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Numero do processo: 15504.721848/2011-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por consequência o não conhecimento deste.
Numero da decisão: 3301-002.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, em NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e por unanimidade NEGAR O RECURSO DE OFÍCIO.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por consequência o não conhecimento deste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, em NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e por unanimidade NEGAR O RECURSO DE OFÍCIO. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 18 48 /2 01 1- 33 Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de Recurso Administrativo (recurso voluntario) interposto pelo Município de Ouro Preto contra Acórdão n. 0236.013, de 16 de novembro de 2011 (fls. 1041/1046), proferido pela 1ª Turma da DRJ/BHE, que julgou procedente em parte, os Autos de Infração e termos auxiliares (fls. 02/20), no valor total de R$ 5.055.079,73, relativo ao saldo credor da contribuição ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Publico – PASEP, referente aos meses de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. A Receita Federal constatou ausência de pagamento no sistema de controle de DCTF, e com isso, deuse inicio a autuação. De acordo com o processo, a fiscalização apurou a base de calculo do valor devido, baseandose nos documentos apresentados pelo contribuinte (fls. 28/702), Termo de Verificação Fiscal (fls. 16/20) e planilhas demonstrativas (fls. 715/719). Foi apresentado impugnação pelo contribuinte (fls. 974/979), que em síntese, pediu o seguinte: “ Solicita a anulação do auto de infração e do lançamento nele consubstanciado por descumprimento de decisão judicial pela inexistência de vinculação da recorrente para com o Pasep. Requer, alternativamente, o cancelamento do auto de infração e do lançamento do crédito tributário nele consubstanciado, ao menos, até o transito em julgado do mandado de segurança impetrado pela recorrente. Solicita ainda, alternativamente aos pedidos anteriores, que sejam canceladas/desconstituídas a cobrança/incidência de juros de mora e de multa no auto de infração e no lançamento do crédito tributário nele consubstanciado”. A DRJ acolheu em parte as alegações do contribuinte, pois entendeu que o lançamento no que concerne a matéria diferenciada, exonerando a multa de oficio aplicada, nos termos do acordão combatido, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2008 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Implica renúncia à instância administrativa a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial de qualquer natureza; tornandose definitiva a exigência discutida. NULIDADE. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. EXIGIBILIDADE SUSPENSA LANÇAMENTO. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15504.721848/201133 Acórdão n.º 3301002.140 S3C3T1 Fl. 3 3 O lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de sentença judicial não definitiva destinase a prevenir a decadência, e constitui dever de ofício da autoridade fiscal. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC. A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado do referido acórdão em 30 de novembro de 2011 (AR fl. 1052), o interessado apresentou Recurso Administrativo (Recurso Voluntário) em 02 de janeiro de 2012 (fls. 1053/1059) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Fábia Regina Freitas Preliminarmente, é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. O artigo 56 da Lei nº 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido parcialmente em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, para apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do art. 33, do Decreto nº 70.235/72 c.c. art. 68 do Decreto nº 7.574/2011. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento. No caso em tela, a Recorrente foi intimada de modo regular em 30/11/2011 (quartafeira), conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 1052), e só protocolizou seu Recurso Voluntário na data de 02/01/2012 (segundafeira), ou seja, 3 (três) dias após o transcurso do prazo recursal, já que o prazo encerrouse no dia 30/12/2011 (sextafeira). Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Diante do exposto, não conheço do presente Recurso Administrativo (Recurso Voluntário), por ser intempestivo. Conclusão Com essas considerações, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Administrativo (Recurso Voluntario). Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2013 Fábia Regina Freitas Relatora Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10950.907127/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Eduardo Borges, OAB/SP nº. 153.881.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Eduardo Borges, OAB/SP nº. 153.881. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/Curitiba: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) de nº 21605.02961.110907.1.3.048286, por meio da qual a interessada extinguiu débito fiscal nela informado, valendo se de um suposto indébito de R$ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .9 07 12 7/ 20 09 -1 2 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.907127/200912 Resolução nº 3202000.324 S3C2T2 Fl. 401 2 17.190,66 (valor do crédito original na data da transmissão), advindo de DARF com as seguintes características: (a) código de receita: 9331; (b) período de apuração: 31/05/2003; (c) valor total: R$ 153.318,17; e (d) data de arrecadação: 13/06/2003. A DRF/Maringá emitiu despacho decisório (fls. 07/10) de não homologação da compensação, pelo fato de que o DARF discriminado na Dcomp fora integralmente utilizado para quitação de débito do mesmo tributo e período de apuração, não restando saldo credor disponível para a compensação pleiteada. Cientificada em 03/11/2009 (fl. 11), a interessada apresentou, em 02/12/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 12/14, instruída com os documentos de fls. 15/30, a seguir, no essencial, sintetizada. Afirma que após examinar seus arquivos “não encontramos qualquer falha na operação que pudesse ter sido a causa da não homologação”; diz que transmitiu DCTF retificadora (em 08/08/2007) na qual teria apresentado o débito real apurado de CIDEcombustível, relativo ao período de apuração maio/2003, no montante de R$ 136.127,51, que retificaria um valor anteriormente informado, de R$ 153.318,17, que fora recolhido por meio do DARF informado na Dcomp, o que daria suporte ao alegado indébito de R$ 17.190,66. Em face do alegado, entende que o valor pago a maior permite a compensação declarada na Dcomp em causa, além de outras que relaciona em sua peça de defesa, pedindo pela reforma do despacho decisório, no sentido da homologação da compensação em litígio. À fl. 31, despacho da Seort/DRF/Maringá atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade. É o relatório. A ementa do acórdão da DRJ/Curitiba é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃOHOMOLOGAÇÃO DE DCOMP. Restando incomprovado o direito creditório, é de se considerar não homologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Voto Fl. 403DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.907127/200912 Resolução nº 3202000.324 S3C2T2 Fl. 402 3 Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A decisão recorrida aponta que a Recorrente retificou a DCTF do 2º trimestre de 2003, feita em 08/08/2007, sendo que, ao tempo da emissão do despacho decisório, em 07/10/2009, verificase que estava ativa a DCTF retificadora nº 0000.100.2008.12397113, relativa ao 2º trimestre de 2003, que foi recepcionada em 18/04/2008. Ainda segundo a decisão recorrida, a pagamento de CIDEcombustível (código 9331), feito no vencimento, também foi realizado no montante dessa contribuição confessado na DCTF ativa, inexistindo, pois, o alegado pagamento a maior. A Recorrente, por sua vez, aponta que houve apuração maior de CIDE no montante de R$ 17.190,66, já que o valor correto de pagamento deveria ter sido R$ 136.318,17 e não R$ 153.318,17, pois a quantidade comercializada foi de 4.653,932 m3 de álcool, e que, por outro lado, não houve retificação da DCTF porque já havia se passado mais de cinco anos da declaração anterior. Diante da dúvida existente entre haver ou não crédito em favor da recorrente no montante de acima mencionado, não resta outra alternativa senão converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem verifique junto aos livros fiscais e documentos da Recorrente se realmente houve pagamento a maior de CIDE visàvis a quantidade comercializada de álcool no período anteriormente mencionada, independentemente de nova retificação de DCTF por parte da Recorrente, e produza relatório pormenorizado a fim de confirmara existência ou não do crédito alegado pela Recorrente. Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a fiscalização e Recorrente se manifeste acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 404DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 16327.901263/2006-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o jugamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Relatório
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o jugamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 01 26 3/ 20 06 -9 9 Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.901263/200699 Resolução nº 1302000.364 S1C3T2 Fl. 1.143 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 10ª Turma da DRJ/SP1, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a manifestação de inconformidade devendose prosseguir na cobrança do débito cuja compensação não foi homologada, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2000, 2001, 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICADORA. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA PARA ANALISE DA COMPOSIÇÃO DO CREDITO. INAPLICABILIDADE. O procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique em verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DE DÉBITOS DO SUJEITO PASSIVO. A extinção de créditos tributários por compensação, a partir da edição da Medida Provisória nº 66, de 2002, é efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (Declaração de Compensação). EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ILIQUIDEZ DOS CREDITOS. Os valores com exigibilidade suspensa não são passíveis de restituição, pois não correspondem a crédito líquido e certo de que trata o art. 170 do CTN, pois pendentes do resultado de ação judicial. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. PEDIDO DE DILIGÊNCIA NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de diligência que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.901263/200699 Resolução nº 1302000.364 S1C3T2 Fl. 1.144 3 Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: DO DESPACHO DECISÓRIO Tratase de Declaração de Compensação eletrônica 23401.64413 (fls.01 a 05), apresentada em 08/08/2003, em que o contribuinte declara a compensação de débitos. Em 17/09/2007, o contribuinte apresentou a Declaração de Compensação retificadora nº 03017.56480 (fls.441 a 452), que foi admitida pela autoridade administrativa, em vista de que a Dcomp retificadora se enquadra nas condições da IN SRF nº 360/2003 e nas condições dos arts. 77 a 79 da atual IN RFB nº 900/2008 (item 11 do Despacho Decisório, fls.473). Expõe a autoridade administrativa, às fls.472/480, que o crédito apontado na Declaração de Compensação retificadora é proveniente do saldo negativo de IRPJ obtido na sua apuração anual do anocalendário 2002, de R$ 25.710.738,08, conforme a ficha 12B da DIPJ/2003 (fls.145 e 146), abrangendo estimativas compensadas com a utilização de valores que teriam se originado nos anoscalendário de 2000 e 2001. Da análise efetuada, constatou a autoridade administrativa que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 disponível para compensação com débitos futuros é de R$ 6.049.278,69, conforme demonstrativo de fls.478, como segue: RUBRICA VALOR IR alíquota de 15% 39.241.904,61 Adicional 26.137.269,74 () Op. Caráter Cultural 1.422.548,48 () PAT 181.499,03 () Fundo direitos criança 250.000,00 () IRRF 2.616.201,09 () IR mensal pago 66.958.204,44 IR A PAGAR AC 2000 6.049.278,69 A partir do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 disponível para compensação, foi efetuada a sua vinculação com os débitos de estimativa compensados, relativos aos períodos de apuração de janeiro a março de 2001 e foi constatado que esse crédito foi suficiente para extinguir o débito de janeiro/2001 e o valor parcial de R$ 4.502.910,70 relativo a fevereiro/2001, conforme os demonstrativos de fls. 462 a 464, que são os valores compensados passíveis de compor o saldo negativo do ano calendário de 2001, de acordo com o demonstrativo de fls.478, a saber: RUBRICA VALOR IR alíquota de 15% 53.806.599,25 Adicional 35.847.066,17 () Op. Caráter Cultural 1.633.201,92 () PAT 249.823,09 () Atividade audiovisual 300.000,00 () Fundo direitos criança 300.000,00 () IRRF 7.148.788,30 () IR mensal pago 77.259.482,05 () IR mensal compensado 6.231.064,05 IR A PAGAR AC 2001 3.468.693,99 Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.901263/200699 Resolução nº 1302000.364 S1C3T2 Fl. 1.145 4 Dessa forma, apurou a autoridade administrativa que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 disponível para compensação é de R$ 3.468.693,99 e a partir desse valor do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 disponível para compensação, efetuou a sua vinculação com os débitos de estimativa compensados, relativos aos períodos de apuração de janeiro a março de 2002. Constatou que esse crédito foi suficiente apenas para extinguir parcialmente o débito de janeiro/2002 no valor de R$ 3.556.451,95, conforme os demonstrativos de fls.465 a 467, valor compensado passível de compor o saldo negativo do anocalendário 2002. Por fim, a autoridade administrativa apurou o valor do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 disponível para a compensação tratada no presente processo de R$ 1.207.971,65, conforme demonstrativo de fls.479, a saber: RUBRICA VALOR IR alíquota de 15% 56.402.166,25 Adicional 37.577.444,17 () Op. Caráter Cultural 2.071.088,09 () PAT 320.615,06 () Fundo direitos criança 200.000,00 () IRRF 4.486.600,38 () IR mensal pago 84.552.826,59 () IR mensal compensado 3.556.451,95 IR A PAGAR AC 2002 1.207.971,65 Assim, o saldo negativo de IRPJ disponível para compensação de R$ 1.207.971,65, discriminado na Listagem de Créditos (fl.469), foi vinculado aos débitos que o contribuinte declarou como compensados na Dcomp de fls.01 a 05 ou fls.441 a 453, e constatou a autoridade administrativa que o crédito foi suficiente apenas para suportar parte do débito de estimativa de IRPJ do período de apuração de janeiro/2003, no valor de R$ 1.058.085,46, restando em aberto o débito parcial de estimativa de IRPJ do período de apuração de janeiro/2003, no valor de R$ 9.697.545,28, e os débitos de estimativa de IRPJ do período de apuração de fevereiro/2003 e de IRRF sobre juros de capital próprio da 1ª semana de janeiro/2003, conforme a Listagem de Débitos de fl.468. Em resumo, a glosa efetuada pela autoridade administrativa quanto ao crédito passível de compensação devese aos seguintes motivos: conforme itens 22 a 25 do Despacho Decisório, os valores declarados como suspensos estão vinculados ao Mandado de Segurança nº 97.00073408 impetrado para assegurar o direito de recolher o IRPJ sem adicionar o valor da CSLL na apuração do Lucro Real, a partir do anobase de 1997 (fls.23 a 34); a sentença foi favorável ao contribuinte, concedendo a segurança (fls.36 a 43), mas o acórdão do TRF da 3ª Região deu provimento à remessa oficial (fls.45 a 51); o contribuinte interpôs Recurso Extraordinário contra esse acórdão (fls.52 a 70) e efetuou depósito judicial das importâncias questionadas pela Medida Cautelar nº 2004.03.00.0083978 (fls.72 a 86); o STF determinou a devolução dos autos para o TRF da 3º Região em vista da repercussão geral já reconhecida no RE 582.525 (fls.454 e 455). Atualmente, os autos encontramse sobrestados em virtude do precedente do RE 582.525 (fls.456 e 457). Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.901263/200699 Resolução nº 1302000.364 S1C3T2 Fl. 1.146 5 Dessa forma, conclui a autoridade administrativa que ainda não existe decisão judicial definitiva e, portanto, os valores suspensos não podem ser utilizados para compor o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, por não serem líquidos e nem certos nos termos do art. 170 do CTN; a respeito dos valores de IRRF, a autoridade administrativa, em consulta às Dirf apresentadas pelas fontes pagadoras, constata valor inferior ao apontado pelo interessado a título de dedução do imposto devido. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Ciente do Despacho Decisório em 10 de setembro de 2009( AR às fls. 490), o interessado apresenta manifestação de inconformidade em 13 de outubro de 2009, trazendo os argumentos de fls. 497/524, acompanhados dos documentos de fls. 525/630. Expõe a defesa que em 08/08/2003 apresentou declaração de compensação que deu origem ao presente processo, indicando como crédito passível de restituição o valor de R$ 24.947.613,86, relativo ao saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002, compensável com débitos de IRF sobre juros sobre capital próprio do período de apuração da 1ª semana de dezembro de 2002 e das estimativas de IRPJ de janeiro e fevereiro de 2003. E, posteriormente, em 17/09/2007, apresentou DCOMP retificadora apenas para corrigir o valor do crédito original utilizado na compensação efetuada para R$ 25.171.736,06 e para retificar o período de apuração e a data de vencimento do débito compensado de IRF sobre os juros sobre capital próprio. Mas que, procedendo à análise dos créditos/débitos apontados, a autoridade administrativa houve por bem homologar apenas parcialmente as compensações efetuadas. Da fundamentação do despacho decisório, alega a impugnante que a não homologação da compensação efetuada deveuse ao entendimento de que o saldo negativo indicado como crédito a compensar seria inexistente, por três motivos: a) por entender que não havia saldo negativo no ano de 2000 e 2001 suficiente para fazer face à estimativa de 2001 e 2002 compensadas com aqueles créditos, o que impactaria o saldo negativo de 2002 utilizado nestes autos; b) em razão da premissa (equivocada) de que teria a impugnante compensado valores com exigibilidade suspensa por força do MS nº 97.00073408; c) por entender que os valores de IRF antecipados ao longo dos anos de 2000, 2001 e 2002 são menores do que aqueles informados na DIPJ. Afirma o interessado que o entendimento da autoridade administrativa não pode prevalecer pelas seguintes razões: 1) Da decadência e homologação tácita das compensações realizadas Afirma a impugnante que tendo apresentado em 08/08/2003 a PER/DCOMP objeto do presente processo, não poderia a autoridade administrativa pretender em 10/09/2009 deixar de homologar as compensações realizadas, posto que passados cinco anos contados daquela data operouse a homologação tácita, nos termos do artigo 74, parágrafo 5º da Lei nº 9.430/96, operandose a decadência e com isso a extinção dos débitos compensados. Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.901263/200699 Resolução nº 1302000.364 S1C3T2 Fl. 1.147 6 Afirma, ainda, que Declaração de Compensação retificadora apresentada em 17/09/2007 em nada altera tal fato, pois tratandose de prazo decadencial, este não se interrompe nem se suspende, mas flui inexoravelmente, razão pela qual não tendo havido a homologação expressa dentro do prazo de cinco anos contados da data da entrega da declaração de compensação, não resta dúvida de que ocorreu no caso a homologação tácita das compensações. A DCOMP retificadora foi apresentada apenas para corrigir (alterar para mais) o valor do crédito original utilizado na compensação efetuada para R$ 25.171.736,06 e para retificar o período de apuração e a data de vencimento do débito compensado de IRF sobre os juros sobre capital próprio. Assim, ainda que se entenda que a DCOMP retificadora possa reabrir o prazo para homologação, o que se admite para argumentar, quando menos ocorreu a homologação tácita em relação aos débitos cuja compensação não foi objeto de retificação, até porque o crédito originalmente pleiteado era suficiente para lhes fazer face. 2) Quanto à parte do saldo negativo de 2002 oriunda de estimativas quitadas por compensação com saldo negativo de 2001: impossibilidade de sua desconsideração. Expõe a defesa que, quanto à insuficiência de saldo negativo de 2002 em razão da desconsideração das compensações de estimativas de janeiro a março daquele ano e quanto à suposta insuficiência parcial do valor de IRF dos anos de 2000 e 2001, o argumento utilizado na decisão é improcedente, seja porque o saldo negativo apurado pela impugnante em 2001 não pode mais ser glosado pela autoridade administrativa em razão da decadência, seja porque a desconsideração das estimativas compensadas pela impugnante em 2001 deveria ter se dado mediante lançamento, o que igualmente não foi feito, seja ainda porque eventual diferença do IRF eventualmente apurada também deveria ter sido objeto de lançamento à época própria. Afirma que a autoridade administrativa está valendose do presente processo de compensação do saldo negativo apurado ao final do anocalendário de 2002 para realizar, por vias transversas, a fiscalização que não efetuou em tempo hábil quanto às compensações realizadas pela impugnante ao longo do ano de 2002 e do ano de 2001, devidamente contabilizadas e informadas em DCTF (todas constantes dos autos – fls.165/167 e 372/374), com o que a impugnante não pode concordar, em face da pacífica jurisprudência dos tribunais administrativos e judiciais. E que tendo sido devidamente informadas em DCTF, as compensações realizadas quanto às estimativas dos anos de 2001 e 2002, e não tendo sido as mesmas questionadas pela fiscalização ou objeto de qualquer lançamento, consideramse devidamente homologadas, não podendo a fiscalização, decorridos mais de 05 (cinco) anos desde a ocorrência dos respectivos fatos geradores, pretender agora modificar as apurações fiscais feitas pela impugnante relativamente aos anoscalendário de 2001 e 2002 porque foram alcançadas pelo instituto da decadência, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º do CTN. 3) Dos valores referidos pelo Despacho Decisório como “suspensos” Afirma a defesa que o saldo negativo indicado pelo impugnante é composto por valores efetivamente pagos/compensados ao longo do ano de 2002 e que no ajuste do exercício, considerando o valor do IRPJ efetivamente então devido, geraram saldo negativo de imposto, em conformidade à legislação aplicável, o mesmo se aplicando também aos anos de 2000 e 2001. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.901263/200699 Resolução nº 1302000.364 S1C3T2 Fl. 1.148 7 Esclarece que, em 21/03/1997, impetrou o Mandado de Segurança nº 97.00073408 objetivando assegurar seu direito líquido e certo de “calcular e recolher o imposto de renda devido, relativo ao anobase de 1997 e subseqüentes enquanto perdurar a vedação impugnada, contida no art. 1º da Lei nº 9.316/96, sem efetuar a adição do valor da contribuição social sobre o lucro na base de cálculo respectiva...” tendolhe sido concedida a medida liminar, posteriormente confirmada por sentença concessiva da segurança (fls.23/43). Expõe que, somandose os pagamentos efetivos com os pagamentos compensados e o IRF antecipado, a impugnante efetivamente recolheu a título de IRPJ durante o anocalendário de 2002 o montante de R$ 109.390.154,11 (R$ 84.552.826,59 – pagamentos; R$ 19.490.472,01 – compensações; R$ 5.346.855,51 – IR Fonte). Da comparação entre os valores efetivamente pagos/compensados e IRF antecipado ao longo do ano de 2002, no montante de R$ 109.390.154,22, com o IRPJ apurado ao final do anobase considerando os efeitos da dedução da CSL de sua própria base e da base de cálculo do IRPJ (MS nº 97.00073327 e MS nº 97.00073408), conforme autorizado pelas decisões judiciais (R$ 83.679.634,00), verificase que a impugnante realizou naquele ano pagamento a maior de R$ 25.710.520,11, que é justamente o saldo negativo consignado na DCOMP que originou o presente processo. A impugnante alega que pleiteou única e exclusivamente a compensação de valores efetivamente pagos durante o anocalendário de 2002 e que no ajuste do exercício, considerando o valor do IRPJ efetivamente devido em conformidade às decisões judiciais em vigor, geraram saldo negativo de imposto, conforme amplamente demonstrado, de modo que não procede a argumentação do despacho decisório quanto à glosa de supostos valores “suspensos”. Afirma que o valor indicado como crédito compensável (R$ 25.710.520,11) não tem relação alguma com o valor do IRPJ cuja exigibilidade está atualmente suspensa por força de depósito efetuado nos autos do Mandado de Segurança nº 97.00073408, no montante de R$ 7.708.273,27, conforme demonstrado na tabela de fls.518. Expõe que, tão logo reformada a sentença que concedera a segurança nos autos do MS nº 97.00073408 (Acórdão publicado no RJ de 28/01/2004 já constante dos autos), promoveu naqueles autos e no prazo de 30 dias previsto no artigo 63 da Lei nº 9.430/96 depósito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, II, do CTN (fls.96), no montante de R$ 7.708.273,27, com os juros devidos. E que, somandose o valor efetivamente pago/compensado/antecipado a título de IRF e estimativas (R$ 109.390.154,11) com o valor depositado de R$ 7.708.273,27, chegase a um total de R$ 117.098.427,38, superior ao IRPJ devido em 2002 de R$ 91.387.907,27, sendo que a diferença de R$ 25.710.520,11 corresponde exatamente ao quantum compensado nestes autos. Assim, no seu entender, fica evidente que, independentemente da decisão final no MS 97.00073408, a impugnante efetivamente tem um crédito passível de restituição no valor de R$ 25.710.520,11. Conclui que, restando inequivocamente demonstrado que os créditos apurados nos presentes autos decorrem da diferença entre os pagamentos efetivamente realizados pela ora impugnante durante o anocalendário e o montante de IR devido nos termos da sentença proferida, e não de suspensão, não há que se falar em iliquidez ou incerteza, devendo, portanto, ser reconhecidos integralmente os créditos declarados e, por conseguinte, homologada a compensação, já que descabe a glosa efetuada quanto a supostos valores “suspensos”. Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.901263/200699 Resolução nº 1302000.364 S1C3T2 Fl. 1.149 8 4) Quanto às diferenças de IRFONTE apontadas pela decisão recorrida Afirma que é descabido o indeferimento do saldo negativo sob o fundamento de que teria sido declarado na DIPJ valor de IRRF superior àqueles declarados pelas fontes pagadoras nas respectivas DIRFs, pois a autoridade administrativa está efetivamente cobrando por vias transversas o suposto valor de IRPJ que entende devido sem realizar o necessário lançamento. Expõe que os valores relativos ao IRRF indicado pela impugnante em sua DIPJ/2003 correspondem a rendimentos efetivamente recebidos e oferecidos à tributação pela impugnante, os quais de fato sofreram retenção na fonte, sendo que as supostas diferenças apontadas podem advir de eventual erro cometido pelas fontes pagadoras no cumprimento de suas obrigações acessórias, ou mera falha da própria Receita Federal no processamento das DIRFs, erros estes que não podem ser imputados à impugnante. Requer a impugnante, nos termos do artigo 16, IV do Decreto nº 70.235/72, em face do princípio da verdade material e com o objetivo de comprovar o alegado, seja determinada a realização de diligência no sentido de que sejam oficiadas as fontes pagadoras, conforme quadro anexo (doc.05 fls. 622/629), para que informem se estão corretos os valores de IRRF indicados pela impugnante em sua DIPJ. Conclusão Por todo o exposto e por tudo o mais que dos autos consta, pede e espera a impugnante seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade para o fim de reformar o despacho decisório, homologandose integralmente as compensações declaradas. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: a) tendo apresentado em 08/08/2003 a PER/Dcomp não poderia a autoridade administrativa pretender em 10/09/2009 deixar de homologar as compensações, posto que passados cinco anos contados daquela data operouse já sua homologação tácita; b) o argumento de que a contagem do prazo decadencial se desloca para a prestação da Per/Dcomp retificadora, baseado no §2º do art. 29 da IN SRF nº600/2005 carece de base legal e não pode ser argüido. Além disso, o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende. E, por fim, a Dcomp retificadora foi prestada apenas para corrigir (alterar para mais) o valor do crédito original utilizado na compensação efetuada para R$25.171.736,06 e para retificar o período de apuração e a data de vencimento do débito compensado de IRF sobre os juros sobre capital próprio; c) o saldo negativo apurado pela recorrente em 2001 não pode mais ser glosado, seja pela questão da decadência, seja porque a desconsideração das estimativas compensadas pela recorrente em 2001 deveria ter se dado mediante lançamento, o que igualmente não foi feito, seja porque eventual diferença de IRF eventualmente apurada também deveria ter sido objeto de lançamento à época própria. A autoridade administrativa pretende realizar, por vias transversas, a fiscalização que não efetuou em tempo hábil; d) não procedem as alegações contidas no acórdão recorrido quanto aos valores “suspensos”, pois o procedimento da recorrente foi correto. Do contrário estarseia anulando por completo os efeitos da decisão judicial. A rigor, não se trata de suspensão. Ocorre apenas Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.901263/200699 Resolução nº 1302000.364 S1C3T2 Fl. 1.150 9 que os créditos apurados nos presentes autos decorrem da diferença entre os pagamentos efetivamente realizados durante o anocalendário e o montante de IR devido nos termos da sentença proferida. Ressalta que tão logo reformada a sentença que concedera a segurança nos autos do MS nº 97.00073408 promoveu a recorrente naqueles autos e no prazo de 30 dias previsto no art. 63 da Lei nº 9.430/96 depósito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, II, do CTN, no montante de R$7.708.273,27, com os juros devidos. Assim, em caso de insucesso na via judicial, o crédito está garantido, sendo o total pago superior ao devido; e) os valores relativos ao IRRF indicados pela recorrente em sua DIPJ/2003 correspondem a rendimentos efetivamente recebidos e oferecidos à tributação pela recorrente, os quais de fato sofreram retenção na fonte. A diferença apontada pela fiscalização se refere a retenções de IRF relativamente a valores recebidos pela recorrente a título de juros sobre capital próprio – JCP, cuja receita somente foi oferecida à tributação quando de seu efetivo pagamento à recorrente ocorrido posteriormente à retenção, razão pela qual a recorrente só se aproveitou do IRF também naquele mesmo ano base. As diferenças encontradas se referem ao fato, usual e corriqueiro, de as assembléias deliberarem o pagamento de JCP ao final de cada ano, enquanto o efetivo pagamento dos valores deliberados ocorre usualmente nos anos seguintes à retenção declarada pelas fontes pagadoras em suas DIRF. Junta documentos que comprovam a efetividade das retenções. Também não cabe falar em postergamento, pois a recorrente sempre apurou saldo negativo de imposto ao final do anobase. Pede a consideração das provas apresentadas, em prestígio do princípio da verdade material. Subiram os autos a este colegiado, e na sessão de 19/10/2011 a turma decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de jurisdição apreciasse os documentos acostados às fls.206/241, e, podendo efetuar outras diligências, manifestassese conclusivamente acerca destes, relativamente aos valores lançados na DIPJ/2003. O procedimento destinavase a elucidar a questão do IRF utilizado para compor parte do saldo negativo de 2002, lastreado em retenções de juros sobre capital próprio – JCP cujas DIRF prestadas pelas fontes pagadoras não seriam suficientes para suportar os valores declarados pela recorrente. A recorrente afirmara que os valores haviam sido efetivamente retidos pelas fontes pagadoras, e acostou documentos nesta fase recursal que dão suporte às suas afirmações. Citou como exemplo o caso dos JCP pagos pela Telesp, recebidos em 11/12/2000 mas cujo pagamento havia sido deliberado parte em 30/12/98 e parte em 30/12/99. Aduziu, ainda, que não ofereceu aqueles valores à tributação naqueles anos pois deles só tomou conhecimento posteriormente. Também não se apropriou naqueles anos do IRF compensado, o que só fez quando do efetivo recebimento e oferecimento à tributação do respectivo valor. Em resposta à solicitação feita, a autoridade administrativa alegou, em síntese, que: a) As divergências de IRRF se deram pelo fato de ter a autoridade administrativa deixado de computar o imposto retido por algumas fontes pagadoras por ocasião do pagamento de rendimentos de Juros sobre o Capital Próprio, como resumido no quadro seguinte, os quais estariam informados nas Fichas 43 das respectivas DIPJ (folhas 701 a 736); b) os documentos apresentados merecem credibilidade, e parte dos rendimentos e do correspondente IRF foi informado nas Fichas 43 das DIPJ; Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.901263/200699 Resolução nº 1302000.364 S1C3T2 Fl. 1.151 10 c) contudo, não foi comprovado o oferecimento à tributação, quer no ano calendário do recebimento, quer em períodos anteriores; d) corrobora esta conclusão o fato de que os dados lançados na Ficha 06, linha 24, da DIPJ, não conferem com aqueles lançados na Ficha 43; e) em resposta ao “Termo de Intimação” a recorrente se limitou a discriminar os rendimentos de juros sobre capital próprio auferidos nos anoscalendário de 2000 a 2002 e o respectivo IRRF, sem, contudo, comprovar o oferecimento à tributação (fls.778/970); f) propugna pela manutenção do quanto decidido no Despacho Decisório. Intimada desta conclusão, a recorrente assim se manifestou: a) demonstrou que os valores relativos ao IRF indicados em sua DIPJ/2003 correspondem a rendimentos efetivamente recebidos e oferecidos à tributação, os quais sofreram de fato retenção na fonte; b) a receita relativa a juros sobre capital próprio somente foi oferecida à tributação quando de seu efetivo pagamento, posterior à retenção, e o aproveitamento do IRRF se deu no mesmo anobase; c) cumpriu as determinações do Termo de Intimação nº 67/2012; d) parte da glosa das compensações decorre de a autoridade administrativa ter retificado de ofício as DIPJ dos anos de 2000 e 2001; e) não pode a fiscalização, decorridos mais de 5 anos desde a ocorrência dos respectivos fatos geradores, e sem realizar lançamento, modificar as apurações fiscais feitas pela recorrente nos anoscalendário de 2000 e 2001 porque foram alcançadas pelo instituto da decadência; f) a conclusão feita pela autoridade administrativa, em cumprimento da Resolução desta turma, somente concluiu pela manutenção do despacho decisório porque na verdade não analisou os documentos apresentados tanto no recurso voluntário como em atendimento ao Termo de Intimação nº 67/2012, os quais comprovam que os valores relativos ao IRRF indicados na DIPJ correspondem a rendimentos efetivamente recebidos e oferecidos à tributação; g) o oferecimento à tributação das receitas de juros sobre capital próprio não pode ser comprovado isoladamente por meio da comprovação de sua inclusão na Ficha 43 da DIPJ. O cruzamento das informações da Ficha 43 com a Ficha 06C, linha 24, é a prova cabal da tributação das receitas, que foi o que fez a recorrente, que comprovou que os valores indicados na Ficha 43 também foram indicados na Ficha 06, linha 24, da DIPJ, apresentando um a um os documentos comprobatórios dos rendimentos recebidos; h) tais documentos ainda esclarecem de forma detalhada cada uma das divergências apontadas no quadro do item 17 do despacho decisório, mas não tendo havido qualquer análise quanto a eles, restaram ignorados pela autoridade fiscal; Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.901263/200699 Resolução nº 1302000.364 S1C3T2 Fl. 1.152 11 i) ocorreu a decadência e a homologação tácita (art. 74, §5º, Lei nº 9.430/96) das compensações realizadas, vez que a PER/Dcomp data de 08/08/2003 e a autoridade não poderia, em 10/09/2009 deixar de homologar as compensações realizadas; j) o saldo negativo de 2000 e 2001 não poderia ser glosado, seja em razão da decadência, seja porque a desconsideração de estimativas compensadas pela recorrente em 2001 deveria terse dado por meio de lançamento, seja porque eventual diferença de IRRF apurada também deveria ter sido objeto de lançamento; l) relativamente aos valores referidos como “suspensos” por força de decisões proferidas nos autos do MS 97.00073408, embora as decisões proferidas tenham assegurado o direito de deduzir a CSLL da base de cálculo do IRPJ, ao preencher a DIPJ a recorrente o fez sem considerar os efeitos da medida judicial, tal como determina a legislação aplicável (parágrafo único do art. 150, CTN). Contudo, na Dcomp considerou apenas os pagamentos efetivamente realizados, em conformidade com as decisões judiciais; m) reitera pedido de que seja provido o recurso voluntário. É o relatório. Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.901263/200699 Resolução nº 1302000.364 S1C3T2 Fl. 1.153 12 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. De acordo com o que consta dos autos, pareceme que o caso vertente não está pronto para julgamento. IRRF retido pelo recebimento de JCP De acordo com o despacho decisório, a glosa de IRRF sobre JCP se deveu a: a) no anocalendário de 2001 o IRRF declarado pelas fontes pagadoras foi de R$4.486.600,38, enquanto o contribuinte deduzira R$4.414.770,98 de estimativas mensais e R$932.084,53 na dedução do ajuste, totalizando R$5.346.855,51 (fl.478 – Despacho Decisório); b) foram compensados valores de apuração de janeiro a março de 2002 com saldo negativo do IRPJ de 2001. O saldo negativo de 2001 teve origem em IRRF no valor declarado pelas fontes pagadoras de R$7.148.788,30 (fl.478), enquanto o contribuinte compensou R$8.215.206,58, no dizer da fiscalização; c) foram compensados valores de apuração de janeiro a março de 2001 com saldo negativo do IRPJ de 2000. O saldo negativo de 2000 teve origem em IRRF no valor declarado pelas fontes pagadoras de R$2.616.201,19 (fl.480), enquanto o contribuinte compensou R$3.407.544,83, no dizer da fiscalização. A DRJ manteve a glosa sob alegação de que a legislação exige que o contribuinte tenha em sua posse documento de retenção emitido em seu nome. No recurso voluntário, a recorrente alegou que os valores relativos ao IRRF indicados pela recorrente em sua DIPJ/2003 correspondem a rendimentos efetivamente recebidos e oferecidos à tributação pela recorrente, os quais de fato sofreram retenção na fonte. A diferença apontada pela fiscalização se refere a retenções de IRF relativamente a valores recebidos pela recorrente a título de juros sobre capital próprio – JCP, cuja receita somente foi oferecida à tributação quando de seu efetivo pagamento à recorrente ocorrido posteriormente à retenção, razão pela qual a recorrente só se aproveitou do IRF também naquele mesmo ano base. As diferenças encontradas se referem ao fato, usual e corriqueiro, de as assembléias deliberarem o pagamento de JCP ao final de cada ano, enquanto o efetivo pagamento dos valores deliberados ocorre usualmente nos anos seguintes à retenção declarada pelas fontes pagadoras em suas DIRF, tendo juntado vários documentos que, a seu ver, comprovam a efetividade das retenções. Em resposta à diligência solicitada por esta turma, a fiscalização aduziu que as divergências de IRRF se deram pelo fato que inicialmente não havia sido computado o imposto Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.901263/200699 Resolução nº 1302000.364 S1C3T2 Fl. 1.154 13 retido por algumas fontes pagadoras por ocasião do pagamento de rendimentos de Juros sobre o Capital Próprio, que os documentos apresentados merecem credibilidade, e parte dos rendimentos e do correspondente IRF foi informado nas Fichas 43 das DIPJ. Todavia, não foi comprovado o oferecimento à tributação, quer no anocalendário do recebimento, quer em períodos anteriores, corroborando esta conclusão o fato de que os dados lançados na Ficha 06, linha 24, da DIPJ, não conferem com aqueles lançados na Ficha 43. A recorrente, ao se manifestar quanto à conclusão da diligência afirmou que demonstrou que os valores relativos ao IRF indicados em sua DIPJ/2003 correspondem a rendimentos efetivamente recebidos e oferecidos à tributação, os quais sofreram de fato retenção na fonte, sendo que a receita relativa a juros sobre capital próprio somente foi oferecida à tributação quando de seu efetivo pagamento, posterior à retenção, e o aproveitamento do IRRF se deu no mesmo anobase. Além disso, ainda sustentou que a conclusão feita pela autoridade administrativa na verdade não analisou os documentos apresentados tanto no recurso voluntário como em atendimento ao Termo de Intimação nº 67/2012, os quais comprovam que os valores relativos ao IRRF indicados na DIPJ correspondem a rendimentos efetivamente recebidos e oferecidos à tributação. Para ela, o oferecimento à tributação das receitas de juros sobre capital próprio não pode ser comprovado isoladamente por meio da comprovação de sua inclusão na Ficha 43 da DIPJ. O cruzamento das informações da Ficha 43 com a Ficha 06C, linha 24, é a prova cabal da tributação das receitas, que foi o que fez a recorrente, que comprovou que os valores indicados na Ficha 43 também foram indicados na Ficha 06, linha 24, da DIPJ, apresentando um a um os documentos comprobatórios dos rendimentos recebidos, os quais esclarecem de forma detalhada cada uma das divergências apontadas no quadro do item 17 do despacho decisório, mas não tendo havido qualquer análise quanto a eles, restaram ignorados pela autoridade fiscal. A divergência quanto a esta matéria paira sobre o efetivo oferecimento à tributação das receitas de JCP que originaram as retenções. Em especial, ao batimento entre as fichas 06, linha 24 da DIPJ com a Ficha 43, sendo que a recorrente afirma que demonstram o oferecimento e a fiscalização sustenta que não se harmonizam. As divergências estão demonstradas no item 17 do despacho de diligência (fl.1120), verbis: 17. Aliás, a simples confrontação dos rendimentos de Juros sobre o Capital Próprio informados pelo interessado nas Fichas 06, Linha 24, das DIPJ com aqueles constantes das Fichas 43, comprova o quanto afirmado no item precedente, como se vê do quadro abaixo: Todavia, ao que parece, à primeira vista, a recorrente atendeu ao Termo de Intimação Fiscal, de 12/02/2012, tendo apresentado “Demonstrativo da origem dos valores das receitas de juros sobre o capital próprio nos anoscalendário de 2000 a 2002”, detalhou “cada Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.901263/200699 Resolução nº 1302000.364 S1C3T2 Fl. 1.155 14 receita e a data de recebimento e contabilização”, e informou “o valor do imposto de renda retido na fonte”, tal qual requisitado. Na documentação apresentada não foram apresentadas cópia dos livros Diário/Razão em que se demonstrasse a receita ou a retenção, mas o contribuinte acostou os demonstrativos da conta contábil de JCP e de IRRF sobre referidos juros (fls.967/970, 901/904, e 824/825). Além disso, a recorrente também acostou tabelas, relativas respectivamente aos anoscalendário de 2000 a 2002, em que demonstra o saldo informado na Ficha 6 e na Ficha 43 (fls.779, 826, e 905), demonstrando cabalmente os recebimentos sem divergências e os recebimentos com divergências. Por fim, nos documentos entregues, é feita uma demonstração individual para cada empresa que pagou JCP à recorrente, indicando a composição dos valores recebidos por empresa, mêsamês, que compôs o valor declarado na ficha 06, bem como na ficha 43, com as respectivas retenções na fonte, também indicadas mêsamês, sendo que neste demonstrativo se informa, ainda, as datas de contabilização dos rendimentos, a data dos recebimentos e o documento. Nestes documentos, também se faz a demonstração mêsamês da declaração em DIRF quanto aos rendimentos e ao IRRF. No que tange aos valores de rendimentos de JCP declarados nas fichasresumo (fls.779, 826, e 905), nos montantes de R$52.544.654,90 em 2001, e R$35.517.372,31em 2002, verifico que o valores finais demonstrados anoaano equivalem àqueles lançados nas Fichas 06 da DIPJ, nos montantes de R$35.517.372,31 em 2002 (fl.116), de R$52.544.654,90 em 2001 (fl.345), não sendo possível o confronto para o anocalendário de 2000, por não constar dos autos a Ficha 06 da DIPJ relativa a este anocalendário. Além disso, tais valores também são coerentes com os demonstrativos dos lançamentos contábeis relativos à conta de Receita de JCP, nos valores de R$16.407.609,70 (2000fl.824), R$52.544,654,90 (2001fl.902, pela diferença entre crédito total e débito total), e de R$35.517.372,31 (2002 – fl.968, pela diferença entre crédito total e débito total). Por evidente, é salutar a convergência de valores entre as fichas 6 e 43, pois possibilitam o cruzamento de informações. Há que se ressaltar que a Ficha 06 é compositiva da demonstração do resultado, enquanto a Ficha 43 é meramente destinada a fornecer informações econômicas complementares sobre, dentre outras coisas, JCP. Assim, na dúvida entre o que foi efetivamente levado a resultado, a Ficha 06 deve prevalecer. Mas no caso vertente, as informações prestadas são coerentes exatamente com esta ficha. Contudo, é possível que pela análise que procedeu nos autos, a autoridade administrativa tenha encontrado outros elementos, que ao final, não lograram estar formalizados no despacho de diligência (fls.1117/1120) que lavrou em resposta à Resolução determinada por esta turma, os quais, todavia, levaram à conclusão de que a recorrente não demonstrou que levou à tributação os valores relativos a rendimentos de JCP. Neste caso, e para que tais razões possam ser apreciadas pela turma, possibilitando o contraditório e a ampla defesa, voto para que o julgamento novamente seja convertido em diligência, para que a autoridade administrativa informe especificamente: Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.901263/200699 Resolução nº 1302000.364 S1C3T2 Fl. 1.156 15 a) a despeito de todos os elementos acostados pela recorrente, por que entende que não foi comprovado que a recorrente levou à tributação os rendimentos relativos a JCP; b) intime a parte a acostar a contabilidade dos anos de 2000, 2001 e 2002, especificamente no que tange à comprovação de que levou à tributação os rendimentos de JCP, de forma a demonstrar linhaalinha, a composição de receitas de JCP lançadas nos demonstrativos de fls.824, 901/902,967/968; b) caso entenda que os rendimentos foram parcialmente comprovados, quais os valores do IRRF podem ser reconhecidos na composição do saldo negativo de IRPJ dos ano calendário de 2000, 2001 e 2002. Após concluída a diligência, forneça à recorrente o prazo de 30 dias para resposta, nos termos do parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7574/2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727691/2011-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO. CABIMENTO.
É correta a qualificação da multa de ofício decorrente da constatação de que o contribuinte agiu consciente de esquema fraudulento que objetivava obtenção de restituições indevidas, do qual se beneficiaria, não fosse a operação fiscal levada a efeito pela Fiscalização.
RESPONSABILIDADE DO SUJEITO PASSIVO. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ALEGAÇÃO DE QUE A DECLARAÇÃO FOI ELABORADA E/OU TRANSMITIDA POR TERCEIROS.
O sujeito passivo não se exime da responsabilidade tributária por ter atribuído a terceiro a elaboração e/ou transmissão de sua Declaração de Ajuste Anual.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-003.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO. CABIMENTO. É correta a qualificação da multa de ofício decorrente da constatação de que o contribuinte agiu consciente de esquema fraudulento que objetivava obtenção de restituições indevidas, do qual se beneficiaria, não fosse a operação fiscal levada a efeito pela Fiscalização. RESPONSABILIDADE DO SUJEITO PASSIVO. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ALEGAÇÃO DE QUE A DECLARAÇÃO FOI ELABORADA E/OU TRANSMITIDA POR TERCEIROS. O sujeito passivo não se exime da responsabilidade tributária por ter atribuído a terceiro a elaboração e/ou transmissão de sua Declaração de Ajuste Anual. Recurso negado.
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INTUITO DOLOSO. CABIMENTO. É correta a qualificação da multa de ofício decorrente da constatação de que o contribuinte agiu consciente de esquema fraudulento que objetivava obtenção de restituições indevidas, do qual se beneficiaria, não fosse a operação fiscal levada a efeito pela Fiscalização. RESPONSABILIDADE DO SUJEITO PASSIVO. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ALEGAÇÃO DE QUE A DECLARAÇÃO FOI ELABORADA E/OU TRANSMITIDA POR TERCEIROS. O sujeito passivo não se exime da responsabilidade tributária por ter atribuído a terceiro a elaboração e/ou transmissão de sua Declaração de Ajuste Anual. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/03/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 76 91 /2 01 1- 14 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2007, 2008 e 2009, anoscalendário 2006, 2007 e 2008 em decorrência de investigação realizada pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da 1ª Região Fiscal (ESPEI/1ª RF), onde se observou indício de fraudes reincidentes em Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física de determinados contribuintes. Em síntese, foi registrado no Termo de Verificação Fiscal, fls. 160/165, o seguinte: a) os contribuintes envolvidos teriam sido clientes de um grupo de contadores e consultores tributários constituído por Wesley Carvalho Amaral, Eurípides Furtado de Oliveira, Cristino de Carvalho Silva e Luis Cláudio Sousa Gonçalves; b) referido grupo instruía seus clientes a transmitir as declarações informando despesas dedutíveis falsas (principalmente planos de saúde, previdência privada e instrução), com o intuito de incrementar os valores de imposto a restituir; c) a pedido do Ministério Público Federal, foi expedido Mandado de Busca e Apreensão pelo Juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal e, no cumprimento do referido mandado, foram apreendidos equipamentos e documentos, sendo elaborada pela Polícia Federal uma lista de CPF e nomes cujos arquivos eletrônicos das declarações transmitidas constavam nos computadores e documentação apreendidos; d) para os contribuintes constantes da lista mencionada no parágrafo anterior, cujas declarações apresentaram indícios de irregularidades, foram expedidos Mandados de Procedimento Fiscal, incluindo o que deu origem a esta ação fiscal; e) a autoridade lançadora anota que, intimado, o fiscalizado apresentou alguns documentos relativos às deduções declaradas nos anoscalendário fiscalizados; f) com base nas informações constantes das declarações e documentos apresentados pelo contribuinte, as seguintes infrações foram constatadas, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 147/148, 159 e 162/167: 001 – Dedução indevida de Previdência Privada/FAPI Exercício Valor (R$) 2007 7.800,00 2008 11.800,00 2009 13.551,21 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.727691/201114 Acórdão n.º 2802003.320 S2TE02 Fl. 256 3 002 – Dedução indevida de despesas médicas Exercício Valor (R$) Exercício Valor (R$) 2007 16.970,00 2008 18.130,00 2009 21.167,30 003 – Dedução indevida de despesa com instrução Exercício Valor (R$) Exercício Valor (R$) 2007 5.273,52 2008 8.596,64 2009 5.730,87 g) sobre as deduções indevidas, a autoridade lançadora aplicou multa de ofício de 150% e lavrou Representação Fiscal para Fins Penais, por entender que os fatos verificados no curso da fiscalização, como a apresentação reiterada de declarações com deduções fictícias, visando restituições indevidas, demonstram práticas previstas como crime contra a ordem tributária, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Na impugnação, o contribuinte alegou que, observados os limites de dedução permitidos pela legislação, a autoridade lançadora deixou de conceder parte da despesa de instrução nos exercícios 2006, 2007 e 2008, nos valores de R$175,84, R$1.970,00 e R$111,63, respectivamente, fls. 174/177. Afirma que é policial civil há mais de 20 (vinte) anos, e confiou a execução de suas declarações nas mãos de pessoa que pensava ser contador qualificado. Menciona que nunca agiu com dolo ou culpa na forma dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, c/c/ § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, pois tais condutas exigem no seu núcleo o dolo subjetivo, estando ausente qualquer tipificação que possa caracterizar sonegação. Solicitou redução da multa de ofício para 50%, porque a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 foi alterada pela Lei nº 11.488/1997. A impugnação foi julgada improcedente, bem como declaradas não impugnadas parte das deduções de Previdência Privada/FAPI e despesas médicas, bem como parte da dedução de instrução, conforme exposto no relatório do acórdão recorrido. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Em resumo, a impugnação foi indeferida sob fundamento de que: a) a Receita Federal do Brasil, com a operação realizada, conseguiu descobrir os mentores da fraude tributária, aqueles que montaram todo o esquema para que contribuintes recebessem indevidamente restituições do imposto de renda, mediante a majoração de deduções e, sem a conivência do sujeito passivo, este o verdadeiro beneficiário dos valores subtraídos do Erário Público, não haveria fraude; b) o fato de as declarações terem sido apresentadas por outra pessoa não exclui a sua responsabilidade pelas infrações cometidas, pois, para efeitos tributários o sujeito passivo da obrigação tributária é o contribuinte; c) corrobora o envolvimento do sujeito passivo na fraude o fato do nome do contribuinte constar nos equipamentos e documentos apreendidos pela Polícia Federal nos endereços das pessoas integrantes do grupo de fraudadores, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, fls. 160/165; d) o contribuinte utilizou as despesas nos limites estabelecidos legalmente; a fiscalização deixou de conceder as deduções máximas permitidas somente quando comprovado valor menor que o limite legal; e) a Lei nº 11.488/2007 alterou de 75% para 50% o percentual da multa exigida isoladamente, como estampa o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996; no entanto, o lançamento em apreço aplicou a multa de ofício qualificada e não a multa isolada, nos termos do inciso I, c/c § 1º do art. 44 do mesmo diploma legal; não há como afastar a aplicação da Multa de Ofício de 150%, tendo em vista o evidente intuito de fraudar o Fisco materializado pela inserção de deduções fictícias nas sucessivas declarações, de forma reiterada e continuada, com o objetivo de usufruir restituições indevidas. A ciência do acórdão ocorreu em 09/11/2012 (uma sextafeira) e o recurso voluntário foi interposto no dia 11/12/2012. Na peça recursal, o contribuinte alega que: a) multa aplicada baseiase na presunção de que o contribuinte teve participação da conduta odiosa do contador, ao qual confiou a atividade de elaborar a declaração entregue ao Fisco, presunção que cerceia o direito de defesa previsto no inciso LV do art. 5º da Constituição; b) a multa tributária é regida por princípios do direito penal e pelos limites ao poder de tributar, entre os quais o do não confisco e da capacidade contributiva, da legalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade, da motivação, da finalidade, do interesse público, da Fl. 266DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.727691/201114 Acórdão n.º 2802003.320 S2TE02 Fl. 257 5 gradação, da subjetividade, da nãopropagação, da pessoalidade, da tipicidade, da ampla defesa e do contraditório; c) a gradação das multas por ato discricionário do agente fiscal viola os princípio da indelegabilidade e vinculabilidade, previstos nos art. 7º, 97, V e 142 do CTN; d) aplicase também o princípio do in dúbio pro reo (art. 112 do CTN); e) a multa prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/1996 está vinculada aos art. 71 e 72 da Lei 4.502/1964, aos casos de evidente intuito de fraude e à ação ou omissão dolosa, cabendo à autoridade fiscal provar o dolo do contribuinte; f) a hipótese de animus fraudandi do contribuinte é afastada porque nenhum obstáculo ou subterfúgio utilizou para omitir ou manipular suas informações financeiras e colaborou com a autuação fiscal; não houve sonegação, nem fraude, nem conluio e o contribuinte sequer foi arrolado na esfera penal; g) a multa de 150% deve ser minorada para 50%, na forma do inciso II do art. 44 da Lei 9.430/1996, alterada pela Lei 11.488/1997; h) é inadmissível a qualificação da multa de ofício sobre a falta de comprovação da origem de recursos depositados em conta corrente, que caracteriza simples omissão de receitas e não evidente intuito de fraude, não bastam forte evidências de intuito de fraude; nesse sentido, cita acórdão 10707638 do então 1º Conselho de Contribuintes e RE 374981/RS. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Não houve contestação em relação à definitividade das glosas. Não há contestação das infrações. Essencialmente, o recorrente aprofunda alegações da impugnação para eximirse da responsabilidade pelas infrações sob alegação de que as Declarações de Ajuste Anual foram elaboradas por terceiro, supostamente contador, e que o Fisco não teria comprovado o dolo. A responsabilidade do sujeito passivo não é excluída ainda que a situação alegada venha a ser comprovada. O sujeito passivo não se exime da responsabilidade tributária pelo fato de atribuir a terceiro a tarefa de elaborar e transmitir a Declaração de Ajuste Anual. Ademais, o art. 136 do Código Tributário Nacional CTN dispõe que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Nesse mesmo sentido, tratando de situação similar relativa à mesma operação fiscal, é o Acórdão nº 2802003.165, de 07/10/2014, desta turma julgadora: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO. CABIMENTO. É correta a qualificação da multa de ofício decorrente da constatação de que o contribuinte agiu consciente de esquema fraudulento que objetivava obtenção de restituições indevidas, do qual se beneficiaria, não fosse a operação fiscal levada a efeito pela Fiscalização. RESPONSABILIDADE DO SUJEITO PASSIVO. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ALEGAÇÃO DE QUE A DECLARAÇÃO FOI ELABORADA E/OU TRANSMITIDA POR TERCEIROS. O sujeito passivo não se exime da responsabilidade tributária por ter atribuído a terceiro a elaboração e/ou transmissão de sua Declaração de Ajuste Anual. Recurso negado. A investigação comprovou o esquema fraudulento para obtenção de restituições indevidas (R$8.961,48, R$10.397,96, R$12.061,76, R$2.255,59; fls. 3/24), por meio da declaração de despesas inexistentes em vários exercícios de forma articulada e sistematizada em um esquema fraudulento. Os procedimentos realizados foram retratados no Termo de Verificação Fiscal (fls. 160/165) e não deixam dúvida de que o recorrente agiu consciente da fraude praticada nos moldes do grupo de Wesley Carvalho Amaral, e dela se beneficiaria com a apropriação de restituições indevidas, em três exercícios seguidos, não fosse o trabalho desenvolvido pelo Fisco. A conduta dolosa caracterizouse no momento de transmissão da declaração com dedução de despesas fictícias, sendo irrelevante a forma como se deu o posterior atendimento à Fiscalização. Os inúmeros princípios jurídicos citados pelo recorrente não são aptos a afastar a aplicação do dispositivo legal, uma vez que a comprovação da conduta evidentemente dolosa prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996, primeiramente no inciso II, e a partir de 01/01/2007, no inciso I c/c §1º da mesma lei, com a redação dada pela Lei 11.488/2007. Aplicase ao caso a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O princípio da vinculação à lei exige a aplicação da multa de 150%, inexistindo base legal para a redução requerida pelo contribuinte. As alegações inerentes a hipóteses de simples omissão de receitas por falta de comprovação de origem de recursos depositados em conta corrente não têm relação com o caso concreto, além disso, os precedentes indicados nesse ponto do recurso voluntário não possuem efeitos vinculantes. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.727691/201114 Acórdão n.º 2802003.320 S2TE02 Fl. 258 7 Correto o lançamento do tributo e da qualificação da multa de ofício em decorrência da conduta dolosa em evidente intuito de fraude. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 269DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13971.002178/2005-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1988 a 29/02/1996
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA.
A competência das turmas das DRJ, no que diz respeito à apreciação de manifestação de inconformidade, restringe-se àquelas discriminadas no inciso III, do art. 212 da Portaria MF n° 125, de 04/03/2009. As demais manifestações de inconformidade apresentadas pelo sujeito passivo, não estão sujeitas ao rito processual do Decreto n° 70.235/1972 - PAF, devendo ser aplicado a esses recursos administrativos, o disposto na Lei nº 9.784/1999.
Numero da decisão: 3101-001.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado ad hoc.
EDITADO EM: 27/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1988 a 29/02/1996 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. A competência das turmas das DRJ, no que diz respeito à apreciação de manifestação de inconformidade, restringe-se àquelas discriminadas no inciso III, do art. 212 da Portaria MF n° 125, de 04/03/2009. As demais manifestações de inconformidade apresentadas pelo sujeito passivo, não estão sujeitas ao rito processual do Decreto n° 70.235/1972 - PAF, devendo ser aplicado a esses recursos administrativos, o disposto na Lei nº 9.784/1999.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
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APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. A competência das turmas das DRJ, no que diz respeito à apreciação de manifestação de inconformidade, restringese àquelas discriminadas no inciso III, do art. 212 da Portaria MF n° 125, de 04/03/2009. As demais manifestações de inconformidade apresentadas pelo sujeito passivo, não estão sujeitas ao rito processual do Decreto n° 70.235/1972 PAF, devendo ser aplicado a esses recursos administrativos, o disposto na Lei nº 9.784/1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado ad hoc. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 21 78 /2 00 5- 72 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13971.002178/200572 Acórdão n.º 3101001.131 S3C1T1 Fl. 107 2 EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (fls. 196 a 199): 0 presente processo foi formalizado pela Equipe de Ações Judiciais da DRF/Blumenau para recepcionar os trabalhos executados com o fim de realizar a apuração do valor do crédito cuja compensação foi autorizada por decisão judicial transitada em julgado proferida nos autos do processo Mandado de Segurança n° 98.20060826 (PAJ n° 13971.001026/9890), no qual atuava como litisconsorte ativa a empresa em epígrafe. 2. No citado Mandado de Segurança, com pedido de liminar, as impetrantes pretendiam ver declarada a inexigibilidade da Contribuição para o PIS, nos moldes, dos DecretosLei n's 2.445/88 e 2.449/88, em decorrência da inconstitucionalidade desses DecretosLei, bem como lhes fosse assegurado o direito à compensação de valores pagos a maior, com débitos apurados da mesma contribuição e de outros impostos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal (fls. 03 a 21). 3. Em 17/11/1998 (fl. 182), o pedido de liminar foi indeferido. Em 25/02/1999 (fl. 182), foi proferida sentença que, preliminarmente, declarou prescrito o direito de compensação relativo aos valores recolhidos a titulo de Contribuição para o PIS anteriores a 16/11/1988, e, no mérito, concedeu parcialmente a segurança para reconhecer a inconstitucionalidade dos DecretosLei n°s 2.445/88 e 2.449/88; declarar a existência de crédito das impetrantes em relação a Unido/Fazenda Nacional, referente aos valores recolhidos a maior a titulo de Contribuição para o PIS nos moldes dos DecretosLeis n's 2.445/88 e 2.449/88; e reconhecer o direito das impetrantes de compensarem o que recolheram indevidamente a titulo de Contribuição para o PIS com parcelas do próprio PIS e/ ou outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (fl. 37). 4. Não foi interposto recurso pelas partes (fl. 182). Os autos subiram ao TRF4a Região para reexame necessário. A Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4a Região, por unanimidade, deu parcial provimento à remessa oficial declarando o direito à utilização de tais créditos na compensação de débitos da mesma espécie, isto é, que possuam a mesma destinação orçamentária, acrescentando que para a compensação alcançar outros tributos, seria necessária a autorização da Secretaria da Receita Federal, nos termos da Lei n° 9.430/96 (fl. 39). Esse Acórdão transitou em julgado em 03/12/1999 (fl. 182). Fl. 252DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13971.002178/200572 Acórdão n.º 3101001.131 S3C1T1 Fl. 108 3 5. A Interessada apresentou planilha discriminando os pagamentos referentes aos períodos de apuração 07/88 a 09/95 (fls. 46 e 47) acompanhada das cópias dos Darf correspondentes a esses pagamentos (fls. 48 a 83). 6. Em 03/11/2005, a SACAT/EQPAJ efetuou, no sistema CTSJ (fls. 90 a 139), os cálculos de compensação dos valores da Contribuição para o PIS devidos nos moldes da LC n° 07/70 com os valores da Contribuição para o PIS recolhidos de acordo com os DecretosLei n's 2.445/88 e 2.449/88. Com base nesses cálculos, essa Equipe concluiu pela inexistência de crédito. 7. 0 presente processo foi encaminhado à SAORT/DRF/Blumenau para que fosse dada ciência A impetrante sobre a inexistência de crédito a ser utilizado na compensação. 8. Com base nas informações fornecidas pela SACAT/EQPAJ, em 10/05/2006, a Chefe da SAORT/DRF/Blumenau proferiu o Despacho Decisório de fl. 142, nos seguintes termos: "Sendo assim, fazendo uso das competências definidas nos artigos 140, inciso III e 250, inciso XXI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF no 30, de 25/02/2005 (DOU 04/03/2005), esta última delegada pela Portaria DRF/Blumenau n° 27, de 01/06/2005, DECLARO que o provimento judicial decorrente dos pedidos contidos no MS 98.20060826 não resultou em direito creditório em beneficio da interessada que possa ser utilizado para compensação de PIS. i) Intimese o contribuinte para ciência. ii) Em face desta decisão é facultado ao contribuinte apresentar Manifestação de Inconformidade dirigida a Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, no prazo de 30 dias a contar do recebimento da mesma, conforme o disposto no art. 35 da Instrução Normativa SRF n° 460/05." 9. Cientificada em 17/01/2006 (fl. 143) a Interessada, inconformada, ingressou, em 09/02/2006, com a manifestação de inconformidade de fls. 144 a 174, alegando, em síntese, que: 9.1 Efetuou compensação entre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, informandoas através de DCTF Declaração de Créditos e Tributos Federais; 9.2 A Secretaria da Receita Federal concluiu que, o valor do crédito da ação judicial é inexistente, não amortizando os débitos declarados como compensados; 9.3 Ao arrepio da legislação, em seus cálculos, o Fisco considerou como base de cálculo da Contribuição os valores informados nos Darf apresentados pelo próprio contribuinte correspondentes A receita operacional bruta do mesmo mês da competência quando deveria ter considerado os valores do faturamento do sexto mes anterior; Fl. 253DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13971.002178/200572 Acórdão n.º 3101001.131 S3C1T1 Fl. 109 4 9.4 Os valores recolhidos em vista de normas inconstitucionais, devem ser devolvidos ao contribuinte, uma vez que não envolvem valores estranhos, cabendo ao fisco proceder ao cálculo correto, nos moldes da LC n° 07/70 e alterações posteriores, lançando os valores, se não atingidos pela decadência, e não os cobrando de forma direta, utilizandose indevidamente dos créditos da manifestante; 9.5 As alterações posteriores válidas da LC n° 07/70 apenas modificaram o prazo de recolhimento da Contribuição para o PIS, e não a sua base de calculo; 9.6 0 Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de não haver correção da base de cálculo; 9.7 Se, o Fisco tivesse verificado corretamente o valor do crédito da manifestante, com certeza teria homologado a compensação integralmente, pois os valores são suficientes para tal; 9.8 De acordo com o art. 74, §§ 7° a 11 0, da Lei n° 9.430/96, deverá ser determinada a suspensão do crédito tributário, diante da presente manifestação de inconformidade apresentada, em relação a todos os débitos; 9.9 Procedeu A compensação embasada nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, norma legal autorizadora; nos arts. 1° e 2° do Decreto n° 2.138/97, e nos arts. 12, §§ 1° e 14, § 7°, da Instrução Normativa/SRF n° 21/97, normas procedimentais, já que a compensação do art. 66 da Lei n° 8.383/91 não lhe trazia perspectivas de saldar o seu débito com demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal; 9.10 Para que a compensação entre tributos considerados como de"espécies diferentes" fosse possível, seria necessário pedido especifico para tal fim; 9.11 Além dos dispositivos legais amparando a manifestante, conta ainda a seu favor o fato de ter declarado a compensação na DCTF, encerrando todo o procedimento de reconhecimento do crédito(via sentença) utilização e informação A Receita Federal(via DCTF); 9.12 Entende a Secretaria da Receita Federal, entretanto, que somente é possível compensar tributos da mesma espécie e destinação orçamentária, sem autorização expressa da Receita Federal; 9.13 Foram proferidos acórdãos no TRF e STJ concluindo ser perfeitamente possível a compensação do PIS recolhido indevidamente com impostos federais administrados pela SRF, ainda que sejam de espécimes diferentes e naturezas jurídicas diversas, sem autorização expressa da receita federal, em virtude da alteração do art. 74, §§ 10 e 2°, da Lei n° 9.430/96; promovida pelo art. 49 da MP n° 66, de 29/08/2002, e pela Lei n° 10.637/02; 9.14 A retroatividade de qualquer texto do Direito Positivo não tern cabimento para onerar os contribuintes, mas deve ser aplicada para beneficiálos; Fl. 254DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13971.002178/200572 Acórdão n.º 3101001.131 S3C1T1 Fl. 110 5 9.15 No caso em tela, a alteração na Lei 9.430/96, pela Lei n° 10.637/02, veio para beneficiar o contribuinte, que dela pode utilizarse para proceder às compensações; 9.16 A própria Secretaria da Receita Federal em resposta As Consultas de n's 54 e 36, de 08 e 10 de março de 2004, respectivamente, se manifestou sobre a possibilidade de o sujeito passivo compensar créditos relativos A contribuição para o PIS/Pasep a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. A compensação deverá ser efetuada por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP); 9.17 A compensação imediata (sem trânsito em julgado) é vedada tão somente quando o tributo for objeto de contestação judicial, ou seja, sua ilegalidade ou inconstitucionalidade não se encontra pacificada pelos Tribunais Superiores, o que não se aplica no caso em tela; e 9.18 Não ha qualquer determinação judicial, seja na sentença ou nos acórdãos postergando as compensações ao trânsito em julgado do processo, o que por si só já leva ao entendimento de que a compensação deve ser plenamente considerada. A DRJ competente não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada e o contribuinte recorreu a este Conselho. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fls. 250, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101001.131, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relatora original e pelos demais integrantes do colegiado. O órgão julgador a quo não conheceu da manifestação de inconformidade pela sua incompetência, tendo em vista que o recurso administrativo deveria ter sido dirigido à Fl. 255DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13971.002178/200572 Acórdão n.º 3101001.131 S3C1T1 Fl. 111 6 autoridade que proferiu a decisão recorrida, no caso a Chefe da SAORT/DRF/Blumenau, conforme determina o art. 56, § 1º, da Lei n° 9.784/1999. O Despacho Decisório foi proferido pela Chefe da SAORT/DRF/Blumenau por meio do qual foi declarada a inexistência de crédito em relação ao provimento judicial obtido nos autos do processo MS n° 98.2006082. O que se tem, no caso em tela, é apenas uma declaração de inexistência de crédito oriundo do processo MS n° 98.2006082, constatada em função da apuração efetuada pela Equipe de Ações Judiciais da DRF/Blumenau. A finalidade dessa declaração seria a de respaldar a cobrança de débitos que, por ventura, tivessem sido compensados com crédito oriundo do processo MS n° 98.2006082 e cuja compensação fora informada em DCTF, já que inexiste em relação a esse crédito Pedido de Restituição, Pedido de Compensação convertido em DCOMP ou Declaração de Compensação. Considerando que o Despacho Decisório recorrido não trata de indeferimento de pedido de restituição, nem de nãohomologação de compensação declarada em DCOMP, muito menos, de indeferimento dos demais pedidos discriminados no inciso III, do art. 212 da Portaria MF n° 125, de 04/03/2009, corretamente a DRJ declarouse incompetente para a apreciação da manifestação de inconformidade apresentada contra o referido Despacho, devendo esta se submeter ao rito processual previsto na Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. E essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Rodrigo Mineiro Fernandes – Redator ad hoc Fl. 256DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 19515.720782/2013-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS PARA CARACTERIZAÇÃO.
As contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins não incidem sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, conforme disposto no art 5º, inciso II da Lei nº 10.637/2002 e art. 6º, inciso II da Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 3302-002.856
Decisão: Recurso de Ofício Negado.
Crédito Tributário Exonerado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS PARA CARACTERIZAÇÃO. As contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins não incidem sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, conforme disposto no art 5º, inciso II da Lei nº 10.637/2002 e art. 6º, inciso II da Lei nº 10.833/2003.
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decisao_txt : Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.
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NÃO INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS PARA CARACTERIZAÇÃO. As contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins não incidem sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, conforme disposto no art 5º, inciso II da Lei nº 10.637/2002 e art. 6º, inciso II da Lei nº 10.833/2003. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 82 /2 01 3- 58 Fl. 4651DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.720782/201358 Acórdão n.º 3302002.856 S3C3T2 Fl. 4.652 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Trata o presente de Autos de Infração para constituição de crédito tributário de Cofins e PIS/Pasep, relativo a dezembro de 2008, decorrente da não sujeição de receitas de serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior à tributação. Em sua impugnação, a recorrente alegou: 1. A nulidade do lançamento por falta de motivação válida; 2. A decadência relativa aos meses de janeiro a março de 2008, por aplicação do §4º do artigo 150 do CTN; 3. A improcedência do lançamento em razão de as receitas lançadas decorrerem de prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, cujos pagamentos representaram ingressos de divisas. Por seu turno, a Nona Turma da DRJ/SP1 em São Paulo proferiu o acórdão nº 1654.448, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n.º 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade do procedimento administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Não houve lançamento no período de apuração 01/01/2008 a 31/03/2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 NÃO INCIDÊNCIA. A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo Fl. 4652DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.720782/201358 Acórdão n.º 3302002.856 S3C3T2 Fl. 4.653 3 pagamento represente ingresso de divisas (art 5º, II, Lei 10.637/2002). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 NÃO INCIDÊNCIA. A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas (art 6º, II, Lei 10.833/2003). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em razão da exoneração acima do limite estabelecido na Portaria MF nº 3/2008, o colegiado a quo recorreu de ofício. A decisão foi cientificada à contribuinte em 02/04/2014, por decurso do prazo de quinze dias de disponibilização dos documentos em sua caixa postal no módulo E CAC. A contribuinte não apresentou recurso voluntário relativamente à parte do lançamento mantido pela DRJ. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Inicialmente, constatase que a não apresentação de recurso voluntário pela contribuinte torna definitiva a decisão na parte objeto do recurso, de acordo com o artigo 80 do Decreto nº 7.574/20111. O colegiado a quo afastou as alegações de nulidade e de decadência. No mérito, cancelou exigência quanto aos aspectos quantitativos dos fatos geradores de janeiro a novembro, incluídos, de forma globalizada pela fiscalização, no mês de dezembro. Assim, limitou o lançamento às receitas auferidas em dezembro de 2008. 1 Art. 80. São definitivas as decisões (Decreto no 70.235, de 1972, art. 42): I de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância, de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem a sua interposição; ou III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Fl. 4653DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.720782/201358 Acórdão n.º 3302002.856 S3C3T2 Fl. 4.654 4 Com acerto a decisão da DRJ. O lançamento tributário definido no art. 142 do CTN é o procedimento administrativo destinado a verificar a ocorrência do fato gerador, determinado a matéria tributável e o tributo devido, sendo que o fato gerador compreende os aspectos material (art. 114 do CTN), subjetivo (art. 121 do CTN), espacial, temporal e quantificativo (base de cálculo), não podendo dissociar o montante de sua base de cálculo do período de ocorrência do fato gerador. Verificase no Auto de Infração de Cofins, efl. 3641, e no Auto de Infração de PIS/Pasep, efl.3648, que o único fato gerador lançado foi relativo a dezembro de 2008, com vencimento em 23/01/2009. Os fatos geradores da Cofins e do PIS/Pasep correspondem ao faturamento mensal definido no art.1º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Assim, o lançamento de dezembro de 2008 deve corresponder à base de cálculo de dezembro de 2008, como decidiu o colegiado a quo. Concernente a dezembro de 2008, a decisão recorrida analisou as notas fiscais de serviço bem como as notas de débito, verificando os contratos de câmbio e identificando os ingressos de divisas, para concluir que a maioria dos valores lançados corresponde a receitas de exportação, mantendo o Auto de Infração apenas em relação às notas cujo ingresso de divisas não restou comprovado. A caracterização da não incidência de PIS/Pasep e Cofins nas receitas de exportação de serviços foi definida pelo art. 5º da Lei nº 10637/2002 e art. 6º da Lei nº 10.833/2003: Lei nº 10.637/2002: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Produção de efeito I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Lei nº 10.833/2003: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (Produção de efeito) I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Assim, os requisitos para a caracterização da não incidência são que o tomador do serviços seja domiciliado no exterior e que o pagamento represente ingresso de Fl. 4654DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.720782/201358 Acórdão n.º 3302002.856 S3C3T2 Fl. 4.655 5 divisas. Quanto ao primeiro requisito, não há lide, posto que as notas fiscais lançadas possuem como destinatários ou tomadores do serviço pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. Relativamente ao ingresso de divisas, transcrevese a seguinte definição2: 23. Para a análise do segundo requisito, tornase necessário conceituar o que sejam divisas. Para tanto, convém citar a definição de divisa segundo De Plácido e Silva na Obra Vocabulário Jurídico da Editora Forense, 27ª edição, de 2008: “Divisa. Na nomenclatura das operações de câmbio, é usado para exprimir a própria cambial, ou seja, o saque de câmbio que pode ser emitido contra qualquer praça estrangeira, para constituir reservas ou disponibilidades, que possam autorizar pagamentos de aquisições ali realizadas. Dessa forma, divisa, além de ser indicativo da própria cambial, assinala a existência dessa mesma reserva ou disponibilidade a favor de um país em mercado estrangeiro.” 24. Segundo Bruno Ratti na obra Direito Internacional e Câmbio, Edições Aduaneiras, 8ª edição, de 1994, o termo “divisas” abrange também: “(...) créditos no exterior, em moeda estrangeira. Compreendem: depósitos, letras de câmbio, ordens de pagamento, cheques, valores mobiliários, etc. Para maior facilidade de análise, incluímos no conceito de divisas também o papelmoeda estrangeiro”. (Grifo nosso) O mercado de câmbio no Brasil é regido pelo Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI), instituído pela Circular n.º 3.280/2005 (revogada partir de 3/2/2014 pela Circular Bacen nº 3.691/2013) e abrange as operações de compra e de venda de moeda estrangeira, as transferências internacionais em reais e as operações envolvendo ouroinstrumento cambial, bem como as matérias necessárias ao seu regular funcionamento. As Disposições Gerais do Capítulo 11 – Exportação do Título 1 – Mercado de Câmbio – estabeleciam: 1. Este capítulo dispõe sobre as operações no mercado de câmbio relativas às exportações brasileiras de mercadorias e de serviços. 2. As exportações brasileiras de mercadorias e de serviços sujeitamse ao ingresso no País da moeda estrangeira correspondente, mediante celebração e liquidação de contrato de câmbio em banco autorizado a operar no mercado de câmbio, no País, ressalvados os casos específicos previstos na legislação e regulamentação em vigor. 3. As operações de câmbio a que se refere o item anterior são liquidadas mediante a entrega da moeda estrangeira ou do 2 Solução de Consulta SRRF07/Disit nº 65/2009 Fl. 4655DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.720782/201358 Acórdão n.º 3302002.856 S3C3T2 Fl. 4.656 6 documento que a represente ao banco com o qual tenha sido celebrado o contrato de câmbio. 4. O recebimento do valor em moeda estrangeira decorrente da exportação deve ocorrer mediante crédito do correspondente valor em conta, no exterior, de banco autorizado a operar no mercado de câmbio, no País, ressalvadas as seguintes situações: a) entrega, ao banco, da moeda estrangeira em espécie ou em cheques de viagem, mediante autorização específica do Departamento de Capitais Estrangeiros e Câmbio Decec, deste Banco Central; b) utilização de cartão de crédito internacional ou vale postal internacional pelo devedor estrangeiro, nas situações previstas na sistemática de câmbio simplificado de exportação. [...] 7. Para os fins e efeitos do disposto neste capítulo, considerase: a) exportação de serviço: as operações classificáveis na subseção 10.1 da seção 2 do capítulo 8 deste título; Verificase no Termo de Constatação Fiscal que a autuação se lastreou no fato de a contribuinte ter emitido notas fiscais e de débito em valor superior à receita tributável informada no DACON, ter reconhecido grande parte na DIPJ 2009 como receita de prestação de serviços – mercado interno e externo e que, sem base legal, adotaria critérios próprios para classificar as receitas como tributáveis ou não. Em momento algum, a fiscalização questionou efetivamente a ausência dos requisitos previstos em lei para a caracterização da exportação de serviços, especialmente quanto ao ingresso de divisas, já que a própria autuação confirma como beneficiárias das notas pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. Por seu turno, a contribuinte apresentou as notas fiscais e contratos de câmbio, confirmados conforme os quadros elaborados no acórdão proferido pela DRJ. Assim, o fundamento fáticojurídico utilizado pela fiscalização inexiste, posto que houve sim base legal para a exclusão das receitas da base de cálculo, por se tratarem de receitas de exportação de serviços. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 4656DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 19515.720782/201358 Acórdão n.º 3302002.856 S3C3T2 Fl. 4.657 7 Fl. 4657DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 11080.918370/2012-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1803-000.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 24984.90708.291010.1.3.044206, em 29.10.2010, fls. 14 19, utilizandose de pagamento a maior de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 3373, no valor de R$6.849,28 contido no DARF de R$27.533,24, arrecadado em 29.01.2010, apurado pelo regime do real do quarto trimestre do anocalendário de 2009, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 63, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 18 37 0/ 20 12 -1 1 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918370/201211 Resolução nº 1803000.131 S1TE03 Fl. 114 2 A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data da transmissão" informado no Per/DComp, correspondendo R$6.849,28. A partir das características do DARF discriminado no Per/DComp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo realizados, mas integralmente utilizados para quitação dos débitos do contribuinte não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/DComp. [...] Diante do exposto, não homologo a compensação declarada. [...]. Enquadramento Legal: Art. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 21.01.2013, fl. 67, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0205, com os argumentos a seguir discriminados: II O DIREITO Como exposto na descrição dos fatos, por um lapso na providência da retificação adequada da declaração que deu suporte ao crédito utilizado na PER/DCOMP, o Contribuinte incorreu na informação inadequada para a formalização da compensação de débitos. Demonstrou o contribuinte, através da DCTF retificadora transmitida em 22/01/2013 que o valor devido de IRPJ/40 trimestre foi R$20.683,96. Por si, esta retificação já embasa a compensação requerida na PER/DCOMP sob análise. Nos termos do previsto na Lei 8.383 de 1991, em seu artigo 66, é passível de compensação em recolhimentos subseqüentes, as importâncias pagas indevidamente ou a maior. A instrução normativa RFB n° 1.110 traz em seu artigo 9º a possibilidade de retificar a DCTF [...]. Também, nos termos do previsto na Instrução Normativa SRF n° 15, de 06/02/2001, em seu artigo 54, é passível de ser utilizado na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, créditos por indébitos, por recolhimento a maior ou mesmo de recolhimento com vício, como o exposto pelo contribuinte. Como se pode verificar, o caso em tela está completamente embasado pelas orientações da própria Receita Federal, não havendo, pois, motivo para se desconsiderar a parcela compensada em sua totalidade conforme os termos do artigo 34 da IN RFB n° 900 [...]. Ainda, nos termos do previsto do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988, e dos artigos 145 e 151, do Código Tributário Nacional, é passível de recurso e ampla defesa com meios e recursos a ela inerentes, em contestação à decisão administrativa. Conclui que: À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da cobrança do suposto débito indevidamente compensado, espera e requer a seja acolhida a presente manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918370/201211 Resolução nº 1803000.131 S1TE03 Fl. 115 3 Requer, outrossim, a alteração da data de arrecadação do DARF IRPJ código 3373, com período de apuração em 31/12/2009, de 29/01/2010 para 31/03/2010. Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 16 53.455, de 09.12.2011, fls. 7080: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os débitos informados pelo contribuinte em DCTF constituem confissão de dívida, prescindem de lançamento para serem cobrados, tornandose instrumento hábil por meio do qual o Fisco pode promover a cobrança. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 IRPJ DO 4º TRIMESTRE. PAGAMENTO MAIOR QUE O DEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Foi indicado pela Recorrente débito em DCTF, no mesmo valor recolhido. Após ciência do Despacho Decisório, foi reduzido o montante devido mediante entrega de DCTF retificadora. No entanto, não restou comprovado o motivo da redução do imposto devido, sendo do contribuinte o ônus de provar o por ele alegado. Assim, não provada a existência de crédito líquido e certo em favor da Recorrente, mantémse a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 27.12.2013, fl. 82, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 27.01.2014, fls. 8588, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: II O Direito II.1 PRELIMINAR Em sua decisão, traz a Delegacia de Julgamento, que o momento para apresentação de provas visando esclarecer eventual equívoco consubstanciado em ato Administrativo, finda no mesmo prazo para apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de o Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Contudo, o despacho que ensejou a manifestação de inconformidade, não aceitava a compensação por não considerar haver débitos disponíveis para tanto. Feita a DCTF retificadora, apontando corretamente o valor apurado em IRPJ e o valor pago a maior, podese constatar que os valores Inicialmente apresentados no Per/DComp eram corretos e que as compensações estavam corretas. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918370/201211 Resolução nº 1803000.131 S1TE03 Fl. 116 4 Como razão de decidir da manifestação de inconformidade apresentada, trouxe a Delegacia que, em razão da verdade material, que não restou comprovado o motivo da redução do imposto devido através de escrituração contábil/fiscal do período. Ocorre, senhores julgadores, que em razão do primeiro despacho, uma simples demonstração dos erros cometidos em DCTF e a apresentação da retificação no prazo legal, eram suficientes para demonstrar o motivo da não identidade dos valores apresentados. Tanto isto é verdade, que se não tivesse havido esta diferença e apenas se apresentasse o Per/DComp e a DCTF, não haveria motivo algum para apresentação da escrituração contábil (por exemplo), a não ser que fosse requisitado pelo Fisco. Assim, não se pode aplicar, no caso, o instituto da preclusão. Senão vejamos: O artigo 17 do Decreto 70.235, considera "não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação". Entretanto, este não é caso de matéria não impugnada na Manifestação de Inconformidade por tratarse de fato novo. A não homologação da compensação pelo motivo apontado, qual seja, a falta de apresentação da comprovação fiscal e contábil da diferença apontada na DCTF retificadora, apenas surgiu nas razões de decidir da manifestação de inconformidade. Portanto, o impedimento da Recorrente de apresentar os documentos requeridos agora, fere gravemente o princípio do contraditório e inclusive o próprio princípio da verdade material. II. 2MÉRITO Com relação à comprovação material da diminuição do imposto de renda da pessoa jurídica temse que: 1) Por ocasião do encerramento do 4º trimestre de 2009, após a apuração dos resultados foram calculados o IRPJ e CSLL, importando respectivamente em R$82.599,72 e R$31.896,21. Os valores foram pagos em 3 quotas conforme lhe é facultado. 2) Conciliações de fornecedores ocorridos no exercício seguinte detectaram inconsistências em seus saldos. A investigação constatou que algumas notas fiscais de compras de mercadorias haviam sido lançadas com data do exercício de 2010, no mês de dezembro, o que provocou erro considerável na apuração dos custos do 4º trimestre de 2009. A seguir listamos os valores que causaram o erro na apuração: Data Histórico Conta Contábil Valor 02/12/2009 NF 187337 Gerdau S/A Compras de Mercadorias F1 8.519,82 03/12/2009 NF 212226 Gerdau S/A Compras de Mercadorias F1 5.433,52 14/12/2009 CTRC 594485 Rodov Bedin Fretes s/ Compras MT 72,37 18/12/2009 NF 217507 Gerdau S/A Compras de Mercadorias F1 1.925,03 22/12/2009 NF 218607 Gerdau S/A Compras de Mercadorias MT 5.055,09 23/12/2009 NF 218929 Gerdau S/A Compras de Mercadorias F1 61.184,49 Total 82.190,32 3) Após a constatação dos erros nas datas dos lançamentos, foram promovidos os devidos ajustes. O cálculo do IRPJ e da CSLL apontaram novos valores, respectivamente de R$62.051,88 e R$24.498,98. Assim, confrontandose com os Fl. 116DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918370/201211 Resolução nº 1803000.131 S1TE03 Fl. 117 5 valores das quotas recolhidas, apurouse recolhimento a maior em todos os recolhimentos. Para comprovar todo o alegado e, a fim de que não haja enriquecimento ilícito do Fisco, anexamos: a) Relatório do livro razão do mês 12/2009 das contas: 3.1.1.2.2.01.0001 Compras de Mercadorias MT; 3.1.1.2.2.01.0003 Fretes S/compras MT e 3.1.1.2.2.01.0013 Compras de mercadorias F1; b) Relatório do livro razão do 4o trimestre de 2009 das contas: 2.1.1.1.4.01.0005 IRPJ a recolher e 2.1.1.1.4.01.0007 CSLL a recolher; c) Recibos de entrega do SPED Contábil; d) Livro LALUR do 4º trimestre de 2009. Conclui que: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Em relação à solicitação de retificação do DARF, temse que a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, que aprova o Regimento Interno da RFB determina: Art. 226. À Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária Derat, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, excetuados os relativos ao comércio exterior, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de atendimento e interação fiscocontribuinte, de comunicação social, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística e de gestão de pessoas, e, especificamente: [...] Fl. 117DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918370/201211 Resolução nº 1803000.131 S1TE03 Fl. 118 6 VI desenvolver as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação; Nesse sentido, a Unidade da RFB que jurisdiciona a Recorrente tem competência exclusiva de proceder a correção de documentos de arrecadação. Por essa razão, falece competência ao CARF para processar o pedido, que não pode ser deferido nessa segunda instância de julgamento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos, oportunidade em que deduz alegações sobre o cerceamento do direito de defesa. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. O Despacho Decisório foi lavrado por servidores competentes com observância de todos os requisitos legais (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918370/201211 Resolução nº 1803000.131 S1TE03 Fl. 119 7 legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, o Despacho Decisório, fl. 63 e o Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1653.455, de 09.12.2011, fls. 7080, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente suscita que devem ser analisados os meios de prova apresentados em sede de segunda instância de julgamento de modo a demonstrar seu direito líquido e certo. Sobre a realização de todos os meios de prova, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Privilegiando o princípio da verdade material, em sede de segunda instância de julgamento, cabe apreciar os assentos contábeis produzidos pela Recorrente em relação à comprovação das supostas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto constantes nos dados informados à RFB procurando evidenciar a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. Compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918370/201211 Resolução nº 1803000.131 S1TE03 Fl. 120 8 Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional7. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais8. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Em relação ao lucro real, temse que a receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. 7 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 8 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918370/201211 Resolução nº 1803000.131 S1TE03 Fl. 121 9 O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do IRPJ pelo regime de tributação com base no lucro real trimestral deverá apurar o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões legais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário9. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do período de apuração, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza10. Restou demonstrado que no presente caso o direito creditório originase de erros incorridos nos assentos contábeis, que a Recorrente diz ter corrigido na apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadora. Atinente à DCTF, temse que a partir de 01.01.1999, o saldo a pagar relativo ao tributo ali informado, bem como o valor da diferença apurada em procedimento de auditoria interna atinente às informações indevidas ou não comprovadas sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, deve ser objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidado, enviado para inscrição em Dívida Ativa da União. Logo, a DCTF é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício11. Com o escopo de demonstrar suas alegações, a Recorrente apresenta a DCTF retificadora em 22.01.2013, fls. 2061, ou seja, depois da ciência do Despacho Decisório 21.01.2013, fl. 67, indicando: valor do IRPJ devido no 4º trimestre de 2004 R$62.051,88; valor do principal da 1ª quota R$27.533,24; pagamento da 1ª quota R$20.683,96; valor do principal da 2ª quota R$27.533,24; pagamento da 2ª quota R$20.683,96; 9 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 10 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 11 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918370/201211 Resolução nº 1803000.131 S1TE03 Fl. 122 10 valor do principal da 3ª quota R$27.533,24; e pagamento da 3ª quota R$20.683,96. No Lalur consta o valor de R$62.051,88 a título de IRPJ devido no 4º trimestre de 2004, fl. 99. No Livro Razão está registrado o valor de R$62.051,88 a título de IRPJ devido no 4º trimestre de 2004, fl. 106. No Despacho Decisório Eletrônico, fl. 63, foi informado que o DARF de R$27.533,24 foi integralmente utilizado para quitação do débito e por essa razão o Per/DComp não foi homologado. A Recorrente suscita que houve incorreções na DCTF original em decorrência do fato de haver erros na apuração da base de cálculo pela inobservância do regime de competência, pois "algumas notas fiscais de compras de mercadorias haviam sido lançadas com data do exercício de 2010, no mês de dezembro, o que provocou erro considerável na apuração dos custos do 4º trimestre de 2009": Data Histórico Conta Contábil Valor 02/12/2009 NF 187337 Gerdau S/A Compras de Mercadorias F1 8.519,82 03/12/2009 NF 212226 Gerdau S/A Compras de Mercadorias F1 5.433,52 14/12/2009 CTRC 594485 Rodov Bedin Fretes s/ Compras MT 72,37 18/12/2009 NF 217507 Gerdau S/A Compras de Mercadorias F1 1.925,03 22/12/2009 NF 218607 Gerdau S/A Compras de Mercadorias MT 5.055,09 23/12/2009 NF 218929 Gerdau S/A Compras de Mercadorias F1 61.184,49 Total 82.190,32 Em conformidade com princípio da verdade material, o pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado de pagamento a maior de IRPJ, código 3373, no valor de R$6.849,28 contido no DARF de R$27.533,24, arrecadado em 29.01.2010, apurado pelo regime do real do quarto trimestre do anocalendário de 2009, deve ser averiguado, porque foi produzido um início de prova do erro a partir da análise dos dados escriturados, entre outros assentos contábeis, no Livro Razão, no Livro Caixa, no Lalur e na DCTF retificadora. Observese que os registros contábeis devem ser realizados com observância dos princípios de contabilidade, devem conter a data do registro contábil, ou seja, a data em que o fato contábil ocorreu, a conta devedora, a conta credora, o histórico que represente a essência econômica da transação ou o código de histórico padronizado, neste caso baseado em tabela auxiliar inclusa em livro próprio, o valor do registro contábil e a informação que permita identificar, de forma unívoca, todos os registros que integram um mesmo lançamento contábil. Em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios, os custos, tal como as despesas, devem ser apropriados simultaneamente às receitas que gerarem. Temse que o reconhecimento das receitas e das despesas é um dos aspectos básicos da contabilidade e pelo método de competência os efeitos Fl. 122DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918370/201211 Resolução nº 1803000.131 S1TE03 Fl. 123 11 financeiros das transações e eventos devem ser reconhecidos nos períodos nos quais ocorrem, independentemente de terem sido recebidos ou pagos. Estes custos, para serem dedutíveis, devem ser incorridos, necessários, usuais ou normais para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. São considerados incorridos aqueles de competência do período de apuração relativos aos bens empregados nas operações exigidas pela atividade da pessoa jurídica, em relação aos quais já tenha nascido a obrigação correspondente. A conta Fornecedores situada no Passivo Circulante representa as origens dos recursos decorrentes de obrigações para com terceiros com valor nominalmente fixado e com prazo para pagamento estabelecido para o curso do exercício subsequente à data do balanço patrimonial. Pode conter obrigações documentadas por duplicata, que é o título de crédito emitido com base em obrigação proveniente de compra ou venda mercantil que tem a característica de ser causal, uma vez que sua emissão está vinculada à relação jurídica que lhe dá origem. No momento da emissão da fatura o vendedor pode extrair uma duplicata que, sendo assinada pelo comprador, serve como documento de comprovação da dívida.12. Temse que a Escrituração Fiscal Digital (EFD) é um arquivo digital, que se constitui de um conjunto de escriturações de documentos fiscais e de outras informações de interesse dos fiscos das unidades federadas e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como de registros de apuração de impostos referentes às operações e prestações praticadas pela Recorrente Este arquivo deverá ser assinado digitalmente e transmitido mensalmente, via Internet, ao ambiente do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) 13. O Sped foi apresentado a RFB antes da ciência do Despacho Decisório contendo supostamente as informações trazidos pela Recorrente e assim, desde então essas informações já constavam nos registros internos da RFB, de acordo com as alegações da defesa. No presente caso, a Recorrente deve instruir os autos com as cópias das referidas Notas Fiscais e dos referidos pagamentos comprovando as obrigações para com terceiros e a relação jurídica que lhes deram origem em dezembro de 2009, porque somente são dedutíveis as despesas incorridas, necessárias, usuais a para a realização das transações inerentes à atividade da Recorrente e à manutenção da respectiva fonte produtora. Também não há cópias do Livro Razão e do Livro Diário evidenciando que de fato essas operações não foram registradas. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão em relação ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos14. 12 Fundamentação legal: §§ do art. 45 e §§ do art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, §§ do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, Lei nº 5.474, de 18 de Julho de 1968 Parecer Normativo CST nº 58, 01 de setembro de 1977, Resolução CFC nº 1.221, de 28 de março de 2008 e Resolução CFC nº 1.330, de 18 de março de 2011. 13 Fundamentação Legal: Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007. 14 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918370/201211 Resolução nº 1803000.131 S1TE03 Fl. 124 12 Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento dos Per/DComp pelo afastamento da preliminar do erro material do período do direito creditório, impõe, pois, o retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito. Devem ser examinadas a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser avaliados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso15. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente aprecie o acatamento da retificação do pleito inicial e o mérito do litígio e ainda para: (a) reconhecer a possibilidade de formação do direito creditório pleiteado de pagamento a maior de IRPJ, código 3373, no valor de R$6.849,28 contido no DARF de R$27.533,24, arrecadado em 29.01.2010, apurado pelo regime do real do quarto trimestre do anocalendário de 2009, para compensação dos débitos confessados nos Per/DComp, apurando sua liquidez e certeza inclusive nos aspectos de sua existência, suficiência e disponibilidade; (b) fazer a juntada das informações constantes nos registros internos da RFB, tais como DIPJ, DCTF, DIRF, DARF e Sped, e ainda anexar as cópias dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso16; e (c) verificar se houve pedido de reconhecimento do direito creditório em outros processos referente ao mesmo direito creditório e se ali foi admitido como correto esse valor, para evitar a utilização em duplicidade do crédito tributário pleiteado nesses autos, cotejando a escrituração da Recorrente com os dados constantes nos registros internos da RFB para aferir a verossimilhança; Na apuração do direito creditório pleiteado de pagamento a maior de IRPJ, código 3373, no valor de R$6.849,28 contido no DARF de R$27.533,24, arrecadado em 29.01.2010, apurado pelo regime do real do quarto trimestre do anocalendário de 2009, a pessoa jurídica deverá produzir um conjunto probatório robusto dos erros na apuração da base de cálculo pela inobservância do regime de competência, pois "algumas notas fiscais de compras de mercadorias haviam sido lançadas com data do exercício de 2010, no mês de dezembro, o que provocou erro considerável na apuração dos custos do 4º trimestre de 2009”, mediante apresentação dos assentos contábeis e planilhas analíticas. Em especial devem ser verificadas as cópias das referidas Notas Fiscais e dos referidos pagamentos comprovando as obrigações para com terceiros e a relação jurídica que lhes deram origem em dezembro de 2009. A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial relativamente à existência do direito creditório relativo direito creditório pleiteado de 15 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 16 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.918370/201211 Resolução nº 1803000.131 S1TE03 Fl. 125 13 pagamento a maior de IRPJ, código 3373, no valor de R$6.849,28 contido no DARF de R$27.533,24, arrecadado em 29.01.2010, apurado pelo regime do real do quarto trimestre do anocalendário de 2009 para fins de compensação dos débitos confessados nos Per/DComp objeto de averiguações nos presentes autos. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuada e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes17 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 17 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002970/2004-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. ESPÓLIO.
A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada ao(s) titular(es) da conta-corrente. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte - titular da conta-corrente - era vivo, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-003.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 09/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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DEPÓSITO BANCÁRIO. ESPÓLIO. A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada ao(s) titular(es) da contacorrente. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte titular da contacorrente era vivo, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 09/02/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 70 /2 00 4- 18 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.002970/200418 Acórdão n.º 2102003.235 S2C1T2 Fl. 428 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra ABÍLIO ANTONIO MENEZES SILVA ESPÓLIO foi lavrado Auto de Infração, fls. 374/378, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 1999, exercício 2000, no valor total de R$ 1.185.853,78, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2004. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 364/373, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1726.508, de 24/07/2008, fls. 395/404. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 22/09/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 408, o contribuinte apresentou, em 20/10/2008, recurso voluntário, fls. 412/419, no qual traz as alegações a seguir resumidas: A ilegalidade do lançamento por abranger valor mensal inferior ao admitido pela Lei nº 9.430, de 1996 – Ainda que fossem lícitas as informações sobre movimentação financeira, verificase que a autoridade fiscal não considerou os limites legais estabelecidos para o período mensal, pela Lei 9.430, de 1996, art. 42. A ilegalidade do lançamento de IRPF com base exclusivamente em extratos bancários Por se basear única e exclusivamente em valores consignados em informações supostamente fornecidas por instituições financeiras ao Fisco, o lançamento fiscal mostrase manifestamente ilegal por contrariar a jurisprudência judicial cristalizada na Súmula n° 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Inexigibilidade da multa ao sucessor tributário e a sua inconstitucionalidade já proclamada pelo Poder Judiciário Por tratarse de infração, cuja responsabilidade é pessoal do agente (art. 137 do CTN) e, portanto, intransferível, verificase a responsabilidade pela penalidade aplicada no lançamento multa punitiva jamais poderia passar da pessoa do infrator (art. 5°, XLV CF/88) ou ser transferida ao espólio sucessor tributário do suposto contribuinte infrator. Portanto, não há dúvida de que a cumulação dos juros moratórios de 1% ao mês, com juros equivalentes à taxa Selic se traduz em cobrança puramente arbitrária e ilegal. É o Relatório. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.002970/200418 Acórdão n.º 2102003.235 S2C1T2 Fl. 429 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O lançamento, que ora se discute, imputa ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e, em se tratando de critério indireto de verificação de ocorrência de fato gerador, necessário se faz o exame prévio do procedimento fiscal, porquanto dele depende o controle da legalidade do lançamento, tarefa que incumbe às instâncias administrativas de julgamento. Para a análise da questão, transcrevese a seguir o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que deu suporte ao lançamento: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como se vê, referido dispositivo legal estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos, que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou investimento. As presunções legais, também chamadas presunções jurídicas, dividemse em absolutas (juris et jure) e relativas (juris tantum). Denominase presunção juris et jure aquela que, por expressa determinação de lei, não admite prova em contrário nem impugnação; dizse que a presunção é juris tantum quando a norma legal é formulada de tal maneira que a verdade enunciada pode ser elidida pela prova de sua inexistência. Concluise, por conseguinte, que a presunção legal de renda, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo juris tantum (relativa). Cabe, portanto, ao titular apresentar justificativas válidas para os ingressos ocorridos em suas contascorrentes. No presente caso, verificase que as contas bancárias, nas quais os valores de origem não comprovada foram depositados, têm como titular Abílio Antonio Menezes Silva, que à época do procedimento fiscal já era falecido, conforme se infere da Certidão de Óbito, fls. 31. Ou seja, Abílio Antonio Menezes faleceu em 15/10/2003 e o procedimento fiscal foi inaugurado com o Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 22/07/2004. Assim, temse que todas as intimações perpetradas durante a ação fiscal foram cientificadas ao espólio de Abílio Antonio Menezes Silva, na pessoa da inventariante, Maria das Graças Coelho Silva. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.002970/200418 Acórdão n.º 2102003.235 S2C1T2 Fl. 430 4 Destaquese que na impugnação a inventaria afirmou que: De bom alvitre repetir: o recorrente, embora desobrigado por Lei, não mediu esforços para acabar com a desconfiança da autoridade fiscalizadora. Seu empenho, no entanto, esbarrou em obstáculos intransponíveis. Ao buscar documentos junto às instituições financeiras, ou não os obteve devido ao exíguo tempo disponível para o fornecimento da papelada, ou os obteve de forma incompleta. Fosse Abilio ainda vivo e poderia, sem sombra de dúvida, explicar e identificar cada uma dessas operações. Para a representante legal do Espólio, no entanto, essas identificações são impossíveis de serem feitas sem os documentos bancários que solicitou. Nesse sentido, devese dizer que o espólio não só responde pelos tributos relativamente aos bens deixados e pelos que se vencerem até a partilha, mas também pelos do de cujus antes da abertura da sucessão. Contudo, muito embora utilize o mesmo CPF, o espólio não se confunde com o “de cujus”. São entidades diferentes, valendo lembrar que a Instrução Normativa SRF nº 81, de 11 de outubro de 2001, assim conceitua o termo espólio:considerase espólio o conjunto de bens, direitos e obrigações da pessoa falecida. Do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, depreendese que quem se encontra obrigado a comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados é o titular da contacorrente. Portanto, não sendo o espólio o titular da contacorrente não há como lhe exigir que comprove os valores depositados nas contascorrentes do de cujus, a não ser que os depósitos se referissem a período posterior à data da abertura da sucessão, ou seja, após o óbito. Aí sim, haveria que se averiguar quem era o responsável pela movimentação: se o espólio, se o inventariante ou qualquer outro sujeito passivo. Porém, não sendo assim, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época em que o contribuinte – titular da contacorrente – era vivo. Ressaltase que a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que o titular, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. Assim, para que se valide a presunção de omissão de rendimentos, o lançamento deve se conformar aos moldes da lei, sendo imprescindível que os titulares, e somente estes, sejam intimados a comprovar a origem dos depósitos, pois a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada aos titulares da contacorrente. Portanto, não cabe autuação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, quando em procedimento fiscal for verificado que o titular das contascorrentes em exame veio à óbito em data posterior a movimentação dos recursos e anterior ao início do procedimento fiscal, por encontrarse, neste caso, a autoridade fiscal impossibilitada de cumprir o rito que o art. 42 exige para que se caracterize a presunção legal. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.002970/200418 Acórdão n.º 2102003.235 S2C1T2 Fl. 431 5 Ora, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos precisos termos do parágrafo único do art. 142, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), que impõe à autoridade lançadora a obediência às formalidades previstas na legislação, com vistas à constituição do crédito tributário. Assim, uma vez que o espólio não é titular da conta bancária nem tampouco o responsável pela movimentação no período fiscalizado, não poderia o agente fiscal terlhe autuado pela infração em questão, pois não tem o poder discricionário para agir em desacordo com a lei, sob pena de macular o lançamento. É bom lembrar que no texto da lei as palavras são cuidadosamente escolhidas e não há palavras de sobra. Vêse que o legislador, quando da redação do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, ao designar qual pessoa física ou jurídica que deveria ser intimada a comprovar a origem dos recursos depositados em conta de depósito ou investimento, utilizou a palavra “titular” e não “contribuinte” ou “sujeito passivo” ou “gerente da instituição financeira” ou alguma outra expressão. Isso porque é praticamente impossível que outra pessoa, diferente do titular da conta bancária, tenha condições de comprovar a origem de todos os depósitos em contas correntes de outrem. Assim, deixouse bem claro na letra da lei, aliás, de forma inconfundível, que somente o titular pode, de fato, responder por tais operações. Nestes termos devese cancelar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 431DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10805.722754/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS -OMISSÃO - PROPOSITURA FAZENDA NACIONAL - NÃO APRECIAÇÃO DO LEVANTAMENTO VALE REFEIÇÃO
Os embargos de declaração prestam-se a esclarecer o alcance da decisão proferida, quando não mencionado expressamente no acordão se a decisão se aplicaria a determinado levantamento, configurando omissão passível de ajuste por meio de embargos de declaração.
Vislumbrando-se no acordão omissão quanto a apreciação do levantamento VALE REFEIÇÃO, devem os embargos serem acatados para que se esclareça que qualquer fornecimento de alimentação em pecúnia, independente da adoção da nomenclatura vale refeição ou cestas básicas não encontra-se alcançada pelo entendimento do ato declaratório 03/2011.
ALIMENTAÇÃO - FORNECIMENTO DE CESTAS BÁSICAS EM PECÚNIA E VALE REFEIÇÃO.
Nos termos do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011 afasta-se a incidência de contribuições previdenciárias apenas sobre a alimentação fornecida in natura.
Sendo a verba cesta básica, ou mesmo o vale refeição pagos em pecúnia, não há como aplicar o entendimento exposto no referido ato declaratório, devendo ser mantido o lançamento das contribuições sobre esses pagamentos.
Embargos Acolhidos.
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2401-003.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanear a omissão suscitada, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Vislumbrandose no acordão omissão quanto a apreciação do levantamento VALE REFEIÇÃO, devem os embargos serem acatados para que se esclareça que qualquer fornecimento de alimentação em pecúnia, independente da adoção da nomenclatura vale refeição ou cestas básicas não encontrase alcançada pelo entendimento do ato declaratório 03/2011. ALIMENTAÇÃO FORNECIMENTO DE CESTAS BÁSICAS EM PECÚNIA E VALE REFEIÇÃO. Nos termos do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011 afastase a incidência de contribuições previdenciárias apenas sobre a alimentação fornecida in natura. Sendo a verba cesta básica, ou mesmo o vale refeição pagos em pecúnia, não há como aplicar o entendimento exposto no referido ato declaratório, devendo ser mantido o lançamento das contribuições sobre esses pagamentos. Embargos Acolhidos. Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 27 54 /2 01 2- 54 Fl. 909DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanear a omissão suscitada, mantendo inalterado o resultado do julgamento. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.814 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos opostos pelo contribuinte, com fulcro no art. 65 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, a Procuradoria da Fazenda Nacional, opõe Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 2401002.905, fls. 693 a 703. Tratase de embargos opostos pela ilustre procuradora por entender que o acordão prolatado apresenta omissão conforme descrito abaixo. A e. Turma aplicou o contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da PGFN e corretamente manteve o lançamento das contribuições incidentes sobre o auxílio alimentação pago em pecúnia, mas não se manifestou sobre o tributo incidente sobre o auxílio pago sob a forma de vale refeição. Seguindo o entendimento do referido Ato, para a não incidência da Contribuição Previdenciária é imprescindível que o pagamento seja feito “in natura”, o que não abrange ticket, vale refeição, cartão ou espécie. Portanto, para que não haja questionamento posterior, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para sanar a omissão apontada. Em face da omissão exposta, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que esta e. Turma se manifeste sobre a aplicabilidade do ato declaratório em relação ao "vale refeição". Contudo para adentrar aos pontos que entende a relatora geraram o acatamento dos presente embargos, transcrevo abaixo o relatório do acordão transcrevendoo na forma como trazido pelo relator originário. Tratam os presentes autos de infração de obrigação principal, lavrados em desfavor do recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não descontada em época própria, parcela da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, a destinada a terceiros, bem como as contribuições descontadas dos segurados empregados e não recolhidas em sua totalidade, levantadas sobre os pagamentos feitos aos segurados empregados e contribuintes individuas, no período de 01/2008 a 12/2008. Os AIOP foram assim divididos: 37.373.7149 (PATRONAL)Contribuições previdenciárias devidas da parte da empresa sobre os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuas, não declarados em GFIP. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 37.373.7157 Contribuições previdenciárias devidas da parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, efetivamente descontadas, consignadas em FOPAG e não declaradas em GFIP. Nas competências de 01 a 11/2008 e 13/2008 (13º salário), a empresa arrecadou as contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais (sócios), consignadas nas folhas de pagamento, todavia efetuou parcialmente o seu recolhimento. A situação acima descrita, em tese, constitui indício de Crime de Apropriação Indébita Previdenciária, de acordo com o artigo 168A, I, do Código Penal Decretolei n° 2 .848, de 07/12/1940 – na redação dada pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000 (deixar de repassar à Previdência Social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional), motivo pelo qual será objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, em relatório à parte, com comunicação à autoridade competente para ciência dos fatos. 37.373.7165 Contribuições previdenciárias devidas da parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, presumidamente descontadas e não declaradas em GFIP. Em virtude de que não foi procedido o desconto obrigatório da contribuição dos segurados sobre as bases de cálculo não consideradas pela empresa, efetuamos o lançamento de tais contribuições, por presunção legal nos termos do § 5º do artigo 33, da Lei nº 8.212/91. 37.383.3512 Contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos sobre os valores pagos a segurados empregados, não declarados em GFIP. Sobre as bases de cálculo de segurados empregados ou suas diferenças apuradas, por meio do AI DEBCAD nº 37.383.3512, foi constituído crédito tributário relativo às contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos, incidentes numa alíquota total de 5,8 % (cinco inteiros e oito décimos por cento). Como já explanado no Capítulo XV, na condição de tomador de serviços de transportadores autônomos, o contribuinte sujeitase ainda a descontar e recolher as contribuições sociais destes segurados, destinadas ao SEST e ao SENAT, instituídas pela Lei nº 8.706, de 14 de setembro de 1993, com as seguintes alíquotas: Conforme relatório fiscal, fl. 48 a 75, assim, detalhou o auditor o lançamento: Pelo exposto, lançamos as diferenças de base de cálculo das contribuições previdenciárias, devidas e não recolhidas, resultante do comparativo entre os valores constantes das folhas de pagamento e aqueles declarados em GFIP, no período de 01/2008 a 12/2008, no estabelecimento Matriz e no período de 01 a 03/2008 e 05/2008, na Filial. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.814 S2C4T1 Fl. 4 5 93. Além das diferenças mencionadas no item anterior, lançamos também os créditos relativos às contribuições previdenciárias devidas sobre os valores de “cestas básicas”; “valerefeição”; “valetransporte”; “PróLabore” e sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas sem vínculo empregatício, relativos a prestação de serviços diversos, inclusive “fretes”, todos devidamente fundamentados nos Capítulos anteriores. 94. As bases de cálculo relativas ás contribuições previdenciárias devidas sobre o 13º (décimo terceiro) salário, não declaradas em GFIP e nem recolhidas, da Matriz e Filial, foram lançadas integralmente na competência 13/2008. Os recolhimentos efetuados, antes do início do Procedimento Fiscal, através das Guias da Previdência Social – GPS, assim como os valores constantes dos documentos de cobrança DCG– Débito Confessado em GFIP, e ainda os valores pagos a título de Salário Família e Salário Maternidade, foram devidamente deduzidos na apuração do crédito tributário ora lançado. Com vista a esclarecer todos os fatos geradores descritos no presente processo, foram assim indicados os levantamentos: Para a apuração dos valores devidos, e o consequente lançamento tributário, foram criados os seguintes levantamentos: · GF – REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP: para lançamento de todas as bases de cálculo declaradas em GFIP pela empresa, de forma a aproveitar os recolhimentos efetuados por meio de GPS, bem como os valores objeto de IP/DCG. · FP – REMUNERAÇÃO EMPREGADO FPGTO: para lançamento de todas as bases de cálculo referentes às remunerações de empregados, constantes das folhas de pagamento e não declaradas em GFIP. Este levantamento desmembrouse automaticamente em FP2, paras as competências 12/2008 e 13/2008, já na vigência da Medida Provisória – MP nº 449/2008. · VF – VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA (FOPAG); para lançamento de todas as bases de cálculo referentes aos pagamentos de “Transporte”, em desacordo com a legislação, constantes das folhas de pagamento e não declarados em GFIP. Este levantamento desmembrouse automaticamente em VF2, para a competência 12/2008, já na vigência da Medida Provisória – MP nº 449/2008. · VC – VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA (CONTABILIDADE); para lançamento de todas as bases de cálculo referentes aos pagamentos de “Vale Transporte”, em desacordo com a legislação, constantes da contabilidade, não incluídos em folhas de pagamento e não declarados em GFIP. Este levantamento desmembrouse automaticamente em VC2, Fl. 913DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 para a competência 12/2008, já na vigência da Medida Provisória – MP nº 449/2008. · CB – CESTA BÁSICA (FOPAG e CONTABILIDADE); para lançamento de todas as bases de cálculo referentes aos pagamentos de Cestas Básicas, em espécie e em pecúnia, não declarados em GFIP. Este levantamento desmembrouse automaticamente em CB2, para a competência 12/2008, já na vigência da Medida Provisória – MP nº 449/2008. · VR – VALEREFEIÇÃO (FOPAG); para lançamento de todas as bases de cálculo referentes aos pagamentos de “Vale Refeição”, em desacordo com a legislação, constante das folhas de pagamento e não declarado em GFIP. Este levantamento desmembrouse automaticamente em VR2, para a competência 12/2008, já na vigência da Medida Provisória – MP nº 449/2008. · PA – PRÓLABORE SÓCIOS (FOPAG); para lançamento de todas as bases de cálculo, reconhecidas pela empresa, referentes às remunerações relativos a prólabore constantes das folhas de pagamento e não declaradas em GFIP. · PB – PRÓLABORE SÓCIOS (FOPAG); para lançamento de todas as bases de cálculo, não reconhecidas pela empresa, referentes às diferenças de remunerações relativas a prólabore constantes das folhas de pagamento e não declaradas em GFIP. Este levantamento desmembrouse automaticamente PB2, para a competência 12/2008, já na vigência da Medida Provisória – MP nº 449/2008. PC PRÓLABORE SÓCIOS (CONTABILIDADE); para lançamento de todas as bases de cálculo referentes aos pagamentos efetuados aos sócios, a título de prólabore, contabilizados e não consignados em folhas de pagamento nem declarados em GFIP. · PD – PRÓLABORE DIRETOR NÃOEMPREGADO (CONTABILIDADE); para lançamento de todas as bases de cálculo referentes aos pagamentos efetuados ao diretor não empregado CALISTO LATIF FAKOURI, a título de prólabore, contabilizados e não consignados em folhas de pagamento nem declarados em GFIP. Este levantamento desmembrouse automaticamente em PD2, para a competência 12/2008, já na vigência da Medida Provisória – MP nº 449/2008. · SP – SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOAS FÍSICAS; para lançamento de todas as bases de cálculo, referentes aos pagamentos efetuados a pessoas físicas sem vínculo empregatício por diversos serviços prestados, contabilizados e não consignados em folhas de pagamento nem declarados em GFIP. (...) Importante, destacar que a lavratura dos AIOP deuse em 16/08/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 30/08/2012. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.814 S2C4T1 Fl. 5 7 Inconformado com os AIOP lavrados, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 573 a 697. Foi exarada a Decisão de Primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 727 a 750. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LANÇAMENTO FISCAL. PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. CONTRADITORIO. NÃO APLICAÇÃO. Durante o procedimento fiscalizatório que antecede o lançamento não há que se falar em aplicação dos princípios do contraditório e ampla defesa uma vez que o processo administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo. LANÇAMENTO FISCAL. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. Incidem contribuições previdenciárias sobre a parcela paga pelo contribuinte empregador, em pecúnia, ao segurado, relativamente ao valetransporte. LANÇAMENTO FISCAL. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CESTAS BÁSICAS. PARECER VINCULANTE. Cabe revisão de ofício de lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamento de alimentação “in natura”, em observância ao Parecer PGFN/CRJ/nº 2.117/2011. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. INCRA. A contribuição destinada ao INCRA é devida tanto pela empresa urbana como pela empresa rural. SEBRAE A contribuição destinada ao SEBRAE é exigível independente do porte da empresa. PROVAS. As provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções legais. Impugnação Procedente em Parte Fl. 915DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 278 a 297, onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: (...) DA ANÁLISE DOS EMBARGOS Da análise dos elementos expostos, entendo que razão assiste em parte ao embargante, tendo em vista que no acórdão prolatado se vislumbra a omissão apontada. Considerando a pertinente argumentação trazida pela ilustre procuradora, e que esta relatora realmente aplicou o ato declaratório, contudo apenas destacando a concessão de benefício em cesta básica e dinheiro, sem fazer expressa referência ao vale refeição, modalidade também descrita no relatório fiscal, entendo que os presentes embargos devam ser acatados para que seja corrigida a omissão apontada no acórdão embargado. Apenas, no intuito de melhor explicitar a citada omissão, transcrevo o trecho do acordão pertinente. QUANTO AO FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA Para decidir a questão em relação observase que existe o lançamento tanto da parcela paga em dinheiro, como da alimentação fornecida em cestas, mas ambas sem a devida inscrição no PAT. O fato de manter o lançamento de despesas com alimentação fornecidas aos empregados in natura, pela simples ausência de inscrição no PAT, tem sido relevado ultimamente considerando os termos do Ato 03/2011 da PGFN. Ao não apresentar a devida inscrição no PAT, deixou o recorrente de cumprir o disposto na legislação para excluir a verba da base de cálculo, razão pela qual a autoridade fiscal procedeu ao lançamento da contribuição devida. Assim, prevê a legislação: A Lei nº 6.321/1976 em seu artigo 3º dispõe que “ não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho.” Por sua vez o Decreto nº 05/1991 que regulamentou a Lei nº 6.321/1976, define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, in verbis: “§ 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde” Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter Fl. 916DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.814 S2C4T1 Fl. 6 9 serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (alterado pelo Dec. 2.101, de 23.12.96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Portanto, enquanto a empresa não efetuar a apresentação do documento hábil, ao qual se refere o decreto encimado, não se pode dizer que seu programa de alimentação está aprovado pelo Ministério do Trabalho, para fins de não incidência da contribuição previdenciária. Ao não apresentar a devida inscrição no PAT, deixou o recorrente de cumprir o disposto na legislação para excluir a verba da base de cálculo, razão pela qual a autoridade fiscal procedeu ao lançamento da contribuição devida. Contudo, entendo que outra questão deve ser trazida a julgamento antes de apreciar o mérito da procedência da base de cálculo. Acredito que o lançamento ora sob enfoque, enquadrase na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto desse lançamento descrito pelo julgador a quo, ou seja é “in natura”. Tanto no relatório fiscal, como no julgamento de primeira instância, observamos que a empresa fornece, ou alimentação in natura, por meio da contabilização de refeições. Neste ponto, embora entenda que a decisão de 1 instância encontrese em perfeita consonância com os dispositivos legais, entendo deve ser aplicado para o julgamento da referida verba, qual seja a publicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, abaixo trancrito. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme Fl. 917DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Já para o valor de alimentação pago em dinheiro não há como afastar o lançamento realizado, muito menos aplicar o referido parecer, vez que demonstrado pagamento em dinheiro. Dessa forma, pela leitura da transcrição acima, realmente foi omisso o acordão embargado, já que não fez qualquer referência em relação ao vale refeição, o que impede concluir se o mesmo encontrase albergado pelo citado ato declaratório da PGFN. É o relatório. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.814 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Considerando a pertinência dos embargos propostos pelo recorrente, e tendo em vista apresentar o acórdão a omissão quanto ao levantamento Vale refeição VR, já que não deixou claro se o ato declaratório se aplicaria também a essa modalidade de benefício, passo a apreciar mais especificamente a questão. Para tanto, faço uso novamente de trecho do acordão embargado, senão vejamos: Ao não apresentar a devida inscrição no PAT, deixou o recorrente de cumprir o disposto na legislação para excluir a verba da base de cálculo, razão pela qual a autoridade fiscal procedeu ao lançamento da contribuição devida. Contudo, entendo que outra questão deve ser trazida a julgamento antes de apreciar o mérito da procedência da base de cálculo. Acredito que o lançamento ora sob enfoque, enquadrase na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto desse lançamento descrito pelo julgador a quo, ou seja é “in natura”. Tanto no relatório fiscal, como no julgamento de primeira instância, observamos que a empresa fornece, ou alimentação in natura, por meio da contabilização de refeições. Neste ponto, embora entenda que a decisão de 1 instância encontrese em perfeita consonância com os dispositivos legais, entendo deve ser aplicado para o julgamento da referida verba, qual seja a publicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, abaixo trancrito. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe Fl. 919DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Já para o valor de alimentação pago em dinheiro não há como afastar o lançamento realizado, muito menos aplicar o referido parecer, vez que demonstrado pagamento em dinheiro. Como expresso no acordão, o parecer da procuradoria referese expressamente aos casos de fornecimento de alimentação na modalidade in natura. No caso, entendo que a modalidade vale refeição não enquadrase no referido parecer. Assim, no caso, aplicase o mesmo entendimento do levantamento pago diretamente em pecúnia. Aliás, o esclarecimento sobre a modalidade "vale refeição" adotado pelo autuado foi feito no próprio recurso interposto, onde às fls. 08 (fls. 823 dos autos): "No caso em tela, o pagamento do valerefeição em pecúnia foi considerado como salário de contribuição, em razão de ser rendimento pago aos empregados, bem como, não existindo registro de convênio com o PAT para a impugnante, em razão disso os valores despendidos com o benefício ficam fora dos termos previstos pela legislação para a não tributação." Dessa forma, concluise que o ato declaratório n. 03/2011, alberga apenas o fornecimento de alimentação in natura, não produzindo efeitos para exclusão dos levantamento de alimentação em pecúnia, mesmo sob a utilização da nomenclatura "vale refeição". Notese que o enfrentamento da questão, não altera resultado do julgamento, posto que no trecho do acordão embargado, transcrito acima, já se indicava que o pagamento em pecúnia de alimentação não se amoldava a exclusão proposta pelo ato declaratório 03/2011. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.814 S2C4T1 Fl. 8 13 CONCLUSÃO Voto pelo ACOLHIMENTO dos presentes embargos para sanear a omissão suscitada no Acórdão nº 2401002.905, mantendo inalterado o resultado do julgamento. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10580.911721/2009-63
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003
NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-004.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 21 /2 00 9- 63 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso de embargos que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão lavrado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamentos do Carf, em que foi conhecido e negado provimento ao Recurso Voluntário interposto. Ao analisar a questão, a 2ª Turma Especial proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 Direito ao crédito não conhecido. Ausência de prova do crédito pleiteado. Em recurso que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão em epígrafe, argumentando que houve contradição, no que concerne ao reconhecimento do crédito pleiteado para possível compensação, e que houve, também, omissão quanto à negativa de acolhimento dos termos da sentença proferida no mandado de segurança nº 2009.34.00.031.4472, em andamento na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Voto Verificase que o presente Recurso de Embargos é tempestivo e preenche todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito. Por intermédio de manobra diversionista, o recorrente pretende efeitos infringentes em sede de embargos, o que é vedado pela legislação de regência. Tal motivo já é suficiente para negar provimento. Contudo, para elucidar a questão, renovase aqui os termos da decisão proferida em sede de recurso voluntário. O recorrente tem, em tese, ao seu favor, uma decisão judicial precária apenas, pois o processo ainda está em andamento e, por via de conseqüência, não aconteceu o trânsito em julgado do mandado de segurança. Esta situação, portanto, s.m.j., não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários, nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 66 da lei nº 8.383/91. Ou seja, para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e da certeza, o que, de fato, não foram preenchidos. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911721/200963 Acórdão n.º 3802004.217 S3TE02 Fl. 112 3 Inclusive, aprofundando um pouco mais o debate, não há nos autos, qualquer prova que o contribuinte é beneficiário da noticiada decisão judicial, já que não há documentos que comprovam a condição de ser o ora recorrente integrante dos quadros associativos da associação que consta no polo ativo do mandado de segurança, muito menos os atos constitutivos dela para saber o funcionamento do regramento jurídico nos casos de representação coletiva em sede judicial. Portanto, pelas razões acima expostas, CONHEÇO dos presentes Embargos e, no mérito, Rejeitoos. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 248DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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