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Numero do processo: 13982.000900/2004-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/05/2004
EMENTA.
PIS NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITO.
Somente podem gerar créditos da Contribuição as despesas com matéria-prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizados.
INSUMOS. EMBALAGEM.
O conceito de insumo, assim, abrange tão-somente a embalagem que agrega valor comercial ao produto através de sua apresentação e que objetiva valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou sua utilidade adicional
SERVIÇOS DE FRETE E ARMAZENAGEM.
Não é admissível a apuração de créditos sobre despesas com fretes, para fins de dedução na sistemática de não-cumulatividade da contribuição ao PIS, com embasamento em nota fiscal que não discrimine a exata natureza dos serviços prestados, por ser numerus clausus a relação dos créditos previstos na legislação de regência. Os serviços de frete e armazenagem somente admitem crédito se expressamente discriminados na nota fiscal respectiva.
Numero da decisão: 3001-000.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
ORLANDO RUTIGLIANI BERRI - Presidente.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 31/05/2004 EMENTA. PIS NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITO. Somente podem gerar créditos da Contribuição as despesas com matéria-prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizados. INSUMOS. EMBALAGEM. O conceito de insumo, assim, abrange tão-somente a embalagem que agrega valor comercial ao produto através de sua apresentação e que objetiva valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou sua utilidade adicional SERVIÇOS DE FRETE E ARMAZENAGEM. Não é admissível a apuração de créditos sobre despesas com fretes, para fins de dedução na sistemática de não-cumulatividade da contribuição ao PIS, com embasamento em nota fiscal que não discrimine a exata natureza dos serviços prestados, por ser numerus clausus a relação dos créditos previstos na legislação de regência. Os serviços de frete e armazenagem somente admitem crédito se expressamente discriminados na nota fiscal respectiva.
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Recorrente OESTE AVES AGRO INDUSTRIAL LTDA. ( BONDIO ALIMENTOS S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 31/05/2004 EMENTA. PIS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITO. Somente podem gerar créditos da Contribuição as despesas com matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizados. INSUMOS. EMBALAGEM. O conceito de insumo, assim, abrange tãosomente a embalagem que agrega valor comercial ao produto através de sua apresentação e que objetiva valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou sua utilidade adicional SERVIÇOS DE FRETE E ARMAZENAGEM. Não é admissível a apuração de créditos sobre despesas com fretes, para fins de dedução na sistemática de nãocumulatividade da contribuição ao PIS, com embasamento em nota fiscal que não discrimine a exata natureza dos serviços prestados, por ser numerus clausus a relação dos créditos previstos na legislação de regência. Os serviços de frete e armazenagem somente admitem crédito se expressamente discriminados na nota fiscal respectiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 09 00 /2 00 4- 24 Fl. 1304DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) ORLANDO RUTIGLIANI BERRI Presidente. (assinado digitalmente) FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Em 11/10/2004, o Contribuinte protocolizou “Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP” originário (fls. 02), acompanhado dos documentos de fls. 03842. Em 28/02/2005, o Contribuinte protocolizou retificação (fls. 847 851), acompanhada dos documentos de fls. 8521234. Em 17/09/2007, o Auditor Fiscal deferiu em parte a solicitação, de modo a reconhecer o saldo de crédito do PIS NÃO CUMULATIVO – MERCADO EXTERNO no valor de R$ 4.551,59. Para tanto, fundamentou que “É permitido o ressarcimento, em dinheiro, de créditos da contribuição para o PIS/Pasep apurados sob o regime da nãocumulatividade, decorrentes das operações da pessoa jurídica com o mercado externo que, ao final de um trimestre do ano civil, tenham remanescido tanto das deduções do valor da contribuição a recolher, concernentes às demais operações no mercado interno, quanto das compensações de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a outros tributos e contribuições administrados pela SRF, observada a legislação específica aplicada à matéria” (fls. 1235 1255). O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 1259 1262. Alegou, em síntese, que as notas fiscais que não foram aceitas se referem, principalmente, a aquisições de embalagens e a contratação de serviços de fretes, para a entrega dos produtos industrializados ou para o transporte dos insumos. Nos termos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, fica assegurado ao contribuinte o desconto de créditos da contribuição ao PIS na alíquota de 1,65% sobre todos os bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Nesse cenário, deveria ser deferida, por completo, o requerimento de compensação, na medida em que à aquisição de embalagens e o frete dos produtos industrializados constituem insumos inerentes à prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda. Requer a reforma. A 5ª Turma da DRJ/RJOII indeferiu a manifestação de inconformidade, mediante acórdão de fls. 12811290, cujos fundamentos estão concentrados na ementa, a seguir reproduzida: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 31/05/2004 PIS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITO. Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 13982.000900/200424 Acórdão n.º 3001000.526 S3C0T1 Fl. 3 3 Somente podem gerar créditos da Contribuição as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizados. INSUMOS. EMBALAGEM. O conceito de insumo, assim, abrange tãosomente a embalagem que agrega valor comercial ao produto através de sua apresentação e que objetiva valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou sua utilidade adicional SERVIÇOS DE FRETE E ARMAZENAGEM. Não é admissível a apuração de créditos sobre despesas com fretes, para fins de dedução na sistemática de não cumulatividade da contribuição ao PIS, com embasamento em nota fiscal que não discrimine a exata natureza dos serviços prestados, por ser numerus clausus a relação dos créditos previstos na legislação de regência. Os serviços de frete e armazenagem somente admitem crédito se expressamente discriminados na nota fiscal respectiva. O Contribuinte recebeu a intimação de fls. 1292 em 27/05/2009, conforme AR de fls. 1293. O Contribuinte interpôs recurso voluntário, fls. 12951301, em 19/06/2009. Em suma, alega os mesmos argumentos tecidos na manifestação de inconformidade, a saber: as notas fiscais que não foram aceitas se referem, principalmente, a aquisições de embalagens e a contratação de serviços de fretes, para a entrega dos produtos industrializados ou para o transporte dos insumos. Nos termos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, fica assegurado ao contribuinte o desconto de créditos da contribuição ao PIS na alíquota de 1,65% sobre todos os bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Complementa explicando que os materiais das embalagens adquiridos para o acondicionamento dos produtos industrializados integram o conceito de matériaprima, tal como ocorre com matériaprima direta e indireta, motivo por que o acórdão merece ser reformado. Quanto ao frete, destaca que, assim como ocorre com as embalagens, tais serviços representam custo de produção, ou simplesmente insumos (na forma de serviços), pois se referem a prestações de serviços contratadas para o transporte de insumos, como pintos, frangos vivos, mercadorias industrializadas e insumos outros, todos utilizados estritamente na industrialização dos produtos fabricados pelo Contribuinte. Transcreve art. 67, Anexo 5, o RICMS/SC. Nesse cenário, deveria ser deferida, por completo, o requerimento de compensação, na medida em que à aquisição de embalagens e o frete dos produtos industrializados constituem insumos inerentes à prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda. Requer a reforma. É O RELATÓRIO. Voto Fl. 1306DF CARF MF 4 Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Conforme relatado, tratase de recurso voluntário interposto por OESTE AVES AOGRO INDUSTRIAL LTDA (BONDIO ALIMENTOS S/A) em face do Acórdão nº 1324.620, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJOII, em 30.04.2009. Regularmente intimado da decisão de 1ª instância (fls. 1291), conforme AR recebido pelo sujeito passivo em 27.05.2009 (fls. 1294), o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 19.06.2009 (fls. 1295), subscrito por advogado com procuração nos autos, e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A decisão recorrida merece ser mantida, por seus próprios e jurídicos fundamentos. Com efeito, o recorrente não logrou demonstrar a liquidez e certeza do seu crédito e, consequentemente, totalmente indevida a pretendida compensação pretendida pela parte recorrente. Ademais, a matéria já foi apreciada pelo CARF, consoante decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, no julgamento do Processo 13981.000163/200551, proferiu o Acórdão unânime CSRF Nº 9303007.135, pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. A propósito, oportuno transcrever trecho esclarecedor constante do voto condutor do Acórdão CSRF CSRF Nº 9303007.135, verbis. Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 13982.000900/200424 Acórdão n.º 3001000.526 S3C0T1 Fl. 4 5 Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utiizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que as embalagens que se discute são as destinadas precipuamente para o transporte dos produtos. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da COFINS aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto, após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcional expressamente pela Lei). Assim, por se tratar de gastos efetuados após o encerramento do processo produtivo em relação aos quais não há previsão na legislação de regência, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final. Desta forma, VOTO no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e ratificar a decisão proferida pelo v. Acórdão recorrido, acolhendo os fundamentos exarados no Acórdão CSRF Nº 9003007.135, 3ª Turma, proferido em 11 de julho de 2018, proferido nos autos do Processo 13981.000163/200551. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 1308DF CARF MF 6 Fl. 1309DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720142/2006-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADIÇÃO ENTRE O DISPOSITIVO E O VOTO.
verificada a existência de contradição entre o dispositivo do acórdão e os fundamentos do voto, sem a possibilidade de compreender suas razões, verifica-se claro prejuízo ao exercício da ampla defesa e contraditório na medida em que as partes não têm conhecimento quanto as matérias que deverão ser objeto de recurso.
Numero da decisão: 2402-006.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida, restituindo-se os autos à primeira instância administrativa, para que seja proferida nova decisão de modo que reste sanadas as contradições existentes entre a parte dispositiva do acórdão, o voto e sua conclusão.
(Assinado Digitalmente)
MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
JAMED ABDUL NASSER FEITOZA - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADIÇÃO ENTRE O DISPOSITIVO E O VOTO. verificada a existência de contradição entre o dispositivo do acórdão e os fundamentos do voto, sem a possibilidade de compreender suas razões, verifica-se claro prejuízo ao exercício da ampla defesa e contraditório na medida em que as partes não têm conhecimento quanto as matérias que deverão ser objeto de recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida, restituindo-se os autos à primeira instância administrativa, para que seja proferida nova decisão de modo que reste sanadas as contradições existentes entre a parte dispositiva do acórdão, o voto e sua conclusão. (Assinado Digitalmente) MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO - Presidente. (Assinado Digitalmente) JAMED ABDUL NASSER FEITOZA - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente).
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CONTRADIÇÃO ENTRE O DISPOSITIVO E O VOTO. verificada a existência de contradição entre o dispositivo do acórdão e os fundamentos do voto, sem a possibilidade de compreender suas razões, verificase claro prejuízo ao exercício da ampla defesa e contraditório na medida em que as partes não têm conhecimento quanto as matérias que deverão ser objeto de recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida, restituindose os autos à primeira instância administrativa, para que seja proferida nova decisão de modo que reste sanadas as contradições existentes entre a parte dispositiva do acórdão, o voto e sua conclusão. (Assinado Digitalmente) MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO Presidente. (Assinado Digitalmente) JAMED ABDUL NASSER FEITOZA Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 01 42 /2 00 6- 47 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10469.720142/200647 Acórdão n.º 2402006.664 S2C4T2 Fl. 161 2 Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário manejado contra Acórdão nº 1126.207 l a Turma da DRJ/REC [Fls. 98/113] que, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento. Embora o Acórdão indique que o lançamento foi considerado apenas parcialmente procedente, os termos do voto e sua conclusão registram resultado diverso, mantendo o lançamento em sua integralidade. Contra o Recorrente foi emitido o Auto de Infração, relativamente ao ano calendário de 2001, decorrente de classificação indevida de rendimentos na DIRPF. De acordo com a descrição dos fatos, os rendimentos foram declarados indevidamente como isentos e não tributáveis, em face da decisão da Juíza do Trabalho, nos termos do Provimento CG/TST 01/96 (fls. 26 a 27), onde consta no item 01 "a incompetência da Justiça do Trabalho para deliberar acerca de valores eventualmente devidos pelos autores das reclamações trabalhistas ao Imposto de Renda, em virtude da liquidação de sentenças condenatórias". Tendo em vista este contraditório, foi encaminhado relatório para a Procuradoria da Fazenda Nacional (10 a 15), para que fosse emitido parecer jurídico. De acordo com o Parecer PFN/RN/RWSA n° 001/2006, a decisão acerca da não incidência do imposto de Renda não tem fundamento jurídico, assim sendo, caberá lançamento dos rendimentos classificados indevidamente com os devidos acréscimos legais, conforme Parecer da Fazenda Nacional constante de fls. 28 a 30. O Recorrente apresentou impugnação onde registra que, como mais 70 empregados da Caixa Econômica Federal, recebeu desta o valor mencionado pela Receita Federal, por força de acordo judicial homologado pela Juíza da 1' Vara do Trabalho de Mossoró/RN, mencionando expressamente que não havia incidência de imposto de renda sobre a quantia recebida e a Caixa Econômica Federal informou, para fins de declaração de ajuste anual, que o valor pago ao impugnante era isento e não tributável. Em abril de 2002, a DRF/Mossoró instou a Caixa Econômica Federal a apresentar cópia do DARF referente ao recolhimento do IRPF, alertando que os comprovantes emitidos estavam errados, em vista disso, diversos empregados da Caixa solicitaram a emissão dos comprovantes de rendimentos de forma correta, tendo recebido a resposta de que os comprovantes estavam corretos e de que "não existe imposto de renda sobre conciliação, nos termos do Provimentos CG/TST 01/96", com a orientação para, caso fossem notificados, apresentarem os documentos recebidos no momento da liquidação da causa trabalhista. A Caixa Econômica Federal encaminhou à Receita Federal o ofício 63/2002, informando que ficou desobrigada de recolher o imposto de renda na fonte em virtude da decisão judicial homologatória estabelecer que não havia incidência de imposto de renda, tendo a Receita Federal resolvido efetuar o lançamento do crédito tributário em desfavor do impugnante e demais empregados da Caixa favorecidos com o acordo. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10469.720142/200647 Acórdão n.º 2402006.664 S2C4T2 Fl. 162 3 Em alegações preliminares o impugnante discorre sobre transferência, substituição e responsabilidade tributária, concluindo que a Caixa Econômica Federal é a substituta tributária do contribuinte, portanto, o procedimento fiscal não poderia jamais ter sido voltado contra a pessoa do impugnante e sim contra aquela instituição financeira; No Mérito informa que ajuizou reclamação trabalhista contra a Caixa Econômica Federal, juntamente com mais 70 empregados, pleiteando o recebimento do índice de 26,05%, relativo à URP de fevereiro de 1989, e a integração destes valores às verbas salariais vencidas e vincendas e ao FGTS, férias, gratificação natalina e anuênios e após dez anos de "peleja judicial", a reclamada foi condenada, em última instância, nos termos da petição inicial, tendo ingressado com uma ação rescisória, que poderia protelar por mais cinco anos o pagamento do débito reconhecido judicialmente, porém, não vislumbrado a possibilidade de reverter a decisão, a Caixa Econômica Federal propôs um acordo, no qual ela pagaria os valores depositados em juízo, desde que os reclamantes renunciassem expressamente à incorporação inicialmente pleiteada, tendo sido aceito pelos reclamantes; Portanto, a quantia recebida teve o escopo de compensálo pela renúncia ao direito subjetivo de incorporação, tendo a natureza de indenização, não se configurando como renda na definição legal, mas um simples ressarcimento de um dano conforme consta da própria sentença. Registra que o Supremo Tribunal Federal — STF posicionouse no sentido de que a Justiça do Trabalho tem competência para definir a incidência ou não de descontos previdenciários e de imposto de renda e que Se a Receita Federal aceitou a justificativa da Caixa Econômica Federal de que não fez o recolhimento em virtude da sentença da juíza do trabalho, única razão apresentada, deve aceitar as justificativas do contribuinte, alheias a sua vontade, para não ter recolhido o imposto de renda: obediência à sentença da juíza, o fato de a fonte pagadora não ter retido o imposto de renda na fonte e ter emitido o comprovante de rendimentos e o fato de o contribuinte ter feito sua declaração de acordo com o referido comprovante; Registra que nenhum centavo do valor recebido tem natureza salarial, requerendo uma perícia contábil, sendo certo que, se não conseguir discriminar as verbas de natureza salarial, a Receita Federal não poderá, por mera presunção, submeter todo o valor recebido à tributação, contrariando o disposto pela PFN/RN; Apresentou pedidos sucessivos onde pede que seja acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva do impugnante, e, portanto, a nulidade do procedimento fiscal; Caso a preliminar não seja acolhida, que se reconheça a não incidência de imposto de renda sobre a quantia recebida, seja por sua natureza indenizatória, seja por tratarse de valor recebido a título de acordo homologado pela Justiça do Trabalho; Se nenhuma das hipóteses anteriores for acolhida, que seja determinada a realização de perícia contábil, a fim de apurar o montante das verbas de natureza salarial, para servir como base de cálculo do imposto de renda e que seja afastada a incidência de juros de mora e multa, uma vez que a culpa pela não retenção do imposto não pode ser atribuída ao impugnante. As Fls 117 interpôs Recurso Voluntário onde em preliminar discute a inexigibilidade de depósito prévio como condição para reexame voluntário de suas pretensões. Cita e transcreve uma ´serie de posicionamentos doutrinários sobre princípios. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10469.720142/200647 Acórdão n.º 2402006.664 S2C4T2 Fl. 163 4 Ainda em preliminar alega nulidade da decisão Recorrida eis que o acórdão julgou o lançamento procedente em parte mas o voto condutor não indica em qual parte o Recorrente sagrouse vencedor, o que gera prejuízo ao seu direito de ampla defesa e contraditório, já que não conhece na plenitude as razões do julgamento. Alega ainda em preliminar que os i. julgadores a quo deixaram de apreciar argumentos preliminares quanto ao calculo das verbas recebidas. No mérito busca imputar a CEF a responsabilidade pelo recolhimento do tributo, com sua conseqüente desoneração. Segue argumentando pela vigência do parecer Normativo SRP nº 1, de 24 de Setembro de 2002. Alega ainda que foi induzido a erro em razão da conformação documental emitida pelo juízo e fonte pagadora. Sustenta a não aplicação da Sumula nº 12 do 1º Conselho de Contribuintes. Discorre sobre a natureza das verbas recebidas e a conformação documentação de sua constituição com clara indicação de tratarse de indenização. Discute a competência da justiça do trabalho para definir a natureza das verbas e por consequencia a incidência dos respectivos tributos, referenciando uma série de julgados das cortes superiores. Segue mantendo os mesmos argumentos já articulados na impugnação tratando de discriminação das verbas, resposta da PGFN sobre consulta realizada, erro de calculo na apuração do Imposto, ilegalidade de juros sobre multa de oficio, enquadramento do auto de infração e reajustamento da base de calculo. É o Relatório. Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade e considerando que a referencia ao depósito recursal como condição de admissibilidade do Recurso Voluntário está superada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal temática não demanda maiores argumentações, assim votamos pelo conhecimento da manifestação recursal. 2. PRELIMINARES. 2.1. OMISSÃO QUANTO AS RAZÕES DO JULGADO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Conforme relatado, existe uma clara contradição entre os termos do Acórdão e o voto da i. Relatora do voto condutor do julgamento. O Acórdão indica que o Recorrente teve sua pretensão atendida em parte, contudo, o voto não contém nenhum apontamento neste sentido, tendo sua conclusão indicado a manutenção integral do lançamento. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10469.720142/200647 Acórdão n.º 2402006.664 S2C4T2 Fl. 164 5 Em âmbito administrativo federal a coisa julgada se perfaz por meio do Acórdão, sendo este a expressão da decisão do órgão colegiado, único apto a realizar o julgamento. Não cabem aqui suposições quanto a ocorrência de equivoco na formalização ou outras ilações hipotéticas consistentes em um exercício de adivinhação. De fato, consolidou se como resultado da decisão ora recorrida uma vitória parcial do Recorrente, sem contudo, constar do decisório em que parte o mesmo sagrouse vencedor. Tal fato representa um inequívoco prejuízo ao exercício da ampla defesa e contraditório, já que o Recorrente não pode, com clareza, identificar as matérias onde seu interesse recursal incidiria e aquelas que não seriam objeto de discussão dada a vedação de uma reforma em prejuízo do mesmo. Outrossim, em análise perfunctória da demanda, verificamos que não será possível decidir a questão integralmente a favor do Recorrente, razão pela qual, manter o julgamento implicaria em supressão de instancia. CONCLUSÃO Isto posto, acolhendo a preliminar erigida, voto por anular a decisão recorrida, restituindose os autos à primeira instância administrativa, para que seja proferida nova decisão de modo que reste sanadas as contradições existentes entre a parte dispositiva do acórdão, o voto e sua conclusão. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser feitoza Fl. 164DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.002270/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 3302-006.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 22 70 /2 00 8- 15 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13804.002270/200815 Acórdão n.º 3302006.002 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) da contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o direito creditório decorria do pagamento a maior da contribuição, dada a inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.279, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, especialmente o novel posicionamento do STF no sentido de declarar a inconstitucionalidade da manutenção do ICMS na base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13804.002270/200815 Acórdão n.º 3302006.002 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.969, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.679818/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.969): O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência e a matéria é de competência deste Colegiado. A presente discussão jurídica gravita exclusivamente em torno da possibilidade jurídica de se computar, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o ICMS incidente sobre as mercadorias vendidas ou dos serviços prestados. A recorrente insurgese contra a inclusão do ICMS no faturamento, base de cálculo das contribuições exigidas, no caso específico Cofins e PIS, argüindo ser inconstitucional sua cobrança. Ressalta que o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecida como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim concluindo ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, mais precisamente do ICMS. Argumenta que o valor do ICMS não revela medida de riqueza. Em razão da similitude com o presente caso concreto, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158), que também foi adotado pelo I. Conselheiro Walker Araújo, processo administrativo nº 13609.000892/200998 (acórdão 3302005.708), que peço venia para transcrever: "II Mérito II.3 ICMS/ISSQN na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS/ISSQN na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação do RE 240.7852/MS. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS/ISSQN na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13804.002270/200815 Acórdão n.º 3302006.002 S3C3T2 Fl. 5 4 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13804.002270/200815 Acórdão n.º 3302006.002 S3C3T2 Fl. 6 5 empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13804.002270/200815 Acórdão n.º 3302006.002 S3C3T2 Fl. 7 6 Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em Fl. 206DF CARF MF Processo nº 13804.002270/200815 Acórdão n.º 3302006.002 S3C3T2 Fl. 8 7 julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Aplicase ao ISSQN, os mesmos fundamentos explicitados pelo Superior Tribunal de Justiça para manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, considerando, inclusive, que o RESP 1.144.469/PR tratou dos referidos impostos. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Assim, pelas já esposadas razões, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 207DF CARF MF
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Numero do processo: 13811.004327/2003-17
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para a Unidade de Origem verificar se no ano-calendário de 1995 havia direito creditório suficiente para homologar os débitos identificados no Auto de Infração à fl. 30 referentes ao ano-calendário de 1998.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para a Unidade de Origem verificar se no anocalendário de 1995 havia direito creditório suficiente para homologar os débitos identificados no Auto de Infração à fl. 30 referentes ao anocalendário de 1998. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração nº 078816 às fls. 1733, com a exigência do crédito tributário no valor total de R$29.525,79 a título Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) juros de mora e multa de ofício proporcional, código de receita 2973 informados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) nºs 100199800561963, 100199800561976 e 100199900052302, referentes, respectivamente, ao segundo, terceiro e quarto trimestres de 1998. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 11 .0 04 32 7/ 20 03 -1 7 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13811.004327/200317 Resolução nº 1003000.030 S1C0T3 Fl. 158 2 O presente Auto de Infração da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminadas [...], conforme INSRF n° 045 e 077/98. Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF" (Anexos la ou Ib), e /ou "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos IIa ou IIb), e/ou no "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (Anexo III) e/ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor" (Anexo IV). [...] FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III. "DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR", em anexo. ARTS 1 E 4 L 7689/88; ART 25 COMB C/ART 57 L 8981/95; ART 1 E 19 L 9249/95; ARTS 2 E 6 (COMBS C/ART 28) E ARTS 30, 55 E 60 L 9430/96. MULTA VINCULADA: ART 160 L 5172/66; ART 1 L 9249/95; ART 44 E INC I E PAR 1 INC I L 9430/96. JUROS DE MORA: ART 161 PAR 1 L 5172/66; ART 43 PAR UN E ART 61 PAR 3 L 9430/96. Cientificada em 11.08.2003, fl. 69, a Recorrente apresenta a impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/SPOI/SP nº 1631.829, de 30.05.2011, efls. 8695: AUDITORIA DE DCTF DE 2º, 3º E 4º TRIMESTRES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE PAGAMENTO PRINCIPAL. Não comprovada a extinção dos débitos informados em DCTF, e não comprovadas, por meio de documentos hábeis e idôneos, as compensações alegadas, mantémse a exigência principal, com os devidos acréscimos legais, conforme legislação de regência da matéria. MULTA DE OFÍCIO. Tendo em vista o principio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, II, "c", da Lei nº 5.172/1966 (CTN) há que proceder à exoneração da multa aplicada. Impugnação Procedente em Parte Notificada em 06.01.2012, efl. 100, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 03.02.2012, efls. 123153, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Em relação ao lançamento diz que: II PRELIMINARMENTE DA DECADÊNCIA DE PARTE DOS DÉBITOS EXIGIDOS Sem nenhum prejuízo aos fundamentos de mérito adiante apresentados, há que se destacar, preliminarmente, a decadência de parte dos débitos exigidos no presente Processo Administrativo, cuja cobrança deve ser impedida, de ofício, por esse E. Conselho Administrativo. Pois bem, segundo afirma a própria decisão recorrida, a contribuinte ora recorrente foi cientificada da autuação apenas em 11/08/2003, quanto aos supostos Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13811.004327/200317 Resolução nº 1003000.030 S1C0T3 Fl. 159 3 débitos de CSLL relativos ao segundo, terceiro e quarto trimestres do ano calendário de 1998. Assim, em relação aos débitos de CSLL cujos fatos geradores ocorreram até o mês de junho de 1998 (relativos ao segundo trimestre do ano calendário de 1998), é certo que, na data da cientificação da contribuinte quanto ao auto de infração em tela (ocorrida em 11/08/2003), já havia transcorrido mais de 5 anos, que é o prazo decadencial para constituição do respectivo crédito tributário, nos exatos termos do artigo 150, parágrafo 4o , do CTN. Isso porque, como se sabe, a CSLL tratase de contribuição social sujeita a lançamento por homologação. E, portanto, conforme dispõe o artigo 150, parágrafo 4º do CTN, o termo inicial de contagem do prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo à CSLL é a data do respectivo fato gerador. Desta forma, as contribuições sociais objeto da autuação ora recorrida, que tiveram fatos geradores ocorridos no segundo trimestre do ano calendário de 1998 (entre abril e junho de 1998) já tinham decaído em agosto de 2003, data em que a contribuinte foi cientificada do auto de infração em tela. Com efeito, salientese que a contagem do prazo decadencial da CSLL segundo a regra estabelecida no artigo 150, parágrafo 4°, do CTN somente não se aplica nas hipóteses de dolo ou fraude ou simulação, o que incontroversamente não ocorreu no presente caso. [...]Ressaltese, outrossim, que a decadência de débitos tributários trata se de matéria de ordem pública, que, uma vez apurada, deve ser reconhecida inclusive de oficio, a qualquer tempo e grau de jurisdição, ante a relevância da matéria. Destarte, tendo transcorrido mais de 5 anos entre 11/08/2003, quando a contribuinte foi notificada acerca do auto de infração em tela, e a data dos fatos geradores das Contribuições Sociais sobre Lucro Liquido relativas ao segundo trimestre do ano calendário de 1998 (entre abril e junho de 1998), resta plenamente caracterizada, conforme os vários precedentes retro citados, a decadência de tais tributos, nos termos do art. 150, parágrafo 4º, do CTN, a implicar no reconhecimento, de oficio, deste fato, determinandose o seu respectivo cancelamento. II DO MÉRITO No que diz respeito à questão de mérito, a decisão recorrida deve ser reformada para reconhecimento da compensação operada quanto à integralidade dos débitos exigidos no Auto de Infração enfrentado. Isso porque o único argumento utilizado pelo v. acórdão [...], para rejeitar a impugnação apresentada, foi uma suposta falta de prova dos créditos indicados, já que, supostamente, estariam escoimados em meras afirmações da contribuinte, numa planilha por ela apresentada, o que não seria suficiente para comprovar a existência dos créditos suscitados. Entretanto, ao contrário do afirmado pela decisão recorrida, a prova do crédito compensado não se limitou a meras afirmações, mas na documentação fiscal da contribuinte, em especial nas Declarações de impostos da empresa que a Receita Federal já dispunha em sua base de dados. Referida documentação fiscal é composta tanto pela cópia das gulas DARF de recolhimento dos tributos constitutivos do crédito indicado (vide fls 37 a 41), como, principalmente, pela cópia da Declaração de Rendimentos do Ano Calendário de 1995, Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13811.004327/200317 Resolução nº 1003000.030 S1C0T3 Fl. 160 4 em sua versão retificada, transmitida e devidamente recebida pela Receita Federal em 30/05/1996 (muito antes de qualquer autuação), onde se vê, expressamente, a soma final (anual) da base de cálculo negativa de CSLL declarada, constitutiva do crédito em referência, conforme a cópia integral que segue (DOC. 01), ora juntada a fim de afastar qualquer dúvida a esse respeito. Importante esclarecer que a planilha demonstrativa do crédito utilizado em compensação, referida pela r. decisão recorrida, sequer foi apresentada pela ora recorrente como elemento de prova do crédito compensado, mas apenas como elemento de facilitação da compreensão e visualização dos créditos existentes e dos débitos quitados por tais créditos. A prova do crédito, reiterese, está constituída pela documentação fiscal apresentada e declarada à Receita Federal nos prazos legais de apresentação, devidamente recebida, processada e disponível na base de dados da própria Receita, notadamente a Declaração de Rendimentos da Contribuinte do ano Calendário 1995, que indica o crédito fiscal em referência (através da base negativa da CSLL ali apontada), e que, em nenhum momento, sequer, foi impugnada ou questionada, seja no presente processo administrativo, seja em qualquer outra ação fiscal. Salientese, ademais, que na data do julgamento ora recorrido (30/05/2011), já fazia nada menos que 15 (quinze) anos desde a transmissão da declaração do Imposto de Renda da recorrente, relativa ao ano calendário de 1995, sem qualquer tipo de discussão ou dúvida quanto à existência e validade do crédito ali declarado, o que continuou não existindo, pois nada se questionou quanto a referida declaração de rendimentos. Nestes termos, não se pode dizer que uma Declaração de Imposto de Renda, que aponta a existência de um crédito fiscal, há mais de 15 anos à própria Receita Federal, e que nunca foi questionada, não seja um elemento de prova válido quanto à existência do crédito ali apontado. Ademais, lembrese que, em nosso sistema tributário, a forma de constituição de créditos decorrentes de base de cálculo negativa de tributos como a CSLL se dá mesmo através da declaração dessa base negativa nas Declarações Fiscais previstas (Declaração de Rendimentos atual DIPJ), que, ao serem transmitidas para processamento na Receita Federal, deixam de ser meros documentos unilaterais, para se constituírem de documentos fiscais oficiais, sujeitos a impugnação pela autoridade tributária. Assim, para que se possa afastar a validade de créditos apontados em declarações fiscais já entregues ao fisco, compete às autoridades fiscais impugnar a validade ou a correção de tais declarações, o que jamais existiu no presente caso. Por isso, não se sustenta na espécie, a superficial alegação de que a compensação arguida na impugnação apresentada não poderia ser acolhida por falta de prova dos créditos tributários indicados pela ora recorrente. Com efeito, nem se diga que a contribuinte não teria provado seu crédito por não ter juntado com a impugnação apresentada a sua Declaração de Rendimentos do ano calendário de 1995 (supra referida), pois esse documento tratase de documento fiscal que a Receita Federal já dispunha (conforme protocolo de recebimento em 30/05/1996 cópia anexa DOC. 01), e, por isso, tinha (e ainda tem) a obrigação de considerar. Tanto assim o é, que se vê, claramente, às fls. 76 deste processo administrativo, que a Receita Federal, antes do julgamento da impugnação, consultou na sua base de Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13811.004327/200317 Resolução nº 1003000.030 S1C0T3 Fl. 161 5 dados a relação de declarações enviadas pela contribuinte em questão, mas limitouse a consultar as DCTF's do ano de 1998. Portanto, assim como consultou e teve acesso às DCTFs referidas, a Receita Federal poderia e deveria ter consultado a Declaração de Rendimentos da contribuinte no ano base de 1995, na qual os créditos alegados na impugnação estão declarados e constituídos, conforme indicado e informado na planilha demonstrativa e elucidativa da compensação sustentada, disposta às fls. 34 destes autos. Pelo exposto, resta evidente que, de nenhuma forma, se pode alegar falta de prova dos créditos tributários em tela, devidamente constituídos por Declarações fiscais recebidas e processadas pela própria Receita Federal, cuja validade jamais foi impugnada! Destarte, à míngua de qualquer outro elemento que justificasse a rejeição da compensação realizada e arguida pela ora recorrente, a impugnação por ela apresentada não poderia ter sido desacolhida, devendo a decisão de primeiro grau, portanto, ser reformada por esse Egrégio Conselho, para o fim de reconhecer a quitação de todos impostos cobrados através da compensação havida com os créditos comprovados. Não bastasse, observese, ainda, que o crédito utilizado para compensação, em nenhum momento se tratou de mera estimativa, mas efetivamente a base negativa da soma da CSLL apurada ao final do período anual do ano Calendário de 1995, no Importe total de R$ 19.213,39, conforme indicado na Declaração de Rendimentos daquele ano (vide cópia anexa DOC. 01), e compensada com os débitos exigidos neste feito (de montante inferior ao crédito), conforme explicado na planilha de fls. 34. Percebase, também, que a compensação levada a efeito neste caso, tratase de compensação de créditos e débitos de tributo da mesma espécie, ou seja, tratase de compensação de crédito com débito de CSLL, o que independia, inclusive, de requerimento, nos exatos termos do previsto no art. 14 da Instrução Normativa n. 21/97, da Receita Federal, que vigorava na época dos fatos geradores dos tributos cobrados neste caso (segundo a quarto trimestre do ano calendário de 1998). [...] De qualquer forma, ressaltase que a quitação dos impostos em referência por meio da compensação arguida no presente caso, foi realizada pela empresa recorrente através da sua Declaração de Rendimentos (DIPJ) do ano calendário de 1998 ao indicar essa compensação com Saldos Negativos de Períodos Anteriores, que não poderia ter sido desconsiderada pela Receita Federal para se dizer que os impostos compensados simplesmente não teriam sido pagos, limitandose a analisar as DCTF's da empresa. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: Ante todo o exposto, requer a contribuinte recorrente que seja PROVIDO O PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO para o fim de: a) Reconhecer, de Oficio, a decadência da CSLL exigida neste caso, relativa ao segundo trimestre do ano calendário de 1998 (entre abril e junho de 1998), nos termos do art. 150, parágrafo 4º , do CTN; e b) Independentemente do acolhimento da preliminar retro suscitada, que, no mérito, seja Cancelado o Auto de Infração combatido no presente, ante a demonstrada Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13811.004327/200317 Resolução nº 1003000.030 S1C0T3 Fl. 162 6 comprovação da existência dos créditos de CSLL utilizados para compensação com os débitos de CSLL exigidos neste caso, conforme disposto na documentação fiscal apresentada pela recorrente com sua impugnação, notadamente a Declaração de Rendimentos do ano Calendário de 1995 (DOC. 01), onde o crédito de R$ 19.213.39, decorrente da base de cálculo negativa de IRPJ declarada naquele ano, jamais foi Impugnada ou questionada pela Receita Federal, nem mesmo na decisão ora recorrida. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do lançamento ao argumento de que procedeu à compensação dos débitos. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. Até 30.09.2002 a compensação era efetuada, nos termos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. [...] § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997) Por seu turno, a Súmula CARF nº 84 prevê: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13811.004327/200317 Resolução nº 1003000.030 S1C0T3 Fl. 163 7 ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais1. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Tendo em vista apresentação da Planilha, fl. 24, dos Darfs, fls. 3541 e das DCTF indicando as compensações, fls. 7279, documentos estes que tratam de início de prova produzido pela Recorrente e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto em converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente cotejar as informações fornecidas pela Recorrente com os registros internos da RFB para aferir a verossimilhança, a clareza, a precisão e a congruência destas informações atinente a possibilidade jurídica da homologação da compensação. A autoridade designada para cumprir a diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial se no anocalendário de 1995 havia direito creditório suficiente para homologar os débitos identificados no Auto de Infração à fl. 30 referentes ao anocalendário de 1998, bem como se os mesmos estão homologados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes2 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 2 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.720815/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
COFINS. CRÉDITO SOBRE BENS DO ATIVO. ÔNUS DA PROVA.
No regime da não cumulatividade, o direito ao crédito da contribuição à COFINS sobre bens incorporados ao ativo imobilizado deve obedecer aos comandos da legislação específica, devendo ser apropriados com base nos encargos mensais de depreciação. A dedução acelerada prevista no Decreto nº 5.988/2006 e no art. 6º da Lei nº 11.488/2007, aplica-se somente aos bens neles especificamente previstos. Não tendo a recorrente produzido qualquer prova capaz de sustentar suas alegações e ilidir as glosas realizadas pela fiscalização, em clara inobservância ao disposto no § 11, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996, c/c o §4º do art. 16 do PAF, a manutenção das glosas é medida que se impõe.
REFRATÁRIOS. VIDA ÚTIL DE 5 ANOS. ATIVO IMOBILIZADO.
Os refratários cuja vida útil é superior a um exercício financeiro, utilizados em conexão com outras máquinas, equipamentos ou instalações do imobilizado, deve ser reconhecido como ativo imobilizado, nos termos do CPC 27, afastando-os do conceito de insumos para fins de apropriação do crédito da COFINS não cumulativa.
TRATAMENTO E TRANSPORTE DE RGC. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. CRÉDITOS.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não cumulativa em relação aos serviços de transporte e co-processamento de resíduo gasto de cubas - RGC, decorrente da produção de alumínio.
MATÉRIAS NÃO OBJETO DE RECURSO. DEFINITIVIDADE.
Nos termos do parágrafo único do art. 42 do PAF, são definitivas as decisões de primeira instância na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita ao recurso de ofício.
Numero da decisão: 3302-006.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre o transporte e co-processamento de RGC, vencidos os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Déroulède que lhe negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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CRÉDITO SOBRE BENS DO ATIVO. ÔNUS DA PROVA. No regime da não cumulatividade, o direito ao crédito da contribuição à COFINS sobre bens incorporados ao ativo imobilizado deve obedecer aos comandos da legislação específica, devendo ser apropriados com base nos encargos mensais de depreciação. A dedução acelerada prevista no Decreto nº 5.988/2006 e no art. 6º da Lei nº 11.488/2007, aplicase somente aos bens neles especificamente previstos. Não tendo a recorrente produzido qualquer prova capaz de sustentar suas alegações e ilidir as glosas realizadas pela fiscalização, em clara inobservância ao disposto no § 11, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996, c/c o §4º do art. 16 do PAF, a manutenção das glosas é medida que se impõe. REFRATÁRIOS. VIDA ÚTIL DE 5 ANOS. ATIVO IMOBILIZADO. Os refratários cuja vida útil é superior a um exercício financeiro, utilizados em conexão com outras máquinas, equipamentos ou instalações do imobilizado, deve ser reconhecido como ativo imobilizado, nos termos do CPC 27, afastandoos do conceito de insumos para fins de apropriação do crédito da COFINS não cumulativa. TRATAMENTO E TRANSPORTE DE RGC. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. CRÉDITOS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não cumulativa em relação aos serviços de transporte e coprocessamento de resíduo gasto de cubas RGC, decorrente da produção de alumínio. MATÉRIAS NÃO OBJETO DE RECURSO. DEFINITIVIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 08 15 /2 01 0- 43 Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.499 2 Nos termos do parágrafo único do art. 42 do PAF, são definitivas as decisões de primeira instância na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita ao recurso de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre o transporte e co processamento de RGC, vencidos os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Déroulède que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA DRJ/BEL, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.500 3 Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo da Cofins NãoCumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. COFINS NÃO CUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade da Cofins, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem foi apresentado, em 19.01.2010, Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, objetivando a restituição de Cofins NãoCumulativa sobre exportações, nos termos dos §§1º e 2º do art. 6º da Lei nº10.833/2003. (fls. 4 a 7) Na sequencia, em 30.04.2010, foi apresentada Declaração de Compensação DCOMP, utilizando parte do crédito objeto do PER acima mencionado, para compensação com débitos próprios, decorrentes de lançamentos de ofício de PIS de períodos de apuração relativos aos anos de 1999 e 2000. (fls. 8 a 20) Em procedimento de fiscalização para reconhecimento do direito creditório pleiteado, o contribuinte foi intimado a apresentar documentos comprobatórios e esclarecimentos. Em 13.07.2011 foi encerrado procedimento fiscal, por meio do qual foram realizadas glosas de créditos e lavrado auto de infração para a redução de excesso de crédito. (fl. 170) Segundo o Relatório Fiscal de fls. 174 a 176, as glosas dizem respeito a: (i) Crédito por compra de refratários, posto que os mesmos somente são substituídos em intervalos de 1.900 dias (5 anos), conforme laudo fornecido pela empresa, não podendo ser considerados como insumos; (ii) Crédito decorrente de "outros insumos", por se tratarem de produtos em desacordo com o disposto no art. 3º, inciso II, da lei nº 10.833/2003; (iii) Créditos decorrentes de serviços utilizados como insumos; (iv) créditos decorrentes de compra de bens para o ativo imobilizado utilizados em desacordo com a legislação vigente. Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.501 4 Com base nas conclusões do relatório fiscal, o despacho decisório de fl. 181 reconheceu parcialmente o direito creditório do sujeito passivo. Em consequencia, somente foram homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. A contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração (fls. 685 a 739), onde sustenta, em extenso arrazoado, que: a) a glosa sobre os serviços utilizados como insumos contemplou os serviços de transporte e coprocessamento de RGC (Resíduo Gasto de Cubas), o transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, e o processamento de Borra de Alumínio, bem como a compra de Refratários, Fita Cintagem, Barra de Aço Carbono, Ferro Gusa, Argamassa Refratária, Granalha e Pasta Socagem, todos inerentes ao processo fabril do alumínio produzido e exportado; b) ao contrário do que alegou a fiscalização, ainda que de desgaste não imediato, os materiais refratários, bem como os desembolsos com seu transporte, integram diretamente o processo produtivo e, portanto, atendem ao conceito de insumo; c) o Resíduo Gasto de Cubas é proveniente dos fornos de fundição utilizados diretamente na fabricação do alumínio exportado; d) os Anodos são consumidos durante as reações químicas do processo de produção do alumínio, realizado no interior das cubas. De modo que, assim como o coque calcinado de petróleo, as formas, os filtros, os refratários, o RGC, a borra/banho de alumínio recuperado, o beneficiamento de banho eletrolítico e o processamento de borra de alumínio, tem contato direto com o alumínio líquido, desencadeado por meio de reações físicoquímicas, sendo aplicados diretamente ou desgastados no processo produtivo; e) em mero esforço argumentativo, ainda que se admitisse o raciocínio engendrado pela fiscalização, no sentido de que parte dos dispêndios sobre os quais apurou crédito a contribuinte sejam considerados como ativo imobilizado, ao invés de insumos, há permissão legal expressa para permitir o direito creditório sobre os mesmos, quando utilizados na produção de bens destinados à venda, como no presente caso; f) a fiscalização não demonstrou as razões pelas quais considerou que os dispêndios relativos aos créditos glosados não seriam aplicados diretamente no processo produtivo do alumínio; g) o conceito de insumos para fins de crédito de PIS e COFINS não é tão restritivo quanto o admitido em relação ao IPI, estando mais alinhado àquele admitido em relação ao IRPJ e à CSLL; h) o CARF já se posicionou no sentido de admitir o crédito das contribuições sobre dispêndios realizados com a remoção de resíduos industriais; i) os créditos passíveis de ressarcimento são aqueles apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, e não apenas Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.502 5 os que digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo do alumínio exportado; j) a jurisprudência do STJ (REsp 1.147.902RS) é no sentido de que, para a concessão de crédito sobre insumos das contribuições, devese levar em conta o critério da essencialidade ao processo produtivo, devendo ser entendido como insumo cada um dos elementos imprescindíveis para a produção de mercadorias ou para a prestação de serviços; k) o Decreto nº 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei nº 11.196/2005, permite o desconto dos créditos de PIS e COFINS em doze meses contados da aquisição, sobre as aquisições de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos novos, destinados à incorporação ao ativo imobilizado das empresas com projeto para instalação, modernização, ampliação ou diversificação nas áreas da SUDENE e SUDAM. Ao fim, a impugnante pede pela realização de perícia com vistas a ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo. Em 25.01.2012, foi emitido novo despacho decisório (fls. 774 a 775) em substituição àquele emitido em 30.12.2011, em razão de o valor a restituir extrapolar o limite de alçada do Chefe da Seort da DRF/Belém, mantendose os fundamentos e valores presentes no despacho decisório anterior, mas desta vez assinado pelo Delegado da DRF/Belém. Cientificada do novo despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde repete os argumentos e fundamentos aduzidos na impugnação anterior, bem como alega a nulidade do "Parecer Seort" diante da incongruência e da falta de fundamentação sobre as glosas realizadas, que comprometem o direito à ampla defesa da requerente. Em sessão de 06.03.2012, a DRJ/BEL decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade/impugnação, afastando os argumentos da impugnante e mantendo as glosas realizadas pela fiscalização. Alega a autoridade julgadora de primeira instância, que somente geram direito a crédito as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que componham visualmente o produto final, bem como os gastos com produtos aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação, o que definitivamente não seria o caso de armários (fl. 52), tinta acrílica (fl. 55), portão (fl. 55), dentre outros itens que constam das planilhas de glosas presentes nas fls. 44 a 59. Também entendeu o julgador pela manutenção das glosas decorrentes de serviços que não atendem ao conceito de insumos, tais como aqueles decorrente de transporte rodoviário de cargas (fl. 82), assistência técnica (fl. 82), dentre outros constantes das planilhas de glosas de fls. 82/84, 115/117 e 149/151. No que concerne à glosa sobre bens do ativo imobilizado, a decisão a quo entendeu que as planilhas de fls. 44/59 demonstram que a autoridade fiscal identificou cada uma das glosas e refez os cálculos das parcelas que deveriam ser levadas à base de cálculo do direito creditório, consideradas as diferentes modalidades de depreciação adotadas pelo sujeito Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.503 6 passivo e previstas na legislação, não se podendo alegar que houve glosa da totalidade dos créditos. Observa ainda a DRJ, que dentre os bens supostamente adquiridos para a composição do imobilizado, utilizado no processo produtivo, há aqueles explicitamente destinados ao setor administrativo ou caracterizado como obras civis, tais como telhas de alumínio, armários, leite, café, ducha higiênica, jornais para distribuição, etc. Sobre os refratários, entendeu o julgador de piso, com base no Parecer Normativo nº 181/1974, que não geram crédito as partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos e ferramentas incorporados às instalações industriais, ainda que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos utilizados na manutenção das instalações e das máquinas e equipamentos. Também foi indeferido o pedido de perícia, por entender a autoridade julgadora não existirem motivos concretos que o justifiquem, bem como pela falta de formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, que sequer foram delineados. Cientificado do acórdão recorrido em 21.03.2012, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário tempestivo em 16.04.2012, onde repisa argumentos da impugnação, bem como alega terem sido indevidamente desconsideradas as reiteradas decisões judiciais e administrativas sobre a matéria em debate e sua correta interpretação. Em sessão de 23.05.2013, esta turma, em outra composição, entendendo não haver nos autos elementos suficientes para formar o entendimento necessário à solução do caso, converteu o julgamento em diligência para que a fiscalização apresente relatório conclusivo acerca dos itens transcritos abaixo. (i) da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial da recorrente. (ii) Também há necessidade de serem identificadas no parque fabril da Recorrente as máquinas, os equipamentos e as edificações e seus os respectivos custos, que são ou não efetivamente utilizados para a elaboração do produto final a ser vendido. Em decorrência da diligência determinada, a fiscalização apresentou Relatório Conclusivo de fls. 1397 a 1399, onde alega ser da opinião de que os dispêndios realizados a título de transporte de RGC e outros, mencionados no item (i) supra, não dão direito a crédito das contribuições, visto que não são aplicados diretamente no processo produtivo, tampouco consumidos na produção dos produtos destinados à venda, posto que tais dispêndios ocorrem a posteriori da produção final desses produtos. Sobre o refratário, aduziu a fiscalização que por força do disposto no Parecer Normativo CST nº 260/71, os dispêndios com tais materiais, destinados à manutenção de fornos industriais, estão excluídos do direito ao crédito. Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.504 7 Sobre o quesito (ii) da diligência determinada pelo CARF, a fiscalização anexou arquivo com descrição das máquinas, equipamentos e edificações do parque industrial, bem como apontou as folhas do processo em que estariam devidamente explicadas e justificadas as glosas realizadas. O contribuinte foi cientificado do relatório da diligência em 10.03.2014, tendo sido oportunizada a sua manifestação acerca do mesmo no prazo de 30 dias, ao que silenciou. Em 22.02.2018, a recorrente apresentou petição denominada de "Razões Finais" onde ratifica alegações já produzidas em sede recursal, citando fundamentos legais e invocando precedentes, bem como apontando itens que foram considerados indevidamente como edificações pela fiscalização. Em novo sorteio no âmbito desta seção de julgamento, em atenção ao disposto no § 8º do art. 49 do RICARF, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. O litígio teve início com a realização de glosas de créditos de PIS e COFINS, relativos à gastos com materiais refratários, bens e serviços que, na visão da fiscalização, não satisfazem o conceito de insumo, e sobre bens do ativo imobilizado. A tabela abaixo demonstra a localização dos demonstrativos das glosas realizadas nestes autos. Resumo das glosas realizadas e respectivos demonstrativos de apuração Demonstrativos de Fls. Tipo de Glosa / Período out/07 nov/07 dez/07 Imobilizado Relação de itens glosados no período 44 a 47 48 a 54 55 a 59 Imobilizado Glosas e Créditos 1/48 60 a 61 Imobilizado Glosas e Créditos 1/12 62 a 63 Outros Insumos e Refratários 64 a 65 102 a 103 138 Outros Insumos e Fretes 66 a 81 104 a 114 139 a 148 Serviços Utilizados Como Insumos 82 a 84 115 a 117 149 a 151 Todas as alegações recursais trazidas à este colegiado dizem respeito ao mérito da discussão, não tendo sido arguida nenhuma preliminar ou prejudicial pelo sujeito passivo. Não se vislumbra afronta a nenhuma matéria de ordem pública que justifique ação de ofício por parte deste julgador, assim, passase à análise das alegações recursais. Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.505 8 1 Das glosas sobre bens do ativo imobilizado. Às fls. 44 a 59 encontramse as tabelas contendo a relação dos bens adquiridos pela recorrente no 4º trimestre de 2007, por ela registrados como sendo destinados ao ativo imobilizado, que foram objeto de glosa de créditos pela fiscalização. Da análise das referidas tabelas, constatase a existência de diversos bens e serviços, dentre os quais destacamos: "Materiais Diversos"; Modernização das 8 plantas de tratamento de gases das reduções; Chaves Seccionadoras; Obras Civis da Oficina de Reforma de Cubas e nas Reduções; Construção da Portaria; Obras Civis nas Subestações; dentre outros. Segundo o contribuinte, os arts. 2º e 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, especificamente em seus incisos VI e VII, permitem o crédito das contribuições ao PIS e COFINS sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para a locação a terceiros, ou para a utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, bem como sobre edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. Nas palavras da recorrente, tais glosas não se sustentam pois a fiscalização não logrou comprovar que as máquinas, equipamentos, peças e serviços relacionados aos mesmos foram utilizados para outra finalidade que não a produção de alumínio. Sustenta ainda a recorrente que, para fins de crédito sobre as edificações, sequer existe exigência legal de que sejam utilizadas na produção de bens destinados à venda ou prestação dos serviços, bastando que sirvam às atividades da empresa. Alega também a recorrente que a fiscalização não realizou qualquer análise ou visitação "in loco", nem mesmo qualquer levantamento mínimo sobre a especificidade do processo produtivo do alumínio, lançando total incerteza sobre as conclusões da fiscalização acerca do que é ou não utilizado na produção. Ocorre que se depreende das tabelas de fls. 44 a 59, que tais glosas foram realizadas por se tratar de produtos não abrangidos pelo disposto no Dec. 5.789/2006 e Dec. 5.988/2006, bem como por se tratar de edificações e instalações cuja legislação permite depreciação acelerada a partir de janeiro/2007 a razão de 1/24 avos, e não 1/12. (Lei 11.488/2007, art. 6º) No que concerne à presente discussão, os dispositivos legais mencionados pela legislação possuem a seguinte redação: (Dec. 5.988/2006) Art. 1o Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, para bens adquiridos de 1o de janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação, enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional, em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM, terão direito: [...] Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.506 9 II ao desconto, no prazo de doze meses contado da aquisição, dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que tratam o inciso III do § 1o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4o do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, destinados à incorporação ao ativo imobilizado. [...] Art. 3o O direito ao desconto dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS mencionado no inciso II do art. 1o aplicase às máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto no 5.789, de 25 de maio de 2006, destinados aos projetos de que trata o caput do art. 1o. (Dec. 5.789/2006) Art. 1o No caso de venda ou de importação de bens de capital, novos, classificados nos códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, relacionados no Anexo deste Decreto, fica suspensa a exigência: I da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta da venda no mercado interno, quando os referidos bens forem adquiridos por pessoa jurídica beneficiária do Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras RECAP para incorporação ao seu ativo imobilizado; e II da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, quando os referidos bens forem importados diretamente por pessoa jurídica beneficiária do RECAP para incorporação ao seu ativo imobilizado. (Lei nº 11.488/2007) Art. 6o As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam o inciso VII do caput do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o inciso VII do caput do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. § 1o Os créditos de que trata o caput deste artigo serão apurados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, ou do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.507 10 2003, conforme o caso, sobre o valor correspondente a 1/24 (um vinte e quatro avos) do custo de aquisição ou de construção da edificação. Diante do acima exposto, percebese que enquanto o contribuinte sustenta seu direito creditório sobre o ativo imobilizado em razão de serem as máquinas e equipamentos utilizadas na produção do alumínio, e das edificações servirem às atividades da empresa, sem demonstrar a metodologia de cálculo e apuração por ele realizada a fiscalização motivou a glosa na inobservância dos critérios temporais de utilização destes créditos, vez que a possibilidade de utilização em 1/12 (um doze avos) mensais é excepcional, e aplicável somente aos produtos constantes do anexo ao Decreto nº 5.789/2006. Sobre tal tema alega ainda a recorrente que O fato, contudo, que, data venia, contrapõe a pretensão esposada pela I. Autoridade Fazendária, é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas especificidades da impugnante, é evidente que a conduta apontada no Auto, seria, como é, impraticável. Ante tal realidade, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da N. Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. E continua, informando que os itens qualificados pela postulante como máquinas foram efetivamente incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitadas as periodicidades previstas nas normas aplicáveis. Embora genéricas, inferese das alegações da contribuinte que além de não ter sido comprovado pela fiscalização que os bens adquiridos para o imobilizado não eram utilizados na produção, ela não se apropriava dos créditos sobre tais aquisições à fração de 1/12 mensais, vez que suas máquinas e equipamentos são depreciados ao tempo real. Quanto a este último ponto utilização dos créditos em tempo real de depreciação destacase, contudo, que ao analisar os espelhos das DACON´s transmitidas pela recorrente, presentes nas fls. 85 a 98, 119 a 134 e 154 a 166, constatase que a totalidade dos créditos sobre bens do ativo imobilizado foi preenchida na linha aplicável à utilização do crédito com base no valor de aquisição, não havendo qualquer valor na linha destinada ao crédito calculado com base nos encargos de depreciação. Ou seja, os Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais DACON, preenchidos e enviados pelo próprio sujeito passivo, evidenciam que não houve apropriação de créditos das contribuições à COFINS sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado, vez que a totalidade dos créditos vinculados ao ativo imobilizado foram registrados na linha correspondente à apropriação com base no valor de aquisição, o que compromete as alegações da recorrente, de que se apropriou dos créditos sobre o ativo imobilizado com base no tempo real de depreciação. Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.508 11 Destarte, não merece reparos a decisão de piso no que diz respeito às glosas relacionadas na planilha de fls. 44/59, in verbis. Igualmente para as demais glosas relacionadas na planilha de fls. 44/59,constam os fatos que as motivou, restando óbvio que há, sim, “uma clara indicação da razão pela qual” houve tais glosas e igualmente quais “seriam estes itens específicos”, tudo de forma a permitir “à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos”. Não foi a autoridade fiscal, mas sim a contribuinte que não se desincumbiu do ônus mínimo de demonstrar razões de fato e de direito que pudessem corroborar suas afirmações. Durante as atividades de auditoria destinadas ao reconhecimento do direito creditório pleiteado pela recorrente, a fiscalização refez a apuração dos créditos a que a contribuinte tinha direito sobre o ativo imobilizado, demonstrando, às fls. 60 a 63 os cálculos em que se baseou para a definição dos valores reconhecidos. Em resposta à diligência determinada anteriormente por esta turma, a fiscalização indicou em quais folhas do processo encontramse os demonstrativos das glosas por ela realizadas, tendo sido ainda a recorrente notificada sobre o relatório da diligência em 10.03.2014 (fls. 1399), bem como oportunizado prazo de 30 (trinta) dias para que esta se pronunciasse acerca do mesmo, ao que silenciou. Assim, por não ter a recorrente produzido qualquer prova capaz de sustentar suas alegações e ilidir os cálculos da fiscalização no que tange à apropriação de créditos sobre bens do ativo imobilizado, tais como planilhas ou demonstrativos que evidenciem a exatidão dos valores por ela apurados e registrados no DACON, em clara desobediência ao disposto no § 11, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996, c/c o §4º do art. 16 do PAF, não há como socorrêla das glosas de créditos sobre os bens do ativo imobilizado. 2 Dos Refratários. A fiscalização entendeu, e a instância a quo ratificou, que os refratários utilizados pela recorrente em seu processo produtivo não podem ser classificados como insumos, vez que possuem vida útil estimada de 1.900 (um mil e novecentos) dias 5 anos , conforme atestado pelo próprio sujeito passivo. A contribuinte sustenta que optou por qualificar o refratário como insumo, vez que são aplicados diretamente às atmosferas de redução, aos vapores alcalinos, ciclos de temperaturas e o resultante esforço mecânico que existe nos fornos de cozimento de carbono, sendo de clareza palmar o desgaste e contato físico destes materiais com o alumínio fabricado e comercializado. Sustenta ainda a recorrente que a razão primordial da glosa perpetrada pelo auditor fiscal fora a de que o refratário deve ser enquadrado como ativo imobilizado. Sobre o que argumenta não haver diversidade de tratamento, vez que seja o refratário considerado como insumo, ou seja ele considerado como ativo imobilizado, é mantido o direito ao crédito não cumulativo de COFINS. É o que se passa a analisar. Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.509 12 O inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, c/c o inciso I, do § 1º do mesmo artigo, vigentes à época dos fatos, dispunha que o crédito de COFINS sobre os insumos, seria obtido mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor dos itens adquiridos no mês. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; Já o inciso V, c/c o §1º, III, do mesmo dispositivo legal, previa que os bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda teriam seus créditos calculados com base nos encargos de depreciação incorridos no mês. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Desta forma, muito embora a recorrente tenha razão sobre a existência de permissão legal para a tomada de créditos de COFINS sobre insumos e também sobre bens do ativo imobilizado, ressaltase que enquanto aos primeiros é concedido crédito integral por ocasião da aquisição, aos últimos a apuração do crédito deve fluir na medida da utilização do bem, com base nos encargos de depreciação. Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.510 13 Acerca dos critérios para a classificação de um bem como ativo imobilizado, cumpre relembrar o contido no CPC 27, in verbis. Definições 6. Os seguintes termos são usados neste Pronunciamento, com os significados especificados: [...] Ativo imobilizado é o item tangível que: (a) é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e (b) se espera utilizar por mais de um período. [...] Reconhecimento 8. Sobressalentes, peças de reposição, ferramentas e equipamentos de uso interno são classificados como ativo imobilizado quando a entidade espera usálos por mais de um período. Da mesma forma, se puderem ser utilizados somente em conexão com itens do ativo imobilizado, também são contabilizados como ativo imobilizado. [...] Custos Subsequentes [...] 13. Partes de alguns itens do ativo imobilizado podem requerer substituição em intervalos regulares. Por exemplo, um forno pode requerer novo revestimento após um número específico de horas de uso; ou o interior dos aviões, como bancos e equipamentos internos, pode exigir substituição diversas vezes durante a vida da estrutura. Itens do ativo imobilizado também podem ser adquiridos para efetuar substituição recorrente menos frequente, tal como a substituição das paredes interiores de edifício, ou para efetuar substituição não recorrente. Segundo o princípio de reconhecimento do item 7, a entidade reconhece no valor contábil de um item do ativo imobilizado o custo da peça reposta desse item quando o custo é incorrido se os critérios de reconhecimento forem atendidos. O valor contábil das peças que são substituídas é baixado de acordo com as disposições de baixa deste Pronunciamento (ver itens 67a 72) Como se pode perceber, um item do ativo deve ser reconhecido como imobilizado quando atender, concomitantemente, a duas condições: (i) ser mantido para uso na produção ou fornecimento de bens ou serviços, bem como para aluguel a terceiros ou para fins administrativos; e (ii) ser utilizado por mais de um período. Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.511 14 Já em relação aos sobressalentes, peças de reposição, ferramentas e equipamentos de uso interno, prevalece o critério de utilização por mais de um período para fins de enquadramento dos mesmos como ativos imobilizados. A mesma classificação recebem os itens que somente podem ser usados em conexão com ativos imobilizados. Por fim, o pronunciamento técnico estabelece ainda que itens do ativo imobilizado também podem ser adquiridos para efetuar substituições recorrentes menos frequentes. Destarte, em razão da vida útil dos refratários em comento ser de aproximadamente 5 anos, conforme informação prestada pela própria recorrente, associado ao fato de o exercício social da empresa ser anual, encerrandose em 31 de dezembro de cada ano, bem como sendo os refratários utilizados em conexão com os fornos de redução, deve a aquisição dos mesmos ser contabilizada como ativo permanente, em estrita obediência às normas contábeis. Por derradeiro, ainda que se admita a sua utilização na produção do alumínio, em atenção às normas contábeis, os refratários utilizados pela recorrente não podem ser considerados como insumos para fins de creditamento da COFINS, vez que em razão de sua vida útil devem ser enquadrados como ativo imobilizado, passando o direito creditório sobre os mesmos a observar os critérios definidos pela legislação para este tipo específico de crédito. Destacase que a recorrente não pugna, nem mesmo subsidiariamente, pelo reconhecimento e utilização dos créditos decorrentes dos refratários com base nas regras aplicáveis aos créditos sobre o ativo imobilizado, limitandose a sustentar o enquadramento dos mesmos como insumos. Por todo o exposto, não há como acolher as pretensões da recorrente, no sentido de reconhecer o enquadramento dos refratários como insumos para fins de crédito da COFINS nãocumulativa. 3 Do Conceito de Insumos para fins de crédito da COFINS não cumulativa. A recorrente sustenta a existência de sucessivas decisões no sentido de que o conceito de insumos a ser aplicado para fins de crédito das contribuições ao PIS e a COFINS não deve ser tão amplo como o da legislação do Imposto de Renda nem tampouco restrito como o do Imposto Sobre Produtos Industrializados que é o que exatamente almeja a autoridade fazendária. Na linha argumentativa da recorrente, para fins de apuração da COFINS não cumulativa, os insumos devem ser entendidos não apenas como o que restaria incorporado ao produto final a ser comercializado, mas tudo aquilo que concorresse na composição do processo produtivo desse produto, ou seja, cada um dos elementos imprescindíveis para a produção das mercadorias ou para a prestação dos serviços. Nos termos do decidido no REsp 1.221.170, julgado sob a sistemática do art. 543C do CPC/73 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), e de observância obrigatória para os julgamentos no âmbito deste conselho, para efeitos do creditamento relativo às contribuições Fl. 1511DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.512 15 ao PIS e à COFINS, o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade e relevância de determinado bem ou serviço ao processo produtivo do contribuinte. Já é de amplo conhecimento a existência de três correntes sobre o conceito de insumo para fins de tributação pelo PIS e pela COFINS, que foram assim resumidas em voto da eminente Ministra Regina Helena Costa, do STJ. i) orientação restrita, manifestada pelo Ministro Og Fernandes e defendida pela Fazenda Nacional, adotando como parâmetro a tributação baseada nos créditos físicos do IPI, isto é, a aquisição de bens que entrem em contato físico com o produto, reputando legais, via de consequência, as Instruções Normativas SRF 247/2002 e 404/2004; ii) orientação intermediária, acolhida pelos Ministros Mauro Campbell Marques e Benedito Gonçalves, consistente em examinar, casuisticamente, se há emprego direto ou indireto no processo produtivo ('teste de subtração'), prestigiando a avaliação dos critérios da essencialidade e da pertinência. Tem por corolário o reconhecimento da ilegalidade das mencionadas instruções normativas, porquanto extrapolaram as disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e iii) orientação ampliada, protagonizada pelo Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Relator, cujas bases assenhoreiamse do conceito de insumo da legislação do IRPJ. Igualmente, tem por consectário o reconhecimento da ilegalidade das instruções normativas, mostrandose, por esses aspectos, a mais favorável ao contribuinte. Ainda que majoritária a corrente que defende a aplicabilidade do conceito intermediário, pretendido pela recorrente, não se pode olvidar que dadas as peculiaridades de cada atividade fabril, a tarefa de enquadrar um item como essencial ou relevante ao fabrico é de cunho subjetivo, e depende, por óbvio, das peculiaridades de cada processo produtivo e da instrução probatória. Assim, mesmo entre aqueles que esposam a corrente intermediária, pode haver diferentes enquadramentos de itens aos critérios da essencialidade e relevância, a depender da percepção de cada julgador ao teste de subtração. Nesse sentido, a solução do litígio passa, necessariamente, por se esclarecer qual a efetiva participação de cada bem ou serviço, cuja glosa tenha sido questionada, no processo produtivo da recorrente, a fim de que cada julgador possa exercer seu juízo de valor acerca da essencialidade e relevância de cada item na composição do produto final. Destarte, passemos então à análise das glosas questionadas pela recorrente e sua relação com o processo produtivo. 3.1 DOS GASTOS COM BENS E SERVIÇOS CLASSIFICADOS PELA RECORRENTE COMO INSUMOS. Na parte inicial de seu recurso voluntário, destinada à narrativa fática, a recorrente relata que a fiscalização efetuou glosas sobre: (i) Transporte e Coprocessamento de RGC; (ii) Transporte e Processamento de Borra/Banho/Alumínio Recuperado; (iii) Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.513 16 Beneficiamento de Banho Eletrolítico; (iv) Processamento de Borra de Alumínio; (v) Refratários; (vi) Fita Cintagem; (vii) Barra de Aço Carbono; (viii) Ferro Gusa; (ix) Argamassa Refratária; e (x) Granalha e Pasta de Socagem. Contudo, após leitura atenta de todas as página da peça recursal, constatase que a exceção das insurgências específicas quanto as glosas sobre (i) bens do ativo imobilizado, (ii) refratários e (iii) transporte de resíduos/rejeitos industriais, as alegações recursais são genéricas, não sendo possível atribuílas às glosas realizadas pela fiscalização, razão pela qual consideramse definitivas aquelas não especificamente contestadas, nos termos do parágrafo único do art. 42 do PAF. O litígio acerca das glosas sobre os bens do ativo imobilizado e sobre os refratários já foi analisado em tópicos anteriores deste voto. Assim, resta analisar o direito ao crédito sobre o transporte de resíduos/rejeitos industriais da recorrente. Consoante ao já exposto no tópico anterior, muito embora o contido no REsp 1.221.170 seja de observância obrigatória por parte dos julgadores deste conselho, por força do disposto no §2º, do art. 62, do RICARF, não se pode olvidar que a sua aplicação prática guarda parcela significativa de subjetividade, dada a necessidade de enquadrar cada bem ou serviço utilizado pelo sujeito passivo ao seu processo produtivo, seguindo os conceitos de essencialidade e relevância definidos pelo STJ em sede de recurso repetitivo. No entendimento da eminente Ministra Regina Helena Costa, a essencialidade consiste na relação de dependência, intrínseca e fundamental entre o produto ou serviço e o item em análise, constituindo este último em um elemento estrutural e inseparável do "processo produtivo" ou da "execução do serviço", ou ainda, quando a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Já a relevância, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva, seja por imposição legal. Diante de tais premissas, cabe analisar se o transporte de rejeitos/resíduos industriais da recorrente atende ao conceito de insumo para fins de apuração de crédito da contribuição à COFINS. Inicialmente, cumpre esclarecer que apesar da peça recursal se insurgir contra as glosas de transporte de rejeitos/resíduos industriais, tal insurgência será estendida ao transporte e coprocessamento de RGC. Isso porque, consoante ao disposto no acórdão de nº 3402003.860, nos autos do processo 10280.722246/200937, os esclarecimentos prestados pela recorrente indicam que o dispêndio realizado a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cuba RGC, é proveniente da reforma das cubas eletrolíticas, realizadas a cada 5 anos, onde os materiais que as revestem são triturados e são chamados de rejeito gasto de cuba RGC. Este material é armazenado e posteriormente transportado para as indústrias cimenteiras em vários estados do Brasil, e a Albras arca com o custo do transporte. Fl. 1513DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.514 17 A descrição do processo de produção do alumínio, presente nas fls. 35 a 39, assenta que O alumínio é produzido através da redução eletrolítica da alumina calcinada num banho de criolita fundida e outros fluoretos. Esta redução se processa a uma temperatura em torno de 960ºC. A eletrólise se efetua numa célula que pode ser dividida em duas partes: a cuba, contendo o cátodo; e a estrutura superior, contendo o anodo. A cuba é construída dentro de uma carcaça de aço isolada térmicamente por meio de tijolos isolantes e refratários. Externamente, esta carcaça se apóia na estrutura do edifício, sendo separada desta por isolantes elétricos para evitar fuga de corrente. A parte interna da cuba que abriga o banho de fluoretos fundidos, a alumina dissolvida e o alumínio líquido produzido, é revestida de blocos de carbono e pasta à base de carbono. O fundo da cuba, revestido de blocos de carbono nos quais estão chumbadas barras de aço, constitui o catodo. [...] 3 Processo: Após circular pelo anodo, banho e catodo, a corrente é coletada nas barras de aço embutidas na parte inferior dos blocos de carbono catódicos, sendo conduzida até o barramento anódico da célula seguinte. A corrente elétrica passa através do banho fundido, processando a redução eletrolítica do óxido de alumínio dissolvido. O alumínio metálico liberado, por sua maior densidade tende a se depositar no fundo da cavidade. O oxigênio liberado reage com o carbono dos ânodos formando C02 que é liberado sob a forma de gás. Na ALBRAS cada linha de redução é constituída de 240 células em série, necessitando de um potencial de cerca de 1.000V nos terminais do retificador. Como resultado do processo eletrolítico, o alumínio é depositado no fundo da cuba sobre o cátodo. Cada cuba eletrolítica produz aproximadamente 1,2 t de alumínio a cada 24 horas. O alumínio depositado no fundo da cuba é retirado, através de um sistema de vácuo, a cada 32 horas. Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.515 18 Depreendese da análise da descrição do processo produtivo, combinada com a explicação do que é o resíduo gasto de cubas RGC, que a reforma das cubas eletrolíticas, onde ocorre a produção do alumínio, realizada a cada 5 anos, é essencial à produção da recorrente, sob pena de restar comprometida a qualidade e quantidade do alumínio. De outro norte, sob a ótica do direito ambiental, a destinação sustentável de tais resíduos é medida que se impõe à recorrente, sob pena de responsabilização por eventuais danos ambientais decorrentes do descarte indevido. Isso porque, segundo dispõe a NBR 1004, o RGC é classificado como resíduo perigoso de fonte específica, proveniente da produção do alumínio primário, contendo cianeto. Assim, têmse que o transporte desses resíduos até as indústrias cimenteiras, decorre do cumprimento, pela recorrente, de imposições normativas relativas à legislação ambiental, sendo relevantes ao seu processo produtivo. Diante do exposto, não há como negar que no desenvolvimento de suas atividades, a recorrente incorre em produção de rejeitos tóxicos, no caso, aqueles decorrentes do desgaste das cubas onde ocorre a produção do alumínio por ela comercializado, restando atendidos os critérios de essencialidade e relevância para fins de reconhecimento de direito creditório da contribuição à COFINS. 4 Da inobservância, pela instância a quo, das reiteradas decisões já proferidas sobre a matéria em litígio. Alega a recorrente que a decisão de piso deixou de considerar as reiteradas decisões já proferidas sobre a matéria em litígio, o que configuraria tratamento diferenciado para circunstâncias idênticas ou similares. Nenhum dos precedentes citados tem o condão de vincular o julgador administrativo a seguir o mesmo posicionamento neles delineado, isso porque, ainda que existisse identidade ou similitude de institutos jurídicos, cada processo possui sua própria instrução probatória. Consoante ao exposto no tópico que trata do conceito de insumos para fins de crédito das contribuições ao PIS e a COFINS, com o advento do REsp 1.221.170, a solução do presente litígio reside no enquadramento de determinados bens e serviços como essenciais e relevantes ao processo produtivo da recorrente, o que deriva de análise de matéria fática, e não mais da discussão sobre teses jurídicas. Dispõe o art. 29 do PAF que na apreciação da prova a autoridade julgadora formara livremente sua convicção, podendo, inclusive, determinar as diligências que entender necessárias. No caso em tela, a realização das glosas foi precedida por auditoria fiscal realizada na documentação apresentada pelo sujeito passivo, tendo sido, inclusive, determinada diligência por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de cujo resultado foi devidamente cientificada a recorrente, transcorrendo in albis o prazo de 30 dias para que se manifestasse acerca das conclusões da referida diligência. Fl. 1515DF CARF MF Processo nº 10280.720815/201043 Acórdão n.º 3302006.045 S3C3T2 Fl. 1.516 19 Assim, não merecem prosperar as alegações da recorrente de que a decisão de piso incorreu em tratamento pouco justo por parte da fiscalização, na medida em que não foram seguidos os precedentes existentes para a mesma matéria. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito em relação aos dispêndios realizados com o transporte e coprocessamento de RGC. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 1516DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.720163/2010-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Inicialmente é necessário esclarecer que o presente feito compreende um lote de 36 processos conexos, todos eles relativos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade nos anos calendários de 2003 a 2008. Tratamse dos seguintes processos: PROCESSO ACÓRDÃO DRJ TRIBUTO PERÍODO 10320.720149/201020 0830.513 PIS 2ª Trim 2003 10320.720150/201054 0831.407 PIS 3ª Trim 2003 13338.000103/200441 0831.247 PIS 1ª Trim 2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .7 20 16 3/ 20 10 -2 3 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10320.720163/201023 Resolução nº 3201001.433 S3C2T1 Fl. 3 2 10320.720152/201043 0830.749 PIS 2ª Trim 2004 13338.000011/200542 0831.246 PIS 3ª Trim 2004 10320.720169/201009 0831.237 COFINS 4ª Trim 2004 10320.720047/201012 0830.748 COFINS 1ª Trim 2005 10320.720155/201087 0830.750 PIS 1º Trim 2005 19647.012516/200542 0825.611 COFINS Abril/2005 13338.000155/200680 0830.757 COFINS 2ª Trim 2005 10320.720156/201021 0830.751 PIS 2º Trim 2005 19647.007420/200562 0822.687 PIS 3ª Trim 2005 10320.720157/201076 0830.752 PIS 3º Trim 2005 10320.720170/201025 0830.755 COFINS 3º Trim 2005 10320.720158/201011 0830.753 PIS 4ª Trim 2005 10320.720171/201070 0830.931 COFINS 4º Trim 2005 10320.720159/201065 0830.936 PIS 1º Trim 2006 10320.720172/201014 0831.238 COFINS 1º Trim 2006 10320.720160/201090 0830.927 PIS 2º Trim 2006 10320.720161/201034 0830.928 PIS 3ª Trim 2006 10320.720174/201011 0830.933 COFINS 3º Trim 2006 10320.720162/201089 0830.929 PIS 4º Trim 2006 10320.720175/201058 0830.934 COFINS 4º Trim 2006 10320.720163/201023 0830.930 PIS 1º Trim 2007 10320.720164/201078 0830.937 PIS 2º Trim 2007 10320.720177/201047 0830.938 COFINS 2º Trim 2007 10320.720165/201012 0831.233 PIS 3º Trim 2007 10320.720178/201091 0831.239 COFINS 3º Trim 2007 10320.720166/201067 0831.234 PIS 4º Trim 2007 10320.720179/201036 0831.240 COFINS 4º Trim 2007 10320.720167/201010 0831.235 PIS 1º Trim 2008 10320.720180/201061 0831.241 COFINS 1º Trim 2008 10320.720168/201056 0831.236 PIS 2º Trim 2008 10320.720181/201013 0831.242 COFINS 2º Trim 2008 10320.720182/201050 0831.243 COFINS 3º Trim 2008 10320.720183/201002 0831.408 COFINS 4ª Trim 2008 Desse modo, a presente Resolução será replicada em todos os processos acima referidos, devendose, na execução do julgado, observarse aquilo que se aplica a cada um dos fatos geradores abrangidos. Como dito, tratamse de diversos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS oriundos da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, apurados trimestralmente, além de um Auto de Infração. Conforme Relatório Fiscal integrante do Despacho Decisório: (...) o não reconhecimento do crédito se deu em virtude de vários fatores, compreendendo cômputo de outras receitas registradas na escrituração contábil (livro razão) e fiscal (livros registro de entrada, registro de saída, apuração de IPI, inventário etc) não informadas pelo Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10320.720163/201023 Resolução nº 3201001.433 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuinte no Dacon, bem como glosa de créditos informados no Dacon, mas não respaldados na contabilidade, incidentes sobre gastos ou despesas: Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10320.720163/201023 Resolução nº 3201001.433 S3C2T1 Fl. 5 4 A Recorrente apresentou Manifestações de Inconformidade e Impugnação solicitando o reconhecimento integral do crédito postulado. Após exame, a DRJ proferiu acórdão assim ementado (ajustandose, apenas, para cada processo, o tributo PIS ou COFINS e o período de apuração): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10320.720163/201023 Resolução nº 3201001.433 S3C2T1 Fl. 6 5 processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo. As receitas submetidas à alíquota zero não integram a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Quando adquiridos, os bens e serviços utilizados como insumo geram direito ao crédito na incidência nãocumulativa da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. O fato de a pessoa jurídica fornecedora do bem enquadrado como insumo ser optante pelo Simples não obsta o direito de crédito do adquirente, relativamente ao valor pago. INSUMO. FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OU PRESTADOR. SITUAÇÃO FISCAL IRREGULAR. A situação fiscal irregular do fornecedor ou prestador não constitui obstáculo ao creditamento sobre o valor de bens e serviços. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10320.720163/201023 Resolução nº 3201001.433 S3C2T1 Fl. 7 6 RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA. Podem ser descontados créditos da Cofins e do PIS/Pasep Nãocumulativos sobre os gastos totais com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. RESSARCIMENTO. COMBUSTÍVEIS. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep Não Cumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS. Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em ParteA O acórdão recorrido, portanto, afastou as seguintes glosas: (i) receitas financeiras (determinou a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições); (ii) bens adquiridos e não integralmente pagos aos fornecedores no mesmo trimestre de apuração (aplicação do regime de competência); (iii) bens adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10320.720163/201023 Resolução nº 3201001.433 S3C2T1 Fl. 8 7 (iv) créditos adquiridos de pessoas jurídicas com irregularidades, posto que não comprovado pela Fiscalização a inaptidão do respectivos CNPJs; As glosas mantidas foram as seguintes: (v) receitas de recuperação de despesas (manteve as receitas de recuperação de despesas na base de cálculo das contribuições) (vi) carvão adquirido de produtores rurais pessoas físicas, portanto, não sujeitos à incidência do PIS e da COFINS; (vii) serviços utilizados como insumos, em razão destes não estarem devidamente escriturados em DACON e, também, pela ausência de demonstração da sua inserção no "conceito funcional de insumo"; (viii) aquisição de energia elétrica em razão de divergências entre os livros fiscais e os balancetes de verificação; (ix) frete sobre operações de compra, por ausência de previsão legal; (x) "outros valores com direito a crédito", por ausência de comprovação da natureza de tais créditos Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, requerendo: (a) o afastamento da declaração de preclusão do direito à apresentação de documentos probatórios; (b) o afastamento do critério físico na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, com a utilização dos conceitos de custos necessários à obtenção de receita, conforme legislação do Imposto de Renda; (c) a autorização para a apropriação de créditos sobre a aquisição de carvão de pessoas físicas, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (d) a autorização para apropriação de créditos decorrentes da aquisição de insumos, ainda que não escriturados corretamente em DACON (erro material), bem como pela negativa imposta de comprovação da sua essencialidade; (e) a autorização para apropriação de créditos em decorrência da aquisição de energia elétrica, consumida no processo produtivo, devendo ser afastadas eventuais inconsistências verificadas em DACON; (f) a legitimidade da apropriação de créditos sobre quisição de fretes, seja nas operações de venda, seja nas aquisições; (g) autorização para a apropriação de créditos diversos decorrentes da aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo; Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10320.720163/201023 Resolução nº 3201001.433 S3C2T1 Fl. 9 8 (h) requer a conversão do feito em diligência para a realização de perícia contábil para a verificação dos alegados erros de declaração e, também, da essencialidade dos insumos adquiridos; (i) por fim, requer seja determinada a aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário a ser ressarcido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio ou por redistribuição em razão de conexão. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme se verifica pelo relato dos fatos, o presente feito abrange tanto discussões exclusivamente de direito, como aspectos relacionados à materialidade do crédito tributário, quanto questões relativas aos cálculos de apuração do crédito tributário. Nesse aspecto, 2 (duas) questões sobressaltam e, a meu ver, demandam melhor análise dos fatos: (i) existência de divergências entre valores declarados em DACON e escriturados em documentos contábeis; (ii) essencialidade de itens ao processo produtivo da Recorrente. Quanto ao primeiro, tenho que deve se observar, na hipótese dos autos, o princípio da verdade material a ser perseguido no curso do procedimento administrativo de constituição do crédito tributário. Por óbvio, a aplicação de tal princípio deve estar calcada na necessária observância ao ônus da prova. Tratandose de apuração de créditos de PIS e COFINS, cabe ao contribuinte demonstrar a existência do seu direito. Verifico que a Recorrente, em sua defesa e em seu Recurso Voluntário, apresentou alegações e documentos pelos quais busca legitimar os valores dos créditos considerados em sua apuração, especialmente com relação aos seguintes pontos, conforme redação utilizada pelo Acórdão recorrido: "(...)despesas incorridas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas pelo contribuinte no Dacon como utilizados como insumo, mas não verificadas na sua escrituração (...)". "(...) despesas com energia elétrica, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas não integralmente comprovadas na escrituração (...)" Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10320.720163/201023 Resolução nº 3201001.433 S3C2T1 Fl. 10 9 "(...) despesas com armazenagem e frete, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas em valores significativamente inferiores aos comprovados na escrituração (...)" "(...) crédito relativo a outras operações com direito a crédito, identificada na linha 13 da ficha 6 do Dacon (...)" Embora o acórdão proferido tenha se manifestado acerca das alegações de erros cometidos pela Recorrente, não adentrou acerca da análise específica dos documentos apresentados, limitandose a concluir que competia ao contribuinte, ao prestar suas informações, trazer maiores especificações e detalhamentos. Assim, ainda sem concluir pela prestabilidade ou não dos esclarecimentos e documentos apresentados pela Recorrente, entendo que tais demonstrações não restaram devidamente examinadas pelo acórdão recorrido, merecendo melhor análise. Quanto ao segundo aspecto, atinente aos insumos aplicados ao processo produtivo da Recorrente, sabese que, há muito, a jurisprudência deste CARF vinha se firmando no conceito da essencialidade como critério autorizador à tomada de créditos no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Tal entendimento foi recentemente chancelado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de controvérsia, portanto, de observância obrigatória por este órgão julgador: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10320.720163/201023 Resolução nº 3201001.433 S3C2T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Assim, para a análise acerca da legitimidade das glosas efetuadas pela Fiscalização, necessário perquirir acerca da natureza de tais insumos e a sua essencialidade ao processo produtivo, aspecto não adentrado, seja em sede de lançamento, seja pela decisão de primeiro grau. Pelo exposto, voto por converter o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora intime o contribuinte para, no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias: (i) apresentar, de forma detalhada, quais os erros de declaração existentes em suas DACONs, indicando, com o devido lastro probatório, os corretos valores a serem observado, podendo a Autoridade lançadora solicitar especificamente os documentos que entenda necessários para tal comprovação; (ii) apresentar laudo descritivo da sua atividade operacional, indicando, para cada um dos itens (insumos) objeto de glosa, sua aplicação e essencialidade ao seu processo produtivo. Após, deverá a Autoridade Lançadora se manifestar acerca das informações e documentos apresentados pela Contribuinte, notadamente no que se refere aos alegados erros de preenchimento das DACONs e respectivos documentos probatórios, apresentando relatório conclusivo. Concluído, abrase novo prazo de (30) trinta dias para que a Recorrente se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Ao final, retornemse os autos para julgamento. Esclareço que o prazo concedido é único e aplicase a todos os processos objeto da presente Resolução. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.694662/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 28/02/2003
COMPENSAÇÃO. DCOMP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. PEDIDO CONVOLADO EM COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
A demonstração de certeza e liquidez quanto à existência de saldo negativo de IRPJ ao final do exercício, por meio de documentos hábeis e idôneos, autoriza a contribuinte a compensar o respectivo valor, ainda que o pedido formulado tenha se referido à pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais.
Numero da decisão: 1302-003.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.694658/2009-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. PEDIDO CONVOLADO EM COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A demonstração de certeza e liquidez quanto à existência de saldo negativo de IRPJ ao final do exercício, por meio de documentos hábeis e idôneos, autoriza a contribuinte a compensar o respectivo valor, ainda que o pedido formulado tenha se referido à pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.694658/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 46 62 /2 00 9- 79 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.694662/200979 Acórdão n.º 1302003.179 S1C3T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão DRJ São Paulo que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples alegação da contribuinte de que teria efetuado recolhimento a maior que o devido, sem apresentar justificativa e muito menos juntar aos autos documentos comprobatórios, não é suficiente para fazer jus a qualquer direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A DRF não homologou Declaração de Compensação (DCOMP), que indicava pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Concluiuse que, o referido crédito teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da Recorrente e que não teria restado crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP em questão. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade tempestivamente, em que sustentou que ao entregar a DCTF relativa ao 1o. trimestre de 2003, verificou que teria havido pagamento a maior de IRPJ. Para evidenciar seu crédito, a Recorrente informa que retificou a referida DCTF. Todavia, a retificadora não teria produzido efeitos pelo fato de ter sido efetuada após Despacho Decisório. Essa situação teria levado à conclusão de que não haveria créditos a serem compensados. Juntou à Manifestação de Inconformidade a DCTF em questão, com as alterações realizadas e o DARF referente à compensação, a fim de demonstrar a existência de crédito a seu favor. Cientificada da decisão da DRJ, interpôs Recurso Voluntário tempestivo, cujas razões são a seguir destacadas: a) houve erro no preenchimento da DCTF 1o. Trimestre 2003 e esqueceuse de indicar no campo devido da respectiva DIPJ, o Ano Calendário 2003; b) a omissão nada teria prejudicado o fato de que o prejuízo fiscal teria ocorrido no Ano Calendário 2003, tanto que a respectiva DIPJ teria sido homologada tacitamente; c) o pagamento mensal por estimativa do IRPJ, referente a janeiro de 2013, num período em que houve prejuízo fiscal, representa Saldo Negativo do IRPJ 2003, razão pela qual a Recorrente formalizou a devida compensação; d) a DIPJ, Ano Calendário 2003, devidamente homologada, apurou prejuízo fiscal, razão pela qual não foi apontado IRPJ a pagar; e) o IRPJ estimado mensal, indevidamente recolhido, poderá ser compensado a partir do mês de janeiro do ano calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, assegurada a alternativa de requerer a restituição, conforme disposto no Ato Declaratório SRF n. 3, de 7 de janeiro de 2000, que dispõe sobre a Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.694662/200979 Acórdão n.º 1302003.179 S1C3T2 Fl. 4 3 restituição e compensação do saldo negativo do Imposto sobre a Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real apurado anualmente; f) para as pessoas jurídicas que optarem pelo balanço anual, sendo este o caso da Recorrente, o fato gerador do imposto de renda e da CSLL ocorre em 31 de dezembro de cada ano, data da apuração do lucro real; g) o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, sendo incontroverso o prejuízo fiscal, o qual denota a existência do crédito em discussão; h) o fato de a Recorrente não ter incluído o recolhimento estimado na DIPJ do respectivo período, não tem o condão de considerar indevida a compensação, diante do incontroverso prejuízo fiscal; i) homologada tacitamente a DIPJ que apurou prejuízo fiscal, houve a inversão do ônus da prova, sendo certo que não houve qualquer prova material capaz de indeferir a compensação; j) devese considerar a base negativa de 2003, dando ensejo ao crédito, referente ao IRPJ estimado mensal, recolhido em janeiro de 2003, objeto do PER/DCOMP; k) requereu o conhecimento e o provimento do recurso voluntário, sendo apreciado toda a matéria, tendo em vista os ditames dos artigos 53 e 65 da Lei 9.784/994, bem como Súmulas 346 e 473 do Supremo Tribunal Federal, para que homologue o PER/DCOMP transmitido; l) requereu que as intimações fossem realizadas em nome do Dr. Rodrigo Franco Montoro, inscrito na OAB/SP n. 147.575 e Dr. Faissal Yunes Júnior, inscrito sob o n° 129.312, ambos com escritório na Rua Pedroso Alvarenga, 1046, 17° andar, CEP 04531004, Itaim Bibi, São Paulo SP, tel. (011)21916699. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.171, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.694658/2009 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.171): "Conheço do Recurso Voluntário à vista de sua tempestividade e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. O Acórdão recorrido destaca as seguintes razões: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10880.694662/200979 Acórdão n.º 1302003.179 S1C3T2 Fl. 5 4 O DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, no valor de R$38.903,12, corresponde exatamente ao débito de IRPJ relativo à estimativa do mês de janeiro de 2003, confessado na última DCTF entregue antes de ser proferido o Despacho Decisório (fl. 62), inexistindo, a princípio, pagamento indevido de IRPJ. Destaquese que a DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), instituída pela IN SRF n° 126/98 constitui confissão de dívida nos termos do artigo 5o, § 1o, do Decretolei n° 2.124/84, que dispõe que "O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito". Cumpre observar que a DCTF retificadora que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições entregue após o início de qualquer procedimento fiscal, como no presente caso (a DCTF retificadora, fls. 11/44, foi entregue em 30/11/2009, após a ciência do Despacho Decisório), não produz efeitos, nos termos do artigo 9o, § 2o, inciso II, da IN RFB n° 974/2009 (vigente à época da apresentação da DCTF retificadora), in verbis: "Art. 9o. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 2o A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: II. alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Com relação ao débito confessado espontaneamente pela contribuinte em DCTF, vigora a presunção de liquidez e certeza (o débito existe, no exato valor indicado), de modo que, para desconstituílo, a contribuinte deveria apresentar provas contundentes de que a verdade material é outra, o que não ocorre no presente caso. A contribuinte nem sequer esclarece porque o pagamento no valor de R$ 38.903,12, confessado originalmente em DCTF, seria indevido. Ademais, a DCTF retificadora (na qual foi excluído o débito de IRPJ), assim como a DIPJ/2004 (na qual as estimativas encontramse zeradas), além de entregues após a ciência do Despacho Decisório (a DCTF Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10880.694662/200979 Acórdão n.º 1302003.179 S1C3T2 Fl. 6 5 retificadora em 30/11/2009, e a DIPJ em 29/12/2009), deveriam estar acompanhadas de documentos que dessem respaldo às alterações efetivadas na DCTF. Tratandose de pagamento mensal de estimativa, a regra é a apuração do tributo tomandose como base de cálculo a aplicação de um percentual sobre a receita bruta auferida mensalmente. A contribuinte teria a opção de reduzir ou suspender o pagamento mensal, mas desde que subsidiado no correspondente balanço ou balancete. Mas a contribuinte nada apresenta. Observese que em processos de restituição / compensação o ônus da prova do direito creditório alegado recai sobre o contribuinte, e que nos termos do §4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, a prova documental deve ser apresentada junto com a manifestação de inconformidade. Em resumo, a simples alegação da contribuinte de que teria efetuado recolhimento a maior que o devido, sem apresentar justificativa e muito menos juntar aos autos documentos comprobatórios, não é suficiente para desconstituir a confissão do débito em DCTF que. conforme supra mencionado, presumese líquido e certo e caracterizar a ocorrência de pagamento a maior de IRPJ. À vista das razões da Recorrente e da DRJ, verificase que a DCOMP de 11/09/2006 indica como crédito o DARF de R$38.903,12 (fl. 47). Com o objetivo de fundamentar suas alegações quanto ao referido direito creditório por pagamento indevido ou a maior, a Recorrente juntou à Impugnação a DIPJ de 29/12/2009 (fl. 87); LALUR, fl. 149; DRE, fl. 169; e Balanço Patrimonial, fl. 170, por meio dos quais pretende evidenciar que o pagamento seria indevido, face à apuração de prejuízo fiscal (ano calendário 2003). A Recorrente salienta que o valor pago indevidamente ou a maior decorre do fato de que no período em questão apurou prejuízo. Verificase, ainda, que não obstante as razões da DRJ de que a Recorrente deveria ter apresentado balancetes de suspensão ou redução para demonstrar o pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ, a Recorrente apurou pagamento indevido ou a maior no final do exercício e utilizou o respectivo valor, em sequência, na forma da DCOMP em questão. Dessa forma, resta comprovado a existência de saldo negativo em favor da Recorrente, da qual faz parte a referida estimativa recolhida, sendo assim o caso de reconhecer o crédito sob a forma de saldo negativo de IRPJ (parcial). Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10880.694662/200979 Acórdão n.º 1302003.179 S1C3T2 Fl. 7 6 Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para homologar a compensação até o limite do direito creditório reconhecido como saldo negativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.003244/2010-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1995
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PARADIGMA ANACRÔNICO. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA POSTERIOR. INADMISSIBILIDADE.
O dissídio jurisprudencial necessário à admissibilidade do recurso especial de divergência de que trata o art. 67 do Anexo II do RICARF não se estabelece em relação a acórdão paradigma exarado à luz de arcabouço normativo diverso daquele que orientou o acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9303-007.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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PARADIGMA ANACRÔNICO. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA POSTERIOR. INADMISSIBILIDADE. O dissídio jurisprudencial necessário à admissibilidade do recurso especial de divergência de que trata o art. 67 do Anexo II do RICARF não se estabelece em relação a acórdão paradigma exarado à luz de arcabouço normativo diverso daquele que orientou o acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 32 44 /2 01 0- 11 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11020.003244/201011 Acórdão n.º 9303007.436 CSRFT3 Fl. 122 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 330201.576 de 26 de abril de 2012 (fls. 82 a 88 do processo eletrônico), proferido Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento deu provimento ao recurso voluntário, relativamente às matérias a ele submetidas (prazo para o pedido e possibilidade de compensação), devendo a autoridade de origem apurar o montante do indébito e efetuar a compensação até o seu limite. A discussão dos presentes autos tem origem na declaração de compensação protocolada pelo Contribuinte, na qual compensa crédito de PIS decorrente de ação judicial com débitos de PIS, Cofins, IRPJ e CSLL. Conforme despacho decisório exarado, a compensação não foi homologada em função da prescrição, pois transcorrido mais de 05 (cinco) anos entre o trânsito em julgado da ação que reconheceu o crédito e a entrega da declaração. Também, indica que, mesmo desconsiderado o prazo, a compensação não poderia ser homologada em relação aos tributos diferentes do PIS, sem ofender a coisa julgada, pois apenas esta compensação foi concedida no processo judicial de origem do crédito. O contribuinte apresentou “pedido de reconsideração”, argumentando em preliminar que o servidor responsável pela decisão é reincidente no erro cometido, sobre o qual já havia sido alertado. Ainda, pede, em sua conclusão, para encaminhar o processo à Corregedoria da RFB por ter sido ferido o Estatuto do Servidor Público. No mérito, entende que a restrição à compensação contraria orientações da própria Receita Federal, citando e transcrevendo a ementa de Solução de Consulta da Superintendência da 10ª RF. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11020.003244/201011 Acórdão n.º 9303007.436 CSRFT3 Fl. 123 3 Argumenta também existirem diversas manifestações da Procuradoria em contenciosos, pelos quais a legislação superveniente mais benéfica com relação à compensação poderia ser aplicada, consistindose, tão somente, em integração com a decisão judicial. Com relação a prescrição, considera que existem pendências em processo judicial, ainda não transitado, e processo administrativo, referente aos primeiros pedidos de crédito, reconhecidas pela própria DRF, não havendo que se falar em prescrição, já que esta encontrase suspensa. A DRJ em Porto Alegre/RS julgou improcedente as argumentações apresentadas pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, relativamente às matérias a ele submetidas (prazo para o pedido e possibilidade de compensação), devendo a autoridade de origem apurar o montante do indébito e efetuar a compensação até o seu limite, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1995 PIS. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO. O prazo para o sujeito passivo compensar administrativamente créditos que tenham sido a ele reconhecidos mediante decisão judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da respectiva decisão, e aplicase de forma única ao pedido de restituição originalmente apresentado ou à primeira declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11020.003244/201011 Acórdão n.º 9303007.436 CSRFT3 Fl. 124 4 A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 91 a 100) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao termo a quo para a contagem do prazo de restituição/compensação e sobre a possibilidade de compensação de credito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado de um tributo com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Para comprovar as divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma referente a primeira matéria Termo a quo para a contagem do prazo de restituição/compensação os acórdãos de números 30131240 e 202 16168; referente à segunda matéria Possibilidade de compensação de credito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado de um tributo com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil – os acórdãos de números 20176.950 e 20402.901. A comprovação do julgado firmouse pela transcrição das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 102 a 105, sob o seguinte argumento: Referente a primeira matéria – o acórdão recorrido ao tratar do prazo para o sujeito passivo compensar administrativamente créditos que tenham sido a ele reconhecidos mediante decisão judicial, apesar de deixar consignado que a declaração de compensação foi apresentada em 25 de outubro de 2010 e a ação judicial que reconheceu os indébitos transitou em julgado em 04 de novembro de 2003, considerou que, no caso, ainda não havia ocorrido o decurso do prazo para compensação. Por outro lado, os acórdãos paradigmas firmaram entendimento que no caso de crédito reconhecido em ação judicial o prazo prescricional para o contribuinte formalizar o seu pedido de restituição e/ou compensação é de 5 anos a partir da data do trânsito em julgado da decisão judicial. Referente à segunda matéria a decisão recorrida foi no sentido de admitir a compensação de créditos reconhecidos judicialmente com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB se a legislação vigente quando do trânsito em Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11020.003244/201011 Acórdão n.º 9303007.436 CSRFT3 Fl. 125 5 julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Por sua vez, os paradigmas apresentados concluíram pela impossibilidade de ser feita a compensação do crédito obtido por via judicial com quaisquer débitos, em obediência as limitações impostas pela decisão judicial. Desta forma, entendeuse que restaram comprovadas as divergências arguidas pelo Contribuinte. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 111 a 115, manifestando pelo não conhecimento do Recurso Especial do Fazenda Nacional e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, porém não deve ser conhecido, por não cumprir com os requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O mérito do presente recurso trás duas questões: 1 prazo para compensação e 2 possibilidade de compensação dos indébitos com outros tributos. 1 Prazo para compensação Quanto ao primeiro tema, prazo para compensação, entendo que não ficou comprovada a divergência jurisprudencial, pelos motivos a seguir: O acórdão paradigma n.º 20216168, juntado pela Fazenda Nacional apesar de dizer que contase o prazo de prescrição a partir da data do trânsito em julgado da ação que Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11020.003244/201011 Acórdão n.º 9303007.436 CSRFT3 Fl. 126 6 reconheceu a impertinência da exação tributária anteriormente exigida foi resolvido em contexto fático totalmente diferente da real situação trata no acordão recorrido. Para melhor elucidar os fatos segue abaixo um quadro comparativo entre o acordão recorrido e os acórdãos paradigmas: Acordão Recorrido Acordão Paradigma n.º 20216168 Relatório: Empresa em epígrafe entregou, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul (DRF/CXL), a declaração de compensação da fl. 01, em 25/10/2010, na qual compensa crédito de PIS decorrente de ação judicial com débitos de PIS, Cofins, IRPJ e CSLL. Conforme indica expressamente no pedido, tal crédito já havia sido objeto de utilização no processo 11020001.079/200597, que se refere a declarações de compensações anteriores, sendo que a cópia do Despacho Decisório que apreciou e negou as compensações encontra se anexada aos autos (fls. 08 a 11). Tal processo também foi objeto de análise recente desta DRJ. O crédito está fundado na ação ordinária 97.15.014933. (..) Em 08/10/2002 foi negado provimento ao agravo regimental interposto pela União. Da mesma forma, os embargos de declaração foram rejeitados em 06/05/2003. A União interpôs recurso extraordinário que não foi Decisão: “Nessa linha de raciocínio, podese dizer que, para a contribuinte, o indébito restou exteriorizado por situação jurídica conflituosa, hipótese em que o pedido de restituição tem assento no inciso III do art. 165 do CTN, contandose o prazo de prescrição a partir da data do trânsito em julgado da ação que reconheceu a impertinência da exação tributária anteriormente exigida. Ou seja, no caso em concreto, a solução da situação jurídica conflituosa deuse em 21/10/94 data em que a sentença judicial transitou em julgado reconhecendo a impertinência da exação tributária anteriormente exigida e, portanto, a partir desta data é que começou a fluir o prazo decadencial para que a contribuinte ingressasse com pedido de repetição do indébito tributário. Todavia, apenas em 14/09/2000 foi protocolado o pedido de repetição do indébito tributário. Assim, em razão do acima exposto, não resta dúvida de que o termo inicial para contagem Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11020.003244/201011 Acórdão n.º 9303007.436 CSRFT3 Fl. 127 7 admitido em 02/10/2003. Por fim, a ação transitou em julgado em 04/11/2003. Comentários: Aqui no num primeiro momento o Contribuinte teve o transito em julgado da Ação Ordinária n° 97.15.014933 em que discutiu o direito a compensação de valores pagos a título de PIS, de julho de 1988 a outubro de 1995, em 04/11/2003. Após, em janeiro de 2004, foi iniciada as compensações e a Contribuinte lançou em seu balanço patrimonial e em 31/12/2003 na conta "Resultado exercícios futuros" — "Receita DiferidaPIS Proc. 97.15.014933". Em um segundo momento, em 2005 com advento da Instrução Normativa SRF 517/2005, a Contribuinte ficou impedida de efetuar as compensações via sistema eletrônico, uma vez que para tanto deveria habilitar previamente seu crédito. Diante disto, a empresa insurgiuse contra tal medida e impetrou Mandado de Segurança 2005.71.07.0012042 para fazer valer integralmente o disposto no artigo 74 da Lei n° 9.430/96, na parte exata que trata das compensações de créditos oriundos de decisão judicial, referente a Ação Ordinária n° 97.15.014933. do prazo extintivo do direito de o sujeito passivo requerer a repetição do indébito exteriorizado pela declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis n° 2.445/1988 e 2.449/1988 é a data do trânsito em julgado da sentença que lhe reconheceu a inconstitucionalidade das referidas normas legais e a consequente impertinência da exação tributaria regida por tais normas. Acórdão paradigma n.º 30131240 Relatório: A empresa em epígrafe teve reconhecido em parte o direito creditório em seu pedido de restituição/compensação da contribuição para o Fundo de Investimento Social — FTNSOCIAL referente aos recolhimentos a partir de 04/10/89 a 20/04/92 com débitos da Contribuição Social sobre o lucro Líquido — CSLL, Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COF1NS e contribuição para o Programa de Integração Social — PIS , por meio da Decisão n° 128/00, de 30/05/2000, que se encontra às fls. 186 a 190, que condicionou sua implementação a que a contribuinte comprovasse a desistência da execução do respectivo título judicial e que assumisse todas as custas do processo judicial, inclusive os honorários advocaticios. A Decisão DRF/Passo Fundo considerou a aplicação do art. 168 do MN para a contagem de prazo decadencial para pedido de Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11020.003244/201011 Acórdão n.º 9303007.436 CSRFT3 Fl. 128 8 No mandado de segurança foi concedida liminar (29/03/2005) e a sentença denegou a segurança e revogou a liminar (31/08/2005). E em sede de Apelação o Contribuinte obteve a segurança definitiva e a decisão transitou em julgado em 19 de Junho de 2015. Decisão: Muito embora haja vários créditos tributários que vão sendo extintos à medida que as compensações vão sendo realizadas, o direito do contribuinte, que se opõe ao da União, é o crédito, que é único e tem uma referência temporal única (no caso, a data do trânsito em julgado da ação judicial). Ademais, o crédito decorrente de ação judicial é único, tanto que o prazo para apresentação de ação de execução ou de pedido administrativo de restituição iniciase, para todo o crédito, na data de trânsito em julgado da ação de conhecimento. restituição, ou seja, 5 anos a partir da extinção do crédito tributário. (...) Decisão: Tal direito foi reconhecido, por via de decisão judicial de que foi • parte a recorrente, na Ação Ordinária n° 94.12012578, de 25/10/94, tendo transitado em julgado a 05/08/96 decorrente do Acórdão n° 96.04.430912 do TRF da 4' Região. Nesta ação o objeto do pedido foi o direito à compensação tendo em vista a inconstitucionalidade das leis que majoraram as aliquotas, proferida incidentalmente no RE STF n° 150.7641PE, de 16/12/92 (fls. 21/22). Nesta mesma ação a contribuinte juntou ao pedido judicial demonstrativo dos créditos e DARFs de recolhimento do FINSOCIAL referentes aos períodos de 09/89 a 03/92 (fls. 27/44). Na ação judicial em que pleiteia também a declaração de inconstitucionalidade das majorações da aliquota do FINSOCIAL superiores a 0,5%, cumulativamente pede lhe seja assegurado o direito de compensar tais valores pagos a maior com futuros débitos a titulo de COFINS. A sentença decidiu pelo reconhecimento da inconstitucionalidade dos dispositivos legais que determinaram o aumento das aliquotas do FTNSOCIAL e pela procedência da pretensão da autora para o fim de autorizar a compensação do valor pago a Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11020.003244/201011 Acórdão n.º 9303007.436 CSRFT3 Fl. 129 9 maior que 0,5% a titulo de • FINSOCIAL a partir da data em que foi recepcionada pela CF até a entrada em vigor da Lei Complementar n° 70/91, de 30/12/91 (de 05/10/88 a 30/12/91) (fls. 107). O TRF da 4' Região negou provimento à apelação da União e à remessa oficial e deu provimento parcial à apelação da Autora para que os valores recolhidos indevidamente sejam corrigidos monetariamente com a aplicação do 1PC dos meses de março e abril de 1990 (acórdão fls. 140/145) transito em julgado e 10/1/97 (fl. 147). (...) Apenas, no que se refere à decadência do direito a restituição, quanto ao aspecto temporal do pedido, aliome às correntes jurisprudenciais e doutrinárias, segundo às quais, o dies a quo para exercitar tal direito começa a fluir no caso do FINSOCIAL a partir da data do trânsito em julgado da decisão judicial de que foi parte a Recorrente, encerrandose com o decurso de 5 (cinco) anos. Verificamse contextos fáticos diferentes e que o contribuinte no acordão recorrido teve dois momentos para realizar a compensação. Um quando ganhou a ação e outro quando teve uma alteração legislativa e valeuse do MS 2007.70.00.0129868 para poder continuar a fazer suas compensações. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11020.003244/201011 Acórdão n.º 9303007.436 CSRFT3 Fl. 130 10 Aqui o que se alega e se o acórdão no MS 2007.70.00.0129868/ PR teria estabelecido que o prazo de cinco anos para iniciar a compensação. Ademais na decisão do acordão recorrido, reconhece que o dies a quo para exercitar o direito de fazer a compensação é a partir da data do trânsito em julgado da decisão judicial e que vai de encontro com os acórdãos paradigmas. Ora, se o objetivo intrínseco do recurso especial de divergência é uniformizar os julgados do CARF, por óbvio que não havendo similitude entre o que está sob julgamento e o teor do aresto paragonado, não pode e não deve sequer ser admitido recurso. Ante tais considerações, não conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, quanto a essa matéria. 2 Possibilidade de compensação dos indébitos com outros tributos. Quanto ao segundo tema, possibilidade de compensação dos indébitos com outros tributos, o acordão Recorrido entendeu por aplicar a Solução de Divergência n. 2, de 22 de setembro de 2010, senão vejamos: Admitindose a segunda, impõemse as restrições criadas pela nova legislação (apresentação de declaração de compensação) e não se aplicam as restrições anteriormente existentes, especialmente pelo fato de a restrição deverse exatamente à desnecessidade de comunicação da compensação ao Fisco. A RFB manifestouse a respeito da questão na Solução de Divergência n. 2, de 22 de setembro de 2010, cuja ementa foi a seguinte: ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002, RESTRITIVA A TRIBUTO DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11020.003244/201011 Acórdão n.º 9303007.436 CSRFT3 Fl. 131 11 TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido apenas a repetição do indébito, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (a) se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. No caso, a legislação permite a compensação de créditos reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado, não havendo, portanto, impedimento à pretensão da Interessada. No entanto, a Fazenda Nacional, juntou os acórdãos paradigmas CSRF/ 02 02.839, de 16 de outubro de 2007 e 20403.266, de 04 de junho de 2008, que foram julgados antes da publicação da Solução de Divergência COSIT n.º 2/2010, publicada no DOU 11/11/2010, e que diante disto, não aplicaram a nova orientação da Receita Federal. Assim, verificase que, pois os acórdãos paradigmas são anacrônicos, obsoletos, ou seja, houve alterações posteriores na orientação que mudaram o entendimento da Receita Federal. Desta forma entendo que não restou comprovado o dissídio jurisprudencial necessário à admissibilidade do Recurso Especial de divergência de que trata o art. 67 do Anexo II do RICARF, em que não se estabelece em relação ao acórdão paradigma exarado à luz de arcabouço normativo diverso daquele que orientou o acórdão recorrido. À vista do exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial da Fazenda. É como voto. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11020.003244/201011 Acórdão n.º 9303007.436 CSRFT3 Fl. 132 12 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18108.001287/2007-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO.
"Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." (Súmula CARF nº 99)
Numero da decisão: 2202-004.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência do lançamento do crédito tributário.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator).
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." (Súmula CARF nº 99)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência do lançamento do crédito tributário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator).
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DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." (Súmula CARF nº 99) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência do lançamento do crédito tributário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 12 87 /2 00 7- 37 Fl. 486DF CARF MF 2 Relatório Na condição de Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, tendo em vista que o Relator originário, Dilson Jatahy Fonseca Neto, não mais integra o Colegiado. Assim, reproduzo, na íntegra, o relatório disponibilizado em meio magnético pelo referido Conselheiro, conforme a seguir. Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito de Contribuições Sociais Previdenciárias. Intimada, protocolou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ. Ainda inconformada, a Contribuinte protocolou Recurso Voluntário, que também foi julgado parcialmente procedente. Intimada, a Contribuinte protocolou Embargos de Declaração, que foi admitido pelo presidente da 2ª Seção de Julgamento. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 14/11/2007 foi lavrado o AI DEBCAD nº 37.074.8670 (fls. 2/78), para Constituir crédito tributário referente a Contribuições Sociais Previdenciárias. O relatório fiscal consta às fls. 105/108. Intimada em 14/11/2007 (fls. 2), a Contribuinte protocolou impugnação em 17/12/2007 (fls. 200/222 e docs. anexos fls. 223/333). Analisando a defesa, a DRJ 17 26.774, de 12/08/2008 (fls. 336/349), no qual manteve o lançamento apenas em parte. Intimada em 25/11/2008 (fl. 375), a Contribuinte protocolou recurso voluntário em 23/12/2008 (fls. 381/398). Chegando ao CARF, foi proferido o acórdão nº 2803 01.394, de 12/03/2012 (fls. 403/415), no qual foi dado provimento parcial ao recurso e que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2002 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGATORIEDADE DE RETENÇÃO. Consoante art. 31 da lei 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra de empreitada de construção civil, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida. Insuficiente fundamentação legal nos levantamentos R01 Penta Pena Transportes Aéreos, R07 Transportadora Giacchero Ltda, R22 Metropolitan Transportes, R23 Sete Táxi Aéreo Ltda e R26 ASH Assessoria Serviço de Hotelaria Ltda determina a exclusão dos mesmos. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 487DF CARF MF Processo nº 18108.001287/200737 Acórdão n.º 2202004.782 S2C2T2 Fl. 487 3 Encaminhados os autos à PGFN, esta protocolou Recurso Especial (fls. 422/429 e docs. anexos fls. 430/441), em relação ao qual a Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 472/476). De qualquer sorte, intimada da decisão em 08/04/2013 (fl. 449), a Contribuinte protocolou Embargos de Declaração em 09/04/2013 (fls. 450/454), apontando a existência de omissão em relação à questão da decadência e da aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, suscitada no recurso voluntário. Esses embargos foram objeto de Despacho de Admissibilidade (fls. 484/485), pelo qual a presidência da 2ª Seção de Julgamento o admitiu em sua integralidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc A teor do relatório acima reproduzido, também adoto aqui, na íntegra, o voto disponibilizado pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, de sorte que o posicionamento abaixo esposado não necessariamente tem a aquiescência deste Conselheiro: Os embargos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. Da omissão Como bem apontou o Despacho de Admissibilidade, os embargos tem por objeto apontar a existência de omissão no acórdão nº 280301.394, de 12/03/2012. Anota a Contribuinte que o voto vencido deixou que analisar a decadência uma vez que reconhecia a nulidade do lançamento. De outro lado, o voto vencedor discorreu sobre a nulidade e sobre o mérito da validade do lançamento, sem analisar a existência de decadência. Retornando ao recurso voluntário, constatase que a Contribuinte efetivamente discorreu sobre a matéria, especificamente às fls. 383/388. Há, portanto, efetiva omissão, o que justifica a interposição dos aclaratórios e demonstra a necessidade de saneamento. Da decadência Argumenta a Contribuinte que o lançamento encontrase eivado pela decadência. Esclarece que, a despeito de o lançamento abarcar o período de 04/1999 a 04/2002, só foi intimada em 14/11/2007. Ressalta que a decisão da DRJ deve ser reformada porque ali se aplicou o art. 173 do CTN, mas que deve ser aplicado o art. 150, § 4º, do CTN, vez que se trata de tributo sujeito ao lançamento por homologação e que o lançamento foi para constituir "supostas diferenças de contribuições sociais, apuradas a partir dos valores pagos pela Recorrente e informados em suas GFIPs mensais" (fls. 383/384). Retornando à decisão da DRJ, constatase que ali realmente foi dado provimento parcial à impugnação exatamente para reconhecer a decadência do crédito referente ao período anterior a 11/2001, em função da Súmula Vinculante nº 8 do STF. Fl. 488DF CARF MF 4 Também, que ali aplicou o art. 173, I, do CTN, em função de a "contribuinte deixou de oferecer à tributação os valores apurados pela fiscalização. Assim, não efetuou o pagamento antecipado do imposto devido." (fl. 342). Com razão a Contribuinte. Constatase que durante a fiscalização a autoridade lançadora solicitou a apresentação de vasta documentação, inclusive GFIP e DARP/GRPS/GPS (fl. 93). Entretanto, o lançamento se restringiu à não apresentação de comprovação de retenção dos 11% sobre as Notas Fiscais, não fazendo a autoridade lançadora nenhuma ressalva em relação ao não pagamento dos tributos devidos em relação aos próprios trabalhadores, por exemplo. O que é mais, no Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fl. 195), ficou registrado que foram examinados: livro diário, livro de registro de empregados, folha de pagamento, comprovantes de recolhimento, outros elementos. Enfim, e de maior relevância, consta Relatório de Documentos Apresentados RDA (fl. 57/70), no qual ficou registrada a apresentação de comprovantes de recolhimentos, inclusive em relação às competências de 01 a 04/2002. Portanto, nos termos da Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória conforme o art. 45, VI, do RICARF, deve ser aplicada a regra do art. 150, § 4º, do CTN. Considerando que a Contribuinte foi intimada apenas em 14/11/2007 (fl. 2), então o crédito objeto do lançamento é caduco. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência do lançamento do crédito tributário. Eis o voto que me coube redigir. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson (voto de Dilson Jatahy Fonseca Neto) Fl. 489DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.003712/2008-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento até a apreciação definitiva, pelo STF, do RE 574.706/PR, vencidos o Conselheiro André Henrique Lemos (relator), que dava provimento, e os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Marcos Roberto da Silva, que votavam pela apreciação de mérito, e negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares e Cássio Schappo.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento até a apreciação definitiva, pelo STF, do RE 574.706/PR, vencidos o Conselheiro André Henrique Lemos (relator), que dava provimento, e os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Marcos Roberto da Silva, que votavam pela apreciação de mérito, e negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares e Cássio Schappo. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 03 71 2/ 20 08 -9 8 Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 435 2 Tratase de recurso voluntário, cujo nascedouro se deu por meio de lançamento de ofício por divergências verificadas entre os valores da COFINS escriturados e os declarados em DTF, do período de 01/2003 a 12/2003. A fiscalização ressaltou que a empresa contabilizou as receitas auferidas durante o ano em referencia, tendo apurado os tributos devidos, sem, entretanto, têlos declarado em DCTF e tampouco promovido o seu recolhimento, pelo que efetuou o lançamento tributário da Cofins, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. Houve apresentação tempestiva de impugnação, na qual se invocou a preliminar de decadência quanto aos fatos geradores de 01/03 e 02/03, pela contagem do artigo 150, §4º do CTN, vez que o lançamento fora efetivado em 03/2008. No mérito, propugna (1) pela necessidade de retificação da base de cálculo da contribuição, porquanto seu alargamento, obtido pela ampliação do conceito de faturamento, promovido pelo art 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, entendimento que vem sendo adotado inclusive pelo colendo Conselho de Contribuintes; (2) a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, por juridicamente não poder ser incluído em nenhum dos conceitos correspondentes ao faturamento ou à receita, a exemplo do entendimento exarado pelo STF; (3) a inaplicabilidade da Taxa SELIC; (4) exclusão /redução da multa e juros moratórios baseados na Taxa SELIC. A DRJ/BHE, à uninimidade de votos, considerou procedente o lançamento, de acordo com a ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003 Os valores correspondentes ao ICMS, por expressa falta de previsão legal, não podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição. As multas de oficio são previstas em lei, sendo defeso aos órgãos administrativos o seu relevamento. As normas reguladoras dos juros de mora que determinam a aplicação do percentual equivalente à taxa Selic encontramse disciplinadas em lei. A arguição de inConStitucionalidade não pode ser oponivel na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria. Houve ciência do acórdão, por meio de AR, em 17/08/2010 (efl. 353), sobrevindo interposição de recurso voluntário, repetindose, basicamente os argumentos da impugnação. À efl. 398 consta a Resolução sobrestando o julgamento até decisão definitiva do STF quanto à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. Posteriormente houve Resolução convertendo o julgamento em diligência para (efl. 416): Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 436 3 1. Informar a data de recepção do recurso voluntário; 2. Tomar providências para instruir este processo com informação que discrimine os valores constantes da base tributável, identificando sua classificação ou natureza, que não se constituam como correspondendo ao faturamento proveniente da venda de bens e serviços. À efl. 420 sobreveio Informação Fiscal que, atendendo ao item 2 da Resolução disse: O item 2 do Voto da Resolução nº 3401000.802 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF solicita que se discriminem os valores constantes da base tributável, identificando sua classificação ou natureza, que não se constituam como correspondendo ao faturamento proveniente da venda de bens e serviços. Da análise do quadro acima, concluise que as receitas provenientes da revenda de mercadorias são as constantes da coluna “ B “. As receitas que não são provenientes da venda de bens e serviços são as constantes da coluna “C”. (grifo do original). Sobre a tempestividade recursal, o Despacho de Encaminhamento de efl. 429, informa: À SECRETARIA O despacho de efls. 423 informa que este processo foi digitalizado no CARF, motivo por que a unidade de jurisdição local não pode atender a Resolução do CARF para indicar a data de recepção do recurso voluntário. Solicito o favor de verificar a possibilidade de atender a Resolução em tela, no que se refere à data de entrega do Recurso Voluntário. Já o Despacho de Encaminhamento de efl. 431, menciona: Este processo foi movimentado para esta Coordenação para que fosse verificado no processo físico a data do recebimento do Recurso Voluntário. Conferido o processo papel e não foi encontrado a data do recebimento do recurso voluntário pela Unidade Preparadora. O Físico se encontra nesta Coordenação para conferência pelo relator, se precisar. Restituo os autos a Quarta Câmara da Terceira Seção para as devidas providências. Os autos foram restituídos ao então conselheirorelator, Eloy Eros da Silva Nogueira para prosseguimento (efl. 432). É o relatório. Voto vencido Conselheiro André Henrique Lemos, Relator Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 437 4 O recurso interposto é tempestivo e dele tomase conhecimento. Deste modo, há necessidade de se aferir sobre isto. A questão se restringe (1) retificação da base de cálculo da contribuição, porquanto seu alargamento, obtido pela ampliação do conceito de faturamento, promovido pelo art 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, entendimento que vem sendo adotado inclusive pelo colendo Conselho de Contribuintes; (2) a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, por juridicamente não poder ser incluído em nenhum dos conceitos correspondentes ao faturamento ou à receita, a exemplo do entendimento exarado pelo STF; (3) a inaplicabilidade da Taxa SELIC; (4) exclusão/redução da multa e juros moratórios baseados na Taxa SELIC. Quanto ao primeiro argumento, entendese que, embora haja Parecer PGFN/CRF 439/96; entendido jurisprudencial (STJ, REsp. 23.1211/GO, DJU 8/11/93; STF, RMS 8.372/CE); doutrina (RDDT 13/99; RDDT 25/72; Repertório IOB de Jurisprudência, 2a Quinzena de Maio de 2000, nr. 10/2000, Caderno 1, p. 256); todos objetivamente no sentido de que o Poder Executivo deve negar execução a ato normativo que lhe pareça inconstitucional, o fato é que, atualmente o artigo 26A, do Decreto 70.235/72, veda o afastamento de lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, o que é seguido por sedimentada jurisprudência deste Tribunal, e que, aliás, redundou na Súmula 2, deste CARF, de modo que se segue esta orientação. Assim, quanto ao alargamento da BC da COFINS sabese que tanto o STF (RE 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG) como o STJ entenderam ser inadmissível tal inclusão, dizendo, conclusivamente que apenas o faturamento, assim entendido como sendo o resultado da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza (art. 2o, LC 70/91), não estando em tal conceito as ditas receitas financeiras. Destacase que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: “EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3o, § 1 o, da Lei n o 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE n o 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1o.9.2006; REs n o 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871)”(grifo nosso) Em razão da repercussão geral ter sido julgada no mérito, vincula o julgamento administrativo no âmbito do CARF, conforme previsão regimental específica (art. 62, § 2o, “b”, do atual RICARF). Vincula ainda a própria RFB (o que inclui as DRJ), conforme art. 19 da Lei no 10.522/2002, e alterações posteriores: Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 438 5 “Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (...) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (...) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput.” (grifo nosso) Aqui, ocorre a exceção da aplicação da Súmula 2 deste Tribunal: “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, razão pela qual, há de ser cancelado o lançamento com relação a esta glosa. Quanto ao segundo assunto: exclusão do ICMS na BC da COFINS, como se sabe, o mérito do assunto foi decidido em regime de repercussão geral, nos autos do RE 574.706, vindo o plenário do STF fixar a tese de que o ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS, vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Tóffoli e Gilmar Mendes, porém, o acórdão sem publicação, o que tem gerado discussões neste Tribunal sobre a aplicação ou não desta decisão. Demais disso, a Solução de Consulta RFB 6.012/2017, vinculada à Solução de Consulta COSIT 137/2017 traduzem que não há solução definitiva do mérito, não gerando, a priori, uma vinculação para este E. Conselho, embora a notoriedade da decisão da Suprema Corte, seja por meio de transmissão ao vivo do julgamento pela TV Justiça, em notícia publicada em seu sítio, bem assim, em diversos jornais e sítios jurídicocontábeis. Aliás, de bom alvitre mencionar que no aludido RE fora reconhecida a sua repercussão geral, sendo que o § 5º do art. 1.035 da Lei nº Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 439 6 13.105/2015 (CPC/2015), determina expressamente que, reconhecida a repercussão geral, deverá ser determinada a "suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional", não havendo distinção entre processos administrativos e judiciais, embora não haja notícia de que a Ministra Relatora tenha determinado expressamente a suspensão. Acrescentase a isto, como bem esclareceu o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, em seu esmerado voto nos autos do processo 10880.903037/201229: Destacase, ademais, que o Recurso Extraordinário nº 574.706 teve a sua repercussão geral reconhecida e que o § 5º do art. 1.035 da Lei nº 13.105/2015 é expresso ao determinar que, uma vez reconhecida a repercussão geral, deverá ser determinada a "suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional": ao dispor sobre "processos", não fez o legislador distinção entre processos administrativos e judiciais. Milita em desfavor da aplicação de tal dispositivo o fato de que, no presente caso, não haver notícia de que a Ministra Relatora tenha determinado expressamente a suspensão. No entanto, em 23/02/2017, caso em tudo semelhante ao presente foi decidido no sentido da suspensão do processo administrativo que tramita neste Conselho: no curso do Recurso Extraordinário nº 566.622/RS, de Relatoria do Ministro Marco Aurélio Mello, procedeu se à suspensão dos processos que tramitam neste Conselho acerca de matéria idêntica, decidida de maneira favorável à contribuinte pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em decisão pendente de publicação: "A Fundação Armando Álvares Penteado, admitida no processo como interessada, requer a comunicação, mediante ofício, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF acerca da suspensão dos processos que versem a mesma matéria do extraordinário. (...). Relata a ausência de implementação da medida no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, vinculado ao Ministério da Fazenda, responsável pelo exame dos recursos contra atos formalizados no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Afirma que a recusa do Órgão decorre da falta de previsão regimental a respaldar a suspensão dos processos. Ressalta a iminência de julgamento, no CARF, de processo administrativo relevante para a entidade. Noticia a expedição de ofício, pela Secretaria Judiciária, a todos os tribunais do território nacional, não tendo havido comunicação aos órgãos administrativos. (...) Em se tratando de processo sob repercussão geral, surgem conseqüências danosas. Uma vez admitida, dáse o fenômeno do sobrestamento de processos que, nos diversos Tribunais do País, versem a mesma matéria, sendo que hoje há previsão no sentido do implemento da providência requerida § 5º do artigo 1.035 do Código de Processo Civil. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 440 7 (...) A entrega da prestação jurisdicional deve ocorrer conciliandose celeridade e conteúdo. Daí a necessidade de atentarse para o estágio atual dos trabalhos do Plenário. Dificilmente conseguese julgar, fora processos constantes em listas, mais de uma demanda, o que projeta no tempo, em demasia, o desfecho de inúmeros conflitos de interesse. No caso, temse quatro votos proferidos no sentido da inconstitucionalidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991. Enquanto isso, o Poder Público continua aplicandoo, gerando dificuldades de toda ordem para entidades beneficentes. (...) Implemento a medida acauteladora, suspendendo, nos termos do artigo 1.035, § 5º, do Código de Processo Civil, o curso de processos que veiculem o tema, obstaculizando o acionamento, pela Administração Pública, do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991" (seleção e grifos nossos). Assim, em 07/03/2017 foi expedido o Ofício nº 594/R endereçado ao Presidente deste Conselho com cópia da decisão do Ministro Marco Aurélio Mello que suspendeu os processos administrativos que tratam da matéria. O mesmo Conselheiro, em conjunto com o também conselheiro Diego Diniz Ribeiro, publicaram no dia 03/05/2017, artigo no sítio Jota, link (https://jota.info/artigos/carfdevesuspenderprocessosdoicmsna basedacofins03052017), sob o título CARF deve suspender processos de ICMS na base de cálculo da Cofins? E com o subtítulo Não se pode relegar ao esquecimento, como se inexistente, aquilo que sabemos e conhecemos. No mencionado e aplicado artigo, seus autores chamam a atenção para vários aspetos interessantes, alguns deles citados alhures, mas também sob o enfoque dos artigos 9261 e 9272, ambos do CPC/2015, destacandose os seguintes trechos: Referida valorização – ainda que aparente – de um modelo de stare decisis é renovada com base no CPC/2015, em especial com o disposto no seu art. 926 [3], norma que oferece importantes vetores para a busca de uma verdadeira valorização dos precedentes. Não obstante, o art. 927 do citado Codex [4] densifica tais valores, na medida em que prescreve os tipos formais de decisão aptos a veicular um precedente de caráter vinculante. Logo, o que se observa é que a decisão proferida no âmbito do RE 574.706, por apresentar um caráter transubjetivo e proximamente vinculante, deve ser seguida, exatamente como previsto no caput do 1 “Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente.” 2 “Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I – as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II – os enunciados de súmula vinculante; III – os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV – os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V – a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados.” Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 441 8 citado art. 927 do CPC. Buscase, com isso, salvaguardar a unidade material das decisões de caráter judicativo e, consequentemente, o tratamento igualitário entre jurisdicionados que se encontrem em situações análogas e, por fim, uma segurança jurídica de índole substancial. Prosseguem os conselheiros mencionando a possibilidade de aplicação supletiva e subsidiária do CPC/20153 ao processo administrativo fiscal, cujo pensamento se comunga, merecendo realce: Não obstante, mesmo que se empregue a função integrativa de uma norma subsidiária em um sentido clássico, ainda sim a solução aqui proposta (sobrestamento do processo administrativo tributário) seria a única resposta cabível para o caso em tela. E isso porque, ao se analisar as disposições legais que tratam do processo administrativo tributário (Decreto 70.235 e Lei 9.784/99), é impossível encontrar qualquer disposição normativa que trate do problema aqui enfrentado, qual seja, o que fazer com processo administrativo que apresente recurso com causa de pedir autônoma e cujo teor está pendente de julgamento no âmbito judicial, em sede de processo com caráter transindividual. Não havendo disposições legais nas leis que tratam o processo administrativo tributário, deve ser aplicado de forma subsidiária o CPC. (grifo dos Autores). Diante desse cenário, o mais prudente é suspender o presente feito até que haja a publicação do acórdão proferido pelo STF, sendo esta a proposta que trago ao Colegiado. Caso este não seja este consenso, passase à análise do mérito. Como se viu, a questão fora resolvida no mérito, pelo plenário do STF, em se de repercussão geral que a parcela do ICMS não compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS, razão pela qual, não há se fazer maiores digressões sobre o assunto, afinal, por meio da Suprema Corte coube e cabe o último veredicto, vindo tal decisão a ser seguida pelos demais órgãos do Poder Judiciário e da Administração Pública. Temse, apenas, um hiato, um compasso de espera, todavia, os efeitos jurídico e prático são sabidos de todos: o ICMS não compõe a BC do PIS e da COFINS, se repete. Utilizase os argumentos quanto à suspensão do processo, citados acima, também para a questão de mérito, pois se entende aplicáveis neste particular, mormente quanto aos artigos 926 e 927, III, ambos do CPC/2015. Com vênia aos que entendem de modo diverso registrandose o posicionamento desta Turma, nos autos do processo 19515.003057/200692, acórdão 3401003.437, votação por maioria, de relatoria do conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida , entendese que a notoriedade do julgamento do citado RE deve ser colocado em prática, emprestando flexibilidade a um rigor, cujo desiderato já se sabe. 3 “Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 442 9 Adiciono aos argumentos até aqui expendidos, 2 (dois) outros. O primeiro, no tocante à obediência da Administração Pública aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, segurança jurídica e interesse público, conforme preceitua o artigo 2o, da Lei 9.784/99: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. O segundo, quanto à sucumbência que suportará a Fazenda Nacional no presente caso, sim, posto que, ao se julgar o caso concreto em desfavor da Recorrente, o débito será inscrito em dívida ativa, não sendo pago, a mesma Fazenda Pública o cobrará por meio de ação de execução fiscal. Se a ContribuinteRecorrente se opõe ao lançamento desde 2002 nesta via administrativa, de se ter que, diante de uma decisão do STF em sede de repercussão geral, provavelmente questionar esta glosa em sede judicial. Perante o Poder Judiciário, obterá sucesso e a Fazenda Nacional será sucumbente, e mais, com disciplina diferente do CPC/73, vez que o artigo 85, do CPC/2015 é muito mais criterioso, conforme se percebe de partes destacadas de seu texto: Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. § 2o Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurálo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos: I o grau de zelo do profissional; II o lugar de prestação do serviço; III a natureza e a importância da causa; IV o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço. § 3o Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos honorários observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2o e os seguintes percentuais: I mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido até 200 (duzentos) saláriosmínimos; II mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 200 (duzentos) saláriosmínimos até 2.000 (dois mil) saláriosmínimos; III mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) saláriosmínimos até 20.000 (vinte mil) saláriosmínimos; Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 443 10 IV mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 20.000 (vinte mil) saláriosmínimos até 100.000 (cem mil) saláriosmínimos; V mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) saláriosmínimos. § 4o Em qualquer das hipóteses do § 3o: I os percentuais previstos nos incisos I a V devem ser aplicados desde logo, quando for líquida a sentença; II não sendo líquida a sentença, a definição do percentual, nos termos previstos nos incisos I a V, somente ocorrerá quando liquidado o julgado; III não havendo condenação principal ou não sendo possível mensurar o proveito econômico obtido, a condenação em honorários darseá sobre o valor atualizado da causa; IV será considerado o saláriomínimo vigente quando prolatada sentença líquida ou o que estiver em vigor na data da decisão de liquidação. Neste contexto, entendese que esta glosa deve ser cancelada. Quanto aos juros de mora incidentes sobe débitos tributários administrados pela RFB são devidos à Taxa SELIC (Súmula CARF 4). Quanto às arguições de inconstitucionalidade, oCARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF 2). Com essas considerações, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Voto vencedor Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Redator Designado Em que pese nosso posicionamento a respeito da matéria de fundo, externado desde abril de 2017, e.g., no Acórdão CARF nº 3401003.627, proferido em sessão de 25/04/2017, de minha relatoria, e reafirmado, e.g., no Acórdão CARF nº 3401003.885, também de minha relatoria, proferido em sessão de 03/10/2017, a específica questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, como se sabe, foi recentemente decidida no Recurso Extraordinário nº 574.706, com repercussão geral reconhecida (Tema nº Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 444 11 69), no qual o plenário do Supremo Tribunal Federal deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a tese de que o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins, oportunidade na qual restaram vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, tendo sido o referido acórdão publicado em 02/10/2017. Observese, ademais, que tal entendimento foi reafirmado pela 1ª Turma da Corte Judicial em sessão de 03/04/2018 em que, por unanimidade de votos, o colegiado manteve a decisão monocrática do Ministro Marco Aurélio Mello, em idêntico sentido à decisão sob exame, para os Recursos Extraordinários nº 330.582, nº RE 352.759, nº 355.024, nº 362.057, nº 363.988, nº 388.542, nº 411.000, nº 412.130, nº 412.197, nº 430.151, nº 436.696, nº 437.817, nº 439.482, nº 440.787, nº 442.996, nº 476.138, nº 485.556, nº 524.575, nº 535.019, nº 461.802, nº 545.162, nº 545.163, nº 572.429, e para os Agravos de Instrumento nº 497.355 e nº 700.220. Contudo, nos termos da Solução de Consulta RFB n° 6.012, publicada em 04/04/2017, vinculada à Solução de Consulta Cosit n° 137 de 2017, o que se verifica é a ausência de solução definitiva do mérito, o que implica, para a Receita Federal do Brasil, ausência de previsão legal que possibilite a exclusão do imposto da base de cálculo das Contribuições para o PIS e COFINS devidas nas operações realizadas no mercado interno, posição à qual se acresce a inexistência, até o presente momento, de Ato Declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional sobre a matéria objeto de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal – Art. 19, II, da Lei n°10.522, de 19 de julho de 2002. Assim, em observância ao RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, considerando que a decisão ainda não se tornou definitiva, não está este Conselho vinculado à decisão e, desta forma, passase a demonstrar a nossa convicção a respeito do tema. Há de se assentir, no entanto, para o fato de que, ainda que prevaleça o posicionamento contrário à tese firmada pela excelsa Corte na ocasião do julgamento do presente recurso voluntário, a contribuinte se verá obrigada a buscar a guarida do Poder Judiciário, onde muito provavelmente obterá êxito, e restará à coisa pública arcar não apenas com as despesas inerentes ao processo, com o custo da atividade da Procuradoria da Fazenda Nacional, como também com as verbas sucumbenciais, sobretudo ao se ter em conta o caráter transubjetivo de uma decisão que, em que pese ainda não publicada, é por todos conhecida. Não é possível se perder de vista, ademais, que, segundo o preceptivo do caput do art. 926 do Código de Processo Civil, é o desígnio do legislador que os tribunais devem uniformizar a jurisprudência e mantêla "estável, íntegra e coerente", em prestígio à segurança jurídica que deve pautar a relação entre aplicadores e jurisdicionados. A dicção prudente do direito deve, portanto, preferir a coerência e, assim como a posição individual do aplicador deve observância à decisão colegiada, o entendimento administrativo não pode se lançar à deriva de seus próprios fundamentos e perder de vista a terra firme da construção pretoriana das cortes superiores de seu país. Assim, o caminho da resolução para fins de sobrestamento do presente feito até que se torne definitiva a decisão no recurso extraordinário em referência seria o caminho mais adequado e consentâneo com os ideários de estabilidade, integridade e coerência? Contrariamente a tal proposta, a resolução se presta a tal finalidade? Estáse diante não de uma prejudicialidade externa em sentido estrito, mas de uma potencial (ainda que provável) decisão, ou seja, de uma "prejudicialidade tênue". Não se cogitaria de resolução para se suspender o processo caso o colegiado "tivesse notícia" de que uma determinada lei cujo conteúdo implicasse alteração da decisão a ser proferida estivesse na iminência de ser aprovada. Contudo, não se trata deste caso: embora ambas se tratem de normas gerais cogentes, estáse diante de uma decisão da Suprema Corte brasileira que apenas aguarda formalização e cujo Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 445 12 conteúdo já se conhece, galgando a condição de notoriedade. A formalização superveniente do acórdão judicial alterará o colorido jurídico da relação que se discute no presente caso: saber disso é suficiente para se suspender o presente processo de forma não apenas a economizar a verba pública correspondente, mas também garantir aos jurisdicionados (contribuinte e Fazenda Pública) uma prestação mais célere, que apenas será procrastinada com uma decisão contrária ao pleito formulado na seara administrativa, pois este é o sentido do interesse público que deve ser preservado, e ainda que este relator, individualmente considerado, e este colegiado, em sua formação atual, ao menos de forma majoritária, discordem da exclusão do ICMS da base das contribuições. Destacase, ademais, que o Recurso Extraordinário nº 574.706 teve a sua repercussão geral reconhecida e que o § 5º do art. 1.035 da Lei nº 13.105/2015 é expresso ao determinar que, uma vez reconhecida a repercussão geral, deverá ser determinada a "suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional": ao dispor sobre "processos", não fez o legislador distinção entre processos administrativos e judiciais. Milita em desfavor da aplicação de tal dispositivo o fato de que, no presente caso, não haver notícia de que a Ministra Relatora tenha determinado expressamente a suspensão. No entanto, em 23/02/2017, caso em tudo semelhante ao presente foi decidido no sentido da suspensão do processo administrativo que tramita neste Conselho: no curso do Recurso Extraordinário nº 566.622/RS, de Relatoria do Ministro Marco Aurélio Mello, procedeuse à suspensão dos processos que tramitam neste Conselho acerca de matéria idêntica, decidida de maneira favorável à contribuinte pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em decisão pendente de publicação: "A Fundação Armando Álvares Penteado, admitida no processo como interessada, requer a comunicação, mediante ofício, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF acerca da suspensão dos processos que versem a mesma matéria do extraordinário. (...). Relata a ausência de implementação da medida no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, vinculado ao Ministério da Fazenda, responsável pelo exame dos recursos contra atos formalizados no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Afirma que a recusa do Órgão decorre da falta de previsão regimental a respaldar a suspensão dos processos. Ressalta a iminência de julgamento, no CARF, de processo administrativo relevante para a entidade. Noticia a expedição de ofício, pela Secretaria Judiciária, a todos os tribunais do território nacional, não tendo havido comunicação aos órgãos administrativos. (...) Em se tratando de processo sob repercussão geral, surgem conseqüências danosas. Uma vez admitida, dáse o fenômeno do sobrestamento de processos que, nos diversos Tribunais do País, versem a mesma matéria, sendo que hoje há previsão no sentido do implemento da providência requerida § 5º do artigo 1.035 do Código de Processo Civil. (...) A entrega da prestação jurisdicional deve ocorrer conciliandose celeridade e conteúdo. Daí a necessidade de atentarse para o estágio atual dos trabalhos do Plenário. Dificilmente conseguese julgar, fora Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 446 13 processos constantes em listas, mais de uma demanda, o que projeta no tempo, em demasia, o desfecho de inúmeros conflitos de interesse. No caso, temse quatro votos proferidos no sentido da inconstitucionalidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991. Enquanto isso, o Poder Público continua aplicandoo, gerando dificuldades de toda ordem para entidades beneficentes. (...) Implemento a medida acauteladora, suspendendo, nos termos do artigo 1.035, § 5º, do Código de Processo Civil, o curso de processos que veiculem o tema, obstaculizando o acionamento, pela Administração Pública, do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991" (seleção e grifos nossos). Assim, em 07/03/2017 foi expedido o Ofício nº 594/R endereçado ao Presidente deste Conselho com cópia da decisão do Ministro Marco Aurélio Mello que suspendeu os processos administrativos que tratam da matéria. Fazse necessário, neste sentido, admitir não a aproximação do direito continental a um vero sistema de precedentes, pois há substancial distância entre regras específicas de vinculação ínsitas às especificidades do sistema processual, judicial e administrativo, brasileiro e tais modelos estrangeiros, que não guardam relação com nossa realidade, mas dar voz, na formação dos fundamentos da decisão, à postura expressamente adotada pelo legislador pátrio, em observância ao direito positivo, do qual destacamos os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil) Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II os enunciados de súmula vinculante; III os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados. § 1o Os juízes e os tribunais observarão o disposto no art. 10 e no art. 489, § 1o, quando decidirem com fundamento neste artigo. § 2o A alteração de tese jurídica adotada em enunciado de súmula ou em julgamento de casos repetitivos poderá ser precedida de audiências públicas e da participação de pessoas, órgãos ou entidades que possam contribuir para a rediscussão da tese. § 3o Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 447 14 oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. § 4o A modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou de tese adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade de fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia. § 5o Os tribunais darão publicidade a seus precedentes, organizando os por questão jurídica decidida e divulgandoos, preferencialmente, na rede mundial de computadores. Art. 928. Para os fins deste Código, considerase julgamento de casos repetitivos a decisão proferida em: I incidente de resolução de demandas repetitivas; II recursos especial e extraordinário repetitivos. Parágrafo único. O julgamento de casos repetitivos tem por objeto questão de direito material ou processual. Não por outro motivo, reafirmamos a nossa discordância com relação à equivocada ementa do Acórdão CSRF nº 9303004.394, de relatoria da Conselheira Tatiana Midori Migiyama, proferido em sessão de 09/11/2016, em que, por unanimidade de votos, decidiuse nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CONFLITOS DE COMPETÊNCIA. UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos (sic) pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15. Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. art. 1º, § 2º, da LC 116/03. Discordarmos da existência de um suposto “princípio da eficácia vinculante dos precedentes jurisprudenciais”, de conteúdo contramajoritário e que milita em desapreço de “(...) uma das bases imprescindíveis na realização de uma certa concepção do Estado e do Direito”4 que tem na intencionalidade normativa das funções estatais o fundamento da separação dos poderes que não pode ser perdido como um sopro ideológico, mas, antes, como uma categoria institucional bem demarcada. Não há, portanto, de se assentir com o precedente em geral como preceito genérico a ser seguido, fonte formal e engastada da decisão, mas, 4 NEVES, A. Castanheira. O instituto dos ‘assentos’ e a função jurídica dos supremos tribunais. Coimbra: Coimbra Editora, 1ª edição (Reimpressão), 2014, pp. 14 e 15. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 448 15 antes, como matériaprima viva na forja do amadurecimento dos conceitos segundo o entendimento das instituições, o que apenas reafirma a necessidade de separação para que este diálogo continue a existir, sob pena de se fomentar uma estrutura monologal de Estado dotada do poder de dizer o direito. Assim, os arts. 926 e 927 do Código de Processo Civil de 2016 preceituam regras específicas e pontuais no sentido da uniformidade do comportamento das instituições jurisdicionais. Contudo, a uniformização não é o fim ensimesmado do preceptivo, mas, antes, prover os ideários de estabilidade, integridade e coerência e, neste sentido maiúsculo, de segurança jurídica, é possível se cogitar que “(...) ao objetivo da mera uniformidade da jurisprudência deve substituirse o objetivo da unidade do direito – ou, se quisermos, aquela ‘uniformidade’ deverá passar a entenderse de modo a verse nela a manifestação jurisprudencial desta unidade e para cumprimento da sua específica perspectiva normativo intencional”:5 antes um farol a ser seguido do que uma camisa de força para o aplicador. Passa se, assim, à análise não de um equivocado “princípio da eficácia dos precedentes jurisprudenciais”, que deve ser desde logo censurado, vergastado e abandonado, mas de regras pontuais de uniformização de casos que deram conta da matéria, rumo a uma postura integrativa e de unicidade do ordenamento. Este, ademais, foi o posicionamento unânime desta turma, no Acórdão CARF nº 3401003.806, proferido em 26/06/2017, de minha relatoria, cujo trecho pertinente da ementa abaixo se transcreve: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2007 PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. INEXISTÊNCIA. Em que pese a necessidade de se buscar, tanto quanto possível, a unicidade do ordenamento a ser refletida na prestação jurisdicional estável, íntegra e coerente, inexiste no direito pátrio o "princípio da eficácia vinculante dos precedentes". Assim, ainda que possa o julgador administrativo decidir no mesmo sentido da jurisprudência pacificada pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na persecução de tais valores, a ela não está vinculado, devendo, não obstante, cumprir e aplicar as regras pontuais de uniformização previstas nos arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15 (Código de Processo Civil). Realizados tais esclarecimentos, em tudo consentâneos com o quanto defendido no presente voto, podese afirmar que a decisão do Ministro Marco Aurélio, no Recurso Extraordinário nº 566.622/RS, acima transcrita, é merecedora de encômios, pois não há de se ofertar ao jurisdicionado decisão esquizóide, ou seja, tendente ao isolamento, falha em se relacionar com os demais componentes da sociedade jurídica que integra. O padrão evasivo de distanciamento dos vetores de amadurecimento institucional é contrário aos artigos acima transcritos, e este Conselho não pode se alhear das decisões do Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida como se desconhecesse não apenas o Código de Processo Civil de seu país como também a decisão favorável à tese defendida pela contribuinte no presente caso. Obrigála a buscar a chancela posterior do Poder Judiciário em um caso como o presente caminha em sentido contrário ao interesse público, incorrendo, assim, 5 Idem, p. 656. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 449 16 em apego exagerado ao formalismo e às suas próprias decisões, visão míope e distorcida de que o livre convencimento do aplicador estaria de alguma forma alheado do esforço argumentativo da construção do direito, infenso à unicidade da ordem jurídica. Não é que os comandos uniformizadores ganhem verticalidade, mesmo porque se discute caso ainda sem a definitividade do trânsito em julgado, mas não se pode relegar ao esquecimento, como se inexistente, aquilo que sabemos e conhecemos. Desta feita, diante de decisão não definitiva, propõese não a concordância com a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, mas simplesmente a conversão do presente julgamento em diligência para que se suspenda este processo administrativo, com fundamento não apenas nos fundamentos utilizados pela decisão do Ministro Marco Aurélio, como também nos dispositivos do Código de Processo Civil, todos acima transcritos e referenciados, até o ulterior trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 574.706. E tampouco merece guarida o pálido argumento de que se trataria, aqui, de repristinação de norma inexistente, uma vez que a previsão da possibilidade de suspensão do processo administrativo, antes constante dos §§ 1º e 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 256/2009 (RICARF/2009) foi não reproduzida pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343/15 (RICARF/2015), pois tal postura flerta com a admissão do que se usou chamar de silêncio eloqüente: não deve haver qualquer pudor ao aplicador em admitir que a lacuna, mais que defecção normativa sujeita a reparo, é, antes, o vazio normativo, e nada mais.6 Assim, a inexistência de previsão regimental sobre a possibilidade de suspensão não implica, por evidente, uma norma de proibição. Sob tal argumento esta turma vinha decidindo, por voto de qualidade,7 pela impossibilidade de suspensão do processo administrativo, racional textualista que passa a ser suplantado pela turma a partir da análise do presente caso. Acrescemos a tais considerações os argumentos veiculados em artigo sobre o tema que escrevemos em coautoria com Diego Diniz Ribeiro, publicado em 03/05/2017:8 "(...) o fato de ainda inexistir publicação do acórdão citado é questão exclusivamente formal, já que o conteúdo da decisão foi amplamente divulgado pelos meios de comunicação. Ademais, convém lembrar que, desde o ano de 2002, as sessões do STF são transmitidas ao vivo pela TV Justiça e que este julgamento, em especial, atraiu enorme audiência da comunidade jurídica em razão da sua relevância. (...) Aliás, é exatamente em razão de tais valores que o CPC/2015 prescreve que, na hipótese de recurso extraordinário afetado por repercussão geral, todos os demais processos (e não só aqueles processos já em fase recursal) deverão ser sobrestados, até que haja 6 BRANCO, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Argumentação tributária de lógica substancial. Dissertação de Mestrado Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, 2016, p. 151: "(...) se toda lacuna, todo silêncio do legislador, é 'eloquente', ou um ato racionalizado, é porque, no sistema cartesiano do direito não há espaço para a falha e, neste mundo hipotético, até mesmo os menores desvãos do discurso são obra da antevidência do método jurídico e apontam para um querer positivo". 7 Acórdão CARF nº 3401003.627, proferido em sessão de 25/04/2017, de minha relatoria. 8RIBEIRO, Diego Diniz e BRANCO, Leonardo Ogassawara de Araújo. " CARF deve suspender processos de ICMS na base da Cofins?". Brasília: Jota, 03 de maio de 2017, disponível em: <https://jota.info/artigos/carfdeve suspenderprocessosdoicmsnabasedacofins03052017>, último acesso em 01/08/2017. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 450 17 decisão no chamado leading case. É o que prevê o art. 1.035, §5° do CPC. A questão, todavia, que deve ser aqui debatida é se tal dispositivo deve ou não se convocado no âmbito dos processos administrativos tributários. Para tanto, insta analisar o que dispõe o art. 15 do CPC. Segundo referido dispositivo, as disposições do CPC devem ser aplicadas de forma supletiva e subsidiária, ou seja, atribuemse às normas do CPC, respectivamente, uma função normativosubstitutiva e também uma função normativointegrativa. Para a questão aqui analisada, o que interessa é o caráter subsidiário do CPC/2015 e, conseqüentemente, sua função normativointegrativa, que pode ser vista por duas perspectivas. A primeira delas com base na embolorada ideia de que o direito se perfaz pelo intermédio exclusivo da lei, calcada, pois, na concepção de um divinal legislador que não deixa comportamentos sociais sem prescrições normativas e que, quando isso eventualmente ocorre, o próprio direito legislado cria mecanismos no sentido suplantar tais buracos, o que se dá por intermédio de institutos como a analogia, os princípios gerais do direito e a equidade. Aí então a função integrativa clássica do CPC/2015 em face de uma lacuna legislativa referente ao processo administrativo tributário. Todavia, uma visão mais moderna deste caráter subsidiário da lei parte do pressuposto de que tal norma integrativa deverá ser convocada de modo a potencializar os valores que lhes são próprios, bem como os valores do próprio Direito enquanto método de – repita se – resolução, com justiça, de problemas de convivência humana. Nesse sentido, quando se fala no caráter subsidiário do CPC, sua convocação no processo administrativo, inclusive o tributário, deve ser no sentido de potencializar os princípios constitucionais do processo civil, dentre os quais se destacam os seguintes: integridade, unidade e coerência das decisões de caráter judicativo, de modo a também tutelar, reflexamente, igualdade de tratamento a jurisdicionados em situações análogas e, por fim, segurança jurídica. Assim, com base em tais premissas, quer parecer que, na hipótese de recurso extraordinário afetado por repercussão geral, o sobrestamento prescrito no já citado art. 1.035, §5° do CPC, também deve se estender aos processos administrativos de caráter tributário, pois, dessa forma, estarseá prestigiando os sobreditos valores jurídicos, tão importantes para o Direito. Não obstante, mesmo que se empregue a função integrativa de uma norma subsidiária em um sentido clássico, ainda sim a solução aqui proposta (sobrestamento do processo administrativo tributário) seria a única resposta cabível para o caso em tela. E isso porque, ao se analisar as disposições legais que tratam do processo administrativo tributário (Decreto 70.235 e Lei 9.784/99), é impossível encontrar qualquer disposição normativa que trate do problema aqui enfrentado, qual seja, o que fazer com processo administrativo que apresente recurso com causa de pedir autônoma e cujo teor está pendente de julgamento no âmbito judicial, em sede de processo com caráter transindividual. Não havendo disposições legais nas leis que tratam o Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 451 18 processo administrativo tributário, deve ser aplicado de forma subsidiária o CPC" (seleção e grifos nossos). Em idêntico sentido, prolífico e percuciente estudo empreendido por Diana Piatti Lobo e Daniella Zagari, que resultou em artigo publicado em 15/05/2018: 9 "A Portaria nº 153/18 também não abordou questão extremamente pertinente no cenário atual, que se refere à possibilidade de sobrestamento de processos administrativos quando a matéria está em discussão nos Tribunais Superiores em processo que será julgado sob a sistemática do artigo 1.036 do CPC/15 (antigos art. 543B e 543C do CPC/73), os recursos repetitivos. No antigo Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 256/2009), existiu por certo período, disposição que determinava o sobrestamento do processo administrativo nos casos em que o próprio STF sobrestava o julgamento de recursos extraordinários. Possivelmente em razão do grande estoque de processos represados, a disposição foi revogada já no Regimento anterior e não foi reproduzida no novo Regimento (tampouco foi objeto das alterações introduzidas pela Portaria nº 153, de abril de 2018). Assim, hoje, não há previsão de suspensão do processo no CARF, quer seja no âmbito do Regimento do CARF, quer seja no Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo. Ocorre que essa ausência de norma específica no Regimento sobre o sobrestamento do processo administrativo termina provocando situações em que fica evidente o conflito entre matérias decididas pelos Tribunais Judiciais Superiores e a solução dada pelo CARF. É, por exemplo, o cenário para os casos administrativos que versam sobre a não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFINS. Como amplamente divulgado na mídia, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em processo com repercussão geral reconhecida, que o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS. Não obstante a referida decisão não tenha ainda transitado em julgado (aguardase o julgamento dos embargos de declaração opostos pela União, inclusive com pedido de modulação de efeitos), podese concluir que, após longos debates e uma tramitação que durou 11 anos só no STF, a Corte Constitucional deu sua palavra final sobre a matéria, reconhecendo o direito do contribuinte. E o fez reiterando um posicionamento manifestado no RE nº 240.785 (sem repercussão geral reconhecida), o que reforça a uniformidade do posicionamento da Corte pela reiteração do resultado mesmo em composições distintas do órgão. No âmbito judicial, em atenção à disposição do art. 1.035, parágrafo 11, do Código de Processo Civil, os Tribunais Regionais e os órgãos de julgamento de primeira instância têm aplicado a tese fixada pelo STF e seguido a orientação. E as razões de decidir suscitadas pelo STF no 9 ZAGARI, Daniella e LOBO, Diana Piatti. "As alterações no Regimento Interno do CARF: a hipótese de sobrestamento dos processos administrativos". Brasília: Jota, 15 de maio de 2018, disponível em: <https://www.jota.info/opiniaoeanalise/colunas/colunadomachadomeyer/asalteracoesnoregimentointerno docarf15052018>, último acesso em 02/06/2018. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 452 19 leading case têm também servido de fundamento para os julgamentos de matéria correlata referente a outros tributos (vide decisões do STJ sobre não inclusão do ICMS na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre Receita Bruta). A Primeira Turma do STF, inclusive, já tem aplicado a multa prevista no art. 1.021, parágrafo quarto do Código de Processo Civil para os agravos regimentais interpostos pela Fazenda Nacional, em uma tentativa considerada protelatória de adiar a conclusão daqueles processos até o julgamento dos embargos de declaração do RE nº. 574.706. No CARF, entretanto, os casos mais recentemente julgados são – surpreendentemente – em desfavor do contribuinte e em sentido contrário à decisão proferida pelo STF[1]. Honrosas exceções para os julgamentos de uma das Turmas Extraordinárias da Terceira Seção[2] e para um julgamento da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, quando se decidiu pela aplicação imediata da decisão do STF e não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nos julgamentos em desfavor do contribuinte, foi citada a jurisprudência do STJ do REsp nº 1.144.469 – já superada pelo própria Corte de Justiça – que entendia até a apreciação pelo STF pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Será que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais desconhece as decisões do Supremo Tribunal Federal e todas as demais no mesmo sentido do Judiciário? Não, em absoluto. A grande maioria dos acórdãos do CARF, inclusive, faz referência ao julgado do STF, mas deixa de aplicálo por entender que a disposição regimental (art. 62, parágrafo 2 da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), que impõe a reprodução de decisões judiciais nos julgamentos administrativos, só compreende os casos de mérito transitados em julgado (o que não se aplica para o RE nº 574.706, ainda em curso). Essa restrição regimental para a aplicação imediata da decisão do STF parece pretender preservar o interesse arrecadatório da União em caso de uma potencial (e, na hipótese concreta, pouco provável), mudança na jurisprudência. Enquanto o processo judicial não está definitivamente encerrado, existe, ao menos em teoria, uma possibilidade de revisão ou de restrição do entendimento para determinado período (por exemplo, pelo reconhecimento de uma modulação dos efeitos). E um julgamento precipitado em favor do contribuinte impede que a União prossiga, posteriormente, com a cobrança, já que as decisões que cancelam autos de infração e homologam a compensação, após o regular transcurso do processo administrativo, são definitivas (a União não pode tentar rever tais decisões em juízo). Por essa razão é que a norma dispõe que apenas as decisões transitadas em julgado devem ser replicadas nos julgamentos administrativos. Entretanto, essa tentativa de preservar o interesse arrecadatório da União termina atentando quanto a um interesse público maior, de manter a coerência e uniformidade na aplicação das normas, seja por Tribunais administrativos ou judiciais. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 453 20 Sim, porque esses processos administrativos sobre a não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, que estão sendo decididos pelas Turmas Julgadoras do CARF em sentido desfavorável ao contribuinte, certamente desaguarão em muito pouco tempo no Judiciário, em execuções fiscais com reduzidas chances de êxito. E, se para o contribuinte, só há desvantagens nessa situação (da continuidade da discussão na esfera judicial decorre a obrigação de garantir o débito, arcar previamente com as custas judiciais e isso sem falar dos impactos das medidas préexecutórias, introduzidas recentemente pelos contestáveis arts. 20B a 20D da Lei nº 10.522/2002), para a União, até mesmo do ponto de vista financeiro, o balanço não é necessariamente positivo. Esses processos se juntarão a tantos outros que formam o estoque de ações sob a tutela do Judiciário (números do Conselho Nacional de Justiça de 2017 apontam que as execuções fiscais representam 75% de todas as execuções do Poder Judiciário), contribuindo para reduzir o ritmo e a eficácia de uma Justiça já bastante desacreditada. E caso se concretize o provável insucesso da União (afinal, o STF por duas vezes já afirmou que o ICMS não está incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS e as situações de modulações de efeito em matéria tributária não são frequentes), são os cofres públicos que suportarão os custos com os honorários de sucumbência e custas. Isso sem contar o desvio de foco quando se permite que Procuradores da Fazenda Nacional que poderiam estar perseguindo créditos de maior liquidez tenham que atuar para defender uma tese já decidida. Nesse passo, cabe lembrar que a Procuradoria da Fazenda Nacional só fica autorizada a não contestar, não interpor recurso ou desistir dos já interpostos nas hipóteses bem específicas do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, entre as quais o trânsito em julgado também dos processos decididos no rito dos repetitivos, o que significa dizer que, encerrada a esfera administrativa, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional seguirá com a cobrança judicial. Nesse cenário, enquanto se aguarda o trânsito em julgado da decisão do STF, a solução que prestigia o interesse público primário, de garantir uma eventual futura arrecadação e o interesse público maior de se manter a integridade e coerência da jurisprudência (preceito normativo do art. 926 do Código de Processo Civil) é justamente o sobrestamento do processo administrativo. Nesses casos excepcionais, a suspensão deve ser admitida inclusive como medida de cautela e como maneira de preservar tanto o interesse do administrado, quanto da Administração. Ainda, essa medida está em linha com as disposições atuais do Código de Processo Civil. O artigo 313 do Código de Processo Civil dispõe pela suspensão do processo quando a sentença de mérito depender do julgamento de outra causa. É bem verdade que no processo administrativo não há que se falar em sentença propriamente dita, e sim de decisão ou acórdão. Mas a par dessa diferença linguística, superável em vista do próprio objetivo da norma, a previsão do artigo 313 do CPC é integralmente aplicável para casos como o exposto. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 454 21 Inclusive, foi esse dispositivo que foi invocado recentemente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, órgão máximo do Tribunal Administrativo[4], quando da suspensão de processos administrativos que analisavam a natureza de subvenção para investimento de certos benefícios estaduais e dependiam de uma confirmação do cumprimento dos requisitos impostos no Convênio ICMS nº 190/2017. No mesmo sentido a disposição do art. 1.035, parágrafo 5º, do CPC, que determina a suspensão do processamento de todos os casos pendentes, quando reconhecida a repercussão geral. Esse dispositivo denota a intenção do legislador, retratada em tantos outros dispositivos do Código de Processo Civil, de valorização dos precedentes e de uniformização da jurisprudência. As disposições do Código de Processo Civil, conforme artigo 15, são de aplicação supletiva e subsidiária na ausência de norma que regule o processo administrativo. Isso significa dizer que, mesmo na carência de norma específica do Regimento do processo administrativo, a aplicação das normas do Código de Processo Civil, já seria suficiente para justificar o sobrestamento do processo administrativo. Mas para aqueles que defendem a necessidade de norma regulamentar expressa, a Portaria nº 153, de abril de 2018, seria uma boa oportunidade (infelizmente não aproveitada) de restaurar a antiga regra de sobrestamento, dando uma melhor solução ao problema. E se a grande questão era não permitir que retornasse à situação de um enorme estoque de processos não julgados, então que se restringisse as hipóteses de sobrestamento para aquelas situações em que já existe uma decisão de mérito. Assim, se o CARF, redobrandose em cautelas, entende que a reprodução automática da decisão do STF só pode ser feita quando do trânsito em julgado da decisão do RE nº 574.706 (e definidas questões como a eventual modulação de efeitos), ao menos o interesse público maior da Administração, de manter a coerência e uniformidade da jurisprudência, e garantir o bom funcionamento da Justiça, estaria preservado. E prejuízo nenhum há para a União, já que a suspensão do processo administrativo não implica interrupção na incidência de juros, e quando da eventual retomada, a cobrança é atualizada. Afinal, o CARF tem uma missão muito mais nobre do que garantir a mera arrecadação para os cofres públicos: é o órgão administrativo máximo para preservar, proteger e garantir a justiça fiscal e a correta interpretação das normas tributárias. Nesse passo, uma alteração no Regimento para introduzir norma que disciplinasse essa questão teria sido muito bemvinda" (seleção e grifos nossos). Assim, voto pela conversão do presente feito em diligência, para determinar que o processo aguarde, em secretaria, até o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário nº 574.706. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10680.003712/200898 Resolução nº 3401001.491 S3C4T1 Fl. 455 22 Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Redator designado. Fl. 455DF CARF MF
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