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Numero do processo: 11070.000465/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
Ementa:
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LEI n° 9.779/99 (ART.11). INFRAÇÕES APURADAS EM OUTRO PROCESSO. SALDO CREDOR ALTERADO DE OFÍCIO. Tratando-se o presente processo de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI fulcrado no artigo 11 da Lei no 9.779/99, cujo montante total pleiteado sofreu modificação para menos em decorrência de Auto de Infração lavrado contra a requerente por infrações apuradas em outro processo, a solução do litígio prende-se ao decidido para o lançamento face à estreita vinculação existente entre os processos. Mantida a autuação, em decisão administrativa definitiva, cabe negar provimento ao recurso relativo ao ressarcimento.
Numero da decisão: 3401-002.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 11/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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RESSARCIMENTO Recorrente KEPLER WEBER INDUSTRUAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LEI n° 9.779/99 (ART.11). INFRAÇÕES APURADAS EM OUTRO PROCESSO. SALDO CREDOR ALTERADO DE OFÍCIO. Tratandose o presente processo de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI fulcrado no artigo 11 da Lei no 9.779/99, cujo montante total pleiteado sofreu modificação para menos em decorrência de Auto de Infração lavrado contra a requerente por infrações apuradas em outro processo, a solução do litígio prendese ao decidido para o lançamento face à estreita vinculação existente entre os processos. Mantida a autuação, em decisão administrativa definitiva, cabe negar provimento ao recurso relativo ao ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e Relator. EDITADO EM: 11/02/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 04 65 /2 00 7- 38 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Em sessão de julgamento realizada em 23 de outubro de 2013 este recurso voluntário foi inicialmente examinado. Na ocasião, assim o relatou o então Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte: Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Kepler Weber Industrial S.A. contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA. O deferimento do pedido de perícia não se justifica se os elementos trazidos aos autos são suficientes para o deslinde da questão, sobretudo quando o pedido deixar de atender os requisitos legais para sua formalização. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LEI n° 9.779/99 (ART.11). INFRAÇÕES APURADAS EM OUTRO PROCESSO. SALDO CREDOR ALTERADO DE OFÍCIO. Tratandose o presente processo de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI fulcrado no artigo 11 da Lei no 9.779/99, cujo montante total pleiteado sofreu modificação para menos em decorrência de Auto de Infração lavrado contra a requerente por infrações apuradas em outro processo, a solução do litígio prendese ao decidido para o lançamento face à estreita vinculação existente entre os processos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade fls. 138/158, contra despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo/RS, fls.130/131, que reconheceu parcialmente direito ao ressarcimento ao crédito de IPI pleiteado no valor de R$ 613.122,75, autorizado pela Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, relativamente ao 1º trimestre de 2005, e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido no valor de R$ 66.866,29. A glosa no valor de R$ 546.256,46, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 80/84, é decorrente da reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, 92, pelas seguintes infrações: Fl. 275DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11070.000465/200738 Acórdão n.º 3401002.847 S3C4T1 Fl. 12 3 "Crédito indevido de IPI — Nota Fiscal de Devolução/Retorno de Produtos O contribuinte creditouse indevidamente do IPI, em relação as notas fiscais de entradas de produtos, sem que aqueles produtos tivessem efetivamente entrado no estabelecimento da empresa. As operações em que houve o creditamento indevido são: Devoluções e retornos de remessas referentes a vendas para entrega futura p/ refaturamento (CFOP 1.949, 2.949) Devoluções de produtos do estabelecimento p/ refaturamento (CFOP 1.201 ,2.201) Devolução de produto do estabelecimento (CFOP 2.949) Outras entradas (CFOP 2.949) Nestas operações não houve a efetiva entrada do produto no estabelecimento da empresa..." Tais infrações apuradas resultaram na reconstituição da escrita da contribuinte no período em apreço, cujo desfecho redundou em crédito tributário constituído de oficio Auto de Infração n° 11070.001443/200876, bem como na redução dos saldos credores relativos aos períodos de apuração que a requerente entende fazer jus para ressarcimento em conformidade com o disposto no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 1999. Em sua inconformidade sustentou, em resumo, que a glosa do crédito por entrada de mercadorias devolvidas e refaturadas não foi suficientemente motivada pela Autoridade Fiscal. Pugna pela aplicação dos artigos 164, 190, 191, 323, 359 e 378 do RIPI, não observados pela Autoridade Fiscal, e que no seu entender dão suporte para escrituração do crédito em operações que não representam o efetivo ingresso de mercadorias no estabelecimento. Argumenta que atendeu o estabelecido em Regulamento, pois a comprovação da entrada dos produtos devolvidos é documental, feita por intermédio do registro da operação no livro registro de Entrada (modelo 1) e no livro Registro de Controle da Produção e do Estoque (modelo 3). Na sequência pugna pelo cumprimento do principio da não cumulatividade do IPI, cita decisões do Conselho que entende favoráveis aos seus argumentos. Ao final, requer produção de prova pericial. Julgada improcedente a manifestação de inconformidade, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo, em apertado escorço, que o presente feito é correlato ao Processo nº 11070.001443/200876, por ser este “principal em relação aos presentes autos, se aguarde o julgamento, esperando que seja reformada a decisão guerreada o acórdão 10.23.063 Terceira Turma da DRJ POA , reconhecendo o equivoco da Autoridade quando concluiu por adotar glosa de créditos de IPI por entradas em devolução, e tributação de saídas da mesma mercadoria. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Provido o recurso voluntário apresentado nos autos do processo principal 11070.001443/200876, restará afastada a reconstituição da escrita fiscal, e dela fazendo surgir reflexos no saldo credor apurado em cada período, mantendose saldo credor apurado pelo contribuinte, assim a confirmação da procedência do saldo apurado. Assim como a decisão recorrida reportouse as razões e fundamentos proferidos no acórdão do processo tido por principal, as razões de recurso são também ora deduzidas com apoio no recurso voluntário apresentado no processo principal número 11070.001443/200876.” É a síntese do necessário Naquela assentada, a Câmara, com composição bem distinta da atual, acolheu a proposta do i. relator de encaminhar este processo à 3ª turma desta mesma Quarta Câmara para distribuição por conexão ao Conselheiro Marcos Tranchesi, sob a seguinte justificativa: Analisando as razões recursais apresentadas pela contribuinte, observase que esta afirma, reiteradamente, que o presente feito é decorrente do Processo nº 11070.001443/200876, decorrente de auto de infração e, por consectário, vinculante do processo ora apreciado. Ademais, a própria contribuinte afirma aludida vinculação (fls. 215/216) “Naquele processo principal de número 11070.001443/200876 foram alterados créditos e débitos, com a reconstituição da escrita, dela resultando diferenças que foram então, e obedientes ao principio da não cumulatividade, utilizadas pela Fiscalização a fim de encontrar o novo saldo, ao final de cada período de apuração. Decorrência da reconstituição da escrita, ao final dos períodos de apuração restou acolhido a maior parte do pedido de restituição. Porém parte do saldo a restituir restou prejudicado na apreciação do presente processo, justamente em função do Auto de Infração guerreado no processo n. 11070.001443/200876. Eis que os autos do presente processo que originalmente tratava de restituição, acaba sendo reflexo daquilo que restou, e restará (ou não) acolhido no processo principal. Resta pois admitir a dependência do presente processo em relação a outro em fase de julgamento, a qual decorre do fato de que o Auto de Infração que restou impugnado, dando origem ao processo de número 11070.001443/200876 que objeto do Acórdão 1023.063 da Terceira Turma da DRJPOA, contra o qual foi deduzido Recurso Voluntário a fim de encontrar a improcedência. Assim, a glosa do crédito do IPI na entrada e a manutenção do IPI na saída resultaram na reconstituição da escrita, e os novos saldos credor ou devedor ao final de cada período de apuração tiveram fundamento na mesma e única ação fiscal. A repercussão do mesmo procedimento fiscal material assim se realizou pela mesma reconstituição da escrita de créditos e Fl. 277DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11070.000465/200738 Acórdão n.º 3401002.847 S3C4T1 Fl. 13 5 débitos, de um mesmo período, dela decorrendo a insuficiência de créditos identificada neste processo. Sendo a insuficiência de crédito resultado das alterações impostas pelo Auto de Infração que foi impugnado, e gerou outro processo administrativo, identificado pelo número 11070.001443/200876, e encontrando esse último em fase de julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte ora recorrente, não é possível alcançar outra solução, que não a dedução do presente recurso voluntário, amparado nas matérias discutidas no processo principal.” Outro não foi o entendimento da DRJ, vislumbrando a existência de vinculação entre os processos e observando que o deslinde do presente feito depende do julgamento do processo nº 11070.001443/200876, tanto que os processos foram julgados em conjunto e no acórdão ora guerreado utilizouse as razões de decidir do processo principal. “Conforme relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI com base no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 1999, cujo montante total pleiteado sofreu modificação para menos em decorrência de Auto de Infração formalizado no processo 11070.001443/200876, lavrado contra a requerente por infrações apuradas em outro processo. O auto de infração que deu origem à reconstituição da escrita fiscal da contribuinte foi julgado procedente por meio do Acórdão n° 1023.064 — 3a Turma da DRJ/POA, de 04 de dezembro de 2009 (fls. 168/170). Reconheço que a solução do litígio no presente processo está vinculada decisão de mérito do Auto de Infração acima referido, dada a relação de causa e efeito entre ambos, pois a confirmação da autuação é conseqüência do reconhecimento de que os débitos apurados pela Fiscalização estão corretos e da reconstituição da escrita fiscal restou para o período apenas o saldo credor de R$ 66.866,29. Mostrase desnecessário aqui reproduzir todas as razões minuciosamente expendidas naquele acórdão como sustentáculo para a manutenção do crédito tributário constituído de oficio, uma vez que a cópia do acórdão proferido no processo de auto de infração encontrase presente nos autos e se presta a instruir o posicionamento adotado nesse voto, que é pelo indeferimento da manifestação de inconformidade e manutenção do despacho decisório da DRF/Santo Ângelo de fls. 130/131. Consultando o sítio virtual deste Conselho, observase que o processo principal foi distribuído ao Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, da 3ª Turma da 4ª Câmara desta Terceira Seção. Assim, com o escopo de evitar julgamentos divergentes e por estar o presente feito diretamente relacionado com o Processo nº 11070.001443/200876, entendo que estes autos devam ser encaminhados ao mencionado Conselheiro Dessa proposição fui o único a dissentir. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 O processo, no entanto, não chegou a ser encaminhado àquele colegiado, tendo sido, primeiramente, providenciada a ciência ao contribuinte daquela resolução. Somente retornou ele ao CARF quando o dr. Tranchesi não era mais conselheiro. Como o dr. Fernando Cleto também não mais atua no CARF, o processo foi novamente submetido a sorteio e coube a mim a sua relatoria. É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Como indicado, divergi da proposição de encaminhar o recurso para julgamento pelo Conselheiro Tranchesi em razão da apontada conexão entre ele e o que estava distribuído àquele Conselheiro. A principal razão para isso foi que desde 2012 mais de um ano antes do "julgamento" por nós realizado, portanto aquele processo já havia sido julgado na terceira Turma, que lhe negara provimento, conforme se constata no sistema eprocesso. Atualmente, os débitos lá lançados encontramse já inscritos em dívida ativa da União. Destarte, o que nos cabia à época, segundo a consolidada jurisprudência dos antigos Conselhos de Contribuintes, era baixar em diligência para que a unidade preparadora fizesse juntar nestes autos a cópia da decisão definitiva prolatada naquele, cujos fundamentos aplicaríamos aqui. Essa jurisprudência se consolidou quando ainda inexistente o sistema e processo, de sorte que era impossível conhecerse o resultado do julgamento do outro processo. Entendo que, hoje, a providência se torna despicienda, porquanto possível, com uma simples consulta ao sistema de acompanhamento processual eletrônico (eprocesso), saberse não só o resultado do julgamento definitivo, como até mesmo o inteiro teor do acórdão lá prolatado. Assim limitome a transcrever aqui o conteúdo completo daquela decisão e o resultado do julgamento realizado naquele colegiado, para com base neles, negar provimento ao recurso aqui sob exame. Disse o dr. Tranchesi: Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, preenchidos os demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Passo à análise individual dos argumentos suscitados pelo recorrente. 1. Nulidade do acórdão a quo. O CARF possui jurisprudência, há muito sedimentada, de que não é necessário o enfrentamento de todos os argumentos Fl. 279DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11070.000465/200738 Acórdão n.º 3401002.847 S3C4T1 Fl. 14 7 trazidos pelo recorrente, desde que a respectiva decisão esteja apoiada em sólidos e consistentes fundamentos, aptos a determinar o resultado do julgamento. Nesse sentido, colaciono abaixo os seguintes precedentes deste Colegiado: “(...) NULIDADE. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não viola o devido processo legal, tampouco nega prestação jurisdicional em âmbito administrativo, a decisão de 1ª instância que, mesmo sem haver enfrentado individualmente todos os argumentos trazidos pelo impugnante, tenha adotado fundamentação robusta suficiente para decidir, de modo integral e a contento, a controvérsia posta à sua apreciação, não se podendo cogitar de sua nulidade. (...) (CARF, 2ª Seção., 3ª Câmara, RV nº 260.638, acórdão nº 2302001.057, j. em 12.05.2011)” “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003NULIDADE. DESNECESSIDADE DA AUTORIDADE JULGADORA APRECIAR TODOS OS ARGUMENTOS DO CONTRIBUINTE. OBRIGATORIEDADE APENAS DE FUNDAMENTAR SUA DECISÃO. A autoridade julgadora não está obrigada a apreciar todas as argumentações do contribuinte, mas deve fundamentar sua decisão. E, no caso em debate nestes autos, a autoridade julgadora a quo lançou os motivos jurídicos que levaram a indeferir a dedução das despesas médicas a partir de serviços prestados ao fiscalizado por seu cônjuge. (...) (CARF, 2ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma, RV nº 170.737, acórdão nº 2102001.214, j. em 13.04.2011)” Portanto, por estar bem fundamentado o acórdão da DRJ, não vejo razões suficientes para reconhecer a nulidade pleiteada, motivo pelo qual passo à análise do mérito recursal. 2. Glosa dos Créditos de IPI: Retorno de Mercadorias. Sustenta o recorrente, em seu voluntário, que (i) os retornos de mercadorias foram acompanhados da emissão das respectivas notas fiscais, (ii) não houve produção de mercadoria distinta, mas simplesmente um refaturamento das mesmas mercadorias retornadas e aos mesmos destinatários e (iii) as mercadorias foram contabilmente reintegradas ao estoque através da escrituração do livro de controle do Estoque. Aduz ainda serem aplicáveis ao caso concreto os arts. 164, X; 190, II; 191; 323, II; 359 e 378 do RIPI/2002, in verbis: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): Fl. 280DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 (...) X do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto, permitidas neste Regulamento.” “Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: (...) II no caso de entrada simbólica de produtos, no recebimento da respectiva nota fiscal, ressalvado o disposto no § 2º;” “Art. 191. Nos casos de apuração de créditos para dedução do imposto lançado de oficio, em auto de infração, serão considerados, também, como escriturados, os créditos a que o contribuinte comprovadamente tiver direito e que forem alegados até a impugnação.” “Art. 323. Os estabelecimentos emitirão a Nota Fiscal, modelos 1 ou 1A: (...) II sempre que, no estabelecimento, entrarem produtos, real ou simbolicamente, nas hipóteses do art. 359;” “Art. 359. A Nota Fiscal, modelo 1 ou 1A, será emitida sempre que no estabelecimento entrarem, real ou simbolicamente, produtos:” “Art. 378. O livro Registro de Entradas, modelo 1, destinase à escrituração das entradas de mercadorias a qualquer título.” A autoridade fiscal e o r. acórdão a quo apóiamse, por sua vez, nos arts. 167, 169, II, 170 e 190, I, do RIPI/2002. Reproduzoos, a fim de justificar a conclusão a ser, ao final, obtida. “Art. 167. É permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, total ou parcial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 30).” “Art. 169. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao cumprimento das seguintes exigências (Lei nº 4.502, de 1964, art. 27, § 4º): (...) II pelo estabelecimento que receber o produto em devolução: (...) (b) escrituração das notas fiscais recebidas, nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 388;” “Art. 170. Quando a devolução for feita por pessoa física ou jurídica não obrigada à emissão de nota fiscal, acompanhará o produto carta ou memorando do comprador, em que serão Fl. 281DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11070.000465/200738 Acórdão n.º 3401002.847 S3C4T1 Fl. 15 9 declarados os motivos da devolução, competindo ao vendedor, na entrada, a emissão de nota fiscal com a indicação do número, data da emissão da nota fiscal originária e do valor do imposto relativo às quantidades devolvidas.” “Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: I nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial;” Registrase, ainda, que o recorrente manifestouse (fls. 17), afirmando que as operações realizadas entre 01/2003 e 12/2004 não movimentaram seu estoque. Esta afirmação é sintomática, pois dela se presumem duas relevantes constatações: (i) o retorno efetivo das mercadorias vendidas não ocorreu, tendo sido apenas simbólico e (ii) corroborando isso, o recorrente elenca diversos dispositivos do RIPI/2002 que autorizariam a apropriação do crédito do imposto mesmo nas operações de natureza simbólica. Todos os artigos do RIPI mencionados pelo recorrente – direta ou indiretamente – permitem a conclusão de que é possível o creditamento do IPI decorrente da entrada simbólica de insumos. E, de fato, é admitido este crédito, não havendo, ao que tudo indica, controvérsia quanto a isto. A discussão posta nos autos é distinta e se relaciona com a ausência de cumprimento de requisitos, por parte do recorrente, aptos a possibilitar a apropriação dos referidos créditos. A interpretação combinada dos arts. 167 e 169, II, “b”, do RIPI/2002 autoriza a escrituração dos créditos decorrentes do retorno de produtos ao estabelecimento do recorrente, desde que sejam escrituradas as notas fiscais recebidas nos livros Registro de Entrada e Registro de Estoque. Aliás, também é esta a orientação presente no supramencionado art. 190, II, do RIPI/2002. O recorrente, devidamente intimado, teve a oportunidade de trazer aos autos as notas fiscais recebidas, as quais, uma vez escrituradas, implicariam existência do direito ao creditamento. No entanto, não as apresentou e não as escriturou. Pretende ver seu direito reconhecido unicamente com base nas notas fiscais emitidas por ele próprio quando do retorno das mercadorias, procedimento vedado, como visto, pelos arts. 167 e 169, II, do RIPI/2002. Por fim, o recorrente argumenta no sentido de que a conduta adotada pela fiscalização teria infringido o princípio da não cumulatividade, balizador do IPI. Isto porque, segundo ele, Fl. 282DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 foram glosados os c réditos decorrentes dos retornos dos produtos ao estabelecimento do recorrente e, por outro lado, foram mantidos os débitos em razão da saída das mercadorias, após o refaturamento. A alegação, por motivos distintos, também não procede. Verificando as notas fiscais existentes nos autos (fls. 34/64) – frisese, todas emitidas pelo recorrente –, percebese claramente que todas as NFs de saída foram emitidas anteriormente às NFs de entrada, do que se conclui que estas NFs de saída se referem às vendas originais efetivadas pelo recorrente, antes, portanto, do suposto refaturamento. Nas saídas originais, houve débito de IPI, o qual foi anulado pela apropriação de créditos de valores idênticos quando do retorno das mercadorias alienadas. Assim, não constando dos autos nenhuma nota fiscal de saída após o refaturamento, não há como aferir se o IPI foi destacado nesta suposta segunda operação com o mesmo produto. Não há nos autos, também, os livros de Registro de Saídas nos quais estariam contabilizadas as saídas após o refaturamento. Caberia ao recorrente trazer o conjunto probatório apto a demonstrar suas alegações. Finalmente, resta prejudicado o pleito referente ao afastamento das multas e juros, posto serem inaplicáveis os arts. 180, IV e 112, II, do CTN. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Marcos Tranchesi Ortiz Com base nesse voto, decidiram os membros daquele colegiado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/10/2003 a 28/02/2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Para acarretar a nulidade do auto de infração fiscal, deve estar caracterizada ao menos uma das hipóteses contempladas pelo artigo 59, do Decreto nº 70.235/72. IPI. CRÉDITOS. GLOSA. RETORNO DE MERCADORIAS. São passíveis de creditamento, pelo IPI, as operações de retorno de mercadorias, desde que sejam escrituradas as notas fiscais recebidas nos livros Registro de Entrada e Registro de Estoque. Inteligência do art. 169, II, “b”, do RIPI/2002. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11070.000465/200738 Acórdão n.º 3401002.847 S3C4T1 Fl. 16 11 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Relator Fl. 284DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 19647.005715/2007-66
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 27/03/2007 a 01/06/2010
IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS.
A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução.
BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO.
O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto.
BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA.
É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.407
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO. O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 57 15 /2 00 7- 66 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.005715/200766 Acórdão n.º 3801004.407 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJRecife, abaixo transcrito: A empresa Primo Schincariol Ind de Cerv e Refrig do Nordeste S/A solicitou que a DRF/REC encaminhasse ao Coordenador – Geral COSIT, pedido de habilitação para usufruir a redução do IPI incidente sobre refrigerante classificado no código 2202.10.00 da TIPI. A referida redução de alíquota foi instituída pelo Decreto 75.659, de 1975 (TIPI/75), e foi norma reproduzida nas TIPI’s posteriores, estando vigente ainda hoje (TIPI/2012). Na época do protocolo da solicitação, o contribuinte baseou seu pedido no inciso I do art.65 do RIPI/2006 (Decreto 4.544/06): “Art.65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI , que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; Nota Complementar (NC) da TIPI (Decreto nº 6.006, de 2006) Fl. 184DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.005715/200766 Acórdão n.º 3801004.407 S3TE01 Fl. 4 3 NC (221) Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativos aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério. Conforme verificado pela repartição fiscal de origem, ao regular o tema, o Decreto 75.808, de 2 de junho de 1975, incluiu na tabela (TIPI) o “ex” relativo aos refrigerantes, refrescos e néctares que contiverem suco de fruta, de acordo com os padrões fixados pelo Ministério da Agricultura, e que possuíam “Certificados de Registro” expedido pelo órgão competente daquele Ministério. Reduzindo em 50% a alíquota do IPI. Além disso, o referido Decreto 75.008/75 assim determinou nos seus artigos 2º e 3º: “Art.2º. A redução de alíquota conferida pelo art.1º do Decreto número 75.659, de 25 de abril de 1975, relativas a bebidas incluídas no destaque constante no Anexo a que se refere o artigo anterior, será declarada pela Secretaria da Receita Federal, em cada caso, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto à conformidade do produto com as características exigidas nos padrões de identidade e qualidade estabelecidas pelo Decreto número 73.267, de 6 de dezembro de 1973, e pelos atos complementares baixados por aquele Ministério. Art.3º. Os Ministérios da Fazenda e Agricultura expedirão as normas complementares necessárias à execução do disposto neste Decreto. Veio, então, a Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 04 de março de 1977, determinando aos interessados na fruição do benefício fiscal requerer ao Coordenador Geral do Sistema de Tributação da SRF (atual COSIT), informando os elementos nela indicados, isto é, (i) identificação do requerente, (ii) identificação do produto para o qual se requer o reconhecimento da redução de alíquota e, (iii) o número do Certificado de Registro do Produto, expedido pelo órgão competente do Ministério da Agricultura. Conforme relatado, no Parecer SEORT/RECIFE/2011, segundo o procedimento previsto, coube à unidade local da Receita Federal após formalizar o processo, informar sobre os antecedentes fiscais da requerente e encaminhálo ao Ministério da Agricultura (MA). A DRF/REC encaminhou este processo ao Serviço de Inspeção Vegetal(SIV), da Delegacia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA em Recife/PE, para verificação do cumprimento dos requisitos previstos para o reconhecimento da redução pleiteada. Depois de realizados os procedimentos sob a alçada do MAPA, Fl. 185DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.005715/200766 Acórdão n.º 3801004.407 S3TE01 Fl. 5 4 que culminaram com a concessão do Certificado de Registro dos Produtos: Preparado Líquido para Refrigerante de Guaraná (Schin Guaraná), Registro PE05896000606,Preparado Líquido para Refrigerante de Laranja (Schin Laranja), Registro PE05896000584,Preparado Líquido para Refrigerante de Cola (Schin Cola), Registro PE05896000614ePreparado Líquido para Refrigerante de Limão (Schin Limão), Registro PE05896000592,o processo retornou à unidade da Receita Federal para encaminhamento à COSIT. No entanto, pela Portaria nº 2, de 12 de setembro de 1995, o Coordenador da COSIT, delegou essa competência às Delegacias da Receita Federal para apreciarem os pleitos referentes ao reconhecimento dessa redução de alíquota, e providenciar, se for o caso, a expedição do pertinente Ato Declaratório. A repartição fiscal de origem informou no processo, no Parecer SEORT/RECIFE/2011, que em consulta aos sistemas de controle da RFB, em 22.07.2011, constatou que a requerente possui débitos em cobrança no SIEF, além de constar como inadimplente no CADIN, por débitos junto à PFN. Informou que a necessidade dessa análise de antecedentes fiscais decorre da Lei 9.069/95, a qual determina no seu art. 60, que qualquer reconhecimento de benefício fiscal relativo a tributo administrado pela Receita Federal fica condicionado à comprovação, pelo contribuinte, da quitação respectiva. Por outro lado, verificouse no sistema CNPJ, que a situação cadastral da requerente era de empresa baixada desde 01/06/2010, por incorporação à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG S/A – CNPJ 50.221.019/000136 . A repartição fiscal de origem observou que o Decreto 7.212/2010 (RIPI),no seu art. 176, caput e inciso I, prevê a transferência, por sucessão, de benefícios fiscais concedidos por prazo certo e em função de determinadas condições à pessoa jurídica que vier a ser incorporada, mediante requerimento da incorporadora, e desde que observados os limites e condições fixados na legislação que instituiu o benefício, em especial quanto aos aspectos vinculados ao tipo de atividade e de produto. (Grifos meus). Mas, o supracitado Parecer SEORT/RECIFE/2011 entendeu que a interessada perdeu a legitimidade para requerer, porque a partir de sua baixa tornouse inexistente, e a sucessora não havia se habilitado no processo;que caso a sucessora ainda desejasse a habilitação poderia requerela em nome próprio. Concluiuse,no entanto, que a procuração da empresa ao representante legal que encaminhou o pedido se encontrava vencida, e como a representada havia sido extinta não seria possível sua renovação. Recomendouse assim ao Sr. Delegado da DRF/REC que declarasse extinto o processo com base no art.52 da Lei 9.784/99, porque a finalidade ou o objeto da decisão terseia tornado impossível, inútil ou prejudicado pelo fato superveniente da Fl. 186DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.005715/200766 Acórdão n.º 3801004.407 S3TE01 Fl. 6 5 extinção da empresa requerente. A decisão da DRF/REC, com base no Parecer SEORT/RECIFE/2011, foi por declarar EXTINTO O PROCESSO DE SOLICITAÇÃO DE HABILITAÇÃO da pessoa jurídica PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTE S/A – CNPJ 01.278.018/000384. Cientificouse a empresa sucessora dessa decisão, (…), facultandolhe o direito de interpor recurso no prazo de 10 (dez) dias,contado da ciência do Despacho Decisório, a ser protocolizado na DRF/Recife/PE, nos termos do art.59 da Lei 9.784/99. A sucessora PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG S/A,protocolou seu recurso contra o despacho decisório, na DRF/REC, (…), podendo ser assim sintetizadas as razões essenciais de contestação: 1. A PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTES/A solicitou habilitação para usufruir da redução da alíquota do IPI sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO , nos termos do RIPI, art. 65, Ic/c a NC 221(da TIPI). 2. Importante esclarecer que a pretensão se alicerçou na NC 221(TIPI) e na declaração expedida pela Coordenação de Inspeção Vegetal do MA. Ao analisar o pedido, a Receita Federal em Recife decidiu extinguir o processo, alegando inexistência da parte solicitante, em razão de sua incorporação pela ora recorrente, sem que esta tivesse se habilitado, apresentando novo requerimento neste mesmo processo. 3. Ainda que a ora recorrente não tenha se habilitado no presente processo, é imperioso reconhecer que a até a data de incorporação (01.06.2010), a redução de alíquota de IPI era devida à empresa incorporada PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV EREFRIG DO NORDESTE. Observeseque até 01.06.2010 o CNPJ da referida incorporada estava em plena atividade, e somente foi baixado nessa data. 4. Assim, considerandoseque os requisitos estavam presentes, desde o momento da solicitação pela empresa (só posteriormente) incorporada, e que até 01/06/2010 a referida empresa estava em plena atividade, não restam dúvidas de que até tal data a redução de alíquota de IPI lhe era devida. 5. Frisase que a solicitação foi devidamente instruída com cópia do registro do produto no MA, o qual atestou que o produto em questão atende aos padrões de identidade e qualidade exigidos. Não havendo qualquer óbice para se negar o reconhecimento da redução de alíquota de IPI até 01/06/2010. 6. Importa, ainda, consignar, que a regularidade fiscal não é condição para a concessão da redução de alíquota de IPI requerida. O art. 60 da Lei 9.069/95aplicase quando da Fl. 187DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.005715/200766 Acórdão n.º 3801004.407 S3TE01 Fl. 7 6 concessão de benefício fiscal, o que não é o caso da redução de alíquota do IPI, pois é tratamento objetivamente atribuído a um determinado produto que preenche os requisitos estabelecidos na NC 221da TIPI. Os requisitos exigidos na NC 221da TIPI foram cumpridos conforme exposto mais acima. Ante o exposto pede que seja provido seu recurso, para que seja deferido o pedido de redução de alíquota do IPI incidente sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO, desde a data dos respectivos registros efetuados pelo MAPA e até 01/06/2010, à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DONORDESTE S/A. Analisando o litígio, a DRJRecife por unanimidade de votos, preliminarmente, reconheceu a sua competência para apreciar a matéria e, no mérito, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, para declarar que remanesce o processo, mas negou provimento ao direito pleiteado por persistir sem comprovação a regularidade fiscal da manifestante, conforme ementa abaixo transcrita: NORMAS PROCESSUAIS. RITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL. COMPETÊNCIA DA DRJ. PROCESSO SANEADO. Embora a decisão recorrida haja intimado a interessada a apresentar recurso, nos termos do art.56 da Lei nº 9.784/96 (LGPAF), no prazo de dez dias, com base no rito da referida Lei Geral, a repartição de origem procedeu de modo saneador ao encaminhar o recurso à DRJ. É a DRJ que possui competência para apreciar, segundo o rito do Decreto nº 70.235/72, procedimento que busca o reconhecimento do benefício de redução da alíquota de tributos administrados pela RFB, conforme previsto no inciso IV do art.233 da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 (Regimento Interno da RFB). HABILITAÇÃO PARA FRUIÇÃO DE REDUÇÃO DO IPI. Houve certificação, por parte do Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA), quanto aos padrões de identidade e qualidade do produto, e de seu respectivo registro, reconhecendo à interessada, incorporada no curso do processo, a satisfação desses requisitos legalmente exigidos para a fruição do benefício fiscal especificado. DIREITO À REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IPI. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. Tratase de pedido de reconhecimento do direito à redução da alíquota de IPI, prevista na NC 221da TIPI/2006, mediante o cumprimento dos requisitos legais para a fruição do benefício fiscal. Depois de reconhecido, esse direito é passível de transferência à empresa sucessora (incorporadora) mediante habilitação no processo. Por economia processual, a repartição fiscal de origem poderia e deveria ter solicitado a habilitação da sucessora no âmbito deste mesmo processo, iniciado pela empresa posteriormente incorporada. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.005715/200766 Acórdão n.º 3801004.407 S3TE01 Fl. 8 7 HABILITAÇÃO DA SUCESSORA SUPRIDA. O PROCESSO REMANESCE. A pendência do requerimento de habilitação da sucessora não é razão plausível para extinção de ofício do processo, mas sim recomendava à autoridade administrativa o devido saneamento processual. Esse saneamento tornouse suprido pelo teor da manifestação de inconformidade apresentada pela incorporadora, principal interessada, acompanhada de documentos, conjunto cujo teor apresenta mais substância do que o mero requerimento de habilitação da sucessora previsto no caput do art. 176 do RIPI/2010. A busca de reconhecimento do direito à redução de alíquota do IPI era direito da incorporada, e passou a ser direito da incorporadora, objeto processual que justifica o seguimento do processo até a solução do litígio. FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. FALTA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. IMPEDIMENTO LEGAL. Persiste óbice à expedição do ato declaratório. O reconhecimento da redução deve observar não apenas os requisitos legais específicos à fruição do benefício fiscal, mas também deve se enquadrar na regra geral imposta pelo art.60 da Lei 9.069/95. A fruição de qualquer benefício fiscal federal se submete a esse crivo. O benefício de redução da alíquota de IPI de que trata o presente processo está também condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. O contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário no qual argüi o seguinte: · Que os requisitos para a concessão da alíquota reduzida do IPI estão previstos na NC 221 da TIPI a qual vinculase apenas aos elementos objetivos do produto, quais sejam, o atendimento aos padrões de identidade, qualidade e composição, bem como regular registro perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. E que tais requisitos foram prontamente atendidos pela Recorrente; · Que elementos subjetivos, relativo à pessoa jurídica solicitante, são irrelevantes para fins de enquadramento na NC 221 da TIPI. Traz, nesse sentido, decisão exarada pela DRJ em Santarém. Reforça que a regra trazida pelo art. 60 da lei 9.069/95 aplicase somente à concessão de benefícios fiscais, o que não é o caso da redução de alíquota do IPI prevista na NC 221 da TIPI, pois tratase de um tratamento atribuído objetivamente a determinado produto que preencha os requisitos estabelecidos na legislação. Nesse sentido, colaciona decisão exarada pela DRJ em Juiz de Fora; · Que no momento em que efetuou o pedido de redução de alíquota do IPI trouxe aos autos cópia da certidão conjunta Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.005715/200766 Acórdão n.º 3801004.407 S3TE01 Fl. 9 8 positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União. E que se no decorrer do processo, que se prolongou por morosidade da própria autoridade fiscal em analisar o presente pedido, surgiram eventuais débitos em seu desfavor, estes não podem prejudicar seu direito ao reconhecimento da redução de alíquota do IPI. Colaciona decisão do antigo Conselho de Contribuintes nessa linha. · Salienta ainda que a empresa incorporadora da Recorrente encontrase com sua situação fiscal regular, anexando certidão que comprova tal situação. · Por fim, salienta que a redução em comento deverá ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente realizou o reconhecimento da adequação dos produtos aos requisitos previstos em lei. É o relatório. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.005715/200766 Acórdão n.º 3801004.407 S3TE01 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. De pronto, entendo que não devem prosperar as alegações do Recorrente no sentido de que a redução de alíquota concedida pela NC 221 não constitui um benefício fiscal e que, por conseguinte, não se sujeita ao requisito de regularidade fiscal exigido pelo artigo 60 da Lei 9.069/95. Tratase, sim, de desoneração fiscal objetiva, cuja concessão está vinculada à qualidade de um produto, e não ao contribuinte propriamente dito, impregnada de sentido fina1ístico, pois se vale da redução da alíquota do IPI como mecanismo de indução de um comportamento. Vêse, pois, que corresponde invariavelmente a um incentivo ou benefício fiscal Tal prática foi autorizada pelo legislador constitucional, que inseriu o § 6º no artigo 150 da Carta Magna: § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2º, XII, g. Há que se destacar ainda a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita a ação do legislador na concessão de incentivos de natureza tributária em seu art. 14, e que assim prescreve: Art. 14. § 1o A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. Fato é que a concessão de incentivos fiscais não se insere na seara do direito tributário, mas no campo da política tributária. O fim visado não é beneficiar o seu destinatário, que apenas usufrui desse benefício por via indireta. E nada obsta que o legislador condicione subjetivamente o contribuinte, para fins de fruição de um privilégio fiscal de natureza extrafiscal, ao atendimento de certos requisitos de interesse público. Por conseguinte, entendo que a redução de alíquota prevista na NC 221 da TIPI corresponde, sim, a um benefício fiscal e que, portanto, enquanto tal, deve observância ao disposto no artigo 60 da Lei 9065/95, que reza que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.005715/200766 Acórdão n.º 3801004.407 S3TE01 Fl. 11 10 Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não obstante, fato é também que,quando da apresentação do pedido de redução de alíquota, o contribuinte apresentou a documentação apta e suficiente para a comprovação de sua regularidade fiscal. Ora, caso o agente fazendário observasse o prazo estipulado pelo artigo 241da Lei no. 9.784/1999, para efetuar a apreciação do pedido envolvendo o benefício fiscal, o Recorrente não teria negado o seu pedido, porquanto se encontrava regular. A regularidade fiscal deve ser examinada no momento da opção do contribuinte. Vale lembrar que esta Turma Especial, num caso idêntico envolvendo esse mesmo contribuinte, em decisão da lavra do nobre Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, já examinou assunto semelhante decidindo da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2006 MOMENTO DA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL Comprovada a regularidade fiscal no momento da apresentação do pedido de reconhecimento de redução de alíquota, deve ser o mesmo deferido. Recurso Voluntário Provido.(Acórdão no. 3801001.594 do Processo 10855.000847/200691) Nesta mesma linha é o teor da Súmula 37 do CARF, assim expressa: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Vale destacar também que, mesmo que se entendesse insuficiente a prova de regularidade fiscal quando da apresentação do pedido de redução de alíquota, a empresa que incorporou a Recorrente encontrase fiscalmente regular, conforme comprova a documentação juntada ao presente Recurso. E, de acordo com o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, emitida no Processo no. 10768.014100/9908, para fins de prova da regularidade em relação aos tributos e contribuições federais a que alude o art. 60 da Lei n° 9.069/95, não se pode negar ao contribuinte o direito de mostrar sua regularidade fiscal no curso do Processo Administrativo, pois o objetivo da Lei é a regularidade fiscal do contribuinte, independentemente do momento em que a prova é feita. Porém, no que tange ao momento de aplicação do benefício fiscal, que a Recorrente entende dever ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente 1 Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo processo e dos administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo motivo de força maior. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.005715/200766 Acórdão n.º 3801004.407 S3TE01 Fl. 12 11 realizou o reconhecimento da adequação dos produtos aos requisitos previstos em lei, posicionome de forma diversa. Adoto como razões o voto de relatoria do já citado nobre Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, no Processo no. 13334.000275/200960, também envolvendo esse mesmo contribuinte e acatado unanimemente por esta Turma Especial: A norma não informa que a SRF pode determinar o momento em que se possa utilizar o benefício, mas é claro que o contribuinte precisa do respectivo ato declaratório emitido pela SRF porque a norma estabelece que cabe a SRF declarar que a empresa está apta a utilizálo, ouvido o Ministério competente. A declaração por parte da Receita Federal é cumprimento de obrigação acessória fundamental à fruição do benefício. O inadimplemento da obrigação acessória prejudica o sujeito ativo na medida em que deixa de cumprir a finalidade controlística para a qual foi criada e priva o contribuinte da benesse constante da prestação principal com efeitos ex tunc do seu protocolo, porque a lei a exige. Portanto, em razão da redução da alíquota do IPI nos termos do artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 e da “NC (221)” estar condicionada à qualidade dos produtos contemplados em referidas normas atestado pelo MAPA e à declaração da Secretaria da Receita Federal até a expedição do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010. Como a opção do contribuinte ocorre somente quando do pedido realizado na SRF, o prazo para usufruir desse benefício igualmente só pode ocorrer a partir do protocolo do pleito, como corretamente decidiu a DRJ. Por tudo, voto pelo conhecimento e parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente à alíquota reduzida do IPI a partir do protocolo do pleito junto à Receita Federal do Brasil. Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora. Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado. Legitimidade do Ato Declaratório e vinculação da atividade administrativa. Nos termos da Portaria SRF nº 001, de 2/1/2001 DOU de 9.1.2001, vigente à época do pedido apresentado, e da Portaria RFB nº 1.098, de 8/8/2013, em vigor, a competência para a prática do atos editados e dos despachos proferidos deve obedecer às atribuições fixadas em lei, norma infralegal ou, sendo o caso, ato de delegação de competência. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.005715/200766 Acórdão n.º 3801004.407 S3TE01 Fl. 13 12 Estes atos são agrupados em função da matéria sobre as quais versam e compreendem, entre outros, o Ato Declaratório Executivo (ADE), que serve para constituir ou por termo a situações individuais em face da legislação tributária e aduaneira, bem assim preservar direitos, reconhecer situações preexistentes ou possibilitar seu exercício. Aplicamse, especialmente, nos casos de: reconhecimento ou suspensão de isenção; suspensão de imunidade; declaração de inaptidão; exclusão de regimes tributários especiais; concessão de registro especial de fabricantes ou importadores; divulgação, quando exigida, de extratos de despachos decisórios concessivos. Logo, o ADE constitui ou põe termo a situações individuais envolvendo reconhecimento de isenção, suspensão de imunidade e exclusão de regime tributário especial. Se o ADE pode constituir ou terminar o reconhecimento de isenção, cuja modalidade condicional poderia se equiparar a redução de alíquota discutida nestes autos, bem como resultar em suspensão de imunidade, que possui status constitucional, logo, privilegiado em relação à redução de alíquota, por que não poderia constituir ou por termo a situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota? Dizer que o Ato Declaratório declara direitos ou reconhece situações preexistentes não significa dizer que, nestes casos, está dispensada ou proibida à autoridade administrativa a verificação da existência destes direitos ou situações. Pelo contrário. A autoridade administrativa, cujas atividades são vinculadas, não pode deixar de verificar o cumprimento de lei, no caso, o art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, que diz: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. (Vide Lei nº 11.128, de 2005).” Também impõem ao agente público a exigência de comprovação de quitação de tributos as seguintes normas. Constituição Federal de 1988:: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 3º. A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. (...)” Fl. 194DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.005715/200766 Acórdão n.º 3801004.407 S3TE01 Fl. 14 13 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 dispõe: “Art. 47. É exigida Certidão Negativa de DébitoCND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: I – da empresa: a) na contratação com o Poder Público e no recebimento de benefícios ou incentivo fiscal ou creditício concedido por ele. (...) Redução de alíquota é benefício fiscal. Não cabe afirmar que a redução de alíquota não é um benefício fiscal. Vejamse os arts. 150, §6º, e 165, 6º, da Constituição Federal de 1988: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, §2º, XII, g. (...)” “Art. 165. Lei de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: (...) §6º O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia. (...)” Também a Lei de Responsabilidade Fiscal, citada pela Conselheira Maria Inês Caldeira da Silva Pereira Murgel, ampara o entendimento de que a redução de alíquota é benefício fiscal, logo, aplicase ao caso o art. 60 da Lei 9.069, de 1995. Momento da comprovação da regularidade fiscal. Conforme normas citadas nas sessões anteriores, a comprovação da quitação de tributos federais deve ser feita para o recebimento de benefícios fiscais. No caso da redução da alíquota de IPI, a comprovação deve amparar todas as operações de saídas de produtos industrializados do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, porque a cada operação tributada pelo IPI, a redução significa um benefício fiscal. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.005715/200766 Acórdão n.º 3801004.407 S3TE01 Fl. 15 14 Por isso, não basta comprovar a regularidade fiscal apenas no momento do requerimento do benefício. Assim dispõe a Lei nº 4.502, de 30/11/1964, quanto ao IPI: Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. “Art . 13. O impôsto será calculado mediante aplicação das alíquotas constantes da Tabela anexa sôbre o valor tributável dos produtos na forma estabelecida neste Capítulo. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...)” O momento do fato gerador é o da saída do produto do estabelecimento contribuinte. O quantum do imposto é o resultado da aplicação da alíquota constante da Tabela do IPI sobre o valor da operação. Para cada operação em que se aplique uma alíquota reduzida, temse uma operação realizada com benefício fiscal. Cada operação realizada com o benefício está sujeita à fiscalização, logo, cada operação submetese ao reconhecimento do benefício, o que leva à conclusão de que a beneficiada deve estar amparada pela certidão de quitação de tributos federais não apenas no momento do pedido de redução de alíquota, mas, durante todo o tempo em que usufrua da concessão do benefício. Nos autos ficou claro que, no momento em que a autoridade administrativa analisou o requerimento, a contribuinte encontravase em situação impeditiva da emissão da certidão negativa de débitos, motivo suficiente para indeferir o pedido. A partir do momento em que a contribuinte passou a reunir as condições necessárias e suficientes para fruição do benefício fiscal, poderia ela pleitear novamente seu reconhecimento. Como conseqüência do que aqui foi dito e tendo em vista que não se está a analisar operações realizadas pela contribuinte entre o protocolo do requerimento e este Fl. 196DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.005715/200766 Acórdão n.º 3801004.407 S3TE01 Fl. 16 15 julgamento, logo, ainda que se considere eventual atendimento, neste momento, às condições para fruição do benefício, não se pode decidir que tais operações sejam alcançadas pelo benefício. A Súmula CARF nº 37, que trata de outras situações fáticas, não se aplica ao benefício da redução de alíquota de IPI, que como visto acima ocorre em cada operação tributada por este imposto. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Fl. 197DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10907.000912/2003-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COFINS. PEDIDO ORIGINÁRIO DO CRÉDITO INDEFERIDO. COMPENSAÇÃO IMPROCEDENTE. DECORRÊNCIA. Atestada, em decisão administrativa irrecorrível, a inexistência do crédito, não subsiste a compensação solicitada por ausência de pagamento indevido ou a maior.
MULTA DE 75%. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. Não há previsão de qualquer multa sobre a compensação não homologada, quando não caracterizados fatos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 3301-002.555
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MONICA ELISA DE LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COFINS. PEDIDO ORIGINÁRIO DO CRÉDITO INDEFERIDO. COMPENSAÇÃO IMPROCEDENTE. DECORRÊNCIA. Atestada, em decisão administrativa irrecorrível, a inexistência do crédito, não subsiste a compensação solicitada por ausência de pagamento indevido ou a maior. MULTA DE 75%. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. Não há previsão de qualquer multa sobre a compensação não homologada, quando não caracterizados fatos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. MÔNICA ELISA DE LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (presidente da turma), Maria Tereza Martínez López (vice-presidente), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas e Fábia Regina Freitas. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.000912/2003-82 Acórdão n.º 3301-002.560 S3-C3T1 Fl. 256 2 Relatório Trata-se de auto de infração lavrado, para a formalização do crédito tributário de PIS e Cofins relativos aos períodos de apuração de abril a julho de 2003, cuja compensação, fundada em suposto crédito decorrente de pedido de ressarcimento antes formalizado através do processo administrativo nº 10907.001984/2002-66. As Declarações de Compensação se encontram às fls. 11 e seguintes. No auto de infração, foi lançada multa de 75%. Os autos estão retornando a este Colegiado, após cumprimento de diligência determinada por meio da Resolução nº 200-00.443, em 13.04.2004, proferida pela r. 1ª Turma do Segundo Conselho de Contribuintes. Para resgatar o liame entre a presente decisão e aquela já proferida pelo Egrégio Segundo Conselho, passa-se a transcrever o relatório elaborado pela d. Relatora Adriana Gomes Rêgo Galvão: TCP - Terminal de Contêineres de Paranaguá S/A,devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado através do recurso de fls. 140/149, contra o Acórdão nº 4.194, de 31/07/2003, prolatado pela 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba-PR, fls. 130/137, que julgou procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração de Cofins, fls. 27/33. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl.25, consta que o lançamento decorreu do indeferimento do pedido de compensação objeto do Processo nº 10907.001984/2002-66, sendo lançados na presente autuação os valores da Cofins que foram compensados indevidamente, conforme o art. 90 da MP nº 2.158/2001. Tempestivamente a contribuinte insurge-se contra a exigência fiscal, conforme impugnação às fls., 35/41, onde justifica seus créditos de IRPJ e CSLL que foram considerados inexistentes, traz argumentos para embasar a compensação e pede pela nulidade do lançamento, tendo em vista que o processo de compensação ainda está pendente de decisão administrativa A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba PR manteve o lançamento, conforme o Acórdão citado, cuja ementa apresenta o seguinte teor; Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/08/2002 a 28/02/2002 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direto de defesa. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.000912/2003-82 Acórdão n.º 3301-002.560 S3-C3T1 Fl. 257 3 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2002 a 28/02/2003 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, EXTINÇÃO DE CRÉDITO. NÃO OCORRÊNCIA. IMPLEMENTAÇÁO DE CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. A extinção condicional de créditos da Cofins, havida em razão da apresentação de declaração de compensação, deixa de existir em função da implementação de condição resolutória, qual seja, a sua não.-homologação pelo fisco. ainda que pendente de recurso. COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu pedido de reconhecimento de direito creditório e não homologou, por consequência, declarações de compensação, não suspende a exigibilidade de créditos tributários lançados em processo distinto. Lançamento Procedente Ciente da decisão de primeira instância em 03/9/2003, fl. 138, a contribuinte interpôs recurso voluntário m 01/10/2003, onde, em síntese, reitera os argumentos já aduzidos na impugnação, nos seguintes termos: 1) Firmou contrato de concessão de serviço público - Contrato de Arrendamento de Instalação Portuária com o governo do Estado do Paraná, por intermédio da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina - APPA, devendo remunerar esta, durante o período da concessão em quantia mínima de R$150.000.000,00, devidamente corrigida, porém, por erro, não contabilizou os efeitos passivos ou relacionados ao contrato, bem assim a correção monetária; 2) Assim, quando sanou o erro, foi materializado um prejuízo fiscal nos períodos anteriores entre junho de 1999 d julho de 2002, o que levou à constatação de recolhimentos indevidos de IRPJ e CSLL, razão porque pleiteou a restituição, por meio do Processo nº 10907.001984/2002-66; 3) As alegações da SAORT ao indeferir o pedido foram totalmente descabidas, pois em momento algum trouxe à discussão do procedimento contábil adotado e revisado, atendo- se, tão-somente a distinguir a natureza jurídica dos cotratos ; e 4) O artigo 149 da Lei nº 10.637/2002, regulamentado pelo art. 21 da INSRF n] 210/2002, simplificou os procedimentos de compensação desde que o pedido de restituição ou ressarcimento se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da "Declaração de Compensação", ou seja, como a decisão administrativa do "pedido de restituição não se encontra definitiva, pode-se valer do direito de compensar. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.000912/2003-82 Acórdão n.º 3301-002.560 S3-C3T1 Fl. 258 4 Por fim, pede a nulidade do lançamento, ou, no mínimo, pela suspensão deste até a decisão final do processo administrativo do Pedido de Restituição nº 10907.001984/2002-66. A Conselheira Relatora, em seu voto, propõe que: Assim, considerando que o recurso voluntário datado de fevereiro de 2004 informa que ainda pende de decisão final o Processo Administrativo nº 10907.001984/2002-66, e ainda que o presente lançamento diz respeito às compensações consideradas indevidas, dada a inexistência dos créditos discutidos no referido processa, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência para que os autos retornem à repartição de origem até que haja o trânsito administrativo do Processo nº 10907.001984/2002-66, quando, então, devem ser remetidos a este Colegiado, juntamente com a decisão administrativa que transitou em julgado. Foi, então, emitida a seguinte decisão: RESOLUÇÃO Nº 201-00.443 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interporsto por TCP - TERMINAL DE CONTÊINERES DE PARANAGUÁ S/A. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da Relatora. É o relatório. Voto Conselheira Mônica Elisa de Lima O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade; portanto, dele conheço. A Recorrente pretendeu efetuar compensação de Cofins com créditos de IRPJ e CSLL apurados no bojo do processo administrativo nº10907.001984/2002-66. Sua compensação foi rejeitada, tendo em vista que existia decisão no bojo de tal processo denegatória da existência do crédito. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.000912/2003-82 Acórdão n.º 3301-002.560 S3-C3T1 Fl. 259 5 Em cumprimento à diligência solicitada através da Resolução nº201-00.443, a Autoridade Fiscal relata, na fl. 252 haver "transitado em julgado" a decisão que negou provimento ao Pedido de Restituição, ou seja, trata-se de decisão administrativa definitiva. Foram estes os termos da Informação Fiscal, prestada em 15 de agosto de 2012: Informação Fiscal 2. De fls. 03 a 07 já se encontra anexada cópia do Despacho Decisório inicial proferido naquele processo 10907.001984- 2002-66 (já digitalizado). E, de fls. 189 a 237, anexaram-se as demais decisões proferidas no referido processo, inclusive o Despacho Decisório, de 28.06/2010 (fls. 209 a 213), pelo qual se manteve a decisão em relação ao crédito e se consideraram não homologadas as compensações com ele conexas. 2.2. Esta última decisão, conforme se pode comprovar pelos demais documentos (fls. 214 a 237), já transitou em julgado administrativamente. Quanto a esse aspecto, improcede a multa aplicada, visto que não se possui base legal. Se não, vejamos a legislação que rege o tema: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei 4.502/64 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou Fl. 261DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.000912/2003-82 Acórdão n.º 3301-002.560 S3-C3T1 Fl. 260 6 modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. MP 2158-35 /2001 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17, de 2 de outubro de 2002 Artigo único. Os lançamentos de ofício relativos a pedidos ou declarações de compensação indevidos sujeitar-se-ão à multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por caracterizarem evidente intuito de fraude, nas hipóteses em que o crédito oferecido à compensação seja: I – de natureza não-tributária; II – inexistente de fato; III – não passível de compensação por expressa disposição de lei; IV – baseado em documentação falsa. No caso dos presentes autos, não foi aventada ou apontada qualquer ocorrência de fraude, sonegação ou conluio; condutas previstas nos artigos 71 a 73, da Lei nº 4.502/64; razão pela qual a Autoridade não lançou a multa então prevista no inciso II, da Lei nº 9.430/96 (150%). Por outro lado, não lhe caberia ter apenado com multa de 75% a diferença apurada pela compensação indevida, pois o legislador, contemporaneamente aos fatos, optou por penalizar a atuação comprovadamente dolosa e, não, a mera petição improcedente. Do exposto, não existe tipicidade para a aplicação de qualquer multa na hipótese dos autos, cujas Declarações de Compensação foram apresentadas entre setembro de 2002 e março de 2003. Por tal razão apenas deve subsistir o lançamento do tributo acompanhado de seus acréscimos legais, como já se decidiu nesta 3ª Seção, conforme precedente: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF 3a. Seção / 1a. Turma da 4a. Câmara Fl. 262DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.000912/2003-82 Acórdão n.º 3301-002.560 S3-C3T1 Fl. 261 7 ACÓRDÃO 3401-00.860 em 26/07/2010 MULTA ISOLADA DE 75%. DCOMP SEM DOLO TRANSMITIDA ANTES DA LEI N° 11.196/2005. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2004, 11/02/2005, 28/02/2005. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DOLO NÃO CARACTERIZADO, DCOMP TRANSMITIDA ANTES DE 22/11/2005. ART, 25 DA LEI N° 11.051, DE 30/12/2004. RETROATIVIDADE BENIGNA. CANCELAMENTO DA PENALIDADE NÃO QUALIFICADA. Nos termos do art. 18, caput e § 2° da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, a multa isolada sobre o valor de débito compensado indevidamente só se aplicava na hipótese de infração dolosa, no percentual qualificado de cento e cinqüenta por cento, ficando sem cominação a infração não qualificada para a qual se aplica setenta e cinco por cento. Somente a partir de 22/11/2005, com a publicação da Lei nº 11.196/2005, é que retornou a hipótese da multa isolada no percentual de setenta e cinco por cento, pelo que na situação em que o dolo não restou descaracterizado e a declaração de compensação é anterior àquela data cancela-se a multa isolada de setenta e cinco por cento face à retroatividade benigna. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Publicado no DOU em: 08.02.2011 Convém transcrever, por seu notável didatismo, trecho do voto conduzido pelo e. Relator, Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis. Assim: O art. 18 da Lei n° 10.833/2003, conversão da MP n° 135, publicada em 31/10/2003, foi introduzido em conjunto com o art, 17 da primeira, este último alterando o art, 74 da Lei n° 9.430/96 de modo a determinar que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Esta norma, todavia, só tem eficácia para as declarações de compensação entregues a partir de 31/10/2003, data de publicação da MP n" 135, de 30/10/2003 (na situação em tela a primeira Declaração de Compensação foi apresentada em 29/09/2003). Levando em conta tal confissão de dívida é que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, na sua redação original, dispensou a constituição do crédito tributário, no valor do principal, e passou a determinar o lançamento nos limites (no caput do referido art. 18 é empregada a expressão "limitar-se-á") das penalidades previstas no art. 44 da Lei n° 9.430/96: multa de 75% para a compensação sem dolo, conforme o inc. I desta Lei, ou de 150% para as hipóteses dolosas dos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 263DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10907.000912/2003-82 Acórdão n.º 3301-002.560 S3-C3T1 Fl. 262 8 Lei n° 4.502/64, conforme o inc. II do referido art.44. Em seguida a Lei n° 11.051/2004 extinguiu a multa de 75% para as compensações sem dolo, mantendo somente a multa qualificada para as hipóteses de sonegação, fraude ou conluio. Segundo a Lei n° 11.051/2004, ou era aplicada a multa de 150% ou não se aplicava qualquer penalidade, Assim permaneceu até 22/11/2005, data de publicação da Lei n° 11.196/2005, cujo art. 117 alterou novamente o art, 74 da Lei nº 9.430/96, restabelecendo infrações não dolosas. O art 117 da Lei n° 11196/2005, no que alterou a redação do § 4º do art. 74 da Lei n° 9.430/96 para restabelecer a multa de 75% nas compensações sem dolo, constou da MP nº 252, de 15/ 06/2005, que todavia não foi convertida em lei e por isto só teve eficácia até 13/10/2005. Assim, e apesar do art. 132, II, "d", da Lei a° 11 196/2005, segundo o qual o art. 117 da mesma Lei teria efeitos a partir de 14/10/2005 (imediatamente após o fim da eficácia da MP n" 252/2005), a melhor interpretação recomenda não admitir a retroatividade das penalidades restauradas Daí ser preferível considerar a eficácia do art. 117 em comento a partir de 22/11/2005. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a aplicação de multa. Mônica Elisa de Lima - Relatora Fl. 264DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003697/2010-67
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Não logrando a recorrente apresentar documentação que possibilite demonstrar de modo claro a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, mantém-se o lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Uma vez que não se observa a existência de documentação hábil e idônea que evidencie que a recorrente era efetivamente co-titular da conta de poupança, aberta por seu cônjuge em nome de terceiro, não resta comprovado nos autos que os depósitos questionados a ela pertenciam.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributável os valores lançados a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Não logrando a recorrente apresentar documentação que possibilite demonstrar de modo claro a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, mantém-se o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Uma vez que não se observa a existência de documentação hábil e idônea que evidencie que a recorrente era efetivamente co-titular da conta de poupança, aberta por seu cônjuge em nome de terceiro, não resta comprovado nos autos que os depósitos questionados a ela pertenciam. Recurso voluntário provido em parte.
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Não logrando a recorrente apresentar documentação que possibilite demonstrar de modo claro a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, mantémse o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Uma vez que não se observa a existência de documentação hábil e idônea que evidencie que a recorrente era efetivamente cotitular da conta de poupança, aberta por seu cônjuge em nome de terceiro, não resta comprovado nos autos que os depósitos questionados a ela pertenciam. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributável os valores lançados a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 36 97 /2 01 0- 67 Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração, fls. 440 a 451, que exige da contribuinte o recolhimento de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, relativamente aos anoscalendário de 2005 a 2007. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), fls. 442 a 447, e do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 410 a 439, a autuação se deu em razão da constatação de: a) omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, conforme planilhas "Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial" dos anoscalendário de 2005 e 2006, fls. 397 a 400, e; b) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anoscalendário de 2006 e 2007. No Termo de Verificação Fiscal a autoridade lançadora esclarece que o procedimento fiscal foi instaurado em virtude de ação fiscal procedida na pessoa física do cônjuge da contribuinte (Sr. Içuriti Pereira da Silva). No decorrer dos trabalhos foram apurados omissões de rendimentos do cônjuge que apresentaram reflexos tributários na pessoa da contribuinte, na proporção de 50% (cinquenta por cento) do total dos rendimentos omitidos. Fundamentando a aplicação de tal proporção, a autoridade lançadora mencionou entendimento disposto na Consulta Interna nº 39, de 12 de setembro de 2008, em relação à primeira infração, e da constatação de utilização de interposta na movimentação de recursos em conta corrente mantida em nome da filha do casal, para a segunda infração. Sobre o valor do imposto de renda exigido em face do lançamento da omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários sem origem comprovada houve a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, ao argumento de inequívoca tentativa de fraude, qual seja, a utilização de conta corrente bancária em nome de terceiro (a filha menor, Bruna Archer Pereira da Silva) para eximirse do pagamento de tributo de sua responsabilidade. A impugnação apresentada pelo contribuinte, fls. 460 a 501, instruída com os documentos de fls. 502 a 821, encontrase assim sintetizada pela decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – DRJ/FNS, fls. 1706 a 1726: Descreve os passos e soluções encontradas para cada tópico e item do Termo de Verificação Fiscal; solicita maiores avaliações em dados e análises documentais que não foram esclarecedoras na auditoria fiscal, bem como as correções dos valores discriminados aos quais não foram dados as devidas veracidades documentais. 1. DOS FATOS De acordo com o Termo de Encerramento, o levantamento realizado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil resultou na caracterização de omissão de rendimentos tendo em vista a suposta variação patrimonial a descoberto, bem como a responsabilidade solidária pela movimentação bancária de terceiros. Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.003697/201067 Acórdão n.º 2802003.273 S2TE02 Fl. 811 3 Ocorre que os fundamentos manifestados pela fiscalização não correspondem com a realidade das operações realizadas, não podendo ser caracterizadas como omissão de receitas, conforme será demonstrado a seguir. 2. DA PRELIMINAR 2.1 Da Tempestividade Da Defesa Administrativa (...). 3. DO MÉRITO 3.1 Dos Acontecimentos Que Antecederam o Auto De Infração Esclarece que é funcionária pública da Câmara Municipal de Florianópolis desde 1981, e também sócia da empresa SBIT, CNPJ nº 04.623.085/000115, com o percentual de 50%. Assevera que nunca teve atuação direta nos assuntos da empresa supramencionada, figurando apenas como sócia quotista. Explica que, somente por intermédio da autoridade fiscal, teve a informação que o Sr. Içuriti (seu esposo) movimentava uma conta poupança em nome da filha do casal, a menor Bruna Archer Pereira da Silva, com elevados e constantes depósitos e saques/transferências, e que os recursos advinham de reservas do casal. Sustenta que não tinha conhecimento da movimentação bancária, tampouco da origem do respectivo recurso e que nunca teve acesso a essa conta. E, ainda, que se encontra separada de fato do Sr. Içuriti desde 2008, e judicialmente desde o acordo celebrado na audiência de conciliação no dia 10/03/2010, nos autos da Ação Cautelar de Separação de Corpos no 023.09.08233226. 3.2 Da Impossibilidade De Caracterização De Acréscimo Patrimonial A Descoberto Explica que a forma de se mensurar o acréscimo patrimonial é pela variação positiva do patrimônio entre duas datas, entre 31/12 de um ano até 31/12 do ano seguinte, e que deve ser respaldado em rendimentos na pessoa física, ou em receita na pessoa jurídica, ou em outras fontes de recursos que o justifique. Bem como, que a prova da situação irregular (acréscimo patrimonial a descoberto) é exclusiva da fiscalização. Questiona o fato da autoridade fiscal, quando do lançamento tributário, ter se pautado na sua declaração de imposto de renda de seu exmarido (Sr. Içuriti Pereira da Silva), bem como, quando do cálculo da variação do patrimônio, ter feito a junção de todos os recursos e dispêndios tanto seu quando de seu exmarido, porquanto nunca apresentou a declaração como seu dependente nem sequer a declarou de forma conjunta. Sustenta que do montante de R$ 730.682,37, apurado como recursos/origens do casal, apenas o valor de R$ 87.241,50 comporta como sendo seus dispêndios, somando os proventos da Câmara Municipal com 50% do aluguel recebido de pessoa física, conforme se observa de sua declaração de imposto de renda. Frisa que nunca teve conhecimento das informações que eram prestadas na sua declaração, uma vez que a confecção do ajuste anual era realizado pelo seu exmarido, Sr. Içuriti, juntamente com seu contador, Sr. Sergio Rubens Cidade, e que, no ano Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 calendário de 2005, somente percebeu o que foi lançado a titulo de proventos advindos da Câmara Municipal de Florianópolis. Informa que os dispêndios realizados no respectivo ano calendário referemse à aquisição de um veículo colocado em seu nome, sendo adquirido por intermédio de seu exmarido para uso dele. Em relação ao anocalendário de 2006, assim como no anterior, seus vencimentos vieram exclusivamente da Câmara Municipal, tendo sido realizado apenas a troca do veículo por outro. Salienta que sua movimentação financeira, que pode ser observada nos extratos bancários, respalda tanto sua argumentação antes exposta quanto a ilegalidade na exigência imposta. Assevera que, até o presente momento, não tinha sequer conhecimento dos valores lançados em sua declaração e que os valores declarados como distribuição de lucros da empresa SBIT nunca lhes foram diretamente disponibilizados. Prossegue, salientando que as correspondências eletrônicas entre os seus advogados e o sócio de fato (Luiz Camisão) do Sr. Içuriti Pereira da Silva, juntamente com a carta do Sr. Luiz Armando Camisão, datada de 06/05/2010, comprovam que os valores relativos às distribuições de lucros da SBIT foram creditados na conta do Sr. Içuriti ou pagos a ele em espécie, sendo totalmente ilegal a exigência de 50% (cinqüenta por cento) da suposta omissão de receita realizada pelo seu exmarido. Assevera que, ainda que se considere forte o indício de omissão de receitas por parte do Sr. Içuriti, o fato de apresentarse casada com ele, na época dos fatos, não pode servir de fato gerador para qualquer obrigação tributária. Cita o §5º do artigo 42 da Lei 9.430/1996, que trata de valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencente à terceiro, para concluir que é descabia exigência para com ela, por não existir fato gerador que respalde o lançamento, uma vez que sequer houve movimentação na sua conta pelo seu ex marido. Reforça seu entendimento de que somente seria possível exigir a tributação de 50% (cinqüenta por cento) dos valores caso a conta de depósito ou de investimento fosse mantida em conjunto. Situação não ocorrida. 3.3 Da Ausência De Fato Gerador Sustenta que as provas juntadas aos autos dizem respeito a valores movimentados pelo exmarido, e que somente restou caracterizado o acréscimo patrimonial porque a autoridade fiscal lançou de forma conjunta não só os seus rendimentos e dispêndios como os de seu exmarido. Reforça que não existem provas nos autos sobre sua disponibilidade econômica quanto aos valores movimentados pelo seu exmarido, Sr. Içuriti Pereira da Silva, portanto, tornase inválido um lançamento sem documentos hábil para tal fim. Prossegue citando doutrina, jurisprudência e Acórdão do Conselho de Contribuintes, no que se refere à disponibilidade econômica ou jurídica que enseja a incidência do IRPF. Novamente, alega que o simples fato da reclamante estar casada em comunhão universal com o Sr. Içuriti, nos anos de 2005 e 2006, não pode caracterizar fato gerador de imposto, pois sequer obteve a disponibilidade Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.003697/201067 Acórdão n.º 2802003.273 S2TE02 Fl. 812 5 econômica ou jurídica dos respectivos valores supostamente omitidos, como comprovam os documentos juntados aos autos pela autoridade fiscal. Assevera que o acréscimo patrimonial não se encontra no rol taxativo das situações em que a legislação autoriza a realização de presunção para exigência de tributos. Tornandose inválido o lançamento pautado pela presunção, ou seja, sem provas inequívocas de que houve acréscimo patrimonial, gerando a ausência de fato imponível a fundamentar a exigência. Fala sobre os requisitos imprescindíveis para a perfeita validade do lançamento, como tal o fato gerador da obrigação tributária em seus aspectos material, espacial e temporal, que dá causa à nulidade do lançamento. Argüiu o cerceamento de defesa, uma vez que a exigência encontrase respaldada num demonstrativo de variação patrimonial, onde se observam diversos valores que não são do conhecimento da reclamante. Ressalta, novamente, que não se encontra casada com o Sr. Içuriti Pereira da Silva, e que, portanto, não possui a menor condição de responder a respeito do acréscimo patrimonial dele, por absolta falta de conhecimento ou documento hábil para apresentar na defesa. 3.4 Da Impossibilidade De Caracterização De Responsabilidade Solidária Alega que, por total desconhecimento, os valores movimentados na conta poupança da menor Bruna não puderam ser identificados e esclarecidos, porém esclarece que a legislação não impõe para a caracterização da responsabilidade solidária apenas o mero vinculo, que nesse caso é o parentesco consangüíneo, mas sim a comprovação do ato praticado que o vincule. Argumenta que a abertura da conta poupança foi realizada pelo exmarido da reclamante, Sr. Içuriti Pereira da Silva, mas que ela não consegue comprovar a referida afirmação, pois a conta foi encerrada em 2008, e que não tinha acesso à conta, não tinha informações sobre saldo, tampouco possuía poderes para a realização de saques ou transferências dos valores. Requer que seja solicitado a CEF da Agência Miramar e Baia Norte o repasse da mencionada informação a respeito da abertura e movimentação da conta corrente para juntada aos autos. Cita trechos do Relatório Fiscal onde comprovam que o próprio Sr. Içuriti realizou as transferências da conta da menor Bruna para a sua conta corrente. Sustenta que as afirmações prestadas pelo exmarido denotam certas incongruências, pois, inicialmente afirma que os valores movimentados em conta corrente seriam todos de titularidade da filha menor Bruna. Depois, declara que até o ano de 2009 formavam uma família regular (marido, esposa e filha) e que os recursos depositados na conta eram fruto da poupança do casal, Içuriti e Silvana. Posteriormente, apresenta “mentiras sobre os valores movimentados em conta poupança e a impossibilidade de apresentação dos comprovantes de origem de tais recursos”. Conclui que deve ser cancelada a exigência com base na responsabilidade solidária por total ausência de comprovação de vinculação direta com os atos praticados. Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Destaca outro fato apontado pelo Auditor Fiscal em que seu exmarido alienou um imóvel da filha Bruna por R$ 1.200.000,00, e que apenas R$ 200.000,00 foram efetivamente depositados na conta poupança aberta em nome da menor. Rechaça a afirmação de que teria obtido vantagens da movimentação realizada pelo exmarido pelo simples fato de ter um veículo em seu nome. Diz que nem sabia que parte do valor foi quitado com recursos da conta de poupança em nome da filha Bruna, o que efetivamente sabia era que o pagamento havia sido realizado com os valores advindos da distribuição de lucros da empresa SBIT, os quais sempre foram embolsados pelo exmarido. 3.5 Da Multa Excessiva (75% e 150%) Esclarece que não basta que a penalidade imposta esteja enquadrada em lei, é necessário que seja legítima. Observa que a autoridade fiscal utilizouse de percentuais distintos na exigência da multa, aplicou o montante de 75% (setenta e cinco por cento) para o lançamento pautado no acréscimo patrimonial, e mais, o percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) na suposta omissão de rendimentos em razão da responsabilidade solidária. Frisa que inexistem provas acerca do acréscimo patrimonial e de sua vinculação ao fato gerador que impulsionou a responsabilidade solidária. Portanto, com relação ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) deve ser reduzido, uma vez que não ficou comprovado o evidente intuito de fraude. Esclarece que o próprio agente público reconhece que toda movimentação da conta de poupança da filha Bruna foi realizada pelo exmarido, Sr. Içuriti, e se houve máfé na atitude de usar a conta da filha menor foi dele. Faz referência a vários Acórdão do Conselho de Contribuintes no sentido de desqualificar a imposição da multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) quando da ausência de comprovação do intuito de fraude. Assevera que a multa fixada em 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto revestese de todas as características de confisco. Por fim, argui pela inconstitucionalidade da lei que estabeleceu a multa sob o argumento de que fere os princípios da razoabilidade, do nãoconfisco, da capacidade contributiva, da legalidade, da irretroatividade e da anterioridade da lei. 3.6 Da Ilegalidade Da Aplicação Da Taxa Selic Para o Calculo Dos Juros De Mora Alega que os juros de mora cobrados se caracterizam como ilegítimos em razão da aplicação da Taxa SELIC. Sustenta que não há lei instituidora/autorizadora da aplicação da Taxa SELIC para efeitos tributários ou mesmo lei referente à sua metodologia de cálculo. E, ainda, além de lesar o princípio da estrita legalidade tributária, a aplicação da SELIC aos créditos tributários também afronta o princípio da anterioridade, por ser taxa flutuante, manipulada de acordo com os ajustes que o governo pretende fazer na Economia. 4. DO PEDIDO Ante o exposto, REQUER: 1 – o cancelamento integralmente o Auto de Infração, em face: Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.003697/201067 Acórdão n.º 2802003.273 S2TE02 Fl. 813 7 a) da comprovação da inexistência do acréscimo patrimonial a descoberto, com a ausência de fato gerador a fundamentar tal lançamento; b) da inexistência de vinculação entre o ato e a participação da autuada que configure o fato gerador do tributo; 2 a redução da multa aplicada pelo caráter confiscatório e a ausência de comprovação do intuito de fraude a ensejar a capitulação no percentual de 150%; e 3 a diligência junto a CEF, agências Miramar e Baia Norte, para que se proceda à juntada dos documentos referente à abertura e movimentação da conta corrente em nome da menor Bruna. Examinando o assunto, a DRJ/FNS julgou improcedente a impugnação apresentada nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS OMITIDOS Os rendimentos comprovadamente omitidos na declaração de ajuste, detectados em procedimentos de ofício, serão adicionados à base de cálculo declarada para efeito de cálculo do imposto devido, aplicandose multa de ofício sobre a diferença de imposto apurada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando a contribuinte, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS PROBANDI A CARGO DA CONTRIBUINTE A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 As contribuições em atraso estão sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em apertada síntese, a decisão de primeira instância não acatou as alegações apresentadas na impugnação no sentido de que não houve comprovação nos autos dos valores depositados na conta corrente mantida em nome da menor Bruna (filha da recorrente), bem como confirmou a existência do acréscimo patrimonial a descoberto diante da inexistência de prova em contrário. Foi mantida também a aplicação da multa de 150% e 75%, incidente sobre o imposto de renda lançado, respectivamente. Cientificada em 15/05/2012, fls. 1729, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 13/06/2012, fls. 1730 a 1782, reiterando as alegações apresentadas na impugnação, aduzindo que: não se observa nos extratos bancários em nome da recorrente qualquer movimentação financeira não condizente com as informações outrora prestadas, por se tratar da pura verdade dos fatos; e esse documento deve ser manejado pelo n. relator como imprescindível para a verificação de que não houve, em nenhum momento, qualquer tipo de transferência ou depósitos inconsistentes com os rendimentos percebidos pela recorrente; tal documento sequer foi analisado em primeira instância; como já destacado na defesa inicial, o demonstrativo da evolução patrimonial apresentado pela fiscalização incluiu todos os valores percebidos pelo Sr. Içuriti ao longo dos anos calendários de 2005 e 2006; a recorrente nunca possuiu qualquer conta conjunta com o exmarido, Sr. Içuriti, e tampouco recebeu qualquer depósito em sua conta realizado por ele, sempre se manteve com os rendimentos advindos do seu trabalho na Câmara Municipal de Florianópolis; também não realizou a aquisição do veiculo que está em seu nome e aliás, quanto a essa situação, destaca que sempre soube que a troca por outro veiculo foi feita com as distribuições de lucro da empresa SBIT a qual é sócia quotista, montante esse que nunca teve a disponibilidade financeira, posto que sempre fora depositado diretamente pelo Sr. Camisão na conta do exmarido, Sr. Içuriti; o fato de ter sido intimada para prestar esclarecimentos não legitima a configuração do fato gerador do tributo ora exigido, posto que a recorrente já estava separada Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.003697/201067 Acórdão n.º 2802003.273 S2TE02 Fl. 814 9 do exmarido, e nunca teve acesso a nada que se refere as transações dele, portanto, pautase o Julgador Singular na exigência de prova negativa; o § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, destaca que, para os casos de contas utilizadas indevidamente por terceiros, a exigência seria deste último, ou seja, ainda que tenha ocorrido a interposição de pessoa, quem efetivamente responde pelo crédito é quem possuiu a disponibilidade econômica do respectivo valor, que, no presente caso, como mesmo destacou o fiscal em seu Termo de Encerramento, é o Sr. Içuriti; transcreve ementa da 4ª Turma de DRJ; sendo o Sr. Içuriti o único titular das suas contas correntes, somente para ele devese presumir omissão de rendimentos, sendo ele o único com possibilidades de apresentar qualquer documento hábil sobre suas movimentações ou sua a origem desses valores; tornase imprescindível, pois, a correção de oficio do demonstrativo de apuração da variação patrimonial para excluir da planilha os valores que não foram percebidos pela recorrente, conforme posicionamento das Delegacias de Julgamento, que transcreve em sua petição; em se tratando de tributos da espécie impostos, a definição do sujeito passivo da obrigação tributária, seja o contribuinte, designado como sujeito passivo direto, seja o responsável, também conhecido como sujeito passivo indireto, por não guardar relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, é matéria reservada à lei complementar, por força do art. 146, inc. III, alínea "a", da Constituição Federal; sendo assim, a pessoa física fica alocada no pólo passivo da obrigação tributária objeto do lançamento, e é contemplada em lei como sujeito passivo, quer como contribuinte, quer como responsável, ou não há sujeição passiva, impondose o cancelamento da exigência fiscal; não pode a condição de sujeito passivo decorrer de mera vontade da Administração Tributária, ficando ao sabor do seu arbítrio; a solidariedade não se presume, resultando apenas da lei ou da vontade das partes, de acordo com o disposto no art. 265 do Código Civil; observase do art. 134 do CTN que ele é bem claro ao dispor que a responsabilidade dos pais é nos atos em que intervieram ou pelas omissões de que forem responsáveis, mas, não pode a recorrente ser responsabilizada pela abertura de uma conta poupança realizada pelo Sr. Içuriti em nome da menor Bruna, pois não tinha conhecimento dessa conta até o início da fiscalização; conclui ser totalmente imprudente e ilegal manter uma responsabilidade solidária baseada simplesmente no regime de casamento; a fiscalização não apresentou qualquer documento ou até mesmo indício de que a recorrente tenha realizado a abertura da conta poupança em nome da menor Bruna, ou que tenha realizado movimentações ou saques, portanto, inexistente qualquer comprovação da intervenção desta nos atos supostamente ilícitos do Sr. Içuriti; esclarece que a abertura da conta poupança foi realizada pelo exmarido da recorrente, Sr. Içuriti Pereira da Silva, mas que ela não consegue comprovar a referida afirmação, pois a conta foi encerrada em 2008; Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 não tendo sido acolhido o pedido pela decisão recorrida, sob o fundamento do artigo 16, § 4º do Decreto n. 70.235/1972, ressalta a recorrente que o próprio fiscal destacou em seu relatório final que as movimentações na conta poupança da menor Bruna deramse somente pelo Sr. Içuriti; questiona a recorrente se não é a titular, tampouco realizou a abertura da conta poupança, como poderia solicitar junto ao banco as informações pertinentes? nesse sentido entende que somente por intermédio de uma diligência realizada pelo Julgador Singular, ou agora, pelo n. Relator poderá, a recorrente, comprovar que não participou da abertura da conta e que, consequentemente, não realizou qualquer depósito, transferência ou saque da respectiva instituição bancária; o que o Julgador Singular impôs à recorrente é a apresentação de uma prova negativa, ou seja, provar que não abriu a conta, que não era responsável pela movimentação, que não transferiu dinheiro para ela, e tampouco que não realizou qualquer saque; o fiscal preferiu tomar como base uma declaração dada de forma unilateral como verdade absoluta (Sr. Içuriti alega que a conta era da economia do casal), sem sequer solicitar ao banco o cartão com as assinaturas das titulares pela conta para averiguação da origem da informação, assim, não pode transferir para esta última o ônus de produzir prova negativa, para beneficiarse da dificuldade, ou mesmo da impossibilidade, da produção dessa prova; no caso, não bastaria a simples declaração do contribuinte, e sim uma análise mais acurada e a comprovação, ou ao menos indícios, de que a recorrente participou dessas transações bancárias em nome da menor Bruna ou que, simplesmente, tenha aberto a conta com seu exmarido, mas, no presente caso, a recorrente desconhecia essa conta e sua vasta movimentação; se acaso houvesse qualquer indício substancial de que a recorrente vem realizando omissão de rendimentos, seria um pouco coerente tal lançamento, mas, ao invés, sem qualquer indício de fraude ou simulação, a recorrente é notificada ao recolhimento de principal e acessório pelo simples fato de ser a mãe da menor Bruna, sem sequer ter qualquer conhecimento e envolvimento na abertura e movimentação da conta mencionada; O entendimento sobre a exigência de prova negativa impossível é veemente repudiado pelo nosso ordenamento jurídico vigente, e objetivamente desrespeita os dispositivos Constitucionais que consagram os Princípios do Devido Processo Legal e da Ampla Defesa, incisos LV e LIV, ambos do artigo 5o da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988; apesar da comprovação pelo próprio fisco de que todas as movimentações financeiras realizadas na conta poupança da menor Bruna foram realizadas única e exclusivamente pelo Sr. Içuriti, bem como o valor da venda do imóvel que estava em nome da menor foi depositado quase a integralidade na conta corrente deste ultimo, ainda assim restou mantido o percentual de 150% sobre a exigência imposta à recorrente; destacou o Julgador Singular que, em se tratando de sonegação, esse crime pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, com um propósito deliberado de se subtrair de uma obrigação tributária, ou seja, sempre existe o dolo. Já no caso da fraude, a ação ou omissão visa escamotear o pagamento do imposto devido, reduzilo, evitálo ou retardálo; Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.003697/201067 Acórdão n.º 2802003.273 S2TE02 Fl. 815 11 já restou plenamente explanado e comprovado que a recorrente não apresentou qualquer envolvimento na abertura e movimentação da conta poupança da menor Bruna. Dessa forma, baseouse o fiscal, para impor a multa, e o Julgador Singular, para manter a imposição, de que o regime de comunhão do casamento seria o fato gerador da tributação no percentual de 50% da omissão de rendimentos do exmarido, de forma presuntiva; na remota hipótese de aceitar a tese levantada pelo Julgador Singular de que a recorrente, de forma indireta, obteve vantagens pelo fato de ser casada na época da omissão de rendimentos do exmarido, cabe aqui ressaltar que "sonegação" e "fraude" é crime. E como o lançamento foi baseado na presunção legal de omissão de rendimentos, a sonegação fraude restaram presumidas somente para o exmarido da recorrente, Sr. Içuriti; observase da decisão de primeira instancia que a manutenção da multa no percentual de 150% não foi baseada em provas e indícios, posto que toda a movimentação financeira, como bem informada pelo agente fiscal, foi realizada pelo Sr. Içuriti, tanto a abertura da conta como os depósitos e saques; não restando configurada qualquer sonegação ou fraude por parte da recorrente, e considerando o frágil argumento de que a recorrente era casada, na época dos fatos com o Sr. Içuriti, único titular e responsável por todas as transações na conta poupança da menor Bruna, e que essa situação não configura fato gerador se não houver provas inequívocas do acontecido, é de extremo direito a redução da multa para o percentual de 75%; requer o cancelamento do auto de infração. O patrono da recorrente exerceu o direito de sustentação oral, reiterando e ratificando as razões de defesa anteriormente sintetizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A recorrente primeiramente contesta o lançamento da omissão de rendimentos ao argumento de que inexiste de acréscimo patrimonial a descoberto caso fosse refeita a planilha de apuração com a inclusão somente dos bens e valores por ela percebidos, já que nunca declarou o seu imposto de renda de forma conjunta com o exmarido. Conforme descrito no Auto de Infração, a tributação decorrente da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto se fundamenta, dentre outros, nas disposições expressas nos seguintes comandos legais: arts. 1° a 3°, e §§, da Lei n° 7.713, de 1988, nos arts. 1° e 2°, da Lei n° 8.134, de 1990, a seguir transcritos. Lei n° 7.713, de 1988 : Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Art. 1° Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1° de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2° O imposto de renda das pessoas físicas será devido mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. § 1° Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (grifei) Lei n° 8.134 de 1990 : Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta lei. Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido na medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11. (grifei). Também a Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), no art. 43, assim estabelece: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. (grifei). Portanto, a Lei n° 7.713, de 1988 estabeleceu que o acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos declarados constitui autêntico fato gerador do imposto de renda e, portanto, sujeito à tributação. Por caracterizar presunção relativa, impõese ao agente público o lançamento de oficio do imposto correspondente sempre que o contribuinte não justifique, por meio de documentação hábil e idônea, o acréscimo patrimonial a descoberto. Deste modo deve a recorrente evidenciar a origem de recursos que possibilitem cobrir as aplicações apontadas. Conforme mencionou a decisão recorrida, a autoridade lançadora conduziu os trabalhos de forma criteriosa, oportunizando à contribuinte esclarecer, previamente a lavratura Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.003697/201067 Acórdão n.º 2802003.273 S2TE02 Fl. 816 13 da autuação, as irregularidades apontadas, tendo sido intimada e reintimada por várias vezes a apresentar documentação comprobatória capaz de elucidar os fatos a ela imputados. Também deixou claro a decisão firmada pela instância inicial que, conforme Solução de Consulta Interna n° 39 da Cosit, de 12 de setembro de 2008, a tributação da variação patrimonial aplicável na aquisição de bens comuns ao casal deve ser feita em separado, na proporção de 50% do valor da variação patrimonial para cada cônjuge, caso não tenham apresentado a declaração de ajuste anual em conjunto. No caso concreto, a recorrente não logrou apresentar documentação que possibilite demonstrar de modo claro a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto. Limitouse tão somente a apresentar meras alegações de desconhecimento de atos praticados pelo esposo na constância da sociedade conjugal que não têm o condão de afastar a exigência tributária. Salientese que em face das discussões motivadas em face dos argumentos ofertados em sustentação oral exercida pela patrona da recorrente e à vista dos documentos que instruem os presentes autos restou esclarecido que a distribuição proporcional de 50% do rendimento omitido em decorrência da apuração de variação patrimonial a descoberto evidentemente se justifica por estar demonstrado nas planilhas "Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial" dos anoscalendário de 2005 e 2006, fls. 397 a 400, que os dispêndios e as aplicações de capital, então realizados, repercutiram em aumento do patrimônio do casal no período fiscalizado, conforme salientado inclusive pela própria autoridade lançadora às fls. 435 do Termo de Verificação Fiscal. Também restou esclarecido que a pretensão da recorrente para que sejam excluídos os rendimentos do cônjuge da mencionada planilha de apuração da variação patrimonial provoca, na verdade, efeito contrário ao pretendido em face de as aplicações realizadas no período evidenciarem aumento do patrimônio do casal. No que diz respeito ao lançamento da omissão de rendimentos caracterizada pela constatação de depósitos bancários de origem não comprovada, a recorrente contesta a exigência tributária ao argumento de ausência de fato gerador e a impossibilidade de caracterização de responsabilidade solidária. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 416, referidos depósitos bancários foram observados da conta poupança nº 1877.000804715, aberta em nome da filha menor, Bruna Archer Pereira da Silva, menor de idade, na Caixa Econômica Federal, uma vez que seus pais, Içuriti Pereira da Silva e Silvana Carolina Archer Pereira da Silva, são pessoas que se mostraram os titulares de fato da referida conta. De acordo ainda com o item 2.2 do referido Termo de Verificação Fiscal, fls. 427, para chegar a tal conclusão a autoridade lançadora intimou o cônjuge da contribuinte a apresentar os extratos bancários da referida conta de poupança, bem como informasse e comprovasse a existência de eventual cotitularidade e o responsável pela movimentação financeira. Em resposta, o sr. Içurite afirmou a inexistência de cotitularidade, assumindo, contudo, a responsabilidade pela movimentação financeira da citada conta de poupança. Como prova dessa responsabilidade, foi apresentado à fiscalização o documento de fls. 307, no qual a Caixa Econômica Federal declara que a conta pertencente à Bruna Archer Pereira da Silva, única titular, tem sua movimentação financeira efetuada pelo seu pai Sr Içutiti Pereira da Silva. Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 De acordo, ainda, com o mesmo Termo de Verificação Fiscal, a informação prestada pelo cônjuge da recorrente (responsável pela movimentação financeira) dá conta de que os créditos registrados nessa conta de poupança adviriam de recursos do casal mas que os comprovantes da origem de tais recursos não estariam disponíveis para apresentação à fiscalização. Depreendese, pois, que para caracterizar a recorrente como cotitular de fato da movimentação registrada na referida conta de poupança de titularidade de sua filha, a fiscalização baseouse, em última análise, nas informações prestadas por seu cônjuge. Por outro lado, compulsandose os autos, verificase que o único elemento de prova de responsabilidade pela movimentação financeira da referida conta de poupança da filha da recorrente é a citada declaração firmada pela Caixa Econômica Federal, fls. 307. Nesse documento, contudo, nenhuma menção expressa foi feita à recorrente nesse sentido. Observese, ainda, que o Termo de Verificação Fiscal, ao destacar o fato de que parte dos recursos depositados nessa conta (R$100.00,00) destinouse à compra de um veículo em nome da recorrente, por si só, não é suficiente para que se configure a efetiva co titularidade da recorrente em relação a essa conta bancária aberta pelo seu cônjuge em nome de sua filha. A respeito do assunto, convém transcrever a Súmula CARF nº 32 contendo o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Uma vez que não se observa a existência de documentação hábil e idônea que evidencie que a recorrente constitui efetivamente como cotitular da conta de poupança, aberta pelo seu cônjuge em nome de terceiro, não restou comprovado nos autos que os depósitos questionados pela autoridade lançadora a ela pertenciam. Diante do exposto, há que ser excluída da base tributável os valores lançados a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e, por via de consequência, deverá ser excluída a multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento). No que diz respeito à alegação de aplicação da multa de ofício confiscatória e da exigência de juros de mora com base na taxa Selic, observese que a matéria se encontra pacificada no âmbito do julgamento administrativo, uma vez que consolidada nos enunciados das Súmulas CARF abaixo transcritas: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.003697/201067 Acórdão n.º 2802003.273 S2TE02 Fl. 817 15 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base tributável os valores lançados a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19515.000656/2005-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004
MULTA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DIF-PAPEL IMUNE. RETROAÇÃO BENIGNA.
Há retroação benigna da penalidade prevista no art. 1o da Lei no 11.945/2009 aos casos de falta de entrega de DIF-Papel Imune sancionados com base no art. 57 da Medida Provisória no 2.158-35/2001, em sua redação original.
Numero da decisão: 3403-003.585
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo a retroação benigna do inciso II do art. 1o da Lei no 11.945/2009, resultando na manutenção de multas no patamar de R$ 2.500,00 (se a pessoa jurídica for micro ou pequena empresa), ou R$ 5.000,00 (caso não o seja), para cada uma das 8 DIF-Papel Imune não apresentadas, cabendo à unidade preparadora verificar o porte da recorrente, para efeito de liquidação deste julgado. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NÃO APRESENTAÇÃO DE DIFPAPEL IMUNE. RETROAÇÃO BENIGNA. Há retroação benigna da penalidade prevista no art. 1o da Lei no 11.945/2009 aos casos de falta de entrega de DIFPapel Imune sancionados com base no art. 57 da Medida Provisória no 2.15835/2001, em sua redação original. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo a retroação benigna do inciso II do art. 1o da Lei no 11.945/2009, resultando na manutenção de multas no patamar de R$ 2.500,00 (se a pessoa jurídica for micro ou pequena empresa), ou R$ 5.000,00 (caso não o seja), para cada uma das 8 DIFPapel Imune não apresentadas, cabendo à unidade preparadora verificar o porte da recorrente, para efeito de liquidação deste julgado. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 56 /2 00 5- 73 Fl. 802DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração lavrado em 07/03/2005 (fls. 51 a 53, com ciência na mesma data fl. 51)1 para exigência de multa no valor de R$ 700.000,00, pela não entrega de Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune), em relação ao 3o e ao 4o trimestres de 2002, aos quatro trimestres de 2003 e ao 1o e ao 2o trimestres de 2004. Em 15/02/2005, a recorrente foi intimada (fl. 7) a regularizar a sua situação fiscal em relação à entrega da DIFPapel Imune, de que trata a Instrução NormativaIN SRF no 71/2001 (alterada pela IN SRF no 101/2001), relativa aos referidos trimestres. Em resposta, informou estar desobrigada da apresentação, por não ser fabricante, distribuidor, importador, empresa jornalística ou editora/gráfica (pessoas descritas no art. 1o da IN SRF no 71/2001), mas organização religiosa. Às fls. 33 a 41, constam cópias extraídas do processo administrativo no 13811.000445/200267, no qual a recorrente requer o registro especial para o consumo de papel imune, tendo a empresa feito os requerimentos como “OBRA MISSIONÁRIA ALFA OMEGA, legalmente constituída para produção e impressão de folhetos, revistas e livros, oficina própria” (fls. 34 e 36). No formulário de fl. 37, /38, a recorrente assinala que é “GP Gráfica impressor de livros, jornais e periódicos, que recebe papel adquirido com imunidade tributária”. A empresa foi, assim, inscrita no Registro Especial de Gráfica (cf. Ato Declaratório Executivo no 1.422, de 15/07/2002, emitido pela Delegacia da RF de Fiscalização em São Paulo fl. 39). No Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 42 a 48, narra a fiscalização que: (a) em seu estatuto, tratase a recorrente de “uma instituição de natureza religiosa, sem fins lucrativos, tendo como objetivo divulgar o puro evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo através (sic) da venda de folhetos, livros, calendários, cursos bíblicos, fitas cassetes e CD, programa de rádio, televisão e telefone (disk mensagem)”; (b) a empresa se enquadrou como gráfica para obter o registro especial, mas não se considerou como tal na hora de cumprir a obrigação acessória de entregar a DIFPapel Imune; (c) a qualificação de gráfica, na IN de regência, é atribuída a qualquer pessoa que imprima em papel imune, independente de essa ser sua principal atividade econômica; e (d) a empresa obteve o Registro Especial, e, portanto, está obrigada a cumprir a obrigação acessória. Na impugnação de fls. 56 a 60 (com protocolo de 07/04/2005), a instituição sustenta que: (a) é uma organização religiosa, e o único objetivo com o papel imune é redução de custos em folhetos e livretos evangelísticos ou de estudo bíblico, e não comercialização; (b) os diretores nada recebem da entidade; (c) a receita e o patrimônio são constituídos de contribuições, donativos e anuidades, integralmente aplicados nos fins sociais da missão; (d) sempre apresentou suas declarações de Imposto de Renda de forma cristalina, e a não entrega da DIF se deve a informação obtida de seu escritório de contabilidade (que afirmou ter recebido a informação da IOB); (e) os fornecedores passaram a exigir que a “Obra” obtivesse o registro como gráfica, sem o que não poderiam continuar a fornecer o produto; (f) não houve máfé ao não entregar as declarações; e (g) o valor da multa supera inclusive os impostos (que, no caso, são indevidos por força de imunidade art. 150, VI “b” da CF/1988) e a própria 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 803DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.000656/200573 Acórdão n.º 3403003.585 S3C4T3 Fl. 803 3 movimentação das operações da missão. Anexa à impugnação cópias de declarações de Imposto de Renda (DIPJ fls. 95 a 146), cópias das declarações referentes ao papel imune, entregues em 30/03/2005 (fls. 147 a 224) e exemplos do material impresso (fls. 225 a 234). Em 06/11/2008 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 239 a 245), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, nos seguintes termos: (a) a instituição não contesta a situação fática que deu ensejo ao lançamento a falta de entrega das declarações; (b) é entendimento pacífico daquele colegiado (e de diversas DISIT Divisões de Tributação) que a obrigatoriedade de entrega de DIFPapel Imune decorre do simples fato de o sujeito estar inscrito no Registro Especial de que trata o art. 1o da IN SRF no 71/2001; (c) a aplicação da multa decorre do art. 57, I da Medida Provisória no 2.15835/2001; (d) a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva (cf. art. 136 do CTN); e (e) a cobrança é de multa, e não de impostos, e o colegiado administrativo não detém competência para exame de constitucionalidade. Cientificada da decisão da DRJ em 19/03/2009 (cf. AR de fl. 254), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 09/04/2009 (fls. 256 a 267), tecendo considerações sobre a imunidade de impostos sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão, e sobre a imunidade de impostos a templos de qualquer culto, e reiterando a argumentação exposta na impugnação, destacando ainda que a penalidade acarretará o fechamento da empresa, por irregularidade formal, sem qualquer prejuízo para o fisco, e que as DIF foram entregues, ainda que após a autuação. Por fim, informa que não houve sequer detalhamento da base de cálculo da multa na autuação, e reapresenta a documentação já anexada na impugnação, acrescentando ainda cópias dos livros “O verdadeiro consolo” e “Procure salvar quem está sendo arrastado para a morte”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Cabe destacar que não há controvérsia em relação a fatos. As discussões se restringem à leitura jurídica de tais fatos. É incontroverso que a empresa possui “Registro Especial de Gráfica”. Isso brota de sua própria demanda e do teor do Ato Declaratório de Concessão (fl. 39): Fl. 804DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 Também não há contencioso sobre o fato de a empresa ser entidade religiosa (e de caráter não lucrativo), com a consequente imunidade de impostos, ou sobre haver previsão de imunidade para livros, periódicos e o papel destinado a sua impressão. Não há ainda dúvida levantada sobre tal imunidade de impostos se aplicar à recorrente. Também está claro que não houve máfé (o que acaba sendo irrelevante diante da responsabilidade objetiva prevista no art. 136 do CTN). O que se está a discutir no presente processo, no entanto, não se refere a impostos, ou a multa por falta de seu recolhimento. Tratam os autos, sim, de falta de cumprimento de uma obrigação acessória (dever instrumental) de entregar declaração, no caso a DIFPapel Imune. A obrigação de apresentar a DIF (e a consequência da nãoapresentação) estão claramente estabelecidas na IN SRF no 71/2001, vigente à época: “Art. 1º Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1º do Decretolei Nº 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. (...) Art. 10. Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1º. Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 134, de 08 de fevereiro de 2002) (...) Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da Fl. 805DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.000656/200573 Acórdão n.º 3403003.585 S3C4T3 Fl. 804 5 penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória Nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001.” E a penalidade aplicada foi exatamente a então prevista no art. 57, I da Medida Provisória no 2.15835/2001 (conforme se externa no enquadramento legal da autuação fl. 52): Também no TVF se afirma que a capitulação legal da infração é no inciso I do art. 57 (fl. 47): O art. 57 da Medida Provisória no 2.15835/2001 apresentava, à época, a seguinte redação (com destaque para o inciso I): “Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (...)” (grifo nosso) (o art. 16 da Lei no 9.779/1999 dispões que “compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável) Analisando os demonstrativos anexos à autuação, percebese que as bases adotadas foram as seguintes (fls. 48 a 50): Fl. 806DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 Observando a tabela, percebese que as bases são exatamente o resultado da multiplicação de R$ 5.000,00 pelo número de meses completados entre a data em que deveria ser entregue cada DIF (data de referência) e a data da autuação (07/03/2005). Assim, por exemplo, a penalidade para a DIF a ser entregue em 30/07/2004 equivale a R$ 5.000,00 multiplicado por 7 (meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2004, e janeiro e fevereiro de 2005), resultando nos R$ 35.000,00 que estão relacionados na autuação. E vejase a informação final do TVF (fl. 46): Com o texto, buscava o fisco esclarecer que se a instituição continuasse a não entregar as declarações, novas autuações poderiam ser lavradas para períodos subsequentes a março de 2005 (acrescendo mais R$ 5.000,00 em cada multa, por mês). Essas autuações complementares foram afastadas pela recorrente ao apresentar as DIF ainda em 30/03/2005. Mas o lançamento presente na autuação remanesceu. Um mês depois do julgamento pela DRJ, surge a Medida Provisória no 451/2008, posteriormente convertida na Lei no 11.945/2009. Tal lei cria penalidade mais específica (e mais branda) para o caso, dispondo em seus arts. 1o e 2o (ambos vigentes a partir de 16/12/2008, cf. art. 33, IV, “a” da lei): Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.000656/200573 Acórdão n.º 3403003.585 S3C4T3 Fl. 805 7 (...) § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. Art. 2o O Registro Especial de que trata o art. 1o desta Lei poderá ser cancelado, a qualquer tempo, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil se, após a sua concessão, ocorrer uma das seguintes hipóteses:(Produção de efeitos). I desatendimento dos requisitos que condicionaram a sua concessão; II situação irregular da pessoa jurídica perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ; III atividade econômica declarada para efeito da concessão do Registro Especial divergente da informada perante o CNPJ ou daquela regularmente exercida pela pessoa jurídica; (...)” (grifo nosso) Passou, assim, a haver penalidade específica para o caso, e que pode retroagir tendo em vista o comando do art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional: “a lei se aplica a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática”. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 A alteração legislativa de ordem legal ocasionou a revogação da IN SRF no 71/2001, tendo a Instrução Normativa revogadora (IN RFB no 976/2009), em seu art. 12, reproduzido as penalidades constantes nos arts. 1o e 2o da Lei no 11.945/2009. Quanto ao fato de ser benigna a retroação, no caso em análise, não há dúvidas, visto que a penalidade prevista no inciso II do art. 1o da Lei no 11.945/2009, de R$ 2.500,00 ou R$ 5.000,00 (não se tem nos autos a informação conclusiva sobre ser a recorrente “micro ou pequena empresa”), não é por mêscalendário, mas por DIF não apresentada. Como no caso em análise o fisco apurou a falta de 8 DIFPapel Imune, a cada uma delas deve ser aplicada a penalidade de R$ 5.000,00 ou R$ 2.500,00, dependendo do porte da empresa, a ser verificado pela unidade preparadora quando da implementação/liquidação deste julgado. E a soma das oito penalidades de R$ 5.000,00 ou de R$ 2.500,00 é certamente inferior aos R$ 700.000,00 lançados. Adicionese que não se aplica ao caso o disposto no inciso I do art. 1o da Lei no 11.945/2009 (por não ter o fisco sequer examinado as DIF apresentadas em 30/03/2005 no presente processo, o que poderia ser oportunamente feito em procedimento posterior, dentro dos prazos previstos na legislação), nem a redução prevista no § 5o do art. 1o da mesma lei (porque a apresentação extemporânea da DIF ocorreu após procedimento de ofício, resultante na autuação). Cabe ainda salientar que a base legal explícita da autuação (art. 57 da Medida Provisória no 2.15835/2001) foi alterada por duas vezes (sempre tratando genericamente de obrigações acessórias): inicialmente pela Lei no 12.766/2012 (art. 8o), e depois pela Lei no 12.873/2013 (art. 57). Mas pela especificidade, prevalecem, no caso, as penalidades previstas na Lei no 11.945/2009 (que tratam objetivamente de papel imune). Assim, deve ser aplicado ao caso retroativamente o inciso II do art. 1o da Lei no 11.945/2009, resultando na manutenção de multas no patamar de R$ 2.500,00 (se a pessoa jurídica for micro ou pequena empresa), ou R$ 5.000,00 (caso não o seja), para cada DIF não apresentada, cabendo à unidade preparadora verificar o porte da recorrente, para efeito de liquidação deste julgado. Por mais que se reconheça a nobre atividade da recorrente, e a ausência de máfé na falta de entrega da DIFPapel Imune, este julgador deve cumprir de forma imparcial o disposto na legislação, da mesma forma como agiu o juiz honesto, de toga, na mensagem de fl. 226, divulgada pela recorrente: Fl. 809DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.000656/200573 Acórdão n.º 3403003.585 S3C4T3 Fl. 806 9 Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo a retroação benigna do inciso II do art. 1o da Lei no 11.945/2009, resultando na manutenção de multas no patamar de R$ 2.500,00 (se a pessoa jurídica for micro ou pequena empresa), ou R$ 5.000,00 (caso não o seja), para cada uma das 8 DIFPapel Imune não apresentadas, cabendo à unidade preparadora verificar o porte da recorrente, para efeito de liquidação deste julgado. Rosaldo Trevisan Fl. 810DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 15374.920821/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Adriana Gomes Rêgo Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Adriana Gomes Rêgo Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 20 82 1/ 20 08 -5 9 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15374.920821/200859 Resolução nº 1301000.269 S1C3T1 Fl. 80 2 Relatório Sirvome do relatório constante da decisão de primeiro grau para retratar os fatos e as razões de defesa inicialmente trazidas pela contribuinte. Versa o presente processo sobre o PER/DCOMP 13219.61366.010405.1.2.02 1126 (fl. 02/04), por meio da qual a interessada pleiteia restituição de pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao exercício 2000 data do evento 28/04/2000 da sucedida Sul América Agro Pastoril do Nordeste CNPJ 07.469.406/000167. De acordo com o Despacho Decisório n° 783769570 emitido em 26/08/2008 (fl. 07), foi indeferido o pedido de restituição formulado através do PER/DCOMP anteriormente relacionado, tendo em vista que: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, uma vez que não há Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com apuração do saldo negativo demonstrado no PER/DCOMP. CNPJ do detentor do crédito: 07.469.406/000167; Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 54.115,59. Cientificada do referido Despacho em 02/09/2008 (fl. 06), apresentou a interessada, em 02/10/2008, a manifestação de inconformidade de fl. 09/10, juntamente com os documentos de fl. 11/49, na qual alega em síntese que: • Inicialmente esclarece que, em 01/04/2005, apresentou PER/DCOMP modelo 1.6 objetivando ver reconhecido o seu direito de ter restituído o valor de R$ 54.115,59 relativo a crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado pela sua incorporadora Sul América Agro Pastoril do Nordeste no período compreendido entre 01/01/2000 a 28/04/2000 (data da sua incorporação pela requerente); • A DERAT, ao analisar o PER/DCOMP, não homologou as compensações pleiteadas sob a alegação de que "... não foi possível confirmar a apuração do crédito, uma vez que não há Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com apuração de saldo negativo demonstrado no PER/DCOMP ..."; • Contudo, verificase que o saldo em questão está devidamente informado na DIPJ entregue pela Incorporada a época da incorporação (vide linha 18 da ficha 13 da DIPJ 2000/2000 em anexo doc. 3 e documentos da incorporação doc. 4); • Com efeito, como na versão 1.6 da PER/DCOMP utilizada não havia campo para consignar nesses casos o exercício, a requerente, além de fazer constar a ocorrência da incorporação no campo "situação especial", informou o saldo negativo como decorrente do período compreendido entre 01/01/2000 e 28/04/2000 e na data do evento 28/04/2000; • Requer reforma do Despacho Decisório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15374.920821/200859 Resolução nº 1301000.269 S1C3T1 Fl. 81 3 Foram juntados aos autos Relatórios do Sistema CNPJ / Consulta / RFB (fl. 51/52) e do Sistema IRPJ / IRPJCONS/ Consulta / RFB (fl. 53). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 1231.352, de 17 de junho de 2010, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. RESTITUIÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de crédito que pretende ter restituído. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 64/69, por meio do qual sustenta: que o fundamento esposado no ato decisório recorrido não pode prosperar, pois à época, como evidencia a sua denominação estampada nos próprios atos que deliberam a incorporação (Sul América Santa Cruz Seguros S.A.), ela era uma empresa seguradora e, conforme exige a letra "a" do artigo 36 do DecretoLei n° 73/66 c/c artigo 10 da Circular SUSEP n° 260/2004, era obrigada, no prazo máximo de trinta dias, a submeter à Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) pedido de autorização para a incorporação de outra sociedade; que, como determina o artigo 5° da mencionada Circular SUSEP nº 260/2004, somente após a homologação pela SUSEP é que ela poderia solicitar arquivamento dos documentos relativos à incorporação na Junta Comercial; que, pelo que se depreende da Carta SUSEP/DECON/GAB 289/2001 ora anexada (doc. 1), o pedido de autorização protocolado em 23.05.2000 foi deferido pela SUSEP em 22.02.2001 e, em 08.03.2001, pelo n° de protocolo 002001/033.9159, (fls. de protocolo na Junta anexada à manifestação de inconformidade), ou seja, dentro do prazo de 30 dias exigido pela letra “a”, inciso II, do artigo 32 da Lei n° 8.934/94, ela arquivou os citados atos na JUCERJA; que, a teor do mencionado dispositivo legal, os efeitos do arquivamento retroagiram à data da realização das assembléias que deliberam a incorporação (28.04.2000); que, atendidas todas as exigências legais no que se refere à incorporação, não pode ser a ela imputada a responsabilidade por demora na baixa do CNPJ da empresa incorporada, face as inúmeras exigências realizadas pela RFB, ou ainda, ausência de registro nos sistemas desse órgão de DIPJ regularmente entregue. É o Relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15374.920821/200859 Resolução nº 1301000.269 S1C3T1 Fl. 82 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte SUL AMÉRICA SANTA CRUZ PARTICIPAÇÕES indica para o encontro de contas crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo ao exercício 2000, apurado pela sucedida SUL AMÉRICA AGRO PASTORIL DO NORDESTE. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro (Derat/RJO), unidade administrativa que primeiro analisou a compensação requerida pela contribuinte, a indeferiu por não localizar Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) com apuração do saldo negativo demonstrado no PER/DCOMP (Despacho Decisório – eletrônico – fls. 07). Apresentada Manifestação de Inconformidade, a Turma Julgadora de primeira instância também indeferiu o pedido ali veiculado, servindose, para tanto, dos seguintes fundamentos: i) não restou comprovada nos autos a incorporação, por parte da Recorrente, da pessoa jurídica SUL AMÉRICA AGRO PASTORIL DO NORDESTE; ii) não foi possível atestar o registro da extinção, por incorporação, da empresa SUL AMÉRICA AGRO PASTORIL DO NORDESTE na Junta Comercial; iii) a pessoa jurídica SUL AMÉRICA AGRO PASTORIL DO NORDESTE encontrase “baixada”, por motivo de INAPTIDÃO, tendo como data da situação 31 de dezembro de 2008; iv) embora reste comprovada a entrega, por parte da pessoa jurídica incorporada, da DIPJ/2000, período de 01/01/2000 a 28/04/2000, uma vez que não restou comprovada à Receita Federal a ocorrência do evento de incorporação, referida declaração não foi aceita (conclusão extraída a partir da ausência de registro de recepção nos controles internos da Receita Federal); v) competia à SUL AMÉRICA AGRO PASTORIL DO NORDESTE adotar todas as providências junto aos órgãos competentes, inclusive no que diz respeito à baixa de inscrição no CNPJ; e vi) a requerente (SUL AMÉRICA SANTA CRUZ PARTICIPAÇÕES) não possui legitimidade para pleitear restituição de tributo pago a maior pela pessoa jurídica SUL AMÉRICA AGRO PASTORIL DO NORDESTE. Por entender necessária a complementação de informações, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a unidade administrativa de origem, sem adentrar ao mérito dos fundamentos da decisão exarada em primeira instância, emita Parecer acerca da liquidez e certeza do direito creditório indicado pela contribuinte para fins de compensação tributária. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15374.920821/200859 Resolução nº 1301000.269 S1C3T1 Fl. 83 5 Solicitase que a contribuinte seja cientificada do Parecer ora requerido, para, se quiser, aditar razões. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000660/2001-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO FORMAL NA DIGITAÇÃO DO ACÓRDÃO. PROCEDÊNCIA.
Havendo erro formal na digitação do acórdão, é cabível a oposição de Embargos de Declaração visando à sua correção.
Embargos acolhidos sem efeitos modificativos do julgado.
Numero da decisão: 3402-002.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, ALEXANDRE KERN, JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e eu, ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO FORMAL NA DIGITAÇÃO DO ACÓRDÃO. PROCEDÊNCIA. Havendo erro formal na digitação do acórdão, é cabível a oposição de Embargos de Declaração visando à sua correção. Embargos acolhidos sem efeitos modificativos do julgado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, ALEXANDRE KERN, JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e eu, ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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ERRO FORMAL NA DIGITAÇÃO DO ACÓRDÃO. PROCEDÊNCIA. Havendo erro formal na digitação do acórdão, é cabível a oposição de Embargos de Declaração visando à sua correção. Embargos acolhidos sem efeitos modificativos do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, ALEXANDRE KERN, JOAO CARLOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 06 60 /2 00 1- 16 Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e eu, ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13052.000660/200116 Acórdão n.º 3402002.631 S3C4T2 Fl. 1.658 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls.1650/1652) opostos pela Fazenda Nacional, por suposta contradição no v. Acórdão nº 3402002.377, exarado por esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 1642/1648, numeração de páginas em meio eletrônico – “ne.”) de minha relatoria que, em sessão de 24/04/2014, fez constar da súmula do julgamento que, por unanimidade de votos, acolheuse os embargos, no sentido de anular a decisão embargada, sendo que da respectiva Ementa constou o seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE CONTEÚDO DO VOTO, SÚMULA DO ACÓRDÃO E EMENTA. CONTRADIÇÃO INVENCÍVEL. ANULAÇÃO DO JULGAMENTO ANTERIOR. Constatada contradição invencível entre o conteúdo material do voto condutor do julgado e respectiva ementa, e o conteúdo expresso no resultado do julgamento contido na súmula do Acórdão, e mostrandose impossível sanearse contradição mediante embargos, deve se anulada a decisão anterior para que outra seja novamente proferida, cabendo imprimir efeitos infringentes aos embargos de declaração. Embargos acolhidos. Entende a Embargante que a decisão embargada (consignada no Acórdão 3402002.377) contém contradição no texto proferido, quando determinou a anulação de acórdão diverso (acórdão nº 20180.386) da decisão efetivamente embargada (3402001.119). Esta determinação supostamente equivocada está consignada na parte dispositiva do Acórdão 3402002.377, às fls. 06, e, fls. 1647 (n.e) dos autos. Em face destes elementos, a Embargante requer que sejam conhecido e providos os embargos, para o fim de que seja sanada a contradição arguida. É, em apertada síntese, o relatório. Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. O presente Embargos preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, de fato, há uma contradição de erro formal no acórdão, quando consignou: “Ante o exposto, face às fundamentações acima expostas, conheço e acolho os Embargos Declaratórios, para anular o v. Acórdão nº 20180.386 exarado pelo 2ª Turma da 4º Câmara do CARF, devendo ser proferida nova decisão após o transcurso do prazo legal de recursos pelas partes interessadas, quando deverão os autos retomarem o curso do devido processo legal”, quando na verdade, houve apenas erro formal na digitação quanto ao número do Acórdão a ser anulado. Assim, verificase que de fato assiste razão o contribuinte em embargar o citado acórdão visto que o resultado de julgamento contém erro de digitação quanto ao número do Acórdão a ser anulado. Constatase de fato, que o Acórdão que restara anulado pela decisão aqui embargada, efetivamente tratase daquele numerado como 3402001.119, de modo que estáse diante de mero erro material na redação da decisão, devendo ser acolhido os embargos para saneamento do vício. Em face do exposto, voto em acolher e dar provimento aos embargos de declaração, para retificar a parte dispositiva do acórdão, que ficará redigida nos seguintes termos: Ante o exposto, face às fundamentações acima expostas, conheço e acolho os Embargos Declaratórios, para anular o v. Acórdão nº 3402001.119 exarado pela 2ª Turma da 4ª Câmara do CARF, devendo ser proferida nova decisão após o transcurso do prazo legal de recursos pelas partes interessadas, quando deverão os autos retomarem o curso do devido processo legal. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13052.000660/200116 Acórdão n.º 3402002.631 S3C4T2 Fl. 1.659 5 Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10830.907773/2012-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/03/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 77 73 /2 01 2- 41 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907773/201241 Acórdão n.º 3801004.775 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF trinta e três processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de cofins ou contribuição para o PIS/Pasep, e o ônus da prova deste direito. Em alguns processos, foi indeferida totalmente a declaração de compensação de débitos da contribuinte com o crédito pleiteado, por falta de comprovação da liquidez e certeza de todo o crédito, em outros, foi homologada parcialmente a declaração de compensação, porque foi comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito pleiteado. Esta diferença não exige mudanças nos acórdãos dos julgamentos, pois o que está sob julgamento é justamente o crédito não reconhecido e a parte não homologada das declarações de compensação. O crédito reconhecido e a parte homologada não estão em discussão. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição social e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907773/201241 Acórdão n.º 3801004.775 S3TE01 Fl. 4 3 Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório, em expediente que foi recebido como manifestação de inconformidade: “Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 10/08/2012, alegando que a Receita Federal mantém os controles de apropriação e pagamento dos impostos federais, assim como uma conta corrente de cada contribuinte, na qual podem ser visualizados os pagamentos efetuados de forma correta, os pagamentos a maior e os pagamentos a menor. Assevera que o despacho decisório não pode progredir, porque a RFB cobra o mesmo valor pago pelo contribuinte, quando, na verdade, foi preenchido um PER/DCOMP que demonstra de forma clara que aquele pagamento foi efetuado a maior e dele se extraí os valores devidos a título de impostos. Apresenta um demonstrativo da composição do PER/DCOMP nº 27613.24430.280909.1.3.047698, identificando o valor devido de COFINS, o valor da guia de recolhimento, o saldo do pagamento a maior e as compensações efetuadas. Alega ainda que houve a retificação da DIPJ do anobase de 2005, na qual a receita foi apropriada de forma errada e, por isto, originou também a retificação de todos os cálculos dos impostos federais. Ressalta que havendo necessidade de retificação do PER/DCOMP, solicita autorização para o ajuste, porém, o valor original disponível desde a data especificada, corrigido monetariamente, possibilitou a compensação declarada. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: ... Data do fato gerador: ... DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.” No recurso voluntário a recorrente alega o seguinte: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907773/201241 Acórdão n.º 3801004.775 S3TE01 Fl. 5 4 i) O ICMS que faz parte do valor total de conhecimentos de transporte não compõe o valor tributado pela cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. ii) Juntou cópia da DIPJ 2006/2005, retificada, que demonstra que estas contribuições foram reduzidas em seus valores anteriormente apresentados. iii) No próprio PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. iv) Não apresentou retificação da DCTF e do DACON, primeiro, por problemas com o contador; depois, porque teria ocorrido prescrição para a retificação. v) Calculou a cofins e a contribuição para o PIS/Pasep sobre um valor que incluía o ICMS e, após, corrigiu o faturamento, excluindo este imposto da base de cálculo, logo, tem direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907773/201241 Acórdão n.º 3801004.775 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Certeza e liquidez do crédito pleiteado. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de contribuição social. Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/BHE, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907773/201241 Acórdão n.º 3801004.775 S3TE01 Fl. 7 6 A recorrente afirma que juntou cópia da DIPJ 2006/2005 retificada, a qual demonstraria redução dos valores das contribuições anteriormente apresentados, e apresenta justificativas para não ter retificado a DCTF e o DACON. Não encontrei nos autos nenhuma DIPJ, original ou retificada. Logo, inócua a alegação. Quanto à falta de retificação da DCTF e do DACON, esta não é determinante para o julgamento, uma vez que o CARF tem reconhecido o direito ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, independentemente de retificação da DCTF e do DACON, desde que o direito seja comprovado por documentos e livros fiscais e contábeis hábeis. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. De qualquer modo, o importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito pleiteado. Há menção de que seria decorrente da inclusão do ICMS integrante de conhecimento de transporte na base de cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, porém, não é tecido nenhum argumento sobre esta matéria. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Declaração de compensação errada e competência do CARF No recurso, ao contrário da manifestação de inconformidade, nada foi dito sobre erro na Declaração de Compensação ou sobre a necessidade de sua retificação. Apenas se afirmou que, no PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. Porém, tendo em vista que possível erro na DCOMP é questão que permeia os autos e que a decisão da DRJ tratou desta matéria; que a Administração deve atender aos princípios da legalidade, da moralidade, do interesse público e da eficiência; e que o princípio da verdade material é especialmente levado em consideração nos julgamentos neste Conselho; teço algumas considerações que me levam a concluir pela manutenção da decisão recorrida na íntegra. O processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907773/201241 Acórdão n.º 3801004.775 S3TE01 Fl. 8 7 O rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplica, em princípio, aos processos administrativos de pedidos de compensação, pois não são processos de determinação e exigência de créditos tributários, tampouco de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal.. Porém, por força do art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não homologada a compensação, o sujeito passivo poderá apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa de não homologação e recurso contra decisão que julgue improcedente a manifestação de inconformidade. Ambos, manifestação de inconformidade e recurso, seguirão o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais_CARF, que, conforme art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009, é competente para julgar, em segunda instância, processos que seguem o rito deste decreto, possui competência para julgar recursos contra decisões da DRJ que julgaram improcedentes manifestações de inconformidade contra não homologação de declarações de compensação. Quanto à retificação de declarações de compensação, a situação é diferente. Cito o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907773/201241 Acórdão n.º 3801004.775 S3TE01 Fl. 9 8 § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União A exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo; e, ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deve realizarse pela entrega de declaração retificadora, tal como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003; nos arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005; nos arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008; e nos arts. 88 a 90 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Conforme assentado no acórdão recorrido, a retificação de declaração de compensação deveria ser requerida por meio de documento retificador gerado a partir do programa PER/DCOMP. Não há nos autos nenhum documento retificador gerado nesta condição. Assim, não pode o CARF determinar a homologação da DCOMP tal como formalizada, ainda que errada, pois esta extingue o crédito tributário, sob condição resolutória, e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907773/201241 Acórdão n.º 3801004.775 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13706.001375/2002-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1984
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. ÔNUS DA PROVA.
É de se negar o pedido de restituição do IRRF quando os elementos juntados aos autos não são suficientes para caracterização da existência do indébito no referido exercício e, ainda, não restem caracterizados como isentos os rendimentos recebidos.
Numero da decisão: 2101-002.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo de Souza Leão e Daniel Pereira Artuzo, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redação do voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. É de se negar o pedido de restituição do IRRF quando os elementos juntados aos autos não são suficientes para caracterização da existência do indébito no referido exercício e, ainda, não restem caracterizados como isentos os rendimentos recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo de Souza Leão e Daniel Pereira Artuzo, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redação do voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 13 75 /2 00 2- 61 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEI RA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 334/340) interposto em 18 de julho de 2013 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) (efls. 325/331), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade de efls. 316/321, não reconhecendo o direito creditório do contribuinte relativamente a imposto de renda retido na fonte no anocalendário de 1983. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1983 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Ainda que se conclua pela isenção da verba recebida por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, deve ser negado o pedido de restituição do IRRF quando os elementos juntados aos autos não são suficientes para que se conclua que o contribuinte pagou imposto em valor superior ao devido no anocalendário em que foram auferidos os rendimentos, verificação que deve ser realizada mediante retificação dos valores informados na declaração de ajuste anual do exercício em questão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” (efl. 325). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 334/340), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para reconhecer o direito creditório pleiteado. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da DRJ que rejeitou a manifestação de inconformidade do contribuinte apresentada em face de despacho decisório que negou a restituição de IRPF incidente sobre verba recebida no anocalendário de 1983 da IBM Brasil – Indústria, Máquinas e Serviços Ltda., tendo o contribuinte alegado que a importância fora paga em razão de sua adesão a Programa de Incentivo a Demissão Voluntária, não se submetendo, portanto, à incidência do imposto de renda, consoante estabelecido na IN SRF n.º 165, de 1998. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEI RA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 13706.001375/200261 Acórdão n.º 2101002.635 S2C1T1 Fl. 345 3 Inferese dos autos que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) entendeu que os elementos dos autos não seriam suficientes para a realização do cálculo do saldo do imposto a restituir em favor do contribuinte, não permitindo sequer a aferição da existência de eventual montante a ser devolvido. Entendeu, ainda, que não seria razoável que se entendesse como dever da Administração Tributária a manutenção indefinida em seus arquivos das informações de todos os contribuintes, consignando, por fim, que o contribuinte não teria se desincumbido do ônus de comprovar os valores. Como se verifica dos autos, a própria DRJ reconheceu que os documentos juntados aos autos comprovavam a adesão do contribuinte ao Programa de Demissão Voluntária da IBM, tendo recebido a verba denominada “Gratificação Especial por Tempo de Serviço”. Neste sentido, os documentos acostados nas efls. 160/161 e, posteriormente, nas e fls. 298 e seguintes, notadamente o Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho, comprovam as retenções realizadas pela empregadora em função da adesão ao PDV. Caso não houvesse comprovação das retenções do Imposto sobre a Renda realizadas pela empregadora, o que de fato ocorreu nestes autos, eventual cobrança das diferenças dos valores não recolhidos deveria ser realizada diretamente da IBM, já que esta assumiu tal responsabilidade, nos termos do próprio Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho. Considerando, portanto, que no presente caso é incontestável a retenção dos valores pela empregadora no contexto do PDV, sendo cabível, portanto, a restituição dos valores ao contribuinte, de rigor que haja a reforma do acórdão proferido pela instância julgadora. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia à posição do Conselheiro Relator, ouso divergir no que diz respeito à suficiência da comprovação de adesão ao PDV, acompanhada da comprovação da existência de retenção de valores, a fim de que se possa dar provimento ao recurso, reconhecendose, assim, o direito à restituição do contribuinte no caso em questão. Inicialmente, em linha com o entendimento já esposado pela autoridade julgadora de 1a. instância, também entendo que a necessária caracterização de existência de indébito, dando azo, assim, à restituição pleiteada, só poderia ser feita no âmbito da declaração de ajuste, considerada aqui a ocorrência do fato gerador em 31/12 do ano do recebimento Fl. 346DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEI RA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 4 (1983), o que não ocorreu no caso em questão. Ressalto, a propósito, que, ainda que se tratasse de verba isenta recebida, poderia a fonte retida não ser passível de restituição quando do ajuste anual, o que poderia ocorrer, por exemplo, caso o contribuinte tivesse auferido rendimentos tributáveis de outra(s) fonte(s) pagadora(s) no mesmo anocalendário não sujeitos à antecipação, fazendo com que os valores antecipados fossem utilizados para quitação do montante tributável oriundo destes rendimentos, apurado quando do ajuste. Quanto ao ônus da prova, não vejo reparo ao posicionamento delineado pela autoridade de 1a. instância de incumbir, aqui, ao autuado, visto que constitutivo de seu direito. Ainda, como fundamento adicional, com a devida vênia agora a pressuposto constante da decisão da autoridade julgadora de 1a. instância, entendo que dependeria o provimento do recurso, ainda, da efetiva caracterização da aplicabilidade da isenção do Imposto de Renda às verbas recebidas, o que, entendo, poder se afastar, aqui, considerandose a nítida denominação da rubrica de “Gratificação Especial por Tempo de Serviço”, paga, note se, anteriormente à isenção estabelecida pelo art. 14 da Lei no 9.468, de 10 de julho de 1997, se tratando, aqui, em meu entendimento, o valor recebido de “indenização especial”, sujeita à incidência do imposto de renda. Tal entendimento encontra detalhamento e respaldo, inclusive, na jurisprudência pacificada do STJ acerca do tema, abaixo reproduzida, que é expressa em remeter a hipótese de não incidência de gratificações desta natureza à isenção de recursos a título de PDV estabelecida com fulcro no art. 39, inciso XIX do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), dispositivo este que reproduz o art. 14 da Lei no 9.468, de 1997, e que, repitase, trata de isenção inexistente à época do recebimento pelo autuado no caso sob análise. (...) No entanto, no atinente especificamente à incidência do desconto do IR sobre verbas auferidas, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho do recorrido, a título de “indenização especial” (gratificações, gratificações por liberalidade e por tempo de serviço), in casu, nominadas de “Indenização – Incentivo ao Desligamento” e “Indenização – Renúncia às Estabilidades”, rendome à posição da egrégia 1ª Turma, que decidiu: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PAGAMENTO DE GRATIFICAÇÃO A EMPREGADO, POR OCASIÃO DA RESCISÃO DO CONTRATO, A TÍTULO ESPONTÂNEO, EM RECONHECIMENTO A RELEVANTES SERVIÇOS PRESTADOS AO EMPREGADOR. NATUREZA. REGIME TRIBUTÁRIO DAS INDENIZAÇÕES. DISTINÇÃO ENTRE INDENIZAÇÃO POR DANOS AO PATRIMÔNIO MATERIAL E AO PATRIMÔNIO IMATERIAL. 1. O imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador, nos termos do art. 43 e seus parágrafos do CTN, os “acréscimos patrimoniais”, assim entendidos os acréscimos ao patrimônio material do contribuinte. 2. Indenização é a prestação destinada a reparar ou recompensar o dano causado a um bem jurídico por ato ou omissão ilícita. Os bens jurídicos lesados podem ser (a) de natureza patrimonial (= integrantes do patrimônio material) ou (b) de natureza nãopatrimonial (= integrantes do patrimônio Fl. 347DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEI RA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 13706.001375/200261 Acórdão n.º 2101002.635 S2C1T1 Fl. 346 5 imaterial ou moral), e, em qualquer das hipóteses, quando não recompostos in natura, obrigam o causador do dano a uma prestação substitutiva em dinheiro. 3. Não tem natureza indenizatória, sob esse aspecto, o pagamento correspondente a uma prestação que, originalmente (= independentemente da ocorrência de lesão), era devida em dinheiro, pois, em tal caso, há simples adimplemento in natura da obrigação. Igualmente, não tem natureza indenizatória o pagamento em dinheiro que não tenha como pressuposto a existência de um dano causado por ato ilícito. 4. O pagamento de indenização pode ou não acarretar acréscimo patrimonial, dependendo da natureza do bem jurídico a que se refere. Quando se indeniza dano efetivamente verificado no patrimônio material (= dano emergente), o pagamento em dinheiro simplesmente reconstitui a perda patrimonial ocorrida em virtude da lesão, e, portanto, não acarreta qualquer aumento no patrimônio. Todavia, ocorre acréscimo patrimonial quando a indenização (a) ultrapassar o valor do dano material verificado (= dano emergente), ou (b) se destinar a compensar o ganho que deixou de ser auferido (= lucro cessante), ou (c) se referir a dano causado a bem do patrimônio imaterial (= dano que não importou redução do patrimônio material). 5. A indenização que acarreta acréscimo patrimonial configura fato gerador do imposto de renda e, como tal, ficará sujeita a tributação, a não ser que o crédito tributário esteja excluído por isenção legal, como é o caso das hipóteses dos incisos XVI , XVII , XIX , XX e XXIII do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza, aprovado pelo Decreto 3.000, de 31.03.99 (g.n.). 6. No caso, o pagamento feito pelo empregador a seu empregado, a título de gratificação, em reconhecimento por relevantes serviços prestados à empresa, não tem natureza indenizatória. E, mesmo que tivesse, estaria sujeito à tributação do imposto de renda, já que (a) importou acréscimo patrimonial e (b) não está beneficiado por isenção. A lei isenta de imposto de renda "a indenização (...) por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho" (art. 39 do RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/99). 7. Recurso especial provido. (REsp 637623/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 06/06/05) No mesmo sentido e do mesmo Relator: REsp nº 652373/RJ, DJ de 01/07/2005; REsp nº 775701/SP, DJ de 07/11/2005. Na mesma linha são os precedentes da 1ª Seção: EREsps nºs 770078/SP, DJ de 11/09/06; 742773/SP, DJ de 04/09/06; 775701/SP, DJ de 01/08/06; AgRg nos EREsp nº 758417/SP, DJ de 01/08/06; EAG nº 687462/SP, DJ de 04/09/06, dentre outros. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEI RA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 6 Por tais razões, conheço do agravo para prover o recurso especial (art. 544, § 3º, do CPC) para que incida o IR, apenas e tãosomente, sobre as verbas auferidas, por ocasião da rescisão de contrato de trabalho, a título de “indenização especial” (gratificações, gratificações por liberalidade e por tempo de serviço (g.n.)), o que, no caso dos autos, representa as “Indenização – Incentivo ao Desligamento” e “Indenização – Renúncia às Estabilidades”. (STJ, Ag 967028, DJ de 14/02/2008, Rel. Min. José Delgado). Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado Fl. 349DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEI RA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Numero do processo: 10680.013648/2006-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 173, I, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, inexistindo a ocorrência de pagamento, impõe-se a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, nos termos do artigo 173, inciso I, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual estabelece a observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a decadência do período de 2001, com retorno dos autos à Turma recorrida para análise das demais questões do recurso voluntário relativas ao período.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM:02/02/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 173, I, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, inexistindo a ocorrência de pagamento, impõese a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, nos termos do artigo 173, inciso I, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual estabelece a observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a decadência do período de 2001, com retorno dos autos à Turma recorrida para análise das demais questões do recurso voluntário relativas ao período. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 36 48 /2 00 6- 91 Fl. 900DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório AGRO INDUSTRIAL BELA VISTA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 21/12/2006 (AR fl. 143), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação aos exercícios de 2001 e 2002, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Bela Vista”, localizado no município de Sarzedo/MG, inscrita na RFB sob nº 35787686, conforme peça inaugural do feito, às fls. 128/138, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03 22.299/2007, às fls. 302/327, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara, em 13/05/2010, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 220200.548, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002 RECURSO DE OFÍCIO LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA – NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de apelo de oficio quando, em face de determinação superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado ITR LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 9202003.574 CSRFT2 Fl. 901 3 Sendo a apuração e o pagamento do ITR efetuados pelo contribuinte, nos termos do artigo 10, da Lei n° 9.393, de 1996, e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro (art. 150, § 40 do CTN). Recurso de Oficio no conhecido. Argüição de decadência do recurso voluntário acolhida.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 369/383, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs CSRF/01 03.103, 10246.355, dentre outros, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, impõe que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente, o que não se vislumbra na hipótese vertente. Em defesa de sua pretensão, infere que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento, o que afastaria a pretensa decadência acolhida pela Turma recorrida. No caso dos autos, para os fatos geradores ocorridos em 2001, o lançamento somente poderia ser efetuado em 2002, fazendo com o que o início do prazo decadencial fosse conduzido para 1o de janeiro de 2002 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 31.12.2006. Como a ciência do lançamento aconteceu em 21.12.2006, não houve lançamento a destempo. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras/Turmas dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 220200.422/2010, às fls. 386/388. Ato contínuo, encaminhado o processo para ciência da contribuinte do resultado do julgamento e Recurso Especial da Fazenda Nacional, a autuada opôs Embargos de Declaração, de fls. 401/403, suscitando omissão quanto as demais alegações da então Fl. 902DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 recorrente, especialmente quanto aos juros Selic e multa, tendo obtido êxito em sua empreitada, relativamente ao acolhimento de seus Embargos, nos termos do Acórdão n° 2202001.519, saneando a omissão incorrida, mas mantendo a decisão anteriormente proferida. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte não apresentou suas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida nos Acórdãos nºs CSRF/0103.103, 10246.355, dentre outros, ora adotado como paradigma, e, bem assim, do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento, para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja levado a efeito o prazo inscrito no artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Em defesa de seu pleito, sustenta que inexistindo autolançamento do autuado, com a respectiva antecipação de pagamento, não há o que se homologar, razão pela qual deve se adotar os preceitos do artigo 173, inciso I, do CTN, para fins da contagem do prazo decadencial, o que se aplica no presente caso, não se cogitando na decadência acolhida pelo Acórdão recorrido. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional merece acolhimento. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido, inobstante as sempre bem fundamentadas razões de direito do ilustre Conselheiro relator, apresentase em descompasso com o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, especialmente nos autos de Recurso Repetitivo, de observância obrigatória por este Colegiado, como passaremos a demonstrar. Destarte, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para o Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, após passar a ser tributo sujeito à modalidade do lançamento por homologação, com a edição da Lei n° 9.393/1996, limitouse a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, adotando a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de Fl. 903DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 9202003.574 CSRFT2 Fl. 902 5 recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma do entendimento daquele Tribunal Superior, manifestado nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 904DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento para tais tributos, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. No caso vertente, inexiste nos autos comprovantes de recolhimentos, ainda que parciais, relativos aos fatos geradores do Imposto Territorial Rural ora lançado. Aliás, ao contrário, a ilustre autoridade lançadora deixou bem claro no Termo de Verificação Fiscal, de fl. 135, que a contribuinte, em que pese declarar e apurar saldo de imposto de R$ 10,00, deixou de recolhêlo no tempo oportuno, senão vejamos: “[...] Constatase da análise das Declarações do ITR DITR, exercícios 2001 e 2002 (fls. 22 a 29), e de dados da SRF (fls. 30 a 53) que, apesar de declarar imposto devido em ambos os exercícios de R$ 10,00, não consta o recolhimento desse valor (código de receita 1070) até 1°/1/2006, data em que, se tivesse havido o pagamento do imposto calculado na DITR 2001, este encontrarseia homologado tacitamente, em conformidade com o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional CTN. Não tendo havido o recolhimento do imposto devido no prazo do lançamento por homologação, o crédito tributário correspondente somente decairá em 1°/1/2007, de acordo com a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Verificase que o contribuinte veio a recolher o imposto calculado nas DITRs 2001 e 2002 (fls. 49 a ) somente em 31/1/2006, após a recepção do Termo de Início da Ação Fiscal e após o prazo do lançamento por homologação. [...]” Na esteira dessas considerações, não se vislumbrando a ocorrência de recolhimentos – antecipação de pagamento , fato relevante para a aplicação do instituto da decadência, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 9202003.574 CSRFT2 Fl. 903 7 Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 21/12/2006, com a devida ciência do contribuinte constante do Aviso de Recebimento – AR, às fls. 143, a exigência fiscal não se encontra fulminada pela decadência, eis que ocorrido o fato gerador em 01/01/2001, a contagem do prazo decadencial iniciase em 01/01/2002, com encerramento em 31/12/2006, impondo a manutenção do feito, na forma pleiteada pela recorrente. Em tempo, mister determinar o retorno do processo para Turma recorrida, uma vez que a análise das demais questões de mérito, notadamente quanto às áreas de reserva legal e preservação permanente, se restringiu ao exercício 2002, em face do acolhimento da decadência para 2001, ora reformado, devendo haver o exame das demais alegações suscitadas, exclusivamente, para este último exercício. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com a jurisprudência consolidada nos Tribunais Superiores e de observância obrigatória por este Colegiado, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, determinando o retorno dos autos para a Turma recorrida para análise das demais questões de mérito e/ou outras aventadas pela contribuinte somente em relação ao exercício 2001, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 906DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENRI QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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