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Numero do processo: 10380.003869/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/07/2007
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991. REVOGAÇÃO.
RETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA BENIGNA. CANCELAMENTO DAS
PENALIDADES APLICADAS.
Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com fulcro no dispositivo revogado devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária.
Com isso, a responsabilidade pessoal do dirigente público pelo
descumprimento de obrigação acessória, no exercício da função pública, encontra-se revogada, passando o próprio ente público a responder pela mesma.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-001.484
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DIRIGENTE ÓRGÃO PÚBLICO Recorrente JOSÉ EVANGELISTA FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/07/2007 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA BENIGNA. CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS. Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com fulcro no dispositivo revogado devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária. Com isso, a responsabilidade pessoal do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória, no exercício da função pública, encontrase revogada, passando o próprio ente público a responder pela mesma. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fl. 38DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Fl. 39DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10380.003869/200806 Acórdão n.º 240201.484 S2C4T2 Fl. 36 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo Sr. JOSÉ EVANGELISTA FILHO, Presidente da Câmara Municipal de MiraímaCE, mandato à época da configuração da infração, contra decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em FortalezaCE (fls. 24 a 26), a qual julgou procedente a multa imposta por meio do presente auto de infração, por ter, na qualidade de dirigente de Órgão Público, deixado de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse da Câmara Municipal de MiraímaCE, nas competências 06/2007 e 07/2007. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 09), a Câmara Municipal de MiraímaCE não apresentou a GFIP dos seus servidores, nas competências 06/2007 e 07/2007, que são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Esse relatório informa ainda que a auditoria fiscal, procedendo ao exame dos documentos apresentados, verificou que durante o período de inobservância da legislação previdenciária exercia o cargo de Presidente da Câmara Municipal o senhor JOSÉ EVANGELISTA FILHO, sendo desta forma lavrado o Auto de Infração em seu nome, visto não ter sido apresentado nenhum documento que delegasse a competência para elaboração e encaminhamento da GFIP à Previdência Social. Atribuiuse a esse dirigente público a responsabilidade pela prática do ato que constituiu infração a legislação previdenciária, relativa à GFIP das competências desse período, nos termos do art. 41 da Lei n° 8.212/1991. O Relatório da multa (fls. 10) informa que foi aplicada a multa no valor de R$ 3.450,95 (três mil, quatrocentos e cinqüenta reais e noventa e cinco centavos), fundamentada no art. 32, inciso IV, §§ 3º e 9º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentado pela Lei nº 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV, §§ 2º, 3º e 4º, do Decreto nº 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social RPS). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 31/03/2008 (fl. 01). Na peça recursal (fls. 31 a 33), o contribuinte solicita que seja relevada a multa lhe imputada, em face da revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela Medida Provisória (MP) n.º 449/2008, e no mérito alega que provou ter cumprido as exigências previstas no §1° do art. 291 do Regulamento da Previdência Social (RPS), sanando as irregularidades apontadas no Auto de Infração dentro do período para impugnação do mesmo. A Agência de ItapipocaCE da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em FortalezaCE informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 34). É o relatório. Fl. 40DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Sendo tempestivo (fl. 34), CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Com relação às preliminares, para análise das autuações pessoais dos dirigentes de órgãos públicos pelo descumprimento de obrigação acessória tributária previdenciária, devese hoje considerar a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela Medida Provisória (MP) n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009. Vejamos o artigo 65, I, da referida MP: Art.65. Ficam revogados: I os §§1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 4º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do art. 80, o art. 81, os §§1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89, e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 (grifos nossos); Vejamos também o art. 79 da Lei n.º 11.941/2009: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 (grifos nossos); Era exatamente o preceito estabelecido no art. 41 da Lei nº 8.212/1991 que permitia ao fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária, que assim dispunha: Art.41.O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Sabemos que o procedimento administrativo do lançamento, em regra, deve se reportar sempre a lei vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, conforme dispõe art. 144 do CTN. Contudo, há situações em que o próprio CTN, especificamente em seu art. 106, autoriza excepcionalmente que fatos pretéritos sejam regulados pela legislação futura, tratandose de retroatividade benigna. Fl. 41DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10380.003869/200806 Acórdão n.º 240201.484 S2C4T2 Fl. 37 5 Vejamos as disposições do art. 106 do Códex: Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: (a) quando deixe de definilo como infração; (b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; (c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(g.n.) Assim, em consonância com os incisos I e II do art. 106 do CTN, veemse as hipóteses que estipulam, no plano da hermenêutica, a retroação para uma lei interpretativa e para uma lei mais benéfica ao sujeito passivo tributário, respectivamente. Com isso, o inciso II do art. 106 do CTN, aproximandose do campo afeto às sanções tributárias, permite que se aplique retroativamente a lei nova, quando mais favorável ao sujeito passivo, comparativamente à lei vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Na realidade, o CTN consagra a regra da retroatividade da Lei mais favorável, autorizando assim que a penalidade seja readequada para seguir o tratamento mais benéfico ao contribuinte. Para o caso em análise, como a MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, revogou o dispositivo legal que amparava a responsabilização pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias tributárias previdenciárias, sem dúvidas, percebese que é norma mais benéfica ao sujeito passivo, devendo, por isso, ser aplicada ao caso em concreto. Vêse que, para esses dirigentes, a lei deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias tributáriasprevidenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, devese aplicar a lei nova aos processos ainda não definitivamente julgados, que se refiram às autuações lavradas com base no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, cancelandose, assim, as penalidades decorrentes. Sobre essa questão transcreveremos o Parecer PGFN/CDA/CAT n.º 190/2009, de 02/02/2009, que dá o tom de qual entendimento é adotado pela Administração Tributária: 22. Inicialmente, entendemos que nesse caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em conseqüência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. Fl. 42DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 23. Em conseqüência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 Pelos relatos acima registrados e em consonância com os princípios administrativos da autotutela, da verdade material e da legalidade objetiva, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO Voto por CONHECER DO RECURSO e DARLHE PROVIMENTO nos termos da MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, que afastou do polo passivo da obrigação tributária o dirigente de órgão público. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 43DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.002979/2004-45
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
PIS. VALORES DECLARADOS EM DCTF. INCLUSÃO NO PAES.
Os valores devidos da contribuição ao PIS que se encontram declarados nas DIPJ devem ser incluídos no PAES, sendo desnecessária a inclusão de tais valores na declaração PAES, bem como o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3403-000.977
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PIS. VALORES DECLARADOS EM DCTF. INCLUSÃO NO PAES. Os valores devidos da contribuição ao PIS que se encontram declarados nas DIPJ devem ser incluídos no PAES, sendo desnecessária a inclusão de tais valores na declaração PAES, bem como o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário. Recurso de Ofício Negado.
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VALORES DECLARADOS EM DCTF. INCLUSÃO NO PAES. Os valores devidos da contribuição ao PIS que se encontram declarados nas DIPJ devem ser incluídos no PAES, sendo desnecessária a inclusão de tais valores na declaração PAES, bem como o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de auto de infração lavrado para exigir o crédito tributário relativo ao PIS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento do imposto detectada em procedimento de verificações obrigatórias. Por meio do Acórdão 0411.381, de 09 de fevereiro de 2007, a 2ª Turma da DRJ em Campo Grande – MS julgou parcialmente procedente o lançamento, cancelando a atuação em relação aos valores da contribuição que estavam declarados nas DIPJ. O entendimento unânime daquele Colegiado está resumido no seguinte excerto extraído da ementa da decisão recorrida: Tendo em vista que o valor exonerado de imposto e multa pela referida decisão atingiu aproximadamente R$ 1.300.000,00 o presidente daquele Colegiado recorreu de ofício a este Conselho. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. Com o advento da Portaria MF nº 003, de 03/01/2008, o limite de alçada foi ampliado para R$ 1.000.000,00 nos seguintes termos: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10183.002979/200445 Acórdão n.º 3403000.977 S3C4T3 Fl. 2 3 "Art. 12. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo." Considerando que o valor exonerado pela decisão de piso supera a casa de R$ 1.300.000,00, o recurso de ofício preenche o requisito objetivo para sua admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido por este Colegiado. Tratase de verificar se os débitos do contribuinte que estavam declarados em DIPJ nos anoscalendário de 1999 a 2002 podem ser inseridos no parcelamento especial instituído pela Lei nº 10.864, de 30 de maio de 2003 (Paes), independentemente de apresentação de declaração específica, ou se devem ser constituídos de ofício pela fiscalização. A Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 3, de 01 de setembro de 2003, que instituiu a declaração a ser apresentada pelos contribuintes optantes do Parcelamento Especial de que trata a Lei nº 10.864/2003, estabelece o seguinte: “Art. 1º Fica instituída declaração Declaração Paes a ser apresentada até o dia 31 de outubro de 2003 pelo optante do parcelamento especial de que trata a Lei 10.684/03, pessoa física ou, no caso de pessoa jurídica ou a ela equiparada, pelo estabelecimento matriz, com a finalidade de: I confessar débitos com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, não declarados ou não confessados à SRF, total ou parcialmente, quando se tratar de devedor desobrigado da entrega de declaração específica; II confessar débitos em relação aos quais houve desistência de ação judicial, bem assim, prestar informações sobre o processo correspondente a essa ação; III prestar informações relativas aos débitos e aos respectivos processos administrativos, em relação aos quais houve desistência do litígio; IV confessar débitos, não declarados e ainda não confessados, relativos a tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da SRF, não concluída no prazo fixado no caput, independentemente de o devedor estar ou não obrigado à entrega de declaração específica. §1º A informação de desistência de ações judiciais, impugnações e recursos administrativos na Declaração Paes não exime o contribuinte de formalizar o pedido de desistência da ação judicial ou do contencioso administrativo, nos prazos fixados na Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 2, de 22 de agosto de 2003. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 § 2º Os valores relativos a débitos de impostos e contribuições já declarados ou confessados anteriormente, inclusive mediante pedido de parcelamento, ainda que pendente de decisão, serão incluídos pela SRF no parcelamento especial, não devendo ser informados na Declaração Paes. (grifei) À luz do que dispõe o referido ato administrativo, bem como o Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, considero que não merece nenhum reparo a decisão recorrida quanto ao tratamento dado aos valores declarados em DIPJ para o caso concreto. O art. 5º, § 1º do DL nº 2.124/84 estabelece que o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário. Logo, é inequívoco que os valores declarados do PIS nas DIPJ dos anos de 1999 a 2002 estão confessados ao fisco, por força do disposto no decretolei acima referido, sendo desnecessária a constituição de crédito tributário por meio do lançamento de ofício. Por seu turno, o art. 1º , § 2º da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 3 de 2003, acima transcrito, utiliza o verbo “ser” na forma imperativa (serão) o que exclui qualquer possibilidade de opção por parte da autoridade incumbida dos procedimentos operacionais do parcelamento. Assim, devem ser incluídos no parcelamento especial os valores que já estiverem declarados ou confessados, não devendo o contribuinte informálos novamente na declaração PAES. Observese que a partícula ou indica alternância, ou seja, indica que os dois requisitos (confissão e declaração) não precisam ser simultâneos. A partícula “ou” está indicando que é um ou outro e não um e outro. Desse modo, ainda que se argumente que a DIPJ não possua o atributo de confissão de dívida, é inegável que ela ainda é uma obrigação acessória e que os débitos relativos à contribuição nos anos de 1999 a 2002 nela consignados são passíveis de serem incluídos no PAES e prescindem do lançamento de ofício para sua constituição. Em face do exposto, ratifico a interpretação posta no voto condutor do Acórdão 0411.381, de 09 de fevereiro de 1007, a 2ª Turma da DRJ em Campo Grande – MS e voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Antonio Carlos Atulim Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000550/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
EMBARGOS.DE DECLARAÇÃO
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em Acórdão exarado por este Conselho, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado Embargos Acolhidos
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2402-001.476
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para não conhecer do recurso voluntário.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para não conhecer do recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (Presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Soares. Fl. 144DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.000550/200798 Acórdão n.º 240201.476 S2C4T2 Fl. 141 2 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO apresentados pela Conselheira Relatora contra Acórdão nº 2402.001.186, prolatado na sessão de 21/09/2010, o qual deu provimento ao recurso, conforme se verifica na parte dispositiva. O acórdão em questão foi resultado do julgamento do recurso nº 260419 o qual se referia ao auto de infração correspondente à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória lançado em nome de dirigente de órgão público, no caso o Prefeito do Município de Paty do Alferes (RJ). O recurso em referência, juntamente com outros recursos relativos a autos de infração lavrados contra dirigentes de órgãos públicos foi encaminhado para que se desse provimento ao mesmo, com base na revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991. Ocorre que o processo em tela continha peculiaridade que demandava o não conhecimento do recurso. O recurso foi apresentado pela Câmara Municipal de Paty do Alferes quando o sujeito passivo da autuação é o Sr. José Carlos Costa que foi Presidente daquele órgão no período da autuação. A primeira instância já deixara de conhecer a impugnação apresentada em razão de o impugnante não corresponder ao sujeito passivo da autuação. Assim, verificase que o resultado do julgamento no sentido de dar provimento ao recurso não correspondeu ao encaminhamento constante do voto pela razão apresentada. Portanto, o acórdão em questão necessita ser saneado. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.000550/200798 Acórdão n.º 240201.476 S2C4T2 Fl. 142 3 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Quanto aos Embargos de Declaração apresentados, entendo que os mesmos devem ser acolhidos. Dispõe o art. 65, § 1º do Regimento Interno do CARF, o seguinte: Dos Embargos de Declaração Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar se a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão Da leitura do dispositivo, verificase que o acórdão em questão, de fato, contém contradição que deve ser saneada. Muito embora o voto elaborado fosse no sentido de não conhecer do recurso apresentado, no julgamento foi decidido por dar provimento ao recurso. Nesse sentido, a fim de sanear o acórdão em questão, Voto por ACOLHER os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO propostos, para RERRATIFICAR o Acórdão nº 2402.001.186 para NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 146DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003528/2002-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Exercício: 1999
DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Os débitos declarados em DCTF, referentes ao período de 1999, não confessados nem recolhidos, sujeitam-se ao lançamento de ofício.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE TERCEIRO
Restabelecida, no julgamento do Recurso da cedente, a integralidade do crédito tributário cedido à interessada em 03/02/1999 e utilizado na compensação de IRRF a recolher quitando integralmente o débito, não há como subsistir o presente lançamento.
Numero da decisão: 1401-005.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e não conhecer do recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Andre Luis Ulrich Pinto e Lucas Issa Halah.
Nome do relator: Daniel Ribeiro Silva
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Exercício: 1999 DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os débitos declarados em DCTF, referentes ao período de 1999, não confessados nem recolhidos, sujeitam-se ao lançamento de ofício. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE TERCEIRO Restabelecida, no julgamento do Recurso da cedente, a integralidade do crédito tributário cedido à interessada em 03/02/1999 e utilizado na compensação de IRRF a recolher quitando integralmente o débito, não há como subsistir o presente lançamento.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os débitos declarados em DCTF, referentes ao período de 1999, não confessados nem recolhidos, sujeitam-se ao lançamento de ofício. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE TERCEIRO Restabelecida, no julgamento do Recurso da cedente, a integralidade do crédito tributário cedido à interessada em 03/02/1999 e utilizado na compensação de IRRF a recolher quitando integralmente o débito, não há como subsistir o presente lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e não conhecer do recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Andre Luis Ulrich Pinto e Lucas Issa Halah. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 35 28 /2 00 2- 68 Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.003528/2002-68 Relatório Tratam-se de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba (PR) que julgou procedente em parte a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte interposta em face em face de haver compensado crédito cedido por terceiro em 03/02/1999, cujo pedido de restituição/compensação foi indeferido, lavrou-se, às fls. 02/07, auto de infração para a exigência de R$ 8.891.014,66 de IRRF, código 6800, sobre aplicações financeiras de renda fixa, relativo ao período de apuração 30/01/1999, não confessado nem recolhido, de R$ 6.668.260,99 de multa do art. 44, I da Lei n° 9.430, de 1996 e dos encargos legais. Enquadrou-se o feito nos arts. 65 da Lei n° 8.981, de 1995 e 35 da Lei n° 9.532, de 1997. Cientificada via postal em 17/10/2002 (fl. 11), a interessada, apresentou a tempestiva impugnação de fls. 12/26, instruída com os documentos de fls. 28/53, com as razões a seguir, em síntese: a) Argumenta que, em 03/02/1999, a Itaúsa Investimentos Itaú S/A, mediante o processo n° 13804000325/99-85, ingressou com pedido de restituição/compensação com débito da autuada, que foi apreciado pela Derat em São Paulo - SP, em decisão que contemplou uma série de equívocos, dentre eles o indeferimento do pedido e a proposta para lavratura do auto de infração objeto do presente processo e que o crédito da cedente é comprovado pela DIRPJ/ 1998. b) Alega que a legislação então em vigor admitia a compensação com créditos de terceiro e que a compensação é medida de extinção de crédito tributário e que, embora esteja vinculada a uma posterior análise e homologação da SRF, é incabível 0 entendimento de que só passará a surtir efeito após sua manifestação positiva e que, enquanto a SRF não se manifestar de forma definitiva no processo de compensação, crédito não há, já que, devidamente compensado, resta extinta a obrigação tributária. c) Cita em favor de sua tese a Medida Provisória n° 66, de 2002, que acresceu o § 2° ao art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, ratificando o entendimento de que a compensação gera efeitos imediatos. d) Aduz que a cedente do crédito ingressou com manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido de restituição/compensação e que o máximo que se pode aceitar é que o débito compensado esteja com a exigibilidade suspensa, sem incorrer em juros e multa, restando indiscutível a vinculação entre os dois processos, e que a compensação somente poderá ser considerada indevida após o julgamento definitivo do pedido que a ensejou, transcrevendo o an. 23 da IN SRF n° 210, de 2002. Transcreve ainda, sem precisar o artigo em que se encontra inserido, § 2° da IN SRF n° 16/2000, que estabelece que o débito indevidamente compensado deverá ser encaminhado à PFN, para Fl. 236DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.003528/2002-68 inscrição em Dívida Ativa, trinta dias após a ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento do pedido. e) Reclama da incidência de juros de mora, que entende incabível em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, citando o PN CST n° 2, de 1993 e ainda acórdão do 2° Conselho de Contribuintes, de 1995.2. f) Alega ser descabida a multa de ofício uma vez que, ao requerer a compensação, visou a extinção do crédito tributário e que a penalidade pressupõe a existência de um ilícito, transcrevendo em seu favor parte de julgamento do 1° Conselho de Contribuintes. g) Finalizando, argumenta estar o crédito simultaneamente extinto a com a exigibilidade suspensa, que a apresentação de manifestação de inconformidade, não importa se por terceiro, impede a exigência do crédito tributário e que são incabíveis os juros de mora e a multa de ofício, requerendo o total cancelamento do crédito autuado ou que seja considerado com a exigibilidade suspensa, afastando-se a multa de ofício e os juros de mora. Em face da Portaria MF n° 351, de 27/03/2003, veio o processo a julgamento pela DRJ (fl. 56). Mediante o Despacho n° 0202003, fl. 58, retornou o processo à Derat em São Paulo - SP, para desapensar o processo n° 16327.000203/99-85, de pedido de compensação com créditos de terceiro, juntá-lo por apensação ao processo n° 13804000325/99-85, em nome da cedente, de pedido de restituição/compensação e juntar cópia do Acórdão n° 3071, da 5° Turma da DRJSPOI, que apreciou a manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido de restituição/compensação. Às fls. 66/74, foi anexada cópia do Acórdão n° 3071, da DRJ/SPOI e informação da Derat em São Paulo - SP, quanto à sustação da restituição/compensação já deferida no processo n° 13804000325/99-85, até o julgamento do litígio no presente processo, retornando a esta DRJ , para julgamento. O Acórdão ora Recorrido (5.617 de 4 de março de 2004) recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/01/1999 Ementa; Débitos NÃO compensados LANÇAMENTO Os débitos declarados em DCTF, referentes ao período de 1999,não confessados nem recolhidos, sujeitam-se ao lançamento de ofício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.003528/2002-68 O débito vencido e não pago, seja qual for o motivo determinante da falta, sujeita-se a juros de mora por expressa disposição legal. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 30/01/ 1999 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE TERCEIRO Restabelecida, no julgamento da manifestação de inconformidade da cedente, parte do crédito tributário cedido à interessada em 03/02/1999 e utilizado na compensação de IRRF a recolher, exclui-se do lançamento o montante correspondente. Lançamento Procedente em Parte. Conforme entendimento da Turma julgadora, (...) “levando-se em conta, pois, que os débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido após a edição da MP n° 135 e da Lei n° 10.833, de 2003, passaram a ter o tratamento automático de débitos confessados em Dcomp, em relação aos quais só será efetuado lançamento de ofício de multa isolada e apenas nas situações especificadas no art. 18 da referida lei, é de se aplicar ao presente caso o an. 106, II, “c” do CTN, uma vez que, por não se enquadrar em qualquer daquelas hipóteses, deixou de ser tratado como infração. Em consequência, em face da retroatividade benigna, é de se cancelar a multa de ofício sobre a parcela mantida, sujeitando-se, contudo, aos encargos legais moratórios”. Aduz ainda que (...) “Somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP nº 135, de 2003, constituem-se confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados, sendo, a teor do an. 142 do CTN, obrigatório o lançamento de ofício em relação aos valores indevidamente compensados anteriormente à edição da MP n° 135, de 2003”. Ciente da decisão do Acórdão o interessado interpõe Recurso Voluntário às fls. 115 dos autos - trazendo as seguintes razões: a) Da Extinção da Obrigação Tributária: “tendo o Recorrente efetuado a compensação do crédito ora lançado, não há que se cogitar da existência desse crédito, pois extinto pelo instituto da compensação até ulterior manifestação definitiva em contrário da SRF. É claro, reitera-se, que essa compensação está vinculada a posterior análise e homologação da SRF, contudo, isso não significa que ela não tenha gerado os seus efeitos imediatamente. b) Assim, sendo da índole do instituto da compensação a imediata extinção do débito, não é admissível o entendimento de que só passará a gerar efeitos após a manifestação positiva da SRF. Admitir tal fato representaria a total desconsideração do que dispõem as normas de direito civil, que disciplinam a compensação como forma de extinção das obrigações, o que Fl. 238DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.003528/2002-68 seria inaceitável já que o próprio CTN, no art. 110, preceitua que “a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas do direito privado”. c) O crédito tributário para ser lançado precisa ser líquido e certo. Enquanto o processo administrativo de compensação estiver pendente de apreciação, não há que se cogitar da existência do débito tributário do Recorrente, já que esta ainda não foi confirmada pelo órgão competente. d) A suspensão da exigibilidade do crédito tributário é uma situação em que o contribuinte não pode ser constrangido coativamente a adimplir o crédito tributário. Em outras palavras, o suposto débito do contribuinte não pode ser exigido. e) De acordo com o artigo 42 do Decreto n° 70.235/72, as decisões administrativas somente serão definitivas quando: (l) esgotado o prazo para recurso voluntário, sem que ele tenha sido interposto; (2) quando tem segunda instância não caiba mais recurso e; (3) na decisão proferida na instância especial. f) Todavia, nenhuma das hipóteses descritas pelo artigo 42 do Decreto n° 70.235/72 ocorreu, não havendo que se falar em existência de decisão definitiva, tendo em vista que a manifestação de inconformidade apresentada nos autos do processo administrativo de restituição ainda encontra-se pendente de apreciação por parte da DRJ/SP, impedindo que a Fazenda exija o débito compensado pelo impetrante por restar patente a suspensão de sua exigibilidade. g) Não Incidência dos Juros de Mora: Afirma que “no caso em tela, conforme exposto, o crédito está suspenso em virtude do aguardo da decisão definitiva a ser proferida no pedido de restituição, pois em se sanando o equívoco cometido no indeferimento desse pleito vinculado ao pedido de compensação, o auto de infração perderá seu objeto. Portanto, restando suspensa a exigibilidade do crédito, não cabe a aplicação de juros de mora sobre o principal lançado, merecendo tal acessório ser excluído da presente autuação. h) É inadmissível que, mesmo suspensa a exigibilidade do crédito tributário, sujeite-se o Recorrente à incidência de juros de mora, fazendo letra morta da proteção jurisdicional, já que o contribuinte, de qualquer sorte, estaria desamparado. i) Do Montante a ser Exonerado: Quanto ao montante do principal afastado pela decisão de primeira instância, observou o ora Recorrente que a DRJ/CTA atualizou o valor de R$ 3.201.588,74 apenas até janeiro de 1999(Selic26,58%), quando o correto seria a atualização até fevereiro desse mesmo ano (Selic 28,70), vez que foi nesse mês em que ocorreu a compensação do crédito. Fl. 239DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.003528/2002-68 j) Do pedido: Diante do exposto, concluindo-se pelo total descabimento da lavratura do presente auto de infração, requer o Recorrente o seu total cancelamento, ou, se assim não entender, que seja considerada suspensa a exigibilidade do crédito ora mantido pelo julgador de primeira instância, afastando-se, por conseguinte, os juros de mora lançados. Requer, ainda, a correção do valor exonerado, conforme apontado no item anterior. Às fls. 192 dos autos – petição do contribuinte, alegando em síntese: a) Conforme exposto na impugnação apresentada no referido pedido de compensação, no ano base de 1997 a Itaúsa Investimentos Itaú S.A apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 7.111.811,74. b) Parte daquele crédito foi parcialmente objeto de pedido de restituição, realizado em 03 de fevereiro de 1999, no valor original de R$ 6.905.106,14, que, acrescido da atualização pela Selic, atingiu à época o valor de R$ 8.891.014,68 — Processo Administrativo n.12 13804.000325/99-47. c) Na mesma data, a Requerente transmitiu também o pedido de compensação de crédito com débitos de terceiros (Doc. 4), onde demonstrou sua intenção de quitar débitos de IRRF do Requerente (cód. 6800), de janeiro de 1999, utilizando-se dos créditos supra mencionados. d) O Primeiro Conselho de Contribuintes, porém, determinou a inclusão de todas as parcelas requeridas, adicionando ao saldo negativo os valores de R$ 2.110.587,14 (valores das parcelas declaradas com exigibilidade suspensa) e R$ 1.872.244,29 (valor das estimativas dos meses de outubro a dezembro de 1997), resultando em um crédito no montante original de R$ 7.184.420,17. e) Assim, tendo sido reconhecido integralmente o valor pleiteado, restou demonstrado no Processo Administrativo n. 13804.000325/99-47 que a parcela do crédito direcionada para a compensação é suficiente para a extinção integral do crédito tributário objeto de cobrança nestes autos. f) Ou seja, todo o débito objeto da autuação em tela restou quitado com a homologação do crédito controlado no Processo Administrativo n. 16327.000203/99-85, onde, aliás, também está sendo cobrado o mesmo débito, gerando, assim, cobrança em duplicidade, o que não pode prosperar. g) Desta forma, pelos fatos supervenientes expostos acima (reconhecimento do crédito integral nos autos do PA 13804.000325/99-47), requer seja convalidada a compensação realizada, com a consequente anulação do auto de infração pela quitação dos débitos objetos deste processo. Fl. 240DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.003528/2002-68 É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Como acima relatado, trata-se de auto de infração lavrado a fim de travar a decadência relativa à cobrança do débito de IRRF decorrente de pedido de compensação com crédito de terceiro, controlada no Processo Administrativo no. 16327.000203/99-85. Isto porque, quando do pedido de restituição a declaração de compensação não constituiria em confissão de dívida, razão pela qual o lançamento do crédito tributário era imprescindível para garantia do Fisco. Nos autos daquele processo a contribuinte buscava a satisfação de débito de R$ 8.891.014,66 de IRRF (código 6800) com crédito de saldo negativo no ano base de 1997. Conforme exposto na impugnação apresentada no referido pedido de compensação, no ano base de 1997 a Itaúsa Investimentos Itaú S.A apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 7.111.811,74: Fl. 241DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-005.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.003528/2002-68 Parte daquele crédito foi parcialmente objeto de pedido de restituição realizado em 03 de fevereiro de 1999, no valor original de R$ 6.905.106,14, que, acrescido da atualização pela Selic, atingiu à época o valor de R$ 8.891.014,68 — Processo Administrativo n.12 13804.000325/99-47: Em sede de recurso o contribuinte basicamente repete os termos de sua impugnação, defende a existência do crédito e a extinção da obrigação tributária. Por sua vez, em petição atravessada aos autos em 16/02/2018 (fls. 192 a 195) a Recorrente traz fato novo e informa que o crédito pleiteado nos autos do PA 13804.000325/99- 47 foi integralmente reconhecido pelo CARF e, portanto, restaria insubsistente o presente lançamento. Entendo que lhe assiste razão. Com efeito, naqueles autos a DRJ inicialmente reconheceu a existência de saldo negativo de IRPJ 1997 no montante de R$ 3.201.588,74, decorrentes do IRRF sobre JCP, desconsiderando as demais parcelas que compuseram o crédito pleiteado pela contribuinte: Fl. 242DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-005.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.003528/2002-68 Entretanto, o Primeiro Conselho de Contribuintes, porém, determinou a inclusão de todas as parcelas requeridas, adicionando ao saldo negativo os valores de R$ 2.110.587,14 (valores das parcelas declaradas com exigibilidade suspensa) e R$ 1.872.244,29 (valor das estimativas dos meses de outubro a dezembro de 1997), resultando em um crédito no montante original de R$ 7.184.420,17 (fl. 220 a 228). No que se refere à diferença entre o saldo negativo originalmente declarado a contribuinte esclarece que: 9. Saliente-se que a diferença entre o saldo negativo de IRPJ a/c 1997 declarado pela Itaúsa (R$ 7.111.811,74) e o reconhecido pelo Fisco (R$ 7.184.420,17), reside no fato de que a Requerente, indevidamente, não computou uma parcela de IRRF no valor de R$ 72.608,42, devidamente reconhecida e imputada pela Fiscalização. Ou seja, o montante reconhecido pela referida decisão foi até superior ao crédito originalmente requerido. Assim, tendo em vista que todo o débito objeto da autuação em tela restou quitado com a homologação do crédito controlado no Processo Administrativo n. 16327.000203/99-85, onde, aliás, também está sendo cobrado o mesmo débito, o presente lançamento não pode ser mantido. Fl. 243DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-005.958 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.003528/2002-68 Desta feita, face o exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para julgar insubsistente o lançamento, restando prejudicadas as demais razões recursais. Diante disto, resta prejudicado o Recurso de Ofício por isso dele não conheço. É como voto. (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 244DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16327.917905/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Exercício: 2007
PER/DCOMP. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Incumbe ao contribuinte a comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, lastreados na escrita comercial e fiscal, do crédito pleiteado no recurso voluntário. A DRJ foi clara na decisão recorrida em alertar para a falta de documentação fiscal e contábil de suporte e o Recorrente permanece inerte na instrução probatória necessária para comprovar o direito alegado.
Numero da decisão: 1401-005.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Andre Luis Ulrich Pinto e Lucas Issa Halah.
Nome do relator: Daniel Ribeiro Silva
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ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Incumbe ao contribuinte a comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, lastreados na escrita comercial e fiscal, do crédito pleiteado no recurso voluntário. A DRJ foi clara na decisão recorrida em alertar para a falta de documentação fiscal e contábil de suporte e o Recorrente permanece inerte na instrução probatória necessária para comprovar o direito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Andre Luis Ulrich Pinto e Lucas Issa Halah. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 79 05 /2 00 9- 14 Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.955 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.917905/2009-14 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (SP) que julgou a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte improcedente, tendo em vista a não homologação da compensação apresentada no Dcomp n° 20l99.76871.241007.1.3.04-2061), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF - relativo ao período de apuração encerrado em 30/09/2007. Pelo Despacho Decisório de fis. 14, o contribuinte foi cientificado em 06/11/2009 (fls. 30) de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 696.253,74). Irresignado, o contribuinte apresentou em 08/12/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01/07, alegando que preencheu incorretamente a sua DCTF original, mas em 09/11/2009 houve a devida retificação da declaração (fis. 23/25), restando devidamente comprovado o seu direito creditório, que foi compensado nos termos da legislação vigente. Alega ainda que o seu crédito oriundo de recolhimento maior que o devido não pode ser contestado sob argumentos de ordem formal. Reportando-se ao mesmo DARF, o contribuinte apresentou um outro PER/DCOMP, de n° 1421l.58679.14l107.l.3.04-3132 (fis. 44/48), que por sua vez resultou em outro Despacho Decisório (fls. 43), no mesmo sentido (não homologação da compensação pelo mesmo fundamento), também contestado pelo interessado, que formou o Processo Administrativo n°16327.914483/2009-25, posteriormente juntado por anexação ao presente (fls. 56). O Acórdão ora Recorrido (16-28.291 - 8” Turma da DRJ/SP1) recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Data do fato gerador: 10/10/2007 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.955 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.917905/2009-14 Conforme entendimento da Turma julgadora, “a compensação não foi homologada em virtude de o DARF de R$ 1.510.855,17 ter sido integralmente alocado para a quitação de débito do contribuinte, conforme consignado no Despacho Decisório atacado. Contesta o interessado, alegando que o crédito está devidamente caracterizado na sua DCTF retificadora. Contudo, o interessado não traz detalhes, bem assim a respectiva documentação comprobatória, acerca da operação sobre a qual teria havido a retenção e o recolhimento, de forma a demonstrar que o rendimento em questão não estaria sujeito à tributação do IRRF, confomee declara em seu PER/DCOMP”. Ciente da decisão do Acórdão o interessado interpõe Recurso Voluntário em às fls. 71 dos autos - trazendo as seguintes razões: a) Aduz que in casu, a não homologação da compensação pleiteada nos PER/DCOMP em referência, decorrente de despacho eletrônico, parece ter ocorrido pela entrega de DCTF sem a contemplação do valor desse crédito, pois no entendimento do Ilustre Fiscal, o Recorrente teria alocado integralmente o DARF de R$ 1.510.855,17, recolhido em 10.10.2007. Com efeito, referido crédito é decorrente de pagamento a maior de IRRF sobre o trabalho assalariado do período de apuração de setembro de 2007, contemplando erroneamente os valores apurados e recolhidos relativamente ao período de apuração de agosto de 2007, cujo recolhimento se deu em 10.09.2007. b) Aduz que fica mais do que evidente que o DARF recolhido no importe de R$ 1.510.855,17, apresenta o indébito perseguido nos processos administrativos analisados no valor de R$ 1.346.290,00, que simplesmente é a diferença entre o que efetivamente deveria ter sido apurado em setembro (R$ 164.565,17) com o IRRF de agosto indevidamente recolhido em duplicidade (R$ 1.510.855,17 - R$ 164.565,16 = R$ 1.346.290,00). c) Neste sentido, sendo certo que o Recorrente recolheu a exação que deu origem ao crédito em questão em monta superior a que efetivamente apurada, não pode prevalecer o desfecho dado ao pleito do Recorrente pela Autoridade Fiscal. d) Assim sendo, nunca é demasiado lembrar que, o lídimo direito de qualquer contribuinte ao imediato ressarcimento daquilo que recolheu indevidamente ou a maior, seja pela via da compensação, seja pela via da restituição do indébito, encontra ancoro na Carta Magna, mormente no direito de propriedade (art. 5°, XXII) e do devido processo legal (art. 5°, LIV), como nos primados da Legalidade (art. 150, I) e da Moralidade Administrativa (art. 37, caput). e) Todavia, os erros acima colacionados não podem ser utilizados como fundamento para o não reconhecimento de seu crédito e o indeferimento Fl. 99DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.955 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.917905/2009-14 da compensação pretendida. Isso porque, levando-se em consideração o princípio da legalidade, que não admite a imposição tributária sem o respaldo na lei, resta evidente que pelo mero equívoco de ordem formal e pelo comprovado recolhimento a maior não pode o Recorrente ter o seu direito creditório tolhido pela r. autoridade fiscal. f) Do pedido: Pelo exposto, requer o Recorrente a reforma da decisão proferida, com a consequente homologação da compensação pretendida. Requer, outrossim, o cancelamento da cobrança efetivada através do processo administrativo n° 16327918123/2009-01 e 16327916633/2009- 35. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Desde a Manifestação de Inconformidade o contribuinte alega ter cometido um erro de fato no preenchimento do PER/DComp. A contribuinte enfatiza a existência do crédito pleiteado e alega que o direito creditório não teria sido reconhecido por um erro formal de preenchimento da DCTF, que teria sido retificada no intuito de comprovar suas alegações. Na data de transmissão deste PER/DCOMP, a DCTF apresentada pela contribuinte continha a informação de que o pagamento que teria originado o crédito pleiteado foi integralmente utilizado para extinguir débito da contribuinte apurado no período, de modo que não existia crédito disponível para ser utilizado na compensação declarada. Nota-se, então, que o crédito que a interessada alega possuir seria decorrente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais e que o crédito pleiteado não tinha liquidez e certeza no momento da transmissão do PER/DCOMP. Por sua vez, o contribuinte em manifestação de inconformidade apenas trás aos autos parte da DCTF retificadora. Entretanto, tratando-se a DCTF de instrumento hábil para confissão de débitos, qual o débito confessado corretamente? Este é o cerne da questão. E exatamente por isso que caberia ao contribuinte carrear aos autos comprovação da origem do crédito pleiteado. Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.955 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.917905/2009-14 Neste sentido, a DRJ foi clara a expressa, e assim se manifestou: Alega o impugnante que o direito creditório não pode ser contestado pela autoridade fiscal sob argumentos de ordem formal, ou em decorrência de equívocos de ordem assessória constantes em sua DCTF. Contudo, a fundamentação contida no Despacho Decisório atacado não repousa sobre questões dessa ordem, porquanto o que se está a perquirir é a efetividade do crédito declarado no PER/DCOMP. Na situação em apreço, a Fazenda decidiu pela não-homologação da compensação por entender, à luz dos elementos que possuía, que referido crédito inexiste. A existência ou não do direito creditório constitui, ao contrário do que defende o interessado, verdadeira questão material, essencial e inerente ao mérito do presente caso, analisado a seguir. A compensação não foi homologada em virtude de o DARF de R$ 1.510.855,17 ter sido integralmente alocado para a quitação de débito do contribuinte, conforme consignado no Despacho Decisório atacado. Contesta o interessado, alegando que o crédito está devidamente caracterizado na sua DCTF retificadora. De fato, pelo que se extrai dos documentos juntados às fls. 23/25 e 50/52, o contribuinte entregou DCTF retificadora na qual indica que apenas uma parcela do DARF foi utilizada na quitação do débito. Sendo assim, em tese, haveria um crédito a favor do interessado, cuja comprovação dependeria de auditoria dos valores envolvidos, e que poderia ser utilizado para compensação de outros débitos de sua titularidade, desde que ainda estivesse disponível para tanto. Contudo, o interessado não traz detalhes, bem assim a respectiva documentação comprobatória, acerca da operação sobre a qual teria havido a retenção e o recolhimento, de forma a demonstrar que o rendimento em questão não estaria sujeito à tributação do IRRF, confom1e declara em seu PER/DCOMP. Portanto, não restou demonstrado que o recolhimento do IRRF é indevido. Ante o exposto, voto no sentido de considerar improcedentes as manifestações de inconformidade e.de não reconhecer o direito creditório. Por sua vez, apesar dos argumentos da DRJ quanto à necessidade de apresentação da documentação contábil/fiscal, em sede de recurso o contribuinte basicamente reafirma seu entendimento no sentido de que a DCTF retificadora seria instrumento suficiente para comprovar o crédito. Anexa novamente aos autos DCTF, parte do balancete e razão analítico (os quais não preenchem as formalidades legais para sua validade) e comprovantes de arrecadação! Passa a defender em Recurso que o valor de IRRF devido no mês de setembro/2007 seria R$ 164.565,16 e não R$ 1.510.855,16 sem contudo comprovar de forma cabal qual o valor devido no referido período de apuração e o porquê do alegado erro de fato (sem contar na ausência da documentação contábil de suporte). Outrossim, analisando os documentos anexados ao Recurso Voluntário observações feitas à mão defendem ter existido eventual recolhimento em duplicidade, sem também nada provar. Ora, o que de fato ocorreu? O alegado erro de fato na DCTF onde se declarou valor de IRRF devido para o mês de set/2007 em montante superior ao devido ou pagamento em duplicidade de tributo devido no mês de agosto? O contribuinte se perde completamente em suas argumentações e nada prova. Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.955 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.917905/2009-14 Ora, para que o crédito pleiteado possa ser repetido, é preciso que goze de certeza e liquidez, nos termos do artigo 170 do CTN. Neste contexto, é preciso lembrar que, de acordo com artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve apresentar na impugnação "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". No mesmo sentido, o artigo 373, I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, determina que incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. No caso, o autor é o contribuinte que pede o reconhecimento de um crédito perante a União por meio do PER/DComp. Neste sentido, é recorrente o posicionamento deste Conselho, conforme se pode observar nos seguintes julgados: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.955 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.917905/2009-14 O fato é que mesmo com todo o alerta e diante de uma decisão tão clara e didática, o contribuinte permanece defendendo a validade de uma DCTF retificadora desacompanhada de documentação de suporte hábil. Uma vez que o contribuinte não trouxe aos autos elementos mínimos de prova de que teria havido um erro de fato, é de se negar o provimento do recurso voluntário. Assim, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 35382.000280/2007-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
Ementa: PROVAS APRESENTADAS A DESTEMPO. ANÁLISE IMPRESCINDÍVEL PARA O DESLINDE DO PROCESSO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APRECIAÇÃO.
Para os casos em que se verifique que as provas apresentadas
extemporaneamente são necessárias para a correta conclusão do processo administrativo fiscal, é permitido que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais emita juízo de valor quanto a elas, assegurando ao contribuinte o princípio da verdade material.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REMUNERAÇÕES PAGAS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO.
AUSÊNCIA.
Incide contribuição previdenciária sobre as remunerações pagas a segurados contribuintes individuais, na forma da lei.
Não há comprovação inequívoca nos autos de que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte foram suficientes para quitar as contribuições previdenciárias exigidas.
Recurso voluntário a que se nega provimento.
Numero da decisão: 2402-001.514
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida SRPSECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 Ementa: PROVAS APRESENTADAS A DESTEMPO. ANÁLISE IMPRESCINDÍVEL PARA O DESLINDE DO PROCESSO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APRECIAÇÃO. Para os casos em que se verifique que as provas apresentadas extemporaneamente são necessárias para a correta conclusão do processo administrativo fiscal, é permitido que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais emita juízo de valor quanto a elas, assegurando ao contribuinte o princípio da verdade material. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REMUNERAÇÕES PAGAS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA. Incide contribuição previdenciária sobre as remunerações pagas a segurados contribuintes individuais, na forma da lei. Não há comprovação inequívoca nos autos de que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte foram suficientes para quitar as contribuições previdenciárias exigidas. Recurso voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio César Vieira Gomes Presidente. Fl. 1396DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 21/03/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 35382.000280/200778 Acórdão n.º 2402001.514 S2C4T2 Fl. 1.244 2 Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Igor Soares, Ronaldo De Lima Macedo, Lourenço Ferreira Do Prado Fl. 1397DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 21/03/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 35382.000280/200778 Acórdão n.º 2402001.514 S2C4T2 Fl. 1.245 3 Relatório Tratase de NFLD lavrada para se exigir o valor de R$ 63.946,68, em virtude da falta de recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas a profissionais autônomos e sobre prólabores pagos a diretores não empregados, no período de 01/1999 a 12/2003. A Recorrente interpôs impugnação (fl. 87/117) requerendo a total improcedência da autuação. A Seção de Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em São José dos Campos requereu a manifestação da fiscalização com relação aos motivos pelos quais não teria constituído créditos tributários relativos às remunerações pagas ao segurado contribuinte individual, a partir de 04/2003, bem como contribuição ao SEST e SENAT devida por segurado contribuinte individual que prestou serviços de transportes rodoviários de veículos (fls. 121). A auditoria fiscal da Unidade da Receita Previdenciária em Caçapava informou que de fato houve um equívoco no lançamento (fl. 123). A Delegacia da Receita Previdenciária em São José dos Campos julgou o lançamento procedente, sob o argumento de que as razões de defesa da Recorrente não guardam nenhuma similitude com a presente autuação, bem como, em relação à manifestação da Recorrente de que não teve tempo hábil de levantar todos os documentos necessários à prova do seu direito, que os documentos devem ser juntados aos autos no momento da impugnação. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 131/958), requerendo a anulação do lançamento e a juntada de diversos documentos que demonstrariam, supostamente, a ausência de tributo a pagar. A Delegacia da Receita Previdenciária em São José dos Campos apresentou contrarrazões. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao analisar o presente caso (fls. 965/970), anulou a decisão de 1ª instância, sob o argumento de que houve cerceamento de defesa, posto que o contribuinte não foi cientificado sobre o resultado da diligência e dos documentos juntados pelo fisco. Intimado a se manifestar sobre a manifestação fiscal (diligência, que motivou a anulação da decisão de primeira instância), a Recorrente interpôs nova defesa (fls. 977/988) requerendo a improcedência da autuação, sob os argumentos de que parte do crédito tributário está decaído, bem como que recolheu as contribuições incidentes sobre os pagamentos feitos aos contribuintes individuais. Fl. 1398DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 21/03/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 35382.000280/200778 Acórdão n.º 2402001.514 S2C4T2 Fl. 1.246 4 A d. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP, analisando o presente processo (fls. 998/1005), julgou o lançamento parcialmente procedente, reduzindoo para R$ 27.165,64, sob o entendimento de que: a) Os créditos tributários anteriores a abril de 2001 estão decaídos, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; b) O crédito tributário foi devidamente constituído, não incorrendo nos mesmos vícios presentes na NFLD nº 35.508.6115; c) O prazo para juntada de documentos é de 15 dias a contar do recebimento da notificação de débito; d) A esfera administrativa está adstrita ao cumprimento da lei, não podendo analisar alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade; e e) Os recolhimentos das contribuições previdenciárias incidentes sobre as renumerações pagas aos contribuintes individuais realizados pela Recorrente são insuficientes. A Recorrente interpôs novo recurso voluntário (fls. 1008/1241) requerendo a análise dos novos documentos apresentados, a fim de demonstrar que os débitos exigidos já foram pagos. É o relatório. Fl. 1399DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 21/03/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 35382.000280/200778 Acórdão n.º 2402001.514 S2C4T2 Fl. 1.247 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente requer a análise dos documentos juntados em seu recurso voluntário, para que, consequentemente, seja reconhecida a improcedência da autuação. Como é cediço, a regra geral é de que as provas documentais sejam juntadas no processo administrativo no momento da impugnação, nos termos do art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/19721, salvo se comprovada a ocorrência de alguma das hipóteses elencadas nas alíneas “a” a “c” do dispositivo. Todavia, caso a documentação apresentada extemporaneamente pela empresa demonstre de forma inequívoca que os créditos tributários são indevidos, ou que, para o alcance da devida solução da lide, sua análise seja imprescindível, entendo que este Conselho pode apreciála, ou ainda, solicitar diligência2. Isto porque, como é cediço, o processo administrativo fiscal deve tramitar sempre em consonância com os princípios da verdade material, da celeridade e da informalidade, visando o correto deslinde da lide, evitandose a ocorrência de prejuízos desnecessários ao contribuinte, especialmente nos casos em que restar cabalmente demonstrado nos autos que não há crédito tributário a ser dele exigido. Caso contrário, só estará este Conselho contribuindo para o abarrotamento cada vez maior da Justiça no nosso país, pois é evidente que, se o contribuinte de fato nada dever ao fisco e isto não ficar reconhecido durante o processo administrativo (ainda que o contribuinte tenha demonstrado que nada deve), é evidente que irá ele se socorrer junto ao Poder Judiciário, onerando a máquina Estatal e o próprio contribuinte, e eternizando as contendas entre fisco e cidadão. 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." 2 "PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS APÓS O PRAZO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO IMPRESCINDIBILIDADE DA ANÁLISE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA VERDADE MATERIAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto se comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, § 4 0, do Decreto n° 70.235/72. Essa é a regra geral insculpida no Processo Administrativo Fiscal Federal. Entretanto, os Regimentos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais sempre permitiram que as partes pudessem acostar memoriais e documentos que reputassem imprescindíveis à escorreita solução da lide. Em homenagem ao principio da verdade material, pode o relator, após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integrála aos autos, analisandoa, ou convertendo o feito em diligência." (CARF, PAF nº 19515.004221/200336, RV 163.221, 1º Conselho, 6ª Câmara, Cons. Red. Giovanni Christian Nunes Campos, Sessão de 09/10/2008) Fl. 1400DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 21/03/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 35382.000280/200778 Acórdão n.º 2402001.514 S2C4T2 Fl. 1.248 6 Nesse sentido, no caso concreto, ao verificar os documentos que foram apresentados pela Recorrente, seja depois da decisão de primeira instância, anulada posteriormente por este CARF, seja depois da decisão de primeira instância objeto do recurso ora sob análise, constatase que a sua apreciação é imprescindível para o correto julgamento da presente demanda, motivo pelo qual tomo conhecimento das provas apresentadas extemporaneamente e passo a analisálas a seguir. A Recorrente juntou aos autos (i) planilhas denominadas “Demonstrativos de Recolhimento de INSS”, (ii) GFIP’s retificadoras, (iii) faturas de prestação de serviço e (iv) Guias da Previdência Social – GPS, com o intuito de identificar os fatos geradores que compuseram a apuração dos períodos objeto do lançamento, de modo a provar que os valores autuados foram devidamente pagos. Contudo, após analisar os documentos acostados aos autos, concluo que estes não são aptos para afastar, de modo inequívoco, a constatação da fiscalização de que os recolhimentos realizados pela Recorrente não foram suficientes para quitar as contribuições previdenciárias devidas. Em vez de os documentos que foram juntados pela Recorrente demonstrarem de forma contundente a regularidade dos pagamentos realizados pela empresa, o que se constata pela sua análise é exatamente o contrário. Ao se comparar, por exemplo, o valor informado pela empresa como devido nas GFIP’s, com o valor das guias juntadas pela Recorrente aos autos, temse que na maioria das competências os valores não coincidem, o que não permite a este julgador concluir, com suficiente segurança, pela regularidade dos recolhimentos que a Recorrente alega ter feito. Vejase, nesse sentido, os seguintes casos: (i) GPS do mês 11/2002 no valor de R$ 64.477,80 (fl. 1108) e GFIP no valor de R$ 69.231,33 (fl. 345); (ii) GPS do mês 01/2003 no valor de R$ 58.004,26 (fl. 1058) e GFIP no valor de R$ 58.852,37 (fl. 349); (iii) GPS do mês 06/2003 no valor de R$ 58.840,12 (fl. 711) e GFIP no valor de R$ 59.246,08 (fl. 468); (iv) GPS do mês 07/2003 no valor de R$ 53.970,04 (fl. 714) e GFIP no valor de R$ 55.069,04 (fl. 359); (v) GPS do mês 09/2003 no valor de R$ 53.492,75 (fl. 1174) e GFIP no valor de R$ 54.415,50 (fl. 362) e; (vi) GPS do mês 12/2003 no valor de R$ 66.395,15 (fl. 1223) e GFIP no valor de R$ 71.869,23 (fl. 368). Não obstante, em que pese haver a discriminação nos “Demonstrativos de Recolhimento de INSS”3 juntados pela Recorrente, dos fatos geradores autuados, não há como 3 Os Demonstrativos de Recolhimento de INSS se encontram nas fls. 1019, 1076, 1024, 1064, 1107, 1146, 1241 e 1241. Fl. 1401DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 21/03/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 35382.000280/200778 Acórdão n.º 2402001.514 S2C4T2 Fl. 1.249 7 se convalidar todos os valores destacados em tais documentos, posto que, para isso, necessitar seia de uma nova fiscalização na empresa, levantandose todos os documentos que já teriam sido apreciados pelo auditor fiscal (para fins de composição do que estaria abrangido pelas GPS’s pagas pela Recorrente), e não somente aqueles documentos relativos aos períodos em discussão. Outrossim, é importante pontuar que, apesar dos valores exigidos pelo fisco estarem discriminados nas GFIP’s apresentadas pela Recorrente, não há como ter certeza de que os recolhimentos efetuados pela empresa abrangem de fato os valores objeto desta discussão, mormente porque, invariavelmente, os saldos totais dos pagamentos divergem do montante declarado, mostrandose insuficientes. Ainda nesse sentido, embora as GFIP’s apresentadas pela Recorrente não estejam acompanhadas do comprovante de entrega, podemos concluir, com base nas informações prestadas pela empresa (fl. 132), que as declarações foram retificadas para fazer constar os fatos geradores objetos da autuação, situação que poderia induzir este Conselho a erro no momento de se aferir o que de fato foi pago nas respectivas datas dos pagamentos, posto que (i) os recolhimentos são insuficientes e (ii) as GFIP’s originais não foram juntadas aos autos. Assim, tendo a fiscalização constatado, à luz dos documentos apresentados pela empresa durante o procedimento fiscalizatório, que os recolhimentos não foram suficientes para quitar as contribuições devidas, e não tendo o contribuinte demonstrado de modo inequívoco o contrário, não há como afastar a autuação. Destarte, entendo que os documentos juntados pela empresa não comprovam de modo inequívoco que os pagamentos efetuados foram suficientes para quitar as contribuições previdenciárias ora exigidas, motivo pelo qual deve ser negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGAR LHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 1402DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 11/03/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 21/03/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907129/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Data do fato gerador: 31/03/2003
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR. INEXISTÂNCIA DE CRÉDITO.
Não se configura denúncia espontânea quando a confissão ocorre acompanhada de pedido de compensação, por conseguinte, correta a imputação de pagamento à multa moratória.
Além do que não há provas de que se trata de denúncia espontânea, uma vez que poderia se tratar de simples quitação em atraso.
Numero da decisão: 1301-005.715
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a conversão do julgamento do recurso em diligência, proposta pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, que restou acompanhado somente pelo conselheiro Lucas Esteves Borges. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Bianca Felicia Rothschild, Lucas Esteves Borges e Marcelo José Luz de Macedo acompanharam a relatora somente por seu segundo fundamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1301-005.712, de 16 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10166.906487/2009-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Bianca Felicia Rothschild, Marcelo José Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: Giovana Pereira de Paiva Leite
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PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR. INEXISTÂNCIA DE CRÉDITO. Não se configura denúncia espontânea quando a confissão ocorre acompanhada de pedido de compensação, por conseguinte, correta a imputação de pagamento à multa moratória. Além do que não há provas de que se trata de denúncia espontânea, uma vez que poderia se tratar de simples quitação em atraso. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a conversão do julgamento do recurso em diligência, proposta pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, que restou acompanhado somente pelo conselheiro Lucas Esteves Borges. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Bianca Felicia Rothschild, Lucas Esteves Borges e Marcelo José Luz de Macedo acompanharam a relatora somente por seu segundo fundamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1301-005.712, de 16 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10166.906487/2009-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Bianca Felicia Rothschild, Marcelo José Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 71 29 /2 00 9- 58 Fl. 43DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-005.715 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.907129/2009-58 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente de recurso voluntário, interposto em face de acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. Consoante Despacho Decisório, emitido eletronicamente, a autoridade competente não homologou a compensação declarada pela contribuinte no PER/DCOMP nº. 41714.82791.150906.1.3.04-9632, tendo em vista que não foi confirmado o crédito utilizado, proveniente de pagamento a maior no valor original de R$ 3.978,75, relativo a CSLL - Data do fato gerador: 31/03/2003, através de DARF no valor de R$ 315.853,44, o qual foi anteriormente utilizado para extinção de outros débitos. Cientificada do despacho denegatório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, afirma que, para efetuar a compensação não homologada, utilizou o saldo remanescente do crédito informado no PER/DCOMP nº. 11221.25337.150906.1.3.0495-21, no valor original de R$ 3.978,75, conforme demonstrado no referido documento, em razão do que o despacho recorrido deve ser reformado e a compensação homologada. A DRJ julgou manifestação improcedente, após verificar que não havia pagamento indevido ou a maior, uma vez que parte do recolhimento foi utilizado para quitação de multa. Segue transcrita a ementa do acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Data do fato gerador: 31/03/2003 PAGAMENTO A MAIOR. INEXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. Comprovado que para compensação do débito confessado em PER/DCOMP anterior foi utilizado totalmente o crédito disponível, não há saldo a ser utilizado em PER/DCOMP subseqüente. A Interessada foi cientificada do acórdão da DRJ e interpôs Recurso Voluntário, através do qual aduz, em síntese, que realizou o pagamento com o benefício da denúncia espontânea, não incidindo portanto a multa moratória. Ao final, a Interessa pugna pelo deferimento integral da peça recursal. É o relatório. Fl. 44DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-005.715 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.907129/2009-58 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, trata o presente processo de pedido de compensação formulado em DCOMP, cujo crédito invocado é pagamento indevido ou a maior de CSLL com período de apuração em março/2003, no valor original de R$ 12.757,13. O Despacho decisório não reconheceu direito creditório, tendo em vista que o pagamento indicado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que havia saldo remanescente no pagamento efetuado. A Turma da DRJ julgou a manifestação improcedente, após demonstrar que o pagamento havia sido integralmente alocado, e que a diferença alegada pela Interessada como pagamento indevido foi alocado à multa moratória dos débitos objeto de compensação. Em seu recurso voluntário, a Interessada argui que faz jus ao benefício da denúncia espontânea e que não é cabível a imposição de multa moratória na alocação do pagamento. Invoca o art. 138 do CTN. Não procede o argumento da Recorrente. Primeiro, porque o benefício da denúncia espontânea nos termos do art. 138 do CTN só se aplica nas hipóteses de confissão de dívida acompanhada de pagamento, quando se conhece o valor devido, ou de depósito do valor arbitrado pela Autoridade Administrativa, verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifei) No caso em comento, a Interessada pretende afastar a incidência da multa moratória dos débitos que foram compensados. Em segundo lugar, há de se destacar que a Recorrente deveria fazer prova de que houve a confissão espontânea propriamente dita, e que não se trata de quitação, seja por pagamento ou compensação, fora do prazo. A confissão espontânea pressupõe que o débito ainda não havia sido confessado em DCTF ou outro meio (parcelamento, por exemplo), o que se distingue do simples pagamento ou quitação por compensação, em atraso. É que na hipótese de simples Fl. 45DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-005.715 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.907129/2009-58 pagamento em atraso não se aplica o benefício do afastamento da multa moratória, conforme Súmula n. 360 do STJ, verbis: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Há de se distinguir o simples pagamento em atraso, para o qual incide multa e juros moratórios, da denúncia espontânea, no qual se afasta a imposição da multa moratória. É que no primeiro, o débito já se encontrava confessado, mas foi pago em atraso, e na segunda hipótese, o contribuinte confessa o débito ao mesmo tempo em que realiza seu pagamento acrescido de juros. Colaciona-se abaixo o fundamento legal para a incidência de multa moratória para pagamentos efetuados após o vencimento (art. 61 da Lei n. 9430/96): Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. No presente processo, em se tratando de alegação de existência de direito creditório, o ônus da prova cabe ao contribuinte que o alega. Nesse sentido, dispõe o art. 373 do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Sendo assim, diante da ausência de provas de que se trata de confissão de dívida, e não se trata de mera quitação em atraso, há de se indeferir o reconhecimento do direito creditório. Portanto, há dois fundamentos para se rejeitar o reconhecimento do crédito de pagamento indevido ou a maior: 1) não se configura denúncia espontânea com compensação e 2) ausência de provas de que houve a confissão espontânea e que não se trata de mera quitação em atraso. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a conversão do julgamento do recurso em diligência e no mérito em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Presidente Redator Fl. 46DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-005.715 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.907129/2009-58 Fl. 47DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002069/2007-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2006
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
LANÇAMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela aplicação da relevação da multa nos termos da legislação que o ampara.
RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS.
A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante, nos termos do art. 291, §1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999.
MULTA. GRAU RETROATIVIDADE MÉDIA DA NORMA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA BENIGNA.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei
vigente ao tempo da sua prática.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-001.527
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para redução da multa aplicada, nos termos do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela aplicação do artigo 32A
da Lei n° 8.212/91.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2006 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LANÇAMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela aplicação da relevação da multa nos termos da legislação que o ampara. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante, nos termos do art. 291, §1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. MULTA. GRAU RETROATIVIDADE MÉDIA DA NORMA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA BENIGNA. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LANÇAMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela aplicação da relevação da multa nos termos da legislação que o ampara. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante, nos termos do art. 291, §1o, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. MULTA. GRAU RETROATIVIDADE MÉDIA DA NORMA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA BENIGNA. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para redução da multa aplicada, nos termos do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10865.002069/200736 Acórdão n.º 240201.527 S2C4T2 Fl. 246 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/2001 a 07/2006. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 10), a empresa apresentou a GFIP sem os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Esses fatos geradores referemse aos pagamentos efetuados à UNIMED Limeira, aos valores pagos a título de retirada de pró labore dos sóciosgerentes e aos valores pagos ao contribuinte individual Eliseu Daniel dos Santos (honorários advocatícios). O Relatório da multa (fls. 11) informa que foi aplicada a multa no valor de R$ 17.844,87 (dezessete mil, oitocentos e quarenta e quatro reais e oitenta e sete centavos), fundamentada no art. 32, inciso IV, parágrafo 5o, da Lei n° 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n° 9.528/1997, e no art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. Essa multa aplicada correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição apurada sobre os fatos geradores não declarados, limitada, por competência, aos valores previstos no § 4° do art. 32 da Lei 8.212/1991 (em função do número de segurados da empresa). O cálculo da multa encontrase detalhado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa e no Anexo de fls. 12/14, que discrimina, em cada competência autuada, os valores das contribuições devidas relativas aos fatos geradores não declarados, que integraram o valor final da multa aplicada. Consta do relatório que não ficaram configuradas circunstâncias agravantes ou atenuantes na ação fiscal. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 05/12/2006, (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 17) – acompanhada de anexos de fls. 18 a 136 –, alegando, em síntese, que não concorda com o auto de infração e que corrigiu a falta, pugnando pela anulação da multa. Instada a manifestarse a respeito, a autoridade lançadora informou a correção integral da falta apontada inicialmente (fl. 224). Intimada acerca da Informação Fiscal retro (fl. 228), quedouse inerte a autuada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão PretoSP – por meio do Acórdão n° 1419.419 da 9a Turma da DRJ/RPO (fls. 230 a 232) – considerou o lançamento fiscal procedente com relevação total da multa aplicada, eis que a autuada atendeu a todos os 4 (quatro) requisitos previstos no artigo 291, § 1°, do Decreto no 3.048/1999. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 A Notificada apresentou recurso (fls. 238), pedindo anulação do lançamento fiscal e solicita relevação da multa aplicada. O Serviço de Controle e Cobrança do Crédito Tributário (SECAT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em LimeiraSP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho de Contribuintes para processamento e julgamento (fls. 244). É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10865.002069/200736 Acórdão n.º 240201.527 S2C4T2 Fl. 247 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Sendo tempestivo (fl. 244), CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR: A Recorrente requer que o lançamento fiscal, ora analisado, seja declarado nulo, já que corrigiu a falta apontada pela auditoria fiscal. Tal solicitação não será acatada, eis que a legislação de regência exige a declaração de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, mediante a apresentação mensal de GFIP, nos termos dos fatos e do arcabouço jurídicoprevidenciário a seguir delineados. O presente lançamento fiscal ora analisado decorre do fato de que a Recorrente apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, eis que ela não declarou os pagamentos efetuados à UNIMED Limeira, os valores pagos a título de retirada de prólabore dos sóciosgerentes e os valores pagos ao contribuinte individual Eliseu Daniel dos Santos (honorários advocatícios). Assim, a Recorrente estava obrigada a apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto nº 3.048/1999, transcritos abaixo: Lei no 8.212/1991 Art. 32 A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 Decreto no 3.048/1999 Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Verificase ainda que o lançamento fiscal atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, já que, no auto de infração com seus anexos, consta de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, pois estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01 a 14) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Assim, dispõe o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 10) e anexos do auto de infração são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da obrigação tributária acessória descumprida pela Recorrente. A fundamentação legal aplicada encontrase na capa do auto de infração (fls. 01). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10865.002069/200736 Acórdão n.º 240201.527 S2C4T2 Fl. 248 7 Os valores da multa aplicada foram detalhados no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa e no Anexo de fls. 12/14. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito. Com isso, toda a fundamentação legal que amparou o lançamento foi disponibilizada ao contribuinte, conforme se verifica no relatório de Instrução para o Contribuinte (IPC) de fls. 02 e 03 e no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal (TEAF) de fls. 08 e 09. Esclarecemos que a relevação da multa aplicada, conforme determinação do Acórdão n° 1419.419 da 9a Turma da DRJ/RPO (fls. 230 a 232), não enseja necessariamente à nulidade do lançamento fiscal, eis que esta só será declarada quando o lançamento contém vício insanável, que não é o caso do presente processo. Além disso, a relevação da multa aplicada em sua totalidade foi amparada nos termos do art. 291, § 1o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999. Logo, a alegação da Recorrente de nulidade do auto de infração é genérica, ineficiente e inócua, não se permitindo configurar qualquer nulidade no lançamento fiscal ora analisado, e não será acatada. A constituição do auto de infração foi detalhadamente descrita, conforme documentos às fls. 01 a 14, fornecendo todos os fatos necessários para sua compreensão e análise. Por tudo isso, não há que se falar em vícios e nulidade do lançamento fiscal. Diante disso, não acato a preliminar ora examinada de nulidade do lançamento fiscal. DO MÉRITO: A Recorrente solicita relevação da multa aplicada, tendo como fundamento o disposto no art. 291 do Decreto no 3.048/99. Tal alegação não será acatada, eis que a legislação de regência exige a declaração de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, mediante a apresentação mensal de GFIP. Verificase que a Recorrente não atendeu a todos os 4 (quatro) requisitos previstos no artigo 291, § 1°, do Decreto no 3.048/1999, ao não proceder a correção das faltas, apesar de ser primária, com pedido no prazo da defesa e não ter incorrido em circunstância agravante (fls. 01 e 11). Esse artigo 291, § 1º, dispõe: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 12/02/2007). §1o. A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo Decreto nº 6.032, de 12/02/2007) (grifamos) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 8 Logo, não será acatada a alegação da Recorrente para aplicação da relevação da multa, eis que a ela estava obrigada a apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto nº 3.048/1999, transcritos abaixo: Lei no 8.212/1991 Art. 32 A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Decreto no 3.048/1999 Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Após os registros dos fatos e da legislação de regência delineados anteriormente, não será acatada a alegação da Recorrente registrada dentro do seu aspecto meritório. Ainda dentro do aspecto meritório e em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §5o, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 11.941/2009. Com isso, houve alteração da Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10865.002069/200736 Acórdão n.º 240201.527 S2C4T2 Fl. 249 9 sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento ora analisado, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, a Lei nº 11.941/2009 acrescentou o art. 35A, que dispõe o seguinte: Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Considerando o grau de retroatividade média da norma (princípio da retroatividade benigna tributária) previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas, já que se trata de ato não definitivamente julgado. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II. tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para a recorrente, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN. Devese, então, calcular a multa da presente autuação nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o art. 35A da Lei no 8.212/1991, deduzidas as multas aplicadas nos lançamentos correlatos e utilizar esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento foi lavrado na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que teve por base o que determina a Legislação de regência. CONCLUSÃO Fl. 9DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 10 Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se recalcule a multa aplicada – conforme os termos do art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o art. 35A da Lei 8.212/1991 –, deduzindose as multas aplicadas no lançamento correlato, e que se compare esse cálculo com a multa já aplicada, a fim de utilizar o valor que for mais benéfico à recorrente, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 01/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 04/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 10980.723475/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Exercício: 2007
RETENÇÃO NA FONTE. IRPJ. CSLL
A retenção de imposto sofrida na fonte correspondente aos rendimentos informados em DIPJ - Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica, pode ser utilizada para fins de cálculo do Imposto de Renda a Pagar.
IRRF. PAGAMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA. RENDIMENTOS. CONTABILIZAÇÃO. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO.
O IRRF incidente sobre valores auferidos em períodos anteriores ao do seu efetivo recolhimento poderá ser deduzido na apuração do lucro real, desde que os respectivos rendimentos tenham sido reconhecidos contabilmente e integrados ao lucro tributável na época própria, respeitando-se o regime de competência bem como não tenham sido deduzidos da apuração do período.
Numero da decisão: 1401-005.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a autuação.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Andre Luis Ulrich Pinto e Lucas Issa Halah.
Nome do relator: Daniel Ribeiro Silva
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IRPJ. CSLL A retenção de imposto sofrida na fonte correspondente aos rendimentos informados em DIPJ - Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica, pode ser utilizada para fins de cálculo do Imposto de Renda a Pagar. IRRF. PAGAMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA. RENDIMENTOS. CONTABILIZAÇÃO. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. O IRRF incidente sobre valores auferidos em períodos anteriores ao do seu efetivo recolhimento poderá ser deduzido na apuração do lucro real, desde que os respectivos rendimentos tenham sido reconhecidos contabilmente e integrados ao lucro tributável na época própria, respeitando-se o regime de competência bem como não tenham sido deduzidos da apuração do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a autuação. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Andre Luis Ulrich Pinto e Lucas Issa Halah. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 34 75 /2 01 0- 15 Fl. 4451DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.927 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723475/2010-15 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acordão da Receita Federal em Belo Horizonte (MG) que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte acima identificado. Às exigências ficais que se discute no presente processo dizem respeito ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) relativo ao ano-calendário 2007, formalizando a exigência de crédito tributário no total de R$ 2.930.423,89, conforme tabela abaixo indicada: Cientificada dos lançamentos em 23/09/2010 (fl. 489), a interessada apresentou, em 30/09/2010, impugnação (fls. 250 a 256), instruída com os documentos de fls. 257 a 286. Alega, em apertada síntese, “que apurou as estimativas devidas considerando as retenções na fonte que incidiram sobre as receitas, relativas aos meses de janeiro a dezembro de 2007”. (...) “As retenções sofridas, conforme orientação extraída do manual de Preenchimento da DIPJ ano-calendário 2007, compuseram os montantes informados nas Fichas”. O Acordão (02-87.091 - 7ª Turma da DRJ/BHE) ora recorrido, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007 RETENÇÃO NA FONTE. IRPJ. A retenção de imposto sofrida na fonte correspondente aos rendimentos informados em DIPJ - Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica, pode ser utilizada para fins de cálculo do Imposto de Renda a Pagar. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL PARA COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO NA FONTE. Fl. 4452DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.927 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723475/2010-15 O documento hábil à comprovação do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital é o Comprovante Anual de Retenção emitido pela fonte pagadora em nome do contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2007 RETENÇÃO NA FONTE. CSLL. A retenção de contribuição social na fonte correspondente aos rendimentos informados em DIPJ - Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica, pode ser utilizada para fins de cálculo da CSLL a Pagar. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Isto porque, conforme entendimento da turma julgadora, “não obstante o ônus da prova seja da contribuinte (RIR/1999, art. 925 c/c art. 943, § 2º) e essa deveria ter sido apresentada no momento da impugnação (Decreto 70.235/1972, art. 16, § 4º), tendo em vista que as fontes pagadoras estão obrigadas a prestar informações acerca dos rendimentos pagos e correspondentes retenções à RFB mediante Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), neste voto, serão considerados os valores constantes das Dirfs apresentadas para fins de formação da convicção da autoridade julgadora relativamente aos argumentos da impugnante. Assim, verificando-se a conformidade entre as informações (rendimentos e retenções) constantes das Dirfs (fls. 294 a 338) e da DIPJ, serão acatadas como comprovadas as retenções declaradas na DIPJ. Na ausência de Dirf, não será considerada nenhuma retenção como comprovada. Retenção em Dirf em montante diferente ao declarado em DIPJ, mas com compatibilidade de rendimentos (mesma alíquota se apura na Dirf e na DIPJ), será considerada como comprovada a menor retenção. Nas demais divergências, não será considerada nenhuma retenção”. Inconformado com a decisão da DRJ, a interessada interpõe Recurso Voluntário (353/472 – novamente anexado às fls. 1272 e seguintes), alegando em síntese: a) Informa que procedeu ao depósito extrajudicial dos montantes exigidos no lançamento; b) Aduz que conforme planilha apresentada, “a Contribuinte na apuração do imposto de renda devido na DIPJ, realizou a dedução do imposto de renda retido na fonte, referente aos rendimentos oriundos do faturamento das seguintes notas fiscais de serviços, com os devidos destaques do imposto a ser retido. Ressalta-se que tais valores também foram considerados na DCTF”. (...) c) Com relação à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, de acordo com o artigo 28 da lei 9.430/1996, aplicam-se as mesmas regras da apuração e possibilidade de deduções do imposto de renda, podendo ser deduzidas, Fl. 4453DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.927 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723475/2010-15 para efeito de determinação do saldo da contribuição a pagar ou a ser compensada, o valor da CSLL retida na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real”; d) “Os pagamentos pelos serviços faturados foram realizados pelas fontes pagadoras com as respectivas retenções tanto de imposto de renda quanto da contribuição social sobre o lucro líquido, conforme destacado no corpo de cada nota fiscal”; e) Aduz que “em relação à informação contida na DIPJ ano-calendário 2007, acerca da contribuição social sobre o lucro líquido na fonte pelo CNPJ 01.679.569/0001-98 (Ambiensys Gestão Ambiental), no valor de R$198,48 (cento e noventa e oito reais e quarenta e oito centavos). Houve um erro em relação ao CNPJ informado. Ao invés deste CNPJ, deveria ter sido informado o CNPJ 68.621.671/0001-03 (Instituto Ambiental do Paraná), para quem foram prestados os serviços constantes das notas fiscais de nº 57739, 58141 e 58600, rendimentos sobre os quais houve a retenção na fonte de R$198,48 a título de CSLL, conforme documentação anexa (relatório SIAF - Sistema Integrado de Finanças Públicas do Estado do Paraná). f) Afirma que a “responsabilidade pela retenção do imposto de renda e o seu recolhimento, bem como a declaração do imposto de renda retido na fonte - Dirf, é da fonte pagadora, a qual também é substituta tributária, conforme determina o artigo 52 da lei 7450/1985, não havendo a determinação legal de qualquer responsabilidade supletiva ao contribuinte”; g) Diz que “não poderia autuar a Contribuinte por eventual não recolhimento do IRRF ou CSLL pelas fontes pagadoras ou por informações incorretas/divergentes prestadas pelas mesmas, as quais são as substitutas tributárias com a obrigação de realizar tais recolhimentos. Da mesma forma, eventual falta de recolhimento ou informação incorreta/divergente constante na Dirf apresentada pela fonte pagadora não pode impedir o direito de dedução do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido retidos na fonte na apuração do imposto de renda e da CSLL apurados mensalmente pela Contribuinte, conforme autorizado pelo artigo 34 da lei 8981/1995, pois efetivamente a Contribuinte recebeu o pagamento apenas do Valor líquido das Notas Fiscais”. h) Requereu o provimento do Recurso Voluntário interposto a fim de reconhecer o direito da recorrente à utilização do IR e CSLL a paga referentes aos anos calendários de 2007. Às fls. 2524 dos autos - Resolução nº 1401-000.697 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Conversão do feito em diligência, em razão do volume de documentos acostados que impossibilitam uma análise exaustiva e pormenorizada, bem como diante da inexistência de manifestação do fisco sobre tais documentos, para: Fl. 4454DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.927 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723475/2010-15 a) Analise os documentos apresentados e verifiquem se os mesmos comprovam as retenções alegadas; b) Verifique se as alegadas retenções, caso comprovadas, foram levadas à tributação; c) Elabore nova planilha demonstrativa do crédito devido pela Recorrente, se for o caso; d) Elabore parecer conclusivo; e) Intime o Recorrente para dele se manifestar no prazo de 30 dias. Às fls. 2537 dos autos - RESPOSTA AO TERMO DE INTIMAÇÃO, alegando em síntese que: “houve erro na informação contida na DIPJ ano-calendário 2007 acerca da contribuição social sobre o lucro líquido retida na fonte pelo CNPJ 01.679.569/0001-98 (Ambiensys Gestão Ambiental) no valor de R$ 198,48 (cento e noventa e oito reais e quarenta e oito centavos). Ao invés deste CNPJ, deveria ter sido informado o CNPJ 68.621.671/0001-03 (instituto Ambiental do Paraná) para quem foram prestados os serviços comprovados pelas notas fiscais de nº 57739, 58141 e 58600, rendimentos sobre os quais houve a retenção na fonte de R$198,48 (cento e noventa e oito reais e quarenta e oito centavos) a título de CSLL. Esta informação pode ser comprovada pelo relatório SIAF anexo”. Às fls. 4205 dos autos - (terceira parte)- TERMO DE ENCERRAMENTO DA DILIGÊNCIA FISCAL, resumindo-se em: Para o ano-calendário de 2007, ficaram comprovados os valores de R$ 243.842,86 referentes ao Imposto de Renda e de R$ 240.082,98 referentes à Contribuição Social, ambos destacados nas notas fiscais como retidos na fonte, entretanto, conforme mencionado anteriormente, o IR e a CS destacados nas notas fiscais, referentes ao ano- calendário de 2006, por entender que o fato gerador dessas notas deve respeitar o Princípio da Competência daquele período de apuração, não devem ser considerados. Portanto, proponho que seja mantido o valor de R$ 46.212,90, referentes ao Imposto de Renda, e o valor de R$ 20.194,49, referente à Contribuição Social, de acordo com a tabela a seguir: Fl. 4455DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.927 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723475/2010-15 Às fls. Fl. 4238 dos autos – MANIFESTAÇÃO AO TERMO DE ENCERRAMENTO, no qual se alegou em síntese: a) “discordar da conclusão do Sr. Auditor Fiscal, que não analisou a documentação juntada ao processo, quando da interposição do recurso voluntário, relativa ao IR retido na fonte pelas instituições bancárias ao realizar pagamentos de rendimentos de aplicações financeiras no ano de 2007, no valor total de R$4.258,49, o qual foi utilizado pela Contribuinte para abater do IR devido no ano- calendário 2007”; b) “Requerer o total provimento do recurso voluntário interposto, com a anulação do auto de infração e reconhecimento do direito da Contribuinte de utilização de todo o crédito de IR e CSLL retidos na fonte para dedução do IR e da CSLL a pagar, relativo ao ano-calendário de 2007 conforme informado na DIPJ 2008, com a consequente liberação do levantamento dos depósitos extrajudiciais realizados no dia 28/09/2018, no valor de R$ 821.298,12 e de R$ 727.151, 68, com a devida atualização pela SELIC até a data de sua liberação.”. Às fls. 4306 dos autos – Resolução nº 1401-000.767 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, conversão do processo em diligência para que a unidade de origem: a) Analise os documentos apresentados relativos às aplicações financeiras e verifiquem se os mesmos comprovam as retenções alegadas; b) Verifique se as alegadas retenções, caso comprovadas, foram levadas à tributação; c) Elabore nova planilha demonstrativa do crédito devido pela Recorrente, se for o caso; d) Elabore parecer conclusivo; e) Intime o Recorrente para dele se manifestar no prazo de 30 dias. Às fls. 4319 dos autos - TERMO DE INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL – DILIGÊNCIA; Às fls. 4384 dos autos - TERMO DE ENCERRAMENTO DA DILIGÊNCIA FISCAL, onde concluiu: Fl. 4456DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.927 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723475/2010-15 1) Referente a aplicação de CDB DI SWAP REAPLIC do Banco do Brasil, CNPJ 00.000.000/5084-97 é possível verificar que o valor projetado acumulado de IR em 29/12/2006 foi de R$ 13.039,50, já no resgate total da aplicação ocorrido em 05/01/2007, o valor total consolidado descontado de IR foi de R$ 14.371,20. Sendo assim, temos o valor a real de IR descontado em janeiro de 2007, foi o valor de R$ 1.331,70 (R$ 14.371,20 – R$ 13.039,50). Valor esse correspondente à 22,5% do rendimento de R$ 5.917,80 em janeiro de 2007. Portanto, confirmado o valor de R$ 1.331,70 retido na fonte referente ao resgate de aplicação de CDB/BB REAPLIC do Banco do Brasil. 2) Outros valores retidos na fonte referem-se à aplicação financeira realizada no Banco do Brasil CP Admin Tradicional, CNPJ 00.822.048/0001-85, conforme comprovante de rendimentos pagos a seguir: 3) Todos os comprovantes dessas retenções foram apresentados pela empresa e foram anexados nas folhas 4272 a 4282 desse processo. Portanto, de acordo com os valores apresentados a essa diligência fiscal que não foram considerados na diligência anterior, realizamos os seguintes ajustes: 4) Cabe ressaltar que os valores de R$ 243.842,86 referente ao IRPJ e o valor de R$240.082,98 referente à CSLL teria sido levantados por meio de diligência fiscal anterior e explicado/demonstrado no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal encerrada em 03/04/2020, conforme folhas 4205 a 4232, cujo entendimento deverá ser mantido. Às fls. 4393 dos autos - MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE AO TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL - TDPF 09.1.02.00-2021- 00068-0, alegando em síntese: Fl. 4457DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-005.927 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723475/2010-15 Conforme constou no termo de encerramento fiscal, foram confirmadas as retenções na fonte, nos valores de R$ 1.331,70 (um mil trezentos e trinta e um reais e setenta centavos) referente à aplicação de CD' Dl Swap no Banco do Brasil e de R$ 2.926,79 (dois mil, novecentos e vinte e seis reais e setenta e nove centavos) referente à aplicação financeira junto ao Banco do Brasil CP Admin Tradicional, os quais foram utilizados como crédito para abater o Imposto de Renda a pagar do anocalendário 2007, constatações as quais a contribuinte concorda. Ocorre que, consoante já manifestado anteriormente e novamente ratificado, a contribuinte não concorda com a manutenção dos referidos saldos a pagar, pois embora as receitas oriundas das prestações de serviços prestados em 2006 tenham sido contabilizadas dentro do ano-calendário de 2006 (regime de competência), e do dever da fonte pagadora, enquanto substituta tributária, de realizar as devidas retenções, também dentro do exercício de 2006, no caso em questão, diversos tomadores de serviço não realizaram nem o pagamento pelos serviços nem as devidas retenções no mês de emissão das notas fiscais de prestação de serviços. Há que se destacar, inclusive, que mesmo com o cuidado da contribuinte, no sentido de aguardar a realização dos pagamentos dos rendimentos a fim de se utilizar dos valores retidos para abatimento nos saldos de IRPJ e CSLL a pagar, a origem do lançamento, que ora se questiona, é justamente o fato de a autoridade fiscal não ter reconhecido os créditos de IR e CSLL retidos na fonte sem a respectiva DIRF. Cabe ressaltar, ainda, que a lei 10.833/2003 dispõe no artigo 35 que o prazo de recolhimento das contribuições retidas em fonte pela fonte pagadora (vencimento) é contado a partir do pagamento à pessoa jurídica fornecedora de bens ou prestadora de serviço, que no presente caso, ocorreu no exercício de 2007, motivo pelo qual a contribuinte aguardou a realização do pagamento pelos serviços para somente a partir de então utilizar-se dos referidos créditos. Aduz que a Contribuinte só obteve prova de que as fontes pagadoras realizaram as retenções de IRPJ e CSLL na fonte, relativas às receitas de prestação de serviços executados no ano de 2006, no ano de 2007, momento em que estas realizaram o pagamento em atraso pelos serviços prestados. Diferente do apontado pelo Sr. Auditor Fiscal, não houve desrespeito à escrituração das receitas pelo regime de competência pelo fato de a contribuinte ter usado o crédito de IR e CSLL retida na fonte pelo cliente somente no exercício de 2007 (momento de realização do pagamento pelo cliente) para abater o IRPJ e a CSLL devidos para o exercício de 2007, pois tais créditos não foram utilizados para deduzir o montante do valor de IRPJ e CSLL devidos para o ano de 2006, ou seja, as receitas referentes às notas fiscais de serviços, com destaque para retenção de IR e de contribuições na fonte, foram levadas à tributação no fim do exercício de 2006, sem aproveitamento do crédito de IR e CSLL destacados, pois a fonte pagadora não realizou o pagamento nem a declaração de retenção dentro do exercício de 2006. Portanto, antes de chegar ao entendimento de que não poderia ter havido a utilização dos créditos de IR e CSLL retidos na fonte em 2007, referentes a receitas tributadas em 2006, no abatimento do IRPJ e CSLL a pagar do exercício de 2007, o Sr. Auditor deveria, em nome do princípio da verdade material, ter diligenciado para averiguar se os referidos créditos foram utilizados para abatimento do valor a pagar de CSLL e IRPJ do exercício de 2006, o que poderia ser facilmente verificado por meio da DIPJ entregue pela contribuinte para o exercício de 2006. Ante todo o exposto, a Contribuinte se manifesta no sentido de: Fl. 4458DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-005.927 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723475/2010-15 1) discordar da conclusão do Sr. Auditor Fiscal de que os valores destacados e retidos na fonte a título de IR e CSLL das notas fiscais emitidas em 2006 não podem ser abatidos do valor do IR e da CSLL a pagar do exercício de 2007, pois somente em 2007 a Contribuinte pôde constatar que a retenção foi realizada, após as referidas receitas terem sido levadas à tributação no fim do período de apuração, de forma que devem ser considerados para o abatimento do IR e CSLL a pagar de 2007 o valor de R$ 41.954,41 de retenção de IR e de R$ 20.194,49 de retenção de CSLL relativas às notas fiscais de serviços de 2006, além dos valores já considerados como justificados pelo Sr. Auditor Fiscal, referente às retenções de IR e CSLL destacadas nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas em 2007 e das retenções de IR e CSLL na fonte, oriundas de pagamentos de receitas financeiras. 2) Requerer o total provimento do recurso voluntário interposto, com a anulação do auto de infração e reconhecimento do direito da Contribuinte de utilização de todo o crédito de IR e CSLL retidos na fonte no ano de 2007 para dedução do IR e da CSLL a pagar do ano-calendário de 2007, conforme informado na DIPJ 2008, com a consequente liberação do levantamento dos depósitos extrajudiciais realizados no dia 28/09/2018, no valor de R$ 821.298,12 e de R$ 727.151, 68, com a devida atualização pela SELIC até a data de sua liberação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva - Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado, o lançamento decorre de trabalho de revisão interna que constatou insuficiência de recolhimentos e de declaração de Imposto sobre a Renda e de CSLL devidos, correspondentes aos valores informados em DIPJ -Declarações de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica, exercício 2008, ano-calendário 2007, e não declarados em DCTF - Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais Já a contribuinte, desde a impugnação, alega que apurou as estimativas devidas considerando as retenções na fonte que incidiram sobre as receitas, relativas aos meses de janeiro a dezembro de 2007, conforme explica em sua impugnação. Defende ainda, já em sede recursal, que a “responsabilidade pela retenção do imposto de renda e o seu recolhimento, bem como a declaração do imposto de renda retido na fonte - DIRF, é da fonte pagadora, a qual também é substituta tributária, conforme determina o artigo 52 da lei 7450/1985, não havendo a determinação legal de qualquer responsabilidade supletiva ao contribuinte”. Fl. 4459DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-005.927 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723475/2010-15 Por sua vez, a DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação e firmou sua convicção calcada no entendimento de que a DIRF seria o único documento hábil para comprovar as retenções, conforme se depreende dos trechos abaixo citados: (...) Observe-se, contudo, que o imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora (RIR/1999, art. 943, § 2º). No caso, a interessada não apresentou nenhum comprovante das retenções destacadas na DIPJ de fls. 39 a 77, em especial Ficha 54 - Demonstrativo do Imposto de Renda, CSLL e Contribuição Previdenciária Retidos na Fonte às fls. 62 a 74. Não obstante o ônus da prova seja da contribuinte (RIR/1999, art. 925 c/c art. 943, § 2º) e essa deveria ter sido apresentada no momento da impugnação (Decreto 70.235/1972, art. 16, § 4º), tendo em vista que as fontes pagadoras estão obrigadas a prestar informações acerca dos rendimentos pagos e correspondentes retenções à RFB mediante Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), neste voto, serão considerados os valores constantes das Dirfs apresentadas para fins de formação da convicção da autoridade julgadora relativamente aos argumentos da impugnante. Assim, verificando-se a conformidade entre as informações (rendimentos e retenções) constantes das Dirfs (fls. 294 a 338) e da DIPJ, serão acatadas como comprovadas as retenções declaradas na DIPJ. Na ausência de Dirf, não será considerada nenhuma retenção como comprovada. Retenção em Dirf em montante diferente ao declarado em DIPJ, mas com compatibilidade de rendimentos (mesma alíquota se apura na Dirf e na DIPJ), será considerada como comprovada a menor retenção. Nas demais divergências, não será considerada nenhuma retenção. A conversão em diligência (fls. 4306 dos autos – Resolução nº 1401-000.767) decorreu da posição majoritária e recentemente sumulada por este CARF: Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Assim é que, em que pese a DIRF seja um documento que possui validade por si só a fim de comprovar a retenção, ela não pode ser e não é o único meio de prova da ocorrência da retenção do tributo. O que o RIR fez foi estabelecer uma prova que isoladamente fosse suficiente a comprovar a retenção, entretanto, tal obrigação acessória é de terceiro, não podendo ser o contribuinte punido por eventual descumprimento de obrigação. Desta feita é que, a jurisprudência do CARF, em atenção ao princípio da verdade material, tem aceitado a comprovação através de outros elementos de prova. É lógico que, diante da ausência da DIRF, o ônus da prova do contribuinte é ainda maior, e a prova da retenção tem que ser cabal. Fl. 4460DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-005.927 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723475/2010-15 Convertido o processo em diligência a autoridade fiscal promoveu uma extensiva e detalhada análise da documentação apresentada pelo contribuinte, confirmando um valor adicional de retenções de IRRF. Na oportunidade chegou-se às seguintes conclusões: Para o ano-calendário de 2007, ficaram comprovados os valores de R$ 243.842,86 referentes ao Imposto de Renda e de R$ 240.082,98 referentes à Contribuição Social, ambos destacados nas notas fiscais como retidos na fonte, entretanto, conforme mencionado anteriormente, o IR e a CS destacados nas notas fiscais, referentes ao ano- calendário de 2006, por entender que o fato gerador dessas notas deve respeitar o Princípio da Competência daquele período de apuração, não devem ser considerados. Portanto, proponho que seja mantido o valor de R$ 46.212,90, referentes ao Imposto de Renda, e o valor de R$ 20.194,49, referente à Contribuição Social, de acordo com a tabela a seguir: Entretanto, em sede de manifestação à diligência o contribuinte alerta para o fato de que a autoridade fiscal não promoveu a análise das retenções de imposto de renda decorrentes de recebimentos de rendimentos de aplicações financeiras ocorridos no ano de 2007. De fato, da análise do relatório de diligência infere-se que a autoridade fiscal não promoveu a análise e eventual confirmação das retenções decorrentes de aplicações financeiras. Em razão disso, bem como diante da inexistência de manifestação do fisco sobre tais documentos, às fls. 4306 dos autos através da Resolução nº 1401-000.767 o processo foi novamente convertido em diligência para complementação da análise pela unidade de origem, tendo sido, neste ponto, a análise favorável ao que alegava o contribuinte, chegando-se à seguinte conclusão: 1) Referente a aplicação de CDB DI SWAP REAPLIC do Banco do Brasil, CNPJ 00.000.000/5084-97 é possível verificar que o valor projetado acumulado de IR em 29/12/2006 foi de R$ 13.039,50, já no resgate total da aplicação ocorrido em 05/01/2007, o valor total consolidado descontado de IR foi de R$ 14.371,20. Sendo assim, temos o valor a real de IR descontado em janeiro de 2007, foi o valor de R$ 1.331,70 (R$ 14.371,20 – R$ 13.039,50). Valor esse correspondente à 22,5% do rendimento de R$ 5.917,80 em janeiro de 2007. Portanto, confirmado o valor de R$ 1.331,70 retido na fonte referente ao resgate de aplicação de CDB/BB REAPLIC do Banco do Brasil. 2) Outros valores retidos na fonte referem-se à aplicação financeira realizada no Banco do Brasil CP Admin Tradicional, CNPJ 00.822.048/0001-85, conforme comprovante de rendimentos pagos a seguir: Fl. 4461DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-005.927 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723475/2010-15 3) Todos os comprovantes dessas retenções foram apresentados pela empresa e foram anexados nas folhas 4272 a 4282 desse processo. Portanto, de acordo com os valores apresentados a essa diligência fiscal que não foram considerados na diligência anterior, realizamos os seguintes ajustes: 4) Cabe ressaltar que os valores de R$ 243.842,86 referente ao IRPJ e o valor de R$240.082,98 referente à CSLL teria sido levantados por meio de diligência fiscal anterior e explicado/demonstrado no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal encerrada em 03/04/2020, conforme folhas 4205 a 4232, cujo entendimento deverá ser mantido. Às fls. 4393 dos autos consta MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE AO TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL em que discorda da manutenção do valor de R$ 62.148,90 como crédito não reconhecido, alegando em síntese: Conforme constou no termo de encerramento fiscal, foram confirmadas as retenções na fonte, nos valores de R$ 1.331,70 (um mil trezentos e trinta e um reais e setenta centavos) referente à aplicação de CD' Dl Swap no Banco do Brasil e de R$ 2.926,79 (dois mil, novecentos e vinte e seis reais e setenta e nove centavos) referente à aplicação financeira junto ao Banco do Brasil CP Admin Tradicional, os quais foram utilizados como crédito para abater o Imposto de Renda a pagar do anocalendário 2007, constatações as quais a contribuinte concorda. Ocorre que, consoante já manifestado anteriormente e novamente ratificado, a contribuinte não concorda com a manutenção dos referidos saldos a pagar, pois embora as receitas oriundas das prestações de serviços prestados em 2006 tenham sido contabilizadas dentro do ano-calendário de 2006 (regime de competência), e do dever da fonte pagadora, enquanto substituta tributária, de realizar as devidas retenções, também dentro do exercício de 2006, no caso em questão, diversos tomadores de Fl. 4462DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-005.927 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723475/2010-15 serviço não realizaram nem o pagamento pelos serviços nem as devidas retenções no mês de emissão das notas fiscais de prestação de serviços. Há que se destacar, inclusive, que mesmo com o cuidado da contribuinte, no sentido de aguardar a realização dos pagamentos dos rendimentos a fim de se utilizar dos valores retidos para abatimento nos saldos de IRPJ e CSLL a pagar, a origem do lançamento, que ora se questiona, é justamente o fato de a autoridade fiscal não ter reconhecido os créditos de IR e CSLL retidos na fonte sem a respectiva DIRF. Cabe ressaltar, ainda, que a lei 10.833/2003 dispõe no artigo 35 que o prazo de recolhimento das contribuições retidas em fonte pela fonte pagadora (vencimento) é contado a partir do pagamento à pessoa jurídica fornecedora de bens ou prestadora de serviço, que no presente caso, ocorreu no exercício de 2007, motivo pelo qual a contribuinte aguardou a realização do pagamento pelos serviços para somente a partir de então utilizar-se dos referidos créditos. Aduz que a Contribuinte só obteve prova de que as fontes pagadoras realizaram as retenções de IRPJ e CSLL na fonte, relativas às receitas de prestação de serviços executados no ano de 2006, no ano de 2007, momento em que estas realizaram o pagamento em atraso pelos serviços prestados. Diferente do apontado pelo Sr. Auditor Fiscal, não houve desrespeito à escrituração das receitas pelo regime de competência pelo fato de a contribuinte ter usado o crédito de IR e CSLL retida na fonte pelo cliente somente no exercício de 2007 (momento de realização do pagamento pelo cliente) para abater o IRPJ e a CSLL devidos para o exercício de 2007, pois tais créditos não foram utilizados para deduzir o montante do valor de IRPJ e CSLL devidos para o ano de 2006, ou seja, as receitas referentes às notas fiscais de serviços, com destaque para retenção de IR e de contribuições na fonte, foram levadas à tributação no fim do exercício de 2006, sem aproveitamento do crédito de IR e CSLL destacados, pois a fonte pagadora não realizou o pagamento nem a declaração de retenção dentro do exercício de 2006. Portanto, antes de chegar ao entendimento de que não poderia ter havido a utilização dos créditos de IR e CSLL retidos na fonte em 2007, referentes a receitas tributadas em 2006, no abatimento do IRPJ e CSLL a pagar do exercício de 2007, o Sr. Auditor deveria, em nome do princípio da verdade material, ter diligenciado para averiguar se os referidos créditos foram utilizados para abatimento do valor a pagar de CSLL e IRPJ do exercício de 2006, o que poderia ser facilmente verificado por meio da DIPJ entregue pela contribuinte para o exercício de 2006. Ante todo o exposto, a Contribuinte se manifesta no sentido de: 1) discordar da conclusão do Sr. Auditor Fiscal de que os valores destacados e retidos na fonte a título de IR e CSLL das notas fiscais emitidas em 2006 não podem ser abatidos do valor do IR e da CSLL a pagar do exercício de 2007, pois somente em 2007 a Contribuinte pôde constatar que a retenção foi realizada, após as referidas receitas terem sido levadas à tributação no fim do período de apuração, de forma que devem ser considerados para o abatimento do IR e CSLL a pagar de 2007 o valor de R$ 41.954,41 de retenção de IR e de R$ 20.194,49 de retenção de CSLL relativas às notas fiscais de serviços de 2006, além dos valores já considerados como justificados pelo Sr. Auditor Fiscal, referente às retenções de IR e CSLL destacadas nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas em 2007 e das retenções de IR e CSLL na fonte, oriundas de pagamentos de receitas financeiras. 2) Requerer o total provimento do recurso voluntário interposto, com a anulação do auto de infração e reconhecimento do direito da Contribuinte de utilização de todo o crédito de IR e CSLL retidos na fonte no ano de 2007 para dedução do IR e da CSLL a pagar Fl. 4463DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-005.927 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723475/2010-15 do ano-calendário de 2007, conforme informado na DIPJ 2008, com a consequente liberação do levantamento dos depósitos extrajudiciais realizados no dia 28/09/2018, no valor de R$ 821.298,12 e de R$ 727.151, 68, com a devida atualização pela SELIC até a data de sua liberação. Pois bem. Estando bem delineada a lide passo à análise de mérito. Como já relatado trata-se de matéria eminentemente probatória. Tanto a unidade de origem (por duas oportunidades) quanto o recorrente se esforçaram muito na produção e análise das provas acostadas aos autos. Desta forma, tratando-se de matéria probatória submetida à análise da unidade de origem desde já acato o resultado das duas diligências no que se refere ao crédito já reconhecido. Por sua vez, o objeto remanescente da lide se resume ao IR e CSLL retidos na fonte relativos às notas fiscais emitidas e contabilizadas no ano-calendário de 2006 mas que, tendo em vista que o pagamento das faturas apenas ocorreu no AC 2007 o contribuinte apenas se aproveitou do respectivo crédito após o efetivo pagamento. Essa foi a conclusão a que chegou a primeira diligência (Resolução nº 1401- 000.697), como já suficientemente destacado acima. Por sua vez, necessário ressaltar que a mesma diligência atestou e reconheceu valores retidos de IR e CSLL nos valores de R$ 30.747,29 e R$ 33.141,84 respectivamente, para os quais as retenções não foram aceitas para o ano de 2007 tendo em vista que, em que pese o recebimento apenas tenha ocorrido em tal ano as notas foram emitidas no AC de 2006: (...) Por sua vez, defende o Recorrente o direito a utilização do crédito para o AC 2007 uma vez que as referidas notas foram efetivamente contabilizadas e levadas à tributação em atendimento ao regime de competência. Por sua vez, o crédito retido não foi considerado no ano de emissão da nota vez que os valores efetivamente apenas foram pagos e a retenção realizada no AC 2007. Necessário ressaltar também que, caso esta TO entenda assistir razão à tese da recorrente as retenções em 2007 relativas a notas emitidas no AC 2006 superam o crédito Fl. 4464DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1401-005.927 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723475/2010-15 remanescente em discussão, conforme resultado da segunda diligência, o que levaria ao provimento integral do Recurso Voluntário: Entendo assistir razão ao Recorrente. De fato, não há como se negar o que dispõe o art. 55 da Lei 7.450/1985: Art 55 - O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Outrossim, esse também foi o posicionamento deste CARF por muitos anos, apenas sendo superado pela Súmula 143 acima já citada. Não há como se negar o fato de que o contribuinte efetivamente respeitou o regime de competência na medida em que contabilizou e reconheceu as notas emitidas no AC 2006 no próprio ano, entretanto deixou de deduzir o IR e CSLL destacados e que deveriam ter sido retidos vez que o pagamento apenas foi feito no AC 2007. Absolutamente justificável o receio do contribuinte vez que, a proceder à dedução na apuração do IRPJ e CSLL das retenções que ainda não tinham sido realizadas e para as quais não possuía a respectiva DIRF, possivelmente teria o seu direito creditório não reconhecido pelo Fisco. Essa também foi a posição adotada por esta TO, mas em outra composição, no Acórdão 1401-002.704 da relatoria do Ilmo. Presidente Luiz Augusto Gonçalves, cujo julgamento foi unânime e recebeu a seguinte ementa: IRRF. PAGAMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA. RENDIMENTOS. CONTABILIZAÇÃO. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. O IRRF incidente sobre valores auferidos em períodos anteriores ao do seu efetivo recolhimento poderá ser deduzido na apuração do lucro real, desde que os respectivos rendimentos tenham sido reconhecidos contabilmente e integrados ao lucro tributável na época própria. Fl. 4465DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1401-005.927 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723475/2010-15 Oportuno destacar parte do voto condutor na parte que interessa: Conforme o entendimento esposado na Resolução, com o qual concordo inteiramente, a Contribuinte poderia deduzir as retenções sofridas posteriormente ao período de competência, desde que os juros recebidos nos respectivos anos calendário (2004, 2005, 2006 e 2007) tivessem sido reconhecidos contabilmente, e integrados ao lucro tributável daqueles períodos, seguindo-se a correspondente apuração dos tributos devidos sem a dedução das retenções alegadas no ano calendário 2009. A dedução do IRRF apenas em 2009 não ultrapassou o prazo prescricional para eventual repetição do indébito, que poderia ter se formado a partir do ano calendário 2004; na verdade, segundo a 1ª TO/1ª Câmara/1ª Seção, esse fato teria prejudicado a beneficiária, que com a recomposição das apurações passadas poderia ter atualizado seu crédito com juros. No presente caso estamos diante de situação onde o contribuinte contabilizou e tributou as notas emitidas no AC 2006 (respeitando o regime de competência), não aproveitou os tributos destacados na sua apuração (vez que não havia ainda ocorrida a efetiva retenção). Tudo isso respeitando a posição da legislação e entendimento do CARF sobre o tema (impossibilidade de reconhecer crédito de IRRF sem a DIRF). Não acolher a tese do contribuinte seria impor-lhe ônus indevido por adotar a cautela na interpretação e aplicação da legislação além de configurar em enriquecimento sem causa do Fisco já que não existem dúvidas sobre a existência da retenção em valor até superior ao crédito remanescente. Assim, face o exposto, acolho parcialmente o resultado da diligência e no mérito dou provimento integral ao Recurso Voluntário e julgo insubsistente o lançamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 4466DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.900019/2013-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
NULIDADE. CONTRADITÓRIO. PRAZO PARA DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade por violação ao contraditório quando concedido prazo suficiente à apresentação de documentos, ainda mais no curso do período de guarda legal.
NULIDADE. CONTRADITÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Não resta configurado o cerceamento ao direito de defesa quando é possível ao sujeito passivo identificar cada operação glosada, ainda que a Fiscalização não tenha discriminado individualmente a natureza de cada item.
FRETE. INSUMO. POSSIBILIDADE.
Fora a hipótese do frete de venda, o frete segue o regime geral de creditamento das contribuições essencial (como o frete no curso do processo produtivo) ou relevante (como o frete de aquisição de insumos) ao processo produtivo, possível a concessão do crédito.
FRETE. PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE.
Cabível o cálculo de créditos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA.
É dever do contribuinte impugnar especificamente os motivos da glosa, sob pena de não concessão do crédito.
SÚMULA CARF 159. ALTERAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE.
Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições.
Numero da decisão: 3401-009.210
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos, neste ponto, os conselheiros Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, e, no mérito, dar parcial provimento, para reverter a glosa sobre as despesas de frete na aquisição de insumos e de frete de produtos em elaboração, por unanimidade; e, ainda, por maioria, para reverter a glosa sobre as despesas de frete de produtos acabados, vencidos, neste item, os conselheiros Oswaldo Goncalves de Castro Neto e Luís Felipe de Barros Reche. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.204, de 23 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.900013/2013-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 NULIDADE. CONTRADITÓRIO. PRAZO PARA DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por violação ao contraditório quando concedido prazo suficiente à apresentação de documentos, ainda mais no curso do período de guarda legal. NULIDADE. CONTRADITÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não resta configurado o cerceamento ao direito de defesa quando é possível ao sujeito passivo identificar cada operação glosada, ainda que a Fiscalização não tenha discriminado individualmente a natureza de cada item. FRETE. INSUMO. POSSIBILIDADE. Fora a hipótese do frete de venda, o frete segue o regime geral de creditamento das contribuições essencial (como o frete no curso do processo produtivo) ou relevante (como o frete de aquisição de insumos) ao processo produtivo, possível a concessão do crédito. FRETE. PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE. Cabível o cálculo de créditos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. É dever do contribuinte impugnar especificamente os motivos da glosa, sob pena de não concessão do crédito. SÚMULA CARF 159. ALTERAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos, neste ponto, os conselheiros Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, e, no mérito, dar parcial provimento, para reverter a glosa sobre as despesas de frete na aquisição de insumos e de frete de produtos em elaboração, por unanimidade; e, ainda, por maioria, para reverter a glosa sobre as despesas de frete de produtos acabados, vencidos, neste item, os conselheiros Oswaldo Goncalves de Castro Neto e Luís Felipe de Barros Reche. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.204, de 23 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.900013/2013-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
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CONTRADITÓRIO. PRAZO PARA DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por violação ao contraditório quando concedido prazo suficiente à apresentação de documentos, ainda mais no curso do período de guarda legal. NULIDADE. CONTRADITÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não resta configurado o cerceamento ao direito de defesa quando é possível ao sujeito passivo identificar cada operação glosada, ainda que a Fiscalização não tenha discriminado individualmente a natureza de cada item. FRETE. INSUMO. POSSIBILIDADE. Fora a hipótese do frete de venda, o frete segue o regime geral de creditamento das contribuições essencial (como o frete no curso do processo produtivo) ou relevante (como o frete de aquisição de insumos) ao processo produtivo, possível a concessão do crédito. FRETE. PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE. Cabível o cálculo de créditos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. É dever do contribuinte impugnar especificamente os motivos da glosa, sob pena de não concessão do crédito. SÚMULA CARF 159. ALTERAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 00 19 /2 01 3- 76 Fl. 377302DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.210 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900019/2013-76 Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos, neste ponto, os conselheiros Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, e, no mérito, dar parcial provimento, para reverter a glosa sobre as despesas de frete na aquisição de insumos e de frete de produtos em elaboração, por unanimidade; e, ainda, por maioria, para reverter a glosa sobre as despesas de frete de produtos acabados, vencidos, neste item, os conselheiros Oswaldo Goncalves de Castro Neto e Luís Felipe de Barros Reche. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.204, de 23 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.900013/2013-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a PIS e Cofins - Não-Cumulativo. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Fl. 377303DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.210 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900019/2013-76 No caso de receitas decorrentes de vendas no mercado interno, somente podem ser ressarcidos e/ou compensados os créditos apurados a partir de 09/08/2004 se vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não- incidência da Contribuição. As despesas com serviços de frete geram crédito das contribuições quando vinculadas as operações de venda. No regime da não cumulatividade, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam essenciais ou relevantes para a produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade e devidamente comprovados. A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência, e não há que se falar em nulidade por cerceamento de direito de defesa quando se vislumbra nos autos que a recorrente foi capaz apresentar seus argumentos de defesa, exercendo o direito assegurado pelo art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988. A realização de diligência ou perícia não se presta a suprir eventual inércia ou omissão do contribuinte, tampouco para reverter o ônus da prova imputado. Cientificado do acórdão recorrido, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do direito creditório postulado e requerendo o integral ressarcimento/homologação da compensação, aduzindo os seguintes argumentos, em síntese: - nulidade do despacho decisório por violação do direito de petição, vez que a fiscalização concedeu vinte dias entre o natal e o ano novo para a juntada de documentos que demonstrassem o crédito e, posteriormente, mais quatro dias; - o Despacho Decisório ora recorrido infringiu frontalmente o § 7°, do artigo 74, da Lei n° 9.430/1996, ao não efetuar a cobrança, sendo nulo de pleno Direito; - o pedido de ressarcimento e algumas declarações de compensação foram tacitamente homologados; - insumo é toda e qualquer despesa de empresa em sua atividade tal qual descrevem os artigos 290 a 299 do RIR; - despesas com transporte de insumos pré-produção e no curso da produção são passíveis de creditamento; - não há fundamento no despacho decisório para a glosa de créditos presumido nos primeiro trimestre de 2008 que, por sinal, sequer foram objeto do pedido de ressarcimento e objeto de fiscalização; Fl. 377304DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.210 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900019/2013-76 - parte dos fornecedores de insumos descritos no tipo B do despacho decisórios são agroindustriais, logo, as aquisições destas pessoas jurídicas geram créditos integrais das contribuições; - parte dos insumos descritos no tipo B do despacho decisórios não estão sujeitos à alíquota zero ou a qualquer outra hipótese de não pagamento das contribuições; - não é possível saber pela simples análise do Despacho Decisório, se um determinado crédito de insumo foi glosado sob a alegação de dar ensejo ao crédito presumido ou sob a alegação de estar sujeito à alíquota zero; - a não homologação de pedido de compensação sem que tenha sido concedido prazo adequado para o levantamento das informações e documentos necessários, bem como sem que a Autoridade Fiscal tenha analisado os documentos e informações apresentados pelo Contribuinte, representa um nítido desvio da finalidade da lei; - o despacho decisório macula o postulado da razoabilidade; - deve ser realizada perícia para análise dos créditos; - não há como negar a clara nulidade da glosa parcial procedida. Isso porque à recorrente não foi garantido pleno e efetivo conhecimento das razões da Fiscalização para a referida glosa, já que baseada exclusivamente em planilha de cálculo – e não na análise documental ou probatória – elaborada a partir de informações do próprio contribuinte, cuja veracidade/realidade não se preocupou a Fiscalização em confirmar; - de mais a mais, a análise do direito creditório deveria ter sido pautada pelos documentos contábeis e fiscais da recorrente; - a fiscalização não aplicou o conceito de insumos fixado pelo Tribunal da Cidadania; - o E. STF consignou entendimento em sede de repercussão geral segundo o qual é plenamente possível tomar créditos de IPI na aquisição direta de insumos com alíquota zero. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Quanto à preliminar de nulidade por cerceamento de defesa e à glosa sobre as despesas de frete de produtos acabados, transcreve-se o entendimento majoritário da Turma expresso no voto vencedor. Em que pese toda a deferência que presto às considerações do Ilustre Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, ouso divergir de seu posicionamento quanto à Fl. 377305DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.210 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900019/2013-76 ocorrência de nulidade por cerceamento ao direito de defesa e quanto à possibilidade de apuração de créditos do Pis e da Cofins calculados em relação aos fretes incorridos nas transferências de produtos acabados, principalmente no caso dos autos, em que as mercadorias vendidas - os laticínios - possuem reduzido prazo de validade e são mais suscetíveis a agentes externos, sendo, no mínimo, essencial que estejam geograficamente próximas dos adquirentes. Do cerceamento ao direito de defesa No caso da nulidade, entendeu o ilustre relator que teria ocorrido cerceamento ao direito de defesa, uma vez que a planilha elaborada pela Fiscalização contendo as operações de frete glosadas não teria a discriminação da natureza de cada operação, inviabilizando inequivocamente o exercício de resistência por parte do sujeito passivo. A minha divergência recai exatamente sobre esse ponto. É que o auditor fiscal expressamente deixa claro no despacho decisório, em seu item DOS CRÉDITOS COM DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NAS VENDA, que adotou uma visão restritíssima acerca da definição de insumos e reconheceu tão- somente os créditos advindos das despesas de frete nas operações de venda, glosando todas as demais operações de frete, que foram dispostas na planilha “Documentos Diversos - Outros - Memória de Cálculo Frete Glosado” utilizando-se do mesmo leiaute disponibilizado pela ora Recorrente à Fiscalização. A falta de discriminação não advém de desídia na construção da decisão por parte do auditor fiscal e sim do seu entendimento de que aquelas operações não se encaixam no seu fechado conceito de frete na operação de venda, não tendo relevância, por esse prisma, a identificação da natureza de cada operação glosada- já que todas as demais indiscutivelmente não são frete na venda. Nesse sentido, tendo a Recorrente entendimento diverso, não só é perfeitamente possível opor-se a essa conclusão como caber-lhe-ia identificar a natureza de cada operação glosada – já que a referida relação de glosas foi extraída e produzida a partir das planilhas fornecidas pelo próprio sujeito passivo - e oferecer a sua defesa com o uso dos argumentos de fato e de direito que entendesse pertinentes para cada tipo de frete, pelo que não entendo como configurado prejuízo à sua defesa. Dos fretes incorridos nas transferências de produtos acabados Com a nova definição de insumo estabelecida pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR, ficou ainda mais claro, no meu entendimento, que o frete – desde que, à luz do processo produtivo no qual esteja inserido, atenda aos parâmetros da essencialidade ou da relevância – não se afigura tão somente como um mero componente acessório do custo de aquisição de um bem adquirido, assumindo, assim, posição autônoma para que, na condição de serviço utilizado como insumo, possa por si só gerar direito a crédito. Referido entendimento decorre de duas premissas. A primeira se exterioriza na ideia de que, para fins de tomada de créditos, a delimitação do processo produtivo deve ser concebida sob um prisma mais amplo, que contemple todos aqueles subprocessos afetos ao núcleo do propósito econômico da empresa e não sob a restrita ótica de uma “linha de montagem”, em que se pode objetivamente definir o seu começo e o seu fim. Até porque esse enfoque é incapaz de acomodar a complexidade das diferentes atividades econômicas atualmente desenvolvidas e - principalmente – não se mostra perfeitamente conciliável com os próprios critérios da essencialidade e relevância, que se utilizam do “teste da subtração” para definição do que é insumo. Fl. 377306DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.210 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900019/2013-76 O outro pressuposto é sobremaneira mais simples e decorre do inexorável fato de que o frete é, para todos os efeitos, um serviço como outro qualquer, comportando direito ao crédito sempre que se mostrar essencial ou relevante no contexto das atividades econômicas desenvolvidas pela empresa, não se mostrando acertado, assim, considerá- lo como serviço sui generis, recebendo distinto tratamento em relação aos demais serviços adquiridos. É claro que o novo “status” do frete não lhe retira da categoria de componente do custo de aquisição de um bem adquirido – mesmo porque tal condição decorre em verdade da ciência contábil - de modo que, no caso das pessoas jurídicas que produzem ou industrializam bens destinados a venda ou que prestam serviços, o frete poderá ensejar direito a crédito autonomamente (desde que essencial ou relevante) ou como componente do custo de aquisição. Feitas essas breves considerações, detenho-me ao ponto de divergência: o frete incorrido na transferência de produtos acabados. De acordo com as considerações do voto-vista da Min. Regina Helena Costa, no REsp nº 1.221.170/PR, no plano dogmático, havia três linhas de entendimento identificáveis no que concerne ao alcance do termo insumo: i) a orientação restrita, que adotava como parâmetro a tributação baseada nos créditos físicos do IPI, isto é, a aquisição de bens que entrem em contato físico com o produto; ii) a orientação intermediária, consistente em examinar, casuisticamente, se há emprego direto ou indireto no processo produtivo ("teste de subtração"), prestigiando a avaliação dos critérios da essencialidade e da pertinência; e, por fim, (iii) a orientação ampliada, cujas bases se aproveitam do amplíssimo conceito de insumo da legislação do IRPJ. Como consabido, prevaleceu no Superior Tribunal de Justiça a linha intermediária, que, se por um lado não tem alcance tão amplo como aquele que se exterioriza pela legislação do IRPJ, tampouco é limitada aos critérios físicos estabelecidos pela legislação do IPI, acarretando, a meu ver, não só a necessidade de uma nova leitura acerca do conceito de insumo como também de um novo entendimento a respeito do alcance do termo “produção”, para fins de tomada de crédito das contribuições. É que não parece razoável admitir que o STJ tenha abandonado a orientação restrita a respeito do conceito de insumo, aproveitada da legislação do IPI - que, a princípio, identificava como tal apenas os insumos diretos, as matérias-primas e os produtos intermediários – e, ainda assim, tenha continuado a acolher a ideia de que o termo “produção” continue intrinsecamente ligado àquela legislação. Nessa hipotética situação, não restariam compreendidas no conceito de insumo aquelas atividades que, a despeito de serem manifestamente essenciais ou relevantes e, assim, afetas à atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica, ocorrem fora dos rígidos limites do processo produtivo em sentido estrito, isto é, daquele demarcado de acordo com os parâmetros estabelecidos na legislação do IPI. Nesse contexto, penso que a leitura mais adequada para a questão passa pela possibilidade de tomada de créditos em relação a todos os bens e serviços que sejam essenciais ou relevantes - conforme definiu o STJ - e, ao mesmo tempo, incluam-se naquele eixo central de atividades que, em conjunto, revelem o próprio propósito econômico da pessoa jurídica, ainda que tais atividades ocorram antes ou depois do rigoroso processo produtivo delineado pela legislação do IPI. É evidente que isso não significa admitir créditos sobre todo e qualquer dispêndio, ainda que, sob a ótica da própria pessoa jurídica, se mostrem essenciais ou relevantes. Conquanto a expressão “atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, por sua generalidade, possa fazer parecer que haveria insumos geradores de crédito em qualquer atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, a verdade é que todas as discussões e conclusões lapidadas pelo STJ circunscreveram-se ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços desenvolvidos pela pessoa jurídica. Fl. 377307DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-009.210 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900019/2013-76 Dessa forma, pode-se afirmar de plano que as despesas da pessoa jurídica com atividades acessórias ao seu propósito econômico, diversas da produção de bens e da prestação de serviços, não representam aquisição de insumos, como ocorre com as despesas havidas nos setores administrativo, contábil, jurídico etc. da pessoa jurídica - até porque do contrário estarse-ia a adotar o conceito da legislação do IRPJ, que, como vimos, fora igualmente rejeitado pelo STJ. Por outro lado, também não me parece correto assumir que o frete incorrido para transportar as mercadorias a serem vendidas pela empresa, ainda que já acabadas, para localizações mais próximas de seus clientes se revele como uma despesa operacional qualquer ou, ainda, que o fato de o processo produtivo em sentido estrito já ter se encerrado seja um obstáculo para que referido dispêndio se encontre inserido no “eixo de produção” da pessoa jurídica, a ponto de afastar a possibilidade de apuração de créditos. Tal conclusão se mostra ainda mais patente no caso desses autos, pois que, em função do exíguo prazo de validade e da maior suscetibilidade a agentes externos dos produtos vendidos – laticínios –, o transporte da mercadoria se revela um fator que pode reduzir sobremaneira a sua qualidade, o que, a meu ver, satisfaz o critério da essencialidade. Por todo o acima exposto, dou provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito calculado sobre o frete incorrido nas transferências de produtos acabados. Quanto às demais matérias, transcreve-se o entendimento majoritário da Turma, consignado no voto do relator do processo paradigma. A Recorrente aventa NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO pois a) o prazo concedido para apresentação de documentos comprobatórios de suas alegações no curso do procedimento fiscal foi exíguo e b) não houve lançamento dos valores indicados a débito nas declarações de compensação. Sobre o segundo tema, nada há no que corrigir no quanto descrito pela DRJ. Efetivamente, os valores descritos como débito em DCOMP são confessados e sua cobrança independe de qualquer lançamento (art. 74 § 6° da Lei 9.430/96). De todo modo, a Recorrente deixa de arguir a tese em voga em sede de voluntário, tornando preclusa a matéria. O primeiro tema comporta maiores digressões. Em 21 de dezembro de 2012 a fiscalização intimou a Recorrente a apresentar uma série interminável (seis páginas, mais de quarenta itens) de informações e documentos no prazo de vinte dias. Tendo em vista a época do ano em que foram solicitados os documentos (20 de dezembro) e o curtíssimo prazo para atender a fiscalização, a Recorrente pleiteou dilação de prazo, e teve seu pedido atendido pela fiscalização, que fixou prazo de 30 dias, contados a partir de 17 de janeiro de 2013 para apresentar os documentos e, posteriormente, mais 10 dias contados a partir de 18 de fevereiro de 2013. Do antedescrito já se nota que 1) ao contrário do que alega a Recorrente não foram concedidos apenas 20 (vinte) dias para a apresentação de documentos, mas quase 70 (setenta) dias, 2) na data em que a Recorrente recebeu as intimações ainda não havia esgotado o período de guarda dos documentos contábeis e fiscais. Independentemente do acima, a fiscalização destaca que a Recorrente apresentou todos os documentos solicitados e, nos temas em que o direito ao crédito foi afastado por insuficiência probatória a Recorrente não apresenta qualquer arrazoado - ou ainda prova em sentido contrário no curso do processo administrativo. É claro que a Recorrente questiona em voluntário a veracidade dos documentos que ela mesma apresentou (o que é algo inédito) porém, é certo que a fiscalização considerou-os verdadeiros, vez que corroboram com o quanto descrito na escrituração fiscal apresentada. É dizer, caso a Recorrente de fato entendesse que por vontade livre e Fl. 377308DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-009.210 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900019/2013-76 consciente apresentou à fiscalização com o intuito de criar obrigação de compensar documentos que não correspondem a realidade (!!!) deveria ter apresentado durante o processo administrativo outros documentos. Com isto se quer dizer que, não obstante de a fixação de prazo exíguo para apresentação de documentos comprobatórios poder culminar com cerceamento do direito de defesa, por violação do direito ao contraditório, no caso não ocorreu porquanto a) o prazo concedido foi suficiente à apresentação dos documentos que (diga-se) a Recorrente deveria ter em mãos e b) a Recorrente apresentou todos os documentos à fiscalização. (...) Superada a nulidade em Sessão de Julgamento pela Turma, é dever prosseguir o julgamento e declarar PRECLUSA a matéria sobre homologação tácita quer do pedido de ressarcimento, quer das compensações, porquanto não repetida em sede de recurso a esta Casa, de todo modo, como bem destaca a DRJ, não há homologação tácita de pedido de ressarcimento e a primeira declaração de compensação foi protocolada em 09 de junho de 2008, sendo que a ciência do despacho decisório ocorreu em 04 de junho de 2013 – antes do quinquênio legal, portanto. No ensejo, também preclusos o pedido de diligência (que, a princípio seria para a produção de prova a cargo da Recorrente) e as matérias de ordem constitucional (que, de todo modo, não poderiam ser encaradas por este Conselho), eis que também não repetidas em sede de recurso a esta Casa. A Recorrente levanta-se contra a glosa sobre os FRETES por si adquiridos, vez que estes são DE VENDA (em que há permissão legal expressa de creditamento), DE TRANSPORTE DE INSUMOS (neste caso, essencial ao processo produtivo) e DE PRODUTOS ENTRE SEUS ESTABELECIMENTOS (por entender inerente a sua atividade). Em contraponto, a DRJ destaca a insuficiência probatória, pois, “os argumentos de defesa [vieram] desacompanhados de documentação suporte, tais como livros contábeis e respectivos conhecimentos de transporte e notas fiscais de entrada, que sustentem os lançamentos registrados na contabilidade”. No curso do procedimento fiscal, foi solicitado à Recorrente a apresentação de memória de cálculo detalhando os créditos de PIS/COFINS, Arquivo das Notas Fiscais, várias declarações nos termos do ADE COFIS 15/2001 (incluindo, registros contábeis, tabela de plano de contas, tabela de natureza da operação), além de planilha indicando nome dos prestadores de serviço de frete, números das notas fiscais e conhecimentos de transporte, valor total da nota e descrição dos serviços prestados. Nos termos do despacho decisório a Recorrente apresentou todos os documentos solicitados, salvo a planilha. Fl. 377309DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-009.210 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900019/2013-76 Desta forma, a prova dos autos não corrobora com a afirmação do Acórdão recorrido no sentido de “os argumentos de defesa [vieram] desacompanhados de documentação suporte”. Aliás, pelo contrário; a DERAT-SP superou a não apresentação das planilhas e fundamentou sua glosa nas notas fiscais (ainda que por amostragem) apresentadas pelo contribuinte: O excerto acima revela que a fiscalização de origem aparentemente segregou os fretes de venda de outros fretes, deferindo o direito ao crédito na aquisição dos primeiros e indeferindo nos demais casos. Quer parecer (visto que não resta claro o motivo do indeferimento) que apoiou-se a fiscalização em uma interpretação restritiva do quanto descrito no artigo 3º inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, i.e., ao elencar o frete de venda como passível de creditamento das contribuições, o legislador, por via reflexa, proscreveu todas as demais hipóteses de crédito na aquisição de fretes. Todavia, o espelho da fiscalização com o tempo mostrou-se algo côncavo – ampliando a incidência sobre âmbitos que o legislador não previu - , vez que como amplamente discutido por esta Casa e por esta Turma, ao lado da concessão de créditos ao frete de venda, é possível a concessão de créditos das contribuições ao frete se este for essencial ou relevante ao processo produtivo do contribuinte, se este frete revela natureza de insumo. In casu, a Recorrente pleiteia créditos de a) venda, b) de insumos e c) de transferência entre estabelecimentos. O crédito de venda já foi concedido pela fiscalização de solo. O crédito vinculado a aquisição de insumos e de transferência de insumos no curso do processo produtivo é, respectivamente, relevante (sem ele o processo produtivo não teria início) e essencial (sem ele não teria final) ao processo produtivo da Recorrente, portanto insumos cujo as aquisições são passíveis de creditamento. (...). Fl. 377310DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-009.210 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900019/2013-76 A fiscalização dividiu os créditos da Recorrente em dois grupos: 1) vinculados a receitas tributadas das contribuições e 2) vinculados a receitas não tributadas das contribuições. Nesta divisão, a fiscalização glosou integralmente os créditos vinculados a receitas não tributadas das contribuições, pois, em seu entender (não impugnado pela Recorrente) os créditos descritos no artigo 3° das Leis 10.833/03 e 10.637/02 somente podem ser deduzidos da escrita fiscal, não são passíveis de restituição ou compensação com outros tributos. Dentro dos créditos do segundo grupo (vinculados a receitas não tributadas) a fiscalização criou uma nova subdivisão entre CRÉDITOS passíveis de ressarcimento/compensação e aqueles que não são, quer porque estão SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO das contribuições, quer porque estão sujeitos à disciplina da Lei 10.925/04 (CRÉDITO PRESUMIDO do agronegócio). A partir desta divisão, a fiscalização trouxe aos autos a planilha do Anexo 2 em que destaca Data da Emissão da Nota, Número da Nota, Razão Social do Emitente, CNPJ, UF, CFOP, Descrição do Insumo, Classificação Fiscal, Base de Cálculo e motivo da glosa, com a seguinte legenda: A seu turno, a Recorrente destaca erros na planilha (e consequentemente, nos fundamentos) da fiscalização, citando exemplos de fornecedores que são agroindustriais (e por isto, o crédito a conceder não é o presumido) bem como de produtos que não são tributados à alíquota zero (e por isto, ultrapassam o obstáculo descrito no artigo 3° § 2° inciso II das Leis 10.637/02 e 10.833/03); e para ambos os casos teve seu crédito reconhecido, se bem que no primeiro foi negado por inexistência de vínculo com processo produtivo de saída não tributada. Apesar do deferimento dos exemplos citados em Manifestação de Inconformidade pela DRJ, a Recorrente repete exatamente os mesmos argumentos em sede de voluntário, não traz aos autos qualquer outro caso de equívoco na consolidação da planilha. Não obstante alguns saltos (do despacho para a planilha do Anexo II, da planilha do Anexo II, para a planilha relatório de insumos), os motivos da glosa são minimamente inteligíveis e, em sendo, caberia a Recorrente enfrenta-los um a um – por sinal, é isto que se considera impugnação específica. Como fez apenas para os itens já reconhecidos pela fiscalização, de rigor a manutenção da glosa para as demais aquisições. A fiscalização narra a impossibilidade de compensação ou ressarcimento de CRÉDITOS DE REVENDA de produtos, uma vez que as aquisições não estão vinculadas com receitas tributadas das contribuições. No entanto, o despacho decisório narra que a Recorrente deduziu os créditos de revenda na escrita fiscal e, por isto, não há impacto no pedido de ressarcimento. Fl. 377311DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-009.210 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900019/2013-76 A Recorrente trata de modo algo sucinto o tema dos créditos decorrentes de revenda de bens, dentro do tópico destinado aos insumos (tratados no item anterior) – como constata a DRJ. Já em Voluntário, a Recorrente abre tópico específico para tratar dos créditos decorrentes de revenda em que destaca que “o E. STF consignou entendimento em sede de repercussão geral segundo o qual é plenamente possível tomar créditos de IPI na aquisição direta de insumos com alíquota zero”. A bem da verdade, não há lide sobre o tema, a fiscalização de piso apenas descreve seu entendimento jurídico sobre o tema, para, ao final, notar que a Recorrente seguiu-o (ou seja, apenas deduziu na escrita fiscal os créditos de revenda de bens). Não fosse isto, o tema se encontraria precluso desde a Manifestação de Inconformidade por falta de impugnação específica. E não fosse isto, também seria o caso de não conhecimento neste momento, agora por quebra da dialeticidade, vez que o fundamento da glosa seria (se existisse) vinculação a receita tributada enquanto a defesa é de possibilidade de crédito vinculado a receita não tributada. Por fim, a Recorrente destaca a IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS porquanto estes 1) não foram objeto do pedido de ressarcimento e 2) não há no despacho decisório qualquer fundamento para a glosa. No curso do procedimento fiscal, a Recorrente apresentou Memória de Cálculo com créditos presumidos pela aquisição de leite integral. A fiscalização, então, comparou os valores descritos na Memória de Cálculo com os informados em DACON, notando (e glosando) os valores a maior na declaração fiscal. Em assim sendo, o fundamento da glosa é a memória de cálculo apresentada pela Recorrente. É claro que, com o reenquadramento dos créditos básicos em presumidos o valor dos últimos tenderia a aumentar. Contudo, a fiscalização optou por não majorar proporcionalmente a base de cálculo dos créditos presumidos pois “os valores validados dos créditos presumidos pela aquisição do leite integral, foram suficientes para amortizar os valores devidos do PIS/COFINS nos mesmos períodos” assim não alteraram “os valores dos Pedidos de Ressarcimento em análise”. Portanto, ainda que se tenha alguma reserva quanto a opções pessoais da fiscalização, em não demonstrado impacto do montante a ressarcir/compensar não há o que reparar no despacho da fiscalização. Acerca da possibilidade de alterar a escrita fiscal, independentemente de pedido do contribuinte, a Súmula CARF 159 dispõe que: Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, admito, porquanto tempestivo e conheço em parte do Recurso Voluntário, para, na parte conhecida dar parcial provimento afastando a glosa sobre os fretes de aquisição de insumos e no curso do processo produtivo. Fl. 377312DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-009.210 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900019/2013-76 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar parcial provimento, para reverter a glosa sobre as despesas de frete na aquisição de insumos, de frete de produtos em elaboração e de frete de produtos acabados. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 377313DF CARF MF Documento nato-digital
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