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Numero do processo: 13502.000393/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1996 a 31/05/1998
NULIDADE. VÍCIO. MATERIAL.
É material o vício presente na correta descrição do fato gerador, como no caso em questão, que anulou o lançamento devido a ausência de demonstração de uma das possibilidade de revisão de lançamento, previstas no Art. 149 do CTN, prejudicando o direito de defesa da recorrente.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso - por qualquer regra determinada no CTN - ocorreu a decadência.
Numero da decisão: 2301-003.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício existente no lançamento originário como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido à definição colegiada sobre o vício, na questão da decadência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Sustentação oral: Parvati Teles Gonzáles. OAB: 29.434/BA.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Presidente - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1996 a 31/05/1998 NULIDADE. VÍCIO. MATERIAL. É material o vício presente na correta descrição do fato gerador, como no caso em questão, que anulou o lançamento devido a ausência de demonstração de uma das possibilidade de revisão de lançamento, previstas no Art. 149 do CTN, prejudicando o direito de defesa da recorrente. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso - por qualquer regra determinada no CTN - ocorreu a decadência.
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E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1996 a 31/05/1998 NULIDADE. VÍCIO. MATERIAL. É material o vício presente na correta descrição do fato gerador, como no caso em questão, que anulou o lançamento devido a ausência de demonstração de uma das possibilidade de revisão de lançamento, previstas no Art. 149 do CTN, prejudicando o direito de defesa da recorrente. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso por qualquer regra determinada no CTN ocorreu a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício existente no lançamento originário como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido à definição colegiada sobre o vício, na questão da decadência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Parvati Teles Gonzáles. OAB: 29.434/BA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 03 93 /2 00 8- 16 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13502.000393/200816 Acórdão n.º 2301003.595 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 0280, apresentado contra decisão de primeira instância administrativa, fls. 0287, que decidiu pela procedência do lançamento, nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE. DECADÊNCIA. CONSTITUCIONALIDADE. 0 contratante de serviços executados mediante cessão de mão deobra responde solidariamente com o prestador pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do artigo 31 da Lei 8.212/91. 0 prazo para constituição de novo crédito, substitutivo de anterior declarado nulo pelo CRPS, é de 10 anos contados a partir da data da decisão de anulação (Art. 45, ll da Lei 8.212/91). A constitucionalidade de dispositivos legais não se discute no Processo Administrativo Fiscal. LANÇAMENTO PROCEDENTE Para esclarecimento, o litígio em questão é oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, e constituise em contribuições incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, fls 077, os valores da base de cálculo foram obtidos em notas fiscais de prestação de serviço na construção civil, devido ao instituto da solidariedade. Por fim, o RF informa que o lançamento é substitutivo a lavrado em 18/12/1998 e julgado nulo pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) em 22/09/2003. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 30/12/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0163, acompanhada de anexos, argumentando, em síntese, que: 1. A regra decadencial a ser aplicada deve ser a determinada no Art. 150 do CTN; Fl. 467DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 2. Não se aplica ao caso presente o conceito de cessão de mão de obra; 3. Ante o exposto, solicita o provimento de seu recurso. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0280, acompanhado de anexos, onde reitera, em síntese, os motivos já apresentados em sua defesa. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. A segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara do CARF, analisou a questão, fls. 0320, e decidiu converter o julgamento em diligência, para, em síntese, que fosse anexada a decisão que anulou o lançamento original, a fim de definir os efeitos na regar decadencial a ser aplicada. Ressaltese que h[a equívoco no número do processo, mas isto não impede a análise e decisão sobre o lançamento, pois os documentos anexados pela administração tributária são os relacionados ao lançamento. A Delegacia da Receita Federal em Camaçari anexou as decisões, fls. 0330. O sujeito passivo foi devidamente intimado e não apresentou argumentos. Por fim, o sujeito passivo apresentou argumentos intempestivos, pleiteando, a improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13502.000393/200816 Acórdão n.º 2301003.595 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Quanto às preliminares, a questão a ser analisada. Na época dos fatos, estava em vigor o Art. 45, da Lei 8.212/1991, que determinava que o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias era de dez anos. Com a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo citado, proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cabe a este colegiado definir qual regra decadencial, expressas no Código Tributário Nacional (CTN), deve ser aplicada ao caso. Para esclarecimento, conforme RF, fls. 079, o lançamento em questão substitui o lançamento 32.616.0000 (anulado pela decisão 02/02292/2003, de 22/09/2003, fls. 079). Ressaltese que, em resposta a diligência efetuada foi anexada a devida decisão do CRPS, que não definiu o tipo de vício existente no lançamento, fls. 0332, consignando que: Cabe sim, ao INSS, motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no Inciso LV, do Art. 5°, da CF/88. Portanto, .entendo que o melhor desfecho para a NFLD em 'pauta, é apontar, sua nulidade por cerceamento defesa, possibilitando que o INSS, a seu critério refaça o lançamento, sanando a nulidade apresentada. Registro ainda que em alguns contratos e serviços, vislumbrei a existência de cessão de mão deobra, entretanto volto a reafirmar que cabe à autoridade lançadora motivar seus atos. Tal decisão resguarda os direitos da autarquia no que se refere a prazo decádencial — Inciso II, do Art. 173, do CTN. CONCLUSÃO Face ao exposto, voto por CONHECER DO PEDIDO DE REVISÃO DO CONTRIBUINTE e no mérito DARLHE PROVIMENTO, anulando o Acórdão no 04/02335 /2002, da 4ª CaJ/CRPS, fls. 286. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 Pois bem, o motivo da nulidade do lançamento originário foi a solidariedade na construção civil, sem a devida motivação para tanto, nos seguintes termos: “0 INSS procedeu de forma generalizada apresentando um único modelo de Relatório Fiscal, Pronunciamento Fiscal e DN, sem adentrar nas peculiaridades de cada um dos contratos e/ou serviços. Só quando está CaJ reclamou a necessidade de uma melhor caracterização da cessão de mãodeobra foram apresentados os contratos e outros, ainda assim nenhum esclarecimento foi apresentado, além de teorias. 0 INSS não conseguiu sair do campo da suposição — tese da terceirização, e dos dispositivos legais para a realidade fática dos contratos ou das prestações de serviços.” Para a definição da regra decadencial a ser aplicada, devemos, primeiro definir o vício que anulou os lançamentos originais. Nos atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro.1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13502.000393/200816 Acórdão n.º 2301003.595 S2C3T1 Fl. 5 7 administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição, da exteriorização, do crédito tributário. Já a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regra matriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento e corresponde ao conteúdo do ato administrativo, seu objeto. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. ... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 DECADÊNCIA. 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §50, da Lei n° 8.212/91. DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve evidenciar a ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. (Acórdão 2302002.258, de 22/11/2012, Relatora: Liége Lacroix Thomasi) Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, como determina o II, Art. 173 do CTN, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da certeza da responsabilidade e da existência do fato gerador. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Por todo o exposto, entendo como material o vício presente na correta descrição do fato gerador, como no caso em questão, que anulou o lançamento devido a ausência de demonstração clara do fato gerador, descrição obrigatória para a configuração da solidariedade, prejudicando o direito de defesa da recorrente. Com a decisão do vício como material, a decadência deve ser decretada por qualquer regra presente no CTN (Art. 150 ou 173), pois o prazo continuou a fluir e como a ciência do lançamento ocorreu em 30/12/2005, fls. 001, e as competências em questão referem se ao período de 12/1996 a 05/1998, ocorreu a decadência. Portanto, por qualquer regra decadencial, aplicáveis ao caso § 4º, Art. 150 do CTN ou I, Art. 173 do CTN) as contribuições lançadas estão alcançadas pela decadência. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13502.000393/200816 Acórdão n.º 2301003.595 S2C3T1 Fl. 6 9 Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento do recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 473DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.901934/2008-89
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. HOMOLOGAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Verificando-se a inexistência do crédito informado pelo contribuinte, não deve ser homologada a compensação declarada.
Numero da decisão: 1801-001.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Claudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonca Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Ana De Barros Fernandes
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. HOMOLOGAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Verificandose a inexistência do crédito informado pelo contribuinte, não deve ser homologada a compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Claudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonca Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Ana De Barros Fernandes Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 19 34 /2 00 8- 89 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Tratase de PERDCOMP que visa compensar crédito de CSLL, referente ao período de apuração de apuração de julho de 2004, no valor original de R$ 133.515,70 com débito de IRPJ referente ao período de apuração de outubro de 2004 no valor de R$ 139.857,70. Adoto o relatório da DRJ por bem descrever os fatos: “Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou a compensação formalizada por meio da declaração n° 05745.39813.301104.1.3.048661 (Dcomp), ao argumento de que, embora confirmado, o pagamento considerado pela contribuinte como indevido fora integralmente utilizado para quitação de outros débitos, não remanescendo crédito para a compensação pretendida. A contribuinte admitiu o erro no preenchimento da Dcomp. Disse que o pagamento informado como indevido fora integralmente utilizado na quitação de outro débito. Contudo o débito que se buscava compensar por meio da Dcomp também não existia. Tratavase, assegura a impugnante, de IRPJ por estimativa, que ultrapassava o valor do imposto devido no período, conforme apurado no balancete de suspensão e redução. Com esse fundamento, pugnou pela revisão do despacho decisório, a fim de anular a exigência do crédito tributário.” Conclui a decisão recorrida pelo não reconhecimento do crédito tributário, mantendose a exigência fiscal nos seguintes termos: “A manifestação de inconformidade está assinada por procurador munido do competente instrumento de mandato, e é tempestiva. Entretanto, a pretensão nela deduzida foge A competência deste Órgão de julgamento. Isso porque a requerente não se insurgiu contra o ato pelo qual a autoridade a quo se negou a homologar a compensação. Ao contrário, admitiu de forma inequívoca a inexistência do crédito informado. Eis o que se afirma na impugnação: Indo diretamente ao ponto, razão assiste ao Auditor Fiscal da RFB, Sr. Paulo Eduardo Borges ao glosar o aludido procedimento de compensação, vez que o pagamento da CSLL, citado acima, que deu origem ao crédito utilizado no PER/DCOMP, serviu para quitar débito desta mesma contribuição (.), cujo montante havia sido devidamente apurado e confessado em sua escrita fiscal. (grifo do original) Licito concluir que, se não havia crédito, como confessa a requerente, a compensação não poderia mesmo ser homologada. Não restava outra alternativa à autoridade. Portanto, o conteúdo do despacho decisório é correto e deve prevalecer. Se, de fato, o débito confessado for inexistente, tratase de matéria cujo exame cabe a unidade local, em revisão de oficio, na forma do art. 149 do Código Tributário Nacional — CTN, não cabendo, portanto, a este órgão de julgamento qualquer exame da matéria. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.901934/200889 Acórdão n.º 1801001.483 S1TE01 Fl. 3 3 Advirtase, entretanto, que a autoridade a quo, antes de enviar o débito a inscrição em divida ativa, deverá verificar sua efetiva existência, bem como os efeitos acaso projetados sobre exercícios subseqüentes, sob a forma de saldo credor.” Regularmente intimada, a contribuinte protocola recurso voluntário tempestivo em 24/11/2010 alegando: (i) nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa; por entender ser a Manifestação de inconformidade o meio correto para se discutir o débito referente a IRPJ, PA 10/2004; (ii) a inexistência débito de IRPJ referente ao PA de 10/2004. Voto Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator Conheço do recurso por tempestivo Afasto a preliminar de cerceamento de defesa. Tem razão a autoridade recorrida. Com efeito, em processos decorrentes de não homologação de PERDCOMP, reconhecida a inexistência do crédito pelo próprio contribuinte, carece a DRJ de competência para análise da existência do débito. Conforme determina o parágrafo 6 do artigo 74 da lei 9430/96, “a declaração de compensação constitui confissão de dívida ...” Como bem ressaltado na decisão recorrida cabe à unidade local de jurisdição do contribuinte a análise do débito declarado e confessado em PERDCOMP, em procedimento de revisão de ofício, que pode ser suscitado pelo próprio contribuinte. Quanto à alegação de mérito deixo de conhecêla por incompetência deste colegiado para se manifestar sobre débito confessado pelo contribuinte em processo de compensação, atividade esta de competência da unidade local de jurisdição do contribuinte. Diante do exposto voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Fl. 234DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10735.720274/2009-24
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO SEM LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO.
A autoridade administrativa tributária na verificação do indébito tributário, se foi efetivamente recolhido à Fazenda Pública, pode retroagir aos anos-calendários anteriores, até os recolhimentos/compensações de valores que compuseram o crédito pleiteado. Todavia, não se admite a alteração da base de cálculo do IRPJ apurado espontaneamente, sem a devida formalização do lançamento tributário, com a correspondente lavratura de Auto de Infração, ato administrativo que resguarda as garantias constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa.
Numero da decisão: 1801-001.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, dar provimento ao recurso voluntario. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que convertia o julgamento na realização de diligências. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Redatora designada
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO SEM LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. A autoridade administrativa tributária na verificação do indébito tributário, se foi efetivamente recolhido à Fazenda Pública, pode retroagir aos anos-calendários anteriores, até os recolhimentos/compensações de valores que compuseram o crédito pleiteado. Todavia, não se admite a alteração da base de cálculo do IRPJ apurado espontaneamente, sem a devida formalização do lançamento tributário, com a correspondente lavratura de Auto de Infração, ato administrativo que resguarda as garantias constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa.
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VERIFICAÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO SEM LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. A autoridade administrativa tributária na verificação do indébito tributário, se foi efetivamente recolhido à Fazenda Pública, pode retroagir aos anos calendários anteriores, até os recolhimentos/compensações de valores que compuseram o crédito pleiteado. Todavia, não se admite a alteração da base de cálculo do IRPJ apurado espontaneamente, sem a devida formalização do lançamento tributário, com a correspondente lavratura de Auto de Infração, ato administrativo que resguarda as garantias constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, dar provimento ao recurso voluntario. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que convertia o julgamento na realização de diligências. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 02 74 /2 00 9- 24 Fl. 665DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Carmen Ferreira Saraiva Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp), fls. 03159 e 379394 utilizandose do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor total de R$389.033,40 do anocalendário de 2001, apurado pelo regime do lucro real anual, para compensação dos débitos ali confessados, em conformidade com a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), documentos de arrecadação, Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 165186, e com o dados constantes na Tabela 1. Tabela 1 – Saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001 Cálculo da CSLL a Pagar no Anocalendário de 2001 (A) Valores R$ (B) CSLL Devida 0,00 CSLL Determinada sobre a Base de Cálculo Estimada (389.033,40) (=) CSLL a Pagar (389.033,40) Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 393403, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que: 4. Reproduzimos, abaixo, as informações sobre o crédito extraídas dos autos: Natureza do Crédito (fl. 04) Saldo Negativo de CSLL Exercício 2002 [...] Valor do Saldo Negativo R$3839.033,40 [...] Origem do Crédito (fl. 05) Estimativas Compensadas com saldo negativo de período anteriores PA Janeiro de 2001 R$351.277,11 PA Abril 2001 R$1.319,83 PA Abril 2001 R$37.436,46 PA/Valor das Estimativas Compensadas Total R$389.033,40 PA anual 2000 R$351.277,11 PA anual 2001 R$319,83 PA anual 2000 R$37.436,46 PA/Valor do Saldo Negativo Utilizado Total R$389.033,40 Fl. 666DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.720274/200924 Acórdão n.º 1801001.807 S1TE01 Fl. 3 3 5. Percebese à primeira vista, pelo exame dos dados acima reproduzidos uma inconsistência de registros, uma vez comparada a informação relativa à estimativa compensada, no período de apuração referente a abril/2001, no valor de R$319,83, com a informação relativa ao saldo negativo utilizado, apurado também em abril/2001, o que não é permitido pela legislação. Disciplina a matéria em foco o artigo 5º da IN 460, de 18/10/2004, que autoriza apenas, na hipótese de apuração anual, a utilização de créditos de saldo negativo de CSLL, como objeto de restituição ou compensação, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração. 6. A constatação de tal incorreção orientou para a confrontação entre os registros anteriormente reproduzidos e aqueles a eles correspondentes declarados em DCTF. As consultas acostadas às fls. [166/167] demonstram que, embora os valores das estimativas compensadas nelas declaradas, bem como os seus respectivos períodos de apuração estejam em conformidade com os valores registrados no Per/DComp, o mesmo não se verifica quanto aos períodos de apuração do saldo negativo utilizado, que nas DCTF(s) estão assim expressos: PA anual 1999 R$351.277,11 PA anual 2000 R$319,83 PA anual 1999 R$37.436,46 PA/Valor do Saldo Negativo Utilizado Total R$389.033,40 7. Observouse, pelo exame do conteúdo do conjunto de documentos trazidos aos autos, que a ocorrência do saldo negativo da CSLL, ao longo dos períodos examinados (1999, 2000 e 2001), se deu em cadeia, de modo que as antecipações ocorridas em determinado anocalendário, tanto por estimativas compensadas, quanto por retenção na fonte por órgão público, influenciou a formação do saldo negativo da CSLL a ser utilizado na compensação das estimativas mensais apuradas no anocalendário subsequente, e assim sucessivamente. 8. Considerando tais ocorrências, bem como outros elementos presentes no cálculo da CSLL, que tiveram repercussão significativa na redução dos valores apurados nos períodos examinados, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal nº 28/2010, datado de 24/03/2010 [fls. 187/188]. [...] 12. [Consta na ] Intimação nº 28/2010 um breve relatório denominado “Parte II – Dos fatos a considerar”, com o intuito de ressaltar a importância da qualidade da documentação comprobatória a ser apresentada, juntamente com as respectivas explicações a respeito das dúvidas lá suscitadas a respeito da efetiva existência do direito creditório pleiteado [...] [Foram omitidos documentos relativos a elementos tais que objetiva e significativamente reduziram o montante da contribuição apurada ora examinada e que, se presentes, seriam definitivos quanto à sua força probante, não restando comprovados, assim: outras exclusões no montante de R$12.250.798,00 da base de cálculo da CSLL AC 1999 (DIPJ – fl. 173); os créditos recuperados correspondentes aos períodos de apuração de 1999 e 2000; e a exclusão do valor de R$1.548.090,00 (reversão dos saldos das provisões não dedutíveis) do anocalendário de 2000 (DIPJ – fl. 168), uma vez que os documentos apresentados às fl. 289/290 fazem acreditar Fl. 667DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 que o referido saldo corresponde a R$67.362,00, valor significativamente menor do que aquele utilizado para promover a redução da base de cálculo]. [...] 23. Acrescentese, relativamente à apuração da CSLL AC 2000, que houve débito lançado por auditoria fiscal no período, sob código de receita 2973 (CSLL – lançamento de ofício), PA 12/2000, no montante de R$319.980,88, pouco superior, portanto, ao saldo negativo apurado no período. Esse lançamento encontrase controlado pelo processo 19740.000439/200510 [fl. 227]. A simples constituição do referido crédito tributário, pelo lançamento, ato administrativo que goza da presunção de legitimidade, atinge de forma fulminante a presumida condição de certeza e liquidez do saldo negativo anteriormente apurado (fl. 168), que deixa de ser passível de restituição (artigo 2º, IN 460, de 18/10/2004). O art. 26, §3º, inciso VIII da mesma IN é taxativo: não poderão ser objeto de compensação, entre outros, o crédito que não seja passível de restituição ou de ressarcimento. 24. Podese concluir que é indevido e não pode ser objeto de restituição o valor total do crédito de saldo negativo de CSLL indicado [à fl. 04] e decomposto nas parcelas assinaladas às fl. 05 (a parcela de R$319,83 tendo em vista ter utilizado saldo negativo apurado no mesmo mês e as parcelas de R$351.277,11 e R$37.436,46, em razão do lançamento de ofício ocorrido); 25. Dessa forma, em obediência ao disposto no artigo 31, §1º, inciso I c/c artigo 26, §3º, inciso VIII da IN 460 de 18/10/2004, incluído pela IN 534, de 05.04.2004, devem ser consideradas não declaradas as compensações efetuadas, já que o crédito indicado às fl. 04, para dar sustentação a elas não é passível de restituição ou ressarcimento. [...] Concluímos [...] em face de todos os elementos examinados e de tudo mais que dos autos consta: [...] [a] não restou demonstrada a existência de direito creditório do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, nos moldes definidos pela legislação tributária, capaz de convalidar as declarações de compensação objeto de análise; [b] considerado indevido e não sendo passível de restituição o suposto crédito de saldo negativo da CSLL AC 2000 e 2001, nos moldes informados pelo contribuinte às fl. 04 e 05, devem as compensações efetuadas serem consideradas não declaradas; [c] as compensações efetuadas não produziram efeito extintivo dos débitos nela confessados, como previsto no §2º, artigo 74 da Lei nº 9.430/96; [d] da decisão aqui proposta não caberá manifestação de inconformidade nos termos do §9º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo artigo 17 da lei nº 10.833/2003; 28. Propomos, por fim, em decorrência do disposto no §3º do artigo 31 da IN 460, que se determine a imediata cobrança dos créditos tributários fruto dos débitos confessados nas respectivas DCOMP, não se aplicando, por não configurar a hipótese nele prevista, a multa isolada indicada no §6º, artigo 39 da IN 900, de 30/12/2008, regente neste aspecto, por cominar penalidade menos severa (art. 106, inciso II, alínea c, CTN). Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.720274/200924 Acórdão n.º 1801001.807 S1TE01 Fl. 4 5 A Recorrente ajuizou o Mandado de Segurança nº 2010.51.10.0042007 na 4ª Vara Federal de São João do Meriti/RJ contra o Despacho Decisório, fls. 393403, que considerou a compensação não declarada para que as defesas apresentadas no processo administrativo sejam apreciadas, fls. 482493. Cientificada em 13.05.2010, fl. 405, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 14.06.2010, fls. 406421, com os argumentos a seguir sintetizados. Suscita que Da admissibilidade da presente manifestação de inconformidade [...] O r. despacho decisório informa, na parte final, que o crédito não é passível de restituição ou ressarcimento, ao amparo do que previam os art. 26 e 31 da IN 460/04. Entretanto, in casu, razão não lhe assiste. Ocorre que o crédito fiscal em questão é passível de restituição/ressarcimento, seja pela quitação do lançamento de ofício mencionado como impeditivo do reconhecimento do direito creditório já ocorrida, seja porque a compensação de estimativas mensais com saldo do próprio período acabou por se confirmar ao final desse período de 2001, seja pela operação da decadência do direito de a autoridade fazendária, em 2010, pretender rever procedimentos realizados pelo contribuinte no ano de 2001, seja ainda pela inegável homologação tácita das compensações realizadas nestes autos, em razão do transcurso de mais de 5 anos contados da apresentação do [Per/DComp]. Ademais, a Declaração de Compensação sob análise foi formalizada em 12/2004, data em que a norma administrativa que disciplinava as compensações de créditos tributários federais era a IN SRF nº 460/2004, que não trazia determinação acerca do caráter definitivo das decisões que consideravam não declaradas as compensações. A referida determinação veio com o artigo 67 da IN RFB nº 900/2008 [...]. Com isso, verificase A IN em questão passou a produzir efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, não sendo admissível a aplicação de suas determinações à Declaração de Compensação em discussão, formalizada em 12/2004. Notase que o r. Despacho Decisório em debate buscou retroagir os efeitos da IN RFB nº 900/08 aos fatos ocorridos em 12/2004, contrariando frontalmente as disposições do artigo 99 da IN em análise e o artigo 103, I, do Código Tributário Nacional [...]. [Suscita que o crédito fiscal de titularidade da manifestante já se encontra tacitamente homologado]. Da decadência do direito de a autoridade fazendária rever os procedimentos realizados pelo contribuinte no anocalendário de 2001 No decorrer do despacho decisório, ficou assentado que deveria a manifestante ter apresentado documentação hábil para comprovar seu crédito fiscal, relativamente aos anos de 1999, 2000 e 2001 [...]. Ocorre que o pleito administrativo de restituição e compensação foi formulado em 2004 e a autoridade fazendária deixou escoar o prazo decadencial, por inércia, para o exame dos procedimentos adotados pela interessada nos anos de 1999, 2000 e 2001. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 De acordo com o artigo 156, VI, do Código Tributário Nacional, a homologação do lançamento [...], nos termos do disposto no artigo 150, “caput” e seus §§ 1º a 4º, extingue o crédito tributário. [...] Vêse portanto, no caso de tributos cuja legislação atribui ao contribuinte o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, como é o caso da CSLL, o prazo decadencial foi fixado em cinco anos, tendo como termo inicial a data da ocorrência do seu respectivo fato gerador (12/2001). [...] A Fiscalização somente emitiu o primeiro Termo de Intimação Fiscal à Manifestante em 24/03/2010, ou seja quando esta já não detinha, por total de ausência de previsão legal nesse sentido, a totalidade dos documentos exigidos [por decurso de prazo. [...] Ademais, esclareçase que], no bojo do processo administrativo nº 19740.000439/200510, foi examinado o procedimento por ela realizado no ano de 2001, conforme Termo de Verificação Fiscal exarado pela Divisão de Fiscalização da DEINF/RJ em 18/11/2005, não havendo qualquer menção à glosa de saldo negativo de CSLL, mas apenas a constituição de crédito tributário decorrente da dedutibilidade de tributos com a exigibilidade suspensa, o qual, frisase, já é objeto do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09. Em razão disso, pedese e esperase, desde logo, seja reconhecido o direito creditório da interessada, no valor originário de R$ 389.033,40, tendo em vista ter decaído o direito de a Administração Fazendária realizar o exame dos procedimentos realizados no ano de 2001 Da homologação tácita da [Per/DComp] [...] No caso concreto, a Manifestante transmitiu a [Per/DComp] em questão em 22/12/2004, sendo cientificada do despacho decisório apenas em 07/06/2010, embora assinado em 07/05/2010. Diante desses fatos, é forçoso concluir que a declaração de compensação em questão extinguiu créditos tributários sob condição resolutória de sua ulterior homologação, bem como que o despacho decisório que a analisou foi proferido após o decurso do prazo de 5 anos assinalado pelo art. 74, §5º, da Lei nº 9.430/96 para tal ato. [...] Do lançamento de ofício e da sua não interferência no saldo negativo em questão Uma das duas conclusões utilizadas pelo despacho decisório para considerar o crédito indevido e não passível de restituição, por presunção relativa, é a existência de lançamento de ofício que macularia as parcelas do crédito de R$ 351.277,11 e R$ 37.436,46. Ocorre que esse lançamento de ofício, objeto do processo administrativo nº 19740.000439/300510, constituiu o crédito tributário a título de CSLL decorrente da dedutibilidade de tributos com a exigibilidade suspensa da base de cálculo daquele gravame no anocalendário de 2000. Tal lançamento de ofício foi objeto de parcelamento, nos termos trazidos pela Lei nº 11.941/09, sendo certo que naqueles autos já apresentou a interessada, em 24/02/2010, desistência e renúncia ao recurso voluntário lá interposto. Esse fato – inclusão do crédito objeto do lançamento em parcelamento, que está sendo devidamente adimplido pela Manifestante – é hábil e suficiente para que, se atingível, já fosse recomposto o saldo negativo do anocalendário de 2000, Fl. 670DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.720274/200924 Acórdão n.º 1801001.807 S1TE01 Fl. 5 7 compensado em 2001 com as estimativas mensais de CSLL que compuseram o saldo negativo em apreço. Da compensação de estimativas com saldo do próprio período e da sua não interferência no saldo negativo em questão Por fim, a segunda e última argumentação trazida pelo despacho decisório para considerar a inexistência de crédito é a de que a estimativa mensal de abril/2001 teria sido quitada com saldo do próprio período, o que não seria admissível pela legislação de regência. [...] Esclareçase que se trata de crédito no valor de R$319,83. Em face da existência de recolhimento realizado [...] em montante maior que o devido para mês do ano de 2001, apurado na modalidade de recolhimento por estimativa, excedente ao devido, portanto erroneamente levado aos cofres públicos, possui natureza de crédito,perfeitamente utilizável pelo contribuinte ao amparo do que preceitua a legislação tributária. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante de todos os argumentos de fato e de direito apresentados, pleiteia a interessada seja conhecida, processada como tal e provida a presente Manifestação de Inconformidade, de modo a ser reformado o despacho decisório em questão para, então, ser reconhecido o seu direito creditório, seja em razão da homologação tácita das compensações efetuadas, seja diante do decurso do prazo decadencial para a D. Fiscalização rever os procedimentos praticados pela Manifestante em 2001, seja em face do parcelamento do crédito tributário de CSLL/2000 lançado de ofício e, que nos termos do r. despacho decisório, macularia o saldo negativo aqui pleiteado e utilizado, seja, por fim, em razão da possibilidade de compensar estimativas mensais com saldo do próprio período. Termos em que, pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 8ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1249.680, de 25.09.2012, fls. 495515:“Manifestação de Inconformidade Procedente em parte” HOMOLOGAR TACITAMENTE as DCOMP nº 19932.43428.140105.1. 3.038838, 00165.62763.130405.1.3.032346, 22142.62806.260405.1.3.034489, 16695.85824.140305.1.3.037904, 42881.24831.150305.1.3.032039, 40482.82670.221204.1.3.037682, 17053.16657.150205.1.3.033006 e 40510.51252.210205.1.3.030325 (total de 8); e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 2001, não homologando as 23 (vinte e três) DCOMP remanescentes [...] Restou ementado ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 671DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 8 Anocalendário: 2001 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Por força do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, a compensação declarada pelo sujeito passivo é homologada tacitamente em cinco anos a contar de seu protocolo. SALDO A RESTITUIR DE CSLL INDICADO NA DECLARAÇÃO DE IMPOSTO SOBRE A RENDA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O saldo a restituir, também chamado saldo negativo, indicado na declaração de imposto sobre a renda, é passível de verificação, quanto a sua certeza e liquidez. Os art. 150 e 173 do CTN estabelecem prazo decadencial para constituir o crédito tributário, não implicando em homologação tácita do saldo a restituir informado na declaração. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública que pretenda compensar com débitos apresentados. Notificada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 22.11.2012, fls. 562585, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta apontando argumentos específicos em face: (a) quanto ao montante de R$388.713,57, mencionado que, em face do decurso do prazo prescricional, os valores por ela apurados nos anoscalendário de 1999 e 2000 não poderiam ser mais analisados; (b) quanto ao montante de R$319,93, ressalta que poderia proceder à compensação no mesmo anocalendário de 2001, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional; (c) improcedência do não reconhecimento das exclusões efetuadas no ano calendário de 1999 (R$12.250.798,00) e no anocalendário de 2000 (R$1.548.090,00), por se trata de reversão de provisão técnica realizada de acordo com as normas determinadas pela Susep. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Fl. 672DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.720274/200924 Acórdão n.º 1801001.807 S1TE01 Fl. 6 9 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. No processo não consta a notificação válida da Recorrente da decisão de primeira instância de julgamento. O sujeito passivo deve ser notificado para recolher ou interpor o recurso voluntário no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância de julgamento. Caso o sujeito passivo faça opção por apresentar a peça de defesa, a fase litigiosa no procedimento continua desenvolvendose e permanece inalterado o princípio do devido processo legal, assegurados o contraditório e a ampla defesa, que se iniciou com a apresentação tempestiva da manifestação de inconformidade. O recurso voluntário, que tem efeito devolutivo da matéria devolvida para reexame e suspensivo do crédito tributário objeto da questão litigiosa e conseqüentemente da prescrição correspondente (art. 14, art. 16, art. 23 e art. 33 do Decreto nº 70.235 de 06 de março de 1972 e §§ 11 e 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Por ser matéria de ordem pública, é necessário que os autos sejam instruídos com a notificação válida da Recorrente da decisão de primeira instância de julgamento. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à alteração da CSLL devida apurado pela Recorrente espontaneamente, temse que o “tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, inclusive no que se refere apuração do ilícito tributário referente à omissão de receitas. O Auto de Infração deve ser lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente e que somente preenchidos esses requisitos lhe confere existência, validade e eficácia1. Somente na oportunidade em que esses requisitos são preenchidos é que o lançamento tem existência, validade e eficácia jurídicas. Não há possibilidade jurídica de se supor antecipadamente sem qualquer comprovação em direito admitida e na forma, no lugar e no prazo previstos em lei do hipotético ilícito tributário presumidamente apurado. Por essa razão, a modificação da CSLL a pagar apurada pelo sujeito passivo deve ser efetivada mediante o lançamento de oficio com a citação válida do sujeito passivo para se defender e com a observação do princípio do devido processo legal, contraditório e ampla defesa, nos termos do rito previsto no Decreto nº 70.235, de 06 março de 1972. 1 Fundamentação legal: art. 44 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 10 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, o art. 3º, art. 142 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 10 O valor da CSLL devida apurada pela Recorrente espontaneamente do ano calendário de 1999 não pode ser alterado sem o regular lançamento de ofício. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que a jurisdiciona: (a) juntar nos autos a prova da notificação válida do Acórdão da 8ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1249.680, de 25.09.2012, fls. 495515 para fins de análise da apresentação tempestiva do recurso voluntário. (b) se houver, juntar cópia das peças principais do processo em foi formalizado o Auto de Infração em que foi constituído o crédito tributário pelo lançamento de ofício correspondente à glosa da reversão de provisão técnica no anocalendário de 1999 no valor de R$12.250.798,00 e no anocalendário de 2000 no valor de R$1.548.090,00 ou de apuração de outro ilícito tributário nos referidos períodos. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá cotejar os dados constantes nos registros internos da RFB para como elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes2 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 2 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Voto Vencedor Conselheira Ana de Barros Fernandes, Redatora designada Esta turma, por maioria de votos, entende não ser necessária a realização de diligências estando o presente litígio pronto para ser apreciado. Uma, porque está noticiado nos autos que não foram lavrados os Autos de Infração pertinentes às glosas de reversão de provisão técnica, ato administrativo necessário para que as referidas glosas surtam efeitos tributários. Aliás, também está noticiado que a decadência fulminou os possíveis lançamentos tributários que deveriam ter sido realizados de Fl. 674DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.720274/200924 Acórdão n.º 1801001.807 S1TE01 Fl. 7 11 ofício e que as supostas infrações tributárias cometidas nos anoscalendários de 1999 e 2000 foram detectadas somente em 2010. Neste ponto, a turma concorda com a Relatora que, para alterar o valor do IRPJ devido apurado pela recorrente, fazse necessário o lançamento de ofício devidamente formalizado. E em prazo hábil. Destarte, assiste razão à recorrente no concernente a esta contestação. Outra, porque o Aviso de Recebimento tornase na presente situação desnecessário. Verifiquese às efls. 517 que a unidade de jurisdição despachou no processo com o objetivo de encaminhar cópia do Acórdão proferido em primeira instância na data de 27/09/20123, enquanto o envelope SEDEX, que veiculou o presente recurso, foi encaminhado pela recorrente em 18/10/2012 – efls. 561, por conseguinte dentro do trintídio legal. O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente. Não havendo, pois, diligências a serem realizadas, e não sendo possível alterar base de cálculo do IRPJ sem a devida formalização do lançamento tributário, com lavratura do pertinente Auto de Infração, dáse provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes 3 ACÓRDÃO DÁ PROVIMENTO PARCIAL. HOUVE O RECONHECIMENTO DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DE 8 PERDCOMP´S. CONTUDO, OS RESTANTE FORAM NÃO HOMOLOGADOS.OPERACIONALIZAR. APÓS, ENCAMINHAR CÓPIA JUNTO COM COBRANÇA Fl. 675DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/01/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.902995/2011-21
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 29 95 /2 01 1- 21 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902995/201121 Acórdão n.º 3803005.122 S3TE03 Fl. 97 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento da totalidade do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de partes do Balancete, do livro Razão, do PER/DCOMP, do DARF e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 09/05/2003 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902995/201121 Acórdão n.º 3803005.122 S3TE03 Fl. 98 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do seu pedido, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902995/201121 Acórdão n.º 3803005.122 S3TE03 Fl. 99 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902995/201121 Acórdão n.º 3803005.122 S3TE03 Fl. 100 5 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000274/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL.
Sujeita-se ao arbitramento do lucro a contribuinte que deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou o Livro Caixa.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova se a infração tributária que lhe é atribuída decorre de presunção legal.
DEMAIS TRIBUTOS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Recurso Voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. Sujeita-se ao arbitramento do lucro a contribuinte que deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou o Livro Caixa. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova se a infração tributária que lhe é atribuída decorre de presunção legal. DEMAIS TRIBUTOS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso Voluntário desprovido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
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Recorrida 4ª Turma da DRJ/CPS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. Sujeitase ao arbitramento do lucro a contribuinte que deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou o Livro Caixa. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova se a infração tributária que lhe é atribuída decorre de presunção legal. DEMAIS TRIBUTOS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso Voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 02 74 /2 01 0- 01 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000274/201001 Acórdão n.º 1402001.514 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório Tratase dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 01/05), cumulados com juros e multa de 75%, relativamente ao anocalendário de 2007. Consta do Relatório Fiscal que em 06/04/10 a empresa foi intimada para apresentar a escrituração comercial e fiscal, Livro de Apuração do Lucro Real LALUR e Demonstrativo de Apuração do PIS e COFINS, mas não se manifestou. Reintimada em 05/06/2010 a justificar os motivos da falta de apresentação da documentação fiscal, declarou não ter localizado a documentação contábil do anocalendário 2007. Assim, diante da impossibilidade da apuração das receitas e despesas para fins de apuração do Lucro Real, a fiscalização procedeu ao presente lançamento com base nos critérios para arbitramento do lucro, devido trimestralmente, a partir das receitas apuradas através do Livro de Registro de Saídas de Mercadorias. Inconformada, a Contribuinte apresentou Impugnação (fls. 66/81), aduzindo em sua defesa que: (i) a documentação a ser apresentada se encontrava em posse de uma empresa de contabilidade e que não houve sucesso em localizar o contador; (ii) no procedimento fiscal, houve descumprimento do princípio do devido processo legal, visto que não estava em posse da documentação para apresentação da defesa; (iii) receita não é fato gerador de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e não se encontra razão, para que a autoridade fiscal tenha desconsiderado a escrita fiscal e promovido a apuração com base em arbitramento. Requere prova pericial; (iv) não foi concedido prazo suplementar para apresentação da documentação de defesa; (v) o referido lançamento aplicou tributação sobre o patrimônio e não sobre a renda, havendo afronta ao princípio da capacidade tributária e do não confisco; e (vi) a multa de 75% não tem previsão legal e infringe os princípios do não confisco, da razoabilidade e da legalidade. Após isso, a Contribuinte peticionou nos autos solicitando a juntada dos livros fiscais relativos ao período fiscalizado e autuado, quais sejam, livro diário Geral n. 01, 02 e Livro Razão (fls. 97/279). A 4ª Turma da DRJ/CPS (fls. 327/339), julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita: Fl. 407DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000274/201001 Acórdão n.º 1402001.514 S1C4T2 Fl. 4 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. Comprovada a falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais, cabível é o arbitramento do lucro. Atendidos os pressupostos objetivos e subjetivos na prática do ato administrativo de lançamento, sua modificação ou extinção somente se dará nos casos previstos em lei (CTN, art. 141). Como inexiste arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pelo posterior oferecimento do documentário cuja falta de apresentação foi a causa do arbitramento. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. A forma de tributação utilizada no Lucro Arbitrado, a partir de percentuais determinados de acordo com a atividade exercida, considera a maior parcela da receita bruta apurada como custos ou despesas, respeitando os princípios da capacidade contributiva e de isonomia do sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2007 MULTA DE OFICIO. É devida a multa de ofício no percentual de 75%, sobre os tributos e contribuições devidos, exigidos por meio de regular procedimento de fiscalização, nos termos da legislação aplicável. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS Lavrado o auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN (lei nº 5.172/66), devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2007 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000274/201001 Acórdão n.º 1402001.514 S1C4T2 Fl. 5 4 A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, repisando os argumentos utilizados na sua Impugnação e pleiteando a nulidade do auto de infração diante da apresentação dos documentos contábeis. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. A Recorrente sustenta, preliminarmente, a nulidade do lançamento, haja vista que não estava de posse dos documentos fiscais e contábeis solicitados pela fiscalização, os quais apresentou, extemporaneamente, após o protocolo de sua peça impugnatória. Ora, conforme informações dos autos, por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fl. 03) datado de 19/02/10 e cientificado na mesma data, a contribuinte foi intimada a apresentar Livro Registro de ICMS, Livro Registro de IPI, Livro Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, Livro Diário, Arquivo digital Excel relativo ao valor dos insumos e fornecedores, Arquivo digital Excel referente às notas fiscais de saídas, CNPJ dos clientes e valores; e Balanço e Demonstrativo dos Resultados. Após isso, em 06/04/10, um mês e meio depois, a Recorrente foi novamente intimada a apresentar a escrituração comercial e fiscal, Livro de Apuração do Lucro Real LALUR e Demonstrativo de Apuração do PIS e da COFINS, mas não se manifestou. Reintimada em 06/05/10, dois meses e meio depois de cientificada do Termo de Início de Procedimento Fiscal, a Recorrente foi intimada a apresentar justificativas para a não apresentação da escrituração contábil e fiscal, para fins de apuração do Lucro Real, bem como das contribuições ao PIS e Cofins, quando declarou, tão somente, não ter localizado a documentação contábil do anocalendário 2007 (fl.7). Nesse período, o único livro fiscal apresentado foi o Livro Registro de Saídas. Assim, em 23/06/10, diante da impossibilidade da apuração das receitas e despesas para fins de apuração do Lucro Real, a fiscalização procedeu ao presente lançamento com base nos critérios para arbitramento do lucro, devido trimestralmente, a partir das receitas apuradas através do Livro de Registro de Saídas de Mercadorias. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000274/201001 Acórdão n.º 1402001.514 S1C4T2 Fl. 6 5 Notese, que o tempo despendido entre o início da fiscalização (19/02/10, fl. 03) e a lavratura do Auto de Infração (23/06/10), de aproximadamente quatro meses, mostrase razoável, hábil e suficiente para a localização e apresentação dos livros contábeis e fiscais solicitados pela autoridade lançadora. Com efeito, não merecem amparo as alegações da Recorrente no sentido de que houve cerceamento do seu direito de defesa e de que o auto de infração seria nulo. Ao passo disso, também entendo que não é hipótese de baixar os autos à origem para diligência e verificação dos livros contábeis e fiscais extemporaneamente apresentados, já que a hipótese dos autos justifica o arbitramento do lucro. Nesse contexto, vale dizer, é irrelevante se o contador contratado foi ou não localizado, se negouse ou não a apresentar os livros e documentos solicitados pela autoridade fiscal. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real tem o dever de manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (artigo 251 do RIR/99). Significa, pois, que a escrituração deve obedecer aos preceitos da legislação comercial e da Lei n° 6.404/76 e aos princípios e convenções da contabilidade geralmente aceitos, dentre eles, a convenção da objetividade, segundo o qual "os registros devem ter suporte, sempre que possível, em documentos de transações, normas e procedimentos escritos e práticas geralmente aceitas no ramo comercial específico". Destarte, a Recorrente tinha o dever de guardar os documentos que acobertam a escrituração, nos termos do art. 195, parágrafo único do CTN e art. 264 do RIR/99. Ou seja; a Recorrente tinha o dever de manter consigo a documentação exigida pela fiscalização, não sendo possível, in casu, descontituir o arbitramento realizado, já que a Recorrente teve prazo suficiente para apresentar a documentação e não o fez. Finalmente, cabe lembrar que a DIPJ respectiva foi entregue em branco, sendo certo que não houve o oferecimento de receitas à tributação e não houve apuração de impostos ou contribuições devidos. Ademais, o tema é sumulado por este CARF, conforme abaixo: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Quanto aos demais impostos lançados (CSLL, PIS e COFINS), sendo esse lançamento decorrente da mesma infração tributária que motivou a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), entendo correta a aplicação de idêntica solução. Posto isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter integralmente o auto de infração. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 410DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000274/201001 Acórdão n.º 1402001.514 S1C4T2 Fl. 7 6 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10920.005809/2009-46
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/06/2009
DCTF. MULTA POR ATRASO NA APRESENTAÇÃO.
Confirmado o atraso na entrega da DCTF é aplicável a penalidade por descumprimento de tal obrigação acessória.
Numero da decisão: 1103-000.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em NEGAR provimento ao recurso por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Sérgio Luiz Bezerra Presta, e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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MULTA POR ATRASO NA APRESENTAÇÃO. Confirmado o atraso na entrega da DCTF é aplicável a penalidade por descumprimento de tal obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em NEGAR provimento ao recurso por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Sérgio Luiz Bezerra Presta, e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 58 09 /2 00 9- 46 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10920.005809/200946 Acórdão n.º 1103000.976 S1C1T3 Fl. 39 2 Relatório Tratase de auto de infração para exigência de Multa por atraso na entrega da DCTF relativa ao 1º semestre do anocalendário 2009, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais). O lançamento foi considerado procedente pela Terceira Turma da DRJ – Florianópolis (SC), conforme acórdão de fls.21/22. Devidamente cientificado em 13/5/12 (fl.25), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 10/6/11 (fls.26/30), em que alega, em síntese: não poderia ser penalizado por falha no sistema de recepção/transmissão de DCTF, mantido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); o lançamento deveria ser revisto de ofício, nos termos do art.149, VIII, do Código Tributário Nacional (CTN) c/c art.65 da Lei nº 9.784/99. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. A multa em questão decorre da constatação de atraso na entrega da DCTF relativa ao primeiro semestre de 2009, tendo como fundamento o art.7º, §3º, II, da Lei nº 10.426, de 24/4/02, no valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais): Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: ..... II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10920.005809/200946 Acórdão n.º 1103000.976 S1C1T3 Fl. 40 3 destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (destaquei) Conforme Recibo de Entrega (fl.7), a DCTF foi transmitida em 27/10/09. De acordo com o Ato Declaratório Executivo nº 90, de 11/11/09, o Secretário da Receita Federal do Brasil declarou “...tempestiva a apresentação, no dia 8 de outubro de 2009, da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon, cujo prazo final de entrega encerrouse no dia 7 de outubro de 2009”, bem como, que “...Ficam sem efeito as multas aplicadas pela entrega da DCTF e do Dacon no dia 8 de outubro de 2009” (fl.16). Conforme justificativa exposta no próprio ADE nº 90/09, o adiamento no prazo para a entrega da DCTF deveuse a “...problemas técnicos ocorridos em 7 de outubro de 2009 nos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil para a recepção e transmissão de declarações”. Assim, realmente, confirmamse os problemas técnicos aludidos pelo Recorrente, que, conforme atestou a RFB, dificultaram ou inviabilizaram a transmissão no dia 7/10/09, de maneira que os contribuintes que transmitiram a DCTF no dia seguinte deixaram de ser penalizados. Porém, com a normalização do sistema – ao menos não há comprovação de que os problemas persistiram após aquela data , deixou de existir o motivo que, em um primeiro momento, impediu a transmissão tempestiva, de maneira que não se vislumbra qualquer ilegalidade, falta de razoabilidade ou mesmo imoralidade na decisão que dispensou a imposição da penalidade somente para aqueles que transmitiram a DCTF no dia 8/10/09. A “falha no sistema on line”, como sustenta a defesa, é razão suficiente para dispensar a imposição da penalidade até o dia em que esta perdurou. Na espécie, como houve normalização do sistema em 8/10/09, todas as transmissões de DCTF até tal data foram consideradas tempestivas. Após, não. A própria confirmação de que foi possível a transmissão em 8/10/09, tanto que as multas foram excluídas, consiste em forte indicativo de que os problemas limitaramse ao dia 7/10/09. Cessado o evento que impossibilitou o cumprimento da obrigação acessória no prazo originalmente estabelecido na legislação tributária, o ideal, reconheçase, é que fosse estabelecida uma nova data para entrega, com ampla divulgação. Entretanto, não se pode afastar, por razões de legalidade, a data de 8/10/09 estabelecida pelo Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10920.005809/200946 Acórdão n.º 1103000.976 S1C1T3 Fl. 41 4 Quanto ao art.149, VIII, do CTN1 e art.65 da Lei nº 9.784/962, não são aplicáveis ao caso sob exame. Primeiro, que a aludida falha não consistiu em “fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento”, pois como visto anteriormente o sistema de transmissão de DCTF apresentou problemas apenas em 7/10/09. Quando do lançamento da penalidade, já se sabia que o sistema, após tal data funcionava perfeitamente. Além do mais, o contribuinte não apresentou um único indício de que a falha persistiu, não havendo fato novo que justifique a inadequação da sanção aplicada. Sendo assim, não há reparos a fazer na decisão recorrida ao assim dispor: “[...] O sistema de recepção/transmissão da RFB estava normal no dia seguinte ao vencimento, ou seja, em 08/10/2009, de forma que a empresa, ora impugnante, não precisava ficar esperando uma comunicação da RFB para saber como proceder à entrega da DCTF em questão. Se estivesse transmitido sua DCTF em 08/10/2009, o que era possível, apesar de ser fora de prazo, não sofreria qualquer tipo de sanção, em face da edição do referido ato declaratório. Temse, portanto, como incontestável o fato de a entrega ter ocorrido apenas em 27 de outubro de 2009, fora, inclusive, do prazo estendido pelo ADE (08 de outubro de 2009), de forma que não há que se cogitar de revisão de ofício do lançamento, pois inaplicável ao caso. Portanto, considerando o atraso, a combatida Notificação de Lançamento encontra respaldo legal, sendo devida a multa.” Tendo a multa sido aplicada no valor mínimo, deixase de se proceder à análise dos efeitos decorrentes das alterações do art.57 da MP nº 2.15835/01, realizadas pelas Leis nº 12.766/12 e nº 12.873/13. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro 1 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; 2 Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada. Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar agravamento da sanção Fl. 41DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10920.005809/200946 Acórdão n.º 1103000.976 S1C1T3 Fl. 42 5 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13976.001070/2002-70
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO. RESSARCIMENTO
O crédito presumido de IPI, por força do art. 15, inciso II, da Lei 9.779/99 deve, obrigatoriamente, ser apurado de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz, cabendo somente a este requerer eventual ressarcimento. Não são passíveis de ressarcimento/compensação os créditos presumidos transferidos da matriz para a filial.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRESCRIÇÃO.
Nos termos do art. 1° do Decreto n° 20.910/32, o direito que o contribuinte tem para pleitear o ressarcimento de créditos do IPI oriundos da Lei n° 9.363/96 prescreve no prazo de cinco anos, a contar do final de cada período de apuração trimestral.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM NEGAR PROVIMENTO em relação à preliminar de reconhecimento de homologações tácitas. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. Por unanimidade de votos, no mérito, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso em relação a tese de inexistência de prescrição em face do pedido de restituição do estabelecimento matriz.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO. RESSARCIMENTO O crédito presumido de IPI, por força do art. 15, inciso II, da Lei 9.779/99 deve, obrigatoriamente, ser apurado de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz, cabendo somente a este requerer eventual ressarcimento. Não são passíveis de ressarcimento/compensação os créditos presumidos transferidos da matriz para a filial. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRESCRIÇÃO. Nos termos do art. 1° do Decreto n° 20.910/32, o direito que o contribuinte tem para pleitear o ressarcimento de créditos do IPI oriundos da Lei n° 9.363/96 prescreve no prazo de cinco anos, a contar do final de cada período de apuração trimestral. Recurso Voluntário Negado
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APURAÇÃO. RESSARCIMENTO O crédito presumido de IPI, por força do art. 15, inciso II, da Lei 9.779/99 deve, obrigatoriamente, ser apurado de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz, cabendo somente a este requerer eventual ressarcimento. Não são passíveis de ressarcimento/compensação os créditos presumidos transferidos da matriz para a filial. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRESCRIÇÃO. Nos termos do art. 1° do Decreto n° 20.910/32, o direito que o contribuinte tem para pleitear o ressarcimento de créditos do IPI oriundos da Lei n° 9.363/96 prescreve no prazo de cinco anos, a contar do final de cada período de apuração trimestral. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM NEGAR PROVIMENTO em relação à preliminar de reconhecimento de homologações tácitas. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. Por unanimidade de votos, no mérito, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso em relação a tese de inexistência de prescrição em face do pedido de restituição do estabelecimento matriz. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 10 70 /2 00 2- 70 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES 2 (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13976.001070/200270 Acórdão n.º 3801002.219 S3TE01 Fl. 166 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1432.555, de 16 de fevereiro de 2011, da 2ª. Turma da DRJ de Ribeirão Preto (DRJ/RPO), referente ao processo administrativo n° 13976.001070/200270, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Assim, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, in verbis: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal de Joinville (fls. 66/74), que indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI e não homologou as compensações declaradas. A contribuinte solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 9.363/96 e a Lei n° 10.276/2001, e o saldo credor de IPI do trimestre no valor total de R$ 1.500.797,86 (fl. 01). Intimada a informar a origem do crédito, a contribuinte esclareceu que a maior parte do crédito informado à fl. 01 já havia sido pleiteada em outros processos. Excluídos os valores relativos a outros processos, verificouse que o presente processo referese exclusivamente a crédito presumido de IPI apurado no 3o trimestre de 2002, no valor de R$ 321.005,49. Como esse crédito foi apontado pela contribuinte para a compensação de débitos de IPI de diferentes estabelecimentos, foram formalizados processos específicos, por estabelecimento, que se encontram em anexo. O pedido de ressarcimento foi indeferido e as compensações não foram homologadas, mediante o Despacho Decisório de fls. 44/46, pelos seguintes motivos: 1. O crédito presumido de IPI deve ser apurado e escriturado pelo estabelecimento matriz; 2. No caso de a matriz não utilizar todo o crédito presumido no abatimento de seus débitos, a matriz, e somente ela, pode requerer o ressarcimento/compensação do crédito remanescente; 3. Caso a matriz transfira o crédito para uma filial, o crédito transferido não pode ser objeto de pedido de ressarcimento/compensação; Fl. 167DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES 4 4. O pedido de ressarcimento do crédito presumido em questão foi requerido, irregularmente, pelo estabelecimento filial, CNPJ n° 81.315.426/001531. Irresignada, a requerente apresentou o pedido de revisão (fl. 51) e pedido de reconsideração (fl. 62) do Despacho Decisório. Além disso, apresentou, em 09/01/2008, retificação de pedido de ressarcimento (fl. 63), relativo a crédito presumido de IPI do 3º trimestre de 2002, no valor de R$ 321.005,49, apurado por seu estabelecimento matriz, CNPJ n° 81.315.426/000136. Em 09/12/2008, a autoridade da Delegacia da Receita Federal de Joinville proferiu o Despacho Decisório de fls. 66/74. Indeferiu os pedidos de revisão e reconsideração por entender que tais recursos não seriam admissíveis, pois no caso, o recurso correto seria a manifestação de inconformidade direcionada à Delegacia de Julgamento. De qualquer forma, esclareceu que não procedem os pedidos de revisão e reconsideração porque foi correto o indeferimento do pedido de ressarcimento, já que o mesmo foi indevidamente formulado pelo estabelecimento filial. Em relação à retificação do pedido de ressarcimento, a autoridade fiscal entendeu que o mesmo não deve ser considerado um pedido retificador. já que o pedido inicial já fora indeferido, mas sim, um novo pedido de ressarcimento, agora em nome do estabelecimento matriz. Em seguida, indefere o novo pedido em razão do mesmo ter sido formulado mais de cinco anos após a ocorrência dos fatos geradores do direito ao crédito, quando já havia transcorrido o prazo prescricional. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fl. 79, informando que apresentou pedido de ressarcimento do IPI em 19/12/2002, no valor de R$ 1.500.797,86, e que apresentou retificação do pedido em 09/01/2008, com a intenção de agilizar e facilitar as análises da Receita Federal. A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente a mesma, por entender que “O crédito presumido de IPI, por força do art. 15. inciso II. da Lei 9.779/99 deve, obrigatoriamente, ser apurado de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz. Assim, são improcedentes apurações efetuadas pelo estabelecimento filial. Além disso, nos termos do art. 14 da IN SRF n° 210/2002, vigente à época do pedido, somente o estabelecimento matriz pode requerer o ressarcimento, não são passíveis de ressarcimento/compensação os créditos presumidos transferidos da matriz para a filial.”. Foi também considerado prescrito o 3° trimestre de 2002, pois teria o interessado protocolado pedido em 09/01/2008. Foi considerado que o direito para pleitear o ressarcimento do crédito presumido prescreve no prazo de cinco anos, a contar da data do encerramento do trimestrecalendário em que ocorrer saldo remanescente. A ementa da decisão da DRJ/RPO ora recorrida foi a seguinte: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13976.001070/200270 Acórdão n.º 3801002.219 S3TE01 Fl. 167 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. A partir do I° trimestre de 1999, a apuração do crédito presumido deve ser realizada, obrigatoriamente, de forma centralizada no estabelecimento matriz. Somente o estabelecimento matriz pode requerer o ressarcimento de crédito presumido de IPI. Não são passíveis de ressarcimento/compensação os créditos presumidos transferidos da matriz para a filial. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PRESCRIÇÃO. O prazo prescricional qüinqüenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos do imposto, conforme disposição da legislação tributária sobre a matéria (Decreto n° 20.910/32). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando em suas razões prejudicial de mérito, de que ocorreu homologação tácita das compensações realizadas pela contribuinte, conforme artigo 150, § 4° , do CTN, vejamos: “1.1. Inicialmente, cumpre sinalar que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, caso a lei não fixe*prazo para homologação, será ele de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposições expressas do art. 150, § 4a , do CTN: (...) 1.2. No caso concreto o lançamento tributário ocorreu no dia 19/12/2002, ocasião em que a contribuinte apresentou as Declarações de Compensação, à obviedade, relativamente a fatos geradores ocorridos anteriormente, conforme discriminação feita nas respectivas PER DCOMP. 1.3. No dia 07/02/2003, a contribuinte foi intimada para informar a origem do crédito utilizado nas compensações, cuja resposta foi apresentada no dia 25/02/2003. No dia 15/05/2003, a contribuinte foi novamente intimada, desta vez, para complementar as informações, as, quais foram colacionadas aos autos no dia 14/07/2003, quando se encerrou a instrução do feito. 1.4 Diante disso, a autoridade administrativa tinha o prazo de 30 dias para decidir acerca das compensações realizadas pela contribuinte, a teor do disposto no art. 49 da Lei n° 9.784/99: Art. 49. Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo de até trinta dias para Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES 6 decidir, salvo prorrogação por igual período expressamente motivada, (destacamos) 1.5. Ocorre que além de não ter sido proferida decisão no prazo de 30 dias, contados a partir da conclusão da instrução do processo administrativo, o Despacho Decisório de fls. 44/46 só foi exarado no dia 21/12/2007 quando já haviam transcorrido mais de 05 (cinco) anos da data do lançamento formalizado através dos PERDCOMP protocolados no dia 19/12/2002. 1.6. Impende sinalar, que além das regras previstas no art. 150 do CTN, pertinentes ao prazo para que a Fazenda Pública se pronuncie sobre o lançamento por homologação, o art. 74, § 5° da Lei n° 9.430/96, estabelece prazo específico para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, que também é de 05 (cinco) anos, todavia, ainda mais benéfico ao Fisco, já que não é contado do fato gerador, mas da data da entrega da declaração: (...) 1.7. Expirado o prazo de 05 (cinco) anos no dia 19/12/2007, sem que a Fazenda Pública tivesse se manifestado sobre a compensação realizada pela contribuinte, houve a homologação tácita das referidas compensações, e como corolário, a extinção dos créditos tributários respectivos, na forma do art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430/96 c/c os arts. 150, § 4° e 156, inciso II, do CTN.” Em razões de mérito, alega que “embora o pedido original tenha sido protocolado pela filial, mera "extensão" ou "braço" do estabelecimento matriz, em nada afeta as regras pertinentes à prescrição, já que se trata de um mesmo contribuinte, ou seja, de uma única pessoa jurídica, tanto que a própria legislação relativa ao IPI exige que a apuração, o recolhimento, a apresentação das declarações, etc, sejam feitas de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, procedimentos que seriam completamente inviáveis caso se trata de pessoas jurídicas distintas”. Afirma que protocolou pedido de retificação pelo estabelecimento matriz no dia 09/01/2008, dizendo ser este tempestivo e, portanto, devendo ser direito creditório reconhecido. É o relatório. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13976.001070/200270 Acórdão n.º 3801002.219 S3TE01 Fl. 168 7 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Deste modo, antes de adentrarmos ao mérito da matéria ventilada nos autos, impõese a apreciação de questão de ordem pública e prejudicial ao mérito, em relação a decadência para a Administração Tributária, proceder ou não a homologação da compensação realizada. Analisando a preliminar suscitada pela contribuinte, de que o houve homologação tácita do pedido de reconhecimento de crédito, verificase que esta é procedente. A contribuinte solicitou, através dos PER/DCOMP protocolados no dia 19/12/2002, o ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 9.363/96 e a Lei n° 10.276/2001, e o saldo credor de IPI do trimestre no valor total de R$ 1.500.797,86 (fl. 01). Intimada a informar a origem do crédito, a contribuinte esclareceu que a maior parte do crédito informado à fl. 01 já havia sido pleiteada em outros processos. Foram excluídos os valores relativos a outros processos, verificouse que o presente processo referese exclusivamente a crédito presumido de IPI apurado no 3° trimestre de 2002, no valor de R$ 321.005,49. O Despacho Decisório de fls. 44/46 só foi exarado no dia 21/12/2007 quando já haviam transcorrido mais de 05 (cinco) anos da data do lançamento formalizado. Ou seja, o pedido de ressarcimento foi enviado através de PER/DCOMP em 19/12/2002 e o Despacho Decisório somente foi exarado após 5 (cinco) anos e 2 (dois) dias, em 21/12/2007. A preliminar de prejudicial de mérito suscitada pela contribuinte deve ser acolhida, em conformidade com o art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430/96 c/c o artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. Neste sentido o Acórdão n° 9101001.621, da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na Sessão de 17 de abril de 2013: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA As declarações de compensação resultantes da conversão de pedidos de compensação por expressa determinação legal, considerarseão homologadas tacitamente se transcorrido o prazo de cinco anos, desde a data da protocolização do pedido, sem que a autoridade administrativa se pronuncie. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES 8 Necessário referir que o § 5º foi alterado pela Lei nº 10.833, de 2003 (conversão da MP 135/2003, com efeitos a partir de 30/10/2003), alterando a redação anterior que previa “A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo”. Contudo, consoante igualmente ao julgado cuja ementa foi acima transcrita, “a partir do momento que a lei atribuiu ao contribuinte proceder à compensação independentemente de autorização prévia, dando efeitos de extinção do crédito sob condição resolutória de sua ulterior homologação, não admite, o sistema, que a administração não tenha um prazo para homologar a compensação. O contribuinte não pode ficar ad aeternum, sem saber se seu débito encontrase ou não extinto. A inexistência de prazo para homologação representa violação ao princípio da segurança jurídica”. Não obstante, necessário constar neste voto igualmente a análise das razões de mérito do recurso voluntário. Assim, em que pese ter sido acolhida a preliminar de prejudicial de mérito, passarseá agora a analisar as razões de mérito apresentadas pela contribuinte. O crédito presumido de IPI, por força do art. 15, inciso II, da Lei 9.779/99 deve, obrigatoriamente, ser apurado de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz. Assim, são improcedentes apurações efetuadas pelo estabelecimento filial. Assim, nos termos do art. 14 da IN SRF n° 210/2002, vigente à época do pedido, somente o estabelecimento matriz pode requerer o ressarcimento, não são passíveis de ressarcimento/compensação os créditos presumidos transferidos da matriz para a filial. A retificação de pedido de ressarcimento (fl. 63) protocolada em 09/01/2008, ou seja, após já ter sido exarado o Despacho Decisório, não pode ser considerada como tal, mas sim como um novo pedido de ressarcimento. Correto portanto o entendimento da DRJ de origem, não merecendo reforma. Nos termos do art. 1° do Decreto n° 20.910/32, o direito que o contribuinte tem para pleitear o ressarcimento de créditos do IPI oriundos da Lei n° 9.363/96 prescreve no prazo de cinco anos, a contar do final de cada período de apuração trimestral. Portanto, sendo o prazo para pleitear o ressarcimento do crédito em questão (3° trimestre de 2002) a data de 30/09/2007, eis que o prazo prescricional qüinqüenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos do imposto, conforme disposição da legislação tributária sobre a matéria – Decreto n° 20.910/32 –, o pedido efetuado pela matriz em 09/01/2008 está prescrito. Não assiste razão à recorrente ao invocar a suspensão/interrupção do prazo prescricional com fulcro no art. 4° do Decreto n° 20.910/32 uma vez se trata de um novo pedido de ressarcimento, conforme já exposto Assim, se adentrado no mérito do presente Recurso Voluntário, verificase que este é improcedente. Contudo, a preliminar de mérito deve ser acolhida. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, acolhendo a prejudicial de mérito suscitada pela contribuinte, a fim de reconhecer a ocorrência de homologação tácita da PER/DCOMP, reconhecendose assim à contribuinte o crédito presumido de IPI apurado no 3° trimestre de 2002, no valor de R$ 321.005,49. É o meu voto. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13976.001070/200270 Acórdão n.º 3801002.219 S3TE01 Fl. 169 9 (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. . Fl. 173DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES 10 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à preliminar de homologação tácita das compensações. Conforme relatado, o presente processo referese exclusivamente a crédito presumido de IPI apurado pela filial de CNPJ 81.315.426/001531 relativo ao 3o trimestre de 2002, no valor de R$ 321.005,49, que foi utilizado para compensações de diversos débitos de outros estabelecimentos da recorrente, através de Declarações de Compensação protocoladas em 19/12/2002. Posteriormente foram retificadas as Declarações de Compensação, cujos processos se encontram apensados, referentes a esses mesmos débitos compensados, conforme tabela abaixo: Tributo Período de Apuração Valor CNPJ DCOMP (data do protocolo) IPI 2ºo Dec. 12/2002 10.000,00 81.315.426/000136 15/01/2003 IPI 3ºo Dec.11/2002 8.000,00 81.315.426/000306 13/10/2003 IPI 1° Dec. 12/2002 80.000,00 81.315.426/000489 15/01/2003 IPI 2ºÜ Dec. 12/2002 43.549,64 81.315.426/000489 15/01/2003 IPI 3ºo Dec. 12/2002 13.000,00 81.315.426/000489 15/01/2003 IPI 3° Dec. 11/2002 10.000,00 81.315.426/000993 13/10/2003 IPI 3° Dec. 11/2002 76.455,85 81.315.426/001370 13/10/2003 IPI 1° Dec. 12/2002 80.000,00 81.315.426/001370 15/01/2003 Com base no despacho decisório de fls. 69/72, o direito creditório não foi reconhecido e as compensações não homologadas, com ciência em 27/12/2007. A despeito do precedente colacionado ao voto vencido, de que a Lei nº 10.637/2002 previa a conversão de pedidos de compensação feitos anteriormente a 1º de outubro de 2002 em DCOMP, desde o seu protocolo, esta situação não se amolda ao caso vertente. A Lei nº 10.833/2003 dispôs que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tendo em vista que na data da ciência do Despacho Decisório que não homologou as Declarações de Compensação dos débitos referentes ao presente processo, contado da data dos respectivos protocolos, esse prazo de 5 (cinco) anos ainda não havia se exaurido, não há que se falar em homologação tácita dos mesmos. Nas razões de mérito apresentadas entendo que não assiste razão à recorrente e acompanho a fundamentação do voto do relator. Isto posto, afastada a preliminar de homologação tácita das compensações, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 174DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13976.001070/200270 Acórdão n.º 3801002.219 S3TE01 Fl. 170 11 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.914168/2011-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 41 68 /2 01 1- 15 Fl. 33DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.914168/201115 Acórdão n.º 3801002.813 S3TE01 Fl. 34 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 941316551 emitido eletronicamente em 05/07/11, fls. 8, referente ao PER/DCOMP nº 11162.59758.021007.1.3.040776 (doc. de fls. 912). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$3.481,52, representado por Darf recolhido em 14/01/05 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 2), alegando que no período de 31/12/2004 o valor do imposto, código 2172 foi informado indevidamente através da DCTF de 14/02/2005; que o mesmo foi recolhido em 14/01/2005 no valor de R$ 4632,77; que posteriormente apurouse o valor correto de R$1151,25, originando o crédito; que naquela época o contador não retificou a DCTF; que a empresa tentou retificar a DCTF, mas não obteve êxito. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 Fl. 34DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.914168/201115 Acórdão n.º 3801002.813 S3TE01 Fl. 35 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, alega, em síntese, que: A Recorrente após verificação analítica em sua escrita fiscal percebeu que havia recolhido a maior valores devidos a título de contribuição para Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Em momento algum do feito foi questionado pela Recorrida a existência do crédito, sua origem e legalidade. As decisões foram tomadas apenas com base no descumprimento de obrigação acessória.; ausência de retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado. A apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao Pis e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídico contábil da competência, o que implica afirmar que o entendimento adotado no r. acórdão não encontra respaldo legal. É o Relatório. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.914168/201115 Acórdão n.º 3801002.813 S3TE01 Fl. 36 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, do período de apuração de 31/12/2004, que teria sido paga a maior. Alega ainda que efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foi acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito ou que se pudesse ao menos considerar como prova indiciária. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.914168/201115 Acórdão n.º 3801002.813 S3TE01 Fl. 37 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 37DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000229/2011-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Heitor de Souza Lima Junior (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Heitor de Souza Lima Junior (Suplente Convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2070; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.000229/201193 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.544 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2013 Matéria IRPF Recorrente JOAO VICENTE ZOTTIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 02 29 /2 01 1- 93 Fl. 688DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Heitor de Souza Lima Junior (Suplente Convocado). Fl. 689DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11020.000229/201193 Acórdão n.º 2202002.544 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, JOAO VICENTE ZOTTIS, foi lavrado auto de infração por omitir rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas e de pessoas físicas nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008 em sua Declaração de Ajuste Anual – DAA conforme relação das folhas 588 a 593. Também é objeto da autuação a omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais, conforme descrição na folha 593. Omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada efetuados em contas corrente e de investimentos mantidas pelo titular em instituições financeiras, em relação as quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou a origem dos recursos. Foi, também, objeto do lançamento, a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão nos meses de 03 a 06/2006 e 08 a 12/2006 devido por rendimentos recebidos de pessoas físicas a título de aluguéis. O autuado apresentou impugnação em 10/03/2011 através de seus representantes, qualificados nos autos, alegando, preliminarmente, que parte dos bens arrolados pela fiscalização não são de propriedade do contribuinte (Opala, placas IIH9495 e reboque). Aduz que a origem do patrimônio do impugnante está respaldado pelas operações realizadas acrescidas dos rendimentos de seu trabalho e dos aluguéis recebidos das Pessoas jurídicas e Pessoas Físicas declarados e/ou apontados pela fiscalização. Aduz que estes rendimentos correspondem ao patrimônio do impugnante. Cita jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e literatura pertinente a questão para justificar a improcedência do lançamento. Classifica de inadmissível o fato da fiscalização desconsiderar as comprovações de origem dos valores já comprovados à Receita Federal do Brasil – RFB e de descabida a aplicação da multa de 150% por falta de respaldo legal. Alega que o Erário deve provar a intenção de causar prejuízo ao fisco, representada pelos rendimentos de aluguéis que deixaram de ser informados à RFB, por acreditar o contribuinte que as fontes pagadoras estivessem procedendo a retenção e recolhimento do imposto na fonte, tanto que admite fazer o parcelamento dos tributos devidos. Conclui que não pode ser agravada a multa em percentual máximo sem que seja provada sua conduta dolosa. Aduz que demonstrou de forma coerente a origem dos depósitos bancários tidas como de origem não comprovada e que a documentação exigida como cópias de cheques emitidos a anos atrás conduz a produção de provas impossíveis em função da quantidade e complexidade dos negócios afastam a possibilidade de produção das provas exigidas. Argüi que, com origem em recursos advindos de aplicações em Letras hipotecárias e CDB, foram emitidos vários cheques para realização de negócio imobiliário que não foi concretizado devido a problemas de documentação do imóvel, o que originou novos depósitos em dinheiro e novas aplicações com o mesmo capital. Relaciona os cheques compensados (fl. 623). Quanto a falta de apresentação dos cheques compensados, entende o contribuinte que os próprios extratos demonstram a compensação dos cheques e posterior depósito das quantias compensadas na mesma conta bancária, não havendo necessidade de vinculação com o negócio imobiliário não concretizado. Demonstra, ainda, a relação de resgates de aplicações e posterior depósitos que importam no valor de R$200.000,00 que corresponderia ao negócio imobiliário não concretizado. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Aduz que em 13/06/2006 foi realizada a compra de moeda estrangeira para investimento, no valor de R$65.117,30, conforme débito autorizado e posteriormente vendidas com rendimento de R$539,47, conforme quadro da fl.625. Alega que em 21/06/2007 foram emitidos sete cheques no valor total de R$26.927,00 para compra de veículo de terceiro para posterior revenda, emitido cheque de R$1.238,00 compensado em 06/08/2007 referente ao pagamento de comissão ao intermediador. Este veículo, segundo o impugnante, foi vendido em 27/11/2007 por R$30.000,00 sendo o veículo transferido diretamente do vendedor ao comprador sem ser transferido para o nome do autuado. Nesta operação auferiu lucro de R$1.835,00. Relaciona os cheques compensados. Aduz que, em 08/09/2007 efetuou empréstimo para Cezar Augusto Zottis (irmão) no valor de R$12.401,00, conforme TED1, valor devolvido em 21/12/2007 conforme depósito na conta corrente do autuado no valor de R$12.707,01 (rendimento de R$306,01). Em 23/07/2008 o autuado adquiriu imóvel com recursos de aplicações no valor de R$180.000,00 e saldo em conta corrente no valor de R$185.000,00 (relaciona os cheques compensados que alcançam o valor de compra. Tal imóvel foi vendido em 16/12/2008 por R$197.760,00 conforme relação de depósitos da folha 628, obtendo o contribuinte lucro de R$12.760,00. Relaciona os débitos na conta corrente relativos a despesas de telefone e luz conforme informados no extrato bancário e Livro Caixa (fls.628 a 630). Alega que jamais teve intenção de ocultar qualquer informação dos órgãos fiscalizadores, porém a quantidade e complexidade dos negócios realizados aliados aos vencimentos do exercício da medicina e rendimentos de aluguéis, permitiram ao contribuinte auferir os rendimentos verificados em sua conta corrente. Insurgese contra a aplicação da multa isolada no valor de R$685,59 por considerála inconstitucional por tratarse de dupla penalidade. No caso em tela, já sofreu a multa de 150%, alvo de impugnação e, ao mesmo tempo, sofre a multa de 50% a título de multa isolada por não ter recolhido o carnê leão, valor que o impugnante se dispõe a recolher. Requer a abertura de processo para efetuar o pagamento dos valores correspondente ao item 004 – Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos do Termo de Verificação no valor de R$894,15, juros de R$458,07, totalizando R$1.352,22. Manifesta se no sentido de recolher o pagamento de forma parcelada dos impostos incidentes sobre os aluguéis percebidos, no valor de R$29.939,39, acrescidos de juros. No tocante ao lançamento de ofício do imposto de Renda relativo a movimentação financeira na conta corrente nº 183770, mantida na Caixa Econômica Federal – CEF o contribuinte destaca que o lançamento afronta a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Aduz que o uso dos extratos e movimentações bancárias para alicerçar a constituição de créditos tributários não permite concluir que os valores que transitaram na conta bancária do autuado pertençam a ele ou se constituam em renda quando não se vê o efetivo aumento do capital. Conclui que, os depósitos bancários de origem não comprovadas, não podem ser considerados rendimentos do contribuinte quando não alterada a sua situação patrimonial e que as multas imputadas devem ser revistas tendo em vista a inexistência de dolo e por efetuar o pagamento dos valores que entende devidos ao fisco. Foram transferidos para o processo de nº 13016.720.008/201120 os créditos do Termo de Transferência de Crédito Tributário da folha 616. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 691DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11020.000229/201193 Acórdão n.º 2202002.544 S2C2T2 Fl. 4 5 Ano calendário: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. Excluídos parte dos depósitos bancários tendo em vista a comprovação da origem dos mesmos mediante documentação hábil e idônea. DECISÕES JUDICIAIS. As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe à administração tributária manifestarse sobre a constitucionalidade ou legalidade da norma, restringindose a aplicála no sentido literal, sob pena de responsabilidade funcional. MULTA QUALIFICADA. Não restando comprovada a ocorrência da circunstância qualificadora, imprescindível para a aplicação da multa, incabível a penalidade de 150%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após análise da autoridade de primeira instância entendeu por bem desqualificar a multa aplicada. Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. Dos depósitos com valores inferiores a R$ 80.000,00, que deveriam ser excluídos. Da presunção baseada em depósitos bancário. É o relatório. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Fl. 693DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11020.000229/201193 Acórdão n.º 2202002.544 S2C2T2 Fl. 5 7 É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividade empresariais, cabe ao recorrente demonstrar o que alega. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A DRJ ao apreciar a matéria assim se pronunciou: No presente caso, o contribuinte não traz qualquer elemento novo que permita concluir que os valores tidos pela fiscalização como de origem não comprovada pudessem ser identificado na fase impugnatória. Em relação aos cheques e resgate de aplicações mencionados na impugnação (fls.623 a 625) vinculados a uma suposta transação imobiliária desfeita, há que se observar que no Termo de Verificação Fiscal (fl.608) o impugnante utilizou a mesma argumentação, ou seja, que os recursos depositados teriam origem em um negócio imobiliário desfeito, contudo, não demonstra tratarse dos mesmos recursos utilizados para pagamento do imóvel cuja transação não foi efetivada. De fato, o autuado relaciona cheques depositados nos dias 24/04/2006, 25/04/2006, 02/05/2006, 03/05/2006, 04/05/2006 e 09/205/2006 para comprovar a devolução de R$199.976,51 que estariam discriminados nos extratos bancários da Caixa Econômica Federal – CEF e justificariam os R$200.000,00 devolvidos pelo cancelamento do negócio imobiliário e que tais recursos teriam origem no resgate de Letras Hipotecárias e CDB resgatados em 19/04/2006, 04/05/2006 no montante de R$185.391,88 que complementados com recursos do conta corrente explicariam os valores anteriormente mencionados. Neste sentido, a agente fiscal destaca (fl. 608) que os valores relativos ao resgate de aplicações financeiras e hipotecárias, foram devidamente excluídas dos depósitos a serem comprovados e que as demais alegações do contribuinte não comprovam a origem dos depósitos. Menciona, o Termo de Verificação Fiscal, que o contribuinte não apresentou qualquer documento para comprovar a transação imobiliária e, tampouco cópia dos cheques compensados. Portanto, não há como vincular os depósitos efetuados em cheques ao resgate das aplicações, consideradas pela fiscalização. Quanto a compra de moeda estrangeira para investimento efetuada em 13/09/2006 no valor de R$65.117,30, o contribuinte Fl. 694DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 não comprova a aplicação e não declara os rendimentos em sua DAA. Quanto a compra e posterior venda de veículo que não teria sido transferido ao impugnante, limitase a repetir as alegações feitas à fiscalização sem comproválas. Também não comprova o suposto repasse de comissão a terceiro. Relaciona cheques compensados em 21/06/2007 para comprovar a compra do veículo quando deveria fazêlo através do Certificado de Registro de Veículo – CRV. Quanto ao alegado empréstimo para Cezar Augusto Zottis, no valor de R$12.401,00, não há o que ser alterado pois foi considerado justificado pela agente fiscal conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal , item “d” da folha 609. Alega o impugnante que utilizando recursos de aplicações e saldo na conta corrente adquiriu imóvel no valor de R$185.000,00 que posteriormente foi vendido em 16/12/2008 por R$197.760,00. Novamente o autuado não comprova a transação imobiliária e , tampouco, a vinculação dos depósitos e TED em sua conta corrente com os pagamentos alegados. O contribuinte apresenta simplesmente somas de depósitos que quando não correspondem exatamente ao valor questionado são transformados em comissões de terceiros ou lucro de negócios não comprovados. No caso de venda de imóveis é indispensável o contrato de compra e venda ou a escritura pública. Cabe ainda ao autuado, comprovar a origem dos depósitos e TED identificando o depositário e vinculandoo a transação imobiliária. Não tenho reparos a realizar no lançamento efetuado. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11020.000229/201193 Acórdão n.º 2202002.544 S2C2T2 Fl. 6 9 A recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Acrescentese por pertinente que o procedimento fiscal adotado no que toca a presunção de depósitos bancários, foi corretamente aplicado respeitando os limites devidos e prescritos na legislação. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 696DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11070.002045/2009-58
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS. OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Embargos de Declaração que não demonstre de forma inequívoca a ocorrência dos pressupostos para sua admissibilidade há que ser rejeitado.
Numero da decisão: 3803-005.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1640; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.002045/200958 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3803005.077 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria COFINS Embargante REDEPECAS REDEPARTS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS. OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Embargos de Declaração que não demonstre de forma inequívoca a ocorrência dos pressupostos para sua admissibilidade há que ser rejeitado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Replicaremos o relatório exarado no acórdão embargado a seguir: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 20 45 /2 00 9- 58 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 “Tratase de Pedido de Ressarcimento e de Declarações de Compensação transmitidos eletronicamente pela contribuinte, onde procurou utilizar pretenso saldo credor de COFINS Não Cumulativo — Mercado Interno acumulado no 1° trimestre/2005, para compensar débito de sua responsabilidade, relativo a tributo administrado pela Receita Federal do Brasil. Foi desenvolvida ação de fiscalização junto a empresa, MPF nº 10.1.08.002009003441 para conferência do crédito de COFINS informado no pedido de ressarcimento, tendo a autoridade fiscal concluído pela ilegitimidade do saldo credor pleiteado pelo contribuinte, conforme excerto que transcrevemos a seguir: O pleito da contribuinte não encontra respaldo na legislação pertinente ao assunto, visto que, o desconto de créditos das operações com substituição tributária no regime de tributação da não cumulatividade encontrase vedado pelo disposto na redação original do artigo 3º, inciso I letra "a" da Lei nº 10.833 de 29 de dezembro de 2.003. Posteriormente, o referido dispositivo legal veio a sofrer modificações pelas Leis nº 10.865 de 30 de abril de 2004; 11.727 de 23 de junho de 2.008 e 11.787 de 25 de setembro de 2.008, mas que não alteraram sua essência. No mesmo sentido, o artigo 17 da Lei n° 11.033 de 21 de dezembro de 2.004, ao permitir a manutenção de créditos vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, aliquota zero ou com não incidência das contribuições do PIS e da COFINS, não respalda o procedimento adotado pela contribuinte. O artigo 16 de Lei n° 11.116 de 18 de maio de 2.005 veio esclarecer que o crédito apurado em virtude do contido no artigo 17 de Lei n ° 11.033/2004 deve ser apurado na forma dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2.002 e 10.833/2003, portanto, alem das permissões, devem também ser observadas as proibições lá destacadas na apropriação de créditos. A DRF em Santo Ângelo adotou o Relatório Fiscal como razão de decidir e não homologou a compensação, nem reconheceu o direito creditório pretendido. Inconformado, apresentou manifestação de inconformidade na qual aduz, em apertada síntese que: há direito de crédito de PIS e de COFINS em relação às aquisições tributadas quando a saída é isenta, não tributada, imune ou tributadas com aliquota zero. Conforme o art. 16 da MP n° 206, de 2004 (atualmente art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004), os contribuintes cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota zero ou com suspensão têm direito à manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrentes da aquisição de insumos; não existe na legislação que rege a matéria qualquer restrição ao crédito efetuado pela empresa. Ao contrário, existe expressa autorização legal para que isto ocorra (art.17 da Lei n° 11.033, de 2004). Ainda que houvesse restrição, tal seria Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11070.002045/200958 Acórdão n.º 3803005.077 S3TE03 Fl. 11 3 inconstitucional, porquanto a nãocumulatividade deve ser entendida como integral e absoluta, nunca parcial e relativa. O direito de abatimento é garantido constitucionalmente (art. 195, § 12, da CF). A CF não dá margens para que o legislador ordinário restrinja o principio da nãocumulatividade, autorizando, apenas, que sejam definidas as categorias econômicas para as quais as contribuições seriam não cumulativas; o caráter de nãocumulatividade inerente As contribuições para o PIS e para a COFINS deve ser interpretado de forma ampla, devendo a técnica base contra base ser atentamente observada, não podendo qualquer legislação infraconstitucional restringir o direito ao crédito; sendo a empresa revendedora de mercadorias, onde sua operação de venda é tributada com aliquota zero, suspensa, não tributada ou isenta, tem ela direito à manutenção dos créditos de PIS e de COFINS decorrentes da aquisição de insumos vinculados a esta vendas, em função do regime da não cumulatividade. A DRJ em Porto Alegre considerou improcedente a manifestação de inconformidade, confirmando o despacho decisório e o relatório fiscal conforme ementa que transcrevemos a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade da COFINS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando à hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Cientificada em 13/12/2011, apresentou recurso voluntário para este Conselho, no qual advoga a mesma tese da manifestação de inconformidade, requerendo ao final, o reconhecimento do direito creditório e homologação da DCOMP.” O recurso voluntário interposto não foi conhecido por esta turma julgadora, segundo ementa que colacionamos a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PAF. CONCOMITÂNCIA DE OBJETOS. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformado com o resultado do julgamento, o contribuinte protocolou embargos de declaração. Afirma que o acórdão embargado seria obscuro, por não haver lugar para aplicação da Súmula nº 1 do CARF no caso concreto, haja vista que a ação judicial interposta pela Embargante não abarca o mesmo período de apuração em discussão no presente recurso. Esclarece que interpôs o Mandado de Segurança nº 2009.71.05.0014210, cuja causa de pedir era a edição da Medida Provisória nº 451, de 15 de dezembro de 2008, que introduziu o § 15 no art. 3o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, para restringir o direito ao crédito de PIS e de Cofins das distribuidoras, atacadistas e varejistas de produtos comercializados pela Embargante. Em síntese, a medida judicial em foco não alcançaria os créditos objeto da presente demanda, visto que estes foram adjudicados em data anterior à edição da MP nº 451, de 2008, de forma que não haveria lugar para aplicação da Súmula nº 1 do CARF. Ao efetuar o exame de admissibilidade, o i. Conselheiro desta turma, Dr. Jorge Victor Rodrigues, opinou por sua admissibilidade por não vislumbrar a ocorrência da concomitância reconhecida através do acórdão em discussão. É o sucinto relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator Sustenta a embargante que o acórdão embargado possui clara discrepância quando atesta a concomitância do presente processo administrativo com o mandado de segurança nº 2009.71.05.0014210, isto porque na seara judicial se discutiu a aplicação da MP nº 451, de 15 de dezembro de 2008, editada posteriormente ao período de apuração dos créditos em discussão, não os alcançando. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11070.002045/200958 Acórdão n.º 3803005.077 S3TE03 Fl. 12 5 A embargante não carreou aos autos qualquer documento que comprovasse as suas alegações, não veio a inicial do Mandado de Segurança ou qualquer outra peça processual que sustentasse sua afirmação de que na referida ação discutiase tão somente a aplicação da MP nº 451 de 15 de dezembro de 2008, o que extraímos da análise das publicações das decisões decorrentes do processo em referência nos leva a conclusão contrária às suas alegações, vejamos alguns trechos do acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região em 26 de janeiro de 2010: “APELAÇÃO CÍVEL Nº 2009.71.05.0014210/RS RELATOR: Juiz Federal ARTUR CÉSAR DE SOUZA APELANTE: REDEMAQ REAL DISTRIBUIDORA DE MAQUINAS AGRICOLAS LTDA/ e outro ADVOGADO: Adriano Zir Barbosa e outro Eduardo Brock APELANTE: REDEPEÇAS REDEPARTS IND/ E COM/ LTDA/ ADVOGADO: Adriano Zir Barbosa APELADO: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO: Procuradoria Regional da Fazenda Nacional EMENTA TRIBUTÁRIO. LEI Nº 11.033/2004, ARTIGO 17. PIS E COFINS. DIREITO A CREDITAMENTO EM REGIME NÃO CUMULATIVO SUJEITO A INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Tratandose de tributação monofásica não há que se falar em cumulatividade, diante da inexistência do pressuposto fático necessário para a adoção da técnica do creditamento, qual seja, a possibilidade de incidências múltiplas ao longo da cadeia econômica. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 restringese ao "Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO", descabendo aplicálo a situações diversas daquela prevista na legislação, sob pena de privilegiar indevidamente certas atividades econômicas, em detrimento das outras sujeitas à tributação polifásica.” Mais a frente, neste mesmo acórdão, ao tratar da sentença atacada na apelação civil extraímos o seguinte relato: “Quanto à questão controvertida, a sentença foi lavrada nas seguintes letras: "Tratase de ação na qual a parteimpetrante requer a concessão da segurança, em decorrência da vedação imposta no § 15 do Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 art. 3º da Lei nº 10.637/2002, para obter créditos de PIS e COFINS decorrentes de aquisição de insumos, independentemente se a saída é onerada ou não por estas contribuições, corrigidos monetariamente pela SELIC, e determinar à Autoridade Impetrada que se abstenha de efetuar qualquer medida coativa ou punitiva tendente a exigir o estorno do crédito tributário. A parteimpetrante alega que se dedica à distribuição de máquinas agrícolas e peças, adquirindo produtos direto das indústrias, sendo que alguns, quando da revenda, existe suspensão do pagamento das contribuições para o PIS e COFINS, cuja tributação se dá com alíquota zero, isentos ou não são tributados. Disse que, desde a implantação do sistema não cumulativo, vinham descontando do valor a pagar relativo ao PIS e COFINS, créditos em relação às compras efetuadas com tributação destas contribuições, em conformidade com a redação original do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, tendo por base o art. 17 da Lei nº 11.033/04 (MP nº 204/2004), que dispõe o seguinte: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. A Autoridade impetrada alega que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 não possui o alcance que as impetrantes lhe atribuem, dizendo que o mesmo se destina a beneficiar apenas os vendedores de máquinas, equipamentos e outros bens adquiridos pelos beneficiários do REPORTO para utilização exclusiva em portos.”. Para dirimir a questão da existência ou não de concomitância entre a via judicial e a administrativa é necessário, num primeiro momento, entenderse o que vem a ser o objeto do processo. Nos termos do art. 301, § 2°, do CPC, “uma ação é idêntica a outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido”. Assim, a causa de pedir e o pedido formam o objeto litigioso, que é parte do objeto do processo. O objeto do processo, mais amplo, envolve todas as questões postas à apreciação do julgador: as incidentes (incidenter tantum), objeto apenas de cognição e resolução como etapa do julgamento, mas não decididas, e a questão principal (principaliter tantum), objeto da decisão (Didier Jr., Cruz e Tucci). Esta dicotomia no conceito de objeto é importante para se identificar o cerne do que será decidido e que suscita a concomitância. A tensão dialética deste processo como a do judicial gira em torno do direito ao crédito, como conteúdo do pedido mediato principal, o bem da vida sobre o qual a Impetrante/Recorrente pede a tutela. A causa de pedir, seja numa ou na outra via, é o alegado fato de estar sujeita ao regime não cumulativo de apuração do PIS/Pasep e da Cofins, conforme disposições das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, e a autorização legal de manutenção dos créditos na aquisição de insumos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04. Aqui, a Recorrente apresenta a sua irresignação contra a declaração da Autoridade administrativa de inexistência de crédito e que as normas acima não amparam a decisão confirmada pelo órgão de primeira Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11070.002045/200958 Acórdão n.º 3803005.077 S3TE03 Fl. 13 7 instância; lá, a Impetrante pugna pela manutenção desse suposto direito e contra a sua supressão pela introdução da MP nº 415/08. O pedido de homologação da compensação é secundário, porquanto contingente da análise do crédito, cujo reconhecimento do direito creditório é pedido implícito que se consubstancia na questão principal dos autos e prejudicial daquele pedido, como acima já aludido. De igual forma, o direito ao crédito é a questão principal (principaliter) do processo judicial. Reparese que acaso a decisão no Mandato de Segurança resultasse favorável à Impetrante, na qual obtivesse sentença declaratória do direito ao creditamento à luz do art. 17 da Lei nº 11.033/04, este direito, transitado em julgado, haveria de ser aplicado no âmbito administrativo, desfazendo decisão que, porventura, lhe fosse contrária na matéria, culminando no reconhecimento do direito creditório e consequente homologação da compensação. A Litispendência (concorrência de ações, concomitância) visa a evitar decisões díspares sobre a mesma matéria e mesma pessoa jurídica, no âmbito judicial, e o desfazimento de decisões administrativas em face de decisão judicial superveniente, posto caber ao Judiciário dizer o direito, forte na unicidade da Jurisdição. Basta a potencialidade de ocorrer esta desarmonia, para que se decrete a concomitância no âmbito administrativo: no caso, o direito ao crédito foi negado aqui e no tribunal. Da conclusão Ora, tanto pela ementa da decisão judicial quanto pelo breve relatório do TRF da 4ª Região, resta claro que a matéria tratada no Mandado de Segurança que gerou a concomitância reconhecida no acórdão atacado, não foi tão somente a aplicação da MP nº 451 de 15 de dezembro de 2008 como alega a embargante, antes disso, o cerne da questão é exatamente o mesmo do Recurso Voluntário julgado por esta Turma, qual seja a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004. Pelo exposto, voto por rejeitar os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO e manter o acórdão n° 3803002.956 desta turma recursal. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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