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Numero do processo: 17460.000386/2007-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/12/2000
PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA TOTAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Tratando-se de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N
973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN.
Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C
do Código de Processo Civil.
No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicada quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.331
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso para acatar a preliminar de decadência total das competências com base nos termos do Art. 150 § 4º do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Carlos Alberto Mees
Stringari.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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DECADÊNCIA TOTAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62 A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicada quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para acatar a preliminar de decadência total das competências com base nos termos do Art. 150 § 4º do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.000386/200710 Acórdão n.º 240300.331 S2C4T3 Fl. 9 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.90 a 109 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (fls.71 à 85) que julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento constante na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 37.029.9531, no valor consolidado de R$ 50.009,40 (cinquenta mil, nove reais e quarenta centavos), referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados. Segundo o relatório fiscal às fls. 20 a 23, os valores lançados na NFLD n 37.029.9531 correspondem aos valores glosados de compensação efetuada indevidamente pela empresa recorrente. Desta autuação, a recorrente apresentou impugnação às fls. 24 a 61 alegando em síntese: Preliminarmente: Que a prescrição/decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário é de apenas 5 (cinco) anos; Ter havido violação aos princípios da moralidade administrativa e da legalidade, tendo em vista não ter a autoridade lançadora, supostamente, observados aos preceitos do Código Tributário Nacional e do Decreto n° 70.235/72; Cerceamento de defesa por falta de demonstração do enquadramento legal; Necessidade da NFLD ser declarada nula em razão de ter sido lavrada fora do domicílio fiscal do contribuinte; A falta de habilitação técnica do fiscal; No Mérito: A impossibilidade de se exigir a contribuição lançada à Notificada, tendo em vista o procedimento de compensação ter sido realizado de acordo com a Lei n 8.383/91, não sendo necessária uma decisão judicial específica para autorizar essa compensação; A inocorrência da prescrição ou da decadência do direito da impugnante em compensar valores que entendessem ser objetos de tal procedimento; O Direito à Compensação decorre tão somente do art. 66 da Lei n 8.383/91, não dependendo de autorização do INSS ou de decisão judicial; Fl. 125DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 Inconstitucionalidade da utilização da Taxa Selic como fator de atualização monetária sobre contribuições previdenciárias; Que a multa é totalmente inaplicável ao caso em análise, exatamente porque não se trata de sonegação ou outro expediente de mesma natureza, mas, sim, do exercício de um direito conferido ao contribuinte; O direito da recorrente obter a Certidão Positiva de Débito com efeito de Negativa – CPDEN, nos termos do art. 151, inc. III, do CTN. Por fim, requereu o recebimento da peça de impugnação para que fosse reconhecido o crédito integral da impugnante, sem qualquer limitação legal e consequentemente pleiteou a homologação de todas as compensações realizadas, de modo que lhe fosse garantida a emissão da Certidão Positiva de Débito com efeito de Negativa – CPDEN pela impugnante, em razão da exigibilidade do crédito encontrarse suspensa nos moldes do art. 151, III, do Código Tributário Nacional, protestando, por fim, pela produção de provas e juntada de documentos. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 6° Turma da DRJ/Ribeirão Preto SP proferiu acórdão (n°1417.896) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 30/07/1998 LANÇAMENTO FISCAL CONFORME LEGISLAÇÃO. LEGALIDADE. Lançamento Fiscal emitido de acordo com o disposto no artigo 142 do CTN, no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, no artigo 37 da Lei no 8.212/91 e demais atos normativos produz todos os seus efeitos. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando estão discriminados na NFLD e seus anexos as situações verificadas no procedimento fiscal que deram origem ao lançamento, os fatos geradores das contribuições devidas, os dispositivos legais que amparam o débito e as alíquotas aplicadas. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial é de 10 anos por força do art. 45 da Lei n°8.212/91. COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A legislação aplicável na compensação é aquela vigente quando do encontro dos débitos c créditos. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. As contribuições sociais não recolhidas nas épocas próprias estão sujeitas à multa c aos juros equivalentes à taxa SELIC, ambos de caráter irrelevável. CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.000386/200710 Acórdão n.º 240300.331 S2C4T3 Fl. 10 5 É vedado à Administração Pública o exame da Constitucionalidade das Leis. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. RETIFICAÇÃO DO DÉBITO. Verificado que a Empresa iniciou a compensação antes de 01/12/00, assegurado fica o seu direito de se compensar do saldo remanescente, observadas as regras vigentes, em conformidade com o disposto no parágrafo único do art. 29 da Instrução Normativa n° INSS/DC n° 67/02, na redação dada pela Instrução Normativa n° INSS/DC n° 80/02. Lançamento Procedente em Parte. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.80 a 109, no qual ratificou todos os argumentos expendidos na impugnação, principalmente no sentido de conceder o efeito suspensivo ao recurso, aduzindo, por fim, a omissão injustificada da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR DA DECADÊNCIA TOTAL: A recorrente alega tanto em sua impugnação como em seu recurso voluntário ter havido decadência com relação às competências cobradas na NFLD 37.029.9531. Assim, passo a analisar o pedido: Vale destacar que as controvérsias que existiam no âmbito dos contenciosos administrativos e no judiciário com relação ao prazo decadencial da Secretaria da Receita Federal para apurar os valores devidos a título de contribuições previdenciárias tiveram seu fim com o advento da Súmula Vinculante n° 8, a qual reconheceu como inconstitucional os arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Ambos os dispositivos previam que os prazos para a Seguridade Social apurar e cobrar os seus créditos extinguiamse com 10 (dez) anos. A grande celeuma era a não aplicação do prazo previsto no Código Tributário Nacional de que os créditos tributários só poderão ser apurados ou cobrados até 5 (cinco) anos, estabelecendo ainda esta legislação o marco inicial para a contagem desses prazos. Assim, após várias decisões invocando a inconstitucionalidade dos arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o Egrégio Supremo Tribunal Federal sumulou a matéria com a edição da Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Sabese ainda que essas súmulas têm efeito vinculante sobre a Administração Pública, conforme previsão do art.103A da Constituição Federal, motivo pelo qual este Colegiado deve aplicar o entendimento acima. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.000386/200710 Acórdão n.º 240300.331 S2C4T3 Fl. 11 7 Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional, o qual disciplina a decadência no art. 173 e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extinguese em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4º, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173, I, é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homolo¬gação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an¬teriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por tercei¬ro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. * * * Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Fl. 129DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 Pelo exposto, percebese que o marco inicial da decadência diverge no Código Tributário Nacional. A regra exposta no art.173, inciso I é aplicável às espécies tributárias que não estão sujeitas ao lançamento por homologação, pois as que se sujeitam a este tipo de lançamento têm o prazo decadencial regulado pelo art.150, §4° do CTN. Não obstante a consideração de que o art.150, §4° do Código Tributário Nacional aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, vale destacar que esse Conselho só tem aplicado essa regra aos casos em que ocorre o recolhimento da exação, em virtude do entendimento do Superior Tribunal de Justiça na decisão do Recurso Especial n 973.733/SC (Informativo n 402/STJ), na qual teve como ponto pacífico a aplicação do dispositivo retro somente quando for constatado pagamento das contribuições. Desse modo, deve esse Conselho sujeitarse à regra definida pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça em razão do previsto no Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, levando em consideração o acima exposto, e, tendo o presente recurso voluntário como matéria objeto de discussão a decadência, fazse necessária a vinculação deste voto ao preceito do Regimento Interno do CARF enquanto tal regra permanecer vigente, tendo em vista que o julgamento do RESP n 973.733/SC ocorreu nos moldes do art.543C do Código de Processo Civil. No presente caso, foi verificada a ocorrência de recolhimento. Desta feita, sabendo que a ciência da NFLD deuse em 28/12/2006, e, as datas das competências que estão sendo objeto de discussão abrangerem os períodos de 07/2000 a 12/2000, têmse que os valores cobrados na notificação fiscal estão acobertados pela decadência com base no art.150, §4° do Código Tributário Nacional, haja vista que o fisco só poderia cobrar, com fundamento neste artigo, a partir da competência 12/2001. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, nas preliminares, DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a decadência dos valores relativos às competências de 07/2000 a 12/2000, com base no art150, §4 do Código Tributário Nacional e em razão da Súmula Vinculante n 8. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 130DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.000386/200710 Acórdão n.º 240300.331 S2C4T3 Fl. 12 9 Fl. 131DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
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Numero do processo: 15586.000879/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.059
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.070 2 RELATÓRIO Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2001 a 2004, formalizadas a partir da constatação de omissão de receitas. Transcrevo, a seguir, relato feito em primeira instância acerca dos fatos apurados e da defesa inicial apresentada pela fiscalizada. Trata o presente processo administrativo fiscal de autos de infração lavrados contra o contribuinte em epígrafe em 20/11/2007. Foi constituído crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, em decorrência de auditoria levada a efeito na escrita contábil e fiscal do contribuinte, no valor total de R$ 16.021.969,65, já incluídos a multa de oficio de 150% e os juros de mora. 2. Cumpre fazer uma pequena qualificação dos fatos apurados pela fiscalização, os quais serão minuciosamente explicitados no voto. A autoridade autuante apurou que Charles Paulo Bart, pessoa de modesta capacidade econômica, de um momento para o outro, "salta" da condição de assalariado, com baixa remuneração, para a condição de empresário. 3. Afirma ainda que "juntamente com outro empregado dos Stuhr, constituem uma empresa, com capital social bem baixo para a atividade econômica que pretende desenvolver, sem sede [...] e sem local para armazenagem dos produtos". 4. A partir desse momento, uma empresa que possui dois sócios sem patrimônio, que não possui sede e sem local para estocar seus produtos passam a concorrer com diversos empresários com patrimônio, com sede, com tradição e com local para estocar seus produtos. 5. Mas não foi só isso. Tal sociedade nomeia como procuradores seus expatrões (Wanderley Stuhr e Selenne Berg Stuhr) e vários outros empresários do ramo para representar a sociedade em suas respectivas áreas de atuação, ou seja, nomeia seus próprios concorrentes para representar a Colina Verde Café. Os concorrentes da Colina Verde aceitam a incumbência e passam a realizar negócios ora para si e suas empresas, ora para sua concorrente. 6. Além de nomear os empresários, nomeia também empregados de empresas ou pessoas ligadas à atividade de comercialização de café para, na qualidade de procuradores, representarem a Colina Verde Café em suas regiões, realizando negócios concorrentes com os de seus patrões, e tudo sob os olhares complacentes dos empregadores. 7. A empresa iniciante (sua primeira compra foi realizada em 21/08/2001) aufere em pouco tempo um alto faturamento. No seu primeiro ano, isto é, em menos de cinco meses, vende mais de sete milhões e meio de reais, como demonstra as notas fiscais emitidas, e possui mais de treze milhões depositados nas suas contas bancárias. 8. Informa que a empresa, que possuía apenas três empregados, comprava e vendia toneladas de produtos, e auferiu nos primeiros trinta e seis meses de atividade, lucro líquido no valor de R$ 5.526.860,03, sem considerar os depósitos bancários. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.071 3 9. Observa que o contribuinte não registrou suas contas bancárias no Livro Caixa, referentes aos anoscalendário de 2001 a 2003, e que o contribuinte não possuía o Livro Caixa, referente ao anocalendário de 2004. As várias contas bancárias receberam créditos superiores a R$ 72.000.000,00, durante os anos de 2001 a 2004. Ademais, inúmeras receitas oriundas de venda de mercadorias não foram oferecidas à tributação. 10. É importante ainda frisar que as informações e documentos referentes às contas bancárias do contribuinte foram solicitados às instituições financeiras com fundamento na Lei Complementar n° 105/2001, Decreto n° 3.724/2001 e Portaria SRF n° 180/2001. 11. A fiscalização demonstra que o contribuinte informou à Secretaria Estadual de Fazenda valores de receita muitos superiores aos declarados à Receita Federal do Brasil (RFB), conforme Quadro 3 da fl. 10.441, mais um indício do dolo do contribuinte. 12. A despeito da imensa movimentação bancária e dos valores declarados ao Fisco estadual, o contribuinte declarou A RFB receita bruta anual de R$ 81.520,76, em relação ao anocalendário de 2001, e de R$ 164.887,61, no que se refere ao ano calendário de 2002. Não foram entregues as declarações referentes aos anoscalendário de 2003 e 2004. 13. Mediante DCTF foram confessados tributos no valor de R$ 10.511,76, durante os anoscalendário de 2001, 2002 e 2003. 14. Foram recolhidos, no mesmo período, tributos federais no valor R$ 5.963,56. 15. Tais fatos originaram os autos de infração abaixo discriminados. 16. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 06, que foram lavrados autos de infração, que depois de formalizados totalizaram o montante a pagar de R$ 3.701.250,26, já incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de ofício qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007, como abaixo se demonstra: IRPJ PIS CSLL COFINS Tributo 293.744,86 110.868,12 184.211,76 511.699,45 Multa 440.617,27 166.302,12 276.317,61 767.549,11 Juros de Mora calculados de acordo com a legislação pertinente 17. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 17.1 0 valor da infração apurada decorre da diferença positiva entre a soma mensal dos depósitos bancários efetivos e a soma mensal das receitas de vendas. 17.2 Foram consideradas as regras do Lucro Presumido, para efeito de cálculo do IRPJ e da CSLL. 17.3 Os fatos geradores do IRPJ, da CSLL, da contribuição para o PIS e da COFINS, ocorreram entre maio do anocalendário de 2001 e dezembro do ano calendário de 2003. 17.4 A fundamentação legal consta dos autos de infração. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.072 4 18. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 07, que foram lavrados autos de infração, que depois de formalizados totalizaram o montante a pagar de R$ 191.319,26, já incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de oficio qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007, como abaixo se demonstra: IRPJ PIS CSLL COFINS Tributo 14.907,47 6.729,03 11.180,61 31.057,22 Multa 22.361,19 10.093,52 16.770,90 46.585,82 Juros de Mora calculados de acordo com a legislação pertinente 19. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 19.1 O valor da infração apurada decorre da diferença positiva entre a soma mensal dos depósitos bancários efetivos e a soma mensal das receitas de vendas. 19.2 Foram consideradas as regras do Lucro Arbitrado, para efeito de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois não foi apresentado o Livro Caixa. 19.3 Os fatos geradores do IRPJ, da CSLL, da contribuição para o PIS e da COFINS, ocorreram entre janeiro do anocalendário de 2004 e setembro do ano calendário de 2004. 19.4 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 20. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 08, que foi lavrado auto de infração de IRPJ, que depois de formalizado totalizou o montante a pagar de R$ 3.450.783,91, já incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de oficio qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007. 21. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 21.1 O valor da infração apurada decorre da diferença entre o imposto apurado pela fiscalização durante o procedimento de auditoria fiscal, em função das notas fiscais emitidas, e o imposto declarado/pago pelo contribuinte. 21.2 Foram consideradas as regras do Lucro Presumido, para efeito de cálculo do IRPJ. 21.3 Os fatos geradores identificados alcançam o terceiro trimestre do ano calendário de 2001 até o quarto trimestre do anocalendário de 2003. 21.4 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 22. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 09, que foi lavrado auto de infração de CSLL, que depois de formalizado totalizou o montante a pagar de R$ 1.965.351,75, incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de ofício qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.073 5 23. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 23.1 O valor da infração apurada decorre da diferença entre o imposto apurado pela fiscalização durante o procedimento de auditoria fiscal, em função das notas fiscais emitidas, e o imposto declarado/pago pelo contribuinte. 23.2 Foram consideradas as regras do Lucro Presumido, para efeito de cálculo da CSLL. 23.3 Os fatos geradores identificados alcançam o terceiro trimestre do ano calendário de 2001 até o quarto trimestre do anocalendário de 2003. 23.4 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 24. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 10, que foram lavrados autos de infração, que depois de formalizado totalizaram o montante a recolher de R$ 134.745,64, incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de ofício qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007, como abaixo se demonstra: IRPJ CSLL Tributo 27.886,10 16.950,21 Multa 41.829,15 25.425,31 Juros de Mora calculados de acordo com a legislação pertinente. 25. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 25.1 O valor da infração apurada decorre da diferença entre o imposto apurado pela fiscalização durante o procedimento de auditoria fiscal, em função das notas fiscais emitidas, e o imposto declarado/pago pelo contribuinte. 25.2 Foram consideradas as regras do Lucro Arbitrado, para efeito de cálculo da CSLL. 25.3 Os fatos geradores identificados alcançam o primeiro trimestre do ano calendário de 2004 até o terceiro trimestre do anocalendário de 2004. 25.4 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 26. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 11, que foi lavrado auto de infração da contribuição para o PIS, o qual depois de formalizado totalizou o valor a pagar de R$ 1.171.516,48, incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de oficio qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007. 27. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo do auto de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.074 6 27.1 O valor da infração apurada decorre da diferença entre o imposto apurado pela fiscalização durante o procedimento de auditoria fiscal, em função das notas fiscais emitidas, e o imposto declarado/pago pelo contribuinte. 27.2 Os fatos geradores identificados ocorreram entre agosto de 2001 e agosto de 2004. 27.3 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 28. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 12, que foi lavrado auto de infração da COFINS, o qual depois de formalizado totalizou o valor a pagar de R$ 5.407.002,35, incluídos os valores devidos a título de tributo, de multa de oficio qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007. 29. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo do auto de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 29.1 O valor da infração apurada decorre da diferença entre o imposto apurado pela fiscalização durante o procedimento de auditoria fiscal, em função das notas fiscais emitidas, e o imposto declarado/pago pelo contribuinte. 29.2 Os fatos geradores identificados ocorreram entre agosto de 2001 e agosto de 2004. 29.3 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 30. A autoridade autuante lavrou ainda os Termos de Sujeição Passiva Solidária nº 01 a 15 em decorrência dos fatos descritos no Relatório Final de Fiscalização. Em verdade, nos termos dos artigos 124, inciso I, e 135, do Código Tributário Nacional, restou consignado que foram arrolados como responsáveis solidários todas as pessoas que praticaram atos de gestão, caracterizados pelo efetivo controle dos recursos financeiros movimentados nas diversas contas bancárias, entre outros indícios. Relacionamse abaixo as pessoas físicas e jurídicas arroladas como responsáveis tributárias solidárias pelo crédito tributário constituído: Charle Paulo Bart CPF 034.830.30760 Wanderley Stuhr CPF 841.208.86700 Sérgio Stuhr CPF 707.427.90720 Selenne Berger Stuhr CPF 979.259.26791 Sergio Valani CPF 031.557.50774 Ademar Valani CPF 576.563.63734 Josemar Echer Valani CPF 622.952.25787 A&M Com. Exp. Imp. Ltda. CNPJ 03.581.039/000138 Narciso Agrizzi CPF 215.572.84768 Idalino Agrizzi CPF 474.861.12787 Domingos Savio Agrizzi CPF 756.639.37749 Antônio Tadeu Calmon CPF 526.062.28715 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.075 7 Theodoro Antônio Zanotti CPF 911.768.24791 Leonor Andrade Seixas Zanotti CPF 828.421.75700 José lido Henrique Fiorott CPF 912.719.24749 JMB Corretora de Café Ltda. CNPJ 03.451.581/000176 Silvino Faria Júnior CPF 769.418.68791 Josildo Schwambach Machado CPF 466.084.60678 31. O contribuinte, que foi cientificado dos citados autos de infração em 27/11/2007 (fl. 10.645), apresentou impugnação em 27/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 10.876 a 10.897). Alega, em apertada síntese, o que segue abaixo: 31.1 Alega que, em 15 de setembro de 2006, optou pelo Parcelamento Excepcional, previsto na Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, a qual permitia a inclusão de débitos cujo vencimento fosse até 31 de dezembro de 2005. 31.2 Portanto, denunciou espontaneamente todos os débitos fiscais, beneficiando se de um prazo longo de parcelamento e da redução dos encargos moratórios, conforme previsto no § 6°, art. 1° da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006. 31.3 Afirma que apesar de ter tomado conhecimento dessa opção, o Auditor Fiscal não a citou no termo de encerramento da fiscalização, talvez por ter ciência que a opção tomaria inútil o trabalho produzido. 31.4 Conclui dizendo que a opção pelo parcelamento excepcional e os pagamentos demonstram a intenção do contribuinte em regularizar os débitos fiscais, evitando o prolongamento das atividades do AuditorFiscal, já que, feita a denúncia espontânea, conforme os ditames da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, bastaria uma simples conferência para a averiguação do valor devido, aplicandose a redução das multas e juros devidos. 31.5 Reclama que ocorreu a quebra do seu sigilo bancário, durante a realização do procedimento fiscal, sem a necessária autorização judicial. Indica jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. 31.6 Assim, o AuditorFiscal utilizou provas obtidas ilicitamente, para efeito de apuração do IRPJ a recolher. Acontece que o artigo 5°, inciso LVI, da Constituição Federal de 1988 não considera admissível, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos. Cita jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. 31.7 Como os autos de infração foram lavrados com fulcro em provas obtidas de maneira ilícita, requer o contribuinte que se reconheça a nulidade da autuação. 31.8 Logo em seguida, assevera que com suporte nas provas obtidas ilicitamente, várias pessoas foram intimadas a prestar esclarecimentos, causando injusto e ilegal constrangimento. 31.9 Essa atitude da autoridade autuante, além de violar o direito ao sigilo bancário, viola também o direito à intimidade do contribuinte, assim como outros direitos reconhecidos pelo artigo 5°, inciso X, da Constituição Federal de 1988, como a vida privada, a honra e a imagem do contribuinte. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.076 8 31.10 Alega que todas as provas obtidas de maneira ilícita contaminam outros elementos probatórios oriundos direta ou indiretamente das informações obtidas pela quebra do sigilo bancário. 31.11 Portanto, os atos praticados após a quebra do sigilo bancário são nulos de pleno direito, pois são provas ilícitas e não podem servir para embasar qualquer ato tendente a lançar crédito tributário. 31.12 Afirma que o art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/1996, em sua primitiva redação, vedava que as informações bancárias fossem usadas para constituição de outros créditos tributários. 31.13 Defende que a invocação da regra do art. 144, § 1°, do Código Tributário Nacional, que dispõe que seja aplicada ao lançamento a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização não pode ser utilizada, pois o julgador não pode aplicar a norma formal, de índole procedimental, constante do art. 144, parágrafo 1°, do CTN, quando se depara com outra norma de direito material, veiculada pelo “caput” do mesmo artigo. 31.14 Aplicandose este dispositivo à espécie, apresenta o impugnante a seguinte interpretação: tratandose de situações pretéritas, a lei vigente, à data da ocorrência do fato gerador, é a norma de direito material que vedava o emprego dos informes bancários para a constituição de outros créditos tributários, quer dizer, a norma de renúncia ao exercício do poder impositivo, que assegurava aos contribuintes da CPMF o direito de não ser fiscalizado com fundamento nas informações relativas à respectiva movimentação financeira, assegurandolhe plena indenidade fiscal relativa ao Imposto de Renda. 31.15 Alega, por fim, que o auto de infração não pode ser convalidado, já que efetuado com suporte em depósitos bancários identificados nas contas correntes da impugnante, que não podem ser considerados como renda para efeito de tributação, em função do conceito de renda ditado pela Constituição Federal de 1988 e pelo CTN. Cita jurisprudência judicial e do Conselho de Contribuintes. 31.16 Reclama do uso de presunções e ficções no direito tributário. 31.17 Entende que em decorrência do principio da verdade material, a Administração Pública não pode ficar adstrita ao que as partes demonstram no procedimento, devendo sempre buscar a verdade substancial. Aliás, a tributação de 100% das entradas do impugnante é, além de empiricamente impossível, imoral. 31.18 Solicita, por fim, a declaração de improcedência da autuação. 32. O responsável solidário Sr. Charles Paulo Bart, que tomou ciência dos autos de infração em 27/11/2007 (fl. 10.645), apresentou impugnação em 27/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 10.898 a 10.905). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 32.1 Alega que, em 15 de setembro de 2006, optou pelo Parcelamento Excepcional, previsto na Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, a qual permitia a inclusão de débitos cujo vencimento fosse até 31 de dezembro de 2005. 32.2 Portanto, denunciou espontaneamente todos os débitos fiscais, beneficiando se de um prazo longo de parcelamento e da redução dos encargos moratórios, conforme previsto no § 6°, art. 1° da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.077 9 32.3 Afirma que apesar de ter tomado conhecimento dessa opção, o Auditor Fiscal não a citou no termo de encerramento da fiscalização, talvez por ter ciência que a opção tornaria inútil o trabalho produzido. 32.4 Conclui que a opção pelo citado parcelamento excepcional e os pagamentos demonstram a intenção do contribuinte em regularizar os débitos fiscais, evitando o prolongamento das atividades do AuditorFiscal, já que, feita a denúncia espontânea, conforme os ditames da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, bastaria uma simples conferência para a averiguação do valor devido, aplicandose a redução das multas e juros devidos. 32.5 Diz que não foi instado a se manifestar durante o procedimento de fiscalização, o que ataca os direitos ao contraditório e à ampla defesa. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 32.6 Garante que não foi intimado a fornecer esclarecimentos sobre seu modo de administrar a empresa ou sobre as atividades que esta desenvolvia. Afirma que as conclusões alcançadas pela fiscalização basearamse apenas em depoimentos alheios e investigações superficiais. 32.7 Ademais, diz que as conclusões alcançadas estão suportadas por alguns indícios, sem nenhum aprofundamento técnico e sem nenhum parecer de especialistas no tema. 32.8 Afirma, em seguida, que enxergar no simples inadimplemento de tributos o caráter de infração à lei, para fins de aplicabilidade do art. 135 do CTN é um delírio fiscal, que exige a comprovação do excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatutos. 32.9 A seu ver, o simples inadimplemento de tributos acarreta apenas a responsabilidade solidária pelo tributo, nos termos do art. 134 do CTN. 32.10 Garante que adentrar ao patrimônio do administrador, sem que reste devidamente provada a conduta dolosa ou fraudulenta de seu sóciogerente ou diretor, seria uma injustiça desmedida, já que, em geral, não se comunica o patrimônio do sócio com o da sociedade. 32.11 Argumenta que é notório que os administradores de sociedades, além dos deveres previstos no contrato social ou nos estatutos, possui também deveres legais expressos e implícitos, previstos na legislação que disciplina as várias espécies de sociedade (Código Comercial, Lei das Sociedades Anônimas, Lei das Sociedades Limitadas). 32.12 É justamente a infração dos deveres mencionados que se refere à expressão infração de lei, contida na norma codificada, quando do mesmo ato resultam relações jurídicas diversas: uma, entre o administrador e a sociedade e/ou terceiros (relação jurídica comercial); outra, entre o administrador e o Fisco federal (relação jurídica tributária), da qual se acha excluída a sociedade, face à responsabilidade pessoal do administrador. 32.13 Requer, ao final, que seja declarada insubsistente a condução de solidariedade imputada a ele. 33. O responsável solidário Sergio Stuhr, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.832), apresentou impugnação em 31/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 10.908 a 10.944). Alega, em síntese, o que segue abaixo: Fl. 124DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.078 10 33.1 De imediato, assevera que não é filho de Selenne Berger Stuhr e irmão de Wanderley Stuhr, pois seus pais são George Stuhr e Edith Berta Haase Stuhr, e seus únicos irmãos são Erasmo Stuhr e Lucimar Stuhr, circunstância que demonstra um dos inúmeros equívocos e a superficialidade do procedimento de fiscalização. 33.2 Salienta que atua na intermediação da compra e venda de café na pequena região composta pelos municípios vizinhos de Itarana e Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo. 33.3 A corretagem de café continua sendo a atividade desempenhada em paralelo ao seu pequeno cultivo agrícola. A condição de corretor é bastante reconhecida pelos habitantes dos citados municípios. 33.4 Por um lado, é conhecido pelos micros e pequenos produtores de café da região. De outro lado, é visto como o contato de compradores de café, ou dos intermediadores que atuam nos nomes deles. 33.5 Assim, quando é acionado, se coloca em atividade para formar os lotes, ou seja, as partidas substanciais de café. A atividade de corretagem é bem mais atrativa que a compra e venda de café, já que nela não se opera com capital próprio, e sequer se expõe aos vários riscos de mercado (variações de cotação do produto, oferta e procura, etc). 33.6 Para obter o ganho propiciado pela corretagem é que aceitou a proposta da empresa Colina Verde Café Ltda. de repartir a comissão auferida pelas intermediações de café. Ao invés do 1% que vez ou outra o impugnante prontamente emplacava em determinada intermediação, ele garantiria, com exclusividade, 0,5% frente aos produtores e outros 0,5% frente à. Mencionada empresa por cada negócio intermediado, incidindo tal percentual sobre o valor envolvido nas transações. 33.7 Aduz que sua ocupação era, assim, a de trabalhar em cima das partidas de café que interessavam à Colina Verde Café Ltda., no andamento de compor os lotes do produto efetivando a seleção deste a partir do recebimento das pequenas quantidades disponibilizadas pelos produtores. 33.8 A Colina Verde Café Ltda. percebia os lotes de café formados a partir dos esforços do impugnante, documentados por notas fiscais de produtor, a exemplo do que informado as fls. 10572, 10574 e 10607 (como é o costume no Espírito Santo), e disponibilizava o valor para os pagamentos correspondentes ao produto em duas fases (como também é de costume no Espírito Santo), isto é, um valor substancial depois da entrega e o valor restante depois de verificadas as compatibilidades dos cafés negociados com as quantidades e as qualidades que nortearam as respectivas transações. 33.9 Afirma ainda que recebia o valor devido em razão da partida de café para o qual contribuíra, e pagava a cada um dos produtores que haviam auxiliado na composição do lote negociado, ainda que este houvesse sido documentado apenas por uma nota fiscal, ou a alguém que havia representado os produtores na transação, para posterior repasse aos credores respectivos. 33.10 Para dar maior agilidade as transações, e evitar assim custos com pessoal e instalações, a Colina Verde Café deferiu ao impugnante, por meio de procuração outorgada em agosto de 2001 (fl. 435), a assinatura de cheques da contacorrente n° 7.4276, aberta pela empresa na Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá, a fim de que este pagasse os produtores e descontasse as comissões que lhe eram devidas. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.079 11 33.11 Cabe salientar que vez ou outra os produtores de café preferiam receber os pagamentos que lhes eram devidos, ou parte deles, em alimentos, em sacaria de luta, em adubos, em defensivos agrícolas, em arame ou outros artigos relacionados com o cultivo agrícola. As informações coletadas às fls. 10.567, 10.570 e 10.609, em verdade, conotam exatamente isso, e não aquisições de produtos pelo próprio impugnante, a despeito do que feito nas referidas peças do relatório de fiscalização. 33.12 Diz ainda que quando os pagamentos eram realizados mediante a entrega de produtos, realizava aquisições dos respectivos artigos e pagava com cheque da citada conta corrente. Após receber os produtos, entregavalhes para os produtores como pagamentos do café por eles fornecido para a empresa. 33.13 A condição de procurador da Colina Verde Café, no que se refere à conta n° 7.4276, da Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá, foi distorcida e notoriamente superdimensionada, a seu juízo, pois o relatório de fiscalização afirma que o impugnante teria praticado atos de gestão da empresa. 33.14 Em síntese: na ótica da fiscalização, qualquer que tenha sido o negócio celebrado pela Colina Verde Café, teria o impugnante de suportar o seu respectivo reflexo tributário. Frisa que a responsabilidade imputada cobre toda e qualquer operação atribuída à Colina Verde Café, não obstante a fiscalização tente caracterizar a cogestão da empresa por meio da assinatura de cheques de apenas uma das dezoito contas bancárias por ela mantidas. 33.15 Ademais, alega que se buscou incutir responsabilidade irrestrita ao impugnante por operações realizadas em período que sequer seria possível atribuir a ele a qualidade de gestor, uma vez que segundo a fiscalização ele só teria alçado tal condição por força da assinatura de cheques da contacorrente frisada. 33.16 Destaca que de acordo com o relatório da fiscalização a abertura da referida contacorrente ocorreu em 20/08/2001 e que o cartão de autógrafo condizente com a aludida conta, subscrito pelo impugnante e reproduzido no relatório da fiscalização, entretanto, assinala que sua confecção se deu apenas na data de 15/08/2002. 33.17 Tal circunstância denota, a seu ver, uma notável inconsistência nas colocações feitas no relatório da fiscalização relacionadas com o período em que o impugnante procedeu a assinatura de cheques da aludida conta, sobretudo ao se constatar que os seus exemplares, anexados ao presente processo, indicam datas coincidentes sempre, e apenas, com os anos de 2002 e de 2003. 33.18 Assegura que não ha qualquer cheque relativo aos anos de 2001 e 2004 juntado ao presente processo, embora o relatório da fiscalização justifique e fundamente a responsabilidade tributária atribuída ao impugnante no fato deste haver procedido à assinatura de tais documentos no período de 2001 a 2004. 33.19 Aduz, com base nos fatos expostos, que é impossível cogitar de responsabilidade do impugnante por gestão da autuada, pois a prova demonstra que a gestão da pessoa jurídica não coube ao impugnante; além de assinaturas de cheques isoladamente tomados não serem indício suficiente para se concluir que o subscritor era realmente gerente da sociedade. 33.20 Nota que todas as evidências coletadas pela fiscalização apontam no sentido de que o impugnante jamais praticou atos de gestão. Basta considerar que segundo apurado pela fiscalização, o trato com os contadores da empresa era feito pela Fl. 126DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.080 12 pessoa de Charles Paulo Bart, bem como a efetivação de negócios, a abertura de contas bancárias e a contratação de pessoas para trabalhar em favor da empresa. 33.21 Salienta ainda que de acordo com registro feito no relatório de fiscalização, três contascorrentes da autuada: n° 7.036X, mantida no Banco do Brasil S/A, n° 490 0, da Caixa Econômica Federal, ambas de Santa Maria de Jetibá, e n° 10.6607, do Banco Bradesco S/A, em Vitória, movimentavam cifras relacionadas à transações de produtos importados, bem como com transferências internacionais de valores. 33.22 Acontece que, a seu juízo, seu nome não foi associado a nenhuma das referidas contas, como também a diversas outras titularizadas pela empresa em instituições financeiras estabelecidas no Espírito Santo. Não obstante toda a cobrança tributária disparada contra a autuada seja também direcionada contra o impugnante, sob o fundamento de responsabilidade tributária radicada em atos de gestão da referida empresa. Assevera ainda que seu nome também não foi vinculado a nenhuma das pessoas fundamentais à caracterização do ilícito fiscal pela fiscalização. 33.23 Aduz o contribuinte que parte do crédito tributário constituído está extinta por força da decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de ofício, mais especificamente a parte do crédito tributário vinculado aos fatos geradores ocorridos entre abril e novembro de 2001, com fulcro no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 33.24 Entende ainda que como o crédito tributário exigido nos autos de infração decorre de apuração baseada em depósitos bancários, não há como se contar o prazo decadencial de outra maneira sendo mensalmente, em razão do disposto na norma inserta no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 33.25 Ademais, a suposição de omissão de receitas não configura, por si só, fraude, como disposto na Sumula n° 14, do 1° Conselho de Contribuintes, o que afasta qualquer possibilidade de aplicação da norma do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 33.26 Afirma que ainda que se considere a apuração trimestral adotada nos autos de infração atacados, é inevitável admitir a decadência parcial do crédito tributário, especificamente no que respeita aos fatos geradores ocorridos entre abril e setembro do anocalendário 2001. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 33.27 Garante, mais adiante, que não praticou atos de gestão no que diz respeito à empresa Colina Verde Café. Alega que o ônus da prova da ocorrência de atos de gerência compete ao Fisco, já que não se pode simplesmente presumir que alguém execute providências em nome de certa pessoa jurídica. 33.28 Ademais, assegura que o Fisco não pode se limitar a demonstrar o exercício de qualquer gerência, e sim a que se refira especificamente à apuração e ao atendimento de tributos por parte da pessoa jurídica. Isto porque a gerência que causa responsabilidade tributária para o administrador é a condizente aos assuntos fiscais da pessoa jurídica. Outrossim: apenas a gerência que subverta, com artifícios escusos, o pagamento de tributos, e não a que meramente deixe de satisfazêlos. Cita doutrina e jurisprudência judicial. 33.29 Aduz que não é possível incutir responsabilidade tributária àquele que jamais teve qualquer ligação com a administração, e especialmente com as apurações e com os pagamentos de tributos da Colina Verde Café Ltda. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.081 13 33.30 Defende que não se pode perder de vista que a fiscalização não constatou um único cheque assinado pelo impugnante nos anos de 2001 e 2004, conquanto tenha insistido em incutir responsabilidade tributária a ele justamente por conta de tal fato, isto é, subscrever cheques, independentemente do período em que verificou que tal fato se sucedera. 33.31 Por este ângulo, o que se chamou de indício do fato tido como sustentáculo da responsabilidade tributária do impugnante foi obtido pela fiscalização a partir de uma amostragem que representa menos de 3% (três por cento) de toda a dimensão da circunstância averiguada, qual seja, a assinatura de cheques da Colina Verde Café Ltda. 33.32 Afirma que era impossível apurar e pagar tributos relacionados a todos os negócios efetivados pela empresa, pois seu nome não foi de qualquer modo associado a qualquer outra movimentação financeira, senão ao trânsito de valores constatado na conta n° 74276. Diz que as pessoas jurídicas têm, por força legal, de promover as apurações e os pagamentos de IRPJ, de CSLL, de PIS e de COFINS de forma centralizada, ainda que suas atividades alastremse por várias localidades. 33.33 Aduz que tal fator assinala para a impossibilidade material de se aventar qualquer ato de gestão fiscal, já que lhe era impossível apurar e pagar tributos relacionados com fatos que escapavam totalmente ao seu conhecimento, quer por dizerem respeito a negócios estranhos à. sua atuação e ao objeto social da empresa, quer por se referirem ao trânsito de valores em contas bancárias, nas quais não possui qualquer tipo de controle. 33.34 Garante que nos autos não existe qualquer elemento de prova que assinale que ele conhecia todos os negócios realizados pela empresa autuada, como também todo o trânsito de valores em instituições financeiras. 33.35 Sobre a inocorrência de conluio, afirma que não há prova desta circunstância. Observa que não existe nos autos evidência de que as pessoas cogitadas no relatório da fiscalização estavam ligadas por laços econômicos ou negociais. 33.36 Informa ainda que seu nome apenas foi vinculado às pessoas de Selenne Berger Stuhr e Wanderley Stuhr, e mesmo assim equivocadamente, já que foi associado a eles como se fosse, respectivamente, filho e irmão deles, e não sobrinho e primo, como de fato é. 33.37 Entende que conluio é impensável no caso retratado nesses autos, fator que inclusive elide a imputação da multa de oficio qualificada aplicada pelo fisco em razão dos lançamentos expedidos. 33.38 Sobre a ausência de prova do proveito do impugnante a partir do trânsito de valores registrado na conta n° 7.4276, diz que o único proveito que o impugnante extraiu dos valores que circularam pela citada conta consistiu em comissões pactuadas pela intermediação de negociações baseadas em café. O relatório da fiscalização, todavia, tenta fazer crer que a assinatura de cheques da conta referida na verdade representaria indício de que ele se aproveitava dos respectivos valores em caráter particular. 33.39 Questiona as conclusões alcançadas pela fiscalização asseverando que não houve averiguação sobre a sua verdadeira relação com a autuada; que não se procedeu ao mínimo levantamento de como se deu as negociações com café no Espírito Santo, e especialmente em Santa Maria de Jetibá e em Itarana; que as apurações centradas em cheques emitidos foram parciais, e tomaram em consideração menos de 3% dos cheques emitidos pela autuada no período de setembro de 2001 a agosto de 2004; que o Fl. 128DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.082 14 beneficio pessoal do impugnante teria sido caracterizado a partir de esclarecimentos prestados por três fornecedores, sem aprofundamento a respeito da questão, e, finalmente, que se ignorou por completo levantamentos anteriores realizados pela própria Receita Federal, que concluíram que o impugnante atuava nos citados municípios como corretor de café. 33.40 Alerta que o suposto beneficio pessoal extraído pelo impugnante limitase ao pagamento feito à empresa SR Eletrônica Telecomunicações Ltda. Nada estranhável para quem carreava vários negócios com café para a autuada, a fim de deles extrair comissão. Garante ainda que o valor pago à SR Eletrônica e Telecomunicações Ltda. representava parte de comissão devida pela autuada ao impugnante. Salienta que o pagamento com cheque da empresa foi devidamente autorizado por seu gestor, conforme se comprova pela declaração anexa. 33.41 Declara que os valores pagos à Buaiz S/A Indústria e Comércio e Profértil Produtos Químicos e Fertilizantes Ltda., como também à Festipar Sudeste Adubos e Corretivos Agrícolas Ltda., nada mais traduziram senão que contrapartidas de aquisições de alimentos e insumos relacionados com o cultivo agrícola, que a autuada procedeu para com eles realizar pagamentos de cafés comprados frente a produtores. 33.42 Requer o cancelamento da responsabilidade tributária que lhe foi imputada; o cancelamento da multa de 150% aplicada; o redimensionamento da responsabilidade tributária que lhe foi incutida à apuração de tributos promovida exclusivamente com base na movimentação da conta n° 74276 da Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá.; a produção de outros elementos de prova no curso da análise das suas defesas; realização de sustentação oral. 34. A responsável solidária Sra. Selenne Berger Stuhr, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.831), apresentou impugnação em 31/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 11.010 a 11.062). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 34.1 De imediato, declara que possui 65 anos e que sua profissão é zelar e cuidar da rotina diária de seu lar. Afirma ainda que, em decorrência da idade avançada, não possui as características necessárias para gerir uma empresa milionária. 34.2 Relembra que a Colina Verde Café Ltda. iniciou suas atividades em 22 de fevereiro de 2001 e também que foi legalmente constituída por Charles Paulo Bart e por Jailton Gomes Pereira. 34.3 Afirma ainda que foi atribuída a responsabilidade solidária a Charles Paulo Bart por todo o crédito tributário constituído, e que o Relatório Final de fiscalização tenta fazer crer, de modo equivocado, que ele não possuiria capacidade econômica para integralizar o capital social da empresa e que não seria titular de fato do empreendimento. 34.4 Questiona, em decorrência do que foi dito acima, como pode um sócio de direito, que em verdade não seria sócio de fato, ser responsabilizado solidariamente por todo o débito? 34.5 Alega que a fiscalização pouco ou nada descobriu sobre quem seria o verdadeiro titular de fato da empresa em comento. Sem saber apontar quem seria o verdadeiro titular de fato da Colina Verde Café Ltda. a fiscalização passa então a sugerir que a empresa não seria gerada por uma pessoa ou um grupo coeso, mas por diversas pessoas sem qualquer ligação ou vinculo, que haviam recebido procuração Fl. 129DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.083 15 pública a permitir, inclusive, a abertura de conta bancária e sua respectiva movimentação. 34.6 Aduz que a fiscalização sabe que ser procurador não significar ser gestor e muito menos ser titular da empresa, e que uma conta bancária pode ser aberta por um procurador e ser movimentada por outra pessoa. 34.7 Declara, logo em seguida, que a autoridade fiscal entendeu que a impugnante era gestora e responsável pela empresa porque teria assinado alguns cheques da conta n° 7.3032, a qual é uma das dezoito contas abertas em nome da citada empresa. 34.8 Nada mais há nas 209 páginas do Relatório Final da fiscalização, que já não esteja exposto na conclusão citada logo acima, circunstância que torna insustentável a atribuição de responsabilidade tributária à impugnante. 34.9 Aduz a responsável que parte do crédito tributário constituído está extinto por força da decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio, mais precisamente a parte do crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001 e entre janeiro e novembro do anocalendário de 2002, com fundamento no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 34.10 Alega que como o crédito tributário exigido nos autos de infração decorre de apuração baseada em depósitos bancários, não há como se contar o prazo decadencial de outra maneira sendo mensalmente, em razão do disposto na norma inserta no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. 34.11 Entende que ainda que se aplique a norma do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional urge reconhecer a decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio do crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 34.12 Alega que não se preocupou a autoridade fiscal em trazer à baila o que se entende por gestor/administrador ou mesmo controlador de sociedade empresária. 34.13 Afirma ainda que esta matéria foi tratada com superficialidade, de forma totalmente pressuposta, o que não se admite para a confecção de um ato vinculado. Assevera ainda que muito embora o conceito de gestor/administrador esteja pressuposto no direito tributário (Código Tributário Nacional), sobre o mesmo, conseguemse maiores lições no seio do direito civil e direito comercial. Daí ser indispensável, para se alcançar a real amplitude conceitual do instituto, fazer a interação entre os ramos de direito acima mencionados. 34.14 O fundamento jurídico para trazer os conceitos do direito privado e os aplicar se encontra nos artigos 109 e 110 Código Tributário Nacional. A redação dos dispositivos é clara: se nem mesmo a lei pode alterar a definição dos conceitos e formas de direito privado, que dirá a fiscalização. 34.15 Nesse caso, a responsabilidade incutida à impugnante decorreu da aplicação do disposto no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. Percebese que a própria lei tributária utilizase da expressão "diretores, gerentes ou representantes" para tipificar responsabilidades a essas pessoas, tratandoos, entretanto, de maneira préconcebida. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.084 16 34.16 Isso porque, a definição do conceito de "diretores, gerentes ou representantes" pertence ao direito privado e lá deve ser averiguada, conforme já mencionado. Cita as lições de Rubens Requião e de Maria Rita Ferragut. 34.17 Em seguida, enumera as funções pertencentes exclusivamente ao acionista controlador, que equivale, a seu juízo, ao sóciogerente da empresa limitada, tal como disposto na Lei n° 6.404/1976. Faz referência ainda a certas decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 5ª Região sobre o tema em estudo. 34.18 Com fulcro no exposto acima, conclui que simples movimentação de conta bancária não constitui fato suficiente para imputar responsabilidade tributária a quem a realiza, visto que não significa gestão. 34.19 Diz ainda que o recolhimento de tributos de uma pessoa jurídica deve ser feito de forma centralizada pela pessoa jurídica, por total imposição do Fisco, pois é sabido que tributo não é recolhido pela pessoa que supostamente assine por essa ou aquela conta, mas pela administração central da empresa. 34.20 A movimentação de uma conta bancária, atribuída na ação fiscal à impugnante, não pode sequer ser considerada "gestão financeira", haja vista a pessoa jurídica autuada dispor de dezoito contas bancárias, conforma apurado na ação fiscal retratada nestes autos. 34.21 Enfatizase, com isso, que o motivo de fato, ou seja, a gestão da empresa, tido como pressuposto da imputação de responsabilidade tributária ao impugnante não se apresenta configurado na situação em exame. 34.22 Requer que se reconheça que a ora impugnante não é responsável pelo crédito tributário constituído. 34.23 Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 34.24 Informa que nenhum dos trinta contribuintes selecionados e que receberam intimação para apresentação de esclarecimentos citou a impugnante, seja como compradora, seja como intermediadora de café. 34.25 Constou, da relação de pessoas intimadas, o nome da própria impugnante, tendo em vista a existência de 04 (quatro) créditos em sua conta bancária provenientes da empresa Colina Verde Café, totalizando R$ 39.000,00 (trinta e nove mil reais). 34.26 Esse fato foi esclarecido pela impugnante, a qual colaborou com a fiscalização, informando e provando que a operação referiase à venda de café e gengibre e que os créditos em sua conta ocorreram em função do bloqueio da conta de Wanderley, seu filho. 34.27 Acontece que o AuditorFiscal simplesmente desconsiderou as alegações e os documentos apresentados. Indica jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre a suposta necessidade do Fisco diligenciar para comprovar as alegações dos contribuintes. 34.28 Cita inúmeros fatos os quais demonstrariam que Charles Paulo Bart era efetivamente o gestor da empresa Colina Verde Café Ltda. 34.29 Informa, logo em seguida, que Marcelo Santos Machado não foi responsabilizado pelo crédito tributário cobrado, embora estivesse em situação Fl. 131DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.085 17 semelhante à impugnante, qual seja, apenas assinava os cheques para a empresa Colina Verde Café Ltda. 34.30 Portanto, além de dar tratamento favorável ao Sr. Marcelo Santos Machado, a fiscalização não respeitou o Estado Democrático de Direito e violou o direito ao devido processo legal substancial e formal e o princípio da verdade material ao responsabilizar a impugnante sem os devidos elementos de prova. 34.31 Versa sobre o dever do Fisco de comprovar os fatos previstos na lei como necessários para o surgimento do fato gerador do tributo. Outrossim, diz que a autoridade fiscal não comprovou que a impugnante era administradora da empresa autuada. 34.32 Requer que a responsabilidade imputada seja limitada, ao menos, ao crédito tributário apurado exclusivamente a partir da movimentação da conta n° 7.303 2, da Cooperativa Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá/ES. 34.33 Informa que o cartão de autógrafos foi providenciado somente no dia 28/08/2001. Dessa maneira, não é possível imputar responsabilidade quanto a débitos anteriores a essa data, como pretendem os autos de infração lavrados, que discutem débitos a partir de janeiro de 2001. 34.34 Sobre a ilegalidade e a inaplicabilidade da multa de oficio ou sua obrigatória redução em relação a impugnante, nota, de plano, que aos autos de infração questionados foi adicionada a multa qualificada. 34.35 No entanto, diante dos fatos narrados e que comprovam, a seu juízo, a não responsabilidade pelo recolhimento da exação exigida, clama pela anulação da responsabilidade pelo recolhimento da multa em referência, visto que não pode permanecer cobrança de valor de multa quando for desconstituído o débito do valor principal. 34.36 Clama, caso se entenda devido o valor do principal, pela redução da multa aplicada, visto que, numa análise sistêmica da legislação, é possível a redução integral ou parcial do valor total da multa, caso inexistente a prova do conluio. No máximo podese dizer que por culpa o impugnante viuse inserida no rol de pessoas que se dizem devedoras do débito questionado. Não se pode falar em dolo por parte da Sra. Selenne Stuhr no ato de assinar os cheques apontados no Relatório Final do Fisco. 34.37 Em outras palavras, defende que não se caracterizou o intuito de fraudar o Fisco, pelos atos que ora se atribui à impugnante. Nesse sentido, o presente caso não se enquadra em hipótese prevista nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. 34.38 Não restando comprovada a fraude, requer a redução da multa para 75%. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 34.39 Requer, ao final, a produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive a juntada posterior de documentos; bem como o cancelamento da responsabilidade tributária; ou sua redução proporcional ao crédito tributário correspondente aos valores movimentados na conta n° 7.3032, da Cooperativa Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá/ES, e a anulação e ou redução da multa 35. O responsável solidário Sr. Wanderley Stuhr, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.833), apresentou impugnação em 31/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 11.073 a 11.120). Alega, em síntese, o que segue abaixo: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.086 18 35.1 Relembra que a empresa Colina Verde Café Ltda. iniciou suas atividades em 22 de fevereiro de 2001 e também que foi legalmente constituída por Charles Paulo Bart e por Jailton Gomes Pereira. 35.2 Assevera que o aprofundamento das investigações sobre Charles Paulo Bart ratificou que, não só de direito, mas de fato, o mesmo era o gestor da empresa fiscalizada, tanto que a ele foi atribuída a responsabilidade tributária solidária por todo o crédito tributário constituído. 35.3 Declara que, embora outras pessoas físicas e jurídicas tenham sido apontadas como responsáveis solidárias por suposta administração e gestão da empresa autuada, somente em relação a Charles Paulo Bart restou constatado incremento patrimonial no período vinculado com a movimentação financeira. 35.4 Aduz que a fiscalização pouco ou nada descobriu sobre quem seria o verdadeiro titular de fato da empresa em comento. Sem saber apontar quem seria o verdadeiro titular de fato da Colina Verde Café Ltda. a fiscalização passa então a sugerir que a empresa não seria gerada por uma pessoa ou um grupo coeso (conluio de pessoas), mas por diversas pessoas (18 no total) sem qualquer ligação ou vínculo, que haviam recebido procuração pública a permitir, inclusive, a abertura de conta bancária e sua respectiva movimentação. 35.5 Alega que a fiscalização sabe que ser procurador não significa ser gestor e muito menos ser titular da empresa, e que uma conta bancária pode ser aberta por um procurador e ser movimentada por outra pessoa. 35.6 Declara, logo em seguida, que a autoridade fiscal entendeu que o impugnante era gestor e responsável pela empresa porque teria assinado cheques de três contas, em um universo de dezoito contas abertas em nome da empresa. 35.7 Assinala que, em relação às contas n° 8.164.709, do Banestes, e n° 7.3032, da Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá, que a fiscalização o excluiu da emissão de qualquer cheque, embora afirme que o impugnante poderia ter participado na movimentação dessas contas. 35.8 Ademais, diz que o impugnante não foi citado por nenhum dos contribuintes intimados, como também não o foi em diversas contas titularizadas pela empresa em instituições financeiras estabelecidas no Espírito Santo. 35.9 Nada mais há nas 209 páginas do Relatório Final da fiscalização, que já não esteja exposto na conclusão citada logo acima, circunstância que torna insustentável a atribuição de responsabilidade tributária à impugnante, visto que não foi caracterizada a realização de nenhum ato material de gerência da referida sociedade. 35.10 Aduz que parte do crédito tributário constituído está extinta por força da decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio, mais precisamente o crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001 e entre janeiro e novembro do anocalendário de 2002, com fulcro no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 35.11 Entende ainda que como o crédito tributário exigido nos autos de infração decorre de apuração baseada em depósitos bancários, não há como se contar o prazo decadencial de outra maneira sendo mensalmente, em razão do disposto na norma inserta no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. 35.12 Entende que ainda que se aplique a norma do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional urge reconhecer a decadência do direito do Fisco proceder ao Fl. 133DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.087 19 lançamento de oficio do crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 35.13 Afirma que não se preocupou a autoridade fiscal em trazer à baila o que se entende por gestor/administrador ou mesmo controlador de sociedade empresária. Pugna que a matéria foi tratada com superficialidade, o que não se admite para a confecção de um ato vinculado. 35.14 Aduz que embora o conceito de gestor, isto é, de administrador esteja pressuposto no direito tributário (Código Tributário Nacional), sobre o mesmo, conseguemse maiores lições no seio do direito civil e direito comercial. Daí ser indispensável, a seu ver, para se alcançar a real amplitude conceitual do instituto, fazer a interação entre os ramos de direito acima mencionados. 35.15 O fundamento jurídico para trazer os conceitos do direito privado e os aplicar se encontra nos artigos 109 e 110 Código Tributário Nacional. A redação dos dispositivos é clara: se nem mesmo a lei pode alterar a definição dos conceitos e formas de direito privado, também não pode a fiscalização. 35.16 No caso em julgamento a responsabilidade decorreu da aplicação da norma inserta no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. 35.17 Percebase que a lei utilizase da expressão "diretores, gerentes ou representantes" para tipificar responsabilidades a essas pessoas, tratandoos, entretanto, de maneira préconcebida. Isso porque, a definição do conceito de "diretores, gerentes ou representantes" pertence ao direito privado e lá deve ser averiguada, conforme já mencionado. 35.18 Cita as lições de Rubens Requião e de Maria Rita Ferragut. Logo em seguida, lista as funções pertencentes ao acionista controlador, que equivale, a seu ver, ao sóciogerente da empresa limitada, tal como disposto na Lei n° 6.404/1976. Faz referência ainda a certas decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 5ª Região sobre o tema em estudo. 35.19 Com fulcro no exposto acima, conclui que simples movimentação de conta bancária não constitui fato suficiente para imputar responsabilidade tributária de quem a realiza, visto que não significa gestão. 35.20 Aliás, a movimentação de três contas bancárias não pode sequer ser considerada "gestão financeira", já que a pessoa jurídica autuada dispunha de dezoito contas bancárias, conforma apurado na ação fiscal. 35.21 Enfatizase, com isso, que o motivo de fato, ou seja, a gestão da empresa, tida como pressuposto da imputação de responsabilidade tributária ao impugnante não se apresenta configurado na situação em exame. 35.22 Reafirma que é acusado de ter movimentado apenas as contas n° 4004, n° 7.036X e n° 4900, uma vez que, com relação às contas n° 8.164.709 e n° 7.30232, por inexistir cheque ou outra coisa que o valha, a movimentação da referida conta não pode ser atribuída ao impugnante. 35.23 Diz que a fiscalização concluiu que a mera assinatura de cheques não equivale a ato de gestão empresarial. Mesmo assim, passou por cima de todas as gritantes evidências para responsabilizar o impugnante. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.088 20 35.24 A contradição é flagrante e irremediavelmente leva à anulação dos autos de infração quanto a ora impugnante. 35.25 Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 35.26 Sobre a conta n° 4004 da Caixa Econômica Federal, diz que a fiscalização o acusa somente de ter participado na emissão de cheques. Afirma que a fiscalização não demonstra, com base na movimentação bancária, quais seriam os atos de gestão praticados pelo impugnante. 35.27 Sobre a conta n° 7.036X do Banco do Brasil S/A, aduz que a fiscalização informa que a conta foi movimentada nos anos de 2001 a 2004, entretanto, com créditos efetivos de pequena importância somente nos anos de 2001 a 2002. 35.28 Diz ainda que a fiscalização o acusa apenas de ter participado na emissão de alguns cheques, embora o cartão de autógrafos tenha sido extraviado e não consta dos autos do presente processo. 35.29 Destarte, a fiscalização não demonstra, a seu juízo, com fulcro na movimentação bancária, quais seriam os atos de gestão praticados. 35.30 Em relação aos inúmeros depoimentos prestados à fiscalização, observa que apenas em um deles foi mencionado o nome do impugnante e que tal referência trata de um contato feito com o impugnante, no curso de uma operação comercial, da qual resultou o crédito de R$ 10.277,00. 35.31 Acontece que não constaria nos autos qual seria o título e o motivo do contato, ou seja, nada foi explicado pela fiscalização. 35.32 Entende ser indevido considerálo como gestor ou administrador da empresa em função de uma operação comercial no valor de R$ 10.277,00, considerando que a citada empresa movimentou a quantia de R$ 6.954.563,42. 35.33 Por último, garante que a fiscalização não demonstrou qualquer incremento patrimonial no que tange ao período de 2001 a 2004, como fez com Charles Paulo Bart. 35.34 Sobre a conta n° 4900, informa que os depósitos em dinheiro ocorreram apenas no ano de 2002 e soma o valor de R$ 160.846,46. 35.35 Em relação aos inúmeros depoimentos prestados à fiscalização, observa que todos afirmaram desconhecer a empresa autuada e que o nome do impugnante não foi citado. 35.36 Desta forma, não existe nos autos qualquer indício da condição do impugnante de gestor/administrador da referida empresa, até porque assinar cheques não é sinônimo de gestão empresarial. 35.37 Sobre as contas n° 7.3032 e n° 8.164.709, nota que a fiscalização assinala apenas que o impugnante pode ter participado da movimentação dessas contas, mas não garante que o impugnante assinou cheques referentes às contas bancárias. 35.38 Aduz que um último artifício manejado pelo Fisco com o intuito de configurar a gestão/administração de toda a empresa ao impugnante foi tentar atribuir a Jailton e Charles a qualidade de empregados do mesmo. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.089 21 35.39 Informa que a citação do impugnante como patrão de Jailton e Charles ocorreu nos depoimentos prestados por Nilton Gomes Pereira (pai de Jailton), Patrícia Aparecida de Ávila (exesposa de Jailton) e Vera Lúcia Jacob (mãe de Jai1ton). 35.40 Observa que os dois primeiros depoimentos foram prestados por parentes de Jailton (pai e mãe), os quais, por força do Código de Processo Civil, são impedidos de prestar depoimentos (art. 405, § 2°, inciso I), visto que é de conhecimento comum que pais tem interesse afetivo e emocional na proteção dos filhos. 35.41 E foi justamente nesses dois depoimentos que a fiscalização parece ter baseado sua conclusão. Pois o terceiro depoimento, único prestado por pessoa não impedida de acordo com a lei processual não confirma o que foi dito nos depoimentos anteriores. 35.42 A mãe de Jailton disse, primeiramente, que Jailton trabalhou na loja de Roverbal Stuhr (pessoa que não é nem mesmo foi citado no relatório como responsável tributário). Já o Pai de Jailton disse que o mesmo trabalhou na filial da Stuhr Agropecuária. Acontece que a exesposa nada disse sobre para quem jailton trabalhava. 35.43 Assim sendo, o depoimento da única pessoa não impedida de prestar declarações em nenhum momento vincula o autuado como responsável tributário JaiIton a Wanderley Stuhr, quiçá na qualidade de empregado. 35.44 E ainda, o pai de Jailton diz que quem pagou a passagem de seu filho para a Itália foi Wanderley Stuhr enquanto que a exesposa de Jailton disse que quem pagou sua passagem foi Charles Paulo com cheques do Banestes. 35.45 Em relação a Charles Paulo Bart, os pais de Jailton sustentam que ele é empregado de Wanderley Stuhr. Porém, a exesposa de Jailton disse: que sabe ser Charles Paulo Bart empregado de Wanderley Stuhr ou que trabalha com ele. 35.46 Novamente, a única pessoa que não estava impedida legalmente de depor sobre o assunto mostrou não saber se Charles trabalhava com ou para o impugnante. 35.47 Essas observações já demonstram que, com base unicamente nas declarações prestadas, é impossível atribuir a Wanderley Stuhr o controle ou o domínio sobre as pessoas de Jailton e Charles, que dirá sobre a empresa Colina Verde Café Ltda. e suas respectivas contas. 35.48 Cita inúmeros fatos os quais demonstrariam que Charles Paulo Bart era efetivamente o gestor da empresa Colina Verde Café Ltda. 35.49 Ainda que assim não fosse, o fisco não se desincumbiu de provar a suposta administração de fato pelo impugnante, fugindo à busca da verdade material do ocorrido. 35.50 Requer que a responsabilidade fique limitada ao crédito tributário apurado exclusivamente a partir da movimentação da conta 7.063X do Banco do Brasil da agência de Santa Maria de Jetibá. 35.51 Frisa que não há nem mesmo que se cogitar quanto à conta 4004 e 4900, ambas da Caixa Econômica Federal, porque o movimento de numerário nessa conta foi ínfimo se comparado com qualquer outra conta. 35.52 Ainda que não sejam acatados pela autoridade julgadora fiscal os argumentos expendidos nos capítulos anteriores diz o impugnante que a data da Fl. 136DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.090 22 ocorrência do primeiro crédito na conta corrente n° 7.036X, somente se deu no dia 28/08/2001. 35.53 Dessa forma, não há que falar em imputação de responsabilidade ao impugnante quanto a débitos anteriores a essa data, como pretendem os autos de infração lavrados, que discutem débitos a partir de janeiro de 2001. 35.54 Pugna que o dolo necessário para aplicar a multa de 150% não foi devidamente comprovado. 35.55 Requer, por fim, a produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive a juntada posterior provas documentais; o cancelamento da responsabilidade tributária; ou sua redução proporcional ao crédito tributário correspondente aos valores movimentados na conta n° 7.3032, da Cooperativa Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá/ES, bem como a anulação e ou redução da multa. 36. O responsável solidário José Ildo Henrique Fiorott, que tomou ciência dos autos de infração em 30/11/2007 (fl. 10.839), apresentou impugnação em 02/01/2008, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 11.135 a 11.173). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 36.1 Com supedâneo na interpretação dos arts. 124 e 135 do CTN, aduz que nem todos os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal são responsáveis solidários, assim como também nem todos os mandatários são responsáveis solidários. 36.2 Presume que a autoridade fiscal, ao lhe imputar responsabilidade por ter movimentado uma conta corrente da empresa fiscalizada por meio de instrumento procuratório, assim o fez com supedâneo no inciso II do art. 135 do Código Tributário Nacional. 36.3 A titulo de exemplo, afirma que em uma empresa que tenha por objeto social a venda de bens, não só os sócios, mas todos os empregados têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal de variados tributos. Também os familiares que dependem financeiramente de tais sócios ou de tais empregados teria, a seu ver, interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação de tais tributos. Nem por isso admitirseia como responsáveis solidários todos os empregados e seus familiares. 36.4 Assevera ainda que nem todos os mandatários serão responsáveis pelo crédito tributário do contribuinte mandante, até porque a simples outorga de procuração é um ato licito, previsto em lei. A titulo de exemplo, lembra que não será responsável o advogado contratado pela empresa para defender seus interesses, não obstante fato inequívoco de que o advogado é um mandatário. 36.5 Alega que algo mais é preciso para se atribuir a responsabilidade a terceiros, seja pelo disposto no art. 124, inciso I, seja pelo disposto no art. 135, inciso II, ambos do Codex tributário, que deve ser o liame obrigacional que se cria entre o fisco e o terceiro em razão do poder de gestão que venha a exercer o terceiro, seja na condição de interessado (art. 124, inciso I), seja na condição de mandatário (art. 135, inciso II). 36.6 Por esse motivo que o Fisco tentou imputar a responsabilidade a todas as pessoas a quem a empresa Colina Verde Café outorgou procurações mediante a afirmação de que todas tinham poderes para agir em nome da citada empresa, ou seja, poderes de gestão, inclusive para a movimentação de contas correntes. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.091 23 36.7 Afirma que os poderes outorgados por meio da procuração citada eram restritos à representação da empresa perante instituições financeiras, isto é, ao impugnante não foram outorgados poderes de gestão da empresa fiscalizada, diferentemente do que se observa da procuração outorgada a outro mandatário, cujos poderes eram amplos e irrestritos. 36.8 Alega que o AuditorFiscal reconheceu que os procuradores que só assinavam cheques e movimentavam contas correntes não tinham poderes de gestão, tanto é que não arrolou como responsáveis solidários os procuradores cujas evidências permitiram constatar que a participação limitouse à cessão de seus nomes e assinaturas de cheques. 36.9 Assegura que não pode ser responsabilizado porque apenas cedeu seu nome e assinou, como outros procuradores. 36.10 Informa que o AuditorFiscal notificou pessoas físicas e jurídicas beneficiárias de cheques referentes à conta corrente supostamente movimentada pelo impugnante, e que ninguém declarou ter realizado operações com ele, mas sim com terceiras pessoas. Tais depoimentos corroboram a ausência de poder de gestão pelo impugnante sob as atividades da Colina Verde Café. 36.11 Indica a Lei das Sociedades por Ações, que deve, a seu juízo, ser observada por expressa disposição dos arts. 109 e 110 do Código Tributário Nacional, a qual define gestão da sociedade como a prática dos atos necessários ao funcionamento regular da sociedade, o que não se pode presumir quanto ao impugnante. 36.12 Aduz que o art. 42, §5°, da Lei 9.430/1996 dispõe que se provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando a interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos omitidos ou receita deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou investimento, devendo ser diretamente autuado o próprio terceiro e não a pessoa interposta. 36.13 Com base no exposto, diz que caso os créditos na conta corrente supostamente movimentada pelo impugnante lhe pertencessem, não poderia ter sido considerado responsável, visto que deveria ter sido o próprio autuado pelos créditos realizados naquela conta corrente especifica. Portanto, como o AuditorFiscal, não agiu dessa forma, é porque julgou que não pertencia ao impugnante os valores creditados em tal conta corrente. 36.14 Entende que, como procurador, somente responde pelos atos que efetivamente praticou. Ademais, os princípios da individualização da pena, da isonomia e da proporcionalidade, vigentes no ordenamento jurídico brasileiro, determinam que cada pessoa somente pode ser apenada pelos atos ilegais que pratica, na exata proporção de suas infrações. 36.15 Por fim, cita o art. 124 do Código Tributário Nacional e o art. 42 da Lei n° 9.430/1996, que determinariam, a seu juízo, que o infrator só pode ser responsabilizado na medida de sua participação. 36.16 Relembra que em decorrência da procuração que recebera, teria movimentado unicamente recursos da conta corrente n° 3.8822, da Cooperativa de Crédito Rural de Linhares. Assim sendo, sua responsabilização decorreria de sua atuação como procurador de Colina Verde Café, que teria movimentado uma conta corrente da mencionada empresa. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.092 24 36.17 Diz que é possível que uma pessoa, de forma unilateral, outorgue poderes a terceiros, denominados procuradores, sem a anuência destes, o que não poderá trazer qualquer responsabilidade a estes procuradores, se estes não vierem a atuar nessa qualidade. Logo, o procurador não pode ser responsável pelos atos do outorgante, simplesmente por ter sido seu procurador, pois, em caso contrário, pessoas poderiam vir a ser responsabilizadas simplesmente por lhes terem sido outorgado poderes, sem ao menos exercêlos e, até mesmo, sem ter ciência dessa condição de procuradores. 36.18 Assim, se os procuradores não podem ser responsabilizados se não vierem a exercer os poderes que lhes foram outorgados, somente poderão ser responsabilizados pelos atos que efetivamente praticarem. Da mesma forma, as pessoas mencionadas no art. 135 do CTN só podem ser responsabilizadas pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes dos próprios atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Cita decisão judicial sobre a matéria. 36.19 Entende ainda que considerando o principio da individualização da pena não há previsão legal ou constitucional para a sua responsabilização solidária por todo o crédito lançado, decorrente não só da movimentação da conta n° 3.8822, da Cooperativa de Crédito Rural de Linhares, como também da movimentação de contas de terceiros e por terceiros, sem a sua participação. 36.20 Cita ainda outros princípios, como o principio da isonomia, da proporcionalidade ou razoabilidade, garantias constitucionais do administrado, e o art. 124, inciso I, do CTN, para dizer que não restam resquícios de dúvidas de que, ainda que se admita a responsabilidade solidária, esta não poderá ser em relação a todo o crédito lançado, mas apenas ao crédito decorrente dos recursos da conta corrente que supostamente teria movimentado. 36.21 Ao tratar do art. 42, § 6°, da Lei n° 9.430/1996, verifica que, na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. 36.22 Assim, com muito maior razão, se várias são as contas correntes cujos recursos movimentados deram origem à totalidade do crédito lançado, cada procurador não pode vir a ser responsabilizado pela totalidade do credito, mas apenas nos limites de sua participação, isto é, pelo crédito decorrente da conta que supostamente movimentou. 36.23 Por fim, o próprio §5° do art. 42 também estaria a revelar que a responsabilidade do impugnante seria limitada à única conta que supostamente teria movimentado. E isso porque, de acordo com o §5°, quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. 36.24 Requer a sua exclusão da condição de responsável, ou, ao menos, a restrição da responsabilidade ao crédito tributário derivado da conta bancária por ele controlada. 37. Os responsáveis solidários Sr. Theodoro Antonio Zanotti e Sra. Leonor Andrade Seixas Zanotti, que tomaram ciência dos autos de infração mediante edital de 05/12/2007 (fls. 10.852 e 10.854), apresentaram impugnação em 27/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 11.849 a 11.877). Alega, em síntese, o que segue abaixo: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.093 25 37.1 Asseguram que parte do crédito tributário constituído está extinta por força da decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio, em especial o crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2001e 2002, com fulcro nos arts. 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 37.2 Asseveram, em segundo lugar, que a possibilidade de imposição de responsabilidade passiva tributária deve estar devidamente acompanhada da descrição da conduta e também da delimitação, qualitativa e quantitativa, do ônus suportável por causa dessas ações. 37.3 No presente caso, o crédito tributário foi imposto genericamente a inúmeras pessoas físicas e jurídicas. No houve assim a adequada delimitação das condutas e do ônus tributário respectivo. 37.4 Asseveram que a delimitação da conduta humana é essencial para a responsabilização, seja civil, penal ou tributária, e que a imputação do ônus da conduta ilícita deve vir circunscrita à atividade consciente do sujeito ativo, seja lícita ou ilícita, culposa ou dolosa. Pugnam que agir de modo diferente, no mínimo, impede o direito de defesa. 37.5 No caso dos recorrentes, aduzem que o Fisco tenta provar que o produtor rural Theodoro Antonio Zanotti era gestor da empresa Colina Verde Café Ltda. em todo o estado do Espírito Santo, de modo a lhe atribuir toda a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído. Assim sendo, uma relação comercial normal entre produtor e adquirente de produtos agrícolas de alguns milhares de reais passou a uma obrigação tributária de milhões de reais. 37.6 A autoridade fiscal impôs responsabilidade tributária de forma tão genérica que os recorrentes foram envolvidos com eventos muito distantes e totalmente alheios a sua atividade no município de Nova Venância ES, como o suposto fato de a Colina Verdade Café ter sido usada para a transferência ilegal de valores provenientes do exterior. 37.7 Portanto, a atuação seria nula por inviabilizar a defesa e impor gravame evidentemente excessivo aos recorrentes. 37.8 Sobre o suposto esquema de sonegação relatado pela fiscalização, dizem que a realidade construída pela fiscalização em desfavor dos recorrentes baseouse em duas evidências: o vínculo empregatício entre o Sr. José Carlos e os recorrentes e o fato dele ser procurador da Colina Verde Café; e meia dúzia de cheques da Colina Verde recebidos como pagamento pela venda de café por Theodoro Zanotti e que por ele foram endossados. 37.9 O depoimento do Sr. José Carlos Ambrósio traz aspectos que afastam a responsabilidade dos recorrentes sobre as operações de Colina Verde Café. O depoimento evidenciou que existiu apenas uma relação entre o Sr. José Carlos, a empresa Colina Verde Café e seu sócio o Sr. Charles Paulo Bart e que, pela atividade única de intermediação na compra de café de produtores rurais, o depoente recebia um percentual de 1, 5%. Nada mais pode ser extraído desse depoimento, apesar das conclusões estapafúrdias da fiscalização. 37.10 Afirmam ainda que as subjetividades contidas nas afirmações da autoridade fiscal retiram delas toda a validade. A fiscalização especulou que o depoente estava nervoso em depor perante autoridades fiscais e supôs que esse nervosismo decorreu do fato de que o depoente tentava afastar o envolvimento de outras pessoas Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.094 26 além dele e do Sr. Charles. Questionam se tal estado de ânimo não poderia decorrer do simples fato de estar sendo instado por uma autoridade pública? 37.11 Alegam ainda que a fiscalização apenas especula que o depoente tentava passar que as negociações que envolviam a Colina Verde Café estavam restritas a ele, a Charles e ao produtor. 37.12 Afirma que a fiscalização apenas supôs certos fatos, porque não há nenhuma prova daquilo que a fiscalização sugere. Aduz que não se pode condenar ninguém com fundamento em especulações de natureza subjetiva, pois são necessárias provas contundentes para suprimir o patrimônio alheio, haja vista o art. 5°, inciso LIV, da Constituição Federal de 1988. 37.13 Entendem que a primeira premissa usada pela fiscalização, isto é, o vinculo empregatício, nada prova a não ser o próprio vínculo. Foi preciso muito esforço imaginativo para construir a realidade sugerida no relatório. 37.14 Atacam outras supostas especulações da fiscalização, surgidas a partir do depoimento, com a finalidade de demonstrar que o Sr. José Carlos Ambrósio poderia trabalhar para a Colina Verde Café. 37.15 Defendem que os endossos de cheques feito pelos impugnantes é procedimento normal e que nada prova. 37.16 Aduzem que o lançamento tributário está calcado na violação de sigilo bancário, sem a adequada autorização judicial, o que gera a sua nulidade, diante da violação de vários princípios constitucionais, como a irretroatividade. 37.17 Com outras palavras, a autuação está baseada na movimentação financeira do contribuinte, a qual foi conseguida por meio do procedimento previsto na Lei n° 10.174/2001 e na Lei Complementar n° 105/2001. Tais leis são inconstitucionais, visto que não respeitam o principio da irretroatividade e da segurança jurídica. 37.18 Alegam que o auto de infração é nulo por utilizar provas ilícitas, mas precisamente as informações oriundas do pagamento da CPMF. 37.19 Enumera os princípios e as regras constitucionais atacadas pela aplicação da Taxa Selic para fins de cálculo dos juros de mora. 37.20 Requer a sua exclusão da condição de responsável. 38. O responsável solidário Sr. Josildo Schwambach Machado, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.834), apresentou impugnação em 28/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 11.949 a 11.984). Alega, em síntese, o que segue: 38.1 De plano, aduz que o crédito tributário constituído imbricado com os fatos geradores verificados nos anoscalendário de 2001 e 2002 está extinto por força da decadência, haja vista o que determina o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 38.2 Tal raciocínio se aplica ao lançamento de IRPJ, bem como das contribuições sociais, já que o art. 45 da Lei n° 8.212/1991 é inconstitucional. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 38.3 Assevera, em seguida, que possui aproximadamente seiscentos clientes, entre produtores, compradores e vendedores de café, amealhados nos 19 (dezenove) anos em que trabalha com no mercado de corretagem de café. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.095 27 38.4 Informa que durante muito tempo, era prática comum no mercado de café que alguns pagamentos se realizassem por intermédio de apresentação de procurações, e não por intermédio de depósito bancário, a depender da opção do vendedor. 38.5 Não nega que tenha intermediado operações de compra e venda de café da Colina Verde, assim como inúmeros outros corretores. Mas daí a se estabelecer a sua ligação a um esquema de sonegação fiscal, como foi declinado no relatório final de fiscalização, diz que vai uma distância abissal. 38.6 Frisa que a autoridade fiscal sustenta que o impugnante teria sido nominalmente mencionado por depoentes beneficiários de cheques, como fonte dos cheques emitidos. Tratase, contudo, de assertiva que contradiz o próprio Relatório Final de Fiscalização. 38.7 O item 2.4.3.16 do relatório final de fiscalização é o único tópico onde há menção ao nome do impugnante, ainda assim, de maneira indireta, sem relacionálo com qualquer atividade da Colina Verde ou por seus procuradores. 38.8 Pugna ainda que palmilhando esse tópico do citado relatório, verificase que a autoridade fiscal declarou que o Sr. Marcelo Santos Machado, a partir de 19/09/2001, apresentouse como procurador da Colina Verde junto agência do Banco Bradesco, situada no Palácio do Café, para movimentar a conta n° 10.6607. 38.9 Alega que em nenhum dos cheques emitidos pelo Marcelo Santos Machado se encontra qualquer anotação que indique o impugnante como sendo a pessoa responsável pela confirmação da emissão dos cheques, o que já põe por terra a afirmação, lançada na conclusão do relatório final de fiscalização, de que o impugnante teria sido nominalmente citado por depoentes beneficiários de cheques como fonte dos cheques emitidos. 38.10 A única referência nos autos ao impugnante é a de que seria sócio da JMB, juntamente com o Sr. Silvino. Desta forma, não existem elementos que possam identificar o impugnante como responsável pela movimentação bancária da conta mantida pela Colina Verde, ou que possam ligar o impugnante à Colina Verde ou aos seus sócios, ou, por fim, que indiquem que o impugnante foi o responsável pela constituição do Sr. Marcelo como procurador da Colina Verde. 38.11 Todas as pessoas que responderam à intimação fiscal e citaram o nome do impugnante informaram que receberam os cheques em decorrência de operação de compra e venda de café. Todas essas operações foram realizadas no contexto da intermediação de negócios, como expressão legítima e inerente ao exercício da corretagem. 38.12 Declara que a única vantagem que auferiu da empresa Colina Verde foram as comissões recebidas pelas corretagens realizadas. Afirma que existem inúmeros outros corretores como ele. 38.13 Destaca que nos anos de 2001 a 2004 não experimentou qualquer evolução a descoberto do seu patrimônio, tampouco apresentou inconsistências em sua situação fiscal, muito menos movimentações financeiras suspeitas em sua conta bancária que pudessem ser encaradas como indícios da prática de ilícitos tributários. 38.14 Em breve resumo, conclui que não teve qualquer participação na abertura da conta bancária da Colina Verde junto a agência do Banco Bradesco situada no Palácio do Café (conta n° 10.6607); que a empresa JMB não atuava com exclusividade na intermediação dos negócios realizados pela Colina Verde no mercado de café; que Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.096 28 fez corretagens em favor da Colina Verde, assim como inúmeros outros corretores; que jamais representou de fato a Colina Verde, nem atuou no seu interesse fora das atividades específicas de corretagem de café; que não ordenou que o Sr. Marcelo, empregado da JMB, atuasse como procurador da Colina Verde Café; que não teve qualquer participação nas atividades do Sr. Celso, apontado como empregado da JMB, sem registro na CTPS; em relação aos negócios da Colina Verde; que não há qualquer indício de irregularidades na vida patrimonial, fiscal e financeira do impugnante nos anos de 2001 a 2004; que desde o início de 2004 o impugnante não exerce mais a administração da JMB, tendo se desligado, formalmente, da sociedade neste ano. 38.15 Questiona a fundamentação legal citada pela autoridade fiscal, isto é, os arts. 124, inciso I, e art. 135 do Código Tributário Nacional. A seu ver, nem o art. 124, inciso I, nem o art. 135, tratam da responsabilidade solidária de todas as pessoas que praticaram atos de gestão e tampouco podem ser aplicados em conjunto. 38.16 Diz ser impossível aplicar a regra de responsabilidade prevista no art. 124, inciso I, do CTN, ao caso concreto, pois não se pode falar na existência de "interesse comum" que entrelace o impugnante à Colina Verde Café. 38.17 Disserta sobre a norma inserta no art. 134 do Código Tributário Nacional, conquanto não tenha sido aplicado ao presente caso. Sobre o art. 135 do CTN, afirma que são dois os requisitos indispensáveis para sua aplicação: efetivo exercício da administração ou representação da sociedade e a infração de lei, contrato social e estatutos. Por fim, conclui que tais pressupostos não se verificam no presente caso, o que impede a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário constituído aos impugnantes. 38.18 Requer a realização de diligência e de perícia. Decerto, solicita que algumas pessoas sejam intimadas para prestar esclarecimentos e apresentar a escrita fiscal. Afirma que a oitiva de testemunha deve ser admitida no processo administrativo fiscal como meio de prova. Cita doutrina e o art. 418, inciso II, do Código de Processo Civil como fundamentos do pedido. 38.19 Requer a sua exclusão da condição de responsável. 39. O responsável solidário A & M Comércio, Exportação e Importação Ltda., por intermédio de seus sócios, também responsáveis solidários, Narciso Agrizzi, Idalino Agrizzi e Domingos Sávio Agrizzi, que tomaram ciência dos autos de infração lavrados em 29/11/2007 (fl. 10.835), apresentou impugnação em 26/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 12.016 a 12.060). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 39.1 Preliminarmente, alegam os impugnantes a nulidade dos autos de infração. Fundamentam seu pedido com fundamento no art. 11 do Decreto n° 70.235/1972, visto que não houve a autuação dos presentes impugnantes na lavratura dos autos de infração e tampouco a devida intimação para cumprir a exigência fiscal ou impugnála no prazo legal. 39.2 Em seguida, aduzem que parte do crédito tributário constituído, mais precisamente a parte imbricada com os fatos geradores verificados nos anoscalendário de 2001 e 2002, está extinta por força da decadência, haja vista o que dispõe o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 39.3 Tal raciocínio se aplica ao lançamento de IRPJ, bem como das contribuições sociais, visto que o art. 45 da Lei n° 8.212/1991 é inconstitucional. Cita jurisprudência, mais especificamente do Conselho de Contribuintes. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.097 29 39.4 Afirmam os contribuintes que o crédito tributário constituído está prescrito, visto que já se passaram mais de cinco anos da data estipulada para vencimento da obrigação tributária. Indicam, alem de decisões judiciais, o art. 173 do Código Tributário Nacional, como base legal do seu entendimento. 39.5 Asseveram ainda que, em decorrência das inúmeras dificuldades do comércio local de café, é costume que um funcionário de uma certa empresa produtora de café comercialize o produto produzido por empresa produtora de café diversa, auferindo assim pequenos lucros. 39.6 Solicitam também que se dê uma interpretação mais favorável da legislação em favor dos impugnantes, com fulcro nos arts. 112, inciso II, e 172, inciso V, do Código Tributário Nacional, em razão das peculiaridades do caso em comento. 39.7 Alegam, em seguida, que foi outorgada procuração e aberta conta bancária pelo Sr. Mário, mas não pelos presentes impugnantes. Afirmam ainda que a simples outorga de procuração não corresponde a gestão de negócios. 39.8 Asseguram que o mandante responde sim pelos atos praticados na compra e venda de mercadorias, mas jamais pela obrigação tributária decorrente de poderes que exorbitam os poderes conferidos. 39.9 Ademais, como a presente autuação decorre de conta bancária, devese expurgar todos os valores a título de empréstimos, de juros, taxas, etc., não sendo possível arbitrar qualquer lucro não considerando tais valores. 39.10 Garantem que realizaram operações de comércio com a Colina Verde Café, por meio das quais receberam títulos de crédito. Por outro lado, informam que realizaram negócios com terceiros, quando repassaram os títulos de créditos mencionados. Garantem ainda que não existe qualquer ilegalidade nessas operações. 39.11 Os impugnantes jamais tiveram o intuito de praticar qualquer crime, tendo apenas praticado atos de comércio. A mera presunção de omissão de receitas não acarreta, por si só, a aplicação da multa qualificada, já que não configura a intenção de fraude, e a caracterização de ilícito penal. 39.12 Os impugnantes trabalham no comércio de grãos, mas jamais praticaram atos de gestão ou obtiveram qualquer lucro, o que impede a aplicação do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), pois se não auferiam lucro, não possuíam qualquer interesse nos atos da Colina Verde ou de seu mandatário. 39.13 Quanto ao art. 135 do Código Tributário Nacional, aduzem que é fácil notar que sua aplicação depende da comprovação da ilegalidade ou do excesso de poderes, o que não ocorreu no caso ora posto em julgamento. 39.14 Informam que nos anos de 2000 a 2003, era prática comum no mercado de café que alguns pagamentos se realizassem por intermédio da apresentação de procurações, a depender da opção do vendedor. 39.15 Dissertam sobre a norma inserta no art. 134 do Código Tributário Nacional, conquanto não tenha sido aplicado ao caso. Sobre o art. 135 do Código Tributário Nacional, afirmam que são dois os requisitos indispensáveis para sua aplicação: efetivo exercício da administração ou representação da sociedade e a infração de lei, contrato social e estatutos. Por fim, concluem que tais pressupostos não se verificam no presente caso, o que impede a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário constituído aos impugnantes. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.098 30 39.16 Pugnam que a responsabilidade dos impugnantes, ao menos, seja limitada ao crédito tributário derivado das operações realizadas na conta n° 13.475, do Banco do Brasil S/A, ou seja, que não lhes sejam imputada responsabilidade por atos de terceiros. 39.17 Questionam o arbitramento do lucro feito pela fiscalização e solicitam que seja apurado o lucro de acordo com as regras do lucro real, já que procedeu à entrega da escrita contábil. Pedem que eventual mora decorrente de inadimplemento de tributos federias seja penalizada apenas em 20%, na forma do art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/1996. 39.18 Requerem a realização de diligência e de perícia. Decerto, solicitam que algumas pessoas sejam intimadas para prestar esclarecimentos e apresentar a escrita fiscal. Afirmam que a oitiva testemunha deve ser admitida no processo administrativo fiscal como meio de prova. Citam doutrina e o art. 418, inciso II, do Código de Processo Civil como fundamentos do pedido. 39.19 Requerem a produção de todas as provas admitidas em direito. 39.20 Requerem a sua exclusão da condição de responsável. 40. O responsável solidário Antonio Tadeu Calmon, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.830), apresentou impugnação em 26/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 12.148 a 12.185). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 40.1 Preliminarmente, pugna o impugnante pela nulidade dos autos de infração. Fundamenta o pedido com base no art. 11 do Decreto n° 70.235/1972, visto que não houve a autuação do presente impugnante na lavratura dos autos de infração e tampouco a devida intimação para cumprir a exigência fiscal ou impugnála no prazo legal. 40.2 Em seguida, aduz que parte do crédito tributário constituído, mais precisamente a parte imbricada com os fatos geradores verificados nos anoscalendário de 2001 e 2002, está extinta por força da decadência, haja vista o que dispõe o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 40.3 Tal raciocínio se aplica ao lançamento de IRPJ, bem como das contribuições sociais, visto que o art. 45 da Lei n° 8.212/1991 é inconstitucional. Cita jurisprudência, mais especificamente do Conselho de Contribuinte. 40.4 Aduz ainda o contribuinte que o crédito tributário constituído está prescrito, visto que já se passaram mais de cinco anos da data estipulada para vencimento da obrigação tributária. Indica, além de decisões judiciais, o art. 173 do Código Tributário Nacional, como base legal do seu entendimento. 40.5 Assevera ainda que, em decorrência das inúmeras dificuldades do comércio local de café, é costume que um funcionário de uma certa empresa produtora de café comercialize o produto produzido por empresa produtora de café diversa, auferindo assim pequenos lucros. 40.6 Solicita também que se dê uma interpretação mais favorável da legislação em favor do impugnante, com fulcro nos arts. 112, inciso II, e 172, inciso V, do Código Tributário Nacional, em razão das peculiaridades do caso em comento. 40.7 Assegura que o mandante responde sim pelos atos praticados na compra e venda de mercadorias, mas jamais pela obrigação tributária decorrente de poderes que exorbitam os poderes conferidos. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.099 31 40.8 Ademais, como a presente autuação decorre de conta bancária, devese expurgar todos os valores a titulo de empréstimos, de juros, taxas, etc., não sendo possível arbitrar qualquer lucro não considerando tais valores. 40.9 Afirma que jamais teve o intuito de praticar qualquer crime, tendo apenas praticado atos de comércio. Diz ainda que a mera presunção de omissão de receitas não acarreta, por si só, a aplicação da multa qualificada, já que não configura a intenção de fraude, e a caracterização de ilícito penal. 40.10 Informa que trabalha no comércio de grãos, mas jamais praticou atos de gestão ou obteve qualquer lucro, o que impede a aplicação do art. 124 do Código Tributário Nacional, pois se não auferia lucro, não possuía qualquer interesse nos atos da Colina Verde ou de seu mandatário. 40.11 Em relação ao art. 135 do Código Tributário Nacional, aduz que é fácil observar que sua aplicação depende da comprovação da ilegalidade ou do excesso de poderes, o que não ocorreu no caso ora posto em julgamento. 40.12 Informa ainda que nos anos de 2000 a 2003, era prática comum no mercado de café que alguns pagamentos se realizassem por intermédio da apresentação de procurações, a depender da opção do vendedor. 40.13 Disserta sobre a norma inserta no art. 134 do Código Tributário Nacional, conquanto não tenha sido aplicado ao caso concreto. 40.14 Já sobre o art. 135 do Código Tributário Nacional, afirma que são dois os requisitos para sua aplicação: efetivo exercício da administração ou representação da sociedade e a infração de lei, contrato social e estatutos. Por fim, conclui que tais pressupostos não se verificam no presente caso, o que impede a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário constituído ao impugnante. 40.15 Pugna que a responsabilidade do impugnante, ao menos, seja limitada ao crédito tributário derivado das operações realizadas na conta n° 13.475, do Banco do Brasil S/A, ou, com outras palavras, que não lhe seja imputada responsabilidade por atos de terceiros. 40.16 Questiona ainda o arbitramento do lucro feito pela fiscalização e solicita que seja apurado o lucro de acordo com as regras do lucro real, já que procedeu à entrega da escrita contábil. Pede que eventual mora decorrente de inadimplemento de tributos federias seja penalizada apenas em 20%, na forma do art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/1996. 40.17 Requer a realização de diligência. Decerto, solicita que algumas pessoas sejam intimadas para prestar esclarecimentos e para apresentar a escrita fiscal. Afirma ainda que a oitiva de testemunha deve ser admitida no processo administrativo fiscal como meio de prova. Cita doutrina e o art. 418, inciso II, do Código de Processo Civil como fundamentos do pedido. 40.18 Requer a produção de todas as provas admitidas em direito. 40.19 Requer a sua exclusão da condição de responsável. 41. Já os responsáveis solidários Ademar Valani, Sérgio Valani e Josemar Echar Valani, que tomaram ciência dos autos de infração mediante edital de 05/12/2007 (fls. 10.848, 10.849 e 10.850), apresentaram impugnação em 26/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 12.193 a 12.240). Alegam, em síntese, o que segue abaixo: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.100 32 41.1 Preliminarmente, pugnam pela nulidade dos autos de infração. Fundamentam o pedido com base no art. 11 do Decreto n° 70.235/1972, visto que não houve a autuação dos presentes impugnantes na lavratura dos autos de infração e tampouco a devida intimação para cumprirem a exigência fiscal ou impugnálas no prazo legal. 41.2 Em seguida, aduzem que parte do crédito tributário constituído, mais precisamente a parte imbricada com os fatos geradores verificados nos anoscalendário de 2001 e 2002, está extinta por força da decadência, haja vista o que dispõe o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 41.3 Tal raciocínio se aplica ao lançamento de IRPJ, bem como das contribuições sociais, visto que o art. 45 da Lei n° 8.212/1991 é inconstitucional. Cita jurisprudência, mais especificamente do Conselho de Contribuinte. 41.4 Aduzem ainda os responsáveis que o crédito tributário constituído está prescrito, visto que já se passaram mais de cinco anos da data estipulada para vencimento da obrigação tributária. Indicam, além de decisões judiciais, o art. 173 do Código Tributário Nacional, como base legal do entendimento. 41.5 Asseveram ainda que, em decorrência das inúmeras dificuldades do comércio local de café, é costume que um funcionário de uma certa empresa produtora de café comercialize o produto produzido por empresa produtora de café diversa, auferindo assim pequenos lucros. 41.6 Solicitam também que se dê uma interpretação mais favorável da legislação em favor dos responsáveis, com fulcro nos arts. 112, inciso II, e 172, inciso V, do Código Tributário Nacional, em razão das peculiaridades do caso em comento. 41.7 Alegam, em seguida, que foi outorgada procuração e aberta conta bancária pelo Sr. Alecsandro, mas não pelos presentes impugnantes. Afirmam que a simples outorga de procuração não corresponde à gestão de negócios. 41.8 Asseguram que o mandante responde sim pelos atos praticados na compra e venda de mercadorias, mas jamais pela obrigação tributária decorrente de poderes que exorbitam os poderes conferidos. 41.9 Ademais, como a presente autuação decorre de conta bancária, devese expurgar todos os valores a título de empréstimos, de juros, taxas, etc., não sendo possível arbitrar qualquer lucro não considerando tais valores. 41.10 Os impugnantes jamais tiveram o intuito de praticar qualquer crime, tendo apenas praticado atos de comercio. A mera presunção de omissão de receitas não acarreta, por si só, a aplicação da multa qualificada, já que não configura a intenção de fraude, e a caracterização de ilícito penal. 41.11 Os impugnantes trabalham no comércio de grãos, mas jamais praticaram atos de gestão ou obtiveram qualquer lucro, o que impede a aplicação do art. 124 do Código Tributário Nacional, pois se não auferiam lucro, não possuíam qualquer interesse nos atos da Colina Verde ou seu mandatário. 41.12 Quanto ao art. 135 do Código Tributário Nacional, aduzem que é fácil notar que sua aplicação depende da comprovação da ilegalidade ou do excesso de poderes, o que não ocorreu no caso ora posto em julgamento. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.101 33 41.13 Informam que nos anos de 2000 a 2003, era prática comum no mercado de café que alguns pagamentos se realizassem por intermédio da apresentação de procurações, a depender da opção do vendedor. 41.14 Dissertam sobre a norma inserta no art. 134 do Código Tributário Nacional, conquanto não tenha sido aplicado ao caso. Já sobre o art. 135 do Código Tributário Nacional, afirmam que são dois os requisitos indispensáveis para sua aplicação: efetivo exercício da administração ou representação da sociedade e a infração de lei, contrato social e estatutos. Por fim, concluem que tais pressupostos não se verificam no presente caso, o que impede a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário constituído aos impugnantes. 41.15 Pugnam que a responsabilidade dos impugnantes, ao menos, seja limitada ao crédito tributário derivado das operações realizadas na conta nº 13.475, do Banco do Brasil S/A, ou seja, que não lhes sejam imputada responsabilidade por atos de terceiros. 41.16 Questionam o arbitramento do lucro feito pela fiscalização e solicitam que seja apurado o lucro de acordo com as regras do lucro real, já que procedeu à entrega da escrita contábil. Pedem que eventual mora decorrente de inadimplemento de tributos federias seja penalizada apenas em 20%, na forma do art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/1996. 41.17 Requerem a realização de diligência. Decerto, solicitam que algumas pessoas sejam intimadas para prestar esclarecimentos e para apresentar a escrita fiscal. Afirmam ainda que a oitiva de testemunha deve ser admitida no processo administrativo fiscal como meio de prova. Citam doutrina e o art. 418, inciso II, do Código de Processo Civil como fundamentos do pedido. 41.18 Requerem a produção de todas as provas admitidas em direito. 41.19 Requerem a sua exclusão da condição de responsável. 42 O responsável solidário Sr. Silvino Faria Júnior, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.835), apresentou impugnação em 03/01/2008, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 12.254 a 12.268). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 42.1 Alega que a fiscalização fundamentou suas alegações com base em declarações prestadas e em fatos circunstanciais, inexistindo, porém, prova documental que ligue tais fatos ao impugnante. 42.2 Outrossim, a autoridade fiscal não individualizou as condutas do impugnante, para fins de imputação de responsabilidade tributária solidária. 42.3 A despeito da individualização de condutas, pretendeu o autuante, genérica e abstratamente, reportar os fatos descritos no item 2.4.3.16 do auto de infração como sendo descritivo de sua conduta, diferentemente dos demais responsáveis que tiveram a necessária individualização, o que causa estranheza e reflete a fragilidade da autuação. 42.4 Aduz que à luz da legislação vigente, não há sujeição passiva quando o terceiro é mero prestador de serviços contratado da empresa autuada, ou seja, corretor de café, nem tampouco permite que o mesmo seja apontado como gestor de fato da referida empresa. 42.5 Contata que o auto de infração, mais se assemelha a um inquérito policial de que a um lançamento tributário lavrado de oficio pela fiscalização tributária. Isso Fl. 148DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.102 34 porque a autoridade fiscal figurou mais como um acusador de condutas do que como agente técnico apurador de tributos. 42.6 Aduz que a fiscalização transpôs a sua função e determinou até as intenções volitivas de cada responsável, baseandose em diretrizes íntimas e desprovidas da prova real necessária. 42.7 Diz que, citando as páginas 144 e 145 do auto de infração, nunca movimentou conta corrente da empresa Colina Verde, nem tampouco assinava documentos relacionados às operações comerciais, nem mesmo cheques. 42.8 Ademais, assevera que ele não se encontra relacionado no rol das pessoas responsáveis em liberar valores para saque em conta corrente do banco Bradesco, descaracterizando sua imputação como gestor da empresa. 42.9 Informa ainda que era sócio da empresa que prestava serviços de corretagem de café, não tendo qualquer envolvimento a titulo de gestor com a empresa Colina Verde Café. 42.10 Declara que no depoimento do Marcelo Santos Machado, restou devidamente provado que não teve a participação do impugnante na indicação do mandatário da empresa Colina Verde Café. 42.11 Estranha o fato da fiscalização não ter questionado acerca do exsócio do impugnante, Sr. Josildo Schwambach Machado, ter envolvimento com o depoente na designação de mandatário. Questiona qual seria a razão. 42.12 Afirma que o depoente, o Sr. Marcelo Santos Machado, mantinha estreitos laços com o exsócio do impugnante, como comprova o fato do mesmo trabalhar até hoje junto à empresa GRV Corretora de Café Ltda. de propriedade de Josildo Schwambach Machado. 42.13 Referese a outro fato que mostra a inexistência de participação do impugnante, mais precisamente à declaração feita pelo depoente Marcelo Santos, ou seja, que recebia valores do Sr. Charles Paulo Bart como troca de favor pela movimentação na conta corrente da empresa Colina Verde junto ao Bradesco. Frisa também que o depoente nunca afirmou ter recebido qualquer benefício do impugnante. 42.14 Diferentemente do ex sócio da JMB, o Sr. Josildo Schwambach Machado, que continuou a manter relações laborais com o depoente Marcelo Santos, o impugnante nunca bonificou o referido depoente com favores além dos decorrentes da relação laboral mantida na JMB. 42.15 Vale registrar que não era o impugnante que mantinha o controle da empresa JMB. O ex sócio era o responsável perante o CNPJ da referida empresa, assumindo essa condição inclusive nas DIPJ da empresa JMB, o que denota sua condição preponderantemente de participação gerencial. 42.16 Observa que nem a funcionária da Agência do Banco Bradesco S/A ouvida nos autos, Fábia Mara Correa, mencionou qualquer participação do impugnante no gerenciamento e utilização da conta corrente. 42.17 Aduz que o comando decorrente do CTN informa a pessoalidade como primeiro pressuposto na responsabilização de terceiros. Em segunda etapa, estabelece a condição que enseja a respectiva responsabilidade, isto é, a conduta praticada pelo terceiro resultante de atos excessivos na gestão empresarial ou infracionários e violadores da lei ou instrumento da constituição da empresa. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.103 35 42.18 Vislumbra a existência de classificação da responsabilidade sob o aspecto intencional: responsabilidade objetiva ou subjetiva. Pela configuração da conduta do terceiro responsável pretendida pelo legislador tributário, tratase de responsabilidade subjetiva a qual determina a necessária configuração da intenção do representante empresarial. 42.19 Alega ainda que a inadimplência não pode, por si só, pressupor a intenção infracional da evasão fiscal. Entende que devem restar configurados os atos praticados com excessos de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. 42.20 Assegura que exercia tãosomente a atividade de corretagem de café, não possuindo qualquer outra vinculação com a empresa autuada Colina Verde Café. 42.21 Percebe que as alegações da autoridade autuante foram pautadas tão somente em depoimentos de outras pessoas também responsabilizadas pela exação. Tais pessoas teriam, a seu juízo, o desejo de se esquivar de seus atos e responsabilidades. 42.22 Portanto, não diz que há nenhum outro vínculo documental que ligue o impugnante ao esquema descrito pela fiscalização. Contudo, demonstram efetivamente que atuou como corretar de café. 42.23 Requer a sua exclusão da condição de responsável. A 7ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, tendo exonerado parte do crédito tributário constituído, recorreu de ofício a este Colegiado administrativo. O referido julgado foi assim ementado: PROVA DOCUMENTAL. JUNTADA DEPOIS DA IMPUGNAÇÃO. A produção de prova documental deve ser realizada na fase de impugnação. Decerto, a aceitação posterior de documentos só poderá ocorrer se for devidamente observada uma das hipóteses previstas no art. 16, §4°, do Decreto n° 70.235/1972. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, bem como de perícia, quando forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. PARCELAMENTO EXCEPCIONAL. A adesão ao parcelamento excepcional de que trata a MP n° 303, de 2006, produz efeitos legais somente em relação aos débitos efetivamente incluídos na opção, observado o cumprimento das formalidades e dos prazos estabelecidos na legislação de regência. PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Comprovado que o auto de infração foi formalizado com obediência a todos os requisitos previstos em lei e que não se verificam nos autos nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972, descabem as alegações do interessado. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.104 36 DIREITOS AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. A oportunidade de exercitar o direito ao contraditório e à ampla defesa se abre a partir da ciência do auto de infração, com a possibilidade de apresentação de impugnação ao lançamento. Até então, a ação fiscal é procedimento inquisitório. IRPJ. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a formalização do crédito tributário é determinado aplicandose a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A ação para cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos contados da data da sua constituição definitiva, a qual ocorre somente após esgotaremse todos os recursos administrativos. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui mera transferência à administração tributária, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações, até porque assim dispõe a legislação sobre o tema. LUCRO PRESUMIDO. OBRIGATORIEDADE DO LIVRO CAIXA ARBITRAMENTO DO LUCRO. Todo contribuinte que opta por apurar o Imposto de Renda com base no lucro presumido, se não mantiver escrituração comercial, deverá ter o Livro Caixa, no qual esteja escriturada a movimentação financeira, inclusive bancária. Portanto, se o Livro Caixa não é disponibilizado a fiscalização, cabe o arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, depois de intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS. As notas fiscais emitidas fazem prova da realização do negócio jurídico e são hábeis para dar suporte à apuração das receitas auferidas. SÓCIO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.105 37 Uma vez comprovado por farta documentação nos autos que os sócios que figuram no quadro social do interessado são interpostas pessoas ("laranjas") e que quem administra, movimentando, inclusive, recursos em contas bancárias, são terceiras pessoas, estas, para os efeitos previstos no artigo 135, inciso III, do CTN, são sócias de fato do interessado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem, com fulcro no que determina o art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional Lei n° 5.172 de 1966, pessoalmente pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. JUROS MORATÓRIOS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. A Lei n° 9.065/1995 e os demais dispositivos legais que estabelecem a aplicação de juros morat6rios com base na Taxa Selic, em relação aos débitos não pagos até o vencimento, foram inseridos legitimamente no ordenamento jurídico nacional. Portanto, não compete aos órgãos administrativos questionar sua aplicação. MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa moratória é devida sempre que o contribuinte procede ao pagamento do tributo espontaneamente, mas de forma extemporânea. Quando há necessidade do lançamento de oficio, é devida a multa de 75% ou de 150%, nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, com a redação fornecida pela Lei n° 11.488/2007. MULTA QUALIFICADA DE 150%. (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO). A ocultação de volumosa movimentação de recursos financeiros de origem não comprovada efetuada em diversas contas bancárias; a não declaração, na DIPJ, das receitas de vendas auferidas, e/ou a declaração de receitas de vendas irrisórias comparativamente aos recursos depositados; a utilização de notas fiscais de terceiros e de notas fiscais frias, são condutas dolosas adotadas pelo autuado, cujo quadro social é composto por interpostas pessoas ("laranja"), que evidenciam o intuito fraudulento, sendo cabível, desta maneira, a aplicação de multa qualificada de 150%. O recurso de ofício interposto pela Turma Julgadora de primeira instância decorreu do reconhecimento de caducidade do direito de a Fazenda constituir créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2001, ex vi do disposto no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. Inconformados com a manutenção parcial dos lançamentos tributários, impetraram recurso voluntário: Leonora Andrade Seixas Zanotti (fls. 12.496/12.528); Sérgio Stuhr, Selenne Berger Stuhr e Wanderley Stuhr (fls. 12.529/12.637); Ademar Valani, Sérgio Valani e Josemar Valani (fls. 12.765/12.819); Theodoro Antônio Zanotti (fls. 12.820/12.852); Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.106 38 José Ildo Henrique Fiorotti (fls. 12.855/12.895); Silvino Faria Junior (fls. 12.896/12.903); Josildo Schwambach Machado (fls. 12.905/12.941; Antônio Tadeu Calmon (fls. 12.942/12.993); e A & M Comércio, Exportação e Importação Ltda., juntamente com Narciso Agrizzi, Idalino Agrizzi e Domingos Sávio Agrizzi. Theodoro Antônio Zanotti e Leonor Andrade Seixas aditaram razões aos recursos por meio dos documentos de fls. 13.038/13.049 e 13.051/13.059. Em que pese o protesto de alguns pela decretação da nulidade da decisão exarada em primeira instância sob o pressuposto de ausência de enfrentamento da totalidade dos questionamentos trazidos pelas peças iniciais de defesa, os recursos voluntários apresentados, em apertada síntese, alinhamse à linha argumentativa das impugnações apresentadas anteriormente. É o Relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.107 39 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Diante da natureza da argumentação expendida pela recorrente e de disposições regimentais vigentes, aprecio, em primeiro lugar, a possibilidade de prosseguimento do julgamento submetido a este Colegiado. Para tanto, sirvome do laborioso estudo efetuado pelo ilustre Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, o qual transcrevo a seguir. Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está questão inerente ao acesso dos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.108 40 Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 543B, do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.109 41 § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.110 42 “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.111 43 tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 ...... § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.112 44 da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314 RG/SP. No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf. Acolhendo, por inteiro, a conclusão esposada no estudo acima reproduzido, conduzo meu voto no sentido de SOBRESTAR os presentes autos, nos termos do disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 62 A do Regimento Interno. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
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Numero do processo: 10845.003922/93-17
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 1996
Numero da decisão: 301-01.026
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ISALBERTO ZAVÃO LIMA
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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 25 de abril de 1996 MOACY~ROS Presidente ~(t ;ç;Á/V ISALBERTO ZAVAO LIMA Relator 4 PROCURADOR DA FAZENDA I IO,NA.k []v{. fO'" 1,ve I~"do l Nac\onal VISTA EM OU -' 19[16Duít aelUO oa •••• n••, O \ ~ ~ procurador Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros MARCIA REGINA MACHADO MELARÉ, JOÃO BAPTISTA MOREIRA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RUIZ DAMASCENO e LUIZ FELIPE GALV ÃO CALHEIROS Ausente'a Conselheira: MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO . ,i tmc MINISTÉRJO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 117.188 301-1026 CIBA GEIGY QUÍMICA S/A DRF-SANTOS/SP ISALBERTO ZAVÃO LIMA RELATÓRIO •.' • .' O Auto de Infração foi lavrado contra a CIBA-GEIGY QUÍMICA S.A. (fls. 01), sob a alegação de que esta desembaraçou o produto TINOVETIN B, classificado no subitem tarifário TAB/SH 2904.10.9900, com alíquota de 0% (zero por cemo) para I.P.I.. Entretanto, com o resultado da análise do produto supra realizada pelo Laboratório de Análises (fls. 16), verifica-se que o posicionamento tarifário correto é o subitem TAB/SH 3402.19.0000, com alíquota de 15% (quinze por cento) para o I. P. I. , em conseqüência de tal fato houve insuficiência de recolhimento do I.P.1. Desse modo, o ora Recorrente violou os artigos 99, 100 e 499, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nO 91.030/85 e os artigos 57 e 63, I, alínea "a", do Regulamento do I.P.I., aprovado pelo Decreto nO 87.981/82, tendo, portanto. obrigação a recolher o imposto com os acréscimos legais e suportando a sanção prevista no artigo 364, 11, do Regulamento do I.P.1. Nas fls. 10 a 12, a Autuada apresentou Impugnação, tendo alegado que o produto importado é um ácido naftalenossulfônico, derivado do sulfonado do hidrocarboneto, e por isso, tem sua posição prevista no número 2904, letra "e" da NESH (Decreto nO 435/92). Diz, ainda, que o produto é de composição química definida, pois apresenta 2 (dois) radicais buti!, mais naftaleno e radical 503. Portanto, tem-se dibuti!-naftalenosulfonato de sódio-técnico. E, ao final, requer a improcedência do Auto de Infração. Às fls. 17, o A.F.T.N. ratifica os termos do A.1. e acrescenta que o produto importado é uma preparação tensoativa à base de mistura de compostos orgânicos derivados de butil-nafta-lenosulfonato de sódio e sulfato de sódio. Afirma, também, que no Laudo de Análises, no item tensão superficial da solução aquosa à 0,5 % da mercadoria a 20° C (Método do Anel) apresenta o valor 33,4 dinas/cm. E que nas "Notas Explicativas do S.H. da posição 34.02 (agentes orgânicos de superfície, preparações tensoativas, preparações para lavagem e preparações para limpeza) afirmam que os produtos que não são suscetíveis de reduzir a tensão superficial da água destilada à 4,5 x 10 .2 M/m (45 dym/cm) ou menos, êom a 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA., RECURSO NORESOLUÇÃO N° 117.188301-1026 •., •.' .: concentração e 0,5 % à temperatura de 20° C, não se consideram agentes de superfície e excluem-se desta posição". Ao final, opina pela manutenção do AJ .. Nas fls. 18 a 23, o AFTN, Dulvar da Costa Muniz, apresenta Parecer opinando pela procedência do A.I.. E às fls. 24, o chefe da SECPJE, Henrique O. Marconi concorda com o parecer mencionado acima. A Ação Fiscal foi julgada procedente, conforme consta nas fls. 25. A Autuada, irresignada com a decisão que lhe foi desfavorável, interpôs, nas fls. 28 a 30 recurso, onde alega que a análise realizada pelo LABANA, em seu Laudo nO 934, é equivocada, vez que no processo de síntese do dibutilnafalenosulfanato jamais foi adicionado o sulfato de sódio. E reitera suas alegações, respaldando-as no Parecer do l.P. T (fls. 32 e 33) e diz mais uma vez, que o produto importado tem composição química definida, e, por conseguinte, a decisão recorrida deverá ser reformada. 3 , ; MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 117.188 301-1026 VOTO • •• .:, No processo mencionado acima, existe o Laudo de Análise do LABANA, que concluiu ser o produto importado uma preparação tensoativa à base de mistura de compostos orgânicos derivados de Butil-Naftalenossulfonato de Sódio e Sulfato de Sódio (fls. 16). Entretanto, às fls. 32 e 33, consta o Parecer do LP.T., sobre classificação do produto supra para fins aduaneiros, que conclui no sentido de que o produto "Tinovetin B" deve ser classificado no Código 29.03.99.00, da Tarifa Aduaneira do Brasil. À vista dos fundamentos argüidos pelos litigantes, voto pela conversão do julgamento em diligência junto ao INT, através da Repartição de Origem, para que sejam respondidos os quesitos infra, intimando ambas as partes para que, caso desejem, apresentem os quesitos de seu interesse na matéria: 1- Qual a composição química do" TINOVETIN B"? 2- O "TONOVETIN B" é o Dibutilnaftalenossulfonato de Sódio? 3- Existe sulfato de sódio na composição química do "TINOVETIN B"? 4- O "TINOVETIN B" tem composição química definida? Por que? Sala das Sessões, em 25 de abril de 1996 -A[tt=-6~ ISALBERTO ZAVÃO LIMA - RELATOR 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000141/2003-90
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
Nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias da data da ciência da decisão de primeira instância. Não observado o preceito, não se conhece do recurso por intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3101-000.210
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS j TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO e. Processo n° 11516.000141/2003-90 Recurso n° 140.194 Voluntário Acórdão n° 3101-00.210 — P Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2009 Matéria COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS Recorrente USATI ADM. DE BENS E PART. SOCIET. LTDA. Recorrida DRS-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 Nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias da data da ciência da decisão de primeira instância. Não observado o preceito, não se conhece do recurso por intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres - Presidente 4/9-17' 4" ~á- Albuquerque aleóte - Relatora EDITADO EM 28/12/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campeio Borges, Corintho Oliveira Machado Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório proferido pela autoridade julgadora de primeira instância, o qual passo a transcrevê-lo: "O estabelecimento acima qualificado protocolizou em 21 de janeiro de 2003, na Delegacia da Receita Federal (DRF) em Florianópolis/SC, fonnulario(s) de Declaração de Compensação (DCOMP), com o(s) respectivo(s) formulário(s) anexo(s) "Créditos decorrentes de decisão judicial", para compensar seus débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no valor total de R$ 12.446,22, com crédito de terceiro, decorrente do Mandado de Segurança na 2001.5101006335-5, impetrado por Refinadora Catarinense S/A, contra o então Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro/RJ, perante a 3 Vara Federal daquela cidade. Na(s) refericla(s)DCOMP(s), foi citado, corno origem do crédito, o Processo e 13706.000745/2002-43, também em nome de Refinadora Catarinense S/A. Tanto no verso da(s) DCOMP(s) referida(s) no item precedente, quanto no verso do(s) seu(s) formulário(s) anexo(s), consta Informação prestada pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) no Rio de Janeiro, firmada, inclusive, pelo titular daquela unidade, no seguinte sentido: "O contribuinte REFINADORA CATARINENSE S/A, CNPJ n" 86.151.586/0001-00, através do Processo Administrativo 13706.000745/2002-43, faz jus ao crédito do IN relativo a ',numas utilizados na fabricação de produtos exportados pleiteado com base no Decreto-Lei na 491/69, conforme Decisão Judicial proferida nos Autos do MS n 2001.5101006335-5. Atendendo ao Requerido, está sendo transferida nesta data a débito desse crédito a importância de R$ (..) a favor do contribuinte USA TI ADM. DE BENS E PART. SOCIETÁRIAS LTDA., CNPJ 75.545.15210001-79, para sua utilização na quitação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, conforme a determinação judicial supram encio nada. Observação: O Adquirente do crédito deverá apresentar na Unidade da SI2F da sua jurisdição os formulários 'Créditos Decorrentes de Decisão Judicial' e Declaração de Compensação' para efeito da formalização do respectivo processo. '(os destaques são do original) Nas /Is. 17 a 20, foi juntada cópia da decisão proferida no citado Mandado de Segurança n a 2001.5101006335-5, em 16 de maio de 2001, pela qual a meritíssima Juiza Federal Substituta da 3" Vara Federal do Rio de Janeiro deferiu a liminar requerida por Refinadora Catarinense S/A, "para que prevaleçam, em relação à A 2 • Processo n°11516.000141/2003-90 83-CITI Acórdão n°3101-00.210 Fl. 217 impetrante, e ate o julgamento final do presente, os efeitos jurídicos dos artigos 1° e 5 Q de Decreto (sie) 491/69, •reconhecendo o direito ao crédito de IPI apurado por tal sistemática, e a sua utilização conforme o determinado pelas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal de nrs. 21/97, 73/97 e 37/97, bem como pelo parágrafo I. do artigo 39 da Lei 9532/97". Na mesma decisão, constou: 'Pica, outrossim, impedida a autoridade fiscal de promover qualquer ato coativo ou impeditivo de direito do impetrante, em razão da medida deferida, até ulterior decisão do Juízo". Nas fls. 21 a 36, foi juntada cópia da sentença prolatada no Mandado de Segurança n" 2001.5101006335-5, em 21 de agosto de 2001, pela meritíssima Juiza Federal titular da 3' Vara Federal do Rio de Janeiro, sendo que o dispositivo da sentença é transcrito a seguir: "Posto isso, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO E CONCEDO Á SEGURANÇA, confirmando integralmente a liminar anteriormente concedida pelo Juizo e reconhecendo, pois, à impetrante o direito ao crédito de 'PI, relativo às operações promovidas no período indicado, com base na legislação de regência, com os expurgos inflacionários havidos no período, pacificamente reconhecidos pelo STF e acrescido de SELIC, nos termos dos arts. 3 L e 5' da IN/SRF 21/97, sendo-lhe assegurada a sua utilização de acordo e nas hipóteses prescritas nas IN/SRE 21/97, 37/97 e 73/97, amparadas pelos artigos 1 2 e 5° do Decreto-Lei'? 491, de 5.3.69," A sentença mencionada relata que o pedido do impetrante se refere "às operações promovidas nos últimos dez anos". Na fundamentação da respeitável sentença, a magistrada consignou que o Ato Declaratório SRF ri" 31, de 30 de março de 1999, e a Instrução Normativa SRF ri2 41, de 7 de abril de 2000, "mostram-se descompassados com os princípios da legalidade tributária e da limitação do poder regulamentar”. A sentença em questão transcreveu os atos citados no item precedente, ficando explicito que, pelo AD SRF ri° 31, de 1999,o crédito-prêmio, instituído pelo Decreto- lei ng 491, de 1969, não se enquadra nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação, previstas na Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, alterada pela IN SRF n" 73, de 15 de setembro de 1997, e que, pela IN SRF ri2 41, de 2000, restou vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros, com a ressalva que é mencionada na referida IN, mas não vem ao caso. Na fl. 37, consta extrato de consulta ao sitio na rede mundial de computadores (Internet), do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2a Região, sediado no Rio de Janeiro, dando conta da existência da Apelação em Mandado de Segurança (AMS) 2002.02.01.006657-7, interposta pela Fazenda Nacional, contra a sentença proferida no Mandado de Segurança ri' 2001.5101006335-5. Retornando à tramitação do presente processo administrativo, cumpre relatar que foi elaborada a Informação Fiscal das fls. 38 a 42, opinando (a) pela declaração de 3 \-_111 C5: nulidade dos despachos constantes do verso das DCOMPs e dos seus formulários anexos e (b) pela não-homologação das compensações declaradas pelo interessado. Em seguida, foi proferido o Despacho Decisório das fls. 43 a 45, pelo Delegado da Receita Federal em Florianópolis, que acolheu as proposições antes referidas e determinou a cobrança dos débitos indevidamente compensados. As razões de decidir vêm sintetizadas na seqüência.• Inicialmente, o despacho referido no item precedente ressaltou que a decisão favorável ao estabelecimento Refinadora Catarinense S/A, no Mandado de Segurança ri° 2001.5101006335-5, não é definitiva. Em segundo lugar o Despacho Decisório explicou que a sentença que havia reputado ilegal a proibição da IN SRF n° 41, de 2000, de compensar débitos com créditos de terceiros, perdeu eficácia, nessa parte, após 1° de outubro de 2002, data em que passou a surtir efeitos o art. 49 da Medida Provisória ri° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei ré' 10.637, de 30 de dezembro de 2002, dispositivo que, ao dar nova redação ao art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, desautoriza compensações de débitos do sujeito passivo, com créditos de terceiros. Por último, o Despacho Decisório asseverou que os despachos proferidos no verso das DCOMPs e dos seus formulários anexos, pela Derat no Rio de Janeiro, estão eivados de ilegalidade, motivo pelo qual os declarou nulos. Em seguida, após a devida ciência do Despacho Decisório prolatado neste processo, segundo consta na tl. 47, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, das fls. 48 a 63, no devido prazo, firmada por procurador, com mandato na fl. 137, e instruída com documentos, alegando, em síntese, o que segue. Preliminarmente, o interessado alega nulidade do Despacho Decisório, dizendo que o Delegado da Receita Federal em Florianópolis não tem competência para anular os despachos do Delegado de Administração Tributária do Rio de Janeiro. Cita e transcreve legislação que julga pertinente. Reportando-se à IN SRF n° 21, de 1997, cuja observância afirma decorrer das decisões judiciais no Mandado de Segurança ri° 2001.5101006335-5, o requerente sustenta que ingressou com pedidos de compensação, na Derat no Rio de Janeiro, porque essa era a repartição jurisdicionante do estabelecimento detentor dos créditos, sendo que, na repartição que jurisdicionava o titular dos débitos (ORE em Florianópolis), seria protocolada apenas uma via do pedido, com o caráter exclusivo de comunicado. Passando ao mérito da contestação, o requerente argumenta que, para dar cumprimento às decisões judiciais proferidas no Mandado de Segurança 'IQ 2001.5101006335- 5, a Derat no Rio de Janeiro quantificou os créditos do estabelecimento Refmadora Catarinense S/A, nos Processos n°=- 13706.000714/2001-10 e 13706.000745/2002-43, inclusive glosando valores que entendeu indevidos, e autorizou as compensações, com débitos do interessado. Diz a manifestação de inconformidade que a decisão judicial não perdeu sua eficácia, após a edição da Medida Provisória n° 66, de 2002, porque não foi modificada pela autoridade judicial que a prolatou, nem por outra de instância superior, estando em pleno vigor, inclusive no que tange à liminar, que impede a autoridade fiscal de promover qualquer ato coativo ou impeditivo do direito do impetrante, em razão da medida deferida. 4 Processo n° 11516.000141/2003-90 S3-CIT1 Acórdão n.° 3101-00.210 Fl. 218 Na seqüência, o interessado defende o cabimento dos créditos de que tratam os tis. 122 e 52 do Decreto-lei n"- 491, de 1969, e também a sua compensação com débitos de terceiros, sob pena de os referidos dispositivos virarem letra morta. Alega o requerente que, quando da entrada em vigor da alteração promovida pela Medida Provisória n2 66, de 2002, o detentor dos créditos já possuía direito adquirido, no que se refere à compensação do seu crédito-prêmio, com débitos de terceiros, acrescentando que a lei restritiva de direitos só pode alcançar fatos pretéritos nas hipóteses previstas no art. 106 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), que não se verificam nos autos. Por último, o interessado requer (a) a decretação da nulidade do despacho decisório hostilizado, ou, alternativamente, (b) o cancelamento desse despacho." A 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre — RS, ao apreciar as razões aduzidas na manifestação de inconformidade, indeferiu o pleito do contribuinte, conforme Decisão DRI/P0A N.° 10-12.090, de 18 de maio de 2007, fis. 153/161, assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 DISPOSIÇÃO LEGAL IMPEDITIVA DE COMPENSAÇÕES COM CRÉDITOS DE TERCEIROS, Desde I° de outubro de 2002, por força da Lei n 10.637, de 2002, não é admitida a compensação de débitos do sujeito passivo, com créditos de terceiros, ficando prejudicadas as compensações declaradas a partir daquela data, mesmo que com suporte em decisões judiciais provisórias, que haviam admitido compensações da espécie, contrariamente à proibição da IN SRF ti' 41, de 2000, decisões que, para piorar a situação do declarante das compensações, foram recentemente reformadas pelo Poder Judiciário. Solicitação Indeferida" Ciente da decisão de P Instância, a Contribuinte, em 13 de setembro de 2007, interpôs Recurso Voluntário (fis. 166/197), no qual argúi, inicialmente, a nulidade do Acórdão proferido pela DRJ/P0A N.° 10-12.090, por inobservância ao devido processo legal, ampla defesa e ao principio da motivação das decisões. No mérito, reitera os argumentos da peça inicial, sustenta a legitimidade do crédito compensado, requerendo, ao final, a reforma da decisão recorrida. É o Relatório. t.otj Voto • Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, Relatora Conforme se verifica, das peças processuais do presente processo, a Recorrente foi cientificada em 09 de agosto de 2007 do acórdão DRJ/POA c° 10-12.090, todavia, somente interpôs recurso voluntário a este Conselho em 13 de setembro de 2007. Com efeito, analisando o disposto no artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que trata do prazo para apresentação de recurso contra a decisão de primeira instância, tem-se: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes á ciência da decisão". No que concerne a contagem do prazo, estabelece o art. 5° do mesmo diploma legal, in verbis: "Art. 5 0 Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Logo, considerando que, na hipótese dos autos, o trigésimo dia contado a partir de 10/08/2007 caiu no sábado, dia 08/09/2007, o termo ad quem para interposição do presente recurso ocorreu em 10/09/2007, uma segunda-feira, a partir do qual a decisão a quo tomou-se definitiva, nos termos do art. 42 do Decreto n° 70.235/72, que assim dispõe: "Art. 42. São definitivas as decisões: I — de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; ". Aliás, à fl. 213 já consta despacho informando que o recurso é intempestivo, razão pela qual manifesto-me pelo não conhecimento do mesmo. V essa buquer0Mlente
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Numero do processo: 10882.721137/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REVENDA DE MERCADORIAS. MONOFASIA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
No regime monofásico, a carga tributária concentra-se numa única fase, sendo suportada por um único contribuinte, não havendo cumulatividade a se evitar. Na técnica não cumulativa, por sua vez, a carga tributária é diluída em operações sucessivas (plurifasia), sendo suportada por cada elo (contribuinte) da cadeia produtiva, havendo direito a abater o crédito da etapa anterior. Não há que se falar em ofensa ao princípio da não-cumulatividade quando a tributação se dá de forma monofásica, pois a existência do fenômeno cumulativo pressupõe a sobreposição de incidências tributárias.
BENEFÍCIO FISCAL. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
O benefício fiscal previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, em razão da especialidade, não derrogou as leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como não desnaturou a estrutura do sistema de créditos estabelecida pelo legislador para a materialização do princípio da não cumulatividade, quanto à COFINS e à contribuição ao PIS.
Numero da decisão: 3402-009.633
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidas as conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renata da Silveira Bilhim e Thais de Laurentiis Galkowicz, que davam provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-009.629, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10882.721130/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luís Cabral, substituído pelo conselheiro Marcos Antônio Borges.
Nome do relator: Lázaro Antônio Souza Soares
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REVENDA DE MERCADORIAS. MONOFASIA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No regime monofásico, a carga tributária concentra-se numa única fase, sendo suportada por um único contribuinte, não havendo cumulatividade a se evitar. Na técnica não cumulativa, por sua vez, a carga tributária é diluída em operações sucessivas (plurifasia), sendo suportada por cada elo (contribuinte) da cadeia produtiva, havendo direito a abater o crédito da etapa anterior. Não há que se falar em ofensa ao princípio da não-cumulatividade quando a tributação se dá de forma monofásica, pois a existência do fenômeno cumulativo pressupõe a sobreposição de incidências tributárias. BENEFÍCIO FISCAL. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. O benefício fiscal previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, em razão da especialidade, não derrogou as leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como não desnaturou a estrutura do sistema de créditos estabelecida pelo legislador para a materialização do princípio da não cumulatividade, quanto à COFINS e à contribuição ao PIS. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidas as conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renata da Silveira Bilhim e Thais de Laurentiis Galkowicz, que davam provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-009.629, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10882.721130/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luís Cabral, substituído pelo conselheiro Marcos Antônio Borges. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 11 37 /2 01 1- 38 Fl. 979DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-009.633 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721137/2011-38 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a crédito de PIS/Pasep. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: (1) Pessoa jurídica que, na espécie, atua no ramo de venda por atacado de produtos farmacêuticos, de perfumaria, higiene pessoal e de toucador, sujeitos ao modelo monofásico de incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, não pode, tendo em vista expressa vedação legal, apurar créditos relativos às despesas de frete na venda dos aludidos produtos, ainda que os fretes tenham sido por ela suportados; (2) As referências a entendimentos proferidos em acórdãos de 2ª instância administrativa, em decisões judiciais, ou em manifestações da doutrina especializada não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento; (3) É ônus do contribuinte demonstrar, a partir de documentos hábeis e idôneos, quais os valores de despesa com frete na venda de mercadorias que estariam sujeitos à incidência não cumulativa das contribuições PIS e Cofins, segregados das despesas relacionadas à venda de produtos sujeitos à incidência concentrada/monofásica; Descabida a alegação de erro no rateio adotado pela fiscalização, quando o interessado não aponta os valores corretos que deveriam ser utilizados nesse sentido; (4) O pedido de diligência deve assentar-se em razões convincentes, logrando a impugnante demonstrar os pontos de discordância entre o levantamento fiscal e os fatos registrados em sua contabilidade. Se a empresa não anexa aos autos os elementos de prova que alega dispor, e não justifica o motivo que o impediu de adotar tal procedimento, revela-se protelatório o pedido de diligência. Cientificado do acórdão recorrido, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, pelo qual pediu pela reforma da decisão recorrida, para julgar procedente o Pedido de Ressarcimento formulado, homologando as declarações de compensação vinculadas. É o relatório. Fl. 980DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-009.633 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721137/2011-38 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 Quanto ao conhecimento do Recurso Voluntário do contribuinte, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: Pressupostos legais de admissibilidade O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Quanto ao mérito, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com as vênias de estilo, em que pese o, como de costume, muito bem fundamentado voto da Conselheiro(a) Relator(a), ouso discordar quanto à sua decisão de dar provimento ao Recurso Voluntário. Explico. A lide versa sobre 3 questões: a) a possibilidade de apurar créditos em relação aos dispêndios com fretes na revenda de produtos sujeitos ao regime monofásico; b) a possibilidade de apurar créditos em relação aos dispêndios com a aquisição de produtos sujeitos ao regime monofásico para posterior revenda; c) o uso de aferição indireta para quantificar os fretes que não se relacionam a produtos sujeitos a tributação monofásica. Apesar da irresignação do contribuinte, o fato é que o Supremo Tribunal Federal já se manifestou em sentido diametralmente oposto, conforme Ag. Reg. no Recurso Extraordinário 762.892-PE, Relator Min. LUIZ FUX, publicação em 15/04/2015: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDA COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. A CUMULATIVIDADE PRESSUPÕE A SOBREPOSIÇÃO DE INCIDÊNCIAS TRIBUTÁRIAS. LEIS Nº 10.637/2002, 10.833/2003 E 11.033/2004. INTERPRETAÇÃO DE NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS. OFENSA REFLEXA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 1. Não há que se falar em ofensa ao princípio da não-cumulatividade quando a tributação se dá de forma monofásica, pois a existência do fenômeno cumulativo pressupõe a sobreposição de incidências tributárias. Precedente: RE 258.470, Rel. Min. Moreira Alves, Primeira Turma, DJ de 12/5/2000. 1 Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 981DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-009.633 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721137/2011-38 2. O aproveitamento de créditos relativos à revenda de veículos e autopeças adquiridos com a incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS sob o regime monofásico encerra discussão de índole infraconstitucional, de forma que eventual ofensa à Constituição seria meramente reflexa. Precedentes: RE 709.352-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJe de 11/6/2014; e RE 738.521-AgR, Rel. Min. Rosa Weber, Primeira Turma, DJe de 4/12/2013. 3. In casu, o acórdão recorrido extraordinariamente assentou: “TRIBUTÁRIO - PIS E COFINS - NÃO-CUMULATIVIDADE - COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS – SISTEMA MONOFÁSICO - PRINCÍPIO DA LEGALIDADE - LEIS 10.637/02, 10.833/03 E 11.033/04 - APELAÇÃO IMPROVIDA.” 4. Agravo regimental DESPROVIDO. (...) V O T O O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX (RELATOR): A presente irresignação não merece prosperar. Em que pesem os argumentos expendidos no agravo, resta evidenciado das razões recursais que a agravante não trouxe nenhum argumento capaz de infirmar a decisão hostilizada, razão pela qual a mesma deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Com efeito, o Tribunal de origem assentou que a recorrente está inserida em cadeia produtiva em que a incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS se dá de forma monofásica, o que inviabiliza a pretensão de aproveitamento de créditos nos moldes do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, por força do disposto nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Entendimento diverso demandaria a interpretação da legislação infraconstitucional supracitada, de forma que eventual ofensa à Constituição Federal seria meramente indireta, o que inviabiliza o apelo extremo. (...) Por outro lado, partindo da premissa de que a tributação se dá de forma monofásica, não há que se falar em ofensa ao princípio da não- cumulatividade, pois a existência do fenômeno cumulativo pressupõe a sobreposição de incidências tributárias dentro de uma mesma cadeia produtiva. Nesse sentido, RE 258.470, Rel. Min. Moreira Alves, Primeira Turma, DJ de 12/5/2000, assim ementado: “Contribuição social. Constitucionalidade do artigo 1º, I, da Lei Complementar nº 84/96. (...) - Nessa decisão está ínsita a inexistência de violação, pela contribuição social em causa, da exigência da não-cumulatividade, porquanto essa exigência - e é este, aliás, o sentido constitucional da cumulatividade tributária - só pode dizer respeito à técnica de tributação que afasta a cumulatividade em impostos como o ICMS e o IPI - e cumulatividade que, evidentemente, não ocorre em contribuição dessa natureza cujo ciclo de incidência é monofásico -, uma vez que a não-cumulatividade no sentido de sobreposição de incidências tributárias já está prevista, em caráter exaustivo, na parte final do mesmo dispositivo da Fl. 982DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-009.633 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721137/2011-38 Carta Magna, que proíbe nova incidência sobre fato gerador ou base de cálculo próprios dos impostos discriminados nesta Constituição. - Dessa orientação não divergiu o acórdão recorrido. Recurso extraordinário não conhecido.” A respeito da hipótese específica dos autos, confira-se o RE 676.962, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe de 1/7/2014. Ex positis, NEGO PROVIMENTO ao agravo regimental. No mesmo sentido, o Recurso Extraordinário 676.962/RS, Relator Min. GILMAR MENDES, publicação em 01/07/2014: Decisão: Trata-se de recurso extraordinário interposto com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, no qual se alega violação do artigo 195, §12º, da Constituição da República, pelo acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O acórdão recorrido assim assentou, no que interessa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. DIREITO AO CREDITAMENTO EM REGIME NÃO CUMULATIVO SUJEITO À INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. ALCANCE DO ART. 17 DA LEI Nº 11.033/04. RESTRITO AO REPORTO.” (fl. 736) Nas razões recursais, sustenta-se que a parte recorrente teria direito ao creditamento referente ao PIS e Cofins, uma vez que os produtos estão sujeitos à incidência monofásica e são comercializados com alíquota zero. A Presidência do TRF-4 admitiu o recurso por vislumbrar todos os recursos de admissibilidade. É o relatório. Decido. Inicialmente, em relação à incidência monofásica, o tribunal de origem assim assentou: “3. Cuidando de tributação monofásica, desaparece o pressuposto fático necessário para a adoção da técnica do creditamento, que é a possibilidade de incidências múltiplas ao longo da cadeia econômica, não se podendo falar, portanto, em cumulatividade.” (fl. 736) Nessa linha, o entendimento do acórdão recorrido não destoa da jurisprudência desta Corte, que se firmou no sentido de que a cumulatividade não ocorre nas contribuições apontadas, quando apresentarem ciclo de incidência monofásico. Destaco, a propósito, o seguinte julgamento do Pleno desta Corte: “Contribuição social. Constitucionalidade do artigo 1º, I, da Lei Complementar nº 84/96. [...] e cumulatividade que, evidentemente, não ocorre em contribuição dessa natureza cujo ciclo de incidência é monofásico -, uma vez que a não-cumulatividade no sentido de sobreposição de incidências tributárias já está prevista, em caráter exaustivo, na parte final do mesmo dispositivo da Carta Magna, que proíbe nova incidência sobre fato gerador ou base de cálculo próprios dos impostos discriminados nesta Constituição. - Dessa orientação não Fl. 983DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-009.633 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721137/2011-38 divergiu o acórdão recorrido. Recurso extraordinário não conhecido.” (RE 258.470, Rel. Min. MOREIRA ALVES, Primeira Turma, DJ 12.5.2000, grifei) Quanto à alíquota zero, o tribunal a quo assim decidiu a questão nos seguintes termos: “Observa-se que antes da edição da Lei nº 10.865/04, o regime monofásico do PIS e a COFINS se dava pelo sistema de incidência única. Após, com a exclusão dos produtos submetidos à incidência monofásica do art. 1º, §3º, inciso IV, das Leis do PIS e da COFINS, instituiu-se a tributação monofásica de alíquota concentrada, pois foi instituída alíquota zero para as demais fases [...] Diante disso, aplico os fundamentos da douta decisão judicial apenas com um acréscimo: mesmo nas situações onde há incidência tributária do PIS e da COFINS com alíquota zero persiste a tributação monofásica pela técnica da ‘alíquota concentrada’, ou seja, vige o regime jurídico não-cumulativo pela adoção da técnica do tributo monofásico. Na hipótese dos autos, incidem alíquotas concentradas diferenciadas sobre produtores e importadores, desonerando-se, através da alíquota zero, os comerciantes atacadistas e varejistas nas fases seguintes, o que não desvirtua o regime monofásico.” (fl. 733) Posta a questão nesses termos, verifica-se que a controvérsia dos autos, nesse ponto, cinge-se ao âmbito infraconstitucional, de sorte que divergir do julgado na origem demandaria reexaminar a legislação infraconstitucional, o que não desafia a abertura do recurso extraordinário. Nessa linha, confiram-se os seguintes precedentes de ambas as Turmas do STF, no que interessa: (...) Por fim, não se verifica, na argumentação da parte recorrente, de que forma o acórdão recorrido teria afrontado o dispositivo apontado, uma vez que se trata de revendedora de máquinas agrícolas, tratores e implementos agrícolas (fl. 726). A ver, o art. 195, §12, dispõe que “A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Já o acórdão recorrido assim assentou: “5 – O âmbito de incidência do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 restringe-se ao ‘Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária – REPORTO’, como decorre do texto do diploma legislativo onde inserido tal artigo. 6 – A extensão da previsão do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 a situações diversas daquela prevista na legislação implicaria privilégio indevido para certas atividades econômicas, em detrimento de todas as outras que sujeitas à tributação polifásica.” (fl. 736). De fato, tal entendimento está conforme a orientação assentada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no sentido de que, em regra, não cabe ao Judiciário estender a concessão de exoneração tributária, com fundamento no princípio da isonomia, a casos não previstos pelo legislador. A propósito, destaco o seguinte precedente: (...) (AI 360461 AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, DJe 28.3.2008) Fl. 984DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-009.633 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721137/2011-38 Ante o exposto, nego seguimento ao recurso (arts. 21, §1º, do RISTF e 557 do CPC). Por fim, trago mais um precedente do STF, no julgamento do Ag. Reg. no Recurso Extraordinário 748.710-RS, Relator Min. DIAS TOFFOLI, publicação em 23/11/2017: EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Tributário. IPI. Importação. Contribuinte não habitual. Pessoa natural e jurídica. Operação monofásica. Não cumulatividade. Inaplicabilidade. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, decidiu que incide o IPI na importação de bens para uso próprio, sendo neutro o fato de tratar-se de pessoa natural ou jurídica que se encontre na condição de contribuinte não habitual do imposto. 2. A sistemática da não cumulatividade pressupõe a existência de operações sequenciais passíveis de tributação, o que não ocorre na importação de produto industrializado em que a operação é única. 3. Agravo regimental não provido. Não se aplica ao caso dos autos a majoração dos honorários prevista no art. 85, § 11, do novo Código de Processo Civil, uma vez que não houve o arbitramento de honorários sucumbenciais pela Corte de origem. (...) VOTO O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR): O agravante não trouxe qualquer argumento novo capaz de infirmar o que foi decidido. Toda sua argumentação está centrada na técnica da não cumulatividade e na irrelevância da distinção entre pessoa física e pessoa jurídica, para fins de incidência do IPI, na importação feita por contribuinte não habitual do imposto. (...) Em relação à técnica da não cumulatividade, o entendimento da Corte é no sentido de que a sistemática pressupõe a existência de operações sequenciais passíveis de tributação, o que não ocorre na espécie. Destaco trecho do voto vista do Ministro Roberto Barroso: “22. Primeiro, devo afirmar que não me parece correto falar em ‘princípio’ da não-cumulatividade. Até porque não há no art. 153, §3º, II da CF um conteúdo axiológico próprio, uma dimensão de peso ou um estado de coisas a ser promovido. Ao contrário, a não-cumulatividade é uma regra que constitucionaliza uma técnica específica de tributação. Um método aplicável aos impostos sobre o consumo, ditos indiretos, que objetiva expurgar o imposto pago nas operações antecedentes, apresentando inegável estrutura normativa de regra. O contribuinte suporta o valor do tributo no preço, apropria-se daquele montante na sua contabilidade e compensa o crédito apurado com o valor devido na saída. A não-cumulatividade faz parte de uma dinâmica de apuração que pretende fazer com que a tributação incida somente sobre o valor agregado em cada operação. Fl. 985DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-009.633 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721137/2011-38 23. Em razão disso, não se trata de norma que tenha o condão de alterar a materialidade constitucional do imposto. Como decorrência da sua estrutura própria de regra, a não-cumulatividade tem a pretensão de definir de forma exclusiva e abarcante apenas a questão tratada, e nada mais. É dizer, para as hipóteses de incidência em cadeia, garantir a compensação do imposto pago nas operações anteriores, somente isso. Portanto, sua aplicação pressupõe a existência de uma incidência plurifásica, sem o que não estará presente o pressuposto material que lhe autoriza a produção de efeitos. Em tais circunstâncias, ausente essa premissa, não considero legítimo limitar o espaço de conformação do legislador infraconstitucional com base na não- cumulatividade, mesmo porque o efeito indesejado que a regra constitucional pretendeu evitar não se apresenta. 24. Por isso, não é sempre que a não-cumulatividade terá aplicação, mesmo nos impostos indiretos por natureza, casos do IPI e do ICMS. Isso porque nem toda cadeia é necessariamente plurifásica. Portanto, se a função é expurgar imposto pago antes, é porque há mais de uma incidência. Por outro lado, se a operação é única, não existe imposto pago antes e tampouco risco de múltipla tributação sobre a mesma base econômica. A primeira incidência será a única. Logo, em operações monofásicas, não há utilidade para a não-cumulatividade porque a situação encontra-se simplesmente fora do campo de aplicação da regra constitucional. O imposto devido não passa por compensação escritural. O tributo será calculado levando-se em consideração tão somente o valor daquela operação. De modo que, com a devida vênia, a tese contrária, que busca interditar a priori a incidência, parece avançar indevidamente num espaço de atuação que cabe apenas ao legislador ordinário, especialmente num campo em que a expertise e a adequação a novos cenários desempenham um papel crucial, como a tributação no mercado internacional.” Sobre o tema, cito, ainda, trecho do voto do Ministro Relator: “O princípio da não cumulatividade não pode ser articulado para lograr-se, de forma indireta, imunidade quanto à incidência tributária. Repito: pressupõe, sempre e sempre, a existência de operações sequenciais passíveis de tributação.” (...) Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. Ressalte-se, por fim, que não se aplica ao caso dos autos a majoração dos honorários prevista no art. 85, § 11, do novo Código de Processo Civil, uma vez que não houve o arbitramento de honorários sucumbenciais pela Corte de origem. Além disso, a jurisprudência atual do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria se consolidou também em sentido contrário ao entendimento do Recorrente, conforme se verifica do julgamento dos Embargos de Divergência em Recurso Especial - EREsp nº 1.768.224/RS, relator Ministro GURGEL DE FARIA, Órgão Julgador: Primeira Seção, julgamento em 14/04/2021: EMENTA TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REVENDA DE MERCADORIAS. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC (Enunciado n. 3 do Plenário do STJ). Fl. 986DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-009.633 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721137/2011-38 2. No regime monofásico, a carga tributária concentra-se numa única fase, sendo suportada por um único contribuinte, não havendo cumulatividade a se evitar. 3. Na técnica não cumulativa, por sua vez, a carga tributária é diluída em operações sucessivas (plurifasia), sendo suportada por cada elo (contribuinte) da cadeia produtiva, havendo direito a abater o crédito da etapa anterior. 4. "Não há que se falar em ofensa ao princípio da não-cumulatividade quando a tributação se dá de forma monofásica, pois a existência do fenômeno cumulativo pressupõe a sobreposição de incidências tributárias" (STF, RE 762.892 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 24/03/2015, DJe-070). 5. A regra geral é a de que o abatimento de crédito não se coaduna com o regime monofásico, só sendo excepcionada quando expressamente prevista pelo legislador, não sendo a hipótese dos autos, nos termos do que estabeleceu o item 8 da Exposição de Motivos da MP n. 66/2002, convertida na Lei n. 10.637/2002, que dispôs, de forma clara, que os contribuintes tributados em regime monofásico estariam excluídos da incidência não cumulativa do PIS/PASEP. 6. O benefício fiscal previsto no art. 17 da Lei n. 11.033/2004, em razão da especialidade, não derrogou a Lei n. 10.637/2002 e a Lei n. 10.833/2003, bem como não desnaturou a estrutura do sistema de créditos estabelecida pelo legislador para a materialização do princípio da não cumulatividade, quanto à COFINS e à contribuição ao PIS. 7. A técnica da monofasia é utilizada para setores econômicos geradores de expressiva arrecadação, por imperativo de praticabilidade tributária, e objetiva o combate à evasão fiscal, sendo certo que interpretação contrária, a permitir direito ao creditamento, neutralizaria toda a arrecadação dos setores mais fortes da economia. 8. Embargos de divergência desprovidos. RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO GURGEL DE FARIA (Relator): Trata-se de embargos de divergência opostos pela COOPERATIVA LANGUIRU LTDA. contra acórdão da Segunda Turma assim ementado: (...) A parte embargante entende que o art. 17 da Lei n. 11.033/2004 autorizou a geração de créditos a serem abatidos das bases de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, quando recolhidas pelo regime não cumulativo, pois "não estabeleceu qualquer distinção ou restrição em relação a produtos/mercadorias, apenas resguardou o direito dos contribuintes a manter créditos, em qualquer caso em que tenha havido tributação nas etapas anteriores da cadeia produtiva" (e-STJ fl. 314). Considera que o acórdão embargado diverge da orientação jurisprudencial da Primeira Turma, como comprovariam o REsp 1.051.634/CE e o REsp 1.740.752/BA, nos quais se decidiu que o art. 17 da Lei n. 11.033/2004 não seria restrito ao REPORTO. (...) É o relatório. Fl. 987DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-009.633 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721137/2011-38 VOTO O EXMO. SR. MINISTRO GURGEL DE FARIA (Relator): (...) A embargante aduz que o aresto recorrido divergiu de julgado da Primeira Turma – AgRg no REsp. n. 1.051.634/CE, relatora para acórdão a eminente Ministra Regina Helena Costa. A ementa sintetizou o julgado com o seguinte teor (e-STJ fl. 548): (...) Portanto, a divergência interna entre as Turmas que compõem a Primeira Seção está devidamente caracterizada. Pois bem, passemos à análise da legislação pertinente à matéria. (...) Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66, que foi convertida na Lei n. 10.637/2002, ficou estabelecido: 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do Pis/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. (Grifos acrescidos). Importa mencionar que o regime de arrecadação monofásico (art. 149, § 4°, da CF) caracteriza-se por concentrar a tributação em um único contribuinte (importador/produtor) do ciclo econômico, e as pessoas jurídicas não enquadradas nessa condição submetem-se à alíquota 0 (zero). A majoração da alíquota de incidência una na produção/importação corresponde ao total da carga tributária da cadeia. Consoante lição de Leandro Paulsen: (...) Como é sabido, a não cumulatividade visa impedir o efeito cascata nas hipóteses de tributação plurifásica, evitando-se que a base de cálculo do tributo de cada etapa seja composta pelos tributos pagos nas operações anteriores (“imposto sobre imposto”). Nessa hipótese, a incidência tributária é plúrima e, no caso do PIS e da Cofins, há direito de crédito da exação paga na operação anterior. Ou seja, no tocante à não cumulatividade, é oportuno destacar que o direito ao crédito tem por objetivo evitar a sobreposição das hipóteses de incidência, de modo que, não havendo incidência de tributo na operação anterior, nada há para ser creditado posteriormente. Na obra intitulada “A não-cumulatividade dos tributos”, André Mendes Moreira explica o seguinte: (...) Portanto, no regime monofásico, a carga tributária concentra-se numa única fase, sendo suportada por um único contribuinte, não havendo cumulatividade a se evitar. Na técnica não cumulativa, por sua vez, a carga tributária é diluída em operações sucessivas (plurifasia), sendo suportada Fl. 988DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-009.633 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721137/2011-38 por cada elo (contribuinte) da cadeia produtiva, havendo direito a abater o crédito da etapa anterior. Nesse sentido, a título ilustrativo, julgados do STF: (...) 1. Não há que se falar em ofensa ao princípio da não-cumulatividade quando a tributação se dá de forma monofásica, pois a existência do fenômeno cumulativo pressupõe a sobreposição de incidências tributárias. Precedente: RE 258.470, Rel. Min. Moreira Alves, Primeira Turma, DJ de 12/5/2000. (...) (RE 762.892 AgR, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 24/03/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-070 DIVULG 14-04-2015 PUBLIC 15-04-2015). (...) 2. A sistemática da não cumulatividade pressupõe a existência de operações sequenciais passíveis de tributação, o que não ocorre na importação de produto industrializado em que a operação é única. (...) (RE 748.710 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 07/11/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-265 DIVULG 22-11-2017 PUBLIC 23-11-2017). Por outro lado, algumas vezes, por opção política, o legislador pode optar pela geração ficta de crédito, por exemplo, forma de incentivo a determinados segmentos da economia, como fez o art. 17 da Lei n. 11.033/2004 para os beneficiários do regime tributário especial denominado REPORTO. A respeito dos mais diversos benefícios fiscais, a Constituição Federal, no art. 150, § 6º, estabelece que "qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g". Ante o cenário normativo vigente, percebe-se que um benefício fiscal estruturado e instituído para um determinado fim ou destinado a contemplar uma parcela específica de contribuintes não pode ser estendido a hipótese diversa daquela estabelecida pelo Poder Legislativo, ressalvada a posterior opção legislativa pela ampliação do seu alcance. De fato, "o Poder Judiciário não pode atuar na condição de legislador positivo, para, com base no princípio da isonomia, desconsiderar os limites objetivos e subjetivos estabelecidos na concessão de benefício fiscal, de sorte a alcançar contribuinte não contemplado na legislação aplicável, ou criar situação mais favorável ao contribuinte, a partir da combinação – legalmente não permitida – de normas infraconstitucionais" (ARE 710026 ED, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 07/04/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-075 DIVULG 22-04-2015 PUBLIC 23-04-2015). Em meu entender, na hipótese dos autos, em interpretação histórica dos dispositivos que cuidam da matéria em debate, bem como da leitura do item Fl. 989DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-009.633 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721137/2011-38 8 da Exposição de motivos da MP n. 66/2002, convertida na Lei n. 10.637/2002, ficou estabelecido que os contribuintes tributados em regime monofásico estavam excluídos da incidência não cumulativa, conforme já dito alhures. (...) Portanto, a meu juízo, a regra geral é a de que o abatimento de crédito não se coaduna com o regime monofásico. Quando a quis excepcionar, o legislador ordinário o fez expressamente. Atento ao que determinam o art. 150, § 6º, da CF/88 e o art. 2º do Decreto-Lei n. 4.657/1942, comungo do entendimento da Segunda Turma desta Corte Superior, segundo o qual o benefício fiscal do art. 17 da Lei n. 11.033/2004, em razão da especialidade, não derrogou a Lei n. 10.637/2002 e a Lei n. 10.833/2003, bem como não desnaturou a estrutura do sistema de créditos estabelecida pelo legislador para a observância do princípio da não cumulatividade. Ao concluir as minhas considerações, pondero que, se tal técnica é utilizada para setores econômicos geradores de expressiva arrecadação, por imperativo de praticabilidade tributária, objetivando o combate à evasão fiscal, foge, com todo o respeito, da razoabilidade uma interpretação que venha a admitir a possibilidade de creditamento do tributo que termine por neutralizar toda a arrecadação exatamente dos setores mais fortes da economia. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO aos embargos de divergência. No mesmo sentido, os Embargos de Divergência nos Embargos de Divergência em Agravo em Recurso Especial - EDv nos EAREsp nº 1.109.354/SP, relator Ministro GURGEL DE FARIA, Órgão Julgador: Primeira Seção, julgamento em 14/04/2021. Devo ressaltar que a matéria encontra-se novamente em julgamento pelo STJ, agora sob o rito previsto para os Recursos Repetitivos, tendo sido afetados os REsp nº 1.894.741/RS e 1.895.255/RS, de relatoria do Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (Tema 1.093/STJ). A Ementa da Proposta de Afetação no Recurso Especial - ProAfR no REsp nº 1.894.741/RS foi redigida nos seguintes termos, com publicação em 24/05/2021: RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3. PROPOSTA DE AFETAÇÃO COMO REPETITIVO. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. DISCUSSÃO SOBRE A POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO COM BASE NO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. 1. Delimitação das questões de direito controvertidas como sendo: "a) se o benefício instituído no art. 17, da Lei 11.033/2004, somente se aplica às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado REPORTO; b) se o art. 17, da Lei 11.033/2004, permite o cálculo de créditos dentro da sistemática da incidência monofásica do PIS e da COFINS; e c) se a incidência monofásica do PIS e da COFINS se compatibiliza com a técnica do creditamento". 2. Multiplicidade efetiva ou potencial de processos com idêntica questão de direito demonstrada pelo despacho do Ministro Presidente da Comissão Gestora de Precedentes e demais informações constantes dos autos dos processos repetitivos. Fl. 990DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-009.633 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721137/2011-38 3. Determinação ad cautelam para a suspensão do julgamento de todos os processos em primeira e segunda instâncias envolvendo a matéria, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (art. 1.037, II, do CPC/2015). 4. Recurso especial submetido à sistemática dos recursos repetitivos, estando em afetação conjunta os REsp's. nn. 1.894.741 - RS e 1.895.255 - RS. Trata-se de recurso apresentado pelo contribuinte, atualmente com pedido de vista do Ministro Benedito Gonçalves. Em 24/02/2022 houve a proclamação parcial do julgamento, nos seguintes termos: Proclamação Parcial de Julgamento: Após o voto do Sr. Ministro Relator negando provimento ao recurso especial, no que foi acompanhado pelo Sr. Ministro Gurgel de Faria, e o voto divergente da Sra. Ministra Regina Helena dando-lhe provimento, pediu vista o Sr. Ministro Benedito Gonçalves. Nesse contexto, entendo que não há possibilidade de apurar créditos em relação aos dispêndios com a aquisição de produtos sujeitos ao regime monofásico para posterior revenda. Este entendimento deve ser aplicado também em relação ao frete destes mesmos produtos, pois não há sentido em apurar crédito, seja ele qual for, sendo que a operação que se analisa, no caso, a revenda de um produto tributado pelo regime monofásico, não gera créditos. Ora, inúmeras empresas realizam dispêndios com fretes, mas nem por isso têm o direito de se apropriar do PIS e da COFINS incidentes; para tanto, faz-se necessário que a operação principal, a venda ou revenda, esteja sujeita à não- cumulatividade. Foi nesse mesmo sentido a decisão da instância a quo (fl. 896): No caso, os produtos farmacêuticos, de perfumaria, higiene pessoal e de toucador, objeto das vendas da interessada são bens submetidos à alíquota zero, já que toda a tributação da cadeia econômica foi concentrada, pelo desenho legal, na indústria produtora ou nos importadores. Nesse caso, não há sobreposição de tributação sobre o produto – cuja saída já se dá à alíquota zerada - e efetiva-se a filosofia que orienta a sistemática da não cumulatividade. Note-se que o eventual pagamento de Cofins e PIS incluídos no preço dos fretes pagos pela interessada em nada modifica esse cenário já que a venda dos próprios produtos efetivamente não oneram o revendedor. O frete eventualmente pago integra-se à matriz de formação de preço do produto vendido. A receita advinda das vendas dos produtos pelos preços fixados pela interessada, como se viu é tributada à alíquota zero, não havendo a alegada sobreposição de tributação. Nesse sentido, o REsp nº 1.934.299-RN, Relator Ministro FRANCISCO FALCÃO, publicação em 12/05/2021, cujo objeto era o pedido de creditamento sobre despesas com frete e armazenagem: DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por COMERCIAL VENÂNCIO LTDA., com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, visando à reforma de acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO, assim ementado: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E COFINS. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/04. CREDITAMENTO DE VALORES SUJEITOS À NÃO INCIDÊNCIA, SUSPENSÃO, ISENÇÃO OU ALÍQUOTA Fl. 991DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-009.633 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721137/2011-38 ZERO. IMPOSSIBILIDADE. SISTEMA MONOFÁSICO. DESPESAS COM FRETE E ARMAZENAGEM. DIREITO AO CREDITAMENTO APENAS DO VENDEDOR. APELAÇÃO. DESPROVIMENTO. Em seu recurso especial, o recorrente indicou violação ao art. 17 da Lei n. 11.033/2004, sustentando, em síntese, que o Tribunal de origem deveria ter reconhecido o direito do contribuinte ao creditamento relativo à contribuição ao PIS e à COFINS, em consonância com o princípio da não cumulatividade. Apresentadas contrarrazões pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Decido. O acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, que assentou que, apesar de a norma contida no art. 17 da Lei n. 11.033/2004 não possuir aplicação restrita ao REPORTO (Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária), as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas à contribuição ao PIS e à COFINS em regime especial de tributação monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do regime de incidência não cumulativo, conforme os arts. 2º e 3º das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003. Diante disso, não se aplica, em razão da incompatibilidade de regimes e da especialidade normativa, o disposto nos arts. 17 da Lei n. 11.033/2004 e 16 da Lei n. 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao regime não cumulativo, salvo determinação legal expressa. O referido entendimento, acerca da incompatibilidade da técnica do creditamento com a incidência monofásica da contribuição ao PIS e da COFINS, foi recentemente confirmado pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no momento do julgamento do EDv nos EAREsp n. 1.109.354/SP, sob relatoria do Ministro Gurgel de Faria. In verbis: (...) Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, II, do RISTJ, nego provimento ao recurso especial. Por último, em relação ao uso de aferição indireta para quantificar os fretes que não se relacionam a produtos sujeitos a tributação monofásica, verifico que não consta dos autos comprovação realizada pelo Recorrente de quais as despesas de frete que são vinculadas a operação excluídas do regime monofásico. O contribuinte poderia ter apresentado uma planilha indicando a nota fiscal de cada produto sujeito à não- cumulatividade e o correspondente valor do frete, possibilitando a conferência direta destas notas pela Fiscalização, mas não o fez. Assim procedendo, não pode exigir que a Autoridade Fiscal faça o trabalho que lhe cabia pois, em pedidos de ressarcimento ou restituição, em que se alega possuir um direito creditório frente à União, compete ao peticionário/autor o ônus probatório, nos termos do art. 373, inciso I, do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 992DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3402-009.633 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721137/2011-38 Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 993DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 12268.000337/2007-40
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE Nº. 8.
O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2403-000.369
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar
provimento ao recurso em face de decadência total com base nos critérios estabelecidos tanto no Art. 173, I, CTN quanto no Art. 150, § 4º, CTN .
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso em face de decadência total com base nos critérios estabelecidos tanto no Art. 173, I, CTN quanto no Art. 150, § 4º, CTN . Carlos Albertos Mees Stringari Presidente Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente o conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 12268.000337/200740 Acórdão n.º 240300.369 S2C4T3 Fl. 125 3 Relatório Tratase de recurso de ofício oferecido pela Fazenda Nacional, em razão do acórdão n 0619.451 (fls.1904 a 1908) da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR ter julgado IMPROCEDENTE o lançamento constante na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 37.098.8159, no valor consolidado de R$ 3.349.123,06 (três milhões, trezentos e quarenta e nove mil, cento e vinte e três reais e seis centavos. Segundo o relatório fiscal às fls.23 a 53, os valores lançados na NFLD N 37.098.8159 são referentes às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos empregados, da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e destinadas a terceiros (SEBRAE, INCRA, SESC, SENAE etc.). O período cobrado na autuação corresponde às competências de 01/1997 a 12/1997. Desta autuação, a recorrente apresentou impugnação às fls. 1820 a 1846, alegando em síntese: Que já se operou a decadência sobre a totalidade do crédito cobrado, referente às competências de janeiro a dezembro de 1997; Ser a competência para caracterização e declaração da relação de emprego privativa da Justiça do Trabalho, tendo a fiscalização extrapolado seus poderes, uma vez que o contido no §2° do art. 229 do Decreto 3.048/99 é inconstitucional; Que inexiste vínculo de emprego entre os representantes comerciais e a Tramontina & Vieira, porque (a) estão ausentes os requisitos contidos no art.3° da CLT; (b) a representação comercial é relação jurídica diversa da relação de emprego, regulada por lei especifica; (c) não há, dentre as reclamatórias trabalhistas tidas por fundamento da notificação fiscal, nenhuma com reconhecimento de vínculo empregatício que tenha transitado em julgado, havendo, inclusive, decisões definitivas em sentido contrário, desrespeitando, assim, a presente notificação, coisa julgada na Justiça do Trabalho. Por fim, requereu a procedência da defesa, de modo que reconhecesse a inexigibilidade do crédito apurado, pelas razões acima expostas, anulandose a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 5 turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba proferiu acórdão (n° 06.19.451) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 NFLD 37.098.8159 DECADÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade dos arts.45 e 46 da Lei 8.212, de1991 (Súmula Vinculante " 8, de 12/06/2008. DOU 20/06/2008), o lapso de tempo de que dispõe a Receita Federal do Brasil para constituir os créditos tributários das contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966). Lançamento Improcedente Irresignada com a decisão supra, a Fazenda Nacional, em obediência à Portaria MF n 03, de 03/01/2008, e nos termos do disposto no artigo 366 do Regulamento da Previdência SocialRPS, e tendo em vista o disposto no artigo 29, da Lei n°11.457, de 16 de março de 2007, interpôs recurso de ofício a este Conselho (fl.1914) e , tendo em vista a decisão de 1 instancia ter exonerado o sujeito passivo de pagar quantia superior a R$1.000.000,00 (um milhão de reais). É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 12268.000337/200740 Acórdão n.º 240300.369 S2C4T3 Fl. 126 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA PRELIMINAR DA DECADÊNCIA TOTAL: A recorrida alegou em sua impugnação que a cobrança não deveria ser mantida por já ter sido alcançada pela decadência. A DRJ de Curitiba decidiu certamente quando julgou improcedente o lançamento do crédito tributário com fundamento na ocorrência da decadência quinquenal das contribuições sociais previdenciárias. Todavia, levando em consideração que o sujeito passivo foi exonerado do pagamento de uma quantia acima de R$1.000.000,00 (um milhão de reais), pois o débito consolidado perfaz o montante de R$ 3.349.123,06 (três milhões, trezentos e quarenta e nove mil, cento e vinte e três reais e seis centavos, a Fazenda Nacional, em respeito ao Regulamento da Previdência Social combinado com a Portaria do Ministério da Fazenda n 03 de 03/01/2008, apresentou o recurso de ofício sob os fundamentos legais abaixo transcritos: Regulamento da Previdência Social Art. 366. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil recorrerá de ofício sempre que a decisão: (Alterado pelo Decreto nº 6.224 de 4 de outubro de 2007 DOU de 5/10/2007) I declarar indevida contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; e (Alterado pelo Decreto nº 6.224 de 4 de outubro de 2007 DOU de 5/10/2007) II relevar ou atenuar multa aplicada por infração a dispositivos deste Regulamento. (Alterado pelo Decreto nº 6.224 de 4 de outubro de 2007 DOU de 5/10/2007) § 2º O recurso de que trata o caput será interposto ao Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. (Alterado pelo Decreto nº 6.224 de 4 de outubro de 2007 DOU de 5/10/2007) § 3ºO Ministro de Estado da Fazenda poderá estabelecer limite abaixo do qual será dispensada a interposição do recurso de ofício previsto neste artigo. (Incluído pelo Decreto nº 6.224 de 4 de outubro de 2007 DOU de 5/10/2007) Portaria Ministério da Fazenda n 03 (03/01/2008) Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Desse modo, tendo em vista a desoneração do pagamento de tributo superior a R$1.000.000,00 (um milhão de reais), a Fazenda Nacional, representada pelo presidente da 5 turma da DRJ de Curitiba, interpôs recurso de ofício a ser analisado a seguir: Vale destacar que as controvérsias que existiam no âmbito dos contenciosos administrativos e no judiciário com relação ao prazo decadencial da Secretaria da Receita Federal para apurar os valores devidos a título de contribuições previdenciárias tiveram seu fim com o advento da Súmula Vinculante n° 8, a qual reconheceu como inconstitucional os arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Ambos os dispositivos previam que os prazos para a Seguridade Social apurar e cobrar os seus créditos extinguiamse com 10 (dez) anos. A grande celeuma era a não aplicação do prazo previsto no Código Tributário Nacional de que os créditos tributários só poderão ser apurados ou cobrados até 5 (cinco) anos, estabelecendo ainda esta legislação o marco inicial para a contagem desses prazos. Assim, após várias decisões invocando a inconstitucionalidade dos arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o Egrégio Supremo Tribunal Federal sumulou a matéria com a edição da Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Sabese ainda que essas súmulas têm efeito vinculante sobre a Administração Pública, conforme previsão do art.103A da Constituição Federal, motivo pelo qual este Colegiado deve aplicar o entendimento acima. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional, o qual disciplina a decadência no art. 173 e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extinguese em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4º, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173 é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Código Tributário Nacional Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 12268.000337/200740 Acórdão n.º 240300.369 S2C4T3 Fl. 127 7 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homolo¬gação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an¬teriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por tercei¬ro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. * * * Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Pelo exposto, percebese que o marco inicial da decadência diverge no Código Tributário Nacional. A regra exposta no art.173, inciso I é aplicável às espécies tributárias que não estão sujeitas ao lançamento por homologação, pois as que se sujeitam a este tipo de lançamento têm o prazo decadencial regulado pelo art.150, §4° do CTN. Entretanto, levandose em consideração a ciência da NFLD em 18/12/2007, e, as datas das competências que estão sendo objeto de discussão (01/1997 a 12/1997) temse que os valores cobrados na notificação fiscal estão acobertados pela decadência, independentemente do critério a ser adotado. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso de ofício para, nas preliminares, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão da 1 instância, de modo que reconheço a Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 decadência dos valores relativos às competências de 01/1997 a 12/1997, independentemente do critério a ser utilizado pelo Código Tributário Nacional (art150, §4 ou art.173, I) e em razão da Súmula Vinculante n 8. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
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Numero do processo: 10920.908218/2012-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a liquidez e certeza do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de ter seu pedido indeferido.
Numero da decisão: 3301-011.673
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.670, de 15 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10920.908215/2012-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a liquidez e certeza do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de ter seu pedido indeferido.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a liquidez e certeza do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de ter seu pedido indeferido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.670, de 15 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10920.908215/2012-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d’ Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 82 18 /2 01 2- 28 Fl. 1048DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.673 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.908218/2012-28 Trata o presente processo de Declaração de Compensação que tem como lastro creditório ressarcimento de contribuição não cumulativa de vendas com destino ao exterior. No curso do processamento do pedido do contribuinte foi expedida intimação nos seguintes termos: "Este contribuinte esta intimado a transmitir os arquivos previstos na Instrução Normativa SRF n° 86, de 22/10/2001, em conformidade com o ADE Cofis n° 15/2001. alterado pelo ADE Cofis n° 25/2010, compreendendo as operações efetuadas no trimestre de apuração acima Indicado. Os arquivos a serem transmitidos são os seguintes: 4.3.1. 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4. 4.3.5, 4.3.6, 4.3.8. 43.9. 4.3.10. 4.3.11, 4.10.1. 4.10.2. 4.10.3, 4.10.4, 4.10.5, 4.10.6, 4.10.7, 4.4.1, 4.4.2, 4.9.1, 4.9.4 e 4.9.5 Observações: 1. Todas as notas canceladas deverão constar dos arquivos pertinentes, com a indicação própria no respectivo campo. 2. Para a validação e transmissão das informações solicitadas deve ser Utilizado o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais-SVA, disponível no sitio da Internet da RFB (www.receita.fazenda.gov.br)." Diante da ausência de atendimento ou de resposta à intimação acima citada, foi proferida decisão nos seguintes termos: "Analisadas as Informações prestados no documento acima Identificado, não foi possível confirmar a existência do credito Indicado, pois o contribuinte, mesmo Intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na instrução Normativa SRF n° 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima Indicado. Diante do exposto: NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP..." Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas manifestação de inconformidade onde afirma, em resumo, que: II.a) Impossibilidade de transmissão de informações de créditos constantes em pedidos de ressarcimento anteriores ao ano de 2010 - ADE Cofis n° 25/2010 (...) Fl. 1049DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.673 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.908218/2012-28 Ocorre que o Contribuinte não conseguiu atender a tal solicitação, porquanto os arquivos que o AFRFB solicitou a transmissão não são aceitos pelo novo sistema implementado com o ADE Cofis n° 25/2010 - Anexo Único. Veja-se abaixo a impossibilidade do Contribuinte selecionar a opção "salvar arquivo para transmissão", conforme determina a intimação, mas apenas a de "salvar arquivo para entrega ao AFRFB", o que frisa- se, não foi solicitado pelo AFRFB em seu termo de intimação (anexo): (...) Esclareça-se, que neste momento, o Contribuinte não está colocando em discussão a validade do cumprimento da obrigação acessória instituída por pelo ADE Cofis n° 25/2010, o que será feito mais adiante, e tampouco não questiona, aqui, o poder do Fisco de exigir dos contribuintes o cumprimento das obrigações tributárias acessórias previstas na IN SRF n° 86/2001, ou seja, de fazer com que as empresas utilizem sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de dados contábeis e fiscais. O que se discute e não se admite é que o AFRFB determine o cumprimento de um ato pelo Contribuinte se o órgão fazendário ao qual está vinculado não dispõe de meios hábeis para tanto e, assim, prejudicar quem está agindo de boa-fé a ponto de indeferir seus pedidos de ressarcimento e compensação. (...) Isto posto, analisando o caso em concreto sob a ótica do princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, tem-se que a medida do AFRFB, além de ilegal, não é adequada, nem necessária. Ou seja, outra forma teria o Fisco de efetuar o controle sobre os seus jurisdicionados e de suas informações contábeis/fiscais, não necessitando rupturas abruptas e percebendo a diligência do Contribuinte para com a fiscalização. Deste modo, arbitrária se mostra a determinação do AFRFB contida no termo de intimação, pois o sistema de validação e autenticação de arquivos nos termos do ADE Cofis n° 25/2010 não libera ao Contribuinte a possibilidade de "salvar os arquivos para transmissão" para períodos anteriores (2007) a sua data de eficácia (2010), devendo assim, ser reconsiderado o despacho decisório para o fim de deferir o pedido de ressarcimento e, consequentemente homologar os pedidos de compensação. (...) II.b) Ilegalidade da imposição de cumprimento de obrigação acessória a ato pretérito Fl. 1050DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.673 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.908218/2012-28 Outro ponto que merece ressalva, conforme ressaltado acima, é a ilegalidade do ato intentado pelo AFRFB ao determinar que o Contribuinte se sujeitasse ao cumprimento de uma obrigação acessória, cujo seu adimplemento deveria se dar a ato pretérito ao de início da sua eficácia. (...) Ocorre que a prestação dessas informações até então não estavam atreladas aos pedidos de ressarcimento/compensação. Porém, o Fisco, através da Instrução Normativa n° 981/2009, em seu art. 1°, mediante alteração promovida na Instrução Normativa n° 900/2008, estabeleceu que, a partir de 01/02/2010 (art. 3°), a pessoa jurídica deverá no caso de créditos do PIS e da COFINS, apurados no regime de incidência não cumulativa, passíveis de ressarcimento ou compensação, antes de transmitir o pedido (PER/DCOMP) apresentar em arquivo digital os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares - PIS/COFINS". Do Anexo Único do ADE Cofis n° 15/2001. II.c) Do direito creditório A título de argumentação, a fim de não pairar dúvidas quanto a existência do direito creditório do Contribuinte, segue abaixo tabela com o demonstrativo dos créditos, acompanhada da Dacon9 e do pedido de ressarcimento; (...) II.d) Arbitrariedade da multa isolada de 50% aplicada." Ao final veio requerer a reforma do despacho decisório a fim de deferir integralmente o direito creditório, homologando as compensações. Requer ainda a exclusão da multa isolada que afirma lhe ter sido aplicada. A DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: COMPENSAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na escrituração, contábil e fiscal, e nos documentos fiscais que lhe dão suporte. Em seu recurso voluntário, a Recorrente reitera seu direito ao creditamento, bem como sustenta que apresentou os documentos necessários para a devida comprovação. Ao final, requer a homologação das compensações. Fl. 1051DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.673 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.908218/2012-28 É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário atende aos pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. Conforme relatado, o Despacho Decisório eletrônico indeferiu o pedido de ressarcimento/compensação em virtude da ausência de transmissão dos arquivos previstos na Instrução Normativa SRF n° 86, de 22/10/2001, em conformidade com o ADE Cofis n° 15/2001, alterado pelo ADE Cofis n° 25/2010, mesmo após intimação do contribuinte. Em manifestação de inconformidade, a empresa sustentou que houve a impossibilidade técnica de transmitir os arquivos no formato do ADE Cofis nº 25/2010. Entretanto, a despeito dessa impossibilidade, como bem ressaltou a DRJ, a Recorrente poderia tê-los apresentado diretamente ao Auditor Fiscal, mas não o fez: Ainda que fosse realmente impossível realizar a transmissão, o que se admite por mera hipótese, bastaria à manifestante, em tempo hábil, gerar tal arquivo e entregá-lo ao Auditor Fiscal, ação suficiente para análise da comprovação do seu direito. Veja que nem mesmo na apresentação da manifestação de inconformidade houve preocupação da manifestante em comprovar a existência do seu direito, apresentando somente o DACON do período e o formulário Perdcomp. Na verdade, ainda que a manifestante queira se desviar do foco da controvérsia, o indeferimento se deu pela total impossibilidade do fisco verificar a comprovação do direito creditório invocado. Estranhamente, a contribuinte se nega a tentar demonstrar a existência do seu direito, ainda que da forma que afirma que o SVA tenha permitido, via gravação de arquivo para entrega à autoridade fiscal. Ao final, não foi apresentado um único documento fiscal como prova da existência do direito pretendido. No presente caso, como já apontado pela autoridade fiscal, somente a transmissão dos arquivos digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01 poderiam comprovar o montante do crédito da contribuição requerido em ressarcimento. Alternativamente, poder-se-ia admitir, naturalmente, a apresentação destes mesmos arquivos à autoridade fiscal, como já dissemos. (...) Registre-se, por oportuno, que a manifestante poderia, com o processo em curso, se dirigir à unidade de atendimento da Receita Federal do Brasil a fim de obter auxílio para transmissão dos arquivos já citados ou apresentar o arquivo gerado para entrega ao Auditor Fiscal. Nada disso foi feito. Caso o arquivo fosse apresentado, ocorreria, necessariamente, sua análise, ainda que apresentados fora do prazo para manifestação/impugnação, haja vista a aplicação, ao processo administrativo, do princípio da verdade material. Preferiu a manifestante trilhar o caminho de tentar invalidar a regra de exigência que fixa os contornos em que se devem cumprir as obrigações acessórias citadas, almejando o deferimento de um crédito incomprovado. Fl. 1052DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.673 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.908218/2012-28 Por todo exposto, fica também afastada a alegação de que o indeferimento teria se dado pela simples ausência de apresentação prévia dos arquivos magnéticos, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 981/2009, haja vista a intimação para sua apresentação ter oportunizado que esta se desse após a transmissão do formulário Perdcomp, obviamente. Em manifestação de inconformidade, apresentou o DACON. Por sua vez, em recurso voluntário, aponta que anexa mais documentos em respeito ao princípio da verdade material: (...) a Recorrente junta aos autos, planilhas, notas fiscais e demais documentos fiscais, que comprovam de forma definitiva, o direito creditório aqui pleiteado. (...) Sendo assim, nos termos das planilhas e documentos anexados, tem-se a total comprovação quanto ao crédito pleiteado, nos seguintes termos: (...) Portanto, somando-se os valores referentes à COFINS das aquisições no mercado interno, vinculados a receita de exportações, tem-se um crédito de R$ 34.996,31. Já as receitas vinculadas a receita do Mercado Externo, tem-se um crédito de COFINS de R$ 31.736,27. Somados ambos os valores chegamos ao exato montante de R$ 66.732,59, que condiz exatamente com o montante do crédito pleiteado pela Recorrente em seu pedido de ressarcimento. Sendo assim, deve ser reconhecido o direito creditório pleiteado pela Recorrente e consequentemente o seu pedido de compensação, extinguindo-se o crédito tributário aqui combatido. Dispõe o art. 170, do CTN, que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. E, considera-se que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373, do CPC/15. Dessa forma, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao crédito. O pedido de ressarcimento foi de COFINS não cumulativa - Exportação do 1º trimestre de 2007, logo deveria ter sido comprovada a liquidez e certeza desse crédito. A empresa, em recurso voluntário, apresentou notas fiscais, DIs, arquivos sem títulos e ininteligíveis e resumo de apuração. Entendo que deveria a Recorrente ter trazido aos autos sua escrituração contábil e fiscal, já que não houve na origem auditoria de valores em decorrência do descumprimento da intimação de apresentação dos arquivos. Ocorre que, nesta instância, a eventual análise meritória do crédito demanda o cotejo entre os livros contábeis (Razão e Diário) e os documentos com base nos quais foram efetuados tais registros e, pelos demonstrativos de apuração das contribuições do período, devidamente conciliados também com as declarações DCTF e DIPJ. Discordo da Recorrente de que são suficientes para a comprovação da existência do crédito pleiteado os documentos por ela apresentados. Então, não logrou êxito em comprovar o indébito objeto do pedido de ressarcimento/compensação. Nulidade do acórdão da DRJ Sustenta que o acórdão da DRJ deve ser anulado, por violar o princípio da verdade material, do devido processo Legal, do contraditório e da ampla defesa, porquanto não considerou o DACON como prova do seu direito creditório. Assim: “os DACON juntados pela Recorrente deveriam ter sido aceitos como documentos fiscais aptos a comprovar o direito creditório da Recorrente e caso os julgadores de primeira instância Fl. 1053DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.673 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.908218/2012-28 entendessem que não, deveriam, ao menos, ter procedido com as diligências necessárias para apurar a veracidade da existência ou não do crédito aqui discutido.” Não há qualquer nulidade na decisão de piso, eis que devidamente motivada e ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. O DACON isoladamente não tem força probatória do crédito pleiteado, pois tem caráter apenas informativo. E, como visto acima, a demonstração de liquidez e certeza do crédito pleiteado demanda conciliação contábil e fiscal completa. Por isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 1054DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13830.900013/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.118
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por desistência.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por desistência. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13830.900013/200815 Resolução n.º 1302000.118 S1C3T2 Fl. 95 2 RELATÓRIO HALOTEKFADEL INDUSTRIAL LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em Marília, São Paulo. Trata o processo de DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, envolvendo crédito decorrente de SALDO NEGATIVO de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado no anocalendário de 2002. Em conformidade com o Despacho Decisório de fls. 09/11, o direito creditório apontado para o encontro de contas não foi reconhecido em razão do motivo abaixo transcrito: Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não foi apurado saldo negativo, uma vez que, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP, consta contribuição social a pagar. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 8.288,82 Valor da contribuição social a pagar na DIPJ: R$ 20.100,92 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 13/15), por meio da qual sustentou: que o saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 8.288,82, objeto da compensação, teria sido apurado em razão do pagamento em duplicidade realizado nos dias 31/03/2003 e 07/04/2003, referente à CSLL de 31/10/2002, conforme documentos de arrecadação; que, constatada a duplicidade de pagamento, declarou o crédito de saldo negativo de CSLL e efetuou o pedido de compensação no mês de junho de 2003, relativamente ao débito de CSLL do mesmo exercício; que a compensação teria sido lícita e escorreita. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro analisou a manifestação de inconformidade apresentada e, por meio do acórdão nº. 1233.701, de 14 de outubro de 2010, indeferiu a solicitação. O referido julgado restou assim ementado: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. VEDAÇÃO. É vedada a retificação de declaração de compensação (DCOMP) após já ter sido proferido o Despacho Decisório pela autoridade competente. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. Fl. 98DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13830.900013/200815 Resolução n.º 1302000.118 S1C3T2 Fl. 96 3 Não existindo saldo negativo de CSLL, não deve ser reconhecido o direito creditório e não deve ser homologada a compensação efetuada. Ciente da Decisão de primeira instância em 16 de novembro de 2010, conforme aviso de recebimento de folha 52, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 15 de dezembro de 2010 (registro de recepção de folha 53), por meio do qual, renovando argumentos expendidos na peça impugnatória, adita: que ainda que a autoridade não detivesse a competência para decidir sobre a possibilidade de homologação da compensação devido a impedimento normativo, a existência de pagamento em duplicidade é evidente e encontrase devidamente comprovada nos autos; que a questão do momento adequado para atualização do débito é secundária, haja vista que, uma vez reconhecido a existência de crédito, bastaria indicar a data de inicio da atualização para que fosse refeito o cálculo e abatida a diferença, se fosse o caso; que o que não pode aceitar é ter pago duas vezes o mesmo débito e se ver impedida de efetuar a compensação ou ter o direito à restituição do pagamento indevido, sob o singelo argumento de que a autoridade julgadora não tem competência para homologar a compensação ou para autorizar a restituição do imposto indevidamente recolhido; que os argumentos utilizados para não dar provimento ao recurso do contribuinte também não refletem a verdadeira intenção do legislador e deriva de interpretação equivocada dos institutos que regulam a matéria; que a vedação da compensação por meio de PER/DCOMP dos créditos relativos a pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou CSLL, no decorrer do anocalendário, para fazêla somente no fim do anocalendário viola o direito do contribuinte na utilização de seu crédito; que não é o caso de aplicação da Instrução Normativa 900/2008, uma vez que os lançamentos objetivando a compensação referemse aos exercícios 2002/2003, de maneira que a referida norma não tem o condão de alcançar fatos pretéritos; que a conclusão no sentido de que não houve comprovação da existência de crédito liquido e certo merece ser melhor esclarecida, a fim de que não sofra prejuízo pela duplicidade no pagamento (descreve a origem do pagamento em duplicidade); que, além de não homologar a compensação e não reconhecer a existência de crédito, a autoridade julgadora remeteu juntamente com o acórdão guerreado, NOTIFICAÇÃO DE COBRANÇA e outro DARF exigindo o recolhimento do mesmo valor já pago duas vezes pelo contribuinte, o que é inaceitável. É o Relatório. Fl. 99DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13830.900013/200815 Resolução n.º 1302000.118 S1C3T2 Fl. 97 4 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Diante da informação prestada pela unidade de jurisdição da contribuinte, no sentido de que foi impetrada petição formalizando a desistência do recurso voluntário interposto nos presentes autos (memorando nº 175/DRF/MRA/Saort de 26 de maio de 2011), deixo de conhecêlo. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 100DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.001681/92-68
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 1998
Ementa: DRAWBACK - Comprovado o cumprimento do "drawback", não é exigível o pagamento de tributos e multas.
Valor Aduaneiro - Indevida a cobrança pela não adição do valor do aluguel dos ISOTANQUES ao valor tributável, face ao disposto no item II, do art. 8º. do Decreto 92.930/86.
Recurso voluntário provido.
Recurso de ofício não apreciado por falta de objeto.
Numero da decisão: 301-28.675
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e em negar provimento ao recurso de oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS
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MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 10580.001681/92-68 SESSÃO DE : 25 de março de 1998 ACÓRDÃO N° : 301-28.675 RECURSO N' : 116.995 RECORRENTES . : DRF/SALVADOR/BA e POLICARBONATOS DO BRASIL S/A RECORRIDA : DRF/SALVADOR/BA DRAWBACK - Comprovado o cumprimento do "drawback", não é exigível o pagamento de tributos e multas. Valor Aduaneiro - Indevida a cobrança pela não adisto do valor do aluguel dos 1SOTANQUES ao valor tributável, fatiao disposto no item II, do art. 8° do Decreto 92.930/86. Recurso voluntário provido. Recurso de oficio não apreciado por falta de objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e em negar provimento ao recurso de oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 25 de março de 1998 MOACYR ELOY DE MEDEIROS Presidente e Relator PROCIADO•IA 01I:AL DA FAZINCA NACIO"Al. CoAnl•ntndo .Gra, lovenniecto E•tralUdICIOi NI À "11.7)6 :Ce lq — VS LUCIANA COR EL RONIZ EONTES N•curooça ea FessnolO bleclonal .16/05h2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: LEDA RUIZ DAMASCENO, MÁRIO RODRIGUES MORENO, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, ISALBETTO ZAVÃO LIMA e JOSÉ ALBERTO DE MENEZES PENEDO tmc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N.° : 116.995 ACÓRDÃO N.° : 301-28.675 RECORRENTES : DRF/SALVADOR/BA e POLICARBONATOS DO BRASIL S/A RECORRIDA : DRF/SALVADORfBAHIA RELATOR(A) : MOACYR ELOY DE MEDEIROS RELATÓRIO Consta do presente processo dois recursos, um de oficio, do Sr. Superintendente da Receita Federal, na Bahia, referente a uma parcela de crédito e tributário exonerado, e outro da empresa, correspondente à parcela mantida. Trata-se de importação em regime de "Drawback" suspensão e isenção, em que não teria ocorrido a utilização total dos insumos importados no produto final exportado, e a determinação inexata do valor tributário dos bens, pela não adição do custo do aluguel de contêineres especiais. Com relação ao Recurso de Oficio, a decisão recorrida deveu-se a um novo cálculo dos tributos, em face da comprovada não consideração de documentos hábeis. Quanto ao Recurso Voluntário, a exigência contestada surgiu do fato de a fiscalização entender ter havido: 1 - Não utilização total do insumos importados nos produtos industrializados exportados com aproveitamento irregular do regime Drawback Suspensão e isenção. INFRAÇÃO: Art. 314, inciso I, II, 315, inciso II, 317, 319, 320, 328, 499 parágrafo único, todos do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030/85, itens 7, 10, 11, 12, 14 e 15 da Portaria MF 036/82. Infração no âmbito do Controle Administrativo das Importações: Multa de 20% sobre o valor dos produtos não utilizados no desvio da destinação da GI art. 526 inciso IX parágrafo 5°, inciso I e parágrafo 6° do RA. 2 - Determinação inexata do valor aduaneiro de mercadorias importadas pela não adição do custo dos aluguéis dos contêineresitanques. Infração ao art. 89, inciso II do RA combinado com artigos 1° e 80 do Decreto n° 92.930 de 17/07/86; 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N.° : 116.995 ACÓRDÃO N.° : 301-28.675 3 - A revisão da Declaração de Importação n° 403/88 a qual foi juntada à DCI 00152/88 para fins de recolhimento dos tributos, demonstrou que a multa de mora não foi computada nos acréscimos legais. Infração ao artigo 530 do RA, artigo 74 da Lei 7.799/89 e art. 59 da Lei 8.383/91. Em sua defesa, a empresa argumenta: "Remete os excelsos julgadores à defesa inicial, quando é analisado, minuciosa e detidamente, os prolegômenos do "Drawback", bem como suas finalidades precípuas, totalmente cumpridas pela ORecorrente, inclusive atestadas pela CACEX, sem a contestação dos fiscais autuantes. ( grifei). Resumindo os argumentos de Impugnação, não acatados pelo julgamento "a quo", temos que a recorrente efetivou diversas exportações realizadas a partir de 1988 fora dos Atos Concesserios, exportações extras de policarbonatos feitas para compensar os insumos não utilizados, comprovadas no Mexo 2 da defesa. Outrossim, não levou em consideração, o julgamento recorrido, a interpretação teleológica da Norma Jurídica, ou seja, o fiel cumprimento do "Drawback" com geração de divisas para o pais, da ordem de US$ 15 milhões de &Mores, como caracterizado no Anexo 3 da Defesa. Quanto ao item relativo ao acréscimo das despesas de aluguel de isotanques ao valor aduaneiro das importações de cloreto de metileno, é totalmente improcedente, porquanto, se fosse uma embalagem perecível tal como sacos ou tambores, a alegação da Receita Federal procederia. Neste caso, não se trata de uma embalagem, mas sim do aluguel de um equipamento sofisticado, não perecível, em aço inoxidável, com ida e volta desde seu ponto de origem (Inglaterra), a fim de garantir a entrega do produto em questão (cloreto de metileno), sem perdas e sem contaminação, conforme comprova o Anexo 4 - Contrato de Aluguel de tanque. Destarte, insistimos em que não se trata de embalagem, mas de equipamento auxiliar de transporte, que é 100% recuperado e devolvido a seu ponto de origem após a entrega do produto em nossa fábrica, logo, nunca poderia ser adicionado ao valor aduaneiro das 3 • • : MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N.° : 116.995 ACÓRDÃO N.° : 301-28.675 mercadorias importadas, sendo totalmente IMPROCEDENTE também este item do julgamento, ora recorrido. Vale salientar que a própria legislação citada na decisão recorrida ratifica o entendimento da Recorrente, Decreto n° 62.930/86, art. 8°, 1,a 11: "... o custo das embalagens e recipientes considerados, para fins aduaneiros, como formando um todo com as mercadorias em questão....", devem ser acrescidos ao preço efetivamente pago, na medida que importadas pelo comprador; porquanto o isotanque não O forma um todo, pois é equipamento de aço inoxidável, com ida e volta desde seu ponto de origem (Inglaterra). Por fim, a decisão recorrida não retirou a multa e a correção monetária da autuação, em cumprimento ao art. 106, I, do Código Tributário Nacional, em face da homologação dos lançamentos da Recorrente, pelos fiscais que a fiscalizaram durante os últimos anos, entendendo tacitamente como corretos, os lançamentos objetos da autuação." É o relatório. — -1 1 ° 1 4 . . . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N.° : 116.995 ACÓRDÃO N.° : 301-28.675 VOTO Quanto ao Recurso Voluntário entendemos: a - Com relação a cobrança de tributos, há que ficar perfeitamente comprovada a não aplicação das mercadorias importadas nos produtos finais exportados, e, portanto, o não cumprimento dos Atos Concessórios do "Drawback". b - Não cabe, portanto, a aplicação, à hipótese em tela, da multa prevista no art. 526, IX do RA, pelas razões acima expostas. As importações questionadas foram realizadas através das DIs mencionadas às fls. 101/111, todas cobertas pelos seguintes atos concessórios: 1)6-86/071-0, de 11/01/86, dado baixa em 16/03/88, pelo "Relatório de Comprovação de Drawback", n° 6-88/0069-3; 2) 6-86/120-1, de 06/10/86, dado baixa em 02/06/88, pelo "Relatório de Comprovação de Drawback" n° 6-88/0124-0; 3) 6-88/0092-8, de 26/12/88, dado baixa conforme Oficio SUP/CÂMBI0/011/98, do CONSEX. Banco do Brasil; 4) 6-89/0051-3, de 05/01/89, dado baixa conforme Oficio SUP/CÂMBIO n° 009/98, da CACEX Banco do Brasil; • 5) 6-90/0040-5 de 11/01/90, dado baixa em 14/03/91, pelo Relatório de Comprovação de "Drawback" n°6-91/0040-8; 6) 6-88/0035-9, de 06/06/88, dado baixa conforme Oficio SUP/CÂMBIO 010/98, da CACEX Banco do Brasil. Comprovado o cumprimento do "Drawback", não cabe a aplicação de penalidades previstas nos art. 314, incisos I, II, 317, 319, 320, 328, 499, parágrafo único do RA e itens 1, 10, 11, 12, 14 e 15 da Portaria MF n°036/82. Não se aplica, a penalidade prevista no art. 89, inciso II do RA, pela não adição do valor dos aluguéis dos ISOTANQUES, no valor tributável, face ao disposto no art. 8°, a, II do Decreto 92.930/86, "verbis": • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N.° : 116.995 ACÓRDÃO N.° : 301-28.675 "1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do artigo 1° deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas: a) os seguintes elementos, na medida em que sejam suportados pelo comprador mas não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias: I) comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra; II) o custo de embalagens e recipientes considerados, para fins aduaneiros, como formando um todo com as mercadorias em questão." Isto, posto, dou provimento ao Recurso Voluntário. O Recurso de Oficio trata da mesma matéria, e refere-se ao erro no cálculo dos tributos, que teria ocorrido, quando da penalização, com a confirmação do adimplemento do"drawback", e a decisão acima prolatada, não cabe a apreciação da matéria, por falta de objeto. Nego provimento ao recurso de Oficio. Sala das Sessões, em 25 de março de 1997. O n111111111.1111". MOACYR ELOY DE MEDEIROS - RELATOR 6 Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008800.PDF Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009000.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 12217.000029/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2010
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS)
Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Tema 69 da Repercussão Geral, O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. Os efeitos da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS devem se dar após 15.03.2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até (inclusive) 15.03.2017 e o ICMS a ser excluído da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS é o destacado nas notas fiscais.
Numero da decisão: 3301-011.658
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor destacado do ICMS da base de cálculo da contribuição, determinando-se para que, na origem, seja reapurado os valores pleiteados pela Recorrente.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Juciléia de Souza Lima - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marco Antônio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, José Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira (Suplente convocado) e Juciléia de Souza Lima (Relatora).
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2010 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS) Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Tema 69 da Repercussão Geral, O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. Os efeitos da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS devem se dar após 15.03.2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até (inclusive) 15.03.2017 e o ICMS a ser excluído da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS é o destacado nas notas fiscais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor destacado do ICMS da base de cálculo da contribuição, determinando-se para que, na origem, seja reapurado os valores pleiteados pela Recorrente. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Juciléia de Souza Lima - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marco Antônio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, José Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira (Suplente convocado) e Juciléia de Souza Lima (Relatora).
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS) Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Tema 69 da Repercussão Geral, “O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS”. Os efeitos da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS devem se dar após 15.03.2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até (inclusive) 15.03.2017 e o ICMS a ser excluído da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS é o destacado nas notas fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor destacado do ICMS da base de cálculo da contribuição, determinando-se para que, na origem, seja reapurado os valores pleiteados pela Recorrente. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Juciléia de Souza Lima - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marco Antônio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, José Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira (Suplente convocado) e Juciléia de Souza Lima (Relatora). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 21 7. 00 00 29 /2 01 0- 15 Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.658 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12217.000029/2010-15 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação em Formulário, protocolizado em 23/03/2010, por meio da qual a contribuinte objetiva a compensação de débitos tributários próprios com a utilização de crédito solicitado no Processo Administrativo nº 13839.000807/2010-11. Após regular verificação, o pleito foi analisado pela Seção de Orientação e Análise Tributária – Seort da Delegacia da Receita Federal em Jundiaí - DRF/JUN, emitiu Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição sob a seguinte alegação: “não é permitido ao sujeito passivo formular Declaração de Compensação que tenha como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade, nem tenha tido sua execução suspensa”, conforme fls. 03. Inconformada com o indeferimento do seu pedido, a Recorrente alega que o seu direito à restituição advém de créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/COFINS em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições. Intimada, a Recorrente apresentou impugnação a qual mediante o Acórdão nº 06- 50.597, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba-PR, a qual, considerou, por unanimidade de votos, improcedente a defesa apresentada. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário perante este Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais, em breve síntese, requerendo: 1- Da materialidade da contribuição do PIS; 2- Do conceito de faturamento; 3- Da incorreta inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS; 4- Da posição dos tribunais pátrios; e 5- Outras considerações sobre o tema. Voto Conselheira Juciléia de Souza Lima, Relatora. I- DA ADMISSIBILIDADE Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.658 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12217.000029/2010-15 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, razões pelas quais deve ser conhecido. Ante a ausência de arguição de preliminares prejudiciais de mérito, passo apreciar o presente recurso. 1- Do Recurso Extraordinário 574.706- Tema 69 do Supremo Tribunal Federal A controvérsia dos autos cinge-se sobre o reconhecimento de direito de crédito Recorrente da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições PIS e da COFINS Alega a contribuinte a impossibilidade de incidência da contribuição sobre os valores referentes ao ICMS. O STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, sob a sistemática da Repercussão Geral - julgamento do Tema nº 69, reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". Pleiteia a Recorrente o sobrestamento do presente processo até o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário nº 574.706 perante o STF. Ocorre que, o Supremo Tribunal Federal (STF) já concluiu o julgamento dos embargos de declaração opostos pela União Federal no Recurso Extraordinário nº 574.706 (Tema nº 69), que trata da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Naquela ocasião, o Tribunal, por maioria, deu parcial provimento aos embargos de declaração, nos seguintes termos: (i) “no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS- COFINS, prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS “destacado”; e (ii) “modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento”. Sendo assim, ante o julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706 (Tema nº 69) em repercussão geral, e, do Parecer SEI Nº 7698/2021/ME emitido pela PGFN, devidamente aprovado pelo DESPACHO Nº 246 - PGFN-ME, de 24 de maio de 2021. 2- Aplicação do artigo 62 do Regimento do RICARF Nos termos do art. 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o entendimento do STF é de observância obrigatória, de maneira que reconhece-se a possibilidade do direito de crédito sobre o ICMS incluído indevidamente na base de cálculo das contribuições sociais. Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.658 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12217.000029/2010-15 Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor destacado do ICMS da base de cálculo da contribuição, determinando-se para que, na origem, seja reapurado os valores pleiteados pela Recorrente. É como voto. (documento assinado digitalmente) Juciléia de Souza Lima Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital
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