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Numero do processo: 10880.679822/2009-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 29/06/2006
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.115
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/06/2006 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 22 /2 00 9- 50 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.679822/200950 Acórdão n.º 3401004.115 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de despacho decisório eletrônico, emitido pela Delegacia de Administração Tributária que não homologou as compensações declaradas em virtude de não ter havido apuração de pagamento indevido, uma vez que o pagamento foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. 2. Intimada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese: (i) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP; (ii) alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros 147 Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte; (iii) reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; (iv) alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; (v) discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese; (vi) alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado; (vii) discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" (sic); (viii) alega que qualquer agente fiscal que "(...) analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa" em apreço; (ix) ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; (x) a necessidade da observância aos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e doutrina; (xi) exigüidade do prazo para apresentar 148 defesas em apenas trinta dias e informa que "(...) já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito"; (xii) a necessidade de suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP; (xiii) a nulidade do despacho decisório; e (xiv) a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.679822/200950 Acórdão n.º 3401004.115 S3C4T1 Fl. 4 3 3. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) proferiu o Acórdão DRJ nº 16027.660, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: COFINS Data do fato gerador: 29/06/2006 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÔS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL — NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Creditório Não Reconhecido 4. A contribuinte, intimada, interpôs, recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.679822/200950 Acórdão n.º 3401004.115 S3C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.105, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.679797/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.105): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: "A manifestação de inconformidade apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dela tomase conhecimento. Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. Realmente, o caso presente se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 01, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito , em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez. Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.679822/200950 Acórdão n.º 3401004.115 S3C4T1 Fl. 6 5 Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER?DCOMP , observase que a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCOMP retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. A retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e de compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório. Ora, como a própria manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência que agora a contribuinte entende ter havido erro no preenchimento das DCTF. Cabe lembra à douta reclamante que a conduta Fisco Federal é pautada em documentos formais e oficiais e, se a contribuinte resta inerte e não promove a tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Não e demais ressaltar que a RFB não está à disposição de particulares para satisfazer interesses privados e a comprovação que qualquer direito creditório alegado, é tarefa exclusiva dos contribuintes, não sendo tarefa do Fisco promover alterações em declarações fiscais para reconhecer suposto direito creditório que a contribuinte julga possuir. Aliás a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equívoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Ao final da manifestação de inconformidade, a requerente protesta pela produção de todos os meios de prova, apresentação Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.679822/200950 Acórdão n.º 3401004.115 S3C4T1 Fl. 7 6 de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. O processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/1972 que em seu art. 16, I1I assim dispõe, in verbis: Conforme expressamente previsto no Decreto n° 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4% somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Como se vê do dispositivo transcrito, a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Cabe ressaltar que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade , nenhuma documentação foi apresentada nela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora , não embasada por qualquer documentação comprobatória. Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: (...). (...) No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega , preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, considerandose que essa DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório, que apreciou as compensações declaradas. Em face do exposto, e para concluir, VOTO por considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo qualquer direito creditório e não homologando a PER/DCOMP" (seleção e grifos nossos). 7. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.679822/200950 Acórdão n.º 3401004.115 S3C4T1 Fl. 8 7 disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 8. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 9. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 10. Tal, no entanto, não ocorreu, tendo a contribuinte realizado defesa genérica com fundamento de que teria tido de se defender de um grande número de despachos decisórios em um exíguo espaço de tempo. Contudo, reservouse a ora recorrente a repetir os mesmos argumentos em suas razões de recurso voluntário, demorandose longamente em questões doutrinais ou de constitucionalidade, o que inviabiliza, de todo, até mesmo a proposta de eventual conversão do feito em diligência para que se verifique a procedência de suas alegações, uma vez que não há de se realizar questionamento genérico em tal momento processual. 11. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.679822/200950 Acórdão n.º 3401004.115 S3C4T1 Fl. 9 8 12. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 13. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13910.720563/2014-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2012
DCTF. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
Numero da decisão: 1001-000.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2012 DCTF. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente J. L. DE CARVALHO PINTO TRANSPORTES ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2012 DCTF. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 91 0. 72 05 63 /2 01 4- 19 Fl. 32DF CARF MF Processo nº 13910.720563/201419 Acórdão n.º 1001000.005 S1C0T1 Fl. 57 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), mediante o Acórdão nº 1458.002, de 23/04/2015 (efls. 14/16), objetivando a reforma do referido julgado. O crédito tributário lançado se refere à exigência de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao período de julho/2012, conforme Notificação de Lançamento (efl. 11). A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2012 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração/demonstrativo fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Ciente da decisão de primeira instância em 26/05/2015, conforme Aviso de Recebimento à efl. 21, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/06/2015, conforme carimbo de recepção à efl. 23. No recurso interposto (efls. 23/29), a recorrente reitera o argumento trazido em sede de impugnação, ou seja, que descabe a multa punitiva por ter agido de forma espontânea, estabelecido no art. 138 do CTN, pois a DCTF foi entregue antes de qualquer procedimento fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. De igual modo, não há qualquer contestação quanto ao cálculo do valor da multa exigida. O argumento da recorrente foi fundamentadamente afastado em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Fl. 33DF CARF MF Processo nº 13910.720563/201419 Acórdão n.º 1001000.005 S1C0T1 Fl. 58 3 Esclareçase que o CTN, art. 113, dispõe que a obrigação tributária é principal ou acessória e que a obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Os §§ 2º e 3º do artigo retrocitado assim dispõem: § 2º – A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º – A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária. O nãocumprimento de uma obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária., e a multa pelo atraso na entrega está contida na legislação tributária como sanção pelo inadimplemento tributário, aplicada pela inobservância dos deveres acessórios. Não se pode admitir a alegação de ter havido a denúncia espontânea, pois a entrega se deu fora do prazo legal, sendo a multa fixada em lei e indenizatória da impontualidade, ou seja, constitui uma sanção punitiva da negligência. Dessa forma, com fulcro no retrocitado art. 113, tornase aplicável a penalidade pelo nãocumprimento da obrigação acessória de apresentação de DCTF, lançada de acordo com o dispositivo legal descrito no auto de infração/notificação de lançamento. Interpretandose sistematicamente os dispositivos do CTN, temse que o art. 138 não se desfez da multa por atraso no cumprimento de obrigação acessória. A respeito do assunto, os esclarecimentos formulados no Projeto Integrado de Aperfeiçoamento da Cobrança do Crédito Tributário, por Aldemario Araújo Castro, Procurador da Fazenda Nacional, demonstram a inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea ao descumprimento de obrigação acessória, com se depreende a seguir: O descumprimento de obrigação tributária acessória, não contemplado explicitamente no artigo 138 do CTN, gera um débito com a seguinte estrutura: Principal – Multa (penalidade pecuniária) e Multa – Inexistente. Assim, não há como afastar a parte punitiva do crédito, simplesmente porque ela não existe. Em suma, a denúncia espontânea não afeta o Principal do débito, e este, na obrigação principal decorrente do descumprimento de obrigação acessória é justamente a multa. Esclareçase que o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a respeito da matéria é o mesmo, já tendo sido, inclusive, objeto de Súmula, que transcrevo: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Assim, não assiste razão à impugnante quando afirma que a legislação citada no auto de infração estaria ferindo o CTN. Fl. 34DF CARF MF Processo nº 13910.720563/201419 Acórdão n.º 1001000.005 S1C0T1 Fl. 59 4 A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 49 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em benefícios da denúncia espontânea. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 35DF CARF MF
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Numero do processo: 10715.006157/2009-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira
Numero da decisão: 9303-005.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 61 57 /2 00 9- 92 Fl. 207DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67, e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3201001.719, proferido pela 2º Câmara/1º Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de que é aplicável o instituto da denúncia espontânea para excluir a citada multa administrativa, prescrita no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei nº 37/66, em razão do advento da Lei nº 12.350/2010. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "O presente processo trata da exigência do valor de R$ 125.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 12, referente à imposição da multa pela não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, regulamentada nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas, em 1994 e 2005, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, as autoridades lançadoras, ao verificar o cumprimento da obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 10 da IN/SRF 510/2005, constataram que a contribuinte acima identificada deixou de registrar no prazo regulamentar os dados de embarque referentes ao transporte internacional realizados no mês de janeiro de 2005 iniciado no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/ GIG, concernentes as cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "Auto de Infração n° 0717700/00284/09", parte integrante do respectivo auto de infração, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/1994, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias.vinculada diretamente ao recolhimento de tributo. No caso dos autos, a Primeira Câmara desta Seção afastou a que é prevista pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada no prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, preceituada no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei nº 37/66, em razão do advento da Lei nº 12.350/2010. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10715.006157/200992 Acórdão n.º 9303005.870 CSRFT3 Fl. 208 3 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A partir da Lei nº 12.350/2010, que alterou o art. 102 do DecretoLei nº 37/66, a multa aplicável pelo descumprimento do prazo fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, pode ser elidida, desde que a omissão seja sanada antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, requerendo que seja conhecido e provido o presente recurso especial, para reformar o r. acórdão recorrido no sentido de manter a aplicação da multa por descumprimento da obrigação acessória. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, a Fazenda Nacional colaciona como paradigmas o acórdãos nºs CSRF nº 03/05339 e 3802001.128. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 163/173. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões. fls.168/. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito especialmente quanto aplicação ou não do instituto da denúncia espontânea para excluir a multa administrativa, prescrita no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei nº 37/66, em razão do advento da Lei nº 12.350/2010. Quanto esta matéria, não tenho maiores reflexões, ou mudança de entendimento, continuo pensando do mesmo modo, ou seja, a condição necessária para aplicação do efeito excludente do instituto da denúncia espontânea da infração tributária formal ou aduaneira de natureza administrativa, o ato infracional deve ser passível de denunciação espontânea, sem esta condição, não se cogita o atendimento dos requisitos temporal e formal concernentes à comunicação espontânea do ato infracional, condição suficiente. Portanto, enquadrase como impossível de denunciação espontânea, a qual tem em sua tipificação o elemento ao descumprimento do prazo para prestação de informação ou de entrega de Fl. 209DF CARF MF 4 documentos. Neste caso, por impossibilidade material, tais infrações não são passíveis de comunicação espontânea idônea e, por via reflexa, não são contempladas com o efeito excludente da denuncia espontânea da infração1. Neste sentido, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303003.676, de 26 de abril de 2016, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, do Ilustre Presidente do CARF, Dr. Carlos Alberto Freitas Barreto, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicar se à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' . A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em 1 Entendimento adotado pelo Dr. José Fernandes do Nascimento, o qual corroboro da mesma tese. Referências: "A Denúncia Espontânea da Infração Aduaneira de Natureza Administrativa à Luz da Jurisprudência do CARF, pg. 547, in: "Questões Controvertidas do Direito Aduaneiro", Coordenador Demes Brito, São Paulo, 2014, Editora IOB. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10715.006157/200992 Acórdão n.º 9303005.870 CSRFT3 Fl. 209 5 falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' . Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo decretolei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na Fl. 211DF CARF MF 6 hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa auto avaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10715.006157/200992 Acórdão n.º 9303005.870 CSRFT3 Fl. 210 7 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está vinculado a um fazer ou não fazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do Decreto Lei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). Fl. 213DF CARF MF 8 No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em conseqüência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contra senso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10715.006157/200992 Acórdão n.º 9303005.870 CSRFT3 Fl. 211 9 intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias.Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09). Fl. 215DF CARF MF 10 No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma.[...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributário financeira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10715.006157/200992 Acórdão n.º 9303005.870 CSRFT3 Fl. 212 11 pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada". Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 217DF CARF MF 12 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Com a devida vênia ao entendimento esposado pelo ilustre Conselheiro Demes Brito, no que tange à aplicação da denúncia espontânea para o caso em questão, passo a discorrer sobre a minha posição. O cerne da lide se resume na aplicação ou não da denúncia espontânea com o intuito de se afastar a multa por falta de cumprimento de obrigação acessória, que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma. A priori, é de se destacar que, refletindo melhor sobre a aplicabilidade ou não da denúncia espontânea em matéria aduaneira, alterei meu entendimento. Eis que a denúncia espontânea em matéria aduaneira se encontra positivada no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, reproduzido no art. 683 § 2º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6759/2009). Para melhor elucidar, trago síntese cronológica do art. 102 do DecretoLei 37/66 – que trata da denúncia espontânea no âmbito aduaneiro. Antes do advento da MP 497/10, vêse que o § 2º do art. 102 era taxativo ao prescrever que a denúncia espontânea excluía apenas as penalidades de natureza tributária (Grifos meus): “Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10715.006157/200992 Acórdão n.º 9303005.870 CSRFT3 Fl. 213 13 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988)” Com o advento da MP 497/10, convertida na Lei 12.350/2010, a denúncia espontânea passou a afastar também as penalidades de natureza administrativa, além da tributária, in verbis (Grifos meus): “Art.102 – A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Com tal dispositivo, a denúncia espontânea passou a ser aplicada para as penalidades de natureza administrativa, salvo as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Ademais, quanto à intenção do legislador ao trazer a menção à penalidade administrativa quando da aplicação da denúncia espontânea, importante reproduzir a Exposição de Motivos daquela MP 497/10 (Grifos meus): “[...] 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. Fl. 219DF CARF MF 14 (…) 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.” Nesse ínterim, cumpre destacar ainda que para que a exclusão da responsabilidade ocorra devese observar se não houve início de procedimento fiscal, mediante ato de ofício, tendente a apurar a infração ou o cumprimento da obrigação acessória aduaneira. Sendo assim, considerando o caso vertente, em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali é de se aplicar o art. 102, §2º, do Decreto Lei 37/66 com a redação dada pela MP 497/10 (convertida na Lei 12.350/10 – que manteve a mesma redação) para os casos de entrega a destempo de obrigação acessória aduaneira. Ademais, cabe trazer que o Direito Aduaneiro é considerado autônomo, inclusive porque se originam de fontes peculiares – tais como, acordos e tratados internacionais, códigos e regulamentos aduaneiros, ainda que tenha dependência com outros ramos de direito. As relações jurídicas observam as peculiaridades de regimes próprios, ainda que envolva outros ramos científicos. Sendo assim, podese considerar que deve observar um regramento especial – tal como o que preceitua o art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66. Não há como ignorar a redação do art. 102, §2º do Decretolei nº 37/66, conferida pela Lei 12.350/2010, que exclui “expressamente” a penalidade da multa administrativa pelos efeitos da denúncia espontânea. Digo “expressamente”, pois, ao meu sentir, não há como “interpretála” ou “interpretála restritivamente”, vez trazer claramente que o instituto da denúncia espontânea afasta toda a penalidade pecuniária de natureza administrativa sem ao menos ressalvar hipóteses excludentes. Nos termos do art. 5º, inciso II, da CF/88, temos que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei – ou seja, somente a lei poderá criar, entre outros, vedações. O que, por conseguinte, entender que a norma em questão seria “expressa” reflete o respeito ao Princípio da Legalidade. Caso o legislador da Lei 12.350/2010, que alterou o art. 102, § 2º do Decreto Lei 37/66, incluindo no campo de alcance da aplicação do instituto da denúncia espontânea, tivesse a pretensão de se excluir as hipóteses de entrega de obrigações acessórias aduaneiras a destempo, deveria ter trazido tal vedação de forma expressa, promovendo ao sujeito passivo a Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10715.006157/200992 Acórdão n.º 9303005.870 CSRFT3 Fl. 214 15 segurança jurídica que tanto merece. Não obstante a isso, vêse que apenas incluiu o termo penalidade de natureza administrativa e ainda esclareceu na exposição de motivos que o instituto da denúncia espontânea alcança “toda” penalidade pecuniária. Ademais, ignorar o dispositivo de lei, sem ao menos, ter sido declarado inconstitucional, traria insegurança jurídica aos sujeitos passivos que observam o disposto na lei, além de ferir a regra trazida pelo art. 62, Anexo II, do RICARF/2015, in verbis (Grifos meus): “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...]” Quanto à aplicação do disposto no art. 102, § 2º do DecretoLei 37/66 aos períodos anteriores à sua vinda no ordenamento jurídico, proveitoso trazer que entendo ser plenamente aplicável o instituto da retroatividade benigna – tal como estabelece o art. 106 do Código Tributário Nacional: "Art. 106 . A lei aplica se a ato o u fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática ". Ora, com a aplicação do instituto da retroatividade benigna, no caso vertente, há de ser afastada a aplicação da multa pela entrega a destempo da obrigação acessória aduaneira. Fl. 221DF CARF MF 16 Ainda em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali, não mais aplico, por analogia, a Súmula CARF 49, eis que, ainda que tenha como fundamento original o art. 138 do CTN, trata especificamente da entrega a destempo de DCTF, e não da obrigação acessória aduaneira. Essa última possui regra especial tratada expressamente no art. 102, §2º do Decretolei nº 37/66, conferida pela Lei 12.350/2010. Ademais, quanto à Súmula CARF nº 49 que traz que "a denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração", entendo que deva ainda sua aplicabilidade ser afastada no presente caso (obrigação acessória aduaneira), pois as decisões reiteradas e uniformes que consubstanciaram a referida súmula se deu anteriormente à edição da MP 497/2010. O que, por conseguinte, não há que se falar em obrigatoriedade de os conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais observarem a referida súmula no presente caso, invocando equivocadamente o caput do art. 72, Anexo II, do RICARF/2015 (Portaria MF 343/2015). Em vista de todo o exposto, nego provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.003028/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 12/11/2003
RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS ADUANEIROS. TEMPLOS DE QUALQUER CULTO.
Tratando-se de pedido de restituição, o ônus da prova do direito creditório, é do contribuinte, que deverá comprovar a efetiva incorporação, ao seu patrimônio, dos bens essenciais à sua atividade.
Numero da decisão: 3201-003.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 12/11/2003 RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS ADUANEIROS. TEMPLOS DE QUALQUER CULTO. Tratando-se de pedido de restituição, o ônus da prova do direito creditório, é do contribuinte, que deverá comprovar a efetiva incorporação, ao seu patrimônio, dos bens essenciais à sua atividade.
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Imunidade. Recorrente ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA D'A IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS ÚLTIMOS DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 12/11/2003 RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS ADUANEIROS. TEMPLOS DE QUALQUER CULTO. Tratandose de pedido de restituição, o ônus da prova do direito creditório, é do contribuinte, que deverá comprovar a efetiva incorporação, ao seu patrimônio, dos bens essenciais à sua atividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 30 28 /2 00 7- 63 Fl. 436DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1732.378 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (fls. 151/162), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de pedido de restituição (fls. 133/34) de valores pagos a titulo de Imposto de Importação (LI.) relativa à Declaração de Importação n° â • 03/03335927, registrada em 08/04/04 (fls. 36/39) por entender a requerente que goza da imunidade tributária prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "b" da Constituição Federal de 1988, para o II, conforme reconhecido pela Secretaria da Receita (em determinadas circunstâncias) em resposta às Soluções de Consulta SRRF/8 3 RF/DISIT 'fs. 227 (fls.20/24) e 254 (fls. 25/29), de 02/08/2004 e 06/09/2004, respectivamente, levadas a efeito pela interessada. O pleito referese à restituição de R$ 26.135,15 (vinte e seis mil, cento e trinta e cinco reais e quinze centavos) de Imposto de Importação. Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Em 08/04/04 a interessada importou as seguintes mercadorias, pela Declaração de Importação n°03/03335927, selecionada pelo Siscomex para o canal verde conferência. Deixou de utilizarse do beneficio previsto na Constituição Federal de 1988, em seu art. 150, inciso VI, alínea "b", pelo qual é veda à União instituir impostos sobre templos de qualquer culto, sendo que tal vedação compreende somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Recolheu os tributos cobrados, cuja restituição ora pleiteia (Pedido de reconhecimento de direito decorrente de retificação de Dl às fls. 0133/34). Visando dirimir dúvidas . sobre sua situação em relação às importações, apresentou as duas já mencionadas Soluções de Consulta SRRF/8 a RF/DISIT ifs. 227 , de 02/08/2004 (fls.20/24), e 254 (fls. 25/29), de 06/09/2004. Pleiteou e obteve retificação da mencionada DI (fls. 63/64), após o que passou se à análise do pedido de restituição decorrente da mesma. A ALF/PORTO DE SANTOS SP expediu a Intimação n° 119/2008 (v. fls. 67/68), pela qual o interessado foi instado a apresentar documentos contábeis e fiscaiscomprobatórios de que as mercadorias amparadas pela DI n° 03/03335927 destinada a Fl. 437DF CARF MF Processo nº 11128.003028/200763 Acórdão n.º 3201003.189 S3C2T1 Fl. 437 3 1 integrar seu patrimônio e estão relacionadas à finalidade essencial da entidade. Em resposta (fls. 71/72), o interessado informou da dificuldade em ob er a documentação contábil exigida, haja vista que a importação ocorrera há mais de cinco nos, protestando pela realização de perícia nos locais onde as mercadorias estavam instaladas. Às fls. 78/80 foi proferido DESPACHO DECISÓRIO DE INDEFERIMENTO do pleito (restituição), com base, em síntese, nos seguintes argumentos: 1 que a interessada não apresentou documentação contábil compro atória da incorporação dos bens ao seu patrimônio, sendo que caberia a ela zelar pela guarda dos livros e documentos contábeis relativos ao direito creditório cujo reconhecimento ora pleiteia, pelo prazo de duração do respectivo processo administrativo. Ciente do teor do referido despacho, e inconformada com o mesmo, a interessada apresentou sua Manifestação de Inconformidade às fls. 83/94, cujos argumentos, em síntese, são os seguintes: 1 — Alega que o motivo do indeferimento (segundo o Auditor, não houve comprovação de que as mercadorias importadas foram realmente integradas ao patrimônio da interessada), não foi precedido por qualquer vistoria "in loco", além de proferido sem que a autoridade fiscal tivesse esgotado as possibilidades daquilo que queria ver provado. Entende que tal procedimento cerceou seu direito de defesa, pois foilhe negado o direito de produzir, de forma integral, as provas pertinentes. 3 — A manifestante constrói e mantém Templos, sendo todos os produtos importados na DI ora em discussão foram utilizadas em capelas de sua construção, conforme pode ser verificado em diligência ao local. 4 — Anexa decisões administrativas proferidaspor outras unidades da Receita Federal, favoráveis à restituição, para materiais de diversos tipos, e após vistoria ao local. É o relatório. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, tendo sido o acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 08/04/2004 IMPORTAÇÃO. TEMPLOS DE QUALQUER CULTO. IMUNIDADE RELATIVAMENTE AO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO . ABRANGÊNCIA. Fl. 438DF CARF MF 4 A importação, por entidade que se enquadra no art. 150, VI, b, da Constituição Federal de 1988, está abrangida pela imunidade constitucional, desde que atendidas duas condições, simultaneamente: devem os artigos importados serem destinados ao patrimônio da entidade, e devem também ser vinculados às finalidades essenciais da entidade religiosa. Quando não comprovado o atendimento simultâneo das duas condições, a referida imunidade não pode ser invocada. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE. De acordo com o art. 165 do CTN (Lei n° 5..172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional ) cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido.Quando não comprovado que o recolhimento do tributo por parte da entidade religiosa foi indevido ou a maior que o devido, descabe o reconhecimento do direito creditório respectivo. Solicitação Indeferida Em 05/05/2011 o Recurso Voluntário foi trazido à julgamento por esta Turma que, por unanimidade, decidiu por converter o feito em diligência nos seguintes termos (fls. 255/257): Entendo que o processo, no seu estado atual não comporta julgamento, portanto, VOTO por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora providencie a intimação do recorrente desta decisão e, para que, seja feita diligência ao estabelecimento do recorrente para a verificação dos documentos fiscais e contábeis da recorrente, visando apurar a veracidade da alegação produzida em sua impugnação e repetida no corpo deste recurso voluntário, especialmente quanto à utilização dos produtos importados na Dl ora em discussão em capelas de sua construção e da não utilização dos créditos correspondentes de IPI, nem a transferência do encargo financeiro. Por fim, após a diligência e a juntada do respectivo relatório de fiscalização aos autos, intimese o recorrente para, querendo, apresentar seus comentários acerca da prova produzida, facultandolhe juntada de laudo crítico, assinado por técnico legalmente habilitado e novos documentos, no prazo de 30 (trinta) dias. Decorrido este prazo e juntada a manifestação do contribuinte aos autos, se houver, retornem os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devendo a secretaria providenciar a intimação da douta Procuradoria da Fazenda Nacional para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias sobre o resultado da diligência realizada e a manifestação do contribuinte. Após retornem os autos a este relator, para continuidade do julgamento. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 11128.003028/200763 Acórdão n.º 3201003.189 S3C2T1 Fl. 438 5 A solicitação de diligência foi respondida pela Autoridade Fiscal de origem, conforme Termo de fls. 410/411. A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada em 06/01/2014 e apenas requereu o prosseguimento do julgamento. Após, foram os autos remetidos à este CARF e distribuídos, por sorteio, à minha relatoria, uma vez que o Relator original do feito não mais integra esta Turma Julgadora. Após, foram os autos remetidos à este CARF e distribuídos, por sorteio, à minha relatoria. Tendo sido constatado que a Contribuinte não fora intimada acerca do relatório da diligência fiscal, os autos retornaram à Autoridade de origem para saneamento. Foi realizada a intimação do Contribuinte por Caixa Postal, com ciência por abertura do documento. Contudo, não houve manifestação. Os autos retornaram, então, para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e, portanto, dele conheço. Como se verifica pelo relato dos fatos, tratase de pedido de restituição apresentado pela Recorrente por meio do qual busca reaver valores recolhidos a título de Imposto de Importação (II) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) pagos no desembaraço de produtos por ela importados (tapetes). Segundo afirma, o recolhimento de tais impostos se deu de forma indevida uma vez que a Recorrente goza da imunidade prevista no art. 150, inciso VI, alínea 'b' da Constituição Federal, verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (...) b) templos de qualquer culto; (...) Fl. 440DF CARF MF 6 § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Em suporte ao seu pleito, a Recorrente apresenta as Soluções de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nºs 227 e 254, de 02/08/2004 e 06/09/2004, respectivamente (processos nºs 11610.000851/200341 e 11610.001357/200302). Afirma, ainda, que a exigência de aplicação dos produtos importados (pianos) no atingimento de seus objetivos estatutários pode ser verificada por meio de diligência ao local onde estes estão localizados. No que diz respeito à comprovação da utilização dos produtos importados ao atingimento de seus objetivos estatutários, destaco os seguintes fatos extraídos dos autos: Em 03/09/2008 a Recorrente foi intimada do Termo de Intimação Fiscal nº 119/08 (fls. 76/78), relativamente a diversos Pedidos de Restituição, dentre eles aquele controlado pelo presente processo. Por meio do referido termo foi solicitada a apresentação dos seguintes documentos: a) Cópia autenticada da Nota fiscal de Entrada relativa as mercadorias amparadas Pela Declaração de Importação a que se refere o respectivo processo (relacionados no anexo a este termo de intimação), inclusive nota fiscal complementar, se houver; b) Cópias autenticadas de TODOS os registros contábeis relacionados às importações em questão, incluindo o Livro Registro de Inventário, (favor destacar os lançamentos referentes aos recolhimentos efetuados a titulo de Imposto sobre Produtos Industrializados identificando as contas contábeis por onde transitaram e onde os valores se encontram atualmente); c) Cópia autenticada do Plano de Contas da associação, assinado pelo contador responsável, contemplando os lançamentos referidos no item b e dos Termos de Abertura e Encerramento dos livros onde foram escriturados; d) Declaração original assinada pelo administrador ou contador responsável pela associação, com • firma reconhecida, nos seguintes termos (se aplicável): "Declaramos à Alfândega do Porto de Santos, sob as penas do aitgo 1°, inciso I, da Lei n°8.137/90, que a associação ________, CNPJ n° não se aproveitou, nem se aproveitará, em nenhuma hipótese, dos créditos relativos ao IPI pago por ocasião do registro da Declaração de Importação n° ________ bem como não transferiu e nem transferirá a terceiro o respectivo encargo financeira" Em sua resposta juntada às fls. 81 e seguintes, a Recorrente apresentou aos autos apenas a Declaração referida no item 'd', esclareceu, ainda, não possuir a Nota Fiscal de entrada mencionada no item 'a', uma vez que não é contribuinte do ICMS. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 11128.003028/200763 Acórdão n.º 3201003.189 S3C2T1 Fl. 439 7 Quanto aos documentos contábeis descritos nos itens 'b' e 'c', a Recorrente aduz que não logrou êxito na sua obtenção, uma vez que a importação dos bens ocorreu em 2004. Em razão da impossibilidade de apresentação dos documentos, trouxe aos autos fotografias do bem importado, folheto explicativo contendo fotografia do bem importado e revista a respeito dos seus Templos, também com a fotografia dos bens. Além disso, se colocou à disposição da autoridade alfandegária para a fiscalização in loco dos produtos importados. A Autoridade fiscal, a partir das informações prestadas, negou o direito creditório pretendido pela ausência de comprovação (Despacho Decisório às fls. 88/90). Importante observar que não se questionou a possibilidade de vinculação dos bens importados às finalidades essenciais da Recorrente. O que se assinalou é que a ausência de comprovação contábil impediria a o seu reconhecimento: 7. No presente caso, ainda que não se questione a possibilidade de vinculação dos bens importados ás finalidades essenciais da entidade (face á sua compatibilidade com o disposto no art. 6, inciso V do estatuto ás fls 03 a 12), considerando que cabe ao contribuinte o encargo probatório quanto ao direito creditório pleiteado, devendo este zelar pela guarda dos livros e documentos contábeis relativos a este enquanto durar o respectivo processo administrativo, não é possível reconhecer o direito creditório pleiteado diante da impossibilidade de comprovação da incorporação dos bens ao seu patrimônio, visto ser este um dos critérios estabelecidos pelas Soluções de Consulta SRRF/8 a RF/DISIT no" 227/04 e 254/04 para análise objetiva dos casos em que se pleiteia a extensão da imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea "h" da Constituição Federal ao II e IPI na importação de mercadorias por templos de qualquer culto. Em sua Manifestação de Inconformidade a Recorrente afirmou ser "cômodo argumento de que não é possível reconhecer o direito creditório pleiteado diante da impossibilidade de comprovação da incorporação dos bens ao patrimônio da entidade religiosa." Aduziu, ainda, que, uma vez tendo sido reconhecido pela Autoridade Fiscal que os produtos importados (in casu, pianos) tem sua aplicação afeta às finalidades essenciais da entidade, deveria lhe ter sido assegurado o direito à utilização de outros meios de prova que não os registros contábeis, não apresentados para comprovação de que os bens foram integrados ao seu patrimônio, insistindo na necessidade de verificação, in loco, pelos agentes fiscais, do emprego dos bens nos templos da Recorrente. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, então, manteve o indeferimento do pleito, reforçando os argumentos já apresentados em sede de Despacho Decisório: Pela leitura do texto acima, concluise que a imunidade constitucional , para os impostos incidentes sobre a importação, aplicase à entidade imune quando cuznpridas duas condições simultaneamente: Fl. 442DF CARF MF 8 1 O bem importado deve destinarse ao patrimônio dp.quela entidade; e 2 O bem importado deve estar relacionado a suas finalidades essenciais (no caso concreto, às finalidades essenciais de um templo de qualquer culto). Evidentemente, não faria sentido ' beneficiar a entidade imune para bens não destinados ao seu patrimônio, ou seja, para bens que fossem destinados à transferência a terceiros (mediante comercialização, ou não). Também não faria sentido que tal beneficio se estendesse a bens não vinculados à atividade essencial da entidade. No caso concreto, o interessado não logrou comprovar , por documentação contábil, a incorporação dos bens em apreço ao seu patrimônio. Alega que poderia fazêlo mediante perícia, cuja impossibilidade foi previamente ventilada no despacho decisório de indeferimento, sob a alegação de que "...na descrição da mercadoria não há elementos suficientes para a precisa identificação dos mesmos "in loco" não há como confirmarse hoje (mais de cinco anos após a importação) se as mercadorias periciadas são as mesmas importadas." Não obstante, ainda assim foi determinada a realização de diligência por este CARF para que mais uma vez fosse oportunizado à Recorrente a comprovação contábil e documental acerca da incoporação dos bens importados ao seu patrimônio. Em resposta, a Recorrente informa não ter sido possível apresentar tais documentos, uma vez que estes teriam sido perdidos em incêndio ocorrido em 2011, "quase três anos após a ciência da primeira intimação, em 02/09/2008, demonstrando, assim, que o mesmo já não os possuía à época", como assinala a autoridade fiscal em sua resposta à diligência solicitada, às fls. 425/426. Desse modo, resta patente a ausência de comprovação, pela recorrente, de requisito essencial para usufruir do benefício da imunidade, qual seja a efetiva incorporação dos bens importados ao seu patrimônio, não obstante as inúmeras oportunidades que lhe foram concedidas. Ressalto que a questão já foi debatida neste CARF, obtendose conclusão similar à ora proposta: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/10/2002 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. TEMPLO DE QUALQUER CULTO. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. IPI E II. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DA DESTINAÇÃO DOS BENS IMPORTADOS. ART. 36 DA LEI 9.784/1999 E ART. 29 DO PAF. A imunidade concedida aos templos de qualquer culto pelo art. 150, VI, letra “b”, da Constituição Federal abrange o IPI e o II, incidentes no desembaraço aduaneiro de bens importados diretamente por entidades religiosas, os quais sejam destinados Fl. 443DF CARF MF Processo nº 11128.003028/200763 Acórdão n.º 3201003.189 S3C2T1 Fl. 440 9 a integrar seu patrimônio e estejam relacionados a suas finalidades essenciais. O enquadramento de bens importados como sendo vinculados às finalidades das referidas entidades deverá pautarse em análise objetiva de cada caso concreto, levandose em consideração as finalidades da instituição, conforme estabelecidas em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, bem assim outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, desde que fundamentada. A perda da documentação contábil e fiscal da entidade e a natureza não específica dos bens importados impedem a análise acerca da utilização destes na finalidade social da recorrente, que é o pressuposto do indébito alegado, cujo ônus da prova é da contribuinte, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/1999. Recurso voluntário negado. (Acórdão 3202001.345 de 14 de outubro de 2004, Rel. Thiago Moura de Albuquerque Alves) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 24/12/2004 a 25/02/2005 RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS ADUANEIROS. TEMPLOS DE QUALQUER CULTO. Tratandose de pedido de restituição, o ônus da prova do direito creditório, isto é, se os bens importados são vinculados às finalidades essenciais da entidade, é do contribuinte. (Acórdão 3201001.821 de 13 de novembro de 2004, Rel. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo) Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 444DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.001380/2004-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004
AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE.
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO.
Estando o demonstrativo de emissão e prorrogação de MPF disponível para consulta pelo contribuinte, via Internet, o fato de não ter sido fornecido ou ter sido fornecido no final ao autuado não invalida o procedimento.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PERÍODO DE FISCALIZAÇÃO.
EXTRAPOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Os cinco anos anteriores ao MPF estão
compreendidos no período das verificações
obrigatórias e o mero fato de não estar especificado
no campo próprio do MPF não implica extrapolação
do período fiscalizado.
FALTA DE RECOLHIMENTO.
Identificada diferença entre valores escriturados e
pagos correto é o lançamento.
MULTA AGRAVADA. ATRASO NO
ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO - Não tendo o contribuinte se negado a colaborar com a
fiscalização, inclusive respondendo a todas as
intimações, conquanto não tenha tido condições de
atendê-las plenamente em alguns prazos, descabe o
agravamento da multa, mormente quando a
fiscalização dispõe dos elementos necessários para
apuração da matéria tributável.
Numero da decisão: 1401-000.408
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para desagravar a multa de ofício em 50%
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003, 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. Estando o demonstrativo de emissão e prorrogação de MPF disponível para consulta pelo contribuinte, via Internet, o fato de não ter sido fornecido ou ter sido fornecido no final ao autuado não invalida o procedimento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PERÍODO DE FISCALIZAÇÃO. EXTRAPOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Os cinco anos anteriores ao MPF estão compreendidos no período das verificações obrigatórias e o mero fato de não estar especificado no campo próprio do MPF não implica extrapolação do período fiscalizado. FALTA DE RECOLHIMENTO. Identificada diferença entre valores escriturados e pagos correto é o lançamento. MULTA AGRAVADA. ATRASO NO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO - Não tendo o contribuinte se negado a colaborar com a fiscalização, inclusive respondendo a todas as intimações, conquanto não tenha tido condições de atendê-las plenamente em alguns prazos, descabe o agravamento da multa, mormente quando a fiscalização dispõe dos elementos necessários para apuração da matéria tributável.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-02-04T15:46:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2767659_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-02-04T15:46:57Z; Last-Modified: 2011-02-04T15:46:57Z; dcterms:modified: 2011-02-04T15:46:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2767659_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:c7e839c4-d1f8-40f5-92dc-19b279a2372f; Last-Save-Date: 2011-02-04T15:46:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-02-04T15:46:57Z; meta:save-date: 2011-02-04T15:46:57Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2767659_0.doc; modified: 2011-02-04T15:46:57Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-02-04T15:46:57Z; created: 2011-02-04T15:46:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; Creation-Date: 2011-02-04T15:46:57Z; pdf:charsPerPage: 1611; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-02-04T15:46:57Z | Conteúdo => S1-C4T1 Fl. 217 1 216 S1-C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10746.001380/2004-71 Recurso nº 150.750 Voluntário Acórdão nº 1401-00.408 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2011 Matéria CSLL Recorrente POUSADA DOS GIRASSOIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003, 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. Estando o demonstrativo de emissão e prorrogação de MPF disponível para consulta pelo contribuinte, via Internet, o fato de não ter sido fornecido ou ter sido fornecido no final ao autuado não invalida o procedimento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PERÍODO DE FISCALIZAÇÃO. EXTRAPOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Os cinco anos anteriores ao MPF estão compreendidos no período das verificações obrigatórias e o mero fato de não estar especificado no campo próprio do MPF não implica extrapolação do período fiscalizado. FALTA DE RECOLHIMENTO. Identificada diferença entre valores escriturados e pagos correto é o lançamento. MULTA AGRAVADA. ATRASO NO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO - Fl. 227DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 2 Não tendo o contribuinte se negado a colaborar com a fiscalização, inclusive respondendo a todas as intimações, conquanto não tenha tido condições de atendê-las plenamente em alguns prazos, descabe o agravamento da multa, mormente quando a fiscalização dispõe dos elementos necessários para apuração da matéria tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para desagravar a multa de ofício em 50%. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão nº 16296, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Brasília-DF. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Contra o sujeito passivo qualificado nos autos foi lavrado o auto de infração da Contribuição Social fl. 50/53, no valor total de R$ 7.845,70. A contribuinte é empresa domiciliada em Palmas/TO atua na exploração da atividade de Hotelaria, adotou a forma de tributação de lucro presumido de 1999 até 2004. Intimada a apresentar documentos fiscais e contábeis. Onde foram cosntatadas algumas falhas. INFRAÇÕES Fl. 228DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10746.001380/2004-71 Acórdão n.º 1401-00.408 S1-C4T1 Fl. 218 3 Diferença apurada entre valor escriturado e declarado/pago (verificações obrigatórias) CSLL Foram constatadas diferenças entre os valores de Contribuição Social (CSLL), declarados pelo Contribuinte em DCTF ou pagos e os valores escriturados nos Livros de Apuração de Serviços e Livros Razão e Diário. Para estas infrações também foram aplicadas as multas agravadas tendo em vista o não cumprimento dos prazos das intimações na apresentação dos livros. A contribuinte impugna (fl. 74 até 115) o auto de infração constante do presente processo, alegando que: Auto de Infração nº. 10746.001380/2004-71 CSSL Pousada dos girassóis ltda, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ (MF) nr. 26.701.979/0001-19 com sede Avenida Norte Sul 01, 103 Sul Conjunto 03 Lote 44 Centro Palmas-TO, neste ato representado por seu sócio JAIR CORRÊA JÚNIOR, brasileiro, casado, portador do CPF 331.741.641-68, residente e domiciliado na Palmas-TO, via de seus procuradores e advogados, com instrumento em anexo, com escritório profissional no rodapé deste, onde indicado para as comunicações de estilo referentes ao presente, vem como o devido respeito e acatamento à digna presença de V. Senhoria, apresentar. IMPUGNAÇÃO AO AUTO DE INFRAÇÃO Lavrado em. 04.11.2004, Auto nº 7.10746.001380/2004-71, do qual obteve conhecimento via “AR’’’, postado no dia 10.11.2004 recebido no dia 16/11/2004, cujo prazo para impugnação, inicia-se no dia 17/11/2004 (quarta feira), e findará de pleno direito no dia 16/12/2004 (quarta feira)”. Podendo dito prazo ser exercido diretamente via protocolo ouvia "AR", contando neste ultimo caso o dia da postagem, como determina a Legislação Especifica. Uma vez atendido o pressuposto de instauração da fase Contenciosa, impondo a imediata suspensão da exigibilidade do crédito, ora fustigado. Assim, divergindo dos entendimentos consignados no Auto de In f rã cão e no Termo de Verificação Fiscal, data máxima vênia, não assiste razão à pretensão do Fisco, vindo a Contribuinte, IMPUGNAR como Impugnado está, o inteiro teor do Auto. Assim sendo, e pelas razões a seguir aduzidas e pêlos substratos fáticos e jurídicos trazidos à colação, REQUER: I O recebimento da presente impugnação, por boa, tempestiva, e valiosa, em ambos os efeitos, aplicando-se a norma contida no Art. 151 do CTN; Fl. 229DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 4 II - Requer a preparação do processo e o seu conseqüente encaminhamento à Delegacia Regional de julgamento em Brasília. -DF, para apreciação na forma da. Lei, das Razões do Recurso. Agindo assim, V. Senhoria pode se sentir convicta de cumprir o Vosso mister. RAZÕES DOS RECURSOS Auto de infração – CSLL Processo 10746.001380/2004-71 MPF - 01.5.01.00.2003-00226-7 Impugnante: Pousada dos girassóis ltda CNPJ (MF) n0 26.701.979/0001-19 Natureza: Cofins - Período de apuração: 2001 1.DAS PRELIMINARES. – DA AUSÊNCIA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF - VÁLIDO O procedimento fiscal em tela foi constituído ao Total Arrepio da lei fiscal vigente. Destarte entendimento meritório em preliminar a de se observar a total falta de poderes de autoridade Atuante, para os fins que se prestou: Fiscalizar e Autuar. O Processo Administrativo Tributário é regido por diversas normas, tendo dentre elas a º: 3.007 de 26.01 Que criou o MPF - Mandado de Procedimento Fiscal, como instrumento válido e indispensável para a identificação do representante do Sujeito Ativo, seus poderes, e principalmente o objeto de analise por este. Que criou o MPF - Mandado de Procedimento Fiscal, como instrumento válido e indispensável para a identificação do representante do Sujeito Ativo, seus poderes, e principalmente o objeto de analise por este. Tais conceitos foram extraídos da própria carta constitucional, que garante dentre outros direitos intangíveis, o estrito processo legal e ampla defesa. Assim, vejamos o que leciona, em parte, a portaria 3.007/6-2001. Dos Procedimentos Fiscais Art. 2°- Os procedimentos fiscais relativos s tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pêlos Auditores- Fiscais da Receita Federal (AFRF) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Fiscal - Diligência (MPF-D) Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização (MPF-F), no caso de diligência. Mandado de Procedimento Art. 3°- Para os fins desta Portaria, entende-se por procedimento fiscal: I - de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativo aos tributos e contribuições administrados pela SRF, bem assim da correia Fl. 230DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10746.001380/2004-71 Acórdão n.º 1401-00.408 S1-C4T1 Fl. 219 5 aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em constituição de crédito tributário ou apreensão de mercadorias; II - de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Do Mandado de Procedimento Fiscal Art. 4°- O MPF será emitido na forma dos modelos constantes dos Anexos de I a V desta Portaria, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto n-°- 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº9.532, de 10 de novembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. Art. 5° Nos casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária, em que o retardo do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova, o AFRF deverá iniciar imediatamente o procedimento fiscal, e, no prazo de cinco dias, contado da data do início do mesmo, será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Especial (MPF-E), do qual será dada ciência ao sujeito passivo. § 1°- Para fins do disposto neste artigo, o AFRF deverá lavrar termo circunstanciado, mencionando tratar-se de procedimento fiscal amparado por este artigo e contendo, no mínimo, as seguintes informações: I - dados identificadores do sujeito passivo; II - natureza do procedimento fiscal e descrição dos fatos, bem assim o rol dos livros.Documentos ou mercadorias objeto de retenção ou apreensão, se houver; III - nome e matrícula do AFRF responsável pelo procedimento fiscal; IV - nome, número do telefone e endereço funcional do chefe do AFRF a que se refere o inciso anterior. § 2°- Do termo referido no parágrafo anterior será dada ciência ao sujeito passivo, sendo-lhe fornecida cópia.”“. Art. 7°- O MPF-F, o MPF-D e o MPF-E conterão: I - a numeração de identificação e controle, composta de dezessete dígitos; II - os dados identificadores do sujeito passivo; III — a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência) IV - o prazo para a realização do procedimento fiscal; Fl. 231DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 6 V - o nome e a matrícula do AFRF responsável pela execução do mandado; VI - o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRF a que se refere o inciso anterior; VII - o nome, a matrícula e a assinatura da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; VIII - o código de acesso à Internet que permitirá ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF. § 1º O MPF-F e o MPF-E indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem assim as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecederam a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal, observados os modelos constantes dos Anexos I e III. (NR) § 2°- Na hipótese de se fixar o período de apuração correspondente, o MPF-F alcançará o exame dos livros e documentos, referentes a outros períodos, com vista a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. Dos Prazos Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I - cento e vinte dias, nos casos de MPF-F e de MPF-E; II - sessenta dias, no caso de MPF-D. Ari. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quanta necessária, observada, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimento de fiscalização e de trinta dias, para procedimentos de diligência. (NR) § 1°- A prorrogação de que trata o caput far-se-á por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º - inciso VIII. § 2°- Após cada prorrogação, o AFRF responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzidas a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Art. 14. Os prazos a que se referem os arts. 12 e 13 serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento, nos termos do art. 5-s- do Decreto n-°- 70.235, de 1972. Fl. 232DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10746.001380/2004-71 Acórdão n.º 1401-00.408 S1-C4T1 Fl. 220 7 Parágrafo único. A contagem do prazo do MPF-E far-se-á a partir da data do início do procedimento fiscal. Da Extinção do Mandado de Procedimento Fiscal Art. 15. O MPF se extingue: I - pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II - pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, (grifamos)1 Desta forma, a ausência ou o vencimento do prazo com a conseqüente extinção o MPF, macula inteiramente, atos praticados pela Autoridade Atuante, sendo que esta não esta devidamente outorgada de poderes para e em nome da Secretaria da Receita Federal, instaurar procedimento fiscal lavrando Auto de Infração. A carência de poderes gera a nulidade dos atos praticados, não prestando estes ate mesmo pela ratificação dos atos, modalidade não contemplada neste âmbito. No caso em tela, houve na verdade uma EXTINÇÃO DOS PODERES, uma vez que foi devidamente constituído através do MPF n° 01.5.01. 00- 2003-00226-7 em 05.12.2003, do qual o Contribuinte Impugnante, obteve ciência em 08.12.2003. Conferindo aos Auditores, poderes para: Fiscalizar o IRPJ o período de 01/2001 a 12/2001. Assim, a. •validade especifica e expressa até o dia 03 de abril de 2004. Como determina da legislação trazida à colação, nos Art. 15, I e II, cabe a prorrogação, sob pena de se aplicar a EXTINÇÃO dos poderes. Só podendo prosseguir em caso de NOVO MPF, nos termos do art-16, da mesma Portaria. Assim, como leciona com extrema clareza, DE PLÁCIDO E SILVA, Prorrogação é ato de estender ou ampliar, lapso temporal, só podendo ocorrer do curso do prazo anterior, fora deste é RENOVAÇÃO. Refletindo o que diz o Art. 16, da Portaria 3.007/2001, muito embora, não foi o que ocorreu no presente caso.' Para afastar de uma vez por todas as duvidas, vejamos as lições do festejado mestre do Dicionário Jurídico: "PRORROGAÇÃO: Do latim, prorogatio, de prorogare (alongar, dilatar, adiar, ampliar), exprime originalmente o aumento do tempo, a ampliação do prazo, o espaçamento do tempo, prestes a extinguir, para que Fl. 233DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 8 certas coisas possam, continuar em seguimento, sem solução de continuidade.,Nesta razão, a prorrogação pressupõe prazo ou espaço de tempo, que não se extinguiu nem terminou e que é ampliado, dilatado, aumentado, antes que termine ou se acabe.Não se prorroga o que já se mostra terminado ou acabado, isto é, fora da vigência ou do exercício de um prazo, que não mais existe. Aí ocorreria coisa nova, iniciar-se-ia um novo espaço de tempo, que não mais existe. . . 'r2 Assim, indispensável à vigência do prazo a ser prorrogado, pois se este foi, como no caso, atingindo pela EXTINÇÃO, indispensável Novo procedimentos para a sua criação O MPF constante às fls. 01, dos autos, venceu de pleno direito em 03 de abril de 2004, já o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar n° 01. 5 .01. 00-2003-00226-7-1 (f is. 02) , só veio a ser confeccionado em 12 de julho de 2004, do qual o Impugnante só obteve conhecimento no dia 22.07.2004. Cediço que os atos da administração para que se tornem validos, devem ser levados a conhecimento do interessado. Ocorre que, o Contribuinte Impugnante, como a suposta e inexistente primeira prorrogação só foi feita em 12.07.2004, veio ter conhecimento desta em 22/07/2004. Primeira prorrogação porque, ao final do numero do MPF encontramos o numeral "l" que indica ser a primeira vez que se tenta prorrogar aquele mandado. Desta forma, passados.Aproximadamente 100 (cem) dias de VENDIDO O PRAZO, surge inesperadamente, um MPF-Complementar, que vem prorrogar por mais 60 (sessenta) dias, o que já não faz mais parte do mundo jurídico. O que já foi atingindo pela EXTINÇÃO. Sendo tal ato incabível e imperfeito Mesmo assim, tal prazo venceria como venceu em 12.09.2004, que teria de ser prorrogado antes do vencimento. Novamente, acometido de erro, só veio ser supostamente prorrogado em 22.10.2004, dando conhecimento ao contribuinte no dia 25.10.2004, logo, tal fato, novamente, não ocorreu. O MPF é um instrumento válido e indispensável para a atuação da Fiscalização, ainda mais quando houver a necessidade de prorrogação de seus poderes, que somente se admite, a vista, de ter sido exercida no prazo de sua validade, como leciona de Plácido E Silva, dando a legalidade e tranqüilidade, de respeito aos institutos legais. Assim pela simples leitura da portaria 3.007/2001 e suas modificações, não se vislumbra a possibilidade e a liberalidade do fisco de atuar e principalmente Autuar sem a outorga de poderes conferida pelo MPF, ou fazê-lo, com o mesmo Atingindo pela extinção. Desta forma, indispensável o acolhimento da preliminar de Ilegitimidade e Nulidade, para de ofício, por se tratar de matéria de ordem pública, ou por requerimento da parte Anular o Auto de Infração por falta de legitimidade ativa da Autoridade atuante e ausência de poderes. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10746.001380/2004-71 Acórdão n.º 1401-00.408 S1-C4T1 Fl. 221 9 O QUE SE REQUER DESDE JÁ. 1.1-DA INDEVIDA AMPLIAÇÃO DE PODERES DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF -EXTINTO: O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, já não existia para o Mundo Jurídico, desde o primeiro dia útil após o dia 03/04/2004. Para maior surpresa, quando já exauridos os poderes pela extinção, surge ao final, um NOVO MPF-Complementar, que bem se sabe só pode, complementar o que ainda existe, o que não é o caso, conferindo poderes, ampliando-os e estendendo-os, com a exigência de documentos de outros Exercícios Fiscais. Somente em 22 de outubro de 2004, surge inesperadamente o MPF - Complementar n° 01.5.01.00-2003-00226-7-2 (f Is. 03), traz descrito na natureza de sua alteração, Procedimento Fiscal de fiscalização tributos/ contribuições incluídos. IRPJ - 12/2000,12/2003 a ;06.2004 IRPJ12/2000 12/2003 a 06.2004; IRRF –01/2001 a 12/2001; IRRF 01/2001 a 12/2001; CSLL – 12/2003 a 06.2004 CSLL 12/2003 a 06.2004; PIS – 12/2003 a 06/2004 PIS12PJ /2003 a 06/2004; COFINS – 12/2003 a 06/2004 COFINS 12/2003 a 06/2004. Assim, somente após 22.10.2004, a Autoridade fiscal, poderia, requerer documentos que não fossem do Exercício de 2004. Entretanto, basta que compulsemos os autos, para ver e constatar que desde do inicio, a Autoridade Fiscal, não respeitou os limites conferidos pelo MPF. Quando o mesmo ainda valia, somente para: Verificar o IRPJ no período de 01/2001 a 12/2001 foi utilizado indevidamente para solicitar, livros e documentos de períodos e exercícios não contemplados. Como se observa às fls. 06, 07, 35, 36, 44, 53, 54, 68 e 69; dos Autos. Ora, Digno Julgador, como se não bastasse, usar de expedientes não ortodoxos, para simular a prorrogação de MPF, em seu último ato, estende e amplia os poderes, já não existentes, a períodos e tributos não contemplados e identificados, no Mandado Principal, já atingido pela extinção. De forma indevida e ilegal, a Autoridade Fiscal Atuante, se vale de MPF invalido e inexistente, para exigir mais documentos e explicações, além de ampliar ilimitadamente os poderes, o fazendo de forma a confundir o Contribuinte, dando a falsa impressão de que possui poderes para tal procedimento. Fl. 235DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 10 Sendo que não os possui desde de 03 de abril de 2004, poderes para se quer Requerer qualquer documento. Ressalta-se, que mesmo assim, o contribuinte o fez, evitando causar embaraço com a fiscalização, não quer dizer, que convalide ou concorde com tais atos, mesmo porque, não se pode concordar com atos marginais, que estão à margem da lei. Além do que, as provas indevidas, impróprias e ilegais, em processos administrativo ou judicial, devem ser banidas do mundo jurídico por ocasião dos julgamentos, O que desde já se Requer. O surgimento do Mandado de Procedimento Fiscal é justamente para não tornar ilimitados e abusivo os poderes da administração perante o Contribuinte Não adianta tentar confundir o Contribuinte em sua defesa ou o julgador em sua. Analise, apresentando e anexado o DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO DO MPF, como consta às fls. 04, nos autos. Inconsistente e acéfalo o documento de fIs. 04, já que não possui autor e/ou rubrica, desvirtua a verdade quando diz que as prorrogações foram em numero de 04 (quatro), quando na verdade se sabe que tantas não ocorreram, basta a confrontação com as existentes no processo as fls. 02 e 03. Bastando ainda, a conferencia com os números finais dos MPF que indicam de qual prorrogação se trata. Repita-se, só pode ser prorrogado o que ainda existe, a Portaria 3.007/2001 é muito clara em seu Art. 15, II, quando estabelece a ocorrência preclusiva do direito de agir, pela extinção. Segundo se vê nos autos, de fIs. 02 e 03 r houve apenas duas tentativas de prorrogação, ambas, fora de seus prazos, invalidando os atos, já que, consta no numero de controle, que é o último numero, apenas o "l" e 2 “, somente estas foram levadas ao conhecimento do contribuinte”. Assim, em face da indispensabilidade da presença valida dos MPF, para os procedimentos de fiscalização, não pode, qualquer agente público, agir desacompanhado de seus poderes e definições de que tipo de tributo e em que período se fiscaliza. Ainda mais quando, resultar a aplicação de auto de infração, pois a lavratura do Auto é indispensável, outorga de poderes, para legitimar aquele o exara, sob pena de total descredenciamento e desqualificação dos trabalhos. O MPF é um instrumento válido e indispensável para a atuação da fiscalização, prorrogação de seus poderes, que somente se admite, a vista, de ter sido exercida no prazo de sua validade, como leciona de Plácido E Silva, dando a legalidade e tranqüilidade, de respeito aos institutos legais. Assim, pela simples leitura da portaria 3.007/ 2001 e suas modificações, não se vislumbra a possibilidade e a liberalidade do fisco de atuar e principalmente autuar sem a outorga de poderes conferida pelo MPF, Fl. 236DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10746.001380/2004-71 Acórdão n.º 1401-00.408 S1-C4T1 Fl. 222 11 O que desde já se requer . DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. Assim, ultrapassadas as preliminares, necessárias que adentremos nas teses meritórias, passando antes porem pelo Termo de Verificação Fiscal. 2.1 -DO CONTEXTO: No decorrer do relato, a Autoridade Fiscal, fez um cronograma dos fatos que ocorreram no decorrer dos trabalhos. Como se pode ver de simples leitura, não se encontra inserido na descrição dos fatos o momento das tentativas de prorrogar o MPF. Isto porque, encontra-se EXTINTO desde 03.04.2004. Alem do que, confirma, a narrativa dos fatos, que foram exigidos documentos e livros fiscais de período não abrangido pelo MPF. Sendo a narrativa desfavorável à pretensão do Fisco. Demonstrando ainda, que mesmo estando desautorizados os Auditores, não houve por parte do Contribuinte qualquer embaraço, não convalidando os mesmos, pois atos fiscais desacobertados de MPF são inteiramente NULOS. 2.2 - DAS VERIFICAÇÕES PRELIMINARES: Neste ponto, a Autoridade Fiscal, ressalta algumas ações da Fiscalização e do Contribuinte, identificando a empresa, sua atividade. Aponta supostas irregularidades meramente burocráticas, fala das alterações contratuais, principalmente dos aumentos de capitais. No tocante ao aumento de capital descrito na 8a Alteração Contratual, do aporte financeiro de R$ 62.000,00, realizado pelo Sócio Jair Corrêa, realmente ocorreu da forma definida pelo Contrato Social, regularmente arquivado. A simples manifestação de sua não ocorrência, por parte da Fiscalização não demonstra qualquer irregularidade. Não merecendo maiores esforços de nossa parte no momento. 2.3 - DAS SUPOSTAS INFRAÇÕES A Autoridade Atuante, após analise de diversos documentos AS INFRAÇÕES, atribui à conduta contábil e fiscal da Impugnante, as seguintes infrações: a. Omissão de Receita da Atividade; b. Omissão de Receita - Saldo Credor de Caixa; c. Omissão de Receita - Suprimento de Caixa não Comprovado; d. Omissão de Receita - Deposito Bancário Não comprovado; Fl. 237DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 12 e. Diferença Apurada Entre o Valor Escriturado e Declarado/Pago (Receitas da Atividade -verificações e Obrigações) ; f. Diferença Apurada Entre o Valor Escriturado e Declarado/Pago (Outras Receitas - Verificações obrigatórias). Já rebatidos no Processo 10746.001.382/2004-61 – IRPJ e Contribuições. Diante de tal interpretação surgem os chamados reflexos, no caso em tela o CSLL. Segundo dispõe a Legislação Tributária, havendo Diferença apurada entre os valores Declarados e os Escriturados, sendo autuado no IRPJ reflexamente incide sobre o mesmo o CSLL. Ocorre que no caso em tela, não houve a ocorrência dos fatos ensejadores da autuação no IRPJ, por sorte prejudica os reflexos. Desta forma, não merece prosperar tais conclusões, devendo de plano serem repudiadas e desconstituídas a relação jurídica apontada, no presente feito. Por ter vida própria cada processo, mister a repetição de parte das Razões do processo do IRPJ. 2.3.1 — Omissão de Receita da Atividade: A sucinta e singela descrição dos fatos considerados pela Autoridade Fiscal, como OMISSÃO DE RECEITA, causa prejuízo à defesa, vez que, não contempla, se quer pó amostragem o raciocínio empreendido pela Fiscalização. Não houve a efetiva demonstração das supostas omissões para que se pudesse investigar caso a caso, para que dessa oportunidade à defesa de contrapor e até mesmo ao contribuinte entender o que pensou a Autoridade Fiscal. Em primeiro momento, para se defender e se provando que erro corrigir seu erro evitando assim, prejuízo ao Erário e ao próprio contribuinte. Tal acanhamento na descrição da rotina nos leva a pedir vênia para colacionar algumas decisões do Conselho de Contribuinte que afastam tais praticas da vida tributária entre contribuinte/fisco. Pois vejamos: Número do Recurso: 119128 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 11128.002057/95-86 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: CLASSIFICAÇÂO TARIFARIA Fl. 238DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10746.001380/2004-71 Acórdão n.º 1401-00.408 S1-C4T1 Fl. 223 13 Recorrida/lnteressado: DRJ-SÃO PAULO/SP Data da Sessão: 11/12/1998 01:00: 00 Relator: PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES Decisão: Acórdão 302-33900 Resultado: APU - ANULADO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, anulou-se. O processo, a partir do Auto de Infração, inclusive, nos termos. do voto do conselheiro relator. Ementa: NULIDADE - AUTO DE INFRAÇÃO É nulo o Auto de Infração que não contém a descrição dos fatos que originaram o lançamento, conflitando com o disposto no art. 10, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Acolhida preliminar levantada pelo Conselheiro Relator No mesmo sentido Número do Recurso: 120601 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 17515.000654/98-69 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: II/ALÍQUOTA Recorrida/lnteressado: DRJ-CURITIBA/PR Data da Sessão: 08/05/2001 16:00: 00 RELETOR: PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES Decisão: Acórdão 302-34766 Resultado: APU - ANULADO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, anulou-. Se o processo a partir do Auto de Infração, inclusive, nos. Termos do voto do conselheiro relator. Fez sustentação oral a advogada Dra. Heloísa Guarita Souza OAB/PR 16.597. Ementa: NULIDADE PROCESSUAL. Fl. 239DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 14 É nulo o Auto de Infração lavrado sem a Correia e detalhada descrição dos fatos que Motivaram a autuação e respectiva fundamentação legal, caracterizando preterição do direito de defesa do sujeito passivo. No mesmo sentido: Número do Recurso: 086705 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10280.005116/90-83 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: PIS FATURAMENTO Recorrente: DIGERAL - DISTRIBUIDORA GERAL DE ALIMENTOS LTDA Recorrida/ Interessado: DRF-BELÉM/PA Data da Sessão: 25/02/1992 00:00: 00 Relator.HENRIQUE NEVES DA SILVA Decisão: ACÓRDÃO 201-67771 Resultado:- Texto da Decisão: Ementa: PROCESSO FISCAL - NULIDADE –Inexistindo a descrição dos fatos que levaram à tributação no auto de infração, o mesmo é nulo, pois lhe falta requisito essencial. Nulidade “ab inítio”. Ressalta-se que somente no terceiro parágrafo, falou-se em omissão e não comprovação, depois se restringindo a Autoridade Atuante, a transcrever legislação que autorize autuação em caso de omissão ou falha. O que não é o caso. Assim, não pode prosperar pretensão do Fisco, uma vez que a sucinta indicação sem o correspondente lastro de identificação documental apresentada, não pode dar razão ou atribuição de suposta omissão. Impondo o reconhecimento da NULIDADE do Auto de Infração, em face da inexistência da descrição dos fatos. 2.3.1.1 — Omissão de Receita da Atividade - Levantamentos nos Autos: Ilustre Julgador, caso V. Senhoria venha entender, que estão presentes e por sua vez suficientes, a descrição dos fatos, empregada pela Fiscalização, mister que os Autos BAIXEM EM DILIGENCIA, para a apuração e Fl. 240DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10746.001380/2004-71 Acórdão n.º 1401-00.408 S1-C4T1 Fl. 224 15 conferencia das Notas Ficais já apresentadas e os respectivos depósitos bancários das vendas feitas a cartão de Crédito. Pois, o que nos resta e acreditar que a Fiscalização, quando afirma existir Omissão de Receita da Atividade, seja por este motivo. Não que o Contribuinte Impugnante, tenha realmente omitido receita, muito pelo contrário. Cabe esclarecer e reafirmar que é empresa do ramo de hotelaria, tendo uma clientela, muito exigência e em 99% (noventa e nove por cento) dos casos, se hospedam á serviço ou para realização de negócios e seus custos sempre são demonstrados e ressarcidos. Logo, esta não é a pratica do Contribuinte e não há interesse do cliente que paga suas contas a Cartão de Crédito, em não receber a Nota Fiscal. Ao contrário, quando este, por qualquer motivo, não espera a emissão da Nota Fiscal, o Contribuinte a emite e lhe envia seu comprovante. Assim, não há possibilidade de haver omissão de receita. No direito civil, a prova é sempre de quem alega. No âmbito tributário, o agente público, gozar de certa fé pública, pode usar de tal prerrogativa para se valer de suas alegações. Porém, tanto em um quanto em outro, a prova irrefutável da verdade afasta qualquer dúvida ou equívocos. Assim, para que se possa aplicar o AMPLO DIREITO DE DEFESA e O ESTRITO PROCESSO LEGAL, indispensável que os Autos, baixem em Diligencia e Perícia, para comprovar que não existe qualquer omissão. Ocorre que em muitas vezes, um só cartão de credito, paga a conta de diversos hospedes (consumidor), criando assim uma falsa impressão de que existe um deposito a maior da f atura. Nestes casos, quando indagado, repita-se, por acreditar que a fiscalização esteja falando deste fato, já que a inconsistência e falta de clareza em seu relatório nos leva a divagar sobre o que considerou ou não omissão. Pois bem, quando indagado, o Contribuinte prontamente esclareceu tais fatos, a exemplo, juntamos na oportunidade, por amostragem, documentos identificados e relacionados no ANEXO I, que comprovam as alegações, afastando assim, de uma vez por todas as duvidas que venham pairar sobre a realidade dos fatos. Como se sabe, esta Instancia é para Julgamento, porém pode e deve orientar o aproveitamento das provas coligidas para os autos, determinando e convertendo o julgamento em DILIGENCIA, PARA QUE OUTRA AUTORIDADE FISCAL, COM ISENÇÃO DE ÂNIMOS, VENHA ANALISAR OS DOCUMENTOS E DIRIMIR AS DUVIDAS. Fl. 241DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 16 Assim, Requer a conversão do julgamento em DILIGENCIA E PERÍCIA. O QUE DESDE JÁ SE REQUER. 2.3.2 - Omissão de Receita -Saldo Credor de Caixa: Novamente, a inconsistência das explicações e do Relatório, que tenta dar suporte ao Auto de Infração, esbarra: NA AUSÊNCIA DA DEMONSTRAÇÃO DO QUANTUM & DA AUSÊNCIA DE CAPITULAÇÃO LEGAL DE SUPOSTA INFRAÇÃO. Assim, a Fiscalização diz que houve uma omissão de receita. Porém, não demonstra o quanto foi omitido a Titulo de Saldo Credor de Caixa, dificultando e embaraçando a defesa, o que da força para ANULAR O AUTO DE INFRAÇÃO. O pior, não é a ausência de informações e descrição da conduta fiscal. O pior é detectar o embaraço causado ao contribuinte recorrente. Pois vejamos, em dado momento, o Relatório diz: “De posse das cópias dos cheques e da documentação que comprova as suas operações e do”.Livro Razão de 2001, Apresentados pelo Contribuinte, foi possível identificar os beneficiários dos cheques/. Verificar o respectivo lançamento a credito na conta "caixa", bem como identificar a causa da operação conforme Termo de Constatação e Intimação datado de 01/09/2004 f Is. 495 a 506." Porém, adiante se vê: "Efetuamos a recomposição do caixa pela exclusão dos valores para os quais não identificamos o respectivo lançamento a crédito na” conta caixa “conforme item 1.9 do Termo de Constatação e Intimação datado de 22/10/2004 e planilhas a ele anexa fls. 613 a 616 e 638 a 662”. Assim, as planilhas constantes de fls. 613 a 616 e 638 a 662, não representam a verdade da contabilidade, não merecendo prosperar. Vez que retiram da conta caixa, valores efetivamente gastos, por uma simples falta de identificação, o que geraria possível ERRO CONTÁBIL, não ERRO DE DIREITO. O que por sua vez, não autoriza que tais valores sejam tidos e configurados como saldo credor de caixa. Pois seria um tratamento esdrúxulo, para as despesas que passam a ser considerada receita e dos empréstimos e repasses que de mesmo sorte, padecem de transformação de suas essências, para o surgimento de suposto saldo credor em caixa. Cediço que pagamentos não contabilizados, podem ser considerados "omissão de receita". Fl. 242DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10746.001380/2004-71 Acórdão n.º 1401-00.408 S1-C4T1 Fl. 225 17 Porém, estes em analise, foram todos contabilizados e lançados deduzidos da conta bancos e baixados do caixa. Simplesmente desclassificar tais lançamentos, não justifica a ação fiscal. Por qualquer motivo, não tenha a Autoridade Atuante, entendido que não são justificáveis, estes são, pois se referem a repasses, tanto para o Restaurante, quando recebido seus valores em conjunto com a hospedagem, quanto para a empresa de turismo pela devolução ou repasse de f aturas. Os demais lançamentos, de despesas e poucos empréstimos, foram contabilizados, só que não foram considerados pela fiscalização, merecendo e impondo a conversão do julgamento em diligência e perícia, para se dirimir de uma vez por todas, tais dúvidas. O QUE NOVAMENTE SE REQUER. 2.3.3 — Omissão de Receita — Suprimento de Caixa não Comprovado. Para que ocorra a modalidade de Omissão indicada pela Fiscalização, não basta que, o valor do Aumento de Capital, esteja simplesmente indicado no Contrato Social e este por sua vez Registrado na Junta Comercial do Estado.Indispensável que tal valor seja identificado em uma conta do Ativo. Indispensável que tal valor seja identificado em uma conta do Ativo. Sendo a integralização de capital, feita por bem imóvel ou móvel, recebe uma destinação e lançamento contábil diferente. Sendo a integralização de capital, em moeda corrente, é certo que deve ser o mesmo identificado por meio idôneo, ou seja, cópias de cheques, extratos, transferências numerárias. Quando não ocorrer qualquer destas modalidades, considera-se que tal ato ainda não ocorreu, mesmo quando registrado no contrato. Tal fato é tão comum, que foi objeto de tratativa no Novo Ordenamento Civil, impondo ao sócio que ainda não integralizou o capital, situação de irregular perante a sociedade a que pertence, bem como, a em que vivemos. Assim, não se pode dizer que tal ato tenha acontecido, sem as provas indubitáveis. Repita-se o simples lançamento no contrato de valores a serem aportados ou de valores já contabilizados e não lançados, não dá margem ao entendimento de Omissão de Receita. Como se pode vê, as fls. 45/51, houve na verdade uma correção de erro contábil no passado. Por um lapso (ERRO CONTÁBIL - (ERRO DE FATO), não foi feito o lançamento de tal valor no caixa em 20.04.1996, época do efetivo ingresso do capital). Fl. 243DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 18 O novo profissional da Contabilidade que dá assessoria à empresa, ao perceber a falha ocorrida no exercício anterior (1996), efetua o lançamento, contudo observando.Que tal fato se refere à 6a Alteração Contratual - 20.04.1996. Como se vê as fls. 49/51, dita Alteração Contratual, não implica na ocorrência do fato, tributável. Mesmo porque, este se encontra protegido pela DECADÊNCIA, JÁ QUE, FAZ PARTE DE EXERCÍCIO FINDO. A decadência, como bem sabemos, é a perda por parte do Estado, do direito de ver certo ato praticado pelo contribuinte, como o ato aconteceu em 20.04.1996, muito embora sua anotação tenha sido em 2001, não traz para mundo presente tal prazo. Além do que, tal ato é meramente contábil, não produzindo assim, prejuízo ao Erário, sendo nada mais nada menos que ERRO DE FATO. Porquanto ESCUSÁVEL. Não pode a Autoridade Atuante, diante de prova inequívoca da ocorrência de tal fato no ano de 1996, consignando em Contrato, porém, como se vê, não havia sido objeto de lançamento, e pelo principio da Oportunidade, deve ser feito tão logo se descubra o erro de lançamento, esclarecendo somente que se trata de ajuste e que tal fato contábil já ocorreu. Assim, o suposto fato tributou não enseja, base para omissão de receita, muita menos para suprimento de caixa não comprovado. Assim, Requer a desconstituição do Auto de Infração, excluindo tal valor da tributação e suas decorrências. O QUE DESDE JÁ SE REQUER. 2.3.4 - Omissão de Receita Depósito Bancário não Comprovado: Cabe esclarecer que o valor depositado, sob as seguintes rubrica: "PAGAMENTO AUTORIZADO", "REDECARD" e “HOT MONEY’’, são de fácil deslinde”. As duas primeiras siglas referem-se a Pagamento das faturas pêlos cartões de credito, o que, pode ser de valor maior que as notas fiscais de um dia, em face do acumulo semanal ou quinzenal, em relação aos que os lançados nas demais contas. Já a sigla "HOT MONEY" INDICA QUE SE TRATA DE UMA ABERTURA DE CREDITO, e não de deposito por venda não declarada. É na verdade o valor de um cheque especial, e não está ligado à atividade fim da empresa, não podendo ser tributada de qualquer forma, senão pelo IOF. De igual sorte padece os empréstimos garantidos por Nota Promissória, capital Rápido, Gira Rápido, Hot Money e etc. Fl. 244DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10746.001380/2004-71 Acórdão n.º 1401-00.408 S1-C4T1 Fl. 226 19 Com o avanço da informática, tais contratos e empréstimos são tratados ate mesmo por meio eletrônico, e seus respectivos créditos e débitos, são automáticos, ingressando na conta por ocasião da contratação e incidindo sobre os mesmos, na medida de são usados. Assim, os empréstimos a exemplo dos firmados com o Banco Bradesco S/A, foram esclarecidos e confirmados pelo Agente financeiro. Só que tais contratos, como solicitado pela fiscalização, não foram entregues pêlos motivos apresentados em carta assinada pelo Gerente Sr. José António S. Filho. Assim, para se descaracterizar tal afirmação, hábil e idônea necessária que o Fisco prove que tal Declaração é falsa, neste caso, não basta e não tem como seu aliado o seu simples juízo ou avaliação da prova. Merecendo mais uma vez, serem revistos todos os critérios ensejadores da Autuação. O QUE SE REQUER DESDE JÁ. - Da Ilegalidade do uso do Depósito Bancário nãocomprovado, como base de cálculo: Ultrapassado o esclarecimento, indispensável que se tenha em mente que a lei não permite a utilização de extrato e depósitos bancários como base de calculo para suposta omissão. Nossos Tribunais, de forma a corrigir e coibir tais abusos chegou a sumular o assunto, a exemplo do TRF, via da Súmula 182, pois vejamos: TFR - Súmula - 182 - “É ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários”. 3 grifamos A titulo de ilustração, pedimos vênia, para transcrever algumas decisões sobre a matéria em voga. IRPF - DEPÓSITO BANCÁRIO - D. LEI NR. 2.471/88- CANCELAMENTO - “Ficam cancelados os débitos para com a Fazenda Nacional, arquivando-se o processo, que tenha como origem imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extra tos ou comprovantes de depósitos bancários a teor do inciso VII, do art.9° do Decreto-Lei nr. 2471/88 (Ac. unân. nr. 106-1.791, recurso nr. 51.419, 6a Câm do 1° C. C.M. F.)"4 No mesmo sentido: “NORMAS GERAIS - CANCELAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Por determinação legal, foram cancelados os débitos para com a Fazenda Nacional, que tiveram origem em rendimento arbitrado com base exclusivamente em valores de extraio ou Fl. 245DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 20 comprovantes de depósitos bancários, a teor do disposto no art. 9° ,VII, do DL 2.471/88". (Ac. unân. nr. 106-05.279, de 27/01/93, 6a Câm. CCRF)5 No mesmo sentido: IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS -Depósitos bancários não caracterizam, por si só, rendimentos auferidos. Recuso provido. (Ac. Unân. Nr. 102-29.832; 2a Câm do 1° CCMF, Recurso nr. 78. 225/(IRPF) Assim, encontra-se inteiramente afastada a pretensão do fisco com relação ao tópico em análise. Seguindo esta linha de raciocínio, imperioso expurgar as conclusões equivocadas e ilegais, que tem por base, EXTRATOS E DEPÓSITOS BANCÁRIOS, em obediência aos preceitos legais expostos. O QUE DESDE JÁ SE REQUER. 2.3.5 - Diferença Entre o Valor Escriturado e Declarado/Pago - Receitas da Atividade: Verbera a fiscalização que nos exercícios: 1999 a 2004 existem diferenças entre o Declarado e o Pago. Primeiro, importante relembrar, que o MPF se refere, somente ao Exercício de 2001, não se prestando para os demais. Ou melhor, para nenhum exercício, em face de ter sido atingido pela EXTINÇÃO DOS PODERES PELO DECURSO DE PRAZO. Assim, mesmo se existisse tais poderes as afirmações não prosperam. Nos exercício de 1999 á 2001, o contribuinte acertadamente aplicou sobre o valor do seu faturamento a alíquota de 8%, inteligência do Art. 15 da Lei 9.249/95, em conformidade com as Decisões fundamentadas da COSIT e entendimentos Pretorianos, de que: havendo o fornecimento de material juntamente com a prestação dos serviços aplica-se a alíquota de 8%. Como cediço, trata-se do ramo de Hotelaria, com o emprego de diversos materiais, tais como: luz, água, roupa de cama, cobertores/, televisão com canal fechado aberto/- sabonetes ar refrigerado e etc. Assim, tais produtos incorporam-se como custo, devendo estes, serem deduzidos ou aproveitados como se autoriza de forma clara a COSIT a aplicara a alíquota de 8%, justamente. O entendimento de que havendo o fornecimento de material que se consuma na prestação dos serviços, cabível e aplicável a alíquota de 8%, não havendo razão para se falar em alíquota de 32%, para o Lucro Presumido. De igual sorte inaplicáveis as famigeradas multas. Devendo e cabendo desconsiderar supostas irregularidades. O QUE DESDE JÁ SE REQUER. — Diferença Entre o Valor Escriturado e Declarado/Pago - Outras Receitas: Fl. 246DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10746.001380/2004-71 Acórdão n.º 1401-00.408 S1-C4T1 Fl. 227 21 Novamente a fiscalização, aponta que encontrou, supostas irregularidades, nos períodos de: 2003 e 2004. Ressalte-se, que o MPF se refere somente ao Exercício de 2001, não se prestando para os demais. Ou melhor, para nenhum exercício, em face de ter sido atingido pela EXTINÇÃO DOS PODERES PELO DECURSO DE PRAZO. Assim, mesmo se existisse tais poderes as afirmações não prosperam. Nos períodos de 2003 e 2004, não existe a diferença alegada pela fiscalização. O contribuinte acertadamente levou a tributação todas às receitas. Porém, pela ausência de demonstração clara dos valores e períodos, dificulta o entendimento, pois se torna muito vago afirmar que não houveram receitas tributadas. Sem, contudo, demonstrá-las graficamente. Desta forma, inconsistente as afirmações de da Autoridade Atuante, ao atribuir omissão no oferecimento à tributação de outras receitas. Devendo e cabendo desconsiderar suposta irregularidade. O QUE DESDE JÁ SE REQUER. - DAS SUPOSTAS INFRAÇÔES E SUAS MULTAS: A Autoridade Atuante aplicou diversas multas, todas decorrente da obrigação de dar e pagar, ou fazer e deixar de fazer. No entanto, as que são vinculadas á Obrigação Principal, e delas decorrente, quando defesas tais obrigações, sucumbem suas multas, acompanhando o principal. Quando independentes, impostas por obrigação de fazer, incabíveis, pois as faltas que por ventura o contribuinte tenha cometido, não ensejam qualquer aplicação de multa. As multas aplicadas por supostos atrasos em seus cumprimentos das obrigações: tais como entrega atrasada de declaração Quando atendida a entrega, sem que haja provocação por parte da Receita, opera-se o disposto no Art. 138, do CTN. Neste sentido, encontra-se amparado pelo entendimento pacifico da Câmara Superior de Recurso Fisgais, do Conselho de Contribuinte do Ministério da Fazenda, pois vejamos: IRPJ - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – A Fl. 247DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 22 Entrega espontânea, embora a destampo, de declaração de rendimentos, excluía imposição de penalidade face ao disposto no art. 138 'do CTN (Ac. 01-02.412, DOU 15/10/98, pág. 21). Aplicável também para as demais declarações inclusive DCTF Desta forma, inconsistente, as de da Autoridade Atuante, às famigeradas multas. . Devendo e cabendo desconsiderar suposta irregularidade. O QUE DESDE JÁ SE REQUER 3. DO PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA: 3.1 -.DA NECESSIDADE DA PERÍCIA Ilustres Julgadores, uma vez ultrapassadas as inabaláveis teses esposadas pela defesa, para a total anulação do auto de infração, para a desconstituição da relação processual e conseqüente arquivamento, nos resta, REQUER a conversão do julgamento em PERÍCIA baixando o processo em diligencia, aproveitando os documentos apresentados em anexo: Notas Fiscais de Serviços; Controles e Relatórios de Recebimentos e Pagamentos; Declaração Firmada pelo Gerente Sr. José António S. Filho do BRADESCO; Declarações das Instituições Financeiras, informando as liberações e os efetivos créditos e seus valores; Demais documentos anexos. REQUER DESDE JÁ a conversão do julgamento em diligência. Sendo assim, indispensável, a conversão do mesmo, primeiro para afastar as duvida, do efetivo recebimento e depois pêlos pagamentos. Por derradeiro, para aplicar corretamente aos supostos valores remanescentes a tributação correta e verificar os Erros de Fatos, excluindo- os. Tal deferimento, evita assim, ferir mortalmente o estrito processo legal e a ampla defesa, ambos, preceitos constitucionais garantidos pela Carta Política da Republica. Neste entendimento, firmam diversas decisões proferidas pêlos Conselhos de Contribuintes, justificando que o silencio da Autoridade, quanto ao REQUERIMENTO VÁLIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA, tem sido encarado pela jurisprudência pacífica dos Tribunais Administrativos como preterição do direito de defesa. A Jurisprudência cediça do conselho de Contribuintes da União/ com efeito, / se perfaz no sentido de que o deferimento de diligências periciais é inarredável uma vez que o contribuinte, em suas razões de defesa, logre Fl. 248DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10746.001380/2004-71 Acórdão n.º 1401-00.408 S1-C4T1 Fl. 228 23 delinear com clareza pontos controvertidos cuja subsistência, per si, seriam capazes de configurar desvio da função fiscalizadora da Administração. Senão, vejamos: DILIGÊNCIA. PEDIDO NÃO EXAMINADO. É nula a decisão de primeira instância que não examina pedido de diligência formulado pelo contribuinte na impugnação mesmo que tecnicamente imperfeito.(Ac. N. 103-10.511, DOU 15.10.90, p. 9.576, Rei. Cons. Dícler de Assunção)7 No mesmo sentido: PERÍCIA DEFERIDA - VERIFICAÇÃO INCOMPLETA. Se a Autoridade fiscal, deferindo pedido de diligência solicitado pelo sujeito passivo, deixa de •verificar os pontos controversos abordados ou não justifica a razão de não fazê-lo, configura-se cerceamento do direito de defesa que, da mesma forma ocorre, quando a decisão de primeiro grau deixa de refutar argumentos desenvolvidos na impugnação. (Ac. N. 101-85.892, DOU 20.03.95, p. 3.691, Rei. Cons. Jezer de Oliveira Cândido). No mesmo sentido: "AC nr. 101.85.892, DOU de 20.03.95, p. 3.691”. 9 No mesmo sentido: DILIGÊNCIA Ou PERÍCIA. Visando a verdade final, devem objetivar a prova de fatos que o sujeito passivo não tenha condições de trazer para os autos, ou cujo carregamento lhe traria ônus desproporcional. O Requerente deverá, porém, trazer qualquer prova, mesmo indiciaria, de sua efetiva existência. Exige-se, ainda, que o contribuinte tenha demonstrado de forma cabal, mesmo que parcialmente a incorreção do levantamento fiscal (Ac n. 101-73.852, 1ª câm.,1º CC, pres.E Rel Amador Outerelo Fernandez, Dou 27. 04. 83, p. 6763) No mesmo sentido: "AC nr. 101-74.449 DOU de 10.05.84, p. 6.657”. 11 Assim, indispensável o deferimento da perícia e diligências necessárias, ao aparelhamento da defesa completa e real dos interesses do Sujeito Passivo. Razão pela qual, REQUER DESDE JÁ O DEFERIMENTO DE TAIS ATOS, cujos elementos a serem investigados serão apontados ao final do presente Recurso na modalidade de quesitos. Atendendo assim, na integra as exigências legais para o deferimento, uma vez que as razões e fatos já apontam de forma indubitável para os mesmos. Pugnando ainda, pelo direito de apresentar em momento futuro novo documentos dentro da mesma linha de defesa e raciocínio com o fito exclusivo de elucidar as dúvidas do presente auto. Fl. 249DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 24 4.DA POSSIBILIDADE LEGAL DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS POSTERIORMENTE. 4.1 - DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR: Assevera o texto da Carta Política de República, promulgado no ano de 1988, em seu Art. 5°, LIV e LV, pois vejamos: Art. 5'º.... LIV - ninguém será privada da liberdade de seus bens sem o devido processo legal. LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa-.Com os meios e recursos a inerentes; De igual sorte temos o Diploma Processual Civil Brasileiro, garantindo tal escopo de defesa, oportunizando aos litigantes o amplo entendimento e aplicação das normas processuais e demais legislação, sempre na defesa do Estado de Direito que advém da Constituição Federal. Tal materialização se consuma no Art. 397, do CPC, pois vejamos o seu teor: Art. 397 - É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer provas de fatos ocorridos depois dos articulados, ou para contrapô-los aos que foram produzidos nos autos. Não diferente no âmbito administrativo, onde a matéria e complementada e regulada pelo Decreto 70.235/72, em seu Art. 16, §4°, a), b) e c); assim, admiti-se a apresentação de provas documentais, após a apresentação da Impugnação, quando demonstrado os fatos ali articulados. Neste sentido já encontramos diversas decisões judiciais e administrativas, que em celebração ao estrito processo legal e à ampla defesa, sejam oportunizadas as formas e meios mais amplos e flexíveis de demonstração dos fatos e direitos em um processo. Como bem sabemos o processo é o meio e não fim de um direito. Não podendo ser ele, restritivo, de preceitos constitucionais. Assim, requer desde juntada de novas provas, em especial as já mencionadas, em face da dificuldade e até mesmo da impossibilidade de fazê-lo na oportunidade. Vejamos o que nos diz os entendimentos do Conselho de Contribuinte14 e Tribunais Pátrios: Número do Recurso: 012431 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 13558.000666/95-01 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Fl. 250DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10746.001380/2004-71 Acórdão n.º 1401-00.408 S1-C4T1 Fl. 229 25 Matéria: IRPF Recorrente: HAMILTON NEPOMUCENO SOUZA PINHEIRO FILHO Recorrida/Interessado: DRJ-SALVADOR/BA Data da Sessão: 12/05/98 00:00: 00 Relator: Valmir Sandrí Decisão: Acórdão 102-42952 Resultado: DPPU-DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO. Ementa: IRPF - PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO DEVIDO PROCESSO LEGAL - CERCEAMENTO DE DEFESA - Aplicam-se todos os Princípios Constitucionais e Processuais ao Processo Administrativo Fiscal. Não caracteriza cerceamento de defesa à decisão monocrática que julga procedente o lançamento promovido pela autoridade fiscal, se o Contribuinte foi regularmente intimado a suprir a deficiência de prova documental e deixa de apresentá-la. Neste mesmo sentido, dispensa a colação de decisões proferidas na Instância Judicial, diante da inteligência do Az-t. 397, do CPC. Assim, Requer desde já a juntada de novos documentos pêlos motivos já alinhavados e justificados no presente recurso oportunidade que se confundira com a Realização da Perícia e Diligências Requeridas e por certo que será deferida. 5 DOS QUESITOS PRELIMINARES PARA A PERÍCIA E DILIGÊNCIAS 5.1 - DOS QUESITOS: Assina uma vez deferida a pretensão pericial, a mesma e diligências deverão ser orientados pêlos quesitos a seguir indicados, reservando suas decorrências e complementações a cada tempo e hora que se fizerem necessários novos questionamentos. A perícia e diligências poderão nos conduzir a caminhos que facilite o entendimento dos fatos e direitos, avocados pelo Contribuinte/Impugnante, devendo ser acatado e observado, oportunizando a ampla defesa e o estrito processo legal, protegido pela Constituição Federal/1988, pois vejamos: A. Quais os prazos e quais as reais prorrogações do MPF? B.Quantas vezes o contribuinte foi intimados de tais prorrogações? C. O numero que fica no final do MPF identifica quantas vezes este foi prorrogado? Fl. 251DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 26 D. Toda vez que um MPF for prorrogado, em atenção ao principio da publicidade, deve o contribuinte ser intimado? E. Tem valor jurídico um Auto de In f ração Lavrado, tendo por base. MPF vencido ou prorrogado fora de época? F. Um MPF atingindo pela extinção, inteligência do Art. 15, II da Portaria 3. 007/2001, pode ser prorrogada? G. A prorrogação de um MPF deve ser feito até que data? H.A ausência ou deficiência na descrição dos fatos enseja nulidade do Auto de In f ração? I.O simples credito em conta corrente ou ingresso no caixa, de valores não idênticos, aos grafados nas Notas Fiscais, podem ser considerados omissão de receita? J.É possível, identificar os depósitos e ingressos no caixa, através dos relatórios de Recebimento e Pagamentos? K. uma vez identificados os depósitos ou ingresso no caixa, com as diversas notas, fechando os valores, pode ensejar a classificação como omissão de receita? L.Pode ser considerado suprimento de caixa não comprovado, fato ocorrido em exercício findo (1996), contabilizado ou não, tendo por base a ação fiscal na época da autuação (2003)? M. Fato contábil, que produz mero erro escusável é passível de punição? N.Quando observado, pela Contabilidade que certo fato não foi contabilizado no tempo cesto, e seu resultado não produzem prejuízo ao erário, pode ser lançado para simples correção de irregulares idades, observando o principio da oportunidade?O.Extratos bancários, podem ser usados como base sólida autuação? P. Dos levantamentos realizados e tributados foram excluídos os •valores recebidos de empréstimos, transferências e outros não tributáveis? Identificar. Q. Os ditos valores do item anterior foram excluídos da base de calculo par apuração do Imposto, à época da lavratura do Auto? R. Na Atividade do contribuinte é fornecido algum material que se consome e agrega á prestação dos serviços? S. Havendo o fornecimento de material, aplicável a alíquota de 8% para a tributação do lucro presumido? T.Havendo apresentação espontânea de qualquer obrigação, mesmo os dês tempo, é aplicável multa formal? 6 . DOS PEDIDOS Fl. 252DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10746.001380/2004-71 Acórdão n.º 1401-00.408 S1-C4T1 Fl. 230 27 Assim sendo, satisfeitas as exigências contidas nas normas vigentes à época dos fatos e, denotando uma boa fé e o regular cumprimento de suas obrigações Fiscais, passando então a Requerer, o que se segue: Z. Requer, o recebimento da presente Impugnação, por tempestiva, boa e valiosa, recebendo-a em ambos os efeitos, impondo seu conhecimento, para analisar as razões do Impugnante, para ao final, dar provimento em sua integra; II. Requer, o reconhecimento das preliminares, para anular o processo ab inicio por: 1. Ausência de MPF valida e vigente, vez que foi atingido pelo decurso de prazo sem prorrogação valida, vez que foram feitas a destampo, contrariando a norma vigente; 2. Indevida Ampliação de poderes não contidos no MPF inicial, incabível no curso da ação fiscal e praticado fora do prazo; III. Acolhendo as Preliminares suscitadas, seja o presente anulado desconstituindo a relação processual, para aniquilar o auto de infração no inicio e arquivando o mesmo; V. Requer, a. apreciação das provas coligidas para os autos, bem como, as anexadas à Impugnação, que comprovam, que nunca houve diferença entre os valores recebidos e emitidas o documento fiscal (Nota); VI. Requer julgar inconsistentes os termos de TODO Relatório Fiscal e Termo de Verificação Fiscal, do IKPJ e seus Reflexos, fato que macula o Auto de In f ração, merecendo ser o mesmo anulado, de s constituindo o Auto de Infração, nos termo da legislação especifica; VII. Requer a rejeição da suposta omissão de receita da atividade, uma vez que restou comprovado, que os valores recebidos, são englobados e referem-se a varias Notas Fiscais, não havendo omissão; VIII. Requer a rejeição das supostas omissões, no que se refere à suposto saldo credor de caixa, posto que, não houve o cuidado por parte da Autoridade Atuante, a inequívoca demonstração do quantum, bem como, a capitulação legal supostamente infringida, e ainda, por se tratarem de despesas lançadas em contas próprias, e sendo impossível refazer o caixa glosando sem motivo justo ou justificado; IX. Requer, ainda, a rejeição da tese fiscal de omissão por suprimento de caixa não comprovado, uma vez que o fato a que se refere tal item, ocorreu no Período de 1996, ou seja, Exercício finda, atingindo pela DECADÊNCIA, já que a. averiguação se deu em 2004, restando tão somente, a demonstração contábil realizada em 2001, por ERRO DE FATO, ou ERRO ESCUSA VEL, cometido anteriormente; X. Requer seja rejeitada a suposta ocorrência da Omissão de Receita — Por deposito bancário não comprovado, uma vez que todos os valores depositados, foram esclarecidos pelas Notas Fiscais emitidas, sendo também Fl. 253DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 28 objeto de deposito valores a titulo de empréstimo, que não representa Receita de qualquer forma, havendo na verdade ERRO DE INTERPRETAÇÃO POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO; XI. Requer, ainda a rejeição dos valores apurados como diferentes entre o declarado e o escriturado — receita da atividade, já que o Contribuinte seguiu orientação da COSIT que, autoriza em seus diversos pareceres a migração da alíquota de 32% para 8% já que em sua prestação de serviços, estão agregados e fazendo parte de seus custos diversos produtos, autorizando assim, quando houver a mescla (serviços e produtos), seja aplicada a alíquota de 8%, como foi feito; XII. Requer também, a desconsideração da suposta diferença entre o valor escriturado e o declarado de outras receitas, vez que o contribuinte nunca sonegou ou deixou de levar à tributação valores de outras receitas, o que na perícia e diligencia restará provado; XIII. Requer, ainda, julgamento em PERÍCIA E DILIGÊNCIAS, nos termos da Art. 16, IV do Decreto 70.235/72, em face do cerceamento de defesa, ao serem desprezados os documentos de períodos que não compreendidos no ano de 2001, tendo como orientadores da mesma, as questões e quesitos supra relacionados, sem preclusão do direito de complementá-los no decorrer da mesma, em prestígio da ampla defesa e do estrito processo legal; XIV. Requer, a aceitação dos quesitos apresentados, para base da perícia ou diligência; XV. Requerem a possibilidade de juntar até o momento final da perícia ou diligência, cópias dos contratos bancários e novos documentos, que comprovem as teses da defesa; XVI. Requer a aplicação quando for o caso, do disposto no Art. 138 do CTN, expurgando as possíveis multas por eventuais atrasos, pelo principio da espontaneidade; XVII. Requer o cancelamento das demais multas, pois são elas decorrentes das obrigações principais, acompanhando-as, como determina a lei; XVIII. Requer que, após, o justo reconhecimento dos direitos, ora avocados, reconhecida à inconsistência do auto de infração, a violação dos precanular o mesmo processo; XIX. Assim, seja ao final, por decisão fundamentada na nova realidade dos fatos e fundamentos, uma vez cancelando o Auto de In f ração, seja desconstituída a presente relação processual administrativa, com o conseqüente arquivamento do processo, após as formalidades de praxe; XX. Requer os sobres tamento dos processos reflexos e a reunião de todos para um. Só julgamento, evitando decisão conflitante. Agindo assim V. Senhoria pode se sentir convicta de ter cumprido o honroso mister de distribuir.JUSTIÇA A DRJ manteve integralmente o lançamento, nos termos da ementa abaixo: Fl. 254DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10746.001380/2004-71 Acórdão n.º 1401-00.408 S1-C4T1 Fl. 231 29 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003, 2004. Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. Estando o demonstrativo de emissão e prorrogação de MPF disponível para consulta pelo contribuinte, via Internet, o fato de não ter sido fornecido ou ter sido fornecido no final ao autuado não invalida o procedimento. COMPETÊNCIA DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA FEDERAL – Os AFRF têm competência para a formalização de lançamentos visando à constituição de créditos tributários correspondentes aos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal e, inclusive, para consignar no auto de infração a multa correspondente. FALTA DE RECOLHIMENTO. Identificada diferença entre valores escriturados e pagos correto é o lançamento. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 255DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 30 MPF – Nulidade - Prorrogação O contribuinte alega que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, teria perdido sua eficácia, pois não teria sido renovado nos prazos legais. Defende, então, a nulidade do procedimento fiscal, uma vez que, ausente prorrogação expressa do MPF, este teria sido extinto pelo decurso de seu prazo de validade. O MPF é mero instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização, disciplinado por portarias da Receita Federal que não têm o condão de alterar a competência atribuída ao auditor fiscal e não o desoneram da atividade obrigatória e vinculada do lançamento. O art. 142 do Código Tributário Nacional expressamente confere à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. E esta autoridade, nos termos da Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, e do Decreto nº 2.225, de 1985, é o auditor fiscal da Receita Federal. Logo, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória, tem ele o dever indeclinável de promover o lançamento. Neste sentido direciona-se o Conselho de Contribuintes, conforme ementas a seguir transcritas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscal. (Acórdão nº 203-08483 de 16/10/2002) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. (...) (Acórdão 107-07268 de 13/08/2003) NORMAS PROCESSUAIS - MPF-MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO LANÇAMENTO - RECURSO EX OFFICIO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de um ato administrativo que deve ser entendido como sendo de caráter meramente gerencial. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando a administração dos trabalhos de fiscalização, não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos do Decreto-lei nº 2.354/54, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração. Recurso de ofício a que se dá provimento. (Acórdão 107-06952 de 29/01/2003) MPF - O Mandado de Procedimento Fiscal, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. (Acórdão 105-14070 de 19/03/2003) Fl. 256DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10746.001380/2004-71 Acórdão n.º 1401-00.408 S1-C4T1 Fl. 232 31 Por conseguinte, eventual inobservância da norma infralegal em nada macularia o lançamento, razão pela qual não merece prosperar, de plano, a alegação do impugnante. De qualquer forma, no caso concreto sequer se configura a impropriedade alegada, por dois motivos. O primeiro é que os cinco anos anteriores ao MPF estão compreendidos no período das verificações obrigatórias e o mero fato de não estar especificado no campo próprio do MPF não implica extrapolação do período fiscalizado. Ademais, há que se observar que o procedimento determinado no MPF inicial (fl.01) foi o de se fiscalizar o IRPJ, bem assim a verificações obrigatórias com o objetivo de confrontar o que fora declarado à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e o que fora lançado na escrituração contábil nos últimos cinco anos conforme inclusive consignado expressamente nesse documento. O segundo ponto, a DRJ, já na fase impugnatória, muito bem apontou o equívoco da recorrente: A contribuinte alega que o MPF estaria extinto, pois, não teria sido prorrogado, ou melhor, só teria sido em 12 de julho de 2004, no entanto, as fl.04, vejo que a primeira prorrogação foi em 03 de abril de 2004 e não em 12 de julho. No caso presente, o MPF foi emitido em 05/12/2003, dele tomando ciência a contribuinte em 08/12/2003, ao ser intimada do início da fiscalização, quando inclusive lhe foi fornecido o código do procedimento fiscal, o qual permite ao contribuinte verificar, via Internet, a autenticidade da emissão do MPF e suas prorrogações. Registre-se que as Portarias nº 6.087, de 21 de novembro de 2005, e nº 4.066, de 2 de maio de 2007, bem como nas Portarias anteriores, prevêem, no art. 13, que a prorrogação do mandado seria efetuada tantas vezes quantas necessárias e poderia ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet; posteriormente, quando do primeiro ato de ofício da autoridade administrativa, esta deve entregar ao sujeito passivo o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF. O fato de o citado demonstrativo não lhe ter sido fornecido pelos autuantes ou só ter sido entregue no final, não invalida o procedimento, até mesmo porque a Portaria SRF nº. 3007, de 2001, não prevê expressamente tal hipótese. Em relação às alegações de indevida ampliação de poderes do MPF, vejo que elas convergem para a seara da inconstitucionalidade, fugindo à competência das instâncias administrativas, sendo matéria inclusive sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Rejeita-se, portanto, a preliminar de nulidade. Fl. 257DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 32 MÉRITO Conforme relatado, foram constatadas diferenças entre os valores de Contribuição Social (CSLL), declarados pelo Contribuinte em DCTF ou pagos e os valores escriturados nos Livros de Apuração de Serviços e Livros Razão e Diário para o último trimestre de 2003 e para o primeiro e segundo trimestres de 2004. Quanto ao mérito a contribuinte apenas repisa os argumentos já utilizados no processo de IRPJ e reflexos, que nada tem a ver com a presente autuação de diferença entre o que foi escriturado e declarado. Dessa forma, resta incólume a diferença encontrada para o primeiro, segundo e último trimestres do ano-calendário de2003, conforme tabela de flS. 42/43, tendo sido utilizado a alíquota de 9% para o lucro presumido: 4 o Trim de 2003 - valor principal de R$ 1.377,96 (11.956,57 – 10.578,61) – (fl.42) 1 o Trim de 2004 - valor principal de R$ 1.369,76 (8.000,28 – 6.630,52) - (fl.43) 2 o Trim de 2004 - valor principal de R$ 829,53 (11.216,92 – 10.387,39) – (fl.43) Diligência/Perícia Outrossim, indefiro o pedido de diligência/perícia neste processo, pois além dos quesitos serem estranhos à matéria versada no presente processo, as provas e as documentações constantes dos autos são suficientes para formação de convicção deste julgador, não havendo necessidade, portanto, de diligência. Multa de 75% Quanto à multa de 75%, foi devidamente aplicada em consonância com a legislação de regência, não cabendo aqui o argumento de que houve denúncia espontânea no caso de diferença entre o que foi declarado e escriturado. Multa – agravamento em 50% Entretanto, o agravamento da multa em 50% deve ser reparado uma vez que não consta dos autos motivo para tal agravamento no presente processo. O Termo de verificação fiscal foi feito de forma genérico abrangendo várias autuações inclusive a autuação principal do IRPJ e reflexos (10746.001382/2004-61). O que se constata é que para essa último processo é que a recorrente foi reintimada várias vezes a apresentar determinada documentação, porém isso não aconteceu no presente processo, senão vejamos. No Termo de Intimação Fiscal de fl. 18, pela primeira vez o autuante intima o contribuinte a apresentar o Livro de Registro de Apuração do ISS relativo aos anos-calendário de 2003 e 2004, base da atuação, bem assim outros livros contábeis (Diário e Razão (1999 a 2004)). Foi cientificado do referido termo em 22/07/2004 (fl.19). Em 26/07/2004, antes de findar o prazo de cinco dias úteis o contribuinte apresenta o Livro de Registro de Apuração do ISS relativo aos anos-calendário de 2003 e 2004 que foram utilizados na apuração da diferença Fl. 258DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10746.001380/2004-71 Acórdão n.º 1401-00.408 S1-C4T1 Fl. 233 33 tributada e em 28/07/2004 os livros Diário de 1999, 2000 e 2002 (fl.21). Apresenta em 05/08/2004, os livros Diário e Razão de 2003 (fl.22) . Em 13/10/2004 é intimado a apresentar extratos de entrega da DCTF (fl.26).Da mesma forma, em 15/10/2004, antes de findar o prazo concedido, entrega os referidos extratos. Em 17/08/2004 é reintimado a apresentar o Diário, razão (fls. 23/24). Em 30/08/2004, apresenta os referidos livros e reapresenta o Livro de ISS que já havia apresentado anteriormente e que lhe havia sido devolvido. O que se percebe é que o atraso mais significativo refere-se a parte da autuação (2004), ensejando apenas uma reintimação que foi cumprida para este ano-caledário. Para o ano-calendário de 2003, apenas atrasou a entrega do Diário e o Razão em 6 dias úteis (05/08/2004), sem necessitar de ser reintimado, tendo entregue o Livro de Registro de Apuração do ISS relativo aos anos-calendário de 2003 e 2004 no prazo solicitado de cinco dias úteis. Cabe salientar que na falta do livro Diário e Razão o referido livro entregue no prazo poderia ter sido utilizado para apuração da matéria tributável. A meu ver, a intenção do legislador foi estabelecer um mecanismo de punição nas situações em que o atraso no fornecimento das informações solicitadas possa acarretar prejuízos ao procedimento fiscal. Nesse contexto, não tendo o contribuinte se negado a colaborar com a fiscalização, inclusive respondendo a todas as intimações, conquanto não tenha tido condições de atendê-las plenamente em alguns prazos, descabe o agravamento da multa, mormente quando a fiscalização dispunha dos elementos necessários para apuração da matéria tributável. Desagravo, portanto, a multa em 50%, remanescendo apenas a multa de 75%. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso apenas para desagravar a multa de ofício em 50%. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 259DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 30/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002457/2006-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2000
RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
(Súmula Carf nº 103).
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. INTERESSE RECURSAL.
Não se conhece do recurso voluntário quando ausente, por parte do recorrente, o interesse recursal.
Numero da decisão: 2401-005.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. Por maioria, em não conhecer do recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que conheciam do recurso voluntário e negavam-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2000 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula Carf nº 103). RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. INTERESSE RECURSAL. Não se conhece do recurso voluntário quando ausente, por parte do recorrente, o interesse recursal.
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CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula Carf nº 103). RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. INTERESSE RECURSAL. Não se conhece do recurso voluntário quando ausente, por parte do recorrente, o interesse recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 24 57 /2 00 6- 28 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10882.002457/200628 Acórdão n.º 2401005.055 S2C4T1 Fl. 356 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. Por maioria, em não conhecer do recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que conheciam do recurso voluntário e negavamlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10882.002457/200628 Acórdão n.º 2401005.055 S2C4T1 Fl. 357 3 Relatório Cuidase de recurso de ofício interposto pela Presidente da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS) e de recurso voluntário manejado pelo sujeito passivo, em face da decisão administrativa consubstanciada no Acórdão nº 0524.651, cujo dispositivo do julgado considerou o lançamento de ofício improcedente. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 302/312): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/06/2000 Decadência. O prazo de decadência dos tributos sujeitos ao lançamento homologação é de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador; conforme previsto no art. 150 , §, 40 do CTN. Desnecessidade de Lançamento. O depósito efetuado por ocasião do questionamento judicial do tributo suspende a exigibilidade do mesmo, enquanto perdurar demanda, ex vi do art. 151, II, do CTN e, por força do seu desígnio, implica lançamento tácito no montante exato do "quantum" depositado, evitando eventual alegação de decadência do direito de constituir o crédito tributário. Julgado improcedente o pedido da contribuinte e em havendo depósito, tornase desnecessária a constituição do crédito tributário no prazo de cinco anos previsto no art. 150 , §, 4° do CTN, não restando consumada a prescrição ou a decadência. Lançamento Improcedente 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 93/97, que a exigência fiscal referese a crédito tributário apurado em decorrência da falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte, relativo a fatos geradores com data em 12/06/2000, incidente sobre a remessa ao exterior de valores a título de juros devidos em operações de captação de recursos internacionais. 2.1 Segundo a autoridade fiscal, o sujeito passivo ajuizou Ação Ordinária Declaratória, cadastrada sob o nº 2002.51010166860, em tramitação na Justiça Federal do Rio de Janeiro, com pleito da incidência da tributação na fonte à alíquota de 15%, nos termos do art. 28 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e não 25%, conforme o art. 8º da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, sob o argumento de que o beneficiário dos juros não localizavase em país de tributação favorecida. 2.2 Devido ao depósito judicial integral, o lançamento foi realizado para fins de prevenção da decadência do direito da Fazenda Nacional, com suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10882.002457/200628 Acórdão n.º 2401005.055 S2C4T1 Fl. 358 4 2.3 O Auto de Infração consta das fls. 98/103, composto pelo valor original do imposto, acrescido de juros de mora. O lançamento foi efetuado sem acréscimo da multa de ofício. 3. A ciência da autuação se deu em 21/12/2006, conforme fls. 97, tendo o sujeito passivo apresentado impugnação no prazo legal (fls. 106/131). 4. O colegiado de primeira instância decidiu pela improcedência do auto de infração, visto que o crédito tributário foi constituído tacitamente pelo depósito judicial do montante integral. 4.1 Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada de que trata o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. 5. A empresa autuada foi cientificada da decisão de piso por via postal em 20/03/2009, conforme fls. 315/316, e protocolou recurso voluntário no dia 22/04/2009, com as seguintes razões de fato e de direito (fls. 317/351): (i) ao contrário do entendimento do acórdão recorrido, é plenamente válido e necessário o auto de infração lavrado pela autoridade fiscal para a cobrança dos créditos tributários, por não configurar o depósito judicial realizado pela recorrente espécie de lançamento tributário; e (ii) nada obstante, cabe impor a decretação da decadência e extinção dos créditos tributários, com fulcro no inciso V do art. 156 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), eis que transcorridos mais de cinco anos entre o respectivo fato gerador e o lançamento de ofício. É o relatório. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10882.002457/200628 Acórdão n.º 2401005.055 S2C4T1 Fl. 359 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Recurso de Ofício 6. Formalizado na própria decisão, o recurso de ofício foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dada que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. 7. Recentemente, no entanto, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, publicada no Diário Oficial da União de 10/02/2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. 7.1 Segundo o novel ato administrativo, o recurso de ofício deverá ocorrer sempre que a decisão de primeira instância exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). 8. Sobre a aplicação do limite de alçada no tempo, por tratarse de norma processual, consolidouse o entendimento no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) da sua aplicação imediata aos processos em curso, em detrimento ao regramento vigente à época da interposição do recurso de ofício. Tal posição consta do enunciado da Súmula nº 103: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. 9. Compulsando os autos, verifico que o tributo lançado corresponde a R$ 2.441.104,40, não havendo lançamento referente à multa de ofício proporcional, ou a qualquer outro tipo de penalidade (fls. 100). Desse modo, o valor desonerado pela decisão de piso, para fins de avaliação do juízo de admissibilidade do recurso de ofício, é inferior ao montante de R$ 2.500.000,00. 10. Logo, não conheço do recurso de ofício, por falta de previsão legal, tendo em conta o limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 63, de 2017. Recurso Voluntário 11. Dentre os requisitos intrínsecos de admissibilidade do recurso voluntário está o denominado interesse recursal. A admissão do recurso pressupõe utilidade, isto é, a Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10882.002457/200628 Acórdão n.º 2401005.055 S2C4T1 Fl. 360 6 possibilidade da obtenção pelo recorrente de uma situação mais vantajosa, do ponto de vista prático, a partir do julgamento do apelo pela instância "ad quem". 12. Uma vez decidido o recurso de ofício, pelo não conhecimento em segunda instância, a decisão a ele correspondente se torna definitiva. Em outros dizeres, será definitiva a decisão administrativa que considerou improcedente a lavratura do auto de infração destinado a prevenir a decadência. 13. A recorrente não discorda da conclusão a que chegou o órgão de primeira instância, pela improcedência do auto de infração. Em verdade, requer apenas discutir o fundamento da decisão, para que se reconheça a insubsistência pela circunstância da decadência do lançamento de ofício. 14. Entretanto, em um e outro caso, a consequência jurídica seria a mesma, na hipótese de acatada a tese da decadência, ou seja, a improcedência do lançamento de ofício para fins de prevenção da decadência, com desaparecimento do auto de infração do mundo jurídico. 15. Cabe ainda realçar a existência de concomitância entre processo judicial e processo administrativo. É inviável a apreciação das matérias relativas à obrigação tributária submetidas ao Poder Judiciário, a quem compete, no curso do ação ordinária nº 2002.51010166860, avaliar e decidir acerca da exigência do crédito tributário, inclusive no que pertine à destinação dos valores depositados em Juízo. 15.1 A controvérsia no processo administrativo limitouse à lavratura do auto de infração para fins de prevenção da decadência, não havendo possibilidade de irradiação de efeitos das decisões administrativas com relação ao litígio instaurado na esfera judicial. 16. Destarte, não conheço do reconheço voluntário, por falta do requisito de admissibilidade voltado ao interesse recursal. Conclusão Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso de ofício e NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 360DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.720232/2011-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
DCTF. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA.
É obrigatória a entrega da DCTF, para entidades sem fins econômicos e/ou fundação pública municipal.
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
Restando caracterizada a entrega em atraso da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais-DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 1001-000.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 DCTF. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. É obrigatória a entrega da DCTF, para entidades sem fins econômicos e/ou fundação pública municipal. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais-DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória.
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente FUNDAÇÃO DE CULTURA E TURISMO DE PETRÓPOLIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. É obrigatória a entrega da DCTF, para entidades sem fins econômicos e/ou fundação pública municipal. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 02 32 /2 01 1- 57 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13748.720232/201157 Acórdão n.º 1001000.054 S1C0T1 Fl. 75 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre (RS), mediante o Acórdão nº 1045.900, de 22 de agosto de 2013 (efls. 44/46), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento (efl. 31) com a exigência do crédito tributário no valor de R$ 937,21 a título de multa de ofício isolada por vinte e cinco (25) meses de atraso na entrega em 11/04/2011, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 2º semestre de 2008, cujo prazo final era 07/04/2009. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação argumentando que somente entregou a referida declaração para obter certidões negativas, pois está dispensada dessa obrigação, conforme art. 5º, inciso IV, das IN RFB 786 e 903/2008. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória fora do prazo previsto na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação da penalidade legal. Ciente da decisão de primeira instância em 10/10/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 50, a recorrente apresentou recurso voluntário em 11/11/2013 (efls. 51/70), conforme carimbo de recepção à efl. 51. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele conheço. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, ou seja, que somente entregou a referida declaração para obter certidões Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13748.720232/201157 Acórdão n.º 1001000.054 S1C0T1 Fl. 76 3 negativas, pois está dispensada dessa obrigação, conforme art. 5º, inciso IV, das IN RFB 786 e 903/2008. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento ao disposto no §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Os atos administrativos citados pela defesa, dispõem o seguinte: IN RFB 786/2007 (DOU 23/11/2007) Art. 5º Estão dispensadas da apresentação da DCTF: [...] IV as autarquias e as fundações públicas federais. [...] Art. 15. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de janeiro de 2006, em relação ao disposto no inciso IV do caput do art. 5º; [...] III para fatos geradores que venham a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 2008, em relação aos demais dispositivos. IN RFB 903/2008 (DOU 31/12/2008) Art. 5º Estão dispensadas da apresentação da DCTF: [...] IV os órgãos públicos da administração direta da União; e V as autarquias e as fundações públicas federais. [...] Art. 15 . Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Art. 16 . Fica revogada, a partir de 1º de janeiro de 2009, a Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007. O contribuinte, de acordo o Estatuto Social (fl. 7), é uma entidade com personalidade jurídica de direito público, sem fins lucrativos, com patrimônio próprio, instituída na forma da Lei Municipal nº 5.107, de 1994, como órgão da administração indireta do município de Petrópolis, ou seja, é uma fundação pública municipal (fl. 18). Os atos normativos alegados pela defesa estabelecem a dispensa de apresentação da DCTF somente para fundações públicas federais. Diante do exposto, tendo em vista que o contribuinte não está dispensado da apresentação da DCTF, voto por julgar improcedente a impugnação para manter o valor lançado. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13748.720232/201157 Acórdão n.º 1001000.054 S1C0T1 Fl. 77 4 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, de forma a manter a exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF no valor de R$ 937,21. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.003340/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
NULIDADE. ENQUADRAMENTO LEGAL.
Incabível a nulidade do Auto de Infração, quando restar comprovada a não ocorrência da preterição do direito de defesa dada a descrição dos fatos contida no Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal e a impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que ao mesmo foram feitas.
JUROS DE MORA. IMPUGNAÇÃO.
Os créditos tributários não pagos no vencimento são acrescidos de juros de mora com base na Taxa SELIC, conforme preceitua o artigo 13 da Lei 9.065/95. A impugnação do crédito no âmbito administrativo não suspende a aplicação dos juros (Súmula 5 do CARF).
IRPF. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. FORMALIDADES.
Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, poderá ser distribuída, sem incidência de imposto, parcela de lucros ou dividendos excedentes, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pelo lucro presumido. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, que deverá conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetido à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio.
ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. REGISTRO E AUTENTICAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares, devem ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio até antes do início da ação fiscal, sob pena de perda da espontaneidade.
SUSTENTAÇÃO ORAL.
A sustentação oral por causídico é realizada nos termos dos arts. 58 e 59 do Anexo II do RICARF, observado o disposto no art. 55 desse regimento.
Numero da decisão: 2401-005.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ENQUADRAMENTO LEGAL. Incabível a nulidade do Auto de Infração, quando restar comprovada a não ocorrência da preterição do direito de defesa dada a descrição dos fatos contida no Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal e a impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que ao mesmo foram feitas. JUROS DE MORA. IMPUGNAÇÃO. Os créditos tributários não pagos no vencimento são acrescidos de juros de mora com base na Taxa SELIC, conforme preceitua o artigo 13 da Lei 9.065/95. A impugnação do crédito no âmbito administrativo não suspende a aplicação dos juros (Súmula 5 do CARF). IRPF. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. FORMALIDADES. Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, poderá ser distribuída, sem incidência de imposto, parcela de lucros ou dividendos excedentes, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pelo lucro presumido. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, que deverá conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetido à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 33 40 /2 00 7- 01 Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 422 2 ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. REGISTRO E AUTENTICAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares, devem ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio até antes do início da ação fiscal, sob pena de perda da espontaneidade. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por causídico é realizada nos termos dos arts. 58 e 59 do Anexo II do RICARF, observado o disposto no art. 55 desse regimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar o relatório já elaborado em ocasião anterior, pela 1ª Turma da DRJ/FOR e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 376/389): Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, fls. 04/11, relativo aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, exercícios de 2003, 2004 e 2005, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 328.506,95, incluindo multa de oficio e juros de mora. As infrações apuradas pela Fiscalização, relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, fls. 05/07, foram omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica a título de lucros distribuídos, excedentes ao lucro presumido/arbitrado pagos a sócio ou acionista e omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse detalhados às fls. 06/07 e 11. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 423 3 Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 17/04/2007, fls. 04, o contribuinte, mediante instrumento procuratório às fls. 266, apresentou impugnação em 16/05/2007, fls. 257/265, contendo as alegações a seguir parcialmente transcritas: I PRELIMINAR DE NULIDADE 1. Preliminarmente, o Impugnante questiona a fundamentação legal utilizada pelo Fisco no item 001, folha de continuação do Auto de Infração, para argumentar a tributação do lucro que ultrapasse o valor do lucro presumido deduzido do imposto correspondente, ou seja, valeuse indevidamente o Sr. Auditor Fiscal do art. 633 do RIR/99, que trata dos "resultados apurados no anocalendário de 1995", quando o correto seria o art. 662 do RIR/99, que trata dos "resultados apurados a partir de 10 janeiro de 1996", na Seção II — Lucro Presumido, do Capítulo III — Rendimentos de Participações Societárias, do Título I— Tributação na Fonte, do Livro III, do Rir/99. 2. Com base nos dispositivos acima discriminados, a Impugnante entende ser nulo o Auto de Infração, no que tange ao item 001 — Rendimentos Atribuídos a Sócios de Empresas — Rendimentos Excedentes ao Lucro Presumido/Arbitrado Pagos a Sócio ou Acionista, uma vez que a pretensa fundamentação legal utilizada pelo Fisco não corresponde aos lucros e dividendos isentos e nãotributáveis recebidos pelo Impugnante, rendimentos que lhe foram pagos por ETAP — Escritório Técnico de Assessoria e Planejamento Ltda., CNPJ n°01.771.700/000142, pessoa jurídica da qual é sócio, nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, correspondentes aos resultados apurados nesses mesmos anos calendário. II. DOS FATOS E DO DIREITO 03. (...) 11.1 — DOS RENDIMENTOS ATRIBUÍDOS AO SÓCIO DA EMPRESA ETAP, EXCEDENTES AO LUCRO PRESUMIDO 4. O Sr. Auditor Fiscal efetuou o lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) calculado sobre os rendimentos declarados como isentos e nãotributáveis, a título de lucros e dividendos recebidos, que foram pagos ao Impugnante, pela empresa ETAP — Escritório Técnico de Assessoria e Planejamento Ltda., doravante denominada ETAP, de quem é sócio, em montantes supostamente superiores aos lucros presumidos da empresa nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, deduzidos dos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, sob o argumento de que a ETAP não mantinha escrituração de suas operações elaborada tempestivamente e em consonância com as formalidades extrínsecas e a consistência material exigidas pela legislação comercial, de forma a demonstrar a existência, em seu patrimônio, de lucros contábeis em montantes suficientes para amparar o pagamento dos Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 424 4 rendimentos excedentes do lucro presumido, sem incidência do IRPF. 5. Importante destacar que, na Resposta ao Termo de Início de Fiscalização (TIF), protocolada em 29 de janeiro de 2007, no item 2, o Impugnante juntou documentos suficientes para comprovação do efetivo recebimento da distribuição dos lucros, destacando o período de pagamento, o tipo de documento probante da operação, a forma de pagamento (se entre transferência entre contas ou em espécie), e respectivos valores recebidos pelo Impugnante. Posteriormente, após prévia solicitação de prorrogação de prazo, inserida na Resposta ao TIF, foram apresentados ao Fisco, em 16 de fevereiro de 2007, os livros Razão, Diário e Caixa, mais balancete e plano de contas correspondentes aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004 da empresa ETAP, para as devidas análises e comprovação dos lucros distribuídos. (...) 07. Assim, para fins de comprovação do efetivo recebimento dos lucros distribuídos pela ETAP ao sócio, ora Impugnante, informados como rendimentos isentos ou não tributáveis nas declarações de rendimentos dos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, demonstrase o pagamento da distribuição dos lucros nos meses dos referidos exercícios questionados pelo Fisco, juntandose cópias das folhas dos Livros Razão e Diário nas quais se provam os lançamentos dos valores depositados em cheque e transmitidos online, bem assim dos valores de lucros distribuídos em espécie, cujos documentos (recibos e extratos de contas correntes, correspondentes aos docs. 11 a 19, de 2002, docs. 25 a 44, de 2003, e docs. 51 a 59, de 2004) foram juntados na Resposta ao TIF, protocolada em 29 de janeiro de 2007, a saber: Ano de 2002 (livros Razão e Diário de n° 8): (...) Ressaltese que, em agosto/02, a transferência entre contas foi de R$ 25.000,00, ou seja, há uma diferença de R$ 475,02 em relação ao valor computado pelo Fisco. Isso porque, na construção da tabela, o Fisco não admitiu como lucros isentos aqueles pagos além do lucro presumido. Destaquese, ainda, que o montante de R$ 5.220,00 foi pago em agosto de 2002 e não em dezembro de 2002, conforme informado ao Fisco em Resposta ao TIF, protocolada em 16 de fevereiro de 2007, item 2 (retificação). Ano de 2003 (livros Razão e Diário de n° 09): (.. ) Ressaltese que, em maio/03, a transferência entre contas foi de R$ 22.000,00, ou seja, há uma diferença de R$ 15.956,75 em Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 425 5 relação ao valor computado pelo Fisco. Isso porque, na construção da tabela, o fisco não admitiu como lucros isentos aqueles pagos além do lucro presumido. Quanto à distribuição de lucros ao Impugnante, em 15 de dezembro de 2003, no montante de R$ 13.000,00, inserida pelo Fisco no rol das distribuições preparado pelo Impugnante, foi lhe feito por requisição da sócia, Sra. Selene Sales Nogueira Caracas de Souza, para fins de pagamento de urna despesa particular. Ou seja, o lançamento na conta Bancos, contabilizado na pg. 179 do Livro Razão n° 09 da ETAP (contrapartida na conta Distribuição de Lucros, pg. 203 do Livro Razão n° 09 da ETAP), referese, de fato, a pagamento de distribuição de lucros em nome da sócia do Impugnante, embora, nessa data, a transferência online tenha sido feita da conta da ETAP para a conta do Impugnante, no Banco do Brasil, segundo expôs o Fisco. Referido pagamento da despesa consta do cheque pago em outra agência, ocorrido em 19 de dezembro de 2003, no montante de R$ 56.000,00 (doc. 27). Ano de 2004 (livros Razão e Diário de n° 10): (...) Ressaltese que, em junho/04, o pagamento em espécie foi de R$ 22.000,00, ou seja, há uma diferença de R$ 19.117,44 em relação ao valor computado pelo Fisco. Isso porque, na construção da tabela, o Fisco não admitiu como lucros isentos aqueles pagos além do lucro presumido. 8. Quanto à assertiva do Fisco que a empresa ETAP optou por não manter escrituração comercial das suas operações, nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, simplesmente porque informou os dados exigidos nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, baseados no Livro Caixa, não tem o menor sentido lógico. A tributação da empresa teve por base as receitas lançadas no Livro Caixa, o que não significa dizer que não manteria escrituração comercial de suas atividades segundo dispõe a legislação comercial. A necessidade de escrituração comercial, além de servir de base para distribuição de lucros além daqueles efetivamente tributados com base no lucro presumido, tem outras serventias, especialmente para fins de obtenção de eventuais empréstimos bancários, uma vez que as instituições financeiras sempre exigem balanço patrimonial das empresas para fins creditícios. 9. No afã de questionar o pagamento da efetiva distribuição de lucros isentos ao sócio, ora Impugnante, para exigir a tributação sobre o que entendeu de considerar esses pagamentos como "parcelas excedentes do lucro presumido", a fiscalização logrou questionar a tempestividade da escrituração comercial atendose a outros detalhes da escrituração apresentada tais como a solicitação a instituição financeira de extratos bancários, data de emissão das folhas dos livros fiscais impressos via processamento de dados, necessidade de escrituração das operações para fins de fornecimento do Comprovante de Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 426 6 Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte até o último dia útil de fevereiro do ano seguinte ao dos pagamentos realizados, inclusive de que os livros Diários da ETAP apresentados (entendase os relatórios impressos por processamento de dados para análise pelo Fisco) não possuíam Termos de Abertura e Encerramento, nem estavam autenticados pela Junta Comercial do Estado do Ceará. Como se esses requisitos de natureza meramente formais fossem importantes, relevantes ou materiais na análise do efetivo pagamento da distribuição de lucros aos sócios. 10. Isto posto, provase que o Fisco logrou depreciar a existência de escrituração comercial mediante relato de meros atos formais em prejuízo do aspecto material, substancial, que é a efetiva existência de lucros isentos passíveis de distribuição ao sócio, ora Impugnante, este sim, fato relevante que o Fisco não teve como provar ser inverídico. Limitouse a destacar algumas inconsistências materiais na escrituração comercial, como a pretensa incompatibilidade entre os valores declarados a título de receitas brutas de prestação de serviços da ETAP nas DIPJ's dos anoscalendário de 2002 e 2003 e os valores dessas receitas escriturados na contabilidade, a saber: Anocalendário DIPJ Contabilidade 2002 883.269,63 874.364,71 2003 975.144,19 886.073,30 Contudo, tais fatos em nada prejudicam o pagamento das distribuições realizadas, ao contrário, em razão de seu montante, confirmam a existência de receita mais que suficiente para o pagamento das distribuições feitas ao Impugnante nesses exercícios. 11. Da mesma forma, destaquese que os lucros contábeis, após as provisões dos tributos, registrados nos Livros diário da ETAP, nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, são mais que suficientes para o pagamento das distribuições de lucros ao Impugnante, relativas a esses exercícios, a saber: (...) 12. Vale salientar que no processo administrativo predomina o princípio da verdade material o sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Não é outra a posição do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (CC), exarada no Acórdão 10318789 da 3° Câmara do 1° CC. 13. No caso do Impugnante, como o Fisco não logrou provar a existência de lucro insuficiente para distribuição ao sócio, ora Impugnante, os pagamentos das distribuições de lucros nos Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 427 7 anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, tendo por base os resultados apurados nesses exercícios, estão de acordo com o disposto na Instrução Normativa da Receita Federal (IN RF) n° 93/97, art. 48, § 2°, inciso II, tendo por base o art. 662 do RIR/99, uma vez ser claro ao determinar que a parcela dos lucros ou dividendos que exceder o valor da base de cálculo do imposto, que será determinada deduzindose do lucro presumido do período os tributos e contribuições devidos, também poderá ser distribuída sem a incidência do imposto, desde que a empresa demonstre, por meio de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto. 11.2 — DA OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE SALA COMERCIAL 14. Constatase que o Sr. Auditor Fiscal lançou o Imposto de Renda, à alíquota de 15%, em razão de suposta omissão, na Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda Pessoa Física do anocalendário de 2004, do Impugnante, de parcela do ganho de capital auferido na alienação de uma sala comercial no Shopping Aldeota (...). 15. Contudo, no item 7 da Resposta ao Termo de Início de Fiscalização (TIF), protocolada em 20 de janeiro de 2007, o Impugnante informou e juntou DARF, no valor principal de R$ 1.342,50, relativo ao pagamento do imposto de renda devido, com os acréscimos legais até a data de pagamento, calculado sobre o montante de R$ 8.950,00, correspondente às benfeitorias efetuadas no referido bem. O DARF juntado na Resposta ao TIF levou o n° 68, o qual faz parte do processo fiscal cuja cópia foi recebida anexa ao Auto de Infração, razão de ser desnecessária nova juntada de documento já em poder do Fisco. 16. Assim, o imposto de renda pago conforme exposto no item anterior, acrescido do montante de R$ 907,50, já recolhido por ocasião da alienação do bem, em agosto de 2004, perfaz o total de R$ 2.250,00, correspondente ao imposto de renda devido sobre o ganho de capital na operação, como quer o Fisco. III. O PEDIDO De todo exposto, com base nos dispositivos legais, cálculos efetuados e na jurisprudência invocados que regem a matéria, o Impugnante requer, com o devido respeito, se digne V. Sa julgar o AUTO DE INFRAÇÃO IMPROCEDENTE, em parte, homologando o crédito tributário no valor principal de R$ 1.342,50, ora confessado e pago, já com os devidos acréscimos legais. É o relatório. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DRJ/FOR), por meio do Acórdão nº Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 428 8 0821.733 (fls. 376/389), de 13/09/2011, cujo dispositivo considerou improcedente a Impugnação, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA A TÍTULO DE LUCROS DISTRIBUÍDOS EXCEDENTES DO LUCRO PRESUMIDO. No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, a parcela de lucros e dividendos excedentes a ser distribuída aos sócios encontrase isenta do imposto de renda desde que a empresa demonstre, mediante escrituração contábil, elaborada de acordo com a lei comercial, que o lucro efetivo foi maior que aquele apurado com base no lucro presumido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. NULIDADE. ENQUADRAMENTO LEGAL. Incabível a nulidade do Auto de Infração, quando restar comprovada a não ocorrência da preterição do direito de defesa dada a descrição dos fatos contida no Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal e a impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que ao mesmo foram feitas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. Em sua impugnação a defesa restringe suas alegações à infração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica a título de lucros distribuídos, excedentes ao lucro presumido/arbitrado pagos a sócio ou acionista, tendo concordado com o lançamento referente à infração de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais. Devese, portanto, observar o que estabelece o art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, o qual determina que: "Considerar seá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante". Assim, para o caso em exame, considerase não impugnada a matéria relativa à infração de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais, o que torna Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 429 9 precluso, na esfera administrativa, o direito de argüição sobre a matéria de mérito dessa infração, não se encontrando suspenso de exigibilidade, nos termos do artigo 151 da Lei n° 5.172, de 10 de outubro de 1966 (CTN), o crédito tributário decorrente da mencionada infração. 2. Verificase, ainda, que todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do Auto de Infração. Desse modo, e: (a) restando comprovado que a legislação tributária prevê a incidência de imposto sobre os lucros e dividendos que ultrapassarem o valor do lucro presumido deduzido do imposto correspondente; (b) restando demonstrado que a autoridade fiscal descreveu minuciosamente a infração em seu Termo de Verificação Fiscal; (c) que de acordo com o artigo 60 do Decreto n° 70.235, de 1972, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo 59 desse diploma legal não importarão em nulidade; e, (d) que a argumentação e as alegações levantadas pelo impugnante demonstraram que o contribuinte teve pleno conhecimento da infração apurada pela Fiscalização, concluise pela inocorrência de nulidade do Auto de Infração. Assim sendo, rejeitase a preliminar suscitada, uma vez que, mesmo que se venha a entender que o enquadramento legal não esteja correto, resta comprovada a não ocorrência da preterição do direito de defesa, dada a descrição dos fatos contida no Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal (parte integrante do Auto de Infração) e a impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que ao mesmo foram feitas. 3. De pronto, há que se deixar claro que a lide não trata de se saber se houve ou não lucro para ser distribuído. Resta evidenciado nos autos que a empresa ETAP — Escritório Técnico de Assessoria e Planejamento Ltda apurou lucros nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004. A lide trata de se saber se os lucros distribuídos pela ETAP, excedentes ao lucro presumido pagos a sócio, nos citados anos, são ou não isentos do imposto de renda, em função da escrituração comercial da citada empresa apresentada ao Fisco pelo autuado. 4. No caso presente, o contribuinte não logrou comprovar que a empresa da qual é sócio — ETAP — Escritório Técnico de Assessoria e Planejamento Ltda, mantinha escrituração contábil, nos termos da lei comercial, não podendo, portanto, usufruir do que estabelece o artigo 48 da Instrução Normativa SRF n° 93, de 1997. Este fato resta demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, elaborado pela autoridade fiscal e corroborado nos autos por documentos. 5. Quanto à queixa de que o valor de R$ 5.220,00, referente aos lucros distribuídos foi pago em agosto e não em dezembro, constatase, conforme extratos bancários emitidos pelo Banco do Brasil S/A relativamente às contas bancárias da ETAP e do contribuinte (fls. 64 e 65), bem como o documento denominado "Recibo de Distribuição de Lucro" emitido pelo contribuinte junto à ETAP (fls. 63) que tal valor foi pago em dezembro e não em agosto de 2002. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 430 10 6. Por fim, quanto à alegação da defesa de que o montante de R$ 13.000,00, referese a lucros distribuídos em dezembro de 2003 à sócia Selene Sales Nogueira Caracas de Souza e não ao contribuinte, apesar de a empresa ETAP haver feito a transferência bancária de tal valor diretamente para o contribuinte a pedido da citada sócia, para fins de pagamento de despesa particular da mesma, temse que o contribuinte não traz aos autos provas suficientes que demonstrem que os R$ 13.000,00 referese a lucros distribuídos à sócia Selene. 7. Assim, por todos os fatos acima explanados tenderem no sentido de comprometer a idoneidade da escrituração comercial da ETAP, referente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, é de se manter o feito fiscal, considerando como rendimentos tributáveis pagos por essa pessoa jurídica o valor que excedeu ao lucro presumido deduzido dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos anoscalendário sob fiscalização. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 405/416), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. Preliminarmente, o recorrente questiona a fundamentação legal utilizada pelo Fisco no item 001, folha de continuação do Auto de Infração, para argumentar a tributação do lucro que ultrapasse o valor do lucro presumido deduzido do imposto correspondente, ou seja, valeuse indevidamente o Sr. Auditor Fiscal do art. 663 do RIR/99, que trata dos “resultados apurados no anocalendário de 1995”, quando o correto seria o art. 662 do RIR/99, que trata dos “resultados apurados a partir de 1° de janeiro de 1996”, na Seção II – Lucro Presumido, do Capítulo III – Rendimentos de Participações Societárias, do Título I – Tributação na Fonte, do Livro III, do RIR/99. Com base nos dispositivos discriminados, o recorrente entende ser nulo o auto de infração, no que tange ao item 001. b. É injustificável que o Fisco demore mais de seis anos para proferir decisão sobre um processo, enquanto o contribuinte tem apenas 30 (trinta) dias para dele defenderse. Não se trata apenas de uma questão de deslealdade, mas a de ser abusado nos seus direitos de ente público que, por sua natureza, dispõe de poderes que o ente privado não tem. Razão pela qual é pertinente a adoção de medida legal sancionatória, com o fim de coibir o abuso e ilegalidade praticados contra o contribuinte processado. Essa decisão sancionatório teria por base a exclusão de todo valor referente aos juros de mora oriundos da omissão da decisão a tempo, ou seja, que excluamse os valores dos juros excedentes ao direito do Fisco decidir a Impugnação no prazo máximo de até 360 (trezentos e sessenta) dias, consoante exigência determinante no art. 24 da Lei n° 11.457/07. c. Na Resposta ao Termo de Início de Início de Fiscalização (TIF), protocolada em 29 de janeiro de 2007, no item 2, o recorrente juntou Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 431 11 documentos suficientes para comprovação do efetivo recebimento da distribuição dos lucros, destacando o período de pagamento, o tipo de documento probante da operação, a forma de pagamento (se entre transferência entre contas ou em espécie) e respectivos valores por ele recebidos. Posteriormente, após prévia solicitação de prorrogação de prazo, inserida na Resposta ao TIF, foram apresentados ao Fisco, em 16 de fevereiro de 2007, os livros Razão, Diário e Caixa, mais balancete e plano de contas correspondentes aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004 da empresa ETAP, para as devidas análises e comprovação dos lucros distribuídos. Essas provas materiais não foram consideradas. d. A fim de comprovar o recebimento efetivo dos lucros distribuídos pela ETAP ao sócio, ora recorrente, informados como rendimentos isentos ou não tributáveis nas declarações de rendimentos dos anos de 2002 a 2004, demonstrase o pagamento da distribuição dos lucros nos meses dos referidos exercícios questionados pelo Fisco, com cópias das folhas dos Livros Razão e Diário, nas quais se provam fartamente os lançamentos dos valores depositados em cheque e transmitidos online, bem assim dos valores de lucros distribuídos em espécie, cujos documentos (recibos e extratos de contas correntes) foram juntados na Resposta ao TIF, protocolada em 29 de janeiro de 2007. e. Ressaltese que, em agosto/02, a transferência entre contas foi de R$ 25.000,00, ou seja, há uma diferença de R$ 475,02 em relação ao valor computado pelo Fisco. Isso porque, na elaboração da tabela, o Fisco não admitiu como lucros isentos aqueles pagos além do lucro presumido. f. Destaquese, ainda, que o valor de R$ 5.220,00 foi pago em agosto/02 e não em dezembro/02, conforme informado ao Fisco em Resposta ao TIF, protocolada em 16 de fevereiro de 2007, item 2 (retificação). g. Ressaltese que, em maio/03, a transferência entre contas foi de R$ 22.000,00, ou seja, há uma diferença de R$ 15.956,75 em relação ao valor computado pelo Fisco, porque, na elaboração da tabela, não admitiu como lucros isentos aqueles pagos além do lucro presumido. h. Quanto à distribuição de lucros ao recorrente, em 15 de dezembro de 2003, no montante de R$ 13.000,00 inserido pelo Fisco no rol das distribuições preparado pelo recorrente, foilhe feito por requisição da sócia, Sra. Selene Sales Nogueira Caracas de Souza, para fins de pagamento de uma despesa particular. Ou seja, o lançamento na conta Bancos, contabilizado na pg. 179 do Livro Razão n° 09 da ETAP (contrapartida na conta Distribuição de Lucros, pg. 203 do Livro Razão n° 09 da ETAP), referese, de fato, a pagamento de distribuição de lucros em nome da sócia do recorrente, embora, nessa data, a transferência on line tenha sido feita da conta da ETAP para a conta do recorrente, no Banco do Brasil, segundo expôs o Fisco, Referido pagamento da despesa consta do cheque pago em outra agência, ocorrido em 19 de dezembro de 2003, no montante de R$ 56.000,00. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 432 12 i. Ressaltese que, em julho/04, o pagamento em espécie foi de R$ 22.000,00, ou seja, há uma diferença de R$ 19.117,44 em relação ao valor computado pelo Fisco, porque, na construção da tabela, não admitiu como lucros isentos daqueles pagos além do lucro presumido. j. Requisitos de natureza meramente formais não são relevantes ou materiais na análise do efetivo pagamento da distribuição de lucros aos sócios. k. O Fisco logrou depreciar a existência de escrituração comercial mediante relato de meros atos formais em prejuízo do aspecto material, substancial, que é a efetiva existência de lucros isentos passíveis de distribuição ao sócio, ora recorrente, este sim, fato relevante que o Fisco não teve como provar ser inverídico. Limitouse a destacar algumas inconsistências materiais na escrituração comercial, como a pretensa incompatibilidade entre os valores declarados a título de receitas brutas de prestação de serviços da ETAP nas DIPJ’s dos anoscalendário de 2002 e 2003 e os valores dessas receitas escrituradas na contabilidade. l. Contudo, tais fatos em nada prejudicam o pagamento das distribuições realizadas, ao contrário, em razão de seu montante, confirmam a existência de receita mais que suficiente para o pagamento das distribuições feitas ao recorrente naqueles exercícios. m. Da mesma forma, destaquese que os lucros contábeis, após as provisões e os pagamentos dos tributos, registrados nos Livros Diário da ETAP, nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, são mais que suficientes para o pagamento da distribuição de lucros ao recorrente, relativos a esses exercícios. n. Isso posto, a farta documentação entregue ao Fisco, inclusive com a riqueza de detalhes nas explicações das diferenças eventualmente encontradas, prova a materialidade dos fatos, prova a verdade da existência de lucros contábeis ao final de cada anocalendário, suficientes para o pagamento das distribuições de lucros ao sócio, ora recorrente. o. Diante do exposto, requer: (i) sejam acolhidas as preliminares de nulidade e de lesão moral e financeira; (ii) ad argumentandum, requer seja conhecido e provido o recurso para julgar improcedente o auto de infração. Requer, ainda, sustentação oral para defesa em grau de recurso. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 433 13 Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo, conforme certidão de fls. 420, e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Caso o recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 3. Preliminares. Preliminarmente, o recorrente requer a nulidade do auto de infração, por entender que a autoridade fiscal utilizou fundamento legal inadequado para lastrear a imposição tributária, eis que o art. 663 do RIR/99, trata dos “resultados apurados no ano calendário de 1995”, quando, no seu entendimento, o correto seria o art. 662 do RIR/99, que Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 434 14 trata dos “resultados apurados a partir de 1° de janeiro de 1996”, na Seção II – Lucro Presumido, do Capítulo III – Rendimentos de Participações Societárias, do Título I – Tributação na Fonte, do Livro III, do RIR/99. Contudo, sem razão ao recorrente. Conforme bem pontuado pela decisão de piso, a autoridade fiscal não se equivocou quanto ao enquadramento legal. De fato, "os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido, não estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, nem integram a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa fisica ou jurídica, domiciliado no País" (art. 662 do RIR/1999). No entanto, os lucros e dividendos que ultrapassarem o valor do lucro presumido deduzido do imposto correspondente, sujeitamse à incidência do imposto na fonte na forma do art. 620 do citado Regulamento (parágrafo único do artigo 663 do RIR/1999) e esse é o caso presente, por isso, a menção ao artigo 663 do RIR/1999. E, ainda que assim não fosse, o suposto equívoco na capitulação legal, não importou em qualquer prejuízo à defesa do recorrente, mormente considerando a descrição dos fatos contida no Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal, tendo o recorrente identificado com exatidão as imputações fiscais e apresentado a contento suas teses de defesa. Prossegue o recorrente afirmando que seria injustificável a demora do Fisco para proferir decisão de mérito sobre o presente processo. Por esse motivo, entende que devem ser excluídos os valores dos juros excedentes ao prazo máximo de até 360 (trezentos e sessenta) dias, consoante exigência determinante no art. 24 da Lei n° 11.457/07. Embora entenda que a questão se confunde com parte do mérito da demanda, aprecio a título de preliminar, eis que assim classificada pelo recorrente. Pois bem. Entendo que o pleito do recorrente não encontra amparo legal, e somente o depósito do montante integral vem previsto pela lei como causa de impedimento da incidência dos juros de mora (artigo 9º, § 4º, da Lei nº 6.830/1980). Tratase, ainda, de entendimento sumulado neste Conselho: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. No mesmo sentido tem se manifestado a jurisprudência, no âmbito do Poder Judiciário, em situações análogas: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ARTIGO 1.022 DO ATUAL CPC. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. JUROS DE MORA. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. CARF. PARALISAÇÃO. "OPERAÇÃO ZELOTES". I São manifestamente improcedentes os embargos de declaração, pois, na verdade, a discussão no tocante a sustar a incidência dos juros de mora sobre créditos tributários em decorrência da demora no julgamento dos processos administrativos, que ultrapassa os 360 (trezentos e Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 435 15 sessenta) dias previstos no art. 24 da Lei nº 11.457/2007, ou ainda, em função da paralisação das atividades do CARF não procede no caso em tela. II Somente o depósito do montante integral vem previsto pela lei como causa de impedimento da incidência dos juros de mora (artigo 9º, § 4º, da Lei nº 6.830/1980). III Às reclamações e aos recursos interpostos nos procedimentos fiscais não se conferiu esse poder, mesmo após o prazo previsto para a análise 360 dias a partir do protocolo, de acordo com o artigo 24 da Lei nº 11.457/2007. IV O atraso da Administração Tributária viola, na verdade, garantia de natureza processual razoável tramitação dos feitos, regulamentada especificamente pela legislação tributária , sem que produza efeitos materiais. V A cobrança ou não dos juros depende do resultado do processo administrativo. Se o lançamento procede, o sujeito passivo deveria ter pago o tributo desde o vencimento (artigo 161 do CTN); a demora no exame da impugnação não neutraliza o descumprimento da obrigação de pagar. VI O contribuinte prejudicado pode exigir apenas a conclusão do procedimento, como fez a impetrante na formulação do pedido de análise imediata. VII A suspensão dos juros após o 360º dia da data do protocolo da petição extrapola os limites do bem jurídico transgredido e faz abstração da relação de direito material, condicionada pela admissão ou não da ausência de pagamento no prazo que se seguiu à intimação do auto de infração ou da notificação de lançamento. VIII Embargos de declaração rejeitados. (TRF3 ReeNec: 00197386020154036100 SP, Relator: JUÍZA CONVOCADA ELIANA MARCELO, Data de Julgamento: 06/06/2018, TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: eDJF3 Judicial 1 DATA:13/06/2018) TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA DURANTE A SUSPENSÃO DOS JULGAMENTOS PELO CARF. 1. Os créditos tributários não pagos no vencimento são acrescidos de juros de mora com base na Taxa SELIC, conforme preceitua o artigo 13 da Lei 9.065/95. 2. A impugnação do crédito no âmbito administrativo não suspende a aplicação dos juros (Súmula 5 do CARF). (TRF4 AC: 50279961720164047100 RS 5027996 17.2016.404.7100, Relator: JORGE ANTONIO MAURIQUE, Data de Julgamento: 14/12/2016, PRIMEIRA TURMA) Dessa forma, afasto as preliminares levantadas pelo recorrente, passando a apreciar o mérito da questão posta. 4. Mérito. Conforme informações contidas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 14/26), o contribuinte, relativamente aos anoscalendários 2002, 2003 e 2004, teria declarado rendimentos isentos ou nãotributáveis recebidos a título de lucros distribuídos por pessoa jurídica da qual é sócio em valores superiores ao lucro presumido apurado por essa empresa em Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 436 16 cada anocalendário, deduzido dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Alega o recorrente que, o Fisco logrou depreciar a existência de escrituração comercial mediante relato de meros atos formais em prejuízo do aspecto material, substancial, que é a efetiva existência de lucros isentos passíveis de distribuição ao sócio, ora recorrente, este sim, fato relevante que o Fisco não teve como provar ser inverídico. Limitouse a destacar algumas inconsistências materiais na escrituração comercial, como a pretensa incompatibilidade entre os valores declarados a título de receitas brutas de prestação de serviços da ETAP nas DIPJ’s dos anoscalendário de 2002 e 2003 e os valores dessas receitas escrituradas na contabilidade. No entendimento do recorrente, tais fatos em nada prejudicam o pagamento das distribuições realizadas, ao contrário, em razão de seu montante, confirmam a existência de receita mais que suficiente para o pagamento das distribuições feitas ao recorrente naqueles exercícios. Entende, pois, que requisitos meramente formais não são relevantes ou materiais na análise do efetivo pagamento da distribuição de lucros aos sócios. Pois bem. Antes de adentrar ao mérito da discussão posta, examinando as provas dos autos, necessário fazer uma breve explanação sobre a legislação pertinente à matéria. Nesse desiderato, cumpre pontuar que a isenção dos lucros distribuídos está prevista no art. 10, da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Em suma, a empresa enquadrada no regime de Lucro Presumido está autorizada a distribuir lucros excedentes, desde que demonstrados através de escrituração contábil com observância das normas legais, que o lucro efetivo é maior. O art. 48 da IN SRF nº 93/97, vigente à época dos fatos geradores, estabelecia as condições para a distribuição de lucros e dividendos isentos pelas empresas, da seguinte forma: Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. §1º O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 437 17 §2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: I o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica; II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. §4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3º da Lei nº9.250, de 1995. §5º A isenção de que trata o "caput" não abrange os valores pagos a outro título, tais como "pro labore", aluguéis e serviços prestados. §6º A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de períodobase ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. §7º O disposto no § 3º não abrange a distribuição do lucro presumido ou arbitrado conforme o inciso I do § 2º, após o encerramento do trimestre correspondente. §8º Ressalvado o disposto no inciso I do § 2º, a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço sujeitase à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4º. No mesmo sentido o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 04/96: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 10 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 51 da Instrução Normativa Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 438 18 nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: I no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, a título de lucros, sem incidência do imposto, o valor correspondente à diferença entre o lucro presumido ou arbitrado e os valores corresponndentes ao imposto de renda da pessoa jurídica, inclusive adicional, quando devido, à contribuição social sobre o lucro, à contribuição para a seguridade social COFINS e às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. II na hipótese do § 2º do art. 51 da IN nº 11, de 1996, a parcela dos lucros e dividendos que exceder o valor da base de càlculo do imposto da pessoa jurídica, a ser distribuída também sem a incidência do imposto, será determinada deduzindose do lucro líquido do período, após o imposto de renda, o valor determinado na forma do inciso anterior. Na mesma toada, são também as disposições do art. 238 da IN RFB nº 1.700/2017, atualmente vigente. (...) II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no inciso I, desde que a empresa demonstre, com base em escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado. Em suma, a empresa tributada com base no lucro presumido poderá distribuir a título de lucros, com isenção do imposto de renda, o valor correspondente à diferença entre o lucro presumido e os tributos a que está sujeita. Caso deseje distribuir valores acima deste limite, deverá demonstrar por meio de escrituração contábil elaborada com observância da legislação comercial que o lucro efetivo é maior que o apurado segundo as regras do lucro presumido. Mesmo que o lucro contábil apurado no exercício não seja suficiente, a pessoa jurídica pode ainda distribuir lucros acima desse valor, com a condição de que possua saldo na conta lucros acumulados ou reserva de lucros. No entanto, para esses últimos casos a empresa deve possuir escrituração regular, baseada em registros permanentes e seguindo as estritas formalidades exigidas em relação aos livros obrigatórios. O art. 258 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda), dispõe sobre essas formalidades, da seguinte forma: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 439 19 diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). O dispositivo em referência trata, para efeitos de apuração do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas, das formalidades intrínsecas e extrínsecas de escrituração do Livro Diário, inclusive a sua obrigatoriedade de registro no órgão competente. A exigência de autenticação do Livro Diário também consta do Código Civil, conforme abaixo: Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios. Nesse sentido, para distribuição de lucros acima do lucro presumido, há a necessidade de existir lucro contábil que possibilite tal distribuição, que se faz conhecido a partir da sua apuração (do lucro), mediante o levantamento de demonstrativos à época própria e com observância das exigências da legislação comercial. Se há distribuição de lucro acima do montante presumido, essa parcela excedente deve ser efetivamente demonstrada e essa demonstração deve se revestir de formalidades. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 440 20 As escriturações contábeis, apesar de não obrigatórias para as optantes pelo lucro presumido, são necessárias para que seja permitida a distribuição de valores superiores ao lucro presumido com isenção do imposto de renda. Portanto, verificado qualquer vício, erro ou deficiência que a torne imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira do contribuinte, tal escrituração contábil deve ser considerada inapta a demonstrar a apuração do lucro efetivo. Feitas essas considerações sobre a legislação de regência que trata da situação dos autos, passo a analisar os pontos controversos, a fim de solucionar a lide. Pois bem. De início, destacase que estamos diante de isenção1 relativa a distribuição de lucros excedentes que possui condições para sua fruição, inclusive formalidades intrínsecas e extrínsecas que devem ser observadas. Mais do que a existência das escriturações contábeis, essas devem regulares, além de guardarem harmonia entre as informações prestadas, sob pena de se desqualificar sua força probante. Não se trata de formalismo vazio, pois a autenticidade dos livros contábeis e a confiabilidade das informações que ali constam, é condição para a fruição da isenção. A propósito, cumpre pontuar que a finalidade da isenção em comento é no sentido de se estabelecer a completa integração entre a pessoa física e a pessoa jurídica, tributandose esses rendimentos exclusivamente na empresa e isentandoos quando do recebimento pelos beneficiários. Nesse contexto, cabe destacar os seguintes trechos da exposição de motivos do Projeto de Lei n° 913, de 1995 (convertido na Lei n° 9.249/95)2, do então Ministro Pedro Malan, dirigindose ao Presidente da República: 2. A reforma objetiva simplificar a apuração do imposto, reduzindo as vias de planejamento fiscal, uniformizar o tratamento tributário dos diversos tipos de renda, integrando a tributação das pessoas físicas e jurídicas, ampliar o campo de incidência do tributo, com vistas a alcançar os rendimentos auferidos no exterior por contribuintes estabelecidos no País e, finalmente, articular a tributação das empresas com o Plano de Estabilização Econômica. [....] 12. Com relação à tributação dos lucros e dividendos, estabelecese a completa integração entre a pessoa física e a 1 Sobre a isenção, vale as seguintes observações: “(i) há inúmeros fenômenos que ocasionam a não incidência tributária, estando a imunidade tributária e a isenção, incluídas nesse rol; (ii) nesse sentido, o resultado da isenção, isenção heterônoma, imunidade, definição limitada de critério normativo e criação normativa reduzida é a própria não incidência tributária; (iii) isenção não é dispensa legal de pagamento de tributo devido, pois admitir isso implica em ferir o princípio da não contraditoriedade das normas jurídicas, dado que não é possível admitir certo descompasso de normas no tempo, ou seja, uma norma que tribute e uma outra que logo em seguida realiza a dispensa do pagamento do tributo; (ii) dessa forma, tanto na isenção, quanto na imunidade tributária, ocorre a não incidência; (iii) a diferença da imunidade tributária para a isenção, enquanto técnicas utilizadas pelo legislador, é eminentemente formal, pois a imunidade tributária possui assento em norma constitucional de competência, sendo que a isenção opera no plano da legislação infraconstitucional, voltada à construção da norma tributária. A isenção, portanto, decorre de enunciados que informarão a norma (de conduta) tributária. A imunidade, por sua vez, está contida, integra a norma constitucional de competência”. LEITE, Matheus Soares. Teoria das Imunidades Tributárias. São Paulo. PerSe, 2016. p. 105/106. 2 Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1995/lei924926dezembro1995349062exposicaodemotivos149781 pl.html>. Acesso em: 27/10/2018. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 441 21 pessoa jurídica, tributandose esses rendimentos exclusivamente na empresa e isentandoos quando do recebimento pelos beneficiários. Além de simplificar os controles e inibir a evasão, esse procedimento estimula, em razão da equiparação de tratamento e das alíquotas aplicáveis, o investimento nas atividades produtivas. No caso dos autos, a fiscalização apontou diversos vícios relativos à escrituração comercial da pessoa jurídica que promoveu a distribuição de “lucros” ao contribuinte fiscalizado nos anos de 2002, 2003 e 2004, dentre as quais: intempestividade, irregularidades formais e inconsistências materiais. Tais irregularidades convergiram para que a fiscalização efetuasse o lançamento tributário, conforme se observa dos seguintes excertos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 14/26): 1. Quanto à intempestividade da escrituração comercial de ETAP: 1.1. A pessoa jurídica ETAP Escritório Técnico de Assessoria e Planejamento Ltda., inscrita no CNPJ sob n.° 01.771.700/0001 42, no uso da faculdade que a lei lhe confere (parágrafo único e inciso I do art. 527 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 — RIR11999 e Lei n.° 8981/95, art. 45, parágrafo único), optou por não manter escrituração comercial das suas operações, nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, conforme expressamente por ela declarado em suas respectivas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, das quais se anexa, às folhas 203 (verso), 222 e 240, cópias das respectivas páginas. Ali se observa que, naqueles três anoscalendário, a pessoa jurídica manteve escrituração apenas de LivroCaixa, exercendo faculdade legalmente outorgada. 1.2. Na justificativa apresentada para solicitar uma segunda prorrogação do prazo para apresentar a escrituração comercial das operações de ETAP, o contribuinte alegou que "para fins de comprovação dos lucros disponíveis para distribuição, nos anos calendário 2002, 2003 e 2004, foi efetuada solicitação ao Banco do Brasil de extratos bancários, inclusive de aplicação em poupança e CDB, os quais têm entrega prevista ao Intimado em 01 de fevereiro de 2007" (item 1 do documento escrito de folhas 33 a 37), em socorro do que anexou oficio ao Banco do Brasil S/A mediante o qual solicita extratos bancários da ETAP (documentos de folhas 38. Esse fato demonstra, de forma inequívoca, que a pessoa jurídica que efetuou a distribuição de "lucros" ao contribuinte fiscalizado não mantinha, até aquela data (29/01/2007), escrituração comercial de suas operações, uma vez que estava requerendo a um dos bancos com os quais opera documentação indispensável à elaboração de tal escrituração. 1.3. Em todas as páginas dos relatórios do LivroCaixa, Livros Diários n.'s 08 e 09, LivrosRazão n.'s 08 e 09 e Balancetes de Verificação de ETAP, apresentados pelo fiscalizado, consta a data de emissão 08/02/2007, assim como nos relatórios relativos ao LivroDiário e ao LivroRazão n.° 10 consta a data de Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 442 22 emissão 09/02/2007, conforme se verifica nas cópias de várias páginas desses livros anexadas ao presente processo, fatos que corroboram a conclusão já esposada no 'item anterior de que a pessoa jurídica que efetuou a distribuição de "lucros" ao contribuinte fiscalizado 1750 mantinha, até aquelas datas (08/02/2007 e 09/02/2007), escrituração comercial de suas operações. (...) 2. Quanto às irregularidades formais da escrituração comercial de ETAP: 2.1. Os três LivrosDiários de ETAP apresentados pelo contribuinte fiscalizado para demonstrar a existência, no patrimônio daquela pessoa jurídica, de lucros contábeis em valores superiores aos respectivos lucros presumidos, contêm irregularidades formais flagrantes: não trazem Termos de Abertura e Encerramento, nem estão autenticados pela Junta comercial do Estado do Ceara, conforme se veri fi ca nas primeira e última páginas de cada um dos três Diários de ETAP apresentados pelo contribuinte fiscalizado, às folhas 168 a 173. Essas deficiências formais conflitam abertamente com as determinações da legislação comercial (IN DNRC n.° 65/97) que, conforme mandamento explicito da legislação tributária que trata da isenção dos lucros distribuídos aos sócios de pessoas jurídicas (IN SRF n.° 93/97), deve ser observada na elaboração da escrituração em que se suportar a demonstração de lucros efetivos superiores aos respectivos lucros presumidos. Embora de natureza formal, esses requisitos legais têm por clara finalidade assegurar a autenticidade dos livros contábeis da pessoa jurídica. (...) 3. Quanto às inconsistências materiais da escrituração comercial de ETAP: 3.1. HA incompatibilidade entre os valores declarados a título de receitas brutas de prestação de serviços por ETAP nas DIPJ dos anoscalendário 2002 e 2003, e os valores dessas mesmas receitas escriturados nos seus livros contábeis, conforme balancetes de verificação de cópias às folhas 174 e 176, como abaixo se demonstra: Anocalendário DIPJ (R$) Contabilidade (RS) 2002 883.269,63 874.364,71 2003 975.144,19 886.073,30 3.2. Há também incompatibilidade entre os valores declarados a título de saldos no início e no final do ano do item "caixa e bancos" da Ficha "Outras Informações" das DIPJ de cada ano calendário sob fiscalização, e os valores dos saldos das contas correspondentes a esse item nos livros contábeis de ETAP, Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 443 23 conforme balancetes de verificação de cópias às folhas 175, 1770 179, como abaixo se demonstra: 31 de dezembro de... DIPJ (R$) Contabilidade (RS) 2001 39.221,65 50.772,78 2002 36.847,38 37.191,99 2003 72.620,59 51.024,18 2004 5.262,95 21.609,92 3.3. Foi detectada a presença de elementos caracterizadores da presunção legal de omissão de receitas estatuída no art. 281, inciso I, do RIR/99 em dois momentos da escrituração comercial de ETAP: (I) 0 pagamento de lucros ao contribuinte fiscalizado, no valor de R$10.000,00, efetuado em 31/01/2002, foi lançado somente no dia 05/02/2002, conforme cópia anexa da página 139 do Livro Razão n.° 08 de ETAP, às folhas 180. A reconstituição cronológica dos lançamentos feitos na conta caixa no período compreendido entre 31/01/2002 e 01/02/2002 revela que, se a distribuição de lucros de R$10.000,00 fosse escriturada na data de seu efetivo pagamento (31/01/2002), a conta caixa acusaria saldo credor de R$9.515,15 no dia seguinte (01/02/2002); (II) no dia 28/12/2004 a conta caixa voltou a apresentar saldo credor, no valor de R$51.006,58, conforme cópia anexa da página 204 do Livro Razão n.° 10 de ETAP, às folhas 182. 3.4. O pagamento de R$13.000,00, efetuado ao contribuinte fiscalizado mediante transferência eletrônica da contacorrente de ETAP no Banco do Brasil para a contacorrente do beneficiário no mesmo banco, em 15/12/2003, conforme cópia às folhas 123 dos respectivos extratos, foi contabilizado como distribuição de lucros à sócia Selene Sales Nogueira Caracas de Souza, conforme cópia de folhas 181 da página 179 do Livro Razão n.° 09 de ETAP. Do relato fiscal, destacase: (a) A pessoa jurídica ETAP – Escritório Técnico e Assessoria e Planejamento Ltda, no uso da faculdade que a lei lhe confere, optou por não manter escrituração comercial das suas operações, nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, conforme expressamente por ela declarado. Nos três anoscalendário, a pessoa jurídica manteve escrituração apenas de Livro Caixa, exercendo faculdade legalmente outorgada (parágrafo único e inciso I do art. 527 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 – RIR/1999 e Lei n° 8.981/95, art. 45, parágrafo único). (b) A pessoa jurídica que efetuou a distribuição de “lucros” ao contribuinte autuado não mantinha, até aquela data (29/01/2007), escrituração comercial de suas operações, uma vez que requereu a um dos bancos com os quais opera, documentação indispensável à elaboração de tal escrituração. (c) Em todas as páginas dos relatórios do LivroCaixa, LivrosDiários n°s 08 e 09, LivrosRazão n°s 08 e 09 e Balancetes de Verificação de ETAP, apresentados pelo Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 444 24 contribuinte autuado, consta a data de emissão 08/02/2007, assim como nos relatórios relativos ao LivroDiário e ao LivroRazão n° 10 consta a data de emissão 09/02/2007, fatos que corroboram a conclusão no sentido de que a pessoa jurídica que efetuou a distribuição de “lucros” não mantinha, até aquelas datas (08/02/2007 e 09/02/2007), escrituração comercial de suas operações. (d) Até as datas de entrega das Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda de Pessoa Física DIRPF dos anoscalendário 2002, 2003 e 2004 do contribuinte fiscalizado (respectivamente, 30/04/2003, 27/04/2004 e 29/04/2005), a pessoa jurídica ETAP não havia escriturado suas operações daqueles anos na forma da legislação comercial. (e) Os três LivrosDiários de ETAP apresentados pelo contribuinte autuado para demonstrar a existência, no patrimônio da pessoa jurídica, de lucros contábeis em valores superiores aos respectivos lucros presumidos, contêm irregularidades formais flagrantes: não trazem Termos de Abertura e Encerramento, nem estão autenticados pela Junta Comercial do Estado do Ceará. (f) No momento em que entregou suas respectivas DIRPF, o contribuinte fiscalizado não tinha como saber nem muito menos demonstrar que os rendimentos que lhe foram pagos por ETAP naqueles anoscalendário, sob o titulo de lucros distribuídos, e em montantes muito superiores ao lucro presumido de cada um dos anos considerados, tinham natureza tributária isenta. (g) Incompatibilidade entre os valores declarados a título de receitas brutas de prestação de serviços pela ETAP nas declarações de rendimentos da pessoa jurídica dos anos calendário 2002 e 2003. (h) Incompatibilidade entre os valores declarados a título de saldos no início e no final do ano do item "caixa e bancos" nas DIPJ dos anos sob fiscalização e os valores dos saldos das contas correspondentes nos livros contábeis da ETAP. (i) A reconstituição cronológica dos lançamentos feitos na conta caixa no período compreendido entre 31/01/2002 e 01/02/2002 revela que, se a distribuição de lucros de R$ 10.000,00 fosse escriturada na data de seu efetivo pagamento (31/01/2002), (i) a conta caixa acusaria saldo credor de R$ 9.515,15 no dia seguinte (01/02/2002); (ii) no dia 28/12/2004 a conta caixa voltou a apresentar saldo credor, no valor de R$ 51.006,58, conforme cópia da página 204 do Livro Razão n° 10 de ETAP, fls. 182. Os fatos acima relatados, relativos à escrituração comercial da pessoa jurídica que promoveu a distribuição de "lucros" ao contribuinte fiscalizado nos anos de 2002, 2003 e 2004 (intempestividade, irregularidades formais e inconsistências materiais) convergem no sentido de comprometer a idoneidade probatória dos livros e demonstrativos com que ele pretendeu comprovar a existência, no patrimônio da empresa da qual efetivamente recebera rendimentos em valores superiores ao lucro presumido deduzido dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal naqueles anos, de lucros contábeis em montantes suficientes para amparar o pagamento de rendimentos excedentes do lucro presumido sem incidência do Imposto de Renda de Pessoa Física. Cabe destacar que a fiscalização apontou que os LivrosDiário apresentados pelo recorrente sequer haviam sido autenticados pela Junta Comercial do Estado do Ceará, nem mesmo antes do início da ação fiscal, não tendo o contribuinte apresentado qualquer alegação Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 445 25 para desconstituir essa afirmação fiscal, o que, ao meu juízo, é suficiente para demonstrar a higidez do lançamento tributário a que se combate, por se tratar de descumprimento de requisito indispensável para a fruição da referida isenção. Quanto às divergências sobre valores referentes aos lucros distribuídos, e tendo em vista que o apelo recursal do contribuinte nada acrescenta na argumentação, nem traz novos documentos aos autos, adoto as mesmas razões de decidir da decisão de piso, que, ao meu ver, agiu com acerto: Quanto à queixa de que o valor de R$ 5.220,00, referente aos lucros distribuídos foi pago em agosto e não em dezembro, constatase, conforme extratos bancários emitidos pelo Banco do Brasil S/A relativamente às contas bancárias da ETAP e do contribuinte (fls. 64 e 65), bem como o documento denominado "Recibo de Distribuição de Lucro" emitido pelo contribuinte junto à ETAP (fls. 63) que tal valor foi pago em dezembro e não em agosto de 2002. Por fim, quanto à alegação da defesa de que o montante de R$ 13.000,00, referese a lucros distribuídos em dezembro de 2003 à sócia Selene Sales Nogueira Caracas de Souza e não ao contribuinte, apesar de a empresa ETAP haver feito a transferência bancária de tal valor diretamente para o contribuinte a pedido da citada sócia, para fins de pagamento de despesa particular da mesma, temse que o contribuinte não traz aos autos provas suficientes que demonstrem que os R$ 13.000,00 referese a lucros distribuídos à sócia Selene. Portanto, na ausência de escrituração contábil regular, feita com observância da lei comercial, a distribuição de lucros isenta limitase ao valor da base de cálculo do imposto (lucro presumido), diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, nos exatos termos definidos no art. 48, § 2º, inciso I, da IN SRF nº 93, de 1997. Dessa forma, sem razão ao recorrente, estando hígido o lançamento que ora se combate. 5. Do pedido de realização de sustentação oral. O recorrente, em seu petitório, protesta que seja resguardado o direito de realização de sustentação oral em plenário, quando do julgamento do recurso. Cabe esclarecer que as pautas de julgamento dos Recursos submetidos à apreciação deste Conselho são publicadas no Diário Oficial da União, com a indicação da data, horário e local, o que possibilita o pleno exercício do contraditório, inclusive para fins de o patrono do sujeito passivo, querendo, estar presente para realização de sustentação oral na sessão de julgamento (parágrafo primeiro do art. 55 c/c art. 58, ambos do Anexo II, do RICARF). Conclusão Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10380.003340/200701 Acórdão n.º 2401005.830 S2C4T1 Fl. 446 26 Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Fl. 446DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.978907/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/12/2004
MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologando-se as compensações até o limite do direito creditório reconhecido.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologandose as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 89 07 /2 01 2- 13 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.978907/201213 Acórdão n.º 3302005.959 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) formulado, em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que fazia jus à restituição pleiteada pelo fato de que o crédito informado era proveniente de recolhimento de multa de mora indevida, em razão da denúncia espontânea, tendo em vista o recolhimento espontâneo do tributo devido, nos termos do art. 138 do CTN. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.292, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o instituto da denúncia espontânea não exclui a multa de mora estipulada na legislação tributária, porquanto o seu pagamento é expressamente previsto para os casos em que o recolhimento do tributo ocorre espontaneamente após o vencimento da obrigação, sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência. Ressaltou, ainda, o julgador de piso, que as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reafirmou as razões de defesa suscitadas na Manifestação de Inconformidade, enfatizando o instituto da denúncia espontânea, especialmente o seu reconhecimento pelo CARF e pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.978907/201213 Acórdão n.º 3302005.959 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.954, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.978899/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.954): 1. Admissibilidade O presente Recurso Voluntário é tempestivo, eis que a Recorrente tomou ciência da decisão em 21.03.2016 (efls. 71) e apresentou o Recurso em 20.04.2016 (efls.72), portanto dentro do prazo de 30 dias de que trata o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72. A matéria é de competência deste Colegiado e o recurso revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. Mérito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se analisar o mérito recursal. 2.1. Denúncia Espontânea. Em relação ao instituto da denúncia espontânea e a sua atual disciplina no âmbito do Poder Judiciário e no CARF, tal entendimento encontra respaldo na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais que no processo 10980.004263/200730 foi proferido o Acórdão n. 9303005.874, na sessão de 18 de outubro de 2017, cuja ementa, de Relatoria do I. Conselheiro Rodrigo Pôssas é abaixo transcrita: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental.." Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.978907/201213 Acórdão n.º 3302005.959 S3C3T2 Fl. 5 4 Quando da prolação da referida decisão, em sede de Recurso Especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais salientou que em razão da existência de Recurso Especial em sistemática dos Recursos Repetitivos no STJ, a matéria sequer pode ser apreciada pelo CARF. "A matéria tratada no presente recurso referese somente ao cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de pagamento a destempo, mas feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual se confessou o respectivo débito, e antes do início de qualquer procedimento fiscal. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, sob a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Especial nº 1.149.022/SP, que trata da matéria, foi interposto pela autora, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que entendeu que não se configurava a denúncia espontânea o deliberado pagamento a destempo do tributo, não discutido judicialmente, cujo lançamento deve por ele ser efetuado." Tratandose de Recurso Repetitivo submetido à norma do artigo 543C do CPC, aplicase a Portaria MF n. 343/2015, art. 62 § 2º que determina a aplicação da decisão, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Quando da discussão da controvérsia no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no bojo do já mencionado Recurso Especial, o Ilmo. Conselheiro Rodrigo Pôssas salientou que o referido entendimento vincula as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, verbis: "Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA PGFN/CRJ/Nº 1114/2012 (...) (...) 5. ... em resposta à consulta da RFB, segue em lista anexa a esta Nota a delimitação dos julgados proferidos pelo STF e STJ, relacionados pela RFB, para efeitos de que aquele órgãoproceda ao cumprimento, no seu âmbito,do quanto disposto no Parecer PGFN 2025/2011. (...) 45 RESP 1.149.022/SP (...) Resumo: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.978907/201213 Acórdão n.º 3302005.959 S3C3T2 Fl. 6 5 lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente." No caso concreto a Recorrente realizou uma compensação tributária e, independente de qualquer atuação estatal, posteriormente identificou o erro, recolheu a diferença e emitiu nova DCTF (...) Imperioso destacar que pela análise da documentação trazida aos autos a nova DCTF foi apresentada APÓS o recolhimento da diferença do tributo, que se deu independente de qualquer atuação por parte da Administração Pública, razão pela qual a Recorrente entende não serem devidos juros moratórios. Efetivamente, é de se constatar que o caso ora submetido a análise deste Colegiado amoldase com perfeição à jurisprudência deste Colegiado, aliás de observância compulsória, razão mais que suficiente para que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, cabendo à unidade administrativa efetuar a compensação até o limite do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito pleiteado, cabendo à unidade administrativa efetuar a compensação até o limite do crédito. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.721445/2015-66
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO
Para fins de configuração de determinada área enquanto Reserva Legal, necessária se faz sua a averbação conforme redação da Lei nº 4.771/65, sendo requisito constitutivo da ARL.
Numero da decisão: 2002-000.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1218; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 184 1 183 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.721445/201566 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.419 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria ITR Recorrente IRAJA PIMENTEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO Para fins de configuração de determinada área enquanto Reserva Legal, necessária se faz sua a averbação conforme redação da Lei nº 4.771/65, sendo requisito constitutivo da ARL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 14 45 /2 01 5- 66 Fl. 197DF CARF MF 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 03 a 07), relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, pela qual se procedeu autuação sob os seguintes fundamentos, constantes às efls. 04: Área de Produtos Vegetais informada não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não com provou a área efetivamente utilizada para plantação com produtos vegetais declarada. O Documento de Informação e Apuração do ITR [DIAT] foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal: Art. 10, §1º, inciso V, alínea a da Lei nº 9.393/96. Área de Pastagem informada não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a área efetivamente utilizada para pastagens declarada. O Documento de Informação e Apuração do ITR [DIAT] foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal: Art. 10, §1º, inciso V, alínea b da Lei nº 9.393/96. Valor da Terra Nua declarado não comprovado Valor da Terra Nua declarado não comprovado Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 100.030,44, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, apresentada pelo espólio da contribuinte, às efls. 47 a 102 dos autos, que conforme decisão da DRJ: considera que existe no imóvel, conforme Laudo Técnico, uma área com produtos vegetais destinada ao cultivo de milho e sorgo de 30,0 ha para produção de grãos e silagem, com a finalidade de manutenção de animais durante o período da seca, informando que a produção das lavouras não é comercializada com terceiros e sim para a utilização interna; esclarece que existe no imóvel uma área destinada a pastagem de gramínias plantadas de 1.550,0 ha de brachiara e de 14,0 ha de pastagem nativa, totalizando 1.564,0 ha, com a finalidade de apascentar os animais em regime extensivo; diz que a quantidade média de animais existentes em 2009 no imóvel era 1.520 bovinos, destinados ao corte e para produção de bezerros; Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13116.721445/201566 Acórdão n.º 2002000.419 S2C0T2 Fl. 185 3 registra que a comprovação do VTN segue conforme Declaração da Prefeitura Municipal de Luziânia/GO, contendo os valores praticados no mercado à época; menciona que as informações prestadas estão presentes no Laudo Técnico elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Gilson Zanatta, com a comprovação por meio de fotos, Declaração, mapas e documentos anexos ao Laudo; informa que segue, em anexo, sugestão de DITR/2010, com as informações do Laudo Técnico. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 27/01/2016, no acórdão 03069.896, às efls. 130 a 142, julgou à unanimidade, a impugnação procedente em parte, admitindo a área de pastagens de 1.594,0 ha e o Valor da Terra Nua (VTN) apresentado no Laudo de Avaliação de R$1.538.292,13 (R$686,52/ha). Recurso voluntário Ainda inconformado, o espólio contribuinte, representado pelo seu inventariante, apresentou recurso voluntário, em 05/05/2016 às efls. 180 a 193 no qual alega, em síntese: · que a Declaração do ITR do ano de 2010 não constava a área de Reserva Legal, já que não estava averbada na matrícula do imóvel; · que a área de Reserva Legal declarada no laudo técnico era meramente informativa e que era utilizada como área de pastagem, sendo comprovada as áreas de pastagem; · que em 2014 constou na matrícula do imóvel a determinação da área de Reserva Legal; · pede o afastamento da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Fl. 199DF CARF MF 4 Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 12/04/2016, efls. 179, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 05/105/2016, efls. 180, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Primeiramente, como a DRJ afastou parte glosa, necessária se faz a delimitação da lide Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, votar no sentido de considerar procedente em parte a impugnação apresentada pelo Contribuinte, contestando o lançamento consubstanciado na Notificação nº 01202/00005/2015 de fls. 03/07, para acatar uma área de pastagens de 1.594,0 ha e acatar o Valor da Terra Nua (VTN) apresentado no Laudo de Avaliação de R$1.538.292,13 (R$686,52/ha), com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização, de R$218.311,75 para R$19.757,10, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Logo, a lide recai sobre os valores exigidos pelo Fisco por não considerar a delimitação da área ambiental como tal, afastando a regra isentiva e compondo a base de cálculo para a incidência do ITR. O artigo. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, que vigia até 1º de janeiro de 2013, elencava os requisitos legais para que o contribuinte se valesse da exclusão das áreas denominadas de Reserva Legal, da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Conforme texto legal: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) O ITR está previsto no artigo 153, VI da Constituição Federal de 1988 e no artigo 29 do Código Tributário Nacional (CTN), tendo como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 13116.721445/201566 Acórdão n.º 2002000.419 S2C0T2 Fl. 186 5 A Conselheira deste CARF, doutora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, relatora do acórdão nº 9202006.045, de 28 de setembro de 2017, assim analisa: Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se favorecer aqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal diante das limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de nãoincidência do ITR. Entretanto, para que a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. A caracterização da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal estavam discriminadas, respectivamente no artigo 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e artigo16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) do Código Florestal de 1965: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; Fl. 201DF CARF MF 6 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13116.721445/201566 Acórdão n.º 2002000.419 S2C0T2 Fl. 187 7 III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I o plano de bacia hidrográfica; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II o plano diretor municipal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III o zoneamento ecológicoeconômico; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV outras categorias de zoneamento ambiental; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 203DF CARF MF 8 § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13116.721445/201566 Acórdão n.º 2002000.419 S2C0T2 Fl. 188 9 executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Pela redação dos artigos acima colacionados é possível a distinção entre uma Área de Preservação Permanente (APP) e uma Área de Reserva Legal (ARL). A APP, excetuandose as hipóteses previstas no artigo 3º da Lei nº 4.771/65 que dependem de declaração do Poder Público para sua afetação, nos demais casos, estando a área pleiteada localizada nos espaços selecionados pela legislação, restava configurada como tal, por efeitos legais, sem necessidade de cumprimento de qualquer outro requisito. Já nos casos de ARL, somase aos requisitos ecológicos, a i) aprovação prévia do Poder Público e ii) que a área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, averbação essa que era substituída por Termo de Ajustamento de Conduta nos casos em que o Contribuinte fosse apenas possuidor do bem. Tais requisitos estão previstos nos §§4º e 8º do artigo 16, acima transcrito. Necessário estes apontamentos, pois tais diferenças impactam na incidência do ITR, sobretudo quanto a necessidade de averbação prévia e apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) perante o IBAMA. No presente processo, analisase o cumprimento dos requisitos pelo contribuinte para fins de não incidência do ITR relativamente as áreas caracterizadas como Reserva Legal. Pela a redação da Lei nº 4.771/65, o ato de averbação não é requisito essencial para a constituição de uma área de preservação permanente, já que pode ser comprovada mediante qualquer outro meio de prova capaz de demonstrar que determinado imóvel está localizado em áreas com função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas. A Receita Federal do Brasil (RFB) quando da elaboração das "Perguntas e Respostas do ITR" se pela não exigência de prévia averbação área de preservação permanente no Cartório de Registro de Imóveis. Lado outro, a averbação das áreas de Reserva Legal é requisito fundamental disposto, como dito, na Lei nº 4.771/65, motivo pelo qual, entendo que a averbação é requisito de constitutivo da ARL. No supracitado voto, a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri atesta: Fl. 205DF CARF MF 10 A averbação, precedida da outra exigência legal de ser a área reconhecida pelo poder público, é condição imprescindível para a existência da Área de Reserva Legal, sendo que tal fato nos leva a conclusão lógica de que para fins de cálculo do ITR tal averbação deve ser anterior ao fato gerador. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o citado entendimento, valendo citar parte do voto proferido pelo Ministro Benedito Gonçalves, no RESP nº 1.125.632PR: Ao contrário da área de preservação permanente, para as áreas de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal (...) Assim, considerado que a norma de apuração do ITR prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96 a qual nos remete aos conceitos e requisitos da então nº Lei nº 4.771/65 podemos afirmar que para fim de não incidência do ITR a averbação da área delimitada pelo Poder Público no registro do imóvel em data anterior a ocorrência do fato gerador é requisito aplicável apenas à Área de Reserva Legal. Mesmo não sendo objeto dos autos, necessária se faz o debate quanto a essencialidade da apresentação do ADA para configuração de determinada área enquanto áreas de Preservação Permanente e também Reserva Legal, vide a polêmica que ronda o temário, já que tratase de exigência prevista por meio da Instrução Normativa IN SRF nº 67/97. Observase que nem a Lei nº 9.393/96, tampouco Lei nº 4.771/65 faziam exigência do documento. A Conselheira citada assim destaca o histórico acerca da obrigatoriedade do ADA: Por tal razão, após amplo debate concluise que para os fatos geradores ocorridos até o ano de 2000, era dispensável a apresentação do ADA, conclusão que pode ser ilustrada pela seguinte ementa do STJ : PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA CONTIDA NA IN SRF Nº 67/97. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, é prescindível a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa Fl. 206DF CARF MF Processo nº 13116.721445/201566 Acórdão n.º 2002000.419 S2C0T2 Fl. 189 11 exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN nº 67/97). Ato normativo infralegal não é capaz de restringir o direito à isenção do ITR, disciplinada nos termos da Lei nº 9.393/96 e da Lei 4.771/65. 3. Na hipótese, discutese a exigibilidade de tributo declarado em 1997, isto é, antes da entrada em vigor da Lei 10.165/00, que acrescentou o § 1º ao art. 17O da Lei 6.938/81. Logo, é evidente que esse dispositivo não incide na espécie, assim como também não há necessidade de se examinar a aplicabilidade do art. 106, I, do CTN, em virtude da nova redação atribuída ao § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 pela MP nº 2.16667/01. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1.283.326/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 8/11/2011, DJe 22/11/2011.) Tal entendimento fundamentase na regra de que a norma jurídica que regulamenta o conteúdo de uma lei é veículo secundário e infralegal e, portanto, seu conteúdo e alcance deve se restringir aos comando impostos pela lei em função da qual foi expedida. Neste sentido uma instrução normativa não poderia prever condição não exigida pela norma originária, mormente quando tal condição depende de manifestação de órgão cuja atuação não se vincula com o objetivo da norma desoneração tributária. Tal discussão assume um novo viés com a criação do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Em 29.01.2000 foi editada a Lei nº 9.960/00 que acrescentou o citado art. 17O à Lei nº 6.938/81, nesta oportunidade, por meio do §1º, o legislador expressamente previu que a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR era opcional. Ocorre que tal previsão não produziu efeitos, pois antes mesmo da ocorrência de um novo fato gerador do ITR o referido artigo foi radicalmente modificado pela Lei nº 10.165, publicada em 27 de dezembro de 2000, a qual tornou o ADA instrumento obrigatório para fins de ITR: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 207DF CARF MF 12 § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Diante desta alteração normativa discutese agora se lei posterior teria o condão de condicionar a aplicação de norma específica de não incidência tributária à realização de dever extra fiscal. Se diz extra fiscal porque como conceituado pelo próprio órgão o ADA nada mais é que um documento de cadastro das áreas do imóvel junto ao IBAMA. O objetivo do ADA é informar ao IBAMA que aquela determinada área é de interesse ambiental e é documento meramente informativo, motivo pelo qual entendo que sua essencialidade não é requisito para constituição da APP ou ARL, corroborando com as palavras da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri: É por essa razão que compartilho do entendimento de que o ADA não tem reflexos sobre a regra matriz de incidência do ITR, a ausência de documento informativo ou sua apresentação intempestiva não pode gerar como efeito a desconsideração de área reconhecidamente classificada como não tributada pelo legislador. Assim, é notável o conflito existente entre o art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 e o art. 17O da Lei nº 6.938/81, antinomia que deve ser solucionada pela aplicação do critério da especialidade, devendo prevalecer neste sentido a norma que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, qual a Lei nº 9.393/96. Destaco que, embora essa Relatora tenha o entendimento isolado de que o ADA é requisito dispensável para fins de Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13116.721445/201566 Acórdão n.º 2002000.419 S2C0T2 Fl. 190 13 desoneração do ITR em qualquer circunstância, o entendimento da maioria deste Colegiado é no sentido de se reconhecer ao Contribuinte o direito a isenção nos casos em que existir averbação da ARL à margem do registro do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, para a maioria o cumprimento deste requisito formal supre a necessidade de apresentação do ADA. Por fim, embora utilizandose de outros fundamentos, é importante mencionar que o Poder Judiciário, por meio do Superior Tribunal de Justiça tem firmado jurisprudência no sentido de que o ADA nunca foi, mesmo com a criação do art. 17O, requisito para desoneração do ITR, desoneração essa entendida pelos Ministros como isenção. Essa orientação do STJ foi recentemente reconhecida pela própria Fazenda Nacional por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 que atualizou o Item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer prevista no art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016. Pela relevância, peço vênia para transcreve parte do parecer: a) Área de reserva legal e área de preservação permanente (NOVO) * Data da alteração da redação do resumo e da Observação 1, bem como da inclusão da Observação 2: 05/09/2016 Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensase a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensase também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, devese continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da Fl. 209DF CARF MF 14 averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). PARECER PGFN/CRJ/No 1329/2016 Documento público. Averbação e prova da Área de Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente. Natureza jurídica do registro. Ato Declaratório Ambiental. Isenção do Imposto Territorial Rural. Item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer. Art. 10, II, “a”, e § 7º da Lei nº 9.393, de 1996. Lei nº 12.651, de 2012. Lei 10.165, de 2000. (...) II.1 Exame da jurisprudência sobre o questionamento feito à luz da legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 que deu nova redação ao art. 17O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000 e à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal (...) 12. Após as considerações acima, restam incontroversas, no âmbito da Corte de Justiça, à luz da legislação aplicável ao questionamento, as posições abaixo: (i) é indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo aquela, para fins tributários, eficácia constitutiva; (ii) a prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; (iii) é desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois tal área se localiza a olho nu; e (iv) é desnecessária a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR. (...) II.2 Considerações relacionadas ao questionamento à luz da legislação anterior à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13116.721445/201566 Acórdão n.º 2002000.419 S2C0T2 Fl. 191 15 (...) 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizouse do teor do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp nº 587.429/AL, senão vejamos: Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp nº 665.123/PR: Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.16667, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos autos, fez inserir o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...] Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.108.019/SP: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP.2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. Fl. 211DF CARF MF 16 2. A MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7º ao art.10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicarse a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art.106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido." (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) 23. A partir das colocações postas, concluise que, mesmo com a vigência do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. (...) Diante de tudo que foi aqui exposto, entendo que para fins de configuração de determinada área enquanto Reserva Legal, necessária se faz sua a averbação conforme redação da Lei nº 4.771/65, sendo requisito constitutivo da ARL. Menciona a quantidade de animais tida na área, contudo sem qualquer comprovação. Ainda, tal matéria é alheia a discussão dos autos. O próprio contribuinte, em seu Recurso Voluntário, informa que no ano de 2009, a área não estava averbada como ARL na matrícula do imóvel, que veio acontecer apenas em 2014. Diante do exposto, conheço do Presente Recurso voluntário para, no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13116.721445/201566 Acórdão n.º 2002000.419 S2C0T2 Fl. 192 17 Fl. 213DF CARF MF
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