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Numero do processo: 16327.002177/2003-59
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL
Exercícios: 1997, 1998, 1999
Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA, A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação.
LANÇAMENTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO NO MONTANTE INTEGRAL. JUROS MORATÓRIOS. DESCABIMENTO, Descabe o lançamento de juros de mora em auto de infração com exigibilidade suspensa, quando existir depósito no montante integral.
Inteligência da Súmula CARF n° 05.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1301-000.368
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários sobre fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 1996 e 1997 e, no mérito, dar provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores correspondentes aos juros de mora, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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LANÇAMENTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO NO MONTANTE INTEGRAL. JUROS MORATÓRIOS. DESCABIMENTO, Descabe o lançamento de juros de mora em auto de infração com exigibilidade suspensa, quando existir depósito no montante integral. Inteligência da Súmula CARF n° 05. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários sobre fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 1996 e 1997 e, no mérito, dar provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores correspondentes aos juros de mora, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. eurvvi.,,L QLL C„J, LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente WALDIR VEMA ROCHA - Relatar EDITADO EM: 12 NU 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Fábio Soares de Melo, Valmit Sandri e Leonardo de Andrade Couto, Relatório ITAUBANK COMERCIAL E PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 01.192.813/0001-93, sucessora por incorporação de BSA COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 16-12.231, de 29101/2007, da 10a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 24/06/2003 (ciência em 01/07/2003, fl. 36v), para constituição de crédito tributário da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fl. 06). O total da exação à época do lançamento foi de R$ 516.142,47, aí incluídos juros moratórios, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 05. Informa o autuante no Termo de Verificação de fls. 24/25 que o contribuinte fiscalizado deixou de recolher a CSLL nos anos-calendário 1996, 1997 e 1998, amparado por Mandado de Segurança n° 95.0001221-9 (apelação ao TRF 96.03.085126-4). Os valores em litígio foram depositados no Banco do Brasil, na conta n" 1824-43300024, em montante superior aos declarados como devidos à RFB. Desde que os valores referentes ao ano- calendário 1997 foram superiores ao devido, não houve depósito específico para o ano- calendário 1998. Assim, o Fisco constituiu o crédito tributário nos exatos valores que constam das Declarações de Rendimentos dos anos-calendário 1996, 1997 e 1998, respectivamente R$ 71.876,92, R$ 116.006,09 e R$ 64.429,34, sem a imposição de multa, visto estarem os débitos com sua exigibilidade suspensa. Ciente do lançamento, a interessada apresentou impugnação (fls. 42/54) em que aduz os argumentos assim sintetizados no relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância: a) o crédito tributário que se pretende exigir relativo aos anos-base de 1996 e 1997 está extinto em razão da decadência que se operou, posto que decorrido o prazo de cinco anos previsto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, Nem se diga que no caso da contribuição social sobre o lucro o prazo decadencial seria de 10 anos, por força da Lei n° 8,212/91, pois os prazos de decadência e prescrição estabelecidos pelo Código Tributário Nacional não podem ser ampliados por lei ordinária, conforme entendimento da doutrina bem como jurisprudência judicial e administrativa; b) ainda que assim não se entenda, e especificamente quanto aos valores exigidos relativos ao ano-base de 1998, os juros moratórias jamais poderiam ter sido lançados após a efetivação dos depósitos judiciais, como reconhecido no Parecer COSIT n°03/2001 e pela jurisprudência pacífica do Conselho de Contribuintes; c) ainda que fosse possível a imposição dos juros de mora, o que se admite apenas para argumentar, estes não poderiam ser cobrados na dimensão consignada 2 Processo n° 16327.002177/2003-59 SI-C3TI Acórdão n..a 1301-00.368 Fl. 2 pelo auto de infração, por terem sido calculados com base na taxa SELIC, índice inadequado para tanto Em assim sendo, pede e espera a Impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de reconhecer a insubsistência do auto de infração lavrado, pelas razões acima expostas, como medida de Direito e de Justiça A 10a Turma da DRJ em São Paulo - 1 / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 16-12.231, de 29/01/2007 (fls. 118/125), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano-calendário: 1996, 1997, 1998 DECADÊNCIA. SEGURIDADE SOCIAL. LEI 8,212/91. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DEPÓSITOS JUDICIAIS. VALIDADE DOS JUROS MORATÓRIOS, Os juros de mora são devidos qualquer que seja o motivo determinante da falta, mesmo nas hipóteses de exigibilidade suspensa.. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC.. O Código Tributário Nacional autoriza a fixação de percentual de juros de mora diverso daquele previsto no § 1" do art. 161. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE As alegações de inconstitucionalidade são de competência exclusiva do Poder Judiciário. Ciente da decisão de primeira instância em 23/11/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 132v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/12/2007 conforme carimbo de recepção à folha 135. No recurso interposto (fls. 136/148), alega preliminarmente a ocorrência da decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários sobre fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 1996 e 1997, com base no art, 150, § 4°, do CTN. Sustenta, ainda, a inaplicabilidade do prazo decadencial de dez anos, previsto na Lei n° 8.212/1991. Colaciona doutrina e jurisprudência em SOCOTTO de sua tese. A seguir, a recorrente lembra que os valores constituídos no auto de infração ora discutido teriam sido objeto de depósito judicial integral. Assim, seria incabível a exigência de qualquer valor a título de acréscimo maratório após a efetivação dos referidos depósitos judiciais. A própria Receita Federal já teria reconhecido a impropriedade da exigência no Parecer Cosit n° 0,3, de 18/04/2001. Da mesma forma, a jurisprudência administrativa estaria pacificada a teor das Súmulas ri° 05 e n° 07, respectivamente dos extintos Primeiro e Terceiro Conselhos de Contribuintes. Finalmente, a interessada protesta contra a exigência de juros de mora calculados com base na taxa SELIC, a qual seria imprestável para tal fim. É o Relatório. 3 Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheço. A primeira reclamação da recorrente diz respeito à decadência, que teria alcançado os fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 1996 e 1997. Entendo que a regra geral para a decadência é a estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do CTN: Art, 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [ .1 Por outro lado, ao tratar das modalidades de lançamento, o mesmo Código estabelece regras específicas para o lançamento por homologação, em seu artigo 150, § 4°: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [. 40 Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do .fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de oficio deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. Em outras palavras, o que se homologa, ou não, é a atividade do contribuinte, a qual poderá ou não incluir o pagamento. A regra do inciso I do art. 173 é aplicável aos tributos para os quais o lançamento deve preceder o pagamento. O exemplo clássico é o do IPTU, em que a Autoridade Tributária apura o valor devido, lança o tributo e notifica o sujeito passivo. Apenas então ocorre o pagamento Se, por hipótese, o contribuinte se antecipa ao lançamento, calcula por sua conta o montante devido e faz o recolhimento antes mesmo de ser notificado, isto ocorre não por obrigação, mas por mera liberalidade, e o mecanismo previsto para apuração do tributo não se altera. O lançamento não deixa de ser de oficio, e não há também mudança no termo inicial para contagem do prazo decadencial. O mesmo raciocínio se aplica aos tributos para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. É essa sistemática (a atividade exercida pelo contribuinte) que faz com que o lançamento seja por homologação, e não a mera presença ou ausência de 4 Processo n" 16327.002177/2003-59 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00368 Fl. 3 pagamento. Tal é o caso da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de que trata o presente processo. Entendeu a Autoridade Julgadora a quo pela aplicabilidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, que estabelecia prazo decenal para a decadência das contribuições sociais de que tratava. Entretanto, tal posicionamento merece reforma, em face do entendimento do Supremo Tribunal Federal, consubstanciado na Súmula Vinculante no 8, publicada no D.O.U. do dia 20/06/2008, com a seguinte redação: Súmula vinculante n" 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n°1,569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Diante do entendimento definitivo e expresso da Corte Suprema e, ainda, à luz do art, 103-A da Constituição em vigor i e do que dispõe o Decreto n° 2.346/1997, não se há de aplicar, em qualquer caso, o prazo decenal do art. 45 da Lei n° 8212/1991. Pelo exposto, a decisão a quo deve ser revista, aplicando-se as disposições do art, 150, § 40, do CTI\l, Para os anos-calendário 1996 e 1997 o contribuinte optou pela tributação anual, consumando-se o fato gerador no último dia dos respectivos períodos de apuração, a saber, em .31/12/1996 e em 31/12/1997. O prazo para o lançamento se extinguiu, portanto, respectivamente em 31/12/2001 e em 31/12/2002. Desde que o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 01/07/2003 (fi. 36v), os fatos geradores ocorridos nesses anos já então se encontravam irremediavelmente alcançados pela decadência. A seguir, a recorrente lembra que os valores constituídos no auto de infração ora discutido teriam sido objeto de depósito judicial integral„ Assim, seria incabível a exigência de qualquer valor a título de acréscimo moratório após a efetivação dos referidos depósitos judiciais. A própria Receita Federal já teria reconhecido a impropriedade da exigência no Parecer Cosit n° 03, de 18/04/2001. Da mesma forma, a jurisprudência administrativa estaria pacificada a teor das Súmulas n° 05 e n° 07, respectivamente dos extintos Primeiro e Terceiro Conselhos de Contribuintes. Compulsando os autos, constato que não há litígio acerca do fato de que os valores depositados excedem os valores devidos, objeto de lançamento no auto de infração ora sob discussão. O AFRFB autuante se reporta (fl. 24) a depósitos judiciais nos valores abaixo: Ajuste 1996— R$ 71,876,92 Janeiro/97 — R$ 25.928,66 Fevereiro/97 — R$ 10.494,74 .Julho/97 — R$ 954.279,32 Art 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei (Incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004) Agosto/97 — R$ 127 936,78 Tais valores são confirmados pelas Guias de Depósito à Ordem da Justiça Federal (cópias às fis. 24/28), todas recolhidas ao longo do ano-calendário 1997, muito antes do início do procedimento de fiscalização. Constato, assim, a plena aplicabilidade da Súmula CARF n° 05, abaixo transcrita2: Súmula CARF N2 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Diante do exposto, do lançamento devem ser excluídos os valores correspondentes aos juros moratórios, Finalmente, a interessada protesta contra a exigência de juros de mora calculados com base na taxa SELIC, a qual seria imprestável para tal fim. Desde que os juros moratórios já foram afastados por outro motivo, este argumento perde sua razão de ser, pelo que deixo de me manifestar sobre ele. Em conclusão, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto, para reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários sobre fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 1996 e 1997 e para excluir do lançamento os valores correspondentes aos juros de mora, WALDIR VEÏGI ROCHA - Relator 2 Anexo III da Portaria CARF n° 106, de 21/12/2009, DOU de 22/12/2009 6
score : 1.0
Numero do processo: 10380.723670/2010-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. ASPECTOS ECONÔMICO E JURÍDICO.
São solidariamente obrigadas aquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Pessoas atuando de maneira concorrente, valendo-se de construções artificiais e ardilosas para se esquivar de obrigações tributárias, são atraídas para o pólo passivo da obrigação tributária, vez que se caracteriza o interesse tanto econômico quanto jurídico, implicando na solidariedade prevista no art. 124, inciso I do CTN.
Numero da decisão: 9101-003.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de anulação do acórdão recorrido, suscitada pelo conselheiro Flávio Franco Corrêa, o qual restou vencido. Em relação aos responsáveis solidários Eduardo Lima de Carvalho Rocha e David Lima de Carvalho Rocha, por maioria de votos, acordam em conhecer dos Recursos Especiais, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator) e Flávio Franco Corrêa, que não conheceram desses recursos. Em relação ao responsável solidário José Lima de Carvalho Rocha, por maioria de votos, acordam em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que conheceram desse recurso. No mérito, apenas em relação aos recursos de Eduardo Lima de Carvalho Rocha e David Lima de Carvalho Rocha, por maioria de votos, acordam em negar-lhes provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhes deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao conhecimento, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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INTERESSE COMUM. ASPECTOS ECONÔMICO E JURÍDICO. São solidariamente obrigadas aquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Pessoas atuando de maneira concorrente, valendose de construções artificiais e ardilosas para se esquivar de obrigações tributárias, são atraídas para o pólo passivo da obrigação tributária, vez que se caracteriza o interesse tanto econômico quanto jurídico, implicando na solidariedade prevista no art. 124, inciso I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de anulação do acórdão recorrido, suscitada pelo conselheiro Flávio Franco Corrêa, o qual restou vencido. Em relação aos responsáveis solidários Eduardo Lima de Carvalho Rocha e David Lima de Carvalho Rocha, por maioria de votos, acordam em conhecer dos Recursos Especiais, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator) e Flávio Franco Corrêa, que não conheceram desses recursos. Em relação ao responsável solidário José Lima de Carvalho Rocha, por maioria de votos, acordam em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que conheceram desse recurso. No mérito, apenas em relação aos recursos de Eduardo Lima de Carvalho Rocha e David Lima de Carvalho Rocha, por maioria de votos, acordam em negarlhes provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhes deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao conhecimento, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 36 70 /2 01 0- 12 Fl. 2292DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.293 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. Relatório São Recursos Especiais interpostos por (i) JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA (efls. 1666 e segs.), (ii) DAVI LIMA DE CARVALHO ROCHA (efls. 1618 e segs.) e (iii) EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA (efls. 1536 e segs.), responsáveis tributários solidários em relação ao crédito constituído contra o INSTITUTO ASSISTENCIAL DE SPORTO EDUCATIVO IADE ("Contribuinte"), em face da decisão proferida no Acórdão nº 1301001.345 (efls. 1.436 e segs.), pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 03/12/13, no qual foi negado provimento aos recursos voluntários. Resumo Processual O Contribuinte foi notificado da suspensão da imunidade tributária (Ato Declaratório Executivo n. 031/2011, efls. 362). Em decorrência, foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS para os anoscalendário de 2007 e 2008, relativos a resultados operacionais não declarados (efls 382 e segs). A multa proporcional foi qualificada (150%). Foram incluídos no pólo passivo da obrigação tributária José Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.492.84315), Davi Lima de Carvalho Rocha (CPF 170.953.36334), Eduardo Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.493.14320) e Estevão Lima de Carvalho Rocha (CPF 221.767.64315). O Contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram impugnação. O Colegiado da primeira instância (DRJ) manteve integralmente os lançamentos (efls. 1.214 e segs.), a suspensão da imunidade tributária, a qualificação das multas e a responsabilidade solidária das pessoas físicas. Fl. 2293DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.294 3 Foram interpostos recursos voluntários pela Contribuinte e sujeitos passivos indiretos. A1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 03/12/13, negou provimento aos recursos (efls. 1.436 e segs.). O contribuinte opôs embargos de declaração para suprimir suposta omissão. Os embargos não foram admitidos (efls. 1.847). O Contribuinte não interpôs recurso especial. Por sua vez, foram interpostos recursos especiais pelos sujeitos passivos indiretos. O despacho de exame de admissibilidade ( efls. 2.226 e segs) negou seguimento ao recurso de Estevão Lima de Carvalho Rocha, deu seguimento aos recursos de Davi Lima de Carvalho Rocha e Eduardo Lima de Carvalho Rocha (matéria responsabilidade tributária) e deu seguimento parcial ao recurso de José Lima de Carvalho Rocha para a matéria responsabilidade tributária, sendo que nos três recursos admitidos o seguimento deuse com base no paradigma nº 1302001.322. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 2.252 e segs.). A seguir maiores detalhes sobre a autuação fiscal e a fase contenciosa. Da Autuação Fiscal Os fatos que deram margem à “Notificação Fiscal de Suspensão de Imunidade", conforme relatado pelos autores do procedimento, foram apurados a partir de fiscalização iniciada na empresa Comércio de Produtos Educacionais e Participação S/A (COPEP). Constatouse que, por intermédio dessa empresa (COPEP), o Instituto Assistencial de Sporto Educativo IADE, que se apresenta como uma das mantenedoras do Colégio Christus, teria desviado recursos da ordem de R$ 3.434.900,00 (anocalendário 2007) e R$ 3.037.100,00 (anocalendário 2008), originários das receitas auferidas sob o manto da imunidade tributária, para empresas mercantis vinculadas aos proprietários do referido Colégio, burlando, dessa forma, os requisitos inseridos nos incisos I e II do art. 14 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 1966, para o gozo da referida imunidade tributária. Analisando as alegações e provas apresentadas pelo IADE, às fls. 338/342, contra a proposta de suspender a imunidade em questão, a autoridade fazendária produziu a Informação Fiscal, de efls. 354/359, que serviu de base para a expedição do Despacho Decisório (efls. 361) e do Ato Declaratório Executivo nº 031, de 10 de março de 2011 (efls. 362), suspendendo a imunidade da interessada, com relação aos anoscalendário 2007 e 2008. Os fundamentos da autuação foram assim descritos no despacho da Delegacia de Fortaleza: A aplicação de recursos na manutenção de seus objetivos deve ser integral, conforme previsto no inciso II do art. 14 do CTN. No entanto, foi constatado pela auditoria fiscal que nos anos calendário de 2007 e 2008, de acordo com a documentação apresentada pela COPEP, foram aportados em suas contas bancárias os valores de R$ 3.494.900,00 e R$ 3.037.100,00, respectivamente. Tais recursos, comprovadamente, eram provenientes do IADE e foram a título de alienações de partes beneficiárias. Os recebimentos desses recursos foram contabilizados a crédito da conta 1.1.04.02 Contas a Receber IADE, o qual, por sua vez, debitou em contrapartida da conta Fl. 2294DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.295 4 2.3.02.02 Reserva Legal Alienação de Partes Beneficiárias. Estas operações estão registradas nos registros contábeis do IADE, a débito da conta 126101Investimentos Temporários COPEP e a crédito da conta 215101 Credores Diversos COPEP. Esta última foi debitada pelos pagamentos efetuados, conforme Livros Diário e Razão dessas empresas. Os títulos adquiridos pelo Instituto Assistencial de Sporto Educativo IADE denominados partes beneficiárias são títulos negociáveis, sem valor nominal, e estranhos ao capital social da empresa emitente, que conferem aos seus titulares direito de crédito eventual contra a companhia, sob a forma de participação de 10% (dez por cento) nos lucros anuais. O instituto alegou que necessitava poupar recursos e obter ganhos financeiros. No entanto, nos exercícios de 2007 e 2008, a COPEP lucrou apenas R$ 4.627,20 e R$ 6.641,31, respectivamente. O fato comprova que a intenção não fora assegurar o capital investido, mas sim desviálo para fim diverso de seus objetivos institucionais. A opção escolhida revelouse sem nenhum propósito negocial, já que a Comércio de Produtos Educacionais e Participação S/A COPEP constituída, em 13/10/2005, sob a forma de Sociedade Anônima, tendo por únicos acionistas Antonio Reginaldo Gurgel de Lima, diretorpresidente da companhia, e seu cônjuge Glória Stela Gurgel de Oliveira Lima. As declarações de rendimentos dos acionistas (DIRPF), apresentadas à Receita Federal nos anos de 2007 a 2009, estão desprovidas de patrimônio e enquadradas dentro da faixa de isenção do IRPF, com exceção de 2008, em que houve declaração de R$ 21.000,00 anuais por um dos acionistas. Mais relevante ainda foi o fato de o estabelecimento, onde o IADE confiou seus recursos, encontra se fechado, sem nenhuma indicação de funcionamento operacional no endereço declarado a RFB. Tais fatos foram comprovados pela fiscalização em diligência fiscal realizada para esse fim. Por sua vez, a Contabilidade apresentada indica patrimônio constituído basicamente pelos investimentos recebidos a esse título, captados através das partes beneficiárias. Reconhecendo de certa forma o despropósito relativo ao investimento em questão, o IADE tenta justificar que instituições financeiras saudáveis provocaram graves prejuízos aos investidores. Ora, se essas instituições carregam esse risco do mercado de capitais, imaginese a COPEP que sequer, de fato, existe e tampouco possui movimento operacional relacionado ao seu objeto social, como ficou comprovado nos autos. Porém, o investimento nos títulos supracitados teve outro destino daquele da COPEP. Na conta bancária desta empresa restou apenas o suficiente para cobrir seus custos financeiros decorrentes de transferência do capital recebido. De fato, o relato da notificação fiscal do Sefis demonstra cabalmente o Fl. 2295DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.296 5 verdadeiro destino dos recursos desviados do IADE para sociedades em conta de participação SCP. Com efeito, os fiscais que efetuaram a auditoria informam que: (...) de acordo com os extratos bancários e os assentamentos contábeis da COPEP, os recursos vindos do IADE, tão logo adentraram à conta bancária daquela, foram debitados por saques e transferências tendo por destinatárias diversas empresas vinculadas à família proprietária do Colégio Christus. Desta feita, as operações se deram a pretexto de investimentos feitos pela COPEP em "Sociedades em Conta de Participação" (SCP), as mais diversas, tendo todas elas, por sócios ostensivos, empresas do grupo familiar supracitado. Os assentamentos contábeis da COPEP e os contratos que nos foram apresentados por seu representante, identificam as diversas sociedades (SCP) criadas para este fim, tendo cada uma delas, por sócia ostensiva, uma das seguintes empresas ligadas aos familiares dos proprietários do Colégio Christus. São elas: APEL – Associação Pro – Ensino S/C Ltda (sócia ostensiva da SCP APECOP), Instituto Educacional Christus (sócia ostensiva da SCP IECOP), Copy Vip Comercio (sócia ostensiva da SCP COPCOP), Gráfica e Editora LCR Ltda (sócia ostensiva da SCP GRACOP), Metalúrgica LCR Ltda (sócia ostensiva da SCP METACOP), Construtora e Imobiliária LCR Ltda (sócia ostensiva da SCP CONCOP), IPADE Instituto p/ Desenvolvimento da Educação Ltda (sócia ostensiva da SCP IPACOP), ORMEL – Organização e Métodos Ltda (sócia ostensiva da SCP ORCOP), Comercial LCR e Representações Ltda (sócia ostensiva da SCP COPCOM), Auto Vale Veículos Ltda (sócia ostensiva da SCP AUTOCOP), Escola 21 de Março (sócia ostensiva da SCP ESCOP) e Novem Construções Ltda (sócia ostensiva da SCP NOVCOP). A propósito dessas tais "Sociedades em Conta de Participação", é relevante enfatizar que os contratos de constituição das mesmas indicam uma participação das sócias ostensivas acima citadas em valores meramente simbólicos, que não passavam de 1% do capital destacado para cada SCP, exceto a participação da LCR Viagens Ltda. na SCP COPTUR que foi de 2%, cabendo todo o restante das integralizações à COPEP. Mesmo assim, nenhum centavo de lucro, oriundo desses "negócios", se vê registrado na contabilidade desta. Com base nessas informações e em cotejo com os argumentos iniciais de defesa da interessada, o despacho de Delegacia de Fortaleza concluiu que: Portanto, conforme demonstrado na Notificação Fiscal de Suspensão de Imunidade emitida pelo Serviço de Fiscalização Sefis (fls. 02 a 07), restou comprovado o descumprimento dos requisitos inseridos nos Incisos I e II do art. 14 do CTN, Lei n° 5.172, de 1966. Por sua vez, as operações de aquisição de partes beneficiárias não foram desconsideradas pela fiscalização, mas sim demonstradas que tal operação serviu para comprovar que a empresa COPEP foi utilizada apenas como instrumento para a dissimulação dos aportes de capital oriundos das receitas do Fl. 2296DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.297 6 Colégio Christus, auferidas sob o manto da imunidade e, posteriormente, desviadas para empresas vinculadas aos proprietários do referido Colégio e, porquanto, fora de seus objetivos institucionais, em flagrante afronta aos requisitos legais para o gozo da imunidade constitucional do IRPJ e da CSLL. A negativa de distribuição de lucros pela IADE não pode ser acatada, já que a restrição legal disposta no inciso I do art. 14 do CTN não distingue a forma com que possa ocorrer a distribuição de patrimônio ou renda, bastando para sustar a imunidade, que essa distribuição esteja configurada, sob qualquer forma ou a qualquer título, como ficou comprovado nos autos. Também é determinante o disposto no inciso II de que a aplicação dos recursos oriundos de atividade que se pretenda imune deve ser realizada exclusivamente em prol dos objetivos institucionais da entidade, o que não se viu demonstrado pela IADE. As autoridades fiscalizadoras demonstraram, com destaque, que os dados das declarações de rendimentos (DIPJ) apresentadas pela fiscalizada para os anos de 2007 e 2008, indicam que a mesma obteve "superávit' da ordem de R$ 7.622.954,00 em 2007 e de R$ 8.042.294,00 em 2008, correspondendo respectivamente a 61% e 49% das receitas auferidas em iguais períodos, as quais foram da ordem de R$ 12.354.114,00 em 2007 e de R$ 16.278.405,00 em 2008. Esse superávit demonstra a finalidade lucrativa da instituição, incompatível, portanto, com o instituto da imunidade previsto no art. 150, VI, "c", da Constituição Federal e regulado no art. 12, § 3° da Lei 9.532/97, com redação da Lei 9.718, de 1998, que define entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine o resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Conforme restou comprovado, esses dispositivos não foram observados. O que se constatou foi uma distribuição escusa de recursos financeiros, correspondente a boa parte dos superávit obtidos nos períodos examinados, em favor de empresas mercantis estranhas aos objetivos institucionais da entidade educacional, da qual a fiscalizada figura como mantenedora. Em virtude da suspensão da imunidade foram lavrados autos de infração e termos de sujeição passiva solidária com aplicação da multa qualificada de 150%, relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Foram relacionados como sujeitos passivos indiretos José Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.492.84315), Davi Lima de Carvalho Rocha (CPF 170.953.36334), Eduardo Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.493.14320) e Estevão Lima de Carvalho Rocha (CPF 221.767.64315). Da Fase Contenciosa Como visto, o Contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram impugnações ao Ato Declaratório e aos Autos de Infração, que foram julgadas improcedentes Fl. 2297DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.298 7 em 22 de março de 2012, pela 3ª Turma da DRJ/FOR, no Acórdão nº 0823.077, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 IMUNIDADE. SUSPENSÃO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. Constitui infração aos requisitos para o gozo da imunidade, ferindo os incisos I e II do art. 14 do CTN, a aplicação irregular do superávit de instituição de educação, por meio da aquisição simulada de partes beneficiárias de empresa mercantil, para posterior partilha, mediante a formação de sociedades em conta de participação, entre empresas pertencentes aos familiares dos proprietários do colégio, em que foram geradas as receitas da atividade educacional. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal possuem responsabilidade solidária, nos termos do inciso I do art. 124 do CTN, em relação ao crédito tributário lançado de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. Responde solidariamente com a pessoa jurídica autuada pelos créditos tributários aquele que detendo, de fato, o poder decisório sobre a entidade imune, agiu com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 DILAÇÃO PROBATÓRIA. OITIVA DE TESTEMUNHA. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, salvo as exceções previstas na legislação, quando devidamente comprovadas nos autos. Não há previsão legal para que se realize oitiva de testemunhas no julgamento administrativo fiscal, mormente quando os elementos contidos nos autos são suficientes para solucionar o litígio. PEDIDO DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia/diligência que não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. Indeferese o pedido de perícia/diligência quando estão presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à solução da lide. MEIOS DE PROVA. Fl. 2298DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.299 8 A prova de infração fiscal pode ser realizada por todos os meios admitidos em direito, inclusive a presuntiva, com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (arts. 131 e 332 do CPC e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972). PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de indícios que, isoladamente, nada atestam, mas agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. Caracterizase o ato simulado pela aplicação do superávit da entidade imune na aquisição de partes beneficiárias de empresa mercantil, destinandose os recursos em seguida para sociedades em conta de participação, quando se constata que o negócio efetivamente realizado, ou seja, a vontade não declarada, consistiu na distribuição dos recursos entre os familiares dos proprietários do colégio em que se realiza a atividade educacional, todos sócios das empresas beneficiadas com o aporte de capital. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. LUCRO REAL. É cabível a exigência do imposto de renda apurado de ofício sobre o lucro real, quando a instituição de educação que teve a imunidade suspensa mantém escrituração regular, permitindo a extração das informações para a composição da base de cálculo do imposto. MULTA QUALIFICADA. Aplicase a multa qualificada de 150% quando resta comprovado nos autos a conduta dolosa, praticada para evitar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, configurando a sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. LANÇAMENTO DECORRENTES. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), aplicase aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS/Pasep e COFINS), quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Fl. 2299DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.300 9 Com a ciência da decisão de primeira instância, o contribuinte e os quatro responsáveis tributários solidários apresentaram recursos voluntários, de efls. 1.292 e seguintes. Na sessão de julgamento de 03 de dezembro de 2013, a 1a Turma da 3a Câmara, no Acórdão nº 1301001.345, negou provimento aos recursos e manteve integralmente os lançamentos, a multa qualificada e a responsabilidade solidária das pessoas físicas. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 PEDIDO DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia/diligência que não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. Indeferese o pedido de perícia/diligência quando estão presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à solução da lide. IMUNIDADE. SUSPENSÃO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. Constitui infração aos requisitos para o gozo da imunidade, ferindo os incisos I e II do art. 14 do CTN, a aplicação irregular do superávit de instituição de educação, por meio da aquisição simulada de partes beneficiárias de empresa mercantil, para posterior partilha, mediante a formação de sociedades em conta de participação, entre empresas pertencentes aos familiares dos proprietários do colégio, em que foram geradas as receitas da atividade educacional. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal possuem responsabilidade solidária, nos termos do inciso I do art. 124 do CTN, em relação ao crédito tributário lançado de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. Responde solidariamente com a pessoa jurídica autuada pelos créditos tributários aquele que detendo, de fato, o poder decisório sobre a entidade imune, agiu com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. Caracterizase o ato simulado pela aplicação do superávit da entidade imune na aquisição de partes beneficiárias de empresa mercantil, destinandose os recursos em seguida para sociedades em conta de participação, quando se constata que o negócio efetivamente realizado, ou seja, a vontade não declarada, Fl. 2300DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.301 10 consistiu na distribuição dos recursos entre os familiares dos proprietários do colégio em que se realiza a atividade educacional, todos sócios das empresas beneficiadas com o aporte de capital. MULTA QUALIFICADA. Aplicase a multa qualificada de 150% quando resta comprovado nos autos a conduta dolosa, praticada para evitar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, configurando a sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. O Contribuinte opôs embargos de declaração para suprimir suposta omissão (efls. 1.498) que não foram admitidos, conforme despacho de efls. 1.847. Cientificado da decisão que não admitiu os embargos, em 03/06/2016 (efls. 1.856), o contribuinte não apresentou recurso especial. O responsável tributário ESTEVÃO LIMA DE CARVALHO ROCHA foi cientificado do Acórdão nº 1301.001.345 em 26/05/2014 (efls. 1.496) e ingressou com o recurso especial de efls. 1.503, em 06/06/2014, dentro do prazo previsto no § 2º do artigo 37 do Decreto nº 70.235/72. Posteriormente, em 16/06/2016, apresentou nova petição com o mesmo título, juntada nas efls. 2.119. O responsável tributário EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA foi cientificado do Acórdão nº 1301.001.345 em 26/05/2014 (efls. 1.494) e ingressou com o recurso especial de efls. 1.536, em 06/06/2014, dentro do prazo previsto no § 2º do artigo 37 do Decreto nº 70.235/72. Posteriormente, em 16/06/2016, apresentou nova petição com o mesmo título, juntada nas efls. 2.037. O responsável tributário DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA foi cientificado do Acórdão nº 1301.001.345 em 26/05/2014 (efls. 1.493) e ingressou com o recurso especial de efls. 1.618, em 06/06/2014, dentro do prazo previsto no § 2º do artigo 37 do Decreto nº 70.235/72. Posteriormente, em 16/06/2016, apresentou nova petição com o mesmo título, juntada à efls. 2.152. O responsável tributário JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA foi cientificado do Acórdão nº 1301.001.345 em 28/05/2014 (efls. 1.495) e ingressou com o recurso especial de efls. 1.666, em 09/06/2014, dentro do prazo previsto no § 2º do artigo 37 do Decreto nº 70.235/1972. Posteriormente, em 16/06/2016, apresentou nova petição com o mesmo título, juntada nas efls. 1.875. Mediante despacho de admissibilidade (efls. 2.226 e segs.) a Presidente da 3a Câmara da 1a Seção decidiu: a) negar seguimento ao recurso especial de ESTEVÃO LIMA DE CARVALHO ROCHA; b) dar seguimento ao recurso especial de EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA; Fl. 2301DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.302 11 c) dar seguimento ao recurso especial de DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA; d) dar seguimento parcial ao recurso especial de JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA, reconhecendo apenas a divergência em relação à responsabilidade tributária. O seguimento da matéria responsabilidade tributária para os recursos especiais de EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA, DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA e JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA deuse com base no paradigma nº 1302 001.322. Os responsáveis solidários ESTEVÃO LIMA DE CARVALHO ROCHA e JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA foram intimados da decisão exarada no despacho de admissibilidade e não se manifestaram, conforme atesta o despacho de efls. 2.249. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") apresentou contrarrazões (efls. 2.252 e segs). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. A princípio, cabe discorrer sobre a delimitação da matéria devolvida para o presente Colegiado. Portanto, restam preclusas e incontroversas as seguintes matérias, já transitadas na esfera administrativa: i) Suspensão da imunidade: decorrente do fato de o IADE, ao se passar por instituição de educação sem fins lucrativos, utilizou suposta prerrogativa para sonegar tributos, fruto de atividades de ensino exercidas em seu nome e com fins lucrativos, pelo Colégio Christus, com a agravante de que boa parte dos recursos oriundos de suas receitas era transferida, de forma oblíqua, para empresas mercantis ligadas a familiares do fundador do mencionado Colégio Sr. Roberto Carvalho Rocha, burlando os requisitos para o gozo desse benefício fiscal, estabelecidos nos incisos I e II do art. 14 da Lei n. 5.172/66 (CTN). ii) Manutenção integral dos créditos tributários lançados, com acréscimo de multa qualificada de 150%, decorrente dos atos dolosos e simulados praticados pela entidade na aquisição de partes beneficiárias de empresa mercantil, com posterior destino dos recursos para sociedades em conta de participação, quando se constatou que o negócio efetivamente realizado (vontade não declarada) consistiu na distribuição dos recursos entre os familiares dos proprietários do colégio em que se realiza a atividade educacional, todos sócios das empresas beneficiadas com os aportes de capital. iii) responsabilidade tributária de ESTEVÃO LIMA DE CARVALHO ROCHA, cujo recurso especial não foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. Fl. 2302DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.303 12 Remanesce, nesse sentido, a matéria responsabilidade tributária, devolvida por meio dos recursos especiais de EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA, DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA e JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA, com base no paradigma nº 1302001.322. Tendo a sujeição passiva indireta imputada sobre os mesmos fatos, passo à apreciação em conjunto dos recursos. Sobre a admissibilidade, protesta a PGFN, em contrarrazões, pela não admissibilidade dos recursos especiais, porque o paradigma nº 1302001.322 aborda a responsabilidade tributária apenas sob a perspectiva do art. 124 do CTN, enquanto que a imputação da sujeição passiva nos presentes autos deuse com base nos arts. 124 e 135, inciso III do CTN. Assim, não teria sido demonstrada a divergência em face da sujeição passiva indireta sobre o art. 135, inciso III do CTN. Passo ao exame. De fato, os recursos especiais de EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA, DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA e JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA foram admitidos pelo despacho de exame de admissibilidade, para a matéria responsabilidade tributária, com base exclusivamente no paradigma nº 1302001.322. E o aludido paradigma não enfrenta a sujeição passiva indireta aplicada em face do art. 135, inciso III do CTN. Vale transcrever excerto do voto: Notese que o mandatário César Antônio de Paula Silva já foi retirado do pólo passivo da relação tributária pela decisão recorrida, assim, o que nos cabe analisar é a sujeição passiva dos demais, a qual foi enquadrada nos art. 121 inciso II, art. 124 incisos I e II, art. 128 e art. 134 inciso VII do CTN. (Grifei) Quando o voto menciona o inciso III do art. 135 do CTN, é para reforçar interpretação dada para a sujeição passiva indireta amparada pelos art. 121, inciso II, art. 124, incisos I e II e art. 128 do CTN. Contudo, em nenhum momento adota o inciso III do art. 135 com fundamento. É o que se observa da transcrição: Antes de abordarmos a Súmula STJ 435, saliento que divirjo da decisão recorrida, pois entendo que os art. 121, inciso II, art. 124, incisos I e II e art. 128 do CTN não dão suporte legal para responsabilizar o sócio no caso em tela, pois, se o mero interesse econômico fosse suficiente para responsabilizar o sócio por tributos devidos pela sociedade restaria baldada a regra do art. 135, III, do CTN, já que independentemente, de ter agido com infração a lei ou ao contrato social, já seria responsável pelos tributos devidos pela sociedade, pelo simples fato de ter interesse nos lucros. Ademais, entendo, como já sustentado anteriormente, equivocada a responsabilização de pessoa que já não era mais sócio à época da publicação do ADE nº 03/2009. A ementa do paradigma não deixa dúvidas: Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.304 13 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFASTADA. Sem que se configure as hipóteses do art, 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social), não há como responsabilizar pessoa que já não era sócio da sociedade no momento em que houve a liquidação. Inaplicável o art. 134, VII, do CTN, para responsabilizar sócios se, à época da liquidação, a sociedade já era uma sociedade de capital. (Grifei) O que se afastou foi a responsabilidade aplicada com fulcro no art. 134, inciso VII do CTN. Por sua vez, nos presentes autos, a imputação da sujeição passiva deuse mediante aplicação dos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN (efl. 444): Assim sendo, com fulcro o artigo 124, inciso I, combinado com o artigo 135, inciso III e 149, inciso VII da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), impõese a responsabilização solidária pelos débitos levantados contra a fiscalizada, ao Sr. José Lima de Carvalho Rocha CPF 107.492.843/15, na qualidade de diretor geral do empreendimento educacional denominado Colégio Christus, o qual também figura como sócio/administrador das empresas indicadas no quadro abaixo, beneficiárias dos recursos sonegados ao fisco pela ora autuada. Com base nesses mesmos fundamentos jurídicos, a responsabilidade solidária deve estenderse aos sócios/administradores das demais empresas que, igualmente, se beneficiaram desses recursos, conforme constam também indicados no quadro abaixo (...) (Grifei) Na decisão recorrida (Acórdão nº 1301001.345), o voto adota os fundamentos do Termo de Sujeição Passiva: Feitas essas ponderações de ordem conceitual, observase que as pessoas físicas foram solidarizadas após a Fiscalização constatar que a pessoa jurídica foi utilizada como instrumento de sonegação fiscal por parte dos seus representantes legais, a revelar perfeito enquadramento nas hipóteses citadas no Termo de Sujeição. Vale transcrever a ementa na parte que interessa: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal possuem responsabilidade solidária, nos termos do inciso I do art. 124 do CTN, em relação ao crédito tributário lançado de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. Responde solidariamente com a pessoa jurídica autuada pelos créditos tributários aquele que detendo, de fato, o poder Fl. 2304DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.305 14 decisório sobre a entidade imune, agiu com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN. Percebese, com clareza, que o paradigma nº 1302001.322 não enfrentou a responsabilidade tributária com fulcro no art. 135, inciso III do CTN. Nesse contexto, os recursos especiais perdem a utilidade, na medida em que não se mostram suficientes para afastar a sujeição passiva indireta. Ainda que se pudesse admitir o afastamento da sujeição passiva indireta aplicada com base no art. 124, inciso I do CTN, ainda persistiria aquela imputada com fulcro no art. 135, inciso III do mesmo código. Diante do exposto, o voto é no sentido de não conhecer dos recursos especiais de EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA, DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA e JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA. Em votação da admissibilidade, restei vencido, em relação aos recursos de EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA E DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA, que foram conhecidos em votação proferida pelo Colegiado. Cabe esclarecer ainda que meu entendimento era no sentido de que no mérito caberia análise da responsabilização tributária sob a ótica dos arts. 124, inciso I, e art. 135, inciso III, do CTN. Contudo, restei vencido em relação à apreciação do art. 135, inciso III do CTN. Portanto, a partir do presente momento, a apreciação será restrita ao art. 124, inciso I do CTN. Passo ao exame do mérito, em conjunto, dos dois recursos. A situação em debate trata de construção empreendida por várias empresas, visando de maneira deliberada esquivarse de suas obrigações tributárias. Em brevíssima síntese, o Contribuinte, IADE, foi designado como "mantenedor" do Colégio Christus, que tinha como sócioadministrador JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA. É matéria incontroversa nos autos que o IADE promoveu a aquisição de "Partes Beneficiárias" de uma empresa desprovida de patrimônio denominada COPEP Comércio de Produtos Educacionais e Participações S/A ("COPEP"). Por sua vez, na sequência, a COPEP repassava os recursos recebidos do IADE para diversas empresas a pretexto de "investimentos" em Sociedades em Conta de Participação SCP, que não por acaso eram de um mesmo grupo familiar em torno de JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA. O mesmo artifício foi adotado com uma outra "sociedade mantenedora", ACEF, objeto de autuação fiscal em outros autos processuais. Discorre a autoridade fiscal (efls. 439/444): A estratégia consistia na simulação de investimentos a título de aquisição de "partes beneficiárias" numa empresa desprovida de patrimônio denominada COPEP Comércio de Produtos Educacionais e Participações S/A a qual, por sua vez, repassava de imediato os recursos recebidos tanto do IADE como da Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.306 15 ACEF, para diversas empresas pertencentes ao grupo familiar supracitado, desta feita, a pretexto de "investimentos" em "Sociedades em Conta de Participação SCP", nas quais as destinatárias dos recursos figuravam simbolicamente como sócias ostensivas, conforme circunstanciado em detalhes na Notificação Fiscal de Suspensão de Imunidade supracitada, cuja íntegra subsidia o presente Termo. O fluxo financeiro levantado a partir da documentação e dos assentamentos contábeis colhidos junto à empresa "pivô" denominada COPEP, aponta como beneficiários finais das transferências oriundas do IADE, as empresas a seguir relacionadas, ressalvandose que no ano de 2007 os repasses se encontram agregados aos valores oriundos da ACEF (...) Os fatos acima relatados, aliado ao já exaustivamente discorrido na Notificação Fiscal de Suspensão da Imunidade, demonstram claramente que a inserção do IADE como mantenedora do Colégio Christus, tendo à sua direção funcionários de empresas pertencentes aos donos do citado Colégio, de inexpressivo patrimônio e que, de fato, não detinham poder decisório sobre os destinos desse empreendimento educacional, teve por real finalidade apenas proteger os proprietários do referido Colégio das consequências fiscais resultantes da conduta sonegatória perpetrada em nome daquela entidade (IADE). De fato, a inclusão do IADE como mais uma das mantenedoras do citado Colégio, ao tempo em que outras entidades já figuravam nessa mesma condição, denota o despropósito de tal medida no seu aspecto administrativo/operacional, e aflora o interesse subjacente de ordem meramente fiscal, que, na sequência, viuse concretizado nos anos de 2007 e 2008. Com efeito, salta aos olhos o abuso de forma jurídica materializada nos negócios formalizados em nome desse instituto, visando burlar os requisitos da imunidade tributária e assim, transferir recursos livres de impostos, oriundos das atividades de prestação de serviços educacionais desenvolvidos pela família do Sr. Roberto de Carvalho Rocha, para empresas mercantis a eles pertencentes, conforme demonstrado na Notificação supracitada. Assim sendo, com fulcro o artigo 124, inciso I, combinado com o artigo 135, inciso III e 149, inciso VII da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), impõese a responsabilização solidária pelos débitos levantados contra a fiscalizada, ao Sr. José Lima de Carvalho Rocha CPF 107.492.843/15, na qualidade de diretor geral do empreendimento educacional denominado Colégio Christus, o qual também figura como sócio/administrador das empresas indicadas no quadro abaixo, beneficiárias dos recursos sonegados ao fisco pela ora autuada. Com base nesses mesmos fundamentos jurídicos, a responsabilidade solidária deve estenderse aos sócios/administradores das demais empresas que, igualmente, se beneficiaram desses recursos, conforme constam também indicados no quadro abaixo (...) (Grifei) Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.307 16 Vale apresentar os quadros elaborados pela autoridade fiscal. O fluxo financeiro foi assim detalhado: da "sociedade mantenedora" IADE do Colégio Christus para a COPEP (a título de aquisição de "partes beneficiárias"): Saídas de Recursos do IADE e da ACEF a Título de Aquisições de "Partes Beneficiárias" da COPEP (R$) Ano IADE ACEF Total 2007 3.434.900,00 2,150.400,00 5.585.300,00 2008 3.037.100,00 0,00 3.037.100,00 Total Recebido peia COPEP 8.622.400,00 da COPEP para as Sócias Ostensivas de SCP do grupo familiar: Recursos Repassados da COPEP para Sócias Ostensivas de SCP (R$) Destinatárias dos Recursos Sócia Ostensiva SCP 2007 2008 Total APEL Assoe. ProEnsino S/C Ltda APECOP 457.000,00 500.000,00 957.000,00 Instituto Educacional Christus IECOP 200.000,00 0,00 200.000,00 Copy Vip Comércio COPCOP 480.000,00 0,00 480.000,00 Gráfica e Editora LCR Ltda GRACOP 0,00 300.000,00 300.000,00 Metalúrgica LCR Ltda METACOP 900.000,00 200.000,00 1.100.000,00 Construtora e Imob. LCR Ltda CONCOP 780.000,00 1.486.000,00 2.266.000,00 !PADElnst. p/Desenvol. Educ. Ltda IPACOP 1.016.000,00 0,00 1.016.000,00 ORMELOrganização e Métodos Ltda ORCOP 230.000,00 0,00 230.000,00 Comercial LCR e Represent. Ltda COPCOM 145.540,00 0,00 145.540,00 Auto Vale Veículos Ltda AUTOCOP 100.000,00 0,00 100.000,00 Escola 21 de Março ESCOP 650.000,00 350.000,00 1.000.000,00 Novem Construções Ltda NOVCOP 600.000,00 200.000,00 800.000,00 TOTAIS REPASSADOS EM 2007 E 2008 5.558.540,00 3.036.000,00 8.594.540,00 E se mostra esclarecedor quem são os sóciosadministradores das pessoas jurídicas beneficiadas pelos repasses construídos pelo esquema ardiloso: SóciosAdministradores de Empresas Beneficiárias de Recursos Oriundos do Colégio Christus Sócioadministrador Empresa Instituto Educacional Christus Cop Vip Comercio Representação e Serviços Ltda JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA CPF 107.492.84315 IPADEInstituto p/Desenvolvimento da Educação Ltda APEL Associação ProEnsino S/C Ltda Gráfica e Editora LCR Ltda Construtora e Imobiliária LCR Ltda ORMEL Organização e Métodos Ltda Escola 21 de Março Ltda DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA CPF 170.953.36334 Novem Construções Ltda Comercial LCR e Representações Ltda ESTEVÃO LIMA DE CARVALHO ROCHA CPF 221.767.64315 Auto Vale Veículos Ltda EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA CPF 107.493.14320 Metalúrgica LCR Ltda Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.308 17 Diante dos atos dolosos apresentados, não por acaso a qualificação da multa (150%) foi mantida e é matéria preclusa administrativamente. Vale transcrever o art. 124, inciso I do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) No caso em debate, a fratura é tão exposta que se mostra suficiente, por si só, a imputação com base no art. 124, inciso I do CTN. Não se pode ignorar que o interesse econômico, por si só, não se mostra suficiente para a inclusão no pólo passivo da relação obrigacional tributária. Também há que restar demonstrado o vínculo jurídico, consubstanciado na atuação em conjunto, concorrente, que se amolda à hipótese de incidência prevista na norma tributária. E a atuação em conjunto pode se materializar de diversas maneiras, dentre as quais no caso tratado nos presentes autos, no qual se demonstra claramente que as pessoas físicas valeramse de artifícios para se esquivar das obrigações tributárias, com utilização de estratagemas ardilosos e construções fictícias, como o IADE e a COPEP. O interesse jurídico resta caracterizado na medida em que a construção empreendida pelas pessoas físicas foi em conjunto, concorrente, visando deliberadamente revestir os rendimentos auferidos de uma imunidade tributária inexistente, e repassar tais recursos aos reais beneficiários, sócios de diferentes empresas de um mesmo grupo familiar. Restou comprovada nos autos, para além de qualquer dúvida, a participação ativa, individual e concatenada dos responsáveis solidários na prática dos ilícitos tributários. Vale reproduzir a clássica lição de Rubens Gomes de Souza, autor do anteprojeto do CTN1: “É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação; por outras palavras, (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado”. A descrição dos fatos e a análise das provas colacionadas pela fiscalização são mais do que suficientes para reconhecer o interesse jurídico dos responsáveis solidários nos atos que ensejaram a obrigação tributária, apto a atrair a solidariedade prevista no artigo 124, I, do CTN. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer dos recursos especiais de JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA, EDUARDO LIMA DE CARVALHO e DAVID 1 Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3.ª ed, p 67. Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.309 18 LIMA DE CARVALHO ROCHA; e, tendo sido vencido na admissibilidade para os recursos de EDUARDO LIMA DE CARVALHO e DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA, no mérito, negolhes provimento. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator Designado. Fui designado para redigir o voto vencedor apenas quanto ao conhecimento dos recursos de Eduardo Lima de Carvalho e David Lima de Carvalho Rocha. Quanto à responsabilidade tributária, a decisão de primeira instância assim se manifestou: Diante do exposto, entendo que os Srs. Davi Lima de Carvalho Rocha, Eduardo Lima de Carvalho Rocha e Estevão Lima de Carvalho Rocha devem ser mantidos no termo de sujeição passiva solidária, com base no art. 124, inciso I, do CTN, não prevalecendo para essas pessoas a responsabilidade capitulada no art. 135, inciso III. Desta decisão não houve recurso de ofício. Portanto, definitivamente julgado o afastamento da responsabilidade tributária de Eduardo Lima de Carvalho, David Lima de Carvalho Rocha e Estevão Lima de Carvalho Rocha, com base no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN). Quando o Acórdão recorrido apreciou a responsabilidade de Eduardo Lima de Carvalho e de David Lima de Carvalho Rocha só o fez com base no art. 124, inciso I, do CTN, daí porque não procede a insuficiência recursal apontada pelo relator em relação a esses responsáveis tributários. Já em relação a José Lima de Carvalho Rocha, não houve o afastamento da responsabilidade tributária com base no art. 135, inciso III, do CTN, pela primeira instância, daí então quando a decisão recorrida manteve a responsabilidade para o mesmo, mantevea integralmente, ou seja, por ambos os suportes legais; sendo o caso, realmente, de insuficiência recursal do recurso especial, conforme identificado pelo relator. Com base nestes fundamentos, votei, e foi acompanhado pela maioria do colegiado, por conhecer dos recursos especiais de Eduardo Lima de Carvalho e David Lima de Carvalho Rocha. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.310 19 Fl. 2310DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901950/2008-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO.
O prazo para o contribuinte retificar sua DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
Numero da decisão: 1001-000.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, para confirmar a decisão de piso, que entendeu que não houve contestação quanto ao direito creditório, vencido o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, que conheceu integralmente do recurso. Acordam, ainda, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO. O prazo para o contribuinte retificar sua DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
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RETIFICAÇÃO. PRAZO. O prazo para o contribuinte retificar sua DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, para confirmar a decisão de piso, que entendeu que não houve contestação quanto ao direito creditório, vencido o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, que conheceu integralmente do recurso. Acordam, ainda, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 19 50 /2 00 8- 62 Fl. 265DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declarações de Compensação 28136.33115.260804.1.3.045229, de 26/08/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (IRPJ Código 2362 Estimativa mensal, dez 2002). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 775588545 (efl. 11), que analisou as informações e reconheceu que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 02/05) na qual alegou que: confrontandose a DIPJ/2003, ano base 2002, mês de dezembro/2002, constatase que a empresa nada deve; declarou indevidamente na DCTF débito no valor de R$ 30.000,00 relativo ao fato gerador de dezembro 2002; para regularizar a situação fiscal, foi efetuada e apresentada a DCTF retificadora, relativa ao 4º trimestre/2002, ajustandose o valor devido a titulo de IRPJ; no mês de dezembro de 2002, a empresa estimou que seria apurado em torno de R$ 30.000,00 de Imposto de Renda, e para evitar penalização com multas e juros, recolheu o mencionado valor. No entanto, ao apurar o lucro real, a empresa apresentou saldo negativo do IRPJ, configurando o pagamento indevido ou a maior; o DARF referente ao recolhimento foi indevidamente informado na DCTF do 4º trimestre de 2002. A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 16 57.473 2ª Turma da DRJ/SP1, efls. 199/202). A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não poderia inovar o pedido na manifestação de inconformidade, que não trouxe documentos que embasassem seu pedido de crédito, e que retificou a DCTF após o prazo decadencial: Tendo em vista que o pedido inicial da interessada requeria a restituição de Pagamento Indevido ou a Maior, entendo não ser cabível neste mesmo procedimento inovar o pedido, alterando o direito creditório para saldo negativo de IRPJ (...) mesmo que se entendesse que o presente Per/Dcomp trata efetivamente de Pagamento Indevido ou a Maior, deveria a contribuinte ter apresentado sua manifestação de inconformidade acompanhada de elementos probatórios que permitissem à autoridade julgadora constatar a efetiva ocorrência do alegado equívoco cometido na DCTF anterior, nos termos do artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972. (...) no caso em tela, a DCTF retificadora foi apresentada após o decurso do prazo que o contribuinte possui para exercer o direito de retificar suas declarações, o que torna ineficaz, para Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13884.901950/200862 Acórdão n.º 1001000.611 S1C0T1 Fl. 266 3 todos os efeitos legais, as alterações introduzidas por meio desta DCTF retificadora transmitida de forma extemporânea. (...) Cientificada em 09/05/2014 (efl. 203), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 06/06/2014 (efl. 235), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e complementa: o § 4° do art. 16 do Decreto 70235/72 não restou confrontado, vez que a recorrente acostou cópia da DCTF Retificadora no momento processual adequado; em que pese a retificação da Declaração ter ocorrido em prazo superior ao previsto na legislação, é de se observar que o equívoco só veio á tona com a intimação do despacho de cisório que não homologou o pedido da Recorrente. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço parcialmente apenas para confirmar a decisão de piso. Isto porque não cabe aqui apreciar o pedido para que a PER/DCOMP em questão seja retificada para incluir pedido diverso do originalmente consignado. Desta forma adiro aos fundamentos da decisão de primeira instância, pois retificação de PERDCOMP incluise na competência da DRF, e não é matéria do contencioso administrativo. Acrescento que, conforme demonstrado na decisão de piso, mesmo as informações e documentos fiscais trazidos junto com a manifestação de inconformidade não se mostraram capazes de confirmar o direito creditório pleiteado. Isto porque sob este enfoque, não basta que o interessado se limite a comprovar se houve ou não os pagamentos indevidos ou a maior do imposto reportado no curso do processo, ou mesmo restringirse a assegurar a legitimidade da apuração do crédito declarado na DCOMP, mas, também, deixar patente a constituição e a disponibilidade da importância pretensamente paga a maior, devendo apoiarse em demonstração comparativa, detalhada e lastreada nos livros fiscais e comerciais exigidos pela legislação tributária. Quanto a alegação de que teria decorrido a decadência do direito do contribuinte de modificar as informações prestadas por intermédio da DCTF correlata ao 4° trimestre do anocalendário de 2002, constato que a DCTF retificadora foi apresentada em 11/08/2008 (efls. 127) cabendo razão à decisão de primeira instância, visto que o prazo para o contribuinte retificar sua DCTF (que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida) coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN, ou seja, cinco anos do fato gerador sem previsão legal de interrupção deste prazo. Fl. 267DF CARF MF 4 Por fim, ao contrário daquilo que alega o requerente, é importante ressaltar que os elementos carreados na manifestação de inconformidade por si só não perfazem prova suficiente da presença de erro de fato na elaboração da DCTF, tendo em conta que não possuem o condão de suprir prova documental que abrigue a alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva da imposto. Este CARF tem consignado que em tema de restituição e compensação cabe o atendimento de quatro premissas: Ia) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2a) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3a) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anos calendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pelo postulante da manifestação de inconformidade, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo do Imposto de Renda a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade de eventual saldo negativo de IRPJ declarado. Observo que o recorrente tenta trazer a esta segunda instância (CARF) documentos no intuito de provar seus créditos. Mas, conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Na sessão de julgamento do processo em epígrafe, o D. Relator rejeitou em seu voto os documentos apresentados pela Contribuinte por ocasião de seu Recurso Voluntário sob o argumento de que o direito à produção probatória estaria precluído, em estrita aplicação do art. 16, §4º e §5º, do Decreto 70.235/72. Com a devida vênia, discordo do Voto do Relator. Razão pela qual, entendi por bem declarar meu voto, especificando as razões que me levaram a divergir do posicionamento do ilustre Relator. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13884.901950/200862 Acórdão n.º 1001000.611 S1C0T1 Fl. 267 5 Pois bem, conforme cediço, em nosso sistema jurídico pátrio nenhuma norma paira sozinha no universo, mas, sim, se concilia com todas as demais perfazendo um ordenamento uno, coeso e harmônico. Quer isto dizer que nenhuma norma pode ser interpretada apenas de forma isolada, devendo o hermeneuta, em seu trabalho, extrair de todas as acepções possíveis de determinado texto legal aquelas que permitam aplicação harmoniosa com as demais disposições pertinentes à mesma matéria. Em outras palavras, dentre as várias interpretações possíveis de um dispositivo legal, devese buscar aquela que não entre em conflito com outra norma igualmente válida, sob pena de subversão da ordem jurídica. Fixada essas premissas, cabe voltar a análise as normas vigentes relacionadas à questão da produção probatória. O permissivo legal que fundamentou o Voto do Relator, art. 16 do Decreto 70.235/72, possui a seguinte redação: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 269DF CARF MF 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifouse) Uma analise literal e isolada deste dispositivo permitiria concluir rigidamente que haveria a preclusão do direito à produção probatória após a apresentação da Impugnação, salvo nas hipóteses taxativas do §5º. Contudo, tal interpretação não deve ocorrer desta forma, vez que há outros elementos normativos atinentes a matéria que também devem ser considerados. A Constituição Federal, norma de maior hierarquia em nosso ordenamento, estabelece no inciso LV de ser art. 5º os princípios do contraditório e da ampla defesa, nos seguintes termos: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Ao incluir o direito ao contraditório e a ampla defesa "com os meios e recursos a ela inerentes" no rol de direitos e garantias fundamentais, o legislador constituinte elevaos ao mais alto grau de importância dentro de nosso ordenamento, restando claro a preponderância que tais direitos devem ter. E, assim, devem ser observados e operacionalizados pelas demais normas infraconstitucionais. Não por acaso, tais princípios foram observados pela Lei 9.784/99, responsável por regular o Processo Administrativo Federal, que trouxe no bojo de seu art. 2º as seguintes disposições: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13884.901950/200862 Acórdão n.º 1001000.611 S1C0T1 Fl. 268 7 VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, e à produção de provas à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...)(grifouse) Conforme se extrai, o legislador infraconstitucional não só incorporou expressamente os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa, contraditório e ouros, como elencou uma série de critérios a serem observados na regulamentação e condução dos processos administrativos. Desses critérios expressos acima, temse de forma bastante clara que as formalidades e restrições devem ser limitados ao estrito necessário para garantir a efetividade do processo em atender a finalidade pública. Ora, as regras processuais formais visam dar ordem ao processo, permitindo que este cumpra com seus objetivos de forma eficiente, isto é, dentro da moralidade e proporcionando segurança jurídica no cumprimento do interesse público. Contudo, a norma processual não pode se sobrepor ao próprio objetivo do processo, qual seja, a promoção da legalidade. Por oportuno esclarecese que não se está a sugerir que as regras formais postas sejam mitigadas, mas sim que a interpretação do texto legal seja feita de forma a considerar a finalidade maior do processo, as regras formais não devem ser interpretadas de forma rigorosa a ponto de prejudicar o cumprimento de seu escopo. Ainda, cumpre trazer a colação os termos do art. 38 da mesma Lei 9.784/99, que trata especificamente da produção probatória nos Processos Administrativos Federais: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 271DF CARF MF 8 Notese que o texto legal diz expressamente que é permitido ao interessado apresentar ou requerer a produção de material probatório não só na fase instrutória, mas também antes da tomada da decisão. Outrossim estabelece taxativamente que a prova só poderá ser recusadas quando ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Pois bem, retornando a ideia inicialmente tratada neste Voto de que as normas jurídicas devem ser interpretadas da forma mais harmônica possível, me parece que a interpretação restritiva do art. 16 do Decreto 70.235/72, para recusar de plano toda e qualquer prova apresentada pelo contribuinte após o protocolo da Impugnação/Manifestação de Inconformidade não se coaduna com as demais normativas já expostas. Em verdade, a aplicação tão restrita assim da norma, não só implica na frontal negativa de vigência aos disposto da mais moderna Lei 9.784/99, como destoa até mesmo dos objetivos maiores do Processo Administrativo Federal que é a revisão do ato administrativo fiscal e a garantia de que este se encontra dentro da legalidade. Alias, fazse oportuno lembrar que o Processo Administrativo Fiscal também se rege pelo princípio da busca pela verdade material, ou seja, a preponderância no interesse público é a solução jurídica mais adequada ao caso, independente dos excessos de formalidade. Assim, ao meu ver, a melhor interpretação extraída da conjugação dos disposto quanto ao tema na Constituição Federal, Lei. 9.784/99 e Decreto 70.235/702 é aquela que não impõe óbice na apresentação de provas junto ao Recurso Voluntário, ou até mesmo em momento posterior prévio ao julgamento, desde que as provas não sejam ilícitas ou manejadas de má fé. De forma semelhante tem decidido a 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentes julgados, conforme se colaciona: PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 10880.004637/9929. Rel. ANDRE MENDES DE MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017) PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13884.901950/200862 Acórdão n.º 1001000.611 S1C0T1 Fl. 269 9 para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 16327.001227/200542. Rel. ADRIANA GOMES REGO. Data da Sessão: 08/08/2017) RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. (Processo: 14098.000308/200974. Rel. GERSON MACEDO GUERRA. Data da Sessão: 19/06/2017 ) Para melhor ilustrar, peço vênia para transcrever a parte final da fundamentação do Voto deste último julgado colacionado, de autoria da ilustre Conselheira Cristiane Silva Costa, designada Redatora para o Voto Vencedor: "Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. (...) Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a Fl. 273DF CARF MF 10 assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte." Destarte, diante de todos os argumentos expedindos, entendo que as provas apresentadas em momento posterior ao da Impugnação/Manifestação de Inconformidade, podem, e devem, ser conhecidas, desde que não acarretem qualquer prejuízo processual as partes ou ao bom trâmite processual. Ressalvase que o Julgador ao analisar o recebimento de provas que eventualmente entenda serem ilícitas, meramente protelatórias, ou que sejam manejadas com o intuito de lesar a parte adversa tem o poder e o dever de recusálas. Ou, ainda que não vislumbre qualquer má fé, mas tema por eventual supressão de instância ou direito ao contraditório, sempre pode recorrer a prerrogativa de baixar os autos em diligência para que seja oportunizada as providências necessárias para o resguardo do direito. Nesta linha, considerando que no caso em tela as provas oferecidas pela Recorrente por ocasião do Recurso Voluntário não foram sequer analisadas pelo digno Relator, tampouco pela DRJ de origem, entendo por bem que seja os autos baixados em diligência para que a d. Autoridade Fiscal se pronuncie a respeito. Desta feita, diante de tudo o que foi exposto, peço vênia ao Ilustre Conselheiro Relator para discordar de suas e encaminhar o meu VOTO no sentido de converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem proceda ao exame dos argumentos e da documentação apresentada junto com o Recurso Voluntário, confrontandoa com os demais já constante dos autos e, ainda, com outros dados disponíveis. Para efetividade desse exame, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos, sem prejuízo de outras providências, a juízo da autoridade diligenciante, assim como consultas a dados e sistemas disponíveis à fiscalização. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado explicitando suas conclusões a respeito da matéria em litígio, do qual se dará ciência à contribuinte para que no prazo de trinta dias, querendo, se manifeste. Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, os autos devem retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 274DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.732469/2012-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL.
É devida a contribuição patronal incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a segurados empregados e contribuintes individuais.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS
A empresa é obrigada a arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados empregados, descontando-as da respectiva remuneração.
CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS.
Cabe à empresa o recolhimento das contribuições destinadas a Entidades e Fundos denominados Terceiros.
CFL 78. PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas.
CFL 59. PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DEIXAR DE RECOLHER E ARRECADAR. INFRAÇÃO. MULTA.
Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados Contribuintes Individuais que lhe prestarem serviços, descontando-as da respectiva remuneração.
CFL 30. MULTA POR INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO.
Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento contemplando a integralidade dos segurados a seu serviço e os valores a eles pagos.
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
São solidariamente obrigadas as pessoas que têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. É devida a contribuição patronal incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a segurados empregados e contribuintes individuais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS A empresa é obrigada a arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados empregados, descontando-as da respectiva remuneração. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. Cabe à empresa o recolhimento das contribuições destinadas a Entidades e Fundos denominados Terceiros. CFL 78. PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas. CFL 59. PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DEIXAR DE RECOLHER E ARRECADAR. INFRAÇÃO. MULTA. Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados Contribuintes Individuais que lhe prestarem serviços, descontando-as da respectiva remuneração. CFL 30. MULTA POR INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento contemplando a integralidade dos segurados a seu serviço e os valores a eles pagos. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado
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É devida a contribuição patronal incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a segurados empregados e contribuintes individuais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS A empresa é obrigada a arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados empregados, descontandoas da respectiva remuneração. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. Cabe à empresa o recolhimento das contribuições destinadas a Entidades e Fundos denominados Terceiros. CFL 78. PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas. CFL 59. PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DEIXAR DE RECOLHER E ARRECADAR. INFRAÇÃO. MULTA. Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados Contribuintes Individuais que lhe prestarem serviços, descontandoas da respectiva remuneração. CFL 30. MULTA POR INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 24 69 /2 01 2- 23 Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10580.732469/201223 Acórdão n.º 2202004.450 S2C2T2 Fl. 2.447 2 Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento contemplando a integralidade dos segurados a seu serviço e os valores a eles pagos. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 10580.732469/201223 Acórdão n.º 2202004.450 S2C2T2 Fl. 2.448 3 Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.732469/201223, em face do acórdão nº 0645.844, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), em sessão realizada em 20 de março de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Trata o presente processo administrativo tributário, cadastrado no COMPROT sob nº 10580.732469/201223, dos Autos de Infração (AI) abaixo relacionados, lavrados contra a empresa UNIBAHIA UNIDADE BAIANA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO LTDA., em 19/01/2013, e referente aos período de 01/2009 a 12/2009: AI DEBCAD Nº 51.022.9018: em razão da empresa deixar de arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais (valores não descontados dos segurados). Código de Fundamentação Legal (CFL) nº 59. Total deste AI: R$ 3.434,76 (fls. 2). AI DEBCAD Nº 51.022.9026: em razão da empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas. CFL nº 78. Total desde AI: R$ 6.500,00 (fl. 3). AI DEBCAD Nº 51.022.9042: compreende as contribuições destinadas às Entidades ou Fundos denominados Terceiros (FNDE/SalárioEducação, INCRA, SESC e SEBRAE), incidentes sobre remuneração de segurados empregados (não declarada em GFIP). Total desde AI: R$ 217.545,22 (fl. 4). AI DEBCAD Nº 51.022.9050: compreende a contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais (valores descontados dos segurados e não recolhidos – apropriação indébita), incidente sobre a remuneração percebida. Total desde AI: R$ 320.384,42 (fl. 16). AI DEBCAD Nº 51.022.9069: compreende a contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidente sobre a remuneração percebida. Total desde AI: R$ 33.883,57 (fl. 27). AI DEBCAD Nº 51.022.9077: em razão da empresa deixar de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço. CFL nº 30. Total deste AI: R$ 3.434,76 (fls. 39). AI DEBCAD Nº 51.022.9085: compreende as contribuições da empresa, inclusiva aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre remuneração de segurados Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10580.732469/201223 Acórdão n.º 2202004.450 S2C2T2 Fl. 2.449 4 empregados e de contribuintes individuais (não declarada em GFIP). Total deste AI R$ 1.033,084,79 (fl. 40). 2. O procedimento fiscal e os lançamentos efetuados estão explicitados no Relatório Fiscal de fls. 57 a 90, estando os AIs referentes às obrigações principais acompanhados dos seus respectivos anexos (em especial: DD – DISCRIMINATIVO DO DÉBITO, RADA – RELATÓRIO DE APROPRIAÇÃO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS e FLD – FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO), que acompanham cada um dos AIs. 3. No caso dos AIs referentes a descumprimento de obrigação acessória, a fundamentação legal da infração está descrita no item DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO, assim com a multa aplicada está fundamentada na forma do item DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA e graduada conforme o item DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA, todos presentes na folha de rosto dos respectivos AIs. 4. Tendo em vista a ocorrência, EM TESE, de prática de ilícito previsto na legislação previdenciária e penal, foi efetuada Representação Fiscal Para Fins Penais, conforme COMPROT nº 10580.732470/201258. 5. Por ter a empresa infringido a legislação tributária, seus representantes legais à época (sóciosadministradores), abaixo relacionados, foram considerados solidariamente responsáveis, com seus patrimônios, pelos créditos devidos neste processo: FABRÍCIO VASCONCELLOS SOARES CPF 046.989.59500 ANA MARIA DE BARROS SANTOS SOARES CPF 656.617.96820 6. Foi emitido Termo da Arrolamento de Bens e Direitos, tendo em vista que a divida da empresa ser superior a R$ 2.000.000,00 e superior a 30% do seu Ativo constante na DIPJ de 2010, anexada ao presente processo. 7. Cientificada a empresa do lançamento em 23/01/13, conforme recibo de fls. 1063 a 1066, bem como os responsáveis solidários, conforme Termos de Sujeição Passiva de fls. 1067 a 1076, foram apresentadas as impugnações a seguir relacionadas: AI DEBCAD Nº 51.022.9085 – Obrigação Principal Impugnação do sócioadministrador Fabrício Vasconcelos Soares – fls. 1083 a 1087. Impugnação da empresa fls.1169 a 1172. Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 10580.732469/201223 Acórdão n.º 2202004.450 S2C2T2 Fl. 2.450 5 AI DEBCAD Nº 51.022.9018 – Obrigação Acessória Impugnação do sócioadministrador Fabrício Vasconcelos Soares – fls. 1275 a 1279. Impugnação da empresa – fls. 1361 a 1364. AI DEBCAD Nº 51.022.9042 – Obrigação Principal Impugnação da empresa – fls. 1455 a 1458. Impugnação do sócioadministrador Fabrício Vasconcelos Soares – fls. 1556 a 1560. AI DEBCAD Nº 51.022.9050 – Obrigação Principal Impugnação da empresa – fls. 1645 a 1648. Impugnação do sócioadministrador Fabrício Vasconcelos Soares – fls. 1747 a 1751. AI DEBCAD Nº 51.022.9077 – Obrigação Acessória Impugnação da empresa – fls. 1835 a 1838. Impugnação do sócioadministrador Fabrício Vasconcelos Soares – fls. 1920 a 1924. AI DEBCAD Nº 51.022.9069 – Obrigação Principal Impugnação da empresa – fls. 2015 a 2018. Impugnação do sócioadministrador Fabrício Vasconcelos Soares – fls. 2120 a 2124. AI DEBCAD Nº 51.022.9026 – Obrigação Acessória Impugnação do sócioadministrador Fabrício Vasconcelos Soares – fls. 2209 a 2213. Impugnação da empresa – fls. 2300 a 2303. Das impugnações da empresa 8. Nas quatro impugnações referentes às obrigações principais, a empresa repete os mesmos argumentos em cada uma delas, alegando, em síntese, que: a) “não poderia a Auditora Fiscal ter autuado a Impugnante por falta de declaração de GFIP do período de 01/2009 a 13/2009, tendo em vista que as contribuições previdenciárias do período correspondente não foram omitidas pela mesma, o que ocorreu foi que a empresa declarou o tributo e não realizou o pagamento do mesmo em sua totalidade”; Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 10580.732469/201223 Acórdão n.º 2202004.450 S2C2T2 Fl. 2.451 6 b) “ ressaltese também que o simples ato de não recolher os tributos não contribuirá em absolutamente nada para preencher o fato descrito na hipótese normativa tributária do auto de infração em questão”; c) “a empresa Unibahia procedeu com a declaração do imposto, entretanto apenas não realizou o recolhimento em sua totalidade por estar passando por dificuldades financeiras”; d) “as alegações feitas pela auditora fiscal são insustentáveis, vez que estão totalmente em dissonância com os ditames legais,” [...] “se ‘perde’ em suas próprias fundamentações” e não “junta ao auto de infração algum documento que comprove, concretamente, o que aduz”; e) por tais motivos, “para que não restem sombras de dúvidas”, “em que pese a duvidosa constitucionalidade/legalidade da exigência contida no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72”, se mostra necessária a realização de diligências e perícias (contábil e in locu) para que a situação aventada pela Fiscal seja averiguada; f) “requer a produção de todas as provas em Direito admitidas, especialmente a juntada dos documentos em anexo, bem como outros que vierem a ser necessários”. 9. Quanto ao AI DEBCAD Nº 51.022.9050, alega a empresa, ainda, que se “pode observar da análise das planilhas acostadas pela empresa que o valor pago na GPS dos períodos 01/2009 a 13/2009 correspondem aos mesmos valores constantes na planilha em anexo, no item que trata sobre ‘segurado’. [...] A partir disso, fica claro [...] que o único equívoco da Empresa foi não ter individualizado o respectivo pagamento da GPS, isso não quer dizer que a empresa Recorrente não tenha cumprido com sua obrigação de repassar os valores que foram descontados na folha de pagamento dos empregados.” 10. Nas três impugnações referentes às obrigações acessórias, a empresa reproduziu os mesmos argumentos já expostos nas impugnações referentes às obrigações principais e acrescentou a seguinte alegação em cada uma elas: AI DEBCAD Nº 51.022.9018 – alega ter cumprido com sua “obrigação de declarar e recolher as contribuições previdenciárias do período correspondente, não se omitindo assim da respectiva obrigação a ela imposta”. AI DEBCAD Nº 51.022.9077 – alega que a empresa cumpriu com sua obrigação de preparar a folha de pagamento da remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço nos moldes em que a seguridade social determina, não se omitindo assim da respectiva obrigação a ela imposta. AI DEBCAD Nº 51.022.9026 – alega ter cumprido com sua “obrigação de declarar as contribuições previdenciárias do Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 10580.732469/201223 Acórdão n.º 2202004.450 S2C2T2 Fl. 2.452 7 período correspondente, não se omitindo assim da respectiva obrigação a ela imposta”. Das impugnações do sócioadministrador Fabrício Vasconcelos Soares 11. Nas quatro impugnações referentes às obrigações principais, o sócioadministrador Fabrício Vasconcelos Soares repete os mesmos argumentos em cada uma delas, alegando, em síntese, que: a) “o Recorrente [...] foi autuado [...] em razão da Auditora Fiscal ter entendido que o sócio administrador é solidariamente responsável com seu patrimônio pelos créditos devido pelo sujeito passivo em casos resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, nos termos do art. 135 do CTN”; b) “mister se faz esclarecer que não poderia a Auditora Fiscal ter realizado a desconsideração da pessoa jurídica, primeiramente por lhe faltar competência para tal ato, posto que o instituto da despersonalização depende de ordem judicial autorizadora, o que não a aconteceu no caso em tela, e segundo por ter a empresa cumprido com a sua obrigação de declarar em GFIP as contribuições previdenciárias do período correspondente, não se omitindo assim da respectiva obrigação a ela imposta”; c) “a desconsideração da personalidade jurídica é instrumento afeito a situações limítrofes, nas quais a máfé, o abuso da personalidade jurídica ou confusão patrimonial deverão ser revelados, o que no caso em tela não ocorreu.” Além do que, a “Administração Pública está adstrita aos princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência”; d) “partindo desse pressuposto, existiria a necessidade de propositura de ação própria com o objetivo específico de se obter a declaração da desconsideração da personalidade jurídica para, aí sim, promoverse a constrição sobre o patrimônio dos sócios”; e) “ ressaltese também que o simples ato de não recolher os tributos não contribuirá em absolutamente nada para preencher o fato descrito na hipótese normativa tributária, posto que para que tal ocorra deverá estar direta e pessoalmente relacionado com o sócio/gerente”; f) “as alegações feitas pela auditora fiscal são insustentáveis, vez que estão totalmente em dissonância com os ditames legais,” [...] “se ‘perde’ em suas próprias fundamentações” e não “junta ao auto de infração algum documento que comprove, concretamente, o que aduz”; g) por tais motivos, para que não restem sombras de dúvidas, “em que pese a duvidosa constitucionalidade/legalidade da Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 10580.732469/201223 Acórdão n.º 2202004.450 S2C2T2 Fl. 2.453 8 exigência contida no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72”, se mostra necessária a realização de diligências e perícias (contábil e in locu) para que a situação aventada pela Fiscal seja averiguada”; h) quanto ao AI DEBCAD Nº 51.022.9050, alega, ainda, que se “pode observar da análise das planilhas acostadas pela empresa que o valor pago na GPS dos períodos 01/2009 a 13/2009 correspondem aos mesmos valores constantes na planilha em anexo, no item que trata sobre ‘segurado’. [...] A partir disso, fica claro [...] que o único equívoco da Empresa foi não ter individualizado o respectivo pagamento da GPS, isso não quer dizer que a empresa Recorrente não tenha cumprido com sua obrigação de repassar os valores que foram descontados na folha de pagamento dos empregados.” i) diante dessas considerações, requer o Impugnante seja julgado improcedente o presente lançamento, bem como requer a juntada dos documentos em anexos e outros que vierem a ser necessários. 12. Nas três impugnações referentes às obrigações acessórias, o sócioadministrador Fabrício Vasconcelos Soares reproduziu os mesmos argumentos já expostos nas impugnações referentes às obrigações principais. 13. É o Relatório." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada com o resultado do julgamento, a contribuinte UNIBAHIA apresentou recurso voluntário, às fls. 2412/2418, onde reitera as alegações expostas em impugnação. Também, a sóciaadministradora ANA MARIA DE BARROS SANTOS SOARES interpôs recurso voluntário às fls. 2426/2431, a fim de que fosse verificada a necessidade de ação própria para desconsideração da personalidade jurídica, bem como a nulidade em razão da falta de intimação pessoal. Ainda, à fls. 2437/2440, consta o recurso voluntário do sócioadministrador FABRICIO VASCONCELLOS SOSARES, onde ele reitera as alegações de impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os recursos voluntários foram apresentados dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. Preliminares. Das provas, perícia e pedido de diligência. Fl. 2453DF CARF MF Processo nº 10580.732469/201223 Acórdão n.º 2202004.450 S2C2T2 Fl. 2.454 9 A perícia e as diligências requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Portanto, improcedente tal pedido. Por sua vez, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mecionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Ante o exposto, rejeito as preliminares suscitadas pelas recorrentes. Do mérito Conforme se observa nos recursos apresentados, que reproduziram as alegações de impugnação, os argumentos de defesa são os mesmos em todos, à exceção da impugnação apresentada em face do AI DEBCAD nº 51.022.9050, no qual a empresa trata, também, da questão referente à apropriação indébita. Em sua defesa, alega a empresa que “declarou o tributo e não realizou o pagamento do mesmo em sua totalidade” por dificuldades financeiras, sendo que tal situação, em seu entendimento, não preenche o fato descrito na hipótese normativa tributária do Auto de Infração em questão. Também alega a empresa que a fiscalização se perde em suas próprias fundamentações e não teria juntado ao Auto de Infração documentos que comprovassem, concretamente, o que aduz. Em que pese a defesa pretendida, não merecem guarida os argumentos da ora deduzidos. Conforme se observa no Relatório Fiscal (fls. 57 a 90) e nos documentos que o acompanham, a auditoria foi bastante clara ao detalhar os valores que compõem a base de cálculo do lançamento ora questionado. As contribuições lançadas nos AIs se referem às remunerações pagas a segurados empregados, registradas em Folha de Pagamento (fls. 214 a 714), Rais (fls. 766 a 816) e Dirf (fls. 817 a 859) e não declaradas em GFIP, cujos valores encontramse registrados nas tabelas 1, 3 e 4 (fls. 860 a 833), e no relatório Discriminativo do Débito (DD) e de Lançamentos (RL), bem como às remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (sócioadministrador), registradas em folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, cujos valores encontramse registrados na tabela 2, fls. 925 a 927, e nos relatórios DD e RL. Nesses documentos mencionados acima, as remunerações são discriminadas por segurado e por competência. Portanto, cabia à empresa apontar inconsistências nos valores considerados pela fiscalização ou na fundamentação apresentada se elas de fato existissem, contudo, em sua defesa, a empresa limitouse, apenas, a refutar de forma genérica o lançamento, sem indicar qualquer irregularidade na base de cálculo apurada pela fiscalização. Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 10580.732469/201223 Acórdão n.º 2202004.450 S2C2T2 Fl. 2.455 10 Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpre ao contribuinte o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972), o que não ocorreu no presente caso. Quanto à defesa em relação ao AI DEBCAD nº 51.022.9050, aqui a empresa faz, novamente, uma argumentação genérica, alegando que os valores pagos nas GPSs do período de 11/2008 a 12/2008 correspondem aos mesmos valores “constantes na planilha em anexo, no item que trata sobre ‘segurado’. Dessa forma, no entendimento da Impugnante, o único equívoco da empresa teria sido “não ter individualizado o respectivo pagamento da GPS”, e acrescenta que isso “não quer dizer que a empresa [...] não tenha cumprido com sua obrigação de repassar os valores que foram descontados na folha de pagamento dos empregados.” Primeiramente, conforme consta no Relatório Fiscal, a contribuição descontada dos segurados empregados e contribuintes individuais e não recolhida consta da folha de pagamento e não foi informada em GFIP. Vide códigos de levantamento “AI”, “AI2”, “II” e “II2” (fls. 17 a 20). Em segundo lugar, conforme se observa no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA), fls. 21 a 24, não constam GPSs suficientes a demonstrar que todas as contribuições descontadas dos segurados foram recolhidas. Portanto, diante desse quadro, concluímos pela improcedência do recurso, devendo serem mantidos os AIs ora questionados, a exceção do DEBCAD Nº 51.022.9026 (CFL 78), o qual será tratado no próximo item. Em relação ao AI DEBCAD Nº 51.022.9018, lavrado em razão da empresa deixar de arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais (valores não descontados dos segurados), código de Fundamentação Legal (CFL) nº 59 (Total deste AI: R$ 3.434,76 fls. 2), esclarecese que constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados Contribuintes Individuais que lhe prestarem serviços, descontandoas da respectiva remuneração. E, em relação ao AI DEBCAD Nº 51.022.9077, lavrado em razão da empresa deixar de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, (CFL nº 30, total deste AI: R$ 3.434,76), importa referir que constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento contemplando a integralidade dos segurados a seu serviço e os valores a eles pagos. Cumpre ressaltar, outrossim, que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cabe à contribuinte o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção, o que não ocorreu no caso presente. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Fl. 2455DF CARF MF Processo nº 10580.732469/201223 Acórdão n.º 2202004.450 S2C2T2 Fl. 2.456 11 No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Portanto, carece de razão à recorrente, devendo ser mantido o lançamento. DEBCAD Nº 51.022.9026 – CFL 78 Consoante relatado, em face da contribuinte foi lavrado o DEBCAD Nº 51.022.9026, em razão da empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas (CFL nº 78, total desde AI: R$ 6.500,00 fl. 3). A referida multa possui previsão legal, não tendo trazido aos autos o contribuinte qualquer elemento para afastamento da mesma, razão pela qual deve ser mantido o respectivo lançamento. Dos recursos dos sóciosadministradores Alegam os recorrentes que a fiscalização não tem competência para promover a desconsideração da personalidade jurídica, pois tal desconsideração, em seu entendimento, “depende de ordem judicial autorizadora.” Os recorrentes também alegam que para a desconsideração da personalidade jurídica precisa ser revelada a gestão da empresa com “máfé, o abuso da personalidade jurídica ou confusão patrimonial” o que não teria ocorrido no presente caso. Por fim, requerem a realização de perícia para que “a situação aventada pela Fiscal seja averiguada.” Em que pese a defesa, não merecem guarida os argumentos deduzidos. Vejase, primeiramente, o que dispõe o art. 265 do Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002): Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. Conforme se observa no dispositivo colacionado acima, a solidariedade decorre de lei ou da vontade das partes. No caso em tela, a responsabilidade solidária dos sóciosadministradores da empresa está, expressamente, prevista no art. 135 da Lei nº 5.172, de 1966, (Código Tributário Nacional), sendo aplicável nos casos de obrigação tributária resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 10580.732469/201223 Acórdão n.º 2202004.450 S2C2T2 Fl. 2.457 12 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Ora, a empresa, por intermédio de seus gestores (sóciosadministradores), omitiu base de cálculo em GFIP, conforme claramente apontado pela fiscalização, e tal conduta constitui infração ao art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Cabe acrescentar, inclusive, que foi lavrada Representação Fiscal Para Fins Penais (processo nº 10580.732470/201258) por terem sido configurados, em tese, ilícitos penais tipificados nos artigos 168A (apropriação indébita previdenciária) e 337A (sonegação de contribuição previdenciária) do Código Penal (DecretoLei 2848, de 1940) e no art. 1º da Lei nº 8137, de 1990 (crime contra a ordem tributária). Nos casos de constatação de responsabilidade solidária, todos os responsáveis devem estar vinculados no Auto de Infração. Essa medida visa, essencialmente, respaldar a fase de execução judicial do crédito tributário, por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional. Convém observar, ainda, que no presente momento não está sendo operada a desconsideração da personalidade jurídica, mas apenas a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária, o qual, mediante a cientificação do responsável solidário da exigência fiscal, tem como objetivo assegurar a ele o direito ao contraditório e à ampla defesa, consagrado no artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Portanto, correta a emissão dos Termos de Sujeição Passiva. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 10580.732469/201223 Acórdão n.º 2202004.450 S2C2T2 Fl. 2.458 13 Fl. 2458DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.901910/2008-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL.
Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170-A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966.
O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.619
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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AÇÃO JUDICIAL. Recorrente CIDADE DE DEUS COMPANHIA COMERCIAL DE PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966. O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 19 10 /2 00 8- 42 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10882.901910/200842 Acórdão n.º 3301004.619 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que impetrou o Mandado de Segurança nº 2003.61.00.0023490 com o objetivo de recolher a contribuição ao PIS na forma prevista na Lei Complementar nº 7, de 1970, qual seja, tributo calculado à razão de 5% sobre o valor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. A liminar pleiteada não foi deferida, mas a decisão de primeira instância foi reformada em sede do agravo de instrumento interposto ao TRF da 3ª Região, decidindose favoravelmente à recorrente. Sustenta que houve erro de fato no recolhimento promovido, na modalidade conhecida como PISrepique e PISdedução. Os valores devidos decorrem da aplicação da alíquota de 5% sobre o valor da estimativa do IRPJ incidente em 15% sobre a receita bruta. Todavia, cada recolhimento foi indevidamente calculado com base em 5% do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – Lucro Real provisionado. Percebido o erro de fato, declarou a compensação objeto do Despacho Decisório combatido. Como, na DCTF original, não ficou evidenciado o recolhimento a menor, noticía ter transmitido DCTF retificadora na qual informou que, do débito apurado a título de PIS, parte estaria extinto por pagamento e o restante estaria com exigibilidade suspensa. Informa que, em 27/11/2007, a tutela concedida foi cassada, o que o levou a promover, dentro do prazo previsto no artigo 63 da Lei nº 9.430, de 1996, o recolhimento da diferença entre as contribuições previstas na Lei nº 10.637, de 2003, e a Lei Complementar nº 7, de 1970. Requer que a DCTF retificadora seja efetivamente processada e que o despacho decisório combatido seja reformado, homologandose a compensação. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10882.901910/200842 Acórdão n.º 3301004.619 S3C3T1 Fl. 4 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão nº 05037.254, sob fundamento de que o pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte: Foi apresentado Recurso Voluntário, no qual a Recorrente apresenta suas razões organizadas nos seguintes tópicos, que serão detidamente analisados no voto: 1 EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DIREITO À COMPENSAÇÃO; 2 INAPLICABILIDADE AO CASO DO ARTIGO 170a DO CTN, COMO JÁ RECONHECIDO PELO CARF. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10882.901910/200842 Acórdão n.º 3301004.619 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.611, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900038/200815, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.611): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. 1 EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DIREITO À COMPENSAÇÃO Informou a Recorrente que efetuou recolhimento a maior no período de apuração de junho de 2003, deixando de aplicar liminar que lhe era favorável. Apresenta a seguinte tabela: E concluiu que "não resta dúvida de que houve recolhimento a maior no montante de R$ 321.541,27, para o período originário do crédito." Conforme observouse na decisão de piso, para o contribuinte do IRPJ pelo lucro real, no ano de 2003, a norma legal que disciplinava as contribuições para o PIS era a Lei nº 10.637, de 2002. Esta lei instituiu o regime nãocumulativo do PIS. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10882.901910/200842 Acórdão n.º 3301004.619 S3C3T1 Fl. 6 5 No entanto, em mandado de segurança impetrado, a Recorrente requereu que fosse submetida à sistemática da arrecadação do PIS em sua modalidade PISrepique e PISdedução, na forma estabelecida pelo artigo 3º da Lei Complementar nº 7, de 1970. A Recorrente não obteve liminar, mas o o TRF da 3ª Região lhe concedeu a tutela antecipada. Essa tutela foi revogada com a sentença judicial de primeira instância, publicada em 26/10/2007 (conforme extrato constante da decisão recorrida) Posto isto, considerando tudo o mais que dos autos consta, ausentes os pressupostos legais, DENEGO A SEGURANÇA requerida. Honorários advocatícios indevidos nos termos da Súmula n.º 512, do Egrégio Supremo Tribunal Federal. Comuniquese a Excelentíssima Senhora Desembargadora Federal Relatora do Agravo de Instrumento n.º 2003.03.00.0007108, a respeito do teor desta decisão. Após o trânsito em julgado, convertamse os depósitos judiciais em receita a favor da União Federal.Custas e demais despesas ex lege.P. R. I. Oficiese. O contribuinte não logrou êxito em sua apelação, visto que a decisão recorrida foi mantida em 16/10/2008, pelo Tribunal competente (conforme extrato constante da página 67): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. RECEPÇÃO, ART. 239 CF. POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO VIA DE LEI ORDINÁRIA. LEI 10.637/02. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. APELAÇÃO DA IMPETRANTE IMPROVIDA. I – A contribuição ao PIS foi expressamente recepcionada pelo art. 239 da CF, a ela não se opondo as restrições constantes dos arts. 154, I e 195, §, 4º da mesma Carta. (STF ADIN MC 14170/ DF, Rel. Min. Octávio Gallotti, Pleno, v. u., j. 02/08/99). II – A contribuição ao Pis pode ser validamente alterada por lei ordinária, não se tratando de contribuição social nova. Ausente hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, mas sim reserva material posta na CF (art. 146) III – Constitucionalidade da Lei 10.637. O tratamento diferenciado no que pertine à alíquotas e bases de cálculo em razão da diversidade quanto às atividades econômicas desenvolvidas pelos contribuintes encontra respaldo no próprio Texto Constitucional, art. 195, §§ 9º e 12. IV – Precedentes (TRF – 3ª Região, AG nº 2003.03.00.0110618, Rel. Des. Fed. Fábio Prieto, j. 16/11/05, p. DJU 08/03/06; TRF – 4ª Região, AMS nº 2005.72.08.0045630, Rel. Des. Fed. Vivian Josete Pantaleão Caminha, j. 13/12/06, p. de 30/04/07; TRF – 2ª Região, AC nº 2003.51.01.0037080, Rel. Des. Fed. Alberto Nogueira, j. 05/09/06, p. DJU 16/11/06) Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10882.901910/200842 Acórdão n.º 3301004.619 S3C3T1 Fl. 7 6 V – Apelação improvida. A decisão desfavorável à Recorrente transitou em julgado em 02/07/2010, segundo informação obtida na página eletrônica do TRF da 3ª Região, o que levou à baixa definitiva dos autos em 10/08/2011. Portanto, verificase que, mesmo no interregno de tempo em que havia liminar favorável à Recorrente, ainda não era ela titular de crédito líquido e certo e não podia, portanto, efetuar a compensação. Em resumo, a Recorrente deixou de recolher nos termos da decisão judicial (tutela antecipada) e recolheu em montante que correspondia ao entendimento do Fisco. Segundo a Recorrente tal recolhimento a maior se deu por "erro de fato". 2 INAPLICABILIDADE AO CASO DO ARTIGO 170A DO CTN, COMO JÁ RECONHECIDO PELO CARF. Defende a Recorrente que a vedação do art. 170A do CTN referese a fatos passados, a pagamentos objeto de ação judicial, ao passo que seu caso se refere ao recolhimento de PIS no transcurso da ação, tendo por objeto efeitos futuros de uma decisão judicial, nos seguintes termos: Ou seja, não se pode aplicar a vedação do art. 170A do Código Tributário Nacional, criada para impedir que contribuintes compensem antes do trânsito em julgado créditos apurados em períodos anteriores e decorrentes de pagamentos indevidos ou seja, crédito já extinto por pgamento indevido utilizado para quitar tributos devidos em períodos posteriores a situações em que e a "compensação" diz respeito à apuração da base de cálculo e, portanto, à constituição do crédito tributário. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela decisão judicial e, mesmo que houvesse, esse direito somente poderia operar seus efeitos após o trânsito em julgado de sentença favorável à Recorrente, fato que não ocorreu, ou melhor, houve decisão transitada em julgado desfavorável à Recorrente. De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Colacionase ainda disposição análoga do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ao permitir a compensação de crédito discutido judicialmente apenas após o trânsito em julgado da decisão judicial: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10882.901910/200842 Acórdão n.º 3301004.619 S3C3T1 Fl. 8 7 II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; (grifouse) Conforme se concluiu na decisão recorrida: No caso concreto, mesmo não pretendendo agir deste modo, o contribuinte acabou por pagar tributo com exigibilidade suspensa. Como a validade do tributo estava em discussão, o crédito do contribuinte não pode ser considerado certo, não sendo, por conseguinte, passível de compensação nos termos do artigo 170 do CTN." Situação semelhante, asseverase na decisão recorrida, ocorre com o depósito judicial, o qual, uma vez efetivado em valores suficientes para garantir a extinção do crédito em eventual vitória do Fisco, não pode ser objeto de restituição até o encerramento da lide judicial, nos termos do § 2º do artigo 32 da Lei nº 6.830, de 1980: § 2º. Após o trânsito em julgado da decisão, o depósito, monetariamente atualizado, será devolvido ao depositante ou entregue à Fazenda Pública, mediante ordem do Juízo competente. A planilha juntada aos autos que trata das parcelas que compõem o valor recolhido de R$ 28.846.704,12 indica que o crédito com exigibilidade suspensa relativo ao período de apuração 06/2003 restou recolhido. Deste modo, se recolhimento a maior houve, ele teria ocorrido, quando muito, em 27/11/2007, não em 15/07/2003. Correto, portanto, despacho decisório que considerou não liberado o PIS Dessarte, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10882.901910/200842 Acórdão n.º 3301004.619 S3C3T1 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 148DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.910090/2009-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO.
O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 9303-007.167
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente LOJAS DE DEPARTAMENTOS MILIUM LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 00 90 /2 00 9- 67 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10920.910090/200967 Acórdão n.º 9303007.167 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403002.439, de 24 de setembro de 2013, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PROVAS. É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Recurso Voluntário Negado A divergência suscitada no recurso especial referese à prevalência da verdade material e da instrumentalidade das formas sobre as regras processuais que estabelecem a preclusão do direito à comprovação dos fatos alegados. O recurso especial foi admitido mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. Contrarrazões da Fazenda Nacional foram apresentadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.165, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10920.910094/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.165): "Conhecimento do Recurso Especial O recurso especial não deve ser conhecido. A decisão recorrida não recusou as provas apresentadas em sede de recurso voluntário por considerar o direito precluso. No vertente processo, as provas do direito alegado Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10920.910090/200967 Acórdão n.º 9303007.167 CSRFT3 Fl. 4 3 não foram apresentadas em momento algum. Nem na apresentação do pedido de restituição, nem na impugnação, nem em sede de recurso voluntário e tampouco agora. Observese excerto extraído do voto do aresto recorrido. Desse modo, não tendo a recorrente, tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, se desincumbido do ônus de trazer aos autos a documentação comprobatória do crédito alegado em compensação, não há como se aferir a certeza e a liquidez do indébito, requisitos essenciais à compensação tributária (art. 170 do CTN). O paradigma apresentado jamais admitiu a hipótese de que um processo, que não fora em momento algum instruído com as provas do direito alegado pudesse ser convertido em diligência para que a falta fosse suprida. Em lugar disso, aborda uma matéria bem mais suscetível de controvérsia, que diz respeito à possibilidade de apreciação das provas carreadas aos autos pelo contribuinte somente em segunda instância de julgamento. Observese como se manifesta o relator da decisão paradigma. Em primeira mão destaco que comungo do entendimento dos I. Colegas Julgadores que defendem a tese de que as provas materiais carreadas para os autos, seja fase recursória ou em qualquer outra, devem ser levadas em consideração, analisadas com o devido cuidado, investigadas inclusive por intermédio de diligências, se for o caso, para apuração da verdade material que, efetivamente, deve nortear os julgamentos nesta esfera administrativa. (grifos acrescidos) Ora, o relator referese à admissão das provas apresentadas em qualquer momento processual. Na sua opinião, considera até mesmo a possibilidade de que sejam realizadas diligências para apuração da verdade material, à luz dos elementos de prova carreados tardiamente aos autos. Não é o caso deste processo. Não foram recusadas provas apresentadas em segunda instância por preclusão temporal, foi rejeitado pedido de diligência para inclusão nos autos das provas que o contribuinte jamais se interessou em apresentar oportuna e espontaneamente. São questões rigorosamente distintas! Como disse antes, a mitigação do rigor processual expresso no art. 161 do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores é matéria que comporta controvérsias. Contudo, decidir pela 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10920.910090/200967 Acórdão n.º 9303007.167 CSRFT3 Fl. 5 4 conversão do julgamento em diligência para instrução do processo porque o contribuinte não se desincumbiu em momento algum do dever fazêlo, parece a mim uma decisão de outro jaez, que, me arrisco a dizer, haveria de se notabilizar pelo ineditismo. Importante frisar que é incontroverso que o contribuinte não carreou aos autos os documentos contábeis e fiscais com os quais poderia demonstrar o direito alegado. Em sua próprias palavras: Por evidente, era e é absolutamente inviável à Recorrente juntar ao seu Recurso e a esses autos toda a documentação pertinente, como arguído na decisão recorrida para justificar a denegação de seu acolhimento, porquanto isso implica em milhares de papéis, considerado todo o período referenciado... (grifos no original) Embora não pretenda adentrar ao mérito, é inescapável uma reflexão acerca do pleito da recorrente, para que fique claro o quanto ele destoa da decisão paradigma e transborda os limites do que lá se debateu e do que, em regra, se apresenta para discutir em situações análogas. Por certo, a litigante não é de dimensões tais que se veja impedida de apresentar as provas do direito alegado, como, sabidamente, é exigido de qualquer contribuinte em quaisquer circunstâncias (em especial quando se trata de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação). Significa dizer, o reconhecimento do direito reclamado pela recorrente ultrapassaria em muito a discussão acerca do momento em que ocorre a preclusão temporal para comprovação dos fatos alegados. Admitiria uma regra de exceção exclusiva para um determinado caso específico, e sem qualquer razão aparente para tanto, já que não é possível vislumbrar elementos materiais e perceptíveis que justifiquem tal distinção. A despeito disso, do excerto antes transcrito resta inequívoca a circunstância fática versada nos autos. Ao contrário do que aconteceu no paradigma, neste processo nunca foram apresentadas as provas que dariam amparo à pretensão da parte, apenas uma planilha de cálculo assinada pelos administradores da empresa e pelo contador. Não há qualquer possibilidade de considerar que as decisões deram à lei tributária interpretações divergentes. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do recurso especial." c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10920.910090/200967 Acórdão n.º 9303007.167 CSRFT3 Fl. 6 5 Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo "nunca foram apresentadas as provas que dariam amparo à pretensão da parte, apenas uma planilha de cálculo assinada pelos administradores da empresa e pelo contador". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.001272/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2005
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE.
Presume-se, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE
"A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." (Súmula CARF nº 32)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO POSSIBILIDADE.
Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, deve-se fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte.
Numero da decisão: 2202-004.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento os valores informados em DIRPF/2005 como rendimentos tributáveis, que não foram considerados na autuação.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício:2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE. Presume-se, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE "A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." (Súmula CARF nº 32) OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO POSSIBILIDADE. Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, deve-se fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 356 1 355 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10315.001272/200983 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.664 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente JEOVÁ DA SILVA PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE. Presumese, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE "A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." (Súmula CARF nº 32) OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO POSSIBILIDADE. Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 12 72 /2 00 9- 83 Fl. 356DF CARF MF 2 lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento os valores informados em DIRPF/2005 como rendimentos tributáveis, que não foram considerados na autuação. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos adoto, resumidamente, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) (fls. 268/275): Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração às fls. 03/08, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física do anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 123.497,60, assim composto: (...) O demonstrativo de apuração do imposto devido, multa e juros de mora encontramse às fls. 07/08. Em 06/08/2009, conforme fls. 16/17, o interessado foi cientificado do início do procedimento fiscal e intimado a apresentar elementos/esclarecimentos relativos a: Extratos bancários de contas correntes e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança e de todas as contas mantidas pelo contribuinte, seu cônjuge e dependentes, junto a Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10315.001272/200983 Acórdão n.º 2202004.664 S2C2T2 Fl. 357 3 instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2007; Comprovantes dos empréstimos tomados junto aos senhores Expedito Casimiro da Silva, CPF 092.162.78315, José Hamilton Brito Silva, CPF 895.072.66372 e Francinilton Caetano Araújo, CPF: 906.016.96387, nos valores de R$30.000,00, R$ 12.000,00 e R$ 12.000,00, respectivamente, conforme informado na DIRPF/2006, no quadro 10 Dividas e Ônus reais, bem como a descrição com comprovante da forma de quitação de tais empréstimos. Houve pedido de prorrogação de prazo para entrega de documentos (fl. 18) e apresentação de documentos às fls. 19/68. Através do Termo de Intimação de fl. 69, cuja ciência ocorreu em 16/10/2009 (fl. 81), o interessado foi instado a: Comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente com data e valor com cada lançamento, a origem dos recursos lançados à crédito da conta corrente n° 187933, mantida na Agência nº 04332 do Banco do Brasil; da conta corrente n ° 001.113142, Agência 0032 e da Poupança n° 013.3153211, Agência 0032, mantidas na Caixa Econômica Federal, no período de 01/2004 a 12/2007, conforme planilhas de fls. 70/80; Descrever, com comprovantes, a forma de quitação dos empréstimos tomados junto aos senhores Expedito Casimiro da Silva, CPF 092.162.78315, José Hamilton Brito Silva, CPF 895.072.66372 e Francinilton Caetano Araújo, CPF 906.016.96387, nos valores de R$30.000,00, R$12.000,00 e R$12.000,00, respectivamente. Na seqüência, houve 2 pedidos de prorrogação de prazo para a apresentação de documentos (fls. 82 e 83),novo pedido de prorrogação de prazo (fls. 84) e resposta parcial conforme documentos de fls. 84/94. Destaca a autoridade autuante que, a fim de evitar a decadência do direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário, foi lavrado o Auto de Infração relativo ao anocalendário 2004 e efetuado o encerramento parcial da fiscalização (fls. 95/97), cujos procedimentos relativos à 2005, 2006 e 2007 continuam em andamento, motivo pelo qual foram juntadas, no presente processo, apenas as cópias dos documentos produzidos até o presente momento. Esclarece, ainda, a fiscalização à fl. 101 que a ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte foi autorizada pelo MPF n° 03.1.02.200900447, e foi aberta em virtude da representação fiscal encaminhada através do MEMO 063/2009Escor03, juntamente com dados levantados no curso de investigação patrimonial autuada no processo n° 10380.006957/200851, conforme o teor da Portaria RFB n° 11.311, de 27/11/2007, abrangendo o período de 01/01/2004 à 31/12/2007. Fl. 358DF CARF MF 4 Procedeuse ao lançamento da infração concernente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no valor de R$ 197.985,59. Consignou a autoridade autuante à fl. 05 que “o contribuinte apresentou movimentação financeira incompatível com rendimentos declarados no anocalendário 2004. Devidamente intimado a comprovar a origem dos recursos lançados a crédito das contas mantidas no Banco do Brasil (c/c n º 18.7933, ag. n° 4332) e na Caixa Econômica Federal (c/c 3153211 e 113142, ag 032), não apresentou documentação hábil para justificar os lançamentos especificados nas planilhas constantes dos anexos I e III deste Auto de Infração. Para cálculo do valor tributável foram excluídos os valores de origem comprovada e as devoluções de cheques e estornos (anexo II e IV). Fica o contribuinte cientificado de que este Auto de Infração, lavrado a fim de evitar a decadência, conforme o disposto nos arts. 150, §4º e 173 do Código Tributário Nacional, referese apenas ao anocalendário 2004 e que o prazo para atendimento das solicitações relativas ao período de 01/01/2005 a 31/12/2007 será de 20 dias a partir do recebimento deste documento”. Cientificado do lançamento pela via postal em 10/12/2009 (AR à fl. 98), o interessado apresentou impugnação em 11/01/2010 (fls. 105/144) em que contesta integralmente o lançamento aduzindo em síntese: (...) 2. Das Preliminares Nulidadesdo Auto de Infração 2.1. Da Falta do MPF – Impedimento do Agente Fiscal frisa o interessado a ocorrência de nulidade absoluta do processo administrativo fiscal em função da falta de autorização da fiscalização para investigar e autuar; se existe o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), o interessado nunca o recebeu, nem consta o documento nos autos, o que dificulta a sua defesa; como não foi apresentado o código, não pôde o interessado verificar a validade/emissão do MPF no sítio eletrônico da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)ou averiguar se o documento foi extinto por decurso do prazo; o MPF é documento indispensável e obrigatório, tanto é que, conforme declaração do próprio formulário da RFB, deve ser a primeira folha do processo; o MPF é documento juridicamente imprescindível à validade de todos os procedimentos fiscais a cargo da RFB; discorre o interessado acerca da regulamentação do MPF e assevera que a finalidade mais importante do mandado é a de dar segurança ao contribuinte de que está sendo provocado por Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10315.001272/200983 Acórdão n.º 2202004.664 S2C2T2 Fl. 358 5 um auditor fiscal, com legitimidade suficiente para exigir um determinado fazer ou não fazer; (...) 2.2. Falta de MPF Complementar – Impedimento do Agente Fiscal mesmo que existisse MPF, o auto ainda seria nulo, em função do decurso do prazo; (...) 2.3. Da violação de garantia constitucional é solicitada a nulidade absoluta do lançamento, pois a autoridade autuante, injustamente, infringiu a garantia constitucional de inviolabilidade da vida privada do interessado, a garantia do sigilo de dados, sob a forma de quebra do seu sigilo bancário, ao utilizar estes dados para fundamentar o auto de infração; com fundamento na Lei Complementar nº 105/2001, no Decreto nº 3.724/2001, e no art. 10 da Lei nº 10.174/2001, a fiscalização está a usar os dados referentes ao sigilo bancário do contribuinte, contrariando os mais elementares princípios constitucionais; (...) 2.4. Do descumprimento do estabelecido no Decreto nº 3.724/01 mesmo que a quebra do sigilo bancário fosse possível sem ordem judicial, vícios no procedimento administrativo maculam insuperavelmente a validade do auto de infração; somente quando o acesso à movimentação financeira do cidadão poderá assegurar interesses que a sociedade necessita proteger, pode haver sacrifício à garantia constitucional de preservação da vida privada e da intimidade, contudo, sendo a quebra do sigilo bancário medida de exceção, o legislador pátrio estabeleceu balizas autorizadoras da quebra do sigilo bancário; para evitar a prevalência do Estado ávido e insaciável cobrador de impostos, determinou a legislação, notadamente o Decreto nº 3.274/2001, um iter procedimental a ser seguido pelas autoridades fazendárias para efetuar a quebra do sigilo bancário; não há espaço para aventuras e voluntarismos, a autoridade fiscal está vinculada aos mandamentos do referido Decreto, quais sejam: a existência de procedimento fiscal em curso (e que se apurou que os elementos de prova disponíveis não são Fl. 360DF CARF MF 6 suficientes para a comprovação do desrespeito à legislação tributária) e quando tais exames forem considerados indispensáveis (há fortes indícios de que houve omissão de receitas e os instrumentos disponíveis para prova destas circunstâncias são falhos); ainda, o art. 3º do Decreto nº 3.274/01, com redação dada pelo Decreto nº 3.724/2001, elenca as situações em que pode ser considerada indispensável o exame da movimentação financeira do interessado; apenas após iniciado o procedimento fiscalizatório é que o agente fiscal terá condições de avaliar as situações relacionadas no supramencionado artigo e apenas após o esgotamento das condições de sua comprovação, poderá solicitar a quebra do sigilo bancário; a Portaria SRF nº 180/2001 também estipula regras sobre a matéria; a autoridade autuante descumpriu o Decreto nº 3.274/01 e a Portaria SRF nº 180/2001; sobre o tema, é colacionado entendimento doutrinário; de fato, a fiscalização foi aberta já com o pedido de entrega dos extratos bancários do interessado e “imediatamente a fiscalização já providenciou a quebra do sigilo bancário do contribuinte e o intimou a comprovar a origem dos recursos movimentados”; podese afirmar que a fiscalização só foi aberta para a promoção da quebra do sigilo bancário; a fiscalização não realizou qualquer procedimento anterior que levasse à conclusão de que o exame da movimentação financeira era indispensável, até porque o prazo não permitiu qualquer verificação; não existiu nenhum forte indício que justificasse a quebra do sigilo bancário, simplesmente optou a fiscalização pelo trabalho mais fácil, ilegal e inconstitucional, consistindo em quebrar o sigilo bancário do interessado e exigir justificativas sobre a movimentação de quatro anos atrás, sob pena de presunção de receitas. ademais, o interessado movimentou em suas contas bancárias valores inferiores a dez vezes o valor declarado como renda, o que, em última análise, impossibilitaria a abertura de fiscalização com requisição de movimentação bancária. 2.5. Da inobservância do princípio da ampla defesa não apresentação de documentos essenciais para a elaboração das autuações, a fiscalização alegou a realização de diligências fiscais; a documentação na qual se baseou a autoridade autuante para lançar é fundamental para a elaboração da defesa; mesmo sem acesso imediato à documentação, o interessado observou vícios e erros nas autuações; Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10315.001272/200983 Acórdão n.º 2202004.664 S2C2T2 Fl. 359 7 como a defesa do interessado se encontra sobremaneira prejudicada, deve ser declarada a nulidade do lançamento. 2.6. Da ilegalidade das diligências realizadas como já afirmado, e como se percebe da autuação, a fiscalização realizou várias diligências perante os parceiros comerciais do autuado, as quais consistiram em verificação de documentos bancários (cheques, depósitos, ordem de pagamentos, etc) emitidos por estes e verificação do motivo da emissão de tais documentos, representando uma verdadeira quebra de sigilo bancário; tal procedimento é ilegal, segundo parecer Cosit (Solução de Consulta Interna nº 37, de 28 de agosto de 2008), excerto reproduzido, o qual, em última análise, serve de orientação às Delegacias de Julgamento; entende a Cosit que “o acesso a informações bancárias pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, mediante RMF, restringese ao sujeito passivo sob procedimento de fiscalização autorizado mediante Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização (MPFF)"; resta claro que a fiscalização não poderia ter requisitado cópias de documentos bancários emitidos pelos parceiros comerciais do impugnante, e, com base em tais documentos, diligenciar junto a estes parceiros; devese obedecer ao determinado na Solução de Consulta da COSIT, no sentido de que os MPFD para os parceiros comerciais do defendente, foram emitidos com base na requisição ilegal de documentos, e cancelar, conseqüentemente, todos os atos ilegais praticados pela fiscalização, inclusive a autuação; quando a Cosit manda dar ciência do entendimento às Delegacias, orienta a Receita Federal do Brasil sobre os procedimentos a adotar e uniformiza a interpretação do órgão. 3. Do mérito 3.1 Da titularidade dos valores movimentados embora a defesa do impugnante esteja seriamente prejudicada, ante a falta de acesso a documentos fundamentais da fiscalização, podese afirmar, a partir do relatório final da fiscalização, que o auto é totalmente improcedente; observandose a parca documentação disponibilizada pela fiscalização,entendese que o interessado foi fiscalizado acerca de operações nos anos de 2004 a 2007; inobstante a dificuldade no levantamento dos documentos probantes, o interessado estava recolhendo e apresentando provas de que os valores movimentados em suas contas Fl. 362DF CARF MF 8 correntes pertenciam às empresas Clip Construtora Ltda e Cooperativa Agrícola de Juazeiro do Norte Ltda, das quais é sócio; os documentos apresentados, tais como notas fiscais, cópias de cheques, etc, bem como as diligências efetuadas provam cabalmente que os valores depositados em suas contas correntes pertenciam às empresas; quando estava coletando mais provas, foi surpreendido com o presente lançamento, promovido com o intuito de se evitar a decadência; possui personalidade jurídica própria, diversa das empresas das quais é sócio, de forma que os rendimentos deveriam ser imputados às pessoas jurídicas, com fulcro no§ 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, contrariando toda a verdade material, baseado em suposições pessoais, e ao arrepio da lei, o agente fiscal entendeu que os valores deveriam pertencer à pessoa física; há ilegalidade no lançamento quando é feito através apenas de presunções; é reproduzido texto doutrinário acerca da matéria; 3.2 Dos valores já declarados o simples fato de um contribuinte movimentar valores em conta corrente de terceiro não significa que tais quantias não foram declaradas e ofertadas à tributação; houve lançamento indevido na medida em que não foram considerados os valores das receitas declaradas pelo interessado; era dever do agente fiscal, ao apontar os valores supostamente movimentados pelo interessado, deduzir destes valores aqueles já apresentados em suas declarações; sobre a matéria, é colacionado entendimento consolidado administrativo; no caso de ser obrigado a pagar tributos sobre os referidos valores, que já foram tributados anteriormente, estarseia diante de um claro bis in idem; 3.3 Da decadência como o tributo em questão é daqueles cuja apuração e recolhimento deve ser efetuado na data do pagamento, situação em que o sujeito passivo tem o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral do art. 173 do CTN para encontrar respaldo no § 4 do art. 150 do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador; Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10315.001272/200983 Acórdão n.º 2202004.664 S2C2T2 Fl. 360 9 se o Fisco não se manifestou no prazo de 5 anos, a contar do fato gerador, sobre os lançamentos efetuados pelo contribuinte, houve a homologação tácita, não havendo mais meios para serem efetuados lançamentos de eventuais diferenças, de modo que não podem ser exigidas quantias que supostamente seriam devidas a título de IRPF em períodos anteriores a 08 de dezembro de 2004; Em 27 de janeiro de 2014, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) deu parcial provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 266/267): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não restando comprovada a incompetência do autuante nem a ocorrência de preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Não há que se falar em decadência, quando a ciência do lançamento ocorreu dentro do prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador do imposto de renda da pessoa física. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF constituise em instrumento de controle da administração tributária, não podendo eventual inobservância das normas que o disciplinam gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. No caso, sequer se confirmou a irregularidade alegada relativamente ao MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. Não há irregularidade na prorrogação de MPF, registrada na internet, conforme estabelecido na norma que regula a matéria. SIGILO BANCÁRIO. Há previsão legal autorizando o Fisco a intimar os contribuintes a apresentar extratos bancários. A entrega de extratos bancários em atendimento à solicitação formulada pela autoridade fiscal não configura quebra de sigilo bancário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em Fl. 364DF CARF MF 10 conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua origem comprovada de forma individual, com apresentação de documentos que demonstrem a sua origem, com indicação de datas e valores coincidentes, cabendo ser mantida a tributação na ausência de comprovação nestes termos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DOUTRINA. Mesmo a mais respeitável doutrina, dos mais consagrados tributaristas, não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Cientificado em 04/02/2014 (AR fls. 288), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 291/348, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO SOBRE O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Alega o Recorrente que o lançamento é nulo, pois a autoridade fiscal não possuía o MPF e não intimou o recorrente sobre a existência deste. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10315.001272/200983 Acórdão n.º 2202004.664 S2C2T2 Fl. 361 11 Ao contrário do afirmado pelo Recorrente o lançamento em questão estava amparado pelo MPF nº 03.1.02.00.200900447 mencionado às fls. 14 do Relatório Fiscal, bem como em todos os termos de intimação fiscal enviados quando do procedimento de fiscalização. Além disso, é importante registrar que, no âmbito deste Conselho, a posição predominante é a de que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária. Sendo assim, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. Tal posicionamento fica claro pela leitura das duas decisões da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF abaixo transcritas. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado.(Acórdão nº 920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.(Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior) Concordo com a interpretação adotada e, pela clareza com que aborda a questão, transcrevo abaixo o seguinte trecho do voto proferido no Acórdão nº 920201.637: A portaria da SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, revogada pela Portaria RFB n° 4.328, de 05.09.2005, que foi publicada no DOU 08.09.2005, trata do planejamento das atividades fiscais e estabelece rotinas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por meio da norma antes referida se disciplinou a expedição do MPF — Mandado de Procedimento Fiscal que se constitui em elemento de controle da administração tributária. A eventual Fl. 366DF CARF MF 12 inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal, mormente quando foram emitidos MPF Complementares antes da lavratura do Auto de Infração. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte ,que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimentofiscal. Se ocorrerem problemas com a prorrogação do MPF estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada à legitimidade do agente que o pratica, isto é, ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática do ato. Assim, legitimado o AFRF para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. Improcedente a preliminar suscitada. 1.2) NULIDADE DO PROCEDIMENTO POR AFRONTA AO ART. 42, §4º DA LEI Nº 9.430/96; Alega a Recorrente que, nos termos do artigo 42, §4º da Lei 9.430/96 a apuração da omissão de rendimento decorrentes de depósito bancário sem origem comprovada deve ser feita mensalmente e não no final do mês de dezembro como fez a autoridade fiscal. Tal matéria não demanda maiores discussões uma vez que encontrase sumulada pela jurisprudência desse Conselho ao determina a Súmula CARF nº 38 : Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. (grifamos) 2) MÉRITO 2.1) VIOLAÇÃO DO DIREITO À INTIMIDADE E À VIDA PRIVADA. Alega o Recorrente que o sigilo de dados de operações financeiras é um complemento do direito à privacidade, só sendo lícita a sua quebra quando autorizada por ordem judicial, nos termos do art. 5º, inciso X, da CF/88. Alega também que, ainda que Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10315.001272/200983 Acórdão n.º 2202004.664 S2C2T2 Fl. 362 13 admitida a quebra do sigilo bancário, a autoridade lançadora não cumpriu os requisitos exigidos pelo Decreto nº 3.274/01. Tal alegação não merece ser conhecida, uma vez que, de acordo com a súmula CARF nº 2 "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Improcedente a alegação de que a autoridade lançadora não cumpriu os requisitos exigidos pelo Decreto nº 3.274/01, pois conforme observa a decisão recorrida: E, em resposta à referida intimação, o interessado espontaneamente apresentou os extratos bancários que subsidiaram o auto de infração, concernentes ao Banco do Brasil (Agência nº 4332, contacorrente nº 187933), às fls. 41/68, e relativas à instituição financeira Caixa Econômica Federal (Agência nº 0032, contacorrente nº 003153211),às fls.21/23. Salientese que, na hipótese de o contribuinte negarse a apresentar tais comprovantes, ou até mesmo nem os possuir, o que, repetese, não ocorreu no presente caso, restaria ao Fisco buscálos nas instituições onde se deram as transações, seguindo as normas elencadas na legislação, por óbvio. Desta forma, o fornecimento de informações por instituições bancárias viria apenas substituir o dever ao qual estão sujeitos os contribuintes, por lei. Admitir o contrário implicaria autorização ao contribuinte de nem mesmo apresentar a declaração de ajuste, alegando o sigilo e a privacidade de suas transações. Logo, restando sobejamente demonstrado que não houve quebra do sigilo bancário do interessado e que os extratos de movimentação financeira que subsidiaram o lançamento foram apresentados espontaneamente por ele em atendimento à intimação, amparada na legislação, concluise pela regularidade do procedimento. 2.1) ERRO NA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EXCLUSÃO DOS CHEQUES DEVOLVIDOS. Reitera do Recorrente a alegação de que houve erro material quando da consolidação dos valores movimentados nas três contas bancárias de titularidade do interessado, que, a partir da planilha de fl. 13, quando foi efetuada a soma do total dos valores creditados em 2006, não foi considerado o montante concernente aos cheques devolvidos. Todavia, como já exposto pela decisão recorrida, tal falha não influenciou em nada o cálculo de Apuração do Imposto de Renda Pessoa Física: De fato, vêse que na coluna intitulada “vl tributável” à fl. 13, no somatório dos depósitos de janeiro a dezembro de 2006 não foi considerada a redução relativa aos cheques devolvidos no anocalendário, cujo valor é R$ 7.840,50. Fl. 368DF CARF MF 14 Contudo, tal falha não acarretou erro no cálculo do Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda Pessoa Física de fl. 06, pois foram efetivamente considerados os valores depositados mensalmente já deduzidos os cheques devolvidos no respectivo mês, totalizando R$ 480.942,81, conforme demonstrado a seguir: Improcedentes, portanto, as alegações do Recorrente. 2.3) USO DA CONTA BANCÁRIA POR TERCEIROS. CRÉDITOS ORIUNDOS DE RECEITA DE PESSOA JURÍDICA DA QUAL FOI SÓCIO O RECORRENTE Alega o recorrida que grande parte dos depósitos bancários eram proveniente de receitas de pessoa jurídica da qual era sócio, conforme comprovado pelas notas fiscais e cheques juntados aos autos. Todavia, a simples juntadas de cheques e notas fiscais sem a precisa correlação destes com os depósitos efetuados não permitem identificar a origem dos depósitos e a utilização da conta por terceiros. Como bem destacado pela decisão recorrida: Mesmo que restasse identificada a origem dos recursos, que os créditos nas suas contas bancárias, no valor de R$ 564.645,78, referemse a valores transferidos pela empresa da qual era sócio, o que, frisese, o interessado não logrou demonstrar integralmente consoante detalhado adiante, ainda faltaria demonstrar o motivo pelo qual os valores foram depositados, se correspondiam a pagamento por serviços prestados, remuneração a qualquer título, etc, isto é, comprovar sua natureza tributária. Tal informação, conforme visto, é indispensável para que se verifique o correto cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte e aplicação do disposto no § 2.º do art. 42 da Lei n.º 9.430/96. Senão, vejamos: i) Para comprovar o crédito na contacorrente nº 187933, Ag. 04332 do Banco do Brasil, no dia 19/04/2006, no valor de R$ 84.586,82 (fl. 10), o interessado indicou as Notas Fiscais de nº 10, 11, 12, 13 e 14, de 11/04/2006, cujo somatório é R$ 104.586,82. Ocorre que foram apenas apresentadas as Notas Fiscais nº 10, 12, 13 e 14, às fls. 428, 429, 430 e 431, e mesmo se tivesse sido anexada à impugnação a Nota Fiscal nº 11, que somada às demais atingiria o montante registrado pelo interessado de R$ 104.586,82, não foi identificado o depositante, muito menos a motivação do depósito. Não havendo qualquer coincidência entre data e valor, não é possível estabelecer uma relação inequívoca entre as Notas Fiscais emitidas em 11/04/2006, cujo somatório seria de R$ 104.586,82, e o crédito na conta bancária do interessado de R$ 84.586,82, feito no dia 19/04/2006. Cumpre registrar que a fotocópia do cheque de fls. 426/427 está ilegível e a informação manuscrita “depositado o valor : 84.586,82” à fl. 426, não tem valor probante. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10315.001272/200983 Acórdão n.º 2202004.664 S2C2T2 Fl. 363 15 ii) Para comprovar o crédito na contacorrente nº 187933, Ag. 04332 do Banco do Brasil, no dia 02/05/2006, no valor de R$ 74.085,19 fl. 10), o interessado indicou a Nota Fiscal nº 17, no valor de R$ 80.439,95. Além da discrepância entre os valores da Nota Fiscal de fl. 404 e do crédito na conta bancária do interessado, entendese que a referida Nota Fiscal de prestação de serviços, emitida em 08/05/2006, não pode servir de justificativa para origem de depósito feito anteriormente, em 02/05/2006. Registrese que a cópia do cheque nº 852551, de fls. 402/403, está ilegível. iii) Para comprovar o crédito na contacorrente nº 187933, Ag. 04332 do Banco do Brasil, no dia 03/07/2006, no valor de R$ 30.000,00 (fl. 10), o interessado indicou as Notas Fiscais de nº 27 e 28, de 09/06/2006, cujo somatório é R$ 35.190,47. Apesar de ter sido anexada aos autos a Nota Fiscal nº 28 (fl. 425), no valor registrado pelo impugnante (R$ 35.190,47), e ter sido demonstrado através dos cheques no valor de R$ 10.000,00 e 20.000,00, de 30/06/2006, às fls. 421/424, que os títulos de crédito foram emitidos pela construtora em favor do interessado, não se tem como aferir a motivação do depósito, especialmente porque, além do disparate entre o valor da Nota e o do crédito, há ainda uma diferença entre a data de emissão dos cheques e da Nota Fiscal de mais de 20 dias. iv) Para comprovar o crédito na contacorrente nº 187933, Ag. 04332 do Banco do Brasil, no dia 30/04/2007, no valor de R$ 22.000,00 (fl. 11); bem como o crédito na contacorrente nº 11.3142, Ag. 0032 da Caixa Econômica Federal, nos dias 30/04/2007 e 05/12/2007, no valor de R$ 100.000,00 e R$ 33.000,00, respectivamente, o interessado indicou a Nota Fiscal nº 70 no valor de R$ 200.810,20. Comprovase a transferência de recursos da construtora para a conta bancária do interessado na Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 33.000,00, em 05/12/2007, conforme documento à fl. 401; comprovase a transferência de R$ 22.000,00 da construtora para a conta bancária do interessado, consoante documento de fl. 399; bem como comprovase a transferência de R$ 100.000,00 da conta da pessoa jurídica para a conta bancária do interessado através dos documentos de fls. 411/412. Contudo, conforme já explanado, apenas a identificação do depositante não é suficiente para comprovar a origem do recurso, se o crédito decorreu, tal qual afirmado, da Nota Fiscal de serviços de fl. 400 e 413, pois não há qualquer coincidência entre data e valor entre a Nota Fiscal e os créditos na conta bancária do interessado, nem qualquer outro documento que demonstre cabalmente o alegado. Salientese que a Nota Fiscal é de 17/04/2007 e o crédito de R$ 33.000,00 foi feito na conta do interessado em 04/12/2007, e os Fl. 370DF CARF MF 16 crédito de R$ 22.000,00 e R$ 100.000,00 ocorreram em 30/04/2007. v) Para comprovar o crédito na contacorrente nº 187933, Ag. 04332 do Banco do Brasil, no dia 04/12/2007, no valor de R$ 15.000,00 (fl. 11), o interessado apresentou do comprovante de depósito em dinheiro de fl. 417. O documento não se presta a comprovar devidamente a origem do recurso, apenas o depósito na conta corrente do interessado. vi) Para comprovar os créditos na conta poupança da Caixa Econômica Federal, no dia 11/01/2006, no valores de R$ 3.923,77 e R$ 50.000,00 (fl. 12), o interessado indicou a Nota Fiscal nº 05, no valor de R$ 74.161,78. Comprovase a transferência de recursos da construtora para a conta bancária do interessado na Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 3.923,77, em 11/01/2006 (fls. 405/406) e de R$ 50.000,00, na mesma data (fls. 418/419). Todavia, conforme já explanado, apenas a identificação do depositante não é suficiente para comprovar a origem do recurso, se decorreu o depósito, tal qual afirmado, da prestação de serviços representada pela Nota Fiscal de fls. 407 e 420, tendo em vista que não há qualquer coincidência entre o valor da Nota Fiscal e o crédito na conta bancária do interessado e a data da Nota Fiscal mencionada está ilegível. vii) Para comprovar o crédito na contapoupança da Caixa Econômica Federal, no dia 14/09/2006, no valor de R$ 100.000,00 (fl. 12), o interessado indicou a Nota Fiscal nº 47, no valor de R$ 271.967,88. De fato, há às fls. 414/415 um cheque nominativo da construtora, no valor indicado na impugnação (R$ 100.000,00), todavia apenas com um nome ilegível, não se demonstra cabalmente se era nominal ao interessado. E mesmo que se houvesse sido identificado o depositante, repete se, não seria suficiente para comprovar a origem do recurso, pois não foi esclarecido o motivo pelo qual o montante foi depositado na conta bancária do interessado. A hipótese de que tenha decorrido da prestação de serviços representada pela Nota Fiscal de fl. 416 não foi demonstrada cabalmente, especialmente em função da discrepância entre os valores. viii) Para comprovar o crédito na contapoupança da Caixa Econômica Federal, no dia 22/12/2006, no valor de R$ 22.050,00 (fl. 12), o interessado indicou a Nota Fiscal nº 64, no valor de R$ 60.000,00. Comprovase a transferência de recursos da construtora para a conta bancária do interessado na Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 22.050,00, consoante documento de fls. 408/409. Todavia, como já mencionado, apenas a identificação do depositante não é suficiente para estabelecer o vínculo entre o crédito e a alegada transação comercial representada pela Nota Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10315.001272/200983 Acórdão n.º 2202004.664 S2C2T2 Fl. 364 17 Fiscal de fl. 410, inclusive salientese que o cheque de fl. 408 foi emitido em 16/12/2006, antes da feitura da Nota Fiscal (21/12/2006). ix) Para comprovar o crédito na contapoupança da Caixa Econômica Federal, no dia 06/03/2007, no valor de R$ 30.000,00 (fl. 12), o interessado indicou a Nota Fiscal nº 67, no valor de R$ 145.081,78. Apenas a referida Nota Fiscal (fl. 434), no valor e data indicado pelo interessado não se presta a comprovar a origem do recurso. Destaquese que nem mesmo restou comprovada a transferência do valor da pessoa jurídica para o sócio, conforme asseverado na impugnação, haja vista que a data do cheque nº 900340, de fls. 432/433, está ilegível. Ainda, mesmo que tivesse sido demonstrada a identificação do depositante, não seria suficiente para comprovar a origem do recurso, se decorreu da prestação de serviços, tal qual afirmado, representada pela Nota Fiscal de fl. 434, porque não há coincidência entre o valor constante na Nota Fiscal e o crédito na conta bancária do interessado. Ademais, conforme disposto da súmula CARF nº 32: "a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." 2.4) DA ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO EFETUADO APENAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL ART. 43 DO CTN Alega do Recorrente que a fiscalização não se comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda o que só seria possível mediante a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou do efetivo acréscimo patrimonial. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 372DF CARF MF 18 normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10315.001272/200983 Acórdão n.º 2202004.664 S2C2T2 Fl. 365 19 valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada 2.5) DOS VALORES TRIBUTÁVEIS DECLARADOS NA DAA Por fim, o Recorrente faz alegação de que os valores constantes da sua Declaração de Ajuste Anual devem ser excluídos da base de cálculo. Conforme se verifica pela Declaração constante às fls. 234 o Recorrente declarou como rendimentos tributáveis o montante de R$ 28.787,86. A Câmara Superior de Recursos Ficais entendeu que tais valores devem ser abatidos do montante lançado como omitido em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada, conforme se verifica pela decisão constante do Acórdão nº 92020005.632 abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO POSSIBILIDADE. Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte. Todavia, é importante destacar que, conforme consta do voto vencedor do Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, não são quaisquer valores constantes da DAA que deverão ser considerados para a dedução da base de cálculo dos depósitos bancários de origem não comprovada, mas apenas aqueles valores declarados como tributáveis, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: Ainda, rejeito a necessidade de extensão de tal posicionamento aos rendimentos isentos e não tributáveis também declarados, pelo fato de que, notese, o que se está a presumir, com fulcro no permissivo legal estabelecido pelo art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, é que todos os depósitos bancários, quando não Fl. 374DF CARF MF 20 comprovados através de documentação hábil e idônea pelo contribuinte, passam a se constituir em omissão de rendimentos tributáveis (daí sua tributação quando da utilização da presunção), não havendo qualquer consequência, assim, que se possa associar diretamente aos rendimentos isentos e não tributáveis declarados, que destarte, restaram aceitos na forma que declarados pelo contribuinte. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso para admitir a dedução dos valores declarados na DAA de fls. 234. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso em dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento os valores informados em DIRPF/2005 como rendimentos tributáveis, que não foram considerados na autuação. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 375DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000013/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006
IPI. SUSPENSÃO. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO PRODUTOR COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
Poderão sair com suspensão do imposto os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação.
Consideram-se adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-005.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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SUSPENSÃO. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO PRODUTOR COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Poderão sair com suspensão do imposto os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação. Consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 00 13 /2 00 8- 22 Fl. 520DF CARF MF Processo nº 11020.000013/200822 Acórdão n.º 3302005.589 S3C3T2 Fl. 521 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls1. 8/55), lavrado em 09/01/2008 e cientificado pessoalmente em 12/01/2008, para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 141.375,01, acrescidos de multa de oficio e juros de mora, pelo descumprimento das condições da suspensão do imposto pelo remetente do produto (arts. 41, 42, inc. V, do Decreto nº 4.544/02 RIPI/2002, com fulcro nos §1º, art. 9º, da Lei nº 4.502/64; e art. 39, da Lei nº 9.532/97), além de multa do IPI não lançado com cobertura de crédito, no valor de R$ 86.351,03, no período compreendido entre 01/10/2005 a 31/12/2006, segundo RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL IPI RAF, às fls. 56/93. No RAF, restou consignado que o contribuinte descumpriu as condições para o aproveitamento da suspensão do IPI na saída de produtos, previstas no art. 42, inciso V, alínea a, do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002). Por isso, as operações de venda de produtos para empresa comercial exportadora foram consideradas como vendas para o mercado interno, passíveis de tributação, e foram constituídos os débitos de IPI devidos nas saídas dos produtos. Cientificada pessoalmente do Auto de Infração, em 09/01/2008, apresentou Impugnação, em 20/02/2008 (fls. 394/407), alegando, em síntese emprestada da decisão recorrida: "3.1 Diz que os documentos apresentados à fiscalização, para análise dos pedidos de ressarcimento autuados sob os nºs. 11020.001834/200703 e 11020.001832/2007 14, comprovam a efetiva exportação. Afirma que preencheu os requisitos expressos no art. 42, inciso V, alínea a, e parágrafo 1°, do Decreto n° 4.544, de 2002, que transcreve, para a utilização do beneficio da suspensão do IPI. Transcreve decisão do Conselho de Contribuintes e Solução de Consulta n° 314, no mesmo sentido de seu entendimento. 3.2 Alega o caráter confiscatório da penalidade, afirmando que o confisco, em matéria tributária é expressamente vedado pelo disposto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal 3.3 Ao final, requer seja declarada a procedência da impugnação." A decisão de primeira instância, proferida em 17/07/2008 (fls. 461/469), foi pela improcedência da impugnação, em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 11020.000013/200822 Acórdão n.º 3302005.589 S3C3T2 Fl. 522 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO São consideradas como vendas para o mercado interno as vendas de produtos para empresas comerciais exportadoras, quando não atendidas as exigências legais em relação à saída dos produtos com suspensão do IPI. Em decorrência, constituise o crédito tributário, não destacado nas notas fiscais de saída dos produtos, exigindo se, por meio de auto de infração, o saldo devedor apurado na reconstituição da escrita fiscal. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO A imposição da multa de ofício está prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, por não se revestir da condição de tributo. Lançamento Procedente Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 483), em 23/12/2008, apresentou o recurso voluntário de fls. 485/514, em 13/01/2009, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche o requisito formal de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. MÉRITO Alega a Recorrente que tanto a fiscalização quanto a Turma Julgadora a quo negaramse a confirmar as exportações, apenas porque não estava disposto no campo informações complementares das notas fiscais emitidas pela recorrente a expressão remessa com o fim especifico de exportação, desconsiderando o CFOP informado (7.501) e a efetiva natureza das operações, bem como pelo fato de não conseguir cotejar alguns conhecimentos de transporte com as notas fiscais. Aduz que a preencheu os requisitos expressos no art. 42, inc. V, alínea a e §10 do Decreto n° 4.544/02, para a utilização do benefício da suspensão do IPI, ou seja, os produtos destinavamse à exportação e foram remetidos à comercial exportadora para a perfectibilização da operação, salientando que não há exigência legal que conste no documento fiscal o destino à recinto alfandegado, argüindo que o destino da mercadoria poderia ser tanto o recinto alfandegado quanto a comercial exportadora ou outro local que se processe o despacho aduaneiro. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 11020.000013/200822 Acórdão n.º 3302005.589 S3C3T2 Fl. 523 4 Diante dos fatos relatados, a acusação fiscal é de que a ora recorrente, descumpriu o disposto no art. 42, inc. V, alínea "a", § 1°, do Decreto n° 4.544/02 RIPI/2002, bem como no art. 39, inc. I, § 2°, da Lei n° 9.532/97, que determinam que a remessa direta dos produtos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, é condição necessária para a fruição da suspensão do IPI na saída dos produtos do estabelecimento industrial. A subsunção dos fatos e respectivas provas ao direito alegado infringido, foi bem e corretamente enfrentada pelo acórdão recorrido. Vejase (fl. 467): "5.4 Voltando ao caso concreto, verificase que, efetivamente, o interessado deixou de cumprir os requisitos exigidos para a saída dos produtos com suspensão do IPI, no caso de venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. O Relatório de Auditoria Fiscal, fls. 28 a 46, apontou diversas irregularidades, em relação à emissão das notas fiscais de venda, que não foram contestadas pelo interessado. 5.5 Além disso, os produtos vendidos, como se vê pelos documentos juntados aos autos, não saíram diretamente do estabelecimento produtor para embarque de exportação ou para recinto alfandegado.As cópias dos conhecimentos de transporte, fls. 152, 154, 157 e 160, indicam que os produtos não saíram do endereço do produtor, o que caracteriza o descumprimento de exigência, contida na legislação, para o gozo da suspensão do IPI. Também a resposta do contribuinte, de que as notas fiscais que acompanhavam o transporte das mercadorias até o porto (fl. 80, item 1.a.1), foram emitidas pelo exportador, comprova a falta de atendimento dos requisitos legais. 5.6 A observância dos aspectos formais não pode ser reduzida, visto que a determinação contida na legislação, quando trata do beneficio da suspensão do IPI, explicita claramente em que condições o produtor pode dar saída aos produtos por ele fabricados, quando os vende para empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação. Em face de tudo o que foi dito antes, correta a decisão da DRF/Caxias do Sul, que considerou como vendas para o mercado interno as operações registradas pelo contribuinte como vendas de mercadorias para fins de exportação, com a conseqüente incidência de IPI sobre os produtos vendidos, o que acabou absorvendo os créditos registrados na escrita fiscal, restando ainda saldo devedor, cobrado no auto de infração formalizado neste processo." Nesse contexto, seguindo a mesma linha decisória adotada, por unanimidade, no precedente do Acórdão nº 3402003.879, de 28/03/2017, para avaliar se as operações de vendas efetuadas pelo “produtorvendedor”, ora recorrente, estão ou não cobertas pela suspensão do IPI, há que se examinar as normas relativas às operações de comércio exterior, que regulamentam as empresas comerciais exportadoras (ECE), bem como as suas aquisições de mercadorias no mercado interno para o fim específico de exportação. Nas palavras do Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, in verbis: Fl. 523DF CARF MF Processo nº 11020.000013/200822 Acórdão n.º 3302005.589 S3C3T2 Fl. 524 5 "O benefício fiscal de que aqui se trata não é o previsto na Constituição Federal (imunes à incidência de contribuições, por força do inciso I, § 2º, do art. 149, da CF) para as operações de exportação, como sugere a recorrente, mas sim o previsto em Lei e sua regulamentação, para as operações de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, quando os produtos sejam adquiridos com o fim específico de exportação. Desta forma, quanto ao imposto tratado nestes autos (IPI), temos que o art. 40 do Decreto nº 2.637/98 e o art. 42 do Decreto nº 4.544/2002, assim dispõem: (grifei) DECRETO N° 4.544/2002: "Art. 42 Poderão sair com suspensão do imposto: (...) V os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39): a) empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação nos termos do parágrafo único deste artigo (Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, inciso I); (...) §1° No caso da alínea a do inciso V, consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei n° 9.532, de 1997, art.39, § 2°). Destaca se que os dispositivos acima citados, regulamentaram o art. 39 da Lei nº 9.532, de 1997, que estabelece: Art. 39 Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § 1º Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (grifouse). (...) Para melhor deslinde da questão tratado nestes autos, manifestouse a Divisão de Tributação da SRRF/9ª RF, por meio da Nota Disit nº 8, de 25 de agosto de 2004, da qual transcrevo na seqüência vários excertos, que foram adaptados ao caso por este Conselheiro, adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 11020.000013/200822 Acórdão n.º 3302005.589 S3C3T2 Fl. 525 6 Pois bem. Observase que o art. 14, inciso VIII, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, ao falar em empresas comerciais exportadoras, restringeas àquelas do DecretoLei nº 1.248, de 1972, sendo que, logo em seguida, o inciso IX do mesmo artigo se refere a “empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”. Os demais artigos da Lei falam simplesmente em “empresa comercial exportadora”, sem apontarlhe qualquer característica especial. E, em todas as hipóteses, condicionase a fruição dos benefícios fiscais em tela (isenção ou nãoincidência do IPI, nas vendas à comercial exportadora) ao “fim específico de exportação” da venda. Disso tudo, e da conhecida regra de hermenêutica segundo a qual o intérprete não deve distinguir onde a lei não o fez, decorre que quando a lei não é expressa em sentido contrário (como ocorre no art. 14, inciso VIII, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001), a alusão que faz a empresa comercial exportadora abrange qualquer pessoa jurídica do gênero e não apenas aquelas disciplinadas pelo DecretoLei nº 1.248, de 1972. Com efeito, existem, no ordenamento jurídico pátrio, duas espécies de empresas comerciais exportadoras: (i) a empresa comercial exportadora que poderíamos chamar de comum, e (ii) a constituída nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972, também conhecida como trading company. A primeira (ECE comercial exportadora comum) é regida pelo Código Civil, não se diferenciando, em seus aspectos formais, das demais pessoas jurídicas, entre as quais se individualiza tãosomente em função do seu objeto social. À segunda (trading company), ao contrário, aplicamse requisitos especiais de constituição e funcionamento, previstos no art. 2º do citado DecretoLei nº 1.248, de 1972, quais sejam: (a) exigência de registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A (Cacex) (hoje cadastro do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), e na Receita Federal do Brasil, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda e veiculadas na Portaria nº 438, de 26 de maio de 1992, do MF; (b) constituição sob a forma de sociedades por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; e (c) exigência de capital mínimo, fixado pelo Conselho Monetário Nacional e tornado público pela Resolução nº 1.928, de 26 de maio de 1992, do Banco Central do Brasil. As empresas comerciais exportadoras comum (ECE) ou não trading, sujeita se às regras gerais a que estão submetidos todos os exportadores, entre elas a inscrição no Registro de Exportadores e Importadores (REI), da SECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, inscrição essa disciplinada por Portaria da SECEX, que consolida as disposições regulamentares das operações de exportação. Essa mesma Portaria dispõe, que “o registro especial para operar como Empresa Comercial Exportadora, de que trata o DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972 e legislação complementar, deverá observar os procedimentos previstos em Comunicado DECEX”. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 11020.000013/200822 Acórdão n.º 3302005.589 S3C3T2 Fl. 526 7 Em termos de legislação tributária, a menção a empresa comercial exportadora deve ser entendida, em regra, como abarcando tanto aquelas sujeitas a registro especial, como as demais, inscritas somente no REI. A Coordenação do Sistema de Tributação (CST), no Parecer Normativo nº 42, de 1975, reconhecia que o DecretoLei nº 1.248, de 1972, não revogara as demais disposições legais atinentes a empresas exportadoras não trading, aduzindo o seguinte: “[...] 9. Diante dessas considerações tornamse claras as diferenças, para os efeitos da legislação reguladora de estímulos fiscais à exportação de manufaturados, entre Empresa Comercial Exportadora de que trata o DecretoLei nº 1.248/72 e as empresas exportadoras ou que operam no comércio exterior referidas no art. 8º do Decreto nº 64.833/69 e no artigo 7º, inciso X, letra “a”, do RIPI. Diferenças advindas, principalmente, das formas de operações que executam, resultando em momento e condições diversas de gozo de incentivos fiscais. 10. A conclusão que se impõe, pois, é a de que, tratandose de empresas sujeitas a normas reguladoras diferentes, as atividades exercidas por uma não atingem e nem limitam ou excluem as atividades da outra.” Assim sendo, no caso desses autos, como a indústria estava lidando com comercial exportadora comum (não trading), para valerse da isenção do imposto (IPI) na operação de venda, deverá remeter os produtos diretamente, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, enquanto que se a venda estiver sendo feita a comercial exportadora do DecretoLei no 1.248, de 1972 (trading), ela (a indústria) poderá enviar os produtos, ainda, ao recinto de uso privativo da comercial exportadora de que trata o art. 14 da IN SRF nº 241, de 2002, por sua conta e ordem. A única dúvida que se poderia suscitar diz com a interpretação do que seria, no caso, o “fim específico de exportação”. No entanto, a definição dada pelo art. 39, §2º, da Lei nº 9.532, de 1997, não deixa margem de dúvidas. Vejase (grifei). Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I (...). § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Nesse sentido, o art. 42, §1º, do Decreto nº 4.544, de 2002 (já transcrito), que regulamenta o IPI (RIPI), adotou expressamente o texto fixado no art. 39, §2º, da Lei nº 9.532, de 1997, para efeito de condicionar a isenção prevista no art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001. Foi o art. 39 da citada lei que sujeitou a suspensão em tela à condição de que a aquisição tivesse o “fim específico de exportação”, caracterizado esse “fim específico” pela remessa direta dos produtos, pelo estabelecimento industrial vendedor, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, por conta e Fl. 526DF CARF MF Processo nº 11020.000013/200822 Acórdão n.º 3302005.589 S3C3T2 Fl. 527 8 ordem da empresa comercial exportadora, norma incorporada pelos regulamentos do IPI, editados a partir de 1997 (art. 40, inc. VI e § 2º, do Decreto nº 2.637, de 1998 (RIPI/1998), e art. 42, inc. V e § 2º, do Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002). Desta forma, a suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou a recinto alfandegado, tratandose de providência da alçada da indústria (produtora), ainda que por conta e ordem da comercial exportadora e, nem poderia ser diferente, pois é com essa obrigatoriedade que o Fisco consegue manter controle dos benefícios fiscais auferidos pelos contribuintes, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, evitando que sejam comercializados indevidamente no mercado interno. Ocorre que o contribuinte, conforme consta dos dados das notas fiscais e sua própria informação, entregou os produtos no endereço das empresas exportadoras, infringindo a determinação legal. Em fim, não pode prosperar a argumentação da Recorrente, haja vista que a legislação tributária (a lei e o regulamento do IPI) estabelece que “consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”, devendo tal norma, uma vez que concede suspensão do IPI, ser interpretada de forma literal, consoante o que dispõe o art. 111 do CTN , não cabendo, pois, interpretação ampliativa, como pretende a Recorrente." Assim, no presente processo, não restou configurada imputação por meros erros formais ou a alegada negativa de confirmação das exportações e, ainda que a norma do art. 39, da Lei n° 9.532/97, sinalize a possibilidade do envio das mercadorias para outros locais, onde se processe o despacho aduaneiro de exportação, tais possibilidades necessitam estar regulamentadas, v.g., da Instrução Normativa SRF nº 241, de 6 de novembro de 2002 (Dispõe sobre o regime especial de entreposto aduaneiro na importação e na exportação), não restando configuradas e demonstradas, no presente processo, nem as situações de vendas ás comerciais exportadoras comuns (não trading), à embarque de exportação ou à recinto alfandegado, nem as situações de vendas à trading, do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e envio para recintos de uso privativo dessas comerciais exportadoras, de que trata a referida norma complementar, outros locais, igualmente, recintos alfandegados, regulamentados sob o regime especial de entreposto aduaneiro. Não existe autorização na legislação tributária ou aduaneira para remeter mercadorias, com suspensão de impostos, à qualquer outro local, indicado por empresa comercial exportadora, sem as características legais de local para embarque de exportação ou de recinto alfandegado, não eximindose o remetente de responsabilidade, pelo desconhecimento da legislação ou a certeza putativa de que os locais atendiam as exigências legais, infringindo determinações legais de responsabilização objetiva. Pelo exposto, concluise que a suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou à recinto alfandegado, tratandose o envio de responsabilidade do produtorvendedor remetente, individualizada e independente da responsabilidade da comercial exportadora adquirente em comprovar o Fl. 527DF CARF MF Processo nº 11020.000013/200822 Acórdão n.º 3302005.589 S3C3T2 Fl. 528 9 embarque para o exterior no prazo de 180 (cento e oitenta) dias da emissão da nota fiscal pelo vendedor, conforme disposto no artigo 9º, da Lei nº 10.833/2003. Tais exigências legais, cercando as operações de vendas com fim específico de exportação de garantias de que efetivamente as mercadorias serão destinadas ao mercado externo, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, são necessárias aos controles fiscais e aduaneiros de benefícios, evitando que produtos industrializados desonerados à exportação, sejam comercializados indevidamente no mercado interno, em desigualdade, inclusive concorrencial. Percebese incontroverso, pelas próprias informações da contribuinte, pelas notas fiscais e conhecimentos de transporte, que a autuada não remeteu os produtos diretamente, por conta e ordem das empresas comerciais exportadoras, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, guardada a possibilidade de enviar os produtos, ainda, ao recinto de uso privativo da comercial exportadora, de que trata o art. 14, da IN SRF nº 241/02 (Dispõe sobre o regime especial de entreposto aduaneiro na importação e na exportação), por conta e ordem da empresa comercial exportadora do DL nº 1.248/72 (trading), não restando, no presente caso, nem mesmo, caracterizada a operação de venda com o fim específico de exportação. Não caracterizada a operação de venda com o fim específico de exportação, não é objeto de prova se houve ou não exportação, portanto, desnecessária a prova documental de que houve a efetiva exportação posterior pela adquirente. No sentido da prova estampada na nota fiscal de venda, com o fim específico de exportação, a Solução de Consulta SRRF/10ª RF/Disit n° 43, de 08 de fevereiro de 2008: ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: SUSPENSÃO. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para fins da suspensão do IPI, a pessoa jurídica que vende produtos por ela industrializados a empresa comercial exportadora deverá comprovar a venda com o fim específico de exportação, o que é feito mediante a apresentação de uma nota fiscal de venda na qual conste como adquirente uma empresa comercial exportadora, e como destino das mercadorias o embarque de exportação ou recintos alfandegados, não sendo hábil para essa comprovação, nem o Memorando de Exportação, nem qualquer documento que possa fazer prova de que houve a efetiva exportação posterior pela adquirente. (grifei) Dispositivos Legais: Art. 14, incisos VIII e IX e § 1°, da MP n° 2.15835, de 2001; art. 5°, inciso III, da Lei n° 10.637, de 2002; art. 6°, inciso III, da Lei n° 10.833, de 2003; art. 39, incisos I e II, e §§ 1°e 2°, da Lei n° 9.532, de 1997; art. 42 do Decreto n° 4.544, de 2002 Assim, tendo as operações comercias autuadas infringindo as determinações e exigências legais, não podendo enquadrarse nas condições de suspensão do imposto, entendo, deva ser mantida a presente exigência do IPI não recolhido na saída dos produtos. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 11020.000013/200822 Acórdão n.º 3302005.589 S3C3T2 Fl. 529 10 MULTA DE OFÍCIO Os argumentos de que o percentual de multa aplicada seria inconstitucional, diante do seu caráter confiscatório e irrazoável, não merece acolhida, pois, além da previsão legal, fixada no percentual exigido (75%), no inc. I, do art. 80, da Lei nº 4.502/64, como sabido "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." (Súmula CARF nº 2). Logo, devem ser mantidas as multas de ofício proporcional e isolada (75%), lançada no percentual previsto no art. 80, inciso I, da Lei n°4.502/64, com a redação dada pelo art. 45, da Lei n° 9.430/96, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazêlo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/15). Por tudo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 529DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13062.001430/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS. SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS. ATOS COOPERATIVOS PRÓPRIOS (ACP). EXCLUSÕES.GLOSAS. DILIGÊNCIA
Diante da repercussão da interpretação legal fixada pelo §9º-A, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido à redação original pelo artigo 19 da Lei nº 12.873, de 2013, admite-se as exclusões na base de cálculo, de todos os custos com atendimento de beneficiários da própria operadora, e dos beneficiários de outra operadora, o que resulta na inexistência de saldo a serem cobrados no presente processo. Os valores contestados pela empresa foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência.
Recurso de Ofício Não Conhecido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-005.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício e conhecer do Recurso Voluntário para DAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS. SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS. ATOS COOPERATIVOS PRÓPRIOS (ACP). EXCLUSÕES.GLOSAS. DILIGÊNCIA Diante da repercussão da interpretação legal fixada pelo §9º-A, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido à redação original pelo artigo 19 da Lei nº 12.873, de 2013, admite-se as exclusões na base de cálculo, de todos os custos com atendimento de beneficiários da própria operadora, e dos beneficiários de outra operadora, o que resulta na inexistência de saldo a serem cobrados no presente processo. Os valores contestados pela empresa foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS. SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS. ATOS COOPERATIVOS PRÓPRIOS (ACP). EXCLUSÕES.GLOSAS. DILIGÊNCIA Diante da repercussão da interpretação legal fixada pelo §9ºA, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido à redação original pelo artigo 19 da Lei nº 12.873, de 2013, admitese as exclusões na base de cálculo, de todos os custos com atendimento de beneficiários da própria operadora, e dos beneficiários de outra operadora, o que resulta na inexistência de saldo a serem cobrados no presente processo. Os valores contestados pela empresa foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício e conhecer do Recurso Voluntário para DARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Maria Aparecida Martins AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 06 2. 00 14 30 /2 00 8- 21 Fl. 604DF CARF MF Processo nº 13062.001430/200821 Acórdão n.º 3402005.381 S3C4T2 Fl. 605 2 de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Contra a empresa UNIMED NOROESTE/RS SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS LTDA Cooperativa, doravante denominada de UNIMED NOROESTE/RS, foi lavrado Auto de Infração formalizando a exigência de COFINS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 2.042.349,28, referente a fatos geradores entre 31/01/2005 a 31/12/2007. Esse valor (principal)foi acrescido de juros moratórios. O crédito tributário encontravase com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial, proferida pelo STJ, nos autos dos processos nºs 2001.71.10.0008467, da 2ª Vara Federal de Pelotas/RS e do MS Coletivo nº 92.00108008, da 5ª Vara Federal de Porto Alegre/RS (art. 151, incisos II e IV do CTN). De acordo com as decisões proferidas em sede do Mandado de Segurança, constatase que o contribuinte obteve provimento judicial favorável, junto ao STJ, reconhecendo o direito à isenção da COFINS sobre os atos tipicamente cooperativos, quais sejam: àqueles correspondentes à atividade fim das cooperativas. Cientificado do Auto de Infração, a Recorrente protocolizou Impugnação, defendendo a nulidade do lançamento, devido a imprecisão da autuação e de seu Relatório, que teria impedido a cooperativa de exercer plenamente seu direito de defesa. Quanto ao Mérito, aduz que o objeto da exigência fiscal decorre de não ter a cooperativa incluído na base de cálculo da COFINS os atos cooperativos principais que pratica. No período analisado (cita janeiro a dezembro de 2007) estava vigente norma que permitia a dedução da base de cálculo das contribuições, de eventos, por parte de operadoras de planos de saúde, como é o caso da cooperativa. Dentre eles encontramse os pagamentos a médicos, seus sócios; Ressalta que os atos cooperativos principais, consubstanciados na arrecadação e repasse de honorários aos médicos sócios da cooperativa, não configura receita tributável, nem mesmo pelo PIS e COFINS. Contra o alargamento da base de cálculo do conceito de faturamento, levado a efeito pela MP n° 1.8586, de 1998, a cooperativa ingressou na Justiça (processo nº 2001.71.10.0008467), porquanto, a teor do art. 79 da Lei n° 5.764, de 1971 (Lei das Sociedades Cooperativas), os atos cooperativos não estão sujeitos à tributação; Aduz que quando a norma tributária diz poder ser abatidos da base de cálculo da COFINS (e também do PIS) o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, quer dizer, em consonância com o primeiro inciso, que o montante pago em decorrência da utilização do plano pelo usuário (cliente), poderá ser abatido da base de cálculo das referidas contribuições, deduzido do valor eventualmente recebido de outra operadora em decorrência da transferência de responsabilidade pelo atendimento deste beneficiário; Pediu, ainda, que fossem afastados os juros de mora, tendo em vista a suspensão da exigibilidade, por decisão judicial, do crédito tributário lançado. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 13062.001430/200821 Acórdão n.º 3402005.381 S3C4T2 Fl. 606 3 Apreciando a impugnação, a DRJ em Porto Alegre (RS), em 18/07/2012, emitiu o Acórdão nº 1039.689, que julgou improcedente as alegações. Cientificado da decisão acima destacada, a recorrente apresentou recurso voluntário ao CARF, pedindo a nulidade do acórdão recorrido, porque apreciou genericamente e sem fundamentação o argumento da cooperativa, de que a exclusão da base de cálculo, permitida pelo art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, e o conceito de receita bruta, previsto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, não seriam objeto de discussão judicial e, portanto, deveriam ser conhecidas pela DRJ, ante a ausência de concomitância de discussão da matéria. No mérito, a recorrente defendeu a reforma do julgado, pois teria violado o art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, e mantido indevida tributação de receitas que não constituiriam faturamento da cooperativa (para a recorrente, o faturamento da sociedade cooperativa se resume a sua taxa de administração e os resultados não repassados aos seus associados), levandose em conta a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, proferida pelo STF. Os autos foram, então, encaminhados para este CARF, para apreciação do recurso. Em 25/03/2014, a 2ª TO, da 2ª Câmara, da 3ª Sejul, prolatou o Acórdão nº 3202 001.116 (fls. 439/445), concluindo o seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA PARCIAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS PARA A DRJ DAR CONTINUIDADE AO JULGAMENTO. Afastada a concomitância, anteriormente reconhecida,cabe o enfrentamento das questões pela instância a quo, onde restar não comprovada a simultaneidade das discussões, para que não sobre venha supressão de instância. Preliminar rejeitada. Recurso voluntário provido em parte. E conclui com o seguinte dispositivo (fl. 445): "(...) Forte nessas razões, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, anulando o acórdão recorrido e determinando o retorno dos autos à instância a quo, para que esta se pronuncie quanto às questões (art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98), em que não ficou evidenciada a opção pela via judicial, proferindo novo julgamento." (Grifei). Em 15/05/2014, o processo foi encaminhado à DRJ/POA, para o atendimento no disposto do Acórdão do CARF acima referenciado (fl. 450). Devolvido o processo à DRJ/POA, foram os autos analisados. Em 10/06/2014 emitiuse pedido de diligência para, em especial, efetuarse novas verificações/análises quanto à questão das deduções permitidas às operadoras de planos de saúde, que tiveram por fundamento o art. 3º, § 9º com seus incisos, da Lei nº 9.718, de 1998, e que, no entendimento do CARF, não se encontravam sob discussão judicial (fls. 451/456). Fl. 606DF CARF MF Processo nº 13062.001430/200821 Acórdão n.º 3402005.381 S3C4T2 Fl. 607 4 Em atendimento a diligencia, o Órgão preparador anexou documentos e a Informação Fiscal de fls. 458 a 463. Cientificada a Recorrente apresentou nova impugnação onde em síntese, elaborou as seguintes razões: • a diligência realizada demonstra que, com exceção dos custos assistenciais decorrentes dos atendimentos realizados aos beneficiários de outras operadoras, a fiscalização aceitou os demais. Os custos assistenciais decorrentes de atendimentos de beneficiários de planos de saúde de outras operadoras deverão ser excluídos, ficando na base de cálculo, apenas as receitas próprias da operadora (diferença entre o valor gasto pela Unimed e o valor recebido de outra operadora, por conta da transferência de responsabilidade). Este valor (diferença), a Unimed inclui na base de cálculo e realiza o depósito judicial da COFINS, no processo citado na autuação; • foram mantidas glosas ao arrepio da Lei. Ela determina que o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, podem ser abatidos da base de cálculo; • o valor depositado, a título de COFINS, no processo judicial não foi considerado pela fiscalização, que tributou duas vezes a mesma grandeza econômica. Apresenta planilha; • pede seja considerada a integralidade da disposição legal e, via de consequência, autorizada a exclusão total dos custos assistenciais, inclusive os de beneficiários de outras operadoras. O processo retornou a esta DRJ. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, foram parcialmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CARF. DECISÃO ANULADA. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. NOVO JULGAMENTO. Tendo o CARF entendido pela inexistência de concomitância quanto as deduções do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718, de 1998, e anulado a decisão de primeira instância, procedese a novo julgamento com o enfrentamento das questões propostas na impugnação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa. PAF. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa Fl. 607DF CARF MF Processo nº 13062.001430/200821 Acórdão n.º 3402005.381 S3C4T2 Fl. 608 5 na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. PEDIDO GENÉRICO. Considerase não formulado pedido genérico de diligência, por desatender a dispositivo legal que requer indicação de quesitos sobre matéria objeto de discordância. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA. Os juros de mora são cabíveis seja qual for o motivo determinante da falta, ainda que o crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em resumo, a decisão recorrida rejeita a preliminar de nulidade do auto de infração; não conhecer da impugnação na parte que trata de matéria levada ao crivo do Poder Judiciário, declarandose a definitividade da exigência fiscal discutida na instância administrativa, devendo a autoridade competente adequarse ao decidido judicialmente; julga procedente em parte a impugnação, com a manutenção parcial do crédito tributário lançado e considera não formulado o pedido de realização de diligência. Do total de R$ 2.042.349,30, referente ao crédito tributário lançado, foi excluído o valor de R$ 1.755.516,62, ficando um saldo remanescente de R$ 286.832.68, conforme quadro demonstrativo à fl. 522/523. Desse resultado, a DRJ recorreu de ofício, conforme se depreende do trecho abaixo transcrito: "(...) Desta decisão RECORRO DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), consoante o art. 70 do Decreto nº 7.574, de 2011 (DOU de 30/09/2011), bem como o art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (DOU de 07/01/2008)". Em 24/11/2014 (cópia do AR Correios à fl. 525), a Recorrente foi devidamente cientificada da decisão e não se conformando, em 17/12/2014 (fl. 527), apresentou o recurso voluntário de fls. 527/536, onde argumenta em síntese, que: aduz que na origem, realizada diligência, foram acatadas as deduções das indenizações dos eventos praticados pelos usuários da própria recorrente, sendo negado, por outro lado, o direito à exclusão dos pagamentos feitos por conta de atendimento de beneficiários de outras operadoras. Ou seja, a decisão cumpre parcialmente o art. 3º, §9º, da Lei nº 9.718/98, embora a tese jurídica tenha sido acolhida, em face da inclusão do §9ºA no §3º do art. 3º, pela Lei nº12.873/13; Fl. 608DF CARF MF Processo nº 13062.001430/200821 Acórdão n.º 3402005.381 S3C4T2 Fl. 609 6 que a tese foi acolhida, sendo que a decisão merece reparos apenas por não excluir a totalidade dos valores lançados, em relação aos custos com usuários de outras operadoras. Os custos assistenciais decorrentes dos atendimentos de beneficiários de planos de saúde de outras operadoras deverão ser excluídos, ficando, apenas, na base de cálculo, as receitas próprias da operadora (diferença entre o valor gasto pela Unimed e o valor recebido de outra operadora, por conta da transferência de responsabilidade); este valor (diferença), a Recorrente inclui na base de cálculo e realiza o depósito judicial da COFINS, no processo citado na autuação. Afirma que o valor do débito remanescente é exatamente 3% da receita de atendimentos de outras operadoras, classificada como ato cooperativo principal; em vista disto, a contribuinte elaborou PLANILHA (como elemento de prova) demonstrando que a autuação segue tributando os valores gastos com atendimento de beneficiários de outras operadoras, bem como, em acréscimo, tributa duas vezes essa mesma grandeza econômica; requer Diligência diante da necessidade de conferência dos valores mantidos na autuação, que decorrem dos custos com atendimentos de beneficiários de usuários de outras operadoras, bem porque houve dupla tributação sobre o mesmo valor (da taxa de administração, em face da tributação desta receita de intercâmbio), entende seja necessária uma diligência específica para comprovação destas irregularidades no auto de infração. Em face do exposto, postula o acolhimento integral do recurso, com o cancelamento da exigência fiscal, em sua integralidade. Alternativamente, a realização de uma diligência, com a finalidade específica de enfrentar o ponto colocado neste recurso. (receitas de intercâmbio menos os custos com atendimentos destes beneficiários, e conseqüente tributação do resultado destas operações, de forma duplicada). Os autos foram, então, foram remetidos ao CARF e distribuídos para este Conselheiro dar prosseguimento ao julgamento do Recurso. Quando da análise do Recurso, este Colegiado decidiu baixar os autos em diligência, conforme Resolução nº 3402001.039, de 31/08/2017 (fls. 569/578), nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, pugnando à a autoridade fiscal da DRF Santo Ângelo/RS, que procedesse à análise da documentação (tomando por base a PLANILHA demonstrativa de fls. 534/536), apresentada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, bem como intime a interessada para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar seus argumentos. Em 18/10/2017, dando cumprimento à Diligência, a DRF/Santo Ângelo/RS, após intimação da Recorrente, procedeu as análises e elaborou a Informação Fiscal de fls. 586/589 e tomou a ciência da empresa dandolhe prazo para manifestarse. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 13062.001430/200821 Acórdão n.º 3402005.381 S3C4T2 Fl. 610 7 1. Da admissibilidade dos recursos O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. No entanto no que concerne ao Recurso de Ofício, conforme o disposto na Súmula CARF nº 103, o limite de alçada deve ser aferido na data da análise do Recurso Ofício pelo órgão revisor. Assim, tendo em vista que a parcela exonerada do lançamento pela Delegacia de Julgamento (DRJ/Porto Alegre/RS), resultou no valor original de R$ 1.755.516,62 (fls. 522/523), é inferior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 63 do Ministério da Fazenda, de 09 de fevereiro de 2017, que elevou o limite de alçada para o seu conhecimento no âmbito do contencioso administrativo fiscal para o montante de R$ 2.500.000,00, portanto, não se conhece do recurso de ofício. 2. Objeto da lide Os procedimentos que redundaram nas exigências constantes do respectivo Auto de Infração, bem como os fatos apontados como determinantes para o lançamento, cingemse aos valores deduzidos pela empresa da base de cálculo da COFINS com base no inciso III, do §9º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, relativos aos períodos de apuração (PA) 31/01/2005 a 31/12/2007, que foram glosados integralmente pelo Fisco. Já os valores devidos a título de COFINS sobre os atos cooperativos próprios (ACP) foram lançados de ofício, com exigibilidade suspensa. A concomitância verificada entre Processo Administrativo e Judicial, já se encontra superada pela decisão a quo, e não foi objeto de contestação pela Recorrente em seu recurso interposto. 3. Das deduções do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718, de 1998 Trata a matéria nestes autos de glosa de deduções da base de cálculo utilizada pela empresa relativo a custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde despesas médicas, hospitalares e de laboratório incluindose nestes custos decorrentes de beneficiários da própria operadora UNIMED e os decorrentes de beneficiários de outras operadoras intercâmbios entre UNIMED. A Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pela MP nº 2.15835, de 2001, que disciplinou a sistemática de apuração cumulativa do PIS/COFINS para as operadoras de planos de assistência à saúde (arts. 2º e 3º, §§ 1º, 2º e 9º). Em razão de discussões relativas à interpretação do inciso III do § 9º do art. 3º, a RFB, mediante SC Cosit nº 23, de 2011, a RFB se posicionou no sentido de que as operadoras de planos de assistência à saúde não poderiam deduzir da base de cálculo das contribuições as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes). No entanto, a Lei nº 9.718, de 1998, foi alterada pela Lei nº 12.873, de 2013, que incluiu o § 9ºA, com objetivo de esclarecer acerca da interpretação do inciso III do § 9º do art. 3º. Vejase: Fl. 610DF CARF MF Processo nº 13062.001430/200821 Acórdão n.º 3402005.381 S3C4T2 Fl. 611 8 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide arts. 49 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) (...) § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) (...) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) § 9ºA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) (os grifos não constam do original) Grifei. Desta forma, com a publicação da Lei nº 12.873, de 2013, que acrescentou o §9ºA, restou pacificada qualquer divergência quanto à interpretação do inciso III do §9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Ou seja, restou autorizado às operadoras de planos de saúde deduzirem a totalidade dos custos assistenciais decorrentes não somente dos serviços médicos prestados aos beneficiários de outras operadoras, mas também aos utilizados pelos seus próprios beneficiários. Não bastasse o texto do enfocado §9ºA já deixar expresso que a regra ali disposta tem caráter interpretativo, o art. 8ºA, da Lei nº 9.718/98 (também incluído pelo art. 19, da Lei nº 12.873/2013), ao fazer remissão a este parágrafo, deixa mais uma vez claro que o sobredito dispositivo constitui “norma de interpretação”. "Art. 8ºA. Fica elevada para 4% (quatro por cento) a alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devida pelas pessoas jurídicas referidas no § 9º do art. 3º desta lei, observada a norma de interpretação do § 9ºA, produzindo efeitos a partir de 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao da publicação da lei decorrente da conversão da Medida Provisória n° 619, de 6 de junho de 2013, exclusivamente quanto à alíquota". Tratandose, pois, de norma interpretativa, ela deve ser retroativamente aplicada, em função do que preceitua o inciso I, do art. 106, do CTN, por ser mais benéfica ao contribuinte, na medida em que proporciona exclusão da base de cálculo das contribuições mais ampla que a definida na interpretação da RFB. E em sendo possível a exclusão das despesas próprias da base de cálculo do PIS e da COFINS, não subsistiria mais a diferença apurada pela fiscalização no valor a pagar das contribuições. Dentro desse contexto, a decisão a quo, concordou que com a inserção do novo dispositivo legal (§9ºA, ao art. 3º da Lei nº 9.718/98), tornaram a interpretação dada pela fiscalização superada. Vejase a conclusão do voto condutor (fl. 517): Fl. 611DF CARF MF Processo nº 13062.001430/200821 Acórdão n.º 3402005.381 S3C4T2 Fl. 612 9 "(...) De ver, ainda, que a autoridade fiscal, durante a auditoria e na formalização do lançamento tributário, se valeu de interpretação de lei que, apesar de então vigente, acabou sendo superada por posterior dispositivo legal de caráter interpretativo. A superveniência legal expressamente estabelece seu caráter interpretativo, o que, a teor do inciso I do art. 106 do CTN, lhe dá efeito retroativo. Muito embora a autoridade fiscal tenha se valido de referenciais legais (ato legal e ato administrativo, por exemplo) que estavam efetivamente em vigor à época da fiscalização e de sua conclusão, tais referenciais, com a posterior inserção do § 9º A ao artigo específico da Lei nº 9.718, de 1998, tornaram a interpretação dada superada, donde inválido tudo quanto foi produzido em face do manejo de tais referenciais (...). "(...) Diante deste quadro, impõese o cancelamento do lançamento, na parcela alcançada pelo critério jurídico incorreto, devendose afastar a exigência da COFINS relativa à glosa dos valores das deduções à base de cálculo das contribuições, contabilizados nas contas indicadas pela Fiscalização (ver demonstrativo ao final deste Voto)". Observase que na Informação Fiscal elaborada pela DRF/Santo Ãngelo/RS, quando da diligência solicitada pela DRJ/POA, a fiscalização elaborou os seguintes demonstrativos: "1 Detalhamento das Receitas e Custos (fls. 846/851) e 2 Demonstrativo de Ajustes das Glosas Lançadas de Ofício" (fl. 844), indicando que: "(...) No quadro abaixo, estão demonstrados os valores lançados originalmente no auto de infração, os ajustes efetuados por força da nova interpretação inserida pelo § 9ºA, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e o débito remanescente mantido no auto". Nesta tabela de fls. 461/462, a Fiscalização apresenta um resumo demonstrativo mensal, informando que do total de R$ 2.042.349,30 lançado, foi excluído o valor de R$ 1.755.516,62, ficando um saldo remanescente de R$ 286.832,68. Essa mesma tabela foi reproduzida pela DRJ em sua decisão às fl. 522/523. Por outro lado, a Recorrente, argumenta que na diligência realizada, foram acatadas as deduções das indenizações dos eventos praticados pelos usuários da própria Recorrente, sendo negado, por outro lado, o direito à exclusão dos pagamentos feitos por conta de atendimento de beneficiários de outras operadoras. Ou seja, entende que a decisão cumpre parcialmente o art. 3º, §9º, da Lei nº 9.718/98, embora a tese jurídica tenha sido acolhida, em face da inclusão do §9ºA no art. 3º, pela Lei nº 12.873/13. Destaca em seu recurso que, (...) Os custos assistenciais decorrentes dos atendimentos de beneficiários de planos de saúde de outras operadoras deverão ser excluídos, ficando, apenas, na base de cálculo, as receitas próprias da operadora (diferença entre o valor gasto pela Unimed e o valor recebido de outra operadora, por conta da transferência de responsabilidade). Afirma que este valor (diferença), a Recorrente inclui na base de cálculo e realiza o depósito judicial da COFINS, no processo citado na autuação. E, que o valor do débito remanescente é exatamente 3% da receita de atendimentos de outras operadoras, classificada como ato cooperativo principal. Em vista disto, a Recorrente elaborou uma PLANILHA demonstrando que o Fisco segue tributando os valores gastos com atendimento de beneficiários de outras Fl. 612DF CARF MF Processo nº 13062.001430/200821 Acórdão n.º 3402005.381 S3C4T2 Fl. 613 10 operadoras, bem como, em acréscimo, tributa duas vezes essa mesma grandeza econômica. Alega que em vista disto, o presente feito envolve uma questão de ajuste matemático, não apreciação de teses jurídicas. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, o presente julgamento foi convertido em diligência (Resolução nº 3402001.039, de 31/08/2017 4ª. Câmara / 2ª Turma Ordinária), solicitando as seguintes informações: a) apurar a veracidade da afirmação da Recorrente de que a autuação (saldo remanescente) segue tributando os valores gastos com atendimento de beneficiários de outras operadoras, bem como, em acréscimo, tributa duas vezes essa mesma grandeza econômica, conforme consta da PLANILHA demonstrativa de fls. 898/899 (receitas de intercâmbio menos os custos com atendimentos destes beneficiários, e conseqüente tributação do resultado destas operações, de forma duplicada), em resumo, para quantificação pelo Auditor Fiscal autuante, da repercussão da interpretação legal fixada pelo §9ºA, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido à redação original pelo artigo 19 da Lei nº 12.873, de 2013, sobre os valores exigidos no lançamento; e b) se confirma a alegação de que este valor (diferença remanescente no lançamento), a Recorrente inclui na base de cálculo e realiza o depósito judicial da COFINS, no processo citado nos autos (afirma que o valor do débito remanescente é exatamente 3% da receita de atendimentos de outras operadoras, classificada como ato cooperativo principal). Concluído os trabalhos da Diligência, que resultou na Informação Fiscal elaborada pelo Fisco (fls. 586/589), destaco trechos abaixo reproduzidos que são suficientes para o deslinde da questão. Vejase: "(...) Dá análise dos valores apresentados pela recorrente na planilha de fls. 892/899, comparados com os valores constantes das planilhas de fls. 464 a 475, elaboradas pela fiscalização (detalhamento de custos e receitas) e planilhas de fls. 476 a 478 (demonstrativo de ajuste das glosas lançadas), concluise que efetivamente houve um equívoco quando da realização da diligência, que apontou um saldo de débitos remanescente a cobrar no presente processo. O valor do débito mantido em cobrança, inclusive, não se refere a custos glosados, mas sobre receitas de intercâmbios, que não faziam parte do lançamento. Como o valor do débito lançado neste auto de infração, decorreu exclusivamente da glosa de custos que haviam sido excluídos da base de cálculo das contribuições pela Unimed, e diante da repercussão da interpretação legal fixada pelo §9ºA, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido à redação original pelo artigo 19 da Lei nº 12.873, de 2013, concluise que, uma vez admitidas as exclusões na base de cálculo, de todos os custos com atendimento de beneficiários da própria operadora, e dos beneficiários de outra operadora, os quais haviam sido objeto de glosas, resulta na inexistência de saldo a serem cobrados no presente processo. Esta conclusão pode ser verificada nos demonstrativos anexados as fls. 581 a 583". (Grifei). Quanto ao item b) da Diligência, muito embora a Fiscalização informa que não se confirma a informação da Recorrente, de que as diferenças remanescentes cobradas no Fl. 613DF CARF MF Processo nº 13062.001430/200821 Acórdão n.º 3402005.381 S3C4T2 Fl. 614 11 lançamento, ela tenha incluída na base de cálculo e realizado depósito judicial, e que os valores dos débitos são exatamente a receita de atendimento de outras operadoras, classificada como ato cooperativo principal. E conclui que pode ser que a referida receita tenha sido incluída na base de cálculo, mas que os valores depositados correspondem a 3% desta receita, não restou confirmado. No entanto, tornase irrelevante este questionamento, em face do resultado apontado pela citada Diligência, quanto a inexistência de saldo remanescente a ser cobrado no presente processo, sendo que os depósitos judiciais serão analisados quando do trânsito em julgado da ação judicial em questão. 4. Dispositivo Em face de todo o exposto, não conheço do Recurso de Ofício e considerando que a diligência realizada confirma a inexistência de saldo remanescente a ser cobrado neste processo, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário, com o cancelamento integral da exigência fiscal. É como voto. (assinatura digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 614DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.720295/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
Numero da decisão: 3302-005.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 02 95 /2 00 7- 71 Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 10183.720295/200771 Acórdão n.º 3302005.718 S3C3T2 Fl. 1.170 2 Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 1.1501.158: Tratam os autos de pedido de ressarcimento PER/DCOMP nº 26823.47702.281206.1.1.084159 referente a crédito de PIS não cumulativo mercado externo, no montante de R$ 130.449,30, apurado no 3º trimestre de 2003, para o qual foram também formalizadas as declarações de compensação nº 42891.24289.080107.1.3.086285 em 08/01/2007 e nº 09412.77665.070307.1.3.08 6567 em 07/03/2007, as quais totalizam R$ 245.083,93 em débitos. A seguir, um resumo dos fatos extraído dos autos. Para as verificações do crédito pleiteado foi realizado pelo Serviço de Fiscalização da DRF/CuiabáMT o Procedimento Fiscal n° 0130100.2008.00410, iniciado em 16/07/2008. Solicitados arquivos contábeis magnéticos, documentos e esclarecimentos necessários a análise do crédito de PIS e Cofins, o sujeito passivo entregou em 21/11/2008 arquivos magnéticos correspondentes aos períodos de 2003 a 2007 não gravados pelo SINCO – Sistema Integrado de Coleta de Dados. Após diversas intimações, prorrogações de prazo e alertas de que a não apresentação dos documentos solicitados resultaria no indeferimento dos pedidos de ressarcimento de PIS e Cofins, e tendo em vista que os documentos solicitados nas intimações não foram entregues no período do procedimento fiscal, o Serviço de Fiscalização concluiu pelo não reconhecimento da existência de créditos de PIS e Cofins entre o 1° trimestre de 2003 e o 2° trimestre de 2006, conforme Termo de Verificação Fiscal de 30/09/2009. Em 19/11/2009, após o encerramento da fiscalização, o interessado requereu no Serviço de Orientação e Análise Tributária – SEORT/DRF Cuiabá (MT) juntada de livros e de cópias de notas fiscais de fornecedores relativas ao ano de 2004. Por meio do Despacho Decisório n° 423, de 16/04/2010, o pedido de ressarcimento foi indeferido e as declarações de compensação não homologadas, em razão do Fisco não poder comprovar a legitimidade e materialidade dos direitos creditórios pretendidos pelo contribuinte. Cientificado do referido Despacho Decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 35 a 44), acompanhada de planilhas juntadas às folhas 71 a 135 e mídia digital (CD) e documentos impressos: razão, balancetes, relatórios, planilhas, notas fiscais de exportação, etc., os quais foram juntados apenas ao processo n° 10183.720293/200782, e alega dispor de todos os documentos originais e/ou autenticados que comprovam o seu direito, podendo ser diligenciado para verificação das notas fiscais de venda para o mercado interno e externo e das notas fiscais e comprovantes de aquisição de bens e insumos. Em 09/08/2011, a DRJ/CGE, por meio do Despacho 12 – 2° Turma (fls. 143 a 144), propôs o retorno do processo à DRF/Cuiabá – MT em diligência a fim de serem analisadas a legitimidade e a materialidade dos direitos creditórios pleiteados. Para subsidiar a Diligência, o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos relacionados na Intimação n° 0032/14, de 20/01/2014 (fls. 149 a 152). Após vários pedidos de dilação de prazo (28/03/2014, 24/04/2014, 29/05/2014, 25/06/2014, 25/07/2014, 05/09/2014, 24/10/2014 e 27/11/2014), respondeu em Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10183.720295/200771 Acórdão n.º 3302005.718 S3C3T2 Fl. 1.171 3 19/12/2014 (fls. 161 a 163). Não sendo os documentos apresentados satisfatórios para análise, o contribuinte foi novamente intimado a apresentar esclarecimentos e documentos adicionais relacionados na Intimação n° 0352/15SEORT/DRF CUIABÁ/MT (fls. 190 a 194). Após pedido de dilação de prazo e reintimação, em 12/06/2015, o contribuinte respondeu às fls. 202 a 216. Toda a documentação apresentada pelo sujeito passivo referente ao período objeto destes autos foram anexados às folhas 260 a 1071. Com base na documentação apresentada, o Auditor Fiscal do SEORT/DRF Cuiabá/MT realizou detalhada análise do pleito, emitindo a Informação Fiscal SEORT/DRFCuiabá/MT nº 187/2016 (fls. 1108 a 1142), na qual consta descrição minuciosa do exame da documentação apresentada pelo sujeito passivo, bem assim da fundamentação legal dos valores admitidos e glosados, concluindo, pelo deferimento parcial do pedido no montante de R$ 8.609,86. Cientificado, o sujeito passivo não se manifestou. Os autos retornaram para julgamento da manifestação de inconformidade apresentada às fls. 35 a 44, na qual o sujeito passivo discorre, em síntese, que: por fazer parte de um grupo de 35 empresas com contabilidade centralizada, não consegue atender a tempo todas as solicitações das autoridades fiscais, mas que as informações foram prestadas; os autos de infração lavrados no curso do procedimento fiscal dificultaram a situação do sujeito passivo, o que não poderia ocorrer conforme Lei n° 9.430/96, art. 74, § 9o, na Portaria RFB n° 666/08, art. 1º, e nos termos da CF de 1988; seria ilegal a exigência pela fiscalização de formato específico para apresentação das informações e validação pelo SINCO; apresenta mídia digital e algumas partes impressas contendo: Livros Razão, balancetes, contas geradoras de crédito, contas do ativo e passivo, relatórios e planilhas diversas, amostragem de notas fiscais de aquisição de insumos, notas fiscais de exportação e relatório de auditoria. os documentos apresentados traduzem as operações fiscais da empresa nos anos de 2002, 2003, 2004, 2005 e janeiro a setembro de 2006, argumentando que, pelo fato de a empresa ter obtido faturamento, significa que tenha adquirido bens e insumos para suas atividades. sobre as notas fiscais de aquisição, alega tratarse de uma amostragem, pois os documentos originais teriam sido enviados para auditoria, tratandose de mais de 20 caixas de papel, sendo inviável o encaminhamento dos mesmos e colocandoos a disposição para serem diligenciados. Fundado nessas alegações, ao final, requer o reconhecimento da tempestividade da Manifestação de Inconformidade, que a documentação apresentada em mídia digital e impressa seja admitida como prova inconteste do direito creditório, ou caso não sejam suficientes, sejam solicitados os documentos originais ou autenticados, ou que se diligencie para verificação das notas fiscais de venda e de aquisição de bens e insumos e que seja reconhecido o direito creditório e homologadas as compensações. Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 10183.720295/200771 Acórdão n.º 3302005.718 S3C3T2 Fl. 1.172 4 Em 09 de fevereiro de 2017, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA Mercado Externo. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação da existência do direito creditório pleiteado. Os créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa somente são reconhecidos no caso de as operações que lhe deram origem estarem efetivamente comprovadas por documentação hábil e idônea segundo as prescrições legais. Intimado da decisão em 20.02.2017 (fls.1.163), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 22.03.2017 (fls.1.167), reproduzindo, com exceção de duas questões preliminares, os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 20.02.2017 (fls. .1.163) e protocolou Recurso Voluntário em 22.03.2017 (fls. 1.167), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminarmente Em sede preliminar a Recorrente apresenta dois questionamentos. O primeiro questionamentos foi realizado nos seguintes termos: 12. Levantase o presente ponto porque os nobres julgadores perceberão que durante todo o relatório e o voto da douta Turma de Julgamento e também na diligência levada a cabo pelo r. AFRFB perpassa a ideia central de que cabe ao Contribuinte, no caso de ressarcimento, restituição, compensação e desconto, o ônus da prova. No entanto, salta os olhos o fato de que os livros contábeis e fiscais trazidos como prova aos autos não servem de prova. Afirmase, inclusive, que são necessários documentos hábeis e idôneos para comprovar aquilo que está nos livros 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10183.720295/200771 Acórdão n.º 3302005.718 S3C3T2 Fl. 1.173 5 contábeis e fiscais. Por outro lado, quando interessa ao Fisco, a análise dos livros contábeis e fiscais do Contribuinte é suficiente para servir de base para uma autuação fiscal. Afinal, qual é o papel da escrituração contábil e fiscal se ela não pode servir de prova a favor do Contribuinte, mas pode servir de suporte fático e prova para uma autuação pelo Fisco? Em relação ao questionamento formulado pela Recorrente, embora não se trata de nenhum requerimento para declarar a nulidade das decisões proferidas nos autos, insta tecer que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20112. Isto quer dizer, em linhas gerais, que a escrituração contábil e fiscal deve sempre estar lastreada em documentos que comprovem a origem do registro, sob pena de ser desconsiderada. Já o segundo questionamento foi realizado da seguinte forma: 13. Outra questão que chama atenção neste processo administrativo fiscal é que se está tratando de uma empresa do setor exportador. O Contribuinte era ao tempo da apuração do direito creditório de Pis/Pasep preponderantemente exportador. Ora, a Secretaria da Receita Federal do Brasil é responsável pelos sistemas de controles das exportações brasileiras e acreditase que tenha conhecimento de quem exporta direta e indiretamente. No entanto, esses dados não são carreados aos autos pelo AFRFB e que serviriam para comprovar ou não o pedido de ressarcimento e reconhecimento do crédito. Não tem o Fisco o interesse de exercer seu papel com isenção e dar a cada um o que é seu por direito? Sim, é a resposta para o questionamento realizado pela Recorrente. Contudo, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC3). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Neste ponto e, adiantamento as questões de mérito, o fisco com base no documentos fornecidos pela Recorrente, admitiu o crédito no limite daquilo que foi comprovado, ou seja, conferiu ao contribuinte o direito que ele demonstrou. Neste cenário, mesmo inexistindo qualquer pedido de anulação das decisões proferidas nos autos, entendo que os questionamentos realizados pela Recorrente merecem ser respondidos para evitar recursos procrastinatórios. III. Mérito Conforme explicitado anteriormente, em cumprimento a diligência determinada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a fiscalização deferiu parcialmente o crédito apurado pela Recorrente, nos termos da Informação Fiscal Seort/DRF Cuiabá/MT Nº 0185/2016, de 11 de julho de 2016, carreada às fls. 3.4643.498. Em resumo a fiscalização glosou parte do crédito apurado pela Recorrente por entender que os bens e serviços não se enquadram no conceito de insumos para tomada de 2 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). 3 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 10183.720295/200771 Acórdão n.º 3302005.718 S3C3T2 Fl. 1.174 6 crédito e, principalmente pela ausência de documentos para comprovar a origem dos lançamento contábeis. Intimado da diligência fiscal a Recorrente permaneceu inerte. Já em fase recursal a Recorrente manifestou genericamente sobre a questão envolvendo a ausência de documentos, não sendo capaz de comprovar especificamente quais documentos seriam capaz de demonstarr seu pretenso direito e fulminar as alegações da fiscalização. Não apresentou, ainda, manifestação sobre o conceito de insumo utilizado pela fiscalização para negar o crédito apurado, tampouco demonstrou a utilização de bens e serviços em seu processo produtivo, obstando este relator de apresentar qualquer juízo de valor sobre a matéria em comento. Com efeito e, conforme explicitado anteriormente, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC4). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10183.720295/200771 Acórdão n.º 3302005.718 S3C3T2 Fl. 1.175 7 direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)5 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20116. Neste cenário, deixando a Recorrente de trazer aos autos documentos capazes de comprovar a origem dos lançamentos contábeis, o indeferimento do pedido de ressarcimento deve se mantido, motivo pelo qual, entendo correta a decisão de piso e, adoto seus fundamentos como razão complementar de decidir. IV. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo 5 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 6 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 1175DF CARF MF
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