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Numero do processo: 19515.002634/2004-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/1998 a 30/06/2004
PIS. DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO.
Na falta de antecipação do pagamento do tributo, o prazo decadencial é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I do CTN).
PIS. BASE DE CÁLCULO. VENDA DE IMÓVEIS. INCIDÊNCIA.
Conforme já decidido pelo STJ no Recurso Especial nº 929.521-SP, cujo julgamento foi proferido na sistemática do art. 543-C do CPC, imóveis estão incluídos no conceito de mercadorias para fins de incidência do PIS e da Cofins.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA.
Sendo constatado em procedimento fiscal o não pagamento do tributo na data do seu vencimento, correta a aplicação da taxa Selic sobre o valor do crédito tributário constituído.
Numero da decisão: 3301-002.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez votou pelas conclusões.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Na falta de antecipação do pagamento do tributo, o prazo decadencial é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I do CTN). COFINS. BASE DE CÁLCULO. VENDA DE IMÓVEIS. INCIDÊNCIA. Conforme já decidido pelo STJ no Recurso Especial nº 929.521SP, cujo julgamento foi proferido na sistemática do art. 543C do CPC, imóveis estão incluídos no conceito de mercadorias para fins de incidência do PIS e da Cofins. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Sendo constatado em procedimento fiscal o não pagamento do tributo na data do seu vencimento, correta a aplicação da taxa Selic sobre o valor do crédito tributário constituído. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1998 a 30/06/2004 PIS. DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Na falta de antecipação do pagamento do tributo, o prazo decadencial é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I do CTN). PIS. BASE DE CÁLCULO. VENDA DE IMÓVEIS. INCIDÊNCIA. Conforme já decidido pelo STJ no Recurso Especial nº 929.521SP, cujo julgamento foi proferido na sistemática do art. 543C do CPC, imóveis estão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 34 /2 00 4- 67 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.002634/200467 Acórdão n.º 3301002.402 S3C3T1 Fl. 407 2 incluídos no conceito de mercadorias para fins de incidência do PIS e da Cofins. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Sendo constatado em procedimento fiscal o não pagamento do tributo na data do seu vencimento, correta a aplicação da taxa Selic sobre o valor do crédito tributário constituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez votou pelas conclusões. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.002634/200467 Acórdão n.º 3301002.402 S3C3T1 Fl. 408 3 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado na decisão recorrida, abaixo transcrito. Trata o presente processo de Autos de Infração de fls. 53 a 72 e 211 a 230, lavrados, contra o contribuinte em epígrafe, respectivamente, em decorrência da diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor total de R$937.772,22, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 06/1998 a 31/01/2004 (Incidência cumulativa) e 02/2004 a 06/2004 (Incidência nãocumulativa), incluídos principal, multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até 29/10/2004, e da diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago da Contribuição para o PIS, no valor total de R$221.453,00, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 06/1998 a 11/2002 (Incidência cumulativa) e 12/2002 a 06/2004 (Incidência não cumulativa), incluídos principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 29/10/2004. 2. Na descrição dos fatos dos Autos de Infração, às fls. 68, 71/72, 226 e 22 versa que, durante o procedimento de "Verificações obrigatórias", foi constatado que o contribuinte não procedeu ao recolhimento dos valores devidos das contribuiçôes, não depositou judicialmente os aludidos valores e nem os declarou em DCTF, para os períodos de apuração citados anteriormente. 3. Embasando o feito fiscal, o Autuante citou, nos Autos de Infração, o enquadramento legal às fls. 71/72 (Coflns) e 228/230 (PIS). No que se refere à multa de oficio e aos juros de mora, os dispositivos legais aplicados constam às fls. 66 e 224. 4. Cientificada em 17/11/2004, conforme fls. 67 e 225, a Interessada ingressou, em 17/12/2004, com as petições de fls. 75/83 (Cofins) e 233/241 (PIS), através das quais vem impugnar os lançamentos efetuados, alegando em síntese que: 1) Sendo a Cotins e a Contribuição para o PIS tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo da decadência é de 5 (cinco) anos contados do fato jurídico, a teor do artigo 150, § 4°, do CTN; 2) Desse modo, os créditos referentes aos fatos jurídicos ocorridos entre 30/06/1998 e 31/10/1999 foram alcançados pela decadência, razão pela qual devem ser excluídos da cobrança; 3) As leis criadoras dos tributos, tal como a Constituição, referemse a "receita ou faturamento". A interpretação sistemática do texto da Carta Constitucional e da Lei n° 5.172/66 faz concluir que receita é patrimônio próprio da empresa, decorrente da venda de mercadorias e serviços e, tal qual mercadoria, faturamento também é um conceito legislado, não fazendo qualquer referência a imóveis, abrangendo tão só mercadorias vendidas e serviços prestados. Esse conceito tem sua origem nos artigos 1° e 20 da Lei n° 5.474/68 e diz que a fatura é o documento emitido para documentar a venda mercantil ou a prestação de serviço; Fl. 457DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.002634/200467 Acórdão n.º 3301002.402 S3C3T1 Fl. 409 4 4) "faturamento" é um conceito de direito privado utilizado expressamente pela própria Carta Magna para definir a competência tributária, não podendo, dessa forma, ser alterado por lei, conforme preceitua o art. 110 do CTN; 5) a taxa Selic deve ser afastada do montante do crédito tributário, em virtude da ilegalidade do referido índice quando utilizado na seara do direito tributário, conforme recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça; Ao julgar referida impugnação, a 4ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro II proferiu o Acórdão nº 1319088, de 28/02/2008, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/1998 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição de créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é de 10 (dez) anos, iniciandose no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. VENDA DE IMÓVEIS INCIDÊNCIA. As receitas provenientes de venda de imóveis compõem o faturamento sujeito à incidência da Cofins. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Procede a cobrança de encargos de juros com base na taxa Selic, porque se encontra amparada em lei, cuja constitucionalidade não pode ser aferida na esfera administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FISWASEP Período de apuração: 01/06/1998 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição de créditos relativos à Contribuição para o PIS é de 10 (dez) anos, iniciandose no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. VENDAS DE IMÓVEIS. INCIDÊNCIA. As receitas provenientes de venda de imóveis compõem o faturamento sujeito à incidência da Contribuição para o PIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na taxa Selic, porque se encontra amparada em lei, cuja constitucionalidade não pode ser aferida na esfera administrativa. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.002634/200467 Acórdão n.º 3301002.402 S3C3T1 Fl. 410 5 Lançamento Procedente Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio da qual maneja basicamente a mesma argumentação colocada em sede de sua impugnação. É o relatório. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.002634/200467 Acórdão n.º 3301002.402 S3C3T1 Fl. 411 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. O contribuinte apresenta três questões para análise desta turma de julgamento. 1) Decadência parcial do lançamento; 2) Incidência de PIS e Cofins nas vendas de imóveis; e 3) A incidência dos juros Selic para correção do crédito tributário. DECADÊNCIA Vejamos o que dispõe o CTN a respeito da decadência do lançamento: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(grifei) De acordo com este dispositivo do CTN, se houver antecipação do pagamento, e não ocorrendo as situações de dolo, fraude ou simulação, o prazo para a fazenda pública efetuar o lançamento decai em cinco anos contados do fato gerador. Pela própria descrição dos fatos, não se vislumbra que tenha havido antecipação de pagamento, fato este que também pode ser confirmado nas planilhas de composição da base de cálculo. Como não houve antecipação de pagamento, o início do prazo decadencial é o previsto no art. 173, inc. I do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Fl. 460DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.002634/200467 Acórdão n.º 3301002.402 S3C3T1 Fl. 412 7 Os lançamentos foram cientificados ao contribuinte em 17/11/2004. Nesta data só era possível efetuar os lançamentos de PIS e Cofins relativos aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro/99, cujo termo inicial da contagem dos 5 anos dariase em 1º/01/2000 e a fazenda nacional teria até 31/12/2004 para efetuar o lançamento. Portanto, os valores lançados referentes aos fatos geradores ocorridos no ano de 1998 foram atingidos pelo prazo decadencial e não poderiam ter sido objetos de lançamento. VENDA DE IMÓVEIS – INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS O contribuinte faz um longo estudo a respeito da impossibilidade da incidência do PIS e da Cofins sobre a venda de imóveis. Seu fundamento básico é que a base de cálculo destas contribuições é o faturamento, que seria o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços, e nesta condição não engloba a venda de imóveis pois estes não seriam mercadorias. Esta questão já está pacificada tanto no judiciário, quanto na esfera administrativa. Em relação ao judiciário, o STJ julgou esta questão no Recurso Especial nº 929.521SP, cujo julgamento foi proferido na sistemática do art. 543C do CPC. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. COFINS. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis, uma vez que "o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais " (Precedente do STF que versou sobre receitas decorrentes da locação de bens imóveis: RE 371.258 AgR, Relator(a): Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, julgado em 03.10.2006, DJ 27.10.2006). Precedentes das Turmas de Direito Público do STJ acerca de receitas decorrentes da locação de bens móveis: AgRg no Ag 1.136.371/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 04.08.2009, Dje 27.08.2009; AgRg no Ag 1.067.748/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.05.2009, DJe 01.06.2009; Resp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, DJe 11.02.2009; e AgRg no Ag 846.958/MG, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 29.06.2007. 2. Deveras, "a base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial e (b) no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com a operações de locação de bens móveis à mencionada contribuição" (REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, Fl. 461DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.002634/200467 Acórdão n.º 3301002.402 S3C3T1 Fl. 413 8 DJe 11.02.2009; e EDcl no REsp 534.190/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 19.08.2004, DJ 06.09.2004). 3. Conseqüentemente, a definição de faturamento/receita bruta engloba as receitas advindas das operações de locação de bens móveis, que constituem resultado mesmo da atividade econômica empreendida pela empresa. (...) Neste mesmo sentido, assim se pronunciou o Acórdão nº 9303002092 da 3ª Turma da CSRF cujo relator foi o ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/1996 a 31/08/1998 (...) COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. RECEITA DE ALUGUEL DE IMÓVEIS. A base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial, e, no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com a operações de locação desses bens. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Portanto, considerando que a atividade da recorrente é a construção e venda de imóveis, obrigatório concluir que as receitas decorrentes destas atividades constituem o seu faturamento, assim entendido como a receita de suas atividades empresariais típicas, tanto sob o auspício da Lei nº 9.718/98, PIS e Cofins cumulativos, como das Leis 10.267/2002 e 10.833/2003, respectivamente, PIS e Cofins nãocumulativos. INCIDÊNCIA DOS JUROS SELIC PARA CORREÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Da análise dos autos de infração, constatase que foram aplicados juros moratórios com base na Taxa Selic, nos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 462DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.002634/200467 Acórdão n.º 3301002.402 S3C3T1 Fl. 414 9 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º, § 3º da Lei nº 9.430/96: Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Esta questão dos juros incidentes sobre tributos já está pacificado nos termos da Súmula CARF nº 4, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, está demonstrado que os juros aplicados no lançamento foram efetuados nos termos da legislação pertinente. Desta forma, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, somente para reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1998. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 463DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10215.720133/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA LEGAL DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE.
É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente.
Não efetivada a averbação, o contribuinte não possui direito à isenção pleiteada.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2101-002.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 17/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA LEGAL DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente. Não efetivada a averbação, o contribuinte não possui direito à isenção pleiteada. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 17/09/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 01 33 /2 00 7- 19 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário objetivando a reforma do Acórdão de nº 11 26.762 da 3ª Turma da DRJ/REC (fls. 141/148), que, por unanimidade de votos, não acolheu as alegações de defesa, mantendo integralmente a autuação, que exige o pagamento de ITR em face do contribuinte não ter atendido as condições e requisitos exigidos pela legislação para a concessão da isenção quanto ao total da Área de Reserva Legal declarada. Os argumentos de Impugnação arguidos foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Devidamente cientificado em 13/11/07 (fl. 105), o contribuinte apresentou tempestivamente impugnação em 30/11/07 (fls. 106/113), por meio da qual sustenta: "(...) O Seringal Belo Horizonte, por estar situado em área de floresta na Amazônia Legal, é constituído de diversas áreas de Reserva Legal que totalizam80% do seringal, ou seja, uma área de 223.500, 40 ha. ... Toda a área de Reserva Legal existente no Seringal Belo Horizonte, de propriedade da Requerente, inclusive a área de 83.812,60 ha excluída pelo Sr. Auditor Fiscal de sua DIAT, está devidamente declarada em seu Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais IBAMA, sendo que 50% da área do Seringal Belo Horizonte está devidamente averbada sob nº 2 Registro nº 1 da Matricula nº 21.022 no Cartório de Registro de Imóveis de Altamira, como sendo área de Reserva Legal, nos termos da certidão do referido Cartório, a qual foi juntada ao Termo de Intimação Fiscal. Pela certidão fica comprovado que a Requerente atendeu as determinações da Lei nº 4.771, de 1965, alterada pela Lei nº 7.803, de18 de julho de 1989. .... A Lei 9.393 de 19/12/1996, em seu Art.16, Parágrafo Primeiro estabelece que a Secretaria da Receita Federal pode firmar convênios de Cooperação com a Fl. 296DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10215.720133/200719 Acórdão n.º 2101002.492 S2C1T1 Fl. 3 3 finalidade de delegar as atividades de fiscalização dos dados fornecidos pelos proprietários rurais em sua DIAC e no DIAT e assim foi criado o ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, com a finalidade de delegar as atividades de fiscalização para a administração do Imposto Territorial Rural ITR pela Secretaria da Receita Federal. ... A Requerente entende cumpriu todas as exigências legais quando fez sua declaração do Imposto Territorial Rural ITR junto a Receita Federal do Seringal Belo Horizonte para o exercício de 2003, protocolou o Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA sendo reconhecido pelo Sr. Auditor Fiscal, pois seu ADA em nada foi questionado (...)” A decisão proferida pela da 3ª Turma de Julgamento daDelegacia da Receita Federal no Recife (PE),restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. A área de reserva legal, para fins de exclusão da tributação, deve estar averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente (art.16, §8°, da Lei n° 4.771/65, c/c art.12, §1º, do Decreto n° 4.382/02). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO PODER JUDICIÁRIO Não compete à autoridade administrativa negar aplicação à norma tributária, com fundamento em juízo de ilegalidade ou mesmo de inconstitucionalidade. Prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, por força de dispositivo constitucional (Enunciado n° 2 da Súmula do 1° Conselho de Contribuintes). No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (art.26A do Decreto n° 70.285/72). Lançamento Procedente” Fl. 297DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 No RecursoVoluntário, o Recorrente insiste nos argumentos anteriormente suscitados, certo de não haver exigência quanto a obrigatoriedade de que as áreas de Reserva Legal devam estar averbadas junto ao Cartório de Registro de Imóveis, para ao final requerer a declaração de improcedência do Auto de Infração, e consequentemente a desconstituição do crédito tributário lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. O presente feito trata do Imposto Territorial Rural ITR, cuja sistemática de apuração é definida na Lei nº 9.393/96, nos seguintes termos: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 298DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10215.720133/200719 Acórdão n.º 2101002.492 S2C1T1 Fl. 4 5 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989;(revogado) a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) d) sob regime de servidão ambiental; (Redação atual dada pela Lei nº 12.651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (...)" Avulta da norma transcrita que, na apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Contudo, devese observar o disposto no artigo 16da Lei nº 4.771/1965, vigente até 28/05/2012, quando restou revogada pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa,ressalvadas as situadas em área de preservação permanente,assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilizaçãolimitada ou objeto de legislação específica, são Fl. 299DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 suscetíveis desupressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal,no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667,de 2001) (Regulamento) (...) II trintae cinco por cento, na propriedade rural situada emárea de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimovinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma decompensação em outra área, desde que esteja localizada namesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7º desteartigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667,de 2001) (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem dainscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveiscompetente, sendo vedada a alteração de sua destinação, noscasos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento oude retificação da área, com as exceções previstas neste Código.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Deste modo, não se pode falar em inexistência de obrigação da averbação da área destinada a Reserva Legal, no competente Cartório de Registro de Imóveis. E mesmo que tenha havida alguma discussão judicial sobre a necessidade de observação da norma, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) referente à área de reserva legal está condicionada à sua prévia averbação na matrícula do imóvel. Vejamos a menta do julgado: “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. ITR. ISENÇÃO. ART. 10, § 1º, II, a, DA LEI 9.393/96. AVERBAÇÃO DA ÁREA DA RESERVA LEGAL NO REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. ART. 16, § 8º, DA LEI 4.771/65. 1. Discutese nestes embargos de divergência se a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) concernente à Reserva Legal, prevista no art. 10, § 1º, II, a, da Lei 9.393/96, está, ou não, condicionada à prévia averbação de tal espaço no registro do imóvel. O acórdão embargado, da Segunda Turma e relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, entendeu pela imprescindibilidade da averbação. 2. Nos termos da Lei de Registros Públicos, é obrigatória a averbação "da reserva legal" (Lei 6.015/73, art. 167, inciso II, n° 22). 3. A isenção do ITR, na hipótese, apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com Reserva Legal devidamente identificada e Fl. 300DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10215.720133/200719 Acórdão n.º 2101002.492 S2C1T1 Fl. 5 7 conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. 4. Diversamente do que ocorre com as Áreas de Preservação Permanente, cuja localização se dá mediante referências topográficas e a olho nu (margens de rios, terrenos com inclinação acima de quarenta e cinco graus ou com altitude superior a 1.800 metros), a fixação do perímetro da Reserva Legal carece de prévia delimitação pelo proprietário, pois, em tese, pode ser situada em qualquer ponto do imóvel. O ato de especificação fazse tanto à margem da inscrição da matrícula do imóvel, como administrativamente, nos termos da sistemática instituída pelo novo Código Florestal (Lei 12.651/2012, art. 18). 5. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da Reserva Legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Precedentes: REsp 1027051/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.5.2011; REsp 1125632/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2009; AgRg no REsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14/09/2012. 6. Embargos de divergência não providos.” (EREsp 1027051/SC, Rel. Min.Benedito Gonçalves, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 21/10/2013). A egrégia Corte Superior de Justiça tem reiterado o entendimento proferido em inúmeros julgados, dentre os quais destacamos apenas a título de exemplo: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. É imprescindível a averbação da área de reserva legal no registro do imóvel para gozo do benefício fiscal do ITR. 2. "Os precedentes do STJ consagram valores que enobrecem e contribuem para o progresso de uma sociedade pautada nos ideais da justiça e da lealdade, pois impedem que a parte se valha da própria torpeza para burlar o ordenamento jurídico" (REsp 1.396.544/CE, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 11/10/13). 3. Agravo regimental não provido.” (AgRg no AREsp 479.139/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, DJe 25/04/2014); “TRIBUTÁRIO. ITR. AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. NECESSIDADE. ENTENDIMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO 1."A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp n. 1.027.051, SC, reafirmou o entendimento de que, para gozar da Fl. 301DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 isenção fiscal prevista no art. 10, § 1º, II, a, da Lei n. 9.393, de 1996, relativa ao imposto territorial rural, é imprescindível a averbação da área de reserva legal no respectivo registro imobiliário" EREsp 1310871/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Seção, julgado em 23/10/2013, DJe 4/11/2013 2. Agravo regimental a que se nega provimento.” (AgRg no AREsp 450.574/SC, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe 24/03/2014); “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ITR. ISENÇÃO. ART. 10, § 1º, II, a, DA LEI 9.393/96. AVERBAÇÃO DA ÁREA DA RESERVA LEGAL NO REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. ART. 16, § 8º, DA LEI 4.771/65. 1. A Primeira Seção firmou o entendimento de que a isenção do ITR relativa à área de Reserva Legal está condicionada à prévia averbação desse espaço no registro do imóvel. Precedentes: EREsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler, DJe 04/11/2013; EREsp 1.027.051/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe 21/10/2013. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg no REsp 1243685/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe 16/12/2013). No mesmo sentido e de modo uniforme, este Conselho tem se posicionado, conforme recentes manifestações: “ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. In casu, o contribuinte não logrou êxito na comprovação necessária à isenção pleiteada. Recurso Voluntário Negado” (Acórdão nº 2101002.373, Processo nº 10245.720233/200950, Relator Conselheiro GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, 1ªTO/1ªCÂMARA/2ªSEJUL/CARF/MF) “EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÕES. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais contradições verificadas no acórdão. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. OBRIGATORIEDADE. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10215.720133/200719 Acórdão n.º 2101002.492 S2C1T1 Fl. 6 9 A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.” (Acórdão nº 2201002.289, Processo nº 13896.720016/200811, Relator Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, 1ªTO/1ªCÂMARA/2ªSEJUL/CARF/MF); “ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NECESSIDADE. O ADA protocolizado junto ao Ibama é o documento hábil para comprovar a existência das áreas de preservação permanente, para as quais a legislação não estabelece qualquer exigência adicional para o seu reconhecimento. Rejeitase a comprovação mediante Laudo Técnico que sequer especifica e quantifica as áreas de preservação permanente existentes no imóvel rural. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Cumprida a exigência legal de que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. Recurso Provido em Parte” (Acórdão nº 2102002.793, Processo nº 10680.720313/200976, Relatora Conselheira ALICE GRECCHI, 2ªTO/1ªCÂMARA/2ªSEJUL/CARF/MF). Portanto, não pode haver dúvidas quanto a exigência de averbação da Área de Reserva Legalna margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro competente, dando publicidade à área aproveitável do imóvel, e assim autorizar a isenção do ITR. Por outro lado, cuidou o legislador em antever situações onde a validação da área objeto de isenção deveria ser comprovada, sendo o ônus da prova do declarante, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária. Destarte, compulsando os autos verificase que o Contribuinte carreou Certidão do Cartório de Registro de Imóveis (fls. 06 e 07, 91 e 92) onde resta descritaa averbação de apenas 50% daárea do imóvel como sendo de reserva legal. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 E nesses exatos termos é que foi emitida aNotificação de Lançamento nº 02102/00001/2007 (fls. 105/108), que culminou no presente Procedimento Fiscal, conforme se observa na sua Descrição dos Fatos: “(...) O contribuinte em questão declarou em seu documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) possuir no referido imóvel área de Reserva Legal no total de 223.500,4 sendo que somente foi comprovado a área de 139.687,80, ou seja, 50% do total do imóvel. Diante do fato por não atender as condições e requisitos exigidos, pela legislação do ITR para a concessão da isenção, foi submetido, de ofício, à tributação dos 83.812,6 ha não comprovados com de reserva legal.” (fls. 106) Assim, não há quaisquer reparos a fazer na decisão à quo. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de negar provimento ao recurso, mantendo o Lançamento Fiscal. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 304DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10983.720734/2013-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 22/09/2011, 21/11/2011
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ORIGEM DOS RECURSOS. DANO AO ERÁRIO.
A Legislação prevê o dano ao erário, quando se verifica a ocultação do verdadeiro adquirente da mercadoria mediante interposição fraudulenta, hipótese em que a importadora não demonstra a origem, a disponibilidade e a transferência do recurso, presumindo-se, portanto, a fraude.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. AUSÊNCIA DE PROVA.
A ocultação e a fraude levam à aplicação da pena de perdimento e/ou sua conversão em multa proporcional ao valor das mercadorias. Nesse caso, em que há presunção de fraude pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos cabe a Recorrente fazer prova em sentido contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 22/09/2011, 21/11/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ORIGEM DOS RECURSOS. DANO AO ERÁRIO. A Legislação prevê o dano ao erário, quando se verifica a ocultação do verdadeiro adquirente da mercadoria mediante interposição fraudulenta, hipótese em que a importadora não demonstra a origem, a disponibilidade e a transferência do recurso, presumindo-se, portanto, a fraude. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. AUSÊNCIA DE PROVA. A ocultação e a fraude levam à aplicação da pena de perdimento e/ou sua conversão em multa proporcional ao valor das mercadorias. Nesse caso, em que há presunção de fraude pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos cabe a Recorrente fazer prova em sentido contrário. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/09/2011, 21/11/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ORIGEM DOS RECURSOS. DANO AO ERÁRIO. A Legislação prevê o dano ao erário, quando se verifica a ocultação do verdadeiro adquirente da mercadoria mediante interposição fraudulenta, hipótese em que a importadora não demonstra a origem, a disponibilidade e a transferência do recurso, presumindose, portanto, a fraude. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. AUSÊNCIA DE PROVA. A ocultação e a fraude levam à aplicação da pena de perdimento e/ou sua conversão em multa proporcional ao valor das mercadorias. Nesse caso, em que há presunção de fraude pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos cabe a Recorrente fazer prova em sentido contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 07 34 /2 01 3- 79 Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente em face da decisão que julgou procedente o Auto de Infração. O presente processo iniciouse mediante a lavratura de Auto de Infração, de fls. 02/33, em 04 de junho de 2013, com valor de R$ 295.423,47, referente à multa prevista no § 3º, artigo 23 do Decreto Lei 1.455/1076, com redação dada pelo artigo 59 da Lei 10.637/02 combinado com artigo 81, inciso III da lei 10.637/03, por interposição fraudulenta em importação. Iniciouse a auditoria para dar ciência do procedimento fiscal ao contribuinte, por meio do TERMO DE INICIO DA AÇÃO FISCAL, por via postal em conformidade ao MPF nº 09252002012002036. A contribuinte LIVE ONE IMPORTAÇÃO LTDA., fora intimada diversas vezes e solicitou prorrogações conforme fls 1147/1152. Conforme a fiscalização constatouse que a empresa LIVE ONE IMPORTAÇÃO LTDA., atuava como importador interposto da empresa R&R Comércio de Brindes e Importação Ltda., real adquirente das mercadorias importadas. A fiscalização baseouse na auditória realizada nas operações comerciais e financeiras das duas empresas. Aplicouse a pena do perdimento das mercadorias importadas nos termos do artigo 23, V, §1 do Regulamento Aduaneiro de 2002, em conformidade ao consumo de bens importados o perdimento foi convertido em multa que se equivale ao valor aduaneiro das mercadorias, nos termos dos § 3º artigo 23(§1º, artigo 618 do RA 2002). A segunda empresa (R&R Comércio de Brindes e Importação Ltda) foi autuada solidariamente pelos créditos lançados. Formalizada a representação para fins penais Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.720734/201379 Acórdão n.º 3403003.170 S3C4T3 Fl. 13 3 através do processo 10983.720729/201366, seguido dos respectivos elementos de prova conforme decreto 2730 de 10 de agosto de 1998 e artigo 1, § único da Portaria da Secretaria da Receita Federal nº 2439 de 21 de Dezembro de 2010. Também, tendo em vista a NÃO LOCALIZAÇÃO da matriz da real adquirente, foi formalizada REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS DE INAPTIDÃO do CNPJ da mesma, de acordo com a IN RFB nº 1.183/2011 em seu art. 37, inciso II.. A contribuinte LIVE ONE IMPORTAÇÃO LTDA. e a R&R foram intimadas do auto de infração e alegaram o seguinte: · A inviolabilidade do sigilo bancário e outros previsto no artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal, configurando direito fundamental, não podendo o direito, a intimidade e privacidade ser violado como alega; · As operações da contribuinte, não são fraudulentas, conforme § 2º , inciso V, artigo 23 do Decreto Lei 1455/76, com a ausência de comprovação de origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação ou seja, a aplicação da pena foi sobre fato atípico em descompasso com a legalidade; · A tipificação da infração e a atribuição da penalidade deverá ser interpretada de forma mais benigna quanto a capitulação legal do fato, isso significa que o fato deverá se apresentar claramente tipificado como infração para assim gerar efeitos; · Ainda que os recursos sejam de terceiros, Lei 10637/02, admitese operações de importações dessa forma; ao revés do entendimento da autoridade não atribui a essas transações a condição de irregularidade de modo caracteriza interposição fraudulenta, para tanto se presume que a operação é por conta e ordem de terceiros; · As alegações de ilegalidade atribuídas as operações comerciais não possui base ou fundamento legal; · A autoridade não comprovou que a empresa deixou de comprovar recursos ou a disponibilidade e transferência dos recursos assim como não se provou a ilicitude; alega a fiscalizada que autoridade fiscal só descreveu os Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 indícios que não permitem de forma concreta, a existência ou não de interposição fraudulenta; · Não admite pena de multa vez que inexiste conduta ilícita. Fato este baseado na fiscalização pautarse em indícios, criado pelo órgão fiscalizador sem prova concreta; para tanto não há conduta punível; · O princípio da boa fé não se apresenta em normas penais que autorizam imposição de pena baseada na responsabilidade objetiva e sem que seja aparente um dano ilicito; · Quando recolhido os impostos do processo de importação, declarada a operação, autorizada pelo órgão competente, não se pode falar de dano ao erário público e ainda mais de ato ilícito passível de punição; · com a conduta do fiscalizado pautada na mais perfeita boafé, não há que se admitir que seja declarada a inaptidão do CNPN por não localização, eis que prestou esclarecimentos e cooperou para que, ao contrário do alegado, fosse encontrado o endereço da empresa. A DRJ assim decidiu: Da SUJEIÇÃO PASSIVA. Decidiu a DRJ, que o artigo 121 do CTN implica conclusão de que o infrator é também contribuinte, se possui relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Ademais, sendo diversos os coautores da infração sujeita a pena de perdimento são todos responsáveis solidários por possuírem interesse jurídico comum no ilícito que dá azo á penalidade pecuniária, nos termos do inciso I, do artigo 124 do CTN. Ademais, citou a DRJ o artigo 94 do DecretoLei nº 37/1966, que define especificamente as responsabilidade pelas infrações aduaneiras, sendo que segundo tais regras é imputável a infração em tela a importador e adquirente da mercadoria importada, pois ambos atuam conjuntamente. Da BoaFé Alegada. Alegaram que o princípio da Boa Fé não convive com normas penais que autorizam a imposição de penalidades baseadas na responsabilidade objetiva e sem que seja demonstrada a ocorrência de um ilícito. Nesse sentido, a DRJ cita o artigo 136 do CTN, afirmando que a responsabilidade por infração é objetiva, sendo que a boafé alegada não tem o condão de afastar a responsabilidade por infrações da legislação tributária. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.720734/201379 Acórdão n.º 3403003.170 S3C4T3 Fl. 14 5 Da Ilegalidade da Quebra do Sigilo Bancário. Segundo a DRJ, a Receita Federal, através de seus agentes fiscais, pode solicitar diretamente as instituições financeiras extratos bancários do sujeito passivo sem que se caracterize quebra de sigilo bancário. Este fornecimento é legal, e baseia se nos termos do inciso II do artigo 197 do Código Nacional Tributário; destacase também a Lei 9.311 de 1996, alterada pela Lei 10.174/2001, e a Lei Complementar nº 105/2001. A prestação, por parte das instituições financeiras, em fornecimento de documentos solicitados pela autoridade tributária NÃO É CONSIDERADA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO, é apenas e tão somente transferência de sua responsabilidade a autoridade administrativa solicitante e aos agentes fiscais e aos agentes fiscais que a eles tenham acesso no estrito exercício de suas funções, não podendo violálo salvo as ressalvas do § único do artigo 198 e do artigo 199 do CNT sob pena que incorrerem em infração administrativa e em crime (artigo 198do CNT; artigo 325 do Código Penal – CP). Ainda, de acordo com a DRJ, o objeto da lide é a interposição fraudulenta nas importações da impugnante, prevista no artigo 23, V, §1º do Decretolei nº 1.455/76. Nesse sentido, afirma que a interposição fraudulenta na importação é atividade combatida nas relações de comércio exterior brasileiro, que só tomou contorno jurídico com algumas normas legais e infralegais como a Medida Provisória nº 66 de 29 de Agosto de 2002, nos seus artigos 59, 60 e 66 tal medida deu conformação jurídica autônoma à figura da interposição fraudulenta. O artigo 59 inclui a hipótese de dano ao erário púbico; o artigo 60 alterou o artigo 81 da Lei 9.430/96, permitindo a SRF a declaração de inaptidão da empresa que apresentasse incompatibilidade entre volume transacionado no comércio exterior e sua capacidade econômica financeira. Por sua vez o artigo 66 da MP de 2002, deu a SRF a competência de editar normas complementares permitindo a implementação dos controles referentes a interposição fraudulenta. A Medida Provisória 215835, de 24 de agosto de 2001, em seu artigo 80, traz previsão legal para autuação de pessoa jurídica na condição de importadores por “conta e ordem de terceiros”, vale a pena lembrar que essa medida é anterior a Medida Provisória 66/2002 ou seja já dispunha de dispositivo legal, revisto em lei, para regular atuação dos importadores por conta e ordem; Nessa linha, de acordo com a DRJ, são elementos essenciais para caracterizar a interposição: (i) a presença de um adquirente oculto que negocia com o exportador, qualifica o produto, a quantidade, preço e a arca com o ônus financeiro da operação; e (ii) a presença do importador interposto que realiza os tramites do despacho de importação como se estivesse importando por conta própria. Verificando os autos encontramos indícios e provas que apontam a ocorrência de interposição fraudulenta. Da alegada inexistência de interposição fraudulenta de terceiros. A DRJ afirma que tentando não caracterizar a ocorrência da infração, a defesa alegou que as conclusões da autoridade lançadora e o lançamento estavam galgados em frágeis indícios e desprovidos de qualquer comprovação material. E, nesse aspecto, a DRJ menciona que a discussão está focada na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações, e caso não ocorra, resultaria na interposição fraudulenta de terceiros; Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 A autoridade fiscal carreou aos autos elementos (Declaração de Importação, contrato social e suas Alterações, fornecidos pelo sistema RADAR, requisições/informações movimentação financeira – RMF) certificando que a autuada não comprovou origem de seus recursos utilizados nas operações de comercio exterior, ficando assim, sem fundamento, a alegação que o lançamento estaria desprovido de qualquer comprovação material. A DRJ destaca que a Recorrente não respondeu à intimação 9/2013, que trata do questionamento da origem dos depósitos bancários realizados em conta por terceiros ocultos, suspeitos de serem adiantamentos de importações, promovidos por ela como se fosse por conta própria. Entre elas estão as listadas na tabela 1, fls 1137 do Auto de Infração. A Recorrente, observa a DRJ, não esclarece a origem dos recursos empregados nas operações de comercio exterior com isso acabou por dificultar a fiscalização, conforme destacou o fiscal autuante. Ainda que tais elementos apresentem caráter de prova indireta seria necessário que a Recorrente fizesse prova da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados através das razões e provas que possuir. A obrigação de provar é atribuída a quem dela se aproveita; tal mecanismo fora trazido do Código de Processo Civil, artigo 333, e adaptado para o processo administrativo fiscal. A obrigação de provar está atribuída ao autor do procedimento, autoridade fiscal (artigo 9 do PAF), quanto ao contribuinte que contesta o lançamento (artigo 16, III do PAF); Prossegue no seu raciocínio afirmando que a autoridade fiscal não presumiu que tais fatos (origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados) não estavam comprovados, Em verdade, concluir a DRJ, a presunção legal, diante da não comprovação, se deu em relação à caracterização da interposição fraudulenta de terceiros, cabendo destacar que a autoridade lançadora trouxe aos autos elementos que evidenciam a falta de respaldo financeiro para a efetivação das importações, visto que o perfil da empresa mostrouse incompatível com o montante de recursos empregados na importação dos bens, o que implicou necessidade de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Assim, seria plenamente cabível a presunção legal de intervenção fraudulenta de terceiros, que configura dano ao erário e consequente aplicação da pena de perdimento convertida em multa. Ainda, de acordo com a decisão, a alegação da Recorrente de que seria necessária a comprovação de fraude encontrase presente, uma vez que, em sua visão, a LIVE simulou uma importação direta quando de fato importava para um adquirente oculto/pré determinado. A LIVE ONE e a R&R apresentaram Recurso Voluntário, em que repetiram as alegações constantes em sua Impugnação, em que se insurge contra a quebra de sigilo bancário, e defende a inexistência de interposição fraudulenta de terceiros, alegando a presunção da boafé, a atipicidade do ato punível, que os indícios seriam frágeis e também da ausência de dano ao erário e a desproporcionalidade da multa aplicada. É o Relatório. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.720734/201379 Acórdão n.º 3403003.170 S3C4T3 Fl. 15 7 Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, O processo tem como cerne a ocorrência ou não de interposição fraudulenta por parte da LIVE ONE. Nas razões de seu Recurso Voluntário e na Impugnação da LIVE ONE E R&R, de início, alegam que houve ilegalidade na quebra de seu sigilo bancário. Nesse sentido, as Recorrentes citam um importante precedente do Pleno do Supremo Tribunal Federal, mais especificamente o Recurso Extraordinário nº 389.808PR, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, que foi julgado em 15 de dezembro de 2010 (RTJ 220/540). Importante observar que nesse processo o Supremo Tribunal Federal afastou a aplicação do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. Tal julgado teria como resultado, em meu pensar, a nulidade do auto de infração, pois totalmente apoiado na quebra do sigilo bancário da Recorrente. Contudo, não posso deixar de ressaltar que a decisão havida no Recurso Extraordinário nº 389.808PR ainda não transitou em julgado, eis que a Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com Embargos de Declaração que, infelizmente, ainda não foram julgados, apesar do transcurso de tanto tempo. Por outro lado, pertine mencionar que a questão foi adotada pelo STF como de repercussão geral, por meio do Recurso Extraordinário nº 601.314, o que, no Regimento Interno do CARF, resultaria na suspensão do julgado. Porém, tendo em vista a recente revogação dos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno, o julgamento deve prosseguir, motivo pelo qual não tenho outra alternativa senão afastar a alegação das Recorrentes. Isso porque, como observado anteriormente, a importante decisão plenário do STF não se tornou ainda definitiva, o que me impede de aplicar tal jurisprudência, tornando aplicável o disposto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e o constante na legislação infralegal. Assim, considerando a legislação vigente, e até que se torne definitivo o julgamento pelo plenário do STF ou que o STF venha a decidir a questão colocada em repercussão geral, o procedimento adotado pela Fiscalização presumese válido. Relativamente à boafé presumida, alegada pelas Recorrentes, cabe mencionar que a Fiscalização colheu inúmeras evidências de que a importadora não teria condições financeiras de realizar as suas importações, tendo utilizado recursos de terceiros para tanto, os quais foram depositados no mesmo dia do cumprimento de suas obrigações ou em datas muito próximas. Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 8 Tendose iniciado o procedimento de fiscalização, diante de tais evidências a Fiscalização intimou a Recorrente LIVE ONE para apresentar justificativas de suas operações, informando a origem dos depósitos em suas contas bancárias, depósitos estes suspeitos de terem sido depositados por terceiros ocultos. Porém, a Recorrente LIVE ONE silenciou a respeito, o que afasta a sua alegada boafé, pois estivesse mesmo agindo com boafé teria apresentado todas as informações quanto aos depositários e, sobretudo, origem de seus recursos. Ou seja, o levantamento da Fiscalização inverteu o ônus da prova, sendo que a ausência de resposta da Recorrente LIVE ONE acabou por, diante dos elementos coligidos, à lavratura do Auto de Infração. E diante da inversão do ônus da prova caberia à Recorrente LIVE ONE, em sua Impugnação, acostar aos autos elementos bastantes para contrariar as conclusões tiradas pela Fiscalização, mas ela não acostou nenhuma prova acerca da verdadeira origem dos recursos por ela empregados na importação. Nesse aspecto, passo a analisar a atipicidade do fato punível e a alegação da fragilidade dos indícios. Ora, me parece que a conduta da Recorrente LIVE ONE se insere na descrição legal, eis que apesar de figurar como importadora, ela não possuía recursos financeiras para fazer frente às suas obrigações, se utilizando de recursos de terceiros, os reais compradores, para tanto. E a Recorrente LIVE ONE foi intimada para se manifestar sobre a comprovação da origem, disponibilidade e transferência de seus recursos, tendo quedado silente, não trazendo em sua impugnação nenhum elemento para refutar o quanto consignado no Auto de Infração. Em outras palavras, a conduta praticada pela Recorrente LIVE ONE se subsume ao tipo constante no parágrafo 2º, do inciso V, do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, abaixo reproduzido: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.720734/201379 Acórdão n.º 3403003.170 S3C4T3 Fl. 16 9 Sob outro prisma, não posso deixar de transcrever trecho da decisão da DRJ, que faz referência às fls. 24 dos autos, e faz referência a tabelas em que constam os valores cujas origens não foram comprovadas e demonstram a ocorrência de depósitos de terceiros na contacorrente da Recorrente, nos seguintes termos: As fls. 24 descreve a fiscalização: ““Em esquemas de ocultação dos reais adquirentes de mercadorias importadas é comum vermos aportes de recursos de terceiros, em conta da importadora interposta nas datas imediatamente anterior ou na própria data de fechamento dos contratos de câmbio, sendo os recursos próprios da importadora insuficientes para honrar seus compromissos de importação. De efeito, este foi exatamente o método adotado pela fiscalizada para promover as importações constantes da Tabela 1. Nas datas em que seus contratos de câmbio venceriam ou no dia imediatamente anterior a fiscalizada recebia de seu adquirente valores que cobririam de forma bastante próxima o contrato de câmbio. Sem estes valores não haveria saldo suficiente próprio da fiscalizada que honrasse seu compromisso com a instituição financeira. Importante notar que os valores recebidos do adquirente têm valor muito próximo ao do contrato de câmbio, representando uma pequena margem de lucro para a importadora. Esta é mais uma evidência que as vendas no mercador interno trataramse na verdade de “serviços de importação” prestados pela fiscalizada e não de reais vendas, que trabalham normalmente com margens muito maiores devido ao risco comercial. A Tabela 5 abaixo demonstra as operações de contratos de câmbio em função das importações da Tabela 1, conforme informado pela própria fiscalizada ao responder a intimação 007/2013.Ou seja, para uma das DIs constante da Tabela1 houve antecipação de recursos para fechamento de câmbio vinculado a esta DI. Recurso este que não teve sua origem comprovada pela fiscalizada a qual preferiu OMITIRSE em responder a Intimação nº 009/2013. Referida intimação tratou de questionála sobre a origem dos depósitos em suas contas bancárias suspeitos de serem adiantamentos de terceiros ocultos nas importações por ela promovidas como sendo importação por conta própria. Desta forma a então fiscalizada além de não esclarecer a origem de seus recursos empregados nas operações de comércio exterior, acabou por embaraçar e dificultar de sobremaneira a fiscalização. Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 10 Tal levantamento da Fiscalização, longe de consistir em fragilidade de indício, indica claramente e de forma documentada que os recursos da Recorrente decorriam de terceiros, bem como que a Recorrente não teria disponibilidade financeira para realizar a importação. E mais, o levantamento comprova numericamente a identidade ou, quando muito, a proximidade dos valores, de maneira que, diversamente do alegado pela Recorrente, não se trata de frágeis indícios, mas sim de provas relevantes acerca da situação contábil e financeira da Recorrente. Face a todas essas evidências a Fiscalização presumiu, conforme a legislação lhe autoriza, que teria havido a prática de interposição fraudulenta de terceiros, lavrando o auto de infração. A Fiscalização não chegou a essa conclusão destituída de fundamento fático ou jurídico. Pelo contrário, coligiu documentos da própria Recorrente, principalmente documentos de sua movimentação financeira, e os comparou com os documentos de importação para, após questionar a Recorrente sobre a origem dos recursos, concluir que não havia comprovação da origem desses mesmos recursos, nem prova de disponibilidade ou de transferência. E somente após a tomada dessa conclusão, calcada nas tabelas acima mencionadas e em outros documentos, que a Fiscalização enquadrou a conduta na hipótese legal da interposição fraudulenta de terceiros. A respeito da ausência de dano ao erário, devidamente alegada pela Recorrente, tenho para mim que tal responsabilidade não se assenta no artigo 136 do Código Tributário Nacional, quando estabelece que a responsabilidade por infrações teria caráter objetivo, não estando atrelada à vontade do agente. De fato, analisando a operação em si não vejo, de antemão, dano ao erário, uma vez que todos os tributos teriam sido recolhidos. Porém, o próprio tipo legal faz a ressalva sobre o dano ao erário, pressuposto pela legislação que trata da interposição fraudulenta de terceiros. E tal se deve, em minha opinião, porque a regra objetiva evitar a utilização de recursos não contabilizados, recursos ilícitos no pagamento de importações, decorrendo o dano da utilização de tais recursos no pagamento das importações. Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.720734/201379 Acórdão n.º 3403003.170 S3C4T3 Fl. 17 11 Justamente por isso, penso, que o dispositivo do Decretolei nº 1.455/1976 dá relevância à comprovação da origem dos recursos e a prova de que a importadora tenha disponibilidade recursos para tanto. Por essa razão que a interposição fraudulenta de terceiros é relacionada como infração que resulta objetivamente dano ao erário e tem como penalidade a pena de perdimento dos bens, penalidade esta, sim, inegavelmente pesada, consequência própria de uma “fraude”, aplicável ao caso concreto. Ante o exposto, nego provimento aos Recursos Voluntários. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 13149.000022/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2102-000.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, na forma do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 29/05/2014
Jose Raimundo Tosta Santos, Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente, justificadamente, a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, na forma do art. 62A, do Anexo II, do RICARF. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 29/05/2014 Jose Raimundo Tosta Santos, Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente, justificadamente, a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 68 a 72: A Notificação de Lançamento, de fls. 06/09, exige do contribuinte, já qualificado nos autos, o crédito tributário consolidado em 05/2006 no valor de R$ 24.608,00 (vinte e quatro mil, seiscentos e oito reais). O lançamento originouse da revisão da DIRPF/2005, na qual foi constatada omissão de rendimentos de pessoas jurídicas no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 49 .0 00 02 2/ 20 07 -1 1 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13149.000022/200711 Resolução nº 2102000.133 S2C1T2 Fl. 3 2 valor de R$ 74.469,24 (setenta e quatro mil, quatrocentos e noventa e seis reais e vinte e quatro centavos). Na impugnação oferecida, à fl.01/23, a autuada alegou, em síntese, que: • Os rendimentos recebidos da fonte pagadora Fundação de Assistência Social Sinhá Junqueira foram por via da Justiça do Trabalho, sendo que do total recebido de R$ 242.739,08, o valor de R$ 203.502,42 é rendimento tributável e o valor de R$ 77.106,87 é rendimento isento, e, ainda, foram pagos R$ 55.000,00 (cinqüenta e cinco mil reais) como honorários advocatícios, de forma que dos totais de rendimentos recebidos devem ser deduzidos os honorários proporcionalmente, como se demonstram os valores declarados na declaração de ajuste anual: o Rendimento tributável — R$ 203.502,43 — deduzir honorários —72,52% de R$ 55.000,00 — valor declarado — R$ 163.616,42; o Rendimento isento — R$ 77.106,87 — deduzir honorários —27,48% de R$55.000,00 — valor não declarado R$ 61.992,87; • Portanto o valor de R$ 39.886,00, constante no lançamento é da diferença de R$ 203.502,42 menos o valor de R$ 163.616,42; • Quanto ao rendimento recebido da fonte Prefeitura Municipal de Barra do Garças MT, no total de R$ 34.583,24, ocorreu realmente a omissão; • Pelo que foi exposto, o valor do imposto deverá ser de R$ 1.016,83. Conforme fls 110 e seguintes do Acordo judicial com Fundação Sinhá Junqueira e própria ementa do Acórdão recorrido, constatase que o crédito tributário decorre de omissão de rendimentos cuja base de cálculo são rendimentos recebidos acumuladamente, via medida judicial. Em razão das determinações no voto a seguir, este relato é o suficiente. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Na forma do art. 62A, caput e § 1º do Anexo II, do RICARF, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deverão as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica nos recursos administrativos, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, a controvérsia sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ter o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF reconheceu a repercussão geral na matéria, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13149.000022/200711 Resolução nº 2102000.133 S2C1T2 Fl. 4 3 No presente caso, temse que a infração de omissão de rendimentos, trata de rendimentos recebidos acumuladamente, sendo certo que o recurso voluntário versa sobre a matéria do Tema 228 e deve ter seu julgamento sobrestado, na forma do art. 62, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF. Ante o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10850.902027/2011-42
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 02 7/ 20 11 -4 2 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902027/201142 Resolução nº 3801000.834 S3TE01 Fl. 129 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, transmitido em 28 de outubro de 2005, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$ 470,49, em 14 de novembro de 2003, relativo ao período de apuração de outubro de 2003. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD), à folha 5, emitido em 6 de junho de 2011, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf discriminado no PER/Dcomp, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Inconformada com o indeferimento do pedido de restituição, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual alega que o pagamento informado na ficha Darf do Pedido de Restituição foi realizado por meio de compensação, conforme comprova a Declaração de Compensação eletrônica nº 12170.79738.141103.1.3.031603 que junta aos autos. A contribuinte argumenta, ainda, que não obstante o erro de preenchimento, tal fato não prejudica seu direito creditório, em razão dos princípios da estrita legalidade e da verdade material, entre outros. Por fim, a contribuinte requer a produção de perícia, realização de diligência e juntada de documentos. Em 09 de agosto de 2013, esta Turma proferiu o Acórdão nº 0732.227 equivocadamente, uma vez que o Despacho Decisório em litígio se refere a Pedido de Restituição. Este voto, portanto, tem como objetivo retificar o citado Acórdão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. INDEFERIMENTO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902027/201142 Resolução nº 3801000.834 S3TE01 Fl. 130 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ESPÉCIE DE PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. LIMITES DA APRECIAÇÃO EM SEDE ADMINISTRATIVA No âmbito dos pedidos de restituição, a apreciação administrativa da regularidade do procedimento do contribuinte se limita à aferição da existência de crédito contra a Fazenda Nacional estritamente informado no Pedido de Restituição (PER) eletrônico. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, na essência: · que o crédito pleiteado se refere à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição Cofins, de receitas estranhas ao conceito de faturamento dada a inconstitucionalidade do artigo 3o, parágrafo 1o, da Lei n. 9718/98; · pede vénia para que, em observância ao princípio da economia processual, seja determinada a reunião dos processos que versam sobre a mesma matéria; · que a não retificação do pedido de restituição não interfere na obrigação principal (recolhimento do imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente; · que, por um escusável lapso por parte da ora Recorrente, deixou de ser informado no pedido de restituição em análise que o pagamento no qual se lastreia o crédito nele pleiteado não foi realizado por meio de recolhimento com guia DARF, mas através da declaração de compensação nº 12170.79738.141103.1.3.031603, cuja cópia foi oportunamente apresentada junto com sua manifestação de inconformidade; · que para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer, nos termos da alínea "c", do parágrafo 4o, do art. 16, do Decreto n. 70235/72, a juntada aos presentes autos do livro razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado; · que essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei n. 9718/98; bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria; Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902027/201142 Resolução nº 3801000.834 S3TE01 Fl. 131 4 · que a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9718/98, com fulcro no inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11941, de 27.5.2009 e também no Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), no seu art. 62, parágrafo 1o, inciso I, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22.6.2009; Assim, requer, requer que o seu recurso seja conhecido e provido, reformando se o v. acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3o, parágrafo 1o, da Lei n. 9718/98, declarada pelo Supremo Tribunal Federal e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. É o Relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902027/201142 Resolução nº 3801000.834 S3TE01 Fl. 132 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre valores de COFINS pagos com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, nas PER/DCOMPs que utilizaram este crédito não houve pagamento no sentido estrito e sim compensação do débito informado como pagamento indevido. Diante disso, o pagamento não foi localizado, sendo exarado Despacho Decisório indeferindo a restituição pleiteada. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, caso o contribuinte não informe corretamente os dados do pagamento ele efetivamente não será localizado, o que de fato ocorreu conforme consta no Despacho Decisório. Nesse procedimento não se está adentrando efetivamente no mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Não obstante os equívocos cometidos pela recorrente na formalização do pedido de restituição, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, conforme ensina Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos Fl. 132DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902027/201142 Resolução nº 3801000.834 S3TE01 Fl. 133 6 inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 1 Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados. Neste sentido, os documentos colacionados, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, estes devem ser aceitos em obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da restituição com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à demonstração e comprovação da existência do indébito, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. No mérito, entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Todavia, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que instituiu nova base de cálculo para a incidência de PIS e da Cofins, no julgamento dos RE 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, conforme ementa abaixo: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e 1 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 78. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902027/201142 Resolução nº 3801000.834 S3TE01 Fl. 134 7 faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF, RE 390.840, j. em 09/11/2005) Destaquese que o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJE nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral da questão constitucional e reafirmou a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF No mais, o artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 27/05/2009 e o artigo 62 do RICARF, estabelecem estar vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, com exceção dos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, no que também se amolda o presente caso. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. No entanto, no caso vertente a recorrente informa que o indébito no qual se lastreia o crédito nele pleiteado não foi realizado por meio de recolhimento com guia DARF, mas através de compensação, formalizada por meio da declaração de compensação eletrônica Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902027/201142 Resolução nº 3801000.834 S3TE01 Fl. 135 8 nº 12170.79738.141103.1.3.031603, cuja cópia foi oportunamente apresentada junto com sua manifestação de inconformidade. Não obstante a compensação declarada extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, necessário se faz a verificação da liquidez e certeza do crédito a ser restituído ou compensado, nos termos do artigo 170 do CTN. Para que se possa verificar se houve a extinção do crédito tributário e o atendimento aos pressupostos de certeza e a liquidez do crédito pleiteado, que possam ensejar a repetição do indébito, devese solicitar que a Delegacia de origem informe qual a situação do débito compensado. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Informe qual a situação do débito compensado por meio da declaração de compensação eletrônica nº 12170.79738.141103.1.3.031603 e colacione cópia do Despacho Decisório homologando ou não a compensação, caso haja; b) Caso tenha sido interposto recurso, aguarde o encerramento do contencioso no âmbito do respectivo processo administrativo e após a liquidação da decisão definitiva informe qual a situação do débito compensado relativo a Cofins (2172), apurado no período de outubro de 2003; c) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 135DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10920.907153/2012-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 71 53 /2 01 2- 01 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907153/201201 Acórdão n.º 3801002.686 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907153/201201 Acórdão n.º 3801002.686 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907153/201201 Acórdão n.º 3801002.686 S3TE01 Fl. 5 4 Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907153/201201 Acórdão n.º 3801002.686 S3TE01 Fl. 6 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907153/201201 Acórdão n.º 3801002.686 S3TE01 Fl. 7 6 decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907153/201201 Acórdão n.º 3801002.686 S3TE01 Fl. 8 7 VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907153/201201 Acórdão n.º 3801002.686 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13807.006437/2002-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE.
O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo art. 10 do Decreto número 70.235/72 e 142 do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-003.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Paulo Roberto Stocco Portes, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo art. 10 do Decreto número 70.235/72 e 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Paulo Roberto Stocco Portes, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 64 37 /2 00 2- 93 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Cuidase de Recurso Voluntário manejado para modificar a decisão recorrida que acolheu parcialmente a Impugnação contra a lavratura do Auto de Infração que constituiu de crédito tributário de COFINS do período de apuração 01.07.1997 a 31.12.1997. Tratase de auto de infração cuja motivação decorre de processo judicial não comprovado e pagamento por meio de DARF não localizado. No auto de infração parametrizado (eletrônico) consta que teria sido informado em DCTF os débitos referentes ao período de outubro de 1997, novembro de 1997, dezembro de 1997, vencimentos em 10 de novembro/1997, 10 de dezembro de 1997 e 09 de janeiro de 1998 pagamentos não localizado. Impugnado a exigência ao argumento de que nada devia, tudo teria sido informado em DCTF, e, juntou cópias dos DARF, finaliza requerendo anulação do lançamento. Sobrevém o Acórdão recorrido, acolheu parcialmente a impugnação “AUTO DE INFRAÇÃO INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.” “Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n.º 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade do procedimento administrativo.” “CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA COMPATIBILIDADE.” “Para que tenha sentido a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, faz se necessária sua prévia constituição. Assim, o provimento judicial suspensivo da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento.” “DÉBITO INFORMADO NA DCTF VINCULADO À AÇÃO JUDICIAL CUMPRIMENTO DA COISA JULGADA”. “Tendo vinculado o débito informado na DCTF à Ação Judicial, cabe o cumprimento da coisa julgada pela Administração.” “PRODUÇÃO DE PROVAS.” “As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação, não se admitindo a produção posterior de provas nos casos em que não fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, não se referir a fato ou direito superveniente ou não se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.” “MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003.” “Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuando se os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõe se o cancelamento da multa de ofício lançada.” “JUROS DE MORA. Os juros de mora independem de formalização através de lançamento e serão devidos mesmo durante o período em que permanecer suspensa a exigibilidade do crédito tributário.” Fl. 185DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13807.006437/200293 Acórdão n.º 3403003.293 S3C4T3 Fl. 8 3 “JUROS DE MORA TAXA SELIC”. “Procede a cobrança de encargos de juros com base na taxa SELIC, porque encontra se amparada por lei, cuja legitimidade não pode ser aferida na esfera administrativa” Constase dos autos que a impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita Federal/DERAT/EQAAR em São Paulo/SP, que teria exarado o DESPACHO DECISÓRIO Nº 3692/2010 em 23/12/2010 (fl. 43), onde consta: “Da análise dos autos, segundo demonstrativo de consolidação e recalculo (fls. 38 e 41), verifica se a improcedência parcial dos créditos tributários do anexo III do Auto de Infração, nele demonstrados por terem sido parcialmente pagos anteriormente à lavratura do referido auto de infração. Os créditos remanescentes tiveram sua exigibilidade suspensa em virtude de processo judicial nº 94.347260 (fls. 10 e 11”)”. Assim, a DERAT/EQAAR revisou de ofício o lançamento, na forma do artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN) e cancelou parte dos débitos, elaborando o demonstrativo. às fls. 39/42. Mantiveram todos os débitos tributários extintos por meio do processo judicial nº 94.347260, com exigibilidade suspensa, mantendo também a Multa de Ofício. Do relatório da decisão recorrida, há informação referente ao resultado da analise, fl. 64, da DERAT/EQAMJ/SP, onde consta: “Após a extinção parcial pela revisão de lançamento, os débitos remanescentes neste processo foram todos declarados com a exigibilidade suspensa pela Ação Cautelar n° 94.00347260.” “A ação principal é a Ordinária n° 95.00285657 que tem acórdão transitado em julgado no ano de 2002, fixando o direito à compensação Finsocial x Cofins com a adoção de índices de correção idênticos aos utilizados pela Fazenda (acórdão fls. 47/60)”. O pleito relativamente anulação ao Auto de Infração, sustentou a inexistência macula capaz gerar nulidade diante da ausência da presença dos requisitos do Art. 59 do Decreto nº 70 235/72, assim como, teria atendido o disposto no art. 10 do mesmo diploma legal. Diz, ainda, que: “Portanto, como no caso concreto o Auto de Infração foi lavrado em conseqüência das informações prestadas na DCTF pela própria contribuinte, assim, a exigência não está fundada em presunção e considerando que apresenta todos os requisitos legais previstos no art. 10 acima, o procedimento fiscal foi realizado conforme as normas pertinentes, não havendo nenhuma das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 e, conforme o art. 60 do mesmo decreto, não cabe alegar a nulidade.” Fl. 186DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 “Ademais, no referido Auto de Infração item 6 – Intimação (fl. 8), consta que fica o contribuinte intimado a recolher ou impugnar, no prazo de 30 dias contados da ciência deste Auto de Infração, nos termos dos arts. 5º, 15, 16,17 e 23 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748/93 e pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97.” “7.4.1. Assim, o Auto de Infração é um ato que respeita o processo legal e os princípios de contraditório e ampla defesa assegurados no inciso LIV e LV, art. 5º da Constituição Federal, não ocorrendo, portanto, cerceamento da defesa. Também, cabe lembrar que a lavratura do Auto de Infração não se trata de um ato executório, tanto é que preserva o direito de impugnação.” “7.5. Resta então, afastadas as alegações de nulidade do Auto de Infração” Afastou também os argumentos de inexistência de débito sustentando pelo contribuinte ao contexto de que: “Na situação de suspensão da exigibilidade, cuja decisão judicial ainda não transitou em julgado, a lavratura do auto de infração está prevista na norma contida no art.62 do Decreto nº 70.235/72, visto que a previsão de impedimento recai sobre a executoriedade da obrigação tributária, como evidenciado no parágrafo único do dispositivo (“ Se a medida referir se à matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso exceto quanto aos atos executórios”)”. Decidiu acolher parcialmente a impugnação: “Ante o exposto, VOTO PELA PROCEDÊNCIA EM PARTE DA IMPUGNAÇÃO e MANUTENÇÃO EM PARTE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, sendo que, a DRF de origem deve adaptar o crédito tributário mantido à coisa julgada da Ação Cautelar n° 94.00347260 e Ação Ordinária nº 95.00285657, de conformidade com o Demonstrativo de Crédito Tributário Exigido, Exonerado e Mantido a seguir” Ciente da decisão em 30.08.2012 apresentou o recurso em 28.09.2012, reprisando a sustentação da peça inicial. É o relatório. Voto Conselheiro, Domingos de Sá Filho, relatório. O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, sendo assim, tomase conhecimento. A motivação do lançamento decorre de processo judicial não comprovado e pagamento não localizado. Em relação aos pagamentos esses foram localizados, com isso Fl. 187DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13807.006437/200293 Acórdão n.º 3403003.293 S3C4T3 Fl. 9 5 resolvido a querela. No que concerne ao processo judicial não localizado, decidiu a Autoridade Fiscal em manter o crédito tributário sem a multa de ofício. Reiteradamente essa Turma vem decidindo pela nulidade do lançamento quando há mudança da motivação para manter o crédito tributário. Depreendese da leitura deste caderno processual que o auto de infração teria sido lavrado em decorrência de irregularidades nos créditos vinculados informados nas DCTF, uma vez que não restou comprovado o processo judicial. Compulsando este caderno processual, constatamse cópias de algumas peças essenciais do procedimento judicial, inclusive o Acórdão do Tribunal Regional Federal que manteve decisão judicial favorável ao contribuinte. A Administração, ao decidir, ignorou a motivação pela qual teria sido lavrado o auto de infração, justificando à sua decisão em outros fatos diferentes daqueles do lançamento: “Na situação de suspensão da exigibilidade, cuja decisão judicial ainda não transitou em julgado, a lavratura do auto de infração está prevista na norma contida no art.62 do Decreto nº 70.235/72, visto que a previsão de impedimento recai sobre a executoriedade da obrigação tributária, como evidenciado no parágrafo único do dispositivo (“ Se a medida referir se à matéria objeto de processo fiscal...” Ora, o lançamento decorre da suposta inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos, qualquer outro motivo por mais justificado que seja pela Autoridade Fiscal não possui o condão de tornálo sustentável para efeito de tornar o crédito tributário consistente. Portanto, não há dúvida de que houve erro na motivação do lançamento, posto que o processo informado nas DCTFs apresentada exista, inclusive, é objeto de análise na decisão. Assim, manter o lançamento sob pressupostos outros que sequer foram cogitados pela autoridade Autuante, corresponde sim, inovação no que pertine à valoração jurídica. De modo que, a descrição incorreta do fato motivador do lançamento ofende o art. 10, inciso III, do Decreto número 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente”. Portanto, ao deixar de descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se extrairia o motivo do lançamento. Examinando situação semelhante a esta, a eminente Conselheira Maria Teresa Martinez López assim se manifestou (Acórdão nº 20217.721, de 25/05/2006): “A ausência desses elementos ou de algum deles, inquestionavelmente, dá causa à nulidade do lançamento por Fl. 188DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 defeito de estrutura e não apenas por um vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração desse ato jurídico. É lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado no auto de infração, não pode. Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Destarte, por meio da descrição dos fatos, revelamse os motivos que levaram à autuação. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada à contribuinte. A descrição dos fatos de fl. 09 é totalmente deficiente por não dizer qual é a natureza da inexatidão e por remeter o leitor para um demonstrativo (fls. 10 e 11) que também nada diz a respeito. A fiscalização deveria ter complementado a informação básica do sistema com as peculiaridades do caso concreto. “E assim não procedeu.” A jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é farta em decisões nas quais se decretou a nulidade do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e/ou no art. 142 do CTN, bastando citar aqui, a título de exemplo, as seguintes ementas: “NORMAS PROCESSUAIS AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS O ato administrativo deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo artigo 10, do Decreto nº 70.235/72.” (Acórdão 10610.087, de 15/04/1998). “RECURSO "EX OFFICIO" – IRPJ – AUTO DE INFRAÇÃO – ERRO NA ELABORAÇÃO DO LANÇAMENTO – NULIDADE – É nulo o lançamento em que a autoridade fiscal deixa de atender os requisitos essenciais à sua validade, mormente o artigo 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72.” (Acórdão 10707.740, de 12/08/2004). “NULIDADES. Anulase o auto de infração eivado de vício na motivação. Recurso provido.” (Acórdão 20216.967, de 28/03/2006). Do exposto e diante da manifesta de omissão quanto às formalidades legais ou pela mudança de critério jurídico, voto no sentido de cancelar o lançamento. É como voto. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13807.006437/200293 Acórdão n.º 3403003.293 S3C4T3 Fl. 10 7 Domingos de Sá Filho Fl. 190DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10830.009438/2007-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
CONTRATOS DE FRANQUIA. NATUREZA. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO.
O contrato de franquia, sendo de natureza complexa, encampa um conjunto de deveres indissociáveis, sendo certo que a eventual divisão desse conjunto em contratos autônomos acarretará a sua própria descaracterização. Nessa linha, a disponibilização de materiais didáticos, promocionais, publicitários e administrativos, prevista nos contratos de franquia, por representar atividade-meio que concorre para a viabilização da cessão do direito de uso, não pode, no caso dos autos, se submeter a tratamento tributário diverso do previsto no art. 518, inciso III, alínea "c" do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99).
Numero da decisão: 9101-001.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dado provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada) e Otacílio Dantas Cartaxo que negavam provimento em parte para manter o lançamento com desagravamento da multA, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fez sustentação oral o advogado José Antonio Minatel OAB/SP nº 37.065.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 CONTRATOS DE FRANQUIA. NATUREZA. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. O contrato de franquia, sendo de natureza complexa, encampa um conjunto de deveres indissociáveis, sendo certo que a eventual divisão desse conjunto em contratos autônomos acarretará a sua própria descaracterização. Nessa linha, a disponibilização de materiais didáticos, promocionais, publicitários e administrativos, prevista nos contratos de franquia, por representar atividade-meio que concorre para a viabilização da cessão do direito de uso, não pode, no caso dos autos, se submeter a tratamento tributário diverso do previsto no art. 518, inciso III, alínea "c" do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dado provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada) e Otacílio Dantas Cartaxo que negavam provimento em parte para manter o lançamento com desagravamento da multA, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fez sustentação oral o advogado José Antonio Minatel OAB/SP nº 37.065. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
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NATUREZA. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. O contrato de franquia, sendo de natureza complexa, encampa um conjunto de deveres indissociáveis, sendo certo que a eventual divisão desse conjunto em contratos autônomos acarretará a sua própria descaracterização. Nessa linha, a disponibilização de materiais didáticos, promocionais, publicitários e administrativos, prevista nos contratos de franquia, por representar atividade meio que concorre para a viabilização da cessão do direito de uso, não pode, no caso dos autos, se submeter a tratamento tributário diverso do previsto no art. 518, inciso III, alínea "c" do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dado provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada) e Otacílio Dantas Cartaxo que negavam provimento em parte para manter o lançamento com desagravamento da multA, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fez sustentação oral o advogado José Antonio Minatel OAB/SP nº 37.065. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 94 38 /2 00 7- 19 Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10830.009438/200719 Acórdão n.º 9101001.661 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10830.009438/200719 Acórdão n.º 9101001.661 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório MULTI TREINAMENTO E EDITORA LTDA., cientificada do Acórdão 130200.216, proferido na sessão de 10/12/2009 da Segunda Turma da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF, apresentou RECURSO ESPECIAL À CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CSRF, com fulcro no artigo 67 do Regimento Interno da CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009 (anexo II), vigente à época da decisão. Aludido Recurso, protocolado em 14/09/2010, fls. 699 e seguintes, teve seguimento parcial conforme Despacho 1300033 /2011 (fl. 951), assim redigido (verbis): “(...) Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, e tendo sido comprovada a divergência jurisprudencial apenas em relação ao primeiro ponto questionado do acórdão recorrido, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO PARCIAL ao presente recurso especial, apenas quanto ao (I) tratamento tributário dado as receitas decorrentes dos contratos de franquia, na aplicação dos percentuais de apuração do imposto de renda e da contribuição social com base no lucro presumido; e, NEGO SEGUIMENTO ao recurso quanto aos demais pontos de divergência levantados, por não estar caracterizada a divergência jurisprudencial no que se refere: (II) ao não reconhecimento da decadência de parte dos períodos lançados; (III) a aplicação da multa qualificada, e; (IV) a nulidade do lançamento em face da decisão de primeira instancia que teria alterado os fundamentos do lançamento.. (...)” (Grifei) O presidente em exercício da CSRF prolatou despacho em 15/02/2011, fl. 955, em sede de reexame, mantendo o despacho do Presidente da Terceira Câmara da 1a. Seção do CARF, ou seja, confirmando o seguimento parcial do recurso. Cientificada, a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional contrarrazões em 18/03/2011, às fls. 958 e seguintes. É o que importa relatar. Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10830.009438/200719 Acórdão n.º 9101001.661 CSRFT1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, Relator. O Recurso Especial do Contribuinte atende aos pressupostos Regimentais, logo deve ser admitido e apreciado. Inicialmente, registro que o Recurso Especial de Divergência tem por escopo uniformizar o entendimento da legislação tributária entre as Turmas Ordinárias e Especiais deste Conselho. Não se trata de uma terceira instância administrativa. Nesse sentido, dispõe o Regimento Interno do CARF em seu art. 67 (anexo II) que a divergência jurisprudencial ocorre quanto a “decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF”. Quanto ao alegado pela Recorrida no que tange à qualificação da multa e da decadência deixarei para analisar após o julgamento do mérito deste Recurso. No presente litígio questionase o entendimento do acórdão recorrido quanto ao percentual de determinação do lucro presumido nos contratos de franquia da contribuinte, sendo essa a única matéria que logrou seguimento à CSRF. Vejamos a ementa do acórdão recorrido, quanto a matéria que obteve seguimento no recurso: “CONTRATOS DE FRANQUIA. NATUREZA. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. O contrato de franquia, sendo de natureza complexa, encampa um conjunto de deveres indissociáveis, sendo certo que a eventual divisão desse conjunto em contratos autônomos acarretará a sua própria descaracterização. Nessa linha, a disponibilização de materiais didáticos, promocionais, publicitários e administrativos, prevista nos contratos de franquia, por representar atividademeio que concorre para a viabilização da cessão do direito de uso, não pode, no caso dos autos, se submeter a tratamento tributário diverso do previsto no art. 518, inciso III, alínea "c" do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99).” O recorrente aduz que o acórdão recorrido apresenta dissenso com o decido no acórdão 120100.011, que se refere a empresa WIZARD BRASIL que é do mesmo grupo empresarial da contribuinte deste processo, assim ementado: “LUCRO PRESUMIDO. CONTRATO DE FRANQUIA. O contrato de franquia é , por sua natureza, contrato híbrido, que se constitui de um plexo de relações jurídicas diferentes entre si. O contrato de franquia implica, dentre outras, as atividades de cessão de direitos, cessão de knowhow, distribuição, prestação de serviços, venda de mercadorias, etc.. 0 art. 519 do RIR/99 contempla a possibilidade de que uma mesma pessoa jurídica tenha objetivos sociais diversos, hipótese em que cada uma dessas atividades deverá se submeter ao percentual especifico para apuração da base de cálculo do lucro presumido. No caso, Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10830.009438/200719 Acórdão n.º 9101001.661 CSRFT1 Fl. 6 5 os elementos dos autos evidenciam ser insustentável a pretensão fiscal de tributar a totalidade das receitas auferidas pela Recorrente pelo percentual de 32% do lucro presumido, a fundamento de serem (todas elas) decorrentes da cessão de direitos e/ou prestação de serviços, já que é fato incontroverso o de que a contribuinte também tem por objeto social a comercialização de mercadorias e aufere maior parte de suas receitas com esta atividade.” Restaram vencidos no aludido julgamento os conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Relator), Antonio Bezerra Neto e Adriana Gomes Rego. No presente caso está patente que a matéria deve mesmo ser objeto de apreciação por esta CSRF, até porque a própria Fazenda Nacional. Apresentou Recurso Especial à CSRF contra o acórdão 120100.011 apresentando como paradigma justamente o acórdão aqui recorrido (130200.216). A partir da análise das provas trazidas aos autos, bem com da legislação de regência formei pleno convencimento de que os fundamentos decisão do Acórdão 130200.216 não merecem reparos, sendo aplicáveis a ambos os casos. Isso porque, embora seja inquestionável que ambos (os contribuintes) forneçam material didático a seus franqueados, o preço dos produtos é fixado pelas franqueadoras, sendo notório que constituem atividades meio para viabilizar a cessão do direito de uso do “knowhow” dessas. Vejamos os fundamentos do voto condutor do ilustre conselheiro Wilson Fernandes Guimarães (fls. 24 e seguintes do acórdão 130200.216): “(...) A partir de tais balizamentos, destaco, de início, as considerações apresentadas pelas autoridades fiscais no Termo de Verificação Fiscal de fls. 05/36 no sentido de que: 1. Não houve desconsideração da pessoa jurídica, mas, sim, novo enquadramento do coeficiente de determinação do lucro presumido, em virtude da natureza das atividades efetivamente exercidas pela contribuinte; 2. A contribuinte apresentou declaração (DIPJ) para os anos calendário de 2001 a 2005 fazendo constar Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE) relativo ao COMÉRCIO ATACADISTA DE LIVROS, JORNAIS E OUTRAS PUBLICAÇÕES, razão pela qual aplicou, sobre parcela significativa de sua receita, o coeficiente de oito por cento; 3. Intimada no curso da ação fiscal, a contribuinte prestou os seguintes esclarecimentos: a) que a classificação no CNAE correspondente ao COMÉRCIO ATACADISTA DE LIVROS, JORNAIS E OUTRAS PUBLICAÇÕES decorreu do fato de ser essa a sua atividade predominante, tendo feito a alteração (para esse CNAE) em virtude da entrada em vigor do novo Código Civil; Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10830.009438/200719 Acórdão n.º 9101001.661 CSRFT1 Fl. 7 6 b) apresentando cópia do registro dos livros comercializados, declarou que o autor dos citados livros era o Sr. CARLOS ROBERTO WIZARD MARTINS, seu sócio, informando, ainda, que não havia um método padrão exclusivo explorado pela marca ALPS, e sim direitos autorais sobre os livros; c) que não cobrava royalties no contrato social de franquia porque cobrava a taxa inicial de filiação; d) que, no período indicado pela Fiscalização (últimos cinco anos), nenhum franqueado pagou royalties; e) que o material vendido ao aluno teria diferença em relação ao do professor, vez que este (o material do professor) teria os exercícios resolvidos; f) que era ela própria quem fornecia o material didático aos franqueados; 4. a partir dos elementos levantados e das informações prestadas pela contribuinte, foi possível concluir: a) que a Recorrente não poderia ser resumida a uma mera atacadista de livros; b) que a Recorrente, de forma simulada, indicou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) um código de atividade com o intuito de adotar coeficiente (indevido) no cálculo da base tributável do imposto incompatível com a atividade econômica efetivamente explorada, qual seja, FRAQUEADORA DE METODO DE ENSINO DE IDIOMAS (GRIFEI); c) que não haveria como desvincular a cessão dos direitos de uso da marca, logotipo, nome fantasia e da metodologia ALPS, do fornecimento de materiais que era efetuado no âmbito dos contratos de franquia; d) que existia vinculação do fornecimento de materiais didáticos ao contrato de franquia, de modo que os franqueados só poderiam comprar tais materiais de quem a Recorrente indicasse; e) que não seria possível a fragmentação do contrato de franquia em vários outros contratos, sob pena de descaracterização da natureza da própria franquia, que, no caso, englobava necessariamente uma prestação de serviços e uma distribuição de certos produtos, de acordo com as normas convencionadas; f) que, retirados quaisquer elementos do contrato de franquia, terseia um contrato de outra natureza; g) que, muito embora a Recorrente venda aos franqueados materiais didáticos, o que efetivamente estavam sendo transferidos, na essência, eram os direitos sobre a metodologia de ensino neles constantes (GRIFEI); Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10830.009438/200719 Acórdão n.º 9101001.661 CSRFT1 Fl. 8 7 h) que o franqueado não comprava o material didático somente por força de imposição contratual, mas, sim, porque estaria nos livros e demais materiais de ensino o suporte didático para a consecução da finalidade prevista no seu objeto social, qual seja, prestar serviço de ensino de idiomas; i) que, embutido no preço do material didático, estaria à cessão da metodologia de ensino, o que permitiria à Recorrente obter grande lucratividade; j) que a remuneração de todo o fornecimento de materiais efetuados pela Recorrente às franqueadas disciplinado no âmbito do contrato de franquia, representaria uma remuneração indireta desse contrato, motivo pelo qual deveria receber o tratamento tributário previsto para as receitas decorrentes de cessão de direitos de qualquer natureza, nos termos do art. 518, parágrafo 1°, inciso III, alíneas "a", "h" e "c" do RIR/99; k) que a Recorrente prestou declaração falsa ao se enquadrar como vendedora de material didático; 1) que, subvertendo a utilização do lucro presumido, valendose de um artifício simulatório, a Recorrente acabou por violar o princípio da isonomia; m) que, em se tratando de um negócio onde não é possível a fragmentação de suas atividades sob pena de descaracterização da sua própria natureza, seria possível afirmar que o que a Recorrente fez, em essência, foi transferir a metodologia por meio da venda de materiais; n) que o procedimento adotado pela Recorrente amoldouse perfeitamente ao evidente intuito de fraude de que tratava o inciso II, do art. 44, da Lei n o 9.430/96, uma vez que ao tributar, deliberadamente, os valores recebidos efetivamente como cessão de direitos a título de venda de mercadorias, realizou ação que se não impediu ou retardou a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, excluiu ou modificou as suas características essenciais pela redução de seu montante devido, além de ter evitado ou diferido seu pagamento (citou o art. 72 da Lei no 4.502, de 1964). No que aqui importa abordar (supostas alterações dos fundamentos jurídicos dos lançamentos) a autoridade julgadora de primeira instância, por sua vez, consubstanciou a manutenção dos feitos, em apertada síntese, com base nos seguintes argumentos: que somente no âmbito de um contrato de franquia que os materiais didáticos, administrativos e publicitários eram fornecidos da franqueadora para as franqueados; que o disposto no item anterior não poderia ser diferente na medida em que os materiais fornecidos têm íntima relação com métodos de ensino, com a marca e o nome da ALPS, e a franqueadora, na qualidade de proprietária de todos estes bens Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10830.009438/200719 Acórdão n.º 9101001.661 CSRFT1 Fl. 9 8 incorpóreos, para garantir a manutenção de seus direitos, não poderia fornecêlos, senão sob a garantia de um contrato de franquia; que todo o material porventura disponibilizado pela franqueadora às franqueadas deveria ser restituído em caso de rescisão de contrato, conforme expressamente previsto na cláusula 12.3, demonstrando mais uma vez que todo o fornecimento de materiais somente era efetuado no âmbito e sob as regras de um contrato de franquia, não se podendo equiparar tal fornecimento a uma venda de mercadorias, sujeita às vicissitudes de um mercado consumidor; que não haveria como se separar, como atividades distintas da empresa, o fornecimento de materiais didáticos, administrativos e publicitários e a atividade de franquia de escola de idiomas; que o fornecimento de materiais não é uma atividade independente do contrato de franquia, tendo em conta que somente os franqueados recebem os materiais didáticos, administrativos e promocionais/publicitários fornecidos pela franqueadora, configurandose, portanto como uma atividade acessória e completamente dependente do contrato de franquia; que os franqueados não adquirem do franqueador tais materiais didáticos, administrativos e promocionais, pelas regras oferta e da procura, mas em razão das cláusulas do contrato de franquia que estipulam a obrigatoriedade de aquisição de tais materiais pelos franqueados; que da Circular de Oferta da Franquia, sob a rubrica "Fornecedores", consta também, expressamente, não apenas a obrigatoriedade de aquisição do material didático, mas a obrigatoriedade de aquisição exclusivamente da ALPS, cabendo destacar, ainda, que os franqueados sequer poderiam revender a outros franqueados os materiais remanescentes, não revendidos aos alunos ou não utilizados em suas atividades, haja vista expressa disposição proibitiva; que, além de não poderem os franqueados utilizar quaisquer outros materiais didáticos, administrativos ou publicitários que não fossem aqueles fornecidos pela franqueadora, ficavam ainda proibidos de exercer qualquer outra atividade conflitante ou concorrencial à atividade dos outros franqueados, proibição esta estendida a seus cônjuges, dependentes e seus funcionários e prepostos, no período do contrato e nos 12 (doze) meses subseqüentes ao seu término; que o contrato • de franquia da ALPS São Paulo Jabaquara/SP, de fls. 130/140, datado de 08/02/2002, confirma de maneira contundente que as aquisições de materiais efetuadas pelos franqueados se constituíam em obrigações contratuais pré estabelecidas no contrato de franquia; Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10830.009438/200719 Acórdão n.º 9101001.661 CSRFT1 Fl. 10 9 que, contrariando a prática do mercado em que a remuneração dos contratos de franquia se faz em função de um percentual incidente sobre o faturamento da franqueada, no contrato da ALPS São Paulo Jabaquara, até a remuneração direta do contrato (o pagamento de royalties) se faz em função das aquisições de materiais didáticos efetuadas pela franqueadas, denotando a relevância da aquisição dos materiais didáticos para a definição das cláusulas contratuais de remuneração do contrato de franquia da ALPS; que a opção por tal critério de remuneração garante uma previsão de remuneração mínima, na medida em que há obrigatoriedade de aquisição de materiais, de manutenção de um estoque mínimo e definição de um consumo mínimo anual, o que não acontece nos contratos remunerados exclusivamente com base no faturamento das franqueadas; que ainda que os fornecimentos de materiais que veiculam a marca e a metodologia de ensino da franqueadora, efetuados no âmbito e sob as regras de um contrato de franquia, estivessem vinculados a contratos em que existe previsão de pagamento de royalties (remuneração direta), com base no faturamento das fraqueadas, o que não seria o caso nos presentes autos, os fornecimentos de materiais continuariam a se configurar como remuneração indireta do contrato, não podendo ser tributados como simples operações mercantis, mas como operações a envolver, necessariamente, a cessão de direito de uso da marca e da metodologia de ensino da franqueadora; que a própria ALPS reiteradamente afirmou a opção pela não cobrança de royalties nos contratos relativos aos períodos autuados, sendo que, nos modelos contratuais apresentados (circular de oferta de franquia e contrato de franquia), a remuneração dos contratos é feita de forma indireta, mediante a estipulação de aquisições mínimas de materiais aos franqueados, havendo notícia nos autos de que o contrato da ALPS Home Business São Paulo Vila Madalena, em que havia previsão de pagamento de royalties com base no rendimento bruto auferido, além de excepcional, teria sido rescindido; que se mostrara equivocada a defesa da contribuinte ao argumentar que, dada à complexidade das relações jurídicas envolvidas em um contrato de franquia, seria possível a sua fragmentação; que não existiria um contrato de fornecimento de materiais dentro de um contrato de franquia, sob pena de descaracterização deste último; que não seria possível a fragmentação do contrato de franquia em vários outros contratos, sob pena de descaracterização da natureza jurídica da própria franquia que engloba necessariamente uma prestação de serviços e uma distribuição de certos produtos, de acordo com as normas convencionadas; Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10830.009438/200719 Acórdão n.º 9101001.661 CSRFT1 Fl. 11 10 que, retirados quaisquer dos elementos distintivos do contrato de franquia, terseia um contrato de outra natureza; que, considerados os pressupostos fáticos e jurídicos ali expostos, na ausência de cláusulas de remuneração direta (especificamente de royalties), com base nos resultados da atividade da própria franqueada, a remuneração do fornecimento de materiais didáticos, promocionais e administrativos, efetuados pela franqueadora às franqueadas, regido pelas normas de um contrato de franquia de escolas de idiomas, configura remuneração indireta do contrato de franquia, devendo receber o tratamento tributário específico previsto para as receitas decorrentes de cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza, conforme previsto no art. 518, §1°, III, "a", "b" e "c" do RIR199; que a alta lucratividade do empreendimento da franqueadora não seria fruto, como pretendeu fazer crer a defesa, de urna performance destacada da empresa no mercado de venda de livros, mas decorrente dos contratos de franquias, nos quais os franqueados têm a obrigação de adquirir todos os materiais didáticos, administrativos e promocionais/publicitários fornecidos pela franqueadora, nas condições expressamente pré estabelecidas; que não haveria como desvincular da cessão dos direitos de uso da marca, logotipo, nome fantasia e da metodologia ALPS, do fornecimento dos materiais que é efetuado apenas no âmbito de tais contratos. Observo, pois, que, não obstante o assinalado no início da análise do presente item, no sentido de que uma eventual alteração dos fundamentos do lançamento por parte da autoridade julgadora só poderá contribuir para a decretação da sua nulidade na situação em que a manutenção do crédito tributário deriva dessa modificação, não encontro divergência entre os fundamentos utilizados pela autoridade julgadora de primeira instância e os considerados pelas autoridades autantes. Ao contrário disso, o que constato é uma singular convergência, em especial no que diz respeito aos elementos que foram considerados imprescindíveis para a sustentação dos lançamentos tributários, quais sejam: a impossibilidade de se desvincular a cessão dos direitos de uso da marca, logotipo, nome fantasia e da metodologia ALPS, do fornecimento de materiais; a impossibilidade de se promover a fragmentação do contrato de franquia em vários outros contratos, sob pena descaracterização da natureza da própria franquia; o fato de os livros e demais materiais de ensino reunirem, em si, a metodologia de ensino que, em última análise, possibilitaria ao franqueado prestar o serviço objeto de cessão; Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10830.009438/200719 Acórdão n.º 9101001.661 CSRFT1 Fl. 12 11 o fato de a remuneração dos contratos estar representada, em parte, por meio das aquisições de materiais pelos franqueados, motivo pelo qual deveria receber o tratamento tributário específico previsto para as receitas decorrentes de cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza, conforme previsto no art. 518, §1°, III, "a", "b" e "c" do RIR199. A afirmação de que a decisão recorrida "abandonou" a linha de raciocínio do auto de infração, inovando no sentido de que a operação de compra e venda de mercadorias está englobada na atividade maior de franquia e seria a remuneração indireta desta atividade, revelase, a meu ver, absolutamente equivocada, vez que distanciada daquilo que efetivamente assinalou a autoridade julgadora de primeiro grau. O que na verdade se observa é que, enquanto as autoridades autuantes empregaram a expressão "royalties" para nominar os pagamentos embutidos no preço dos conjuntos didáticos, a autoridade julgadora denominou remuneração indireta do contrato, sendo certo, porém, que ambos concluíram na mesma linha, qual seja, a de que o preço dos conjuntos didáticos e dos demais materiais incluíram, também, remuneração dos contratos de franquia. Não obstante, se analisarmos sob outro ângulo os argumentos expendidos pela autoridade julgadora recorrida e os fundamentos apresentados pelas autoridades autuantes, o máximo que se observará é que os responsáveis pelo procedimento fiscalizatório foram além do que viu a própria autoridade julgadora de primeira instância, visto que, enquanto esta norteou a procedência dos lançamentos no fato de não ser possível a fragmentação do contrato de franquia, os autuantes, trazendo aos autos elementos de suporte, firmaram entendimento no sentido de que, por meio da venda de materiais, a Recorrente escamoteou a cobrança de royalties. Afasto, assim, a preliminar de nulidade argüida EQUÍVOCOS DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Alega a Recorrente que a Turma Julgadora de primeiro grau incorreu em equívocos, pois: a) pressupõe que há uma típica "atividade de franquia" que engloba todas as atividades previstas no contrato de franquia, bem como as relações daí decorrentes e impossibilita que tais atividades sejam fragmentadas, inclusive para fins fiscais; e b) pressupõe que tal atividade de franquia se resume à cessão de direito de uso de qualquer natureza e daí enquadra no percentual, para fins de apuração da base de cálculo para determinação do IRPJ no sistema do lucro presumido, no art. 519, III do RIR, mais especificamente na letra "c". Amparada em doutrina, a Recorrente, detalhando os supostos equívocos da decisão exarada em primeira instância, afirma que, diversamente do colocado na decisão em referência, o contrato de franquia pode conter atividades mistas, porque sua característica está na mistura de atividades. Sustenta que esse caráter misto é que lhe dá a característica primordial, de tal modo que quando se fala de franquia se fala de um contrato complexo, formado por múltiplas atividades, que devem ser Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10830.009438/200719 Acórdão n.º 9101001.661 CSRFT1 Fl. 13 12 vistas como um todo para que se possa entender a atividade de franquia, mas estas atividades não perdem a sua característica essencial e primeira (o que for licença de uso continua sendo licença de uso e assim deve ser oferecido à tributação, o que for compra e venda continua compra e venda e assim deve ser oferecido à tributação).” A questão colocada para decisão e que foi de forma diversa tratada pelo acórdão recorrido e pelo acórdão paradigma é saber se a atividade da Recorrida, quando fizer a venda de materiais deve se englobada como atividade de franquia ou se deve ser tratada como atividade de operação mercantil , em especial porque desta definição depende o enquadramento para a determinação do percentual da base presumida para fins de apuração do Imposto Sobre a Renda. Não tenho dúvidas de que o caso é singular. A Fiscalização fez um robusto trabalho no grupo de empresas a que pertence a Recorrente, até em razão da ordem judicial, que, também não deixa de ser peculiar, sequer lhe era dirigida. O trabalho fiscal buscou caracterizar a venda do material didático, leiase os livros, como integrante da atividade de franquia e daí, por conseqüência, caracterizou toda a atividade do contribuinte como atividade de franquia e, portanto, atividade sujeita ao enquadramento pela base presumida de 32%. Nesse trabalho indicou que o contribuinte teria se “escondido” para o fisco como uma franqueadora de idiomas, ao se declarar no CNAE, como comércio varejista de livros. Fez um grande arrazoado baseado em doutrina sobre a franquia, para caracterizar a franquia do contribuinte como se fosse um “business format franchising”, ou seja, uma modalidade de franquia múltipla e daí entende que toda a sua receita tem que ser enquadrado como prestação de serviços. E, traz cópias de contrato de franquia, depoimentos, doutrina para demonstrar que as operações de venda de livros devem estar caracterizadas como cessão de direitos, transferência de knowhow e não poderiam ser caracterizados como compra e venda e a receita daí advinda deveria ser enquadrada na base presumida de 32%. A Fiscalização explora o fato de que a Recorrente pouco cobra a título de royalties dos seus franqueados e daí depreende que o valor dos royalties está embutido na venda dos produtos. E, quanto a Acórdão paradigma, a meu ver, entendo que apenas analisou o trabalho da fiscalização, sem ter enfrentado o fato de que as operações mercantis efetivamente existiram, que as mercadorias existem, o que, pelos próprios fatos, é óbice intransponível para se entender que toda a receita da Recorrida poderia ser entendida como prestação de serviços ou oriundas de atividade de franquia ou ainda fruto de cessão de direitos. O acórdão paradigma se apega ao argumento de que numa franquia, todas as operações são indissociáveis e todas as receitas devem ser tributadas como prestação de serviços/cessão de direitos. Quanto ao fundamento de que, ao se admitir que existem royalties embutidos no preço das mercadorias, porque a fiscalizada demonstrou que o mercado de franquia de idiomas não faz a cobrança dos royalties, a Fiscalização deveria ter definido um critério para Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10830.009438/200719 Acórdão n.º 9101001.661 CSRFT1 Fl. 14 13 definir o percentual dos royalties, porque, evidentemente, não poderia entender que todo o valor da mercadoria seria equivalente aos citados royalties. E, assim, também restam prejudicados as análises quanto à decadência e à multa qualificada. Pelo exposto, dou provimento ao recurso do contribuinte. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
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Numero do processo: 10510.001946/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. JUROS DE MORA. AÇÃO TRABALHISTA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. ENTENDIMENTO DO STJ, SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. ART. 62-A DO RICARF.
Não incide imposto de renda sobre juros de mora. Esta é a orientação do STJ, consagrada sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), que deve ser observada por este Tribunal, à luz do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2101-002.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 30/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO
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JUROS DE MORA. AÇÃO TRABALHISTA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. ENTENDIMENTO DO STJ, SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. ART. 62A DO RICARF. Não incide imposto de renda sobre juros de mora. Esta é a orientação do STJ, consagrada sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), que deve ser observada por este Tribunal, à luz do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. MARIA CLECI COTI MARTINS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 30/09/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 19 46 /2 00 8- 52 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário objetivando a reforma do Acórdão de nº 15 24.353 da 3ª Turma da DRJ/SDR (fls. 69/71), que, por unanimidade de votos, julgou procedente Lançamento Fiscal lavrado para incluir na tributação valores omitidos no montante de R$ 165.946,10, correspondentes a juros de mora que foram declarados como rendimentos isentos, recebidos pela Contribuinte em razão de ação trabalhista. Os argumentos de Impugnação arguidos foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “A impugnante argumenta, em síntese, que, não foram excluídos os juros incidentes sobre as parcelas isentas, tais como o FGTS. Afirma ainda que declarara os rendimentos tributáveis que serviram de base para a retenção do imposto nos cálculos judiciais, o que afastaria a omissão de rendimentos que lhe está sendo atribuída.” A decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Salvador (BA), restou assim ementada: “RENDIMENTOS ACUMULADOS. JUROS MORATÓRIOS. Sujeitamse ao imposto de renda, no mês do seu recebimento, os rendimentos tributáveis pagos acumuladamente, inclusive os juros de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” No Recurso de fls. 75/81, a Recorrente reitera os argumentos de impugnação e acrescenta: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.001946/200852 Acórdão n.º 2101002.481 S2C1T1 Fl. 3 3 a) uma vez que a incidência dos juros moratórios tem como objetivo apenas recompor um prejuízo (indisponibilidade de capital em decorrência do atraso de um pagamento etc.), não haveria que se falar em incidência do imposto de renda sobre a parcela dos juros moratórios, uma vez que seu recebimento em nada agregaria ao patrimônio do contribuinte e termos de riqueza nova, independentemente da natureza do pagamento principal. b) a Administração deve proceder aos cálculos de imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumuladamente recebidos segundo o regime de competência, seguindo as decisões do Superior Tribunal de Justiça. Pede, ao final, que se dê provimento ao recurso, para considerar que não há incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios; ou que se anule o “auto de infração” para que seja aplicado o regime de competência para a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente. No entendimento de que a Notificação de Lançamento objeto deste processo, versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, atentando a norma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, cuja matéria estaria sob apreciação do STF no julgamento do RE 614406RS, este Colegiado emitiu resolução (fls. 89/93) sobrestando a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que houvesse decisão definitiva da Corte Suprema, nos termos do disposto no artigo 62A, §§1º e 2º, do RICARF, vigente à época. Ocorre que os §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF foram revogados pelo Sr. Ministro da Fazenda, por meio da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013. Deste modo, coloco o feito em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 105DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 O recurso atende os requisitos de admissibilidade. No caso, uma melhor observação do feito aponta que a discussão se conforma inicialmente na incidência do Imposto de Renda sobre juros moratórios vertidos em decisão trabalhista. Embora efetivamente os valores questionados representem rendimentos recebidos cumulativamente em virtude de processo judicial trabalhista movido contra a COMPANHIA DAS DOCAS DO ESTADO DA BAHIA – CODEBA (fls. 24/33, 36/37, 43/55 e 58/60), a omissão apurada representa especificamente os juros aferidos, conforme informação trazida na Notificação de Lançamento nº 2006/605450096234015, exposta na sua Complementação da Descrição dos Fatos (fl. 05 e 62), onde se observa, literalmente: “No somatório dos rendimentos tributáveis não foram incluídos os juros moratórios pelo contribuinte, uma vez que os juros são de natureza acessória e incidem sobre verbas salariais, caracterizamse como proventos, logo, estão sujeitos a incidência do IR. (art. 53 do CTN) e Acórdão 10.14.418 da 6a. Câmara do 1° Conselho de Contribuinte. O Parecer PGFN/CDA n°. 1861/2007, afirma que não há previsão constitucional nas atribuições da Justiça do Trabalho para isentar juros, inciso VII, art. 114, bem como art. 195, I, a, e II da CF – Processo 01.020002/90 (total dos rendimentos mais juros deduzindo proporcionalmente os honorários advocatícios). No Proc. 01.04.0062/95 a incidência ocorreu sobre a totalidade dos rendimentos tributáveis, deduzindo os honorários advocatícios.” Portanto, não pode haver dúvidas que o Lançamento decorre de juros moratórios não contabilizados pela Contribuinte como valores tributados. Nesses exatos termos – juros de mora recebidos em sede de reclamatória trabalhista –, vale ressaltar que este Conselho vinha se manifestando no sentido de que tais verbas eram tributadas conforme previsto no artigo 55, inciso XIV do Regulamento do Imposto de Renda, que estipula serem tributáveis “os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis”. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça, em sede de Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, julgado pela sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, fixou o entendimento de que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, cujo acórdão final restou assim ementado: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.001946/200852 Acórdão n.º 2101002.481 S2C1T1 Fl. 4 5 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, devese acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. (EDcl no REsp 1227133/RS, Rel. Ministro CESAR ASFOR ROCHA, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 02/12/2011). Nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno, este Conselho está obrigado a respeitar as decisões do STJ, nos exatos moldes em que proferidas, sem modificações ou ressalvas do seu alcance e/ou conteúdo. Tanto que em diversos julgados foi manifesta a posição neste sentido: RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO – FGTS É isento do imposto sobre a renda o montante recebido pelo empregado, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Hipótese na qual o valor correspondente ao FGTS não pode ser excluído porque não integrou o total dos rendimentos tributáveis. IMPOSTO DE RENDA. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA PAGOS EM AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. A decisão tomada pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, afirma que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. No caso em concreto, considerandose que os juros de mora foram pagos no contexto de decisão judicial que assegurou ao contribuinte o recebimento de verbas trabalhistas indenizatórias, de rigor afirmarse a não tributação sobre eles incidente. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Demonstrado que, dos rendimentos pagos por pessoa jurídica, em ação trabalhista, foi descontado do beneficiário, pessoa física, o valor correspondente à retenção na fonte do Fl. 107DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 imposto sobre a renda, compensase o imposto retido. Na hipótese, o valor retido pela fonte pagadora a título de imposto sobre a renda foi integralmente compensado pela Fiscalização. (Acórdão nº 2101002.189, Processo nº 10166.013035/200835, Redator designado ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA – 1ª TO / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF grifamos); IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA JUDICIAL TRABALHISTA. COMPROVAÇÃO. No caso de rescisão de contrato de trabalho, o art. 6º da Lei n.º 7.713/88 traz as hipóteses taxativas de isenção, dentre as quais estão justamente a indenização (férias indenizadas, 1/3 das férias indenizadas e FGTS). Para que as sentenças homologatórias de acordos firmados na Justiça do Trabalho valham como prova, deve a sentença especificar a natureza e o valor de cada parcela paga, o que ocorreu na hipótese destes autos. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. ENTENDIMENTO DO STJ, SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. RECONHECIMENTO EX OFFICIO. POSSIBILIDADE. ART. 62A DO RICARF. Não incide imposto de renda sobre juros de mora. Esta é a orientação do STJ, consagrada sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), que deve ser observada por este Tribunal, à luz do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Recurso provido (Acórdão nº 2101002.387, Processo nº 10510.720393/201136, Relator ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, 1ª TO / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF grifamos); PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância quando essa atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235/1972. (...) IRPF. JUROS MORATÓRIOS VINCULADOS A VERBAS TRABALHISTAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. NÃO INCIDÊNCIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas turmas nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. É o caso do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, proferido pelo STJ sob o rito do art. 543C do CPC, segundo o qual não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.001946/200852 Acórdão n.º 2101002.481 S2C1T1 Fl. 5 7 (Acórdão nº 2201001.843, Processo nº 10580.720394/200932, Relator RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, 1ª TO / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF grifamos); IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO. Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS TRABALHISTAS PAGAS EM FUNÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. RECURSO ESPECIAL EDCL NO RESP 1227133 / RS, JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça nos Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial Embargos acolhidos parcialmente com efeitos infringentes (Acórdão nº 2802001.858, Processo nº 10580.721040/200913, Redator designado CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO, 2ª TE / 2ª SEJUL/CARF/MF grifamos). Considerando que no presente caso é incontestável que as verbas trabalhistas foram recebidas por força de decisão judicial, a decisão recorrida merece reparo quanto a tributação do Imposto de Renda mantida em face dos juros moratórios, respeitando ao julgado representativo da controvérsia no STJ. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para afastar da tributação os valores correspondentes aos juros moratórios recebidos em decorrência de decisão judicial de ação trabalhista. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 110DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10314.007660/2008-05
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/06/2008
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial,.
Numero da decisão: 3803-006.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 18/06/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial,.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/06/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial,. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 76 60 /2 00 8- 05 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 295DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.007660/200805 Acórdão n.º 3803006.565 S3TE03 Fl. 295 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 18/06/2008 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 296DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 15/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 25/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 297DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.007660/200805 Acórdão n.º 3803006.565 S3TE03 Fl. 296 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 299DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.007660/200805 Acórdão n.º 3803006.565 S3TE03 Fl. 297 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 300DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.007660/200805 Acórdão n.º 3803006.565 S3TE03 Fl. 298 9 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Fl. 302DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário, e por negar provimento, quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 303DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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