiras (desodorantes de aerossol, provenientes em sua maioria da Argentina), para os fins do inciso I do artigo 31 do DecretoLei n° 37, de 18.11.1966 "DL n° 37/66"j. seria a UBR, não obstante o fato de a UBI ter constado na Declaração de Importação ("Dl") como importadora e adquirente: Transcreve o artigo 31 do DecretoLei n° 37/66. Isso porque, na opinião da D. Fiscalização, "quando se oculta o real importador, há prejuízo ao controle aduaneiro, pois a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não recebe as informações corretas, e a pessoa jurídica ocultada deixa de ser contribuinte de tributos que deveria recolher caso constasse da declaração de importação como importador e adquirente, ou apenas como adquirente" (item 8 do TVF). Nesse cenário, muito embora a D. Fiscalização se dedique a conferir à questão proporção maior do que a real, tecendo longos e impertinentes comentários que nada se relacionam às operações de importação que deram origem ao Auto de Infração, em clara tentativa de suscitar nestes autos discussões que são atualmente objeto de outros processos administrativos (especialmente do processo n° 10830.727214/201331), as Requerentes não podem deixar de ressaltar que o objeto deste processo se restringe à discussão quanto a existência, ou não, de efetivo dano ao Erário, sendo esta a única conduta pela aual as Requerentes estão sendo acusadas no Auto de Infração ora com batido. Assim, as Requerentes passam a evidenciar a fragilidade do TVF, que divaga sem se atentar ao cenário fático que efetivamente deve ser analisado, bem como, para o caso de as questões preliminares aduzidas a seguir serem superadas, as razões que afastam as alegações de cessão do nome da Requerente para acobertar importações de outrem aduzidas pela D. Fiscalização. QUESTÕES PRELIMINARES ⊙ NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM RAZÃO DA PROVA PRODUZIDA NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO N° 10830.727214/201331 Fl. 70852DF CARF MF 4 Conforme se depreende da leitura do TVF, o Auto de Infração ora impugnado foi lavrado com base nas provas produzidas no Processo Administrativo n° 10830.727214/201331, sob a alegação de que "é plenamente aceito pelas instâncias julgadoras administrativas o uso da prova emprestada, que é o caso apontado no parágrafo anterior. No âmbito da Justiça Federal, também há entendimento de que é cabível o uso de prova emprestada é o que mostra pesquisa de jurisprudência do Tribunal Regional Federai da 3a Região." Contudo, apesar da afirmação de que há vasto entendimento a validar a utilização de provas emprestadas, nenhum julgado favorável nesse sentido foi citado pela D. Fiscalização, sequer a título exemplificativo. Nesse sentido, a verdade é que não existe qualquer previsão expressa no Decreto n° 70.235/72 acerca da utilização de prova emprestada, e que, por isso mesmo, o E. CARF, só tem aceitado o uso de prova emprestada nos casos em que há produção de laudo, o que de fato não ocorreu no caso dos autos. Junta textos da jurisprudência administrativa: (CSRF, Acórdão n° 03 03.206, 3a Turma, Rei. Cons. Edson Pereira Rodrigues, D.O.U 20.10.2002). Ademais, uma prova emprestada não poderia ter sido utilizada para justificar a autuação ora combatida, uma vez que o objeto do presente caso (/'.e. obrigações acessórias na importação) é diverso e distinto daquele tratado no Processo Administrativo n° 10830.727214/201331 (/'.e. incidência do IPI nas vendas internas), bem como pelo fato de não ter sido produzido nenhum "laudo" ou documento semelhante nos autos do referido processo. Vale destacar, ainda, que mesmo se o Auto de Infração lavrado para exigência de supostos débitos de IPI estivesse realmente acompanhado de provas suficientes para comprovar eventual simulação e fraude na operação da Requerente, o que efetivamente se admite apenas para argumentar, a utilização de prova emprestada de outro processo que sequer discute a mesma matéria jurídica ainda assim caracterizaria violação ao direito de ampla defesa do contribuinte, conforme já entendeu o E. CARF (doc. n° 10): Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (Acórdão 30128378, 3o Conselho de Contribuintes, 1 a Câmara, Rei. Cons. Moacyr E. de Medeiros, 21.05.1997.) Diante de todo o exposto, a Requerente não tem dúvidas de que está comprovada a NULIDADE da autuação lavrada, eis que do Processo Administrativo n° 10830.727214/201331 tem objeto completamente diverso do presente, bem como pelo tal disputa ainda se encontra em andamento, de maneira que as referidas "provas emprestadas" se mostram imprestáveis para embasar a autuação fiscal ora combatida. ⊙ NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO A DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA Se, por um lado, a D. Fiscalização emprega uma retórica claramente alarmista no descritivo dos fatos constantes do TVF, calcada em alegações de fraude e simulação, em franca tentativa de caracterizar a Requerente e a UBR como sonegadoras de tributos, por outro lado, a mesma fiscalização afirma textualmente que não pretendeu desconsiderar a personalidade jurídica das Requerente e da UBR, e sequer invoca a aplicação dos artigos 116 e 149, inciso VII, do CTN como capitulação legal dos Autos de Infração. Fl. 70853DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201480 Acórdão n.º 3402004.919 S3C4T2 Fl. 70.852 5 Transcreve item 832 do Relatório de Procedimento Fiscal. Ora, se o fisco entende que a Requerente e UBR seriam, de fato, uma mesma pessoa jurídica, então a discussão de mérito a ser travada nestes autos não trata propriamente do preenchimento dos documentos de importação pela UBI, mas sim da necessidade de comprovação da alegada confusão patrimonial entre UBI e UBR. Nesse caso, portanto, a D. Fiscalização deveria ter (i) demonstrado como duas pessoas jurídicas distintas, que de fato realizam atividades operacionais absolutamente diversas (industrialização e comercialização), poderiam ser consideradas uma mesma pessoa jurídica apenas com base em operações realizadas por alguns de seus estabelecimentos e, assim (ii) feito tal acusação de maneira expressa desde o momento da lavratura dos Autos de Infração, a fim de possibilitar que a Requerente e a UBR exercitassem plenamente o seu direito de defesa por meio da apresentação de uma Impugnação centrada na desqualificação desse ponto específico, o que não ocorreu. Ademais, caso a D. Fiscalização de fato entenda que UBI e UBR são uma mesma pessoa jurídica, então, sem dúvida, faz pouco sentido prático aplicar uma penalidade aduaneira de cessão de nome em função das alegações constantes do TVF, já que a utilização de nome de terceiro pressupõe, obviamente, que efetivamente exista um terceiro com relação ao importador, e não que importador e terceiro efetivamente "sejam a mesma pessoa," como parece considerar a D. Fiscalização. Por outro lado, se a D. Fiscalização realmente reconhece a personalidade jurídica das empresas, como pretende fazer crer, resta refletir sobre quais operações realizadas pela UBI seriam efetivamente respeitadas pela D. Fiscalização, na medida em que tanto as operações de importação descritas nestes autos, quanto a industrialização e venda que ensejaram as autuações discutidas nos autos do processo n° 10830.727214/201331, são efetivamente questionadas e imputadas à UBR como operações próprias desta, o que esvazia por completo o propósito e existência da UBI. Assim, parece claro que, na essência, a D. Fiscalização questiona, sim, a existência da UBI como pessoa jurídica distinta da UBR e, portanto, desconsidera sua personalidade jurídica, mas que possivelmente esconde a sua real pretensão para evitar a dificultosa discussão legal quanto à desconsideração da personalidade jurídica de uma empresa com empregados, ativos e operações próprias, como é o caso da UBI. Ora, Julgadores, essa postura vacilante das DD. Autoridades Fiscais, que o argumentam apenas de acordo com a sua própria conveniência, tecendo conjecturas até o limite do que consideram útil para amparar as suas alegações, mas sem reconhecer as fragilidades de sua linha raciocínio, não deveria ser admitida, em absoluto! Desse modo, tendo em vista que o Fisco vacila em admitir que a autuação está de fato fundamentada na desconsideração da personalidade jurídica da UBI, pois apenas com essa descaracterização seria possível alegar que a UBR realizava as importações, resta patente a NULIDADE do AIIM por infração ao inciso IV do artigo 10 do Decreto n° 70.235/72 (/'.e. emprego de capitulação legal incorreta para descrever a suposta infração, já que as regras de desconsideração da personalidade jurídica artigo 50 do CC e artigo 149 do CTN não foram expressamente invocadas como fundamento jurídico das autuações). Fl. 70854DF CARF MF 6 ⊙ REGULARIDADE REQUERENTE E A UBR DA APURAÇÃO DO IPI NAS OPERAÇÕES Afastadas as alegações de simulação, fraude, e confusão patrimonial, a Requerente se resguarda ao direito de discutir os critérios adotados pelo Estabelecimento Industrial na composição da base de cálculo do IPI incidente sobre as saídas que realizou em favor do Estabelecimento 0307 da empresa UBR nos autos do processo administrativo n° 10830.727214/201331, por considerar que é o foro adequado para a discussão em questão, ao invés dos presentes autos, em que não se trata da apuração de tributos relativos às vendas internas. ⊙ IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTAS DA EMPRESA SUCESSORA Transcreve trecho do Relatório de Procedimento Fiscal: item 10. esse cenário, tendo em vista que a regra geral prevista no artigo 132 do CTN estabelece que "a pessoa jurídica que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas," e que o artigo 3o do CTN estabelece que "tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa expressar, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”, temse que a sucessora não poderia ser responsabilizada pelas multas aplicadas contra a empresa sucedida, posto que tais exigências constituem sanção de ato ilícito. Junta textos da jurisprudência do Câmara Superior de Recursos Fiscais: (Ac. CSRF/0104.406, de 23.4.2003). ⊙ IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA Na remota hipótese de se admitir a manutenção do Auto de Infração ora impugnado, a Requerente pleiteia, então, seja afastada a atualização do valor do crédito tributário, em face da impossibilidade de aplicação de juros sobre multa. Transcreve trecho do Parecer MF n° 28, de 2.4.1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação. Transcreve o artigo 61 da Lei 9.430/96. Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (Acórdão n° 10196.607, da antiga Ia Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Rei. Cons. João Carlos de Lima Junior; sessão de 6.3.2008); (Acórdão n° 101 96.593, da antiga Ia Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Rei. Cons. João Carlos de Lima Junior; sessão de 5.3.2008); (Acórdão n° 10196.523, da antiga Ia Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Rei. Cons. João Carlos de Lima Junior; sessão de 23.1.2008; não grifado no original). Junta textos da jurisprudência do Câmara Superior de Recursos Fiscais. Dessa forma, a Requerente considera ter demonstrado a impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa aplicada no presente caso e, tendo em vista a Fl. 70855DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201480 Acórdão n.º 3402004.919 S3C4T2 Fl. 70.853 7 exclusão da incidência dos juros sobre os valores das multas fiscais em casos julgados pelo E. CARF, a Requerente pleiteia lhe seja dado o mesmo tratamento dispensado a outros contribuintes em situação semelhante, conforme descrito acima. ⊙ CONCLUSÃO E PEDIDO Diante de todo o exposto, deixando de lado a retórica alarmista que permeia o TVF, restou demonstrado que a estrutura operacional de segregação de atividades adotada pelo Grupo da Requerente fez com que a D. Fiscalização entendesse que as operações de importação realizadas pela UBI estariam viciadas pela ocultação da suposta real importadora UBR, sendo tal hipótese descrita como cessão de nome de pessoa jurídica para acobertamento de terceiros no comércio exterior que, por sua vez, é punível com a multa de 10% do valor aduaneiro das importações. Contudo, concluise por meio da presente Impugnação que: I. o Auto de Infração é nulo, uma vez que quase a totalidade das provas que o embasaram foram produzidas em outros autos e com finalidade diversa da que aqui se pretende; II. há outra questão prejudicial à análise do mérito que enseja a nulidade do Auto de Infração, qual seja, o fato de que o que se pretende na prática é a desconsideração da personalidade jurídica da Requerente, sem que, contudo, tenha havido menção aos fundamentos legais para tanto. Não basta a D. Fiscalização alegar que reconhece a personalidade jurídica da Requerente, em evidente tentativa de mitigar a flagrante nulidade, se suas alegações não correspondem às pretensões que demonstra ter; III. a infração de Dano ao Erário, única conduta pela qual as Requerentes foram acusadas no presente processo, não restou devidamente caracterizada. Além disso, não houve fraude, simulação ou interposição fraudulenta de terceiros; IV. ainda que se admita que a Requerente UBI cometeu infração nas operações de importação discutidas nesta Impugnação, a multa destes autos deverá absorver aquela discutida no processo administrativo n° nº11829.720048/201424, em atenção ao princípio da consunção; V. comprovouse a necessidade de conversão do julgamento em diligência, para a devida análise dos documentos ora juntados e esclarecimentos prestados nesta Impugnação sobre a questão fática dos autos; e VI. restou demonstrada, ainda, a impossibilidade de D. Fiscalização imputar à UBI (sociedade sucessora) responsabilidade por multas decorrentes de condutas adotadas pela UBFIPL (sociedade sucedida), pois o E. CARF não permite a cobrança de multas de ofício por meio de Autos de Infração lavrados após a incorporação das empresas, como é o caso dos autos. Fl. 70856DF CARF MF 8 Assim, a Requerente pleiteia que a presente Impugnação seja INTEGRALMENTE ACOLHIDA, a fim de que seja reconhecida a insubsistência integral do Auto de Infração ora questionado, com o conseqüente cancelamento do crédito tributário cobrado e arquivamento do presente processo administrativo. Subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento de V.Sas., a Requerente pleiteia seja reconhecida a impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa exigida nestes autos, já que não há previsão legal que fundamente tal atualização. Por fim, a Requerente protesta pela posterior juntada de documentos a corroborar seu direito, assim como provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de quaisquer. Ato contínuo, a DRJSÃO PAULO (SP) julgou a impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 04/11/2009 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. O objetivo pretendido pelos interessados atentou contra a legislação do comércio exterior por ocultar o real adquirente das mercadorias estrangeiras e consequentemente afastálo de toda e qualquer obrigação cível ou penal decorrente do ingresso de tais mercadorias no país. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a empresa, em suma, apresentou as argumentações a seguir indicadas. Em sede preliminar pleiteou a nulidade do auto de infração apresentando as seguintes argumentações: Fl. 70857DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201480 Acórdão n.º 3402004.919 S3C4T2 Fl. 70.854 9 1. Nulidade do acórdão recorrido por inovação da fundamentação do lançamento. O Julgador da DRJ teria se utilizado da teoria do "domínio do fato", caracterizando a inovação na fundamentação e consequente cerceamento do seu direito de defesa; 2. Falta de indicação da capitulação legal de interposição fraudulenta presumida por não comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos aplicados; 3.Indeferimento do pedido de diligência o que prejudicou o seu direito de defesa uma vez que os documentos juntados ao processo não foram analisados. O julgador limitouse a reproduzir o texto do TVF em mais de 100 páginas em seu acórdão; 4. Utilização indevida de prova em emprestada; 5. Desconsideração da personalidade jurídica da UBI; 6. Ilegitimidade passiva da UBI; e No mérito, fez as seguintes considerações: 1. Que inexistiu simulação, de fraude e interposição fraudulenta nas operações realizadas entre a UBI e a UBR. As operações entre as empresas teria substância econômica e propósito negocial que justificam a estrutura organizacional montada, por meio de segregação das atividades do grupo Unilever, em consonância com a sua estratégia em âmbito mundial adotada para otimizar as atividades das empresas que atuam em diversos ramos. Que isso, em absoluto, não caracteriza planejamento tributário ilícito, mas tão somente legítima interpretação do ordenamento jurídico que garante às Recorrentes sinergias operacionais e redução de custos para além da diminuição da carga fiscal. Dessa forma, afirma que a UBI é a real importadora; 2. Inexistência de dano ao erário; 3. Aplicação do princípio da consunção a fim da penalidade mais gravosa (multa perdimento/valor equivalente ) absorver a menos gravosa de cessão de nome a terceiros; 4. Diz que a sua prática reiterada de suas operações há vários anos permitiriam concluir pela sua legalidade; e 5. Impossibilidade de incidência de juros sobre multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro PEDRO SOUSA BISPO Fl. 70858DF CARF MF 10 Conforme Requerimento de Desistência de 24/01/2018 (fls.70.844), o contribuinte solicitou, previamente ao julgamento, desistência do presente recurso por ter ajuizado ação anulatória no poder judiciário. A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Dessa forma, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO Relator Fl. 70859DF CARF MF
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Numero do processo: 11075.002294/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 23/08/2007
Ementa
IMPORTAÇÃO DE BENS NACIONAIS EXPORTADOS EM DEFINITIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DA INCIDÊNCIA DOS TRIBUTOS SUJEITOS NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF N. 02.
É vedado ao CARF a realização de controle, ainda que difuso, de constitucionalidade de norma.
Recurso voluntário negado. Crédito tributário mantido.
Numero da decisão: 3402-004.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrente IBF INDÚSTRIA BRASILEIRA DE FILMES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 23/08/2007 Ementa IMPORTAÇÃO DE BENS NACIONAIS EXPORTADOS EM DEFINITIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DA INCIDÊNCIA DOS TRIBUTOS SUJEITOS NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF N. 02. É vedado ao CARF a realização de controle, ainda que difuso, de constitucionalidade de norma. Recurso voluntário negado. Crédito tributário mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 22 94 /2 00 7- 31 Fl. 351DF CARF MF 2 Relatório 1. Por bem retratar o caso em tela, emprego como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJ de São Paulo quando da lavratura do acórdão n. 1665.080 (fls. 307/312), o que passo a fazer nos seguintes termos: Por meio dos autos de infração aduaneiro de fl. 02/32, exigiuse da contribuinte acima identificada o recolhimento da quantia de R$ 22.41,76, a título de Imposto de Importação; R$ 27.380,48, Imposto sobre Produtos Industrializados; R$ 16.511,81, COFINSImportação; e, R$ 3.584,81, PISImportação, acrescidos de multa de ofício de 75%, perfazendo um total de R$ 122.314,26. Isso porque, a empresa em epígrafe efetuou exportações (chapas sensibilizadas de alumínio para impressão off set e líquidos de reveladores para uso fotográfico), através dos Registros de Exportação nºs 05/1113993002, 05/0318461002, 05/0656515 001, 05/0656675001, 05/0458802001, 04/1679460001, 04/1628262002 (volume II, fls. 214 e ss.). Através do processo 11075.001327/200645 (fls. 33 e ss) a interessada requereu o retorno das mercadorias, exportados a título definitivo para a República Argentina, no enquadramento legal, artigo 70, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, Decreto 4.543/025, com nãoincidência de impostos, obtendo entre o prazo inicial (08/07/2006) e final (08/01/2007), 180 dias para efetuar a operação de substituição (fls. 33 e ss). A empresa foi intimada em 08/06/2007, a comprovar a devolução ao exterior da mercadoria, tendo respondido que a mercadoria não foi devolvida ao exterior, apenas realizouse a devolução das divisas conforme contrato de câmbio de venda n° 06/071601 de 17/08/2006 (fls. 83). Através da intimação GERAD n° 0555/2006, de 06/08/2007, exigiuse o registro de uma Declaração de Importação de Consumo das mercadorias, com recolhimento integral dos tributos e das contribuições sociais vinculados ao comércio exterior, mas interessado discordou totalmente da exigência, tendo registrado a DI n° 07/11362003, sem os recolhimentos devidos. Em 06/07/2007, através de requerimento, informou que não concorda com o recolhimento dos tributos, solicitando a extinção e baixa do processo ou a lavratura do auto de infração. Esclarece a fiscalização que a Resolução do Senado Federal entendeu como inconstitucional a redação original do art. 93, do DecretoLei 37/1966. Entretanto, destacou a autoridade autuante, a reimportação de que se trata deve ter o tratamento de importação comum de produto estrangeiro, assim disposto no DecretoLei n° 37/1966, art. 1°, § 1º , com a redação dada pelo DecretoLei n° 2.472/1988, art. 1º, norma em pleno vigor e sobre a qual não Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11075.002294/200731 Acórdão n.º 3402004.972 S3C4T2 Fl. 3 3 existe decisão do Supremo Tribunal Federal, com homologação pelo Senado Federal de inconstitucionalidade. Ciente do lançamento em 05/10/2007, fls. 02, a interessada apresentou a impugnação de fls. 179/194, em 09/10/2007, onde em síntese do necessário alegou: é indevida a exigência do imposto de importação, sobre mercadoria nacional exportada em caráter definitivo, quando de seu retorno ao País, por reimportação. Referese, no caso à inconstitucionalidade do art. 93 do Decretolei nº 37/66, assim declarada pela Resolução nº 436/1987; salta à vista, que a atual Constituição não mudou a redação concernente à hipótese de incidência do imposto de importação, mantendose tal qual a Carta anterior, conforme apresentamos acima; ao adjetivar como "estrangeira" a mercadoria objeto da ação de importar, esta o legislador constituinte, por evidente, distinguindoa da mercadoria nacional, isto é, mercadoria estrangeira não é nacional, haja vista sua origem; no tocante a mercadoria em evidência, depreendese que a mesma é de procedência Argentina, pois daquele pais foi enviada para o Brasil. No entanto, como não sofreu transformação permanece de origem brasileira; a jurisprudência é pacifica em face da declaração incorporada em nosso ordenamento jurídico através da Resolução do Senado n° 436, de 5 de dezembro de 1987; cita diversos Acórdãos do então 3º CC. 2. Devidamente processada, a citada impugnação foi julgada improcedente pelo sobredito acórdão, conforme retrata a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 23/08/2007 MERCADORIA NACIONAL. EXPORTAÇÃO DEFINITIVA. RETORNO AO PAÍS. INCIDÊNCIA DO II. Considerase estrangeira, para fins de incidência do Imposto sobre a Importação, a mercadoria nacional ou nacionalizada que, após submetida a exportação definitiva, retornar ao País. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 318/333, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sua impugnação. 4. É o relatório. Fl. 353DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, o que passo a fazer nos seguintes termos. I. Do fundamento do recurso voluntário 6. Ao se analisar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte é possível observar que a discussão gravita em torno da convocação da ratio decidendi do precedente do Supremo Tribunal Federal veiculado no RE n. 104306 e assim ementado: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AO CONSIDERAR ESTRANGEIRA, PARA EFEITO DE INCIDÊNCIA DO TRIBUTO, A MERCADORIA NACIONAL REIMPORTADA, O ART. 93 DO DECRETOLEI N. 3766 CRIOU FICÇÃO INCOMPATÍVEL COM A CONSTITUIÇÃO DE 1946 (EMENDA N. 18, ART.7., I), NO DISPOSITIVO CORRESPONDENTE AO ART. 21, I, DA CARTA EM VIGOR. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO, PARA CONCESSÃO DA SEGURANÇA E PARA A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO CITADO ART. 93 DO DECRETOLEI N. 3766. (STF; RE n. 104.306, Relator(a): Min. OCTAVIO GALLOTTI, Tribunal Pleno, julgado em 06/03/1986, DJ 18041986 PP 05993 EMENT VOL0141503 PP00426) (grifos nosso). 7. Segundo se observa do aludido julgado, a "inconstitucionalidade" do art. 93 do Decretolei n. 37/661 foi reconhecida em face da ordem constitucional anterior a de 1988. Tal fato, inclusive, implicou o advento da Resolução do Senado Federal n. 436/87, que assim estabeleceu: Artigo único. É suspensa, por inconstitucionalidade, nos termos da decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 104.3067, do Estado de São Paulo, a execução do art. 93 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. 8. Acontece que, após o citado julgamento Pretoriano e a supra transcrita Resolução do Senado sobreveio nova ordem constitucional, bem como novo tratamento normativo infraconstitucional em relação à natureza jurídica das mercadorias nacionais exportadas em definitivo e posteriormente introduzidas no Brasil por intermédio de importação. É o que se extrai do art. 1o do Decretolei n. 2.472, de 01/09/88, que alterou o disposto no art. 1o do Decretolei n. 37/1966, o qual passou a ter a seguinte redação: Art. 1o O imposto de importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no território nacional. 1 "Art 93. Considerarseá estrangeira, para efeito de incidência do impôsto, a mercadoria nacional ou nacionalizada reimportada, quando houver sido exportada sem observância das condições dêste artigo." Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11075.002294/200731 Acórdão n.º 3402004.972 S3C4T2 Fl. 4 5 § 1° Para fins de incidência do imposto, considerarseá também estrangeira a mercadoria nacional ou nacionalizada exportada, que retornar ao País, salvo se: a) enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado; b) devolvida por motivo de defeito técnico, pra reparo ou substituição; c) por motivo de modificações na sistemática de importação por parte do país importador; d) por motivo de guerra ou calamidade pública; e) por outros fatores alheios à vontade do exportador. (...). 9. Essa também era a redação do art. 70 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto n. 4.543/02). 10. Nesse sentido, a ratio decidendi do precedente Pretoriano invocado pelo contribuinte (RE n. 104306) não é passível de ser convocada para a resolução do presente caso decidendo. 11. No mais, seguindo a linha de fundamentação desenvolvida pelo contribuinte, a presente exigência fiscal seria indevida na medida em que o Decretolei 37/66 e o Decreto n. 4.543/02 teriam indevidamente ampliado a competência da União para a instituição do Imposto de Importação, na medida em que bens nacionais exportados em definitivo e posteriormente reimportados para o país não transformaria a natureza jurídica de tais bens, os quais continuariam sendo produtos nacionais e não "estrangeiros", como delimita o art. 153, inciso I da Magna Lex. 12. Acontece que a análise de tal fundamento implicaria, em última ratio, em verificar a constitucionalidade de normas para promover um eventual controle difuso de constitucionalidade. 13. Ressalvado meu entendimento pessoal, no sentido de que também é possível o exercício do controle difuso de constitucionalidade na instância administrativa de caráter judicativo23 – exatamente como se afigura aqui no CARF – não posso deixar de reconhecer o disposto no art. 62 do Regimento Interno deste Tribunal4 que, como regra, veda a possibilidade do sobredito controle. No mesmo sentido é o teor da Súmula n. 02 deste E. 2 Ainda que o faça de forma atípica, o que é perfeitamente válido, haja vista a possibilidade dos diferentes Poderes do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) desempenharem outras funções além daquelas que lhe foram tipicamente atribuídas pelo texto constitucional. 3 Não me parece lógico muito menos válido juridicamente, que um órgão administrativo de caráter judicativo possa reconhecer o descompasso de um ato jurídico em face de uma lei, instrução normativa ou portaria, mas não possa fazêlo em relação à Constituição Federal, que, sob uma estrita perspectiva legal, é o fundamento de validade de todas as demais peças legislativas do ordenamento jurídico nacional. 4 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Fl. 355DF CARF MF 6 Tribunal Administrativo, a qual tem caráter vinculante para este julgador, nos termos do art. 42, inciso VI do RICARF5. 14. Neste tópico em particular, por expressa vedação normativa, nego provimento ao recurso voluntário interposto. Dispositivo 15. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 16. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. 5 "Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Fl. 356DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.908086/2009-28
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE.
Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário podem, excepcionalmente, ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material.
Numero da decisão: 3001-000.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora e demais documentos probatórios juntados em fase recursal, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário podem, excepcionalmente, ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora e demais documentos probatórios juntados em fase recursal, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 86 /2 00 9- 28 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10166.908086/200928 Acórdão n.º 3001000.272 S3C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP a compensação de débito de COFINS (cód.2172) do período de apuração 09/2006 com crédito de PIS/PASEP, por recolhimento a maior que o devido, via DARF, do período de apuração 07/2005, arrecadado na data de 15/08/2005. Do Despacho Decisório A DRF de Brasília em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.3), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito declarado para a competência 07/2005. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), justificando o ocorrido da seguinte forma: 1. que parte de sua receita, no período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, estaria sujeita a alíquota zero de incidência do PIS e da COFINS, correspondente a produtos tributados no sistema monofásico, em face de grande volume de suas vendas serem Chopp, cervejas e refrigerantes; 2. por ter ocorrido a tributação normal de seu faturamento no período acima mencionado, efetuou o recolhimento de PIS e COFINS em valores maior que o devido; 3. constatado o erro na apuração dos impostos fez a retificação da DIPJ e passou a realizar as compensações a partir de março/2006 através de PER/DCOMP; 4. ao tomar conhecimento do Despacho Decisório procurou o Plantão Fiscal da Receita Federal e foi orientado a apresentar DCTF retificadora, para demonstrar o correspondente crédito passível de compensação; 5. ao final pede deferimento da compensação praticada; Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 4ª Turma da DRJ/BSB, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10166.908086/200928 Acórdão n.º 3001000.272 S3C0T1 Fl. 4 3 Anocalendário: 2005 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAISDCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 27) contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido, repisa os fatos e apela para busca da verdade material no processo administrativo; menciona outros julgados do CARF condescendentes a juntada de novos documentos probatórios com o recurso voluntário; que em face de ter havido o pagamento a maior que o devido, como bem demonstra as planilhas anexadas, tem o direito de realizar compensações do tributo e espera a compensação do crédito informado em PER/DCOMP. Do julgamento do Recurso Voluntário A 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, no acórdão de nº 3803003.485, sessão de 25/09/2012, negou provimento por unanimidade de votos, ratificando a decisão de piso. Do Recurso Especial Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10166.908086/200928 Acórdão n.º 3001000.272 S3C0T1 Fl. 5 4 Cientificado da decisão de Segundo Grau a interessada tempestivamente ingressou com Recurso Especial. Primeiramente expôs os pressupostos de admissibilidade e com base no formalismo moderado (Lei nº 9.784/99), também, no princípio da razoabilidade que se aplicado com cautela, equilíbrio, moderação e harmonia, bem pode conduzir aos efeitos desejados. Esclarece ainda, “que a juntada de novos documentos no Recurso Voluntário tem respaldo sim no processo administrativo fiscal, no princípio da legalidade e o da verdade material que orienta e autoriza a Administração Pública a aceitar e buscar as provas que venham a demonstrar, a posteriori, a existência de vícios que tornem ilegal o ato administrativo. Os processos administrativos de que resultem sanções ao contribuinte poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício”. Adota como paradigma decisões da 2ª Seção de Julgamento do CARF que demonstram divergência de entendimento, com relação a possibilidade de juntada de novos documentos com o recurso voluntário, onde se destaca o seguinte trecho: “Não sendo suficientes os documentos juntados com a impugnação, mas vindo o contribuinte a trazêlos na fase recursal, é de se acatar a prova apresentada, em homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo e da busca da verdade material que orienta o processo administrativo tributário”. Em suas razões finais pede para declarar nulo o Acórdão da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por ofensa aos princípios da busca da verdade material e do formalismo moderado. Do exame de Admissibilidade do Recurso Especial Presentes os pressupostos de admissibilidade o Recurso Especial foi admitido, pois “a matéria foi prequestionada no acórdão recorrido, os paradigmas apresentados foram proferidos por colegiados distintos do da decisão recorrida e não sofreram reforma, restou demonstrada a divergência alegada e não foi constatado que as teses paradigmas tenham sido superadas pela CSRF”. Com base no fundamento do RICARF o exame de admissibilidade foi submetido ao Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, que aprovou e encaminhou à Câmara Superior de Recursos Fiscais (3ª Turma) para prosseguimento. Da ciência do Despacho pela PFN Cientificada a PFN, a mesma apresentou contra razões ao recurso especial, requerendo que seja negado provimento, uma vez que o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório a seu encargo, é imperiosa a manutenção do acórdão recorrido. Da decisão do Recurso Especial Levado a julgamento o presente Recurso Especial pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na data de 16/05/2017, Acórdão nº 9303005.092, por unanimidade de votos, dele tomou conhecimento e no mérito deulhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão das provas. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10166.908086/200928 Acórdão n.º 3001000.272 S3C0T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Com base nas decisões acima apresentadas, incorridas no presente processo, ficou superada a preclusão de provas no processo administrativo tributário na forma como conduzido pela recorrente em seu recurso voluntário. Da mesma forma é de se reconhecer como válida a DCTF retificadora para fins de análise e posterior homologação dos créditos pretendidos. Portanto, em cumprimento ao dispositivo de sentença prolatada pela CSRF, procedese a análise de mérito do recurso voluntário, que restou prejudicada na decisão contida no acórdão proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Em primeiro plano surgiu a apresentação de DCTF retificadora que tratou de acertar os corretos valores devidos de PIS e COFINS para o período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006. Por ter sido apresentada, a DCTF retificadora, em data posterior a emissão do Despacho Decisório, a DRJ/BSB – 4ª Turma sustentou que essa simples entrega, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior; que incumbe ao sujeito passivo fazer a demonstração das provas que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Esse fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10166.908086/200928 Acórdão n.º 3001000.272 S3C0T1 Fl. 7 6 força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis e fiscais, DIPJ, que de acordo com as razões recursais foram parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. A premissa menor que compõe a ementa do acórdão do Recurso Especial, tratado nesse processo, resume com precisão a questão que envolve a apresentação de prova no processo administrativo tributário, “verbis”: Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10166.908086/200928 Acórdão n.º 3001000.272 S3C0T1 Fl. 8 7 despacho decisório eletrônico no qual não são apresentadas ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Merece ser reproduzido aqui, por oportuno, parte em destaque dos fundamentos do acórdão do Recurso Especial que determinou a análise de mérito nos presentes autos: A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. O fato material que resultou em revisão de base de cálculo do PIS/COFINS, diz respeito a não exclusão do total de suas vendas mensais realizadas no período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, dos valores correspondentes às saídas de produtos enquadrados no regime MONOFÁSICO de tributação, instituído pela Lei 10.147/2000. Tal regime consiste em mecanismo semelhante à substituição tributária, pois atribui a um determinado contribuinte a responsabilidade pelo tributo devido em toda cadeia produtiva ou de distribuição subsequente. O art. 2º da Lei 10.147/2000 define que: “São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador”. Com respaldo nessa previsão legal a recorrente sustentou em sua manifestação de inconformidade, que realizou grande volume de vendas de Chopp, cervejas e refrigerantes, sujeitos ao regime monofásico e que efetivamente foram tributados pelo regime normal de incidência do PIS/COFINS. A revisão de cálculo dessas contribuições é que Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10166.908086/200928 Acórdão n.º 3001000.272 S3C0T1 Fl. 9 8 redundou em saldo credor pelo pagamento a maior que o devido e objeto dos pedidos de compensação via PER/DCOMP. As DCTFs retificadoras nada mais representam, conforme os argumentos de defesa, do que o repasse ao fisco dos corretos valores devidos de PIS e COFINS do período antes mencionado. Caso a unidade julgadora de primeiro grau tivesse remetido os autos a unidade de origem para que promovesse a análise das DCTFs retificadoras, talvez o deslinde do litígio tivesse outro rumo. As razões recursais reforçam essa tese com a juntada de provas que evidenciam as operações com produtos enquadrados no regime monofásico, planilhas e livros fiscais, plenamente vinculados ao objeto da recorrente. Não reconhecer a análise de mérito de todas as operações realizadas pelo sujeito passivo para o período que deu causa ao levantamento do crédito pleiteado, é incorrer em cerceamento do amplo direito de defesa, desrespeito ao princípio da verdade material e o da moralidade que rege os atos da Administração Pública, em não impedir exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723010/2010-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
NÃO CONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. NÃO CONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma.
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FAZENDA NACIONAL E VALE DO OURO TRANSPORTE COLETIVO LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. NÃO CONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 30 10 /2 01 0- 49 Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 802 2 2009. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2301002.691, prolatado pela 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 17 de abril de 2012 (efls. 686 a 695). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO As verbas intituladas auxílioalimentação, pagas em pecúnia, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. PAGAMENTOS A EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Não trazendo a autuada elementos que infirmem o trabalho fiscal, há de ser mantida a atuação, eis que a legislação determina a incidência de contribuição previdenciária sobre salários pagos a segurados empregados e remuneração a contribuintes individuais. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA Em princípio, houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual deve incidir na espécie a retroatividade Fl. 802DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 803 3 benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente AI calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao sujeito passivo. Decisão: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão do auxílio alimentação pago em pecúnia, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em excluir a multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos; a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. Por lapso procedimental, o Acórdão foi inicialmente levado à ciência da autuada (sem prévia ciência da Fazenda Nacional), em 14/01/13 (efl. 699), tendo a contribuinte, então, ingressado, em 21/01/13 (efl. 702), com Recurso Especial de efls. 702 a 712 e anexos. Verificouse tal lapso quando do exame de admissibilidade do Referido Recurso Especial da Contribuinte (despachos de efls. 743 a 745), onde se encaminhou o feito à Fazenda Nacional, a fim de que fosse retomado o devido trâmite. Assim, agora enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão em 11/09/2015 (efl. 746), sua Procuradoria apresentou, em 17/09/2015 (efl. 758) Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009 (efls. 747 a 757), que restou admitido, na forma de despacho de admissibilidade de efls. 760 a 764. Não houve apresentação de contrarrazões quanto ao Recurso Especial de iniciativa do contribuinte. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 21/10/2014, no Acórdão no. 920203.401, de lavra desta 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 920203.401 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2005 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 804 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.Recurso especial provido em parte. Decisão: por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira e Elias Sampaio Freire. Votou pelas conclusões o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) O ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; b) Nessa linha, constatase que antes das inovações da MP 449, de 2008, atualmente convertida na Lei 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212, de 1991, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212, de 1991 (multa isolada). Com o advento da MP 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212, de 1991. b.1) O art. 32A citado trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei 8.212, de 1991. O atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212, de 1991, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. b.2) Contudo, a MP 449, de 2008, também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, que corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212, de 1991 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o Fl. 804DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 805 5 lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212, de 1991; c) houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito. Logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei 8.212, de 1991, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96). Cita ainda, a necessidade de observância da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, modificada pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 2010. d) Assim, deve ser aplicado o disposto no inciso I, do art. 4º da citada Instrução Normativa, que determina a comparação entre os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Nesse contexto e considerando que a autoridade fiscal efetuou o lançamento nos exatos termos determinados pela Instrução Normativa nº 1.027, de 2010, que goza de presunção de validade, deve ser mantida a multa na forma constante no auto de infração de obrigação principal. Requer, assim, que seja admitido o presente recurso, em razão da divergência apontada, e, no mérito, lhe seja dado provimento para reformar o acórdão recorrido no ponto impugnado. Após nova ciência da autuada em 10/11/2016 (efl. 779), tendo o contribuinte quedado inerte quanto à apresentação de contrarrazões ao pleito fazendário, passouse a novo exame de admissibilidade do já mencionado Recurso Especial do Contribuinte de efls. 702 a 712, o qual restou admitido consoante despachos de efls. 785 a 791. Mais especificamente, no pleito admitido, alegase divergência em relação ao decidido pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em 17/05/2012, no âmbito dos Acórdãos de no. 2401002.778 e 2401002.779, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 2401002.778 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 30/11/2008 CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 806 6 VALORES CONCEDIDOS A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. DESVINCULAÇÃO REMUNERAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. RECONHECIMENTO VIA LEI COMPLEMENTAR MUNICIPAL ESPECÍFICA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO PARECER AGU N° AC 030. ANALOGIA. Em observância aos preceitos inscritos no Parecer AGU n° AC 030/2005, aplicado por analogia à hipótese vertente, a verba paga aos servidores municipais a título de auxílio alimentação, com base na Lei Complementar Municipal (Chapecó) n° 130/2001, está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, em face da sua natureza indenizatória, reconhecida pela própria legislação específica que regulamentou a matéria, a despeito da vinculação ao Regime Geral de Previdência Social RGPS. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não se pode cogitar em nulidade do lançamento. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91.Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir os levantamentos pertinentes ao auxílio alimentação. Acórdão 2401002.779 Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 807 7 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTOS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADOS IMPROCEDENTES EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuações Fiscais, pertinentes ao descumprimento da obrigação principal, declaradas parcialmente improcedentes, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. In casu, afastandose a incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas pela contribuinte aos segurados empregados a título de auxílio alimentação, deve ser rechaçada a penalidade correspondente, por descumprimento da obrigação acessória, objeto da presente autuação. VALORES CONCEDIDOS A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. DESVINCULAÇÃO REMUNERAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. RECONHECIMENTO VIA LEI COMPLEMENTAR MUNICIPAL ESPECÍFICA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO PARECER AGU N° AC 030. ANALOGIA. Em observância aos preceitos inscritos no Parecer AGU n° AC 030/2005, aplicado por analogia à hipótese vertente, a verba paga aos servidores municipais a título de auxílio alimentação, com base na Lei Complementar Municipal (Chapecó) n° 130/2001, está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, em face da sua natureza indenizatória, reconhecida pela própria legislação específica que regulamentou a matéria, a despeito da vinculação ao Regime Geral de Previdência Social RGPS. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, Fl. 807DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 808 8 especialmente artigo 142 do CTN, não se pode cogitar em nulidade do lançamento. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91.Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da multa os valores pertinentes ao auxílio alimentação. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais e demonstrar a existência de prequestionamento, argumenta a contribuinte em sua demanda que: a) Embora as decisões paradigmáticas façam alusão às verbas pagas a título de auxílio alimentação com base em legislação específica, o mesmo entendimento é aplicável, mutatis mutandis, às verbas pagas a tal título com base em convenção coletiva de trabalho, posto que todos os direitos nela garantidos integram o contrato de trabalho para todos os fins, constituindose em "direito adquirido" do empregado; b) Ademais, dezarrazoado penalizar o contribuinte que, diligente, observa todas as normas impostas pelas convenções trabalhistas, com o aumento de sua carga tributária previdenciária, enquanto aqueles, não sujeitos à tais normas, podem excluir tais valores da base de cálculo das contribuições, mediante oferecimento da mesma ajuda de custo, porém, in natura; c) Faz notar que este foi o entendimento adotado pelo CARF, ao reconhecer a natureza indenizatória do AUXÍLIOTRANSPORTE EM PECUNIA, como se extrai da ementa do Acórdão 2402003.137, colacionando jurisprudência consolidada no âmbito do TST que corroboraria integralmente o entendimento esposado, no sentido de que o fato desta parcela ser paga em pecúnia, obviamente, não tem o condão de alterar a natureza jurídica do auxílioalimentação, pois decorre do descumprimento de obrigação de fazer, convolado em indenização. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 809 9 Assim, pede que o Recurso seja conhecido e, no mérito, lhe seja dado provimento, para que esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, constatando a existência de decisões em sentido contrário ao acórdão recorrido, determine a uniformização da jurisprudência, no sentido de que o auxílioalimentação, pago em pecúnia por determinação de convenção coletiva de trabalho, não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por representar verba de natureza manifestamente indenizatória, destinada a garantir a saúde, a subsistência, e a dignidade do empregado. Finalmente, uma vez reformado o acórdão recorrido, para decotar da exigência fiscal os valores referidos no pedido anterior, mister sejam canceladas as penalidades pecuniárias, tanto no que diz respeito à mora, quanto no que diz respeito a suposta omissão em GFIP, haja vista que, em Direito Tributário, o acessório segue o principal. Cientificada a Fazenda em 24/04/17 (efl. 792), esta ofereceu, em 10/05/17 (efl. 799), contrarrazões de efls. 793 a 798 ao pleito do contribuinte, onde alega: a) o auxílio alimentação pago em pecúnia integra o saláriodecontribuição, já que pago sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT); b) conforme disposto na alínea “c”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição a parcela “in natura” recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 1976 (Lei instituidora do PAT). Com efeito, o Programa de Alimentação do Trabalhador não admite o fornecimento do auxílioalimentação em pecúnia/ticket, consoante se depreende do art. 4º, do Decreto nº 5, de 1991 que regulamenta o programa; c) Verificase, portanto, que a alimentação em pecúnia/ticket não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT. Assim, para a não incidência da Contribuição Previdenciária é imprescindível que o pagamento seja feito “in natura” e em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, nos termos do art. 3º, da Lei nº 6.321, de 1976; d) para fins de beneficiarse da não incidência da contribuição previdenciária, deve o contribuinte satisfazer determinados requisitos exigidos na legislação de regência, dentre eles a comprovação da participação em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, mediante a sua inscrição no PAT, o que não foi cumprido pelo contribuinte. Corrobora com esse entendimento o Parecer/CJ nº 1.059/97; e) A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I. Onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Desse modo, caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias o auxílio alimentação, quando pago em pecúnia ou por intermédio de vale alimentação/refeição, mesmo sem a inscrição no PAT, teria feito menção expressa na legislação previdenciária, mas, ao contrário, fez menção expressa de que apenas a parcela paga de acordo com as regras do PAT não integra o saláriodecontribuição. Fl. 809DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 810 10 f) Convém registrar que a Lei n° 10.243, de 2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 da CLT referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212, de 1991, conforme demonstrado. A prova mais robusta de que a verba para efeito previdenciário não coincide com a verba para incidência de direitos trabalhistas, é fornecida pela própria Constituição Federal. Conforme o art. 195, § 11 da Carta Magna, os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Desse modo, pela singela leitura do texto constitucional é possível afirmar que para efeitos previdenciários foi alargado o conceito de salário. Assim, em sede de contrarrazões requer a Fazenda Nacional que seja negado provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. Sobem, assim, os Recursos Especial do Contribuinte e da Fazenda Nacional, agora, à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 811 11 Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Inicio a análise pelo Recurso Especial do Contribuinte, por reconhecer relação de prejudicialidade, no que diz respeito à incidência de multa sobre os valores principais aqui objeto de litígio. Ou seja, não há que se falar em multa por descumprimento de obrigação acessória (matéria objeto do pleito fazendário) sobre a rubrica de auxílio alimentação litigada, caso conclua este Colegiado pela impertinência do lançamento da obrigação principal originada da exclusão indevida da referida rubrica, daí o início da análise pelo pleito da autuada. a) Do Recurso Especial da Contribuinte. Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende a estes requisitos de admissibilidade. Todavia, discordo do exame de admissibilidade de efls. 785 a 791, quanto à caracterização de divergência interpretativa. Explico. Verifico que, em ambos os paradigmas, conclui o Colegiado pela não incidência sobre a rubrica por força do Parecer AGU no. 030/2005, Parecer este que, note se, referese a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a servidores da Administração Federal, aplicandose, ali, de analogia por se estar diante, nos casos paradigmáticos, de servidores municipais, expressis verbis: Acórdãos 2401002.778 e 2401002.779 (...) Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a integralidade da exigência fiscal, aduzindo para tanto que as verbas pagas pela empresa aos segurados empregados, auxílio alimentação, não se equiparam àquelas que compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista a inexistência dos requisitos necessários à caracterização de saláriode contribuição. A corroborar sua pretensão, elabora substancioso arrazoado contemplando com especificidade o auxílio alimentação, trazendo à colação as normas de regência, doutrina e jurisprudência em defesa de seu entendimento, concluindo estar fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, sobretudo quando concedido com base em Lei Complementar Municipal, onde restou consignada a natureza indenizatória de tal verba. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 812 12 Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito adotadas pelo nobre julgador de primeira instância, concluise que a pretensão da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, encontrando guarida em Parecer da Advocacia Geral da União, como passaremos a demonstrar. Afora a vasta discussão a propósito da matéria, deixaremos de abordar a legislação de regência ou mesmo adentrar a questão da natureza/conceituação de aludida verba, uma vez que a Advocacia Geral da União, mediante aprovação do Parecer n° AC 030/2005, afastou a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos servidores da administração federal, a despeito da vinculação ao Regime Geral de Previdência Social RGPS, senão vejamos (grifei): (...) Em que pese o Parecer da Advocacia Geral da União, com sua ementa acima transcrita, contemplar o caso de pagamento/concessão de auxílio alimentação aos servidores públicos temporários no âmbito federal, se presta a elucidar a controvérsia posta nos autos, sobretudo com arrimo no princípio da analogia. Isto porque, além da verba sob análise possuir a mesma natureza e ter destinação idêntica nos dois casos (servidores municipais ou federais), a não incidência das contribuições previdenciárias, ou melhor, a desvinculação da remuneração, encontrase amparada pela própria legislação de regência que trata de referido beneficio. Na hipótese do servidor público federal, com fundamento nos preceitos contidos no artigo 22 da Lei n° 8.460/92. Na mesma linha, para os servidores municipais de Chapecó, com esteio no artigo 65 da Lei Complementar Municipal n° 130/2001, in verbis: (...) Diante das razões supra, ainda que o Parecer AGU n° AC 030 se refira aos servidores federais, com arrimo no princípio da analogia, o entendimento ali inserido deve prevalecer no caso dos autos, o que rechaça a incidência de contribuições sobre aludida verba, em fac. da sua natureza eminentemente indenizatória, assim definida pela própria legislação que regulamentou o tema. (grifei) (...) Cediço que impossível se concluir, a partir da fundamentação acima disposta, como os Colegiados paradigmáticos se posicionariam quanto à incidência em questão diante da situação em tela, onde se tem, notese, pagamentos realizados por sociedade empresarial oriundos de Convenção Coletiva de Trabalho, situação que em nada se confunde com o pagamento realizado por entidades da Administração Pública Direta ou Indireta, ambas sob a égide de legislação específica a estas aplicável. Ressaltese, ainda, terem sidos ambos os Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 813 13 paradigmas expressos em afirmar que não abordariam a natureza/conceituação da referida verba, tida como salarial pelo Colegiado recorrido. Assim, não sendo possível definir a decisão dos Colegiados paradigmáticos, não reconheço como caracterizada a divergência interpretativa e. destarte voto por não conhecer do Recurso Especial da Contribuinte. b) Do Recurso Especial da Fazenda Nacional Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, assim, conheço do pleito fazendário. Passo, desta forma, à análise de mérito. Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 814 14 § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 815 15 no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 816 16 vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 817 17 (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por, em seu decisum aplicar o disciplinado no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, já na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o referido art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 818 18 qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento ou Auto de Infração pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, tal como aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento simultâneo das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal, o que não se confunde, notese, com a hipótese de aplicação do novo art. 32A, que se limita a meu ver, a casos onde houver somente a falta de apresentação da GFIP no prazo fixado ou a apresentação com incorreções ou omissões, sem que se esteja a cogitar aqui de lançamento de ofício. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 819 19 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Fl. 819DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 820 20 Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de Fl. 820DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 821 21 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto, bem como daquelas aplicadas no âmbito do(s) auto(s) de obrigação principal vinculado(s), limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. Não há que se falar, com base no entendimento acima, uma vez se estando diante de lançamento de ofício, em comparação segregada de multas ou da existência, aqui, de multa de natureza moratória, limitada ao percentual de 20%, nem tampouco de aplicação do novo art. 32A da Lei no. 8.212, de 1991. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. De se notar, por fim, a plena aplicabilidade da solução acima, indistintamente, aos lançamentos decorrentes do descumprimento de obrigações principais e acessórias, conforme muito bem observado pelo voto da Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, verbis: (...) Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). Fl. 821DF CARF MF Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 9202006.566 CSRFT2 Fl. 822 22 (...)" Por fim, de se ressaltar que os demais feitos onde se encontram lançadas as obrigações principais que deram azo ao descumprimento da presente obrigação acessória sob análise ou a) já foram objeto de trânsito em julgado administrativo contrário ao contribuinte no que diz respeito à obrigação principal oriunda da rubrica sob análise (DEBCAD 37.282.3890 Proc. 10680.723015/201071 e DEBCAD 37.282.3904 Proc. 10680.723016/201016), ou b) estão sendo julgados de forma conjunta e consistente durante a presente sessão (DEBCAD 37.282.3912 Proc. 10680.723013/201082). Assim, não há que se cogitar de impossibilidade de apreciação do presente auto de obrigação acessória ,por necessidade de apreciação conjunta com outros autos de infração, agora de obrigação principal (AIOPs). Desta forma, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. c) Conclusão Conclusivamente, voto por a) não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte; b) dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 822DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000395/2006-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 MULTA REGULAMENTAR. FALTA ARQUIVOS MAGNÉTICOS. DECADÊNCIA. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Deve ser cancelada a multa por falta/atraso na apresentação de arquivos magnéticos, quando constituída após transcurso do prazo decadencial para a constituição de ofício do crédito tributário. Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 1402-000.896
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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FALTA ARQUIVOS MAGNÉTICOS. DECADÊNCIA. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Deve ser cancelada a multa por falta/atraso na apresentação de arquivos magnéticos, quando constituída após transcurso do prazo decadencial para a constituição de ofício do crédito tributário. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10932.000395/200687 Acórdão n.º 140200.896 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório A 2ª TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ CAMPINAS, com fulcro no artigo 35 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). recorre a este Conselho em face da decisão de primeira instância administrativa, que julgou improcedente a exigência formalizada contra a empresa ELEVADORES OTIS LTDA. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de auto de infração à legislação tributária, lavrado em 19/12/2006, que constituiu o crédito tributário no montante de R$ 8.396.998,31, relativo à MULTA REGULAMENTAR POR FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO, nos anoscalendário de 1997 a 2001, conforme descrição dos fatos contida no Termo de Verificação Fiscal de fls. 09, parte integrante da peça acusatória: “O Processo nº 13819.001916/200365, em fase recursal, originado de auto de infração lavrado contra o contribuinte, em decorrência de falta de recolhimento de Cofins, foi encaminhado pelo Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, para a realização de diligências; Conforme Intimação Fiscal de 07/03/2006 (fls. 09) foi pedida a apresentação no prazo de 20 (vinte) dias, dos arquivos digitais relativos a lançamentos contábeis e saldos contábeis dos anoscalendário de 1997 a 2001. Atendendo solicitação do contribuinte (fls. 10), o prazo foi prorrogado por mais 20 (vinte) dias e em 19/04/2006 (fls. 11), foi entregue mídia ótica contendo os arquivos; Entretanto, após análise de seu conteúdo, foi constatada a ausência de arquivos auxiliares e lavrada a Intimação Fiscal 02, inquirindo o motivo da falta. Em resposta, foi afirmado que o pedido fora atendido plenamente (vide fls. 12 e 13); Em 25/10/2006, o contribuinte foi cientificado da Intimação Fiscal 03 (fls. 14), onde foi pedido, desta vez especificamente, arquivos digitais de lançamentos contábeis e saldos contábeis, correspondentes ao diário auxiliar que contém lançamentos analíticos agrupados na conta 002001002 – C/R CLIENTES, no prazo de 20 (vinte) dias, ou seja, até 14/11/2006; Assim, até a presente data, transcorridos 33 (trinta e três) dias após o prazo estabelecido (14/11/2006) sem atendimento da intimação, com base no inciso III, do art. 12 da Lei nº 8.218, de 29/08/1991, o contribuinte fica sujeito à multa equivalente a 0,02% (dois centésimos por cento) por dia de atraso, ou seja, 0,66% (sessenta e seis centésimos por cento) calculado sobre a receita bruta declarada de cada período: Anocalendário Receita Bruta Multa de 0,66% 1997 237.195.195,53 1.565.488,29 1998 252.041.156,30 1.663.471,63 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10932.000395/200687 Acórdão n.º 140200.896 S1C4T2 Fl. 0 3 Anocalendário Receita Bruta Multa de 0,66% 1999 254.051.087,62 1.676.737,18 2000 263.906.016,30 1.741.779,71 2001 265.079.019,06 1.749.521,53 Total 1.272.272.474,81 8.396.998,33 O lançamento foi encaminhado, por via postal, em 27/12/2006 (fls. 18/19) e, por intermédio de seu advogado e bastante procurador (Instrumento de Mandato de fls. 47), a contribuinte protocolizou a impugnação de fls. 21/44, em 25/01/2007, alegando em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito. Afirma a tempestividade da defesa apresentada. No mérito, aduz que a multa regulamentar somente seria aplicável se a contribuinte houvesse deixado de apresentar, no prazo fixado, os arquivos digitais e sistemas de processamento eletrônico de dados utilizados para registro de negócios e atividades econômicas ou financeiras, escrituração de livros ou elaboração de documentos de natureza contábil ou fiscal, que estivesse obrigada a manter pelo prazo decadencial. Contradita a autuação dizendo que não estaria obrigada a manter arquivos magnéticos relativos a período já decaído e que os arquivos teriam sido apresentados no prazo estabelecido. Defende a ausência de norma legal acerca do prazo para apresentação de arquivos magnéticos e que a penalidade seria confiscatória, sem razoabilidade e desproporcional à conduta praticada. Esclarece ter sido autuada no âmbito do processo 13819.001916/200365 por falta de recolhimento da Cofins de janeiro de 1997 a junho de 2001 (fls. 67/79). O lançamento teria sido parcialmente mantido pela 5ª Turma de Julgamento desta DRJ Campinas, conforme Acórdão nº 5.047, de 09/10/2003 (fls. 96/100) assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1997 a 31/01/1999, 01/03/1999 a 31/03/1999, 01/01/2000 a 31/07/2001 Ementa: DECADÊNCIA. O prazo decadencial da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é de dez anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito poderia ter sido constituído, entendimento esse consolidado no art. 95 do Regulamento do PIS/Pasep e da Cofins, Decreto nº 4.524, de 2002. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. As alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não têm valor. COMPENSAÇÃO. DCTF. EXCLUSÃO. Valores tempestivamente declarados em DCTF como compensados, antes do início do procedimento fiscal e não contestados pela fiscalização, devem ser excluídos da exigência. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10932.000395/200687 Acórdão n.º 140200.896 S1C4T2 Fl. 0 4 LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Contra esta decisão, teria sido interposto recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 101/120), na apreciação do qual teria sido determinada a realização de diligência, nos termos da Resolução da Quarta Câmara nº 20400.011, cuja conclusão abaixo se reproduz (fls. 122/125): “Diante do exposto, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que: sejam verificadas, inclusive nos sistemas informatizados da SRF, os valores que foram objeto de retenção na fonte a título de Cofins por órgãos e entidades públicas referidas no art. 64 da Lei nº 9.430/96 em nome da recorrente; considerar as declarações de retenção acostadas aos autos pela contribuinte; verificar se a compensação alegada pela recorrente encontrase devidamente escriturada em sua escrita fiscal e se foi devidamente informada à SRF; verificar a regularidade da citada compensação, considerando os valores informados pela contribuinte em suas planilhas, os valores escriturados e os obtidos pelo Fisco”. Nas palavras da defesa, cumpriria ao agente fiscal responsável pelo procedimento verificar se a compensação se encontrava devidamente escriturada e se havia sido informada à SRF. Todas as outras verificações independeriam de arquivos que estivessem com a Impugnante, já que as informações poderiam e, segundo o CC, deveriam ser examinadas nos próprios sistemas informatizados da SRF. No atendimento das intimações formalizadas, teria sido entregue mídia ótica, contendo toda a escrituração contábil da empresa, inclusive, a conta 002001002 – C/R CLIENTES mais tarde solicitada. Afirma que no CD poderiam ser encontrados, também, os livros Razão Analítico e Auxiliar. Assevera, assim, que todos os dados necessários ao cumprimento da diligência estariam no CD entregue ao Fisco em 19/04/2006. Durante o procedimento a Impugnante teria esclarecido o agente que a intimação já teria sido plenamente atendida, mas mesmo assim, por contato telefônico, teria sido solicitado o arquivo com a conta 002001002 – C/R CLIENTES, separadamente dos demais. Entretanto, ao atender à solicitação, em 19/12/2006, teria sido informada da lavratura do auto de infração. Destaca que desde o início teria se mostrado disposta a colaborar com o procedimento, tendo atendido prontamente a todas as intimações, mantendo atitude cordial e diligente no cumprimento das exigências, o que demonstraria a sua boafé e interesse no procedimento que contribuiriam para o cancelamento do auto de infração, objeto do processo nº 13819.001916/200365. Nas palavras da defesa: “As diligências fiscais tiveram início em Março de 2006 e foram, abrupta e inesperadamente, encerradas sem conclusão aparente em Dezembro do mesmo ano, i.e., mais de 10 (dez) meses depois. O mais interessante, contudo, é que o i. AFRF levou cerca de 5 (cinco) meses – lapso entre o cumprimento da segunda intimação e o recebimento da terceira – para analisar os arquivos que lhe foram entregues no início das diligências e impôs à Impugnante multa pelo atraso de meros 33 (trinta e três) dias, prévia e Fl. 224DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10932.000395/200687 Acórdão n.º 140200.896 S1C4T2 Fl. 0 5 tempestivamente justificado, no cumprimento da última das 3 intimações recebidas”. Diz que não poderia ser feita a exigência da multa regulamentar em relação aos períodos já atingidos pela decadência, segundo a regra do art. 150, §4º do CTN. Ainda que se aplicasse a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, a multa regulamentar somente seria aplicável em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001. De acordo com o art. 11, caput da Lei nº 8.218, de 1991, as pessoas jurídicas que utilizassem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal ficariam obrigadas a manter, em meio magnético ou assemelhado, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos e sistemas, durante o prazo decadencial para a exigência do respectivo tributo. Como a ciência do lançamento da multa regulamentar somente ocorreu em 28/12/2006, já estava decaído o direito de constituir o crédito tributário de Cofins de janeiro de 1997 até novembro de 2001, não sendo aplicável a multa regulamentar. No que tange a dezembro de 2001, diz que teria apresentado os arquivos solicitados e relacionados ao procedimento de diligência, no qual deveria ser verificado apenas se a compensação da Cofins, alegada em recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes, encontravase devidamente escriturada. Assim, afirma que os arquivos apresentados continham todos os elementos necessários à verificação das compensações efetuadas. Acrescentou ainda que a análise da conta 002001002 – C/R CLIENTES, cuja suposta não entrega culminou com a presente autuação, não comprovaria a escrituração das compensações de Cofins realizadas pela Impugnante e, tampouco, seria suficiente para demonstrar os valores da contribuição retidos pelos órgãos públicos, que eram contabilizados em conta específica – ‘Cofins a recuperar’. Ademais, a multa prevista no art. 12, III, da Lei nº 8.218, de 1991 seria aplicável aos casos de atraso no atendimento das intimações para apresentação de arquivos magnéticos, mas no caso, não teria havido omissão ou atraso, tendo em conta que a Impugnante teria cumprido as intimações por duas vezes. Questiona a ausência de Lei com previsão de prazo para entrega de arquivos magnéticos à fiscalização, por afronta ao princípio da legalidade; e ainda, o caráter confiscatório da penalidade, com ofensa ao direito de propriedade, e a ausência de proporcionalidade e razoabilidade. A decisão recorrida está assim ementada: Multa. Arquivos Magnéticos. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas Fl. 225DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10932.000395/200687 Acórdão n.º 140200.896 S1C4T2 Fl. 0 6 ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Deve ser cancelada a multa por falta/atraso na apresentação de arquivos magnéticos, quando constituída após transcurso do prazo decadencial para a constituição de ofício do crédito tributário. Lançamento Improcedente. Ato continuo, o processo foi encaminhado ao CARF e sorteado a este conselheiro. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10932.000395/200687 Acórdão n.º 140200.896 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso de oficio preenche os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, em litígio a exigência da multa por falta ou atraso na apresentação de arquivos magnéticos, relativa aos anos de 1997 a 2001, que foi constituída em janeiro de 2007, ou seja, 6 anos após o último fato gerador. A penalidade atingiu o montante de R$ 8.396.998,33. A contribuinte alegou em preliminar a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário, à luz dos art. 150 e 173 do CTN, que foi acatada à unanimidade pela 2a. Turma da DRJ em Campinas (SP). Vejamos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra da ilustre julgadora Maria Lucia Aguilera (verbis): (...) No mérito, cumpre acatar a preliminar de decadência do crédito tributário relativo à multa por falta ou atraso na apresentação de arquivos magnéticos. Cumpre transcrever os dispositivos da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 (com a redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001), que fundamentaram a presente exigência: Art.11.As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. §1ºA Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. (...) §3ºA Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. §4ºOs atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10932.000395/200687 Acórdão n.º 140200.896 S1C4T2 Fl. 0 8 II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) Imperioso reconhecer que tais preceitos normativos têm por escopo dar efetividade ao procedimento fiscal de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes, pois assim dispõe o Fisco da possibilidade de lançamento da multa de ofício, se os arquivos digitais e sistemas, utilizados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, não forem apresentados no prazo razoável, ou forem apresentados sem atender às formalidades ou ao conteúdo requerido pelo procedimento de verificação fiscal. Todavia, tais preceitos somente se justificam diante da possibilidade jurídica de lançamento de ofício do crédito tributário correspondente, por isso a ressalva ao final do caput do art. 11 da Lei nº 8.218, de 1991, de que tal obrigação de manter os arquivos digitais e sistemas, à disposição da Secretaria da Receita Federal, extinguese com a fluência do prazo decadencial previsto na legislação tributária. No caso em questão, nem se questione que o lançamento de ofício do crédito tributário de Cofins do período de fevereiro de 1997 a julho de 2001, já havia sido formalizado no processo nº 13819.001916/200365 (extrato Profisc de fls. 156/159 verso), quando efetivado o presente lançamento de ofício da multa por falta/atraso na apresentação de arquivos magnéticos. Observese que o lançamento da multa por falta/atraso na apresentação dos arquivos magnéticos foi formalizado, no âmbito de procedimento de diligência fiscal, requerida pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, para validar as alegações da defesa acerca da necessidade de serem consideradas as retenções por órgãos públicos e as compensações efetuadas contabilmente, no lançamento de ofício da Cofins. Ou seja, no âmbito de um procedimento de validação do valor devido de Cofins e já lançado exofficio, procedeu a fiscalização ao lançamento de multa por falta/atraso na apresentação de arquivos magnéticos. Ainda que não se questione diretamente a validade do procedimento adotado, cumpre reconhecer que na data da ciência do presente lançamento, em 11/01/2007, já estava decaído o direito de constituição do crédito tributário de Cofins do período de fevereiro de 1997 a julho de 2001, e conseqüentemente, não estava mais a contribuinte sujeita à obrigação de apresentação de arquivos magnéticos daquele período e à multa cabível. Salientese que em face da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal – STF, publicada no DOU de 20/06/2008, deixase de aplicar ao caso o prazo decadencial de dez anos, prescrito no art. 45 da Lei nº Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. É a seguinte a redação do preceito normativo: (...) Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10932.000395/200687 Acórdão n.º 140200.896 S1C4T2 Fl. 0 9 (...) Desta forma, aplicável à Cofins os prazos decadenciais previstos nos dispositivos do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) abaixo transcritos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;. Conforme jurisprudência uníssona do Superior Tribunal de Justiça – STJ, verificado o pagamento antecipado do tributo, deve prevalecer a contagem do prazo de decadência, previsto no §4º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. In casu, pela documentação de fls. 160/177, comprovados estariam os pagamentos parciais da Cofins do período de fevereiro de 1997 a julho de 2001. Decorre daí que o prazo de decadência do direito de efetuar o lançamento de ofício correspondente à diferença não paga teria expirado, em 31/07/2006, em relação ao último período de apuração, qual seja, julho de 2001. Por conseguinte, a partir de 01/08/2005 não estaria mais a contribuinte obrigada a apresentação de arquivos magnéticos do período de fevereiro de 1997 a julho de 2001, devendo ser cancelado o lançamento da multa por falta/atraso na apresentação dos arquivos magnéticos, cientificada ao sujeito passivo apenas em 11/01/2007. (...)” Aos irretocáveis fundamentos acima transcritos, que a meu ver abordaram todos os aspectos relevantes inerentes ao presente litígio, nada merece ser acrescentado, pelo que oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio, cancelandose integralmente a exigência. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 229DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 19515.720509/2011-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Importâncias pagas, previstas em acordo coletivo de trabalho, correspondentes aos meses que antecedem à aquisição do período aquisitivo do direito à aposentadoria, independentemente da prestação de serviço pelo empregado, em virtude da demissão por interesse do empregador, ainda que seja eventual, devem ser incluídas no salário-de-contribuição para o cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, por falta de expressa previsão legal.
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DE DOLO DE FRAUDAR OU SONEGAR. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS. SÚMULA CARF Nº 99.
Não comprovada a existência de dolo na omissão de informações que pudessem caracterizassem sonegação ou fraude no lançamento fiscal, haja vista que o cálculo da multa não considerou seu valor duplicado, e em face da existência de pagamentos parciais com relação aos fatos geradores lançados, há que ser seguido o disposto na Súmula CARF nº 99 para aplicação da regra decadencial.
Numero da decisão: 9202-006.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram parcialmente do recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, e às verbas pagas a como rubrica 165 - Indenização estabilidade, que devem ser tributadas, reformando o acórdão a quo, para restabelecer os créditos apurados nos moldes do auto de infração, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar lhe provimento, quanto à decadência da exigência dos tributos nas competências de 01/2006 a 06/2006, reconhecida com base no § 4º do art. 150 do CTN, afastando os créditos lançados nos autos de infração para essas competências.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Importâncias pagas, previstas em acordo coletivo de trabalho, correspondentes aos meses que antecedem à aquisição do período aquisitivo do direito à aposentadoria, independentemente da prestação de serviço pelo empregado, em virtude da demissão por interesse do empregador, ainda que seja eventual, devem ser incluídas no salário-de-contribuição para o cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, por falta de expressa previsão legal. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DE DOLO DE FRAUDAR OU SONEGAR. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS. SÚMULA CARF Nº 99. Não comprovada a existência de dolo na omissão de informações que pudessem caracterizassem sonegação ou fraude no lançamento fiscal, haja vista que o cálculo da multa não considerou seu valor duplicado, e em face da existência de pagamentos parciais com relação aos fatos geradores lançados, há que ser seguido o disposto na Súmula CARF nº 99 para aplicação da regra decadencial.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2.388 1 2.387 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.720509/201161 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202006.448 – 2ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria 67.636.4010 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PENALIDADES/RETROATIVIDADE BENIGNA AIOP/AIOA: FATOS GERADORES ANTERIORES À MP Nº 449, DE 2008. 67.643.9999 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SALÁRIO INDIRETO OUTROS. 67.618.4189 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO PAGAMENTO APTO A ATRAIR O ART. 150, § 4º DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Recorrentes FAZENDA NACIONAL RUMO MALHA PAULISTA S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Importâncias pagas, previstas em acordo coletivo de trabalho, correspondentes aos meses que antecedem à aquisição do período aquisitivo do direito à aposentadoria, independentemente da prestação de serviço pelo empregado, em virtude da demissão por interesse do empregador, ainda que seja eventual, devem ser incluídas no saláriodecontribuição para o cálculo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 09 /2 01 1- 61 Fl. 2388DF CARF MF 2 das contribuições devidas à Seguridade Social, por falta de expressa previsão legal. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DE DOLO DE FRAUDAR OU SONEGAR. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS. SÚMULA CARF Nº 99. Não comprovada a existência de dolo na omissão de informações que pudessem caracterizassem sonegação ou fraude no lançamento fiscal, haja vista que o cálculo da multa não considerou seu valor duplicado, e em face da existência de pagamentos parciais com relação aos fatos geradores lançados, há que ser seguido o disposto na Súmula CARF nº 99 para aplicação da regra decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram parcialmente do recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, e às verbas pagas a como rubrica 165 Indenização estabilidade, que devem ser tributadas, reformando o acórdão a quo, para restabelecer os créditos apurados nos moldes do auto de infração, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar lhe provimento, quanto à decadência da exigência dos tributos nas competências de 01/2006 a 06/2006, reconhecida com base no § 4º do art. 150 do CTN, afastando os créditos lançados nos autos de infração para essas competências. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Do auto de infração ao recurso voluntário Trata o presente processo de 04 autos de infração de obrigação principal, às efls. 05, 17, 29 e 41, cientificados ao contribuinte em 30/06/2011 (AR, efl. 1277), com relatório fiscal às efls. 1147 a 1230. Os autos de infração relacionados às obrigações principais englobam créditos previdenciários relativos a remunerações pagas a empregados, e contribuintes individuais não declaradas em GFIP e são: Fl. 2389DF CARF MF Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 9202006.448 CSRFT2 Fl. 2.389 3 DEBCAD Nº DESCRIÇÃO VALOR CORRIGIDO 37.309.0439 Contribuições patronais e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, com fatos geradores apurados em rubricas de folha de pagamentos a segurado empregado não reconhecidas pela empresa como salário de contribuição. 30.126.869,48 37.309.0420 Contribuições não descontadas de segurados com fatos geradores apurados em rubricas de folha de pagamentos a segurado empregado não reconhecidas pela empresa como salário de contribuição. 455.921,66 37.309.0412 Contribuições para outras entidades e fundos (INCRA e SEBRAE) com fatos geradores apurados em rubricas de folha de pagamentos a segurado empregado não reconhecidas pela empresa como salário de contribuição. 1.046.735,88 37.309.0404 Contribuições patronais com fatos geradores apurados em rubricas de folha de pagamentos a segurados contribuintes individuais não reconhecidas pela empresa como salário de contribuição. 225.113,10 TOTAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS 31.854.640,12 De acordo com o relatório fiscal, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias foram apurados com relação a rubricas da folha de pagamentos não reconhecidas como base de cálculo pela empresa no período de 01/2006 a 12/2006. Tais rubricas, que compuseram os fatos geradores apurados pela fiscalização, conforme descritas no acórdão recorrido (efl. 1652), seriam: · Rubrica 161 – Indenização por tempo de serviço, para qual o fisco deixou de reconhecer a existência de isenção, apesar de compreender como ganho eventual, por entender que o ganho estava vinculado ao salário e ter sido previsto em Acordo Coletivo e não em lei; · Rubrica 391 Diferença de indenização por tempo de serviço, tributadas pelas mesmas razões da rubrica anterior; · Rubrica 165 – Estabilidade abono préaposentadoria, para qual foi reconhecida a natureza indenizatória, mas não era possível enquadrar em uma hipótese de isenção; · Rubrica 230 – Ajuda custo, para qual o fiscal constatou que apesar de ser atribuída a colaborador transferido de seu local de trabalho era paga mais de uma vez, o que violava a norma de isenção; · Rubrica 233 – Abono ACT, tais abonos previsto em Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) não estavam desvinculados do salário, pois não há previsão em lei, mas apenas em ACT; Fl. 2390DF CARF MF 4 · Rubrica 283 – Indenização Bônus, a indenização ao diretor não empregado Silvio Ricardo foi incluída na base de cálculo tendo em vista de a empresa não ter apresentado o contrato de trabalho de modo que pudesse ser apurada sua natureza jurídica; e · Rubrica 286 – Indenização Diretor, as indenizações concedidas a dois diretores , Sebastião Bussolar e José Salomão, foram incluídas na base de cálculo, em razão de a empresa não ter apresentado os contratos de trabalho de modo que pudesse ser apurada sua natureza jurídica. Os autos de infração foram impugnados, às efls. 1283 a 1303, em 29/07/2011. Já a 14ª Turma da DRJ/SP1, no acórdão nº 1634.916, prolatado em 28/11/2011, às efls. 1518 a 1538, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 14/02/2012, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 1545 a 1572, com argumentos extraídos do acórdão recorrido na síntese abaixo: Protesta pela nulidade da autuação fiscal em virtude de não ter havido a materialização da suposta obrigação tributária, o que ofenderia a legalidade. Haveria violação dos arts. 97 e 142 do Código Tributário Nacional (CTN). A fiscalização não teria fundamentado a natureza remuneratória ou o cunho habitual dos pagamentos. Aponta ter ocorrido ilegalidade na fixação das multas, por conta da aplicação equivocada do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Defende que é necessário que o pagamento tenha natureza remuneratória ou seja pago com habitualidade para que haja a adequação do caso à hipótese prevista na norma de incidência. Passa a tratar individualmente cada uma das rubricas relacionadas pela fiscalização. Rubricas 161 e 391 Indenização tempo de serviço e diferença de indenização Para estas rubricas a Turma a quo teria afastado a natureza indenizatória das verbas por entender se tratar de gratificação ajustada. Porém são indenizações nos moldes dos arts. 478 e 479 da CLT. Não existe habitualidade, pois são pagas somente no momento da demissão. Nem haveria que se considerar isenção, uma vez que nem haveria incidência, por se tratarem de verbas indenizatórias. A eventualidade de tais pagamentos foi reconhecida pela fiscalização e pela Turma a quo, o que colocaria as verbas sob a proteção da isenção do art. 28, §9º, “e”, item 7 da Lei 8.212/91. Rubrica 165 Indenização estabilidade – Informa que tais pagamentos referemse à indenização correspondente aos doze meses que antecedem a aposentadoria para aqueles demitidos nesse período. Aponta que o próprio fiscal reconheceu o caráter Fl. 2391DF CARF MF Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 9202006.448 CSRFT2 Fl. 2.390 5 indenizatório de tais pagamentos, porém a Turma a quo, entendeu tratarse de salário dos últimos doze meses antes da aposentadoria que deveria sofrer a incidência da contribuição. Entende, a despeito disso, que os pagamentos devem desfrutar da isenção do art. 28, §9º, da Lei 8.212/91. São pagamentos estabelecidos em consonância com a CLT, em seus arts. 477, 478 e 499. Rubrica 230 Ajuda de custo Justifica que segregou o pagamento da ajuda de custo em parcelas mensais, por ter constatado que alguns beneficiários acabavam por deixar a empresa. Seu procedimento encontraria amparo no art. 470 da CLT. Entende que eram parcelas únicas pagas de forma partilhada. Rubrica 233 Abono ACT A Turma a quo acatou entendimento da fiscalização que a desvinculação salarial dos abonos devia ser previsto em lei. Suscita a aplicação das conclusões do Parecer 2.114/2011 que pugnou pela dispensa de apresentação de contestações por parte da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) em casos de abono único. Rubricas 283 e 286 Indenização Bônus e Diretor aduz que celebrou contrato de trabalho por tempo determinado e que pagou indenizações nos moldes do art. 479 da CLT. O fato de não apresentado os contratos de trabalho não levaria às conclusões adotadas pela fiscalização e pela Turma a quo. No entanto, junta os referidos contratos com o presente recurso. Não haveria nos autos provas de que os pagamentos destinavam se a retribuir o trabalho. Eram pagamentos únicos e de natureza indenizatória. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 21/11/2012, resultando no acórdão nº 2301003.209, às efls. 1647 a 1676, que tem as seguintes ementas: NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do Fl. 2392DF CARF MF 6 CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. No caso, inexiste efeitos da caducidade. INDENIZAÇÕES CONCEDIDAS POR LIBERALIDADE DA EMPRESA AOS SEUS EMPREGADOS EM PARCELA ÚNICA COMO INDENIZAÇÃO PELO RESCISÃO CONTRATUAL . As indenizações concedidas por liberalidade da empresa aos empregados por conta de rescisão contratual não são gratificações ajustadas e não estão compreendidas no conceito de remuneração. Não sendo remuneração, ganho habitual sob a forma de utilidades ou adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, não estão compreendidas no campo de incidência delimitado pelo art. 28, inciso I da Lei 8.212/91. AJUDA CUSTO PAGA EM DECORRÊNCIA DE MUDANÇA DE LOCAL DE TRABALHO. A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT desfrute de isenção das contribuições previdenciárias. O pagamento de mais de uma parcela retira o benefício em relação às parcelas posteriores à primeira. ABONO ÚNICO PREVISTO EM ACORDO COLETIVO. INEXISTÊNCIA DE NATUREZA JURÍDICA DE ABONO. ACATAMENTO DE PARECER DA PGFN EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. Abonos são parcelas recebidas pelo trabalhador em virtude de antecipação ou substituição de reajuste. As parcelas denominadas “abono” que não pagas com tais finalidades não tem a natureza jurídica de abono e não podem desfrutar da isenção do art. 28, §9º, alínea “e”, item 7 da Lei 8.212/91. Porém, considerando a existência do Parecer PGFN 2.114/2011 associado aos efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que não pode prevalecer a inclusão do abono único previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade na base de cálculo da contribuição. INDENIZAÇÕES. AUSÊNCIA DE PROVA. A natureza indenizatória de verba paga a empregado ou contribuinte individual precisa ser provada por documentos idôneos que afastem o caráter contraprestacional e a conseqüente natureza remuneratória dos pagamentos. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. Fl. 2393DF CARF MF Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 9202006.448 CSRFT2 Fl. 2.391 7 APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da incidência de contribuição na rubrica 283 e 286, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em excluir do lançamento o primeiro pagamento da rubrica 230, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que negavam provimento ao recurso nesta questão e o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, Fl. 2394DF CARF MF 8 que dava provimento integral ao recurso nesta questão; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento ao recurso, na questão das rubricas 161 e 391, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento ao recurso, na questão das rubricas 161 e 391, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa acompanhou a votação por suas conclusões; d) em dar provimento ao recurso, na questão das rubricas 233, nos termos do voto do Relator; e) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Sustentação oral: Caio Alexandre Taniguchi Marques. OAB: 242.279/SP.. RE da Fazenda A Procuradoria da Fazenda foi intimada do acórdão em 21/03/2013 (efl. 1677) e interpôs recurso especial de divergência, em 29/04/2013, às efls. 1678 a 1690, dele divergindo com relação a duas matérias: a) multa no lançamento de ofício das contribuições previdenciárias e b) multa por descumprimento de obrigação acessória vinculada ao lançamento das contribuições previdenciárias. Relativamente à matéria de a), em situação fática similar, o acórdão paradigma nº 2401002.453, afirma que o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96, rechaçando o aplicação da retroatividade benigna da forma proposta no recorrido, que pretendeu a aplicação do art. 61, §2º, da Lei nº 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa. Já no tocante à b), o acórdão recorrido aplica a retroatividade benigna à penalidade determinando a aplicação da penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/1991. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 9202002.193 consignouse que havendo lançamento das contribuições, juntamente com a multa por descumprimento de obrigação acessória, o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35A da Lei nº 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I, da Lei 9.430/96; além disso, essa norma deve ser comparada com a soma das multas aplicadas nos moldes do art. 35, inciso II e do art. 32, inciso IV, da lei nº 8.212/91, na redação anterior, para fins de aferição da retroatividade benigna. Tal entendimento é o mesmo aplicado pela fiscalização nos presentes autos. Ao final, a Procuradora requer o conhecimento de seu recurso, para que seja reformado o acórdão recorrido, restabelecendose o cálculo da multa na forma em que lançada. O recurso especial de divergência da Fazenda foi apreciado pelo então Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, no despacho nº 2300417/2013, às efls. 1736 a 1742, datado de 1º/07/2013, entendendo por lhe dar seguimento, ao vislumbrar similitude fática Fl. 2395DF CARF MF Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 9202006.448 CSRFT2 Fl. 2.392 9 entre os acórdãos recorrido e paradigma e o recurso especial cumprir os demais requisitos regimentais. Embargos de Declaração da contribuinte Intimada (Intimação DERAT/ECOB 1379/2014, à efl. 1744) para ciência do acórdão nº 2301003.209 e do recurso especial de divergência da Fazenda em 17/06/2014 (efl. 1746), a contribuinte manejou embargos de declaração às efls. 1748 a 1756. Em seus embargos, aponta a existência de erro formal, omissões e contradição no acórdão nº 2301003.209. O erro formal se apresenta no acórdão que não teria indicado o provimento do recurso voluntário relativamente à rubrica 165, havendo, contudo, indicando em duplicidade o provimento das rubricas 161 e 391, conforme se observa no trecho abaixo: "... b) em dar provimento ao recurso, na questão das rubricas 161 e 391, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento ao recurso, na questão das rubricas 161 e 391, nos termos do voto do Relator." Haveria omissão em relação às rubricas (i) 230 Ajuda de custo e (ii) 283 Indenização de Bônus e 286 Indenização Diretor. As omissões existiriam por não terem sido apreciados todos os argumentos apresentados com relação a essas matérias. Vê a contradição na apreciação sobre decadência realizada no acórdão, pois este concluiu pela contagem dom prazo decadencial pelas disposições do inciso I do art. 173 do CTN, considerando inaplicável o critério do § 4º do art. 150 do mesmo Código mesmo em face de pagamentos relativos a outras rubricas que não as lançadas. Finaliza pleiteando que sejam conhecidos e providos os embargos para que se reforme a decisão nos pontos apontados e, principalmente, que se reconheça a extinção do direito creditório do período de janeiro a maio de 2006, em face da decadência demonstrada. O Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara admitiu os embargos, conforme informação às efls. 1829 a 1831, em 15/07/2014. Houve análise dos embargos, em 15/06/2016, resultando no acórdão nº 2301004.740, às efls. 1835 a 1839. A relatora do referido acórdão entendeu que os embargos deveriam ser conhecidos apenas em face do erro formal demonstrado e no que concerne às omissões e contradição apontadas, em verdade, essas se referem a inconformidades em relação ao mérito do voto, não cabendo a oposição de embargos. Em razão disso, foi elaborada a seguinte ementa: EMBARGOS. ERRO FORMAL. Cabível os embargos de declaração para corrigir erro formal. Constatado o erro, cabe sua reparação, incluindo na decisão do colegiado, que foi dado provimento ao recurso voluntário também em relação à rubrica 165, a qual não foi citada no Acórdão, apesar de constar no dispositivo. Tendo o acórdão a redação que se segue: Fl. 2396DF CARF MF 10 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer e acolher parcialmente os embargos de declaração opostos, para rerratificar o Acórdão fazendo constar no item III C "Dar provimento ao recurso na questão da rubrica 165, nos termos do voto do Relator". Ratificação do recurso especial da Fazenda e razões adicionais Cientificada do acórdão de embargos nº 2301004.740 em 05/07/2016, a Procuradoria da Fazenda Nacional, em 05/08/2016, ratificou o recurso especial de efls. 1678 a 1690 e apresentou razões adicionais em face desse acórdão, às efls. 1841 a 1850. As razões adicionais decorrem da inclusão da rubrica 165 que trata de indenização paga em face de rescisão contratual no dispositivo do acórdão embargado, nº 2301003.209, concedendo provimento ao recurso voluntário também nesse ponto. Aduz o acórdão paradigma nº 20600.065, ao tratar da mesma questão jurídica, que há a incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas pagas por liberalidade a título de indenização em rescisão contratual, tendo essas nítido caráter remuneratório e não incluídas nas hipóteses legais de isenção previstas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, sendo ainda decorrentes do vínculo laboral entre os empregados e empregador; por tais razões deveriam integrar o salário de contribuição. Com esse entendimento, claramente se estabeleceria a divergência com o recorrido, que afastara a exigência das contribuições sociais para o mesmo caso. Por fim, requer a Procuradora que seja conhecido e provido o seu recurso especial, para reformar o acórdão recorrido, no ponto impugnado, restabelecendose a rubrica 165 no lançamento, bem como o cálculo da multa na forma em que lançada, reiterando os termos do recurso interposto às fls. 1678/1690. Esse recurso especial da Fazenda foi apreciado por este Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, em 14/10/2016, já então nos termos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de efls. 2027 a 2035, entendendo por lhe dar seguimento, ao vislumbrar similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma e o recurso especial cumprir os demais requisitos regimentais. Além disso, para garantia do contraditório e da ampla defesa no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, foi solicitado que se informasse ao sujeito passivo que ele poderia ratificar ou aditar a peça antes apresentada a título de recurso especial às folhas 1.859 a 1.882, em 29/07/2006, antecipadamente à esse despacho. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte apresentou dois documentos com contrarrazões: (a) o primeiro, ao recurso especial de divergência da Procuradoria de efls. 1678 a 1690, em 16/06/2014, às efls. 1794 a 1805, antes mesmo da ciência formal (17/06/2014, efl. 1746) desse recurso e do acórdão nº 2301003.209; e (b) o segundo, ao recurso de divergência com razões adicionais de efls. 1841 a 1850, em 08/05/2017, às efls. 2207 a 2233, do qual teve ciência (Comunicação nº 203/2017, à efl. 2037) em 24/04/2017 conforme termo à efl. 2040. Integrandose os dois documentos com as contrarrazões, a contribuinte abordou quatro tópicos: Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 9202006.448 CSRFT2 Fl. 2.393 11 i) multa moratória, que punia determinado fato antes da alteração trazida pela MP nº 449/208, só pode ter aplicação de retroatividade benigna nos moldes previstos na redação do artigo 35 decorrente dessa MP, limitandoa a 20%; ii) não se poderia comparar a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8212/1991, com a redação trazida pela MP nº 449/2008 com a soma das multas previstas nos arts. 32 e 35 da mesma Lei, porque as informações que resultam nas multas dos lançamentos em litígio tratam apenas de obrigações principais, não se comunicando com as de obrigações acessórias. iii) preclusão consumativa com relação a matéria associada à rubrica 165 que integrava o lançamento, haja vista que o acórdão nº 2301004.740 desse assunto não tratava, mas apenas de erro no descritivo do dispositivo do acórdão recorrido, mantendose hígido quanto ao restante do que fora decidido no acórdão 2301003.209, tanto que esse assunto não fazia parte nem mesmo dos embargos interpostos. iv) o pagamento associado à rubrica 165, tem natureza indenizatória, pois não se destina a retribuir o trabalho prestado, e foi paga em única parcela, sendo ganho eventual (imprevisível e não repetida) na rescisão contratual, encontrandose em campo de não incidência da contribuição previdenciária. Finaliza por requerer que não sejam providos o recursos especiais da Fazenda e mantido incólume o acórdão a quo. RE da contribuinte A contribuinte foi comunicada (efl. 2037) do despacho de admissibilidade de efls. 2027 a 2035, em 24/04/2017 (efl. 2040), e interpôs recurso especial de divergência em 08/05/2017, às efls. 2043 a 2067. A matéria cuja divergência invoca é a decadência parcial do crédito tributário, tendo em vista a aplicação do critério de decadência posto no § 4º do art. 150 do CTN. A utilização deste critério implicaria a decadência do direito de o Fisco exigir os créditos relativos às competência de 01/2006 a 06/2006, um a vez que os autos de infração foram lavrados em 29/06/2011 e haveria ocorrido pagamentos antecipados relativos às contribuições previdenciárias e de terceiros, pertinentes a estas competências. O acórdão recorrido só aceita que seja aplicado o critério do § 4º do art. 150 do CTN para fatos geradores já reconhecidos pelo contribuinte e que tivessem pagamento parcial, as rubricas não reconhecidas e então lançadas estariam fora desse critério. Contudo, os acórdãos paradigmas nº 9202003.196 e 2203003.378, tomando por base a Súmula CARF nº 99, afirmam que devam ser considerados pagamentos parciais quaisquer que tenham sido realizados em relação à remuneração paga aos segurados, independentemente de alguma das rubricas não ter sido considerada na base de cálculo da remuneração. Finaliza por requerer o conhecimento e o provimento do seu recurso especial de divergência para que se reforme o acórdão nº 2301003.209 e por isso que se cancelem os autos de infração do presente processo. Fl. 2398DF CARF MF 12 No despacho de efls. 2371 a 2377, em 01/09/2017, este Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento entendeu por dar seguimento ao recurso especial da contribuinte para que se rediscuta a matéria relativa decadência. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de admissibilidade de recurso especial de divergência da contribuinte em 08/09/25017 (efl. 2378), a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou contrarrazões ao recurso em 15/09/2017, às efls. 2379 a 2385. Em seu arrazoado, a Procuradora inicia por afirmar que o item 11.0 do Relatório Fiscal informa que houve representação fiscal para fins penais pela verificação, em tese, da tipificação penal de sonegação de contribuição previdenciária e contribuição de outras entidades e fundos. Após dissertar sobre a ação dolosa, conclui que a contribuinte realizou conduta com consciência e vontade, dirigidas a determinada finalidade, caracterizando atividade ilícita e por isso sujeita à representação para fins penais. Por essa razão, haveria a ressalva do § 4º do art. 150 do CTN, que afasta sua incidência para casos de fraude, dolo ou simulação, com incidência do art. 173, inc. I, do mesmo Código. Por essa razão, não se deveria considerar decaídos os períodos para os quais a contribuinte esgrimiu seu recurso especial, não merecendo o acórdão ser reformado nesse ponto. Ao final, requerer seja negado provimento ao recurso especial de divergência interposto pela contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Os recursos especiais da Procuradoria da Fazenda Nacional e da contribuinte são tempestivos, cumprem os requisitos regimentais e, por isso, deles conheço. RE da Fazenda Os recursos da Procuradoria da Fazenda Nacional admitidos tratam essencialmente de duas matérias dos lançamentos: (a) critério de aplicação de retroatividade benigna às multas e (b) natureza indenizatória de verbas rescisórias. (a) Multa, retroatividade benigna. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 9202006.448 CSRFT2 Fl. 2.394 13 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 2400DF CARF MF 14 Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 9202006.448 CSRFT2 Fl. 2.395 15 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 2402DF CARF MF 16 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 2403DF CARF MF Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 9202006.448 CSRFT2 Fl. 2.396 17 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 2404DF CARF MF 18 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, há que se aplicar a retroatividade benigna em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009. Por essas razões, voto por dar provimento ao recurso especial de divergência da Fazenda no que respeita às multas, para reformar o acórdão a quo, retomando o critério utilizado no auto de infração. (b) Natureza indenizatória de verbas rescisórias Preliminar Fl. 2405DF CARF MF Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 9202006.448 CSRFT2 Fl. 2.397 19 Nessa seara, se trata exclusivamente do recurso especial da Procuradoria relativamente à tributação que incidiria sobre a rubrica 165 Indenização Estabilidade. Como preliminar à discussão de mérito, há que observar a argumentação da contribuinte em suas contrarrazões, que afirma ser precluso o recurso da Fazenda no tocante à essa matéria, haja vista que a Procuradora só o após os embargos de declaração, embora já constasse na ementa e voto do acordo à época da interposição do recurso especial de divergência apresentado em 29/04/2013. Ou seja, se havia divergência sobre essa matéria, já deveria ter sido arguida anteriormente. Entendo que a razão não assiste à contribuinte nesse ponto. Ocorre que, de acordo com o caput do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, idêntico àquele do vigente quando da interposição do primeiro recurso especial da Fazenda, cabem embargos contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Ambas as redações decorrem do disposto no inc. II do § 2º do art. 37 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941 de 27/05/2009. O dispositivo do acórdão é a decisão, definindo a coisa julgada e a possibilidade da sua execução e ele se estabeleceu, em relação ao ponto aqui em litígio, no acórdão nº 2301003.209, de 21/11/2012, com a seguinte redação: (...) III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento ao recurso, na questão das rubricas 161 e 391, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento ao recurso, na questão das rubricas 161 e 391, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa acompanhou a votação por suas conclusões;(...) Ainda que o relator tenha afirmado em seu voto que as Rubricas 161, 391 e 165 devem ser excluídas do lançamento (efl. 1665), é de se destacar que essa afirmação e os argumentos que lhe dão supedâneo não fariam coisa julgada judicialmente, assim como administrativamente. Tal entendimento decorre do entendimento extraído do art. 504 da Lei nº 13.105 de 16/03/2015, que dispõe|: Art. 504. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; II a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença. Logo, a Procuradoria da Fazenda Nacional não poderia apresentar recurso sobre matéria que não constava em dispositivo contrário ao seu interesse, haja vista que a execução daquele dispositivo do acórdão pela delegacia competente não prejudicaria seu entendimento, uma vez que não alterava o lançamento em relação a rubrica 165. Mais do que Fl. 2406DF CARF MF 20 isso, formalmente, se a Procuradora interpusesse recurso especial com relação a essa matéria, careceria de interesse processual para tanto, devendo tal recurso não ser conhecido, caberia tão somente embargos de declaração; isso quem fez foi a contribuinte. A situação se modificou com o acórdão de embargos nº 2301004.740 em 05/07/2016, no qual foi expressamente modificado o dispositivo do acórdão anterior para afastar a tributação da rubrica 165. Por essa razão, a partir de então criouse a condição que deu amparo à interposição pela Fazenda de recurso especial de divergência no tocante a esse ponto. Pelas razões expostas, entendo que não há preclusão no tocante à interposição de recurso especial sobre essa matéria e por isso deve ela ser conhecida e apreciada. Mérito No relatório fiscal, às efls. 1155 e 1156, o fiscal autuante afirma que a rubrica em discussão tem natureza indenizatória, porém, afirma que tal verba não está enquadrada em qualquer hipótese de exclusão expressamente prevista na normatização previdenciária, não podendo estas serem apenas fixadas com base em acordo ou convenção coletivos. Outrossim, apesar de essas verbas serem designadas como abono pré aposentadoria, não seriam eventuais e desvinculadas do salário uma vez que são calculadas sobre o salário mensal recebido pelo empregado no mês da demissão. Ao tratar da inconformidade da contribuinte quanto a esse tópico, a 14ª Turma da DRJ/SP1, interpretando a cláusula dos acordos que definiram o abono de pré aposentadoria, considerou que os valores recebidos a esse título decorriam do contrato de trabalho e correspondem ao salário do período que antecedem à aposentadoria do empregado (no máximo 12 meses ) nos casos em que, por conveniência do empregador, o contrato de trabalho foi extinto, sendo passíveis de incidência das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 28, I da Lei 8.212/1991. O acórdão a quo, por sua vez, revela o entendimento de que as indenizações pagas por liberalidade do empregador, no momento da rescisão contratual, não tem natureza de gratificação ajustada, ainda que tal pagamento decorra da relação contratual trabalhista estabelecida, em sintonia com jurisprudência do TST. Além disso, a rubrica em questão também não apresenta características de ganho habitual sob a forma de utilidades ou adiantamento decorrente de reajuste salarial. Com isso, ficaria afastada a hipótese de incidência do inc. I do art. 28 da Lei nº 8.212/1991. Ainda que se entendesse possível albergar a rubrica 165 na hipótese de incidência citada, estaria ela isenta por se enquadrar no item 7 da alínea e) do § 9º do mesmo artigo, por se tratar de importância recebida a título de ganho eventual, com a interpretação desse termo guiada pelo art. 3º da CLT, no sentido oposto ao de habitual ou continuo. Apesar de a DRJ/SP1 não ter encampado tal entendimento, a decisão recorrida entendeu que tal rubrica seja de natureza indenizatória, já que nem mesmo o fiscal autuante teria negado tal fato. Nesse sentido, a recorrida alega que a Procuradora no recurso especial de divergência afirma, no primeiro parágrafo da efl. 1848, que se está tratando de indenização paga por liberalidade em rescisão contratual, entendendo, contudo, ser essa uma vantagem econômica que acresce ao patrimônio do trabalhador e por isso dentro do campo da remuneração. A contribuinte em suas contrarrazões, justamente pleiteando a natureza indenizatória dos pagamentos, por não se tratar nem mesmo de gratificações ajustadas, afirma Fl. 2407DF CARF MF Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 9202006.448 CSRFT2 Fl. 2.398 21 que não cumprem a característica remuneratória pois assim não se destinam à retribuição do trabalho prestado. De outra banda, tanto a Procuradoria da Fazenda como a contribuinte também discutem se as verbas da mesma rubrica estariam ou não incluídas na isenção prevista no item 7 da alínea e) do § 9º da Lei nº 8.212/1991. A contribuinte afirma que sim, pois a referida indenização seria um ganho eventual, enquanto a Procuradora, com fulcro no art. 214 do Decreto nº 3.048/ de 06/05/1999 RPS, afirma que tais ganhos devam ser previstos em lei, o que inocorre no caso concreto. Em resumo há dois pontos opostos a sustentar a divergência: a) indenização ser ou não matéria tributável e b) a eventualidade dos ganhos tem de decorrer ou não de lei. Me alinho com o entendimento expresso no acórdão paradigma de nº 206 00.065, então vejamos: a) a classificação da verba como indenização não impediria sua tributação Conforme expresso no paradigma, entendo haver suficiente autonomia do Direito Previdenciário em face do Direito Trabalhista para que se possa considerar tributável um pagamento de verba prevista como indenizatória, em face de sua origem e vinculação única e exclusiva com a relação contratual trabalhista e deste pagamento advir vantagem econômica ao empregado. Nesse sentido, tomo emprestado o argumento da relatora do paradigma quando afirma, à efl. 1855: O fato de o pagamento das verbas em discussão estar previsto nos Acordos Coletivos de Trabalho não altera sua natureza. Os efeitos indenizatórios pactuados em acordos coletivos somente repercutem na esfera da relação de emprego, não atingindo terceiros estranhos à relação laboral, entre os quais, a Previdência Social. Nesse sentido, nos ensina Adriana Hilgenberg de Araújo (Direito do trabalho e direito processual do trabalho: temas atuais, Editora Juruá, p 55 e" 56): "Como visto, as convenções e acordos coletivos são fontes do Direito do Trabalho, cujas cláusulas serão aplicadas a todos os pertencentes a uma determinada categoria ou empresa (no caso dos acordos). As cláusulas, tanto as obrigatórias (CLT artigo 616), facultativas, obrigatórias ou normativas, devem respeitar o ordenamento legal, não podendo ferir preceitos, sejam eles constitucionais ou infraconstitucionais, salvo expressa autorização." (grifei). Assim, os acordos coletivos não têm a força de alterar disposições legais, em especial, as inseridas na Lei n°8.212/91. Por essa razão, a discutida indenização se incluiria no campo de incidência da contribuição social. b) eventualidade dos ganhos sem estipulação legal Mesmo sem se referir ao Decreto nº 3.048/1999, a relatora do paradigma afirma que as verbas em discussão não estariam incluídas nas hipóteses de isenção, pois é necessário que haja uma lei que desvincule expressamente os ganhos habituais. Como bem Fl. 2408DF CARF MF 22 lembrou a Procuradora em seu recurso especial, o § 9 do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 há que ser interpretado de forma literal, por tratar de isenção, o que reduz a base de incidência do tributo. Assim, interpretese o ganho eventual como aquele que é incerto, fortuito , imprevisível, ou simplesmente como aquele não ocorre de forma habitual ou repetida (posicionamento do acórdão recorrido), de qualquer sorte lhe faltaria ser definido por força de lei e por isso não poderia ser afastado da tributação pela contribuição previdenciária. Por essas razões, voto por dar provimento ao recurso especial de divergência da Fazenda para reformar o acórdão recorrido e restabelecer a tributação da rubrica 165, nos moldes do auto de infração. RE da contribuinte A contribuinte invoca a aplicação da Súmula CARF nº 99, em face da existência de pagamentos relativos aos fatos geradores lançados. A Fazenda, por sua vez, alega que não se aplicaria o entendimento da Súmula em razão da ressalva final do § 4º do art. 150 do CTN quando da ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte da contribuinte. Essa ressalva seria visível a partir do relatório da fiscalização que indica haver representação para fins penais contra a autuada. Tal informação daria indícios da que a contribuinte teria sonegado contribuição previdenciária, conforme o teor do art. 337A do Código Penal. Nesse ponto divirjo do entendimento da Procuradora. Ela alega a existência de indícios de sonegação previdenciária em razão da representação, não fala em fraude ou simulação. Mas há indícios contrários à existência de dolo dentro do próprio auto de infração. Ocorre que se há ação ou omissão dolosa visando a pagar menos tributos, deveria ser aplicada multa duplicada à contribuinte, em face do § 1º do art. 44 da Lei 9.430 de 27/12/19961; isso não ocorreu. O referido parágrafo invoca para sua aplicação as situações de sonegação, fraude e concluio, conforme definido nos arts. 71, 72 e 732 do Decreto nº 4.502/1964, os quais impõem a existência de dolo nas suas tipificações. 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 2 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 2409DF CARF MF Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 9202006.448 CSRFT2 Fl. 2.399 23 No mesmo relatório fiscal, à efl. 1230, a apuração da multa pelo critério de retroatividade benigna adotado aponta que a multa pelo critério posterior à edição da MP nº 449/2008 foi de 75%, multa de ofício sem a duplicação prevista para os casos de sonegação. Se a multa para comparação utilizada fosse de 150% o lançamento da multa menos severa para o período de janeiro a maio de 2006 seria o da legislação anterior e não da atual como efetuado. A contradição entre a representação e o lançamento leva à dúvida e esta milita a favor do réu em matéria penal. Dessarte, entendo que no caso presente a representação para fins penais, por si só não permite concluir pela existência do dolo seja para sonegação, seja para de fraude, relativamente ao lançamento por homologação, não podendo ser oposta a ressalva posta no § 4º do art. 150 do CTN. Assim, tendo em vista a existência de pagamentos de contribuições sociais em face das cópias de GPS, às efls. 230 a 261, abrangendo todas as competências dos autos de infração, é de se aplicar a Súmula CRAF nº 99 que dispõe: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Pelas razões supra, conheço do recurso especial de divergência da contribuinte, para reformar o acórdão a quo no que toca à decadência dos tributos apurados para as competências de janeiro a junho de 2006, excluindoos do crédito tributário lançado. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer de todos os recursos especiais de divergência apresentados para: a) dar provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional no que respeita às multas, que devem ser apuradas em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009, e às verbas pagas a como rubrica 165 Indenização estabilidade, que devem ser tributadas, reformando o acórdão a quo, para restabelecer os créditos apurados nos moldes do auto de infração; b) dar provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte, quanto à decadência da exigência dos tributos nas competências de 01/2006 a 06/2006, reconhecida com base no § 4º do art. 150 do CTN, afastando os créditos lançados nos autos de infração para essas competências. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 2410DF CARF MF 24 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2411DF CARF MF
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