Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,484)
- Primeira Turma Ordinária (16,434)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Primeira Turma Ordinária (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,516)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,721)
- Terceira Câmara (68,184)
- Segunda Câmara (57,010)
- Primeira Câmara (21,265)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,874)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,921)
- Segunda Seção de Julgamen (115,679)
- Primeira Seção de Julgame (77,486)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,117)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,476)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,893)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,657)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,651)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,653)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (18,907)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10880.033088/98-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/10/1995
EMBARGOS INOMINADOS. ART. 66 DO RICARF. Cabem embargos inominados para correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e de erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos de declaração. No caso, não se verificou a necessidade de retificação no item d da conclusão do voto proferido no acórdão n° 3301-002.616, referente à comprovação do recolhimento do PA 08/90.
Embargos inominados rejeitados.
Numero da decisão: 3301-004.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos inominados formulados pela Fazenda Nacional, por ausência de retificação a ser feita no item d da conclusão do voto proferido no acórdão n° 3301-002.616, referente à comprovação do recolhimento do PA 08/90, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 30/10/1995 EMBARGOS INOMINADOS. ART. 66 DO RICARF. Cabem embargos inominados para correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e de erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos de declaração. No caso, não se verificou a necessidade de retificação no item d da conclusão do voto proferido no acórdão n° 3301-002.616, referente à comprovação do recolhimento do PA 08/90. Embargos inominados rejeitados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.033088/98-55
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5846371
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.231
nome_arquivo_s : Decisao_108800330889855.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 108800330889855_5846371.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos inominados formulados pela Fazenda Nacional, por ausência de retificação a ser feita no item d da conclusão do voto proferido no acórdão n° 3301-002.616, referente à comprovação do recolhimento do PA 08/90, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
id : 7177297
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009939738624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1840; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2.702 1 2.701 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.033088/9855 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301004.231 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1 de fevereiro de 2018 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Embargante Fazenda Nacional Interessado Marisa Lojas S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 30/10/1995 EMBARGOS INOMINADOS. ART. 66 DO RICARF. Cabem embargos inominados para correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e de erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos de declaração. No caso, não se verificou a necessidade de retificação no item “d” da conclusão do voto proferido no acórdão n° 3301002.616, referente à comprovação do recolhimento do PA 08/90. Embargos inominados rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos inominados formulados pela Fazenda Nacional, por ausência de retificação a ser feita no item “d” da conclusão do voto proferido no acórdão n° 3301002.616, referente à comprovação do recolhimento do PA 08/90, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 30 88 /9 8- 55 Fl. 2702DF CARF MF Processo nº 10880.033088/9855 Acórdão n.º 3301004.231 S3C3T1 Fl. 2.703 2 Relatório Tratase de embargos interpostos pela Fazenda Nacional, contra o acórdão n° 3301002.616, da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara, que deu parcial provimento ao recurso voluntário da empresa, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 30/10/1995 PIS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SEMESTRALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 15. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. CORREÇÃO MONETÁRIA. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA NO STJ. Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, encontrandose firmada a orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA DCOMP. A homologação tácita de declaração de compensação, tal qual a homologação tácita do lançamento, extingue o crédito tributário, não podendo mais ser efetuado lançamento suplementar referente àquele período. O processo teve origem em Pedido de Restituição de PIS, apurado na forma dos Decretos n° 2.445 e 2.449/88, relativos aos períodos de apuração de julho de 1988 a outubro de 1995. A conclusão do voto condutor da ilustre Relatora Mônica Elisa de Lima foi: Do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório da Contribuinte, devendo a Autoridade Preparadora observar, no cálculo do indébito: Fl. 2703DF CARF MF Processo nº 10880.033088/9855 Acórdão n.º 3301004.231 S3C3T1 Fl. 2.704 3 a) O critério da semestralidade na apuração do PIS, tomandose por base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária; b) A adoção da correção monetária dos indébitos levando em conta os expurgos inflacionários; conforme a Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007; c) A homologação tácita da compensação relativa às Contribuições para a Cofins (2172) e PIS (8109), do Períodos de Apuração de agosto de 2.000, nos valores de R$ 56.564,21 e R$ 144.268,58, respectivamente; d) Os recolhimentos dos Períodos de Apuração de 11/88 a 07/90 e 08/90, expressamente atestados pela DISAR da DRF/SP, nas fls.81 a 83, do apenso nº 10880.046232/9407; e) As bases de cálculo e créditos referentes aos Períodos de Apuração de 07/88 a 10/88, conforme declarado pela Recorrente na fl.316. Os embargos da Fazenda Nacional tiveram como objeto o item “d” supracitado. São as razões: (...) verificandose os autos do mencionado Processo Administrativo nº 10880.046232/9407, assim como das planilhas de fls. 81/83, constatase que estas fazem menção aos DARF’s com suas respectivas fls. nestes autos de nº 10880.033088/9855. Assim, confrontandose as informações das planilhas de fls. 81/83 dos autos em apenso (10880.046232/9407) com estes autos, constatase que o período de apuração 08/90 não está relacionado nas tabelas de fls. 81/83. Ao contrário, consta expressamente atestados pela DISAR da DRF/SP, conforme certidão de fl. 84 dos autos em apenso (10880.046232/9407), que não foi certificado o recolhimento do DARF de fl. 90 destes autos de nº 10880.033088/9855, que se refere ao período de apuração 08/90, “tendo em vista que este não foi localizado nas microfichas, nem nos Sistemas de Arrecadação da Secretaria da Receita Federal”. Destarte, verificase contradição no julgado, uma vez que, conforme prova nos autos em apenso, constatase que o período de apuração 08/90 foi devidamente excluído na diligência realizada por ausência de recolhimento, nos termos da certidão de fls. 84 do mencionado processo, ao contrário do afirmado no acórdão recorrido, que entendeu que foi certificado o recolhimento do período de apuração 08/90, (...) Fl. 2704DF CARF MF Processo nº 10880.033088/9855 Acórdão n.º 3301004.231 S3C3T1 Fl. 2.705 4 Os Embargos foram admitidos pelo Presidente Luiz Augusto do Couto Chagas, apenas como inominados para retificação de inexatidão material, conforme r. despacho de e fls. 2700: Alegou a embargante que o colegiado deu provimento ao recurso para determinar que a autoridade administrativa considerasse no cálculo do indébito do contribuinte os pagamentos realizados nos períodos de apuração 11/88 a 07/90 e 08/90, com base na confirmação dos pagamentos informada no processo em apenso (10880.046232/9407). Ocorre que ao verificar o apenso, a embargante teria constatado que não houve confirmação do pagamento relativo à competência 08/90, contradição esta que mereceria ser sanada por meio do acolhimento dos embargos de declaração. Pois bem, o art. 65 do RICARF estabelece que cabem embargos de declaração nos casos em que houver contradição entre a decisão e seus fundamentos, o que não se verificou no caso concreto. O que se tem aqui é um possível lapso manifesto na avaliação da prova. Segundo a Fazenda Nacional, o pagamento relativo ao mês de 08/90 não teria sido confirmado pela Administração Tributária, mas a ilustre Relatora originária considerou que ele estaria confirmado. Sendo assim, recebo a petição da Procuradoria da Fazenda Nacional como embargos inominados do art. 66 do RICARF e restituo o processo à ilustre relatora, Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, para que coloque o processo em pauta de julgamento com proposta de saneamento do vício apontado, se for o caso. É o relatório. Voto O procedimento de diligência fiscal apontou que os DARFs dos PAs 11/88 (fls. 75/76), 07/90 (fls. 114/115) e 08/90 (valor de R$ 18.015.726,01, fls. 116/117), numeração destes autos, não tinham autenticação de recolhimento, e que, por conseguinte, não puderam ser confirmados. A ilustre relatora, com base no Processo n° 10880.046232/9407, apenso ao presente processo, entendeu como comprovados os referidos recolhimentos. Confirase o trecho do voto: b) Sobre os DARFs dos PAs 11/88, 07/90 e 08/90: não possuem autenticação de recolhimento e também não puderam ser confirmados. Fl. 2705DF CARF MF Processo nº 10880.033088/9855 Acórdão n.º 3301004.231 S3C3T1 Fl. 2.706 5 Diferente do informado na diligência, a DISAR da DRF/SP já confirmara, nos autos do Processo Administrativo nº 10880.046232/9407, em 20 de maio de 1999, tais recolhimentos. Desta forma, podese verificar que se encontram certificados os recolhimentos dos DARFs registrados nos quadros de fls.81 a 83, daquele apenso, referente aos períodos de apuração de julho de 1988 a dezembro de 1990. Portanto, no cálculo da compensação e restituição, devem ser considerados os recolhimentos dos Períodos de Apuração de 11/88 a 07/90 e 08/90 indevidamente excluídos na diligência. (...) Em resumo, até agora, temse que a Autoridade Fiscal não refutou os Demonstrativos de PIS pagos a maior apresentados pela Contribuinte, às fls. 316 a 319; apenas desconsiderou os recolhimentos dos PAs 11/88, 07/90 e 08/90 e não confirmara as bases de cálculo de julho a outubro de 1988. Tais glosas, no entanto, não persistem, pois os recolhimentos foram confirmados e as bases de cálculo encontramse homologadas. (...) d) Os recolhimentos dos Períodos de Apuração de 11/88 a 07/90 e 08/90, expressamente atestados pela DISAR da DRF/SP, nas fls.81 a 83, do apenso nº 10880.046232/9407; Os grifos são do original. Ressalto que na petição da PGFN, ficou registrado que o inconformismo se deu quanto ao PA 08/90 apenas, restando o r. despacho do Presidente também adstrito ao pedido da petição de efls. 26952697, destes autos. Logo, como os presentes embargos inominados estão restritos à existência ou não de comprovação de recolhimento do PA 08/90, passo a analisar apenas essa incidência. Isso porque entendo que a reanálise da prova de outros PA não é matéria reconhecível de ofício. Na fl. 83 (numeração dos autos físicos), efl. 84, do processo n° 10880.046232/9407, citada pela Relatora, consta o pagamento do PA 08/90, na segunda linha: Fl. 2706DF CARF MF Processo nº 10880.033088/9855 Acórdão n.º 3301004.231 S3C3T1 Fl. 2.707 6 Tal registro bate com os dados do DARF questionado: Código 3885, vencimento e valor R$ 18.015.726,01: Quanto ao argumento da Procuradoria de que: “Assim, salvo melhor juízo, não houve a certificação do DARF de fls. 90 destes autos, que se refere ao período de apuração 08/90, conforme se depreende das fls. 81/84 dos autos em apenso nº 10880.046232/9407”, observase que o pagamento do PA 08/90 está na fl. 91 e não 90, conforme a certidão no Processo n° 10880.046232/9407: Fl. 2707DF CARF MF Processo nº 10880.033088/9855 Acórdão n.º 3301004.231 S3C3T1 Fl. 2.708 7 Diante do exposto, devem ser rejeitados os embargos inominados da Fazenda Nacional, porque o recolhimento do PA 08/90 foi comprovado, conforme as razões acima elencadas. Conclusão Assim, voto por rejeitar os embargos inominados formulados pela Fazenda Nacional, por ausência de retificação a ser feita no item “d” da conclusão do voto proferido no acórdão n° 3301002.616, referente à comprovação do recolhimento do PA 08/90. (Assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2708DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.902589/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-002.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10835.902589/2009-60
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5849533
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.232
nome_arquivo_s : Decisao_10835902589200960.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10835902589200960_5849533.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7193181
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009942884352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1831; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.902589/200960 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.232 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria PER/DCOMP PAGAMENTO A MAIOR Recorrente INSTITUTO DE RADIOLOGIA DE PRESIDENTE PRUDENTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 25 89 /2 00 9- 60 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10835.902589/200960 Acórdão n.º 1401002.232 S1C4T1 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ/CSLL. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiamse no entendimento que, sendo empresa prestadora de serviços de radiologia, estes seriam equivalentes aos serviços hospitalares prestados e, assim, ao invés de estar sujeito às alíquotas de lucro presumido no percentual de 32%, estaria submetida às alíquotas de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. A compensação não foi homologada pela Delegacia de Origem com base na alegação constante no Despacho Decisório. Ou seja, os serviços prestados pela recorrente não seriam caracterizados como serviços hospitalares em função de a empresa não possuir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atendimento de casos de internação de pacientes para tratamento de saúde. Assim, os serviços por ela prestados não poderiam se submeter aos percentuais estabelecidos para os serviços hospitalares. Inconformada com a nãohomologação das compensações a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual argumenta que realizou consulta à SRRF, formulada sob o nº 10835.001313/200610, com vistas a esclarecer o seu enquadramento como prestadora de serviços hospitalares e argumentou que realizou a retificação de suas DIPJ, DCTF para que pudesse usufruir dos créditos. A delegacia de julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade emitindo a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ou seja, a Delegacia de Julgamento entendeu que os créditos da empresa não estariam devidamente comprovados com a documentação apresentada pela recorrente. Inconformada com a decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual apresenta as seguintes alegações: Da apresentação de novos documentos. Alega que a decisão recorrida considerou que não foi comprovado que os serviços prestados referiamse apenas a serviços de Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10835.902589/200960 Acórdão n.º 1401002.232 S1C4T1 Fl. 0 3 radiologia e radiodiagnóstico inseridos em seu objeto social. Mas que a documentação apresentada comprovaria o exercício destas atividades e, ainda, apresenta cópia do razão e declaração do contador da empresa, pelo que suscita que seja aceita a referida documentação como suficiente para caracterização dos serviços da empresa; Da realização de diligência. Entende que tendo em vista a apresentação dos novos documentos e que essa apresentação é possível em sede de recurso voluntário, haja vista que essa alegação somente foi trazida pela decisão da DRJ e, mais ainda, conforme farta jurisprudência que admite esta apresentação posterior. Do ônus da apresentação de prova impossível. Entende a empresa que a Delegacia de Julgamento pretende a formação de prova impossível visto que, mesmo que apresentasse todas as notas fiscais da empresa ainda assim não seria possível comprovar que somente realizou serviços indicados no seu objeto social. Nulidade por vícios formais. Entende que a decisão que considerou não homologadas as compensações padece de vícios, vez que indicou apenas o dispositivos que tratam da não homologação das compensações sem que exista dispositivo legal que constitua o crédito tributário. Do fato de a empresa não ser sociedade empresária e dos serviços realizados. Neste ponto apresenta farta jurisprudência deste CARF e do STJ, nos quais encontrase o entendimento de que a redução de alíquota decorre da efetiva prestação de serviços de natureza hospitalar e não do local em que se realizam, com exceção da realização de consultas. Com relação à natureza da sociedade entende que a decisão do STJ, relativa a sociedade simples e que este fato não foi impeditivo do direito, visto que a base para a sua concessão foi a natureza objetiva dos serviços realizados. Traz colações da doutrina no sentido de que a empresa se define mais pela verificação das atividades que desenvolve do que pelo seu simples registro formal. Assim eventual irregularidade seria apenas formal e não impeditiva do exercício do direito. Da natureza dos serviços prestados. Repisa os argumentos já trazidos para indicar que os serviços prestados pela sociedade são, efetivamente de radiologia e radiodiagnóstico. É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.211, de 22.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 10835.901959/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.211): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação acerca de, em face de solução de consulta que reconheceu a possibilidade de a empresa tributar seus lucros pelas alíquotas equivalentes a 8%, poder a Receita Federal desconsiderar este direito em razão de alegar a não Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10835.902589/200960 Acórdão n.º 1401002.232 S1C4T1 Fl. 0 4 comprovação da inscrição da empresa como sociedade empresária e do exercício de atividades que possam ser consideradas como hospitalares. Vejamos o que determina a norma relativa à aplicação das alíquotas de serviços hospitalares: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ..... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10835.902589/200960 Acórdão n.º 1401002.232 S1C4T1 Fl. 0 5 corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Pelo que se depreende da norma acima, a redação da norma ao tempo dos fatos geradores dos pagamentos a maior realizados apenas estabelecia a aplicação da alíquota reduzida àqueles que realizassem o exercício de serviços hospitalares. A solução de consulta em que se baseou a empresa para a apuração dos seus créditos assim dispôs sobre os requisitos a serem atendidos para fins de fruição dos benefícios da alíquota reduzida. Em contraparida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10835.902589/200960 Acórdão n.º 1401002.232 S1C4T1 Fl. 0 6 Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº 9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Inobstante, a Delegacia de Julgamento, ao analisar o caso do contribuinte baseou sua decisão nas diversas instruções normativas e atosdeclaratórios existentes a respeito da definição de serviços hospitalares para fins de aplicação da alíquota de presunção. Desta forma, fundamentou a improcedência na necessidade de o contribuinte atender a três requisitos, conforme abaixo apresentados: Ocorre, no entanto que não comungo do entendimento exposado pelo referido órgão julgador. A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10835.902589/200960 Acórdão n.º 1401002.232 S1C4T1 Fl. 0 7 À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Acórdão nº 9101001.559 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. No caso dos autos, inobstante a argumentação da Decisão atacada de que não restou comprovado a prestação de serviços relacionados a hospitalares pelo contribuinte, havemos de esclarecer que a Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10835.902589/200960 Acórdão n.º 1401002.232 S1C4T1 Fl. 0 8 Decisão da DRJ não pode inovar nos fundamentos utilizados pela Delegacia de Origem para o não reconhecimento dos créditos. Vejase que na decisão original o não reconhecimento dos créditos deveuse ao fato de a autoridade administrativa entender que a recorrente não possuía estrutura hospitalar para internação e tratamento e não pelo fato de não ter comprovado as atividades, até mesmo porque sequer foi intimada para tanto. Mais ainda, a decisão emitida na solução de consulta, corroborada pela Decisão da Delegacia de Julgamento corroborou o entendimento de que o requisito de estrutura estaria suprido pela apresentação de laudo da vigilância sanitária da jurisdição da recorrente. Assim, verificandose que o contribuinte, exercer atividades exclusivamente de radiologia e diagnóstico por imagem, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720092/2015-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
PREÇO PRATICADO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço praticado devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Não há como extrair do texto legal o corolário de que a fiscalização, ao desqualificar uma sistemática de cálculo adotada pelo sujeito passivo pelo descumprimento de parâmetros legais ou normativos, teria o dever de buscar outro método que lhe fosse mais favorável.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 1402-002.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar-lhe provimento. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Luca Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇO PRATICADO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço praticado devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Não há como extrair do texto legal o corolário de que a fiscalização, ao desqualificar uma sistemática de cálculo adotada pelo sujeito passivo pelo descumprimento de parâmetros legais ou normativos, teria o dever de buscar outro método que lhe fosse mais favorável. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16561.720092/2015-17
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5852111
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-002.815
nome_arquivo_s : Decisao_16561720092201517.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16561720092201517_5852111.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar-lhe provimento. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Luca Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7203119
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009952321536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 42; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 846 1 845 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720092/201517 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.815 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2018 Matéria PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Recorrente FOXCONN BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇO PRATICADO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço praticado devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Não há como extrair do texto legal o corolário de que a fiscalização, ao desqualificar uma sistemática de cálculo adotada pelo sujeito passivo pelo descumprimento de parâmetros legais ou normativos, teria o dever de buscar outro método que lhe fosse mais favorável. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 92 /2 01 5- 17 Fl. 846DF CARF MF 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram por darlhe provimento. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Luca Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 847DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 847 3 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto por FOXCONN MOEBG INDÚSTRIA DE ELETRÔNICOS LTDA em face de decisão proferida pela DRJ em Ribeirão Preto/SP que julgou parcialmente improcedente a impugnação apresentada. Adoto o relatório empreendido pela DRJ em sua integralidade complementandoo com o que entender necessário: Da Acusação Fiscal Os fatos que motivaram as autuações foram contextualizados no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 639/655, cujo teor é relatado a seguir. Depois de assinalar que a ação fiscal foi realizada com o objetivo de se examinar “a dedutibilidade de custos dos bens importados em operações praticadas com pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, consideradas vinculadas”, noticia que a contribuinte, constituída sob a forma de sociedade limitada, no ano calendário 2010, esteve sujeita à tributação pelo regime do Lucro Real com apuração anual do IRPJ e da CSLL. Na DIPJ 2011, não obstante tivesse informado ajuste decorrente da aplicação de métodos de preço de transferência no montante de R$ 2.500.000,00, não declarou a importação de bens que ensejaria a apuração de preços de transferência nem indicou a realização de operações com o exterior que resultassem em importações, ou seja, na saída de divisas. Na sequência, o AuditorFiscal descreve os fatos ocorridos durante a ação fiscal, as intimações realizadas e as respostas oferecidas pela contribuinte fiscalizada, expondo que as informações prestadas pela contribuinte em planilha de consolidação dos ajustes resultaram no ajuste total de R$ 1.378.725,13, o qual diverge do valor de R$ 2.500.000,00 declarado na DIPJ 2011. Foi, então, realizada reunião entre a Fiscalização e a contribuinte a fim de que se esclarecer o teor das intimações bem como o adequado atendimento a elas. Na oportunidade, o AuditorFiscal comentou à contribuinte que os cálculos por ela realizados acerca do método PRL “não estavam de acordo com o disposto na IN 243/2002”. Consolidando os ajustes declarados pela interessada e aplicando, como critério de cálculo, a interpretação da Lei nº 9.959, de 2000, por ela adotada, chegouse a um ajuste total de R$ 1.378.725,13. Em vista do exposto, a Fiscalização decidiu comunicar à contribuinte que os cálculos por ela apresentados não seriam aceitos, o que a levou a elaborar nova memória de cálculo com os ajustes realizados em consonância com o disposto na IN nº 243, de 2002. Com isso, o ajuste apurado passou a totalizar R$ 117.455.533,00. Na sequência, a auditoria fiscal foi conduzida de forma a validar as informações prestadas que serviram de premissa aos cálculos elaborados. Depois de explicar o método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL), o Auditor Fiscal destaca que a interessada parecia ter utilizado o valor FOB das importações, pois este era o título da coluna em que constavam tais informações. Todavia, ao Fl. 848DF CARF MF 4 examinar mais detalhadamente tais números, concluiu que eles correspondiam ao valor “CIF+II”, conforme determina a IN SRF nº243, de 2002. Em decorrência, foram aceitos os valores de Preço Praticado Médio calculados pela interessada. No que tange ao preço parâmetro PRL20, o AuditorFiscal validou, sem ressalvas, as informações prestadas pela contribuinte. Relativamente ao método PLR60, a Fiscalização apurou pequenas divergências decorrentes de eventuais arrendamentos, o que resultou na aceitação dos resultados apresentados pela contribuinte. No que diz respeito ao método PIC, as faturas/invoices apresentados pela contribuinte foram confrontadas com os valores informados nas memórias de cálculo bem como com os dados constantes no sistema SISCOMEX, não sendo encontradas quaisquer irregularidades. DO ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL Em conclusão, a Fiscalização assevera que os ajustes decorrentes dos preços de transferência declarados pela interessada na DIPJ 2011 não devem prevalecer, havendo um total de R$ 114.955.533,31 de despesa indedutível a ser tributado, consoante tabela abaixo: Houve, em decorrência, alteração do prejuízo fiscal acumulado, resultando em glosa da compensação de prejuízos fiscais nos anos calendários posteriores, conforme tabela abaixo: Da Impugnação Cientificada dos lançamentos fiscais em 02/12/2015 (fls. 661/663), a contribuinte autuada protocolizou sua defesa em 30/12/2015 (fls. 701), a qual foi juntada a fls. 667/699. Fl. 849DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 848 5 DOS FATOS Admite, inicialmente, que “em função da ausência de sistema eletrônico que possibilitasse a realização dos cálculos exigidos pela legislação de regência à época, a Impugnante informou nas linhas 09A/09 e 17/09 da sua DIPJ 2011 (anobase 2010) o valor de R$ 2.500.000,00 a título de ajustes de preços de transferência”. Posteriormente, em meados de 2014, realizou os cálculos exigidos pela Lei nº 9.430, de 1996, chegando a um ajuste total de R$ 1.378.725,13, o qual não foi informado em DIPJ retificadora, pois o período se encontrava sob ação fiscal cujo escopo era a análise dos recolhimentos para o Pis e para a Cofins. Na sequência, descreve o procedimento fiscal do qual resultaram as autuações impugnadas, salientando que os cálculos efetuados na forma prevista pela IN SRF nº 243, de 2002, foram providenciados por solicitação da Fiscalização, a qual acabou por concordar com os resultados que lhe foram apresentados. Entende que a divergência entre os resultados inicialmente apresentados e os aceitos pelo Fisco decorre: da sistemática de cálculo do PRL60 prevista na Lei nº 9.430, de 1996, a qual seria diferente da prevista no § 11 do artigo 12 da IN SRF nº 243, de 2002; inclusão de frete, seguro e imposto de importação no preço praticado (CIF + II), em detrimento do custo FOB utilizado pela contribuinte; aplicação do método PIC a produtos para os quais a Impugnante havia originalmente adotado os métodos PRL 20 ou PRL 60. No que concerne à glosa de prejuízos fiscais nos anos posteriores, argumenta que a Fiscalização levou em conta não apenas a adição decorrente dos preços de transferência, mas também o ajuste de R$ 96.940.868,91 resultante do auto de infração discutido no processo nº 16561.720036/201311. Em seguida, protesta contra a desconsideração das retenções sofridas e das estimativas recolhidas nos anos calendários de 2010 e 2011. DO DIREITO ● Da Preliminar Em sede preliminar, argumenta que, nos termos do artigo 142 do CTN, a Autoridade Fiscal lançadora deve zelar pela liquidez e certeza do crédito tributário constituído, sob pena de nulidade da autuação. No caso concreto, defende que a Fiscalização não levou em consideração as retenções sofridas em 2010 e as estimativas pagas em 2011. Em 2010, teria havido um saldo de R$ 267.993,44 não aproveitado, conforme evidenciado na linha 21 da Ficha 12A da DIPJ 2011. Quanto a 2011, houve pagamento em excesso de R$ 4.214.868,87, “correspondente à diferença entre o total de recolhimentos de estimativa e o total de imposto devido (IR + adicional incentivo fiscal) relativos àquele anocalendário”. Neste ponto, destaca que a informação constante na DIPJ 2012 (R$ 2.610.232,97) não deve prosperar, pois não reflete os valores apurados em outubro de novembro, os quais foram revistos pela impugnante. Ainda em relação a este assunto, argumenta que estava impedida de retificar a DIPJ 2012. Todavia, os DARF juntados aos autos confirmam recolhimentos de estimativa que totalizaram R$ 4.403.337,97. Fl. 850DF CARF MF 6 Traz à colação a Solução de Consulta Interna Cosit nº 23/2006: 14. Por todo o exposto, concluise que na constituição de ofício do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devem ser considerados, para efeito de dedução do imposto ou da contribuição devida, os valores de IRPJ e de CSLL decorrentes de retenção na fonte ou de antecipação (estimativas) referentes às receitas compreendidas na apuração. Por entender que o crédito tributário exigido não está revestido das qualidades de liquidez e certeza, requer que as autuações sejam anuladas, nos termos do artigo 149 do CTN. Invoca, para corroborar sua tese, decisão judicial proferida nos autos da ação anulatória nº 002081381.2008.403.6100. Subsidiariamente, requer que sejam excluídos os valores em questão. ● Do Mérito Quanto ao mérito defende que a sistemática de cálculo do preço de parâmetro pelo método PRL60 prevista na IN SRF nº 243, de 2002, é incompatível com a Lei nº 9.430, de 1996, conforme reconhecido pelo Carf e pela própria RFB. Lembra que as IN 113 e 32 tinham redação idêntica ao do artigo 18 da Lei nº 9.430, de 1996, no que tange ao PRL60. Todavia, a IN SRF nº 243, de 2002, alterou significativamente a sistemática anteriormente adotada. Prossegue, comparando as “sistemáticas previstas na Lei 9.430 e na IN 243 para o cálculo do PRL 60”. A seu ver, “enquanto a Lei 9.430 prevê que a margem de 60% incide sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto, diminuído do valor agregado do país, a IN 243 prevê que a margem de 60% deve incidir sobre "parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direito importados"”. Apresenta exemplos para ilustrar suas colocações: Fl. 851DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 849 7 E complementa: 68. Em nenhum momento o art. 18, II, item 1 da Lei n° 9.430 trata da participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço líquido de venda como fator para apuração da margem de lucro de 60%, como faz a IN 243. 69. Não bastasse isso, a IN 243 desconsidera solenemente algumas variáveis constantes da fórmula legal, notadamente o valor agregado no Brasil, na base de cálculo da margem de lucro. Conclui que a sistemática prevista na IN SRF nº 243, de 2002, contraria a lei que rege a matéria, não podendo prevalecer consoante o disposto no artigo 5º, II, e 150, I, ambos da Constituição Federal. Enfatiza que a diferença entre as duas sistemáticas foi reconhecida pela RFB e pelo Congresso Nacional quando da edição das Medidas Provisórias nos 478/2009 e 563/2012, esta convertida na Lei nº 12.715, de 2012, a qual alçou a nível legal o que antes constava apenas em ato administrativo. Na exposição de motivos da MP 478/2009, evidenciouse a intenção de “instituir, em dispositivo legal, essas medidas que hoje constam apenas em Instrução Normativa”. Ademais, a Lei nº 12.715, de 2012, na parte em que tratou dos preços de transferência, instituiu vacacio legis que evidenciou que as novas disposições legais inovaram o ordenamento jurídico. Reproduz ementas de acórdãos proferidos pelo Carf nos quais se reconheceu que “a IN 243 exorbitou os limites estabelecidos pela Lei 9.430”. Traça uma série de críticas a respeito da defesa que a PGFN e a RFB têm apresentado sobre a matéria bem como problemas e erros lógicos resultantes da sistemática adotada pelo Fisco. Na sequência, argumenta que a legalidade da IN SRF nº 243/2002 não implica, necessariamente, a ilegalidade da interpretação sustentada pela contribuinte. Enfatiza que o próprio AuditorFiscal não afirmou ser ilegal a conduta da contribuinte, o que retiraria a validade das autuações. Entende que o inciso II do artigo 18 da Lei nº 9.430, de 1996, tem eficácia plena, ou seja, tem condições de produzir efeitos imediatos, não havendo necessidade de produção de norma regulamentar. Com isso, tornase possível sua aplicação direta, independentemente de qualquer instrução normativa. Fl. 852DF CARF MF 8 Lembra que a IN 32 possuía a mesma redação da lei e que a IN 243, que a revogou, não poderia impedir a interpretação anterior, a qual decorria diretamente da lei. E Arremata: 126. Aliás, encontrase aqui a justificativa para a ausência de motivação, pelo auto de infração, da ilegalidade praticada pelo contribuinte na sua apuração do preço parâmetro. Não o fez o agente fiscal, porque não há como negar a plena consistência da conduta da Impugnante à Lei. Caso se defenda que a IN SRF nº 243, de 2002, não contraria a lei, propõe que seja dada ao contribuinte à oportunidade de optar entre os métodos “PRL 60 Lei” e “PRL 60 IN”, segundo o princípio geral insculpido no § 4º do artigo 18 da Lei nº 9.430, de 19962. A respeito da inclusão dos valores relativos a frete, seguro e tributos no cômputo do preço parâmetro, argumenta que tais custos devem ser levados em consideração apenas quando as operações tiverem sido efetuadas com pessoas vinculadas, consoante o capit do artigo 18 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso concreto, sustenta, tais operações não teriam sido realizadas com empresas vinculadas não podendo tais gastos compor os cálculos atinentes a preços de transferência. Alega que a IN SRF 38, de 1997, previa que os custos em comento poderiam ser computados no cálculo do preço padrão. Colaciona julgados do CARF no mesmo sentido. Argui que o procedimento ora defendido acabou sendo reconhecido pelo Fisco com a edição da Medida Provisória nº 563, de 2012, a qual foi convertida na Lei nº 12.715, de 2012, em cuja exposição de motivos se admitia que “montantes pagos a entidades não vinculadas (...) não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira”. A respeito da adoção do método PIC para certos produtos, argumenta que, originalmente, havia optado pelos métodos PRL20 e PRL 60, calculados “sem a inclusão dos custos referentes a frete, seguro e II no preço praticado”. No entanto, ao calcular os preços parâmetros à luz da IN SRF nº 243/2002, para estes produtos, o método PIC passou a lhe ser mais favorável. Conclui: 168. Conforme a Impugnante buscou demonstrar de forma exaustiva nos itens acima, é plenamente legítima e possível a adoção de interpretação baseada na Lei 9.430 para o cálculo do preço parâmetro do PRL 60 e para o cálculo do preço praticado nos métodos PRL 20 e PRL 60. 169. Assim, uma vez confirmada a possibilidade de aplicação da Lei 9.430, os ajustes propostos pela D. Fiscalização em relação ao método PIC deverão ser cancelados. No que diz respeito às glosas das compensações de prejuízos fiscais, argumenta que o AuditorFiscal levou em consideração, além da matéria tributável objeto das autuações em exame, o ajuste de R$ 96.940.868,91 discutido no processo nº 16561.720036/201311. Tendo em vista que as aludidas glosas estão relacionadas, também, a outro processo administrativo, requer que a “suspensão das cobranças relativas a 2011, 2012 e 2013 até o deslinde das discussões relativas aos ajustes de preços de transferência nos anos de 2008 e 2010”. Fl. 853DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 850 9 Por fim, defende a impugnante que é ilegal “a incidência de juros SELIC sobre a parcela da multa”, pois, a seu ver, tal procedimento contraria o disposto no artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Traz à colação julgados do CARF sobre a matéria. Protesta “pela produção de todas as provas em Direito admitidas e pela oportuna sustentação oral de suas razões de defesa”. O Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972, hipóteses cuja ocorrência não restou comprovada. SALDO NEGATIVO NÃO APROVEITADO. O saldo negativo declarado em DIPJ pode ser utilizado para reduzir a exigência fiscal relativa ao mesmo ano calendário, caso não tenha sido aproveitado pela contribuinte, uma vez que tais valores versam sobre a mesma relação jurídica tributária objeto da autuação. REVISIBILIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. Constandose que o montante de tributos exigidos no lançamento fiscal é superior ao devido pela contribuinte, a solução que se impõe é a retificação do crédito tributário constituído, não a sua anulação, em vista do princípio da revisibilidade dos atos administrativos, que no Direito Tributário se manifesta no inciso I do artigo 145 do CTN. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Até a entrada em vigor do art. 38 da Medida Provisória nº 563, de 2012, convertida na Lei nº 12.715, de 2012, integravam o custo, para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real até o valor que não excedesse ao preço determinado pelo Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), o valor do frete e do seguro, cujo ônus tivesse sido do importador, e os tributos incidentes na importação. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SUSPENSÃO. O Decreto nº 70.235, de 1972, não prevê a suspensão do processo administrativo com o objetivo de se aguardar decisão sobre questão prejudicial externa. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. A legislação tributária autoriza a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do artigo 161 do CTN bem como dos artigos 43 e 61 da Lei nº 9.430, de 1996. PEDIDO POR JUNTADA DE PROVAS. Indeferese o pedido para juntada de provas após o oferecimento da manifestação de inconformidade, em observância ao disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, principalmente se a interessada não informou quais elementos almeja apresentar e o que pretende especificamente provar com eles. Fl. 854DF CARF MF 10 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos lançamentos decorrentes. SESSÃO DE JULGAMENTO. SUSTENTAÇÃO ORAL. A legislação que rege o processo administrativo tributário federal não prevê que as partes possam oferecer sustentação oral na sessão de julgamento da DRJ. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Foi apresentado então o presente Recurso Voluntário em que se sustentou preliminarmente a iliquidez do crédito tributário (não reconhecimento de retenções na fonte e estimativas mensais), em seu ver em razão de erro de direito que acarretaria em nulidade do auto de infração; no mérito, alega (i) a ilegalidade da IN SRF 243/02, subsidiariamente a aplicação do Método PIC; (ii)glosa indevida de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas; e (iii) ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício. É o Relatório. Fl. 855DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 851 11 Voto Vencido Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e assinado por procuradores habilitados. 2. PRELIMINARES: ILIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A parte autora alega que a autoridade fiscal não considerou as retenções sofridas na fonte pela recorrente em 2010 e os excessos de estimativas mensais realizadas em 2011, o que consistiria em erro de direito a seu ver. Entendo que não assiste razão ao contribuinte, a desconsideração de tais valores tratarseiam em muito em erro de fato e não de direito, haja vista ausência de qualquer alteração de critério jurídico. A questão foi devidamente endereçada e motivada pela DRJ, razão pela qual peço vênia para transcrever aquele voto no que aqui é pertinente: Em sede preliminar, argumentou a impugnante que o crédito tributário seria nulo por falta de liquidez e certeza, uma vez que retenções sofridas e estimativas recolhidas não teriam sido consideradas pela Fiscalização. Analisandose a autuação, percebese que a Fiscalização constituiu o crédito tributário exclusivamente em função das consequências tributárias decorrentes do não oferecimento à tributação do preço de transferência por ela apurado, deixando de incluir na autuação os valores apurados pela contribuinte em seu ajuste anual e declarados na DIPJ. Assim, a tributação oferecida pela contribuinte ficou constituída por suas próprias declarações e a tributação realizada pela Fiscalização restou formalizada no auto de infração. São, portanto, dois atos que, conjuntamente, tratam de uma relação jurídica tibutária. Estas considerações são facilmente perceptíveis quando se observa, na autuação, o cálculo do imposto. No ano calendário de 2010, a Fiscalização apurou o valor tributável de R$ 114.955.533,31, fruto dos ajustes decorrentes do preço de transferência, o qual foi reduzido para R$ 86.682.416,26 por conta da compensação de prejuízos: Fl. 856DF CARF MF 12 O IRPJ exigido na autuação incide exatamente sobre os R$ 86.682.416,26 apurados, consoante informação extraída do AI: O mesmo se verifica no cálculo do imposto adicional, onde está expressamente registrado que, do imposto adicional devido ao fim do ano calendário, R$ 13.292.034,95, remanesceu na autuação apenas a quantia de R$ 8.668.241,63, a qual não havia sido declarada na DIPJ: Examinando o demonstrativo de fl. 614, relativamente ao ano calendário 2011, percebese a mesma preocupação do AuditorFiscal em não incluir no lançamento fiscal, as quantias declaradas pela interessada na DIPJ 2012: Uma vez que os valores declarados em DIPJ não estão incluídos na autuação, não é de se esperar, em princípio, que as estimativas recolhidas e que as retenções realizadas pelas fontes pagadoras repercutam nos valores exigidos no lançamento fiscal. Afinal, tais quantias foram declaradas na DIPJ e serviram para liquidar o tributo lá reconhecido. No entanto, o caso concreto apresenta uma particularidade que merece atenção deste colegiado, porquanto, nas DIPJ 2011 e 2012, a interessada declarou a existência de saldo negativo, ou seja, excesso de recolhimentos frente aos valores oferecidos à tributação: [DIPJ 2011, AC 2010, Ficha 12A] Fl. 857DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 852 13 Em vista do saldo negativo informado nas DIPJ, abremse parênteses para que se faça uma análise acerca da sua legitimidade antes de se prosseguir com a discussão da lide. Conforme já explicado, na DIPJ 2011, a contribuinte indicou saldo negativo de R$ 267.993,44, composto do recolhimento de estimativas (R$ 11.595.483,30) e de retenções (R$ 267.993,44). Na Ficha 57 da DIPJ 2011, três seriam as fontes pagadoras: Fl. 858DF CARF MF 14 As informações atinentes às retenções foram confirmadas pelas DIRF emitidas pelas fontes pagadoras: Ademais, as quantias indicadas acima mostramse compatíveis com o rendimento financeiro declarado na Ficha 06A da DIPJ 2011: Quanto às estimativas, constam os seguintes recolhimentos: Verificamse, também, as seguintes compensações: Fl. 859DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 853 15 Somandose os recolhimentos e as compensações listadas nas duas tabelas acima, confirmase o total de estimativas declaradas na DIPJ 2011 (R$ 11.595.483,32) foram quitadas. Verifica, assim, a legitimidade do saldo negativo de R$ 267.993,44, apurado ao fim do ano calendário 2011. No que tange ao ano calendário 2011, alegou a interessada que haveria excesso no recolhimento de estimativas no montante de R$ 2.610.232,97, o qual ocorreria da revisão do valor das estimativas de outubro e novembro. Salientou que não foi possível transmitir DIPJ retificadora, pois se encontrava sob ação fiscal. De qualquer modo, a retificadora foi transmitida em 29/08/2013, antes de lavrada a autuação objeto do presente processo. Na Ficha 12A da aludida DIPJ 2012 consta: No entanto, a reflexão sobre o caso concreto demanda o conhecimento dos valores declarados nas DIPJ original e retificadoras anteriores, transmitidas em 19/04/2013, 24/04/2013 e 19/08/2013: Fl. 860DF CARF MF 16 Veja que as estimativas recolhidas totalizavam R$ 4.403.334,97, as quais estão registradas nos sistemas informatizados da RFB: Concluído que os saldos negativos declarados nas DIPJ 2011 e 2012 são legítimos, resta investigar se eles foram aproveitados em compensações ou pedidos de restituição. Depois de consultar os sistemas informatizados da RFB, foi possível elaborar a tabela abaixo na qual constam todas as compensações/restituições fundadas em saldos negativos: Não foram aproveitados, portanto os saldos negativos informados nas DIPJ 2011 e 2012. Fl. 861DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 854 17 Também não se verifica que a contribuinte tenha requerido compensação ou restituição com base em pagamento indevido de IRPJ realizado nos anos de 2010 e 2011: Os saldos negativos em questão, que não aproveitados até o momento, não poderão mais ser pleiteados pela contribuinte em data futura. Isto porque, na presente data (08/02/2017) já transcorreu o período prescricional de 5 anos, previsto no artigo 168, I, do CTN3, contado da data no surgimento dos saldos negativos (31/12/2010 e 31/12/2011). Fechamse os parênteses. Tendo em vista que a interessada declarou saldos negativos nas DIPJ 2011 e 2012, os quais não foram aproveitados em compensações nem requeridos em pedidos de restituição e considerando que as declarações da contribuinte e a autuação lavrada perfazem uma única relação jurídica, ou seja, representam um único fato gerador anual, entendo que os saldos negativos apurados em 31/12/2010 e 31/12/2011 podem, respectivamente, servir para reduzir a autuação atinente aos anos calendários 2010 e 2011. Concluise, assim, que o IRPJ total exigido no ano calendário 2010 deve ser reduzido de R$ 21.670.604,70 (fl. 613) para R$ 21.402.611,26 (= 21.670.604,70 267.993,44). Já o IRPJ total exigido no ano calendário 2011 (R$ 69.296,00 – fl. 614) deve ser cancelado. Ressaltase, por derradeiro, que a falta de aproveitamento dos saldos negativos ora reconhecidos, não enseja a anulação da autuação, mas sim a mera retificação dela, porquanto a revisibilidade do lançamento fiscal, em sede do contencioso administrativo tributário, é perfeitamente aceitável consoante o disposto no inciso I do artigo 145 do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I – impugnação do sujeito passivo; II – recurso de ofício; III – iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. As causas de nulidade da autuação estão expressamente previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e, dentre elas, não se encontra a hipótese tratada nos autos: Art. 59. São nulos: Fl. 862DF CARF MF 18 I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Observese, também, que as deduções ora propostas não interferem na matéria tributável apontada pela Fiscalização, mas apenas na extinção do crédito tributário exigido, não havendo que se falar em repercussão destas reduções nos prejuízos fiscais glosados. Pelo exposto afasto a preliminar suscitada. 3. NO MÉRITO: 3.1 Ilegalidade da IN 243/02 As normas de preço de transferência foram introduzidas no direito nacional pela Lei 9.430/96, segundo Paulo Ayres Barreto e Caio Augusto Takano como norma antielisiva específica, para evitar a manipulação artificial de resultados por intermédio de operações internacionais celebradas por partes relacionadas, permitindo que a tributação de empresas transnacionais se dê em conformidade com a sua capacidade contributiva. . A norma, pois, deve ser interpretada e aplicada buscando garantir a tributação adequada de uma operação entre partes vinculadas que poderia, em hipótese, ser realizada fora dos padrões do mercado. Seu objetivo não é aumentar a arrecadação artificialmente, mas garantir a arrecadação nos liames da lei. A polêmica aqui enfrentada é a dissonância que existe a Lei 9.430/96 e a IN 243/02, relativa à bens aplicados à produção, na medida em que esta utiliza critérios de proporcionalidade e isolamento do preço líquido de venda. A mera comparação entre os dispositivos já revela que a IN acabou ultrapassando seus limites normativos, vejamos: Art. 18, II, “d”, 1 da Lei 9.430/96 Art. 12, §11, IN 243/02 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; Fl. 863DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 855 19 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. O efeito da alteração teve alto impacto na fórmula, como apontado em declaração de voto nos autos do Processo Administrativo n. 16561.720068/201154, Acórdão n.º 9101.002.323, que peço vênia para transcrição adotandoa como razões de decidir: O inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96, conforme a sua redação mantida entre 2000 e 2012 por força da Lei n. 9.959/2000, prescrevia de forma imediata a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do preço parâmetro, para fins de possíveis ajustes no cálculo do IRPJ e da CSL: PP = PR – L L = 60% (PR − VA) Em que: PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VA à valor agregado na produção nacional L à lucro Considerando o conhecido valor líquido da operação de revenda (PR) e a margem de lucro (L) apurada conforme a fórmula legal, determinase o preço parâmetro (PP), que será o valor limite para que o correspondente bem, serviço ou direito importado de parte vinculada seja dedutível da base de cálculo do IRPJ ou da CSL. Notese que cada um desses fatores possui uma função determinante na fórmula prescrita no art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, o que evidencia a decisão consciente do legislador ordinário ao enunciar a Lei n. 9.959/2000, sendo relevante destacar que: Fl. 864DF CARF MF 20 quanto maior o valor agregado no Brasil (“VA”), menor será “L” (lucro). Como o lucro deverá ser subtraído do preço de revenda (“PR”) para a composição preço parâmetro (“PP”), quanto menor “L”, maior será “PP”. E , quanto maior “L” e, portanto, o lucro tributável, menor será o “PP”. Para a composição de “L”, o percentual de 60%, adotado pelo legislador ordinário para o cálculo do PLR, deveria ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual tenha sido agregado o insumo importado e sujeito ao controle dos preços de transferência. Nesse seguir, quanto maior for o preço parâmetro (“PP”), mais liberdade terá o contribuinte para negociar com a empresa fornecedora (relacionada) sem o controle da administração tributária dos preços de transferência. Quanto maior for “PP”, menor serão as chances do contribuinte necessitar realizar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL para adicionar parcelas dos custos de bens, serviços e direitos que, por ultrapassar o preço parâmetro, passam a ser indedutíveis. Essa fórmula foi acatada pela administração fiscal tanto na IN 113/2000 quanto na IN 32/2001, (vide tópico “1”, acima) e encontrou justificativas por diferentes perspectivas, a saber: Equilíbrio: A adoção de uma margem de lucro de elevada, de 60%, seria balanceada pela subtração do valor agregado no Brasil dessa base; Indução: positiva. O legislador ordinário teria aliado o controle de preços de transferência com medidas indutoras de comportamento e de incentivo à produção nacional, de forma que: quanto maior for a agregação de valor no Brasil, maior será o preçoparâmetro e, consequentemente, menor será o ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. A referida fórmula estabelecida pela Lei n. 9.959/2000 foi submetida a críticas, em especial por não considerar a proporção do insumo importado de parte vinculada aplicada ao bem produzido no Brasil. Como se evidenciou no tópico “1”, acima, o legislador ordinário apenas realizou uma reforma legal para incorporar essa “melhoria” em 2012, com a edição da Lei n. 12.715. Por sua vez, em 2002, a IN 243 indicou a necessidade da adoção de uma outra fórmula para o cálculo do PRL60, diferente daquela que até então se compreendia a correta decorrência da Lei n. 9.959/2000. Tornouse notório o “Estudo comparativo dos normativos da legislação brasileira para o cálculo do preço parâmetro de bem importado usado em produção”, elaborado por VLADIMIR BELITSKY, “Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel, Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, USP”. O referido estudo abstrai a seguinte fórmula da IN 243/2002: Como se pode observar, a fórmula indicada pela IN 243/2002 alterou fatores na fórmula abstraída dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e pela IN 32/2001. Supõese que a intenção da SRF seria possibilitar a verificação da proporcionalidade do insumo importado agregado à produção nacional, pois isso não teria sido contemplado pelo legislador. A partir da publicação da IN 243/2002, sem que nenhuma alteração legal tenha sido realizada, a PFN também passou a sustentar que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitaria a construção de uma segunda fórmula, diversa daquela que até então seria de aceitação geral: Fl. 865DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 856 21 PP = PR − L − VA L = 60% PR A fórmula da IN 243/2002, conforme alegado, expressaria com maior clareza e, ainda, imprimiria melhorias a essa segunda fórmula que supostamente seria possível abstrair do texto do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Conforme a fórmula que se abstrai imediatamente da Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000, na linha do que indicava a IN n. 32/2001, o percentual de 60% deve ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual o insumo importado tenha sido agregado. Já a “segunda fórmula”, que supostamente fundamentaria a IN 243/2002, estabeleceria que a margem de lucro de 60% deveria incidir apenas sobre a parte do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem, serviço ou direito importados: o percentual legal em questão seria aplicável tão somente sobre a parcela do preço líquido de venda proporcional ao custo do bem importado. Conforme o citado estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 4. O cálculo de PP segundo a fórmula da IN 243 pode ser visto como um procedimento de duas etapas consecutivas, sendo que: (i) a primeira etapa baseiase, plena e exclusivamente, no princípio da proporcionalidade em participação ao lucro; e (ii) a segunda baseiase, plena e exclusivamente, no postulado de que a margem de lucro em cima de bem importado é de 60%”. O quadro a seguir procura sistematizar algumas características das normas, a fim de evidenciar a diferença entre elas: Um exemplo poderá tornar mais clara a distinção entre essas duas fórmulas. Para tanto, considerese que um determinado produto, produzido no Brasil a partir de insumos nacionais e outros importados de partes vinculadas, seja vendido por R$ 100,00 (ou seja, PR =100,00) e que o valor agregado no Brasil seja de R$ 50,00 (ou seja, VA = 50,00). Aplicandose as duas fórmulas, chegaremos a resultados muito distintos: A função de tais fórmulas é determinar se deverá ser realizado ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Se o custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada for superior aos valores em questão, a parcela excedente deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e Fl. 866DF CARF MF 22 da CSL, pois não seria considerada dedutível. O exemplo demonstra que as referidas fórmulas conduzem a preços parâmetro muito distintos, de forma as operações consideradas arm’s length, conforme a primeira fórmula, seriam aquelas praticadas até o limite de “R$ 70,00”, enquanto que, para a segunda fórmula, possivelmente todas as importações estariam sujeitas a ajustes, pois o valor resultante como “PP” seria negativo, qual seja, “R$ 10,00”, como se o importador pudesse, em condições de mercado, deixar de pagar pelos bens, serviços ou direitos e, ainda, receber troco. A doutrina há tempos denuncia essa divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, como se observa da análise de LUÍS EDUARDO SCHOUERI, em obra de referência sobre o tema dos preços de transferência: “7.8.2.2. A diferença pode ser explicada pelos seguintes motivos: Cálculo da ‘margem de lucro’: a divergência dos resultados da Lei n. 9.959/00 e da IN n. 243/02 decorre, em parte, porque a Lei, ao prescrever a fórmula de cálculo da ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% incida sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no país. Já a Instrução Normativa, para o cálculo da mesma ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% seja calculado apenas sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direitos importados, atingindo um resultado invariavelmente menor. Atua assim a IN n. 243/02 de forma inovadora e em flagrante excesso à Lei. Cálculo do ‘preçoparâmetro’: a expressão ‘preçoparâmetro’ é utilizada na legislação dos preços de transferência para denominar o preço obtido através do cálculo de um dos métodos prescritos e com o qual se deverá comparar o preço efetivamente praticado entre as partes relacionadas, na transação denominada ‘controlada’. O ‘preçoparâmetro’ é obtido de forma diversa na Lei n. 9.959/00 e na IN n. 243/02. Enquanto na Lei o limite do preço é estabelecido tomandose por base a totalidade do preço líquido de venda, a Instrução Normativa pretende que o limite seja estabelecido a partir, apenas, do percentual da parcela dos restringir o resultado almejado pelo legislador.” O efeito prático recebeu inúmeras críticas da doutrina especializada, por todos, as lições de Schoueri: (...) Chega a pasmar o resultado da aplicação da fórmula previsa na IN/SRF n.243/2002 para o método PRL com margem de 60%. A ser correta a interpretação do Fisco, exigirseia, na realidade, que o contribuinte tenha uma desproporcional margem de lucro de 150%, em qualquer hipótese.O raciocínio matemático é imediato: para um produto vendido a 100, com lucro de 60, o custo é de 40. Ora, nesse caso, o lucro (60) é de 150% sobre o custo (40). Claro que a tal absurdo não chegaria o legislador.Ao contrário,como mencionado, a Lei 9.430/1996 jamais pretendeu desestimular a industrialização local. Como visto, quanto maior o valor agregado ao bem produzido no País, tanto menos será a margem de lucro exigida. O próprio Poder Judiciário já tem afastado a aplicação da IN 243 ante sua afronta à legalidade tributária: TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTAÇÃO EM TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS VINCULADAS. METODOLOGIA DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. IN Nº 243/2002. ILEGALIDADE. RECURSO PROVIDO. Fl. 867DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 857 23 Tratandose de transações internacionais entre pessoas jurídicas vinculadas, a tributação dáse através do conceito "preço de transferência", sob a metodologia, no caso da impetrante, do "Preço de Revenda menos Lucro" (art. 18 da Lei nº 9.430/1996). À guisa de complementar a disposição legal regente do assunto, sobrevieram instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, incluindo a de nº 243/2002, que extrapolou o poder regulamentar que lhe é imanente, daí se avistando ofensa ao princípio da reserva da lei formal. Necessidade de se garantir à impetrante a utilização dos critérios de apuração do preço de transferência pelo método PRL, conforme art. 18 da Lei nº 9.430/1996, afastadas as alterações trazidas pela IN nº 243/2002. Recurso provido. (TRF 3ª Região, TERCEIRA TURMA, AMS APELAÇÃO CÍVEL 316016 003404852.2007.4.03.6100, Rel. JUIZ CONVOCADO ROBERTO JEUKEN, julgado em 19/08/2010, eDJF3 Judicial 1 DATA:13/09/2010 PÁGINA: 257) Por último oportuna se faz transcrição da ementa de julgado proferido também pelo TRF 3 no mesmo sentido, vejamos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ILEGITIMIDADE DA AUTORIDADE COATORA INDEVIDAMENTE SUBSTITUÍDA, APÓS AS INFORMAÇÕES DA AUTORIDADE CORRETA. POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO, NO CASO DOS AUTOS. MAJORAÇÃO DO IR E DA CSL POR FORÇA DA MODIFICAÇÃO DA FORMA DE CÁLCULO DO PREÇO DE TRANSFERÊNCIA UTILIZADO EM OPERAÇÕES COM PESSOAS VINCULADAS NO EXTERIOR, CONSOANTE REGULAMENTAÇÃO DA INSTRUÇÃO NORMATIVA DA SRF 243/02. AFRONTA À PREVISÃO LEGAL RECONHECIDA. (TRF 3ª Região,APELAÇÃO CÍVEL Nº 002820225.2005.4.03.6100/SP Nessa perspectiva, muito embora os respeitáveis entendimentos contrários, voto pela ilegalidade da IN 243/02 dado que ultrapassados os limites normativos. 3.2. Da inclusão do frete, seguro e tributos aduaneiros ("CIF+II"): Caso prevaleça o método utilizado pela fiscalização, ainda assim seus cálculos deverão ser retificados. Isto porque foi utilizado como base o método CIF + II, ou seja, incluindo na base o valor do frete, seguro e tributos sobre a importação, em que pese sua contratação com terceiros. Fl. 868DF CARF MF 24 Ocorre que tal método não se coaduna com a natureza antielisiva das regras de preço de transferência, pois a contratação com terceiros impede eventual manipulação de preços objetivando a transferência de base tributável, estando fora, portanto, do objetivo da norma! Sua inclusão não teria outro objetivo que apenas o aumento do preçoparâmetro e diminuição da parcela dedutível. No escólio das lições de Gerd Rothmann, é importante notar que: o “preçoparâmetro” é um preço hipotético, apurado com base na forma estabelecida, taxativamente, pela Lei n. 9.430/96. Não se confunde, pois, como o preço efetivamente pago pelo importador (“preço praticado”). Assim, as deduções do preço médio de venda, para se chegar ao preço líquido de venda, são, exclusivamente, as previstas na lei (...) Como não entram no cálculo do hipotético “preçoparâmetro”, mas representam custos efetivos, os valores relativos a frete, seguro e ao imposto de importação, desde que seu ônus tenha sido do importador/revendedor (ou seja, na modalidade “FOB”), podem ser integralmente deduzidos para os efeitos de imposto de renda. Na modalidade CIF, o valor de frete e seguro já está embutido no “preço parâmetro”, de modo que não pode ser considerado, novamente, como despesa dedutível. Neste contexto, cabe apenas uma observação: se, na modalidade FOB, o transporte e o seguro são contratados com empresa coligada da matriz fornecedora da mercadoria, os respectivos valores pagos estão sujeitos à observância da legislação de preços de transferência. (Gerd Willi Rothmann Preços de transferência método do preço de revenda menos lucro: base CIF (+ II) ou FOB. A margem de lucro (20% ou 60%) em processos de embalagem e beneficiamento. RDDT 165, junho de 2009, p.5455.) Na mesma linha são as lições de Ramon Tomazela e Bruno Fajersztajn : Ademais, a esta altura da exposição, ressaltamos novamente que as regras de preços de transferência têm a finalidade de coibir a manipulação de preços em operações entre pessoas jurídicas brasileiras e suas partes consideradas relacionadas no exterior. Ora, no mais das vezes, os serviços de frete e seguro são prestados por terceiros não vinculados ao importador brasileiro e, logo, não são passíveis de manipulação. Assim, na medida em que somente se sujeitam a ajustes de preços de transferência os custos que podem ser manipulados, os valores de frete e seguros pagos a terceiros não devem estar sujeitos às regras de preço de transferência e, portanto, devem ser integralmente dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e CSLL devidos pelo importador. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 858 25 Realmente, esses valores escapam ao controle exatamente porque são encargos pagos a terceiros, e não ao exportador cujo preço está sujeito à comparação, e somente interessa limitar a dedutibilidade de valores que, integrados aos preços, representem transferência indireta de lucros à pessoa vinculada (ou a país com tributação favorecida). Nada disso está em cogitação quando o importador no Brasil incorre em despesas com frete e seguro com pessoas não vinculadas. Controlar tais operações está fora do escopo das regras de preços de transferência. Idêntico raciocínio se aplica aos tributos aduaneiros, que são devidos à própria União Federal. Não faz sentido controlar tributos cuja incidência e quantificação decorrem de lei e são devidos ao Estado. (Preços de transferência. Frete, seguro e tributos devidos na importação e o método PRL. Revista de Direito Tributário Atual RDTA, São Paulo: Dialética, n. 29, p. 84 93, 2013.) Nesse sentido também caminhou a decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscal (CSRF) nos autos do processo administrativo n. 16327.000966/200274 (acórdão n. 910101166), relatoria da Conselheira Karem Jureidini Dias: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. VINCULAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. A autoridade administrativa, ao efetuar o lançamento, está vinculada à Instrução Normativa, bem como ao direito por ela conferido ao contribuinte. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PRL INCLUSÃO DE CUSTOS COM FRETE, SEGURO E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO NA APURAÇÃO DO CUSTO — A IN SRF n° 38/97, em seu artigo 4°, § 4°, estabelece que a inclusão dos valores de frete, seguro e imposto de importação na composição do custo é uma faculdade do contribuinte importador. Pela vinculação da autoridade administrativa ao referido ato normativo, deve tal faculdade ser respeitada, sob pena de nulidade do lançamento. Peço, inclusive, vênia aos colegas para incorporar em meu voto as razões de decidir da então Conselheira Karem Dias a seguir transcritas: Ora, preço parâmetro é aquele apurado segundo um dos métodos estipulados por presunção legal. Em se tratando de presunção legal, ao menos a princípio (a depender de prova contundente em contrário), e por princípio, vale o quanto estipulado para cada um dos métodos. Já o preço praticado é aquele submetido à revisão por um dos métodos de apuração do preço de transferência. Logicamente, quanto maior o preço parâmetro menor o ajuste, porque menor a diferença entre o valor do preçoparâmetro e do preço praticado no caso da importação. Não há, portanto, que se falar em inclusão de frete e seguro no preço praticado a depender da inclusão no preço parâmetro, já que o preço parâmetro é presunção legal. Nessa toada, a despeito do moralmente Fl. 870DF CARF MF 26 irreparável entendimento que caminha no sentido de aproximar o método de apuração do preço parâmetro da realidade, fato é que a conclusão diverge do que determina o ordenamento jurídico Por último vale notar que tal entendimento vem prosperando na CSRF conforme se nota da decisão proferida nos autos do Processo nº 16327.001448/200600, Acórdão nº 9101002.940: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. FRETE SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Legitimidade da não inclusão de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação, pagos a pessoas não vinculadas, para a composição do preço praticado a ser comparado com o preço parâmetro conforme o método PRL. Embora a decisão tenha sido proferida quando estava em vigência a IN 38/97, a verdade é que a mudança legislativa posterior não foi capaz de alterar a racionalidade por detrás das regras de preço de transferência. Vejamos a clara exposição do Conselheirorelator: Ocorre que o lançamento tributário em questão desconsidera o binômio essencial prescrito pela Lei n. 9.430/96: i) operações realizadas com pessoas vinculadas e operações internacionais envolvidas. Para o frete e o seguro, foram contratadas empresas sem vínculos com o contribuinte, o que inviabiliza, por si, o preenchimento do binômio essencial de incidência da Lei n. 9.430/96. Os tributos sobre a importação são devidos à União e aos Estados, que obviamente não são estrangeiros e nem são vinculados ao contribuinte. Esse segundo fundamento para o cancelamento do auto de infração, portanto, decorre do princípio da legalidade em sua acepção mais explícita, que impede que se estenda a sanção normativa da Lei n. 9.430/96 ao frete, seguro e tributos incorridos pelo contribuinte, pois nenhuma dessas situações preenche o binômio prescrito como essencial pelo legislador, qual seja, (i) operação com partes vinculadas (ii) residentes em outros países. A própria exposição de motivos da Medida Provisória 563/12, posteriormente convertida na Lei 12.715/12, afirma que na aplicação das normas não devem ser considerados montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira. Bem notam o objetivo meramente esclarecedor do §6, do art. 18 da Lei 9.430/96, Tomazela e Fajersztajn quando afirmam que: Em verdade, a razão de ser do parágrafo 6º do art. 18 da Lei n. 9.430/96 reside no fato de que a importação pode ser realizada sob o regime CIF, no qual o exportador (vendedor) fica responsável pelas despesas com transporte e seguro. Por isso, a redação do dispositivo Fl. 871DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 859 27 apenas esclarece a possibilidade de dedução dos custos relativos a frete e seguro, “cujo ônus tenha sido do importador”, ou seja, nos casos em que a importação tenha sido realizada na modalidade FOB. Tanto é assim que para os tributos incidentes na importação, que consubstanciam sempre ônus do importador, não há qualquer ressalva relativa ao ônus do tributo (Preços de transferência. Frete, seguro e tributos devidos na importação e o método PRL. Revista de Direito Tributário Atual RDTA, São Paulo: Dialética, n. 29, p. 8493, 2013.) Tal posicionamento é importante, porque independente da norma em vigor, não há alteração no fato de que tais valores não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira. De todo o exposto, entendo que merece prosperar o recurso da contribuinte neste ponto devendo tais valores serem excluídos na apuração do preçoparâmetro. 3.3 Subsidiariamente: Adoção do método PIC A Recorrente aduz que caso prevaleça o cálculo segundo a IN SRF 243/02, principalmente com a inclusão dos valores de frete e seguros no valor praticado, deverá ser aplicado o método PIC a algumas de suas operações. Isto porque se o método PRL calculado segundo o que prescrevia a Lei 9.430/96 antes da alteração da Lei 12.715/12, o mesmo não pode ser dito se o método PRL for calculado conforme a fórmula prescrita na IN SRF 243/02. A utilização do método PIC neste caso estaria em linha com o que prescreve o §4 º do art. 18 da Lei 9.430/96: Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. Entendo ser claro nesse caso que, caso seja mantido o cálculo da fiscalização em sua inteireza (PRL 60%, segundo a fórmula da IN SRF 243/02 + inclusão de frete e seguro), entendo que seja impositivo a utilização do método PIC para os casos em que este seja mais vantajoso. 3.4 Da glosa de prejuízos fiscais e base Requer a Recorrente a suspensão do julgamento do presente Processo Administrativo, haja vista a pendência de julgamento do Processo Administrativo n. 16561.720036/201311 em que se discutem ajustes de preços de transferência de 2008 e 2010, que impactariam nos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas acumuladas. O acórdão daquele processo restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ARTIGO 20A DA LEI Nº 9.430/1996. O artigo 20A, da Lei nº 9.430/1996, determina expressamente que sua aplicação deve ocorrer para fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário de 2012. Afastar esta previsão sob o argumento de que tal lei teria violado o CTN implica análise de questão constitucional, análise esta cuja competência não detém este Conselho, conforme artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 872DF CARF MF 28 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ACORDOS INTERNACIONAIS. COMPATIBILIDADE. A Lei nº 9.430/1996, que introduziu o controle de preços de transferência no Brasil, é compatível com os acordos internacionais para evitar a bitributação firmados pelo País, em matéria relativa ao princípio arm’s length. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzilos como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN 243/2002. LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. Legalidade tributária, de acordo com o disposto no art. 150, I, da Constituição da República, significa que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. Portanto, não afronta a idéia de legalidade tributária a instrução normativa expedida pela SRF que porventura exija tributo em montante inferior àquele previsto em lei. Restou provado que o preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em IRPJ e CSLL em valores inferiores àqueles que seriam devidos segundo a Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar, aqui, em violação ao princípio da legalidade tributária. Ante o julgamento daquele processo administrativo pela 1ª Turma da 2ª Câmara desta 1ª Sessão, o pedido perde o objeto. 3.5 A ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício Se vencido no mérito, passo a analisar a incidência dos juros sobre a multa. A CSRF em linha com o que tem decidido o Superior Tribunal de Justiça tem decidido pela incidência de juros sobre a multa de ofício (Processo administrativo 16327.720442/201194, Recurso nº Especial do Contribuinte, Acórdão nº 9101003.004 1ª Turma): JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. No mesmo ulgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Motivo pelo qual deve ser mantida a manutenção dos juros sobre a multa de ofício. Fl. 873DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 860 29 Diante do exposto voto por dar provimento ao Recurso Voluntário ante a ilegalidade da IN 243/2010 e indevida inclusão CIF+II no preçopraticado. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 874DF CARF MF 30 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo de Andrade Couto – Redator Designado Apresento minhas homenagens ao fundamentado voto do Conselheiro relator mas dele, respeitosamente, ouso divergir no que se refere à suposta ilegalidade da IN/SRF/243/2010, a inclusão dos valores de frete e seguro na apuração do preço praticado e a aplicação do art. 20A da Lei nº 9.430 ao caso em tela. Apuração do ajuste pelo método PRL/60 com base na IN/SRF nº 243/2010: Quanto ao método PRL, o normativo em questão regulamentou o art. 18, da Lei nº 9.430/96 de forma a evitar distorções na apuração tendo como parâmetro principal o fato de que a operação a ser objeto de avaliação é a importação do insumo. Sob esse prisma, a sistemática de apuração deve ter como base uma fórmula com escopo na apuração do preço parâmetro do bem importado insumo no caso – considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Na interpretação que o sujeito passivo dá ao art. 18 da Lei nº 9.430/95, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. O entendimento do sujeito passivo parte de uma leitura equivocada do inciso II do mencionado art. 18 abaixo transcrito (destaques acrescidos): II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Na redação do item 1, a utilização da contração gramatical da preposição ("de") com o artigo ("o") implica dizer que o valor agregado deve ser diminuído na apuração do preço parâmetro da mesma forma que os descontos, impostos e comissões; e não da margem de lucro como quer ver o sujeito passivo. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente sobre o preço de revenda após deduzidos os valores mencionados Admitese que a redação do dispositivo não foi das mais felizes. Nesse sentido, vale transcrever as observações da PGFN com base em voto pelo I. Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: Fl. 875DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 861 31 “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 [...] Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal.2 Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” . (grifos nossos) Assim, antes mesmo de se adentrar na proporcionalidade trazida pela IN/SRF 243/2010 já se pode definir como equivocada a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18, da Lei nº 9.430/96. 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. 2 Nesse sentido, vale conferir a declaração de voto proferida pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no processo nº 10283.721285/200814 (Acórdão nº 110200.419). Fl. 876DF CARF MF 32 Por outro lado, na ótica até aqui exposta o ajuste obtido ainda merece aprimoramento. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Daí porque se justifica a aplicação da proporcionalidade regulamentada na IN nº 243/2001 através do § 11, do art. 12 que, além de deixar claro que não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. Ilegalidade da IN/SRF nº 243/2010: No que se refere à ilegalidade da IN SRF 243/2010, o estudo da PGFN traz um comparativo com a revogada IN SRF nº 32/2001 para concluir que as opções interpretativas do art. 18 da Lei nº 9.430/96 conduzem à necessidade de regulamentação interpretativa mais específica sem que isso possa implicar em violação ao texto legal: [...] Aliás, a revogada IN SRF nº 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF nº 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 [PP = PLV – ML 60% (PLV – VA)] corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 862 33 Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. [...] Alega a recorrente que o posterior advento da Medida Provisória nº 478/2008, que perdeu eficácia por não ter sido convertida em lei, e da Lei nº 12.715/2012, que acabou por legalizar a fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243/2002, demonstram a ilegalidade anterior desse ato normativo. Entendo, todavia, de outro modo. A meu ver, o fato de a fórmula contida no art. 12 da IN SRF nº 243/2002 ter sido posteriormente acolhida pela MP nº 478/2008 (sem eficácia) e pela Lei nº 12.715/2012, por si só não autoriza a conclusão de ilegalidade daquela Instrução Normativa. O legislador pode muito bem reformular o texto legal apenas para não deixar dúvidas sobre a interpretação mais adequada de uma dada norma. Isso, de maneira nenhuma, significa que se deva interpretar o texto pretérito a contrário senso. Para corroborar os argumentos de que a IN SRF 243/2002 não traz qualquer ilegalidade ou aumento de carga tributária, trago, pelo caráter didádico, os exemplos contidos em forma de Anexos ao Acórdão 9101002.514: Anexo 1 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PL60 Interpretação do Sujeito Passivo (1A) PParam = PLV – ML, onde: PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. (2A) ML = 60%*(PLV VA), onde: VA é o “valor agregado no País” Substituindose ML contido na equação (1A) por ML conforme descrito na equação (2A) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*(PLV VA) Fl. 878DF CARF MF 34 PParam = PLV – 60%*PLV + 60%*VA (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL será: (4A) Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3A) por PParam conforme descrito na equação (4A), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV + 60%*VA) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%* VA Anexo 2 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação "Correta" (1B) PParam = PLV – ML VA PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. VA é o “valor agregado no País” (2B) ML = 60%*PLV Substituindose ML contido na equação (1B) por ML conforme descrito na equação (2B) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*PLV – VA (3B) PParam = 40%*PLV VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: (4B) Adição = PPrat – PParam Fl. 879DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 863 35 Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3B) por PParam conforme descrito na equação (4B), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV – VA) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA Anexo 3 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto no art. 18 da Lei nº 9.430/96, segundo a interpretação defendida pelo sujeito passivo (anexo 1), resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação da mesma norma (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5A) e (5B) presentes nos anexos 1 e 2, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5A), no lado esquerdo, e a equação (5B), no lado direito. (5A) <> (5B) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%* VA (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA PPrat – 40%*PLV 60%* VA <> PPrat – 40%*PLV + VA Ora, como a parcela (PPrat – 40%*PLV) é igual em ambos os lados da relação, fica claro que, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitirse valor agregado negativo), a adição em (5A) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (5A) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (5A) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (5A) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que nem (5A) nem (5B) resultarão em adição. Comprovado, então, que o PRL60 segundo a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96 defendida pelo sujeito passivo (5A), resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da interpretação "correta" da mesma norma (5B). No anexo 4, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Fl. 880DF CARF MF 36 Anexo 4 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Tabela Exemplificativa Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro líquido entre a interpretação do sujeito passivo acerca do art. 18 da Lei nº 9.430/96 (5A), e a interpretação "correta" sobre a mesma norma (5B). Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem produzido no país a pessoa não vinculada, em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado adquirido junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o bem produzido no país é o mesmo, e a transação ocorre entre pessoas não vinculadas, o preço de venda do produto produzido no país foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões também permanece constante o valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem, seu preço pode ser livremente ajustado entre as pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro do bem importado (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 1 e 2, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto a pessoa vinculada com o valor agregado no país se aproxima ou supera o preço líquido de venda do bem produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. Lei 9.430/96 Interp. do Contrib. Anexo 1 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLVVA) 570,00 570,00 570,00 570,00 570,00 PParam = PLVML 430,00 430,00 430,00 430,00 430,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 170,00 470,00 770,00 Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 864 37 Lei 9.430/96 Interp. Correta Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLV) 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLVMLVA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Anexo 5 Instrução Normativa SRF nº 243/2002 PRL60 O objetivo do presente anexo é representar matematicamente o cálculo do PRL60 previsto no art. 12 da Instrução Normativa nº 243/2002 (1C) PParam = PartBI → PP – ML, conforme art. 12, § 11, V, da IN SRF 243/2002. (2C) ML = 60%* PartBI → PP, conforme art. 12, § 11, IV, da IN SRF 243/2002. Substituindose ML contido na equação (1C) por ML conforme descrito na equação (2C), temse: PParam = PartBI → PP 60%* PartBI → PP (3C) PParam = 40%* PartBI → PP, onde: PartBI → PP é a participação do bem importado junto à pessoa vinculada, no preço de venda do produto produzido no país, conforme art. 12, § 11, III, da IN SRF 243/2002, ou seja: (4C) PartBI → PP = %PartBI> PP*PLV, onde: %PartBI> PP é o percentual de participação do custo do bem importado junto à pessoa vinculada, no custo do produto produzido no país, conforme art. 12, § 11, II, da IN SRF 243/2002, ou seja: (5C) %PartBI> PP = PPrat/(PPrat + VA) Substituindo (5C) e (4C) em (3C), teremos: (6C) PParam = 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: Adição = PPrat – PParam, onde: Fl. 882DF CARF MF 38 Adição, quando positivo, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativo, não haverá adição. (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) Anexo 6 PRL60 Adição ao Lucro Real IN SRF 243/2002 vs. "Correta" Interpretação do Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 (anexo 5) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação do 18 da Lei nº 9.430/96 (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5B) e (7C) presentes nos anexos 2 e 5, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5B), no lado esquerdo, e a equação (7C), no lado direito. (5B) <> (7C) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) PPrat – 40%*PLV + VA <> PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) O exame da relação acima requer um pouco mais de atenção. Repare que na equação (5B), se multiplicarmos o termo (40%*PLV) por 1 não a alteraremos em nada (40%*PLV = 40%*PLV*1). Veja também que na equação (7C) o mesmo termo (40%*PLV) está multiplicado pelo termo (PPrat/(PPrat + VA)). É fácil ver que o termo (PPrat/(PPrat + VA)) será sempre um número maior que zero e menor ou igual a 1. Assim, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitir valor agregado no país negativo), a adição em (7C) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (7C) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (7C) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (7C) como (5B) resultarão em adição de (PPrat –40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que também não haverá adição nem em (7C) nem em (5B). Comprovado, então, que o PRL60 segundo a IN SRF 243/2002 (7C) resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da aplicação "correta" da Lei nº 9.430/96 (5B). Ou seja: (7C) <= (5B), onde o símbolo <= significa menor ou igual. No anexo 7, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Anexo 7 PRL60 Adição ao Lucro Real Fl. 883DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 865 39 Tabela Exemplificativa IN SRF 243/2002 vs. Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro real entre a aplicação do PRL60 segundo a IN SRF 243/2002, e a aplicação do mesmo método segundo a "correta" interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem BP, produzido no país, a pessoa não vinculada, e em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o produto produzido no país é o mesmo em todos os cenários, e a venda é feita a pessoa não vinculada, seu preço foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões, o mesmo se diga em relação ao valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem em todos os cenários, seu preço pode ser livremente ajustado pelas pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro na importação do bem importado junto à pessoa vinculada (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 2 e 5, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto à pessoa vinculada, com o valor agregado no país, se aproxima ou supera o preço líquido de venda do produto produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. IN SRF 243/2002 Anexo 5 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) 66,67% 85,71% 92,31% 94,74% 96,00% PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 PartBI>PP = %PartBI>PP*PLV 666,67 857,14 923,08 947,37 960,00 ML = 60%*PartBI> PP 400,00 514,29 553,85 568,42 576,00 PParam = PartBI>PP ML 266,67 342,86 369,23 378,95 384,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 230,77 521,05 816,00 Fl. 884DF CARF MF 40 Lei 9.430/96 Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Exclusão do frete, seguros e tributos sobre importação no preço praticado: No que se refere à impossibilidade de dedução dos valores correspondentes a frete, seguro e imposto de importação na apuração do preço praticado, tratase de disposição expressa no § 6º, do art. 18, da Lei nº 9.430/96, confirmada na IN/SRF 242/2002. Além disso, não se pode olvidar que, para efeito de preços de transferência, a comparação deve ocorrer entre grandezas semelhantes. Ora, se tais valores são computados na apuração do preço de revenda, não se justificaria a exclusão no preço praticado. A meu ver a questão foi enfrentada com precisão no acórdão 1051671 prolatado pela antiga 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes: ... A inclusão ou não dos valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis dependerá do método utilizado: PIC, PRL ou CPL. c. Os valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis alteram de acordo com a variação do preço, das distâncias a serem percorridas,do tipo de transporte a ser utilizado, do peso transportado, entre outras variáveis. Desta maneira, nos casos de comparação direta entre os preços praticados na operação de importação de bens entre pessoas vinculadas e não vinculadas, como no método PIC, a inclusão dos valores mencionados alteraria a comparabilidade entre os preços praticados. d. Neste mesmo sentido, teríamos a opção de não computar os referidos valores, quando da utilização do método CPL. e. Não é o caso do PRL inscrito na legislação brasileira. Este método parte de um preço pelo qual o produto adquirido de uma pessoa vinculada é revendido a uma pessoa não vinculada. A partir deste preço de revenda são efetuados os ajustes deduzindo os valores legalmente especificados. Após o ajuste é deduzida uma margem legalmente estabelecida de 20%. 0 empresário agrega ao Prego de Revenda os custos correspondentes ao frete, seguro e os impostos não recuperáveis. Desta maneira, se desconsiderarmos no Custo da Importação os valores relativos ao frete, seguro e dos impostos não recuperáveis a Fl. 885DF CARF MF Processo nº 16561.720092/201517 Acórdão n.º 1402002.815 S1C4T2 Fl. 866 41 comparabilidade para fins de prego de transferência estaria prejudicada. (......) Quanto à jurisprudência, no âmbito administrativo a questão já está consolidada em todas as turmas ordinárias bem como na CSRF como são exemplos os Acórdãos 9101002.514 e 9101002.317, em julgamentos recentes, Na esfera judicial, não há ainda uma consolidação jursprudencial determinada por Tribunal superior (Recurso Repetitivo ou Repercussão Geral). Adequação do método: Em relação à adequação do método de apuração dos ajustes de preços de transferência, esclareçase de imediato que não houve qualquer desprezo pela Fiscalização do método adotado pela recorrente. O Fisco não questionou a escolha do método mas sim a sistemática de apuração. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever do Fisco de aceitar a opção por ele regularmente exercida, o que foi feito. Não há como extrair do texto legal o corolário de que a Fiscalização, ao desqualificar uma sistemática de cálculo adotada pelo sujeito passivo pelo descumprimento de parâmetros legais ou normativos, teria o dever de buscar outro método que lhe fosse mais favorável. Juros de mora sobre a multa de ofício: Por sua vez, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício também é matéria amplamente consolidada nesta Corte no âmbito das três turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Fl. 886DF CARF MF 42 Do exposto , voto por negar provimento integralmente ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 887DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.903835/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IPI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O adquirente de produto isento e oriundo da Zona Franca de Manaus não possui direito ao crédito presumido.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.220
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IPI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O adquirente de produto isento e oriundo da Zona Franca de Manaus não possui direito ao crédito presumido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10735.903835/2012-24
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5847445
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.220
nome_arquivo_s : Decisao_10735903835201224.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10735903835201224_5847445.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7184962
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009967001600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1602; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.903835/201224 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.220 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente LORENPET INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IPI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O adquirente de produto isento e oriundo da Zona Franca de Manaus não possui direito ao crédito presumido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 38 35 /2 01 2- 24 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10735.903835/201224 Acórdão n.º 3302005.220 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI que foi indeferido pelo Despacho Decisório (Eletrônico) do Delegado da Receita Federal do Brasil em Uberlândia/MG, que não reconheceu na sua totalidade o crédito pleiteado através de PER/DCOMP e não homologando as compensações vinculadas que excediam o limite do montante porventura reconhecido. O crédito foi apurado pelo estabelecimento filial, inscrito no CNPJ sob nº 00.455.985/000492. Os motivos do indeferimento foram a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e a ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Na Informação Fiscal que acompanha o DDE a justificativa para a glosa assim foi expressa: “Referido estabelecimento industrial opera dentro da planta industrial de um fabricante de óleos vegetais para alimentação, onde produz com exclusividade embalagens "pet" de 900 ml. (garrafas plásticas), classificadas na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) no códigofiscal 3923.30.00, tributadas à alíquota de 15%. Com base nas vias originais das notas fiscais de aquisições colocadas à nossa disposição, constatamos que a quase totalidade dos citados insumos foram adquiridos da empresa Valfilm Amazônia Ind. e Com. Ltda., estabelecida na Zona Franca de Manaus, com a isenção do IPI prevista no art° 69, inciso II do Decreto n° 4.544/2002 (art° 81, inciso II do Decreto n° 7.212/2010). Mesmo hão havendo imposto destacado nas referidas notas fiscais, a Interessada em sua escrita fiscal aproveitou créditos presumidos do mesmo na ordem de 15% sobre valor do insumo adquirido. (grifei). Intimada a informar e identificar a base legal em que se baseou para aproveitar citados créditos presumidos, a mesma assim se pronunciou: "A empresa adquire produtos originários da Zona Franca de Manaus, classificação fiscal 3923.30.00 tributados na TIPI à alíquota de 15% (quinze por cento), mas que em face do disposto no artigo 69, inciso II, do Decreto n° 4.544/2002 (art. 81, inciso II do Decreto n° 7.212/2010) são isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Por esse motivo, com base no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999: nos artigos 164, 165 e 167, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002 (RIPI), na nãocumulatividade do IPI prevista no art. 153, IV, § 3o, II da Constituição Federal de Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10735.903835/201224 Acórdão n.º 3302005.220 S3C3T2 Fl. 4 3 1988 e alicerçada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal conforme decisão originada do RE212.484/RS, DJ de 27/1198, nos períodos compreendidos do 1o trimestre de 2008 ao 4o trimestre de 2010 creditouse do imposto calculado à alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o valor das compras efetuadas, a título de crédito presumido. ...” Inconformada com a decisão proferida, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, com as alegações a seguir sintetizadas. Inicialmente, alega a tempestividade da manifestação. Sustenta que não estaria comprovado que a intimação por via postal teria sido improfícua, fato que teria ensejado a intimação por edital. Diz ter ficado sabendo que o débito compensado já se encontrava em cobrança final em 05 de novembro de 2013, quando verificou que o processo administrativo havia sido incluído no Relatório de Situação Fiscal emitido pela Receita Federal do Brasil na situação “DEVEDOR”. E assim, considerando que nesta data a Requerente foi devidamente intimada, o prazo para contestação encerraria em 05 de dezembro de 2013. Alega ainda que, até a presente data, sequer teria obtido cópia do Processo Administrativo Eletrônico. Quanto ao mérito, defende o aproveitamento de crédito de IPI referente a aquisições de insumos fornecidos pela empresa Valfilm Amazônia Indústria e Comércio Ltda., com a isenção prevista no art. 9º do Decretolei 288/1967 e do então vigente artigo 69, II, do RIPI/2002. Considera equivocado o posicionamento do AuditorFiscal no sentido de que o simples fato de não ter sido cobrado imposto na etapa produtiva antecedente impediria o aproveitamento do crédito pelo adquirente do produto beneficiado na etapa subsequente, pois esse entendimento seria incompatível com o princípio da nãocumulatividade do IPI, sobre o qual discorre. Reportase ao entendimento manifestado pelo Exmo. Ministro Nelson Jobim no voto vencedor do Recurso Extraordinário n.° 212.4842/RS, julgado pelo Tribunal Pleno do E. Supremo Tribunal Federal, que transcreve em parte. Ataca também a menção ao Parecer PGFN n.° 405/2003, que não teria eficácia normativa em relação ao presente caso, pois referese à possibilidade de creditamento do IPI nas aquisições de insumos tributados à alíquota zero, não havendo nenhuma relação com as operações isentas do IPI, provenientes da Zona Franca de Manaus de que se trata neste processo. Sustenta que a circunstância de se tratar de insumos provenientes da ZFM daria ainda mais guarida ao seu direito pois se trata de isenção peculiar, com natureza de incentivo regional, que somente será efetivo se o direito ao crédito for mantido em favor do adquirente. Tanto que o próprio E. Supremo Tribunal Federal consignou recentemente no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.819 que o julgamento ali proferido para as hipóteses de creditamento de IPI decorrente de aquisições de insumos isentos não contempla os casos de insumos beneficiados por isenção concedida à Zona Franca de Manaus. Finalizando, solicita o cancelamento dos débitos e o arquivamento do processo administrativo. Uma vez que se encontrava esgotado o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade, o interessado interpôs ação de mandado de segurança (M.S n° 0002832.23.2013.4.02.5120) junto à 2a Vara Federal de Nova Iguaçu, na qual obteve liminar que assegurou a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados e o direito ao exame de manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: "(...) DEFIRO A LIMINAR Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10735.903835/201224 Acórdão n.º 3302005.220 S3C3T2 Fl. 5 4 para suspender a exigibilidade do crédito tributário objeto dos processos administrativos arrolados na inicial, devendo as manifestações de inconformidade apresentadas nos referidos processos administrativos (n°s 10735.903830/201200, 10735.903831/201246. 10735.903832/201291, 10735.903833/201235, 10735.903834/201280. 10735.903835/2012 24, 10735.903836/201279, 10735.903838/201268. 10735.903839/201211, 10735.903840/201237, 10735903.829/201277 e 10735.903837/201213) serem processadas e encaminhadas para julgamento.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 10053.125. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.216, de 26 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10735.903831/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.216): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Em pesquisa no site deste E. Conselho constatei que foi formalizado o processo nº 19515.721546/201278, decorrente de autuação fiscal na referida empresa em relação à glosa de créditos indevidos por aquisições de insumos isentos, provenientes da empresa Valfilm Amazônia Indústria e Comércio Ltda., localizada na Zona Franca de Manaus, isenta de IPI nos termos dos art. 69, I e II e 134, II do Decreto nº 4.544/2002. Informa o referido processo que as glosas foram efetuadas após a auditoria fiscal nos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento PER transmitidos para utilização dos saldos credores do IPI apurados pela Lorenpet, no período de apuração de 1º trimestre/2007 ao 4º trimestre/2008. Estando o PER/DCOMP do presente processo abrangido na referida autuação, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão nº 3301003.626, de 23/05/2017, com escopo no artigo 50, § 1º da Lei nº 9.784, de Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10735.903835/201224 Acórdão n.º 3302005.220 S3C3T2 Fl. 6 5 1999, cuja ementa e excertos do voto estão a seguir transcritos, na parte de interesse: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ART. 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos art. 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. ISENÇÃO. CREDITAMENTO DE AQUISIÇÕES DE MATÉRIA PRIMA.ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. Nas operações isentas, como não há cobrança de IPI na saída, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação ao princípio da nãocumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 do CTN, art.25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. Recurso Voluntário Negado. Excertos do voto: Glosa dos créditos de IPI relativo à aquisição de matériaprima com isenção de IPI Não há reparos a serem feitos na decisão de piso, pois a legislação tributária não permite a apropriação de créditos escriturais na aquisição de matériasprimas isentas aplicadas na industrialização, provenientes da Zona Franca de Manaus, como a seguir se expõe. A nãocumulatividade estabelecida no art. 153, § 3º, II, da CF, implica que os produtos que tenham sido tributados pelo IPI geram créditos na entrada em estabelecimentos contribuintes para fins de compensação com o que for devido a título desse mesmo tributo em saídas tributadas realizadas num período de apuração, confrontados os créditos e débitos no RAIPI. A nãocumulatividade voltase à quantificação tributária nas várias etapas de processo produtivo plurifásico, com a finalidade de evitar que a última etapa da cadeia (venda ao consumidor final) seja onerada pelo que se agregou em cada fase anterior. Disso decorre que se não houver recolhimento de IPI na operação precedente, não há que se falar em creditamento, assim, se a entrada de matériaprima for não tributada (alíquota zero, isenção ou nãoincidência),então não haverá direito a crédito escritural correspondente à entrada. Posteriormente ao julgamento do RE nº 212.484, citado pela Recorrente, o STF, nos RE nº 370.682SC e nº 353.657PR, decidiu de modo contrário à sua pretensão: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10735.903835/201224 Acórdão n.º 3302005.220 S3C3T2 Fl. 7 6 Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. RE 370.682SC, DJ 19/12/2007. E, IPI. INSUMO. ALÍQUOTA ZERO. AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI. INSUMO. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO.INEXISTÊNCIA DO DIREITO. EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. RE 353.657PR, DJ 07/03/2008. Em seguida, o STF, no julgamento do RE nº 566.819, alinhou a negativa da possibilidade de creditamento em relação a insumo adquirido sob qualquer regime de desoneração, assentando que insumo isento não dá direito a crédito de IPI:(grifei) IP. CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI. CRÉDITO. INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI CRÉDITO. DIFERENÇA. INSUMO. ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. RE 566.819, DJ 10022011. Ademais, não há qualquer vinculabilidade do RE nº 212.484, uma vez que o RE nº 592.891, em repercussão geral, ainda não julgado, tratará também do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM, quer isto dizer que não há posicionamento assentado do STF sobre a questão específica da Zona Franca de Manaus. Requer a Recorrente o sobrestamento deste processo até decisão final de mérito no RE nº 592.891. Todavia, não há previsão Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10735.903835/201224 Acórdão n.º 3302005.220 S3C3T2 Fl. 8 7 regimental para essa suspensão, no RICARF atualmente em vigência, Portaria nº 343/2015. Por fim, devese destacar que o RE nº 566.819 deve ser adotado para os casos em que os produtos sejam provenientes da Zona Franca de Manaus, uma vez que a lógica da desoneração é a mesma. O STJ, em recurso repetitivo, no REsp nº 1.134.903 SP, DJ 24/06/2010, consignou a impossibilidade de creditamento nas entradas isentas:(grifei). PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008) 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), darseá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revelase insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade),matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a arguição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão”. 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10735.903835/201224 Acórdão n.º 3302005.220 S3C3T2 Fl. 9 8 matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Em seguida, o REsp nº 1.429.525SP, DJ 20/02/2014, com base no recurso repetitivo acima, expressamente indicou:(grifei). TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS E MATÉRIASPRIMAS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU FAVORECIDOS COM ALÍQUOTA ZERO PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. TEMA JÁ JULGADO EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO (ART. 557, CPC). Do voto do relator Mauro Campbell Marques extraise o seguinte trecho: De observar que, muito embora o item "6" da ementa suso transcrita indique a negativa de conhecimento dos recursos especiais onde se discute o direito ao creditamento relativo às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, mutatis mutandis, tendo já havido o julgamento da matéria pelo STF, deve ser utilizada a mesma lógica para ser conhecido o recurso e aplicada a jurisprudência do Pretório Excelso, prestigiando a uniformização jurisprudencial e a isonomia fiscal, indiferente tratarse de isenção proveniente da Zona Franca de Manaus, posto que a lógica é a mesma.(grifei). Por conseguinte, nas operações isentas, como não há cobrança de IPI na saída, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação do princípio da não cumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10735.903835/201224 Acórdão n.º 3302005.220 S3C3T2 Fl. 10 9 do CTN, art. 25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. No sentido de impossibilidade de creditamento na entrada de insumos isentos da Zona Franca de Manaus, citese o acórdão nº 3403003.242 (j. 16/09/2014), no qual a Recorrente Lorenpet figura também como parte: Assunto: Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS.IMPOSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 1). Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891. Precedente (Acórdão 3403003.050, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, j. 22/07/2014). Recurso negado. Além disso, a Súmula CARF n° 18 prescreve que a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Entendo que a alíquota zero e a isenção têm a mesma repercussão de não gerarem recolhimento na entrada, o que veda o creditamento, como acima já se defendeu. Ainda na mesma linha de impossibilidade de creditamento na entrada de insumos isentos da Zona Franca de Manaus, citase o julgado de 27/09/2016, proferido no processo 19515.001412/201075, da mesma empresa conforme a seguir ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10735.903835/201224 Acórdão n.º 3302005.220 S3C3T2 Fl. 11 10 Data do fato gerador: 31/08/2005, 30/09/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.DECADÊNCIA. Nos casos em que há pagamento antecipado do imposto, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). CREDITAMENTO. IPI. INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não dá direito ao creditamento do tributo, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não umulatividade. Cabe destacar que neste processo a empresa apresentou recurso especial, o qual foi negado seguimento de forma definitiva, uma vez que o acórdão recorrido observou decisão do STJ proferida sob a sistemática dos recursos repetitivos. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio cingese ao direito a créditos de IPI nas aquisições de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10735.903835/201224 Acórdão n.º 3302005.220 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.915539/2009-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que reintime o contribuinte a fim de que atenda aos termos da Resolução da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF (e-fls. 72/76), juntando os documentos requeridos, em especial aos que se referem ao mês de abril de 2006, e desta forma possibilite a análise de seu pleito.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10783.915539/2009-03
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5848907
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.041
nome_arquivo_s : Decisao_10783915539200903.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10783915539200903_5848907.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que reintime o contribuinte a fim de que atenda aos termos da Resolução da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF (e-fls. 72/76), juntando os documentos requeridos, em especial aos que se referem ao mês de abril de 2006, e desta forma possibilite a análise de seu pleito. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7190968
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009973293056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1912; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 469 1 468 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.915539/200903 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1001000.041 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Data 07 de março de 2018 Assunto IRPJ RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO Recorrente CINTYA IMPORTACAO E EXPORTACAO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que reintime o contribuinte a fim de que atenda aos termos da Resolução da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF (efls. 72/76), juntando os documentos requeridos, em especial aos que se referem ao mês de abril de 2006, e desta forma possibilite a análise de seu pleito. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. RELATÓRIO A Recorrente formalizou Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 28.06.2007, fls. 23/27, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$ 28.984,06 de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada do mês de abril de 2006, código nº 5993, recolhimento em 29.09.2006 (efl. 04). O julgamento foi convertido em diligência através da Resolução da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF (efls. 72/76) para esclarecer a situação fática, qual seja, a efetiva existência do suscitado pagamento a maior (no valor total de R$ 28.984,06 de IRPJ referente ao fato gerador ocorrido em 30.04.2006). Entre outros comandos , foi requerido da recorrente: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 15 53 9/ 20 09 -0 3 Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10783.915539/200903 Resolução nº 1001000.041 S1C0T1 Fl. 470 2 A Recorrente deve ser intimada a juntar a escrituração completa mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior Por bem descrever todos os fatos, transcrevo a seguir as razões daquele resolução: Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 03, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. A Recorrente foi cientificada em 19.10.2009, fls. 22, e apresentou a manifestação de inconformidade em 10.11.2009, fls. 0102, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que houve erro na indicação dos valores dos débitos em DCTF e para correção do engano apresentou o documento retificador em 23.10.2009 com os valores corretos, os quais são coincidentes com aqueles constantes na Per/DComp e na DIPJ originalmente apresentadas. (...) Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1239.347, de 11.08.2011, fls. 2930: “ Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Conta no Voto condutor: "Por sua vez, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, sempre foi destinada a tal fim. A DCTF, sendo confissão de divida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. O Darf foi alocado conforme DCTF. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito." (...) Notificada em 31.08.2011, fl. 35, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28.09.2011, fls. 3751, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que os atos administrativos são nulos, uma vez que houve preterição do seu direito de defesa, haja vista que a DCTF retificadora deve ser considerada para fins de compensação, porque ela tem a mesma natureza daquela originalmente apresentada e a substitui integralmente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10783.915539/200903 Resolução nº 1001000.041 S1C0T1 Fl. 471 3 constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. (...) Voto Compulsando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente suscita que houve erro na indicação dos valores dos débitos em DCTF e para correção do engano apresentou o documento retificador em 23.10.2009 com os valores corretos, os quais são coincidentes com aqueles constantes na Per/DComp e na DIPJ originalmente apresentadas. (...) Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática, qual seja, a efetiva existência do suscitado pagamento a maior. Em face desta questão e com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento na realização de diligência para que sejam tomadas as seguintes providências em relação alegado pagamento a maior no valor total de R$ 28.984,06 de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 5993, efetuado em 29.09.2006, referente ao fato gerador ocorrido em 30.04.2006, fl. 04: 1) A autoridade preparadora deve instruir os autos com: 1.a) as cópia das DCTF, original e retificadoras, se houver; 1.b) as cópias das DIPJ, original e retificadoras, se houver. 2) A Recorrente deve ser intimada a juntar a escrituração completa mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10783.915539/200903 Resolução nº 1001000.041 S1C0T1 Fl. 472 4 A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. A Unidade de Origem respondeu através do Despacho SEORT/DRF/VIT/ES nº 0776/2017 (efls. 456/457) em que aduz que a Recorrente respondeu a intimação no prazo, mas não juntou os elementos necessários ao cumprimento da Diligência impossibilitando assim a análise conclusiva em sua escrituração fiscal. A Recorrente alegou que figura como parte em outro caso (10783.917232/200939), no qual esta mesma E. Primeira Seção houve por decidir de modo favorável aos interesses da contribuinte , devendo a "r. decisão funcionar neste caso que ora se prima como prova emprestada". Transcrevo a seguir os principais relatos do Despacho SEORT/DRF/VIT/ES nº 0776/2017: "2. Em atendimento a Resolução de fls 72/76 em que nos é solicitado em Diligência a juntada de Declarações do contribuinte e para a elaboração de Relatório Fiscal após a conclusão das intimações para que o contribuinte junte escrituração completa mantida “com observância das disposições legais para fazer prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior” encaminhamos resposta conforme segue abaixo. 3. Verificamos que o contribuinte foi regularmente intimado para o cumprimento da Diligência pelo Termo de intimação fiscal n. 516/2012 de 17/08/2012 fls.434. Conforme se pode verificar no processo, o contribuinte tomou ciência por AR em 24/08/2012 fls.435. 4. Em resposta a intimação o contribuinte atravessou a petição de fls. 438/439, e em síntese argumenta que: “Peticionante figura como parte em outro caso, em muito semelhante ao que neste se prima, estáse falando dos autos do processo administrativo autuado sob o n. 10783.917232/200939, o qual, esta mesma E. Primeira Seção, houve por decidir de modo favorável aos interesses da contribuinte no último dia 07 de agosto de 2013 (…) Portanto, em homenagem ao primado da verdade real, a r. decisão acima colacionada deve funcionar neste caso que ora se prima como prova emprestada, de maneira que o seu desfecho venha a correr no mesmo sentido daquele, ie, com o julgamento de modo favorável às colocações e perpetrações ventiladas pela contribuinte.” 5. Contudo, apesar de responder a intimação no prazo, não juntou os elementos necessários ao cumprimento da Diligência de modo a não atender a intimação impossibilitando assim a nossa análise conclusiva em sua escrituração fiscal. 6. Em tempo, informamos que paralelamente juntamos as Declarações DCTF e DIPJ às fls. 78/433 conforme solicitado. 7. Por fim, sem mais a fazer para o momento, encaminhamos o presente processo para adoção das providências sob sua alçada. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10783.915539/200903 Resolução nº 1001000.041 S1C0T1 Fl. 473 5 VOTO Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço. Juntamos (efls. 461/468) cópia do acórdão 1801001.554, processo n. 10783.917232/200939, e verificamos que o crédito pleiteado do valor de IRPJ foi reconhecido com base em documentos lá anexados em sua maioria somente referentes mês de julho/2006, quais sejam: Diário, Razão, DCTF, Livro de Apuração de ICMS, Livro Razão de Receita de Venda de Mercadorias e de Custo de Mercadorias. Como nos presentes autos o Recorrente requer o reconhecimento de crédito relativo ao pagamento a maior de IRPJ em mês diverso (abril de 2006, efl. 04) não é possível a análise do pleito do contribuinte com base nos documentos acostados n. 10783.917232/200939, como afirma a Recorrente. Desta forma, voto por converter o julgamento em diligência através da qual: a) cientifique o contribuinte do teor desta resolução; b) reintime o contribuinte a fim de que atenda aos termos da Resolução da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF (efls. 72/76), juntando os documentos requeridos, em especial aos que se referem ao mês de abril de 2006, e desta forma possibilite a análise de seu pleito. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar Relatório Fiscal sobre a procedência e suficiência do crédito frente aos documentos anexados e débitos a serem compensados, e ao final cientificar ao contribuinte daquele Relatório. (Assinado digitalmente). Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 473DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720155/2014-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2010, 29/10/2010, 25/11/2010, 29/11/2010, 17/12/2010, 11/08/2011, 24/02/2012, 12/06/2012, 17/07/2012, 19/07/2012, 09/08/2012, 17/10/2012, 22/11/2012
INFRAÇÃO. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
Consoante art. 106, II, a do Código Tributário Nacional, nos atos não definitivamente julgados, a superveniência de norma que deixa de definir determinada conduta como infracional aplica-se aos fatos pretéritos, situação que alcança a revogação do art. 74, § 15 da Lei nº 9.430/96 pelo art. 27, II da Lei nº 13.137/2015.
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. FUNDAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. MULTA. DESCABIMENTO.
Demonstrada a improcedência do fundamento que embasou a consideração das compensações como não declaradas, nos termos do art. 74, § 12 da Lei nº 9.430/96, por via reflexa, completamente descabida a inflição da multa prevista no art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/03.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3401-004.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/10/2010, 29/10/2010, 25/11/2010, 29/11/2010, 17/12/2010, 11/08/2011, 24/02/2012, 12/06/2012, 17/07/2012, 19/07/2012, 09/08/2012, 17/10/2012, 22/11/2012 INFRAÇÃO. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Consoante art. 106, II, a do Código Tributário Nacional, nos atos não definitivamente julgados, a superveniência de norma que deixa de definir determinada conduta como infracional aplica-se aos fatos pretéritos, situação que alcança a revogação do art. 74, § 15 da Lei nº 9.430/96 pelo art. 27, II da Lei nº 13.137/2015. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. FUNDAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. MULTA. DESCABIMENTO. Demonstrada a improcedência do fundamento que embasou a consideração das compensações como não declaradas, nos termos do art. 74, § 12 da Lei nº 9.430/96, por via reflexa, completamente descabida a inflição da multa prevista no art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/03. Recurso de ofício negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13603.720155/2014-22
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5829974
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.369
nome_arquivo_s : Decisao_13603720155201422.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 13603720155201422_5829974.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
id : 7120075
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009976438784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1627; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.720155/201422 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3401004.369 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de fevereiro de 2018 Matéria Multa Compensação não declarada Recorrente PETRONAS LUBRIFICANTES BRASIL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2010, 29/10/2010, 25/11/2010, 29/11/2010, 17/12/2010, 11/08/2011, 24/02/2012, 12/06/2012, 17/07/2012, 19/07/2012, 09/08/2012, 17/10/2012, 22/11/2012 INFRAÇÃO. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Consoante art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional, nos atos não definitivamente julgados, a superveniência de norma que deixa de definir determinada conduta como infracional aplicase aos fatos pretéritos, situação que alcança a revogação do art. 74, § 15 da Lei nº 9.430/96 pelo art. 27, II da Lei nº 13.137/2015. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. FUNDAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. MULTA. DESCABIMENTO. Demonstrada a improcedência do fundamento que embasou a consideração das compensações como não declaradas, nos termos do art. 74, § 12 da Lei nº 9.430/96, por via reflexa, completamente descabida a inflição da multa prevista no art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/03. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Rosaldo Trevisan – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 01 55 /2 01 4- 22Fl. 371DF CARF MF 2 Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Albergam estes autos lançamento para exigência de multas isoladas de que tratam os arts. 74, § 15 da Lei nº 9.430/96, pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, e 18, § 4º da Lei nº 10.833/03, compensação considerada não declarada. Relata a fiscalização que o requerente incluiu, entre os créditos passíveis de ressarcimento, valores sub judice no pedido de ressarcimento de IPI, razão porque foi indeferido integralmente o saldo credor pleiteado e, por via reflexa, consideradas não declaradas as compensações aviadas. Em impugnação o contribuinte sustentou que o pedido de ressarcimento englobaria créditos diversos, não se limitando àqueles registrados por força de ordem judicial vigente, mas também aqueles relacionados às aquisições de insumos aplicados em produtos exportados ou produtos com tributação na TIPI, motivo pelo que restaram violados os princípios da legalidade, verdade material e devido processo legal, padecendo de nulidade a autuação; que a multa do art. 74 da Lei nº 9.430/96 seria incabível, uma vez que os créditos não admitidos estavam amparados em decisão judicial válida e vigente; que a multa do art. 18 da Lei nº 10.833/03 também seria inaplicável, porquanto possuidor de créditos suficientes à liquidação das compensações aviadas; que os livros de apuração do IPI demonstrariam a legitimidade dos créditos apurados; e, alternativamente, rogou a redução da penalidade e sua incidência apenas sobre os créditos oriundos da ação judicial. O julgamento foi convertido em diligência para levantamento dos créditos passíveis de ressarcimento, isto é, aqueles originários de aquisições de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) e aqueles decorrentes da demanda judicial, com segregação dos montantes correspondentes, por período de apuração. Encerrado o procedimento, foi o contribuinte cientificado de seu teor, manifestandose no sentido de reforçar que as compensações aviadas somavam quantias inferiores aos valores reconhecidos como passíveis de ressarcimento. A DRJ Belém/PA deu provimento à impugnação, mediante decisão assim ementada: “RESSARCIMENTO. PEDIDO. MULTA ISOLADA. Consoante art. 106, II, a, do CTN, aplicase a lei a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração. Destarte, com o advento da Lei n. 13.137, de 2015, insubsistente a multa sobre o pedido de ressarcimento indeferido ou indevido prevista no revogado art. 74, §15, da Lei n. 9.430, de 1996. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13603.720155/201422 Acórdão n.º 3401004.369 S3C4T1 Fl. 11 3 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. Uma vez afastada a condição de não declaradas das declarações de compensação a que se refere o art. 74 §12, II, da Lei n. 9.430, de 1996, igualmente afastadas restam as multas correlatas de que trata o art. 18, §4o, da Lei n. 10.833, de 2003.” Dessa decisão foi interposto o recurso de ofício de que trata o art. 34 do Decreto nº 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator A remessa necessária preenche os requisitos para seu reexame, pelo que, dela conheço. A primeira penalidade imposta – pedido de ressarcimento indeferido ou indevido –, lastreada no art. 74, § 15 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010, foi julgada improcedente pela superveniente revogação do dispositivo, pelo art. 27, II da Lei nº 13.137/2015, aplicandose, na situação, a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional, incidindo a lei nova a fato pretérito quando deixa de definilo como infração, desde que se cuide de ato não definitivamente julgado. Irrepreensível a decisão a quo, não merecendo qualquer reparo e dispensando maiores comentários. Concernente à multa remanescente, entendeu o colegiado improcedente a consideração das compensações como não declaradas, à vista do resultado da diligência (efls. 273/276), que, por seu turno, reconheceu que parcela do crédito era proveniente de aquisições de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos exportados ou tributados na TIPI, ainda que com alíquota zero, mesmo que a outra parcela se originasse de registro de créditos fundados em decisão judicial ainda não transitada em julgado. Nesse diapasão, formado o saldo credor por parte de créditos que, à luz da legislação vigente, garantiriam o seu ressarcimento, mesmo que outra fração encontrasse vedação legal, não seria possível o indeferimento integral do pedido, como ocorreu, de maneira que as compensações não poderiam ser simplesmente consideradas não declaradas, o que, por conseqüência, impossibilitaria a imposição da multa correspondente, valendo a remissão ao excerto específico do voto condutor: “Na espécie, ao promover as compensações controvertidas, valeuse a interessada de direito creditório não submetido ao crivo do Poder Judiciário. Consoante apurado pela autoridade fiscal responsável pela diligência em que Fl. 373DF CARF MF 4 convertido o julgamento, remanescem, conforme demonstrativo de fl. 276, para além do apreciado por aquele Poder, importâncias a serem ressarcidas. Inadmissível que, pela simples presença, entre aqueles levados ao pedido de ressarcimento, de valores contemplados por decisão judicial pendente de trânsito em julgado, sejam referidos pedidos sumária e integralmente indeferidos e as compensações consideradas não declaradas, ensejando, em conseqüência, a aplicação da multa prevista no art. 18, §4o, da Lei n. 10.833, de 2003. É dizer, ao lado de direito creditório decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, encontramse créditos não passíveis de alteração pela referida decisão, provenientes de insumos utilizados em produtos regularmente tributados, isentos, tributados à alíquota zero ou amparados pela imunidade resultante de exportação. De rigor, a par do direito ao ressarcimento do somatório apurado à fl. 276, tem a interessada o direito à consideração das declarações de compensação correspondentes, em oposição à pecha de não declaradas ensejante das multas censuradas. Por outro giro verbal, uma vez afastada a condição de não declaradas das declarações de compensação, igualmente afastadas restam as multas correlatas a que se reporta o art. 18, §4o, da Lei n. 10.833, de 2003.” Então, na linha de raciocínio exposta, bastante plausível, digase, havendo parte saldo credor passível de ressarcimento, ainda que influenciado por créditos vedados, não seria possível indeferilo na totalidade e, por via reflexa, inadequado reconhecer como não declaradas as compensações respectivas, o que tornaria a multa aplicada, com fulcro no art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/03, completamente descabida, ex vi de sua expressa redação: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” (destacado) De outra banda, trilhando caminho distinto, a partir das decisões exaradas nos processos de ressarcimento específicos, temse que todos foram objeto de manifestação de inconformidade e competente julgamento pela mesma DRJ Belém/PA, oportunidade que, do Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13603.720155/201422 Acórdão n.º 3401004.369 S3C4T1 Fl. 12 5 universo de 15 (quinze) processos examinados, à exceção de 02 (dois), que foram julgados parcialmente procedentes, todos as demais foram reputados procedentes, de modo a se reconhecer direito creditório suficiente a solver as compensações declaradas. Para melhor visualização da situação, confeccionei o seguinte demonstrativo: Assim, se os indeferimentos de créditos foram todos revertidos e as declarações de compensações acolhidas, até o limite do crédito disponível, mostrase infundada a multa por compensação não declarada, ora exigida. Mesmo naqueles casos em que o direito de crédito não foi suficiente à cobertura integral dos valores indicados nas declarações de compensação, a revelar excesso de compensação, PAs 13603.900724/201331 e 13603.900725/201385, verificase infração tributária sujeita a penalidade distinta – art. 74, § 17 da Lei nº 9.430/96. Sob esse ângulo, também não merece qualquer censura a decisão sub examine, que deve ser integralmente mantida pelos seus próprios fundamentos. Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Robson José Bayerl Fl. 375DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901297/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. As conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Relatório
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16682.901297/2010-11
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5852185
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.388
nome_arquivo_s : Decisao_16682901297201011.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : GISELE BARRA BOSSA
nome_arquivo_pdf_s : 16682901297201011_5852185.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. As conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los acompanharam a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7204018
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009979584512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.901297/201011 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.388 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 14 de março de 2018 Assunto PER/DCOMP Recorrente XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. As conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los acompanharam a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: "Versa o presente litígio sobre manifestação de inconformidade em face da homologação parcial da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 34191.89418.150306.1.3.033091 (fls. 10 a 138), que aponta como crédito saldo negativo de CSLL apurado no ano RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 01 29 7/ 20 10 -1 1 Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 3 2 calendário 2004. Vinculadas a esta DCOMP inicial por objetivarem aproveitar o mesmo direito creditório também foram apresentadas as DCOMPs 00089.24929.150506.1.3.036400 (fls. 02 a 05) e 02878.71018.130406.1.3.034558 (fls. 06 a 09). 2. A autoridade administrativa recorrida não reconheceu o direito creditório integralmente porque não confirmou no sistema DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) toda a CSLL informada na DCOMP como retida na fonte por outras pessoas jurídicas. A declarante informou retenções na fonte de R$1.572.685,27 e no banco de dados da administração tributária foi confirmado apenas o montante de R$529.974,61, o que resultou em saldo negativo disponível de R$529.974,61, resultado da diferença entre o valor confirmado e a CSLL devida de zero (fl. 139). As parcelas confirmadas de CSLL retida na fonte, bem como as não confirmadas e as confirmadas parcialmente encontramse no detalhamento da análise do crédito (fls. 140 a 168). À fl. 169 encontrase o Detalhamento da Compensação dos débitos declarados que aponta a homologação integral da compensação formalizada na DCOMP 34191.89418.150306.1.3.033091, a homologação parcial da compensação declarada na DCOMP 02878.71018.130406.1.3.034558 e a não homologação da compensação veiculada na DCOMP 00089.24929.150506.1.3.036400. 3. Cientificada do despacho decisório em 19/10/2010 (fls. 171 e 172), a contribuinte, irresignada, apresentou em 17/11/2010, representada por mandatária (fls. 186 a 217) a manifestação de inconformidade de fls. 173 a 186, instruída com os documentos de fls. 187 a 1341, na qual afirma que: 3.1. apresenta os comprovantes de retenção cuja CSLL é superior ao valor confirmado pela autoridade fiscal (fls. 244 a 323) que perfazem um crédito de CSLL não reconhecido no valor de R$73.401,55 e os comprovantes de retenção não identificados pela autoridade fiscal (fls. 324 a 786) que totalizam um crédito de CSLL de R$226.507,92; 3.2. para as demais retenções não confirmadas pela autoridade fiscal, apresenta os detalhes por documento fiscal que não deixam dúvidas quanto à veracidade dos créditos pleiteados (demonstrativos de fls. 787 a 1341); 3.3. a não homologação da compensação pleiteada significa enriquecimento ilícito do Erário Público, já que a requerente efetivamente sofreu a retenção do crédito pleiteado e não apurou lucro tributável (ficha 17 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica à fl. 243), tendo direito à compensação, nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, devidamente atualizada (artigo 28, caput e § 1º, da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal nº 600/2005), inclusive com outros tributos administrados pela Receita Federal, de acordo com ementas de soluções de consulta reproduzidas; e 3.4. de acordo com os princípios do informalismo e da busca pela verdade material, definidos em doutrinas reproduzidas, a autoridade julgadora deve abrir mão de formalismos extremos e determinar as diligências na documentação contábil e fiscal da requerente de forma a Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 4 3 verificar a verdadeira situação da contribuinte, inclusive com a juntada de outros documentos aos autos.” 2. Em sessão de 19 de dezembro de 2014, a 1ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte (fls. 173/186) para reconhecer saldo negativo de CSLL, relativa ao anocalendário 2004, no valor de R$ 46.677,00, além do que já foi reconhecido no despacho decisório recorrido, e homologar parcialmente as compensações até o limite do direito creditório reconhecido, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1664.338 (fls. 1508/1528), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RETENÇÕES NA FONTE. COMPROVANTES DE RETENÇÃO. APRESENTAÇÃO. CONFIRMAÇÃO. SALDO NEGATIVO RECONHECIDO. Comprovado nos autos, por meio de comprovantes de retenção confirmados em declarações apresentadas pelas fontes pagadoras, que a manifestante sofreu retenções na fonte de CSLL que não foram considerados pela autoridade recorrida na formação do saldo negativo, cabe homologar a declaração de compensação até o novo limite reconhecido. RETENÇÃO. APROVEITAMENTO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. REQUISITO. Para poder compensar na declaração de rendimentos o tributo retido na fonte, o contribuinte deve possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. 3. Com o reconhecimento adicional do crédito decorrente de saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário 2004, restou não reconhecido o valor de R$ 996.033,66. Incidências Processuais Valor Reconhecido Despacho Decisório R$ 529.974,61 Decisão da DRJ/SPO R$ 46.677,00 Total Reconhecido R$ 576.651,61 Diferença (Declarado R$ 1.572.685,27 576.561,61) R$ 996.033,66 4. A DRJ/SPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, por entender que: 4.1. A manifestante não teria elaborado os quesitos relativos aos exames de diligência desejados, motivo pelo qual não deve ser considerada (artigos 16, inciso V, §1º, 18, caput, e 28 do Decreto nº 70.235/1972); 4.2. Não há necessidade de diligência porque o litígio pode ser decidido com a análise da prova documental que instrui a manifestação de inconformidade (§4º, do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972) e é ônus do contribuinte apresentar às autoridades o que possui; Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 5 4 4.3. Para que possa utilizar a CSLL retida na fonte deve o contribuinte (i) oferecer à tributação os respectivos rendimentos na mesma declaração de apuração do saldo negativo; (ii) apresentar os respectivos comprovantes de retenção emitidos em seu nome pela fonte pagadora (artigo 55, da Lei nº 7.450/1985), conforme modelo previsto no artigo 31 da IN/SRF nº 480/2004; 4.4. A Recorrente atende ao primeiro requisito e parcialmente o segundo, pois apresenta apenas parte dos comprovantes de retenções e substitui a ausência destes com demonstrativos (fls. 787 a 1341), o que não pode ser aceito de acordo com a legislação. 5. Cientificada da decisão via Domicílio Tributário Eletrônico em 12/05/2015 (fl. 1541), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 1585/1606) em 11/06/2015 (Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, fl. 1546), alegando, em síntese: 5.1. Nulidade do Despacho Decisório ante a violação do artigo 65, da IN RFB 900/2005 (Vigente à Época). · O citado dispositivo impõe à autoridade administrativa que, em caso de dúvida, condicione o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do crédito tributário pleiteado pelo sujeito passivo ou ainda determinar a realização de diligência. · As autoridades fiscais não efetuaram a confirmação da integralidade do crédito decorrente de saldo negativo de CSLL, anocalendário 2004, por meio da análise das DIRFs submetidas pelas fontes pagadoras e de seus sistemas internos (SIAFI Sistema de Acompanhamento Financeiro), tanto no caso das retenções realizadas por órgãos públicos como por outras pessoas jurídicas. 5.2. No mérito, trouxe os seguintes pontos de destaque: I. Das retenções comprovadas mediante Informes de Rendimento I. 1. Dos novos Informes de Rendimentos localizados pela Recorrente · Em nítida demonstração de boafé, localizou e acostou às fls. 1612/1642 (doc. 03) comprovantes de retenção na fonte, códigos 6147 e 6190 (retenções efetuadas por órgãos públicos). · Alinhada com a legislação, ao apurar o montante de CSLL retido na fonte, aplicou a proporcionalização do total de tributos retidos à razão de, respectivamente, 1/5.85 (código 6147, retenção de CSLL de 17,09%) e 1/9.45 (código 6190, retenção de CSLL de 10,58%). Ainda, adotou o mesmo procedimento das autoridades fiscais ao não trazer distorções entre CNPJs de matriz e filial nos termos exarados à fl. 1.513, conforme tabela de fls. 1593/1594, o que totalizou o direito creditório complementar de R$ 348.719,31. · Portanto, tais informes devem ser considerados para fins de reconhecimento do direito creditório correspondente. I. 2. Dos valores não confirmados pela DRJ em razão de mero erro no preenchimento da DCOMP Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 6 5 · A partir da análise da tabela apresenta pela DRJ às fls. 1514/1527, verificou se que foram desconsiderados, por mero erro no preenchimento da DCOMP, tanto créditos apontados pela própria autoridade fiscal em valor superior ao reportado pela Recorrente como aqueles por ela localizados, mas não declarados pelo contribuinte, o que não pode prevalecer com fundamento nos próprios julgados do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. · O acórdão da DRJ mesmo reconhecendo que a Recorrente sofreu as retenções de CSLL na monta total de 212.409, 87 reconheceu apenas R$ 22.982,67. Portanto, a diferença creditória de R$ 189.427,20, ainda que confirmada pelas próprias autoridades fiscais, deixou de ser considerada para fins de composição do saldo negativo de CSLL, anocalendário 2004. · A Recorrente argumenta que o valor deve ser majorado haja vista que os informes de rendimento de fls. 619 e 621 foram reportados pelas autoridades fiscais como zerados, sem razão ou justificativa. Contudo, os comprovantes de retenção apontam respectivamente R$ 42.020,40 e R$ 478,16 de retenções, o que perfaria R$ 7.182,97 (R$ 42.020,40/5.85) e R$ 81,74 (R$ 478,16/5,85) de antecipações de CSLL. Assim, total não confirmado pelas autoridades fiscais seria de R$ 196.691,91 (R$ 189.427,20 + R$ 7.182,97 + R$ 81,74). · Sustenta que houve mero erro de fato quando do preenchimento da informação em PER/DCOMP, o que não pode, inclusive de acordo com a própria jurisprudência do C. CARF, afastar o direito ao crédito respectivo, sob pena de enriquecimento ilícito da União. II. Das retenções comprovadas mediante outros meios · A Recorrente sustenta que as autoridades fiscais desprezaram os demais documentos apresentados durante o deslinde do feito, mesmo sendo meios idôneos e aptos a comprovar a totalidade das retenções de CSLL sofridas. Tal procedimento, inclusive, contraria a uníssona jurisprudência administrativa. · Nessa linha, argumenta que muito embora o documento ordinário hábil a comprovar as retenções na fonte suportadas pelo sujeito passivo seja o Informe de Rendimentos, esse não é o único meio de prova. · Considera que a falta desse documento não basta para indeferir de plano o direito creditório e, por essa razão, ainda em sede de à Manifestação de Inconformidade ofertou à apreciação das autoridades fiscais o Relatório do Sistema de Contas a Receber (fls. 787 a 1341), retirado dos sistemas contábeis da contribuinte, no qual consta a indicação da razão social da fonte retentora, seu respectivo CNPJ, mês e ano em que ocorreu a citada retenção na fonte da ora Recorrente, o amparo legal a respaldar a retenção na fonte, o valor cobrado pela prestação de serviço, o montante total de retenção na fonte por nota fiscal, o valor exclusivamente referente a CSLL, dentre outras informações. Portanto, entende ter apresentado o detalhamento de todas as retenções as quais compuseram o crédito formalizado em PER/DCOMP. · Com fundamento no princípio da verdade material e na jurisprudência, sustenta que não pode ser penalizada por não ter recebido Informe de Rendimentos das fontes pagadoras. Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 7 6 5.3. Por fim, requerer o conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário, para o fim de decretar a nulidade da decisão da DRJ ou decidindo em favor do contribuinte (artigo 59; 3° do Decreto 70.235/72), reconhecendo integralmente o Saldo Negativo de CSLL do anocalendário de 2004 pleiteado, homologandose as compensações declaradas no montante total de R$ 996.033,66. · No mais, se os esclarecimentos prestados e a documentação ofertada ainda não forem suficientes para comprovar a íntegra do Saldo Negativo de CSLL de exercício 2005, pugna pela realização de diligência ou perícia, nos termos do art. 16, IV, Decreto 70.235/72, a fim de corroborar que efetivamente sofreu a totalidade das retenções na fonte alegadas. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Em virtude da necessidade de baixar os autos em diligência, atenhome aos pressupostos e fundamentos hábeis a justificar tal providência a ser atendida pela douta autoridade preparadora. 8. Assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório, bem como que seu direito não pode ser inviabilizado pela conduta omissa da fonte pagadora. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 9. No mais, ainda que a Recorrente não tenha efetuado a retificação das declarações, tal circunstância não pode, por si só, obstar o legítimo direito de crédito do contribuinte. Exceção à essa regra se dá justamente quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 10. Logo, somente diante da efetiva análise documental e mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar o motivo pelo qual as provas acostadas merecem ser desconsideras, que o direito creditório não deve ser reconhecido. 11. Ademais, é inequívoco que, em caso de dúvidas quanto à exatidão da informações prestadas, a autoridade fiscal poderá (i) condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios adicionais; (ii) realizar diligência fiscal no estabelecimento do contribuinte; (iii) oficiar aos órgãos da administração pública que efetuaram a retenção; e (iv) buscar informações através de consultas aos sistemas internos SRF SIEF DIRF SINAL, com fundamento no artigo 65, da IN RFB 900/2005 e nos artigos 36 e 37 da Lei nº 9.784/1999, verbis: Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 8 7 IN RFB 900/2005 Art. 65. A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas." Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (grifos nossos) 19. No presente caso, não cabe declarar nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, mas sim afastar pontos incontroversos e seguir com a análise do mérito relativo à qualidade das provas apresentadas pela ora Recorrente para fins de demonstrar a origem do direito creditório. 12. Tratase de um poder/dever da autoridade fiscal hábil a garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, a busca da verdade material. 13. Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública. A boafé processual, a razoabilidade e a cooperação são pressupostos essenciais para trazer satisfatividade às decisões proferidas e evitar o litígio no âmbito do Poder Judiciário. O Estado é um só e o custo do contencioso é suportado por todos os cidadãos brasileiros. I. Das retenções comprovadas mediante Informes de Rendimento I. 1. Dos novos Informes de Rendimentos localizados pela Recorrente Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 9 8 14. Diante das premissas supra e considerando que a contribuinte apresentou novos informes de rendimentos (fls. 1612/1642) relativos aos códigos de retenção 6190 e 6147 (órgãos públicos), acolho o pedido da contribuinte para que sejam devidamente apreciados e confirmados os valores apresentados, inclusive através dos sistemas SRF SIEF DIRF SINAL e/ou através de ofício ao ente estatal, para fins de reconhecimento do direito creditório complementar, cujo valor indicado pela Recorrente é de R$ 348.719,31. I. 2. Dos valores não confirmados pela DRJ em razão de mero erro no preenchimento da DCOMP 15. Conforme acima esclarecido, meros erros de fato no preenchimento da DCOMP não podem preterir o direito creditório do contribuinte. 16. De acordo com a jurisprudência desse E. Conselho, é fundamental que o contribuinte comprove (i) a efetiva ocorrência da retenção e (ii) que tais rendimentos foram oferecidos à tributação. Essa, inclusive, parece a melhor interpretação da Súmula do CARF nº 80, segundo a qual: "Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto." 17. No acórdão da DRJ (fls. 1508/1528) e mais precisamente às fls. 1513, restou consignado que a Recorrente atendeu ao primeiro requisito. 18. Quanto ao segundo, mesmo confirmando que a Recorrente sofreu as retenções de CSLL relativas aos códigos 6190 e 6147 (órgãos públicos) na monta total de 212.409,87, no r. acórdão da DRJ foi reconhecido apenas R$ 22.982,67 porque a contribuinte ora não declarou alguns valores retidos ora declarou valores inferiores ao localizado pelas autoridades fiscais. A autoridade julgadora entendeu que não caberia a ela majorar de ofício o PER/DCOMP (fls. 1513/1526). 19. Contudo, estamos tratando de saldo creditório decorrente de retenções efetuadas por órgãos públicos reconhecido pelas próprias autoridades fiscais, porém não considerados para fins de composição do Saldo Negativo de CSLL, anocalendário 2004, de R$ 88.219,69 (somatório constante das incidência controvertidas apontadas no Recurso Voluntário de fls. 1585/1606): CSLL Retida Reconhecido pelas Autoridades Fiscais CSLL informada em DCOMP CSLL já reconhecida Valor a Reconhecer Diferença reconhecida pelas autoridades e não considerada R$ 212.409,87 R$ 135.088,57 R$101.210,51 R$ 22.982,67 R$ 88.216,69 20. Temos que, a desconsideração dos documentos apresentados pela Recorrente e dos valores confirmados pela própria autoridade fiscal, a par de não ser amparo legal, viola os princípios da isonomia processual, boafé, cooperação e contraditório efetivo hábeis a assegurar a busca da verdade material e da eficiência processual, conforme prevê os artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999, especialmente quando estamos tratando dos códigos de retenção 6190 e 6147 que envolvem serviços prestados pela Recorrente aos próprios órgãos públicos. Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 10 9 21. Portanto, desde já devem ser reconhecidos os créditos já confirmados pela própria autoridade fiscal às fls. 1513/1526, segregados pela Recorrente às fls. 1596/1598, descontada a diferença do que já foi reconhecido quando do despacho decisório e do r. acórdão da DRJ. 22. Relativamente às demais incidências que geraram dúvidas (diferenças), caberia às autoridades fiscais adotar os procedimentos constantes do item 14 para fins de confirmar o direito creditório do contribuinte. 23. Sob aspecto, desde já acolho o argumento da Recorrente no sentido de que devem ser considerados os informes de rendimentos de fls. 619 (valor retido de R$ 42.020,40) e 621 (valor retido de R$ 956,32) que foram reportados pelas autoridades fiscais como zerados, sem razão ou justificativa. II. Das retenções comprovadas mediante outros meios 24. Conforme já salientado, a efetiva ocorrência da retenção pode ser comprovada tanto através do Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte como a partir das consultas aos sistemas SRF SIEF DIRF SINAL, para a matriz e filiais, conforme códigos de receita 6147, 6190 (retenções efetuadas por órgãos públicos), 5987 (retenção de CSLL sobre pagamentos efetuados por pessoas jurídicas de direito privado) e por meio dos registros contábeis, fiscais e documentação que lhe sirva de suporte. 25. A Recorrente, relativamente à retenções efetuadas por órgãos públicos e outras pessoas jurídicas de direito privado, apresentou às fls. 787 a 1341 o Relatório do Sistema de Contas a Receber, retirados dos seus sistemas contábeis. 26. De fato, as autoridades fiscais, em caso de dúvidas acerca da idoneidade de documentação apresentada pela Recorrente, devem intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos, realizar diligência fiscal em seu estabelecimento e/ou buscar a confirmação das informações (retenções indicadas na DCOMP e documentação complementar/suporte apresentada) através de consultas aos sistemas internos SRF SIEF DIRF SINAL para fins de resguardar o direito creditório do contribuinte e, em última análise, a busca da verdade material. 27. Nesse sentido, embora não acolha o pedido de perícia requerido pela Recorrente, cujos quesitos foram formulados à luz da documentação de fls. 787 a 1341, considero fundamental converter o julgamento em diligência para que a prova apresentada seja apreciada e sejam tomadas as providências que serão abaixo relacionadas. 28. Ressaltese que, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/99, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício e os atos de instrução que exijam a atuação do interessado devem realizarse de modo menos oneroso para estes. 29. No mais, também em homenagem aos princípios acima citados, saliento que é dever da Recorrente apresentar com clareza, coerência e assertividade a composição dos valores e respectivos comprovantes que detém relativos às retenções por sofridas, de forma organizada e alinhada ao declarado em DCOMP ou apta a justificar eventuais erros de fato. Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 16682.901297/201011 Resolução nº 1201000.388 S1C2T1 Fl. 11 10 30. A documentação probatória contábil e fiscal (além das declarações, as notas fiscais podem fazer às vezes, por exemplo), deve ser suficiente para suprir a ausência do informe de rendimentos e cabe ao contribuinte justificar a ausência do referido documento. 31. A falta de declarações, esclarecimentos e provas eficientes sobre a composição dos montantes retidos que estejam exclusivamente em posse do contribuinte, acabam por dificultar sobremaneira a atividade da autoridade fiscal e dos julgadores, critérios estes serão observados quando do retorno dos autos para julgamento definitivo. 32. Diante do exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora: (i) Aprecie e confirme os valores das retenções apresentados às fls. 1612/1642, inclusive através dos sistemas SRF SIEF DIRF SINAL e/ou através de ofício ao ente estatal, para fins de reconhecimento do direito creditório complementar, cujo valor indicado pela Recorrente é de R$ 348.719,31. (ii) Informe o montante dos créditos comprovados e reconhecidos pela r. decisão da DRJ para fins de analisar se houve utilização da diferença recolhida a maior em outro PER/DCOMP apresentado pela contribuinte. (iii) Reconheça os créditos já confirmados pela própria autoridade fiscal às fls. 1513/1526, segregados pela Recorrente às fls. 1596/1598, ainda que por erro de fato da contribuinte não constem da DCOMP ou constem a menor, descontada a diferença do que já foi reconhecido quando do despacho decisório e do r. acórdão da DRJ. (iv) Considere e compute no montante do crédito os informes de rendimentos de fls. 619 (valor retido de R$ 42.020,40) e 621 (valor retido de R$ 956,32) que foram reportados pelas autoridades fiscais como zerados, sem razão ou justificativa. (v) Aprecie o Relatório do Sistema de Contas a Receber de fls. 787 a 1341, retirados dos sistemas contábeis da Contribuinte e, em caso de dúvidas: intime o contribuinte a prestar esclarecimentos assertivos, realize diligência fiscal em seu estabelecimento e/ou busque a confirmação das informações (retenções indicadas na DCOMP e documentação complementar/suporte apresentada) através de consultas aos sistemas internos SRF SIEF DIRF SINAL e/ou ofício aos órgãos envolvidos, para resguardar o direito creditório do contribuinte e, em última análise, a busca da verdade material. 33. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 1659DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920672/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.196
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.920672/2009-47
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5836151
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-001.196
nome_arquivo_s : Decisao_10980920672200947.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10980920672200947_5836151.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7141657
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009983778816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1854; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 333 1 332 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.920672/200947 Recurso nº Resolução nº 3402001.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2018 Assunto Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente MADEIREIRA BIANCHINI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Porto Alegre, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos IPI. O contribuinte apresentou PER/DCOMP informando como origem do direito creditório valores referentes a ressarcimento de crédito presumido de IPI. O Despacho Decisório Eletrônico da unidade local da Receita Federal reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado, contudo, o mesmo foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados, resultando na não homologação parcial da compensação apresentada. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual informa que o valor do crédito foi considerado insuficiente para a quitação dos débitos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 20 67 2/ 20 09 -4 7 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10980.920672/200947 Resolução nº 3402001.196 S3C4T2 Fl. 334 2 informados em razão de haver sido exigido, além dos juros de mora por ele calculados, também a multa moratória, que no seu entendimento seria indevida, já que encontrase ao amparo de denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Discorre sobre o caráter punitivo da multa, aponta desrespeito aos princípios da legalidade, tipicidade, razoabilidade e proporcionalidade e defende ainda o direito a atualização monetária do crédito. Sobreveio então o Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte. Na questão de fundo, entendeu o colegiado de primeiro grau estar correta a incidência de juros e multa de mora sobre os débitos compensados, desde o seu vencimento até a data da entrega da Declaração de Compensação. Entendeu ainda que a denúncia espontânea não ilide o pagamento da multa moratória. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bazerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.188, de 29 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10980.911025/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.188: "O recurso é tempestivo, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como bem pontuado pelo Acórdão recorrido, o valor solicitado pela Recorrente por meio das PER/DOMPs foi integralmente reconhecido, não havendo o que reformar no Despacho Decisório no tocante ao crédito, inclusive quanto à atualização deste pela Taxa Selic. A principal discordância da Contribuinte diz respeito ao critério utilizado pelo Sistema de Controle de Créditos da RFB – SCC para a efetivação das compensações, o qual resultou em insuficiência do crédito para quitar integralmente os débitos declarados. Isto porque nas compensações de débitos na data de transmissão do PER/DCOMP o contribuinte apropriou apenas o principal e juros moratórios enquanto o SCC fez a imputação proporcional também de multa moratória. Assim, percebese que o ponto fulcral da lide é a capacidade da compensação tributária formalizada pela Recorrente implicar nos Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10980.920672/200947 Resolução nº 3402001.196 S3C4T2 Fl. 335 3 efeitos da denúncia espontânea, já que tal instituto lhe exime do recolhimento de multa, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. De um lado, o acórdão recorrido afirma que: A título de esclarecimento, acrescentase que os débitos já vencidos que motivaram a presente controvérsia foram informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF – apresentada antes da transmissão do PERDCOMP em que foi declarada a compensação, estando correta a imputação feita pelo sistema de controle de créditos, sendo legítima a cobrança do saldo devedor remanescente especificado no DDE. A seu turno, a Recorrente em diversas passagens de sua peça dirigida ao CARF afirma que não havia declarado tais débitos em DCTF, vejase um exemplo: De fato a Recorrente ao efetuar a compensação do tributo a que estava em atraso ainda não o havia declarado incidindo, portanto, os exatos termos requeridos pela legislação de regência e interpretação jurisprudencial para a ocorrência da denúncia espontânea. Compulsando os autos, constato que não se encontra juntada a DCTF. Assim, havendo dúvidas sobre o direito da Recorrente e resguardando o futuro julgamento do Colegiado sobre o mérito, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. É a resolução." Importante frisar que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10980.920672/200947 Resolução nº 3402001.196 S3C4T2 Fl. 336 4 ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.905354/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/10/2010
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE.
A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras.
PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.942
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2010 a 31/10/2010 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10283.905354/2012-19
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5833438
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-004.942
nome_arquivo_s : Decisao_10283905354201219.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10283905354201219_5833438.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7133120
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009985875968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1662; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.905354/201219 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302004.942 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria PIS/COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente MASA DA AMAZÔNIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2010 a 31/10/2010 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 54 /2 01 2- 19 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10283.905354/201219 Acórdão n.º 3302004.942 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Despacho Decisório pela unidade de origem que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega em síntese que: • Sua manifestação de inconformidade era tempestiva e afirmou que recebeu a Intimação da Exigência em 23/01/2013 e apresentou a manifestação em 22/02/2013. • Ressalta, que “ainda que o recurso seja intempestivo, o que se admite apenas para fins de argumentação, a autoridade local encarregada da administração do tributo (Delegacia da Receita Federal em Manaus) não é competente para julgar a tempestividade do recurso, devendo este seguir para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, órgão competente para julgar tal fato, conforme previsão do art. 35 do Decreto nº 70.235/72.” • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10283.905354/201219 Acórdão n.º 3302004.942 S3C3T2 Fl. 4 3 • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo de energia elétrica prevista no inciso III, conforme DACONs retificadoras para pagamento das contribuições vencidas no período; • “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. 17ª TURMA ACÓRDÃO N° 1246124 de 10 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Em face das evidências de erro na apuração e recolhimento do tributo, e não se verificando outros impedimentos ao reconhecimento do direito creditório alegado, cumpre admitir a compensação promovida até o limite do crédito informado na DCOMP. 3ª TURMA ACÓRDÃO N° 1638673 de 11 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DESPACHO DECISÓRIO. ERRO. SALDO UTILIZÁVEL. Verificado erro no despacho decisório, o qual afirmara equivocadamente ter sido o valor pago indevidamente totalmente utilizado em momento anterior, restabelecese o direito ao crédito contra o Fisco a ser utilizado nas compensações constantes da DCOMP. Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 • “é fato que a Declaração entregue à Receita Federal do Brasil pela Manifestante não nega seu direito à compensação e, mais, comprova a legitimidade de seu comportamento idôneo.” • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo e homologar integralmente a PER/DCOMP constante nos autos. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08 033.521. O fundamento adotado foi o de que a manifestação de inconformidade havia sido apresentada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal, considerandose, portanto, intempestiva. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10283.905354/201219 Acórdão n.º 3302004.942 S3C3T2 Fl. 5 4 Cientificada, a requerente protocolou o recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, em sede de preliminar, a recorrente alegou que a decisão do órgão julgador de primeiro grau de não analisar o mérito em razão da apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade não merecia prosperar, pelas seguintes razões: a) a manifestação da inconformidade fora apresentada com apenas 1 (um) dia de atraso, porque não fora possível protocolar no dia 21/1/2015, mas somente no dia seguinte, por “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.”; e b) não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.”; e c) a autoridade julgadora desconsiderou os princípios basilares do processo administrativo, a saber, os Princípios da Verdade Material, da Moralidade e do Informalismo Moderado É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.936, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10283.905335/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.936): "O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese à preliminar de intempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade, que foi apreciada no julgamento de primeiro grau, por força do que dispõe o art. 56, § 2º, do Decreto 7.574/2011, a seguir transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no70.235, de 1972, arts. 14e15). [...] Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10283.905354/201219 Acórdão n.º 3302004.942 S3C3T2 Fl. 6 5 §2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. [...] (grifos não originais) Não há controvérsia nos autos quanto ao descumprimento do prazo de apresentação da manifestação de inconformidade. Nas próprias peças defensivas colacionadas aos autos, a recorrente, expressamente, reconhecera que a peça instauradora do litígio fora apresentada no dia seguinte ao vencimento do prazo de 30 (trinta) dias, fixado no art. 15 do Decreto 70.235/1972. Diante dessa constatação, não remanesce qualquer dúvida que, como não foi instaurado o litígio em relação ao mérito, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/1972, induvidosamente, este Colegiado não poderá se manifestar sobre as questões meritórias alegadas pela recorrente no recurso em apreço. Portanto, a presente análise limitarseá à preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pela recorrente. E em relação a essa questão, no recurso em apreço, a recorrente alegou que a manifestação da inconformidade não fora apresentada dentro prazo legal, porque “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.” Acontece que a recorrente não trouxe à colação dos autos nenhum elemento probatório que confirmasse o alegado. Assim, em razão dessa omissão, por razão óbvia, não há ser acatada tal alegação. A recorrente alegou que não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.” No âmbito do processo administrativo fiscal, por disposição expressa do caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, é expressamente vedado ao julgador afastar aplicação ou deixar de observar preceito legal dotado de plena vigência e eficácia, inclusive, em situações que, em tese, possa configurar conflito com os princípios constitucionais explícitos ou implícitos. Assim, ainda que se possa vislumbrar, no caso em tela, algum conflito com os princípios da razoabilidade, ampla defesa e do contraditório, há de prevalecer o disposto no art. 14, combinado com o disposto no art. 15, ambos do Decreto 70.235/1972. Portanto, não há como acatar a presente alegação suscitada pela recorrente. Com base no mesmo fundamento, também não merece acolhimento a alegação da recorrente de que a autoridade julgadora desconsiderou princípios basilares do processo administrativo, tais como os princípios da verdade material, da moralidade e do informalismo moderado. Aliás, no caso, não houve desconsideração dos referidos princípios no julgamento de primeiro grau, haja vista que as autoridades julgadoras Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10283.905354/201219 Acórdão n.º 3302004.942 S3C3T2 Fl. 7 6 não apreciaram as questões meritórias, por estrito cumprimento do disposto nos referidos preceitos legais. Com base nessas considerações, resta demonstrado que a decisão de primeiro foi proferida com estrita observância das normas legais que regem o processo administrativo fiscal, portanto, não há qualquer reparo a ser feito. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra a decisão recorrida. Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo restou configurada a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não trazendo a recorrente à colação dos autos nenhum elemento probatório que infirmasse a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.000811/2005-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 DCOMP. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. É nula a decisão de 1 a. instância que deixa de apreciar matérias impugnadas pelo contribuinte, ainda que não se trata de questões específicas do direito creditório pleiteado ou da compensação, especialmente alegações de decadência ou prescrição. Preliminar Acolhida. Decisão de 1 a. Instância Anulada.
Numero da decisão: 1402-000.747
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, para determinar que outra seja proferida, com o enfrentamento das alegações da defesa, inclusive as trazidas no recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 DCOMP. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. É nula a decisão de 1 a. instância que deixa de apreciar matérias impugnadas pelo contribuinte, ainda que não se trata de questões específicas do direito creditório pleiteado ou da compensação, especialmente alegações de decadência ou prescrição. Preliminar Acolhida. Decisão de 1 a. Instância Anulada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13161.000811/2005-22
conteudo_id_s : 5845948
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.747
nome_arquivo_s : Decisao_13161000811200522.pdf
nome_relator_s : Moisés Giacomelli Nunes da Silva
nome_arquivo_pdf_s : 13161000811200522_5845948.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, para determinar que outra seja proferida, com o enfrentamento das alegações da defesa, inclusive as trazidas no recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
id : 7174332
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009989021696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13161.000811/200522 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.747 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria DCOMP ELETRONICO SALDO NEGATIVO DO IRPJ Recorrente COMERCIAL DE PETROLEO ZENATTI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. É nula a decisão de 1a. instância que deixa de apreciar matérias impugnadas pelo contribuinte, ainda que não se trata de questões específicas do direito creditório pleiteado ou da compensação, especialmente alegações de decadência ou prescrição. Preliminar Acolhida. Decisão de 1a. Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, para determinar que outra seja proferida, com o enfrentamento das alegações da defesa, inclusive as trazidas no recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório COMERCIAL DE PETROLEO ZENATTI, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Comercial de Petróleo Zenatti Ltda., acima qualificada, apresentou PER/DCOMP consignando crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, no valor de R$ 1.200.000,00, para compensação com débitos relativos ao IRPJ e CSLL, apuração trimestral, do primeiro trimestre de 2003, nos respectivos valores de R$ 185.101,87 e R$ 78.944,49 (incluídos os juros e a multa moratória). A compensação não foi homologada, conforme Parecer SARAC/DRF/DOU nº 302/2008 e respectivo despacho decisório (f. 26 a 30). O fundamento foi que não havia crédito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2001. A ciência quanto ao referido despacho decisório ocorreu em 8 de setembro de 2008 (AR à f. 36). Em 30 de setembro de 2008 foi protocolada a manifestação de inconformidade (f. 37 a 57), firmada pelo sócio gerente (cópia dos documentos pessoais do signatário e do contrato social da sociedade e respectivas alterações às f. 58 a 84). Nela, após breve relato dos fatos, é aduzido, em apertada síntese, que: a) uma vez tendo sido indeferida (sic) a compensação, não houve a produção de nenhum efeito tributário, não se podendo falar em confissão irretratável quanto aos débitos; b) os débitos, cujos fatos geradores ocorreram em 1º de janeiro de 2003, encontramse decaídos, conforme disposição do art. 150, § 4º, do CTN. Ao final, é requerida a declaração de decadência e a nulidade da cobrança. A decisão recorrida está assim ementada: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃOCONHECIMENTO. Manifestação de inconformidade cujas razões não abrangem assuntos cuja competência pertence às DRJs não pode ser conhecida. Impugnação não conhecida. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as decisões recorridas, nos seguintes termos:. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 3 (...) a recorrente, tempestivamente, impugnou a exigência em epígrafe onde, através do Recurso de Manifestação de Inconformidade, argüindo a extinção do débito tributário compensado, mediante a superveniência da DECADÊNCIA na forma dos arts. 150, parágrafo 4°. c/c art. 156,V ambos do CTN, ao escopo de que: 3.1 Em se tratando de tributos cujo lançamento é por homologação, encontramse suscetíveis ao prazo decadencial desde a ocorrência dos fatos geradores, (01.01.2003), máxime porque ao não serem extintos, sob forma de compensação, o procedimento engendrado pela recorrente, não produziu quaisquer efeitos jurídicos tributários, necessitando serem, obrigatoriamente, constituídos riela recorrida para tornaremse oponíveis e exigíveis, sob pena de extinção por decurso de prazo ou caducidade. .3.2 Tendo os fatos geradores, em apreço, ocorridos em 01.01.2003, o direito potestativo do Sujeito Ativo, (recorrida) , de exigilos exauriu se em 31.12.2007, sendo que a notificação para pagamento em 08.09.2008 é extemporânea, pela qual perdeu eficácia e exigibilidade; Logo, extintos por excelência, (art. 150, parágrafo 4°. c/c art. 156, V do CTN). (...) 4. Sob análise, a Delegacia de Julgamento, (de 1 a• Instância), relatou que, embora o Recurso de Inconformidade apresentado seja regular e tempestivo, encontrandose atendido todos os requisitos legais para tanto, está impedida para apreciar e enfrentar as questões argüidas pela recorrente, de modo que a extinção do crédito tributário, por decadência, tratase de ” questão periférica" além da sua competência funcional estabelecida no art. 174, I, II e II do Regimento Interno. 5 Com efeito, agarrada nessa insígnia deixou de conhecer a manifestação de inconformidade, incontroversamente, regular e tempestiva proposta pela recorrente, restando assim Ementada: (...) 6. A r. decisão acima, é no mínimo surreal, sobretudo porque a A. julgadora " a quo" omitiu de forma mendaz as disposições do art. 174, parágrafo 20. do Ri o qual estabelece a competência exclusiva das Delegacias de Julgamento para apreciar e julgar os indeferimentos e nãohomologações dos pedidos de compensações ou ressarcimentos dos contribuintes, sujeitos passivos, (recorrente). 7. Portanto, deve ser irremediavelmente reformada, decretando sua nulidade plena, para que outra seja prolatada, esbatendo e enfrentando as questões suscitadas pela recorrente, senão vejamos: RAZÕES DE RECURSO. PRELIMINARMENTE NULIDADE DA R. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA — DRJ —OFENSA DOS PRINCIPIOS DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA E AMPLA DEFESA, . 8 A recorrente possuindo créditos tributários, referentes ao IRPJ, referente ao ano calendário de 2001, utilizando as prerrogativas legais do art. 74 da Lei 9.430/96 e INSRF 600/2005 procedeu a confluenciação entre débitos tributários, cujos fatos geradores ocorrem em • 01.01.2003, objetivando, como isso, a sua extinção mediante compensação, na forma do art. 156, II do CTN. 9 Ressalta aos olhos que ambos, créditos e débitos, se tratam se tributos Federais, administrados pela Secretaria da Receita Federal, plausíveis de exauriremse entre si. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 4 10 Logo se vê que, de um lado a compensação é uma fattispecie da extinção do crédito tributário, como de outro, a decadência também é, encontrandose retratada no inciso V do mesmo versículo do art. 156. (..) 13 A malgrado a decisão ora recorrida, a competência da DRJ para julgar a manifestação de inconformidade proposta pela recorrente está plenamente evidenciada no art. 174 do Regimento Interno da Receita Federal, o qual foi utilizado de maneira míope e proteiforme na sanha malévola de, cerceando o direito Constitucional à ampla defesa e devido processo legal, cobrar tributo natimorto pelo instituto da decadência, cobrindo, com efeito, a sua desídia e incúria no exercício funcional de têlo constituído dentro do prazo qüinqüenal. 14 Ora, não tendo homologada a compensação pela Receita Federal de Dourados, desencadeouse, adrede, a cobrança dos respectivos débitos tributários, sendo que a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente teve por objetivo argüir a sua impossibilidade potestativa obrigacional, haja vista que os mesmos encontram se sucumbidos pelo instituto da decadência; 15 Factível que, a competência funcional da DRJ repontase inerente às questões argüidas pela recorrente, a teor do art. 174, I e parágrafo 2°. do Regimento Interno, caindo por terra os pífios argumentos trazidos pela recorrida, no intuito de esquivar se, às canhas, o enfrentamento da manifestação de inConformidade proposta, utilizando como pano de frente • argumentos inverídicos e carentes de boafé, exigidos do administrador publico, (art. 37 da CF188). 16 Vale dizer por fim que, as disposições do art. 174, I e parágrafo 2°. do Regimento Interno, (Portaria MF 95/2007), estão em perfeita sintonia e racionalidade com o art. 74 da Lei 9.430/96, parágrafos 9°., 10 e 11, os quais facultam ao sujeito passivo, (recorrente), propor impugnações e recursos contra o não reconhecimento da oposição à • exigibilidade do crédito tributário, especialmente, quando se tratar de causas extintivas de direito, como a prescrição e decadência, contidas, inclusive, no próprio RIR/99, art. 899. 17 Negar o enfrentamento da extinção do crédito tributário sob o prima da decadência, além de aviltar o princípio Constitucional da ampla defesa e contraditório, transformou a decisão administrativa proferida pela Delegacia da Receita Federal de Dourados, em una e irrecorrivel o que é extremamente vedado no ordenamento jurídico, espezinhando, "mutatis mutandi", o direito pétreo ao duplo grau de jurisdição; (...) 19 Ante aos fatos e fundamentos retro expendidos, PEDE a recorrente, seja o presente Recurso Ordinário conhecido e dadolhe integral provimento para, reconhecendo a competência jurisdicional da Delegacia de julgamento de Campo Grande, consoante as disposições dos arts. 174 do R.I c/c art. 74 da Lei 9.430/96, decretar a nulidade da decisão proferida na respectiva manifestação de inconformidade, determinando a • remessa do processo à aquela DRJ, para que outra seja proferida, submetendo a novo julgamento, enfrentando e esbatendo todas as questões 11 opostas, especialmente, a decadência, a quais tem o condão de extinguir o crédito tributário, na forma dos arts. 150, parágrafo 4°. c/c art. 156, V ambos do CTN e, art. 899 do RIR199. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 5 DECADÊNCIA — EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO —MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA — ARGUIÇÃO Como anunciado, a decadência qüinqüenal imprimida nos débitos compensados, tratase de matéria de ordem pública capaz de extinguir o crédito tributário, por isso, nada impede que seja argüida e reconhecida em qualquer grau de jurisdição, inclusive, de ofício pelo julgador. 21 Porquanto, embora a decadência não tenha sido enfrentada pela r. decisão recorrida, nada impede que seja preliminarmente aferida em sede recursal, pela qual a recorrente repristina os argumentos expendidos em primeiro grau, os quais conduzem, ao reconhecimento da extinção do crédito tributário exigido, de modo que não foi tempestivamente constituído. (...) 34 De todo exposto, PEDE a recorrente seja o presente RECURSO ORDINÁRIO, conhecido e dadolhe integral provimento no sentido de: (1) Acolher a preliminar suscitada, reconhecendo a competência jurisdicional da Delegacia de julgamento de Campo Grande, consoante as disposições dos arts. 174 do R.I c/c art. 74 da Lei 9.430/96, DECRETANDO A NULIDADE DA DECISÃO proferida na respectiva manifestação de inconformidade, determinando a remessa do processo à aquela DRJ, para que profira nova decisão e julgamento, enfrentando e esbatendo todas as questões opostas, especialmente, a decadência, a quais tem o condão de extinguir o crédito tributário, (arts. 150, • parágrafo 40• cic art. 156, V ambos do CTN e, art. 899 do RIR199); (ii) PEDE, cumulativamente, por subsidiariedade, considerando a matéria de ordem Pública argüida, seja reconhecida a decadência sobre os débitos tributários em apreço, na forma do art. 150, parágrafo 4°. c/c art. 899 do RIR/99, uma vez que entre a data dos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2003 até a notificação de cobrança, (08.09.2008), decorreu mais de 05 (cinco) anos, extinguindoos a teor do art. 156, V do CTN. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Conforme relatado, a decisão de 1a. instância não conheceu da impugnação sendo que no recurso voluntário o contribuinte propugna a nulidade dessa decisão. Pois bem Nos fundamentos do voto condutor da aludida decisão extraise os seguintes excertos: (...) a competência das DRJs é limitada. Neste processo, o que está em discussão são as compensações declaradas por meio das DCOMPs referidas no primeiro parágrafo do relatório. E, ainda, quando a portaria se refere a manifestação de inconformidade contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição e compensação, restringe o julgamento ao fato de haver ou não o crédito pleiteado e se esse crédito é passível de compensação, conforme indicação efetuada pelo contribuinte na DCOMP. Ou seja, o litígio pode versar somente sobre a decisão anterior do delegado ou inspetor, no que tange à homologação da compensação declarada. Questões periféricas como a suspensão da exigibilidade dos débitos declarados na DCOMP, a exigência dos débitos em face de a declaração consistir em confissão de dívida, a incidência da multa moratória sobre esses débitos ou a prescrição intercorrente, não estão entre aquelas sobre as quais a DRJ pode se manifestar, por faltarlhe competência. Esse o motivo para que não sejam conhecidas as razões e argumentos relativamente aos débitos considerados como confessados de forma irretratável e, por conseguinte, à decadência deles. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de não conhecer da manifestação de inconformidade, por incompetência. Do confronto das razões de decidir do acórdão recorrido com as alegações de defesa do contribuinte em 1a. instância (fl. 39 e seguintes), verificase de plano que a decisão deixou de enfrentar a principal alegação da recorrente, qual seja, a decadência do tributo devido (debito) na data da ciência do despacho que não homologou a DCOMP (8/9/2008), vide tópico “Pedido” à fl. 57. O contribuinte reitera essa alegação no recurso, todavia, entendo que, em principio, inocorreu a decadência, pelo que não é possível a aplicação do disposto no art. 59, §3o. do PAF. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 140200.747 S1C4T2 Fl. 0 7 ISSO POSTO, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, para determinar que outra seja proferida, com o enfrentamento das alegações da defesa, inclusive as trazidas no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
score : 1.0
