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Numero do processo: 13603.907235/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1102-000.107
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e João Carlos de Figueiredo Neto. Processo nº 13603.907235/200923 Resolução n.º 1102000107 S1C1T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CNH LATIN AMERICA LTDA, contra a decisão prolatada pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG, que por sua vez não homologara a compensação de tributos de que trata a Declaração de Compensação objeto deste processo. O crédito alegado é de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda mensal por estimativa, relativo ao mês de outubro de 2004, no valor de R$ 130.016,66. O Despacho Decisório eletrônico nº 848553107, de 07/10/2009, assim fundamentou a negativa (fls. 04): “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado. Foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O Despacho indica o DARF no valor de R$ 2.962.473,10, recolhido em 30/11/2004, e aponta que o mesmo foi integralmente utilizado para a quitação do débito do tributo código 2362 relativo ao período de apuração 10/2004. Cientificado do despacho, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 08 a 15, alegando, em síntese, o que a seguir se expõe. Ao processar eletronicamente a declaração, sem que fosse efetuada qualquer diligência fiscal ou intimada a requerente para apresentação de esclarecimentos, a Fiscalização considerou que o valor recolhido por meio daquele DARF teria sido integralmente utilizado para quitação de débito de IRPJ da requerente relativo ao período de apuração 10/2004, contudo, esta decisão não levou em consideração que a requerente apresentara DCTF retificadora referente ao 4° trimestre de 2004, indicando que o débito de IRPJ apurado em outubro seria de R$ 3.313.033,25, e não de R$ 3.443.049,92, conforme inicialmente declarado. Para liquidar esse débito, a Requerente vinculou créditos decorrentes de compensação no valor de R$ 480.576,82 e pagamento no valor de R$ 2.832.456,43, sendo esse montante parte integrante do DARF identificado pelo número de pagamento 17274597017, exatamente o que consta do despacho decisório. A diferença entre o valor recolhido (R$ 2.962.473,10) e o valor efetivamente vinculado ao débito de IRPJ (R$ 2.832.456,43) corresponde exatamente ao crédito apontado pela Requerente no PER/DCOMP (R$ 130.016,67), o qual foi negado pelo despacho decisório emitido posteriormente à retificação efetuada. Transcreve dispositivo acerca da natureza e função da DCTF retificadora (art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 903/08), bem como jurisprudência administrativa acerca da vinculação da Autoridade Tributária à verdade material, e finaliza requerendo a homologação da compensação efetuada, ou, subsidiariamente, a realização de diligência para comprovação do alegado. Processo nº 13603.907235/200923 Resolução n.º 1102000107 S1C1T2 Fl. 3 3 A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/Belo Horizonte observou que a legislação tributária facultou ao contribuinte o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução como forma alternativa de apurar o IRPJ/CSLL a antecipar, mas condicionou esta opção ao efetivo levantamento do respectivo balancete até a data de vencimento do imposto ou contribuição, e que os procedimentos executados pelo contribuinte indicam que, na data do vencimento do IRPJEstimativa Mensal referente ao mês de outubro/2004, o sujeito passivo não detinha a apuração do valor devido mediante levantamento do balanço/balancete de suspensão/redução. Portanto, a DCTF retificadora em questão, ainda que apresentada anteriormente ao despacho, não validaria o direito de crédito utilizado pelo contribuinte. Além disto, destacou a DRJ a inexistência de previsão legal para a restituição do valor antecipado a maior antes do término do respectivo período de apuração anual. O Acórdão n° 0227.631 possui a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido.” Cientificada desta decisão em 10.09.2010, conforme AR de fls. 65, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 13.10.2010, fls. 6676, no qual reprisa os argumentos já expostos por ocasião da inicial, e acrescenta, ainda, argumentação diferenciando a restituição de saldo negativo de imposto (que deve sofrer correção pela SELIC a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração) e a restituição de estimativa recolhida a maior (que tem como termo a quo para a sua correção a própria data do recolhimento indevido), e destaca ainda a jurisprudência administrativa favorável à sua pretensão, bem como a alteração normativa imposta pela Instrução Normativa RFB n° 900/2008, que passou a permitir a compensação de estimativas recolhidas a maior. Despacho da 3a Seção de Julgamento encaminha os presentes autos à 1a Seção, em razão da competência para julgamento, que é definida pelo crédito alegado, nos termos do Regimento Interno do CARF. Por sorteio, os recebo para relato. É o relatório. Processo nº 13603.907235/200923 Resolução n.º 1102000107 S1C1T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Esta Turma, bem como este relator, já manifestou em ocasiões anteriores o entendimento de que sim, é possível a restituição/compensação de estimativas, quando demonstrado que o valor efetivamente recolhido resultar a maior que o devido, apurado com base na legislação aplicável, e que, com a edição da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, a própria Receita Federal reconheceu tal possibilidade. Não subsiste, portanto, o fundamento em sentido contrário, apontado pela decisão recorrida. Por outro lado, verifico que nos autos não há efetiva prova de que o recolhimento da estimativa efetivamente tenha sido feito a maior que o devido em face da legislação aplicável. Aos autos foram trazidas tão somente cópias de algumas páginas do que seriam as sucessivas DIPJ apresentadas (uma original e duas retificadoras), e de algumas páginas do que seria a DCTF retificadora. Conforme a última DIPJ retificadora apresentada, a recorrente teria efetuado a apuração da estimativa devida, referente ao mês de outubro de 2004, com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, faculdade esta que é conferida pelo art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995, como alternativa à apuração das estimativas com base na receita bruta e acréscimos. Tal balanço ou balancete, contudo, não consta dos autos e, se existente, tampouco foi submetido a qualquer análise por parte do fisco de modo a atestar a sua correção, de sorte que não há como, apenas com os elementos constantes dos autos, saber se o contribuinte de fato recolheu, ou não, estimativa em valor superior ao devido. Ainda, de acordo com os argumentos recursais, e as cópias das DIPJ retificadoras apresentadas, o valor ora em litígio, que alegadamente teria sido recolhido a maior (R$ 130.016,66), aparentemente não teria integrado o valor do saldo negativo apurado ao final do ano, o que indica que o contribuinte, neste caso, poderia ter de fato direito creditório a seu favor, ainda que não necessariamente a título de estimativa paga a maior, senão de saldo negativo de imposto. Em vista do acima exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal na Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte adote as seguintes providências: 1. Intime o Contribuinte a apresentar os balanços ou balancetes de suspensão/redução do ano de 2004 e verifique se os mesmos estão em conformidade com a sua escrituração; 2. Intime o contribuinte a demonstrar, pelos meios de que dispuser, a data em que foram levantados os referidos balanços ou balancetes; Processo nº 13603.907235/200923 Resolução n.º 1102000107 S1C1T2 Fl. 5 5 3. Intime o contribuinte a justificar ou demonstrar como apurou o valor das estimativas que originariamente recolheu, e que posteriormente vieram a se revelar parcialmente indevidas; 4. Confirme se o valor ora em litígio (R$ 130.016,66) de fato não integrou o valor do saldo negativo apurado ao final do ano calendário; 5. Das verificações efetuadas, lavre Relatório de Diligência circunstanciado e dele dê ciência à recorrente para que sobre ele se manifeste, no prazo de 30 (trinta) dias. Com isso, retornem os autos para o competente julgamento. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000023/2003-01
Data da sessão: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1102-000.004
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade da decisão. Na sequência, foi rejeitada, por maioria de votos, a preliminar suscitada de oficio pelo Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, de impossibilidade de o Colegiado conhecer da matéria relativa à postergação, não levantada na impugnação apresentada no prazo legal, mas apenas em aditamento à impugnação. Vencido nessa preliminar apenas o Conselheiro que a suscitou. Entrando no mérito, a Turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que: (a) o contribuinte seja intimado a esclarecer a inconsistência contida na declaração do ano-calendário de 1997 e a demonstrar, mediante cópias do LALUR, a evolução do saldo de bases negativas da CSLL a partir do ano-calendário de 1995; (b) A fiscalização se manifeste sobre os esclarecimentos prestados pelo contribuinte e sobre eventuais divergências entre os controles do contribuinte e os da Receita (SAPLI).
Nome do relator: SANDRA MARIA FARONI
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Recorrida 1' TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade da decisão. Na sequência, foi rejeitada, por maioria de votos, a preliminar suscitada de oficio pelo Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, de impossibilidade de o Colegiado conhecer da matéria relativa à postergação, não levantada na impugnação apresentada no prazo legal, mas apenas em aditamento à impugnação. Vencido nessa preliminar apenas o Conselheiro que a suscitou. Entrando no mérito, a Tulma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que: (a) o contribuinte seja intimado a esclarecer a inconsistência contida na declaração do ano-calendário de 1997 e a demonstrar, mediante cópias do LALUR, a evolução do saldo de bases negativas da CSLL a partir do ano-calendário de 1995; (b) A fiscalização se manifeste sobre os esclarecimentos prestados pelo contribuinte e sobre eventuais divergências entre os controles do contribuinte e os da Receita (SAPLI). SANDRA MARIA FARONI - Presidente e Relatora EDITADO EM: O 5 NOV 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), Mário Sérgio Fernandes Barroso, José Carlos Passuello, José Sérgio Gomes (suplente convocado) e Natanael Vieira dos Santos (suplente convocado). Processo n° 19515.000023/2003-01 S1-C1T2 Resolução n.° 1102-00.004 Fl. 2 Relatório O presente processo tem como base o auto de infração lavrado contra a pessoa jurídica Fosbrasil S/A, que formalizou exigência relativa à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) do ano-calendário de 1997, no valor de R$ 132.782,33 (incluídos os juros de mora, lançados até 29/11/2002) em razão da inobservância do limite de 30% para a compensação da base de cálculo negativa da CSLL de períodos-base anteriores. Relata o Termo de Constatação Fiscal que o contribuinte compensou a totalidade do valor da base de cálculo da CSLL, no valor de R$ 1.221.467,79 com a base de cálculo negativa apurada em períodos anteriores. O auto de infração foi lavrado sem imposição da multa de oficio porque o contribuinte estava amparado por provimento parcial obtido na Apelação em Mandado de Segurança de n° 98.03.004215-7/SP, contra sentença em favor da União, em primeira instância, relativa ao direito que pleiteia, de proceder àquela compensação além do limite previsto nas citadas leis. Em impugnação tempestiva (apresentada em 23/01/2003), o contribuinte alegou que não poderiam ter sido incluídos valores a título de juros de mora, uma vez que o crédito tributário exigido encontra-se depositado em juizo, fazendo-o nos autos da Medida Cautelar n° 2001.03.00.032679-5. Em 03/04/2007, o contribuinte protocolizou aditamento à impugnação, alegando que o auto não pode prosperar por ter qualificado erroneamente a infração, vício que o torna nulo desde a origem, o que permite seja suscitado a qualquer tempo. Postulou a aplicação do previsto no Parecer Nomiativo CST n° 02/96. Afirmou que posterioimente ao encerram- ento do ano-base 1997 teve lucro tributável, não tendo havido aproveitamento de bases negativas anteriores, já apropriadas em função da medida judicial que assegurava a compensação integral. A Turma de Julgamento não conheceu o aditamento à impugnação, por ter sido protocolizada quando decorridos mais de quatro anos da data limite prevista no art. 15 do Decreto n° 70.235/72, tendo ressaltado que foram trazidos apenas novos argumentos, e não novas provas. Não conheceu, também, da impugnação quanto à matéria discutida perante o Poder Judiciário, e julgou PROCEDENTE o lançamento efetuado em relação à incidência dos juros de mora, matéria não abrangida pela ação judicial. Ciente da decisão em 23.11.2007, a interessada ingressou com recurso em 20 de dezembro, no qual suscita, preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida, por não ter apreciado o aditamento à impugnação, protocolada em 03/04/2007, alegando tratar-se de matéria de ordem pública, passível de conhecer-se até de oficio. Quanto ao mérito, reafirma que a não observância do limite legal na compensação de prejuízos representa mera antecipação de despesas, inobservância do regime de competência, e assim, mesmo que fosse possível a tributação do montante compensado que ultrapassou o limite, não poderia prevalecer o auto de infração, porque a autoridade fiscal deveria ter dado o tratamento do Parecer Normativo n° 02/1996. 2 Processo n° 19515.000023/2003-01 S1-C1T2 Resolução n.° 1102-00.002 Fl. 3 Aduz que o acórdão deve ser reformado, também, para que seja reconhecida a suficiência do depósito e, por conseqüência, a exclusão dos juros de mora. Diz que o auto de infração foi lavrado com suspensão da exigibilidade, sem qualquer acusação quanto a uma suposta insuficiência de depósito, e a afirmação da DRJ de que o depósito foi insuficiente representa agravamento da infração. Destaca que o depósito é de R$1.384.222,84 e a obrigação principal constituída no auto de infração é de R$ 68.402,19, incumbindo à fiscalização ou à própria decisão recorrida apontarem a suposta insuficiência. Acrescenta que, ainda que houvesse insuficiência, os juros poderiam, quando muito, recair sobre o montante não depositado. É o relatório. \(3.--- ) 3 Processo n° 19515.000023/2003-01 S1-C1T.2 Resolução n.° 1102-00.002 Fl. 4 Voto Conselheira SANDRA MARIA FARONI Recurso tempestivo. Dele conheço. As questões postas ao Colegiado demandam o enfrentamento dos seguintes temas (i) nulidade da decisão; (ii) sujeição do lançamento ao critério fiscal de postergação; (iii)) suficiência dos juros depositados. A Recorrente afirma que a decisão é nula porque não conheceu do argumento relativo à nulidade do auto de infração por não ter considerado o PN n° 02/96, trazido no aditamento à impugnação. O aditamento à impugnação ocorreu quase cinco anos após a ciência do auto de infração, e a decisão recorrida deixou de apreciá-los com base na preclusão temporal. Assentou a Relatora que não há previsão legal para complementação dos argumentos defendidos na impugnação, além do quê, as provas da ocorrência dos novos argumentos trazidos não se compreendem nas exceções previstas § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Alega a Recorrente que as novas razões trazidas são matéria de ordem pública, passíveis de ser conhecidas até de oficio. A questão tratada no Parecer Normativo 2/96, trazida no aditamento à impugnação, diz respeito ao tratamento de postergação, previsto no art. 6° do Decreto-lei n° 1.598/77, a ser dado no caso de inobservância ao limite para a compensação de bases negativas. O dispositivo legal em questão assim trata a matéria: Art. -(..) (-) § 4" - Os valores que, por competirem a outro período-base, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 50_ A inexatidão quanto ao período-base de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer período-base. § 6° - O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período-base de competência de receitas, 4 , ,., Processo n° 19515.000023/2003-01 S1-C1T2 Resolução n.° 1102-00.002 Fl. 5 rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período-base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4°. § 7° - O disposto nos §§ 4° e 6° não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. ' Como se vê, o dispositivo legal diz respeito a inexatidões de escrituração contábil, não alcançando inexatidões relativas a escrituração fiscal. Aliás, tal já foi esclarecido no Parecer Nolinativo CST n° 57/79, ao interpretar o § 4°, verbis: "5-1- A análise de seus termos revela a existência de: a) um pré-requisito : a inexatidão contábil, caracterizada pela contabilização de valores em período-base diverso daquele a que competem; b) uma finalidade: observância do regime de competência dos exercícios envolvidos; c) um comando; a correção, para efeitos fiscais, no lucro real do exercício em que se efetivou o registro inexato implica, obrigatoriamente, correção do lucro real do exercício competente; e d) um destinatário.. o agente da correção, que é, como veremos, a Administração do Tributo. 1 5.2- Assim, na hipótese de inobservância da escrituração do regime de . competência (pré-requisito), a correção do lucro real do exercício da contabilização implica, de modo obrigatório, retificação do lucro real do período competente (comando) a fim de que o regime prescrito na lei seja observado em ambos os exercícios (finalidade). O comando inserido no parágrafo visa, em última análise, impedir que o regime de competência seja parcialmente aplicado, com prejuízo para o Fisco (§ 5°), ou para o contribuinte (§ 6°). Operada a retificação do lucro real (e, pois, do imposto) num exercício, impões-se, de modo obrigatório, a correção no outro, tanto cia base como do imposto. 5.3- O destinatário da disposição é a própria Administração Tributária. Com efeito, a correção do lucro real, objeto do parágrafo, não constitui um fim em si. Ela se impõe por seus efeitos tributários, o imposto e acréscimos de que se ocupam os parágrafos subseqüentes. Ora, a retificação de bases de cálculo e as conseqüentes correções de créditos tributários são atos que, integrados, configuram lançamento, atividade privativa da Administração Tributária (art. 142 da Lei n° 5.172, de 25/10/66 — C7N). Em suma, o § 4° está a dizer que se a Administração, mediante fiscalização, direta ou indireta, ou mesmo por denúncia espontânea, apurar inexatidão quanto ao período de competência, num determinado exercício, não poderá restringir a este a correção. Ela deverá se estender também ao outro. 6- Nem toda inexatidão contábil, porém, autoriza a constituição de (crédito tributário. É o que prescreve o parágrafo 5 ' O lançamento só se ,1 i 5 •Processo n° 19515.000023/2003-01 S1-C1T2 Resolução n.° 1102-00.002 Fl. 6 justifica quando da inexatidão decorra prejuízo para o Erário, seja através de postergação de pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido (art. 5 0 , a), seja por diminuição do imposto por indevida redução do lucro real em qualquer período-base (§ 5 0 , b). Vê-se, assim, que a inexatidão com efeitos tributários (§ 5°) tem amplitude menor que a da inexatidão contábil, na qual evidentemente se insere. (.) 6.3- Já a contabilização de receita, rendimento ou reconhecimento de lucro em exercício posterior ao competente, bem como o registro, em exercício a ele anterior, de custo ou dedução podem gerar postergação de pagamento de imposto. Por isso, registros dessa natureza ensejam que a Administração, procedendo na forma do parágrao 4 0 , recomponha os dois lucros reais e efetive o lançamento no exercício em que tenha havido indevida redução do lucro líquido, isto é, depois de compensado o imposto lançado no exercício do registro inexato e que a revisão mostrou ser nele indevido. É a compensação criada pelo parágrafo 6° 7. O parágrafo 7° prescreve os acréscimos devidos na hipótese de postergação. O imposto postergado, indevidamente lançado em exercício posterior em virtude de inexatidão quanto ao período-base de competência, enseja, ainda que já recolhido, a cobrança de juros de mora e correção monetária, calculados sobre seu montante e cobrados, se não espontaneamente pagos, mediante auto de infração ou notificação de lançamento. • (..)." (negritos acrescentados). Portanto, o §§ 5° e 6° do art. 6° do Decreto-lei n° 1.598/77 tratam de ajustes para determinação do saldo do imposto nos casos de postergação em virtude de inobservância do regime de competência na escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento do lucro. Apenas neste caso a lei detennina que, ao efetuar o lançamento, o agente do fisco recomponha os dois períodos-base afetados. O agente do fisco apenas tem a obrigação legal de recompor os resultados dos períodos envolvidos (para averiguar se o efeito foi de simples postergação) nos casos de inexatidão contábil, não padecendo de nulidade o auto de infração. A matéria não é de ordem pública, mas de justiça fiscal, e não estava, a DRJ, obrigada a conhecê-la.. Rejeito a preliminar de nulidade. Rejeitada por unanimidade a preliminar de nulidade da decisão, ao adentrar ao mérito constato que não há condições para que se decida o litígio. Explico: A jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Conselho é no sentido de que a recomposição das bases tributáveis dos exercícios afetados deve ser feita também nos casos de postergação em razão da antecipação de compensação de prejuízos ou bases negativas de CSLL. O fundamento desta interpretação é que o espírito da norma foi evitar cobranças de tributo quando verificado que a tributação a menor em um período já fora regularizada ern-2 Processo n° 19515.000023/2003-0 I S1-C1T2 Resolução n.° 1102-00.002 Fl. 7 - período posterior. Pelo princípio segundo qual a mesma razão autoriza o mesmo direito ( Ubi eadem est ratio, ibi ide jus ), a norma tem sido aplicada aos casos de postergação decorrente de compensações antecipadas. Dentro desse entendimento, é óbvio que a extensão do tratamento previsto nos §§ 5° e 6° do art. 6° do Decreto-lei n° 1.597/77 aos casos de compensações antecipadas pressupõe verificação das declarações apresentadas pelo contribuinte até a data da formalização do auto de infração. No caso, a formalização do lançamento deu-se em 27 de dezembro de 2002, e assim, na aplicação do tratamento postulado deve-se levar em consideração as declarações entregues até essa data, que alcançam anos calendário até 2001. O contribuinte alega que nos anos —calendário de 2000, 2001 e 2002 obteve resultados positivos e deixou de aproveitar bases negativas de exercícios anteriores , que já haviam sido apropriadas em função da autorização judicial l , e juntou as declarações referentes a esses períodos. Com base nas informações controladas no SAPLI, e ainda, nas declarações juntadas pelo contribuinte, poder-se-ia inferir que as compensações observaram o seguinte 1997 (fl. 06) 1998 (fl. 7) Saldo BC (41.605.253,34) (40.383.785,55) Neg exercícios anteriores BC do 1.221.467,79 3.539.791,68 período antes da compensação Compensação 1.221.467,79 (3.539.791,68) BC após 0,00 0,00 compensação Saldo de BC (40.383.785,55) (36.843.993,87) Negativas Portanto, de acordo com as fichas de SAPLI anexadas aos autos (fl. 02 a 07), mesmo após as compensações levadas a efeito em 1998 e 1999 remanesceria saldo de base negativa de R$30.613.566,62. Nessa ordem de idéias, a compensação a menor nos anos- calendário de 2000 e 2001 (e o respectivo pagamento a maior) não seria decorrente da compensação a maior em 1997. Entretanto, as informações controladas no SAPLI trazem certa perplexidade. O que explicaria o fato de o contribuinte não ter feito a compensação integral nos anos-calendário de 1999 e seguintes, se essa era sua intenção declarada, tanto que pleiteou esse direito junto ao Poder Judiciário? E como explicar que o contribuinte tenha compensado, no ano-calendário de Nota de pé de página às fls. 138. 7 Processo n° 19515.000023/2003-01 S1-C1T2 Resolução n.° 1102-00.002 Fl. 8 1997, um montante de R$ 11.325.129,85, como informou na linha 19 da Ficha 11 (fl. 29), se sua base positiva do período não alcançou esse montante?. Ao que parece, nos controles do contribuinte, o saldo de bases negativas de exercícios anteriores em 31/12/1996 era de R$ 11.325.129,85, valor que ele utilizou até consumi-lo integralmente, o que ocorreu no ano-calendário de 1999. Se assim for, procede a invocação de ocorrência de simples postergação. Isso porque no ano-calendário de 2000, a partir de uma base de R$ 3.887.476,36 sem qualquer compensação de bases negativas, a contribuição apurada (e paga) foi no valor de R$ 349.872,78. Se utilizada a compensação da base negativa glosada no ano-calendário de 1997 (R$ 855.027,45), a CSLL devida seria de R$ 272.920,40, indicando um pagamento a maior de R$ 76.952,47, suficiente para absorver o pagamento a menor do ano-base de 1997, lançado nestes autos. Os elementos dos autos são insuficientes para foimação do convencimento, pois não permitem concluir, com segurança, que a não compensação no ano de 2000 teve corno causa insuficiência de saldo decorrente da compensação a maior do em 1997. Por isso, voto por converter o julgamento em diligência com a seguinte finalidade: a) O contribuinte seja intimado a esclarecer a inconsistência contida na declaração do ano-calendário de 1997, que indica compensação de bases negativas de períodos anteriores em montante superior à base positiva do período, bem como demonstre, mediante cópias do LALUR, a evolução do saldo de bases negativas da CSLL a partir do ano-calendário de 1995. b) A fiscalização se manifeste sobre os esclarecimentos prestados pelo contribuinte e sobre eventuais divergências entre os controles do contribuinte e os da Receita (SAPLI). Dessa manifestação deverá ser dada ciência ao contribuinte, e aberto prazo para contraditá-la. SANDRA MARIAMARIA FARONI - Relatora 8
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Numero do processo: 14041.000663/2006-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1102-000.085
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Plínio Rodrigues Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antônio Carlos Guidoni Filho e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000663/200656 Resolução n.º 110200.085 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de lançamento relativo ao anocalendário de 2001, em que se exige o IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS e COFINS. A infração foi descrita como Resultados operacionais não declarados: valor correspondente ao lucro real registrado no Lalur, mas não declarado na DIPJ, ajustado com a adição dos valores das receitas relativas às faturas pagas pelo PNUD/UAP/ABC do Ministério das Relações Exteriores, relacionados no anexo ao Termo de Intimação nº 2, e valores constantes dos balancetes trimestrais dos respectivos períodos, conforme planilha denominada Lucro Real Ajustado; os ajustes do lucro real foram descritos no item III do Termo de Verificação Fiscal nº 1; fato gerador de 30.09.2001: R$ 536.882,97, fato gerador de 31.12.2001: R$ 1.251.418,96; enquadramento legal: arts. 249, 250 e 926 do RIR/99; Foi deduzido o valor do IRRF declarado em DIRF de cada trimestre. Consta no TVF que a contribuinte apresentou DIPJ com valores zerados, bem como, apresentou DCTF com débitos de IRPJ e CSLL e retificouas posteriormente, com valores zerados, exceto o primeiro trimestre de 2001, cujo débito declarado de IRPJ foi de R$ 3.000,00. A empresa apresentou à fiscalização a escrituração de receitas e despesas no Livro Razão, balancetes trimestrais, Lalur com o demonstrativo de apuração trimestral do lucro real, do IRPJ e da CSLL. Auferiu receitas de faturas/duplicatas correspondentes a bilhetes e/ou solicitações de viagens domésticas/internacionais, referentes ao contrato celebrado com o PNUD relativos a projetos supervisionados pela UAP da Agência Brasileira de Cooperação, do MRE, cujas receitas foram relacionados no Termo de Intimação nº 2, de 17.10.2006. De acordo com o relatório emitido pela Comissão de Sindicância instaurada pelo MRE, como também, com o acórdão 2548/2005, da 1ª Câmara do Tribunal de Contas da União, os valores das receitas totalizaram R$ 514.911,69, e se referem a bilhetes aéreos fornecidos pela VOETUR, pagos, mas não utilizados pelos Projetos supervisionados pelo MRE. As receitas estão assim discriminadas: a) bilhetes cancelados junto ao IATA, mas pagos pelo projeto; b) pagamentos de bilhetes referentes a viagens não realizadas; c) bilhetes cortesia indevidamente faturados e pagos; d) pagamento em duplicidade de SVDs/SVIs; e) emissão de bilhetes fictícios; f) SVDs/SVIs canceladas e pagas; g) Bilhete faturado para SVD inexistente. Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000663/200656 Resolução n.º 110200.085 S1C4T2 Fl. 3 3 Concluiu a autoridade fiscal, que pelo fato, da empresa ter recebido valores por serviços não realizados, ou seja, faturou e recebeu por bilhetes inexistentes, cancelados ou não utilizados pelo Projeto do MRE, e como, esses bilhetes não representaram a efetiva prestação de serviços, a fiscalizada não necessitou desembolsar valores para quitar as respectivas faturas. Assim, as receitas relacionadas no acórdão do TCU devem ser consideradas como valores integrais na apuração de impostos e contribuições, e não apenas um percentual de comissão, quando há quitação de despesas com companhias aéreas. De forma idêntica à apuração do IRPJ e da CSLL, a empresa deixou de declarar na DIPJ dos anos de 2001 e 2002, as contribuições para o PIS e COFINS. Declarou todavia débitos nas DCTF dos referidos anos, cujos valores foram compensados com os valores das contribuições para o PIS e COFINS, apuradas mensalmente pela fiscalização, a partir das receitas registradas nos anoscalendário de 2001 e 2002, constantes das planilhas denominadas – Receita – Livro Razão contábil, computandose ainda as receitas correspondentes `às faturas relativas ao PNUD/UAP/ABC do MRE, relacionados no anexo ao Termo de Intimação nº 2. Observou que os débitos declarados em DCTF, considerados no lançamento, foram compensados por meio de processos judiciais, conforme informação constante das citadas DCTF. O lançamento foi considerado procedente em parte, tendo sido proferidas as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2001 PRELIMINAR DE NULIDADE. PRAZO EXÍGUO PARA CUMPRIMENTO DE INTIMAÇÃO FISCAL NA FASE DE FISCALIZAÇÃO. FASE INQUISITÓRIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OPORTUNIDADE RENOVADA DE JUNTADA DE PROVAS NA IMPUGNAÇÃO FISCAL.INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. ARGÜIÇÃO REJEITADA. No procedimento de fiscalização, não há acusação ou imputação de infração, não há lide, não há processo instaurado.Sendo fase pré processual, o procedimento de fiscalização não é banhado pelos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, que são garantias próprias do processo judicial e administrativo. O procedimento de fiscalização tem caráter inquisitorial; tratase de investigação fiscal no interesse do fisco, cujo escopo é apuração de infração à legislação tributária e colheita de provas. A contribuinte teve oportunidade para juntada de provas nos autos do processo, quando da impugnação do lançamento fiscal, quanto a fatos impeditivos, modificativos e extintivos do lançamento fiscal. Matéria probatória tem natureza de mérito, e 'não de preliminar, implicando quanto muito, se inexistir provado fato constitutivo do fisco, improcedência do lançamento fiscal, e jamais nulidade. RECEITAS DE ANOCALENDÁRIO DIVERSO DO PERÍODO AUTUADO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DECADÊNCIA SUSCITADA. MATÉRIA PREJUDICADA. Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000663/200656 Resolução n.º 110200.085 S1C4T2 Fl. 4 4 Não restando comprovado nos autos que a receita, em parte, se referia a período diverso do autuado. Pelo contrário, restou comprovado que a receita é do próprio anocalendário objeto da autuação, pois as faturas suscitadas foram emitidas no anocalendário autuado, porém com data do anocalendário anterior (emissão com data retroativa). A ninguém é dado beneficiarse de sua própria torpeza. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO. Não compete à esfera administrativa conhecer dessa matéria. O fórum competente, para apreciação de questionamentos de inconstitucionalidade de legislação tributária aplicada, é o Poder Judiciário, o qual tem o monopólio da jurisdição, por força da nossa Carta da República que albergou o princípio da unidade de jurisdição. PNUD. PROJETOS SUPERVISIONADOS PELO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES MRE. RECEITAS FATURADAS, RECEBIDAS E SERVIÇOS NÃO PRESTADOS. RECEITAS NÃO REGISTRADAS NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL.INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO DE TRIBUTOS RESPECTIVOS. Incabível alegar que a receita não seria própria ou objetar fatos modificativos, como repasse de parte da receita faturada para terceiros ou devolução/ressarcimento dos valores faturados. e recebidos por serviços não prestados, se não houve registro na escrituração contábil dessas operações, para efeito de exclusão da responsabilidade tributária. Aplicação do princípio pecúnia not olet. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos, e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. CONTRATO DE CONSOLIDAÇÃO. FORNECIMENTO DE BILHETES DE PASSAGENS EM CONSIGNAÇÃO PARA VENDA DIRETA PELA EMPRESA CONSOLIDADA. COMISSÃO DE VENDA DAS EMPRESAS CONSOLIDADAS FATURADAS CONTRA A EMPRESA CONSOLIDADORA OU CONTRA A COMPANHIA AÉREA. DESPESAS NÃO REGISTRADAS NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. O valor da parcela de comissão de vendas de passagens aéreas pelas empresa consolidada não pode ser apropriada ou deduzida como despesa peia empresa consolidadora, se não restar comprovado que recebera o valor integral das comissões pelas vendas efetuadas pela empresa consolidada e se não restar, cabalmente, comprovado que houve o registro integral de tais receitas na escrituração contábil e fiscal. Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000663/200656 Resolução n.º 110200.085 S1C4T2 Fl. 5 5 Se não houver o recebimento integral das comissões pela consolidadora pelas passagens comercializadas pela consolidada, não há nada a dividir ou repassar para as consolidadas. Conseqüentemente, não há despesas de comissão a apropriar. As despesas de comissão de vendas faturadas contra a companhia aérea, e não contra a empresa consolidadora, também, não podem ser deduzidas, pois são ônus da companhia aérea. A dedução de despesa é opcional. E, quando o contribuinte não faz a escrituração de despesas nos livros contábeis, inferese que optou por não aproveitar a despesa. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE COBRANÇA JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DAS PERDAS OBJETO DE COBRANÇA JUDICIAL NOS PERÍODOS ENCERRADOS ANTES DA DATA DE AJUIZAMENTO DA AÇÃO JUDICIAL. As perdas no recebimento de créditos, quando devidamente comprovadas, só podem ser apropriadas a partir do anocalendário do ajuizamento da ação judicial, e desde que tais créditos estejam vencidos há mais de ano. Jamais essas perdas poderão se apropriadas nos anoscalendários anteriores ao ano de ajuizamento do cobrança judicial. IRPJ. LUCRO REAL TRIMESTRAL AJUSTADO. PRIMEIRO TRIMESTRE/2001. REVISÃO. Revisase o lucro real trimestral ajustado pela fiscalização, para acolher a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores no patamar de 30% do lucro real antes das compensação, desde que tal compensação não tenha sido efetuada pela fiscalização. IRPJ E CSLL (REFLEXO). LUCRO REAL TRIMESTRAL AJUSTADO. TERCEIRO E QUARTO TRIMESTRES/2001. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Inexistindo razão para revisão do lançamento fiscal do IRPJ e da CSLL desses períodos de apuração, mantémse o respectivo crédito tributário. COFINS E PIS. PERÍODO DE APURAÇÃO DEZEMBRO/2001. LANÇAMENTO REFLEXO. O lançamento reflexo seque a sorte do lançamento principal (IRPJ), em face da conexão dos fatos e dos elementos probatórios, e inexistindo razão jurídica para decidir diversamente. COFINS E PIS. PERÍODOS DE APURAÇÃO JULHO, AGOSTO E SETEMBRO/2001. REVISÃO DO LANÇAMENTO FISCAL. Mantémse o principal dessas exações fiscais dos meses de julho, agosto, e setembro/2001, ficando afastada a multa de oficio Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000663/200656 Resolução n.º 110200.085 S1C4T2 Fl. 6 6 proporcionalmente aos valores do principal desses meses a ser extinto pela alocação/imputação dos pagamentos efetuados antes do início do procedimento de fiscalização, cujos comprovantes de recolhimentos constam dos autos e que não foram considerados pela fiscalização quando do lançamento fiscal. . COFINS E PIS. PERÍODOS DE APURAÇÃO OUTUBRO E NOVEMBRO/2001. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Inexistindo razão para revisão do lançamento fiscal da COFINS e do PIS desses períodos de apuração, mantémse o respectivo crédito tributário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em síntese: a) foram mantidos os lançamentos do IRPJ e da CSLL dos 3º e 4º trimestres do anocalendário de 2001; b) foram mantidas as exigências da contribuição para o PIS e COFINS dos meses de outubro e novembro, e por serem exações reflexas, dezembro de 2001; c) foram mantidos os valores principais da contribuição para o PIS e COFINS dos meses de julho, agosto e setembro e foi afastada a multa de ofício proporcionalmente aos valores do principal desses meses a ser extinto pela alocação/imputação dos pagamentos efetuados antes do início do procedimento fiscal, cujos comprovantes de recolhimento constam dos autos e que não foram considerados pela fiscalização. A ciência da decisão se deu em 16.11.2009, e procurador da empresa teve vista dos autos em 11.12.2009. O recurso voluntário foi apresentado em 16.12.2009. Preliminares: a) decadência, por entender que o lançamento contempla também bilhetes aéreos emitidos no ano de 2000. Invoca o art. 173, I, do CTN; b) cerceamento do direito de defesa: afirma que para atendimento ao Termo de intimação nº 2, o prazo de 48 horas para comprovação da tributação das receitas de faturas/duplicatas correspondentes a bilhetes e/ou solicitações de viagens domésticas internacionais, referente ao contrato mantido com o Programa das Nações Unidas, e que ao solicitar prazo adicional foi informada que o auto de infração já havia sido lavrado; destaca que o acórdão combatido informa que a empresa foi posteriormente intimada para apresentar a documentação em tela, mas que essa intimação foi encaminhada a endereço antigo, não tendo tomado ciência da mesma, tanto que no aviso de recebimento não consta a assinatura de nenhum preposto da empresa, devendo ser desconsiderada; salienta que o auditor nunca tentou fazer contado com a empresa, em que pese possuir todos os telefones e endereço correto; c) do período de apuração: apesar do lançamento se referir ao anocalendário de 2001, o fiscal incluiu em seus cálculos bilhetes aéreos emitidos no ano de 2000 e 2002, extrapolando a competência fiscal; relaciona o nº do bilhete, a data de emissão e o valor; na Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000663/200656 Resolução n.º 110200.085 S1C4T2 Fl. 7 7 relação consta datas dos anos de 2000, 2001 e 2002, que totalizariam o valor de R$ 267.926,13; requer que esses valores sejam excluídos. Em relação ao mérito: a) questiona a exigência da multa de ofício de 75%, percentual que já teria sido reconhecido pelos tribunais como inconstitucional, por extensão à interpretação do art. 150, IV, que proíbe a cobrança de tributos com efeito confiscatório; alega que o STJ em alguns de seus julgados já decidiu que o percentual aceitável para aplicação de multa pelo não recolhimento correto do tributo é de 20%; que a aplicação da penalidade deve atender aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, não podendo o contribuinte ser punido sem que sequer tenha sido analisado seu dolo ou sua culpa; bem como, que o STF tem entendido, que sequer nos casos de fraude inequívoca, em que as medidas punitivas são mais rigorosas em face do dolo comprovado, poderão subsistir penalidades confiscatórias; pede a redução da multa para 20%; b)alega que o acórdão do TCU não afirma que os valores eram revestidos de liquidez e certeza, tanto que a orientação dada foi para que os diretores dos projetos efetuassem controle mais rigoroso das despesas, bem como promovessem as devidas ações administrativas internas, ou caso necessário, as ações judiciais cabíveis ao ressarcimento dos valores; e que o colendo Tribunal não apreciou o mérito dos autos, pois decidiu arquiválos, considerando não haver dolo ou qualquer atitude da recorrente que viesse a lesar os cofres públicos; c) ademais, parte dos bilhetes foi devidamente utilizada, parte foi reembolsada aos projetos e alguns estão sendo objeto de encontro de contas que está sendo finalizado junto ao PNUD; d) apresenta uma relação de bilhetes no valor total de R$ 239.274,34, que teriam sido pagos conforme comprovariam faturas de cobranças emitidas pelas companhias aéreas; e) informa a juntada de comprovantes de reembolsos referentes aos bilhetes não utilizados, no valor total de R$ 40.592,90, cujas copias dos pagamentos já constariam nos autos; o demonstrativo indica que a devolução teria se dado em 2002, 2005 e 2006; f) o valor remanescente de R$ 235.044,45, segundo a recorrente, é objeto do encontro de contas realizado com o projeto BRA/98004 e a Voetur deverá reembolsar ao órgão, apenas R$ 198.986,58, e somente ainda não fez, pois é credora do órgão no valor de R$ 60.414,77 e desde 2008 vem solicitando uma posição do mesmo no tocante a compensação dos valores entre débito e crédito, e até à presente data, não obteve resposta (anexa ofício); g) alega ainda que há nos autos correspondências encaminhadas ao PNUD, sobre os valores de débitos e créditos entre os mesmos; relaciona bilhetes aéreos, no valor total de R$ 235.044,45, e afirma que tais bilhetes foram emitidos, à época, por solicitação dos projetos, e que estariam sendo reembolsados somente naquele momento, porque o referido reembolso não foi cobrado quando da não realização da viagem, e sim anos depois, após, inclusive, o encerramento do contrato; h) afirma que os valores dos citados bilhetes foram repassados às companhias aéreas, considerando que as mesmas são as reais fornecedoras e responsáveis pelos reembolsos das viagens não realizadas, e que no caso em comento, a empresa faria jus apenas ao valor de comissionamento, no patamar máximo de 10% do referido valor. Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000663/200656 Resolução n.º 110200.085 S1C4T2 Fl. 8 8 Sob o título, dos tributos, argumenta: a) IRPJ – alega que ocorreu procedimento contábil equivocado que interfere diretamente nos valores dos débitos apurados a título desse imposto: (i) informa que repassava para outras agências de turismo de menor porte, via contrato firmado entre as partes, bilhetes de passagem adquiridos junto às companhias aéreas, para que estas pequenas agências pudessem vendêlos, funcionando como postos de venda avançados, conforme contratos juntados, doc. V; (ii) periodicamente a Voetur cobrava, via emissão de fatura, o produto das vendas, já descontada a comissão que estas pequenas agências cobravam da Voetur e para fechar toda a operação, as agências emitiam uma nota fiscal da comissão recebida e a encaminhavam para a Voetur; (iii) em função das agências de turismo terem características tributárias próprias, a legislação do GDF determinou que a nota fiscal emitida pela agência de turismo fosse em nome da companhia aérea e não da Voetur; (iv) por existir um departamento próprio que cuida das operações da empresa com agências revendedoras de passagens aéreas, algumas notas fiscais de comissão encaminhadas pelas agências retidas nesse departamento, por estarem em nome das companhias aéreas, proporcionaram a falta de registro contábil da despesa com comissão paga às agências de turismo; (v) levantou os valores mensalmente no anocalendário de 2001 e argumenta que tais valores, em função de não terem sido reconhecidos na contabilidade, repercutiram diretamente no valor do auto aplicado; (vi) requereu a inclusão desses valores, a título de despesas ao resultado contábil tributado, despesas que estariam comprovadas, conforme anexo V; b) 1º trimestre de 2001: a fiscalização ajustou o lucro real relativo ao 1º trimestre de 2001 de –R$ 5.126,24 para R$ 67.263,13, em função da adição de despesas não dedutíveis, mas, não procedeu à compensação de prejuízos de exercícios anteriores no valor de R$ 20.178,94, equivalente a 30% do lucro ajustado; assim, alterandose o lucro real de –R$ 5.126,24 para R$ 272.948,12 (considerandose a despesa não contabilizada de R$ 267.821,48) e ajustando o lucro real em função da adição das despesas não dedutíveis, no valor de R$ 72.389,77, o trimestre encerraria com prejuízo de R$ 200.558,35; c) 3º trimestre de 2001: o lucro ajustado pela fiscalização de R$ 766.599,64 para R$ 766.862,86, proveniente da adição de R$ 263,22, correspondentes às despesas não dedutíveis; no entanto, considerando as despesas não contabilizadas no 3º trimestre de 2001 (R$ 259.980,78, o resultado tributável antes do ajuste será de R$ 508.882,08; antes da tributação caberá ainda a compensação de prejuízo de exercícios anteriores de R$ 152.064,62 reduzindo o lucro a ser tributado para R$ 354.817,46; do IRPJ de R$ 82.704,36 deverá ser compensado o mesmo valor equivalente a parte do IRRF retido até o 3º trimestre de 2001, no total de R$ 88.094,64, zerando o valor a pagar; o saldo de prejuízos acumulados seria de R$ 396.671,42, e o saldo do IRRF a compensar seria de R$ 5.390,28; d) 4º trimestre de 2001: o lucro real foi ajustado pela fiscalização de R$ 854.238,77 para R$ 1.251.418.96, em decorrência da adição de R$ 466,30, relativo a despesas não dedutíveis e R$ 514.911,69, deverá ser excluído da base de cálculo do IRPJ desse trimestre, além das despesas com comissão não contabilizadas no trimestre, no total de R$ 342.898,52, resultando em um saldo de R$ 511.806,55, já considerando a adição de R$ 466,30, correspondente a despesas não dedutíveis; Em 30.04.2001 foi recolhido o valor de R$ 14.317,91 correspondente ao IRPJ do 1º trimestre de 2001, mas, como naquele trimestre não houve saldo a pagar de IRPJ, a empresa procedeu à compensação no 4º trimestre de 2001, conforme demonstrativo de cálculo de IRPJ entregue à fiscalização e lançamento de compensação constante no razão da conta de impostos a recuperar; sobre o lucro real ajustado Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000663/200656 Resolução n.º 110200.085 S1C4T2 Fl. 9 9 de R$ 511.806,55 foram aplicadas as compensações de prejuízo fiscal e impostos retidos, sendo apurado o saldo a pagar a título de IRPJ de R$ 44.388,46; o saldo de prejuízos acumulados passa para R$ 243.129,45 e o saldo do IRRF a compensar fica zerado. Sobre a CSLL argumenta: a) a fiscalização ajustou o lucro real adicionando parcelas não dedutíveis e incluiu receitas de faturas correspondentes a bilhetes de viagem do contrato celebrado com o PNUD no valor de R$ 514.911,69 e do lucro ajustado foram compensados prejuízos acumulados (sic) cujo saldo no ano de 2000 era de R$ 275.749,13; pede que as despesas que não foram contabilizadas, conforme relato acima, sejam consideradas no resultado contábil (docs. Anexo VII), e ainda; b) 3º trimestre de 2001: o lucro real foi ajustado pela fiscalização de R$ 766.599,64 para R$ 766.862,86, proveniente da adição de R$ 263,22 correspondente a despesas não dedutíveis; considerandose a despesa com comissão não contabilizada no 3º trimestre de 2001 (R$ 259.980,78), o resultado antes do ajuste será de R$ 506.618,86; antes da tributação cabe ainda a compensação de prejuízo (sic) no valor de R$ 152.064,62, reduzindo o lucro para R$ 354.817,46, resultando na CSLL a pagar de R$ 31.933,57; o saldo de prejuízos acumulados (sic) passaria para R$ 396.671,42; c) 4º trimestre de 2001: o lucro real ajustado pela fiscalização passou de R$ 854.238,77 para R$ 1.251.418,96, em decorrência da adição de R$ 466,30, relativo a despesas não dedutíveis e R$ 514.911,69, equivalente a bilhetes aéreos fornecidos pela Voetur ao PNUD, que deve ser excluído da base de cálculo, além das despesas com comissão não contabilizadas de R$ 342.898,52 resultando em saldo de R$ 511.806,55 já considerando a adição de R$ 466,30 correspondente a despesas não dedutíveis; e aplicada a compensação de prejuízo (sic) de R$ 153.541,97 se apura a CSLL de R$ 32.243,81; o saldo de prejuízos acumulados (sic) passa para R$ 243.129,45. Sobre a COFINS argumenta: a) a fiscalização considerou como tributável, a diferença entre as receitas registradas no Livro Razão do anocalendário de 2001 e as declaradas em DCTF, computando se também as receitas correspondentes às faturas relativas ao contrato celebrado com a PNUD; b) a fiscalização apurou base de cálculo no mês de R$ 481.340,78, que proporcionou débito de R$ 14.440,22; a base de cálculo correspondeu à diferença entre a base de cálculo informada na DCTF de R$ 1.264.805,67, e as receitas registradas na contabilidade da empresa de R$ 1.231.234,76, cujo resultado foi de R$ 33.570,91, adicionando indevidamente o valor de R$ 514.911,69 já mencionado; após excluído esse valor se obterá base negativa de R$ 33.570,91 proporcionando crédito tributário de R$ 1.007,13, que será compensado posteriormente com outros débitos; Sobre a contribuição para o PIS alega: a) a fiscalização apurou base de cálculo no mês de R$ 481.340,78, que proporcionou débito de R$ 3.128,71; a base de cálculo correspondeu à diferença entre a base de cálculo informada na DCTF de R$ 1.264.805,67 e as receitas registradas na contabilidade da empresa de R$ 1.231.234,76, cujo resultado foi de –R$ 33.570,91, que acrescido do valor indevido de R$ 514.911,69, que deve ser excluído, para obter a Cofins relativa ao mês de Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000663/200656 Resolução n.º 110200.085 S1C4T2 Fl. 10 10 dezembro negativa, proporcionando crédito para a empresa de R$ 218,21, que será compensado posteriormente com outros débitos. A seguir a contribuinte elabora demonstrativo contendo os valores do IRPJ e das contribuições, com juros de mora e multa de 20% e diz que o valor do auto de infração deveria ser de R$ 267.954,56. Requer a conversão do julgamento do recurso em diligência, se for necessário. Informa o rol de documentos: cópia de bilhetes a título de amostragem, considerando o lapso temporal de corrido de sua emissão (mais de 9 anos), cópia de ofício ao Projeto BRA98/04, cópia do livro razão que comprova o pagamento de comissão às agências consolidadas . É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Os lançamentos do IRPJ e da CSLL referemse apenas aos 3º e 4º trimestres do anocalendário de 2001, nos valores tributáveis de R$ 536.882,97 e R$ 1.251.418,96 apurados a partir dos valores constantes dos balancetes trimestrais (TVF 1) acrescidos dos valores de receitas relativas a faturas pagas pelo PNUD (TVF 2). As demais exigências referemse à contribuição para o PIS e COFINS. Um dos argumentos da interessada é que foram incluídas como receitas por recebimento de passagens aéreas do PNUD, bilhetes emitidos nos anos de 2000 e 2002, que não poderiam ser incluídos no ano de 2001. A Turma Julgadora em relação a essa matéria assim se pronunciou: Destarte, tratase de alegação não comprovada. Não houve cômputo de receitas dos anoscalendário 2000 e 2002, na apuração das receitas do anocalendário 2001, objeto do lançamento fiscal. Compulsando os autos, constatase que, diversamente do que alegou a impugnante, que as pretensas receitas de 2000, na verdade, são sim do anocalendário 2001, pois a impugnante emitiu tais faturas em 2001, porém preencheu com data retroativa do anocalendário 2000, em face de artifício utilizado para desviar verba pública do Projeto — PNUD, fato constatado na sindicância instaurada no âmbito do Ministério da Relações Exteriores —MRE, para apuração de irregularidades na venda de passagens aéreas pela autuada para o PNUD. Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000663/200656 Resolução n.º 110200.085 S1C4T2 Fl. 11 11 Por isso, a autuada optou permanecer silente, não atendendo à intimação fiscal para produção ou juntada de provas de suas alegações, em sede de diligência fiscal (fls.1447/1452). A propósito, convém transcrever trecho do relatório da sindicância (fls.240/241), verbis: 17. Com base nos dados no CD e nas informações obtidas através do sistema da UAP, a VOETUR imprimiu as SVDs/SVIs `pendentes " e realizou o respectivo faturamento. Para tanto, utilizouse do seguinte procedimento, conforme corroborado em depoimentos constantes das fls. (..): a) emitiu em 2001 faturas com data de emissão de 2000, mas com prazo de vencimento em 2001; b) utilizouse de bilhetes de seu estoque de 2001 para prédatálos e preenchêlos como os datas que constavam das SVDs/SVIs; C) esses bilhetes, logo após emitidos, eram faturados e cancelados. Esses cancelamentos (ou nãoutilização), entretanto, só foram comunicados ao BSP/IATA e às empresas aéreas muito tempo depois e de forma espaçada, aparentemente para não chamar atenção (vide exemplo às fls. 126611297, 138211415 e depoimento às fls. 1213). d) As faturas foram apresentadas à UAP e imediatamente pagas. Portanto, em relação aos bilhetes de passagem do ano de 2000, segundo a Turma Julgadora as faturas foram emitidas em 2001. Há um fato que dificulta a análise desse argumento da recorrente. Os bilhetes de passagens aéreas estão relacionados no Termo de Verificação Fiscal, sem a identificação da data da emissão e também não foram juntados aos autos as faturas relacionadas com esses bilhetes. No recurso, a contribuinte informa a data de emissão do bilhete. Os elementos constantes do processo não permitem identificar com precisão a data do auferimento das respectivas parcelas de receita que compõem o montante de R$ 514.911,69. Há indícios de que a recorrente pode ter razão em relação a alguns bilhetes tidos como emitidos no ano de 2002. A título de exemplo, cito os bilhetes relacionados no Termo de Verificação Fiscal, às fls.26 relacionados com a fatura nº 78.722, que totalizam R$ 13.302,00, cuja fatura, tida como emitida em 23.03.2002, foi apresentada com a manifestação de inconformidade, cuja cópia encontrase às fls. 422. Ademais, segundo o Relatório da comissão de sindicância, de fls. 244, o contrato mantido entre o PNUD e a Voetur somente expirou em 28.02.2002, tendo produzido efeitos até abril daquele ano. Se confirmado que a receita foi auferida no ano de 2002, parte da receita atribuída ao ano de 2001 teria de ser excluída do lançamento. Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000663/200656 Resolução n.º 110200.085 S1C4T2 Fl. 12 12 Assim, entendo que a autoridade fiscal deve ser pronunciar a respeito, uma vez que a mesma não juntou aos autos os bilhetes de passagem e respectivas faturas pagas pelo PNUD. A autoridade fiscal poderá realizar as diligências que forem necessárias para o deslinde dessa parte do litígio. Adicionalmente, a autoridade fiscal também deve se pronunciar sobre a alegação da interessada de que parte das faturas referese ao ano de 2000. A recorrente argumenta ainda que para parte dos bilhetes, efetivamente, repassou às companhias aéreas o valor dos bilhetes aéreos, no valor de R$ 239.274,34, e que reembolsou ao PNUD parte dos bilhetes não utilizados, no valor total de R$ 40.592,90, cujas cópias dos pagamentos já constariam dos autos, e cuja devolução teria se dado em 2002, 2005 e 2006. Em relação a esses argumentos, a autoridade fiscal também deverá se pronunciar se os documentos juntados pela recorrente comprovam esses fatos, realizando as diligências que forem necessárias para o deslinde dessa parte do litígio. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo a ser cientificado à recorrente, que poderá se manifestar se entender necessário. As demais matérias discutidas no recurso somente serão apreciadas quando do retorno da diligência. Do exposto, oriento meu voto para converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos acima expressos. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Relatora Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003982/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Dec 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
NORMAS PROCESSUAIS. CORRESPONDÊNCIA ENTREGUE NO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. VALIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 9, é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
NORMAS PROCESSUAIS. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. DISCUSSÃO MATÉRIA EM SEGUNDA INSTÂNCIA. EXCLUSIVAMENTE PREJUDICIAL DE CONHECIMENTO.
A impugnação não conhecida enseja a preclusão administrativa relativamente às questões meritórias suscitadas na defesa inaugural, cabendo recurso voluntário a tão somente quanto à prejudicial de conhecimento da peça impugnatória.
ADMISSIBILIDADE. TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO.
Não se conhece da impugnação apresentada após o prazo legal de trinta dias para defesa.
Numero da decisão: 2401-010.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Faber de Azevedo Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira, Gustavo Faber de Azevedo, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto (suplente convocado), Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: Gustavo Faber de Azevedo
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CORRESPONDÊNCIA ENTREGUE NO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 9, é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. NORMAS PROCESSUAIS. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. DISCUSSÃO MATÉRIA EM SEGUNDA INSTÂNCIA. EXCLUSIVAMENTE PREJUDICIAL DE CONHECIMENTO. A impugnação não conhecida enseja a preclusão administrativa relativamente às questões meritórias suscitadas na defesa inaugural, cabendo recurso voluntário a tão somente quanto à prejudicial de conhecimento da peça impugnatória. ADMISSIBILIDADE. TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. Não se conhece da impugnação apresentada após o prazo legal de trinta dias para defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Faber de Azevedo – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira, Gustavo Faber de Azevedo, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto (suplente convocado), Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 39 82 /2 00 9- 11 Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.094 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003982/2009-11 Relatório Trata-se do Auto de Infração DEBCAD n o 37.264.942-4, no valor total de R$ 167.853,35, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social (parte dos segurados), incidentes sobre a remuneração de segurados empregados contratados na condição de celetistas, comissionados e por tempo determinado, nas competências 01/2004 a 12/2004, incluindo o décimo terceiro salário. Segundo o Relatório Fiscal (fls.11/13): - a fiscalização examinou as folhas de salário a celetistas, comissionados e contratados por tempo determinado, recibos de férias e escrituração contábil referente ao período 01/2004 a 12/2004; - os servidores celetistas, comissionados e contratados por tempo determinado considerados no levantamento não são vinculados ao Regime Próprio do Município; - As alíquotas aplicadas para apuração do débito foram consideradas por faixas salariais (fixadas por atos do próprio Ministério da Previdência Social e Assistência Social), conforme legislação de regência. Como não houve desconto em folha de pagamento, não há que se falar em crime de Apropriação Indébita; - Foi emitida ainda uma RFFP - Representação Fiscal para Fins Penais, visto que o auditor fiscal constatou fatos que, em TESE, configuram a prática dos seguintes ilícitos previstos nas legislações previdenciária e penal: Sonegação de Contribuição Previdenciária, conforme o Decreto Lei 2.848/40 - Código Penal - "Art. 337-A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Artigo acrescentado pela Lei n” 9.983, de 14.07.2000) I - omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregados, empresários, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.983, de 14.7.2000)", referente aos valores apurados neste AI. A ciência do lançamento se deu em 28/12/2009 por Aviso de Recebimento (fl.22). Em 03/02/2010 o contribuinte apresentou impugnação (fls. 74/78) alegando, em síntese, que: - apresentou tempestivamente a impugnação ao auto de infração recebido em 04.01.2010; - na preliminar, afirma que ocorreu a decadência de todas as competências lançadas, em razão da Súmula nº 8 do STF e pela aplicação do artigo 173, I do Código Tributário Nacional; - no mérito pediu exclusão do valor dos abonos concedidos por força da Lei Complementar no 347/2004 da base de cálculo das contribuições lançadas, já que seu artigo 1 o , Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.094 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003982/2009-11 parágrafo único e o artigo 2 o do Decreto 19/2004 estabelecem sua não incorporação aos vencimentos para quaisquer efeitos; - por fim, caso não sejam atendidos os pedidos anteriores, requer o parcelamento do débito. Em 18/08/2010 sobreveio o acórdão nº 14-30.562, pelo qual a 7ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto (fls. 85/87), que por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação por intempestividade, mantendo o crédito tributário. Colaciono a ementa do referido acórdão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 NORMAS PROCESSUAIS. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO. A impugnação será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência, sob pena de seu não conhecimento. O sujeito passivo foi cientificado do acórdão em 16/09/2010, pelo AR (fl.91), e em 08/10/2010, apresentou Recurso Voluntário (fls. 92/102) repisando os argumentos já apresentados na impugnação e insistindo na tempestividade do recurso apresentado ao lançamento. Instruíram o recurso o Decreto Municipal nº 118/2009 (fls. 104/105) que “dispõe sobre ponto facultativo nas Repartições Públicas Municipais e dá outras providências”, a Lei Complementar 347/2004 que “concede abono salarial aos servidores municipais e dá outras providências (fl.106) e o Decreto nº 19/2004 que “regulamenta o disposto na Lei Complementar nº 347/2004 e dá outras providências”. Em 08/11/2010, o recorrente protocolizou complemento ao recurso (fls. 109/110), instruído com cópia frente e verso do envelope com descrição “Auto de Infração” e ofício dos Correios nº 5.0609/10-SUGTD/GECAR/DR/SPI, de 26/10/2010, no qual a Diretoria Regional dos Correios de São Paulo prestou informações a respeito do objeto postal registrado sob o nº SK24759621 5 BR. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Faber de Azevedo, Relator. ADMISSIBILIDADE Para conhecimento e analise do recurso voluntário, este deve obedecer ao pressuposto de admissibilidade contido nos artigos 5° e 33 do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: Fl. 127DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.094 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003982/2009-11 Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia de início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Como visto, o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias. Conforme relatado, o sujeito passivo foi cientificado do acórdão em 16/09/2010, pelo AR (fl.91), e em 08/10/2010, apresentou Recurso Voluntário (fls. 92/102), portanto o recurso é tempestivo. Por outro lado, o complemento ao recurso, apresentado em 08/11/2010, é intempestivo, posto que apresentado fora do prazo legal de 30 dias, portanto deixo de apreciá-lo. INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO Acerca dos argumentos suscitados pelo sujeito passivo, importa analisar a intempestividade da impugnação, uma vez que, se reconhecida, restará prejudicada a análise dos demais argumentos recursais suscitados. É que a decisão de piso entendeu pelo não conhecimento da impugnação, por ter sido apresentada após o prazo legal: A impugnação será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência, sob pena de seu não conhecimento. Em cede de recurso, o sujeito passivo insiste que recebeu a ciência do lançamento apenas em 04/01/2010. Aduz que, mesmo que tenha a assinatura do Aviso de Recebimento em no seu domicílio tributário em 28/12/2009, o recebedor que assinou o documento não é servidor público municipal. Argumenta que o Município havia sido decretado ponto facultativo nas repartições públicas municipais nos dias 24, 28, 29,30 e 31 de dezembro de 2009. Entretanto, não assiste razão o contribuinte. De início verifico que a ciência do lançamento foi realizada por via postal, com a assinatura do Aviso de Recebimento em 28/12/2009, uma segunda-feira, dia útil, fato incontroverso consignado pelo próprio sujeito passivo no recurso. Efetuando-se a contagem de 30 dias, o prazo para apresentação de recurso terminou em 27/01/2010. O fato alegado pelo sujeito passivo de que o recebedor que assinou o Aviso de Recebimento não ser servidor público do Município, ou que nesta data tinha sido promulgado ponto facultativo não desfaz a comprovação do recebimento do lançamento por via postal na data nele consignada e no domicílio tributário do contribuinte. Esse é o entendimento contido na Súmula CARF nº 9, que reproduzo abaixo: Fl. 128DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.094 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003982/2009-11 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assim, reputo correta a decisão de primeira instância, que, tendo a ciência do lançamento ocorrida em 28/12/2009, segunda-feira e foi dia útil, o prazo findou-se em 27/01/2010: De acordo com o que se verifica nos autos, à fl. 22, o sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 28/12/2009, que caiu em uma segunda-feira e foi dia útil. Dia 29/12/2009 também foi dia útil, iniciando-se nesta data, portanto, a contagem do prazo para a apresentação da impugnação, que findou-se em 27/01/2010. Como a Impugnação foi apresentada apenas em 03/02/2010, o foi quando já estava encerrado o prazo previsto no artigo acima transcrito. Concluindo, verifico que a impugnação foi, de fato, apresentada intempestivamente. Por todo o exposto, voto por CONHECER do recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO, considerando intempestiva a impugnação do contribuinte. (documento assinado digitalmente) Gustavo Faber de Azevedo Fl. 129DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000162/2010-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
Ementa:
À Primeira Seção de Julgamento do CARF cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, quando houver procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Numero da decisão: 3402-002.029
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário para declinar competência para Primeira Seção de Julgamento do CARF.
Nome do relator: GILSON MACEDO RESENBURG FILHO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1827; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 350 1 349 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000162/201085 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.029 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2013 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente DEUTSCHE BANK CORRETORA DE VALORES S/A Recorrida DRJ SÃO PAULO (I) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Ementa: À Primeira Seção de Julgamento do CARF cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, quando houver procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário para declinar competência para Primeira Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Mônica Elisa de Lima (suplente), Adriana Oliveira Ribeiro (suplente) e Mário César Fracalossi Bais (suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 62 /2 01 0- 85 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.000162/201085 Acórdão n.º 3402002.029 S3C4T2 Fl. 351 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Tratase de impugnação (fls. 128 a 139) a Autos de Infração (fls. 110 a 123) de CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL — PIS/PASEP e de CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS, por FALTA DE RECOLHIMENTO, relativos a fatos geradores ocorridos em 31/10/2007, 30/11/2007 e 31/12/2007, lavrados pela Delegacia Especial das Instituições Financeiras DEINF/SPO, em 22/02/2010. 2. O crédito tributário constituído composto pelos valores a seguir foi discriminados : PIS R$ 666.137,59 Juros de Mora (até 29/01/2010) R$ 146.185,73 Multa R$ 499.603,18 Valor do Crédito Tributário Apurado R$ 1.311.926,50 COFINS R$ 4.099.308,27 Juros de Mora (até 29/01/2010) R$ 899.604,60 Multa R$ 3.074.481,20 Valor do Crédito Tributário Apurado R$ 8.073.394,07 3. Como enquadramento legal do lançamento, o autuante assinala, para o PIS, o artigo 2°, inciso I, alínea a e parágrafo único, 3°, 10, 26 e 51 do Decreto n° 4.524/02, e, para a COFINS, o artigo 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02,0 artigo 18 da Lei n° 10.684/03 e os artigos 2° e 30 da Lei n°9.718/98 (fls. 112 e 119). Os juros morat6rios foram exigidos com base no artigo 61, parágrafo 3°, da Lei n° 9.430/96 (fls. 114 e 121), e a multa de oficio com fundamento no artigo 86, parágrafo 10,da Lei n° 7.450/85, no artigo 2° da Lei n° 7.683/88, no artigo 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91 e no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n°11.488/2007 (fls. 114 e 121). 4. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 99 a 109), a autoridade noticia, que : i) o autuado teria efetuado alienações em processo de Oferta Pública Inicial — IPO, de 4.908.015 ações da BM&F S/A, em 11/2007 e 12/2007, bem como teria feito a venda, em 10/2007, de 444.626 ações da BOVESPA HOLDING S/A, ações estas Fl. 352DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.000162/201085 Acórdão n.º 3402002.029 S3C4T2 Fl. 352 3 recebidas nos processos de "desmutualização" da BOVESPA, ocorrida em 08/2007, e da BM&F, em 10/2007; ii) pelo fato de adquirir ações da BOVESPA HOLDING S/A e da BM&F S/A com o intuito de venda no curto prazo, teria havido incidência do PIS e da COFINS, nos termos da Lei 9.718/98 que determina que tais contribuições incidem sobre a receita bruta, permitindo exclusões, entretanto, de "receitas decorrentes de venda de bens do ativo permanente", conforme previsto no artigo 3°, parágrafo 2°, inciso IV da referida lei; iii) somente poderiam ser considerados permanentes aqueles bens e direitos em relação aos quais a empresa tem interesse em manter permanentemente; iv) a própria BOVESPA teria se manifestado pelo Oficio Circular 22/2007DG (fls. 31 e 32) orientando as Corretoras a registrarem no Ativo Circulante as ações de emissão da BOVESPA HOLDING S/A se a decisão fosse a de considerar essas ações como sendo títulos disponíveis para venda, ou manter esse valor no Ativo Permanente, se a decisão fosse a de considerar essas ações como investimento; v) o próprio contribuinte demonstraria tal entendimento pois na DIPJ do anocalendário de 2007, na ficha 06B, linha 52, teria informado como zero o valor proveniente de Receitas Brutas de Alienações de Bens e Direitos do Ativo Permanente, sendo que teria classificado o ganho obtido da venda das referidas ações como Rendas de Títulos de Renda Variável, conforme a linha 12 da Ficha 06B da DIPJ, ou seja, como Receita Operacional, sujeita A tributação do PIS e da COFINS; vi) o autuado teria considerado a venda dessas ações como venda de bens do Ativo Permanente, excluindo os valores da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme declarado no Demonstrativo de Apuração das contribuições sociais DACON (fls. 04 a 18), não efetuando o recolhimento dessas contribuições; vii) a base de cálculo seria o valor da receita financeira recebida para os meses 10/2007, 11/2007 e 12/2007, conforme evidenciado em quadros demonstrativos (fls. 106 e 108), nos termos dos artigos 2° e 3° da Lei 9.718/98. 5. Cientificado do lançamento em 25/02/2010 (fls. 111 e 118), o autuado impugnou o Auto de Infração em 26/03/2010 (fl. 128), oferecendo, em resumo, as seguintes razões: i) o lançamento seria nulo porque haveria erro na base de cálculo e na determinação do momento da ocorrência do fato gerador, visto que a autoridade não teria levado em conta o valor de mercado dos bens recebidos, apurável quando da sua realização em moeda, no primeiro pregão realizado em Bolsa, e sim, o valor nominal, incorrendo em erro material na determinação da matéria tributável, sobretudo na quantificação do tributo exigido; Fl. 353DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.000162/201085 Acórdão n.º 3402002.029 S3C4T2 Fl. 353 4 ii) a autoridade terseia apegado à forma contábil adotado pelo autuado de ter registrado as ações alienadas da BM&F S/A e da BOVESPA HOLDING S/A, no Ativo Circulante, e não no Permanente; iii) independentemente dessa classificação contábil, as referidas ações teriam continuado integrando o Ativo Permanente até o momento da venda em Bolsa de Valores, venda esta obrigatória por força de acordo firmado entre as Corretoras, pois que teria havido apenas a substituição de bens que integravam o Ativo Permanente por outros bens dessa mesma natureza; iv) o fato de ter sido declarado, na DIPJ, o ganho obtido na venda dessas ações como "Rendas de Títulos de Renda Variável", não como "Receitas Brutas de Alienações de Bens e Direitos do Ativo Permanente", não serviria para embasar o lançamento porque a forma contábil não pode prevalecer sobre a essência da operação, sob pena de contrariar o principio da verdade material, consoante julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, que colaciona; v) o autuado teria incluído no cálculo das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL o valor correspondente à venda das ações, por tratarse de ganho na alienação de bens do Ativo Permanente e não de ganho liquido em operações de renda variável, que não estaria sujeito ao regime de antecipações mensais, por ser classificado por receita financeira; vi) pelo contido no processo de Consulta n° 150, da DISIT 07, de 17/09/2008, o Fisco entenderia que o chamado processo de "desmutualização" implicaria efetiva alienação de bens do Ativo Permanente, mediante pagamento com ações da BOVESPA HOLDING S/A e da BM&F S/A; vii) tal receita teria natureza não operacional, pois que derivada da venda de bens do Ativo Permanente, e, assim, não seria alcançada pela incidência do PIS e da COFINS, nos termos do artigo 2°, inciso IV, da Lei 9.718/98; viii) o valor a ser atribuído às ações seria aquele definido pelo mercado e sua formação se daria apenas quando da primeira negociação dos títulos ocorrida em pregões de bolsa de valores, não na data da "desmutualização", quando não havia liquidez dos papéis recebidos em troca dos títulos patrimoniais das bolsas; ix) o próprio Fisco preconizaria, para efeito de apuração de ganho de capital, na hipótese em discussão, que o contribuinte deveria levar em conta a diferença entre o custo de aquisição e o valor de mercado dos títulos entregues como pagamento, conforme Ato Declaratório Interpretativo n ° 7/2007; x) assim, deveria ser excluída do lançamento a diferença entre o custo de aquisição dos títulos patrimoniais e o seu valor de mercado, por constituir parcela do ganho na alienação de bens Fl. 354DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.000162/201085 Acórdão n.º 3402002.029 S3C4T2 Fl. 354 5 do Ativo Permanente, não sujeita à incidência do PIS e da COFINS; xi) a norma que embasaria o lançamento, o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei 9.718/98 seria inconstitucional, conforme manifestação definitiva do STF, afastando da exigência do PIS e da COFINS o que não fosse receita proveniente da venda de mercadorias e da prestação de serviços; xii) não se poderia alegar, com vinha fazendo a Fazenda nas ações em que discute a matéria, que a referida receita seria derivada da prestação de serviços de intermediação financeira, porque o bem vendido integraria a carteira própria do autuado, sendo inconcebível admitirse que alguém preste serviço para si mesmo. A Delegacia de Julgamento São Paulo (I) julgou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão nº 1626161, de 26 de julho de 2010, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINARES. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O lançamento fiscal, na qualidade de ato jurídico administrativo, somente pode ser considerado nulo quando desprovido de elemento essencial à sua constituição e forma, conforme estipulado no artigo 166 do Código Civil e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, a saber, não ser praticado por pessoa competente, ter objeto ilícito, não ter sido observada a forma prescrita em lei, e ter sido preterido o direito de defesa. Não se incluem nessa categoria, pretensos vícios de erro na apuração da base de cálculo, na determinação dos fatos geradores, e na utilização do valor nominal em lugar do valor de mercado para precificar ações alienadas. TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Devem ser classificados no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. Considerase que ai teriam sido classificadas as ações da BOVESPA HOLDING S/A e da BM&F S/A que foram recebidas pela contribuinte em decorrência de processo de desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA, e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F e que foram negociadas logo após ao seu recebimento, no caso, dentro de três meses de seu ingresso nos registros contábeis da impugnante. PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS BRUTA (OPERACIONAL). OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.000162/201085 Acórdão n.º 3402002.029 S3C4T2 Fl. 355 6 A base de cálculo da contribuição é a receita bruta, nos termos da legislação de regência. Tendo a interessada como objeto social a exploração de atividades de negociação e intermediação com títulos e valores mobiliários e mercadorias negociáveis em bolsas de valores e bolsas de mercadorias e futuros, considera se como receita bruta (operacional) aquela proveniente da venda de ações, inclusive das ações da BOVESPA HOLDING S/A e da BM&F S/A que foram recebidas pela contribuinte em decorrência de processo de desmutualização da BOVESPA e da BM&F. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINARES. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O lançamento fiscal, na qualidade de ato jurídico administrativo, somente pode ser considerado nulo quando desprovido de elemento essencial à sua constituição e forma, conforme estipulado no artigo 166 do Código Civil e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, a saber, não ser praticado por pessoa competente, ter objeto ilícito, não ter sido observada a forma prescrita em lei, e ter sido preterido o direito de defesa. Não se incluem nessa categoria, pretensos vícios de erro na apuração da base de cálculo, na determinação dos fatos geradores, e na utilização do valor nominal em lugar do valor de mercado para precificar ações alienadas. TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Devem ser classificados no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. Considerase que ai teriam sido classificadas as ações da BOVESPA HOLDING S/A e da BM&F S/A que foram recebidas pela contribuinte em decorrência de processo de desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA, e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de Sao Paulo BM&F e que foram negociadas logo após ao seu recebimento, no caso, dentro de três meses de seu ingresso nos registros contábeis da impugnante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS BRUTA (OPERACIONAL). OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. A base de cálculo da contribuição é a receita bruta, nos termos da legislação de regência. Tendo a interessada como objeto social a exploração de atividades de negociação e intermediação com títulos e valores mobiliários e mercadorias negociáveis em bolsas de valores e bolsas de mercadorias e futuros, considera se como receita bruta (operacional) aquela proveniente da venda de ações, inclusive das ações da BOVESPA HOLDING S/A e da BM&F S/A que foram recebidas pela contribuinte em Fl. 356DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.000162/201085 Acórdão n.º 3402002.029 S3C4T2 Fl. 356 7 decorrência de processo de desmutualização da BOVESPA e da BM&F Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário, valendose dos mesmos fundamentos jurídicos apresentados na impugnação: Termina sua petição recursal, requerendo a reforma da decisão vergastada para: a) Que o aspecto temporal da hipótese de incidência da obrigação tributária tenha se materializado por ocasião da venda das ações da BM&F e da Bovespa Holdings, e não na data da desmutualização; b) Que seja declarada a inexigibilidade das contribuições para o PIS e para a Cofins, por constituir receita não operacional resultante de bens integrantes de seu ativo permanente, e como tal, excluída da base de cálculo dessas contribuições. Consta que o recorrente foi autuado pelos mesmos fatos, constituindo créditos tributários referentes a Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, processo nº 16327000163/201020. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade, passo a apreciálos. Para passarmos à análise de mérito da matéria delimitada no momento da impugnação, devese investigar se foram observados os requisitos mínimos impostos por lei, cuja ausência implica a pronta inadmissão da peça recursal, sem que se investigue ser procedente ou improcedente a própria irresignação veiculada no recurso. As atividades do julgador direcionadas para aferição da presença desses pressupostos recebem o nome de juízo de admissibilidade. Esse juízo antecede lógica e cronologicamente um outro subseqüente juízo, qual seja o juízo de mérito, no qual é analisada a pretensão recursal. O professor Barbosa Moreira observa que a questão relativa à admissibilidade é, sempre e necessariamente, preliminar à questão de mérito. A apreciação desta fica excluída se àquela se responde em sentido negativo. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.000162/201085 Acórdão n.º 3402002.029 S3C4T2 Fl. 357 8 Os requisitos viabilizadores do exame do mérito recursal são divididos pelo professor Barbosa Moreira em duas categorias: “requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer) e requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercêlo)”. Alinhamse no primeiro grupo o cabimento, a legitimidade para recorrer, o interesse recursal e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. O segundo grupo é composto pela tempestividade, a regularidade formal e o preparo. Temos a consciência de que nem todos os requisitos de admissibilidade devem ser observados no âmbito do processo administrativo. Contudo, ao examinar a possibilidade de seguimento do recurso, o julgador administrativo deve estar atento para alguns dos requisitos, a saber: o interesse recursal, a legitimidade, a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer, a regularidade formal e a tempestividade. Atendidos todos eles, fica permitida a análise do meritum causae. Retornando aos autos, tivemos ciência de que os mesmos fatos que subsidiaram os lançamentos do PIS e da Cofins serviram de base para as autuações de IRPJ e CSLL no processo nº 16327000163/201020. O art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF determina a competência da Primeira Seção de Julgamento para apreciar recursos que versem sobre a aplicação da legislação do PIS e da Cofins quando os fatos jurídicos que serviram para a apuração das exações forem conexos aos fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação do IRPJ. Neste norte, em vista da correlação assinalada, não conheço do recurso por se tratar de matéria de competência da Primeira Seção de Julgamento do CARF. É como voto. Sala das Sessões, em 19/03/2013 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 358DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10875.900225/2008-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Dec 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ALTERAÇÃO DO PERÍODO. INADMISSIBILIDADE. A alteração do período em que apurado o saldo negativo compensado no PER/DCOMP original não atende aos requisitos de admissibilidade previstos na legislação.
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES JÁ APRESENTADAS ANTERIORMENTE. APLICAÇÃO DO ART. 57, § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Não havendo novas razões apresentadas em segunda instância, é possível adotar o fundamento da decisão recorrida, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17.
Numero da decisão: 1401-006.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: Itamar Artur Magalhães Alves Ruga
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ALTERAÇÃO DO PERÍODO. INADMISSIBILIDADE. A alteração do período em que apurado o saldo negativo compensado no PER/DCOMP original não atende aos requisitos de admissibilidade previstos na legislação. RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES JÁ APRESENTADAS ANTERIORMENTE. APLICAÇÃO DO ART. 57, § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Não havendo novas razões apresentadas em segunda instância, é possível adotar o fundamento da decisão recorrida, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-12-14T18:21:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-12-14T18:21:39Z; Last-Modified: 2021-12-14T18:21:39Z; dcterms:modified: 2021-12-14T18:21:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-12-14T18:21:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-12-14T18:21:39Z; meta:save-date: 2021-12-14T18:21:39Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-12-14T18:21:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-12-14T18:21:39Z; created: 2021-12-14T18:21:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2021-12-14T18:21:39Z; pdf:charsPerPage: 1678; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-12-14T18:21:39Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10875.900225/2008-98 Recurso Voluntário Acórdão nº 1401-006.024 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de novembro de 2021 Recorrente BANESTADO CORRETORA DE SEGUROS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ALTERAÇÃO DO PERÍODO. INADMISSIBILIDADE. A alteração do período em que apurado o saldo negativo compensado no PER/DCOMP original não atende aos requisitos de admissibilidade previstos na legislação. RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES JÁ APRESENTADAS ANTERIORMENTE. APLICAÇÃO DO ART. 57, § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Não havendo novas razões apresentadas em segunda instância, é possível adotar o fundamento da decisão recorrida, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 02 25 /2 00 8- 98 Fl. 234DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.024 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.900225/2008-98 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra a Decisão preferida - 5ª Turma da DRJ/SP1 (Acórdão 16-53.191, fls. 47 e ss.) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora recorrente. O recurso voluntário foi interposto pela empresa MARCEP CORRETAGEM DE SEGUROS S/A — sucessora da titular do crédito inicialmente pleiteado — Banestado Corretora de Seguros LTDA. Na sequência, os atos processuais são reproduzidos com mais detalhes. Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.024 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.900225/2008-98 Do Despacho Decisório Reproduz-se abaixo recorte do Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada. Do Relatório da Decisão Recorrida (Acórdão 16-53.191, fls. 47 e ss.) Transcrevo abaixo o relatório da decisão de piso que resume os fatos até aquele momento: Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório de fl. 39, pelo qual a DRF/GUARULHOS informa não ter sido possível confirmar a apuração do crédito pleiteado, o qual foi iformado no PER/DCOMP nº 34697.24995.300308.1.3.02-2730, em razão de divergência entre o valor de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2002 informado no PER/DCOMP e o valor do saldo negativo informado na DIPJ 2003, nos termos abaixo reproduzidos: “Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Fl. 236DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.024 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.900225/2008-98 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 530.398,55. Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 0,01. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. ... Enquadramento Legal: Parágrafo 1º do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5° da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Antes de proferir o despacho decisório, a autoridade administrativa intimou a requerente, em 28/03/2007 (fl. 37), a sanar a divergência entre os valores informados na DIPJ 2003 e no PER/DCOMP a título de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2002, com a seguinte orientação: Em relação ao valor do saldo negativo e crédito demonstrado, solicita-se retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Quanto aos débitos por estimativa, retifique a DIPJ e/ou DCTF tornando coerentes as informações prestadas nestas declarações. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras. Cientificada do despacho decisório em 07/04/2008 (AR a fl. 44), a interessada apresentou, em 07/05/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 3/7, com as seguintes alegações: A não homologação do crédito, segundo a verificação fiscal (eletrônica) se justificaria, pois, "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP"; O despacho é nulo por cerceamento de seu direito de defesa, configurada pela ausência de demonstração das razões da não homologação da compensação; Por erro, a peticionante declarou na PER/DCOMP, no campo "Crédito Saldo Negativo de IRPJ",que o crédito refere-se apenas ao ano-calendário de 2002, quando o correto é que este se refere a vários períodos, conforme demonstrado no quadro abaixo: É o relatório. Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.024 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.900225/2008-98 Do Recurso Voluntário (e-fls. 90 e ss.) Em seu recurso, reitera as razões expostas na manifestação de inconformidade: II. DO DIREITO AO CRÉDITO Inicialmente, faz-se necessário salientar que o crédito de IRPJ ora pleiteado, para compensação dos débitos de PIS e COFINS, período de apuração de dezembro de 2002, no valor original de R$ 530.398,55, refere-se ao saldo negativo apurado nos anos- calendário de 1999, 2000 e 2001, devidamente, declarados nas DIPJs Originais dos respectivos anos, conforme o quadro abaixo: Verifica-se que a não homologação do pedido de compensação em referência, ocorreu por conta de um erro da Recorrente no preenchimento do PERDCOMP n° 34697.24995.300306.1.3.02-2730, qual seja, informou que o crédito pleiteado refere-se apenas ao ano-calendário de 2002, quando o correto é que este, refere-se ao saldo negativo dos anos-calendário de 1999, 2000 e 2001. Ocorre que, conforme se verificará com a exposição abaixo, a decisão a quo não merece prosperar, na medida em que a documentação que compõe o presente processo é suficiente para demonstrar a existência do direito creditório da Recorrente e, via de consequência, homologar a compensação a ele atrelada. Senão vejamos. Após, detalha a composição dos saldos negativos dos períodos de apuração de 1999 a 2000 e aduz: Portanto, constata-se que o saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 530.398,55, equivocadamente, declarado na PERDCOMP no 34697.24995.300306.1.3.02-2730, como sendo referente ao ano-calendário de 2002, refere-se na verdade aos anos- calendário de 1999, 2000 e 2001, não havendo motivos para a não homologação da presente compensação, visto que a Recorrente possuía crédito mais do que suficiente para a homologação da compensação ora indeferida. Nesse contexto, é válido destacar que a autoridade administrativa, na busca da solução do litígio instaurado na fase administrativa, deve promover a busca da verdade material, sem ficar adstrita aos aspectos de cunho formal, de modo a não exigir do contribuinte valor que não possua respaldo na legislação. O princípio da verdade material determina o dever da administração de sempre tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. A autoridade administrativa tem o poder-dever de apreciar todas as informações e documentos que se possa ter a respeito da matéria tratada. Além disso, o processo administrativo fiscal tem a finalidade de garantir a legalidade do ato administrativo tendente à apuração da ocorrência do fato gerador e à constituição do crédito tributário. Dessa forma, em decorrência do próprio princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material em todos os tipos de procedimento, inclusive nos casos de restituição/compensação. Fl. 238DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.024 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.900225/2008-98 III - DO PEDIDO Pelo exposto, requer a Recorrente a reforma da decisão proferida, com a consequente homologação da compensação pretendida. Requer, por fim, o cancelamento da cobrança efetivada através do Processo Administrativo n° 10875.900.259/2008-82. Protesta pela juntada dos documentos anexos. É o relatório. Voto Conselheiro Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. Em essência não há novos argumentos apresentados pela recorrente. Reitera que “a não homologação do pedido de compensação em referência, ocorreu por conta de um erro da Recorrente no preenchimento do PERDCOMP n° 34697.24995.300306.1.3.02-2730, qual seja, informou que o crédito pleiteado refere-se apenas ao ano-calendário de 2002, quando o correto é que este, refere-se ao saldo negativo dos anos-calendário de 1999, 2000 e 2001.” Desse modo, utilizando-se a faculdade prevista no §3º do art. 57 do Regimento Interno do CARF, transcrevo abaixo os fundamentos da decisão recorrida, os quais serão adotados neste voto como razões de decidir. Do Voto da Decisão Recorrida (Acórdão 16-53.191, fls. 47 e ss.) Tomo conhecimento da manifestação de inconformidade apresentada porque atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. De início, cumpre observar que a recorrente atribui ao despacho recorrido texto de fundamentação absolutamente diverso daquele que efetivamente constou do documento decisório do qual foi cientificado. A recorrente afirma, no relato dos fatos que introduz suas razões de defesa, que teria constado do despacho decisório a seguinte justificativa: ”a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Entretanto, conforme relatado acima, consta do despacho decisório que o motivo do indeferimento do pedido consistiu na divergência entre o valor do crédito de saldo Fl. 239DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.024 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.900225/2008-98 negativo de IR do ano-calendário de 2002 informado no PER/DCOMP ser diverso do saldo negativo informado na DIPJ do exercício de 2003, ano-calendário de 2002. Quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa, este deve ser analisado in concreto, ou seja, se os atos e fatos ocorridos efetivamente prejudicaram o direito à ampla defesa da contribuinte. A prova mais cabal de que não houve o referido cerceamento é a própria manifestação de inconformidade da contribuinte, na qual a interessada demonstra ter total conhecimento do motivo do indeferimento de seu pleito Com efeito, ciente de que o crédito não pôde ser confirmado por conta da divergência entre o valor do crédito informado no PER/DCOMP e aquele informado na DIPJ correspondente, a solicitante sustenta que o crédito compensado se referiria, na realidade, a outros períodos, que não constaram do PER/DCOMP analisado (anos- calendários de 1999, 2000 e 2001). Logo, não merece acolhida a alegação de nulidade do despacho recorrido, porque não configurado qualquer prejuízo à defesa da interessada que, inclusive, pôde exercê-la plenamente. Quanto à pretensão a que sejam considerados os saldos negativos apurados nos anos- calendário de 1999, 2000 e 2001, em vez do período informado no PER/DCOMP analisado – ano-calendário de 2002, observa-se que o alegado equívoco não pode ser sanado mediante manifestação de inconformidade. De fato, nem mesmo através de PER/DCOMP retificador seria possível a alteração pretendida, visto que a alteração do período a que corresponde o crédito não configura mera inexatidão material, porque implica a alteração dos componentes do crédito e, inclusive, o valor do próprio crédito. Com efeito, as alterações pretendidas pela interessada somente poderiam ser veiculadas mediante um PER/DCOMP distinto e original, o que não consta dos autos tenha sido feito e, se o foi, mostra-se impertinente à controvérsia ora enfrentada. Por essas razões, não pode ser acolhida, em sede de julgamento, o pedido para que a compensação seja efetuada com o saldo negativo de IRPJ de outros períodos. Como dito, a pretensão compensatória sobre o saldo negativo de IRPJ de período distinto do ano-calendário de 2002 deve ser apresentada mediante outro PER/DCOMP. Nos presentes autos, cabe ser verificada a existência de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2002 que, contudo, foi apurado no valor de R$ 0,01 na DIPJ 2003 e a interessada não apresentou qualquer argumento para o seu reconhecimento e/ou aproveitamento. Diante disso, cumpre concluir que a interessada não tem direito à compensação do crédito de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2002, devendo ser ratificado o despacho decisório recorrido, que não reconheceu o crédito pretendido e não homologou as declarações de compensação vinculadas a esse crédito. Noêmia Naoe Murakami Considerações Finais Cumpre realçar que a interessada foi intimada duas vezes (e-fls. 35 e 37): “solicita-se retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER,/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo”. No entanto, tal retificação indispensável não foi feita pela recorrente. Fl. 240DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.024 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.900225/2008-98 O crédito que se aponta em uma Declaração de Compensação deve ser líquido e certo. Não pode haver dúvidas para que se proceda a ulterior homologação da compensação. O onus probandi é do contribuinte. A “Máquina Pública”, nesse tipo de processo, não pode diligenciar em seu lugar. A compensação opera-se mediante o instituto da homologação posterior (tácita ou expressa). Ou seja, não havendo manifestação por parte da Fazenda Pública, resta extinto o débito confessado por meio da declaração, porquanto homologado tacitamente. Essa sistemática viabiliza a aplicação do instituto da compensação em milhares de casos, favorecendo milhares de contribuintes. No entanto, qualquer dúvida quanto a certeza e liquidez do crédito contra a Fazenda, a sua comprovação deve ser feita “imediatamente” pelo contribuinte. Trata-se de rito sumário, devido às suas particularidades, sob pena de sepultar sua aplicação, caso assim não o seja. Não há como reconhecer o crédito neste caso. Conclusão Desta forma, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Relator Fl. 241DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11080.917983/2011-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA.
Não sendo o ato lavrado por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, descabida alegação de nulidade.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO.
À luz da interpretação fixada pelo STJ no RESP nº 1.221.170, o enquadramento de um bem como insumo. no âmbito da legislação do PIS e da COFINS, deve ser aferido segundo os critérios da essencialidade e da relevância em relação ao processo produtivo, sendo ilegal o conceito de insumo estabelecido nas Instruções Normativas nº 247/2002 e 404/2004 da Receita Federal.
APURAÇÃO DE CRÉDITOS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE.
A sistemática de tributação nãocumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, permite o desconto de créditos vinculados a despesas com frete, porém exclusivamente referente às operações de venda, não contemplando os dispêndios com frete decorrentes da transferência de produtos acabados entre estabelecimentos ou centros de distribuição da mesma pessoa jurídica, posto que o ciclo de produção já se encerrou (não podendo mais ser caracterizado como insumo) e a operação de venda ainda não ocorreu, sendo tais movimentações de mercadorias realizadas apenas para atender a necessidades logísticas ou comerciais.
PIS E COFINS. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NATUREZA JURÍDICA DE REDUÇÃO DE CUSTOS. O crédito presumido de ICMS configura incentivo governamental voltado à redução de custos, com vistas aos interesses econômicos e sociais dos estados-membros da Federação, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não caracteriza hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS.
CRÉDITOS DE PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. AFASTAMENTO DA SÚMULA CARF Nº 125. DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO.
Segundo a Súmula CARF n. 125, por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10. 833, de 2003. Entretanto, o contribuinte sendo portador de decisão judicial que lhe garante a referida atualização monetária, esta deve ser observada pela Administração Pública, afastando o enunciado sumular do CARF em sentido contrário.
Numero da decisão: 3402-009.665
Decisão:
Acordam os membros do colegiado em julgar o Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por maioria de votos: (i.1) para manter a glosa de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica. Vencidas as Conselheiras Thais de Laurentiis Galkowicz, Cynthia Elena de Campos e Maysa de Sá Pittondo Deligne. (i.2) para dar provimento ao recurso para não admitir o Crédito presumido de ICMS como receita tributável. Vencidos os Lázaro Antonio Souza Soares, Marcos Antônio Borges (suplente convocado) e Pedro Sousa Bispo. (ii) por unanimidade de votos, para estornar as glosas de frete de matéria prima e embalagem e reconhecer o direito à correção monetária dos pedidos de ressarcimento de créditos de PIS/COFINS pela taxa Selic, contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei n. 11.457/2007). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-009.656, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 11080.917962/2011-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luís Cabral, substituído pelo conselheiro Marcos Antônio Borges.
Nome do relator: Thais De Laurentiis Galkowicz
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-02-28T14:22:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-02-28T14:22:09Z; Last-Modified: 2022-02-28T14:22:09Z; dcterms:modified: 2022-02-28T14:22:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-02-28T14:22:09Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-02-28T14:22:09Z; meta:save-date: 2022-02-28T14:22:09Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-02-28T14:22:09Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-02-28T14:22:09Z; created: 2022-02-28T14:22:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 37; Creation-Date: 2022-02-28T14:22:09Z; pdf:charsPerPage: 2348; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-02-28T14:22:09Z | Conteúdo => S3-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11080.917983/2011-50 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-009.665 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2021 Recorrente YARA BRASIL FERTILIZANTES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. Não sendo o ato lavrado por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, descabida alegação de nulidade. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. À luz da interpretação fixada pelo STJ no RESP nº 1.221.170, o enquadramento de um bem como insumo. no âmbito da legislação do PIS e da COFINS, deve ser aferido segundo os critérios da essencialidade e da relevância em relação ao processo produtivo, sendo ilegal o conceito de insumo estabelecido nas Instruções Normativas nº 247/2002 e 404/2004 da Receita Federal. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. A sistemática de tributação não-cumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, permite o desconto de créditos vinculados a despesas com frete, porém exclusivamente referente às operações de venda, não contemplando os dispêndios com frete decorrentes da transferência de produtos acabados entre estabelecimentos ou centros de distribuição da mesma pessoa jurídica, posto que o ciclo de produção já se encerrou (não podendo mais ser caracterizado como insumo) e a operação de venda ainda não ocorreu, sendo tais movimentações de mercadorias realizadas apenas para atender a necessidades logísticas ou comerciais. PIS E COFINS. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NATUREZA JURÍDICA DE REDUÇÃO DE CUSTOS. O crédito presumido de ICMS configura incentivo governamental voltado à redução de custos, com vistas aos interesses econômicos e sociais dos estados-membros da Federação, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não caracteriza hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 79 83 /2 01 1- 50 Fl. 216DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 CRÉDITOS DE PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. AFASTAMENTO DA SÚMULA CARF Nº 125. DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO. Segundo a Súmula CARF n. 125, por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10. 833, de 2003. Entretanto, o contribuinte sendo portador de decisão judicial que lhe garante a referida atualização monetária, esta deve ser observada pela Administração Pública, afastando o enunciado sumular do CARF em sentido contrário. Acordam os membros do colegiado em julgar o Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por maioria de votos: (i.1) para manter a glosa de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica. Vencidas as Conselheiras Thais de Laurentiis Galkowicz, Cynthia Elena de Campos e Maysa de Sá Pittondo Deligne. (i.2) para dar provimento ao recurso para não admitir o Crédito presumido de ICMS como receita tributável. Vencidos os Lázaro Antonio Souza Soares, Marcos Antônio Borges (suplente convocado) e Pedro Sousa Bispo. (ii) por unanimidade de votos, para estornar as glosas de frete de matéria prima e embalagem e reconhecer o direito à correção monetária dos pedidos de ressarcimento de créditos de PIS/COFINS pela taxa Selic, contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei n. 11.457/2007). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-009.656, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 11080.917962/2011-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luís Cabral, substituído pelo conselheiro Marcos Antônio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre, que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Fl. 217DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Trata-se de Manifestação de Inconformidade apresentada contra despacho decisório, emitido em [...], pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre – RS, que deferiu parcialmente pedido de ressarcimento/compensação (PER/Dcomp), relativo ao saldo credor de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins não cumulativa, oriundo de [...], com base no disposto no art. [...] da Lei nº [...], analisado no período de [...]. Em decorrência do crédito reconhecido ter se revelado insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, houve a homologação parcial da compensação declarada. O detalhamento da análise do crédito foi disponibilizado ao contribuinte em Informação Fiscal constante dos autos, a qual integra o despacho decisório. Em síntese, o procedimento fiscal aponta que o contribuinte incluiu, indevidamente, na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, fretes sobre transferências de produto acabado, fretes sobre transferências de embalagens e fretes sobre transferências de matéria-prima. No caso, considera que o conceito de frete não pode ser estendido e abarcar todo e qualquer frete que gera despesa necessária para a atividade da empresa. Desta forma, concluiu que o valor do frete contratado de pessoa jurídica domiciliada no país para a simples transferência de matérias-primas e embalagens entre os estabelecimentos industriais do contribuinte, não integra a operação de compra e o custo de aquisição das mercadorias para a produção, portanto não podem ser considerados insumos, não podendo ser utilizados na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Da mesma forma, a simples transferência de produtos acabados dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores e filiais, não integra a operação de venda a ser realizada posteriormente, não podendo ser utilizados na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Acrescenta, ainda, que o contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes de crédito presumido de ICMS. No caso, considera que o incentivo fiscal relativo ao crédito presumido de ICMS, constitui, para os fins da legislação tributária federal, subvenção corrente para custeio ou operação, devendo integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, visto tratar-se de receita para a qual não há expressa previsão legal de exclusão ou isenção. O recorrente foi cientificado em [...] e entregou em [...] sua manifestação de inconformidade, tempestivamente, na qual discorda da glosa parcial, alegando, em síntese: - Quanto aos descontos outorgados no ICMS, argumenta que na verdade se tratariam de descontos outorgados pelos Estados no ICMS a pagar, o que não geraria receita, pois não se tratariam de créditos nem de faturamento, mas tão somente corresponderiam à anulação de 75% do débito de ICMS relativo às saídas tributadas da empresa. Considera que a solução da questão passaria necessariamente pela atual orientação do STF, transcreve decisão da Suprema Corte, cita a proposta de súmula vinculante nº 22 que trataria deste tema, cita, também, jurisprudência do STJ, do TRF/4, bem como doutrina e decisões do CARF. Reitera que se trataria de mero desconto no ICMS, sem mutação patrimonial, sem receita e sem faturamento, sobre o qual não caberia incidir as contribuições PIS e COFINS. Comenta que de longa data contribuintes e fisco vem travando uma batalha sobre tais conceitos, defende que o ICMS também seria um imposto não cumulativo e que não integra a receita da empresa, ressalta que o conceito constitucional de receita não englobaria a inclusão do valor do ICMS na base de cálculo das duas contribuições. Conclui, então, que no caso não se trataria de acréscimo de riqueza ou de patrimônio, mas de mero desconto de ICMS, lançado contabilmente como crédito presumido apenas porque se lançou previamente o total do ICMS das saídas do respectivo mês. Fl. 218DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 - Quanto ao transporte intercompany de mercadoria em sentido amplo e o conceito de insumo, discorre sobre as dimensões continentais do Brasil e comenta sobre a importância que o agro-negócio teria para o país. Reclama que haveriam graves e conhecidas deficiências em toda a cadeia logística, como problemas na infra-estrutura portuária, rodoviária e hidroviária, que prejudicariam o escoamento da produção brasileira. Cita diversos municípios nos quais possuiria filiais, considera natural a remessa de mercadorias entre essas unidades, bem como entende perfeitamente razoável considerar que tais remessas, sejam de produto acabado, sejam de matéria prima, devam ser incluídas nos cálculos de formação do preço respectivo, logo se tratariam de autêntico custo de produção. Afirma que se tratariam de despesas essenciais e indispensáveis à atividade da empresa, logo, os custos destes transportes deveriam integrar a rubrica do insumo. Conclui que as hipóteses de "insumos" passíveis de constituição de crédito de PIS e COFINS, prescritas nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, não seriam taxativas, pois sua própria redação seguiria um padrão exemplificativo e porque deixariam de prever notórias despesas inerentes e necessárias a atividade empresarial, conclusão essa obtida - como impõe nosso ordenamento jurídico - a partir da interpretação dessas regras conforme a Constituição Federal. Argumenta que se o PIS e a COFINS incidem sobre o faturamento e se o considerável aumento das alíquotas foi supostamente neutralizado pela concessão de créditos, estes deveriam ser calculados sobre a totalidade dos custos/despesas inerentes a atividade da pessoa jurídica, sob pena de aumento excessivo da carga tributaria, o que afrontaria aos ditames constitucionais vigentes, em especial a não-cumulatividade, confisco e isonomia. Defende que a interpretação da não-cumulatividade, conforme a Constituição, levaria ao reconhecimento do direito de crédito em relação à todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico, inclusive aquelas referentes ao frete de mercadorias intercompany. Salienta que, conforme a Constituição, poderia-se verificar que as enumerações legais das possibilidades de apropriações de crédito seriam apenas exemplificativas. - Quanto ao transporte intercompany de matéria prima e embalagens, novamente sustenta que este frete integraria o custo da produção e portanto daria direito ao crédito de PIS e COFINS. Comenta que a base de cálculo para a apropriação destes créditos autuados seria majoritariamente referente a custos com fretes de matéria prima. Reclama que o despacho decisório não distinguiria transporte de matéria prima e de produtos acabados, observa que a matéria prima e as embalagens seriam insumos, logo, o mesmo direito ao crédito deveria valer para o transporte respectivo, o qual além de acessório, integraria o processo industrial e seria indispensável à manutenção da empresa. Exemplifica que a remessa de matéria-prima, de uma unidade uma Porto Alegre - RS para outra unidade em Olinda - PE, geraria despesa que se agregaria ao custo da produção, porque o produto transportado estaria em fase de industrialização. Cita e transcreve soluções de consulta proferidas pela RFB para amparar seus argumentos, bem como jurisprudência do CARF, inclusive de sua Câmara Superior. - Quanto ao transporte intercompany de produto acabado, argumenta que a Lei n° 10.833/2003, Art. 3o, IX e 15, II, autorizaria a apropriação de créditos de PIS/COFINS referentes às despesas com fretes na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Neste sentido, defende que o transporte de produto acabado entre unidades da mesma empresa, desde que destinado à venda, geraria o mesmo direito ao crédito de que o contribuinte poderia se apropriar acaso a unidade remetente realizasse a venda diretamente. Isso decorreria principalmente da isonomia tributária e das peculiaridades do Brasil, pais enorme e com as deficiências de infra- estrutura já mencionadas. Alega, novamente, que possui unidades produtivas em diversos municípios do país e que ao transportar a mercadoria até tais unidades pelo país, arcaria com um montante considerável de gastos com frete, em razão das particularidades da péssima logística do país. Exemplifica que não se poderia exigir que a empresa produza, no Maranhão, o fertilizante de que já dispõe estocado no Rio Grande do Sul. Fl. 219DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 Neste sentido, conclui que o valor desse frete, em hipótese de venda direta pela unidade de Porto Alegre ao comprador no Maranhão, constituiria base de cálculo para apropriação de créditos de PIS e de COFINS. Logo, considerando que o frete da venda direta, pela matriz ao cliente geraria direito a apuração de céedito de PIS e COFINS, seria inevitável concluir que o frete parcial a unidade em outro estado deveria gerar o mesmo direito, se a mercadoria acaba sendo vendida pela unidade destino. Novamente defende que se trataria de etapa essencial a atividade econômica da pessoa jurídica e, portanto, os gastos correlatos deveriam ser computados no calculo dos créditos. Também reclama que não se poderia considerar que esse tipo de operação seja excluída do conceito legal de insumo, haja vista que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 em momento algum externariam tal conceituação. Cita solução de consulta proferida pela RFB para amparar seus argumentos. Conclui então que o procedimento adotado estaria de acordo com o art. 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/03. Encerra com os pedidos de que seja provida a sua manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o seu direito a constituir e descontar créditos de PIS e COFINS referentes aos fretes mencionados na Informação Fiscal, bem como que sejam excluídos da base de cálculo destas contribuições os créditos de ICMS referidos na Informação Fiscal. Requer, ainda, que seja deferida a ulterior produção de mais provas. O julgamento da manifestação de inconformidade resultou em acórdão cuja ementa segue colacionada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade. FRETES. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS e da Cofins não-cumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, reprisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade, bem como alegando a existência de nulidade no acórdão recorrido e no trabalho fiscal. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir 1 : Quanto à admissibilidade, preliminar e mérito, à exceção do frete de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica, transcreve-se o entendimento majoritário da Turma, consignado no voto do relator do processo paradigma 2 . O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. 1 Deixa-se de transcrever a declaração de voto apresentada, que pode ser consultada no acórdão paradigma desta decisão. 2 Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 220DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 1. Nulidade do despacho decisório e Princípio da verdade material A Recorrente brada pela decretação de nulidade do trabalho fiscal, o qual teria sido superficial e não devidamente motivado para apurar as inconsistência que menciona. Contudo, em análise do despacho decisório guerreado (fls 33) e das informações fiscais (fls 36), percebe-se que este se encontra devidamente motivado, apresentando de forma clara as razões da autoridade fiscal. Não por outra razão a Recorrente pode compreender minuciosamente a matéria tratada pela Fiscalização, e, por conseguinte, apresentar sua defesa administrativa a respeito de todas as questões ora sob julgamento. Assim, inexiste nulidade a ser sanada, no que diz respeito ao preceito do artigo 59, incisos I e II do Decreto 70.235/72, segundo o qual são nulos somente os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 2. Nulidade da decisão da DRJ Entende a Recorrente que seria nula a decisão da DRJ não ter avaliado assuntos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Contudo, o acórdão recorrido argumenta, de maneira devidamente fundamentada nas provas produzidas nos autos, seu entendimento a respeito do direito pleitado. Não foram deixados de lado quaisquer questões apresentadas pela Recorrente, mas simplesmente elas não foram consideradas como garantidores do crédito das Contribuições requeridos. Em outras palavras, a DRJ entende que fretes intercompany não dão direito ao crédito do PIS/COFINS, e assim proferiu sua decisão. A discordância a respeito desse entendimento é questão de mérito a ser avaliada no decorrer do presente Acórdão. Portanto, também essa preliminar de nulidade deve ser afastada. 3. Crédito presumido de ICMS enquanto receita tributável Inicialmente cabe destacar que, diferentemente de outros casos da Recorrente que encontram-se sob minha relatoria, nestes autos a autoridade fiscal em nenhum momento motivou seus atos sob o argumento de existência de “cessão onerosa de crédito de ICMS”, como afirma a Contribuinte em sua defesa. No presente caso, a motivação foi apresentada nos seguintes dizeres (fls 38 e 39): A interessada não ofereceu à tributação as receitas decorrentes de crédito presumido de ICMS. O incentivo fiscal relativo ao crédito presumido de ICMS, constitui, para os fins da legislação tributária federal, subvenção corrente para Fl. 221DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 custeio ou operação, devendo integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, visto tratar-se de receita para a qual não há expressa previsão legal de exclusão ou isenção. Ou seja, aqui a questão a ser debatida é a natureza jurídica do crédito presumido de ICMS, outorgado pelo Rio Grande do Sul, no valor de 75% do ICMS devido em razão de suas operações, conforme o Termo de Acordo juntado ao recurso voluntário. Pois bem. A Contribuição ao PIS e a COFINS, sob a modalidade de regime não-cumulativo (tal qual ocorre com a apuração efetuada pela Recorrente), têm por fato gerador o faturamento mensal, assim entendido a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, independentemente da denominação ou classificação contábil, conforme se depreende dos artigos 1º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Adicionalmente, traçando a delimitação de quem são os contribuintes dos referidos tributos, as leis acima apontadas dispõem, respectivamente: Lei nº 10.637/02: “Art. 4º O contribuinte da contribuição para o PIS/Pasep é a pessoa jurídica que auferir as receitas a que se refere o art. 1º.” (g.n.) Lei nº 10.833/03: “Art. 5º O contribuinte da COFINS é a pessoa jurídica que auferir as receitas a que se refere o art. 1º.” (g.n.) Tais disposições têm como fundamento de validade a norma de competência esculpida no artigo 195, inciso I, alínea “b” da Constituição, 3 a qual prescreve que a Contribuição ao PIS e a COFINS incidirão sobre a receita ou o faturamento, que são, portanto, os fatos econômicos ou manifestações de riqueza tributáveis pelas contribuições em apreço. Vale destacar que os conceitos de receita e faturamento não podem ser livremente manipulados pelo legislador, devendo manter coerência com seu conteúdo semântico na ordem econômica, nos moldes do artigo 110 do Código Tributário Nacional (“CTN”). 4 Nesse sentido já se consolidou a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (“STF”) ao declarar a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, de 27 de novembro de 1998 (“Lei nº 9.718/98”) nos RE nº 357950/RS, RE nº 358273/RS e RE nº 346.084/PR. Retomando os dispositivos supracitados, pela sua simples leitura é possível verificar que a receita auferida pela pessoa jurídica compõe a 3 “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998).” 4 Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Fl. 222DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc20.htm#art195i http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc20.htm#art195i http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc20.htm#art195i Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 hipótese de incidência de ambas as contribuições, sendo esta receita aquilo que efetivamente representa um acréscimo patrimonial em sua conta, decorrente do exercício da atividade econômica e que apresenta caráter de definitividade. Neste sentido, verifica-se a lição de José Antônio Minatel, 5 ao tratar da natureza jurídica da receita: “Auferir receita é conduta que evidencia e viabiliza a obtenção de ingresso, materializada pela entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial.” Assim, fica claro que somente os valores incorporados definitivamente ao patrimônio do contribuinte, decorrentes de execução de negócios jurídicos, podem ser considerados como receitas. Não se pretende com isso dizer que somente a receita operacional – decorrente da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica - é que está sujeita à tributação pela Contribuição ao PIS/COFINS, cujo método de apuração é pela sistemática da não cumulatividade. Como se sabe, a sistemática traçada pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/02 pressupõe a incidência sobre a totalidade de receitas auferidas pelo contribuinte. No entanto, pouco importa se estamos diante do sistema não cumulativo sobre a receita bruta, ou do cumulativo sobre o faturamento (Lei nº Lei nº 9.718/98), pois tanto em um como no outro caso a receita decorre das atividades empresariais, na sua regular persecução de seus objetivos sociais e obtenção de lucros. Heroldes Bahr Neto, 6 ex-conselheiro do CARF, ao tratar do tema, não deixa dúvidas: “Não se pode considerar auferida a receita que não advenha de negócios jurídicos realizados no exercício da atividade empresarial e, portanto, s.m.j., não integra a base de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. Tal se deve porque, ‘auferir’, por definição, significa ‘colher, obter’. Portanto, a receita deve ser colhida ou obtida pela empresa, em razão das transações econômicas realizadas pela própria pessoa jurídica.” De tudo isso é possível depreender que somente se estará diante do ato de auferir receita, hipótese de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS, quando visualizada situação em que a remuneração recebida pela pessoa jurídica ocorrer pelo regular exercício de suas atividades. Dito isto, cumpre avaliar a natureza jurídica dos créditos presumidos de ICMS, já que no caso vertente a Fiscalização incluiu na base de cálculo das contribuições as receitas de créditos presumidos de ICMS. 5 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. 6 BAHR NETO, Haroldes. Não Incidência de PIS e COFINS sobre Crédito Presumido de ICMS. In Pis e Cofins à Luz da Jurisprudência do CARF. MP Editora. São Paulo, 2011, p. 315. Fl. 223DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 Para que não restem dúvidas quanto à natureza do crédito presumido de ICMS, convém, ainda que brevemente, destacar a sistemática não cumulativa pela qual é apurado o imposto estadual. O ICMS possui como hipótese de incidência operações jurídicas que transferem o domínio e a posse de mercadorias na cadeia econômica, desde a produção até o consumo. Trata-se, portanto, de tributo plurifásico e não cumulativo, nos termos do artigo 155, §2º, inciso I da Constituição Federal. 7 Alcançando a questão da não cumulatividade, deve ser levado em consideração que foi adotado pelo ICMS o método de tributação indireta sobre o consumo, pelo qual se tributa as várias fases da cadeia econômica com o objetivo de alcançar a capacidade contributiva verificável no momento em que o bem ou serviço é consumido. Assim, cada agente do ciclo produtivo deverá recolher aos cofres públicos um montante a título de ICMS. Contudo, no instante do recolhimento, o contribuinte deverá averiguar quanto de imposto foi pago pelo agente que lhe precedeu na cadeia, ou seja, aquele que lhe vendeu determinado insumo que passou a fazer parte da sua produção, emitindo- lhe nota fiscal com ICMS destacado. Esse valor, anteriormente pago a título de ICMS, constitui crédito do contribuinte, e deverá ser confrontado com o débito que agora possui, nesse passo da cadeia produtiva, onde se adicionou determinado valor ao produto. Mediante esse confronto entre crédito (advindo do ICMS pago na etapa anterior) e débito (devido na atual etapa pela incidência do ICMS na saída da mercadoria do estabelecimento) advirá o valor que efetivamente deverá ser dispendido para o pagamento do imposto. É exatamente dentro da sistemática de créditos e débitos de ICMS que aparece a figura do crédito presumido. Neste sentido, o denominado crédito presumido não é crédito oriundo diretamente das entradas de mercadorias tributadas pelo ICMS no estabelecimento do contribuinte, e sim valor atribuído como crédito fiscal, sem a correspondente tributação na etapa anterior. Em outros termos, consiste na situação em que o Estado concede ao contribuinte a possibilidade de escriturar créditos de ICMS, aos quais normalmente não teriam direito, em sua contabilidade. Objetiva-se, com isso, a redução da carga tributária a ser recolhida na operação. Desse modo, o crédito presumido constitui modalidade de incentivo fiscal, quer dizer, consiste renúncia de receita do Estado em prol do setor privado. Trata-se, verdadeiramente, de atuação do Poder Público visando o auxílio do setor privado para que, como conseqüência, sejam atendidos interesses econômicos e sociais. 7 § 2.º O imposto previsto no inciso II (ICMS) atenderá ao seguinte: I - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; Fl. 224DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 Em outras palavras, o crédito presumido caracteriza auxílio à pessoa jurídica mediante diminuição da carga tributária do contribuinte, sempre buscando estimular determinado setor produtivo. Ratificando este fato, anualmente a Secretaria da Receita Federal do Brasil publica relatório intitulado “Demonstrativo dos gastos governamentais indiretos de natureza tributária – Gastos Tributários”, cumprindo o mandamento do §6º do artigo 165 da Constituição e do inciso II do artigo 5º da Lei Complementar 101, de 4 de maio de 2000. Neste relatório, consta o seguinte: “O sistema tributário é permeado por desonerações. São consideradas desonerações tributárias todas e quaisquer situações que promovam: presunções creditícias, isenções, anistias, reduções de alíquotas, deduções ou abatimentos e adiamentos de obrigações de natureza tributária. Tais desonerações, em sentido amplo, podem servir para diversos fins. Por exemplo: a) simplificar e/ou diminuir os custos da administração; b) promover a eqüidade; c) corrigir desvios; d) compensar gastos realizados pelos contribuintes com serviços não atendidos pelo governo; e) compensar ações complementares às funções típicas de estado desenvolvidas por entidades civis; f) promover a equalização das rendas entre regiões; e/ou, g) incentivar determinado setor da economia. Nos caso das alíneas “d”, “e”, “f” e “g”, essas desonerações irão se constituir em uma alternativa às ações Políticas de Governo, ações com objetivos de promoção de desenvolvimento econômico ou social, não realizadas no orçamento e sim por intermédio do sistema tributário. Tal grupo de desonerações irá compor o que se convencionou denominar de gastos tributários. (...) Gastos tributários são gastos indiretos do governo realizados por intermédio do sistema tributário visando atender objetivos econômicos e sociais. São explicitados na norma que referencia o tributo, constituindo-se uma exceção ao sistema tributário de referência, reduzindo a arrecadação potencial e, conseqüentemente, aumentando a disponibilidade econômica do contribuinte. Têm caráter compensatório, quando o governo não atende adequadamente a população dos serviços de sua responsabilidade, ou têm caráter incentivador, quando o governo tem a intenção de desenvolver determinado setor ou região.” Conclui-se que a natureza jurídica dos créditos presumidos de tributos concedidos pelo Poder Público é de incentivo fiscal, mais especificamente subvenção pública no auxílio de redução dos custos da pessoa jurídica. Trazendo esses conceitos para o caso concreto, tem-se que os valores recebidos Recorrente à título de crédito presumido de ICMS têm natureza jurídica de parcelas relativas a redução de custos, com o intuito de promover o desenvolvimento industrial do Estado, diferentemente Fl. 225DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 daqueles valores que devem compor a base de cálculo das Contribuições em análise, conforme será melhor demonstrado a seguir. Muito bem, esclarecidos tais pontos, vejamos o posicionamento da Receita Federal sobre a matéria. Em processo de Solução de Consulta formulada por contribuintes, a Secretaria da Receita Federal já se manifestou de forma favorável à exclusão dos valores relativos ao crédito presumido de ICMS das bases de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS (Solução de Consulta nº 397, de 2009). 8 Já em outras situações, a Secretaria da Receita Federal do Brasil se colocou em sentido oposto (Solução de Consulta nº 225, de 6 de agosto de 2007; 72, de 14 de fevereiro de 2011; 197, de 14 de outubro de 2009; 18, de 02 de março de 2005; 144, de 11 de setembro de 2008), fazendo prevalecer o interesse da fiscalização. Em face dos posicionamentos discrepantes, o Órgão Fazendário Federal foi chamado a resolver a questão, que, afinal, gerava grande insegurança aos contribuintes. Deste contexto resultou a Solução de Divergência nº 13/11, publicada em 28 de abril de 2011, onde a Secretaria da Receita Federal do Brasil concluiu pela impossibilidade da exclusão dos valores decorrentes de crédito presumido de ICMS das bases de cálculo das Contribuições Sociais em comento, por ausência de previsão legal para tanto, apesar de haver reconhecido, na mesma Solução de Divergência, essa possibilidade para os contribuintes que façam a apuração das Contribuições pelo método cumulativo. Registre-se seu conteúdo: 8 Processo de Consulta nº 397/09 Superintendência Regional da Receita Federal - SRRF / 9a. RF Decisão Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep. Ementa: ATO NORMATIVO ESTADUAL QUE AUTORIZA DESCONTO DE CRÉDITO PRESUMIDO EM SUBSTITUIÇÃO AO CRÉDITO NORMAL DO ICMS. TRIBUTAÇÃO DA DIFERENÇA. No caso de ato normativo estadual que conceda benefício de substituição dos créditos efetivos de ICMS por créditos presumidos, a diferença entre o crédito presumido do ICMS concedido e o crédito normal de ICMS que deveria ser descontado é considerada subvenção. Essa diferença integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. Dispositivos Legais: Lei Nº 10.637/2002, art. 1º, caput e §§ 2º e 3º; Decreto Nº 3.000/1999 (RIR/1999), arts. 392 e 443; PN CST Nº 112/1979; Decreto Estadual SC Nº 2.870/2001 (Regulamento do ICMS do Estado de Santa Catarina), Anexo 2, arts. 21, 23 e 24, com a redação dada pelo Decreto Estadual SC Nº 1.669/2008. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins .Ementa: ATO NORMATIVO ESTADUAL QUE AUTORIZA DESCONTO DE CRÉDITO PRESUMIDO EM SUBSTITUIÇÃO AO CRÉDITO NORMAL DO ICMS . TRIBUTAÇÃO DA DIFERENÇA. No caso de ato normativo estadual que conceda benefício de substituição dos créditos efetivos de ICMS por créditos presumidos, a diferença entre o crédito presumido do ICMS concedido e o crédito normal de ICMS que deveria ser descontado é considerada subvenção. Essa diferença integra a base de cálculo da COFINS.Dispositivos Legais: Lei Nº 10.833/2002, art. 1º, caput e §§ 2º e 3º; Decreto Nº 3.000/1999 (RIR/1999), arts. 392 e 443; PN CST Nº 112/1979; Decreto Estadual SC Nº 2.870/2001 (Regulamento do ICMS do Estado de Santa Catarina), Anexo 2, arts. 21, 23 e 24, com a redação dada pelo Decreto Estadual SC Nº 1.669/2008.MARCO ANTÔNIO FERREIRA POSSETTI – Chefe. Data de decisão: 14/10/2009. Data de publicação: 09/11/2009. Fl. 226DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 “SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 13 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins EMENTA: Por absoluta falta de amparo legal para a sua exclusão, o valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo da Cofins. A partir de 28 de maio de 2009, tendo em vista a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, promovida pelo inciso XII do art. 79 da Lei nº 11.941, de 2009, para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de apuração cumulativa da Cofins, por não ser considerado faturamento (receita bruta) decorrente da atividade exercida por essas pessoas jurídicas, o valor do crédito presumido do ICMS deixou de integrar a base de cálculo da mencionada contribuição.” (g.n.) Destarte, a Secretaria da Receita Federal do Brasil se manifesta no sentido de que os valores referentes ao crédito presumido de ICMS devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, pois: (i) sua natureza é de receita; e (ii) não há previsão legal para a exclusão da base de cálculo. Ocorre que este entendimento, vem sendo rechaçado pelo Poder Judiciário. Explico o porquê. Como já restou assentado nos itens acima: (i) a hipótese de incidência da Contribuição ao PIS e a da COFINS é a auferimento de receitas, vale dizer, remuneração recebida pela pessoa jurídica pelo regular exercício de suas atividades; e (ii) o crédito presumido de ICMS tem natureza de subvenção pública com parcelas relativas à redução de custos fiscais do contribuinte. Disto alcança-se a conclusão de que crédito presumido de ICMS não é hipótese de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS. Ora, se o crédito presumido é dispêndio à menor em que incorreu a Recorrente por força de se tratar justamente de auxílio para a redução de custos, esse montante não pode ser considerado receita, justamente porque não há ingresso econômico nenhum ao seu patrimônio. Destarte, não sendo receita, o crédito presumido não deve ser tributado pela Contribuição ao PIS e pela COFINS. Repita-se, tais créditos não constituem receita auferida pela pessoa jurídica, pois não decorrem de negócios jurídicos praticados no exercício de sua atividade comercial. Por conseguinte, não se submetem à hipótese de incidência das contribuições. Não é outra a lição de José Antonio Minatel: “Basta-nos o indicativo da origem, ou seja, ingresso qualificado como benefício governamental e, pronto, estará à margem da regra de incidência das contribuições cuja base de cálculo é a receita auferida, no sentido de proveniente do exercício da atividade empresarial.” 9 De fato, o crédito presumido de ICMS é subvenção pública, de forma que constitui renúncia de receita do Poder Público em favor da atividade 9 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 240. Fl. 227DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 privada, mas com isso, é claro, buscando o interesse público de fomentar a economia, gerando melhoramentos para a sociedade. Desta forma, não caracteriza benefício financeiro que é incorporado ao patrimônio da pessoa jurídica, ou seja, não é receita, e, consequentemente, não pode ser tributado pela Contribuição ao PIS e a pela COFINS. Vê-se que a discussão se relaciona à não incidência tributária, de modo que é irrelevante a falta de disposição no sentido da exclusão da base de cálculo dos montantes relativos ao crédito presumido de ICMS da base de cálculo da Contribuição PIS e da COFINS. Contudo, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, não atenta para esse ponto da questão, e pretende fazer crer, pelo teor da mencionada Solução de Divergência nº 13/11, que por não existir ditame legal nas Leis nº 10.637/02, 10.833/03 ou qualquer outra referente à Contribuição ao PIS e a COFINS permitindo a referida exclusão, ela não poderia ser efetuada. Afinal, não incidência tributária consiste na não ocorrência de fato algum ou na ocorrência de fato irrelevante juridicamente em face da norma jurídica tributária, ou seja, o fato verificado no mundo econômico não se encontra dentro daquele campo descrito como hipótese de incidência tributária da exação. Logo, não nasce a relação jurídica tributária com o respectivo dever do contribuinte de levar determinado montante a título de tributo aos cofres públicos. É o contrário, certamente, do fenômeno da incidência tributária, onde há a perfeita subsunção do fato econômico à lei tributária, gerando o dever do contribuinte levar os devidos tributos aos cofres públicos. Desse modo, a não incidência não se confunde, de forma alguma, com a exclusão da base de cálculo de tributo, a qual diz respeito ao quantum devido a título de tributo. Nas palavras de Paulo de Barros Carvalho a redução da base de cálculo opera “traduzindo singela providência modificativa que reduz o quantum de tributo que deve ser pago.” 10 Verdadeiramente, trata-se de situação em que legislação traz valores que devem ser retirados da base de cálculo do tributo, de modo que a alíquota será aplicada sobre um valor menor, pois sem uma parte que foi excluída pela lei, resultando em montante apurado menos gravoso para o contribuinte. É exatamente no âmbito da exclusão de parcelas da base de cálculo de tributos que o direito pátrio estabelece a regra do artigo 150, §6º da Constituição Federal, cujo conteúdo prescreve que somente lei específica poderá estipular, entre outros, a redução da base de cálculo de tributos. 11 10 Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 24ª ed., p. 492. 11 “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” Fl. 228DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 Tal regra não se aplica às hipóteses de não incidência, pois este é fenômeno que antecede a qualquer benefício fiscal, já que versa sobre a situação em que o direito tributário não alcança uma determinada conjuntura econômica, não fazendo nascer qualquer relação jurídica tributária. Portanto, torna-se sem sentido, falar em falta de legislação para hipóteses de não incidência. Todo esse raciocínio e fundamentação jurídica está ratificado pela jurisprudência do STJ, como se extrai das ementas colacionadas abaixo: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO. NATUREZA JURÍDICA QUE NÃO SE CONFUNDE COM RECEITA OU FATURAMENTO. PRECEDENTES. 1. O crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes de ambas as Turmas de Direito Público. 2. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 626124 / PB, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 19/03/2015, Dje 06/04/2015) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO. INCENTIVO FISCAL. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA DE RECEITA OU FATURAMENTO. 1. Segundo a jurisprudência desta Corte os valores provenientes do crédito presumido do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 6/4/2015; AgRg no REsp 1.494.388/ES, Rel. Ministra Marga Tessler (Juíza Federal convocada do TRF 4ª Região), Primeira Turma, DJe 24/3/2015; AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 19/12/2014; AgRg no REsp 1.329.781/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 3/12/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1247255 / RS, Rel. Min Benedito Gonçalves, julgado em 17/11/2015, DJe de 26/11/2015) “TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstancia-se em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditos-presumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, Fl. 229DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1229134/SC, AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL, 2011/0006506-4, Min. Relator HUMBERTO MARTINS, Órgão Julgador: T2 - SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento 26/04/2011, Data da Publicação/Fonte DJe 03/05/2011).” (g.n.) “CRÉDITO-PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I – (...) II - O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III - Verifica-se que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matéria-prima em outro estado federado. IV - Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditos-presumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V - Recurso especial improvido. (RESP 2008.00.19574-8, RESP - RECURSO ESPECIAL – 1025833, Min. Relator FRANCISCO FALCÃO, Órgão julgador, PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:17/11/2008)” (g.n.) Este Colegiado também decidiu dessa forma no Acórdão n. 3402- 008.281. Dessarte, os créditos presumidos de ICMS que a Recorrente faz jus no Estado do Rio Grande do Sul não são receitas, mas sim reduções de custos tributários e, portanto, estão fora da hipótese de incidência traçada para a tributação das Contribuições ao PIS e a COFINS. Assim, faz-se necessário cancelar a pretensão de tal cobrança. 4. Correção dos créditos pela taxa SELIC No que se refere ao pedido de correção do valor do crédito pela Taxa Selic, os artigos 13 e 15, inciso VI da Lei nº 10.833/2003 colocam expressa vedação legal a tal pretensão, em relação tanto à COFINS como à Contribuição ao PIS. Destaco seu conteúdo: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) VI - no art. 13 desta Lei. Inclusive, tal matéria é objeto da Súmula CARF n. 125, cujo teor transcrevo abaixo: Fl. 230DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 No ressarcimento da Cofins e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Contudo, foi proferida decisão pelo STJ (monocraticamente pelo Ministro Og Fernandes em 03/04/2018, conforme noticiado no PAF 11080917953/2011-43, também de minha relatoria) em favor da Recorrente, no Agravo em Recurso Especial n. 1.044.213/RS. Nesse julgamento, em sentido diametralmente oposto àquele sumulado pelo CARF e estabelecido na Lei n. 10.833/2003, entendeu o STJ ser possível a correção monetária dos pedidos de ressarcimento de crédito de PIS/COFINS. Destaco a seguir a conclusão da referida decisão: Recentemente, a Primeira Seção, ao concluir o julgamento dos EREsp .461.607/SC, consolidou o entendimento segundo o qual somente após decorrido o prazo previsto na lei é que se pode considerar a demora injustificável a admitir a incidência de correção monetária. Assim, a correção monetária, pela taxa Selic, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), pelo que o acórdão recorrido está desalinhado à jurisprudência desta Corte Superior de Justiça. Ante o exposto, com fulcro no art. 932, V, do CPC/2015, c/c o rt. 253, parágrafo único, II, c, do RISTJ, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial a fim de declarar que o termo a quo para a correção monetária dos créditos escriturais incide após o prazo inserto no art. 24 da Lei n. 11.457/2007. Importante ressaltar que de fato se trata de precedente a respeito de créditos de PIS/COFINS (não de IPI), conforme de depreende da ementa do Acórdão do TRF da 4ª Região, citado no início da decisão proferida pelo STJ, in verbis: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. CRÉDITO ESCRITURAL E CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. PRAZO PARA ANÁLISE. LEI Nº 11.457/2007. CORREÇÃO MONETÁRIA.1. Para os requerimentos administrativos protocolados na vigência da Lei nº 11.457/07, o prazo que o Fisco detém para analisar o pedido é de 360 dias, contado da data do protocolo do pedido. Entendimento pacificado no STJ, quando do julgamento de recurso sob o rito dos recursos repetitivos, art. 543- do CPC (Primeira Seção, REsp nº 1.138.206/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, publicado no DJe em 01.09.2010).2. A imposição de prazo para a análise dos pedidos de ressarcimento não implica pagamento imediato.3. Caracterizada a mora do Fisco em reconhecer o direito do contribuinte de aproveitar-se do crédito escritural ou presumido, legitima-se a incidência de correção monetária, de forma a evitar que a Fiscalização se aproveite da própria mora e que ocorra enriquecimento sem causa. A matéria já foi apreciada pelo STJ sob o rito dos recursos repetitivos, disciplinado no art. 543-C do CPC (REsp nº 1.035.847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, 1ª Seção, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009).4. A correção monetária deve ser pela taxa SELIC, e seu termo inicial é a data do protocolo do pedido administrativo. Em consulta ao processo no sítio eletrônico do STJ, vemos que contra essa decisão foi apresentado agravo interno pela Contribuinte, pois almejava que a correção monetária fosse contada a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento. Foi negado provimento a este agravo interno em 16/08/2018, mediante julgado com a seguinte ementa: Fl. 231DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO A QUO. RECURSO FAZENDÁRIO PROVIDO. ÓBICES SUMULARES AFASTADOS. DECISÃO MANTIDA.1. Na recente assentada do dia 22/2/2018, a Primeira Seção concluiu o julgamento dos EREsp 1.461.607/SC, consolidando o posicionamento segundo o qual, somente após decorrido o prazo previsto na lei, se pode considerar a demora injustificável a admitir a incidência de correção monetária. Assim, a correção monetária, pela taxa Selic, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei n. 11.457/2007). 2. Ao agravo em recurso especial e ao recurso especial interpostos não se aplicam, respectivamente, os óbices dos Súmulas 126 e 182 do STJ.3. Agravo interno a que se nega provimento. Foram ainda opostos embargos pela Contribuinte, porém também rejeitados em 21/02/2019. Assim, o processo transitou em julgado em 30/04/2019. Portanto, de fato a Recorrente possui decisão judicial em seu favor, a qual deve ser observada pela Administração Pública, no sentido do direito à a correção monetária dos pedidos de ressarcimento de créditos de PIS/COFINS pela taxa Selic, contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei n. 11.457/2007). Quanto à glosa em relação ao frete de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica, transcreve-se o entendimento majoritário da Turma expresso no voto vencedor. Com as vênias de estilo, em que pese o, como de costume, muito bem fundamentado voto da Conselheira Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz, ouso dela discordar quanto à sua decisão de cancelar a glosa dos créditos vinculados ao frete de transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica. Explico. Inicialmente, tendo em vista que para a presente análise é relevante verificar se este tipo de frete, enquanto serviço adquirido pelo sujeito passivo, se enquadra no conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e de COFINS no regime não-cumulativo, deve-se determinar qual seria este conceito e quais as condições para analisar a subsunção de cada produto e/ou serviço ao mesmo. A matéria foi levada ao Poder Judiciário e, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, datado de 22/02/2018, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o conceito de insumos no âmbito do PIS e da COFINS deve se pautar pelos critérios da essencialidade e relevância dos produtos adquiridos em face à atividade econômica desenvolvida pela empresa, nos seguintes termos: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS Fl. 232DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 247/2002 E 404/2004, DA SRF, (...). DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. (...). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. (...) VOTO (...) 31. Reconheça-se que a interpretação restritiva do conceito de insumos, para fim de creditamento relativo às contribuições PIS/COFINS, tem realmente prevalecido nesta Corte Superior; eis a indicação de decisões nesse sentido, aliás esmeradamente elaboradas por um dos seus mais cuidadosos, meritosos e percucientes julgadores: (...) 37. Contudo, a reflexão nos mostra que o conceito estreito de insumo, para além de inviabilizar a tributação exclusiva do valor agregado do bem ou do serviço, como determina a lógica do comando legal, decorre de apreensão equivocada, com a devida vênia, do art. 111 do CTN em que, aliás, insiste, persiste e não desiste a Fazenda Pública, como se trabalhasse algo aleatório ou incerto, num ambiente em que se prima pelas certezas, qual seja, o ambiente da tributação. (...) 41. Todavia, após as ponderações sempre judiciosas da eminente Ministra REGINA HELENA COSTA, acompanho as suas razões, as quais passo a expor: (...) É importante registrar que, no plano dogmático, três linhas de entendimento são identificáveis nos votos já manifestados, quais sejam: i) orientação restrita, manifestada pelo Ministro Og Fernandes e defendida pela Fazenda Nacional, adotando como parâmetro a tributação baseada nos créditos físicos do IPI, isto é, a aquisição de bens que entrem em contato físico com o produto, reputando legais, via de consequência, as Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004; ii) orientação intermediária, acolhida pelos Ministros Mauro Campbell Marques e Benedito Gonçalves, consistente em examinar, casuisticamente, se há emprego direto ou indireto no processo produtivo ("teste de subtração"), prestigiando a avaliação dos critérios da essencialidade e da pertinência. Tem por corolário o reconhecimento da ilegalidade das mencionadas instruções Fl. 233DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 normativas, porquanto extrapolaram as disposições das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003; e iii) orientação ampliada, protagonizada pelo Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Relator, cujas bases assenhoreiam-se do conceito de insumo da legislação do IRPJ. Igualmente, tem por consectário o reconhecimento da ilegalidade das instruções normativas, mostrando-se, por esses aspectos, a mais favorável ao contribuinte. Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência. No caso em tela, observo tratar-se de empresa do ramo alimentício, com atuação específica na avicultura (fl. 04e). Assim, pretende sejam considerados insumos, para efeito de creditamento no regime de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS ao qual se sujeitam, os valores relativos às despesas efetuadas com "Custos Gerais de Fabricação", englobando água, combustíveis e lubrificantes, veículos, materiais e exames laboratoriais, equipamentos de proteção individual - EPI, materiais de limpeza, seguros, viagens e conduções, "Despesas Gerais Comerciais" ("Despesas com Vendas", incluindo combustíveis, comissão de vendas, gastos com veículos, viagens, conduções, fretes, prestação de serviços - PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone e comissões) (fls. 25/29e). Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observando-se essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual - EPI, em princípio, inserem-se no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de não-cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". (...) 42. Diante do exposto, voto pelo parcial conhecimento do Recurso Especial, para, nesta extensão, dar-lhe parcial provimento, a fim de determinar o retorno dos autos à instância ordinária, nos termos da fundamento supra. A partir do quanto decidido pelo STJ, observa-se que foi expressamente refutada a tese do “conceito ampliado” de insumos, pelo qual todas as despesas que fossem importantes para o funcionamento da pessoa jurídica poderiam gerar crédito das contribuições, o que teria como Fl. 234DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 consequencia sua equivalência às despesas dedutíveis para o IRPJ. Da mesma forma, foi rejeitada a tese da Fazenda Nacional de aplicar o conceito de insumo do IPI (orientação restritiva). Prevaleceu a orientação intermediária, consistente em examinar, casuisticamente, se há emprego direto ou indireto no processo produtivo ("teste de subtração"), prestigiando a avaliação dos critérios da essencialidade (pertinência) e da relevância. Deve ser destacado que toda a análise sobre os bens/serviços que podem gerar créditos se refere à essencialidade e relevância destes dentro do processo produtivo, como indicam os trechos acima destacados em negrito no Acórdão do STJ. Imaginar que dispêndios fora deste pudessem gerar crédito significaria admitir que as aquisições para setores administrativos, que também são essenciais e relevantes para qualquer empresa, igualmente gerariam créditos. Em verdade, essa delimitação consta expressamente do art. 3º, caput, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) De imediato se percebe a necessidade de delimitar o momento de início e fim do processo produtivo, verificável casuisticamente, porém com possibilidade de apresentação de alguns princípios gerais. Assim, em geral, o processo produtivo se inicia quando os insumos que estavam estocados, em galpões de estocagem, silos ou tanques são movimentados para sofrerem transformações físicas, químicas, ou serem agregados/montados a outros insumos, visando a obter um produto novo, objeto da atividade do contribuinte. Logo, até o momento em que estes insumos estão apenas armazenados, “aguardando” para serem requisitados pelo setor de produção, seja em processos contínuos ou processos “à batelada”, sem sofrerem qualquer tipo de ação física, química, ou de montagem, preservando ainda as mesmas características físico-químicas de quando foram adquiridos, não se deve considerar iniciado qualquer processo produtivo. A contrario sensu, deve ser considerado finalizado o processo produtivo quando todas as etapas necessárias à fabricação do produto final já tiverem ocorrido, estando este no mesmo estado físico-químico em que se dará a sua comercialização. Partindo dessas premissas, e considerando que o presente tópico trata da possibilidade de incluir os gastos com fretes (serviços de transporte) no Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 conceito de insumos aptos a gerar créditos das contribuições, vejamos a seguir o entendimento do STJ sobre esta questão. O REsp nº 1.221.170/PR, representativo da controvérsia, foi afetado para julgamento sob o rito dos Recursos Repetitivos, e tratava de um caso concreto de empresa do ramo alimentício que pleiteava o creditamento sobre os valores relativos às despesas efetuadas com "Custos Gerais de Fabricação", englobando: água, combustíveis e lubrificantes, veículos, materiais e exames laboratoriais, equipamentos de proteção individual - EPI, materiais de limpeza, seguros, viagens e conduções, "Despesas Gerais Comerciais" ("Despesas com Vendas", incluindo combustíveis, comissão de vendas, gastos com veículos, viagens, conduções, fretes, prestação de serviços - PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone e comissões). O STJ, após definir, em abstrato, como deveria ser aferido o conceito de insumo, aplicou a tese jurídica ao caso concreto em julgamento, determinando o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual (EPI), excluindo a possibilidade de creditamento do frete, nos termos do voto-vogal do Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, págs. 38/39 do REsp nº 1.221.170/PR: EMENTA (...) 1. Discute-se nos autos o conceito de insumos previsto no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 para fins de dedução de créditos da base de cálculo do Pis e da Cofins na sistemática não cumulativa. (...) 4. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Assim caracterizadas a essencialidade, a relevância, a pertinência e a possibilidade de emprego indireto através de um objetivo “teste de subtração”, que é a própria objetivação da tese aplicável do repetitivo, a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 5. Segundo o conceito de insumo aqui adotado não estão a priori incluídos os seguintes "custos" e "despesas" da recorrente: gastos com veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões. É que tais "custos" e "despesas" (“Despesas Gerais Comerciais”) não são essenciais, relevantes e pertinentes ao processo produtivo da empresa que atua no ramo de alimentos, de forma que a exclusão desses itens do processo produtivo não importa a impossibilidade mesma da prestação do Fl. 236DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 serviço ou da produção e nem, ainda, a perda substancial da qualidade do serviço ou produto e não há obrigação legal para sua presença. (...) 7. ACOMPANHO O RELATOR e proponho o seguinte dispositivo: Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido para determinar o retorno dos autos à origem para que a Corte a quo analise a possibilidade de dedução de créditos em relação aos custos e despesas com água, combustível, materiais de exames laboratoriais e materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual - EPI conforme o conceito de insumos definido acima, tudo isso considerando a estreita via da prova documental do mandado de segurança. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08 (ementa já alterada na conformidade dos dois aditamentos). Em outro trecho do REsp nº 1.221.170/PR, o Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, à pág. 144, esclarece o resultado do julgamento: Registro que o provimento do recurso deve ser parcial porque, tanto em meu voto, quanto no voto da Min. Regina Helena, o provimento foi dado somente em relação aos "custos" e "despesas" com água, combustível, materiais de exames laboratoriais, materiais de limpeza e, agora, os equipamentos de proteção individual - EPI. Ficaram de fora gastos com veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões. Originalmente o meu voto havia sido no sentido de "DIVERGIR PARCIALMENTE do Relator para CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa parte, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, com o retorno dos autos à origem". Assim o fiz na vocalização original de meu voto e no primeiro aditamento. Ocorre que, com o realinhamento do voto do Relator, Min. Napoleão Nunes Maia Filho, à tese que propusemos eu e a Min. Regina Helena, meu voto resta mantido, contudo com a observação de que agora ACOMPANHO o Relator para CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa parte, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, com o retorno dos autos à origem, conforme o explicitado (alterações já realizadas na ementa proposta no voto- vogal). Ou seja, no próprio REsp nº 1.221.170/PR, representativo da controvérsia e julgado sob o rito previsto para os Recursos Repetitivos, foi decidido que ficam de fora gastos com fretes, salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Vejamos o que consta neste dispositivo legal, específico para a Cofins, cujo texto é reproduzido na Lei nº 10.637/2002, específica para o PIS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Observe-se que a lei concede, no inciso IX do caput do art. 3º, o creditamento sobre o frete especificamente na operação de venda, mas Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 silencia em relação ao frete na operação de compra, ou na operação de movimentação interna, o que indica, à toda evidência, que seu creditamento não está permitido, como já decidido expressamente no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Logo, neste caso específico não será possível valer-se dos critérios de essencialidade e relevância, pois, sendo o frete entre estabelecimentos do contribuinte relativo ao transporte de produto já acabado, não há como tratar este serviço como insumo do processo produtivo, tendo em vista que este já se encontra encerrado. Diferentemente seria a situação caso se referisse a frete de produtos em elaboração, por exemplo, remetidos para industrialização por encomenda, uma vez que o processo produtivo ainda está se desenvolvendo. Da mesma forma, não é possível considerar que este dispêndio possa ser considerado “frete na operação de venda”, pelo simples fato de que os produtos aqui analisados ainda não foram vendidos, mas simplesmente transferidos entre estabelecimentos do contribuinte por questões de conveniência mercadológica. O Auditor-Fiscal não realizou nenhuma glosa de créditos originados de frete de operação de venda, mas tão somente de créditos originados de fretes “intercompany”, como reconhece o próprio contribuinte. Como se pode constatar, o art. 3º trata do frete em inciso próprio (inciso IX), por não considerar que este serviço seja um “insumo do processo produtivo”, objeto do inciso II. Apesar de respeitar as opiniões em contrário, isto me parece bastante óbvio pois, como dito, já está encerrado o processo produtivo, uma vez que se trata de “produtos acabados”, e não de “produtos em elaboração”. É lição comezinha de Direito que a Lei não utiliza palavras ou expressões inúteis; se o serviço de frete de venda fosse insumo do processo produtivo, totalmente desnecessário incluir um inciso adicional para a ele se referir, pois já estaria incluso no inciso II. Pela mesma razão, o frete na movimentação interna de produtos acabados é um serviço que não se refere ao processo produtivo. Se o legislador quisesse incluir este serviço como fonte de crédito, haveria um dispositivo próprio, assim como existe para o frete na venda. Aliás, seria até mesmo dispensável qualificar o frete, delimitando-o como “frete na venda”; bastaria a mera referência ao serviço de “frete”, seja ele referente à venda dos produtos ou apenas à sua distribuição por questões de logística. Levar a mercadoria para locais próximos dos compradores, ou deixar que estes paguem o frete para adquirir os produtos diretamente da matriz, é meramente uma estratégia comercial do vendedor. Mesmo que se insista em caracterizar o frete intercompany como insumo, fazendo-se o “teste de subtração”, elemento balizador para os conceitos de “essencial e relevante” observo que, mesmo sem este “frete interno”, a mercadoria continuaria sendo produzida; a exclusão desse item do “processo produtivo” (para aqueles que advogam essa tese) não importa a Fl. 238DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção e nem, ainda, a perda substancial da qualidade do serviço ou produto e não há obrigação legal para sua presença, nos termos do julgamento do REsp nº 1.221.170/PR: VOTO TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). (...) 33. Em recente julgado, a Segunda Turma desta Corte reconheceu o direito de uma empresa que se dedica à produção e comercialização de alimentos a compensar créditos de PIS/COFINS resultantes da compra de produtos de limpeza e desinfecção e de serviços de dedetização empregados no processo produtivo, conforme se verifica na ementa: (...) 5. São "insumos", para efeitos do art. 3o., II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º., II, da Lei 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (...) 41. Todavia, após as ponderações sempre judiciosas da eminente Ministra REGINA HELENA COSTA, acompanho as suas razões, as quais passo a expor: (...) É importante registrar que, no plano dogmático, três linhas de entendimento são identificáveis nos votos já manifestados, quais sejam: (...) ii) orientação intermediária, acolhida pelos Ministros Mauro Campbell Marques e Benedito Gonçalves, consistente em examinar, casuisticamente, se há emprego direto ou indireto no processo produtivo ("teste de subtração"), prestigiando a avaliação dos critérios da essencialidade e da pertinência. Tem por corolário o reconhecimento da ilegalidade das mencionadas instruções normativas, porquanto extrapolaram as disposições das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003; e (...) 5. Segundo o conceito de insumo aqui adotado não estão a priori incluídos os seguintes "custos" e "despesas" da recorrente: gastos com veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões. É que tais "custos" e "despesas" (“Despesas Gerais Comerciais”) não são essenciais, relevantes e pertinentes ao processo produtivo da Fl. 239DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 empresa que atua no ramo de alimentos, de forma que a exclusão desses itens do processo produtivo não importa a impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção e nem, ainda, a perda substancial da qualidade do serviço ou produto e não há obrigação legal para sua presença. 6. Quanto aos "custos" e "despesas" com água, combustível, lubrificante, materiais de exames laboratoriais e materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual - EPI, é o caso de devolver os autos ao Tribunal de origem para que seja analisada, à luz do conceito de insumos aqui adotado, a possibilidade de dedução de créditos desses itens conforme se verifique sua pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, ainda que por aplicação indireta, consoante o “teste de subtração”. Em assim sendo, deverão ser considerados insumos na forma do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. (...) Outrossim, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. Veja-se que este conceito já foi tocado por Marco Aurélio Grego em passagem que transcrevemos ao enfrentar a impossibilidade de ser adotado o conceito de "insumos" próprio do IPI. O mesmo conceito foi mencionado no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, em passagem também já citada de acórdão do CARF. Neste sentido, as seguintes decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ): i) AgInt no REsp 1.890.463/SP, Relator Ministro BENEDITO GONÇALVES, Data da Publicação 26/05/2021: Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. DESPESAS COM FRETE. DIREITO A CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA. 1. Com relação à contribuição ao PIS e à COFINS, não originam crédito as despesas realizadas com frete para a transferência das mercadorias entre estabelecimentos da sociedade empresária. Precedentes. 2. No caso dos autos, está em conformidade com esse entendimento o acórdão proferido pelo TRF da 3ª Região, segundo o qual apenas os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente a terceiros - atacadista, varejista ou consumidor -, e desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. 3. Agravo interno não provido. ii) AgInt no AREsp 1.804.525/RS, Relatora Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, Data da Publicação 17/06/2021: Inadmitido o Recurso Especial, foi interposto o presente Agravo. A irresignação não merece prosperar. Nos termos da jurisprudência de ambas as Turmas da Primeira Seção deste Tribunal, "as despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas Fl. 240DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa ou grupo, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda" (STJ, AgInt no AREsp 1.421.287/MA, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 27/04/2020). Nesse sentido: (...) Ante o exposto, reconsidero a decisão de fls. 3.713/3.720e, pelo que, com fulcro no art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ, conheço do Agravo, para negar provimento ao Recurso Especial. iii) AgInt no AREsp 848.573/SP. Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial. Relator: Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Data da Publicação: 18/09/2020. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/1973. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS/COFINS. DESPESAS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO ENQUADRAMENTO NO CONCEITO DE INSUMO. AGRAVO INTERNO DA EMPRESA A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (...) 3. Na espécie, o entendimento adotado pela Corte de origem se amolda à jurisprudência desta Corte de que as despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda (AgInt no AgInt no REsp. 1.763.878/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 1o.3.2019). 4. Agravo Interno da Empresa a que se nega provimento. iv) AgInt no AREsp 1.421.287/MA. Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial. Relator: Ministro Mauro Campbell Marques. Data da Publicação: 27/04/2020. 4. As despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa ou grupo, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.386.141/AL, Rel. Ministro Olindo Menezes (desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Primeira Turma, DJe 14/12/2015; AgRg no REsp 1.515.478/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/06/2015. v) Embargos de Divergência em Resp nº 1.710.700-RJ. Relator: Ministro Benedito Gonçalves. Data da Publicação: 28/10/2019. O caso dos autos trata de despesa de frete em relação ao deslocamento entre estabelecimentos de uma mesma empresa - ou seja, não há uma operação de venda ou revenda. Por sua vez, o acórdão apontado como paradigma tem por pressuposto uma operação de venda, realizada entre duas empresas distintas. Do voto Fl. 241DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 27 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 condutor proferido no RESP 1.215.773 (fls. 211/216 daqueles autos) transcrevo (com grifos) os seguintes trechos: (...) Assim, o paradigma não trata da despesa de frete referente ao deslocamento entre estabelecimento de uma mesma empresa, mas sim da aquisição efetiva de veículos novos para posterior revenda. Nesse sentido, o voto vencedor proferido no RESP 1.215.773 cuidou de distinguir os dois contextos, nos seguintes termos (grifado): Para afastar qualquer dúvida, devo ressaltar, por outro lado, que o acórdão proferido nos autos do RESP 1.147.902/RS, da Segunda Turma, Ministro Herman Benjamin, DJe de 6.4.2010, não tem pertinência com o caso em debate, não dizendo respeito a transporte de bens para revenda. O referido precedente envolve simples "transferência interna das mercadorias entre estabelecimentos de uma única sociedade empresarial". Eis a ementa do julgado: (...) Como se vê, o próprio voto condutor do acórdão apontado como paradigma cuidou de apartar os contextos fáticos. Inclusive, o precedente RESP 1.147.902/RS (Segunda Turma, Ministro Herman Benjamin, DJe de 6.4.2010) permanece sendo colacionado nos julgados mais recentes sobre o tema, como é o caso do AgInt no AREsp 1237892/SP (Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/09/2019, DJe 16/09/2019), abaixo transcrito. Por outro lado, como se depreende de precedente da Primeira Turma, de dezembro de 2015, há sintonia de entendimentos entre ambos órgãos colegiados fracionários da Primeira Seção do STJ (grifado): (...) 2. As despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. Precedentes. 3. "A norma que concede benefício fiscal somente pode ser prevista em lei específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do CTN, não se admitindo sua concessão por interpretação extensiva, tampouco analógica" (AgRg no REsp nº 1.335.014, CE, relator Ministro Castro Meira, DJe de 08.02.2013). 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 1386141/AL, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/12/2015) O precedente acima continua sendo referido nos julgados mais recentes sobre o tema: (...) III. Na forma da jurisprudência dominante e atual do STJ, "as despesas de frete (nas operações de transporte de produtos acabados, entre estabelecimentos da mesma empresa) não configuram operação de venda, razão pela qual não geram direito ao creditamento do PIS e da Cofins no regime da não cumulatividade" (STJ, REsp 1.710.700/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 13/11/2018). (...) IV. A controvérsia decidida pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento, sob o rito dos recursos repetitivos, do REsp 1.221.170/PR, é Fl. 242DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 28 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 distinta da questão objeto dos presentes autos, consoante admitido pela própria agravante, por petição protocolada perante o Tribunal de origem, e reconhecido também por esta Corte, nos EDcl no AgRg no REsp 1.448.644/RS (Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 18/04/2017). V. Não se aplica ao caso, por ausência de similitude fática, a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do REsp 1.215.773/RS (Rel. p/ acórdão Ministro CESAR ASFOR ROCHA, DJe de 18/09/2012), pois, além de esse precedente não ter abordado a questão objeto dos presentes autos, o inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003 permite o creditamento das despesas de "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor", diferentemente do caso concreto, em que não se verifica operação de venda. (AgInt no AREsp 1237892/SP, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/09/2019, DJe 16/09/2019) Incide, na espécie, o teor da Súmula 168/STJ: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado." vi) Agravo em Recurso Especial nº 874.800-SP. Relator: Ministro Francisco Falcão. Data da Publicação: 16/10/2019. No caso, o Tribunal a quo adotou o fundamento de que não há direito ao creditamento a título de contribuição ao PIS e de COFINS de despesas, insumos, custos e bens, que não sejam expressamente previstos nas Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, ou que não estejam relacionados diretamente à atividade da empresa. (...) Sobre a apontada violação aos arts. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, o recurso especial não comporta provimento. Com efeito, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. A propósito: (...) 1. Fixada a premissa fática pelo acórdão recorrido de que "os custos que a impetrante possui com combustíveis e lubrificantes não possui relação direta com a atividade-fim exercida pela empresa, que não guarda qualquer relação com a prestação de serviço de transportes e tampouco envolve o transporte de mercadorias ao destinatário final, mas constitui, em verdade, apenas despesa operacional", não é possível a esta Corte infirmar tais premissas para fins de concessão do crédito de PIS e COFINS na forma do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nem mesmo sob o conceito de insumos definido nos autos do REsp nº 1.221.170, representativo da controvérsia, tendo em vista que tal providência demandaria incurso no substrato fático-probatório dos autos inviável em sede de recurso especial em razão do óbice da Súmula nº 7 desta Corte. 2. Em casos que tais, esta Corte já definiu que as despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.386.141/AL, Rel. Ministro Fl. 243DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 29 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 Olindo Menezes (desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Primeira Turma, DJe 14/12/2015; AgRg no REsp 1.515.478/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/06/2015. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AgInt no REsp 1763878/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/02/2019, DJe 01/03/2019) vii) Recurso Especial nº 1.712.896-SP. Relator: Ministro Herman Benjamin. Data da Publicação: 28/05/2018. A recorrente, nas razões do Recurso Especial, alega que ocorreu violação dos arts. 3º, I, II e IX, e 15 da Lei 10.833/2003 e do art. 3º, caput, I e II, da Lei 10.637/2002. Defende, em suma, ter direito de descontar do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta da venda de suas mercadorias os créditos referentes às despesas com armazenagem e frete suportados nas transferências entre seus estabelecimentos. (...) Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 14.2.2018. A irresignação não merece prosperar. O entendimento do acórdão recorrido está em consonância com a orientação do STJ. Com efeito, não é toda e qualquer despesa que se pode inserir no conceito de insumo para viabilizar a compensação com o PIS e a CONFINS. À guisa de exemplo, na hipótese dos autos, bem decidiu a Corte de origem ao afastar os custos de frete das despesas passíveis de compensação com as contribuições em debate. Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes: (...) Os Tribunais Regionais Federais também já pacificaram este entendimento, conforme os seguintes precedentes: i) Tribunal Regional Federa da 4ª Região. Apelação Cível nº 5022190- 09.2018.4.04.7107/RS, Relator: Des. Fed. Rômulo Pizzolatti, Data da Decisão 15/06/2021: VOTO 1. Preliminar de nulidade do processo (...) 2. Mérito Ao contrário do que ocorre com o IPI e o ICMS, cuja sistemática encontra- se traçada no texto constitucional, sendo de observância obrigatória, o regime não-cumulativo das contribuições sociais PIS e COFINS foi relegado à disciplina infraconstitucional, sendo de observância facultativa, visto que incumbe ao legislador ordinário definir os setores da atividade econômica que irão sujeitar-se a tal sistemática e, inclusive, em qual extensão. Diferentemente do que ocorre no caso dos impostos anteriormente mencionados, cuja tributação pressupõe a existência de um ciclo econômico ou produtivo, operando-se a não- cumulatividade por meio de um mecanismo de compensação dos valores devidos em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores, a incidência das contribuições PIS e COFINS pressupõe o auferimento de faturamento/receita, fato este que não se encontra ligado a uma cadeia econômica, mas à pessoa do contribuinte, operando-se a não-cumulatividade por meio de técnica de arrecadação que consiste na redução da base de cálculo da Fl. 244DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 30 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 exação, mediante a incidência sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (art. 1º das Leis n.º10.637, de 2002 e 10.833, de 2003), permitidas certas deduções expressamente previstas na legislação (art. 3º das Leis n.º 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003). Portanto, é a lei que estipula quais as despesas que serão passíveis de gerar créditos, bem como a sua forma de apuração, podendo ainda estabelecer vedações à dedução de créditos em determinadas hipóteses, sem que se cogite com isso de ofensa à não-cumulatividade. Por outro lado, analisando a legislação infraconstitucional atinente ao tema, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento - submetido ao regime de recursos repetitivos - do REsp 1.221.170 / PR, firmou as teses de que (a) é ilegal a disciplinade creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns.247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal comodefinido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. O julgado paradigma restou assim sintetizado: (...) Enfim, foi publicada no DOU de 15-10-2019 (seção 1, página 27) a Instrução Normativa RFB nº 1.911, de 11-10-2019, que na sua Subseção II dispôe o seguinte: (...) Como se vê, a Instrução Normativa RFB nº 1.911, de 11-10-2019, a partir do seu art. 171, veio a adequar a interpretação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, no âmbito da administração pública federal, à orientação firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170 / PR, e o fez de forma razoável, em conformidade com os critérios de essencialidade e relevância, nos termos do que assentado pelo Superior Tribunal de Justiça. (...) Com efeito, o transporte de produtos acabados realizados em ou entre estabelecimentos da pessoa jurídica não se trata de serviço utilizado "na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", tal como dispõe o art. 3º, II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Nem tampouco se trata aqui de caso de "frete na operação de venda" cujo o ônus é suportado pelo vendedor, tal como previsto no art. 3º, IX, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Conforme narrado pela demandante na inicial (capítulo "DOS FATOS), ela "realiza o transporte de suas mercadorias para suas filiais, de forma contínua",(...) "por questões logísticas e comerciais", ou seja, a autora realiza o transporte de produtos acabados entre sua matriz e suas filiais antes mesmo e independentemente de as mercadorias terem sido vendidas. Na verdade, conforme esclarece a demandante, o frete do qual pretende se creditar diz respeito à distribuição de mercadorias para filiais localizadas em outras regiões do país, com o intuito de pô-las à venda em outros mercados, não dizendo respeito, portanto, à entrega de mercadorias vendidas. O frete trata-se, nesses termos, de mera despesa operacional. Em suma, não tem a demandante o direito de deduzir crédito de PIS e COFINS das suas despesas com o frete atinente ao transporte de produtos acabados entre Fl. 245DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 31 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 os seus estabelecimentos. Nessa linha, a propósito, é a jurisprudência da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: (...) Sinale-se, enfim, que pouco importa tenha o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, em casos envolvendo terceiros estranhos a esta demanda, adotado a tese que o contribuinte ora defende. Apenas importa no presente caso que a União expressamente se opôs, nos autos, à tese e à pretensão da demandante, na linha , aliás, do que atualmente é previsto na Instrução Normativa RFB nº 1.911, de 11-10-2019. Na verdade, se a tese da demandante viesse sendo adotada no âmbito da Receita Federal do Brasil ou do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, ela nem sequer precisaria agora buscar socorro no Poder Judiciário. Agiu com acerto o juiz da causa, dessarte, ao julgar improcedente a demanda. ii) Tribunal Regional Federa da 4ª Região. Apelação Cível nº 5002201- 71.2019.4.04.7110/RS, Relator: Des. Fed. Francisco Donizete Gomes, Data da Decisão 28/10/2020: VOTO 1. Admissibilidade A apelação interposta se apresenta formalmente regular e tempestiva. Custas satisfeitas no Evento 43. 2. Mérito As impetrantes são tributadas pelo lucro real e, por isto, apuram as contribuições ao PIS/COFINS pelo regime não cumulativo, disciplinado pelas Leis Leis nº 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS). 2.1. Não cumulatividade do PIS/COFINS (...) 2.2 Pretensão ao creditamento de PIS/COFINS sobre as despesas referentes ao frete entre seus estabelecimentos (frete interno ou intercompany) As Impetrantes fundam seu direito ao creditamento de PIS/COFINS sobre as despesas com interno (“intercompany”) nas operações de venda sobre os produtos acabados na previsão contida no art. 3º da Lei inciso IX, c/c art. 15, II, ambos da Lei 10.833/03. (...) Como se observa da legislação acima transcrita, o direito ao crédito de PIS/COFINS sobre as despesas com o frete ocorre apenas nas operações de venda dos bens e serviços adquiridos para revenda quando o ônus tiver sido suportado pelo vendedor. No caso, a pretensão da autora diz respeito ao creditamento das despesas com frete no transporte das mercadorias entre a matriz e filiais ou centros de distribuição. Como não se trata de operação de venda, a situação de fato não se encaixa na previsão normativa e não há o direito ao crédito pela falta de lei específica exigida pelo art. 150, §6º, da CF. (...) Não assiste razão às impetrantes, portanto, sob esse fundamento. 2.3. Creditamento do PIS/COFINS incidente na referida operação na qualidade de insumo à sua atividade - Tema 779/STJ, Recurso Repetitivo nº 1.120.170/PR Fl. 246DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 32 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 Como anteriormente referido, ao editar as Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional relacionou uma série de bens e serviços que integram cadeias produtivas, colocando-os expressamente na condição de "geradores de créditos" de PIS e COFINS na sistemática da não- cumulatividade. (...) Com efeito, não é toda e qualquer despesa que se pode inserir no conceito de insumo para viabilizar a compensação com o PIS e a Cofins. (...) No caso concreto, a par de não ser elegível pela lei como gerador de crédito - uma vez que a lei elegeu como gerador de créditos a despesa de frete relativa à operação de venda ou revenda - o frete interno ("intercompany") igualmente não atende ao critério da essencialidade ("elemento estrutural e inseparável do processo produtivo"), tampouco da relevância (seja em função das particularidades da atividade econômica da empresa ou seja em face de exigências legais), justamente porque é elemento externo ao processo produtivo, uma vez que se relaciona a produtos já acabados. Ademais, não se justifica a pretensão de apropriação de créditos a partir de conceito genérico (insumos) quando a norma de regência já estabeleceu o creditamento para a situação específica (frete), mas reduziu sua abrangência, no caso apenas ao frete da operação de venda, do que não se trata no presente caso. Somente se cogitaria de serviço de transporte como insumo caso a empresa atuasse, por exemplo, no ramo de transportes, do que aqui não se trata (empresa de beneficiamento de arroz e produtos agrícolas - Evento 1 - CONTRSOCIAL3). (...) Assim, a pretensão deve ser afastada também sob esse segundo fundamento. iii) Tribunal Regional Federa da 4ª Região. Apelação Cível nº 5052701- 21.2012.4.04.7100/RS, Relator: Des. Fed. Maria de Fátima Freitas Labarrère, Data da Decisão 06/10/2020: VOTO O acórdão ora objeto de retratação, para fins de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS na sistemática da não cumulatividade, acolheu os critérios adotados pela Receita Federal nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002, 358/2003 e 404/2004. Assim, considerando a pertinência da matéria ao Tema 779/STJ, é caso de submissão do feito à sistemática da retratação (art. 1.030, II, do CPC). 2. Mérito Ao apreciar o Tema 779, o Superior Tribunal de Justiça fixou as seguintes teses: (...) Com se vê, o Superior Tribunal de Justiça acabou por adotar uma posição intermediária entre o que era pleiteado pelos contribuintes - interpretação mais ampla de insumo, considerando todos os custos e despesas relacionados ao serviço prestado ou ao processo produtivo (crédito financeiro), e o sustentado pela Receita Federal, conceito de insumo ligado à noção de crédito físico. (...) A impetrante requer o reconhecimento do seu direito ao crédito de PIS e COFINS sobre os valores despendidos a título de frete para transporte de materiais entre as suas unidades industriais localizadas em Porto Alegre e Fl. 247DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 33 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 Charqueadas, ambas no Rio Grande do Sul, mais especificamente materiais auxiliares e também produtos semi-elaborados em fase de industrialização, cuja fabricação se inicia em uma unidade industrial e termina em outra unidade industrial, assim como para o transporte das embalagens que acondicionam as peças acabadas comercializadas aos seus clientes finais. A subtração do frete entre as suas unidades, não implicaria perda na qualidade do seu processo produtivo, razão que não justifica seu enquadramento na condição de insumos. Assim sendo, são despesas operacionais e não operacionais que podem contribuir para o crescimento ou manutenção da atividade econômica, mas que não são essenciais para a sua realização. Portanto, em consonância com o "teste de subtração", ainda que excluídas tais despesas, o objeto social não restaria inviabilizado. (...) Assim, as despesas com frete para transporte de mercadorias entre estabelecimentos da empresa, nos termos da jurisprudência deste Regional, somente geram créditos em relação ao frete na operação de venda, ainda assim, tão somente quando o ônus do pagamento for suportado pelo vendedor. Não tem o contribuinte o direito a creditamento, no âmbito do regime não- cumulativo do PIS e COFINS (Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003), dos custos com transporte de matérias-primas entre estabelecimentos próprios, justamente por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. iv) Tribunal Regional Federa da 3ª Região. Apelação Cível nº 0014644- 68.2014.4.03.6100, Relator: Des. Fed. Carlos Muta, Publicação em 14/07/2021: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. NULIDADE DA SENTENÇA INEXISTENTE. PIS/COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. INSUMOS. ARTIGO 3º, CAPUT, II, DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. RESP 1.221.170. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. OBJETO SOCIAL. CUSTO QUE NÃO SE REFERE À PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OU FABRICAÇÃO DE BENS OU PRODUTOS DESTINADOS À VENDA. TEMAS REPETITIVOS 979 E 980. DESPESAS OPERACIONAIS. (...) 6. A jurisprudência encontra-se há muito pacificada no sentido de que a pretensão de creditamento a partir de despesas de frete entre estabelecimentos da empresa não encontra respaldo no artigo 3º, IX, da Lei 10.833/2003 (extensível ao PIS pelo artigo 15 do mesmo diploma). Com efeito, não bastasse a literalidade que rege a concessão de benefícios fiscais (artigo 111 do CTN), não há razão para, como objetiva a recorrente, desconsiderar que a legislação especificamente trata de frete na "operação de venda". Não se trata de qualificativo sem significância (como, de resto, é regra hermenêutica basilar), inclusive porque o dispositivo exige que o frete seja suportado pelo vendedor - tornando imperativa, portanto, a existência de uma avença de compra e venda. A própria exposição da apelante evidencia que o frete da fábrica até os centros de distribuição, caracterizada como transferência interna entre estabelecimentos da mesma empresa, e o frete na operação da venda ao consumidor retratam operações distintas, com tratamento tributário distinto. 7. Conforme orientação da Corte Superior quando do julgamento do REsp 1.221.170, para aplicação do regime de não-cumulatividade previsto no artigo 195, § 12, da CF/1988 e, por consequência, e reconhecimento do direito ao Fl. 248DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 34 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 creditamento de tributos pagos na cadeia produtiva, deve ser cotejada a real e efetiva essencialidade do bem ou serviço com o objeto social do contribuinte, restringindo-se o direito ao creditamento somente aos imprescindíveis ou essenciais ao atingimento da finalidade empresarial, excluídos os demais, cabendo, assim, fazer distinção entre o conceito de insumos, afetos ao processo produtivo e ao produto final, de meras despesas operacionais, relacionadas às atividades secundárias, administrativas ou não essenciais da empresa. 8. (...) Aplicando-se o “teste de subtração” delineado no REsp 1.221.170, não há como autorizar creditamento sobre despesas com locação de veículos ou mesmo frete para escoamento da produção, pois não se referem a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", e sim, a custo percebido em etapa econômica posterior. Precedentes. v) Tribunal Regional Federa da 1ª Região. Apelação em Mandado de Segurança nº 0008372-29.2008.4.01.3803, Relator: Des. Fed. Reynaldo Fonseca, Publicação em 24/04/2015: ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. NÃO- CUMULATIVIDADE. LEIS 10.63702 e 10.833/03. EMPRESA COMERCIAL. VENDA DE CEREAIS E BENEFICIAMENTO DE ARROZ. ATIVIDADE- FIM. FRETE NA AQUISIÇÃO DOS PRODUTOS. DISTINÇÃO ENTRE INSUMOS E CUSTOS E DESPESAS. JURISPRUDÊNCIA. 1. O autor busca a declaração do direito ao crédito presumido da contribuição ao PIS e da COFINS, previsto no artigo 3° e incisos, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, em decorrência dos dispêndios/custos de frete pagos no momento da aquisição de matéria prima (arroz com casca a granel), relacionados à consecução de sua atividade. 2. Muito embora o debate apresente complexidade, uma vez que a legislação cuide de atividades de toda ordem, o que se deve verificar, in casu, é o enquadramento do objeto de dispêndio/custos indicado pelo autor (frete) como "insumos", na forma pretendida pelas citadas Leis 10.637 e 10.833. 3. E, conquanto a Instrução Normativa já referida tenha delineado o alcance das citadas Leis 10.633/02 e 10.833/03, o conceito de insumo extrapola a própria norma regulamentar, abrangendo aquilo que entra no processo produtivo e fica integrado ao produto final. 4. Como bem destacado em sentença, a referida Instrução Normativa veio tão somente regulamentar a previsão contida nas Leis nºs: 10.633/2003 e 10.833/2003, não demonstrando restrição do conceito de insumo como alega o apelante. 5. Acerca do tema cumpre acrescentar aresto do egrégio Superior Tribunal de Justiça: "(...) 2. A legislação tributária em comento instituiu o regime da não- cumulatividade nas aludidas contribuições da seguridade social, devidas pelas empresas optantes pela tributação pelo lucro real, autorizando a dedução, entre outros, dos créditos referentes a bens ou serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 3. O direito ao crédito decorre da utilização de insumo que esteja vinculado ao desempenho da atividade empresarial. As despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor. 4. Inexiste, portanto, direito ao creditamento de despesas concernentes às operações de transferência interna das mercadorias entre estabelecimentos de uma única sociedade empresarial. 5. Recurso Especial não provido.". (REsp 1147902/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/03/2010, DJe 06/04/2010) Fl. 249DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 35 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 6. Ademais, as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram hipóteses de não- cumulatividade para as contribuições devidas ao PIS e à COFINS, no que foram reforçadas pela Emenda Constitucional nº 42/2003, que remeteu à lei a possibilidade de definição dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes sobre a receita ou o faturamento do empregador serão não-cumulativas (art. 195, § 12º). 7. No entanto, a não-cumulatividade prevista nas mencionadas leis não foi ampla e ilimitada, como ocorreu com o IPI e o ICMS. Houve a indicação expressa dos créditos que não poderiam ser compensados, para apuração da COFINS e do PIS (art. 3º, §2º). 8. As disposições contidas nas mencionadas leis ordinárias não ofendem a Constituição Federal, que, em nenhum momento, determina a aplicação da não- cumulatividade, na forma pretendida pela impetrante, com relação à COFINS e ao PIS. O comando constitucional contido nos arts. 153, §3º, II, e 155,§2º, I, dirige-se, especificamente, ao ICMS e ao IPI, e não pode ser estendido ao PIS e à COFINS, por mera vontade do contribuinte. Para as hipóteses de IPI e ICMS, o legislador constituinte deixou traçados, fixando os limites objetivos de sua ocorrência, os critérios para que se implementasse a não-cumulatividade, dadas as características desses tributos, enquanto, para o PIS e a COFINS a lei é que deve se incumbir dessa tarefa. 9. Apelação não provida. Igualmente neste sentido, as seguintes decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): i) Acórdão nº 9303-011.782, Sessão de 18/08/2021 CRÉDITO. FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA E GASTOS CORRELATOS. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pelo STJ e do Parecer Cosit nº 5, de 2018, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição da COFINS, bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo- se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. ii) Acórdão nº 9303-011.615, Sessão de 21/07/2021: CRÉDITOS DE FRETES PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes de produtos acabados entre o estabelecimento-fabril da recorrente e centros de distribuição, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para a COFINS na sistemática de apuração não-cumulativa. iii) Acórdão nº 3401-008.305, Sessão de 20/10/2020. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS DE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA PARA PORTOS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. MERA OPÇÃO LOGÍSTICA. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com a transferência de produto acabado para portos e armazéns no caso de exportações indiretas, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente a uma operação de venda, ou de exportação, mas constitui mera opção logística do produtor, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição. iv) Acórdão nº 3402-006.999, Sessão de 25/09/2019. Fl. 250DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 36 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. (...) Voto (...) No caso concreto, observa-se, pelos documentos fiscais juntados, que as despesas com fretes tratam do transporte de produtos acabados da fábrica para os centros de distribuição, em sua maioria de produtos químicos acabados denominados “Roundap” e “Glifosato Técnico”. Desta feita, o transporte de produtos acabados da fábrica para os centros de distribuição não se enquadram em nenhum dos permissivos legais de crédito citados, pois não possui qualquer identidade com aquele frete que compõe o custo de aquisição dos bens destinados a revenda, não se confunde também com o frete sobre vendas, naquele que o vendedor assume o ônus o frete e tampouco pode ser considerado insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem, já que as operações de fretes ocorrem no período pós produção. v) Acórdão nº 3302-006.350, Sessão de 12/12/2018. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. DESCABIMENTO. A sistemática de tributação não-cumulativa do PIS e da Cofins, prevista na legislação de regência Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, não contempla os dispêndios com frete decorrentes da transferência de produtos acabados entre estabelecimentos ou centros de distribuição da mesma pessoa jurídica, posto que o ciclo de produção já se encerrou e a operação de venda ainda não se concretizou, não obstante o fato de tais movimentações de mercadorias atenderem a necessidades logísticas ou comerciais. Logo, inadmissível a tomada de tais créditos. Pelo exposto, voto por negar provimento a este pedido. Fl. 251DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 37 do Acórdão n.º 3402-009.665 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.917983/2011-50 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido manter a glosa de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica e dar provimento ao recurso para não admitir o Crédito presumido de ICMS como receita tributável e para estornar as glosas de frete de matéria prima e embalagem e reconhecer o direito à correção monetária dos pedidos de ressarcimento de créditos de PIS/COFINS pela taxa Selic, contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei n. 11.457/2007). (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 252DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13839.001100/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.045
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o
julgamento do recurso do presente processo, nos termos do art. 62-A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento do recurso do presente processo, nos termos do art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Alberto Pinto Souza Junior . Relatório LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS JORGE EID LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Jundiaí/SP. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Fl. 738DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17113.LM0W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13839.001100/200565 Resolução n.º 130100.045 S1C3T1 Fl. 706 2 Trata o presente processo de pedido de restituição efetuado em 08/06/2005, no valor atualizado de R$232.646,45, referente a pagamentos a título de IRPJ, efetuados nos anoscalendário de 1995 a 2003, nos quais a contribuinte apresentou declaração de rendimentos na forma do Lucro Presumido e aplicou o percentual de 32% sobre a receita bruta para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda. 2. Entende a interessada que, nos termos do art. 15, § 1º, inciso III, letra “a”, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os serviços profissionais por ela prestados são equiparados a serviços hospitalares. Em razão disso, pleiteia a aplicação do percentual de 8% para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda na forma do Lucro Presumido, e a restituição do que pagou a maior pela alíquota de 32%. 3. A DRF em Jundiaí/SP, em decisão de fls. 487/495, datada de janeiro/2007, indeferiu o pedido de restituição dos pagamentos efetuados anteriormente a 08/06/2000 por entender estarem decaídos e com relação aos demais pagamentos por julgar que a atividade da contribuinte não se equipara com a prestação de serviços hospitalares. 4. Inconformada com a decisão de indeferimento do pedido de restituição, da qual tomou ciência por via postal em 17/01/2007, AR de fl. 497, a contribuinte, por meio de seu bastante procurador, legalmente habilitado, postou, em 01/02/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 498/525, acompanhada dos documentos de fls. 526/633, na qual oferece as seguintes razões de fato e de direito: 4.1 – detalha, inicialmente, o seu pedido de restituição de imposto, para, em seguida, afirmar que a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, autoriza interposição de manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu a restituição, transcrevendo o artigo 48, do citado normativo, que prevê o rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972; 4.2 – levanta, em caráter preliminar, a questão da nulidade da decisão da DRF/Jundiaí, por estar baseada na IN nº 306, de 12 de março de 2003, que foi expressamente revogada pelo artigo 36 da IN nº 480, de 15 de dezembro de 2004; 4.3 – no mérito, afirma a impugnante que a decisão recorrida está sedimentada sobre duas escoras, a saber: a uma, que o prazo para o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso de cinco anos, contado a partir da extinção do crédito tributário, caso dos valores recolhidos antes do dia 08/06/2000, e a duas, pelo fato de a atividade da requerente não se confundir com serviços hospitalares, nos termos definidos pelo artigo 23, da IN 306, de 2003; 4.4 – consigna, a seguir, que o pedido de restituição foi protocolizado em 08/06/2005, antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 9 de junho de 2005, destacandose que o Superior Tribunal de Justiça decidiu que os dez anos (tese dos “cinco mais cinco”) serão válidos para as ações ajuizadas até a entrada em vigor da legislação citada; 4.5 – transcreve o artigo 150 e parágrafo 4º, do CTN, além do artigo 174, para asseverar que, em vista da igualdade jurídica das partes, cobrança de créditos, vale a isonomia constitucional contra qualquer dispositivo impeditivo desta salvaguarda de garantia individual, pétrea e cristalina; 4.6 – reproduz extensa jurisprudência, com vistas a corroborar a tese da contagem dos cinco anos após a homologação tácita, que ocorre na falta de expressa concordância do Fisco; Fl. 739DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17113.LM0W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13839.001100/200565 Resolução n.º 130100.045 S1C3T1 Fl. 707 3 4.7 – sob o enfoque da igualdade jurídica, como o Fisco, “latu sensu”, pode cobrar a recorrente em até 11 anos, o prazo deve ser igual para os contribuintes, para recuperação de créditos. Novos acórdãos são transcritos, em apoio à sua tese de que o Fisco, nos lançamentos por homologação, dispõe de prazo de quase 11 anos para cobrar eventual diferença; 4.8 – se não concedido igual prazo aos contribuintes, configurada estaria a violação à Constituição Federal, nos princípios de igualdade e justiça, além do enriquecimento sem causa da União; 4.9 – aduz que a Lei Complementar nº 118, de 2005, contém dispositivo que faz a interpretação do artigo 168, inciso I, do CTN, e que, na ótica do Superior Tribunal de Justiça, só vale para os casos ocorridos após a vigência da aludida legislação; 4.10 – no presente caso, todos os créditos são anteriores à edição da Lei Complementar nº 118, de 2005, razão pela qual se deve aplicar a tese dos “cinco mais cinco”; 4.11 – diz que “O ponto nuclear da quaestio é definir se o benefício envolve não apenas os serviços prestados pelo Hospital, mas sim PARA o Hospital, se enquadrando estes no conceito de serviços hospitalares, e tendo, por conseqüência, o mesmo tratamento tributário, já que ligados à saúde popular.”; 4.12 – cita a Solução de Divergência nº 11, publicada em 21/07/2003, e transcreve suas ementas, para afirmar que vários serviços hospitalares são hoje terceirizados para prestadores de serviços especializados; 4.13 – traz à colação, também, respostas às consultas formuladas por contribuintes e que receberam os números 140, 141 e 142, da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil, da 6ª Região Fiscal, para insistir que os laboratórios em geral, que prestem serviços a clínicas médicas ou similares, estarão fazendo, por extensão, a prestação de serviços hospitalares, enquadrados, portanto, nas alíquotas de 8% do IRPJ e de 12% da CSLL, conforme artigos 15 e 20, da Lei nº 9.249, de 1995; 4.14 – diz que os referidos dispositivos (que transcreve) instituíram benefícios para que mais e mais empresas e profissionais dedicados à saúde, desenvolvam e invistam em serviços hospitalares, destacando que quaisquer restrições dadas pela legislação “infralegal”, que afronte tais primados constitucionais e legais, ofenderá a exegese tributária dada pelo CTN; 4.15 – a jurisprudência judicial vem reconhecendo o direito das pessoas que prestam serviços médicohospitalares a se enquadrarem na base de cálculo incentivada. Transcreve acórdão do Tribunal da 4ª Região; 4.16 – em relação à decisão recorrida, salienta que a autoridade fiscal afirma que a recorrente tem por finalidade a prestação de serviços de laboratório de análises clínicas, anatomia patológica e banco de sangue, não se confundindo com serviços hospitalares nos termos do artigo 23 da IN 306, de 2003; 4.17 – como a aludida IN foi expressamente revogada pelo artigo 36 da IN SRF nº 480, de 2004, tornase necessário entender qual o conceito de serviços hospitalares, disposto no artigo 15, III, “a”, da Lei nº 9.249, de 1995; 4.18 – reproduz os artigos 27 e 32, da IN SRF nº 480, de 2004, com a redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, para dizer que restou reconhecido que a recorrente atende ao requisito das atribuições elencadas nos citados dispositivos legais; Fl. 740DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17113.LM0W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13839.001100/200565 Resolução n.º 130100.045 S1C3T1 Fl. 708 4 4.19 – aduz que, de acordo com a Solução de Consulta nº 154, de 22/06/2006, as condições para que a pessoa jurídica seja considerada prestadora de serviços hospitalares são as seguintes: “A pessoa jurídica ser organizada como sociedade empresária; Exercer uma ou mais das atribuições elencadas pelo artigo 27 da IN 480/04 (tratadas pela RDC nº 50, de 2002), na redação dada pela IN 539/05. Possuir estrutura física condizente com o disposto no item 3 da parte II da RDC 50/02, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal.” 4.20 – a recorrente informa que se transformou em sociedade empresária, conforme contrato social, que anexa ao processo; 4.21 – no tocante à atividade que exerce, afirma que se enquadra na atribuição 4: atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia; 4.22 – com relação à estrutura física do estabelecimento, comprova seu enquadramento na Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, conforme documento competente expedido pela vigilância sanitária municipal; 4.23 – a solução de consulta nº 154, de 22/06/2006, afirma que não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos próprios sócios ou que se refiram exclusivamente ao exercício da atividade intelectual, o que não é o caso presente; 4.24 – os valores a restituir foram atualizados pela taxa selic, conforme previsão do artigo 39, da Lei nº 9.250, de 1995; 4.25 – elenca as conclusões, repetindo toda a sua argumentação já relatada, e requer, ao final, seja acolhida a oposição apresentada, anulandose a decisão que indeferiu o Pedido de Restituição apresentado. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0521.613, de 08/04/2008 (fls. 640/649), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1995 a 07/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. ART. 168 DO CTN. Nos termos do art. 168 do CTN, o direito de pleitear a restituição de tributo, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido, se exaure com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 741DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17113.LM0W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13839.001100/200565 Resolução n.º 130100.045 S1C3T1 Fl. 709 5 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Período de apuração: 01/07/1995 a 31/07/2003 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. CONFIGURAÇÃO. O percentual de 8% para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ na forma do Lucro Presumido somente se aplica nos casos de prestação de serviços médicos, quando cumpridos os requisitos estipulados no art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a redação alterada pela IN SRF nº 539, de 2005. Ciente da decisão de primeira instância em 02/06/2008, conforme documento de fl. 651, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 01/07/2008 (registro de recepção à fl. 652, razões de recurso às fls. 653/689), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Seu direito à restituição não teria sido atingido pela decadência. O prazo para tanto seria de dez anos, à luz de precedentes do STJ e da impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005. Os serviços prestados pela recorrente seriam considerados serviços hospitalares nos termos dos atos expedidos pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil. A interessada menciona, em ordem cronológica: a IN SRF nº 306/2003, art. 23; o ADI SRF nº 18/2003; a IN SRF nº 480/2004, art. 27 (revogou a IN SRF nº 306/2003); e a IN SRF nº 539/2005 (alterou a redação do art. 27 da IN SRF nº 480/2004). Afirma, então, que Com base nos atos acima destacados, o Recorrente, sociedade empresária limitada que tem como atividade a prestação de serviços de laboratório de análises clínicas, anatomia patológica e banco de sangue, conforme previsão expressa contida na Cláusula Terceira de seu Contrato Social que ora segue anexo, refez a apuração do IRPJ dos anoscalendário de 1995 a 2003 e pleiteou, em 08.06.2005, a restituição dos valores recolhidos a maior, tendo em vista que a atividade por ela exercida preenche todos os requisitos exigidos pelos atos internos da Receita Federal do Brasil para a utilização do percentual de presunção do lucro de 8%. Na sequência, a recorrente afirma que preenche todos os requisitos elencados no art. 23 da IN SRF nº 306/2003, revogado pelo art. 27 da IN SRF nº 480/2004, alterado pela IN SRF nº 539/2005. Sua análise inclui menção a diversas soluções de consulta e soluções de divergência prolatadas pela Receita Federal, além de jurisprudência administrativa e do Poder Judiciário, que colaciona. Tais requisitos, segundo sustenta, seriam: (i) os serviços devem estar diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n2 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003. (ii) A estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde deverá atender ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de que trata o caput, conforme comprovação por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; Fl. 742DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17113.LM0W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13839.001100/200565 Resolução n.º 130100.045 S1C3T1 Fl. 710 6 (iii) os serviços devem ser prestados por empresário ou sociedade empresária A interessada alega que o Ato Declaratório Interpretativo nº 19, de 07/12/2007, teria introduzido mudança de critério jurídico na conceituação de serviços hospitalares para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda. Apesar de tal ato não ter sido sequer mencionado na decisão combatida, a recorrente entende que sua publicação corrobora o entendimento por ela adotado, de que, até então, nenhuma dúvida pairava sobre a natureza dos serviços por ela prestados. Acrescenta que os efeitos desse ato devem se produzir ex nunc. Mais uma vez, colaciona soluções de consulta em defesa de seus argumentos. A contribuinte passa, a seguir, a discorrer sobre a nova redação do art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/1995, dada pelo art. 29 da Lei nº 11.727, de 23/06/2008. Por sua ótica, essa nova redação teria natureza claramente interpretativa/declaratória e se prestaria a amparar sua tese sobre a aplicabilidade, ao seu caso, do percentual de 8% na apuração do IRPJ. Ao final, a recorrente alega que tanto a DRF Jundiaí/SP quanto a DRJ Campinas/SP teriam ofendido o princípio da legalidade, por agir em flagrante desrespeito ao art. 15 da Lei nº 9.249/1995 e demais dispositivos citados em seu recurso. Conclui com o pedido de reforma da decisão de primeira instância e reconhecimento integral do direito creditório pleiteado, acrescido da taxa Selic até a data da efetiva restituição. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Trata o presente processo de pedido de restituição efetuado em 08/06/2005, referente a pagamentos a título de IRPJ, efetuados nos anoscalendário de 1995 a 2003. Antes mesmo da análise do mérito do pedido, discutese a aplicabilidade do dispositivo da Lei Complementar nº 118/2005, para fins de verificação do prazo para a repetição do alegado indébito. No âmbito administrativo, releva observar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes, que transcrevo abaixo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Fl. 743DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17113.LM0W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13839.001100/200565 Resolução n.º 130100.045 S1C3T1 Fl. 711 7 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Posteriormente, diante da necessidade de uniformizar os procedimentos previstos no parágrafo 1º, acima, foi publicada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, da qual destaco: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. § 1º. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I – o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II – o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VI , do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2º. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessao de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I – decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II – recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3º. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1º e 2º, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. Pois bem. A matéria da qual trata este processo administrativo se encontra sob apreciação do Supremo Tribunal Federal em diversos processos, entre os quais cumpre destacar o Recurso Extraordinário 566.621, com a decisão que segue1: 1 RE 566.621, em 04/08/2011, DJe nº 195 Divulgação 10/10/2011 Publicação 11/11/2011, Relatora Min. Ellen Gracie. Fl. 744DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17113.LM0W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13839.001100/200565 Resolução n.º 130100.045 S1C3T1 Fl. 712 8 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos Fl. 745DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17113.LM0W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13839.001100/200565 Resolução n.º 130100.045 S1C3T1 Fl. 713 9 tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ressaltese que a própria decisão acima, que ainda não transitou em julgado, determina a aplicabilidade do art. 543B do CPC, aos recursos sobrestados. Tenho por certo, assim: (i) que o presente processo administrativo trata de matéria idêntica àquela submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 543B do CPC; e (ii) que ainda não há decisão definitiva de mérito por parte da Suprema Corte; Considero, pois, plenamente atendidas as condições para a aplicação do § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF, anteriormente transcrito. Por todo o exposto, voto pelo sobrestamento do julgamento do recurso do presente processo, nos termos do art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 746DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17113.LM0W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALDIR VEIGA ROCHA em 22/03/2012 16:56:46. Documento autenticado digitalmente por WALDIR VEIGA ROCHA em 22/03/2012. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 03/05/2012 e WALDIR VEIGA ROCHA em 22/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 01/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP01.0520.17113.LM0W Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 11E613196E6F6CDD293AA7E67ACAA9E48DF9CF2E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13839.001100/2005-65. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 17546.000414/2007-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2000
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24107/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2403-000.272
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
acolher a preliminar de decadência total por qualquer critério previsto no CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24107/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência total por qualquer critério previsto no CTN. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente e relator . Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Nubia Moreira Barros Mazza (Suplente). Ausente o Conselheiro Ivacir Julio de Souza. Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, Acórdão 05-18.814 - 9' Turma, folhas 97 a 99 que julgou procedente a autuação motivada por descumprimento de obrigação tributária principal, fl„ 001. A autuação foi assim resumida no acórdão: Trata-se de NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 37.032 861-2, referente a parte devida pela empresa, no que se refere ci retenção e recolhimento da aliquota de 5% calculada sobre valores destinados a patrocínio. Foi verificado na contabilidade da empresa notificada, que a mesma repassava valores mensais a unia associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional (Guarani Futebol Clube) a titulo de patrocínio e publicidade. Intimada a empresa para apresentar os documentos relativos aqueles lançamentos, estes não foram apresentados, tendo sido por isso autuada.Dessa maneira , as bases de calculo foram aferidas, tendo por base os lançamentos contabeis.A ciência da autuação ocorreu em 12/12/2006 A empresa apresentou recurso à decisão da DRJ, folhas 103 a 126, alegando em síntese que o crédito levantado foi atingido pela decadência e alega a inexigibiIidade da retenção. o relatório.. 2 Processo n° 17546.00041412007-59 AcOrd5o n ° 2403-00.272 S2-C413 Fl 155 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo análise das questões levantadas pela recorrente, PRELIMINAR Decadência: No lançamento, para fins de decadência foi aplicada a regra do artigo 45 da Lei 8,212/91. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991, nestas palavras: Sátizula Vinculante 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8 212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de if 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, teráefeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e ci administração pública direta e indireta, nas esferas .federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art, 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o credito extingue-se em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4 0, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173 é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. CTN: Art, 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanta aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa 1" 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior' homologa cão do lançamento § 2" Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando it extinção total ou parcial do crédito. 3" Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo por ventura devido e, sendo o caso, no imposição de penalidade, ou sua graduação 4"Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados.' I - do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anterior mente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." No presente lançamento, o período do lançamento é de 07/99 a 07/2000, A ciência do lançamento ocorreu em 12/12/2006. Entendo que ocorreu a decadência por qualquer critério do CTN., Conclusão Voto por dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total do tributário com base em qualquer critério do CTN. Sala das Sessões, em 22 de outubro de 2010 CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI — Relator credito 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 17546.000414/2007-59 Recurso n°: 171.610 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2403-00.272 Brasilia, 01 de Dezembro de 2010 ARIA MADALENA SILVA Chefe da Secretaria da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Corn Recurso Especial [ ] Corn Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 16561.000183/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.043
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Os membros da Turma acordam, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Diniz Raposo e Silva. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.000183/200722 Resolução n.º 1301000.043 S1C3T1 Fl. 2 2 RELATÓRIO Em síntese o relatório do necessário para decidir. A autuação decorreu de fiscalização empreendida junta a empresa acima identificada com a finalidade de se verificar a observância da legislação relativa a Preços de Transferência no que diz respeito às suas exportações efetuadas no período de 01/01/2002 a 31/12/2005. Do arbitramento O artigo 19 da Lei n° 9.430/96 (artigo 14 da IN SRF n° 243/2002) determina que estão sujeitas ao controle de preços de transferência as exportações cujo valor não alcance o limite de 90% do respectivo preço de venda no mercado interno. Do cálculo do preço praticado e do preçoparâmetro nas exportações o artigo 16 da IN SRF n° 243/2002 considera que o preço médio será apurado em função das quantidades transacionadas. Dos métodos para apuração do preçoparâmetro Nas exportações sujeitas ao controle de preços de transferência, o preço parâmetro a ser utilizado na comparação com o preço praticado poderá ser calculado por um dos métodos previstos no artigo 19, § 3o , da Lei n° 9.430/96: PVEx (Preço de Venda nas Exportações); PVA (Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro); PVV (Preço de Venda a Varejo no País de Destino, Diminuído do Lucro) e CAP (Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro). Da metodologia Os itens importados no período foram objeto de análise pela fiscalização por amostragem, com os limites estabelecidos pelos dados informados pela contribuinte, apresentados nas respectivas tabelas de banco de dados, certificadas digitalmente. Ou seja, a fiscalização se pautou exclusivamente, para a realização dos cálculos, nas informações prestadas pela contribuinte, que, mediante a assinatura de Termo de Certificação Digital, atestou sua veracidade e validade jurídica, de modo conclusivo. De acordo com os dados fornecidos pela contribuinte, a fiscalização apurou os preçosparâmetro de todos os itens não dispensados pelo critério da margem de 90% conforme art. 19 da Lei n° 9.430/96 e artigo 14 da IN SRF n° 243/2002) pelo método CAP, conforme disposto no artigo 26 da referida IN SRF n° 243/2002. Todas as planilhas, demonstrativos, cálculos e dados utilizados para a apuração dos ajustes acima constam dos anexos do presente Termo, e são parte integrante deste e do respectivo Auto de Infração. Em todos os cálculos foi utilizado arredondamento para 2 casas decimais. Dos lançamentos Fl. 533DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.000183/200722 Resolução n.º 1301000.043 S1C3T1 Fl. 3 3 Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2002: IRPJ no valor de R$ 2.919.693,91 e CSLL no valor de R$ 1.051.089,77, incluídos multa de 75% e juros de mora, com ciência em 21/12/2007. IMPUGNAÇÃO, alega: DA DECADÊNCIA A impugnante apura e recolhe o IRPJ e a CSLL de acordo com o regime de lucro real anual (apurado em bases mensais). Ou seja, nos meses em que há pagamentos, estes são efetuados em bases mensais. E se há pagamentos mensais de tributos ao longo do períodobase, é evidente que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorrem mensalmente. Tanto isso é verdade que, caso o contribuinte não realize os recolhimentos mensais por estimativa, a fiscalização exige a multa isolada e também eventuais diferenças dos tributos, não sendo permitido ao contribuinte sustentar que o fato gerador do IRPJ e da CSLL só ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. Assim, temse que a presente autuação somente poderia se referir a fatos geradores ocorridos a partir de 21/12/2002 (5 anos antes da lavratura do Auto de Infração), não podendo atingir operações realizadas antes desse período. Destaquese que, por serem o IRPJ e a CSLL tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e por não ter havido falta de pagamento desses tributos, a contagem do prazo decadencial, no presente caso, deve se pautar no disposto no artigo 150, § 4o., e não no artigo 173, inciso I, do CTN. DA COMPROVAÇÃO DAS REGRAS DE PREÇOS DE DE TRANSFERÊNCIA. DOCUMENTOS DE EXPORTAÇÃO O artigo 35 da IN SRF n° 243/2002 prevê que o contribuinte pode comprovar a adequação às regras de preços de transferência com os próprios documentos da operação de exportação realizada se, no ano em que foram realizadas tais exportações para pessoas vinculadas, ficar comprovado que foi obtido lucro líquido, antes da provisão do IRPJ e da CSLL, em valor equivalente a, no mínimo, 5% das receitas. No caso em questão, verificase na planilha de resultados da contribuinte (doc. n° 04, fl. 413) que o total de receitas de exportação para pessoas vinculadas em 2002 foi de R$ 333.180.848,87, e o lucro líquido apurado ao final do período foi de R$ 45.671.951,43, que equivale a 13,71% desse total. Em vista disso, a impugnante solicita, preliminarmente, que todas as suas operações de exportação sejam consideradas válidas, com base nos próprios documentos de exportação apresentados à fiscalização, e que o Auto de Infração seja cancelado de plano. DO MÉRITO COLOCAÇÃO DA QUESTÃO Em resumo, a autuação deve ser cancelada pelos seguintes motivos: Fl. 534DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.000183/200722 Resolução n.º 1301000.043 S1C3T1 Fl. 4 4 1. no que diz respeito à soja, não devem ser aplicadas as normas de preços de transferência, uma vez que: a) a contribuinte é mera intermediária na exportação; e b) as operação foram analisadas no âmbito da Louis Dreyfus Commodities S.A. ("LDC"); 2. no caso do óleo essencial de laranja, existem ajustes que devem ser feitos, na medida em que a fiscalização considerou 2 tipos de produtos distintos no cálculo do preço médio de exportação; e 3. quanto ao suco de lima ácida, ao aroma de laranja em fase aquosa e ao terpeno de laranja, não pode a fiscalização arbitrar um preço de exportação para produto derivado de commodity negociada no mercado internacional, que sofre interferência de inúmeros fatores ambientais e políticos. A seguir, discorre sobre cada um dos produtos contestados pela fiscalização. DA MULTA E DOS JUROS A multa aplicada é abusiva e confiscatória, em total confronto com o artigo 150, inciso, IV, da CF/88, devendo ser reduzida. Quanto aos juros de mora, a taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários, uma vez que não foi criada por lei para esse fim, conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça. A autoridade julgadora de primeira instancia decidiu a matéria por meio do Acórdão DRJ/SPO I, 1622.818, de 15/09/2009, (fls. 432 e ss), considerando procedente em parte a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA. IRPJ Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA. Em caso de apuração anual do imposto, considerase ocorrido o fato gerador no encerramento do anocalendário, em 31 de dezembro. A partir dessa data, e não da data dos recolhimentos antecipados, tem início a contagem do prazo decadencial. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. SALVAGUARDA. ("SAFE HARBOUR"). A pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro líquido, antes da provisão da CSLL e do imposto de renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, cinco por cento do total dessas receitas, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nessas exportações, no mesmo período, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação. Condição não satisfeita pela contribuinte. EXPORTAÇÃO DE SOJA. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA.. MÉTODO CAP. Quando a exportação é intermediada por empresa na condição de comercial exportadora, o valor de aquisição pode ser considerado o próprio preçoparâmetro segundo o método CAP (Custo de Aquisição Fl. 535DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.000183/200722 Resolução n.º 1301000.043 S1C3T1 Fl. 5 5 ou de Produção mais Tributos e Lucro), sem novo acréscimo da margem de lucro de 15%. Exigência exonerada. EXPORTAÇÃO DE ÓLEO ESSENCIAL DE LARANJA. MÉTODO CAP. Constatado equívoco na apuração, pela fiscalização, dos ajustes de preço de transferência na exportação do óleo essencial de laranja, exonerase parcialmente a exigência. EXPORTAÇÃO DE COMMODITIES (SUCO DE LIMA ÁCIDA, AROMA DE LARANJA EM FASE AQUOSA E TERPENO DE LARANJA). MÉTODO CAP. Inexistindo impedimento legal para a adoção do método CAP para o cálculo dos ajustes relativos a commodities (suco de lima ácida, aroma de laranja em fase aquosa e terpeno de laranja), mantémse a exigência. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de ofício e o cálculo dos juros de mora taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.000183/200722 Resolução n.º 1301000.043 S1C3T1 Fl. 6 6 VOTO Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. De início assinale que a autoridade julgadora de primeiro grau ,manteve parcialmente os lançamentos, exonerando a exigência fiscal decorrente dos ajustes realizados pela fiscalização em relação as exportações do Produto Soja e, parcialmente, do Óleo Essencial de Laranja, pelo que recorre de ofício. O valor do crédito exonerado supera o limite que sujeita a decisão à revisão necessária. Conheço de ambos os recursos. RECURSO DE OFÍCIO Em primeiro plano cabe analisar o Recurso de Ofício. Neste particular tomo de empréstimo a síntese constante da bem fundamentada decisão recorrida: PRODUTO SOJA: Conforme planilhas de fls. 215, 325 e 415/419, a contribuinte adquiriu da Louis Dreyfus Commodities S.A. 24.916.000 Kg de soja, as quais foram totalmente exportadas para Nethgrain B.V. Esse fato, corroborado pelas notas fiscais de fls. 420/425, comprovam a condição de empresa comercial exportadora da contribuinte, com relação a essas operações. Assim, há que se aplicar o disposto no § 4 o do artigo 26 da IN SRF n° 243/2002, adotando, como preçoparâmetro segundo o método CAP o próprio valor de aquisição, ou seja, R$ 0,395268923 (fl. 325), a ser comparado com o preço médio de exportação, de R$ 0,392634148 (fl. 325), resultando num ajuste unitário de R$ 0,002634775. Considerando, no entanto, que o preçoparâmetro e o preço praticado da exportação, divergem em menos de 5%, inexiste ajuste a ser efetuado, nos termos do artigo 38 da IN SRF n° 243/2002, in verbis: "Art. 38. Será considerada satisfatória a comprovação, nas operações com empresas vinculadas, quando o preço ajustado, a ser utilizado como parâmetro, divirja, em até cinco por cento, para mais ou para menos, daquele constante dos documentos de importação ou exportação. Parágrafo único. Nessa hipótese, nenhum ajuste será exigido da empresa na apuração do imposto de renda, e na base de cálculo da CSLL. Dessa forma, há que se excluir da tributação o ajuste apurado pela fiscalização com relação à exportação de soja.” Fl. 537DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.000183/200722 Resolução n.º 1301000.043 S1C3T1 Fl. 7 7 PRODUTO ÓLEO ESSENCIAL DE LARANJA: Com relação ao óleo essencial de laranja, alega a impugnante que a fiscalização considerou 2 tipos de produtos distintos no cálculo do preço médio de exportação: óleo especial de laranja e terpeno de laranja na fase oleosa. Ao analisarmos as planilhas relativas ao cálculo do preço médio praticado na exportação (fls. 217/219) e do preçoparâmetro segundo o método CAP (fls. 329/333), observamos que, de fato, a fiscalização considerou, indevidamente, o conjunto de 2 tipos de produtos distintos (observese, inclusive, que a planilha de fls. 217/219 refere se a "33011290 ORANGE OIL E VARIANTES"), ao passo que a legislação de preços de transferência determina a apuração de ajustes produto a produto. De acordo com os demonstrativos e planilhas apresentados, as informações relativas a apenas o terpeno de laranja na fase oleosa restam validados os cálculos apresentados pela impugnante no demonstrativo de fl. 375. Dessa forma, com relação ao óleo essencial de laranja, há que alterar o ajuste a título de preço de transferência, de1 R$ 3.305.906,92, para R$ 2.341.907,47, conforme cálculos acima efetuados.” Não faço reparos, pois, à decisão recorrida e nego provimento ao Recurso de Ofício, o qual se relaciona ao item “ajuste do preço de transferência do produto Soja”, exoneração total e, item “Produto de Óleo Essencial de Laranja’, exoneração parcial. RECURSO VOLUNTÁRIO Neste ponto, a apreciação de mérito da questão encontrase prejudicada, visto que a interessada protocolizou em 25/07/2011, pedido de desistência do recurso dirigido ao Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (doc. de fls. 502 e ss), no qual informa que incluiu o débito ora em discussão no programa de parcelamento de débitos tributários instituído pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009, dentro do prazo especificado no artigo 1o., inciso IV, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 2, de 03/02/2011. Aduzindo mais que “Assim sendo, em atenção ao que dispõe a Lei n° 11.941/2009 e o artigo 13 da mesma Portaria n° 2/11, a Requerente manifesta a desistência do Recurso Voluntário interposto no presente processo administrativo, assim como renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se funda o referido recurso. Ao final, a Requerente requer seja arquivado o presente processo.” Por pertinente transcrevo os artigos 9o. e 13 da Portaria Conjunta (RFB/PGFN) 2, de 2011, bem como o art. 78 da Portaria (MF) 256, de 2009 que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 9º Para a consolidação de modalidade de parcelamento ou de pagamento à vista com a utilização de crédito decorrente de Prejuízo Fiscal ou de Base de Cálculo Negativa de CSLL, nos períodos de que trata o art. 1º, o sujeito passivo deverá indicar: I os débitos a serem parcelados ou aqueles que foram pagos à vista; (...) § 2º A indicação dos débitos de que trata o inciso I do caput deverá ser efetuada por intermédio dos sítios da RFB ou da PGFN na Internet nos Fl. 538DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.000183/200722 Resolução n.º 1301000.043 S1C3T1 Fl. 8 8 endereços mencionados no § 2º do art. 1º, ainda que o sujeito passivo tenha anteriormente prestado esta informação perante unidade da RFB ou da PGFN ou em razão do cumprimento do disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 3, de 29 de abril de 2010, e, sendo o caso, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 11, de 24 de junho de 2010. (...) Art. 13. O prazo para desistência de impugnação ou de recurso administrativos ou de ação judicial de que tratam o caput e o § 1º do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009, ficam reabertos até o último dia útil do mês subsequente à ciência do deferimento da respectiva modalidade de parcelamento ou da conclusão da consolidação de que trata o art. 28 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009. § 1º O sujeito passivo deverá selecionar débito com exigibilidade suspensa no momento em que prestar as informações necessárias à consolidação de cada modalidade, ainda que a desistência e a renúncia de que trata o caput sejam: I formalizadas pelo sujeito passivo após a apresentação das informações necessárias à consolidação; ou II analisadas e acatadas pelo órgão ou autoridade competente, administrativo ou judicial, em momento posterior à apresentação das informações necessárias à consolidação. Portaria MF,. 256, de 2009: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. (...) § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Como visto, tratase nos autos do presente processo de apreciação de recurso de Ofício e Recurso Voluntário, portanto, resta evidente que o que importa verificar no caso, quais são os débitos, discutidos nestes autos, que foram indicados pela recorrente quando da sua opção ou consolidação do parcelamento de que trata a Lei 11.941/2009 (total ou parcial), haja vista o disposto no § 3º do art. 78 do RICARF acima. Neste sentido, em homenagem ao princípio da verdade real, voto por converter o julgamento em diligencia para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição da contribuinte junte aos autos documentação relativo ao pedido do parcelamento em apreço, discriminando com relação aos crédito tributários exigidos nestes autos, quais parcelas foram Fl. 539DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.000183/200722 Resolução n.º 1301000.043 S1C3T1 Fl. 9 9 objeto de sua opção ou consolidação, principalmente, no sentido de elucidar se a desistência fora total ou parcial, visto não restar claro na petição apresentada. Após tal providência deverá ser lavrado relatório consubstanciado com a finalidade de dar ciência à interessada para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo no prazo adequado. A seguir, retornem os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para conclusão do seu julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 540DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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