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Numero do processo: 10600.720020/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009, 2010
LIMITES DA COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N. 7.689/88. SUPERVENIÊNCIA DE FARTA LEGISLAÇÃO SOBRE A MATÉRIA E DE CONTROLE CONCENTRADO NO STF, QUE JULGOU A LEI CONFORME.
O trânsito em julgado da decisão que desobrigou o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei n. 7.689/88, não impede que o tributo seja exigível com base em normas legais supervenientes que tenham alterado os critérios da incidência tributária, mormente quando a referida lei foi considerada conforme a Constituição pelo STF, mediante controle concentrado. Homenagem ao princípio da igualdade tributária e respeito à cláusula rebus sic stantibus, que não se observa na espécie, pois o STJ ainda discute os efeitos prospectivos da declaração de constitucionalidade.
PAGAMENTO DE ROYALTIES A SÓCIOS.
A regra do art. 353, inciso I, do RIR/99 (art. 71 da Lei nº 4.506, de 1964), que veda a dedução de royalties pagos a sócios da base de cálculo do IRPJ, não se aplica à CSLL por falta de previsão legal.
MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
Com o advento da Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488/2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano-calendário.
Numero da decisão: 1201-001.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa das despesas como royalties. Vencidos o Relator e a Conselheira Ester Marques, que lhe negavam provimento, e o Conselheiro Luis Fabiano que lhe dava integral provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Thome.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
(documento assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, João Otavio Oppermann Thomé.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 LIMITES DA COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N. 7.689/88. SUPERVENIÊNCIA DE FARTA LEGISLAÇÃO SOBRE A MATÉRIA E DE CONTROLE CONCENTRADO NO STF, QUE JULGOU A LEI CONFORME. O trânsito em julgado da decisão que desobrigou o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei n. 7.689/88, não impede que o tributo seja exigível com base em normas legais supervenientes que tenham alterado os critérios da incidência tributária, mormente quando a referida lei foi considerada conforme a Constituição pelo STF, mediante controle concentrado. Homenagem ao princípio da igualdade tributária e respeito à cláusula rebus sic stantibus, que não se observa na espécie, pois o STJ ainda discute os efeitos prospectivos da declaração de constitucionalidade. PAGAMENTO DE ROYALTIES A SÓCIOS. A regra do art. 353, inciso I, do RIR/99 (art. 71 da Lei nº 4.506, de 1964), que veda a dedução de royalties pagos a sócios da base de cálculo do IRPJ, não se aplica à CSLL por falta de previsão legal. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Com o advento da Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488/2007, tornouse juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano calendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 60 0. 72 00 20 /2 01 3- 18 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa das despesas como royalties. Vencidos o Relator e a Conselheira Ester Marques, que lhe negavam provimento, e o Conselheiro Luis Fabiano que lhe dava integral provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Thome. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator (documento assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, João Otavio Oppermann Thomé. Relatório Tratase de Autos de Infração de CSLL lavrados contra a empresa em epígrafe, relativos aos anoscalendário de 2009 e 2010. Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: I – DO LANÇAMENTO Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3/17, que exige a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 986.028.064,34, cumulada com multa de ofício proporcional, no percentual de 75%, além dos juros de mora pertinentes calculados até 09/2013. Foi Também formalizado o Auto de Infração de fls. 18/22, a título de Multa Exigida Isoladamente, no montante de R$ Fl. 997DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 4 3 168.632.474,25, pela falta de recolhimento das estimativas mensais devidas da CSLL, no anocalendário de 2010. I.1 – DESCRIÇÃO DOS FATOS. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: “LANÇAMENTO DA CSLL. “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, nos termos dos arts. 904 e 926 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), em face de apuração da(s) infração(ões) abaixo descrita(s) aos dispositivos legais mencionados. 0001 – FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL OU DO ADICIONAL A fiscalizada entende que não está sujeita ao recolhimento da CSLL em virtude da Ação Ordinária nº 90.00.036704, transitada em julgado em 23/08/1993, que a desobriga de recolher a CSLL com base na declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 para o caso concreto. Porém, no caso vertente, a decisão declaratória incidental de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, como coisa julgada entre as partes foi concreta e juridicamente afetada pelo Supremo Tribunal Federal ao apreciar a questão pela via incidental, em ação diversa, ocasião em que considerou conforme a Constituição, com exceção do artigo 8º, o qual determinava a cobrança da CSLL já no períodobase encerrado em 31 de dezembro de 1988. Nesse sentido o Parecer PGFN/CRJ 492/2011 dispõe que o contribuinte que tiver, a seu favor, decisão judicial transitada em julgado em que foi declarada a inconstitucionalidade de tributo e, posteriormente, o STF se manifestar pela constitucionalidade da exação, a Administração Pública Federal poderá cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos após o trânsito em julgado da decisão do STF. Além disso, nada obsta que a Fazenda Nacional exija, com base na Lei nº 8.212, de 1991, das empresas que obtiveram decisão judicial favorável transitada em julgado contra a legislação anterior (Lei nº 7.689, de 1988), a CSLL não recolhida a partir da edição da lei nova (Lei 8.212, de 1991), afastando, definitivamente o argumento de proteção pela coisa julgada, que restou afetada por norma superveniente. Face à completa ausência de recolhimento e declaração da CSLL devida nos anoscalendário de 2009 e 2010 esta fiscalização está constituindo o respectivo crédito tributário consubstanciado no presente Auto de Infração. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 5 4 A descrição detalhada e minuciosa dos fatos, bem como toda fundamentação legal pertinente encontramse descritas no Termo de Verificação de Infração que é parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração.” I.2 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO TVI (FLS. 25/37). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. (...) 8. Da análise de toda documentação apresentada relatamos abaixo os fatos e conclusões que esta auditoria fiscal apurou. (...) 10. A Fiscalizada informou que possui Ação Ordinária nº 90.00.036704, transitada em julgado em 23/08/1993, que a desobriga de recolher a CSLL com base na declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 para o caso concreto. 11. Tendo em vista o entendimento acima exposto, esta fiscalização realmente constatou que o contribuinte não declarou e nem recolheu a CSLL nos anoscalendário de 2009 e 2010. 12. Consultando a ação judicial verificamos que a decisão de primeira instância foi desfavorável à autora. Contudo, a Corte de Apelação (TRF1ª) reformou a sentença, declarando a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88. O Recurso Especial da Fazenda Nacional não teve seguimento por estar o dissídio fundamentado em tem de índole constitucional, conforme despacho de fls. 84, do processo judicial nº 90.00.036704 (RE 1503866). O Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional foi admitido pelo TRF1ª, conforme despacho de fls. 85 a 87 do referido processo judicial, mas teve seu seguimento negado pelo Ministro do STF Moreira Alves, conforme despacho de fls. 93, do RE 1503866, pelo fato de não se encontrar nos autos cópia do acórdão do Plenário do Tribunal a quo em que se declarou a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88. O mérito da questão nem sequer foi examinado pelo STF, mesmo já existindo nessa época precedente do próprio STF (RE 138.28 PA e RE 146.733SP) reconhecendo a constitucionalidade da Lei 7.689/88 (exceto o artigo 8º que se refere ao períodobase de 1988), conforme despacho de fls. 91, do RE 1503866. O despacho de fls. 93, que negou seguimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional pela falta de uma cópia de um acórdão, transitou em julgado no dia 23/08/93. Em suma, a forma processual prevalecendo sobre a essência/mérito da matéria que já estava decidida em precedentes do próprio STF pela constitucionalidade da Lei 7.689/88. 13. Percebese claramente que o contribuinte julga estar amparado por sentença judicial transitada em julgado que declarou inconstitucional a Lei 7.689/88, obtida na ação Fl. 999DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 6 5 impetrada contra a União (processo judicial nº 90.00.036704). Porém, no caso vertente, a decisão declaratória incidental de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, como coisa em julgada entre as partes, foi concreta e juridicamente afetada pelo Supremo Tribunal Federal ao apreciar a questão pela via incidental, em ação diversa, ocasião em que a considerou conforme a Constituição, com exceção do artigo 8º, o qual determinava a cobrança da CSLL já no períodobase encerrado em 31 de dezembro de 1988. (...) 15. O Parecer PGFN/CRJ 492/2011, aprovado e assinado pelo Ministro da Fazenda, dispõe que precedente objetivo e definitivo do STF possui o condão de fazer cessar, prospectivamente, a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias. (...) 18. Seguem as disposições do Parecer PGFN/CRJ 492/2011 que tratam do marco para cessação dos efeitos de decisão transitada em julgado considerando decisão em sentido contrário do STF, verbis: (...) 19. Diante do exposto, não tem amparo a pretensão da recorrente de não recolher a CSLL nos anoscalendário de 2009 e 2010, porque houve alteração no quadro jurídico da CSLL, tendo em vista decisão contrária proferida pelo STF à sentença transitada em julgado em favor do contribuinte, em controle difuso (RE 138.284CE, de 1992, com ulterior Resolução do Senado Federal nº 11/95) e em controle concentrado (ADIN 15 – Rel.Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJU 01.08.2007). 20. No mesmo sentido, negando ao Resp 1.118.893/MG o alcance de eximir totalmente da cobrança de CSLL contribuintes que tenham decisão transitada em julgado pela inconstitucionalidade da CSLL, mas sim validando a cobrança de CSLL sobre fatos geradores objetos da autuação (anos calendário de 2006 e 2007), já se manifestou o CARF, na sessão de março de 2012, PAF 10380720182200910. (...) 22. E os Tribunais estão na linha de entendimento de que precedente objetivo e definitivo do STF cessa, prospectivamente, a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias, de forma a ser exigível a CSLL dos fatos geradores futuros, (...). (...) 27. E, com o advento da Lei nº 8.212/91, Lei Orgânica da Seguridade Social, ficou restabelecida a obrigação de a empresa recolher a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 7 6 Os artigos 10, 11, alínea “d” e 23, II da referida Lei deixam inequívoca a obrigação para o contribuinte recolher a CSLL. 28. Não é outro o entendimento da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) no parecer nº 003/95, de 20/02/95, (...). (...) DA INDEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM ROYALTIES PAGOS A SÓCIOS (...) 38. Em 03/11/1989 a empresa S.A. Mineração Trindade – SAMITRI (na condição de cedente) celebrou contrato de transferência de Direitos Minerários para Exploração de Jazida de minério de ferro nas áreas denominadas “Alegria Centro” e “Alegria Este/Oeste” com a Samarco (na condição de cessionária) tendo a Cia Siderúrgica BelgoMineira – CSBM atuado como anuente, em virtude de ser a proprietária da área superficiária. (...) 40. O preço a ser pago pela Samarco a SAMITRI, conforme cláusula 6 de contrato, pela cessão e transferência dos direitos minerários (“Alegria Centro”) bem como pelo arrendamento e promessa de cessão e transferência dos direitos minerários (“Alegria Este/Oeste”) seria, a partir de 1994, 4% do valor que a Samarco viesse a pagar a seus acionistas a titulo de dividendos tendo a obrigação como marco final a exaustão das duas reservas minerais em tela. 41. Diante desses fatos a Samarco efetivamente pagou a Vale S.A (incorporadora da SAMITRI) diversos valores nos anos calendário de 2009 e 2010 tendo como fundamento a cláusula 6 do contrato retromencionado. 42. Os valores pagos foram os seguintes: (...) 43. No histórico dos lançamentos efetuados na conta de despesa 0040640010 – “3.01.02.02.03.01.04.10 – DIREITOS MINERÁRIOS – VALE” encontramos os seguintes termos: ROYALTIES CVRD, Pagamento de royalties e Pagamento de direitos minerais. 44. Na conta do Passivo da Fiscalizada 2.01.13.03.02.07 – DIREITOS MINERÁRIOS – VALE onde são feitas as provisões dos royalties pagos à Vale encontramos, por exemplo, as seguintes referências no histórico dos lançamentos: Provisão Royalties – CVRD, Provisão Royalties – Janeiro, Royalties Abril, etc. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 8 7 45. Da mesma forma, a Vale S.A também contabiliza como royalties os valores recebidos da Samarco na conta “451113002 – Receitas com Arrendamentos/Royalties”, conforme pode ser constatado pela escrituração contábil digital no SPED. 46. E realmente a natureza dos pagamentos efetuados pela Samarco à Vale S.A revestemse das características de royalties atribuídas expressamente pela própria Lei. O art. 22, alínea “b” da Lei nº 4.506, de 30/11/1964, dispõe literalmente que os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos de pesquisar e extrair recursos minerais serão classificados como “royalties”. (...) 47. Ocorre que as despesas com pagamentos de royalties efetuadas pela Samarco à Vale S.A, são indedtíveis na apuração do IRPJ e CSLL por expressa vedação legal (art. 71, parágrafo único, alínea “d” da Lei 4.506/64 e art. 353, inciso I do RIR/99 c/c art. 28 da Lei 9.430/96), uma vez que a Vale S.A é sócia da Fiscalizada detendo a participação de 50%, fato esse confirmado nas DIPJ dos anoscalendário 2009 e 2010 entregues pela Samarco. (...) 50. Apesar da Fiscalizada afirmar em sua resposta que os pagamentos efetuados não tem a natureza de royalties, a lei fiscal é cristalina quando define o conceito de royalties no art. 22, alínea “b” da Lei 4.506/64. Além disso, o art. 23 da mesma lei assevera que todas as espécies de rendimentos percebidos pela ocupação, uso, fruição ou exploração dos direitos referidos no art. 22 serão classificados como royalties e exemplifica no inciso I que são royalties as importâncias recebidas periodicamente ou não, fixas ou variáveis, e as percentagens, participações ou interesses. E no inciso III do mesmo art. 23 também considera expressamente com royalties quaisquer outras importâncias pagas (pela Samarco) ao cedente do direito (Vale) pelo contrato celebrado. (...) 52. E para que não pairem dúvidas ou questionamentos sobre a natureza dos pagamentos, o próprio contrato celebrado entre as partes dispõe em sua Cláusula 8 que a Samarco não se obriga a assumir responsabilidade por qualquer imposto da Belgo ou da Samitri decorrente de rendimentos provenientes do aludido contrato. Ora, esses rendimentos nada mais são que os royalties pagos pela Samarco e recebidos pela Vale S.A nos anos calendário de 2009 e 2010. 53. Além disso, a leitura atenta das Cláusulas de Rescisão 18.2 e 18.3 do contrato somente converge para a conclusão de que os pagamentos efetuados são, em verdade, royalties, pois na hipótese de rescisão a cessionária obrigarseia a devolver à cedente todos os direitos minerários que recebeu e mais, sem Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 9 8 qualquer tipo de indenização. E as partes ainda complementam e reconhecem que a cessão, o arrendamento e a promessa de cessão feitas têm como causa exclusiva e condicionante a execução do projeto de lavra. 54. Dessa forma, diante dos fatos e dos documentos apresentados, todos os pagamentos de “royalties” efetuados pela Samarco à sua sócia Vale S.A, acima mencionados, estão sendo considerados como indedutíveis por essa fiscalização e adicionados na apuração da base de cálculo da CSLL. (...) 56. As planilhas “Apuração da CSLL – 2009” e “Apuração da CSLL – 2010”, anexas a este Termo de Verificação, discriminam todos os valores apurados e lançados por esta Fiscalização. DA MULTA ISOLADA PELA FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DAS ESTIMATIVAS 57. Em razão das infrações acima descritas e tendo em vista que no anocalendário de 2010 a empresa optou pelo Lucro Real Anual com recolhimentos mensais baseados na estimativa, esta Fiscalização recompôs a base de cálculo das estimativas mensais do IRPJ no anocalendário de 2010, o que resultou na constatação da falta/insuficiência de recolhimento dessas estimativas mensais em diversos meses daquele anocalendário. (...) A planilha denominada “ESTIMATIVAS MENSAIS E MULTA ISOLADA – CSLL – 2010” para o anocalendário de 2010, anexa a este Termo de Verificação, demonstra todos os cálculos pertinentes às multas que estão sendo lançadas via Auto de Infração do qual este Termo de Verificação de Infração é parte integrante e indissociável. II – DA IMPUGNAÇÃO Tendo sido dele cientificado pessoalmente em 01/10/2013 (vide fls. 04), o sujeito passivo contestou o lançamento em 30/10/2013, mediante o instrumento de fls. 549/599. Adiante compendiamse suas razões. 1. FATOS (...) Com efeito, o presente auto de infração possui um ponto principal: a exigência da CSLL sobre a Impugnante, em que pese ter decisão favorável transitada em julgado afastando a cobrança de referida exação. Com relação aos outros tópicos de acusação, relativos à glosa de despesas com aquisição de direitos minerários, e aplicação da multa isolada concomitantemente, a Impugnante informa que obteve, no último dia 10 de setembro, decisão favorável no CARF nos autos do processo administrativo 10680.722242/201161, relativo à glosa Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 10 9 das mesmas despesas, para fins de IRPJ, consoante se verifica pela informação de resultado de julgamento abaixo: Não poderia ser outro o entendimento do CARF. Assim, consoante restará demonstrado, o presente auto de infração não merece prosperar, eis que, em breve resumo, a autuação exige CSLL por (i) entender que a decisão favorável à Impugnante que transitou em julgado em 23/08/1993 não seria válida para afastar a cobrança da CSLL, entendimento que já foi afastado pelo STJ em sede de recurso repetitivo (Resp nº 1.118.893); (ii) considerar que despesas de compra de direitos minerários seriam royalties, e por terem sido pagas a sócio pessoa jurídica, seriam indedutíveis, em que pese a CSRF já ter pacificado o entendimento de que o artigo 71 da Lei nº 4.506/74, parágrafo único, letra “d”, só se aplica a pessoas físicas (AC. CSRF 01 04.629); e (iii) exigir multa isolada de forma concomitante com a multa de ofício, matéria também já pacificada pela CSRF (Ac. CSRF 910100.966). (...) 2. PRELIMINARMENTE 2.1 – Do Entendimento Pacificado no STJ sobre o Trânsito em Julgado da CSLL – Recurso Repetitivo (...) Em 25 de janeiro de 1990, a Impugnante ingressou com Ação Declaratória nº 90.00036704 em face da União visando fosse reconhecida a declarada por sentença (i) a inexistência de relação jurídicotributária entre a Requerente e a Requerida quanto ao recolhimento da contribuição social instituída pela Lei nº 7.689/88 e (ii) a ilegalidade e a inconstitucionalidade dessa exação. (...) Em agosto de 1993, transitou em julgado decisão judicial em favor da Impugnante reconhecendo a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88 e, em conseqüência, afastando a exigência do respectivo tributo (CSLL). (...) O ponto nuclear da discussão estabelecida nos autos do presente processo administrativo reside na análise da extensão dos efeitos da decisão transitada em julgado favoravelmente à Impugnante, na qual restou decidido ser inexistente a relação jurídicotributária entre ela e a União no que tange à CSLL instituída pela Lei nº 7.689/88. (...) Pela leitura do TVI, vêse que a conclusão do Fisco foi no sentido de que a decisão definitiva favorável à Impugnante, afastando a exigência da CSLL, não se aplicaria após a decisão proferida pelo STF no julgamento do ADI 15. Contudo, tal entendimento não pode prevalecer. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 11 10 (...) Diante da existência de norma individual e concreta, decorrente de decisão judicial proferida especificamente para orientar e regular a conduta da Impugnante no que se refere à CSLL, bem como diante do fato de que essa decisão transitou em julgado, resta evidente que o entendimento do Fisco no presente caso não está em sintonia com a interpretação pacificada pelo STJ, nem tampouco com a decisão definitiva proferida pelo TRF de modo específico e individual, devendo esta Turma Julgadora cancelar a presente autuação, em obediência à coisa julgada e à segurança jurídica. De fato, é necessário destacar que na sessão de julgamento realizada dia 23/03/2011, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça reconheceu a ilegalidade da cobrança de CSLL em face dos contribuintes que obtiveram decisões transitadas em julgado, nas quais tenha havido o reconhecimento da inconstitucionalidade material da Lei nº 7.689, de 1988. Deveras, para o STJ, as leis posteriores à Lei nº 7.689/88, que regulamentaram a CSLL, não podem servir de fundamento para a cobrança da exação em ralação às empresas que possuem decisões favoráveis transitadas em julgado pela inconstitucionalidade, pois não introduziram real mutação em todos os critérios da regramatriz de incidência tributária, motivo pelo qual deve prevalecer a coisa julgada. Citese, nesse sentido, a seguinte ementa: “O fato de o Supremo Tribunal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a “Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores” (AgRg no ArRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHO, Primeira Seção, DJ 24/2/10. (RESP 1.118.893 MG) (2009/00111359 – Min. Arnaldo Esteves Lima – Dje 06/04/2011)”. Notese que a questão analisada pelo STJ é justamente a que suscitou dúvidas ao Fisco ao analisar o presente caso. (...). Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 12 11 Frisese, outrossim, que a decisão mencionada transitou em julgado em 09/05/11 e a matéria foi tratada em sede do rito dos recursos repetitivos (artigo 543C do CPC) cujo entendimento deve ser aplicado aos demais casos análogos. Ou seja, verificase que o STJ, ao analisar matéria idêntica à tratada no presente processo administrativo, reconheceu os limites materiais e temporais da coisa julgada, (...), os efeitos da declaração de inexistência de relação jurídicotributária subsistem até a presente data para o contribuinte que tem decisão judicial transitada em julgado nesse sentido, como é o caso da Impugnante. Assim, não merece prosperar a conclusão do Fisco (...). Registrese, ademais, que esse posicionamento já havia sido proferido pelo STJ em outra decisão publicada em 24/02/2010, (...). (...) Concluise, portanto, de acordo com a decisão acima citada, que o entendimento adotado pelo Fisco está em desacordo com o que vem decidindo o STJ (...). 2.2 – Da Aplicação do Artigo 62A do Regimento Interno do CARF – Recentes Precedentes Nesse cenário, havendo decisão de mérito proferida pelo STJ sobre a questão ora discutida, não se pode olvidar posicionamento manifestado pelo E. Conselho Administrativo, determinando, em casos como o que se analisa no presente processo administrativo, a aplicação do que dispõe o artigo 62A do Regimento Interno do CARF. (...) Ressaltase, inclusive, que a aplicação do entendimento acima exarado, por imposição do artigo 62A, já tem sido prática costumeira pelos I. Conselheiros das Turmas do E.CARF, (...). 2.3 – Da Impossibilidade de Motivar a Autuação Fiscal ora Combatida no Parecer PGFN nº 492/2011 – Direito de Lançamento Exclusivamente em Relação a Fatos Geradores Ocorridos Após 07 de Fevereiro de 2011 (...) Nos termos do entendimento manifestado pelo Fisco no TVF que acompanha o auto de infração ora combatido, não haveria que se falar em imutabilidade da coisa julgada em direito tributário na hipótese de superveniência de decisão contrário do Plenário do STF. Para fundamentar seu posicionamento, o Fisco valeu da interpretação formalizada pela d. Procuradoria da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, (...). (...) Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 13 12 Ocorre que, ao assim proceder, a Fiscalização deixou de se atentar para o fato de que o próprio Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 expressamente limita o direito de cobrança, pelo Fisco, do tributo relativo a fatos geradores praticados exclusivamente a partir de 26 de maio de 2011, data de publicação do referido Parecer, em respeito ao disposto no artigo 146 do CTN, (...): (...) Verificase, portanto, que, com base no que determina o próprio PGFN/CRJ/Nº 492/2011, a declaração de constitucionalidade da Lei nº 7.689/88, prolatada pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 15, transitada em julgado em 17/09/2007, somente legitimaria a cobrança de tributo decorrente da prática de fatos geradores ocorridos a partir de 26 de maio de 2011 – data da publicação do Parecer. (...) 2.4 – Do Parecer PGFN/CDA/CRJ 396/2013 E como se não bastasse tudo o quanto foi exposto, há que se mencionar que a mesma PGFN emitiu o Parecer nº 396/2013, pelo qual estende à Receita Federal do Brasil a dispensa de cobrança de crédito tributário nas hipóteses em que a tese que dá lastro à pretensão fiscal já tenha sido afastada em julgamento realizado sob a sistemática dos recursos repetitivos. (...) Ora, (i) se há entendimento do STJ no sentido de que o fato do Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade à própria existência do controle difuso; (ii) se esse entendimento foi objeto de acórdão em sede do Resp nº 1.118.893 sob a égide de recurso repetitivo, (iii) não há dúvida que, nos termos do próprio Parecer nº 396/2013 da PGFN, a Receita Federal do Brasil, mais do que dispensada, está obrigada a não exigir, sob qualquer forma e a qualquer pretexto, a CSLL de contribuintes que possuam decisão transitada em julgado afastando o tributo, como é o caso da Impugnante. 3. DO DIREITO 3.1 – Da Inexistência de Relação JurídicoTributária entre a Impugnante e a União em decorrência da Lei nº 7.689/88 Ainda que o auto de infração ora combatido não seja cancelado em razão das preliminares anteriormente suscitadas, o que se admite a título de mera argumentação, é de se frisar que o Fisco agiu em clara afronta à coisa julgada, conforme se passa a demonstrar. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 14 13 (...) No entanto, mais de 20 (vinte) anos após a certificação do trânsito em julgado daquela decisão, o Fisco procedeu à lavratura do presente auto de infração, exigindo, da Impugnante, valores a título de CSLL supostamente devidos nos anos calendário de 2009 e 2010. Ao assim agir, contudo, o Fisco afronta gravemente o instituto constitucional da coisa julgada, merecendo, portanto, o auto de infração em questão ser integralmente cancelado, sob pena de ser admitida incontestável violação constitucional. 3.2 – Sobre as Relações Jurídicas “Continuativas” e os Limites Objetivos da Coisa Julgada O Fisco afirmou no TVF que a coisa julgada poderia ser mutável nas hipóteses em surgem relações jurídicas distintas daquela que foi apreciada na decisão transitada em julgado, (....). (...) Notase, portanto, que o cerne da questão discutida no presente processo administrativo é, em primeiro lugar, a existência, no ordenamento jurídico pátrio, de norma jurídica geral e abstrata – Lei 7.689/88 – que elege a respectiva materialidade da hipótese de incidência como um evento duradouro no tempo (no caso, auferir lucro), sendo que, enquanto a empresa estiver em atividade e for lucrativa, deverá paga a Contribuição Social sobre o Lucro. (...) Ressaltese, por oportuno, que à época da edição da Lei nº 7.689/88, que instituiu a CSLL, referida norma dispunha sobre seus cinco critérios componentes, quais sejam: material, espacial, temporal, quantitativo e pessoal. (...) Inevitável concluir que, no caso da aplicação da regra matriz de incidência tributária, cada ocorrência é única e não se repete, a cada acontecimento! Como decorrência, a incidência da Lei nº 7.689/88, faz surgir, cada vez que o contribuinte realiza a conduta abstratamente descrita na hipótese, uma única relação jurídica que, inclusive, se exaure com o pagamento (....). Com base neste raciocínio, notase, de imediato, que não há que se falar em criação de novas relações jurídicas fundamentadas em legislações posteriores (...). (...) Em outros termos, a decisão que transitou em julgado favoravelmente à Impugnante paralisou a incidência da Lei nº Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 15 14 7.689/88 na sua totalidade, em razão de sua manifesta inconstitucionalidade, não especificando (como não poderia, por estar adstrita aos termos do pedido feito pela Impugnante) qualquer limitação temporal à validade da referida decisão. (...) 3.3 – Inocorrência de Relação Jurídica “Continuativa” e a Impossibilidade de Aplicação do Artigo 471, inciso I do Código de Processo Civil (...) Passase a demonstrar, uma vez mais, a inexistência da relação jurídica continuativa (como mencionado anteriormente) no caso em questão. Dispõe o artigo 471 do Código de Processo Civil: (...) Em primeiro lugar, há uma determinação legal expressa destinada ao órgão judicante: está impedido de decidir novamente a mesma lide, isto é, não pode apreciar objeto que já tenha sido objeto de pronunciamento por órgão judicial – e com muito maior razão por qualquer outro órgão. (...) Esta vedação apenas é excetuada caso uma das partes ingresse com Ação Rescisória dentro do biênio preclusivo e, ao final, obtenha uma decisão favorável acolhendo o seu pedido, o que, frisese, não ocorreu no presente caso. (...) Contudo, a legislação processual civil traz exceções à mencionada imutabilidade, nas hipóteses de relações jurídicas continuativas e das que decorrerem modificação no estado de fato ou de direito. Nestas hipóteses, a parte estará autorizada a pleitear a revisão do que foi estatuído na sentença devidamente transitada em julgado. Porém, para que esta revisão esteja autorizada, em primeiro lugar, deve ser caracterizada a relação jurídica continuativa, (...), a existência de legislação superveniente unindo as partes para o futuro, o que não é a hipótese destes autos, como demonstrado anteriormente! Em segundo lugar, deve haver uma modificação de fato ou de direito que afete aquelas relações continuadas que vão se formar ao longo do tempo, o que também não se vislumbra no caso em questão! E, por fim, em qualquer hipótese, a parte que se vê na necessidade de que seja revisto o conteúdo da sentença deverá expressamente pedir ao Juízo a revisão, e ter o seu pleito acolhido, o que não ocorreu no presente caso. Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 16 15 (...) Assim, por todo o exposto (ausência de relação continuativa, e não alteração de fato ou direito) deverá essa Turma Julgadora, em obediência à coisa julgada, cancelar o auto de infração originário do presente processo administrativo. 3.4 – Da Legislação Superveniente e da Ausência de Alteração dos Critérios Formadores da Regra Matriz da CSLL (...) Confirase as alterações legislativas aplicadas à CSLL, para que reste evidenciada a impossibilidade de se questionar uma decisão judicial transitada em julgado em razão de alterações legislativas supervenientes: (i) A Lei Complementar nº 70/91 trouxe tão somente nova alíquota para ser agregada àqueles outros critérios já fixados pela Lei nº 7.689/88, cuja aplicação está paralisada. Teria tal fato o condão de trazer de volta aquela incidência? Claro que não! (ii) O mesmo acontece com o disposto no art. 1º da Emenda Constitucional de Revisão nº 1/94, que introduziu o art. 72, inciso III do ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o qual só modificou a alíquota da Contribuição Social Sobre o Lucro, e expressamente determinou a manutenção das demais normas da Lei nº 7.689/88. (iii) Da mesma forma, a Lei nº 8.981/95 também não modificou totalmente a regra matriz de incidência estabelecida na Lei nº 7.689/88. (iv) O mesmo sucedeu em relação à Lei nº 9.065/95, que introduziu apenas algumas regras quanto à forma de apuração da base de cálculo negativa da CSLL, nada dizendo em relação à base de cálculo instituída pela Lei nº 7.689/88. (v) Já a Lei nº 9.249/95 somente alterou a alíquota a ser aplicável ao cálculo da CSLL, não trazendo nenhuma outra modificação com relação aos demais critérios da norma instituídos pela Lei nº 7.689/88. Tanto é assim, que com a publicação da Emenda Constitucional nº 10/1996, foi mantida no inciso III, do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a expressão “mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988”: (...) Em síntese temse que, após 1992 e até o momento da lavratura do auto de infração ora combatido, todas as alterações legislativas que sobrevieram não alteraram a regramatriz de incidência da CSLL: (...) Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 17 16 Portanto, considerandose que a decisão judicial transitada em julgado de forma favorável à Impugnante está plenamente vigente e não pode, sob pena de afronta ao princípio da segurança jurídica e à coisa julgada, ser modificada, aguardase que o lançamento fiscal ora combatido seja integralmente cancelado, tendo em vista que a Impugnante está judicialmente garantida no seu direito de não efetuar o recolhimento da CSLL. 3.5 – Da Dedutibilidade das Despesas Relativas à Aquisição de Direitos Minerários Consoante será demonstrado a seguir, não merece prosperar o entendimento do Fisco, que glosou despesas de aquisição de direitos minerários da Impugnante, por qualificálos como royalties e, em seguida, entender que royalties pagos a sócio pessoa jurídica localizada no Brasil seriam indedutíveis. 3.5.1 – Da Legislação Aplicável ao Direito Minerário A Constituição Federal de 1946 previa, em seu artigo 153, que o aproveitamento dos recursos minerais dependia de aprovação federal, possuindo o proprietário do solo preferência para a exploração: (...) Por outro lado, a Constituição Federal de 1988 estabeleceu, em seu artigo 20, inciso IX, que os recursos minerais são bens da União, inclusive os do subsolo, sendo assegurado. Em seguida, nos termos do artigo 176 da Constituição, assegurouse ao concessionário o produto da lavra e ao proprietário do solo (superfície) a participação nos resultados da exploração: (...) Por sua vez, foi regulado pelo Código de Mineração vigente, aprovado pelo DecretoLei n° 227/1967, admite que o proprietário da superfície transfira o direito ao resultado da lavra, desde que em conjunto com o imóvel. Confirase: Art. 12. O direito de participação de que trata o artigo anterior não poderá ser objeto de transferência ou caução separadamente do imóvel a que corresponder, mas o proprietário deste poderá: I transferir ou caucionar o direito ao recebimento de determinadas prestações futuras; II renunciar ao direito. Parágrafo único Os atos enumerados neste artigo somente valerão contra terceiros a partir da sua inscrição no Registro de Imóveis. logo, o Código de Mineração permite (i) que o proprietário transfira o direito à participação no resultado da lavra; ou (ii) Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 18 17 que o concessionário transfira, a título oneroso ou não, a concessão do direito de explorar os bens minerais: 3.5.2 – Da Natureza dos Pagamentos Realizados pela Impugnante (...) Defende a Impugnante que, diferentemente do entendimento da Fiscalização, os pagamentos realizados decorrem da transferência da titularidade de direitos minerários e não possuem a natureza de royalties, mas de custo de aquisição de direitos minerários. (...) Diz, os valores devidos à SAMITRI, previstos na Cláusula Sexta do Contrato de Cessão de Direitos Minerários celebrado em 1989, decorrem da cessão definitiva dos direitos minerários à Impugnante (cessão do título minerário). (...) Em 1995, a Samarco resolveu adquirir o terreno da Belgo Mineira, celebrando na ocasião um compromisso de venda e compra do imóvel onde estão situadas as áreas “Alegria Centro” e “Corpo Alegria Este/Oeste”. É importante ressaltar que, nos termos deste contrato, a Impugnante pagou, de forma antecipada, os royalties que eram devidos à BELGOMINEIRA pelo uso da jazida mineral: (...) Verificase, portanto, que a SAMARCO, na qualidade de proprietária do terreno, deixou de pagar os royalties à BELGO MINEIRA, porém o pagamento pela cessão dos direitos minerários continuou a ser realizado à SAMITRI. No entanto, o Fisco entendeu que os pagamentos realizados seriam, na verdade, royalties, aplicandose a eles o tratamento tributário dispensado pelo art. 22, “b”, da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) Entretanto, o Fisco não se atentou para o fato de que no contrato existia, até 1995, previsão de pagamento de royalties à BELGOMINEIRA (...), e, como já destacado, essa relação se extinguiu em 1995. (...) Diante disso, fica claro que os pagamentos realizados pela Impugnante à SAMITRI não são pagamentos realizados a título de royalties, e sim preço de aquisição, de modo que sua indedutibilidade não merece ser mantida por essa DRJ, cancelandose o auto de infração originário do presente processo administrativo igualmente por essa razão. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 19 18 3.5.3 – Ad Argumentandum Da NãoAplicação da Limitação do artigo 71, “d” da Lei 4.506/64 a Royalties Pagos a Sócios Pessoa Jurídicas Ainda que se classifiquem os pagamentos efetuados pela Impugnante como royalties, o que se admite apenas para argumentar, o presente lançamento também não merece prosperar pelo fato de que os pagamentos realizados pela Impugnante foram realizados a sócio pessoa jurídica e a limitação do art. 71, “d”, só se aplica a sócios pessoas físicas. (...) Nesse sentido, confirase o voto proferido no acórdão CSRF/0104.629, que pacificou o entendimento de que a vedação contida no parágrafo único do art. 71 da Lei nº 4.506/64 somente se aplica a royalties pagos a pessoa físicas. (...) Além disso, o art. 50, da Lei nº 8.383, de 1991, determinou que os royalties pagos a sócios pessoas jurídicas domiciliadas no exterior são dedutíveis, desde que averbados no INPI. (...) Portanto, resta claro que, ainda que se entenda tratarse o presente caso de efetivo pagamento de royalties a pessoa jurídica, o que apenas para argumentar se admite, a vedação de sua dedutibilidade não merece ser mantida, devendo o auto de infração ser cancelado. 3.6 – Da Duplicidade de Cobrança – Impossibilidade de Cumulação da Multa Isolada com a Multa de Ofício Outrossim, devese ter em conta que, ainda que fosse possível lançar, após o encerramento dos anosbase de 2009 e 2010, multa isolada em razão do não recolhimento dessas estimativas, o que se admite a título de argumentação, não poderia haver, sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade, como ocorreu no presente caso. (...) Ademais, destaquese que a impossibilidade da cumulação das multas em debates já é assunto com posicionamento pacífico no CARF. (...) Resta evidente que a multa de ofício e a multa isolada decorrem de uma mesma situação fática, qual seja, a ausência de recolhimento do tributo. Desta feita, não se pode admitir que, em decorrência de um ato ilícito (falta de recolhimento do tributo em um determinado período do anocalendário), sejam aplicadas duas penalidades que possuam, inclusive, bases de cálculo idênticas. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 20 19 (...) Portanto, caso não seja cancelado o auto de infração em sua totalidade, o que se admite apenas a título argumentativo, diante da impossibilidade se cobrar concomitantemente as multas e ofício e isolada, a Impugnante aguarda que esta Turma de Julgamento exonere as multas em apreço. 3.7 – Da Ilegalidade da Incidência dos Juros SELIC sobre a Multa de Ofício Ainda que se entenda pela manutenção da autuação em análise, e da exigência da multa de ofício, o que se alega a título argumentativo, é certo que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. É o que se passará a demonstrar. (...) Assim, demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa SELIC incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5º, II, e 34 da Constituição Federal, o que não pode ser admitido por essa Turma Julgadora. (...) 3.8 – Conclusões 1) A Impugnante obteve para si decisão judicial (em ação declaratória) já transitada em julgado há mais de vinte anos em que foi declarada a inexistência de relação jurídica entre ela e o Fisco Federal, no que concerne à aplicação (incidência) da Lei nº 7.689/88, sem qualquer restrição quanto a um período determinado; 2) Isto quer dizer que os efeitos decorrentes daquela decisão têm o condão de paralisar a incidência da Lei nº 7.689/88 em seus cinco critérios formadores (material, espacial, temporal, quantitativo e pessoal); 3) Daí decorre que não mais nascerá qualquer relação jurídica entre a Impugnante e o Fisco, no que concerne aos eventos vindouros; 4) A legislação superveniente não tem o condão de trazer de volta a aplicação da Lei nº 7.689/88 que restou paralisada, por conta da alteração de apenas alguns dos critérios componentes da Contribuição Social sobre o Lucro; 5) O STJ já definiu, em sede de recurso repetitivo, que ainda que o STF se manifeste posteriormente sobre o assunto, a sua decisão não tem o condão de alterar a eficácia da coisa julgada material constituída em sede de controle difuso; Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 21 20 6) Ainda que se entenda pela manutenção da cobrança da CSLL, as despesas relativas à aquisição de direitos minerários pela Impugnante não são royalties e, portanto, dedutíveis; 7) Ainda que fossem considerados royalties, as despesas pagas pela Impugnante foram pagas à pessoa jurídica, não se aplicando a restrição prevista no artigo 71, “d” da Lei 4.506/64; 8) Não cabe aplicação, sobre a mesma base de cálculo, da multa isolada e de multa de ofício, conforme entendimento já pacificado pela CSRF; e 9) A incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício é ilegal. Em sessão de 31 de março de 2014 a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares e, no mérito, manteve integralmente os lançamentos, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 Coisa Julgada. A declaração da inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 e a exclusão de sua eficácia, em caráter permanente e definitivo, só podiam ser obtidas mediante ação direta de inconstitucionalidade. Na via incidental, o reconhecimento da inconstitucionalidade constitui pressuposto da decisão e apenas afasta a aplicação da lei ao caso concreto, mas ela continua a vigorar. As razões de decidir e as questões julgadas incidentemente no processo não integram a coisa julgada. Decisão do STF em controle concentrado de constitucionalidade. No tocante à Lei nº 7.689, de 1988, o Supremo Tribunal Federal de fato chegou a apreciar a questão de sua inconstitucionalidade, em controle concentrado de constitucionalidade, ocasião em que a considerou conforme a Constituição, menos seu art. 8°, que determinava a cobrança da lei no períodobase encerrado em 31 de dezembro de 1988. Nos termos do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, a partir da decisão do STF (01.08.2007), tomada em controle concentrado de constitucionalidade, prevalece a Lei 7.689, de 1988 e suas alterações posteriores como base legal para exigência da CSLL do contribuinte. Royalties. Conceito Legal. Serão classificados como “royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 22 21 direitos, tais como o direito de pesquisar e extrair recursos minerais. Royalties. Dedutibilidade. A dedução de despesas com royalties será admitida quando necessárias para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento. Todavia, não são dedutíveis os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes. Multa Proporcional e Exigida Isoladamente. Verificada a falta de pagamento da contribuição por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento abrangerá a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; e a contribuição apurada em 31 de dezembro, caso não recolhida, acrescida de multa de ofício. A lei estabelece que, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa exigida isoladamente, no percentual de 50%, sobre os valores devidos, e não recolhidos, a título das estimativas mensais, estando o contribuinte sujeito à apuração do lucro real anual, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente. Juros de mora. Sobre todos os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora calculados à taxa a Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação. Por seu turno, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, nas quais pugnou pela manutenção integral dos lançamentos. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 23 22 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A questão central dos autos diz respeito aos efeitos da decisão do TRF da 1a Região, transitada em julgado em 1993 a favor da Recorrente, que afastou, em concreto, a incidência da CSLL. Por força disso, entende a empresa que a decisão é imutável e perene, não sendo possível alterar a relação jurídicotributária negada pela justiça. Aduz, ainda, que as alterações posteriores na legislação não modificaram a hipótese de incidência do tributo nem cuidaram dos critérios da obrigação tributária. Por seu turno, entende a fiscalização que a decisão superveniente do STF, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, que considerou conforme a Lei n. 7.689/88, à exceção do artigo 8o, permite a exigência da CSLL, mesmo para contribuintes que possuíam decisão final no judiciário. Esse entendimento é referendado pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011. Os fundamentos da autuação foram bem delineados pela fiscalização, que teceu longos comentários sobre o entendimento jurisprudencial da matéria. Nesse sentido, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, suas conclusões foram: 35. Além de todos os argumentos expostos neste Termo de Verificação, os entendimentos judiciais acima mencionados, assim como outros no mesmo sentido, concluem pela legalidade do lançamento no qual a Fazenda Nacional exige, com base na Lei 8.212, de 1991, das empresas que obtiveram decisão judicial favorável transitada em julgado contra a legislação anterior (Lei nº 7.689, de 1988), a CSLL não recolhida a partir da edição da lei nova (Lei nº 8.212, de 1991), afastando definitivamente o argumento de proteção pela coisa julgada, que restou alterada seja por norma superveniente, seja por decisão definitiva do STF que considerou constitucional a Lei 7.689/88 (com exceção apenas do art. 8º que se referia ao períodobase de 1991).” (grifamos) Percebese, portanto, que a fiscalização afastou o princípio da coisa julgada tanto pela existência de norma superveniente como em razão de decisão posterior do Supremo Tribunal Federal. Ademais, a lei expressamente citada pela fiscalização é a de n. 8.212/91 (que fundou a autuação) e não a Lei n. 7.689/88. Isso é extremamente importante, porque o RESP 1.118.893/MG, provavelmente o ponto central do debate jurídico, que foi aprovado na sistemática dos recursos repetitivos, não faz menção expressa àquela norma em sua ementa; apenas no voto se analisa, de forma restrita, o artigo 23 do referido diploma legal. Nesse contexto, não podemos olvidar que diversos outros veículos normativos cuidam da matéria, a exemplo da Lei Complementar n. 70/91 e das Leis n. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 24 23 7.856/89, n. 8.034/90, n. 8.383/91, n. 8.541/92, n. 8.849/94, n. 8.981/95, n. 9.065/95, n. 9.069/95, n. 9.249/95, n. 9.430/1996, além da Emenda Constitucional 10/96, todas posteriores à norma original. Alega a Recorrente que tais leis apenas alteraram aspectos relativos à base de cálculo e à alíquota da contribuição, mas não tiveram o condão de recriar ou redefinir os seus elementos essenciais. A questão é eminentemente jurídica e controversa. A jurisprudência anterior deste Conselho firmou o entendimento de que a decisão judicial não poderia produzir efeitos permanentes, posto que a Lei n. 7.689/88 teve sua redação alterada por diversas vezes, de sorte que os novos dispositivos não teriam sido apreciados pela decisão judicial originária. Em relação à própria interessada, percebese que foram lavrados autos de infração contínuos, para diversos períodos, a partir de 2004. Essas autuações deram origem aos processos n. 15504.015166/200973 (relativo aos anoscalendário de 2004 a 2006 e 10680.721852/201147, que trata dos anoscalendário de 2007 e 2008). Em ambos, as autuações foram mantidas em primeira instância, mas com desfechos distintos neste Conselho. No processo n. 15504.015166/200973, a 2a Turma da 4a Câmara decidiu pela procedência das autuações, afastando, apenas, a aplicação concomitante da multa isolada, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LIMITES DA COISA JULGADA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI Nº 7.689, DE 1988 APTIDÃO DA LEI Nº 8.212, DE 1991, PARA A EXIGÊNCIA DA CSLL. O trânsito em julgado da decisão que tiver desobrigado o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei nº 7.689, de 1988, não impede que a exação seja exigível com base em norma legal superveniente que tenha alterado substancialmente os aspectos da hipótese de incidência. A Lei nº 8.212, de 1991, constitui fundamento legal apto para exigir a CSLL de contribuintes que se acham desobrigados, por decisão judicial definitiva, de cumprir a Lei nº 7.689, de 1988. Por outro lado, no processo n. 10680.721852/201147 (anoscalendário 2007 e 2008) a 2a Turma da 1a Câmara decidiu, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso da interessada, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2007, 2008 Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 25 24 CSLL. COISA JULGADA. A jurisprudência anterior do CARF assentava o entendimento de que a decisão judicial não poderia influenciar o julgamento administrativo relativo ao lançamento de contribuições relativas a períodos posteriores a 1989, sob o argumento de que não teriam sido mantidas as condições fáticas e normativas em que foi proferida a sentença cujo trânsito em julgado se pretendia impingir. Conforme citados precedentes, a Lei n. 7.689/88 teve sua redação modificada por diversas vezes ao longo do tempo, as quais via de regra não eram tratadas pelas decisões judiciais proferidas na respectiva decisão judicial. Supervenientemente, contudo, o E. Superior Tribunal de Justiça proferiu julgamento nos autos do REsp n. 1.118.893 MG, sujeito ao regime do art. 543C do CPC, segundo o qual restou assentado o entendimento de que a edição de legislação superveniente (Leis ns. 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91, 8.383/91, 8.542/91 e Lei Complementar n. 70/91) e de que a posterior declaração de constitucionalidade do tributo pela C. Suprema Corte não retiram os efeitos da sentença de mérito transitada em julgado em favor do contribuinte. Diante de tal precedente, considerados (a) os expressos termos da decisão judicial cujos efeitos se pretende aplicar neste procedimento (que não os limita a apenas um exercício financeiro); (b) o citado precedente exarado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, que reconhece a eficácia contemporânea de decisões judiciais análogas à sob exame; e (c) o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, que determina serem de observância obrigatória os precedentes jurisprudenciais da E. Corte de Justiça exarados sob o regime do art. 543C do CPC, impõese o cancelamento dos lançamentos que tenham por objeto a CSLL e seus respectivos consectários. Podemos perceber que o fundamento para a decisão favorável ao contribuinte, no caso do segundo julgamento, foi a aplicação integral do disposto no REsp n. 1.118.893MG, em detrimento do entendimento esposado pela fiscalização e pela Fazenda Nacional, circunstância que foi ressaltada pelo Relator, Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, à guisa de conclusão: Digase, por fim que, em que pese entenda pessoalmente ser tecnicamente primoroso o Parecer PGFN n. 492/2011, entendo que seus termos não podem ser aplicados neste caso, em vista dos citados precedente jurisprudencial e dispositivo regimental. Por tais fundamentos, orientase voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para darlhe provimento, restando prejudicadas as demais questões de mérito aduzidas em recurso voluntário. (grifamos) Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 26 25 Destaquese, ainda, por oportuno, que este Conselho já se manifestou pela não subsunção do REsp n. 1.118.893MG, em caso idêntico ao dos autos, no processo n. 10380.720182/200910, que recebeu a seguinte ementa: LIMITES DA COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/1988. APTIDÃO DAS LEIS Nº 8.981/1995, 9.430/1996 E ALTERAÇÕES POSTERIORES, PARA A EXIGÊNCIA DA CSLL. O trânsito em julgado da decisão que tiver desobrigado o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei nº 7.689, de 1988, não impede que a exação seja de novo exigível com base em normas legais supervenientes. As Leis nº 8.981/1995 e 9430/1996, além das alterações posteriores, constituem fundamento legal apto para exigir a CSLL de todos os contribuintes. Os fundamentos da decisão, adotada por maioria, foram assim sintetizados pelo relator designado, Conselheiro Antônio José Praga de Souza: Isso porque, as leis 8.981/1995 e 9.430/1996, bem como as leis subseqüentes, alteraram profundamente as hipóteses de incidência e a apuração da base de cálculo da CSLL, algumas delas questionadas até judicialmente pelos contribuintes, a exemplo do art. 28 da Lei 9.430/1996 que determina que se aplicam a CSLL as mesmas exclusões do IRPJ. Por seu turno, a decisão do egrégio STJ no REsp 1.118.893/MG, trazido pela recorrente tratou apenas dos efeitos das alterações da CSLL até a edição da Lei 8.541/1992. Portanto, o aludido julgado não se aplica ao caso presente, haja vista que os fatos geradores autuados referemse aos anos de 2005 a 2007. A matéria é controvertida. Porém, conforme enfatizado pelo ilustre conselheiro Carlos Pelá, “existem inúmeros precedentes do extinto Conselho de Contribuintes. De fato, este colegiado vinha decidindo, escorado na jurisprudência do STF, que a coisa julgada alcança apenas aquelas relações que estavam sob o abrigo da norma individual e concreta posta pela sentença. No caso da CSLL, instituída pela 7.689/88, a proteção da sentença não alcança fatos posteriores, especialmente aqueles fatos ocorridos após a modificação da lei e o tratamento normativo da regramatriz de incidência em normas editadas posteriormente, para as quais a declaração de inconstitucionalidade não se aplica.” Apresentadas as premissas que norteiam o debate, bem assim o entendimento acerca da matéria já exarado em outras decisões deste Conselho, para casos idênticos, passamos à análise da decisão do STJ, além das posições jurisprudenciais e doutrinárias pertinentes. No REsp 1.118.893/MG (com relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima), a Primeira Seção do STJ adotou a tese de que não houve alteração substancial no regramento Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 27 26 posterior da CSLL que justificasse afastar ou prejudicar decisões transitadas em julgado favoráveis ao Contribuinte: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 28 27 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). (grifamos) 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ.” (REsp 1118893 / MG (2009/00111359) Relator(a) Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA (1128) Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 23/03/2011 Data da Publicação/Fonte DJe 06/04/2011 RT vol. 908 p. 599) Merece destaque, pela relevância para o deslinde da questão, que a decisão do STJ abarca apenas as alterações legislativas observadas até a Lei n. 8.541/92. Assim, ao se manifestar pela impossibilidade de o Fisco exigir tributos relativos aos exercícios de 1991 e 1992, como mencionado na ementa do julgado, entendeu aquela Egrégia Corte, que, ao tempo da decisão e nos limites do que foi decidido, a CSLL não poderia ser exigível de contribuintes com sentença favorável e transitada em julgado. Dentro desses parâmetros entendo que se manifesta, inequivocamente, a força do julgado, com as repercussões regimentais previstas neste Conselho. A Fazenda Nacional, em contrarrazões, defende que o REsp 1.118.893/MG firmou a impossibilidade de uma decisão posterior do STF (2007) atingir uma situação jurídica anterior (1991), já consolidada ao tempo da manifestação do Pretório Excelso. Todavia, entende a Fazenda que o REsp 1.118.893/MG não analisou os efeitos prospectivos da eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado e contrárias à posterior decisão do STF, posto que este não era o tema do julgamento, já que o fato gerador analisado era de 1991, anterior à decisão do STF acerca da constitucionalidade da Lei n. 7.689/88, instituidora da CSLL, seja em controle difuso (RE 138.284CE (Rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJU 28.08.92), seja em controle concentrado de constitucionalidade (ADI n° 152/DF ocorrida em 2007 DJ 31/08/2007). Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 29 28 Transcrevemos, a seguir, os argumentos apresentados pela Fazenda Nacional, com a citação dos respectivos julgados, posteriores ao REsp 1.118.893/MG (grifos no original): Pois bem, atualmente, nos julgados EREsp 841.818/DF e EAg 991.788/DF, o mesmo STJ está discutindo especificamente o alcance prospectivo da decisão do Resp 1.118.893/MG na sistemática do recurso repetitivo do art. 543B do CPC. Nos autos de EREsp 841.818/DF e EAg 991.788/DF, em tramitação no STJ, a Corte está analisando a incidência da CSLL para fatos geradores futuros, ocorridos após o trânsito em julgado de decisão proferida pelo STF em sentido contrário ao da anterior decisão transitada em julgado favorável à contribuinte pela inconstitucionalidade da Lei 7.689/88. A Corte foi provocada a verificar se precedente objetivo e definitivo do STF constitui instrumento hábil a cessar, prospectivamente, a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias, de forma a ser exigível ou não a CSLL dos fatos geradores futuros, posteriores à decisão do STF, estando recursos pendentes de julgamento. O alcance da decisão no REsp 1.118.893/MG que a recorrente quer obter, para ficar desobrigada do recolhimento da CSLL definitivamente, incluindo os períodos de apuração 2009 e 2010, não merece ser acatado, não sendo esta a adequada interpretação do julgado proferido na sistemática do recurso repetitivo! Com efeito, nos autos de EREsp 841.818/DF e EAg 991.788/DF, sobre a CSLL, primeiramente, em sede de decisão monocrática, entendeuse pela cessação da eficácia vinculante das decisões transitadas em julgado a partir de decisão posterior do Plenário do STF em sede de controle difuso, no RE 138.284CE (Rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJU 28.08.92), a qual foi seguida de Resolução Senatorial n° 11, de 04 de abril de 1995, para suspender a execução apenas do art. 8° da Lei 7.689/883. Segue a decisão, publicada em novembro de 2011 (16/11/2011), proferida pelo Ministro Napoleão Nunes Maia, nos autos do Embargos de Divergência em REsp Nº 841.818 DF (2010/00913813), cujo teor se repetiu no julgamento dos Embargos de Divergência no Agravo 991.788, verbis: “PROCESSUAL CIVIL. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 (CSSL). RES JUDICATA FORMADA EM CONTROLE DIFUSO. REO 89.01.161516DF. TRF DA 1a. REGIÃO. SUPERVENIÊNCIA DE DECISÃO OPOSTA DO STF. RE 138.284CE. PRONTA PREVALÊNCIA. EXIGIBILIDADE IMEDIATA DO TRIBUTO. DESNECESSIDADE DE RESCISÃO/ANULAÇÃO DO JULGADO. RESSALVA DOS EFEITOS JURÍDICOS JÁ PRODUZIDOS. SIMILITUDE COM A TEORIA REBUS SIC STANTIBUS. ACEITAÇÃO DA TESE DA Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 30 29 FAZENDA PÚBLICA NACIONAL POSTA NO PARECER PFN 492, DE 24.05.2011 (DOU 26.05.2011). PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. 1. Não se submete aos ditames da Súmula 239 do Supremo Tribunal Federal (limitação da eficácia da coisa julgada ao exercício em que proferida a decisão) a res judicata que declara inconstitucionalidade material de Lei Tributária, em sede de controle difuso (STJ, AgRg no AgRg nos EREsp. 885.763GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, DJe 24.02.10; REsp. 1.118.893MG, Rel. Min. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 06.04.11). 2. A eficácia da coisa julgada tributária cessa automática e imediatamente (sem a necessidade de sua rescisão ou de sua anulação), se lhe sobrevém decisão adversa do STF, ressalvandose, porém, os efeitos jurídicos produzidos até então; a partir desse pronunciamento, o tributo pode ser exigido; aplicase, por similaridade, a teoria rebus sic stantibus, para preservar e igualmente assegurar a supremacia das decisões do STF, quando contrapostas a pronunciamentos das instâncias judiciais anteriores. 3. O instituto da coisa julgada conservase como pilastra irremovível do sistema normativo (art. 5º, XXXVI da Carta Magna), mas é imperativo ajustar os seus efeitos às mudanças jurídicas e fáticas que lhe são posteriores, quando se trata de relação obrigacional que se distende no tempo (qual a exigência da CSSL, Lei 7.689/88), dado o seu trato sucessivo, e sobre a qual o STF expendeu interpretação definitiva. 4. Embargos de Divergência parcialmente acolhidos, para proclamar a cessação ad futurum da eficácia da coisa julgada tributária a que se refere o Acórdão na REO 89.01.161516DF, do TRF da 1a. Região, a partir do julgamento do RE 138.284CE (Rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJU 28.08.92), com a preservação dos efeitos consolidados, acolhendose a tese da Fazenda Pública Nacional, exposta no Parecer PFN 492, de 2 de maio de 2011 (DOU 26.05.2011)”. Destarte, segundo o Ministro Relator Napoleão Nunes Maia Filho, a cessação ad futurum da eficácia da coisa julgada tributária de decisão que declarou a inconstitucionalidade material da Lei 7.689/88, instituidora da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSSL), ocorreu “a partir do julgamento do RE 138.284CE (Rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJU 28.08.92), com a preservação dos efeitos consolidados, acolhendose a tese da Fazenda Pública Nacional, exposta no Parecer PFN 492, de 24 de maio de 2011 (DOU 26.05.2011)”. Posteriormente, em decisão publicada em fevereiro de 2012 (DJE 02/02/2012), em Embargos de Declaração nos Embargos de Divergência no RESP Nº 841.818 – DF, o ilustre Ministro revisou seu posicionamento, para fixar como marco para cessação da eficácia vinculante da coisa julgada a data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em controle Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 31 30 concentrado, determinando que “independentemente de ação rescisória ou anulatória (...) a coisa julgada tributária referente ao REO 89.01.161516DF, do TRF1 (Rel. Des. Federal FERNANDO GONÇALVES, DJU 05.12.1991), perdeu pronta e automaticamente a sua eficácia, na data do trânsito em julgado do venerando Acórdão proferido pelo STF na ADIN 15 (Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJU 01.08.2007), veiculante de diretriz que lhe é adversa”, verbis: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL DA CESSAÇÃO DA EFICÁCIA DA COISA JULGADA FORMADA EM CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE, EM FACE DA SUPERVENIÊNCIA DE DECISÃO ADVERSA DO STF EM SEDE CONCENTRADA. EFEITO AUTOMÁTICO E IMEDIATO. APLICAÇÃO ERGA OMNES. DOUTRINA DA COISA JULGADA E DAS DECISÕES DO STF EM JURISDIÇÃO CONSTITUCIONAL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PARCIALMENTE ACOLHIDOS. 1. Somente as decisões proferidas pelo STF em sede de controle concentrado de constitucionalidade dos atos normativos (art. 102, I, a da Carta Magna), dotadas de definitividade, força vinculante e aplicabilidade erga omnes, possuem a extraordinária eficácia de paralisar, pronta e automaticamente, a produção de efeitos jurídicos de coisa julgada anterior, com elas inconciliável, que decidira relação obrigacional de trato sucessivo (ou de natureza continuativa). 2. As decisões recursais extraordinárias do STF, quando adotadas no regime de recursos múltiplos fundados em idêntica controvérsia (art. 543B do CPC), têm a aptidão de vincular obrigatoriamente os julgamentos pendentes e futuros da mesma espécie, mas não ostentam, contudo, a força excepcional de paralisar a eficácia de coisas julgadas que lhes são anteriores. 3. As decisões do STF, adotadas em sede de controle difuso de constitucionalidade, têm eficácia inter partes, não vinculando, pelo menos obrigatoriamente, os julgamentos pendentes ou futuros, mas representem precedentes reverenciandos, dada a superior autoridade da Corte Suprema. 4. Sobrevindo à coisa julgada difusa, que dantes solucionara relação de trato sucessivo, decisão do STF dotada de vinculação geral e eficácia erga omnes, cessa, tão logo transite em julgado, independentemente de ação rescisória ou anulatória, a eficácia da res judicata precedente com ela incompatível. A força jurídica da decisão suprema concentrada subordina, aliás, todos os órgãos do Poder Judiciário (ADC 1, Rel. Min. MOREIRA ALVES, RTJ 157, p. 377). 5. Lições da doutrina jurídica mais autorizada e da jurisprudência do STJ, em recurso repetitivo (REsp. 1.118.893 MG, Rel. Min ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 6.4.2011). Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 32 31 6. A coisa julgada tributária referente ao REO 89.01.161516 DF, do TRF1 (Rel. Des. Federal FERNANDO GONÇALVES, DJU 05.12.1991), perdeu pronta e automaticamente a sua eficácia, na data do trânsito em julgado do venerando Acórdão proferido pelo STF na ADIN 15 (Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJU 01.08.2007), veiculante de diretriz que lhe é adversa. 7. Manutenção dos fundamentos da decisão embargada que deu parcial provimento aos Embargos de Divergência, apenas com a redemarcação do termo inicial da cessação da eficácia do REO 89.01.161516DF, fixandoa na data do trânsito em julgado do acórdão do STF na ADIN 15.” A decisão supra foi reproduzida com idêntico teor também nos Embargos de Declaração nos EAG 997.788, da lavra do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Considerando o supra exposto, não se pode fundamentar no REsp 1.118.893/MG a desobrigação tributária da CSLL para todos os períodos de apuração ocorridos após a data do trânsito em julgado da decisão na Ação Ordinária 90.00036704, ocorrido em 23/08/93, incluindo fatos geradores ocorridos após decisão em sentido contrário proferida pelo STF, em razão desta não ser a melhor interpretação a ser dada ao REsp 1.118.893/MG, o que se fortalece pela possível e certeira decisão da mesma 1ª Seção do STJ em sede de EREsp 841.818/DF e EAg 991.788/DF, em trâmite, no sentido de que o marco para cessação do efeito vinculante da decisão transitada em julgado é a decisão em definitivo proferida pelo STF em sentido contrário, seja em controle difuso ou concentrado. Os julgados contidos no REsp 1.118.893/MG e nos EREsp 841.818/DF e EAg 991.788/DF devem ser interpretados em conjunto e com a necessária harmonização, uma vez que apreciados pelo mesmo órgão julgador do STJ (1ª Seção) e envolvendo os desdobramentos no tempo da coisa julgada inconstitucional envolvendo a CSLL. (grifamos) Cabenos, portanto, nesta decisão, analisar a aplicabilidade do REsp 1.118.893/MG ao caso em tela, a partir da verificação, entre outros critérios, da legislação de regência da CSLL, para percebermos se modificações posteriores e não incluídas naquele julgado tiveram o condão de alterar a relação jurídicotributária inaugurada pela Lei n. 7.689/88 e afastada por decisão transitada em julgado. Com efeito, a Lei n. 8.981/95, que não se encontra no escopo da referida decisão, estabelece: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 33 32 § 1º Para efeito de pagamento mensal, a base de cálculo da contribuição social será o valor correspondente a dez por cento do somatório: a) da receita bruta mensal; b) das demais receitas e ganhos de capital; c) dos ganhos líquidos obtidos em operações realizadas nos mercados de renda variável; d) dos rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa. § 2º No caso das pessoas jurídicas de que trata o inciso III do art. 36, a base de cálculo da contribuição social corresponderá ao valor decorrente da aplicação do percentual de nove por cento sobre a receita bruta ajustada, quando for o caso, pelo valor das deduções previstas no art. 29. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. § 4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada na forma dos §§ 1º a 3º será deduzida da contribuição apurada no encerramento do período de apuração. Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. (grifamos) Parecenos induvidoso que os comandos acima grifados realmente alteraram a relação jurídicotributária relativa à CSLL, tanto assim que o artigo 57 expressamente equipara os mecanismos de apuração e pagamento àqueles típicos do IRPJ, mantendo, nos limites das alterações trazidas pela própria Lei, as alíquotas e bases de cálculo então vigentes. Igual situação decorre da Lei n. 9.430/96, artigo 28, com a redação vigente à época dos fatos: Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. As mudanças introduzidas nesses veículos normativos são profundas e ultrapassam a mera questão das alíquotas e da base de cálculo, que foram objeto do Recurso Repetitivo do STJ. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 34 33 Nesse sentido, entendo que houve inovação jurídica suficiente para ao menos se questionar a aplicabilidade futura, permanente e imutável da sentença favorável à Recorrente. Isso porque a legislação brasileira permite a revisão da coisa julgada nas hipóteses de modificação das circunstâncias de fato e de direito, como autoriza o artigo 471 (atual artigo 505, que não sofreu alterações) do Código de Processo Civil: Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II nos demais casos prescritos em lei. (grifamos) As chamadas relações jurídicas continuativas cuidam de situações que se renovam e prolongam, por vezes indefinidamente, no decorrer do tempo. No caso em tela, é óbvio que todos os anos, continuamente, a interessada pratica os fatos jurídicos que ensejariam a relação tributária que foi afastada pela decisão do TRF. Aliás, não só a Samarco faz isso, mas outras milhares de empresas que atuam no mercado brasileiro. Assim, seria de se perguntar: seria razoável que somente um punhado de empresas, entre todas as demais, tivesse o direito permanente e imutável de nunca ser tributado? Parecenos que a questão transcende o conceito de coisa julgada e permeia outros princípios, de suprema importância, como o da igualdade tributária, insculpido no artigo 150, II, da Constituição da República: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; (grifamos) Admitir a prevalência da decisão favorável à Samarco seria negar a todas as outras empresas do país igual direito, em clara distinção entre contribuintes, com graves efeitos de ordem tributária e, sobretudo, concorrencial, pois a interessada teria, indefinidamente, uma vantagem econômica não extensível às demais empresas, inclusive aquelas que atuam no mesmo tipo de atividade. Entendo que a distinção efetivamente não pode ser mantida, até porque a decisão, nos termos do artigo 471 (atual 505) do CPC, opera efeitos desde que mantida a paridade da cláusula rebus sic stantibus. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 35 34 Contudo, é evidente que isso não ocorreu. Todas as leis e normas posteriores à Lei n. 7.689/88 foram editadas no sentido de confirmar, ampliar e regulamentar a incidência da CSLL. Não há uma manifestação legislativa sequer que indique a sua desnecessidade ou exclusão. O legislador nacional permanece firme no sentido de manter o tributo, fazêlo incidir e, portanto, alcançar todos os contribuintes a ele sujeitos, nos exatos termos da Constituição, que exige igualdade de tratamento para situações semelhantes. E como a alteração jurídica ou fática superveniente não pode ser atingida pela coisa julgada cuja sentença certamente não possui o dom da clarividência pareceme possível, justo e razoável que o tributo possa ser exigido por força de tais mudanças. Esse é o entendimento, entre outros, do Ministro Teori Albino Zavascki, na obra Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional, 2ª edição, Editora RT, pg. 105/106: 4.3 Limites temporais da eficácia da sentença e cláusula rebus sic stantibus Estabelecido que a sentença, nos casos assinalados irradia eficácia vinculante também para o futuro, surge a questão a saber qual é o termo ad quem de tal eficácia. A solução é esta e vem de longe: a sentença tem eficácia enquanto se mantiverem inalterados o direito e o suporte fático sobre os quais estabeleceu o juízo de certeza. Se ela afirmou que uma relação jurídica existe ou que tem certo conteúdo, é porque supôs a existência de determinado comando normativo (norma jurídica) e de determinada situação de fato (suporte fático de incidência); se afirmou que determinada relação jurídica não existe, supôs a inexistência ou do comando normativo, ou da situação de fato afirmada pelo litigante interessado. A mudança da qualquer desses elementos compromete o silogismo original da sentença, porque estará alterado o silogismo do fenômeno de incidência por ela apreciado: a relação jurídica que antes existia deixou de existir, e viceversa. Daí afirmarse que a força do comando sentencial tem uma condição implícita, a da cláusula rebus sic stantibus, a significar que ela atua enquanto se mantiverem íntegras as situações de fato e de direito existentes quando da prolação da sentença. Alterada a situação de fato (muda o suporte fático, mantendose o estado da norma) ou de direito (muda o estado da norma, mantendose o estado de fato), ou os dois, a sentença deixa de ter a força de lei entre as partes, que até então mantinha. A alteração do status quo tem, em regra, efeitos imediatos e autônomos. Assim, se a sentença declarou que determinado servidor público não tinha direito a adicional de insalubridade, a superveniência de lei prevendo a vantagem importará o imediato direito de usufruíla, cessando a partir daí a eficácia vinculativa do julgado, independentemente de novo pronunciamento judicial ou de qualquer outra formalidade. Igualmente, se a sentença declara que os serviços prestados por determinada empresa estão sujeitos a contribuição para a Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 36 35 seguridade social, a norma superveniente que revogue a anterior ou que crie isenção fiscal cortará a sua força vinculativa, dispensando o contribuinte, desde logo, do pagamento do tributo. O mesmo pode ocorrer em favor do Fisco, em casos em que, reconhecida, por sentença, a intributabilidade, sobrevier lei criando o tributo: sua cobrança pode darse imediatamente, independente de revisão do julgado anterior (grifamos). Considero, pois, que tanto a alteração do desenho normativo da CSLL, ocorrida ao longo dos anos e sempre no sentido de confirmar a sua incidência, como a decisão do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado, exarada na ADIN n. 15, Relator Ministro Sepúlveda Pertence, publicada no DJU em 01.08.2007 e, portanto, posterior à decisão favorável à empresa, possuem o condão de alterarlhe os efeitos, sendo possível, na hipótese, tributar os exercícios de 2009 e 2010. No mesmo sentido, considero que o REsp 1.118.893/MG não se amolda ao caso em tela, tanto assim que o próprio STJ discute, atualmente, os efeitos prospectivos na tributação da CSLL (EREsp 841.818/DF e EAg 991.788/DF), circunstância que demonstra, à evidência, que a questão não está pacificada naquele Tribunal, razão pela qual cabe a este Conselho deliberar a matéria, a exemplo do que já fez nos julgados mencionados neste voto. Também não é o caso de se considerar como obrigatória a tese supostamente adjacente à repercussão geral reconhecida no RE 730.462, posto que o tema em discussão neste julgado é o recebimento de honorários advocatícios em ações para a cobrança de diferenças de FGTS. Entendo que não prospera, ainda, o argumento de inércia da fiscalização ou de que os lançamentos só poderiam alcançar fatos posteriores aos autuados. Como amplamente demonstrado ao longo deste voto, a fiscalização agiu, seguidamente, no intuito de lançar os valores não recolhidos a título de CSLL para todos os anoscalendário, como provam os outros processos administrativos citados, para os quais, inclusive, houve provimento deste Conselho, relativo às autuações de 2004 a 2006. Restam prejudicadas, portanto, todas as alegações aduzidas em preliminar, que foram enfrentadas conjuntamente com o mérito da questão. DA DEDUÇÃO DAS DESPESAS COM ROYALTIES Entende a interessada que as despesas pagas pela Samarco à Vale devem ser deduzidas na apuração dos resultados. Destaquese que a Recorrente tem como objeto social a pesquisa, lavra, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, importação para uso próprio, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas. Pois bem. A Fiscalização, conforme se depreende do Termo de Verificação, glosou os pagamentos feitos pela Samarco à Vale S/A (que era sua sócia e incorporadora da S/A Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 37 36 Mineração da Trindade SAMITRI), com base na Cláusula Sexta do Contrato de Cessão de Direitos Minerários celebrado em 1989. Entendeu a fiscalização, como fundamento para a glosa, que os pagamentos foram efetuados a título de royalties, o que, nos termos da legislação de regência (conceito veiculado pelo artigo 22, “b”, da Lei 4.506/64 e indedutibilidade prevista no artigo 353 do RIR) justificaria a medida, posto que a Vale S/A é sócia da Recorrente: 41. Diante desses fatos a Samarco efetivamente pagou a Vale S.A (incorporadora da SAMITRI) diversos valores nos anos calendário de 2009 e 2010 tendo como fundamento a cláusula 6 do contrato retro mencionado. (...) 43. No histórico dos lançamentos efetuados na conta de despesa 0040640010 – “3.01.02.02.03.01.04.10 – DIREITOS MINERÁRIOS – VALE” encontramos os seguintes termos: ROYALTIES CVRD, Pagamento de royalties e Pagamento de direitos minerais. 44. Na conta do Passivo da Fiscalizada 2.01.13.03.02.07 – DIREITOS MINERÁRIOS – VALE onde são feitas as provisões dos royalties pagos à Vale encontramos, por exemplo, as seguintes referências no histórico dos lançamentos: Provisão Royalties – CVRD, Provisão Royalties – Janeiro, Royalties Abril, etc. (...) 46. E realmente a natureza dos pagamentos efetuados pela Samarco à Vale S.A revestemse das características de royalties atribuídas expressamente pela própria Lei. O art. 22, alínea “b” da Lei nº 4.506, de 30/11/1964, dispõe literalmente que os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos de pesquisar e extrair recursos minerais serão classificados como “royalties”. 47. Ocorre que as despesas com pagamentos de royalties efetuadas pela Samarco à Vale S.A, são indedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL por expressa vedação legal (art. 71, parágrafo único, alínea “d” da Lei 4.506/64 e art. 353, inciso I do RIR/99 c/c art. 28 da Lei 9.430/96), uma vez que a Vale S.A é sócia da Fiscalizada detendo a participação de 50%, fato esse confirmado nas DIPJ dos anoscalendário 2009 e 2010 entregues pela Samarco. (...) 50. Apesar da Fiscalizada afirmar em sua resposta que os pagamentos efetuados não tem a natureza de royalties, a lei fiscal é cristalina quando define o conceito de royalties no art. 22, alínea “b” da Lei 4.506/64. Além disso, o art. 23 da mesma lei assevera que todas as espécies de rendimentos percebidos pela ocupação, uso, fruição ou exploração dos direitos referidos no art. 22 serão classificados como royalties e Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 38 37 exemplifica no inciso I que são royalties as importâncias recebidas periodicamente ou não, fixas ou variáveis, e as percentagens, participações ou interesses. E no inciso III do mesmo art. 23 também considera expressamente com royalties quaisquer outras importâncias pagas (pela Samarco) ao cedente do direito (Vale) pelo contrato celebrado. (grifos no original) O histórico das operações foi bem sintetizado pela decisão de primeira instância, cujos raciocínio transcrevemos a seguir: Substancialmente, o que se extrai é que a CSBM, na qualidade de proprietária dos terrenos, cedeu à SAMITRI os direitos que lhe eram assegurados pelo artigo 153 da Constituição Federal de 1946, para que a SAMITRI pudesse requerer, em seu próprio nome, autorização para pesquisa e lavra de minério existente em terrenos de propriedade da CSBM. Em 1965, a SAMITRI obrigouse a pagar, semestralmente, à CSBM determinada importância pela cessão que esta fez àquela do seu direito de preferência, previsto no art. 153, CF/46. Logo, a CSBM era a proprietária dos terrenos e a SAMITRI obteve o direito de requer a autorização/concessão de exploração dos minérios existentes no terreno da CSBM. A SAMITRI, então, requereu, em seu próprio nome, tal direito, em razão do contrato anteriormente firmado. No contexto de criação da SAMARCO, ora Impugnante, a SAMITRI transferiulhe os direitos de exploração das áreas objeto dos contratos celebrados em 1974 e 1979, tendo a Impugnante se obrigado a pagar os valores então devidos pela SAMITRI à Belgo Mineira. Em 1989, no contrato objeto da presente autuação, a SAMITRI transferiu para a SAMARCO os direitos minerários de duas outras áreas, celebrando contrato que previa duas obrigações distintas: a primeira (clausula 5 – quinta), da subrogação da SAMARCO no pagamento dos valores devidos pela SAMITRI à CSBM (proprietária dos terrenos); a outra (clausula 6 – sexta), o pagamento à SAMITRI dos valores de 3% (1992 e 1993) e 4% (a partir de 1994 até a exaustão da mina) do valor pago pela SAMARCO aos seus acionistas a título de dividendos, pela aquisição dos direitos minerários. Em 1995, a Impugnante celebrou contrato com a CSBM, sem qualquer interveniência da SAMITRI, de compra e venda do imóvel onde estão localizadas as áreas “Alegria Centro” e “Corpo Alegria Este/Oeste”, obrigandose a pagar o preço de R$ 696.983,00 pela aquisição do imóvel (superfície) e o de R$ 12.971.879,00, a título do que foi denominado como “resgate antecipado do arrendamento dos direitos minerários”, correspondente ao valor que a Belgo deixaria de receber a título de compensação financeira (participação no resultado da lavra) pela transmissão do imóvel. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 39 38 Nesse último contrato, a CSBM transferiu à Impugnante a propriedade dos terrenos e resolveu o direito que possuía em razão da clausula quinta do contrato celebrado em 1989 (acima mencionada). No entanto, é inegável que esse contrato pactuado em 1995 entre a Impugnante e a CSBM não revogou nem poderia revogar a clausula sexta do contrato celebrado em 1989, que estabelecia obrigação da SAMARCO para com a SAMITRI. A partir dessa situação de fato, entende a Recorrente que os pagamentos efetuados teriam como objetivo remunerar a aquisição de direitos minerários, e não a utilização como uso, fruição ou exploração de direitos de terceiro, o que afastaria a sua caracterização como royalties. A legislação, como visto, define o conceito de royalties a partir do artigo 22 da Lei n. 4.506/64: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: (Vide DecretoLei nº 2.287, de 1986) a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Art. 23. Serão classificados como aluguéis ou "royalties" todas as espécies de rendimentos percebidos pela ocupação, uso, fruição ou exploração dos bens e direitos referidos nos artigos 21 e 22, tais como: (...) Caracterizada a figura dos royalties, o artigo 71 da própria Lei n. 4.506/64 destaca as hipóteses em que os pagamentos seriam indedutíveis, conforme retratado no artigo 353 do Regulamento do Imposto de Renda: Art.353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; (...) Cumprenos indagar, portanto, se o contrato celebrado pelas partes evidencia uma efetiva alienação (cessão definitiva, como diz a Recorrente) ou, ao revés, direitos que, por sua natureza, são passíveis de remuneração mediante royalties. O objeto do contrato foi definido na cláusula sexta, nos seguintes termos: Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 40 39 6. PREÇO E FORMA DE PAGAMENTO DO ARRENDAMENTO E CESSÃO DE DIREITOS. 6.1 Além do pagamento previsto na Cláusula anterior e a partir do ano de 1992, até a exaustão das duas reservas minerais, objeto deste CONTRATO e das escrituras retro referidas nos itens (1.2.1) e (1.2.2), a SAMARCO pagará à SAMITRI uma quantia calculada mediante a aplicação dos percentuais referidos adiante sobre o valor bruto que vier a pagar a seus acionistas a título de dividendos. 6.2 Os percentuais para cálculo da quantia a ser paga pela SAMARCO serão de 3% (três por cento), durante os anos de 1992 e de 1993 e de 4% (quatro por cento) a partir de 1994 e até o final do CONTRATO. (...)” A cláusula acima demonstra que foi fixada uma obrigação permanente (salvo eventual acerto posterior) até a exaustão das reservas minerais pactuadas, vale dizer, o pagamento deve ser feito até o limite de existência da coisa. Pareceme que o dispositivo realmente se refere à figura do arrendamento (como, aliás, expressamente está consignado) e, nesse contexto, não se confundiria com uma "compra e venda", que possui requisitos distintos. Na compra e venda há um preço determinado ou determinável, além da efetiva transferência da propriedade. Conquanto existam elementos para a estipulação dos pagamentos, não se vislumbra, no contrato, a definição efetiva do preço, até porque isso depende da vida útil das reservas minerais. Não se amolda o texto à figura da cessão definitiva, mas sim à hipótese de remuneração por direitos de exploração. Ademais, a própria escrituração contábil das operações nos permite compreender a sua natureza, como apontado pela Fazenda Nacional: Srs. Conselheiros, a própria VALE S/A, como detentora original do direito de explorar as reservas minerais (na qualidade de sucessora da SAMITRI, por têla incorporado, sendo, assim, a cedente dos referidos direitos), contabiliza os valores recebidos da SAMARCO, para este fim, em conta de receita, a saber: "451113002 Receitas com Arrendamentos/Royalties". Assim, para a VALE S.A se trata, juridicamente, do recebimento de royalties, sem nenhuma dúvida. Neste ponto, cumpre salientar que foi a própria recorrente que registrou, em sua contabilidade, os valores em litígio como sendo “Royalties”, conforme cabalmente demonstrado no TVI e no acórdão da DRJ. Pelo artigo 378 do Código de Processo Civil: “Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos”. Da mesma forma, o artigo Art. 226 do Código Civil estabelece: Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 41 40 “Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios”. A fiscalização utilizou informações constantes do registro contábil da empresa. Logo, pelas regras acima transcritas, os dados podem e devem ser utilizados contra a interessada, cabendo a ela o ônus da prova em contrário, como consta da parte final do artigo 378 do CPC. (grifos no original) Entendo pertinente o argumento da Fazenda Nacional, o que, aliado à própria redação dos instrumentos firmados pelas interessadas, me leva a concluir que os pagamentos realmente foram efetuados a título de royalties e, por decorrência, devem ser considerados indedutíveis, pois é incontroverso que a Vale S/A é sócia da autuada, possuindo participação de 50% na Samarco Mineração. Também não procede o argumento da Recorrente, de que ainda que fossem considerados como royalties, os valores seriam dedutíveis da base de cálculo do IRPJ, pois a Lei n. 4.506/64 (artigo 71, "d") teria previsto apenas a indedutibilidade dos royalties pagos a pessoas físicas e que o artigo 353 do RIR teria ilegalmente ampliado o conceito legal. Comparemos os dois dispositivos: Lei n. 4.506/64 Art. 71. A dedução de despesas com aluguéis ou "royalties" para efeito de apuração de rendimento líquido ou do lucro real sujeito ao imposto de renda, será admitida: (...) Parágrafo único. Não são dedutíveis: (...) d) os "royalties" pagos a sócios ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; Decreto n. 3.000/99: Art. 353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; Com a devida vênia, não consigo vislumbrar qualquer argumento, gramatical, semântico ou jurídico capaz de invalidar o disposto em regulamento, até porque os dois comandos dizem exatamente a mesma coisa. É evidente que a lei, ao dizer "sócios", se refere a qualquer tipo de pessoa com participação na sociedade e não somente às pessoas físicas, como entende a Recorrente, calcada na premissa de que só "pessoas físicas possuem parentes e dependentes". Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 42 41 O comando legal é claro e diz que são indedutíveis os royalties "pagos a sócios". O fato de, na sequência, existir a menção a "parentes ou dependentes" apenas demonstra a teleologia da norma, que buscou ser o mais ampla possível, até porque a partícula "e", na língua portuguesa, não serve como condicionante, mas como adição a conceitos já expressos. Em síntese, nenhum sócio ou dirigente, inclusive eventuais parentes e dependentes, quando existirem, poderão receber royalties dedutíveis para fins de IRPJ. O pagamento dos valores, por óbvio, decorre de liberalidade da empresa, desde que observadas as limitações legais para a dedutibilidade. Esse entendimento possui respaldo na jurisprudência do CARF e também pode ser encontrado, sem grandes dificuldades, em abalizada doutrina. Citese, a título de exemplo, a posição de Noé Winkler (Imposto de Renda. Ed. Forense: Rio de Janeiro, 2001, p. 526 e 528) ao lecionar: É vedado o pagamento de “royalties” a sócios ou dirigentes de empresas e a seus parentes e dependentes. Quanto aos sócios, tanto podem ser pessoas físicas como jurídicas. Não esclarece a lei o grau de parentesco, ou tipo de dependência. (grifamos) O objetivo da lei é evidente, no sentido de impedir o favorecimento desigual, em prejuízo do Estado ou de sócios minoritários. O tema me parece de meridiana clareza e, nesse sentido, entendo que não assiste razão à Recorrente. Entendo que o raciocínio se aplica, também, à CSLL, conforme entendimento da fiscalização e também da Receita Federal, nos termos da Solução de Consulta a seguir reproduzida (grifamos): SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 316, DE 17 DE NOVEMBRO DE 2014 DOU de 02/12/2014, seção 1, pág. 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ EMENTA: DESPESAS COM ROYALTIES. DEDUTIBILIDADE. LIMITE APLICÁVEL. Para efeito da apuração do Imposto de Renda IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL , a dedutibilidade das despesas com royalties está condicionada às regras estabelecidas pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99. DA MULTA ISOLADA Esta Turma tem decidido, a exemplo de outros colegiados do CARF, no sentido de que a multa isolada, na anterior redação do artigo 44 da Lei n. 9.430/96, deve ser afastada em observância ao princípio da consunção. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 43 42 Como se sabe, o princípio da consunção (também denominado princípio da absorção) aplicase quando há uma sucessão de condutas tipificadas que, em razão de um nexo de dependência intrínseco, permite que a infração mais grave absorva aquelas de menor intensidade, em razão do brocardo lex consumens derogat lex consumptae, o que equivale a dizer que o crimefim absorve o crimemeio. Essa teoria encontra suas raízes na famosa double jeopardy clause, preceito fixado pela 5a Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que determina que ninguém poderá ser por duas vezes ameaçado em sua vida ou saúde pelo mesmo crime, o que se constitui, há tempos, na aplicação da clássica regra que veda a dupla punição em razão do mesmo fato, tal como garantida pelo princípio ne bis in idem, conforme a inteligência da Súmula 105 deste Conselho: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Contudo, o papel precípuo do julgador é o de analisar o conjunto normativo vigente e aplicável ao tempo dos fatos. Assim, na hipótese dos autos, convém destacar que houve alteração no comando original do artigo 44, oriunda da redação que lhe foi dada pela Lei n. 11.488/2007, fruto da conversão da Medida Provisória n. 351/2007. Penso que a alteração buscou afastar a dubiedade e a imprecisão do comando anterior, circunstâncias que levaram à elaboração da Súmula 105 deste Conselho, que conferiu, à luz do artigo 112, I, do CTN, interpretação jurídica mais favorável ao contribuinte. Ocorre que a partir da nova redação inexiste dúvida, vale dizer, não se vislumbra mais qualquer impedimento jurídico para a aplicação concomitante das multas previstas nos incisos I e II, "b", do artigo 44: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 44 43 Como no caso dos autos as multas isoladas se referem à falta de pagamento de estimativas mensais posteriores à vigência da nova redação do artigo 44 entendo como jurídica e obrigatória a aplicação das multas nele previstas. DOS JUROS SOBRE MULTA E DA SELIC Por fim, diz a Recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de dispositivo legal. Contudo, pareceme induvidoso que a multa de ofício integra o conceito de obrigação tributária esposado pelo artigo 113 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o conceito de crédito tributário no Brasil engloba tributo e multa, como expressamente estabelece o artigo 43 da Lei n. 9430/96: Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifamos) Artigo 5o, § 3º, da Lei n. 9.430/96. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (grifamos) No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifamos) Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 45 44 INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (grifamos) Confirmando o entendimento esposado, temos a Súmula n. 4 deste Conselho: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 46 45 Voto Vencedor Conselheiro João Otavio Oppermann Thomé Inicialmente parabenizo o relator pela análise fática e jurídica empreendida, que culminou com a caracterização dos pagamentos feitos pela Samarco à Vale S/A como royalties, e, nesta conformidade, indedutíveis do lucro real, com a qual estou de pleno acordo. Minha única discordância com relação ao voto do relator é quanto à extensão desta indedutibilidade dos royalties à apuração da base de cálculo da CSLL. É que, no caso, conforme ressaltado pelo relator, a indedutibilidade dos royalties está prevista no art. 353 do RIR/99, abaixo transcrito, cujo esteio legal remonta ao art. 71 da Lei nº 4.506, de 1964, verbis: "Art.353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes;" A mencionada Lei nº 4.506/64, como é cediço, diz respeito apenas à apuração do lucro real, para fins de incidência do imposto de renda devido pela pessoa jurídica, não sendo aplicável, por si só, portanto, à apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro devida por esta mesma pessoa jurídica. Outrossim, não acompanho o entendimento de diversos de meus pares, no sentido de que o superveniente artigo 57 da Lei nº 8.981/95 autorizaria aplicar à base de cálculo da CSLL as mesmas restrições à dedutibilidade das despesas que é prevista para o IRPJ. Isto porque o referido artigo apenas determina que se aplique à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ. Disto extraise, por exemplo, que, se a empresa apurar o IRPJ pelo lucro real trimestral, assim deverá também proceder com relação à apuração e pagamento da CSLL; ou, se optar pelo lucro presumido com relação ao IRPJ, deverá também considerar tal opção para fins de apuração e pagamento da CSLL. Por outro lado, o mesmo referido artigo é expresso em justamente preservar a base de cálculo e as alíquotas então em vigor para cada um desses tributos, o que apenas reforça a individualidade das respectivas bases de cálculo, e não a indiscriminada extensão de todas as indedutibilidades de despesas previstas no IRPJ para a CSLL. Confirase: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta lei. Aliás, se o dispositivo em questão estendesse à apuração da CSLL todas as indedutibilidades de despesas previstas na legislação do IRPJ, desnecessária seria a remissão Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 47 46 expressamente feita em diversos dispositivos — alguns deles contidos na própria Lei nº 8.981/95 (e.g., o art. 100 e 105) — de que estes são aplicáveis à "determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro". Digase, a propósito, que o entendimento de que o art. 57 da Lei nº 8.981/95 estenderia à CSLL todas as regras relativas à indedutibilidade de despesas previstas para o IRPJ, a par de ser refutado pela majoritária jurisprudência do CARF, já foi também sepultado pela própria Receita Federal, consoante se depreende da Solução de Divergência COSIT nº 39, de 30.12.2013, verbis: “O art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, que determina a aplicação à CSLL das ‘mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas’ é indicado para o contribuinte das duas espécies tributárias. No intuito de racionalizar procedimentos, o art. 57 estabelece critérios comuns de apuração do IRPJ e da CSLL. Isso é válido para critérios operacionais de apuração, mas não para definir regras de incidência. Embora espécies distintas, com fatos geradores distintos (o da CSLL é o lucro e o do IRPJ é a renda), o contribuinte do IRPJ é, em regra, contribuinte da CSLL. Porém, o inverso não acontece: as entidades a que se referem as alíneas b e c do inciso VI do art. 150 da Constituição são imunes do pagamento do IRPJ, mas não da CSLL.” (grifouse) É por este motivo que, quando a lei pretende estender à CSLL algo que antes estava previsto somente na legislação do imposto de renda, tem de fazêlo expressamente, a exemplo do que foi feito com o art. 21 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 (no que toca à extensão para a CSLL das normas de lucros no exterior previstas para o IRPJ na Lei nº 9.249, de 1995, e outras), ou com o art. 22 da mesma Medida Provisória (no que toca ao disposto nos artigos 32 e 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987). Portanto, por ausência de base legal, devese ter por dedutíveis da base de cálculo da contribuição social as despesas decorrentes do pagamento de royalties, conforme configuradas no presente caso. No mesmo sentido, o seguinte precedente do CARF (Acórdão 1102001.182, sessão de 27 de agosto de 2014, relator José Evande Carvalho Araujo): "CSLL. ROYALTIES PAGOS A SÓCIO. DESPESA NECESSÁRIA E DEDUTÍVEL. A regra do art. 353, inciso I, do RIR/99 (art. 71 da Lei nº 4.506, de 1964), que veda a dedução de royalties pagos a sócios da base de cálculo do IRPJ, não se aplica à CSLL por falta de previsão legal. A princípio, o pagamento de royalties por marca detida por outra empresa do grupo consiste em despesa necessária e usual à atividade da empresa, em especial se, na acusação, não há qualquer ponderação sobre alguma vantagem tributária ilícita obtida com a prática." Em conclusão, e tendo em vista que no presente processo encontrase em litígio tão somente a CSLL, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa das despesas com royalties. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10600.720020/201318 Acórdão n.º 1201001.407 S1C2T1 Fl. 48 47 (documento assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Redator designado Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 05/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 13830.722759/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
SIMPLES NACIONAL. EXCESSO DE RECEITA BRUTA.
Quando ultrapassado o limite de receita estabelecido pela legislação tributária vigente relativa ao Simples Nacional, dá-se a exclusão do sistema, seja por opção ou de ofício, a partir do primeiro dia do ano-calendário seguinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-002.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Quando ultrapassado o limite de receita estabelecido pela legislação tributária vigente relativa ao Simples Nacional, dáse a exclusão do sistema, seja por opção ou de ofício, a partir do primeiro dia do anocalendário seguinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 27 59 /2 01 2- 68 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13830.722759/201268 Acórdão n.º 1402002.160 S1C4T2 Fl. 342 2 Relatório MD CRED INFORMAÇÕES CADASTRAIS LTDA. ME recorre a este Conselho em face do acórdão nº 0128.191 proferido pela 2ª Turma da DRJ em Belém que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo DRF/MRA nº 39, de 21 de dezembro de 2012, decorrente de Representação Fiscal, fls 92 a 94, com vista à exclusão da interessada na modalidade de tributação denominada de SIMPLES FEDERAL, por ter ultrapassado o limite de receita prevista no art. 3º, inciso II, da Lei Complementar nº 123/2006, com efeitos a partir de 01/01/2009 a 31/12/2009, de acordo com o § 3º do art. 29 da mesma Lei e artigos 4º e 6º, inciso II, da Resolução CGSN nº 15/2007, fl nº 183, com ciência via postal, na data de 16/01/2013, conforme “AR”, fl nº 186. 2. A Representação Fiscal decorreu do processo administrativo nº 13830.722759/201268, que ensejou a lavratura de Auto de Infração, relativamente ao tributo IRPJ, e das contribuições PIS, COFINS, CSLL e INSS PATRONAL, cujas cópias se encontram neste processo às fls 96 a 178. 3. Inconformado o sujeito passivo protocolou Manifestação de Inconformidade, na data de 08/02/2013, com as seguintes argumentações, em resumo, em seu favor, fls 188 a 223: a) Que em relação ao balanço anual da empresa não persiste a afirmação da receita bruta, como pode ser comprovado nos documentos obrigatórios que toda empresa necessita, e, em segundo plano, em nenhum momento houve conduta da empresa em prol de criar embaraços a qualquer tipo de fiscalização, bem como omissão à apresentação de qualquer documento que a mesma foi intentada a tanto, que por isso, tal exclusão causa tanta surpresa, indignação e inconformidade; b) Que os autos de infração encontramse eivados de ilegalidades e incorreções, pois na descrição dos fatos narrados nos autos impugnados, incorreuse em várias contradições, imprecisões e omissões, o que não só importou em cerceamento da defesa da impugnante, maculando todo o procedimento fiscal ante tal vício insanável, como também a postulação do reconhecimento da impossibilidade de se exigir como renda os depósitos bancários existentes em sua c/c bancária, o que obsta, portanto, a produção de quaisquer efeitos, como se verá adiante; c) Que iniciado o processo administrativo nº 13830.722759/201268, a impugnante prestou todas as informações necessárias, bem como juntou inúmeros documentos que comprovam a licitude de suas movimentações financeiras e idoneidade de sua vida contábil, além do fato de nunca ter oferecido embaraço para dirimir quaisquer dúvidas sobre a idoneidade da empresa, bem como a renda bruta anual, sempre oferecendo os documentos hábeis, quando requisitada; Fl. 342DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13830.722759/201268 Acórdão n.º 1402002.160 S1C4T2 Fl. 343 3 d) Relacionou os documentos apresentados à fiscalização, e que as autuações não merecem prosperar, que toda a documentação e informações foram prestadas, e qualquer outra informação que tenha causado a exclusão da empresa do Simples Nacional é ilegal, que a autoridade fiscal extrapolou qualquer limite de discricionariedade se obteve informações que deflagraram o início da fiscalização, obtidas por meio ilícito, inobservando o art. 30, da Lei nº 9.784/99, que determina que são inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos; e) Fez citações várias do CTN, de Súmula e Acórdãos do CARF. f) Finalmente requereu a nulidade do ADE. 4. Esta julgadora fez juntada do Acórdão 0128.081, emitido pela 1ª Turma da DRJ/BEL, datado de 16 de dezembro de 2013, que considerou a impugnação apresentada pelo sujeito passivo no processo administrativo nº 13830.722700/201270 como IMPROCEDENTE, mantendo o crédito tributário lançado, fls. 230 a 252, por entender que o sujeito passivo não apresentou provas que elidisse o crédito tributário. O contribuinte foi cientificado da decisão em 18 de junho de 2014 (fl. 258), apresentando recurso voluntário de fls. 260313 em 16 de julho de 2014. Em síntese, reafirma os argumentos de sua impugnação, atacando a constituição do crédito tributário que implicou o suposto excesso de receita bruta, requerendo, ao final, o cancelamento da exclusão do Simples Nacional. É o relatório. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13830.722759/201268 Acórdão n.º 1402002.160 S1C4T2 Fl. 344 4 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O contribuinte interposto mostrase tempestivo. Preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 MÉRITO A questão a ser decidida nesses autos é absolutamente simples e decorre do resultado do julgamento do processo 13830.722700/201270: como nesses autos mantevese a omissão de receita com base nos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte, automaticamente, confirmouse que, de fato, houve excesso de receita bruta no anocalendário de 2008, superando o limite de R$ 2.400.000,00 vigente no período para que o contribuinte pudesse se manter no Simples Nacional a partir do anocalendário seguinte. É importante ressaltar, que as questões atinentes à legalidade da constituição do crédito foram todos discutidos no processo respectivo (13830.722700/201270), não sendo possível sua rediscussão nos presentes autos, que trata exclusivamente da exclusão do Simples Nacional. Nesse cenário, como consequência do decidido no processo principal, deve se negar provimento ao recurso voluntário. 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 344DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10880.028790/98-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1997, 1998, 1999
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO DECLARADA. EXTINÇÃO DOS DÉBITOS. IRRELEVÂNCIA DA EXISTÊNCIA OU SUFICIÊNCIA DOS CRÉDITOS.
Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa foram convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002. A ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. Tendo transcorrido este prazo, homologa-se tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios.
COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. ARTS. 173, I, E 150 § 4º DO CTN. INAPLICABILIDADE.
A compensação tributária não é procedimento para a constituição e exigência de ofício de crédito tributário. Destarte, inaplicáveis os dispositivos legais que tratam da decadência do direito da Fazenda Pública de constituir créditos tributários. Em sentido contrário, a Administração Tributária tem o poder/dever de conferir, inclusive documentalmente, a liquidez e a certeza do direito creditório alegado pelo contribuinte, em sede de procedimento de restituição ou de compensação.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. GUARDA E APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. Se o contribuinte afirma possuir direitos creditórios passíveis de restituição ou compensação, deve manter em boa guarda e apresentar, quando solicitado, todos os documentos que comprovem o alegado direito. Inaplicáveis os dispositivos legais que tratam da decadência do direito da Fazenda Pública de constituir créditos tributários.
Numero da decisão: 1301-001.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso. O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, José Eduardo Dornelas Souza, Paulo Jakson da Silva Lucas, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1997, 1998, 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO DECLARADA. EXTINÇÃO DOS DÉBITOS. IRRELEVÂNCIA DA EXISTÊNCIA OU SUFICIÊNCIA DOS CRÉDITOS. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa foram convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002. A ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. Tendo transcorrido este prazo, homologase tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. ARTS. 173, I, E 150 § 4º DO CTN. INAPLICABILIDADE. A compensação tributária não é procedimento para a constituição e exigência de ofício de crédito tributário. Destarte, inaplicáveis os dispositivos legais que tratam da decadência do direito da Fazenda Pública de constituir créditos tributários. Em sentido contrário, a Administração Tributária tem o poder/dever de conferir, inclusive documentalmente, a liquidez e a certeza do direito creditório alegado pelo contribuinte, em sede de procedimento de restituição ou de compensação. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. GUARDA E APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. Se o contribuinte afirma possuir direitos creditórios passíveis de restituição ou compensação, deve AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 02 87 90 /9 8- 70 Fl. 931DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.028790/9870 Acórdão n.º 1301001.999 S1C3T1 Fl. 932 2 manter em boa guarda e apresentar, quando solicitado, todos os documentos que comprovem o alegado direito. Inaplicáveis os dispositivos legais que tratam da decadência do direito da Fazenda Pública de constituir créditos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso. O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, José Eduardo Dornelas Souza, Paulo Jakson da Silva Lucas, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório SARAIVA S/A LIVREIROS EDITORES, sucessora por incorporação de EDITORA ATUAL S/A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DERAT/SP. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Trata o presente processo de pedido de restituição (fl. 02) cumulado com pedido de compensação (fl. 01), tendo sido a ele apensado, por juntada, o Processo nº 10880.028791/9832, o qual contém um pedido de restituição (fl. 02) cumulado com um de compensação (fl. 01). Informa a Autoridade Administrativa no Despacho Decisório da EQPIR/PJ (fls. 643/661) que os processos foram juntados por haver coincidência dos anos calendário em relação aos quais foram requeridos os saldos credores. A Autoridade Administrativa deferiu parcialmente os pedidos de restituição, reconhecendo o direito creditório contra a Fazenda Nacional no valor total de R$ 803.565,87 e homologou os pedidos de compensação requeridos à fl. 01 deste e do Fl. 932DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.028790/9870 Acórdão n.º 1301001.999 S1C3T1 Fl. 933 3 processo nº 10880.028791/9832, respeitado o limite do direito creditório reconhecido. Antes de adentrar na análise dos saldos credores dos anoscalendário de 1996 a 1998, o referido despacho decisório teceu considerações, bem como analisou diversos anoscalendário anteriores, justificandose da seguinte forma, em síntese: Apesar do contribuinte não ter declinado os valores requeridos, nem tampouco os períodosbase a que se referem, os demonstrativos juntados às fls. 07/09 (IRPJ) e 11/13 (CSLL) sugerem que os valores totais a restituir, deduzidos das compensações efetuadas entre as datas das respectivas apurações dos saldos credores e a data de 30/09/98, montariam a R$ 533.493,86 (IRPJ) e de R$ 605.517,96 (CSLL) e diriam respeito aos anoscalendário de 1996 a 1998 – Cisão. Esta explicação é corroborada pelo esclarecimento juntado à fl. 54. As compensações dizem respeito a débitos a “parcelas de parcelamento de PIS, já formalizado (mas à época do pedido), pendente de aprovação”. Os pedidos de compensação indicam, como crédito a compensar os valores de R$ 610.476,46 e R$ 538.412,51. Os demonstrativos de fls. 50/51, elaborados em 26/10/98, discriminam a composição da dívida a ser compensada, depois de efetuado o pagamento de 21 prestações do parcelamento (cópias dos DARF juntadas às fls. 38/48), bem como está decomposto o crédito total de IRPJ e CSLL reivindicado. Verificase, portanto, que os pedidos de compensação constantes à fl. 01 deste processo e do a ele apenso foram elaborados com base nos valores dos créditos de CSLL e de IRPJ informados naquele demonstrativo. O formulário denominado “Discriminação do Débito a Parcelar – DIPAR” (cópia juntada às fls. 18/21) indica que os débitos a parcelar dizem respeito ao PIS (para fins de parcelamento, identificado com o código 3616), apurado entre 04/91 e 08/96. Os extratos de fls 171/173, juntados ao processo por cópia dos documentos originais existentes no processo de parcelamento e inscrição de débitos em Dívida Ativa da União de nº 13805.001736/9723, discriminam os valores do PIS (fl. 172) com os quais se deverá compensar os saldos credores de CSLL e de IRPJ reivindicados neste e no processo a ele apenso, computados todos os pagamentos efetuados enquanto ativo o parcelamento requerido. Conforme esclarecimentos (fls. 316/407) e demonstrativos (fls. 381/393) apresentados pela empresa, após intimação (fls. 313/314), alguns dos valores de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa no anocalendário de 1998, até a data da cisão, foram amortizados com os saldos credores apurados no período de 1996. Da mesma forma, algumas das estimativas devidas em 1997 foram compensadas com os saldos credores apurados nos anoscalendário de 1996 e 1995, sendo que as estimativas Fl. 933DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.028790/9870 Acórdão n.º 1301001.999 S1C3T1 Fl. 934 4 devidas de IRPJ e CSLL apuradas nos meses de 01/95 e 02/95 foram, também, compensadas com os saldos credores apurados no anocalendário de 1994. Os demonstrativos também evidenciam que parcela das estimativas de IRPJ e CSLL apuradas no anocalendário de 1999 foram compensadas com saldo credor apurado no ano calendário de 1998. Tendo o contribuinte sido intimado a prestar esclarecimentos adicionais (fls. 410/411), argumentou que: a) dado o prazo decorrido do protocolo (25/11/98) dos pedidos de compensação (convertidos em declaração de compensação) e a data de satisfação da intimação (27/07/07), encontramse homologadas de forma tácita as declarações de compensação, de acordo com o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996; b) “por convenção doutrinária e jurisprudencial, a guarda de documentos referentes à seara tributária deve obedecer o prazo prescrito no art. 173 da lei nº 5.172/66 – CTN – ou seja, cinco anos”; c) documentos solicitados se reportam a alguns registros emitidos há mais de uma década (anocalendário de 1994), o que prejudicou a sua localização, além do que “a requerente nem mesmo está obrigada a apresentar qualquer explicação” sobre pedidos de compensação já homologados tacitamente; d) parcela considerável (a remanescente dos pagamentos efetuados por intermédio de DARF) dos valores, tanto do IRPJ, quanto da CSLL devidos por estimativa entre 04/94 e 12/94 que compuseram, como antecipações, o valor do saldo credor daquele ano, utilizado para amortizar os valores também devidos por estimativa de 01/95 e 02/95, foram compensados com saldos credores de anoscalendário anteriores (DOC. 03 – fls. 434/497); e) o crédito no valor de R$ 25.005,96, utilizado como antecipação na determinação do saldo credor de CSLL do anocalendário de 1995 referese a créditos oriundos das DIRPJ dos exercícios anteriores; f) os valores de R$ 118.215,15 e R$ 112.185,83 deduzidos a título de “Compensação” na apuração dos saldos credores de IRPJ (linha 16 da Ficha 08) e de CSLL (linha 20 da Ficha 11) do anocalendário de 1995 referemse à atualização monetária dos valores originais devidos por estimativa naquele períodobase; g) os valores de IRPJ e CSLL retidos na fonte “por ocasião da relação jurídica comercial com órgãos públicos” ao longo dos períodosbase compreendidos entre 1996 e 1999 estão comprovados às fls. 531/589 (doc. 05). Fl. 934DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.028790/9870 Acórdão n.º 1301001.999 S1C3T1 Fl. 935 5 Conforme os esclarecimentos prestados pela interessada, os créditos por ela reivindicados envolvem outros, apurados em períodosbase anteriores, que remeteriam à análise de créditos desde o início de suas atividades. Ou seja, aos cinco anos anteriores ao anobase de 1994. Com relação à análise das DIRPJ relativas aos anoscalendário de 1991 a 1998, foram consideradas pela Autoridade Administrativa todas as compensações efetuadas pela empresa sem pedido formal, resultando no seguinte direito creditório concedido: Direito Creditório Tributo Natureza AnoCalendário Valor (R$) SELIC a partir de IRPJ Saldo Credor 1996 66.072,42 01/01/97 IRPJ Saldo Credor 1997 26.782,54 01/01/98 IRPJ Saldo Credor 01/98 a 07/98 291.592,94 01/08/98 CSLL Saldo Credor 1996 204.354,96 01/01/97 CSLL Saldo Credor 1997 82.695,84 01/01/98 CSLL Saldo Credor 01/98 a 07/98 132.067,17 01/08/98 TOTAL 803.565,87 A empresa, intimada do Despacho Decisório em 03/12/2007, apresentou Manifestação de Inconformidade em 02/01/2008 (fls. 663/684), por intermédio de seu procurador (fls. 685 a 688), alegando, em síntese, que: a) Ocorreu homologação tácita (art. 74, § 5ª, da Lei nº 9.430/1996) dos pedidos de compensação, convertidos em declaração de compensação. b) Os fatos geradores ocorridos entre a origem do saldo acumulado registrado até o encerramento do anocalendário de 1998 poderiam ter sido objeto de questionamento e de lançamento de ofício por parte da autoridade fiscal até o momento em que ocorreu a sua decadência. Transcorridos cinco anos da data do lançamento por homologação, o Fisco não possui competência para questionar referidos atos e não poderia exigir qualquer recolhimento de imposto adicional (transcreve jurisprudência do 1º Conselho de Contribuintes, relativa as decadência, na qual se discute lucro inflacionário). c) As compensações foram realizadas pela autoridade administrativa sem o consentimento da Recorrente e não poderiam ser denominadas espontâneas, e sim ex officio. O sujeito passivo deveria ser citado a respeito da compensação de ofício, para que pudesse aceitála ou contestála (art. 39 da IN nº 600/2005). d) A RFB contesta a suposta ausência de documentação para apuração dos saldos credores relativos aos anoscalendário de 1991 a 1998, sendo obrigada a apurar o crédito através dos seus sistemas internos. Por convenção doutrinária, jurisprudencial e legal (conforme CTN), a guarda dos documentos de natureza tributária deve obedecer o prazo prescrito no artigo 173 do CTN, ou seja, cinco anos, e não pode a Recorrente ser responsabilizada pela inércia do poder público que demorou mais de nove anos para apreciar alguns pedidos/declarações de compensação. e) Em todo o conteúdo da r. decisão verificase intensa negação e desconsideração dos documentos, fatos e elementos trazidos pela Recorrente aos autos do processo. Por se tratar de uma questão de prova documental, juntada aos autos pela Recorrente, em prol do princípio da busca da verdade material, verificase que a insistente desconsideração dos documentos juntados pela Recorrente causa grande transtorno na medida em que será, de alguma forma, compelida a recolher ao Erário valores cujos fatos geradores ultrapassam, e muito, os prazos decadenciais. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.028790/9870 Acórdão n.º 1301001.999 S1C3T1 Fl. 936 6 Assim, é imperioso que a autoridade fiscal a todo momento socorrese do sistema para justificar seus ajustes e lançamentos, mas quando há necessidade de comprovar algumas retenções de IRRF, efetuadas por Órgãos Públicos, a mesma se omite e desconsidera os documentos juntados pela Recorrente. Devese destacar que um dos principais princípios que norteiam o processo administrativo é o da verdade material, o qual determina ao julgador o dever de pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação ou recurso do contribuinte, verificar se aquilo é realmente verdade, independente do alegado e provado (transcreve o Acórdão nº 10319.789, DOU de 29/01/1999). f) Portanto, ainda que superada a homologação tácita e a decadência do direito de constituição do crédito tributário, o Fisco deve observar o princípio da verdade material e aceitar a documentação acostada aos autos e buscar em seu sistema as informações necessárias ao contribuinte, de modo a fundamentar o lançamento tributário. g) Por todo exposto, requer que seja reconhecida integralmente a homologação tácita dos Pedidos de Compensação, convertidos em Declaração de Compensação, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, com a conseqüente extinção do crédito compensado, nos termos do art. 156, inciso VII, do CTN, qual seja, o débito consolidado do parcelamento (processo administrativo nº 13805.0017369723). h) Requer, ainda, seja afastado qualquer tipo de cobrança face à decadência do direito de constituir qualquer débito com relação aos períodos de apuração objeto do procedimento administrativo de restituição/compensação. Houve, ainda, a apresentação de Manifestação de Inconformidade (fls. 708/729) contra a Comunicação nº 61 (fl. 696), cujo assunto é “Deferimento Parcial com Intimação para Compensação de Ofício”. Observese que o Órgão de origem por meio do despacho de fl. 786 faz referências a esse assunto, e encaminha para julgamento apenas a Manifestação de Inconformidade de fls. 663/695. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1617.776, de 11/07/2008 (fls. 792/803), deferiu parcialmente a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1996, 1997, 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados nas declarações apresentadas e que se constituem em indébitos tributários a serem regularmente comprovados, quando de sua utilização. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.028790/9870 Acórdão n.º 1301001.999 S1C3T1 Fl. 937 7 VERIFICAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO IRPJ E DA CSLL. LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação do saldo negativo do tributo ou contribuição não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise os pedidos de restituição/compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1996, 1997, 1998 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. A ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos prescrito pelo art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.833/2003. Tendo transcorrido este prazo, homologase a compensação declarada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996, 1997, 1998 IRRF. REGRAS. DEDUTIBILIDADE. COMPROVANTE. PROVA. Devese apresentar o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para exercer o direito de dedução do IRRF na apuração do saldo negativo do IRPJ. Esclareço, por oportuno, que a decisão de primeira instância foi no sentido de indeferir a solicitação no que tange aos pedidos de restituição e homologar tacitamente os pedidos de compensação, convertidos em DCOMP, até o limite dos valores solicitados em restituição. Ciente da decisão de primeira instância em 30/07/2008, conforme documento de fl. 806, e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário em 26/08/2008 (registro de recepção à fl. 816, razões de recurso às fls. 818/838), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos, por tópicos: · Do Instituto da Compensação e da Homologação Tácita. A recorrente discorre sobre a homologação tácita, em sede de compensação tributária, conforme prevista no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/1996. Conclui que, em seu caso, Fl. 937DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.028790/9870 Acórdão n.º 1301001.999 S1C3T1 Fl. 938 8 “com relação aos pedidos de compensação, ocorreu a homologação tácita das compensações pleiteadas, com a extinção do crédito tributário correspondente”. · Da Decadência A recorrente discorda da decisão de primeira instância. Em suas palavras (grifos no original): 29. No novamente convém explicitar o instituto da decadência que deve ser reconhecido no exame de julgamento por parte dos ilustres Conselheiros, uma vez que o saldo apurado pela fiscalização tem sua origem, em declarações e valores relativos aos anoscalendários de 1991 a 1998. 30. Desta forma, cumpre destacar que a referida decisão advém de uma diferença apurada, através do sistema da SRFB, entre saldos negativos de IRPJ e CSLL provenientes dos anoscalendários 1991 a 1998. 31. Desta forma, os fatos geradores ocorridos entre a origem do saldo acumulado registrado em 1991 até o encerramento do anocalendário de 1998, poderiam ter sido objeto de questionamento e lançamento de oficio por parte da autoridade fiscal até o momento em que ocorreu a sua decadência, nos termos da legislação tributária em vigor. Ou seja, transcorridos 5 (cinco) anos da data do lançamento, o Fisco não possui competência para questionar referidos atos e, desta forma, não poderia exigir qualquer recolhimento de imposto adicional. A interessada traz doutrina e jurisprudência sobre o tema, e pede o reconhecimento da decadência no caso concreto. · Arquivo de Documentos – Prazo A recorrente protesta contra a exigência de documentos para a apuração dos saldos credores relativos aos anoscalendário de 1991 a 1998. Afirma que a guarda dos documentos deveria seguir o prazo do art. 173 do CTN, e que o Regulamento do Imposto de Renda, veiculado por Decreto, a ele não se poderia sobrepor. Afirma que não poderia ser responsabilizada pela inércia do poder público que demorou mais de nove anos para apreciar seus pedidos/declarações de compensação. · Documentação Probatória e o Princípio da Verdade Material A recorrente protesta contra a “negação e desconsideração” dos documentos por ela apresentados. Por sua ótica, as notas de pagamento do FNDE e documentos com os registros contábeis pertinentes seriam suficientes para a comprovação das retenções sofridas na fonte por órgãos públicos. Em nome do princípio da verdade material, pede a aceitação desses documentos, juntados aos autos. Lembra, ainda, que em momento algum a Receita Federal teria intimado o FNDE para prestar informações sobre as retenções em questão, nem teriam sido requisitadas informações do SIAF a esse respeito. É o Relatório. Voto Fl. 938DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.028790/9870 Acórdão n.º 1301001.999 S1C3T1 Fl. 939 9 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Cuida o presente processo de pedidos de restituição, cumulados com pedidos de compensação. A decisão de primeira instância admitiu a homologação tácita dos pedidos de compensação, convertidos em declarações de compensação, conforme estatuído pelo art. 74 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Confirase, por clareza, os termos em que foi vazada a decisão (fl. 803, grifos no original): Por seu turno, no contexto do procedimento de restituição e de homologação das compensações, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos (art. 74, §5° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996). [...] Com efeito, como norma de natureza processual, o prazo fixado pelo art. 17 da Medida Provisória 135/2003 para homologação das compensações declaradas aplicase imediatamente aos processos em curso, de modo que não é dado à Fl. 939DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.028790/9870 Acórdão n.º 1301001.999 S1C3T1 Fl. 940 10 Administração, após o transcurso deste prazo, pretender não homologar a compensação declarada. In casu, os pedidos de compensação foram protocolados na mesma data, 25/11/1998, sendo que somente foi dada a ciência do Despacho Decisório em 03/12/2007, ou seja, posteriormente ao advento da Medida Provisória 135/2003. Todos os pedidos de compensação constantes dos dois processos em análise foram convertidos em DCOMP, por força do § 4° do art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.637/2002. Consoante ao § 2° do referido artigo, os créditos tributários compensados foram extintos, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essas compensações encontramse definitivamente homologadas em razão do disposto no § 5° do art. 74 da Lei 9.430, com as alterações da Medida Provisória 135/2003. Assim, voto pelo indeferimento da solicitação no que tange aos pedidos de restituição e pela homologação tácita dos pedidos de compensação, convertidos em DCOMP. até o limite dos valores solicitados em restituição. Desta forma, não se compreende a irresignação da recorrente, protestando pela homologação tácita das compensações declaradas, quando essa homologação tácita já foi expressamente reconhecida pela decisão de primeira instância. O único trecho que poderia gerar alguma dúvida seria o último parágrafo acima transcrito, no qual, de modo não muito claro (posto que, ao que parece, contraditório com o primeiro parágrafo transcrito), se busca estabelecer um limite para a homologação tácita reconhecida. Tal limite seria o “dos valores solicitados em restituição”. De fato, não vislumbro tal limitação. A compensação tributária nada mais é do que a contraposição entre débitos tributários (obrigações do contribuinte diante da Fazenda Pública) e direitos creditórios líquidos e certos (do sujeito passivo em face da mesma Fazenda Pública), conforme disciplina do art. 170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/1996, sem prejuízo de outros normativos pertinentes. Reza a lei que os débitos tributários assim levados à compensação são extintos, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. E também estabelece um prazo, de cinco anos, para essa homologação. Não ocorrendo, nesse prazo, decisão que expressamente negue homologação à compensação declarada, ocorre a chamada homologação tácita. Em outras palavras, perde a Fazenda Pública o direito de negar a compensação, os débitos apresentados são extintos em definitivo, mediante a absorção dos créditos a eles contrapostos. De se destacar, por relevante, que os débitos serão extintos ainda que se venha a constatar a insuficiência dos créditos para esse fim, posto que a Administração Tributária não mais pode negar a compensação. Nessa situação, a Fazenda será penalizada por sua própria inércia, ao não examinar no prazo legal a compensação declarada. Isto posto, e reconhecida sem sombra de dúvida a ocorrência da homologação tácita para o caso concreto, os débitos levados à compensação devem ser tidos por definitivamente extintos, absorvendo os créditos tributários que a eles foram contrapostos. Na hipótese de que os créditos tributários reconhecidos venham a se mostrar insuficientes, ainda assim os débitos devem ser considerados extintos. No mais, os reclamos da recorrente não se sustentam. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.028790/9870 Acórdão n.º 1301001.999 S1C3T1 Fl. 941 11 Inexiste, no caso concreto, lançamento de ofício para constituição de crédito tributário, a demandar a aplicação dos artigos 173, I, ou 150, § 4º, ambos do CTN. Não se trata de exigir tributo, mas de verificar documentalmente a certeza e a liquidez do direito creditório invocado pela contribuinte, dentro do que, não tenho dúvidas, encontrase abrangida a verificação de pagamentos, retenções sofridas na fonte, e a própria composição dos saldos negativos de IRPJ e CSLL pleiteados. Quanto ao prazo para a guarda e apresentação de documentos, inaplicáveis de igual modo os dispositivos que tratam da decadência, posto que, ao invocar um direito (direito creditório), incumbiria à interessada manter em boa guarda os documentos comprobatórios desse alegado direito, ou seja, até que viesse a término o processo administrativo de restituição. Observo, quanto a este ponto, que, no que tange às compensações, homologadas tacitamente, a apresentação ou não de documentos comprobatórios dos alegados créditos não faz qualquer diferença, visto que os débitos serão extintos independentemente da existência de créditos. A diferença surge na parcela dos créditos alegados que vier, se vier, a exceder os débitos compensados. Quanto a essa hipotética parcela, não se há de falar em homologação tácita, nem em decadência do direito de constituir créditos tributários, aplicandose plenamente a obrigação da interessada de comprovar documentalmente os direitos creditórios que alega possuir em face da Fazenda Pública. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. Finalmente, no que toca ao protesto contra a “negação e desconsideração” dos documentos apresentados, não é o que se constata do exame dos autos. A decisão recorrida deixou claro que, para fins de comprovação da retenção de imposto de renda por parte das fontes pagadoras, o documento hábil, por lei, é o “comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos”. Por certo que, em situações específicas, outros meios de prova podem ser admitidos, em homenagem ao sempre invocado princípio da verdade material. No entanto, os documentos acostados aos autos pela interessada não provam a retenção alegadamente sofrida. Os documentos de fls. 540 e seguintes são faturas e outros documentos destinados a controle e cobrança, de emissão da própria interessada, e não fazem sequer menção à eventual retenção de imposto de renda pela fonte pagadora. Também não encontro nos autos prova de que a suposta fonte pagadora, o FNDE, tenha apresentado DIRF à administração tributária na qual declare o pagamento de rendimentos e a correspondente retenção de imposto na fonte. A propósito, lembro também que não incumbe à Receita Federal diligenciar junto a terceiros (FNDE ou SIAF) com o intuito de fazer prova em favor da interessada. Também aqui, vigora o princípio de que quem alega o direito deve proválo. Em conclusão, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto, para reconhecer a homologação tácita dos pedidos de compensação de que trata o presente processo, convertidos em declarações de compensação, extinguindose integralmente os débitos ali contemplados independentemente da existência ou suficiência dos créditos. No mais, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 941DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.028790/9870 Acórdão n.º 1301001.999 S1C3T1 Fl. 942 12 Fl. 942DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 13819.720818/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra e Carlos Henrique de Oliveira que davam provimento parcial. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra e Carlos Henrique de Oliveira que davam provimento parcial. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 08 18 /2 01 3- 01 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201003.273 S2C2T1 Fl. 237 2 Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/REC(Fls. 37), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em desfavor do contribuinte acima identificado foi emitida notificação de lançamento (fls. 8 a 12), relativamente ao ano alendário de 2008, na qual foi apurado crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), acrescido de multa e juros, conforme demonstrativo abaixo: Demonstrativo do Crédito Tributário Valor (R$) IRPF Suplementar (Sujeito à Multa de Ofício) 14.501,87 Multa de Ofício (75%) 10.876,40 Juros de Mora 5.285,93 Valor do Crédito Tributário Apurado 30.664,20 2. Anteriormente, o interessado havia declarado saldo de imposto a pagar no valor de R$ 37,10 (fl. 11). 3. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 10), referido lançamento decorrera da seguinte infração: “(...) (...)” (imagem de texto retirada da notificação de lançamento) 4. O contribuinte apresenta impugnação (fls. 2 e 4 a 6) com fundamento nas seguintes alegações: “(...) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201003.273 S2C2T1 Fl. 238 3 (...) Fl. 239DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201003.273 S2C2T1 Fl. 239 4 (...)” (imagem de texto retirada da peça impugnatória). Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/REC entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS MANTIDA. Tratandose de fato inserido no campo de incidência do imposto, cabe ao contribuinte instruir sua peça impugnatória com elementos de prova capazes de demonstrar a exclusão do crédito tributário. Não comprovada a isenção pleiteada, deve ser mantida a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização. Cientificado em 11/02/2014 (Fls. 45), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 11/03/2014 (fls. 47 a 52), argumentando em síntese: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201003.273 S2C2T1 Fl. 240 5 (...) Assim, injustificável a não aceitação da prova colidida. Os documentos acostados denotam que extraídas do processo trabalhista de n.01237200604802000 o qual originou o crédito objeto de lançamento. (...) Diante disso, com o intuito de contrapor as razões trazidas aos autos (alínea "c", parágrafo 4o. do art. 16 do Decreto n. 70.235/72, junta ao presente recurso cópias devidamente autenticada pela Justiça do Trabalho, extraídas da ação de reclamação trabalhista judicial, que demonstram a autenticidade dos documentos de fls. 23 "usque" 26, além de outros que apontam a origem dos mesmos. (...) Por outro lado, as verbas de natureza indenizatórias não constituem renda ou acréscimo patrimonial, mas apenas ressarcimento ou recomposição do patrimônio do indivíduo que deixou de usufruir de um direito, ou sofreu dano em razão de ato ilícito praticado por outrem. (art. 927 CC). Nesse diapasão as verbas trabalhistas descritas e recebidas pelo contribuinte se afiguram de natureza indenizatória e, portanto, estão isentas de tributação. Dado a validade dos cálculos apresentados, complementados pelos documentos ora anexados, devidamente autenticados pela Justiça do Trabalho que demonstram serem reprodução autentica dos já anexados ao presente processo pedimos vênia, para analisar a natureza indenizatória de cada verba, demonstrando que pela legislação tributária, estão isentas de tributação via imposto de renda. No que tange ao SALDO DE SALÁRIO e o 13°. SALÁRIO o imposto de renda foi devidamente retido na fonte, como já demonstrado. Quanto a verba recebida à titulo de AVISO PRÉVIO INDENIZADO, conforme prevê o art. 6°., inciso V, da Lei 7713/88, é isento de tributação. As FÉRIAS INDENIZADAS E 1/3 CONSTITUCIONAL são isentas de tributação conforme ar. 19, II, par. 4°., da Lei 10.522/02, arts. 43, II e 625 do Decreto 3000/99 e atos declaratórios. A INDENIZAÇÃO TRABALHISTA isenção prevista no art. 19, II e par. 4o. Da Lei 10.522/02, art. 43, II e 625 do Decreto n. 3000/99, atos declaratórios da PGFN atos declaratórios interpretativos da SRF. O FGTS e multa de 40% FGTS É isento do imposto sobre a renda o montante recebido pelo empregado, referente aos Fl. 241DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201003.273 S2C2T1 Fl. 241 6 depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, conforme previsto na Lei 7.713/88, art. 6°., inc. V; Decreto 3000/99 Regulamento do IR/99, art. 39, inciso XX, IN SRF n. 15/01, art. 5°., inc. V e VI, Parecer Normativo CST n. 179, de 1970, Parecer Normativo CST n. 995, de 1971. Portanto, uma vez que as verbas supra mencionadas, como visto, são expressamente excluídas de tributação, por sua natureza indenizatória, defeso é ao órgão da receita exigir seu pagamento, já que não enquadradas no art. 43 do CTN. Quanto aos JUROS DE MORA, estes possuem natureza indenizatória e conforme remansosa jurisprudência dos pretórios não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. No caso em concreto, considerandose que os juros de mora foram pagos no contexto de decisão judicial que assegurou ao contribuinte o recebimento de verbas trabalhistas indenizatórias, de rigor afirmarse a não tributação sobre eles incidente. (...) Juntou em anexo: Extrato de acompanhamento processual Processo 01237200604802000 (fls. 55 e 56); Cópia de parte de Ação Trabalhista Embargos de Terceiro, processo nº 01237200604802000 da 48a Vara do Trabalho de São Paulo – Capital. (fls.57 a 232). É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme se verifica nos autos, trata o presente litígio de lançamento relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, em razão de ação trabalhista, no valor de R$65.622,52. Também observo que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201003.273 S2C2T1 Fl. 242 7 Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). Processo: REsp 1118429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226 Relator: Ministro Herman Benjamin (1132) ÓRGÃO JULGADOR: S1 – PRIMEIRA SEÇÃO Data do julgamento: 24/03/2010 Data da Publicação/Fonte: DJe 14/05/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça: "A Seção, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido, Eliana Calmon, Luiz Fux, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, a Sra. Ministra Denise Arruda. Notas: Julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ. Tal entendimento é de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº Fl. 243DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201003.273 S2C2T1 Fl. 243 8 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por oportuno, esclareço que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeras recentes decisões, tem entendido que o recurso repetitivo se aplica, inclusive quando o rendimento acumulado é oriundo de ação trabalhista; conforme se verifica neste julgado: Data da Publicação12/02/2014 AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 465.580 SE (2014/00135374) RELATOR : MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : MARCOS ANTONIO MOURA SALES ADVOGADOS : WILLIAM DE OLIVEIRA CRUZ ANTÔNIO JOSÉ LIMA JÚNIOR DECISÃO Tratase de agravo interposto de decisão que não admitiu recurso especial manifestado pela FAZENDA NACIONAL, com base no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado (fl. 117e): TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. VERBA TRABALHISTA RECEBIDA JUDICIALMENTE DE FORMA ACUMULADA. INCIDÊNCIA EM CADA COMPETÊNCIA. O STJ pacificou o entendimento segundo o qual "(...) quando o pagamento dos benefícios previdenciários é feito de forma acumulada e com atraso, a incidência do Imposto de Renda deve ter como parâmetro o valor mensal do benefício, e não o montante integral creditado extemporaneamente, além de observar as tabelas e as alíquotas vigentes à época em que deveriam ter sido pagos. Precedente do STJ, em sede de recursos repetitivos (STJ. 1ª Seção. Rel. Min. Herman Benjamin. Resp 1118429. DJ, 14/05/10). Fl. 244DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201003.273 S2C2T1 Fl. 244 9 "Não se pode prejudicar o contribuinte que, em virtude do atraso do empregador, recebeu um valor acumulado, quando deveria ter percebido mensalmente os valores devidos. Destarte, as alíquotas a incidirem no tributo devem levar em conta as parcelas mensais que deveriam ser pagas, e não o valor cumulado." (TRF 5ª Região. 2ª Turma. APELREEX 15694. DJ, 31/03/11). Remessa oficial e apelação da Fazenda Nacional improvidas. Opostos embargos de declaração (fls. 121/122e), foram rejeitados (fls. 124/129e). Nas razões do especial, sustenta a agravante, em resumo, que "A aplicação da alíquota oriunda da tabela do imposto de renda na fonte sobre rendimentos recebidos cumulativamente em um mesmo mês não significa alteração de alíquota, muito menos por meio de artifício, mas da tributação pura e simples dos rendimentos efetivamente recebidos em determinado mês, aplicandose o princípio constitucional da progressividade para o imposto sobre a renda" (fl. 136e). Pugna pela reforma do julgado. Sem contra razões e inadmitido o recurso especial na origem (fls. 146/147e), fora interposto o presente agravo. Decido. Inicialmente, verifico que a parte recorrente não indicou, nas razões de seu recurso especial, qual dispositivo de lei teria sido violado pelo acórdão recorrido. Assim, nos termos da jurisprudência pacífica deste Tribunal, a indicação de violação genérica a lei federal, sem particularização precisa dos dispositivos violados, implica deficiência de fundamentação do recurso especial, atraindo a incidência da Súmula 284/STF. Neste sentido: AgRg no AG 586.236/RJ, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Sexta Turma, DJ 1º/7/05. Ainda que assim não fosse, quanto ao mérito, o recurso não merece acolhimento, uma vez que a pretensão recursal está em desconformidade com a jurisprudência desta Corte, formalizada, inclusive, sob a sistemática do julgamento dos recursos repetitivos. Sobre o tema. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo Fl. 245DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201003.273 S2C2T1 Fl. 245 10 segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (Resp 1.118.429/SP, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Primeira Seção DJe 14/5/10) TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA – BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO PAGO EM ATRASO REGIME DE COMPETÊNCIA – RESP 1.118.429/SP JULGADO SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC – REPERCUSSÃO GERAL SOBRESTAMENTO DO FEITO IMPOSSIBILIDADE RESERVA DE PLENÁRIO INAPLICABILIDADE. 1. Nos termos da jurisprudência da Primeira Seção desta Corte, a incidência do imposto de renda sobre o pagamento de benefício previdenciário pago a destempo e acumuladamente, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, considerandose a renda auferida mês a mês pelo segurado. (REsp 1.118.429/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/5/2010). 2. O reconhecimento de repercussão geral em recurso extraordinário não implica direito ao sobrestamento de recursos no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Precedentes. 3. "Decidida a questão jurídica sob o enfoque da legislação federal, sem qualquer juízo de incompatibilidade vertical com a Constituição Federal, é inaplicável a regra da reserva de plenário prevista no art. 97 da Carta Magna." (AgRg no REsp 1.313.077/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe 13/06/2013) 4. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no AREsp 269.125/RS, Rel. Min. SÉRGIO KUKINA, Primeira Turma, DJe 19/8/13) Incide, pois, o verbete sumular 83/STJ, aplicável, também, aos recursos interpostos pela alínea a do permissivo constitucional. Ante o exposto, conheço do agravo para negarlhe provimento. Intimemse. Brasília (DF), 10 de fevereiro de 2014. MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA Relator Ainda, no Resp 783.724/RS Recurso Especial 2005/01589590, Relator Ministro Castro Meira, data do julgamento em 15/08/2006, o Relator bem demonstra que a aplicação da interpretação que deve ser dada ao artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, em relação à forma de apurar o valor do tributo incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, não se distingue em relação ao motivo da demora no recebimento, sejam benefícios previdenciários, onde a fonte pagadora seria o INSS, ou verbas trabalhistas, com fonte Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201003.273 S2C2T1 Fl. 246 11 pagadora privada, citando, indiscriminadamente, como fundamento para decidir, uma e outra situação. Transcrevo do Voto: (...) O artigo 12 da Lei 7.713/88 dispõe que o imposto de renda é devido na competência em que ocorre o acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN), ou seja, quando o respectivo valor se tornar disponível para o contribuinte. Prevê o citado dispositivo: "Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização." O dispositivo citado não fixa a forma de cálculo, mas apenas o elemento temporal da incidência. Assim, no caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, como dispõe o art. 12 da Lei 7.713/88, mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos. Nesse sentido, há inúmeros precedentes de ambas as Turmas de Direito Público, como se observa das seguintes ementas(...) (sublinhei) Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201003.273 S2C2T1 Fl. 247 12 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10480.722277/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - PRESIDENTE
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente PRESERVE SEGURANCA E TRANSPORTE DE VALORES LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA PRESIDENTE Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1137.488 da 3ª Turma da DRJ/REC. Em 16 de junho de 2011, a a DRJ/REC julgou impugnação interposta pela recorrente, cuja ementa do Acórdão 1134.102 (fls. 6469) assim dispõe: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 22 27 7/ 20 09 -3 1 Fl. 6827DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.722277/200931 Resolução nº 1302000.413 S1C3T2 Fl. 6.828 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 31/12/2005, 31/03/2006, 31/12/2006, 30/09/2004, 31/12/2004, 30/06/2006, 30/09/2006 DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. Somente são dedutíveis, para fins fiscais, as despesas que atendam aos requisitos cumulativos da necessidade, normalidade e usualidade, em relação às atividades operacionais da pessoa jurídica. O conceito de necessidade deve ser corolário direto da relação havida entre os gastos (despesas) e a contribuição desses gastos para a geração da correspondente receita. FURTO. DEDUTIBILIDADE. LUCRO REAL. O prejuízo oriundo de desfalque, apropriação indébita ou furto somente será dedutível na apuração do imposto de renda da pessoa jurídica submetida à apuração pelo Lucro Real, quando houver inquérito instaurado, nos termos da legislação trabalhista, ou quando o fato for comunicado à autoridade policial (noticia criminis). Os prejuízos sofridos pela pessoa jurídica que foram objeto de indenização, inclusive por cobertura de seguro, não poderão ser deduzidos da apuração do lucro real. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO POSTERIOR À NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes de notificado o lançamento. DESPESAS. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de despesas constitui fundamento para lançamento de imposto quando resultar redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. O que decidido no imposto sobre a renda de pessoa jurídica, por basear se nos mesmos argumentos e provas da impugnação, alcança a tributação reflexa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/03/2006, 31/12/2006, 30/09/2004, 31/12/2004, 30/06/2006, 30/09/2006 PEDIDOS DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessários os pedidos de perícia e/ou diligência quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. PEDIDOS DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Os pedidos de diligência e perícia devem atender aos requisitos especificados no art. 16, IV, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1134.102 em 15/07/2011 (AR a fls. 6487), interpôs, em 11/08/2011, recurso voluntário (doc. a fls. 6489 e segs.). Fl. 6828DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.722277/200931 Resolução nº 1302000.413 S1C3T2 Fl. 6.829 3 Em 15/03/2012, esta Turma decidiu, por meio do Acórdão nº 921.045 (fls. 6552), anular a decisão de 1ª instância, porque ela não se manifestou sobre desitência manifestada pelo contribuinte nos autos. Em 10 de julho de 2012, a DRJ/REC proferiu nova decisão, por meio do Acórdão nº 1137.488 (fls. 6588), o qual tem o mesmo teor do Acórdão anulado, sendo apenas acrescentadas as considerações daquela DRJ sobre o pedido de desistência da impugnação pela recorrente, nos seguintes termos: “9. Acerca da anulação do acórdão proferido por esta DRJ, que acarretou o retorno dos autos a esta instância administrativa para novo julgamento, cumpre tecer as seguintes considerações: o pedido de desistência da impugnação não foi explicitamente apreciado porque, como é manifesto, tornouse sem efeito pela apresentação posterior, no intervalo de pouco mais de uma semana, do pedido de desconsideração da desistência. Eis o motivo pelo qual tais fatos apenas integraram o corpo do relatório, não o voto então proposto. 10. Outrossim, cumpre ressaltar que, caso se atribuísse ao pedido de desistência a qualidade de ato definitivo, sequer os autos deveriam ter sido enviados a esta instância julgadora, porque litígio não mais haveria. Ademais, é absolutamente incompossível considerar precluso, por incompatibilidade consumativa, o direito de a impugnante apresentar um novo pedido, este destinado à desconsideração do pleito anteriormente realizado poucos dias antes. Afinal, no processo administrativo, afigurase de todo aplicável o princípio do formalismo moderado, segundo o qual os atos e as formas processuais não reclamam formalidades especiais, senão as necessárias à promoção da igualdade e da segurança jurídica. Diverso, pensamos, seria o caso em que o primeiro pedido de desistência já houvesse surtido efeitos, vale dizer, já tivesse sido expressamente reconhecido pela autoridade a quo e iniciada a cobrança administrativa. Não é esse, contudo, o caso aqui versado. 11. De todo modo, em face da anulação decretada pelo CARF, não resta outra alternativa senão a de conhecer do pedido de desistência da impugnação, mas, considerando válida a posterior apresentação do pedido de desistência, apreciar a impugnação. 12. Isto posto, passamos a reproduzir, porque também adotados aqui como razão de decidir, os mesmos fundamentos já delineados na decisão então proferida pela 3ª Turma desta DRJ. In verbis:...” A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1137.488 em 27/07/2012 (AR a fls. 6619), interpôs, em 21/08/2012, recurso voluntário (doc. a fls. 6621 e segs.), no qual alega as seguintes razões: a) Quanto à glosa de compensação de prejuízos: Fl. 6829DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.722277/200931 Resolução nº 1302000.413 S1C3T2 Fl. 6.830 4 a.1) que a decisão recorrida deve ser reformada para que seja restabelecida a glosa dos prejuízos fiscais compensados pela recorrente nos períodos de apuração 12/2005, 03/2006 e 12/2006; a.2) que a falta de apresentação de DIPJ retificadora nos AC 2003 e 2004, bem como a não contabilização das despesas que originaram os prejuízos fiscais compensados em seus livros contábeis, não podem afastar a materialidade dos prejuzos fiscais sob análise; a.3) que, em 2005, a recorrente constatou que nas competências de 2002, 2003, 2004, diversas despesas incorridas nesses períodos não haviam sido computadas em seu resultado, assim, objetivando regularizar suas demonstração financeiras e apurações fiscias, a contribuinte realizou Ajsute Contábil no ano de 2005 por meio de lançamentos a débito na conta de Prejuízos e Lucros Acumulados (ajustes de exercícios anteriores), procedimento em total consonância com o art. 186, § 1º, da Lei das S/A; a.4) que, após os referidos ajustes, a recorrente realizou as respectivas exclusões no LALUR, ou seja, não apresentou DIPJ retificadora, situação que gerou a discrepância entre o saldo do SAPLI/DIPJ e o prejuízo compensado pela recorrente (exitente apenas no Lalur; a.5) que somente apresentou declaração recitiicadora para o ano de 2002; a.6) que foi respeitada a trava na compensação de prejuízo fiscal nos PA 1/2005, 03/2006; e 12/2006; a.7) que a recorrente de fato não observou a formalidade de retificar as DIPJ de 2003 e 2004, pois o caso as tivesse realizado não existiria o presente AI, mas que isso não pode afastar a efetiva existência dos prejuízos imputados naquelas competências após a apropriação das despesas ali incorridas, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material; a.8) que não pode ser aplicada ao presente caso a premissa considerada pela decisão recorrida segundo a qual a recorrente pretendeu promover a retificação de suas DIPJ’s após o início do procedimento de fiscalização; a.9) que a decisão tomoa por base o fundamento de que, ao realizar as compensações indevidas dos prejuízos fiscais nos períodos em apreço, a recorrente pretendeu retificar suas DIPJ’s e aumentar o seu estoque de prejuízos disponível para os períodos seguintes, aplicando, então, o mencionado art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional (CTN); a.10) que o lançamento de ofício combatido no presente caso decorre precisamente da suposta compensação indevida de prejuízos fiscais nos períodos de apuração 12/2005, 03/2006 e 12/2006, após a constatação pela recorrente da existência de diversas despesas incorridas nos anos de 2003 e 2004 contabilizadas tãosomente no Lalur, ou seja, sem apresentação de DIPJ’s retificadoras; a.11) que o citado art. 147, §1º, do CTN não pode ser aplicado no presente caso, tendo em vista que em nenhum momento a recorrente buscou retificar suas declarações após o início do procedimento de fiscalização; a.12) que no que tange à dedutibilidade das despesas excluídas do Lalur, essas inequivocadamente poderiam ter reduzido o lucro real apurado, pois correspondem a Fl. 6830DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.722277/200931 Resolução nº 1302000.413 S1C3T2 Fl. 6.831 5 despesas com: juros de contratos de financiamento bancário; despesas com sinistro; despesas com seguro; despesas com FGTS, INSS e ISS – ajuste de provisão; despesas com aluguel; despesas com taxi aéreo para transporte de valores, as quais estão em consonância com o art. 299 do RIR, portanto, são devidamente dedutíveis; a.13) que essas despesas com taxi aéreo decorrem de previsão contratual expressa do Banco do Brasil para transport de parte de suas quantias, ou seja, é despesa inerente à prestação de serviços relaizada, o que restou devidamente demonstrado através da documentação juntada pela recorrente em sua impugnação; b) Quanto à dedutibilidade da despesa “Diferença de Tesouraria”: b.1) que também deve ser reformada a decisão para que sejam consideradas como dedutíveis as despesas contabilizadas na conta “Diferença de Tesouraria”, cujo montante foi corretamente contabilizado no resultado em 09/2004, 12/2004, 12/2005, 03/2006, 06/2006 e 09/2006; b.2) que, nesse item, o lançamento teve por motivação: o suposto não preenchimento dos requisitos de demonstração da normalidade, ususalidade e necessidade das despesas, bem como a suposta não observância do art. 364, do Decreto nº 3.000/99 para a dedução de despesas por furto ou desfalque; b.3) que a autoridade fiscal, ao glosar as despesas alocadas na conta em questão, partiu da premissa que todas as despesas decorriam exclusivamente de furtos ou desfalques, e por tal razão, para que fossem dedutíveis, deviam observar o art. 364 do RIR/99, mas a maior parte das despesas ali alocadas não é oriunda de furtos ou desfalques; b.4) que as máquinas ATM possuem ceraca de 3 cassetes A, B, C (gavetas), onde são colocadas as édulas, sendo um cassete para cada tipo de cédula, ou seja, o cassete A comporta cédula, sendo que nos saques efetuadas, o sistema operacional da máquina verifica o valor solicitado e determina a quantidade de cada tipo de dédula a ser dispensada, perfazendo o montante solicitado pelo usuário; b.5) que podem ocorrer diferenças nestas operações em razão de erro na colocação do tipo de cédula no cassete, seja na troca do cassete ou no abastecimento a granel; por infidelidade de funcionários, por subtração de terceiros sem vestígios de arrombamento, por erro do sistema operacional da máquina, por pagamento a maior ou a menor ao usuário devido a problemas no dispensador de cédulas; b.6) que a recorrente realiza depósitos de expressivos valores (centena de milhões) das diversas instituições financeiras/clientes no Bacen ou Banco do Brasil, sendo que, considerando que a recorrente é custodiante/fiel depositária dos valores das instituições financeiras depositantes, sendo, ainda, responsável pela contagem e preparação dos depósitos junto ao Bacen, toda e qualquer diferença apontada pelo Banco Central e/ou Banco do Brasil aos clientes da recorrente, são de sua responsabilidade, ou seja, da recorrente; b.7) que, muitas das vezes, o Banco solicita imagens de grande número de ocorrências cuja preparação é impraticável, situação que gera a assunção do ônus pela recorrente da parte das diferenças não apresentadas na filmagem; Fl. 6831DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.722277/200931 Resolução nº 1302000.413 S1C3T2 Fl. 6.832 6 b.8) que a maior parte das diferenças assumidas como ônus da operação da recorrente decorre de erro de apuração dos valores ou desatenção dos seus funcionários, sendo que erro não é furto e que tais valores não podem ser exigidos dos funcionários por questões ligadas aos seus direitos trabalhistas; b.9) que tais despesas são inerentes à atividade da recorrente, tendo em vista que são oriundas do adimplemento de suas obrigações contratuais, que compreendem a assunção do ônus financeiro advindo da prestação dos serviços contratados; b.10) que a recorrente comprovou, nos autos que as diferenças de numerários apuradas por seus clientes, em virtude de suas operações de custódia, abastecimento e tesouraria, foram incorridas e suportadas através dos comprovantes de pagamento das diferenças emitidos aos bancos: Banco do Brasil, Caixa Econômica, Banco Bandepe, Banco Real, Unibanco, Itaú, Bradesco e HSBC; b.11) que as despesas podem, por força do art. 299, § 1º, do RIR/99, ser deduzidas sempre que forem necessárias à realização da atividade empresarial, devendo ser usuais e normais ao tipo de atividade empresarial envolvida; b.12) que, quanto à suposta nãoobservância do art. 364 do RIR/99, para a dedução dessas despesas, destaquese que os lançamentos efetuados na conta de despesa glosada pela autoridade fiscal correspondem a acúmulos de diversas diferenças encontradas em alguns períodos, ou seja, inúmeras diferenças de pequenas quantias, decorrentes do manuseio de mais de 5,5 bilhões de cédulas nos diversos serviços realizados pela recorrente somente no ano de 2006; c) Quanto a exclusão de despesas do Lalur em 2005: c.1) que a decisão recorrida deve ser reformada no que tange à exlcusão do montante das despesas incorridas em 2002, 2003 e 2004 na apuração do lucro líquido do ano calendário de 2005; c.2) que a exclusão realizada pela recorrente não gerou nenhum prejuízo para o Fisco em face da incidência/recolhimento do IRPJ e CSLL nos exercícios anteriores, não podendo ser aplicado o princípio da competência como fundamento da glosa indevidamente realizada; c.3) que, em 2005, a recorrente constatou que não havia considerado diversas despesas relativas às competências de 2002, 2003 e 2004; c.4) que após a realização do acima aludido ajuste contábil, a recorrente realizaou as exlusões do Lalur nos anos de 2002, 2003 e 2004, apurando prejuízos, ao invés de lucros – então tributados; c.5) que as despesas que amortizavam os lucros equivocadamente apurados em 2002, 2003 e 2004 poderiam ser deduzidas integralmente no ano de 2005, eis que considerando que essas despesas haviam zerado os lucros anteriormente tributados, não havia qualquer efeito de postergação de receita ou prejuízo à Fazenda Nacional; Fl. 6832DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.722277/200931 Resolução nº 1302000.413 S1C3T2 Fl. 6.833 7 c.6) que o art. 34 da IN SRF 11/96 disciplina que a exclusão referente a ajuste de exercício anterior não poderá ser realizada caso acarrete um efeito diverso daquele que seria obtido, se realizadoà época correta; c.7) que as despesas excluídas do Lalur em 2005 correspondiam às despesas que haviam zerado os lucros equivocadamente apurados em 2002, 2003 e 2004, bem como que esses lucros (que não consideravam as despesas aqui comprovadas) foram tributados pelo IRPJ e CSLL, a exclusão dessas despesas em 2005 não gerou qualquer efeito prejudicial ao Fisco; c.8) que a situação se encaixa perfeitamente ao previsto no parágrafo 6.1 do Parecer CST 57/79: 6.1. Ante isso, e tomando por referência o períodobase competente há que se constatar que o registro antecipado de receita, rendimento ou reconhecimento de lucro ou a contabilização posterior de custo ou dedução não ocacionam, via de regra, prejuízo para o Fisco, quando então tais eventos não autorizam efetivação do lançamento. Configuram meras inexatidões contábeis, sem efeitos tributários.” c.9) que a apropriação dessas despesas em 2005 não precisava respeitar a trava dos 30% de prejuizos acumulados que gerariam em 2002, 2003 e 2004, eis que sobre esses despesas, na verdade, incidiu tributação naquelas competências; c.10) que os efeitos da exclusão do Lalur em 2005 (das despesas equivalentes aos lucros indicados na DIPJ de 2002, 2003 e 2004)são idênticos ao da compensação do IRPJ e CSLL apurados em 2005 (sem a exclusão) com o saldo negativo de IRPJ e base de cálculo negativa de CSLL que seriam gerados se a recorrente houvesse retificado suas DIPJ de 2002, 2003 e 2004 para incluir tais despesas (comprovadas nesses autos); d) que, por todo o exposto, requer o cancelamento do auto de infração em questão. Estes autos vieram a julgamento nesta 2ª Turma Ordinária em 5 março de 2015, sendo decidido, por maioria de votos não conhecer do recurso, pelas seguintes razões expostas no voto condutor do Acórdão 1302001.666 (doc. a fls. 6771), in verbis: “O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 6525, razão pela qual dele conheço. Preliminarmente, deve este Colegiado decidir sobre os efeitos do pedido de desistência a fls. 6.398 e do, posterior, pedido de reconsideração a fls. 6416. Vale, inicialmente, a transcrição do pedido de desistência, in verbis: “REF. PROC. ADM. Nº....10480.722277/200931 Preserve Seguraça e Transporte de Valores Ltda., já devidamente qualificada nos autos do Prtocesso Administrativo acima mencionado, através do seu representante que o presente subscreve (DOC. 1), com base no disposto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009, vem, à honrada presença de V. Sª, requerer na forma que se segue: Fl. 6833DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.722277/200931 Resolução nº 1302000.413 S1C3T2 Fl. 6.834 8 Tendo em vista o deferimento da adesão ao parcelamento da ora Requerente instituído pela lei nº 11.941/09 (DOC. 02), requer, expressamente, a desistência da Impugnação apresentada em face do lançamento de ofício que originou o processo administrativo sob análise. Pugna, ao final, pela extinção e consequente arquivamento do processo administrativo em referência.” Já, no pedido de reconsideração a fls. 6416, assim se manifestou a recorrente: “REF. PROC. ADM. Nº....10480.722277/200931 ............................................................................................................ A Requerente, em virtude do deferimento da adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, requereu, por equívoco, a desistência (tombada sob o nº 19647.015382/200945) da Impugnação apresentada em 27/11/2009 (tomabda sob o nº 19647.014177/200962). Ocorre que não é de interesse da Requerente a inclusão do débito objeto do presente auto no referido parcelamento, e, para que não se concretize tal inclusão, nos ditames da supracitada Lei, formula o presente requerimento. Ante o exposto, requer a desconsideração da petição supra informada (Doc. 02), a fim de que não venha produzir seus efeitos legais dando regular andamento ao processo. Requer ainda que sejam acolhidos todos os termos da Impugnação apresentada em 27/11/2009, com o fito de ver desconstituído o crédito oriundo do Auto de Infração guerreado naquela oportunidade.” Conforme já relatado, a DRJ/REC considerou válido esse pedido de reconsideração. Ocorre, porém, que o pedido de desistência, conforme acima transcrito, foi feito com base com base no disposto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009 (expedida com base na competência regulamentar conferida pelos arts. 1º a 13 da Lei 11.941/09), o qual assim dispõe: “Art. 13. Para aproveitar das condições de que trata esta Portaria em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, no prazo de até 30 (trinta) dias após a ciência do deferimento do requerimento de adesão ao parcelamento ou da data do pagamento à vista. .................................................................................................................. § 3º A desistência de impugnação ou recurso administrativos deverá ser efetuada mediante petição dirigida ao Delegado da Receita Federal de Julgamento ou ao Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme o caso, devidamente protocolada na unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo, no prazo previsto no caput, na forma do Anexo I. ................................................................................................................”. Fl. 6834DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.722277/200931 Resolução nº 1302000.413 S1C3T2 Fl. 6.835 9 Assim, entendo que equivocouse a DRJ/REC, pois a desistência formulada, nos termos do art. 13 acima, foi em caráter irrevogável, razão pela qual é inócuo o pedido de reconsideração apresentado posteriormente. Logo, tendo a recorrente desistido de sua impugnação, não poderia a DRJ, dela, conhecer. Ademais, ainda que assim não previsse o art. 13 retro citado, com a desistência da impugnação, operouse a preclusão consumativa, ou seja, precluso o direito de a recorrente renovar o seu pedido de acolhimento da impugnação. Em face do exposto, voto no sentido de declarar nulo o Acórdão nº 11 37.488 (fls. 6588) e determinar a remessa dos autos à DRF/Recife, para as providências de sua alçada.”. O recorrente tomou ciência do Acórdão em 02/06/2015 (AR a fls. 6784), sendo que, em 12/08/2015, solicitou a juntada da petição a fls. 6802, na qual requer ao Delegado da Receita Federal em Recife o retorno dos autos ao CARF, para prosseguimento do julgamento, em razão da decisão judicial, liminar nos autos do Mandado de Segurança nº 100492869.2015.4.01.3400, cuja cópia da decisão foi juntada a fls. 6805/6806. É o relatório. Antes de adentrar no julgamento do recurso voluntário, cabe ressaltar que a cópia da decisão judicial foi juntada pela recorrente, o que não seria problema, já que a DRF/Recife a aceitou, tanto que remeteu os autos para este Colegiado. Ocorre, porém, que em consulta na página da Justiça Federal – 1ª Região (portal.trf1.jus.br), tanto na Seção Judiciária do DF como no TRF1, não se encontra qualquer mandado de segurança da recorrente, com o referido objeto. Vejamos, quais os resultados que se obtém, quando se faz a consulta pelo nome da parte: a) na Justiça Federal do DF: “Consulta Processual Partes encontradas Nome da parte PRESERVE SEGURANCA E TRANSPORTE DE VALORES LTDA (2) Número novo Número antigo Classe Descrição da Classe 3795495.2003.4.01.3400 (2003.34.00.0379948) 120 MANDADO DE SEGURANÇA 3808825.2003.4.01.3400 (2003.34.00.0381293) 7 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO PRESERVE SEGURANCA E TRANSPORTE DE VALORES LTDA (2) Número novo Número antigo Classe Descrição da Classe 2225190.2004.4.01.3400 (2004.34.00.0223090) 261 CARTA PRECATÓRIA 4798618.2010.4.01.3400 120 MANDADO DE SEGURANÇA” Processo: 2003.34.00.0379948 Nova Numeração: 003795495.2003.4.01.3400 Classe: 120 MANDADO DE SEGURANÇA Vara: 21ª VARA FEDERAL Fl. 6835DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.722277/200931 Resolução nº 1302000.413 S1C3T2 Fl. 6.836 10 Juíza: MARIANNE BEZERRA SATHLER BORRÉ Data de Autuação: 06/11/2003 Distribuição: 2 DISTRIBUICAO AUTOMATICA 06/11/2003 Nº de volumes: 1 Assunto da Petição: 10386 MODALIDADE LIMITE DISPENSA INEXIGIBILIDADE Processo: 2003.34.00.0381293 Nova Numeração: 003808825.2003.4.01.3400 Classe: 7 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Vara: 5ª VARA FEDERAL Juíza: DIANA MARIA WANDERLEI DA SILVA Data de Autuação: 07/11/2003 Distribuição: 2 DISTRIBUICAO AUTOMATICA 07/11/2003 Nº de volumes: 3 Assunto da Petição: 10386 MODALIDADE LIMITE DISPENSA INEXIGIBILIDADE Processo: 2004.34.00.0223090 Nova Numeração: 002225190.2004.4.01.3400 Classe: 261 CARTA PRECATÓRIA CÍVEL Vara: 21ª VARA FEDERAL Juíza: MARIANNE BEZERRA SATHLER BORRÉ Data de Autuação: 13/07/2004 Distribuição: 2 DISTRIBUICAO AUTOMATICA 14/07/2004 Nº de volumes: Assunto da Petição: 999 OUTROS Processo Originário: 2002830060078 Processo: 004798618.2010.4.01.3400 Classe: 120 MANDADO DE SEGURANÇA Vara: 9ª VARA FEDERAL Juíza: LIVIANE KELLY SOARES VASCONCELOS Data de Autuação: 13/10/2010 Distribuição: 2 DISTRIBUICAO AUTOMATICA 13/10/2010 Nº de volumes: Assunto da Petição: 10386 MODALIDADE LIMITE DISPENSA INEXIGIBILIDADE Observação: PREGÃO ELETRÔNICO Nº 712010 SUSPENDER OS EFEITOS DO ATO QUE INABILITOU A PRESERVE SEGURANÇA E TRANSPORTE DE VALORES LTDA b) no TRF1: Consulta Processual Partes encontradas Nome da parte PRESERVE SEGURANCA E TRANSPORTE DE VALORES LTDA (1) Número do Processo Processo Originário (AI)007370517.2010.4.01.0000 004798618.2010.4.01.3400/DF Processo: 007370517.2010.4.01.0000 Nova Numeração: 007370517.2010.4.01.0000 Grupo: AI AGRAVO DE INSTRUMENTO Assunto: 10386 MODALIDADE / LIMITE / DISPENSA / INEXIGIBILIDADE Data de Autuação: 13/12/2010 Fl. 6836DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.722277/200931 Resolução nº 1302000.413 S1C3T2 Fl. 6.837 11 Órgão Julgador: SEXTA TURMA Juiz Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL JIRAIR ARAM MEGUERIAN Processo Originário: 004798618.2010.4.01.3400/JFDF Todas as pesquisas acima foram feitas em 22/02/2016 e como se vê das respostas acima, não foi localizado o mandado de segurança em tela. Além de não ter sido localizado o referido mandado de segurança na página do TRF1 na Internet, fazse necessário saber se a liminar não foi cassada posteriormente. Asssim, voto por converte o julgamento em diligência, para que a DRF Recife faça juntar aos autos a Certidão de Objeto e Pé do Mandado de Segurança nº 1004928 69.2015.4.01.3400, como também, para informar se a limitar foi cassada. Antes de retornar os autos para este Colegiado, que seja dada ciência dos documentos juntados à recorrente, inclusive de eventual relatório de diligência que se faça necessário, concedendolhe prazo para se manifestar nos autos. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 6837DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 13878.720045/2013-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO.
Súmula CARF 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972.
RENDIMENTO DE ALUGUÉIS DE BENS PRÓPRIOS. REGIME DE SEPARAÇÃO DE BENS. Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios.
Numero da decisão: 2301-004.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões envolvendo o controle repressivo de constitucionalidade, rejeitar as preliminares, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 25/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fábio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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Súmula CARF 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. NULIDADE. INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. RENDIMENTO DE ALUGUÉIS DE BENS PRÓPRIOS. REGIME DE SEPARAÇÃO DE BENS. Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões envolvendo o controle repressivo de constitucionalidade, rejeitar as preliminares, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fábio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 8. 72 00 45 /2 01 3- 50 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0248.605, exarado pela 7ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (fls. 65 a 70 – numeração dos autos eletrônicos). A notificação de lançamento (fls. 44 a 50) é referente imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito à omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica, correspondentes ao anocalendário 2010, no valor de R$69.408,08, proveniente da fonte pagadora Fundação Arquivo e Memória de Santos, CNPJ nº 01.446.932/000125, sendo exigido crédito tributário de R$10.268,27, dos quais R$5.324,77 correspondem a imposto, R$3.993,57 à multa proporcional e R$949,93 a juros de mora. A descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 48) refere: Da analise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos de aluguéis ou Royalties recebidos de Pessoa Jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ ********69.408,08, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$* 12.215,76 1 REFERENTE ao rendimento recebido do CNPJ 01.446.932/000125,.conforme certidão de conversão em casamento apresentada, o regime adotado é da SEPARAÇÃO DE BENS, e portanto, conforme também a escritura apresentada, o bem não é comum, devendo o rendimento de aluguel ser declarado pelo contribuinte. São citados como enquadramento legal os arts. 1º a 3º e §§ da Lei 7.713, de 1988; arts. 1º a 3º da Lei 8.134, de 1990; arts. 1º e 15 da Lei 10.451, de 2002; arta. 49 a 53 do Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99). Consta do relatório do acórdão recorrido: A Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL foi deferida parcialmente em 11/03/2013, fls. 46. Cientificado da notificação em 21/03/2013, fls. 51, o contribuinte apresentou impugnação em 16/04/2013, fls. 2 a 6, contestando o lançamento. Alega, preliminarmente, que a presente autuação é nula, pois na fundamentação do ato administrativo, o agente do fisco não citou o diploma legal em que se baseia a exigência, não sendo suficiente aquele dispositivo legal constante do rodapé contido no documento denominado Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, pois, no presente caso, o que se discute é quem pode e quem deve declarar rendimento proveniente de aluguéis. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13878.720045/201350 Acórdão n.º 2301004.651 S2C3T1 Fl. 99 3 Sustenta, no mérito, que os rendimentos referemse a receita de aluguel produzida por bem comum e foram oferecidos à tributação na declaração do cônjuge. Pontua que o casamento foi convertido de união estável, anteriormente registrada, cujo regime é o da comunhão de bens, e nessa data a escritura já havia sido lavrada, sendo que o direito que se discute já estava constituído, pertencendo a ambos. Argumenta que o regime de separação de bens não implica a separação de rendas. Esclarece, com base no enunciado 261 da CEJ, que a obrigatoriedade do regime da separação de bens não se aplica a pessoa maior de sessenta anos quando o casamento for precedido de união estável iniciada antes dessa idade, situação esta que abrange o requerente e sua esposa, conforme prova a certidão de união estável em anexo. Defende que o agente do fisco não leu com atenção a escritura de propriedade, pois o bem não pertence a nenhum dos cônjuges, mas sim aos filhos, cabendolhe apenas o usufruto. Entende, amparandose no artigo 1393 do Código Civil, que nada obsta que um cônjuge ceda ao outro o exercício do usufruto, como é o caso em análise. Alega que a interpretação do fisco configura autêntico confisco, em desobediência ao previsto na Constituição. Assinala que, em situação similar à debatida neste lançamento, a Receita Federal do Brasil deferiu o pedido do contribuinte no exercício 2009 por meio da análise da SRL 2009/20000011306, bem como pelo julgado contido no Acórdão 1641.360 referente ao exercício 2005. Por fim, entende que acaso fosse confirmada a presente exação, os cálculos estariam incorretos, pois a inclusão desses rendimentos na declaração do requerente levaria à exclusão dos mesmos na declaração de sua esposa, além do fato de que teria direito à dedução com dependente e despesas médicas relativas ao cônjuge, totalizando R$13.069,00, o que reduziria o imposto em R$3.593,97, uma vez que ela não possui outros rendimentos. Instruiu a impugnação com os documentos de fls. 7 a 42. A DRJ julgou a impugnação improcedente em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 NULIDADE. INDEFERIMENTO. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Indeferese o pleito de nulidade quando se constata que o lançamento fiscal observou todos os requisitos exigidos pela legislação. RENDIMENTOS DE ALUGUEL. USUFRUTUÁRIO. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos de aluguel são tributáveis em nome do usufrutuário. INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO. Em sede administrativa, não há respaldo para discussão sobre inconstitucionalidade. A ciência dessa decisão ocorreu em 18/10/2013 (aviso de recebimento EBCT, fl. 74). Em 14/11/2013, foi apresentado recurso voluntário, sendo reiterados os argumentos apresentados por ocasião da impugnação, e ainda: 1. ter seguido os termos do art. 6º, parágrafo único e 7º, § 2º, do RIR 99; 2. que o julgador do acórdão recorrido se equivoca ao dizer que o contribuinte sustenta ser o bem (que gerou o recebimento de aluguéis) comum (ao casal); afirma que o que se discute é quem deve e quem pode declarar o rendimento em questão; assevera, após fazer digressões sobre a competência tributária, que a afirmação do julgador no acórdão recorrido é “nula, portanto, por inexistente”; 3. ser irrelevante a determinação da propriedade do imóvel do qual se originaram os aluguéis, uma vez que a Receita Federal arrecada e fiscaliza receitas e não propriedades ou quaisquer outros direitos reais; 4. haver nulidade relacionada com o conteúdo do processo administrativo como um todo, e sua obrigatória vinculação à lei; os rendimentos de aluguéis não podem ser incluídos em sua declaração, como pretende o presente processo, que é nulo. 5. em relação à expressão “a respeito de terceiros”, constante no art. 221 do Código Civil Brasileiro, não é terceiro nem a sua esposa, nem o Fisco , o qual é seu sócio; ainda em relação a este artigo, refere que sua certidão de casamento é prova riquíssima de caráter legal; 6. não reconhecer a inconstitucionalidade do confisco é desconhecer o princípio da hierarquia das leis; o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972 é norma de direito internacional público, e não de direito administrativo, sendo um sofisma pretender aplicálo ao processo administrativo fiscal; não se pode afastar o art. 3º da Lei de introdução às Normas do Direito Brasileiro: “Ninguém se escusa de cumprir a lei alegando que não a conhece”; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13878.720045/201350 Acórdão n.º 2301004.651 S2C3T1 Fl. 100 5 7. afirma que o julgador desconhece os incisos I a IX do art. 149 do CTN e que a decisão do acórdão DRJ 1641360 e na SRL 2009/200000011306 se aplicam ao caso concreto; 8. afirma que a se sua esposa não pode ser incluída como dependente, porque elaborou declaração de rendimentos em separado, então tais rendimentos não podem ser incluídos em sua declaração, como pretende o presente processo, que é nulo. O recorrente não formula pedidos. O processo foi distribuído para este relator em 09/12/2015 (fl. 97). É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA INCONSTITUCIONALIDADE É alegada a existência de vícios de inconstitucionalidade, consistente em confisco, concretizado pela presente autuação, sendo que não reconhecer a inconstitucionalidade do confisco é desconhecer o princípio da hierarquia das leis; o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972 é norma de direito internacional público, e não de direito administrativo, sendo um sofisma pretender aplicálo ao processo administrativo fiscal; não se pode afastar o art. 3º da Lei de introdução às Normas do Direito Brasileiro: “Ninguém se escusa de cumprir a lei alegando que não a conhece”; Não assiste razão ao contribuinte. No que tange às alegações de inconstitucionalidade, cumpre esclarecer que tanto o Decreto 70.235, de 1972, em seu artigo 26A, quanto a própria jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), plasmada em sua Súmula 02, são claros ao impedirem o controle repressivo de constitucionalidade por parte deste do CARF (com a ressalva das exceções a seguir descritas): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Decreto 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Fl. 102DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 § 6 O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Desse modo, neste voto não serão apreciadas as alegações de vícios de inconstitucionalidade. Como esclarecimento ao contribuinte, informo que o Decreto nº 70.235, de 1972 regulamenta o processo administrativo fiscal, e não é norma de direito internacional, público ou privado. DA NULIDADE DA AÇÃO FISCAL De acordo com o recorrente, haveria nulidade da ação fiscal, relacionada com o conteúdo do processo administrativo como um todo e sua obrigatória vinculação à lei; os rendimentos de aluguéis não podem ser incluídos em sua declaração, como pretende o presente processo, que é nulo; a afirmação do julgador no acórdão recorrido ao dizer que o contribuinte sustenta ser o bem (que gerou o recebimento de aluguéis) comum (ao casal) é “nula, portanto, por inexistente”. Não lhe assiste razão. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13878.720045/201350 Acórdão n.º 2301004.651 S2C3T1 Fl. 101 7 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nesse sentido, a jurisprudência consolidada desde os tempos do 1o Conselho de Contribuintes: PRELIMINAR DE NULIDADE – Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal, não se pode admitir pedido de nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa. (1º CC – Ac. 10193.381 – 1ª C. – Rel. Kazuki Shiobara – DOU 29.06.2001 – p. 103) NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade do processo administrativo estão elencadas no art. 59, incs. I e II do Decreto nº 70.235/72. (1º CC – Ac. 10319.982 – 3ª C. – Rel. Neicyr de Almeida – DOU 22.06.1999 – p. 6) NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO – As causas de nulidade no processo administrativo fiscal estão elencadas no art. 59, incisos I e II, do Decreto n.° 70.235/72. Não pode ser inquinado de nulo o lançamento efetuado em acordo com as disposições legais de regência. (1º CC – Ac. 10512.292 – 5ªC – DOU 05.05.1998 – p. 14) NULIDADE DO PROCESSO FISCAL – O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal). (1º CC – Ac. 10609.632 – 6ª C – Rel. Adonias dos Reis Santiago – DOU 17.12.1998) NULIDADE – Não é nulo o Auto de Infração que contém todos os elementos necessários à compreensão inequívoca pelo contribuinte das exigências e dos fatos que o motivaram. Somente serão nulos os atos e termos processuais se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa Fl. 104DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 (Art. 59 do Decreto nº 70.235/72). (1º CC – Proc. 10245.000092/9912 – Rec. 133570 – (Ac. 10707028) – 2ª C. – Rel. Natanael Martins – DOU 07.07.2003 – p. 31) PAF – NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade no processo administrativo estão elencadas no art. 59, incisos I e II do Decreto nº 70.235/72 (Ac. 10806.897) – 3ª C. – Relª Marcia Maria Loria Meira – DOU 07.06.2002 – p. 47) NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. (processo 11075.900013/200899, Acórdão 1801001.499, Relator(a) Carmen Ferreira Saraiva) Mais recentemente, tal jurisprudência vem sendo confirmada pelas Turmas que integram a 2ª Seção do CARF: NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. (processo: 11634.000552/200681, Acórdão: 2202002.892, relator: Antonio Lopo Martinez) Preliminar. Nulidade. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. (processo: 10680.015093/200531, Acórdão: 280100.790, redatoradesignada Amarylles Reinaldi e Henriques Resende) Não estão apontadas quaisquer atos ou termos lavrados por pessoa incompetente ou despacho ou decisão proferidos por autoridade incompetente (art. 59, I), nem despachos ou decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59, II). Logo, não há nulidade do auto de infração. O enquadramento legal, diferentemente do que sustenta o recorrente, está citado na notificação de lançamento (fl. 48), a qual traz, também, a motivação ao lançamento, já citada no relatório. A questão de saber se os rendimentos devem ou não ser tributados pelo impugnante é questão de mérito, e como tal será abordada. QUESTÕES DE MÉRITO No mérito, também não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. São fatos incontroversos que o recorrente é detentor do usufruto do imóvel objeto dos aluguéis (ver escritura de compra e venda às fls. 11 a 14) e que é casado em regime de separação de bens (fl. 07). Ora, diferentemente do que pretende o recorrente, o regime de separação de bens implica em separação de todo o patrimônio, e não apenas das coisas, móveis, Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13878.720045/201350 Acórdão n.º 2301004.651 S2C3T1 Fl. 102 9 semoventes e imóveis. Assim, as receitas relativas ao aluguel do imóvel não se comunicam com o patrimônio de sua esposa, devendo ser tributadas integralmente pelo recorrente. Assim, diferentemente do que pensa, o recorrente não obedeceu aos ditames dos arts. 6º e 7º do RIR 99, que determinam, no caso de bens próprios, a tributação exclusiva por cada cônjuge: Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, § 5º): I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. Declaração em Separado Art. 7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. § 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 2º Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior, o imposto pago ou retido na fonte será compensado na declaração, em sua totalidade, pelo cônjuge que declarar os rendimentos, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 3º Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um dos cônjuges, se ambos estiverem obrigados à apresentação da declaração, ou, obrigatoriamente, pelo cônjuge que estiver apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado de apresentála. (Grifouse.) Esclareço que “bens comuns” não se opõem a “bens incomuns”, mas a “bens próprios”. Assim resta esclarecido de quem deve tributar os rendimentos em questão é o recorrente, e não a sua esposa. Diferentemente do que alega o recorrente, não é irrelevante a determinação de a quem pertence o direito de usufruto do imóvel do qual se originaram os aluguéis, uma vez que, no caso concreto, estas pertencem ao usufrutuário, que as deve declarar. Quanto à interpretação do art. 221 do Código Civil, embora repute desnecessária ao deslinde do caso, informo que, diferentemente do que imagina o recorrente, o Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 fisco é terceiro em relação a qualquer contrato, instrumento ou convenção particular; se presente (o fisco), o ato será administrativo, e não particular; ademais, o fisco não é “sócio” de qualquer contribuinte. Respeitante aos incisos I a IX do art. 149 do CTN, a situação por eles tratada é no a do lançamento e de sua revisão de ofício, que são institutos diversos da tratadas neste processo administrativo fiscal, que não se rege pelo art. 149 do CTN, mas pelo Decreto nº 70.235, de 1972 e pelo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf). Concernente ao decidido no acórdão DRJ 1641360 e na SRL 2009/200000011306, não há previsão de extensão de seus efeitos no processo administrativo fiscal, e tais documentos sequer puderam ser analisados, por não se encontrarem juntados aos autos. Voto, portanto, por não conhecer das questões acerca das inconstitucionalidades de lei, rejeitas a preliminar, e, no mérito, por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 13502.000942/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
COMPENSAÇÃO. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS. PRAZO.
A aferição dos requisitos de liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, trazidos em declaração de compensação, é dever da Autoridade Fazendária, e deve ser feita no prazo legal de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RECEITAS COMPUTADAS NO LUCRO REAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROVA.
Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Ao não restar comprovado que a totalidade dos rendimentos auferidos foram oferecidos à tributação, ainda que em anos anteriores, em razão do regime de competência, o direito da interessada não pode ser integralmente reconhecido.
Numero da decisão: 1301-002.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o Relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha. Ausente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS. PRAZO. A aferição dos requisitos de liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, trazidos em declaração de compensação, é dever da Autoridade Fazendária, e deve ser feita no prazo legal de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RECEITAS COMPUTADAS NO LUCRO REAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROVA. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Ao não restar comprovado que a totalidade dos rendimentos auferidos foram oferecidos à tributação, ainda que em anos anteriores, em razão do regime de competência, o direito da interessada não pode ser integralmente reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o Relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 09 42 /2 00 9- 25 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000942/200925 Acórdão n.º 1301002.067 S1C3T1 Fl. 424 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha. Ausente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Relatório ACRINOR ACRILONITRILA DO NORDESTE S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Camaçari/BA. Por bem descrever o ocorrido, valhome dos fragmentos do Parecer DRF/CCI/Sarac nº 389/2009, conforme também reproduzidos no relatório do acórdão recorrido, às fls. 371 e segs.: 01.O processo de representação original foi formalizado em 09/10/2007, ... adquirindo o n° 13502.000981/200761, para análise e tratamento manual do Pedido de Restituição de Saldo Negativo de IRPJ/2004, no valor de R$ 1.369.607,02 (fls. 40 a 43) e das Declarações de Compensação, listadas no parágrafo 02, cujos créditos se referem a Saldo Negativo de IRPJ e CSLL, relativo ao exercício de 2004. ... tendo sido o processo original n° 13502.000981/200761 juntado ao presente, em 29/09/2009 ... [...] 02.Foram realizadas pesquisas nos sistemas ... com vistas a verificar a existência de outras PER/DCOMP que referenciassem o crédito pleiteado no presente processo, tendo sido identificadas as DCOMP ... abaixo ... : [...] FUNDAMENTAÇÃO 12. Convém destacar que a requerente é tributada com base no Lucro Real anual... sujeitandose, ... ao recolhimento do IRPJ por estimativa ... 13. Não houve, ..., qualquer impedimento às retificações constantes das DCOMP acima listadas, pelo que devem as declarações retificadoras ser aceitas, ... ANÁLISE DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ (Ano Calendário 2003) 14. Conforme ... DIPJ/2004 de fls. 207 a 211, em especial da Ficha 12A, fls. 207, parcialmente transcrita abaixo, o saldo negativo de IRPJ, referente ao ano calendário de 2003, originado das deduções constantes das linhas 05, 10, 11, 13 e 17, teria totalizado o valor de RS 1.369.607,02 ... FICHA 12 A – CÁLCULO DO IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01 ALÍQUOTA DE 15% 1.356.882,39 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000942/200925 Acórdão n.º 1301002.067 S1C3T1 Fl. 425 3 FICHA 12 A – CÁLCULO DO IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 03 ADICIONAL 880.588,26 05 PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR 15.359,97 10 ISENÇÃO E REDUÇÃO DO IMPOSTO 2.105.542,52 11 REDUÇÃO POR INVESTIMENTO 144.521,97 13 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 354.599,77 17 IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 987.053,44 18 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 1.369.607,02 DA REDUÇÃO DE IRPJ 15. Com referência à dedução informada na linha 10 da Ficha 12A, da mencionada DIPJ/2004, vale observar que o valor corresponde à redução de 75% do IRPJ calculado sobre o lucro da exploração, cujo direito teria sido reconhecido pelo Laudo Constitutivo n° 0178/2002, cópia às fls. 228 a 231, emitido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE, conforme Ficha 37 da referida DIPJ, às fls. 226. Esse documento é de apresentação obrigatória pelos contribuintes beneficiários dessa redução, conforme exigência presente no art. 16 da Lei n° 4.239, de 27/06/1963. 17. Com efeito, o art. 60, §§ 1o, 2o e 6o, IN SRF 267, de 23/12/2002, dispõe que o titular da Unidade da SRF decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da apresentação do requerimento ... e, ultrapassado esse prazo, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida ... 18. ... não havendo decisão quanto ao direito de fruição da redução de 75% do IRPJ, considerase o interessado no pleno gozo da redução pretendida ... DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) 19. Foi indicado pelo interessado na DIPJ/2004, Ficha 53, à fl. 210, o valor de R$ 1.772.998,99 ... à título de rendimentos decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa, e RS 354.599,77... relativo de IRRF correspondente. 20. Após a verificação do resumo das DIRF ... verificase que os valores lançados na Ficha 53 da DIPJ/2004 encontramse lastreados pelas DIRF ... RECEITAS FINANCEIRAS 21. Na verificação do saldo negativo apurado, deve restar demonstrado que as receitas financeiras, sobre as quais incidiu o respectivo IRRF, foram efetivamente oferecidas à tributação quando da apuração definitiva do imposto, condição indispensável para que este pudesse ser aproveitado na ... DIPJ. 22. ... o disposto nos artigos 770 e 773 do Decreto n° 3.000, ... de 1999 ..., que versam sobre a tributação dos rendimentos decorrentes de aplicações financeiras e a dedutibilidade, por meio da DIPJ, dos valores descontados na fonte: "Art. 770. Os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável sujeitamse à incidência do imposto na fonte ... (...) § 2 Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos ... : Fl. 425DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000942/200925 Acórdão n.º 1301002.067 S1C3T1 Fl. 426 4 I integrarão o lucro real, presumido ou arbitrado; (...) Art. 773. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será ... : I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, ...; (...)" (Grifos nossos) 23. Em resposta as Intimações ... o interessado procedeu à juntada dos documentos ... informando ... que as respectivas receitas financeiras, no valor total de R$ 1.772.998,99, cujo IR foi retido na fonte no ano de 2003, foram oferecidas à tributação no ano de 2002 e 2003, conforme composição abaixo: DIPJ que foi oferecida a tributação Receitas de Aplicações Financeiras Composição da Linha 24 Ficha 06A Linha 24 da Ficha 06A – DIPJ/2004 (AC/2003) – “Outras Receitas Financeiras” R$ 539.904,21 fl.81 Linha 24 da Ficha 06A – DIPJ/2003 (AC/2002) – “Outras Receitas Financeiras” R$ 1.222.094,78 fls. 99 e 102 TOTAL R$ 1.772.998,99 24. Ao se analisar a composição da linha 24 Outras Receitas Financeiras, Ficha 06A Demonstração do Resultado, DIPJ/2004, anexada às fls. 81, na qual foi declarado o valor de R$ 1.198.034,81..., conforme detalhamento apresentado pelo interessado e tabela abaixo, verificase a inclusão, nas composição dessa linha, de Receitas de aplicações financeiras, no valor de R$ 539.904,21. Outras Receitas Financeiras – DIPJ/2004 – Ficha 06A – linha 24 Rend. Aplic. Financeiras – Conta 45101.00001 539.904,21 Juros s/ Atraso de Clientes – Conta 45101.00003 65.764,52 Juros Ativos – Conta 45101.00004 231.037,55 Descontos Obtidos – Conta 45101.00005 2.073,28 Remuneração sobre Tributos – Conta 45101.00006 70.227,92 Outras Receitas Financeiras – Conta 45101.00999 156.691,55 Juros Ativos Contrato Mutuo – Conta 45203.00001 64.390,71 Variações Ativas Contrato Mutuo – Conta 45203.00002 60.686,21 Correção Monetária Ativa – Conta – Conta 45201.00002 7.258,86 Total 1.198.034,81 25. No entanto, devese verificar se as receitas com aplicações financeiras, no valor de R$ 539.904,21, que foram levadas à linha 24, da Ficha 06A, da DIPJ/2004, foram totalmente resgatadas em 2003, dando causa ao IRRF, autorizando, assim, a utilização deste como dedução do imposto devido apurado no ajuste anual, ou se permaneceram aplicadas para o ano seguinte, sem ter ocorrido o efetivo resgate, situação essa que não justificaria o IRRF no anocalendário 2003. 26. Para isso, comparouse o total dos rendimentos resgatados em 2003, apresentados nas DIRF, fls. 213 a 220, com o total de aplicações financeiras auferidas em 2003, conforme planilhas apresentadas pelo interessado, vide fls. 90 e 92. Dirf apresentada com os Receita de Aplicações Diferença entre o valor do Fl. 426DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000942/200925 Acórdão n.º 1301002.067 S1C3T1 Fl. 427 5 Rendimentos Resgatados em 2003 Financeiras auferidas em 2003 rendimento resgatado em 2003 e o auferido em 2003 Banco Brasil (20,47) 20,47 Alfa 42.091,96 2.031,85 40.060,11 Sudameris 92.426,92 92,426,92 Unibanco 673.484,91 (189.276,65) 862.761,56 Safra 48.721,97 35.390,15 13.331,82 BBVA 22.989,44 8.037,37 14.952,07 Votorantim 289.032,52 313.348,40 (24.315,88) Santos 156.518,52 277.966,63 (121.448,11) Engepack Embalagens S/A 447.733,62 447.733,72 TOTAL 1.772,999,96 539.904,20 1.233.095,76 27. A partir dos dados da tabela acima, verificase que, em 2 ... Bancos, Votorantim e Santos, o valor total das receitas auferidas em aplicações financeiras foi superior aos rendimentos efetivamente resgatados em 2003 e declarados em DIRF. Podese concluir que dentre os valores levados à tributação na DIPJ/2004, nos valores de R$ 313.348,40 e R$ 277.966,63, que compõem o montante de R$ 539.904,20, existem parcelas de receitas financeiras que foram auferidas em 2003, mas resgatadas em anos posteriores, não podendo, assim, serem usadas para justificar o IRRF no ano de 2003. 28. Dessa forma, não se pode considerar o valor total de R$ 539.904,20, o qual foi justificado pelo interessado e detalhado no parágrafo 23, como sendo a parcela das receitas financeiras auferidas e oferecidas à tributação em 2003, e que, também, tiveram o IR retido na fonte em 2003. Desse valor, devese descontar os valores de R$ 24.315,88 e R$ 121.448,11, que são justamente a diferença, em cada Banco citado, entre o total de aplicações financeiras auferidas em 2003 e o total de rendimentos que tiveram IR retido na fonte em 2003. Com isso, do total oferecido à tributação na DIPJ/2004, foi considerado apenas o valor de RS 394.140,22, conforme tabela abaixo: Detalhamento apresentado pelo Interessado do valor oferecido a tributação na DIPJ/2004 Aplicações Financeiras auferidas em 2003, .... resgatadas em anos posteriores Oferecimento a tributação na DIPJ/2004 – Após Ajuste Parte da Linha 24 Ficha 06A – DIPJ/2004 “Outras Receitas Financeiras R$ 539.904,21 (R$ 145.763,99) R$ 394.140,22 29. No contexto da análise da DIPJ/2004, tornase necessário retornar ao parágrafo 23, para que seja avaliada a composição da linha 24 Outras Receitas Financeiras, Ficha 06A Demonstração do Resultado, DIPJ/2003, anexada à fl. 212, na qual foi declarado o valor de RS 6.296.445,07 ... Conforme detalhamento apresentado pelo interessado (fls. 99 e 102), transcrito na tabela abaixo, verificase que compõe o referido valor, o montante de R$ 5.101.601,22, referente às receitas de aplicações financeiras. Outras Receitas Financeiras – DIPJ/2003 – Ficha 06A – linha 24 Rend. Aplic. Financeiras – Conta 45101.00001 5.101.601,22 Juros s/ Atraso de Clientes – Conta 45101.00003 524.602,38 Juros Ativos – Conta 45101.00004 20,759,10 Descontos Obtidos – Conta 45101.00005 11.853,57 Outras Receitas Financeiras – Conta 45101.00999 110.669,66 Juros Ativos Contrato Mutuo – Conta 45203.00001 399.174,62 Correção Monetária Ativa – Conta – Conta 45201.00002 127.784,52 Total 6.296.445,07 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000942/200925 Acórdão n.º 1301002.067 S1C3T1 Fl. 428 6 30. Em princípio, poderseia considerar o valor de R$ 1.233.094,78 como lastreado pelo montante de R$ 5.101.601,22, referente às receitas de aplicações financeiras oferecidas à tributação na DIPJ/2003, conforme detalhado no parágrafo 23, correspondendo, assim, à parcela das receitas financeiras que tiveram o IR retido na fonte em 2003, mas que foram auferidas e oferecidas à tributação no ano anterior. 31. No entanto, ao se averiguar os termos do PARECER SARAC DRF/CCI N° 049/2007, expedido no PAF n.° 13502.000356/200395, cópia às fls. 232 a 239, que teve por objeto a análise do saldo negativo do IRPJ/2003, verificase, em seus parágrafos 16 e 17, que o interessado apresentou como comprovação do oferecimento à tributação das receitas financeiras que tiveram o IR retido na fonte no ano de 2002, R$ 5.098.480,05, da totalidade do valor de R$ 5.101.601,22, que compôs a Linha 24, da Ficha 06A, da DIPJ/2003. 32.Dessa forma, podese concluir que como comprovação do oferecimento à tributação do valor de R$ 1.233.094,78, que seria a parcela das receitas financeiras que tiveram o IR retido na fonte em 2003, mas que foram auferidas e oferecidas à tributação no ano anterior, só estaria lastreado na DIPJ/2003 o valor de RS 3.121,17, que é a diferença entre o total das receitas financeiras oferecidas à tributação na DIPJ/2003, no montante de R$ 5.101.601,22, e o valor das receitas financeiras que tiveram o IR retido na fonte em 2002, R$ 5.098.480,05. 33.A partir daí, resumindo o que foi explicitado nos parágrafos anteriores, verificase que, das receitas financeiras relacionadas ao IRRF no anocalendário 2003, foi realmente oferecido à tributação na Ficha 06A da DIPJ/2003 e 2004, o valor de R$ 397.261,38, conforme tabela abaixo. DIPJ que foi oferecida a tributação Receitas de Aplicações Financeiras oferecidas à tributação após os ajustes Linha 24 da Ficha 06A – DIPJ/2004 “Outras Receitas Financeiras” R$394.140,55 Linha 24 da Ficha 06A – DIPJ/2003 “Outras Receitas Financeiras” R$3.121,17 TOTAL R$ 397.261,39 34. Fica, portanto, possibilitada a utilização de IRRF, relativo ao ano calendário de 2003, apenas no valor de R$ 79.452,28 ..., proporcional (20% vinte por cento, conforme MAFON 2003) ao valor de receita levado à tributação, explicitado no parágrafo anterior, devendo ser transcrito para a linha 13, da Ficha 12A, da DIPJ 2004. DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 35. Pretende o interessado valerse do valor declarado como pago a título de estimativa mensal de IRPJ, forma exposta na linha 17, da Ficha 12A Cálculo de Imposto de Renda sobre o Lucro Real, às fls. 207, quantificado em RS 987.053,44... para calcular o saldo de IRPJ a pagar do anocalendário 2003. 44. Concluise, portanto, que todos os débitos de estimativas mensais de IRPJ do anocalendário 2003, totalizando RS 987.053,43, foram quitados, devendo, por conseguinte, ser mantida a dedução respectiva na apuração do ajuste anual, devendo ser transcrito para a linha 17, da Ficha 12A. 45. Por fim, refizemos o demonstrativo de apuração do imposto de renda sobre o lucro real, a partir das informações prestadas pelo contribuinte na respectiva D1PJ, observados, ainda, os valores demonstrados nos parágrafos acima, que foram Fl. 428DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000942/200925 Acórdão n.º 1301002.067 S1C3T1 Fl. 429 7 objeto de confirmação, totalizando um credito de saldo negativo de IRPJ/2004 no valor de RS 1.094.459,52 ...: FICHA 12 A – CÁLCULO DO IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01 ALÍQUOTA DE 15% 1.356.882,39 03 ADICIONAL 880.588,26 05 PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR 15.359,97 10 ISENÇÃO E REDUÇÃO DO IMPOSTO 2.105.542,52 11 REDUÇÃO POR INVESTIMENTO 144.521,97 13 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 79.452,28 17 IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 987.053,43 18 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 1.094.459,52 ANÁLISE DO SALDO NEGATIVO DE CSLL (Ano Calendário 2003) 46. Conforme se infere da DIPJ/2004, referente ao anocalendário 2003, ... às fls. 221 a 225, ... Ficha 17, à fl. 221, parcialmente transcrita abaixo, a detentora do pretenso crédito informado nas DCOMP citadas no parágrafo 02 deste Parecer, ..., apurou um saldo negativo de CSLL, referente ao período em questão, originado, inclusive, da dedução constante da linha 41 (CSLL mensal paga por estimativa), totalizando ... R$ 336.032,33 ... FICHA 17 – CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO (fl. 221) DEMONSTRAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL VALOR 36. BASE DE CALCULO DA CSLL 8.342.574,59 CALCULO DA CSLL 38. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/ O LUCRO LIQUIDO TOTAL 750.831,71 DEDUÇÕES 41. () CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA 1.086.864,04 48. CSLL A PAGAR 336.032,33 47. Assim, no presente caso, a análise da procedência do pleito implica, entre outros procedimentos, verificar se houve a correta apuração ... de saldo negativo de CSLL, ... e se este já não tenha sido objeto de compensação ... 48.O valor da CSLL mensal paga (quitada) por estimativa, levado para o ajuste na linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004, à fl. 221, foi de R$ 1.086.864,04 ... Tal valor corresponde à soma das estimativas quitadas de janeiro a junho e de setembro a novembro ... as quais se encontram declaradas em DCTF, conforme telas às fls. 186 a 194. As informações foram colhidas na DIPJ, às fls.222 a 225, e nas DCTF, às fls. 186 a 194. 60. Concluise, portanto, que todos os débitos de estimativas mensais de CSLL do anocalendário 2003, totalizando RS 1.086.864,04 ..., foram quitados, devendo, por conseguinte, ser mantida a dedução respectiva na apuração do ajuste anual. 61. Desta forma, restou comprovado o Saldo Negativo de CSLL apurado na DIPJ 2004, ... anocalendário de 2003, no montante de RS 336.032,33 ... 62. Fazse, ainda, necessário verificar se os valores referentes ao saldo negativo... não foram objeto de outras compensações ... 63. Da consulta aos sistemas ... não foram localizados processos administrativos ou Declarações de Compensação, além daquelas já baixadas para tratamento manual neste processo ... Fl. 429DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000942/200925 Acórdão n.º 1301002.067 S1C3T1 Fl. 430 8 CONCLUSÃO 66. Diante do relatório e da fundamentação apresentada, de tudo mais que consta do presente processo, PROPONHO: a) o DEFERIMENTO PARCIAL da utilização do crédito requerido (utilizado) na forma de saldo negativo de IRPJ. b) o DEFERIMENTO TOTAL da utilização do crédito requerido (utilizado) na forma de saldo negativo de CSLL. c) o RECONHECIMENTO do direito creditório ... no valor original de RS 1.094.459,52 ..., correspondente ao saldo negativo de IRPJ efetivamente apurado na DIPJ/2004 .... d) o RECONHECIMENTO do direito creditório ... no valor original de RS 336.032,33 ..., correspondente ao saldo negativo de CSLL efetivamente apurado na DIPJ/2004 ... e) a HOMOLOGAÇÃO das compensações declaradas pelo contribuinte ... até o limite do crédito reconhecido nesse processo: f) o PROSSEGUIMENTO na cobrança dos débitos cuja compensação não seja homologada em razão da insuficiência de créditos ... A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório da DRF Camaçari/BA, com razões que foram assim resumidas no relatório do acórdão recorrido (fls. 377 e segs.): III. Do Direito III.1. Do Imposto de Renda a restituir Conforme se verifica da Ficha 43 da DIPJ/2004, a Impugnante indicou os seguintes valores a título de Imposto de Renda Retido na Fonte: Fonte Pagadora Rendimento Bruto IRRF Engepack Embalagens 447.733,70 89.546,74 Unibanco 673.484,91 134.696,97 BBV 22.989,46 4.597,89 Banco Safra 48.721,97 9.744,39 Banco Santos 156.518,52 31.303,70 Banco Votorantim 289.032,55 57.806,51 Banco Alfa 42.091,96 8.418,39 Banco Sudameris 92.425,92 18.485,18 TOTAL 1.772.998,99 354.599,77 Os informes de rendimentos fornecidos pelas instituições financeiras, acima referidas, comprovam o valor total de R$ 354.599,77 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte no anocalendário de 2003 (Doc. 03). Os informes de rendimentos fornecidos e confirmados pela fonte pagadora são instrumentos hábeis para comprovar o valor do imposto retido. Tendo em vista que o IRRF é mera "antecipação" do valor a ser pago a título de IRPJ, ao final do anocalendário, deve ser integralmente utilizado para fins de dedução, conforme já decidiu reiteradas vezes o Conselho de Contribuintes ... Fl. 430DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000942/200925 Acórdão n.º 1301002.067 S1C3T1 Fl. 431 9 Não obstante a comprovação das retenções, a d. autoridade administrava promoveu redução parcial da dedução a título de IRRF, sob o fundamento de que as receitas financeiras não foram oferecidas à tributação quando da apuração definitiva do imposto. Ocorre que, por se tratar de pessoa jurídica sujeita à tributação pela sistemática do lucro real, as receitas e despesas serão escrituradas observandose o regime de competência. Assim, a Impugnante registrou referidas receitas no momento em que foram auferidas ou incorridas, respectivamente. Nesse sentido, cumpre destacar o recente precedente do Eg. Conselho de Contribuintes ... Dessa forma, deve ser reconhecido o direito à dedução integral do IRRF no anocalendário de 2003, no montante de R$ 354.599,77, devidamente comprovado pelos informes de rendimentos fornecidos pelas instituições financeiras. III. 2. Da Tributação das Receitas Declaradas Apesar de a comprovação de que sofreu as retenções, por meio dos informes de rendimento apresentados, ser suficiente para o reconhecimento do seu direito ao crédito, a Impugnante passa a demonstrar que as receitas financeiras foram integralmente oferecidas à tributação, refutando o argumento do r. despacho decisório recorrido, conforme se observa do demonstrativo abaixo, relativo à tributação das receitas financeiras: BALANCETE – Receitas Financeiras Conta 45101.00999 Conta 45101.00001 Conta 45101.0001 ANO CALENDÁRIO Aplicações Financeiras Perdas Hedge DIPJ Receitas Financeiras 2000 3.363.057,11 1.953.666,23 2001 5.763.406,44 (173.435,55) (2.080.541,28) 6.668.183,70 2002 5.318.446,58 (216.845,36) 5.098.480,05 2003 1.513.555,42 (973.651,21) 1.772.998,99 As receitas negativas sobre aplicações financeiras e perdas em operações de hedge, ..., podem ser comprovadas a partir do Razão Acumulado ... (Doc. 04). Além disso, ... apresenta cópia das DIPJs e Balancetes ... Assim, as receitas financeiras foram oferecidas à tributação na época própria, pelo regime de competência, e a retenção foi procedida apenas no momento de resgate das aplicações e pagamento do rendimento ao mutuante, nos termos dos arts. 732 e 734 do RIR/99. Em relação aos itens 30 a 32 do r. despacho decisório, a d.autoridade administrativa vincula as receitas financeiras tributados no anocalendário de 2002, no valor de R$ 5.101.601,22, com a receita total informada na respectiva DIPJ. Todavia, as receitas relativas ao anocalendário de 2002, em razão da aplicação do regime de competência, foram oferecidas à tributação no momento em que auferidas, não existindo a suposta coincidência entre as receitas informadas na contabilidade e na DIPJ no mesmo exercício financeiro. Registrese, ainda, que quaisquer divergências nas declarações ou na apuração do tributo devem, tempestivamente, ser lançadas, sob pena de decadência, não podendo ser exigido de forma oblíqua em processo de restituição. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000942/200925 Acórdão n.º 1301002.067 S1C3T1 Fl. 432 10 ..., porém, não houve qualquer exigência ou lançamento de ofício de eventuais diferenças a título de IRPJ no período em questão, o qual não pode ser exigido por via oblíqua, através do presente processo, relativo à restituição do saldo negativo. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0955.687, de 26/11/2014 (fls. 370/383), deferiu parcialmente a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 Os rendimentos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa sujeitamse à tributação do imposto de renda, de sorte que a retenção do imposto na fonte incidente sobre tais rendimentos no momento do resgate, configura antecipação do imposto devido no exercício, desde que as receitas financeiras correspondentes tenham sido computadas na apuração do Lucro Real. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, salvo quando da existência de Súmula do CARF vinculando a administração tributária federal. Esclareço, por relevante, que o provimento parcial se deve ao reconhecimento da existência de IRRF passível de aproveitamento na determinação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, além daquele já admitido pela Unidade de origem. Assim, o valor da linha 12A/13 – Imposto de Renda Retido na Fonte passou de R$ 79.452,28 para R$ 108.605,07, e o valor da linha 12A/18 – Imposto de Renda a Pagar foi igualmente recalculado de R$1.094.459,52 para R$1.123.612,31. Ciente da decisão de primeira instância em 02/03/2015, conforme documento de fl. 389, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 31/03/2015 (registro de recepção à fl. 391, razões de recurso às fls. 393/404). Em seu recurso, após historiar o ocorrido, sob sua ótica, a interessada busca fixar que a discussão gira em torno do valor do IRRF passível de aproveitamento na apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003: se R$ 354.599,77, como consta de sua DIPJ, ou se R$ 108.605,07, montante reconhecido pela decisão recorrida. A recorrente repete, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, no sentido de que: · Os rendimentos e retenções na fonte que constam de sua declaração correspondem aos informados pelas fontes pagadoras, e sobre eles a autoridade administrativa não impôs qualquer mácula. · As despesas e receitas são por ela escrituradas segundo o regime de competência. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000942/200925 Acórdão n.º 1301002.067 S1C3T1 Fl. 433 11 · As receitas financeiras foram integralmente oferecidas à tributação nos anos calendário 2000, 2001, 2002 e 2003, conforme demonstrativo que apresenta (idêntico ao da manifestação de inconformidade). · Qualquer divergência nas declarações ou na apuração do tributo deveria ser tempestivamente lançada, sob pena de decadência. Não poderia haver, como no presente caso, exigência por via oblíqua, relativa à restituição do saldo negativo. Conclui com o pedido de reconhecimento integral do crédito pleiteado e homologação de todas as compensações vinculadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Trata o presente processo de pedido de restituição, cumulado com pedidos de compensação, em que os alegados direitos creditórios são os saldos negativos de IRPJ e de CSLL apurados no anocalendário 2003, exercício 2004. Como preliminar de mérito, deve ser examinada a alegação de que se estaria a exigir, por via oblíqua, eventual diferença de imposto, o que somente poderia ser feito mediante lançamento de ofício e dentro do prazo decadencial. O presente processo cuida de compensação tributária, e o prazo prescrito em lei para esse exame é aquele que consta do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. [...] [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] Para que se proceda a essa homologação, é dever da Autoridade Administrativa verificar a liquidez e certeza do alegado crédito. Não se está a fazer qualquer alteração nos valores declarados nem qualquer exigência de tributo. Mas não se pode admitir que seja reconhecido direito creditório se esse montante foi determinado em descumprimento da lei, especificamente, mediante o aproveitamento de imposto de renda retido na fonte correspondente a receitas não comprovadamente oferecidas à tributação. A preliminar, assim, deve ser rejeitada. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000942/200925 Acórdão n.º 1301002.067 S1C3T1 Fl. 434 12 No mérito, esclareçase de plano que, no que toca ao saldo negativo de CSLL, não se instaurou litígio, posto que o valor pleiteado foi de plano reconhecido pela DRF de origem. Já quanto ao saldo negativo de IRPJ, declarado e pleiteado no valor de R$ 1.369.607,02, a DRF de origem reconheceu apenas R$ 1.094.459,52. Após a decisão de primeira instância, o montante reconhecido passou a ser R$ 1.123.612,31. A origem da diferença está na parcela do imposto de renda retido na fonte passível de aproveitamento na apuração do resultado. Não há qualquer dúvida quanto ao montante efetivamente retido pelas fontes pagadoras, R$ 354.599,77, correspondente a rendimentos brutos que totalizam R$ 1.772.998,99. Esses valores constam em DIRF, e foram confirmados pela Autoridade Administrativa. No entanto, o total do imposto retido não foi havido como passível de aproveitamento na declaração, diante da falta de prova de que a totalidade dos rendimentos a que correspondem tenha sido efetivamente oferecido à tributação. Após a decisão de primeira instância, foi admitido o aproveitamento de R$ 108.605,07. Essa discussão não é nova. De fato, muitas são as dúvidas suscitadas pelo descompasso entre o regime de competência, para o reconhecimento e oferecimento à tributação das receitas financeiras, e a retenção de imposto de renda pelas fontes pagadoras, o que só se dá no momento do resgate das aplicações financeiras. Em tais casos, a verificação há que ser cuidadosa, geralmente com extratos dos investimentos que permitam seu acompanhamento desde a aplicação original até o resgate, cotejando a apropriação contábil detalhada e individualizada, por aplicação, dos ganhos e mesmo eventuais perdas em cada período de apuração. Por certo, cada situação concreta e cada gênero de aplicação há de exigir documentação específica. No caso sob análise, o que se busca é a verificação de que os rendimentos brutos de aplicações financeiras de renda fixa (código 3426) totalizando R$ 1.772.998,99 foram integralmente oferecidos à tributação, de tal modo a permitir o aproveitamento integral do correspondente imposto de renda retido pelas fontes pagadoras (R$ 354.599,77). Alega a recorrente que tais valores teriam sido integralmente tributados, desde o anocalendário 2000, conforme demonstrativo de fl. 400, a seguir reproduzido: BALANCETE – Receitas Financeiras Conta 45101.00999 Conta 45101.00001 Conta 45101.0001 ANO CALENDÁRIO Aplicações Financeiras Perdas Hedge DIPJ Receitas Financeiras 2000 3.363.057,11 1.953.666,23 2001 5.763.406,44 (173.435,55) (2.080.541,28) 6.668.183,70 2002 5.318.446,58 (216.845,36) 5.098.480,05 2003 1.513.555,42 (973.651,21) 1.772.998,99 Os documentos que traz em apoio são cópias de balancetes e de folhas do Livro Razão desses anos (fls. 331/358), mas que são insuficientes para fazer a prova do integral oferecimento à tributação dos R$ 1.772.998,99. Mesmo o quadro acima é pouco claro no que se propõe a demonstrar. Por exemplo, a especificação do total das aplicações financeiras registradas na contabilidade no anocalendário 2000 (R$ 3.363.057,11) não significa que dentro de tal Fl. 434DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000942/200925 Acórdão n.º 1301002.067 S1C3T1 Fl. 435 13 montante esteja parte (qual parte?) dos rendimentos das aplicações financeiras ora discutidas, resgatadas e objeto de retenção de fonte em 2003. Ademais, o balancete de fl. 358, que hipoteticamente comprovaria a natureza e o oferecimento à tributação daquele montante registra tratarse de “receitas trib. excl. fonte”. Raciocínio semelhante se pode fazer para cada um dos demais anoscalendário do quadro acima. A legislação que rege a matéria, especialmente o art. 2º da Lei nº 9.430/1996, não deixa dúvidas: ao final do período de apuração anual, no cálculo do saldo de imposto a pagar ou a ser restituído/compensado, somente poderá ser deduzido o imposto de renda retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na apuração do lucro real (grifos não constam do original). Art. 2o A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada,[...] §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: [...] III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; [...] Não é suficiente, pois, provar que as retenções de imposto foram feitas pelas fontes pagadoras. Além disso, é indispensável provar que as correspondentes receitas foram computadas na determinação do lucro real, ainda que, como alega a interessada, isso se tenha dado ao longo dos anoscalendário anteriores, segundo o regime de competência. Mas essa prova não encontro nos autos. Acrescento que, em se tratando de compensação tributária, é dever do Fisco atestar a liquidez e certeza do direito creditório alegado, e é ônus da interessada provar, sem sombra de dúvida, o direito alegado. No caso concreto, nada de novo foi trazido em sede de recurso, com relação ao que já foi analisado e decidido em primeira instância. Assim, o recurso voluntário deve ser negado. Em conclusão, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 435DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000942/200925 Acórdão n.º 1301002.067 S1C3T1 Fl. 436 14 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10880.721554/2011-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2007
CIDE-ROYALTIES. REMESSA DE ROYALTIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR - INCIDÊNCIA.
O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior corresponde à hipótese de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000, com as alterações da Lei 10.332/2001.
CIDE ROYALTIES. DIREITOS AUTORAIS. INCIDÊNCIA.
Os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificam-se como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. A autoria necessariamente recai sobre a pessoa natural que cria o bem ou a obra, não sendo considerado autor a pessoa jurídica detentora dos direitos.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Fez sustentação oral pela Recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº 14874.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2007 CIDE-ROYALTIES. REMESSA DE ROYALTIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR - INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior corresponde à hipótese de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000, com as alterações da Lei 10.332/2001. CIDE ROYALTIES. DIREITOS AUTORAIS. INCIDÊNCIA. Os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificam-se como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. A autoria necessariamente recai sobre a pessoa natural que cria o bem ou a obra, não sendo considerado autor a pessoa jurídica detentora dos direitos. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Fez sustentação oral pela Recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº 14874. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYALTIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior corresponde à hipótese de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000, com as alterações da Lei 10.332/2001. CIDE ROYALTIES. DIREITOS AUTORAIS. INCIDÊNCIA. Os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificamse como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. A autoria necessariamente recai sobre a pessoa natural que cria o bem ou a obra, não sendo considerado autor a pessoa jurídica detentora dos direitos. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Fez sustentação oral pela Recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº 14874. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 15 54 /2 01 1- 09 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração para exigência da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de licenças de exploração sobre a distribuição de filmes, programas de televisão e espaço publicitário de propriedade de empresas estrangeiras. A Fiscalização entendeu que as remessas foram efetuadas a título de exploração de direitos autorais e nos contratos de licença realizados com as empresas estrangeiras eram firmados taxas de licença a título de remuneração de royalties, estando sujeitas a CIDE, nos termos previstos no art. 2º. § 2º da Lei nº 10.168/2000. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva onde questiona o lançamento, que foram assim relatados na primeira instância: i) a legislação que regula a CIDE não prevê a remuneração por direitos autorais como hipótese de incidência da mencionada contribuição; ii) a fiscalização simplesmente desconsiderou o Decreto nº 4.195/02, que regulamenta a cobrança da CIDE e lista os contratos que estão sujeitos à incidência (dentre os quais não se encontra a licença de direitos autorais) iii) a CIDE não pode incidir sobre contratos que não implicam a transferência de tecnologia; e ainda que se alegue que a transferência de tecnologia em si não é obrigatória para a incidência, o fato é que na pior da hipóteses a CIDE nãopode ser imposta sobre contratos alheios ao campo da tecnologia e assistência técnica (como, claramente, é o caso) Continuando a sua impugnação a Recorrente alega a partir de interpretações constitucionais da CIDE afirmando que "no presente caso, levando em conta os valores pagos pela Impugnante, sequer há a necessidade de que se defenda a inexistência de transferência de tecnologia, tamanha é a sua obviedade. Ora, quando se licencia direitos autorais, como livros ou filmes ou se explora espaço publicitário, não ocorre absolutamente nenhuma transferência dessa espécie." Fl. 411DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.721554/201109 Acórdão n.º 3201002.058 S3C2T1 Fl. 410 3 A seguir, a Recorrente afirma que os contratos celebrados entre a Impugnante e os licenciadores não residentes fazem referência à exploração de obras audiovisuais, temse que estaríamos, na pior das hipóteses, no campo de incidência de outra contribuição/exploração de intervenção no domínio econômico, a CONDECINE, nos termos da Medida Provisória nº 2.22801/2001. Na sequência, a Recorrente tece considerações acerca da CONDECINE, afirmando que o fato gerador desta contribuição seria a (i) veiculação, produção, o licenciamento e a distribuição de obras cinematográficas e videofonográficas com fins comerciais, por segmento de mercado a que forem destinadas e (ii) o pagamento, o crédito, o emprego, a remessa ou a entrega, aos produtores, distribuidores ou intermediários no exterior, de importâncias relativas a rendimento decorrente da exploração de obras cinematográficas e videofonográficas ou por sua aquisição ou importação, a preço fixo. Conclui ao final, que não há dúvidas de que, em não havendo transferência de tecnologia, mas sim o pagamento de uma contraprestação ao direito de distribuição, no Brasil, de obras audiovisuais, a Impugnante encontrase no campo de incidência da CONDECINE e não da CIDE. Ao final da sua impugnação, a Recorrente afirma que a Fiscalização incluiu entre as remessas, valores referentes a contrato de Distribuição, Marketing, Administração e Publicidade celebrado com a AXN Latin America Inc. Contudo, este contrato não envolve a remuneração de direitos autorais. Diferentemente, a Sony é uma agente e realiza atividades de marketing e vendas em favor da empresa estrangeira. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYALTIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE. DIREITO AUTORAL. ROYALTIES. Os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificamse como royalties, exceto nos casos em que pagos diretamente ao autor ou criador da obra (Art. 22, alínea “d” da Lei nº 4.506/1964). Fl. 412DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão a contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa alegações já trazidas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. O matéria já foi enfrentada por esta turma no Acórdão nº 3201001.702, de relatoria do i. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, onde foi decidido pela incidência da CIDEROYALTIES sobre as remessas ao exterior paga pagamento de licença de exploração licenças de exploração sobre a distribuição de filmes, programas de televisão e espaço publicitário de propriedade de empresas estrangeiras. Os motivos de decidir deste Acórdão caminham no mesmo entendimento deste Relator, assim, peço vênia para incluir no meu voto e fazer dele minhas razões de decidir quanto a esta matéria. A recorrente contesta a autuação, apresentando como principal argumento de sua defesa o entendimento que os valores ora tributados tem por objetivo o pagamento de direitos autorais, que estariam fora do campo de incidência da CIDE. A definição da lide exige que se analise se os fatos praticados pela recorrente enquadramse nas hipóteses previstas no artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332/2001, vigente à época dos fatos geradores deste processo, que assim dispõe: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e Fl. 413DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.721554/201109 Acórdão n.º 3201002.058 S3C2T1 Fl. 411 5 semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2 o deste artigo. § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). § 5o O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador. (grifo nosso) Da leitura do dispositivo acima constatase que a CIDERoyalties é devida sempre que houver pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Ressaltese, em se tratando da hipótese prevista no §2º do artigo 2º desta lei, ser desnecessário que os contratos impliquem transferência de tecnologia para que ocorra a incidência da Contribuição. O termo royalty tem origem na Ciência da Economia, sendo conceituado por Arthur Seldon nestes termos: ROYALTY. Pagamento feito, por uma pessoa, física ou jurídica, ao dono de propriedade ou ao criador de um trabalho original, para o privilégio de explorálo comercialmente. É, essencialmente, um método de partilhar o rendimento das vendas de um produto entre os que concorrem com o financiamento e a habilidade de comercialização e os que contribuem com a propriedade intelectual sob a forma de uma realização original. O sistema de royalty é comumente usado, por exemplo, quando um autor ou tradutor é pago por um editor segundo uma percentagem do preço de capa de um livro; quando um proprietário fundiário é pago por uma companhia mineradora para o privilégio de explorar o subsolo da sua terra; quando o dono de uma patente é pago por um fabricante pelo direito de reproduzir sua invenção. (Dicionário de Economia, Editora Bloch) O pagamento de royalties, portanto, objetiva partilhar o rendimento de um produto entre aquele que detém a propriedade intelectual deste e aquele que efetivamente explora este produto, colocandoo no mercado consumidor. O conceito de royalties para fins tributários encontrase previsto no artigo 22 da Lei nº 4.506/64: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; Fl. 414DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 c) uso ou exploraçâo de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos "royalties" acompanharão a classificação dêstes. (grifo nosso) Do exposto, extraise que o conceito legal de royalties corresponde a rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, da fruição, ou da exploração de direitos. O professor Alberto Xavier, em análise ao tema, esclarece que: À luz do direito interno, o royalty é uma categoria de rendimentos que representa a remuneração pelo uso, fruição e exploração de determinados direitos, diferenciandose assim dos aluguéis que representam a retribuição do capital aplicado em bens corpóreos, e dos juros, que exprimem a contrapartida do capital financeiro. [...] No direito interno, os direitos que dão lugar à percepção de royalties são o direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; o direito de pesquisar e extrair recursos minerais; o uso ou exploração de invenções , processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; a exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou da obra (art. 22 da Lei 4.506, de 1964). (Direito Tributário Internacional do Brasil. Rio de Janeiro, Forense, pg. 617/618) Dito isto, temos que os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificamse como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. Verificase ainda que a Lei nº 9.610/98 em seu artigo 7º, XIII, inclui os programas de computador e as obras audiovisuais entre as obras intelectuais com direitos autorais protegidos: Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: [...] VI as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas; [...] XII os programas de computador; [...] §1º Os programas de computador são objeto de legislação específica, observadas as disposições desta Lei que lhes sejam aplicáveis.(grifo nosso) O artigo 11 da citada lei, por sua vez, restringe o conceito de autor à pessoa física criadora da obra: Art. 11. Autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica. Parágrafo único. A proteção concedida ao autor poderá aplicar se às pessoas jurídicas nos casos previstos nesta Lei. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.721554/201109 Acórdão n.º 3201002.058 S3C2T1 Fl. 412 7 Do exposto, resta claro que as remessas referentes à licença para distribuição de sinais de televisão por assinatura correspondem ao pagamento de direitos autorais, enquadrando se como royalties, a luz da alínea “d” do artigo 22 da Lei nº 4.506/64 quando efetuados a pessoa jurídica detentora dos direitos. .... A matéria também foi enfrentada na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, no Acórdão 930301.864, de Relatório do i. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, onde também foi mantida a incidência da CIDERoyalties sobre as remessas para pagamento de royalties a residentes e domiciliados no exterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE. Recurso Especial do Procurador Provido. A Recorrente, ainda alega a limitação a qual teria dado o art. 2º do Decreto nº 4.195/2002, onde estariam relacionados taxativamente às hipóteses em que seria devido a CIDE Royalties. O referido artigo possui a seguinte redação. "Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2º da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes." Fl. 416DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 Em que pese os argumentos do recurso, entendo que não assiste razão as afirmações da Recorrente. O art. 2º da Lei nº 10.168/2000, define como fato gerador da CIDE, quaisquer transferências de valores ao exterior a título de royalties. O instrumento primário, introdutor da obrigação tributária principal é a Lei, nos termos do art. 97, 98 e 99 do Código Tributário Nacional. " Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei." O art. 99 do CTN é cristalino ao definir o alcance dos decretos em função das leis em que sejam expedidas. Entender que o Decreto nº 4.195/2002 possui o poder de limitar o alcance da Lei não pode ser a interpretação a ser dada nesta situação. O decreto é instrumento de disciplinamento da Lei e não ao contrário. O decreto somente pode disciplinar o conteúdo legal, jamais poderia servir de instrumento para alterar as disposições do fato gerador da CIDE, reduzindo o seu alcance, por meio de um artigo em que delimitaria a situações a serem consideradas para o fato gerador. A Lei nº 10.168/2000, conforme já ressaltado, definiu como contribuintes da CIDE as pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. A impossibilidade do decreto em alterar as hipóteses do fato gerador da obrigação principal é posição pacifica dentro da doutrina, conforme a lição de Paulo de Barros Carvalho. "Por estar adstrito ao âmbito de lei determinada, o decreto regulamentar não poderá ampliála ou reduzila, modificando de qualquer foram o conteúdo dos comandos que regulamenta. Não lhe é dado, por conseguinte, inovar a ordem jurídica, fazendo surgir novos direitos e obrigações. Daí sua condição de Fl. 417DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.721554/201109 Acórdão n.º 3201002.058 S3C2T1 Fl. 413 9 instrumento secundário de introdução de regras tributárias."(Carvalho, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 19ª ed. rev. São Paulo. Saraiva. 2007. p.75 a 76.) Por fim, quanto ao mérito, alega o recurso que as operações em que foi exigida a CIDE deveriam ser objeto de exigência da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional CONDECINE. Afirma a Recorrente, que não havendo transferência de tecnologia, mas sim o pagamento de contraprestação do direito de distribuição, estaria sujeita a incidência desta contribuição e não da CIDE e a exigência em duplicidade destas contribuições seria incorrer em "bis in idem". Neste campo é necessário salientar, que as discussões sobre ofensa a princípios constitucionais e constitucionalidade de leis é matéria não afeita a este Conselho, nos termos constantes da Súmula nº 2 do CARF. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” No caso em tela, foi demonstrado que a Lei nº 10.168/2000 definiu a incidência da CIDE sobre as transferências de royalties a qualquer título. Portanto, correta a utilização deste diploma legal para lastrear a exigência da contribuição. Quanto as alegações referentes ao contrato com a empresa a AXN Latin America Inc. A matéria foi enfrentada na decisão a quo, que concluiu que os valores lançados pela Fiscalização, correspondem a pagamentos de royalties, conforme consta do trecho abaixo extraído do acórdão recorrido. "De fato o autuante identifica no item 4 do Termo de Verificação Fiscal os 3 contratos apresentados pelo impugnante, tecendo comentários sobre eles. Os contratos são (fls. 2169): ... Os trechos transcritos pelo interessado os quais expus anteriormente, tratam do 3º contrato nomeado de Contrato de Distribuição, Marketing, Administração e Publicidade celebrado unicamente entre a AXN e o interessado. No entanto, no item 6 do TVF, intitulado de “DO CÁLCULO DA CIDEREMESSAS PARA O EXTERIOR”, a autoridade tributária explica os procedimentos adotados para elaboração dos cálculos, bem como dos documentos por ela considerados, dentre eles a Planilha Licença de Canais apresentada pelo contribuinte. Das remessas constantes da tabela do TVF, a única remessa destinada a AXN, no valor de R$ 147.841,35, referese ao contrato de cambio de nº 07/037996, sendo tais dados extraídos da supracitada Planilha elaborada pelo próprio interessado (fls. 7980). Nesta planilha consta a seguinte informação prestada pelo interessado: “Contrato de licença para distribuir tempo no ar Fl. 418DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 disponível destinado a publicidade nos canais da sociedade de distribuição.” Portanto, percebese que a referida remessa atrelada à AXN, a qual ensejou um dos lançamentos efetuados, está vinculada ao Contrato de Licença celebrado pelo interessado e pela AXN, bem como pelas demais sociedades de distribuição, conforme fls. 3553 dos autos; ou seja, a referida remessa não está vinculada ao contrato de Distribuição, Marketing, Administração e Publicidade celebrado unicamente entre a AXN e o interessado. Deste modo, entendo que não há necessidade de analisar e comentar sobre o objeto e efeitos do contrato de Distribuição, Marketing, Administração e Publicidade (fls. 2134), pois, embora o autuante tenha tecido comentários sobre este contrato no TVF, não o considerou no cálculo da CIDE, tendo em vista que não havia vinculação das remessas ao referido contrato, mas tão somente, aos Contratos de Licença de fls. 3553,5469. O voto da decisão a quo, deixou cristalino o entendimento, após análise dos contratos suscitados pela Recorrente, que os valores lançados pela Fiscalização referentes a empresa AXN são contratos de Licença e portanto, não assiste razão a Recorrente nos seus argumentos também quanto a esta matéria. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 419DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 12448.721169/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente mencionada pelo recorrente em seu recurso voluntário.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE ENDEREÇO SANADA COM APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL.
Devese restabelecer a dedução de despesas médicas, quando o único óbice apontado é a falta de endereço e isto é sanado com declaração do profissional apresentada juntamente com o recurso voluntário.
Numero da decisão: 2202-003.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 46.650,00.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente mencionada pelo recorrente em seu recurso voluntário. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE ENDEREÇO SANADA COM APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL. Devese restabelecer a dedução de despesas médicas, quando o único óbice apontado é a falta de endereço e isto é sanado com declaração do profissional apresentada juntamente com o recurso voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 46.650,00. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
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RECURSO VOLUNTÁRIO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente mencionada pelo recorrente em seu recurso voluntário. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE ENDEREÇO SANADA COM APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL. Devese restabelecer a dedução de despesas médicas, quando o único óbice apontado é a falta de endereço e isto é sanado com declaração do profissional apresentada juntamente com o recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 46.650,00. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 11 69 /2 01 0- 15 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.721169/201015 Acórdão n.º 2202003.338 S2C2T2 Fl. 136 2 Relatório Reproduzo o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), que descreve os fatos ocorrido até a decisão de primeira instância. Contra o contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.97/101 relativa ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2007, para cobrança do crédito tributário de R$ 28.324,05. O lançamento é decorrente da seguinte infração: * dedução indevida de despesas médicas no total de R$ 51.120,00. O enquadramento legal encontrase às fls. 98 e 101. Inconformado, a contribuinte ingressou com a impugnação de fl.06, alegando que está anexando documentação comprobatória de suas despesas e que o valor glosado a título de dedução indevida de despesas médicas referese a despesas com ela própria. Por fim, solicita prioridade na análise de seu processo, de acordo com a previsão contida no art. 71 da Lei nº 10.471, de 01/10/2003 (Estatuto do Idoso). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Só é de se aceitar as despesas médicas realizadas pelo contribuinte com o seu próprio tratamento e/ou com o de seus dependentes, cuja comprovação da efetividade do serviço prestado, bem como do correspondente pagamento, restou demonstrado nos autos, por documentos hábeis e idôneos, nos termos da legislação de regência. Cientificado dessa decisão em 27/05/2014, por via postal (A.R. de fl. 123), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 06/06/2014 (fls. 127 a 129), no qual repisa os argumentos da impugnação e anexa as declarações dos profissionais emitentes dos recibos, com a indicação dos respectivos endereços. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.721169/201015 Acórdão n.º 2202003.338 S2C2T2 Fl. 137 3 Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O presente recurso resumese à controvérsia acerca das deduções de despesas médicas sujeitas à comprovação por parte da contribuinte. A decisão sobre a dedutibilidade ou não das despesas médicas merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo Fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como fundamento legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.721169/201015 Acórdão n.º 2202003.338 S2C2T2 Fl. 138 4 IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (destaquei) A autuação deuse em virtude de os recibos apresentados pela Contribuinte não se revestirem das formalidades exigidas e/ou falta de identificação do beneficiário do serviço prestado, em relação aos seguintes profissionais, conforme notificação de lançamento (fl. 3): a) Ricardo Braga R$ 34.500,00; b) Glacy de Paiva Portela R$ 12.150,00; c) Debora Cristina Batista de Paiva R$ 4.470,00. A DRJ aceitou os recibos de fls. 65/67, expedidos por Debora Cristina Batista de Paiva, em total de R$ 1.840,00, por entender que se enquadravam no que determina a legislação. Em relação aos recibos de fls. 68/70, a decisão de primeira instância deixou de analisálos, porque foram expedidos por profissional que não consta da Declaração de Ajuste Anual DAA (fls. 89 a 95) como beneficiária dos pagamentos efetuados pela Contribuinte. De fato, os recibos de fls. 68/70 foram emitidos pela profissional Ana Claudia de Resende, que não foi discriminada na DAA da Contribuinte como beneficiária de pagamentos de despesas médicas. Como a Contribuinte não abordou essa questão no seu recurso voluntário, esse ponto não é passível de discussão nessa instância. Quanto aos recibos emitidos por Ricardo Braga e Glacy de Paiva Portela, a decisão da DRJ adotou como fundamento para a manutenção do lançamento a falta de endereço dos profissionais que assinaram os recibos, não tendo sido levantada qualquer dúvida sobre a realização do serviço ou sobre o pagamento. Reconheço que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Nesse caso, os emitentes dos recibos Ricardo Braga e Glacy de Paiva Portela forneceram declaração indicando o endereço dos seus consultórios e essas declarações foram apresentadas juntamente com o recurso voluntário (fls. 128 e 129), suprindo, assim, o único óbice objetivamente apontado pelo acórdão recorrido, o que implica o restabelecimento da dedução de R$ 46.650,00 (R$ 34.500,00 + R$ 12.150,00). Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.721169/201015 Acórdão n.º 2202003.338 S2C2T2 Fl. 139 5 Nesse sentido temos as seguintes decisões deste Conselho: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. DECLARAÇÃO. Quando a fiscalização glosa as despesas médicas unicamente porque os recibos não apresentam todos os requisitos exigidos pela lei, identificação do paciente e endereço do emitente, documentação apresentada pelo contribuinte, na forma de declaração do médico responsável pela emissão dos recibos, na qual se identifica todos os elementos necessários, é suficiente para afastar a glosa. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2801002.920, de 20/02/2013, Rel. Carlos Cesar Quadros Pierre) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 [...] IRPF. DESPESA MÉDICA. RECIBOS. FALTA DE ENDEREÇO. COMPROVAÇÃO DO ENDEREÇO PROFISSIONAL DA EMITENTE DOS RECIBOS POR OUTRO DOCUMENTO HÁBIL E IDÔNEO. REQUISITO LEGAL SUPRIDO. Restando como obstáculo à dedução exclusivamente a falta de indicação do endereço no recibo fornecido pela odontóloga, deve ser restabelecida a dedução quando o recorrente comprova com documentação hábil e idônea o endereço da emitente, ainda que por outro documento que não o recibo emitido pela profissional. (Acórdão nº 2802003.240, e 05/11/2014, Rel. Ronnie Soares Anderson. Redator designado: Jorge Cláudio Duarte Cardoso) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IRPF. DESPESAS COM FISIOTERAPEUTA. AUSÊNCIA DE ENDEREÇO SANADA COM APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL. Devese restabelecer a dedução de despesas médicas, quando o único óbice apontado no acórdão de primeira instância é a falta de endereço e isto é sanado com declaração do profissional apresentada juntamente com o recurso voluntário. (Acórdão nº 2802003.270, de 03/12/2014, Rel. Jorge Cláudio Duarte Cardoso) Ressaltese que a DRJ já havia acatado a dedução de R$ 1.840,00 relativos aos recibos emitidos por Débora Cristina B. de Paiva. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12448.721169/201015 Acórdão n.º 2202003.338 S2C2T2 Fl. 140 6 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução no valor de R$ 46.650,00, que, somado com a dedução já acatada pela DRJ no valor de R$ 1.840,00, perfaz a quantia de R$ 48.490,00 de dedução de despesas médicas. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10860.902970/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(Documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Redator ad hoc da formalização da Resolução
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flavio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Redator ad hoc da formalização da Resolução Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flavio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Redator ad hoc da formalização da Resolução Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flavio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 02 97 0/ 20 12 -1 7 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10860.902970/201217 Resolução nº 1301000.330 S1C3T1 Fl. 167 2 RELATÓRIO Tratase o presente processo de PER/DCOMP nº 32348.32480.200112.1.3.04 0160 com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$ 323.233,54 recolhido em data de 30/07/2010 – IRPJ – período de apuração JUN/2010. Foi feita análise do crédito pleiteado e o Despacho Decisório eletrônico não homologou a compensação declarada, por entender que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para promover a compensação, vez que ele foi utilizado na quitação de débito do contribuinte. O ora Contribuinte, inconformado com referido despacho e regulamente cientificado do Despacho Decisório, apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que teria transmitido a DCTF retificadora que confirmava o seu crédito e que o crédito informado no PER/DCOMP seria suficiente para a compensação do débito declarado. O V. Acórdão julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por entender que o crédito informado deve existir já na data da transmissão da Declaração, e considerando que a DCTF retificadora teria sido entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, concluiu que não haveria qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O Contribuinte em seu recurso de fls. 32/36, alega que a DCTF é modo de constituição do crédito tributário, dispensandose outra providência por parte do fisco. Alega que no caso em tela, diante da identificação do erro na apuração dos impostos devidos bem como na falta de retificação da DCTF, requereu através de PER/DCOMP as compensações necessárias, declarandose o crédito tributário constituído na PER/DCOMP nº 32348.32480.200112.1.3.040160 de R$ R$ 323.233,54 recolhido em 30/07/2010. Alega que o não reconhecimento do indébito ocorreu pelo simples fato de o Contribuinte ter apresentado apenas a Retificadora da DCTF. Entendeu o Contribuinte que naquela oportunidade a base de dados da Receita Federal do Brasil sobre todas as operações financeiras fiscais e contábeis seriam suficientes para a homologação requerida. Alega também que o indeferimento anterior, por aquela Egrégia Delegacia, não tiraria do Recorrente o direito constitucional do indébito, o qual agora requer através de todos os documentos acostados ao presente recurso. Requereu a juntada de demonstrativo do valor do tributo efetivamente devido e também os documentos hábeis cabíveis para suportar esse demonstrativo – Livros de Saída com resumo por CFOP ao final de cada mês, Razão das contas do período envolvido, DIPJ do exercício base de 2010 e o DARF de recolhimento do valor a maior que o devido. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10860.902970/201217 Resolução nº 1301000.330 S1C3T1 Fl. 168 3 Por fim, requer a homologação da PER/DCOMP apresentada nos seus exatos termos e valores, bem como seja procedido a compensação do débito informado na DCTF. Esse o Relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10860.902970/201217 Resolução nº 1301000.330 S1C3T1 Fl. 169 4 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães redator ad hoc. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 13/12/2013 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 13/01/2014. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito Tratase de Recurso Voluntário interposto por HYDROSTEC TECNOLOGIA E EQUIPAMENTOS LTDA., em face da decisão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, ratificando o Despacho Decisório de não homologação da compensação. Entendeu a autoridade tributante que, somente fazer a retificação de DCTF não seria suficiente para o reconhecimento do direito creditório. Após a apresentação do Recurso Voluntário novos documentos foram apresentados, com os quais busca a Recorrente confirmar as alegações recursais, demonstrando os equívocos perpetrados – memória de cálculo do IRPJ devido, Livros de saída, Razão de contas, DIPJ e DARF gerador do suposto recolhimento indevido. Pois bem. Apesar do minucioso exame do caso já realizado pelas autoridades fiscais, que reconheceram o que se podia reconhecer, no tocante a créditos da Recorrente para serem compensados, há que se buscar sempre a verdade material. O contribuinte recorrente, em seu recurso – fls e45, faz quadro resumo de débitos e de recolhimentos a maior e aponta, para o presente caso, excesso no recolhimento da PER/DCOMP n. 32348.32480.200112.1.3.040160, processo administrativo n. 10860.902970/201217 (devido R$ 233.010,04 e recolhido R$ 323.233,54). E, em função dos documentos apresentados, mesmo após o oferecimento do Recurso Voluntário, pode haver elementos suplementares, que devem ser considerados em análise do crédito pleiteado a qual deve ser final e definitiva. Bem por isso, e em busca da verdade material, é que voto por converter o julgamento em diligência para, à luz da documentação juntada, ser feita análise última do crédito da contribuinte. Pedese à autoridade fiscal que examine, à luz da citada nova documentação, se o indicado recolhimento efetuado foi, efetivamente, a maior e reavalie a existência do crédito. Caso necessário, deve ser intimado o contribuinte para apresentar outros documentos que possam comprovar a existência do crédito por força do suposto recolhimento a maior. Esse o meu Voto. (Documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães redator ad hoc Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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