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Numero do processo: 11060.002448/2010-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCAS QUALIFICATIVAS. AGRAVAMENTO. PROCEDÊNCIA.
A multa de ofício decorrente do falta de declaração, declaração inexata ou falta de pagamento deve ser agravada ao percentual de 150% do valor do imposto devido sempre que ficar demonstrado que o contribuinte praticou intencionalmente atos tendentes a impedir ou retardar o conhecimento do Fisco da ocorrência do fato gerador do imposto.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES.
Por expressa disposição de Lei, a pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato e pelas infrações que tenha cometido na gestão conjunta do negócio.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-003.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 07/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 APURAÇÃO. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. DIFERENÇAS APURADAS. Devem ser constituído em auto de infração o valor correspondente à diferença da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins apurada pela Fiscalização Federal em relação aos valores declarados pelo contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 APURAÇÃO. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. DIFERENÇAS APURADAS. Devem ser constituído em auto de infração o valor correspondente à diferença da Contribuição para o PIS/Pasep apurada pela Fiscalização Federal em relação aos valores declarados pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 24 48 /2 01 0- 50 Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCAS QUALIFICATIVAS. AGRAVAMENTO. PROCEDÊNCIA. A multa de ofício decorrente do falta de declaração, declaração inexata ou falta de pagamento deve ser agravada ao percentual de 150% do valor do imposto devido sempre que ficar demonstrado que o contribuinte praticou intencionalmente atos tendentes a impedir ou retardar o conhecimento do Fisco da ocorrência do fato gerador do imposto. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. Por expressa disposição de Lei, a pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato e pelas infrações que tenha cometido na gestão conjunta do negócio. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 07/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Contra a empresa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de COFINS nãocumulativa, com intimação para recolhimento do valor de R$ 436.168,34, referente a fatos geradores entre 31/01/2005 e 31/12/2007. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício duplicada de 150% e juros de mora regulamentares. Constou fundamentação Fl. 2130DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11060.002448/201050 Acórdão n.º 3302003.076 S3C3T2 Fl. 3 3 legal. Houve ciência em 15/12/2010. A intimação constante do Auto de Infração foi extensiva à empresa responsável subsidiária Associação Educacional Galileu Galilei (CNPJ n° 04.922.973/000139), nos termos o art. 133, inciso II, do CTN; b) o segundo formalizou a exigência de PIS nãocumulativo, com intimação para recolhimento do valor de R$ 84.145,56, referente a fatos geradores entre 30/04/2005 e 31/12/2007. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício duplicada de 150% e juros de mora regulamentares. Constou base legal. Houve ciência em 15/12/2010. A intimação constante do Auto de Infração foi extensiva à empresa responsável subsidiária Associação Educacional Galileu Galilei (CNPJ n° 04.922.973/000139), nos termos o art. 133, inciso II, do CTN. Do Relatório de Fiscalização, parte integrante dos Autos de Infração, extrai se os seguintes excertos: Nos períodos de apuração mencionados, o Fiscalizado prestou serviços de ensino técnico/profissionalizante e de apoio a instituições de ensino superior, adotando a sistemática do Lucro real na apuração da base de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (Irpj). Nessas condições, a pessoa jurídica é sujeito passivo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no regime nãocumulativo, sendo suas receitas integralmente alcançadas pelas exações em comento. (...), o Fiscalizado incorreu em reiteradas e dolosas práticas de sonegação de tributos, mediante apresentação de declarações inexatas, falsas, sem conteúdo ("zeradas") e omissões, adotando indevidamente, com total conhecimento da legislação que rege as exações, o regime cumulativo de apuração e recolhimento das contribuições sob análise. Demonstraremos, ainda, que o CENTRO INTEGRADO DE PREPARAÇÃO DO ESTUDANTE LTDA ME foi sucedido pela ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL GALILEU GALILEI (...) razão que nos leva a atribuir a esta a condição de responsável pelos tributos devidos pelo Fiscalizado (...). Por razões que serão oportunamente melhor abordadas neste relatório, intimamos o CIPEL a apresentar cópia de contrato de locação firmado com a União referente ao imóvel situado na Rua Vale Machado, 1655, Centro, Santa Maria/RS, no que a pessoa jurídica respondeu, em 26 de fevereiro de 2010, que em nenhum momento firmou contrato de locação com a União neste endereço (...). Por razões que serão melhor trabalhadas neste Relatório quando viermos a tratar da sucessão de fato havida em favor da ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL GALILEU GALILEI, intimamos o CIPEL, em 02 de agosto de 2010, a apresentar o contrato de cessão de direitos e obrigações firmado entre o Fiscalizado e a sucessora em 2007, no que fomos atendidos (...). O contribuinte, quando regularmente intimado, apresentou as mais diversas alegações visando a justificar a adoção do regime cumulativo de apuração e recolhimento da Contribuição para o Pis /Pasep e da Cofins, apesar de claramente demonstrar conhecimento da legislação de regência. Assumiu conscientemente, portanto, o risco de indevidamente não se submeter ao regime nãocumulativo, conclusão que se reforça quando nos deparamos com os registros contábeis das contribuições dos meses de janeiro de 2006 a dezembro de 2007 (...). Fl. 2131DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Quando não se omitiu, apresentou declarações eivadas de vício (zeradas), agindo, reiterada e dolosamente, no intuito de evadirse da tributação. (...) a conduta do contribuinte ao longo dos anos caracteriza sonegação (...): Haja vista o enquadramento da reiterada conduta dolosa do sujeito passivo no artigo 71 da Lei n° 4.502, de 1964, que trata, como vimos, da sonegação, a multa que acompanha as contribuições lançadas de oficio passa a ser de 150% (...). (...) o sujeito passivo registrou contabilmente a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas nos meses de janeiro de 2006 a dezembro de 2007 adotando o regime nãocumulativo (...). (...) passaremos a relatar os fatos que nos permitem concluir que a ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL GALILEU GALILEI, a quem nos reportaremos neste Relatório também por AEGG. sucede o CENTRO INTEGRADO DE PREPARAÇÃO DO ESTUDANTE LTDA ME CIPEL, o que implica responsabilidade subsidiária da primeira quanto aos tributos devidos pela segunda até a data da sucessão, o que se completou em dezembro de 2007, (...). (...) Por todo o exposto neste tópico, concluise que a AEGG sucede o CIPEL, assumido, portanto, a condição de sujeito passivo das obrigações tributárias objeto dos Autos de Infração, dos quais este Relatório é parte integrante, com base no art. 133 do CTN, notadamente em virtude da absorção combinada e deliberada da carteira de clientes e das transferências de mantenças pactuadas entre o sucedido e a sucessora. Relativamente à instituição Associação Educacional Galileu Galilei (CNPJ n° 04.922.973/000139) foi lavrado Termo de Sujeição Passiva, tendo havido ciência em 17/12/2010. Em 13/01/2011 a autuada apresentou peça de impugnação, onde, de forma sintética, inicia registrando que no período objeto da auditoria fiscal prestou serviços de ensino técnico profissionalizante e de apoio a instituições de ensino superior, adotando a sistemática do Lucro Real para apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Recolheu o PIS e a COFINS pelo sistema da nãocumulatividade. Diz que relativamente às exações apuradas, decaiu o direito da Fazenda Pública em relação aos períodos anteriores a dezembro de 1995. Entende que as empresas prestadoras de serviços, em especial aquelas cujo objeto social é a realização de cursos (seu caso), tem como custo predominante a mão de obra de pessoa física. Considerando que o pagamento à pessoa física não confere direito a crédito, resulta aumento demasiado da tributação deste tipo de empresa, em flagrante violação aos princípios da isonomia e da livre concorrência. Refere que seu procedimento utilizarse do sistema cumulativo para recolhimento do PIS e da COFINS não pode ser erigido à condição típica ou mesmo evidente intuito de fraude, donde não cabe a aplicação da multa de ofício em percentual de 150%. Ademais, os autos e lançamento não fazem descrição ou mesmo individualização do evidente intuito de fraude, considerado pelo legislador como condição inafastável para o agravamento da multa ou mesmo sua qualificação. Observa que não se omitiu ao prestar informações a respeito do regime adotado das contribuições. Fl. 2132DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11060.002448/201050 Acórdão n.º 3302003.076 S3C3T2 Fl. 4 5 Registra que não pode aceitar a tese de que houve omissão de rendimentos ou evidente intuito de fraude. Sua contabilidade revelou as informações, não tendo havido a necessidade de utilização do sistema de presunções ou mesmo arbitramento da base de cálculo para a lavratura das peças de lançamento. Além disso, a simples omissão de rendimentos, desacompanhada do evidente intuito de fraude, afasta a possibilidade de agravamento da multa. Diz que no relatório fiscal não ficou revelado qualquer procedimento ardiloso ou mesmo artifícios para evitar ou ocultar fatos ou informações necessárias à constituição do crédito tributário. Relativamente à ausência no cumprimento de obrigações acessórias, ou mesmo cumprimento parcial, o relatório fiscal revelou que, tão logo notificada, cumpriu as providencias exigidas, promovendo todas as retificações necessárias. Cumpriu, portanto, com as exigências legais correspondentes, tendo disponibilizado os Livros Diário e Razão, bem como forneceu todos os extratos bancários de suas contas correntes. A seguir refere que, mantidos os autos de lançamento, total ou parcialmente, se faz necessário seja afastada a incidência de juros sobre os valores fixados a título de multa, devendo esses incidirem exclusivamente sobre os tributos. Requer que, em sendo admitida a exigibilidade das exações, de forma total ou parcial, seja também admitida a retificação dos registros contábeis, bem como DACON e DCTF, de modo a permitir o aproveitamento dos créditos (Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003), com utilização do método indireto subtrativo, como forma de garantir a neutralidade da incidência do PIS sobre todos os agentes da cadeia de prestação de serviços. Se reserva o direito de apresentar os registros contábeis que demonstram a existência dos respectivos créditos. Ao finalizar, requer: 1. o reconhecimento da decadência relativamente às exações correspondentes a fatos geradores ocorridos até 30/11/2005, compreendendo as respectivas multas tributárias; 2. o reconhecimento da possibilidade de adoção do sistema de recolhimento do PIS e da COFINS com adoção da sistemática da cumulatividade, seguindo orientação jurisprudencial referida; 3. seja afastada a multa qualificada pela ausência de suporte fático necessário ao seu reconhecimento, além da não demonstração do intuito de fraude pela autoridade administrativa em todas as hipóteses aplicadas, considerando, também, não ter havido demonstração de que houve omissão de rendimentos; 4. que, mantidos os autos de lançamento, total ou parcialmente, se faz necessário seja afastada a incidência de juros sobre os valores fixados a título de multa; 5. seja admitida a retificação dos registros contábeis, bem como DACON eDCTF, de modo a permitir o aproveitamento de créditos estabelecidos nas Leis n°s 10.637,de 2002, e 10.833, de 2003, com utilização do método indireto subtrativo, como forma de garantir a neutralidade da incidência do PIS sobre todos os agentes da cadeia de prestação de serviços. Se reserva o direito de juntar documentos na forma do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235 de 1972. Em 18/01/2011 a empresa dita sucessora apresentou impugnação, através de procurador, onde inicialmente apresenta sua qualificação, dizendo ter firmado Fl. 2133DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 6 contrato de sublocação com a empresa Cipel Cursos Livres Ltda., tendo começado a funcionar na Rua Vale Machado n° 1655. Diferentemente da linha de raciocínio desenvolvida pela fiscalização, desde 2002 já se encontrava estabelecida naquele endereço. Refere que, sendo capaz, assumiu a mantença de cursos em desenvolvimento, em virtude da falta de capacidade financeira do prestador de serviços, com observação de regras fixadas pelo Conselho Estadual de Educação. No mais, em síntese registra: . o relatório fiscal é evasivo, não havendo nele qualquer prova de que o Centro de Preparação para Estudantes Ltda seria o responsável pelo pagamento dos aluguéis. Também não há prova alguma de que aquela empresa funcionasse no local; . a autoridade fiscal não fez referência ao fato de que a CIPEL Cursos Livres Ltda. rescindiu com a empresa Centro Integrado de Preparação para Estudantes Ltda. no ano de 2002, tendo sublocado o imóvel para a Associação Educacional Galileu Galilei em 01/04/2002. Diferentemente do indicado pelo Fisco, houve uma sublocação do imóvel para a Associação, sendo todos os pagamentos realizados por essa, diretamente à imobiliária. Tais pagamentos estão registrados no Livro Diário. Não há, pois, qualquer relação jurídica com a empresa ora autuada; . não se pode vislumbrar uma sucessão tributária calcada exclusivamente na conjectura de que a Associação teria assumido um fundo de comércio formado pela empresa fiscalizada. Essa não funcionou no local e, por conseguinte, não chegou a constituir um fundo de comércio no imóvel já referido. Sua ocupação foi provisória, esporádica, através de cedência, sem qualquer possibilidade de formação de fundo de comércio; . não há possibilidade de fixarse uma presunção de sucessão tributária fundada no corpo funcional, eis que no meio educacional é comum que pessoas diretamente vinculadas à atividade acabem migrando para diferentes instituições ou mesmo ocupando cargos em distintos estabelecimentos; . a Associação somente assumiu a concessão de turmas específicas a partir da transferência de mantença realizada no ano de 2007. Tal transferência não possui natureza jurídica de negócio mercantil ou de aquisição de fundo de comércio, porquanto a assunção de turmas específicas ocorreu por absoluta impossibilidade de cumprimento das obrigações assumidas pela empresa que anteriormente explorava os serviços. A transferência de mantença não pode ser interpretada como assunção da atividade como um todo, eis que apenas algumas turmas foram assumidas, conforme exigência do Conselho Estadual de Educação; . a despeito da transferência de mantença, a CIPEL não encerrou suas atividades. Diferentemente disso, é possível verificarse que a empresa continua ativa, com prestação de serviços que constituem seu objeto social. Somente após demonstrarse a i incapacidade de pagamento pela CIPEL é que pode ser verificada a possibilidade de responsabilização da Associação, o que não está demonstrado nos autos; . a AEGG é associação cível sem fins lucrativos. Por força do art. 15 da Lei n° 9.532, de 1997, está amparada pelo benefício da isenção tributária em relação ao IRPJ e CSLL, compreendendo o PIS e a COFINS das receitas próprias. Sob alegação de sucessão tributária (art. 133, II, do CTN) foi responsabilizada pelo passivo tributário da empresa Centro Integrado de Preparação do Estudante LTDA CIPEE Tal sujeição não merece prosperar, eis que inexigível o crédito tributário; . conforme o caput do art. 133 do CTN, o sucessor responde pelos tributos correspondentes ao fundo de comércio ou estabelecimento comercial adquirido. A Fl. 2134DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11060.002448/201050 Acórdão n.º 3302003.076 S3C3T2 Fl. 5 7 norma tributária não faz referência às multas fiscais, que não são consideradas tributo. À luz do princípio constitucional da legalidade, na sucessão tributária a empresa sucessora responde apenas pelos tributos e não pela multas fiscais. Além disso, por se tratarem de fatos geradores que ocorreram antes da aquisição do fundo de comércio ou estabelecimento comercial, a sucessora em nada participou, não tendo dado causa à mora ou ao não cumprimento de comando legal. Ademais, em razão do princípio da personalização da pena, a sanção não deve atingir aquele que não cometeu ou participou do ilícito; . restaram evidenciados motivos suficientes para afastar a tese de sucessão tributária. Os autos do processo fiscal não revelam provas suficientes da aquisição do fundo de comércio, condição necessária disposta pelo legislador para a configuração do conceito fixado no art. 133 do CTN. Resta evidenciado, também, que houve a transferência de mantença de turmas específicas, segundo normas do Conselho de Educação, no ano de 2007; . não admitido o afastamento da sucessão tributária, impõese seja desconsiderado do crédito tributário o valor correspondente às multas tributárias, moratórias e punitivas, considerado o que já fundamentado. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 VIOLAÇÃO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de legalidade ou constitucionalidade de leis, nem mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICADORA. A infração à legislação tributária enquadrada na definição legal de sonegação impõe a aplicação de multa de ofício no percentual de 150%. DECADÊNCIA. SONEGAÇÃO. LANÇAMENTOS Nos casos de sonegação fiscal, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário tem seu termo de início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS. INOCORRÊNCIA. No lançamento fiscal, há incidência de juros moratórios sobre o tributo, sendo calculados a partir das datas dos respectivos vencimentos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM DACON. Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 8 O aproveitamento de créditos no regime da incidência nãocumulativa da contribuição consiste em faculdade do contribuinte, descabendo o seu aproveitamento ex officio, quando não se comprove documentalmente a sua existência e o próprio autuado não exerce o direito alegado na declaração competente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2007 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM DACON. O aproveitamento de créditos no regime de incidência nãocumulativa da contribuição consiste em faculdade do contribuinte, descabendo o seu aproveitamento ex officio, quando não se comprove documentalmente a sua e desistência e o próprio autuado não exerce o direito alegado na de declaração competente. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SUBSIDIÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. São subsidiariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Insatisfeitas com a decisão de primeira instância administrativa, o sujeito passivo e solidário apresentam recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisam argumentos presentes na impugnação ao lançamento fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos recursos voluntários. De plano, como já lembrado em sede decisão de primeira instância, é de amplo conhecimento que os Tribunais Administrativos não tem competência para analisar alegações de inconstitucionalidade de lei formalmente válida. Como a ninguém é dado desconhecer, falece competência a este Conselho para deixar de aplicar lei em vigor por alegação de inconstitucionalidade, conforme art. 621 do Regimento Interno do Conselho 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11060.002448/201050 Acórdão n.º 3302003.076 S3C3T2 Fl. 6 9 Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, e Súmula CARF nº 02. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É defeso a esta corte administrativa, salvo as hipóteses expressamente previstas no parágrafo único do artigo 62 supracitado, deixar de aplicar dispositivo legal em vigor sob pretexto de suposta violação constitucional ou princípios nela resguardados. Por esta razão, nenhuma consideração será feita em relação à alegada inconstitucionalidade do sistema não cumulativo de apuração das Contribuições. No que se refere à decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário, como também já foi objeto de análise pelo i. Julgador de piso, há disposição legal cristalina no Código Tributário Nacional determinando que o prazo próprio dos tributos sujeitos a lançamento por homologação não é aplicável nos casos de dolo, fraude ou simulação, se não vejamos. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifos acrescidos). b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 10 Quanto a isso, segundo me parece, as ações praticadas pelo contribuinte e os fatos relatados nos autos não podem ser creditadas ao acaso, ao esquecimento ou um mero engano escusável. Com efeito, o procedimento da Recorrente em se utilizar conscientemente do sistema cumulativo para o recolhimento das Contribuições, quando sabia que estava enquadrada no Sistema Não Cumulativo, erige, sim, sua conduta, à qualificação de conduta típica com evidente intuito de fraude. O fato de TRF da 4ª ter decidido em sentido contrário não altera em nada o quadro. A decisão aludida, até quanto se sabe, não foi favorável à empresa, e, por conseguinte, não pode ser alegada como razão de para os atos que praticou. Ainda mais, conforme consta no Voto da decisão recorrida, outras tantas irregularidades foram identificadas. Reproduzo excertos do Voto a respeito do assunto. Conforme Relatório de Fiscalização, informou o autuante que (...) o Fiscalizado incorreu em reiteradas e dolosas práticas de sonegação de tributos, mediante apresentação de declarações inexatas, falsas, sem conteúdo ("zeradas") e omissões, adotando indevidamente, com total conhecimento da legislação que rege as exações, o regime cumulativo de apuração e recolhimento das contribuições sob análise. No entender da autoridade lançadora, haveria no procedimento da interessada adequação ao tipo penal previsto no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502, de 1964, já que estaria sonegando PIS e COFINS, (...) No caso presente a contribuinte auferiu receita tributável nos anos fiscalizados, fato que não contestou. No entanto, apresentou DIPJ zerada (2005) estando omissa em 2006 e 2007 quanto à receita da prestação de serviços; apresentou DACONs sem informação (zerados) para o ano de 2007, não tendo apresentado o Demonstrativo para os dois últimos trimestres de 2005 e todo o ano de 2006; em relação à DCTF, encontravase omisso quanto ao 2o semestre de 2005 e todo 2006, sendo que as referentes a 2007 foram entregues sem informação (zeradas). Relativamente ao 1ª semestre de 2005, confessou valores (DCTF) de PIS e COFINS como sendo do regime cumulativo; efetuou pagamentos de PIS e de COFINS pelo regime cumulativo em diversos períodos de apuração de 2005 e 2006, mesmo devendo apurar o IRPJ pelo Lucro Real (não ouve manifestação na época própria de opção por regime diferente da regra geral); não manteve escrituração contábil e fiscal como exige a legislação tributária para o ano de 2007, sendo que os Livros Diário apresentados não foram levados a registro. O art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64 é claro em definir a sonegação como sendo toda a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais2. Deixar de declarar sistematicamente dívidas tributárias se enquadra perfeitamente nesse conceito. E pouco importa que a Autoridade autuante não tenha definido em qual das três hipóteses se enquadra a conduta do contribuinte. A Recorrente deve defenderse dos fato e não da lei. 2 Art . 71. Sonegação é Ioda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1 da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11060.002448/201050 Acórdão n.º 3302003.076 S3C3T2 Fl. 7 11 E também não é verdade que Delegacia da Receita Federal de Julgamento não tenha enfrentado o assunto. Observese como se manifestou a respeito o Julgador de primeira instância administrativa. Atentese que, qualquer que seja conduta fraudulenta do sujeito passivo, " com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502 de 1964, sendo irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que tal conduta se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. Diante de tais circunstâncias, da conduta deliberada e reiterada, por mais de três anos, apresentando informações inverossímeis ao Fisco, não pequenas incorreções, mas falhas grosserias, não vejo como deixar de considerar intencional a conduta do contribuinte. Outrossim, é absolutamente irrelevante o fato de que de Impugnante não ter se omitido ao prestar informações a respeito do regime adotado no recolhimento das contribuições. O dolo encontrase na sonegação de informações que praticou antes da Fiscalização Federal tomar conhecimento dos fatos, nenhuma responsabilidade lhe está sendo imputada com base na sua conduta após o início do procedimento fiscal. Por seu turno, a sucessora alega que, conforme Termo de Outorga/Cessão de Autorização, considerando aspectos como (i) a natureza e interesse público que envolve o Sistema de Ensino Público; (ii) papel das mantedoras de ensino no sentido de manter a continuidade do serviço prestado, assegurando as condições mínimas de recursos materiais e de pessoal; (iii) os objetivos da transferência de mantença no sentido de colocar a salvo a atividade da mantida, de modo a evitar prejuízos aos alunos com a descontinuidade dos serviços ou mesmo risco de alteração negativa na qualidade de ensino; teve transferida para si as turmas de Técnico de Segurança do Trabalho, Técnico em Radiologia e Técnico em Enfermagem, assumindo o compromisso de manter a continuidade do ensino, com a mesma qualidade, com recursos materiais e de pessoal e que a fiscalização não fez prova da presença de um negócio jurídico a ponto de justificar o reconhecimento da sucessão tributária. Por outro lado, que não se pode vislumbrar uma sucessão tributária calcada exclusivamente na conjectura de que a Impugnante teria assumido um fundo de comércio formado pela empresa fiscalizada. Os fatos demonstram que a empresa fiscalizada não chegou a constituir um fundo de comércio no imóvel localizado na Rua Vale Machado. Sua ocupação foi provisória, esporádica, sem qualquer possibilidade na formação de um fundo de comércio Mas os fatos relatados em primeira instância não apontam nesse sentido. Transcrevo mais uma vez excertos que tem o condão de esclarecer o assunto. Muito embora a empresa adquirente Associação Educacional Galileu Galilei (AEGG) tenha trazido alguns elementos na tentativa de desqualificação do Termo de Sujeição Passiva que teve contra si lavrado, algumas razões são básicas para a manutenção do entendimento fiscal: I iconforme restou amplamente demonstrado pelo autuante (fls. 960 a 1073), cursos inicialmente oferecidos pelo Centro Integrado de Preparação do Estudante Lida. (CIPEL), foram, posteriormente, complementados pela Associação Educacional Galileu Galilei (AEGG); II em relação à Escola de Educação Profissional Caio Fernando Abreu (SantiagoRS), antes mantida pelo CIPEL, informações fornecidas pelo Conselho Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 12 Estadual de EducaçãoRS (CEED) dão conta que o colegiado desse aprovou, à unanimidade, em 03/10/2007, a transferência de mantença da instituição de ensino CIPEL para a AEGG (fls. 1084 a 1087), sendo de ser destacado, conforme item 5 do parecer CEED n° 764/2007 que: Cabe alertar às mantenedoras que, conforme posição reiterada deste Conselho, a transferência de mantença somente se ultima após a emissão do parecer deste Colegiado, pelo qual toma conhecimento do feito. Portanto, até que isso ocorra, a mantenedora responsável pela atividade educacional e pela expedição dos documentos escolares é o Centro Integrado de Preparação do estudante Ltda CIPEL. III. em processo próprio do CEED (n° 174/27.00/07.9), há informações claras e objetivas a propósito da transferência de mantença da CIPEL para a AEGG (fls. 1088 a 1112). O § 2o do Termo de Transferência Administrativa de Entidade mantenedora acordada entre o CIPEL e a AEGG informa que a sucessão na manutenção da escola seria integral, nos termos do contrato de cessão de direitos e obrigações firmados através de instrumento particular (fl. 1102); VI demonstra o autuante que em atendimento a Intimações, várias pessoas físicas informaram e comprovaram que clientes do CIPEL migraram, entre agosto e dezembro de 2007, para a AEGG, tendo efetuado pagamentos a ambos, donde se depreende que também em diversas cidades houve procedimentos semelhantes ao relatado anteriormente, tais como (além de SantiagoRS); Santa RosaRS; Cruz AltaRS; IjuíRS; São Luiz GonzagaRS (Escola Técnica Jo. é Gomes). No caso desta última, o CEED se pronunciou pela transferência de mantença em dezembro de 2007, momento em que a AEGG passou a se responsabilizar pelo ensino disponibilizado aos alunos naquela instituição; V no decorrer de sua impugnação, a empresa dita subsidiária admite, ainda que parcialmente, ter havido transferência de mantenças, entendendo que tal transferência não possui natureza jurídica de negócio mercantil ou mesmo aquisição de fundo de comércio. No entanto, não explica porque a partir do ano de 2006 seu faturamento decolou significativamente. Conforme demonstrado pelo Fisco com base em peças contábeis e em declarações apresentadas pela pessoa jurídica, a AEGG teve um superávit acumulado de R$ 108.536,19 em 2006, passando para R$ 4.131.550,88 em 2009. Além destes itens, a Fiscalização coletou suficiente quantidade de provas e indícios que demonstram a sucessão da CIPEL pela AEGG, especialmente em função da absorção da carteira de clientes e das transferências de mantenças que foram formalmente pactuadas, permitindose concluir no sentido da aplicabilidade do art. 133 do CTN. No que tange ao fato de a Recorrente ser associação cível sem fins lucrativos e, por força do disposto no art. 15, da Lei n°. 9.532/97, estar amparada pelo benefício da isenção tributária em relação ao IRPJ e CSLL, como também já foi abordado em primeira instância de julgamento, esta isenção está condicionada às condições e requisitos estabelecidas nos artigos 12 e 13 da Lei e a comprovação do cumprimento de tais condições não foi feita nos autos. Quanto à subsidiariedade da sucessão em tela, tratase de assunto incontroverso, razão porque nada precisa dito a respeito. No que se refere ao pedido final de aproveitamento dos créditos da admitido pela incumulatividade, reproduzo, também, manifestação contida no Voto contraditado. Fl. 2140DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11060.002448/201050 Acórdão n.º 3302003.076 S3C3T2 Fl. 8 13 Por fim, a contribuinte requer seja admitida a retificação dos registros contábeis, bem como de DACONs e DCTFs, de modo a permitir o aproveitamento de créditos possíveis nos termos das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Ocorre que depois de iniciada a ação fiscal, não pode a contribuinte reclamar ajuste de seus registros contábeis ou fiscais com vistas a elidir a eficácia do lançamento de ofício. Notese que os assentos contábeis não valem por si sós, devendo estar apoiados em documentos hábeis. No entanto, a impugnante não apresentou nenhuma prova, por mínima que fosse, da incorreção de seus assentos contábeis, devendo ser desconsiderado tal argumento. O Recurso apresentado nada acrescenta a respeito de assunto. De resto, não vejo também como excluir a Associação Educacional Galileu Galilei AEGG da responsabilidade sobre as penalidades impostas. Como fica claro do relato feito pelo Fisco, embora a sucessão só tenha se consumado no final do ano de 2007, os vínculos operacionais datavam de um período bastante anterior, como fica claro na manifestação contida no Voto condutor da decisão recorrida, dando conta de que "no entanto, não explica [referindose à Associação] porque a partir do ano de 2006 seu faturamento decolou significativamente. Por todo exposto, VOTO por negar provimento aos Recursos Voluntários. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 2141DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 37318.000835/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2005
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS.
Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o Salário-de-Contribuição (SC).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.973
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37318.000835/200781 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.973 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de março de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente JOHNSON & JOHNSON INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2005 RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o SaláriodeContribuição (SC). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 31 8. 00 08 35 /2 00 7- 81 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Relator Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 37318.000835/200781 Acórdão n.º 2201002.973 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Este processo foi julgado pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que decidiu declarar a nulidade, por vício formal, do lançamento. ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos em declarar de oficio a nulidade, por vicio formal, da NFLD. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por não declarar de oficio a nulidade. Após essa decisão, a Fazenda Nacional impetrou recurso especial. A Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF deu provimento e decidiu pelo retorno do processo para análise do mérito. FALTA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL PARA ARBITRAMENTO DE TRIBUTO. DESCRIÇÃO CLARA E SUFICIENTE DOS FATOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A falta de indicação do dispositivo legal para arbitramento de tributo não resulta, por si só, a nulidade do lançamento quando a descrição dos fatos é detalhadamente suficiente para assegurar o exercício do direito de defesa. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos à instância "a quo" para análise do mérito. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. O lançamento se refere a contribuições patronais, dos segurados e para terceiros. Segundo o Relatório Fiscal, constituem fatos geradores os valores pagos aos segurados da notificada por meio de cartão de premiação, denominado "Flexcard", nas Fl. 365DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 modalidades de premiação "Top Premium" e "Premium Card", fornecidos pela empresa Incentive House S/A, CNPJ n°00.0416.126/000141. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, embora solicitado, o contribuinte não apresentou relação identificando os beneficiários e explicitando os valores recebidos pelos mesmos, por meio do cartão de premiação. 2.1. REMUNERACÃO VIA CARTÃO DE PREMIACÃO A base de cálculo foi apurada a partir dos valores repassados aos segurados, a serviço do sujeito passivo, via cartão de premiação. 2.1.1. O contribuinte utilizou os serviços da empresa Incentive House S/A —CNPJ 00.416.126/000141 como fornecedora dos cartões de premiação. O contribuinte enviava, à fornecedora, relações de segurados a serem beneficiados e correspondentes importâncias a serem disponibilizadas, por meio de cartões magnéticos. Os cartões poderiam ser utilizados em ,compras ou em saques em espécie. 2.1.2. A partir das relações, referidas no parágrafo anterior, a Incentive House emitia nota fiscal/fatura de serviços, contra o sujeito passivo, para receber os valores de premiação, a serem repassados por meio dos cartões, acrescidos de uma porcentagem, a título de remuneração, pelos serviços por ela prestados. 2.1.3. Intimado a apresentar as políticas de pessoal que norteariam a concessão do benefício da premiação via cartão, o contribuinte encaminhou à auditoriafiscal as Políticas Operacionais: RH 012 — Sistema de Reconhecimento e RH 028 Clube dos 25 anos. Analisandose as referidas políticas, constatase que as mesmas prevêem situações em que funcionários da empresa farão jus ao benefício. 2.1.4. Foi fornecida, pelo contribuinte à auditoriafiscal, relação com: Nome dos beneficiários; valores das importâncias de premiação; número da nota fiscal/fatura de serviços, emitida pela Incentive House, correspondente ao repasse do valor da premiação. Entretanto, embora intimado pela auditoria fiscal, o contribuinte não informou, na referida relação, o vínculo existente entre o beneficiado pela premiação e a empresa. Tal omissão acarretou a emissão de Auto de Infração — vide item 6, abaixo. 2.1.5. Foram apresentadas, pelo sujeito passivo, as notas fiscais emitidas pela Incentive House. Os valores das mesmas foram confrontados com os lançamentos contábeis do período de 06/2002 a 12/2005. Esses gastos foram registrados na contabilidade da Auditada nas contas: Número da Conta Descrição da Conta 521000 PREMIO RECONHECIMENTO 521002 BENEF.EMP.PAE/CLUB25 ... Fl. 366DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 37318.000835/200781 Acórdão n.º 2201002.973 S2C2T1 Fl. 4 5 2.1.8. Constituem fatos geradores dos tributos ora lançados, os valores pagos aos segurados por meio do cartão de premiação, denominado "FLEXCARD", nas seguintes modalidades de premiação: TOP PREMIUM e PREMIUM CARD. ... 2.1.9.2. O levantamento C2B, considera apenas os valores de premiação, abrangidos pelas referidas notas fiscais/faturas, que não foram incluídos no levantamento C2A, o qual faz parte da NFLD 37.036.6999. Vide item 6, abaixo. 2.1.9.3. Quanto aos valores, objeto de apuração na presente NFLD, embora solicitado, o contribuinte não apresentou relação identificando os beneficiários e explicitando os valores recebidos pelos mesmos, por meio do cartão de premiação. Tal omissão ensejou, também, a emissão de auto de infração (vide item 6, abaixo). ... 2.1.11. As contribuições previdenciárias devidas pelos segurados foram aferidas pela alíquota mínima, sem consideração de teto, visto que o sujeito passivo não identificou os beneficiários dos valores repassados, objeto de apuração na presente NFLD. Essa omissão resultou na emissão de Auto de Infração, conforme item 6 desse relatório 2.1.12. A empresa não informou esses fatos geradores em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social. Quanto ao mérito, o recurso voluntário alega que os pagamentos não devem compor o salário de contribuição pois não constituem remuneração, eram eventuais e não foram efetuados para retribuir o trabalho. Questiona também o arrolamento de pessoas como coresponsáveis (relatórios CORESP Relatório de CoResponsáveis do Débito NN e VINCULOS Relatório de Vínculos). É o relatório. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator CORESP VÍNCULOS A relação de coresponsáveis é apenas indicativa dos que possuem ou possuíam poder de mando/direção à época da ocorrência dos fatos geradores Quanto à solicitada exclusão de pessoas do rol de coresponsáveis cabe esclarecer que esta relação, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir pessoas físicas e jurídicas no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com a legislação, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, demais pessoas não sofrerão restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese de convocação dos listados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Observo que para tal questão o CARF editou súmula abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Portanto, não há razão para a exclusão destes Relatórios CORESP e VÍNCULOS dos autos. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 37318.000835/200781 Acórdão n.º 2201002.973 S2C2T1 Fl. 5 7 PREMIAÇÃO Quanto ao mérito, a recorrente questiona a integração ao Saláriode Contribuição (SC) sobre os valores pagos por cartão premiação. Para reconhecermos se uma verba integra, ou não, o SC, devemos verificar se possui natureza de indenização ou ressarcimento, se está excluída de integrar o SC por força da legislação (§ 9°, Art. 28, Lei 8.212/1999) e analisar suas características. O legislador, ao considerar a remuneração como núcleo do Saláriode Contribuição, certamente pensou em salário no sentido amplo, englobando todas as verbas recebidas pelo segurado diretamente do empregador, como também, de terceiros, mas tudo em decorrência do contrato de trabalho. Salário de Contribuição é todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades, habituais em relação ao empregado Dentre os elementos característicos das parcelas que integram o Saláriode Contribuição ou remuneração, alguns se sobrelevam: A) Habitualidade: reiteração ou continuidade de uma gratificação (ajuste mensal, semestral ou anual) ou mesmo uma prestação in natura, habitual (periódica e uniforme), mesmo que dependa de condições para sua ocorrência; B) Pagamento pelo trabalho ou para o trabalho: deve se distinguir "o que é pago pelo trabalho (integrante do SC) e o que é pago para o trabalho (não integrante do SC); C) Integração no patrimônio do trabalhador: é preciso observar quais parcelas representam ganhos para o trabalhador, para integrarem a remuneração. A análise deve sempre partir do ponto de vista do aumento patrimonial do trabalhador. Geralmente, os pagamentos indiretos representam vantagens materiais ou imateriais proporcionadas pelo empregador, com o objetivo de aumentar a remuneração do trabalhador, a sua satisfação, a preservação da mãodeobra e a melhoria nas relações de trabalho, visando um aumento de produtividade; D) Irrelevância do título: a Lei 8.212/91 não dá importância ao título da remuneração, quando dispõe, em seus artigos 22 e 28, “... remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Significa que importa a natureza do pagamento e não o nome dado. Se for um Fl. 369DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 ganho decorrente do trabalho, é remuneração e integra o SaláriodeContribuição. Ressaltese que a legislação previdenciária ao expressar o conceito de SaláriodeContribuição, destacou: "... os ganhos habituais sob a forma de utilidades", adequandose ao texto constitucional, que diz: "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei". Portanto, verificase que os pagamentos efetuados a título de premiação por produtividade, mesmo dependentes de sorteio, integram o Salário de Contribuição (SC), pois são suas características: a) Habitualidade, pois reiteradamente é oferecido aos segurados; b) O Pagamento ocorre pelo trabalho desenvolvido; c) O pagamento integrará o patrimônio do trabalhador; e d) Não importa seu título. Após a análise das características das parcelas que integram o SC, onde se demonstra que as verbas pagas por cartãopremiação possuem todas, devemos verificar se a Legislação exclui essas parcelas da integração ao SC. Na análise do § 9º, Art. 28, da Lei 8.212/91, onde estão arroladas parcelas que não integram o SC, não há menção dessas verbas. Portanto, também por essa análise, essas parcelas devem integrar o SC. Por fim, não há como conceituar essas parcelas como indenização ou ressarcimento. Indenização é a reparação de um dano causado à coisa ou à pessoa. A indenização se relaciona com a inexecução de uma obrigação e com a prática de ilícito. O dever de indenizar para ressarcir danos é princípio do direito civil. Para a teoria clássica, a causa da indenização é o inadimplemento da obrigação e o dano é a efetiva diminuição do patrimônio. Para a teoria contemporânea, é a diminuição ou subtração de um bem jurídico. Assim, a quebra de um contrato faz presumir um dano passível de indenização. Já ressarcimento significa compensação de despesas que o trabalhador tenha efetuado, em decorrência da execução do trabalho. Esse pagamento não amplia seu ganho, nem se incorpora ao seu patrimônio. É, por exemplo, o reembolso de despesas de viagens a serviço. Destarte, também por não se conceituar como indenização ou ressarcimento, não há razão no argumento de que os valores pagos por cartão não devam integrar o SC. Por fim, a recorrente alega que não há incidência, devido o pagamento não ter sido efetuado a pessoas físicas. Esclarecemos que o pagamento foi feito por outra pessoa jurídica, que só fez esses pagamentos aos segurados a serviço da recorrente, por determinação da recorrente e com Fl. 370DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 37318.000835/200781 Acórdão n.º 2201002.973 S2C2T1 Fl. 6 9 custos sofridos pela recorrente. A simples interposição de outra pessoa jurídica não é capaz de modificar a natureza jurídica desses valores, por todo esclarecimento já prestado. Outro ponto a ressaltar é que o pagamento não foi feito à pessoa física, devido à recorrente ter contratado empresa para intermediar esse pagamento, mas os pagamentos foram efetuados devido ao trabalho realizado. É inquestionável, portanto, a natureza salarial. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 371DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 11543.000492/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NULIDADE DOS ATOS PRATICADOS PELO CONTRIBUINTE. INCAPACIDADE ABSOLUTA OU RELATIVA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO.
Não havendo prova convincente e robusta da incapacidade absoluta, nem da capacidade relativa, do contribuinte no momento de realização do ato de intimação do lançamento e da propositura da impugnação, ocorridos no ano de 2010, os atos processuais praticados não são nulos, pois não há previsão legal para declarar a nulidade de atos praticados por pessoa que fora submetida à ação de interdição (curatela) no ano de 2006.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF no 9).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 NULIDADE DOS ATOS PRATICADOS PELO CONTRIBUINTE. INCAPACIDADE ABSOLUTA OU RELATIVA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO. Não havendo prova convincente e robusta da incapacidade absoluta, nem da capacidade relativa, do contribuinte no momento de realização do ato de intimação do lançamento e da propositura da impugnação, ocorridos no ano de 2010, os atos processuais praticados não são nulos, pois não há previsão legal para declarar a nulidade de atos praticados por pessoa que fora submetida à ação de interdição (curatela) no ano de 2006. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF no 9). Recurso Voluntário Não Conhecido.
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INCAPACIDADE ABSOLUTA OU RELATIVA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO. Não havendo prova convincente e robusta da incapacidade absoluta, nem da capacidade relativa, do contribuinte no momento de realização do ato de intimação do lançamento e da propositura da impugnação, ocorridos no ano de 2010, os atos processuais praticados não são nulos, pois não há previsão legal para declarar a nulidade de atos praticados por pessoa que fora submetida à ação de interdição (curatela) no ano de 2006. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF no 9). Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 04 92 /2 01 0- 01 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11543.000492/201001 Acórdão n.º 2402005.344 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 03/09, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2008, anocalendário de 2007, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais. Por descrever os fatos, adoto o conteúdo do Despacho Decisório (fls. 39/44), reproduzido a seguir: “Contra o contribuinte acima identificado foi emitida por auditorfiscal da Delegacia da Receita Federal em Vitória, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008, anocalendário 2007, resultando em redução do imposto a restituir para R$ 932,71, conforme Demonstrativo do Valor a Restituir (fl. 09). O contribuinte foi cientificado do lançamento em 26/3/2010, conforme Aviso de Recebimento (fls. 13/14). Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foi efetuado lançamento de oficio, tendo em vista que foram apuradas as seguintes infrações: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, conforme informação na Declaração do Imposto de Renda Retido na FonteDirf: (...) COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, correspondente a diferença entre o valor declarado e o total informado pela fonte pagadora. Valor glosado: R$ 220,00. O Enquadramento Legal encontrase nos autos. Em 8/3/2010, no pedido de impugnação (fl. 02/03), acompanhado dos documentos de fls. 04/12, o contribuinte alega que: Não apresentou SRL por não ter recebido a notificação de lançamento; Junta a documentação comprobatória de que faz jus a isenção do imposto de renda por ser portador de moléstia grave. Em 19/07/2010 (fl. 24), o contribuinte solicita a inclusão do laudo médico e requer prioridade no julgamento do processo por ser portador de moléstia grave. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Em 04/05/2011 (fls. 30/31), o impugnante vem, novamente, ao processo requerer urgência na devolução dos valores de imposto de renda retidos indevidamente, tendo em vista que todos os documentos que comprovam que os rendimentos são isentos e não tributáveis já foram juntados aos autos.” A decisão de primeira instância (fls. 39/44) julgou improcedente a impugnação, mantendose os valores apurados pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 30/11/2011 (fls. 47), o interessado, por meio de sua curadora especial, interpôs, em 01/09/2014, o recurso de fls. 50/51. Nas razões recursais aduz, em síntese, que: 1. o contribuinte é absolutamente incapaz e todos os seus atos praticados no presente processo são nulos; 2. a curadora especial não foi cientificada da notificação de lançamento nem da decisão de primeira instância; 3. no mérito, informa que o contribuinte é portador de moléstia grave (alienação mental) e isento do imposto de renda. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11543.000492/201001 Acórdão n.º 2402005.344 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator I DA PREJUDICIALIDADE: ALEGAÇÃO DE INCAPACIDADE ABSOLUTA DO CONTRIBUINTE E NULIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS PROFERIDOS Por meio da curadora especial, há a alegação na peça recursal de que o contribuinte é absolutamente incapaz e todos os seus atos praticados no presente processo são nulos, deste a intimação do lançamento fiscal até a peça de impugnação, a teor do art. 169 do Código Civil (Lei 10.406/2002). Nos termos do inciso I do art. 166 do Código Civil, é nulo o negocio jurídico celebrado por pessoa absolutamente incapaz. Nesse passo, o art. 169 desse mesmo código dispõe que o negócio jurídico, quando celebrado por pessoa absolutamente incapaz, não é susceptível de confirmação, nem convalescer pelo decurso do tempo. Conforme Certidão Judicial da 1a Vara de Órfãos e Sucessões de Vitória/ES (fls. 53), emitida em 13/12/2006, o contribuinte (Sr. Carlos Marcos Cruz Reis), por ser portador de psicose, foi submetido ao processo de interdição (curatela) e declarado incapacitado para os atos da vida civil, tendo como curadora definitiva a Sra. Lusiene Pereira dos Santos (cônjuge). Ocorre, entretanto, que, antes do advento da Lei 13.146/2015, a ação de interdição (curatela) proveniente da deficiência mental poderia decorrer tanto da incapacidade absoluta (art. 3o do Código Civil) como da incapacidade relativa (art. 4o do Código Civil), a teor do art. 1.767 do Código Civil. Código Civil Lei 10.406/2002: Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I os menores de dezesseis anos; II os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos; III os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos. (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) I (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 II (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) III (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer: Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) I os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; II os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido; III os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo; II os ébrios habituais e os viciados em tóxico; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) III aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) IV os pródigos. Parágrafo único. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial. Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial. (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) ......................................................................................................... Art. 1.767. Estão sujeitos a curatela: I aqueles que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para os atos da vida civil; II aqueles que, por outra causa duradoura, não puderem exprimir a sua vontade; III os deficientes mentais, os ébrios habituais e os viciados em tóxicos; IV os excepcionais sem completo desenvolvimento mental; I aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) II (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) III os ébrios habituais e os viciados em tóxico; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) IV (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11543.000492/201001 Acórdão n.º 2402005.344 S2C4T2 Fl. 5 7 V os pródigos. No presente caso, os elementos probatórios não apontam em nenhum momento que o contribuinte seria absolutamente incapaz. Pelo contrário, os documentos de fls. 30/32 (emitido em 29/04/2011, Procuração estabelecendo poderes aos advogados para atuarem em seu nome) e de fls. 24/26 (emitido em 19/07/2010, solicita prioridade na tramitação de seu processo na Delegacia da Receita Federal do Brasil), ambos assinados pelo próprio contribuinte e sem a assinatura ou representação/assistência da curadora especial, sinalizam que o contribuinte não seria absolutamente incapaz. Tanto o ato de intimação do lançamento fiscal como a peça de impugnação, proposta pelo próprio contribuinte e com sua assinatura, foram realizados no ano de 2010. Os laudos médicos emitidos em 13/05/2005 (fl. 11) e 13/07/2010 (fl. 26), bem como as cópias dos laudos médicos de fls. 55/58, informam que o contribuinte é portador de transtorno depressivo grave com distúrbios psicóticos, enquadrandoo na CID F 32.3, sendo que isso, por si só, não é conclusivo para reconhecer a incapacidade absoluta do contribuinte. Por sua vez, reconhecemos que o curador pratica os atos da vida civil em nome do curatelado, visto representálo legalmente a partir da sentença que declara sua incapacidade. Assim, não obstante a condição de curatelado do ora representado contribuinte no ano de 2006, o exercício de seus direitos e deveres efetivase por intermédio de seu representante legal, enquanto a causa de sua incapacidade se mantiver. Desse modo, no caso concreto, houve o preenchimento e encaminhamento da Declaração de Ajuste Anual do imposto de renda, contendo o endereço do domicílio fiscal eleito pelo contribuinte e sem qualquer informação de que o contribuinte seria absolutamente incapaz ou teria outra incapacidade para praticar atos processuais e da vida civil. Neste caso, aparentemente, a hipótese seria de proibição de comportamento contraditório (chamado de venire contra factum proprium) e impossibilidade de alegação da própria torpeza (art. 180 do Código Civil). Nesse passo, quanto à incapacidade, seja absoluta ou relativa, a decisão de interdição necessita ser registrada para produzir efeitos para todos, erga omnes (art. 9o do Código Civil), sendo que esse registro, assim como a decisão de interdição, não é eterno e não tem eficácia permanente. Observase, ainda, que a decisão de interdição submetese à cláusula rebus sic stantibus, alterandose ou modificandose segundo as razões fáticas evidenciadas no paciente e no exercício de suas atividades, podendo decorrer de melhora do quadro com o abrandramento da incapacidade e até mesmo a sua reversão (chamada de levantamento da interdição). Assim, para declarar a nulidade ou aceitar a anulabilidade de ato processual, a incapacidade do contribuinte deve ser demonstrada no momento de realização do ato supostamente viciado, sendo que, no caso ora analisado, a Certidão da Justiça emitida em data anterior ao momento de realização do ato, por si só, não configura a nulidade ou anulabilidade do ato praticado posterior à decisão judicial de interdição do paciente, pois a decisão judicial tem eficácia executiva efêmera, amoldandose ao contexto fático evidenciado no momento de julgamento. Diante da ausência de prova convincente e robusta da incapacidade absoluta do contribuinte, nem da incapacidade relativa, no momento da prática de atos exercidos no ano de 2010, não se acata a alegação de que os atos praticados após a ciência da intimação fiscal Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 seriam nulos, pois não há previsão legal para declarar a nulidade de atos praticados por pessoa que fora submetida à ação de interdição (curatela) no ano de 2006. Em outras palavras, somente na hipótese de demonstração da incapacidade do contribuinte no momento do exercício do ato, declarado pelo Poder Judiciário ou demonstrado nos autos, seria possível admitir, diante do caso concreto, a nulidade ou anulabilidade dos atos praticados pelo contribuinte dentro do presente processo, em obediência aos artigos 166, 169 e 171, todos do Código Civil. Após análise e rejeição da prejudicialidade suscitada na peça recursal, passo à apreciação das demais questões recursais. II DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cumpre esclarecer que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos recursais extrínsecos, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o interesse, o cabimento e a legitimidade para tanto. Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 30/11/2011, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos (fls. 47). Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário, assinado por sua curadora especial, apresentando as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação, e informa que não tinha ciência dos atos processuais de intimação e notificação do lançamento fiscal. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 01/09/2014, nos termos da papeleta do recurso voluntário, devidamente carimbado pelo Fisco da Delegacia da Receita Federal em Vitória/ES, papeleta final do recurso (fl. 50). O art. 5º, parágrafo único, do Decreto 70.235/1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito dos tributos arrecadados e administrados pela União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso, transcrito abaixo: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11543.000492/201001 Acórdão n.º 2402005.344 S2C4T2 Fl. 6 9 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) Na espécie, a Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 30/11/2011 (quartafeira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 01/12/2011 (quintafeira). O trigésimo dia ocorreu em 30/12/2011 (sextafeira). Entretanto o recurso só teria sido apresentado ao Fisco em 01/09/2014, segundafeira (papeleta final do recurso voluntário), portanto, fora do prazo recursal. Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) Com relação ao fato de que a curadora especial não recebeu diretamente a notificação de lançamento nem a decisão de primeira instância, cumpre esclarecer que esses documentos foram enviados para o domicílio fiscal eleito pelo contribuinte e, além disso, tal alegação, por si só, não pode ser considerada para alargar o prazo legal de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto 70.235/1972, já que não se constitui como hipóteses de força maior ou de caso fortuito. Esse entendimento está em conformidade com o enunciado da Súmula CARF no 9, transcrita abaixo: “Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” No mesmo sentido, o inciso II do art. 23 do Decreto 70.235/1972 exige apenas a prova de que a correspondência foi entregue no endereço do domicílio fiscal do contribuinte e depreendese que esta pode ser recebida por qualquer outra pessoa a quem o senso comum permita atribuir a responsabilidade pela entrega da mesma. Decreto 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) O domicílio de intimação estava correto, pois ocorreu a intimação por via postal mediante AR enviado para o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, a saber: Rua Manoel Vivácqua, 614, Bairro Aeroporto, CEP 29.072230, Vitória/ES. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 A regra na contagem dos prazos processuais é a continuidade, ou seja, os prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou de caso fortuito, como greves ou outros fatos que impeçam o funcionamento dos órgãos da Administração. Essas hipóteses devem ser devidamente comprovadas nos autos e, no momento, não as encontramos presentes neste processo. Nesse sentido, resta claro que o contribuinte (Recorrente) não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal que seria o dia 30/12/2011 e não o dia 01/09/2014 como fora apresentado. Diante desse quadro fático, impõese afirma a ocorrência da intempestividade da peça recursal do contribuinte, não devendo prosperar o exame das demais alegações postuladas no recurso de fls. 50/51. III CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 11020.007705/2008-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO MENSAL DOS CUSTOS DOS INSUMOS EMPREGADOS NOS PRODUTOS EXPORTADOS. LEIS Nº 9.363/96 E Nº 10.276/2001.
Nos termos das Leis nº 9.363/96 e nº 10.276/2001, e respectivo regulamentação, na determinação dos custos relativos à aquisição de insumos (MP, PI e ME), empregados no processo produtivo destinado à exportação, a ausência de apuração mensal dos estoques impede a quantificação dos insumos utilizados na fabricação dos produtos, impedindo também, por via de conseqüência, a determinação da base de cálculo do incentivo e a sua própria aplicação.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.107
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTÔNIO LISBOA CARDOSO
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APURAÇÃO MENSAL DOS CUSTOS DOS INSUMOS EMPREGADOS NOS PRODUTOS EXPORTADOS. LEIS Nº 9.363/96 E Nº 10.276/2001. Nos termos das Leis nº 9.363/96 e nº 10.276/2001, e respectivo regulamentação, na determinação dos custos relativos à aquisição de insumos (MP, PI e ME), empregados no processo produtivo destinado à exportação, a ausência de apuração mensal dos estoques impede a quantificação dos insumos utilizados na fabricação dos produtos, impedindo também, por via de conseqüência, a determinação da base de cálculo do incentivo e a sua própria aplicação. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 05/10/2011 Fl. 77DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por 31542182115 - CPF não encontra, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANTONIO LISBOA CARDO SO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (presidente) Relatório Cuidase de recurso voluntário em face do acórdão da DRJ de Porto Alegre, que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, nos termos da Lei nº 9.363 de 1996, com apuração feita segundo o método alternativo de que trata a Lei nº 10.276, de 2001, correspondente ao valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins), incidentes na aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos exportados, referente ao período de apuração de 01/01/2005 a 31/03/2005, , requerido através do PER/DCOMP 02686.77127.280405.1.1.013034, sintetizado na ementa de fl. 59, in verbis: “Acórdão 1030.232 3 a Turma da DRJ/POA Sessão de 10 de março de 2011 Processo 11020.007705/200800 Interessado CRACCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE JÓIAS LTDA Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados I P I Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO DOS CUSTOS DOS INSUMOS EMPREGADOS NOS PRODUTOS EXPORTADOS. I Para fruição do incentivo fiscal representado pelo crédito presumido de IPI, não basta a simples fabricação e exportação de produtos nacionais, devendo o beneficiário fornecer à autoridade administrativa todos os elementos comprobatórios do seu direito, consoante previsto na legislação. II A apuração do crédito presumido de IPI será feita mensalmente, considerando os custos das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem e dos combustíveis utilizados no processo produtivo durante os respectivos meses de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, o contribuinte não efetuava levantamentos mensais de estoque para fins de apuração do crédito presumido, socorrendose da escrituração do livro Registro de Inventário feita no final do anocalendário para apurar os custos dos insumos empregados nos produtos exportados, o que não encontraria amparo nas normas específicas do crédito presumido, pelo que não poderia invocar as normas Fl. 78DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por 31542182115 - CPF não encontra, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANTONIO LISBOA CARDO SO Processo nº 11020.007705/200800 Acórdão n.º 330101.107 S3C3T1 Fl. 78 3 do IRPJ e CSLL para esquivarse de suas obrigações como contribuinte do IPI, e de demonstrar cabalmente a procedência de seu pedido, vez que é o maior interessado na solução da lide. Cientificada através do AR (fl. 63, em 04/04/2011), a interessada apresentou recurso voluntário em 26/04/2011, alegando, em síntese, que a falta da escrituração mensal dos estoques, não impede nem inviabiliza a apuração precisa do crédito presumido de IPI, e que a falta de levantamento de estoques mensais, sem que tenha havido a utilização antecipada do crédito, via compensação, como é o caso presente, não interfere no valor final do benefício. Muito embora os períodos de apuração sejam mensais, com a possibilidade de formular pedidos de ressarcimento trimestrais, a legislação que rege o crédito presumido de IPI, exige que o cálculo seja efetuado, considerando as receitas decorrentes de vendas para o mercado interno e externo, acumuladas no ano. De igual modo, estabelece a legislação específica, que a base de cálculo do incentivo é o valor das aquisições das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, acumulados no anocalendário, nos termos do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 315, de 03 de abril de 2003 \ inverbis: “Art. 10. Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica deverá: I apurar o total acumulado, desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, dos custos referidos no art. 6º; II apurar o fator a ser aplicado, de conformidade com o art. 7º, considerando os valores da receita operacional bruta, da receita de exportação e dos custos, acumulados desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito;” Noutras palavras, o cálculo do crédito presumido de IPI é efetuado, mês a mês. Todavia, o cálculo sofre ajustes durante todo o anocalendário, uma vez que é determinado com base nos valores acumulados da receita (mercado interno e externo) e dos insumos desde o início do anocalendário, até o mês de referência, tornandose, portanto, definitivo, somente no final de cada exercício. Assim, o benefício fiscal, no final do ano calendário, terá um único resultado, seja ele apurado considerando os estoques de insumos mês a mês ou considerando o estoque existente no início e no final do ano. Ou dito de outra forma, o resultado dos produtos não altera os fatores, ou ainda, existe mais de uma metodologia para se encontrar um mesmo resultado. Portanto, a falta de estoques mensais, desde que acompanhada do valor dos estoques no início e no final de cada anocalendário, não afeta o valor final do crédito presumido, já que a base de cálculo do incentivo é determinada pela equação: estoque inicial (Io de janeiro) + compras de todo o anocalendário estoque final (31 de dezembro). De sorte que a falta de levantamento de estoques mensais (intermediários), quando acompanhada da apresentação do estoque existente no início e no final de cada ano, não inviabiliza o cálculo do crédito presumido de IPI, nem interfere na determinação do valor final do benefício. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por 31542182115 - CPF não encontra, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANTONIO LISBOA CARDO SO 4 Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO O recurso é tempestivo e encontrase revestido dos demais requisitos de admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, no presente caso tratase de pedido de ressarcimento de IPI, como ressarcimento das contribuições de PIS e Cofins, nos termos das da Lei n° 9.363 de 1996, ou ainda apurado pelo método alternativo da Lei n° 10.276 de 2001. De acordo com o art. 1º da Lei nº 10.276, de 2001, a apuração do crédito presumido de IPI, destinado ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins incidentes nas aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na fabricação de produtos exportados, deverá ser processado de acordo com o disposto em regulamento, nos seguintes termos: “Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento.” (grifado). Por sua vez, dispõe a IN SRF nº 315, de 2003, em seu art. 15, que a apuração do referido credito presumido, deverá ocorrer, “em cada mês”, in verbis: “Art. 15. A pessoa jurídica que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial ou a que, mesmo que mantenha tal sistema, não consiga efetuar os cálculos de que t r a ta o artigo 13, deverá apurar a quantidade de MP, PI, ME e combustíveis utilizados no processo industrial, em cada mês, somando a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindo do total a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas no processo industrial e as transferências.” (grifado). Neste sentido já teve ocasião de decidir este colendo CARF, através do Acórdão n° 20310.681, in verbis: “Destarte, a determinação de que a avaliação dos insumos seja feita pelo método PEPS não se constitui em irregularidade, mas apenas numa adequação a um sistema de custos não coordenado e não integrado com a escrituração comercial. A jurisprudência deste colegiado partilha desse entendimento: “Não mantendo a empresa sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, a avaliação do estoque é feita pelo sistema PEPS (primeiro a Fl. 80DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por 31542182115 - CPF não encontra, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANTONIO LISBOA CARDO SO Processo nº 11020.007705/200800 Acórdão n.º 330101.107 S3C3T1 Fl. 79 5 entrar, primeiro a sair), de modo que os bens que deveriam estar no estoque são avaliados pelos preços mais recentes.” (Ac. 1° CC 10178.982/89) Quanto à utilização do custo médio para avaliação dos estoques na ausência de um sistema de custo integrado e coordenado com a escrituração, manifestouse este Conselho: “Para que possam ser avaliados pelo custo médio de estoques, de produtos acabados, é necessário manterse sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, não se harmonizando com as disposições legais o uso da média aritmética anual, relativa ás aquisições e um exercício inteiro. (Ac. 1° CC 101 73.383/82). (grifado). No mesmo sentido merece ser transcrita a ementa do acórdão nº 20175.239, de relatoria do ilustre Conselheiro e ilustre Professor José Roberto Vieira, também mencionado no voto condutor do acórdão recorrido, in verbis: “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO EM RELAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES (LEI N° 9.363/96). MENSURAÇÃO DOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. As empresas que não mantêm sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial devem apurar a quantidade mensal de insumos utilizados na produção somando se a quantidade em estoque no inicio do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose do total a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências (artigo 3°, §§ 7° e 8°, da Portaria MF n° 38/97), hipótese em que a avaliação dos insumos utilizados na produção mensal será efetuada pelo método PEPS, que, neste caso, deixa de ser opcional para se tomar obrigatório. Recurso voluntário negado.” De acordo com o voto condutor do referido acórdão citado, a ausência de apuração mensal dos estoques “...impede a quantificação dos insumos utilizados na fabricação dos produtos, impedindo também, por via de conseqüência, a determinação da base de cálculo do incentivo e a sua própria aplicação!” (grifado). Desta forma, considerando que a recorrente não procedeu em conformidade com as normas regulamentadoras fixadas pela RFB, para a apuração do crédito presumido, sobretudo, no que se refere à apuração mensal dos custos relativos a MP, PI, e ME, não há como ser atendido o pleito da Recorrente. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator Fl. 81DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por 31542182115 - CPF não encontra, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANTONIO LISBOA CARDO SO 6 Fl. 82DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por 31542182115 - CPF não encontra, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANTONIO LISBOA CARDO SO
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Numero do processo: 15504.017285/2010-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS. COMPENSAÇÃO.
Os prejuízos não operacionais, apurados pelas pessoas jurídicas, a partir de 1º de janeiro de 1996, somente poderão ser compensados com lucros da mesma natureza, observado o limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado.
Os prejuízos não operacionais decorrentes das alienações de bens do ativo imobilizado estão inseridos nessa restrição. No entanto, ela não se aplica às perdas decorrentes de baixa de bens ou direitos do ativo permanente em virtude de terem se tornado imprestáveis, obsoletos ou caído em desuso, ainda que posteriormente venham a ser alienados como sucata.
DECADÊNCIA. REGRA GERAL.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Restando constatado, entre a data da ciência do auto de infração e a data do fato gerador, prazo menor do que cinco anos, não há falar em decadência.
Numero da decisão: 1401-001.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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COMPENSAÇÃO. Os prejuízos não operacionais, apurados pelas pessoas jurídicas, a partir de 1º de janeiro de 1996, somente poderão ser compensados com lucros da mesma natureza, observado o limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado. Os prejuízos não operacionais decorrentes das alienações de bens do ativo imobilizado estão inseridos nessa restrição. No entanto, ela não se aplica às perdas decorrentes de baixa de bens ou direitos do ativo permanente em virtude de terem se tornado imprestáveis, obsoletos ou caído em desuso, ainda que posteriormente venham a ser alienados como sucata. DECADÊNCIA. REGRA GERAL. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Restando constatado, entre a data da ciência do auto de infração e a data do fato gerador, prazo menor do que cinco anos, não há falar em decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 72 85 /2 01 0- 02 Fl. 617DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.017285/201002 Acórdão n.º 1401001.460 S1C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Lívia De Carli Germano. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 530535: I – DO LANÇAMENTO. Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado em 04 de outubro de 2010 o Auto de Infração de fls. 04/06, que exige o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 2.347.855,16, cumulado com multa de ofício e juros de mora pertinentes calculados até 30/09/2010. I.1 DA REVISÃO DO LANÇAMENTO Posteriormente à lavratura e cientificação do Auto de Infração de fls. 04/06, constatouse a necessidade de procederse à sua revisão, em razão de: Fl. 618DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.017285/201002 Acórdão n.º 1401001.460 S1C4T1 Fl. 4 3 I.2 DO NOVO AUTO DE INFRAÇÃO Em 20 de outubro de 2010, substituindo o de fls. 04/06, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 93/96, exigindo o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 2.347.855,16, cumulado com multa de ofício e juros de mora pertinentes calculados até 30/09/2010. I.3 DESCRIÇÃO DOS FATOS. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: I.4 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL TVF (fls. 100/103). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.017285/201002 Acórdão n.º 1401001.460 S1C4T1 Fl. 5 4 Fl. 620DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.017285/201002 Acórdão n.º 1401001.460 S1C4T1 Fl. 6 5 II – DA IMPUGNAÇÃO. Tendo sido dele cientificado em 25/10/2010 (vide “AR”, de fls. 106/107), o sujeito passivo contestou o lançamento em 23/11/2010, mediante o instrumento de fls. 108/115. Adiante compendiamse suas razões. II.1 DOS FATOS Inicialmente, a Impugnante, após narrar os fatos da autuação, salienta que os valores exigidos, porém, quer no tocante do IRPJ, multa ou juros, são manifestamente indevidos. II.2 PRELIMINARES II.2.1 – Da Tempestividade A Impugnante destaca a tempestividade da defesa apresentada. II.2.2 – Da Decadência dos Valores Lançados Diz, os valores exigidos dizem respeito a valores, supostamente devidos, decorrentes de suposto uso indevido da Compensação de Prejuízos Fiscais dos anoscalendário de 1999 a 2002. No entanto, já decaiu o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário relativamente aos anoscalendário de 1999 a 2002, Fl. 621DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.017285/201002 Acórdão n.º 1401001.460 S1C4T1 Fl. 7 6 em vista do que prescreve o CTN, em seu art. 150, §4º. Cita, além do CTN, o art. 74, §5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Alega: II.3 – DA FUNDAMENTAÇÃO QUANTO AO MÉRITO DA INCONSISTÊNCIA DA COBRANÇA Alega que autuação não prospera, em virtude de pontos essenciais que o Fisco esqueceu de verificar. [...] Fl. 622DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.017285/201002 Acórdão n.º 1401001.460 S1C4T1 Fl. 8 7 A 2ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 529): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS. COMPENSAÇÃO. Os prejuízos não operacionais, apurados pelas pessoas jurídicas, a partir de 1º de janeiro de 1996, somente poderão ser compensados com lucros da mesma natureza, Fl. 623DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.017285/201002 Acórdão n.º 1401001.460 S1C4T1 Fl. 9 8 observado o limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado. Os prejuízos não operacionais decorrentes das alienações de bens do ativo imobilizado estão inseridos nessa restrição. No entanto, ela não se aplica às perdas decorrentes de baixa de bens ou direitos do ativo permanente em virtude de terem se tornado imprestáveis, obsoletos ou caído em desuso, ainda que posteriormente venham a ser alienados como sucata. DECADÊNCIA. REGRA GERAL. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Restando constatado, entre a data da ciência do auto de infração e a data do fato gerador, prazo menor do que cinco anos, não há falar em decadência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do Acórdão em 12/04/2012 (fls. 545), a contribuinte apresentou em 11/05/2012 o recurso voluntário de fls. 547557, argüindo apenas a decadência do direito de a Fazenda Nacional questionar eventual uso indevido de compensação de prejuízos fiscais referentes aos anoscalendário de 1999 e 2002, uma vez que o início da presente ação fiscal (28/05/2010) bem como a lavratura do auto de infração (20/10/2002) teriam ocorrido após o decurso do prazo decadencial. A recorrente não questionou o mérito da presente autuação. É o relatório. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.017285/201002 Acórdão n.º 1401001.460 S1C4T1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Em sua peça recursal, a contribuinte limitouse a argüir a decadência do direito de constituição do crédito tributário objeto do presente processo, abstendose de questionar o mérito da presente autuação. Preliminar de decadência A recorrente, assim como fez na fase impugnatória, argüiu a decadência, sustentando que valores ora exigidos decorrem da compensação de prejuízos fiscais apurados nos anoscalendário de 1999 e 2002. Com base no art. 150, §4º, do CTN, a recorrente entende que ocorreu a decadência, pelo decurso do prazo de mais de 5 (anos) entre a data dos fatos geradores (anos de 1999 e 2002) e a ciência do lançamento (2010). Neste sentido, fez referência ao art. 74, §5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Não assiste razão à recorrente. Conforme relatado, a glosa de prejuízos fiscais efetuada pela Fiscalização referese ao anocalendário de 2005, cujo fato gerador se deu em 31/12/2005. A referência feita pela recorrente ao art. 74, §5º, da Lei nº 9.430/96, não guarda nenhuma relação com o caso concreto. A citada norma estabelece o prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo. No caso em apreço, contudo, estamos tratando de compensação de prejuízos fiscais (compensáveis para fins do imposto de renda), sujeito a regras específicas, dentre as quais a observância do limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado. Sobre o tema, manifestouse com muita propriedade o acórdão recorrido, fls. 536537: [...] o fato de a base tributável ter decorrido da glosa de prejuízos apurados antes do anocalendário de 2005, compensados de forma indevida, não desloca o fato gerador da infração para os anos em que os prejuízos foram efetivamente apurados (1999 e 2002). A infração que se constatou diz respeito à compensação indevida do saldo prejuízos não operacionais de anos anteriores, pela não observação do art. 31, da Lei nº 9.249, de 1995 (art. 511, do RIR/1999 e art. 36, da IN/SRF nº 11/1996), verificada na base tributável do imposto do anocalendário de 2005. Vale dizer, apenas para argumentar, a limitação temporal para a revisão de prejuízo extinguese apenas quando não há mais Fl. 625DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.017285/201002 Acórdão n.º 1401001.460 S1C4T1 Fl. 11 10 direito à constituição de crédito em relação ao qual se opera a influência. Isso é o que se depreende da leitura do art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996, e art. 264 do RIR, de 1999, verbis: Lei 9.430, de 1996 Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. (grifouse) RIR/1999 Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Esclarecida esta questão, cumprenos proceder a correta aplicação da regra de decadência, prevista no art. 150, §4º, do CTN. De acordo com o citado dispositivo legal, a data do fato gerador é que deve ser considerado como termo inicial para fins de contagem do prazo decadencial. Assim, no caso concreto, a contagem do prazo decadencial teve início em 31/12/2005 e somente se findaria em 31/12/2010. O presente lançamento, contudo, foi formalizado em 25/10/2010 (data em que o sujeito passivo tomou ciência da revisão do lançamento), de onde se conclui que não se verificou a decadência argüida pela recorrente. Conclusão Diante do exposto, rejeito a preliminar de decadência e, por conseguinte, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 626DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 19647.012775/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA .SÚMULA 99 DO CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, para reconhecer a decadência das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN.
André Luis Marsico Lombardi- Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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OCORRÊNCIA .SÚMULA 99 DO CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 27 75 /2 00 7- 35 Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento, para reconhecer a decadência das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 19647.012775/200735 Acórdão n.º 2401004.133 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 Data de ciência da NFLD: 30/04/2007. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da NFLD no 35.579.6813. Basicamente, a NFLD referese a contribuições devidas à Seguridade Social, parte patronal e de segurados não descontada dos mesmos, incidentes sobre os pagamentos efetuados as cooperativas de trabalho, as remunerações pagas a segurados empregados e a contribuintes individuais, além das contribuições destinadas aos terceiros. Os fatos geradores das contribuições apuradas no lançamento de credito são as verbas remuneratórias pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e as retribuições ou remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais, além dos pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho. Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a Recorrente apresentou Impugnação a fl. 791 e seguintes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1 121.556 7ª Turma da DRJ/REC, às fls. 1341 e seguintes, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04/03/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1358. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário a fls. 1374 e seguintes, ratificando parte de suas alegações anteriormente expendidas e respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: Decadência, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Irregularidade no lançamento a partir dos seguintes pontos: (i) glosa de despesas com cartão de crédito; (ii) configuração de salário indireto decorrente do pagamento de anuidade para o CREA; (iii) caráter indenizatório do auxílio ferramenta, auxilio passagem e auxilio creche; (iv) inexistência de observância às disposições da Lei n. 9.532/1997 ao se definir, na base de cálculo para incidência de contribuição previdenciária, os pagamentos realizados com previdência privada de um dos seus sócios. Ao final, pede a desconstituição do lançamento originário, a partir da reforma do v. acórdão recorrido, sob o argumento de sua total improcedência. Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 19647.012775/200735 Acórdão n.º 2401004.133 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 04/03/2008, conforme AR juntado à fl. 1358, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 02/04/2008, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA Inicialmente, registramos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 STF:“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: 9o.O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Já o artigo 150, § 4º, assim dispõe: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência o fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça que, nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por consequência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Diante disso, acatase a preliminar de decadência tributária, excluindo as contribuições previdenciárias apuradas. Por tais razões, acolho a preliminar de decadência, razão pela qual não há necessidade de analisar diretamente o exame do mérito. Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 19647.012775/200735 Acórdão n.º 2401004.133 S2C4T1 Fl. 5 7 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
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Numero do processo: 10920.722824/2011-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
Ementa:
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não merece acolhimento a alegação de cerceamento do direito de defesa na circunstância em que não restam comprovados os fatos que supostamente o motivou.
DECADÊNCIA. CONDUTA DOLOSA.
Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional).
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO E FORMALIDADES LEGAIS. INDEPENDÊNCIA DE ATOS.
Comprovado que o contribuinte e terceiros em benefício deste agiram com dolo e simulação, o Fisco fica autorizado a lançar de ofício os fatos jurídicos tributários, nos termos do artigo 149, VII, do CTN, independentemente de outras medidas legais ("baixas", de ofício, de CNPJ de empresas tidas como de "fachadas").
ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA
Na circunstância em que, embora reiteradamente intimado, o contribuinte deixa de apresentar a escrituração e respectiva documentação de suporte, o arbitramento do lucro revela-se regular.
MULTA DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. PROCEDÊNCIA
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1301-001.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e redator ad hoc da formalização do Acórdão
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não merece acolhimento a alegação de cerceamento do direito de defesa na circunstância em que não restam comprovados os fatos que supostamente o motivou. DECADÊNCIA. CONDUTA DOLOSA. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO E FORMALIDADES LEGAIS. INDEPENDÊNCIA DE ATOS. Comprovado que o contribuinte e terceiros em benefício deste agiram com dolo e simulação, o Fisco fica autorizado a lançar de ofício os fatos jurídicos tributários, nos termos do artigo 149, VII, do CTN, independentemente de outras medidas legais ("baixas", de ofício, de CNPJ de empresas tidas como de "fachadas"). ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROCEDÊNCIA Na circunstância em que, embora reiteradamente intimado, o contribuinte deixa de apresentar a escrituração e respectiva documentação de suporte, o arbitramento do lucro revelase regular. MULTA DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. PROCEDÊNCIA Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 28 24 /2 01 1- 77 Fl. 12790DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10920.722824/201177 Acórdão n.º 1301001.988 S1C3T1 Fl. 12.790 2 aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente e redator ad hoc da formalização do Acórdão Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 12791DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10920.722824/201177 Acórdão n.º 1301001.988 S1C3T1 Fl. 12.791 3 Relatório Tratase de processo administrativo iniciado através da lavratura de Autos de Infração relativos ao IRPJ e tributação reflexa, anocalendário 2006, com o intuito de exigir crédito tributário apurado pelo lucro arbitrado, com base no art. 530 do RIR/99. A autoridade fiscal, segundo relatório contido no V. Acórdão da DRJ, do qual adoto os fragmentos abaixo transcritos, procedeu ao arbitramento da seguinte maneira: Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2006, 06/2006, 09/2006 e 12/2006 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas enumeradas no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante e inseparável deste Auto de Infração Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999: Art. 530, inciso II, do RIR/99. 0001 RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTES Arbitramento do lucro realizado com base na prestação de serviços de transporte, conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 01/01/2006 4.883.384,26 150,00 01/02/2006 5.465.420,03 150,00 01/03/2006 6.609.975,59 150,00 01/04/2006 5.675.373,72 150,00 01/05/2006 6.522.263,59 150,00 01/06/2006 6.060.633,86 150,00 01/07/2006 6.139.794,33 150,00 01/08/2006 6.925.993,28 150,00 01/09/2006 6.762.320,91 150,00 01/10/2006 7.051.129,45 150,00 01/11/2006 7.287.140,28 150,00 01/12/2006 6.607.406,03 150,00 Fl. 12792DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10920.722824/201177 Acórdão n.º 1301001.988 S1C3T1 Fl. 12.792 4 0002 DEMAIS RECEITAS E RESULTADOS OUTRAS RECEITAS Os valores referentes a ... devem ser acrescidos à base de cálculo arbitrada do imposto de renda, conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/03/2006 379.404,38 150,00 30/09/2006 92.095,03 150,00 31/12/2006 1.013.910,00 150,00” A recorrente foi intimada, por duas vezes, a apresentar os livros que possibilitassem a apuração do lucro real consolidado, pois a autoridade fiscalizadora apurou a existência de 16 empresas relacionadas à Recorrente e que foram consideradas "de fachada", apenas para fracionar o faturamento da atividade de transporte, mas permaneceu inerte, dando azo ao arbitramento do lucro. Essas ditas 16 (dezesseis) “empresas” de fachada eram compostas por interpostas pessoas em seus contratos sociais, bem como apurouse simulação na formalização de registro de empregados por pessoa jurídica, tudo com o intuito de dificultar a identificação do real devedor da obrigação tributária pelo fisco federal. O desmembramento da atividade em diversas empresas, atuando de forma aparentemente independente, permitiu que 15 (quinze) delas optassem pela sistemática do SIMPLES, implicando redução ardilosa no recolhimento da carga tributária, o que culminou na aplicação da multa de ofício de 150%. Da Impugnação Cientificada dos autos de infração, a recorrente apresentou impugnação alegando, em suma: Cerceamento do direito de defesa que estaria caracterizado pela falta de entrega, à Impugnante, do relatório fiscal contendo o relato circunstanciado das supostas irregularidades objeto das autuações. Para o impugnante obter cópias do processo n. 10920.003312/201009, foi preciso pagar DARF pelo serviço. Que ocorreu a decadência dos fatos geradores relativos a IRPJ e CSLL até o 3º trimestre de 2006 e, quanto a PIS/Pasep e Cofins, os fatos geradores até novembro de 2006; Que a desconstituição das pessoas jurídicas com a respectiva baixa no CNPJ só produz efeitos válidos na data dos correspondentes eventos, conforme estabelece a IN RFB nº 1.183, de 2011; Que a exclusão do regime do SIMPLES só produz efeitos fiscais a partir da baixa definitiva de suas inscrições no CNPJ; Não assiste razão à fiscalização dizer que houve conluio entre a recorrente e as demais empresas, com o intuito de reduzir o montante do imposto devido, pois as operações comerciais entre elas efetivamente ocorreram e foram realizadas com observância às normas contábeis e fiscais; Fl. 12793DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10920.722824/201177 Acórdão n.º 1301001.988 S1C3T1 Fl. 12.793 5 Que a conduta dolosa não pode ser aplicada à pessoa jurídica que procura minimizar seus custos e maximizar seus lucros, pois este é o objetivo de toda atividade empresarial; Que a recorrente não poderia ser obrigada a criar uma situação jurídica que não existia, estando impossibilitada de refazer sua contabilidade para incluir os resultados operacionais das pessoas jurídicas tidas como de "fachada"; Que a DIPJ, anocalendário 2006, apresentada pela contribuinte, espelha sua escrita contábil e fiscal, e por esta razão não pode a fiscalização dizer que as informações ali prestadas são inverídicas; Que a multa de ofício de 150% é indevida, em observância à Súmula CARF n° 14; Que ocorreram vícios no lançamento de ofício, devido a erro na sujeição passiva da autuação, bem como falha na determinação da matéria tributável, pelo fato do alargamento da base de cálculo do imposto com a inclusão indevida de receitas de terceiros. Do Acórdão da DRJ A DRJ manifestouse pela improcedência da Impugnação, mantendo a autuação por diversos fundamentos, que serão melhor analisados durante o voto. Do Recurso Voluntário Cientificada da decisão, a autuada apresentou Recurso Voluntário, objetivando a reforma do v. Acórdão, proferido pela 4ª Turma da DRJ/FOR, atacando, especificamente, os seguintes pontos: a) Da Continuidade do Procedimento Fiscal MPF nº 09.2.02.00201100008; b) Do Cerceamento do Direito de Defesa; c) Dos Vícios Materiais do Lançamento; d) Da Desconstituição das Pessoas Jurídicas; e) Do Arbitramento do Lucro; f) Da Decadência; g) Da Imposição da Multa Qualificada. É o relatório. Fl. 12794DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10920.722824/201177 Acórdão n.º 1301001.988 S1C3T1 Fl. 12.794 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães redator ad hoc. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 24/06/2013 e o Recurso Voluntário foi interposto em 24/07/2013. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito A recorrente reiterou os argumentos aduzidos em sua impugnação, porém não trouxe aos autos elementos capazes de demonstrar o alegado nem lá, na impugnação, nem no recurso que ora se analisa, senão vejamos. Por entender absolutamente pertinentes e exaustivas, adoto como minhas as razões de votar da DRJ. PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA Começa por decidir não ter havido cerceamento de defesa. O relatório fiscal está anexado ao processo nº 10920.003212/201009, que foi anexado ao presente, não importando se a ciência tenha se dado por intermédio de outro processo. Além do mais: "a motivação de ato administrativo (Termo de Verificação Fiscal fls. 12118/12137) do presente processo pode consistir em declaração de concordância com fundamentos de ato anterior (Relatório Fiscal) de outro feito, que, nesse caso, serão parte integrante do ato que lhe referencia, na forma do artigo 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999. Ou seja, um ato administrativo pode fundarse nas motivações de outro ato, ainda que pertencentes a distintos processos, evitandose, assim, repetições desnecessárias (princípio da eficiência administrativa) e ciência dupla de um mesmo ato. Afinal de contas, o contribuinte é um só e possui o pleno encargo de contestar os atos fiscais com os quais discorda. Como se não bastasse, em segundo lugar, o administrado requereu e recebeu cópia integral dos presentes autos (conforme fl. 12654), na qual, conforme já visto anteriormente, consta o Relatório Fiscal. Portanto, mesmo que eventualmente se entendesse pela violação do direito de defesa devido à falta de ciência dupla do Relatório Fiscal, tal falha restaria suprida pelo recebimento das citadas cópias. Em suma, depois de regularmente intimado dos lançamentos tributários, na forma do artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, o contribuinte possui o prazo ininterrupto de 30 dias para: (a) obter cópia ou ter vista dos autos, caso assim o deseje; (b) e apresentar impugnação. Fl. 12795DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10920.722824/201177 Acórdão n.º 1301001.988 S1C3T1 Fl. 12.795 7 Demonstrada a ciência do Relatório Fiscal, seja nos autos de n° 10920.003212/201009, seja nos presentes autos, caem por terra os argumentos relativos ao cerceamento do direito de defesa. " DA DECADÊNCIA O Recorrente alegou decadência dos fatos geradores relativos a IRPJ e CSLL até o 3º trimestre de 2006 e, quanto ao PIS/Pasep e Cofins, os fatos geradores até novembro de 2006. Por entender, na esteira do decidido pela DRJ, ter havido dolo no procedimento levado a efeito pala Recorrente, entendo ser aplicável à espécie a regra do artigo 173, inciso I, do CTN, a qual faz com que os fatos geradores de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins não tenham decaído. Tais mencionados fatos aconteceram todos durante o ano de 2006, e o lançamento poderia ter sido efetuado a partir de 1º/1/2007 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). DA DESCONSTITUIÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS E DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Sobre tal circunstância, assim se manifesta o V. Acórdão da DRJ: ”Nesse tópico, é de se esclarecer que o procedimento de baixa de ofício dos CNPJs das “empresas de fachada” se presta tãosomente para fins de evitar a sua continuidade delitiva (ou seja, da data da representação fiscal em diante). Por isso é que a suspensão do CNPJ se iniciará a partir do edital e a baixa de ofício ocorre por meio de Ato Declaratório Executivo, ambos publicados no Diário Oficial da União (artigo 29, §§ 1º e 2º, da IN RFB 1.183, de 2011), quando então se dará ampla divulgação sobre a atuação irregular dessas “empresas”, prevenindo terceiros de boafé contra operações comerciais temerárias. Ora, como a Receita Federal já estava ciente do modo de atuação do esquema ardiloso, não é ela o destinatário do artigo 29, §§ 1º e 2º, da IN RFB nº 1.183, de 2011. E mais. Como restou comprovado que o contribuinte e terceiros (“empresas de fachada”) em benefício daquele agiram com dolo e simulação, conforme se analisará no tópico “DOS VÍCIOS MATERIAIS NOS LANÇAMENTOS FISCAIS E DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA” (infra), o fisco federal fica autorizado a lançar de ofício os fatos jurídicos tributários, nos termos do artigo 149, VII, do CTN, independente da baixa de ofício do CNPJ. Concluise, assim, que inexiste norma proibitiva ou suspensiva para a autuação fiscal. De mais a mais, ao contrário dos argumentos do impugnante, baixa do CNPJ não se confunde com desconstituição da pessoa jurídica. O primeiro ato apenas exclui a pessoa jurídica do cadastro fiscal, mas tal pessoa poderá continuar existindo para outros fins, até a baixa na junta comercial de sua circunscrição. Outrossim, revelase despropositada a alegação do contribuinte quanto à necessidade de excluir previamente do SIMPLES as 15 “empresas de fachada”, pois essas “empresas” não foram autuadas, mas, diferentemente, suas receitas foram agregadas à receita do contribuinte (TRANSMAGNA), que não é optante pelo regime simplificado. Fl. 12796DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10920.722824/201177 Acórdão n.º 1301001.988 S1C3T1 Fl. 12.796 8 Em suma, para a lavratura dos lançamentos tributários sob exame, não incide a necessidade de prévia exclusão do SIMPLES e de baixa/suspensão do CNPJ das “empresas”, pelo que no caso concreto foi respeitado o devido processo legal. " DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Continua o V. Acórdão da DRJ: "De plano, destaquese que o arbitramento do lucro não é modalidade de punição ou penalidade imposta ao contribuinte, mas simplesmente forma de apuração do seu lucro, quando a contabilidade do administrado apresenta falhas e/ou omissões. No caso concreto, as quinze “empresas de fachada” eram optantes pela sistemática do SIMPLES, pelo que, em tese, estavam desobrigadas da escrituração que respaldasse a apuração do lucro real (artigo 7º, § 1º, da Lei nº 9.317, de 1996, c/c artigos 251, 258, 259 e 260 do RIR/1999). Regularmente intimado (em 08/09/2011) e reintimado (em 29/09/2011) a apresentar os livros que possibilitassem a apuração do lucro real consolidado (é dizer, lucro real das operações da TRANSMAGNA e das dezesseis empresas), conforme fls. 12040/12043 e 12052/12055, o contribuinte permaneceu inerte, pelo que a autoridade fiscal estava autorizado por lei a proceder ao arbitramento do lucro. Logo, tanto é aplicável o artigo 530, inciso II, do RIR/1999, pois a escrituração original da TRANSMAGNA apresentava a deficiência de não incluir as receitas, custos, e despesas das 16 “empresas de fachada”, bem como se pode aplicar o artigo 530, inciso III, do RIR/1999, por não ter o contribuinte apresentado a escrituração consolidada das 17 “empresas” (TRANSMAGNA mais 16 “empresas”) para fins de apuração do lucro real. O administrado também alegou que “a própria autoridade fiscal fez constar no TVF que ‘em 06 de julho de 2011, fls. 1202612032, a contribuinte procedeu a entrega dos arquivos em meio magnético solicitados no Termo de Inicio’”. Ocorre que tal menção do agente fazendário diz respeito a lançamentos contábeis exclusivos da TRANSMAGNA (ou seja, sem os dados das 16 “empresas”) e, portanto, deficiente para fins de apuração do lucro real consolidado. Observese, ainda, que a entrega dos referidos arquivos se deu por ocasião do Termo de Início de Procedimento Fiscal (em 06/07/2011), ao passo que as intimações relativas aos dados contábeis consolidados ocorreram posteriormente (em 08/09/2011 e 29/09/2011). Digase ainda que foi obedecido sim o comando disposto no artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1995. Tanto que o contribuinte foi instado a apresentar a escrituração contábil consolidada. Como não o fez, descaracterizase a opção original do administrado pelo lucro real, devendo o regime de tributação a ele aplicável ser o do lucro arbitrado. " DOS VÍCIOS MATERIAIS NOS LANÇAMENTOS FISCAIS E DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA Continuo reproduzindo o voto proferido no V. Acórdão da DRJ: "O resumo dos atos praticados pelo contribuinte se encontram no Termo de Verificação Fiscal (fls. 11121/12124), in verbis: a) criação pela empresa "mãe" (empresa de fato existente) de empresas de fachada, optantes pelo SIMPLES, sobrepondoas nos mesmos endereços de suas filiais, localizadas em diversas cidades do Estado de Santa Catarina, Fl. 12797DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10920.722824/201177 Acórdão n.º 1301001.988 S1C3T1 Fl. 12.797 9 Paraná e São Paulo. Em poucas localidades o suposto endereço da "empresa" fictícia e o da filial da fiscalizada são formalmente diversos. Tanto é que nos estabelecimentos visitados, em sede de diligência, tudo que se viu, fachada, caminhões, áreas de depósito de mercadorias, documentos afixados nos murais, etc, tinha a logomarca da autuada. Enquanto que da suposta prestadora de serviços estabelecida, segundo seu contrato social, em outra sala, galpão, etc. do mesmo endereço, nada se via. Os empregados que atuavam nos locais diligenciados, todos utilizavam uniformes e crachás da empresa TRANSMAGNA TRANSPORTES LTDA. Alguns deles até estavam corretamente registrados pela referida empresa. Contudo, a grande maioria encontravase registrados nos CNPJ das "empresas" de fachada; b) as supostas prestadoras de serviço, aqui denominadas como empresas de fachada, além de serem desprovidas de quaisquer bens patrimoniais, não pagavam aluguéis a terceiros estranhos ao sujeito passivo. Na maioria das vezes, o aluguel e a grande maioria das outras despesas supostamente pertencentes a empresas de fachada eram pagas diretamente pela fiscalizada ao beneficiário e contabilizadas como adiantamentos feitos a estas empresas. E estes adiantamentos depois eram compensados contabilmente, mediante a escrituração de eventuais serviços prestados por elas à autuada. E nos casos que a empresa possuía algum bem, principalmente veículos de transporte, por meio de procuração, conferiam ao proprietário da fiscalizada, Sr. Alcemir Sardagna, amplos poderes sobre este patrimônio, inclusive em relação aos que por ventura fossem adquiridos; c) a grande maioria dos sócios destas empresas eram exempregados da autuada e/ou, simuladamente, da própria empresa. Muitos são os casos em que determinado empregado é demitido pela TRANSMAGNA ou pela empresa de fachada, passando a figurar imediatamente como sócio de uma destas, mediante aquisição das cotas do capital social por valores absolutamente ínfimos e incompatíveis com a realidade. Deixando posteriormente a condição de sócio para readquirir a condição de empregado da fiscalizada ou da empresa de fachada até então constituída, e voltando, posteriormente, a figurar como sócio de uma nova empresa criada; d) verificouse ainda a existência de inúmeras procurações passadas pelos supostos "sócios" das empresas relacionadas no início deste relatório, ao Sr. Alcemir Sardagna, proprietário da empresa TRANSMAGNA TRANSPORTES LTDA., concedendo a este poderes extraordinários sobre a administração das empresas de fachada, assim como sobre os bens colocados em seus nomes, sobretudo no tocante aos veículos registrados em nome destas, além das procurações passadas pelos supostos sócios das empresas de fachada ao Sr. Alcemir Sardagna, existem outras procurações similares, passadas a indivíduos da confiança do proprietário da autuada, extremamente ligados à referida empresa e igualmente partícipes do esquema de fraude tratado; e) outra curiosidade que merece ser destacada referese ao fato de, embora a autuada, quando da sua participação no cobiçado concurso que tinha por objeto premiar as 80 empresas TOP DO TRANSPORTES do Brasil, em 2008, tenha informado que possuía, na competência 11/2008, 960 funcionários, apenas 261 estavam devidamente registrados no seu CNPJ;ocorre que, nesta mesma competência, se adicionar os empregados registrados no CNPJ das supostas prestadoras de serviços aos registrados no CNPJ da autuada, o saldo resultante corresponde, exatamente, ao total informado pela TRANSMAGNA aos organizadores do referido concurso; f) da análise de várias reclamatórias trabalhistas, dentre tantas situações curiosas, verificouse que: os advogados contratados eram sempre em comum para ambas as empresas reclamadas; na maioria dos casos houve o reconhecimento judicial de que os autores da reclamação, a despeito de estarem registrados no CNPJ de uma das empresas fictícias eram, de fato, empregados da TRANSMAGNA TRANSPORTES LTDA, e ainda, em alguns casos, estes empregados figuravam como sócios da suposta empresa; g) as empresas de fachada e a empresa TRANSMAGNA possuem o mesmo contador, localizado na cidade de Guaramirim/SC cidade sede desta, embora várias daquelas estejam situadas a mais 1.000 km de distâncias da citada localidade; h) o setor de Recursos Humanos da autuada é quem efetivamente paga/pagou salários, férias, décimo Fl. 12798DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10920.722824/201177 Acórdão n.º 1301001.988 S1C3T1 Fl. 12.798 10 terceiro salário, verbas rescisórias, etc, e controla a freqüência (através de cartões pontos e folhas de freqüência), dos funcionários registrados nos CNPJ de todas as empresas de fachada, inclusive dos supostos "sócios" destas. " O recorrente contribuinte alegou também vícios no lançamento de ofício, devido a erro na sujeição passiva da autuação, e falha na determinação da matéria tributável, pelo fato do alargamento da base de cálculo do imposto com a inclusão indevida de receitas de terceiros. Por se tratar tal matéria, a meu ver, com o que concordou o V. Acórdão da DRJ, de mérito do lançamento, e não de nulidade, afasto tal alegação. No que diz respeito à existência ou não de dolo, o conjunto probatório a que se refere os itens “a” a “h” do parágrafo 27 aponta de forma inequívoca para a presença da vontade e consciência voltados para a prática do delito. A autoridade fiscal demonstrou a inclusão de interpostas pessoas no contrato social de sociedades de fachada, a simulação na formalização de registro de empregados por pessoa jurídica, comprovando com quem o vínculo de subordinação jurídica era de fato estabelecido e que as empresas estavam submetidas a um gerenciamento único. A utilização de várias “empresas” atuando de forma autônoma e independente permitiu que quinze delas (a grande maioria) optassem pela sistemática do SIMPLES, implicando redução ardilosa no recolhimento da carga tributária. De se manter a qualificação da multa, que não se fundou na “simples apuração de omissão de receita”, mas em diversos fatos delituosos descobertos pela fiscalização e não contestados (ou ao menos refutados) pelo contribuinte. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA Legitimo o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ, posto forçoso reconhecer que a correção dos lançamentos tributários de PIS/Pasep e Cofins com base no regime cumulativo, na forma, respectivamente, do artigo 8º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do artigo 10, inciso II, da lei nº 10.833, de 2003. Em se tratando da mesma matéria fática, e não havendo outros aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes (CSLL, Cofins e PIS/Pasep) aplicase a mesma decisão do principal (IRPJ). Repisese que Recorrente fora regularmente intimada, por duas vezes, a apresentar os livros que possibilitassem a apuração do lucro real consolidado, ou seja, lucro real das operações da TRANSMAGNA e das 16 (dezesseis) “empresas” de fachada. Entretanto, em nenhuma das oportunidades apresentou qualquer documentação, deixando transcorrer in albis o prazo para a juntada dos documentos pleiteados. A Recorrente limitouse a fazer meras alegações que não justificaram a ausência da documentação, dizendo, ainda, que as empresas citadas no Termo possuíam suas próprias atividades e administração. Fl. 12799DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10920.722824/201177 Acórdão n.º 1301001.988 S1C3T1 Fl. 12.799 11 Assim, agiu acertadamente a autoridade fiscal em proceder ao arbitramento do lucro, ante a falta de documentação necessária para a aplicação do lucro real, até porque tal procedimento era necessário por força da exclusão das diversas outras empresas do regime SIMPLES. Verificandose o TVF, é notória a intenção e consciência voltados para a prática do delito, pelo que também cabível o agravamento da multa. A autoridade fiscal demonstrou de forma contundente o conluio formado pela recorrente e as 16 (dezesseis) empresas apontadas no TVF, razão pela qual acolho integralmente as razões do v. Acórdão da DRJ na íntegra e voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É o meu VOTO (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães, redator ad hoc Fl. 12800DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10166.724060/2012-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PRÊMIOS PAGOS AOS EMPREGADOS POR TERCEIROS ALHEIOS AO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. GUELTAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores habitualmente pagos aos empregados por terceiros alheios ao contrato de trabalho visando incrementar as vendas dos seus produtos em detrimento aos de seus concorrentes integram o conceito de remuneração e também o de salário de contribuição, nos termos do art. 22, I c/c art. 28, I e §9º da Lei nº 8.212/91.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora
EDITADO EM: 28/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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GUELTAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores habitualmente pagos aos empregados por terceiros alheios ao contrato de trabalho visando incrementar as vendas dos seus produtos em detrimento aos de seus concorrentes integram o conceito de remuneração e também o de salário de contribuição, nos termos do art. 22, I c/c art. 28, I e §9º da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 40 60 /2 01 2- 24 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10166.724060/201224 Acórdão n.º 9202003.881 CSRFT2 Fl. 509 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora EDITADO EM: 28/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente processo possui como objeto a cobrança de contribuiçõe previdenciária e multas decorrentes dos DEBCAD nº 51.015.0276, 51.015.0187, 51.015.023 3 e 51.015.0241, respectivamente, contribuições patronais para outras entidades ou fundos; multa pela conduta da empresa de deixar de lançar nas folhas de pagamentos as remunerações questionadas; multa pelo não lançamento contábil das remunerações questionadas e multa pela conduta da empresa de deixar de efetuar o desconto na remuneração dos segurados das contribuições incidentes sobre as bases de cálculo utilizadas para o lançamento. O processo compreende o período de 01/2009 a 12/2009 e decorre de lançamento principal por meio do qual a autoridade fiscal considerou integrar a base de cálculo do salário de contribuição os valores pagos por terceiros aos empregados da Recorrida à titulo de bonificação, conforme previsto em programa de estímulo e incremento de produtividade. Esses bonificações denominadas de gueltas, segundo o lançamento, eram valores acrescidos ao salário do empregado, que levavam em consideração fatores de ordem pessoal como a economia de tempo, de matéria prima, meta estabelecida, assiduidade, eficiência, rendimento, produtividade, dentre outros, podendo ser pagos em pecúnia ou utilidades. Esclareceu o agente que as premiações não eram eventuais, havendo o pagamento consecutivo para diversos funcionários da empresa, além de que as campanhas ocorriam de modo regular e frequente. Diversas campanhas de premiação eram modificadas ou substituídas Fl. 379DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10166.724060/201224 Acórdão n.º 9202003.881 CSRFT2 Fl. 510 3 por outras, sempre com o mesmo objetivo de aumentar a venda dos produtos das empresas da CEF e do Grupo Caixa. Após a análise dos argumentos apresentados nas impugnações a DRJ decidiu: 1) aplicar a concomitância com a Ação Anulatório de Débito Fiscal impetrada pela CEF e não conhecer da sua impugnação no que tange ao mérito que envolve a discussão acerca da inclusão dos valores pagos por terceiros à título de "gueltas" no montante do Salário de Contribuição; 2) não conhecer da impugnação interposta pela FPC PAR, pois tratandose de contribuições devidas para Outras Entidades ou Fundos (Terceiros), a empresa não é parte no processo; por tal razão deixou de analisar também, por total impertinência, neste caso, as guias de recolhimento efetuada pela empresa. 3) Os créditos tributários em tela não estão sendo exigidos das empresas que formam grupo econômico juntamente com a CEF e, por tal motivo, não há que se falar em afastamento da condição de grupo econômico, pois, para os créditos em questão, as demais empresas não são solidárias. 4) Embora não tenha sido alegado, constatouse que foi aplicada multa qualificada, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), em dezembro de 2008 haja vista caracterização de sonegação. Entretanto não há nos autos provas da conduta dolosa do contribuinte, e com base no princípio da verdade material, afastou a multa qualificada. 5) Embora não tenha entrado no mérito, manteve os lançamentos relacionados as multas aplicadas pelo descumprimento de obrigação acessória. Em sede de Recurso Voluntário a CEF defendeu a inexistência de concomitância, haja vista que os processos envolvem fatos geradores ocorridos em períodos distintos, reiterou sua argumentação de não haver qualquer relação entre a caixa e as demais empresas relacionadas ao fato, afirmando que a responsabilidade do pagamento das contribuições previdenciárias é exclusiva dos terceiros que ofertavam as "gueltas". Apos análise dos argumentos, acordaram os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso e lhe provimento em virtude da improcedência do lançamento. O acórdão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL LANÇADO ANTERIORMENTE. INOCORRÊNCIA DE RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Ainda que os lançamentos objeto de ação anulatória contenham os mesmos fatos geradores e fundamentos jurídicos presentes nos lançamentos agora impugnados, para esses não há de se declarar ocorrência de renúncia à discussão administrativa em Fl. 380DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10166.724060/201224 Acórdão n.º 9202003.881 CSRFT2 Fl. 511 4 razão do ajuizamento da ação anulatória proposta para desconstituir as lavraturas anteriores. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. NÃO DECLARAÇÃO DE NULIDADE QUE A ESTE BENEFICIARIA. Se o órgão de julgamento puder decidir a causa em favor do sujeito passivo, deverá absterse de declarar pronunciar nulidade que a este beneficiaria. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREMIAÇÕES PAGAS POR TERCEIROS A EMPREGADOS DA EMPRESA AUTUADA POR ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO AMBIENTE DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA O EMPREGADOR. Os pagamentos efetuados por terceiros, fornecedores de produtos/serviços, que mantêm contrato de parceria com o empregador, aos empregados deste por atividades desenvolvidas no ambiente laboral, não constituem fato gerador da contribuição incidente sobre os pagamentos efetuados em razão da relação empregatícia. Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência apenas e tão somente contra a parte da decisão que exclui a responsabilidade tributária da Caixa Econômica Federal pelo recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre o pagamento de valores a seus empregados, efetuados por terceiros, a título de incentivo de vendas, as denominadas “gueltas”. Foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10166.724060/201224 Acórdão n.º 9202003.881 CSRFT2 Fl. 512 5 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Relatora. Conforme despacho de admissibilidade, o recurso preenche todos os requisitos legais razão pela qual dele conheço. Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão que entendeu que os valores pagos por terceiros aos empregados de outra pessoa jurídica à titulo de incentivo/gratificação de venda, as conhecidas "gueltas", não se subsumem ao conceito de base de cálculo da contribuição patronal sobre a remuneração de empregados, nos termos do inciso I do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991. Para a Recorrente o entendimento diverge da posição dominante da jurisprudência judicial e administrativa. Cita como paradigmas os acórdãos 2302002.794 e 230200.758 para os quais as gueltas possuem a mesma natureza jurídica das gorjetas e como tais possuem natureza remuneratória, compondo, portanto, o salário de contribuição. Prática muito usual, as gueltas são valores pagos aos empregados por terceiros alheios aos vínculo empregatício, em regra são fornecedores que visando incrementar as vendas dos seus produtos premiam os funcionários de seus clientes incentivandoos a oferecer tais produtos em detrimento aos de seus concorrentes. Tratase de assunto comum nas discussões travadas junto ao Poder Judiciário, especialmente na Justiça do Trabalho onde a corrente majoritária da Corte Especializada é no sentido de as gueltas são parte da remuneração recebida pelo emprego, possuem a mesma natureza jurídica das gorjetas e assim produzirão os mesmo efeitos. Recentemente o Tribunal Superior do Trabalho assim se manifestou: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. 1. DURAÇÃO DO TRABALHO. HORAS EXTRAS. CONFIGURAÇÃO. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULAS 126 E 338, III/TST. 2. PAGAMENTO DE VALORES EFETUADO POR TERCEIROS. GUELTAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INTEGRAÇÃO. DECISÃO DENEGATÓRIA. MANUTENÇÃO. No setor do comércio varejista é comum a existência de verbas pagas por terceiros ao longo da relação de emprego representando estímulos materiais entregues por produtores a empregados vendedores do ramo comercial, em face de vendas realizadas de seus produtos. Essas verbas se denominam gueltas. Caso efetivamente sejam suportadas e pagas por terceiros (os produtores e fornecedores de mercadorias) e não pelo empregador comerciante, as gueltas não se enquadram como salários, por não atenderem ao requisito legal de serem devidas e pagas pelo empregador (caput do art. 457 da CLT). Entretanto, têm a mesma natureza jurídica das gorjetas (art. 457, caput, in fine, CLT), uma vez que são pagas por terceiros ao empregado, em função de uma conduta deste, resultante do contrato de trabalho com seu empregador. São tidas, pois, como Fl. 382DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10166.724060/201224 Acórdão n.º 9202003.881 CSRFT2 Fl. 513 6 parte da remuneração do empregado, porém não de seu salário. Assimilandose juridicamente às gorjetas, as gueltas produzem os mesmos efeitos contratuais daquelas. Nesse quadro, integram se à remuneração para os fins das seguintes repercussões: salário de contribuição previdenciária; FGTS; 13º salário; férias com 1/3; aviso prévio trabalhado. Contudo, segundo a Súmula 354 do TST, não compõem a base de cálculo de verbas como aviso prévio indenizado, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado. Desse modo, não há como assegurar o processamento do recurso de revista quando o agravo de instrumento interposto não desconstitui os termos da decisão denegatória, que subsiste por seus próprios fundamentos. Agravo de instrumento desprovido. Processo: AIRR 10800013.2010.5.17.0013 Data de Julgamento: 30/03/2016, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 01/04/2016. Mais uma vez baseando nos ensinamento do Ministro, e agora sendo citado como Jurista, Mauricio Godinho, destacamos que as gueltas são verbas não tipificadas em lei, resultante da criatividade empresarial. Diante dessa ausência de tipificação justificouse a integração do direito com a aplicação da regra da analogia equiparando tais verbas às gorjetas. E aqui destaco não vislumbrar qualquer violação a restrição prevista no parágrafo primeiro do art. 108 do CTN, afinal não houve a criação de tributo e nem mesmo a inovação no que tange a sua base de cálculo. Assim, a decisão acima e também as razões exposta no Recurso Especial atendem a determinação da lei, que ao prever a regra matriz de incidência do tributo deixa claro que uns dos critérios quantitativos é a remuneração e não o salário recebido pelo trabalhador, por opção do legislador a base da contribuição previdenciária é mais ampla, vai além dos valores pagos pelo empregador. Afirmamos isso porque a distinção entre salário e remuneração é anterior a da Lei nº 8.212/91, está da CLT Consolidação das Leis do Trabalho e ciente deste diferença o legislador optou por usar o termo remuneração e não salário quando da redação do inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. ... § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10166.724060/201224 Acórdão n.º 9202003.881 CSRFT2 Fl. 514 7 Portanto o fato de as gueltas serem pagas por terceiros, alias essa é uma e suas características, não é o suficiente para afastar sua natureza remuneratória e muito menos tem o condão de alterara o sujeito passivo eleito pela norma jurídica. Conforme muito bem colocado pelo Recorrente a única exigência é que a remuneração decorra do contrato de trabalho. O que de fato ocorreu. No mais, faço o destaque de que tais premiações/bonificações, segundo o item 34.18 do relatório fiscal, por vezes eram pagas por intermédio da própria empregadora, ora Recorrida. E aqui, ainda que compartilhasse do entendimento externado pela Recorrida em suas contrarrazões no sentido de que não se trata de gueltas e sim premiações, pois seus funcionários não comercializam os produtos, apenas autuam como intermediadores, ainda assim entendo que tais valores integram o conceito de salário de contribuição, afinal a norma diz I) remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, II) destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Somente não haveria a incidência de contribuição previdenciária, e aqui me redimo de manifestação feita em outro julgado, se as parcelas em questão se revestissem de natureza nitidamente indenizatória ou se tratassem de verbas expressa e taxativamente indicadas no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91. Entre as hipóteses prescritas, destaco o item 7 da alínea e: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) Por uma análise conjunta do inciso I e do §9º, e, item 7, do citado art. 28, é forçoso concluir que as verbas pagas por terceiros para integrar o conceito de remuneração e, consequentemente, de salário de contribuição devem estar revestidas da característica da Fl. 384DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10166.724060/201224 Acórdão n.º 9202003.881 CSRFT2 Fl. 515 8 habitualidade, característica presente nas gorjetas e nas gueltas segundo o entendimento majoritário e também no presente caso. O relatório fiscal no itens 34.4 e 34.7 esclarece: 34.4 De acordo com a Lei nº 8.212/91, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais. A despeito disso, no presente caso, ao revés do que dispõe o permissivo legal, há pagamento de premiação em meses consecutivos para vários empregados da empresa. No período objeto desta Ação Fiscal, houve diversas campanhas que resultaram em premiações aos empregados da CEF. Em nenhum momento podemos caracterizar tais premiações como ganho eventual, uma vez que as campanhas ocorrem de modo regular e frequente. Somase a isso o fato de que o pagamento destas premiações aos empregados da CEF ocorre pelo menos desde 1997. (...) 34.7 Destacase ainda que as diversas campanhas de premiação. muitas vezes são modificadas ou substituídas por outras sempre com o mesmo objetivo, aumentar a venda de diversos produtos das empresas do GRUPO CAIXA SEGUROS e da CEF. Além disso, contatase a existência de diversas campanhas simultâneas, todas com o mesmo propósito aos empregados: vender um produto ou cumprir determinada tarefa estabelecida. Em troca, cada empregado receberá o prêmio, seja em espécie seja em utilidade, snedo este um elemento balisador no contexto da relação de trabalho habitual. Não há nos autos quaisquer provas capazes de afastar os argumentos da existência da habitualidade, portanto, correto o lançamento. No que tange as argumentações apresentadas em sede de contrarrazões pela FPC Par Corretora de Seguros S.A., deixo de conhecêlas pois tal empresa nunca foi parte no presente processo, conforme exposto no próprio relatório fiscal e confirmado nos esclarecimentos da decisão da DRJ. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 385DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10166.724060/201224 Acórdão n.º 9202003.881 CSRFT2 Fl. 516 9 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13884.001689/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-004.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentandose recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 16 89 /2 00 9- 80 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13884.001689/200980 Acórdão n.º 2401004.186 S2C4T1 Fl. 72 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. André Luís Marsico Lombardi Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13884.001689/200980 Acórdão n.º 2401004.186 S2C4T1 Fl. 73 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 20ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário exigido. Eis a ementa do Acórdão nº 1260.717 (fls. 30/33): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com o seu correspondente lançamento de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. MOLÉSTIA GRAVE A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A notificação de lançamento (fls. 04/06) que deu origem ao presente processo se deu em decorrência da revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda (DIRPF) do ora recorrente, referente ao exercício de 2007, anocalendário de 2006, alterando se o saldo de imposto a restituir no valor de R$ 7.620,24 (declarado), para R$ 3.176,58 de IRPF Suplementar, acrescido de multa de ofício de 75% e juros. Nos termos da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 06, o recorrente incorreu na seguinte infração: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 39.261,19, recebidos da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado pela autoridade fiscal o IRRF sobre os rendimentos considerados omitidos no valor de R$ 0,00. Fonte Pagadora Rendimento Omitido IRRF s/ Omissão PreviGM Sociedade de Previdência Privada (53.710.968/000178) 39.261,19 0,00 Total 39.261,19 0,00 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13884.001689/200980 Acórdão n.º 2401004.186 S2C4T1 Fl. 74 4 Após a intimação do acórdão nº 1260.717 (fls. 30/33) acima ementado, conforme Aviso de Recebimento de fls. 37, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de folhas 39/64, postado via correios, onde alega: a) A nulidade do lançamento por ausência de expedição de Mandado de Procedimento Fiscal em face do contribuinte; b) Que a suposta omissão de receitas se dá, em verdade, por erro da fonte pagadora (PreviGM Sociedade de Previdência Privada) na retificação da DIRF; c) Que sejam requisitados documentos à Fonte Pagadora e à Receita Federal do Brasil para que se esclareçam eventuais dúvidas quanto à correção das informações da fonte pagadora na DIRF, e com relação à isenção do recorrente por moléstia grave, que alega constar na base de dados da Receita Federal do Brasil. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13884.001689/200980 Acórdão n.º 2401004.186 S2C4T1 Fl. 75 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Juízo de admissibilidade Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, das decisões de primeira instância caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de 30 dias, a contar da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Contudo, este pressuposto de admissibilidade – tempestividade – não se faz presente e o recurso voluntário não deve ser conhecido. O contribuinte foi intimado do Acórdão nº. 1260.717 de fls. 30/33 em 07/11/2013, conforme Aviso de Recebimento de fls. 37. Sendo o dia 07/11/2013 uma quinta feira, o prazo recursal de 30 dias iniciouse no primeiro dia útil seguinte, 08/11/2013, sexta feira. O prazo de trinta dias para apresentação do recurso voluntário encerrarseia em 07/12/2013, um sábado, sendo, assim, prorrogado até o primeiro dia útil seguinte, no caso, a segundafeira 09/12/2013, conforme determina o art. 5º do Decreto 70.235/72: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. O recurso voluntário interposto pelo contribuinte foi protocolado via postal em 16/12/2013, conforme o envelope com o carimbo dos Correios à fl. 63. Ressaltese que o mesmo dia 16/12/2013 consta como a data da assinatura do recurso voluntário, ou seja, ainda que tal menção no recurso não faça prova quanto à tempestividade do ato, demonstra estar em consonância com o protocolo realizado nos Correios. Destacase que em consulta à Portaria nº. 03/2013 do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, e ao sítio eletrônico da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, não verifiquei qualquer feriado no dia seguinte à ciência do Acórdão nº. 1260.717, tampouco no dia 09/12/2013, último dia para a interposição do recurso voluntário. Ainda, o contribuinte não informa e, consequentemente, não prova a ocorrência de qualquer justa causa que o tenha impedido de recorrer no prazo legal, nos termos do § 1º do art. 183 do Código de Processo Civil: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13884.001689/200980 Acórdão n.º 2401004.186 S2C4T1 Fl. 76 6 Art. 183. Decorrido o prazo, extinguese, independentemente de declaração judicial, o direito de praticar o ato, ficando salvo, porém, à parte provar que o não realizou por justa causa. § 1o Reputase justa causa o evento imprevisto, alheio à vontade da parte, e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. Portanto, considerando o não cumprimento do requisito previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 para interposição do recurso voluntário, tampouco apresentada qualquer justa causa que demonstrasse a impossibilidade de cumprimento do prazo legal, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10907.001887/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica
Anos calendário 2004, 2005 e 2006.
Ementa:
RECURSO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. EXIGÊNCIAS CONSTITUÍDAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA ORIUNDA DA PRESTAÇÃO
DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. EMPRESA QUE TERCEIRIZA OS SERVIÇOS E TRIBUTA APENAS A “COMISSÃO” RECEBIDA. VALORES CREDITADOS EM SUAS PRÓPRIAS CONTAS BANCÁRIAS. INEXISTÊNCIA DE SITUAÇÕES QUE CARACTERIZEM MOTIVOS PARA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA. RECURSO DE OFÍCIO IMPROVIDO EM RELAÇÃO A ESTE ITEM.
Não caracteriza situação que justifica a qualificação da multa o fato do sujeito passivo, que terceiriza os serviços de transporte de carga, levar à tributação somente a diferença entre o valor pago pelo contratante dos serviços e a quantia repassada ao transportador de fato, procedimento este que era realizado com base no entendimento de que a tributação incidia apenas sobre a “comissão” efetivamente recebida.
Em relação à exigência feita com base nos depósitos bancários de origem não qualificada, não há situação que possa caracterizar a intenção de sonegar tributo, ocultar ou retardar a ocorrência do fato gerador, pois foi exatamente a partir dos depósitos bancários que a fiscalização iniciou a apuração da exigência fiscal.
MULTA QUALIFICADA. RECEITA ESCRITURADA E PARCIALMENTE INFORMADA À AUTORIDADE FISCAL. SITUAÇÃO QUE CARACTERIZA A INTENÇÃO DE OCULTAR A OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR. RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO EM RELAÇÃO A ESTE PONTO.
Enquanto nos valores relacionados aos depósitos bancários a empresa entendia que sua receita era caracterizada apenas pela “comissão” que recebia dos fretes que contratava e terceirizava, em relação ao item 02 do auto de infração, correspondente ao ano de 2004, a autuada declarou à fiscalização, em três trimestres, menos de 15% (quinze por cento) da receita escriturada,
situação que demonstra não se tratar de equívoco, mas efetiva intenção de reduzir o montante do imposto a pagar, o que, neste ponto, justifica a qualificação da multa.
Recurso de ofício parcialmente provido.
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA A MOVIMENTAÇÃO
FINANCEIRA. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa.
Não é regular a contabilidade que deixa de registrar a maior parte das transações realizadas pelo contribuinte, ainda que formalmente correta.
Nos casos em que a contabilidade da empresa não registrar a real
movimentação financeira, com receita declarada em percentual muito aquém daquela apurada pela fiscalização, deverá a autoridade fiscal proceder ao arbitramento do lucro, ainda que a pessoa jurídica seja tributada com base no lucro real.
O artigo 24, da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1995. O artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação.
Se os fundamentos acima, em especial o artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1997, que determinam que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando a escrituração do contribuinte contiver deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, servem para justificar a correção do procedimento da autoridade fiscal em
relação aos anos calendário de 2005 e 2006, também devem ser aplicados para o ano calendário de 2004.
No caso dos autos, em relação ao ano de 2004, o recurso voluntário deve ser parcialmente provido para que a apuração do valor devido se dê com base no lucro arbitrado, tendo por parâmetro o montante da receita apurada, descontando na exigência as importâncias pagas em relação à receita declarada e já tributada.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1402-000.533
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO:
1) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a qualificação da multa de ofício do ano calendário
de 2004;
2) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação ao ano calendário
de 2004, seja reduzida a base de cálculo do IRPJ e da CSLL,
mediante aplicação do percentual do lucro arbitrado, considerando toda a receita apurada no ano, diminuindo da exigência os tributos já recolhidos relativos a esse período; vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima que negava provimento ao recurso voluntário.
Ausente momentaneamente a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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Assunto: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. EXIGÊNCIAS CONSTITUÍDAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA ORIUNDA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. EMPRESA QUE TERCEIRIZA OS SERVIÇOS E TRIBUTA APENAS A “COMISSÃO” RECEBIDA. VALORES CREDITADOS EM SUAS PRÓPRIAS CONTAS BANCÁRIAS. INEXISTÊNCIA DE SITUAÇÕES QUE CARACTERIZEM MOTIVOS PARA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA. RECURSO DE OFÍCIO IMPROVIDO EM RELAÇÃO A ESTE ITEM. Não caracteriza situação que justifica a qualificação da multa o fato do sujeito passivo, que terceiriza os serviços de transporte de carga, levar à tributação somente a diferença entre o valor pago pelo contratante dos serviços e a quantia repassada ao transportador de fato, procedimento este que era realizado com base no entendimento de que a tributação incidia apenas sobre a “comissão” efetivamente recebida. Em relação à exigência feita com base nos depósitos bancários de origem não qualificada, não há situação que possa caracterizar a intenção de sonegar tributo, ocultar ou retardar a ocorrência do fato gerador, pois foi exatamente a partir dos depósitos bancários que a fiscalização iniciou a apuração da exigência fiscal. MULTA QUALIFICADA. RECEITA ESCRITURADA E PARCIALMENTE INFORMADA À AUTORIDADE FISCAL. SITUAÇÃO QUE CARACTERIZA A INTENÇÃO DE OCULTAR A OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR. RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO EM RELAÇÃO A ESTE PONTO. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 2 Enquanto nos valores relacionados aos depósitos bancários a empresa entendia que sua receita era caracterizada apenas pela “comissão” que recebia dos fretes que contratava e terceirizava, em relação ao item 02 do auto de infração, correspondente ao ano de 2004, a autuada declarou à fiscalização, em três trimestres, menos de 15% (quinze por cento) da receita escriturada, situação que demonstra não se tratar de equívoco, mas efetiva intenção de reduzir o montante do imposto a pagar, o que, neste ponto, justifica a qualificação da multa. Recurso de ofício parcialmente provido. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. Não é regular a contabilidade que deixa de registrar a maior parte das transações realizadas pelo contribuinte, ainda que formalmente correta. Nos casos em que a contabilidade da empresa não registrar a real movimentação financeira, com receita declarada em percentual muito aquém daquela apurada pela fiscalização, deverá a autoridade fiscal proceder ao arbitramento do lucro, ainda que a pessoa jurídica seja tributada com base no lucro real. O artigo 24, da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1995. O artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Se os fundamentos acima, em especial o artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1997, que determinam que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando a escrituração do contribuinte contiver deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, servem para justificar a correção do procedimento da autoridade fiscal em relação aos anoscalendário de 2005 e 2006, também devem ser aplicados para o anocalendário de 2004. No caso dos autos, em relação ao ano de 2004, o recurso voluntário deve ser parcialmente provido para que a apuração do valor devido se dê com base no lucro arbitrado, tendo por parâmetro o montante da receita apurada, descontando na exigência as importâncias pagas em relação à receita declarada e já tributada. Recurso voluntário parcialmente provido. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10907.001887/200940 Acórdão n.º 140200.533 S1C4T2 Fl. 2 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO: 1) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a qualificação da multa de ofício do anocalendário de 2004; 2) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação ao anocalendário de 2004, seja reduzida a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mediante aplicação do percentual do lucro arbitrado, considerando toda a receita apurada no ano, diminuindo da exigência os tributos já recolhidos relativos a esse período; vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima que negava provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (vicepresidente), Antonio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 4 Relatório Conforme auto de infração de fls. 1293 a 1338, referente aos anoscalendário de 2005 e 2006, notificados em 19/10/2009, a contribuinte, que se dedica ao ramo de transporte de cargas, foi autuada, com base no lucro arbitrado, para exigência de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL. A autuação acima é decorrente das seguintes infrações: a) depósitos bancários de origem não comprovada; b) apuração incorreta do imposto. A planilha dos depósitos de origem não comprovada consta das fls. 1353 a 1402. O arbitramento do lucro, segundo o auto de infração, às fls. 1295 e 1345, relativo aos anoscalendário de 2005 e 2006, deuse “em virtude de que o contribuinte, estando autorizado a optar pela tributação com base no lucro presumido, deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à sua determinação”. Neste sentido, à fl. 1345, a fiscalização destaca “que tentouse (sic.) validar a escrituração contábil da empresa comparandose a movimentação registrada na conta ‘caixa’ com os registros existentes nos extratos bancários da empresa, não havendo correspondência de valores, destacandose ainda os expressivos valores movimentados”. Em relação aos depósitos bancários, a exigência deuse com multa qualificada, sob o fundamento de que: “A total ausência de escrituração das contas bancárias pelo contribuinte demonstra o intuito em omitir o faturamento auferido. Não se trata de uma pequena empresa que possui reduzida movimentação bancária em sua conta e não escritura, são valores expressivos: anocalendário receita declarada depósitos bancários 2005 1.201.647,47 R$ 18.635.934,79 2006 5.563.739,94 R$ 20.271.072,88 Logo, a total ausência da escrituração das contas bancárias e a expressiva divergência em relação à receita declarada e apurada, foi determinante na qualificação do percentual de multa aplicado às infrações.” Esclareço que, além da exigência caracterizada com base nos depósitos bancários, conforme especificado no item 02 do auto de infração, a empresa também foi autuada, com multa de 75% (setenta e cinco por cento), em relação à receita declarada que, por ter extrapolado aos limites do SIMPLES, não poderia ter calculado os tributos com base em tal modalidade de apuração. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10907.001887/200940 Acórdão n.º 140200.533 S1C4T2 Fl. 3 5 Notificada do auto de infração, a autuada, de forma tempestiva, apresentou a impugnação de fls. 1412/1437, anexando, dentre outros documentos, a planilha de fl. 1491, em que relaciona os valores objeto de estorno de cheques no ano de 2005, no montante de R$ 622.070,44 e, em 2006, no valor de R$ 33.733,00, na Agência 0259, do Banco do Brasil, e de R$ 29.865,00, na Agência 3228, também do Banco do Brasil. Neste ponto do relatório faço um breve parêntese, para destacar que o acórdão recorrido, à fl. 2300 e 2300verso, excluiu da base de cálculo o valor de R$ 622.070,44, em 2005, e R$ 62.597,64, em 2006, por acolher o argumento da recorrente de que se tratavam de valores cujos depósitos efetivamente foram estornados, não ocorrendo a regular compensação. Retomando o curso do relatório, considerando que os documentos especificados no ANEXO I, no montante de três volumes, e ANEXO II, no montante de dois volumes, não foram objeto de digitalização, retirei os autos de pauta examinálos e considerá los para efeito de julgamento, exame este que fiz, na sala de sessões, no dia 17/12/2010, oportunidade em que constatei que o ANEXO I é composto dos seguintes documentos: a) Livro razão de 2005 (fls. 01 a 239); b) Livro Diário de 2005 (fls. 240 a 248); c) Livro Razão de 2006 (fls. 249 a 473). No ANEXO II constam as notas fiscais de fls. 02/260; a planilha de fls. 261/262, intitulada de “análise dos conhecimentos de transporte e contabilização” e o Livro Razão referente ao período de outubro a dezembro de 2004 (fls. 264/292). Às fls. 1534/1538, consta a decisão referente ao processo nº 10907.001742/200949, referente à exclusão do SIMPLES da empresa autuada, sem notícia de eventual recurso. À fl. 1599, verificase que a empresa foi intimada para apresentar o Livro Caixa e o Livro Diário de 2004 a 2006. A partir deste ponto, inicio o relatório da autuação em relação ao ano de 2004, cujo auto de infração consta das fls. 2303/2304, e descreve as seguintes infrações: “001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Valor referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituição financeira, em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e planilha denominada "Demonstrativo dos Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada", ambos anexos ao presente auto. A descrição minuciosa dos fatos encontrase no Termo de Verificação Fiscal integrante do presente auto de infração. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 6 Fato Gerador Valor Trib. ou Imposto Multa(%) 31/12/2004 R$ 216.860,77 150,00 31/12/2004 R$ 1.055.441,69 150,00 002 RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS OPÇÃO INDEVIDA PELO SIMPLES RESULTADOS OPERACIONAIS O sujeito passivo optou indevidamente em apurar os seus tributos pelo SIMPLES, e com manteve escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, está sendo tributado pelo lucro real trimestral. O lucro objeto da presente infração foi extraído da Demonstração de Resultado do Exercício contida a folha 71 do Livro Diário. A descrição minuciosa dos fatos se encontra no Termo de Verificação Fiscal anexo ao presente auto de infração. Fato Gerador Valor Trib. ou Imposto Multa(%) 31/12/2004 R$ 750.674,31 150,00 ....” Feito o registro acima, que considero útil para efeito de julgamento, em relação ao ano de 2004, exigido com base no lucro real, a tributação está assim identificada: “001 – OMISSÃO DE RECEITA – DEP. BANC. NÃO JUSTIFICADOS Fato gerador Valor Tributável Multa 31/12/2004 216.860,77 150% 31/12/2004 1.055.441,69 150% 02 – RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS OPÇÃO INDEVIDA PELO SIMPLES – RESULTADOS OPERACIONAIS O sujeito passivo optou indevidamente pelo SIMPLES, e como manteve escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, está sendo tributado pelo lucro real trimestral. O lucro objeto da presente infração foi extraído da Demonstração de Resultado do Exercício contida na fl. 71 do Livro Diário Fato gerador Valor Tributável Multa% 31/12/2004 R$ 750.674,31 150% ....” Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10907.001887/200940 Acórdão n.º 140200.533 S1C4T2 Fl. 4 7 Em relação ao ano de 2004, a multa foi qualificada, tanto numa infração quanto noutra, em face da expressiva “divergência em relação à receita declarada nos livros contábeis e a receita declarada na PJIS”, conforme quadro comparativo especificado à fl. 2231, que transcrevo: Quadro Comparativo Outubro Novembro Dezembro Total Receita declarada nos livros contábeis 280.317,80 667.785,64 885.427,32 1.833.530,76 Receita Declarada em PJSI 72.286,00 67.785,64 69.045,00 209.166,64 Por oportuno, registro que, para fins de apuração do tributo devido, a autoridade fiscal subtraiu o valor correspondente ao faturamento já declarado pelo contribuinte em DIPJ, conforme pode ser verificado na planilha de fl. 1350. Notificada do lançamento, em relação aos lançamentos dos anoscalendário de 2005 e 2006, a autuada ingressou com a impugnação de fls. 1412/1437, instruída com os documentos de fls. 1438 a 1491, alegando, em síntese: a) que foi constituída para exercer a atividade de transporte rodoviário de cargas, contudo, tendo em vista fatores operacionais, passou a honrar seus compromissos, perante os clientes, terceirizando a atividade; b) que os valores repassados aos transportadores encontramse registrados no Livro Caixa, por contrato e respectivo conhecimento de transporte, e segregados sob a rubrica "Fretes e Carretos"; c) que a receita obtida pela empresa corresponde tãosomente à diferença entre os ingressos recebidos de seus clientes e os valores repassados a título de fretes e carretos; d) que apresentou à fiscalização uma planilha demonstrando em parte, por conhecimento de transporte e respectivo contrato, os ingressos recebidos e as importâncias pagas aos carreteiros contratados, assim como as receitas impróprias (simples ingressos) e próprias (diferença entre os ingressos e as importâncias repassadas); e) que excluiu os valores repassados da base de cálculo dos tributos por entender que não configuram receita de prestação de serviços, o que pode ter concorrido, equivocadamente, para a suposta omissão de receita arbitrada com base na movimentação financeira; f) que não conseguiu comprovar a origem dos recursos depositados nas contas correntes bancárias em razão de sérias dificuldades na localização dos respectivos documentos; g) que não há razão para o arbitramento do lucro. Considerando que a impugnante optou pelo lucro presumido, bastaria a aplicação do percentual da atividade (8% Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 8 oito por cento), sem o a acréscimo de 20% (vinte por cento) sobre a suposta receita omitida, para se determinar o resultado normal; h) que os depósitos bancários não constituem fato imponível nem matéria dimensível do imposto de renda e demais tributos; i) que há inconsistência na base de cálculo formada pelos depósitos bancários, pois a autoridade fiscal incluiu diversos valores em duplicidade e que foram estornados, conforme planilha que junta aos autos, no montante de R$ 622.070,44, em 2005, e R$ 63.597,64, em 2006 (fl. 1491); j) que é descabida a multa em 150% (cento e cinquenta por cento), pois não há indícios de que houve dolo, fraude ou sonegação no caso concreto. Relativamente ao anocalendário de 2004, a autuada apresentou impugnação de fls. 2242/2264, instruída com os documentos de fls. 2265/2290, sustentando, em síntese: a) que em relação ao período de 2004, não houve a regular intimação da autuada, pois a intimação específica para esclarecer as origens dos depósitos referiuse apenas aos anoscalendário de 2005 e 2006, sendo omissa quanto ao de 2004; b) que mesmo tendo deixado de escriturar a movimentação bancária do ano calendário de 2004, não teve sua escrita contábil desclassificada, tal como ocorreu em relação anoscalendário de 2005 e 2006; c) que é inaplicável a multa qualificada para a diferença entre os valores declarados e contabilizados, pois é cediço que, nestas circunstâncias, houve declaração inexata e não omissão de receita. Os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR, no acórdão de fls. 2293/2305, decidiram, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte o lançamento, tãosomente para desqualificar a multa aplicada em relação a receita omitida. A decisão pode ser sintetizada a partir da seguinte ementa: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA DE TITULARIDADE DA PESSOA JURÍDICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta bancária de titularidade da pessoa jurídica, mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais ela, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Procedente o arbitramento do lucro dos anoscalendário de 2005 e 2006 em face de a escrituração contábil mantida pela contribuinte estar com sua credibilidade afetada em decorrência da falta de escrituração de numerosa movimentação bancária. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10907.001887/200940 Acórdão n.º 140200.533 S1C4T2 Fl. 5 9 BASE DE CÁLCULO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. As receitas auferidas no transporte rodoviário de cargas realizado por conta e exclusiva responsabilidade da contribuinte, que emite os conhecimentos de transporte de cargas e recebe os valores decorrentes dessas operações, integram a sua receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido/arbitrado, inexistindo amparo legal para dedução de valores repassados a terceiros subcontratados para realização de parte dos serviços. Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006 MULTA DE OFÍCIO DE 150%. DESCABIMENTO. REDUÇÃO PARA O PERCENTUAL DE 75%. Tendo a autoridade fiscal deixado de apontar de forma objetiva as razões determinantes para imposição da multa de ofício qualificada, é de ser reduzir a penalidade para o percentual não qualificado de 75%. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao PIS, à Cofins e à CSLL. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” Da decisão, recorreuse de ofício ao CARF (fl. 2293). Intimada à fl. 2307, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 2308/2333, ratificando as razões apresentadas na impugnação inicial. Alegou, ainda, que inúmeros depósitos glosados referemse a cheques trocados com terceiros (como é o caso do Posto Locatelli); a empréstimos bancários feitos informalmente perante os gerentes de bancos, cujas devoluções davamse em curtíssimos prazos através de lançamentos nos extratos bancários; a devoluções feitas por motoristas quando do retorno de viagens e a valores referentes a vendas de bens do imobilizado. Antes de finalizar o relatório, registro que em 30/10/2009 (fl. 1536), a empresa foi intimada de sua exclusão do SIMPLES, em relação ao ano de 2004 e, nesta mesma data, do auto de infração de fl. 2.238, correspondente ao ano de 2004. A impugnação de fl. 2.242 não ataca a exclusão do SIMPLES, relativo, motivo pelo qual, dita matéria, não é objeto de exame neste recurso. É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 10 Voto O recurso voluntário é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. O recurso de ofício excluiu da exigência crédito tributário superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), razão pela qual também deve ser conhecido. I Do exame do recurso de ofício Inicio a análise da matéria pelo exame do recurso de ofício, que afastou a multa qualificada, sob o entendimento de que “tendo a autoridade fiscal deixado de apontar de forma objetiva as razões determinantes para imposição da multa de ofício qualificada, é de ser reduzir a penalidade para o percentual não qualificado de 75%”. Pelo que se apurou nos autos, a empresa dedicase ao ramo de transportes. Conforme suas alegações, pelo volume de cargas e o reduzido número de caminhões registrados em seu nome, depreendese que a mesma tinha como principal atividade o agenciamento de cargas, terceirizando o frete que era executado por terceiros. Na prática, os transportadores de fato eram os caminhoneiros proprietários dos veículos utilizados na prestação dos serviços de transporte. A empresa contratante dos transportes pagava o valor ajustado à autuada, cabendo a esta acertar com o terceiro que, de fato, realizava o transporte. É sabido que nos serviços de transporte a maior parte do custo está no deslocamento da mercadoria de um local para o outro. Nesta linha, a autuada, optante pelo SIMPLES, argumenta que considerava como receita apenas a diferença que lhe cabia, não havendo sequer omissão em relação ao quantum que repassava aos transportadores de fato, eis que tal valor corresponde a receita destes, e não da recorrente. Ocorre que a autuada, embora tendo apresentado planilha procurando identificar as transferências pagas aos transportadores de fato, não o fez com a apresentação de documentos que pudessem ser considerados satisfatórios, daí a exigência do tributo. Quanto ao item 02 do auto de infração, relativo ao ano de 2004, que a multa foi qualificada em razão da “divergência em relação à receita declarada nos livros contábeis e a receita declarada na PJIS”, conforme quadro comparativo de fl. 2231, que transcrevo, entendo que o recurso de ofício, neste ponto, deve ser provido. Quadro Comparativo Outubro Novembro Dezembro Total Receita declarada nos livros contábeis 280.317,80 667.785,64 885.427,32 1.833.530,76 Receita Declarada em PJSI 72.286,00 67.785,64 69.045,00 209.166,64 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10907.001887/200940 Acórdão n.º 140200.533 S1C4T2 Fl. 6 11 No que diz respeito aos valores relacionados aos depósitos bancários, a empresa, ao que sustenta e ao que aparenta, entendia que sua receita era caracterizada apenas pela “comissão” que recebia dos fretes que contratava e terceirizava. Em relação ao item 02 do auto de infração, correspondente ao ano de 2004, a empresa registrou como receita os valores especificados no quadro acima e declarou apenas parte dela, o que ao meu sentir não se trata de equívoco, mas sim da efetiva intenção de reduzir o montante do imposto a pagar, o que justifica a qualificação da multa, pelos fundamentos especificados no termo de verificação fiscal. Situação diferente diz respeito à tributação caracterizada com base em depósito bancário de origem não comprovada. No caso dos autos, a origem está comprovada, pois eram oriundos de serviços de transportes contratados pela empresa e creditados em suas contas. Como a empresa terceirizava os transportes entendia ela que sua receita correspondia apenas na diferença entre o valor pago pelo contratante do transporte e o valor repassado por esta ao transportador de fato. Tal entendimento, ainda que não se acolha para efeitos de tributação, não caracteriza intenção de sonegar tributo, ocultar ou que retardar a ocorrência do fato gerador, elementos necessários para a caracterização da multa. Ademais, na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, não se pode falar em omissão qualificada do contribuinte com a finalidade de sonegar, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transação financeira dáse o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo 5°, da Lei Complementar n° 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, §§ 2° e 3°, inciso I, do Decreto n° 4.489, de 2002, que sejam encaminhadas à Fiscalização as informações acerca de todos os recursos que movimentou. Em relação à movimentação financeira, é preciso que se tenham presentes as normas contidas nos dispositivos legais anteriormente citados, os quais seguem transcritos: “Lei Complementar n° 105, de 2001. .... Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. Decreto nº 4.489, de 2002. Art. 1º As instituições financeiras, assim consideradas ou equiparadas nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, devem prestar à Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda informações sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços, sem prejuízo do disposto no art. 6º da referida Lei Complementar. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 12 Art. 2º As informações de que trata este Decreto, referentes às operações financeiras descritas no § 1º do art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 2001, serão prestadas, continuamente, em arquivos digitais, de acordo com as especificações definidas pela Secretaria da Receita Federal, e restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e com os montantes globais mensalmente movimentados, relativos a cada usuário, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos efetuados. .... § 3º A identificação dos titulares das operações ou dos usuários dos serviços será efetuada pelo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e pelo número ou qualquer outro elemento de identificação existente na instituição financeira. Art. 3º Para os efeitos deste Decreto, considerase montante global mensalmente movimentado: I nos depósitos à vista e a prazo, inclusive em conta de poupança, o somatório dos lançamentos a crédito efetuados no mês;” (grifei) Se por força das disposições legais antes referidas, mais precisamente o artigo 2°, § 3°, inciso I, do Decreto n° 4.489, de 2002, as informações são continuamente, em arquivos digitais, prestadas à SRF, identificando cada uma das operações realizadas por seus respectivos titulares, não se pode falar em sonegação ou omissão, com o intuito de ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador. Se estivéssemos no campo do direito penal estaria configurada situação de crime impossível, pois em fazendo aplicação financeira, não tem o contribuinte como impedir o conhecimento desta por parte da fiscalização. No caso concreto, a movimentação de recursos em contas bancárias em valores menores do que a receita declarada chamou atenção da autoridade que iniciou a fiscalização que resultou no auto de infração. Neste sentido, dou parcial provimento o recurso de ofício, para manter a exigência, com multa qualificada, apenas em relação ao item 02 do auto de infração, correspondente ao ano de 2004. II Do exame do recurso voluntário Inicio o exame do recurso voluntário com questão relacionada aos depósitos bancários no ano de 2004, em relação aos quais a contribuinte alega que não foi intimada para comprovar a origem dos mesmos. a) Da alegação de que não houve intimação para impugnação dos depósitos bancários, em relação ao anocalendário de 2004 O MPF de fl. 02 referese ao período de apuração de 2004 a 2006. As intimações de fls. 04; 452; 461; 465; 470, fazem expressa referência ao período de apuração de Fl. 12DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10907.001887/200940 Acórdão n.º 140200.533 S1C4T2 Fl. 7 13 2004 a 2006. Todavia, o termo de intimação de fl. 476, que contém em anexo a relação dos depósitos bancários, está assim redigido: “No exercício das funções de AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil e no curso da ação fiscal iniciada em 16/04/2007, de acordo com o disposto nos art. 904, 910, 911 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do 'Imposto de Renda RIR/99), INTIMAMOS o contribuinte acima identificado a apresentar os elementos abaixo especificados: Prazo: 20 dias Período de apuração: Anos calendário 2005 a 2006 1 Comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas 'correntes, conforme relação anexo.” Na planilha de fls. 477/529, a que se refere o termo de intimação, se identificam, inicialmente, depósitos relacionados ao ano de 2005 (fls. 477/482), depósitos referentes ao ano de 2006 (fls. 483/496), depois retornase a depósitos de 2005 (fl. 497), voltando a depósitos feitos em 2006 (também na fl. 497), incluindose, às fls. 497/498, depósitos de 2004, seguindo para depósitos realizados em 2005 e terminando com depósitos realizados em 2006. Os depósitos de 2004 estão no meio desta relação. Como o termo de intimação acima transcrito destaca o período de apuração dos anos de 2005 e 2006, a questão a ser enfrentada é se a recorrente estava obrigada a se manifestar acerca dos depósitos bancários correspondentes ao ano de 2004, que também foram relacionados na planilha de fls. 477 e seguintes. Ao se manifestar acerca do referido termo de intimação, a recorrente limita se a fazer referência aos 2912 depósitos bancários de 2005 e 2006, sem fazer referência aos depósitos bancários do ano de 2004, em número de 57 (cinquenta e sete). O último termo de intimação consta da fl. 2149 dos autos e possui a seguinte redação: “No exercício das funções de AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil e no curso da ação fiscal iniciada em 16/04/2007, de acordo com o disposto nos art. 904, 910, 911 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), INTIMAMOS o contribuinte acima identificado a ( ) apresentar os elementos abaixo especificados: Prazo: 20 dias. Período de apuração: Ano calendário 2004. 1 Confeccionar planilha relacionando os créditos oriundos de receita da empresa. 2 Confeccionar planilha relacionando os créditos que este contribuinte entende ser de natureza diversa de receita. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 14 3 Em relação aos créditos que o contribuinte entende não trataremse de receita da empresa, apresentar documentação comprobatória. Os créditos objeto da presente intimação estão listados no Anexo A ,integrante do presente termo. As respectivas planilhas deverão ser assinadas pelo responsável pela empresa ou seu procurador. Prazo: 20 dias. Período de apuração: Anos calendário 2005 e 2006 Em relação a resposta datada de 21/8/09, efetuamos a análise do "Demonstrativo de Transferências Interbancárias e Outros Créd. Não Tributáveis". 4 Intimamos a apresentar a documentação comprobatória relativa as alegações efetuadas em relação, aos créditos listados no Anexo B, integrante deste termo. Os demais créditos do respectivo demonstrativo não listados no Anexo B, foram considerados de origem comprovada. Prazo: 5 dias úteis. Período de apuração: Anos calendários 2004 – 2005 e 2006 Apresentar as notas fiscais emitidas pela empresa e suas filiais neste período. A resposta à presente intimação deverá ser prestada por escrito, datada e assinada pelo contribuinte, ou seu representante legal, com indicação dos elementos que estão sendo apresentados.” No momento que o termo de fl. 2149 faz referência ao ano de 2004, contendo no anexo de fl. 2.150, a relação dos depósitos bancários cuja origem necessitava ser comprovada, não prospera o argumento de que não houve intimação para comprovação da origem destes recursos. b) Das questões relacionadas ao arbitramento determinado pelo artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1997 O arbitramento, segundo o auto de infração, às fls. 1295/1345, relativo aos anos de 2005 e 2006, deuse “em virtude de que o contribuinte, estando autorizado a optar pela tributação com base no lucro presumido, deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à sua determinação”. Neste sentido, à fl. 1345, a fiscalização destaca “que tentouse (sic.) validar a escrituração contábil da empresa comparandose a movimentação registrada na conta ‘caixa’ com os registros existentes nos extratos bancários da empresa, não havendo correspondência de valores, destacandose ainda os expressivos valores movimentados”. O artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1997, determina que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: Fl. 14DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10907.001887/200940 Acórdão n.º 140200.533 S1C4T2 Fl. 8 15 “II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou ...” O artigo 47, da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. No presente caso, a apuração feita pela autoridade fiscal demonstrou que a recorrente teve receita presumida, caracterizada por depósitos bancários, tendo declarado apenas parte dos valores creditados em suas contas bancárias. A constatação feita pela autoridade fiscal revela que a escrituração da recorrente não permite identificar a efetiva movimentação financeira, incidindo o disposto no artigo 47, II, a, da Lei nº 8.981, de 1995, e artigos 529 e 530, do Regulamento do Imposto de Renda, que, nestas situações, determinam que o lucro deve ser arbitrado. O arbitramento do lucro não é faculdade concedida pela lei, mas sim imposição. O artigo 47, da Lei nº 8.981, de 1995, não usa a expressão poderá, mas sim será arbitrado. Constatado situação que não identifica a efetiva movimentação financeira, a autoridade fiscal, mesmo para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, deve arbitrar o valor da receita. No caso dos autos, correto o procedimento da autoridade fiscal que arbitrou o lucro em relação aos anoscalendário de 2005 e 2006. Por outro lado, não prospera a inconformidade da recorrente quanto à exigência do adicional de 20% (vinte por cento), visto que este se encontra previsto no artigo 532, do Regulamento do Imposto de Renda e artigo 16, da Lei nº 9.249, de 1995, a seguir transcritos: “Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no artigo 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no artigo 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, artigo 16, e Lei nº 9.430, de 1996, artigo 27, inciso I).” “Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no artigo 15, acrescidos de vinte por cento.” Se os fundamentos acima elencados, em especial o artigo 47, II da Lei nº 8.981, de 1997, que determina que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando a Fl. 15DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 16 escrituração do contribuinte contiver deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, servem para justificar a correção do procedimento da autoridade fiscal em relação aos anoscalendário de 2005 e 2006, também devem ser aplicados para o anocalendário de 2004, com receita declarada de R$ 750.647,31 e depósitos bancários no valor de R$ 1.272.302,46, o que corresponde, em relação à receita declarada, omissão de 69,49% (750.649,31 + 69,49% = 1.272.302,46). A situação, em relação ao ano de 2004, no caso concreto, é semelhante a que examinamos no recurso nº 179.439, de que fui relator, propondo a seguinte ementa: “CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRADO O LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. Não é regular a contabilidade que deixa de registrar a maior parte das transações realizadas pelo contribuinte, ainda que formalmente correta. Nos casos em que a contabilidade da empresa não registrar a real movimentação financeira, com receita declarada em percentual muito aquém daquela apurada pela fiscalização, deverá a autoridade fiscal proceder ao arbitramento do lucro, ainda que a pessoa jurídica seja tributada com base no lucro real. O artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação.” Na situação presente, em relação ao ano de 2004, o recurso voluntário deve ser parcialmente provido, para que a exigência fiscal ocorra na modalidade do lucro arbitrado, tendo como base de cálculo o montante integral da receita apurada, descontando da exigência as importâncias pagas em relação à receita declarada. Ao destacar que está certa a exigência feita com base no lucro arbitrado em relação aos anoscalendário de 2005 e 2006 e ao dar parcial provimento ao recurso para que, em relação ao ano de 2004, a exigência se dê nos mesmos moldes, por evidente que estou rejeitando os demais argumentos, inclusive os que destacam que a receita obtida pela empresa corresponde tãosomente à diferença entre os ingressos recebidos de seus clientes e os valores repassados a título de fretes e carretos e de que não há razão para o arbitramento do lucro, pois, segundo a recorrente, tendo ela, em 2005 e 2006, optado pelo lucro presumido, bastaria a aplicação do percentual da atividade, sem o a acréscimo de 20% (vinte por cento), sobre a suposta receita omitida, para se determinar o resultado normal. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10907.001887/200940 Acórdão n.º 140200.533 S1C4T2 Fl. 9 17 Para que não se alegue falta de fundamentação em relação aos argumentos acima elencados, mesmo partindo da premissa de que a recorrente, empresa de transporte de carga, de fato, terceirizava os serviços, a base de cálculo a ser considerada é o percentual de 8% (oito por cento), previsto no artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995. Ao fixar base de cálculo de 8% (oito por cento) para a atividade de transporte, o artigo 15, II, a, segunda parte, assim reduz a base de cálculo, por considerar todas as despesas inerentes a esta atividade. Seria ilógico considerar a base de cálculo apenas da suposta receita líquida e reduzila, ainda, a 8% (oito por cento). ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a qualificação da multa de ofício do anocalendário de 2004 e dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação ao anocalendário de 2004, seja reduzida a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mediante aplicação do percentual do lucro arbitrado, considerando toda a receita apurada no ano, diminuindo da exigência os tributos já recolhidos relativos a esse período. É o voto. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva – Relator. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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