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Numero do processo: 11080.728607/2015-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva.
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ANOCALENDÁRIO: 2014 Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 86 07 /2 01 5- 16 Fl. 44DF CARF MF 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento relativa à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referente a ABRIL de 2014, no valor de R$8.427,04. Em sua impugnação, o recorrente alegou, em síntese, que foi excluído do Simples Nacional em, 25/09/2014, pela Receita do Estado do Rio Grande do Sul, por intermédio do Termo nº 00248/14, tendo sido determinado que os efeitos desta exclusão retroagiriam a 01/11/2013. Defendeu que entregou as suas declarações a partir da comunicação de sua exclusão, entendendo estar dentro do prazo legal Protestou pela impossibilidade do efeito retroativo das normas tributárias, alegando ofensa ao art. 5º da CF e pedia a exclusão da multa. Na ocasião, a DRJ publicou o seguinte acórdão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2014 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, razão pela qual são devidas as multas por atraso na entrega das declarações apresentadas fora do prazo legal previsto na legislação relativa a cada tributo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inicialmente, cabe esclarecer que alegações de inconstitucionalidade, ofensa a princípios constitucionais e ilegalidade não merecem consideração por parte desta turma de julgamento. É impossível discutir constitucionalidade de lei em julgamento administrativo. O julgador administrativo não tem competência para afastar a aplicação de lei legitimamente posta no ordenamento, ainda que a pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. Posta a lei, cabe tão somente aplicála. O controle da constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Tal entendimento está consolidado no âmbito dos tribunais administrativos, havendo, inclusive, súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 2: Fl. 45DF CARF MF Processo nº 11080.728607/201516 Acórdão n.º 1001000.086 S1C0T1 Fl. 3 3 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Os julgadores da Receita Federal devem, inclusive, aplicar o entendimento manifestado em atos normativos aos quais estão vinculados. A Lei Complementar 123/2006, que institui o Simples Nacional, em seu artigo 28, parágrafo único, determina que cabe ao Comitê Gestor regulamentar as regras relativas à exclusão do Simples Nacional, nos seguintes termos: Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. A legislação é clara ao determinar que o contribuinte excluído, nos períodos em que se processem os efeitos da exclusão, deve se submeter às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas (§ 3º, do art. 76, da Resolução CGSN nº 94, de 2011). O Termo de Exclusão do Simples Nacional nº 00248/14, que excluiu a contribuinte do Simples Nacional indica que a exclusão ocorreu em virtude de falta de comunicação obrigatória por ter incorrido na vedação prevista no inciso V do § 4º do artigo 3º da LC 123/2006 e define a data de início dos efeitos da exclusão como 01/11/2013. No caso da contribuinte, os efeitos dessa exclusão operamse, como visto, a partir de 01/11/2013, configurandose, por conseguinte, a obrigatoriedade de entrega da DCTF a partir do mês de novembro de 2013. Tendo entregado a declaração em atraso, sujeitouse à incidência da multa. Diante do exposto, voto por julgar improcedente a impugnação para manter a exigência lançada. Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Tratase de recurso voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Inconformada com a decisão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde alega, basicamente,a s mesmas razões apresentadas quando da impugnação ao auto de infração: DAS RAZÕES DE REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA DA IMPOSSIBILIDADE DE EFEITO RETROATIVO DAS NORMAS TRIBUTÁRIAS Fl. 46DF CARF MF 4 Conforme a própria DRJ mencionou, em seu acórdão, não cabe à autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de normas, conforme a súmula do CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A legislação de regência é clara quanto à aplicação das normas de tributação, em caso de exclusão do Simples Nacional (LCP 123/2006, art.32) O Comitê Gestor do Simples Nacional CGSN, no parágrafo 3°, ao art. 76, da Resolução 94, dispões que: §3° A ME ou EPP excluída do Simpes Nacional sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de trbutação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei Complementar n°123, de 2006, art. 32, caput). Assim, a decisão da DRJ é irretocável. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário e mantenho o crédito tributário lançado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10521.720480/2011-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/10/2011
ADUANA. DANO AO ERÁRIO. HIPÓTESES LEGAIS. INFRAÇÃO DE CONDUTA. EFETIVO PREJUÍZO ECONÔMICO/FINANCEIRO/ FISCAL/TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE.
As infrações especificadas nos arts. 105 do Decreto-Lei nº 37/1966 e 23, caput e §1º, do Decreto-Lei nº 1.455/1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637 de 2002, são consideradas dano ao Erário e estão sujeitas à pena de perdimento do bem, convertida em multa no valor aduaneiro da mercadoria quando ela não for localizada ou tiver sido consumida ou revendida.
A infração por dano ao Erário, punível com a pena de perdimento, é infração de conduta. Independe da comprovação da extensão do efeito tributário, fiscal, econômico ou financeiro do ato praticado.
Numero da decisão: 9303-005.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial, para aplicar a multa no patamar de 1% do valor aduaneiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/10/2011 ADUANA. DANO AO ERÁRIO. HIPÓTESES LEGAIS. INFRAÇÃO DE CONDUTA. EFETIVO PREJUÍZO ECONÔMICO/FINANCEIRO/ FISCAL/TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE. As infrações especificadas nos arts. 105 do Decreto-Lei nº 37/1966 e 23, caput e §1º, do Decreto-Lei nº 1.455/1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637 de 2002, são consideradas dano ao Erário e estão sujeitas à pena de perdimento do bem, convertida em multa no valor aduaneiro da mercadoria quando ela não for localizada ou tiver sido consumida ou revendida. A infração por dano ao Erário, punível com a pena de perdimento, é infração de conduta. Independe da comprovação da extensão do efeito tributário, fiscal, econômico ou financeiro do ato praticado.
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DANO AO ERÁRIO. HIPÓTESES LEGAIS. INFRAÇÃO DE CONDUTA. EFETIVO PREJUÍZO ECONÔMICO/FINANCEIRO/ FISCAL/TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE. As infrações especificadas nos arts. 105 do DecretoLei nº 37/1966 e 23, caput e §1º, do DecretoLei nº 1.455/1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637 de 2002, são consideradas dano ao Erário e estão sujeitas à pena de perdimento do bem, convertida em multa no valor aduaneiro da mercadoria quando ela não for localizada ou tiver sido consumida ou revendida. A infração por dano ao Erário, punível com a pena de perdimento, é infração de conduta. Independe da comprovação da extensão do efeito tributário, fiscal, econômico ou financeiro do ato praticado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial, para aplicar a multa no patamar de 1% do valor aduaneiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 52 1. 72 04 80 /2 01 1- 64 Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3302001.919, proferido pela 3º Câmara da 2º Turma Ordinária da 3º Seção de julgamento, que decidiu negar provimento ao Recurso, por entender que mercadoria estrangeira desembaraçada sem autorização da autoridade aduaneira, constitui infração punível com pena de perdimento, convertida em multa de 100%, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/10/2011 MERCADORIA ESTRANGEIRA. DESCARGA E CONSUMO. FALTA DE AUTORIZAÇÃO. PENA. A descarga direta, e posterior consumo de mercadoria estrangeira, sem autorização da autoridade aduaneira, constitui infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Recurso Voluntário Negado. Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente a multa prevista no artigo 23, § 3º, do Decreto lei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Depreende se do “Relatório Fiscal” do auto de infração (fls. 07 a 12), que a interessada providenciou a descarga direta de 4.005.079 Kg, por meio de dutos, da mercadoria “monômero de estireno”, granel líquido, que estava a bordo da embarcação “ZEUGMAN”, na data de 30/10/2011 sem a devida autorização da autoridade aduaneira. Relata a fiscalização que no dia seguinte, 31/10/2011, a interessada apresentou “Requerimento da Descarga Direta” e “Termo de Responsabilidade” (fl.19) juntamente com a Declaração de Importação n° Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 4 3 11/20495387 (registrada na modalidade de despacho antecipado em 28/10/2011). Contudo, ao informar o representante da interessada que seria nomeado perito credenciado para mensurar a mercadoria, este declarou que tal tarefa não seria possível em razão da descarga ter sido iniciada no dia anterior. Tendo sido designado Perito Credenciado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para identificar o local de armazenamento e quantificar a mercadoria, este consignou em seu Laudo que os tanques que receberam a importação estavam naquela data abastecidos com a própria produção da empresa (fl. 127). Considerando estar caracterizada a hipótese descrita no inciso IV, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76 combinado com o inciso I, do artigo 105, do DecretoLei n° 37/66, a fiscalização concluiu que a mercadoria em questão deveria ser objeto de aplicação da pena de perdimento, contudo em razão do seu consumo e impossibilidade de localização aplicou a multa equivalente ao valor aduaneiro destas mercadorias. O acórdão recorrido por voto de qualidade, entendeu em manter a decisão de piso pelos seus próprios fundamentos, acrescentando que: "Sobre a existência ou magnitude do "dano ao Erário" decorrentes dos fatos levaram à autuação, ratificando os fundamentos da decisão recorrida de que a administração não pode se desvincular do preceituado na legislação que rege a matéria e, conseqüentemente, fazer uma avaliação subjetiva para concluir que inexistir dano ao erário ( princípio da legalidade estrita). O fato gerador da penalidade ocorreu e sua capitulação legal está indicada no auto de infração, não havendo que se falar em erro de direito". Com relação à alegação de que a multa de ofício lançada é confiscatória, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer as alegações relativas ao seu caráter (confiscatório), a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao princípio do não confisco tributário e da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando a base de cálculo e o percentual da multa fixados em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel cumprimento. Registrese, também, que o procedimento de desembaraço aduaneiro foi realizado após a lavratura do auto de infração, como bem disse a decisão recorrida". Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, sustentando pela inexistência de dano ao erário, a retroatividade da lei tributária mais benéfica, com aplicação da Instrução normativa RFB n° 1.282/2012, e da redução da multa aplicada para o percentual de 1% ( um por cento), conforme dispõe os artigos 712 e 737 do Regulamento Aduaneiro RA. De uma análise detida dos autos, não consta anexada no processo contrarrazões da Fazenda Nacional, e folhas de 95/101, 134/138, e 104/122. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 5 4 Conforme decidido no despacho de admissibilidade, fls. 573/578, existem duas controvérsias. A primeira referese à necessidade de comprovação do efetivo dano ao erário para caracterização da pena de perdimento, convertida em pena pecuniária. Para comprovar a divergência, a Contribuinte apresentou os seguintes paradigmas: nº 3402001.867 e nº 310200.536. A segunda concerne à aplicação da retroatividade benigna das disposições da IN RFB nº 1.282, de 2012. Para comprovar a divergência, a Contribuinte apresentou o seguinte paradigma: nº 30131.755. Vejamos os paradigmas: Acórdão nº 3402001.867 PENA DE PERDIMENTO. FALTA DE ELEMENTO DO TIPO. CONVERSÃO EM MULTA. IMPOSSIBILIDADE. É condição necessária para a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria estrangeira importada, sancionada com pena de perdimento, que a infração qualificada como dano erário esteja devidamente tipificada mediante a comprovação do efetivo dano ao erário. Ante ausência de fato (comprovação de efetivo dano ao erário) que se subsuma a essa tipificação, torna se insubsistente a exigência da referida multa. A situação fática trazida nestes autos referese à descarga direta sem a devida autorização da autoridade aduaneira como hipótese legal de aplicação da pena de perdimento da mercadoria, convertida em multa pecuniária, em razão de seu consumo e impossibilidade de localização da mercadoria. No voto vencido da decisão recorrida, ficou assentado: “Diante dos fatos, não creio que ao longo de todo esse processo tenha havido intenção do contribuinte em lesar o erário. Os tributos foram pagos, tratase de empresa do setor químico que opera no Pólo de Triunfo.” Por seu turno, o paradigma apresentado trata de julgamento de recurso de ofício, fundamentado, dentre outros, em jurisprudência judicial cuja orientação foi no sentido de flexibilizar a aplicação da pena de perdimento quando ausente o elemento danoso. Destacase na jurisprudência juntada nos autos do paradigma, o REsp. nº 611.830PR, no qual restaram assentados os seguintes relatórios, ementa e excertos: "TRIBUTÁRIO. PERDIMENTO. DESCARGA ANTECIPADA. PRESUNÇÃO DE BOAFÉ. DANO AO ERÁRIO. INOCORRÊNCIA. 1. O exame da aplicabilidade da pena de perdimento não pode prescindir dos elementos subjetivos, nem abstrair da boafé. No caso, a impossibilidade da incidência do perdimento decorre da transparência da conduta e da inclinação da autora no sentido de regularizar a operação de descarga. Inaplicável o art. 105, I, do DL nº 37/66. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 6 5 2. Inocorrendo dano ao erário, não se aplica o dispositivo do art. 23, IV e parágrafo único, do DL 1.455/76. 3. Apelação da União e remessa oficial improvidas, não conhecida a apelação da autora" (fl. 253). Ementa e excertos do REsp. 611.830: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. BOAFÉ DO CONTRIBUINTE E AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. FUNDAMENTOS NÃO ATACADOS. SÚMULA 283/STF. 1. Os fundamentos alusivos à inaplicabilidade da pena de perdimento em face da boafé do contribuinte – que procurou regularizar a importação – e da ausência de prejuízo ao erário público – ante o pagamento das exações – não foram combatidos pela Fazenda Nacional, apesar de suficientes para manter o acórdão recorrido, o que atrai o óbice da Súmula 283/STF. Observase que o acórdão do STJ utilizado como umas das razões de decidir no paradigma entendeu pelo afastamento da responsabilidade objetiva e pela análise do elemento danoso, especialmente a ausência de máfé, bem como entendeu que o recolhimento dos tributos desqualifica o dano ao erário. Assim, presente a divergência jurisprudencial concernente à valoração de aspectos subjetivos na qualificação do dano erário, assim como sua desqualificação pelo recolhimento dos tributos. Desnecessária, pois a análise do segundo paradigma. Aplicação da retroatividade benigna das disposições da IN RFB nº 1.282, de 2012 Neste ponto, a recorrente apresenta nº 30131.755, cuja legislação interpretada foi a aplicação retroativa do disposto no art. 53 da MP 135, de 2003: Art. 53. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, não poderá ser superior a dez por cento do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras quevenham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 7 6 destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. No voto, entendeuse pela aplicação retroativa da multa de 1% estabelecida no art. 84 da MP nº 2.15835, de 2001, em substituição à pena de perdimento de navio objeto de despacho aduaneiro de exportação Em momento algum, o paradigma tratou da aplicação retroativa da IN RFB nº 1.282, de 2012, o que o afasta como hábil a comprovar o dissídio jurisprudencial, pois que normas distintas foram postas em julgamento. Além disso, ressaltase que no Despacho Decisório nº 3302196, que rejeitou os embargos neste ponto, o Presidente da Turma fundamentou a não aplicação da IN RFB nº 1.282, de 2012, também por não ter havido a prévia comunicação ao titular da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) que jurisdiciona o local da descarga, com antecedência mínima de dois dias úteis à data da descarga, exigida no §1º do art. 2º da referida instrução normativa, como se constata pelo excerto do despacho, fato para o qual a recorrente não apresentou qualquer paradigma: O recurso teve parcial seguimento, exclusivamente quanto à necessidade de comprovação do efetivo dano ao erário para caracterização da pena de perdimento, convertida em pena pecuniária. Não houve comprovação de divergência referente à aplicação retroativa benigna das disposições da IN RFB nº 1.282/2012. No reexame de admissibilidade fls. 582/583, o Presidente do CARF manteve na íntegra o despacho do Presidente da Câmara que deu seguimento parcial ao Recurso, apenas quanto á necessidade de comprovação do efetivo dano ao erário para caracterização da pena de perdimento, convertida em pena pecuniária. É o relatório. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Vencido Demes Brito Conselheiro relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento. A matéria aceita como divergente no Recurso Especial, cingese exclusivamente quanto à necessidade de comprovação do efetivo dano ao erário para caracterização da pena de perdimento, convertida em pena pecuniária. Passo ao julgamento do Recurso. Em 28 de outubro de 2011, a Contribuinte registrou Declaração de Importação (DI) sob nº 11/20495387, na modalidade de despacho antecipado, com fundamento no artigo 17, da Instrução Normativa SRF nº 680/2006. No mesma data, dia 28/10/2011, com objetivo de desembaraçar sua mercadoria antecipada (descarga direta), conforme regime especial de despacho aduaneiro, artigo 2º, parágrafo 1º, da Instrução Normativa SRF nº 175/2002, a Contribuinte buscou obter autorização da Autoridade Aduaneira por meio do formulário Requerimento de Descarga Direta e Termo de Responsabilidade. Contudo, o despachante aduaneiro não obteve êxito na autorização solicitada (28/10/2011). Em 30 de outubro de 2011, a carga importada foi descarregada, considerando que não existia nenhum restrição no sistema SICOMEX/SISCARGA, impedindo o descarregamento da mercadoria no recinto aduaneiro alfandegado. Nada obstante, foi designado Perito Credenciado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para identificar o local de armazenamento e quantificar a mercadoria, este consignou em seu Laudo que os tanques que receberam a importação estavam naquela data abastecidos com a própria produção da empresa (fl. 127), todos os produtos estavam em conformidade com a importação. Apesar de ter sido autorizado o descarregamento no recinto aduaneiro alfandegado, a Fiscalização lavrou Auto de Infração em desfavor da Contribuinte, aplicando lhe a multa de 100% do valor aduaneiro da mercadoria, substitutiva à pena de perdimento, conforme hipótese descrita no inciso IV, do artigo 23, do Decreto Lei no 1.455/76, combinado com o inciso I, do artigo 105, do Decreto Lei nº37/66. O Acórdão recorrido, por voto de qualidade, entendeu que houve dano ao erário, e a multa de ofício lançada no patamar de 100%, esta correta, considerando que não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência conhecer alegações quanto ao seu caráter confiscatório. Quanto a relevação da pena, o relator do voto vencedor abriu divergência do voto vencido, sustentando que : Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 9 8 "O digníssimo Conselheiro Relator, conduziu o seu voto no sentido de relevar a penalidade aplicada e, conseqüentemente, impor à recorrente a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 67 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Após citar jurisprudência judicial e administrativa que entende ter relação com a presente autuação, o Ilustre Conselheiro Relator conclui que o CARF tem competência para relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência no recolhimento de tributos federais. Mais ainda, a disposições do art. 67 da MP não tratam de relevação de pena mas sim da incidência da multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, aplicável na hipótese de ocorrer relevação de pena“com base no art. 4º do DecretoLei nº 1.042/1969", este sim o dispositivo que trata da relevação de pena. Por óbvio, este dispositivo não foi alterado pelo art. 67 da MP nº 2.15835/ 2001". Discordo diametralmente dos fundamentos do acórdão recorrido, a multa de dever ser aplicado no patamar de 1% . Explico: Com efeito, verificase que o procedimento de descarregamento da mercadoria foi autorizado em recinto alfandegado, sem restrição no sistema SICOMEX/SISCARGA, sendo posteriormente conferida pelo um Perito credenciado perante a Receita Federal do Brasil. Se de fato, houve alguma irregularidade, penso que o erro esta nos procedimentos administrativos, principalmente quando liberaram o descarregamento de mercadorias sem verificar a documentação, até porque, a mercadoria não estava em um "tambor" para ser manuseada de modo simples, e como tal, deverá ser apurada e sancionada em âmbito administrativo próprio eventual irregularidade, o que não se pode, é contaminar o procedimento e penalizar a Contribuinte com multa de 100%. O Acórdão recorrido, sustenta que houve dano ao erário, entretanto, não localizo os fundamentos para quantificar e identificar a conduta infracional da Contribuinte. Para que o Dano ao Erário possa ser caracterizado, é necessário identificar a conduta infracional tributária ou financeira, como lesiva ao patrimônio público e quem a cometeu; o resultado infracional há de ser quantificado e, tanto quanto o imposto, expresso em pecúnia, elemento definidor da intensidade do dano causado e tal dano ou prejuízo fiscal há de ser constituído no mundo das obrigações e nessa condição ser exigível, além de identificar o sujeito passivo que cometeu, que não ocorreu no presente caso, pelo contrário, a Contribuinte recolheu todos os impostos em sua integralidade fls. 294. Embora, o Acórdão recorrido tenha definido a infração como cometida, não há nenhuma prova quanto ao dolo ou culpa da Contribuinte, inclusive não há como se comprovar dano ao erário, apenas pelo fato de ausência de prévia autorização para descarga de mercadoria, o conceito disposto no artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76, é muito mais restrito, portanto, não se aplica ao presente caso. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 10 9 Neste sentido, por força do princípio da estrita legalidade e tipicidade, o surgimento da obrigação tributária depende de que se realize em concreto a hipótese prevista abstratamente na lei, o que também se aplica àquela que comine penalidade e infrações. Ora, não dá ensejo ao nascimento de obrigação tributária por infração e aplicação de penalidade mais severa com pagamento do imposto. Neste sentido, fazse necessário a transcrição abaixo do ilustre Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello, in RDT 78/66, em lição obrigatoriamente referenciada: “Inexiste no Direito qualquer princípio que erija a máfé em regra ou critério de interpretação. Pelo contrário, notadamente em matéria de apenação, tenham o caráter que tiverem, é vedada presunção de tão desabusado teor. A assertiva parece óbvia, dispensando justificações. Com efeito, os administrados não estão, ante o Estado, na posição de suspeitos de malícia até prova em contrário, mas, opostamente, na posição de insuspeitos desta coima até prova adversa. O que se vem de dizer é, quando menos, uma inerência do Estado de Direito. Este se caracteriza por uma posição de respeito aos cidadãos, donde não pode assumir, em face deles, atitude inquisitorial”. No presente caso, não há que se falar em certeza pronta e definitiva de máfé da Contribuinte, vez que conforme documentação comprovouse o contrário, ou seja, a boafé quanto ao pagamentos dos impostos. Quanto aplicação da multa no patamar de 100%, discordo dos fundamentos do acórdão recorrido, o qual sustenta que: "as disposições do art. 67 da MP não tratam de relevação de pena mas sim da incidência da multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, bem como, da necessidade da intervenção do Ministro da Fazenda no procedimento de relevação de pena pecuniária aplicada a contribuintes, conforme art. 4º do DecretoLei nº 1.042/69 (art. 736 do RA/2009) que autoriza o Ministro da Fazenda a relevar penalidade e, apesar de autorizar a delegação desta competência, inexiste ato do Ministro da Fazenda delegando competência para qualquer órgão ou autoridade, incluindo o CARF". Sem embargo, o julgador administrativo esta vinculado a analisar os fatos, as normas, e ainda proferir sua decisão sobre relevação de multa, o Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp nº 834.151/PE, pacificou entendimento de que a relevação de penalidade pode ser realizada em âmbito administrativo. Vejamos: TRIBUTÁRIO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. PENA DE PERDIMENTO. RELEVAÇAO. ARTIGOS 19, DA LEI Nº 9.779/99, E 67, DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835/2001. RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTAÇAO DEFICIENTE. ACÓRDAO QUE TOMOU EM CONSIDERAÇAO OS ELEMENTOS FÁTICOS CONSTANTES DOS AUTOS. APLICAÇAO DAS SÚMULAS 284/STF E 07/STF. NAO CONHECIMENTO. 1. Em exame recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 105 , III, “a”, da Constituição Federal Carregando... , contra acórdão proferido pelo TRF da 5ª Região, assim ementado (fl. 266): Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 11 10 "TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PENA DE PERDIMENTO. RELEVAÇAO. MULTA. INFRAÇAO QUE NAO RESULTOU EM FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS FEDERAIS. ARTIGOS 19, DA LEI Nº 9.779/99, E 67, DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835/2001. 1. Conforme o artigo 67, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, se houve a relevação da pena de perdimento e tal pena não havia decorrido da falta ou da insuficiência de recolhimento dos tributos federais devidos, a multa deverá corresponder a 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria. 2. Embora tal dispositivo não tenha revogado, expressamente, o artigo 19, da Lei nº 9.779/99, que admitia a substituição da pena de perdimento pelo pagamento de multa correspondente ao valor integral da mercadoria, houve a perfeita conformação do caso concreto à situação nele descrita. 3. A autoridade administrativa relevou a pena de perdimento e inexistiu a omissão total ou parcial, no recolhimento dos tributos, motivo qual se impõe a redução da multa para o percentual estipulado na citada Medida Provisória. (STJ. Resp.834.151/PE. Rel. Ministro José Delgado). O Acórdão recorrido filiase a tese que os julgadores administrativos não possuem competência legal para analisar pedido de relevação das penalidades, pois o mesmo é de competência do Ministro da Fazenda, conforme disposto no artigo 654 do Decreto nº 4.543/2002 (atual artigo 736 do Decreto nº 6.759/2009 – base legal artigo 4º do Decretolei nº 1.042/1969). Discordo, entendo ser aplicável o dispositivo. Neste sentido, o Relator do Voto Vencido argumentou em suas razões de decidir o seguinte: "Primeiramente, entendo ser aplicável esse dispositivo, sobrepondose ao Regulamento Aduaneiro. Isso porquê o último tratase de Decreto, o primeiro de Lei. Da leitura isolada do último, como fez a DRJ, efetivamente é possível a interpretação de que caberia ao Ministro da Fazenda, e apenas a ele, relevar as penas. Porém, o art. 67 encontrase na Lei em justa seqüência ao art. 64, que justamente alterou o Decreto nº 70.235 conferindo as atribuições das DRJ's, além de sua redação nada exigir quanto à interveniência do Ministro da Fazenda nesse procedimento. O que nos leva a concluir que há a possibilidade de apreciação da matéria nessa instância, com base nesse mesmo art. 67 da referida MP". Por esta razão, penso que o Voto Vencido empreendeu a melhor solução. Considero ainda, no caso em espécie, a aplicação do art. 712, do Decreto nº 6.759/09 ( multa de 1% sobre o valor aduaneiro de mercadoria), vez que impõe penalidade reduzida, na forma pecuniária, e se releva mais adequada à conduta da Contribuinte, senão vejamos: Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 12 11 Art.712.Aplicase ao importador a multa correspondente a um por cento do valor aduaneiro da mercadoria, na hipótese de relevação da pena de perdimento de que trata o art. 737 (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 67, caput e parágrafo único). Verificase que o próprio regulamento aduaneiro previu a possibilidade da relevação da pena de perdimento quando da inocorrência de dano ao erário, em seu art. 737, cuja dicção é a seguinte: Art.737.A pena de perdimento decorrente de infração de que não tenha resultado falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais poderá ser relevada com base no disposto no art. 736, mediante a aplicação da multa referida no art. 712 (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 67). Neste sentido, no julgamento do REsp nº 639252/PR, o STJ decidiu que ausente a comprovação de dano ao erário, devese flexibilizar a aplicação da pena de perda de mercadoria estrangeira prevista no art. 23 do DecretoLei n. 1.455/76. Vejamos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MERCADORIA IMPORTADA. DANO AO ERÁRIO INEXISTENTE. PENA DE PERDIMENTO. INAPLICABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. 1. Ausente a comprovação do dano ao erário, devese flexibilizar a aplicação da pena de perda de mercadoria estrangeira prevista no art. 23 do DecretoLei n. 1.455/76. 2. Recurso especial improvido. (REsp 639252/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA) Rememorese que o artigo 112, do Código Tributário Nacional é norma complementar válida, por meio do art. 146, III “caput” da CF/88, estabeleceu que em caso de duvida, a norma que comina penalidade deve ser interpretada mais favorável ao acusado. E a dúvida neste caso, é latente vez que inexistiu dano ao erário, prática de dolo, fraude ou simulação . Forte em minhas conclusões, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, aplicandolhe a multa no patamar de 1% do valor aduaneiro. É como voto é como penso. Demes Brito Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator Designado Em que pesem as relevantes considerações aduzidas aos autos pelo i. Conselheiro relator do processo, exponho a seguir as razões pelas quais divergi de suas conclusões. Tratase de multa equivalente ao valor da mercadoria, pela conversão da pena de perdimento, por infração tipificada no artigo 105, inciso I, do Decretolei nº 37/66, identificada como dano ao erário pelo artigo 23, § 1º, do Decretolei nº 1.455/76 (com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002), reproduzidos abaixo: Decretolei nº 37/66 “Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: I em operação de carga, já carregada, em qualquer veículo ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito da autoridade aduaneira ou não cumprimento de outra formalidade especial estabelecida em texto normativo;” Decretolei nº 1.455/76 Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (. . .) IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. (. . .) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (. . .) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010).” Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 14 13 A primeira linha de argumentação da recorrente gira em torno da inexistência de Dano ao Erário no caso concreto. Contesta o entendimento da Fiscalização, que considera tratarse de infração de caráter estritamente objetivo. Segunda afirma, os tributos foram integralmente pagos e a quantidade de mercadoria desembaraçada foi periciada pela empresa SGS do Brasil, que atestou as informações prestadas pela contribuinte, das quais a Fiscalização, inclusive, teria lançado mão para lavratura do AI. Ainda que, conforme o Laudo, o produto esteve à disposição do Fisco por quase dois meses, pois começou a ser consumido somente em 26/12/2011. Também, que foi necessária a descarga imediata por ser produto altamente perecível. Que o Siscomex autorizou o desembarque da mercadoria e não apontou qualquer impedimento pela inexistência de autorização para descarregamento. Referese ao incico II do art. 112 do CTN: interpretação favorável ao acusado quando houver dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Que, se não há dolo, não se pode falar em Dano ao Erário. Que a emissão do Comprovante de Importação pela Administração Aduaneira atesta a regularidade da importação. A seguir, requer nulidade do auto de infração por erro de enquadramento da infração que deveria têlo sido no art. 47 da IN SRF nº 800/07, que disciplina as condutas sujeitas à penas de perdimento previstas no inciso I do art. 105 do DL 37/66. Depois, pede qeu se leve em consideração o princípio da proporcionalidade. Requer redução da multa para 1% do valor da mercadoria art. 737 do RA. Por derradeiro, que a Autoridade Administrativa é competente para relevação da pena de perdimento. Passo ao exame de mérito. A decisão sobre a ocorrência ou não da infração em análise pode ser tomada à luz de uma interpretação literal da norma, critério que, fatalmente, leva à conclusão de que ela efetivamente ocorreu, pois, sem dúvida, a empresa não cumpriu uma formalidade especial estabelecida em texto normativo. Assim, o que resta é a questão da potencialidade do dano inerente à conduta da empresa. Para que a decisão não fique pesadamente alicerçada em interpretação estritamente objetiva, analiso algumas circunstâncias fáticas do caso. A empresa alega (i) que não ocorreu Dano ao Erário, (ii) que os tributos foram integralmente pagos, (iii) que a quantidade de mercadoria desembaraçada foi periciada Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 15 14 pela empresa SGS do Brasil, que atestou as informações prestadas pela contribuinte, (iv) que essas informações não foram contestadas pela Fiscalização que, inclusive, as utilizou para lavratura do AI, (v) que, conforme o Laudo, o produto esteve à disposição do Fisco por quase dois meses e (vi) que foi necessária a descarga imediata por ser produto altamente perecível. O auto de infração relata que Contudo, ao informar o representante da interessada que seria nomeado perito credenciado para mensurar a mercadoria, este declarou que tal tarefa não seria possível em razão da descarga ter sido iniciada no dia anterior. De plano, registrase que, em nenhum momento, a fiscalização cogitou autorizar a descarga da mercadoria sem que o perito designado procedesse à mensuração da quantidade de mercadoria importada. No Relatório de Assistência Técnica Fiscal, a perícia esclarece que compareceu à empresa em 25/11/20111e que 1. Parte do Estireno foi descarregado no tanque 71TQ05A (capacidade tanque: 3.750,00 TM) que havia sido esgotado para recebimento da carga e a quantidade que excedeu a capacidade desse tanque descarregada em outros tanques misturado ao estireno existente da própria produção. Após a descarga o produto já poderá ser utilizado. Informounos que o tempo para armazenamento de Monômero de Estireno não pode ultrapassar 30 dias com risco de perda de qualidade e degradação. Esse produto já foi consumido. 2. Os tanques que receberam a importação de estireno hoje estão abastecidos com a própria produção da empresa, podendo conter misturado pequena quantidade do estireno importado mas não existem condições de identificar, ou mesmo separar. O navio que transportava a mercadoria importada manifestava a carga de 3.989.104 Kg de Monômero de Estireno. Em 30/10/2011 (domingo) a empresa diz ter 1 Presumese que muito depois do Requerimento de Descarga Direta (31/10) porque já não havia mais razões para fazêlo com urgência, pois já se sabia que a mercadoria fora descarregada. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 16 15 promovido a descarga direta de 4.005.079 Kg. Em 31/10/2011, o despachante da empresa autuada apresentou à fiscalização Requerimento da Descarga Direta e Termo de Responsabilidade, juntamente com a DI nº 11/20495387. O Conhecimento de Embarque e a fatura comercial foram emitidos em 27/10/2011 (fl. 28 e 32). Isso significa que o negócio estava consumado desde essa data. A empresa alega que seu representante compareceu à repartição no final do dia seguinte, 28/10/2011, às 17 horas, atrasado por causa do trânsito intenso, e, por isso, não conseguiu protocolar o Requerimento de Descarga Direta e Termo de Responsabilidade antecipadamente. Percebese das informações acima que a empresa tinha clara noção da exiguidade de tempo disponível para obtenção da autorização para descarga direta. O negócio se consumou no dia 27, a descarga estava prevista para o dia 30 e a repartição não estaria aberta nos dias 29 e 30. No entanto, tomou a iniciativa apenas no final da tarde do último dia. Não foi tanto azar ter pego trânsito, até mesmo porque era uma sextafeira. Ainda mais, bem conhecia a obrigação de protocolar, antecipadamente, perante a RFB, o Requerimento de Descarga Direta e Termo de Responsabilidade, tanto é, que tentou fazêlo no dia 28/10. Também sabia que a designação de perito para medição da quantidade de mercadoria importada era obrigatória. Tudo isso demonstra, inequivocamente, que a descarga da mercadoria importada no dia 30/10, sem submissão às exigências legais, foi intencional. A esse respeito, observese o que disse a recorrente em sede de impugnação ao lançamento: "Assim sendo, após a atracação do navio no Terminal de Santa Clara em 30 de outubro de 2011, a carga importada foi descarregada sem a correspondente obtenção de visto da Autoridade Fiscal no 'Requerimento de Descarga Direta e Termo de Responsabilidade'." Entretanto, de se esclarecer que o desembarque da mercadoria somente foi realizado tendo em vista que o recinto aduaneiro alfandegado (Terminal Santa Clara/Braskem) autorizou tal desembarque, após diligência no sentido de verificar no sistema Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 17 16 SISCOMEX/SISCARGA a existência de algum impedimento ao descarregamento. Esse "esclarecimento" final é por demais supreendente. Como se pode conceber que a autuada, habituada com as regras do despacho antecipado, não tinha conhecimento das exigências legais para operação de exceção a que estava autorizada? (!) E o pior não é isso. As afirmações de defesa demonstram as escâncaras a intenção de mascarar os fatos, pois a aquiescência para descarga direta não é informada no SISCOMEX/SISCARGA. Quer dizer, em nenhuma hipótese o Sistema iria acusar alguma espécie de impedimento relacionado com a ausência de autorização para descarga, como a recorrente dá a entender que faria. Dita autorização, à época, era dada em papel, sem registro no Sistema. Não havia qualquer tipo de comunicação entre ambos. (!) No mesmo diapasão, também não pode ser acolhida a alegação de que a mercadoria era perecível. O atraso do procedimento de descarga em menos de 24 horas seria perfeitamente administrável. Com efeito, como acima se viu, não foi essa a razão de todo o transtorno. Tampouco tem relevância o fato de a quantidade de mercadoria desembaraçada ter sido periciada pela SGS do Brasil e que a fiscalização tenha utilizado essas informações na lavratura do auto de infração. Está mais do que claro que o procedimento estabelecido pela Instrução Normativa SRF nº 175/2002 não era esse. Admitir a possibilidade de que cada um proceda da maneira como melhor lhe aprouver, em detrimento das prescrições normativas próprias, seria um inconcebível prestígio à desordem. Também, segundo informações acima, o produto não esteve à disposição do Fisco por quase dois meses. Foi descarregado em 30/10/2011 e quando a perícia foi à empresa, em 25/11/2011, menos de um mês depois, portanto, já não era mais possível identificálo. Afora as questões até aqui confrontadas, a recorrente defende, ainda, a inocorrência de efetivo dano ao erário. Nessa alegação, segundo entendo, está compreendido também o argumento de que os tributos foram integralmente pagos. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 18 17 Em relação a isso, releva destacar algumas ações ou omissões que, segundo disposição literal de lei, são identificadas como infração por dano ao erário e, portanto, puníveis com a pena de perdimento das mercadorias. CAPÍTULO II DO PERDIMENTO DA MERCADORIA Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) II incluída em listas de sobressalentes e de provisões de bordo quando em desacordo, quantitativo ou qualitativo, com as necessidades do serviço, do custeio do veículo e da manutenção de sua tripulação e de seus passageiros; III oculta, a bordo do veículo ou na zona primária, qualquer que seja o processo utilizado; IV existente a bordo do veículo, sem registro em manifesto, em documento de efeito equivalente ou em outras declarações; V nacional ou nacionalizada, em grande quantidade ou de vultoso valor, encontrada na zona de vigilância aduaneira, em circunstâncias que tornem evidente destinarse a exportação clandestina; VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; VII nas condições do inciso VI, possuída a qualquer título ou para qualquer fim; VIII estrangeira, que apresente característica essencial falsificada ou adulterada, que impeça ou dificulte sua identificação, ainda que a falsificação ou a adulteração não influa no seu tratamento tributário ou cambial; (...) XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso; XII estrangeira, chegada ao País com falsa declaração de conteúdo; (...) Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 19 18 XVII estrangeira, em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre que a conduzir for desviado de sua rota legal, sem motivo justificado; (...) XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas; XX importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa, na forma da legislação específica; XXI importada e que for considerada abandonada pelo decurso do prazo de permanência em recinto alfandegado, nas hipóteses referidas no art. 642; e XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Como não é difícil perceber, boa parte das infrações que caracterizam o dano ao erário tem pouca ou nenhuma relação com o pagamento dos tributos devidos. São infrações de conduta. Observese: (i) Em listas de sobressalentes (...) quando em desacordo com as necessidades do serviço; (ii) oculta, a bordo do veículo; (iii) destinadas à exportação clandestina; (iv) quando o documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado; (v) em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre (...) for desviado de sua rota legal (vi) estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas; (vii) importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa (...) e outras. Um ótimo exemplo do que aqui se fala é a conhecida infração por interposição fraudulenta. Como se sabe, ela não está associada à falta de recolhimento de tributos, mas à conformação negocial escolhida pelas partes quando não declarada naquilo para o qual a lei exige transparência. De fato, tratamse de infrações decorrentes de uma conduta que põe em risco o controle aduaneiro como um todo. Não fosse assim, bastava que fosse especificada uma só infração, qual fosse: pagar menos tributo que o devido. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 20 19 O Superior Tribunal de Justiça, no autos do recurso especial nº 954.526 PR (2007/01166420), da relatoria do saudoso Ministro Teori Zavascki, decidiu a respeito do tema. No que diz respeito ao dano, destaco que a pena de perdimento, visa resguardar não apenas o interesse financeiro do Fisco, mas também regular as relações de comércio exterior e proteger a indústria nacional. Se o perdimento não prescinde da demonstração do dano para sua aplicação, não é menos verdade que, por vezes, o dano está caracterizado pela dificuldade imposta pela conduta do importador à fiscalização aduaneira, cuja incumbência é, por norma constitucional, da Receita Federal. Convém destacar, ainda, que, não embarcado o restante da mercadoria, poderia ela ser vendida no mercado interno, sem a incidência de tributos, propiciando riquíssimo ganho às apelantes. O dano ao erário, assim, seria inconteste, porque, com os benefícios fiscais (através da simulação de exportação), a apelante deixaria de recolher os tributos devidos (II, ICMS, dentre outros), fato que repercutiria na formação dos preços ao consumidor. Cabe, ainda, uma última reflexão sobre a pena de perdimento no caso das infrações tipificadas como dano ao Erário. Uma das ações sujeitas à pena referese à mercadoria (inciso XI do artigo 689) estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso. A hipótese sancionada, como se lê, é a de recolhimento parcial. Ou seja, o importador pode ter recolhido 85% dos tributos, mas, se ele tiver praticado o subfaturamento, ainda assim terá a mercadoria apreendida em zona secundária, tendo em vista a conduta lesiva ao interesse público. No caso concreto, embora haja indícios de que mercadoria importada esteja qualitativa e quantitativamente próximo do que foi declarado, como saber se o importador de Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 21 20 fato pagou integralmente os tributos aduaneiros? Não foi possível fazer a medição e essa impossibilidade decorreu da conduta do importador, que, como visto, agiu intencionalmente. Vale lembrar que a descarga direta e despacho aduaneiro de mercadoria transportada a granel é um procedimento excepcional, que visa facilitar os negócios da sociedade empresária. Toda exceção à regra, como é cediço, exige extrema cautela de parte da pessoa que é contemplada. No que se refere à alegada nulidade do auto por erro de enquadramento legal da infração, que, segundo a defesa, deveria ter sido capitulada no art. 47 da IN SRF nº 800/07; por bem abordar o tema, adoto os fundamentos da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme segue. Quanto à interpretação que a interessada apresenta, em relação ao disposto no artigo 47, inciso II da Instrução Normativa RFB n° 800/07, de que referido comando normativo tenha restringido a aplicação da Lei, não se vislumbra que tal tese seja procedente: Art. 47. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria: ... II carregada ou descarregada do veículo sem informação de manifesto eletrônico ou em desobediência a bloqueio registrado no sistema, com fundamento no inciso I do art. 105 do Decreto Lei nº 37, de 1966. É que no comando normativo a Secretaria da Receita Federal do Brasil explicitou que a hipótese nele descrita (ausência de manifesto eletrônico ou desobediência a bloqueio registrado no sistema) caracteriza a infração disposta na Lei, contudo não há qualquer referência no texto que dê margem a entender que referido comando tenha excluído a aplicação da penalidade em razão de outros fatos. (...) Da mesma forma, adoto os fundamentos da decisão de piso no que diz respeito (i) ao princípio da proporcionalidade, (ii) à redução da multa para 1% do valor da mercadoria art. 737 do RA e (iii) à relevação da pena. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10521.720480/201164 Acórdão n.º 9303005.789 CSRFT3 Fl. 22 21 Sobre a necessidade da intervenção do Ministro da Fazenda no procedimento de relevação de pena pecuniária aplicada a contribuintes, o art. 4º do DecretoLei nº 1.042/69 (art. 736 do RA/2009) autoriza o Ministro da Fazenda a relevar penalidade e, apesar de autorizar a delegação desta competência, inexiste ato do Ministro da Fazenda delegando competência para algum órgão ou autoridade, incluindo o CARF. Mais ainda, a disposições do art. 67 da MP não tratam de relevação de pena mas sim da incidência da multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, aplicável na hipótese de ocorrer relevação de pena “com base no art. 4º do DecretoLei nº 1.042/1969”, este sim o dispositivo que trata da relevação de pena. Por óbvio, este dispositivo não foi alterado pelo art. 67 da MP nº 2.15835/2001. Com base nos fundamentos declinados, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 626DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720931/2010-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL.
Considerando que a matéria objeto do recurso esta em dependência de processo principal, com a mesma conclusão do presente caso, mantendo o valor ressarcido nos termos da Delegacia de origem, nota-se a manifesta ausência de interesse em recorrer sobre o tema, carecendo, assim, do cumprimento dos requisitos de admissibilidade.
Numero da decisão: 9303-005.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2007 A 30/06/2007 RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Considerando que a matéria objeto do recurso esta em dependência de processo principal, com a mesma conclusão do presente caso, mantendo o valor ressarcido nos termos da Delegacia de origem, notase a manifesta ausência de interesse em recorrer sobre o tema, carecendo, assim, do cumprimento dos requisitos de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 09 31 /2 01 0- 48 Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10665.720931/201048 Acórdão n.º 9303005.508 CSRFT3 Fl. 344 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 67 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº256/09, contra ao acórdão nº 3401002.008, proferido pela 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que decidiu dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao crédito de IPI no montante de R$ 269.179,19. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de PER/Dcomp relativa ao saldo credor de IPI relativo ao 2º trimestre de 2007, que, em face de auditoria fiscal realizada no âmbito do processo administrativo nº 10665.001722/201000, na qual foram detectadas infrações à legislação do IPI [reclassificação fiscal e glosa de créditos], o que resultou na reconstituição da escrita fiscal e, conseqüentemente, na apuração de novo saldo no Livro Registro de Apuração de IPI, teve valor reconhecido parcialmente como crédito a ser utilizado nas compensações declaradas até o limite reconhecido. Referida auditoria fiscal foi realizada justamente para fins de se verificar a procedência dos saldo credores dos quatro trimestres dos anos de 2006 e de 2007 informados nos vários pedidos eletrônicos de ressarcimento, dentre os quais o que consta do presente processo. Na Manifestação de Inconformidade a interessada pugnou pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário até que seja proferida decisão em definitivo no referido processo que tratou da revisão de seu saldo credor e que resultou na lavratura de auto de infração. Juntou cópia da impugnação apresentada contra o referido lançamento. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. INEXISTÊNCIA. Confirmado os termos em que realizado o refazimento da escrita fiscal, de se reconhecer o direito ao crédito no montante dos novos valores encontrados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte". Da decisão vergastada, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, fls. 317/319, suscitando omissão. O Colegiado a quo rejeitou os aclaratórios por entender que inexiste qualquer omissão. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10665.720931/201048 Acórdão n.º 9303005.508 CSRFT3 Fl. 345 3 Não se conformando com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, requerendo que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, reformado o acórdão recorrido, restaurandose o teor da r. decisão de primeira instância. Alternativamente, requer que, caso seja efetivamente mantido o acórdão recorrido, seja na forma da conclusão do julgamento do processo nº10665.720931/201048, em razão de não estar correto o entendimento do acórdão recorrido, pois pelo principio do tempus regit actum, a data a ser considerada seria a do encontro de contas (30/10/2002) e não a data da intimação do despacho decisório. Para comprovar a divergência jurisprudencial, aponta como paradigma o acórdão nº 10322.595. Em seguida, por ter sido comprova a divergência, o Presidente da 4ºCâmara da 3º Seção de Julgamento do CARF, deu seguimento ao recurso. A Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Com efeito, trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER/Dcomp) de créditos de IPI (saldo credor) referente ao 2º trimestre de 2007, que, em face de auditoria fiscal realizada no âmbito do processo administrativo nº 10665.001722/201000, na qual foram detectadas infrações à legislação do IPI (reclassificação fiscal e glosa de créditos), o que resultou na reconstituição da escrita fiscal e, conseqüentemente, na apuração de novo saldo no Livro Registro de Apuração de IPI, teve valor reconhecido parcialmente como crédito a ser utilizado nas compensações declaradas até o limite reconhecido, fls. 193. O presente processo esta em dependência dos autos nº 10665.001722/2010 00 (processo principal) com trânsito em julgado, o qual Autoridade Fiscal reconheceu parcialmente as compensações declaradas até o limite reconhecido. Por outro lado, a decisão recorrida reconheceu o direito ao crédito de IPI no montante de R$ 269.179,19, considerando que naquele processo ( principal) restou ratificado Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10665.720931/201048 Acórdão n.º 9303005.508 CSRFT3 Fl. 346 4 pela Turma a quo o entendimento da fiscalização quanto à necessidade de refazimento da escrita fiscal da Contribuinte, de sorte que, em função da nova apuração, confirmouse a existência de saldo credor a ser ressarcido no presente processo. Dessa forma, entendo que não há interesse recursal da Fazenda Nacional, pois, o processo referente ao Auto de Infração, do qual este era dependente, transitou em julgado com a mesma conclusão do presente processo, mantendo o valor ressarcido nos termos da Delegacia de origem. Com essas considerações, voto no sentido de não tomar conhecimento do Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 346DF CARF MF
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Numero do processo: 12571.000200/2010-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento. por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para fins de juntada de processos vinculados, nos termos do voto do Relator.
José Henrique Mauri - Presidente
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento. por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para fins de juntada de processos vinculados, nos termos do voto do Relator. José Henrique Mauri Presidente Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 1666 a 1672) interpostos pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 3301001.892 (fls. 1652 a 1657), de 26 de junho de 2013, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – que, por unanimidade de votos, acolheu os Embargos de Declaração (fls. 1645 a 1648) com efeitos infringentes RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 20 0/ 20 10 -5 7 Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 12571.000200/201057 Resolução nº 3301000.520 S3C3T1 Fl. 1.758 2 interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa (PR) em face do Acórdão 330101.472 (fls. 1630 a 1640). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora embargado: Tratase de embargos de declaração opostos pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa, em face do Acórdão 330101.472, de 23/05/2012, o qual proveu o Recurso Voluntário da Contribuinte, resultando na anulação do Auto de Infração, sob fundamento de que as Declarações de Compensação constituem confissão de dívida é instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos, e, caso sejam objeto de lançamento, ensejariam a duplicidade de cobrança entre os valores lançados e os objeto das compensações não homologadas, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PERDCOMP . CONFISSÃO DE DÍVIDA. As declarações de compensação constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos, caso sejam considerados indevidamente compensados, conforme preceitua o art. 74, § 6o da Lei no 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003. Não podendo ser exigido o mesmo crédito tributário objeto de declarações exigência em duplicidade, ensejando a nulidade do processo. Recurso Provido. A DRF de Ponta GrossaPR, alega a existência de motivos que ensejam sua modificação, posto que o valor objeto de autuação não corresponde aos débitos declarados em DCOMP. Com créditos de PIS não cumulativo apurados para trimestres de 2003 a 2007, o contribuinte compensou débitos de IRPJ e CSLL, códigos 3373 e 6012, dos períodos de apuração de 2004 a 2007. Os créditos de PIS apurados pelo contribuinte, conforme legislação vigente, devem ser descontados da contribuição apurada para o próprio período e, caso não seja totalmente esgotado, poderá ser objeto de PERDCOMP ao final do trimestre. Assim, durante a análise do crédito pleiteado, o Auditor Fiscal, pelas glosas efetuadas, verificou a inexistência de crédito a ser ressarcido ao contribuinte, bem como que os créditos das contribuições apuradas nas entradas foram inteiramente consumidos pelos débitos das contribuições nas saídas, restando, ainda, débitos a serem lançados de ofício (conforme indicado nos Despachos Decisórios e Relatório do Auto de Infração). Dessa forma, paralelamente às não homologações das compensações (débitos de IRPJ e CSLL), foi lavrado o presente Auto de Infração, visando a constituir os Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 12571.000200/201057 Resolução nº 3301000.520 S3C3T1 Fl. 1.759 3 débitos de PIS não confessados pelo contribuinte, com a respectiva multa de ofício de 75%. Os débitos confessados pelo contribuinte nas DCOMPs e que estão sendo controlados em processos de cobrança, vinculados aos respectivos processos de análise do crédito (ainda pendentes de análise no CARF), visando a sua cobrança caso a não homologação seja mantida pela instância máxima de julgamento administrativo, são os seguintes: Nº DO PER/DCOMP CÓDIGO PA VALOR VENCIMENTO 38247.80779.231107.1.3.102246 337301 01/01/2006 1.280,24 30/04/2006 06850.82338.060408.1.7.100959 337301 01/04/2005 2.983,29 31/07/2005 14447.06271.060408.1.7.108920 337301 01/04/2005 3.406,92 31/07/2005 32813.18183.060408.1.7.113024 337301 01/04/2005 13.741,30 31/07/2005 18734.68244.060408.1.7.113512 337301 01/04/2005 20.578,72 31/07/2005 37439.95466.070408.1.7.113511 337301 01/10/2004 13.193,17 31/01/2005 10343.99131.090408.1.7.100090 337301 01/04/2006 3.952,99 31/07/2006 15661.93698.090408.1.7.105093 337301 01/01/2006 4.442,21 30/04/2006 11457.65448.090408.1.7.106266 337301 01/10/2006 3.639,92 31/01/2007 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01/07/2005 52.459,42 31/10/2005 06398.33461.080408.1.7.095871 337301 01/07/2004 53.386,51 31/10/2004 06398.33461.080408.1.7.095871 337301 01/04/2004 155.469,03 31/07/2004 06398.33461.080408.1.7.095871 337301 01/10/2004 242.557,75 31/01/2005 20846.10166.080408.1.7.085256 337301 01/01/2004 18.647,14 30/04/2004 20629.89098.080408.1.7.090400 337301 01/01/2004 82.883,85 30/04/2004 40505.43892.080408.1.7.083713 337301 01/01/2004 19.386,30 30/04/2004 08003.46357.080408.1.7.090685 337301 01/04/2005 59.923,35 31/07/2005 12557.60431.080408.1.7.084185 337301 01/04/2005 19.430,89 31/07/2005 22456.12911.080408.1.7.081831 337301 01/04/2005 5.236,19 31/07/2005 33157.64583.090408.1.7.090608 337301 01/01/2005 14.469,17 30/04/2005 33157.64583.090408.1.7.090608 337301 01/04/2005 2.280,16 31/07/2005 34406.58532.090408.1.7.080108 337301 01/01/2007 28.386,73 30/04/2007 34994.25470.090408.1.7.082008 337301 01/04/2006 3.759,55 31/07/2006 39278.21508.090408.1.7.099555 337301 01/04/2006 17.316,70 31/07/2006 26743.67029.090408.1.7.091880 337301 01/10/2006 16.935,17 31/01/2007 10334.32322.090408.1.7.080000 337301 01/10/2006 3.676,71 31/01/2007 03818.91905.220908.1.7.095389 337301 01/01/2007 96.211,22 30/04/2007 12618.64992.030509.1.7.084625 337301 01/01/2004 15.443,28 30/04/2004 24979.26148.050509.1.3.098065 337301 01/04/2005 29.576,46 31/07/2005 05790.49407.070408.1.7.118219 601201 01/10/2005 4.969,08 31/01/2006 Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 12571.000200/201057 Resolução nº 3301000.520 S3C3T1 Fl. 1.760 4 18848.17863.070408.1.7.119080 601201 01/07/2005 4.987,53 31/01/2006 18347.26020.070408.1.7.100162 601201 01/10/2005 1.078,81 31/01/2006 09630.42863.070408.1.7.100661 601201 01/10/2005 1.082,33 31/01/2006 02476.94646.090408.1.7.103203 601201 01/01/2007 4.688,62 30/04/2007 08429.85454.090408.1.7.119629 601201 01/07/2006 10.915,70 31/10/2006 13961.15649.090408.1.7.100479 601201 01/07/2006 3.692,11 31/10/2006 06275.86274.090408.1.3.115705 601201 01/10/2007 22.430,72 31/01/2008 06125.02185.090408.1.3.100050 601201 01/10/2007 3.532,63 31/01/2008 22041.37515.090408.1.3.117680 601201 01/10/2007 15.694,45 31/01/2008 03342.04786.090408.1.3.091744 601201 01/07/2007 25.478,02 31/10/2007 40853.81238.090408.1.3.090929 601201 01/07/2007 14.381,92 31/10/2007 09555.56114.090408.1.3.116322 601201 01/10/2007 16.271,49 31/01/2008 32708.86436.090408.1.3.105383 601201 01/10/2007 4.869,83 31/01/2008 14294.45729.090408.1.3.100119 601201 01/10/2007 3.407,35 31/01/2008 11237.25530.080408.1.7.082656 601201 01/10/2005 16.456,30 31/01/2006 22895.07265.080408.1.7.093310 601201 01/07/2005 21.045,39 31/10/2005 06398.33461.080408.1.7.095871 601201 01/07/2004 21.379,14 31/10/2004 06398.33461.080408.1.7.095871 601201 01/04/2004 58.128,85 31/07/2004 06398.33461.080408.1.7.095871 601201 01/01/2004 2.384,53 31/01/2005 20629.89098.080408.1.7.090400 601201 01/01/2004 1.422,87 30/04/2004 40050.50465.080408.1.7.085954 601201 01/10/2004 115.783,50 31/01/2005 32899.27312.080408.1.7.080501 601201 01/10/2004 6.710,52 31/01/2005 00813.85814.080408.1.7.092115 601201 01/10/2004 30.909,00 31/01/2005 08003.46357.080408.1.7.090685 601201 01/04/2005 29.576,46 31/07/2005 29336.57577.080408.1.7.084971 601201 01/10/2005 306,48 31/01/2006 33157.64583.090408.1.7.090608 601201 01/01/2005 7.368,90 30/04/2005 33659.25360.220908.1.7.112360 601201 01/01/2007 9.161,80 30/04/2007 24979.26148.050509.1.3.098065 601201 01/04/2005 59.923,35 31/07/2005. Sustenta o Embargante que o valor objeto de autuação não corresponde aos débitos declarados em DCOMP, visto que as compensações são exclusivamente de débitos de códigos 3373(IRPJ PJ NÃO OBRIGADAS AO LUCRO REAL BALANÇO TRIMESTRAL ) e 6012 (CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL – BALANÇO TRIMESTRAL) enquanto o Auto de Infração (processo no 12571.000200/201057) trata exclusivamente de débitos de PIS, código 6656 (PIS NÃO CUMULATIVO LANÇAMENTO DE OFÍCIO). Os processos em que estão sendo analisados os créditos de PIS (PER/DCOMPS) e que ensejaram a lavratura do presente Auto de Infração são os seguintes (ainda em julgamento no CARF): 12571.000038/201077 12571.000037/201022 12571.000027/201097 12571.000040/201046 12571.000025/201006 12571.000039/201011 13931.000955/200863 13931.000948/200861 13931.000953/200874 12571.000032/201008 12571.000036/201088 12571.000030/201019 13931.000956/200816 12571.000041/201091 12571.000028/201031 13931.000949/200814 13931.000954/200819 13931.000952/200820 12571.000029/201086 12571.000034/201099 13931.000951/200885 12571.000035/201033 13931.000957/200852 12571.000031/201055 12571.000033/201044 13931.000368/200874 13931.000950/200831 12571.000026/201042 12571.000024/201053. Conclui, afirmando estar configurada a omissão no Acórdão atacado posto que não mencionou os débitos integrantes do Auto de Infração bem como os débitos objetos das DCOMPs não homologadas, demonstrando assim a duplicidade alegada, bem Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 12571.000200/201057 Resolução nº 3301000.520 S3C3T1 Fl. 1.761 5 como deixou de considerar a fundamentação do Auto de Infração, a qual afirma ser o lançamento decorrente da inexistência de crédito suficiente para liquidar os débitos do PIS apurados para os próprios períodos de apuração, sendo pois, independentes dos débitos compensados pelo contribuinte nas DCOMPs. Tendo em vista a decisão do CARF, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração (fls. 1666 a 1672), em 14 de outubro de 2013, visando a supressão de alegadas omissões do julgado. Por meio de Despacho de Admissibilidade (fls. 1694 a 1695), de 29 de junho de 2016, admitiu o referido Embargos de Declaração por entender que foi constatado vício na decisão embargada. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator Os Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte em face ao Acórdão nº 3301001.892 são tempestivos e atendem os pressupostos legais de admissibilidade. Assim dispõe o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF acerca da admissibilidade dos embargos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Os embargos ora analisados visam sanar alegadas contradições presentes no Acórdão nº 3301001.892 (fls. 1652 a 1657) com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão CSRF/0104.539), razão pela qual retificase o Acórdão nº 330100.382 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, cuja ementa e decisório passam a ter a seguinte redação: PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 12571.000200/201057 Resolução nº 3301000.520 S3C3T1 Fl. 1.762 6 Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Embargos de Declaração acolhidos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolheremse os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para anular o Acórdão nº 330101.472, afastandose a nulidade do auto de infração, e improver o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Contribuinte aduz em seus Embargos de Declaração (fls. 1666 a 1672) que o ora analisado Acórdão está eivado do vício da omissão no que tange a não apreciação de provas e alegações contidas no Recurso Voluntário (fls. 1511 a 1540) e requer, ainda, a reunião/distribuição dos processos conexos. Nesse sentido, cito trecho dos embargos para elucidar os argumentos do Contribuinte: A colenda 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, ao prolatar o novo acórdão reformando o anterior que promoveu na íntegra o recurso voluntário, apreciou apenas as alegações contidas nos embargos da unidade de origem e olvidou apreciar as provas e alegações contidas no recurso voluntário e seu adendo. Com efeito, a única matéria que foi objeto de apreciação por parte dessa Turma Julgadora foi a contradição entre as conclusões exaradas no Acórdão reformado e os documentos constantes dos autos concluindose pela inexistência de correlação entre os débitos lançados no auto de infração PIS e os débitos constantes dos processos de ressarcimento/compensação (PER/DCOMP). Ora a embargante, apresentou copiosa prova material e alegações de fato e de direito com preliminares e matérias de mérito, que não receberam qualquer apreciação por parte dessa colenda Turma Julgadora. Ao analisar o referido Acórdão (fls. 1652 a 1657) observase que o voto do Relator é de fato bem sucinto, sendo assim o citarei na íntegra como forma de elucidar a lide: Os embargos foram opostos tempestivamente e presentes os motivos ensejadores do mesmo, quais sejam omissão/contradição no v. Acórdão embargado. Conforme relatado, diz o Embargante que o valor objeto da autuação não corresponde aos débitos declarados em DCOMP, já que as compensações foram exclusivamente de débitos de códigos 3373(IRPJ PJ NÃO OBRIGADAS AO LUCRO REAL BALANÇO TRIMESTRAL ) e 6012 (CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL – BALANÇO TRIMESTRAL) enquanto o Auto de Infração (processo no 12571.000200/201057) trata exclusivamente de débitos de PIS, código 6656 (PIS NÃO CUMULATIVO LANÇAMENTO DE OFÍCIO). Em síntese, com créditos de PIS nãocumulativo apurados para o trimestre de 2003 a 2007, a Contribuinte compensou débitos de IRPJ e CSLL, códigos 3373 e 6012, dos períodos de apuração de 2004 a 2007. Procedendo desta forma, e considerando que os créditos de PIS devem ser descontados da contribuição apurada para o próprio período, e não sendo o crédito totalmente exaurido, é que o mesmo deverá ser objeto de PERDCOMP no final do trimestre. Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 12571.000200/201057 Resolução nº 3301000.520 S3C3T1 Fl. 1.763 7 Todavia, no caso em apreço os créditos foram inteiramente consumidos pelos débitos das contribuições nas saídas, resultando ainda em débito a ser exigido, objeto do auto de infração analisado no presente processo, senão vejamos: Os processos em que estão sendo analisados os créditos de PIS (PER/DCOMPS) e que ensejaram a lavratura do presente Auto de Infração são os seguintes (ainda em julgamento no CARF): 12571.000038/201077 12571.000037/201022 12571.000027/201097 12571.000040/201046 12571.000025/201006 12571.000039/201011 13931.000955/200863 13931.000948/200861 13931.000953/200874 12571.000032/201008 12571.000036/201088 12571.000030/201019 13931.000956/200816 12571.000041/201091 12571.000028/201031 13931.000949/200814 13931.000954/200819 13931.000952/200820 12571.000029/201086 12571.000034/201099 13931.000951/200885 12571.000035/201033 13931.000957/200852 12571.000031/201055 12571.000033/201044 13931.000368/200874 13931.000950/200831 12571.000026/201042 12571.000024/201053. Desta forma os processos em que estão sendo analisados os créditos de PIS (PER/DCOMPS) e que ensejaram a lavratura do Auto de Infração ainda se encontram em fase de julgamento no CARF), o que vale dizer que os indébitos declarados não gozavam da necessária liquidez e certeza. Assim com razão os embargos, devendo ser restabelecida a decisão da DRJ porque as compensações são exclusivamente de débitos de códigos 3373(IRPJ PJ NÃO OBRIGADAS AO LUCRO REAL BALANÇO TRIMESTRAL ) e 6012 (CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL – BALANÇO TRIMESTRAL) vez que no presente processo, o Auto de Infração (processo no 12571.000200/201057) trata exclusivamente de débitos de PIS, código 6656 (PIS NÃO CUMULATIVO LANÇAMENTO DE OFÍCIO). Considerando que o deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão CSRF/0104.539). Em face do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, em virtude da omissão apontada, nos termos dos arts. 65 e 66 do RI CARF, restabelecendo o Auto de Infração, objeto do presente processo. Portanto, compreendese que o Acórdão ora embargado, por meio de Embargos de Declaração interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa (PR), reformou o Acórdão nº 330101.472 (fls. 1630 a 1640) com efeitos infringentes, afastando a nulidade do auto de infração e não provendo o que foi requerido anteriormente em sede de Recurso Voluntário (fls. 1511 a 1540) interposto pelo Contribuinte. Em 29 de junho de 2016, por meio de Despacho de Admissibilidade, entendeuse por bem acolher os embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte, formulado com os seguintes fundamentos pelo Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas: Tendo sido dada ciência da nova decisão à contribuinte, esta opôs embargos de declaração, alegando omissão do julgado proferido. Aduz que a nova decisão analisou tão somente os argumentos trazidos pela unidade de origem nos embargos de declaração opostos, porém, ao proferir a nova decisão Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 12571.000200/201057 Resolução nº 3301000.520 S3C3T1 Fl. 1.764 8 negando provimento ao recurso voluntário, deixou de analisar as questões de defesa trazidas pela contribuinte no recurso. Razão cabe à embargante. No primeiro julgamento, como foi dado provimento ao recurso voluntário no mérito, as preliminares trazidas pela contribuinte não foram analisadas. No segundo julgamento, em que os embargos foram acolhidos, analisouse somente a questão suscitada pela embargante, de que os débitos constantes dos PERDCOMP não correspondiam àqueles exigidos no auto de infração, porém deixouse de analisar as preliminares suscitadas pela contribuinte no recurso voluntário, bem como não foram analisadas as demais matérias de defesa trazidas no recurso. Para suprir a omissão acolhida, foi reaberto o julgamento da lide, com todas as conseqüências daí decorrentes, inclusive a possibilidade de ser emitido novo comando decisório. Daí que a análise dos argumentos de defesa, trazidos pela contribuinte no recurso voluntário, mostrase necessária, sob pena de cerceamento do direito de defesa. (grifouse). Assim, é de se ACOLHER os embargos de declaração opostos pela contribuinte, para suprirse a omissão apontada. Nos embargos de declaração o Contribuinte apresenta de forma resumida o que entende não ter sido tratado quando da decisão proferida no Acórdão nº 3301001.892: Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 12571.000200/201057 Resolução nº 3301000.520 S3C3T1 Fl. 1.765 9 Como se percebe há que se enfrentar na análise dos presentes embargos de declaração quatro preliminares: 1) ausência de provas produzidas pela fiscalização para amparar as glosas de créditos; 2) a nulidade da decisão por negar diligência considerada necessária; 3) retificação de base de cálculo de créditos e débitos de períodos prescritos ou decaídos; e, 4) decadência de fatos geradores de janeiro a junho de 2005. Na parte do mérito há que se tratar da 1) glosa de créditos presumidos da agroindústria e cerealista; 2) glosa de créditos ordinários (créditos de bens adquiridos para revenda, créditos de insumos, créditos de serviços utilizados, créditos de bens do ativo imobilizado, créditos sobre vendas consideradas tributadas); 3) apuração de débitos decorrentes de operações com suspensão e alíquota zero; 4) tributação sobre mercadorias inexistentes; e, 5) a necessidade de diligência. Somase a estas questões a serem enfrentadas no âmbito da análise destes embargos, um outro aspecto relevante sustentado pelo Contribuinte em seu recurso voluntário, bem como, nos embargos, da necessidade de reunião e julgamento dos processos conexos. Afirma o Contribuinte (fls. 1670): Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 12571.000200/201057 Resolução nº 3301000.520 S3C3T1 Fl. 1.766 10 O presente processo trata de auto de infração. Já os processos em que se estão sendo analisados os créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao presente auto de infração, ainda não foram julgados no âmbito do CARF e são os seguintes: Já o processo n. 12571.000201/201000, em que se aprecia os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, de minha relatoria, tratase também de auto de infração. Já os processos em que se estão sendo analisados os créditos de COFINS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao presente auto de infração, ainda não foram julgados no âmbito do CARF e são os seguintes: Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 12571.000200/201057 Resolução nº 3301000.520 S3C3T1 Fl. 1.767 11 O Regimento Interno do CARF no que tange a existência de processos conexos dispõe: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. Na análise do presente processo que trata do lançamento de PIS, bem como, do processo n. 12571.000201/201000, também atribuído a este relator, que trata do lançamento de COFINS, percebese a necessidade da reunião e julgamento de forma conjunta dos processos acima listados que tratam da análise dos créditos de PIS e COFINS (PER/DCOMPs). De acordo com o entendimento exposto pelo Contribuinte e com base na legislação, voto no sentido de dar acolhimento aos embargos de declaração no que tange a reunião dos processos conexos, convertendo o presente julgamento em diligência, devido a conexão, para que se possa enfrentar as questões preliminares e de mérito de forma conjunta com a reunião dos processos e que sejam distribuídos para o presente relator prevento. Em seguida os autos deverão retornar a este Conselho para fins de julgamento. Valcir Gassen Relator Fl. 1706DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.720051/2008-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos. - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos. - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1446; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 276 1 275 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11070.720051/200818 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.049 – 2ª Turma Sessão de 28 de setembro de 2017 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANTONIO AILTON TORRES DE PAULA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 00 51 /2 00 8- 18 Fl. 277DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão da 1ª Turma Especial da 2ª Seção, consubstanciada no Acórdão n° 2801003.795 que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para aplicar como valor da terra nua R$ 184.000,00 (R$ 1.340,13/ha). Segue abaixo a ementa e o dispositivo da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITR. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. O arbitramento com base no valor médio das DITR para o município de localização do imóvel, por não atender aos critérios legais, não pode prevalecer. LAUDO DE AVALIAÇÃO DO IMÓVEL. LEVANTAMENTO DA SECRETARIA MUNICIPAL. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. ÁREA UTILIZADA. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. Estando em aberto discussão administrativa sobre lançamento que se baseia na DITR/2005 do contribuinte, considerando o art. 145, III, e o art. 149, VIII, todos do CTN e em homenagem ao princípio da verdade material, devem ser conhecidos e analisados os documentos acostados aos autos, para se formar a convicção sobre o real valor da terra nua no exercício em questão. Lado outro, a ausência de comprovação da existência de gado e, conseqüentemente, da exploração de atividade pecuária, impedem a revisão do grau de utilização calculado a partir das informações declaradas pelo contribuinte. LANÇAMENTO. OBJETO. REVISÃO. DELIMITAÇÃO. REFORMATIO IN PEJUS. IMPOSSIBILIDADE. Se o objeto do lançamento foi a alteração do “Valor da Terra Nua Declarado”, porquanto não comprovado á época dos fatos, não se mostra adequada a alteração, pelo julgador administrativo, da área total do imóvel, ainda mais em prejuízo do contribuinte (reformatio in pejus). MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 11070.720051/200818 Acórdão n.º 9202006.049 CSRFT2 Fl. 277 3 O processo foi encaminhado para a Fazenda Nacional, em 20/01/2015, para cientificação em até trinta dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, na mesma data, o Recurso Especial em análise, alegando que o aresto recorrido divergiu do paradigma que apresenta em dois pontos do Acórdão n.º 2102 00.609 Inicialmente, quanto ao arbitramento com base no DITR médio, pondera que no acórdão paradigma resta consagrada a tese de que o VTNm constante do SIPT pode ter por base tanto o levantamento por aptidão agrícola como o valor médio das DITR entregues no município de localização do imóvel. Afirma que, de modo contrário, o acórdão recorrido entende que apenas o VTNm apurado com base na aptidão agrícola é legítimo para quantificar o Valor da Terra Nua, não sendo possível tal aferição pelo valor médio das DITR apresentadas ao município em que situado o imóvel rural autuado. Adotando o relatório do acórdão recorrido esclareço que: Contra o contribuinte identificado foi lavrada Notificação de Lançamento, conforme folhas 02 e seguintes, onde foi exigido Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR suplementar, relativo ao exercício de 2005, no valor de R$ 11.786,18, acrescido de multa proporcional de 75%, no valor de R$ 8.839,63 e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic, tendo por objeto o imóvel rural denominado “Invernada do Bugre”, cadastrado na RFB sob o nº 1.564.0426, com área declarada de 131,5 há e cujo Município de localização é um dos pontos em discussão nestes autos. Na “descrição dos fatos”, constante de fls. 03/04, narra a Autoridade Fiscal que efetuou o lançamento, em resumo, que, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da Terra Nua declarado. O valor foi então arbitrado. Na “complementação”, o Auditor Fiscal demonstra que com base nos dados obtidos no Sistema de Preços de Terras –SIPT, instituído pela RFB, arbitrou o valor de R$ 4.485,14 por hectare, considerando a área total declarada de 131,5 hectares, chegando ao total de R$ 589.795,91 para o valor da terra nua do imóvel. Explica ainda o Auditor Fiscal que o valor do SIPT empregado foi obtido “pelos VTN médios declarados, para o exercício de 2005, para o Município de Santa Rosa”.(fl. 04) A DITR objeto da revisão fiscal está copiada na folha 07 e seguintes e observo que o contribuinte informou uma área total de 131,5 ha, o VTN igual a "zero", uma vez que calculado a partir do valor total do imóvel informado menos o valor das culturas e pastagens, que foram iguais e nenhuma área como utilizada, na atividade rural. Na folha 11 consta cópia do Termo de Intimação, intimando o contribuinte a apresentar, dentre outros documentos, Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel, com as especificidades que discrimina, e a advertência que a falta de comprovação do VTN ensejaria o arbitramento com base no Sistema de Preços de Terras da RFB – SIPT, discriminando qual seria esse valor. Na folha 13 consta consulta ao objeto, nos Correios, com a informação de "entregue" em 11/09/2008. Inconformado com o lançamento do crédito tributário, o contribuinte apresentou impugnação (folha 17 seguintes). Tal manifestação foi conhecida e tratada pela Fl. 279DF CARF MF 4 DRJ/BRASÍLIA, nos seguintes termos, em resumo (fl. 150 e ss.). Disse o Julgador de 1ª instância que: o lançamento foi legal e corretamente efetuado com base na declaração apresentada pelo contribuinte. O lançamento e a revisão de ofício estão previstos no CTN, citando os artigos 145 e 149. Há nos autos prova de que o AR do Termo de Intimação Fiscal foi entregue em 11/09/2008 e a alegação de não recebimento, mesmo assim, não invalida o procedimento fiscal, pois o contribuinte poderia apresentar o Laudo juntamente com a impugnação. Entendeu que caberia razão ao interessado quanto à alegação de equívoco em relação ao Município de localização do imóvel, devendo ser considerado o Município de Porto Vera Cruz/RS, que fora emancipado em 1992. Quanto à área do imóvel, dispôs que não havia comprovação de que a área era a pretendida pela Impugnação e que a alteração, de 131,5 ha para 137,3 ha traria prejuízo ao contribuinte, o que não seria admitido naquele julgamento. Quanto ao Grau de Utilização, esclareceu que os autos careciam de provas da utilização do imóvel com atividade pecuária e apresentou opções para que o contribuinte comprovasse a existência de gado, no exercício em questão. Com relação ao VTN, tratou da Certidão de Avaliação emitida pela Prefeitura do Município de Porto Vera Cruz/RS, entendendo que a mesma não seria hábil para alterar o VTN arbitrado. Registrou que o contribuinte não apresentou o Laudo de Avaliação do Imóvel. Entretanto, entendeu, à vista da alteração do Município de localização declarado, que deveria ser considerado o valor de R$ 1.680,99 por hectare existente no SIPT, para o exercício de 2005. Tratou, por fim, da aplicação da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, defendendo sua aplicação ao lançamento. Assim, decidiu o Acórdão recorrido, na esteira do voto condutor, por alterar o Município de localização do imóvel para Porto Vera Cruz/RS e, consequentemente, aplicar o VTN de R$ 1.680,99 por hectare, assim, por unanimidade de votos, julgouse procedente em parte a impugnação mantendo em parte o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado dessa decisão, conforme Aviso de Recebimento em 25/07/2011 (fl. 160), o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 19/08/2011 (protocolo fl. 161), onde assim expõe suas razões, em síntese: 1 cerceamento de defesa por impossibilidade de acesso aos dados do Sistema Integrado de Preços de Terras SIPT; 2 fala da apresentação da impugnação em relação ao município de localização do imóvel, apontando divergências no julgamento recorrido, em relação ao relatório, voto e dispositivo. 3 informa que apresenta Laudo Técnico com a "correta avaliação do imóvel", elaborado por Engenheiro Agrônomo, com ART, embasada nas disposições da NBR 8799. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 11070.720051/200818 Acórdão n.º 9202006.049 CSRFT2 Fl. 278 5 4 quanto ao Grau de Utilização e consequente alíquota aplicada ao lançamento, defende que o imóvel "sempre foi" utilizado para pecuária, sendo que "atualmente" contava com 65 reses e 30 terneiros. Desta feita, REQUER que seja julgado procedente seu recurso, utilizandose os valores do Laudo Técnico para fins de cálculo do ITR, "com a aplicação da alíquota de 0,07%", afastandose a aplicação da multa. Intimado do presente Recurso, o Contribuinte apresenta contrarrazões pugnando pelo desprovimento do presente. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Da delimitação da lide: Tratase de Recurso que discute (i) quanto ao arbitramento com base no DITR médio; (ii) laudo técnico apresentado está em descompasso com as normas da ABNT. Do conhecimento: Entendo que, apesar de atendido o requisito de tempestividade, o Recurso Especial da Fazenda Nacional não se presta a demonstrar a alegada divergência, razão pela qual já foi rejeitado em inúmeros julgados em que se tratou de litígio semelhante. Acórdão nº 210200.609: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001, 2002 Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE.. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de Fl. 281DF CARF MF 6 registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, PODA CONTRADITAR O VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Na decisão recorrida, rejeitouse a adoção do SIPT como critério de arbitramento porque, naquele caso, o valor do hectare no sistema não foi composto a partir de informações fornecidas por secretaria de agricultura do estado ou do município, mas proveio dos valores médios apurados nas DITR. É o que se constata do seguinte trecho do voto vencedor a conduzir aquele acórdão: Registrese, inicialmente, que embora também vote pelo restabelecimento do Valor da Terra Nua (VTN) declarado, o faço porque as informações disponíveis do SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, não decorreram de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas (sic). Limitamse ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas (fl. 35). Na decisão paradigma, o SIPT foi alimentado a partir das informações recebidas dos órgãos competentes, é o que consta do voto condutor daquele julgado: A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que, no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua constante no sistema, conforme tela do SIPT de fls. 15 e 16 (valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura), já que o contribuinte havia utilizado o valor da terra nua para o município de Inhaúma — MG de 1996, valor que teria sido aceito pela Secretaria da Receita Federal quando da expedição Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11070.720051/200818 Acórdão n.º 9202006.049 CSRFT2 Fl. 279 7 da notificação de lançamento do ITR respectivo (conforme declaração prestada pelo próprio autuado nestes autos — fl. 27), e não apresentara o laudo técnico de avaliação da área rural. A informação declarada pelo contribuinte era assaz antiga e justificava o procedimento da autoridade fiscal. (...) Primeiramente, os valores da terra nua dos municípios mineiros, dos exercícios 2000 a 2004, foram informados pelo Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a partir de levantamento dos extensionistas da Emater, como se pode ver pelo Oficio n° 1.036/2004/GAB.SEC, de 30 de novembro de 2004 (cópia deste oficio se encontra no recurso voluntário n° 342.587 — fl. 124 , em pauta nesta mesma sessão de julgamento). Tal oficio referese ao valor da terra nua por hectare e não ao valor de venda dos imóveis. Por outro lado, os formulários da FGV preenchidos pela EmaterMG, referentes aos exercícios 2001 e 2002, do município de Inhaúma, não indicam que os valores se referem ao preço de comercialização do imóvel com benfeitorias, como se pode ver em tais formulários de fls. 291 a 293. Na verdade, o acórdão recorrido e o Acórdão nº 210200.609 convergem no entendimento de que o SIPT pode ser utilizado como critério de arbitramento, desde que decorra de informações fornecidas pela secretarias de agricultura estaduais ou municipais. Destarte, não conheço o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902217/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1747; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.902217/200923 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.522 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SUNFLOWER SCHOOL ESCOLA DE IDIOMAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DCTF PRAZO PARA RETIFICAÇÃO HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 22 17 /2 00 9- 23 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13851.902217/200923 Acórdão n.º 1302002.522 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13851.902217/200923 Acórdão n.º 1302002.522 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13851.902217/200923 Acórdão n.º 1302002.522 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13851.902217/200923 Acórdão n.º 1302002.522 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902217/200923 Acórdão n.º 1302002.522 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002491/2004-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Numero da decisão: 9303-006.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto de Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 24 91 /2 00 4- 24 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 3 2 Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto de Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3101001.215 – objeto de embargos de declaração opostos pela Fazenda contra acórdão nº 3101000778, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para: · Afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; · Desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de cooperativas; · Determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito. O Colegiado, assim, consignou acórdão com a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir "receita de exportação" e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do 1P1, no sendo confundidos com produtos "NT" que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. "IPI — CRÉDITO PRESUMIDO — RESSARCIMENTO — AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS — A base de cálculo do credito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 4 3 aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1° da Lei n° 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente A. relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2° da Lei n° 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n° 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IN será calculado, exclusivamente, em relação as aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e as Contribuições ao PIS/PASEP (IN n 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao credito presumido (TN n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provis6ria, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração face ao decidido no acórdão 3101000.778 que proveu parcialmente o recurso voluntário para afastar o impedimento do uso do benefício da saída de produtos classificados como NT na TIPI, por estar afastados do campo de tributação, mas, não afastados do fato gerador do IPI. Traz o pedido de sobrestamento do recurso voluntário. Em acórdão de embargos 3101001.215 refletiuse que o Colegiado, por unanimidade de votos deu parcial provimento aos embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, e DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para: · Incluir na receita bruta de exportação os produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI; · Afastar a glosa dos créditos referentes à aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoa físicas e cooperativas; e · Determinar o retorno dos autos do processo ao órgão julgador de primeira instancia para análise das demais questões de mérito. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 5 4 Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial por divergência contra o acórdão 3101001.215, alegando que no presente caso ocorreu exportação de produtos com notação NT e que, por conseguinte, não devem ser considerados industrializado, ficando “fora” da incidência do IPI. O que se conclui que o sujeito passivo não faz jus ao crédito presumido de IPI estabelecido pela Lei 9.363/96. Em Despacho às fls, 172 a 174, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · A Lei 9.363/96 não deferiu o crédito presumido apenas para o industrial, nem tampouco o limitou aos produtos industrializados exportados; · A Lei visou criar um benefício fiscal que abrangesse indistintamente todas as empresas produtoras e exportadoras de produtos nacionais desde que passe por um “processo produtivo”, aumentando, assim, sua competitividade no mercado internacional. Requer o sujeito passivo a mantença do acórdão atacado, o qual reconheceu o crédito encapsulado no pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, reformando na parte vencida para reconhecer a atualização monetária pela taxa Selic desde a protocolização do pedido. O sujeito passivo também apresentou Embargos de Declaração contra o acórdão 3101007778, alegando omissão e determinando a incidência da Selic ao crédito da embargante desde o protocolo dos pedidos de ressarcimento, quando não, caso se entenda que não há omissão a ser sanda, a atribuição de efeitos infringentes a este recurso e a reforma do acórdão, determinando a aplicação da Selic desde o protocolo administrativo. Em acórdão de embargos nº 3101001.741, o Colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento aos embargos de declaração. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 6 5 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que o recurso deva ser conhecido, conforme reza o art. 67, Anexo II, do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015. O que concordo com o Despachos de Admissibilidade. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a questão posta em recurso, qual seja, se o sujeito passivo tem ou não direito ao crédito previsto na Lei 9.363/96; ou seja, se haveria ou não a possibilidade de se reconhecer o direito à fruição do incentivo fiscal instituído pela Lei 9.363/96, crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, às pessoas jurídicas que elaboram produtos cuja notação na TIPI é NT (não tributado) No que tange ao crédito presumido de IPI, entendo que o sujeito passivo, em razão da exportação e industrialização, possui o direito ao crédito fiscal do período de 1997, nos termos da Lei 9.363/96. Dessa forma, importante analisar se a caracterização da pessoa jurídica requerente como estabelecimento industrial, à luz da legislação do IPI, poderia influir no direito ao incentivo fiscal. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 7 6 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ” Somente com a leitura desse dispositivo, é possível, a princípio, entender que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, não circunscrevendo seu alcance aos produtos industrializados. Não obstante, vêse que a Lei trouxe que, para a fruição do crédito presumido do IPI a dependência de as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam utilizadas no processo produtivo. Nesse ínterim, vêse que a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS e a COFINS considerou o processo de produtivo ou seja, a industrialização desses materiais, para fins de se produzir determinado produto a ser exportado. Vêse que o crédito presumido do IPI tem o escopo de ressarcir o contribuinte, do montante pago a título de PIS e COFINS, em todas as operações em que este adquiriu insumos, com o intuito de empregálos na produção de mercadorias exportadas. O dispositivo em referência, trouxe efetivamente um benefício às empresas que industrializam produtos e os vendem para o mercado externo. E, ademais, notase que não condiciona tal fruição para produtos tributos pelo IPI. Ou seja, o crédito trazido pela Lei não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. A Lei n° 9363/96, em seu artigo 1º estabelece que o requisito para a fruição do direito ao crédito presumido é a produção e exportação de mercadorias nacionais, sendo irrelevante que o produto esteja ou não sujeito ao IPI. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 8 7 Ademais, importante recordar que o sujeito passivo adquire geodos de pedras bruta, passando por todo o processo de corte, queima, transformação das pontas da ametista em citrino, transformando a pedra bruta em pedra preciosa para confecção de jóias, antes de serem exportadas, passaram efetivamente ppor um processo produtivo industrial. Conforme laudo acostado aos autos, a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo é típico processo produtivo. Nesse processo, as pedras passam pela fase de debulhamento = onde os geodos são desmontados através de equipamentos especiais para a separação de cristais. Posteriormente, são transferidas para a fase de tratamento térmico – para fins de outorga de tendências alaranjadas, avermelhadas ou amarronadas. E, por fim, a fase de martelamento para retiradas das partes não aproveitáveis do cristal para lapidação. Somente após as três etapas, modificando a natureza das pedras – que essas serão comercializadas no mercado interno e externo. O que, por conseguinte, impossível ignorar que o caso vertente trata de processo de industrialização. Em vista do exposto, nego provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas tenho entendimento diferente a respeito do assunto. Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 10 9 Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 11 10 do RIPI/98 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 12 11 (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 13 12 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721444/2011-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS.
Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS.
Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos.
Numero da decisão: 9303-006.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto de Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS. Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS. Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS. Considerase como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS. Considerase como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 14 44 /2 01 1- 81 Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10983.721444/201181 Acórdão n.º 9303006.108 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto de Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67 do antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3201001.864, de 28/01/2015, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004 FRETE. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CUSTO DE PRODUÇÃO. Gera direito a créditos do PIS e da Cofins não cumulativos o dispêndio com o frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica domiciliada no País, para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10983.721444/201181 Acórdão n.º 9303006.108 CSRFT3 Fl. 4 3 Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004 FRETE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CUSTO DE PRODUÇÃO. Gera direito a créditos do PIS e da Cofins não cumulativos o dispêndio com o frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica domiciliada no País, para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Recurso Voluntário Provido Trata o presente processo de lançamentos das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas com incidência não cumulativa, referentes aos períodos de apuração de julho a setembro de 2006. Os lançamentos decorreram da falta e/ou insuficiência de declaração/pagamento das contribuições devidas, apuradas com base na contabilidade da contribuinte, bem como nos PER/Dcomp apresentados, e concluindo pela utilização indevida de créditos daquelas contribuições. A Fazenda Nacional suscitou divergência com relação ao direito ao creditamento das contribuições não cumulativas do valor pago pelo sujeito passivo a terceiro a título de frete no transporte de insumos. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte foi cientificado do acórdão recorrido, bem como do recurso especial da PFN e do despacho de admissibilidade e apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10983.721444/201181 Acórdão n.º 9303006.108 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. O recurso interposto é tempestivo e deve ser conhecido, por cumprir com os requisitos essenciais à admissibilidade ditados pelo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante demonstrase a seguir. Em contrarrazões, o sujeito passivo alega preliminarmente que o paradigma apontado pela PFN não trata de questões fáticas que guardem similitude com o acórdão recorrido e não há demonstração de divergência de um mesmo dispositivo legal, e em virtude disso requer o não conhecimento do especial da Fazenda. Ao contrário do asseverado pelo sujeito passivo, há sim similaridade entre as situações fáticas do acórdão recorrido e paradigma, uma vez que as empresas são produtoras de alimentos e a discussão gira em torno do creditamento de PIS/Cofins não cumulativos em virtude de despesas com fretes. A discussão acerca do tema no paradigma além de ser ampla, por abarcar fretes nas operações de transferências de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, sob o viés de os aludidos fretes estarem relacionados a uma operação de venda (interpretação extensiva da lei), também se mostra específica, porquanto trata dos fretes sob a ótica de serem insumos. A divergência de interpretação da legislação tributária relativa à matéria além de estar estampada na própria ementa do paradigma (abaixo), também está em epígrafe no trecho reproduzido no recurso especial da PFN (logo a seguir): Acórdão 3801002.668 de 29/01/2014 (...) REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA DAS OPERAÇÕES DE VENDA. IMPOSSIBILIDADE. Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição nãocumulativa se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10983.721444/201181 Acórdão n.º 9303006.108 CSRFT3 Fl. 6 5 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. FRETE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. CONCEITO DE INSUMO. Não se subsume ao conceito de insumo, os valores pagos a título de transferências de produtos acabados (fretes) entre os estabelecimentos da empresa. Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição em questão se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor. Trecho do voto condutor do acórdão paradigma: “Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. (...)Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de produção, não faria sentido o legislador ordinário enumerar uma série de outros custos passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adotase como solução deste litígio o conceito de insumo segundo o disposto na IN 247/2002." Dessarte, impõese afastar a preliminar de não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. No que se refere ao mérito do recurso da PFN, em que pese concordar que a dedução dos créditos, no cálculo das contribuições para o PIS e Cofins não cumulativos, é taxativa e exaustivamente relacionada nas normas instituidoras, penso que os fretes em compras de insumos merecem ter a solução dada pelo acórdão recorrido. Entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Nesse sentido, penso que o i. relator do acórdão recorrido andou bem quando expressou seu entendimento do conceito de insumo para fins do creditamento do PIS e Cofins no regime da nãocumulatividade: Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10983.721444/201181 Acórdão n.º 9303006.108 CSRFT3 Fl. 7 6 "Da utilização do frete na aquisição de insumos Conforme já dito alhures, a análise dos insumos a serem utilizados no cálculo da Cofins deve ter como premissa a delimitação do processo produtivo da empresa. Entendo que o custo do frete neste caso, influencia o custo dos insumos utilizados na produção e portanto, também sobre estas despesas é permitido o creditamento dos valores suportado pela Recorrente." (...) Em adição a isso, a própria Receita Federal do Brasil já afastou a necessidade de que para ser insumo e ter direito ao crédito do PIS e da Cofins, haja necessidade do desgaste do bem consumido, pelo contato físico com o bem em produção. Tal fato pode ser constatado pelo que foi disposto na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23/08/2016. E na sequência, a Solução de Consulta Cosit nº 99018, de 20/01/2017, tratou do valor do transporte pago na aquisição do insumo: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e nem se referirem à operação de venda de mercadorias, as despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de insumos entre estabelecimentos industriais da mesma pessoa jurídica não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep. Inexiste hipótese legal prevendo a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o frete pago na aquisição de bens. No entanto, caso seja possível a apuração de créditos em relação ao bem adquirido, por se tratar de insumo, o valor do transporte pago na aquisição poderá, em regra, integrar o custo de aquisição do bem e servirá, indiretamente, de base de cálculo do valor do crédito das contribuições a ser apurado. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, II; Lei nº 10.833, de 2003, art.15; IN SRF nº 247, de 2002, art. 60. (VINCULADA À SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT Nº 7, DE 23 DE AGOSTO DE 2016, PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO DE 11 DE OUTUBRO DE 2016.) (...) Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10983.721444/201181 Acórdão n.º 9303006.108 CSRFT3 Fl. 8 7 Assim, por se tratar de custo de aquisição do insumo utilizado dentro do processo produtivo do bem destinado a venda pela empresa recorrida, os fretes em compras de insumos podem ser legitimamente creditados. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 784DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.721274/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/08/2003, 31/05/2004, 28/02/2005, 28/02/2007
COFINS. MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. DCTF. INFORMAÇÕES INCORRETAS. LANÇAMENTO. CABIMENTO.
Não se mostra improcedente ou desnecessário o lançamento que objetiva constituir crédito tributário referente a tributo, informado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF com a exigibilidade suspensa, quando os valores indicados nos respectivos períodos de apuração estão incorretos, ainda que os depósitos judiciais correspondentes, tomados em sua integralidade, sejam suficientes à cobertura do montante apurado e conseqüente garantia da suspensão da exigibilidade.
LANÇAMENTO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUFICIÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. EXCLUSÃO.
Confirmado pelo órgão responsável que os depósitos judiciais realizados pelo sujeito passivo são suficientes à cobertura do crédito devido, segundo a lei questionada judicialmente, consubstanciado em lançamento, devem ser excluídas a multa de ofício e os juros moratórios. Inteligência da Súmula CARF nº 5.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-004.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para afastar juros e multa de ofício, vencido o relator, que cancelava o lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl.
Rosaldo Trevisan Presidente
André Henrique Lemos Relator
Robson José Bayerl Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. DCTF. INFORMAÇÕES INCORRETAS. LANÇAMENTO. CABIMENTO. Não se mostra improcedente ou desnecessário o lançamento que objetiva constituir crédito tributário referente a tributo, informado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF com a exigibilidade suspensa, quando os valores indicados nos respectivos períodos de apuração estão incorretos, ainda que os depósitos judiciais correspondentes, tomados em sua integralidade, sejam suficientes à cobertura do montante apurado e conseqüente garantia da suspensão da exigibilidade. LANÇAMENTO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUFICIÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. EXCLUSÃO. Confirmado pelo órgão responsável que os depósitos judiciais realizados pelo sujeito passivo são suficientes à cobertura do crédito devido, segundo a lei questionada judicialmente, consubstanciado em lançamento, devem ser excluídas a multa de ofício e os juros moratórios. Inteligência da Súmula CARF nº 5. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para afastar juros e multa de ofício, vencido o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 12 74 /2 00 8- 71 Fl. 795DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 792 2 relator, que cancelava o lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. Rosaldo Trevisan – Presidente André Henrique Lemos – Relator Robson José Bayerl – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório Tratase de autuação fiscal, fl. 04, decorrente da insuficiência de recolhimento da COFINS, no montante de R$ 585.981,14, com juros e multa, no período de 2003 à 2007, derivado da receita dos juros sobre depósitos judiciários Termo de Verificação Fiscal, fl. 10. Em síntese, a contribuinte declarou que o não recolhimento do crédito lançado no auto de infração, se deu em virtude da inexigibilidade do referido crédito, uma vez que a matéria estava “sub judice”. A Superintendência Regional da Receita Federal – 5ª Região Fiscal, fl. 148, por meio da Solução de Consulta 22/2003, concluiu que "o consulente deve incluir a receita de juros incidentes sobre os depósitos judiciais, na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS, somente após o encerramento da lide ou do processo litigioso, ou no momento em que for autorizada, por decisão judicial anterior àquele evento, a devolução dos valores depositados em juízo". Às fls. 162 e seguintes, seu mandado de segurança preventivo, nr. 2001.33.00.0193958, no qual pediu: Fl. 796DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 793 3 A liminar foi indeferida (fl. 200), facultandolhe o depósito judicial; sendo denegada a segurança (fl. 210) e negado provimento ao seu recurso de apelação (fl. 211), porém, em sede de Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 457.6252/BA (fl. 238), a Recorrente obteve provimento de seu Agravo, vez que o STF julgou inconstitucional o art. 3o, parágrafo 1o, da Lei 9.718/98 (RREE 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840). A contribuinte, à fl. 581 e seguintes, apresentou impugnação ao auto de infração, na qual alega: À fl. 608, sobreveio decisão unânime da DRJ de Salvador, julgando parcialmente procedente a impugnação, cuja ementa possui o seguinte teor: “FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta de recolhimento da Cofins, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. Fl. 797DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 794 4 RETENÇÕES EFETUADAS PELAS FONTES PAGADORAS. A retenção na fonte da Cofins, efetuada pelas fontes pagadoras, possibilita a sua exclusão do lançamento de ofício. Impugnação Procedente em Parte” Às fls. 618 e seguintes, irresignada, interpôs recurso voluntário, pedindo: À fl. 678 houve o sobrestamento dos autos até decisão definitiva do STF, nos termos do então artigo 62A do RICARF, de acordo com a Resolução 3401000.655, cuja presidência da Egrégia Turma fora exercida pelo Conselheiro Robson José Bayerl, dileto colega deste Colegiado. Já à fl. 684, sobreveio Resolução 3401000.835, na qual, por unanimidade de votos do Colegiado, converteuse o julgamento em diligência, com os seguintes objetivos: “1. Confirmação da ocorrência de depósitos judiciais realizados em montante superior ao efetivamente devido, em especial a observância do prazo de realização; 2. Em caso afirmativo, informar se estes valores excedentes são suficientes para cobrir os valores lançados, como alega o recorrente; 3. Elaborar planilhas demonstrativas e relatório circunstanciado da situação apurada e observações reputadas necessárias; e, 4. Cientificar o contribuinte dos documentos confeccionados e franquearlhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação.” Às fls. 722 e seguintes adveio Informação Fiscal 307/2015, a qual respondeu: Por derradeiro, cabe responder aos quesitos formulados. “Pressupondo que a COFINS devida para os períodos de apuração em cotejo é aquela lançada em planilha pela Fiscalização às fls. 18/26, devese firmar, conforme Fl. 798DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 795 5 extratos do SIEF, a existência dos seguintes depósitos judiciais (...) De posse das informações, informouse os saldos de depósitos, bem assim os créditos tributários apurados no lançamento, incluindo a multa de ofício, vinculandoos com a ajuda do sistema SICALC [fls. 705/709]. O resultado apresentado indica a suficiência da garantia para a suspensão da exigibilidade da COFINS. Sem mais, era o que se tinha a expor.” A Recorrente apresentou Manifestação sobre a Informação Fiscal 307/2003, reiterando a total improcedência da autuação fiscal (fls. 755 e 762). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Henrique Lemos Oportunamente o recurso voluntário foi admitido (fl. 681), razão bastante para haver sua ratificação quanto à este ponto. O objeto do presente recurso, diz respeito a parte remanescente do lançamento fiscal, referente aos valores de R$ 87.818,43, R$ 65.295,82, R$ 69.264,60 e R$ 16.049,01, relativos aos meses julho e agosto de 2003, fevereiro de 2005 e fevereiro de 2007, respectivamente, os quais foram compensados com os valores depositados a maior nos meses de março de 2003, janeiro de 2005 e janeiro de 2007, conforme consta da planilha elaborada pela fiscalização e ratificada pela INFORMAÇÃO FISCAL N.º 307/2015. Como se viu, a aludida Informação Fiscal, disse que há suficiência da garantia para a suspensão da exigibilidade da COFINS, e em assim havendo, o desiderato lógico é de que os depósitos judiciais foram suficientes em confrontação às diferenças glosadas na autuação, logo, improcedente o lançamento fiscal. Dispositivo Com estas considerações, conheço do recurso voluntário e lhe dou provimento. André Henrique Lemos Relator Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 796 6 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado, Com o devido respeito, divirjo da conclusão do i. Relator, como passo a expor. Para fixar as balizas da altercação, valhome da manifestação apresentada pelo recorrente, coligida às efls. 749/755, em resposta ao resultado da diligência, consoante a qual a reclamação inaugural questionava dois pontos: i) a desconsideração das “compensações” promovidas com depósitos judiciais efetuados a maior, no bojo do MS 1999.33.00.0031956, e o ii) nãoabatimento das retenções sofridas no período de apuração maio/2004. Uma vez que a decisão recorrida tenha acolhido a alegação de retenções a justificar a diferença exigida em maio/2004, remanesce exclusivamente em testilha a “compensação” promovida pela realização de depósitos a maior, como se destaca do seguinte excerto da manifestação em comento: A diligência, pelo que se constata do relatório confeccionado (efls. 729/731), confrontando o demonstrativo de apuração elaborado pela fiscalização, quando da lavratura do AI, e os depósitos judiciais efetuados nos meses de março/2003, janeiro/05 e janeiro/07, salientou que, mesmo coincidindo os valores informados em DCTF, haveria indicação de excesso de depósito, conforme demonstrado na seguinte tabela: Esse excesso, ainda segundo o relatório, se considerados na apuração dos valores exigidos nos períodos de apuração julho/2003, agosto/2003, fevereiro/2005 e fevereiro/2007, inclusive com o acréscimo das multas de ofício respectivas, seriam suficientes para a garantia da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 797 7 Então, abstraído qualquer debate acerca da possibilidade de se reconhecer dita “compensação” como válida, do ponto de vista jurídico, e nada obstante reconhecerse a suficiência dos depósitos judiciais, temse que os valores lançados na autuação não estavam especificamente declarados em DCTF, de maneira que a manutenção do lançamento como instrumento de formalização do crédito tributário correspondente é medida conservadora e justificada, de maneira a garantir que, ao final do processo judicial, acaso venha a Fazenda Nacional lograr êxito em parte da discussão, não seja frustrado o exercício do direito pela ausência de constituição do crédito respectivo, ainda que se reconheça que o entendimento atual do Superior Tribunal de Justiça seja pela desnecessidade dessa providência, e.g., REsp 1.042.739RJ e Ag. 1.216.239RJ, seguindo a ementa desse último: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. MANDANDO DE SEGURANÇA. DEPÓSITO EFETUADO A FIM DE SUSPENDER A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUPERVENIENTE IMPROCEDÊNCIA DA DEMANDA. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA QUANTO AO DIREITO DE LANÇAR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO QUE EQUIVALE AO PAGAMENTO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. 1. O depósito efetuado por ocasião do questionamento judicial do tributo suspende a exigibilidade do mesmo, enquanto perdurar contenda, ex vi do art. 151, II, do CTN e, por força do seu desígnio, implica lançamento tácito no montante exato do quantum depositado, conjurando eventual alegação de decadência do direito de constituir o crédito tributário. 2. Julgado improcedente o pedido da empresa e em havendo depósito, torna se desnecessária a constituição do crédito tributário no quinquênio legal, não restando consumada a prescrição ou a decadência. 3. A sucumbência no mandado de segurança acarreta, consectariamente, a conversão dos depósitos outrora efetivados, em renda da UNIÃO, extinguindo o crédito tributário consoante o dictamem do art. 156, VI, do CTN, restando desnecessário o lançamento por conta do próprio provimento judicial. (Precedentes: AgRg no Ag 1163962/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 06/10/2009, DJe 15/10/2009; AgRg nos EREsp 1037202/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 27/05/2009, DJe 21/08/2009; REsp 1037202/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 09/09/2008, DJe 24/09/2008; REsp 757.311/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13/05/2008, DJe 18/06/2008; REsp 636626/PR, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2007, DJ 04/06/2007; REsp 767328/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/09/2006, DJ 13/11/2006). 4. Nesse sentido, a doutrina clássica do tema, verbis: No lançamento por homologação, o contribuinte, ocorrido o fato gerador, deve calcular e recolher o montante devido, independente de provocação. Se, em vez de efetuar o recolhimento simplesmente, resolve questionar judicialmente a obrigação tributária, efetuando o depósito, este faz as vezes do recolhimento, sujeito, porém, à decisão final transitada em julgado. Não há que se dizer que o decurso do prazo decadencial, durante a demanda, extinga o crédito tributário, implicando a perda superveniente do objeto da Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 798 8 demanda e o direito ao levantamento do depósito. Tal conclusão seria equivocada, pois o depósito, que é predestinado legalmente à conversão em caso de improcedência da demanda, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, equiparase ao pagamento no que diz respeito ao cumprimento das obrigações do contribuinte, sendo que o decurso do tempo sem lançamento de ofício pela autoridade implica lançamento tácito no montante exato do depósito. (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário, São Paulo, Livraria do Advogado, 7ª ed, p. 1227). 5. Os embargos de declaração que enfrentam explicitamente a questão embargada não ensejam recurso especial pela violação do artigo 535, II, do CPC. 6. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 7. Agravo de instrumento conhecido, para negar seguimento ao próprio recurso especial.” Nessa toada, ainda que despiciente, uma vez já efetuado o lançamento, não vejo porque declarar sua improcedência, ao passo que, repito, além de se apresentar como instrumento de formalização do crédito tributário, a DCTF a seu tempo apresentada pelo contribuinte contém dados inexatos, como destacado pela informação prestada em diligência, o que impede a sua utilização. Respeitante à possibilidade jurídica da denominada “compensação” aviada pelo contribuinte, a partir da verificação de excesso de depósito judicial, há que se registrar que depósito judicial não se equipara a pagamento, eis que possuem natureza jurídica distinta. O pagamento extingue o crédito tributário, enquanto o depósito apenas o suspende; aquele que paga o tributo tem a intenção de quitar a dívida com o erário, enquanto aquele que deposita não o pretende, ao contrário, questiona a cobrança que lhe é endereçada; a compensação, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, ocorre apenas quando verificado a existência de créditos líquidos e certos, não se enquadrando o depósito nessa categoria, inexistindo, ademais, norma legal que trate da compensação de depósitos judiciais; o pagamento representa imediata disponibilidade jurídica para a Fazenda Nacional, enquanto o depósito judicial não, porquanto passível de autorização judicial para seu levantamento (note se que a Lei nº 9.703/98, que determina o repasse dos valores à União, não disponibiliza o crédito, propriamente dito, mas apenas a transferência financeira, daí porque, vencida na demanda, deverá devolver imediatamente a quantia à conta vinculada na CEF); o pagamento se aproveita do instituto da denúncia espontânea, para o efeito do art. 138 do CTN, enquanto o depósito judicial não, conforme decidido pelo STJ (REsp 1.131.090RJ). Enfim, várias são as diferenças. O procedimento correto, então, a meu sentir, ante a inexistência de regulação específica, seria a petição dirigida ao juízo, onde tramita a ação, requerendo o levantamento do excesso ou a possibilidade de abatimento nos depósitos subseqüentes, havendo necessidade de autorização judicial especial para adoção da providência, não podendo o contribuinte, sponte própria, tomar as medidas que lhe parecem mais convenientes ou lógicas, como no caso vertente. Fl. 802DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 799 9 Em que pese o ponto de vista externado, verifiquei que há manifestação da RFB acerca da matéria, em sentido contrário, consubstanciada na Solução de Consulta nº 142 – Cosit, de 26/09/2016, cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DEPÓSITO JUDICIAL EM MONTANTE SUPERIOR AO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONTROVERTIDO. O depósito judicial em pecúnia cujo valor corresponde ao montante integral do crédito tributário controvertido suspende a exigibilidade deste. Constatada a existência de depósitos judiciais em excesso (assim entendido o montante de depósitos judiciais que ultrapassar o valor necessário para suspender a exigibilidade do crédito tributário controvertido), o levantamento do referido excesso antes do final da lide, a pedido do depositante, depende de autorização do Juízo competente. Havendo montante excedente depositado, poderá este ser utilizado para suspensão de outro crédito até o seu valor desde que referente ao mesmo depositante e à mesma ação judicial. Os excessos de depósitos judiciais não podem ser compensados com tributos devidos pelo sujeito passivo. Dispositivos Legais: CTN, arts. 108, 111, I, e 151, II; CPC, art. 369: Lei n o 9.703/1998, art. 1º; Lei nº 9.289/1996, art. 11, § 2º.” (destacado) O fundamento apresentado para a solução proposta foi extraído da Solução de Consulta Interna Cosit nº 27, de 08/11/2005, reproduzida no ato, verbis: “(...) 10. Inicialmente cabe realizar um breve estudo sobre a legislação que versa sobre o depósito judicial, uma das modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com vistas à construção do melhor entendimento sobre a matéria. 11. O CTN trata da suspensão da exigibilidade do crédito tributário no art. 151, conforme abaixo transcrito: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) II o depósito do seu montante integral; (...) 12. A Lei no 9.703, editada em 17 de novembro de 1998, trata de depósitos judiciais e extrajudiciais de tributos e contribuições. Para o estudo da situação apresentada pela SRRF01/Disit, cabe transcrever o disposto no art. 1o da referida Lei: Art. 1o Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, Fl. 803DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 800 10 serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, específico para essa finalidade. (...) § 2o Os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais. § 3o Mediante ordem da autoridade judicial ou, no caso de depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente, o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, será: (...) II transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. (...) (grifouse) 13. Pelas transcrições acima efetuadas verificase que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário se dá pelo depósito correspondente ao montante integral do débito (tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios) e que este é realizado na Caixa Econômica Federal e repassado, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais, para a Conta Única do Tesouro Nacional. 14. O CTN e a Lei no 9.703, de 1998, não dispõem sobre depósitos efetuados em montante superior ao crédito tributário e tampouco sobre a possibilidade da utilização do excedente para quitação de créditos futuros. 15. No âmbito da Receita Federal do Brasil, verificase que a Instrução Normativa (IN) SRF no 421, de 10 de maio de 2004, que dispõe sobre os depósitos judiciais e extrajudiciais, igualmente não trata da possibilidade do aproveitamento de excedentes de depósito judicial realizado. 16. Tendo em vista a ausência de dispositivos na legislação que versem sobre o tema, devese recorrer a métodos de integração da legislação tributária de acordo com o art. 108 do CTN, sem olvidar o disposto no art. 111 do mesmo código, abaixo transcritos: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; Fl. 804DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 801 11 IV a eqüidade. (...) Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; (...) 17. Pela interpretação literal do art. 151 do CTN temse que o crédito tributário somente estará suspenso se houver depósito correspondente ao total do crédito. Nesse sentido os depósitos realizados pelo interessado devem corresponder a uma mesma ação judicial e devem ser realizados informandose o mesmo número de identificação gerado pela Caixa Econômica Federal (art. 4o da IN SRF no 421, de 2004) quando do depósito inicial. 18. Ao caso ora estudado não cabe o emprego da analogia pois em realidade não há casos semelhantes ou análogos que, igualmente ao depósito judicial ou extrajudicial, suspendam a exigibilidade do crédito tributário. O instituto da compensação difere substancialmente pois esta é modalidade de extinção do crédito tributário e tem aplicação restrita aos casos expressamente previstos em lei. 19. Seguindo a ordem indicada no art. 108, acima transcrito, cabe a aplicação dos princípios gerais de Direito Tributário e dos princípios gerais de Direito Público. A aplicação dos princípios gerais de Direito Tributário igualmente não soluciona a questão. Entre os princípios gerais de Direito Público podese aplicar ao caso em análise os princípios da finalidade e da razoabilidade. 20. Tendo como certo que é o depósito em montante integral que suspende a exigibilidade do crédito tributário, o aproveitamento de depósitos judiciais, que porventura se mostraram superiores ao necessário para suspender créditos correspondentes, para períodos subseqüentes em nada afronta aos princípios gerais de Direito Público acima referidos, desde que realizados pelo mesmo depositante para a mesma ação judicial. 21. O depósito judicial tem como finalidades a suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido judicialmente e a garantia advinda de sua transformação em pagamento definitivo quando se tratar de decisão favorável à Fazenda Nacional. Esta finalidade estará sendo observada no caso de aproveitamento de valor de depósito excedente para suspender novo crédito. 22. Pela aplicação do princípio da razoabilidade, tendo em vista que os valores depositados são transferidos para conta única do Tesouro Nacional, também se conclui que os valores excedentes são passíveis de aproveitamento em momentos posteriores. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 802 12 23. De todo o exposto concluise ser possível o aproveitamento de depósito judicial a maior, referente a um período, para suspender a exigibilidade de crédito tributário de períodos subseqüentes e até mesmo de períodos anteriores, desde que o crédito seja corrigido conforme a legislação vigente, referente ao mesmo depositante e a mesma ação judicial, ressaltando que no período em que determinado crédito tributário encontrar se em aberto, portanto não suspenso por depósito, não será expedida Certidão Negativa de Débitos (CND). 23.1. Assim, tanto os valores de depósitos efetuados a maior relativos às estimativas mensais podem ser utilizados para suspensão de estimativas posteriores quanto saldos de depósitos de ano anterior podem ser aproveitados para suspender a exigibilidade de estimativas dos meses seguintes, desde que o depósito corresponda ao montante integral do crédito tributário. 24. Quanto à possibilidade de se considerar os depósitos efetuados em garantia das estimativas mensais como pagamentos declarados na DIPJ, deduzindoos do IR/CSLL devido, para apurar o IR/CSLL a pagar, não se visualiza tal possibilidade pois em realidade os depósitos judiciais não configuram pagamento do crédito tributário. Tal conversão darseá somente após o encerramento da lide e somente quando se tratar de decisão favorável à Fazenda Nacional. 25. Como conseqüência do entendimento exposto no parágrafo anterior, somente caberá ao interessado no ajuste anual, apurar o IR/CSLL a pagar e declarálo na DCTF como suspenso até o montante dos valores que foram depositados a título de estimativa. Não seria razoável exigir do interessado que efetue novo recolhimento referente ao apurado na declaração de ajuste. Se assim se exigisse, estaria o contribuinte efetuando recolhimento em duplicidade, pois já efetuou os depósitos referentes às estimativas e estes valores não foram utilizados para a apuração do IR/CSLL no ajuste anual. (...)” (grifos no original) Como se vê, a própria RFB admite o procedimento realizado pelo contribuinte, ora recorrente, consistente no abatimento do excesso de depósito nos montantes subseqüentes e limitado ao seu valor, desde que correspondente à mesma ação judicial e ao mesmo litigante. No caso vertente, o relatório de diligência (efls. 729/731), bem assim a informação que lhe dá respaldo (Informação Fiscal nº 307/2015, efls. 722/728) é categórico em reconhecer o cumprimento desses requisitos: “De posse das informações, informouse os saldos de depósitos, bem assim os créditos tributários apurados no lançamento, incluindo a multa de ofício, vinculandoos com a ajuda do sistema SICALC [fls. 705/709]. O resultado apresentado indica a suficiência da garantia para a suspensão da exigibilidade da COFINS.” (efl. 728) Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 803 13 “12. Do resultado acima apresentado, verificouse a suficiência de saldo para garantir a suspensão da exigibilidade da COFINS.” (efl. 731) Considerando que tenho como premissa não conferir ao contribuinte menos direitos que a ele reconhece a RFB, ressalvo minha opinião pessoal a respeito do tema e acato a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, à luz das informações prestadas pela unidade de origem no cumprimento da diligência determinada. Quanto à multa de ofício, uma vez que não se tenha constatado a insuficiência de depósitos judiciais e, ainda, que o excesso (de depósito) utilizado no encontro de contas tenha se verificado, em todos os casos, em data anterior ao abatimento subseqüente, entendo que deva não deva ser mantida a multa de ofício imposta, não se aplicando o disposto no art. 44, I da Lei nº 9.430/96. Tocante ao juros moratórios, confirmado o depósito em montante integral, aplicável a exceção inserta na Súmula CARF nº 5, consoante a qual são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso tãosomente para afastar a multa de ofício e os juros moratórios correspondentes. Robson José Bayerl Fl. 807DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003593/2006-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. INSUMOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA LAVRA DO MINÉRIO.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à lavra do caulim os serviços relativos à terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e serviço de bombeamento de PIG no mineroduto, devendo, portanto, ser reconhecidos como insumos e concedido o direito ao crédito à Contribuinte.
Numero da decisão: 9303-006.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. INSUMOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA LAVRA DO MINÉRIO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à lavra do caulim os serviços relativos à terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e serviço de bombeamento de PIG no mineroduto, devendo, portanto, ser reconhecidos como insumos e concedido o direito ao crédito à Contribuinte.
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Ressarcimento Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PARÁ PIGMENTOS S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. INSUMOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA LAVRA DO MINÉRIO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à lavra do caulim os serviços relativos à terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e serviço de bombeamento de PIG no mineroduto, devendo, portanto, ser reconhecidos como insumos e concedido o direito ao crédito à Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 35 93 /2 00 6- 14 Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 409 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 296 a 314) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 380302.777 (fls. 288 a 294) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 24/04/2012, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito de PIS/Pasep nãocumulativo relativo às despesas efetivamente comprovadas com serviços de terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e bombeamento. O acórdão recebeu ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 410 3 implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os serviços de terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e bombeamento guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra, beneficiamento e embarque do caulim e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 296 a 314), alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito ao crédito de PIS/Pasep nãocumulativo com relação aos serviços antes enumerados. Colacionou como paradigma(s) o(s) acórdão(s) nº(s) 20312.448. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que deve ser adotado conceito mais restritivo de insumo, ficando adstrito às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados diretamente na produção, não contabilizados no ativo permanente, e que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto. Em síntese, requer seja adotado o conceito da legislação do IPI e restabelecidas as glosas realizadas pela Fiscalização. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho s/nº, de 20 de julho de 2015 (fls. 335 a 338), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 344 a 398) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 411 4 A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de COFINS os gastos incorridos com os serviços de terraplanagem e topografia ligados à terraplanagem, realizado no curso da lavra da mina, sondagem, levantamento topográfico e os serviços de bombeamento de PIG no mineroduto. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 412 5 fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotar se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 413 6 Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 414 7 receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 415 8 A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou se) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica mineradora, que tem como atividade econômica principal a extração do minério caulim, utilizado na produção de cerâmica, tintas, cimento, etc, e o seu beneficiamento, procedendo ao seu transporte da mina para a unidade industrial através de um mineroduto. Portanto, tem por objeto social: Artigo 2º: A Sociedade tem por objeto social a pesquisa de depósitos minerais, a realização do aproveitamento de jazidas minerais, através da exploração, extração, o beneficiamento de minérios, a transformação industrial e comercialização de produtos minerais, no mercado doméstico e no exterior, a operacionalização de terminais portuários ou quaisquer outras Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 416 9 atividades comerciais que se relacionarem com seu objeto social, podendo ainda participar de outras sociedades. Os custos de lavra, transporte ou de beneficiamento do minério não são investimentos, e por isso não estão contabilizados no ativo permanente da empresa. Tratase de gastos que integram a produção do capim caulim, devendo, portanto serem reconhecidos como insumos, gerando o direito ao crédito de PIS e de COFINS nãocumulativos. Além disso, a Contribuinte demonstrou a essencialidade/pertinência dos serviços de terraplanagem, topografia, sondagem e bombeamento no processo produtivo do minério caulim. Pertinente a transcrição de trechos dos laudos técnicos (fls. 282 a 286) para demonstrar a relação dos serviços com o processo produtivo: LAUDO TÉCNICO – Uso atividades de Terraplanagem e Topografia na IPPSA [...] 3.0 Conclusão Para dar andamento às atividades acima enumeradas, e, portanto, para viabilizar a extração do minério destinado à produção, tornase imprescindível o uso de equipamentos de terraplanagem. A existência destes facilita e é necessário ao procedimento de lavra e ao movimento entre os vários pontos da mina em estradas bem regularizadas que reflete na economia de combustível e custo de manutenção. Sem esses equipamentos não poderíamos remover capeamento e lavrar minério na escala de produção que atendesse o processo industrial, uma vez que não há produção sem a matériaprima necessária. Da mesma forma a topografia. Sem ela não poderíamos avaliar com o grau de certeza exigido as quantidades removidas e transportadas por período de tempo de um plano de lavra. [...] LAUDO TÉCNICO – Processo de Sondagens e Topografia na IPPSA [...] 2.0. Sondagem Para atender a produção, precisamos lavrar grandes quantidades de minério cru e com ele fazer outras operações de processo de modo enviálo à usina de Barcarena, por se tratar de matériaprima indispensável para o processo de beneficiamento. A avaliação da quantidade de minério existente e do material não aproveitável como o capeamento e o estéril é feita por operações de sondagem. [...] 2.2. Operação de Sondagem Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 417 10 Com base em mapas de localização do minério é estabelecida rede de sondagem que norteará o trabalho. As malhas de sondagem são quadradas e as distâncias entre os furos dependem do grau de acerto que se quer saber sobre o minério. A topografia então lança em campo as picadas guias para marcação dos furos e acompanha os tratores de esteiras que abrem estradas de acesso exatamente sobre as picadas. Estas, depois de prontas têm os furos marcados, niveladas a cada 25 metros e abertas clareiras nos pontos de sondagem para movimentação de sondas e pipas. [...] 2.2.3 Topografia da Sondagem O trabalho de topografia que acompanha a sondagem é feito por equipe constituída por Topógrafo Agrimensor, acompanhado de funcionários destacados para este serviço. Tanto na marcação dos furos em campo como após sondagens conferir a verdadeira localização do furo em campo, precisou do trabalho de topografia. A avaliação da jazida tem como uma de suas bases a exatidão dos trabalhos de sondagem e de topografia. [...] 3.0 Conclusão As sondagens são atividades base para o trabalho de avaliação de um corpo mineral, necessárias para verificar a viabilidade de extração e utilização do minério como matériaprima ao processo de produção e beneficiamento. Desta forma, em a atividade de sondagem não seria possível a lavra e, consequentemente, a atividade de produção. O Ministério das Minas só autoriza a lavra se a instituição concessionária da área comprovar a existência de substancial quantidade de minério o suficiente para ser alvo de exploração econômica. Para tanto o modelamento geológico é feito com base nestas sondagens. Mesmo depois de concedida a lavra os trabalhos de sondagem não são paralisados. A cada avanço da mina um novo detalhamento é programado e concluído com auxílio insubstituível dos equipamentos de perfuração. LAUDO TÉCNICO [...] DAS PROTEÇÕES E MONITORAMENTO DO MINERODUTO Ao longo do percurso do mineroduto existem placas educativas contendo telefones da empresa e advertências contra escavações ou quaisquer tipos de ações que possam afetar a integridade da tubulação enterrada. Foram realizadas várias palestras durante a construção do mineroduto, visando, entre outros itens, informar a população sobre as obras que estavam sendo realizadas. O mineroduto é protegido e monitorado por sistema de proteção catódica, passagem de PIG inteligente que detectam corrosão, amassamentos e falhas Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 418 11 no revestimento e sistema de injeção de inibidor de corrosão e dosagem de agente químico antimicrobial no material bombeado na Mina. DA ASSEPSIA DO MINERODUTO Na entrada do mineroduto foi instalado lançador de PIG (material esponjoso utilizado em limpeza da tubulação). O PIG será utilizado em caso de entupimento da tubulação, sendo acionado (empurrado) através de bombeamento em alta pressão através das bombas de pistão e com o sistema de injeção de inibidor de corrosão e dosagem de agente químico antimicrobial durante o todo o procedimento. [...] Com base nessas considerações, devem ser considerados como insumos os gastos incorridos com os seguintes itens, por se integrarem ao processo produtivo do caulim: (a) Serviços de terraplanagem; (b) Serviços de sondagem; (c) Levantamento topográfico; e (d) Serviço de bombeamento de PIG no mineroduto da empresa Pará Pigmentos. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 418DF CARF MF
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