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Numero do processo: 10920.003127/2007-37
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 06/12/2005
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 -
INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE -
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.
ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do Fato Gerador: 06/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO
- INFRAÇÃO
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço.
NULIDADE - APURAÇÃO - DOCUMENTAÇÃO DA EMPRESA - INEXISTENTE
Não representa qualquer nulidade a verificação de descumprimento de obrigação acessória amparada em documentação da empresa
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - GRUPO ECONÔMICO
De acordo com o Inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212/1991, as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes daquela lei
MULTA - AGRAVAMENTO
Demonstrado que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou má-fé conclui-se que ocorreu situação agravante ensejadora da elevação da multa aplicada
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do Fato Gerador: 06/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO - PRECLUSÃO - NÃO
INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2402-000.068
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, nas preliminares, foi reconhecida a decadência. II) Por maioria foi reconhecida a decadência até 11/1999. Vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Edgar Silva Vidal que votaram pela aplicação do art. 150, § 4° do CTN. No mérito, em negar provimento por unanimidade.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/12/2005 DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 06/12/2005 PREVIDENCIÁRIO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. NULIDADE - APURAÇÃO - DOCUMENTAÇÃO DA EMPRESA - INEXISTENTE Não representa qualquer nulidade a verificação de descumprimento de obrigação acessória amparada em documentação da empresa RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - GRUPO ECONÔMICO De acordo com o Inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212/1991, as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes daquela lei MULTA - AGRAVAMENTO Demonstrado que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou má-fé conclui-se que ocorreu situação agravante ensejadora da elevação da multa aplicada ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 06/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO - PRECLUSÃO - NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 06/12/2005 PREVIDENCIÁRIO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. NULIDADE - APURAÇÃO - DOCUMENTAÇÃO DA EMPRESA - INEXISTENTE Não representa qualquer nulidade a verificação de descumprimento de obrigação acessória amparada em documentação da empresa RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - GRUPO ECONÔMICO De acordo com o Inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212/1991, as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes daquela lei 1)1 Processo n° 10920.003127/2007-37 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.068 Fl. 919 MULTA - AGRAVAMENTO Demonstrado que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou má-fé conclui- se que ocorreu situação agravante ensej adora da elevação da multa aplicada ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 06/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO - PRECLUSÃO - NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / 2 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, nas preliminares, foi reconhecida a decadência. II) Por maioria foi reconhecida a decadência até 11/1999. Vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Edgar Silva Vidal que votaram pela aplicação do art. 150, § 4° do CTN. No mérito, em negar provimento por unanimidade. /: AR OLIVEIRA - Presidente / 91A v. • A BAN EIRA — Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Lourenço Ferreira do Prado e Leôncio Nobre de Medeiros (Suplente). Ausente o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. 2 Processo n° 10920.003127/2007-37 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.068 Fl. 920 Relatório Trata-se de infração ao disposto na Lei n° 8.213/1991, art. 17 c/e o art 18, Inciso I e § 1° do Decreto n° 3.048/1999, art. 216, inciso I, alínea 'a', que consiste em a empresa deixar inscrever segurados empregados. O Relatório Fiscal da Infração (fls. 08/55) informa os fatos verificados no decorrer da ação fiscal e que culminaram com a lavratura do presente Auto de Infração. A notificada continuou remunerando por meio de folha de pagamento denominada "fria", diversos empregados que já haviam sido demitidos. Também deixou de inscrever segurados que prestaram serviços à empresa Salfer, bem como outros que apareciam como sócios de empresas do Grupo Meta e que a auditoria fiscal entendeu por caracterizar como segurados empregados. A auditoria fiscal elaborou planilha relacionando os empregados sem registros, com os respectivos períodos em que permaneceram em tal situação (fls. 175/176). A auditoria fiscal iniciou ação fiscal junto à empresa Meta Trabalho Temporário Ltda onde solicitou documentação. De análise nos lançamentos contábeis da empresa, a auditoria fiscal entendeu que seria necessária uma análise mais detalhada da documentação que dera suporte aos lançamentos. Após dificuldades, a auditoria fiscal recebeu apenas três caixas de arquivo, as quais não continham os documentos relacionados às situações que mereceriam análise. Ao dirigir-se ao local onde estariam os documentos, a auditoria fiscal deparou-se com a inusitada situação em que diversos funcionários separavam documentos das caixas de arquivo. Diante de tal constatação, a auditoria fiscal solicitou que as caixas com documentos fossem encaminhadas de imediato ao local onde se realizavam os trabalhos fiscais e analisando caixas onde não houve separação de documentos, verificou que a recorrente tinha por conduta realizar uma segunda folha de pagamento, além daquela apresentada ao fisco e declarada em GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, as quais denominava "fria" e "quente", respectivamente. Além disso, diversos valores relativos a cheques emitidos ou transferências eletrônicas era contabilizados como "suprimento de caixa" quando na realidade referiam-se a valores pagos, a titulo de pró-labore, aos sócios Udélcio Demczuk e Wilmar Manske, bem como transferências para outras empresas do Grupo Meta. Na tarde seguinte, ao retornar à empresa, a auditoria fiscal constatou que as caixas de documentos haviam sido retiradas da sala utilizada pela fiscalização. Posteriormente, a documentação foi devolvida, porém, a auditoria fiscal constatou que a empresa havia separado toda a documentação, razão pela qual procedeu-se à apreensão dos documentos. A auditoria fiscal descreve de forma pormenorizada as irregularidades verificadas e apresenta sob a forma de planilhas os valores apurados. 3 Processo n° 10920.003127/2007-37 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.068 Fl. 921 Informa que foram encontradas notas fiscais frias de serviços prestados à Meta Trabalho Temporário por duas empresas, Injete Ind e Com de Artigos Plásticos Ltda e Pacto Processamento de Dados S/C Ltda, de valores elevados e pagas, supostamente, com recursos do Caixa. Entretanto, a fiscalização verificou que as empresas teriam paralisado/encerrado suas atividades antes da emissão das citadas notas. A fiscalização verificou que a empresa Pacto apresentou GFIP sem movimentação em 01/1999 e não apresentou outra declaração para alterar essa situação. Além disso, tal empresa tem como sócio o Sr. Wilmar Manske e em visita ao endereço que contava como sede da empresa, foi encontrada outra empresa instalada, em funcionamento no local desde 1997, cujo sócio declarou desconhecer a existência da empresa Pacto. Já a empresa Injete encontra-se na situação de "cancelada" no sistema SINTEGRA/ICMS desde 11/2002, data anterior à emissão da nota pela suposta prestação de serviços. Foi caracterizado grupo econômico de fato entre as empresas Meta Trabalho Temporário Ltda, Meta Recursos Humanos Ltda, Meta Organização Contábil Ltda, Meta Organização Contábil Ltda/Curitiba e Prumo Consultoria Empresarial Ltda. Tais empresas funcionariam no mesmo endereço, teriam em seu quadro societário a presença dos Sr. Wilmar Manske e Uldécio Demczuk, em conjunto ou alternativamente, juntamente com outros sócios minoritários, em regra ex-empregados do Grupo Meta. A designação "Grupo Meta" está na página da internet do grupo, bem como nos cartões de visita dos sócios, correspondências enviadas, e-mails enviados a funcionários. Constatou-se a existência de demonstrativos de resultados econômicos das empresas individualmente e do grupo. Acolhendo sugestão apresentada por meio de representação fiscal, o Ministério Público Federal formulou junto à Justiça Federal pedido de busca e apreensão de documentos nas empresas do Grupo Meta, a qual foi realizada pela Polícia Federal. Após a análise dos documentos, ficou comprovado o grande volume de documentos omitidos pelas empresas do grupo e receitas não declaradas pelas mesmas. A auditoria fiscal verificou da análise da planilha denominada "Sócios- Empregados" que diversos funcionários da Meta Organização Contábil foram demitidos, porém continuaram prestando serviços à mesma, porém foram incluídos como sócios no contrato social de alguma das empresas do Grupo Meta, com uma participação ínfima. Tais empregados recebiam parte na folha quente, parte na folha fria, parte como pró-labore, alternativamente ou em conjunto. Verificou-se nos salários mensais pagos verbas como comissões, férias, 130 salário, horas-extras, bem como descontos relativos a vale-transporte, Unimed, levando a inferir da real condição de segurados empregados dos denominados "sócios". As empresas do grupo ainda utilizavam os serviços de sócios das empresas Frankowiak Consultoria e Treinamento Empresarial Ltda e Digicon Processamento de Dados OW 4 , Processo n° 10920.003127/2007-37 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.068 Fl. 922 Ltda, sendo que no caso da última o quadro societário era formado por sócios e empregados do Grupo Meta. A auditoria fiscal apresenta diversos fatos que levaram a considerar que os sócios das citadas empresas, na verdade, prestavam serviços a empresas do grupo na condição de segurados empregados., evidenciando verdadeira simulação. Após a análise dos documentos apreendidos ficou constatado que os únicos e verdadeiros sócios das empresas são os Srs. Uldécio Demczuk e Wilmar Manske e os valores efetivamente recebidos a título de pró-labore pelos mesmos eram muito maiores que aqueles declarados em GFIP, conforme elementos descritos no relatório fiscal. A auditoria fiscal informa que dentre os documentos apreendidos merecem destaques os relativos aos funcionários da Meta Administração Contábil que prestaram serviços à empresa Salfer conforme verificado em cheques destinados a pagamento de tais funcionários, planilhas de controle de horários contendo como local de trabalho a empresa Salfer. No entanto, embora tenha restado claro que tratava-se de empregados da Meta Administração Contábil que prestaram serviços a terceiros, os mesmos não foram registrados e nem inscritos na Seguridade Social, bem como os valores pagos deixaram de ser incluídos nas folhas de pagamento. A fiscalização apurou a existência de uma empresa também denominada Meta Organização Contábil Ltda com sede em Curitiba/PR, que pelas situações observadas, foi considerada como verdadeira filial da notificada. Foram verificados diversos pagamentos realizados pela notificada de despesas da citada empresa de Curitiba, conforme demonstram cópias de cheques, notas fiscais, boletos bancários, guias de recolhimento de tributos, transferências eletrônicas. A diretora da empresa de Curitiba é ex-empregada da notificada e os e-mails da mesma demonstram claramente o controle administrativo e financeiro exercido pelo Grupo Meta em relação a essa empresa, o qual fica corroborado pela inclusão dessa empresa nas planilhas de Demonstrativo de Resultados Econômicos do grupo. A empresa Meta Organização Contábil de Curitiba também possui folha de pagamento fria. Como a notificada deixou de inscrever segurados, foi lavrado o presente auto de infração, cujo pólo passivo é integrado por todas as empresas integrantes do Grupo Meta. A Meta Organização Contábil Ltda apresentou defesa (fls. 560/591) onde alega que o lançamento seria nulo por ter se baseado em documentos que não podem ser aceitos como válidos. Aduz que teve cerceado seu direito de defesa um vez que os documentos que embasaram a autuação somente lhe foram disponibilizados a partir do dia 13. Informa que em nenhum momento foram solicitados documentos relativos à movimentação financeira da empresa Meta Trabalho Temporário, até então a única empresa fiscalizada. Processo n° 10920.003127/2007-37 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.068 Fl. 923 Afirma que o fiscal foi tratado sempre de forma cordial e teve todos os seus pedidos atendidos prontamente e que este é que teria agido com uma espécie de terrorismo cognitivo, fazendo uso de meios clandestinos e intrigantes para avaliar a documentação, a qual jamais poderá servir de base para a autuação ante à total fragilidade da segurança e confiabilidade das informações nela contidas. Entende que a busca e apreensão de documentos efetuada foi desnecessária e só serviu para atrapalhar a própria fiscalização, que era feliz e não sabia, pois tinha acesso a todos os documentos que fossem necessários, sem restrição alguma. Considera que a busca e apreensão realizada foi traumática para a empresa, assuntou funcionários e candidatos a vagas de emprego, já que o objetivo da empresa é a colocação de profissionais no mercado de trabalho. Quanto à existência de duas folhas, uma quente e outra fria, esta última contendo valores não declarados em GFIP, a notificada alega que de fato alguns valores apresentaram pequenas diferenças que foram prontamente corrigidas pela empresa, bem como tratava-se de controle de valores pagos a título de comissões e gratificações recebidas por alguns funcionários. Quantos às notas fiscais emitidas pelas empresas Injete Ind e Com de Artigos Plásticos Ltda e Pacto Processamento de Dados S/C Ltda por serviços prestados à Meta Trabalho Temporário, as quais a auditoria fiscal considerou "frias", a notificada afirma a Injete estaria ativa e que nada compromete o fato da empresa Pacto ter declarado GFIP sem movimento e haver emitido notas fiscais de prestação de serviços. Relativamente à caracterização de grupo econômico, entende que o fato das empresas se situarem no mesmo local e de existirem sócios com representação em duas ou mais empresas dão seria suficiente para tal caracterização, face à autonomia administrativa das empresas. Afirma que todos os sócios das empresas listadas pela fiscalização que foram considerados empregados tiveram, de fato, participação ativa da qualidade de sócios sendo inverídica a informação de que seriam fictícios na participação societária. Alega que não houve qualquer simulação na contratação das empresas Frankowiak e Digicon, as quais funcionariam regularmente Afirma que teria juntado documentos a fim de demonstrar a participação societária efetiva dos sócios minoritários. Quanto à empresa Meta Organização Contábil de Curitiba, a qual a auditoria fiscal considerou filial da notificada, esta alega que trata-se de empresa distinta, com CNPJ próprio e representação societária diversa. No entanto, confirma que tal empresa faz parte do Grupo Meta como mera estratégia de mercado. Irresigna-se pela multa aplicada, a qual entende indevida pelo fato de os segurados apontados pela fiscalização não serem empregados e afirma não haver comprovação de que a autuada tenha agido com dolo. I IN I, 6kiti Processo n° 10920.003127/2007-37 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.068 Fl. 924 Apresentaram impugnação as solidárias Meta Recursos Humanos Ltda (fls. 642/647), Prumo Consultoria Empresarial Ltda (fls. 679/684), Meta Trabalho Temporário Ltda (fls. 661/666) e Meta Organização Contábil Ltda/Curitiba (fls. 697/702) todas nos mesmos termos que, em síntese, são os que se seguem. Que não fazem parte do grupo econômico fantasiado pelo fiscal uma vez que possuem administração independente. Afirmam que não possuem conhecimento dos fatos e atos praticados na administração das demais empresas envolvidas na fiscalização. Citam artigos da Instrução Normativa n° 03/2005 para alegar que não existe uma única administração, direção ou controle e ainda que haja exploração do nome comercial Grupo Meta, ao qual alegam pertencer, tal grupo seria meramente mercadológico, não se configurando a figura de controladora e controladas. Pela Decisão-Notificação n° 20.421.4/0355/2006 (fls. 714/725), a autuação foi julgada procedente. Apresentaram recursos tempestivos, a empresa Meta Organização Contábil Ltda (fls. 738/784) que efetua repetição das alegações de defesa . e inova no argumento de que inexiste correlação entre lucro e capital investido na empresa, razão pela qual é possível a distribuição proporcional de lucros. Meta Recursos Humanos Ltda (fls. 836/842), Meta Organização Contábil Ltda/Curitiba (fls. 844/850), Prumo Consultoria Empresarial Ltda (fls. 852/858) e Meta Trabalho Temporário Ltda (fls. 828/834) todas repetindo as alegações de defesa. Os recursos tiveram seguimento por força de segurança concedida nos autos do Mandado de Segurança n° 2006.72.05.005374-4. É o relatório. 11() 7 Processo n° 10920.003127/2007-37 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.068 Fl. 925 VOO Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora Os recurso são tempestivos e não há óbice ao conhecimento dos mesmos. Inicialmente cumpre destacar as contribuições relativas aos segurados não inscritos e que ensejaram a presente autuação foram lançadas por meio de NFLD — Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, a qual foi objeto do recurso n° 144632, já julgado pela então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que pelo Acórdão n° 206-00723 negou , provimento ao citado recurso por unanimidade. Cumpre afastar, de plano, a preliminar de nulidade da autuação sob o argumento de que teria se baseado em documentos inválidos. Conforme bem demonstrado pela auditoria fiscal, a análise profunda dos documentos apreendidos da empresa levou à conclusão de que a conduta da mesma levou ao recolhimento a menor de contribuições previdenciárias, bem como ao descumprimento de várias obrigações acessórias. • Não há razão para considerar que os documentos apreendidos na empresa e produzidos pela mesma não se prestem a demonstrar a situação fática encontrada. Alega a recorrente que já estaria em processo de finalização da formalização de sua contabilidade e que houvesse a auditoria fiscal aguardado um pouco mais, poderia verificar a correção dos procedimentos da mesma. Tal argumento não pode subsistir, esquece a recorrente que os lançamentos existentes em uma contabilidade estão amparados em suporte documental e, justamente na análise desses documentos é que foi possível à auditoria fiscal verificar a existência de todas as irregularidades mencionadas. Portanto, rejeito a preliminar apresentada. Outra preliminar a ser afastada refere-se ao alegado cerceamento de defesa consubstanciado no alegado fato de que não teria tido acesso aos documentos citados no Relatório Fiscal, os quais só teria sido disponibilizados após o dia após o dia 13. Não confiro razão à recorrente. Conforme informou o julgador de primeira instância, embora tenha apresentado tal alegação, a recorrente não demonstra que tenha tentado obter vistas dos autos no período de 07 a 12/12/2005. Além disso, ao apresentar defesa, discorreu sobre todos os pontos que levaram ao lançamento e não se pode olvidar que a documentação juntada pela auditoria fiscal refere-se a documentos da própria empresa, logo não há que se falar em cerceamento de defesa. 8 Processo n° 10920.003127/2007-37 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.068 Fl. 926 Ainda que não suscitado pelas recorrentes, de oficio, é preciso reconhecer que ocorreu a decadência do direito de lançar parte da multa aplicada. A decadência deve ser verificada considerando-se a recente Súmula Vinculante n° 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafos, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004. in verbis: -Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1° A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2° Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3° Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g. n.)." Da análise do caso concreto, verifica-se que embora se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão' ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei n° 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: \ 9 Processo n° 10920.003127/2007-37 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.068 Fl. 927 "Art.173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único - O direito a que se refere este artigo extingue- se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4°o seguinte: "Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. sç 40.. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 40 do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito , passivo, assim, para a apuração de decadência, aplica-se a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Assevere-se que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT N 856/ 2008 aprovada pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: "Aprovo. Frise-se a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias 10 Processo n° 10920.003127/2007-37 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.068 Fl. 928 acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CT1V." Cumpre ressaltar que quando do julgamento da NFLD correlata ainda não havia sido editada a Súmula Vinculante n° 8, razão pela qual, o acórdão citado não reconheceu a ocorrência de decadência. Entretanto, só para argumentar, vale dizer que caso fossem ser aplicadas as disposições do CTN, estaria afastada a aplicação do § 4 do art. 150, face à ocorrência de dolo, fraude e simulação tão fartamente demonstradas pela auditoria fiscal. Considerando que a autuação ocorreu em 06/12/2005, data da intimação do sujeito passivo, teria ocorrido a decadência, pela aplicação do art. 173, inciso I, da multa até a competência 11/1999, inclusive. No entanto, é necessário deixar bastante claro que só poderão ser excluídos da multa aqueles segurados que tiveram todo o interregno trabalhado, sem registro, compreendido no período decaído, isto porque, bastaria a prestação de um único mês de trabalho sem inscrição dentro do prazo decadencial previsto em lei para a aplicação da multa, para que a mesma seja devida. As questões de mérito apresentadas pelo contribuinte, no sentido da inexistência dos fatos geradores correspondentes às remunerações pagas aos empregados sem registros, foram devidamente tratadas quando do julgamento da notificação correlata. Haja vista a conexão existente entre o resultado do julgamento da notificação e do presente auto de infração, pode-se concluir que tendo prevalecido no mérito o lançamento das contribuições, prevalece o descumprimento da obrigação acessória e, conseqüentemente, a multa pelo seu descumprimento. Quanto à caracterização de grupo econômico, peço vênia à Conselheira Bernadete Oliveira Barros para transcrever trechos referentes à matéria, do voto apresentado, vencedor por unanimidade. "Os documentos acostados aos autos demonstram que as empresas Meta Trabalho Temporário Ltda, Meta Recursos Humanos Ltda, Meta Organização Contábil S/S ,Ltda e Prumo • Consultoria Empresaria Ltda consituem um grupo econômico. A notificada argumenta que, muito embora exista uma estratágia mercadológica com a divulgação de um grupo empresarial, existe autonomia administrativa, fundamental para não prosperar a noção de que todas as empresas são administradas pelas mesmas pessoas, controladas e direcionadas para o mesmo rumo. Ora, mas restou comprovado que as empresas são administradas pelas mesmas pessoas, já que o Sr. Udékio Demczuk é sócio de 171) todas elas e o Sr. Wilmar Manske é sócio de três delas, sendo que, naquela em que não figura como sócio, e sim a sua esposa, ele é procurador. E, além de todas funcionarem no mesmo endereço e se autodenominarem "Grupo Meta", vários documentos apreendidos pela Polícia Federal e mencionados no Relatório tl Processo n° 10920.003127/2007-37 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.068 Fl. 929 1 Fiscal comprovam a existência do Grupo Econômico, pois são todas dirigidas por pessoas físicas que possuem o controle acionário majoritário em cada uma delas, demonstrando a existência de um controle comum, pois há unidade de comando e de controle. Ademais, o sentido de grupo econômico não se restringe mais à interpretação literal do art. 2°, § 2°, da CL7', no sentido de se ter uma empresa controladora, admitindo-se também existir apenas coordenação entre as empresas e, nesse sentido, dispõe a jurisprudência: EMENTA: GRUPO ECONÔMICO DE FATO — CARACTERIZAÇÃO. O § 2°, do art. 2° da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que seu texto sugere, considerando-se a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática, situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou fisicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados o controle e direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. PROCESSO TRT/15 a REGIÃO N° 00902-2001-083-15-00-0-RO 922352/2002-RO-9) Como exemplo de coordenação e de unidade de controle no caso em discussão, cita-se as folhas de pagamento da Meta Trabalho Temporário e da Meta Recursos Humanos, que constituem um único documento, sendo que, até 05.2003, os pagamentos foram relalizados por essa última e, após essa data, pela primeira, e o roteiro de uma "Reunião de Diretoria "do Grupo Meta, realizada em 20.04.2004, com os Srs Udélcio, Wilmar e Mário Celso, na "Sede do Grupo Meta, na qual foi apresentada, entre outras, a "Proposta de Organograma Funcional do Grupo Meta", Assim, entendo que restou caracterizada a formação do grupo econômico entre as empresas citadas, pois seus sócios, pessoas físicas, comandam e dirigem o empreendimento, e detêm a titularidade do controle de todas elas. A recorrente argumenta que a observação manuscrita em solicitação de transferência de valores do banco Bradesco, assinada pelo sócio Wilmar, no sentido de se sugerir a assinatura no documento do Udélcio, já que o Wilmar não é sócio da Meta OC, corrobora o fato de que o grupo econômico é apenas para fins mercadológicos e de que a administração das empresas não é única, pois um funcionário da Meta percebeu o equícoco do Sr. Wilmar e sugeriu, para a validade do 12 , Processo n° 10920.003127/2007-37 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.068 Fl. 930 documento, que a pessoa de direito assinasse a dita solicitação, já que o Wilmar não possuía poderes para isso. No entanto, entendo que tal fato reforça o entendimento de que o ser Wilmar era administrador de fato, pois nem se deu conta de que não poderia assinar um documento, precisando ser alertado por um funcionário de que não era sócio de direito. Vale destacar que a fiscalização informou que o Sr Wilmar só não era sócio da empesa Meta OC por impedimento legal, já que não é contador, o que nã o foi contestado pela recorrente." Vale informar que tal qual ocorreu com as notificações, autos de infração lavrados contra empresas do Grupo Meta foram julgados pela então 6' Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, a qual negou provimento aos recursos apresentados, mantendo-se a infração, a multa agravada, bem como a solidariedade entre as empresas. A Meta Organização Contábil alega que inexiste correlação entre lucro e capital investido sendo possível a distribuição desproporcional de lucros. Não obstante tratar-se de matéria cujo direito à discussão já estaria precluso face a não argüição em fase de defesa, a mesma mostra-se impertinente ao caso, uma vez que embora a recorrente alegasse que os valores distribuídos aos sócios seriam participação nos lucros e não pró-labore; tal versão foi totalmente rechaçada quando do julgamento da notificação, cujo objeto, dentre outros, era as contribuições incidentes sobre tais valores. Quanto ao agravamento da multa efetuado pela auditoria fiscal, embora a recorrente se irresigne, não é possível lhe conferir razão. Resta demonstrado nos autos que a conduta da recorrente levou à omissão de diversos fatos geradores perante a Previdência Social, bem como de receita, haja vista a • constatação da realização de folhas de pagamento quente e fria, conforme denominado pelas próprias empresas integrantes do grupo, da existências de notas fiscais frias emitidas por empresas inativas ou canceladas por serviços prestados pelas recorrentes. Não se pode olvidar a tentativa de ocultar da fiscalização a documentação que comprovaria a omissão de fatos geradores e outras irregularidades realizada por meio da seleção de documentos que poderiam ser apresentados à fiscalização. Tal situação levou à necessidade de ação junto ao Ministério Público que conseguiu autorização judicial para a apreensão de documentos da empresa com auxílio da Polícia Federal. Diante dos fatos apresentados, entendo que restaram caracterizadas as situações ensejadoras do agravamento da multa, previstas no art. 290, inciso II, do Decreto n° 3.048/1999, ou seja, agido com dolo, fraude ou má-fé. Portanto, pode-se concluir que tendo sido julgado procedente o lançamento relativo às contribuições, que a empresa deixou de arrecadar dos segurados, demonstrado o descumprimento da obrigação acessória correspondente. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. 13 Processo n° 10920.003127/2007-37 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.068 Fl. 931 Voto no sentido de CONHECER dos recursos e DAR-LHES PROVIMENTO PARCIAL para excluir do valor da multa, a parte correspondente a cada segurado cujo período laboral total foi abrangido pela decadência, ou seja, encerrou-se até a competência 11/1999. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de agosto de 2009 , / Ne MARIA :AND RA - Relatora ,f‘) 14
score : 1.0
Numero do processo: 10730.721043/2011-01
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IPRF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF RETIFICADORA.
O lançamento de omissão de rendimentos que se amparou em DIRF original deve ser retificado para constar como omissão o valor que o contribuinte, por meio de DIRF - retificadora, comprova ter sido o que recebeu.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para retificar o lançamento a fim de que conste como omissão de rendimentos o valor de R$5.280,00 (cinco mil,duzentos e oitenta reais), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 21/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa e Ricardo Anderle. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IPRF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF RETIFICADORA. O lançamento de omissão de rendimentos que se amparou em DIRF original deve ser retificado para constar como omissão o valor que o contribuinte, por meio de DIRF - retificadora, comprova ter sido o que recebeu. Recurso provido.
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score : 1.0
Numero do processo: 11030.001472/2004-81
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO.
Ementa:IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS. AUTO DE
INFRAÇÃO. EXISTÊNCIA DE SUPOSTO CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
A existência de suposto crédito tributário não impede a lavratura de auto de infração. O ajuste de conta entre contribuinte e fisco é feito mediante procedimento próprio.
Numero da decisão: 1802-000.503
Decisão: Acordam os membro do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do_relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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EDITADO EM: ao S 1-TE02 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11030.001472/2004-81 Recurso n° 158.156 Voluntário Acórdão n° 1802-00.503 — 2 Turma Especial Sessão de 05 de julho de 2010 Matéria CSLL. Recorrente Protelyne Calçados de Segurança Ltda. Recorrida I' Turma/DRJ - Santa Maria/RS Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. Ementa:IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS. AUTO DE INFRAÇÃO. EXISTÊNCIA DE SUPOSTO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. A existência de suposto crédito tributário não impede a lavratura de auto de infração. O ajuste de conta entre contribuinte e fisco é feito mediante procedimento próprio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membro do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do_relatório e voto que integram o presente julgado. Participaram da sessão de júlgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Nelso Kichel, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), João Francisco Bianco. Processo n° 11030.001472/2004-81 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.503 Fl, 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pela recorrente acima qualificada contra decisão proferida pela 1' Turma da DRJ de Santa Maria/RS. Contra a recorrente foi lavrado o Auto de Infração (fls. 08 - 10) para formalização e exigência de créditos relativos ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas — IRPJ - referente aos fatos geradores ocorridos no período de 12/2001 a 12/2003. Depreende-se da Descrição dos Fatos e do Termo de Verificação Fiscal (fls. 116 - 118), que a Fiscalização concluiu ter havido divergências entre os valores da receita bruta/faturamento, escriturada no Livro Registro de Saídas, e os valores declarados nas correspondentes DIPJ, conforme estampou-se na planilha de folha 100. Por tais razões, concluiu a Fiscalização ser devido o IRPJ, acrescido de multa de oficio de 75% e dos juros de mora. Cientificada do lançamento, a recorrente apresentou Impugnação (fls. 129 - 133) alegando em síntese, que protocolizou pedidos de ressarcimento de IPI, em 01/07/2002, e não seria verdadeira a afilmaç'ão da Fiscalização de que estava com a escrituração fiscal em atraso, porquanto o agente fiscal Jorge Eliseu Colombo já havia analisado todos os livros e orientou-a a apresentar as DCTF com os valores recolhidos, visto que na DCTF não existe campo para compensação de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ com IPI. Afirmou ainda, que foi lavrado auto de infração quando ainda estava prestando informações para a justa composição de saldos entre contribuinte e DRF. No mérito, sustentou a recorrente que por determinação do artigo 13 da Lei n° 9.065/95 e o artigo 39, § 4°", a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculadas a partir do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Relembrando tal fato afirmou-se que o agente fiscal não analisou devidamente os documentos que compõem a base de cálculo dos impostos federais, analisando, simplesmente, os livros fiscais estaduais, deixando de apurar as receitas financeiras e as retenções de IRRF sobre as aplicações financeiras, como também não foi efetivada a compensação do IPI. Seguiu arrazoando, ter apresentado a declaração de IRPJ, referente ao exercício de 2003, em 07/06/2004, portanto, dentro do prazo estabelecido. Esquadrinhado suas razões de impugnação, a recorrente aduziu que seu inconformismo cingia-se a não compensação dos valores de créditos de IPI com débitos de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ, e à incidência de multa de oficio sobre os débitos de COFINS, PIS CSLL e IRPJ, sobre as bases de cálculo do exercício de 2003, pois a declaração fora entregue no prazo, bem como, as bases de cálculo de outubro de 2001 a dezembro de 2003 Processo n° 11030.001472/2004-81 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.503 Fl. 3 estariam incorretas, na medida em que não foram consideradas todas as receitas e deduções relatadas, asseverando por fim, ter havido indevido arrolamento de bens, requerendo ao fim a improcedência do lançamento. Posteriormente, em atenção à solicitação da 1 a Turma da DRJ de Santa Maria/RS (fls. 164 - 165), tendo em vista as alegações da defesa sobre a apuração incorreta da receita bruta, a DRF de origem prestou as informações de folhas 190 a 191, destacando-se que de fato em alguns períodos haveria equivoco nas constatações do Fisco, sanando-se as imperfeições. A 1" Turma da DRJ de Santa Maria/RS julgou, portanto, nos termos do acórdão e voto de folhas 204 a 213, o lançamento procedente em parte, verificando de início, por meio do Relatório de Diligências (fls. 164 - 165) que efetivamente haveria divergência nos valores da receita bruta (RB), inicialmente identificada, devendo assim, ser recalculados os débitos, esclarecendo, por oportuno, que os valores da Receita Bruta declarados estão relacionados e a base de cálculo refere-se à diferença entre os valores declarados e os valores da receita bruta, que foram confirmados na diligência fiscal e somente foram ajustados os valores da Receita Bruta incluídos a maior na autuação, tendo em vista que a DRJ não teria competência para agravamento da exigência. No que tange à alegação de compensação do valor lançado com créditos do IPI, registrou a decisão recorrida que a Lei n° 9.430/96, em seu artigo 74, iniciou uma série de mudanças nos procedimentos que tratam desse assunto, relembrando toda a sistemática atualmente vigente, citando a vedação de ser admitidas compensações sem pedido, mesmo que entre tributos da mesma espécie, ou seja, as compensações passaram a depender da apresentação de declaração de compensação - DCOMP (art. 74, § 10). Registrou-se, por igual turno, que o instituto da compensação é uma das opções que os contribuintes têm como forma de extinção do crédito tributário (art. 156, II, e 170 do CTN), com formalidade definida, e não se pode confundir o processo de constituição e exigência do crédito tributário com o de restituição ou de compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF. Fez constar a decisão recorrida, que o processo de constituição, como o aqui enfrentado, trata de exigência imposta ao sujeito passivo, refletindo o que o ente tributante entende devido, por outro lado, o pedido de restituição ou a declaração de compensação têm o objetivo de recuperar pagamentos indevidos ou a maior, em razão de direitos alegados pelos contribuintes, sendo as situações distintas, que requerem procedimentos igualmente distintos, cabendo exclusivamente à autoridade local da Secretaria da Receita Federal a conferência dos "pagamentos indevidos ou a maior que o devido" e do direito a sua restituição/compensação, e esse direito dos contribuintes pode ser exercido a qualquer momento, no prazo qüinqüenal. Portanto, o pedido para compensação direta no auto de infração, dos créditos relativos ao IPI, não poderia ser acatada. Já a matéria relacionada à tempestividade na entrega da DIPJ, multa de oficio no ano-calendário 2003, entendeu a decisão recorrida que a multa de oficio foi aplicada ante a constatação de diferenças nos valores da Receita Bruta declarada, recolhimentos de tributos/contribuição inferiores aos realmente devidos e, também, porque, a autuada não declarou os valores devidos em DCTF, conforme está contido no Termo de Verificação Fiscal. Processo n° 11030.001472/2004-81 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.503 Fl. 4 Ao fim, no que tange ao arrolamento de bens esclareceu-se que não estaria na competência daquele colegiado o exame de tais questões, porquanto se trata de assunto vinculado à autoridade lançadora, nos termos do artigo 64 da Lei n° 9.532/97, julgando-se, nesses termos o lançamento parcialmente procedente. Cientificada (fl. 219) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reprisando os argumentos já relatados por meio dos quais, pugna pelo provimento do recurso e consequente improcedência do auto de infração. É relatório. Processo n° 11030.001472/2004-81 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.503 Fl. 5 Voto Conselheiro Relatar, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior O recurso é tempestivo e dotado dos demais requisitos para sua formal admissibilidade, estando apto para julgamento. Cumpre num primeiro momento, esclarecer que o processo sob análise diz respeito, única e exclusivamente, à lavratura de auto de infração para exigência do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, decorrente da constatação de diferenças entre os valores escriturados e os efetivamente declarados pelo sujeito passivo. Portanto, toda e qualquer matéria estranha aos limites da materialidade tributável do IRPJ do aludido período, por mais que subsidiem o órgão julgador, são estranhas aos limites circunscritos pelo caso concreto. Delineados os limites, também é de bom alvitre constar que a recorrente não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a inconsistência nas conclusões do trabalho de fiscalização, pelo contrário, postulou a existência de um pretenso crédito de IPI (matéria estranha a esses autos) sugerindo que antes de o Fisco lançar possíveis diferenças, deveria compensar esses valores. A bem da verdade, como a contribuinte não inova seus argumentos no Recurso Voluntário, nada há que mereça ser acrescentado às afirmações da decisão recorrida no que respeita a esse tópico, evidentemente essa pretensão é incompatível com a formal sistemática do procedimento compensatório, que reclama prévia declaração do sujeito passivo, bem como certeza e liquidez no crédito apontado. Diante disso, e reiterando que omissão de recita não foi refutada satisfatoriamente, encaminho meu vcA no sentiflo de negar provimento ao Recurso Voluntário. Edwal Casoni de Paule-FernanUes Junior 5
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Numero do processo: 13062.000030/2006-37
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2004 Não se conhece de recurso cuja matéria trata de diferenças entre os valores declarados e os valores escriturados a título de Contribuição para o Programa de Integração Social, código de receita nº 8301 no período de outubro de 2004 a dezembro de 2004, é de competência da Egrégia 3 a Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), a teor da norma contida no artigo 4 o, do Anexo II, Título I, Capítulo I do Regimento Interno do CARF. DECLINADA A COMPETÊNCIA.
Numero da decisão: 1803-001.502
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos declinar a competência para 3 a Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Nome do relator: Sergio LuizBezerra Presta
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DECLINADA A COMPETÊNCIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos declinar a competência para 3a Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 13062.000030/200637 Acórdão n.º 1803001.502 S1TE03 Fl. 586 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 186.743 proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria RS, constante das fls. 1984 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Contra a contribuinte foi lavrado o Auto de Infração de fls. 79/80, com o anexo de fl. 81 e o Termo de Constatação Fiscal — Multa Isolada de PIS de fls. 75/78, resultante de compensações consideradas como não declaradas objeto do processo administrativo n° 11070.000229/200550 — débitos referentes à contribuição para o Programa de Integração SocialPIS relativos aos meses de 10/2004 a 12/2004 — com intimação para recolhimento do valor de R$ 16.935,33, tendo como base legal o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051, de 2004, alterado pelo art. 117 da Lei n° 11.196, de 2005”. Protocolou a Recorrente Declaração de Compensação em 02/02/2005, conforme pode ser visto abaixo: O suposto crédito era assim composto: Fl. 295DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 13062.000030/200637 Acórdão n.º 1803001.502 S1TE03 Fl. 587 3 A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria RS, na sessão de 09/03/2007, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, proferiu o Acórdão nº 186.743 entendendo “por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 LANÇAMENTO. MULTA DE OFICIO. MULTA ISOLADA. À luz do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com as alterações posteriores, haverá imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevidamente processadas. Lançamento Procedente”. Cientificada da decisão de primeira instância em 05/04/2007, (AR constante das fls. 210) a ASSOCIACAO HOSPITAL DE CARIDADE IJUI, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 186.743, recorreu em 02/05/2007 (211 e segs) a esse Conselho, objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da manifestação de incornformidade. Em síntese, é o relatório. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 13062.000030/200637 Acórdão n.º 1803001.502 S1TE03 Fl. 588 4 Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Porém, tenho que me furtar em adentrar no mérito da questão, tendo em vista a determinação expressa do artigo 4o, do Anexo II, Título I, Capítulo I do Regimento Interno do CARF que outorga à 3a Seção deste Conselho Administrativo a competência absoluta para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação referente à Contribuição para o Programa de Integração Social código de receita nº. 8301, tendo em vista que as DECOMP trata da compensação da Contribuição para PIS/PASEP com parcelas vincendas da mesma contribuição. Assim, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, voto no sentido de DECLINAR a competência a Egrégia 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF para análise do recurso voluntário. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 297DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/1 1/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
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Numero do processo: 11020.720368/2007-51
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO Á MARGEM DA MATRÍCULA DE REGISTRO DO IMÓVEL. NECESSIDADE.
Conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Ato constitutivo da reserva e requisito formal para reconhecimento do direito à isenção da área, a averbação deve ser feita em data anterior ao fato gerador do imposto.
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE.
A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra - SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar a individualização do imóvel e os diversos tipos de terras, não pode prevalecer.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer o VTN declarado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tania Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO Á MARGEM DA MATRÍCULA DE REGISTRO DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Ato constitutivo da reserva e requisito formal para reconhecimento do direito à isenção da área, a averbação deve ser feita em data anterior ao fato gerador do imposto. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra - SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar a individualização do imóvel e os diversos tipos de terras, não pode prevalecer. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Recurso Voluntário Provido em Parte.
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OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO Á MARGEM DA MATRÍCULA DE REGISTRO DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Ato constitutivo da reserva e requisito formal para reconhecimento do direito à isenção da área, a averbação deve ser feita em data anterior ao fato gerador do imposto. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar a individualização do imóvel e os diversos tipos de terras, não pode prevalecer. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 03 68 /2 00 7- 51 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11020.720368/200751 Acórdão n.º 2801003.119 S2TE01 Fl. 162 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer o VTN declarado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Contra o contribuinte interessado foi lavrada, em 17/09//2007, a Notificação de Lançamento nº 10106/00007/2007 de fls. 02/05, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 16.953,13, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR suplementar, do exercício de 2004, acrescido de multa de ofício (75,0%) no valor de R$ 12.714,84 e mais juros de mora, calculados pela Taxa Selic, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Pinhão”, cadastrado na RFB sob o nº 2.069.4440, com área declarada de 818,1 ha, localizado no Município de São Francisco de Paula/RS. A ação fiscal foi iniciada com o Termo de Intimação Fiscal constante das fls. 07 e 08, tendo sido exigida, para o exercício de 2004, a seguinte documentação: “Documentos referentes á Declaração do ITR do Exercício 2004: Cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Ibama. Laudo técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2º da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Crea, identificando o imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o artigo 9º do Decreto 4.449 de 30 de outubro de 2002. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11020.720368/200751 Acórdão n.º 2801003.119 S2TE01 Fl. 163 3 Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3 0 da Lei 4.771165 (Código Florestal), acompanhado do ato do poder público que assim a declarou. Cópia da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matricula no registro imobiliário. Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. O contribuinte apresentou documentação que entendeu necessária (fls. 14 e ss), demonstrando ter recebido a intimação fiscal, em 17/08/2007. O Auditor Fiscal relatou, na Notificação de Lançamento, em suma, que: “...as áreas de Reserva Legal devem estar averbadas na matrícula do imóvel na data de ocorrência do fato gerador. Como o contribuinte averbou nas matrículas do imóveis uma área de 116,5 há, esta foi a área de Reserva Legal considerada...” “as informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. O laudo técnico apresentado pelo contribuinte foi descaracterizado, por não especificar o Grau de Fundamentação, conforme...ABNT NBR 146533”. Consigna ainda a autoridade fiscal que os valores constantes do SIPT teriam sido informados pela Secretaria Estadual de Agricultura do Rio Grande do Sul para o exercício de 2003, evidenciado no extrato anexo. (grifei). Com base nesses dados, foi então arbitrado o valor da terra nua para 2004, em R$ 951,22/há, perfazendo um total de R$ 778.193,08. Transcrevo da fl. 4: “Para o município de SÃO FRANCISCO DE PAULA, os valores constantes do SIPT Sistema de Preços de Terra, instituído através da Portaria SRF nº 447 de 28/03/02, informados pela Secretaria Estadual de Agricultura do Rio Grande do Sul para o exercício de 2003, está evidenciado no extrato anexo. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11020.720368/200751 Acórdão n.º 2801003.119 S2TE01 Fl. 164 4 Com base nesses dados, foi então arbitrado o valor da terra nua VTN para 2004 em R$ 951,22/ha, perfazendo um total de R$ 778.193,08, conforme demonstrado abaixo: Área Total do Imóvel declarada ...............818,l ha VTN/ha = R$ 951,22 VTN do Imóvel = VTN/ha X área do Imóvel. VTN do Imóvel = 951,22 X 818,1 = R$ 778.193,08” Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, assim tratada pela autoridade julgadora a quo, no que tange às razões de mérito da questão: “Em 18/10/2007 foi apresentada impugnação, fls. 83 a 91, na qual, após tratar dos fatos até aqui conhecidos, a impugnante alegou, em resumo, o seguinte: 6.1. Em Do Direito, discordando da glosa parcial da AUL disse que está providenciando a averbação na matrícula do imóvel da ARL, comprovando a destinação do imóvel. 6.2. Ressaltou que ao declarar ARL de 420,0 ha o fazia com o intuito efetivo de conservação e limitação do uso da mesma. 6.3. Realizou a entrega do ADA, do qual consta 420,0 ha como ARL e, contudo, a fiscalização não considerou esta região como AUL, por não haver averbação na matrícula do ato que assim as define. 6.4. Disse não caber esse entendimento porque efetiva é a destinação mencionada da referida área, não tendo sido averbada por mero lapso e/ou impossibilidade. 6.5. Deve ser considerada a real situação do local, que há muito tem sido de Utilização Limitada, bem como a intenção da impugnante de assim mantêla, sem que, contudo, cause danos ou prejuízos ao Estado. (...) Assim, para verificar a correição da declaração, a interessada, como já dito, foi regularmente intimada a apresentar documentos comprobatórios da existência e regularidade das áreas isentas e o VTN. Com a documentação apresentada, a fiscalização verificou que a área de Preservação Permanente estava de acordo com a legislação e devidamente regularizada para fazer jus à isenção do ITR. Com referência à AUL, representada pela ARL, entretanto, foi constatado que, apesar do ADA tempestivo, apenas parte da mesma está averbada na matrícula do imóvel. No tocante ao VTN, o laudo apresentado não foi eficazmente elaborado para comprovar a avaliação declarada. Por estas razões, a ARL foi parcialmente glosada, modificado o VTN com base na tabela do SIPT e alterados demais dados conseqüentes, fatos que resultaram na apuração Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11020.720368/200751 Acórdão n.º 2801003.119 S2TE01 Fl. 165 5 de diferença de crédito tributário lavrandose a NL ora impugnada. Com a impugnação nada de novo foi trazido. Além das matérias preliminares superadas, a interessada concentrou sua contestação no fato de existir em sua propriedade tal reserva, devendo ser considerada essa realidade e que a exigência de averbação é meramente formal. Desta forma uma das razões principais do inconformismo se baseia, em resumo, no fato de existir na propriedade a área glosada”. Desta feita, após tecer considerações sobre as formalidades necessárias ao reconhecimento das áreas como de Utilização Limitada/Reserva Legal para fins de isenção do ITR, o julgamento de 1ª Instância deuse para: “por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, julgar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.”(grifei) Cientificado do Acórdão de 1ª instância em 23/04/2009 (fl.135), apresentou recurso voluntário, em 21/05/2009 (fl. 136), manifestando sua inconformidade com o decidido pela DRJ, onde, em síntese, destacamos o seguinte: alega que a recorrente está providenciando a averbação na matrícula do imóvel da área que constitui a reserva legal, comprovando sua destinação; não obstante, ressalta que a recorrente, fundado em sua percepção pragmática, ao declarar como área de reserva legal 420,0 ha da Fazenda em questão, o fazia no intuito efetivo de conservação e limitação do uso da mesma; assim, realizou a entrega do Ato Declaratório Ambiental, do qual consta a área (420,0 ha) como área de Reserva Legal. Contudo, a fiscalização fazendária não considerou esta região como Área de Utilização Limitada, por não haver averbação junto às inscrições das matrículas do imóvel de ato declaratório que assim as define; deverseia, pois, considerar a real situação do local, que há muito tem sido de utilização limitada, bem como a intenção da recorrente de assim mantêlo, sem que cause danos ou prejuízos ao Estado. a averbação do mencionado Ato Declaratório Ambiental é apenas complemento, mero atestado do trabalho que vem sendo desenvolvido, sempre tendose em conta que a recorrente dedicou cuidado e atenção necessários à manutenção e conservação daquela região; transcreve algumas decisões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido da tese expressada; entende que os valores arbitrados pela fiscalização fazendária ao imóvel em comento Fazenda Pinhão , que constitui a base de cálculo para a apuração do tributo devido, estão em desacordo com os valores praticados no mercado, considerando as situações físicas do Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11020.720368/200751 Acórdão n.º 2801003.119 S2TE01 Fl. 166 6 imóvel. Observa que a Fazenda Pinhão está situada na encosta do Rio das Antas, formada por relevo irregular, com desníveis em relação ao leito do rio superiores à 45% com predominância de solo basáltico, de difícil cultivo; ainda, diversamente do alegado na r. decisão recorrida, alega que os documentos apresentados pela recorrente em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal e quando da interposição da impugnação são suficientes para comprovar o efetivo preço do imóvel, não necessitando da elaboração de laudo técnico para apurálo; discorre ainda sobre o “caráter confiscatório” da multa aplicada, que em sua opinião, prescinde de razoabilidade. Assim, requer que seja dado provimento ao presente recurso, para desconstituir o Auto de Infração atacado. Não anexa novos documentos. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, já que tempestivo e com condições de admissibilidade. Não identifico questões preliminares a serem tratadas. Em relação a manifestação de inconformismo do contribuinte à multa de ofício lançada juntamente com o imposto, trataremos após o mérito. MÉRITO. Façamos breve digressão sobre o instituto da isenção tributária: CTN Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração. (sublinhei) Natureza da isenção. Conforme art. 175, caput, a isenção exclui o crédito tributário, ou seja, surge a obrigação, mas o respectivo crédito não será exigível; logo, o cumprimento da obrigação resta dispensado. Para Rubens Gomes de Souza, favor legal consubstanciado na dispensa do pagamento de tributo. Para Alfredo Augusto Becker e José Souto Maior Borges, hipótese de nãoincidência da norma tributária. Para Paulo de Barros Carvalho, o preceito de isenção subtrai parcela do campo de abrangência do critério antecedente ou do conseqüente da norma tributária, paralisando a atuação da regra matriz de incidência para certos e determinados casos.(PAULSEN. Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11020.720368/200751 Acórdão n.º 2801003.119 S2TE01 Fl. 167 7 doutrina e da jurisprudência, 10 ed – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008, p. 1179) DO ADA COMO REQUISITO PARA ISENÇÃO. Primeiro, ressaltese que entendo não estar esta matéria em litígio nesta fase recursal, haja vista que a Fiscalização e o Julgamento de 1ª instância (“No caso em tela, como já dito, apesar de constar de ADA tempestivamente apresentado ao IBAMA...” fl. 129) aparentemente consideraram hábil o ADA que consta do presente processo, anexado à fl. 21. Mas observo que se trata do Formulário do ano de 1997, com data de protocolo em 30/06/1998, e aqui debatemos sobre o ITR do exercício de 2004. Mas, como entende o recorrente que a isenção não pode decorrer de meras formalidades e sim de situação fática, creio importante trazer à baila estas considerações que se seguem. Pois bem. A Lei nº 9.393/1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em seu artigo 10, que trata da apuração e pagamento do imposto, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”, previstas na Lei nº 4.771 de 15 de setembro de 1965, com redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O tamanho da área tributável influi no cálculo e, conseqüentemente, no valor a pagar de ITR. A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infra legal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação nesse sentido. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal, ... Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11020.720368/200751 Acórdão n.º 2801003.119 S2TE01 Fl. 168 8 § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Com essa declaração aos órgãos responsáveis, em busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Cabe ressaltar que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Buscase, assim, uma conduta determinada dos cidadãos. No caso, o objetivo é a preservação das áreas em comento, pela fiscalização das áreas informadas pelo ADA. Desta forma, o objetivo da isenção é estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e proporcionar melhor qualidade de vida. “O postulado da proporcionalidade exige que o Poder Legislativo e o Poder Executivo escolham, para a realização de seus fins, meios adequados, necessários e proporcionais. Um meio é adequado se promove o fim. Um meio é necessário se, dentre todos aqueles meios igualmente adequados para promover o fim, for o menos restritivo relativamente aos direitos fundamentais. E um meio é proporcional, em sentido estrito, se as vantagens que promove superam as desvantagens que provoca”. (ÁVILA, Humberto. Teoria dos Princípios: da definição á aplicação dos princípios jurídicos. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 102) Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11020.720368/200751 Acórdão n.º 2801003.119 S2TE01 Fl. 169 9 O órgão de controle, Ibama, a seu turno, por meio da Portaria nº 162, de 18 de dezembro de 1997, cuidou, entre outras providências, de estabelecer o modelo do ADA, bem como instruções para preenchimento (pelos solicitantes) e recepção dos correspondentes formulários. Estabeleceu, em seu art. 1º: “Art. 1º. O Ato Declaratório Ambiental ADA conforme modelo apresentado no anexo I da presente Portaria, representa a declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR.” (Grifos acrescidos) A IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, que expressamente revogou a supra mencionada Portaria, estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR”. Por fim, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo como um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do Ato Declaratório; deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA, bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental – ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. (...) Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). (...) § 3o O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11020.720368/200751 Acórdão n.º 2801003.119 S2TE01 Fl. 170 10 podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado.(grifei e sublinhei) Bem, não estamos, em nenhum momento, discutindo a existência da área de utilização limitada/reserva legal, frisese. A não existência ou a não preservação poderia ensejar, para o proprietário, outras repercussões ou sanções previstas na legislação ambiental/penal. DA AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL NA MATRÍCULA DO IMÓVEL Para fazer jus à redução também deverá o sujeito passivo cumprir outra determinada exigência, especialmente em relação à reserva legal. Tratase da averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.166/67, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Bem, penso que a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal, documenta e cria um registro público da sua existência e faz surgir uma obrigação real de preservação. Apesar da boa fé que o recorrente alega ter, e ela deve ser presumida, pelos princípios do direito, infelizmente não é sempre assim. Ademais, o Mestre Sílvio Rodrigues, ao tratar da forma dos atos jurídicos, ensina que para alguns atos a lei exige forma determinada. Para o renomado autor, não obstante a importância da forma venha diminuindo com o tempo, e ele identifica um recuo nessa ocorrência, se o formalismo apresenta alguns aspectos negativos, apresenta outros favoráveis, pois ele estabelece de maneira indiscutível a vontade das partes e conserva a memória de sua Fl. 170DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11020.720368/200751 Acórdão n.º 2801003.119 S2TE01 Fl. 171 11 manifestação, garante a autenticidade do ato, chama a atenção para a seriedade do mesmo, facilita a prova que se fizer necessária e traz o elemento importante publicidade. (RODRIGUES. Silvio, Direito Civil, Parte Geral, vol 1, São Paulo: Saraiva, 2003, pp. 264/5). Acrescentese, ainda, que a averbação na matrícula do imóvel produz efeitos erga omnes, preservando a área mesmo no caso de transmissão a qualquer título, desmembramento e etc... Com o devido respeito à jurisprudência que colaciona o Recorrente, que como já assentou o Julgador a quo não é unânime neste CARF, contudo e portanto, entendo que a área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto. Não faz sentido admitir um ato constitutivo que possa ser posterior. Em sua impugnação, apresentada em 18/10/2007 o contribuinte informa que “está providenciando a averbação na matrícula do imóvel da área que constitui a área de reserva legal, comprovando a destinação do imóvel”. Em sede de recurso voluntário, protocolado em 21/05/2009, portanto 17 meses depois, traz a mesma informação de que “está providenciando” a averbação. Mas o documento não foi trazido ao processo. DO ARBITRAMENTO DO VTN. SIPT com Base na média das DITR para o Município e exercício em questão. O valor da terra nua – VTN, declarado pelo contribuinte na DITR/2004, foi alterado com base no SIPT (Sistema de Preços de Terras da RFB) pela autoridade fiscal, uma vez que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, através de Laudo de Avaliação do imóvel, nos ditames da NBR 14.653 da ABNT, o valor declarado, passandose a considerar o valor de R$ 951,22 por hectare, por ela constatado, para o imóvel. É o que se depreende da Notificação de Lançamento. Cópia da ‘tela’ informadora do sistema SIPT encontrase anexada ao processo, na fl. 09. Já é ponto pacífico em diversas decisões deste CARF a impossibilidade de utilização do VTNmédio, calculado a partir das declarações de ITR para imóveis localizados em determinado Município, como base para arbitramento de valor da terra nua pela autoridade fiscal, uma vez que além de não encontrar previsão legal, mostrase parâmetro que não reflete a realidade e a peculiaridade do imóvel, por não considerar a localização e dimensão e a capacidade potencial da terra. Senão vejamos: Acórdão nº 2801002.942 – 2ª Câmara / 1ª Turma Especial (12/03/2013) VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não Fl. 171DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11020.720368/200751 Acórdão n.º 2801003.119 S2TE01 Fl. 172 12 observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Acórdão nº 2201001.945 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (22/01/2013) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Recurso Voluntário Provido. Assim, é importante trazer o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: “Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.”(grifei) Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: “Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) Fl. 172DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11020.720368/200751 Acórdão n.º 2801003.119 S2TE01 Fl. 173 13 III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” No caso, apesar do que fez constar a Autoridade lançadora na Notificação de Lançamento, criando certa confusão ao referirse ao exercício de 2003 e afirmando que fora utilizado o valor informado pela Secretaria de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, para 2004, conforme se observa na descrição dos fatos da referida exigência fiscal, e que transcrevemos neste Relatório, o que comprova a tela do SIPT, anexada na folha 09, é que não há informação de VTN médio por aptidão agrícola para o Município de São Francisco de Paula/RS, para o exercício de 2004, e que o valor de R$ 951,22/ha é o VTN médio das DITR. Desta feita, como a Fiscalização já descaracterizou o Laudo apresentado, que, registrese, atribuiu ao VTN valor maior que o declarado na DITR, é de se considerar para o VTN o valor declarado pelo contribuinte. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA Neste aspecto, importante frisar que a falta de recolhimento do imposto constatada nos autos enseja sua exigência por meio de lançamento de ofício, com a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44. Para aplicação da multa de 75,0% devese observar, primeiramente, o disposto no § 2º do art. 14, da Lei nº 9.393/1996, que assim estabelece: “Art. 14 (...) § 1º (...) Fl. 173DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11020.720368/200751 Acórdão n.º 2801003.119 S2TE01 Fl. 174 14 § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais.” Essas multas, aplicadas aos tributos e contribuições federais, estão previstas no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Portanto, a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada nos dispositivos legais citados anteriormente (§ 2º do art. 14 da Lei nº 9.393/1996 c/c o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996). Se o recorrente entende que a lei está destoante dos preceitos constitucionais e que o percentual legalmente previsto possui efeitos confiscatórios, devese ter em conta que a instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre aludido conflito da legislação tributária com a Carta Magna. Tais argumentos, a teor da própria Constituição Federal, somente poderiam ser apreciados pelos juízes e tribunais do Poder Judiciário. Esse entendimento já foi objeto de Súmula, aplicada por este CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Pelas razões expostas aqui, mantémse a glosa efetuada pela autoridade fiscal, no lançamento, de parte da área de reserva legal declarada, por não ter sido apresentada comprovação de que a mesma estava averbada à margem da matrícula do imóvel na data de ocorrência do fato gerador do imposto. Inaplicável o valor da terra nua VTN, arbitrado no lançamento, com base no SIPT, tendo como informação o VTNmédio das DITR, no ano de 2004, para o Município de localização do imóvel. Assim, o VTN deve ser o declarado pelo recorrente, em sua DITR/2004 (R$ 390.000,00). Inalterável o percentual de multa de ofício aplicada, de 75% sobre o valor da infração que restar apontada. Desta feita, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11020.720368/200751 Acórdão n.º 2801003.119 S2TE01 Fl. 175 15 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 36202.003319/2006-61
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/07/2004
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
No auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, não há hipótese de recolhimento parcial devendo ser aplicado o artigo 173, I do Código Tributário Nacional.
MPF CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO APÓS EXPIRAÇÃO DA VALIDADE
A ciência do auto de infração pelo sujeito passivo ocorrida após a expiração do prazo constante do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, não é causa da nulidade da autuação, que ocorreu quando o MPF ainda estava válido.
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA
A multa somente será relevada se o infrator solicitar, for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta até a decisão da autoridade julgadora competente, conforme redação original do artigo 291, vigente na época dos fatos geradores.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91 Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.826
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para acatar a decadência exposta no artigo 173, I do Código Tributário Nacional e excluir da autuação as competências até 11/2000. Também devem ser excluídas as competências de 12/2001, 03/2002, 05/2002 e 07/2002, para as quais as faltas foram sanadas, devendo, nas competências remanescentes, a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, com a redação da Lei n.º 11.941/2009
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1999 a 31/07/2004 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, não há hipótese de recolhimento parcial devendo ser aplicado o artigo 173, I do Código Tributário Nacional. MPF CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO APÓS EXPIRAÇÃO DA VALIDADE A ciência do auto de infração pelo sujeito passivo ocorrida após a expiração do prazo constante do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, não é causa da nulidade da autuação, que ocorreu quando o MPF ainda estava válido. AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA A multa somente será relevada se o infrator solicitar, for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta até a decisão da autoridade julgadora competente, conforme redação original do artigo 291, vigente na época dos fatos geradores. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91 Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Fatos Geradores Recorrente FUNDAÇÃO ESPÍRITO SANTENSE DE TECNOLOGIA FEST Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/07/2004 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, não há hipótese de recolhimento parcial devendo ser aplicado o artigo 173, I do Código Tributário Nacional. MPF CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO APÓS EXPIRAÇÃO DA VALIDADE A ciência do auto de infração pelo sujeito passivo ocorrida após a expiração do prazo constante do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não é causa da nulidade da autuação, que ocorreu quando o MPF ainda estava válido. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA A multa somente será relevada se o infrator solicitar, for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta até a decisão da autoridade julgadora competente, conforme redação original do artigo 291, vigente na época dos fatos geradores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 20 2. 00 33 19 /2 00 6- 61 Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91 Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para acatar a decadência exposta no artigo 173, I do Código Tributário Nacional e excluir da autuação as competências até 11/2000. Também devem ser excluídas as competências de 12/2001, 03/2002, 05/2002 e 07/2002, para as quais as faltas foram sanadas, devendo, nas competências remanescentes, a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, com a redação da Lei n.º 11.941/2009 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36202.003319/200661 Acórdão n.º 2302002.826 S2C3T2 Fl. 1.122 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração por descumprimento de obrigação acessória, lavrado em 30/06/2006, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 03/07/2006, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 09/1999 a 07/2004, todos os valores pagos ao segurados contribuintes individuais, conforme planilha de fls. 16 a 19. Após a impugnação, DecisãoNotificação de fls. 165/172, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou Pedido de Reconsideração da Decisão, no prazo recursal, juntando cópias das GFIP’s retificadoras, para comprovar a correção da falta e a consulta ao sistema GFIP WEB Posteriormente, complementou o recurso intempestivamente, alegando em síntese: a) a nulidade formal já que a notificação do contribuinte se deu após o término do prazo para conclusão do MPF; b) a decadência parcial do direito de autuar; c) que sofreu dupla penalização com a lavratura do auto de infração e da notificação fiscal de lançamento de débito, o que carece de razoabilidade; d) que a multa deve ser relevada frente à atenuante prevista no caput do art. 291 do RPS, já que corrigiu a falta antes do julgamento administrativo. Requer a reforma da decisão recorrida para tornar insubsistente o auto de infração, ou que seja reconhecida a aplicação da relevação da multa. Junta documentos. A DRP ofereceu as contrarazões pela manutenção da decisãorecorrida , já que as GFIP’s apresentadas registraram parte dos segurados que deixaram de ser informados e por serem retificadoras na versão SEFIP 8.0, substituíram todas as informações prestadas anteriormente. As novas GFIP’s apagaram no sistema informatizado os dados relativos aos segurados a serviço da autuada, continuando, portanto, com incorreções e não se prestando para relevar a multa aplicada. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 A autuada peticionou a devolução do depósito recursal, por ter decisão judicial em liminar favorável ao seguimento do recurso sem garantia de instância. E, também peticionou pela aplicação da multa com fulcro no artigo 32 A da Lei n.º 8.212/91. Os autos vieram a julgamento neste Colegiado e Resolução n.º 230200.051 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, datada de 18/08/2010, converteu o julgamento em diligência para que fossem examinadas as GFIP’s juntadas no prazo recursal, mas enviadas via conectividade social, antes da emissão da DN, com parecer conclusivo da fiscalização acerca da correção ou não da falta. Informação Fiscal de fls. 813, concluiu pela correção da falta nas competências de 09/1999, 12/2001, 03/2002, 05/2002 e 07/2002, mantendo as demais competências para as quais não foi comprovado o saneamento da infração. O contribuinte foi devidamente cientificado do resultado da diligência e se manifestou reiterando a solicitação de relevação da multa, frente às novas GFIP’s que anexa. É o relatório. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36202.003319/200661 Acórdão n.º 2302002.826 S2C3T2 Fl. 1.123 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Das Preliminares Decadência O auto de infração compreende as competências de 09/1999 a 07/2004 e a ciência do sujeito passivo se deu em 03/07/2006. A recorrente argüiu a decadência qüinqüenal, e com efeito é de ser considerada, pois nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo ser observada a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional CTN. Assim, quando há o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36202.003319/200661 Acórdão n.º 2302002.826 S2C3T2 Fl. 1.124 7 No caso presente, por se tratar de auto de infração, onde não há hipótese de recolhimento antecipado, aplicase o artigo 173, I do CTN, devendo ser excluídas da autuação as competências até 11/2000, inclusive esta: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal Esclareço à recorrente que a ciência do auto de infração ter ocorrido após a expiração do prazo constante do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, não é causa da nulidade da autuação, eis que a mesma ocorreu quando o MPF ainda estava válido. A ciência da autuação ao sujeito passivo não pode ser confundida com o lançamento do crédito previdenciário, que foi efetuado dentro do prazo estipulado pelo MPF. Com respeito ao entendimento do Conselho de Recursos da Previdência Social, ao qual se refere a requerente, de que a notificação do sujeito passivo fora do prazo de validade do MPF, ensejaria a nulidade do lançamento, informo que tal entendimento foi revogado pelo Enunciado N. 25, conforme Resolução MPS/CRPS n. 01, que transcrevo: RESOLUÇÃO MPS/CRPS N. 1, de 23 de fevereiro de 2006 – DOU de 06/03/2006 Edita o enunciado n. 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social A CÂMARA SUPERIOR do Conselho de Recursos da Previdência Social especializada em matéria de custeio, no uso da competência que lhe é atribuída pelo artigo 303, parágrafo 1 , inciso IV, do Decreto n. 3048/99, na redação do Decreto n. 4.729, de 09 de junho de 2003, publicado no Diário Oficial da União de 10 de junho de 2003, tendo em vista o disposto no artigo 61, Parágrafos 1 e 2 e artigo 63, Parágrafo 5 , Inciso I da Portaria MPS n. 88/2004 Regimento Interno do CRPS – e cumprindo deliberação do Conselho Pleno em reunião realizada no dia 23 de Fevereiro de 2006, resolve: Editar o seguinte enunciado: Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Enunciado N. 25 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF – não acarreta nulidade do lançamento. Do Mérito Referese o auto de infração ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja a falta de informação em GFIP de toda a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais, cujos pagamentos constavam da contabilidade da recorrente. Em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de débito. Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. Pelo exposto, a recorrente não possui razão ao alegar bis in idem, porque as obrigações tributárias descumpridas são distintas. O fato gerador da contribuição previdenciária é o pagamento de remuneração aos segurados contribuintes individuais, ao Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36202.003319/200661 Acórdão n.º 2302002.826 S2C3T2 Fl. 1.125 9 passo que o fato gerador da obrigação acessória é a falta de informação em GFIP dos dados relacionados aqueles contribuintes. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais , a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida, à época do lançamento, no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era ser considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Quanto à existência de NFLD onde está lançada a obrigação principal, de nada impede a procedência da presente autuação, porque restou demonstrado nos autos pelo relatório fiscal que a recorrente descumpriu obrigação acessória exposta em lei, ou seja, não informou em GFIP os pagamentos efetuados aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviço. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36202.003319/200661 Acórdão n.º 2302002.826 S2C3T2 Fl. 1.126 11 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Por derradeiro, no que se refere aos argumentos apresentados pela recorrente de que sanou as irregularidades, fazendo jus a relevação da multa, temos a observar as disposições contidas no artigo 291, do Regulamento da Previdência Social, com sua redação original, vigente à época dos fatos geradores e da lavratura do auto de infração: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante De acordo com a informação prestada pelo Fisco foram consideradas corrigidas as competências de 09/1999, 12/2001, 03/2002, 05/2002 e 07/2002. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 As GFIP’s entregues pelo recorrente em sede recursal, após a ciência da diligência comandada, através de Resolução emitida por este Colegiado, não podem ser consideradas para relevar a multa aplicada, porque foram entregues/transmitidas em 11/2010, 05/2011 e 06/2011, quando a decisão da autoridade julgadora se perfectibilizou em 06/10/2006, fls. 175. Portanto, não há como acolher a pretensão da recorrente de ter a multa relevada porque a falta foi corrigida fora do prazo permitido na legislação vigente à época dos fatos geradores, para a concessão do benefício da relevação. Devese atentar ainda, para o fato de que a juntada de documentos após a impugnação não deve ser acolhido, uma vez que a Portaria RFB n.º10.875/2007, no art. 7º, inciso III e § 1º, acompanhando os preceitos do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235/72, limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Portaria RFB n.º 10.875/2007: Art. 7º A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nos incisos do § 1º. Decreto nº 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36202.003319/200661 Acórdão n.º 2302002.826 S2C3T2 Fl. 1.127 13 § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A preclusão temporal para a apresentação de provas foi ressalvada nas situações previstas nas alíneas do § 1º do art. 7º da Portaria RFB acima transcritas..No caso em análise, o recorrente não demonstrou a ocorrência de nenhuma dessas situações, sendo inócua a juntada de documentos após a impugnação. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, para acatar a decadência exposta no artigo 173, I do CTN e excluir da autuação as competências até 11/2000; para excluir também as competências 12/2001, 03/2002, 05/2002 e 07/2002, para as quais as faltas foram sanadas, devendo, nas competências remanescentes, a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, com a redação da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10650.001617/2002-11
Data da sessão: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/08/2002 a 30/09/2002
AÇÃO DE REPETIÇÃO DO INDÉBITO. SENTENÇA COM TRÂNSITO EM JULGADO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. DIREITO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL.
O teimo inicial do prazo prescricional do direito de o sujeito passivo realizar a compensação tributária na esfera administrativa é a data do trânsito em julgado da sentença condenatória da Fazenda Nacional proferida no âmbito do processo da ação de repetição do indébito tributário. No hipótese, o trânsito em julgado da decisão condenatória ocorreu em 15/08/1990 e a compensação foi efetivada em 14/11/2002, data da protocolização do pedido de compensação, portanto, após o termo final do prazo de prescrição, que ocorreu em 15/08/1995.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ATO INEQUÍVOCO DE RECONHECIMENTO. PRAZO DE PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO. OCORRÊNCIA.
Nos termos do art. 174, parágrafo único, inciso IV, do CTN, interrompe o prazo de prescrição da ação de cobrança do credito tributário qualquer ato inequívoco que importe em reconhecimento de débito pelo sujeito passivo. No caso, o pedido de compensação realizado em 14/11/2002, por ser ato inequívoco de reconhecimento de débito, interrompeu o curso do prazo prescricional para cobrança do crédito tributário compensado, o qual ficará com a sua exigibilidade suspensa até a data a decisão administrativa definitiva a ser proferida nestes autos, quando então reiniciará o seu curso normal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.528
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, para declarar a extinção do direito de pleitear a compensação. Vencida a conselheira Beatriz Veríssimo de Sena (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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Recorrida DRJ-JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2002 a 30/09/2002 AÇÃO DE REPETIÇÃO DO INDÉBITO. SENTENÇA COM TRÂNSITO EM JULGADO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. DIREITO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. O teimo inicial do prazo prescricional do direito de o sujeito passivo realizar a compensação tributária na esfera administrativa é a data do trânsito em julgado da sentença condenatória da Fazenda Nacional proferida no âmbito do processo da ação de repetição do indébito tributário. No hipótese, o trânsito em julgado da decisão condenatória ocorreu em 15/08/1990 e a compensação foi efetivada em 14/11/2002, data da protocolizaçã.o do pedido de compensação, portanto, após o termo final do prazo de prescrição, que ocorreu em 15/08/1995. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ATO INEQUÍVOCO DE RECONHECIMENTO. PRAZO DE PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 174, parágrafo único, inciso IV, do CTN, interrompe o prazo de prescrição da ação de cobrança do credito tributário qualquer ato inequívoco que importe em reconhecimento de débito pelo sujeito passivo. No caso, o pedido de compensação realizado em 14/11/2002, por ser ato inequívoco de reconhecimento de débito, interrompeu o curso do prazo prescricional para cobrança do crédito tributário compensado, o qual ficará com a sua exigibilidade suspensa até a data a decisão administrativa definitiva a ser proferida nestes autos, quando então reiniciará o seu curso normal. Recurso Voluntário Negado. rs • ' • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, para declarar a extinção do direito de pleitear a compensação. Vencida a conselheira Beatriz Veríssimo de Sena (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. rceuerra de Castro - Presidente triz,Yeríssimo de Sena - Relatora José Fernandes do Nascimento - Redator Designado EDITADO EM: 11/11/2009 \ \. Participaram do presente julgarnento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Beatriz Veríssimo de Sena, Nilton Luiz Bartoli, Celso Lopes Pereira Neto e Nanci Gama. Relatório O objeto do recurso voluntário é a prescrição incidente sobre o direito de requerer em sede administrativa a compensação de créditos de FINSOCIAL, reconhecidos em decisão transitada em julgado, com débitos de PIS e COFINS. O interessado apresentou DCOMP protocolizada em 14/11/2002 (fls. 01 a 03) para débitos do PIS e da COFINS relativos aos períodos de apuração agosto e setembro de 2002 com créditos previstos na Ação Ordinária n° 87.0200041-5 (Execução n° 1998.38.02.001343-1), que tramitou junto à Justiça Federal da Vara de Uberaba/MG (fl. 17), referente a pagamentos a maior do FINSOCIAL, com base na inconstitucionalidade declarada pelo STF. A DRF-Uberaba indeferiu o pedido de compensação por entendê-lo prescrito. Além disso, emitiu cobrança dos créditos de PIS e COFINS não recolhidos, notificação essa recebida pelo interessado em 17/10/2007 (fls. 294/295). Em resposta, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou que os débitos pretendidos a compensar não estariam prescritos, na medida em que prazo prescricional não se iniciaria do trânsito em julgado da decisão de mérito, mas sim da data de trânsito em julgado do respectivo processo de execução. Ademais, quanto à cobrança, argüiu que a mesma estaria prescrita, uma vez que já teria decorrido mais de cinco anos do vencimento dos tributos. A Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora/MG julgou procedente o lançamento, por entender que o direito de requerer a restituição administrativa prescreve em 5 (cinco) anos a contar do trânsito em julgado da decisão de mérito, ocorrida em 15/08/1990. Quanto às cobranças de PIS e COFINS, asseverou que em 14/11/2002 a empresa suspendeu o prazo prescricional por meio da Declaração de Compensação, nos termos do inciso IV, do § único do art. 174 do CTN. 2 Processo n° 10650.001617/2002-11 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.528 Fl. 336 O acórdão a quo foi assim ementado (fl. 316): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2002 a 30/09/2002 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PRAZO EXTINTIVO DO DIREITO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAçÃo. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da homologação da sentença judicial em Ação de Repetição de Indébito. Já a prescrição dos débitos ocorre neste mesmo prazo, caso não ocorra nenhuma hipótese de interrupção da contagem previsto no art. 174 do CT1V. Contra a decisão regional a empresa interpôs recurso voluntário dentro do prazo legal de 30 (trinta) dias, reiterando, em síntese, os argumentos já expostos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora - Da prescrição do direito a requerer restituição ou compensação dos créditos de FINSOCIAL Conforme relatado, a DRJ de Juiz de Fora/MG entende que a restituição administrativa prescreve em 5 (cinco) anos a contar do trânsito em julgado (homologação) da decisão de mérito, que ocorreu em 15/08/1990. Ocorre, entretanto, que o teimo inicial do prazo prescricional para requerer a restituição ou compensação de crédito reconhecido judicialmente em sede administrativa deve operar-se do trânsito em julgado do processo de execução, quando do contribuinte opta por liquidar a sentença perante a Justiça. Nos termos do art. 174, capta, do Código Tributário Nacional - CTN a prescrição inicia-se da data de constituição definitiva do crédito. Na hipótese, o crédito constituiu-se definitivamente quanto apurado, em Ultima análise, o valor a ele correspondente, em sede de processo de execução. Tal ocorreu quanto o Autor concordou com os cálculos de execução, apresentados em decisão publicada no Diário de Justiça de 27/04/2002 (verso fl. 120). À fl. 121 o Autor manifestou expressamente sua concordância com os cálculos, já ocorrida ante o seu silêncio face do despacho homologatório dos cálculos. Esse deve ser o temio inicial da prescrição. - Ainda que assim não fosse, cumpre observar que, de acordo com o art. 174, parágrafo (mico e incisos, do CTN, a prescrição se interrompe por meio de qualquer ato judicial, ainda que em sede de execução, que constitua em mora o devedor. Esse é o caso do despacho que submeteu a exame dos cálculos da contadoria judicial. ("3 Considerando que o pedido de compensação foi protocolado no dia 14/11/2002, inocorre prescrição sobre os créditos de FINSOCIAL reconhecidos na Ação Ordinária n° 87.0200041-5 (Execução n° 1998.38.02.001343-1). - Da prescrição da cobrança de PIS e COFINS Em sua manifestação, o Contribuinte alega que, uma vez que a carta de cobrança foi recebida aos 17 de outubro de 2007, teriam decorrido mais de cinco anos entre o vencimento dos tributos e o respectivo lançamento. Assim, a cobrança estaria prescrita. Todavia, como bem colocou o r. acórdão regional, nos tennos do art. 174, parágrafo único, inciso IV, do CTN, o pedido de compensação realizado em 14/11/2002 interrompeu o curso do prazo prescricional, na medida em que nele o Contribuinte reconheceu a dívida. Neste ponto, nego provimento ao recurso voluntário. - Conclusão Isto posto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a prescrição declarada sobre os créditos de FINSOCIAL reconhecidos na Ação Ordinária n° 87.0200041-5 (Execução n° 1998.38.02.001343-1). Uma vez afastada a prescrição, voltem os autos à origem para exame do mérito do pedido de compensação. Beatriz Veríssimo de Sena Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado No presente recurso voluntário insurge a recorrente contra o Acórdão recorrido com base, em síntese, nos seguintes argumentos: a) o valor do crédito utilizado no procedimento compensatório não estaria prescrito, na medida em que, em se tratando de crédito reconhecido judicialmente, o prazo prescricional não se iniciaria na data do trânsito em julgado da decisão de mérito, mas sim da data de trânsito em julgado do respectivo processo de execução; e b) os débitos tributários cobrados estariam prescritos, uma vez que já teria decorrido mais de cinco anos entre o dia do vencimento dos tributos e a ciência do despacho que não homologatório da compensação. Esta última alegação não foi aceita pela nobre Conselheira Relatora, que manifestou o entendimento de que, nos termos do inciso IV do parágrafo único do art. 174 do CTN, no presente caso, houve interrupção do curso do prazo prescricional, na medida que formulado o pedido de compensação em tela a recorrente reconheceu os referidos débitos tributários. No que tange a este ponto, estou de pleno acordo com teor do voto vencido. J \.n Processo n° 10650.001617/2002-11 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.528 Fl. 337 A minha discordância diz respeito ao argumento consignado na alínea "a" supra, ou seja, ao termo inicial do prazo prescricional do direito de pleitear, na esfera administrativa, a restituição do indébito tributário reconhecido por meio de ação de repetição de indébito. Neste passo, da mesma foi lua que a recorrente, entende a nobre Relatora que o termo inicial do prazo prescricional do direito de pleitear a repetição do indébito tributário reconhecido por meio de decisão judicial não seria a data do trânsito em julgado da decisão de mérito, mas sim a data de trânsito em julgado do respectivo processo de execução. Com devida vênia, discordo desse entendimento, pela as razões a seguir aduzidas. É cediço que a ação de repetição do indébito tributário é uma ação de conhecimento de rito ordinária que tem por finalidade a condenação da Fazenda Pública à restituição dos valores dos tributos indevidamente pagos pelo sujeito passivo. Dessa forma, a sentença que ao final do respectivo processo judicial for proferida terá precipuamente natureza condenatória, caso o pedido do autor seja julgado procedente, como ocorreu na ação judicial de reconhecimento crédito objeto do presente procedimento compensatório. Dessa forma, ocorrendo o trânsito em julgado da sentença condenatória da Fazenda Pública, o autor da ação passa a ser detentor de um titulo executivo judicial, tendo ao dispor duas alternativa para executá-lo, a saber: a) realizar a compensação tributária, segundo os procedimentos estabelecidos na legislação tributária em vigor; ou b) iniciar o processo de execução, com vista ao recebimento do crédito via precatório. Por força do disposto no art. 168, combinado com o disposto no art. 170, ambos do CTN, caso o autor da demanda não realize o procedimento compensatório dentro do prazo de 5 (cinco) anos, contando a partir da data do trânsito em julgado da decisão condenatória, não mais poderá fazê-lo, em face da prescrição do direito de executar o referido titulo judicial por meio da compensação tributária. Neste sentido, dispõe a Súmula 150 do STF, a seguir reproduzida: "Prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação". No caso em apreço, a recorrente dispunha de prazo de 5 (cinco) anos a contado do trânsito em julgado da decisão de mérito, no processo de conhecimento, que ocorreu em 15/08/1990, para efetivar, administrativamente, a compensação do crédito reconhecido na mencionada ação judicial, o que só foi feito em 14/11/2002, quando já se encontrava prescrito tal direito, o que ocorreu em 15/08/1995. Ademais, é proibido a opção pelo procedimento compensatória, a ser realizado na esfera administrativa, após o inicio do processo de execução. Tal opção só pode ser exercida na fase de execução, porém, antes de iniciado a execução do titulo judicial por meio do processo de execução, ainda que não emitido o respectivo precatório. Neste sentido dispõe o § 3° do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, na época vigente, a qual foi expedida com amparo no art. 74 da Lei n° 9.403, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações posteriores. O referido preceito legal tem a seguinte redação: Art. 37. É vedada a restituição, o ressarcimento e a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda , Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão em que for reconhecido o direito creditório do sujeito passivo. ,5Ç .1 A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o capta poderá requerer ao sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição, do ressarcimento ou da compensação, que lhe seja encaminhada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. ,5Ç 2' Na hipótese de titulo judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do titulo judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocaticios. § 32 Não poderão ser objeto de restituição ou de ressarcimento os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (..) (grifo não original) Como na data da protocolização do pedido de compensação em análise, a recorrente já havia iniciado o respectivo processo de execução do referido titulo judicial, a opção pelo procedimento compensatória, na mencionada data, não mais poderia ser realizado, por vedação expressa no transcrito preceito noiniativo. Eface de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntá • . r(InNi ; .- - TOSe' ---Ferna‘ des do Nascimenton\ \ 2-1--/
score : 1.0
Numero do processo: 11080.011018/2005-23
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE.
Integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, os valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, utilizados na industrialização dos produtos exportados.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. PERÍODOS DE APURAÇÃO DE NOVEMBRO DE 1999 EM DIANTE. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE.
A partir de novembro de 1999, os valores das matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI, haja vista que, a partir daquele mês, as receitas provenientes dos atos cooperativos passaram a ser tributados pelas contribuições para o PIS/Pasep e Cofins.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. CONCEITO DE INSUMO. PRODUTO NÃO CONSUMIDO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. INADMITIDO.
Para fins de apuração do crédito presumido do IPI, não se enquadram no conceito de insumo, os itens utilizados no estabelecimento industrial que não atendem o conceito de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, definido na legislação do IPI.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-000.893
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para acatar os créditos oriundos dos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE. Integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, os valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, utilizados na industrialização dos produtos exportados. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. PERÍODOS DE APURAÇÃO DE NOVEMBRO DE 1999 EM DIANTE. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. A partir de novembro de 1999, os valores das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI, haja vista que, a partir daquele mês, as receitas provenientes dos atos cooperativos passaram a ser tributados pelas contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. CONCEITO DE INSUMO. PRODUTO NÃO CONSUMIDO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. INADMITIDO. Para fins de apuração do crédito presumido do IPI, não se enquadram no conceito de insumo, os itens utilizados no estabelecimento industrial que não atendem o conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, definido na legislação do IPI. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 441DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para acatar os créditos oriundos dos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 21/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1016.933, de 28 de agosto de 2008 (fls. 253/258), proferido pelos membros da 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS (DRJ/POA), em que, por unidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES NÃO ADMITIDAS NO CÁLCULO. I Matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas, não geram direito ao crédito presumido do IPI, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. II Gastos com itens que não se enquadram nos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem não dão direito ao crédito presumido, ainda que tais itens sejam consumidos pelo estabelecimento industrial, no processo produtivo. Solicitação Indeferida Por bem descrever os fatos objeto dos presentes autos, transcrevo a seguir o Relatório encartado no Acórdão recorrido: O estabelecimento acima identificado solicitou, na condição de produtor e exportador, ressarcimento do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que Fl. 442DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11080.011018/200523 Acórdão n.º 310200.893 S3C1T2 Fl. 377 3 autoriza o benefício referente ao valor da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins), incidentes nas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME). O ressarcimento pretendido, no valor de R$ 3.085.214,21, se refere ao quarto trimestre de 2003, conforme Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), das fls. 3 a 5. O pleito foi objeto da Informação Fiscal das fls. 87 a 93, que propôs o indeferimento parcial do pedido, admitindo o crédito presumido no valor de R$ 864.539,62 e considerando ilegítimo o valor de R$ 2.220.674,59, pelas razões que seguem. A fiscalização apurou que o requerente incluiu indevidamente, na receita de exportação, valores referentes à comercialização de grãos para o exterior, os quais foram excluídos do cálculo do crédito presumido, juntamente com as devoluções de exportações, com reflexo no percentual apurado entre a receita de exportação (RE) e a receita operacional bruta (ROB). Tampouco foram admitidos, na apuração do benefício em comento, os valores das aquisições de insumos para comercialização, das aquisições de insumos importados e das aquisições de insumos fornecidos por pessoas físicas e por cooperativas, com base no art. 1º da Lei n° 9.363, de 1996. O autor do procedimento fiscal também glosou, no cálculo do crédito presumido do IPI, os valores relativos à aquisição dos itens a seguir relacionados, os quais não se enquadram nos conceitos de MP, PI e ME, em face do Parecer Normativo CST n° 65, de 30 de outubro de 1979, publicado no Diário Oficial da União (DOU) de 6 de novembro de 1979, e da legislação que rege o benefício em causa: a) lenha, cavaco de madeira, carvão mineral, gás (GLP), combustíveis, lubrificantes e serviços de reflorestamento; b) gaiolas, caixas plásticas, contentores, bombonas reutilizáveis; c) peças e máquinas, utilizadas na manutenção das máquinas dos estabelecimentos industriais; e d) produtos de limpeza e mochilas promocionais. Em seguida, foi proferido o Despacho Decisório n° 11, da fl. 95, que aprovou a Informação Fiscal antes referida e reconheceu parcialmente o direito creditório em favor do requerente, no valor de R$ 864.539,62, e homologou as compensações eventualmente efetuadas nos autos, até o limite do crédito reconhecido. A ciência do despacho decisório ocorreu em 6 de fevereiro de 2006, segundo consta no Aviso de Recebimento (AR), da fl. 244. Na seqüência, veio aos autos, no devido prazo, em 8 de março de 2006, a manifestação de inconformidade, das fls. 171 a 195, firmada por advogado, com mandato na fl. 200, e instruída com Fl. 443DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 4 os documentos das fls. 196 a 199 e 201 a 243. As razões da inconformidade vêm resumidas a seguir. Inicialmente, o interessado discorre sobre o processo produtivo da empresa, a qual atua na produção e comercialização para o exterior de frangos de corte, suínos inteiros e em cortes e de farelo e óleo de soja em bruto, todos tributados pelo IPI, à alíquota zero. Sobre a glosa de aquisições de produtos fornecidos por pessoas físicas e cooperativas, o interessado alega que a fiscalização justificou a glosa dos valores respectivos, com base no entendimento de que não há incidência das contribuições, nessas operações, o que não é verdade, em face da legislação que cita e transcreve, legislação segundo a qual as cooperativas passaram a ser contribuintes das contribuições a que o crédito presumido visa ressarcir, aplicandose, no caso, o art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa SRF nº 313, de 3 de abril de 2003. Além disso, prossegue o interessado, a ação fiscal foi procedida por amostragem, sem condições de afirmar que não teria havido incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Também refere a Exposição de Motivos da norma instituidora do benefício em comento, faz um histórico da legislação de regência da matéria, que não prevê a glosa efetuada pelo autor do procedimento fiscal, e cita e transcreve jurisprudência que julga ser favorável à sua tese. Acrescenta que o comando do art. 5º da Lei d 9.363, de 1996, não autoriza a conclusão de que somente as aquisições de insumos que sofreram a incidência direta das contribuições é que devem ser consideradas no cálculo do crédito presumido do IPI. Sobre as glosas de aquisições de produtos que não se enquadram nos conceitos de MP, PI e ME, alega que o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, não pode extrapolar o conteúdo de um diploma legal, para criar conceitos novos de MP e PI. Argumenta que, se o parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, reza que a legislação do IPI será utilizada subsidiariamente, na pesquisa do conceito de produção, MP, PI e ME, resta claro que, na busca desses conceitos, deve o intérprete se valer, em primeiro lugar, da Ciência Econômica, circunstância que, aliada ao teor dos arts. 6º, 164 e 519 do Decreto n2 4.544, de 27 de dezembro de 2002 (RIPI, de 2002), no entender do requerente, infirma a glosa. Cita e transcreve os Pareceres Normativos CST nº 217 e 224, de 1972, sobre material de embalagem, a respeito da glosa das aquisições de bombonas reutilizáveis. Também se insurge, quanto à glosa dos gastos com máquinas e peças para manutenção do ativo imobilizado, gastos com combustíveis e lubrificantes, citando e transcrevendo jurisprudência. Na seqüência, o requerente refez o cálculo do crédito presumido do IPI a que julga ter direito, retificando o pleito inicial, para R$ 2.096.824,17, pedindo o acolhimento das suas razões e a homologação das compensações a que se referem os PER/DCOMPs apresentados. É o relatório. Fl. 444DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11080.011018/200523 Acórdão n.º 310200.893 S3C1T2 Fl. 378 5 Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Autuada, por via postal (fl. 265v), em 05/05/2009. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 269/301, protocolado em 03/06/2009 (fl. 268), em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na Manifestação de Inconformidade. No final, requereu o reexame da matéria tributária, para fins de reconhecimento do seu direito creditório, no valor retificado de R$ 2.096.924,17, referente ao crédito presumido de IPI do 4° trimestre calendário de 2003, e homologação das compensações declaradas. Em cumprimento ao despacho de fl. 375, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de outubro de 2010, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto da presente controvérsia. No presente recurso, insurgiuse a Recorrente contra a glosa da base de cálculo do crédito presumido do IPI das aquisições: a) dos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas; e b) dos itens que, segundo a Fiscalização, não se enquadrariam no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Em relação a estas últimas aquisições, a discordância da Recorrente limitase apenas a exclusão dos valores referentes à aquisição de: a) lenha, cavaco de madeira, carvão mineral, gás (GLP) e serviços de reflorestamento; b) gaiolas, caixas plásticas, contentores, bombonas reutilizáveis; c) peças e máquinas, utilizadas na manutenção das máquinas dos estabelecimentos industriais; e d) produtos de limpeza e mochilas promocionais. No que concerne às aquisição de combustíveis e lubrificantes, expressamente admitiu a Recorrente a glosa dos respectivos valores. No que tange aos produtos de limpeza e mochilas promocionais, como não houve contestação expressa, também entendo que houve concordância tácita com o procedimento da Fiscalização. I. DA GLOSA DOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS A Fiscalização propôs a glosa dos valores dos insumos adquiridos das pessoas físicas e cooperativas, com o argumento de que, como não havia incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins sobre tais operações, por força do disposto no art. 1° Fl. 445DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 6 da Lei n° 9.363, de 1996, elas não gerariam direito ao ressarcimento do saldo remanescente do crédito presumido do IPI. Seguindo o mesmo entendimento, o Órgão julgador a quo também manteve a glosa dos mencionados valores. Por sua vez, a Recorrente insurgiuse contra a mencionada glosa, baseada no argumento de que, para efeito de apuração do valor do benefício fiscal em referência, a Lei n° 9.363, de 1996, estabeleceu uma forma de cálculo presumida para toda a cadeia de comercialização anterior ao processo de industrialização, sem condicionar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas aquisições realizadas na fase imediatamente anterior a produção. Dessa forma, segundo a Recorrente, não seria procedente o argumento de que somente as aquisições de insumos que sofreram a incidência direta das referidas contribuições comporiam a base de cálculo do crédito presumido do IPI, ficando de fora da apuração do referido benefício as aquisições realizadas dos não contribuintes. De acordo com a jurisprudência deste e. Conselho, a matéria envolve forte controvérsia. Há decisões que contemplam integralmente o entendimento da Recorrente e outras que, em sentido diverso, não admite em hipótese alguma a inclusão dos insumos adquiridos de não contribuintes das referida Contribuições na base de cálculo do referido benefício fiscal. Particularmente, filiome a esta última corrente, com o devido respeito ao entendimento da corrente contrária. Entretanto, no caso em tela, há uma peculiaridade que precisa ser analisada. Diz respeito às aquisições das entidades cooperativas, especificamente, em relação ao período a partir do qual essas pessoas jurídicas passaram a ser contribuintes dos referidos gravames. Da glosa dos insumos adquiridos de cooperativas. Na peça recursal em apreço, alegou a Recorrente que era indevida a exclusão dos valores dos insumos adquiridos de cooperativas da base de cálculo do crédito presumido do IPI, posto que tais pessoas jurídicas, no período de apuração dos créditos, já eram contribuintes das mencionadas contribuições, nos termos do art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, portanto, enquadrandose expressamente nas condições estabelecidas no art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996, combinado com o disposto no § 2° do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 313, de 2003. A alegação da Recorrente procede. De fato, a partir de 01/11/19991, a isenção das receitas decorrentes dos atos cooperativos, prevista no inciso I2 do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, foi expressamente revogada pelo art. 23 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999. 1 A data de vigência da nova forma de cobrança das contribuições para PIS/Pasep e Cofins das cooperativas foi definida no Ato Declaratório SRF nº 88, de 17 de novembro de 1999, a seguir transcrito: "O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 1.858, de 1999, declara que as contribuições para o PIS/Pasep e para financiamento da seguridade social Cofins, devidas pelas sociedades cooperativas, serão apuradas de conformidade com disposto na Media Provisória nº 1.8587, de 29 de julho de 1999, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir do mês de novembro de 1999". 2 "Art. 6º São isentas da contribuição: I as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; (...)". Fl. 446DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11080.011018/200523 Acórdão n.º 310200.893 S3C1T2 Fl. 379 7 Depois de sucessivas reedições, a nova forma de tributação das cooperativas restou definitivamente disciplinada na Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que em seu art. 15 permitiu algumas exclusões da receita bruta, nos termos que seguem reproduzidos: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; IIas receitas de venda de bens e mercadorias a associados; IIIas receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IVas receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; Vas receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. §1oPara os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. §2oRelativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: Ia contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; IIserão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Assim, diversamente do entendimento da Fiscalização, ratificado no julgamento de primeiro grau, a partir do mês de novembro de 1999, as duas Contribuições passaram a incidir sobre a receita bruta auferidas pelas cooperativas, inclusive as provenientes dos atos cooperativos, com as exclusões especificadas no mencionado no transcrito preceito legal. No caso presente, como o crédito presumido do IPI utilizado na compensação em apreço, referese ao 1º trimestre do ano 2003, a nova sistemática de incidência já se encontrava em vigor, por conseguinte, inaplicável ao caso o fundamento apresentado no julgado recorrido. Em decorrência, tenho por indevida a exclusão do valor dos insumos adquiridos de cooperativas da base de cálculo do citado incentivo fiscal. Fl. 447DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 8 Da glosa dos insumos adquiridos de pessoas físicas Em relação este ponto da lide, alegou a Recorrente que, ainda que os insumos adquiridos de pessoas físicas não sofressem a incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, eles integrariam a base cálculo do crédito presumido do IPI. Tratase, como já referenciado, de matéria que tem gerado ampla controvérsia no âmbito deste Conselho. Na esfera judicial, também não foi diferente. Entretanto, em julgamento realizado segundo o procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, estabelecido no 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o e. Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o direito de os contribuintes incluírem na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, produtoras rurais, nãocontribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Refirome ao julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 993164 / MG3, proferido pelos integrantes da Primeira Seção do STJ, cuja ementa segue reproduzida: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. 3 Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 13.12.2010, DJe 17.12.2010. Fl. 448DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11080.011018/200523 Acórdão n.º 310200.893 S3C1T2 Fl. 380 9 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos Fl. 449DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 10 limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural Fl. 450DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11080.011018/200523 Acórdão n.º 310200.893 S3C1T2 Fl. 381 11 (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, tendo em conta os fundamentos aduzidos no referido julgado, que os adoto na presente decisão, ressalvado o entendimento contrário deste Conselheiro, em cumprimento ao disposto no art. 62A4 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, proponho que seja restabelecida a glosa, mediante adição à base de cálculo dos créditos presumidos do IPI, do valor dos insumos adquiridos dos produtores rurais, pessoas físicas nãocontribuintes das mencionadas Contribuições. II. DA GLOSA DOS ITENS QUE NÃO SE ENQUADRAM NO CONCEITO DE INSUMO. Das aquisições que não se enquadram no conceito insumo e que, por esse motivo, foram excluídos pela Fiscalização da base de cálculo do crédito presumido do IPI, a Recorrente apenas se insurgiu em relação aos seguintes: a) lenha, cavaco de madeira, carvão mineral, gás (GLP) e serviços de reflorestamento; b) gaiolas, caixas plásticas, contentores e 4 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Fl. 451DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 12 bombonas reutilizáveis; e c) peças e máquinas, utilizadas na manutenção das máquinas dos estabelecimentos industriais. Para exclusão dos referidos valores, a Fiscalização alegou que tais aquisições não se enquadravam no conceito de matériaprima, produto intermediário e material embalagem, foram consumidos no processo de industrialização, através do contato físico com o produto fabricado, ou incorporados aos produtos fabricados, conforme entendimento exarado no Parecer Normativo CST n° 65, de 1979. Por outro lado, alegou a Recorrente que as conclusões apresentadas no referido Parecer Normativo eram inaplicáveis ao crédito presumido do IPI, por se tratar de ato administrativo anterior a Lei nº 9.363, de 1996. Ademais, por se tratar de norma de natureza complementar, asseverou a Recorrente que o referido Parecer não poderia extrapolar o conteúdo da citada Lei. Não procede a alegação da Recorrente, haja vista que o Ministro da Fazenda, em cumprimento à atribuição que lhe conferida no art. 6º5 da Lei nº 9.363, de 1996, por meio do § 11 do art. 3º da Portaria MF nº 64, de 24 de março de 2003 (vigente na data da apuração do crédito em apreço) determinou que os conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem eram aqueles os constantes da legislação do IPI, nos termos a seguir transcrito: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 11. Os conceitos de produção, MP, PI e ME são os constantes da legislação do IPI. (...) Dessa forma, para fins de apuração do crédito presumido do IPI, por força do citado comando normativo, os conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem são aqueles estabelecidos na legislação do IPI. Por conseguinte, no caso em tela, não se trata de utilização subsidiária da legislação do IPI, mas de aplicação direta. Logo, para fins de apuração do crédito presumido do IPI, ao contrário do alegado pela Recorrente, o conceito de insumo é aquele determinado na legislação do IPI. Logo, tratase de conceito jurídico e nãoeconômica, como alegado pela Recorrente. Neste sentido, dispõe o inciso I do art. 164 do RIPI/2002 (vigente no período de apuração do crédito em apreço) que incluemse entre “as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente” (grifos não originais). 5 "Art. 6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". Fl. 452DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 11080.011018/200523 Acórdão n.º 310200.893 S3C1T2 Fl. 382 13 Assim, em consonância do referido preceito legal, apenas os insumos que integram o produto industrializado, ou que são consumidos no processo produtivo se enquadram no conceito de matériaprima e produto intermediário. Além disso, encontrase expressamente excluído dos referidos conceitos, os bens integrantes do ativo permanente. O alcance da expressão “consumidos no processo de industrialização” foi definido no citado Parecer Normativo CST nº 65/79, do qual extraio os seguintes excertos, que muito bem definem a questão: (...) geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “strictosensu”, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo. permanente. Portanto, adotando o entendimento do referido Parecer, não vislumbro como produtos do tipo lenha, cavaco de madeira, carvão mineral, gás (GLP) e serviços de reflorestamento, possam ser considerados matériaprima ou produtos intermediários, porque eles não integram nem tampouco têm contato direto com os produtos industrializados e exportados pela Recorrente. É oportuno mencionar ainda que, no âmbito deste e. Conselho, a matéria encontrase sumulada. Refirome a Súmula CARF nº 19 que, embora disponha sobre as aquisições de combustíveis e lubrificantes, por força da similaridade, ao meu ver, também se aplica às aquisições em tela. A redação da citada Súmula tem o seguinte teor, in verbis: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Pelos mesmos fundamentos anteriormente aduzidos, entendo que as embalagens reutilizáveis e as peças e máquinas, empregadas no processo industrial, embora atendam o conceito de bens de produção, previsto nos incisos III a V do art. 5196 do RIPI/2002, obviamente, não se enquadram no conceito de produtos intermediários, consumidos ou utilizados no processo industrial. Ademais, tais bens integram o ativo permanente do estabelecimento industrial, circunstância que, por si só, os retira da condição insumo industrial. 6 "Art. 519. Consideramse bens de produção (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): I as matériasprimas; II os produtos intermediários, inclusive os que, embora não integrando o produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial; III os produtos destinados a embalagem e acondicionamento; IV as ferramentas, empregadas no processo industrial, exceto as manuais; e V as máquinas, instrumentos, aparelhos e equipamentos, inclusive suas peças, partes e outros componentes, que se destinem a emprego no processo industrial". Fl. 453DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 14 É oportuno esclarecer que o conceito de bens de produção compreende (i) os insumos empregados no processo industrial (matériaprima e produto intermediário), (ii) os produtos destinados a embalagem e acondicionamento do produto e (iii) as ferramentas, exceto as manuais, as máquinas, instrumentos, aparelhos e equipamentos, inclusive suas peças, partes e outros componentes, empregados no processo industrial. Tratase, evidentemente, de conceito mais amplo do que o de matériaprima e produto intermediário. Assim, para fim de apuração do crédito presumido do IPI, apenas os bens de produção que se enquadrem no conceito de matériaprima e produto intermediário, bem como as embalagens destinadas ao acondicionamento do produto, portanto, não destinadas ao transporte ou reutilizáveis, podem compor a base de cálculo do citado incentivo fiscal, conforme estabelecido no art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. A contrário senso, os demais bens de produção, por falta de previsão legal, não faz jus ao ressarcimento do crédito em apreço. Baseado nessas considerações, tenho como legítimo o procedimento de exclusão do valor dos referidos itens da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Em decorrência, no que concerne a esse ponto, deve ser mantido sem qualquer reparo o Acórdão recorrido. III DA CONCLUSÃO Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para restabelecer a glosa do valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. Sala das Sessões, em 03 de fevereiro de 2011. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 454DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10280.001736/2005-72
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
DIREITO CREDITÓRIO. VALOR. ADIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Deve ser reconhecido o direito creditório correspondente ao valor adicional constado no curso do procedimento fiscal e não informado originalmente no pedido de ressarcimento/compensação, desde que o mesmo seja pleiteado pelo contribuinte.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Incidem juros sobre o valor do crédito presumido do IPI desde caracterizada a recusa da Administração ao reconhecimento. Reprodução obrigatória das decisões definitivas de mérito tomadas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869/73. Artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-01.227
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DIREITO CREDITÓRIO. VALOR. ADIÇÃO. POSSIBILIDADE. Deve ser reconhecido o direito creditório correspondente ao valor adicional constado no curso do procedimento fiscal e não informado originalmente no pedido de ressarcimento/compensação, desde que o mesmo seja pleiteado pelo contribuinte. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Incidem juros sobre o valor do crédito presumido do IPI desde caracterizada a recusa da Administração ao reconhecimento. Reprodução obrigatória das decisões definitivas de mérito tomadas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869/73. Artigo 62-A do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido
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VALOR. ADIÇÃO. POSSIBILIDADE. Deve ser reconhecido o direito creditório correspondente ao valor adicional constado no curso do procedimento fiscal e não informado originalmente no pedido de ressarcimento/compensação, desde que o mesmo seja pleiteado pelo contribuinte. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Incidem juros sobre o valor do crédito presumido do IPI desde caracterizada a recusa da Administração ao reconhecimento. Reprodução obrigatória das decisões definitivas de mérito tomadas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73. Artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 21/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Fl. 380DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Filho e Nanci Gama. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, fundamentado no disposto na Lei nº 10.276, de 29 de novembro de 2001, referente ao quarto trimestre de 2002, no valor de R$ 164.216,33, juntamente com declaração de compensação (fls. 17/18v.). 2. Após diligência realizada pelo Serviço de Fiscalização (fls. 51/62 retificada pelas fls. 88/97), a DRF Belém reconheceu parcialmente o direito ao crédito, no montante de R$ 111.907,83, homologando até o limite deste a compensação efetivada. Foram objeto de glosa os itens constantes do Demonstrativo de fl. 94, sob a justificativa de que não estão enquadrados no conceito de insumo (matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem) previstos na legislação do IPI, cuja utilização é prevista no § 5º do art. 1º da Lei n° 10.276, de 2001. 3. Cientificada em 10.04.2008 (AR fl. 120v.) a interessada apresentou, tempestivamente, em 05.05.2008, manifestação de inconformidade (fls. 121/150), na qual alega haver a Fiscalização equivocadose no cálculo do fator “F” de apuração do crédito, deixando de observar as disposições da Lei n° 10.276, de 2001, quando aplicou os custos referentes ao trimestre, em vez de utilizar os custos acumulados até o mês anterior ao da apuração, assim como fez com as receitas, implicando em redução do fator, já que comparou receitas acumuladas com custo não acumulado. A empresa expôs a forma que entende ser correta para o cálculo. Além disso, aponta que teria havido o desconto duplicado do valor glosado. 4. Afirma, anexando cópias de conhecimentos de transporte com indicação das notas fiscais de matériasprimas a que se referem, haver contratado os serviços de transporte das referidas matériasprimas, ressaltando que, segundo entendimento do Conselho de Contribuintes, o aproveitamento somente deixa de ser possível quando a empresa não conseguir demonstrar e vincular cada conhecimento a uma ou mais notas fiscais de entrada de MP, não sendo esse o seu caso. 5. Alerta que não está questionando o frete entre o fornecedor e o porto, o qual ficou por conta do primeiro, mas sim o frete entre o porto até seu parque industrial, que ficou por sua conta, reforçando ainda a idéia de que o frete integra o custo da matériaprima, sendo componente integrante e indissociável da cadeia de produção. 6. Cita orientações contidas no sítio da receita na internet (Perguntas e Respostas DIPJ/2005 – n° 785 e DCP 2003) as quais admitem a hipótese de inclusão do valor do frete no custo das matériasprimas. 7. Com referência à glosa do gás e do oxigênio, argumenta que há erro por serem tais produtos utilizados como combustíveis na sua linha de produção. 8. Por fim, defende o direito à atualização do valor ressarcido pela taxa Selic, citando decisões judiciais e acórdãos do Conselho de Contribuintes. 9. Em primeira análise, entendeuse ser necessária a realização de diligência para as seguintes providências (fls. 253/257): Fl. 381DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10280.001736/200572 Acórdão n.º 310201.227 S3C1T2 Fl. 2 3 “a) Encaminhar estes autos à Delegacia de Belém/PA, para que a.1) seja refeito o cálculo do crédito presumido, na forma alternativa estabelecida na Lei n° 10.276, de 2001, e na Instrução Normativa SRF n° 69, de 2001, (utilização dos custos e receitas acumulados desde o início do ano); a.2) consolidar, em relatório circunstanciado, as informações prestadas em atendimento à presente diligência; a.3) apresentar quaisquer outras informações e anexar outros documentos que se considere úteis ou necessários ao prosseguimento do julgamento do presente processo;” 10. Em resposta, a DRF/Belém elaborou o Termo de fls. 478/480, no qual refez os cálculos do crédito presumido, resultando no valor de R$ 167.598,66. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2002 JUROS SELIC. Descabe a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. Os atos regularmente editados segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Requer a correção monetária dos valores a que tem direito e o reconhecimento da totalidade apurada pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não limitado ao valor originalmente pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Fl. 382DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 A primeira questão que se apresenta diz respeito à possibilidade de reconhecimento de direito creditório em valor superior ao que havia sido originalmente pleiteado pela recorrente. Tal como se depreende dos autos, o pedido de ressarcimento original foi no valor de R$ 164.216,33. Após a realização de diligência e revisão dos critérios originalmente adotados pela fiscalização, chegouse ao valor de R$ 167.598,66 como sendo o quantum representativo do direito do contribuinte ao ressarcimento a título de crédito presumido do IPI. Como a empresa havia requerido o reconhecimento do direito creditório apenas para o valor de R$ 164.216,33, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu que o litígio estivesse limitado a este valor, já que o valor adicional identificado pela própria fiscalização não era objeto da lide. A meu sentir, tratase de uma questão que merece ser cuidadosamente examinada. Com efeito, o fato constitutivo do direito ao crédito do contribuinte é a apresentação do pedido regularmente protocolada perante a Administração Federal, sem a qual não há que se falar em direito de compensação, restituição ou ressarcimento e tampouco se cogita a instauração de litígio em torno da pretensão do administrado. Interessante constar que, analogamente, o fato constitutivo do direito da Fazenda Nacional ao crédito tributário é o lançamento. Ao regulamentar a tramitação do processo de exigência do crédito tributário, a legislação que trata do Processo Administrativo Fiscal determinou que, se em diligências posteriores houvesse agravamento da exigência inicial, deveira ser lavrado auto de infração complementar e dado ciência ao sujeito passivo, nos seguintes termos. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) O legislador, contudo, até o momento não se preocupou com a regulamentação dos casos nos quais, como o de que aqui se trata, a verificação de incorreções, omissões ou inexatidões resulte em ampliação do direito de crédito do contribuinte em relação aos valores inicialmente requeridos. A priori, me parece razoável pensar que, de forma análoga ao procedimento definido para o agravamento da exigência fiscal, se constatado acréscimo no direito de crédito do administrado o valor adicional deverá ser objeto de novo pedido. Fl. 383DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10280.001736/200572 Acórdão n.º 310201.227 S3C1T2 Fl. 3 5 No caso vertente, o contribuinte ficou sabendo que o valor do crédito a que teria direito era maior do que o pleiteado originalmente quando tomou conhecimento da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, depois de realizada a diligência por ela própria demandada, na qual se obteve a informação de que o direito de crédito atingia a cifra de R$ 167.598,66, maior do que os R$ 164.216,33 requeridos à inicial. Destacase que a empresa não foi notificada do resultado dessa diligência e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento limitouse ao exame daquilo que havia sido requerido à inicial, do que se depreende que até esse momento não havia como a recorrente apresentar um pedido complementar de reconhecimento do direito creditório. Nestas circunstâncias, é razoável admitir que o pedido que constitui o direito ao crédito do contribuinte foi feito quando da apresentação do recurso voluntário a este colegiado, na medida em que a empresa claramente consigna no corpo do recurso o requerimento de que seja reconhecido esse direito, nos termos do que foi apurado pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Tampouco a formalidade pode ser oposta ao reconhecimento do direito, veja se como determina a Lei 9.784/99. Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. Como se disse, a legislação ainda é omissa em relação a situações como a de que aqui se trata. Por outro lado, não há que se falar em reabertura de prazo para manifestação da parte contrária, ou mesmo em supressão de instância, já que, a uma, partiu da própria Administração o reconhecimento de que esses valores são “devidos” à empresa e, a duas, não se encontram razões que justifiquem a decretação da nulidade de quaisquer dos atos praticados no curso do processo se a decisão de mérito é favorável ao contribuinte. Seja pelas razões acima apresentadas, seja em nome da verdade material, da economia processual ou da instrumentalidade das formas, entendo que há que ser reconhecido o direito de crédito do administrado até o valor total apurado pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos da diligência demandada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. No que concerne ao pedido de correção dos valores pleiteados, de se destacar que existe decisão em recurso repetitivo tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça versando sobre a correção monetária de valores creditórios do contribuinte. Tal decisão se refere expressamente ao direito ao crédito do IPI decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade. À primeira vista, poderseia entender que o assunto não tem identidade com a matéria tratada nos autos, essa vinculada ao crédito de IPI a título de ressarcimento das despesas com PIS e COFINS e com o sistema da nãocumulatividade próprio dessas contribuições e não do IPI, contudo, como resta incontroverso de outras decisões que vem sendo tomadas pela mais alta Corte do País, a jurisprudência demonstra firme entendimento de que a correção dos valores decidida no RESP 993164 aplicase também ao crédito presumido do IPI. Fl. 384DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Transcrevo a seguir excertos do RESP 993164. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil) exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporâneos aproveitados por óbice do Fisco. RESP 993164, Min. Luiz Fux SÚMULA N. 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. Pelas razões expostas, VOTO POR DAR INTEGRAL provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 167.598,66 e o direito à correção monetária pleiteada pela recorrente. Sala de Sessões, 07 de outubro de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 385DF CARF MF Emitido em 04/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 19/12/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13706.004743/2003-12
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1989
REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA - INADMISSIBILIDADE.
Para que seja admitido o recurso extraordinário, além da tempestividade, faz-se necessário a efetiva divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o paradigma. Se este trás dois fundamentos para a decisão e aquele apenas um, o dissídio jurisprudencial não se formou por completo, e, por
conseguinte, não deve ser aberta a via extraordinária.
Recurso Extraordinário não conhecido.
Numero da decisão: 9900-000.198
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do extraordinário. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Leonardo Andrade Couto, Elias Sampaio Freire Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e José Adão Vitorino de Moraes que conheciam do recurso.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA - INADMISSIBILIDADE. Para que seja admitido o recurso extraordinário, além da tempestividade, faz- se necessário a efetiva divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o paradigma. Se este trás dois fundamentos para a decisão e aquele apenas um, o dissídio jurisprudencial não se formou por completo, e, por conseguinte, não deve ser aberta a via extraordinária. Recurso Extraordinário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do extraordinário. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Leonardo Andrade Couto, Elias Sampaio Freire Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e José Adão Vitorino de Moraes que conheciam do recurso. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator EDITADO EM: 12/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Jose Praga de Souza, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Adriana Gomes Rego, Karen Jureidini Dias, Fl. 1DF CSRF/CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2010 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/11/ 2010 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/12/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO 2 Leonardo Andrade Couto, Antonio Carlos Guidoni Filho, Albertina Silva Santos de Lima, Valmir Sandri, Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Alage, Elias Sampaio Freire, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Júlio César Vieira Gomes, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Francisco Assis de Oliveira Junior, Manoel Coelho Arruda Junior, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez López, Judith do Amaral Marcondes Armando, Leonardo Siade Manzan, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Nanci Gama, José Adão Vitorino De Moraes, Rodrigo Cardozo Miranda, Suzy Gomes Hoffmann, Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto e transcrevo o relatório do acórdão vergastado: Trata-se de processo que tem por objeto pedido de restituição de valor de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre verbas trabalhistas pagas em face de implantação de Programa de Demissão Voluntária - PDV. O pedido de restituição foi protocolizado em 29 de dezembro de 2003 sendo a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, afastou a decadência por meio do acórdão de fls. 61 e seguintes, que possui a seguinte ementa: IRPF - RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº. 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. IRPF - PDV - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - ALCANCE - Tendo a Administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa nº. 165, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. Intimada da decisão, a Fazenda Nacional ingressou com recurso especial de fls. 69 a 74, sustentando que com o advento da Lei Complementar n° 118, de 2005, que dispõe sobre a interpretação do inciso I do artigo 168 do CTN, o prazo para pedir a restituição é de cinco anos, contados da data da retenção indevida, sendo que a referida norma, por ser de natureza interpretativa, aplica-se aos processos que se encontram em andamento, conforme dispõe o artigo 106, I, do CTN. O contribuinte apresentou contra-razões pedindo que seja negado provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional Fl. 2DF CSRF/CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2010 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/11/ 2010 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/12/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 13706.004743/2003-12 Acórdão n.º 9900-00.198 CSRF-PL Fl. 127 3 Por meio do acórdão nº CSRF/04-00.712, a então 4ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao especial apresentado pela Fazenda Nacional, em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA - PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO – PDV - DECADÊNCIA AFASTADA. - O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/98 (DOU de 06/01/99) tem-se que os pedidos protocolizados até 06-01-2004 são tempestivos. Recurso especial negado. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou recurso extraordinário a este Colegiado, por entender haver divergência entre este decisum e o proferido pela então 2ª Turma da CSRF. Por meio do despacho de fls. 115 e 116, o extraordinário foi admitido pelo então Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Contrarrazões às fls. 119 a 124. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso apresentado pela Fazenda Nacional é tempestivo e foi admitido pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, recorrida, por meio do despacho de fls. 156 e 157. A matéria recebida versa sobre o termo inicial do prazo extintivo do direito à repetição de indébito. No que pese o juízo a quo de admissibilidade haver-se posicionado pelo recebimento do recurso, ouso aqui divergir, pois, da análise mais acurada dos autos, verifica-se que o acórdão paradigma trazido pela defesa para demonstrar a divergência entre o decisum recorrido e o proferido por outra Turma da Câmara Superior de Recursos fiscais, não prestou para comprovar o dissídio jurisprudencial, isso porque, enquanto o Colegiado decidiu que o marco inicial do prazo decadencial para os pedidos de restituição de imposto de renda indevidamente retido na fonte, decorrente do recebimento de verbas indenizatórias referentes Fl. 3DF CSRF/CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2010 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/11/ 2010 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/12/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO 4 à participação em PDV, se dá em 06.01.1999, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, a qual reconheceu que não incide imposto de renda na fonte sobre tais verbas, o acórdão paradigma é no sentido de que o marco inicial da prescrição/decadência para a repetição de indébito seria a data de extinção do crédito tributário pelo pagamento ou a da Publicação da resolução do Senado Federal que suspende do mundo jurídico a execução da norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Note-se que no voto condutor do acórdão paradigma está consignado que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido de que o termo inicial da prescrição para repetir indébito é da data da resolução do Senado Federal. No caso daquele julgamento, já havia transcorrido o prazo extintivo do direito de repetição mesmo considerando o termo inicial como sendo a data da Resolução do Senado Federal, que suspendeu a execução dos Decretos-Leis declarados inconstitucionais pelo STF. Assim, tanto pela data do pagamento, como pela data da resolução do Senado o direito à repetição já havia sido fulminado pelo decurso do prazo. Esclareça-se, por oportuno, que o fundamento para a jurisprudência administrativa considerar o termo de início da prescrição como sendo a data de publicação de resolução do Senado Federal é o fato de que o direito à repetição de indébito oriundo da declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal somente nasceria para aqueles contribuintes que pagaram o tributo a maior e não se socorreram do Judiciário, a partir da publicação da resolução que suspendeu a execução do ato normativo inconstitucional. Em outras palavras, o termo inicial seria a data em que a declaração de inconstitucionalidade de dispositivo legal recebera efeitos erga omnes. O mesmo fundamento foi adotado pela Turma recorrida, que entendeu que o termo inicial do prazo extintivo de repetição seria, justamente, o ato emanado da Receita Federal que teria reconhecido, com efeitos erga omnes, o indébito. Em suma, o acórdão recorrido não diverge de um dos fundamentos que embasaram a decisão do paradigma, o que, de per si, afasta qualquer possibilidade de se caracterizar o dissídio jurisprudencial. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 4DF CSRF/CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2010 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/11/ 2010 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/12/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO
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