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Numero do processo: 10855.003226/2003-16
Data da sessão: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/10/1998
LANÇAMENTO - FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO
Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-000.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade em dar provimento ao recurso. Vencidas Andréia Dantas Lacerda (relatora), Mônica Monteiro Garcia de los Rios (suplente) e Tânia Mara Paschoalin (suplente), que davam provimento parcial para excluir a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl ante a saída da Conselheira Renata Auxiliadora Marcheti.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
Andréia Dantas Lacerda Moneta - Relatora.
(assinado digitalmente)
SIDNEY EDUARDO STAHL - Redator designado ad hoc.
EDITADO EM: 23/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Andréia Dantas Lacerda Moneta, Arno Jerke Junior, Tânia Mara Paschoalin (Suplente), Mônica Garcia de los Rios (Suplente) e Renata Auxiliadora Marcheti.
Nome do relator: Sidney Eduardo Stahl
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1998 a 31/10/1998 LANÇAMENTO FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade em dar provimento ao recurso. Vencidas Andréia Dantas Lacerda (relatora), Mônica Monteiro Garcia de los Rios (suplente) e Tânia Mara Paschoalin (suplente), que davam provimento parcial para excluir a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl ante a saída da Conselheira Renata Auxiliadora Marcheti. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. Andréia Dantas Lacerda Moneta Relatora. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 23/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 32 26 /2 00 3- 16 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Andréia Dantas Lacerda Moneta, Arno Jerke Junior, Tânia Mara Paschoalin (Suplente), Mônica Garcia de los Rios (Suplente) e Renata Auxiliadora Marcheti. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10855.003226/200316 Acórdão n.º 3801000.329 S3TE01 Fl. 229 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 197/199) interposto pelo contribuinte acima identificado, em 02/02/2007, contra acórdão nº. 1414.326 – 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, datado de 23 de novembro de 2006, que concluiu pela procedência do lançamento oriundo do Auto de Infração nº. 0004435, nos termos do acórdão (fl. 188), cuja ementa abaixo se transcreve: “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS Período de Apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 AUDITORIA INTERNA NA DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. COFINS. COMPENSAÇÃO. LIMITES DA IN/SRF/Nº. 32, DE 1997. A convalidação da compensação de débitos da COFINS com indébitos originados em pagamentos a maior feitos ao FINSOCIAL, trazida com a IN/SRF/Nº. 32, só atinge o encontro de contas efetuado até o mês de abril de 1997, época da edição dessa norma. Lançamento Procedente”. Em 16/06/2003 fora lavrado o Auto de Infração eletrônico – AI nº. 0004435 referente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, em virtude de apuração de irregularidades quanto a quitação de débitos declarados em DCTF, no valor de R$ 24.326,83, acrescido da multa de ofício de 75%, no valor de R$ 18.245,12 e juros de mora de R$ 20.2678,14, contra o qual a Recorrente, em 06/08/2003, interpôs Impugnação (fls. 01/03) para a DRJ/Ribeirão Preto. A DRJ/ Ribeirão Preto julgou o lançamento procedente, nos termos da Ementa já transcrita. Inconformada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário ao 2º Conselho de Contribuintes, aduzindo, em termos resumidos, que o pedido de compensação fora realizado com base em decisão que antecipou os efeitos da tutela pleiteada na ação declaratória nº. 98.09046081, devendo, por essa razão, ser provido o recurso para homologar a compensação. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Vencido Conselheira Andreia Dantas Lacerda Moneta, Relatora. O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O lançamento merece ser parcialmente desconstituído. 1. Da ação constitutiva do direito creditório. Limitação da compensação do PIS com o próprio PIS. Subsunção da Administração Pública aos comandos judiciais. Alega a Recorrente que, arrimada na decisão que antecipou os efeitos da tutela na ação nº. 98.09046081, garantindolhe “o direito de compensar os valores recolhidos indevidamente a título de PIS com outros tributos e contribuições administrados pela Receita Federal” (fl. 198), procedeu à compensação do crédito por si apurado a título de PIS recolhido sob o regime dos DecretosLei nº.s 2.445/88 e 2.449/88 (declarados inconstitucionais pelo STF) com débitos da COFINS dos períodos de apuração de outubro a dezembro de 1998, objeto do Auto de Infração em debate. Salientou que à época do pedido de compensação já se encontrava em vigor o Decreto nº. 2.138/97, afastando as limitações impostas pelo § 1º do art. 66 da Lei 8.383/91. Frisou que a demanda fora ajuizada para obter o direito ao crédito em atendimento à prescrição decenal (tese dos cinco mais cinco) e, por fim, pugnou pelo provimento do recurso para que a compensação seja homologada, em consonância com decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça em caso análogo nos autos do REsp nº. 491.557. Analisando o trâmite processual da ação proposta pela Recorrente, vêse que a decisão antecipatória dos efeitos da tutela fora cassada pela sentença de mérito, que limitou a compensação do crédito do PIS tãosomente com débitos do próprio PIS (fls. 75/82) e que, contra aludida sentença, a Recorrente não interpôs qualquer recurso, restandose concluir que a mesma satisfezse com os termos do julgado. De outra forma, como a Fazenda Nacional interpôs Recurso de Apelação, e tendo em vista a necessidade de subida dos autos para julgamento da remessa oficial, o eg. Tribunal Regional Federal da 3ª Região proferiu acórdão dando parcial provimento ao apelo da Fazenda e à remessa obrigatória, reconhecendo a prescrição qüinqüenal (fls. 83/87). Vejase que, mesmo que a Recorrente se sinta irresignada com supracitado acórdão, nada mais poderia fazer para reverter o decisum, posto restar caracteriza a preclusão consumativa da sentença de 1ª instância tanto no que diz respeito ao pleito de compensar o PIS com outros tributos como no que pertine à prescrição decenal. Assim, inexiste amparo judicial à compensação pleiteada, mormente ante o fato de a decisão antecipatória primordialmente procedente ao pleito da Recorrente ter sido desconstituída pela sentença de mérito e pela instância superior. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10855.003226/200316 Acórdão n.º 3801000.329 S3TE01 Fl. 230 5 Ademais, mesmo que a legislação vigente à época da propositura da ação (Leis nº.s 8.383/91 e 9.430/96) possibilite (interpretadas sistematicamente) que a compensação se dê entre quaisquer tributos arrecadados pela SRF, o Poder Judiciário, nos autos da supracitada ação, limitou a compensação, que deverá ser entre o crédito apurado do PIS com débitos do próprio PIS. Por essa razão, em total atendimento à determinação judicial, a Administração Pública não poderia homologar compensações realizadas em descompasso com a ordem judicial, sob pena de desacato e desobediência aos ditames legais. Tal questionamento encontrase pacífico no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme acórdãos abaixo, todos lavrados pela 5ª Turma: ACÓRDÃO Nº 0525414 de 09 de Abril de 2009 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL CONFIRMADO. DÉBITOS ALCANÇADOS PELO DIREITO CREDITÓRIO APURADO. LANÇAMENTO. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, não obstaculiza a formalização do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. Não cabe a aplicação de multa de ofício na constituição do crédito tributário de períodos para os quais há amparo judicial, ainda não definitivo, à compensação promovida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. AMPARO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. Mantémse a exigência dos débitos cuja compensação resta incomprovada em razão da insuficiência de crédito nos moldes definidos judicialmente. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005. Anocalendário: 01/01/1998 a 31/12/1998”. ACÓRDÃO Nº 0524865 de 12 de Fevereiro de 2009 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: DCTF. REVISÃO INTERNA. NULIDADE. Inexistente qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972, não há que se cogitar de nulidade da autuação. Ademais, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 tratandose de débitos declarados em DCTF, prescindível discutir aspectos que poderiam ensejar a nulidade do lançamento se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. (...) SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DE ESPÉCIES DIFERENTES VINCULADA A PROCESSO JUDICIAL NÃO CONFIRMADO. Válido é o lançamento se o contribuinte não estava amparado judicialmente para promover as compensações vinculadas aos débitos declarados, bem como não prospera a tentativa de validar, administrativamente, a compensação entre tributos de espécies diferentes, se esta não observou a forma prevista na legislação. ALEGAÇÃO DE RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO. A compensação, como modalidade de extinção do crédito tributário, somente pode ser admitida nos estritos termos que a lei a faculta, e regese pelas normas vigentes à época em que efetuada. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de pagamento e compensações não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005. MULTA DE MORA. A indenização pelo atraso no cumprimento das obrigações tributárias submetese à gradação definida no art. 61 da Lei nº 9.430/96, e sujeita o contribuinte, concomitantemente, à multa e aos juros de mora. JUROS DE MORA. Nos termos da legislação em vigor, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de alegações relacionadas a inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. Anocalendário: 01/01/1998 a 31/12/1998”. ACÓRDÃO Nº 0524429 de 15 de Dezembro de 2008 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL NÃO CONFIRMADO. Nada opondo o contribuinte em relação à apuração de insuficiência do crédito indicado em DCTF para amortização dos débitos autuados, mantémse a exigência. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005. MULTA DE MORA. A indenização pelo atraso no cumprimento das obrigações tributárias submetese à gradação definida no art. 61 da Lei nº 9.430/96, e sujeita o contribuinte, concomitantemente, à multa e aos juros de mora. JUROS. TAXA SELIC. Nos termos da Lei n.º Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10855.003226/200316 Acórdão n.º 3801000.329 S3TE01 Fl. 231 7 9.430, de 1996, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de alegações relacionadas a inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. Anocalendário: 01/01/1998 a 31/12/1998”. Ainda, pelos termos dos julgados acima expostos, cabível expurgar a multa de ofício, com arrimo no princípio da retroatividade benigna, haja vista não haver indícios de que a Recorrente agiu em conformidade com as hipóteses do art. 18 da Medida Provisória nº. 135/2003, convertida na Lei nº. 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº. 11.051/2004 e nº. 11.196/2005 Improsperam, portanto, as alegações constantes no Recurso Voluntário sob o enfoque suscitado pela recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de desconstituir parcialmente o lançamento para, em face do princípio da retroatividade benigna, afastar a multa de ofício, mantendose os demais lançamentos. Andréia Dantas Lacerda Moneta Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Voto Vencedor Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Redator Designado ad hoc Deixo consignado, de plano, que fui designado redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, conforme despacho abaixo colacionado, fls.: Tendo sido constatado pela Secretaria da Câmara que o acórdão referente ao processo acima especificado está pendente de formalização e com base na atribuição deferida pela art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 RICARF, designo o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl redator ad hoc para formalizar o Acórdão nº 3801 000.329, de 11/2009, tendo em vista que a relatora, Conselheira Renata Auxiliadora Marcheti, não mais compõe o colegiado. Apesar do excelente voto proferido pela ilustre Conselheira Relatora, a turma dela divergiu para dar provimento ao recurso. Pelo que pode ser visto o presente auto de infração originouse da realização de auditoria interna nas DCTF, tendo sido constatada, segundo a descrição dos fatos e o demonstrativo de créditos vinculados não confirmados, a falta de recolhimento da contribuição para o COFINS, decorrente de declaração inexata, não se comprovando a existência do processo judicial informado pelo contribuinte, vinculado a compensações – termo comumente grafado como “Proc jud não comprovado”, ou seja, processo judicial não comprovado. Nos autos consta cópia do processo na qual a Recorrente figura como autora e que foi fundamento para a autuação. No ordenamento pátrio a motivação dos atos administrativos sempre foi obrigatória, ou como pressuposto de existência, ou como requisito de validade, ex vi do artigo 50 da Lei nº 9.784/1999 e alterações posteriores. Além das expressas disposições em lei, também a doutrina ensina que a falta de congruência entre a situação fática anterior à prática do ato e seu resultado, invalidao por completo. Constróise, assim, a teoria dos motivos determinantes. No magistério de Hely Lopes Meirelles, “tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade” 1. Basicamente, presumese que o auto de infração foi lavrado em virtude de acreditar a fiscalização que a referida ação judicial não existia, nada mais. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da .fundamentação legal da exigência, deve ser lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria 1 Manual de Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho, Editora Lumen Juris, 1999, p. 81. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10855.003226/200316 Acórdão n.º 3801000.329 S3TE01 Fl. 232 9 modificada, por força do que determina o § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8,748, de 1993. Em sintonia com o que determina a disposição legal supra, também a doutrina jurídica, na exegese de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopes (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 2002, p. 184), recomenda o seguinte: “Assim, constatadas pela autoridade julgadora inexatidões na verificação do .fato gerador, relacionadas com o mesmo ilícito descrito no lançamento original, o saneamento do processo fiscal será promovido pela feitura de Auto de Infração Complementar. Esta peça, sob pena de nulidade, deverá descrever os motivos que fundamentam a alteração do lançamento original, indicando o .fato ou circunstância que ele pretende aditar ou retificar, demonstrando o crédito tributário unificado, de modo a permitir ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração”... Se a autuação tornou como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial, e o contribuinte demonstrou a existência da ação, resta patente que o lançamento não tem suporte fático válido, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe. De acordo com a teoria dos motivos determinantes, o ato administrativo está forçosamente vinculado aos fatos concretos apurados e aos fundamentos legais que lhe dão suporte. A fiscalização preferiu tomar um suporte fático genérico e impreciso para dar suporte à autuação, ao invés de promover a apuração concreta da realidade do caso. E errou de fundamento, sendo então incabível que as instâncias julgadoras promovam a atividade de fiscalização que a autoridade lançadora devia ter executado, decantando o suporte concreto que deveria ter sido apurado e indicado pela autoridade lançadora para a lavratura do auto de infração. Ora, uma vez notificado do lançamento e demonstrado a existência de processo judicial a autuação não justifica. Não procede, portanto, o lançamento, por não se comprovar a fundamentação fática que o originou, ressaltandose que não integra o objeto deste voto a correção, ou não, do procedimento adotado pelo contribuinte em relação aos créditos tributários objeto do lançamento, em função da decisão judicial obtida, uma vez que tal questão não foi analisada quando da realização do lançamento. Da única imputação que lhe foi feita na autuação – processo judicial não comprovado – o contribuinte defendeuse, informando que efetivamente integrava a ação judicial por ele relacionada, não constando do lançamento qualquer outra alegação que fundamentasse a exigência. Por todo o exposto, no mérito, voto por dar provimento ao recurso voluntário, considerandose improcedente o presente lançamento, por não se comprovarem os fundamentos fáticos que o basearam. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Redator designado ad hoc Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13984.001463/2006-16
Data da sessão: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003, 2004
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
INOCORRÊNCIA.
Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade
competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante, não há que se falar em nulidade.
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA.
O Auto de Infração deve ser lavrado no local da apuração da irregularidade, que não é, necessariamente, aquele em que se deu a ocorrência da falta. Não se configura, pois, hipótese de nulidade o fato de o Auto de Infração ter sido lavrado na repartição fiscal.
NULIDADE. COMPETÊNCIA. AUDITOR-FISCAL.
O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
NULIDADE. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS.
O lançamento prescinde de intimação prévia para prestação de
esclarecimentos, quando a infração estiver claramente demonstrada e apurada, nos termos da legislação vigente.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
ONUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA DO ILÍCITO.
Nos casos de lançamento de omissão de rendimentos, cabe à autoridade fiscal a comprovação do ilícito.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2102-000.213
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em INDEFERIR o pediDo de diligência e as preliminares suscitadas e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da tributação a infração de omissão de rendimentos recebidos de pesssoa juridica, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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MINISTÉRIO DA FAZENDA ? t ,. 4.: .1y4 ‘ ..., .--x .4. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS -dr» ,sz..!......; .. SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n0 13984.001463/2006-16 Recurso n° 163.312 Voluntário Acórdão n° 2102-00.213 — 1' Câmara 12' Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2009 Matéria IRPF Recorrente AIRTON JOSÉ SEMINOTTI Recorrida 4' TURMA/DRJ-FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003, 2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante, não há que se falar em nulidade. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. O Auto de Infração deve ser lavrado no local da apuração da irregularidade, que não é, necessariamente, aquele em que se deu a ocorrência da falta. Não se configura, pois, hipótese de nulidade o fato de o Auto de Infração ter sido lavrado na repartição fiscal. NULIDADE. COMPETÊNCIA. AUDITOR-FISCAL. O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. . NULIDADE. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. O lançamento prescinde de intimação prévia para prestação de esclarecimentos, quando a infração estiver claramente demonstrada e apurada, nos termos da legislação vigente. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. J 4111 Processo e 13984.001463/200616 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.213 Fl. 1.485 Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÓNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA DO ILÍCITO. Nos casos de lançamento de omissão de rendimentos, cabe à autoridade fiscal a comprovação do ilícito. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do . o Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em INDEFE • o pedi, o de diligência e as preliminares suscitadas e, no mérito, em DAR provimento P RCIAL ao ecurso para excluir da tributação a infração de omissão de rendimentos recebi, s de pes * a j dica, nos termos O voto da Relatora. • GIOV NNI CHRIS I FP ES ' AMPOSI' Pre- dente ii I ( Nú: • ISM/14A Relatora FORMALIZADO EM: 21 AGO 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Rubens Mauricio Carvalho, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Sidney Ferro Barros (suplente convocado). Relatório AIRTON JOSÉ SEMINOTTI, já qualificado nos autos, inconformado com a decisão de primeiro grau, prolatada pelos Membros da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, mediante Acórdão DRJ/FNS n° 07- 10.836, de 21/09/2007, fls. 1438/1446, recorre a este Conselho pleiteando a sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário, fls. 1450/1481. 2 Processo n° 13984.001463/2006-16 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.213 Fl. 1.486 Mediante Auto de Infração, fls. 1172/1180, formalizou-se exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), no valor total de R$786.310,80, incluindo multa de oficio e juros de mora, estes últimos calculados até 30/06/2006. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 1221/1230, foram omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica SBL Móveis e Negócios Ltda, da qual o contribuinte é sócio e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada. As infrações referem-se aos anos-calendário de 2001 a 2003. No Termo de Verificação Fiscal a autoridade autuante esclarece que o contribuinte durante o procedimento fiscal indicou folhas de Livros Diário e/ou Razão e também o controle de caixa paralelo da pessoa jurídica SBL Móveis e Negócios Ltda para justificar inúmeros depósitos havidos em suas contas-correntes, de modo que, após análise da documentação apresentada, foram adotadas três condutas diferentes, a saber: a) considerou-se omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada aqueles depósitos para os quais o contribuinte não apresentou justificativa. b) quanto aos depósitos que o contribuinte apresentou justificativa e documentos, dos quais restou comprovado que os recursos depositados pertenciam à SBL • Móveis e Negócios Ltda e somente transitaram pela conta-corrente do fiscalizado, a autoridade fiscal considerou-os de origem comprovada e, portanto, não foram tributados. (frise-se que, em conseqüência, a mencionada pessoa jurídica foi fiscalizada e teve seu lucro arbitrado). c) quanto aos depósitos para os quais o contribuinte apresentou justificativa e documentos, mas que a autoridade fiscal entendeu insuficientes para comprovar que os recursos teriam apenas transitado pelas contas-correntes do fiscalizado, foram considerados rendimentos recebidos de SBL Móveis e Negócios Ltda e nessa conformidade tributados. Neste caso, a autoridade fiscal entendeu que os recursos depositados nas contas-correntes do contribuinte pertenciam a SBL Móveis e Negócios Ltda, entretanto, não houve a comprovação da ocorrência de débitos nas referidas contas-correntes em favor da pessoa jurídica. Cientificado do lançamento, em 14/12/2006, fls. 1172, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 1237/1268, trazendo as alegações a seguir resumidas: Nulidade do lançamento — Auto de Infração foi lavrado fora do domicilio/local de trabalho do autuado Nulidade do lançamento — O exame de livros e documentos fiscais é trabalho privativo de contador. Nulidade do lançamento — Ausência do contraditório, em razão da inexistência de intimação para prestar esclarecimentos antes da lavratura do Auto de Infração. Sobrestamento do julgamento — Requer o sobrestamento do julgamento até que seja julgado o processo n° 13984.001666/2005-13, que cuida do Auto de Infração lavrado contra SBL Móveis e Negócios Ltda. 417° 3 Processo n° 13984.001463/2006-16 52-C1T2 Acórdão n. 2102-00.213 Fl. 1.487 As quantias investigadas apenas transitaram pelas contas-correnfes do autuado, tanto que foram afastados da tributação 192 dos 442 depósitos bancários. Em relação a maior parte dos recursos a fiscalização reconhece que em face das dificuldades enfrentadas pela SBL Móveis e Negócios Ltda, os recursos oriundos de suas operações precisaram transitar pelas contas do auditado, não configurando ingresso de renda, mas em outros casos, não obstante estar-se diante da mesma sistemática de atuação, foi negado o mesmo tratamento. A manutenção do Auto de Infração implica em tributação das mesmas operações comerciais duas vezes. As receitas aqui investigadas já foram tributadas em nome da pessoa jurídica SBL Móveis e Negócios Ltda. Requer que o processo seja baixado em diligência para a produção de prova pericial contábil-fiscal, por contador habilitado; seja determinada a extração de cópias dos três pareceres firmados pelo contador Antonio Renato Dellandrea, CRC/SC 010163/0-7, os quais se encontram acostados nos autos do processo n° 13984.001666/2005-13, com a respectiva juntada ao presente processo e sejam juntadas as provas obtidas em contraditório pleno, mormente a perda/cancelamento do CNPJ, apuradas em processo regular. A DRJ Florianópolis/SC julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o lançamento para excluir da tributação, relativamente à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica os valores de R$7.000,00 e R$2.150,00, nas datas de 13/11/2002 e 06/06/2003, respectivamente. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 29/10/2007, fls. 1449, o contribuinte apresentou, em 28/11/2007, Recurso Voluntário, fls. 1450/1481, onde reproduz e reforça as alegações trazidas na impugnação, acrescentando a preliminar de nulidade do julgamento de primeira instância, por falta de enfrentamento do pedido de produção de prova pericial, apresentado na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheira NÜBIA MATOS MOURA, Relatora Das preliminares Da tempestividade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Da nulidade da decisão recorrida No recurso o contribuinte suscita a nulidade do julgamento de primeira instância, sob a alegação de falta de enfrentarnento do pedido de produção de prova pericial, apresentado na impugnação. Contudo, da leitura do acórdão recorrido verifica-se que no item 11.11 a autoridade julgadora analisa, dentre outras solicitações formuladas pelo contribuinte, o pedido 44, 4 Processo tf 13984.001463/200616 S2-C I T2 Acórdão n.* 2102-00.213 Fl. 1.488 de diligência para a produção de prova pericial, justificando o indeferimento do pedido nas seguintes razões: W para infirmar o levantamento fiscal, devidamente amparado pela provas acostadas aos autos, as provas devem ser produzidas pelo próprio autuado; (II) a produção das provas não demanda conhecimento técnico especifico de perito; Deste modo, há de se concluir que o pedido de diligência foi devidamente enfrentado pela autoridade julgadora de primeira instância, de modo que não pode prosperar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Da nulidade do lançamento O recorrente suscita também a nulidade do lançamento, motivado pelas seguintes razões: (I) o Auto de Infração foi lavrado fora do domicilio/local de trabalho do autuado; (II) o exame de livros e documentos fiscais é trabalho privativo de contador e (III) ausência do contraditório, em razão da inexistência de intimação para prestar esclarecimentos antes da lavratura do Auto de Infração. Como é sabido, o art. 10 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, determina que o Auto de Infração seja lavrado no local da verificação da falta, o que significa dizer no local em que foi praticada a infração, ou seja, onde esta foi constatada, de modo que não existe qualquer impedimento de que a lavratura ocorra dentro da própria repartição, desde que presentes os elementos necessários para fundamentar a autuação e que o sujeito passivo seja regulamente notificado. No que concerne à competência do Auditor- Fiscal para o exame de livros e documentos fiscais, a matéria já se encontra pacificada neste Conselho, que editou súmula, aplicável ao caso: Súmula l eCC n° 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.(publicada no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 18/07/2006) No que tange à alegação de falta de contraditório, em razão da inexistência de intimação para prestar esclarecimentos antes da lavratura do Auto de Infração, deve-se esclarecer que o procedimento fiscal, que culminou com a lavratura do Auto de Infração, cuja ciência se deu em 14/12/2006, fls. 1172, iniciou-se, em 22/06/2005, com a ciência do Termo de Inicio de Fiscalização, fls. 16/17. Portanto, o procedimento fiscal estendeu-se por aproximadamente um ano e meio. Nesse período o contribuinte foi inúmeras vezes intimado a prestar esclarecimentos e comprovação da origem dos recursos movimentados em suas contas- correntes. Assim, não procede a alegação do recorrente de falta de intimação para prestar esclarecimentos antes da lavratura do Auto de Infração. Vale destacar que se a infração estiver claramente demonstrada e apurada, admite-se o lançamento sem intimação prévia ao contribuinte. 411 Processo n° 13984.001463/2006-16 S2-C1T2 Acórdão n.• 2102-00.213 Fl. 1.489 Note-se, ainda, que na formalização do lançamento foram regularmente observados todos os requisitos legais do art. 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN) e dos arts. 9° e 10 do Decreto n° 70.235, de 1972. Ademais, o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da Impugnação e do Recurso Voluntário, que ora se analisa. Tem-se, ainda, que na lavratura do Auto de Infração foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), estando em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Assim, não pode prosperar a argüição de nulidade do lançamento suscitada pelo recorrente. Dos pedidos de diligência, de juntada de documentos e de sobrestamento do julgamento No recurso o contribuinte requer a realização de diligência para a produção de prova pericial e solicita a juntada aos autos de cópias de pareceres, que se encontram acostados no processo n° 13984.001666/2005-13, de interesse da pessoa jurídica SBL Móveis e Negócios Ltda. De pronto, cumpre esclarecer que o pedido de diligência formulado pelo contribuinte é genérico, dado que não indica quais os exames que pretende sejam realizados. Por outro lado, esta autoridade julgadora entende que encontram-se acostados ao processo todos os documentos necessários para firmar sua convicção no julgamento da lide, de modo que são prescindíveis a realização de diligências e a juntada de novos documentos. Ademais, vale destacar que o próprio contribuinte poderia ter apresentado, juntamente com o seu recurso, as cópias dos referidos pareceres e demais documentos que entendesse necessários. Deste modo, por considerar que os elementos trazidos aos autos são suficientes para o deslinde da questão controversa, indefere-se os pedidos de diligência e de juntada de documentos por entendê-las desnecessárias, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972. Foi, ainda, requerido pelo contribuinte o sobrestamento deste julgamento até que fosse julgado o processo n° 13984.001666/2005-13, que trata do Auto de Infração lavrado contra SBL Móveis e Negócios Ltda. De imediato, vale destacar que os valores aqui tributados referem-se aos depósitos de origem não comprovada e aqueles, que, embora realizados com recursos pertencentes à SBL Móveis e Negócios Ltda, a autoridade fiscal entendeu não comprovado o repasse dos recursos à referida pessoa jurídica. E mais, conforme mencionado na decisão de primeira instância o recurso referente ao processo de interesse da SBL Móveis e Negócios Ltda não foi provido, conforme decisão exarada em 23/05/2007 por este Conselho. 6 Processo n° 13984.00146312006-16 S2-CIT2 Acórdão n." 2102-00.213 Fl. 1.490 Nestes termos, não há que se falar em sobrestamento deste julgamento. Do mérito Da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não comprovada No que tange à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, o contribuinte argumenta que as quantias depositadas em suas contas bancárias são recursos pertencentes a pessoa jurídica SBL Móveis e Negócios Ltda. Contudo, há de se observar que, durante o procedimento fiscal, o contribuinte, quando intimado a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas- correntes, apresentou justificativas individualizadas para inúmeros 'depósitos, fls. 570/603, entretanto, deixou sem explicação outros tantos, que foram levados à tributação, mediante imputação da infração de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários com origem não comprovada. Vale destacar que as justificativas foram acompanhadas de documentos. Como se sabe, a partir da vigência da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ficou determinado que se considere, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa fisica, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Veja que não se trata de simplesmente prestar a informação, pois a lei é bastante clara ao exigir que o contribuinte comprove a origem dos recursos. Assim, no que diz respeito aos depósitos para os quais o contribuinte não apresentou nenhuma justificativa, tampouco, documentos, correto foi o procedimento da autoridade fiscal em considerá-los rendimentos omitidos, dado que a simples alegação de que tais valores pertencem à SBL Móveis e Negócios Ltda, desacompanhado de documentação comprobatória, é inaceitável. Nestes termos, há de se concluir pela manutenção integral da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica No que concerne à infração de omissão de rendimentos recebidos da SBL Móveis e Negócios Ltda, o recorrente afirma que as quantias investigadas apenas transitaram por suas contas-correntes. Afirma, ainda, que em relação a maior parte dos créditos a fiscalização reconheceu que os recursos oriundos das operações da SBL Móveis e Negócios Ltda transitaram por suas contas, não configurando ingresso de renda, mas em outros casos, não obstante estar-se diante da mesma sistemática de atuação, foi negado o mesmo tratamento. Do Termo de Verificação Fiscal infere-se, no que tange aos depósitos para os quais o contribuinte apresentou justificativas e documentos, que a autoridade fiscal os considerou de origem comprovada, ou seja, entendeu que os recursos depositados nas contas- correntes do contribuinte eram provenientes das operações desenvolvidas pela SBL Móveis e Negócios Ltda. 44P 7 Processo n° 13984.001463/2006-16 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.213 Fl. 1.491 Destaque-se que não se encontram presentes nos autos cópias dos comprovantes dos depósitos havidos nas contas-correntes do contribuinte, tampouco extratos de contas bancárias da SBL Móveis e Negócios Ltda, de modo que a prova da origem dos recursos depositados nas contas do contribuinte se deu de forma indireta, mediante confronto entre os créditos investigados e os documentos contábeis e fiscais da referida pessoa jurídica. Ocorre que para uma parte destes depósitos a autoridade fiscal entendeu também que os documentos apresentados, além de comprovar a origem dos valores, se prestavam para comprovar que o contribuinte em algum momento havia repassado tais quantias para a referida pessoa jurídica. Já nos outros casos, considerou que os documentos se prestavam tão-somente para comprovar que os depósitos foram realizados com recursos advindos das operações da SBL Móveis e Negócios Ltda, entretanto, não se prestavam para comprovar o repasse de tais valores à pessoa jurídica. Ora, muito embora os documentos apresentados pelo contribuinte não sejam suficientes para comprovar os repasses, há de se convir que também não são suficientes para garantir que o contribuinte tenha se apropriado dos recursos pertencentes à pessoa jurídica, da qual é sócio. Para concluir pela infração, a autoridade fiscal partiu da seguinte premissa: se o contribuinte não apresenta documentos que comprovem o efetivo repasse à SBL dos valores depositados em suas contas-correntes, pode-se garantir que apropriou-se dos recursos da pessoa jurídica. Ressalte-se que, no caso, não se está diante de uma presunção legal, de modo que caberia à autoridade fiscal comprovar, de forma irrefutável, que o contribuinte recebeu os recursos da pessoa jurídica e que deles se apropriou. A inversão do ônus da prova neste caso não se aplica, ou seja, não poderia a autoridade fiscal exigir que o contribuinte comprovasse o repasse. Veja que a autoridade fiscal entendeu que a escrita contábil da SBL Móveis e Negócios Ltda era suficiente para comprovar que os recursos depositados nas contas-correntes do contribuinte eram advindos das operações da referida pessoa jurídica, entretanto, quando se tratava de comprovar os repasses, tal escrita se mostrou imprestável, sendo exigido do contribuinte documentação adicional. Para adotar tal conduta cabia à autoridade fiscal cercar-se de provas de que o contribuinte de fato apropriou-se dos recursos da pessoa jurídica e não exigir a prova negativa do sujeito passivo. Deve-se, ainda, observar o seguinte trecho extraído do Termo de Verificação Fiscal: Tratamento diverso tiveram aquelas justificativas que não preencheram os requisitos. Nestes casos não se fez prova de que os recursos referir-se-iam a operacães da pessoa jurídica SBL Móveis e Negócios Ltda. Mesmo assim, devido aos documentos apresentados (controles de caixa, geralmente acompanhados de comprovantes de depósitos), os créditos foram considerados, na maioria das vezes, de origem comprovada. Como se vê, a autoridade fiscal afirma que não se fez prova de que os recursos fossem provenientes de operações da SBL Móveis e Negócios Ltda, entretanto, os créditos foram considerados de origem comprovada. 8 Processo n° 13984.001463/2006-16 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.213 Fl. 1.492 .._ Ora, se a autoridade fiscal entendeu que o contribuinte não teria logrado comprovar que os valores depositados em suas contas-correntes eram advindos de operações da SBL Móveis e Negócios Ltda, deveria ter tributado tais valores como omissão de rendimentos caracterizado por depósitos com origem não comprovada e não optar por considerar a origem comprovada e, na falta de comprovação dos repasses, tributar os valores como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Nessa conformidade, há de se concluir que os elementos trazidos pela autoridade fiscal aos autos não são suficientes para comprovar, de forma inequívoca, que o contribuinte recebeu recursos da SBL Móveis e Negócios Ltda, de sorte que não pode prosperar a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Da conclusão Ante o exposto, voto por indeferir o pedido de diligência e as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. I 48 ,1Sala d S s" 7s-DF , em 29 de julho de 2009. — NUB 48Sala MOURA 9 Page 1 _0050500.PDF Page 1 _0050600.PDF Page 1 _0050700.PDF Page 1 _0050800.PDF Page 1 _0050900.PDF Page 1 _0051000.PDF Page 1 _0051100.PDF Page 1 _0051200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.001014/99-44
Data da sessão: Mon Mar 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Mar 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1994
Ementa:
DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO – PDV - DECADÊNCIA AFASTADA.
O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004 são tempestivos.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/04-00.775
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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MINISTÉRIO DA FAZENDA w t -ztr- CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS c'irkb1), QUARTA TURMA Processo te 10830.001013/1999-44 Recurso n° 102-143138 Matéria PDV Acórdão n° CSRF/04-00.775 Sessão de 03 de março de 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida MAURO MASSANORI MIYASHIRO Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício. 1994 Ementa: DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO — PDV - DECADÊNCIA AFASTADA. O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004 são tempestivos. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da QUARTA TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso. A ONIO PRAGA residente ft Processo n°10830.001013/1999-44 CSRF/T04 Acórdão n.° CSRF/04-00.775 Fls. 2 MOISEataQDA SILVA Relator FORMALIZADO EM 0 2 JUN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: !vete Malaquias Pessoa Monteiro, Remis Almeida Estol, Gonçalo Bonet Allage e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho Relatório Trata-se de processo que tem por objeto pedido de restituição de valor de Imposto de Renda Retido na Fonte, correspondente ao exercício de 1994, sobre verbas trabalhistas pagas em face de implantação de Programa de Demissão Voluntária - PDV. O pedido de restituição foi protocolizado em 10 de fevereiro de 1999, sendo a decisão recorrida, por maioria de votos, afastou a decadência e determinou o retorno dos autos à origem para exame do mérito. Intimada da decisão, a Fazenda Nacional ingressou com recurso especial sustentando que a interpretação correta em relação ao inciso I do artigo 168 do CTN, é no sentido de que o prazo decadencial para requerer a restituição é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. Admitido o recurso, o contribuinte foi intimado, mas não apresentou contra razões, sendo a matéria objeto de recurso foi encaminhada para análise nesta Câmara Superi r de Recursos Fiscais. -... Az, É o relatório. , 2 Processo n° 10830.00101311999-44 CSRF/T04 Acórdão n.° CSRFI04-00.775 Fls. 3 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo ao exame do mérito. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo ao exame do mérito. Partindo do conceito legal de tributo, de que trata o artigo 3° do CTN, como sendo "toda a prestação de natureza pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada", tem-se que editada norma pela Administração exigindo tributo cabe ao particular, independentemente de sua vontade ou concordância, satisfazer a exigência tributária. Mesmo nas hipóteses em que a norma que exige o tributo esteja em desconformidade com o texto constitucional cabe ao sujeito passivo a obrigação de satisfazer o pagamento, pois os atos editados pelo poder público, até decisão em contrário, gozam de presunção de legalidade. Nesta linha, mesmo diante das hipóteses de exigência indevida de tributo cabe ao sujeito passivo efetuar o pagamento até que se verifique uma das seguintes hipóteses: a) Decisão do Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de constitucionalidade, declarando a inconstitucionalidade da norma que instituiu o tributo; b) Resolução do Senado Federal editada nos termos do artigo 52, X, da CF, suspendendo a execução, no todo ou em parte, da norma declarada , inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e c) A Administração Pública, através de ato competente, reconhece que o tributo cobrado é indevido. No caso do PDV, a SRF editou a Instrução Normativa 165/98, datada de 31 de dezembro de 1998, e publicada no D.O.0 em 06/01/99, reconhecendo a não incidência de imposto de renda sobre as parcelas pagas por adesão a Programa de Demissão Voluntária. Publicada a instrução normativa nasceu em favor do contribuinte o direito subjetivo de se dirigir à Administração para requerer a restituição do valor pago indevidamente. Neste sentido destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRRF — RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE — PRAZO — DECADÊNCIA —INOCORRÊNCIA — 1PARECER COSIT N° 4/99 — O imposto de renda retido na fonte é 4 tributo sujeito ao lançamento por homologação, que ocorre quando o 3 , Processo n°10830.001013/1999-44 CSRF/T04.. Acórdão n.° CSRF/04-00.775 Fls. 4 contribuinte, nos termos do caput do artigo 150 do C77V, por delegação da legislação fiscal, promove aquela atividade da autoridade administrativa de lançamento (art. 142 do C77‘9. Assim, o contribuinte, por delegação legal, irá verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular o tributo devido e, sendo o caso, aplicar a penalidade cabível. Além do lançamento, para consumação daquela hipótese prevista no artigo 150 do CTN, é necessário o recolhimento do débito pelo contribuinte sem prévio exame das autoridades administrativas. Havendo o lançamento e pagamento antecipado pelo contribuinte, ato homologatório este que consuma a extinção do crédito tributário (art. 156, VII, do CT1V). Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito se extingue com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN), a chamada homologação tácita. Ademais, o Parecer COSIT n° 4/99 concede o prazo de 5 anos para restituição do tributo pago indevidamente contado a partir do ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, in casu, a Instrução Normativa n° 165 de 31.12.98. O contribuinte, portanto, segundo o Parecer, poderá requerer a restituição do indébito do imposto de renda incidente sobre verbas percebidas por adesão à PDV até dezembro de 2003, razão pela qual não há que se falar em decurso do prazo no requerimento do Recorrente feito em 1999. A Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu, em questão semelhante, que 'em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia- se; a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADI1V; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributário.' (Acórdão CSRF/01-03.239). Ao efetuar retenções na fonte e incluir as parcelas do PDV na base de cálculo anual do tributo, tanto a fonte pagadora quanto o sujeito passivo agiram sob a presunção de ser legitima a exação. Mais, seguiram orientações expressas da administração tributária, sob pena de serem autuados. Entretanto, reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça e, posteriormente, por ato da administração pública, que as parcelas recebidas como incentivo ao desligamento voluntário estão fora do campo de incidência do imposto de renda, surge para o contribuinte o direito ao não recolhimento do tributo, como também a repetição aos valores recolhidos indevidamente. No meu sentir, desta forma, se homenageiam princípios basilares do direito como o da moralidade, isonomia, boa fé, lealdade, vedação do enriquecimento sem causa e o da segurança jurídica. Do contrário, estar-se-ia disseminando a desconfiança na lei e na Administração Tributária que orientou o contribuinte e a fonte pagadora ao cumprimento de exigência tributária desprovida de fundamento legal para tanto. Por outro lado, o lançamento é ato administrativo vinculado à lei. Nesta, encontram-se todos os elementos que compõem a obrigação tributária. O controle da legalidade, a ser efetuado pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário, é imperativo de ordem pública. Constatada a ilegalidade da cobrança do tributo, a Administração tem o 14poder/dever de anular o lançamento e restituir o pagamento indevido. 4 Processo n° 10830.001013/1999-44 CSRF/T04 Acórdão n.° CSRF/04-00.775 ns. 5 Em síntese, no momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/98 (DOU de 06/01/99) tem-se que os pedidos protocolizados até 06/01/2004 são tempestivos, pois a decadência somente se efetivou em 07 de janeiro de 2004. Em relação às situações em que a Fazenda Nacional fundamenta seu recurso com base em argumentos de que a Lei Complementar n° 105, de 2005, se constitui em norma interpretativa do artigo 168, I, do CTN, fixando entendimento de que o prazo para pedir a restituição de pagamento indevido é de cinco anos contados da data do pagamento, há que se ter por norte que por força do disposto no art. 105, III, a, da Constituição Federal, compete ao Superior Tribunal de Justiça, em última instância, unificar a interpretação atribuída à lei. Nesta linha, no caso da decadência relativa a tributos sujeitos a lançamento por homologação, depois de inúmeras oscilações, a 1' Seção do STJ, no julgamento do EREsp 435.835/SC, relator para o acórdão Min. JOSE DELGADO, sessão de 24.03.2004, consagrou o entendimento segundo o qual o prazo prescricional para pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de cinco anos, contados da data da homologação do lançamento, que, se for tácita, ocorre após cinco anos da realização do fato gerador - sendo irrelevante, para fins de cômputo do prazo prescricional, a causa do débito. Após a uniformização do entendimento acima referido, conhecido como a tese dos 5 + 5, em 2005 foi aprovada a Lei Complementar n° 118, de 2005, cujo artigo 3° determina "para efeito de interpretação" do art. 168, I, do CTN, que a extinção do crédito tributário como termo a quo do prazo de cinco anos para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação pagos indevidamente seja considerada ocorrida no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150. O art. 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005, por sua vez, estabelece que seja "observado, quanto ao art. 3 0, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966", ou seja, a determinação de aplicação retroativa das leis interpretativas. Temos, pois, conforme observa o Dr. Leandro Paulsen l , com as considerações abaixo transcritas, uma lei que se pretende interpretativa. "Mas cabe ao aplicador do Direito verificar se realmente é disso que se cuida e se, portanto, existe a possibilidade de aplicação ao caso do art. 106. I, do CI7V, sem violação a normas constitucionais. O STF, aliás, já afirmou outrora: "Mesmo as leis interpretativas expõem-se ao exame e à interpretação dos juizes e tribunais. Não se revelam, assim, espécies normativas imunes ao controle jurisdicional...". 2 O controle da constitucionalidade de tal lei é viável, como de qualquer outra, em face da supremacia da Constituição. Importa, também, desde já, bem definir o que se pode considerar como lei interpretativa, afastando a idéia de que haja qualquer margem de liberdade para o que legislador assim qualifique novo dispositivo legal. Aliás, a própria idéia de lei interpretativa é controversa, conforme já ensinava CARLOS MAXIMILIANO em sua clássica obra Hermenêutica e Aplicação do Direito, publicada pela primeira vez em 1924: "... não LC 118/05 - REDUÇÃO DO PRAZO PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS TRIBUTÁRIOS - Leandro Paul= (Publicada no Jornal Síntese n° 97 - MARÇO/2005, pág. 9 e no CD Júris Síntese 10B n° 66, julho-4, agosto/2007. 2 STF, ADIn 605-3/DF, liminar, Rel. Min. Celso de Mello, out. 1991. tr Processo n° 10830.001013/1999-44 CSRF/T04 Acórdão n.° CSRF/04-00.775 Fls. 6 há propriamente interpretação autêntica; se o Poder Legislativo declara o sentido e alcance de um texto, o seu ato, embora reprodutivo e explicativo de outro anterior, é uma verdadeira norma jurídica, e só por isso tem força obrigatória...".3 Admitindo-se que haja leis passíveis de serem consideradas como meramente interpretativas, enquadráveis na previsão do art. 106, I, do C7N, impende que se observem determinados critérios e requisitos na análise daquelas que assim se pretendam. a) em primeiro lugar, cada lei, mesmo as que expressamente se dizem interpretativas, constituem leis novas e, portanto, como tal devem ser consideradas. b) lei interpretativa é a que não inova no ordenamento jurídico no sentido de dar ensejo ao surgimento de novas normas aplicáveis aos casos concretos. A lei meramente interpretativa apenas torna expressas normas jurídicas já reconhecidas e aplicadas com suporte em textos legais vigentes quando do seu advento. c) é do STJ a competência para estabelecer, em última instância, a interpretação da lei federal, de modo que, no âmbito federal, lei interpretativa é aquela que consagra interpretação da lei anterior de modo coincidente com a interpretação que lhe dava o Judiciário, particularmente o STJ. De fato, "... ainda que o CTN admita aplicação retroativa da norma meramente interpretativa (art. 106, 1), isso somente é possível quando inexistente outra interpretação"! Observados tais pressupostos, tem-se que, se as leis interpretativas meramente esclarecerem o sentido de outra anterior, não estarão inovando na ordem jurídica, de maneira que, mesmo que seu texto preveja aplicação retroativa à data da lei interpretada e tal encontre guarida no art. 106, I, do CTN, nenhuma influência maior terão senão de esclarecimento para os agentes públicos e contribuintes. Essa retroatividade será meramente aparente, vigente que estava a lei interpretada, da qual se já se extraía a mesma norma. Implicando, porém, o surgimento de norma distinta, antes não vislumbrada como aplicável pelo STJ na sua função de interpretação da legislação vigente, não se caracterizará como meramente interpretativa, ainda que assim se declare. Aliás, havendo qualquer agravamento na situação do contribuinte, será considerada ofensiva ao sobreprincípio da segurança jurídica e, em particular, ao princípio da irretroatividade das leis, merecendo atenção, ainda, as regras de anterioridade de exercício e nonagésimal mínima ou de anterioridade especial. Colocado o tema, vejamos. 3 Forense, 11. ed., 1990, p. 91/92. 4 TRF 1 R., 3' T., AC 93.01.11941/DF, Rel. Juiz Osmar Tognolo, maio 1996. a, 6 . Processo n° 10830.001013/1999-44 CSRF/T04 Acórdão n.° CSRF/04-00.775 Fls. 7 Em face da LC 118/05, considera-se extinto o crédito tributário no momento do pagamento antecipado para o fim de contagem do prazo de repetição ou compensação nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. O prazo, pois, no regime da LC 118/05, é de 5 anos contados do pagamento indevido. A LC 118/05, com isso, implicou redução do prazo relativamente ao entendimento anterior dos 5 + 5. De fato, até então tínhamos o dispositivo do art. 168, I, do CI7V, dispondo no sentido de que o prazo para repetição do indébito contava-se da extinção do crédito tributário; e o art. 156, VII, do CTN, dispondo no sentido de que a extinção do crédito tributário se dava com "o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150 e seus §§ 1° e 4°". Mediante interpretação sistemática do CTN, chegava-se à norma aplicável nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, qual seja, a de que o prazo para a repetição seria contado da extinção do crédito tributário pela homologação tácita ocorrida após 5 anos da ocorrência do fato gerador. Daí o prazo de 5 anos + 5 anos = 10 anos. Embora nem sempre tenha sido este o entendimento dos tribunais sobre a contagem de tal prazo, certo é que o STJ firmara posição nesse sentido, estando a mesma absolutamente consolidada. Evidencia-se, assim, que a LC 118/05, ao pretender alterar o termo a quo do prazo para repetição, que não mais será o momento da extinção do crédito, mas o momento do pagamento antecipado, ainda que pendente de homologação, agora considerado como de extinção para fins da nova contagem de prazo, realmente inovou, alterando a norma jurídica aplicável. No particular, é importante atentar para a distinção entre preceito (mandamento abstrato constante do texto de cada dispositivo legal em particular) e norma (o mandamento para o caso concreto obtido pelo aplicador mediante análise de todo o ordenamento). Mesmo que mantendo intocados os preceitos dos arts. 168. I, e 156. VII, do CT1V, preservados na sua literalidade, a LC 118/05 alterou a norma jurídica aplicável, o que revela não se tratar de simples lei interpretativa. Da norma "5 + 5 = 10", passamos à norma "5". Sua aplicação relativamente a indébitos anteriores, pois, tem de ser criticada. Embora se coloque expressamente como interpretativo ("para efeito de interpretação", em verdade o art. 3° da LC 118/05 inova na ordem jurídica de maneira mais gravosa para o contribuinte, de modo que não pode ter aplicação retroativa, ainda que tal esteja determinado pelo art. 4° da mesma lei complementar. De fato, tendo alterado a norma anterior, não se pode considerá-la como lei meramente interpretativa, de modo que não lhe é aplicável o art. 106, 1, do CIN. O art. 4° da LC 118/05, ao determinar a aplicação di de tal dispositivo que prevê a retroatividade, revela-se inconstitucionaL ' 7 . • Processo n° 10830.001013/1999-44 CSRE/T04• Acórdão n•° CSRF/04-00.775 Fls. 8 Isso porque o principio da segurança jurídica impõe que se resguarde a irretroatividade, fulminando, por inconstitucionalidade, o art. 4° da LC 118/05 no que diz respeito à determinação de observância do art. 106, I, do CPC (aplicação retroativa), por ocasião da aplicação do art. 3° da própria LC 118/05. Não há espaço, aqui, para aprofundar a análise do principio da segurança jurídica, bastando, no momento, a referência à singela, mas profunda afirmação de JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES: "... a segurança postula, para a sua efetividade, uma especificação, uma determinação dos critérios preservadores dela própria, no interior do ordenamento jurídico. [..] ... quais os valores que a segurança jurídica busca preservar, no âmbito do sistema constitucional tributário? A irretroatividade? A legalidade? A isonomia? A efetividade da jurisdição tributária, administrativa ou judicial? Tudo isso junto e muito mais que isso"? Assim, a aplicação do art. 3" da LC 118/05 só poderá se dar relativamente a pagamentos indevidos posteriores à sua vigência, estabelecida para 120 dias após a sua publicação, ocorrida em 09.02.2005. Ou seja: I - os pagamentos indevidos ocorridos a partir da sua vigência implicarão termo a quo para a contagem do prazo, nos termos da LC 118/05, que, vigente, incidirá; - os pagamentos indevidos anteriores, contudo, não sofrem sua incidência, pois implicaria retroatividade; continuam, assim, regrados pela norma anterior dos 10 anos (5 anos mais 5 anos). O art. 3° da Lei Complementar n° 118, de 2005, a pretexto de interpretar os arts. 150, § 1° e 168, I, do CTN, conferiu-lhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Assim, não há como negar que a lei nova inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. Portanto, o art. 3 0 da Lei Complementar n° 118, de 2005, por ter inovado no plano legislativo, só tem eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões - DF, 03 de março de 2008. çnS MOI§S%alACOMELLI A SILVA 5 Princípio da Segurança Jurídica na Criação e Aplicação do Tributo. RDT, São Paulo: Malheiros, n. 63, p. 206, 1997. (14K 8 Page 1 _0053100.PDF Page 1 _0053300.PDF Page 1 _0053500.PDF Page 1 _0053700.PDF Page 1 _0053900.PDF Page 1 _0054100.PDF Page 1 _0054300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10855.000449/98-30
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PIS – BASE DE CÁLCULO - SEMESTRALIDADE – Até o advento da MP nº 1212/95, a base de cálculo da Contribuição para o PIS é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo único, do art. 6º, da Lei Complementar nº 07/70. Precedentes do STJ e da CSRF .
Recurso especial da Fazenda Nacional negado.
Numero da decisão: CSRF/02-01.570
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado - ISON 1P DRIGUES PRESIDENTE V OTACÍLIO D '+ TAS CARTAXO RELATOR FORMALIZADO EM 25 MAI 2004 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros . CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JOSEFA MARIA COELHO MARQUES; ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, HENRIQUE PINHEIRO TORRES; DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA e FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Processo n° 10855000499/98-30 Acórdão CSRF/02-01 570 Recurso n° 201-115794 Recorrente FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Transcrevo relatório do acórdão recorrido "Cuida o presente processo de pedido de compensação (fls 01, 28, 33, 36, 40, 44, 64, 69, 73, 129, 133, 136, 138,, 140, 144, 146, 163 e 165) da Contribuição ao Programa de Integração Social — PIS que a interessada alega ter recolhido a maior que o devido, referente ao período de apuração de maio/89 a setembro/95 O Delegado da Receita Federal em Sorocaba - SP, através da Decisão de fls 167/168, indeferiu o referido pleito por equívoco do contribuinte quanto à inteligência do parágrafo único do art 6o da Lei Complementar no 07/70 e suas alterações posteriores, excetuadas aquelas perpetradas pelos Decretos-Leis nos 2 445/88 e 2.499/88 Tempestivamente, a empresa apresentou sua manifestação de inconformidade contra a referida decisão às fls 171/175, alegando, em síntese, que o parágrafo único do art 6o da Lei Complementar no 07/70 determinaria uma base de cálculo retroativa da contribuição A autoridade julgadora de primeira instância administrativa, através da Decisão de fls 204/211, indeferiu a reclamação contra o indeferimento do pedido de compensação do PIS, resumindo seu entendimento, nos termos da ementa de fl 204, que se transcreve "Assunto Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração 01/05/1989 a 30/09/1995 Ementa . Base de cálculo e Prazo de Recolhimento "O fato gerador da Contribuição para o PIS é o exercício da atividade empresarial, ou seja, o conjunto de negócios ou operações que dá ensejo ao faturamento O art 6o da Lei Complementar no 7/70 não se refere à base de cálculo, eis que o faturamento de um mês não é grandeza hábil para medir a atividade empresarial de seis meses depois A melhor exegese deste dispositivo é no sentido de a lei regular prazo de recolhimento de tributo" (Acórdão no 202- 10 761 da 2a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, de 08/12/98) SOLICITAÇÃO INDEFERIDA" Cientificada em 06 09 00, o recorrente apresentou em 11 09 00 (fls 213/225), recurso voluntário a este Conselho de Contribuintes, reafirmando e confirmando os 2 Processo n° 10855000499/98-30 Acórdão C SRF/02-01 570 pontos expendidos na peça impugnatória e contestando a decisão de primeira instância e discorrendo seu entendimento no sentido da aplicação do artigo 6o, parágrafo único, da LC n° 07/70." A Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes ao julgar o recurso, protocolizado sob o n° 115 794, decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento ao mesmo em acórdão assim ementado (doc. fls. 241/246) "PIS — SEMESTRALIDADE - BASE DE CÁLCULO — A base de cálculo do PIS, até a edição da MP no 1 212/95, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador (Primeira Seção STJ - REsp n° 144 708 - RS - e CSRF) Aplica-se este entendimento, com base na LC no 07/70, até os fatos geradores ocorridos até 29 de fevereiro de 1996, consoante dispõe o parágrafo único do art. 1 o da IN SRF n° 06, de 19/01/2000 Recurso a que se dá provimento." A Fazenda Nacional apresentou, às fls. 248/253, recurso especial à Câmara de Recursos Fiscais , com base no inciso II, do art 5 0, do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 55/98 Alegou ser a decisão colegiada recorrida divergente da consubstanciada nos Acórdão n° 202-11 107. No recurso especial apresentado, a PGFN protestou pelo reconhecimento do sexto mês versado no parágrafo único, do art 6°, da Lei Complementar n° 07/70, como prazo de recolhimento do PIS A Presidenta da Primeira Câmara do Segundo Conselho de contribuintes, às fls. 263/265, diante da presença dos requisitos legais exigidos, recebeu o recurso interposto pela Fazenda Nacional Às fls 270/277, a empresa interessada apresentou suas contra-razões ao recurso especial apresentado É o relatório 3 Processo n° 10855000499/98-30 Acórdão . CSRF/02-01 570 VOTO Conselheiro-Relator OTACILIO DANTAS CARTAXO O recurso especial cumpre todos os requisitos legais necessários para o seu conhecimento Em relação ao mérito, semestralidade do PIS, afirma a Fazenda Nacional, ora recorrente, que o sexto mês, previsto no art 6°, da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, representa prazo de recolhimento da exação, enquanto que a câmara recorrida e a interessada o defendem como o mês da base de cálculo da contribuição Entretanto, os Colegiados Administrativos já pacificaram o entendimento de que, até o advento da MP n° 1.212/95, o sexto mês versado no artigo 6°, § único, da Lei Complementar 07/70, trata-se da base de cálculo do PIS, e não a prazo de recolhimento Nesse sentido a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou nos Acórdãos CSRF/02-01 028 e CSRF/02-01 016, que assim estão ementados. PIS - LEI COMPLEMENTAR N° 7/70 - SEMESTRALIDADE - Sob o regime da Lei Complementar n° 7/70, o faturamento do sexto mês anterior (semestralidade) ao da ocorrência do fato gerador da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, constitui a base de cálculo da incidência Recurso provido PIS - BASE DE CÁLCULO - SEMESTRALIDADE - LC n° 7/70, Art 6°, PARÁGRAFO ÚNICO - MEDIDA PROVISÓRIA n 1 212/95 Até a edição da Medida Provisória n 1 212/95, a base de cálculo da Contribuição para o PIS, é o faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador Recurso negado Desse modo, considerando também as decisões do Superior Tribunal de Justiça, que também entendem o sexto mês anterior como a base de cálculo do tributo, concluo que nessa matéria não assiste razão a recorrente Para ilustrar, empresto-me da ementa do voto da Exma Sra Ministra do Superior Tribunal de Justiça, Dra. Eliana Calmon, proferido no RE n° 144 708 - Rio Grande do Sul (1997/0058140-3)' "TRIBUTÁRIO — PIS — SEMESTRALIDADE — BASE DE CÁLCULO — CORREÇÃO MONETÁRIA 1 O PIS semestral, estabelecido na LC 07/70, diferente do PIS REPIQUE — art 3°, letra "a" da mesma lei — tem como fato gerador o faturamento mensal 4 Processo n° 10855000499/98-30 Acórdão CSRF/02-01 570 2 Em beneficio do contribuinte, estabeleceu o legislador como base de cálculo, entendendo-se como tal a base numérica sobre a qual incide a aliquota do tributo, o faturamento de seis meses anteriores à ocorrência do fato gerador — art 6°, parágrafo único da LC 07/70 3 A incidência da correção monetária, segundo posição jurisprudencial, só pode ser calculada a partir do fato gerador 4 Corrigir-se a base cálculo do PIS é prática que não se alinha à previsão da lei à posição da jurisprudência Recurso especial improvido " Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional Sala das Sessões-DF, em 27 de janeiro de 2004 \‘\' OTACILIO DANT • . CARTAXO 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10935.003452/2003-15
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL.
AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR.
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.195
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial provido em parte. A0 '1;1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso. Processo n° 10935.003452/2003-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.195 Fl. 2 CARLO • • L •1 REITAS •• ARRETO — Presidente , 11,\\ n Wi JULIO IS • -n1 IEIRA GOM 1 S — Relator EDITADO EM: d 8 $ET É U9 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão no qual decidiu-se pela exclusão da base de cálculo do ITR da área do imóvel de correspondente à reserva legal, ainda que à época dos fato gerador não houvesse sua averbação do registro de imóveis e que não incide ITR sobre a área do imóvel destinada à preservação ambiental permanente, ainda que não informada em ato declaratório ambiental ou informada intempestivamente. Alega o ilustre representante da Fazenda Nacional que o acórdão diverge da tese prevalente em outra turma deste Conselho que reconheceu a contrariedade à legislação tributária. Ao prover o recurso voluntário, o acórdão recorrido acabou por malferir o art. 10, § 4°, inciso I, da IN/SRF N° 43/1997, que disciplinou a Lei 9.393/96, com a redação dada pela IN/SRF N° 67/97 e ofender o artigo 111 e 114, ambos do CTN. E continua: a) A exigência existe desde a Lei n° 6.938, de 31/08/1981 com a redação dada pela Lei n° 10.165/2000, reiterando-se os termos da supracitada instrução normativa; b) A exigência alinha-se com a norma que consagrou o beneficio, servindo como meio para comprovação da área alcançada; c) A declaração evita que o direito seja comprovado por meios mais gravosos e dispendiosos, como a nomeação de peritos; e d) Não se discute a materialidade, isto é, ser ou não a área de preservação permanente ou reserva legal, mas apenas o descumprimento de exigência essencial para que se valha do direito legal ao beneficio tributário, sempre interpretado literalmente. Em contra-razões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. É o relatório. 2 Processo n° 10935.003452/2003-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.195 Fl. 3 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Uma vez atendidos os pressupostos para admissibilidade conheço do recurso e passo ao seu exame. Devolve-se a esta Câmara Superior de Reanisos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1 — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei n° 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n° 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o 2°, com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16. § 1° C\)7 2°. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área." Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro 3 Processo n° 10935.003452/2003-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.195 Fl. 4 no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303- 34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v.g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fux e o RMS 18301 / MG, Min. João Otávio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação administrativa à propriedade rural. Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a área de reserva e averbá-la junto ao órgão competente). Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo. São Paulo. Atlas. 2003. 15 a ed., p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas com fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social. (destaquei) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa", que exclui as áreas submetidas à restrição do pagamento do ITR. 1' Com as devidas vênias, portanto, não me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e só: Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65 (Código Florestal) (.) De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero ato de averbaçâ'o, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da área, e que cumpre a finalidade específica de dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado 4 Processo n° 10935.003452/2003-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.195 Fl. 5 pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declaratório do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive à administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário no 127.562, de lavra do i. Conselheiro Zenaldo Loibman) É uma peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental. É a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a área de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da área eleita pelo proprietário/possuidor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição firmou-se a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: •Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis: (.) IV - as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. 5 Processo n° 10935.003452/2003-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.195 Fl. 6 A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23.370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA: 1 - Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva legal: A "reserva legal", prevista no art. 16, § 2° do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf. L. 1 8.629/93, art. 10, IV),sem que esteja identificada na sua averbaçêío (v.g MS 22.688) Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento jurisprudencial na Excelsa Corte, trago à colação o MS 25186 / DF, Tribunal Pleno, de relatoria do Ministro Carlos Brito, publicado no DJ de 02/03/2007: Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Precedente: MS 22.688. Peço licença para transcrever novamente outro trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado: Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pré-definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. 6 Processo n° 10935.003452/2003-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.195 Fl. 7 Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexiste área a proteger, apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção. Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28.156/DF, de 02/03/2007). Por fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Quanto às exigências relacionadas à reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do ITR da área ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo. A outra divergência é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental - ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tem-se o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II (.) — área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; 7 Processo n° 10935.003452/2003-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.195 Fl. 8 Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. § 1° A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIA 7', e a distribuição das áreas, à situação existente em 1 0 de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. (.) § 3 0 São áreas de utilização limitada: § 40 As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declarató rio do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declarató rio junto ao IBAMA; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo 'BAILIA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. (.)9 Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama. Sendo que para o exercício de 1998, o prazo se expirou em 31/05/1999, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/1998, que foi 30/11/1998, conforme Instrução Normativa SRF n° 136, de 20/11/1998. A questão é saber se tal regra, veiculada por, instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. Dei fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; 8 Processo n° 10935.003452/2003-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.195 Fl. 9 Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do beneficio de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Art. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulaç 'à o. Art. 150 (..) § 6. 0 Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especifica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.°, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: IV - a fixação de aliquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; 9 Processo n° 10935.003452/2003-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.195 Fl. 10 Reitero que a delegação através da expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" cinge-se às verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o IBAMA. E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela específica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental — ADA não é impedido para o gozo da isenção; caso distinto da exigência de averbação, que é requisito para constituição da área de reserva legal. Em razão do exposto, entendo que deve ser incluído na base de cálculo do 1TR o valor correspondente à,reserva legal e excluído o valor correspondente à área de preservação permanente. I Julio C: 4,,,' 't ie Gomes - Relator 1 , I 10
score : 1.0
Numero do processo: 10680.007678/2006-69
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
COISA JULGADA. CSLL. LEI 7.689/88. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA - RECURSO ESPECIAL Nº 1.118.893 - MG. OBSERVÂNCIA.
De acordo com as expressas disposições contidas no art. 62-A do Regimento Interno deste CARF, as decisões proferidas pelo Colendo STJ em sede de Recursos Repetivos (Art. 543-C do CPC) devem ser aqui, então, especificamente reproduzidas.
O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestar-se em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. (Resp nº 1.118.893 - MG)
Numero da decisão: 1301-001.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma acordam, por maioria, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade da autuação promovida e, assim, a sua efetiva desconstituição. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas.
(Assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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CSLL. LEI 7.689/88. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA RECURSO ESPECIAL Nº 1.118.893 MG. OBSERVÂNCIA. 1. De acordo com as expressas disposições contidas no art. 62A do Regimento Interno deste CARF, as decisões proferidas pelo Colendo STJ em sede de Recursos Repetivos (Art. 543C do CPC) devem ser aqui, então, especificamente reproduzidas. 2. “O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade.” (Resp nº 1.118.893 MG) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por maioria, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade da autuação promovida e, assim, a sua efetiva desconstituição. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 76 78 /2 00 6- 69 Fl. 885DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.007678/200669 Acórdão n.º 1301001.097 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Considerando a adequação dos elementos contidos nos autos com o relatório apresentado pela r. decisão de origem, adoto no que segue: O procedimento fiscal objeto do presente processo teve origem em revisão interna das Declarações da empresa em epígrafe dos exercícios de 1997 a 2005, conforme Registro de Procedimento Fiscal de fls. 01. As fls. 02, consta o Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo e, às fls. 03/18, o Auto de Infração. O Auto de Infração exige um crédito tributário da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL de R$ 312.435,36, incluindo neste montante o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/06/2006. O lançamento decorre de revisão interna levada a efeito nas DIPJ do contribuinte, em que ficou constatada diferença no recolhimento ou de declaração da CSLL devida, apurada pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados, conforme DIPJ e telas das DCTF e SINAL 06 (fls. 15/219). Intimada a justificar o não recolhimento da CSLL pela fiscalização, a contribuinte alegou estar amparada por ação judicial, processo n° 89.00015974, que a teria eximido de recolher a contribuição, ocorrendo trânsito em julgado em 14/08/1992. A fiscalização não considerou tal argumento, tendo em vista que a Lei n° 8.212/91, ao regulamentar a seguridade social, reproduziu a obrigação constitucional das empresas contribuírem para a seguridade social com base no lucro. Com isto, a contribuinte ficou desprotegida em relação ao objeto da ação judicial. Como enquadramento legal, além da Lei n° 8.212/91, foram citados o artigo 889, incisos I, III e IV, RIR194, e o artigo 841, incisos I, III e IV, do RIR/99. Cientificada do lançameto em 29 de setembro de 2006, conforme AR de fls. 354verso, a empresa apresentou impugnação de fls. 355/379, acompanhada dos documentos de fls. 380/399. DECADÊNCIA Preliminarmente, a impugnante alega que grande parte do crédito tributário estaria extinto, tendo em vista o decurso do prazo de decadência, disposto no artigo 150, § 40, do CTN. Por isto, sustenta: "11.Assim uma vez que a formalização do lançamento, realizada através da ciência do contribuinte da existência dos créditos ora discutidos, ocorreu somente aos 29/09/2006, temse que todos os créditos com fatos geradores anteriores a 29/09/2001 se encontram definitivamente extintos, por força da homologação tácita disposta pelo art. 150 s54 do CIN. Ressaltese ainda, nesse ponto, que ao contrário do alegado pela autoridade fiscal em outras oportunidades, não tem aplicação, no caso da CSLL, o Fl. 887DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 4 prazo disposto pelo art. 45 da Lei 8.212/91, tendo em vista que, conforme já disposto, lei ordinária não pode instituir prazo de decadência em matéria tributária, consoante com a previsão constitucional do art. 146, III da CF/88." MÉRITO Com relação ao lançamento, a empresa sustenta que não poderia ser autuada por estar amparada por decisão judicial transitada em julgado, argumentando: "29.A referida autuação, segundo entendimento fiscal, teve como pressuposto a falta de recolhimento da CSLL. Entende o Fisco, "data vênia" equivocadamente, que decisão transitada em julgado que tenha declarado a inconstitucionalidade da CSLL favorece o contribuinte somente nos limites das questões decididas, não fazendo coisa julgada em relação a exercícios posteriores. 30.Entende, ainda, que nada impede que uma lei nova, tratando da mesma matéria e corrigindo falhas da anterior, entre no ordenamento jurídico, sem características inconstitucionais. 31.Entretanto, totalmente equivocado tal procedimento fiscal, devendo ser reformado o acórdão recorrido, senão vejamos. 32.O Sr. Auditor Fiscal, no exercício de suas funções, informa que teria ocorrido a falta de recolhimento da CSLL desde o anocalendário de 1992, por entender, a empresa ora impugnante, estar amparada por força de uma sentença judicial transitada em julgado, que declarou inconstitucional a Lei n° 7.689/88, obtida na Ação Ordinária por ela ajuizada contra a ora União federal (processo judicial n° 89.00015974). 33.De fato, a referida ação ordinária foi proposta pela Impugnante perante a 18" Vara da Justiça Federal de Minas Gerais, sendo a mesma julgada procedente em primeira instância e confirmada nas instâncias posteriores pelo Tribunal Regional Federal da 1" Região, conforme comprovam os documentos anexos. 34. Tendo sido negado seguimento ao Recurso Extraordinário interposto pela União Federal, o acórdão favorável à impugnante transitou em julgado aos 14/08/92. 35.Embora a impugnante esteja amparada pelos efeitos da coisa julgada, que reconheceu seu direito de não recolher a Contribuição Social sobre o Lucro, com base na Lei 7.689/88, declarando "incidenter tantum" sua inconstitucionalidade, contra a mesma foi constituído o presente lançamento. 36 Frisese, estava a empresa ora Requerente amparada por sentença judicial transitada em julgado, obtida em ação ordinária, que declarou incidentalmente a inconstitucionalidade da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988. 46.No entanto, no caso em tela não foi proposta Ação Revisional e nem Ação Rescisória, prevalecendo, dessa forma, a coisa julgada favorável à ora impugnante, que a desobriga ao recolhimento da CSLL. 54. Ora, o fato da inconstitucionalidade de determinada lei não ter sido declarada por meio de controle concentrado (ADIN), não significa que a sentença não faça coisa julgada entre as partes. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.007678/200669 Acórdão n.º 1301001.097 S1C3T1 Fl. 4 5 55.Essa é a peculiaridade própria da declaração de inconstitucionalidade "incidenter tantum": fazer coisa julgada entre as partes no limite dos contornos da lide. O que a difere da declaração de inconstitucionalidade posta através da Adin, é que a mesma não faz coisa julgada apenas entre as partes, mas tem efeito "erga omnes". 56. Ora, ainda que a verificação da inconstitucionalidade de lei tenha sido feita através do controle difuso, a referida inconstitucionalidade foi verificada e atacada na decisão, ainda que o tenha sido feito incidentalmente, devendo, por isso, fazer coisa julgada entre as partes. 63.Posta essas considerações, há que se registrar que não pode lei superveniente — "in casu" a Lei 8.212/91 —jogar por terra a eficácia da coisa julgada adquirida entre o fisco e a empresa ora impugnante. 64.Isto porque a mencionada lei veio trazer ao mundo jurídico as mesmas impropriedades contidas na Lei 7.689/88, contendo o mesmo caráter inconstitucional já declarado. Dessa forma, a cobrança a Contribuição Social sobre o Lucro, com base nesse novo instrumento normativo, fere de morte o princípio da coisa julgada. Advirta se que: "A eficácia da sentença declaratória perdura enquanto estiver em vigor a lei em que se fundamentou, interpretandoa". (RSTJ 8/341) E a Lei 7.689/88 continua em vigor!" Cita pareceres de doutrinadores e Acórdão do Tribunal Regional Federal para consubstanciar sua tese. MULTA DE MORA E JUROS SELIC A impugnante, considerando o princípio da eventualidade processual, requer : "67. no caso remotíssimo de manterse as autuações, então dela é precisão excluir a correção monetária, os juros e a multa de mora, pois a empresa, ao não recolher a contribuição social sobre o lucro, agiu amparada por decisão judicial transitada em julgado. De aplicarse, na hipótese, o parágrafo único do artigo 100 do CTN. Argumenta que admitirse raciocínio jurídico que leve a penalização do contribuinte, em circunstâncias como as descritas, de agir de acordo com decisão judicial transitada em julgado, seria expungir do ordenamento jurídico nacional o sagrado princípio da boa fé. Acrescenta que o artigo 63 da Lei n° 9.430/96, cuida de excluir, expressamente, a multa de oficio na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, que é o caso dos autos. E mais, o artigo 17 da Lei n° 9.779/99, modificada pela MP n° 1.807, de 19/01/99, hoje MP n° 2.03723, de 26/10/2000, cuida, do mesmo modo, de excluir a multa e os juros de mora, no caso de pagamento de tributo que tenha sido declarado, posteriormente, constitucional pelo STF. Com relação exclusivamente aos juros SELIC, alegando sua inconstitucionalidade, citando decisão da r Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ neste sentido, propugna por sua exclusão do crédito tributário apurado. Finalizando, requer: Fl. 889DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 6 a extinção dos créditos de CSLL com fatos geradores anteriores a 29/09/2001, tendo em vista o decurso do prazo decadencial de que trata o art. 150, § 4 0, do CTN; no mérito, após análise da sua impugnação, a anulação do crédito tributário; se ultrapassado o mérito, a exclusão da taxa SELIC e da multa de mora. Debruçandose a respeito dos argumentos expendidos pela contribuinte, manifestouse a DRJ de origem pela PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO, em acórdão então assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005. Contribuições. Prazo Decadencial. Decisão STF. Súmula Vinculante. Declarada através de Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que estabeleciam o prazo decadencial de 10 anos para a exigência da CSLL, aplicase o CTN para considerar extintos os créditos não exigidos no prazo de 05 anos. Declaração de Inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/88 Limites Objetivos da Coisa Julgada. O trânsito em julgado da decisão que tiver desobrigado o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei n° 7.689, de 1988, não impede que a contribuição se torne novamente exigível com base em norma legal superveniente. A Lei n° 8.212, de 1991, por si só, legitima a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro. Legalidade e Constitucionalidade. Competência das Autoridades Administrativas. O julgador da esfera administrativa deve se limitar a aplicar a legislação vigente. Por disposição constitucional, compete privativamente ao Poder Judiciário apreciar questionamentos relativos à constitucionalidade ou à validade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Lançamento Procedente em Parte Regularmente intimada a contribuinte no dia 03/04/2009, foi por ela então interposto o competente Recurso Voluntário – no dia 04/05/2009 , aduzindo, para tanto, as seguintes razões: a) A Decadência em relação ao 4o trimestre do anocalendário de 2000; b) Invalidade da exigência da CSLL nos períodos apontados, por ofensa à coisa julgada. E a inaplicabilidade da Lei 8.212/91 como supedâneo para a cobrança da contribuição apontada; c) A inaplicabilidade de multa e juros pela cobrança perpetrada. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.007678/200669 Acórdão n.º 1301001.097 S1C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso interposto, dele conheço. Conforme apontado no relatório, o ponto central da discussão havida nos presentes autos, de fato, referese – em primeira plana à identificação do alcance da coisa julgada anteriormente formada em favor do contribuinte, em decorrência do julgamento proferido nos autos da Ação Ordinária n° 89.00.015974, onde, por meio dos instrumentos de controle difuso de constitucionalidade, teria chegado ao fim a discussão a respeito da validade dos termos da Lei 7.689/88, estando, assim, inatingida a referida decisão até os dias atuais. O tema, de fato, há muito vem sendo debatido no âmbito das lides administrativas e judiciais tributárias, destacandose, a esse respeito, o entendimento fazendário no sentido de que, a partir da invocação da aplicação das disposições da Súmula 239 do STF, e, por vezes, com espeque no Art. 471, I do CPC, sustentase a inaplicabilidade do julgado contra os períodos posteriores, a partir da existência de novos diplomas legislativos que passaram a reger a matéria, superando, assim, as disposições daquela referida norma originária. Da jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, inclusive, destacam se relevantes pronunciamentos, trilhando, naquelas oportunidades, o exato caminho perfilhado pelos agentes da Fazenda Pública, donde se extrai, a título de exemplo, inclusive, arestos como o seguinte: Nº Recurso 161515 Número do Processo 13884.003538/9997 Órgão Julgador Terceira Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes Contribuinte NESLIP S A Tipo do Recurso Recurso Voluntário Negado Provimento Por Maioria Data da Sessão 27/05/2008 Relator(a) Antônio Bezerra Neto Nº Acórdão 10323456 Tributo / Matéria CSL auto eletrônico (exceto glosa compens. bases negativas) Decisão Por maioria de votos, negaram provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Barbosa Jaguaribe e Cheryl Berno Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1992 Ementa: RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE COISA JULGADA – EFEITOS – LIMITES RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUADA Havendo decisão judicial declarando a inconstitucionalidade da Contribuição Social sobre o Lucro instituída pela Lei nº 7689/88, a coisa julgada é abalada quando é alterado o estado de fato ou de direito, nos termos do art. 471, I, do CPC, configurado, por exemplo, por superveniente alteração legislativa na norma impugnada. MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIO Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1º CC nº 2). Publicado no D.O.U. nº 170 de 03/09/08. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 8 A partir de pronunciamentos como este, verificase, assim formouse o entendimento desta casa a respeito do assunto, sustentando, então, a inoponibilidade da coisa julgada nos casos analisados, tendo em vista a existência de diplomas legislativos posteriores que, a princípio, não se teriam tratado no julgado referenciado. Ocorre que, a par dessas considerações, a questão aqui apontada fora já, em tempos recentes, especificamente analisada pelo Superior Tribunal de Justiça, verificandose, entretanto, a consolidação do entendimento jurisprudencial em termos diversos daqueles até então propalados, destacandose dos arestos colhidos do Colendo pretório, o entendimento manifestado em recente julgado sob a sistemática dos chamados RECURSOS REPETITIVOS, onde assim restou reconhecido: RECURSO ESPECIAL Nº 1.118.893 MG (2009/00111359) RELATOR : MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA RECORRENTE : ALE DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA ADVOGADO : JOSE MARCIO DINIZ FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestou se, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em Fl. 892DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.007678/200669 Acórdão n.º 1301001.097 S1C3T1 Fl. 6 9 relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Cesar Asfor Rocha, Hamilton Carvalhido e Castro Meira votaram com o Sr. Ministro Relator. Sustentaram, oralmente, os Drs. Jose Marcio Diniz Filho, pela recorrente, e Alexandra Maria Carvalho Carneiro, pela recorrida. Brasília (DF), 23 de março de 2011(data do julgamento) MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA Relator A partir dos termos constantes neste julgado, verificase que, no âmbito do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA encontrase pacificada a questão tratada nestes autos, reconhecendo, na espécie, a efetiva ofensa à coisa julgada, nas hipóteses em que a decisão obtida pelo contribuinte reconhecendo a inconstitucionalidade incidenter tantum da exigência da CSLL originalmente, pelas disposições da Lei 7689/88 , sejalhe exigida, agora, com a simples referência à existência de diplomas normativos posteriores que rejam a matéria. Na hipótese tratada nos autos, a inconstitucionalidade reconhecida em favor do contribuinte expressamente reconheceu, naquela hipótese, a ofensa às disposições constitucionais, restando, inclusive, assim expressamente vazada: “Em suma, , para aumentar a sua arrecadação, instituiu a União Federal uma exação formalmente denominada "contribuição social", não delegou a sua exigência e arrecadação a entidade diversa do Estado, encarregada de prover a seguridade social, e, conquanto diga a Lei no 7.689/88 que a contribuição destina se ao financiamento da seguridade social, não cria a referida Lei qualquer mecanismo que assegure a efetiva aplicação, na seguridade social, dos tais recursos arrecadados, de tal forma a assegurar, a cada área da Previdência Social, "a gestão de seus recursos", tal como exige o art. 195, 22, da Constituição Federal. Criouse, assim, um autêntico imposto, nominado de "contribuição social", viciado de inconstitucionalidade, por inobservado o art. 154, I, da Constituição Federal. (...) Fl. 893DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 10 Face a todo o exposto, e especialmente pelos motivos constantes do item V da presente sentença, julgo procedente a ação, para declarar inexistente relação jurídica, entre autora(s) e re, que a(s) obrigue ao recolhimento da contribuição social instituida pela Medida Provisória no 22/88 e Lei no 7.689/88.” Destarte, perfeitamente presentes se verificam as circunstâncias necessárias para o reconhecimento, nesta oportunidade, da efetiva ocorrência de ofensa à coisa julgada, a teor, inclusive, do que atualmente expressamente se verifica no atual e pacífico entendimento jurisprudencial, devendo, assim, ser então aqui devidamente observado, nos termos, inclusive, expressamente determinados pelas disposições do Art. 62A do Regimento Interno do CARF, que, sobre o assunto, assim expressamente aponta: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” A par dessas considerações, insta ainda destacar que, não fosse esse o fundamento específico da completa e total invalidade do lançamento efetivado, melhor sorte não assiste à pretensão de substituição dos fundamentos do lançamento com a pretensa aplicação das disposições da Lei 8.212./91, uma vez que tal dispositivo, ao contrário do que pretende fazer crer a r. decisão de origem, não substituiu as disposições da Lei 7.689/88, a ela apenas fazendo referências em suas disposições, de forma a não garantir, in casu, a validade da cobrança. Assim sendo, acolho as razões apresentadas pela Recorrente, concluindo pela PROCEDÊNCIA do Recurso Voluntário, reconhecendo, na espécie, a nulidade da autuação promovida e, assim, a sua efetiva desconstituição. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 894DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 05/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000351/2006-74
Data da sessão: Fri Apr 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Apr 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS ODONTOLÓGICAS. GLOSA.
O contribuinte que apresentou recibos considerados inidâneos deve fazer a contraprova do pagamento e da prestação do serviço.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente não é suficiente para continuar a prestação dos serviços e os respectivos pagamentos.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.493
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Alexandre Naoki Nishioka
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GLOSA. O contribuinte que apresentou recibos considerados inidâneos deve fazer a contraprova do pagamento e da prestação do serviço. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente não é suficiente para continuar a prestação dos serviços e os respectivos pagamentos. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do RelaTor.,, i \ .1/4 .. I CAIO MARCOS CÂNDIDO Presidente ('--------, / 1 1 ) ; 1:1 '' Vi' / ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator EDITADO EM: 1 O MAI 2010 1 Processo n° 10825.000351/2006-74 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.493 Fl. 94 Participaram, ainda, do julgamento, os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 83/88) interposto em 20 de outubro de 2008, contra o acórdão de fls. 73/78, do qual o Recorrente teve ciência em 19 de setembro de 2008 (fl. 82), proferido pela zla Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 03/05, lavrado em 09 de fevereiro de 2006, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas para efeitos de apuração do LRPF, verificada no ano-calendário de 2002. A Recorrida julgou procedente o lançamento, por meio de acórdão que teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte •. está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Havendo dúvidas quanto à regularidade das deduções, cabe ao contribuinte o ônus da prova. Lançamento Procedente" (fl. 73). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 83/88, afirmando inexistirem razões para rejeitar os recibos apresentados, pois gozam de presunção de veracidade e autenticidade, trazendo legislação que supostamente o dispensa de apresentar outro meio de prova senão o recibo. Ademais, aproveitou para juntar declaração emitida e demais documentos que atestariam os serviços prestados. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOK1 NISHIOKA, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo ual dele conheço. 2 Processo n° 10825.000351/2006-74 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.493 Fl. 95 No que se refere à glosa de despesas odontológicas, a controvérsia gira em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços odontológicos, bem como dos respectivos pagamentos, no caso, em dinheiro. Em relação à glosa dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: "Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I — de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II — das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; — §2°. O disposto na alínea 'a' do inciso II: I — aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; — restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III — limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas — CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes — CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a - juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n.° 5.844, de 1.943, art. § 3°). § 1'. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei n.° 5.844, de 1943, art. 11, § 4°)." Discute-se, no presente caso, apenas e tão-somente a glosa de despesas• odontológicas com a dentista Suzi Akiko Araki, uma vez que o crédito tributário decorrente das despesas com a Sra. Gracia Maria Hosken Soares Pinto foi transferido para o 1') , cesso 10825.000768/2006-37 (fl. 70). 3 Processo n° 1 0825.000351/2006-74 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.493 Fl. 96 Cumpre, portanto, verificar se os documentos de fls. 28 a 33 (recibos), 89 (declaração da dentista) e 90 (ficha odontológica) são suficientes para comprovar as despesas glosadas. Inicialmente, necessário se faz esclarecer que uma das profissionais que supostamente teria prestado serviços ao Recorrente teve seus recibos declarados inidôneos por meio de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz. No que se refere especificamente à dentista Suzy Akiko Araki, os documentos juntados pelo Recorrente são conflitantes. Efetivamente, a declaração de fl. 89 se refere ao ano-calendário 2001, enquanto que os recibos de fls. 28 a 33 e a ficha de fl. 90 dizem respeito ao ano-calendário 2002. Esses fatos, aliados à circunstância de que o Recorrente não comprovou os pagamentos em dinheiro, o que poderia ser feito pela juntada de cópia de extratos bancários que comprovassem saques em espécie, levam à conclusão de que nem a prestação nem os respectivos pagamentos foram provados pelo Recorrente. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões-DF, em 16 de abril de 201-0 , Alexan re Naoki is lo V. 4
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913105/2009-19
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005
IRRF. REMESSAS AO EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA E ALÍQUOTA.
A prestação de serviços de consultoria e assessoria caracteriza assistência administrativa e semelhante de que trata o § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000. A partir de 1º de janeiro de 2002 (vigência da Lei nº 10.332, de 2001), com a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), a remuneração pela prestação de tais serviços passou a ser tributada pelo imposto de renda à alíquota de 15%.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
Constatando-se o recolhimento do imposto com aplicação de alíquota maior que a devida, cabível a respectiva restituição/compensação, pleiteada por meio de PER/DCOMP.
Numero da decisão: 2201-001.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. O Conselheiro Gustavo Lian Haddad declarou-se impedido. Fez sustentação oral o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB 24259/DF.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2005 IRRF. REMESSAS AO EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA E ALÍQUOTA. A prestação de serviços de consultoria e assessoria caracteriza assistência administrativa e semelhante de que trata o § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000. A partir de 1º de janeiro de 2002 (vigência da Lei nº 10.332, de 2001), com a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), a remuneração pela prestação de tais serviços passou a ser tributada pelo imposto de renda à alíquota de 15%. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Constatando-se o recolhimento do imposto com aplicação de alíquota maior que a devida, cabível a respectiva restituição/compensação, pleiteada por meio de PER/DCOMP.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1861; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.913105/200919 Recurso nº 517.666 Voluntário Acórdão nº 2201001.813 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2012 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente ARCELORMITTAL INOX BRASIL S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2005 IRRF. REMESSAS AO EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA E ALÍQUOTA. A prestação de serviços de consultoria e assessoria caracteriza assistência administrativa e semelhante de que trata o § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000. A partir de 1º de janeiro de 2002 (vigência da Lei nº 10.332, de 2001), com a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), a remuneração pela prestação de tais serviços passou a ser tributada pelo imposto de renda à alíquota de 15%. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Constatandose o recolhimento do imposto com aplicação de alíquota maior que a devida, cabível a respectiva restituição/compensação, pleiteada por meio de PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. O Conselheiro Gustavo Lian Haddad declarouse impedido. Fez sustentação oral o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB 24259/DF. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 31 05 /2 00 9- 19 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Arcelormittal Inox Brasil S.A recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 3a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, que manteve o indeferimento do pedido efetuado por meio da Declaração de Compensação – DCOMP, mediante utilização do "Pagamento Indevido/a Maior" de IRRF no valor de R$ 9.079,67. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG, por meio do Despacho Decisório n° 831219795, fl. 35, não homologou a compensação sob o seguinte argumento: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não estando crédito disponível para compensação dos créditos informados na PER/DCOMP. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: 4.2 "No presente caso, a simples análise da DCTF original não é capaz de demonstrar de forma clara a existência de crédito disponível à compensação". Acrescenta que "o valor total recolhido é idêntico ao montante do débito apurado quando da transmissão da declaração original. Assim, o crédito efetivo decorre de apuração contábil, não podendo obstar o direito à compensação, meros erros formais de preenchimento da DCTF ou da PER/DCOMP". Invoca o art. 165 do CTN e transcreve texto de Ives Gandra. 4.3 Esclarece que "inicialmente, a requerente apurou, a título de Imposto de Renda retido na fonte, débito no montante de R$ 19.294,31, e efetuou o recolhimento com DARF de mesmo valor. Tais dados foram informados na DCTF original." 4.3.1 Acrescenta que posteriormente constatou que "vários contratos internacionais foram firmados aplicandose a alíquota de 25% para o imposto de renda", todavia, "vários destes contratos referemse a transferência de tecnologia, pagamento de serviços de assistência técnica e mão de obra e semelhantes, juros e comissões e demais rendimentos' , Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.913105/200919 Acórdão n.º 2201001.813 S2C2T1 Fl. 3 3 4.3.1.1 Argumenta que restes casos, a alíquota de retenção do IR é de 15%, de modo que, o recolhimento com base na alíquota de 25% foi efetuado em valor maior que o devido. Cita o MAFON/2008 (Manual de Imposto de Renda na Fonte) em amparo de seus argumentos. 4.3.2 Entretanto, menciona que, apesar de identificado o erro cometido, não retificou a DCTF correspondente, permitindo ao fisco a identificação do indébito. Alega a "boafé da requerente" ao retificar posteriormente esta declaração, "com a liberação do crédito contido no DARF mencionado". Em amparo de suas alegações anexa a DCTF retificada em 13/03/2009, planilhas demonstrativas, comprovante de pagamento e contrato de câmbio e outros documentos, todos anexados às fls. 46 a 95. 4.4. Por fim, requer a procedência da manifestação de inconformidade, com o reconhecimento da insubsistência do Despacho Decisório e a homologação da compensação em litígio neste processo. A 3a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG acompanhou o entendimento da Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte e julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme se observa da transcrição das ementas abaixo: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL As informações prestadas pelo sujeito passivo, até prova em contrário, são consideradas verdadeiras, e não podem ser desconsideradas mediante simples alegações; para que estas informações sejam alteradas, dando origem a um indébito, deverá o contribuinte comprovar inequivocamente o alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 09/11/2009 (fl. 111), Arcelormittal Inox Brasil S.A apresenta Recurso Voluntário em 09/12/2009 (fls. 112 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 138DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, o litígio se deve à não homologação de DCOMP, transmitida em 31/08/2005, na qual a contribuinte pleiteou a compensação de um débito de IRPJ no valor original de R$ 11.127,13, com crédito original de R$ 9.079,67 de IRRF, decorrente de valor pago a maior contido em um Darf de R$ 19.294,31, quitado em 23/03/2004. Relativamente à argüição de nulidade posta em sua peça recursal entendo, pois, que em homenagem aos princípios da finalidade, da ausência de prejuízo, da economia processual e da celeridade, quando for possível decidirse do mérito em favor da parte suscitante, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta, tal qual previsto no § 3° do art. 59 do Decreto 70.235/1972: Art. 59 ........... § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Assim, diante da possibilidade de decisão favorável à parte suscitante, deixo de apreciar as preliminares argüidas, com amparo na regra processual inserida no § 3° do art. 59 do Decreto 70.235/1972. Em sua peça recursal alega a recorrente que recolheu o imposto de renda sobre prestação de serviços no exterior utilizando a alíquota de 25%. Entretanto, o serviço prestado se refere à assistência técnica com transferência de tecnologia e semelhantes. Neste caso, o Manual de Retenção na Fonte da Receita Federal do Brasil Mafon/2008, determina que a alíquota a ser aplicada é de 15%. Portanto, a diferença paga a maior constitui um crédito a ser compensado. Pois bem, a controvérsia se restringe, conforme se observa da decisão recorrida, na alíquota aplicável ao cálculo do imposto devido sobre remessa de recursos para pagamento de serviços prestados no exterior, ou seja, se 15% ou 25%. De início, impende transcrever a legislação aplicável ao tema. O Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3000, de 26 de março de1999 – RIR/99, na alínea “a” do inciso II do artigo 685, consagra: Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7º e 8º): (...) II à alíquota de vinte e cinco por cento: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.913105/200919 Acórdão n.º 2201001.813 S2C2T1 Fl. 4 5 a) os rendimentos do trabalho, com ou sem vínculo empregatício, e os da prestação de serviços; Por sua vez, o artigo 708 do mesmo Regulamento preceitua: Art. 708. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, à alíquota de vinte e cinco por cento, os rendimentos de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes derivados do Brasil e recebidos por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento e do local e data em que a operação tenha sido contratada, os serviços executados ou a assistência prestada (DecretoLei nº 1.418, de 3 de setembro de 1975, art. 6º, Lei nº 9.249, de 1995, art. 28 e Lei no 9.779, de 1999, art. 7o). Parágrafo único. A retenção do imposto é obrigatória na data do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa dos rendimentos (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100). Na seqüência, a Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000 estabelece: Art. 1º Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (...) § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). (Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) Finalmente, o art. 3º da Medida Provisória nº 2.15970, de 24 de agosto de 2001 determina: Art. 3º Fica reduzida para quinze por cento a alíquota do imposto de renda incidente na fonte sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica, e a título de royalties, de qualquer natureza, a partir do início da cobrança da contribuição instituída pela Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000. Sobreleva citar a Solução de Consulta n° 196, de 14 de Outubro de 2003: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Fl. 140DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 EMENTA: REMESSAS AO EXTERIOR Prestação de Serviços. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, à alíquota de vinte e cinco por cento, os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a beneficiário no exterior pela remuneração de serviços, para cuja execução não dependa de conhecimentos técnicos especializados. (grifei) Depreendese dos excertos legais transcritos que a alíquota utilizada nas remessas para o exterior a título de prestação de serviços em geral é de 25%. Contudo, a Medida Provisória n° 2.15970, de 24 de agosto de 2001, reduziu para 15% a alíquota do imposto de renda sobre as importâncias remetidas ao exterior a título de remuneração de serviços técnicos de assistência técnica e royalties de qualquer natureza. Notese que a redução da alíquota ocorreu a partir do início da cobrança da CIDE, instituída pela Lei n.º 10.168/2000, sendo sua vigência a partir de 1º de janeiro de 2002 (Lei nº 10.332/2001). Portanto, a prestação de serviços técnicos de assistência técnica, administrativa e semelhantes passou a ser tributada pelo imposto de renda à alíquota de 15% e a CIDE de 10%. Feitas as considerações legais aplicáveis à matéria verificase, no caso em apreço, que o contrato de câmbio denominado “Contrato de Cambio de Venda Tipo 04 Transferências Financeiras para o Exterior”, registrado no Banco Central do Brasil, foi assim classificado (fl. 87): Natureza: 489455009590 Descrição: Serv. DivServicos Técnicos Profissionais. Além do mais, a Nota de Débito de fl. 91 discrimina a prestação de serviços como “serviços de consultoria”. Assim sendo, a prestação de serviços de consultoria e assessoria nas áreas de marketing, administrativa, jurídica, trabalhista, de transporte e financeira, caracteriza assistência administrativa e semelhante de que trata o § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000. Neste sentido, a partir de 1º de janeiro de 2002 (vigência da Lei nº 10.332, de 2001), com a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), a remuneração pela prestação de tais serviços passou a ser tributada pelo imposto de renda à alíquota de 15% (Processo de Consulta nº 346/06 SRRF / 8ª Região Fiscal). Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 141DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.913105/200919 Acórdão n.º 2201001.813 S2C2T1 Fl. 5 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10680.913105/200919 Recurso nº: 517.666 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.813. Brasília/DF, 18 de setembro de 2012 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 142DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 19647.012150/2005-10
Data da sessão: Tue Nov 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Nov 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2004
Ementa: EXCLUSÃO — SIMPLES — EFEITOS RETROATIVOS —
Inexistência de violação a qualquer principio tributário ou constitucional no estabelecimento em Ato Declaratório Executivo de que a exclusão do regime simplificado por inobservância do limite estabelecido no artigo 9º, I, da Lei n.° 9317/96 surte efeitos a partir do ano-calendário subseqüente àquele em
que foi ultrapassado o limite.
MULTA DE OFICIO — MULTA REGULAMENTAR
CUMULATIVIDADE Não há qualquer impedimento legal na cobrança
cumulativa da multa de oficio prevista no artigo 44, I, da Lei n.° 9430/96 com a multa regulamentar do artigo 21 da Lei n.° 9317/96.
TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC N° 4. A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custodia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1802-000.241
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Leonardo Lobo de Almeida
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2004 Ementa: EXCLUSÃO — SIMPLES — EFEITOS RETROATIVOS — Inexistência de violação a qualquer principio tributário ou constitucional no estabelecimento em Ato Declaratório Executivo de que a exclusão do regime simplificado por inobservância do limite estabelecido no artigo 9º, I, da Lei n.° 9317/96 surte efeitos a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite. MULTA DE OFICIO — MULTA REGULAMENTAR CUMULATIVIDADE Não há qualquer impedimento legal na cobrança cumulativa da multa de oficio prevista no artigo 44, I, da Lei n.° 9430/96 com a multa regulamentar do artigo 21 da Lei n.° 9317/96. TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC N° 4. A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custodia - SELIC para títulos federais.
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Recorrida 4a Turma - DRJ Recife/PE Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2004 Ementa: EXCLUSÃO — SIMPLES — EFEITOS RETROATIVOS — Inexistência de violação a qualquer principio tributário ou constitucional no estabelecimento em Ato Declaratório Executivo de que a exclusão do regime simplificado por inobservância do limite estabelecido no artigo 9 0, I, da Lei n.° 9317/96 surte efeitos a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite. MULTA DE OFICIO — MULTA REGULAMENTAR CUMULATIVIDADE Não há qualquer impedimento legal na cobrança cumulativa da multa de oficio prevista no artigo 44, I, da Lei n.°9430/96 com a multa regulamentar do artigo 21 da Lei n.° 9317/96. TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC N° 4. A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custodia - SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos d ...velatório e voto que integram o presente julgado_ Presidente - LEONARDO LOBO DE ALMEIDA- Relator 0 A EDITADO EM: u /2; PI I. 1 Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), Leonardo Lobo de Almeida, João Francisco Bianco, José de Oliveira Ferraz Correa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Nelso Kichel (suplente convocado).. 2 Processo n° 19647.012150/2005-10 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.241 Fl 2 Relatório Cuida o presente de procedimento fiscal instaurado para verificação dos recolhimentos fiscais realizados no período de 01/2003 a 12/2003, sendo constatado que no ano-calendário de 2003 o Contribuinte auferiu receita bruta de RS 1.215.105,53, receita esta superior ao limite estabelecido no artigo 2°, II, da Lei n.° 9,317/96, ensejando, assim, a exclusão da empresa do SIMPLES, conforme Ato Declamatório Executivo n,°155, de 02 de dezembro de 2005 (fls. 21). Lavrado o respectivo Termo de Ciência (li s. 23), a empresa apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade (fls. 25/37), sendo esta complementada, ainda no curso do prazo, pela petição de fls. 47151, através das quais se insurge h exclusão do SIMPLES, sob os seguintes fundamentos: - impossibilidade do Ato Declaratório produzir efeitos sobre fatos ocorridos em períodos anteriores a sua edição, em razão do principio da firetroatividade da Lei e das violações constantes dos artigos 105 e 101 do CTN; e - necessidade de aplicação do principio da retroatividade benéfica, em razão das alterações introduzidas pela Medida Provisória n,°275, de 29 de dezembro de 2005, que aumentou o teto de faturamento anual para R$ 2.400.000,00. As fls. 60, foi anexado ao processo administrativo de exclusão do SIMPLES o processo n.° 19647.012,628/2005-01, decorrente da lavratura dos autos de infração de fls. 64 a 104 (IRP.1 — fls. 64/66, PIS — fls. 71/74, CSLL — 79/81, Contribuição para Seguridade Social — fls. 86/88, Contribuição para Seguridade Social INSS — fls. 93/95 e Multa Regulamentar — fls. 102/103), todos decorrentes da constatação de infrações à legislação do SIMPLES, como: (i) diferença entre o valor escriturado e o valor pago (diferença entre as bases de cálculo informadas e as apuradas através do Livro de Apuração de ICMS); (ii) insuficiência de recolhimento (diferença relativa a utilização de percentual inferior ao aplicável sobre a receita bruta declarada) e (iii) multa regulamentar decorrente da falta de comunicação, obrigatória, de seu exclusão do simples. Notificada, a empresa apresentou, tempestivamente, impugnação, através da qual alega, em síntese, que: - nulidade da autuação, por não ter a sua exclusão sido convalidada. Isto porque houve a suspensão do Ato Declaratório ern razão da apresentação de manifestação de inconformidade; - inobservância do principio da irretroatividade, por ter o Ato Declamatório alcançado fatos ocorridos nos anos calendário de 2003 e 2004, o que implicaria na ilegal exigência de IRPT, COFINS, PIS, CSLL e CSS; - ilegalidade da utilização da taxa SELIC como juros moratórios; 3 - impossibilidade da cobrança conjunta da multa isolada com a multa de oficio. A 4' Turma da DRJ/REC, por unanimidade, considerou procedente o lançamento, com base nos seguintes fundamentos: - ausência de contestação por parte do contribuinte quanto ao fato de ter apurado receita bruta superior ao limite legal, sustentando, apenas, a impossibilidade do ato de exclusão de 2005 retroagir a partir de 2004; e aplicação da retroatividade benigna em relação A Medida Provisória n.° 275/2005; que o Ato Declaratório Executivo n,° 155, de 02/12/2005, obedeceu A regra estabelecida no artigo 15, IV, da Lei n.° 9317/96; - que o principio da inetroatividade da lei dirige-se ao poder legislativo, estando a Administração Pública sujeita A observância estrita do principio constitucional da legalidade, cabendo a ela, portanto, apenas aplicar a lei; que desde a edição da Lei n.°9.317/96 o efeito da exclusão para os casos de excesso de receita bruta sempre fbi considerado o primeiro dia do exercício subseqüente ao do ano do excesso; - que a regra contida no artigo 15, IV, visa a cumprir o principio da igualdade, ou seja, a pessoa jurídica que excede o limite de receita bruta e cumpre a legislação comunicando a sua saída do sistema simplificado no ano seguinte; a pessoa jurídica que também excede o limite da receita bruta, porém não comunica sua saída, corno determina a legislação, não poderá ser beneficiado com sua permanência no sistema; - que, de acordo com os artigos 33 e 132 da Lei n..° 11.196/2005, estabelecem que o aumento do limite para enquadramento da pessoa jurídica no SIMPLES só passaram a vigor ar a partir de 01/01/2006; - que o caso da alteração de limite não se enquadra em nenhuma das hipóteses de retroatividade estabelecidas pelo artigo 106 do CTN; - que as infrações constatadas e que ensejaram a lavratura dos Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS não decorrem da exclusão do SIMPLES, sendo apenas a multa regulamentar é decorrente da exclusão do SIMPLES; - quanto à taxa SELIC ressalta que a atividade administrativa é plenamente vinculada, devendo o julgador administrativo limitar seu pronunciamento A legalidade dos atos administrativos trazidos a sua apreciação, não podendo decidir acerca de eventuais vícios dos textos legais e, por força de seu convencimento deixar de aplicá-los; - que a multa regulamentar lançada decorreu de ter o contribuinte deixado de comunicar sua exclusão do SIMPLES, tendo a falta de comunicação ensej ado a aplicação de multa correspondentes a 10% do total dos impostos e contribuições devidos pelo regime simplificado no mês de dezembro de 2003; e - já a multa de oficio, tern corno fundamento o artigo 44, I, da Lei n.° 9340/96, c.c. artigo 19 da Lei n.° 9317/96, tendo como base de cálculo diversa da multa regulamentar. 4 Processo n" 19647 012150/2005-10 SI-TE02 Acendo n 0 1802-00.241 Fl 3 Inconformada a contribuinte, ora recorrente, interpôs recurso voluntário, com os seguintes argumentos: -nulidade da autuação, pois a exigência dos tributos teria de ser precedida da verificação da procedência do processo de exclusão, sendo esta condição sine qua non para autuação; impossibilidade do Ato Declaratório ter efeitos retroativo; - impossibilidade de aplicação simultânea da multa isolada com a multa de oficio quando incidentes sobre a mesma base de cálculo; - que a multa prevista no artigo 21 da Lei n..° 9317/96 é apenas aplicada quando a empresa encontra-se excluída do SIMPLES, o que não ocorreu; e - ilegalidade da utilização da taxa SEL,IC corno juros moratórios. É o relatório Voto Conselheiro Relator LEONARDO LOBO DE ALMEIDA, Relator O recurso é tempestivo e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. De plano, importante esclarecer que os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, COEINS e INSS não são decorrentes da exclusão da empresa do regime simplificado. Tais autos de infração decorreram da constatação, em procedimento fiscal regularmente instaurado, de violações as regras do regime simplificado, como a diferença entre a base de calculo declarada e a apurada através do Livro Registro de Apuração do ICMS e do recolhimento do SIMPLES em aliquotas inferiores as estabelecidas em lei. Observa-se portanto que, na realidade, em razão do procedimento fiscal instaurado é que se verificou ter a empresa ultrapassado o limite legal de faturamento, ensejando, assim, sua exclusão do SIMPLES. Neste sentido, não ha que se falar em qualquer nulidade nas autuações realizadas, Outrossim, no que tange a multa regulamentar, a matéria foi muito bem analisada pela DRJ, vejamos: "No momento da emissão do Ato Declaratório Executivo a contribuinte está na condição de excluída do SIMPLES, havendo a possibilidade da empresa suspender a exclusão através da apresentação da manifestagão de inconfonnidade contra o ato. O Ato Declanuário Executivo é eficaz e surte efeito a partir de sua emissão e publicação, podendo a contribuinte suspender sua exclusão como ocorreu no presente caso. No entanto, a autoridade administrativa desde o momento da emissão do Ato Declaratório Executivo tinha o dever de resguardar o direito da Fazenda Nacional, no presente caso, lavrando o auto de infra cão e constituindo o crédito tributário relativo à multa regulamentar. Caso, haja alteração na exclusão do SIMPLES da empresa esta será considerada nos autos decorrentes. Neste sentido é que a legislação foi alterada para que tanto os ,fatos relacionados com a exclusão da empresa do SIMPLES e os curios decorrentes desta exclusão pudessem compor o mesmo processo e fossem analisados conjuntamente. Nota-se que o simples fato de estar pendente de julgamento manifestação de inconfonnidade apresentada em face do Ato Declaratório Executivo não enseja a nulidade da autuação pela multa regulamentar. Na verdade, como muito bem salientado pela DRJ, caso 6 Processo n° 19647 012150/2005-10 S1-TE02 AcOrdfio n 1802-00.241 Fl 4 venha a ser julgada procedente a manifestação de inconformidade e afastada a exclusão do SIMPLES é que sera afastada a autuação pela multa regulamentar. Restado demonstrado a inexistência de qualquer nulidade As autuações realizadas, passo à análise da impugnação ao Ato Declaratório Executivo, Insurge-se a Recorrente não quanto a sua exclusão do regime simplificado, mas tão somente quanto aos efeitos do Ato Declaratório Executivo n.° 155. Alega que este, datado de 02/12/2005, não poderia retroagir para alcançar fatos anteriores a sua vigência. Todavia, como muito bem ressaltado pela DR.', o Ato Declaratório Executivo n.°I55 cumpre rigorosamente o estabelecido na Lei n.° 9317/96, ou seja, verificado o não cumprimento do limite legal para enquadramento no regime simplificado, a exclusão gerará efeitos a partir do ano-calendário subseqüente. Confira-se: "Art. 12, A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de oficio Art 13.. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica dar-se-6: I — por opção; II — obrigatoriamente, quando.. incorrer em qualquer das situações excludente.s constantes do art. 9"; ultrapassado, no ano-calendário de inicio de atividades, o limite de receita bruta correspondente a R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) multiplicado pelo número de meses de .funcionamento nesse período. (. ) Art. 14. A exclusão dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica il1COITC1' em quaisquer das seguintes hipóteses: I — exclusão obrigatória, na .forma do inciso II e § 2" do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que ¡ratan, os arts. 13 e 14 surtirá efeito: ) IV— a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e lido art, 9",' 7 § 3" A exclusão de oficio dar-se-ti mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo," Dessa forma, em tendo sido constatado pela autoridade fiscal a inobservância do limite estabelecido no artigo 9', I, da Lei a° 9317/96, é imperativo a exclusão da empresa do regime simplificado mediante a expedição de ato declaratório. Os efeitos do ato declaratório, destarte, serão aqueles determinados pela legislação tributária em vigor que, na hipótese, prevê que a exclusão por inobservância do limite surtirá efeitos a partir do ano-calendário subseqüente Aquele em que foi ultrapassado o limite legal. Não há como se vislunuar ern tal disposição qualquer violação aos princípios tributários ou constitucionais vigentes, eis que em sendo o regime simplificado uma forma de beneficiar determinados contribuintes, nada mais justo que afastar daqueles que não cumpram os requisitos legais o beneficio do recolhimento de tributos pelo regime simplificado. Neste mesmo aspecto, não há como se aplicar ao caso os novos limites estabelecidos na Medida Provisória n.° 275. Isto porque as alterações dos limites já havia sido realizada pela Lei n.° 11.196, de 21/11/2005 (artigo 33), que dispõe expressamente que seus efeitos só seriam produzidos a partir de 1° de janeiro de 2006 (artigo 132, IV, "a"). Assim, impossível pretender se retroagir os efeitos da lei para alcançar fatos anteriores a sua vigência. Observa-se, portanto, não haver qualquer ilegalidade no Ato Declaratório Executivo n." 155, eis que a Recorrente não nega ter ultrapassado o limite estabelecido pelo artigo 9 0, I, da Lei n.° 9317/96, bem como por estarem seus efeitos em total consonância com expressa disposição legal. Importante registrar que toda a jurisprudência colacionada pela Recorrente refere-se a hipóteses distintas a do presente, haja vista que cuidam da exclusão do SIMPLES pelo artigo 15, H, que trata da não observância do disposto no artigo 9 0, III a XIX, enquanto o caso dos autos refere-se ao artigo 15, IV, que trata da exclusão por inobservância do artigo 9 0, I, todos da Lei 9317/96. Evidenciada a regularidade do Ato Dedaratório Executivo n.°155, dúvidas não há quanto a aplicação da multa regulamentar, encontrando-se sua cobrança respaldo no artigo 21 da Lei n.° 9317/96, in verbis: "Art. 21. A falta de comunicação, quando obrigatória, da exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES, nos prazos determinados no § 3" do art, 13, sujeitará a pessoa jurídica multa correspondente a 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribui0es devidos de conformidade com o SIMPLES no mês que anteceder o inicio dos efeitos da exclusão, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), insusceptível de tedução." Processo n° 19647 012150/2005-10 SI-TE02 Aminllio n," 1802-00.241 Fl 5 Destaca-se que a referida não multa, ao contrario do alegado pela Recorrente, não possui mesma base de cálculo da multa de oficio . Isto porque esta, conforme estabelece o artigo 44, I, da Lei n.° 9430/96, é calculado "sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição". Ora, percebe-se que, enquanto a multa regulamentar tem corno base de cálculo o valor total dos impostos e contribuições devidos, a multa de oficio é calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. Assim, em sendo verificada a insuficiência de recolhimento de tributos, como no caso, devida é a multa de oficio no percentual de 75%, confonne estabelece o artigo 44, 1, da Lei n.° 9430/96, não havendo qualquer impedimento de sua cobrança ser cumulativa à multa regulamentar prevista no a rtigo 21 da Lei n.°9317/96. Quanta ao cabimento da taxa Selic, deve ser trazida à colação a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes: Súmula I" CC it' 4: A partir de I" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributárias administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplencia, ñ taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Diante do exposto, estando a autuação bem fundamentada e em conformidade com a legislação em vigor, rejeito a preliminar suscitada e, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. /7 Relator LEONARDO LOBO DE ALMEIDA 9
score : 1.0
Numero do processo: 10283.002592/2004-61
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. JULGADOR ASSINOU O MPF COMO INSPETOR DA ALFÂNDEGA. INEXISTÊNCIA
Não há que se falar em nulidade do julgamento de primeira instância quando a autoridade julgadora apenas assinou o MPF autorizando a fiscalização da empresa, sem ter participado da autuação nem dos atos praticados pela fiscalização tendentes à verificação da regularidade fiscal procedida pelo sujeito passivo
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMeNTO DE PARECER JURÍDICO JUNTADO APÓS APRESENTADA A IMPUGNAÇÃO.
No processo administrativo fiscal, a apreciação de qualquer documento juntado após apresentada a impugnação só é autorizada quando preenchida pelo menos uma das condições impostas no §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO DEVOLVIDA À AUTUADA APÓS APRESENTADA A IMPUGNAÇÃO, MAS ANTES DE PROFERIDA DECISÃO EM PrIMEIRA INSTÂNCIA
Não é cabível a alegação de cerceamento do direito de defesa em razão de, à época da apresentação da impugnação, não deter a contribuinte a posse de dos documentos utilizados para fundamentar a autuação, vez que a interessada tinha acesso aos autos e poderia, ainda, apresentar aditamento à impugnação antes de proferida a decisão de primeira instância, juntando os documentos que julgasse cabíveis, formulando requerimento fundamentado que demonstrasse tratar-se a situação de um dos casos do §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72.
ILICITUDE DAS PROVAS QUE FUNDAMENTARAM A AUTUAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
É lícita a prova obtida no cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão expedido pelo Poder Judiciário, em cujo termo de busca e apreensão consta a descrição genérica dos documentos apreendidos, não sendo cabível ao CARF exercer o controle da atividade policial na execução de decisões judiciais.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo ou de alegações genéricas que não apontem expressamente a matéria contestada.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA.
A prova pericial destina-se a firmar o convencimento do julgador, quando houver questões de difícil deslindamento ou quando houver necessidade de esclarecer matérias fáticas não suficientemente aclaradas nos autos, sendo facultado à autoridade julgadora o seu indeferimento por entendê-la desnecessária ao deslinde do litígio.
FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR.
Constatado que a importação foi instruída com documentação falsa, no caso, fatura comercial, é de se considerar que houve importação irregular e fraudulenta, cabendo, por conseguinte, a aplicação da multa regulamentar prevista para esta infração, correspondente ao valor comercial da mercadoria importada, capitulada no inciso I do art. 83 da Lei nº. 4.502/64.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Não havendo prova nos autos suficientes para caracterizar a constituição fraudulenta da pessoa jurídica, descabe o lançamento contra dois estabelecimentos que possuem linhas de produção distintas, ao argumento de constituírem uma única unidade em razão do compartilhamento do espaço físico e da relação de interdependência entre elas, vez que não restou comprovada a responsabilidade solidariedade por uma das hipóteses contempladas no capítulo V do CTN. Tal situação, entretanto, não é causa de nulidade do lançamento, vez que possível separar as infrações cometidas por cada pessoa jurídica, mantendo-se como sujeito passivo da infração apenas aquele a quem se atribui diretamente a responsabilidade pela infração praticada.
Preliminares de nulidade rejeitadas. No mérito, recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-000.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Luís Eduardo Barbieri que, no mérito, negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. JULGADOR ASSINOU O MPF COMO INSPETOR DA ALFÂNDEGA. INEXISTÊNCIA Não há que se falar em nulidade do julgamento de primeira instância quando a autoridade julgadora apenas assinou o MPF autorizando a fiscalização da empresa, sem ter participado da autuação nem dos atos praticados pela fiscalização tendentes à verificação da regularidade fiscal procedida pelo sujeito passivo NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMeNTO DE PARECER JURÍDICO JUNTADO APÓS APRESENTADA A IMPUGNAÇÃO. No processo administrativo fiscal, a apreciação de qualquer documento juntado após apresentada a impugnação só é autorizada quando preenchida pelo menos uma das condições impostas no §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO DEVOLVIDA À AUTUADA APÓS APRESENTADA A IMPUGNAÇÃO, MAS ANTES DE PROFERIDA DECISÃO EM PrIMEIRA INSTÂNCIA Não é cabível a alegação de cerceamento do direito de defesa em razão de, à época da apresentação da impugnação, não deter a contribuinte a posse de dos documentos utilizados para fundamentar a autuação, vez que a interessada tinha acesso aos autos e poderia, ainda, apresentar aditamento à impugnação antes de proferida a decisão de primeira instância, juntando os documentos que julgasse cabíveis, formulando requerimento fundamentado que demonstrasse tratar-se a situação de um dos casos do §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72. ILICITUDE DAS PROVAS QUE FUNDAMENTARAM A AUTUAÇÃO. INEXISTÊNCIA. É lícita a prova obtida no cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão expedido pelo Poder Judiciário, em cujo termo de busca e apreensão consta a descrição genérica dos documentos apreendidos, não sendo cabível ao CARF exercer o controle da atividade policial na execução de decisões judiciais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo ou de alegações genéricas que não apontem expressamente a matéria contestada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. A prova pericial destina-se a firmar o convencimento do julgador, quando houver questões de difícil deslindamento ou quando houver necessidade de esclarecer matérias fáticas não suficientemente aclaradas nos autos, sendo facultado à autoridade julgadora o seu indeferimento por entendê-la desnecessária ao deslinde do litígio. FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. Constatado que a importação foi instruída com documentação falsa, no caso, fatura comercial, é de se considerar que houve importação irregular e fraudulenta, cabendo, por conseguinte, a aplicação da multa regulamentar prevista para esta infração, correspondente ao valor comercial da mercadoria importada, capitulada no inciso I do art. 83 da Lei nº. 4.502/64. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não havendo prova nos autos suficientes para caracterizar a constituição fraudulenta da pessoa jurídica, descabe o lançamento contra dois estabelecimentos que possuem linhas de produção distintas, ao argumento de constituírem uma única unidade em razão do compartilhamento do espaço físico e da relação de interdependência entre elas, vez que não restou comprovada a responsabilidade solidariedade por uma das hipóteses contempladas no capítulo V do CTN. Tal situação, entretanto, não é causa de nulidade do lançamento, vez que possível separar as infrações cometidas por cada pessoa jurídica, mantendo-se como sujeito passivo da infração apenas aquele a quem se atribui diretamente a responsabilidade pela infração praticada. Preliminares de nulidade rejeitadas. No mérito, recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso parcialmente provido.
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Recorrente TCÊ COMÉRCIO E SERVIÇOS EM TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA e SDW SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. JULGADOR ASSINOU O MPF COMO INSPETOR DA ALFÂNDEGA. INEXISTÊNCIA Não há que se falar em nulidade do julgamento de primeira instância quando a autoridade julgadora apenas assinou o MPF autorizando a fiscalização da empresa, sem ter participado da autuação nem dos atos praticados pela fiscalização tendentes à verificação da regularidade fiscal procedida pelo sujeito passivo NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMeNTO DE PARECER JURÍDICO JUNTADO APÓS APRESENTADA A IMPUGNAÇÃO. No processo administrativo fiscal, a apreciação de qualquer documento juntado após apresentada a impugnação só é autorizada quando preenchida pelo menos uma das condições impostas no §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO DEVOLVIDA À AUTUADA APÓS APRESENTADA A IMPUGNAÇÃO, MAS ANTES DE PROFERIDA DECISÃO EM PrIMEIRA INSTÂNCIA Não é cabível a alegação de cerceamento do direito de defesa em razão de, à época da apresentação da impugnação, não deter a contribuinte a posse de dos documentos utilizados para fundamentar a autuação, vez que a interessada tinha acesso aos autos e poderia, ainda, apresentar aditamento à impugnação antes de proferida a decisão de primeira instância, juntando os documentos que julgasse cabíveis, formulando requerimento fundamentado que demonstrasse tratarse a situação de um dos casos do §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 25 92 /2 00 4- 61 Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 ILICITUDE DAS PROVAS QUE FUNDAMENTARAM A AUTUAÇÃO. INEXISTÊNCIA. É lícita a prova obtida no cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão expedido pelo Poder Judiciário, em cujo termo de busca e apreensão consta a descrição genérica dos documentos apreendidos, não sendo cabível ao CARF exercer o controle da atividade policial na execução de decisões judiciais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo ou de alegações genéricas que não apontem expressamente a matéria contestada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. A prova pericial destinase a firmar o convencimento do julgador, quando houver questões de difícil deslindamento ou quando houver necessidade de esclarecer matérias fáticas não suficientemente aclaradas nos autos, sendo facultado à autoridade julgadora o seu indeferimento por entendêla desnecessária ao deslinde do litígio. FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. Constatado que a importação foi instruída com documentação falsa, no caso, fatura comercial, é de se considerar que houve importação irregular e fraudulenta, cabendo, por conseguinte, a aplicação da multa regulamentar prevista para esta infração, correspondente ao valor comercial da mercadoria importada, capitulada no inciso I do art. 83 da Lei nº. 4.502/64. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não havendo prova nos autos suficientes para caracterizar a constituição fraudulenta da pessoa jurídica, descabe o lançamento contra dois estabelecimentos que possuem linhas de produção distintas, ao argumento de constituírem uma única unidade em razão do compartilhamento do espaço físico e da relação de interdependência entre elas, vez que não restou comprovada a responsabilidade solidariedade por uma das hipóteses contempladas no capítulo V do CTN. Tal situação, entretanto, não é causa de nulidade do lançamento, vez que possível separar as infrações cometidas por cada pessoa jurídica, mantendose como sujeito passivo da infração apenas aquele a quem se atribui diretamente a responsabilidade pela infração praticada. Preliminares de nulidade rejeitadas. No mérito, recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Luís Eduardo Barbieri que, Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.394 3 no mérito, negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância, o qual passo a transcrever: “1 AUTUAÇÃO Trata o presente processo de exigência da multa tipificada no artigo 83, caput e inciso 1 da Lei n° 4.502/64 e artigo 1 0, alteração 2, do DecretoLei n° 400/68, regulamentado pelo artigo 463, inciso I do Decreto n° 2.637/98, no valor de R$ 2.187.715,43 (dois milhões cento e oitenta e sete mil setecentos e quinze reais e quarenta e três centavos). 2. Consta do auto de infração que o lançamento efetuado contra as empresas TCÊ Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda., SDW Serviços Empresariais Ltda. e Brazshipping Marítima Ltda. decorreu de ação fiscal onde ficou constatado que as autuadas consumiram e entregaram a consumo produtos de procedência estrangeira importados fraudulentamente, com inúmeras irregularidades. 3. Segundo a fiscalização, a fraude consistiu, principalmente, na falsificação/adulteração de invoices e de conhecimentos de carga e na constituição fraudulenta das duas primeiras entidades acima mencionadas, sendo que as infrações constatadas e provadas nos autos seriam referentes às operações internacionais de comércio exterior realizadas em 1999. 4. Na descrição dos fatos constante da peça de autuação (fls. 02 a 13), a autoridade lançadora apresenta os elementos de fato e de direito que fundamentaram o lançamento objeto do presente processo, a seguir resumidos: Considerações iniciais: a TCÊ e a SDW já foram autuadas, por diversas vezes, por falsificações e adulterações de documentos necessários ao despacho aduaneiro, sendo assim, há muitos procedimentos administrativos, cambiais e criminais contra as mesmas, estando vinculadas ao grupo CCE, que é acusado de fraudar incessantemente o regime ZFM; as simulações, as fraudes e o dolo também estão provados em mais dois esclarecedores Relatórios: o primeiro emitido em 08/08/2003 (fls. 15/20) e o segundo expedido em 13/01/2004 (fls. 37/61), sendo ambos partes integrantes do auto de infração; Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 ficou constatado que as autuadas TCÊ e SDW eram geridas por um mesmo grupo de pessoas e que foram constituídas com a finalidade específica de fraudar o Estado, conforme informações dos citados relatórios, sendo, portanto, tais documentos, imprescindíveis à inteligência dos fatos ocorridos; o esquema ora descortinado continua em atividade, haja vista ter sido aberta uma filial Paulista da SDW em 03/11/03 (fls. 368/369), cuja situação fiscal era "irregular" à época, e que hoje se encontra "regular" (fls. 370), tendo sido alterada em 11/10/2003 a razão social da TCÊ; a matriz da empresa Brazshipping está situada em Vitória/ES (fls. 659/660), sendo que uma de suas filiais se encontra localizada em Manaus (fls. 656/658); que embora a inexistência fática das empresas autuadas TCÊ e SDW já tenha sido comprovada pela Receita Federal e pelo Parquet Federal, e de já ter sido proposta a inaptidão de ambas as "empresas", o grupo investigado teimava em continuar com suas ações à vista do Estado; as alterações processadas nos cadastros e na composição societária das autuadas TCÊ/SDW realizadas na fase das investigações visaram apenas excluir as pessoas físicas envolvidas, em razão das penalidades legais; como paradigma de atuação, a ousadia e a fé na impunidade levavam os fraudadores a falsificar invoices de diversas empresas, inclusive de grupos internacionais conhecidos; para comparar e comprovar os fatos, dentre outras provas, foram juntadas invoices em nome da General Eletric Company que foram falsificadas e adulteradas, fls. 351/354, sendo que as respectivas vias originais/verdadeiras dos documentos internacionais estão anexadas às fls. 355/358; após ser inquirida, a GE Plastics afirmou que não emitiu as faturas internacionais falsificadas, estando comprovadamente demonstrado nos autos que foi a TCÊ/SDW quem o fez; ainda como prova, há uma fatura falsa/adulterada da empresa Samsung ElectroMechanics Co. Ltda., em que o preço da mercadoria foi superfaturado, fls. 362, sendo que a fatura original/verdadeira se encontra às fls. 363 dos autos; os documentos comprobatórios da fraude foram agrupados em jogos, apresentando as invoices falsas, assinaladas com a letra "A", as originais/verdadeiras com a letra "B", o Packing List regular com a letra "C", a DI correlata com a "D" e o conhecimento de carga verdadeiro com a letra "E", conforme resumo esquematizado na tabela às fls. 587; todas as vias falsificadas/adulteradas (identificadas com a letra "A") seguem o modelo tipográfico (fls. 346), não trazendo quaisquer verossimilhanças com as faturas originais/verdadeiras (identificadas com a letra "B"), podendose afirmar, com absoluta certeza, que são falsas todas as faturas que apresentam aquela tipografia gráfica; para comprovar as fraudes, basta se cotejar a invoice "A" (via falsa/adulterada emitida conforme o modelo tipográfico acima citado, que foi utilizada nas operações cambiais e aduaneiras) com a assinalada com a letra "B" (via original/verdadeira emitida pelo exportador) e verificar que as diferenças são "gritantes"; quando da execução do Mandado de Busca e Apreensão n° 2003.45953, ficou constatado que todos os documentos (os falsos e os verdadeiros) estavam arquivados juntos; Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.395 5 o esquema utilizado pelas autuadas segue o mesmo roteiro já identificado em ocorrências anteriores, havendo a participação de outras empresas do grupo, sempre com o intuito de fraudar os cofres públicos, e ainda, com a atuação do mesmo grupo de pessoas físicas, sócias em várias indústrias importadoras localizadas na Zona Franca de Manaus, entre elas a TCÊ e a SDW; em alguns casos ocorreu também a falsificação/adulteração do Conhecimento de carga BL, envolvendo o transportador internacional das cargas, motivo pelo qual foram feitas diversas autuações contra as empresas TCÊ, SDW, e contra diversos transportadores marítimos, quando se constatava a falsificação de conhecimentos marítimos, além da falsificação de invoices; as empresas TCÊ e SDW têm os seus sócios vinculados a outras empresas fraudadoras do regime da ZFM, que, também, por meio da emissão de invoices e de BL's falsos, introduziam mercadorias estrangeiras irregularmente no país, com posterior consumo e/ou entrega para consumo; como exemplo das vinculações existentes, além das empresas TCÊ e SDW funcionarem no mesmo local físico, citese o fato de que o Sr. Isaac Sverner, figura central na constituição de sociedades que cometeram vários ilícitos na Zona Franca de Manaus, ser sócio majoritário da empresa TCÊ, e que um dos sócios da SDW, o Sr. Raphael Ades, mantém vínculo familiar com o Sr. César Ades, que é parceiro do Sr. Isaac Sverner na TCÊ, resultando em um ciclo fraudador e vicioso; em uma das vias do contrato social da empresa SDW, consta a informação de que a SDW era administrada pelas mesmas pessoas responsáveis pela TCÊ Responsabilidade das empresas autuadas: materialmente, as empresas TCÊ e SDW são uma única empresa, daí a necessidade de serem autuadas conjuntamente; a responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva e, neste caso, aplicamse também à empresa Brazshipping Marítima Ltda., as disposições contidas no art. 136, da lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional); art. 438 do Decreto n° 2.637/98; e art. 95 do DecretoLei n° 37/66, todos vigentes à época dos fatos; a simulação, a fraude e o dolo na constituição e na administração das empresas TCÊ e SDW encontramse devidamente comprovados nos 02 (dois) relatórios juntados ao processo e que são partes integrantes do auto de infração; provado está, de forma inequívoca que, as empresas TCÊ e SDW são uma única entidade privada, sendo portanto, uma mesma unidade econômica, embora formalizada de maneira bipartida apenas para usufruir duplamente dos benefícios concedidos pela SUFRAMA, através da aprovação de 02 (dois) Processos Produtivos Básicos (PPB's) distintos, fraudando o Fisco; para corroborar a afirmação acerca da unicidade das empresas, são reproduzidos excertos do Auto de Infração 285/00 (fls. 412/463), de 06/12/2000, que gerou o processo administrativo fiscal n° 10283.011345/200023, pois referida autuação "foi pugnada pelo infrator, validando integralmente as declarações da fiscalização(sic)", tendo o respectivo pagamento da obrigação ocorrido em 08/02/2001; Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 naquele momento, as empresas TCÊ e SDW resignaramse diante das verdadeiras constatações de que ambas as autuadas, embora formalizadas individualmente, são, de fato, uma só entidade econômica que exercia suas atividades industriais no mesmo espaço físico; as empresas TCÊ e SDW, além de funcionarem no mesmo endereço e utilizarem as mesmas instalações industriais, tinham como administradores as mesmas pessoas, o que configura simulação, fraude e dolo para lesar a economia nacional; além das empresas terem realizado as suas atividades concomitantemente em um único imóvel de propriedade do grupo empresarial CCE, cujo sócio majoritário é também o principal cotista da TCÊ, Sr. Isaac Sverner, os relatórios de Diligência Fiscal anexos às fls. 464/542 dos autos demonstram que as empresas autuadas foram constituídas para usufruírem ilegalmente dos benefícios da Zona Franca de Manaus; um dos relatórios informa que, "as pessoas jurídicas SDW Indústria de Componentes da Amazônia Ltda. e TCÊ Indústria Eletrônica da Amazônia S/A estavam estabelecidas no mesmo imóvel, tratandose, de fato, ser uma única empresa", e "o endereço 21A, supostamente pertencente à SDW, não existe, sendo na realidade, um único imóvel com divisões internas, ocupadas por essas pessoas jurídicas", pois "o imóvel encontrase, atualmente, sublocado à pessoa jurídica WMTM Equipamentos de gases Ltda pelo.Sr. Romero Reis, conforme contrato de sublocação; Por sua vez, o Sr. Romero é locatário do imóvel locado pela CCE da Amazônia SIA, proprietária do imóvel, conforme contrato de locação apresentado"; em outro momento conclui que, "considerandose os dois endereços em que estiveram estabelecidas, num mesmo período de tempo, somado às declarações do Sr. WILSON CÉSAR DA C. COUTO, e também a inveracidade (sic) da existência do endereço de número 21,A, verificamse indícios de que havia, S.M1, um propósito fraudulento na atuação das pessoas jurídicas supra, pelo artifício de passarse por empresas distintas”; como afirmado anteriormente, ressaltese que a formalização das duas empresas TCÊ e SDW visava somente facilitar a fruição dos benefícios fiscais disponibilizados para a ZFM, não consubstanciando existência de 2 (duas) empresas separadas, autônomas e independentes, ou coligadas, tratandose, portanto, de simulação objetivando fraude fiscal e cambial; os documentos pertencentes às empresas TCÊ e SDW e coligidos neste Auto de Infração foram encontrados e apreendidos no mesmo endereço, demonstrando, assim, que até os arquivos das entidades eram únicos, ou seja, independentemente da empresa à qual pertenciam, os documentos eram guardados juntos; tratase de crença irrefutável na ausência do poder de do Estado, de que nunca haveria punição, daí que a fiscalização afirma tratarse do mesmo esquema fraudador, alicerçado e comandado pelo Sr. Isaac Sverner, neste caso, figurando como sócio da empresa TCÊ, como proprietário do imóvel onde funcionava o bloco TCÊ/SDW e como sócio da CCE, estando, assim, provada a ligação entre a CCE da Amazônia S/A, a TCÊ e a SDW; a SDW "faturavarepassava" mercadorias para a TCÊ, conforme comprova a nota fiscal às fls. 584. comprovadamente, estava montada e bem organizada uma rede criminosa para lesar o Regime da Zona Franca de Manaus; Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.396 7 as empresas autuadas mantêm vínculo com o grupo CCE, já acusado de fraudar o regime da Zona Franca de Manaus, por meio de empresas formalizadas exclusivamente para este fim e que não funcionavam "de fato"; quanto à responsabilidade dos sócios das empresas SDW e TCÊ, emergem vinculações e informações, as quais, sincronizadas, reafirmam que as pessoas jurídicas autuadas, são uma única empresa; todos os atos ilegais ora delatados foram planejados e realizados pelos sócios, que possuem vinculação (familiar e/ou empresarial), para lesar a economia nacional por meio da constituição fictícia das empresas TCÊ e SDW; o imóvel onde funcionavam as empresas autuadas pertence ao Grupo CCE, cujo proprietário majoritário, Sr. Isaac Sverner também é sócio principal da TCÊ; o mesmo imóvel onde funcionara o bloco TCÊ/SDW abrigou a "Associação de Tecnologia da Informação", entidade que resultou da articulação das mesmas pessoas mencionadas anteriormente, somadas ao Sr. Jesus Manuel Casal Pan, ativo administrador do bloco SDW/TCÊ; da análise dos documentos e relatórios juntados ao processo, notase a conjugação das mesmas pessoas jurídicas e físicas, todas envolvidas na feitura de graves fraudes ao regime da Zona Franca de Manaus e à economia nacional, trazendo, assim, prejuízos sociais e econômicos irreparáveis a sociedade, estando agrupadas conforme os laços familiares; Do prazo decadencial: a autuação resulta de verificação de cometimento de infrações e crimes, o que afasta a materialização da decadência, pois quando há fraude, dolo ou simulação, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN; Falsificação de Fatura Comercial (Invoice): as falsificações/adulterações podem ser provadas através das correspondências eletrônicas anexas aos relatórios integrantes do auto de infração; a falsificação de faturas comerciais internacionais (invoices), visando obter o desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas com os benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus, caracteriza o evidente intuito de fraude, por meio de dolo e simulação; os documentos que fundamentam autuação foram marcados com um código alfanumérico, onde a via grafada com "1A" é a invoice falsificada/adulterada, a via grafada com "1B" é a via original/verdadeira da fatura internacional; o documento "1C" é o Packing List; o documento"1D” é a Declaração de Importação (DI); a via do BL original foi grafada com o código "1E", enquanto que a via falsa do BL está com o código "1F"; grosseiro é o processo de falsificação/adulteração das invoices, pois há mixórdia de línguas nos documentos internacionais falsificados/adulterados e, indistintamente, ora é usado o inglês ora o português, ou seja, a despeito de os exportadores estarem situados em países diferentes e de serem as faturas emitidas de acordo com a legislação vigente de cada país, não havia modificações no layout gráfico utilizado para a falsificação; Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 no caso concreto e em todos os outros, a descrição das mercadorias nas invoices "A" (falsas/adulteradas), é feita sempre na língua portuguesa, exatamente como aquela constante do Processo Produtivo Básico (PPB) autorizado pela SUFRAMA, diferentemente das invoices verdadeiras "B", onde consta uma descrição genérica e não explicativa tal qual o BL verdadeiro "E", já que um dos motivos para realização da fraude é fazer as mercadorias se enquadrarem no PPB; através do escritório da Receita Federal nos Estados Unidos (fls. 348) e da Procuradoria da República no Estado do Amazonas (fls. 347) foram feitos alguns questionamentos ao grupo General Eletric (GE), acerca da emissão de invoices (documentos às fls. 351/354), e cuja resposta informa que "as três faturas que VSas. anexaram à carta não são as faturas originais que a GE Plastics apresentou ao Banco Boa Vista INTERATLÂNTICO para estas três transações de importações. (..) Enquanto estas faturas estão aparentemente corretas no total, há erros administrativos que ressaltamos na planilha anexa. Note que algumas das nomenclaturas de cor do produto estão incorretas e alguns dos dados de peso estão em libras ao invés de quilogramas"; a fatura comercial internacional, também chamada de invoice, não se relaciona com a fatura comercial nacional, pois aquela obedece, também, às regras legais vigentes no país do exportador que a emitiu e serve para acobertar as mercadorias em trânsito internacional, sendo imprescindível para a instrução da Declaração de Importação (DI) a apresentação desta via original da fatura comercial internacional (invoice), documento imprescindível para a nacionalização das mercadorias estrangeiras; o despacho aduaneiro regular depende da invoice original, pois ali constam todas as características (natureza, preço, embalagem) das mercadorias importadas, sendo que nos despachos em questão tal documento foi grosseiramente falsificado/adulterado; existem anotações "em vermelho que foram seguidas à risca durante processo de falsificação", e que se referem à majoração no preço da mercadoria e à compensação do valor de US$ 3,000,00 relacionado à DI n° 99/06786990, pois consta na via original da invoice às fls. 594 uma ordem para que se faça uma majoração de 30% do valor nela indicado (US$ 592,000,00), o que justifica o fato de constar na via falsificada da invoice (fls. 588/593) um valor 30% superior ao constante na via original; houve simulação do valor da operação e do exportador, pois na via verdadeira da invoice consta como exportadora a empresa Jean Co. Ltda., enquanto que na via falsificada (grafada coma letra A) consta a Kelsey Comercial como exportadora, sendo que o BL falsificado às fls. 633 está de acordo com a via falsificada da invoice, indicando como shipper (embarcador) a empresa Kelsey Comercial, enquanto que o BL verdadeiro está_de acordo com a invoice original (grafada com a letra B), que informa a empresa Jean Co. Ltda. Como exportadora; Falsificação do Conhecimento de Carga (BL): ao fazer constar informação falsa da documentação de transporte internacional, emitindo vias falsas/adulteradas do documento legal, o transportador internacional contribuiu, efetivamente, para a consumação de ilegalidades, pois é intrínseco à atividade de comércio exterior o envolvimento do transportador (possuidor temporário da carga) nas operações em que atua; assinando o Pedido de Visita e o Termo de Responsabilidade, o subscritor assume perante o Fisco toda a responsabilidade pelo pagamento dos tributos, multas e outras obrigações que devam ser satisfeitas por força de divergências apuradas na forma da lei; Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.397 9 qualquer pessoa que concorra para o cometimento da infração ou dela se beneficie, tornase o sujeito passivo da relação jurídica fundada na infração materializada, sendo que o transportador se reveste desta legitimidade passiva quando houver infrações decorrentes do exercício de sua atividade de transportar, de ação ou de omissão dos tripulantes; as normas legais vigentes levam em consideração a impossibilidade de o Fisco autuar empresas sediadas em outros países, que é o caso da transportadora internacional localizada fora da jurisdição brasileira, daí a necessidade de serem nomeados representantes de empresas de transporte internacional no Brasil; como representante regular e legal do transportador internacional no Brasil, conforme comprovam os cartões de credenciamento às fls. 641/653, a empresa Brazshipping Ltda. deve ser considerada como parte legitima para figurar no pólo passivo da obrigação tributária exigida, constando do BL falso o carimbo da empresa, com a assinatura do seu representante; o transporte de mercadorias subordinase a várias regras legais, que embutem no desempenho da atividade uma série de deveres, como por exemplo, a declaração da natureza da mercadoria no conhecimento marítimo (BL), realizada pelo transportador, deve estar de acordo com o produto que está sendo transportado; de acordo com as regras do comércio internacional, quando da emissão do Manifesto Internacional e do Conhecimento Marítimo (BL), as declarações do transportador internacional revestemse de importância legal e fundamental para o despacho aduaneiro e, também, para a segurança jurídica do próprio transportador internacional; no presente caso, ao se cotejar uma via do B/L original assinalada com a letra "E" com a via falsificada/adulterada grafada com a letra "F" respectiva, são percebidas diferenças que vão de encontro às determinações legais, haja vista que se trata do mesmo conhecimento marítimo, com única numeração, sendo que deveriam ser exatamente iguais, não podendo constar informações divergentes do shipper nos documentos de fls. 632 e 633; algumas incongruências foram circundadas para melhor visualização da falsificação/adulteração, principalmente os campos relativos à propriedade das cargas, a data do embarque, porto de origem, assinatura do emitente e a descrição das mercadorias eram adulterados e/ou falsificados, já que são os campos que, se preenchidos como no conhecimento original, impediriam as fraudes; Ao final do seu relato, como forma de respaldar o lançamento e por entender que tais decisões tratam do mesmo assunto em discussão na presente lide, a fiscalização apresenta acórdãos proferidos pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora. Em face da apuração dos ilícitos fiscais foi formalizado o processo de Representação Fiscal para Fins Penais n° 10283.002649/200421. Regularmente cientificadas em 26/05/2004, fls. 01, as empresas SDW Serviços Empresarias Ltda. e TCÊ Indústria Eletrônica da Amazônia Ltda. ingressaram, em 08/06/2004, com a impugnação conjunta de fls. 692 a 725. Ressaltese que, em função da 10ª alteração promovida em seu Contrato Social (documento de fls. 733 a 746), a empresa TCÊ Indústria Eletrônica da Amazônia Ltda. passou a denominarse TCÊ Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda. Quanto à pessoa jurídica Brazshipping Marítima Ltda., após ter sido Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 devidamente cientificada da exigência em 27/05/2004, fls. 01, a autuada apresentou sua defesa em 28/06/2004, por meio do documento de fls. 782 a 797. A seguir estão resumidas as razões apresentadas pelas litigantes, em suas respectivas impugnações: Impugnação da TCÊ e SDW documento de fls. 692 a 725 após breve relato dos fatos, inicialmente argumenta que, na frustrada tentativa de demonstrar a ocorrência das fraudes, a fiscalização "utilizou documentação apreendida através do Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do Processo n° 2003.45953" , e que as supostas infrações consubstanciadas no lançamento não ocorreram, tendo a autuação se baseado em "meros indícios e não em provas efetivas das situações descritas pelos Srs. Agentes no AIIM sob censura"; as empresas foram "constituídas e geridas em conformidade com a lei", não havendo qualquer irregularidade do ponto de vista societário, quanto à sua constituição e/ou gerência; a multa de 100% sobre o valor dos bens importados equivale à pena de perdimento dos bens, e que, em Direito, a aplicação de penalidades deverá observar os princípios da ampla defesa, do devido processo legal e da tipicidade cerrada, atinentes ao Direito Penal; segundo respeitável doutrina, a interpretação estrita das normas punitivas deverá ser procedida de maneira estrita, e que para que se caracterize a fraude nos termos art. 72, da Lei n° 4.502/64, se faz necessária a prova do dolo do contribuinte, constituído pelos seus elementos subjetivo ("intencionalidade fraudulenta") e objetivo ("ilicitude do objeto"); por ser o dolo um elemento essencial do tipo, a "inexistência da intenção do agente" implica na "descaracterização da fraude, e, conseqüentemente, na inaplicabilidade da multa exigida"; o lançamento em questão não exigiu recolhimento a título de tributo, mas tão somente a título de multa por infração, demonstrando, assim, que não houve intenção de postergar, reduzir ou evitar o pagamento do tributo; os indícios de fraude que a fiscalização pretende imputar às operações de importação das autuadas, tais como: "a) duplicidade de faturas comerciais ("invoices'), sendo um documento denominado de "Falso" (invoice A) e outro de "Verdadeiro" (invoice B); b) "mixórdia" de idiomas nos documentos indicados como falsos ("invoices A'); c) mesmo "layout" utilizado para a emissão dos documentos indicados como falsos ("invoices A"); d) esclarecimentos e informações prestadas por empresa exportadora acerca das faturas comerciais emitidas para o desembaraço de mercadorias; e) conhecimentos de transportes "ao portador" utilizados no desembaraço de mercadorias importadas", não passam de "meras suposições ou presunções"; a "invoice A", erroneamente intitulada pela fiscalização de "invoice falsa", seria mero documento "proforma", emitido "para atender às exigências da Aduana quando do desembaraço de mercadorias importadas"; pois tais documentos "refletem, substancialmente, as mesmas informações constantes na "invoice B", considerada pela fiscalização como verdadeira"; a necessidade da emissão de "invoices" para o preenchimento da Declaração de Importação DI, se deve, principalmente, à ausência dos dados necessários na fatura comercial emitida por empresa exportadora; Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.398 11 não ocorreu “fraude para emissão das faturas comerciais", não cabendo, ainda, a presunção de fraude tão somente "pela existência de duas "invoices" referentes à mesma operação, frisese, substancialmente idênticas"; teria ocorrido a fraude se tivesse ficado comprovado que os registros da DI e do correspondente Pedido de Licenciamento da Importação PLI haviam sido feitos com base em "informações não condizentes com as operações realizadas", fornecidas por uma fatura comercial divergente do documento supostamente apontado como verdadeiro; conforme destaca Roosevelt Baldomir Sosa, em sua obra "Comentários à Lei Aduaneira", embora a fatura comercial deva ser emitida pelo vendedor, tal preceito tem sido por vezes desrespeitado, "havendo empresas que emitem no Brasil as faturas comerciais, notadamente no caso de filial/matriz, ou até por questões ligadas à facilitação operacional"; tal situação retrataria exatamente o presente caso, pois as mercadorias foram desembaraçadas através de "invoices proforma" emitidas "para a facilitação operacional do desembaraço aduaneiro"; fato que demonstraria o equívoco da fiscalização ao formalizar a exigência contra as autuadas; deverá ser desconsiderada "a presunção da fraude pela simples existência de "mixórdia de línguas nos documentos internacionais falsificados/adulterados, posto que nas "invoices" imputadas pelo autuante como verdadeiras ("invoices B"), também haveria a mixórdia de idiomas; da mesma forma não deve prosperar a presunção de fraude baseada na utilização de "mesmo modelo tipográfico" para a emissão de "invoices" tidas como "falsas", pois é de conhecimento, no comércio internacional, que as faturas comerciais são documentos necessários à efetivação de operações comerciais e ao preenchimento e emissão da DI, inexistindo "requisitos ou formatações específicas para a emissão de faturas comerciais no comércio exterior"; a legislação aduaneira brasileira impõe requisitos básicos para a emissão de faturas comerciais, dentre os quais a especificação detalhada das mercadorias, razão pela qual se fez necessária a emissão da "invoice proforma", seguindo o mesmo padrão tipográfico, viabilizando o desembaraço aduaneiro; ao contrário do que presume a fiscalização, as declarações prestadas pelo seu fornecedor comprovariam, na verdade, a inexistência de fraude, pois informam que apesar de diferenças nas faturas comerciais emitidas, "estas (as faturas) refletem com precisão o valor total de dólares das transações"; diante das declarações prestadas pela GE Plastics fica evidente a existência tão somente de erros administrativos nas "invoices proforma", não alterando a substância das "invoices" emitidas pelo exportador, não podendo ser consideradas como fraudulentas; tanto nas faturas supostamente falsas como nas verdadeiras constam "o mesmo peso, quantidade dos produtos, valores e destinatários", sendo substancialmente idênticas as invoices "verdadeiras" e as invoices "proforma"; não prevalecendo a alegação da fiscalização, pois se "o intuito fosse o de fraudar o fisco, por meio da prática de ilícitos fiscais, tais como o descaminho ou o contratando, as "invoices" emitidas pelo importador deveriam ter principalmente valor diferente daquele constante da "invoice" emitida pelo fornecedor no exterior"; Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 se os documentos fiscais supostamente apontados pela fiscalização como "invoices falsas" apresentam tão somente erros ou equívocos quando do seu respectivo preenchimento, sem adulterar os valores da transação, podese concluir unicamente acerca da "existência de erros e não de fraude nos documentos "proforma" utilizados nas operações efetuadas"; se verifica a intenção de denegrir a imagem das autuadas e de seus sócios, através de acusações levianas imputadas a pessoas sérias, sendo que os erros administrativos das faturas comerciais emitidas pelos importadores ou seus agentes não resultaram em nenhuma das hipóteses previstas no art. 463, I, do Regulamento do IPI; o conhecimento de transporte, também denominado de conhecimento marítimo ou aéreo, é um título de crédito que pode ser emitido à ordem ou a portador, inexistindo imposição legal quanto à sua forma de emissão, sendo equivocado o entendimento da fiscalização de que, pelo fato dos conhecimentos de carga B/L terem sido emitidos ao portador, através de endosso, teria havido uma rápida transferência de titularidade das mercadorias importadas, visando facilitar a mudança de propriedade entre SDW e TCÊ sem os requisitos legais, de acordo com a conveniência para falsificação/adulteração da invoice; não existe diferença entre os conhecimentos de transporte apontados supostamente como "falsos" e "verdadeiros", pois "os documentos de fls. 632/633", se comparados .entre si, apresentam os mesmos dados quanto ao importador, descrições e valores dos produtos, sendo os mesmos substancialmente idênticos; conforme disciplina o art. 142 do CTN, o lançamento deverá conter a descrição dos fatos tidos como contrários à legislação e que justifiquem a exigência do tributo ou da multa isolada, com a demonstração clara do "nexo causal entre os fatos descritos na autuação e os dispositivos legais mencionados"; somente nas hipóteses de operações clandestinas, irregulares, fraudulentas, ou não registradas, situações estas tipificadas pelo legislador no artigo 463, inciso I, do RIPI/98, cuja base legal é o artigo 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64, seria cabível a imposição de tão severa multa administrativa, pois o referido dispositivo legal tem que ser interpretado de forma estrita, o que não foi observado no caso concreto; não há que se falar em importação clandestina, visto que não houve qualquer ocultação das operações, ao contrário, foram todas devidamente registradas no SISCOMEX; a comprovação da inexistência de importações clandestinas se verificará com a juntada, pelo órgão de instrução, dos documentos existentes na própria administração e registrados no SISCOMEX, que deverão ser providos, de oficio, ao processo, nos termos do art. 37 da Lei n° 9.784, de 20/01/1999; irregularidades que não representem impedimento à fiscalização na verificação do cumprimento da obrigação principal, não poderão ensejar aplicação de qualquer tipo de multa, "quiçá multa tão severa quanto a aplicada nos presentes autos", visto que as impugnantes não as cometeram, pois providenciaram o devido registro da declaração de importação, na forma preconizada no art. 10 , V, da IN SRF n° 69, de 10/12/1996; restam comprovadas a efetividade e a legalidade das operações, já que foram atendidas todas as obrigações inerentes ao procedimento de importação e o desembaraço aduaneiro somente ocorreu após a conferência aduaneira das mercadorias, verificação fiscal que "possui o condão de aperfeiçoar o lançamento efetuado pelo contribuinte"; Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.399 13 por se referirem a fatos e dados com registros em documentos em poder da administração aduaneira, e que comprovam a regularidade das operações, as defendentes solicitam que seja aplicado o disposto no art. 37 da Lei n° 9.784/99; somente após a conferência aduaneira e a liberação com base nas DI's é que era realizado o desembaraço aduaneiro das mercadorias, o que afasta qualquer alegação de que houve entrega a consumo de mercadorias importadas; as importações não foram fraudulentas, pois não se verificou a intenção do agente em postergar, reduzir ou evitar o pagamento do tributo, argumento que se comprova pelo fato de não ter sido exigido na autuação qualquer valor a título de tributo; as defendentes "não importaram clandestinamente, irregularmente, nem fraudulentamente" mercadorias do exterior, pois todas as operações de importação estão comprovadas, com o devido recolhimento das taxas e tributos incidentes na operação, assim como não há dúvidas de que todas as DI's foram devidamente registradas no SISCOMEX, não restando configurada nenhuma das hipóteses que justificaria a imposição da multa prevista no art. 463, inciso I, do RIPI/98; nesse mesmo sentido, ou seja, pela inaplicabilidade da multa administrativa, já decidiu a 2a Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, através do acórdão n° 20213944, quando entendeu aquele órgão colegiado que "o elemento nuclear da infração é a importação clandestina, irregular ou fraudulenta de produtos de procedência estrangeira, daí que não tipifica a infração em relação à mercadoria constante da Declaração de Importação registrada junto á repartição aduaneira"; com fundamento nesta decisão do Egrégio Conselho de Contribuintes, também é certo que "a emissão dos documentos 'proforma' não poderia nem ao menos ensejar a aplicação da multa prevista no art. 521, inciso III, do Regulamento Aduaneiro (artigo 628 do atual Regulamento Aduaneiro), que mais se aproximaria ao caso dos autos"; a utilização de documento "proforma", para atender as exigências das autoridades aduaneiras para o correto preenchimento da DI, viabilizando o desembaraço aduaneiro, nem ao menos corresponde à multa por inexistência de fatura comercial exigida para o desembaraço de mercadorias estrangeiras, inviabilizando também a configuração de hipótese sujeita à multa prevista no referido art. 521 do Regulamento Aduaneiro; a autoridade lançadora não observou o disposto no art. 112 do CTN, pois diante da dúvida no enquadramento de infrações tributárias, o lançamento deveria ter sido efetuado da forma mais favorável ao contribuinte; não deve prosperar a contagem do prazo decadencial adotada pela fiscalização, pois o artigo 173, I, do CTN, somente poderá ser aplicado nos casos de dolo, de fraude ou de simulação, hipóteses não presentes nos autos; a contagem do prazo decadencial deveria ter se baseado no art. 150, § 40, entendimento este fundado em doutrina de Luciano da Silva Amaro e em jurisprudência do Conselho de Contribuinte e do STJ, pelo que deve ser acatada a preliminar de decadência argüida, para determinar o cancelamento da exigência consignada no auto de infração em questão; não devem prosperar as alegações feitas pela fiscalização acerca da ocorrência de fraude ou simulação na constituição das empresas autuadas, porquanto Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 estas foram constituídas em conformidade com a legislação, sendo pessoas jurídicas de fato e de direito independentes na consecução de suas atividades, possuindo objetos sociais distintos, conforme se pode observar em seus respectivos contratos sociais; os atos constitutivos das defendentes foram devidamente arquivados na junta Comercial do Estado de São Paulo e na junta Comercial do Amazonas, observados, para tanto, todos os requisitos necessários para a constituição de pessoas jurídicas de direito privado tais como a elaboração do contrato social de acordo com a lei comercial, assinatura dos representantes legais, obtenção de registros, etc; a fiscalização despreza todo e qualquer conceito jurídico societário e cria uma ficção jurídica que transformaria qualquer grupo empresarial, ou simples parceiras comerciais, em "uma só empresa, um bloco monolítico, com sócios vinculados entre si (..) com o intuito de obter .1 benefícios fiscais por meio de crime"; a definição do conceito de "coligada", conforme utilizado na descrição dos fatos da autuação, não poderá ser extraído da simples leitura de um dicionário, e sim da legislação comercial, que conceitua empresa coligada como aquela que participa com 10% ou mais do capital da outra sem controlála; as autuadas não são empresas coligadas, mas, "tão somente empresas interligadas, com relações comerciais entre si"; a fiscalização buscara caracterizar "a existência de uma mesma unidade econômica" com o simples argumento de que as Impugnantes seriam domiciliadas no mesmo endereço, conforme constam em seus contratos sociais, e por serem geridas pelas mesmas pessoas físicas; nesse sentido, confundese a autoridade lançadora ao diferenciar os conceitos de "empresas pertencentes ao um mesmo grupo econômico" e de `fraude ou simulação na constituição de pessoas jurídicas", visto que a legislação autoriza o funcionamento de duas unidades econômicas independentes no mesmo endereço desde que a localização das referidas pessoas jurídicas, na mesma área, não impeça a diferenciação de uma empresa da outra; o compartilhamento de uma mesma área é procedimento autorizado pela legislação e comumente adotado pelas pessoas jurídicas em geral, também não sendo novidade ou indicativo de fraude ou simulação o compartilhamento de dependências administrativas e de funcionários, por empresas jurídicas distintas e de um mesmo grupo econômico ou não, conforme já decidiu o Egrégio Conselho de Contribuintes, no Acórdão n° 10183.762, de 08/07/1992; os alvarás de funcionamento das autuadas foram concedidos em momentos distintos, o que demonstra ainda mais a regularidade e a licitude na forma de funcionamento adotada pelas empresas; nesse sentido, as impugnantes protestam pela juntada posterior dos documentos comprobatórios; os vínculos pessoais ou familiares existentes entre os administradores das empresas autuadas, conforme apontados pela autoridade lançadora, em nada se prestam para a comprovação da ocorrência de fraude ou simulação na gerência das impugnantes; o lançamento se baseou em documentação apreendida em função do mandado de busca e apreensão expedido nos autos do processo judicial n° 2003.32.45953, documentação esta que não mais se achava nas sedes dos estabelecimentos das impugnantes em Manaus, vez que se encontravam "em poder das autoridades fiscais e do Ministério Público Federal"; Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.400 15 após a lavratura do auto de infração, tais documentos não foram devolvidos às autuadas, o que implicaria em "nítida ofensa ao princípio constitucional que garante a ampla defesa", previsto no artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal de 1988; acerca dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, trazem à lide respeitável doutrina de Celso Ribeiro Bastos e de Manoel Gonçalves Ferreira Filho, além de jurisprudência do Conselho de Contribuintes para demonstrar ser induvidoso, no caso, o cerceamento do direito à ampla defesa das autuadas, pois considerando a injustificada manutenção da apreensão da documentação pelas autoridades é induvidoso o prejuízo à defesa imposto às Impugnantes; diante do princípio constitucional que assegura o contraditório, não se pode admitir que, para a continuidade de sua defesa, no âmbito administrativo, as impugnantes se vejam obrigadas a impugnar as supostas alegações de fraude formuladas pela fiscalização sem a possibilidade de apresentação de provas_que denotem a inexistência de fraude nas operações de importação realizadas no período de 1999; ainda que se considere a existência de provas, é relevante argumentar pela nulidade da autuação haja vista as provas terem sido obtidas por meios ilícitos, em infração ao disposto no inciso LVI, do art. 5°, da Constituição Federal; nesse contexto, caberia a nulidade do auto de infração, sendo as (supostas) provas utilizadas pela fiscalização para a alegação do ilícito fiscal decorrentes de "procedimentos adotados pelas autoridades policiais em diligência nas dependências das Impugnantes", posto que, quando do cumprimento do mandado de busca e apreensão, tais autoridades não observaram os requisitos constantes do art. 240 e seguintes do Código de Processo Penal; patente é a violação de garantias constitucionais (contraditório e a ampla defesa) face à ausência de representante legal das empresas autuadas no momento da apreensão de toda a documentação utilizada para a lavratura do auto de infração, pois, nesse sentido, vale observar a inexistência de assinatura ou ciência por parte dos detentores da documentação apreendida (representantes legais das pessoas jurídicas TCÊ e a SDW) no Termo de Arrecadação constante do processo de busca e apreensão mencionado; além disso, não foram relacionados os documentos apreendidos, conforme determina o art 245, § 7°, do Código de Processo Penal, tendo sido genericamente descritos, sem a especificação necessária de quais e quantos documentos se tratavam, e de quais empresas; os correios eletrônicos (emails) apreendidos e utilizados como "prova", não atestam ou sequer comprovam a existência de fraude, descabendo o reconhecimento da sua validade como prova; inexiste solidariedade entre as impugnantes e a empresa de transporte marítimo, pois não há interesse comum nos procedimentos de desembaraço das mercadorias importadas, para efeito de atribuição, da suposta "responsabilidade solidária", nos termos dos artigos 124,1 e 136 do CTN; as impugnantes têm "tão somente o interesse de adquirir os produtos importados enquanto que, a Agência de Transporte Marítimo autuada, tem interesse único de transportar as mercadorias importadas", sendo "impossível se configurar Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 16 o interesse comum na situação que constitua o fato gerador, nos termos do art. 124, I, do CTN", até porque "a emissão dos conhecimentos de carga ("B/L") é de responsabilidade da transportadora internacional, que o faz por determinação da exportadora, não tendo,.assim, as Impugnantes qualquer relação com a referida documentação";, não obstante a ausência de fraude nas operações mencionadas, ainda que se pudesse admitir a responsabilidade solidária entre as pessoas jurídicas autuadas, a multa imposta através do presente lançamento não se aplicaria às impugnantes, em razão do disposto no art. 137 do CTN, o qual estabelece que a responsabilidade por infrações fiscais é pessoal do agente nas hipóteses da ocorrência de fraude, que demanda a comprovação do dolo específico por parte do agente, ou seja, nesse caso, o único agente passível de punição pela Administração seria exclusivamente a empresa de transporte marítimo, que, conforme acusação da fiscalização, seria o responsável pela suposta fraude dos conhecimentos de carga/transporte; ao final, as impugnantes TCÊ e SDW requerem a nulidade do auto de infração, para que seja cancelada a exigência fiscal perpetrada, protestando pela produção de provas por todos os meios em direito admitidos, além da juntada aos autos de todos os documentos que se encontram em poder da Administração que comprovem as alegações tecidas na presente impugnação, nos termos do disposto no art. 37 da Lei n° 9.784/99, especialmente os comprovantes de internamento das mercadorias importadas; os comprovantes dos registros de contratos de câmbio para fins de cobertura cambial das respectivas operações de importação, junto ao BACEN; os comprovantes da conferência de manifestos de carga; comprovantes da consolidação documental dos containeres por agente de carga; os comprovantes da notificação na Secretaria da Fazenda do Estado SEFAZ; os comprovantes dos recolhimentos das taxas de armazenagem e capatazia dos portos; e os comprovantes dos registros das respectivas Declarações de Importação DI no SISCOMEX. Impugnação da Brazshipping Marítima Ltda. documento de fls. 782 a 797 antes de colocar suas razões contra a lavratura do auto de infração, a suplicante ressalta ter apresentado tempestivamente a sua defesa; em seguida, elabora um "escorço histórico" dos fatos consubstanciados nos auto de infração, concluindo que, não obstante o ponto principal do problema tenha girado em torno das operações realizadas pelas empresas SDW e TCÊ, "o transportador marítimo" foi envolvido no caso concreto em razão da fiscalização ter constatado informação falsa no Conhecimento de Carga (BL), contribuindo para a consumação do ato legal; destaca que a impugnante foi apontada no pólo passivo da obrigação tributária em virtude de ter sido considerada, pela fiscalização, como empresa que representa o transportador internacional, e ainda, pelo fato de ter apontado seu carimbo no Conhecimento de Carga (BL) tido como falsificado/adulterado; esclarece que, em um primeiro momento, seus argumentos de defesa ficarão restritos à "imputação de responsabilidade solidária" e no que diz respeito a sua "ilegitimidade passiva para figurar no pólo passivo da obrigação tributária", posto que teria agido tão somente na condição de agente marítimo; antes, no entanto, argúi a nulidade do lançamento face à ausência de identificação clara e precisa, por parte da autoridade fiscal, do dispositivo legal ou regulamentado que fora violado, do fato gerador da obrigação tributária, assim como de outros elementos de convencimento, contrariando o disposto no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988f Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.401 17 sendo o auto de infração um ato administrativo "regrado e vinculado estritamente ao princípio da reserva legal", não poderiam eventuais omissões/equívocos na constituição do crédito tributário serem supridas por outra autoridade lançadora ou julgadora; é equivocado o entendimento da fiscalização de que o armador do navio teria contribuído para a consumação do procedimento tido como ilícito, ilação que resultou no lançamento contra a autuada, na qualidade de representante do armador; o Decreto n° 2.637/98, atualmente revogado pelo Decreto n° 4.544/2002, não define o agente marítimo como sujeito passivo da obrigação tributária principal (imposto e penalidade pecuniária), tampouco o indica como contribuinte ou responsável obrigado ao pagamento do imposto; ainda que se pudesse fazer a aplicação subsidiária ou analógica do Decreto Lei n° 37/66, logo se observa que a referida norma legal não indica o agente marítimo como responsável pelo pagamento do Imposto de Importação, porquanto em seu art. 32 está expressamente consignado apenas o transportador ou o depositário, e ainda, por força do art. 95, somente responde pela infração aquele que concorra para a sua prática ou dela se beneficie (inciso I), ou o proprietário e consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes (inciso II); diante das restritas funções que são atribuídas as agências de navegação, em momento algum poderia ser atribuído ao agente marítimo a responsabilidade pelo pagamento do imposto ou de sanções administrativas, visto que não é "agente passivo" e nem deu causa ou concorreu para concretização dos fatos descritos na peça de autuação; mesmo admitindo a possibilidade de se atribuir responsabilidades à empresa de transporte marítimo, deve ser observado que, no presente caso, a impugnante é uma agência de navegação marítima, constituindose em uma simples mandatária comercial do armador/operador da embarcação, posto que apenas pratica os atos em nome deste e à sua ordem, limitandose a representálo ante as autoridades portuárias e terceiros durante a permanência da embarcação no porto, não havendo, portanto, porque ser confundida com o transportador marítimo; segundo os ensinamentos doutrinários, respaldados por decisões judiciais, inclusive do próprio Superior Tribunal de Justiça, o agente de navegação não pode ser confundido ou equiparado com empresas de transportes marítimos, visto que não há lei que determine a responsabilidade do agente marítimo, quando exclusivamente no exercício de atribuições próprias, e, no caso em apreço, a impugnante agiu dentro de suas atribuições de agente marítimo, não tendo emitido o conhecimento de embarque tido como adulterado pela fiscalização; o Termo de Responsabilidade firmado não pode servir de lastro para a imputação da obrigação tributária, posto que a responsabilidade tributária só se verifica diante de norma legal expressa; a posição jurisprudencial colacionada no auto de infração não reflete o entendimento predominante na jurisprudência do STJ, subsistindoa Súmula 192 do extinto TRF, no sentido de que o agente marítimo não é considerado responsável tributário, nem se equipara para os efeitos do DecretoLei n° 37/66, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias; Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 18 com base nos documentos acostados às fls. 641/642 dos autos, argumenta que, à época do fato ocorrido, atuava tãosomente como subagente do navio, representando a empresa Aquarius Shipping Marítima Ltda., que era o agente designado pelo armador Spliethoff Transport B.V./Sasia Express Lines para atender suas embarcações quando da permanência em portos brasileiros; ressalta que o transportador estrangeiro Spliethoff Transport B.V., já à época dos fatos, tinha como representante em território nacional a empresa Spliethoff do Brasil Ltda., sediada na cidade do Rio de Janeiro, o que descaracterizaria a condição de representante do transportador que lhe foi atribuída pela fiscalização aduaneira; uma vez que ficou devidamente comprovada a procedência da mercadoria, não há que se falar em aplicar o disposto no art. 24, inciso I, do Decreto n° 2.637/98 ao caso concreto, até porque a emissão de conhecimento de embarque é feita com base em informações prestadas pelo embarcador, que contrata o transporte marítimo, não havendo ingerência do armador em relação aos dados comerciais; a retificação ou alteração no conhecimento de embarque é permitida pela legislação nacional e internacional, "ainda mais se o navio não chegou ao porto de origem", como neste caso, e se houve alguma alteração foi a pedido do importador, contratante do frete marítimo, diante de razões ora desconhecidas, mas que não pode ser caracterizado como fraude ou simulação; ressalta que o armador somente entregou ao importador o conhecimento de embarque tido como adulterado mediante a devolução do BL anteriormente emitido, como se vê nas cópias de todo o "jogo" retificado; destaca a juntada aos autos de cópia dos seguintes documentos: Declaração de Atracação de Embarcação (fls. 811); Pedido de Despacho da embarcação junto ao Ministério da Marinha (fls. 812); Solicitação de Passe de Saída (fls. 813); Contrato Social da empresa estrangeira Spliethoff s Bevrachtingskantoor B.V. (fls. 814/820); Registro Comercial da Spliethoff Transport B.V. (fls. 821/824); Contrato Social da empresa Spliethoff do Brasil Ltda. e alterações (fls. 825/840); conhecimentos de embarque (fls. 841/846); ao final de sua defesa, a impugnante pede para que seja acolhida a preliminar de nulidade suscitada, e, em sendo esta superada, que se decida pela ilegitimidade passiva, excluindoa do pólo passivo da obrigação tributária, ou ainda, pela inexistência de responsabilidade solidária, tornando insubsistente a exigência dos autos em relação à sua parte, solicitando também "eventual sustentação oral em superior instância administrativa", assim como a produção das demais provas em direito admitidas. Após realizar o devido preparo dos autos, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário — SECAT da Alfândega do Porto de Manaus encaminhou o presente processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife em 30/06/2004, órgão julgador de_primeira instância que detinha, à época, a competência originária para julgamento do feito, nos termos da Portaria SRF n° 259, de 24/08/2001 (Regimento da Secretaria da Receita Federal), naquela data vigente. Em 10/11/2004, por força da alteração de competência estabelecida pela Portaria SRF n° 1.348, de 08/11/2004, o processo foi remetido a esta DRJ em Fortaleza para julgamento. Em 11/01/2005, a autuada TCÊ Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda. apresentou requerimento, com fundamento no art. 16, § 5 0, do Decreto n° 70.235/1972 c/c art. 50, LV, da Constituição Federal, para efetuar a juntada aos autos do "Parecer" de fls. 876/912. Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.402 19 10. Posteriormente, em 25/07/2005, com fundamento ainda no art. 16, § 5° do Decreto n° 70.235/72, as autuadas TCÊ Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda. e SDW Serviços Empresariais Ltda., solicitam a anexação ao presente processo de "carta" emitida pela empresa exportadora Daewoo Telecom, situada na Coréia, justificando que tal documento não havia sido apresentado anteriormente em virtude de sua emissão somente ter ocorrido em 29/04/2005.” A DRJFortaleza/CE julgou procedente o lançamento (fls. 939/1015 – v. III), nos termos da ementa adiante transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999 Ementa: FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Não há que se falar em nulidade por infração aos princípios da tipicidade e da legalidade quando o lançamento está devidamente fundamentado na legislação tributária apropriada, tendo restado comprovada nos autos a ilicitude praticada pelo sujeito passivo. LEGITIMIDADE PASSIVA. Estando comprovado nos autos que o Agente Marítimo era o representante do transportador estrangeiro, tornase responsável pelo crédito tributário, na condição de responsável solidário, por expressa determinação legal. PARECER JURÍDICO APRESENTADO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de argumentos apresentados, na forma de parecer, após o transcurso do prazo impugnatório. APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. DILIGÊNCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS EM PODER DA ADMINISTRAÇÃO. IRRELEVÂNCIA DOS DOCUMENTOS PARA O EXAME DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de diligência para a juntada de documentos que não guardem relação com o objeto do litígio. ARGÜIÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FORNECIMENTO DE CÓPIA DA PROVA DOCUMENTAL. Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que foi devolvida a documentação apreendida no curso da ação fiscal, uma vez que a prova documental em que se baseou o auto de infração encontrase acostada aos autos possibilitando o exame por parte da defendente. LICITUDE DA PROVA. BUSCA E APREENSÃO. Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 20 A assinatura do representante legal da empresa no termo circunstanciado da busca e apreensão não é requisito exigido pela lei, de modo que a sua ausência não torna ilícita a prova obtida, estando referido documento assinado por duas testemunhas. A descrição genérica, no citado termo, dos documentos apreendidos, não invalida a prova colhida, quando posteriormente é realizado o exame de toda a documentação, detalhandose o seu conteúdo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE PECUNIÁRIA. CONTAGEM DO PRAZO COM BASE NO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Nos casos de lançamento de penalidade pecuniária, a contagem do prazo decadencial se sujeita à regra geral prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, onde está determinado que o dies a quo para a contagem do citado prazo corresponderá ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA REGRA CAPITULADA NO § 40 DO ARTIGO 150 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL CONFORME PRECEITUA O ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. Se ao caso fático não se aplica à regra de contagem do prazo decadencial preceituada no § 40 do art. 150 do CTN, relativo ao lançamento por homologação, aplicarseá, para a determinação do dies a quo do citado prazo, a regra geral contida no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal. SOLIDARIEDADE PASSIVA. Respondem pela infração conjuntamente quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 1999 Ementa: FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. INSTRUÇÃO DO DESPACHO COM FATURAS COMERCIAIS E CONHECIMENTOS DE EMBARQUE FALSIFICADOS. MATERIALIDADE COMPROVADA. Constatado que a importação foi instruída com faturas comerciais e conhecimentos de embarque falsificados, temse como legítima a lavratura do auto de infração para a constituição do crédito tributário correspondente à multa equivalente ao valor comercial das mercadorias, capitulada no art. 83, I, da Lei 4.502/64. Lançamento Procedente Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.403 21 Irresignadas, as empresas TCÊ e SDW apresentaram recurso voluntário, em conjunto (fls. 1.031/1.109 – vol. IV). A autuada Brazshipping não ofereceu recurso. Em síntese, foram apresentadas as seguintes razões de defesa pelas recorrentes: I Preliminarmente: 1. Nulidade da decisão de primeira instância: (a) em razão de participação, no julgamento, de autoridade administrativa impedida; (b) por cerceamento do direito de defesa, em razão da falta de apreciação, pela DRJ, de Parecer jurídico e de razões complementares de defesa os quais foram juntadas aos autos após a apresentação da impugnação; (c) em razão de alegada presunção de divergência entre faturas decorrente de comparação com operações que não dizem respeito ao período autuado; (d) por falta de juntada aos autos, pela autoridade julgadora, de documentos solicitados pela empresa e que estão em poder da Administração 2. Nulidade do lançamento: (a) por cerceamento do direito de defesa, em razão de utilização, pela fiscalização, de documentos fiscais que não mais se encontravam nas sedes dos estabelecimentos da recorrentes, tendo sido tais documentos retidos pelo Ministério Público Federal e pelas autoridades fiscais, em razão de cumprimento de Mandado de Busca e Apreensão; e (b) por utilização de prova obtida de forma ilícita, em razão de descumprimento de normas processuais penais, quando do cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão; II. No mérito: (a) que a suposta importação fraudulenta que lhes está sendo imputada decorre da constatação, pelas autoridades administrativas, de que, em algumas operações realizadas pelas recorrentes, havia duas faturas comerciais internacionais (invoices). Com base nesta constatação, concluíram que todas as operações por elas realizadas, durante todo o período em que operaram (de 1998 a 2002), eram fraudulentas, em razão da falsificação de invoices; (b) que, para caracterização da conduta fraudulenta, é preciso que reste configurada o dolo (intenção) do agente; (c) que demonstra a inexistência da intenção das recorrentes em fraudar a fiscalização o fato de manterem, em seus arquivos, as invoices originais junto com as invoices “pro forma”; (d) que não se pode falar na existência de fraude, já que não houve intenção de postergar, reduzir ou evitar o pagamento de tributo, pelo simples fato de que não foi exigido qualquer valor a título de tributo, vez que houve isenção do II e do IPI na entrada de mercadorias na Zona Franca de Manaus; (e) que a decisão recorrida presume que o objetivo da emissão de fatura falsa era ocultar a verdadeira descrição das mercadorias para enquadrálas no PPB; entretanto, a aplicação da penalidade não admite presunções; (f) que a acusação deduzida pelo julgador de que as Recorrentes haviam importado mercadorias não contempladas no PPB e de que, por isso, teriam emitido invoices "pro forma" não condizentes com as mercadorias efetivamente importadas não se sustenta, Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 22 posto que, por diversas vezes, foi realizada “desova” dos containers pela autoridade administrativa, a qual certificou que os bens importados correspondiam integralmente àquilo que se encontrava declarado nas DI, elaboradas com base nas invoices "pro forma"; (g) que as importações procedidas pelas recorrentes foram objeto de conferência aduaneira, havendo conferência física das mercadorias em diversas ocasiões, sendo que jamais houve acusação de que as mercadorias relacionadas nas DI não fossem aquelas que efetivamente estavam sendo importadas; (h) que, além de ter restado comprovado que não se caracterizou a fraude, a multa aplicada também se mostra completamente indevida, posto que, juridicamente, não houve importação, já que as zonas francas não são consideradas como território nacional, para efeitos aduaneiros; (i) que é inaplicável ao caso a multa administrativa do art. 463, I do RIPI/1998, visto que a tipificação dessa multa somente ocorre nos casos de introdução clandestina da mercadoria no território nacional, importação fraudulenta, importação sem que haja registro da Declaração de Importação no Siscomex ou importação irregular, não se enquadração o caso a nenhumas dessas hipóteses; (j) que apenas as irregularidades que impliquem na inviabilização da verificação, por parte da fiscalização, do cumprimento da obrigação principal (recolhimento do tributo), ou da ocorrência do fato gerador do tributo, poderão ensejar a aplicação de penalidade do art. 463, I, do RIPI/1998. Isto porque as obrigações acessórias se prestam, tãosomente, a garantir a fiscalização do cumprimento da obrigação tributária principal. (k) que a efetividade e legalidade das operações restam comprovadas, pois (i) foram atendidas todas as obrigações acessórias junto à SEFAZ, (ii) existem os comprovantes de internação das mercadorias, (iii) constam, nos sistemas do Banco Central e da SRF, os recibos de envio das respectivas DI pelo Siscomex e (iv) existem registros de contratos de câmbio para fins de cobertura cambial das respectivas operações de importação, junto ao BACEN; (l) que se existissem irregularidades, fosse por meio das situações tipificadas no artigo 463, I, do RIPI/98 ou por qualquer outra hipótese, o despacho aduaneiro não teria se concretizado, nem as mercadorias teriam sido liberadas para o consumo; (m) que as importações realizadas pelas Recorrentes foram regulares, tanto assim que foram desembaraçadas após todo o procedimento aduaneiro, inclusive conferência física; (n) que a existência de duas faturas comerciais distintas em relação a algumas importações deuse em razão de que as recorrentes, com o intuito de viabilizar o desembaraço dos produtos importados, emitiam faturas “pro forma”, substancialmente idênticas às faturas emitidas pelos fornecedores, em razão destas últimas não conterem descrição detalhada das mercadorias; (o) que a emissão de faturas internacionais pelas Recorrentes era necessária em razão das dificuldades dos exportadores em atender a todos os requisitos legais para efetuar a exportações em seus países, bem como as exigências de cada país para o qual efetuavam exportação; (p) que não há irregularidade na constituição das recorrentes. As empresas TCÊ e SDW são pessoas jurídicas de fato e de direito, independentes na consecução Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.404 23 de suas atividades, possuindo objetos sociais distintos: enquanto a TCÊ dedicavase à industrialização de monitores de vídeo para computadores, calculadoras e locação de aparelhos facsímile, a SDW dedicavase à industrialização de placas e componentes para a indústria eletrônica; (q) que as recorrentes não são empresas coligadas; (r) que a legislação autoriza o funcionamento de duas unidades econômicas independentes no mesmo endereço, desde que a localização das referidas pessoas jurídicas, na mesma área, não impeça a diferenciação de uma empresa da outra; e (s) que, sendo pessoas jurídicas distintas, e não havendo qualquer irregularidade nas suas constituições, a SDW deve ser excluída do lançamento, posto que o Auto de Infração é relativo a uma única operação, conforme demonstrativo de fl. 587, em que figura como importador a TCÊ. Ao final, as recorrentes requereram a nulidade da decisão de primeira instância e, subsidiariamente, a nulidade do auto de infração; caso superadas as nulidades apontadas, seja declarado improcedente o lançamento e ainda, se assim não o for, seja ordenada diligência junto aos armazéns gerais que indica, para que apresentem os mapas de “desova” dos containers relativos às operações realizadas no período autuado, a fim de comprovar a regularidade da conferência aduaneira das importações realizadas. Em 22 de maio de 2007, a então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão 30334.306, declarou nula a decisão de primeira instância (fls.1.282/1.310vol.IV), em razão de: (a) entender que um dos servidores integrantes da Turma Julgadora da DRJFortaleza/CE estaria impedido de participar do julgamento, vez ter sido Inspetor da Receita Federal e, como tal, determinado o início dos procedimentos de fiscalização, tendo assinado o Mandado de Procedimento Fiscal contra as autuadas; (b) a autoridade julgadora de primeira instância não haver apreciado Parecer juntado aos autos pelas impugnantes, mesmo após já apresentada a impugnação, visto que o referido Parecer fora apresentado antes de proferida a decisão; e (c) a DRJ ter recusado a juntada de documentos que estavam em poder da Administração, solicitada pelas impugnantes. Referida decisão, ainda, determinou fosse reaberto o prazo às autuadas para juntada de documentos e apresentação de nova defesa, estendendose, inclusive, à Brazshipping, que sequer havia interposto recurso. Assim, anulada a decisão de primeira instância, antes de ter sido proferida nova decisão pela DRJ, a Brazshipping apresentou recurso voluntário(fls.1.322/1.336vol.V), assim como a TCÊ e a SDW, em conjunto (fls. 1.338/1.360vol.V). Em 20 de junho de 2008, a Presidente da Segunda Turma de Julgamento da DRJFortaleza/CE apresentou embargos inominados em face do Acórdão nº. 30334.306, requerendo fosse declarada a nulidade da decisão proferida em segunda instância, por entender que a matéria julgada pela então Terceira Turma do Terceiro Conselho de Contribuintes era estranha à sua competência regimental. Em apertada síntese, aduziu que, por tratar o Auto de Infração de exigência de multa regulamentar do IPI, seria a matéria de competência do então Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 1.367/1.382vol.V). Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 24 Em 12 de novembro de 2008, por meio do Acórdão nº. 30335.769, a Terceira Turma do então Terceiro Conselho de Contribuintes acolheu os embargos interpostos, declarando a nulidade da decisão anteriormente proferida por aquela Turma e declinando da competência em favor do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 1.386/1.391 – vol. V). Com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, passou a matéria à competência da Terceira Seção de Julgamento, na forma do inciso III do art. 4º do Regimento Interno do CARF, razão pela qual os autos aqui chegaram. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Ao teor do relatado, cuida a lide de Auto de Infração lavrado em 24/05/2004 (ciências em 26 e 27/05/2004) contra as empresas BRAZSHIPPING MARÍTIMA LTDA (doravante denominada Brazshipping), TCÊ COMÉRCIO E SERVIÇOS EM TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA (doravante denominada TCÊ) e SDW SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA (doravante denominada SDW), para exigência da multa regulamentar prevista no inciso I do artigo 83 da Lei nº. 4.502/64, com a redação dada pelo art. 1º do Decretolei nº. 400/68, no valor total de R$ 2.187.715,43. O recurso voluntário oferecido pela TCÊ e SDW, em conjunto, constante do volume IV às fls.1.031/1.109, preenche as condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Já quanto à empresa Brazshipping, temse que esta não apresentou recurso voluntário. Isto porque, uma vez anulada a decisão proferida pela Terceira Turma do Terceiro Conselho de Contribuintes, retornouse ao status quo ante, quando, então, a empresa Brazshipping tinha sido revel, a despeito de ter sido intimada da decisão de primeira instância, em 03/01/2006 (fl.1.029vol. IV). Passo, pois, à análise das razões de defesa. I Preliminares 1. Nulidade da decisão de primeira instância 1.1. Da participação, no julgamento, de autoridade administrativa que assinou o MPF Alegam as recorrentes que o julgador Luís Maia Cerqueira não poderia ter participado do julgamento em primeira instância, pela DRJFortaleza/CE, pois, tendo ocupado a função de inspetor da Alfândega no Porto de Manaus, assinou o Mandado de Procedimento Fiscal em relação a uma das recorrentes, no período fiscalizado. Sem razão as querelantes. Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.405 25 O servidor Luís Maia Cerqueira assinou o MPF como inspetor da Alfândega no Porto de Manaus, visto que, como chefe da repartição, a ele cabia a assinatura de todos os MPF expedidos para fiscalizar qualquer empresa, indistintamente. O Mandado de Procedimento Fiscal consiste em uma ordem específica, emitida pela autoridade competente da Receita Federal – no caso, o inspetor da ALF/Porto de Manaus – para que os servidores da área de Fiscalização procedam à verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, bem como da correta aplicação da legislação, e, se for o caso, à constituição do crédito tributário devido ou à apreensão de mercadorias em situação irregular. O MPF tem por escopo o planejamento e o controle, por parte da Receita Federal, das atividades de fiscalização a serem desenvolvidas em cada exercício fiscal, visando, ainda, permitir ao sujeito passivo assegurarse da autenticidade da ação fiscal contra ele instaurada, e, com isso, evitar achaques de maus servidores ou de pessoas que se fazem passar por servidor autorizado à Fiscalização. Assim, a assinatura do inspetor no MPF não demonstra, por parte deste, qualquer interesse na autuação do Fiscalizado, mas apenas representa uma autorização para que seja verificada a regularidade das operações praticadas. Demais disso, o inspetor não participa dos atos praticados pela fiscalização, tampouco participa da autuação, nem de qualquer ato tendente à verificação da regularidade fiscal procedida pelo sujeito passivo. O impedimento aponta para a incapacidade subjetiva do julgador, de forma que, não sendo do julgador o ato impugnado (no caso, o lançamento), não há que se falar no seu afastamento para fins de julgar. A reforçar tal entendimento, temse que, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, afora os casos em que haja interesse econômico e financeiro, ou parentesco com a parte interessada, o impedimento do Conselheiro para atuar no julgamento de recurso somente se dá nos casos em que ele tenha participado do ato impugnado, seja como autoridade lançadora, seja em despacho decisório monocrático, ou, seja, ainda, como autoridade julgadora de primeira instância. Vejase: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; III como parte, cônjuge, companheiro, parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau; IV participado do julgamento em primeira instância. E mais, na Câmara Superior de Recursos Fiscais, o Conselheiro que na Câmara baixa tenha atuado como relator do processo, está impedido de ser o relator desse processo em relação à matéria submetida ao recurso especial, mas não está impedido de fazer parte do Colegiado e proferir o seu voto. Vejase o que dispõe o art. 42a do RICARF: Art. 42A O Conselheiro estará impedido de atuar como relator em recurso especial em que tenha atuado, na decisão recorrida, Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 26 como relator ou redator relativamente à matéria objeto do recurso especial. Apenas para trazer ao julgamento exemplos de situações semelhantes, em que o impedimento da autoridade julgadora não foi acolhido, cito o julgamento do processo 12466.004385/200690, onde a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de julgamento rejeitou, por maioria de votos, a preliminar de impedimento do então conselheiro João Luiz Fregonazzi, integrante daquela Turma, que havia assinado o MPF como inspetor do porto de Vitória/ES. Outro exemplo é o julgamento do processo nº. 10283.006656/200311, onde as mesmas empresas TCÊ e SDW suscitaram o impedimento do mesmo julgador de primeira instância, o AFRFB Luís Maia Cerqueira, o que não foi acolhido. Vejase: “........................................................................................................................... No que diz respeito à participação do Sr. Luis Carlos Maia Cerqueira no julgamento proferido pela DRJ em Fortaleza por ter sido ele inspetor da Alfândega do Porto de Manaus no período fiscalizado, tendo inclusive assinado MPF, através do qual se deu o início dos trabalhos de fiscalização em uma das empresas, e que a sua participação fere os princípios da imparcialidade e macula o julgamento proferido, nos termos do art. 19, inciso I da Portaria MF 258/01, tomando nula a decisão proferida, entendo não ser exatamente a situação em tela que está a ser descrita no dispositivo legal citado. Realmente não poderia a autoridade lançadora participar do julgamento dos seus feitos em virtude do princípio da imparcialidade que está exatamente contemplado no art. 19, inciso I da Portaria MF 258/01. Mas aqui deve ser ressaltado que a vedação referese àqueles que participaram diretamente da ação fiscal que culminou na autuação, ou seja, os fiscais que participaram da ação fiscal e da autuação. A estes sim, resta vedada a participação do julgamento do litígio travado em virtude de autuação que eles próprios tenham sido os autores. No caso dos autos a situação é outra. O Sr. Luis Carlos Maia Cerqueira não participou efetivamente da operação de fiscalização nem efetuou ele próprio o lançamento. Apenas como autoridade administrativa, no caso inspetor da Alfândega do Porto de Manaus, expediu e assinou os MPF necessários para que as empresas fossem fiscalizadas, dentro daquelas funções que são próprias do cargo que ocupava à época. Nenhuma participação direta teve nos trabalhos realizados pelos fiscais responsáveis e designados para a realização dos trabalhos fiscalizatórios, nem na autuação que veio a ser formalizada por meio do auto de infração aqui sob analise. Desta forma, entendo que nenhuma restrição há para que aquele que desempenhou papel de administrador com as funções que lhe são próprias do cargo ocupado, na época da ocorrência dos trabalhos fiscais que culminaram na autuação, possa em momento posterior, ocupando a função de julgador, participar de solução de litígio gerado em uma ação fiscal da qual ele não foi parte integrante.” Deste modo, por não vislumbrar qualquer impedimento na participação do julgador Luís Maia Cerqueira, rejeito esta preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. 1. 2. Do alegado cerceamento do direito de defesa Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.406 27 Suscitam as recorrentes a nulidade da decisão a quo, por cerceamento do direito de defesa, em razão da falta de apreciação, pela DRJ, de Parecer Jurídico juntado após o oferecimento da impugnação. Alegam que o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72 diz respeito à apresentação de provas no processo administrativo fiscal, não abrangendo a questão de apresentação de pareceres jurídicos. Entende que, sendo o Decreto nº. 70.235/72 omisso quanto à questão da juntada de parecer jurídico, deveria ser aplicado o regramento contido no art. 38 da Lei nº. 9.784/99, que permite a juntada de parecer na fase instrutória do processo, antes de proferida decisão. Neste ponto, posicionome de maneira divergente àquele adotado pela autoridade julgadora a quo, porém concluo no mesmo sentido. Vejase o que estabelece o art. 38 da Lei nº. 9.784/99: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Da simples leitura do artigo acima transcrito, salta aos olhos que o dispositivo legal trata, exatamente, da produção de provas, vez que esta é a finalidade da fase instrutória de um processo, fase em que é concedida às partes a oportunidade de provarem suas alegações. A diferença está no fato de que o art 38 da Lei nº. 9.784/99 trata da fase instrutória no âmbito do processo administrativo federal, e o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72 também assim o faz, mas no âmbito do processo administrativo fiscal, consubstanciandose em norma mais específica e que, por isso, afasta a aplicação da Lei nº. 9.784/99. Não vislumbro, porém, qualquer omissão do Decreto nº. 70.235/72 acerca da juntada de parecer jurídico, o qual estaria englobado nas disposições do §5º do mesmo art. 16: §5º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Em que pesem os brilhantes argumentos trazidos pela autoridade julgadora a quo, entendo que um parecer jurídico também é um documento, em sentido amplo, conforme explicita o próprio Dicionário Aurélio: Documento: 1. Qualquer base de conhecimento, fixada materialmente e disposta de maneira que se possa utilizar para consulta, estudo, prova, etc. 2. Escritura destinada a comprovar um fato; declaração escrita, revestida de forma padronizada, sobre fato(s) ou acontecimento (s) de natureza jurídica. Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 28 Nos termos do art 16 do Decreto nº. 70.235/72, a juntada de qualquer documento após a apresentação da impugnação só pode ser aceita se comprovada a ocorrência de uma das condições previstas no §4º daquele mesmo artigo, quais sejam: i. fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; ii. referirase a fato ou a direito superveniente; ou iii. destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se tratando a juntada do referido Parecer de nenhum dos casos acima mencionados, acertada a decisão da DRJ, que não conheceu do documento apresentado. 1.3. Juntada de documentos em fase recursal Afirmam as recorrentes que, quando do oferecimento da impugnação, estavam impossibilitadas de juntar os documentos arrolados no doc.12 anexo ao recurso (fl. 1.192v.IV), vez que só lhes foram devolvidos em 19/04/2005. Com isso, alegam que tais documentos devem ser apreciados em grau de recurso. Acontece que, tendo sido tais documentos disponibilizados após a apresentação da impugnação, mas antes de proferida a decisão de primeira instância o que só ocorreu em 13/01/2006 deveriam as interessadas têlos submetidos à apreciação da autoridade julgadora a quo, aí sim, fundamentandose nas exceções do §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72, conforme mencionado no item 1.2 deste voto. As querelantes tiveram quase nove meses para assim proceder. Não podem vir agora pleitear a apreciação dos referidos documentos por este Colegiado, sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição e contrariar disposições legais. Demais disso, as recorrentes não trouxeram, junto com o recurso voluntário, qualquer documento que estivesse incluído na lista constantes do Termo de Restituição e que lhe foi devolvido em 19/04/2005. 1.4. Alegações genéricas de nulidade Afirmas as querelantes que a decisão de primeiro grau seria nula, ainda: em razão de haver comparado valores de fatura pro forma e faturas originais relativas a operações que não são objeto do presente lançamento; e por cerceamento do direito de defesa, em razão da falta de juntada de documentos que estariam em poder da Administração. Tais afirmações não podem ser tidas como alegações de defesa, posto que genéricas e por demais abrangentes. Deveriam as recorrentes ter apontado quais foram as faturas, objeto da decisão de primeira instância, que não diziam respeito ao lançamento ora em análise e quais foram os documentos que estavam em poder da Administração e que não tiveram sua juntada deferida pela autoridade julgado a quo. Não tendo as recorrentes especificado os pontos a que desejavam contrapor se, não há como convalidar o pedido de nulidade da decisão de primeira instância. Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.407 29 2. Nulidade do Lançamento 2.1. Da falta de acesso aos documentos que fundamentaram a autuação Aduzem as interessadas que, para a lavratura do auto de infração, a Fiscalização utilizouse de documentos fiscais que não mais se encontravam em seu poder, posto terem sido apreendidos em momento anterior ao lançamento, em cumprimento a Mandado de Busca e Apreensão expedido pela Justiça Federal do Amazonas, tendo havido, assim, prejuízo ao exercício do seu direito de defesa. Novamente descabe razão às requerentes. Mais uma vez as interessadas deveriam terse valido das disposições contidas no §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72 e, assim que os referidos documentos tivessem sido liberados, deveriam ter requerido a sua juntada extemporânea, apresentando aditamento à impugnação. Porém, não foi essa a conduta das recorrentes, que, após a liberação dos documentos, passaram meses sem pedir sua juntada ao processo, contando apenas com o pleito de nulidade formulado na peça de defesa. Tratouse da escolha de uma estratégia de defesa, que não pode, em nenhum momento, macular de nulidade o lançamento, visto que há dispositivo legal expresso que ampara a apresentação de defesa extemporânea em situações como esta. Demais disso, como bem salientou a autoridade julgadora de base, poderia assistir razão às litigantes se lhes houvesse sido negado o fornecimento de cópia do auto de infração e dos documentos que o instruem, fato este que não ocorreu. Conforme se pode verificar claramente às fls. 01 do processo, quando da ciência do lançamento, as autuadas declararam ter recebido cópia do auto de infração e de seus anexos. E mais: ainda que os documentos apreendidos possam não ter sido devolvidos às impugnantes nem encaminhados juntamente com o auto de infração, cópias dos citados documentos estão anexadas ao presente processo desde sua formalização, estando, portanto, disponíveis para exame por parte da impugnante. Ressaltese que ao litigante é assegurado o direito de vista aos autos durante toda a tramitação do processo, inclusive durante o prazo impugnatório. Não há, portanto, como acolher mais a preliminar suscitada. 2.2.. Da alegada utilização de prova ilícita Afirmam as recorrentes que, apesar de a apreensão ter sido ordenada judicialmente, por ocasião do seu cumprimento pela autoridade policial, teria havido desrespeito ao dispositivos das normas processuais penais, o que ensejaria a nulidade do ato. Alega que, quando do cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão expedido, foram apreendidos todos os documentos existentes na sede da TCÊ, sendo lavrado o respectivo Termo de Apreensão, mas que referido Termo identificou os documentos apreendidos de forma genérica, sem a especificação de quais e quantos documentos se tratavam, nem a quais empresas se relacionavam. Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 30 Qualquer descumprimento de normas processuais penais, na execução da atividade cumprida pela Polícia Federal, refoge ao campo de competência desse Colegiado, que não pode se pronunciar sobre procedimento cumprido sob ordem judicial. Se alguma irregularidade houve, esta somente pode ser reconhecida pelo Poder Judiciário, de onde emanou a ordem. O controle da atividade policial na execução de decisões judiciais é estranha à competência do contencioso administrativo fiscal. II. Do Mérito Constatou a Fiscalização que as empresas autuadas consumiram e entregaram a consumo produtos de procedência estrangeira importados fraudulentamente, referentes a operações de comércio exterior realizadas no ano de 1999. A fraude verificada consistiu, principalmente, na falsificação/adulteração de faturas comerciais internacionais (invoices) e de conhecimentos de carga (BL), situação fática que ensejou a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 83 da Lei n.º 4.502/1964, na redação dada pelo DecretoLei n.º 400/1968, o qual assim dispõe: Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da notafiscal, conforme o caso; Conforme os fatos relatados, vêse que, no caso em questão, pretendeu a Fiscalização a aplicação de multa equivalente ao valor comercial das mercadorias, em razão de ter sido entregue a consumo ou serem consumidos produtos de procedência estrangeira importados irregular ou fraudulentamente. Por outro lado, as querelantes alegam, a todo o tempo, que não existiu nenhuma importação irregular, tampouco fraudulenta, visto não configurado o dolo e inexistente o propósito de diferir, reduzir ou evitar o pagamento do tributo. Vejamos. Afirmam as recorrentes que a existência de duas faturas comerciais para a mesma operação se deu em razão de haver uma fatura pro forma, que amparava o despacho aduaneiro, e outra fatura, que era a original, a qual encontravase arquivada no estabelecimento comercial, junto à fatura pro forma. Afirmam, também, que elas próprias emitiam as faturas pro forma em razão de as faturas emitidas pelos fornecedores não conterem descrição detalhada das mercadorias e nem atenderem a todos os requisitos legais do país para o qual exportavam, ou seja, o Brasil. Com tais afirmações, entendo que a própria autuada assume, por óbvio, a irregularidade das importações efetuadas, vez que, ao realizar tal procedimento, descumpriu os requisitos impostos pelo art. 425 do Regulamento Aduaneiro/1985, então vigente à época dos fatos, que estabelece que o despacho aduaneiro deve ser instruído com a 1ª via da fatura comercial (via original, portanto), assinada pelo exportador. Vejase: Art. 422. O despacho de importação será instruído com o conhecimento de carga original ou documento equivalente, como Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.408 31 prova de posse ou propriedade da mercadoria (DL 37/66, art. 45) ......................................................................................................... Art. 425.O despacho de importação será instruído também com fatura comercial, assinada pelo exportador, que conterá as seguintes indicações (DL 37/66, art. 45): a) nome e endereço, completos, do exportador; b) nome e endereço, completos, do importador; c) especificação das mercadorias em português ou em idioma oficial do GATT (Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio), ou, se em outro idioma, acompanhada de tradução em língua portuguesa, a critério da autoridade aduaneira, contendo as denominações próprias e comerciais, com a indicação dos elementos indispensáveis à sua perfeita identificação; d) marca, numeração e, se houver, nº de referência dos volumes; e) quantidade e espécie dos volumes; f) peso bruto dos volumes, entendendose como tal o da mercadoria com todos os seus recipientes, embalagens e demais envoltórios; g) peso líquido, assim considerado o da mercadoria livre de todo e qualquer envoltório; h) país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; i) país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; j) país de procedência, assim considerado aquele onde se encontrava a mercadoria no momento de sua aquisição; k) preço unitário e total de cada espécie de mercadoria e, se houver, o montante e natureza das reduções e descontos concedidos ao importador; l) frete e demais despesas relativas às mercadorias especificadas na fatura; m) condições e moeda de pagamento §1º A fatura será emitida em duas vias (2) vias, no mínimo, destinandose a 1ª via à instrução do despacho e a 2ª via ao arquivo do importador, exigindose uma 3ª via para a repartição consular brasileira, no caso de visto consular. Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 32 §2º As emendas, ressalvas ou entrelinhas feitas na fatura deverão ser autenticadas pelo emitente. § 3º. O Secretário da Receita Federal poderá exigir a indicação de outros elementos na fatura comercial. Se qualquer ajuste devesse ser feito na fatura comercial, a fim de adequar os dados constantes da fatura, assim como a descrição da mercadoria, por exemplo, tal poderia ter sido feito por meio de emendas ou ressalvas, desde que autenticadas pelo emitente, de forma que não haveria qualquer necessidade de emissão de uma fatura pro forma para proceder aos ajustes alegados pelas recorrentes. Demais disso, a fatura pro forma é um documento emitido pelo exportador (e não pelo importador) em caráter preliminar, a pedido do importador, para providenciar o início da efetivação da importação. Contém os elementos da fatura definitiva, mas não gera a obrigação de pagamento por parte do comprador e não tem valor contábil ou jurídico, pois se trata de simples instrumento de apoio à operacionalização da venda. Representa, apenas, a perspectiva do negócio jurídico, que só se terá por realizado com a emissão da fatura original. Desta forma, em momento algum poderia ser utilizada a fatura pro forma para instrução do despacho aduaneiro de importação, visto que esta não representa a realização de uma operação de compra e venda internacional. Portanto, não se mostra plausível o entendimento de que, agindo em afronta à determinação da lei, tal procedimento, assim mesmo, seria considerado regular. Neste sentido, o art. 499 do RA/85 estabelece o que se considera irregularidade na importação ou infração à legislação aduaneira: Art. 499. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá lo (DL 37/66, art. 94). Daí, portanto, que, não tendo sido instruído o despacho aduaneiro com a fatura comercial original, isso por si só já seria o suficiente para a aplicação da multa infligida pela Fiscalização às autuadas, visto configurar as importações realizadas como irregulares. No caso, a irregularidade consubstanciouse na adulteração/falsificação de faturas comerciais internacionais e de conhecimentos de carga, tendo sido o modus operandi das autuadas minuciosamente descrito pela Fiscalização, de cujo relatório extraio os seguintes excertos: “........................................................................................................................... Ainda existem mais provas: às fls.362, há uma fatura falsa/adulterada da Samsung ElectroMechanics Co. Ltd. com preço superfaturado. A original/verdadeira está às fls.363. No item "4", será elucidada a questão da falsificação/adulteração das invoices, que basearam os despachos aduaneiros auditados, necessitandose, apenas, explicar que os documentos estão agrupados em jogos (fls.587), apresentando as invoices falsas assinaladas com letra "A", a original/verdadeira com "B", o packing list regular com "C", a DI correlata com o signo "D" e o conhecimento verdadeiro com "E". Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.409 33 Todas as vias falsificadas/adulteradas ("A") seguem o modelo tipográfico (fls.346), não trazendo quaisquer verossimilhanças com a original/verdadeira ("B"). Desta comprovação já se pode afirmar, com absoluta certeza, que todas as faturas que têm esta tipografia gráfica são falsas. É fácil comprovar as fraudes, bastando cotejar a invoice "A" (via falsa/adulterada emitida conforme o modelo tipográfico aludido e utilizada nas operações cambiais e aduaneiras) com a assinalada com "B" (a original/verdadeira, emitida pelo exportador). As diferenças são gritantes. A ousadia dos fraudadores é tanta que os documentos estavam arquivados juntos quando foram apreendidos em obediência ao Mandado de Busca e Apreensão n° 2003.45953. O esquema utilizado para a feitura das infrações e crimes apurados aqui segue o roteiro já identificado em outras ocorrências anteriores, que envolvem a empresa "CCE" e outras do grupo, como a "DM", tendo por intuito, sempre, fraudar os cofres públicos. Atua nele o mesmo grupo de pessoas físicas, sócias em várias indústrias importadoras localizadas na ZFM, entre elas estão TCÊ e a SDW. O restante delas, configurando uma grande rede, está listado, por sócio, às fls. 381/411. ............................................................................................................................. A invoice falsificada/adulterada tem o código 1A (fls.588/593). A original/verdadeira traz em si a codificação 1B (f1s.594). O Packing List é o 1C (fls.595). A Declaração de Importação (DI) é o 1D (fls.596/631). O B/L original é o 1E (fls.632), enquanto o falso/adulterado é o 1F (fls.633). O processo de falsificação/adulteração das invoices é grosseiro. Há mixórdia de línguas no documento internacional falsificado/adulterado. Indistintamente, ora se usa o inglês ora o português, ou seja, a despeito de os exportadores estarem situados em países diferentes e de serem as faturas emitidas de acordo com a legislação vigente de cada pais, o layout gráfico (fls. 346) utilizado para a falsificação nunca sofria modificações. Neste caso e nos outros, a descrição das mercadorias nas invoices "A" (falsas/adulteradas), sempre, em língua portuguesa, é exatamente aquela constante do Processo Produtivo Básico (PPB) autorizado pela Suframa. Eis um dos motivos de fraude: fazer as mercadorias se enquadrarem no PPB aprovado pelo órgão anuente mencionado. Porém, das invoices verdadeiras "B" consta descrição genérica e não explicativa tal qual o B/L verdadeiro "E". ............................................................................................................................ Repisemse: as comprovações da falsificações/adulterações estão provadas [sic], pois, de todos os documentos anexados, depreendese a falsificação de invoices, inclusive de transnacionais de renome mundial. Provando mais uma vez a falsificação/adulteração, o escritório da Receita Federal nos Estados Unidos (fls.348) e a Procuradoria da República no Amazonas (fls.347) remeteram ao grupo General Eletric (GE), questionamentos sobre a emissão das invoices 0370025201(fls.351), 0370025401(fls.352), 0370025501(fls.353) e 0388365601(fls.354), das quais constam a marca oficial e a suposta subscrição oficial de funcionário daquela empresa. Adiantese que as correlatas vias originais/verdadeiras estão, seguidamente anexadas às falsas, às fls.355/358, e têm ambas a mesma numeração. Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 34 Não restando dúvidas, assim, quanto às falsificações/adulterações realizadas grosseiramente pelas autuadas, a GE Plastics (fls. 349/350), referindose às vias de acordo com o modelo às fls. 346, respondeu: "As três faturas que Vsas. anexaram à carta não são as faturas originais que a GE Plastics apresentou ao Banco Boa Vista INTERATLANTICO para estas três transações de importações. (...) Enquanto estas faturas estão aparentemente corretas no total, há erros administrativos que ressaltamos na planilha anexa. Note que algumas das nomenclaturas de cor do produto estão incorretas e alguns dos dados de peso estão em libras ao invés de quilogramas." ............................................................................................................................ Neste caso, na via às fls. 594, vêse que as anotações em vermelho foram seguidas à risca durante processo de falsificação: majoração de preço, compensação de um valor de US$ 3.000 (referente à DI 99/06786990). O valor da via às fls. 594 é de US$ 592.000,00 e nela há uma ordem para fazerse uma majoração de 30% do preço. É por isso que a via falsificada, às fls. 588/593, tem valor 30% superior ao da original. A via verdadeira aponta, como exportador, a empresa Jean Co. Ltda. Da via "A" falsificada consta o nome do exportador Kelsey Commercial S/A. Já o BL falsificado, às fls. 633, está de acordo com a via da invoice falsa "A": o Shipper (exportador) é a Kelsey. Porém da via verdadeira, que está de acordo com a invoice "B", o exportador é a empresa Jean. Ou seja, neste caso, houve simulação do valor da operação e do exportador, dentre as irregularidades mencionadas. ............................................................................................................................” Verificase, portanto, que as faturas tipo “A” não foram efetivamente emitidas pelas empresas exportadoras, de forma que as assinaturas nelas constantes não são as dos exportadores, conforme exige expressamente a legislação tributária em relação à fatura que ampara o despacho aduaneiro. E mais ainda, as referidas faturas foram realmente emitidas pelas empresas TCÊ e SDW e não pelo exportador – o que foi assumido pelas autuadas expressamente em seu recurso voluntário razão pela qual os referidos documentos não podem ser considerados faturas comerciais originais, as quais deveriam instruir o despacho. Ressaltese que qualquer acordo porventura existente entre as partes, no qual as empresas exportadoras tenham autorizado as importadoras a emitirem faturas comerciais em seu nome, não pode, de forma alguma, sobreporse à lei. Por fim, há de se considerar que, não tendo legitimidade para emitir fatura comercial em nome do exportador, as empresas autuadas agiram não apenas em desconformidade com a lei, mas com falsidade material, ao tentarem fazer parecer legítimo documento que não possuía qualquer validade jurídica e pior, forjando dados e falsificando assinaturas, como se fossem do exportador. Salientese, porém, que, conforme assinalou a autoridade julgadora a quo, a menção constante do Auto de Infração relativamente à resposta da GE Plastics deuse a título explicativo, no intuito de demonstrar a natureza da conduta praticada pelas autuadas. Nesse ponto, vale reproduzir o teor da decisão a quo: “Inicialmente, esclareçase que a alusão feita pela fiscalização às invoices emitidas pelas empresas General Eletric Company, de nos 0370025201, 0370025401, 0370025501 e 0388365601 (fls. 355/358) e Samsung Electro Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.410 35 Mechanics Co. Ltda., sob n° ILB040240 (fls. 363), tem efeito meramente ilustrativo, uma vez que a multa exigida no presente processo não se relaciona às citadas faturas. Assim, a fiscalização quis tãosomente demonstrar que tais faturas foram substituídas no despacho por faturas falsas emitidas pelo importador, com a mesma numeração, mas com "layout" diferente (fls. 351/354 e 362). Ao ser questionada pela fiscalização, a GE Plastics respondeu que não emitiu as faturas que instruíram os despacho de importação (fls. 349/350). Portanto, além de demonstrar que há precedentes da prática ilícita por parte da autuada, o comentário em relação às faturas mencionadas no parágrafo anterior serve apenas de paradigma para ilustrar como se perpetrou a adulteração de faturas comerciais nos diversos despachos de importação, pois as constatações em relação às demais faturas, em linhas gerais, seguem esse mesmo padrão. O caso concreto não se refere a estas faturas, mas às faturas comerciais de fls. 588/594 e DI correspondente relacionada às fls. 596/631 dos autos. Todavia, tendo em vista os argumentos expendidos tanto no auto de infração como na impugnação, cumpre tecer considerações sobre as citadas invoices. A GE Plastics declarou, em resposta ao questionamento das autoridades fiscais brasileiras, que as faturas que instruíram os despachos, elaboradas pelo importador refletem o valor total de dólares das transações contido nas faturas verdadeiras, porém verificase que há diferenças na quantidade de mercadorias entre as faturas verdadeiras e falsas, o que obviamente implica em alterar o valor unitário dos produtos, ou seja, se manteve o preço total, porém, foi diminuída a quantidade de mercadorias. Assim, fica evidenciado que, além da existência de outros erros entre as invoices (tais como diferenças relativas à cor dos produtos e à medida de peso), a divergência na quantidade das mercadorias negociadas e no termo de pagamento altera substancialmente o teor das faturas comerciais emitidas pelo exportador, caracterizando, portanto, a fraude.” De outro giro, aduzem as recorrentes que, se existissem irregularidades nas importações, o despacho aduaneiro não se teria concretizado, nem as mercadorias teriam sido liberadas para o consumo e que, em razão de ter havido o desembaraço das mercadorias, tal fato atestaria a regularidade das importações. Acontece que, diferentemente do que alegam as querelantes, tal fato não implica em atestado de regularidade das importações, visto que a Receita Federal pode e deve proceder a revisão aduaneira, dentro do prazo quinquenal legal, para fins de verificar a correição dos procedimentos adotados pelo importador. Após o desembaraço da mercadoria, o despacho aduaneiro pode ser submetido a revisão para apurar qualquer irregularidade relativa ao despacho, conforme dispõe o art. 455 do RA/1985: Art. 455. Revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade da importação ou exportação quanto aos aspectos fiscais, e outros, inclusive o cabimento de benefício fiscal aplicado (DL 37/66, art. 54) Quanto à alegação das recorrentes, de que a multa aplicada também se mostra completamente indevida posto que, juridicamente, não houve importação, já que as zonas francas não são consideradas como território nacional para efeitos aduaneiros, temse que de tal Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 36 matéria não se pode conhecer, visto que tais argumentos de defesa não foram suscitados na impugnação, de forma que esta argumentação trazida pela querelante, em sede de recurso, não foi analisada pela DRJ, o que impede a apreciação da matéria por esta instância superior, a qual tem por objetivo a revisão das decisões da instância a quo. Não é lícito ao querelante inovar na postulação recursal, incluindo questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da apresentação da impugnação perante a instância julgadora a quo, pois o duplo grau de jurisdição assegura a devolução à autoridade ad quem apenas da matéria impugnada, vez que, nos termos do art. 14 do Decreto lei nº. 70.235/1976, em relação à matéria não impugnada, não se tem por instaurado o litígio. Na verdade, quiseram as recorrentes, no corpo de seu recurso, introduzir a tese defendida no já citado Parecer Jurídico constate às fls. 1.213/1.248, cuja juntada se deu extemporaneamente e cuja apreciação não foi admitida pela autoridade julgadora de primeira instância, nem, pelas mesmas razões, por esta julgadora. Com isso, tentam as querelantes alargar os limites do litígio definidos na impugnação e, por vias transversas, tentam, mais uma vez, trazer à baila matéria que só foi deduzida a destempo, por meio do referido Parecer. Resta, por último, analisar a ocorrência ou não de fraude, que está intrinsecamente relacionada à existência do dolo na conduta perpetrada pelo agente. Neste ponto, adoto como razões de decidir as colocações abaixo transcritas, postas pela Conselheira Nayra Bastos Manatta, nos autos do processo nº. 10283.006656/2003 11, o qual trata de idêntica matéria e constam com autuadas as mesma empresas TCÊ e SDW: “Resta saber se no caso em concreto houve dolo e o evidente intuito de fraude nas ações praticadas pela recorrente. A conduta dolosa não pode ser comprovada por documentação, pois está intimamente ligada à finalidade da conduta do agente, ao fim ao qual está relacionada, à vontade intrínseca ao ato praticado pelo agente. A intenção de alguém não pode ser comprovada por documentos, mas sim pela conseqüência premeditada que os seus atos almejam obter. Dolo é considerado quando o agente da ação efetivamente quis o seu resultado ou assumiu o risco de o produzir. Ou seja, quando há intenção de produzir o resultado que a sua ação alcançaria. Verificase que toda a conduta do agente reflete o dolo, ou seja, a intenção de obter o resultado que a sua ação acarretaria, qual seja: utilizarse indevidamente do beneficio fiscal concedido para a ZFM e para conseguir seu intento falsificou documentos de forma a permitir o enquadramento das mercadorias importadas no PPB. Ou seja, o intuito de fraude nas ações praticadas pela recorrente tomouse evidente pela prática de atos como modificar as suas características essenciais do fato gerador do tributo, de modo a evitar o seu pagamento. Diante disto não há dúvida de que a intenção do agente é dolosa e fraudulenta, nos exatos termos do art. 72 da Lei n°4.502/64: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.411 37 Diante de tais elementos, a Fiscalização concluiu, corretamente, que se tratava de importações fraudulentas, pois o objetivo das empresas era enquadrar as mercadorias no PPB aprovado pela SUFRAMA, valendose indevidamente de benefício fiscal para evitar o pagamento de obrigação tributária principal. Configurados, pois, o dolo na conduta perpetrada, demonstrando, claramente, a intenção do agente de beneficiarse de isenção indevida. Por último, há que se analisar a alegada existência de fraude na constituição das duas empresas, a TCÊ e a SDW. Alega a Fiscalização que as empresas referidas são, na verdade, uma única empresa; que, apesar de formalmente serem pessoas jurídicas distintas, ambas dividem o mesmo espaço físico, “estão instaladas basicamente no mesmo endereço, Rua Içá nº 21, em prédios contíguos, localizados dentro de mesma área, compartilhando, além da dependência administrativa, no tocante aos funcionários burocráticos, o portão de entrada e saída, prédio de estacionamento de veículos, área de carga e descarga de insumos e produtos. As linhas de produção, embora autônomas, possuem comunicação interna entre os prédios” Afirma ainda a Fiscalização que, de acordo com o Parecer CST nº. 88/75, para ser considerada a duplicidade de estabelecimentos se faz necessário que os prédios estejam situados em áreas descontínuas e separadas por via pública. E mais, que a descontinuidade geográfica, obrigando o intercâmbio de produtos por via pública, já é o bastante para caracterizar a existência de estabelecimentos distintos, respondendo cada um pelas obrigações fiscais próprias. Ademais, procura demonstrar a existência de inúmeras vinculações entre os sócios das duas empresas em razão do vínculo de parentesco estabelecido pelo mesmo sobrenomes entre diversas pessoas. Entendo que não há elementos nos autos, referentes a esta autuação, que possam comprovar a inexistência individual de cada uma das empresas, nem mesmo como resultante de indícios probatórios. A Fiscalização baseou suas conclusões fundamentandose, primordialmente, na inexistência de um via pública a dividir os imóveis onde funcionariam as empresas e nas relações de parentesco existentes entre os sócios e administradores de ambas. Tais elementos parecemme insuficientes, a partir do momento em que a própria Fiscalização admite que existem linhas autônomas de produção, sem, no entanto, se preocupar em esclarecer a quem cabia a produção de quê. Nesse ponto, passo a adotar como razão de decidir o voto do Conselheiro Júlio César Alves Ramos que, com a costumeira competência, bem enfrentou a matéria. Assim, com as devidas homenagens, passo a transcrever os argumentos do ilustre Conselheiro, expendidas no voto vencedor quando do julgamento do já citado processo nº. 10283.006656/200311. “Divergiu a maioria do Colegiado do voto da i. Relatora apenas no tocante à caracterização da fraude na constituição das empresas, que levaria a considerálas como uma única. Dessa discordância resultou não aceita a imputação a uma delas das infrações que supostamente foram cometidas pela outra. Os motivos para tanto podem ser resumidos assim. Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 38 Em primeiro lugar, não parece haver um critério claro por parte da autoridade fiscal. Ao mesmo tempo em que a acusação fiscal afirma que as duas empresas são, em verdade, uma só, a autuação engloba as duas, imputando, indistintamente, as infrações que teriam sido cometidas por uma à outra. Até aí, portanto, parece que a autoridade entendia ocorrida a responsabilidade tributária de que cuida o capítulo V do Código Tributário Nacional, impressão que se reforça pela menção, no corpo do auto de infração, ao art. 135 do código. Ao descrever seus procedimentos, entretanto, aquela autoridade não procura demonstrar qual das hipóteses ali prevista se aplicaria ao caso. Ao contrário, passa a tentar caracterizar que haveria apenas uma empresa, valendose, para tanto, ora de alegações quanto à constituição das sociedades que teria sido fraudulenta ora da existência de comunicações que provariam a estreita ligação entre elas. Impossível por isso mesmo avançar na análise da responsabilidade que aqui haveria de ser solidária já que não há nos autos qualquer elemento que a justifique. Passase, então, ao exame dos elementos de convicção de que as duas empresas são de fato uma só. (...) Começa a fiscalização elencar os sócios da empresa e aponta que elas seriam constituídas por integrantes de uma mesma família, um de cujos integrantes também seria sócio de outro grupo econômico. Afirmase que neste outro grupo econômico a fiscalização já teria identificado vários atos lesivos ao regime da Zona Franca de Manaus. Ora, não é preciso ir muito longe nesses argumentos, pois o nosso ordenamento jurídico não permite que eventuais infrações (ainda que penais) se transfiram de uma pessoa a outra. Isso é, ainda que seja mesmo considerado, após o regular processamento administrativo e judicial, que um dos sócios de alguma das empresas seja culpado de prática delituosa em outra empresa, isso, per si, não faz com que eventuais empresas por ele constituídas padeçam de irregularidade em sua constituição. Do mesmo modo, não tem qualquer força jurídica para caracterizar fraude na constituição de empresas o fato de elas serem constituídas por membros de uma mesma família, e ainda que contra essa família pesem acusações fiscais cometidas em outras empresas. Registrese que nenhuma dessas afirmações restou comprovada nos autos. Ora, a relatora reconhece que estariam configuradas a figura da interdependência e a vinculação entre as pessoas jurídicas. E disso não discordamos. Porém, o que há de errado na interdependência? ou até na interligação, também citada e, em nosso ver, comprovada? Parecenos que a fraude na constituição das empresas poderia ser demonstrada pela falta de veracidade de algum dos elementos essenciais a sua constituição, sejam documentais ou físicos. Assim, por exemplo, se algum dos supostos sócios houvesse declarado não ser, de fato, sócio da empresa, tendo o seu nome sido indevidamente incluído. Ou se no endereço indicado não existissem instalações de nenhuma natureza — inexistência de fato. Não é disso que se trata até aqui. Com efeito, o que se pretende configurar fraude é a existência de ligação entre os sócios. Repitase que apenas a relação de parentesco foi adequadamente comprovada, embora mais de uma vez se tenha feito menção a processos em que se acusa um dos membros da família de "fraudador contumaz do regime da ZFM". Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.412 39 Chegase, desse modo, à conclusão de que esses elementos "formais" foram arrolados para reforçar o cerne da acusação fiscal: as empresas operam num espaço físico comum, não se distinguindo uma da outra. Ocorre que o relatório que a acusação apresenta como "prova" desse fato, apenas o confirma parcialmente. Com efeito, no outro processo administrativo a que alude o relatório deste, há expressa indicação de que as duas empresas partilhariam as áreas de carga e descarga e o pessoal administrativo. Mas se diz, também de forma expressa, que as áreas de produção (linhas de montagem) seriam autônomas e interligadas por comunicação interna. Esses são, então, os fatos. Duas empresas partilham o mesmo espaço físico, produzindo produtos diferentes (ao menos afirma a defesa e é possível depreenderse da afirmação de as linhas de montagem serem autônomas), sendo um deles produto intermediário da outra. Há nisso irregularidade formal capaz de permitir a desconsideração de uma delas e a afirmação de que são apenas uma? Entendo, e assim entendeu a maioria, que não. É que o elemento essencial utilizado pela fiscalização baseiase na conclusão de Parecer Normativo da SRF segundo o qual estabelecimento que "cruze" logradouro público, para efeitos da legislação do IPI, dividese em dois, não podendo deixar de considerar a saída da parte que esteja em um dos lados da rua uma saída física, fato gerador do imposto na definição legal. A conclusão do Parecer é perfeita. Mas não se presta, de modo algum, a robustecer a conclusão da autoridade lançadora. De fato, ali o que se quis obstar foi a não ocorrência do fato gerador. Para tanto, previuse que basta a existência de uma rua entre eles para que sejam estabelecimentos distintos (ainda que da mesma empresa). Aqui, ao contrário, querse descaracterizar a existência de uma empresa e, para tanto, dizse que se precisa ter uma rua entre elas para que sejam duas empresas distintas. Não parece haver dúvida de que tratamos de duas coisas completamente distintas. De fato, a tese da fiscalização aplicada rigorosamente levaria à absurda conclusão de que todas as empresas que se situassem do mesmo lado de uma rua ou avenida seriam de fato uma única empresa, já que nenhuma delas seria atravessada pela rua. Esse exemplo, propositadamente forçado, foi dado apenas para justificar que a conclusão fiscal não se sustenta do ponto de vista lógico. De fato, é inteiramente incorreto deduzir a existência de uma premissa negativa necessária a partir de uma outra premissa, esta afirmativa, de natureza suficiente. Ou seja, se "a" basta para caracterizar "b", não se deduz daí que "não a" implica "não b". Em outras palavras, a conclusão fiscal é a mesma que no exemplo: como basta que alguém seja meu filho para ser neto de minha mãe, se não for meu filho também não é neto dela. O que deixa de fora todos os filhos de meus irmãos... Como aqui, também lá a conclusão não é necessariamente verdadeira, mas pode ser! É preciso, contudo, perquirir mais uma condição: aqui, se tenho irmãos, lá se as produções são independentes, produzindo a segunda empresa a partir daquilo Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 40 que sai como produto final da primeira. Nos autos, infelizmente, nada há sobre esse ponto. Mas podese interpretar a afirmação da autoridade fiscal como sendo a de que ao sair do primeiro estabelecimento (neste caso, empresa) os produtos teriam de passar necessariamente por uma rua. Ou seja, o problema estaria na existência de "comunicação interna" entre as "empresas" que as tornaria uma só. Considero possível fazer essa leitura do Parecer, mas não vejo em que a prova contida nos autos a confirme. De fato, o citado relatório de diligência no local de funcionamento das empresas (realizado em outro procedimento fiscal, repitase) não afirmou que tal ocorresse. Aliás, sequer afirmou fato muito mais forte, em meu sentir que as duas empresas compartilhassem o mesmo galpão produtivo. Nesse sentido, observase que os endereços das empresas (aceitos pelas administrações tributárias estadual e federal) indicam dois números distintos: 21 e 21 A. Esse fato faz supor que haja, sim, comunicação de cada um deles com a rua. Não parece aceitável também supor que dois números distintos sejam atribuídos ao mesmo prédio e que a fiscalização estadual, que normalmente faz diligência in loco quando da solicitação de registro de empresas em seu cadastro, tenha aceitado a indicação de um número simplesmente inexistente. Assim, a afirmação constante em algum ponto do relatório no sentido de que o "número 21 A é inexistente" deveria ter sido acompanhada de prova. Talvez tenha sido no outro procedimento, neste ela não está presente. Assim, quanto à prova, em meu ver bastaria à fiscalização mostrar que as duas linhas de produção ocupavam o mesmo galpão, não havendo saída física dos produtos obtidos da linha de produção daquela unidade para a outra. Alternativamente, que, embora galpões distintos, encontravamse eles no mesmo espaço geográfico, ao qual a Prefeitura atribui apenas um número. Obviamente, não basta afirmar. A afirmação deve vir acompanhada da prova correspondente. Conclusivamente, não se está aqui a atestar que as empresas não são de fato uma só. O que se está a dizer é que os elementos coligidos nos autos não bastam a tanto, mormente porque o relatório da diligência realizada nas instalações atestou que há duas linhas de produção autônomas e comunicação entre elas. Caberia apurar que tipo de comunicação é essa, já que também não se diz com todas as letras que as duas linhas dividem o mesmo galpão produtivo. Assim, afastada, por falta de prova, a caracterização de estabelecimento único, cai por terra, em meu ver (e no da maioria) a acusação de "fraude na constituição". Os demais elementos que a n. relatora considerou indícios dessa fraude são posteriores à constituição e têm a ver mais propriamente com a operação das duas empresas. De fato, seriam elas administradas pelas mesmas pessoas, que atuariam nas operações de importação em nome de ambas indistintamente. Ora, também aqui não vejo em que isso constitua sequer infração, quanto mais ilícito capaz de enquadrálas como responsáveis ou, pior, desconsiderar a personalidade jurídica de uma delas. Provadas as infrações, o que se tem é tãosomente de aplicar as penalidades cabíveis a cada uma, e nada mais. Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 3202000.675 S3C2T2 Fl. 1.413 41 Nesse sentido, avultam dos autos que a imensa maioria (mais de 98%) das operações de importação foi promovida pela empresa TCÊ, não havendo qualquer menção à SDW seja nos documentos originais seja nos utilizados na efetiva importação, que foi realizada pela primeira. Destarte, essa segunda acusação de fraude tem no auto de infração duas funções. A primeira, de permitir que um pequeno número de operações que não foi realizado pela TCÊ também figure no lançamento. Em segundo lugar, reforçaria a primeira acusação (de fraude na emissão dos invoices) por dar uma aparente justificativa para tal — fraudar o regime da Zona Franca de Manaus, fazendo passar por nacionais produtos que seriam em verdade importados. O segundo aspecto não se mostrou, para a maioria, de maior relevo no julgamento. De fato, concordouse com a acusação de fraude independente da apuração dos motivos para que fosse ela realizada. Já no que tange à identificação do sujeito passivo, a manutenção da personalidade jurídica distinta para cada empresa impõe afastar do lançamento uma das pessoas jurídicas, dado que tampouco se provou a solidariedade. Em relação à que for mantida devese ainda afastar as infrações imputáveis à outra. Nesse sentido, entendeu a Câmara que o auto deve ser mantido apenas contra a TCÊ, dado que foi em seu nome que se realizou a imensa maioria das operações de importação, mas devem ser excluídas as operações realizadas em nome da SDW nos documentos originais localizados.” Requer a interessada a realização de diligência junto aos armazéns gerais que indica, para que apresentem os mapas de “desova” dos containers relativos às operações realizadas no período autuado, a fim de comprovar a regularidade da conferência aduaneira das importações realizadas. No que pertine a tal pedido, entendo não ser cabível a diligência requerida. A prova pericial destinase a firmar o convencimento do julgador, quando houver questões de difícil deslindamento ou quando houver necessidade de esclarecer matérias fáticas não suficientemente aclaradas nos autos. Os documentos juntados neste processo administrativo, bem como todas as considerações formuladas, tanto pela autoridade autuante quanto pela contribuinte em suas peças de defesa, mostramse suficientes para a apreciação dos fatos à luz do direito e à formação de minha convicção acerca da matéria controversa. Demais disso, o pedido de perícia, como formulado, transfere para o perito a análise da prova dos autos, solapando, com isso, a competência do órgão julgador. Assim, valendome da faculdade conferida pelo art. 29 do Decreto nº. 70.235/1972, indefiro o pedido de perícia formulado. Por todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares de nulidade da decisão de primeira e do auto de infração; no mérito, CONHEÇO EM PARTE do recurso voluntário e, na parte conhecida, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir do pólo passivo a contribuinte SDW SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 42 Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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