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Numero do processo: 12898.000164/2008-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 9202-000.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Sesej, para sobrestamento do processo, conforme a petição STF nº 6.604, de 2017, nos autos do RE 566.622/RS.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo- Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Sesej, para sobrestamento do processo, conforme a petição STF nº 6.604, de 2017, nos autos do RE 566.622/RS. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2401002.977, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 16 de abril de 2013 (efls. 1937 a 1974). Ali, por voto de qualidade, declarouse a nulidade do lançamento por vício formal, na forma de ementa e decisão a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 28 98 .0 00 16 4/ 20 08 -2 4 Fl. 2488DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.489 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES. COOPERATIVA DE TRABALHO DESENQUADRAMENTO DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA. ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO. ASPECTO TEMPORAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Os aspectos procedimentais a serem observados durante a lavratura do auto de infração são os descritos na norma em vigor no momento de constituição do crédito. A MP 446/2008, autoriza a constituição de crédito em relação a entidade filantrópica que à época da ocorrência dos fatos geradores enquadravase nessa condição sem a necessidade de emissão de Informação fiscal para cancelar a referida isenção. A legislação a ser observada para determinar se a entidade cumpria os requisitos para o pleno direito ao gozo da isenção em relação a contribuições previdenciárias é a da época da ocorrência dos fatos geradores, não sendo aplicável, quanto ao cumprimento dos requisitos, legislação posterior. Os requisitos da MP 446, previstos no art. 28, valeriam em relação aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. A ausência de fundamentação com base no art. 55 da lei 8212/91, implica nulidade do lançamento, por erro na fundamentação legal. ERRO NA INDICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 8212/91 ENTIDADE ISENTA ASPECTO TEMPORAL VÍCIO FORMAL. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a fundamentação do lançamento (art. 10, inciso IV do Decreto n º 70.235). A fundamentação legal indevida implica nulidade do lançamento. RECURSO DE OFÍCIO DECADÊNCIA AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA PARCELA PATRONAL APLICAÇÃO DO ART. 173, I DO CTN. Não há que se falar em recolhimento antecipado a ensejar a aplicação da decadência qüinqüenal a luz do art. 150, § 4 do CTN, quando o recorrente enquadravase na condição de entidade isenta. A contribuição descontada dos segurados empregados não deve ser utilizada, como recolhimento antecipado, posto que não é arcada pela empresa, sendo essa mera repassadora. Recurso de Ofício Provido em Parte e Processo Anulado. Decisão: pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de ofício, para afastar a decadência declarada pela decisão de primeira instância. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Fl. 2489DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.490 3 que negavam provimento. Por maioria de votos, declarar a nulidade por vício formal. Vencido o conselheiro Elias Sampaio Freire, que não anulava o lançamento e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que declarava a nulidade por vício material. Enviados em 09/08/2013 (efl. 1975) os autos à Fazenda Nacional para ciência, a PGFN apresentou, em 13/09/2013 (efl. 2013), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 1976 a 2012). O recurso da Fazenda Nacional abrange duas diferentes matérias, as quais serão relatadas na ordem em que apresentadas no pleito, a saber: a) Inexistência de vício no lançamento efetuado (ausência de nulidade); b) Responsabilidade solidária (Caracterização de grupo econômico). a) Quanto à inexistência de vício no lançamento (ausência de nulidade) Alega a Fazenda Nacional divergência passível de apreciação por esta Turma em relação ao decidido pela 1a. Turma Ordinária da 4ª. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes e pela 2ª. Turma Especial da 2ª. Câmara da 1a. Seção do referido Conselho, respectivamente através dos Acórdãos 1401000.894, datado de 06 de novembro de 2012, e 1802001.296, datado de 04 de julho de 2012, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 1401000.894 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. O erro na capitulação legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamento, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e pela defesa apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTOS. REGRA DO ART. 173 DO CTN. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4o, do CTN, quando ausentes dolo, fraude ou simulação. Somente a falta do pagamento antecipado, aplicarseia a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN, o que não foi o caso. Decisão: por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, acolher a decadência para dar provimento ao recurso.. Acórdão 1802001.296 Fl. 2490DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.491 4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 DECISÃO RECORRIDA. REJEIÇÃO DE DILIGÊNCIA/PÉRICIA CONTÁBIL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PRELIMINAR REJEITADA. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.O pedido de perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração da prova do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento. LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. O sujeito passivo defendese dos fatos imputados e não da capitulação legal que pode, ou não, estar correta. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. CONFRONTAÇÃO DA DCTF E DA DIPJ. DIFERENÇAS DE IRPJ E DE CSLL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NO MÉRITO, MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. Fl. 2491DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.492 5 Os débitos de tributos informados na DIPJ não configuram confissão de dívida. A DIPJ tem caráter meramente informativo de apuração de débitos. O instrumento, por excelência, de confissão de débitos de tributos federais é a DCTF. E, como parte dos débitos dos tributos informados na DIPJ não foram pagos e nem confessados em DCTF, cabe ao fisco, mediante auto de infração, exigir essa diferença do principal, com respectivos juros de mora e multa de ofício. LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INFORMADAS NA DIPJ. DIFERENÇA DE COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. DIFERENÇA DE IMPOSTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No âmbito da apuração do imposto pelo regime do lucro presumido, no anocalendário que a receita bruta anual exceder a cem mil reais, particularmente as receitas de prestação de serviços submetemse ao coeficiente de presunção de trinta e dois cento, e não dezesseis por cento. Cabível a exigência pelo fisco, por auto de infração, da diferença de imposto, com juros de mora e multa de ofício, relativo à diferença de base de cálculo apurada a menor pelo sujeito passivo quanto às receitas de prestação de serviços informadas na DIPJ. Decisão: por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso Em linhas gerais, argumenta a Fazenda em sua demanda que: a.1) todos os acórdãos – recorrido e paradigmas – discutiam sobre a existência de nulidade no lançamento diante do suposto equívoco na capitulação legal. Enquanto o acórdão recorrido entendeu que bastaria esse mero fato para proclamar a existência de nulidade por vício formal, os acórdãos paradigmas examinaram a existência de efetivo prejuízo. Proclamaram os arestos adotados como parâmetro de referência que o equívoco ou mesmo a ausência do fundamento legal não são motivos suficientes a embasar a decretação da nulidade do lançamento, pois o contribuinte se defende dos fatos e não do dispositivo legal indicado. Assim, os acórdãos paradigmas proclamaram que não se pode decretar nulidade sem comprovação de efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. E no caso concreto esse prejuízo não foi demonstrado ou comprovado pelo acórdão recorrido. Vejase que o contribuinte demonstrou em suas peças de insurgência ter compreendido perfeitamente a acusação fiscal, aduzindo preliminares e defesa de mérito. Além disso, a própria decisão recorrida reconhece que “embora alguns dos fatos descritos pelo auditor, possuam identidade com os requisitos do citado art. 55 da lei 8212/91” e que “não afasta essa falta, ter a autoridade julgadora feito menção no acórdão de primeira instância, quanto as requisitos do art. 55”. Em suma, enquanto o acórdão recorrido defende que o equívoco ou a ausência de capitulação expressa de determinado dispositivo legal no auto de infração implica a sua nulidade por cerceamento do direito de defesa do contribuinte, mesmo tendo o contribuinte enfrentado todos os pontos apurados pela autoridade fiscal, os paradigmas entendem que não. Os acórdãos paradigmas ressaltam que esse erro não determina a nulidade do lançamento, nos termos já consignados, pois não demonstrado o efetivo prejuízo à defesa do contribuinte, e porque o sujeito passivo se defende dos fatos e não do direito. Assim, demonstrada a divergência jurisprudencial; a.2) Segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235,de 1972, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: I) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; II) resultar em inequívoco Fl. 2492DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.493 6 cerceamento de defesa à parte. No caso, não se verifica hipótese legal de nulidade, pois a autuação foi lavrada por autoridade competente, sem preterição do direito de defesa; a.3) Cabe salientar que em relação especificamente ao suposto erro no enquadramento legal, é pacífico o entendimento deste Colegiado no sentido de que o mero erro no enquadramento legal não é suficiente para inquinar o auto de infração quando os fatos estão suficientemente bem descritos, permitindo plenamente o livre exercício do direito de defesa, como efetivamente aconteceu. Reproduz, a propósito, jurisprudência oriunda deste CARF; a.4) Diante disto, se os fatos estão descritos corretamente, o eventual equívoco no enquadramento legal não pode ter força para anular o lançamento, principalmente quando o autuado não sofreu prejuízo em sua defesa, como se vê a partir da impugnação e do recurso voluntário por ele apresentados. Convém observar igualmente que o julgamento de primeira instância chegou a ser convertido em diligência, demonstrando que o contribuinte teve todas as oportunidades no presente processo administrativo para defenderse. Assim, em todos os momentos processuais, foi dada oportunidade ao autuado para se manifestar. Deste modo, mostrouse cumprida a garantia do exercício da ampla defesa e do contraditório, não havendo razão para anular o lançamento. No caso, deve, pois, prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; a.5) Não se vislumbra a ocorrência de prejuízo à defesa do contribuinte neste processo, pelo que a decretação da nulidade representa a desnecessária movimentação da máquina pública, com o dispêndio de recursos do erário, para a repetição de atos administrativos eficazes. Por outro lado, vale frisar, à exaustão, que o autuado se defende dos fatos, pelo que a falta de indicação de dispositivo legal ou mesmo sua indicação errônea não invalida a autuação, se, de todo o conjunto probatório, se extrai a imputação. Afastadas as hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972, as incorreções verificadas devem ser sanadas na forma do art. 60 do mesmo diploma legal. Esta norma, aliás, está em consonância com os mais modernos princípios processuais, quais sejam, economia processual e instrumentalidade das formas, já mencionados nas linhas antecedentes. Tais postulados expressam a inconveniência de ser declarada a nulidade de atos processuais irregulares, quando não houve prejuízo para as partes; a.6) Assim, percebese que há que se interpretar o art. 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 à luz da instrumentalidade processual, plenamente aplicável ao processo administrativo tributário, que impede a declaração de nulidade, quando não exista prejuízo ao contribuinte. Sendo assim, somente importarão em nulidade as irregularidades apontadas no art. 59 do diploma legal acima referido, que, repitase, não se aplica à espécie. Logo, diante de simples incorreção no lançamento, não há necessidade de nova autuação, bastando o ajuste que se fizer necessário, em privilégio do aproveitamento dos atos, cuja repetição deve ser evitada, quando claramente se mostra prescindível, como é o caso dos autos. Nesse contexto, o acórdão recorrido merece reforma, devendo ser restabelecido nesse aspecto, a decisão de primeira instância, ao concluir que “considerando que os fatos acusam o descumprimento de requisitos estabelecidos tanto na Lei nº. 8.212, de 1991, quanto na Medida Provisória 446/2008, temos que o enquadramento legal realizado com base neste normativo em nada vicia o lançamento, eis que todos os elementos essenciais à defesa da Autuada foram corretamente informados, propiciando o pleno entendimento dos motivos pelos quais o lançamento foi realizado e, assim, devese afastar a decretação de nulidade do lançamento". Fl. 2493DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.494 7 b) Quanto à Responsabilidade Solidária (Caracterização de grupo econômico): Alega a Fazenda Nacional divergência passível de apreciação por esta Turma em relação ao decidido pela 6a. Câmara do então 2o. Conselho de Contribuintes através dos Acórdãos 20601.818, datado de 04/02/2009, e 20601.570, datado de 06/11/2008, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 20601.818 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2002 a 30/11/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA CUSTEIO AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA. É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. Toda pessoa jurídica que adquire produção rural de produtores rurais pessoas físicas fica sub rogada nas obrigações de tais produtores. GRUPO ECONÔMICO. Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizálo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. Recurso Voluntário Negado. Decisão: I) por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade em decorrência de inobservância de prazos legais referentes ao MPF. Vencidos os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por declarar a nulidade da NFLD. II) por unanimidade de votos: a) em rejeitar as demais preliminares suscitadas; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso. Acórdão 20601.570 Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 13/06/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GRUPO ECONÔMICO DE FATO SOLIDARIEDADE. Toda empresa está obrigada a preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditada a todos os segurados a seu serviço. Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizálo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. Recurso Voluntário Negado. Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Quanto à matéria alegase que: Fl. 2494DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.495 8 b.1) A Sociedade de Ensino Estácio de Sá foi autuada, bem como a pessoa jurídica Estácio Participações, por entender a fiscalização a formação de grupo econômico, conforme os preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991. É suficiente a existência desse dispositivo legal para legitimar a responsabilização solidária das empresas de um mesmo grupo econômico pelas dívidas com a Seguridade Social. Inclusive, outro não é o entendimento do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e dos Tribunais Regionais Federais, conforme ementas colacionadas no Recurso. Verificase, portanto, que o instituto “grupo econômico”, possui definição no Direito Privado. Logo, se pode extrair o efeito tributário pretendido pelo art. 30, IX da Lei no. 8.212, de 1991, que é o seguinte: configurado o grupo econômico, haverá responsabilidade solidária no tocante às obrigações tributárias (pagamento contribuições previdenciárias); b.2) Da leitura de seu art. 124, verificase que o CTN estabelece duas espécies de devedores solidários de tributo. A primeira é designada pela doutrina como solidariedade de fato. Significa que basta as pessoas possuírem interesse comum na situação que constitui fato gerador do tributo, sendo desnecessário previsão específica, na lei que regular determinado tributo, para apontar os devedores solidários, sendo uma norma de caráter geral, aplicandose aos tributos existentes no sistema tributário nacional. A outra espécie é aquela que a doutrina chama de solidariedade de direito, que decorre de expressa previsão legal, ou seja, previsão na lei instituidora do tributo, não exigindo a configuração de qualquer interesse comum na constituição do fato gerador. Notase que o art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212, de 1991, que cuida da responsabilidade solidária das empresas de um grupo econômico pelas dívidas para com a Seguridade Social, referese a uma solidariedade prevista em lei, logo não depende de demonstração de qualquer interesse comum; b.3) Portanto, essa solidariedade fixada na legislação previdenciária das empresas do mesmo grupo econômico é bastante ampla. Basta um dos integrantes do grupo econômico descumprir as obrigações fiscais (não efetuar o pagamento das contribuições previdenciárias), para os outros terem que assumir a responsabilidade por via de solidariedade, sendo isso o que ocorreu in casu; b.4) Ultrapassada todas as argumentações acima, resta analisar a configuração in casu da existência de grupo econômico. Para configurar a existência do grupo econômico, devese definir o seu conceito, e, para isso, devese reportar as definições dadas acima, tanto pelo Direito do Trabalho quanto pelo Direito Comercial. Da leitura do art. 2o., §2o. da CLT, exigese, como condição elementar para existência de grupo econômico, o controle central de uma das empresas sobre as demais. Esse mesmo entendimento se extrai da IN nº 03/2005 do INSS. Frisase que não se exige o revestimento por determinada modalidade societária (holding, consórcio, pool, etc), bastando provas que evidenciem os elementos de integração interempresarial. Já na leitura do art. 265 da Lei de Sociedades Anônimas, basta a combinação de esforços entre as empresas para que aufiram objetivos comuns, ou participem do empreendimento comum; b.5) Diante disso podemos firmar o convencimento que, para caracterizar grupo econômico, é necessário haver a conjugação dos seguintes elementos: 1) composição de entidades estruturadas como empresas; 2) que, entre elas, haja um nexo relacional. No tocante a esse último requisito, uns entendem que essa relação deve ser ordem hierárquica. Mas há quem entenda que, para configuração do grupo econômico, não é mister que uma empresa seja administradora da outra ou que possua grau hierárquico ascendente, sendo suficiente uma Fl. 2495DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.496 9 relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos, que é o entendimento moderno. A situação sob análise atende a essas definições, consoante relatório fiscal de efls. b.6) Diante dos fatos relatados, podese concluir a formação de um grupo econômico de fato, em face de um poder de controle único, tendo em vista a coincidência da composição societária e na mesma proporção. Notese, inclusive, que a DRJ em suas razões encampadas pelo aresto ora impugnado não descarta a possibilidade da existência de grupo econômico entre a Sociedade de Ensino Estácio de Sá Ltda. e a Estácio Participações S.A. Portanto, resta caracterizada a formação do grupo econômico de fato e a conseqüente responsabilização solidária de todas as empresas dele integrantes; Requer, assim, que seja conhecido e dado total provimento ao recurso, para reformar o acórdão recorrido restabelecendose o lançamento em sua integralidade. O recurso fazendário foi regularmente admitido, consoante despachos de efls. 2015 a 2024. Encaminhados os autos à contribuinte para fins de ciência, ocorrida em 09/10/15 (efls. 2450 e 2452), esta apresentou: a) Em 26/10/2015, contrarrazões de efls. 2445 a 2471 e anexos, onde, após relato do trâmite processual, alega: a.1) Conforme bem reconhecido pelo voto vencedor do acórdão n° 2401 002.977, há evidente conflito entre os fundamentos apresentados peia autoridade lançadora e pela 13a Turma da DRJ/RJ1, o que causou prejuízos à recorrida, ensejando a declaração de nulidade da autuação; a.2) De fato, a deficiência na fundamentação legal da autuação é erro insanável, que prejudica a essência da autuação, não restando dúvidas de que, por isso mesmo, enseja a sua nulidade. Desde já, a Recorrida ressalta que entende que tal nulidade decorre de vício material, questão que foi devidamente abordada em seu recurso especial de divergência, interposto nesta data; a.3) O art. 10, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Federal, determina que o auto de infração deve conter obrigatoriamente o dispositivo legal infringido, assim como a penalidade aplicável. Já o art. 59, do mesmo Decreto n° 70.235, de 1972, prevê expressamente que são nulos aqueles atos praticados com preterição do direito de defesa do contribuinte; a.4) Ainda, no que diz respeito à deficiência da fundamentação, há que se notar que, no presente caso, a 13a. Turma da DRJ/RJ1, por meio da Resolução n° 162, determinou o retorno dos autos à autoridade lançadora para que fosse elaborado "relatório fiscal complementar", uma vez que o auto de infração teria sido lavrado no período de vigência da MP n° 446/2008, que regulou a nova sistemática de isenção das contribuições da seguridade social (até sua rejeição pela Câmara dos Deputados em 10.02.2009) e, por conseguinte, deveria ter sido por ela regido. Na referida Resolução, a 13a. Turma da DRJ/RJ1 elencou os dispositivos da MP n° 446/2008 que deveriam ter sido expressamente indicados pela autoridade lançadora em seu "relatório fiscal complementar": o art. 28, incisos I a XII e o art. 31. Vejase que tal determinação teve como objetivo justamente tentar sanear um suposto Fl. 2496DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.497 10 equívoco cometido no primeiro lançamento, para que a Recorrida não pudesse arguir futuramente o cerceamento de seu direito de defesa; a.5) Ocorre que, apesar das determinações expressas contidas na Resolução n°. 162, a autoridade lançadora ao elaborar o "relatório fiscal complementar" não indicou, em nenhum momento, o art. 31 da MP n°. 446/08. Com efeito, o único dispositivo citado pela autoridade lançadora em seu "relatório fiscal complementar" foi o art. 28 da MP n° 446/08. Cumpre notar que o art. 31 da MP n°. 446/08 é imprescindível para as pretensões da Fiscalização, pois o mesmo supostamente convalidaria a possibilidade de se lavrar o auto de infração para exigir contribuições previdenciárias da ora recorrida, sem a necessidade de um processo administrativo prévio de cancelamento da sua isenção. No entanto, tal dispositivo sequer foi citado; a.6) Por outro lado, a determinação de retificação da fundamentação legal pela 13a. Turma da DRJ/RJ1 e a retificação parcialmente acatada pelo fiscal autuante geraram um cenário de verdadeira insegurança jurídica e indefinição quanto aos dispositivos que teriam sido infringidos pela Recorrente — se o art. 55 da Lei n°. 8.212, de 1991, se o art. 28 da MP n°. 446/08 — evidenciando o descumprimento do art. 142 do CTN e do art. 10, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972. Mas é importante destacar que a adequada identificação dos dispositivos legais descumpridos pelo contribuinte visa a proporcionar ao contribuinte o amplo exercício do seu direito de defesa, garantido pelo art. 5o., LV, da CF/88. E tal cerceamento, como se sabe, configura vício insanável, que acarreta a nulidade do lançamento efetuado. Ora, não restam dúvidas de que a ausência da indicação do dispositivo legal tido por infringido no auto de infração configura vício insanável, que acarreta a sua nulidade, pois implica em cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório, previsto no art. 5o., LV, da CF/88; a.7) E mais, podese, inclusive, afirmar que a alteração da fundamentação legal feita pelo "relatório fiscal complementar" corresponde a novo lançamento, sendo que este novo lançamento foi, na verdade, efetuado pela 13a. Turma da DRJ/RJ1 e não pela autoridade lançadora, mais um fato que confirma sua nulidade, uma vez que a 13a. Turma da DRJ/RJ1 nem mesmo é a autoridade competente para tanto. Como se viu, a 13a. Turma da DRJ/RJ1 determinou a realização de um "relatório fiscal complementar baseado nos requisitos da MP n° 446/2008, por entender que esse seria o dispositivo legal vigente à época da autuação e, portanto, aplicável ao caso em tela. No entanto, pela simples leitura do "relatório fiscal complementar", elaborado pela autoridade lançadora, verificase que esse entendimento não é compartilhado por ela própria. Não é necessário um esforço interpretativo muito grande para notar que, para a autoridade lançadora, a MP n° 446/2008 não é, nem nunca foi aplicável ao caso em tela, pois, à época de sua edição, a ora recorrida já tinha transformado a sua natureza para pessoa jurídica com fins lucrativos, fato esse ocorrido em 09.02.2007. De fato, a autoridade lançadora só elencou os requisitos do art. 28 da MP n°446/2008 que supostamente não teriam sido cumpridos pela recorrida"(...) como forma de prestigiar a Respeitável Resolução (...)"; a.8) A autoridade lançadora deveria ter seguido o seu entendimento quanto â inaplicabilidade da MP n° 446/2008 e não tomado de empréstimo o entendimento formulado pela Turma da DRJ/RJ1. Por sua vez, a 13a. Turma da DRJ/RJ1, ao discordar da fundamentação legal originariamente aplicada pela autoridade lançadora, deveria ter julgado improcedente o auto de infração e não obrigado a autoridade lançadora a efetuar novo lançamento; Fl. 2497DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.498 11 a.9) Cita diversos Acórdãos deste CARF, onde entendeuse que a alteração de fundamentação legal constitui novo lançamento e que este, se efetuado por autoridade incompetente, leva à nulidade do auto de infração; a.10) Assim, analisandose as questões acima expostas, não restam dúvidas de que não se trata o presente caso em que o erro na fundamentação legal não gera prejuízos à defesa. Afinal, há de se convir que é, no mínimo, confuso defenderse de uma autuação que — além de deficiente, por não apresentar todos os dispositivos legais aplicáveis — se funda em disposições legais que, segundo o próprio autuante, não seriam aplicáveis ao caso concreto. Não é por outra razão que o acórdão recorrido reconhece que os equívocos da autuação, especialmente no tocante aos fundamentos legais em que se baseou, geraram prejuízos à defesa do contribuinte, pelo que, não há que se falar (como tenta fazer o Recorrido) na inexistência do cerceamento do direito de defesa da Recorrida; a.11) Como se vê, o acórdão recorrido, ao reconhecer a nulidade da autuação, está em perfeita consonância com a legislação e com a atual jurisprudência, não assistindo razão à Fazenda Nacional. Ainda, com a intenção de reforçar a sua tese, destaca que, recentemente, nos acórdãos nos 2403002.980 e 2403002.981, nos autos dos processos administrativos nos 12898.000109/200834 e 12898.000110/200869, respectivamente, e que tem como interessada a recorrida, prevaleceu, à unanimidade, o entendimento pelo reconhecimento da nulidade das autuações lavradas sob fundamentos idênticos àqueles adotados neste processo administrativo, em decorrência de vício material; a.12) Ainda, enfatiza que as conclusões manifestadas nos acórdãos supramencionados foram confirmadas em parecer, emitido pelo Ilmo. Professor Paulo de Barros Carvalho, que esclarece que o art. 31 da Medida Provisória n° 446/2008 é uma norma de direito material e não meramente procedimental, eis que diretamente vinculada aos requisitos de ordem material elencados em seus arts. 28 e 29, não podendo, portanto, ser aplicada a fatos geradores ocorridos anteriormente a edição da referida medida provisória. Logo, a autoridade fiscal, ao utilizarse dos requisitos dos arts. 28 e 29 da Medida Provisória n° 446/2008, acabou por fazer com que a autuação ficasse eivada de insanável vício material; a.13) A fim de reforçar que tal entendimento (nulidade da autuação por vício material em razão de ausência de fundamentação legal) deve ser adotado por essa corte administrativa, chama atenção para dois outros casos em que se entendeu que a deficiência da fundamentação legal acarreta a nulidade da autuação por vício material, ou seja, o lançamento tributário deve demonstrar claramente quais são os seus fundamentos fáticos e jurídicos, sob pena de nulidade material, eis que tal fato fere requisito essencial na constituição do lançamento; a.14) Quanto à existência de solidariedade passiva, cumpre destacar que a exclusão da referida empresa como corresponsável foi determinada em primeira instância (e confirmada pelo acórdão recorrido) sob o fundamento de que, como a referida empresa não existia à época dos fatos geradores dos tributos em cobrança, não poderia ser responsabilizada pelos mesmos. No entanto, nenhum dos acórdãos paradigmas apresentados pela Recorrente trata de questão parecida — na medida em que restringemse à corresponsabilidade de empresas integrantes de um mesmo grupo econômico, sem adentrar na peculiaridade que é essencial ao caso em tela —, pelo que o recurso especial sequer merece ser admitido quanto a esse aspecto. Fl. 2498DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.499 12 a.15) Cumpre esclarecer que a Estácio Participações S.A. somente passou a existir em março de 2007, como faz prova o cartão de CNPJ, ao passo que as contribuições previdenciárias exigidas através do presente auto de infração são do período de 01/2003 a 12/2005. Não há que se falar em "pessoas com interesse comum", tendo em vista que a Estácio Participações S.A. sequer existia quando ocorridos os fatos geradores do débito objeto do auto de infração em questão, sendo esta criada somente em março de 2007. Nesse sentido, nem mesmo poderia ser evidenciado qualquer interesse da referida empresa em relação ao fato gerador das contribuições lançadas em face da SESES. Não foi por outra razão que, tanto a decisão de 1a. instância, quanto a de segunda, entenderam que a Estácio Participações S.A. deveria ser excluída do rol de corresponsáveís pelo débito em cobrança; a.16) Ademais, é importante ressaltar que a Estácio Participações S.A. não é sucessora da entidade que portava o Certificado de Entidade Beneficente e de Assistência Social. A sociedade filantrópica detentora do CEBAS, entidade sem fins lucrativos, era a denominada Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá, sendo certo que, em 09.02.2007, essa sociedade transformouse em sociedade empresária limitada, passando a ter finalidade econômica, e passando a denominarse Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda. SESES (doc. n° 08 da impugnação originariamente apresentada). Portanto, revelase descabida qualquer alegação de sucessão legal da entidade filantrópica, tendo em vista que, na realidade, o que ocorreu foi apenas uma alteração de sua natureza jurídica para sociedade com fins lucrativos, passando, portanto, a utilizar a denominação social de Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda. SESES. Dessa forma, fica afastada qualquer responsabilidade tributária da Estácio Participações S.A., no que diz respeito á autuação em comento; a.17) É verdade que quotas da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda. SESES foram usadas para integralizar o aumento de capital da Estácio Participações S.A., com o que a primeira passou a ser controlada pela segunda. Mas nem se pretenda alegar que a da Estácio Participações S.A. teria legitimidade para figurar como corresponsável pelas contribuições previdenciárias que se pretende imputar à autuada, simplesmente porque, como holding, detém participação societária na SESES. O Código Tributário Nacional possui previsão específica sobre a responsabilidade tributária dos sucessores, em seu artigo 132, que é clara e inequívoca quanto à responsabilidade da pessoa jurídica que resulta da transformação, incorporação ou fusão em seu art. 132; a.18) Ocorre que a Estácio Participações S.A. não resultou de nenhuma das três operações previstas no dispositivo, sendo certo que não ocorreu a sucessão legal da SESES, na medida que ela permanece ativa e se encontra no regular exercício de suas atividades, sob natureza jurídica distinta daquela prevista em sua constituição. Ademais, é importante ressaltar que a ilegitimidade passiva da Estácio Participações S.A. já foi reconhecida no julgamento de outros autos de infração vinculados ao presente (Autos de Infração nos 37.205.9236, 37.205.9244 e 37.205.9139); a.19) Assim, jamais se poderia pretender atribuir à Estácio Participações S.A. a obrigação de recolher tributos que, por disposição expressa de lei, se devidos fossem, seriam de responsabilidade de outrem. Cumpre destacar que, no tocante à corresponsabilização da Estácio Participações S.A., a ocorrência da hipótese tratada nos dispositivos indicados pela Fiscalização não foi demonstrada (art. 124 do CTN) pela mesma, pois tal alegação partiu da premissa de que a Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá SESES e a Estácio Participações S,A, possuiriam interesse comum na situação que constitui o fato gerador das Fl. 2499DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.500 13 contribuições previdenciárias em análise, pelo fato de pertencerem ao mesmo grupo econômico; a.20) Assim, não há de se falar em "pessoas com interesse comum", tendo em vista que a Estácio Participações sequer existia quando ocorridos os fatos geradores do débito objeto do auto de infração em questão, sendo esta criada somente em março de 2007. Nesse sentido, não foi evidenciado qualquer interesse da Estácio Participações em relação ao fato gerador das contribuições lançadas em face da SESES. Além disso, o elemento constitutivo da solidariedade de fato é um interesse comum de caráter jurídico e não meramente econômico. Com isso, haveria a necessidade de que a Fiscalização tivesse comprovado que todas as duas pessoas jurídicas participaram do mesmo fato jurídico, o que não ocorreu. A ora Recorrente tampouco obteve êxito em cumprir tal requisito, Dessa forma, verificase que é nula e improcedente a corresponsabilização pretendida pela Fiscalização, ficando evidente a ilegitimidade passiva da Estácio Participações S.A., pelo que, quanto a esse aspecto, não merece reforma o acórdão recorrido. b) No mesmo dia 26/10/15 (efl. 2448), Recurso Especial de sua iniciativa de e fls. 2228 a 2260. O Recurso de iniciativa do Contribuinte abrange duas diferentes matérias, ambas regularmente admitidas, consoante despacho de efls. 2455 a 2460, a saber: b.1) Quanto à natureza do vício existente no auto de infração: Alega a contribuinte divergência passível de apreciação por esta Turma em relação ao decidido pela 3a. Turma Ordinária da 4ª. Câmara da 2ª. Seção deste CARF e pela 2a. Turma Ordinária da 2ª. Câmara da 2ª. Seção deste CARF, respectivamente através dos Acórdãos 2403002.980, datado de 11/03/2015, e 2202002.587, datado de 02/07/14, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 2403002.980 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. SOLIDARIEDADE. EXCLUSÃO Motivada a solidariedade por composição de grupo econômico, se a empresa não existia à época dos fatos geradores, deve ser excluída do pólo passivo. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A ausência de fundamento legal é vicio que torna nulo o lançamento. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Decisão: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso Fl. 2500DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.501 14 voluntário. Declarouse suspeito o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro com base no art. 43, do anexo II, do RICARF. Acórdão 2202002.587 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS OPERAÇÕES BANCÁRIAS NO EXTERIOR NULIDADE ERRO NA TIPIFICAÇÃO LEGAL. Se todo o procedimento fiscalizatório foi conduzido com base na omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a tipicação legal correta seria o artigo 42 da Lei 9.430 de 1996 e não omissão de rendimentos de origem do exterior. Se a tipicação legal for incorreta isso causa nulidade do lançamento por vicio material. Decisão: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Em linhas gerais, argumenta a contribuinte em sua demanda quanto à matéria que : b.1.1) em ambos os casos (acórdão recorrido e acórdãos paradigmas) a situação de fato é exatamente a mesma: erro no enquadramento legal do auto de infração; em ambos os casos (acórdão recorrido e acórdãos paradigmas) debatese a mesma tese jurídica: a natureza do vício (formal ou material) decorrente do erro no enquadramento legal da autuação, em inobservância do disposto no art. 10, IV, do Decreto n° 70.235/1972; e a conclusão do acórdão recorrido contrapõese à conclusão dos acórdãos paradigmas, porque enquanto o acórdão recorrido entendeu que o erro no enquadramento legal importa em nulidade da autuação por vício formal, os acórdãos paradigmas concluíram que esse tipo de erro enseja a nulidade da autuação por vício material. Notese que o Acórdão n° 2403002.980, da 3a. Turma Ordinária, da 4a. Câmara, da 2a. Seção de Julgamento do CARF foi prolatado nos autos do processo administrativo n° 12898.000109/200834, do qual é parte a própria Recorrente, resultante de auto de infração lavrado na mesma época daquele que gerou o presente processo, ambos fundados nos mesmos dispositivos legais, o que por si só já demonstra a necessidade de reforma do acórdão ora recorrido; b.1.2) O art. 10, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Federal, determina que o auto de infração deve conter obrigatoriamente o dispositivo legal infringido, assim como a penalidade aplicável. Já o art. 59, do mesmo Decreto n° 70.235, de 1972, prevê expressamente que são nulos aqueles atos praticados com preterição do direito de defesa do contribuinte; b.1.3) Ainda, no que diz respeito à deficiência da fundamentação, há que se notar que, no presente caso, a 13a. Turma da DRJ/RJ1, por meio da Resolução n° 162, determinou o retorno dos autos à autoridade lançadora para que fosse elaborado "relatório fiscal complementar", uma vez que o auto de infração teria sido lavrado no período de vigência da MP n° 446/2008, que regulou a nova sistemática de isenção das contribuições da seguridade social (até sua rejeição pela Câmara dos Deputados em 10.02.2009) e, por conseguinte, deveria ter sido por ela regido. Na referida Resolução, a 13a. Turma da DRJ/RJ1 elencou os dispositivos da MP n° 446/2008 que deveriam ter sido expressamente indicados pela Fl. 2501DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.502 15 autoridade lançadora em seu "relatório fiscal complementar": o art. 28, incisos I a XII e o art. 31. Vejase que tal determinação teve como objetivo justamente tentar sanear um suposto equívoco cometido no primeiro lançamento, para que a Recorrida não pudesse arguir futuramente o cerceamento de seu direito de defesa; b.1.4) Ocorre que, apesar das determinações expressas contidas na Resolução n°. 162, a autoridade lançadora ao elaborar o "relatório fiscal complementar" não indicou, em nenhum momento, o art. 31 da MP n°. 446/08. Com efeito, o único dispositivo citado pela autoridade lançadora em seu "relatório fiscal complementar" foi o art. 28 da MP n° 446/08. Cumpre notar que o art. 31 da MP n°. 446/08 é imprescindível para as pretensões da Fiscalização, pois o mesmo supostamente convalidaria a possibilidade de se lavrar o auto de infração para exigir contribuições previdenciárias da ora recorrida, sem a necessidade de um processo administrativo prévio de cancelamento da sua isenção. No entanto, tal dispositivo sequer foi citado; b.1.5) Por outro lado, a determinação de retificação da fundamentação legal pela 13a. Turma da DRJ/RJ1 e a retificação parcialmente acatada pelo fiscal autuante geraram um cenário de verdadeira insegurança jurídica e indefinição quanto aos dispositivos que teriam sido infringidos pela Recorrente — se o art. 55 da Lei n°. 8.212/1991, se o art. 28 da MP n°. 446/08 — evidenciando o descumprimento do art. 142 do CTN e do art. 10, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972. Mas é importante destacar que a adequada identificação dos dispositivos legais descumpridos pelo contribuinte visa a proporcionar ao contribuinte o amplo exercício do seu direito de defesa, garantido pelo art. 5o., LV, da CF/88. E tal cerceamento, como se sabe, configura vício insanável, que acarreta a nulidade do lançamento efetuado; b.1.6) Cita trechos do voto condutor do recorrido, para mostrar que mesmo a Relatora teve dificuldades de entender a autuação com clareza. Assim, não restam dúvidas de que a ausência da indicação do dispositivo legal tido por infringido no auto de infração, no caso, configura vício insanável, que acarreta a sua nulidade, pois implica em cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório, previsto no art. 5o., LV, da CF/88; b.1.7) Ainda, enfatiza as conclusões manifestadas em parecer, emitido pelo Ilmo. Professor Paulo de Barros Carvalho, que esclarece que o art. 31 da Medida Provisória n° 446/2008 é uma norma de direito material e não meramente procedimental, eis que diretamente vinculada aos requisitos de ordem material elencados em seus arts. 28 e 29, não podendo, portanto, ser aplicada a fatos geradores ocorridos anteriormente a edição da referida medida provisória. Logo, a autoridade fiscal, ao utilizarse dos requisitos dos arts. 28 e 29 da Medida Provisória n° 446/2008, acabou por fazer com que a autuação ficasse eivada de insanável vício material, transcrevendo ainda outros excertos do referido Parecer. Requer, assim, quanto à matéria, que se reconheça que o vício que ensejou a nulidade do lançamento é de natureza material. b.2) Quanto à decadência: Alega a contribuinte divergência passível de apreciação por esta Turma em relação ao decidido pela 3a. Turma Ordinária da 4ª. Câmara da 2ª. Seção deste CARF e pela 2a. através dos Acórdãos 2403002.980, datado de 11/03/2015, e 2403001.789, datado de 22/01/2013, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 2403002.980 Fl. 2502DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.503 16 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. SOLIDARIEDADE. EXCLUSÃO Motivada a solidariedade por composição de grupo econômico, se a empresa não existia à época dos fatos geradores, deve ser excluída do pólo passivo. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A ausência de fundamento legal é vicio que torna nulo o lançamento. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Decisão: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse suspeito o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro com base no art. 43, do anexo II, do RICARF. Acórdão 2403001.789 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE.CERTIFICADO. A isenção prevista no § 7° do art. 195 da Constituição Federal exige que a pessoa jurídica requeira junto ao Instituto Nacional do Seguro Social o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social com todos os requisitos legais cumpridos. VINCULO EMPREGATÍCIO. Constatado e demonstrado o vínculo empregatício, há que se efetuar o enquadramento como segurado empregado. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 2503DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.504 17 O pagamento ao contribuinte individual integra o salário de contribuição. MULTA DE MORA Na forma do revogado art. 35, I, II, III da Lei n Lei 8.212/91, os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos, são acrescidos de multa de mora e juros de mora. A redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, aduz que os débitos serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, a lei não retroage para prejudicar, há que se observar a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores conforme o comando do artigo 149 do Código Tributário Nacional CT e assim também quanto a multa de ofício, com previsão para lançamentos de fatos geradores ocorridos e notificados a partir da lei 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: Nas preliminares, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência em relação às competências até 11 e 13/2005 nos termos do § 4º do art. 150, do Código Tributário Nacional CTN. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro que votou pelas conclusões. No Mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário determinando o recálculo da multa de mora, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte de acordo com o disposto no art. 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, e nos termos do art. 61 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro nas questões da multa e no enquadramento dos segurados e vencida a conselheira Carolina Wanderly Landim que entendeu pela nulidade. Em linhas gerais, argumenta a contribuinte em sua demanda quanto à matéria que : b.2.1) em ambos os casos (acórdão recorrido e acórdãos paradigmas) a situação de fato é exatamente a mesma: verificação da decadência das contribuições patronais não recolhidas por entidades imunes/isentas; em ambos os casos (acórdão recorrido e acórdãos paradigmas) debatese a mesma tese jurídica: se o recolhimento das contribuições sociais dos empregados (retida e recolhida pelo empregador) pode ser considerada como antecipação parcial para fins de aplicação do art. 150, §4°, do CTN, na verificação da decadência de débitos cobrados a título de contribuição previdenciária devida pelo empregador; e a conclusão do acórdão recorrido contrapõese à conclusão dos acórdãos paradigmas, porque, enquanto no acórdão recorrido entendeuse que o recolhimento da contribuição social dos empregados não poderia ser considerada como antecipação do tributo para fins de incidência do art. 150 §4°, do Fl. 2504DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.505 18 CTN, os acórdãos paradigmas apresentaram entendimento totalmente oposto, com base no argumento de que todas as espécies de contribuições previdenciárias deveriam ser tratadas como um todo; b.2.2) Sendo as contribuições sociais tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, do CTN, tem o sujeito passivo o dever de antecipar seu pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Por sua vez, a Fiscalização poderá homologar o lançamento realizado pelo contribuinte ou efetuar lançamento de ofício, (i) caso tenha sido recolhido valor menor do que o realmente devido, ou (ii) não tenha sido efetuado nenhum recolhimento pelo contribuinte. Contudo, o Fisco tem um prazo legalmente definido para exercer seu direito de efetuar o lançamento de ofício do imposto recolhido a menor pelo contribuinte. O prazo decadencial relativo a esse direito está previsto no artigo 150, § 4o., do CTN. Como ressaltado pelo acórdão recorrido, de acordo com o pacífico entendimento jurisprudencial, somente nas hipóteses em que o contribuinte não tenha realizado nenhum recolhimento referente ao tributo devido, aplicase a regra geral, prevista no artigo 173, do CTN, na qual considerase o termo inicial do prazo decadencial o 1o. dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; b.2.3) No caso em tela, como já destacado, as contribuições foram recolhidas de forma parcial. Vale dizer, a recorrente recolheu as contribuições sociais relativas à parte dos empregados, não tendo pago a parte patronal em decorrência da sua isenção/imunidade. E nem se diga que, no caso concreto, o pagamento parcial somente poderia ser reconhecido — como alega o acórdão recorrido — na hipótese em que se tivesse realizado algum recolhimento especificamente referente à contribuição patronal (ora em cobrança). Afinal, conforme expressamente destacado pelos acórdãos paradigmas, as contribuições sociais devem ser entendidas como um todo, de modo que o recolhimento de uma de suas espécies (no caso, a contribuição dos empregados) é mais que suficiente para que se entenda que houve a antecipação do tributo e, portanto, para que se aplique a regra do art. 150, § 4o., do CTN; b.2.4) Com efeito, cumpre destacar que a própria 1a. Turma Ordinária, da 4a. Câmara, da 2a. Seção de Julgamento, prolatora do acórdão recorrido, recentemente, em sessão de julgamento de 10.02.2015, alterou o seu posicionamento para entender que o recolhimento de uma das espécies de contribuição social é suficiente para caracterizar o recolhimento antecipado do tributo (com a consequente aplicação da regra do art. 150, §4°., do CTN). Resta claro, portanto, que, nos moldes dos acórdãos paradigmas e em consonância com a jurisprudência recente do órgão proiator do acórdão recorrido, também merece provimento o presente recurso, a fim de que se reconheça expressamente que, no caso em comento, a verificação da decadência deve se dar nos moldes do art. 150, § 4o., do CTN (e não do art. 173, inciso I, de tal código). Requer, assim, quanto à matéria, que a decadência dos débitos em cobrança deve ser verificada com base no art. 150 §4°. do CTN e que, por consequência, já se configurou a decadência relativa ao período compreendido entre 01/2003 e 11/2003; Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência em 04/05/2016 (efl. 2461), esta apresenta em 12/05/2016 (efl. 2479) contrarrazões de efls. 2462 a 2478, onde alega que: a) O fato é que o lançamento foi realizado diante da desconsideração pelo Fisco da isenção alegada pela empresa em relação às contribuições patronais, motivada pelo descumprimento requisitos previstos nos incisos IV e V do artigo 55 da Lei 8.212/1991. E, Fl. 2505DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.506 19 conforme jurisprudência deste Conselho, o contribuinte se defende dos fatos que lhe são imputados e não da sua capitulação legal (Acórdão nº CSRF/0202.301). Com base nesses fundamentos, a Fazenda Nacional defendeu inclusive a ausência de nulidade no lançamento; b) Todavia, por amor ao debate, caso não acolhido o pleito recursal da Fazenda Nacional, é cediço que a natureza do vício a ensejar a nulidade do lançamento somente poderia ser caracterizado como formal. Observese que em nenhum momento do feito foi constatada a não ocorrência do fato gerador. Ao revés, a decisão recorrida pontuou que se tratava de incorreta formalização dos fatos que serviram de suporte para a subsunção que originaram a obrigação tributária. Na hipótese em apreço, supostos equívocos na formalização dos fatos, vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; c) Um suposto equívoco na formalização do lançamento não pode ser considerado como vício a macular todo o lançamento, devendo ser aplicado o princípio de conservação dos atos. A questão é que o fato gerador ocorreu, em que pese poderse considerar como insuficientemente descrito. Não houve qualquer prejuízo à defesa do sujeito passivo que, novamente destaquese, demonstrou pleno conhecimento dos motivos que levaram à autuação, exercendo o direito à ampla defesa em sua inteireza. Nesse sentido, demonstrando descaber a declaração de nulidade por cerceamento de defesa, quando o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, sendo esse o caso de vício formal, passível de convalescimento; d) Noutra linha, não há que se confundir falta de motivo com falta de fundamentação/motivação. A primeira representa a exposição dos motivos, ou seja, a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato que justificam o ato realmente existiram. Já a motivação diz respeito às formalidades que ensejam a formação do ato; e) Como já salientado, tratase de suposto vício no enquadramento legal que, em nada interferiu na configuração do crédito tributário (em todos os seus elementos). Logo, se se cogitar de vício no lançamento, devese ter como vício formal (na formalização do ato do lançamento), tendo em vista que a suposta falha ocorreu tãosomente na exteriorização do ato do lançamento. A propósito, a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma; f) Por tudo, concluise que o recorrente mostrase equivocado ao afirmar que a eventual incorreção do lançamento constitui vício material, eis que se vício existe no lançamento, este é de natureza formal visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo. Ora, tratandose de vício relacionado à motivação, este que se revela como requisito atinente à forma do ato administrativo fiscal, revelase correto dizer que referido vício poder ser perfeitamente convalidável, inclusive com base no que preceitua o art. 55 da Lei nº 9.784, de 1999; g) A convalidação in casu é providência que também se harmoniza com o conteúdo dos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, dispositivos estes que, privilegiando a instrumentalidade das formas, só determinam a declaração de nulidade em sede do processo administrativo fiscal nos casos de: a) vício de incompetência; b) preterição do direito de defesa, sendo, aqui, imperiosa a transcrição do mencionado art. 60; Fl. 2506DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.507 20 h) os vícios apontados são passíveis de serem revistos e corrigidos mediante a realização de diligências e complementação do relatório fiscal, dando ciência ao contribuinte e garantindolhe o direito à ampla defesa. Assim, patente no caso que, não houve o vício proclamado pelo recorrente e, se vício houve no lançamento, o que se admite apenas por amor ao debate, este seria de natureza formal e não material. Logo, sob qualquer ótica que se vislumbre a questão, é forçoso concluir que não merece ser agasalhada a pretensão do recorrente. Isso porque se houve falha no lançamento, o que se admite apenas para argumentar, não seria apta a ensejar sua nulidade, pois o contribuinte se defende dos fatos e não da capitulação legal. Todavia, caso o pleito da Fazenda Nacional nesse sentido não seja agasalhado, e seja decretada a nulidade do lançamento, é cediço que somente se poderia encampar a tese perfilhada pela decisão recorrida no sentido de que a natureza do vício seria formal e não material como pleiteado pelo recorrente; i) Quanto â decadência, defende a aplicação do recorrido por seus próprios fundamentos. Requer, assim, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela Turma a quo por seus próprios fundamentos, bem como com fundamento nas contrarrazões expendidas. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Antes de adentrar a análise de conhecimento e mérito dos recursos, inicialmente, necessária, em meu entendimento, uma clara delimitação da matéria já objeto de trânsito em julgado constante do Acórdão recorrido. A propósito, inafastáveis, a esta altura, as seguintes conclusões do voto condutor do Acórdão 2401002.977, verbis: " (...) Já quanto ao cumprimento dos requisitos para considerar se a entidade matinha ou não a qualidade de filantrópica, entendo que deva ser observada a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, no caso o art. 55 da lei 8212/91. Ao apreciarmos os termos do relatório fiscal, da solicitação em diligência e da informação fiscal emitida verificamos que não há convergência de fundamentos para o lançamento, o que ensejou uma forçação de barra por parte do órgão julgador, senão vejamos: Em seu relatório traz o auditor como fundamentação para o lançamento: “não satisfaz os requisitos ao Decreto n° 2.536/98; por não realizar os objetivos traçados pela Lei Orgânica da Assistência Social , n° 8.742/93, em seu artigo 2°, incisos de I a V e parágrafo único, bem como na Constituição Federal em seu artigo 203, incisos de I a V. Tratase de empresa comercial, prestadora de serviço na área da educação superior, onerosa, que não comprova realizar atendimento de caráter social, dirigido à comunidade, especialmente a pessoas carentes.” Fl. 2507DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.508 21 Ou seja, ao apreciarmos os termos do relatório, podemos constatar, que o auditor entende que perdeu a entidade em 2007 a condição de isenta, pois sua condição de empresa com fins lucrativos, descrevendo a legislação a lei orgânica da previdência, o decreto 2536 e a própria constituição, como normas a serem observadas para condição de filantrópica no período da ocorrência dos fatos geradores. Já o julgador, ao baixar o processo em diligência, justifica a reapreciação do feito pelo auditor com fundamento nos requisitos do art. 28 da própria MP 446/08. O auditor por sua vez, destaca nos 3 primeiros parágrafos da informação fiscal, que entende que os argumentos para manutenção do lançamento não devem ser embasados na MP 446, mas para fazer cumprir a diligência requerida, pontualmente, em relação aos argumentos trazidos em seu relatório. Já quanto a decisão de primeira instância, o julgador faz valer seu entendimento de que a MP 446 é a norma adequada a fundamentar o lançamento, sendo que os fatos descritos pelo auditor são suficientes para manutenção da autuação. Oras, confesso, que enquanto auditora, tive dificuldades para entender qual norma, ao fim, serviu para dar sustentáculo ao lançamento. Acredito ter sido essa confusão, que gerou dúvidas ao recorrente, o que justificaria a série de nulidades apontadas pelo mesmo, seja quanto a inovação jurídica do lançamento, incompetência da autoridade autuante, ou mesmo que o relatório fiscal complementar na verdade fez novo lançamento. Apreciei pontualmente cada uma das nulidades, de forma a deixar claro, em que ponto entendo estar o lançamento comprometido. Conforme visto, no meu entender houve uma confusão entre o auditor autuante e o julgador, donde cada um apresentou uma versão para o lançamento, contudo, entendo que isso implicou nulidade do mesmo, pela ausência de definição clara e precisa da legislação que abarca a questão. Fato é que a entidade era detentora dos Certificado de entidade Filantrópica durante o período da ocorrência dos fatos geradores. A legislação que regia a matéria era o art. 55 da lei 8212/91. Em seu recurso, bem argumentou o recorrente: Como exaustivamente demonstrado pela Impugnante na Seção Ill, Capitulo 3, retro, a MP n° 446/08 não é aplicável ao presente caso, como quer fazer entender a 13a Turma da DRJ/RJ1, pois a mesma não vigia à época da ocorrência dos fatos geradores. No período de ocorrência dos fatos geradores (período de 01/2003 a 12/2005), os requisitos que asseguravam á lmpugnante a fruição da isenção da contribuição previdenciária patronal estavam previstos no art. 55 da Lei n° 8.212/91. Nunca é demais ressaltar que a própria autoridade lançadora, quando instada a elaborar um "relatório fiscal complementar" pela Resolução n° 126, foi categórica ao afirmar que a MP n° 446/08 não era aplicável Fl. 2508DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12898.000164/200824 Resolução nº 9202000.192 CSRFT2 Fl. 2.509 22 a esta autuação, porque, à época da vigência da mesma. a lmpugnante já era empresa de responsabilidade limitada com fins lucrativos, como se pode notar do seguinte excerto: Assim, entendo que os requisitos legais a serem cumpridos para o gozo da isenção eram os descritos no art. 55, servindo a MP 446 apenas para fundamentar a lavratura do AI ou NFLD sem a necessidade de informação fiscal. (grifei) Todavia, a demonstração dos requisitos descumpridos, que desenquadrariam a condição de isenta deveriam aterse ao cumprimento dos requisitos ali elencados e não aos requisitos descritos em MP, que vigora a partir da sua vigência. Vejamos os requisitos legais: Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original: (...)" Dependente, assim, o deslinde do presente processo da análise da aplicação do art. 55 da Lei no. 8.212, de 1991, à situação sob análise, fato que só pôde ser identificado após a inclusão do processo em pauta, quando do exame detalhado do processo por este Relator, em especial a partir da intrincada discussão travada no feito acerca do dispositivo legal que estaria a fundamentar o presente lançamento. Feita tal digressão, de se notar que a possibilidade de aplicação do referido art. 55 da Lei no. 8.212, de 1991, encontrase atualmente dependente do trânsito em julgado de decisão acerca da inconstitucionalidade do dispositivo em questão, prolatada pelo STF no âmbito do RE 566.622/RS em 23/02/2017, e que teve sua decisão em inteiro teor publicada em 23/08/17, tendo, este CARF, ainda, sido demandado, de forma expressa, através da petição STF no. 6.604, de 2017, a sobrestar o julgamento dos feitos que envolvessem a aplicação do artigo citado. Assim, diante do exposto, voto por, a exemplo do já realizado para outros feitos que envolvem a aplicação do referido art. 55, converter o julgamento do recurso em diligência à Sesej, para sobrestamento do processo, conforme a petição STF nº 6.604, de 2017, nos autos do RE 566.622/RS. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 2509DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.921515/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 28/02/2005
PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas.
Numero da decisão: 3302-011.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Lima Abud, Walker Araújo e Paulo Regis Venter, que convertiam o julgamento em diligencia. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.519, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10980.921481-2012-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Lima Abud, Walker Araújo e Paulo Regis Venter, que convertiam o julgamento em diligencia. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.519, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10980.921481- 2012-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 15 15 /2 01 2- 54 Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.552 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921515/2012-54 O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele informado em razão de pagamento indevido ou a maior de PIS/Cofins cumulativos. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito da empresa, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade a seguir resumida. Informa que o pedido de restituição advém de créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Cofins em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições. O art. 195 da CF/1988 reconhece como base de cálculo para o PIS/Cofins a receita ou o faturamento, sem autorização para incluir o valor pago a título de ICMS, pois tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. O ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação, constituindo o respectivo destaque mera indicação pra fins de controle. O faturamento é decorrente de um negócio jurídico e a base de cálculo não pode extravasar o valor desse negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. Além disso, deve-se atentar para o princípio da razoabilidade, pressupondo-se que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações (art. 110 do CTN). Descabe assentar que os contribuintes do PIS/Cofins faturam ICMS, uma vez que esse tributo não é receita da empresa, mas sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrá-lo. Assim, não se pode aceitar a incidência das contribuições sobre outro imposto, tornando-se alheio ao que deve ser o faturamento. Em face das razões expendidas, requer que seja homologado o pedido de restituição efetuado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento que não havia na legislação pátria previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais. Inconformado com a decisão da DRJ, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual requer a suspensão do julgamento deste processo administrativo até a decisão final do STF sobre o tema. Alternativamente, que seja dado provimento para afastar das bases de cálculo do PIS e da Cofins o valor do ICMS. Apresentou na interposição do recurso voluntário documentos contábeis e fiscais que, em tese, comprovariam que o ICMS foi incluído na base de cálculo do tributo. É o breve relatório. Voto Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.552 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921515/2012-54 Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. ICMS na Base de Cálculo das Contribuições. Conforme relatado, a matéria posta em debate cinge-se ao cabimento da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A discussão encontra-se superada no âmbito do CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015. No RE nº 574706 - Tema 069 - ficou consignado que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota-se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerando-se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo-se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-223 DIVULG 29-09-2017 PUBLIC 02-10-2017). A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, os quais foram julgados nos termos da certidão de julgamento abaixo transcrita: Decisão: O Tribunal, por maioria, acolheu, em parte, os embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15.3.2017 - data em que julgado o RE nº 574.706 e fixada a tese com repercussão geral "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS" -, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento, vencidos os Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.552 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921515/2012-54 Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio. Por maioria, rejeitou os embargos quanto à alegação de omissão, obscuridade ou contradição e, no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS-COFINS, prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS destacado, vencidos os Ministros Nunes Marques, Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto da Relatora. Presidência do Ministro Luiz Fux. Plenário, 13.05.2021 (Sessão realizada por videoconferência - Resolução 672/2020/STF). A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, após o julgamento dos embargos de declaração por ela opostos, se pronunciou sobre o tema no Parecer SEI nº 7698/2021/ME: (...) 9. Como se percebe, adotou-se a posição da Ministra Relatora de que inexistia qualquer omissão, obscuridade ou contradição a ser sanada, inclusive no que diz respeito ao montante do ICMS a ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS, que deve ser aquele destacado nas notas fiscais. 10. De outra parte, em importante vitória da União, os efeitos da decisão foram modulados, fixando-se a produção de seus efeitos após 15/03/2017, data do julgamento de mérito do RE nº 574.706. 11. Em suma, portanto, dois foram os principais comandos do julgamento realizado e que, com vistas a evitar um cenário de agravamento da litigância deste que é o tema de maior repercussão no contencioso tributário pátrio, recomendam a adoção de providências imediatas por parte da Administração Tributária, já que não mais serão objeto de insurgência por parte da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, porquanto objeto de induvidosa e cristalina posição da Suprema Corte: a) os efeitos da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS devem se dar após 15.03.2017, ressalvadas as ações judiciais e requerimentos administrativos protocoladas até (inclusive) 15.03.2017 e b) o ICMS a ser excluído da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS é o destacado nas notas fiscais. (...) Diante da obrigação de observar decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015, me curvo ao entendimento de que o ICMS destacado deve ser excluído da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. Contudo, não posso atestar que houve a inclusão do ICMS na base de cálculo da exação do período de apuração requisitado. Isto porque, em nenhum momento processual foi analisada essa questão. No despacho decisório ficou consignado que não havia indébito tributário, uma vez que o recolhimento apresentado como prova do recolhimento indevido teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. A decisão da DRJ negou provimento ao recurso em virtude da falta de previsão legal para excluir da base de cálculo da exação o valor do ICMS. No recurso voluntário, o sujeito passivo refutou a questão de direito e, utilizando o princípio da eventualidade, apresentou documentos – cópia Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.552 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921515/2012-54 de páginas do livro de apuração de ICMS e do livro razão, com a contabilização dos valores do ICMS - que poderiam comprovar que houve recolhimento da exação tendo o ICMS em sua base de cálculo. Esses documentos, caso autênticos, podem sugerir que houve a inclusão na base de cálculo da exação o valor do ICMS, gerando um indébito tributário. Pela luz da legislação processual brasileira, quer judicial ou administrativa, é defeso às partes apresentar prova documental em momento diverso do estabelecido na norma processual - no do Processo Administrativo Fiscal na data da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade – a menos que (§ 4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972): a) Fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Analisando os autos, verifica-se que a situação fática não se enquadra em nenhuma das hipóteses enumeradas acima. De outro lado, não se pode olvidar que a produção de provas é facultada às partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão, isto porque, o processo é um caminhar para frente, não se admitindo, em regra, realização de instrução probatória tardia, pertinente a fases já ultrapassadas. Daí, não tendo sido produzida a tempo, em primeira instância, não se admite que se faça em fases posteriores, sem que haja justificativa plausível para o retardo. Noutro giro, que o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não pode nem deve servir de salvo conduto para que se desvirtue o caminhar para frente, o ordenamento e a concatenação dos procedimentos processuais - essência de qualquer processo administrativo ou judicial. Na realidade, a verdade material contrapõe-se ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Diante do exposto, entendo que os documentos apresentados na interposição do recurso voluntário não podem servir de prova em face da preclusão consumativa. Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-011.552 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921515/2012-54 Partindo dessa premissa, retornando a análise dos autos, o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação/manifestação de inconformidade. Temos conhecimento, outrossim, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontra-se cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I - recair sobre direito indisponível da parte; II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. No caso em epígrafe, a lide versa sobre pedido de ressarcimento, de tal forma que o ônus probatório recai para o sujeito passivo. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-011.552 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921515/2012-54 existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolve-se, a rigor, em uma máxima probabilidade. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, segue-se que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas - e daí a pertinência de prová-las, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vincula-se ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-011.552 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921515/2012-54 da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontra-se ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecê-lo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que: a prova dos fatos faz-se por meios adequados a fixá-los em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontra-se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar ideias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificar-se de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebra-cabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Diante do exposto, e como não foram acostados, no momento processual previsto na legislação, elementos probatórios que identificassem e provassem o recolhimento indevido, nego provimento ao recurso. É como voto. CONCLUSÃO Fl. 66DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-011.552 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921515/2012-54 Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados nesse voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 67DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10580.903427/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3201-008.781
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário; vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Hélcio Lafetá Reis, que negaram provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.780, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10580.903428/2012-28, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. É válido descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda no regime monofásico de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas, quando a despesa for suportada pelo vendedor, nos termos do artigo 3°, incido IX das Leis n°. 10.637/2002 e 10.833/2003. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário; vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Hélcio Lafetá Reis, que negaram provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.780, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10580.903428/2012-28, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 34 27 /2 01 2- 83 Fl. 384DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.781 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903427/2012-83 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito oriundo da COFINS Não Cumulativa – Mercado Interno. A contribuinte foi intimada apresentar os elementos comprobatórios do crédito pleiteado. As conclusões do agente do Fisco constam de Informação Fiscal. O pedido refere-se a supostos créditos da COFINS no regime não-cumulativo, decorrente de vendas efetuadas no mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, conforme disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004. O interessado não havia informado qualquer crédito na ficha 26B de seu DACON. Após Intimação, tal demonstrativo foi retificado e passou a apresentar saldo de créditos não utilizados. Constata-se que o próprio contribuinte informou em seu DACON que não possuía crédito referente a aquisições no mercado interno vinculado à receita não tributada no mercado interno. Todo o saldo disponível informado pelo interessado é vinculado à receita tributada no mercado interno, que não pode ser objeto de ressarcimento ou compensação, em função dos dispositivos legais citados acima. O DACON referente ao mês de transmissão do pedido de ressarcimento, também não traz na ficha 14 a utilização de créditos objeto de pedido de ressarcimento no mês. Assim, em função das informações prestadas pelo contribuinte em seus DACON e com base no art. 3° da Lei n° 10.637/2002, art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e art. 16 da Lei n° 11.116/2005, não há qualquer valor a ser ressarcido Por meio de Despacho Decisório Eletrônico proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil o Pedido de Ressarcimento foi indeferido e, consequentemente, a compensação declarada em DCOMP’s a ele vinculadas não foi homologada. Irresignada, a interessada apresenta Manifestação de Inconformidade alegando em sua defesa, que tem como atividade principal o comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo, e tais vendas, em relação à gasolina e demais derivados de petróleo, são tributadas à alíquota zero na forma do art. 9º, inciso II, da IN SRF nº 594/2005. À época da apuração dos referidos créditos, transmitiu os respectivos DACON informando, nas respectivas fichas, que se tratavam, de forma equivocada, de créditos vinculados Fl. 385DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.781 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903427/2012-83 à receita tributada no mercado interno, quando, de fato, deveria ter sido informada a opção “vinculados à receita não tributada no mercado interno”. Nos termos do que prevê a Lei nº 11.116, de 2005, assiste, indubitavelmente, o direito ao crédito da COFINS não cumulativa para a Manifestante em relação aos gastos, custos e despesas, a saber: a) energia elétrica; b) aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos; c) contraprestações de arrendamento mercantil; e, d) depreciação de edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros. A Solução de Consulta nº 18, de 25 de abril de 2013, da 5ª Região Fiscal da RFB, a que está submetida a Manifestante, corrobora com a admissibilidade do crédito. Trata-se apenas de um erro material de fato, devendo ser sanado por esta via recursal em busca obrigatória do princípio da verdade material, base do Direito Tributário Nacional, que impõe às autoridades administrativas o dever de apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da verdade real, não se limitando a emitir juízo acerca dos documentos analisados a partir da mera presunção, citando doutrina e julgados do CARF que corroborariam seus argumentos. Identificado o erro material, evidenciado pela incorreta classificação da vinculação à receita tributada no mercado interno, imediatamente o corrigiu com o envio dos respectivos DACON's retificadores, conforme recibos e relatórios anexos. Percebida a ocorrência do erro, deveria a autoridade fazendária notificar o contribuinte para que corrigisse a inconsistência, não sendo admissível o tratamento ora dispensado pela autoridade administrativa competente. Adicionalmente, há de se observar, ainda, a existência dos referidos créditos através da regular escrituração contábil da manifestante, conforme cópia do Livro Razão em anexo, fato que torna absolutamente legítimo o crédito e o ressarcimento/compensação ora pretendidos. A ausência de análise efetiva que ensejou o direito material do contribuinte, fundamentação válida do ato administrativo, cerceou o direito de defesa, motivo suficiente para tornar o Despacho Decisório em questão nulo de pleno direito, citando Acórdão desta Delegacia de Julgamento que, ao apreciar caso semelhante, anulou o Despacho Decisório analisado. A manifestante pretende a aplicação do formalismo moderado ao presente caso, para que seja reconsiderada a decisão manifestada no Despacho Decisório. A manifestação de inconformidade foi julgada parcialmente procedente. A empresa apresentou recurso voluntário, antes da ciência, onde em síntese alega: - os julgadores entenderam que trata-se de produtos sujeitos ao regime monofásico; - remanesce a dúvida a respeito da possibilidade de créditos relativos a venda com gastos e despesas de armazenagem e frete na venda; Fl. 386DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.781 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903427/2012-83 - o fato dos produtos vendidos serem tributados numa única fase do processo não obsta o direito ao crédito das contribuições pelo simples fato de que ao remeter, o referido inciso IX, ao inciso I do mesmo art. 3º não significa que estaria, de maneira implícita, sujeita à restrição lá imposta aos produtos sujeitos ao regime monofásico; - apresenta acórdão nº 9303-006.219, Solução de Divergência Cosit nº 3/2016; - apresenta cópia do livro razão, e planilha de apuração do PIS e da Cofins. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 Tendo sido designado pelo Presidente para redigir o voto vencedor, exponho na sequência o entendimento que prevaleceu no julgamento do Recurso Voluntário, no que diz respeito ao tópico “da possibilidade de créditos relativos a venda com gastos e despesas de armazenagem e frete na venda”, trazendo a cronologia dos fatos relevantes para o deslinde da decisão. Vê-se que o cerne da lide envolve a matéria que se consubstancia nas razões que motivou o recurso voluntário, e que gira em torno do direito ao crédito do PIS e da COFINS relativamente aos gastos com custos e despesas de armazenagem e frete na venda, conforme previsto no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003, combinado com o art. 15, II. De pronto, oportuno destacar o que a relatora fez consignar ao admitir o recurso: “toda a argumentação da recorrente é feita para a Contribuição COFINS, entretanto, dada a similitude no tratamento tributário de ambas as contribuições, e pelo princípio do formalismo moderado, que rege o processo administrativo fiscal entendo que deve ser admitido o recurso”. A Recorrente tem como atividade principal a comercialização de combustíveis cujos produtos possuem o tratamento diferenciado exposto na forma da Lei 9.990/2000 e IN SRF 594/2005. A controvérsia gravita no fato se as despesas com armazenagem e frete na venda, conforme previsto no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003, é passível do creditamento realizado pelo contribuinte, assim se deveria ser mantido ou não a glosa. Nesse sentido com o devido respeito ao voto da ilustre relatora, discordo da sua conclusão em negar provimento ao recurso voluntário, filiando-se a decisão a quo que subtraiu das bases de cálculo informadas nos DACONs os valores das despesas de armazenagem e frete nas operações de venda, adotando as mesmas razões de decidir do acórdão de piso, apregoado o § 3º do art. 57 do RICARF, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. É importante ressaltar, conforme restou consignado no voto da relatora em citação ao que fora dito pelo Relator-Auditor Fiscal, que de fato inexistem dúvidas quanto à impossibilidade de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS 1 Deixa-se de transcrever o voto do relator, que pode ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 387DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.781 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903427/2012-83 incidentes sobre os produtos sujeitos à incidência monofásica (concentrada) adquiridos para revenda por comerciantes atacadistas. Tal afirmativa pode se ancorar nas recentes decisões proferidas no Superior Tribunal de Justiça, podendo citar os EREsp 1.768.224/RS e EAREsp 1.109.354/SP, onde prevaleceu o entendimento do relator, ministro Gurgel de Faria (1ª Seção), que considerou que como não há incidência sucessiva das contribuições, é impossível tomar créditos de PIS e Cofins sobre produtos sujeitos ao regime monofásico de tributação. Importa destacar que as decisões das Turmas do STJ, vem entendendo que não cabe a tomada de créditos no regime monofásico tanto a aquisição de bens para revenda quanto a compra de insumos e a depreciação de bens do ativo imobilizado estão vinculadas a receitas que não foram tributadas, conforme preconiza o Inciso II do § 2º do Art. 3º das Leis 10.637 e 10.833: - Não dará direito a crédito o valor: II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Inclusive esse tema foi admitido como repetitivo pelo Min. Mauro Campbell, relator do (Resp nº 1894741). Todavia, o fato do distribuidor atacadista de produtos sujeitos ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, poder não descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, não impede que o mesmo distribuidor atacadista estando sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tenha o direito de descontar créditos relativos às despesas com armazenagem e frete, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX,das Leisn°s.10.637/2002e10.833/2003. Assim, a pessoa jurídica distribuidora atacadista de produtos sujeitos à concentração tributária, que apure a Contribuição para o PIS/Pasep pelo regime não cumulativo, ainda que a ela seja vedada a apuração de crédito sobre esses bens adquiridos para revenda, porquanto expressamente proibida nos art. 3º, I, “b”, c/c art. 2º, § 1º, I da Lei nº 10.637, de 2002, é permitido o desconto de créditos de que trata os demais incisos do art. 3º desta mesma Lei, desde que observados os limites e requisitos estabelecidos em seus termos. Neste particular, importa trazer à baila a ementa da decisão do Acórdão n.º 9303- 006.2191 , em decisão proferida pela 3ª Turma da CSRF, em sede de Recurso Especial, acórdão este citado no recurso voluntário da ora recorrente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Também para as mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência da COFINS não cumulativa, há o direito de descontar créditos relativos às despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, da Lei n°. 10.833/2003. Fl. 388DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.781 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903427/2012-83 Caminhou também nesse sentido o Acórdão nº 9303-007.500, em decisão proferida pela 3ª Turma da CSRF: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃOPARAOPIS/PASEP PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. POSSIBILIDADE. As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos à tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme Art. 3º,IXdaLeinºs10.637/2002e10.833/03. Contudo para não citar outros tantos acórdãos, me filio entendimento do relator exarado no Acórdão nº 3402-002.520, publicado em 06/08/2020, proferido pelo Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, e que foi alvo de Recurso Especial da PGFN no Acórdão:9303-004.311, onde se negou provimento, mantendo-se incólume o acórdão, no qual penso que bem retrata o entendimento da turma que por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário: Com efeito, segundo se colhe da decisão recorrida, houve o entendimento de que, considerando que haveria a restrição ao desconto de créditos sobre a aquisição, para revenda, de produtos sujeitos a incidência monofásica das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, e, considerando estarem os fretes nas operações de venda vinculados à entrega destes mesmos produtos monofásicos, igualmente não poderia haver o desconto de créditos, eis que o dispositivo em questão (inciso IX, do art. 3°), reporta-se ao frete na operação de venda “nos casos dos incisos I e II”. Portanto, no entendimento da decisão de piso, se pelo teor do inciso I do art. 3°, da Lei de regência, não houver o direito ao crédito, igualmente não haverá o direito ao crédito sobre o frete na operação de venda. Tenho, no entanto e com a devida vênia dos julgadores da regional, que no caso em concreto a interpretação que foi dada ao preceito legal não é a que melhor atende às normas de hermenêutica e mesmo à sistemática não cumulativa da contribuição, havendo fundamentos para concluir de modo diversos, como passo a expor. Inicialmente, porque as empresas que dedicam-se à revenda de produtos sujeitos a incidência monofásica fazem parte daquelas pessoas jurídicas que sujeitam-se à não cumulatividade das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, pois que as receitas provenientes da comercialização de tais produtos são tributadas, porém, em função do regime de tributação concentrado pelo qual se aumenta a alíquota no fabricante ou importador, reduzindo-a a zero nos distribuidores atacadistas ou nos varejistas (caso da Recorrente). Assim, as revendas (distribuidores e atacadistas) de produtos monofásicos estão sujeitas a não cumulatividade, embora as receitas sejam tributadas à alíquota zero. Por tal razão, têm direito ao desconto dos créditos permitidos pela legislação, arrolados nos incisos III e seguintes do art. 3°, das Leis n° 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS. Cabe pontuar que quanto aos incisos I e II, do mesmo diploma, tratam-se dos créditos sobre os produtos para revenda, aqui analisados, e os bens e serviços utilizados como insumo (inc. II), os quais igualmente devem conceder o crédito, nas hipóteses legais pertinentes e de acordo com a atividade de cada contribuinte em particular, já que componentes da sistemática não cumulativa. Neste caso em Fl. 389DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-008.781 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903427/2012-83 particular, não estamos lidando com insumos, previsto no inciso II, já que o contribuinte não desenvolve atividade industrial ou de prestação de serviços. Pois bem, tenho que quando o inciso I do art. 3° em questão veda o direito ao desconto de créditos, o faz sobre os bens adquiridos para revenda sujeitos à tributação concentrada. A vedação legal à tomada de créditos refere-se expressamente à aquisição de bens, de modo que os “custos de aquisição” estão compreendidos na vedação ao crédito, devendo ser interpretado que neste “custo” estão englobados os dispêndios para trazer as mercadorias ao estoque de mercadorias para revenda, nos termos dos itens 9 e 10, do pronunciamento técnico CPC nº 16, aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários através da Deliberação CVM nº 575, de 05 de Junho de 2009, que regulamenta o registro dos estoques. Esta Deliberação possui força de Lei e disciplina o Direito Privado, devendo ser observado pelo direito tributário, nos termos dos arts. 109 e 110, do CTN. Por outro lado, quando o inciso IX, do mesmo art. 3°, das Leis n°s. 10.637/02 e 10.833/03, permite o direito ao desconto de créditos sobre “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”, está tratando de despesas comerciais, inerentes à venda das mercadorias, e não à dispêndios relativos à sua aquisição. Esses dispêndios de entrega dos produtos revendidos não agregam ao “custo de aquisição” das mercadorias, mas antes são despesas de vendas, não podendo ser abrangidas na vedação contida no inciso I, do mesmo dispositivo legal, pelo fato de consistir em outra operação de aquisição, relacionada com outra pessoa jurídica (que não o fornecedor de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal), que é o prestador dos serviços de transportes nas operações de entrega da mercadoria para o comprador, o qual é contribuinte das contribuições em questão sobre a receita do frete cobrado à Recorrente. Tenho que a menção existente no inciso IX, do art. 3°, em questão, quando reporta-se aos “casos dos incisos I e II”, visa firmar que o direito ao desconto de crédito será quando a armazenagem ou o frete na operação de venda tiver como objeto mercadorias para revenda ou bens ou produtos fabricados a partir dos insumos que ali estão especificados, independentemente do regime de sua tributação, não podendo abranger a armazenagem e o frete de bens que não se enquadrem como mercadorias para revenda e nem como bens ou produtos fabricados a partir dos referidos insumos (seria o exemplo de armazenagem ou transporte de bens do ativo imobilizado). Por tais razões, a interpretação que entendo deva prevalecer, por privilegiar o desígnio da não cumulatividade, é aquele que concede o direito ao crédito nas operações de armazenagem e frete nas operações de venda, desde que o frete tenha sido suportado pelo vendedor. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas relativas a despesas com armazenagem e fretes na operação de venda de produtos monofásicos, frisa-se despesa esta que tenha sido suportada pelo vendedor. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Fl. 390DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-008.781 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903427/2012-83 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Fl. 391DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720255/2010-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Glauco Heleno Rubick, OAB/SC nº 6.315.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1590; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 413 1 412 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720255/201037 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.721 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de setembro de 2016 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente COOPERATIVA REGIONAL AGROPECUÁRIA VALE DO ITAJAÍ (CRAVIL) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Glauco Heleno Rubick, OAB/SC nº 6.315. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 20 25 5/ 20 10 -3 7 Fl. 413DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 414 2 Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa, referente ao 1º trimestre de 2007, no valor de R$203.309,48. Encontramse apensados aos autos os seguintes processos de ressarcimento, juntamente com o Auto de Infração nº. 13971.001090/201181: Processo Per/Dcomp Trimestre Valor Crédito 13971.720287/201032 18901.51878.310709.1.1.113181 3º trim./2004 72.719,76 13971.720271/201020 05109.52561.310709.1.1.118103 4º trim./2004 120.671,31 13971.720251/201059 05312.85360.310709.1.1.118757 1º trim./2005 182.423,00 13971.720259/201015 09240.41630.310709.1.1.117482 2º trim./2005 157.131,85 13971.720285/201043 15066.07406.310709.1.1.114708 3º trim ./2005 173.995,70 13971.720274/201063 35019.26043.310709.1.1.119447 4º trim./2005 173.140,26 13971.720254/201092 26782.06724.310809.1.1.115972 1º trim./2006 121.477,61 13971.720261/201094 18152.93312.310809.1.1.110800 2º trim./2006 138.685,85 13971.720288/201087 20540.35574.310809.1.1.116160 3º trim./2006 153.214,20 13971.720277/201005 35412.49910.310809.1.1.117085 4º trim./2006 196.166,63 13971.720255/201037 27715.73383.310809.1.1.110152 1º trim./2007 203.309,48 13971.720263/201083 19931.52092.310809.1.1.110004 2º trim./2007 236.968,06 13971.720268/201014 18616.88502.310809.1.1.111492 3º trim./2007 222.473,78 13971.720281/201065 29596.50652.310809.1.1.112255 4º trim./2007 256.071,07 13971.720257/201026 06749.49858.310809.1.1.110992 1º trim./2008 263.898,20 13971.720266/201017 40797.82866.310809.1.1.118455 2º trim./2008 279.065,71 13971.720269/201051 17439.13285.310809.1.1.110227 3º trim./2008 298.796,31 13971.720282/201018 15221.94620.310809.1.1.111700 4º trim./2008 286.648,88 A análise fiscal relativa ao período em questão (3º. trimestre de 2004 até o 4º. trimestre de 2008), se encontra descrita nos Relatórios de Auditoria Fiscal (fls. 135/258 do processo 13971.001090/201181 AI), referentes à análise dos pedidos de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do período compreendido entre o 3º. trimestre de 2004 ao 4º. trimestre de 2008. A ação fiscal resultou em despachos decisórios que indeferiram os pedidos de ressarcimento da Contribuição ao PIS e da Cofins referentes ao período compreendido entre 01/07/2004 e 31/12/2008, bem como no Auto de Infração AI nº. 13971.001090/201181, sendo que cada PER foi tratado em um processo, totalizando 36 processos administrativos apensados ao referido AI, os quais foram objeto de manifestação de inconformidade por parte da contribuinte. Em decorrência da análise fiscal, procederamse às glosas sobre os valores das seguintes aquisições, conforme as fichas e linhas do Dacon, conjugado com as diferentes versões do demonstrativo vigentes ao longo do tempo: Glosa nº. 1 – Falta de Comprovação, com fundamento no art. 65 da IN RFB n° 900 de 30/12/2008, relativa aos créditos e às exclusões da base de cálculo para os quais não houve apresentação de demonstrativo e/ou para os quais Fl. 414DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 415 3 os valores demonstrados eram inferiores aos declarados em Dacon. Ocorreram as glosas nas seguintes linhas do Dacon: Aquisições de Bens para Revenda, em vista da não apresentação de demonstrativo para o ano de 2004 e do valor a menor no demonstrativo em 10/2005; Aquisições de Bens utilizados como Insumos, em virtude da não apresentação de demonstrativo para o ano 2005 e do valor a menor no demonstrativo em 04 e 08/2007; Despesas de Energia Elétrica, vinculadas à receita não tributada; Fretes na operação de Venda, em virtude da não apresentação de demonstrativo dos anos de 2004 e 2005; Fretes nas Aquisições de Bens para Revenda e utilizados como Insumos, relativa à diferença entre os valores constantes do demonstrativo apresentado pela empresa (arquivo fretes intimação 5.xls) e os valores lançados no Dacon; Crédito Presumido na Atividade Agroindustrial, em vista de não ter sido entregue demonstrativo do ano de 2004 e diferenças entre o Dacon e os demonstrativos apresentados no ano de 2005. Glosa nº. 1. – Falta de Comprovação Exclusões da Base de Cálculo: Vendas Tributadas com Alíquota Zero: foram objeto de exclusão em todos os períodos analisados, variando apenas o modo de informálas no Dacon. A falta de comprovação ocorreu no ano de 2004 (08/2004 a 12/2004), para o qual não houve entrega do demonstrativo. Exclusões especificas das cooperativas de produção agropecuária (“Outras Exclusões”), foram consideradas ao longo do período objeto da análise. Foram efetuadas glosas por falta de comprovação relativamente a dois tipos de exclusões específicas a cooperativas de produção agropecuária: Valores repassados aos associados, por falta do demonstrativo no período 08/2004 a 12/2004, 02/2005 a 07/2005, 10/2005 a 12/2005, 02/2006, 01/2007, 07/2007 a 09/2007, 11/2007 a 01/2008, 11/2008 a 12/2008; e Custos Agregados, especificamente em relação a despesas de energia elétrica (12/2004, 10/2005, 02/2006, 08/2006, 07/2008 a 11/2008) e de fretes correspondentes às entregas de produtos recebidos de cooperados (08/2004 a 10/2006). Glosa nº. 2 – Falta de comprovação na escrituração fiscal, fundamentada no art. 65 da IN RFB nº. 900/2008: relativa aos casos em que a informação deficiente nos demonstrativos impediu a correlação do item do demonstrativo com a escrituração fiscal. A glosa por este motivo atinge registros em várias linhas do Dacon, conforme relacionado no item 69 do Termo de Verificação Fiscal. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 416 4 Glosa nº. 3 – Aquisições de Associados: em relação às aquisições de bens para revenda e às aquisições de bens utilizados como insumos, onde foram identificadas situações em que as aquisições foram feitas junto a associados da cooperativa (produtores rurais pessoa física ou jurídica). Esta análise foi feita a partir do confronto entre esses dois demonstrativos de créditos e a relação de associados, apresentada pela contribuinte no arquivo texto "RFB491Associados.txt". A operação é vedada para fins de crédito, de acordo com o art. 23, incisos I e II, da Instrução Normativa SRF nº. 635/2006. O item 76 do TVF especifica a geração do demonstrativo de glosa. Glosa nº.4 – Aquisições de Pessoa Física. Glosa nº.5 – Crédito Presumido em Vendas, as quais alcançam tanto os créditos presumidos quanto as exclusões relativas a valores repassados a associados. Glosa nº.6 – Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (COSIP). Glosa nº.7 – Glosa sobre aquisições do Ativo Imobilizado, relativa a: a) aquisições anteriores a 01/05/2004 (vedação conforme art. 1º. da IN SRF nº. 457); b) diferença entre o valor do crédito tomado (campo "valor original" do demonstrativo de glosa) e o valor da aquisição (campo "valor total" do demonstrativo de glosa) identificada no documento fiscal do demonstrativo entregue. Glosa nº.8 – Exclusão Indevida: Participante não associado, conforme identificado por meio da análise do cadastro de associados (RFB491Associados.txt), em desacordo com o art. 11 da IN SRF nº. 635/2006. Glosa nº. 9 – Exclusão Indevida: Vendas tributadas com alíquota zero, cuja relação, bem como as razões, se encontramse discriminados nos itens 109 e 110 do TVF. Glosa nº.10 – Exclusão Indevida: custos agregados vinculados a compras de nãoassociados, relativos a produtos recebidos de terceiros não cooperados. Foi considerada para esse efeito a relação de cooperados apresentada pela contribuinte (arquivo texto "RFB491Associados.txt"), na qual consta a data de inclusão e de saída do cooperado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A contribuinte se manifesta quanto às glosas de todo período, conforme consta dos autos do processo 13971.720287/201032 (fls. 165/213) apensado aos demais processos. Em sede de preliminar, em síntese, a contribuinte alega a nulidade do ato fiscal, em razão das glosas realizadas por “falta de comprovação”, onde alega que o art. 65 da IN RFB nº. 900/2008, suscitado pela autoridade fiscal, não autoriza a glosa fictícia, ou seja, a glosa integral dos valores não comprovados ou inferiores/diferentes dos declarados em Dacon e demonstrativos. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 417 5 Ainda segundo a contribuinte, nos termos do art. 40 da Lei nº. 8.784/99, quando da apreciação de determinado pedido for necessária a apresentação de documentos, a inércia do interessado implicará tãosomente no arquivamento do processo. Alega que a autoridade fiscal determinou que apresentasse arquivos digitais complementares nos leiautes previstos no item 4.10 do ADE Cofins nº. 25/2010, quando da elaboração dos documentos fiscais vigia a ADE Cofins nº. 15/2001, que estabelecia outra forma de leiaute, razão pela qual não pode o fisco desconsiderar os dados apresentados, considerar os arquivos inconsistentes, e gerar a apuração da insuficiência do recolhimento. Ainda, que problemas de compatibilidade entre alguns dos arquivos digitais não poderiam servir de fundamento à glosa dos valores tidos por não comprovados, especialmente porque dispõe de escrita fiscal e contábil e todo os documentos físicos para a verificação dos créditos ou exclusões. Suscita, em suma, a falta de aprofundamento da auditoria fiscal, o que teria violado o princípio da verdade real. 2. Do Mérito do Relatório de Auditoria Fiscal, onde requer a realização de perícia ou diligência para a verificação efetiva dos créditos e exclusões da base de cálculo através de outros documentos e novos arquivos, sobretudo pela análise da escrita fiscal e contábil dos documentos fiscais da contribuinte, ente eles os arquivos digitais e demais documentos que instruem a manifestação. Segundo a contribuinte, as glosas realizadas pela autoridade fiscal foram levadas a efeito tão somente porque os dados necessários para a sua aferição não foram confrontados adequada e corretamente. Assim, encaminha mídias que seguem anexas, conforme relacionadas na manifestação, onde, segundo a manifestante, são apresentados novos elementos que comprovam a insubsistência do auto de infração, conforme se descreve abaixo, em breve síntese. 2.1.Das Glosas por falta de comprovação: 2.1.1.Dos créditos pleiteados: a)Aquisições de Bens para Revenda: (glosas em virtude da não apresentação de demonstrativo em 2004 e valor a menor em 10/2005) traz arquivos contendo novos relatórios demonstrativos para os anos de 2004/2005, com as informações completas que não haviam sido apresentadas à autoridade fiscal; e que foram corrigidas parcialmente as informações relativas a 10/2005. b)Aquisições de Bens utilizados como Insumos: (glosas pela não apresentação de demonstrativo para 2004 e valor a menor em 04 e 08/2007) os novos relatórios contêm as informações que não haviam sido apresentadas à autoridade fiscal para o ano de 2004 e as informações corretas relativas ao período de 04/2007 e 08/2007. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 418 6 c)Despesas de Energia Elétrica: reconhece a glosa levada a efeito nesta linha já que os demonstrativos, de fato, apresentam valores inferiores aos constantes do Dacon. d)Fretes nas operações de Venda: (não entregou demonstrativo de 2004 e 2005) os novos relatórios contém os esclarecimentos sobre as glosas e as informações que não haviam sido apresentadas ao fisco relativamente aos anos de 2004 e 2005. e)Fretes nas aquisições de Bens para Revenda e utilizados como insumos: (glosa é a diferença entre os valores do Dacon e os do demonstrativo) explica a contribuinte que a diferença apontada se refere a fretes em transferências de mercadorias, os quais foram excluídos dos arquivos apresentados relativos aos fretes nas aquisições de bens para revenda; que foram gerados novos arquivos que demonstram e comprovam os valores de fretes nas aquisições de bens para revenda e utilizados como insumos informados no Dacon e os demonstrativos referentes aos fretes em transferência de mercadorias; que os valores contidos no Dacon decorrem dos valores de fretes em transferência de mercadorias e dos valores de fretes nas aquisições de bens para revenda e utilizados como insumos; e que os custos com fretes em transferência de mercadorias integram o conceito de insumo, nos termos do art. 3º. II, das Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. f)Crédito presumido na Atividade Agroindustrial: (não entregue demonstrativo 2004 e valores não comprovados em relação 2005) foram gerados novos relatórios demonstrativos para os anos de 2004 e 2005, com informações que não haviam sido apresentadas ao fisco, comprovandose os créditos tal qual informados no Dacon. 3.1.2. Das exclusões da base de cálculo: a) Vendas Tributadas com Alíquota Zero: (glosadas no ano de 2004 pela não entrega do demonstrativo) foram gerados arquivos contendo novos relatórios demonstrativos para o ano de 2004, os quais compõem a linha do Dacon com as informações faltantes. Acrescenta que, supridas as informações relativas ao ano de 2004, fica demonstrado que, neste período, de fato, foram realizadas as vendas informadas no Dacon, porém, em valores um pouco menores aos nela informados. b) Exclusões específicas das cooperativas agropecuárias (“Outras exclusões”): foram gerados novos arquivos contendo novos relatórios demonstrativos os quais, relativamente ao ano de 2004, compõem a linha do Dacon com as informações faltantes; esses novos relatórios possuem informações suficientes para corrigir as informações relativas ao período de 02/2005 a 06/2005, 07/2005, 10/2005 a 12/2005, 02/2006, 07/2007 a 09/2007, 11/2007 a 01/2008, 11/2008 a 12/2008; em relação aos custos agregados (energia elétrica), onde os demonstrativos apresentam valores inferiores aos constantes do Dacon, devem prevalecer estes valores; em relação aos custos agregados (fretes nas aquisições) que foram gerados novos arquivos com os demonstrativos referentes aos fretes em transferência de mercadorias; que os valores contidos no Dacon decorrem dos valores de Fl. 418DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 419 7 fretes em transferência de mercadorias e dos valores de fretes nas aquisições de bens para revenda e utilizados como insumos; e que os custos com fretes em transferência de mercadorias integram o conceito de insumo, nos termos do art. 3º. II, das Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. 2.2. Glosa nº. 02 – Falta de comprovação na escrituração fiscal: em relação às glosas relativas a informações deficientes, onde não foi possível confrontar os dados constates dos demonstrativos e daqueles inseridos na escrituração fiscal, a contribuinte remete aos arquivos ora apresentados para alegar que foram corrigidas as deficiências apontadas no relatório fiscal. 2.3. Glosa nº 03 – Aquisições de associados (glosa pelas aquisições do associado ocorridas entre o inicio e o fim do vinculo associativo): onde alega que foram gerados novos relatórios, nos quais não constam quaisquer aquisições de bens utilizados como insumos feitas junto a associados da cooperativa; e que foi gerado novo relatório de associados, o qual demonstra quais pessoas, de fato, ostentavam a condição de associados à época das aquisições de bens para revenda e bens utilizados como insumos, já que o relatório anterior apresentava alguns equívocos, indicando como associados pessoas que não o eram. 2.4. Glosa nº. 04 – Aquisições de pessoa física: foram gerados novos relatórios nos quais não constam aquisições de bens utilizados como insumos feitas junto a pessoas físicas. 2.5. Glosa nº. 5 – Crédito Presumido em Vendas: os novos relatórios gerados demonstram que não houve tomada de créditos relativos às notas de vendas, mas, tãosomente, em notas de compras. 2.6. Glosa nº. 06 – Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública: verificou que incluiu na base de cálculo do crédito o total da fatura da concessionária de energia elétrica, nela inclusos o valor da COSIP, de modo que assiste razão ao fisco. 2.7. Glosa nº. 07 – Crédito Imobilizado (aquisições anteriores a 05/2004 e valor inferior ao do crédito): foram gerados relatórios contendo novos arquivos, através dos quais se detalha com mais precisão as informações das notas fiscais de aquisição desses bens, bem como corrige e compõe as informações anteriormente prestadas ao fisco. 2.8. Glosa nº. 08 – Exclusão Indevida Participante não associado: foram emitidos novos relatórios, onde são identificados os associados da manifestante à época de cada operação – inclusive com a indicação do seu capital dentro do capital social da cooperativa – bem como demonstram que as exclusões se devem aos valores repassados e às vendas feitas a associados, não tendo sido consideradas operações semelhantes realizadas com terceiros. 2.9. Glosa nº. 09 Exclusão indevida Vendas tributadas com alíquota zero: foi gerado novo arquivo com relatório demonstrativo, o qual compõe a Fl. 419DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 420 8 respectiva linha do Dacon com notas fiscais conciliadas com o relatório de auditoria fiscal. Ressalta que a glosa do leite in natura se afigurou indevida, em vista de que, embora não se trate de operação não tributada, a incidência é suspensa, nos termos do que estabelece o art. 9º. da Lei nº. 10.925, com a redação dada pela Lei nº. 11.051/2004, bem como da IN 636/2006, art. 2º., e, na seqüência, pela IN 660, art. 2º., inciso II. 2.10. Glosa nº.10 – Exclusão Indevida Custos agregados vinculados a compras de nãoassociados: reconhece que o demonstrativo apresentado foi elaborado com base de dados que, posteriormente, verificouse contemplar, por equívoco, o total das operações. Ressalta, entretanto, que a glosa operouse parcialmente em duplicidade (linha do Dacon “24. Outras Exclusões”), porque a autoridade fiscal teria utilizado dois critérios para a apuração da glosa: Glosa dos “Custos Agregados” pelo critério do rateio proporcional (entradas de sócios e não sócios), e glosa de “Fretes” e “Embalagens”, pelo montante não comprovado com relatórios apresentados. Segundo a contribuinte, considerando que na composição dos “Custos Agregados” incluemse também os custos com “fretes e embalagens”, estes valores não poderiam integrar a base de cálculo para apurar glosa na proporção de compras de sócios/não sócios. Aponta que este fato ocorreu em todos os meses, de agosto de 2004 a dezembro de 2008, gerando um montante de R$ 7.339.900,88 de glosas em duplicidade, pelos quais apresenta alguns resumos das referidas glosas como exemplo. Por fim, requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a documental e digital inclusa, a realização de prova pericial, cujo assistente técnico e quesitos a manifestante indica, ou, sucessivamente, da diligencia, sem prejuízo das demais que se fizerem necessárias. DILIGÊNCIA O processo Processo 13971.001090/201181, processo do Auto de Infração apensado ao presente, foi baixado em diligência para que a unidade de origem verificasse os créditos e as exclusões da base de calculo da Contribuição ao PIS e da Cofins de período de apuração entre 01/07/2004 e 31/12/2008, conforme os novos arquivos anexados aos autos pela contribuinte, salientando possíveis alterações nos valores glosados, objeto dos despachos decisórios. A referida diligência atinge o presente processo, posto que o lançamento das contribuições naquele processo (AI nº. 13971.001090/201181) é decorrente das glosas dos créditos verificados no mesmo procedimento fiscal. Conforme Informação Fiscal resultante da diligência (fls. 645/ss dos autos do Processo 13971.001090/201181 – AI), em síntese, a autoridade fiscal ressalta que, em momento algum deixou de analisar arquivos digitais por estarem em desacordo com o leiaute previsto pelo ADE Cofins nº. 25/2010 ou com qualquer outro leiaute oficial, tendo flexibilizado a apresentação das informações em arquivos digitais. A autoridade fiscalizadora remete aos Fl. 420DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 421 9 diversos termos de intimação em que autorizou a flexibilização de leiaute livre, e explica que, após, exaustivamente oportunizar à contribuinte que saneasse as informações apresentadas, tornandoas possíveis de serem analisadas, ainda houve apresentação deficiente. Especificamente em relação à “falta de comprovação” das operações/aquisições, cujos valores constavam apenas da memória de cálculo apresentadas, a qual não detalha cada uma das operações realizadas, a glosa incidiu sobre operações para as quais a contribuinte não apresentou qualquer demonstrativo. Atendendo ao que foi solicitado pela diligência fiscal, a autoridade fiscalizadora analisou todos os novos arquivos apresentados. Em decorrência, entendeu que cabem alterações em parte dos valores glosados e, conseqüentemente, nos valores objeto dos despachos decisórios dos pedidos de ressarcimento, bem como nos valores do presente Auto de Infração. Para a maior parte dos casos que haviam sido objeto da glosa por falta de comprovação, foram aceitos os novos demonstrativos como comprobatórios dos valores levados ao Dacon. Como regra geral, para os casos em que não havia ocorrido glosa por falta de comprovação, salvo algumas exceções, não foram levados em consideração os novos demonstrativos. Quando os valores contidos nos novos demonstrativos são maiores que os do Dacon, fica mantido o crédito integral do Dacon; quando menores, é glosada a diferença. Os novos demonstrativos geraram efeitos nas seguintes glosas por “falta de comprovação”, linha a linha do Dacon: Aquisições de Bens para Revenda: foram considerados os valores totais das operações do arquivo “Linha_01_Bens_Para_Revenda.xlsx”, sendo considerados os valores totais das operações nele relacionadas, sendo corrigida a falta de comprovação (item 37 do TVF) das competências 08 e 12/2004 e 10/2005; são mantidas, porém com valores reduzidos, as glosas das competências 09,10 e 11/2004. Aquisições de Bens utilizados como insumos: conforme os arquivos apresentados, restou corrigida a glosa por “falta de comprovação” (tabela item 38 do TVF) das competências 08 a 09 e 12/2004 e 08/2007; são mantidas, porém com valores reduzidos, as glosas das competências 11/2004 e 04/2007. Despesas de Energia Elétrica: mantida integralmente, permanecendo válida a tabela contida no item 40 dos relatórios fiscais; Fretes na Operação de Venda: conforme os arquivos apresentados, fica corrigida a glosa por “falta de comprovação” (tabela item 41 do TVF) das competências 09/2004, 01, 04, e 06 a 08/2005; são mantidas, porém com seus valores reduzidos, as glosas das competências 08 e 10 a 12/2004, 02, 03, 05 e 09 a 12/2005. Fretes nas Aquisições de Bens para Revenda e utilizados como insumos (fretes em transferência): explica o fisco que os valores aos quais a Fl. 421DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 422 10 manifestante se refere como relativos às aquisições de fretes em transferência encontravamse originalmente incluídas na base de cálculo dos créditos do Dacon, os quais foram excluídos pelo próprio contribuinte através de um novo demonstrativo, quando da intimação fiscal para demonstrar as respectivas operações, (arquivo fretes intimação 5.xlx, apresentado em 03/02/2011. Reafirma o fisco que, ao excluir da base de cálculo de seus créditos durante o procedimento fiscal, a contribuinte optou por excluílas dos demonstrativos, dando azo à glosa por falta de comprovação, para fins de glosa. Assim, embora a contribuinte ora afirme se tratarem de “fretes em transferência” mantémse a glosa, posto que, de qualquer forma, não há previsão legal para o aporte de créditos em relação a estas aquisições. Crédito Presumido na Atividade Agroindustrial (glosa por falta de comprovação, conforme tabela do item 46 do TVF) – considerando o novo demonstrativo, restou corrigida a falta de comprovação das competências 02 a 04, 06 e 07/2005; ficam mantidas, porém, com valores reduzidos, as glosas das competências 08 a 12/2004, 05 e 10 a 12/2005. Exclusões da Base de Cálculo – Vendas Tributadas com Alíquota Zero: considerando os novos demonstrativos para o anos de 2004, correspondentes aos meses para os quais havia sido feita a glosa por falta de comprovação (conforme tabela do item 51 dos relatórios fiscais); são mantidas, porém, com seus valores reduzidos, as glosas das competências 08 a 12/2004. Exclusões da Base de Cálculo – Exclusões especificas das cooperativas agropecuárias (“outras exclusões”) – Valor repassado aos associados (glosas constantes da tabela do item 57 do TVF): considerandose os novos demonstrativos, restou corrigida a falta de comprovação das competências 02 a 04, 06 e 07/2005, 07 a 09, 11 e 12/2007, 01 e 11/2008; ficam mantidas as glosas das competências das demais competências. Exclusões da Base de Cálculo – Exclusões específicas das cooperativas agropecuárias (“Outras Exclusões”) – Custos Agregados (Energia Elétrica): Glosa não contestada. Exclusões da Base de Cálculo – Exclusões específicas das cooperativas agropecuárias (“Outras Exclusões”) – Custos Agregados (Fretes nas Aquisições): a glosa foi integralmente mantida, pois seu fundamento e valoração são idênticos aos da glosa por falta de comprovação dos créditos decorrentes de fretes nas aquisições de bens para revenda e utilizados como insumos (itens 35 a 43 da informação fiscal) Quanto à Glosa nº. 2 – Falta de comprovação na escrituração fiscal – para os casos em que a informação deficiente impediu a correlação do item do demonstrativo com a escrituração fiscal. A IF explica que foram confrontados os registros alcançados pela glosa (registros identificados na coluna ´FE`) com a nova escrituração fiscal apresentada (arquivos digitais do ADE 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.3.10, contidos no CD 03). Segundo o fisco, alguns dos novos demonstrativos Fl. 422DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 423 11 excluem algumas das operações que haviam sido alcançadas pelas glosas ‘FE’, de modo que, no item 62 da informação fiscal, são trazidos exemplos deste procedimento. Reconsiderou as glosas em relação aos registros que foram localizados no confronto com os novos arquivos correspondentes à escrituração fiscal (CD 03), considerando os campos para vinculação: filial, nota fiscal, item da nota fiscal, data, código do item e participante. Para os registros (operações) para os quais essa vinculação não foi possível, foi mantida a glosa. Glosa nº. 3 – Aquisições de associados: considerou o fisco o novo relatório de associados (arquivos RFB491_Associados.txt), e foram reavaliados os registros dos demonstrativos de glosas de Aquisições de bens para Revenda e de Aquisições de bens utilizados como insumos em que a glosa ‘AS’ havia sido aplicada. Nos casos em que o participante não consta da nova tabela, ou quando consta em períodos diversos da emissão das notas fiscais, a glosa foi cancelada; já para os casos em que o participante consta da nova tabela, mas não consta a data de inicio e fim de associação, ou quando consta apenas a data de início anterior às operações sem constar dados sobre o fim da associação, a glosa foi mantida. Glosa nº. 4 – Aquisições de pessoa física: os novos relatórios gerados excluem as aquisições antes contidas nos demonstrativos apresentados ao fisco, os quais compunham os valores declarados em Dacon. A glosa é mantida integralmente. Glosa nº. 5 – Crédito Presumido em vendas de mercadorias adquiridas de terceiros (revenda) e exclusões da base de cálculo de valores repassados a (não) associados: em relação às aquisições de insumos agroindustriais, foi cancelada a glosa, o que não produziu efeitos de redução efetiva nos valores das glosas, posto que só houve aproveitamento de crédito presumido pelo contribuinte até 12/2005. Glosa nº. 6 – Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública: glosa não contestada e mantida pelo fisco, conforme a tabela contida no item 91 do TVF. Glosa nº. 7 – Glosa sobre aquisições do Ativo Imobilizado: em vista dos novos demonstrativos apresentados, foram reconsideradas as glosas correspondentes a diversos bens, conforme planilha elaborada no item 85 da IF. Restaram mantidas as glosas em relação aos demais bens, em razão de que não houve a comprovação necessária sobre o valor da aquisição e/ou sobre a data da aquisição dos referidos bens, bem como em relação a registros não correspondentes às glosas efetuadas, constantes dos novos demonstrativos. Glosa nº. 8 – Exclusão indevida Participante não associado (glosa relacionada às exclusões dos valores repassados aos associados e às vendas a associados que não eram associados no dia do registro da operação): Verificados os novos relatórios apresentados, nenhuma das glosas resta alterada. Na quase totalidade dos registros, o participante ou não constava da tabela de associados ou constava com data de ingresso posterior. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 424 12 Glosa nº. 9 – Exclusão indevida – Vendas tributadas com aliquota zero: em razão de falta de fundamentação legal para aplicação de alíquota zero nas operações atingidas, conforme identificadas no relatório de glosas (item 111 do TVF). Houve reconsideração das glosas em relação às vendas dos produtos Leite Cru Resfriado Tipo C e Leite in Natura, ambos com código NCM 0401.20.90, posto que, apesar de não estar sujeito à aliquota zero, estava com a incidência das contribuições suspensa, com fundamento no art. 9º. da Lei nº. 11.051/2004. Glosa nº. 10 – Exclusão indevida custos agregados vinculados a compras de nãoassociados: a glosa é reconsiderada em parte, tendo o fisco excluído dos custos agregados, para fins de cálculo da glosa, os valores correspondentes às glosas efetuadas por falta de comprovação (nos custos agregados à energia elétrica ou aos fretes nas aquisições) ou por falta de comprovação com a escrituração fiscal (os custos agregados relativos aos fretes nas aquisições ou aos custos de embalagem). Desta forma, a diferença entre o valor total original e o valor da presente revisão resulta em R$ 5.473.906,08, e não no valor de R$ 7.339.900,88, ao qual chegou o sujeito passivo em sua manifestação. MANIFESTAÇÃO DA MANIFESTANTE (fls. 737/ss do Processo nº. 10371.001090/201181 – AI) Parcialmente inconformada com a reavaliação fiscal na apuração de seus créditos e débitos, a contribuinte alega que as informações e dados apresentados oportunamente contêm todas as informações necessárias e aptas a comprovar a existência de crédito ressarcível, bem como a inexistência de débito fiscal. Inicialmente, faz alusões às justificativas prestadas pelo fisco na Informação Fiscal que precedeu à diligência, no sentido de reiterar que as glosas realizadas foram levadas a efeito tão somente porque os dados necessários para a sua aferição não foram confrontados adequada e corretamente, e que todas as informações necessárias para a verificação da existência dos créditos requeridos sempre estiveram à disposição do agente fiscalizador. Segue em sua defesa alegando sobre a incorreção das conclusões contidas na informação fiscal, e traz um resumo do método utilizado pela empresa na verificação de seus dados, na busca de comprovar a existência dos registros tidos como inexistentes nos arquivos finais de movimento entregues (4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.3.10). Remete aos softwares para realizar o trabalho do confronto de informações e sobre os parâmetros de pesquisa utizados e traz explicações detalhadas sobre a utilização dos arquivos, os leiautes dos mesmos, a relação entre estes, os critérios de pesquisa, os registros individualizados e agrupados, as confrontações entre os valores, a descrição dos cabeçalhos, dentre outros. Segundo a contribuinte, foram colhidos diversos exemplos da conciliação efetuada, demonstrando em forma de figura a localização dos itens glosados com sua respectiva informação no Arquivo Fiscal (4.3.2, 4.3.4 e 4.3.10, conforme o caso), os quais se encontram descritos no Anexo I da Fl. 424DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 425 13 manifestação. Reitera que a localização das informações é possível independentemente do programa utilizado na leitura dos dados e que se afiguram, na quase totalidade, incorretas as conclusões materializadas na informação fiscal. Especificamente em relação às glosas, traz as seguintes alegações, em breve síntese: Glosa nº. 01 – Falta de Comprovação – Fretes na aquisição de “Bens para Revenda” e utilizados como insumos, a contribuinte não acrescenta novos argumentos, argumensta apenas glosa que os fretes se referiam, de fato, a fretes na transferência, tanto que foram excluídos da nova memória de cálculo apresentada; e que para todos os casos de glosas por falta de comprovação, reconhece a legitimidade, conforme a nova memória de cálculo apresentada. Glosa nº. 02 – Falta de Comprovação na Escrituração Fiscal: Sob este item, alega que o fisco considerou, a teor da justificativa apresentada no item 62, fls. 21, a nova escrituração fiscal apresentada (arquivos digitais 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4 e 4.3.10, contidos no CD 03), mas a confrontação que fez partiu das operações que já haviam sido alcançadas pela glosa antiga, utilizando as composições antigas. Aduz que os novos relatórios/arquivos digitais apresentados, de fato, não fazem menção aos produtos inicialmente glosados pelo fisco; o intuito é de corrigir algumas distorções contidas nas informações apresentadas à época pela contribuinte, atendendose ao princípio da verdade material. Reitera, ainda, que foi determinado pela autoridade julgadora (DRJ) para que realizasse a análise dos novos arquivos apresentados pela contribuinte e não dos anteriores. Em síntese, alega que a grande maioria dos itens está comprovada na escrita fiscal da contribuinte que, em relação às glosas relacionadas às aquisições de bens para revenda, de bens utilizados como insumos, de fretes nas vendas, de fretes na aquisição e custos agregados, e de crédito presumido na agroindústria e repasse a associados, que efetuou a confrontação entre o relatório de glosas e os arquivos digitais de sua escrita fiscal, gerando um relatório de conciliação (em mídia anexa – CD 01 – “Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14”, pasta “Conciliação FE x Escrita Fiscal”, conforme os respectivos relatórios), pelo que alega comprovar que há informação e comprovação na Escrita Fiscal (EF). Quanto às “Exclusões – vendas com alíquota zero”, alega que forneceu a fisco as informações pertinentes, inclusive com o leiaute especificado na IN 025/2010, estando integralmente contidas nos arquivos 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4 e 4.3.10, a teor do que resta comprovado no relatório de conciliação, cuja mídia segue anexa (CD 01: “Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14”, Pasta: Conciliação FE x Escrita Fiscal, Pasta: “glosas Alíquota Zero”, Relatórios 2005 a 2008, em formato txt, gerados por mês). Constam exemplos no Anexo I, letra “E”, acostados à presente manifestação, para os Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 426 14 anos de 2005 a 2008, comprovando, por amostragem, segundo a manifestante, a localização dos produtos que a autoridade fiscal afirma não ter encontrado. Glosa nº. 03 – Aquisições de associados: deixa de impugnar, posto que a autoridade fiscal aceitou o novo demonstrativo, tendo sido reavaliadas as glosas, onde foram mantidas apenas 18 glosas das 294 realizadas sobre aquisições de bens para revenda. Glosa nº. 04 – Aquisições de Pessoas Físicas: alega que apresentou novo relatório para corrigir informação equivocada prestada quando do preenchimento da linha do Dacon, posto que a base da informação não estaria correta. Apela para o princípio da verdade material, para que não seja admitida a manutenção da glosas a este título. Glosa nº. 05 – Crédito Presumido em Vendas: deixa de impugnar, posto que a glosa foi cancelada. Glosa nº.06 – Contribuição para Custeio da Iluminação Pública: foi mantida e não contestada. Glosa nº. 07 – Aquisições do Ativo Imobilizado: deixa de impugnar, posto que os novos relatórios apresentados corrigiram as informações anteriormente apresentadas, o que veio a comprovar a insubsistência da glosa, conforme o quadro colacionado às fls. 26/27 da IF. Glosa nº 08 – Exclusão Indevida – Participante não associado: alega que a autoridade fiscal utilizouse do relatório antigo para proceder à confrontação das informações, sendo que os relatórios emitidos pela contribuinte (relativos ao período de 2004 a 2008) apresentam os dados de forma correta e que confere com as vendas e repasses. Glosa nº. 09 – Exclusão Indevida – Vendas Tributadas com Alíquota Zero: alega que, conforme a tabela contida no item 122, fl. 39, da IF, a autoridade fiscal levou em consideração também a “falta de comprovação” da operação apontada como geradora do direito à exclusão da base de cálculo na escrita fiscal (FE), limitandose a deduzir apenas as operações que tiveram por objeto o leite cru resfriado tipo C e o leite in natura. Sustenta que as operações de vendas não sujeitas à alíquota zero já haviam sido excluídas dos arquivos fiscais encaminhados pela contribuinte. A prova, segundo a contribuinte, pode ser colhida do relatório de conciliação, cujo arquivo respectivo segue anexo em mídia (CD 01“Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14, Pasta Conciliação FE x Escrita Fiscal, Subpasta “glosas Alíquota Zero”, Relatórios 2005 a 2008 em formato txt, gerados por mês. Glosa nº. 10 – Exclusão Indevida – Custos Agregados vinculados à compras de nãoassociados: deixa de impugnar, uma vez que foi admitida pela autoridade fiscal a existência de glosa parcialmente em duplicidade, tendo sido gerado novo demonstrativo de glosas. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 427 15 Por fim, reitera que são improcedentes as glosas fiscais nos pontos indicados na manifestação, que restam insubsistentes os demonstrativos de acompanhamento de créditos e as conclusões fiscais, e que há necessidade de produção de provas, notadamente perícia e diligência, as quais se justificam pelas mesmas razões já apontadas nas manifestações de inconformidade e nas impugnações aos autos de infração apresentadas pela contribuinte. Pede deferimento. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 0735.262 de 30/07/2014, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos validados/autenticados e demais esclarecimentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento de primeira instância não considerou direito creditório, após o processo ter sido baixado em diligência, como relatado acima; para que a unidade de origem verificasse os créditos e as exclusões da base de calculo da Contribuição ao PIS e da Cofins de período de apuração entre 01/07/2004 e 31/12/2008, conforme os novos arquivos anexados aos autos pela contribuinte, salientando possíveis alterações nos valores glosados, objeto dos despachos decisórios e do auto de infração. Concluindo o seguinte: Diante do que foi exposto, manifestome pela procedência parcial da manifestação de inconformidade. Para fins de retificação dos processos de ressarcimento apensados, bem como para o Auto de Infração, devem prevalecer os novos cálculos efetuados, conforme a Informação Fiscal de fls. 645/732 dos autos do Processo 13971.001090/201181: os valores das glosas fiscais revistos passam a ser aqueles das tabelas dos itens 128, 129 e 132 da Informação Fiscal (fls. 687/693 dos autos do Processo 13971.001090/201181); Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 428 16 os valores dos créditos ressarcíveis remanescentes (após as glosas fiscais revistas e a utilização em descontos) constam da tabela do item 171, “b”, da IF (fl. 731 dos autos do Processo nº. 13971.001090/201181); Conforme item 155 da IF (fl. 715 dos autos do Processo nº. 13971.001090/201181), não resta saldo de crédito passível de ressarcimento de Cofins nãocumulativa, referente ao 1º. trimestre de 2005. Registrese que a decisão a quo observa: Dos Limites do Litígio: Conforme os termos da impugnação da contribuinte e da manifestação após a diligência fiscal, em vista da revisão parcial de valores glosados e de parte do lançamento fiscal, temse como matéria não impugnada no presente processo: Glosa nº. 03 – Aquisições de associados: deixa de impugnar, posto que a autoridade fiscal aceitou o novo demonstrativo, tendo sido reavaliadas as glosas, onde foram mantidas apenas 18 glosas das 294 realizadas sobre aquisições de bens para revenda. Glosa nº. 05 – Crédito Presumido em Vendas: deixa de impugnar, posto que a glosa foi cancelada; Glosa nº.06 – Contribuição para Custeio da Iluminação Pública: foi mantida e não impugnada; Glosa nº. 07 – Aquisições do Ativo Imobilizado: deixa de impugnar, posto que os novos relatórios apresentados corrigiram as informações anteriormente apresentadas, conforme o quadro colacionado às fls. 26/27 da IF; Glosa nº. 10 – Exclusão Indevida – Custos Agregados vinculados a compras de nãoassociados: deixa de impugnar, uma vez que foi admitida pela autoridade fiscal a existência de glosa parcialmente em duplicidade, tendo sido gerado novo demonstrativo de glosas. Desta forma, a análise que se fará neste voto se restringirá à matéria que permaneceu impugnada pela contribuinte após a Informação Fiscal. Então, concluise que restam as glosas 01, 02, 04, 08 e 09. Inconformado, a recorrente apresenta recurso voluntário, tempestivamente, onde basicamente repisa os argumentos anteriormente apresentados quanto às preliminares e rebate com relação às glosas 02, 08 e 09, portanto não argumentando sobre as glosas 01 e 04. Aduz que com a diligência, a autoridade fiscal concluiu no item 171 e donde se colhe que remanesce a inexistência de crédito ressarcível, logo, existência de débito fiscal, na medida que a reanálise considerou correta a grande maioria das glosas que levou a efeito, mas insiste numa complementar DILIGÊNCIA, tendo em vista: Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 429 17 E, diversamente do que aponta a autoridade fiscal, não seria necessária, nessa hipótese, a análise de todas as operações realizadas pela contribuinte no período analisado (2004 a 2008), mas, a rigor, apenas daquelas em que, em tese, não lhe tenha sido possível a visualização dos arquivos contendo as informações ou, cujo próprio arquivo apresentasse incompatibilidade com o leiaute padrão adotado pelo fisco. ....... Consoante já apontando, a autoridade julgadora competente determinou que o presente processo fosse baixado em diligência, a fim de que, com base nos arquivos digitais que instruíram as impugnações e a manifestação de inconformidade oportunamente apresentadas pela contribuinte, fosse procedida nova verificação dos créditos e das exclusões da base de cálculo para o período 01/07/2004 a 31/12/2008. Concluída a análise pela autoridade fiscal, constatase, porém, que em alguns casos a determinação não foi atendida com rigor, pois as glosas mantidas foram baseadas nas informações dos arquivos enviados por ocasião do procedimento fiscal, desconsiderandose, assim, os últimos arquivos anexados ao processo, conforme será bem demonstrado a seguir. Ainda que se parta do mesmo pressuposto, porém a teor do que se infere do arquivo "Conciliação FE x Escrita Fiscal" elaborado, constante da mídia que segue anexa , foi possível localizar todos os itens glosados, salvo algumas raras exceções de não localização. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não cumulativa, referente ao 1º trimestre de 2007, no valor de R$ 203.309,48. Registrese que os processos foram apensados, tendo em vista a Portaria RFB n° 354, de 11/03/2016, art. 3°, inc. III, § 1°, I, cuja portaria dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 430 18 A análise fiscal relativa ao período em questão (3º. trimestre de 2004 até o 4º. trimestre de 2008), se encontra descrita nos Relatórios de Auditoria Fiscal (fls. 135/258 do processo 13971.001090/201181 AI), referentes à análise dos pedidos de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do período compreendido entre o 3º trimestre de 2004 ao 4º trimestre de 2008. O Auto de Infração referese à insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, dos períodos de apuração de janeiro/2006 a dezembro/2008, sendo decorrente de glosas fiscais aplicadas aos créditos e às exclusões no cálculo das contribuições informados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon do período em referência. A ação fiscal resultou em despachos decisórios que indeferiram os pedidos de ressarcimento da Contribuição ao PIS e da Cofins referentes ao período compreendido entre 01/07/2004 e 31/12/2008, bem como no Auto de Infração AI nº. 13971.001090/201181, sendo que cada PER foi tratado em um processo, totalizando 36 processos administrativos apensados ao referido AI. A constatação da infração deuse durante a análise fiscal dos processos de análise de pedidos de ressarcimento PER, conforme relacionados no item 3 do Termo de Verificação da Infração (fl. 105). Da análise do direito creditório foram elaborados os Relatórios de Auditoria Fiscal, nos quais constam discriminadas as diversas glosas, as quais implicaram em insuficiências nos descontos de créditos informados no Dacon e, por conseqüência, na apuração dos débitos constantes do presente Auto de Infração. A apuração das insuficiências apontadas nas competências 01/2006 a 03/2007 e 05/2007 a 12/2008 encontramse demonstradas nos itens 07 a 80 do Termo de Verificação da Infração (TVI). Esclareçase, portanto, que houve apensação de todos os processos (PER) que dizem respeito às glosas efetuadas no período de abrangência. A ação fiscal resultou ainda em despachos decisórios que indeferiram os pedidos de ressarcimento da Contribuição ao PIS e da Cofins referentes ao período compreendido entre 01/07/2004 e 31/12/2008, sendo para cada PER (períodos distintos) foi tratado em um processo, totalizando 36 processos administrativos apensados ao presente, os quais serão, portanto, analisados conjuntamente a este, haja vista a clara conexão entre eles e o Auto de Infração, logo o que for decidido neste será estendido aos demais, guardadas as peculiaridades para cada PER e período abrangido. Quanto às preliminares apresentadas no recurso voluntário, tais questões serão abordadas com maiores detalhes quando do julgamento do feito. Não obstante a diligência anterior, demandada pela decisão de piso, para proceder a análise à vista dos novos documentos, entendo, smj, que o processo deve ser convertido de novo em diligência (complementar), em nome do princípio da verdade material, apesar da fiscalização já ter informado que tudo já foi confrontado à vista da documentação apta, mas seria prudente uma apreciação dos argumentos da Recorrente, nas glosas 2 (item 3.1), 8 (item 3.2), 09 (item 3.3) todos do recurso voluntário, bem como os anexos ora apresentados (ler aos meus pares em sessão, sobre essas ponderações do recurso voluntário), assim como os memoriais juntados aos autos e razões lá expostas. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 431 19 Então, como a Recorrente reitera, que foi determinado pela autoridade julgadora (DRJ) para que realizasse a análise dos novos arquivos apresentados pela mesma e não dos anteriores arquivos e insiste em que ainda existem várias inconsistências, no tocante às exclusões da base de cálculo pela falta de comprovação, aduz que não consegue a fiscalização fazer a vinculação, cruzamento dos dados por ele, informados; sugiro, portanto, que os processos sejam convertidos em diligência, para que a fiscalização, aprecie; tendo em vista, inclusive documentos anexados e os motivos expostos para: Glosa nº 2 Sob este item, alega que o fisco considerou, a teor da justificativa apresentada no item 62, fls. 21, a nova escrituração fiscal apresentada (arquivos digitais 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4 e 4.3.10, contidos no CD 03), mas a confrontação que fez partiu das operações que já haviam sido alcançadas pela glosa antiga, utilizando as composições antigas. Aduz que os novos relatórios/arquivos digitais apresentados, de fato, não fazem menção aos produtos inicialmente glosados pelo fisco; o intuito é de corrigir algumas distorções contidas nas informações apresentadas à época pela contribuinte, atendendose ao princípio da verdade material. Providência (contribuinte): intimar a contribuinte para indicar pontualmente a omissão quanto à análise das operações/composições. Providência (RFB): Evidenciar que a análise do confronto das informações dos demonstrativos apresentados realizouse segundo a nova escrituração apresentada Reitera, ainda, que foi determinado pela autoridade julgadora (DRJ) para que realizasse a análise dos novos arquivos apresentados pela contribuinte e não dos anteriores. Em síntese, alega que a grande maioria dos itens está comprovada na escrita fiscal da contribuinte que, em relação às glosas relacionadas às aquisições de bens para revenda, de bens utilizados como insumos, de fretes nas vendas, de fretes na aquisição e custos agregados, e de crédito presumido na agroindústria e repasse a associados, que efetuou a confrontação entre o relatório de glosas e os arquivos digitais de sua escrita fiscal, gerando um relatório de conciliação (em mídia anexa – CD 01 – “Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14”, pasta “Conciliação FE x Escrita Fiscal”, conforme os respectivos relatórios), pelo que alega comprovar que há informação e comprovação na Escrita Fiscal (EF). Providência (contribuinte): intimar a contribuinte para indicar quais itens estão comprovados na escrita fiscal Quanto às “Exclusões – vendas com alíquota zero”, alega que forneceu a fisco as informações pertinentes, inclusive com o leiaute especificado na IN 025/2010, estando integralmente contidas nos arquivos 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4 e 4.3.10, a teor do que resta comprovado no relatório de conciliação, cuja mídia segue anexa (CD 01: “Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14”, Pasta: Conciliação FE x Escrita Fiscal, Pasta: “glosas Alíquota Zero”, Relatórios 2005 a 2008, em formato txt, gerados por mês). Constam exemplos no Anexo I, letra “E”, acostados à presente manifestação, para os anos de 2005 a 2008, comprovando, por amostragem, segundo a manifestante, a localização dos produtos que a autoridade fiscal afirma não ter encontrado. Providência (contribuinte): intimar a contribuinte para indicar (relatório?) a localização dos produtos (todos) que a autoridade fiscal afirma não ter encontrado. Glosa nº 08 – Exclusão Indevida – Participante não associado: alega que a autoridade fiscal utilizouse do relatório antigo para proceder à confrontação das informações, Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13971.720255/201037 Resolução nº 3201000.721 S3C2T1 Fl. 432 20 sendo que os relatórios emitidos pela contribuinte (relativos ao período de 2004 a 2008) apresentam os dados de forma correta e que confere com as vendas e repasses. Providência (contribuinte): intimar a contribuinte para indicar pontualmente (relatório?) as inconsistências na confrontação entre os relatórios novo x antigo. Providência (RFB): Evidenciar que a análise do confronto das informações dos demonstrativos apresentados realizouse segundo o novo relatório apresentado. Glosa nº 09 – Exclusão Indevida – Vendas Tributadas com Alíquota Zero: alega que, conforme a tabela contida no item 122, fl. 39, da IF, a autoridade fiscal levou em consideração também a “falta de comprovação” da operação apontada como geradora do direito à exclusão da base de cálculo na escrita fiscal (FE), limitandose a deduzir apenas as operações que tiveram por objeto o leite cru resfriado tipo C e o leite in natura. Sustenta que as operações de vendas não sujeitas à alíquota zero já haviam sido excluídas dos arquivos fiscais encaminhados pela contribuinte. A prova, segundo a contribuinte, pode ser colhida do relatório de conciliação, cujo arquivo respectivo segue anexo em mídia (CD 01“Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14, Pasta Conciliação FE x Escrita Fiscal, Subpasta “glosas Alíquota Zero”, Relatórios 2005 a 2008 em formato txt, gerados por mes. Providência (contribuinte): intimar a contribuinte para indicar pontualmente (relatório?) todas as inconsistências na confrontação realizada pela fiscalização. Em sendo assim, ante todo o exposto voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a Delegacia de origem, atenda ao solicitado acima e: analise os dados apresentados em meios/arquivos magnéticos no presente processo, inclusive na fase recursal, manifestandose sobre a permanência ou não das inconsistências apontadas (em relação às glosas remanescentes); permanecendo as inconsistências, relacionar as que considera impeditivas do ressarcimento pleiteado, bem como intimar o Recorrente para sanálas, no prazo de trinta dias, se assim o entender; após essa intimação, ainda que permaneçam as inconsistências, elabore relatório fiscal sintético e conclusivo e por fim, dar ciência do resultado da diligência para a Recorrente, se manifestar, dandolhe prazo de 30 dias, prorrogável pelo mesmo prazo, num único período. Ressaltese, por fim, que esta diligência é uma demanda para os AI da Cofins, PIS, e os 36 processos de PER, que foram apensados, no período a ser analisado de 07/2004 a 31/12/2008. Por fim, devem os autos retornar a esta Turma do CARF para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 432DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001741/2003-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1997
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL.
No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável será contado a partir da data da ocorrência do fato gerador, § 4º do art. 150 do CTN, na hipótese de haver antecipação do pagamento do tributo e na ausência de dolo, fraude ou simulação. De outro modo, o prazo decadencial será contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I do CTN).
DECADÊNCIA. RETENÇÃO DO IMPOSTO NA FONTE. PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL DO ART. 150, §4º DO CTN. SÚMULA CARF Nº 123.
Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
DECADÊNCIA. IRRF. 150, §4º DO CTN. SÚMULA CARF Nº 138.
Nos termos do art. 63, §8º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, consigna-se que a maioria do Colegiado acompanhou o voto da Relatora pelas conclusões por entenderem como aplicável ao caso a Súmula CARF nº 138: Imposto de renda retido na fonte incidente sobre receitas auferidas por pessoa jurídica, sujeitas a apuração trimestral ou anual, caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4º do CTN.
Numero da decisão: 9303-011.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo Mineiro Fernandes, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável será contado a partir da data da ocorrência do fato gerador, § 4º do art. 150 do CTN, na hipótese de haver antecipação do pagamento do tributo e na ausência de dolo, fraude ou simulação. De outro modo, o prazo decadencial será contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I do CTN). DECADÊNCIA. RETENÇÃO DO IMPOSTO NA FONTE. PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL DO ART. 150, §4º DO CTN. SÚMULA CARF Nº 123. Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). DECADÊNCIA. IRRF. 150, §4º DO CTN. SÚMULA CARF Nº 138. Nos termos do art. 63, §8º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, consigna-se que a maioria do Colegiado acompanhou o voto da Relatora pelas conclusões por entenderem como aplicável ao caso a Súmula CARF nº 138: “Imposto de renda retido na fonte incidente sobre receitas auferidas por pessoa jurídica, sujeitas a apuração trimestral ou anual, caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4º do CTN”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 41 /2 00 3- 97 Fl. 1473DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-011.563 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19515.001741/2003-97 conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo Mineiro Fernandes, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro no art. 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 1302-003.624, de 11 de junho de 2019, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que deu provimento ao recurso voluntário para declarar a decadência do crédito tributário com base no art. 150, §4º do CTN. O julgado foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4°, do CTN, quando ausente imputação de dolo, fraude ou simulação, e presente o pagamento antecipado, a confissão de débitos ou o levantamento de balanço ou balancete de suspensão. Não resignada com o acórdão, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial suscitando divergência jurisprudencial com relação à definição do termo inicial do prazo de decadência do lançamento por homologação, quando não há pagamento antecipado, mas o contribuinte cumpre as obrigações acessórias de levantamento de balanços ou balancetes de suspensão e entrega da DIPJ (não sendo caso de dolo, fraude ou simulação). Assim, a divergência jurisprudencial se dá quanto ao enquadramento legal aplicável à contagem do prazo Fl. 1474DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-011.563 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19515.001741/2003-97 decadencial para o lançamento de ofício: art. 150, §4º ou art. 173, I, ambos do CTN. Para comprovação do dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos nº 1301- 002.178 e 9101-002.083. Nos termos do despacho 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de outubro de 2019, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. Opostos embargos de declaração pelo Sujeito Passivo suscitando a ocorrência de omissão na fundamentação do acórdão recorrido, tendo em vista que restou provado nos autos a ocorrência de pagamento, mediante a retenção na fonte do IRRF. Alega o embargante que os conselheiros entenderam que tal fato amolda o caso concreto ao entendimento do E. STJ, com base na Súmula CARF nº 123. Foram admitidos os embargos de declaração, para que seja analisada a questão relativa ao pagamento antecipado, com o objetivo de esclarecer eventual obscuridade presente no acórdão, ressaltando que: Como a informação trazida pelo voto condutor realmente contrasta com o teor do documento de fls. 58 do processo (numeração original) penso que existe a possibilidade de lapso manifesto, decorrente de eventual erro na apreciação do documento, hipótese reforçada pelo debate mencionado pela Embargante e pelo fato de que a Fazenda Nacional utilizou a afirmação do voto como fundamento para o recurso especial interposto e já admitido. Assim, parece-me necessária a manifestação do Colegiado, a fim de que seja esclarecido tal ponto, nos termos em que suscitado pela Embargante, dada sua relevância para o bom andamento do processo. Com efeito, trata-se de eventual lapso manifesto, que ensejou a adoção de premissa que pode não corresponder ao teor dos documentos acostados nos autos, em descompasso com o princípio da verdade material, justificando-se o acolhimento dos embargos, para sanar a citada obscuridade. Para julgamento dos embargos de declaração, sobreveio o acórdão 1302-005.080, de 08 de dezembro de 2020, no sentido de conhecer dos embargos e, no mérito, rejeitá-los, sobrevindo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997 EMBARGOS. PARTE MINORITÁRIA DA TURMA JULGADORA. FUNDAMENTOS. OBSCURIDADE. AUSÊNCIA O fato de o Acórdão não conter os fundamentos adotados por parte minoritária da turma julgadora que acompanhou apenas as conclusões do relator não implica em obscuridade ou omissão hábil a ensejar o acolhimento de embargos de declaração. Fl. 1475DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-011.563 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19515.001741/2003-97 Da fundamentação do acórdão de embargos de declaração extrai-se que: A leitura do Acórdão embargado revela que, para este Relator, não ficou comprovada nos autos a existência de pagamento antecipado, mas tal fato não constituiria óbice ao reconhecimento à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, §4º do CTN: [...] No momento do julgamento, os três Conselheiros apontados nos Embargos divergiram dos fundamentos adotados por este Relator, mas consideraram que o registro na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do sujeito passivo da existência de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), conforme extrato de fl. 58, seria suficiente para se considerar a existência de pagamento antecipado, à luz do teor da Súmula CARF nº 123: Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Daí a razão pela qual os mencionados Conselheiros, e apenas eles, acompanharam o voto condutor pelas conclusões do Relator. Ou seja, em nenhum instante, houve a incorporação pelo Relator da existência de pagamento antecipado como fundamento para o reconhecimento da contagem da decadência na forma do art. 150, §4º, do CTN. E não porque discorde da referida Súmula, mas por considerar que o referido extrato da DIPJ não comprova a existência de retenção a título de IRRF (o que poderia demandar a realização de diligência), e porque, conforme fundamentos expostos no Voto, seria dispensável in casu a referida comprovação. A posição do Relator foi acompanhada, sem ressalvas, por outros quatro Conselheiros, de modo que não seria necessário fazer constar do Acórdão os fundamentos adotados pelos três Conselheiros mencionados. Somente no caso de a maioria dos conselheiros acolher apenas as conclusões do relator (ou de voto de qualidade) seria imposto tal registro, conforme art. 63, §8º, do RI/CARF. Deste modo, o Acórdão embargado reflete perfeitamente os fundamentos que levaram a maioria do Colegiado a acolher a prejudicial de decadência e dar provimento ao Recurso Voluntário, de modo que não merece reparos ou complementos. Após cientificada a Fazenda Nacional do referido acórdão de embargos de declaração (e-fls. 1.464), foi encaminhado o processo para julgamento do recurso especial. Foram apresentadas contrarrazões (e-fls. 1.423 a 1.436) pelo Contribuinte ao recurso especial da Fazenda Nacional, postulando, preliminarmente, a sua negativa de seguimento e, no mérito, a sua negativa de provimento. Fl. 1476DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-011.563 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19515.001741/2003-97 O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. É o relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. 1 Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Concorda-se com as razões do despacho de admissibilidade do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional. 2 Mérito No que tange à divergência jurisprudencial quanto à decadência, a discussão fica restrita à determinação da regra aplicável como termo inicial para a contagem do prazo decadência, se do art. 150, §4º ou do art. 173, I, ambos do CTN. A divergência a ser apreciada refere-se, portanto, ao termo inicial de contagem da decadência do direito de lançamento, se a data do fato gerador - artigo 150, §4º do CTN – ou primeiro dia do exercício seguinte ao em que poderia ser lançado, no caso de não existir pagamento antecipado - artigo 173, I do CTN. A controvérsia a respeito do prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação cinge-se à aplicação dos artigos 150, §4º ou 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 62-A do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e reproduzido em sua íntegra no art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, no que tange à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições deve ser observado o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça firmado no julgamento do recurso especial nº 973.733, pela sistemática dos recursos repetitivos, restando superada a tese da irrelevância de ter ocorrido ou não pagamento, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO Fl. 1477DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-011.563 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19515.001741/2003-97 DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005) [...] Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como no caso do IRPJ, na inteligência do acórdão do STJ cuja ementa transcreveu-se acima: (i) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I do CTN) em caso de dolo, fraude ou simulação; quando não houver pagamento antecipado ou inexistir declaração prévia do débito; ou (ii) a partir do fato gerador (art. 150, §4º do CTN) nas hipóteses de pagamento parcial ou integral do débito ou existência de declaração prévia do mesmo. Feitas estas considerações, passe-se ao exame do artigo de lei aplicável ao caso destes autos. Consoante relatado no acórdão recorrido, o presente processo decorre de lançamento (fls. 90 a 94) referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), tendo em vista que o sujeito passivo teria realizado, no ano-calendário de 1997, compensação de prejuízo fiscal em montante superior ao limite máximo de 30% imposto pelo art. 510 do então vigente Regulamento do Imposto de Renda (RIR), conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 86 a 89. Em sua peça de impugnação, o contribuinte sustentou a ocorrência de decadência, já que o IRPJ sendo sujeito ao lançamento por homologação, tem o prazo decadencial contado na forma do art. 150, §4º, do CTN. Assim, tendo o auto de infração sido lavrado em 30 de abril de 2003, e se referindo ao ano-calendário de 1997, teria ocorrido o decurso do prazo quinquenal contado desde o fato gerador. Inequívoco que não há, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 86 a 89, qualquer acusação do cometimento de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Além disso, com base nos elementos constantes dos autos e esclarecidos pelo Sujeito Passivo em sede de embargos de declaração, houve recolhimento antecipado do tributo em relação ao ano-calendário de 1997, tendo em vista a realização de retenção do imposto de renda na fonte, e não houve imposto apurado no encerramento do ano-calendário (e-fl. 58): Fl. 1478DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-011.563 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19515.001741/2003-97 Esse elemento soma-se à confissão de débitos tomada como verdadeira pela Autoridade Fiscal e ao levantamento de balanço ou balancete de suspensão através do LALUR entregue à Fiscalização, sem imposto a recolher devido à compensação de prejuízos fiscais glosada. Assim, estando comprovada a retenção na fonte à e-fl. 58 dos autos do presente processo administrativo, deve ser aplicado ao caso o disposto na Súmula CARF nº 123, contando-se o prazo decadencial de 5 (cinco) anos a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º do CTN, in verbis: Súmula CARF nº 123: Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional.” (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Em consonância com o entendimento do STJ consignado no recurso especial nº. 973.733, em sede de recurso repetitivo, de observância obrigatória por este Colegiado, e o teor da Súmula CARF nº 123, as circunstâncias acima descritas levam à conclusão de que havendo o recolhimento antecipado do tributo, na forma do IRRF, que é equivalente ao pagamento Fl. 1479DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-011.563 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19515.001741/2003-97 antecipado do tributo, a contagem do prazo decadencial deve se dar na forma do art. 150, §4º do CTN, observando-se o prazo de 05 (cinco) anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Portanto, tendo ocorrido a lavratura e ciência do auto de infração em 30/04/2003, encontra-se extinto pela decadência o crédito tributário de IRPJ relativo ao ano-calendário de 1997, conforme consignado no acórdão recorrido, com a diferença de que a motivação da decisão que ora se profere encontra-se no fato de ter havido pagamento antecipado pela retenção na fonte do imposto de renda, atraindo a aplicação da Súmula CARF nº 123. Nos termos do art. 63, §8º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, consigna-se que a maioria do Colegiado acompanhou o voto da Relatora pelas conclusões por entenderem como aplicável ao caso a Súmula CARF nº 138: Súmula CARF nº 138 Imposto de renda retido na fonte incidente sobre receitas auferidas por pessoa jurídica, sujeitas a apuração trimestral ou anual, caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4º do CTN. Acórdãos Precedentes: 9101-002.245, 9101-003.603, 9101-003.239, 9101-002.993, 9101-001.853, 1101- 001.100, 1302-002.092, 1402-002.182, 1402-002.291 e 1402-003.605. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020). Nesses termos, é que foi negado provimento ao recurso especial. 3 Dispositivo Diante do exposto, deve ser negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1480DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11610.003103/2001-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que sejam distribuídos ao relator os processos 11610.004045/2001-81 e 10880.007685/2001-08, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que sejam distribuídos ao relator os processos 11610.004045/200181 e 10880.007685/200108, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 03 10 3/ 20 01 -5 9 Fl. 844DF CARF MF Processo nº 11610.003103/200159 Resolução nº 1402000.558 S1C4T2 Fl. 842 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ/SPO1 em sessão de 27 de junho de 2007 (fls. 524/526)1 que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada, reconhecendo, além do montante já legitimado pela unidade de origem (R$ 363.295,05), mais o adicional de R$ 234.694,91 relativo a saldo negativo do anocalendário de 1997, restando em litígio os valores de CSLL dos meses 02/97 (R$ 7.920,05) e 03/97 (R$ 212.013,60), em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Comprovado em parte o pagamento de CSLL maior do que o devido impõese o reconhecimento parcial do direito à restituição pleiteada, homologandose, por conseguinte, a compensação declarada, até o limite do montante do crédito comprovado. Solicitação Deferida em Parte. Cientificada do Acórdão da DRJ em 09/08/2007 (fls.597), apresentou Recurso Voluntário em 05/09/2007 (fls. 544/547) pleiteando a reforma de decisão recorrida. Subindo os autos à apreciação deste Colegiado Administrativo a então 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes editou a Resolução nº 10800.492, de 17/09/2008 (fls. 599/603) converteu o julgamento em diligência, em voto assim definido: “A matéria posta em discussão cingese ao reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Recorrente, devendo ser levadas em consideração as nuances do caso. Como se infere do relatório acima, no decorrer do procedimento fiscal a Recorrente teve, gradualmente, reconhecido o direito creditório inicialmente pleiteado, restando neste recurso analisar a diferença restante de R$7.920,05 referente à CSLL da competência 02/1997 e R$212.013,60, referente à CSLL da competência 03/1997. Para tanto, em suas razões recursais, a Recorrente faz menção à DCTF retificadora, cujo processamento não restou claramente identificado nos autos. Ademais, alega que a DIPJ/1996 está com preenchimento incorreto. Por tais motivos, sendo necessária análise técnica sobre as alegações aduzidas pela Recorrente, proponho a baixa em diligência do presente processo para que seja confirmada a regularidade da DCTF retificadora e para que haja manifestação da digna autoridade fiscal sobre as diferenças apontadas pela Recorrente nos itens 3 e 4 do presente 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 845DF CARF MF Processo nº 11610.003103/200159 Resolução nº 1402000.558 S1C4T2 Fl. 843 3 recurso, uma vez ali descritas operações de pagamentos que justificam a revisão, a ver da Recorrente, quando a satisfação plena de seu direito creditório. Após o que, igualmente, com a manifestação também da Recorrente, subam os autos para o competente julgamento”. Cumprida a diligência, os autos voltaram com a Informação Fiscal (fls. 631/633) e documentos acostados (fls. 609/621) tendo a autoridade que presidiu o feito, depois de aduzir o quanto entendido necessário, concluído que, “Exaustivamente demonstrada a inexistência de qualquer fundamento nas alegações do contribuinte, entendemos dever ser mantida a decisão da DRJ, de fls. 524/526”. Retornando ao CARF, o processo foi distribuído ao mesmo Relator original, agora na 2ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Sejul, oportunidade em que, mediante Resolução nº 1202000.123, de 07/08/2012 (fls. 659/664), decidiuse por nova conversão do julgamento em diligência, nos termos do voto assim alinhavado (destaques do original): “Realizada a diligência determinada, com a posterior manifestação do Recorrente, há que se destacar os seguintes aspectos, todos necessários para o bom deslinde do caso ora em análise. Inicialmente, no que se refere ao suposto direito creditório do Recorrente de valor equivalente à R$ 7.920,05, referente a um complemento da CSLL, cuja competência é o mês de fevereiro de 1996, há que se reconhecer as verificações oriundas do Relatório de Diligência. Isto porque, consoante se constata pelo demonstrado no referido Relatório, a DCTF complementar foi entregue em 13.08.2001, entretanto, o pagamento feito a maior pelo Recorrente teve seu vencimento em 31.01.1996, fato que faz com que a data limite para a entrega da DCTF retificadora fosse o dia 31.01.2001. Diante do fato de que o Recorrente apenas apresentou sua DCTF complementar, como já referido, aos 13 dias do mês de agosto do ano de 2001, e, portanto, em data posterior ao prazo decadencial estipulado em lei, alternativa não resta, senão acolher a informação conclusiva constante do Relatório Diligencial, no sentido do reconhecimento da extinção do suposto direito creditório em exame. Contudo assim seja, ainda que parcialmente improcedente o pedido da Recorrente, no que se refere ao requerido constante do item 4 do Recurso Voluntário apresentado, cujo objeto é o pedido para compensação de um crédito tributário no valor de R$ 212.013,60, há que se destacar o fato de que o Relatório de Diligência não foi capaz de sanar a dúvida que pairava, e ainda paira, sobre a existência do suposto direito creditório alegado pelo Recorrente. Tal ocorre em virtude do fato de que o Relatório Diligencial não se desvencilhou da incumbência de comprovar a existência da DCTF retificadora, alegada pela Recorrente e apontada pela mesma, garantidora do crédito retro referido, cuja existência numera a Recorrente, e ao que se apega para invocar o seu direito. Neste sentido, a Recorrente, nas informações prestadas após a elaboração do Relatório de Diligência, informa a existência de dois processos administrativos – processo nº.: 11610.004045/200181 e nº.: Fl. 846DF CARF MF Processo nº 11610.003103/200159 Resolução nº 1402000.558 S1C4T2 Fl. 844 4 10880.007685/200108 – ambos, conforme consulta ao sistema COMPROT/MF, se encontram no arquivo geral da SAMFSP, cujo alegado objeto é retificação de DCTF, com reflexo direto no pleito pendente de esclarecimento. Desta feita, considero indispensável, para o bom julgamento do presente caso, que se conheça o teor dos referidos processos, para que reste sanada efetivamente a dúvida acerca da existência ou não de DCTF retificadora, validamente, com possível demonstração do alegado direito creditório da Recorrente, pois, apenas após esclarecido este fato é que se poderá proferir julgamento adequado e consistente às provas nos autos. Por tais motivos, sendo necessária análise técnica sobre as alegações aduzidas pelo Recorrente mormente no que se refere à existência de DCTF retificadora, capaz de comprovar o direito por ele alegado, proponho a baixa em diligência do presente processo com a seguinte finalidade: que a autoridade de origem proceda o desarquivamento dos autos administrativos de Nº.: 11610.004045/200181 e Nº.: 10880.007685/200108, ambos no arquivo geral da SAMFSP, remetendoos para este Conselho, 1ª Seção, 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, ao presente relator, a fim de que seja verificada a existência da DCTF alegada pela Requerente, confirmandose, ou não, a decisiva comprovação do quanto alegado. Após que, igualmente, com a manifestação também do Recorrente, no prazo de 30 (trinta dias), retornem os autos para o competente julgamento”. A fim de atender o quanto determinado, a unidade de origem informou (fls. 836): “1. Conforme solicitação contida na Resolução nº 1202 000.123 emitida pela 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 650 a 655), procedemos ao desarquivamento dos processos nº 11610.004045/200181 e 10880.007685/200108. Os referidos processos administrativos foram remetidos via malote ao conselho para o relator Orlando José Gonçalves Bueno. 2. Dessa forma, retornese o presente processo ao CARF para prosseguimento do julgamento”. Com a extinção da 2ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Sejul, o presente processo foi distribuído a este Relator. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 847DF CARF MF Processo nº 11610.003103/200159 Resolução nº 1402000.558 S1C4T2 Fl. 845 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário da autuada é tempestivo e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. Destaco, preliminarmente, que os presentes autos foram distribuídos a este Conselheiro em razão da extinção da 2ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Sejul e pela renúncia ao mandato do Relator originalmente designado. Como visto no relatado, houve duas conversões do julgamento em diligência determinadas pela Relatoria originalmente designada, sendo a primeira delas realizada integramente e resumida na Informação Fiscal (fls. 631/633) e documentos acostados (fls. 609/621) tendo a autoridade que presidiu o feito, depois de aduzir o quanto entendido necessário, concluído que, “Exaustivamente demonstrada a inexistência de qualquer fundamento nas alegações do contribuinte, entendemos dever ser mantida a decisão da DRJ, de fls. 524/526”. Quanto à segunda diligência, esta foi a determinação da então 2ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Sejul (Resolução nº 1202000.123, de 07/08/2012 fls. 659/664): "Por tais motivos, sendo necessária análise técnica sobre as alegações aduzidas pelo Recorrente mormente no que se refere à existência de DCTF retificadora, capaz de comprovar o direito por ele alegado, proponho a baixa em diligência do presente processo com a seguinte finalidade: que a autoridade de origem proceda o desarquivamento dos autos administrativos de Nº.: 11610.004045/200181 e Nº.: 10880.007685/200108, ambos no arquivo geral da SAMFSP, remetendoos para este Conselho, 1ª Seção, 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, ao presente relator, a fim de que seja verificada a existência da DCTF alegada pela Requerente, confirmandose, ou não, a decisiva comprovação do quanto alegado" Atendendo a exigência, a autoridade que presidiu a diligência exarou o seguinte despacho (fls. 836): Fl. 848DF CARF MF Processo nº 11610.003103/200159 Resolução nº 1402000.558 S1C4T2 Fl. 846 6 Ocorre que, embora conste nos autos a informação supra, fato é que os dois Processos citados (nºs 11610.004045/200181 e 10880.007685/200108) NÃO FORAM ENCAMINHADOS a este Relator, encontrandose, em janeiro de 2018, com as seguintes posições: 1. Processo nº 11610.004045/200181 localização SERETCEGAPCARF MFDF; para distribuição; 2. Processo nº 10880.007685/200108 localização 2ªCâmara 1ª Turma 1ª Sejul distribuído à Conselheira Eva Maria Los, que, inclusive, já acostou àqueles autos, despacho de devolução para nova redistribuição, conforme se vê abaixo: Fl. 849DF CARF MF Processo nº 11610.003103/200159 Resolução nº 1402000.558 S1C4T2 Fl. 847 7 À vista do exposto, entendo que o julgamento destes autos exige a juntada dos dois processos citados, encaminhandoos a este Relator, requisito indispensável para seu prosseguimento. Desse modo, sendo imperativo que estes dois Processos sejam distribuídos a este Relator, proponho o SOBRESTAMENTO deste julgamento até que atendido o quanto aqui exposto. É como voto. Brasília (DF), em 22 de fevereiro de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 850DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.724998/2011-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2009
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
As provas devem ser apresentadas por oportunidade da Impugnação, sob pena de serem abarcadas pelo instituto da preclusão processual.
RESGATE PREVIDÊNCIA PRIVADA . RENDIMENTO TRIBUTÁVEL.
São tributáveis na declaração de ajuste anual do imposto de renda sobre a pessoa física os valores de resgate de contribuições efetuadas a entidades de previdência privada, de PGBL e de Fundos de Aposentadoria Programada Individual(Fapi).
Numero da decisão: 2202-008.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, voto por CONHECER parcialmente do recurso, exceto quanto a alegação de erro de fato no lançamento, e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sonia de Queiroz Accioly - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Sonia de Queiroz Accioly e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: SONIA DE QUEIROZ ACCIOLY
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ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas por oportunidade da Impugnação, sob pena de serem abarcadas pelo instituto da preclusão processual. RESGATE PREVIDÊNCIA PRIVADA . RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. São tributáveis na declaração de ajuste anual do imposto de renda sobre a pessoa física os valores de resgate de contribuições efetuadas a entidades de previdência privada, de PGBL e de Fundos de Aposentadoria Programada Individual(Fapi). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, voto por CONHECER parcialmente do recurso, exceto quanto a alegação de erro de fato no lançamento, e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 49 98 /2 01 1- 22 Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.527 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.724998/2011-22 de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Sonia de Queiroz Accioly e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 69 e ss) interposto, em 08/04/2015 em face da R. Acórdão proferido pela 19ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (fls. 51 e ss) que julgou improcedente a impugnação à constituição de crédito tributário, em razão da prática das seguintes infrações tributárias: 1 - Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação Trabalhista, no valor de R$ 30.694,19, recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista; 2 - Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e FAPI, no valor de R$ 2.516.200,31, recebido pela sua dependente de ICATU SEGUROS S/A; 3 - Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas – Aluguéis e Outros, no valor de R$ 3.405,30, conforme informado na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB); 4 - Dedução Indevida de Despesas Médicas – glosado o valor de R$ 63.765,26, referente ao plano SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S/A, por falta de comprovação. Segundo o Acórdão recorrido: Trata-se de exigência constante da Notificação de Lançamento lavrada contra o contribuinte acima identificado, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física exercício 2010, ano calendário 2009, no qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 627.879,37. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 10/14), da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, foram constatadas as seguintes infrações: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação Trabalhista, no valor de R$ 30.694,19, recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista pelo interessado sendo que, na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 920,82; Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e FAPI, no valor de R$ 2.516.200,31, recebido pela sua dependente de ICATU SEGUROS S/A, CNPJ 42.283.770/0001-39, sendo que, na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 377.430,04; Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas – Aluguéis e Outros, no valor de R$ 3.405,30, conforme informado na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB); Dedução Indevida de Despesas Médicas – glosado o valor de R$ 63.765,26, referente ao plano SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S/A, por falta de comprovação. Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.527 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.724998/2011-22 Cientificado do lançamento em 21/03/2011 (AR à fl. 46), o contribuinte apresentou em 19/04/2011 a impugnação de fls. 02/07, instruída com a documentação de fls. 18/35, na qual alega a inexistência de rendimentos decorrentes de ação trabalhista no valor de R$ 30.694,19, por se tratar de saldo que lhe é devido em razão dos serviços que prestou ao SINDICATO DOS BANCOS DO RIO DE JANEIRO e afirma que o prestador dos serviços foi a SOCIEDADE DE ADVOGADOS JOÃO MAURICIO DE ARAÚJO PINHO CONSULTORES E ADVOGADOS S/C, CNPJ 40.438.392/0001-90. Quanto à omissão de rendimentos de aluguel, no valor de R$ 3.405,29, aduz o interessado que, por inadvertência a mesma deixou de ser referida, porque a informação foi recebida após a entrega da declaração. No que tange à glosa das despesas médicas, o notificado esclarece que é beneficiário do plano SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S/A; que o anexo 2 discrimina os beneficiários do plano e a percentagem com que concorrem para o prêmio; no anexo 3 está o comprovante das prestações pagas no ano base e no anexo 4 encontra-se a discriminação do valor que lhe foi atribuído de R$ 63.765,26, correspondente a 51,44% do total, o qual foi lançado como dedutível na declaração apresentada. Em relação à exigência quanto à omissão de rendimentos dos valores pagos por entidade de previdência privada, manifesta o entendimento que só pode ser sujeito ao imposto o valor do acréscimo patrimonial que decorre da diferença entre o valor do resgate e o valor das contribuições do investidor devidamente atualizadas para que se excluam da apuração do ganho as simples variações monetárias e, se houver ganho, ele será tributado a exemplo de todos os resultados de aplicações financeiras unicamente na fonte. É o relatório. O Colegiado de 1ª instância proferiu decisão, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA. LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM DIRF. Não tendo o contribuinte apresentado elementos probantes capazes de elidir as informações prestadas em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) pela fonte pagadora, mantém-se o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Os rendimentos oriundos de resgate parcial ou total das contribuições para entidades de previdência privada, sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE CORPORATIVO. PAGAMENTO EFETUADO PELA EMPRESA. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Comprovado nos autos mediante documentação hábil e idônea que os valores declarados a título de despesas médicas foram pagos pela empresa, a glosa deve ser mantida, uma vez que somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as despesas médicas cujo ônus financeiro coube ao contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de 1ª Instância, aos 18/03/2015 (fls. 65), o contribuinte apresentou o presente recurso voluntário em 08/04/2015 (fls. 69 e ss), alegando, em breve síntese, que: Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.527 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.724998/2011-22 1 – não houve omissão de rendimentos com o resgate de previdência privada, na medida em que, segundo afirma, o fundo foi custeado com aportes próprios, inexistindo acréscimo patrimonial. Ressalta entendimento no sentido de que, no resgate de previdência privada a incidência tributária somente poderá atingir eventual valor do acréscimo patrimonial decorrente da diferença entre o valor do resgate e o valor das contribuições do investidor, e que a tributação se dará unicamente na fonte se houver ganho; 2 – o lançamento está lastreado em erro de fato, relativamente às despesas médicas. Ressalta ter suportado o ônus financeiro do seguro saúde, integralmente; 3 – não houve omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista, na medida em que os rendimentos eram da pessoa jurídica. Busca o cancelamento da autuação. Juntou documentos. Após, em 29/04/2015, o Recorrente peticionou, acostando aos autos cópias de cheques, relativamente a pagamentos feitos por ele à Sul América Seguros (fls. 99 e ss): Posteriormente, em 09/09/2015, novamente peticionou, solicitando a juntada de decisão proferida nos autos 12448.736297/2012-17, relativa a lançamento por dedução indevida de despesas médicas, do ano-calendário de 2010. Esse, em síntese, o relatório. Voto Conselheira Sonia de Queiroz Accioly, Relatora. Sendo tempestivo, conheço, parcialmente, do recurso e passo ao seu exame. Relativamente às despesas médicas, o Recorrente assinala a existência de erro de fato, já que todos os pagamento foram feitos por ele à seguradora de saúde. Observa-se que a peça de defesa, apresentada perante o Colegiado de 1ª Instância não trouxe a argumentação relativa a ocorrência de erro de fato, Assim, resta flagrante que a inovação operada em sede de recurso (tratando-se de matéria preclusa em razão da ausência de exposição na primeira instância administrativa) Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.527 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.724998/2011-22 contrariando o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputando celeridade em prol da pretendida pacificação social. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Assim não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, de forma a que as inovações devam ser afastadas por referirem-se a matéria não impugnada no momento processual devido. Mesmo que assim não fosse, é certo que a jurisprudência tem estabelecido que o erro cometido pelo contribuinte, quando resulta na incorreção de dados fáticos que originam obrigações tributárias, pode ensejar o cancelamento do lançamento. O erro de fato pode ser verificado nos casos de inexatidão e de equívocos cometidos no preenchimento de declarações entregues ao Fisco pelo sujeito passivo. Nesse caso, uma vez comprovado o erro, a declaração deve ser corrigida. Porém, a prova do erro compete ao sujeito passivo. A ele incumbe demonstrar que a declaração não está alinhada com a vontade real. Para tanto, pode, a depender do caso concreto, se valer de um ou alguns dentre vários elementos probatórios, tais como outras declarações apresentadas na mesma época, a escrita contábil ou fiscal contemporânea aos fatos, contratos e mesmo a conduta materializada na apuração e recolhimento dos tributos, tudo de modo a evidenciar de forma plausível a vontade real em desacordo com a declaração. É necessário, neste ponto, destacar que não é erro, no sentido jurídico do termo, a opção que o contribuinte faça de forma regular por uma dentre as diversas possibilidades que a lei lhe faculta, ainda que posteriormente a escolha se revele desvantajosa. É o que acontece, por exemplo, com a pessoa jurídica que opta por apurar o IRPJ na forma do lucro presumido, e, meses depois, constata que o lucro real seria menos oneroso. Nessa hipótese, não se admite, sob a alegação de erro, cancelar a opção pelo lucro presumido, adotando no mesmo ano a sistemática do lucro real. Em suma, opção não é erro. No caso dos autos, a alegação de erro não diz respeito ao Recorrente. O Recorrente alega erro de fato, mas não aponta o erro cometido na sua declaração. Ao contrário, alega que o batimento eletrônico que ensejou o lançamento tributário está errado, já que os pagamentos foram suportados por ele e não por uma pessoa jurídica. Assim é que não haveria como acolher a alegação do Recorrente, mesmo que conhecida, na medida que a alegação de erro de fato lastreia-se, em verdade, na falta de comprovação de despesa que poderia ensejar a dedução da base de cálculo do IR. E essa situação é bastante distinta do alegado erro de fato no lançamento. Por fim, insta ressaltar que o Recorrente não apresentou inconformismo relativamente à omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas – Aluguéis e Outros, no Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.527 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.724998/2011-22 valor de R$ 3.405,30, motivo pelo qual o Colegiado de 1ª Instância já havia considerado a matéria incontroversa, com lastro no art. 17, do Decreto 70.235/72. Da admissão de provas - Preclusão Na fase de defesa, o Recorrente não comprovou pagamentos feitos à Sul América, que ensejasse a dedução da base de cálculo do IR no valor de R$ 63.765,26,. Após a apresentação do recurso, trouxe aos autos cópias de cheques, indicativas de pagamentos feitos por ele à Sul América Seguro. Segundo as cópias de cheques, o Recorrente teria pago R$ 92.550,33 a Sul América Seguros (não há indicação do motivo ou ser relativa a seguro saúde), valor diferente do deduzido da DAA e glosado pela Notificação de Lançamento. De qualquer forma, essas cópias de cheques somente foram apresentadas após o decurso do prazo recursal. No caso dos presentes autos, a Notificação de Lançamento é bastante clara quando indica que a infração descrita como dedução indevida de despesas médicas decorreu da falta de comprovação de pagamentos feitos pelo Recorrente ao plano de saúde, e de que fora beneficiário ele ou seu dependente. No momento de defesa e no recurso, o Recorrente trouxe apenas cópias de boletos bancários que tinham como cedente a Sul América Seguros Saúde S/A e sacado a empresa Araújo Pinho Participações Ltda., totalizando R$ 123.953,46. Pois bem, nos termos do §4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito caso não demonstrada a impossibilidade da apresentação oportuna por força maior; não comprovado ser relativo a fato superveniente, ou que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos . Na petição de juntada de documentos, não demonstrou a impossibilidade da apresentação oportuna por força maior; ser relativo a fato superveniente, ou que se destinasse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. As situações de exceção previstas no §4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72 não se encontram contempladas, de forma que os documentos apresentados após o recurso não podem ser conhecidos. Mesmo se assim não fosse, os elementos trazidos a destempo não seriam suficientes para demonstrar a correlação entre os pagamentos, o recorrente, e a dedução legal, seja em razão da divergência de valores, seja por ausência de demais elementos, de forma a não serem suficientes para afastar a constituição do crédito tributário. Relativamente ao R. Acórdão anexado, proferido em processo instaurado em face do Recorrente e relativo a infração ocorrida em outro ano-calendário, insta considerar que a decisão não produz efeitos senão naqueles autos, e que não vincula os julgadores administrativos na análise da presente autuação. Dos fatos e Do direito A fls. 08 e ss, consta Notificação de Lançamento, relativa ao ano-calendário de 2009, relativa a práticas infratoras devidamente descritas: 1 – omissão de rendimentos recebidos de PJ, em ação trabalhista, da ordem de R$ 30.694,19; Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-008.527 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.724998/2011-22 2 – omissão de rendimentos pelo resgate de contribuições à previdência privada PGBL e FAPI; da ordem de R$ 2.516.200,31; 3 – e a dedução indevida e despesas médicas, de R$ 63.765,26; 4 – omissão de rendimentos decorrentes de alugueis, essa incontroversa. As fls. 15, encontra-se o Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido. As fls. 24 e ss, foram acostadas cópias de boletos bancários, no valor total de R$ 123.953,46, relativos a pagamentos feitos pela Araujo Pinho Participações Ltda à Sul América Seguro de Saúde, documentos novamente apresentados em sede recursal (fls. 80 e ss). O colegiado de 1ª instancia analisou as alegações apresentadas na impugnação, relativamente a cada uma das infrações. No que toca à omissão de rendimentos recebidos de PJ, em ação trabalhista, o R. Acórdão ressaltou que: O interessado alega a inexistência de rendimentos decorrentes de ação trabalhista no valor de R$ 30.694,19, por se tratar de saldo que lhe é devido em razão dos serviços que prestou ao SINDICATO DOS BANCOS DO RIO DE JANEIRO e afirma que o prestador dos serviços foi a SOCIEDADE DE ADVOGADOS JOÃO MAURICIO DE ARAÚJO PINHO CONSULTORES E ADVOGADOS S/C, CNPJ 40.438.392/0001-90. Ocorre que tal alegação, desacompanhada de qualquer documento que a respalde, não é suficiente para afastar a omissão apurada. De acordo com a DIRF apresentada pelo BANCO DO BRASIL, o interessado auferiu no mês de agosto de 2009 os rendimentos tributáveis no valor supracitado, valor que foi considerado omitido, tendo em vista que o interessado não declarou rendimento algum dessa fonte pagadora. Assim, na ausência de prova em contrário e, tendo em vista que a DIRF possui força probatória suficiente para efetuar o lançamento da omissão dos rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte, entendo procedente o lançamento da omissão. Realmente, a instrução não traz a DIRF apresentada pelo Banco do Brasil, mas a Notificação de Lançamento foi emitida após o batimento eletrônico das informações prestadas pelo Recorrente com aquelas lançadas pela instituição responsável pela retenção de IRPF na fonte. Além do mais, o Recorrente não se opõe aos valores declarados em DIRF pelo Banco do Brasil, Apenas alega (mas não comprova em momento algum) que a remuneração de R$ 30.694,19 seria da SOCIEDADE DE ADVOGADOS JOÃO MAURICIO DE ARAÚJO PINHO CONSULTORES E ADVOGADOS S/C, CNPJ 40.438.392/0001-90, e não dele, Recorrente. Considerando que alegar e não provar é o mesmo que não alegar, impõe-se manter a autuação por essa infração, acolhida a fundamentação do Colegiado de 1ª instância. Relativamente à infração tributária de omissão de rendimentos pelo resgate de contribuições à previdência privada PGBL e FAPI da ordem de R$ 2.516.200,31, observa-se que a alegação do Recorrente, no sentido de que no resgate de previdência privada a incidência tributária somente poderia atingir eventual valor do acréscimo patrimonial decorrente da diferença entre o valor do resgate e o valor das contribuições do investidor, e que a tributação se daria unicamente na fonte havendo ganho, não pode ser acolhida. Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-008.527 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.724998/2011-22 Do lançamento, extrai-se que os sistemas da RFB apontam para o resgate da previdência privada PGBL, do IGATU Seguros S/A, feita pelo Recorrente, no valor de R$ 2.516.200,31. O Recorrente não se insurge contra esse fato. Apenas alega que no resgate não há incidência do IRPF, na forma descrita no lançamento tributário. Examinando a Declaração de Ajuste Anual apresentada (fls. 37 e ss), observa-se que o Recorrente não tributou ou declarou a operação. Vejamos o que dispõe a legislação a respeito do assunto: O Decreto 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda, aplicável à época dos fatos, determina que: “Art.43.São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como: ... XIV-os benefícios recebidos de entidades de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, observado o disposto no art. 39, XXXVIII (Lei nº 9.250, de 1995, art. 33); XV-os resgates efetuados pelo quotista de Fundos de Aposentadoria Programada Individual-FAPI “ (...) Art. 633. Os benefícios pagos a pessoas físicas, pelas entidades de previdência privada, inclusive as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620, ressalvado o disposto nos incisos XXXVIII e XLIV do art. 39 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 33). Nessa esteira, temos a Lei 9.250/95: Art. 33. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Assim é que os valores recebidos como resgate de contribuições à previdência privada PGBL e FAPI são tributáveis na declaração de ajuste anual do imposto de renda da pessoa física, inclusive os provenientes dos aportes feitos. Como bem assinalou o Colegiado de 1ª instância: A omissão de rendimentos indicada na Notificação de Lançamento, à fl. 11, teve como base a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF entregue pela fonte pagadora ICATU SEGUROS S/A, CNPJ nº 42.283.770/0001-39, na qual consta como rendimento tributável – Resgate de Previdência Privada e FAPI – código 3223, no montante de R$ 2.516.200,31 e a correspondente retenção do imposto de renda na fonte no valor de R$377.430,04. Em sua defesa, o Impugnante defende o entendimento que só pode ser sujeito ao imposto o valor do acréscimo patrimonial que decorre da diferença entre o valor do resgate e o valor das contribuições do investidor devidamente atualizadas para que se excluam da apuração do ganho as simples variações monetárias e, se houver ganho, ele será tributado a exemplo de todos os resultados de aplicações financeiras unicamente na fonte. Sendo assim, cumpre destacar que o resgate de contribuições à previdência privada, constitui-se em rendimento tributável, sujeito à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual na forma do 33, da Lei nº 9.250/1995, in verbis: Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-008.527 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.724998/2011-22 “Art. 33. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições.” Por outro lado, o art. 43 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/99, assim dispõe: Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769-55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) XIV - os benefícios recebidos de entidades de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, observado o disposto no art. 39, XXXVIII (Lei nº 9.250, de 1995, art. 33); Portanto, os valores resgatados dos planos de previdência privada estão sujeitos ao imposto de renda retido na fonte – art. 633 do RIR/99, devendo ser oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual do exercício a que se referir o resgate, compensando-se o correspondente imposto de renda retido na fonte, como antecipação do imposto devido, nos termos do art. 3º da Lei nº11.053/2004. Deve ser observado, por oportuno, que quando do pagamento dos valores a título de previdência privada – PGBL - é facultado ao contribuinte deduzir tais valores de seus rendimentos quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual – art. 74, inciso II, § 2º do RIR/99, sendo que a contrapartida a este benefício é a tributação dos respectivos valores por ocasião do resgate, ou seja, faculta-se a dedução do valor recolhido e tributa-se o valor resgatado. Por conseguinte, deve ser mantida a infração apurada de omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, PGBL e FAPI. Como se verifica, a regra é a tributação dos valores resgatados de previdência privada, com retenção de 15% na fonte a título de antecipação, seguidos da submissão dos valores resgatados ao ajuste no anual, mediante a entrega de declaração, conforme prescreve o art. 33 da Lei nº 9.250/1995 c/c arts. 9º e 10 da Lei nº 8.134/1990, e com o art. 633 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/1999). A tributação exclusiva/definitiva na fonte é faculdade dos participantes dos planos que optaram pelo regime de tributação sob a denominada "Tabela Regressiva", conforme disposto no art. 1º da Lei nº 11.053/2004. Entretanto, o Recorrente não traz essa alegação, e nem existe nos autos qualquer evidência de opção nesse sentido. Sendo assim, mister se faz afastar as alegações inseridas no recurso, mantendo-se a autuação pela prática infratora. Por fim, no que toca a infração relativa à dedução indevida e despesas médicas, da ordem de R$ 63.765,26, o recorrente alega que suportou todo encargo da despesa médica e poderia deduzi-la da base de cálculo do IR. Vejamos o que considerou o R. Acórdão recorrido: A dedução de despesas médicas encontra-se disciplinada pelos dispositivos constantes do artigo 8º da Lei nº 9.250/95, que se transcreve abaixo: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: Fl. 127DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-008.527 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.724998/2011-22 I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o “caput” do art. 73, do RIR/1999 determina que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). A análise dos dispositivos legais anteriormente transcritos, notadamente o § 2º, do art. 8º, da Lei 9.250, de1995, nos permite concluir que a dedução de despesas médicas exige, além da prova da efetiva prestação dos serviços, a comprovação de efetividade do ônus do dispêndio realizado pelo contribuinte que dela pretende se aproveitar em prol de seu próprio benefício e/ou de seus dependentes. Os documentos anexados às fls. 19/35, apresentados juntamente com a impugnação, atestam que os pagamentos ao plano SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S/A foram efetuados pela empresa ARAÚJO PINHO PARTICIPAÇÕES LTDA, o que comprova ser indevida a dedução do valor de R$ 63.765,26 a título de despesas médicas, pois o contribuinte deduziu valor com o qual não arcou. Portanto, a glosa deve ser mantida. Correta de decisão recorrida. O Recorrente não logrou demonstrar a correlação entre os pagamentos, despesas pessoais ou dos dependentes e a dedução legal, seja em razão da divergência de valores, seja por ausência de elementos que comprovassem ser ele ou seu dependente o beneficiário, seja por falta de provas de ter suportado o ônus financeiro. Nesse ponto, é preciso ressaltar que os documentos de fls. 20 e 22 indicam que o Recorrente e sua dependente (cônjuge) eram segurados da Sul América Seguros de Saúde, em plano da empresa Araujo Pinho Participações Ltda, nos meses de janeiro (contribuindo com valores de R$ 2.886,20 e R$ 2.095,65) e julho (contribuindo com valores de R$ 3.127,67 e R$ 2.270,98), ambos de 2009, mas nem para esses períodos há comprovação de ele tenha suportado o ônus financeiro. Assim, os elementos e alegações não são suficientes para afastar a constituição do crédito tributário. CONCLUSÃO. Fl. 128DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-008.527 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12448.724998/2011-22 Pelo exposto, voto por CONHECER parcialmente do recurso, exceto quanto a alegação de erro de fato no lançamento, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly Fl. 129DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.728274/2012-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento mediante sua conversão em diligência, para que os autos permaneçam na Unidade de Origem até o trânsito em julgado do Processo-Crime Judicial nº 0027882-57.2012.8.16.0013, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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MEC. MET. MONT. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento mediante sua conversão em diligência, para que os autos permaneçam na Unidade de Origem até o trânsito em julgado do ProcessoCrime Judicial nº 0027882 57.2012.8.16.0013, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 28 27 4/ 20 12 -7 6 Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10980.728274/201276 Resolução nº 1402000.852 S1C4T2 Fl. 1.194 2 Relatório Tratase de lançamento de multa isolada aplicada em razão de compensação considerada não declarada. O DD negando o pleito encontrase às fls. 276/285, com o seguinte despacho final: Em consequência deste indeferimento, foi lavrado auto de infração de multa isolada, com a seguinte descrição dos fatos, enquadramento legal e valores (fls. 2 e 288/292): Irresignada a recorrente acostou impugnação que, julgada pela 3ª Turma da DRJ/CTA, foi improvida, em acórdão assim ementado (fls. 510/523): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/06/2012 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. É cabível a imposição de multa de ofício isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada. Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 10980.728274/201276 Resolução nº 1402000.852 S1C4T2 Fl. 1.195 3 EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraude, impõese a aplicação de multa qualificada. DESATENDIMENTO A INTIMAÇÕES FISCAIS. MULTA AGRAVADA. APLICABILIDADE. O agravamento da multa de lançamento de ofício é aplicável quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação dos esclarecimentos solicitados. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. DESCABIMENTO. A vedação do art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988, que proíbe a utilização de tributo com efeito de confisco, dirigese, especialmente, ao legislador ordinário, e não ao aplicador da lei. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.INCONSTITUCIONALIDADE. À autoridade administrativa não compete manifestarse quanto à inconstitucionalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. Em observação ao princípio do informalismo, vigente no processo administrativo fiscal, não há necessidade de que a procuração para representação junto à SRF estabeleça, taxativamente, rol de todos os específicos poderes outorgados, com indicação do limite conferido, utilizandose de precisas expressões técnicas e jurídicas ligadas à atividade a ser exercida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Novamente inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo (fls. 528/563) contrapondose à decisão recorrida e aos argumentos fiscais. Subindo ao CARF, os autos foram distribuídos à 2ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção que, mediante a Resolução nº 3202000.216, de 27 de maio de 2014 – fls. 710/722, determinou a conversão do julgamento em diligência. Cumprido o determinado, com a Informação Fiscal de fls. 1118/1120, manifestação da recorrente e documentos juntados, o processo retornou para julgamento no CARF sendo, então, distribuído à mesma 3ª Seção, porém não mais à mesma Turma e Câmara, mas à 2ª Turma da 4ª Câmara que, em sessão de 26/01/2016 resolveu DECLINAR da competência, entendendo que o julgamento deveria se dar no âmbito de uma das Turmas da 1ª Sejul, apoiandose no artigo 8º, I, do RICARF, em decisão prolatada mediante Acórdão nº 3402002.861 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 – fls. 1139/1144, com a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2012 PROCESSUAL. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. INCOMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA. OMISSÃO DO RICARF. ANALOGIA. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10980.728274/201276 Resolução nº 1402000.852 S1C4T2 Fl. 1.196 4 Em casos de multa isolada o novo RICARF é omisso em precisar qual seria a Seção competente para o seu julgamento. Ante a lacuna regimental, mister se faz apurar a natureza dos créditos que foram objeto da compensação considerada como não declarada e que resultou na presente atuação para, ato contínuo, fazer incidir, por analogia, os dispostos nos arts. 8º., inciso I, c.c. com o art. 7o., § 1º, ambos do RICARF. No presente caso o pedido de compensação decorreu da existência de pretensos créditos de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Logo, a competência para o julgamento do caso decidendo seria da 1ª. Seção de julgamento, nos termos do art. 8º., inciso I do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso e declinar a competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. DIEGO DINIZ RIBEIRO Relator. E a seguinte conclusão de voto: “19. Assim, não é demais repisar que no presente caso o pedido de compensação decorreu da existência de pretensos créditos de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Logo, diante da ausência de previsão regimental no RICARF e da interpretação acima desenvolvida, a competência para o julgamento do presente caso seria da 1ª. Seção de Julgamento, nos termos do art. 8º., inciso I do RICARF: Art. 8º Na hipótese prevista no § 1º do art. 7º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: I da 1ª (primeira) Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; e 20. Ex positis, reconheço a incompetência desta 3ª. Seção para o julgamento do presente recurso voluntário e, por conseguinte, voto para que o presente caso seja remetido à 1ª. Seção para nova distribuição e ulterior julgamento. 21. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator” Inobstante a argumentação acima, entendi, quando da apreciação destes autos na sessão de 13/06/2018, que a solução perfilada no acórdão acima referido não poderia ser aceita Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 10980.728274/201276 Resolução nº 1402000.852 S1C4T2 Fl. 1.197 5 sem que a autoridade competente para dirimir o conflito de competência se manifestasse, a teor do artigo 6º, § 7º, e artigo 20, IX, do Anexo II, do RICARF, verbis: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. Art. 20. Além de outras atribuições previstas neste Regimento Interno, ao Presidente do CARF incumbe, ainda: IX dirimir conflitos de competência entre as Seções e entre as turmas da CSRF, bem como, controvérsias sobre interpretação e alcance de normas procedimentais aplicáveis no âmbito do CARF; Deste modo, mediante a Resolução nº 1402000.670 os autos subiram à apreciação da Presidência do CARF que decidiu pela competência da 1ª Seção de Julgamento para analisar a matéria, o que passa a ser feito. SÍNTESE DA ACUSAÇÃO E DO RECDURSO VOLUNTÁRIO Basicamente, a acusação (RF – fls. 293/300) fundase nos seguintes pontos: 1. a contribuinte tentou ver deferido PER de R$ 8.000.000,00 alegando pagamento indevido ou a maior de PIS e COFINS com fundamento no RE 240.785/MG, ou seja, “inclusão de ICMS na base de cálculo das duas contribuições”; 2. ocorre que, à época, tal RE sequer tinha transitado em julgado e, mais ainda, a contribuinte não era parte nos referidos autos; 3. de outro lado, “intimado a apresentar documentos que comprovassem os recolhimentos a maior (...) não atendeu. E assim procedeu porque, obviamente, não tinha como responder. Não tem como demonstrar qualquer recolhimento a maior que o devido”; 4. que o PER, pelo que consta dos autos, “não passa de uma farsa, daí a razão de se aceitar a sua apresentação em formulário e se proceder à sua análise”; 5. que grande parte dos recolhimentos da contribuinte são de valores ínfimos (R$ 10,00); 6. que consulta no sistema SIEFFISCEL mostra que todos os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo estão alocados a débitos declarados, ou seja, “não há que se falar de pagamento indevido ou a maior que o devido” (RF – fls. 296); 7. assim “resta claro que o contribuinte tinha convicção de que o crédito não existia. Do contrário, têloia provado”; aliás, sequer apresentou manifestação de Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10980.728274/201276 Resolução nº 1402000.852 S1C4T2 Fl. 1.198 6 inconformidade em relação à decisão que considerou não declarada a compensação, ou seja, “concordou com a decisão, decisão esta que classificou o PER como uma farsa”; 8. por tudo o que se vê nos autos, “não resta dúvida” de que a contribuinte “agiu com dolo”, o que leva à qualificação da multa elevandoa a 150%. Além, disso, pela falta de atendimento às intimações, deve tal penalidade ser elevada em 50%, atingindo, pois, 225%, conforme abaixo: 9. ao assim proceder, ou seja,”utilizando um crédito que de fato não existe”, o sujeito passivo visava, “caso a análise não tivesse sido feita a tempo, a homologação da compensação”; 10. por fim, “repitase, o contribuinte foi cientificado da decisão que indeferiu o crédito e considerou a compensação não declarada (...) e não apresentou manifestação de inconformidade (...). Ou seja, a decisão encontrase com trânsito em julgado, administrativamente”. De seu turno, a recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 528/563 – 09/07/2013), depois de ter tido ciência do acórdão da DRJ em 13/06/2013 (fls. 526) e voltou aos autos outras vezes para refutar o trabalho fiscal e, em todas elas, seu ponto central de defesa é que possuía boa saúde financeira, mas, “em função da capacidade de persuasão do Advogado integrante do escritório contratado” [para assessor tributariamente a empresa], passou a realizar compensações que foram indeferidas pela Receita Federal. Preocupada com os efeitos destes trabalhos, a contribuinte, “buscando reparar os efeitos danosos da atuação temerária do Dr. Marcos Rodrigues Pereira (...) contratou o escritório De Lucca Advogados Associados, do Dr. Giovanni Antônio De Lucca, o qual, utilizandose da sua assessoria jurídica e fiscal, além das subcontratadas Consultrib Consultoria Tributária e Documentalista Ltda. (...) realizou, supostamente, novo levantamento da situação fiscal da empresa e apresentou nova alternativa para solucionar a situação” (RV – fls. 531). Ainda por determinação do Dr. De Lucca, visando os mesmos efeitos, a contribuinte “constituiu como procuradores os Advogados Adalberto Rosário Gertrudes; Karina Germana de Souza Andrade; Luíza Nasser Loureiro e Raphaela Pinheiro Mendes Teixeira, outorgandolhes os seguintes poderes”: Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 10980.728274/201276 Resolução nº 1402000.852 S1C4T2 Fl. 1.199 7 Deste modo, diz, conforme se extrai do mandato acima, teria apenas autorizado os procuradores a fazer levantamentos e solicitar cópias de documentos (RV – fls. 532), e que sua intenção era realizar “apuração e o parcelamento de seus débitos, tanto na esfera Estadual como Federal”, mas que, “contrariando a expressa manifestação da Recorrente, a procuração foi utilizada indevidamente, para apresentação de pedido de restituição de créditos junto à RFB, autuado sob nº 10166.002232/201213”. (sublinhado no original). Sustenta ter tido conhecimento da existência do PER “apenas quando recebeu a intimação nº 112/12” e, “ato contínuo, envioua ao Dr. Giovanni Antonio de Lucca que, após prestar alguns esclarecimentos superficiais, ficou responsável por acompanhar e, principalmente, apresentar as informações solicitadas”. (sublinhado no original). Diz mais (RV – fls. 535/536): Acosta no RV (fls. 537) cópias de trocas de mensagens com o patrono e assenta ter realizado, de “fevereiro a outubro de 2012 depósitos em nome de empresa indicada pelo Dr. Giovanni Antonio de Lucca no valor de R$ 35.000,00 (...) acreditando que seriam destinados ao adimplemento/garantia da obrigação tributária junto à RFB”. Para incisivamente afirmar: Na sequência: Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 10980.728274/201276 Resolução nº 1402000.852 S1C4T2 Fl. 1.200 8 Para prosseguir afirmando restar comprovado ter sido vítima de atuação temerária de um profissional, Dr. Marcos Rodrigues Pereira e, depois, “na tentativa de solucionar essa situação, passou a ser vitimada atuação criminosa do Dr. Giovanni Antonio de Luca, advogado inscrito na OAB/PR sob o nº 48.269”. (destaques no original). Reclama que a “autoridade administrativa, mesmo diante dos graves relatos, não tomou nenhuma providência, inclusive de ordem policial”, que a atitude inescrupulosa dos profissionais contratados “ocasionou na consolidação de débito tributário superior a R$ 6.000.000,00”, enquanto mais de R$ 2.000.000,00 foram repassados aos advogados para quitar tais débitos. Aduz estar comprovado que em “momento algum teve interesse de fraudar a RFB”, mas, sim, “foi vítima da atuação inescrupulosa de profissionais que se utilizaram de subterfúgios jurídicos como elemento para a prática de atos criminosos, objetivando, exclusivamente, obter vantagem indevida”. Destaca ter informado que a procuração aos advogados que consta nos autos de compensação (Processo nº 10166.002232/201213) não foi assinada por nenhum representante da empresa, ou seja, é falsa, e que esta informação “foi tratada com desdém pelos julgadores” que sequer verificaram o que constou do laudo grafotécnico. Em suma, diz (RV – fls. 541): Argui que a Receita Federal é “extremamente exigente” em muitos aspectos, mas que não verificou se o mandato continha poderes específicos para realizar o pedido de restituição e se o PER “foi uma farsa, segundo consta da r. decisão, fato é que na foi arquitetada ou praticada pela Recorrente, mas sim por profissionais travestidos de advogados, que utilizam do Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 10980.728274/201276 Resolução nº 1402000.852 S1C4T2 Fl. 1.201 9 conhecimento jurídico para aplicar golpes em pessoas jurídicas”, e, pior que isso, “no presente caso, frisese, não tinham poderes para realizar o PER, como já esclarecido antes” (RV – fls. 544). Continua na mesma tecla e acrescenta (RV – fls. 549): E conclui alegando inépcia do auto de infração, ausência de prejuízo ao Fico porque a compensação com utilização do PER de R$ 8.000.000,00 não se consumou, inconstitucionalidade na aplicação da multa isolada e confisco, requerendo o provimento do recurso voluntário e afastamento dos lançamentos. Alternativamente, redução da multa aos índices de 30% ou 50%. Posteriormente, em 26/01/2018 juntou petição (fls. 1148/1154) rebatendo conclusão da diligência realizada por determinação do CARF resumindo o feito Na mesma peça apontada, juntou decisão judicial (sentença prolatada pela 12ª Vara Criminal do FORO CENTRAL DA COMARCA DA REGIÃO METROPOLITANADE CURITIBA) da qual se extraem os seguintes excertos (fls. 1155/1179), em tudo relevante ao que aqui se discute: “1 RELATÓRIO O Ministério Público do Estado do Paraná, no uso de suas atribuições legais, com base no incluso inquérito policial, iniciado mediante portaria, ofereceu denúncia em desfavor de GIOVANNI ANTONIO DE LUCA, brasileiro, advogado. inscrito na OAB/PR 48.269, portador da Cédula de Identidade RG n. 3.649.157/PR, natural de Rio Negro/PR, nascido em 07 de junho de 1982, com 30 (trinta) anos de idade à época dos fatos, filho de Ivone de Luca e Antônio de Luca, com endereço profissional na Avenida Manoel Ribas, n. 985, sala 49, Bairro Mercês, nesta Capital. pela prática, em tese, dos seguintes fatos tidos como delituosos: No lapso temporal compreendido entre os meses de fevereiro a outubro de 2012, em Curitiba/PRo o denunciado GIOVANNI ANTONIO DE LUCA, dotado de vontade livre e consciente, ciente da ilicitude de sua conduta, na condição de advogado contratado pela empresa vítima Elemec Ltda., dolosamente, obteve para si a vantagem ilícita de R$ 245.000,00 (duzentos e quarenta e cinco mil reais), em prejuízo de referida empresa, induzindo em erro o seu sócio proprietário, a vítima Nivaldo Faustino de Oliveira, mediante fraude, já que, no lapso temporal compreendido entre os meses de novembro de 2011l e agosto de 2012, não cumpriu a obrigação em razão do qual foi contratado, qual seja a de propor ação judicial de consignação em pagamento para discutir os débitos tributários da referida empresa, embora tenha feito a vítima crer que tal providência tenha sido efetivada, tanto que solicitou e recebeu os depósitos bancários realizados pela aluda Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 10980.728274/201276 Resolução nº 1402000.852 S1C4T2 Fl. 1.202 10 empresa a título de suposta consignação em Juízo dos débitos tributários. Ainda, o denunciado GIOVANNI ANTONIO DE LUCA, para aparentar o comprimento desta obrigação, forjou guias de recolhimento de depósito judicial junto ao Banco do Brasil totalmente estranhas à ação judicial que deveria ter proposto (documentos de fls. 4350) e apresentou as suas cópias à referida vítima. (...) Sentença: Essa é toda a prova produzida no feito, de onde se extrai que não há qualquer dúvida acerca da existência de materialidade e de autoria do delito descrito na inicial acusatória, bem como do dolo, sendo a prova dos autos suficiente para embasar a decisão de condenação, que será a seguir fundamentada. (...) Importa registrar que o crime de estelionato, para estar configurado, exige dois requisitos: fraude e lesão patrimonial. Tais requisitos estão perfeitamente delineados nos autos. O réu manteve a vítima em erro, aproveitandose de sua profissão como advogado, merecedora da confiança das vítimas, fazendoa crer que ajuizaria e, depois, que tinha efetivamente ajuizado a ação judicial para a qual fora contratado. A fraude está devidamente comprovada pelas guias falsas apresentadas pelo acusado, para que a vítima acreditasse que os pagamentos haviam sido feitos. Nesse contexto, resta evidente que o acusado, aproveitandose de sua área de atuação profissional favorável e da necessidade da vítima em resolver sua pendência tributária, manteve as vítimas em erro, de maneira premeditada, com a deliberada intenção de obter vantagem ilícita. O fim especial de obter proveito próprio ficou comprovado, visto que o acusado recebeu os valores mencionados, locupletandose, sem restituílos integralmente às vítimas, que arcam até o momento com os graves prejuízos causados pelo agir do acusado. Repito, o réu aproveitouse da necessidade e disponibilidade financeira da empresa vítima e, mesmo sabendo que não ajuizaria a ação judicial para a qual fora contratado, recebeu por diversas vezes, valores da vítima, que deveriam ser judicialmente consignados em pagamento e não o foram. O réu continuou mantendo a vítima em erro por meio da fraude empregada, sendo que, somente com o passar do tempo, as vítimas perceberam que havia algum problema e após muita insistência receberam do acusado as cópias das guias dos pagamentos, onde, então, descobriram que eram falsas e a ação nem sequer tinha sido ajuizada. Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 10980.728274/201276 Resolução nº 1402000.852 S1C4T2 Fl. 1.203 11 Desta forma, a conduta do réu em receber quantias em dinheiro referentes aos pagamentos das parcelas em Juízo sem ter ajuizado qualquer ação na defesa do interesse ou ter efetuado qualquer depósito desses valores referentes ao objeto da ação que seria ajuizada, mantendo a vítima em erro, com o fim de obter proveito próprio encontra perfeita adequação no tipo penal que lhe foi imputado. Com efeito, a par da prova produzida nos autos, afasto a tese de crime tentado, visto que os valores depositados pelas vítimas até a presente data não foram integralmente recuperados, estando o crime consumado pois houve o resultado naturalístico, havendo não só a entrega dos valores pelas vítimas ao réu, aquelas mantidas em erro por este. Sobre a tese defensiva de participação menor importância do acusado, vejo ser incabível, porquanto ludibriou as vítimas sozinho, sem a participação de qualquer outra pessoa, notadamente do contador, como fez alusão, porquanto não há elementos comprobatórios mínimos que certifiquem e deem credibilidade a essas alegações. Assim. tão somente a conduta do acusado contribuiu para produção do resultado do crime. Assim sendo, as provas colhidas, não contrariadas ou refutadas por contra indícios ou prova direta, autorizam a convicção da culpa do acusado e, consequentemente, a condenação do réu pelo crime de estelionato. No mais, não concorre qualquer causa excludente de antijuridicidade ou que afaste a culpabilidade. Ao contrário, o conjunto probatório traz elementos que indicam potencial consciência da ilicitude e possibilidade de assumir conduta diversa, consoante ao ordenamento jurídico e imputabilidade, mostrandose absolutamente seguro à condenação do réu pela prática do crime de estelionato descrito na inicial acusatória. 3. DISPOSITIVO Em face do exposto e de tudo que consta nos autos, JULGO PROCEDENTE a pretensão punitiva estatal formulada na peça acusatória de sequência 1.1, para o fim de CONDENAR o réu GIOVANNI ANTONIO DE LUCA pela imputação descrita na denúncia, nas sanções previstas no artigo 171, caput, do Código Penal, que passo a individualizar, considerando as diretrizes estabelecidas no artigo 68 e correlatas do Código Penal. (...) Motivos do crime: é escancaradamente econômico e de obtenção de lucro fácil. Circunstâncias do crime: são desfavoráveis, pois o réu aproveitouse da necessidade e fragilidade das vítimas, que pretendiam resolver as pendências tributárias da empresa. Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 10980.728274/201276 Resolução nº 1402000.852 S1C4T2 Fl. 1.204 12 Consequências: pesam em desfavor do réu, pois as vítimas tiveram a sua empresa prejudicada de forma decisiva, conforme relatado por elas na audiência realizada. Oportuno mencionar a explicação de Gilberto FERREIRA, de que "[as leis penais] têm a missão de proteger bens fundamentais para o regular desenvolvimento social. O legislador, porém, para fixar a sanção leva em conta não só o valor do bem que pretende proteger, mas, sobretudo, a extensão do dano causado pela violação desse bem. Como o legislador sempre estabelece uma sanção que varia entre um mínimo e um máximo, cabe ao juiz encontrar dentro desses limites, a pena cabível. E, para tanto, deve, principalmente, levar em consideração as 'consequências do crime', ou seja, o montante do dano causado à vítima ou à coletividade com a ação criminosa, de modo que, quanto maior o dano, maior a reprovabilidade da conduta.". Nessa ótica, apesar de a obtenção de vantagem ilícita, em prejuízo alheio, ser Ínsita ao tipo penal, não se pode olvidar o valor significativo dos valores obtidos, referentes ao pagamento da suposta consignação judicial, trazendo prejuízo significativo à empresa vítima. O dinheiro amealhado pelas vítimas (representantes legais) foram frutos de economias decorrente de seu trabalho e destinavase à regularização de sua atividade empresarial. É importante frisar que não se está agravando a pena pelo prejuízo alheio em si, inerente ao tipo penal, mas pelo alto valor do prejuízo relatado pelas vítimas e pelo modo como isso afetou a sua atividade empresarial, o que impôs um maior dano à vítima. Embora todo patrimônio seja tutelado, para fins de repressão penal, na dosimetria da pena não se pode fixar a mesma reprimenda para um dano de pequena monta que aquele de grande repercussão no patrimônio atingido, o que certamente causa um sofrimento maior à vítima, como no caso dos autos. Comportamento da vítima: em nada colaborou para a ocorrência do delito em questão. Assim, analisando as circunstâncias judiciais e havendo duas delas desfavoráveis ao réu (circunstâncias e consequências), fixo a pena base acima do mínimo legal', isto é: em 2 (dois) anos de reclusão, e multa de 70 (setenta) dias/multa, nos termos do artigo 49 do Código Penal• (...) Após O TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA A. Lancese o nome do réu GIOVANNI ANTONIO DE LUCA no rol dos culpados nos termos do Código de Processo Penal e do Código de Normas da Corregedoria Geral da Justiça. B. Expeçase carta de execução à Vara de Penas e Medidas Alternativas (Código de Normas da Corregedoria Geral da Justiça, item 7.9.3) e comuniquese à Vara de Execuções Penais. Oficiese. Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 10980.728274/201276 Resolução nº 1402000.852 S1C4T2 Fl. 1.205 13 C. Remetamse os autos ao cartório contador para o cálculo da multa e das custas processuais, intimandose o réu para pagamento em 10 (dez) dias (Código Penal, artigo 50 e Código de Processo Penal, artigo 686). D. Oficiese ao juízo Eleitoral, comunicandose desta decisão, restando suspensos os direitos políticos do apenado enquanto durarem todos os efeitos desta sentença, nos termos do artigo 15, inciso 111, da Constituição Federal (Código de Normas da Corregedoria Geral da justiça, item 6.15.3). E. Comuniquemse as vítimas sobre o teor dessa sentença (artigo 201, parágrafo 2º, do Código de Processo Penal). Procedamse as comunicações necessárias e cumpramse as disposições contidas no Código de Normas da Corregedoria Geral da justiça (Capítulos 6 seção 15 e 7). Publiquese. Registrese. Intimemse. Curitiba, data da assinatura digital. PEDRO LUIS SANSONCORAT Juiz de Direito” É o relatório. Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 10980.728274/201276 Resolução nº 1402000.852 S1C4T2 Fl. 1.206 14 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator Já foi atestada anteriormente a tempestividade do recurso voluntário e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. O tema em discussão é recorrente nesta Corte Administrativa Tributária Federal e não comporta maiores complexidades, cuidando tão somente de verificar se procedem os argumentos da Fiscalização de que contribuinte teria apresentado PER que sabidamente não tinha substrato, levando à não homologação das compensações a ele vinculada e, mais ainda, se o ato teve nítido caráter doloso (por isso qualificada a multa), além de desatendimento às intimações levando ao “agravamento” da penalidade, fixada então em 225% ou se tem razão a contribuinte quando alega, além de argumentos subsidiários como confisco e inconstitucionalidade da cobrança da multa e possível não prejuízo à Fazenda Pública em razão de a compensação intentada não ter sido homologada, que teria sido ludibriada por advogado constituído que, exorbitando de suas atribuições e praticando atos além dos definidos no instrumento de procuração, levou a que os lançamentos aqui tratados fossem perpetrados. Para dar suporte à sua tese de defesa (de que não sabia do procedimento do causídico) juntou sentença de 1ª Instância do Foro Criminal de Curitiba na qual o advogado Giovanni Antonio De Lucca foi condenado por tais atos. Pois bem, alegações de que a empresa não sabia do procedimento de algum funcionário ou que um profissional por ela contratado teria excedido seus atos além do definido quando da sua contratação, são até certo ponto comuns neste Colegiado e, via de regra, ficam meramente no campo de alegações e se perdem justamente por lhes faltar substância do quanto alegado. Todavia, no presente caso, vejo que, smj, as alegações da recorrente guardam coerência com os fatos narrados e com os atos praticados pelo seu advogado, ou seja, acima de suas atribuições contratuais ou profissionais. Neste limite, é possível recepcionar a argumentação da recorrente posto que sustentada por decisão judicial que levou à condenação do advogado contratado justamente pela prática dos atos descritos nestes autos. Dentro deste contexto, pois, o aduzido no recurso voluntário ganha corpo. Todavia, como ainda se trata de decisão de 1º Piso e que, muito provavelmente, deve ter sido objeto de apelação pelo condenado, impossível que o julgamento destes autos prossiga somente apoiandose neste estágio processual judicial, devendo ser aguardado o desfecho daquela ação em última e derradeira instância para que, aí sim, os efeitos do que lá for decidido, possam se irradiar ao presente PA. Desse modo, penso se estar diante de prejudicial de mérito impeditiva de se decidir este processo administrativotributário sem que a decisão do ProcessoCrime Judicial Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 10980.728274/201276 Resolução nº 1402000.852 S1C4T2 Fl. 1.207 15 registrado sob nº. 002788257.2012.8.16.0013, FORO CENTRAL DA COMARCA DA REGIÃO METROPOLITANADE CURITIBA 12ª VARA CRIMINAL, chegue ao seu final, justamente por envolver a prova mais importante trazida pela recorrente e que necessita de sua confirmação (ou não). Assim, por tudo o que foi relatado e ainda que não exista regimentalmente, exceto na hipótese do § 5º, do art. 6º, do Anexo II do RICARF, a figura do sobrestamento, entendo que o presente julgamento, pela sua dependência com o que vier a ser decidido no Processo Judicial que envolve a recorrente e o advogado Giovanni Antonio De Lucca, não pode prosseguir neste estágio, motivo pelo qual, com fulcro no artigo 313, V, “a”, do Código de Processo Civil de 2015, subsidiariamente aplicável ao Processo Administrativo, voto pelo seu SOBRESTAMENTO, até que haja resolução da lide no mencionados PJ. Por oportuno, registro que a jurisprudência desta Corte Administrativa, em situação análoga, já decidiu por esta via processual: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSOS DE OFICIO E VOLUNTÁRIO SOBRESTAMENTO DA APRECIAÇÃO DO LITÍGIO – Com fundamento no inciso IV, do artigo 265, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, suspendese o processo, quando a apreciação do mérito do litígio depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente. Julgamento suspenso. (Acórdão n°: 105 14.270 – 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Sessão de 03/12/2003) É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1207DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.965807/2012-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 30/06/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. PAGAMENTO INDEVIDO. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade e no recurso voluntário devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Numero da decisão: 3402-008.794
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-008.787, de 28 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.900570/2012-39, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luis Cabral, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 30/06/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. PAGAMENTO INDEVIDO. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade e no recurso voluntário devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
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PERD/COMP. PAGAMENTO INDEVIDO. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade e no recurso voluntário devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-008.787, de 28 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.900570/2012-39, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luis Cabral, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 58 07 /2 01 2- 27 Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-008.794 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.965807/2012-27 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Trata-se do Pedido de Restituição Eletrônico – PER/DCOMP nº (...), relativo a crédito de Pagamento Indevido e/ou a Maior (PGIM) de COFINS, (...). Conforme Despacho Decisório Eletrônico o direito creditório não foi reconhecido com o fundamento de que o pagamento apontado foi integralmente alocado a débito confessado em DCTF, não restando crédito disponível para restituição. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório, por via postal, em (...). Em (...) a interessada apresentou manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos. Após protestar pelo reconhecimento da tempestividade da defesa, nos termos da legislação vigente, faz um resumo dos fatos, dizendo que o indeferimento não pode prevalecer, pois o mero erro de fato da não retificação daquela declaração não deve e não pode obstar seu direito de crédito sobre valores indevidamente recolhidos da contribuição incidente sobre o ICMS. Entende que a confissão de dívida em DCTF é relativa, pois sua entrega não corresponde a uma liberalidade da contribuinte na qual se atesta que o débito seja irretratável e irrevogável, mas sim porque decorre de dever instrumental instituído no interesse do Estado. Registra que a confissão não serve como meio de prova absoluta para a admissão de fatos relativos a direitos indisponíveis, tal como ocorre no direito tributário. E que um mero erro no preenchimento da DCTF não possui o efeito de constituir uma obrigação tributária, de modo que a retificação da declaração não apenas é direito da contribuinte como um dever da Administração Pública rever de ofício a caracterização ou não da obrigação tributária, em consentâneo aos princípios da estrita legalidade, da tipicidade e da verdade material. Discorre sobre o erro de fato e o princípio da verdade material que deve reger o processo administrativo fiscal, concluindo que as informações prestadas nas declarações admitem prova em contrário. Acerca da correta apuração da base de cálculo da contribuição, diz que em função de seu objeto social está sujeita à incidência do Pis e da Cofins, nos termos da legislação de vigência. Entende que o conceito de receita é único e deve representar verdadeiramente um incremento no patrimônio da pessoa jurídica e não apenas uma simples movimentação de valores recebidos em nome de terceiros, especialmente decorrente do pagamento de tributos, tal como ocorre com a parcela do ICMS. Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-008.794 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.965807/2012-27 Fundamenta-se no Código de Processo Civil (CPC), na Constituição Federal de 1988 (CF/1988) e no Código Tributário Nacional (CTN). Cita doutrina e jurisprudência a corroborar seus argumentos. Conclui ser inexorável o reconhecimento de que o ICMS não deve integrar a base de cálculo das contribuições, devendo ser reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado, sob pena de enriquecimento sem causa do Estado. Encerra protestando a reforma integral do Despacho Decisório para ser reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como pela produção de todas as provas em direito admitidas, inclusive a juntada de novos documentos, especialmente pela apresentação de manifestação complementar e a realização de diligência, caso se entenda necessário para o deslinde da controvérsia, para fins de comprovar a veracidade dos fatos. O julgamento da manifestação de inconformidade resultou no Acórdão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, cuja ementa segue colacionada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de diligência quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade e quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. ENDEREÇAMENTO DAS INTIMAÇÕES. É prevista a intimação do sujeito passivo apenas no domicílio tributário, assim considerado o do endereço postal, eletrônico ou de fax, pelo contribuinte fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE COMPLEMENTAR. NÃO CABIMENTO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal inexiste a previsão de apresentação de manifestação de inconformidade complementar. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não deferiu o Pedido de Restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores ali registrados. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-008.794 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.965807/2012-27 O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, reprisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo, bem como preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. O presente caso tem como ponto fulcral a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS. É de amplo conhecimento que o mérito dessa discussão foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2017, no RE 574.706 (Tema 69), culminando em precedente vinculante a favor do pleito dos contribuintes. Nessa oportunidade, confirmando seu próprio entendimento proferido em 2014 no RE 240.785 - por decisão Plenária, mas ainda não afetada por repercussão geral -, os Ministros decidiram pela não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. As razões utilizada na decisão podem ser sintetizadas em três pontos: (i) o imposto não guarda relação com a definição constitucional de faturamento, pois o destinatário dos valores advindos do ICMS é o Poder Público, e não o contribuinte; (ii) sua inclusão representaria afronta aos princípios da isonomia tributária e da capacidade contributiva; e (iii) haveria lesão ao previsto no art. 154–I da Constituição. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração contra o Acórdão proferido pelo Supremo no RE 574.706, em 02/10/2017, os quais foram parcialmente acolhidos, mediante a seguinte decisão proferida em 13/05/2021, publicada com o seguinte texto: O Tribunal, por maioria, acolheu, em parte, os embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15.3.2017 - data em que julgado o RE nº 574.706 e fixada a tese com repercussão geral "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS" -, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento, vencidos os Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio. Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-008.794 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.965807/2012-27 Por maioria, rejeitou os embargos quanto à alegação de omissão, obscuridade ou contradição e, no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS-COFINS, prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS destacado, vencidos os Ministros Nunes Marques, Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto da Relatora. Presidência do Ministro Luiz Fux. Plenário, 13.05.2021 (Sessão realizada por videoconferência - Resolução 672/2020/STF). No presente caso, o pedido foi anterior à 15/03/2017, de modo que que é, em tese, cabível o pedido de restituição de valores indevidamente recolhidos a título de PIS/COFINS. Ocorre que aqui versamos sobre pedido de restituição, formulado via PER/DCOMP e não há qualquer prova nos autos a respeito do alegado pagamento indevido a título de PIS/COFINS, o que deve levar à negativa do direito pretendido pela Recorrente. Explico. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I - Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, e como já exposto alhures, a Recorrente processou pedido de restituição, afirmando possuir créditos decorrente de pagamentos indevidos. 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontram-se regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-008.794 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.965807/2012-27 Entretanto, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Em sua manifestação de inconformidade, o Contribuinte trouxe a DCTF não retificada (utilizada justamente para negar o pedido feito, pelo despacho eletrônico), a DIPJ que, como se sabe, possui simplesmente caráter informativo, o DARF do suposto pagamento indevido, e planilha de cálculo para fundamentar seu direito. A DRJ alertou sobre a incapacidade dessa documentação atestar o indébito tributário suscitado pelo Contribuinte. Vejamos: A DIPJ tem efeito meramente informativo, constituindo, apenas, demonstrativo, cumprindo à pessoa jurídica, quando necessário, comprovar a veracidade das informações prestadas em tal documento mediante a apresentação da escrita regular, pois sobre as declarações apresentadas pesa, apenas, a presunção de veracidade. O mesmo se aplica com relação à DACON. Já a DCTF é declaração com atributo de confissão de dívida, a qual, para ser desconstituída, também não prescinde da apresentação da competente escrituração e dos documentos que a acobertam. Assim, a prova requerida em favor da pessoa jurídica consiste nos fatos registrados na escrituração e comprovados por documentos hábeis, conforme art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º).” (destaques acrescidos) Como visto da legislação transcrita, a escrituração, por si só, ou seja, quando desacompanhada dos documentos a ela pertinentes, não é suficiente para comprovar os registros ali efetuados. Veja-se a jurisprudência: “REGISTROS CONTÁBEIS – Devem ser amparados por documentos hábeis, quais sejam, aqueles que tem os requisitos e qualidades indispensáveis para comprovar os lançamentos contábeis e produzir os efeitos jurídicos, sendo insuficiente para comprová-los simples declarações de técnico de contabilidade.” [1º CC Ac. 103-20.008, DOU de 17/08/99] (...) Assim, o exame das declarações prestadas pela própria pessoa jurídica à Administração Tributária revela que o crédito pretendido não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo). Daí o indeferimento. Em sede de manifestação de inconformidade, a interessada alega, em síntese, que o indébito se originou por ter observado a legislação tributária incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, o que julga indevido. E que teria incorrido em erro no preenchimento da DCTF, pois deixou de retificar a referida declaração para reduzir o débito ao patamar que entende devido. Apresenta como prova apenas cópia da DIPJ e DCTF e planilha de cálculo. Assim instalada a discussão, o sucesso da contribuinte em ver deferido o Pedido de Restituição nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condiciona-se à comprovação da liquidez e certeza do direito de crédito. Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-008.794 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.965807/2012-27 Veja-se que a manifestação de inconformidade embute solicitação de desconstituição de confissão de dívida anterior sem a correspondente retificação da DCTF (declaração que constitui instrumento de confissão de dívida) e sem atestar que o direito de crédito tem apoio não só legal como documental. Vale destacar que a exigência de retificação da declaração está expressa no artigo 147 do Código Tributário Nacional: (...) Lembre-se que a entrega da PER/DCOMP não prescinde da necessidade de que o credor da Fazenda Pública possa comprovar a liquidez e certeza do direito de crédito. No caso dos autos, a interessada pretende o reconhecimento de débito em valor divergente daquele confessado em DCTF, sem retificar a declaração e sem apresentar nenhum documento comprobatório de seu direito de crédito, não só quanto ao montante do valor do ICMS a ser excluído, mas também quanto à existência de eventual medida judicial conferindo o direito à exclusão do referido tributo da base de cálculo da contribuição, dado que tal procedimento contraria o disposto na lei. Pois bem. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levando-se em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratando-se de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. Assim, até o presente momento a Recorrente – mesmo tendo sido plenamente alertada sobre a necessidade de trazer os documentos fiscais apropriados para a aferição do crédito que pleiteia - permanece sem nada comprovar, alegando em sua defesa tão simplesmente a ilegalidade e inconstitucionalidade de cobrança das Contribuições com Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-008.794 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.965807/2012-27 ICMS em sua base de cálculo, bem como o socorro ao princípio da verdade material, como se esses fossem capazes de lhe retirar o ônus de provar do direito que pleiteia. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.014741/2008-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Oct 05 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA.
Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar, no prazo legal estabelecido, a extinção ou suspensão da exigibilidade do débito tributário a fim de tornar sem efeito o Ato Declaratório Executivo que culminou na sua exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional).
Numero da decisão: 1001-002.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Dayan da Luz Barros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros
Nome do relator: THIAGO DAYAN DA LUZ BARROS
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ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar, no prazo legal estabelecido, a extinção ou suspensão da exigibilidade do débito tributário a fim de tornar sem efeito o Ato Declaratório Executivo que culminou na sua exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-27T14:16:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-27T14:16:57Z; Last-Modified: 2021-09-27T14:16:57Z; dcterms:modified: 2021-09-27T14:16:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-27T14:16:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-27T14:16:57Z; meta:save-date: 2021-09-27T14:16:57Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-27T14:16:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-27T14:16:57Z; created: 2021-09-27T14:16:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2021-09-27T14:16:57Z; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-27T14:16:57Z | Conteúdo => S1-TE01 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10980.014741/2008-09 Recurso Voluntário Acórdão nº 1001-002.549 – 1ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 01 de setembro de 2021 Recorrente CORRUTECNICA CILINDORS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar, no prazo legal estabelecido, a extinção ou suspensão da exigibilidade do débito tributário a fim de tornar sem efeito o Ato Declaratório Executivo que culminou na sua exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros Relatório Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo o relatório produzido no Acórdão n.º 06-70.665 da 7.ª Turma da DRJ/CTA, de 23 de julho de 2020 (fls. 151 a 153): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 47 41 /2 00 8- 09 Fl. 189DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.549 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.014741/2008-09 Trata os autos de Ato Declaratório Executivo – ADE - DRF/CTA nº 062266/2008, que excluiu a empresa do Simples Nacional - SN tendo em vista a existência de débitos com exigibilidade não suspensa (Débitos não previdenciário em cobrança na PGFN no valor de R$ 18.163,55, inscrição 90405022458486), nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, no qual alega em síntese que o débito motivador da exclusão estava suspenso/extinto. Em 29/06/2011 a 7ª Turma da DRJ/CTA por meio do Despacho nº 633, solicita que seja encaminhado ao contribuinte a relação de débitos que ensejaram a exclusão do Simples Nacional, conferindo um novo prazo de 30 dias para a impugnação, conforme dispõe a Norma de Execução Cosit/Codac/Cocaj nº 1, de 15/03/2010, tendo o requerente tomado ciência em 21/12/2012 dos débitos. Em 18/01/2013 o Contribuinte apresentou nova contestação à impugnação no qual alega de forma sucinta que cabe a DRJ determinar o abatimento dos créditos da requerente, pagos por meio de DARF´s não alocadas, bem como as compensações de ofício apresentadas por meio de PER/DCOMP feitas em 2006. Por fim, requer o acolhimento de sua manifestação e que não seja excluída do Simples Nacional. É o relatório. A DRJ julgou improcedente o pedido da empresa recorrente contido em sua manifestação de inconformidade. O contribuinte acima identificado foi excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples Nacional, por possuir débitos não previdenciários, com exigibilidade não suspensa. Dessa forma, considerando que os débitos motivadores do Termo de Exclusão do Simples Nacional não foram totalmente quitados tempestivamente, a DRJ decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendo a decisão de Unidade de Origem. Face ao referido Acórdão da DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 159 a 171), requerendo seja revista a exclusão da empresa do regime tributário do Simples Nacional levada a efeito pela autoridade fiscal, expondo que, “a consulta formulada pela Equipe Regional do Simples Nacional (Benfis) junto à PGFN merece ressalvas, já que na data de 24/01/2013 a dívida objeto da CDA se apresentava inexigível em razão da penhora de bens nos autos da execução fiscal nº 0000638.35.2011.404.7000 (cópia anexa) e do despacho proferido no dia 08/02/2012”, alegando serem razões suficientes para a reforma da decisão recorrida. Menciona ainda que em seu desfavor, há pagamentos não alocados que devem ser reconhecidos. Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.549 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.014741/2008-09 Por fim, a empresa Recorrente pleiteia a reforma da decisão prolatada pela 7.ª Turma da DRJ/CTA, requerendo o acolhimento do Recurso Voluntário interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Dayan da Luz Barros, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 2º e do art. 23-B do Anexo II da Portaria MF n.º 343/2015 (Regimento Interno do CARF), atualizada pela Portaria MF n.º 329/2017, considerando-se tratar de exclusão do regime de tributação pelo Simples Nacional desvinculados de exigência de crédito tributário. Ainda, observo que o recurso é tempestivo (protocolado em 20 de outubro de 2020, fl. 157, face ao termo de intimação simples datado de 23 de setembro de 2020, fl. 186), e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito da presente demanda, necessário esclarecer que a contribuinte foi excluída do Simples Nacional pelo Ato Declaratório Executivo DRF/CTA n.º 082266, de 22 de agosto de 2008 (fl. 16), face o inciso V do artigo 17; inciso I do artigo 29; inciso II do caput e § 2º do artigo 30; todos da Lei Complementar n.º 123 de 2006, devido a existência de débitos para com a Fazenda Federal, com exigibilidade não suspensa: Lei Complementar n.º 123 de 2006: Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.549 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.014741/2008-09 Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V - que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Os débitos não quitados e com a exigibilidade não suspensa que motivou a emissão do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA n.º 082266, de 22 de agosto de 2008, pode ser constatado à fl. 138. Não obstante as provas apresentadas pelas Autoridades Tributárias, o contribuinte não apresenta documentos pertinentes capazes de refutar os débitos listados, dando ensejo a sua exclusão. Ocorre que, apesar de devidamente cientificado do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA n.º 082266, a contribuinte deixou de quitar os débitos que motivaram sua exclusão do Simples Nacional tempestivamente, conforme consta na Consulta de débitos após prazo para regularização (fl. 138), revelando os débitos em cobrança após o prazo legalmente estabelecido. Irresignada, a contribuinte alega que “a consulta formulada pela Equipe Regional do Simples Nacional (Benfis) junto à PGFN merece ressalvas, já que na data de 24/01/2013 a dívida objeto da CDA se apresentava inexigível em razão da penhora de bens nos autos da execução fiscal nº 0000638.35.2011.404.7000 (cópia anexa) e do despacho proferido no dia 08/02/2012”, alegando serem razões suficientes para a reforma da decisão recorrida. Menciona ainda que em seu desfavor, há pagamentos não alocados que devem ser reconhecidos. Ocorre que, apesar das alegações levantadas pela contribuinte, esta deixa de anexar documentos hábeis a comprovar a quitação tempestiva da totalidade dos débitos que ensejaram a edição do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA n.º 082266. Ademais, acerca do débito que ensejou a emissão do ADE, ao contrário do que alega o contribuinte, as Autoridades Tributárias expõem que “de acordo com informação contida na execução fiscal a CDA desmembrada sob o nº 90.4.05.024584-86 não foi objeto de parcelamento, não estando assim com exigibilidade suspensa na data de 24.01.2013” (fl. 148). Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.549 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.014741/2008-09 Ainda, por meio da Informação Fiscal Simples/Benfis n.º 101 de 03 de março de 2020 (fls. 149 e 150), as Autoridades Tributárias concluíram que “dos extratos juntados ao processo às folhas 142/145 e do despacho emitido pela PGFN (fl. 148) que que o débito motivador da exclusão não foi objeto de parcelamento, não estando suspenso em 24/01/2013.” Consoante exarado no Acórdão recorrido amparado pelos documentos juntados, “o que se observa é que em consulta realizada pela DRF junto à PGFN foi informado que no novo prazo para regularização em 24/01/2013 a CDA desmembrada sob nº 90.4.05.024584-86, não teria sido objeto de parcelamento, portanto, o débito motivador da exclusão não estaria regularizado e encontrava-se inscrito e em execução fiscal”. Assim, não se desincumbiu a contribuinte do ônus probatório que lhe cabia. Sobre tal aspecto, a ilustre doutrinadora Fabiana Del Padre Tomé preleciona, de modo esclarecedor, no sentido de que o “instrumento utilizado para transportar os fatos ao processo, construindo fatos jurídicos, é o que denominamos meio de prova. Isso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar.” A ausência de esclarecimentos precisos e a falta de demonstração cabal por parte da empresa contribuinte, por não ter apresentado documentos hábeis à comprovação do direito pleiteado, resulta na impossibilidade de deferimento de seu pedido. Assim, considerando que a contribuinte foi devidamente citada do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA n.º 082266, e que possuía 30 dias contados da data da ciência regularizar as pendências, decorrido o prazo para a regularização, os débitos não foram adimplidos, conforme Consulta débitos após prazo para regularização (fl. 138). Nesses termos, subsistindo débitos da empresa contribuinte, com exigibilidade não suspensa, após o prazo para sua regularização, a exclusão da empresa do Regime Tributário do Simples Nacional é medida que se impõe. Dispositivo Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-002.549 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.014741/2008-09 Posto isso, não restando comprovado a suspensão da exigibilidade do débito tributário no prazo legal estabelecido, sem a sua quitação, torna-se inviável o reconhecimento da pretensão pleiteada nos autos, não havendo motivos para a reforma do Acórdão da DRJ pelos motivos anteriormente expostos. Nesse sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente a decisão prolatada pela Delegacia de Julgamento, reconhecendo o Declaratório Executivo DRF/CTA n.º 082266, e os atos administrativos ulteriores que o ratificaram. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros Fl. 194DF CARF MF Documento nato-digital
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