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Numero do processo: 13629.721382/2013-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
ESTOQUES. DIFERENÇAS. OMISSÃO DE RECEITAS.
A diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de mercadorias em estoque no início do período com a quantidade de mercadorias adquiridas e a soma das quantidades de mercadorias cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do Livro de Inventário, será considerada omissão de receitas, cujo montante será o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidade de mercadorias pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento.
AUDITORIA DE ESTOQUES. BASE DE CÁLCULO. ERRO NA COMPOSIÇÃO.
Constatado erro na composição da base de cálculo tomada como base para a constituição do crédito tributário, impõe-se a redução do montante constituído.
LUCRO REAL. IRPJ. ADICIONAL.
A parcela do lucro real que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de apuração, sujeita-se à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento.
PAGAMENTOS POR ESTIMATIVAS. PARCELAMENTO SOB AÇÃO FISCAL. MULTA ISOLADA.
A ausência de recolhimento dos valores devidos a título de estimativa conduz à aplicação da multa isolada prevista na legislação, ainda que o valor devido tenha sido incluído em parcelamento realizado após o início do procedimento fiscal.
VALORES ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Os valores escriturados nos livros comerciais e não declarados pela pessoa jurídica fiscalizada sujeitam-se ao lançamento de ofício para a sua exigência.
PROCEDIMENTO FISCAL. PARCELAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O pedido de parcelamento realizado após o início do procedimento fiscal não afasta a aplicação da multa de ofício decorrente da ausência de pagamento ou declaração.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007.
Após a alteração de redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é plenamente aplicável a multa isolada de 50% em relação à insuficiência de recolhimento de estimativas e a multa de ofício de 75% sobre o lançamento complementar. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
LANÇAMENTO DECORRENTE - CSLL
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
Numero da decisão: 1302-002.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Os conselheiros, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Eduardo Morgado Rodrigues e Gustavo Guimarães da Fonseca davam provimento parcial ao recurso de ofício, em menor extensão, apenas para afastar parte da multa isolada relativa ao mês de dezembro de 2010. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, dar provimento parcial, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Eduardo Morgado Rodrigues e Gustavo Guimarães da Fonseca que davam provimento parcial ao recurso voluntário, em maior extensão, para afastar as multas isoladas por falta de pagamento por estimativa.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Ester Marques Lins de Sousa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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DIFERENÇAS. OMISSÃO DE RECEITAS. A diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de mercadorias em estoque no início do período com a quantidade de mercadorias adquiridas e a soma das quantidades de mercadorias cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do Livro de Inventário, será considerada omissão de receitas, cujo montante será o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidade de mercadorias pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. AUDITORIA DE ESTOQUES. BASE DE CÁLCULO. ERRO NA COMPOSIÇÃO. Constatado erro na composição da base de cálculo tomada como base para a constituição do crédito tributário, impõese a redução do montante constituído. LUCRO REAL. IRPJ. ADICIONAL. A parcela do lucro real que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de apuração, sujeitase à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. PAGAMENTOS POR ESTIMATIVAS. PARCELAMENTO SOB AÇÃO FISCAL. MULTA ISOLADA. A ausência de recolhimento dos valores devidos a título de estimativa conduz à aplicação da multa isolada prevista na legislação, ainda que o valor devido tenha sido incluído em parcelamento realizado após o início do procedimento fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 13 82 /2 01 3- 04 Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.554 2 VALORES ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os valores escriturados nos livros comerciais e não declarados pela pessoa jurídica fiscalizada sujeitamse ao lançamento de ofício para a sua exigência. PROCEDIMENTO FISCAL. PARCELAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O pedido de parcelamento realizado após o início do procedimento fiscal não afasta a aplicação da multa de ofício decorrente da ausência de pagamento ou declaração. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Após a alteração de redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é plenamente aplicável a multa isolada de 50% em relação à insuficiência de recolhimento de estimativas e a multa de ofício de 75% sobre o lançamento complementar. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Os conselheiros, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Eduardo Morgado Rodrigues e Gustavo Guimarães da Fonseca davam provimento parcial ao recurso de ofício, em menor extensão, apenas para afastar parte da multa isolada relativa ao mês de dezembro de 2010. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, dar provimento parcial, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Eduardo Morgado Rodrigues e Gustavo Guimarães da Fonseca que davam provimento parcial ao recurso voluntário, em maior extensão, para afastar as multas isoladas por falta de pagamento por estimativa. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.555 3 Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Ester Marques Lins de Sousa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratamse de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício interpostos em face do Acórdão nº 0647.262 (fls. 1.262 a 1.280), de 28 de maio de 2014, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, que acordou, por unanimidade de votos, em considerar procedente em parte a impugnação apresentada por FERREIRA PINTO DISTRIBUIDORA LTDA, aos autos de infração de IRPJ e CSLL, lavrados contra si. A decisão recorrida foi assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 AUDITORIA DE ESTOQUES. Procedente em parte o lançamento realizado com base em auditoria de estoques. DESPESAS EM DUPLICIDADE. Mantémse a glosa de despesas registradas em duplicidade OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatado pela fiscalização omissão de receitas através de valores escriturados nos livros comerciais e não declarados pela pessoa jurídica fiscalizada, impõese o vinculado e obrigatório ato de lançamento de ofício do IRPJ e CSLL devidos (art. 142 do CTN). VALORES OFERECIDOS EM PROCESSO DE PARCELAMENTO. CONTRIBUINTE SOB PROCEDIEMTNO FISCAL. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. Prosseguese com a cobrança da diferença entre a multa de ofício e a multa de mora incidente sobre os tributos objeto de parcelamento, quando se comprova que à época, o sujeito passivo estava sob procedimento fiscal e não havia readquirido a espontaneidade. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAIS. PREVISÃO LEGAL. Os percentuais da multa exigíveis em lançamento de ofício, inclusive as possibilidades de reduções, são determinados Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.556 4 expressamente na legislação tributária, portanto em normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. PEDIDO DE REDUÇÃO DA MULTA. Constatada infração à legislação tributária, a imposição de penalidades pelo fisco obedece ao princípio da estrita legalidade, nos termos do art. 97, inciso V, do CTN, sendo inerente ao lançamento de ofício, não cabendo à autoridade tributária reduzir os percentuais aplicados segundo a legislação tributária, nem afastar sua exigência, exceto quando há previsão legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE. Tratase de ordem específica ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB para instaurar o procedimento fiscal, consistindo em instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados atualmente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. O MPF encerra ato preparatório à produção de atos subseqüentes e que informa ao contribuinte acerca do procedimento fiscalizatório comandado, não tendo o poder de afastar a competência legalmente atribuída ao AFRFB, nos termos do art. 6º, I, ‘a’ da Lei nº 10.593/02, com a redação dada pela Lei nº11.457/07." Por bem esclarecer os autos, passo a transcrever o relatório contido no Acórdão recorrido: "Os autos de infração de fls. 0223 exigem do sujeito passivo acima identificado o crédito tributário no importe de R$ 10.099.758,75 (fl.03) a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, R$ 3.644.553,15 (fl.13) a título de CSLL, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, além da multa isolada referente à falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada, totalizando o crédito tributário de R$ 34.324.728,37. O lançamento se reporta aos fatos geradores de 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010 e 31/12/2010 e as infrações imputadas são: a) omissão de receita por presunção legal decorrente da diferença de estoques apuradas em inventário final, b) receitas operacionais escrituradas e não declaradas, c) glosa de despesas registradas em duplicidade e, d) multa pela falta de Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.557 5 recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada. 2. O enquadramento legal para as exigências menciona para o IRPJ o artigo 3º da Lei 9.249, de 1995, e os artigos 222, 247, 248, 249, incisos I e II, 251 e parágrafo único, 261, 277, 278, 279, 280, 286, 288, 299, 300 e 843 do Decreto nº 3.000 de 26/03/1999, RIR/99, bem como o artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430, d 1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 2007. 3. Quanto à exigência da CSLL, foram mencionados o artigo 2o da Lei n° 7.689, de 1988 com as alterações introduzidas pelo art. 2o da Lei n° 8.034, de 1990, o art. 57 da Lei n° 8.981, de 1995, com as alterações do art. 1o da Lei n° 9.065, de 1995, o art. 2o da Lei n° 9.249, de 1995, o art. 1o da Lei n° 9.316, de 1996; o art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996, o art.3o da Lei n° 7.689, de 1988, com redação dada pelo art. 17 da Lei n° 11.727, de 2008, bem como o artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430, d 1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 2007. 4. A multa de ofício exigida obedece à razão de 75%, com base no artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 2007. 5. A ação fiscal encontrase detalhada no Relatório Fiscal de fls. 2429 e relatório de auditoria de estoques de fls 3077 e os demonstrativos de apuração da multa isolada de fls. 7879. 6. O sujeito passivo foi cientificado da exigência em 06/11/2013, conforme AR de fl.951 e, em 05/12/2013 (doc.fl.953) apresentou impugnação ao feito, fls.954 999, onde transcreve o Relatório Fiscal, bem como o Termo de Encerramento para, na seqüência, alegar que, não são cabíveis as exigências, por conter erro na apuração do credito tributário em relação às bases de cálculos que originaram os valores dos autos, principalmente, no que tange à comprovação dos saldos finais na Auditoria de Estoques, que deu origem à infração de Omissão de Receita; que posteriormente, após a lavratura do laudo, o próprio Agente Federal, reconheceu em email anexo, que se equivocou lançando as Operações Fiscais CFOP 5401 e 5403 da Ambev, como se fossem vendas. Impugna o Total ou requer a Redução da Multa de ofício de 75% para 20% com base no princípio do NãoConfisco, Impugna o valor Total da Multa Isolada por aplicação desta em concomitância com a Multa de Ofício tendo como base o mesmo fato gerador e, por fim sob a Infração das Receitas Escrituradas solicita a exclusão dos Impostos apurados no sob o resultado lançado em duplicidade no respectivo Auto de Infração, pois esses valores já foram consolidados em parcelamento simplificado. Vícios do MPF 7. Alega inicialmente que o MPF contém vícios em relação às suas prorrogações, as quais teriam ocorrido em prazo superior aos 60 dias estabelecidos na legislação vigente. Sustenta que o Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.558 6 procedimento tornouse confuso, pois se as prorrogações foram superiores à 60 dias e, se estas forem consideradas desobediência ao que estabelece as portarias da SRF, entende que a continuidade do Mandado de Procedimento Fiscal deve ocorrer por meio de MPFC ou de Novo MPFF, obedecendo assim, as portarias que regulamentam o procedimento fiscal. Defende que caso seja dado provimento à sua alegação, com a conseqüente extinção do MPF contestado, o procedimento de fiscalização deve obedecer ao disposto na Portaria nº 6.087, de 21/11/2005, em vigor, bem como devem ser afastados os auditores que atuaram até então. Fala ainda sobre o pedido de reexame de período já fiscalizado a ser analisado pelo Sr. Delegado. 8. Lembra que, irregularidades constatadas no MPF, configuram vício de procedimento, podendo acarretar a invalidade do lançamento. Desta forma, os julgadores administrativos são obrigados a cumprir, aplicar e reconhecer os termos da Portaria que criou o MPF, devendo qualquer violação dos seus termos ser reconhecida de ofício para declarar a nulidade dos atos executados por desobediência aos respectivos termos. Rechaça qualquer entendimento em contrário, pois o argumento busca preservar a legalidade, a razoabilidade, a moralidade e a eficiência no atuar da administração tributária, sob pena de subversão da ordem jurídica e grave violação da segurança jurídica. 9. Portanto, com base em todo o exposto entende que o auto de infração em análise, lavrado ao amparo do MPF nº 0611100201200203, já extinto, salvo se este for considerado mandado suplementar, acarreta a nulidade do feito, por vício de procedimento em face de desobediência às portarias que regulamentam o procedimento fiscal. Omissão de receitas em auditoria de estoques 10. Neste aspecto, contesta as planilhas elaboradas pela autoridade fiscal que fez constar lançamentos de Operações Fiscais CFOP 5.401, 5.403 e 5.910, as quais não foram emitidas pela reclamante. Afirma que refazendo os quantitativos e com base no cruzamento de dados, apurou que estas operações tinham sido incluídas equivocada e erroneamente, fazendo crer que seriam receitas omitida. Contestação feita à época dos fatos levou o auditor autuante a reconhecer o equívoco, razão pela qual impõese reconhecer que não ocorreu a omissão de receitas aventada. 11. Discorre sobre presunções, transcreve julgados do CARF, para, nesta esteira, pleitear que seja declarada improcedente a infração apontada nos autos. 12. Afirma que, ao apurar os saldos negativos de estoques, estes configurariam entradas de Mercadorias sem Nota Fiscal, e, que se então representam tal, o valor do suposto lucro erroneamente apurado e reconhecido, deveria ter considerado os custos médios subjetivos a esta infração destes produtos negativos Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.559 7 apurados, da mesma forma em que ele reconhecera a presunção de Omissão de Receitas em Auditoria de Estoques, sendo que as diferenças destes valores subjetivos caracterizariam o respectivo lucro, que é base e fato gerador para incidências dos créditos tributários apurados pelo fisco no que tange a apuração de IRPJ e CSLL, já que o contribuinte, recolhe estes, por base nos balancetes mensais e estimativas. 13. Sustenta que o reconhecimento do montante de R$ 39.750.623,42 como lucro foi interpretado equivocadamente, pois este valor representaria como presunção de RECEITA BRUTA SUBJETIVA e que deveria ter sido confrontada também, a presunção dos custos subjetivos (CMV) e, por conseqüência a apuração do lucro subjetivo, que então representaria a receita omitida, que volta a afirmar que não ocorrerá. Ainda nessa esteira, faz alusão à possibilidade de tributação da receita omitida aplicandose o percentual de presunção de 8%. 14. Reforça que não há que se considerar omissão de receita operacional, haja vista o erro admitido pelo autuante e, afirma que os indícios apurados, para se transformarem em presunção válida, necessitam de prova os consubstanciem. Mais uma vez recorre aos julgados do CARF. Por fim, defende que a autoridade fiscal não construiu o arcabouço de provas que legitimasse a manutenção da presunção à embasar a dita omissão de receitas. Das despesas não comprovadas 15. Admite a falha havida em sua escrituração, quando foi constatado ter havido duplicidade no registro de despesas. 16. Argumenta que as notas fiscais extraídas da págs.: 81 e 82 do Auto de Infração acarretaram a alteração das bases de cálculo das estimativas do IRPJ e CSLL. Sendo assim, apuraramse diferenças no recolhimento real dos impostos citados devido ao desconhecimento da referida duplicidade e, estes não tiveram como ser incluídos no parcelamento do processo 13629400728/201325 em anexo, consolidado em 22/07/2013, onde já se encontra incluído, os valores do IRPJ, Adicional de IR, e CSLL do resultado apurado e escriturado no LALUR no valor R$ 184.885,72, referente ao exercício de 2010, anterior a conclusão do Auto. 17. Assim, pleiteia ser correta a aplicação da TAXA SELIC sobre os impostos apurados sobre esta infração, acumulada mensalmente estabelecida no Art. 6, § 2o, da Lei n° 9.430/96, que serão aplicados nos Créditos Tributários apurados. 18. De outro lado, contesta a aplicação da multa de ofício de 75%, por haver jurisprudência considerando abusiva a exigência e por apresentar caráter de confisco, nos termos do inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. Pede a redução da multa para 20%. Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.560 8 19. Na seqüência, relaciona as notas fiscais que teriam sido contabilizadas em duplicidade. Receitas escrituradas e não declaradas 20. Inicia este item mencionado o parcelamento que aderiu, via processo nº 13629.400728/201325 e o fato de haver retificado as DCTF e DIPJ das competências 2010, 2011 e 2012, após o início da ação fiscal, em face da necessidade dos valores constarem do banco de dados para que o parcelamento simplificado fosse consolidado. 21. Demonstra os valores mensais de IRPJ e CSLL que foram objeto desse parcelamento e destaca que o pagamento encontra se em dia. 22. Defende que os valores oferecidos no parcelamento devem ser excluídos do auto de infração, bem como a taxa Selic aplicada pelo fisco e sustenta que, caso seja indeferida a exclusão, irá reabrir o parcelamento para solicitar a restituição do valor pago. Pede a redução da multa a 20%, com base no princípio do não confisco. Das estimativas 23. Sustenta que diante do comprometimento dos valores apurados, os quais foram reconhecidos pelo agente fiscal, impugna o total das estimativas e a aplicação da multa isolada de 50%. Aliado a isso, discorda da concomitância da multa isolada e da multa de ofício, em face de penalizar duas vezes, em função de uma mesma infração. Transcreve julgados, pede a manutenção exclusiva da multa de ofício e, mais uma vez pede a redução dessa multa a 20%. Da multa de ofício 24. Contesta a exigência da multa de ofício à razão de 75% com base no princípio do não confisco. Menciona a Lei nº 9.298, de 1996 que prevê que a multa não pode exceder a 2% e afirma que entendimento mais recente dos tribunais e de doutrinadores defende que no caso de concurso de Leis, se deve aplicar aquela mais benéfica ao contribuinte, visto tratarse do elemento mais fraco na relação. Faz menção a julgado do STF que entendeu que as multas aplicadas em decorrência de infração tributária não podem exceder a 30% do valor do tributo devido. 25. Mais uma vez enfatiza o erro que teria comprometido a apuração e a lavratura do auto de infração para solicitar que seja declarada a nulidade da exigência da multa de ofício ou, em caso de negativa, pede a redução à razão de 20%. 26. Ao final, requer a nulidade do MPF e a extinção do auto de infração em face do erro de procedimento ou, caso não seja esse o entendimento requer a impugnação total para que seja reconhecidas a falta de zelo e veracidade e fidedignidade do Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.561 9 valor apurado, o que acarretou em apuração errônea da omissão de receitas, ou; I o cancelamento do lançamento e que sejam refeitos os cálculos referentes à apuração dos impostos sobre a duplicidade de lançamentos identificados, juntamente com a aplicação da taxa Selic; II a exclusão do auto de infração dos valores de IRPJ e CSLL, lançados em duplicidade, posto que já teriam sido objeto de parcelamento consolidado em 22/07/2013; III a impugnação total da multa de ofício à razão de 75%, em face dos erros já descritos ou, caso assim não se entenda, que seja concedida a redução desta para 20%, com base na interpretação do STJ de 11/12/2012; IV a impugnação total da multa isolada, pelas razões anteriores ou, pela concomitância com a multa de ofício." A decisão de primeira instância considerou improcedente a alegação relativa à existência de vícios no Mandado de Procedimento Fiscal, uma vez que foram atendidos todos os preceitos legais que normatizam o referido instrumento; mas reconheceu a existência de erros na determinação da base de cálculo da infração relativa à omissão de receitas apurada por meio da auditoria de estoques, já que a autoridade fiscal incluíra indevidamente notas fiscais relativas a lançamentos de Operações Fiscais CFOP 5.401, 5.403 e 5.910 que não foram emitidas pela Recorrente. Quanto à infração relativa às receitas escrituradas e não declaradas referente ao mês 12/2010, apesar de considerar procedente o lançamento, afastou a exigência dos respectivos valores no presente processo, tendo em vista que o sujeito passivo, no curso da ação fiscal, incluiu os débitos em parcelamento. Contudo, como a referida inclusão foi efetuada com multa de mora e a Recorrente não havia readquirido a espontaneidade, manteve a exigência da diferença entre a multa de mora, que consta do parcelamento e a multa de ofício devida. Por fim, rejeitou o pedido de redução da multa de ofício de 75% para 20%, por entender que o percentual aplicado é exatamente aquele fixado pela legislação vigente, não podendo a autoridade fiscal, nem o julgador administrativo, deixar de aplicála sob a alegação de abusividade. Considerando que a parcela do crédito tributário exonerada excedeu o montante de R$ 1.000.000,00, fixado na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, foi interposto Recurso de Ofício ao CARF, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Regularmente intimada da decisão de primeira instância, em 09 de junho de 2014 (fl. 1.284), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fls. 1.306 a 1.495), no qual alega, em síntese, que : a) não teria havido omissão de receitas, mas excesso de emissão de notas fiscais, por erro no sistema gerador; Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.562 10 b) não estaria configurada nenhuma das hipóteses de omissão de receitas previstas nos arts. 281 e 286 do RIR/99; c) os valores apontados no Acórdão recorrido como base de cálculo para a infração de omissão de receitas deveriam, por força do art. 289 do RIR/99, considerar o custo de aquisição das mercadorias destinadas à revenda, incluindo os de transportes e seguros; d) haveria dupla penalização, por conta da aplicação da multa isolada de 50% em relação à insuficiência de recolhimento de estimativas e da multa de ofício de 75% sobre o lançamento complementar; e) a exigência da diferença entre a multa de ofício e a multa de mora sobre o valor de R$ 184.885,72, reconhecidamente parcelado no âmbito do processo administrativo nº 13629.400728/201325, feriria o princípio geral do Direito Civil, de que o acessório segue o principal; não teria respaldo legal; e configuraria penalização por ato praticado com respaldo legal. Por equívoco, entendeuse que o sujeito passivo não havia apresentado Recurso Voluntário, de modo que os créditos tributários mantidos pela DRJ foram apartados para cobrança, por meio do processo administrativo nº 13629720.947/201417, permanecendo neste processo apenas o crédito tributário exonerado e objeto de Recurso de Ofício, que foi remetido para julgamento pelo CARF (fls. 1.285, 1.297 a 1.304). Constatado o equívoco, este processo foi devolvido à Unidade de origem, que tentou, sem êxito, promover a reunião dos dois processos (fls. 1.516, 1.543 a 1.545 e 1.551). Por questões técnicas, contudo, os processos foram apenas apensados, permanecendo neste processo, porém, tanto a análise do Recurso de Ofício quanto do Recurso Voluntário manejado pelo sujeito passivo, e se limitando o processo administrativo nº 13629720.947/201417 à cobrança do crédito tributário para ali transferido, em caso de improvimento do Recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. DO RECURSO DE OFÍCIO 1.1 Do conhecimento do Recurso Como relatado, em face da exoneração parcial do crédito pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo. Nos termos Súmula CARF nº 103, "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". Neste sentido, o recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado (R$ 18.011.129,96, conforme fl. 1.296) extrapola o limite fixado pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.563 11 Assim passo a apreciar a parcela do crédito tributário exonerada, devolvida a este colegiado por meio do citado Recurso. 1.2 Dos erros na composição da base de cálculo A decisão de primeira instância reconheceu a existência de erros na determinação da base de cálculo da infração relativa à omissão de receitas apurada por meio da auditoria de estoques, uma vez que os autos de infração lavrados contra o sujeito passivo incluíram indevidamente notas fiscais relativas a lançamentos de Operações Fiscais CFOP 5.401, 5.403 e 5.910 que não foram emitidas pela FERREIRA PINTO DISTRIBUIDORA LTDA, mas sim por fornecedor desta. Conforme fls. 1.206, o processo foi devolvido à Unidade de origem, antes do julgamento de primeira instância, para que a autoridade fiscal se pronunciasse acerca da questão, já que o sujeito passivo juntara em sua impugnação mensagem eletrônica em que, aparentemente, o equívoco na autuação era reconhecido. Em Relatório de Diligência de fls. 1.207 a 1.208, o responsável pela autuação reconheceu a autenticidade da mensagem eletrônica e o equívoco na composição da base de cálculo, conforme transcrição a seguir: "O email a mim atribuído na peça de impugnação é verdadeiro. Com efeito, constatei, após ciência do Auto de Infração, que as planilhas de auditoria de estoque contém dados incorretos na coluna “Saídas nfe Ferreira Pinto”. Explico a incorreção desses dados: Para realizar tal auditoria, extraímos, por meio do aplicativo Receitanetbx, as notas fiscais eletrônicas de emissão da Ferreira Pinto, e também as notas fiscais eletrônicas de emissão de sua fornecedora, a Ambev. Utilizamos o sistema Contágil para agregar os dados extraídos, que não caberiam em planilhas excel. Ao extrair os dados para a coluna “Saídas nfe Ferreira Pinto”, todavia, cometemos equívoco ao operar o sistema Contágil. Geramos um Relatório, onde solicitamos todas as notas fiscais de saída, com agregação para os campos da mercadoria, mês, CFOP, e as quantidades, de onde teríamos as saídas de mercadorias da Ferreira Pinto. No entanto, o Contágil agregou a essas notas de saída da Ferreira Pinto também as notas fiscais da Ambev, pois, nesse contexto (extração de dados do ambiente SPED nfe), elas também eram notas fiscais de saída (saída da Ambev), e não notas fiscais de entrada, como eu imaginara. E disso resultou que as quantidades de saídas agregadas, em todas as planilhas mensais de auditoria de estoque, restaram somadas com as entradas da Ambev, gerando diferenças muito grandes. O contribuinte foi intimado e reintimado a esclarecer as diferenças, porém também não detectou esse fato, alegando outros problemas que não cabiam e não esclareciam. Logo, foi feito o lançamento, a partir das diferenças de estoque apuradas utilizando quantidades de saída indevidamente somadas às quantidades de entrada. Como o mesmo relatório foi base Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.564 12 também para o cálculo de preços médios de venda, tais preços também restam incorretos." Constam às fls. 1.212 a 1.259, novas planilhas elaboradas pela autoridade fiscal, com a correção dos equívocos detectados, e das quais o sujeito passivo foi cientificado. As referidas planilhas, então, foram adotadas pelo Acórdão recorrido, como sendo a base de cálculo correta da infração constante dos autos de infração de que trata o presente processo, à exceção do mês de dezembro, em relação ao qual as novas planilhas apontavam um valor a ser lançado maior do que o originalmente constituído, de modo que foi preservado o lançamento original. Entendo, portanto, não haver qualquer reparo a ser realizado na decisão recorrida, em relação a tal matéria, exceto no que diz respeito à utilização dos novos valores apurados para o cálculo da multa isolada pelo nãorecolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, que será objeto de tópico específico a seguir, no qual se evidenciará equívocos que merecem correção. 1.3 Dos débitos objeto de parcelamento Quanto à infração relativa às receitas operacionais escrituradas e não declaradas no período de dezembro de 2010, no montante de R$ 184.885,72, o Acórdão recorrido, apesar de considerar procedente o lançamento, afastou a exigência dos respectivos valores no presente processo, de modo a evitar a cobrança em duplicidade, tendo em vista que o sujeito passivo teria comprovado que, no curso da ação fiscal, incluiu os referidos débitos em parcelamento. Contudo, como a referida inclusão foi efetuada pelo sujeito passivo apenas com a multa de mora, apesar de já estar sob ação fiscal, mantevese a exigência da diferença entre a multa de mora, que consta do parcelamento, e a multa de ofício devida. Não há controvérsia quanto à ausência de espontaneidade do sujeito passivo e à sujeição à multa de ofício, posto que este, em sua impugnação, já acata tal fato: "Diante a infração apurada pelo Agente Federal, abaixo demonstrada, reconhecemos que só então deveria ser aplicada a Multa de Ofício. Pois esta, ser devida o fato das retificações terem ocorrido após já ter iniciado o procedimento Fiscal, pois o contribuinte já incluiu o principal e as multas e juros no parcelamento citado. (...) Entendese reconhecimento da aplicação da Multa de Ofício, pelo fato das retificações de declarações DCTF e DIPJ exercício de 2010 terem sido ocorridas depois de iniciado o mandado de procedimento de fiscalização." A lógica empregada pelo Acórdão recorrido, ao excluir os valores exigidos sobre o valor desta infração, mantendo apenas 55% do total do IRPJ e da CSLL apurados (correspondente à diferença entre a multa de ofício e a multa de mora), parece, à primeira vista, fazer sentido. Contudo, demonstraremos que há incorreções que merecem ser sanadas pela via do Recurso de Ofício. Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.565 13 Conforme se verifica dos documentos trazidos pelo sujeito passivo às fls. 1.095 a 1.101, houve a inclusão no parcelamento de que trata o processo administrativo nº 13629.400728/201325, de débito referente ao IRPJ devido a título de estimativa (código de receita 5993) no valor de R$ 27.732,86 e de débito referente à CSLL devida a título de estimativa (código de receita 2484) no valor de R$ 16.639,71, ambos relativos ao período de apuração de dezembro de 2010. Os citados débitos correspondem exatamente a 15% e 9%, respectivamente, do montante de R$ 184.885,72, que foi a base de cálculo da infração apurada no item 0002 dos Autos de Infração, valor este apurado pelo sujeito passivo como Lucro Real em 31/12/2010, mas que não havia sido devidamente declarado ao Fisco, nem os tributos devidos sobre ele haviam sido recolhidos. Apenas após o início da ação fiscal, o sujeito passivo incluiu os débitos em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não como saldo a pagar apurado ao final do exercício, mas como valores devidos por estimativa em relação ao período de apuração de dezembro de 2010; e procedeu ao parcelamento dos valores perante a RFB. Assim, o primeiro equívoco que se detecta é que, ao excluir do presente processo o montante exigido em relação à infração em tela, o julgador deixa de considerálo no cálculo do adicional do IRPJ, ocasionando redução também no valor devido a título de multa de ofício. O correto é considerar o montante da infração para o cálculo do IRPJ e adicional e excluir o montante confessado a título de estimativa. O segundo equívoco é a dedução promovida em relação à multa de ofício. É que, como dito, a confissão realizada pelo sujeito passivo se refere ao IRPJ e à CSLL devida a título de estimativa em relação a dezembro de 2010. Pelo que a multa de mora confessada se refere apenas à mora pelo não recolhimento da estimativa até o vencimento. A multa de ofício de 75% constituída por meio dos autos de infração, por outro lado, referese à ausência de declaração e recolhimento dos tributos devidos no ajuste anual. Não há, portanto, qualquer compensação a ser realizada quanto à penalidade. Há, desta forma, que se ajustar o cálculo, de modo a se determinar corretamente o valor do IRPJ e CSLL, tendo em vista que o ajuste referente às multas de ofício, por resultar mais benéfico ao sujeito passivo, será realizado quando da apreciação do Recurso Voluntário. Quadro 01 Apuração do IRPJ devido Infração 0001 (após contencioso) R$ 6.063.957,68 Infração 0002 R$ 184.885,72 Infração 0003 R$ 559.525,88 Total infrações R$ 6.808.369,28 Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.566 14 IRPJ apurado R$ 1.021.255,392 Base de cálculo adicional IRPJ R$ 6.808.369,28 R$ 240.000,00 = R$ 6.568.369,28 Adicional IRPJ R$ 656.836,93 Total IRPJ + Adicional IRPJ R$ 1.678.092,32 () IRPJ parcelado R$ 27.732,86 Total IRPJ + Adicional IRPJ a cobrar neste processo R$ 1.650.359,46 Quadro 02 Apuração da CSLL devida Infração 0001 (após contencioso) R$ 6.063.957,68 Infração 0002 R$ 184.885,72 Infração 0003 R$ 559.525,88 Total infrações R$ 6.808.369,28 CSLL apurada R$ 612.753,24 () CSLL parcelada R$ 16.639,71 CSLL a cobrar neste processo R$ 596.113,53 1.4 Da multa isolada pelo nãorecolhimento das estimativas Por fim, o Acórdão recorrido merece reparo também em relação à dedução dos valores parcelados a título de IRPJ e CSLL, em relação ao período de apuração de dezembro de 2010, do cálculo da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas. É que, consoante já tratado, no momento da adesão ao parcelamento, o sujeito passivo já se encontrava sob ação fiscal, de modo que os valores confessados não podem ser excluídos do cálculo da multa prevista no art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430, de 1996. Temse que, à data de início do procedimento fiscal, o sujeito passivo havia deixado de efetuar o recolhimento por estimativa do IRPJ e da CSLL em relação ao referido período de apuração, de modo que a situação se adequa perfeitamente à tipificação legal. O parcelamento realizado após o início do procedimento fiscal não tem o condão de afastar a penalidade, podendo o valor pago apenas ser aproveitado no ajuste anual, na forma já realizada. Ademais, a observação das tabelas constantes dos itens 70 e 72 do Acórdão recorrido permitem a constatação de erros flagrantes na totalização das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, em todos os meses do anocalendário de 2010, onde a linha "Base de cálculo LALUR calculado" deveria refletir a soma das linhas "Total de Infrações IRPJ (ou CSLL) acumulado" e "Base de cálculo LALUR". Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.567 15 Fazse necessário, portanto, o ajuste dos valores devidos a título de multa isolada pelo nãorecolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, conforme detalhado nos quadros seguintes: Quadro 03 Multa isolada pelo não recolhimento do IRPJ DESCRIÇÃO/PERÍODO JANEIRO FEVEREIRO MARÇO ABRIL Base de cálculo LALUR 2.812,90 128.210,20 6.553,36 17.339,34 Infração auditoria de estoques 342.477,77 327.686,73 541.149,10 573.393,09 Infração despesas em duplicidade 39.624,79 18.225,00 32.064,65 74.196,07 Total de infrações IRPJ 382.102,56 345.911,73 573.213,75 647.589,16 Total de infrações IRPJ acumulado 382.102,56 728.014,29 1.301.228,04 1.948.817,20 Base de cálculo LALUR acumulado 384.915,46 599.804,09 1.307.781,40 1.931.477,86 IRPJ (15%) 57.737,32 89.970,61 196.167,21 289.721,68 Adicional IRPJ (10%) 14.491,55 35.980,41 106.778,14 169.147,79 IRPJ Total 72.228,87 125.951,02 302.945,35 458.869,47 () Estimativa meses anteriores 72.228,87 125.951,02 302.945,35 IRPJ a pagar 72.228,87 53.722,16 176.994,33 155.924,12 Multa isolada (50%) 36.114,43 26.861,08 88.497,16 77.962,06 DESCRIÇÃO/PERÍODO MAIO JUNHO JULHO AGOSTO Base de cálculo LALUR 190.984,86 257.962,50 103.069,27 106.588,65 Infração auditoria de estoques 476.434,86 1.195.311,50 443.288,78 574.348,59 Infração despesas em duplicidade 227.816,70 74.124,98 12.659,59 Total de infrações IRPJ 704.251,56 1.269.436,48 443.288,78 587.008,18 Total de infrações IRPJ acumulado 2.653.068,76 3.922.505,24 4.365.794,02 4.952.802,20 Base de cálculo LALUR acumulado 2.462.083,90 3.664.542,74 4.262.724,75 4.846.213,55 IRPJ (15%) 369.312,59 549.681,41 639.408,71 726.932,03 Adicional IRPJ (10%) 222.208,39 342.454,27 402.272,48 460.621,36 IRPJ Total 591.520,98 892.135,69 1.041.681,19 1.187.553,39 () Estimativa meses anteriores 458.869,47 591.520,98 892.135,69 1.041.681,19 IRPJ a pagar 132.651,51 300.614,71 149.545,50 145.872,20 Multa isolada (50%) 66.325,76 150.307,36 74.772,75 72.936,10 Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.568 16 DESCRIÇÃO/PERÍODO SETEMBRO OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO Base de cálculo LALUR 61.853,31 133.912,01 22.382,72 184.885,72 Infração auditoria de estoques 416.055,91 296.746,63 428.422,42 448.642,30 Infração despesas em duplicidade 35.858,18 35.582,58 9.373,34 Total de infrações IRPJ 451.914,09 332.329,21 428.422,42 458.015,64 Total de infrações IRPJ acumulado 5.404.716,29 5.737.045,50 6.165.467,92 6.623.483,56 Base de cálculo LALUR acumulado 5.342.862,98 5.603.133,49 6.143.085,20 6.808.369,28 IRPJ (15%) 801.429,45 840.470,02 921.462,78 1.021.255,39 Adicional IRPJ (10%) 510.286,30 536.313,35 590.308,52 656.836,93 IRPJ Total 1.311.715,75 1.376.783,37 1.511.771,30 1.678.092,32 () Estimativa meses anteriores 1.187.553,39 1.311.715,75 1.376.783,37 1.511.771,30 IRPJ a pagar 124.162,36 65.067,63 134.987,93 166.321,02 Multa isolada (50%) 62.081,18 32.533,81 67.493,96 83.160,51* * Considerando que o valor apurado no Auto de Infração foi de R$ 67.732,42, este será o montante a ser restaurado em relação a este período de apuração. Quadro 04 Multa isolada pelo não recolhimento da CSLL DESCRIÇÃO/PERÍODO JANEIRO FEVEREIRO MARÇO ABRIL Base de cálculo LALUR 2.812,90 128.210,20 6.553,36 17.339,34 Infração auditoria de estoques 342.477,77 327.686,73 541.149,10 573.393,09 Infração despesas em duplicidade 39.624,79 18.225,00 32.064,65 74.196,07 Total de infrações CSLL 382.102,56 345.911,73 573.213,75 647.589,16 Total de infr. CSLL acumulado 382.102,56 728.014,29 1.301.228,04 1.948.817,20 Base de cálculo LALUR acumulado 384.915,46 599.804,09 1.307.781,40 1.931.477,86 CSLL (9%) 34.642,39 53.982,37 117.700,33 173.833,01 () Estimativa meses anteriores 34.642,39 53.982,37 117.700,33 CSLL a pagar 34.642,39 19.339,98 63.717,96 56.132,68 Multa isolada (50%) 17.321,20 9.669,99 31.858,98 28.066,34 DESCRIÇÃO/PERÍODO MAIO JUNHO JULHO AGOSTO Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.569 17 Base de cálculo LALUR 190.984,86 257.962,50 103.069,27 106.588,65 Infração auditoria de estoques 476.434,86 1.195.311,50 443.288,78 574.348,59 Infração despesas em duplicidade 227.816,70 74.124,98 12.659,59 Total de infrações CSLL 704.251,56 1.269.436,48 443.288,78 587.008,18 Total de infr. CSLL acumulado 2.653.068,76 3.922.505,24 4.365.794,02 4.952.802,20 Base de cálculo LALUR acumulado 2.462.083,90 3.664.542,74 4.262.724,75 4.846.213,55 CSLL (9%) 221.587,55 329.808,85 383.645,23 436.159,22 () Estimativa meses anteriores 173.833,01 221.587,55 329.808,85 383.645,23 CSLL a pagar 47.754,54 108.221,30 53.836,38 52.513,99 Multa isolada (50%) 23.877,27 54.110,65 26.918,19 26.257,00 DESCRIÇÃO/PERÍODO SETEMBRO OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO Base de cálculo LALUR 61.853,31 133.912,01 22.382,72 184.885,72 Infração auditoria de estoques 416.055,91 296.746,63 428.422,42 448.642,30 Infração despesas em duplicidade 35.858,18 35.582,58 9.373,34 Total de infrações CSLL 451.914,09 332.329,21 428.422,42 458.015,64 Total de infr. CSLL acumulado 5.404.716,29 5.737.045,50 6.165.467,92 6.623.483,56 Base de cálculo LALUR acumulado 5.342.862,98 5.603.133,49 6.143.085,20 6.808.369,28 CSLL (9%) 480.857,67 504.282,01 552.877,67 612.753,24 () Estimativa meses anteriores 436.159,22 480.857,67 504.282,01 552.877,67 CSLL a pagar 44.698,45 23.424,35 48.595,65 59.875,57 Multa isolada (50%) 22.349,22 11.712,17 24.297,83 29.937,78* *Considerando que o valor apurado no Auto de Infração foi de R$ 21.286,13, este será o montante a ser restaurado em relação a este período de apuração. Isto posto, voto por dar provimento parcial ao Recurso de Ofício, no sentido de restabelecer parte das exigências exoneradas, conforme especificado nos quadros anteriores. 2. DO RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1 Do conhecimento do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 09 de junho de 2014 (fl. 1.284), tendo apresentado Recurso Voluntário em 09 de julho de 2014 (fl. 1.306 a 1.334), Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.570 18 último dia do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por Procurador, devidamente constituído às fl. 1.324. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I, II, IV e VI do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2.2 Do suposto excesso de emissão de notas fiscais Em primeiro lugar, em relação à infração apurada por meio da auditoria de estoques, a Recorrente sustenta que não teria havido omissão de receitas, mas excesso de emissão de notas fiscais, por erro no sistema gerador. O argumento da Recorrente é assim sintetizado: "Conforme planilha de estoque, o Fiscal valeuse, mediante cruzamento das notas fiscais, da seguinte fórmula aritmética para apuração dos valores de lançamento: Estoque inicial + entradas/compras + saídas + devoluções = estoque final À presente fórmula, foram acrescidas as informações pertinentes ao estoque final por Livro de Inventário. Assim, quantificando em número, a título de exemplo, e utilizando o mês de janeiro de 2010, referente à mercadoria Antarctica Pilsen 600 ml, código 2538, temos: Estoque inicial Entradas /compras Saídas Devoluções Estoque final Estoque final por livro de inventário Diferença 2 8.064 7.577 140 629 1116 487 Pela fórmula apresentada pelo Fiscal quando da apuração das notas fiscais, constatouse uma diferença de 487 unidades da mercadoria utilizada com referência, Antarctica Pilsen, o que fez inferir na existência de uma quantidade de saídas de mercadorias muito maior que a quantidade de mercadorias entradas registradas. Ocorre que enganase o I. Fiscal na análise procedida, senão vejamos: Ao utilizar fórmula reversa, porém com as mesmas informações acima elencadas, conclusão lógica divergente da emanada pelo Fiscal, obterseá. Estoque inicial + entradas + devolução estoque final = saídas calculadas Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.571 19 Quantificando em números, mas aplicando o mesmo exemplo acima utilizado teremos: Estoque inicial Entradas/compras Devolução Estoque final Saídas calculadas 2 8.064 140 1116 7090 Sendo que, conforme narrado pelo próprio fiscal ocorreu uma saída registrada de 7.577, o qual, subtraído das saídas apuradas/calculadas, conforme quadro acima, temos um excedente, não em produtos, mas em emissão de notas fiscais de 487. · Saídas registradas = 7.577 · Saídas apuradas = 7.090 · Saídas à maior = 487 Desta feita e por simples cálculo aritmético há de se concluir que em nenhum momento ocorreu ausência de produto, ou seja, saída de mercadorias maior que quantidade de entradas registradas, mas sim, excedente de emissão de notas fiscais, por, conforme dito, erro no sistema gerador." O raciocínio empregado pela Recorrente é equivocado e não conduz à conclusão pretendida. Em primeiro lugar, há erro crasso na explanação da Recorrente. É que, ao utilizar, na segunda aplicação da fórmula o valor do estoque final registrado no Livro de Inventário (1.116) e não aquele calculado pela primeira aplicação (629), óbvio que se obterá um valor para as saídas diverso daquele utilizado no primeiro momento (e que se originou da notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo). Mais que isso, os cálculos da Recorrente só confirmam a lógica empregada pelo art. 41 da Lei nº 9.430, de 1996, qual seja a de que um estoque final registrado a maior no Livro de Inventários aponta para o registro a menor de saídas nesse mesmo Livro e, portanto, à omissão das correspondentes receitas. Além disso, a observação das planilhas elaboradas pela autoridade fiscal (fls. 30 a 77, corrigidas às fls. 1.212 a 1.260) mostra que toda a análise realizada levou em consideração as quantidades de mercadorias registradas nas notas fiscais e não as quantidades de notas fiscais. Deste modo, não há como se acatar a alegação da Recorrente, mas sim corroborar o levantamento realizado pela autoridade fiscal. 2.3 Da suposta não caracterização de omissão de receitas A segunda alegação suscitada pela Recorrente é não estaria configurada nenhuma das hipóteses de omissão de receitas previstas no art. 281 do RIR/99. Assim, afasta as hipóteses de saldo credor de caixa, de falta de escrituração de pagamentos efetuados e de manutenção em passivo de obrigação já paga ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.572 20 Ora, em nenhum momento, seja do Relatório Fiscal, seja dos autos de infração, há a alusão ao citado art. 281 ou às hipóteses de omissão de receita nele tratadas. A alegação, portanto, não tem qualquer conexão com a autuação, de modo que deve ser rechaçada de plano, sem maiores esforços. A par disso, a Recorrente alega que não há o enquadramento legal no art. 286 do RIR/99. O argumento é trazido em dois parágrafos do seu Recurso Voluntário, que se transcreve: "Na fl. 03 do Relatório Fiscal reconhece o fiscal a existência dos livros de registro de inventário, e por conseguinte escrituração necessária, tanto assim que diz 'em vista do exposto, confeccionamos as planilhas dos demais meses, constatando reiteradamente grandes diferenças entre o estoque calculado com base nas notas fiscais registradas e o inventário físico registrado no Livro de Inventário'. No que pertine a manutenção em passivo, é silente o I. Fiscal, não havendo que se falar no referido enquadramento. Desta feita, não há o enquadramento legal dos arts. 281 e 286, parágrafos, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, sendo, portanto, impossível, pela estrita observância ao princípio da legalidade, e da tipicidade, de autuação do Recorrente, pugnandose pela reforma da decisão no que tange ao reconhecimento da omissão de receita." A argumentação da Recorrente é confusa e se distancia do que se constata dos autos. Há no Relatório Fiscal perfeita e detalhada descrição da infração, com explanação da forma pela qual o autuante chegou às diferenças de estoque e o explícito enquadramento no art. 41 da Lei nº 9.430, de 1996 (base legal para o art. 286 do RIR/99). Nos autos de infração, por sua vez, há a breve descrição da infração, com remessa ao anexo Relatório Fiscal, e o enquadramento, dentre outros dispositivos, no referido art. 286 do RIR/99. Não há, deste modo, como se acolher a alegação da Recorrente. 2.4 Dos custos de aquisição das mercadorias Segundo a Recorrente, os valores apontados no Acórdão recorrido como base de cálculo para a infração de omissão de receitas deveriam, por força do art. 289 do RIR/99, considerar o custo de aquisição das mercadorias destinadas à revenda, incluindo os de transportes e seguros. Ampara a sua alegação nos arts. 528 e 289 do RIR/99, in verbis: "Art. 528. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.573 21 apuração correspondente, observado o disposto no art. 519 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, §1º)." "Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). §2º O gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. §3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal." Segundo o seu raciocínio o montante da omissão de receita, em cada caso seria obtido pela seguinte expressão: diferença de estoque x preço médio de venda diferença de estoque x custo médio da mercadoria Mais uma vez, a tese sustentada pela Recorrente é infundada. Senão vejamos: O art. 286 do RIR/1999 descreve a hipótese de omissão de receitas que fundamentou o lançamento nos seguintes termos: "Art. 286. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie de quantidade de matériasprimas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41). §1º Para os fins deste artigo, apurarseá a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do Livro de Inventário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, §1º). §2º Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidade de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.574 22 cada período de apuração abrangido pelo levantamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, §2º). §3º Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicamse, também, às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, §3º)." (Destacouse) A lógica utilizada pelo dispositivo legal é bem simples: Caso o valor do estoque final calculado (Estoque inicial + Compras escrituradas Vendas escrituradas) seja superior ao estoque final registrado no Livro de Inventário, presumese que o contribuinte omitiu a venda da diferença. Assim, o valor da omissão será obtido pelo produto da diferença encontrada pelo preço médio de venda; Caso o valor do estoque final calculado (Estoque inicial + Compras escrituradas Vendas escrituradas) seja inferior ao estoque final registrado no Livro de Inventário, presumese que o contribuinte omitiu a compra da diferença. Assim, o valor da omissão será obtido pelo produto da diferença encontrada pelo preço médio de compra. Foi esta exatamente a forma de cálculo adotada pelo autuante nas planilhas que embasaram a constituição do crédito tributário (em suas versões original e retificada). A fórmula apontada pela Recorrente não tem amparo legal e a sua alegação de que os valores de transporte e seguros não foram considerados para o cálculo da omissão de receitas é contrária a si própria, posto que implicaria no aumento do preço médio de venda que, quando multiplicado pela diferença de estoque (na segunda hipótese acima), implicaria um montante superior de omissão. Rejeito, portanto, mais essa alegação. 2.5 Da concomitância de penalidades Outra defesa da Recorrente é no sentido de que haveria dupla penalização, por conta da aplicação da multa isolada de 50% em relação à insuficiência de recolhimento de estimativas e da multa de ofício de 75% sobre o lançamento complementar. Nas suas palavras: "A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício é uma duplicação da penalidade, desproporcional ao eventual prejuízo causado, correspondendo a 125%." A afirmação não é verídica. Conforme o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não há impedimento para a aplicação concomitante das referidas penalidades, que possuem bases de cálculo distintas: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.575 23 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" A multa de ofício sobre o ajuste anual é embasado no inciso I do referido dispositivo é calculada sobre a diferença de imposto apurada ao final do exercício; a multa isolada tem como base legal o inciso II e é calculada sobre o valor devido no mês correspondente. As decisões do CARF trazidas pela Recorrente para fundamentar a sua tese se referem à redação anterior do referido art. 44, e que fundamentaram, inclusive, a edição da Súmula CARF nº 105. É que na redação original do dispositivo legal, a multa de ofício aplicada ao final do exercício e a multa pelo não recolhimento da estimativa tinham, ambas, como fundamento legal o inciso I do citado art. 44, razão pela qual se firmou a tese da inaplicabilidade concomitante. Após a alteração da redação, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, entendese plenamente cabível a aplicação concomitante das duas penalidades. É esta a precisa conclusão da Conselheira Adriana Gomes Rêgo no Acórdão nº 9101002.438, de sua relatoria: "A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, portanto, claramente fixou a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. Somente desconsiderandose todo o histórico de aplicação das penalidades previstas na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seria possível interpretar que a redação original não determinou a aplicação simultânea das penalidades. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". Ademais, quando o legislador estipula na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, claramente afirma a aplicação da penalidade mesmo se apurado lucro Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.576 24 tributável e, por conseqüência, tributo devido sujeito à multa prevista no inciso I do seu art. 44. Acrescentese que não se pode falar, no caso, de bis in idem sob o pressuposto de que a imposição das penalidades teria a mesma base fática. Basta observar que as infrações ocorrem em diferentes momentos, o primeiro correspondente à apuração da estimativa com a finalidade de cumprir o requisito de antecipação do recolhimento imposto aos optantes pela apuração anual do lucro, e o segundo apenas na apuração do lucro tributável ao final do anocalendário. A análise, assim, não pode ficar limitada, por exemplo, à omissão de receitas ou ao registro de despesas indedutíveis, especialmente porque, para fins tributários, estas ocorrências devem, necessariamente, repercutir no cumprimento da obrigação acessória de antecipar ou na constituição, pelo sujeito passivo, da obrigação tributária principal. A base fática, portanto, é constituída pelo registro contábil ou fiscal, ou mesmo sua supressão, e pela repercussão conferida pelo sujeito passivo àquela ocorrência no cumprimento das obrigações tributárias. Como esta conduta se dá em momentos distintos e com finalidades distintas, duas penalidades são aplicáveis, sem se cogitar de bis in idem." Essa tem sido a jurisprudência dominante sobre o tema, inclusive no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ilustra a ementa a seguir referenciada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 (...) MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007." (Acórdão nº 9101002.801 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 10 de maio de 2017) Deixo, portanto, de acolher a alegação da Recorrente. 2.6 Da penalidade sobre as receitas escrituradas e não declaradas Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.577 25 Por fim, sustenta a Recorrente que a exigência da diferença entre a multa de ofício e a multa de mora sobre o valor de R$ 184.885,72, reconhecidamente parcelado no âmbito do processo administrativo nº 13629.400728/201325, feriria o princípio geral do Direito Civil, de que o acessório segue o principal; não teria respaldo legal; e configuraria penalização por ato praticado com respaldo legal. Trata a infração de tributação do valor apurado pelo sujeito passivo como Lucro Real em 31/12/2010, mas que não havia sido devidamente declarado ao Fisco, nem os tributos devidos sobre ele haviam sido recolhidos. Apenas após o início da ação fiscal, o sujeito passivo incluiu os débitos em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não como saldo a pagar apurado ao final do exercício, mas como valores devidos por estimativa em relação ao período de apuração de dezembro de 2010; e procedeu ao parcelamento dos valores perante a RFB. Assim, o Acórdão recorrido, apesar de considerar procedente o lançamento, afastou a exigência dos respectivos valores no presente processo, de modo a evitar a cobrança em duplicidade com o processo de parcelamento. Contudo, como a referida inclusão foi efetuada pelo sujeito passivo apenas com a multa de mora, apesar de já estar sob ação fiscal, mantevese a exigência da diferença entre a multa de mora, que consta do parcelamento, e a multa de ofício devida. Não há controvérsia quanto à ausência de espontaneidade do sujeito passivo e à sujeição à multa de ofício, posto que este, em sua impugnação, já acata tal fato: "Diante a infração apurada pelo Agente Federal, abaixo demonstrada, reconhecemos que só então deveria ser aplicada a Multa de Ofício. Pois esta, ser devida o fato das retificações terem ocorrido após já ter iniciado o procedimento Fiscal, pois o contribuinte já incluiu o principal e as multas e juros no parcelamento citado. (...) Entendese reconhecimento da aplicação da Multa de Ofício, pelo fato das retificações de declarações DCTF e DIPJ exercício de 2010 terem sido ocorridas depois de iniciado o mandado de procedimento de fiscalização." Assim, não procede a alegação do sujeito passivo de que a exigência da multa não teria amparo legal. Sua argumentação se baseia na exigibilidade do crédito tributário promovida pelo parcelamento, mas, por óbvio, apenas o parcelamento promovido quando o sujeito passivo não se encontra sob ação fiscal tem o efeito pleno que lhe pretende conferir a Recorrente. Após o início da ação fiscal, e não tendo havido o recolhimento ou a declaração do débito, plenamente exigível o tributo juntamente com a multa de ofício de 75%, conforme inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, acima transcrito. Também não aproveita à Recorrente a invocação ao princípio de que o acessório segue o principal. Como já destacado, não houve, no Acórdão recorrido a exoneração da tributação, para que, então, como consequência, houvesse a exoneração também da penalidade correspondente. Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.578 26 A exigência dos tributos incidentes sobre a receita não declarada foi mantida, apenas a cobrança foi deslocada para o processo de parcelamento. Também não procede o argumento de que haveria penalização por ato praticado com respaldo legal, a saber o parcelamento dos débitos. É que, como dito, a confissão realizada pelo sujeito passivo se refere ao IRPJ e à CSLL devida a título de estimativa em relação a dezembro de 2010. Pelo que a multa de mora confessada e incluída no parcelamento se refere apenas à mora pelo não recolhimento da estimativa até o vencimento. A multa de ofício de 75% constituída por meio dos autos de infração, por outro lado, referese à ausência de declaração e recolhimento dos tributos devidos no ajuste anual. Inclusive, por tal motivo, entendo que não é cabível a compensação de penalidade realizada pelo Acórdão recorrido, sendo que como de tal entendimento resulta redução da multa de ofício exigível neste processo. Passo a tratar do assunto a seguir. 2.7 Da multa de ofício exigível A apuração correta do montante exigível a título de multa de ofício deve considerar o montante apurado em todas as infrações para o cálculo do IRPJ (e adicional) e CSLL, para, ao final, excluir o montante confessado a título de estimativa em relação a dezembro de 2010. Quadro 05 Multa de ofício devida sobre o IRPJ Infração 0001 (após ajustes da DRJ) R$ 6.063.957,68 Infração 0002 R$ 184.885,72 Infração 0003 R$ 559.525,88 Total infrações R$ 6.808.369,28 IRPJ apurado R$ 1.021.255,392 Base de cálculo adicional IRPJ R$ 6.808.369,28 R$ 240.000,00 = R$ 6.568.369,28 Adicional IRPJ R$ 656.836,93 Total IRPJ + Adicional IRPJ R$ 1.678.092,32 () IRPJ parcelado R$ 27.732,86 Total IRPJ + Adicional IRPJ a cobrar R$ 1.650.359,46 Multa de ofício devida R$ 1.650.359,46 * 75% = 1.237.769,595 Quadro 06 Multa de ofício devida sobre a CSLL Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.579 27 Infração 0001 (após ajustes da DRJ) R$ 6.063.957,68 Infração 0002 R$ 184.885,72 Infração 0003 R$ 559.525,88 Total infrações R$ 6.808.369,28 CSLL apurada R$ 612.753,24 () CSLL parcelada R$ 16.639,71 CSLL a cobrar neste processo R$ 596.113,53 Multa de ofício devida R$ 596.113,53* 75% = 447.085,15 Tendo em vista que os valores aqui apurados são inferiores àqueles determinados na decisão a quo, impõese a redução da multa de ofício. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para reduzir o montante das multas de ofício relativas ao IRPJ e à CSLL, conforme acima discriminado. 3. CONCLUSÃO A partir de todo o exposto, VOTO POR DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO DE OFÍCIO, para: a) restabelecer o valor devido a título de IRPJ (e adicional) para o montante de R$ 1.650.359,46, e de CSLL para o montante de R$ 596.113,53; b) restabelecer os montantes devidos a título de multa isolada pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, para os valores a seguir discriminados: Quadro 07 Multa isoladas restabelecidas (em R$) PERÍODO/TRIBUTO IRPJ CSLL janeiro 36.114,43 17.321,20 fevereiro 26.861,08 9.669,99 março 88.497,16 31.858,98 abril 77.962,06 28.066,34 maio 66.325,76 23.877,27 junho 150.307,36 54.110,65 julho 74.772,75 26.918,19 agosto 72.936,10 26.257,00 Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 13629.721382/201304 Acórdão n.º 1302002.374 S1C3T2 Fl. 1.580 28 setembro 62.081,18 22.349,22 outubro 32.533,81 11.712,17 novembro 67.493,96 24.297,83 dezembro 67.732,42 21.286,13 A par disso, VOTO POR DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para reduzir o valor devido a título de multa de ofício sobre o IRPJ e a CSLL devidos ao final do anocalendário para, respectivamente, R$ 1.237.769,595 e R$ 447.085,15. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 1580DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.000234/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 22/06/2007
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA
Não tendo sido comprovada a origem dos recursos empregados na importação, é aplicável a pena de perdimento da mercadoria, convertida em multa, em razão de o contribuinte não ter entregue a mercadoria às autoridades aduaneiras.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA Não tendo sido comprovada a origem dos recursos empregados na importação, é aplicável a pena de perdimento da mercadoria, convertida em multa, em razão de o contribuinte não ter entregue a mercadoria às autoridades aduaneiras. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 02 34 /2 00 8- 50 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10711.000234/200850 Acórdão n.º 3301004.144 S3C3T1 Fl. 107 2 Relatório Adoto o relatório contido na decisão da primeira instância: "Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 02/06, acompanhado do Relatório de Descrição dos Fatos de fls. 07/12, lavrado pela Alfândega do Porto do Rio de Janeiro/RJ, para exigência da multa de que trata o art. 23, V, §§ 2.º e 3.º, do DecretoLei n.º 1.455/76 (conversão da pena de perdimento de mercadoria), no valor de R$11.065,72. Segundo relato da fiscalização, autuada foi submetida ao procedimento especial de fiscalização de que trata a IN SRF n.º 228/2002 pela IRF de Curitiba/PR e por esta razão, ao registrar a DI n.º 07/08129760 em 22/06/2007 na ALF/Porto do Rio de Janeiro/RJ, teve condicionada a liberação da mercadoria à prestação de garantia. Foi juntado por cópia às fls. 19/23 o Termo de Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal para Fins de Inaptidão de CNPJ do processo n.º 15165.001879/200786 no qual consta o relato da fiscalização empreendida na empresa autuada pela IRF/Curitiba, tendo ao final concluído pelo pedido de inaptidão do CNPJ, face à constatação da interposição fraudulenta de terceiros e ocultação do real responsável pela operação de importação. Desta forma, a ALF/Porto do Rio de Janeiro, com base nos elementos constantes no processo de inaptidão, intimou a interessada a apresentar a mercadoria importada através da DI n.º 07/08129760 (fls. 24/25). Às fls. 27/30 a intimada responde alegando que já está sob procedimento fiscal pela IRF/Curitiba e que foi vítima de fraude e que está solicitando providências junto à autoridade policial para investigação. Na impossibilidade de localização da mercadoria, foi lavrado o auto de infração para exigência da multa de conversão da pena de perdimento, do qual foi dado ciência à interessada em 01/02/2008, tendo a mesma apresentado a impugnação de fls. 37/40, alegando o que segue: 1 Que foi notificada a prestar informações no processo n.º 10711.004340/200721 tendo respondido que foi vítima de um golpe, o qual está sob averiguação pela Polícia Federal. Não é, portanto, o real sujeito passivo da obrigação em tela, que deve ser apurada pelas autoridades fiscais e policiais. 2 Diante do sigilo fiscal, bem como da incompetência para requisitar informações e/ou investigações, fazse necessário concluir os vários processos administrativos relacionados, para então viabilizar a apresentação das razões de defesa do presente Auto de Infração. 3 Por estas razões, reitera totalmente o contido na petição de fl. 27/30, devendo a impugnante ser expressamente intimada para tomar conhecimento do resultado da investigação e eventuais documentos que venham a ser oportunamente juntados, a fim de que possa instruir sua defesa, através de novas razões ou comunicada da impossibilidade das mesmas, se for o caso. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10711.000234/200850 Acórdão n.º 3301004.144 S3C3T1 Fl. 108 3 4 Finalmente, na forma prevista no Decreto n° 70.235/1972, em especial o art. 16, bem como em homenagem aos princípios da ampla defesa e do contraditório, requer as providências necessárias, bem como expressa intimação para acesso ao PAF e subseqüente apresentação das razões de defesa. Em 12/03/2008 foi apensado ao presente processo de exigência de crédito tributário, o processo n.º 10711.004340/200721 que trata do procedimento especial de fiscalização da IN SRF n.º 228/2002 instaurado quando do registro da DI n.º 07/08129760 pela ALF/Porto do Rio de Janeiro (fls. 45). Juntado aos autos pela autoridade fiscal cópia do ofício que encaminhou cópias dos processos n.ºs 10711.000234/200850 e 10711.004340/200721 à Justiça Federal do Rio de Janeiro, por solicitação desta (fls. 60). É o relatório." Em 15/04/15, a DRJ em Florianópolis (SC) proferiu o Acórdão n° 0736.999, por meio do qual julgou a impugnação improcedente. Dada a importância envolvida, não foi elaborada ementa, nos termos da Portaria MF n° 1.364/04. Inconformado, o contribuinte opôs embargos de declaração em face do Acórdão da DRJ, em razão de a decisão apresentarse "contraditória e/ou obscura e omissa". Caso não fossem admitidos pela DRJ, pleiteou que fossem recebidos pelo CARF como recurso voluntário. Apresentou as seguintes alegações: "Preliminares i) "Cerceamento do direito de defesa ofensa ao princípio do contraditório": um dos julgadores da DRJ julgou improcedente a impugnação, tendo acompanhado o voto do relator pelas conclusões. Outro julgou procedente, porém foi vencido. Reputa ter ocorrido cerceamento do direito de defesa, pois, em ambos os casos, não foram consignadas as razões que fundamentaram os votos. ii) "Duplicidade": alega que há outro processo administrativo acerca da declaração de importação objeto desta contenda. iii) "Indevida cobrança": juntamente com a decisão da primeira instância, foi encaminhado um DARF para pagamento do crédito tributário. Contudo, conforme consta nas fls. 18 dos autos, houve depósito administrativo do valor. Desta forma, a cobrança do crédito tributário, com acréscimos legais, é indevida, devendo o valor ser convertido em renda da União, caso não acatadas suas demais alegações. "Mérito": repete os argumentos aduzidos na impugnação, acima sumarizados. Em Despacho (fls. 91 e 92), o Presidente da 1° Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis/SC rejeitou a petição, por falta de previsão na Portaria MF n° 341/11, bem como em razão de a decisão não conter "inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes", que poderiam ser corrigidas de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, nos termos do art. 32 do Decreto n° 70.235/72. Adicionalmente, devolveu os autos à unidade de origem, para que avaliasse se os embargos de declaração preenchiam os requisitos legais para serem enviados ao CARF como recurso voluntário. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10711.000234/200850 Acórdão n.º 3301004.144 S3C3T1 Fl. 109 4 Por Despacho (fls. 105), os autos foram remetidos a este relator. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10711.000234/200850 Acórdão n.º 3301004.144 S3C3T1 Fl. 110 5 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Admissibilidade O contribuinte opôs embargos de declaração em face do Acórdão DRJ n° 07 36.999. Caso não admitidos por aquele colegiado, que fossem pelo CARF, porém como recurso voluntário. O Presidente da 1° Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis/SC rejeitou os embargos, por falta de previsão na Portaria MF n° 341/11, que disciplina a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), bem como em razão de a decisão não conter "inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes", que poderiam ser corrigidas de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, nos termos do art. 32 do Decreto n° 70.235/72. Este relator, por sua vez, em razão de a petição preencher os requisitos legais de admissibilidade como recurso voluntário, vota pelo seu conhecimento, em atendimento ao "Principio da Fungibilidade Recursal", previsto no art. 277 do Código de Processo Civil CPC (Lei n° 13.105/15), aplicável, de forma subsidiária, ao Processo Administrativo Fiscal: "Art. 277. Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade." Preliminares "Cerceamento do direito de defesa: ofensa ao princípio do contraditório" Um dos julgadores da DRJ julgou improcedente a impugnação, tendo acompanhado o voto do relator pelas conclusões. Outro, ao contrário, procedente, porém foi vencido. Nenhum deles consignou os motivos que os levaram a proferir tais votos. A recorrente requer que os fundamentos sejam anexados ao processo, a fim de poder exercer plenamente seus direitos à ampla defesa e ao contraditório. Uma vez recebida a petição como recurso voluntário, a aceitação do citado argumento resultaria na declaração de nulidade da decisão de piso e seu retorno para novo julgamento. Todavia, não voto neste sentido. Os artigos 31 do Decreto n° 70.235/72, que lista os requisitos de validade da decisão de primeira instância, e 59 da Lei n° 9.784/99, que trata da motivação dos atos Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10711.000234/200850 Acórdão n.º 3301004.144 S3C3T1 Fl. 111 6 administrativos, foram fielmente observados, pelo que rejeito esta preliminar de nulidade da decisão de piso. "Duplicidade" Aduz que a DI n° n.º 07/08129760 também seria objeto de outro processo administrativo, o de n° 10711.004340/200721 (apenso), pelo que eivaria o presente de nulidade, em razão de "duplicidade" de lançamento. Na fl. 76 do processo n° 10711.004340/200721, consta o "Relatório da Fiscalização", o qual informa que o contribuinte foi submetido ao procedimento especial de fiscalização, previsto na IN n° 228/02, cujo resultado foi a declaração de inaptidão do seu CNPJ. Não houve lançamento de ofício. Na verdade, o crédito tributário foi lançado por meio do auto de infração que instrui o presente processo. Não há, portanto, lançamento em duplicidade, pelo que rejeito os argumentos. "Indevida cobrança" Informa que, juntamente com a decisão desfavorável de primeira instância, a unidade de origem enviou DARF, para pagamento do crédito tributário, com acréscimos moratórios. Contudo, informa que teria efetuado depósito administrativo em garantia, que teria suspendido a exigibilidade do crédito tributário. O contribuinte não efetuou o depósito previsto no inciso II do art. 151 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172/66), que suspende a exigibilidade do crédito tributário, porém o do disposto no art. 7° da IN n° 228/02. Este último determina a prestação de garantia, equivalente ao valor da mercadoria, retido até o fim do procedimento fiscal. Em nenhuma hipótese, é convertido em crédito tributário e tampouco tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário eventualmente lançado como produto da revisão fiscal. Portanto, além de os argumentos não procederem, sob o ponto de vista conceitual, não se trata de preliminar, prejudicial de mérito, motivos pelos quais nego provimento. Mérito A recorrente foi submetida ao procedimento especial de fiscalização aduaneira previsto na IN SRF n° 228/02. Dentre as importações revisadas, encontrase a cursada por intermédio da Declaração de Importação n° 07/08129760, registrada em 22/06/07, e cujas mercadorias foram desembaraçadas em 28/06/07, que é objeto da presente contenda. Em razão de não ter sido comprovada a origem dos recursos utilizados na operação, foi lavrado auto de infração (fls. 2 a 6), acompanhado da "Descrição dos Fatos" (fls. 7 a 12), para exigência da multa prevista no inciso V c/c os §§ 2º e 3º do art. 23 do Decretolei Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10711.000234/200850 Acórdão n.º 3301004.144 S3C3T1 Fl. 112 7 n.º 1.455/76 conversão da pena de perdimento em pecúnia, em razão de a mercadoria não ter sido apresentada , a saber (redação vigente à época do fato gerador): "Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1° O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2° Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3° A pena prevista no § 1.ºconvertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" Ainda sobre a infração detectada, importante mencionar que, em depoimento prestado às autoridades fiscais, o sócio majoritário afirmou que desconhecia a existência de diversas DI, dentre as quais a que está em discussão, tomando conhecimento da operação tão somente quando intimado pelo Fisco a apresentar informações. Atribuiu a um despachante a responsabilidade pelas operações e informou não saber quais documentos ampararam a importação. Tal fato o impediu de prover o Fisco dos documentos atinentes à operação, bem como de entregar a mercadoria, em resposta ao Termo de Intimação SOPEA n° 170/2007 (fls. 24 e 25), o que redundou na conversão da pena de perdimento em multa. Ademais, que sua empresa firmava contratos de prestação de serviços, por meio dos quais cobrava R$ 2.000,00 para registrar importações em nome de sua pessoa jurídica, a despeito da natureza das mercadorias envolvidas, qualidade ou quantidade. Com efeito, esta forma de operar burla a obrigação legal de identificar o real adquirente dos bens. Na impugnação e no recurso voluntário (fls. 78 a 86), em suma, a autuada alega que foi "vítima de um golpe" e que este fato estaria sendo apurado pelas "autoridades fiscais e policiais". Por este motivo, deveria ser aguardada a conclusão destes trabalhos, para julgamento desta contenda, pois, antes disto, seria inviável a apresentação da sua defesa. No recurso voluntário, não há informações acerca de investigações por autoridades policiais. Nos autos (fls. 60), há ofício da 9° Vara Criminal do Rio de Janeiro/RJ, solicitando cópias dos autos do presente processo, de n° 10711.000234/200850, e do de n° 10711.004340/200721, tratado na preliminar "duplicidade' e cujo desfecho foi a declaração de inaptidão do CNPJ da recorrente. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10711.000234/200850 Acórdão n.º 3301004.144 S3C3T1 Fl. 113 8 A Ação Penal a que se refere o ofício é a de n° 2008.51.01.8067885. Em consulta ao sítio virtual da Justiça Federal, verificase que o processo foi extinto em 2010. O réus eram o sócio majoritário da recorrente e profissional por ele apontado no depoimento prestado ao Fisco como despachante. Ambos foram absolvidos, em razão de tratarse de delito da esfera dos crimes contra a ordem tributária (artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90) e cujo processo administrativo à época ainda estava pendente de conclusão. Reproduzo a sentença: "AÇÃO PENAL AUTOR : MINISTÉRIO PUBLICO FEDERAL PROCURADOR: ANDREA BAYAO PEREIRA 01ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro Magistrado(a) MARCOS ANDRE BIZZO MOLIARI Redistribuição Dirigida em 09/10/2009 para 01ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro Objetos: FALSIDADE IDEOLÓGICA Concluso ao Magistrado(a) MARCOS ANDRE BIZZO MOLIARI em 02/03/2010 para Sentença SEM LIMINAR por JRJNBI SENTENÇA TIPO: D CONDENATÓRIAS E ABSOLUTÓRIAS, REJEIÇÃO DE QUEIXAS (ART. 43) E DENÚNCIA (ART. 46) LIVRO I REGISTRO NR. 000040/2010 FOLHA 224/227 SENTENÇA Vistos etc. I. O Ministério Público Federal ofereceu denúncia em face de LUIZ CARLOS GOMES DOS SANTOS e MARCELO SANTOS DE OLIVEIRA, qualificados às fls. 02, pela suposta prática do crime previsto no artigo 299 do Código Penal, pelos fatos e fundamentos expostos na peça acusatória, ocasião em que ofereceu proposta de suspensão condicional do processo às fls. 04A/04B. A presente ação penal veio instruída com as peças de informação nº 1.30.011.001783/200891 (fls. 05/43). Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10711.000234/200850 Acórdão n.º 3301004.144 S3C3T1 Fl. 114 9 Decisão de declínio de competência em favor do r. Juízo da 9ª Vara Federal Criminal às fls. 64, tendo sido os autos redistribuídos àquele Juízo, que inicialmente reconheceu a competência para o processamento e julgamento do feito. A denúncia foi recebida em 04 de setembro de 2008, às fls. 70/71, e foi designada audiência para aceitação ou não das condições para a suspensão do processo. Ofício OF.GAB/DRJ/FNS/SC nº 26 da Receita Federal encaminhando cópia integral dos processos administrativos fiscais de interesse da LCGS Comercial Exportadora de Madeira Ltda, fls. 111/241. Termo de Assentada de fls. 257/259, ocasião em que foi prolatada decisão pelo Juízo da 9ª Vara Federal Criminal na qual foi suscitou conflito negativo de competência, uma vez que após analisar os fatos descritos na denúncia entendeu que a conduta descrita na inicial melhor se amoldaria ao tipo previsto no inciso I do artigo 1º da Lei nº 8.137/90, e conseqüentemente, declarouse absolutamente incompetente para o processamento do feito. Relatório e Voto, às fls. 273/276 e 277/279. O Acórdão de fls. 292/293 decidiu que os fatos descritos na denúncia melhor se enquadram ao tipo penal do artigo 1º, I, da Lei nº 8.137/90, razão pela qual conheceu do conflito para declarar competente o Juízo desta 1ª Vara Federal Criminal, nos termos do voto do Relator. Embargos de declaração interpostos por Marcelo Santos de Oliveira às fls. 298/305, que vieram a ser rejeitados às fls. 331/337 e 342. Ofício GAB/IRF/CTAPR nº 503/08 da Inspetoria da Receita Federal em Curitiba, fls. 355/460. Defesa prévia do réu Luiz Carlos Gomes dos Santos às fls. 473/488. Ofício deste Juízo requisitando informações acerca do pagamento integral do crédito tributário objeto desta ação penal, fls. 511. Em resposta, a Receita Federal informou que o crédito tributário ainda não foi pago, salientando que o débito em questão encontrase impugnado e em face de apreciação pela DRJ / Florianópolis/SC, fls. 514/520. Manifestação do Ministério Público Federal, pugnando pela absolvição sumária dos acusados, eis que ausente a constituição definitiva do crédito tributário (fls. 524/526). É o relatório. DECIDO. II. Fundamentos Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10711.000234/200850 Acórdão n.º 3301004.144 S3C3T1 Fl. 115 10 Analisando criteriosamente os documentos adunados aos autos, em destaque o auto de infração referente ao processo administrativo fiscal nº 10711.000234/200850, que deu origem à Representação Fiscal para fins Penais nº 10711 001508/200828 (fls. 08/11), e o Memorando nº 009/ALF/RJO/SECAT, datado de 11 de fevereiro de 2010, da Receita Federal (fls. 519), constato que não houve o pagamento do crédito tributário e que o débito em questão encontrase impugnado e em fase de apreciação pela DRJ / Florianópolis/SC. Nesse contexto, enquanto o crédito tributário não se constituir definitivamente, em sede administrativa, não se terá por caracterizado o crime contra a ordem tributária previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90, consoante extraído dos termos do enunciado da Súmula Vinculante nº 24 do Egrégio Supremo Tribunal Federal: Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no artigo 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo. Diante desses fundamentos, a absolvição sumária é medida que melhor se afina com a prova dos autos, não havendo necessidade de se protrair a marcha processual. III. DISPOSITIVO Por todo o exposto, julgo IMPROCEDENTE a pretensão do Ministério Público Federal e, com fundamento no artigo 397, inciso III, do Código de Processo Penal, ABSOLVO SUMARIAMENTE LUIZ CARLOS GOMES DOS SANTOS e MARCELO SANTOS DE OLIVEIRA das sanções do artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90. Transitada em julgado, façamse as anotações e comunicações de praxe, dêse baixa e arquivemse os autos. Dêse ciência ao Ministério Público Federal. P.R.I. Data formal de publicação: 04/05/2010" Verificase que o mérito que é tratado no presente processo não foi abordado, pelo que concluise que sua extinção não afeta o resultado do presente. Retornando à peça recursal, o contribuinte não trouxe qualquer argumento para combater o bem fundamentado auto de infração. Enfim, não trouxe provas da origem dos recursos empregados na importação instruída pela DI n° 07/08129760. Portanto, com base no acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10711.000234/200850 Acórdão n.º 3301004.144 S3C3T1 Fl. 116 11 Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.905782/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.089
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: (...) AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 05 78 2/ 20 11 -9 1 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10280.905782/201191 Resolução nº 3402001.089 S3C4T2 Fl. 186 2 A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10280.905782/201191 Resolução nº 3402001.089 S3C4T2 Fl. 187 3 Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.050, de 27 de setembro de 2017, proferida no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.050: Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10280.905782/201191 Resolução nº 3402001.089 S3C4T2 Fl. 188 4 "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido1. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/201126, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10280.905782/201191 Resolução nº 3402001.089 S3C4T2 Fl. 189 5 preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 232DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.901768/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. CABIMENTO. SEM EFEITOS INFRINGENTES
Os embargos de declaração apenas são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma (art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF.
Ocorrendo obscuridade, devem ser acolhidos para saná-la, sem efeitos modificativos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. INDÉBITO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO
Conforme estabelece a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
ÔNUS DA PROVA.
Superada a questão de que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza-se como indébito tributário, não se reconhece o direito creditório pleiteado por não se revestir de liquidez e certeza, vez que o contribuinte, titular da pretensão, não trouxe aos autos provas quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Numero da decisão: 1301-002.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos opostos para sanar a obscuridade existente, sem efeitos modificativos, propondo a alteração da ementa da decisão recorrida, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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OBSCURIDADE. CABIMENTO. SEM EFEITOS INFRINGENTES Os embargos de declaração apenas são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma (art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Ocorrendo obscuridade, devem ser acolhidos para sanála, sem efeitos modificativos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. INDÉBITO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO Conforme estabelece a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. ÔNUS DA PROVA. Superada a questão de que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizase como indébito tributário, não se reconhece o direito creditório pleiteado por não se revestir de liquidez e certeza, vez que o contribuinte, titular da pretensão, não trouxe aos autos provas quanto ao fato constitutivo de seu direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 17 68 /2 00 9- 73 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10283.901768/200973 Acórdão n.º 1301002.633 S1C3T1 Fl. 209 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos opostos para sanar a obscuridade existente, sem efeitos modificativos, propondo a alteração da ementa da decisão recorrida, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratam os presentes de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, acima identificado, em face do acórdão nº 1803002.055, de 12.02.2014, prolatado pela extinta 3ª Turma Especial da 4ª Câmara desta 1ª Seção de julgamento.O acórdão embargado foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. [...] Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Aduz a embargante que o aresto combatido padece de contradição e omissão, pelos motivos que especifica. Em suas palavras: II. DO CABIMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os presentes embargos de declaração tem como fundamento o Art. 496, IV do CPC e no Regimento Interno do CARF, em razão de contradição, omissão prejudiciais a causa da defesa. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10283.901768/200973 Acórdão n.º 1301002.633 S1C3T1 Fl. 210 3 Tratase de contradição na Ementa e no Voto do Acórdão n° 1803002.055 – 3a Turma Especial – 4a Câmara – 1˚ Seção de Julgamento, Sessão de 12 de fevereiro de 2014, ao apreciar matéria essencial para o deslinde da questão, como também, especialmente, em face da omissão em citar como fonte de credito tributo e numero de PER/DCOMP diversa daquela declarada no inicio da transmissão da declaração de compensação que ensejou o referido julgado. O esclarecimento da questão levantada, que adiante será mais detalhada e necessário, data vênia, em homenagem ao principio da ampla defesa e do contraditório, visto que elucidara pontos do R. Acórdão que será objeto de Recurso Especial ao CSRF como também atendera vários princípios da Administração Publica, em especial o da eficiência e economia processual. III. DA CONTRADIÇÃO E DA OMISSÃO Constou na Ementa do R. Acórdão que: “O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.” Contudo, no item 2 da Ementa, consta o seguinte: “Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” A simples leitura da Ementa do Acórdão, ora objurgado, é contraditória o suficiente para eivar o Acórdão de vícios e gerar dúvidas no contribuinte, ora embargante, posto que, enquanto o 1˚ parágrafo da Ementa leva ao entendimento de que o Acórdão n˚ 0122.008 da 3ª Turma da DRJ/BEL NÃO FOI REFORMADO, e que a PER/DCOMP de final 2020, objeto do processo, NÃO FOI HOMOLOGADA, o 2˚ parágrafo induz o contribuinte a acreditar no oposto, isto é, que o recuso voluntário foi parcialmente provido para reconhecer a possibilidade de formação de indébito. Portanto, esse é 1º ponto é que há contradição. Outros pontos controversos e também omissos que geram confusão e dúvidas processuais passíveis de esclarecimento pelos presentes Embargos Declaratório, são os trechos do Voto na página 6 do Acórdão de fls. 154159, senão vejamos: "Observando a cópia da DCTF do 3º trimestre de 2004 (fls. 27 doas autos) não resta dúvida que foi declarado em DCTF débito de estimativa IRPJ no valor de R$ 34.880,00 e a Recorrente efetuou, segundo a declaração, o pagamento de R$ 41.063,87 em 30/09/2004, a estimativa efetivamente paga em relação ao mês indicado do anocalendário em questão é de R$ 41.063,87. A diferença (R$ 6.183,87) é crédito da Recorrente; Porém, a Recorrente não junta a comprovação do pagamento a maior de R$ 33.083,06, utilizado na DCOMP N° 36172.18307.310506.1.3.044759. Ou seja, ficou devidamente comprovado o direito da Recorrente em relação ao valor de R$ 6.183,87, não podendo prevalecer à decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, tendo em vista que uma breve análise nas informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10283.901768/200973 Acórdão n.º 1301002.633 S1C3T1 Fl. 211 4 Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório seria suficiente para validar a compensação realizada. Novamente, pela simples leitura dos trechos do Voto, ora citados, é possível identificar que os mesmos estão contradição, enquanto que o 1º e no 3º parágrafo, o douto julgador reconhece a diferença de R$ 6.183,87 como crédito da REcorrente, o disposto no 2º e 4º parágrafo destoam completamente da afirmação anterior, ao citar valores distintos, e números de PERD/COMP totalmente diversa da constante no Despacho Decisório nº 824953666, emitido em 25/03/2009, qual seja DCOMP 13472.87657.310805.1.3.042020. Ademais, tal informação acerca do DCOMP 36172.18307.310506.1.3.04 4759, por não esclarecer apropriadamente a relação entre a mesma e a DCOMP cuja homologação está sob discussão no presente processo, torna o Voto omisso e prejudicial ao argumento principal da Recorrente, visto que não representa a íntegra da realidade dos fatos. A bem da verdade, a DCOMP 36172.18307.310506.1.3.044759, citada no Voto do Acórdão ora embargado, está sendo discutida no bojo de outro processo ( 10283.902.579/200918), cujo crédito utilizado como fonte é a Estimativamensal de IRPJ (código 2362) no valor de R$ 33.083,06, diversos do objeto do litígio de que trata o presente processo em que a fonte de crédito declarada e utilizada na DCOMP 13472.87657.310805.1.3.042020 é a Estimativamensal de CSLL (código 2484) no valor de R$ 41.063,87. Portanto, uma vez citada outra DCOMP diversa ao processo, o referido Voto deveria ter elucidado a relação entre as duas DCOMP´s e suas fontes de crédito, e não simplesmente citado e colacionado. IV. DO PEDIDO Diante do exposto e tendo demonstrado a contradição do Voto do V. Acórdão n° 1803002.055, vem mui respeitosamente requerer o seguinte: Seja conhecido e acolhido o presente recurso de Embargos de Declaração, provendoos integralmente para que, esclarecida a contradição apontada e suprida a omissão acima identificada, o r. Acórdão exponha explicitamente o direito creditório da ora embargante, com o objetivo de apurar a certeza e liquidez do crédito pleiteado objeto da presente contenda. Às fls. 203 a 207, encontrase o Despacho de Admissibilidade de Embargos, mediante o qual o Sr. Presidente da 4ª Câmara, desta Seção admitiu os embargos, determinando a inclusão em lote de sorteio e posteriormente que os embargos fossem submetidos à apreciação de Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Os embargos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade previstos no vigente Regimento Interno do CARF, razão pela qual os conheço e passo a analisálos. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10283.901768/200973 Acórdão n.º 1301002.633 S1C3T1 Fl. 212 5 Tratase de declaração de compensação transmitida em 31/08/2005 pelo contribuinte acima identificado, na qual indicou crédito de R$ 6.183,63 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 09/2004, no valor originário de R$ 41.063,87. Ao analisar o crédito apresentado, a Delegacia de origem, em análise datada de 25.03.2009, entendeu pela improcedência do mesmo, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que, em sua ótica, o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, sendo os argumentos analisados pela Delegacia de Julgamento em Belém do Pará, que não fez reparos à conclusão do despacho decisório então impugnado, julgando, assim, improcedente a manifestação apresentada. No entanto, na oportunidade, o r. julgador administrativo manifestou acerca da distribuição do ônus da prova, atribuindo ao autor a comprovação da existência do direito creditório pleiteado, notadamente que o pagamento foi realmente indevido. À propósito, na ocasião restou consignado fazerse indispensável a exibição dos registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, a demonstração do resultado do exercício, a devida contabilização das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os lançamentos de eventuais compensações, os registros pertinentes do livro “LALUR” etc, haja vista que a Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ, por si só, não exprime nem materializa o indébito fiscal. (o destaque consta no original). Apresentado o recurso voluntário contra esta decisão, o mesmo foi apreciado pelo Colegiado da extinta 3ª Turma Especial da 4ª Câmara desta 1ª Seção de julgamento, sob a relatoria do Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, que, após rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente. Ao redigir a ementa, o eminente relator consignou que deveria prevalecer decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório pleiteado e, em seguida, no parágrafo seguinte, transcreveu a parte dispositiva de seu voto que, inclusive, foi acompanhado por unanimidade pelos demais integrantes do Colegiado, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, o que, no entendimento da embargante, suscitou dúvidas, e por isso aduz vício de contradição/omissão no decisium, pela via dos embargos. Através de despacho fundamentado, o e. Presidente da 4ª Câmara, desta Seção, admitiu os embargos de declaração opostos, entendendo pela procedência das alegações suscitadas, seja em relação ao número do Per/DComp., como ao reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, e ainda referente à comprovação do direito creditório no valor de R$ 6.183,87. Pois bem. Vejamos os vícios apontados. Omissão/Contradição Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10283.901768/200973 Acórdão n.º 1301002.633 S1C3T1 Fl. 213 6 Aponta a recorrente omissão por inexistir análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado, vez que reconhecido a possibilidade de formação do indébito de estimativas a maior ou indevidamente . Entendo que não há omissão a ser sanada, pois a decisão recorrida se manifestou sobre os pontos controvertidos relevantes, vez que, admitiu a possibilidade de formação de indébito através de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente e não reconheceu o direito creditório, por ausência de provas. Em outras palavras, houve expressa manifestação, no sentido de admitirse que pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizase indébito tributário na data de seu efetivo recolhimento, sendo, portanto, possível de restituição ou compensação. Porém, não reconheceuse liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, ao verificar que o contribuinte não trouxe provas quanto ao fato constitutivo de seu direito. A omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado. Da mesma forma, não há que se falar em contradição entre a ementa e a parte dispositiva da decisão recorrida. Isso porque, em que pese, numa primeira leitura, ser possível enxergar contradição interna no julgado (ementa e parte dispositiva), ela desaparece quando da leitura integral do voto, pois, o que se depreendese de tal leitura é que o reconhecimento parcial diz respeito apenas à possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente. Aliás, esse é o sentido do que prevê a Súmula CARF nª 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, apesar de admitir a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, o colegiado não reconheceu o direito creditório pleiteado por não se revestir de liquidez e certeza, vez que o contribuinte, titular da pretensão aqui deduzida, não trouxe provas quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste ponto, há que se esclarecer que o provimento do recurso foi parcial, apenas no que concerne à admissão de que pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizase indébito, e por isso, passível de restituição. Por outro lado, o colegiado concordou com parte da decisão da DRJ, quando atribuiu ao sujeito passivo o ônus de comprovar a certeza e liquidez do direito alegado, e como ele não o fez satisfatoriamente, a decisão recorrida não reconheceu o direito creditório pleiteado por ausência de provas. Nesses termos, entendeuse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega, e, sendo o contribuinte o titular da pretensão, deve ele trazer os elementos de provas necessários para constituição do direito creditório pretendido, o que, como visto, não foi realizado. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10283.901768/200973 Acórdão n.º 1301002.633 S1C3T1 Fl. 214 7 Desta forma, entendo que não restou caracterizada a omissão/contradição apontada, devendose rejeitar os embargos quanto aos vícios alegados. Porém, em face do que exposto acima, os presentes Embargos merecem ser acolhidos para afastar a obscuridade, considerandose, assim, sanado tal vício. Para uma melhor clareza, propõese que a decisão recorrida seja assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. INDÉBITO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO Conforme estabelece a Súmula CARF nº 84 o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. ÔNUS DA PROVA. Superada a questão de que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizase como indébito tributário, não se reconhece o direito creditório pleiteado por não se revestir de liquidez e certeza, vez que o contribuinte, titular da pretensão, não trouxe aos autos provas quanto ao fato constitutivo de seu direito. Por fim, aduz ainda o contribuinte ter ocorrido omissão/contradição quando a decisão recorrida citou equivocadamente PERD/COMP diversa ao processo, sem elucidar a relação existente entre as duas DCOMP´s e suas fontes de crédito, além de reconhecer o valor de R$ 6.183,87 como crédito da recorrente e em parágrafo seguinte citar valores e número de Per/Dcomp diversos. De fato, a DCOMP 36172.18307.310506.1.3.044759 é estranha aos autos, mais isso não é caso de omissão ou contradição, e sim, de equívoco, e deve ser imediatamente corrigido. Assim, o crédito pleiteado, no valor de R$ 6.183,63, resulta de pagamento indevido ou a maior, originado de recolhimento de DARF sob código 2484 (CSLL), período de apuração de 09/2004, transmitido através da DCOMP 13472.87657.310805.1.3.042020. Porém, tal equívoco não possui o condão de reconhecer direito creditório, sem apurar sua liquidez e certeza, ou transferir ao fisco o ônus de comprovar por comparação o indébito. Ora, o objeto de contenda não é a existência ou não de DARF nos sistemas internos da Receita Federal, pois o fato de existir tal comprovação e comparálo com a DIPJ do período não significa que o pagamento seja indevido. Necessário que o sujeito passivo comprove, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando, por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Porém, ele não se desincumbiu deste ônus, quedandose inerte na materialidade do indébito fiscal. Conclusão Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10283.901768/200973 Acórdão n.º 1301002.633 S1C3T1 Fl. 215 8 Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos opostos, para sanar a obscuridade existente, sem efeitos modificativos, propondo a alteração da ementa da decisão recorrida, nos termos aqui sugeridos. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 215DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.910625/2011-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 03/04/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.513
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 03/04/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 25 /2 01 1- 08 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910625/201108 Acórdão n.º 3402004.513 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.758, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 03/04/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910625/201108 Acórdão n.º 3402004.513 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910625/201108 Acórdão n.º 3402004.513 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910625/201108 Acórdão n.º 3402004.513 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002182/2006-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário:2001
Ementa: MULTA REGULAMENTAR. DESATENDIMENTO DE
INTIMAÇÕES. É Cabível aplicação de multa regulamentar prevista no art. 968 do RIR/99 a qualquer entidade, pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, que deixar de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1401-000.563
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - auto eletrônico (exceto glosa de comp.prej./LI)
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário:2001 Ementa: MULTA REGULAMENTAR. DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÕES. É Cabível aplicação de multa regulamentar prevista no art. 968 do RIR/99 a qualquer entidade, pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, que deixar de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
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DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÕES. É Cabível aplicação de multa regulamentar prevista no art. 968 do RIR/99 a qualquer entidade, pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, que deixar de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10925.002182/200689 Acórdão n.º 1401000.563 S1C4T1 Fl. 6 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0715.516, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FlorianópolisSC. Mediante auto de infração de folhas 03 a 05, exigese do contribuinte acima a importância de R$ 538,93, a título de Multa Regulamentar por falta de atendimento a intimação (terceiros), com fato gerador em 13 de novembro de 2006. Os dispositivos legais infringidos constam do respectivo auto de infração. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), à folha 04, e do Termo de Verificação Fiscal, à folha 06, verificase que a autuação é decorrente da falta de atendimento à intimação n° 243/2006, para fornecimento de informações e esclarecimentos necessários a subsidiar procedimento fiscal em curso contra o contribuinte Valter João Vivan. O autuado impugna o lançamento alegando, em síntese, que mesmo tendo ciência do Termo de Intimação, não se manifestou por não ter qualquer ligação pessoal ou profissional! com a pessoa indicada. A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE o lançamento. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada, interpôs recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuinte, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O descumprimento por parte de qualquer pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, do dever de colaborar com os órgãos de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil enseja a aplicação de multa regulamentar, ex vi arts. 928 c/c 968 do RIR/99: Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). § 1º O disposto neste artigo aplicase, também, aos Tabeliães e Oficiais de Registro, às empresas corretoras, ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, às Juntas Comerciais ou repartições e autoridades que as substituírem, às caixas de assistência, às associações e organizações sindicais, às companhias de seguros e às demais pessoas, entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações de interesse para a fiscalização do imposto (DecretoLei nº 1.718, de 1979, art. 2º). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10925.002182/200689 Acórdão n.º 1401000.563 S1C4T1 Fl. 7 3 § 2º Se as exigências não forem atendidas, a autoridade fiscal competente cientificará desde logo o infrator da multa que lhe foi imposta (art. 968), fixando novo prazo para o cumprimento da exigência (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, § 1º). § 3º Se as exigências forem novamente desatendidas, o infrator ficará sujeito à penalidade máxima, além de outras medidas legais (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, § 2º). § 4º Na hipótese prevista no parágrafo anterior, a autoridade fiscal competente designará funcionário para colher a informação de que necessitar (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, § 3º). (...) (destaquei) Art. 968. Às entidades, pessoas e empresas mencionadas nos arts. 928 e 939, que deixarem de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal, será aplicada a multa de quinhentos e trinta e oito reais e noventa e três centavos a dois mil, seiscentos e noventa e quatro reais e setenta e nove centavos, sem prejuízo de outras sanções legais que couberem (DecretoLei nº 2.303, de 1986, art. 9º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso I, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30).(destaquei) E foi exatamente isso que aconteceu. A Recorrente foi intimada para prestar informações e documentos destinados a subsidiar o procedimento de fiscalização referente MPFF relativamente a outro Contribuinte e se quedou totalmente silente. O descumprimento do Termo de Intimação de fl. 10 foi patente e não se deixa infirmar pelo argumento da Recorrente totalmente inócuo no sentido de que não teria respondido em função de não ter qualquer relação com a pessoa sobre a qual lhe foi solicitado informações. Ora isso, por si só, poderia servir de óbice para o pronto atendimento da intimação fiscal. Caberia a sua manifestação nem que fosse exatamente para alegar isso que alega em seu recurso. Outrossim, o Termo de Intimação ainda fez constar as conseqüências do não atendimento: aplicação da multa regulamentar em foco. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902183/2009-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 21 83 /2 00 9- 77 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13851.902183/200977 Acórdão n.º 1302002.497 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13851.902183/200977 Acórdão n.º 1302002.497 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13851.902183/200977 Acórdão n.º 1302002.497 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13851.902183/200977 Acórdão n.º 1302002.497 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13851.902183/200977 Acórdão n.º 1302002.497 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 56DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.721335/2012-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2008
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Conhece-se do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedou-se preclusa.
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPATIBILIDADE CONSTITUCIONAL SUPERVENIENTE. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE MATERIAL.
O confronto de norma com ulterior alteração constitucional é controle de constitucionalidade material. Não compete ao Carf arredar a norma vigente sob a alegação de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2). Aplica-se a lei vigente se outra norma jurídica na a afastar. As agroindústrias estão sujeitas às contribuições ao Sesi, Senai, Sebrae, Incra e Salário-Educação.
PERÍCIA. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
O indeferimento motivado de pedido de perícia não caracteriza cerceamento de direito de defesa. Deve ser indeferido o pedido de prova pericial quando a defesa tem acesso às informações que pretenderia obter com a perícia.. Nulidade do acórdão inexistente.
PERÍCIA.
Defere-se o pedido de perícia quando o julgador entendê-la necessária. Presentes os elementos suficientes para o julgamento, a perícia é prescindível.
IMUNIDADE. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR.
As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico não incidem sobre receitas de exportação. A contribuição ao Senar tem natureza de contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica. Imunidade inaplicável.
CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. AGROINDÚSTRIA. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. ICMS.
A contribuição ao Senar das agroindústrias prevista no § 5º do art. 22-A da Lei nº 8.212, de 1991, incide sobre a receita bruta, que é integrada pelo ICMS. Não há norma jurídica a afastar a aplicação do conceito legal.
CONTRIBUIÇÃO AO SENAI, AO SESI E AO SEBRAE. AGROINDÚSTRIA. LEGALIDADE.
As contribuições ao Senai, ao Sesi e ao Sebrae foram instituídas por leis próprias que se encontram vigentes. A CLT atribui às agroindústrias produtoras de açúcar a classificação sindical de indústria; portanto, são contribuintes do Senai e do Sesi, característica que as torna contribuintes do Sebrae.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ACORDO TRABALHISTA. DIFERENÇAS SALARIAIS. INCIDÊNCIA.
Incide contribuição previdenciária sobre o salário pago ao empregado. Diferenças salariais pagas em decorrência de acordo trabalhista que reajustou o salário retroativamente têm natureza de salário. Não foram identificadas verbas indenizatórias na base de cálculo considerada no lançamento.
Numero da decisão: 2301-005.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer (a.1) as questões que envolvem o controle de constitucionalidade de lei, (a.2) a matéria não impugnada; (b) rejeitar o pedido de anulação do acórdão recorrido e o pedido de perícia e, no mérito, (c) negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conhecese do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedouse preclusa. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPATIBILIDADE CONSTITUCIONAL SUPERVENIENTE. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE MATERIAL. O confronto de norma com ulterior alteração constitucional é controle de constitucionalidade material. Não compete ao Carf arredar a norma vigente sob a alegação de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2). Aplicase a lei vigente se outra norma jurídica na a afastar. As agroindústrias estão sujeitas às contribuições ao Sesi, Senai, Sebrae, Incra e SalárioEducação. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. O indeferimento motivado de pedido de perícia não caracteriza cerceamento de direito de defesa. Deve ser indeferido o pedido de prova pericial quando a defesa tem acesso às informações que pretenderia obter com a perícia.. Nulidade do acórdão inexistente. PERÍCIA. Deferese o pedido de perícia quando o julgador entendêla necessária. Presentes os elementos suficientes para o julgamento, a perícia é prescindível. IMUNIDADE. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 13 35 /2 01 2- 39 Fl. 2841DF CARF MF 2 As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico não incidem sobre receitas de exportação. A contribuição ao Senar tem natureza de contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica. Imunidade inaplicável. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. AGROINDÚSTRIA. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. ICMS. A contribuição ao Senar das agroindústrias prevista no § 5º do art. 22A da Lei nº 8.212, de 1991, incide sobre a receita bruta, que é integrada pelo ICMS. Não há norma jurídica a afastar a aplicação do conceito legal. CONTRIBUIÇÃO AO SENAI, AO SESI E AO SEBRAE. AGROINDÚSTRIA. LEGALIDADE. As contribuições ao Senai, ao Sesi e ao Sebrae foram instituídas por leis próprias que se encontram vigentes. A CLT atribui às agroindústrias produtoras de açúcar a classificação sindical de indústria; portanto, são contribuintes do Senai e do Sesi, característica que as torna contribuintes do Sebrae. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ACORDO TRABALHISTA. DIFERENÇAS SALARIAIS. INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária sobre o salário pago ao empregado. Diferenças salariais pagas em decorrência de acordo trabalhista que reajustou o salário retroativamente têm natureza de salário. Não foram identificadas verbas indenizatórias na base de cálculo considerada no lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer (a.1) as questões que envolvem o controle de constitucionalidade de lei, (a.2) a matéria não impugnada; (b) rejeitar o pedido de anulação do acórdão recorrido e o pedido de perícia e, no mérito, (c) negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior. Relatório Tratase de lançamento de ofício, Debcad nº 37.320.1508, para a exigência das contribuições destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), ao Instituto Nacional de Colonização e Fl. 2842DF CARF MF Processo nº 10410.721335/201239 Acórdão n.º 2301005.165 S2C3T1 Fl. 2.842 3 Reforma Agrária (Incra), ao Serviço Nacional da Indústria (Senai), ao Serviço Social da Indústria (Sesi) e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que doravante serão referidos por Terceiros. No caso destes autos, consta do Relatório Fiscal (efl. 2384 e seguintes) que foram lançadas as diferenças entre os valores apurados pelo Fisco e os valores declarados em Gfip referentes às contribuições devidas a Terceiros, no período de 1/2008 a 12/2008, incidentes sobre: a) as receitas brutas provenientes da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, a empresas comerciais exportadoras; b) as receitas brutas provenientes da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não; c) os valores referentes à aquisição de produção rural (canadeaçúcar) de produtores rurais pessoas físicas, em que o adquirente se subroga na obrigação do pagamento das contribuições, nos termos do art. 30, incs. III e IV, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; d) as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados não consideradas pela empresa como saláriosdecontribuição; e) os valores das diferenças de contribuições devidas a Terceiros apuradas em razão da utilização, na Gfip, do código incorreto do Fundo da Previdência e Assistência Social (FPAS) Na impugnação, a Recorrente solicitou o julgamento simultâneo de todos os autos de infração lavrados em decorrência da ação fiscal e sustentou que: a) as contribuições ao FNDE (SalárioEducação), ao Sesi, ao Senai, ao Sebrae e ao Incra incidentes sobre a folha de salários foram, após a edição da Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001, revogadas por incompatibilidade superveniente com o art. 149 da Constituição Federal (efls. 2606 e 2607, item 18); b) incluíramse, na base de cálculo das contribuições lançadas sobre a folha de pagamentos, verbas indenizatórias que seriam isentas de contribuições, razão pela qual a recorrente solicitou perícia para a apuração de tais verbas e aferição da correta base de cálculo; c) não incidem contribuições ao Senar sobre as receitas de vendas a comerciais exportadoras porque essas operações equipararseiam a exportações e, portanto, seriam isentas e imunes; d) devese excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao Senar sobre as receitas de vendas internas; e) são indevidas as contribuições das agroindústrias ao Sesi, ao Senai e ao Sebrae; Fl. 2843DF CARF MF 4 f) devem ser excluídos os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. O julgado a quo, Acórdão nº 11.45.995, da DRJ/Recife, enfrentou a impugnação e concluiu pela sua improcedência, mantendo o crédito tributário, sob os seguintes argumentos: a) a legislação ampara o lançamento das contribuições ao FNDE (Salário Educação), ao Sesi, ao Senai, ao Sebrae e ao Incra e, na ausência de decisão judicial favorável ao contribuinte, não cabe, ao julgador administrativo, o afastamento da norma posta sob alegação de inconstitucionalidade, por força do que dispõe o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, na redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009; b) a legislação determina a incidência da contribuição das agroindústrias ao Senar, calculada sobre a receita bruta, e a venda no mercado interno, ainda que para comerciais exportadoras, não torna imune ou isenta a receita; c) não consta do lançamento a alegada incidência de juros sobre a multa de ofício; d) o ICMS integra o preço do produto e, portanto, é parte da receita bruta sobre a qual incidem as contribuições; e) foram utilizados para o cálculo das contribuições incidentes sobre a folha de pagamento os valores registrados pelo próprio contribuinte, descabendo, no caso, a exclusão das mencionadas verbas indenizatórias e a perícia para o levantamento dessas verbas; f) não há fundamento legal para o julgamento simultâneo de processos administrativos fiscais distintos. No recurso voluntário, (efls. 2420 a 2426) a Recorrente repisou as alegações da impugnação, exceto quanto à questão dos juros, que não foi questionada no apelo, e aduziu, ainda, a seguinte matéria: Substituição tributária da contribuição ao Senar instituída por decreto. É o relatório essencial. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. O recurso (efls. 2420 a 2426) é tempestivo. Da contribuição ao Senar devida por subrogação A Recorrente sustenta que seria ilegal a cobrança da contribuição ao Senar do produtor rural pessoa física que lhe é subrogada, porquanto não haveria lei formal a instituir a substituição tributária. Fl. 2844DF CARF MF Processo nº 10410.721335/201239 Acórdão n.º 2301005.165 S2C3T1 Fl. 2.843 5 Não é possível conhecer da matéria porque não foi questionada pela recorrente na impugnação e, consoante o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. É a impugnação, ao instaurar a fase litigiosa, que delimita a lide. Não suscitada a matéria na fase própria, precluso estará o direito de fazêlo em outro momento processual. Nesse sentido, há vários precedentes no Carf (por exemplo, os acórdãos nºs 3302004.356, 3402004.318, 2402005.903, 2402005.808 e 9101002.719). Das contribuições ao Sesi, Senai, Sebrae, Incra e SalárioEducação em face da Emenda Constitucional nº 33 Afirma, a Recorrente, que a cobrança das contribuições ao Sesi, Senai, Incra, Sebrae e SalárioEducação incidentes sobre a folha de pagamentos é improcedente porque teriam sido revogadas por incompatibilidade superveniente com Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. Sobre a matéria, assim se manifestou o acórdão recorrido: Somente nossa Corte Magna possui a prerrogativa de declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e se o destinatário de uma lei entender que ela é inconstitucional, o STF é o órgão competente para tal declaração. Embora a Recorrente sustente que não se trata de apreciação de constitucionalidade da norma, mas revogação por inovação normativa, no caso a Emenda Constitucional nº 33, de 2001, entendo que o confronto de norma com no texto constitucional a ela posterior é, materialmente, controle de constitucionalidade, o que está vedado a este colegiado, por força do que dispõe a Súmula Carf nº 2. Invoco o brilhante voto condutor do Acórdão nº 2301005.129, proferido pelo conselheiro João Bellini Júnior, em que a matéria foi decidida unanimemente, por esta mesma turma, nos seguintes termos: Porém, penso que agiu corretamente a autoridade recorrida. O fim almejado com o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, ou com a Súmula 02 do CARF, é evitar que as instâncias julgadoras administrativas usurpem a competência do Poder Judiciário, afastando a aplicação de normas tributárias frente a seu conflito com a Constituição Federal. Ora, o próprio STF já firmou sua competência e reconheceu a repercussão geral para a análise das contribuições destinadas ao: (a) Incra, em face da EC 33/2001: tema 495 – Referibilidade e natureza jurídica da contribuição para o INCRA, em face da Emenda Constitucional nº 33/2001; leading case RE 630.898 (b) Sebrae, em face da EC 33/2001: tema 325 Subsistência da contribuição destinada ao SEBRAE, após o advento da Emenda Constitucional nº 33/2001; leading case RE 603.624; (c) salárioeducação, em face das Constituições de 1969 e 1988: tema 518 – Compatibilidade da contribuição destinada ao custeio da educação básica com as Constituições de 1969 e de Fl. 2845DF CARF MF 6 1988; leading case RE; neste caso, firmou a seguinte tese: “Nos termos da Súmula 732 do STF, é constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação”. (c) Senar: tema 801 – Constitucionalidade da incidência da contribuição destinada ao SENAR sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, nos termos do art. 2º da Lei 8.540/1992, com as alterações posteriores do art. 6º da Lei 9.528/1997 e do art. 3º da Lei 10.256/2001; leading case RE 816830. Nesse sentido, saber se determinada norma foi ou não recepcionada pela Constituição Federal (incluindo, por óbvio, suas emendas constitucionais), é tema precípuo e recorrente a ser dirimido pelo STF. Cito como exemplo: AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO SENAI. ARTIGOS 4º E 6º DO DECRETOLEI 4.048/1942. VALIDADE E RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 (ARTIGO 240). ARTIGO 149, § 2º, DA CONSTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. HIGIDEZ DAS NOTIFICAÇÕES DE DÉBITO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE EM SEDE EXTRAORDINÁRIA. SÚMULA 279 DO STF. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. MATÉRIA SEM REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 660. ARE 748.371. REITERADA REJEIÇÃO DOS ARGUMENTOS EXPENDIDOS PELA PARTE AGRAVANTE. MANIFESTO INTUITO PROTELATÓRIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ARTIGO 1.021, § 4º, DO CPC/2015. AGRAVO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. ARTIGO 85, § 11, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. (ARE 1035080 AgR / SP SÃO PAULO; Relator: Min. Luiz Fux; Julgamento: 26/05/2017; Órgão Julgador: Primeira Turma) (Grifouse.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. EMBARGOS RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SINDICAL RURAL. CARÁTER TRIBUTÁRIO. RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. BITRIBUTAÇÃO. A SEGUNDA PARTE DO INCISO I DO ARTIGO 154 DA CONSTITUIÇÃO NÃO SE APLICA ÀS CONTRIBUIÇÕES. IRREGULARIDADE NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL DA ENTIDADE SINDICAL. INEXISTÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (RE 947732 ED / SP SÃO PAULO; Relator: Min. Luiz Fux; Julgamento: 29/03/2016; Órgão Julgador: Primeira Turma) (Grifouse.) Fl. 2846DF CARF MF Processo nº 10410.721335/201239 Acórdão n.º 2301005.165 S2C3T1 Fl. 2.844 7 AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO INSTITUTO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL. RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988. A DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA PARA FIXAÇÃO DE ALÍQUOTAS NÃO FOI RECEPCIONADA. ALCANCE DOS PRECEDENTES. É compatível com os precedentes desta Corte a decisão que reconhece a recepção das exações pela Constituição de 1988, mas estabelece que após a referida promulgação a alíquota não pode ser modificada por entidade desprovida de mandato legislativo, de modo que o tributo deve ser calculado de acordo com a alíquota válida no momento da promulgação. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 597098 AgR / DF; Relator): Min. Joaquim Barbosa; Julgamento: 04/10/2011; Órgão Julgador: Segunda Turma) (Grifouse.) Assim, não há como este colegiado se substituir a órgãos do Poder Judiciário, pelo que entendo ser aplicável ao caso (cobrança das contribuições para o Sesi, Senai, Incra, Sebrae e salárioeducação, face a EC 33/2001) a Súmula Carf 02 e o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, e não reconheço a competência desta Turma para delas se manifestar. Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Todos os grifos são do original.) Portanto, não conheço do recurso quanto à matéria por força do que dispõe o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, e a Súmula Carf nº 2. Conheço, outrossim, do apelo quanto à demais matérias. Preliminares Da anulação do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa A Recorrente pretende que seja anulado o acórdão recorrido porque entende que seu direito à ampla defesa teria sido violado, porquanto o colegiado a quo indeferiu seu pedido de perícia. Na impugnação, a ora Recorrente solicitou perícia para a identificação das verbas sobre as quais teria, indevidamente, incidido a contribuição previdenciária sobre a folha de salários. Sobre a matéria, assim se pronunciou o acórdão recorrido: Fl. 2847DF CARF MF 8 Conforme já indicado os valores de bases de cálculo consideradas são idênticos aos registrados como tal nas folhas de pagamento da autuada, conforme resumos anexados neste AI. Assim, não se pode dar cabimento a reclamação do contribuinte quanto aos valores que ele mesmo faz constar em seus documentos. Por este motivo, revelase desnecessária a perícia intentada, uma vez que a alegada inclusão indevida de verbas indenizatórias, nas bases de cálculo apontadas, poderia ser demonstrada pelo próprio contribuinte na ocasião da impugnação, por meio das respectivas provas documentais, dispensando auxilio técnico / especializado. Percebese que a decisão recorrida apreciou a matéria e, fundamentadamente, indeferiu o pedido de perícia, sob o argumento de que as verbas consideradas na base de cálculo foram as informadas pela então Impugnante e cuja classificação consta dos autos. Além disso, a natureza das verbas tidas, pela Impugnante, como isentas era de seu conhecimento e a informação poderia ter sido aditada na impugnação, não havendo a necessidade de recorrerse à produção de prova pericial para esse fim. Não vislumbro, pois, obstáculo à defesa que pudesse ensejar a nulidade do acórdão recorrido. Do pedido de perícia A Recorrente solicitou perícia para verificar se houve a inclusão de valores de natureza indenizatória na base de cálculo considerada pela fiscalização (efl. 2834, item 87). As verbas consideradas pela Fiscalização para efetuar o lançamento das contribuições incidentes sobre a folha de salários foram informadas pela empresa. Segundo consta do item 2.7. do relatório fiscal (efl. 2396), e seus subitens, foram analisadas as folhas de pagamento fornecidas pelo contribuinte e constatouse, nelas, diferenças salariais nos meses de maio e junho de 2008 que foram objeto do lançamento. Nenhuma outra informação de fonte diversa foi utilizada para a constituição do crédito tributário incidente sobre folhas de pagamento, senão aquelas que foram fornecidas pela Recorrente à Autoridade Fiscal e que estão presentes nos autos. Portanto, não cabe a realização de perícia se a própria Recorrente detém todas as informações necessárias à sua defesa. Observase, também, que a solicitação tem propósito meramente procrastinatório, porquanto há, no processo, os elementos suficientes para a classificação das verbas tributadas, já que estão detalhadamente identificadas, sem que seja necessário recorrer se a conhecimentos técnicos especializados, como se verificará adiante na análise do mérito da questão. Indefiro, pois, o pedido de perícia. Mérito Incidência de contribuições ao Senar sobre receita decorrente de exportação indireta Fl. 2848DF CARF MF Processo nº 10410.721335/201239 Acórdão n.º 2301005.165 S2C3T1 Fl. 2.845 9 A Autoridade Lançadora afirmou (efl. 2391) que incluiu, na base de calculo para o lançamento, as receitas resultantes de vendas para empresas comerciais exportadoras pois tratase de operação interna e, ademais, as contribuições ao Senar não se enquadrariam na imunidade prevista no inc. I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal porque não são contribuições sociais e nem contribuições de intervenção no domínio econômico, como se vê: 2.4.5. Diante da constatação de que as vendas realizadas pela empresa tratamse de operações de mercado interno e não negócios realizados diretamente com o importador, excluise da imunidade tributária prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal, a produção rural da agroindústria quando vendida para empresa comercial exportadora, ainda que com o fim específico de exportação, devendo incidir sobre o valor da respectiva receita bruta a contribuição ao SENAR de que trata o art. 22A, parágrafo 5º, da Lei 8.212, de 1991. 2.4.6. De igual modo, excluise (sic) da imunidade tributária, prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal, as contribuições destinadas ao SENAR incidentes sobre receitas decorrentes de exportação. Assim sendo, mesmo que a empresa tivesse efetivamente auferido receitas de exportação, seria devida a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre as mesmas, em virtude de sua natureza jurídica ser de contribuição de interesse das categorias econômicas. O dispositivo constitucional que trata da imunidade alegada pela Recorrente assim estabelece: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; O constituinte originário instituiu, no art. 149 do Diploma Maior, três diferentes espécies do gênero contribuições: a) as contribuições sociais; b) as contribuições de intervenção no domínio econômico, e c) as contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas. Pois bem, o constituinte derivado, por meio da Emenda Constitucional nº 33, de 2001, excluiu as receitas de exportação do campo de incidência das contribuições sociais e Fl. 2849DF CARF MF 10 das contribuições de intervenção no domínio econômico. Todavia, a contribuição ao Senar tem natureza jurídica de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas; portanto, não está abarcada pela imunidade constitucional. Nego, pois, provimento ao recurso e mantenho a contribuição ao Senar incidente sobre a receita auferida na venda no mercado interno, ainda que com objetivo de exportação. Da exclusão o ICMS da base de cálculo do Senar sobre faturamento "mercado interno" A Recorrente alega a base de cálculo considerada pela Autoridade Fiscal para efeito de incidência de contribuição ao Senar continha o ICMS, tributo estadual que não consistiria receita do contribuinte, mas do estadomembro. Requer, pois, que a base de cálculo seja recomposta, excluindose o ICMS, e a contribuição seja, então, recalculada. A Autoridade Lançadora fundamentou o lançamento da contribuição ao Senar no § 5º do art. 22A da Lei nº 8.212, de 1991, que estabelece: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: ........................................................................................................ § 5o O disposto no inciso I do art. 3o da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). Intimada, a empresa forneceu as informações necessárias para a mensuração da base de cálculo da contribuição em questão. É o que se observa no item 2.5.6. (efl. 2394), in verbis: 2.5.6. Os valores das receitas brutas auferidas pela empresa decorrentes de vendas no mercado interno foram verificados nos arquivos digitais fornecidos à Fiscalização, bem como em amostragem de notas fiscais de saída. As contas contábeis que registraram as receitas, os números das notas fiscais, o tipo de produto comercializado e o valor de tais receitas estão demonstrados na seguinte planilha anexa a este relatório fiscal: "APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA MERCADO INTERNO" O acórdão recorrido afirma, quanto à matéria, que a contribuição em questão incide sobre a receita bruta, que é composta também pelo ICMS, já que é tributo calculado por dentro, integrando o preço do produto. Discorre, ainda, que, por ausência de previsão legal, o valor do ICMS não pode ser excluído, devendo compor a base de cálculo. Não há dúvidas de que a base de cálculo da contribuição ao Senar é a receita bruta proveniente da comercialização da produção, nos termos do § 5º do art. 22A da Lei nº Fl. 2850DF CARF MF Processo nº 10410.721335/201239 Acórdão n.º 2301005.165 S2C3T1 Fl. 2.846 11 8.212, de 1991. Portanto, há que se aclarar o conceito de receita bruta para a determinação do quantum tributável. A despeito das controvérsias jurídicas, a receita bruta está bem definida pelo menos em duas leis que são afetas ao universo tributário. Como base legal fundamental no campo econômico brasileiro, a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, assim estabelece: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; ......................................................................................................... A apuração do resultado econômico da atividade empresarial, conforme entendimento absolutamente sedimentado na doutrina contábil e universalmente aceito, segue a estrutura definida na Lei nº 6.404, de 1976, aqui simplificada: (+) Receita bruta de vendas de bens e serviços () Deduções de vendas () abatimentos de vendas () impostos incidentes sobre a venda (=) Receita líquida de venda de bens e serviços () Custo das mercadorias e serviços (=) Lucro bruto Em outras palavras, as deduções, impostos e abatimentos sobre as vendas integram a receita bruta, segundo a norma societária. O mesmo conceito foi transposto para a norma tributária e está estabelecido no DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, que assim, originalmente, asseverava, até o advento da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. O entendimento de que os impostos incidentes sobre a venda integravam a receita bruta derivava do conceito legal e contábil da receita líquida. Ora, se receita líquida resultava da dedução, da receita bruta, de certas parcelas, essas parcelas estavam contidas na receita bruta. Fl. 2851DF CARF MF 12 Essa inteligência foi aclarada com o advento da Lei nº 12.973, de 2014, que deu nova redação ao art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, que passou a vigorar da seguinte forma: Art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: I devoluções e vendas canceladas; II descontos concedidos incondicionalmente; III tributos sobre ela incidentes; e IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. O conceito foi mantido e ficou mais evidente com a nova redação, ou seja, devoluções e vendas canceladas, descontos incondicionais e tributos sobre a venda integram a receita bruta. A matéria tem caminhado para uma pacificação de entendimento, na medida em que a doutrina e a jurisprudência vêm se convergindo na interpretação de que o ICMS não compõe o faturamento e, portanto, também não faz parte da receita bruta. Essa definição certamente terá impacto em futuras relações tributárias e contratuais. Todavia, não está claro quais serão as consequências para os fatos pretéritos, inclusive os fatos geradores de tributos já ocorridos. Em que pese o STF tenha fixado a tese, nos autos do RE nº 574.706/PR, cuja ementa foi publicada no DJe nº 223/2017, de 2 de outubro de 2017, de que o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins, não se pronunciou quanto à composição da base de cálculo de outros tributos, como a contribuição previdenciária das agroindústrias. Ademais, aquela decisão ainda carece de definitividade, porquanto está sujeita a embargos. Por essas razões, não cabe, ao caso, a aplicação do art. 62, § 1º, inc. II, alínea b. Portanto, para efeito de incidência da contribuição previdenciária sobre a receita bruta das agroindústrias, aplicase o conceito dado pelo DecretoLei nº 1.598, de 1977, e, considerando que o lançamento é atividade plenamente vinculada, nos termos dos arts. 3º e 142, parágrafo único, do CTN, não há como deixar de observar a disposição legal e excluir, da base de cálculo da contribuição das agroindústrias, o ICMS ou qualquer outro tributo incidente sobre as vendas, razão pela qual indefiro o pedido de exclusão. Improcedência do lançamento das contribuições ao Sesi, ao Senai e ao Sebrae A Recorrente contesta a legalidade das contribuições ao Senai, ao Sesi e ao Sebrae que constam do lançamento. Também alega que o colegiado a quo não teria se Fl. 2852DF CARF MF Processo nº 10410.721335/201239 Acórdão n.º 2301005.165 S2C3T1 Fl. 2.847 13 pronunciado quanto à matéria. Neste ponto, não tem razão a Recorrente, pois que a DRJ/Recife assim se manifestou sobre o tema: À Administração Pública cumpre aplicar as leis tal como estejam em vigor. Os diplomas legais instituidores da contribuição destinada ao SENAR e demais contribuições de Terceiros, assim como os que autorizam a cobrança, anunciados por período no rol dos dispositivos legais contido no Anexo – Fundamentos Legais do Débito – FLD, estão em plena vigência. (Sem grifo no original.) As contribuições ao Senai e ao Sesi, criadas sob a ordem constitucional de 1937, foram recepcionadas pelo art. 240 da Constituição Federal de 1988. Possuem caráter parafiscal e natureza de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas, nos termos do art. 149 da Constituição Federal; portanto, compete à União a sua instituição, por meio de lei ordinária. Quanto à contribuição ao Sebrae, o entendimento do STF (RE nº 396.266) é que se trata de contribuição de intervenção no domínio econômico, para cuja instituição também se requer lei ordinária. As três contribuições questionadas pela Recorrente tiveram origem em instrumentos legais competentes, como se vê: a) Senai: DecretoLei nº 4.048, de 22 de janeiro de 1942, com alterações do DecretoLei nº 6.246, de 5 de maio de 1944, que determinou a incidência de 1% sobre a folha de pagamentos; b) Sesi: DecretoLei nº 9.403, de 25 de junho de 1946, que instituiu a alíquota de 2% sobre a folha de pagamentos, alterado pela Lei nº 5.107, de 13 de setembro de 1966, que reduziu a contribuição a 1,5%; c) Sebrae: Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990. Ao contrário do que afirma a Recorrente, o advento § 5º do art. 22A da Lei nº 8.212, de 1991, que estabeleceu a contribuição das agroindústrias ao Senar não as desobrigou do recolhimento de outras contribuições definidas em lei, incidentes sobre a folha de pagamentos. Superada a questão da legalidade das contribuições, resta verificar se a Recorrente se enquadra nos requisitos de sujeição passiva. Quanto à incidência das contribuições ao Sesi e ao Senai, os respectivos decretoslei instituidores estabeleceram que os contribuintes são os estabelecimentos industriais: DecretoLei nº 4.048, de 1942: Art. 4º Serão os estabelecimentos industriais das modalidades de indústrias enquadradas na Confederação Nacional da Indústria obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal para montagem e custeio das escolas de aprendizagem. Fl. 2853DF CARF MF 14 DecretoLei nº 9.403, de 1946: Art. 3º Os estabelecimentos industriais enquadrados na Confederação Nacional da Indústria (artigo 577 do Decretolei n.º 5. 452, de 1 de Maio de 1943), bem como aquêles referentes aos transportes, às comunicações e à pesca, serão obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal ao Serviço Social da Indústria para a realização de seus fins. Para a classificação do estabelecimento, há que se observar o DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que estabelece: Art 575. O quadro de atividades e profissões será revisto de dois em dois anos, por proposta da Comissão do Enquadramento Sindical, para o fim de ajustálo às condições da estrutura econômica e profissional do país. ......................................................................................................... Art. 577 O Quadro de Atividades e Profissões em vigor fixará o plano básico do enquadramento sindical. O anexo à CLT que trata do quadro a que se refere o art. 577 posiciona as empresas produtoras de açúcar no 1º Grupo, ou seja, no enquadramento sindical de indústrias. Portanto, não resta dúvidas de que as empresas agroindustriais que beneficiam canadeaçúcar estão enquadradas, pela legislação trabalhista, como estabelecimentos industriais e, portanto, estão sujeitas às contribuições ao Senai e ao Sesi. Ao contrário do que afirma a Recorrente, essa sujeição não derivou das instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) ou da extinta Secretaria da Receita Previdenciária (SRP). Esses órgãos arrecadadores receberam, por disposição legal, as competências para administrar aquelas contribuições. Os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, atribuíram à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) as competências, dentre outras, para fiscalizar e arrecadar as contribuições ao Sesi e ao Senai: Art. 2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. ......................................................................................................... Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). § 1o A retribuição pelos serviços referidos no caput deste artigo será de 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) do Fl. 2854DF CARF MF Processo nº 10410.721335/201239 Acórdão n.º 2301005.165 S2C3T1 Fl. 2.848 15 montante arrecadado, salvo percentual diverso estabelecido em lei específica. § 2o O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. ......................................................................................................... § 6o Equiparamse a contribuições de terceiros, para fins desta Lei, as destinadas ao Fundo Aeroviário FA, à Diretoria de Portos e Costas do Comando da Marinha DPC e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e a do salárioeducação. Até a edição da Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009, as normas gerais para a administração das receitas previdenciárias e, também, das contribuições para terceiros, seguia o rito da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, que enquadrava as agroindústrias no código FPAS nº 825 (Anexo II da Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005, em sua redação original) sob o qual não incidiriam as contribuições para Senai e Sesi (Anexo III da Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005, em sua redação original). A administração previdenciária deixou, pois, de cobrar as exações devidas por lei, em flagrante ofensa ao disposto no art. 577 da CLT. Esse erro foi corrigido em 2007, com o advento da a Instrução Normativa nº 785, de 19 de novembro de 2007, que alterou o Anexo II da Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005, atribuindo às agroindústrias da espécie da Recorrente o código FPAS nº 833, sob o qual se calculam, dentre outras, as contribuições para o Senai e o Sesi. Observese que as contribuições das agroindústrias ao Senai e ao Sesi não foram instituídas pela a Instrução Normativa nº 785, de 2007, que apenas reenquadrou as empresas do ramo da Recorrente no que já dispunha a lei. Portanto, as contribuições são devidas em decorrência dos decretoslei nºs 4.048, de 1942, e 9.403, de 1946. O lançamento, pois, neste ponto não merece reparo. Quanto às contribuições ao Sebrae, elas têm por supedâneo legal o § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, in verbis: Art. 8º ............................................................................................. §3o Para atender à execução das políticas de apoio às micro e às pequenas empresas, de promoção de exportações e de desenvolvimento industrial, é instituído adicional às alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o art. 1o do DecretoLei no 2.318, de 30 de dezembro de 1986, de: ......................................................................................................... c) três décimos por cento a partir de 1993. O art. 1º do DecretoLei nº 2.318, de 1986, enumera, dentre outras entidades, o Senai e o Sesi. Na condição de agroindústria e nos termos dos decretoslei nº 4.048, de 1942, Fl. 2855DF CARF MF 16 e 9.403, de 1946, a Recorrente é sujeito passivo das contribuições devidas àquelas entidades. Portanto, de acordo com o disposto no § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029, de 1990, também está sujeita às contribuições ao Sebrae. Considerando que a Recorrente é contribuinte ao Senai e ao Sesi, a contribuição devida ao Sebrae será de 0,3% para cada serviço um desses serviços autônomos; ou seja, é de 0,6%, nos termos do que já decidiu o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 892.084, que estatui: 3. É devido o pagamento efetuado com base no adicional de 0,3% sobre cada uma das contribuições sociais devidas ao SESC/SENAC e ao SESI/SENAI. Precedentes: AgRg no REsp 500.634/SC, 2ª Turma, Min. Herman Benjamin, DJe de 31.10.2008; REsp 491.105/SC, 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJ de 13.12.2004. Portanto, não há dúvidas de que a Recorrente está sujeita a contribuir para o Sebrae, nos termos do § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, não havendo qualquer vício no lançamento em relação à cobrança desses valores. Incidência de contribuições sobre verbas indenizatórias A Autoridade Lançadora efetuou o lançamento das contribuições previdenciárias devidas sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados em razão de haver identificado parcelas salariais não consideradas, pela empresa, como saláriodecontribuição (efl. 2389, item 2.3.4.). A empresa foi, por duas vezes, intimada a esclarecer as diferenças salariais e suas origens e apresentou esclarecimentos e documentos (efls. 2396 e 2397, itens 2.7.1. a 2.7.4.). Dentre as informações prestadas, alegou, a empresa intimada, que as diferenças se referiam a parcelas salariais referentes a meses anteriores, pagas após o fechamento de acordo coletivo. Também alegou que seriam correspondentes a abono salarial e participação nos resultados e, portanto, sobre elas não haveria de incidir contribuição previdenciária. Essas verbas foram classificadas sob as seguintes rubricas DIF AC COLETIVO MAI 09, DIF AC COLETIVO JUN 09, DIF AC COLETIVO JUL 09, DIF AC COLETIVO AGO 09, DIF SALARIO MAI 08 (AC COLET), DIF SALARIO JUN 08 (AC COLET), ABONO SAL (Sind Condutores) e PPR. Observase, no Relatório Fiscal (efls. 2449 a 2452), que a Autoridade Lançadora considerou, para o lançamento, apenas as diferenças salariais de maio e junho de 2008 que estavam incluídas nas folhas de pagamento de agosto, setembro, outubro e novembro de 2008, classificadas , respectivamente, sob as rubricas DIF SALARIO MAI 08 (AC COLET) e DIF SALARIO JUN 08 (AC COLET). As demais parcelas, inclusive as que foram classificadas sob as rubricas ABONO SAL (Sind Condutores) e PPR, não fizeram parte do lançamento. De fato, verificase que o acordo coletivo foi celebrado em 1º de agosto de 2008 (efl. 41) e nele consta que os salários seriam reajustados a partir de maio de 2008 (efl. 28, Cláusula 1ª). Também consta que as diferenças salariais decorrentes do reajuste seriam pagas juntamente com os salários de setembro de 2008 (efl. 29, § 4º da Cláusula 2ª). Não resta dúvida, portanto, de que as parcelas sob as rubricas DIF SALARIO MAI 08 (AC COLET) e Fl. 2856DF CARF MF Processo nº 10410.721335/201239 Acórdão n.º 2301005.165 S2C3T1 Fl. 2.849 17 DIF SALARIO JUN 08 (AC COLET) equivaleram às diferenças salariais que resultaram do reajuste vigente a partir de maio de 2008, mas que apenas constou do acordo celebrado em agosto de 2008. Aliás, a própria empresa informou (efl. 27) que as verbas sob o título DIF AC COLETIVO foram proventos realizados referentes há meses anteriores sobre a diferença de aumento salarial dado após o fechamento de acordo coletivo a título de verbas indenizatórias. A despeito do que afirmou a empresa, diferenças salariais decorrentes de aumento salarial não são verbas indenizatórias, mas são parcelas destinadas a retribuir o trabalho, são salário na essência e, portanto, compõem o salário de contribuição, já que se subsumem ao conceito dado pelo inc. I do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Portanto, não há verbas isentas ou imunes dentre as que foram consideradas no lançamento decorrente das diferenças salariais, razão pela qual nego provimento ao recurso na matéria. Conclusões Voto por não conhecer do recurso quanto à matéria não impugnada e quanto à questão afeta ao controle repressivo de constitucionalidade, rejeitar o pedido de anulação do acórdão recorrido e o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro João Maurício Vital Relator Fl. 2857DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902202/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 22 02 /2 00 9- 65 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13851.902202/200965 Acórdão n.º 1302002.511 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13851.902202/200965 Acórdão n.º 1302002.511 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13851.902202/200965 Acórdão n.º 1302002.511 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13851.902202/200965 Acórdão n.º 1302002.511 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902202/200965 Acórdão n.º 1302002.511 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.901193/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.277
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao ano-calendário de 2004.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao ano-calendário de 2004. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa. Relatório Trata o processo da Declaração de Compensação PER/DComp, em que o COMPERAÇO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE FERRO E ACO LTDA., CNPJ 00.363.548/000104 requer crédito de pagamento indevido ou a maior da estimativa mensal, para compensação de débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou as compensações declaradas; o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador DRJ/SDR considerou improcedente. Cientificado, o contribuinte apresentou, recurso voluntário, tempestivo, reclamando da impossibilidade/desarrazoabilidade/desproporcionalidade de se evitar a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 01 19 3/ 20 09 -2 0 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10530.901193/200920 Resolução nº 1201000.277 S1C2T1 Fl. 3 2 compensação dos prejuízos por mero erro de preenchimento da declaração nas Fichas 12A e 17 da DIPJ apresentada, a qual deveria ser retificada; contudo, dado o lapso de tempo decorrido, tal retificação se fez inviável, pela Recorrente. Contudo, o crédito existe, o que comprova mediante a juntada do Balanço Patrimonial em que apurou o prejuízo de R$()675.524,73; pleiteia que a verdade material seja reconhecida, consoante precedentes do CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.273, de 20.09.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10530.901191/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.273): O contribuinte apresentou a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário 2004, no regime de apuração anual com estimativas mensais com base na receita bruta e acréscimos; na Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, apurou lucro real R$() 675.524,73, isto é, prejuízo fiscal; na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda mensal por estimativa apurou Imposto de Renda a Pagar nos meses de 01 a 12/2004, que pagou nos prazos, via DARF; e na Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, todos os campos estão zerados, não estando demonstrada a existência de eventual Saldo Negativo de IRPJ; já no caso das estimativas mensais de CSLL, demonstrou na Ficha 16 Calculo da CSLL Mensal por Estimativa, os valores de CSLL a pagar nos meses de 01 a 12/2004, os quais recolheu nos prazos via DARF; mas na da Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o contribuinte informou na linha 36. Base de Cálculo da CSLL, o valor de R$() 675.524,73, porém os demais campos como a linha 43. () CSLL Mensal Paga por Estimativa, restaram zerados, e deixou de demonstrar eventual o Saldo Negativo de Base de Cálculo da CSLL, passível de reconhecimento como direito creditório. Requereu crédito de pagamento indevido da estimativa de IRPJ de 08/2017, no mesmo valor recolhido via DARF, no PER/Dcomp objeto deste processo. O Despacho Decisório indeferiu o pleito porque o valor recolhido correspondia ao débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, portanto tal pagamento foi alocado ao correspondente débito confessado, não restando saldo para compensar outros débitos. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10530.901193/200920 Resolução nº 1201000.277 S1C2T1 Fl. 4 3 Por sua vez, a DRJ, em relação às estimativas mensais de IRPJ, esclareceu que, como o contribuinte apurou prejuízo fiscal no ajuste anual do anocalendário de 2004 e os pagamentos efetuados por estimativa referentes ao IRPJ/CSLL deveriam compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL, respectivamente do anocalendário de 2004, que deveria ter sido apurado na forma do art. 2º, §4º, I a IV, da Lei n° 9.430, de 1996, e passível de ser restituído ou compensado com débitos do contribuinte, a partir do mês de janeiro de 2005, conforme disposto no art. 5º combinado com o art. 26, da Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, vigente à época da transmissão do PER/Dcomp; em outras palavras, a estimativa mensal paga somente poderá compor eventual crédito de saldo negativo, na apuração anual, sendo a sua data base 31/12/2004, no caso; por isso, a apuração anual do IRPJ/CSLL deveria ter sido demonstrada, para comprovar eventual crédito de Saldo Negativo de IRPJ/CSLL. No presente caso, verificase que constam os seguintes valores, informados/confessados/pagos pelo contribuinte: IRPJ DIPJ original Ficha 11 DCTF original cód 5993 Darf pago CSLL DIPJ original Ficha 16 DCTF original cód 2484 Darf pago jan/04 11.405,68 11.405,68 11.405,66 jan/04 7.239,06 7.239,06 7.239,06 fev/04 15.272,70 15.272,70 15.272,70 fev/04 9.327,26 9.327,26 mar/04 23.478,90 23.478,90 23.478,88 mar/04 13.758,60 13.758,60 13.758,60 abr/04 18.582,76 18.582,75 18.585,75 abr/04 11.114,69 11.114,69 11.114,69 mai/04 26.483,23 26.483,23 26.483,23 mai/04 15.380,95 15.380,95 15.380,95 jun/04 31.322,78 31.322,78 31.322,78 jun/04 17.994,30 17.994,30 17.994,30 jul/04 20.592,38 20.592,38 20.592,38 jul/04 12.199,89 12.199,89 12.199,89 ago/04 23.701,60 23.701,60 23.701,60 ago/04 13.878,86 13.878,86 13.878,86 set/04 20.732,09 20.732,08 20.732,08 set/04 12.275,33 12.275,33 12.275,33 out/04 20.230,82 20.230,82 20.230,82 out/04 12.004,64 12.004,64 12.004,64 nov/04 24.363,07 24.363,06 24.363,07 nov/04 14.236,08 14.236,08 14.236,06 dez/04 26.126,33 26.126,33 26.126,33 dez/04 15.188,22 15.188,22 15.188,22 Total 262.292,34 262.292,31 262.295,28 Total 154.597,88 145.270,62 154.597,86 E na apuração anual: Apuração anual Ficha 12A Apuração anual Ficha 17 36. BC da CSLL 675.524,73 IRPJ 0,00 CSLL 0,00 () IR Mensal pago por estimativa 0,00 ()CSLL Mensal pago por estimativa 0,00 (=) IR a pagar 0,00 (=)CSLL a pagar 0,00 O contribuinte juntou também Demonstrativo de Resultados do Exercício, data de encerramento 31/12/2004, em que apurou Lucro Líquido R$() 675.524,73. Observase na DIPJ do anocalendário 2004 que o contribuinte, para uma receita líquida de R$11.148.363,19, informou R$11.130.026,04 de custo das mercadorias revendidas, e apurou prejuízo fiscal e lucro líquido negativo de R$()675.524,73; e sua DIPJ foi aceita e regularmente processada. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10530.901193/200920 Resolução nº 1201000.277 S1C2T1 Fl. 5 4 À vista destes dados, adoto entendimento prevalente no CARF, expresso no Acórdão nº 9101002.913, da 1ª Turma da CSRF, em 8 de junho de 2017, cujos excertos transcrevo e que se aplicam tanto a estimativas mensais de IRPJ, como de CSLL: Ementa: ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de outubro/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. (Grifei.) Relatório: Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: a) possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido; e b) ser possível a formação de indébito de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 2002, quando na Dcomp apresentada constou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido da estimativa mensal de CSLL. No voto, foi adotado entendimento de recurso repetitivo, nos seguintes termos, e com os quais esta Relatora concorda: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1o e 2°; do RICARF. aprovado pela Portaria MF 343. de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.903. de 08/06/2017 proferido no julgamento do processo 10166.901000/2009 36. paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese. como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101 002.903): Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10530.901193/200920 Resolução nº 1201000.277 S1C2T1 Fl. 6 5 "A PGFN pretende reverter a decisão recorrida, sustentando que a lei não permite a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal (primeira divergência); e também que, após a Delegacia de origem ter indeferido o Per/Dcomp, não seria mais possível alterar o direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo de IRPJ (segunda divergência). A matéria tratada na primeira divergência está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF n° 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5o da Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3° do art. 67 de seu Anexo II que: Art. 67 [...] []§ 3o Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal. Quanto à segunda divergência, o recurso merece mesmo ser conhecido, conforme o despacho de admissibilidade exarado, e adoto as suas razões de decidir. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF n° 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10530.901193/200920 Resolução nº 1201000.277 S1C2T1 Fl. 7 6 indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. O que houve no presente caso não foi mudança de direito creditório, mas sim indicação da parte, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo havendo excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Uma estimativa e o saldo negativo formado por ela guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. Como mencionado, a questão sobre a possibilidade de restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, até a edição da Súmula CARF n° 84. Inicialmente, a linha de interpretação da Receita Federal, e que foi adotada nestes autos, era de que a lei não permitia a Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10530.901193/200920 Resolução nº 1201000.277 S1C2T1 Fl. 8 7 restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativas mensais, mas apenas do saldo negativo formado por elas. Em vista disso, os contribuintes, também como ocorreu nestes autos, procuravam demonstrar que as estimativas (com seus excedentes) eram suficientes para a formação de saldo negativo. Para o indeferimento do pleito, então, buscavase outro fundamento, que era a impossibilidade de modificar o direito creditório. Ocorre que essa modificação era motivada justamente porque a Receita Federal se recusava a restituir/compensar pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa, o que restou afastado pela referida Súmula CARF n° 84. É diante de todo esse contexto que o acórdão recorrido, corretamente, admitiu a possibilidade de formação de indébito, passível de restituição/compensação, pelo pagamento indevido ou a maior a título da estimativa mensal referente ao mês de dezembro/2004, ao mesmo tempo em que também reconheceu a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo neste mesmo ano, e determinou o retomo dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. Se a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à segunda divergência, relativa à questão da inovação/ mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, mantendo o que restou decidido no acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1o e 2o do art. 47 do RICARF. conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e. no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento para manter o que foi decidido no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto" Conclusão. Recomposição da apuração anual. 2004. Apuração anual Ficha 12A Apuração anual Ficha 17 36. BC da CSLL 675.524,73 IRPJ 0,00 CSLL 0,00 () IR Mensal pago por estimativa 262.295,28 ()CSLL Mensal pago por estimativa 154.597,86 (=) IR a pagar ()262.295,28 (=)CSLL a pagar () 154.597,86 Evidenciase o direito creditório até o limite do Saldo Negativo de IRPJ em 31/12/2004, de R$()262.295,28, a ser observado para o conjunto de todos as PER/Dcomp deste contribuinte que requerem Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10530.901193/200920 Resolução nº 1201000.277 S1C2T1 Fl. 9 8 créditos de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ, ou de Saldo Negativo de IRPJ deste anocalendário; e analogamente, até o limite de R$() 154.597,86, de Saldo Negativo da CSLL em 31/12/2004. Diligência. Constam para julgamento nesta Turma do CARF, 19 (dezenove) processos requerendo créditos de recolhimentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2004; contudo, não se dispõe de informação se estes esgotam todos os pedidos de restituição/compensação, pelo contribuinte, relativos ao anocalendário 2004. A fim de se evitar dar provimento a créditos, em duplicidade, fazse necessária diligência que: a) efetue um levantamento e informe todas as PER/Dcomp apresentadas pelo contribuinte, em que este requereu créditos de recolhimentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2004 e crédito de Saldo Negativo de IRPJ e de CSLL, relativamente ao anocalendário 2004, com o seguinte detalhamento, para cada PER/Dcomp: 1 nº da PER/DComp 2 nº do processo administrativo 3 informar se o crédito requerido é de recolhimento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, ou de CSLL, e o mês 4 informar se crédito requerido é de Saldo Negativo de IRPJ ou de CSLL 5 valor do crédito requerido 6 valor do crédito já reconhecido e consumido em compensação de débitos 7 localização do processo. b) Elaborar os demonstrativos de compensação dos Saldos Negativos de IRPJ e CSLL reconhecidos, co m os débitos declarados em todas PER/Dcomp. Conclusão. À vista do exposto, voto por efetuar a diligência nos termos descritos. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pagamento indevido de estimativa mensal de CSLL com apuração de base de cálculo negativa ao final do exercício. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 325DF CARF MF
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