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Numero do processo: 10880.987791/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia D Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia D Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia D Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 91 /2 01 2- 11 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.987791/201211 Acórdão n.º 1401001.973 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.987791/201211 Acórdão n.º 1401001.973 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.987791/201211 Acórdão n.º 1401001.973 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902222/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 22 22 /2 00 9- 36 Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13851.902222/200936 Acórdão n.º 1302002.527 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13851.902222/200936 Acórdão n.º 1302002.527 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13851.902222/200936 Acórdão n.º 1302002.527 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13851.902222/200936 Acórdão n.º 1302002.527 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13851.902222/200936 Acórdão n.º 1302002.527 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 47DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.000520/2004-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO.
Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega da DIAC sobre o valor lançado de oficio, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR informado na declaração.
Numero da decisão: 9202-006.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega da DIAC sobre o valor lançado de oficio, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR informado na declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 05 20 /2 00 4- 85 Fl. 139DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, contra o Acórdão nº 2201002.188, de 20/06/2013, prolatado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (efls. 74/77), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega da DIAC sobre o valor lançado de oficio, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR informado na declaração. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que a multa por atraso na entrega da declaração seja calculada com base no imposto apurado na DITR, respeitado o valor mínimo de R$ 50,00. O processo foi encaminhado à PGFN em 11/10/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 79). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre 30 dias após esta data. Em 21/10/2013, tempestivamente, foi interposto o Recurso Especial de efls. 80/85 (Despacho de Encaminhamento de efls. 86), com base no art. 67, inciso II, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 2009, contudo, o Regimento Interno do CARF RICARF ora em vigor é o que foi aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, de forma que é com base nesse último que o recurso será analisado. O apelo suscita a seguinte matéria: base de cálculo da multa por atraso na entrega da Declaração do ITR. Para demonstrar a divergência, a Fazenda Nacional indica como paradigma o Acórdão 30333.334, que foi reformado pelo Acórdão nº 9202000.920, de 18/08/2010. Adotando o relatório do acórdão recorrido esclareço que: Cumpre informar, inicialmente, que a multa por atraso na entrega da DITR do exercício de 1999, objeto do lançamento em discussão (fls. 04), teve por base de cálculo o imposto devido apurado no Auto de Infração no valor de R$ 62.637,93, consolidado no processo administrativo nº 10240.000871/200313, decorrente da glosa de área de preservação permanente relativa à DITR/99 do mesmo imóvel rural. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, em síntese: 1) que o valor da multa aplicada é oriundo de “suposto e imaginado imposto de ITR pelo fisco federal na importância de R$ 62.637,93”, que este débito é objeto de processo administrativo junto ao Conselho de Contribuintes; Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10240.000520/200485 Acórdão n.º 9202006.047 CSRFT2 Fl. 140 3 2) que referida multa é acessória e deve seguir o principal, ou seja, o valor do ITR que está sendo discutido administrativamente; 3) que somente será devida a penalidade se a administração “ganhar” o processo em trâmite, caso contrário, seria devida apenas o equivalente a R$ 50,00, nos termos da Lei. 9.393/1996. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (fls. 26/28) proferiu acórdão julgando o lançamento procedente, pois restou comprovada a entrega da DITR/1999 fora do prazo. E, quanto à alegação de que o acessório segue o principal, entendeu que não merece prosperar uma vez que o processo principal ((10240.000871/200313), após contestado pelo contribuinte, teve lançamento mantido pela DRJ de Recife. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 35/43) reiterando praticamente os mesmos argumentos trazidos com a impugnação, apresentando relação de bens arrolados como garantia do recurso, às fls. 45/46. Por intermédio da Resolução no 3010.281 (fls. 50/52), de 13/11/2008, o julgamento foi convertido em diligência para que estes autos fossem apensados ao processo administrativo nº 10240.000871/200313, todavia essa decisão não foi implementada. Conforme “Termo de Juntada de Documentos” de fls. 61, foram anexados aos autos os documentos de fls. 56 a 59, contendo informações acerca do resultado do processo administrativo nº 10240.000871/200313. Intimado do presente Recurso, quedouse silente o Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Da delimitação da lide: Tratase, exclusivamente de Recurso quanto à base de cálculo da multa por apresentação intempestiva de DITR. Do conhecimento: O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do mérito: Entendo irrepreensíveis as razões do acórdão a quo, pelo que colaciono: Cumpre informar, inicialmente, que a multa por atraso na entrega da DITR do exercício de 1999, objeto do lançamento em discussão (fls. 04), teve por base de cálculo o imposto devido Fl. 141DF CARF MF 4 apurado no Auto de Infração no valor de R$ 62.637,93, consolidado no processo administrativo nº 10240.000871/200313, decorrente da glosa de área de preservação permanente relativa à DITR/99 do mesmo imóvel rural. Entretanto, a jurisprudência deste Conselho, da qual compartilho, entende que a base de cálculo da multa por atraso é o valor do imposto devido apurado na DITR, não havendo fundamento legal para exigila com base no imposto lançado de ofício. Confirase alguns julgados nesse sentido: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega da DIAC sobre o valor lançado de ofício, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido, informado na declaração.” (Acórdão CSRF nº 920200.280, de 22/09/2009) “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DO PEDIDO PARA REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. A realização de perícia não é direito subjetivo da defesa e não se presta à produção de prova que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor à acusação fiscal. A autoridade julgadora de primeira instância determinará a sua realização se entender que tal medida é necessária para a apreciação das provas apresentadas, cuja compreensão exija conhecimento técnico especializado, fora do seu campo de atuação. O indeferimento fundamentado para a sua realização descaracteriza o alegado cerceamento do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. PENALIDADE MÍNIMA. Falta previsão legal para a imposição da multa por atraso na entrega da DIAC/DIAT sobre o valor lançado de ofício. Tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido apurado na declaração intempestiva, sobre a qual incidirá o percentual de 1% (um por cento) ao mês ou fração, não podendo ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). Recurso Voluntário Provido em Parte.”(Acórdão nº 210101.847, de 18/09/2012) “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10240.000520/200485 Acórdão n.º 9202006.047 CSRFT2 Fl. 141 5 TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR. ILEGITIMIDADE PASSIVA , SUJEITO PASSIVO. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Assim, está enquadrado no pólo passivo da relação tributária como contribuinte do Imposto Territorial Rural a pessoa física ou jurídica que tenha registro de terras em seu nome, enquanto não cancelado o registro imobiliário, nos termos da Lei de Registros Públicos. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. PENALIDADE MÍNIMA. Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega de DIAC/DIAT sobre o valor lançado de oficio, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido, informado na declaração, devendo ser respeitado o valor mínimo de penalidade, R$50,00. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.” (Acórdão nº 220201.760, de 15/05/2012) Assim, é irrelevante para o julgamento dessa lide o resultado do julgamento do Auto de Infração referente ao processo administrativo nº 10240.000871/200313. A multa em questão está prevista nos arts. 7o e 9o da Lei nº 9.393, de 1996, que assim dispõe: “Art. 7º No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. (...) Art. 9º A entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de que trata o art. 7º, sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota.” No mesmo sentido dispõe o artigo 4º da Instrução Normativa SRF nº 88, de 1999: “Art. 4º A apresentação da DITR fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de: Fl. 143DF CARF MF 6 I 1% (um por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o imposto devido, não podendo seu valor ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), tratandose de imóveis sujeitos à apuração do ITR; II R$ 50, 00 (cinqüenta reais), nos casos de imóveis imunes ou isentos do ITR. Parágrafo único. A multa será lançada de oficio.” Diante do exposto voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para que a multa por atraso na entrega da declaração seja calculada com base no imposto apurado na DITR, respeitado o valor mínimo de R$ 50,00. Outrossim, NEGO provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 144DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.727865/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DOCUMENTOS AUTENTICADOS JUNTADOS TEMPESTIVAMENTE. IMPROCEDÊNCIA DO ACÓRDÃO QUE DELES NÃO O CONHECEU.
Em razão da fé publica que reveste os atos estatais, sempre que o documento for produzido por funcionário público lato sensu, haverá uma presunção de veracidade quanto à sua formação e quanto aos fatos que tenham ocorrido na presença do oficial público. A cópia autenticada de um documento é aquela que o tabelião atesta ser cópia fiel ao documento original.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA
O recebimento de rendimentos não tributáveis no valor de R$ 84.224,79, declaradas pelo Contribuinte, por referirem-se à verbas trabalhistas de FGTS, multas, ticket alimentação, dentre outros nos termos, são isentos de tributação, nos termos da legislação que rege a matéria.
Numero da decisão: 2401-005.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho que votou pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DOCUMENTOS AUTENTICADOS JUNTADOS TEMPESTIVAMENTE. IMPROCEDÊNCIA DO ACÓRDÃO QUE DELES NÃO O CONHECEU. Em razão da fé publica que reveste os atos estatais, sempre que o documento for produzido por funcionário público lato sensu, haverá uma presunção de veracidade quanto à sua formação e quanto aos fatos que tenham ocorrido na presença do oficial público. A cópia autenticada de um documento é aquela que o tabelião atesta ser cópia fiel ao documento original. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA O recebimento de rendimentos não tributáveis no valor de R$ 84.224,79, declaradas pelo Contribuinte, por referirem-se à verbas trabalhistas de FGTS, multas, ticket alimentação, dentre outros nos termos, são isentos de tributação, nos termos da legislação que rege a matéria.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho que votou pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1360; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.727865/201232 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.022 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de agosto de 2017 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente IVONIR BERBICK Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DOCUMENTOS AUTENTICADOS JUNTADOS TEMPESTIVAMENTE. IMPROCEDÊNCIA DO ACÓRDÃO QUE DELES NÃO O CONHECEU. Em razão da fé publica que reveste os atos estatais, sempre que o documento for produzido por funcionário público lato sensu, haverá uma presunção de veracidade quanto à sua formação e quanto aos fatos que tenham ocorrido na presença do oficial público. A cópia autenticada de um documento é aquela que o tabelião atesta ser cópia fiel ao documento original. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA O recebimento de rendimentos não tributáveis no valor de R$ 84.224,79, declaradas pelo Contribuinte, por referiremse à verbas trabalhistas de FGTS, multas, ticket alimentação, dentre outros nos termos, são isentos de tributação, nos termos da legislação que rege a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 78 65 /2 01 2- 32 Fl. 125DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencido o conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho que votou pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11080.727865/201232 Acórdão n.º 2401005.022 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Contra o Contribuinte acima qualificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento do anocalendário de 2010 às fls. 04/08, na qual foi apurada a infração de Omissão de Rendimentos decorrentes de ação trabalhista no valor de R$ 74.499,40 (fl. 6). Inconformado, o contribuinte, após a ciência em 21/06/2012 (fl. 58), apresentou na mesma data a impugnação de fl. 2, alegando que a omissão apontada referese à rendimentos isentos da fonte pagadora ITAÚ Seguros, que aponta o recebimento de rendimentos não tributáveis no valor de R$ 84.224,79. Alega que recebeu verbas de FGTS, multas, ticket alimentação etc. Às fls. 70, solicita a celeridade do processo com base no Estatuto do Idoso. Em 14/05/2015, foi procedida a diligência pela fiscalização que reafirmou a exigência da apresentação das planilhas de cálculos homologadas pelo judiciário bem assim o acordo homologado judicialmente, conforme solicitado anteriormente por meio de intimação (fl. 79). O Recorrente foi cientificado da diligência de fls. 80 e 81, em 21/05/2015 (AR de fl. 83). Em seguida, requereu prazo para legitimar as planilhas de cálculos bem assim a ata de comunicação do acordo junto ao poder Judiciário, entretanto, não apresentou a documentação dentro do prazo por ele indicado. Em 24/06/2015, a 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), lavrou o Acórdão nº 1277.234, o qual julgou improcedente a impugnação, nos seguintes termos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF AnoCalendário: 2010 AÇÃO TRABALHISTA.OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Restando constatado nos autos que o contribuinte auferiu rendimentos tributáveis provenientes de ação trabalhista e não levou ao ajuste anual é de se manter a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A impugnação deve ser instruída com as provas em que se fundamentam cabendo ao contribuinte comprovar os fatos que alega por meio de documentação hábil e idônea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 127DF CARF MF 4 Em seguida, no dia 26 de junho de 2015, o contribuinte colacionou aos autos os documentos referentes acordo firmado na Reclamação Trabalhista nº 0013000 42.2007.5.04.0016, anteriormente solicitado. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fl. 116), cujas razões, em síntese, alega que cometeu erro material na sua solicitação de prazo de fl. 85, pois, segundo ele, o TRT da 4ª Região disponibilizaria os documentos solicitados a partir do dia 22/06/2015, entretanto, por equívoco, requereu à Delegacia da Receita Federal prazo de 10 (dez) dias para juntar referida documentação a contar do dia 22/05/2015. Informa que não teria razão para requerer prazo com data anterior ao protocolo realizado no dia 03/06/2015. Nesse sentido, requer que a documentação seja apreciada no intuito de elucidar a restituição do imposto e o provimento do recurso para afastar a infração a ele imputada. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11080.727865/201232 Acórdão n.º 2401005.022 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 06/07/2015, conforme AR à fl. 114, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 10/07/2015 (fl.116) Do mérito Conforme relatado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 6, o lançamento foi motivado pela constatação de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 74.499,40. O contribuinte se defende ao argumento de que a omissão apontada referese à rendimentos isentos da fonte pagadora ITAÚ Seguros, que aponta o recebimento de rendimentos não tributáveis no valor de R$ 84.224,79. Alega que recebeu verbas de FGTS, multas, ticket alimentação etc. O acórdão hostilizado julgou improcedente a impugnação apresentada com as seguintes considerações: “[...] O contribuinte juntou à colação a mesma documentação que apresentou à fiscalização em resposta ao Termo de Intimação que foi considerada inapta por não conter a chancela do TRT. Foi efetuada a diligência de fls. 80 e 81, na qual a fiscalização reitera a necessidade da apresentação de documentação homologada pelo judiciário a fim de discriminar o “quantum” e a “natureza tributária” dos rendimentos auferidos, quais sejam: rendimentos sujeitos à tributação do imposto sobre a renda, à tributação exclusiva de fonte e rendimentos isentos de tributação segundo a legislação do imposto de renda. O interessado, devidamente cientificado, não apresentou documentação probante de modo a contrapor o feito fiscal em tempo hábil”. Em que pese as argumentações lançadas no acórdão recorrido, entendo que a respeitável decisão não merece prevalecer. Compulsando os autos, verifico que os documentos citados pela DRJ de origem e considerados inaptos por não conter a chancela do TRT, já haviam sido juntados pelo interessado conforme se depreende dos documentos de fls. 16/30, inclusive com carimbo de autenticação do 1º Tabelionato de Notas de Porto Alegre. Ora, a cópia autenticada de um documento é aquela que o tabelião atesta Fl. 129DF CARF MF 6 ser cópia fiel ao documento original. Para fins probatórios o legislador equipara ao documento público original a cópia autenticada, a certidão e traslados fornecidos pelo escrivão ou por oficial público. Impende destacar que o Código de Processo Civil trata da força probante dos documentos públicos nos arts. 405 a 429. Prescreve o art. 405 do CPC que: “O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença.” Isso significa que se funcionário consignar haver sido efetuado uma assinatura em sua presença, ou que alguém prestou determinada declaração, há de terse como verdadeiro. Como se denota do dispositivo legal em questão, em razão da fé publica que reveste os atos estatais, sempre que o documento for produzido por funcionário público lato sensu, haverá uma presunção de veracidade quanto à sua formação e quanto aos fatos que tenham ocorrido na presença do oficial público. Logo, tenho como inexigível a conduta adotada pela instância inferior ao considerar inaptos os documentos autenticados em Cartório, apresentados pelo contribuinte, por não conter a chancela do TRT; por essa razão pela recebo a documentação anexada ao Recurso Voluntário, ora em análise. No mérito, após análise da documentação ora em debate, verificase que os rendimentos objeto do presente lançamento são isentos da incidência de IRPF, estando correta a informação lançada pelo Contribuinte que aponta o recebimento de rendimentos não tributáveis no valor de R$ 84.224,79, por referiremse a verbas trabalhistas de FGTS, multas, ticket alimentação etc, conforme documentação ora recepcionada e analisada, nos termos da legislação que rege a matéria. Firme nessas razões, considero improcedente o lançamento fiscal realizado. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000062/2005-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos: a) serviço de limpeza e passagem (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim); b) serviço de locação de equipamentos para a extração do minério; c) serviço de decapeamento (retirada de vegetação e solo); d) serviço de lavra (extração do minério da natureza); e, finalmente, e) Óleo diesel (utilizado nos caminhões para transporte de caulim).
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-005.619
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, em dar-lhe parcial provimento, nos seguintes termos: (i) quanto ao serviço de limpeza (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim), por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento; (ii) quanto ao serviço de locação de equipamentos, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negou provimento; (iii) quanto ao fornecimento de jantar, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheira Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; (iv) quanto ao serviço de decapeamento, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos o conselheiro Andrada e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento; (v) quanto ao serviço de lavra, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negou provimento; (vi) quanto à gasolina comum supostamente utilizada nos veículos da fábrica, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; (vii) quanto ao Serviço de Óleo diesel, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negou provimento; (viii) quanto ao serviço especializado de vigilância, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento; (ix) quanto ao serviço de transporte de funcionários, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheira Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; (x) quanto ao serviço de alteamento, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento e (xi) quanto ao serviço de melhoria das estradas, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheira Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos: a) serviço de limpeza e passagem (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim); b) serviço de locação de equipamentos para a extração do minério; c) serviço de decapeamento (retirada de vegetação e solo); d) serviço de lavra (extração do minério da natureza); e, finalmente, e) Óleo diesel (utilizado nos caminhões para transporte de caulim). Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, em dar-lhe parcial provimento, nos seguintes termos: (i) quanto ao serviço de limpeza (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim), por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento; (ii) quanto ao serviço de locação de equipamentos, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negou provimento; (iii) quanto ao fornecimento de jantar, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheira Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; (iv) quanto ao serviço de decapeamento, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos o conselheiro Andrada e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento; (v) quanto ao serviço de lavra, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negou provimento; (vi) quanto à gasolina comum supostamente utilizada nos veículos da fábrica, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; (vii) quanto ao Serviço de Óleo diesel, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negou provimento; (viii) quanto ao serviço especializado de vigilância, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento; (ix) quanto ao serviço de transporte de funcionários, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheira Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; (x) quanto ao serviço de alteamento, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento e (xi) quanto ao serviço de melhoria das estradas, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheira Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
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INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente IMERYS RIO CAPIM CAULIM S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos: a) serviço de limpeza e passagem (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim); b) serviço de locação de equipamentos para a extração do minério; c) serviço de decapeamento (retirada de vegetação e solo); d) serviço de lavra (extração do minério da natureza); e, finalmente, e) Óleo diesel (utilizado nos caminhões para transporte de caulim). Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, em darlhe parcial provimento, nos seguintes termos: (i) quanto ao serviço de limpeza (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim), por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento; (ii) quanto ao serviço de locação de equipamentos, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negou provimento; (iii) quanto ao fornecimento de jantar, por maioria de votos, acordam em negar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 62 /2 00 5- 90 Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13204.000062/200590 Acórdão n.º 9303005.619 CSRFT3 Fl. 3 2 lhe provimento, vencidas as conselheira Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; (iv) quanto ao serviço de decapeamento, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos o conselheiro Andrada e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento; (v) quanto ao serviço de lavra, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negou provimento; (vi) quanto à gasolina comum supostamente utilizada nos veículos da fábrica, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; (vii) quanto ao Serviço de Óleo diesel, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negou provimento; (viii) quanto ao serviço especializado de vigilância, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento; (ix) quanto ao serviço de transporte de funcionários, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidas as conselheira Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; (x) quanto ao serviço de alteamento, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento e (xi) quanto ao serviço de melhoria das estradas, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidas as conselheira Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801002.041, de 21/08/2013, proferido pela 1ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os gastos de produção que não aplicados ou Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13204.000062/200590 Acórdão n.º 9303005.619 CSRFT3 Fl. 4 3 consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. No recurso especial, a Recorrente insurgese contra o entendimento adotado na decisão recorrida, que não considerou alguns itens como insumos. Visando comprovar a divergência, apresentou, como paradigmas, os Acórdãos nº 930101.741 e 340301.500. O recurso especial foi admitido por intermédio do despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.614, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 13204.000035/200436, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.614): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido aplicou o conceito mais estrito para insumos, nos moldes em que adotado nos atos normativos expedidos pela RFB, os acórdãos paradigmas concluíram pela adoção de conceito mais largo (o critério da essencialidade), conforme comprova a seguinte passagem do primeiro paradigma, o Acórdão de nº 930101.741, já referido no exame de admissibilidade do recurso: (...) E quais são esses dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo? Entendo que sejam todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pelas contribuições ao PIS e COFINS. Vejase o texto da Lei: (...) “créditos calculados em relação a “bens e Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13204.000062/200590 Acórdão n.º 9303005.619 CSRFT3 Fl. 5 4 serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Em minha opinião, o texto do artigo 3º da Lei 10.637/2002, bem assim da Lei 10.833/2003, não poderia ser mais específico ao regrar os créditos suscetíveis de abatimento pelo contribuinte. É evidente que não se tem como enumerar todos os eventos capazes de gerar crédito, mas diante do que dispõe a lei para identificar se o dispêndio é suscetível de abatimento, se o mesmo se consubstancia em insumo, basta verificar se o mesmo corresponde a resposta afirmativa da seguinte indagação: o dispêndio é indispensável à produção de bens ou à prestação de serviços geradores de receitas tributáveis pelo PIS ou pela COFINS não cumulativos? Se sim, o direito de crédito do contribuinte, a meu ver, é inquestionável. (g.n.) Conhecido, passamos à análise do mérito do litígio. Depois de longos debates, passamos a adotar, para o conceito de insumos do PIS/Cofins no regime da não cumulatividade, o entendimento hoje majoritário que, entre outras decisões, se encontra encartado no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), daí por que passamos a transcrever os seus fundamentos e adotálos como razão de decidir. Eilos: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringe se ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13204.000062/200590 Acórdão n.º 9303005.619 CSRFT3 Fl. 6 5 Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Acrescentamos, ainda, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração no seu entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluemse os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confirase: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13204.000062/200590 Acórdão n.º 9303005.619 CSRFT3 Fl. 7 6 a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Passemos ao caso concreto. A Recorrente teve glosadas pela fiscalização as aquisições com os seguintes itens (emprego descrito no recurso voluntário): Serviço de alteamento: consiste no aumento da capacidade da bacia de rejeitos. Por sua natureza, fica claro que o serviço de alteamento representa importante etapa do processo produtivo em sua fase posterior. (...). Serviço de limpeza e passagem: consiste na remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim. (...) Serviço de locação: consiste na locação de equipamentos para extração do minério. Por sua especificidade e alta exigência técnica a extração de minério não pode ser realizada a contento sem maquinário apropriado. (...) Fornecimento de jantar: consiste no serviço de refeitório para os funcionários. (...) Serviço de decapeamento: consiste na retirada de vegetação e solo para expor o minério. (...) Serviço de lavra: consiste na extração do minério da natureza. (...) Serviço de transporte: consiste no serviço de transporte de funcionários. (...) Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13204.000062/200590 Acórdão n.º 9303005.619 CSRFT3 Fl. 8 7 Serviço especializado de vigilância: consiste no serviço de segurança patrimonial. (...) Serviço de melhoria das estradas: consiste na manutenção de estradas privadas que conduzem às jazidas minerais. (...) Gasolina comum: utilizada nos veículos da fábrica para transporte de materiais. (...) Óleo diesel: utilizado nos caminhões para transporte de caulim. (...) Óleo combustível TP ABPF: utilizado na fase da "evaporação" (redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível). (...) Das glosas efetuadas, a Câmara baixa reverteu apenas a decorrente das aquisições de óleo combustível TP ABPF, mantendo, portanto, todas as demais. A decisão, contudo, não está em sintonia com o entendimento que aqui adotamos e encontrase encartado na decisão antes reproduzida: os insumos devem compreender todos os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada, ou seja, tudo o que é pertinente e necessário à produção (mas insumo só pode ser, como regra, aquilo que vem antes, não depois de concluído o processo). Analisada a atividade da Recorrente – empresa mineradora dedicada à extração do caulim (minério utilizado na fabricação de cerâmica, tintas, cimento etc.) –, e considerando tudo o que aqui foi exposto, entendemos caber a apropriação de créditos da contribuição sobre os gastos realizados com os seguintes itens, porquanto integram, a nosso juízo, como demonstra a descrição de cada qual, a produção: a) serviço de limpeza e passagem (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim); b) serviço de locação de equipamentos para a extração do minério; c) serviço de decapeamento (retirada de vegetação e solo); d) serviço de lavra (extração do minério da natureza); e) gasolina comum (utilizada nos veículos da fábrica para transporte de materiais); e, finalmente, f) Óleo diesel (utilizado nos caminhões para transporte de caulim). Sobre os dispêndios com a locação de equipamentos empregados na produção (extração do minério), a própria RFB já a entende cabível o creditamento, conforme dispôs na Solução de Consulta Cosit nº 2, de 14 de janeiro de 2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. UTILIZAÇÃO NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. IMÓVEL LOCADO PARA ALOJAMENTO DE TRABALHADORES EM LOCALIDADE ONDE A PESSOA JURÍDICA NÃO POSSUI SEDE OU FILIAL. As despesas relativas a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos admitem a apuração de créditos para os fins previstos no art. 3o , IV da Lei nº 10.833, de 2003, desde que atendidos todos os requisitos normativos e legais, entre eles, o de serem efetivamente utilizados nas atividades da empresa. Para tanto, é irrelevante se a locação e a utilização dos bens se dão em localidade onde a pessoa jurídica possua sede ou filial. Para os fins mencionados, os imóveis locados para alojamento de trabalhadores não são considerados como Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13204.000062/200590 Acórdão n.º 9303005.619 CSRFT3 Fl. 9 8 “utilizados nas atividades da empresa” e, portanto, não admitem crédito na hipótese aventada. (g.n) Assim também com relação ao óleo diesel utilizado no transporte do caulim e nos geradores que alimentam as bombas no transporte pelo mineroduto, entendemos consumidos na própria produção, em conformidade com a Solução de Consulta Cosit nº 99045, de 14 de março de 2017: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins EMENTA: COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. SERVIÇO DE MONITORAMENTO E RASTREAMENTO VIA SATÉLITE, SEGURO E SERVIÇOS DE INSPEÇÃO VEICULAR. DEPRECIAÇÃO. Combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços geram créditos do regime de apuração não cumulativa da Cofins. Os serviços de manutenção, bem assim as partes e peças de reposição, empregados em veículos utilizados na prestação de serviços de transporte, desde que as partes e peças não estejam obrigadas a integrar o ativo imobilizado da pessoa jurídica, por resultar num aumento superior a um ano na vida útil dos veículos, são considerados insumos aplicados na prestação de serviços de transporte, para fins de creditamento da Cofins. Não geram crédito do regime de apuração não cumulativa da Cofins as despesas relativas a serviços de rastreamento de veículos e cargas, a seguros de qualquer espécie e a serviços de inspeção veicular, uma vez que não configuram serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviço de transporte rodoviário de carga. É admissível créditos sobre os encargos de depreciação incidentes sobre bens do ativo imobilizado no caso de máquinas, equipamentos e outros bens utilizados para a produção de bens destinados à venda ou utilizados na prestação de serviços, nos termos dos arts. 3º, VI, § 1º, III, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. (g.n) Todavia, os demais gastos não ensejam, pelo mesmo motivo, o creditamento. São eles: serviço de alteamento, o fornecimento de jantar, o serviço de transporte de funcionários, o serviço de vigilância e o serviço de melhoria das estradas. Ressaltese, por fim, que, ainda que não se aplique, no conceito de insumos, o próprio da legislação do IPI, não se pode adotar, como regra, aquele que alcance gastos só efetuados após a conclusão do processo produtivo, dado que não aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação de seus produtos (como os gastos com serviços de alteamento). Insumo, é até desnecessário enfatizar, só pode ser, como regra, aquilo que vem antes, não depois de concluído o processo. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, para reconhecer o crédito da contribuição sobre os seguintes itens: a) serviço de limpeza e passagem (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim); b) serviço de locação de equipamentos para a extração do minério; c) serviço de decapeamento (retirada de vegetação e solo); Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13204.000062/200590 Acórdão n.º 9303005.619 CSRFT3 Fl. 10 9 d) serviço de lavra (extração do minério da natureza); e) Óleo diesel (utilizado nos caminhões para transporte de caulim)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe parcial provimento, para reconhecer o crédito da contribuição sobre os seguintes itens: a) serviço de limpeza e passagem (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim); b) serviço de locação de equipamentos para a extração do minério; c) serviço de decapeamento (retirada de vegetação e solo); d) serviço de lavra (extração do minério da natureza); e) Óleo diesel (utilizado nos caminhões para transporte de caulim). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722376/2015-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. RECEITA TRIBUTÁVEL
A subvenção para custeio concedida pelo Governo do Estado de Santa Catarina na forma crédito presumido do ICMS se insere na definição de receita, devendo integrar a base de cálculo das contribuições não cumulativas para o PIS/Pasep e Cofins.
CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE O OBJETO DISCUTIDO NA INSTÂNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EXISTÊNCIA. RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA.
Implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 1.
EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO. LANÇAMENTO SEM MULTA DE OFÍCIO.
Presente, no momento da constituição do crédito tributário uma das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas nos incisos IV e V do artigo 151 do CTN, não cabe o lançamento da multa de ofício incidente sobre o tributo devido, conforme determina o artigo 63 da Lei n. 9.430/96.
Recursos de ofício e voluntário negados.
Numero da decisão: 3402-004.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e reconhecer a concomitância em relação aos juros sobre capital próprio. Por voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso quanto não à incidência das contribuições sobre o crédito presumido de ICMS. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis, Rodolfo Tsuboi, Maysa Pittondo e Carlos Daniel. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro Pedro Bispo.
Declarou-se impedido o Conselheiro Diego Ribeiro, sendo substituído pelo Conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi. Acompanhou o julgamento a Dra. Ana Paula Magenis Pereira, OAB/SP 292.150
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Pedro Sousa Bispo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1733; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 333 1 332 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.722376/201570 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.393 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PIS/COFINS Recorrente BRF BRASIL FOODS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. RECEITA TRIBUTÁVEL A subvenção para custeio concedida pelo Governo do Estado de Santa Catarina na forma crédito presumido do ICMS se insere na definição de receita, devendo integrar a base de cálculo das contribuições não cumulativas para o PIS/Pasep e Cofins. CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE O OBJETO DISCUTIDO NA INSTÂNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EXISTÊNCIA. RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA. Implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 1. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO. LANÇAMENTO SEM MULTA DE OFÍCIO. Presente, no momento da constituição do crédito tributário uma das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas nos incisos IV e V do artigo 151 do CTN, não cabe o lançamento da multa de ofício incidente sobre o tributo devido, conforme determina o artigo 63 da Lei n. 9.430/96. Recursos de ofício e voluntário negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 23 76 /2 01 5- 70 Fl. 2993DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e reconhecer a concomitância em relação aos juros sobre capital próprio. Por voto de qualidade, negouse provimento ao recurso quanto não à incidência das contribuições sobre o crédito presumido de ICMS. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis, Rodolfo Tsuboi, Maysa Pittondo e Carlos Daniel. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro Pedro Bispo. Declarouse impedido o Conselheiro Diego Ribeiro, sendo substituído pelo Conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi. Acompanhou o julgamento a Dra. Ana Paula Magenis Pereira, OAB/SP 292.150 (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. (Assinado com certificado digital) Pedro Sousa Bispo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso de ofício e recurso voluntário interpostos em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Florianópolis/SC, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de Contribuição para o Programa de Integração Social (“PIS”) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“COFINS”), consubstanciada no auto de infração em questão (fatos geradores ocorridos em 31/10/2010, 30/11/2010), e 31/12/2010, compreendendo principal, juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Relata, a autoridade fiscal, que os procedimentos levados a efeito junto à contribuinte fazem parte da verificação de ofício da contribuição para o PIS e da Cofins, bem como dos PER/Dcomp apresentados pela contribuinte, no período entre 2006 e 2010. Os procedimentos relativos aos anos de 2006, 2007, 2008, 2009, 1º, 2º e 3º trimestres de 2010 já foram encerrados anteriormente e o presente termo referese à apuração de outubro a dezembro de 2010. A contribuinte apresentou Per/Dcomp relativas a saldos credores das contribuições que foram tratados nos processos administrativos 10983.900431/201419, 10983.900434/201452, 10983.900432/201463 e 10983.900433/201416, cujos Fl. 2994DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 3402004.393 S3C4T2 Fl. 334 3 respectivos Despachos Decisórios foram juntados aos autos do presente processo. Também foram trazidos os processos números 11516.722405/201501, 11516.722402/201560, 11516.722403/201512 e 11516.722404/201559 que tratam dos autos de infração lançados para aplicação da multa isolada pela não homologação das compensações tratada nos referidos processo. A autoridade fiscal relata que conforme os balancetes de folhas 1310 e seguintes, extraídos do SPED Contábil (recibos de entrega de livro digital a fls. 1228 e seguintes e requisição de cópia de escrituração digital a fls. 1308 a 1309), a contribuinte auferiu receita de créditos presumidos de ICMS, conforme escriturado nas contas contábeis informadas de acordo com o mês, e que tais receitas não foram somadas nas linhas 02.Demais Receitas Alíquota de 1,65% da Ficha 07A e 02.Demais Receitas Alíquota de 7,6% da Ficha 17A, conforme as memórias de cálculo apresentadas em atendimento ao item 14 da Intimação 003/00236, relativas à linha 2 da ficha 07A. Constam das informações contábeis enviadas ao SPED no mês de dezembro/2010 receita de Juros Com Capital Próprio, contabilizadas na conta contábil 580001 JUROS COM CAPITAL PROPRIO RECEBIDOS, no montante de R$ 211.720.000,00 (fl. 1713). No entanto, a contribuinte não incluiu estas receitas na base de cálculo das contribuições, conforme se verifica na memória de cálculo apresentada em resposta ao item 14 da intimação 003/00236, relativos à linha 02 da ficha 7A do Dacon. Assim foram constituídos de ofício os autos de infração com os créditos tributários incidentes sobre a receita omitida das bases de cálculo das contribuições. Dos quadros DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL dos respectivos Autos de Infração, verificase que as infrações consistem de OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP e OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À COFINS. Em relação à utilização dos créditos da contribuinte, consta que já tinham sido utilizados todos os créditos confirmados transferidos por todas as incorporadas ou gerados na BRF até o 3º trimestre de 2010 nos processos relativos aos trimestres anteriores. E que todos os créditos gerados neste trimestre na BRF foram utilizados para desconto ou aproveitados de ofício, inclusive para abatimento dos autos de infração deste processo, reduzindo a zero o valor a ser ressarcido nos processos nºs 10983.900434/201452, 10983.900432/201463, nada restando para aproveitamento futuro. Da impugnação Inicialmente, a impugnante, em síntese, alega que os créditos presumidos de ICMS não compõem a base tributável dos tributos lançados por não consistirem de valores recebidos em Fl. 2995DF CARF MF 4 decorrência das atividades empresariais do contribuinte sejam elas operacionais (faturamento) ou nãooperacionais (receita) , mas de valores redutores de custo, na medida em que se trata de benefício utilizado diretamente para reduzir o montante devido a título do próprio gravame estadual na sistemática da não cumulatividade que rege o ICMS. Para corroborar suas alegações, traz posicionamentos doutrinários e jurisprudência do STF e STJ. Em relação aos juros sobre o capital próprio, alega que, apesar da correspondente denominação, tais juros na realidade consistem de uma forma de remuneração do acionista pelo investimento de risco, consubstanciandose em verdadeira alternativa aos dividendos para distribuição do resultado. Assim, afirma que os "juros sobre o capital próprio" nada mais são do que uma espécie do gênero "lucros e dividendos". Partindo desta premissa, defende que a tributação dos juros sobre o capital próprio é indevida, pois desconsidera a isenção legalmente instituída pelas Leis n.°s 10.637/02 e 10.833/2003 que excluíram, expressamente, da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins os rendimentos advindos da distribuição de lucros e dividendos. Acrescenta que, não obstante o acima exposto, a exigibilidade da Contribuição ao PIS e da Cofins sobre os juros sobre capital próprio está suspensa, nos termos do artigo 151, IV, do Código Tributário Nacional, situação vivenciada desde à época objeto da presente autuação (quarto trimestre de 2010) até o momento, por força de medida cautelar obtida nos autos do processo nº 001716261.2015.4.03.0000, no sentido de "suspender a exigibilidade do tributo discutido nos autos do mandado de segurança n.° 002675650.2006.4.03.6100, até que seja efetivado o juízo de admissibilidade dos recursos excepcionais nele interpostos". Conclui que havendo suspensão de exigibilidade, logicamente que não há obrigação do contribuinte de recolher o tributo. E aduz que, por consequência, não cabe a aplicação de multa de ofício pela "falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa de mora”, nesse sentido cita o artigo 63 da lei federal n.° 9.430/96 (com a redação trazida pela Medida Provisória n.° 2.15835/2001). Diante de todo o exposto, requer que a impugnação seja recebida e provida, com o integral cancelamento do Auto de Infração e com o restabelecimento dos créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS utilizados na compensação de ofício realizado por ocasião do lançamento tributário. Subsidiariamente, requer ao menos seja afastada a multa aplicada pelo não recolhimento das contribuições incidentes sobre os Juros sobre o Capital Próprio. Sobreveio então o Acórdão 0738.355, da 4ª Turma da DRJ/FNS, dando parcial provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 2996DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 3402004.393 S3C4T2 Fl. 335 5 DATA DO FATO GERADOR: 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010 EXIGIBILIDADE. SUSPENSÃO. LANÇAMENTO SEM MULTA DE OFÍCIO. Presente, no momento da constituição do crédito tributário, uma das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas nos incisos IV e V do artigo 151 do CTN, não cabe o lançamento da multa de ofício incidente sobre o tributo devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DATA DO FATO GERADOR: 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010 ESFERAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas, cabendo à autoridade onde se encontra o processo de determinação e exigência do crédito tributário não conhecer da petição e declarar a definitividade da exigência na esfera administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS DATA DO FATO GERADOR: 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBVENÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não cumulativa da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, via de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições; ressalvada, a partir de vigência Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a hipótese da subvenção para investimento, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP DATA DO FATO GERADOR: 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010 PIS/PASEP. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBVENÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, via de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições; ressalvada, a partir de vigência Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a hipótese da subvenção para investimento, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte a impugnação, cancelando o valor referente à multa de ofício Fl. 2997DF CARF MF 6 incidente sobre os valores lançados de COFINS e de Contribuição para o PIS/Pasep, por entenderem que no caso o lançamento foi lavrado para impedir a decadência dos tributos. Irresignada quanto ao que foi sucumbente, a Contribuinte interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os argumentos expostos em sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 1. Recurso voluntário A Recorrente tomou ciência do Acórdão da DRJ em 21/06/2016 (fls. 2916), apresentando Recurso Voluntário em 15/07/2016. Assim, o recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o art. 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade. Assim, dele tomo conhecimento. Passo então à análise das questões postas à este Conselho. 1.1. Sobre a necessidade de suspensão/sobrestamento do processo administrativo Em relação à incidência da Contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS sobre créditos presumidos de ICMS concedidos pelos estados membros da Federação, foi reconhecida a repercussão geral da temática pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do Recurso Extraordinário 835.818/PR, porém ainda sem julgamento final. Haja vista o conteúdo do artigo 15 do Código de Processo Civil (CPC), que determina a sua aplicação supletiva ou subsidiária aos processos administrativo; bem como do artigo 1.035, §5º do mesmo Codex, com a regra sobre a necessidade de sobrestamento dos processos cuja matéria foi objeto de reconhecimento do repercussão geral no âmbito do STF, entendo que o presente processo administrativo deveria ser sobrestado, até que a melhor solução acerca do direito da Recorrente fosse apresentada pelo Pretório Excelso. Nesse sentido, destaco as razões apresentadas pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeirão no Acórdão n. 3402004.271, com as quais concordo inteiramente. Contudo, sabendo que o entendimento majoritário desse Colegiado é pela impossibilidade de sobrestamento face à ausência de previsão regimental nesse sentido, passo à análise do mérito. 1.2. Sobre a incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre o crédito presumido de ICMS A Contribuição ao PIS e a COFINS, sob a modalidade de regime não cumulativo (tal qual ocorre com a apuração efetuada pela Recorrente), têm por fato gerador o faturamento mensal, assim entendido a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, independentemente da denominação ou classificação contábil, conforme se depreende dos artigos 1º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Adicionalmente, traçando a delimitação de quem são os contribuintes dos referidos tributos, as Leis acima apontadas dispõem, respectivamente: Fl. 2998DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 3402004.393 S3C4T2 Fl. 336 7 Lei nº 10.637/02: “Art. 4º O contribuinte da contribuição para o PIS/Pasep é a pessoa jurídica que auferir as receitas a que se refere o art. 1º.” (g.n.) Lei nº 10.833/03: “Art. 5º O contribuinte da COFINS é a pessoa jurídica que auferir as receitas a que se refere o art. 1º.” (g.n.) Tais disposições têm como fundamento de validade a norma de competência esculpida no artigo 195, inciso I, alínea “b” da Constituição,1 a qual prescreve que a Contribuição ao PIS e a COFINS incidirão sobre a receita ou o faturamento, que são, portanto, os fatos econômicos ou manifestações de riqueza tributáveis pelas contribuições em apreço. Vale destacar que os conceitos de receita e faturamento não podem ser livremente manipulados pelo legislador, devendo manter coerência com seu conteúdo semântico na ordem econômica, nos moldes do artigo 110 do Código Tributário Nacional (“CTN”).2 Nesse sentido já se consolidou a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (“STF”) ao declarar a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, de 27 de novembro de 1998 (“Lei nº 9.718/98”) nos RE nº 357950/RS, RE nº 358273/RS e RE nº 346.084/PR. Retomando os dispositivos supracitados, pela sua simples leitura é possível verificar que a receita auferida pela pessoa jurídica compõe a hipótese de incidência de ambas as contribuições, sendo esta receita aquilo que efetivamente representa um acréscimo patrimonial em sua conta, decorrente do exercício da atividade econômica e que apresenta caráter de definitividade. Neste sentido, verificase a lição de José Antônio Minatel,3 ao tratar da natureza jurídica da receita: “Auferir receita é conduta que evidencia e viabiliza a obtenção de ingresso, materializada pela entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial.” Assim, fica claro que somente os valores incorporados definitivamente ao patrimônio do contribuinte, decorrentes de execução de negócios jurídicos, podem ser considerados como receitas. 1 “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I ‐ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998).” 2 Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. 3 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. Fl. 2999DF CARF MF 8 Não se pretende com isso dizer que somente a receita operacional – decorrente da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica é que está sujeita à tributação pela Contribuição ao PIS/COFINS, cujo método de apuração é pela sistemática da não cumulatividade. Como se sabe, a sistemática traçada pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/02 pressupõe a incidência sobre a totalidade de receitas auferidas pelo contribuinte. No entanto, pouco importa se estamos diante do sistema não cumulativo sobre a receita bruta, ou do cumulativo sobre o faturamento (Lei nº Lei nº 9.718/98), pois tanto em um como no outro caso é necessária a figura da receita decorre das atividades empresariais, na sua regular persecução de seus objetivos sociais e obtenção de lucros. Heroldes Bahr Neto,4 exconselheiro do CARF, ao tratar do tema, não deixa dúvidas: “Não se pode considerar auferida a receita que não advenha de negócios jurídicos realizados no exercício da atividade empresarial e, portanto, s.m.j., não integra a base de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. Tal se deve porque, ‘auferir’, por definição, significa ‘colher, obter’. Portanto, a receita deve ser colhida ou obtida pela empresa, em razão das transações econômicas realizadas pela própria pessoa jurídica.” De tudo isso é possível depreender que somente se estará diante do ato de auferir receita, hipótese de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS, quando visualizada situação em que a remuneração recebida pela pessoa jurídica ocorrer pelo regular exercício de suas atividades. Dito isto, cumpre avaliar a natureza jurídica dos créditos presumidos de ICMS, já que no caso vertente a Fiscalização incluiu os na base de cálculo das Contribuições, conforme escriturado nas contas contábeis CREDITO PRESUMIDO DE ICMS GERADO NAS IND. CARNES, CREDITO PRESUMIDO DE ICMS GERADO NAS FILIAIS, CREDITO PRESUMIDO DE ICMS – BOVINOS, CREDITO PRESUMIDO DE ICMS GERADO NAS IN. LÁCTEOS. Para que não restem dúvidas quanto à natureza do crédito presumido de ICMS, convém, ainda que brevemente, destacar a sistemática não cumulativa pela qual é apurado o imposto estadual. O ICMS possui como hipótese de incidência operações jurídicas que transferem o domínio e a posse de mercadorias na cadeia econômica, desde a produção até o consumo. Tratase, portanto, de tributo plurifásico e nãocumulativo, nos termos do artigo 155, §2º, inciso I da Constituição Federal.5 Alcançando a questão da nãocumulatividade, deve ser levado em consideração que foi adotado pelo ICMS o método de tributação indireta sobre o consumo, pelo qual se tributa as várias fases da cadeia econômica com o objetivo de alcançar a capacidade contributiva verificável no momento em que o bem ou serviço é consumido. 4 BAHR NETO, Haroldes. Não Incidência de PIS e COFINS sobre Crédito Presumido de ICMS. In Pis e Cofins à Luz da Jurisprudência do CARF. MP Editora. São Paulo, 2011, p. 315. 5 § 2.º O imposto previsto no inciso II (ICMS) atenderá ao seguinte: I ‐ será não‐cumulativo, compensando‐se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; Fl. 3000DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 3402004.393 S3C4T2 Fl. 337 9 Assim, cada agente do ciclo produtivo deverá recolher aos cofres públicos um montante a título de ICMS. Contudo, no instante do recolhimento, o contribuinte deverá averiguar quanto de imposto foi pago pelo agente que lhe precedeu na cadeia, ou seja, aquele que lhe vendeu determinado insumo que passou a fazer parte da sua produção, emitindolhe nota fiscal com ICMS destacado. Esse valor, anteriormente pago a título de ICMS, constitui crédito do contribuinte, e deverá ser confrontado com o débito que agora possui, nesse passo da cadeia produtiva, onde se adicionou determinado valor ao produto. Mediante esse confronto entre crédito (advindo do ICMS pago na etapa anterior) e débito (devido na atual etapa pela incidência do ICMS na saída da mercadoria do estabelecimento) advirá o valor que efetivamente deverá ser dispendido para o pagamento do imposto. É exatamente dentro da sistemática de créditos e débitos de ICMS que aparece a figura do crédito presumido. Neste sentido, o denominado crédito presumido não é crédito oriundo diretamente das entradas de mercadorias tributadas pelo ICMS no estabelecimento do contribuinte, e sim valor atribuído como crédito fiscal, sem a correspondente tributação na etapa anterior. Em outros termos, consiste na situação em que o Estado concede ao contribuinte a possibilidade de escriturar créditos de ICMS, aos quais normalmente não teriam direito, em sua contabilidade. Objetivase, com isso, a redução da carga tributária a ser recolhida na operação. Desse modo, o crédito presumido constitui modalidade de incentivo fiscal, quer dizer, consiste renúncia de receita do Estado em prol do setor privado. Tratase, verdadeiramente, de atuação do Poder Público visando o auxílio do setor privado para que, como conseqüência, sejam atendidos interesses econômicos e sociais. Em outras palavras, o crédito presumido caracteriza auxílio à pessoa jurídica mediante diminuição da carga tributária do contribuinte, sempre buscando estimular determinado setor produtivo. Ratificando este fato, anualmente a Secretaria da Receita Federal do Brasil publica relatório intitulado “Demonstrativo dos gastos governamentais indiretos de natureza tributária – Gastos Tributários”, cumprindo o mandamento do §6º do artigo 165 da Constituição e do inciso II do artigo 5º da Lei Complementar 101, de 4 de maio de 2000. Neste relatório, consta o seguinte: “O sistema tributário é permeado por desonerações. São consideradas desonerações tributárias todas e quaisquer situações que promovam: presunções creditícias, isenções, anistias, reduções de alíquotas, deduções ou abatimentos e adiamentos de obrigações de natureza tributária. Tais desonerações, em sentido amplo, podem servir para diversos fins. Por exemplo: a) simplificar e/ou diminuir os custos da administração; b) promover a eqüidade; c) corrigir desvios; d) compensar gastos realizados pelos contribuintes com Fl. 3001DF CARF MF 10 serviços não atendidos pelo governo; e) compensar ações complementares às funções típicas de estado desenvolvidas por entidades civis; f) promover a equalização das rendas entre regiões; e/ou, g) incentivar determinado setor da economia. Nos caso das alíneas “d”, “e”, “f” e “g”, essas desonerações irão se constituir em uma alternativa às ações Políticas de Governo, ações com objetivos de promoção de desenvolvimento econômico ou social, não realizadas no orçamento e sim por intermédio do sistema tributário. Tal grupo de desonerações irá compor o que se convencionou denominar de gastos tributários. (...) Gastos tributários são gastos indiretos do governo realizados por intermédio do sistema tributário visando atender objetivos econômicos e sociais. São explicitados na norma que referencia o tributo, constituindose uma exceção ao sistema tributário de referência, reduzindo a arrecadação potencial e, conseqüentemente, aumentando a disponibilidade econômica do contribuinte. Têm caráter compensatório, quando o governo não atende adequadamente a população dos serviços de sua responsabilidade, ou têm caráter incentivador, quando o governo tem a intenção de desenvolver determinado setor ou região.” Concluise que a natureza jurídica dos créditos presumidos de tributos concedidos pelo Poder Público é de incentivo fiscal, mais especificamente subvenção pública no auxílio de redução dos custos da pessoa jurídica. Trazendo esses conceitos para o caso concreto, temse que os valores recebidos Recorrente à título de crédito presumido de ICMS têm natureza jurídica de parcelas relativas a redução de custos, com o intuito de promover o desenvolvimento industrial do Estado, diferentemente daqueles valores que devem compor a base de cálculo das Contribuições em análise, conforme será melhor demonstrado a seguir. Muito bem, esclarecidos tais pontos, vejamos o posicionamento da Receita Federal sobre a matéria. Em processo de Solução de Consulta formulada por contribuintes, a Secretaria da Receita Federal já se manifestou de forma favorável à exclusão dos valores relativos ao crédito presumido de ICMS das bases de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS (Solução de Consulta nº 397, de 2009).6 6 Processo de Consulta nº 397/09 Superintendência Regional da Receita Federal ‐ SRRF / 9a. RF Decisão Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep. Ementa: ATO NORMATIVO ESTADUAL QUE AUTORIZA DESCONTO DE CRÉDITO PRESUMIDO EM SUBSTITUIÇÃO AO CRÉDITO NORMAL DO ICMS. TRIBUTAÇÃO DA DIFERENÇA. No caso de ato normativo estadual que conceda benefício de substituição dos créditos efetivos de ICMS por créditos presumidos, a diferença entre o crédito presumido do ICMS concedido e o crédito normal de ICMS que Fl. 3002DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 3402004.393 S3C4T2 Fl. 338 11 Já em outras situações, a Secretaria da Receita Federal do Brasil se colocou em sentido oposto (Solução de Consulta nº 225, de 6 de agosto de 2007; 72, de 14 de fevereiro de 2011; 197, de 14 de outubro de 2009; 18, de 02 de março de 2005; 144, de 11 de setembro de 2008), fazendo prevalecer o interesse da fiscalização. Em face dos posicionamentos discrepantes, o Órgão Fazendário Federal foi chamado a resolver a questão, que, afinal, gerava grande insegurança aos contribuintes. Deste contexto resultou a Solução de Divergência nº 13/11, publicada em 28 de abril de 2011, na qual a Secretaria da Receita Federal do Brasil concluiu pela impossibilidade da exclusão dos valores decorrentes de crédito presumido de ICMS das bases de cálculo das Contribuições Sociais em comento, por ausência de previsão legal para tanto, apesar de haver reconhecido, na mesma Solução de Divergência, essa possibilidade para os contribuintes que façam a apuração das Contribuições pelo método cumulativo. Registrese seu conteúdo: “SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 13 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins EMENTA: Por absoluta falta de amparo legal para a sua exclusão, o valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo da Cofins. A partir de 28 de maio de 2009, tendo em vista a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, promovida pelo inciso XII do art. 79 da Lei nº 11.941, de 2009, para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de apuração cumulativa da Cofins, por não ser considerado faturamento (receita bruta) decorrente da atividade exercida por essas pessoas jurídicas, o valor do crédito presumido do ICMS deixou de integrar a base de cálculo da mencionada contribuição.” (g.n.) Destarte, a Secretaria da Receita Federal do Brasil se manifesta no sentido de que os valores referentes ao crédito presumido de ICMS devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, pois: (i) sua natureza é de receita; e (ii) não há previsão legal para a exclusão da base de cálculo. deveria ser descontado é considerada subvenção. Essa diferença integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. Dispositivos Legais: Lei Nº 10.637/2002, art. 1º, caput e §§ 2º e 3º; Decreto Nº 3.000/1999 (RIR/1999), arts. 392 e 443; PN CST Nº 112/1979; Decreto Estadual SC Nº 2.870/2001 (Regulamento do ICMS do Estado de Santa Catarina), Anexo 2, arts. 21, 23 e 24, com a redação dada pelo Decreto Estadual SC Nº 1.669/2008. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ‐ Cofins .Ementa: ATO NORMATIVO ESTADUAL QUE AUTORIZA DESCONTO DE CRÉDITO PRESUMIDO EM SUBSTITUIÇÃO AO CRÉDITO NORMAL DO ICMS . TRIBUTAÇÃO DA DIFERENÇA. No caso de ato normativo estadual que conceda benefício de substituição dos créditos efetivos de ICMS por créditos presumidos, a diferença entre o crédito presumido do ICMS concedido e o crédito normal de ICMS que deveria ser descontado é considerada subvenção. Essa diferença integra a base de cálculo da COFINS.Dispositivos Legais: Lei Nº 10.833/2002, art. 1º, caput e §§ 2º e 3º; Decreto Nº 3.000/1999 (RIR/1999), arts. 392 e 443; PN CST Nº 112/1979; Decreto Estadual SC Nº 2.870/2001 (Regulamento do ICMS do Estado de Santa Catarina), Anexo 2, arts. 21, 23 e 24, com a redação dada pelo Decreto Estadual SC Nº 1.669/2008.MARCO ANTÔNIO FERREIRA POSSETTI – Chefe. Data de decisão: 14/10/2009. Data de publicação: 09/11/2009. Fl. 3003DF CARF MF 12 Ocorre que este entendimento, vem sendo rechaçado tanto por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), como pelo Poder Judiciário. Explico o porquê. Como já restou assentado nos itens acima: (i) a hipótese de incidência da Contribuição ao PIS e a da COFINS é a auferimento de receitas, vale dizer, remuneração recebida pela pessoa jurídica pelo regular exercício de suas atividades; e (ii) o crédito presumido de ICMS tem natureza de subvenção pública com parcelas relativas à redução de custos fiscais do contribuinte. Disto alcançase a inequívoca conclusão de que crédito presumido de ICMS não é hipótese de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS. Ora, se o crédito presumido é dispêndio à menor em que incorreu a Recorrente por força de se tratar justamente de auxílio para a redução de custos, esse montante não pode ser considerado receita, justamente porque não há ingresso econômico nenhum ao seu patrimônio. Destarte, não sendo receita, o crédito presumido não deve ser tributado pela Contribuição ao PIS e pela COFINS. Repitase, tais créditos não constituem receita auferida pela pessoa jurídica, pois não decorrem de negócios jurídicos praticados no exercício de sua atividade comercial. Por conseguinte, não se submetem à hipótese de incidência das contribuições. Não é outra a lição de José Antonio Minatel: “Bastanos o indicativo da origem, ou seja, ingresso qualificado como benefício governamental e, pronto, estará à margem da regra de incidência das contribuições cuja base de cálculo é a receita auferida, no sentido de proveniente do exercício da atividade empresarial.”7 De fato, o crédito presumido de ICMS é subvenção pública, de forma que constitui renúncia de receita do Poder Público em favor da atividade privada, mas com isso, é claro, buscando o interesse público de fomentar a economia, gerando melhoramentos para a sociedade. Desta forma, não caracteriza benefício financeiro que é incorporado ao patrimônio da pessoa jurídica, ou seja, não é receita, e, consequentemente, não pode ser tributado pela Contribuição ao PIS e a pela COFINS. Vêse que a discussão se relaciona à não incidência tributária, de modo que é irrelevante a falta de disposição no sentido da exclusão da base de cálculo dos montantes relativos ao crédito presumido de ICMS da base de cálculo da Contribuição PIS e da COFINS. Contudo, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, não atenta para esse ponto da questão, e pretende fazer crer, pelo teor da mencionada Solução de Divergência nº 13/11, que por não existir ditame legal nas Leis nº 10.637/02, 10.833/03 ou qualquer outra referente à Contribuição ao PIS e a COFINS permitindo a referida exclusão, ela não poderia ser efetuada. Ocorre que a não incidência tributária consiste na não ocorrência de fato algum ou na ocorrência de fato irrelevante juridicamente em face da norma jurídica tributária, ou seja, o fato verificado no mundo econômico não se encontra dentro daquele campo descrito como hipótese de incidência tributária da exação. Logo, não nasce a relação jurídica tributária com o respectivo dever do contribuinte de levar determinado montante a título de tributo aos cofres públicos. É o contrário, certamente, do fenômeno da incidência tributária, onde há a 7 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 240. Fl. 3004DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 3402004.393 S3C4T2 Fl. 339 13 perfeita subsunção do fato econômico à lei tributária, gerando o dever do contribuinte levar os devidos tributos aos cofres públicos. Desse modo, a não incidência não se confunde, de forma alguma, com a exclusão da base de cálculo de tributo, a qual diz respeito ao quantum devido a título de tributo. Nas palavras de Paulo de Barros Carvalho a redução da base de cálculo opera “traduzindo singela providência modificativa que reduz o quantum de tributo que deve ser pago.”8 Verdadeiramente, tratase de situação em que legislação traz valores que devem ser retirados da base de cálculo do tributo, de modo que a alíquota será aplicada sobre um valor menor, pois sem uma parte que foi excluída pela lei, resultando em montante apurado menos gravoso para o contribuinte. É exatamente no âmbito da exclusão de parcelas da base de cálculo de tributos que o direito pátrio estabelece a regra do artigo 150, §6º da Constituição Federal, cujo conteúdo prescreve que somente lei específica poderá estipular, entre outros, a redução da base de cálculo de tributos.9 Tal regra não se aplica às hipóteses de não incidência, pois este é fenômeno que antecede a qualquer benefício fiscal, já que versa sobre a situação em que o direito tributário não alcança uma determinada conjuntura econômica, não fazendo nascer qualquer relação jurídica tributária. Portanto, tornase sem sentido falar em falta de legislação para hipóteses de não incidência. Todo esse raciocínio e fundamentação jurídica está ratificado pela jurisprudência do STJ e do CARF, como se extrai das ementas colacionadas abaixo: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO. NATUREZA JURÍDICA QUE NÃO SE CONFUNDE COM RECEITA OU FATURAMENTO. PRECEDENTES. 1. O crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes de ambas as Turmas de Direito Público. 2. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 626124 / PB, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 19/03/2015, Dje 06/04/2015) 8 Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 24ª ed., p. 492. 9 “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” Fl. 3005DF CARF MF 14 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO. INCENTIVO FISCAL. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA DE RECEITA OU FATURAMENTO. 1. Segundo a jurisprudência desta Corte os valores provenientes do crédito presumido do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 6/4/2015; AgRg no REsp 1.494.388/ES, Rel. Ministra Marga Tessler (Juíza Federal convocada do TRF 4ª Região), Primeira Turma, DJe 24/3/2015; AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 19/12/2014; AgRg no REsp 1.329.781/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 3/12/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1247255 / RS, Rel. Min Benedito Gonçalves, julgado em 17/11/2015, DJe de 26/11/2015) “TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstanciase em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1229134/SC, AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL, 2011/00065064, Min. Relator HUMBERTO MARTINS, Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento 26/04/2011, Data da Publicação/Fonte DJe 03/05/2011).” (g.n.) “CRÉDITOPRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I – (...) II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Fl. 3006DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 3402004.393 S3C4T2 Fl. 340 15 Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido. (RESP 2008.00.195748, RESP RECURSO ESPECIAL – 1025833, Min. Relator FRANCISCO FALCÃO, Órgão julgador, PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:17/11/2008)” (g.n.) “CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98 DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas à redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Recurso provido. (Acórdão nº 20218.397, Rel. Cons. Maria Cristina Roza da Costa,).” (g.n.) COFINS. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. O recebimento de crédito presumido do ICMS não se qualifica como "receita", mas de incentivo fiscal para a redução do ICMS devido, devendo ser excluído da base de cálculo das contribuições. (Acórdão 3201002.060, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira Relator) Fl. 3007DF CARF MF 16 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI — IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS O crédito presumido de IPI é parcela relacionada à redução de custos e não à obtenção de receita nova, oriunda do exercício da atividade empresarial. A noção de faturamento, identificada com as bases de cálculo do PIS e da COFINS, corresponde à receita bruta derivada da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços (Acórdão 3401002.608, Cons. Rel. Fernando Marques Cleto Duarte) Dessarte, os créditos presumidos de ICMS que a Recorrente faz jus no Estado de Santa Catarina não são receitas, mas sim reduções de custos tributários e, portanto, estão fora da hipótese de incidência traçada para a tributação das Contribuições ao PIS e a COFINS. Assim, fazse necessário cancelar o lançamento tributário que pretendeu tal cobrança. 1.3. Sobre a concomitância entre as vias judicial e administrativa A questão neste ponto resumese à verificação de concomitância entre o Mandado de Segurança n. 002675650.2006.4.03.6100 e o presente processo administrativo. Pois bem. Analisando a fundamentação do auto de infração, verifico que a autoridade lançadora deixou claro que os "juros Sobre o Capital Próprio devem compor a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo de PIS e COFINS. Não há nenhum dispositivo legal que autorize a sua exclusão da base de cálculo das contribuições sociais." Ademais, nas palavras do auditor fiscal, “contribuinte, por meio do Processo Judicial nº 2006.61.00.0267561 – 002675650.2006.403.6100 (fls. 1766 e seguintes), que tramita no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, impetrou Mandado de Segurança a fim de que fosse reconhecido seu direito líquido e certo de não incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS os valores recebidos a título de juros sobre capital próprio. A sentença denegou a ordem e o apelo do impetrante teve seu seguimento negado. Foi então ajuizada a Medida Cautelar nº 2007.03.00.1042080 /010420869.2007.403.000/SP, objetivando a suspensão da exigibilidade de crédito tributário relativo ao PIS e à COFINS incidentes em juros sobre o capital próprio, até decisão final a ser proferida nos autos nº 2006.61.00.0267561. Conforme se observa nos documentos de fls. 1774 e seguintes, ocorreu a perda de objeto da Ação Cautelar e seu efeito suspensivo foi extinto.” Com efeito, no caso concreto está evidente a identidade de objetos. Não bastassem os claros elementos apresentados na decisão recorrida, a própria Contribuinte confirma a identidade de objetos em sua Impugnação e em seu Recurso Voluntário, resumindo se a requerer o reconhecimento da não concomitância utilizandose do conceito de litispendência do direito processual civil e se apegando à literalidade da causa de pedir dos processos administrativo e judicial. Entretanto, tais argumentos não são cabíveis para a constatação de ocorrência da concomitância, segundo a Súmula CARF n. 1 e o Parecer Normativo n. 7, de 22/08/2014, lembrando que o CPC só se aplica subsidiariamente ao processo administrativo (artigo 15). Por conseguinte, entendo que a defesa administrativa efetivamente não deve ser conhecida no mérito sobre a natureza dos juros sobre capital próprio e a sua exclusão da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, dada a identidade entre o objeto da ação judicial e o do presente processo. Não poderia ser diferente, afinal, a decisão judicial se sobrepõe à decisão administrativa. Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 3402004.393 S3C4T2 Fl. 341 17 Nesse sentido, o enunciado sumular n. 1 do CARF é hialino: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Cumpre ainda ressaltar que a existência de ordem judicial suspendendo a exigibilidade do crédito implica apenas nessa consequência jurídica na esfera administrativa: impedir o conhecimento da defesa e recursos. Não impede o lançamento do crédito, mas tão somente a instauração e manutenção do contencioso administrativo diante da identidade de discussões nas duas esferas. Obstáculo mesmo representará apenas na fase de cobrança, impedindo a propositura de correspondente execução fiscal. Tudo como consta no artigo 63 da Lei n. 9.430/96 e a Súmula CARF n. 48, in verbis: Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Sendo assim, nego provimento ao recurso voluntário na sua defesa sobre a inexistência de concomitância in casu. 2. Recurso de ofício Sobre o conhecimento do recurso de ofício, destaco que mesmo com a alteração promovida pela Portaria n. 63 do Ministério da Fazenda, de 09 de fevereiro de 2017, elevando o limite de alçada para o seu conhecimento no âmbito do contencioso administrativo fiscal para o montante de R$ 2.500.000,00 o qual deve ser observado nesse momento processual a teor da Súmula 103 do CARF10 , o presente caso preenche os requisitos para a apreciação por este Conselho. Pois bem. Como visto no tópico acima, a questão dos juros sobre capital próprio na base da Contribuição ao PIS e da COFINS foi judicializada. Especificamente sobre as medidas tomadas pela Recorrente visando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (já que saiu vencida na liminar, sentença e apelação no Mandado de Segurança n. 002675650.2006.4.03.6100; bem como na primeira Ação Cautelar ajuizada, de n. 2007.03.00.1042080/010420869.2007.4.03.0000/SP, que foi extinta), foi bem delimitado pelo Acórdão recorrido que: Ocorre porém que, conforme informa a impugnante, esta apresentou recursos especial e extraordinário e ajuizou uma outra medida cautelar, a de número n.° 0017162 61.2015.4.03.0000, também com o fim de "suspender a exigibilidade do crédito tributário discutido nos autos do mandado de segurança n.° 002675650.2006.4.03.6100, até o julgamento definitivo do mérito dos recursos excepcionais 10 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 3009DF CARF MF 18 interpostos". Em decisão de 29/07/2015, a cautela foi deferida, conforme cópia trazida pela impugnante e juntada aos autos às folhas 2873 e seguintes (eprocesso) (...) Como visto acima, a impugnante ajuizou a medida cautelar de número n.° 001716261.2015.4.03.0000 com o fim de "suspender a exigibilidade do crédito tributário discutido nos autos do mandado de segurança n.° 002675650.2006.4.03.6100, até o julgamento definitivo do mérito dos recursos excepcionais interpostos". Em decisão de 29/07/2015, a cautelar foi deferida e em 31/08/2015 o tribunal decidiu por acolher os embargos da União, mandando cumprir a parte final da decisão embargada, qual seja, a suspensão da exigibilidade das contribuições incidente sobre os juros sobre capital próprio. Assim à data do lançamento dos créditos tributários, que se deu em 18/09/2015, a interessada tinha a seu favor decisão liminar em mandado de segurança suspendendo a exigência de contribuições em relação a juros sobre capital próprio. Disto percebese que o lançamento tributário em análise, datado de 18/09/2015, efetuado enquanto vigia a ordem judicial proferida na Ação Cautelar n. 0017162 61.2015.4.03.0000, caracteriza lançamento para prevenir a decadência do crédito tributário, aplicandose, destarte, o artigo 63 da Lei n. 9430/96, que é claro ao afastar a multa de ofício na hipótese existência de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, in verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. Assim, sem reparos à decisão a quo que reconheceu a improcedência da multa de ofício lançada no auto de infração fundador do presente processo administrativo, razão pela qual deve ser negado provimento ao recurso de ofício. 4. Dispositivo Ex positis, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a cobrança de Contribuição ao PIS e de COFINS sobre o crédito presumido de ICMS; e negar provimento ao recurso de ofício. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Voto Vencedor Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 3402004.393 S3C4T2 Fl. 342 19 Conselheiro Pedro Sousa Bispo No mérito, por voto de qualidade, o Colegiado discordou da Ilustre Relatora quanto ao seu entendimento de que o Crédito Presumido de ICMS concedido pelo Estado de Santa Catarina não tem natureza de receita e não compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS. Fui então designado pelo Presidente para redigir o voto vencedor, pelo que passo a analisar a questão. Inicialmente, resta comprovado nos autos que o Crédito Presumido de ICMS concedido pelo estado de Santa Catarina ora analisado está caracterizado como subvenção para custeio, não havendo discordância da Recorrente quanto a sua natureza jurídica, conforme passo a demonstrar. O próprio Contribuinte concorda em trecho de sua defesa com o acórdão atacado quanto a natureza jurídica atribuída de subvenção para custeio ao referido incentivo fiscal, como a seguir reproduzido: Como no caso concreto a Recorrente não demonstrou que se trata de uma subvenção para investimento, o v. Acórdão classificou os crédito presumidos do ICMS como subvenção para custeio, incluindoos, portanto, no campo de incidência das aludidas contribuições. O posicionamento fixado na "a quo" está correto em relação à classificação do crédito presumido do ICMS ora debatido como subvenção para custeio, porém, erra ao extrair dessa premissa a conclusão de que a tributação contestada pela Recorrente está adequada aos parâmetros normativos da Contribuição ao PIS e da COFINS! (grifei) A ilustre Relatora também reconhece a mesma natureza jurídica ao incentivo fiscal ao informar que o incentivo visa auxiliar a empresa na redução dos seus custos, conforme se depreende do seu voto, in verbis: Concluise que a natureza jurídica dos créditos presumidos de tributos concedidos pelo Poder Público é de incentivo fiscal, mais especificamente subvenção pública no auxílio de redução dos custos da pessoa jurídica. Trazendo esses conceitos para o caso concreto, temse que os valores recebidos Recorrente à título de crédito presumido de ICMS têm natureza jurídica de parcelas relativas a redução de custos, com o intuito de promover o desenvolvimento industrial do Estado, diferentemente daqueles valores que devem compor a base de cálculo das Contribuições em análise, conforme será melhor demonstrado a seguir. (grifei) Assim, deve ser considerado como incontroversa a natureza jurídica de subvenção para custeio atribuída ao Crédito Presumido de ICMS concedida pelo Estado de Fl. 3011DF CARF MF 20 Santa Catarina à Recorrente. Resta, então, resolver a questão central da lide quanto a incidência ou não das contribuições não cumulativas sobre a subvenção para custeio típica em epígrafe. A recorrente alegou que o referido incentivo fiscal é mera redução de custo, não representando nova receita, entendimento acolhido pela relatora. Com a devida vênia, discordo das alegações pelo exposto a seguir. Por se tratar da mesma matéria em análise referente a crédito presumido de ICMS caracterizado como subvenção para custeio, utilizome do voto vencedor contido no acórdão nº3302003.089 do CARF, proferido pelo Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, cujos fundamentos adoto, in verbis: O período analisado é regido pela Lei nº 10.637/2002 que dispunha, à época dos fatos, no §3º do artigo 1º sobre as receitas que não integravam a base de cálculo na incidência não cumulativa, conforme a seguir: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Produção de efeito § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. Fl. 3012DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 3402004.393 S3C4T2 Fl. 343 21 VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (a Lei nº 10.833/2003 ampliou a exclusão para "não operacionais, decorrentes da venda do ativo permanente", aplicandose ao PIS/Pasep, de acordo com o artigo 15 da referida lei) Verificase que a legislação incluiu todas as receitas no campo de incidência, não havendo disposição legal específica que contemplasse a exclusão pleiteada. Assim, necessária a verificação da natureza do crédito presumido de ICMS de que tratam os referidos artigos, ou seja, se se enquadram no conceito de receita. A NBC T 19.30, norma brasileira de contabilidade aprovada pelo Conselho Federa de Contabilidade, dispõe que Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis assim define receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. A questão primordial na contabilização da receita é determinar quando reconhecêla. A receita é reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para a entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. Este Pronunciamento identifica as circunstâncias em que esses critérios são satisfeitos e, por isso, a receita deve ser reconhecida. Ele também fornece orientação prática sobre a aplicação desses critérios. Conceitualmente, receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam Fl. 3013DF CARF MF 22 provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Os artigos 1º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 determinam que a incidência independe da denominação ou classificação contábil, dispondo em seu §3º sobre as receitas que não integram a base de cálculo, mencionando expressamente as reversões de provisões e as recuperações de crédito baixados como perda (que é uma recuperação de despesa), indicando a abrangência da definição de receita e a necessidade de a lei definir expressamente as exclusões. Assim, entendo que as recuperações de custos ou despesas são conceitualmente receitas e sua exclusão da base de cálculo deve ser veiculada em lei. Confirmando esta natureza, transcrevese o artigo 44 da Lei nº 4.506/1994, já mencionado no acórdão da DRJ: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. (grifei) Conforme já afirmado anteriormente, a Recorrente confirma que o incentivo fiscal ora analisado tem natureza jurídica de subvenção para custeio, mas argumenta que se tratam de redutores de custo. o que não afasta a sua natureza de receita, conforme expressamente dispõe o inciso IV do artigo 44 da Lei nº 4.506/1964, transcrito acima. Nesse mesmo sentido da procedência da incidência das contribuições não cumulativas do PIS e da COFINS sobre as subvenções para custeio, a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, no voto vencedor proferido no acórdão nº3202000.454 do CARF, bem se pronunciou sobre a questão, in verbis: Entendo que não há como se apartar o conceito contábil de “receita” de seu conceito jurídico, conforme se pronunciou o i. Relator. O conceito de “receita” nasce da Contabilidade e, quando a lei deseja afastálo de sua origem, assim expressamente o faz. Tanto assim o é que a Lei nº. 12.350/2010, em seu art. 30, veio expressamente excluir as subvenções de que tratam as Leis nº. 10.973/2004 e 11.196/2005 das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Se o alegado “conceito jurídico” de “receita” fosse apartado do seu “conceito contábil”, e, assim, não estivessem incluídas as subvenções governamentais, seria desnecessária a edição da referida lei para expressamente excluílas da base de cálculo das preditas contribuições. Veja se: Fl. 3014DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 3402004.393 S3C4T2 Fl. 344 23 Art. 30. As subvenções governamentais de que tratam o art. 19 da Lei no 10.973, de 2 de dezembro de 2004, e o art. 21 da Lei no 11.196, de 21 de novembro de 2005, não serão computadas para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que tenham atendido aos requisitos estabelecidos na legislação específica e realizadas as contrapartidas assumidas pela empresa beneficiária. Também a argumentação de não ter havido um ingresso financeiro para descaracterização dos valores como receita não deve prosperar. Apesar de entender não ser imprescindível o ingresso financeiro para a caracterização dos valores recebidos do incentivo fiscal como receita, a título de esclarecimento, afirmo que a Recorrente equivocase na sua argumentação pois no presente caso houve sim o ingresso financeiro. À medida que a recorrente recebe o ICMS destacado nas vendas que realiza e não o repassa ao erário estadual, em razão do crédito presumido que possui, isso representa sim um efetivo ingresso financeiro para a empresa decorrente da utilização do incentivo fiscal analisado. Assim, concluise que se o referido incentivo fiscal tem natureza jurídica de subvenção para custeio típica, subsumindose a definição de receita contido nos comandos do artigo 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e inexistindo dispositivo de lei específico que o exclua da base de cálculo, então deve sofrer a incidência das contribuições sociais não cumulativas do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Pedro Sousa BispoRedator Fl. 3015DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.720145/2012-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
Ementa:
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado nos autos que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido. Portanto, aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao IRPJ em face da estreita relação de causa e efeito.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. Não demonstrada que a sujeição passiva solidária deu-se em função da constatação de interesse comum entre a fiscalizada e as pessoas físicas ditas sócias de fato, deve ser afastada a imputação de sujeição passiva solidária às responsáveis recorrentes.
Numero da decisão: 1302-002.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte (autuada) e, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário apresentado pelas responsáveis(Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Rosilene Bicalho e Maria Torres de Freitas Bicalho), para afastar a responsabilidade tributária dessas pessoas físicas recorrentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Edgar Bragança Bazhuni, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca e Eduardo Morgado Rodrigues. Ausente justificadamente o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 Ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado nos autos que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido. Portanto, aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao IRPJ em face da estreita relação de causa e efeito. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 01 45 /2 01 2- 25 Fl. 983DF CARF MF 2 As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. Não demonstrada que a sujeição passiva solidária deuse em função da constatação de interesse comum entre a fiscalizada e as pessoas físicas ditas sócias de fato, deve ser afastada a imputação de sujeição passiva solidária às responsáveis recorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte (autuada) e, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário apresentado pelas responsáveis(Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Rosilene Bicalho e Maria Torres de Freitas Bicalho), para afastar a responsabilidade tributária dessas pessoas físicas recorrentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Edgar Bragança Bazhuni, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca e Eduardo Morgado Rodrigues. Ausente justificadamente o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Versa o presente processo sobre autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no valor total de R$ 14.653.289,96, cumulado com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora calculados até 01/2012 (fls.721/724), e, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor total de R$ 6.649.115,60, (fls. 747/750) cumulado com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora calculados até 01/2012, referentes aos anoscalendário de 2007 e 2008. Observase na acusação fiscal que a exigência foi formalizada em face da contribuinte Distribuidora Pequi Ltda e dos responsáveis tributários Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Rosilene Bicalho, Maria Torres de Freitas Bicalho, Rogério Luiz Bicalho, Vanei Afonso de Souza e Wanderley Cardoso de Souza (fls. 441/517). O procedimento fiscal apontou as seguintes irregularidades para configurar as exigências apuradas, conforme descrição dos fatos nos preditos autos de infração: Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2007 e 03/2008 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da Fl. 984DF CARF MF Processo nº 13603.720145/201225 Acórdão n.º 1302002.375 S1C3T2 Fl. 3 3 sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: Art. 530, inciso III, do RIR/99. 0001 OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA REVENDA DE MERCADORIAS O contribuinte nos anos de 2007 e 2008 omitiu receitas de suas atividades que deveriam compor as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. As receitas tributadas neste auto de infração foram apuradas a partir dos dados em arquivos digitais fornecidos pela cliente do autuado, a empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda CNPJ 02.091715/000122, cujos demonstrativos encontramse anexos. Os detalhamentos da autuação encontramse narrados no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante de documento de autuação Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/03/2007 28.373.782,29 150,00 30/06/2007 19.714.926,38 150,00 30/09/2007 32.635.158,16 150,00 31/12/2007 52.002.214,76 150,00 31/03/2008 37.264.958,85 150,00 30/06/2008 29.554.254,00 150,00 30/09/2008 11.200.258,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2007 e 30/09/2008: art. 3o da Lei n° 9.249/95. Art. 537 do RIR/99 Art. 532 do RIR/99 Art. 530 do RIR/99 Os detalhes da autuação encontramse narrados no Termo de Verificação Fiscal (efls.453/517), do qual o Acórdão Recorrido (efls./) extraiu os trechos que a seguir se transcreve: “2 – CADASTRO FISCAL. De acordo com os dados cadastrais da RFB, o contribuinte tem como natureza jurídica a codificação 2062– Sociedade Empresária Limitada, seu porte enquadrase como “Demais” e sua atividade é o “comércio atacadista de cerveja, chope e refrigerante”. Embora tenha iniciado suas atividades em 07/04/2000, verificou se a sua omissão nas entregas das DIPJ para os anos calendário de 2002, 2003, 2004, 2006, 2007, 2009 e 2010. O quadro societário informado à RFB é formado pelo Sr. Valdez Antônio Barbosa Maciel, com participação societária de 90%, sendo o administrador da empresa, e pelo Sr. Vanei Afonso de Souza, com participação de 1%. Já na DIPJ do ano calendário de 2008, o sócio Vanei detém 99% e o sócio Valez, 1%. Fl. 985DF CARF MF 4 Obtidas informações da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, verificouse que os sócios do contribuinte, cujos contratos e alterações são parte integrante deste auto de infração, são os Senhores Vanei Afonso de Souza (administrador) e Wanderley Cardoso de Souza. O fato é que o quadro societário apresentado não retrata a veracidade dos fatos. Os Senhores Valdez, Vanei e Wanderley atuam ou atuaram na empresa apenas como pessoas interpostas. A título ilustrativo o Fisco resumiu a situação fiscal dos sócios de direito. Apesar da confusão gerada pelo contribuinte ao interpor pessoas em seu quadro societário, o fato é que a empresa foi regularmente cientificada do início do procedimento fiscal através de edital que foi afixado nas dependências da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG. 3 – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Em outra ação fiscal encerrada em novembro de 2006, ficou comprovada a relação societária e financeira existente entre o contribuinte e membros da “família Bicalho”: ROSEANA DE FÁTIMA BICALHO LOURENÇO, CPF 491.102.09620; ROSILENE BICALHO, CPF 806.436.80659; MARIA TORRES DE FREITAS BICALHO, CPF 023.781.97685; ROGÉRIO LUIZ BICALHO, CPF 761.465.70630. Essas constatações deram origem ao processo nº 13603.720076/200610. A responsabilidade solidária atribuída aos Srs. Rogério, Roseana, Rosilene e Maria Torres no julgamento em 1ª instância administrativa (Acórdão nº 0916.758 – 1ª Turma da DRJ/JFA, de 26 de julho de 2007) foi acatada por unanimidade de votos, amparada pela documentação, depoimentos e verificações realizadas pela auditoria fiscal. Entre a fiscalização anterior (encerrada 2006) e esta, não houve a regularização cadastral do quadro societário. No relatório do Auto de Infração da fiscalização anterior, ficou demonstrada, além da interposição de pessoas, a relação direta entre o contribuinte e a Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, CNPJ 02.091.715/000122. As estreitas ligações comerciais, o conluio de interesses e a participação societária comum deixaram evidente a existência do grupo econômico que naquele ato chamouse de Grupo Del Rey. No Acórdão nº 340100.726 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária do CARF, de 30 de abril de 2010, cujo recorrente foi Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, ficou assegurada a relação societária entre a família Bicalho e a Distribuidora Pequi Ltda. O fato daquela decisão do CARF repercutir diretamente na sociedade Distribuidora Pequi decorre da participação da Fiscalizada, juntamente com a Belo Horizonte Refrigerantes Fl. 986DF CARF MF Processo nº 13603.720145/201225 Acórdão n.º 1302002.375 S1C3T2 Fl. 4 5 Ltda e a Maxdrink Empreendimentos e Participações Ltda, de um esquema onde a triangulação das operações comerciais era o norte de suas operações para encobrir os vultosos ganhos em suas operações decorrentes de sonegação fiscal do grupo. Uma vez não alterada a situação societária na Junta Comercial nem na RFB, mantémse a responsabilidade da família Bicalho pelas infrações apuradas neste Auto de Infração. O Fisco transcreve o voto do relator no Acórdão nº 0916.758, da 1ª Turma da DRJ/JFA; e destaca também o Acórdão nº 3401 00.726 – da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária do CARF, que tratou da responsabilidade tributária e negou, por unanimidade, provimento ao recurso da empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda. (...) 4 – DO PROCEDIMENTO FISCAL. Em 19/09/2011, foi iniciada a ação fiscal, tendo sido o contribuinte intimado a apresentar documentos de sua escrituração contábil e fiscal obrigatória. Os sócios, Srs. Rogério Luiz Bicalho, Maria Torres de Freitas Bicalho, Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Rosilene Bicalho e Valdez Antônio Barbosa Maciel foram cientificados por via postal. Ressaltase que a intimação ao Sr. Valdez é decorrente da incorreção do cadastro CNPJ da empresa na RFB. O envelope com o Termo de Início de Fiscalização enviado à Distribuidora Pequi Ltda retornou com os dizeres “mudouse”. Já aquele enviado ao sócio Vanei Afonso de Souza retornou com a informação “desconhecido”. Desta forma, emitimos o Edital DIFIS/SRRF06 nº 01/2011, que foi afixado nas dependências da Delegacia da Receita Federal em Contagem no dia 25/10/2011 e desafixado em 09/11/2011, cuja ciência dos interessados passou a ser reconhecida na data de 10/11/2011. Naquela mesma data, o Sr. Valdez apresentou documento solicitando prorrogação do prazo para atendimento à intimação por mais 60 (sessenta) dias. Embora haja a tentativa de desconstruir a lógica da existência do grupo econômico, além das provas já apresentadas em fiscalizações anteriores, há indícios recorrentes dessa existência. Prova disso é que no requerimento de prorrogação de prazo a Distribuidora Pequi Ltda informa o MPF da Maxdrink Empreendimentos e Participações Ltda. Informou o MPF 06.1.10.00.2011.007949 (Maxdrink), quando o correto deveria ser 06.10.002011 007930 (Distribuidora Pequi). O contribuinte apresentou como resposta apenas uma cópia do contrato social, não se manifestando sobre os demais itens do Termo de Intimação. Fl. 987DF CARF MF 6 Foram emitidos termos de ciência da continuidade do procedimento fiscal. O contribuinte não apresentou qualquer documentação adicional, arquivo digital, livro ou mesmo justificou suas operações de vendas catalogadas nos demonstrativos entregues a ele pela Fiscalização. 5 – DA INCOMPATIBILIDADE ENTRE OS VALORES DECLARADOS À RFB E AS VENDAS APURADAS PELA AUDITORIA FISCAL. Anexo ao Termo de Início, foi encaminhado o demonstrativo, “VENDAS DO FORNECEDOR: DISTRIBUIDORA PEQUI LTDA”, esse relatório foi consolidado a partir de arquivos digitais de compras da empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, cuja obtenção foi amparada pelos MPF 06.1.13.002011001047. O demonstrativo apresenta as vendas do fornecedor Distribuidora Pequi Ltda a Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, cujos CFOP considerados foram: 1101Compra para industrialização ou produção rural 1120Compra para industrialização, em venda à ordem, já recebida do vendedor remetente 5201Devolução de compra para industrialização ou produção rural Neste relatório, foram expurgadas as vendas canceladas e as devoluções de vendas foram estornadas do cálculo final. No ano de 2007, o valor das vendas somente para a Belo Horizonte Refrigerantes foi da ordem de R$132.726.081,59, e para 2008, de R$78.019.470,85. Não houve apresentação de DIPJ para os anos de 2007 e 2009. Para o período auditado, a única declaração processada é a de número 1655943 do anocalendário de 2008, cuja forma de tributação se deu pelo lucro presumido. Nesta não há qualquer valor declarado. A ficha 14A apresenta todos os trimestres com valores zerados. A DIPJ processada é apenas uma declaração de cadastro, não trazendo qualquer informação quantitativa das operações da empresa. Nos anos de 2007, 2008 e 2009, foram identificados pagamentos de tributos nos sistemas internos da RFB, relacionados à retenção na fonte. Esses pagamentos, de valores diminutos, assim como a DIPJ de 2008 e a ausência das demais, não representam a efetividade de operações da empresa no ano. Também não foram entregues as DCTF dos anos em análise. 5 – DO ARBITRAMENTO DO LUCRO. A opção pelo lucro presumido fica condicionada aos termos do art.516, do RIR/1999, que no seu parágrafo 4º determina que essa forma de apuração é manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. Fl. 988DF CARF MF Processo nº 13603.720145/201225 Acórdão n.º 1302002.375 S1C3T2 Fl. 5 7 O artigo 527 do RIR/1999 prescreve as obrigações acessórias aos optantes pelo lucro presumido. O contribuinte entregou a DIPJ do ano calendário de 2008 sob a forma do lucro presumido apenas para cumprir obrigação acessória, pois informou apenas os dados cadastrais e deixou em branco todas as demais fichas de apuração do IRPJ e da CSLL. O valor de sua receita bruta no ano de 2007 de, aproximadamente, 132 milhões de reais, ultrapassou em mito o teto legal para essa opção, de 24 milhões de reais. Verificase que na verdade a Distribuidora Pequi estava obrigada à apuração do IRPJ e CSLL, sob a modalidade do lucro real. Não obstante, acrescentase o fato que o contribuinte, mesmo tendo solicitado 60 dias de prazo para entregar documentos de sua escrituração, passados mais de CEM DIAS, sequer apresentou os documentos solicitados. Os artigos 529 e 530 do RIR/1999 estabelecem entre as hipóteses de arbitramento: a ausência de escrituração na forma da lei e a falta de apresentação, à autoridade tributária, dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Não tendo a Fiscalizada cumprido os requisitos necessários à apuração de seus resultados pelo lucro real, não resta ao Fisco senão arbitrar o lucro relativo ao período compreendido entre janeiro de 2007 a dezembro de 2008, tendo por base de cálculo a receita conhecida através de circularização com seus clientes (art. 532, do RIR/1999). Assim, o arbitramento teve como base de cálculo do IRPJ e CSLL, 9,6% (8% + 20%) 12%, respectivamente, da receita bruta apurada e demonstrada no quadro abaixo: Fl. 989DF CARF MF 8 (...) 6 – DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A Fiscalização procedeu ao lançamento de ofício do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, devidos nos anos de 2007 e 2008, com aplicação da multa percentual de 150%, conforme determinam os artigos 841 e 957 do RIR/1999 e art. 71, da Lei nº 4.502, de 1964. A conduta do contribuinte ao omitir, sistematicamente, os seus resultados econômicos e patrimoniais, pela não entrega das DIPJ, DCTF e DACON, ou na prestação de informações incorretas na DIPJ entregue à RFB, conforme descrito nos itens anteriores, caracteriza o crime previsto nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990. 9 – CONSIDERAÇÕES FINAIS. Concluise que nos anos de 2007 e 2008 a empresa omitiu receitas que deveriam compor as bases de cálculo dos tributos federais. Como o contribuinte não apresentou a escrituração contábil e fiscal de acordo com as normas vigentes, o Fisco efetuou os cálculos dos tributos devidos com base nas informações obtidas de terceiros, neste caso a Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, empresa que é do próprio grupo econômico da Distribuidora Pequi Ltda. Restaram ainda comprovados: a entrega de declaração de conteúdo falso à RFB, omissão de entrega de declarações e o uso de interpostas pessoas nos atos constitutivos, razões pelas quais atribuímos responsabilidade solidária aos sócios Sra. ROSEANA DE FÁTIMA BICALHO LOURENÇO CPF 491.1112.09620; Sra, ROSILENE BICALHO CPF 806.436.80659; Sra, MARIA TORRES DE FREITAS BICALHO CPF 023.781.97675; Sr ROGÉRIO LUIZ BICALHO CPF 761.465.70630, Sr VANEI AFONSO DE SOUZA CPF 525.737.02634 e Sr. WANDERLEY CARDOSO DE SOUZA CPF 053.368.28631 que serão representados ao Ministério Publico Federal para providências em razão das condutas que em tese configuram crime contra a ordem tributária. Fl. 990DF CARF MF Processo nº 13603.720145/201225 Acórdão n.º 1302002.375 S1C3T2 Fl. 6 9 Cientificada dos lançamentos a contribuinte DISTRIBUIDORA PEQUI LTDA, apresentou a impugnação, a qual é destacada pelo Acórdão da autoridade a quo, nos seguintes termos: “I. TEMPESTIVIDADE. Ressalta, inicialmente, a tempestividade da defesa apresentada. II. DOS FATOS. Sintetizando os fatos, diz, a autuação combatida referese a suposto descumprimento das obrigações tributárias relativas ao recolhimento do IRPJ, CSLL e das contribuições para o PIS e COFINS, tendo em vista a suposta constatação de que teria omitido receitas relativas às supostas vendas para a empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, no período de janeiro de 2007 a setembro de 2008, ao declarar que nestes anos calendário apurou lucro de forma presumida. Salienta, a multa foi qualificada (150%), tendo em vista suposta constatação de dolo do agente e a ocorrência de sonegação e fraude; e o crédito tributário estaria sujeito aos juros de mora calculados pela aplicação da malsinada Taxa Selic, nos termos do art. 61, §3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Sustenta, entretanto, a exigência em referência não possui fundamentos para subsistir, devendo ser julgado improcedente o lançamento, por não preencher requisitos indispensáveis e, principalmente, por serem inequivocamente indevidas as contribuições, as multas e os encargos da forma como pretende o Fisco Federal. III. DO DIREITO. III.1 – Da Infringência ao Princípio da Ampla Defesa. Substancialmente, alega, a ampla defesa é uma garantia constitucional, sendo assim qualquer irregularidade no processo administrativo fiscal que leve o contribuinte a ter dificuldades em compreender o fato que lhe foi imputado e, por conseguinte, elaborar uma defesa sólida, deve culminar na nulidade de todo o procedimento. Alega, no caso em tela, o Auto de Infração não preenche os requisitos legais indispensáveis à sua validade. Assevera, a autuação versa sobre suposta falta de recolhimento dos tributos lançados, em razão de supostas vendas de mercadorias a determinado contribuinte. Entretanto, a verdade é que não foi dado à Impugnante o conhecimento sobre as informações que teriam sido prestadas ao Fisco pela suposta adquirente de mercadorias. III.2 – Da Ofensa ao art. 142 do CTN: Não Identificação da Efetiva Ocorrência do Fato Gerador e da Matéria Tributável. Fl. 991DF CARF MF 10 Aduz, a teor do art. 142 do CTN, o Fisco deve identificar com exatidão a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável. Destaca, no nominado “Demonstrativo de Lançamentos de Liquidação de Compras do Contribuinte” (anexo ao auto de infração), não há um registro sequer que comprove a efetiva entrada de recursos financeiros no caixa da Impugnante. Os “pagamentos” teriam sido realizados através de “encontro de contas”, ou não o foram porque lançados em “conta a receber” ou em conta “transitória de fornecedor”? Sustenta, não é crível que a Impugnante tenha trabalhado por dois anos (2007 e 2008) fornecendo mercadorias à adquirente sem tenha efetivamente recebido um centavo sequer, tendo recebido em troca meros lançamentos contábeis. Defende, isso quer dizer que o Fisco se valeu de dados não confiáveis e da presunção de que seriam corretas as informações prestadas por terceiros para apuração da ocorrência de fatos geradores e das bases de calculo, em detrimento da declaração fornecida pela Impugnante de que, nos exercícios de 2007 e 2008, teve receita bastante e suficiente para que seu lucro fosse apurado de forma presumida. III.3 – Da Inaplicabilidade das Multas da Forma Pretendida Pelo Fisco: Infringência aos Princípios da Vedação ao Confisco e da Capacidade Contributiva. Diz, data venia, mesmo havendo previsão legal, ditas sanções caracterizam a negação do princípio milenar da gradação da penalidade, isto é, a penalidade deve ser medida, levandose sempre em conta, a natureza e as circunstâncias da falta cometida. Alega, substancialmente, a multa no percentual de 150% do valor da operação tem efeito confiscatório; e, segundo preceito constitucional, a autoridade administrativa deve respeitar o princípio da capacidade contributiva quando da apuração e exigência de tributos e contribuições. III.4 – Da Infringência ao Princípio da Proporcionalidade/Razoabilidade. Combate a exigência da multa isolada, porque é excessivamente onerosa, desproporcional e, portanto, flagrantemente ofensiva aos princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade. Sustenta, a penalidade não pode se transformar, em termos econômicos, na fonte principal de arrecadação, substituindo neste objetivo a obrigação principal, que é o pagamento do tributo. Dessa forma, na hipótese de não prevalecer a improcedência do AI, requer supressão da multa ou sua redução para o patamar mínimo. IV. DO PEDIDO. Fl. 992DF CARF MF Processo nº 13603.720145/201225 Acórdão n.º 1302002.375 S1C3T2 Fl. 7 11 Requer seja julgada procedente a presente impugnação para cancelar o lançamento ou que seja reduzida a multa ao seu patamar mínimo, dado que, além de ser ofensiva ao princípio da proporcionalidade e razoabilidade, foi majorada sem que estivessem presentes os requisitos legais da fraude ou da sonegação. Da mesma forma, devidamente cientificadas, algumas das pessoas arroladas como responsáveis (Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Rosilene Bicalho, Maria Torres de Freitas Bicalho e Rogério Luiz Bicalho) pelos créditos lançados apresentaram, em conjunto, a peça impugnatória que foi mencionada no relatório do acórdão ora recorrido, consoante se destaca abaixo. II.3 – PRINCIPAIS PONTOS DAS DEFESAS APRESENTADAS PELAS PESSOA ARROLADAS COMO RESPONSÁVEIS PELO CRÉDITO LANÇADO (FLS. 776/786) I. TEMPESTIVIDADE. Ressaltam, inicialmente, a tempestividade da defesa apresentada. II. DA PRETENSÃO FAZENDÁRIA. Sintetizam os fatos da autuação. III. DO DIREITO. DA PRESUNÇÃO DA PERSISTÊNCIA DE SITUAÇÃO FÁTICA PRETÉRITA, OBJETO DE AÇÃO DE FISCALIZAÇÃO FINDA ANTES DO EXERCÍCIO A QUE SE REFERE O PRESENTE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, PARA FUNDAMENTAR A ATRIBUIÇÃO DA SUPOSTA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE TERCEIROS. Diz, para atribuir a suposta responsabilidade solidária a terceiros não componentes do quadro societário da Impugnante (Roseana, Rosilene, Maria Torres e Rogério), o Fisco busca se valer de conclusões a que teria chegado nos autos do Processo nº 13603.720076/200610, que ainda se encontra pendente de julgamento perante o CARF, de que haveria relação societária e financeira entre as citadas pessoas físicas e a Impugnante. Alega, no TVF, o Fisco atribuiu responsabilidade solidária às Impugnantes por mera remissão às suas próprias alegações constantes de outro procedimento fiscal relativo a fato outros ocorridos três anos antes dos que cuida o presente auto de infração e, se não bastasse, alegações estas que ainda encontramse sob julgamento no CARF. Destaca, há pelo menos quatro graves defeitos a macular com o vício da nulidade a pretensão de atribuição de responsabilidade solidária a terceiros, a saber: III.1 – Presunção de Existência de Grupos Econômico de que Seriam Proprietários as Impugnantes. Fl. 993DF CARF MF 12 (a) primeiro, a acusação da existência de grupo econômico e da participação ativa das pessoas físicas alçadas à condição de coobrigadas pelo suposto crédito tributário que ora é feita se dá por mera presunção, já que tem suporte em fatos ocorridos em período distinto e anterior (2002 a 2004) àquele de ocorrência dos fatos geradores )2007; Diz, valeuse o Fisco, por empréstimo, de diligências realizadas em ação de fiscalização realizada em 2006, sobre fatos ocorridos nos exercícios de 2002 a 2004, para, açodada e ilegalmente, concluir que no exercício de 2007 (posterior não só aos fatos objeto daquelas diligências, com posterior a elas mesmas) permanecia existindo a mesma situação fática que o levaria a apontar a existência de uma sociedade de fato à margem da sociedade de direito, que teria como participantes às pessoas físicas tidas como pessoalmente coobrigadas pelo crédito tributário objeto deste lançamento tributário. Salienta, não há, no extenso relatório que compõe o TVF, uma referência que seja a um fato que possa ter levado o Fisco à conclusão que, em 2007, houve “relação societária e financeira” entre as citadas pessoas físicas e a contribuinte, como aquela que ele atribuíra ter existido nos exercícios de 2002 a 2004. Arremata, tratase, a toda evidência, de ilegal atribuição de coresponsabilidade tributária fundada em mera presunção. III.2 – Não Indicação Especificada do Autor e do Ato Praticado em Contrariedade à Lei que faria surgir a Responsabilidade Pessoal pelo Crédito Tributário Prevista no Art. 135 do CTN. (b) segundo, é evidente a mácula os arts. 135 e 142 do CTN, que impõem ao Fisco que aponte o sujeito passivo da obrigação tributária, explicitando o porquê de sua eleição, mormente quando se trata de atribuição de responsabilidade pessoal, oportunidade em que deve ser objetivamente apontada a infração cometida por aquele a quem é atribuída a coobrigação. Alega, no caso, valendose do ilegal expediente acima descrito, o Fisco atribuiu responsabilidade às citadas pessoas físicas, sem que tenha apontado objetivamente o ato de infração à lei que teria sido praticado por cada uma delas. Defende, o simples inadimplemento da obrigação tributária (quando efetivamente identificado) não deve merecer a amplitude hostilizada, no âmago de se amoldar à realidade descrita no art. 135 do CTN. III.3 – Da Não Especificação da Autoria e Materialidade Resulta o Cerceamento do Direito de Defesa. (c) terceiro, da atribuição indiscriminada e generalizada da responsabilidade solidária pelo crédito tributário às pessoas físicas impugnantes resulta o cerceamento do seu direito de defesa, na medida em que não lhes é dada sequer a oportunidade Fl. 994DF CARF MF Processo nº 13603.720145/201225 Acórdão n.º 1302002.375 S1C3T2 Fl. 8 13 de saber qual delas teria praticado o ato considerado pelo Fisco como sendo contrário à lei ou ao estatuto social e qual teria sido esse ato capaz de colocálas na situação de coobrigadas pelo crédito tributário. Diz, nem mesmo que verídica fosse a afirmação do Fisco de que as Impugnantes eram as proprietárias de fato da sociedade contribuinte, nem mesmo assim seria possível a atribuição genérica e indiscriminada da responsabilidade tributária a todas elas. III.4 – Da Pendência de Recurso com Efeito Suspensivo no Julgamento do Processo Administrativo Fiscal nº 13603.720076/200610: Decisão de Primeira Instância não Definitiva Passível de Modificação. (d) quarto, o vício a macular a pretensão dáse pelo fato de o Fisco tomar principal, senão único, de sua pretensão de responsabilizar pessoalmente as Impugnantes pelo crédito tributário a decisão de primeira instância proferida pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora, consubstanciada no Acórdão nº 0916.758, que ainda encontrase pendente de recurso perante o CARF. IV. DO PEDIDO. Requer seja julgada procedente a presente impugnação para afastar a pretensão de atribuição de responsabilidade solidária e pessoal pelo crédito tributário exigido da sociedade contribuintes. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (2ª Turma/ DRJ/Belo Horizonte/MG) negou provimento às impugnações (da pessoa jurídica e dos responsáveis solidários) em decisão proferida no venerando, Acórdão nº 0241.213 , de 27 de novembro de 2012, assim ementado (fls.831/832): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento, inclusive tendo sido amplamente garantida a ampla defesa do sujeito passivo e demais pessoas arroladas como responsáveis pelo credito tributário lançado. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Fl. 995DF CARF MF 14 As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelo crédito correspondente às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado nos autos que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. JUROS DE MORA. Conforme expressa previsão legal, incidem juros de mora sobre todos os débitos tributários de competência da União relativos aos impostos, contribuições e multas, calculados pela Taxa Selic. A Turma Julgadora de 1ª instância manteve integralmente a exigência e confirmou como responsáveis, solidária e pessoalmente, pelo crédito tributário lançado, as pessoas arroladas como tal nos Termos de Sujeição Passiva Solidária. A decisão de 1ª instância foi remetida, por via postal, ao domicílio da contribuinte DISTRIBUIDORA PEQUI LTDA (fls. 863/864) mas fora devolvida ao remetente sem recebimento. Todavia, a contribuinte DISTRIBUIDORA PEQUI LTDA tomou ciência da referida decisão de 1ª instância, conforme o Aviso de Recebimento (AR), no escritório de seus advogados, em 21/12/2012, efl.873, e protocolizou Recurso Voluntário em 21/01/2013, e fls.874/885, no qual repisa, no essencial, os argumentos de defesa apresentados na impugnação, exceto em relação aos juros de mora dos quais não se insurge em sede recursal. A decisão de 1ª instância também fora remetida, por via postal, ao domicílio dos responsáveis tributários Wanderley Cardoso de Souza (fl. 865/866), Rogério Luiz Bicalho Fl. 996DF CARF MF Processo nº 13603.720145/201225 Acórdão n.º 1302002.375 S1C3T2 Fl. 9 15 (fl. 867 AR de 10/12/2012), Roseana de Fátima Bicalho Lourenço (fl. 868 AR de 06/12/2012), Maria Torres de Freitas Bicalho (fl. 870 AR de 06/12/2012), Rosilene Bicalho (fl. 870 AR de 06/12/2012) e Vanei Afonso de Souza (fls. 871/872). As correspondências enviadas aos responsáveis tributários Wanderley Cardoso de Souza e Vanei Afonso de Souza foram devolvidas ao remetente sem recebimento pelos destinatários. Em 03/01/2013 (SEDEX de efls.919/920), as Srªs MARIA TORRES DE FREITAS BICALHO, ROSEANA DE FÁTIMA BICALHO LOURENÇO e ROSILENE BICALHO, arroladas como responsáveis solidárias, conjuntamente apresentam Recurso Voluntário (efls.906/918), onde, igualmente, repisam, os argumentos de defesa anteriormente apresentados e contestam os argumentos da decisão, questionando unicamente as responsabilidades a elas atribuídas, para, ao final, requerer a exclusão das mesmas do pólo passivo da obrigação tributária. Não houve apresentação de Recurso Voluntário por parte do SR. ROGÉRIO LUIZ BICALHO, CPF 761.465.70630, embora tenha sido o mesmo cientificado da decisão de 1ª Instância, em 10/12/2012, conforme se comprova pelo o AR de e.fl.867. Pelos fundamentos expostos no Despacho de Saneamento de 28/12/2015, foram encaminhados os autos do presente processo à DRF/Contagem para: 1) em relação aos responsáveis tributários Wanderley Cardoso de Souza e Vanei Afonso de Souza, verificar a regularidade do endereçamento da correspondência inicial e, caso confirmado que a ciência por via postal foi improfícua, promover a ciência por edital, e, 2) dirigir intimação ao responsável tributário Rogério Luiz Bicalho para confirmação a interposição de recurso voluntário também em seu nome. Foram adotadas as providências acima, porém, expirado o prazo e não apresentada qualquer defesa pelos interessados, os autos foram restituídos a este Conselho para prosseguir o julgamento dos recursos apresentados por DISTRIBUIDORA PEQUI LTDA e as responsáveis: Srªs MARIA TORRES DE FREITAS BICALHO, ROSEANA DE FÁTIMA BICALHO LOURENÇO e ROSILENE BICALHO. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora Os recursos voluntários apresentados, são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Deles conheço. Tratamse de Recursos Voluntários interpostos pela contribuinte DISTRIBUIDORA PEQUI LTDA, CNPJ 03.743.779/000123 e por alguns dos RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS da “Família Bicalho” a seguir nominados:1)ROSEANA DE FÁTIMA BICALHO LOURENÇO, CPF 491.102.09620; 2) ROSILENE BICALHO, CPF 806.436.80659; 3) MARIA TORRES DE FREITAS BICALHO, CPF 023.781.97685. Fl. 997DF CARF MF 16 1. Do Recurso Voluntário da contribuinte DISTRIBUIDORA PEQUI LTDA. Da análise dos autos, constatase que em decorrência de auditoria fiscal realizada ao amparo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) 06.1.10.002011007930, efetuada com o objetivo de se verificar o cumprimento das obrigações tributárias referentes ao IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) e seus reflexos, relativamente aos anos calendário de 2007 a 2009, foi apurada omissão de receitas decorrentes de vendas realizadas à Belo Horizonte Refrigerantes Ltda., que deveriam compor as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS). No Termo de Verificação Fiscal o autuante informa que a contribuinte, em relação às DIPJ, encontravase omissa nas apresentações dos anos de 2007 e 2009 e para o período auditado a única declaração processada era a de número 1655943 do ano calendário de 2008, anexa a este processo, cuja forma de tributação deuse pelo lucro presumido, na qual não há qualquer valor declarado. E, ressalta que, também não foram entregues as DCTF dos anos em análise. Diante da omissão de receitas detectada por meio de circularização aos clientes da contribuinte, ressalta a fiscalização que, na verdade a Distribuidora Pequi Ltda estava obrigada à apuração do IRPJ e CSLL, além da entrega da DIPJ, sob a modalidade Lucro Real para apuração do imposto. Mas, acrescenta que, não tendo a fiscalizada cumprido os requisitos necessários à apuração de seus resultados pela sistemática do Lucro Real, por todos os motivos que expõe, ressaltando que a mesma não apresentou a escrituração contábil e fiscal de acordo com as normas vigentes, a única alternativa que restou ao Fisco foi o arbitramento do lucro relativo ao período compreendido entre janeiro de 2007 a dezembro de 2008. A Recorrente sob o fundamento de que o lançamento tributário é FUNDADO EM MERA PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITA, alega que, não realizou as imaginárias vendas, portanto, não tinha como comprovar seu registro em documentos e livros fiscais. Argúi que, o Fisco se valeu de dados não confiáveis e da mera presunção de omissão de receita, tomando como verdadeiras e corretas as informações prestadas por terceiros para a apuração de ocorrência de fatos geradores e da base de cálculo, em detrimento da declaração fornecida pela recorrente de que, nos exercícios de 2007 e 2008, teve receita bastante e suficiente para que seu lucro fosse determinado de forma presumida. Nos autos de infração, o autuante esclarece as circunstâncias ocasionadas pelo contribuinte que fundamentaram o arbitramento do lucro, verbis: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Já no Termo de Início e seus anexos, documento de fls. 3/70, foi solicitado ao contribuinte que comprovasse por meio de livros fiscais ou contábeis os registros das vendas efetuadas à empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, nos anos de 2007 e 2008, devidamente especificadas na planilha “VENDAS DO FORNECEDOR: DISTRIBUIDORA PEQUI Fl. 998DF CARF MF Processo nº 13603.720145/201225 Acórdão n.º 1302002.375 S1C3T2 Fl. 10 17 LTDA” (anexa ao Termo). No entanto, nada foi contraditado pela Recorrente, nada apresentando. As receitas tributadas nos autos de infração foram apuradas a partir dos dados em arquivos digitais fornecidos pela cliente do autuado, a empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda CNPJ 02.091715/000122, cujos demonstrativos encontramse anexos. Os detalhamentos da autuação encontramse narrados no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante de documento de autuação. A conclusão que se impõe é que, o contribuinte nos anos de 2007 e 2008 omitiu receitas de suas atividades que deveriam compor as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. A ação fiscal encontrase narrada no Termo de Verificação Fiscal TVF, cujas bases de cálculo apuradas foram devidamente explicadas e quantificadas nos demonstrativos de fls. 518/720 e em anexos aos respectivos autos de infração. Consoante explicado no TVF e em demonstrativos fiscais, a Fiscalização procedeu o arbitramento do lucro e determinou a receita bruta conhecida (base para apuração do lucro arbitrado) com base nas transações comerciais estabelecidas entre a Distribuidora Pequi Ltda e a empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, que contabilizou compras efetuadas na Distribuidora Pequi. Com efeito, segundo prescreve o art. 44 do CTN, o lucro, como base de cálculo do IRPJ, pode ser apurado pelo seu montante real, arbitrado ou presumido. Assim, ocorrido o fato gerador da obrigação tributária e na impossibilidade de apurarse o montante real ou presumido, o lucro, para efeito de tributação, deve ser arbitrado. Isso porque, à luz do art. 142 do mesmo CTN, o Fisco, ao constituir o crédito tributário pelo lançamento em atividade vinculada e obrigatória, está obrigado a determinar a matéria tributável e calcular o montante devido do imposto. Indubitavelmente, o contribuinte que não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais para apurar o IRPJ com base no lucro real, e, não houver optado pela tributação com base no lucro presumido, está sujeito à tributação com base no lucro arbitrado. Destarte, tratandose de empresa a ser tributada com base no Lucro Real, na falta de apresentação da escrituração contábil regular e na impossibilidade de apuração do lucro por essa modalidade, enseja a apuração dos tributos devidos com base nos critérios do Lucro Arbitrado, conforme disposto no artigo 530, inciso III do RIR/99, verbis: Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº9.430, de 1996, art. 1º): ... IIIo contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; ... Fl. 999DF CARF MF 18 No sentido de afastar a pretensão da Recorrente, a decisão de 1ª instância o faz com escora nos seguintes fundamentos que também adoto como razão de decidir: Diante da legislação citada, os motivos narrados tanto na descrição dos fatos como no TVF são mais do que suficientes para garantir a legalidade do arbitramento do lucro levado a cabo pelo Fisco. Como ressalta o Fisco, a DIPJ do ano calendário de 2008, foi entregue sob a forma do lucro presumido apenas para cumprir obrigação acessória, tendo sido informado apenas os dados cadastrais, pois as demais fichas de apuração do IRPJ e CSLL ficaram em branco. No entanto, conforme levantamento feito, somente no ano de 2007 a receita bruta do contribuinte foi de, aproximadamente, 132 milhões de reais, que ultrapassa em muito o teto legal para essa opção de 24 milhões de reais. Ocorre que na verdade a Distribuidora Pequi estava obrigada à determinação do lucro real. Então, na tentativa de apurálo, o Fisco intimou o contribuinte a apresentar os livros e documentos de sua escrituração. Entretanto, tais documentos não foram entregues. Assim, a ausência de escrituração na forma da lei e a falta de apresentação ao Fisco dos livros e documentos da escrituração comercial ou fiscal constituemse em hipóteses legais que autorizam o arbitramento do lucro. Por sua vez, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL foi considerada a partir da receita bruta conhecida, que no caso corresponde à omissão de receitas levantadas pelas notas fiscais de revenda de mercadorias emitidas, devidamente especificadas na planilha “VENDAS DO FORNECEDOR: DISTRIBUIDORA PEQUI LTDA” (anexa ao Termo de Início). Salientese que a omissão de receitas repercute na exigência da CSLL, consoante o estabelecido no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. No procedimento fiscal, restou evidenciado que o contribuinte relegou a segundo plano as suas obrigações fiscais, tornandose inadimplente no tocante ao cumprimento de suas obrigações tributárias. Por tais motivos, a tributação com base no lucro arbitrado se fez ao amparo da lei. Nesse passo, resta mantida a decisão recorrida. Multa Qualificada Conforme relatado, nos autos de infração fora aplicada a multa por infração qualificada sob o entendimento de que restou comprovado o evidente intuito de fraude. A Recorrente alega que a multa aplicada de 150% fere OS PRINCÍPIOS DA VEDAÇÃO AO CONFISCO E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA bem como os PRINCIPIO DA PROPORCIONALIDADE/RAZOABILIDADE. Os fatos que dizem respeito à infração fiscal e aplicação da multa qualificada de 150% constam do Termo de Verificação Fiscal, do qual se extrai os seguintes excertos: Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 13603.720145/201225 Acórdão n.º 1302002.375 S1C3T2 Fl. 11 19 6. Do Lançamento de Ofício. Ante o exposto, a fiscalização procedeu ao lançamento de oficio do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, devidos nos anos de 2007 e 2008 com a aplicação da multa percentual de 150%, conforme determinam os artigos 841 e 957 do RIR/99 e artigo 71 da Lei n° 4.502, de 1964, abaixo reproduzidos: (...) A conduta do contribuinte ao omitir, sistematicamente, os seus resultados econômicos e patrimoniais, pela não entrega das DIPJ, DCTF e DACON, ou na prestação de informações incorretas na DIPJ entregue à RPB, conforme descrito nos itens anteriores ... 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS Concluise, portanto, que nos anos de 2007 e 2008 a empresa omitiu receitas que deveriam compor as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS). Como o contribuinte não apresentou a escrituração contábil e fiscal de acordo com as normas vigentes, efetuamos os cálculos dos impostos e contribuições devidos com base nas informações obtidas de terceiros, neste caso a Belo Horizonte Refrigerantes Ltda CNPJ 02.091.715/000122, empresa que é do próprio grupo econômico da Distribuidora Pequi Ltda. Restaram ainda comprovados: a entrega de declaração de conteúdo falso à RFB, omissão de entrega de declarações e o uso de interpostas pessoas nos atos constitutivos ... ... O sujeito passivo, ao declarar valores em branco ou nada declarar, agiu de modo a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que a autuada incorreu na conduta descrita como sonegação fiscal, cuja definição decorre do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. A omissão de expressiva e vultosa quantia de rendimentos não oferecidos à tributação demonstra a manifesta intenção dolosa do agente, tipificando a infração tributária como sonegação fiscal. E, em havendo infração, cabível a imposição de caráter punitivo, pelo que pertinente a aplicação da penalidade inscrita no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44, inciso I e §1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as /seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 1001DF CARF MF 20 (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” [...] Conforme se observa, nos termos do parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, como previsto nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. As multas de ofício aplicadas foram qualificadas, no percentual de 150%, com base no art. 957, II, do RIR/1999 (cuja matriz legal é o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996), porque a Fiscalização entendeu que a conduta do contribuinte, notadamente, pela entrega de declaração de conteúdo falso à RFB, omissão de entrega de declarações e o uso de interpostas pessoas nos atos constitutivos, bem como a ocultação de sua escrituração contábil e fiscal, caracterizou a sonegação como definido na Lei nº 4.502, de 1964, arts. 71 e necessário à qualificação da multa. Com efeito, a sonegação se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, ou retardar uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de sonegação seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios escamoteiase ocorrência do fato gerador ou retardase o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 13603.720145/201225 Acórdão n.º 1302002.375 S1C3T2 Fl. 12 21 Assim, constatada a sonegação e dolo, correto o lançamento da multa qualificada de 150%. No que tange ao aspecto confiscatório da multa, alegado pela Recorrente e ofensa aos princípios da razoabilidade/proporcionalidade e da capacidade contributiva, a exigência decorre de expressa disposição legal, não cabendo a esse órgão do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 desse E.Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária LANÇAMENTOS REFLEXOS – CSLL. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Da Responsabilidade Tributária Responsáveis Solidários: Pessoas Físicas. Conforme relatado, grande parte do procedimento fiscal foi direcionado à comprovação da existência de um mesmo grupo econômico, que agiria por trás de interpostas pessoas no comando de diversas empresas do ramo de bebidas, inclusive a autuada, conforme operações descritas nos processos administrativos nº 13603.720076/200610, transitado em julgado no CARF e 13609.720025/200620, julgado no CARF (Distribuidora Pequi Ltda., Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, respectivamente) relativos aos anos calendário de 2002 a 2004. Foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária de nºs 003 a 008 (documentos de fls. 441/452), com fulcro nos arts. 124, I, e 135 do CTN, nos quais foram arrolados como responsáveis, solidária e pessoalmente, pelo crédito tributário lançado os Srs.VANEI AFONSO DE SOUZA e WANDERLEY CARDOSO DE SOUZA, bem como os seguintes membros da “família Bicalho”, ROSEANA DE FÁTIMA BICALHO LOURENÇO, ROSILENE BICALHO, MARIA TORRES DE FREITAS BICALHO e ROGÉRIO LUIZ BICALHO, por entender a fiscalização que essas pessoas possuem comunhão de interesses, e, na verdade, eram os verdadeiros proprietários do que chamou de "Grupo Del Rey", grupo econômico este formado principalmente pelas empresas Distribuidora Pequi Ltda., Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, e Maxdrink Empreendimentos e Participações Ltda. Apresentaram Recurso Voluntário (único) as responsáveis: Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Rosilene Bicalho e Maria Torres de Freitas Bicalho. Lembram que, em suas impugnações, alegaram em síntese que, valendose de açodadas e ainda não confirmadas conclusões a que chegara nos autos do PAF 13603.720076/200610, ainda pendente de recurso perante o CARF, que se referia a supostos fatos geradores ocorridos entre os anos de 2002 e 2004, sem têlas confrontado com a realidade existente ao tempo dos fatos a que se refere o presente PAF, qual seja, os anoscalendário 2007 e 2008, o Fisco atribuirlhes suposta responsabilidade tributária valendose: (i) da presunção da existência de grupo econômico de que as impugnantes seriam partes; e, (ii) da não identificação especificada da autoria e materialidade do ato contrário à lei que faria surgir a Fl. 1003DF CARF MF 22 responsabilidade pessoal de cada uma das impugnantes, de que resultou a sua atribuição indiscriminada e o cerceamento de seu direito de defesa. Argúem na peça recursal que: Da leitura da decisão recorrida sobressai a afirmação de que seria legítima a presunção do Fisco de que a existência de uma suposta sociedade de fato constituída pela "família Bicalho" (sic), que teria sido apurada nos autos do PAF n° 13603.720076/200610 , relativo aos exercícios de 2002 a 2004, perdurava nos exercícios de 2007 e 2008, em virtude da existência de identidade de objeto entre aquela ação fiscal e esta, notadamente no que toca a atribuição de responsabilidade tributária às impugnantes. Nada mais equivocado. E que o objeto das ações fiscais não é a atribuição da responsabilidade tributária, mas sim o lançamento do crédito tributário sem o qual não se há falar em responsabilidade quem quer que seja. E em se tratando de crédito tributário relativo a exercícios distintos e separados entre si por três anos, apurados em ações de fiscalização distintas, não se há falar em identidade de objeto. Os objetos de uma e outra ação fiscal são distintos e inconfundíveis e cabia ao Fisco apurar a efetiva participação das impugnantes no tal esquema destinado a fraudar a lei fiscal. Acontece que não há no TVF qualquer menção mínima que seja a atos que tenham sido praticados por quaisquer das impugnantes nos exercícios der 2007 e 2008, que sejam indícios mínimos de sua participação no suposto esquema de sonegação. Quanto à questão da atribuição de responsabilidade solidária, vale reproduzir os seguintes termos da decisão recorrida: Não se pode perder de vista que a presente ação fiscal não é senão uma continuidade do processo investigativo que compreende também o processo administrativo fiscal de nº 13603.720076/200610, cujas provas nele produzidas não se perderam, na medida em que houve a continuidade de práticas ilícitas. Nesse sentido, no Relatório Fiscal ou TVF, a Fiscalização relata por que atribuiu também a responsabilidade pelos impostos e contribuições devidos às pessoas arroladas como tal, salientado que: a) o quadro societário apresentado, tanto pelo CNPJ quanto pelas informações das DIPJ e as próprias alterações contratuais não retratam a veracidade dos fatos; os Senhores Valdez, Vanei e Wanderley atuam ou atuaram na empresa apenas como pessoas interpostas; b) o Sr. Valdez não apresentou DIRPF para o anocalendário de 2007; para 2008, não declarou rendimentos tributáveis de pessoa jurídica, informando ter recebido R$17.400,00 de pessoas físicas; informou que é sócio da empresa Maxdrink Empreendimentos e Participações Ltda, não fazendo qualquer referência à Distribuidora Pequi Ltda; no de 2009, declarou suas informações fiscais com as mesmas características de 2008 e seu rendimento foi de R$18.800,00; em 2010, sequer declarou rendimentos; notese que além dos baixíssimos rendimentos inversamente proporcionais às vendas da Distribuidora Pequi Ltda (receita, 133 milhões de reais em 2007 e 78 milhões em Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 13603.720145/201225 Acórdão n.º 1302002.375 S1C3T2 Fl. 13 23 2008) da qual atua como sócio, sequer informou qualquer participação societária nesta empresa; c) quanto ao Sr. Vanei, a situação fiscal não é muito diferente; seus baixos rendimentos declarados como recebidos de pessoas físicas não comunicam com os vultosos recursos financeiros das vendas da Distribuidora Pequi Ltda à empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda; no anocalendário de 2010 declarou ter recebido rendimentos da Distribuidora Pequi e da Maxdrink Empreendimentos e Participações Ltda; na ficha de bens e direitos, informou ter participação societária somente na empresa Distribuidora Wandel – CNPJ 04.616.545/000188, no valor de R$15.000,00; nos de 2008 e 2009, declara ter recebido rendimentos de pessoas físicas, não informando qualquer participação societária na empresa Distribuidora Pequi; para 2007, não há entrega de declaração; d) o Sr. Wanderley apresentou suas declarações de informações fiscais com a indicação de sua participação societária na Distribuidora Pequi Ltda; seus rendimentos, assim como dos demais sócios da empresa, são inversamente proporcionais aos vultosos valores de receitas verificados em 2007 e 2008 da Distribuidora Pequi; seus ganhos, quando declarados, são oriundos de pagamentos de pessoas físicas, ao contrário do que é de se esperar de proprietários de fato de empresas onde as origens de seus rendimentos provêm basicamente das retiradas prólabore e das parcelas do lucro distribuídos; e) em novembro de 2006, em outro auto de infração, ficou comprovada a relação societária e financeira existente entre este contribuinte e membros da “família Bicalho”: ROSEANA DE FÁTIMA BICALHO LOURENÇO, ROSILENE BICALHO, MARIA TORRES DE FREITAS BICALHO e ROGÉRIO LUIZ BICALHO; naquele auto de infração, ficou demonstrado, além da interposição de pessoas, a relação direta entre este contribuinte e a Belo Horizonte Refrigerantes Ltda; as estreitas ligações comerciais, o conluio de interesses e a participação societária comum deixaram evidente a existência do grupo econômico que naquele ato chamouse de “Grupo Del Rey”; f) à época dos fatos, a Distribuidora Pequi Ltda foi identificada como parte de um esquema de sonegação fiscal onde suas operações serviram para encobrir fatos geradores de impostos e contribuições, assumir dívidas sem lastro em seu patrimônio, gerar créditos em benefício do grupo, utilizarse de recursos não contabilizados e manter à margem de qualquer controle fiscal ou contábil todas as suas operações, uma vez que nenhum de seus livros de sua escrituração obrigatória havia sido apresentada à Fiscalização; g) e uma vez que a situação societária não foi alterada na Junta Comercial e também na RFB, mantémse a responsabilidade da “família Bicalho”. Como se vê, é notória a falta de capacidade econômica ou financeira dos sócios formais da Distribuidora Pequi Ltda para Fl. 1005DF CARF MF 24 estar à frente do empreendimento ou dos negócios realizados por esta empresa. Não se pode, pois, deixar de dar razão à assertiva do Fisco no sentido que “os Senhores Valdez, Vanei e Wanderley atuam ou atuaram na empresa apenas como pessoas interpostas”. A falta de capacidade econômica ou financeira dos sócios formais que se constituem em interpostas pessoas é fato devidamente comprovado tanto no presente processo quanto no outro. O que se percebe foi que os verdadeiros donos do empreendimento valeramse de interpostas pessoas, ficando à margem dos atos formais de constituição da pessoa jurídica, como forma de encobrir o esquema montado com propósitos ilícitos, notadamente, no intuito de fraudar a legislação fiscal. Como citado pelo Fisco, já no processo administrativo fiscal de nº 13603.720076/200610, que abriga autos de infração lavrados contra a Distribuidora Pequi Ltda, referentes ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para os períodos de 2002 a 2004, cuja lide nele posta foi apreciada pelo Acórdão 0916.758 – 1ª Turma da DRJ/JFA (trechos substanciais deste acórdão que apreciam a questão da responsabilidade tributária foram transcritos no TVF), restou soberbamente evidenciada a responsabilidade tributária dessas mesmas pessoas físicas arroladas no presente processo. Por oportuno, acerca da referência contida na defesa de que”valeuse o Fisco, por empréstimo, de diligências realizadas em ação de fiscalização realizada em 2006”, digase que a prova emprestada, ainda que não expressamente elencada no art. 212 do Código Civil, é legítima e admitida tanto pela doutrina como pela jurisprudência, obedecidos os seguintes requisitos: (i) identidade de partes, (ii) identidade de objeto da lide, (iii) observância do contraditório na colheita da prova e (iv) licitude da prova produzida. No caso, todos esses requisitos encontram se presentes. Ocorre que entre aquele processo e o presente: (a) há nítida identidade de partes, tanto do sujeito passivo, Distribuidora Pequi Ltda, como das pessoas físicas arroladas como responsáveis pelos correspondentes créditos tributários lançados; (b) de objeto da lide, notadamente, quando se considera a questão da imputação de responsabilidade tributária, cujos fatos apurados indicam, ainda hoje, a formação de sociedade de fato e grupo econômico, no intuito de fraudar à lei fiscal; (c) as provas produzidas naquele processo o foram em estrita observância ao contraditório, já que efetuadas diligências, lavrados termos, feitas as intimações de praxe aos interessados e envolvidos e, formalizada a exigência, todos acusados dos ilicítos fiscais tipificados naquele lançamento foram chamados para defenderse; (d) e, por último, tais provas foram obtidas de forma legítima e licita, pois produzidas sem qualquer violação às normas de direito material vigentes e havia um procedimento regular de fiscalização devidamente instaurado, à luz dos atos legais e normativos pertinentes. Outrossim, as provas colhidas naquela ação fiscal estão entre os meios moralmente legítimos que o CPC, no seu art. 332, Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 13603.720145/201225 Acórdão n.º 1302002.375 S1C3T2 Fl. 14 25 “declara hábeis para provar a verdade dos fatos”. Diante disso, elas podem servir de elemento de convicção, na medida em que legítimas e lícitas. Nesse sentido, os membros da “família Bicalho” e as empresas, Distribuidora Pequi Ltda, Belo Horizonte Refrigerantes Ltda e Maxdrink Empreendimentos e Participações Ltda, configuramse como os verdadeiros sócios do empreendimento, formando sociedade de fato ou grupo econômico (denominado naquela ação fiscal como “Grupo Del Rey”). Tal grupo tinha interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos ora lançados, pois conjugavam esforços para benficiaremse mutuamente do lucro ou das receitas auferidos, indevidamente subtraídos da tributação cabível. Entre aquela ação fiscal, encerrada em novembro de 2006, para fatos geradores de 2002 a 2004, e a presente, encerrada em janeiro de 2012, para os períodos de 2007 e 2008, houve a continuidade deste mesmo esquema. O Fisco apontou, nesse sentido, um forte indício, qual seja, “a situação societária não foi alterada na Junta Comercial e também na RFB, mantémse a responsabilidade da “família Bicalho”” (Grifos acrescentados). Ou seja, o esquema foi mantido com as mesmas interpostas pessoas, o que denota a total falta de preocupação dos verdadeiros donos do empreendimento tocado pela Distribuidora Pequi Ltda em, pelo menos, regularizar a situação societária da empresa. Assim, à luz do art. 124, I, e 135, ambos do CTN, foi dado enfoque à responsabilidade pessoal e solidária das pessoas físicas arroladas nos já citados Termos de Sujeição Passiva Solidária. ... De fato, no TVF, o autuante transcreve operações descritas nos processos administrativos nº 13603.720076/200610, transitado em julgado no CARF e 13609.720025/200620, julgado no CARF (Distribuidora Pequi Ltda., Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, respectivamente) relativos aos anos calendário de 2002 a 2004. Apesar de a Fiscalização afirmar que entre aquela ação fiscal, encerrada em novembro de 2006, para fatos geradores de 2002 a 2004, e a presente, encerrada em janeiro de 2012, para os períodos de 2007 e 2008, houve a continuidade do mesmo esquema com as mesmas interpostas pessoas, não apresenta nos autos, operações/fatos que demonstrem a responsabilidade pessoal e solidária decorrente de ato ilícito praticado pelas pessoas físicas, ora Recorrentes: ROSEANA DE FÁTIMA BICALHO LOURENÇO, ROSILENE BICALHO, MARIA TORRES DE FREITAS BICALHO, relativos aos períodos de apuração de 2007 e 2008. O artigo 135 do Código Tributário Nacional, assim dispõe: Fl. 1007DF CARF MF 26 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Sobre o inciso III do art.135 do CTN, a Fazenda Pública Federal já se manifestou acerca do tema, conforme consta no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, que ora se reproduz excertos de sua conclusão: VII CONCLUSÃO 106. Em resumo, alinhamos aqui os fundamentos e as conclusões do presente Parecer: a) A responsabilidade do dito “sóciogerente”, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de “gerente” (administrador), e não da sua condição de sócio; b) A responsabilidade do administrador, por força do art.135 do CTN, na linha da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito; [...] d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador; [...] j) A jurisprudência do STJ aponta para a responsabilidade solidária, inclusive em precedentes desfavoráveis à Fazenda Nacional, em que se afirma que o “sóciogerente” só pode ser responsabilizado solidariamente se detiver poderes de gerência e se tiver praticado ato ilícito no exercício dessa gerência, na forma do art.135, III, do CTN; [...] u) Sendo solidária a responsabilidade decorrente de ato ilícito praticado pelo administrador, este, uma vez atestada administrativamente sua responsabilidade, está sujeito a todos instrumentos de proteção do crédito tributário, como o arrolamento de bens e direitos, a inscrição no CADIN e a medida cautelar fiscal, estando, sujeito, outrossim, à negativa de expedição de Certidão Negativa de Débito. 107. Por fim, ressaltamos que nossas conclusões aplicamse exclusivamente ao regramento ordinário do art.135, III, do CTN, não alcançando, portanto, regras especiais previstas na Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 13603.720145/201225 Acórdão n.º 1302002.375 S1C3T2 Fl. 15 27 legislação que responsabilizam com mais rigor os sócios ou os administradores das pessoas jurídicas. Na obra Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002, de Maria Rita Ferragut, temse: 5.9 Da Imprescindibilidade do dolo ... A existência de uma infração é condição necessária ao desencadeamento da responsabilidade do administrador, mas não suficiente. Para que identifiquemos o fato típico e antijurídico previsto no artigo 135, a conduta do agente deve ser necessariamente dolosa. O elemento subjetivo, aqui, significa que a responsabilidade nasce somente se o administrador agir intencionalmente, com o animus de praticar a conduta típica, mesmo sabendo que o ordenamento jurídico proíbe tal comportamento. Por outro lado, não consideramos que a culpa seja elemento suficiente para a caracterização do tipo. A conclusão que não acatamos só poderia ser construída a partir do entendimento de que, como a norma não dispõe expressamente sobre a necessidade do dolo, a culpa já seria suficiente para ensejar a responsabilidade do administrador, entendimento esse fundado, ademais, na supremacia do interesse público. Nada mais equivocado. A separação das personalidades e a necessidade de gerir sociedades economicamente estáveis e instáveis, somadas ao direito constitucional à propriedade e ao princípio da nãoutilização do tributo com efeitos confiscatórios, vedam que um administrador seja responsável por ato não doloso. A intenção de fraudar, de agir de máfé e de prejudicar terceiros é fundamental. [...] Assim, para que reconheçamos a recepção do artigo 135 pela ordem constitucional de 1988, é indispensável a aplicação de seu preceito em fiel harmonia com a necessidade da presença da conduta dolosa, de modo que a responsabilidade pessoal não atinja senão aqueles que cometeram dolosamente o ilícito típico. Por fim, a prática dolosa impõe o reconhecimento de que o administrador tinha opção entre praticar ou não a infração. Se a opção de evitála inexistia, a pessoa não poderá ser considerada responsável, pois lhe faltava o animus, em que pese o resultado de seu ato. A única exceção é se o administrador provocou intencionalmente a impossibilidade da opção, a fim de, em última análise, beneficiarse do ilícito e, ao mesmo tempo, afastar a sua responsabilidade. Enfim, não há prova nos presentes autos que as recorrentes eram de fato, administradoras da Autuada, e, com a atribuição de administração dos negócios sociais, com Fl. 1009DF CARF MF 28 interesse comum nos resultados da empresa fiscalizada, de forma a impedir o conhecimento por parte da Fazenda Pública Federal de suas reais receitas tributáveis. Portanto, incorreta a aplicação do artigo 135,III, c/c o artigo 124, I do CTN, para se reconhecer, inequivocamente, a aplicabilidade da responsabilidade solidária às Recorrentes: ROSEANA DE FÁTIMA BICALHO LOURENÇO, ROSILENE BICALHO, MARIA TORRES DE FREITAS BICALHO, sobre o objeto da autuação fiscal neste processo. O autuante descreve fatos que repercutem no arbitramento do lucro, a constatação de omissão de receitas da autuada conforme o item 4 do Termo de Verificação Fiscal, mas em nada configura a responsabilidade tributária das pessoas físicas arroladas como responsáveis solidárias, mormente quando se verificou que os fatos dados como fundamento ao lançamento de ofício, e sua tributação se deu por arbitramento do lucro, em virtude de receitas apuradas pelo Fisco decorrentes de vendas à empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, a partir das notas fiscais de saída emitidas pelo sujeito passivo. Assim, não caracterizada que a sujeição passiva solidária deuse em função da constatação de interesse comum entre a fiscalizada e as pessoas físicas ditas sócias de fato, deve ser afastada a imputação de sujeição passiva solidária às recorrentes. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntária da pessoa jurídica autuada e DAR provimento ao recursos voluntário apresentado pelas responsáveis (Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Rosilene Bicalho e Maria Torres de Freitas Bicalho), para afastar a responsabilidade tributária dessas pessoas físicas recorrentes. ( assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 1010DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000318/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/10/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 18 /2 00 8- 84 Fl. 853DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 854DF CARF MF Processo nº 19515.000318/200884 Acórdão n.º 2202004.274 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 855DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.004461/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE QUANDO APRECIADO EM SEGUNDA INSTÂNCIA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância
Numero da decisão: 2301-005.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para, dando efeitos infringentes ao julgamento anterior, não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 03/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Junior.
Nome do relator: Relator
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Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE QUANDO APRECIADO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para, dando efeitos infringentes ao julgamento anterior, não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 03/11/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 44 61 /2 00 7- 42 Fl. 1226DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Junior. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração da Fazenda Nacional opostos contra o Acórdão nº 2301005.068, proferido em 05/07/2017, pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2º Seção de Julgamento, que negou provimento ao recurso de ofício, nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2007 BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. A bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida com base na Lei n.º 8.958/94, não integra o saláriodecontribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária. RELAÇÃO DE EMPREGO. INEXISTÊNCIA DE PROVA CONCRETA E INEQUÍVOCA. Não há prova do vinculo empregatício existente entre as partes, haja vista, não restarem demonstrados os requisitos de subordinação e não eventualidade na concessão de bolsas de pesquisa, ensino e extensão, suas características básicas e essenciais. NULIDADE É nulo o lançamento fiscal que descreve os fatos de forma insuficiente, não prova as alegações, e compromete a garantia de liquidez e certeza do crédito previdenciário, incidindo em preterição ao direito de defesa". Diante da alteração do limite de alçada pela Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017para interposição de recurso de ofício pelo Presidente da Turma da Delegacia Regional de Julgamento e que o crédito tributário constante do processo nº 11516.004461/200742 é de R$ 1.039.016,49, o Conselheiro relator do Acórdão nº 2301 005.068 apresentou embargos para que seja analisada a questão do conhecimento do recurso de ofício à luz do limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 11516.004461/200742 Acórdão n.º 2301005.166 S2C3T1 Fl. 3 3 Os embargos são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. Vale lembrar que ao tempo do recurso de ofício da DRJ (30/04/2009), vigia a Portaria MF nº 3/08, que assim disciplinava o recurso de ofício: "Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo". Todavia, a referida Portaria foi revogada pela Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que assim dispôs sobre o recurso de ofício da DRJ "Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário." A Súmula CARF 103 estabelece que, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Considerando que o valor total do crédito tributário constante do processo nº 11516.004461/200742 é de R$ 1.039.016,49, valor este que é inferior ao definido no art. 1º da Portaria MF nº 63/17, o recurso de ofício não deveria ter sido conhecido, uma vez que tal recurso foi levado à sessão em 5 de julho de 2017. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; Fl. 1228DF CARF MF 4 III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. Dessa forma, o artigo 65 do RICARF determina que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, sendo que os embargos poderão ser interpostos inclusive pelo próprio relator conforme o artigo 65, §1º, I, do RICARF. Diante da omissão no Acórdão embargado sobre a questão do novo limite de alçada definido na Portaria MF nº 63/17, voto por acolher os embargos para, colmatando a omissão apontada, não conhecer do recurso de ofício uma vez que o crédito tributário discutido no presente processo administrativo é inferior ao limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, ficando a ementa assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE QUNADO APRECIADO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 1229DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.728246/2012-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO.
Acolhem-se os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão apontada pela embargante e ratificar a decisão embargada em seu inteiro teor e prolatada no Acórdão 1402-002.338, de 05 de outubro de 2016.
Numero da decisão: 1402-002.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão suscitada e re-ratificar o teor da decisão proferida no Acórdão 1402-002.338.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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DISPONIBILIZAÇÃO. Acolhemse os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão apontada pela embargante e ratificar a decisão embargada em seu inteiro teor e prolatada no Acórdão 1402002.338, de 05 de outubro de 2016. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão suscitada e reratificar o teor da decisão proferida no Acórdão 1402002.338. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 82 46 /2 01 2- 87 Fl. 1057DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada na sessão plenária de 05 de outubro de 2016 por esta Segunda Turma Ordinária desta Quarta Câmara da Primeira Seção que julgou recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, decidindo, mediante Acórdão nº 1402002.338, naquilo que é objeto dos presentes aclaratórios, por unanimidade de votos, negar provimento ao pleito formulado, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não configurada qualquer inovação no julgamento de 1º Piso e não tendo havido desobediência da Autoridade Fiscal em relação a atos administrativos, especialmente a IN (SRF) nº 213/2002, descabe falar se em nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. Para fim de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior são considerados disponibilizados para a controladora no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, regra aplicável inclusive aos casos em que os lucros tenham sido auferidos por controlada indireta situada em país diferente daquele com o qual o Brasil firmou tratado internacional. Lançamento procedente. Segundo Despacho de Admissibilidade (fls. 1046/1056) os embargos, seriam tempestivos, tendo sido protocolizados em 02/02/2017. Batese o embargante (fls. 927/944) contra a decisão recorrida alegando ter havido omissão e obscuridade no acórdão guerreado, sendo admitidos os ED apenas em relação ao primeiro reclamo (omissão), indeferindose o segundo. Conforme sintetizado pelo Despacho de Admissibilidade (fls. 1052/1053 e 1054) a omissão se revelaria a partir do momento em que o Acórdão embargado teria deixado de apreciar argumentação da embargante acerca da aplicação da IN nº 213/2002, especialmente art. 1º, § 6º. Vejase: “Pelo exame do recurso voluntário é possível verificarse que a então recorrente teceu argumentação no sentido de que, segundo o disposto no art. 1º, § 6º, da Instrução Normativa nº 213/2002, os resultados auferidos por controlada indireta residente no exterior deverão ser consolidados no balanço da controlada direta, também residente no exterior. Veja o que consta no recurso voluntário a respeito desse assunto (especificamente à efl. 631 e ss.). Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10880.728246/201287 Acórdão n.º 1402002.750 S1C4T2 Fl. 1.058 3 (...) Examinado o acórdão embargado verifico que, de fato, a Turma não enfrentou o mérito dos argumentos acima reproduzidos. Limitouse a negar preliminarmente o pedido feito pela recorrente no parágrafo nº 49 de seu recurso voluntário (acima reproduzido), nos seguintes termos (efl. 889): (...) Ocorre que o referido pedido teve como objeto a reforma da decisão da DRJ, e não a declaração de sua nulidade (o pedido de nulidade é relativo ao auto de infração). Isso posto, e como a argumentação expendida pela então recorrente nos parágrafos nos 21 a 49 de seu recurso voluntário poderia, em tese, levar a Turma a uma decisão diferente, entendo que restou demonstrada a omissão da Turma em relação a ponto sobre o qual deveria haver se pronunciado”. É o relatório. Fl. 1059DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator Como relatado, os embargos já foram alvo de admissão prévia e tidos como tempestivos na oportunidade (fls. 1046/1056). A possível omissão aventada pela embargante centrase em que o Acórdão sob embargo teria deixado de analisar argumentações tecidas sobre a aplicação da IN nº 213/2002, especificamente seu artigo 1º, § 6º, que assim dispõe: Art. 1º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitos à incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), na forma da legislação específica, observadas as disposições desta Instrução Normativa. (...) § 6º Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. Para melhor compreensão vejase os argumentos da embargante na peça de embargos (fls. 927/944) e no seu recurso voluntário apreciado à época (fls. 624/661), conforme sumarizado pelo Despacho de Admissibilidade: Argumentação nos ED: “A. DA OMISSÃO 23. Como atrás adiantado, nos termos do auto de infração e do Acórdão da DRJ, a tributação pretendida tem como fundamento exclusivo o art. 243, § 2º da Lei nº 6.404/76, que considera controladas as sociedades controladas direta ou indiretamente, donde conclui que o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01 também alcançaria os lucros de controladas indiretas (NAMISA EUROPE). 24. A EMBARGANTE demonstrou, em seu recurso voluntário, que a regulamentação trazida pela Instrução Normativa nº 213/02, aplicável à época dos fatos geradores, deixa claro que inexistia tributação individualizada dos lucros das controladas indiretas. Tanto é assim que esta sistemática apenas foi instituída em inovação da Lei nº 12.973/14, em seus artigos 76 e 77 caput. 25. Ao abrigo do art. 74 da Medida Provisória 2.158/01, no entanto, a tributação de resultados de controladas indiretas só é permitida por meio da consolidação ao nível da controlada direta, ex vi do § 6º do art. 1º da IN nº 213/02, segundo o qual: (...) Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10880.728246/201287 Acórdão n.º 1402002.750 S1C4T2 Fl. 1.059 5 26. Com efeito, o lançamento realizado diretamente sobre os lucros da controlada indireta (NAMISA EUROPA), per saltum da controlada direta (NAMISA INTERNATIONAL) na Espanha contraria o que dispõe a MP nº 2.15835/01 e a regulamentação da IN nº 213/02, ou seja, dos seus próprios resultados e dos por ela obtidos por intermédio de outras empresas em que participa. 27. Apenas esse resultado consolidado na controlada direta NAMISA INTERNATIONAL é que está sujeito à tributação no Brasil, sendo a ele aplicáveis as disposições do tratado com a Espanha que prevêem a impossibilidade de tributação diante do art. 7º (lucro das empresas) e do seu art. 23 que prevê a isenção de dividendos. 28. Ocorre, porém, que o Acórdão embargado se omite em relação a estes argumentos, em especial ao § 6º do art. 1º da IN nº 213/02 e à necessidade de consolidação dos lucros da controlada indireta (NAMISA EUROPE) na controlada direta (NAMISA INTERNACIONAL), na Espanha, limitandose a afirmar que o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01 não distingue controladas diretas e indiretas, mas apenas se refere genericamente à "controladora no Brasil", pelo que se aplicaria aos resultados auferidos pela controlada indireta NAMISA EUROPE, localizada na Ilha da Madeira. Vejase o que ficou consignado no voto do relator: (...) 29. Vêse, portanto, que o Acórdão embargado apenas tratou da interpretação dos termos do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158 35/01, sem considerar as regras e a distinção entre controladas diretas e indiretas estabelecidas pelo art. 1º, § 6º da IN nº 213/02, que regulamenta referido art. 74. 30. Dessa forma, cabe agora ao julgador, nos termos do art. 65 do RICARF, sanar esta omissão, manifestandose sobre os argumentos suscitados pela EMBARGANTE, notadamente a necessidade de consolidação na controlada direta (NAMISA INTERNATIONAL) dos resultados por ela obtidos por intermédio de outras empresas em que participa (NAMISA EUROPE), nos termos do § 6º do art. 1º da IN nº 213/02”. Argumentos no recurso voluntário: “(ii) A correta interpretação da sistemática legal pela IN nº 213/02 21. O v. acórdão recorrido argumentou, ainda, que a consolidação dos lucros da controlada indireta na controlada direta antes do oferecimento à tributação no Brasil, com base na IN RFB nº 213/2002, representaria contradição ao disposto no artigo 16, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. 22. Isso porque, de acordo com o entendimento do v. acórdão, a Lei nº 9.430/1996 determina que os lucros auferidos por filiais, sucursais e controladas no exterior devem ser considerados de forma individualizada, não havendo distinção quanto à participação direta ou indireta. Fl. 1061DF CARF MF 6 23. Ora, ao contrário do que alega o acórdão recorrido, não há qualquer incompatibilidade entre a IN RFB nº 213/2002 e a Lei nº 9.430/1996. O acórdão recorrido confunde a vedação da consolidação horizontal, prevista na Lei nº 9.430/1996 e no § 5º do art. 1º da IN RFB nº 213/2002, com a consolidação vertical prevista no artigo Lei nº 9.249/1995 e no § 6º do art. 1º da IN RFB nº 213/1996. 24. Os dois regimes coexistem: não pode haver a tributação no Brasil dos lucros auferidos por meio das controladas indiretas (consolidação vertical) e os lucros das controladas diretas devem ser apurados de forma individualizada não podendo haver compensação dos resultados das mesmas (consolidação horizontal). (...) 27. Esta forma de apuração dos lucros das controladas no exterior está prevista na Instrução Normativa nº 213/02, que regulamenta a sistemática de tributação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01 e do art. 25 da Lei nº 9.249/95, cujo § 6º do art. 1º dispõe que "os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil". (...) 32. Não é por outra razão que a Instrução Normativa nº 213/02 quando se refere aos resultados das controladas e coligadas indiretas emprega a expressão resultados auferidos por intermédio de outras pessoas jurídicas (§ 6º do art. 1º), reconhecendo que tais resultados não podem ser apurados diretamente pela pessoa jurídica no Brasil. (...) 49. Assim, como o órgão de lançamento e o julgador de 1º instância, no caso concreto, não obedeceram às determinações da IN nº 213/02, já que foi determinada a tributação direta no Brasil de resultados apurados por empresa no exterior em que há apenas controle indireto, deve a r. decisão recorrida reformada, a fim de que seja decretada a nulidade material absoluta das exigências fiscais formalizadas na presente autuação”. Em síntese, o que a embargante exprime é que não teriam sido apreciados seus argumentos acerca da aplicação da IN nº 213/2002, artigo 1º, § 6º (já antes reproduzido); mais ainda que, a decisão de 1ª Instância não teria “obedecido” às determinações da indigitada Instrução Normativa e deveria ser reformada. Pois bem, a respeito deste último tópico, como explicitamente salientado no Acórdão embargado, este Relator entendeu que o voto exprimido na DRJ foi parcimonioso e analisou, “detidamente, todos os argumentos, ponderações, pontos de vista e documentos presentes nos autos, apostos por uma ou outra parte e decidir, de acordo com as provas e as convicções de cada um dos membros do Colegiado a quo”. Mais ainda, que se o que lá foi decidido foi contrário ao pensamento da contribuinte, “não significa que tenha havido nulidade, mas, apenas, entendimento diverso ao pretendido pela defesa”. Em suma, a preliminar não foi acolhida. Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10880.728246/201287 Acórdão n.º 1402002.750 S1C4T2 Fl. 1.060 7 Antes de apreciar o mérito dos ED, impende sintetizar o quadro que se apresentava por ocasião dos lançamentos realizados pelo Fisco, conforme esclarecido no Acórdão embargado: “(...) Trazendo estas ponderações para o caso apreciado, inexistem quaisquer dúvidas de que o conglomerado formado pela NACIONAL MINÉRIOS (recorrente – empresa com sede no Brasil), pela NAMISA INTERNATIONAL (constituída sob as leis da Espanha) e pela NAMISA EUROPE LTD, sujeita à legislação da Ilha da Madeira, tem um só controle, uno e indissociável, exercido em linhagem vertical na qual a primeira domina 100% da participação da segunda que, por sua vez, é possuidora de 100% da terceira. Em outro dizer, a Nacional Minérios, brasileira, controla, DIRETAMENTE, a Namisa International (Espanha) porque dela detém a totalidade de suas quotas/ações e controla INDIRETAMENTE, a Namisa Europe (Ilha da Madeira), posto que dela igualmente arregimenta 100% da participação societária, no caso exercido este controle através de sua subsidiária integral na Espanha. (...) Concretamente, há uma direção e controle unificados, sólidos e personalizados entre as três sociedades, embora, claro, possam ter suas atividades cotidianas realizadas com razoável poder discricionário e independente, afinal, não faria sentido que qualquer decisão, por menor que fosse, se sujeitasse a todo um aparato hierárquico para ser tomada. Na verdade, nesta linhagem de concentração de capital e de poder decisório, na qual a participação societária é TOTAL (100% do Capital), já não se está apenas diante de simples conceitos e figuras de controladas e controladora (diretas ou indiretas, pouco importa), mas de VERDADEIRAS SUBSIDIÁRIAS INTEGRAIS. Este é a fotografia que se vê nos autos: 1) NACIONAL MINÉRIOS controla 2) NAMISA INTERNATIONAL que controla 3) NAMISA EUROPE. Ora, se 1 controla 2, que controla 3, ÓBVIO que 1 controla 3. Como na clássica equação matemática: Se A contém B e B contém C, então A contém C Resumindo, INDIRETAMENTE, a NAMISA EUROPE LTD, localizada na Ilha da Madeira, “dependência com tributação favorecida” à época dos fatos aqui tratados (2008), era CONTROLADA INTEGRALMENTE pela Nacional Minérios, empresa brasileira, ora recorrente, mesmo que por meio de sua outra controlada integral, a Namisa International (Espanha). Até porque, além de inexistir conceituação diferencial entre os dois tipos (controle direto ou indireto), a participação de 100% entre as companhias afasta qualquer possibilidade de que o controle possa ser difuso. Antes, é concentrado. Fl. 1063DF CARF MF 8 (...) Ou seja, a decisão tomada na Ilha da Madeira é fruto da decisão tomada na Espanha que a recebeu do Brasil, pelos mesmos controladores (ou seus prepostos). Nada mais natural e evidente. Portanto, a controladoria exercida pela recorrente sobre a Namisa Europe na Ilha da Madeira, direta ou indireta, como dito, pouco importa, é controle total e absoluto e dita as normas de procedimento daquela empresa, inclusive, no que interessa, acerca da distribuição ou disponilibilização de lucros. Em resumo, lucro da Namisa Europe (Ilha da Madeira), é lucro da Namisa International (Espanha) e, na ponta final, lucro da Nacional Minérios (Brasil)”. Estas ponderações conceituais foram feitas no Acórdão embargado justamente para dar suporte à decisão no sentido de que a tributação se dava em lucros obtidos por sociedade brasileira, lucros estes auferidos por meio de uma sua CONTROLADA INTEGRAL, localizada em “dependência com tributação favorecida – Ilha da Madeira”, ainda que realizada por via de uma outra CONTROLADA INTEGRAL, esta com sede na Espanha, país com o qual o Brasil mantém tratado específico. Por unanimidade, foram mantidos os lançamentos realizados pelo Fisco, ratificando a decisão de 1ª Instância. O reclamo da embargante é que deveria ser observado o § 6º, do artigo 1º, da IN 213/2002 que exprime: “Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil”. Para a embargante, em razão deste dispositivo, resultados de controladas e coligadas indiretas “não podem ser apurados diretamente pela pessoa jurídica no Brasil”, impondo sua “consolidação na controlada direta (NAMISA INTERNATIONAL) dos resultados por ela obtidos por intermédio de outras empresas em que participa (NAMISA EUROPE), nos termos do § 6º do art. 1º da IN nº 213/02”. Já o acórdão embargado sustentouse na legislação pertinente ao tema, como se vê no Ac. embargado (fls. 898): “Como antes estudado, o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, uniformizou o conceito de disponibilização dos lucros apurados no exterior para coligadas e controladas, considerandoos como disponibilizados para a empresa brasileira na data do balanço no qual forem apurados, seguindo o modelo previsto na Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, para as filiais e sucursais. Em suma, não há dúvidas de que a conjugação do artigo 25, da Lei nº 9.249, de 1995, com o artigo 74, da MP nº 2.15835/ 2001 estampa, de forma clara, hipótese de incidência de IRPJ e CSLL, quando presentes os pressupostos fáticos para tal”. Nessa linha, no entendimento do voto condutor, os lançamentos tiveram sustentáculo na legislação já citada e no artigo art. 16, da Lei nº 9.430/1996 (ver AI – fls. 456) que determina que “os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada”. Isto é, seguiramse os comandos legislativos do inciso I do art. 16 da Lei nº 9.430, Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10880.728246/201287 Acórdão n.º 1402002.750 S1C4T2 Fl. 1.061 9 de 1996 em comunhão com os incisos I e II do § 2º do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, e artigo 74, da MP nº 2.15835/2001. Assim, inexistem motivos para se questionar a validade dos lançamentos, ou pretender sua nulidade, já que não houve erro algum na indicação do critério material e quantitativo do fato gerador, tendo em vista que a autoridade fiscal pontificou corretamente toda a legislação aplicável à tributação de lucros auferidos por intermédio de controladas no exterior. Implica dizer que a discussão quanto a esse ponto reside apenas na forma de apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, isto é, envolve tão somente critérios matemáticos. E, neste aspecto, a leitura dos autos e de todos os documentos que o suportam mostram claramente que os valores tomados pelo Fisco para consecução dos lançamentos são IDÊNTICOS ao que estampa o balanço consolidado da controlada na Espanha (Namisa International), já incluindo os resultados da Namise Europe (Ilha da Madeira), EXATAMENTE COMO RECLAMA A EMBARGANTE. As informações e dados abaixo reproduzidos foram fornecidos pela própria recorrente com base em relatórios da auditoria externa da sociedade Fábregas/Mercadé – Auditores Consultores (fls. 288/345), valendo ver as seguintes peças (moeda = Euros): Ø Fls. 302: Ø Fls. 303: Ø Fls. 304: Fl. 1065DF CARF MF 10 Ø E na tradução juramentada (fls. 305): Finalmente, para não deixar nenhuma dúvida (Relatório dos Auditores – fls. 343): Atentese: são os “resultados consolidados” da Namisa International (Espanha) já com os resultados vindos a Namisa Europe (Ilha da Madeira), EXTAMENTE como pretendido pela embargante, sem que haja qualquer distorção, e por um motivo bem singelo: os lucros da controlada indireta da Ilha da Madeira formaram a única fonte de receita da sua controla Namisa Espanha (por sua vez controlada pela Nacional Minérios no Brasil que acabou, no final, por usufruir deste resultado). Tudo demonstrando, como já visto por ocasião do julgamento, que a controlada na Espanha não tinha finalidade alguma que não ser a receptora dos lucros da controlada na Ilha da Madeira e, ao albergue do Tratado BrasilEspanha, tentar deixar ao largo da tributação os resultados obtidos em “dependência com tributação favorecida – Ilha da Madeira”. De qualquer modo, o Fisco, ao elaborar o cálculo matemático que alimentou numericamente os lançamentos (mesmo que não tenha feito referência à IN nº 213/2002, art. 1º, § 6º) acabou por tomou LITERALMENTE tal valor já consolidado –, conforme expresso no TVF (fls.473): Em suma, ainda que o Acórdão embargado não tenha se referido – expressamente ao que suscita a embargante (IN e dispositivos já citados), restou claro que não só os aspectos formais e materiais dos lançamentos foram atendidos como os valores tomados estão em plena correspondência com o que consta nos autos (fornecidos, recordese, pela própria recorrente) e, mais ainda, atendem explicitamente ao questionamento feito pela embargante, posto que assumidos a partir da consolidação feita na Espanha dos resultados da Ilha da Madeira e, a partir daí, trazidos para tributação na empresa brasileira, procedimento em plena consonância com as normas vigentes e entendido como correto pelo Colegiado, de forma unânime, quando da prolação do Acórdão nº 1402002.338, objeto destes Embargos de Declaração. Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10880.728246/201287 Acórdão n.º 1402002.750 S1C4T2 Fl. 1.062 11 Na verdade, parece que a embargante estaria, no fundo, tentando rediscutir a matéria de mérito, ou seja, a validade dos lançamentos, o que pelas vias estreitas dos Embargos de Declaração se revelaria inadequado; se for este o caso, o meio mais apropriado, sem dúvidas, seria a interposição de Recurso Especial. Com essas ponderações, considero sanada a omissão suscitada. Concluindo, conheço dos Embargos de Declaração para, unicamente e sem efeitos infringentes, DARLHE PROVIMENTO visando suprir a omissão apontada pela embargante. No mais, ratificase a decisão embargada em seu inteiro teor. É como voto. Brasília (DF), 19 de setembro de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1067DF CARF MF
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