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Numero do processo: 10783.722836/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Presidente em exercício.
CAROLINA WANDERLEY LANDIM - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (presidente em exercício), Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Presidente em exercício. CAROLINA WANDERLEY LANDIM Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (presidente em exercício), Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .7 22 83 6/ 20 11 -1 3 Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10783.722836/201113 Resolução nº 2401000.454 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Processo Administrativo Fiscal, por meio do qual estão sendo exigidos valores referentes aos Autos de Infração DEBCAD nºs 37.321.7684, 37.321.7692, 37.321.7706, 37.321.7714, 37.321.7722, 37.321.7730 e 37.321.7749, cujos respectivos créditos tributários referemse ao período de 01/01/2008 a 31/12/2008, tendo a Recorrente sido pessoalmente intimada do lançamento em 30/06/2011. Extraise do respectivo Relatório Fiscal que as autuações consubstanciadas nos supracitados Autos de Infração se deram em virtude do não recolhimento de contribuições a cargo da empresa sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais (art. 22, I e III da Lei n.º 8.212/91), além daquela destinada ao financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa (art. 22, II, da Lei n.º 8.212/91), bem como de contribuições destinadas a outras entidades (salárioeducação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE), além do descumprimento de obrigações acessórias. De acordo com o quanto informado no Relatório Fiscal, fls. 40 e seguintes do PAF, os Autos de Infração DEBCAD n.ºs 37.321.7684e 37.321.7692 têm por objeto a exigência de contribuições a cargo da empresa previstas no art. 22, I, II, “a” e III da Lei n.º 8.212/91, e daquelas destinadas a outras entidades ou fundos, respectivamente, enquanto que os Autos de Infração DEBCAD n.ºs 37.321.7706, 37.321.7714, 37.321.7722, 37.321.7730 e 37.321.7749 têm por objeto a exigência de multas em razão do descumprimento de obrigações acessórias. Segundo informa o Relatório Fiscal, a Recorrente foi excluída do Simples Nacional, por opção própria, em 31/01/2008, com efeitos a partir de 01/01/2008, conforme informa o “Relatório de Histórico da Empresa do Simples Nacional” e os dados correspondentes aos fatos geradores foram apurados com base nas informações prestadas em GFIP e na contabilidade apresentada pela Recorrente. Em relação ao Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD n.º 37.321.7684, o Relatório Fiscal informa que os créditos apurados constam dos levantamentos "BE BEI BOLSA DE ESTUDO", "DAL DIFERENÇA DE AC LEGAIS","ES, ESI e ES2 EMPRÉSTIMO SÓCIOS", "FD1 FOLHA SIMPLES COM ARQ DIGITAL" "FP, FP1, FP2, FOLHA DE PAGAMENTO". Já no tocante ao AI DEBCAD n.º 37.321.7692, de mesma natureza, os créditos respectivos foram apurados nos levantamentos "BE BEI BOLSA DE ESTUDO", "FD1 FOLHA SIMPLES COM ARQ DIGITAL" e "FP, FP1, FP2, FOLHA DE PAGAMENTO". Ainda segundo informa o Relatório, foi constatada a ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, consistentes no pagamento de remuneração a segurados empregados sob a forma de Bolsa de Estudo e a contribuintes individuais, sócios da Recorrente, sob a forma de mútuo. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10783.722836/201113 Resolução nº 2401000.454 S2C4T1 Fl. 4 3 Especificamente em relação aos pagamentos realizados aos sócios, entendeu a fiscalização que houve pagamento de pro labore disfarçado sob a forma de mútuo, na forma abaixo transcrita: Através do exame da contabilidade apresentada verificou se que no ano de 2008 através da conta "1.2.1.01.001 Empréstimos para sócios 100787" conta do Ativo Realizável a Longo Prazo, foram pagos aos sócios valores que totalizaram R$ 976.938,10 (novecentos e setenta e seis mil, novecentos e trinta e oito reais e dez centavos), a título de: pagamento despesas dos sócios, despesas pessoais dos sócios, transferência conta Ederson (sócio da empresa), empréstimo efetuado aos sócios. Foi solicitado à empresa através do Termo de Intimação Fiscal n° 03 que apresentasse os documentos comprobatórios dos lançamentos que originaram os lançamentos efetuados na sua contabilidade do ano de 2008, na conta 1.2.1.01.001 Empréstimos para sócios 100787. A empresa apresentou em resposta recibos intitulados "RECIBO MENSAL DE OPERAÇÕES DE MÚTUO", totalizando mensalmente os valores lançados em sua contabilidade na conta Empréstimos a Sócios, através do Livro Razão. Foi solicitado também que a empresa apresentasse os documentos comprobatórios dos lançamentos de despesas pessoais dos sócios nas contas 2.1.1.02.0001 FORNECEDORES NACIONAIS 200084do Razão 2008. A empresa justificou por escrito que: "Pela conta 2.1.1.02.0001 – Fornecedores Nacionais, por questões contábeis, transitavam todos os pagamentos da empresa, portanto neste caso, a contrapartida destes lançamentos, tem como origem a conta 1.2.1.01.0001 Empréstimos para sócios 100787, cujos comprovantes são o contrato de mútuo e os recibos mensais". Foi solicitado também à empresa que justificasse e comprovasse através de documentos os lançamentos na conta 2.2.1.01.0003 EMPRÉSTIMOS PAGAR A REAL FOOD 200654 do Razão referente ao ano de 2008. A empresa através de correspondência, anexada ao presente Auto de Infração, justificou em relação aos lançamentos que: "Ao assumirmos a empresa, no início do ano de 1998, encontramos a empresa totalmente endividada e sem qualquer recurso financeiro disponível para o pagamento de todo ou qualquer tipo de encargo. Para solucionarmos o problema, existente, passamos a efetuar todos os pagamentos, pela empresa Maria Natália de Souza Alves (nome fantasia Real Food Alimentação), conforme contrato de mútuo, já apresentado em outro tópico, e os recibos de movimentações mensais das operações, desta conta, em anexo". E apresentou "Recibo Mensal de Operações de Mútuo", onde reproduziu os valores lançados na contabilidade da Viesa Alimentação Ltda ME, na conta EMPRÉSTIMOS PAGAR A REAL FOOD, através do Livro Razão do ano 2008. O contribuinte apresentou recibos que não constituem os documentos comprobatórios dos lançamentos efetuados em sua contabilidade na Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10783.722836/201113 Resolução nº 2401000.454 S2C4T1 Fl. 5 4 tentativa de dificultar e não esclarecer a motivação dos lançamentos nas contas contábeis utilizadas. Quanto aos Contratos de Mútuo apresentados, observase que não trazem em seu corpo os juros a serem pagos pela utilização do valor acordado. Além disso, não definem o prazo em que a mutuaria pagará o valor da "linha de crédito", comprometendose a reembolsar/devolver à mutuante, sempre que ocorrer sobra de recursos da mutuaria. Dessa forma os valores registrados na conta "1.2.1.01.001 Empréstimos para os sócios 100787 "conta do Ativo Realizável a Longo Prazo, foram considerados como base de contribuição previdenciária, a título de pro labore remunerando o sócio administrador, qualificado como contribuinte individual, respeitando se os lançamentos contábeis efetuados a débito e a crédito da referida conta, levandose em consideração as devoluções efetuadas, lançadas como: "devolução empréstimo dos sócios", " vlr lucro presumido distribuído do 1º trimestre de 2008", "vlr lucro presumido distribuído do 2º trimestre de 2008" conforme se verifica na tabela abaixo e constam dos Levantamentos ES, ESI e ES2 do Relatório de Lançamentos RL, anexo ao AI 37.321.7684. Devidamente intimada, a Recorrente apresentou a sua Impugnação, na qual sustentou, em síntese, em relação aos Autos de Infração DEBCAD n.ºs37.321.7684 e 37.321.7692, no que diz respeito aos empréstimos para sócios, que: a) A fiscalização afirma que durante o ano de 2008 foram pagos, por meio da utilização da conta 1.2.01.001 – Empréstimos para Sócios, valores que totalizaram R$ 976.938,10, a título de pagamento de despesas pessoais do Sr. Éderson, sócio da Recorrente; b) Durante o curso do procedimento fiscalizatório, foi ela intimada a apresentar a documentação comprobatória da movimentação da referida conta, tendo, então, informado tais valores transitavam na conta fornecedores (2.1.1.02.001 – Fornecedores Nacionais), por questões contábeis, na medida em que todos os pagamentos realizados pela autuada no ano de 2008, foram realizados mediante empréstimos de sócios (a contrapartida da conta fornecedores); c) A recorrente faz parte de um grupo de empresas atuantes no seguimento de fornecimento de refeições prontas para empresas, tendo sido a sua aquisição parte da estratégia do negócio desenvolvido pelas demais empresas que o Sr. Éderson é sócio, quais sejam, Maria Natália de Souza Alves (nome fantasia “Real Food” e ServFood Alimentação e Serviços LTDA); d) As empresas acima mencionadas realizaram empréstimos à Recorrente (Viesa Alimentação LTDAME), nos valores de R$ 2.800.000,00 e R$ 1.500.000,00, respectivamente, com o objetivo de regularizar a sua situação financeira, à época, recém adquirida pelo Sr. Éderson. Os valores dos empréstimos não foram disponibilizados de uma só vez, conforme demonstram os relatórios de movimentação apresentados à fiscalização, Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10783.722836/201113 Resolução nº 2401000.454 S2C4T1 Fl. 6 5 tendo os mesmos sido lançados na contabilidade da Recorrente na conta “Empréstimos Pagar Real Food” do Livro Razão do ano de 2008; e) Em relação ao mútuo realizado pela Recorrente ao Sr. Éderson, no valor de R$ 1.000.00,00, a fiscalização alega que ela não teria recursos para realizá lo, tendo em vista as dificuldades financeiras por ela própria relatadas nas respostas aos Termos de Intimação Fiscal; f) Em que pesem as conclusões da Auditoria, os argumentos apresentados pela autuada representam a verdade e, o valor movimentado na conta Empréstimos aos Sócios, serviu para o pagamento de despesas da própria empresa, conforme comprovam os documentos (comprovantes do pagamento de duplicatas, notas fiscais, recibos, depósitos bancários e outros) que foram acostados à Impugnação, os quais, segundo afirma, evidenciam que todos os valores que transitaram pela conta em questão tiveram destinação única e exclusiva ao pagamento das despesas e fornecedores da Viesa; g) Quanto ao valor de R$ 95.000,00, constante da base de cálculo apurada pela fiscalização na competência 04/2008, referese a empréstimo tomado junto a seu sócio pela Recorrente e por ela devolvido, não sendo possível computálo na base de cálculo das contribuições apuradas. Os documentos que comprovariam o fato dos pagamentos contabilizados se referirem a despesas da pessoa jurídica encontramse juntados nos autos às fls. 505 a 746. Na sessão de julgamento do dia 29/05/2012, a 11ª Turma da DRJ/RJI decidiu converter o julgamento em diligência, sob os seguintes fundamentos: · Em análise da Impugnação verificase que a autuada sustenta que o valor movimentado na conta Empréstimos aos Sócios serviu para pagamento de despesas da própria empresa e que a documentação anexada (comprovantes de pagamento de duplicatas, notas fiscais, recibos, depósitos bancários e outros) comprovaria tais despesas, portanto, não poderiam ser considerados base de cálculo da contribuição sobre a remuneração de autônomos, pois de remuneração não se tratam; · Analisando por amostragem os documentos da competência 03/2008, verifica se que alguns valores dos documentos são idênticos ao valor constante da tabela elaborada pela fiscal autuante e tem como destinatário/cedente a empresa Beer Brasil Ltda (razão social da Viesa Alimentação LtdaME até 08/02/2008); · A empresa também alega que o valor de R$ 95.000,00 apontado pela fiscalização se refere a empréstimo por ela tomado e devolvido ao seu sócio, pelo que não seria possível a incidência das contribuições previdenciárias sobre tal valor. Neste contexto, foi o julgamento convertido em diligência para que a fiscalização se pronuncie quanto às alegações da empresa em sua impugnação [...] demonstrando através de planilha, no caso de comprovação e concordância com as alegações, a Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10783.722836/201113 Resolução nº 2401000.454 S2C4T1 Fl. 7 6 retificação do lançamento a ser processada nos autos de obrigação principal, por competência, bem como se os autos de obrigação acessória também devem ser retificados, tanto os que sofrem reflexo direto da correção dos AIOP, como os demais, devido à aplicação da multa benéfica e quais seriam essas retificações. Em resposta aos questionamentos feitos pela DRJ, a fiscal autuante apresentou a manifestação de fls. 846/848, na qual mantém o lançamento em todos os seus termos, reiterando a sua convicção de que os valores lançados na conta Empréstimo para Sócios se tratam de pagamento de pro labore ao Sr. Éderson Christian Alves Oliveira, pelos seguintes fundamentos: · Sobre a alegação da autuada de que o valor de R$ 95.000,00, lançado na conta “1.2.01.001 – Empréstimos para Sócios” foi incluído na base de cálculo apurada, em verdade, tal valor foi descontado e não incluído naquela base. Os valores somados a crédito na referida conta, que totalizaram R$ 123.455,02 foram diminuídos dos valores lançados a débito (R$ 643.106,03) sendo o valore resultante desta operação o adotado pela fiscalização como base de cálculo (R$ 519.651,01); · A autuação decorreu da análise da contabilidade da autuada, das Declarações de Imposto de Renda do sócio Ederson Christian Alves de Oliveira, os contratos e recibos de mútuo e os documentos apresentados extemporaneamente. Quanto a estes últimos, solicitados exaustivamente à época da fiscalização, relativos à conta “1.2.01.001 – Empréstimos para Sócios – 100787” da conta Ativo Realizável a Longo Prazo, não há como considerar que possam constituir despesa da Viesa no intuito de serem abatidos do débito por vários motivos; · À época da fiscalização, a autuada alegou que o Contrato de Mútuo e Recibos Mensais da operação entre ela e o seu sócio Éderson eram os “comprovantes” dos lançamentos na conta “1.2.1.01.001 – Empréstimos para Sócios – 100787”. Sendo assim, os documentos se contradizem: se os recibos de mútuo são os comprovantes dos lançamentos de empréstimos para sócios conforme a Viesa declarou anteriormente, não há como aceitar agora documentos para transformar o empréstimo para sócios em despesas; · Ademais, extemporaneamente, na defesa, apresentou documentos diversos, inconsistentes, na tentativa de firmar a convicção de que constituem pagamentos de despesas efetuadas pela empresa. A documentação apresentada não comprova as alegações do contribuinte de que se referem a despesas da Viesa Alimentação, uma vez que em grande parte são despesas efetuadas em nome das empresas de propriedade do grupo, como Maria Natália de Souza (Real Food Alimentação) CNPJ57.609.398/000185; aluguéis pagos para funcionários, o que da mesma forma se constituiria em salário de contribuição; de pagamentos de processos judiciais sem Termo de Audiência e Notas Fiscais com valores que não conferem com os valores lançados na contabilidade; Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10783.722836/201113 Resolução nº 2401000.454 S2C4T1 Fl. 8 7 · Os documentos apresentados não podem ser considerados como despesas, pois não foram contabilizados nem em conta de Fornecedores nem em conta de Despesas; · Permanece a convicção de que se trata de pro labore, pois o Sr. Éderson lançou em sua DIRPF do ano de 2008 como Dívidas e Ônus Reais o mesmo valor constante na conta “Empréstimo para Sócios” da contabilidade da autuada (R$ 976.938,10), lançados a título de: pagamento despesas dos sócios, despesas pessoais dos sócios, transferência conta Ederson (sócio da empresa), empréstimo efetuado aos sócios. Até o ano calendário de 2010 o Sr. Ederson não quitou esse empréstimo junto a autuada. Intimada a se manifestar sobre os termos da diligência fiscal, a Recorrente apresentou a petição de fls. 852/862, na qual sustenta que a planilha por ela elaborada denominada “Relatório de Pagamentos de Fornecedores Lançados na Conta Empréstimos para Sócios” observou com rigor todos os lançamentos levados a efeito pela fiscalização, bem como, correlacionou a específico lançamento, cada documento que fora acostado. Deste modo, conclui que é possível se verificar, tal qual já o fez por amostragem esta e. Relatora que as despesas foram suportadas pela Viesa, diferentemente do quanto genericamente alegado pela Fiscalização. Sustenta, ainda, que os mais de 1.000 documentos juntados à Impugnação apresentam valores idênticos aos lançamentos realizados pela Fiscalização, o que evidencia a fragilidade do discurso genérico no sentido de que as notas fiscais apresentadas não mantém correlação com os valores dos lançamentos. A título exemplificativo, a Recorrente aponta o documento n.º 16 juntado à Impugnação, o qual afirma se tratar de Termo de Audiência no qual fora firmado acordo em processo do qual a Viesa foi parte, para pagamento de R$ 15.000,00 em 4 parcelas mensais de R$ 3.750,00, além de R$ 1.500,00 a título de honorários advocatícios. Após a manifestação da Recorrente, os autos foram levados à julgamento pela 11ª Turma da DRJ/RJI, na sessão do dia 12/12/2012, no qual se concluiu pela manutenção do lançamento adotandose, especificamente em relação ao mútuo para sócios, os seguintes fundamentos: · Durante o curso do procedimento fiscal, em resposta aos questionamentos feitos pela fiscalização, a autuada afirmou que os lançamentos realizados na conta “empréstimos para sócios” decorriam de contrato de mútuo celebrado com o seu sócio, tendo, então, apresentado o referido instrumento contratual e os recibos mensais dos pagamentos. Em relação ao lançamento de despesas pessoais dos sócios na conta “Fornecedores Nacionais”, alegou que nela transitavam todos os pagamentos da empresa, portanto neste caso, a contrapartida destes lançamentos tem como origem a conta 1.2.01.001 – Empréstimos para Sócios cujos comprovantes são o contrato de mútuo e os recibos mensais; Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10783.722836/201113 Resolução nº 2401000.454 S2C4T1 Fl. 9 8 · O contrato de mútuo celebrado pela autuada não tem validade jurídica perante terceiros, uma vez que não foi levado a registro público, na forma exigida pelo art. 221 do Código Civil. Além disto, o contrato apresentado pela autuada não tem previsão de pagamento de juros, compensatórios ou moratórios, e tem prazo indeterminado, estando em desacordo com os arts. 591 e 592, II, do Código Civil, devendose aplicar ao caso concreto as disposições dos arts. 116, parágrafo único, do CTN e art. 22, III e art. 29 da Lei n.º 8.212/91; · Ao apresentar a sua Impugnação, a autuada alega que o valor movimentado na conta “Empréstimos para Sócios” (conta do ativo realizável a longo prazo) serviu para pagamento de despesas da própria empresa conforme comprovariam os documentos acostados na defesa. Porém, quando tais documentos foram analisados em diligência realizada pela Auditora Fiscal, juntamente com a contabilidade, as DIRPF do sócio Ederson e os contratos e recibos de mútuo, demonstrouse não ser possível consideralos para abatêlos do débito; · A alegação de que os valores que transitaram na conta “Empréstimos para Sócios” serviram, na verdade, para pagamento de despesas da própria pessoa jurídica não encontra respaldo nas normas contábeis e nem na legislação previdenciária, especialmente o art. 32, II, que obriga a empresa a registrar em contas próprias os fatos geradores das contribuições previdenciárias, além do que tais valores não foram nem contabilizados na conta Fornecedores e nem na conta de Despesas. Devidamente intimada dos termos do acórdão da DRJ em 19.11.2012, conforme AR de fls. 892/893, a autuada interpôs tempestivo Recurso Voluntário, em 18.12.2012 (fls. 894/924), no qual sustenta, acerca do tema ora abordado, que: 1. A falta de registro do contrato de mútuo não retira a sua plena validade, pois foram observados no caso concreto os requisitos do art. 104 do CC: a) agente capaz; b) objeto lícito, possível, determinado ou determinável, e c) forma prescrita ou não defesa em lei. Ademais tal exigência revela excesso de formalismo, além do que a necessidade de registro está vinculada às situações em que o terceiro tenha particular interesse na relação jurídica objeto do contrato e dele tenha, presumivelmente, que ter ciência, o que não ocorre no caso concreto, já que a obrigação tributária é ex lege; 2. Quanto à inexistência de previsão de cobrança de juros, tal fato não tem qualquer relevância, na medida em que os mútuos realizados entre a recorrente e seus sócios tinha por objetivo único e exclusivo viabilizar o início das atividades da empresa, recém adquirida pelo Grupo Real Food, o qual, por incrível que pareça, não é um grupo financeiro e, portanto, não tem interesse em obter rendimentos de natureza financeira a partir de seu capital; Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10783.722836/201113 Resolução nº 2401000.454 S2C4T1 Fl. 10 9 3. Em relação ao fato de o mútuo ter sido firmado por prazo indeterminado, não há na lei nenhuma vedação para tanto, especialmente considerando que ele tem por objetivo fomentar as atividades empresariais da recorrente; 4. A DRJ e a autoridade lançadora se insurgiram contra a postura da recorrente de ampliar, na fase de Impugnação, o espectro da sua defesa nela deduzindo novo e sólido argumento, qual seja, a utilização dos valores lançados na conta “Empréstimo para os sócios” para o pagamento das despesas de custeio da recorrente; 5. Não prospera o argumento da decisão de primeira instância de que a defesa não pode ser aceita pela autoridade lançadora porque não foi corretamente contabilizada (eis que não fora lançada na conta de despesas) viola o princípio da busca pela verdade material, que rege o processo administrativo fiscal; 6. A recorrente, no ano de 2008, não estava obrigada a realizar escrituração contábil com observância das regras comerciais e contábeis, eis que optante pelo lucro presumido, cf. art. 527, I e parágrafo único. Assim, o fato de a sua contabilidade não obedecer aos estritos princípios que a informam, com o registro das despesas, empréstimos ativos e passivos em seus grupos de contas em nada prejudica a compreensão das operações realizadas pela Recorrente no período fiscalizado; 7. A autoridade lançadora e também a DRJ deixaram de apreciar a íntegra dos documentos apresentados na Impugnação sob o argumento de que eles não foram contabilizados nas rubricas Fornecedores e Despesas, o que, uma vez admitido, leva à sobreposição das regras contábeis à verdade material, o que depõe contra os princípios que norteiam a atuação da Administração estampados no art. 37 da CF/88; 8. Não é correta a afirmação lançada no acórdão recorrido de que o lançamento se deu e foi confirmado considerandose o conjunto de informações e documentos apresentados pela empresa, uma vez que jamais foram analisados os documentos juntados à Impugnação, sob o argumento de que não foram adequadamente contabilizados; 9. Quanto ao valor de R$ 450.000,00 correspondente a empréstimo realizado pela Viesa ao seu sócio, não pode ser considerado como pro labore, pois houve no caso dupla classificação do negócio jurídico pela fiscalização, pois reconheceu a autoridade lançadora a validade do mútuo quando os valores foram devolvidos pelo sócio no mesmo exercício fiscalizado, e não a reconheceu em relação aos valores que não foram devolvidos. Foram, assim, adotados dois critérios jurídicos distintos na realização do lançamento, o que não se pode admitir. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10783.722836/201113 Resolução nº 2401000.454 S2C4T1 Fl. 11 10 É o relatório. VOTO Conselheira Carolina Wanderley Landim. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Analisando o processo, verificase que a Recorrente sustentou, ainda na fase de fiscalização, que os valores lançados na conta "1.2.1.01.001 Empréstimos para os sócios 100787" do Ativo Realizável a Longo Prazo decorriam de contrato de mútuo celebrado entre ela e seu sócio. Já na Impugnação, a Recorrente apresentou uma série de documentos – aproximadamente 1.000 – que, segundo afirma, correspondem aos valores lançados na conta acima referida e que se tratariam, em verdade, de despesas da própria pessoa jurídica. A DRJ converteu o julgamento em diligência na sessão de julgamento do dia 29/05/2012, após constatar, por amostragem, que os documentos juntados pela Recorrente à Impugnação correspondentes à competência 03/2008 possuem valores idênticos àqueles dos lançamentos contábeis apontados pela fiscalização na mesma competência. Analisandose os termos da manifestação fiscal de fls. 846/848, verificase que a Auditora responsável pela lavratura dos Autos de Infração em tela não analisou a integralidade dos documentos apresentados pelo contribuinte, limitandose a afirmar que eles contradizem as informações prestadas durante o curso do procedimento fiscal e que a documentação apresentada, não comprova as alegações do contribuinte de que se referem a despesas da Viesa Alimentação , uma vez que grande parte são despesas efetuadas em nome das empresas de propriedade do grupo, como Maria Natália de Souza Real (Real Food Alimentação) [...] aluguéis pagos a funcionários, o que da mesma forma se constituiria salário de contribuição, de pagamentos de processos judiciais sem Termo de Audiência e Notas Fiscais com valores que não conferem com os valores lançados na contabilidade. Entendo que a análise integral dos documentos apresentados pelo contribuinte é medida que se impõe, em observância aos princípios da verdade material, da ampla defesa e contraditório, bem como do devido processo legal (art. 5º, LIV e LIV, CF/88). Com efeito, da análise dos autos não é possível afirmar, com a segurança necessária para a formação da convicção dessa Relatora acerca dos fatos que embasaram a autuação, se os documentos anexados à Impugnação se tratam, de fato, de despesas da pessoa jurídica Recorrente, além de não ser possível afirmar quem as custeou e, ainda, qual a sua relação com os contratos de mútuo celebrados com o sócio da Recorrente e as demais pessoas jurídicas que compõe o seu grupo econômico (Real Food e ServFood). Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10783.722836/201113 Resolução nº 2401000.454 S2C4T1 Fl. 12 11 Ademais, é imperioso observar que a elucidação de tais fatos é de vital relevância no presente caso, tendo em vista que há indícios de que houve equívoco cometido pela Recorrente nos lançamentos contábeis daquelas despesas – lançandoas na conta de Empréstimos aos Sócios, quando deveria têlas lançados em contas de Despesas, em contrapartida à conta de Fornecedores – o qual, uma vez confirmado, poderá infirmar a premissa adotada pela fiscalização no sentido de que aqueles valores se tratariam, em verdade, de empréstimo feito pela pessoa jurídica ao sócio, ainda não quitado. Ademais, a fiscalização parte da premissa de que a Recorrente teria efetuado pagamentos de despesas em favor do seu sócio, despesas essas que, ao invés de serem tratadas como prólabore, foram indevidamente ativadas em conta de Empréstimo para sócio. Se, contudo, as despesas pagas foram da sociedade Recorrente, não há como as mesmas serem consideradas, em qualquer hipótese, prólabore de sócio. Haveria, no caso, erro nos lançamentos contábeis, que não se sobrepõem à verdade dos fatos. Neste contexto, por não encontrar nos autos uma definição clara e precisa acerca dos elementos que embasaram a autuação fiscal, voto por converter o presente processo em diligência, para que sejam analisados os documentos acostados pela Recorrente em sua Impugnação, Recurso Voluntário e demais manifestações nos autos, com vistas a: a) Identificar se os comprovantes de despesas apresentados coincidem com os valores lançados na conta de ativo “Empréstimo a Sócio”; b) Identificar a natureza dos documentos apresentados, a fim de verificar se se trata de despesa da Recorrente ou pessoal do seu sócio. Elaborar planilha identificando os valores e natureza de cada despesa cujo comprovante foi apresentado, relacionada à conta de ativo “Empréstimo a Sócio”; c) Esclarecer todos os lançamentos contábeis que foram efetuados para registro do passivo relativo às despesas cujos comprovantes foram apresentados e sua subsequente baixa – se houve ou não contabilização da despesa em contrapartida a lançamento a crédito em conta de fornecedor; de que modo a conta de fornecedor que registrou a obrigação foi baixada (contra caixa, empréstimo a sócio, etc?), etc. Sendo necessário avaliar documentos contábeis não acostados aos autos, o contribuinte deverá ser intimado a apresentalos ou prestar os esclarecimentos necessários; d) Verificar a origem dos recursos financeiros utilizados para quitar as despesas cujos comprovantes foram apresentados pela Recorrente – as despesas foram pagas através de recursos financeiros da própria Recorrente (contra Caixa ou Bancos), de empresas a ela vinculadas, ou de seus sócios? e) Apresentar outros esclarecimentos que o auditor fiscal diligente entender pertinentes para julgamento da lide. Após a realização da referida diligência, dêse ciência ao contribuinte, facultandolhe a apresentação de manifestação quanto ao seu teor, e, em seguida, retornem os Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10783.722836/201113 Resolução nº 2401000.454 S2C4T1 Fl. 13 12 autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise do Recurso Voluntário interposto. Carolina Wanderley Landim – Relatora Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/05/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 18471.000924/2005-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000
CUSTOS OU DESPESAS OPERACIONAIS. DESPESAS FINANCEIRAS. MULTAS POR ADIMPLEMENTO DE PARCELAS DE DÍVIDA EM ATRASO. CRITÉRIOS DE CÁLCULO. CORREÇÃO CONTÁBIL POSTERIOR AO LANÇAMENTO FISCAL.
Posteriormente ao auto de infração a contribuinte procedeu a ajustes contábeis e extra contábeis tendentes à correção da base de cálculo do tributo, em sintonia com o entendimento apresentado pela autoridade fiscal no sentido de que não são dedutíveis despesas com multas pelo adimplemento de parcelas de dívida após o prazo de vencimento, na parte que se correlaciona ao excesso resultante da dupla incidência (multa sobre multa).
O fato dos registros contábeis (e extracontábeis) de acerto terem sido levados a cabo anteriormente à decisão de primeira instância não conduz à ineficácia da peça fiscal originária.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2000
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele.
Numero da decisão: 1102-000.872
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2000 CUSTOS OU DESPESAS OPERACIONAIS. DESPESAS FINANCEIRAS. MULTAS POR ADIMPLEMENTO DE PARCELAS DE DÍVIDA EM ATRASO. CRITÉRIOS DE CÁLCULO. CORREÇÃO CONTÁBIL POSTERIOR AO LANÇAMENTO FISCAL. Posteriormente ao auto de infração a contribuinte procedeu a ajustes contábeis e extra contábeis tendentes à correção da base de cálculo do tributo, em sintonia com o entendimento apresentado pela autoridade fiscal no sentido de que não são dedutíveis despesas com multas pelo adimplemento de parcelas de dívida após o prazo de vencimento, na parte que se correlaciona ao excesso resultante da dupla incidência (multa sobre multa). O fato dos registros contábeis (e extracontábeis) de acerto terem sido levados a cabo anteriormente à decisão de primeira instância não conduz à ineficácia da peça fiscal originária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2000 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 CUSTOS OU DESPESAS OPERACIONAIS. DESPESAS FINANCEIRAS. MULTAS POR ADIMPLEMENTO DE PARCELAS DE DÍVIDA EM ATRASO. CRITÉRIOS DE CÁLCULO. CORREÇÃO CONTÁBIL POSTERIOR AO LANÇAMENTO FISCAL. Posteriormente ao auto de infração a contribuinte procedeu a ajustes contábeis e extracontábeis tendentes à correção da base de cálculo do tributo, em sintonia com o entendimento apresentado pela autoridade fiscal no sentido de que não são dedutíveis despesas com multas pelo adimplemento de parcelas de dívida após o prazo de vencimento, na parte que se correlaciona ao excesso resultante da dupla incidência (multa sobre multa). O fato dos registros contábeis (e extracontábeis) de acerto terem sido levados a cabo anteriormente à decisão de primeira instância não conduz à ineficácia da peça fiscal originária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 09 24 /2 00 5- 48 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 03/06/2013 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 18471.000924/200548 Acórdão n.º 1102000.872 S1C1T2 Fl. 256 2 documento assinado digitalmente JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Victor Humberto da Silva Maizman, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e Meigan Sack Rodrigues. Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 7ª Turma de Julgamento da DRJI no Rio de JaneiroRJ que julgou parcialmente procedentes os lançamentos efetuados em 13/07/2005 pela Delegacia de Fiscalização no Rio de JaneiroRJ com vistas ao ajuste da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e, como tal, sem incidência de multa de ofício e de juros moratórios. A exigência de ajustes desses tributos, originariamente apurados pelo regime do lucro real trimestral no anocalendário de 2000, decorrem de glosas de custos/despesas contabilizados nas contas “Atualizações de Obrigações Internas” e “Encargos”, códigos nºs. 523.41.00.00 e 523.41.03.00, respectivamente, e que somam o valor global de R$ 3.430.393,20. Esclareceu o Termo de Verificação Fiscal de fls. 130/132 que em 31/12/1994 a contribuinte pactuou com NÚCLEOS INSTITUTO DE SEGURIDADE SOCIAL o pagamento de dívidas relativas a benefícios direcionados a seus empregados a título de assistência suplementar à saúde, seguro de vida em grupo, assistência social e contribuições previdenciárias, correspondentes ao período de abril de 1989 a dezembro de 1994, em 60 (sessenta) parcelas mensais, as quais ficaram sujeitas a atualização monetária com base na variação da Taxa Referencial (TR) e juros de 1% (um por cento) ao mês, bem assim, que no caso de atraso do pagamento a parcela sofreria a incidência de multa de 2% (dois por cento) ao mês. Ocorre que ao analisar as planilhas de apropriação da atualização monetária, juros e multas apresentadas pela fiscalizada, concluiu a autoridade lançadora que a contribuinte cometeu impropriedades de cálculo que conduziram à indevida majoração dos encargos da dívida e que, contabilizados, importaram na conseqüente redução das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Eis o que ficou consignado: .....ensejou por parte da fiscalização através do termo de intimação de n° 05, lavrado em 30/05/2005 a solicitação entre outros elementos de uma planilha demonstrativa na qual ficasse demonstrado as atualizações monetárias, os juros e as multas apropriadas pela fiscalizada do período compreendido entre os anos de 1995 a 2000 referentes aos aludidos Termos de Confissões de Dívidas celebrados com a NUCLEOS. Em Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 03/06/2013 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 18471.000924/200548 Acórdão n.º 1102000.872 S1C1T2 Fl. 257 3 resposta datada de 06/06/2005 a fiscalizada apresentou entre outros elementos as aludidas planilhas nas quais ficaram evidenciadas que foram indevidamente atualizadas monetariamente segundo a variação da TR, as multas por atraso das parcelas não quitadas bem como a cobrança de multa sobre multa contrariando desta forma as cláusulas 6.1 dos citados Termos conforme exemplo discriminado no item seguinte. O mês de Abri/96 da planilha da dívida assistencial tem como saldo inicial o montante de R$377.647,30 que é o somatório das parcelas anteriores (fev/96 + mar/96 = R$ 185.459,00 + R$ 186.459,60 = R$372.428,65) com a atualização monetária da parcela de mar/96 ( R$185.429,60 x 0,8139% = R$1.509,46) e com a multa incidente sobre esta parcela atualizada (R$186.969,05 x 2% = R$3.709,19). O contribuinte ao fazer a atualização monetária deste mês está atualizando uma parcela correspondente a multa calculada no mês anterior (R$3.709,19), a qual esta inserida dentro do montante constante do saldo inicial. Da mesma forma ao aplicar a multa sobre a parcela atualizada (R$377.647,30 x 0,6597% (TR) + R$377.647,30 = R$380.138,64 x 2% = R$7.552,95) o mesmo esta calculando e conseqüentemente apropriando multa sobre multa tendo em mira que sobre o montante atualizado de R$380.138,64 está inserido a parcela calculada no mês anterior (R$3.709,19). O que se atualiza são as parcelas em atraso que no presente caso é o somatório das parcelas acumuladas até o mês anterior tendo em vista que as mesmas não foram quitadas e se aplica a multa sobre a mesmas. Não se atualiza multa nem tampouco se aplica multa sobre multa atualizada. Este procedimento tomado pela fiscalizada acarretou as majorações citadas no item 1 acima referente ao ano fiscalizado, os quais se encontram contidos dentro dos montantes contabilizados trimestralmente .................. Tendo em mira que os valores do Imposto de Renda (prejuízo fiscal) e da Base Negativa da Contribuição Social, apurada trimestralmente pela fiscalizada não é superior as irregularidades apresentadas, cujos montantes se encontram inseridos no Quadro Resumo das Diferenças Apuradas, o procedimento fiscal em apreço não gerou nenhum crédito tributário, e sim a redução do Prejuízo Fiscal e da Base Negativa da CSLL, as quais ensejaram a intimação constante do Termo de Encerramento da presente fiscalização” Impugnando os lançamentos a contribuinte salientou que fora autuada sob a alegação de que parte das despesas de atualização monetária, multas e juros previstos no Contrato de Confissão de Dívida firmado com NÚCLEOS Instituto de Seguridade Social seria indedutível, porém, o enquadramento legal citado no auto de infração, quais sejam, os artigos 926, 247, 249, inciso I, 251, e 299 do Regulamento do Imposto de Renda, não é claro e deixa dúvidas sobre que parte das despesas não seria dedutível. Asseverou que esses encargos, lançados como despesas operacionais, encontram a contrapartida na NÚCLEOS, que lança os mesmos valores como receitas operacionais. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 03/06/2013 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 18471.000924/200548 Acórdão n.º 1102000.872 S1C1T2 Fl. 258 4 Por fim, ressaltou que o contrato é auditado todos os anos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e o total da dívida vem sendo analisado globalmente por um grupo de trabalho interministerial, conforme nota explicativa nº 8 do balanço publicado em 30/04/2004, anexo II. A douta 4ª Turma de Julgamento admitiu a impugnação e entendeu procedentes os lançamentos, assim ementando o Acórdão nº 1222.324, tomado por unanimidade de votos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2000 LUCRO REAL. DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. As despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora serão consideradas operacionais e serão dedutíveis para fins de apuração do lucro real se forem necessárias e normais ou usuais. DESPESAS FINANCEIRAS. DEDUTIBILIDADE. JUROS MORATÓRIOS. MULTA CONTRATUAL. VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVA. A dedutibilidade dos juros moratórios, assim como da multa e da variação monetária passiva, estabelecidos em contrato, decorre da apresentação do contrato e de documentação hábil e idônea capaz de comprovar que o contribuinte efetivamente incorreu nas despesas lançadas a resultado.” Consignou o acórdão recorrido que a contribuinte não rebateu, de maneira específica, os argumentos e cálculos apresentados pela fiscalização, e concluiu que a parte das despesas financeiras consideradas pelo contribuinte na apuração do lucro real, além de desnecessária não estaria amparada por documento hábil e idôneo. Cientificada em 16/01/2009, fl. 216v., a contribuinte apresentou em 16 do mês seguinte o recurso de fls. 218/220 no qual aduz que a Intimação nº 2009/000022, de 07/01/2009, foi plenamente atendida com os ajustes efetuados durante o anocalendário de 2007, antecedendo a decisão do Acórdão nº 1222.234 da 7ª Turma da DRJRJ, de 12 de novembro de 2008. Informa, também, que em 21/11/2007 firmou termo de transação com NÚCLEOS, homologado em juízo (processo nº 2002.001.153437 junto a 30ª Vara Cível da Comarca do Rio de Janeiro) reduzindo a dívida na data base de 31/12/2006 em função da exclusão da cobrança de multa sobre multa, que é caracterizado o anatocismo que é vedado no direito brasileiro, agredindo a legalidade da formação da dívida. Em decorrência procedeu aos ajustes contábeis da redução da dívida, conforme cópias de planilhas e documentos que anexa, incluindo balanço publicado em 2007 onde constam as notas explicativas nºs. 12 e 13.3 que informam reclassificações efetuadas. Ao final requereu a anulação do auto de infração, tornando sem efeito a intimação fiscal. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 03/06/2013 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 18471.000924/200548 Acórdão n.º 1102000.872 S1C1T2 Fl. 259 5 É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Mostra o ato administrativo do lançamento que a exigência de ajustes nas respectivas bases que servem cálculo do IRPJ e CSLL não decorre de qualquer imputação fiscal de por conta de indedutibilidade das despesas financeiras decorrentes dos pactos firmados pela contribuinte com sua credora NÚCLEOS INSTITUTO DE SEGURIDADE SOCIAL, é dizer, não se classificou ditas despesas como desnecessárias, anormais ou não usuais, ou ainda, sem comprovação hábil lastreadora. A glosa fiscal, ao contrário, diz respeito ao excedente levado à dedução das bases tributáveis, correlacionado a erros de cálculo nos critérios de apuração e atualização da multa pelo atraso no adimplemento de parcelas. Por sua vez, a contribuinte realmente não rebateu, quando de sua impugnação, de maneira específica, os argumentos e cálculos apresentados pela fiscalização, centrando aquela defesa em questões afetas a potencial irregularidade no enquadramento legal exposto pelo auto de infração. Com o recurso voluntário, diferentemente, noticia que a dívida foi repactuada para cifras inferiores àquelas constantes dos Termos de Confissão analisadas pelo Fisco, tendo por razão, entre outros motivadores, justamente o reconhecimento das inconsistências dos cálculos na determinação e atualização das multas, originariamente apuradas pela autoridade fiscal. Referida conclusão não só faz parte das próprias razões do recurso voluntário como também consta da Nota Explicativa das Demonstrações Contábeis em 31 de Dezembro de 2007 e 2006 de número 12, trazida pela Recorrente à fl. 242 e que assim se expressa: “A partir de 2007, a NUCLEP e o NUCLEOS retomaram as negociações, consubstanciadas na troca de ofícios entre a Presidência do NUCLEOS e seu Conselho Deliberativo, que resultaram em acordo com celebração do Termo de Transação, homologado em juízo, assinado em 21/11/2007, consolidando as dívidas existentes, valor de R$ 120.111 mil, atualizadas até 31/10/2007, em conformidade com laudo pericial no âmbito do processo n° 2002.001.1534373, junto à 30ª Vara Cível do rio de Janeiro Este laudo pericial, que serviu de base ao termo de transação. veio reduzir a divida em R$ 112.813 mil na database de 31/12/2006, respaldando que o valor apurado está em conformidade com o Termo de Confissão de Divida que fora assinado em 31/12/1994, com multa de 2% (dois por cento) aplicada ao final do cálculo, quando anteriormente a multa Fl. 5DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 03/06/2013 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 18471.000924/200548 Acórdão n.º 1102000.872 S1C1T2 Fl. 260 6 estava sendo capitalizada mensalmente, agredindo a legalidade da formação da dívida.” (ênfase acrescida) Já a cópia do “Livro de Apuração do Lucro Real – Parte B” trazida à fl. 244, e que espelha a conta Prejuízo Fiscal do Ano Base 2000, mostra lançamento aposto em 31/12/2006, intitulado “Regularização de Encargos Financeiros s/ Dívida do Núcleos a Maior”, diminuindo o saldo do prejuízo fiscal pela quantia de R$ 5.336.832,11, superior, até mesmo, ao apurado pela fiscalização. Portanto, restou caracterizado o acerto do ato administrativo de exigência dos ajustes veiculada no auto de infração. A Recorrente formulou sua peça de defesa sob o entendimento de que a Intimação nº 2009/000022, fl. 216, bem assim a decisão recorrida, ocorreram posteriormente à publicação da nota explicativa acima transcrita, que se deu em 11 de abril de 2008. Há que se ater, contudo, que tanto a “intimação” em comento quanto a decisão da turma de julgamento não formalizaram a exigência fiscal, constituída, isso sim, com o auto de infração. Considerando, pois, que o pedido veiculado no recurso voluntário encontrase no sentido da anulação do auto de infração, oriento meu voto pelo não provimento do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Relator Fl. 6DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 03/06/2013 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10314.014419/2010-49
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/03/2011
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 44 19 /2 01 0- 49 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.014419/201049 Acórdão n.º 3801004.809 S3TE01 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.014419/201049 Acórdão n.º 3801004.809 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é equiparado a este, no tocante à exigência de penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.014419/201049 Acórdão n.º 3801004.809 S3TE01 Fl. 5 4 Aplicase a multa do artigo 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto Lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, por prestação intempestiva de informação sobre o veículo ou carga por ele transportada. Nos termos da disposição prevista no § 3º do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, não se considera espontânea a denúncia apresentada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior. INFRAÇÕES. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade pela infração tem natureza objetiva e independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, consoante o art. 94, § 2º, do DL 37/66 e art. 136 do CTN Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: · Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; · Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; · Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; · Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; · Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; · Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.014419/201049 Acórdão n.º 3801004.809 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.014419/201049 Acórdão n.º 3801004.809 S3TE01 Fl. 7 6 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.014419/201049 Acórdão n.º 3801004.809 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.014419/201049 Acórdão n.º 3801004.809 S3TE01 Fl. 9 8 a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu § 3o que a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no § 3o , do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.014419/201049 Acórdão n.º 3801004.809 S3TE01 Fl. 10 9 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.014419/201049 Acórdão n.º 3801004.809 S3TE01 Fl. 11 10 Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.014419/201049 Acórdão n.º 3801004.809 S3TE01 Fl. 12 11 Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifo nosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.014419/201049 Acórdão n.º 3801004.809 S3TE01 Fl. 13 12 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.014419/201049 Acórdão n.º 3801004.809 S3TE01 Fl. 14 13 alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.014419/201049 Acórdão n.º 3801004.809 S3TE01 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.014419/201049 Acórdão n.º 3801004.809 S3TE01 Fl. 16 15 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.014419/201049 Acórdão n.º 3801004.809 S3TE01 Fl. 17 16 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.014419/201049 Acórdão n.º 3801004.809 S3TE01 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13133.000285/2005-38
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2000
DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADE.
O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração pelo descumprimento de obrigação acessória tipificada como entrega da declaração fora do prazo estipulado na legislação tributária.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF
Cabe a exigência da multa pelo atraso na entrega da DCTF, nos termos da legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.420
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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MINISTÉRIO DA FAZENDA 2V....:.... i CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS <1.10 TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO'.--2,,,..-4 (.. Processo n° 13133.000285/2005-38 Recurso n° 140.990 Voluntário Acórdão n° 3102-00.420 — P Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2009 Matéria DCTF Recorrente MARTINS SOBRINHOS LTDA. Recorrida DRJ-BRASÍLIAJDF ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ' Ano-calendário: 2000 DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADE. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração pelo descumprimento de obrigação acessória tipificada como entrega da declaração fora do prazo estipulado na legislação tributária. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Cabe a exigência da multa pelo atraso na entrega da DCTF, nos termos da legislação de regência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da l a câmara / Ti turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, p a unanimidis e de votos, em negar provimento ao recurso. M ilat' A H --IFA.- 1)T 4.r1r4; 40-2 Pr . tide (1111d R ' - lik 'AULO ROSA 6 elator o Processo n° 13133.000285/2005-38 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.420 Fl. 39 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância que passo a transcrever. Contra a contribuinte acima identificada foi formalizado o Auto de Infração de multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais do ano-calendário de 2000, folha 06, no qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$ 2.121,58. Cientificada, a contribuinte apresentou a sua impugnação de folhas 01/05, alegando em síntese que : - entregou as DCTF espontaneamente, e, assim estava alicerçada no que dispõe o art. 138 do CTN. Cita e transcreve acórdãos do Conselho de Contribuinte. - atribuir uma multa de R$ 2.121,58, para se punir o retardo na entrega de uma obrigação acessória, é antes de tudo, cercear o direito ao exercício da atividade comercial, caracterizando um verdadeiro confisco; - a multa formal tem caráter punitivo, sendo aplicada uma só vez. Não se concebe, pois, a imposição de cumulação das mesmas. Neste caso, como se observa da legislação, a pena, se cabível deveria ser aplicada em seu valor mínimo que é de R$ 57,34 por cada declaração e não como foi imposta, R$ 57,34 vezes a quantidade de meses de atraso pela entrega; - não há indícios de fraude e nem de sonegação de impostos, apenas atraso na apresentação de Declarações, daí não ensejar a penalidade imposta à recorrente; - o excesso de exação, fere tanto o principio da capacidade contributiva como o princípio da igualdade, ao submeter o contribuinte a um pesado e desmedido ônus fiscal. Assim, a multa imposta deve ser dosada segundo o resultado negativo apurado. Entretanto, não havendo negação do tributo, não se estabelece o principio da punição pura e simples. Por fim, requer que seja considerado como nulo o Auto de Infração, ou na pior das hipóteses seja imputada multa justa e razoável de R$ 57,34 por declaração. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. 2 Processo n° 13133.000285/2005-38 S3-C IT2 Acórdão n.° 3102-00.420 Fl. 40 Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2000 ESPONTANEIDADE - A entrega da DCTF, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos não caracteriza a espontaneidade prevista no Art. 138 do Código Tributário Nacional com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação de regência pela falta de entrega da declaração. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS LEGAIS - A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF - É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega da DCTF na forma em que foi consignada no auto de infração. É o Relatório Voto Conselheiro RICARDO PAULO ROSA, Relator O recurso é tempestivo. Trata-se de matéria de competência deste Terceiro Conselho. Dele tomo conhecimento. A reclamante repisa, agora em sede de recurso voluntário, os mesmos argumentos trazidos em sede de impugnação. Não há qualquer reparo a fazer na decisão a quo. Á imposição de que aqui se trata tem origem no próprio Código Tributário Nacional. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. áç 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2" A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. 3 Processo n° 13133.000285/2005-38 S3-C1T2 Acórdão n." 3102-00.420 Fl. 41 § 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A ocorrência que deu origem ao crédito tributário contestado está perfeitamente enquadrada nos parágrafos segundo e terceiro acima transcritos. Trata-se de uma obrigação de caráter acessório, que tem por objeto a prestação de informações no interesse da arrecadação tributária federal e que, não tendo sido observada, no tocante ao prazo definido para sua apresentação, deu origem à obrigação principal correspondente à penalidade aplicada. A base legal para a imposição da multa, a partir do ano-calendário de 2002, é a Medida Provisória n. ° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei n.° 10.426, de 24 de abril de 2002. A aplicação desse dispositivo a fatos anteriores enquadra-se no conceito da alardeada retroatividade benigna, pois a obrigação acessória sub examine e a multa decorrente da inobservância de sua apresentação no prazo previsto já dispunham de base legal. Decreto-lei IV 1.968/82, com alteração introduzida pelo Decreto-lei n' 2.065/83. § 2 Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma ORT1V para cada grupo de 5 (cinco) informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. § 3' Se o formulário padronizado (§ I') for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 (dez) ORT1V ao mês-calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. § 4' Apresentado o formulário, ou a informação, fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento "ex officio", ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado as multas serão reduzidas à metade." Decreto-lei d- 2.124/83. Art. 5°. O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. (.) § 3°. Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2°, 3°e 4' do art. 11 do Decreto-lei n°1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei n°2.065, de 26 de outubro de 1983." Lei n°9779, de 19 de janeiro de 1999. Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 4 Processo n° 13133.000285/2005-38 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.420 Fl. 42 Havendo previsão legal para imposição, não há como afastá-la. A responsabilidade tributária é objetiva, independe da intenção do agente, conforme preceitua o Código Tributário Nacional. Responsabilidade por Infrações Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. • Também não socorre ao contribuinte o excludente da denúncia espontânea. Afora as considerações de cunho jurídico que, com muita freqüência, tem recebido toda a atenção dos tribunais administrativos, não vejo como a ação do contribuinte antes do procedimento fiscal possa corrigir uma ocorrência infracional tipificada como atraso. A espontaneidade não tem o condão de desfazer a inobservância do prazo. Se a infração é por entregar um documento fora do prazo, uma vez que a data determina na legislação não foi observada, a apresentação espontânea do documento não pode mais desconstituir o fato. A ação não altera o quadro. O atraso persiste e para ele há previsão legal de multa. Entregar o documento espontaneamente, mas, ainda assim, em atraso é exatamente fazê-lo a destempo, como fez o contribuinte, cometendo assim a infração por entrega em atraso. Parece-me incontroverso que o instituto da espontaneidade não aproveita aos casos de infrações tipificadas como atraso na entrega de declarações, quaisquer que sejam. Contudo, não será demais examinar a questão a partir de uma visão sistêmica do todo. Assim manifestou-se o STJ a respeito do assunto. "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DECLARAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO INFRAÇÃO FORMAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. I. A entrega da declaração do Imposto de Renda fora do prazo previsto na lei constitui infração formal, não podendo ser tida como pura infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. II. Ademais, "a par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei n° 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada um". (REsp n° 243.241-RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 21.08.2000). Embargos de divergência rejeitados. No que se refere às argüições de desrespeito a princípios constitucionais, deve-se considerar que falece competência a este tribunal administrativo para decidir por não 5 Processo n° 13133.000285/2005-38 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.420 Fl. 43 aplicar uma lei por alegação de inconstitucionalidade, conforme art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes. Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n.° 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n" 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar e 73, de 10 de fevereiro de 1993. É defeso a esta corte administrativa, salvo as hipóteses expressamente previstas no parágrafo único do artigo 49 supracitado, deixar de aplicar dispositivo legal formalmente válido sob pretexto de suposta violação constitucional ou princípios nela resguardados. A . o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. S í I \ Sessões, em 19 de junho de 2009. 1 R Is * AULO ROSA 6
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Numero do processo: 10980.005941/2002-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.082
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Assunto Solicitação de Diligência Recorrente EXTENSÃO COMÉRCIO DE DERIVADOS DE PETRÓLEO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Gomes Relator EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO Tratase de pedido de restituição de valores de PIS e COFINS relativos ao período de 02/1999 a 06/2000, tendo sido protocolado em 30/06/2002. O pedido está baseado na alegada existência de diferenças entre os valores apurados para compor a base de cálculo utilizada na retenção dos valores de PIS e COFINS pela refinaria, na qualidade de substituta tributária, e os preços praticados pela substituída, comerciante varejista. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.005941/200277 Resolução n.º 330200.082 S3C3T6 Fl. 140 2 A Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba, após analise do pedido, entendeu por bem indeferilo, em decisão que assim ficou ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. REVENDA DE COMBUSTÍVEIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. A suposta diferença entre o valor retido da contribuinte pela refinaria (substituto tributário) e o, valor que seria devido pela substituída se adotado como base de cálculo do PIS e da COFINS o preço efetivamente praticado no mercado varejista não é passível de restituição por absoluta falta de previsão legal. Solicitação Indeferida. Inconformada, a Recorrente alega em seu Recurso que: a) no regime de substituição tributária ocorre a presunção de operações subseqüentes na cadeia de comercialização e uma estimativa de valores de venda que serão praticados nestas operações, e por conseqüência, quando a margem de lucro real for inferior a estimada, terá havido recolhimento a maior; b) o fundamento legal para o pedido encontrase esculpido na Lei 9.9718/98 e na Lei 5.172/66 – Código Tributário Nacional, que prevê em seu art. 165 o direito a restituição, qualquer que seja a modalidade de pagamento, de valores recolhidos a maior. Cita ainda a IN/SRF nº 21/97 e a IN/SRF nº 6/99. c) o precedente do STF (ADI 1.851AL) citado na decisão recorrida não se aplica ao PIS e a COFINS, pois a decisão não teria efeito erga omnis, analisaria o caso do ICMS, e por fim, estaria sendo revista pela ADI 2.777; d) por fim reitera a informação de que toda a documentação necessária para comprovar a legitimidade do pleito está à disposição para análise na sede da Recorrente. É o relatório. VOTO Antes de adentramos no mérito do presente Recurso, mister analisarmos as condições de sua admissibilidade. Segundo consta da data consignada no AR de fls. 124, a Recorrente foi cientificada da decisão exarada pela DRJ de Curitiba em 16/05/2005, uma segundafeira. Tendo em vista o prazo de 30 dias estabelecido no Decreto 70.235/76, o Recurso Voluntário deveria ter sido protocolado até o dia 15/06/2005, uma quinta feira. Ocorre que, em princípio a data do protocolo do presente Recurso ocorreu apenas no dia 16/06/2006. Isto porque, na primeira pagina do Recurso, fls. 125, apresentado consta o carimbo com assinatura da Sra. Eliana Tonelini de Paiva datado de 16/06/2006. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.005941/200277 Resolução n.º 330200.082 S3C3T6 Fl. 141 3 Não obstante, consta, às fls. 138, certidão exarada pela mesma Sra. Eliane dando conta da tempestividade do Recurso. Não sendo possível determinar com certeza a tempestividade do recurso, ou ainda, a existência de circunstâncias que tenham prorrogado o prazo fatal para o dia 16/06/2006, entendo por bem baixar o presente processo em diligência, para que a autoridade preparadora confirme: a) a data do recebimento do AR de fls. 124; b) a data do protocolo do recurso voluntário de fls. 125 a 137; c) a existência de qualquer fato que tenha postergado o prazo fatal para o protocolo do Recurso Voluntário, que teria expirado no dia 15/06/2006, como por exemplo: feriado municipal ou estadual ou se houve expediente normal na Secretaria da Receita Federal no dia 15/06/2006. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 13/05/2011 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 13795.000017/2008-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE AÇÃO TRABALHISTA. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2101-002.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O relator entendeu ter sido o lançamento equivocado por não ter sido constituído o crédito com base no regime de competência, acompanharam seus fundamentos os conselheiros Ewan Teles Aguiar e Mara Eugênia Buonanno Caramico. Acompanharam apenas pelas conclusões os demais conselheiros, que entenderam ser o tributo devido com base no regime de caixa, apenas sobre as parcelas tributáveis da ação judicial, com dedução dos honorários advocatícios até o limite da verba tributável. Originalmente, a Conselheira Maria Cleci Coti Martins votou por aplicar o Parecer PGFN n° 287 de 2009 e deduzir os honorários advocatícios proporcionalmente às verbas tributáveis.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 18/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente da turma), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE AÇÃO TRABALHISTA. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O relator entendeu ter sido o lançamento equivocado por não ter sido constituído o crédito com base no regime de competência, acompanharam seus fundamentos os conselheiros Ewan Teles Aguiar e Mara Eugênia Buonanno Caramico. Acompanharam apenas pelas conclusões os demais conselheiros, que entenderam ser o tributo devido com base no regime de caixa, apenas sobre as parcelas tributáveis da ação judicial, com dedução dos honorários advocatícios até o limite da verba tributável. Originalmente, a Conselheira Maria Cleci Coti Martins votou por aplicar o Parecer PGFN n° 287 de 2009 e deduzir os honorários advocatícios proporcionalmente às verbas tributáveis. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 79 5. 00 00 17 /2 00 8- 75 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 18/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente da turma), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário objetivando a reforma do Acórdão de nº 13 31.565 da 6ª Turma da DRJ/RJ2 (fls. 129/132), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação do Contribuinte/Recorrente, mantendo o Lançamento Fiscal lavrado para incluir na tributação valores omitidos, correspondentes a rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte em razão de ação trabalhista, tomados como isentos. Os argumentos de Impugnação arguidos foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “(...) Em 02/04/2008, apresentou os documentos extraídos do processo judicial trabalhista e arrazoado no qual argumenta que: Através do Alvará 486/03 recebeu o montante de R$ 130.887,04 mas que 88,31% deste valor era de parcela não tributável conforme demonstrado pela Contadoria do Juízo, que considerou como parcela tributável tão somente o equivalente a 11,69% como parcela tributável, ou seja, R$ 15.300,75. Para que não pairassem dúvidas quanto às parcelas não tributáveis, especificouas em petição apresentada ao juízo. Os alvarás para a Fazenda Nacional e para o INSS somente foram expedidos em 09/08/2004, que com os acréscimos legais, corresponderam a R$ 4.014,31 e R$ 5.462,48 respectivamente. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13795.000017/200875 Acórdão n.º 2101002.668 S2C1T1 Fl. 3 3 Diz que o valor referente ao INSS não foi deduzido da declaração, o que salvo melhor juízo, deveria ser feito e que está juntando o recibo referente aos honorários pagos no valor de R$ 38.000,00” (fls. 130) A decisão proferida pela da 6ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro II (RJ), restou assim ementada: “RENDIMENTOS RECEBIDOS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Os rendimentos recebidos em decorrência decisão judicial devem ser oferecidos à tributação cumulativamente com os outros rendimentos tributáveis informados na Declaração de Ajuste Anual, sendo isentas apenas as verbas previstas no art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” No Recurso de fls. 138/152, o Recorrente reitera as razões de sua impugnação, insistindo que, na ação trabalhista movida junto ao Juízo da 65ª Vara do Trabalho do TRT do Rio de Janeiro, sua irresignação versava, basicamente, sobre diferença de parcelas do FGTS, razão pela qual seria tributável somente o equivalente a 11,69% do montante recebido, eis que o restante se constituiria de verbas não alcançadas pelo imposto sobre a renda. Também foi enfatizado que os cálculos da Contadoria Judicial da Justiça Trabalhista juntados aos autos, teriam discriminado as verbas não tributáveis. Ao final, com base nas informações do contador judicial, e da legislação e jurisprudência colacionada no Recurso, o Recorrente requereu a reforma da decisão de primeira instância. Desta feita vale ressaltar que nos autos constam cópias de páginas da Ação Trabalhista Processo nº 611/97, que tramitou na 65ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, onde observamos que a Petição Inicial (fls. 33/39, 154/160) discorre sobre supostos direitos do Reclamante/Contribuinte, para ao final solicitar: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 “Face ao exposto, é a presente para reclamar as seguintes parcelas, a serem apuradas em execução: a) Diferenças do FGTS (40%) conforme item 01; b) Diferenças do FGTS (8%), conforme item 02; c) Horas extras e seus reflexos nas férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, FGTS e verbas resilitórias, durante todo o contrato de trabalho, conforme item 03; d) Diferenças da verba denominada “INDENIZAÇÃO EXTRA” na rescisão, conforme item 04.” Do mesmo modo notamos que a Ação Trabalhista findou julgada parcialmente procedente aos pleitos do Reclamante/Recorrente (Acórdão de fls. 50/54, 162/166), excetuando quanto a condenação da Reclamada em honorários. Neste sentido ainda foram juntadas Planilhas de Cálculos da Contadoria Judicial (fls. 69/84, 170/185) indicando os valores a serem pagos ao Reclamante/Recorrente, a título de “FGTS”, “horas extras e seus reflexos nas férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, FGTS e verbas resilitórias” e “Indenização Extra” (em face de programa de demissão voluntária), culminando no Mandado de Citação para pagamento (fls. 91, 187) e Alvará Judicial (fls. 103/104). Cumpre destacar que em Carta Precatória Executória juntada aos autos (fls. 92, 188) as quantias a serem pagas estão discriminadas do seguinte modo: PRINCIPAL ............. R$ 106.075,06 FGTS ........................ R$ 2.666,18 IMP. RENDA .......... R$ 3.148,12 INSS ......................... R$ 4.283,81 No entendimento de que o Lançamento Tributário, objeto deste processo, versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, atentando a norma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, cuja matéria estaria sob apreciação do STF no julgamento do RE 614406RS, este Colegiado emitiu Resolução (fls. 197/200) sobrestando a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que houvesse decisão definitiva da Corte Suprema, nos termos do disposto no artigo 62A, §§1º e 2º, do RICARF, vigente à época. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13795.000017/200875 Acórdão n.º 2101002.668 S2C1T1 Fl. 4 5 Ocorre que os §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF foram revogados pelo Sr. Ministro da Fazenda, por meio da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013. Deste modo, coloco o feito em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Conforme se verifica nos autos, está em litígio lançamento relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, em razão da ação da ação trabalhista movida contra o Serviço Social da Indústria – SESI. Também observo que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713/1988. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês): “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 14/05/2010). Este posicionamento vem sendo mantido de forma pacífica na Colenda Corte Superior de Justiça, conforme ementas transcritas apenas a título de exemplo: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. 1. No julgamento do REsp 1.118.429/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 14.5.2010, submetido à sistemática do art. 543c do CPC, a Primeira Seção decidiu que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos a destempo e acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Disso resulta que não seria legítima a cobrança do tributo sobre o valor global pago fora do prazo legal. 2. O reconhecimento da repercussão geral pela Suprema Corte não enseja o sobrestamento do julgamento dos recursos especiais que tramitam no Superior Tribunal de Justiça. Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl no REsp 1427079/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 07/04/2014) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO ART. 535, II, DO CPC. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. PRETENDIDA REDUÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS FIXADOS COM BASE NO CRITÉRIO DE APRECIAÇÃO EQUITATIVA. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Não procede a alegação de ofensa ao art. 535, II, do CPC, pois, ao julgar os embargos de declaração, embora os tenha rejeitado, o Tribunal de origem pronunciouse sobre a questão neles suscitada como omissa. 2. O art. 295, caput, inciso I e parágrafo único, do CPC, dispõe que a petição inicial será indeferida quando for inepta, dispondo, ainda, quando se Fl. 207DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13795.000017/200875 Acórdão n.º 2101002.668 S2C1T1 Fl. 5 7 considera inepta a petição inicial. Tendo em vista que a alegação de falta de documentos suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional não se insere nas hipóteses de petição inicial inepta, o dispositivo processual tido como contrariado não possui comando normativo suficiente para reformar o acórdão recorrido no ponto em que o Tribunal de origem rejeitou a alegação fazendária de ausência de documentos que comprovem a remuneração recebida pelo autor. Quanto a este aspecto, incide na espécie a Súmula 284/STF, aplicável por analogia ao recurso especial. 3. De acordo com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente". 4. Ressalvadas as hipóteses de valor irrisório ou excessivo, a reavaliação do critério de apreciação equitativa adotado para o arbitramento da verba honorária, quando vencida a Fazenda Pública, não se coaduna com a natureza dos recursos especial e extraordinário, consoante enunciam as Súmulas 7/STJ e 389/STF. Nos presentes autos, o Tribunal de origem elevou os honorários advocatícios para R$ 3.000,00, quantia esta que, conforme consta do acórdão recorrido, equivale a 5% do valor dado à causa. Dadas as peculiaridades fáticas do presente caso, não se apresenta exorbitante a verba honorária fixada pelo Tribunal de origem. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1410118/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 11/03/2014 grifamos). Nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno, este Conselho está obrigado a respeitar as decisões do STJ, nos exatos moldes em que proferidas, sem modificações ou ressalvas do seu alcance e/ou conteúdo. Tanto que em diversos julgados foi manifestada posição neste sentido: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. O recebimento de rendimentos decorrentes de revisão do valor da aposentadoria/benefício, em ação judicial, não é sujeito à tributação exclusiva na fonte, mas pelo regime de antecipação do imposto devido, sujeito ao ajuste anual. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o Fl. 208DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ em Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2801003.442, Processo nº 10580.723157/201148, Relator MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF) IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2801003.436, Processo nº 10166.003649/200990, Redator Designado CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF); IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2801003.427, Processo nº 10166.007073/200514, Relator CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF). O Direito Tributário admite, na interpretação e aplicação da lei, o emprego da equidade, que é a justiça no caso concreto. Ora, não se pode tributar proventos recebidos acumuladamente, em razão de decisão trabalhista, sem observar se seriam tributáveis caso recebidos normalmente em época própria. Ocorrendo o equívoco do empregador, o resultado judicial da ação que corrige a Fl. 209DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13795.000017/200875 Acórdão n.º 2101002.668 S2C1T1 Fl. 6 9 ilegalidade não pode servir de base à incidência tributária, sob pena de sancionarse o trabalhador/contribuinte por antijuridicidade de outros. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente, respeitando ao julgado representativo da controvérsia no STJ. Ante todo o acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de dar provimento ao recurso, afastando da tributação os valores recebidos acumuladamente em decorrência da Ação Judicial, a título de “FGTS”, “horas extras e seus reflexos nas férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, FGTS e verbas resilitórias” e “Indenização Extra”. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 210DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15586.000442/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA PARCIAL.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver omissão em ponto imprescindível não apreciado pela turma julgadora.
Embargos Acolhidos Parcialmente
Numero da decisão: 3101-001.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial aos Embargos de Declaração para suprir a omissão e rerratificar o acórdão, sem efeitos infringentes.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA PARCIAL. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver omissão em ponto imprescindível não apreciado pela turma julgadora. Embargos Acolhidos Parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial aos Embargos de Declaração para suprir a omissão e rerratificar o acórdão, sem efeitos infringentes. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Versa o presente processo sobre embargos de declaração opostos pelo Sujeito Passivo que aponta omissão no acórdão nº 3101001.608, na forma dos art. 65 do RICARF. Reproduzimos abaixo a ementa do Acórdão embargado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 04 42 /2 01 0- 70 Fl. 3484DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2008 Ementa: DEPOIMENTO PESSOAL. ALEGAÇÃO DE COAÇÃO POR PARTE DOS AGENTES PÚBLICOS. AUSÊNCIA DE PROVA. A mera alegação de que as declarações prestadas em depoimento pessoal estão viciadas por coação sofrida pelos fiscais, não se sustenta em face da ausência de provas ou indícios que demonstrem a ocorrência e por conta da comprovada presença de terceiros, inclusive advogado da parte, que acompanharam e assinaram o quanto transcrito em Termo de Declaração. PROVA. DEPOIMENTO PESSOAL. RETRATAÇÃO. RETIFICAÇÃO. A retratação feita por instrumento público registrada em cartório de notas para retificar o conteúdo das informações prestadas em depoimento pessoal à fiscalização da Receita Federal do Brasil, não se sustenta quando o conteúdo das declarações prestadas originalmente já se encontram contextualizadas com os demais elementos de prova colhidos para instrução do procedimento investigatório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2008 Ementa: COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA DE PESSOA FÍSICA DESTINADA A REVENDA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITO. Cabível a glosa de créditos escriturais de COFINS na apuração no regime nãocumulativo, quando comprovada a interposição de terceiros, pessoas jurídicas inexistentes de fato, em operações cujo negócio jurídico foi efetivado com fornecedor pessoas físicas, em conformidade com o art. 3º, §3º, inciso I, da Lei nº 10.833/03. INTERPOSIÇÃO DE TERCEIRO. SIMULAÇÃO. FRAUDE E CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. A interposição simulada de terceiro alheio ao negócio jurídico, com o escopo de reduzir o montante do tributo configura fraude e conluio (Lei nº 4.502/64, arts. 72 e 73), justificando aplicação de multa qualificada (Lei nº 9.430/96, art. 44, §1º). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2008 PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA DE PESSOA FÍSICA DESTINADA A REVENDA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITO. Cabível a glosa de créditos escriturais de PIS na apuração no regime nãocumulativo, quando comprovada a interposição de terceiros, pessoas jurídicas inexistentes de fato, em operações cujo negócio Fl. 3485DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15586.000442/201070 Acórdão n.º 3101001.829 S3C1T1 Fl. 4 3 jurídico foi efetivado com fornecedor pessoas físicas, em conformidade com o art. 3º, §3º, inciso I, da Lei nº10.637/02 . INTERPOSIÇÃO DE TERCEIRO. SIMULAÇÃO. FRAUDE E CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. A interposição simulada de terceiro alheio ao negócio jurídico, com o escopo de reduzir o montante do tributo configura fraude e conluio (Lei nº 4.502/64, arts. 72 e 73), justificando aplicação de multa qualificada (Lei nº 9.430/96, art. 44, §1º). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO A embargante alega omissão no acórdão recorrido quanto ao crédito presumido que teria direito e quanto à generalização dos argumentos da fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Os embargos de declaração são tempestivos e deles tomo conhecimento. Discutese nos presentes autos o lançamento fiscal efetuado de PIS e COFINS não recolhidos, decorrente da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios, derivados da aplicação do regime da incidência nãocumulativa das referidas contribuições, em virtude da caracterização de fraude nas operações. A autoridade fiscal fundamentou o alegado, mediante um conjunto de depoimentos reduzidos a termo, prova documental, e documentos encaminhados pelo Ministério Público, que caracterizaram a apropriação, por parte da ora embargante, de créditos de insumos obtidos através de aquisições fictas de interpostas pessoas, criadas apenas para possibilitar a geração dos créditos. A embargante alega duas omissão no acórdão recorrido: (i) quanto à não apreciação do direito ao crédito presumido por aquisições de café de pessoa física; e (ii) quanto à generalização dos argumentos da fiscalização. Assiste razão à embargante no primeiro ponto levantado, visto que esta turma de julgamento que deixou de apreciar o direito ao crédito presumido do PIS e da COFINS (Lei nº 10.925/2004), após confirmada a tese de aquisição direta de produtor rural. O direito ao crédito presumido estava previsto no Art. 8, §6º, da Lei nº 10.925/2004, verbis: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de Fl. 3486DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] A condição legal para caracterizar a pessoa jurídica como produtora, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, era o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. A embargante afirma que fazia a maquinação, rebeneficiamento e blend do café que comprava, reafirmando o que já dizia na impugnação e no recurso voluntário. Entretanto, da mesma forma que nas peças recursais anteriores, não traz prova efetiva de tal alegação, ao contrário do que afirma na peça. A autoridade fiscal, em seu relatório às fls. 1675 expressamente afirma que a ora embargante não teria, no período fiscalizado, direito ao crédito presumido relativo ao café adquirido diretamente dos produtores rurais (pessoas físicas), tendo em vista a constatação de que as atividades da empresa se restringem à compra e venda de café. A fiscalização baseiase na informação da própria fiscalizada à época, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 091489/2008 (fls. 772 a 774), que tinha como objeto social a compra e venda de café, deixando de responder aos questionamentos quanto aos possíveis processos produtivos, e se exercia cumulativamente os processos de produção de padronização, beneficiamento, preparação, blend e separação, por ter sua atividade voltada a área comercial (fls.776 a 777). A alegação da embargante de que faz também a maquinação, beneficiamento e blend do café que compra não se confirma com os elementos que constam dos autos. De acordo com seu Contrato Social (fls. 1784), o objeto da sociedade é o comércio atacadista de café em grãos, posteriormente alterado para comércio atacadista de café em grãos e importação e exportação de café em grãos (fls. 1787). Dessa forma, a empresa não se enquadrava à época no conceito de pessoa jurídica produtora de mercadorias de origem vegetal, por não exercer, cumulativamente, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Como o direito creditório não foi alterado, os valores lançados de PIS e COFINS permanecem inalterados. Sendo assim, dou provimento parcial ao embargo de declaração, neste ponto, para suprir a omissão, e rerratificar o Acórdão nº3101001.608, sem efeitos infringentes. Passo agora a apreciar o outro ponto levantado nos Embargos de Declaração. Alega a embargante que o Acórdão nº3101001.608 foi omisso por deixar de apreciar a limitação espacial, temporal e quantitativa dos depoimentos e documentos Fl. 3487DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15586.000442/201070 Acórdão n.º 3101001.829 S3C1T1 Fl. 5 5 apresentados pelo Fisco, que, a partir de algumas operações generalizou a interpretação para todas as demais, sem prova específica para cada operação. Neste ponto, não assiste razão à recorrente. Esta turma de julgamento efetivamente apreciou a questão probatória, considerando a conexão da empresa com os fatos fraudulentos apontados. Em vários trechos do acórdão embargado, o relator tratou das questões, conforme se constata dos trechos abaixo reproduzidos (fls. 3457 a 3462): [...] É que o conjunto probatório que ratificou o conteúdo dos depoimentos colhidos de produtores, corretores, exportadores, agentes bancários, entre outros, foram suficientes para apontar que se tratavam de empresas “laranjas”, cuja única razão de existência era perpetrar fraudes a fim de garantir ao exportador créditos tributários referentes ao PIS e COFINS, sem o correspondente pagamento das contribuições ao Fisco. A conexão com a Recorrente, sob o ponto de vista probatório, conforme será melhor visto adiante, baseiase, fundamentalmente, na demonstração do esquema de compras e no depoimento dos sócios das empresas atacadistas. Antônio Gava, ao prestar informações no procedimento de apuração do Fisco, informou que a empresa da qual é sócio (Colúmbia) tinha como escopo realizar intermediação entre o produtor rural e o exportador, recebendo a nota fiscal de entrada e emitindo a de saída. Alexandre Pancieri, também sócio de outra empresa atacadista (Do Grão) que revendia os grãos aos exportadores de café, além de afirmar que sequer conhecia o outro sócio da empresa, ainda admitiu expressamente que constituiu a empresa a pedido do dono de uma exportadora beneficiada pelo esquema engendrado. Como mencionado pela DRJ, embasamento para demonstrar a fraude, a ligação entre as empresas intermediárias e os exportadores, de modo a constituírem relações simuladas e fraudulentas, nos termos dos apontamentos acima referidos, formou um “mercado de compra e venda de notas fiscais” visando gerar créditos tributários. [...] Porém, a questão começa a ganhar relevo de tipicidade quando analisada conjuntamente. Remetendose aos fatos apurados, temos que: (i) havia um esquema fraudulento entre empresas exportadoras e atacadistas de grãos de café com o objetivo de obter créditos de PIS e de COFINS na aquisição de pessoas jurídicas (9,25%), ainda que as aquisições fossem realizadas negocialmente de pessoas físicas (cujo crédito seria discutível para operação de revenda); (ii) as empresas atacadistas “Do Grão” e “Acácia”, nos termos do apurados, encontravamse neste rol fraudulento; (iii) Vânia Lauret, produtora rural e filha do sócio da Recorrente, Waldir Lauret, era procuradora e movimentava as contas destas empresas atacadistas, além de vender seus produtos a elas para que, posteriormente, fossem revendidas à Recorrente; (iv) as empresas intermediárias não tinham Fl. 3488DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 estabelecimentos e estrutura administrativa compatível com o volume de negócios que intermediavam; (v) as empresas intermediárias não recolhiam tributos e não possuíam demonstração de margem suficiente para tais recolhimentos; (vi) documentos obtidos demonstravam que os valores pagos pelas intermediárias a título de compras e comissões, indicam que não havia qualquer preocupação com a tributação das operações. Em fim, a reunião de todos esses indícios aliada aos depoimentos colhidos, demonstram que havia na realidade uma operação engendrada para obter a vantagem indevida. Ora, é inegável que aqui se tem um conjunto probatório suficiente para imputar a conduta à Recorrente. Os fatos apurados estão em plena consonância com o conjunto probatório acostado, não sendo mera apuração genérica ou intangível, mas plenamente fundada em provas e depoimentos que demonstram que a empresa, não somente realizada negócios com tais empresas “laranjas”, mas era parte integrante do esquema que visava fraudar o Fisco. Tendo em vista os fartos elementos probantes dos autos, esta turma de julgamento os considerou suficientes para demonstrar a ocorrência dos fatos alegados pela autoridade fiscal, e manteve o lançamento efetuado. Constatase que a questão levantada pela embargante não se trata de omissão, mas sim de reapreciação da questão meritória. Assim, considerando que os Embargos de Declaração não constituem instrumento hábil à revisão dos fundamentos que serviram de base à decisão, não há razão para reformulála, neste ponto. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial aos embargos de declaração, para sanar a omissão e rerratificar o acórdão embargado. Sala de sessões, 18 de março de 2015. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinatura digital] Fl. 3489DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10680.723111/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2008
RECURSO PROTOCOLADO APÓS O TRANSCURSO DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. OCORRÊNCIA.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário dentro do prazo legal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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JUSTIÇA DE 2 INSTÂNCIA DO EST. MG Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2008 RECURSO PROTOCOLADO APÓS O TRANSCURSO DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. OCORRÊNCIA. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário dentro do prazo legal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 31 11 /2 01 0- 10 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Júlio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10680.723111/201010 Acórdão n.º 2402004.646 S2C4T2 Fl. 162 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 14/09/2010, para exigência de multa decorrente de apresentação de GFIP com informações incorretas ou omitidas, no período de 01/2005 a 12/2008. O Recorrente apresentou Impugnação (fls. 102/154), requerendo o cancelamento da autuação, ante a sua insubsistência. A DRJ de Belo Horizonte/MG julgou o lançamento totalmente procedente (fls. 168/179), sob o argumento de que: (i) o art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91, determina o recolhimento de contribuição previdenciária à alíquota de 15 sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviço, relativamente aos serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, não cabendo ao órgão administrativo a análise da constitucionalidade das leis, em razão do disposto no 26A, do Decreto n° 70.235/72; e (ii) a multa aplicada ao caso está correta, vez que foi aplicado em consonância com o art. 32A, II, da Lei n° 8.212/91, incluída pela MP n° 449/08, tendo sido observada a regra do art. 106, II, do CTN, que determina a aplicação da retroatividade da multa mais benéfica ao contribuinte. Intimado da decisão em 30/01/2012 (fl. 199), o Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 02/03/2012 (fls. 210/216), visando à reforma da decisão, sob o argumento de que o dispositivo que embasou a aplicação da multa no caso, qual seja, o art. 32, §§ 3° e 5°, da Lei n° 8.212/91, foi revogado pela Lei n° 11.941/09, motivo pelo qual, pela estrita legalidade, não há sanção a ser aplicada ao caso. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Ao analisar o recurso interposto pela Recorrente, verificase que o mesmo não preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Isto porque, a Recorrente tomou ciência da decisão de 1ª instância em 30/01/2012 (fl. 199) e protocolou o recurso voluntário apenas em 02/03/2012 (fls. 210), ou seja, após o prazo fatal, que ocorreu em 01/03/2012. Como é cediço, o prazo para interposição de recurso voluntário é de 30 dias, contados do primeiro dia subsequente à data da ciência da decisão, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcrito: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Assim, resta evidente que a Recorrente interpôs o referido recurso depois do transcurso do prazo de 30 dias, motivo pelo qual a r. decisão recorrida se torna definitiva, nos termos do art. 42, inc. I, do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...)” Diante disso, entendo que o recurso voluntário não deve ser conhecido, por não preencher a todos os requisitos de admissibilidade. Ante todo o exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 13005.500184/2004-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.137
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 10/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de cobrança de débitos declarados em DCTF como extintos por compensação com créditos reconhecidos em decisão judicial que não foi aceito pela RFB. Por força de liminar concedida em mandado de segurança, a DRF proferiu o despacho de fls. 181/187, no qual entendeu não ser possível a realização da compensação antes do transito em julgado da decisão judicial que daria origem aos créditos utilizados na compensação. Fl. 307DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13005.500184/200447 Resolução n.º 330200.137 S3C3T2 Fl. 291 2 Ciente desta decisão, a recorrente ingressou com manifestação de inconformidade, cujos argumentos estão resumidos no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria RS indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 189.421, de 08/08/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COBRANÇA DE DÉBITOS. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. No tocante a compensação, a competência das DRJ limitase ao julgamento de manifestação de inconformidade contra ao indeferimento de compensação, não se estendendo a questões atinentes cobrança de eventuais débitos. COMPENSAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. A compensação com a utilização de créditos cujo reconhecimento estava sendo pleiteado em medida judicial somente poderia ser efetivada após a obtenção de decisão judicial definitiva favorável pretensão do contribuinte. MEDIDA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM A ESFERA ADMINISTRATIVA. As decisões do Poder Judiciário prevalecem sobre o entendimento da esfera administrativa, assim, a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial sobre o mesmo assunto discutido administrativamente implica a renúncia as instâncias administrativas. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 29/08/2008, conforme AR de fl. 254, e, discordando da mesma, impetrou, no dia 29/09/2008, recurso voluntário (fls. 258/282), no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade sobre a decadência do lançamento, .do direito ao crédito pleiteado na ação judicial, do procedimento da compensação realizada com base no art. 66 da Lei nº 8.383/91, da concomitância com a ação judicial e da inaplicabilidade do art. 170A do CTN ao caso concreto, Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído para relatar. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está sendo cobrada de débitos declarados em DCTF extintos por compensação, cujos créditos foram reconhecidos em decisão judicial sem trânsito em julgado. Fl. 308DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13005.500184/200447 Resolução n.º 330200.137 S3C3T2 Fl. 292 3 A decisão recorrida não apreciou os argumentos relativos ao direito creditório por entender que esta matéria estar submetida ao crivo do Poder Judiciário. Há prova nos autos de que, à época da efetivação e declaração das compensações, a decisão judicial não havia transitado em julgado e, mais ainda, a decisão existente determina expressamente que a liquidação do crédito reconhecido de dê após o transito em julgado da decisão proferida no respectivo processo nº 98.00099298. No entanto, não há nos autos nenhuma prova de que a recorrente, efetivamente, efetuou a compensação declarada em DCTF. Tal prova fazse com os registros contábeis das referidas compensações. Não há dúvidas de que à época do vencimento dos débitos compensados, a compensação de débito de PIS com crédito de PIS poderia ser feita sem prévia comunicação à RFB, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91. Para alguns de meus pares, e em homenagem ao princípio da verdade material, a empresa recorrente poderia efetuar a compensação de créditos de PIS com débitos de PIS, independente da ação judicial, por sua conta e risco. Para isto, é indispensável a existência de crédito e que a operação seja contabilizada e declarada à RFB. A declaração em DCTF é necessária mas não é suficiente para caracterizar a efetiva realização da compensação. No caso em ela, a declaração à Receita Federal está comprovada por meio da DCTF, mas a existência de crédito e o lançamento da operação na contabilidade da recorrente não estão. Em face do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 apurar se a recorrente efetuou o lançamento contábil das compensações declaradas em DCTF, objeto deste processo; 2 informar se antes ou depois do trânsito em julgado da decisão judicial (se é que ocorreu) a recorrente pleiteou a compensação ou restituição dos créditos reconhecidos na ação judicial nº 98.00099298 ou se solicitou a sua habilitação; 3 informar se à época das compensações declaradas e glosadas a recorrente tinha crédito de PIS a seu favor, apurado nos moldes da decisão judicial, deduzido de eventuais compensações ou pedidos de restituição feitos anteriormente. 4 prestar as informações que julgar conveniente ao deslinde da questão; 5 dar ciência desta Resolução e do resultado da diligência à recorrente, abrindo lhe prazo para, querendo, manifestarse. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 309DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.906718/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § Iº, DA LEI n.º 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS.
Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.
Numero da decisão: 3401-002.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § Iº, DA LEI n.º 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 67 18 /2 00 9- 84 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Trata o presente de pedido de compensação informado em PER/DCOMP que não foi homologado, e que percorre as instâncias julgadoras pela persistente inconformidade do contribuinte, nos termos da legislação que disciplina a matéria. A Autoridade Administrativa, consoante despacho decisório, entendeu por não homologar a compensação pleiteada pela Requerente, através da PER/DCOMP referenciada em epígrafe, sob os seguintes fundamentos: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 50,38. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” [...] Diante da inexistência do crédito, NAO HOMOLOGO a compensação declarada O contribuinte contestou essa decisão. Explicou que seu direito creditório para realizar a compensação provinha da redefinição da base de calculo do Pis e da COFINS conforme constava no texto legal, mas que havia deixado de registrar esse valor nas DCTF e DIPJ, razão porque o sistema informatizado de controle identificou falta de crédito e não homologou a compensação. Mas que providenciou a DCTF e a DIPJ retificadora. Sua argumentação, in verbis: · Consoante exposto nas razões de fato, a Requerente quando da definição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, incluiu, no conceito de faturamento, além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, outras receitas nãooperacionais, tais como receitas financeiras, decorrentes de descontos obtidos, juros ativos, variação monetária, rendimentos de aplicações, recuperação de despesas e reversão de provisões, conforme comprovam os balancetes elaborados à época (DOC. 04), a seguir descritos · Sobre o montante acima identificado, apurou os valores a pagar das referidas Contribuições, cujas informações foram devidamente prestadas à Receita Federal, através das declarações entregues à época, quais sejam DIPJ's e DCTF's. Ato contínuo, efetuou o recolhimento dos valores supostamente devidos, através de Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906718/200984 Acórdão n.º 3401002.951 S3C4T1 Fl. 3 3 bem como efetuou a vinculação de outros créditos, decorrentes de compensações outrora realizadas. · Ocorre que, por força da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, a Requerente passou a ser detentora de créditos oriundos dos recolhimentos efetuados a maior, a título das referidas Contribuições, relativamente à parcela calculada sobre outras receitas, ... : · A Requerente, todavia, não obstante ter identificado a existência desses créditos em seu favor, não efetuou as retificações necessárias das Declarações originalmente transmitidas à Receita Federal DIPJs e DCTF's motivo pelo qual o Fisco, ao cruzar os valores declarados e os DARF's pagos, não identificou o recolhimento realizado a maior, entendendo que os pagamentos localizados teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. · Por ocasião da presente manifestação de inconformidade, a Requerente procedeu às retificações necessárias das declarações apresentadas à Receita Federal, devidamente transmitidas DIPJ's e DCTF's (DOC. 05), aptas a comprovar o montante do crédito existente, este amparado na contabilidade e demais documentos da Requerente. · Vislumbrando a documentação acostada, fácil constatar que houve pagamento a maior do. período, visto que, a partir das Declarações Retificadoras, o valor efetivamente devido a título de PIS em 30/04/2002 perfazia originalmente R$ 2.711,26 (dois mil, setecentos e onze reais e vinte e seis centavos), ao passo que foi efetuada a vinculação de créditos no montante de R$ 2.761,61 (dois mil, setecentos e sessenta e um reais e sessenta e um centavos), remanescendo saldo credor original de R$ 50,38 (cinqüenta reais e trinta e oito centavos), valor este integralmente utilizado nesse Pedido de Compensação. Em sede de apreciação do pedido do contribuinte a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza(CE) exarou o Acórdão 0818.234– 4ª Turma, em 15 de junho de 2010, ponderando que: "(...) cabe vincar que a declaração retificadora redutora de tributo deve ser considerada legítima se apresentada no período de espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que implicam a caracterização do pagamento a maior ou indevido, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório, pois a comprovação da disponibilidade de crédito deve ser aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida. Se entregue depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos (contábeis e fiscais) que fundamentam a retificação." A respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza CE apreciou a contestação da contribuinte, mas concluiu pelo indeferimento do seu pedido. Em suma, entendeu que não havia direito liquido e certo quando do pedido de Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 compensação, e que a declarações retificadoras não poderiam produzir efeito para sanear o fato, representado pela exigência relacionada à não homologação. A ementa do Acórdão 0818.234 ficou assim redigida: ASSUNTO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. E legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante ajuntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, onde, além das razões presentes na impugnação, acrescenta outras adicionais porque pede a reforma da decisão de 1º grau: · Seu direito creditório provem do recolhimento indevido de Pis e Cofins face a inconstitucionalidade reconhecida do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998. o “Preliminarmente, antes de adentrar nas razões que levaram à improcedência da Manifestação de Inconformidade em comento, importa destacar que o direito creditório diz respeito à possibilidade de compensação dos valores indevidamente recolhidos pela Recorrente a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sob a égide do inconstitucional § I o do art. 3 o da Lei n° 9.718/98.” o “Com a declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, pelo Plenário do Egrégio Supremo Tribunal Federal, restaram reconhecidas como indevidas as majorações da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS decorrentes da ampliação de suas bases de cálculo, assim entendidas como faturamento, deixando de ser considerado como a totalidade das receitas da pessoa jurídica, para voltar a ser entendido como as receitas advindas da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços.” Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906718/200984 Acórdão n.º 3401002.951 S3C4T1 Fl. 4 5 · Em sua opinião, a legislação que rege as DIPJ E DCTF prevê o direito do contribuinte retificar as declarações por ele prestadas, inclusive para louvar os princípios de justiça e da verdade material que devem orientar os procedimentos das relações tributárias: o “Ocorre que mesmo reconhecendo a possibilidade de devolução dos valores recolhidos a maior pela Recorrente, a Ilustre Turma entendeu por julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento da impossibilidade de análise das retificações de declarações apresentadas após o despacho decisório que não homologara as compensações, o que, a seu ver, impossibilitaria a análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado.” o “No caso em comento, a Autoridade Administrativa afirma que o despacho decisório (de não homologação das compensações) levara em conta as informações prestadas em DCTF original, e que o manifestante retificou a DIPJ e a DCTF depois de cientificado do decisório impugnado, o que impossibilitaria a análise das referidas retificações, a não ser que a defesa administrativa fosse acompanhada de provas inequívocas da existência do crédito.” o “ Ocorre que o procedimento de retificação da DCTF, na forma em que fez a Recorrente, não incorre em qualquer vedação, motivo pelo qual merece ser acatado, senão vejase. (...) A Instrução Normativa RFB n°. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época da retificação das DCTF's que albergam o crédito pleiteado, dispõe, em seu art. 11, sobre os efeitos da referida retificação” (...) E o item ‘c’ desse artigo 11 não pode ser interpretado como restrição para a retificação e seus efeitos pois o contribuinte não havia sido intimado do inicio de procedimento fiscal, mas apenas cientificado do despacho eletrônico de não homologação de seu pedido de compensação. o O princípio da verdade material impõe às autoridades administrativas o dever de apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da verdade real, não se limitando a emitir juízo acerca dos documentos analisados a partir de mera presunção. o Desta forma, a autoridade administrativa competente para decidir não está limitada às provas produzidas pelas partes, nem está restrita às suas alegações, devendo obrigatoriamente buscar todos os elementos que julgar necessários e suficientes ao seu livre convencimento. o Assim, dada à importância desse princípio, a busca da verdade material não é uma faculdade da autoridade administrativa, mas sim um dever, de modo que esta deve solicitar e analisar todos os documentos que entender necessários à elucidação do caso, principalmente quando o contribuinte apresenta documentação amplamente comprobatória do deu direito. · Não é verdade, como afirmaram os Julgadores que o contribuinte não comprovou seu direito ao crédito e à compensação: o Neste diapasão, afirmou a Autoridade Administrativa que a Recorrente "não se desincumbiu do ônus de comprovar o indébito ao instruir a sua manifestação apenas com a DCTF retificadora." o Ocorre que basta uma análise perfunctória da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, para verificar que a Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 mesma não instruiu referida impugnação "apenas com a DCTF retificadora", como afirmado pela Autoridade Administrativa. o Quando da apresentação da manifestação de inconformidade por parte da Recorrente, a mesma apresentou diversas PLANILHAS contendo o histórico da formação e utilização do crédito, acostando ainda como documentos, não só a referida DCTF retificadora, como também os BALANCETES do mês em questão com o detalhamento das receitas auferidas, acompanhados ainda da DIPJ devidamente retificada. o Dessa forma, o entendimento exarado no acórdão recorrido, pela não homologação da compensação declarada deve ser modificado, levandose em conta a documentação já apresentada pela Recorrente e já acostada aos autos, quando da apresentação de manifestação de inconformidade, que devem ser objeto de apreciação da Autoridade Administrativa, em obediência aos princípios da verdade material e da instrumentalidade. Este processo chegou à apreciação da Egrégia 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e foi submetido a apreciação, ocasião em que ela proferiu decisões e determinou diligência, tudo isso através da Resolução n.º 3402 000.171. Os Respeitáveis Conselheiros, ao analisarem as manifestações do contribuinte aduziram que: "De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente. Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada "balanço" e referida no recurso como "balancete", e por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas "demonstrações". Para baixar o processo em diligência para que a fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição o Colegiado decidiu que a autoridade da unidade de jurisdição levasse em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição, ou seja, considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, e que ela indicasse se há indébito no período de apuração em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão). A autoridade fiscal, como resultado no atendimento da diligência solicitada pelo CARF, de posse das informações apresentadas pelo contribuinte (Livro Razão), finaliza seu parecer informando: O crédito objeto do PER/DCOMP e tratado neste processo referese a PIS do período de apuração abril/2002. Após os procedimentos de auditoria, chega se ao seguinte valor de crédito a que faz jus o contribuinte: Base de cálculo PIS apurado PIS pago/retido Crédito do PIS Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906718/200984 Acórdão n.º 3401002.951 S3C4T1 Fl. 5 7 R$ 417.116,78 R$ 2.711,26 R$ 2.761,64 R$ 50,38 Apesar de cientificada desse relatório fiscal e da possibilidade de se manifestar, o contribuinte nada apresenta a ser juntado ao processo. Assim, o processo retorna ao CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Há tempestividade do Recuso Voluntário e atendimento dos requisitos de admissibilidade. Tratase de recurso interposto contra decisão que indeferiu pedido de compensação declarado por meio do PER/DCOMP n° 38536.97426.301106.1.3.042564. O pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de PIS, referente ao mês de abril de 2002 e efetuado em 13/05/2002, com débito de estimativa de IRPJ, respeitante ao mês de outubro de 2006. Aliome aos que valorizam a busca da verdade material como concorrente à realização dos mais elevados propósitos do julgamento das lides na esfera administrativa. Há acórdãos proferidos em o Conselho de Contribuinte e no atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que representam essa orientação de que a busca da verdade material deve ser fortemente considerada nas relações tributárias e nas soluções dos contenciosos entre o Fisco e o Contribuinte: IRPJ FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO Em respeito à legalidade, verdade material e segurança jurídica não pode subsistir lançamento de crédito tributário quando não estiver devidamente demonstrada e provada a efetiva subsunção da realidade factual à hipótese descrita na lei como infração à legislação tributária. ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o ônus probandi incumbit ei qui dicit. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário ou da prática de infração praticada no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. O sujeito passivo somente poderá ser compelido a produzir provas em contrário quando puder ter pleno conhecimento da infração com vista a elidir a respectiva imputação. PROCESSOS REFLEXOS PIS COFINS IRF CSLL Respeitandose a materialidade do respectivo fato gerador, a decisão prolatada no processo principal será aplicada aos processos tidos como decorrentes, face a íntima relação de causa e efeito. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 3° Câmara, Relatora Mary Elbe Gomes Queiroz, Recurso n°. 124737, Processo n°. 10283.002174/9774, Acórdão n°. 10320594,sessão de 22/05/2001) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999 EXCESSO NA DESTINAÇÃO AO FINOR Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 Como cediço, no processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que, buscase descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação, é de se levar em conta, que a preclusão temporal, em razão dos princípios da busca da verdade material, da legalidade e da eficiência pode vir a ter sua aplicação mitigada nos julgamentos administrativos. Recurso Voluntário Provido. (1° Conselho de Contribuintes, 8 Turma Especial, Relator Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Recurso n°.156170, processo n°. 10820.002086/200366, Acórdão n°. 19800116, sessão de 30/01/2009). Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1994 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA PARA EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ELEMENTOS PARA COMPROVAÇÃO DA DECADÊNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material, tão caro no processo administrativo fiscal, deve prevalecer, de modo que sejam considerados documentos hábeis a comprovar a decadência das contribuições vinculadas à realização de obra de construção civil, ainda que não expressamente previstas nas normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Provido. (2° Conselho de Contribuintes, 6ª Turma Especial, Relator Kleber Ferreira de Araújo, Recurso n°. 246754, processo n°. 12045.000374/200772, Acórdão n°. 296 00078, sessão de 10/02/2009). IRRF DCTF ERRO DE PREENCHIMENTO Comprovados os recolhimentos de IRRF, mediante apresentação das guias respectivas, acompanhadas da regular retificação e complementação da DCTF e dos respectivos lançamentos contábeis, afastase o lançamento. Recurso provido. (Iº Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, processo n°. 10665.000668/200267, Recurso n°. 147364, Relatora Silvana Mancini Karam, Acórdão 10247820, Sessão de 16/08/2006) A meu sentir, correta foi a decisão e orientação dada pelo E. Relator na Resolução n.º 3402000.171 que originou o pedido de diligência, em suas palavras: “Não partilho, como já tive oportunidade de afirmar em outros julgados, a tese da Administração segundo a qual a homologação de compensações declaradas pelo sujeito passivo dependa de prévia retificação de sua DCTF quando nesta conste valor condizente com o pagamento realizado . O que é necessário, a meu ver, é que o alegado indébito esteja provado. E é por isso que não se pode ainda decidir o recurso.” “De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente.” “Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada “balanço” e referida no recurso como “balancete” e, por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas “demonstrações”. Sou, por isso, pela baixa do processo em diligência para que a d. fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição, argüida neste processo, levando em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição. Mais especificamente: considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, indique se há indébito no mês em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão) a serem exibidos pelo Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906718/200984 Acórdão n.º 3401002.951 S3C4T1 Fl. 6 9 contribuinte. Dos resultados da diligência, seja cientificada a ora recorrente, abrindoselhe prazo de trinta dias para eventual contestação.” Portanto, não procede deixar de apreciar as retificações das declarações prestadas pelo contribuinte, nem de se verificar a sua correspondência com os próprios registros contábeis. E nessa direção, é que a verificação dos valores que seriam devidos do tributo é procedimento essencial para a apreciação e conclusão da lide. Como já exposto anteriormente, entendo que o Colegiado pode apreciar o mérito da lide, parcial ou totalmente, em sessões que não resultem em Acórdão final, mas, sim, em Resoluções. Entendo que, neste caso, o Colegiado apreciou e decidiu o mérito, no que concerne à não inclusão, na base de tributação do PIS e da COFINS, das receitas apontadas pela contribuinte em sua petição original e indeferida pela autoridade de jurisdição e pelos julgadores a quo. O processo retorna ao CARF para apreciar o resultado da diligência, tendo como válidas as decisões que conduziram e condicionaram a sua realização. Respeitando essa decisão, há que se reconhecer o teor das bases do direito creditório pleiteado. Esta posição adotada pelo Colegiado com relação aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/1998 tem respaldo em entendimento firmado neste Tribunal Administrativo. Há julgamentos do CARF que consolidam, nos casos concretos, a definição de que a ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, foi inconstitucional, afastando a aplicação da referida Lei, o que corresponde à tese do recorrente, conforme julgados a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2002, 31/05/2002, 31/08/2002 BASE DE CALCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Acórdão 20181.260, de 03.07.08, Relator: José Antonio Francisco). COFINS E PIS RECEITA FINANCEIRAS INAPLICABILIDADE DA LEI 9.718/98 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 380840 MG Conforme decisão transitada em julgado no RE 390840MG, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o § Iº, do artigo 3°, da Lei 9.718. A extensão dos efeitos dessa decisão definitiva beneficia a ambas as partes, estancando custos desnecessários. Por conseqüência, não compõem a base da contribuição em apreços as receitas financeiras. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Processo n". 10120.003831/200381, Recuso n°. 140629, Acórdão 10195764, Relator Mário Junqueira Franco Júnior, Sessão de 21/09/2006). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/P ASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/1999 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Iº, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § Iº, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tune do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. [...] Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Iª Câmara, Processo n°. 10980.011343/200318, Recurso nº 139409, Acórdão 20181235,Relator Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Sessão de 01/07/2008). Além disso, a contribuinte tem como objeto social os serviços de diagnóstico médico, e as receitas financeiras aqui em discussão não resultam de suas atividades empresariais operacionais. A autoridade fiscal, em seu relatório em atendimento à diligência calculou o saldo credor de PIS suficiente para a homologação aqui pretendida. Proponho a este colegiado que seja reconhecido o valor de saldo credor calculado pela autoridade fiscal na resposta à diligência efetuada, e que seja homologada a compensação ate o limite deste crédito. Observado este limite, e por todos esses elementos, concluo que deve se dar provimento ao recurso. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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