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Numero do processo: 10907.721645/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), José Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), José Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 07 .7 21 64 5/ 20 12 -7 1 Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Resolução nº 3201000.757 S3C2T1 Fl. 94 2 Relatório Referese o presente processo administrativo a auto de infração para a cobrança de tributos incidentes sobre a importação, com multa qualificada, multa ao controle administrativo e multa prevista no artigo 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor de R$ 199.156,56 referentes a imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, contribuição COFINS – importação, contribuição PIS/PASEP – importação, juros de mora (calculados até 31/10/2012), multa de ofício qualificada (150%), multa do controle administrativo (100% diferença entre o preço arbitrado e o declarado) e, multa prevista no artigo 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976. A presente autuação referese especificamente à parte das mercadorias apresentadas por ocasião da Declaração de Importação n° 12/07668860, tratandose de cadeiras giratórias e estofadas de diversos modelos. Depreendese do “Relatório Fiscal” dos autos de infração (fls. 24 a 83), que a interessada foi submetida a Procedimento Especial de Controle Aduaneiro nos termos do artigo 49 da Instrução Normativa SRF nº 680/06 e Instrução Normativa RFB n° 1.169/11, em razão de, no curso do despacho, terem sido constatados os seguintes fatos: alerta em razão do indeferimento do pedido de alteração da modalidade de habilitação (não comprovou capacidade econômica e financeira para a modalidade pretendida); o empresário individual também não apresentaria tais condições (nem mesmo para o capital social integralizado); o endereço sede da empresa é coincidente com o de outra (Empresa UNIVERSAL MIX – IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – ME, CNPJ 10.473.377/000111), da qual o empresário era sócio anteriormente, e que importa mercadorias da mesma espécie; no processo administrativo n° 10907.720643/201265 (autorização para início de despacho em razão do abandono das mercadorias em trato) quem pagou as despesas relacionadas ao uso das unidades de carga foi a empresa anteriormente citada. A Empresa HENRIQUE TSUNETO MATSUBARA – IMPORTAÇÃO – ME registrou a declaração de importação indicando que a operação de importação fora conduzida por conta própria, isto é, importação direta. Intimada a prestar esclarecimentos, a interessada não apresentou integralmente os documentos requeridos (registros sob o formato digital e aqueles relativos ao Ano de 2012). Ao realizar a análise dos registros contábeis apresentados e comparando com aqueles já disponíveis (apresentados no âmbito do processo administrativos n° 15165.720665/201270 – revisão de habilitação), a fiscalização aponta a existência de discrepâncias: Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Resolução nº 3201000.757 S3C2T1 Fl. 95 3 foi “criada” a conta contábil UNIVERSAL MIX IMP. E EXPORTAÇÃO LTDA. que, sozinha, representa 94% (R$ 399.836,24) do total do passivo (na versão anterior constava apenas a conta “sócios c/ correntes” (R$ 157.000,00)). Conta criada para ratificar a existência de empréstimos, mas que revela uma simulação, visto que os valores se tratam de depósitos para suporte financeiro com vistas a sustentar as operações de importação; por ocasião do pedido de revisão da habilitação, a Empresa HENRIQUE TSUNETO MATSUBARA – IMPORTAÇÃO – ME nada informou a respeito da existência de qualquer empréstimo junto à Empresa UNIVERSAL MIX – IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – ME; a conta “reserva de lucros” deixou de existir para dar lugar a conta de “prejuízos acumulados”, com conseqüente redução do patrimônio líquido; Os totais de ativo e passivo do Balanço passaram de R$ 206.433,28 para R$ 422.154,16; A conclusão da fiscalização é de que os registros contábeis não representam verdadeiramente os fatos ocorridos, não sendo, portanto, passíveis de serem tomados como justificativas ou comprovação de qualquer natureza. Analisando os demais documentos apresentados (extratos da conta corrente e documentos conexos às operações de importação registradas pela Empresa HENRIQUE TSUNETO MATSUBARA – IMPORTAÇÃO – ME) a fiscalização, à folhas 65 apresenta uma tabela onde indica, em ordem cronológica, o fluxo financeiro, bem como a indicação de registro contábil (ou sua ausência). A conclusão é de que a operação de importação em análise só pode ser concluída em razão da utilização de recursos da pessoa jurídica Empresa UNIVERSAL MIX – IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – ME, que, de maneira indevida permaneceu oculta perante a autoridade aduaneira na respectiva declaração de importação. Relata ainda, a fiscalização, que os “Contratos de Mútuo” formalizados entre a Empresa UNIVERSAL MIX – IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – ME e a Empresa HENRIQUE TSUNETO MATSUBARA – IMPORTAÇÃO – ME, datados de 20 de dezembro de 2010 representam simulações. Seu conteúdo (valores e cronograma) não possui qualquer padrão ou critério usual, possui condições absurdas e totalmente incomuns de pagamentos, além de uma previsão absurdamente precisa na suposta data de sua formalização em relação aos valores pactuados e às operações de importação posteriormente realizadas. Tais contratos não possuem qualquer registro, reconhecimento ou ateste público (nem testemunhas), restando a conclusão de que tais contratos foram confeccionados e pósdatados com o objetivo de tentar revestir adiantamentos/transferências com a aparência de regular recebimento de parcelas de empréstimos advindas de outra empresa. Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Resolução nº 3201000.757 S3C2T1 Fl. 96 4 Questionada a Empresa HENRIQUE TSUNETO MATSUBARA – IMPORTAÇÃO – ME a respeito dos registros das negociações com o exportador/fornecedor;nada apresentou, apenas alegou que “Os valores são negociados a cada embarque via email,conforme apresentado no descritivo acima. Ou seja, não há ordem de compra nem lista de preço oficial, pois todo o processo é feito via email.”. Diante da omissão da interessada em esclarecer minimamente os envolvidos na negociação das mercadorias, e ainda levando em conta tudo o mais que envolvia o contexto da operação de importação, a conclusão da fiscalização é de que a Fatura Comercial não pode ser tomada como prova da ocorrência efetiva de uma venda entre os ali indicados como comprador e vendedor, o que significa que o preço da mercadoria lá constante não representa o acerto de vontades entre as partes indicadas. Assim, o valor aduaneiro declarado não pôde ser adotado em razão da fraude detectada, e a fiscalização arbitrou o preço das mercadorias com base no estabelecido no artigo 88 da Medida Provisória n° 2.158 35/01. Referido valor arbitrado já havia sido anteriormente cientificado conforme TERMO DE ARBITRAMENTO DE PREÇO DE MERCADORIA (20/08/2012) emitido para fins de atendimento e cumprimento a decisão judicial expedida no curso da ação fiscal para liberação de mercadorias (Mandado de Segurança n° 5002486 26.2012.404.7008/PR – 25/07/2012) mediante prestação de garantia (Instrução Normativa SRF n° 228/02). Considerando que a interessada prestou garantia (judicialmente) sob a forma de depósito em dinheiro no valor de R$ 116.646,76, o que representou valor de apenas parte das mercadorias, houve a liberação (entrega) de apenas uma parte das mercadorias, sendo as restantes permaneceram retidas para aplicação da pena de perdimento. Os autos de infração em apreço foram lavrados proporcionalmente às mercadorias que foram liberadas com autorização judicial no curso do despacho aduaneiro (parcela já fisicamente entregue ao importador por força da decisão judicial). O dano ao Erário, no presente caso, decorre de infração punível com a pena de perdimento (artigo 23, inciso V, do DecretoLei n° 1.455/76), restando ainda tributos que deixaram de ser recolhidos por ocasião do despacho aduaneiro. A interposição fraudulenta também está firmada na presunção legal estabelecida no §2º, do artigo 23, do DecretoLei n° 1.455/76 (redação dada pelo artigo 27 da Lei n° 10.637/02 – fl. 78). Aplicada a multa sobre a diferença entre o preço declarado e aquele arbitrado, conforme parágrafo único do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01. Assim, em razão dos atos praticados e do disposto na legislação a Empresa UNIVERSAL MIX – IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – ME foi considerada responsável solidária. Também foram considerados responsáveis solidários o Sr. HENRIQUE TSUNETO MATSUBARA (CPF 157.611.43844) e Sr. FABRÍCIO SERGIO Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Resolução nº 3201000.757 S3C2T1 Fl. 97 5 WEBER (CPF 859.718.55972), empresário da Empresa HENRIQUE TSUNETO MATSUBARA –IMPORTAÇÃO – ME e sócio administrador da Empresa UNIVERSAL MIX –IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – ME, respectivamente. Cientificados Empresa HENRIQUE TSUNETO MATSUBARA – IMPORTAÇÃO – ME e seu titular Sr. HENRIQUE TSUNETO MATSUBARA, apenas a Empresa apresentou impugnação de folhas 830 a 851, anexando os documentos de folhas 852 a 855. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, ocorre cerceamento do direito de defesa. Solicitou a devolução dos documentos originais entregues à fiscalização, mas seu pedido foi negado. Cada auto de infração deve conter um dispositivo infringido e não uma infinidade, visto que citando vários impede a ampla defesa; Que, não sabe qual ilícito a fiscalização aponta: ocultação do sujeito passivo ou do real vendedor ou do comprador ou do responsável pela operação ou mediante fraude ou simulação ou com interposição fraudulenta de terceiros. Há nulidade; Que, não há qualquer justificativa plausível para que a exigência dos tributos, contribuições e multas, visto que a empresa tem endereço certo, pagou integralmente todos os impostos, demonstrou sua regularidade, esta regularmente instalada e em atividade, comercializou os produtos que importou, está identificada; Que, é, e sempre foi, o importador e o sujeito passivo das operações de importação. Os autos não possuem comprovação de fraudes ou simulações. Os procedimentos estão baseados em indícios; Que, nos próprios autos estão as provas de que tudo está conforme a legislação; Que, a fiscalização esquece que é possível operar com recursos de terceiros como: fornecedores, bancos, amigos que emprestam valores e as mais variadas formas de financiamento; Que, a origem dos recursos foi comprovada e identificada: Recursos provenientes da empresa Universal Mix. Houve realmente mútuo de valores. Não há qualquer ilicitude no contrato celebrado entre as partes; Que, deve ser comprovada a conduta dolosa e restar demonstrado o dano ao Erário. Há confisco, o que é vedado pela Constituição Federal; Que, a Portaria MF n° 350/02 não permite que o Sr. Fiscal estabeleça critérios subjetivos; Que, o Fisco não agiu com o corriqueiro acerto, ignorando o princípio da legalidade imposto aos seus atos; Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Resolução nº 3201000.757 S3C2T1 Fl. 98 6 Que, não tendo havido qualquer prejuízo ao Erário é certo que o procedimento é desarrazoado e desproporcional. Há que se respeitar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade; Que, requer diligência com a finalidade de o fisco verificar e constatar, no endereço da impugnante, que a empresa é o sujeito passivo, é o real importador e que revende as mercadorias importadas e emite todos os documentos exigidos pela lei; Requer seja acolhida a impugnação e julgado insubsistente o auto de infração. Cientificados Empresa UNIVERSAL MIX – IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – ME. e seu titular FABRÍCIO SERGIO WEBER, ambos apresentaram impugnação: de folhas 819 a 824 e 810 a 816, cujo teor é idêntico. Em síntese apresentam os seguintes argumentos: Que, não havia interesse comum na situação da importação realizada por terceiros; Que, no máximo emprestou valores à empresa, não vinculados a qualquer ato específico; Que, não há qualquer justificativa plausível para que a atribuição de responsabilidade solidária, visto que a real importadora tem endereço certo, pagou integralmente todos os impostos, demonstrou sua regularidade, esta regularmente instalada e em atividade, comercializou os produtos que importou, está identificada a real importadora; Que, o que houve realmente foi o mútuo de valores; Que, a responsabilização do sócio só pode ser levada a cabo com a desconsideração da personalidade jurídica de sua empresa (judicialmente), o que não ocorreu; Requer seja acolhida a impugnação e excluída as responsabilidades atribuídas; Despacho de folhas 900, da unidade preparadora, indica que Sr.HENRIQUE TSUNETO MATSUBARA não apresentou impugnação. Informação fiscal de folhas 906 informa decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 500248626.2012.404.7008/PR (conversão em renda dos valores caucionados – R$ 116.646,76) – transito em julgado da sentença que denegou a segurança. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/04/2012 BASE DE CÁLCULO. PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO.ARBITRAMENTO. Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Resolução nº 3201000.757 S3C2T1 Fl. 99 7 Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação e correspondentes faturas são inferiores aos preços arbitrados, exigíveis os tributos aduaneiros devidos decorrentes deste fato. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Cabível a multa de ofício agravada, de 150% sobre o tributos apurados. Constatada a existência de ocultação fraudulenta do real interessado na operação de importação, mediante simulação, é aplicável a multa agravada de lançamento de ofício dos tributos. MULTA ADMINISTRATIVA. Constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado nas importações é correta a exigência da multa administrativa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/04/2012 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA REVENDIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real responsável pela operação de importação, infração punível com multa equivalente ao valor aduaneiro caso as mercadorias sejam entregues a consumo (revendidas). INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. FRAUDE. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. No caso de simulação, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado respondem solidariamente com a empresa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão recorrida entendeuse que : i. sobre o Mandado de Segurança n° 500248626.2012.404.7008/PR, o objeto tutelado na esfera judicial é diverso daquele tutelado no presente processo administrativo fiscal, Temse caracterizada a situação de que trata a alínea “b” do Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 3, de 14 de fevereiro de 1996. Portanto, deve o processo administrativo fiscal seguir o seu curso normal; ii. estando os autos instruídos com cópias dos elementos de prova indicados na fundamentação das respectivas autuações e, tendo sido entregue cópia dos mesmos à impugnante, não se vislumbra cerceamento de direito de defesa; iii. se a impugnante em sua peça de defesa demonstra saber exatamente qual a conduta acusada, não há que se falar em nulidade da autuação; iv. os valores recebidos para fins de quitação dos respectivos contratos de câmbio (fl. 488) e registrados na contabilidade como empréstimos da Empresa UNIVERSAL MIX – IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – ME (fls. 597, 598, 600 e 601) , o Recibo nr.: 0009142NFRCA (fl. 181) de despesas inerentes ao despacho quitados pela Empresa Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Resolução nº 3201000.757 S3C2T1 Fl. 100 8 UNIVERSAL MIX – IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – ME e, os adiantamentos de recursos repassados à Empresa TWS ASSESSORIA EM COMÉRCIO EXTERIOR E DESPACHO ADUANEIRO LTDA. – Registro n° TWS1/11/4067M (fl. 424) cuja origem estão em repasses da Empresa UNIVERSAL MIX – IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – ME (fl. 425), de sorte que o caso é de aplicação direta da presunção contida no artigo 27 da Lei n° 10.637/02; v.não consta que os “Contratos de Mútuo” tenham sido registrados em cartório público de registro de documentos. Ao contrário, na cópia trazida aos autos não há qualquer referência a um eventual registro, de forma que os efeitos dos contratos ficam restritos ao âmbito privado dos contratantes; vi.ambas empresas estão situadas no mesmo endereço, “Orlando Peruci 885, Butiatuvinha, Curitiba, PR” (fls. 819 e 830); vii.o empresário da Empresa HENRIQUE TSUNETO MATSUBARA – IMPORTAÇÃO – ME não dispunha de condições econômicofinanceiras suficientes para o aporte dos valores do baixo capital integralizado na empresa (R$ 20.000,00) – fl. 52); viii.a Empresa HENRIQUE TSUNETO MATSUBARA – IMPORTAÇÃO – ME, possui registros contábeis que foram modificados no decorrer do tempo, sendo imprestáveis para fins de comprovação da origem lícita dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior. Para um mesmo exercício há registros contábeis demonstrando fatos contábeis divergentes (fl. 54 e 60); ix. a autoridade fiscal carreou aos autos elementos que demonstram, de forma insofismável, um modus operandi de prática de ocultação do real adquirente nas operações de importação, mediante a prática de simulação, na medida em que restou demonstrado que a Empresa HENRIQUE TSUNETO MATSUBARA – IMPORTAÇÃO – ME não possuía condições financeiras para realizar a operação de importação, recebendo inclusive adiantamentos de recursos do real adquirente para poder levar adiante a concretização dos negócios; x. a existência de adiantamentos de recursos em data anterior ao registro da declaração de importação das mercadorias estrangeiras indica que a impugnante de fato já negociara as mercadorias em momento anterior à formalização do procedimento alfandegário perante a autoridade aduaneira, inexistindo motivos para que referida informação não fosse consignada na respectiva declaração de importação; xi. quanto à diligência requerida pela Empresa HENRIQUE TSUNETO MATSUBARA – IMPORTAÇÃO – ME., com vistas confirmar que a empresa é o sujeito passivo, é o real importador e que revende as mercadorias importadas e emite todos os documentos exigidos pela lei, o entendimento é de que a mesma é prescindível à solução da lide que se apresenta; xii.quanto à responsabilidade atribuída à Empresa UNIVERSAL MIX – IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – ME., aplicase o disposto nos artigos 106 e 674 do Decreto n° 6.759/09, que regulamentou as disposições contidas no DecretoLei n° 37/66; xiii. não se vislumbra que os atos praticados e descritos nas autuações pudessem ter sido levados a cabo sem a concordância do sócioadministrador da Empresa UNIVERSAL Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Resolução nº 3201000.757 S3C2T1 Fl. 101 9 MIX – IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – ME., Sr. FABRÍCIO SERGIO WEBER, que foi inclusive quem assinou os contratos de mútuo ( fl. 247 e 249), de maneira que este responder pelo crédito tributário solidariamente em razão de sua responsabilidade; xiv. a empresa UNIVERSAL MIX – IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – ME. disponibilizou recursos (inclusive efetuando pagamentos como o de folhas 181) para que a operação de importação pudesse ser realizada, logo, deve responder solidariamente com a Empresa HENRIQUE TSUNETO MATSUBARA – IMPORTAÇÃO – ME Intimados da decisão os autuados, apenas apresentaram recurso voluntário a empresa Universal Mix e Henrique Tsuneto Matsubara – ME, constando às efls. 1076, termo de perempção de Fabrício Sérgio Weber. Em seu recurso, Henrique Tsuneto MatsubaraME, reiterou os argumentos da impugnação, alegando a ilegalidade do termo de arbitramento , inexistência de dano ao Erário em relação à parte depositada judicialmente, convertida em renda da União pelo trânsito em julgado do mandado de segurança impetrado; requer, ao final, aplicação do princípio da interpretação mais favorável ao contribuinte. No recurso de Universal Mix, reitera os argumento de impugnação e acresce que no endereço que a fiscalização como sendo de seu estabelecimento, há quatro galpões, sendo distintos os galpões das responsáveis solidárias, que não haveria razão para participar da alegada simulação, pois possui “RADAR ordinário” É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Os presentes recursos preenchem as condições de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. A conduta imputada à Recorrente é a ocorrência de ocultação do real interessado nas mercadorias mediante simulação, sancionável com a aplicação da pena de perdimento das respectivas mercadorias, em conformidade com os arts. 673, 675, IV, 689 e §1° do Decreto n° 6.759/09 e art. 73, §§ 1° e 2° e 77 da Lei n° 10.833/03. A Declaração de Importação12/07668860 foi direcionada para o canal amarelo, incluída em Procedimento Especial de Controle Aduaneiro, tendo em vista a existência de indícios de ocultação do real interessado na operação, o que ao final se confirmou em vista o uso de recursos de terceiros para a realização da operação de comércio exterior. O DecretoLei nº 1.455/76, de 07/04/1976, com as alterações da Lei nº 10.637/02, de 30/12/2002, definiu como dano ao erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, como se depreende: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Resolução nº 3201000.757 S3C2T1 Fl. 102 10 (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). (...) Ademais, foi criada presunção legal, para fins de caracterização de interposição fraudulenta, no § 2o do mesmo dispositivo: § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.158 35, de 24 de agosto de 2001. Como se depreende do extenso relatório da fiscalização, no curso do procedimento especial de verificação da na IN SRF n° 228/02, para a verificação da origem de recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, não teria sido comprovada a origem dos recursos e a capacidade econômica da autuada. A Recorrente alega que a operação foi realizada com os recursos obtidos através de contrato de mútuo com a empresa Universal Mix, responsável solidária. Sendo relativa a presunção veiculada no §2o do art.23 do DecretoLei nº 1.455/76, de 07/04/1976, caberia à Recorrente fazer prova em contrário, contudo, não logrou afastar a tipificação da conduta de interposição fraudulenta, pela não demonstração de origem de recursos e capacidade econômica para as operações. Não obstante, para que se configure o tipo legal da interposição fraudulenta, independentemente da falta de comprovação da capacidade econômica, deve haver a ocultação do sujeito passivo, do real comprador. Em outras palavras, para que se configure a interposição, o importador deverá importar em nome próprio para outrem, não revelado à fiscalização. No caso em apreço, no advento do julgamento, a sustentação oral do Recorrente e os indícios trazidos, trouxeram a hipótese de que as operações de importação foram efetivamente feitas pela e para a Recorrente, com recursos da Universal Mix, o que descaracterizaria, em princípio, a interposição. Nesse sentido, em homenagem ao princípio da verdade material, a turma houve por bem converter o julgamento em diligência para que seja oportunizado à Recorrente a comprovação do alegado, pela juntada de documentos contábeis (livro de entrada, estoque e Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10907.721645/201271 Resolução nº 3201000.757 S3C2T1 Fl. 103 11 saída), referente às cadeiras importadas pela declaração de importação objeto do presente processo, demonstrando a sua localização, comprovação do seu preço, além de outros documentos que repute relevantes para o deslinde da lide, como os referentes à cisão da empresa. Deverá ser concedido trinta dias prorrogáveis por mais trinta, dandose ciência à Fazenda Nacional, para que se manifeste, caso entenda oportuno. Em face do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 1216DF CARF MF
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Numero do processo: 14098.720197/2014-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3201-001.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência para a Primeira Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência para a Primeira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1677.705, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), que assim relatou o feito: DA AUTUAÇÃO Conforme Relatório Fiscal de fls. 51/66, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, para fins de verificação da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 98 .7 20 19 7/ 20 14 -8 3 Fl. 10984DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 10.985 2 possível utilização de planejamento tributário ilícito, visando unicamente a redução de tributos, nos anoscalendário de 2010 a 2012, constatouse o seguinte: DAS INTIMAÇÕES Através do Termo de Início do Procedimento Fiscal, a contribuinte foi intimada a apresentar, entre outros, os seguintes elementos: · Atos constitutivos e alterações posteriores; · Organograma do grupo empresarial; · Documentação comprobatória dos lançamentos contábeis constantes da conta Outros Valores a Receber (112005), referentes às empresas Dom Consultoria Econômica e Administrativa Ltda. EPP (CNPJ 09.269.752/000127), Domínio Distribuidora de Veículos e Peças Ltda. (CNPJ 07.625.119/000107) e Domazi Corretora de Seguros Ltda EPP (CNPJ 01.820.874/000158); · Documentação dos lançamentos contábeis constantes do PELP, relativa aos empréstimos obtidos junto à empresa Dom; · Documentação comprobatória dos lançamentos contábeis das receitas de bônus ("Hold Back" e PQR), constantes da conta Outras Receitas (351001). Com vistas a verificar a possível ocorrência de planejamento tributário ilícito (segregação das atividades/receitas da empresa, permanecendo parte no lucro real e parte no lucro presumido), foi aberta diligência fiscal nas empresas Dom, Domazi e Investbrás Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. – EPP (CNPJ 04.356.849/000153), tendo sido solicitados os seguintes documentos: (1) Atos constitutivos e alterações posteriores; (2) CPF e RG dos representantes legais e contador; (3) Relação de imóveis com as respectivas escrituras; (4) Relação de veículos, com descrição, placa/Chassis/RENAVAM; (5) Livros Caixa ou livros Diário e Razão; (6) Arquivos digitais das notas fiscais de prestação de serviços a terceiros; (7) Comprovantes de retirada de remuneração de sócios; (8) Comprovantes de pagamento de água, luz e telefone; (9) Contratos de financiamento e empréstimos; (10) Resumo mensal da folha de pagamento dos empregados; (11) Recibos de pagamento de aluguel; (12) Contratos de locação. Fl. 10985DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 10.986 3 Em relação às empresas Dom e Domazi, foram apresentados os documentos requisitados nos itens 1, 2 e 10. Foi prestada a informação de as referidas empresas não possuírem bens imóveis nem veículos, assim como não existirem despesas com pagamento de água, luz, telefone e aluguel. Foram digitalizados, e assim apresentados, o Livro Diário, o Livro Razão e notas fiscais de prestação de serviços a terceiros. Não foram exibidos documentos / informações relativas ao prólabore e contratos de financiamentos e empréstimos. O único contrato de locação apresentado, foi o firmado pela empresa Dom para a utilização de equipamentos reprográficos. Não foram apresentados os documentos solicitados relativos à empresa Investbrás. DA EMPRESA FISCALIZADA A empresa fiscalizada é concessionária FIAT em Mato Grosso, e integra o grupo econômico a seguir: DAS CONSTATAÇÕES Da análise da documentação apresentada, verificouse que as empresas Domani Distribuidora (empresa mãe), Dom, Domazi e Investbrás (empresas satélites) constituem, na realidade, uma única pessoa jurídica, como a seguir se demonstra, sendo utilizado o artifício de fragmentação das atividades / receitas da Domani Distribuidora, obrigada ao pagamento do imposto de renda pelo lucro real, para transferência às empresas Dom (consultoria em gestão empresarial), Domazi (corretora de seguros) e Investbrás (consultoria em gestão empresarial), optantes pelo lucro presumido, visando unicamente a redução (ilícita) a 32% da base de cálculo dos tributos IRPJ e CSLL sobre a receita transferida e da tributação do PIS e da COFINS, com aplicação de alíquotas menores (regime cumulativo). DA EMPRESA DOM · Possui os mesmos sócios da empresa mãe, quais sejam: Armando Martins de Oliveira e Neila Leite de Barros Oliveira. · O capital social, de R$ 5.000,00, encontrase igualmente dividido entre os sócios. Há certa incompatibilidade com as receitas totais obtidas, quais sejam: R$ 7.047.421,42 (anocalendário 2010), R$ 4.590.666,18 (ano calendário 2011) e R$ 2.440.750,51 (anocalendário 2012). Fl. 10986DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 10.987 4 · Objeto Social: assessoria e consultoria econômica e administrativa (até 06/08/2013 era assessoria e consultoria econômica e financeira); prestação de serviços e intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral; intermediação de compra e venda de veículos entre terceiros (corretagem) e representação comercial. No entanto, a totalidade das receitas obtidas pela empresa, nos anoscalendário de 2010 a 2012, foi oriunda das operações de F&I (do inglês Finance & Insurance "Financiamento e Seguro"), ou seja, atividades agregadas à venda de veículos, que contribuem para a diferenciação e melhoria da margem de lucro das "concessionárias", as quais compreendem o crédito e serviços (financiamentos, leasing, CDC, consórcio, despachante), proteções e contratos (seguros, garantias complementares, manutenções preventivas, assistência e socorro) e itens de conforto (acessórios e conservação do veículo). Por razões óbvias, tratase de atividades econômicas complementares ao objeto social da Domani, impropriamente transferidas para a Dom, já que a maioria das suas receitas advieram da chamada "Taxa de Retorno", que nada mais é do que uma "comissão" que as instituições financeiras cobram e repassam às revendas (neste caso para a Dom) que conseguem fechar o contrato de financiamento com o cliente. · De acordo com as Folhas de Pagamento, no período de 01/2010 a 10/2011 e 01/2012 a 12/2012, o quadro de empregados foi composto por Auxiliares Administrativos e um Gerente de F&I. Nos meses 11/2011 e 12/2011, trabalharam apenas Auxiliares Administrativos, já que a Gerente de F&I, Keila Renata Pereira de Lima Fontes, empregada da empresa Domani, onde foi admitida em 02/08/2004, teve o contrato rescindido em 23/09/2011. Em 01/2012, passou a exercer a função de Gerente de F&I a empregada Luciana de Barros, também registrada na empresa Domani em 05/10/2000. O responsável pela escrita contábil, Fortunato Moraes de Souza, é empregado da Domani desde 03/05/2010, não sendo remunerado pelos serviços prestados à Dom. Os obreiros Sônia Perozo (contadora), Cristiane Auxiliadora Batista de Azevedo (auxiliar contábil), Agnaldo Luiz de França (moto boy), Edna Cristina Laranja (gerente de recursos humanos), Adrielly dos Santos Souza (assistente de departamento pessoal), e Renato de Arruda Barreto (auxiliar contábil), são todos empregados da Domani, registrados, respectivamente, em 19/03/2013, 17/04/2008, 01/03/2000, 02/10/2000, 17/06/2013 e 06/09/2010, e exercem as mesmas funções na Dom, sem qualquer remuneração. Não por acaso, estas pessoas são os representantes legais da Dom, conforme Procuração. O exposto certifica: a) o compartilhamento do mesmo quadro de empregados da empresa mãe; b) a impossibilidade de consecução do objetivo social com os mencionados obreiros, já que os serviços de F&I exigem maior especialização que a de auxiliar administrativo (repisando que somente a partir de 07/08/2013, o objeto social passou de assessoria e consultoria financeira para assessoria e consultoria administrativa). E mais, a partir de 09/2012 a empresa passou a obter receitas de comissões sobre a venda de consórcios, quando somente em 19/12/2012 foi admitido um empregado na função de Vendedor de Serviços. · É domiciliada e funcionando no mesmo espaço físico da empresa Domani, não incorrendo em despesas com aluguel, água, energia elétrica, etc. Fl. 10987DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 10.988 5 · Compartilha a mesma estrutura administrativa e logística da empresa mãe, pois, como demonstra a contabilidade, ratificada pela informação prestada por seus representantes legais: a) não possui bens imóveis utiliza gratuitamente as instalações da Domani; b) não possui veículos automotores; c) os seus bens móveis se resumem a equipamentos de informática, sistemas e softwares; d) sua contabilidade, bem como as rotinas de departamento pessoal, são executados pelos empregados da Domani, sem qualquer custo. · Compartilha o mesmo logotipo da Domani, o mesmo número de telefone (utiliza um ramal do telefone da Domani, cuja despesa é rateada proporcionalmente), e o mesmo plano de saúde (Unimed) da Domani. No site da Domani na internet, são oferecidos todos os serviços que, teoricamente, seriam prestados pela Dom, que, inclusive, nem possui site próprio. · Possui no Ativo Realizável a Longo Prazo a conta 1.2.1.002.000005 Domani Distribuidora de Veículos Ltda (1.2.1.002 Contratos Mútuos Empresas Interligadas), com saldo devedor em 01/01/2010 de R$ 4.521.149,55, que foi reduzido em R$ 2.349.106,53 na data de 30/11/2011, tendo como contrapartida a conta 1.1.2.005.000012 Adiantamento a Diretores (1.1.2 Valor a Receber a Curto Prazo, 1.1.2.005 Outros Valores a Receber), com o histórico "Retirada ano 2010". Em 31/12/2011, a conta 1.1.2.005.000012 Adiantamento a Diretores foi encerrada, via transferência do seu saldo para as contas (2.2.1 Valores a Pagar a Longo Prazo, 2.2.1.003 Remuneração do Capital Próprio) 2.2.1.003.000002 Armando Martins de Oliveira, R$ 1.174.553,27 e 2.2.1.003.000003 Neila Leite de Barros Oliveira, R$ 1.174.553,26. Assim, haja vista a inexistência da correspondente movimentação financeira na empresa Dom, inferese tratar de mero artifício utilizado para a transferência de tal numerário à Domani (empresa mãe). · O saldo devedor da conta 1.2.1.002.000005 Domani Distribuidora de Veículos Ltda, que em 01/01/2010 era R$ 4.521.149,22, passou para R$ 8.330.043,02 em 31/12/2010 havendo, pois, um acréscimo de R$ 3.808.893,47 (que corresponde a 68,28% do lucro líquido apurado em 2010, no valor de R$ 5.578.335,34) foi elevado para R$ 11.189.031,25 em 31/12/2011 incremento de R$ 2.858.988,23 (65,85% do lucro líquido apurado em 2011 no valor de R$ 4.341.989,11) e aumentado para R$ 11.951.044,44 em 31/12/2012 variação positiva de R$ 762.013,19 (40,86% do lucro líquido apurado em 2012, no valor de R$ 1.864.804,87). Ressaltese que o saldo credor da conta 2.4.3.001.001997 Lucro Acumulado existente em 31/12/2011, qual seja, R$ 13.421.684,38, foi totalmente distribuído entre as contas 2.2.1.003.000002 Armando Martins de Oliveira, R$ 6.710.842,19 e 2.2.1.003.000003 Neila Leite de Barros Oliveira, R$ 6.710.842,19, zerando, pois, a mencionada conta. Ainda assim, como já relatado, 65,85% do lucro líquido apurado em 2011 foram destinados à Domani. A movimentação do saldo da conta 1.2.1.002.000005 Domani Distribuidora de Veículos Ltda, no período de 2010 a 2012, demonstra a transferência, desta feita de maneira direta, de recursos da Dom para a Domani. Fl. 10988DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 10.989 6 · De acordo com o Livro Razão do 1° semestre de 2011, consta da conta "2.2.1.003.000002 Armando Martins de Oliveira", o saldo credor em 01/01/2011 de R$ 465.468,17, cujo registro contábil não existiu (não existe nenhum lançamento contábil que respalde a existência deste saldo), fato que se repetiu com o saldo credor em 01/01/2011 de R$ 119.143,95 da conta "2.2.1.003.000003 Neila Leite de Barros Oliveira". · Na conta do passivo "2.1.4.003.000004 Domani Distrib Veiculos Ltda" ("2.1.4 Outras Exigibilidades", "2.1.4.003 Antecipações Filiais/Colig.e Controladas"), os lançamentos a créditos, à exceção das transferências, se referem às despesas da Dom suportadas pela Domani, tais como, reembolso de custas materiais de informática, reembolso de custas de telefone, reembolso de custas materiais de escritório, reembolso custas unimed, reembolso custas celular, reembolso custas refeições, etc., evidenciando confusão patrimonial entre as empresas. · Caso se tratassem de empresas distintas, tanto a Dom quanto a Domani estariam infringindo ao princípio contábil da "Confrontação das Despesas com as Receitas", que é um desdobramento do "Princípio da Competência", pois enquanto a Dom reconhece receitas sem registrar as despesas correlatas (água, luz, aluguel de imóvel, etc.), que são suportadas pela Domani, esta, ao contrário, registra tais despesas e não reconhece as receitas correspondentes. Deste modo, nos termos do artigo 530, inciso II, letra "b", do RIR/99, a Domani estaria sujeita à modalidade de tributação do lucro arbitrado. DA EMPRESA DOMAZI · Foi constituída em 03/04/1997 com a denominação social inicial de Domani Corretora de Seguros Ltda., alterada para Domazi Corretora de Seguros Ltda. em 20/06/1997. · Possui os seguintes sócios: Armando Martins de Oliveira (sócio da Domani), Neila Leite de Barros Oliveira (sócia da Domani), Sílvia Barros de Oliveira Carlota (filha do casal Armando Martins de Oliveira e Neila Leite de Barros Oliveira) e Marcos Antônio de Nonato Olímpio. · O capital social de R$ 15.000,00 encontrase integralizado da seguinte forma: Armando Martins de Oliveira (25%), Neila Leite de Barros Oliveira (25%), Sílvia Barros de Oliveira Carlota (49%) e Marcos Antônio de Nonato Olímpio (1%). Entretanto, é incompatível com os valores da receita bruta total, quais sejam: R$ 1.065.011,40 (anocalendário 2010); R$ 1.341.060,74 (ano calendário 2011); e R$ 1.360.222,10 (anocalendário 2012). · Objeto social: corretagem de seguros de todos os ramos, de vida, capitalização, planos previdenciários e outras avenças relacionadas à corretagem e agenciamento de seguros, bem como a intermediação e agenciamento de negócios, confecção de cadastro, financiamentos em geral e licenciamentos de veículos, podendo para tanto praticar todas Fl. 10989DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 10.990 7 as operações direta ou indiretamente relacionadas com seus fins, inclusive participações em outras Sociedades ou negócios, observadas as disposições legais. Nos anoscalendário de 2010 a 2012, a totalidade das receitas originaramse das "comissões sobre vendas de seguros" (nas Notas Fiscais n°s 397 a 414, consta como descrição dos serviços "incentivo sobre venda de seguros"), seguros estes contratados para os veículos (marca Fiat) adquiridos exclusivamente da Domani (empresa mãe). Tratase, pois, da operação de F&I relativa a proteções e contratos (seguros, garantias complementares, manutenções preventivas, assistência e socorro), atividade econômica complementar ao objeto social da Domani. · Constam lançamentos contábeis (conta 2.1.4.003.000002 Domani Veículos Várzea Grande em contrapartida com contas de despesas) referentes a rateios de salários, decorrentes dos serviços prestados pelos trabalhadores Agnaldo Luiz França (02/2011 a 12/2012), Alessandra Aparecida Fernandes (02/2011 a 12/2012), Katyene França dos Santos (02/2011 a 06/2012) e Érica da Silva Cruz (07/2012 a 12/2012). O sócio Marcos Antonio de Nonato Olímpio, apesar de exercer a administração técnica, relativa à corretagem de seguros, não recebe prólabore, presumivelmente porque já recebe salário na empresa Domani, onde está registrado, como empregado, desde 01/07/2008. O responsável pela escrita contábil, Fortunato Moraes de Souza, é empregado da Domani desde 03/05/2010, não sendo remunerado pelos serviços prestados a Domazi. Os obreiros Sônia Perozo (contadora), Cristiane Auxiliadora Batista de Azevedo (auxiliar contábil), Agnaldo Luiz de França (motoboy), Edna Cristina Laranja (gerente de recursos humanos), Adrielly dos Santos Souza (assistente de departamento pessoal), e Renato de Arruda Barreto (auxiliar contábil) são todos empregados da Domani, registrados, respectivamente, em 19/03/2013, 17/04/2008, 01/03/2000, 02/10/2000, 17/06/2013 e 06/09/2010, e exercem as mesmas funções na Domazi, sem qualquer remuneração. Não por acaso, estas pessoas são os representantes legais da Domazi, conforme Procuração. O exposto certifica o compartilhamento do mesmo quadro de empregados com a empresa mãe. · O sócio Marcos Antônio de Nonato Olímpio, admitido na sociedade em 29/10/2009, foi remunerado por serviços prestados à Domazi, no período de 01/2010 a 04/2011, conforme lançamentos constantes da conta "3.4.2.302.000009 Serviços Técnicos Profissionais" (3.4 Despesas Operacionais; 3.4.2 Despesas com Pessoal e Encargos; 3.4.2.302 Benefícios), evidenciando não integrar, de fato, o quadro societário da Domazi. · É domiciliada e funcionando no mesmo espaço físico da empresa Domani, não incorrendo em despesas com aluguel, água, energia elétrica, etc. · Compartilha a mesma estrutura administrativa e logística da empresa mãe, pois, como demonstra a contabilidade, ratificada pela informação prestada por seus representantes legais: a) não possui bens imóveis utiliza gratuitamente as instalações da Domani; b) não possui veículos automotores; c) os seus bens móveis se resumem a Máquinas e Equipamentos (R$ 3.538,00, depreciado até 31/12/2012 em R$ 273,66), Fl. 10990DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 10.991 8 Móveis e Utensílios (R$ 519,00, depreciado até 31/12/2012 em R$ 181,44) e Equipamentos de Informática (R$ 27.319,16, depreciado até 31/12/2012 em R$ 11.717,13); d) sua contabilidade, bem como as rotinas de departamento pessoal, são executados pelos empregados da Domani, sem qualquer custo. · Compartilha o mesmo o mesmo número de telefone (utiliza um ramal, cuja despesa é rateada proporcionalmente), e o mesmo plano de saúde (Unimed) da Domani. Não possui "site" próprio na internet, restringindose a um "link" de acesso (denominado Domazi) no "site" da Domani. · A conta contábil "1.1.2.005.000005 Diversos a Receber" (1.1.2 Valor a Receber a Curto Prazo; 1.1.2.005 Outros Valores a Receber), cujo saldo devedor em 01/01/2010 era R$ 978.727,34, recebeu em 31/12/2010 lançamento a crédito de R$ 966.364,34, tendo como contrapartida débito na conta "2.4.3.001.001997 Lucro Acumulado" (2.4.3 Lucros ou Prejuízos Acumulados; 2.4.3.001 Lucros Acumulados), que em 01/01/2010 apresentava saldo credor de R$ 930.673,00, aumentado para R$ 1.287.470,51 em 31/12/2010 em decorrência do lucro apurado de R$ 356.797,51, ou seja, foram utilizados os lucros acumulados para a extinção de um direito, fato totalmente ilógico. Fica patente, pois, que o aparente absurdo, na verdade, tratase de mero subterfúgio para a transferência de recursos da Domazi para a Domani, tanto que em 2011 a operação foi repetida, desta feita de maneira normal (em termos), sendo a conta "1.1.2.005.000005 Diversos a Receber", debitada em 04/08/2011, pela transferência de recursos para a Domani no valor de R$ 800.000,00, os quais foram pagos (lançamentos a créditos na referida conta) da seguinte forma: R$ 63.000,00 em 12/09/2011; R$ 63.945,00 em 10/10/2011; R$ 65.877,74 em 01/12/2011, e o restante, qual seja, R$ 542.273,08 em 13/12/2011. Novamente aqui em 2011 ocorreu afronta à legislação aplicável, pois, na essência, referida operação caracterizase como contrato de mútuo entre empresas interligadas, cuja escrituração contábil deveria ocorrer no Ativo Realizável a Longo Prazo (atualmente nãocirculante). · O lucro apurado no anocalendário de 2011 no valor de R$ 487.809,21, elevou o saldo credor da conta "2.4.3.001.001997 Lucro Acumulado" para R$ 808.915,38, e, assim como ocorreu na empresa Dom, foi totalmente distribuído entre os sócios, na proporção da participação no capital social, em contrapartidas às contas (2.2 Passivo Exigível a Longo Prazo; 2.2.1 Valores a Pagar a Longo Prazo; 2.2.1.003 Adiantamentos a Sócios) "2.2.1.003.000002 Armando Martins de Oliveira", "2.2.1.003.000003 Neila Leite de Barros Oliveira", "2.2.1.003.000004 Silvia Barros de Oliveira Carlota", e "2.2.1.003.000005 Marcos Antonio de Nonato Olímpio". · Em 2012 foram realizados empréstimos ao sócio Armando Martins de Oliveira no montante de R$ 1.300.000,00, praticamente todo o caixa gerado até este anocalendário, escriturados na conta "1.1.2.005.00012 Adiantamentos a Diretores" (1.1.2 Valores a Receber a Curto Prazo; 1.1.2.005 Outros Valores a Receber), permanecendo apenas o saldo devedor de R$ 123.910,79 na conta Fl. 10991DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 10.992 9 "1.1.1.002.000003 Banco Bradesco SA Ag. Centro Cba" (1.1.1.002 Bancos Conta Movimento) e R$ 162.760,53 na "1.1.1.003.000003 Banco Bradesco SA Ag Centro Cba" (1.1.1.003 Aplicações Financeiras). Estranhamente, não houve movimentação da conta "2.2.1.003.000002 Armando Martins de Oliveira", assim como novamente não foi utilizada a correta técnica contábil, já que os registros deveriam ter sido realizados no Ativo Realizável a Longo Prazo. Resulta, pois, que os demais sócios não auferiram nenhum rendimento, fato absolutamente improvável de ocorrer na prática, o que indica a inexistência, de fato, da pessoa jurídica. · Na conta "2.1.4.003.000003 Domani Veículos Cuiabá" (2.1 Passivo Circulante; 2.1.4 Outras Exigibilidades; 2.1.4.003 Antecipações Filiais/Colig.e Controladas), os lançamentos a créditos se referem aos pagamentos de gastos da Domazi relativos às despesas administrativas e gerais, despesas com pessoal e encargos, despesas com vendas, adiantamento a empregados e pagamentos de fornecedores, o que demonstra confusão patrimonial entre as empresas. · Caso se tratassem de empresas distintas, tanto a Domazi quanto a Domani estariam infringindo ao princípio contábil da "Confrontação das Despesas com as Receitas", que é um desdobramento do "Princípio da Competência", pois enquanto a Domazi reconhece receitas sem registrar as despesas correlatas (água, luz, aluguel de imóvel, etc.), que são suportadas pela Domani, esta, ao contrário, registra tais despesas e não reconhece as receitas correspondentes. Deste modo, nos termos do artigo 530, inciso II, letra "b", do RIR/99, a Domani estaria sujeita à modalidade de tributação do lucro arbitrado. DA EMPRESA INVESTBRÁS · Não apresentou os documentos solicitados pela fiscalização. · Possui os seguintes sócios: Silvia Barros de Oliveira Carlota (filha do casal Armando Martins de Oliveira e Neila Leite de Barros Oliveira únicos sócios da Domani) e Eduardo Marcelo da Veiga Carlota (esposo de Silvia Barros de Oliveira Carlota). · O capital social, de R$ 2.000,00, é incompatível com as receitas brutas obtidas nos anoscalendário de 2010 a 2012, quais sejam: R$ 980.000,00 (2010); R$ 985.674,78 (2011) e R$ 998.354,05 (2012). · No período de 29/08/2007 a 31/05/2010, exerceu suas atividades no mesmo espaço físico da Domani. Atualmente está operando no mesmo endereço residencial dos seus sócios (Av. Antártica, nº 201, Condomínio Residencial Japuíra, Lote 06, Ribeirão da Ponte, Cuiabá MT, CEP: 78.040500). Oportuno ressaltar que os sócios da Domani também residem no mesmo condomínio. · Nos anoscalendário de 2010 a 2012, a Investbrás prestou serviços exclusivamente para a Domani, como demonstram as DIPJs, Fl. 10992DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 10.993 10 consubstanciadas pelo número sequencial das notas fiscais, constantes da contabilidade desta última. · Ainda segundo as DIPJs, a empresa não possui bens imóveis e os seus bens móveis se resumem unicamente a máquinas e equipamentos no valor de R$ 6.189,08, já depreciados até 2012 em R$ 5.803,15, assim como não utilizou empregados para a consecução do seu objeto social, fato este confirmado pelas Guias de Pagamento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs, constantes dos sistemas de informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). · Os lançamentos contábeis constantes do Anexo I denominado "Vínculo com a Empresa Mãe", extraídos da contabilidade da Domani, demonstram o vínculo dos sócios Eduardo Marcelo da Veiga Carlota e Sílvia Barros de Oliveira Carlota com esta empresa, o que certifica também a artificialidade factual da Investbrás. DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO PIS E DA COFINS DECORRENTES DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ILÍCITO Ante o acima exposto, e em consonância com o disposto no artigo 276 do RIR/99, fica demonstrada a ocorrência de planejamento tributário ilícito, visando unicamente a redução no pagamento de tributos, via segregação de atividades para exercício pelas empresas, inexistentes de fato, Dom e Domazi, que, na realidade, são departamentos internos da Domani, por esta própria admitida, como se verifica pelos documentos (rateios de conta telefônica) colacionados às fls. 58/59 (amostragem), assim como pela transferência de receitas para a empresa, inexistente de fato, Investbrás, utilizada unicamente para este fim, tanto que nem ao menos apresentou a documentação solicitada (com o fito evidente de evitar fazer prova contra si). Assim, em virtude da Domani, Dom, Domazi e Investbrás constituírem uma única pessoa jurídica, as bases de cálculo do PIS e da COFINS dos anoscalendário de 2010 a 2012, foram apuradas considerando esta nova realidade, através da utilização do regime da não cumulatividade sobre as receitas indevidamente apropriadas nas pseudo empresas Dom, Domazi e Investbrás, com a dedução, por razões óbvias, das contribuições declaradas/recolhidas. As receitas brutas correspondem aos valores lançados no DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, exceto quando inferiores aos constantes da contabilidade (Dom e Domazi) ou DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Investbrás), conforme tabela a seguir (valores em reais): Fl. 10993DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 10.994 11 Ressalta a fiscalização que foram deduzidas das contribuições constantes da DCTF os valores lançados nas contas 351002000010 PIS S/ OUTRAS RECEITAS e 351002000009 COFINS S/ OUTRAS RECEITAS (Auto de Infração, fls. 07/09 e 19/21). DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A empresa, com o único propósito de reduzir o valor do pagamento do PIS e da COFINS, utilizou mecanismo tendente a burlar a Fazenda Pública, materializado no planejamento tributário ilícito demonstrado alhures. Com efeito, tal operação engendrada pela empresa, caracteriza a conduta fraudulenta prevista no artigo 72 da Lei n° 4.502/6 4, na medida em que foi uma ação dolosa, tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do PIS e da COFINS relativos aos anoscalendário de 2010 a 2012. Destarte, presente a fraude, a multa de ofício prevista no artigo 44, inciso ,I da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/200 7, deve ser qualificada, conforme determina o § 1° do mesmo diploma Fl. 10994DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 10.995 12 legal, passando a o percentual de 150%, incidente sobre os montantes dos tributos devidos. DO PIS E DA COFINS INCIDENTES SOBRE OUTRAS RECEITAS As receitas contabilizadas nas contas 351001000003 – RECUPERAÇÃO GARANTIA, 351001000005 BÔNUS PQR, 351001000007 RECEITAS DIVERSAS, 351001000008 BÔNUS HOLD BACK e 351001000009 COMISSÃO SOBRE FINANCIAMENTO, componentes da conta sintética 351001 OUTRAS RECEITAS (35 OUTROS RESULTADOS OPERACIONAIS), não compuseram a receita operacional bruta para fins de apuração das contribuições devidas ao PIS e a COFINS,. As contribuições foram apuradas separadamente, ainda assim em valores inferiores aos efetivamente devidos, como se verifica pelos lançamentos constantes das contas 351002000010 PIS S/ OUTRAS RECEITAS e 351002000009 COFINS S/ OUTRAS RECEITAS, integrantes da conta sintética 351002 OUTRAS DESPESAS (35 OUTROS RESULTADOS OPERACIONAIS). A incidência do PIS e da COFINS sobre os valores objeto das contas 351001000003 RECUPERAÇÃO DE GARANTIA, 351001000007 RECEITAS DIVERSAS E 351001000009 COMISSÃO SOBRE FINANCIAMENTO, não suscitam maiores questionamentos, já que se tratam indiscutivelmente de receitas auferidas pela empresa. A incidência de PIS e COFINS sobre os valores recebidos a título de Bônus PQR e Bônus "Hold Back", possui os fundamentos a seguir. Bônus PQR ou receitas de incentivos sobre vendas ou "bônus de fábrica" Tratase de valores pagos pelas montadoras às concessionárias de veículos em função de "Programas de Incentivos de Vendas", criados periodicamente com a finalidade de manter a lucratividade do revendedor quando se verifica que o preço de aquisição dos veículos na fábrica foi elevado e o mercado se mostra em condições desfavoráveis. Ou seja, para possibilitar que a concessionária revenda o veículo aos consumidores por preço menor que o planejado, a montadora efetua o pagamento da receita intitulada Bônus PQR. Assim, em tais condições, as concessionárias de veículos possuem, pelo menos, duas fontes de receita: o preço pago pelos consumidores finais pelo veículo e os Bônus PQR pagos pelas montadoras. Dessa forma, fica patente que o aludido bônus nem é desconto, já que a receita da concessionária não diminui, e nem é incondicional, pois depende da existência de um programa de incentivos instituído pela montadora. Bônus "Hold Back" Tratase de aumento no preço dos automóveis das montadoras, no momento em que estes são faturados ao estoque das concessionárias, através de valor embutido denominado "Hold Back", o qual é devolvido ao distribuidor, acrescido de juros remuneratórios, quando ele quitar a aquisição do veículo, sob a forma de bonificação de adimplência. Fl. 10995DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 10.996 13 Ou seja, o preço de aquisição dos veículos não é alterado, e o percentual depositado pela montadora em uma conta aberta para a concessionária, na instituição financeira da fábrica, somente é devolvido caso ocorra a condição resolutiva de quitação do veículo adquirido. Dessa forma, fica patente que o aludido bônus é uma espécie de bonificação de adimplência e não simples devolução de valores embutidos na nota fiscal de aquisição dos veículos. Tratase, na verdade, de receita bruta proveniente da atividade econômica da concessionária. Logo, nos termos dos artigos 1º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os Bônus PQR e "Hold Back" integram a base de cálculo do PIS e da COFINS. As bases de cálculo consideradas estão discriminadas às fls. 62/66, e sintetizadas a seguir (valores em reais): Analiticamente, temos: Fl. 10996DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 10.997 14 Fl. 10997DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 10.998 15 Ressalta a fiscalização que foram deduzidas das contribuições apuradas os valores lançados nas contas 351002000010 PIS S/ OUTRAS RECEITAS e 351002000009 COFINS S/ OUTRAS RECEITAS (Auto de Infração, fls. 31/33 e 43/45). DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos aos anoscalendário 2010, 2011 e 2012 (valores em reais): DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Em face de todo o exposto, a fiscalização apresentou Representação Fiscal para Fins Penais (processo nº 14098.720004/201575, apensado ao presente processo). DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 24/12/2014 (fl. 95), a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos, apresentou, em 26/01/2015, a impugnação de fls. 138/188 (PIS e COFINS), alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 10998DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 10.999 16 DOS FATOS A impugnante é empresa que atua no ramo de comércio a varejo de automóveis, camionetas e utilitários novos, e desde 24/01/96 tem destaque no mercado nacional nas suas atividades ("Concessionária"). Tendo em vista (i) que a legislação brasileira determina que sejam criadas empresas específicas para a realização de algumas atividades (como, por exemplo, Corretora de Seguros), e (ii) as oportunidades de negócios observadas no mercado brasileiro, os sócios da impugnante participaram da constituição de duas empresas com objetos sociais totalmente distintos de uma Concessionária, conforme se observa a seguir: (1) Domazi Corretora de Seguros Ltda. EPP (CNPJ 01.820.874/0001 58) (doc. 04), devidamente constituída e registrada na Receita Federal em 08/05/97, com a seguinte descrição da atividade econômica principal: "Corretores e agentes de seguros, de planos de previdência complementar e de saúde"; e (2) Dom Consultoria Econômica e Administrativa Ltda. EPP (CNPJ 09.269.752/000127) (doc. 05), devidamente constituída e registrada na Receita Federal em 19/12/97, com a seguinte descrição da atividade econômica principal: "Atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica". Notase, portanto, que as empresas Domazi e Dom foram constituídas com (i) objetos sociais diversos e (ii) em datas diferentes da impugnante (Concessionária). Portanto, não ocorreu qualquer segregação de atividades da impugnante para a formação das empresas Domazi e Dom. Além disso, tais empresas, diferentemente da impugnante, estão sujeitas à apuração do IRPJ e CSLL na sistemática do lucro presumido, nos termos dos artigos 516 a 528 do RIR/99. Nessa mesma direção, o recolhimento do PIS e da COFINS das empresas Domazi e Dom é feita pelo regime de incidência cumulativo, nos termos da Lei n° 9.718/98. Ou seja, as empresas Domazi e Dom possuem natureza totalmente diversa da impugnante, são submetidas a regimes de apuração distintos da impugnante, e, conforme será melhor elucidado nos tópicos abaixo da presente impugnação, possuem empregados, despesas e contabilidade próprios, nada obstante, e sem qualquer infração à legislação pátria, integram o mesmo grupo econômico. Ademais, a impugnante também destaca a situação de empresa que contratou para serviços de "Consultoria Econômico Financeira e representação de Intermediação de Negócios". Tal empresa é a Investbrás Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. EPP (CNPJ 04.356.849/000153), devidamente constituída e registrada na Receita Federal em 16/03/2001, com a seguinte atividade principal Fl. 10999DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.000 17 "consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica" (doc. 06). A empresa Investbrás, diversamente da impugnante, está sujeita à apuração do IRPJ e da CSLL na sistemática do lucro presumido, assim como, o seu recolhimento do PIS e da COFINS, é feita pelo regime de incidência cumulativo. Vale também destacar que a Investbrás foi criada em momento muito posterior ao surgimento da impugnante, tendo como sócios outras pessoas físicas, que não os sócios da impugnante. O endereço registrado no primeiro contrato social, assim como sua atual localização não são os mesmos da impugnante. E, por fim, mas não menos relevante, a Investbrás possui bens móveis, despesas e contabilidade próprias, conforme restará demonstrado mais adiante. Ocorre que foi lavrado o Auto de Infração ora combatido, no qual a fiscalização, em síntese, considerou que as empresas Domazi, Dom e Investbrás, seriam, supostamente, partes de uma única pessoa jurídica, ou seja, deveriam ser consideradas para fins tributários como partes integrantes da impugnante, uma vez que: a) As 3 empresas possuiriam os mesmos sócios da impugnante, ou sócios com alguma proximidade; b) O capital social das 3 empresas estaria incompatível com as receitas auferidas; c) As receitas auferidas pelas 3 empresas seriam direta ou indiretamente oriundas apenas da impugnante; d) Os funcionários seriam os mesmos em todas as empresas; e) As 3 empresas não teriam bens imóveis registrados, apenas poucos bens móveis; f) As 3 empresas não teriam registrado despesas, as quais seriam pagas integralmente pela impugnante; e g) Os registros contábeis das empresas Domazi e Dom demonstrariam infração ao princípio contábil da "Confrontação das Despesas com as Receitas". A fiscalização acrescentou a necessidade da aplicação da multa de ofício qualificada, uma vez que, em seu entendimento, a impugnante teria efetuado planejamento tributário ilícito. Nada obstante as equivocadas conclusões acima transcritas, as quais serão rebatidas uma a uma nesta impugnação, a fiscalização ainda incluiu no Auto de Infração a exigência, do pagamento da contribuição ao PIS e à COFINS sobre supostas "outras receitas" recebidas pela impugnante, quais sejam: (i) Bônus PQR ou receitas de incentivos sobre vendas ou "bônus de fábrica"; e (ii) Bônus "Hold Back". Entretanto, conforme restará ampla e detalhadamente demonstrado, o Auto de Infração deve ser integralmente cancelado, haja vista que a fiscalização não se atentou aos documentos e esclarecimentos apresentados pela impugnante os quais serão novamente expostos nesta impugnação , e não deixam dúvida que as empresas Domazi, Fl. 11000DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.001 18 Dom e Investbrás não são e nunca foram parte integrante das suas atividades de concessionária de veículos, e, claramente, são pessoas jurídicas distintas, sendo inconteste que foram legalmente constituídas com propósitos negociais previamente definidos. Também deve ser cancelada a exigência fiscal no tocante aos Bônus PQR (também conhecido como "Fundão") e "Hold Back', que em nada se assemelham ao recebimento de "receitas", mas sim, tratamse de mero (i) fundo criado pela Montadora e sobre o qual a impugnante (Concessionária) não tem disponibilidade dos recursos a não ser em casos de raras exceções, e somente nas quais poderia se falar em entrada de receitas, o que não é o caso descrito pela fiscalização , (ii) aumento artificial do custo do veículo pela Montadora, na tentativa de controlar a "margem" de comercialização das Concessionárias, e deve ser considerado como recuperação de custo, mas também sobre o qual a impugnante não tem disponibilidade. PRELIMINARMENTE DA NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DAS EXIGÊNCIAS PELOS EQUÍVOCOS COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO A impugnante requer o cancelamento integral do Auto de Infração, uma vez que o crédito tributário exigido não se reveste da liquidez e certeza necessárias, já que as poucas informações que constam no relatório que embasam a acusação fiscal ora combatida não se prestam a determinar qual o critério utilizado pela fiscalização para concluir que: a) As empresas Domazi, Dom e Investbrás não são pessoas jurídicas distintas ou não possuem propósito negocial claro para a concretização de suas atividades, sendo que todos os contratos, documentos e registros contábeis das empresas vão em sentido contrário; b) As empresas Domazi, Dom e Investbrás não possuem empregados, despesas ou contabilidade próprias, quando, na verdade, todas detêm documentos comprobatórios em sentido diverso, os quais, inclusive, foram devidamente entregues à fiscalização; c) Os intitulados bônus "Hold Back" e Fundão (PQR) são receitas da impugnante, quando, de fato, tais valores nem ao menos foram "recebidos" pela impugnante, e possuem natureza totalmente diversa; e d) A impugnante realizou um "planejamento ilícito", e, dessa forma, mesmo os valores efetivamente recolhidos pelas empresas DOMAZI e DOM a título das contribuições ao PIS e da COFINS com as alíquotas previstas na sistemática do lucro presumido nos anos de 2010 a 2012, e que totalizam R$ 71.749,35 e R$ 349.382,63 (doc. 07) não deveriam ser deduzidos nos cálculos da atual exigência, em evidente "enriquecimento ilícito" do Fisco. Nenhuma informação foi prestada pela fiscalização acerca dos (i) contratos firmados pelas três empresas, os quais somente podem ser instrumentalizados por pessoas jurídicas distintas e devidamente constituídas, (ii) funcionários e demais despesas registrados em cada uma das empresas, (iii) esclarecimentos prestados pela impugnante Fl. 11001DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.002 19 sobre os bônus "Hold Back" e Fundão (PQR), e (iv) valores já pagos de contribuição ao PIS e à COFINS (R$ 71.749,35 e R$ 349.382,63, respectivamente, que já foram calculados com a multa de 150% e SELIC até o mês da lavratura do Auto de Infração) os quais, sem sombra de dúvida deveriam ser, ao menos, deduzidos nos cálculos expostos no Auto de Infração. Sem qualquer justificativa a fiscalização desconsiderou os documentos e informações apresentadas pela impugnante durante o percurso da auditoria fiscal. Consta do Relatório Fiscal (fl. 52) que empresas Dom e Domazi, foram apresentados os seguintes documentos: atos Constitutivos e alterações posteriores; CPF e RG dos representantes legais e contador; e resumo mensal da folha de pagamento dos empregados. Ora, como poderia a fiscalização receber os contratos sociais e o resumo mensal da folha de pagamentos dos empregados, e mesmo assim desconsiderar tais informações na análise da situação das empresas Domazi e Dom ? Tendo em vista que o Auto de Infração corresponde ao ato inaugural de um processo administrativo, este deve consignar com clareza os elementos que embasam a pretensão fiscal, assegurando o direto do contribuinte à ampla defesa e contraditório Em face do acima exposto, não há dúvidas de que os procedimentos adotados por ocasião da lavratura do Auto de Infração em combate comprometem a validade deste lançamento, devendo a exigência nela veiculada ser imediatamente cancelada. DAS RAZÕES DE CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO DA NATUREZA DO "HOLD BACK" E DA NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA POR NÃO SE CONFIGURAR "RECEITA" DA IMPUGNANTE No manual disponibilizado para suas Concessionárias (como é o caso da impugnante), a Fiat Automóveis S.A. (FIASA) esclarece que “Hold Back" é "um sistema que consiste na retenção, por quatro meses, junto à FIASA, de uma parcela da margem de comercialização de veículos "zero km" que cabe a concessionária. Esses recursos são registrados em um Fundo em nome da concessionária e são remunerados a taxa de 75% do CDI. Após os quatro meses o montante é liberado à concessionária" (doc. 08). Portanto, o "Hold Back" representa o aumento artificial do preço de venda do veículo na fábrica, imposto pela montadora (FIASA) como forma de retenção de parcela do capital de giro da impugnante, ou de qualquer outra Concessionária ligada à FIASA. Vejase, não há qualquer faculdade para a impugnante aceitar ou não a participação nesse fundo "Hold Back". Em outras palavras, as Concessionárias (impugnante no caso) devem concordar com o aumento do preço de venda dos veículos pela FIASA, e assim reduzem as margens de comercialização dos veículos, evitando, dessa forma, impacto no preço de venda dos veículos ao consumidor final. Fl. 11002DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.003 20 Ato contínuo, com o pagamento da fatura referente ao veículo zero quilômetro adquirido pelo consumidor final, a impugnante teria o direito de receber o valor do "Hold Back", após quatro meses, com o acréscimo de juros. Todas essas informações foram retiradas da "Convenção Parcial de Marca Hold Back" e seus Aditamentos (doc. 09), assinados pela FIASA e a Associação Brasileira das Concessionárias de Automóveis Fiat ("ABRACAF"), e da qual, logicamente, a impugnante é parte integrante. Nos documentos apresentados observase a natureza do fundo "Hold Back", e os procedimentos adotados para o seu cumprimento por todos os envolvidos. Em suma, a impugnante (Concessionária) paga na aquisição do veículo novo, o valor total e uma "margem" diretamente à FIASA, sendo que a devolução dessa margem constituirá apenas uma recuperação de custo, e não o ingresso de nova receita, como tentou concluir a fiscalização de forma equivocada. Destaquese que a impugnante, ou qualquer outra Concessionária de Automóveis da FIASA, não tem disponibilidade sobre os valores do fundo "Hold Back", uma vez que, conforme previsão do Regulamento da Sociedade em Conta de Participação constituída pela FIASA e a ABRACAF (doc. 10), esses valores serão diretamente enviados para um outro fundo denominado "Fundão". É o que prevê o referido Regulamento, em seu Aditamento XI, páginas 3 e 4, cláusulas IV. 1.a. e IV.l.a.2, transcritas à fl. 152. Em resumo: · A impugnante tem que pagar um valor (margem) à FIASA no momento em que compra o veículo novo, conforme determina a Convenção feita pela FIASA e a ABRACAF; · Esse valor compõe um fundo denominado "Hold Back", e deveria ser devolvido com juros incidentes após quatro meses da operação de compra; e · Todavia, conforme Regulamento da Sociedade criada pela FIASA e a ABRACAF, o valor é diretamente enviado para um outro fundo denominado "Fundão", e sobre o qual a impugnante não tem qualquer disponibilidade (a não ser em casos muitos específicos, e que serão elucidados no tópico abaixo). Assim, independente do registro contábil desses valores como receitas pela impugnante, a verdade material, nos termos do farto conjunto probatório ora apresentado, é de que os mesmos somente podem ser considerados efetivamente como receitas no momento da sua entrada nas contas da impugnante, o que, de fato, não ocorreu nos anoscalendário de 2010 a 2012. Dessa forma, a impugnante requer que seja integralmente cancelada a exigência de recolhimento de PIS e COFINS sobre os valores constantes no fundo "Hold Back". Ademais, e apenas a título de argumentação, parte dos valores do fundo "Hold Back" se constitui de juros, ou seja, são considerados Fl. 11003DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.004 21 receitas financeiras, que têm alíquota zero para as contribuições exigidas, conforme Decreto nº 5.442/2005. Portanto, mesmo que a hipótese ora combatida fosse de receitas recebidas pela impugnante, o que não é o caso, mesmo assim o cálculo da fiscalização estaria equivocado por não considerar a alíquota apropriada para as receitas financeiras (juros). DA NATUREZA DO FUNDÃO (BÔNUS PQR) E DA NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA POR NÃO SE CONFIGURAR "RECEITA" DA IMPUGNANTE O Bônus PQR faz parte de um fundo constituído de recursos financeiros das concessionárias (inclusive a impugnante) e da FIASA, para a aquisição de bens móveis, nacionais ou importados, comerciados pela FIASA, além da utilização em momentos bem específicos. Os esclarecimentos sobre esse fundo denominado "Fundão" estão expostos no Manual disponibilizado às Concessionárias (doc. 11) e nos seguintes documentos feitos com a participação da FIASA e ABRACAF: Convenção Parcial da Marca Fiat, Contrato de Constituição da Sociedade em Conta de Participação e Regulamento da Sociedade em Conta de Participação (doc. 10). O Fundão funciona sob uma sociedade de conta de participação criada especificamente para a sua operacionalização. A adesão dos concessionários é através de uma carta e as cotas da sociedade são inalienáveis e não podem ser dadas em garantia, salvo anuência escrita da FIASA. Os recursos são oriundos de depósitos feitos pela própria FIASA, dos valores do fundo "Hold Back" (conforme exposto no item acima), entre outras fontes. E quando não utilizados nos financiamentos para a aquisição de novos veículos concedido pelo Banco Fidis, são aplicados no mercado financeiro, e a remuneração líquida de impostos e da taxa de administração é repassada a Sociedade. Mas o mais relevante para a impugnante é que esses valores não estão disponíveis para seu uso, pois os valores do Fundão apenas são liberados em circunstâncias específicas previstas no Regulamento da Sociedade em Contas de Participação (doc. 10), quais sejam: (i) no momento da saída ou desligamento da Concessionária da Rede, ou excepcionalmente (ii) diante de conjuntura econômica do mercado automobilístico que demande recursos emergenciais aos integrantes deste setor, e mediante acordo expresso entre as partes (FIASA e Concessionárias, no caso), e, ainda (iii) caso seja registrada inadimplência das Concessionárias por mais de 60 dias. Em outras palavras, a liberação dos recursos do Fundão somente estará disponível no caso de a impugnante encerrar suas atividades de concessionária da FIASA. ou ainda em situações excepcionais e conforme acordo entre FIASA e ABRACAF. Fl. 11004DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.005 22 Assim sendo, apesar de ser contabilizado como receita, não há ingresso financeiro (acréscimo de patrimônio) efetivo dos valores, exceto quando ocorrer o desligamento da concessionária da rede ou em casos muito específicos (crise financeira no setor por exemplo). Assim, independente do registro contábil desses valores como receitas pela impugnante, a verdade material, nos termos do farto conjunto probatório ora apresentado, é de que esses valores somente podem ser considerados efetivamente como receitas no momento da sua entrada nas contas da impugnante, o que, de fato, não ocorreu nos anoscalendário de 2010 a 2012. A contabilização dos recursos como receita no registro contábil da impugnante, deve ser entendido como receita diferida que somente será concretizado pela liberação dos recursos na medida da ocorrência de um dos fatos já mencionados. Diante todo o exposto, deverá ser integralmente cancelada a exigência exposta no presente Auto de Infração de recolhimento de PIS e COFINS sobre esses valores. DA CONSTITUIÇÃO DAS EMPRESAS DOMAZI E DOM PARA O EXERCÍCIO DE ATIVIDADES PRÓPRIAS E DISTINTAS DAQUELAS DA IMPUGNANTE O fundamento principal do presente Auto de Infração está na conclusão equivocada da fiscalização de que a impugnante e mais as empresas Domazi, Dom e Investbrás teriam realizado um planejamento tributário ilícito, visando unicamente a redução no pagamento de tributos, via segregação de atividades. Entretanto, a ideia de "planejamento tributário" não se sustenta, uma vez que as empresas Domazi e Dom foram criadas com objetos sociais diversos da impugnante, em momentos distintos, e com claro propósito negocial para cada uma delas, não existindo qualquer segregação de atividades, como concluiu o equivocado relatório fiscal. No tocante à empresa Investbrás, a mesma não possui os mesmos sócios e não é parte do grupo econômico do qual participa a impugnante, tendo relações apenas comerciais através de contrato de prestação de serviços de assessoria e consultoria (doc. 33). A situação econômica de nosso País sempre forçou as empresas a diversificar suas atividades e buscar novos mercados, especialmente para as concessionárias de veículos (como é o caso da impugnante), as quais, mesmo registrando muitas vendas, precisam seguir estritas regras impostas pelo Governo e pelas Montadoras (Fiat, Volkswagen, etc), arcando com uma série de exigências tributárias e comerciais. Assim, com o intuito de atender mercados de outros segmentos, os sócios da impugnante participaram da constituição de diversas outras empresas, para os mais variados ramos de negócio. Essa lista, referente ao grupo econômico do qual os sócios da impugnante fazem parte, foi, inclusive, mencionada pela fiscalização no seu Relatório Fiscal (Domani Locadora Ltda., Domazi Corretora de Seguros Ltda., Fl. 11005DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.006 23 Dom Consultoria Econômica e Administrativa Ltda., Sand Locações Ltda. e Domínio Distribuidora de Veículos e Peças Ltda.). Nesse sentido, vale transcrever as atividades principais descritas no cartão CNPJ da impugnante e das empresas Domazi e Dom (docs. 01, 04 e 05): Fica evidente, portanto, que em nenhum momento ocorreu qualquer segregação de atividades da impugnante, mas sim a constituição de duas outras empresas (Domazi e Dom), em momentos totalmente distintos e para a exploração de outras atividades que não aquelas exercidas por uma Concessionária. Para não sobrar qualquer dúvida sobre a diferença das atividades das três empresas (impugnante, Domazi e Dom), segue quadro explicativo, em que constam todas as atividades descritas nos contratos sociais das três empresas (apenas as alterações contratuais que implicaram mudança do objeto social): Não há qualquer dúvida que as empresas Domazi e Dom fazem parte do mesmo grupo econômico em que está inserida a impugnante, Fl. 11006DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.007 24 todavia, conforme fielmente transcrito acima, as atividades das três empresas não se confundem. Além disso, só existe a segregação quando uma atividade de determinada empresa é segregada/transferida para outra. E pela leitura dos objetos sociais das três empresas, isto jamais aconteceu. Planejar as atividades e estrutura de uma empresa antes do início do seu ciclo econômico não constitui ilícito fiscal. Muito menos constituir uma empresa que atue em mercado diverso de uma anteriormente constituída. Nesse sentido, vale observar o brilhante entendimento exposto em recente julgamento realizado pelo CARF (Terceira Seção de Julgamento, Acórdão nº 3403002.519), transcrito às fls. 161/162, no qual se analisa a legalidade de um planejamento realizado pela empresa que, mesmo segregando suas atividades, possuía propósito negocial, respeitou a legislação tributária e não cometeu qualquer ilícito. Em suma, mesmo para empresas que segregam suas atividades, mas demonstram um claro propósito negocial, e respeitam a legislação pátria, não há que se desconsiderar o planejamento realizado. No presente caso, não restava outra alternativa aos sócios da impugnante, que não a constituição de empresas distintas para a exploração das atividades de Corretagem de Seguros (veículos, casas, seguro de vida, capitalização, planos previdenciários, etc.), como é o caso da Domazi, e Assessoria e Consultoria econômica e financeira, conforme se observa nas atividades da Dom. A legislação brasileira impede que uma Concessionária como é o caso da impugnante exerça a atividade de corretagem de seguros. Por esse motivo, e buscando atuar em mercado totalmente diverso da venda de veículos, os sócios constituíram a empresa Domazi. O mesmo ocorreu com a empresa Dom, que destacase, fora constituída apenas em 2007, ou seja, onze anos após a criação da impugnante. Assim, nunca ocorreu a segregação de atividades equivocadamente citada pela fiscalização para fundamentar a conclusão de um planejamento tributário ilícito. DA IMPOSSIBILIDADE DE A IMPUGNANTE REALIZAR ATIVIDADES DE EMPRESA CORRETORA DE SEGUROS Conforme anteriormente exposto, a Domazi é uma empresa corretora de Seguros, nos termos de sua atividade principal registrada na Receita Federal: "Corretores e agentes de seguros, de planos de previdência complementar e de saúde." (doc. 04). E, dessa forma, vêse obrigada a respeitar uma séria de normas e regras para sua constituição e funcionamento, as quais, sem sombra de dúvidas, impediriam que a impugnante, uma Concessionária de veículos, exercesse as mesmas atividades. Fl. 11007DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.008 25 Para um melhor entendimento, a impugnante demonstra, às fls. 164/165, uma a uma as regras que impedem qualquer possibilidade de junção das atividades de uma Concessionária de veículos (impugnante) e uma Corretora de Seguros (Domazi). Logo, verificase que há justificativa para a constituição de uma Corretora de Seguros, como é o caso da Domazi, haja vista as especificidades que circundam essa atividade. Citese, por exemplo, a exigência de um corretor habilitado na direção técnica da empresa. É latente que a existência desta norma cria conflitos para a junção das atividades em uma só pessoa jurídica, na medida que obriga a inclusão de um sóciogerente corretor de seguros, compulsoriamente, na atividade de uma Concessionária (impugnante). Ademais, a atividade de corretagem de seguros é regulamentada pela SUSEP (DecretoLei nº 73/66, artigo 36, alínea "k" ). Ou seja, as empresas devem se preparar para uma fiscalização diferenciada, obrigações acessórias diferenciadas, fatos estes que justificam plenamente a constituição da Domazi, com um propósito negocial diverso da impugnante. Mas não é só. Vale destacar, ainda, o artigo 8º, da Circular SUSEP nº 127/2000, que obriga constar uma das expressões: "Corretora de Seguros" ou "Corretagem de Seguros", mesmo que intercaladas por outra(s) atividade(s), na denominação social e/ou no nome fantasia da corretora de seguros. Mais uma vez, há uma norma específica que cria obstáculos mercadológicos de fixação de marca, e impossibilita a junção de duas atividades distintas em uma só, como são os casos da impugnante (Concessionária de veículos) e da Domazi (Corretora de Seguros). Por fim, vale mencionar que a Domazi possui Título de Habilitação Profissional de Corretora de Seguros (doc. 15), e Certidão de Corretores (doc. 16), documentos estes necessários à consecução de suas atividades, e ambos emitidos pelo órgão nacional responsável, qual seja a SUSEP. Ante o exposto, tornase evidente as razões que levaram os sócios da impugnante a constituir uma empresa voltada apenas para a corretagem de seguros, pois para essa atividade deverão ser respeitadas inúmeras regras e normas específicas. Do respeito à legislação tributária com a criação da Domazi A legislação tributária determina expressamente que uma empresa Corretora de Seguros (Domazi) está excluída do regime de incidência não cumulativo da contribuição ao PIS e da COFINS. Ou seja, os sócios da impugnante também foram obrigados a constituir a Domazi (empresa corretora de seguros) em clara obediência à norma tributária vigente, pois a apuração e o recolhimento das contribuições supra mencionadas somente poderia ser feita em regime diferente do adotado pela impugnante, conforme se observa do artigo 10, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, c/c artigo 3º, § 6º, inciso I (que menciona as sociedades corretoras), Fl. 11008DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.009 26 da Lei nº 9.718/98. Ademais, o Ato Declaratório RFB nº 17/2001, em seu artigo único, corrobora esta forma de tributação e determina a aplicação da alíquota de 4%, reforçando a sistemática diferenciada da incidência tributária. Portanto, a própria legislação federal causa empecilho para a junção dessas duas atividades completamente distintas, quais sejam a de Concessionária de Veículos (impugnante) e Corretora de Seguros (Domazi). Essa constatação passa, obrigatoriamente, além do pagamento de todos os tributos incidentes sobre uma operação de Corretora de Seguros (Domazi), também pelo cumprimento das obrigações acessórias correspondentes. Nesse caminho, a impugnante anexa à presente manifestação, todas as obrigações acessórias da empresa Domazi, as quais mais uma vez comprovam tratarse de pessoa jurídica distinta da impugnante: · Contrato social (doc. 04); · DIPJs dos anoscalendário 2010 a 2012 (doc. 17); e · DCTFs dos anoscalendário 2010 a 2012 (doc. 18). A empresa que respeita a legislação tributária e cumpre com as obrigações acessórias acima listadas não pode ser desconsiderada, ou mesmo fazer parte de um planejamento tributário ilícito, como equivocadamente concluiu a fiscalização. Das atividades da Domazi sobre seguros de empresas, vida, casa, etc. Nas palavras da fiscalização, a Domazi, nos anoscalendário de 2010 a 2012, apenas obteve receitas sobre os seguros realizados com veículos adquiridos por consumidores diretamente da compra com a impugnante (Concessionária). Ocorre, todavia, que essa constatação é inverídica, e pode facilmente ser elucidada com as propostas e apólices em que a Domazi atuou como Corretora de Seguros, no período em questão, e que tratam de: seguro específicos para empresas e suas atividades, seguro de vida, seguro para casas, e, também, seguros para automóveis (doc. 19). De fato, a Domazi atua no setor de corretagem de seguros, e também participa da contratação de seguros para veículos comprados na impugnante, colocando em contato o Segurado e a Sociedade Seguradora, como não poderia ser diferente nas atividades previstas para empresas de seu ramo. Mas esse fato não retira a natureza de pessoa jurídica própria, e que atua com os mais diversos tipos de seguros privados. Para reforçar e novamente comprovar o pleno exercício das atividades da Domazi, a impugnante apresenta as Notas Fiscais emitidas por aquela empresa em face das mais diversas Sociedades Seguradoras que estão habilitadas pelo governo brasileiro a atuar em nosso território, referente aos anoscalendário de 2010 a 2012 (doc. 20). Fl. 11009DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.010 27 Dos funcionários, despesas e contabilidade próprias da empresa Domazi. Outro ponto amplamente abordado pela fiscalização diz respeito ao registro de despesas e a relação de funcionários registrados pela Domazi. Nesse contexto, a impugnante refuta completamente o Relatório Fiscal, haja vista que a empresa Domazi possui funcionários próprios e registrados em sua Folha de Pagamento (doc. 21) para os anos calendário de 2010 a 2012. Por outro lado, vale consignar que os funcionários da Domazi atuam com (i) uniformes, (ii) cartão de visita e (iii) crachás completamente distintos daqueles usados pelos funcionários da impugnante (conforme comprovam os cartões de visita do Sr. João Evangelista Neto e da Sra. Roberta Pereira doc. 22). Logicamente, a identidade visual é similar entre as duas empresas, haja vista que pertencerem ao mesmo grupo econômico dos sócios da impugnante, contudo, tal fato não altera em nada o fato de que a Domazi é uma pessoa jurídica própria, e dedicada exclusivamente ao seu segmento de negócio. No tocante aos registros contábeis da impugnante, especialmente o controle e registro de suas despesas (água, telefone, etc), diferentemente do alegado pela fiscalização, na Domazi existem despesas registradas no seu Balancete, assim como nos Livros Razão e Diário (docs. 23 e 24). Outra despesa paga pela Domazi e que está registrada em sua contabilidade, referese ao contrato firmado com a empresa A. F. Amato Remanufatura ME, para a cessão de máquinas de impressão e manutenção das mesmas (doc. 25). Esse contato trata apenas do atendimento à Domazi, e somente para as máquinas utilizadas por ela, sendo que em nenhum momento é mencionado o nome da impugnante. Portanto, resta demonstrado que a Domazi é uma pessoa jurídica diversa da impugnante, e possui despesas, as quais estão devidamente registradas em conformidade com as regras gerais contábeis. Caso a fiscalização tivesse analisado os Balancetes e Livros Razão e Diário da Domazi (docs. 23 e 24) com o cuidado necessário, teria verificado que as despesas dessa empresa foram contabilizadas. DAS ATIVIDADES DE CONSULTORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL DESENVOLVIDAS PELA EMPRESA DOM PESSOA JURÍDICA TOTALMENTE DISTINTA DA IMPUGNANTE A fiscalização entende, equivocadamente, que a empresa Dom é parte integrante da impugnante, e que, dessa forma não possui despesas, não tem funcionários, ou mesmo recolhe seus tributos e entrega suas obrigações acessórias. Ocorre, todavia, que as afirmações da fiscalização não têm guarida na verdade material, pois, conforme a lista abaixo, a Dom cumpre com todas as suas obrigações acessórias, evidentemente tem despesas na Fl. 11010DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.011 28 realização de suas atividades, e possui funcionários registrados e constantes na sua Folha de Pagamentos: · DIPJs dos anoscalendário de 2010 a 2012 (doc. 26); · DCTFs dos anoscalendário de 2010 a 2012 (doc. 27); · Balancetes dos anoscalendário de 2010 a 2012 (doc. 28); · Livros Razão e Diário dos anoscalendário de 2010 a 2012 (doc. 29); · Folhas de Pagamento dos anoscalendário de 2010 a 2012 (doc. 30); · Notas Fiscais emitidas em face dos Bancos e Instituições Financeiras que a Dom tem contrato (doc. 31); e · Contrato de locação de sistema de impressão com a empresa RMW Serviços de Cópias e Impressões Ltda. EPP (doc. 32). Portanto, diferentemente do alegado pela fiscalização, a Dom possui funcionários dedicados exclusivamente à consecução do objeto social da empresa. Ocorre que os serviços prestados pela Dom, assim como está descrito em seu contrato social (doc. 05), tais como intermediação e agenciamento, não requerem grandes quantidades de colaboradores (funcionários) envolvidos, ou ainda alto grau de especialização. Os funcionários da Dom atuam apenas como elo de ligação de diversas instituições financeiras, as quais realmente ofertarão o serviço, e o consumidor que deseja contratar referido serviço financeiro. Para tanto, vale destacar que a Dom possui os contratos com os agentes financeiros, e ato contínuo, emite todas as Notas Fiscais correspondentes (doc. 31). Mesmo que não haja grande complexidade na realização de suas atividades, a Dom tem vários funcionários próprios registrados em sua Folha de Pagamento (doc. 30), fato esse que apenas é observado para empresas que tem atividades claramente definidas. Outro ponto que merece relevância é a data da constituição da Dom, 19/12/2007, onze anos e onze meses após a constituição da impugnante (docs. 05 e 14). Ademais, em sentido totalmente oposto aos argumentos utilizados pela fiscalização, a empresa Dom tem diversas despesas registradas em sua contabilidade (conforme Balancetes e Livros Diário e Razão docs. 28 e 29), as quais refletem tratarse de uma pessoa jurídica totalmente distinta da impugnante. Dentre essas despesas registradas corretamente pela Dom, merece menção o Contrato de locação de sistema de impressão, o qual foi firmado com a empresa RMW Serviços de Cópias e Impressões Ltda. EPP, e somente trata dos serviços de locação e manutenção para a Dom (doc. 32). Não consta em nenhum momento o nome da impugnante no referido contrato. Fl. 11011DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.012 29 Por fim, devem ser destacadas todas as DIPJs e DCTFs entregues em conformidade com a legislação tributária pela Dom, nos anos calendário de 2010 a 2012 (docs. 26 e 27), e as quais somente poderiam ser feitas por uma pessoa jurídica própria, com atividades e propósito negocial previamente definidos. DAS ATIVIDADES DA EMPRESA INVESTBRÁS PESSOA JURÍDICA COMPLETAMENTE DISTINTA DA IMPUGNANTE A impugnante possui relação comercial com a empresa Investbrás desde 01/04/2001, quando firmou um Contrato de assessoria e consultoria econômico financeira e representação na intermediação de negócios (doc. 33). Nos termos do referido acordo comercial, fica evidente que a Investbrás presta serviços de consultoria à impugnante, que tem como objetivo principal obter um melhor desempenho no mercado nacional de venda de veículos. E esse resultado vem sendo alcançado desde abril de 2001, através das diretrizes, ações e estratégias traçadas e implementadas pela impugnante, assim como observado o auxílio e prestação de serviços de assessoria e consultoria da Investbrás. Vale destacar que a Investbrás tem como maior capital a expertise e knowhow de seus sócios que representam a impugnante em diversas negociações, prestando um serviço relevantíssimo ao desenvolvimento das atividades de uma Concessionária (impugnante). A impugnante apenas esclarece que, por não ter ingerência na administração ou fazer parte do quadro societário da Investbrás, ao receber o presente Auto de Infração, solicitou àquela todos os documentos que comprovassem sua constituição e desenvolvimento regular de suas atividades. A fiscalização relata, sobre a Investbrás, em suma, que (i) não foram apresentados os documentos solicitados, (ii) entre os sócios está uma filha dos únicos donos da impugnante, (iii) o endereço da empresa é o mesmo onde moram os sócios da impugnante, (iv) nos anocalendários de 2010 a 2012, a empresa prestou serviços exclusivamente para a impugnante, (v) a empresa, supostamente, não utilizou empregados para a consecução do seu objeto social, e (vi) os lançamentos extraídos da contabilidade da impugnante demonstrariam o vínculo do sócio Eduardo Marcelo da Veiga Carlota. Ocorre que tais ilações não podem levar a conclusão de que a Investbrás seja parte da impugnante, ou mesmo tenha participado de algum planejamento ilícito, pois essa empresa, que presta apenas assessoria e consultoria, está devidamente registrada e constituída nos órgãos competentes desde 16/03/2001 (doc. 06), e detém todos os requisitos necessários para a realização de suas atividades, como é de fácil comprovação pelos documentos abaixo listados: · Contrato social (docs. 06 e 34); · DIPJs dos anoscalendário 2010 a 2012 (doc. 35); · DCTFs dos anoscalendário 2010 a 2012 (doc. 36); Fl. 11012DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.013 30 · DACONs dos anoscalendário 2010 a 2012 (doc. 37); · Balancetes dos anoscalendário 2010 a 2012 (doc. 38); · Notas Fiscais dos bens móveis adquiridos (doc. 39); · Relatório dos bens patrimoniais – Analítico (doc. 40); · Comprovantes da entrega das chaves e dos pagamentos de aluguéis do imóvel utilizado como sede nos anoscalendário de 2010 a 2012 (doc. 41); e · Notas Fiscais emitidas contra a impugnante (doc. 42). Ora, apenas uma empresa que esteja regularmente constituída pode entregar sua DIPJ, DCTF ou DACON em consonância com a legislação federal. Somente uma empresa que possui um propósito negocial bem definido pode possuir despesas como aluguéis, comprar bens móveis e entregar seu Balancete respeitando as regras contábeis. E por fim, mas também extremamente relevante, apenas e tão somente uma empresa que efetivamente preste os serviços descritos em seu contrato social pode firmar contratos com outras pessoas jurídicas, e, assim, emitir Notas Fiscais por suas atividades. Nada obstante a clareza dos argumentos expostos, a impugnante rebate ponto a ponto as equivocadas presunções inseridas pela fiscalização em seu Relatório Fiscal. Do contrato de prestação de serviços da Investbrás para com a impugnante Conforme já exposto, a Investbrás firmou contrato de prestação de serviços com a impugnante (doc. 33), ainda vigente, sendo que em sua Cláusula Primeira prevê que "A CONTRATANTE contrata os serviços profissionais da CONTRATADA de Assessoria e Consultoria Econômico Financeira e representação na Intermediação de Negócios, em nome da Contratante". Para a consecução das referidas atividades, as empresas ainda acordaram nas Cláusulas Quinta e Sexta que "Caberá a CONTRATANTE o pagamento de todas as despesas inerentes ao fiel desempenho dos poderes outorgados à CONTRATADA, que, se por esta pagas, serlheão reembolsadas, mediante os respectivos comprovantes" e que "Não estão incluídos nos honorários mencionados na cláusula segunda, os valores referentes a despesas de viagem e estada, a exemplo de diárias de hotéis, refeições e locação de veículos, as quais, se necessárias para o fiel desempenho deste contrato, serão pagas pela CONTRATANTE, previamente autorizadas". Observase, assim, que as despesas da empresa Investbrás no cumprimento de seu contrato com a impugnante são de responsabilidade e pagamento desta última. E por tal razão, as despesas registradas na contabilidade da impugnante com o nome do sócio da Investbrás (Sr. Eduardo Marcelo da Veiga Carlota) estão perfeitamente corretas, haja vista que as mesmas são resultado de seu trabalho de consultoria e intermediação de negócios de interesse da impugnante (como, por exemplo, visitas a clientes, fornecedores, etc). Fl. 11013DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.014 31 Todas as despesas mencionadas pela fiscalização no Anexo 1 de seu Relatório Fiscal (telefone, adiantamentos, acomodações, etc), além de necessárias para o cumprimento do contrato assinado, são reembolsadas aos sócios da Investbrás apenas após a apresentação do recebido correspondente. Assim, diante a necessidade de assessoria e consultoria permanente, feita pelos sócios da empresa contratada, cai por terra mais uma presunção feita pela fiscalização, uma vez que não há nenhuma ilegalidade caso a Investbrás preste serviços exclusivamente para a impugnante, desde que, como se observa no presente caso, haja previsão expressa em contrato (doc. 33), sejam emitidas as referidas Notas Fiscais (doc. 42), e a empresa recolha os tributos devidos, entregando as obrigações acessórias apropriadas (docs. 35 a 37). Do local da sede da Investbrás Nas equivocadas conclusões da fiscalização ainda foi levantada a hipótese de a Investbrás ser parte integrante da impugnante por sua sede estar registrada atualmente no mesmo Condomínio em que residem os sócios da impugnante. Notase. evidentemente, a falta de fundamentação da fiscalização com essa afirmação, uma vez que (i) não há nenhuma restrição na legislação pátria que impeça uma empresa ter sede em Condomínios Residenciais, (ii) a Investbrás teve como primeiro endereço local totalmente diverso da impugnante (doc. 34), (iii) a Investbrás já possuiu três sedes anteriores, sendo que no período objeto do Auto de Infração (2010 a 2012), a empresa estava localizada na Avenida Miguel Sutil, n° 8.000 , Sala 1.708, Edifício Santa Rosa Tower, e pagava normalmente aluguel (docs. 34 e 41), e (iv) a Investbrás apenas tem endereço atual no mesmo local em que residem seus sócios por questões econômicas (redução de gastos). Nos anoscalendário de 2010 a 2012, objeto de análise da fiscalização, a Investbrás estava localizada em um prédio comercial, no qual firmou contrato de locação, e pagava aluguel pelo seu uso (doc. 41), sendo que esse imóvel não tem qualquer relação com a impugnante. E mais, as despesas com esse aluguel estão devidamente lançadas nos Balancetes da empresa (doc. 38). Em nenhum momento se negou que a Sra. Silvia Barros de Oliveira Carlota, uma das sócias da Investbrás, é filha dos sócios da impugnante. Todavia, esse fato não impede que a mesma estude, trabalhe, constitua empresa, preste serviços, mude de endereço. Ou mesmo que a sócia de uma empresa more no mesmo Condomínio dos pais. Ademais, equivocadamente a fiscalização acrescenta as receitas auferidas pela Investbrás como fosse da impugnante, uma vez que classifica a Investbrás regularmente constituída como pseudo empresa. Ora, mas referidas receitas não guardam qualquer relação com as atividades da impugnante uma vez que esta contrata a Investbrás na prestação de serviços de gestão empresarial. A impugnante, desde sua constituição, jamais prestou serviços de consultoria e gestão empresarial para outras concessionárias, independentemente da bandeira que estas representam. Fl. 11014DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.015 32 Ante o exposto, a impugnante reitera que o presente Auto de Infração merece ser integralmente cancelado, haja vista que a Investbrás é uma pessoa jurídica distinta da impugnante, e, na verdade, presta apenas serviços de assessoria e consultoria. SUBSIDIARIAMENTE DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA O agravamento da multa (para 150%) é totalmente indevido, pois a impugnante em nenhum momento realizou a "segregação de atividades" exposta pela fiscalização e que teria dado azo à lavratura do presente Auto de Infração. A apresentação de todos os documentos que comprovam a legal e correta constituição de pessoas jurídicas diversas (Domazi, Dom e Investbrás), e que desenvolvem atividades completamente distintas da impugnante, aniquila, por completo, o lançamento feito pela fiscalização, que dirá a aplicação de multa de ofício qualificada. Sobretudo porque o Auto de Infração foi elaborado com base em meras conjecturas, sem a análise mínima dos documentos comprobatórios apresentados pela impugnante e demais empresas, e sem qualquer prova da ocorrência de dolo. fraude ou simulação. DA NECESSIDADE DE DEDUÇÃO DOS VALORES JÁ PAGOS DAS CONTRIBUIÇÕES PELAS EMPRESAS DOMAZI E DOM A fiscalização apresentou em seu Relatório Fiscal os valores supostamente devidos a título de PIS e COFINS pela impugnante, afirmando que para seu cálculo já realizara o abatimento dos valores pagos pelas empresas Domazi e Dom. Nesse sentido e apenas a título de argumentação, uma vez que a impugnante tem certeza que será cancelada integralmente a exigência, com a verificação que não ocorreu qualquer planejamento tributário ilícito o cálculo dos valores apresentados pela fiscalização está totalmente equivocado, pois não foram deduzidos os valores efetivamente pagos pelas empresas Domazi e Dom (que totalizam R$ 71.749,35 e R$ 349.382,63, conforme se comprova as planilhas anexas doc. 07). Mesmo na hipótese de desconsideração das pessoas jurídicas (Domazi e Dom), não se pode deixar de deduzir os valores que aquelas empresas efetivamente pagaram nos anoscalendário de 2010 a 2012. Determinação em sentido contrário estaria sustentando um evidente enriquecimento ilícito da União. DO PEDIDO Ante o exposto, a impugnante requer que seja a presente integralmente acolhida e deferida nos seus exatos termos, para: · Cancelar integralmente o Auto de Infração; · Caso não seja acolhido o pedido acima, a impugnante requer que (1) seja reconhecida como indevida a multa de ofício qualificada (150%); e (2) seja reconhecido o equívoco cometido pela fiscalização nos Fl. 11015DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.016 33 lançamentos efetuados, haja vista que não foram deduzidos os valores já devidamente recolhidos a título da contribuição ao PIS e à COFINS para as empresas DOMAZI e DOM nos anoscalendário de 2010 a 2012, e que totalizam R$ 71.749,35 e R$ 349.382,63. Por fim, a impugnante protesta pela posterior juntada de todo e qualquer documento necessário à comprovação da improcedência das acusações fiscais que lhe foram imputadas. DA RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXOS À PRESENTE IMPUGNAÇÃO A impugnante relaciona, às fls. 186/188, os documentos anexos à impugnação (docs. 01 a 42). · doc. 01 Contrato Social atualizado e cartão CNPJ da impugnante; · doc. 02 Procuração; · doc. 03 Aviso de Recebimento sobre o Auto de Infração; · doc. 04 Contrato Social atualizado e cartão CNPJ da empresa Domazi; · doc. 05 Contrato Social atualizado e cartão CNPJ da empresa Dom; · doc. 06 Contrato Social atualizado e cartão CNPJ da empresa Investbrás; · doc. 07 Planilha com valores deduzidos da contribuição ao PIS e da COFINS já recolhidos pela Domazi e Dom nos anoscalendário de 2010 a 2012; · doc. 08 Manual disponibilizado às concessionárias sobre o "Hold Back"; · doc. 09 Convenção Parcial da Marca "Hold Back" e aditamentos; · doc. 10 Convenção Parcial de Marca Fiat, Contrato de Constituição da Sociedade em Conta de Participação, Regulamento da Sociedade em Conta de Participação, Convenção Parcial de Marca Fundo de Capitalização e aditamentos; · doc. 11 Manual disponibilizado às concessionárias sobre o Fundão; · doc. 12 Contratos Sociais antigos da impugnante; · doc. 13 Contratos Sociais antigos da Domazi; · doc. 14 Contratos Sociais antigos da Dom; · doc. 15 Título de Habilitação Profissional de Corretora de Seguros emitido pela SUSEP para a Domazi; Fl. 11016DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.017 34 · doc. 16 Certidão de Corretores emitido pela SUSEP para a Domazi; · doc. 17 DIPJs da Domazi dos anoscalendário de 2010 a 2012; · doc. 18 DCTFs da Domazi dos anoscalendário de 2010 a 2012; · doc. 19 Propostas e apólices em que a Domazi participou como empresa Corretora de Seguros (Dentre eles: Seguros específicos para empresas, seguros para casa, seguros de vida e seguros de automóveis); · doc. 20 Notas Fiscais emitidas pela Domazi em face das Sociedades Seguradoras nos anoscalendário de 2010 a 2012; · doc. 21 Folhas de Pagamentos da Domazi dos anoscalendário de 2010 a 2012; · doc. 22 Cartões de visita dos funcionários da Domazi; · doc. 23 Balancetes da Domazi dos anoscalendário de 2010 a 2012; · doc. 24 Livros Razão e Diário da Domazi dos anoscalendário de 2010 a 2012; · doc. 25 Contrato de cessão de máquinas de impressão e manutenção firmado entre a Domazi e a empresa A.F. Amato Remanufatura ME; · doc. 26 DIPJs da Dom dos anoscalendário de 2010 a 2012; · doc. 27 DCTFs da Dom dos anoscalendário de 2010 a 2012; · doc. 28 Balancetes da Dom dos anoscalendário de 2010 a 2012; · doc. 29 Livros Razão e Diário da Dom dos anoscalendário de 2010 a 2012; · doc. 30 Folhas de Pagamento da Dom dos anoscalendário de 2010 a 2012; · doc. 31 Notas Fiscais emitidas pela Dom em face dos bancos e instituições financeiras que possui contrato; · doc. 32 Contrato de locação de sistema de impressão firmado entre a impugnante e a Investbrás; · doc. 33 Contrato de prestação de serviços firmado entre a impugnante e a Investbrás; · doc. 34 Contratos Sociais antigos da Investbrás; · doc. 35 DIPJs da Investbrás dos anoscalendário de 2010 a 2012; · doc. 36 DCTFs da Investbrás dos anoscalendário de 2010 a 2012; Fl. 11017DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.018 35 · doc. 37 DACONs da Investbrás dos anoscalendário de 2010 a 2012; · doc. 38 Balancetes da Investbrás dos anoscalendário de 2010 a 2012; · doc. 39 Notas Fiscais dos bens móveis adquiridos pela Investbrás; · doc. 40 Relação dos bens patrimoniais Analítico da Investbrás; · doc. 41 Comprovantes da entrega das chaves e dos pagamentos de aluguéis do imóvel utilizado como sede da Investbrás nos anos calendário de 2010 a 2012; e · doc. 42 Notas Fiscais emitidas pela Investbrás em face da impugnante. DA DEVIDA INSTRUÇÃO DO PROCESSO Em sua impugnação a contribuinte afirma estar juntando aos autos os documentos relacionados às fls. 186/188 (docs. 01 a 42). Verificando que os referidos documentos não se encontravam juntados aos autos, o presente processo foi encaminhado por esta DRJ à DRF/Cuiabá/MT (fl. 234), para: · Juntar aos autos os documentos supracitados, caso a contribuinte os tenha apresentado; ou · Intimar a contribuinte a apresentar os referidos documentos, juntandoos aos autos. Tendo em vista que a contribuinte não havia apresentado esses documentos, foi intimada a apresentálos (fl. 237). A contribuinte apresentou, então, os documentos de fls. 248/10263, retornando o processo a esta DRJ para julgamento. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010, 2011, 2012 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. EMPRESAS INEXISTENTES DE FATO. APURAÇÃO DE TRIBUTOS CONSIDERANDO ESSA NOVA REALIDADE. Restando comprovado que a contribuinte e outras 3 empresas (inexistentes de fato) são, de fato, uma única pessoa jurídica, correta a apuração dos tributos considerando esta nova realidade, através da devolução para a contribuinte de todos os valores indevidamente apropriados nas pseudo empresas. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Comprovado um planejamento tributário ilícito, visando unicamente a redução de tributos, circunstância esta que se coaduna com a figura da fraude, correta a aplicação da multa qualificada. Fl. 11018DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.019 36 APURAÇÃO DO TRIBUTO. ERRO DE FATO. Observado erro de fato na apuração do tributo, exonerase parcialmente a exigência. OMISSÃO DE RECEITAS. BÔNUS PQR E BÔNUS "HOLD BACK". BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES. Nos termos da legislação de regência, os valores recebidos relativos ao denominados Bônus PQR e Bônus “Hold Back” fazem parte do faturamento das concessionárias de veículos e, assim sendo, integram a base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS. COFINS. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao PIS aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Como se verifica pelo relato dos fato, tratase de procedimento fiscal decorrente de fiscalização atinente ao IRPJ e CSLL: Conforme Relatório Fiscal de fls. 51/66, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, para fins de verificação da possível utilização de planejamento tributário ilícito, visando unicamente a redução de tributos, nos anoscalendário de 2010 a 2012, constatouse o seguinte: (...) Da análise da documentação apresentada, verificouse que as empresas Domani Distribuidora (empresa mãe), Dom, Domazi e Investbrás (empresas satélites) constituem, na realidade, uma única pessoa jurídica, como a seguir se demonstra, sendo utilizado o artifício de fragmentação das atividades / receitas da Domani Distribuidora, obrigada ao pagamento do imposto de renda pelo lucro real, para transferência às empresas Dom (consultoria em gestão empresarial), Domazi (corretora de seguros) e Investbrás (consultoria Fl. 11019DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.020 37 em gestão empresarial), optantes pelo lucro presumido, visando unicamente a redução (ilícita) a 32% da base de cálculo dos tributos IRPJ e CSLL sobre a receita transferida e da tributação do PIS e da COFINS, com aplicação de alíquotas menores (regime cumulativo). Consta também do Relatório supra que a autuação fiscal decorre de desconsideração de operação de planejamento tributário tido por ilícito empreendida pelo contribuinte: Dispõe o art. 2º do Regimento Interno do CARF: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ, ou se referir a litígio que verse sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação ou da causa; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos doIRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do DistritoFederal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (Simples Nacional); Logo, é inconteste que para o exame do feito, é condição primordial que antes se analise a legitimidade das operações realizadas pelo contribuinte, consoante provas apresentadas aos autos, sendo estas as mesmas que instruem a fiscalização relativa ao IRPJ e CSLL, atraindo, portanto, a competência da 1ª Seção deste órgão julgador. Por oportuno, esclareço que em consulta realizada no sítio eletrônico do CARF, identificase a existência de processo do mesmo contribuinte, com numeração sequencial ao presente, que tem por objeto o IRPJ e a CSLL e já distribuído à 1ª Seção deste CARF, havendo indícios, portanto, que se trata justamente do feito principal: Fl. 11020DF CARF MF Processo nº 14098.720197/201483 Resolução nº 3201001.950 S3C2T1 Fl. 11.021 38 Desse modo, proponho a DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA do presente feito à Primeira Seção de Julgamento deste CARF para seu adequado processamento e julgamento. Conforme consta do presente voto, recomendase, ainda, o exame acerca de possível conexão do presente feito ao de nº 14098.720196/201439. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 11021DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.908558/2011-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.388
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a DRF de origem examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo da contribuição, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1914; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.908558/201149 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.388 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de junho de 2017 Assunto PIS E COFINS. RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente BRASLATEX INDUSTRIA E COMERCIO DE BORRACHAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a DRF de origem examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo da contribuição, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito de PIS e COFINS. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 08 55 8/ 20 11 -4 9 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Resolução nº 3301000.388 S3C3T1 Fl. 3 2 Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte e livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14 042.483. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos; e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e a cópia de parte do livro diário apresentada não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Resolução nº 3301000.388 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.366, de 28 de junho de 2017, proferida no julgamento do processo 10850.906106/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3301000.366): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade,portanto dele tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20(vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ.21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. Quanto ao mérito, resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS e da Cofins. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Resolução nº 3301000.388 S3C3T1 Fl. 5 4 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS e pela COFINS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF,aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto,sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Todavia, a autoridade administrativa não considerou os documentos juntados pela Recorrente planilha, o livro diário e o livro razão – uma vez que afastou a tese de mérito. Diante da compatibilidade do valor pleiteado pela Recorrente face à sua escrituração contábil, necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação do crédito pleiteado. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja determinada à unidade de origem que: a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Resolução nº 3301000.388 S3C3T1 Fl. 6 5 e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de origem: a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 16048.000070/2007-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3402-003.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renata da Silveira Bilhim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Renata da Silveira Bilhim, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luis Cabral substituído pelo Conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: RENATA DA SILVEIRA BILHIM
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata da Silveira Bilhim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Renata da Silveira Bilhim, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luis Cabral substituído pelo Conselheiro Marcos Roberto da Silva. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 14-49.379, proferido pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do Contribuinte. A decisão recorrida possui a seguinte ementa, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO DO IPI. COMPROVAÇÃO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 48 .0 00 07 0/ 20 07 -3 6 Fl. 600DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3402-003.143 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000070/2007-36 Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. JUNTADA DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a manifestante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem retratar os fatos que gravitam em torno da presente demanda, reproduzo o relatório desenvolvido pela DRJ em Ribeirão Preto/SP e retratado no Acórdão recorrido, o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata-se de declaração de compensação por meio da qual a interessada visa extinguir débito próprio de Cofins, vencido em dezembro de 2004, com crédito oriundo de ressarcimento de IPI do 3° trimestre de 2004, no valor de R$ 191.405,24, apurado pela filial de CNPJ n° 60.435.351/0005-80. Conforme o Despacho Decisório de fls. 334/337, e com base no relatório fiscal de fls. 82/106, o pedido foi integralmente indeferido, e, consequentemente, a compensação não foi homologada. Segundo consta, o indeferimento do direito creditório ocorreu porque a contribuinte não atendeu as reiteradas intimações que possibilitariam verificar a legitimidade do pedido de ressarcimento. Regularmente cientificada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade de fls. 340/374, alegando, em síntese, que: - chama a atenção para a necessidade de a auditoria fiscal considerar o porte e a complexidade das operações da empresa de forma a evitar conclusões superficiais que não representam de forma alguma a realidade dos fatos; - mister se faz reconhecer a ocorrência do indesejável cerceamento de defesa da peticionária, verificado durante todo o período em que perdurou a auditoria fiscal, motivo pelo qual a decisão recorrida merece ser integralmente reformada. - exemplo inequívoco desse desrespeito pode ser apreciado nas linhas que se seguem, onde no inicio da fiscalização a autoridade autuante se recusou a se identificar para entrar no estabelecimento fiscalizado, além de desconsiderar todos os mais elementares procedimentos de segurança, dentre eles o uso do crachá de visitante; - fator importante que certamente contribuiu para o insucesso da fiscalização e para o cerceamento de defesa da impugnante foi a exigência de relatórios em aplicativo excel, Fl. 601DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3402-003.143 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000070/2007-36 em formato não previsto na legislação, com a agravante de concessão de prazos exíguos para resposta; - chama a atenção para a total ineficácia do procedimento de fiscalização porque, conforme já declinado no inicio da presente, o exame efetivado abandonou flagrantemente o seu objeto, que seria simplesmente verificar a procedência dos créditos oriundos da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestre calendário, utilizados pela impugnante na compensação de outros débitos administrados pela Receita Federal do Brasil; - autoridade autuante não se dispôs a examinar os créditos relativos a entradas de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, conforme determina o inciso I, do § 3°, do artigo 21, da Instrução Normativa 900 de 2008 (e respectivas IN que a antecederam); muito ao contrário, a d. autoridade autuante solicitou planilha excel para a peticionária e passou a fazer inúmeras questões e solicitações relativas a mercadorias adquiridas para uso e consumo do estabelecimento, portanto sem direito a crédito pela legislação e igualmente incontáveis solicitações sobre mercadorias adquiridas para revenda, em relação as quais o dispositivo regulamentar não admite ressarcimento do IPI creditado, nem a sua compensação com outros débitos; - não se pretende aqui negar o direito conferido pela Lei ao auditor fiscal da receita federal, de requisitar todo tipo de documentos necessários à fiscalização, apenas ponderar quanto ao objeto da fiscalização ora em discussão; - ao finalizar o procedimento de fiscalização a r. autoridade autuante produziu outra peça que, "data venia" em nada contribui para o objeto da auditoria fiscal, ao contrário articula argumentos que evidenciam conclusões equivocadas dignas de serem riscadas dos autos, eis que não se coadunam com os princípios de direito que norteiam o processo administrativo tributário; tal peça é denominada "questionário" no texto da r. Decisão recorrida, em relação ao qual a peticionária não pode deixar de manifestar sua contrariedade e rebater veementemente os equívocos nele insertos; - o aludido questionário foi produzido no estabelecimento da peticionária, onde seu representante legal se viu obrigado a responder perguntas verbais, sem a mínima chance de ver as suas observações inseridas em tal documento, razão pela qual as respostas são sistematicamente curtas, em sua maioria "sim" ou não", o que não merece ser levado em consideração por ter sido produzido sem observar a forma escrita e sem ser dada ao contribuinte a oportunidade de emitir suas respostas também na forma escrita, nos termos do devido processo legal e do direito à ampla defesa garantidos pela Constituição Federal; portanto, frise-se, é nulo de pleno direito o indigitado "questionário"; - requer a realização de perícia para o fim de se examinar todos os aspectos relacionados aos créditos objetos do pedido de ressarcimento/compensação, elaborando quesitos. Por fim, requer o acolhimento e provimento da manifestação de inconformidade, para o fim de que seja reformada integralmente a r. Decisão ora recorrida, reconhecendo-se o direito da peticionária nos termos do presente documento e ressalta que provará o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a juntada de novos documentos que se façam necessários à elucidação dos fatos, nos termos do Principio da Verdade Material que rege o Processo Administrativo Tributário. O Contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância em 13/10/2015, conforme Termo de ciência de fls. 513, apresentando o Recurso Voluntário, na data de 11/11/2015, pugnando pelo provimento do recurso e homologação integral das compensações pleiteadas. Fl. 602DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3402-003.143 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000070/2007-36 É o relatório. Voto Conselheiro Renata da Silveira Bilhim, Relator. Nos termos do relatório, verifica-se a tempestividade do Recurso Voluntário, bem como o preenchimento dos requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Entendo, contudo, pela necessidade de conversão do processo em diligência para verificar a validade e montante do crédito pleiteado pelo sujeito passivo. Trata-se de PER/DCOMP transmitida em 14/12/2004, visando o aproveitamento de créditos de IPI (art. 11, da Lei nº 9.779/99) referente ao 3º trimestre de 2004, no valor de R$191.405,24, apurados por filial, para compensar com débitos próprios de COFINS. Em 11/12/2009, sobreveio Despacho Decisório (fls. 340 a 374) não homologando a compensação pleiteada, tendo em vista que o Contribuinte, intimado, por várias vezes, não apresentou a documentação necessária a verificar a legitimidade de seu pedido. Abaixo colaciono a ementa do despacho: Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS 3º Trimestre do ano-calendário de 2004 Ementa: Declaração de Compensação Os créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional podem ser utilizados na compensação de débitos tributários, quando administrados pela RFB e satisfeitas as condições previstas nas normas de regência. Prejudicada a análise do mérito, devido ao não atendimento de reiteradas intimações que possibilitariam verificar a legitimidade do pedido de ressarcimento. COMPENSAÇÃO NA HOMOLOGADA Em manifestação de inconformidade, em resumo, a contribuinte explica que autoridade administrativa desconsiderou o porte e a complexidade das operações da empresa e concluiu por não homologar a compensação com base em conclusões superficiais que se afastam da verdade dos fatos. Alega, preliminarmente, o cerceamento de defesa e a nulidade do despacho decisório e, no mérito, argumenta que a fiscalização afastou-se de seu objeto, que era a análise dos créditos de IPI permitidos pela legislação, e passou a fazer exigências que se referem a mercadorias adquiridas para uso e consumo do estabelecimento e igualmente incontáveis solicitações sobre mercadorias adquiridas para revenda, situações em que o crédito não é permitido. Aduz que as intimações continham prazos exíguos impossibilitando o seu cumprimento. Pede a realização de perícia. Não junta aos autos documentos comprobatórios. A DRJ julgou improcedente a manifestação a Contribuinte. Incialmente, destaca que o procedimento de fiscalização é meramente inquisitório de modo que o contraditório e a ampla defesa iniciam-se após a ciência do despacho decisório com a apresentação da manifestação de inconformidade. Afasta os argumentos de cerceamento de defesa e, no mérito afirma que é dever do auditor, em procedimento de análise de pedido de ressarcimento, fiscalizar todas as entradas que geraram créditos, mesmo aqueles não ressarcíveis, bem como, as saídas de produtos efetuadas pelo estabelecimento. Argumenta que não existe o alegado cerceamento do Fl. 603DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3402-003.143 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000070/2007-36 direito de defesa, mas ao contrário, uma tentativa da empresa de cercear o direito de fiscalização, com a pretensão da manifestante de limitar o trabalho fiscal, além de não atender os procedimentos determinados pela legislação que rege o IPI. Alerta que se trata de pedido de ressarcimento/compensação e o ônus da prova recai sobre o contribuinte e que, mesmo em manifestação de inconformidade, não juntou aos autos documentos comprobatórios de seu crédito. Afasta o pedido de perícia, uma vez que esta apenas se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Em Recurso Voluntário, a Recorrente reforça as razões da nulidade do despacho decisório e cerceamento de defesa e no mérito repete as alegações da manifestação de inconformidade. Contudo, junta aos autos cópia do livro de IPI do período analisado (fls. 577 a 588). Assim, afim de evitar o enriquecimento ilícito do Estado, pugna pela análise dos documentos em nome da verdade material, com o consequente reconhecimento do crédito e homologação da compensação pleiteada e, caso a documentação apresentada não seja suficiente, pede seja deferida a realização de diligência. Como se vê, é fato incontroverso que a questão posta em debate tem conteúdo exclusivamente probatório. No caso dos autos, o contribuinte figura como titular da pretensão nas Declarações de ressarcimento e de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório que alega possuir. Assim, cabe ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, a teor do que determinam os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972 1 . Em regra, as provas que se pretende dispor devem ser apresentadas na impugnação/manifestação de inconformidade do contribuinte, precluindo seu direito fazê-lo em outro momento processual (art. 16 e seus parágrafos, do Decreto Lei nº. 70.235/72). Contudo, como amplamente permitido por este Conselho, tal regra pode e deve ser flexibilizada em nome do princípio da verdade material. Donde se conclui que se o julgador administrativo de ofício pode determinar a produção da prova até o julgamento do processo, com muito mais razão deverá acolher qualquer requerimento probatório até a tomada da decisão. Assim, nada obstante a Recorrente não ter carreado aos autos elementos de prova de seu direito junto à sua manifestação de inconformidade, agora, em sede de Recurso Voluntários o fez (cópias do livro de IPI). 1 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III- os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 604DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3402-003.143 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000070/2007-36 Desta forma, uma vez que o contribuinte trouxe aos autos documentos que sugerem a existência do crédito entendo que o processo não está apto a ser julgado no presente momento. Em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Importante salientar que não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação. Observa-se que a autoridade de origem não se pronunciou sobre os documentos ora juntados pela Recorrente, o que pode impactar diretamente na apuração dos valores envolvidos no pedido de compensação. As autoridades administrativas não podem deixar de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, caso contrário restará comprometida a própria regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja consequência é declaração de nulidade, nos termos do art. 59, II do Decreto nº 70.235/72. Destaca-se que a comprovação da existência dos alegados créditos da Contribuinte somente pode ser efetuada com base na análise da documentação apresentada, devidamente lastreada por sua escrita contábil e fiscal. Tal atribuição compete aos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme determina o art. 9º da Lei nº 11.457, 2007), in verbis: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I - no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Diante dessas considerações, à luz do art. 29, do Decreto n.º 70.235/72 2 , proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal de origem: 2 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 605DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 3402-003.143 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000070/2007-36 (i) intime a Recorrente para apresentar, além dos documentos já juntados, planilha contendo as notas fiscais envolvidas (entrada e saída) que correspondam aos créditos e débitos escriturados nos livros fiscais, as cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte aos autos estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. É como proponho a presente Resolução. (documento assinado digitalmente) Renata da Silveira Bilhim Fl. 606DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10707.001523/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2201-000.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr Luiz Henrique Barros de Arruda OAB/RJ 85.746.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 12/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr Luiz Henrique Barros de Arruda OAB/RJ 85.746. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 12/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 07 .0 01 52 3/ 20 08 -3 5 Fl. 5579DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10707.001523/200835 Resolução nº 2201000.224 S2C2T1 Fl. 3 2 Em 03/11/2008, foi lavrado auto de infração (fls. 2.868 a 2.875), referente aos anoscalendários de 2003 e 2004, em razão da omissão do contribuinte, em suas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoas físicas, bem como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, decorrente da omissão de rendimentos de alugueis. O crédito tributário apurado na ação fiscal corresponde a R$ 1.345.198,00 a título de IRPF (imposto apurado acrescido de multa de 75% e juros de mora) e R$ 5.551,44 a título de multa isolada. O contribuinte, após ter sido cientificado do auto de infração, protocolizou impugnação (fls. 2.890 a 2.928), alegando, em síntese, o que segue: a) decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o lançamento relativo aos meses de janeiro a outubro de 2003, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; bem como extinção dos créditos tributários relativos aos alugueis recebidos de pessoas físicas até o mês de outubro de 2003 e às multas isoladas, eis que, nesses casos, o IRPF incide mensalmente, à medida que os rendimentos forem percebidos, tanto que, no próprio auto de infração, os fatos geradores estão relacionados mês a mês; b) nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, eis que os créditos tributários foram calculados sobre receitas omitidas por presunção a partir de depósitos bancários realizados nas contas conjuntas nº 058437 (Banco Itaú) e nº 3702355 (Banco Real), nas quais os recursos financeiros movimentados não pertenciam ao impugnante. Essas contas têm como primeira titular a esposa do impugnante, sendo este apenas cotitular para poder movimentálas na eventual ausência de sua esposa ou em caso de emergência; c) os depósitos tiveram origem nas duplicatas endossadas ao impugnante e à sua esposa, que provinham do pagamento realizado pela empresa CAOLIM na qual ambos possuem quotas que representam 97% do capital social em face do “empréstimo” de recursos para constituir o capital de giro da referida empresa, por meio de contrato de mútuo; d) caso os créditos do impugnante sejam considerados não comprovados, há que se reconhecer que os depósitos foram efetuados sem causa, sendo inevitável considerálos como doações isentas de IRPF; e) a conta nº 6507335 (Unibanco) era movimentada pelo impugnante apenas para receber rendimentos mensais de aluguel de imóvel de terceiro, do qual era procurador, e que os depósitos realizados nessa conta têm origem no aluguel de imóvel pertencente à sogra do impugnante, circunstância que afasta a presunção de omissão de rendimentos invocada pela fiscalização; f) os valores depositados na conta nº 058437 (Banco Itaú) referemse tão somente a investimento realizado pela titular da conta no Fundo DIFACFI e os depósitos realizados na conta nº 3702355, mantida no Banco Real, referemse ao aluguel de imóvel de propriedade comum do casal; Fl. 5580DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10707.001523/200835 Resolução nº 2201000.224 S2C2T1 Fl. 4 3 g) os depósitos realizados na conta nº174572 (Banco do Brasil) referemse a dividendos e juros sobre o capital próprio pagos ao impugnante, devidamente declarados nas suas declarações de ajuste anual; h) os depósitos realizados na conta nº 16824908 (Banco de Boston) não podem, igualmente, ser considerados rendimentos omitidos, eis que essa conta era utilizada pelo impugnante para receber os valores dos alugueis dos demais imóveis de sua propriedade, cujos rendimentos foram, em parte, declarados em suas declarações de ajuste anual e, em outra parte, levantados pela fiscalização; i) não é possível a aplicação de multa isolada concomitantemente com a multa de ofício calculada sobre as mesmas bases. Após a apresentação de impugnação, o contribuinte protocolou requerimento de desistência parcial (fls. 3.727 a 3.728) de alguns débitos (itens 1 e 3 do Auto de Infração). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro julgou parcialmente procedente a impugnação (fls. 3.741 a 3.759), com as seguintes considerações: a) não há que se falar em decadência em relação ao anocalendário de 2003, eis que, como o lançamento só poderia ser efetuado em 2004, o prazo decadencial começou a fluir em 1º de janeiro de 2005, não tendo transcorrido, portanto, o prazo de 5 anos quando da ciência do auto de infração, efetuada em 07/11/2008. Nem que se aplicasse a regra do art. 150, § 4º, do CTN, não se poderia cogitar da ocorrência de decadência, uma vez que o lustro decadencial teria se iniciado em 31/12/2003 e se encerraria apenas em 31/12/2008, depois, portanto, da data da ciência do auto de infração; b) o art. 42, caput e §§ 1º a 4º, da Lei nº 9.430/1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Desse modo, não comprovada a origem dos recursos creditados na conta bancária do interessado, restou caracterizada a aquisição de renda omitida à tributação; c) no caso, restou demonstrado por meio de extratos e cheques que o contribuinte era, junto com seu cônjuge, titular das contas bancárias, sendo que o próprio impugnante assumiu sua cotitularidade nessas contas bancárias, de modo que era, para todos os efeitos, titular dessas contas; d) não foram trazidos aos autos provas de que os valores depositados nas contas n° 058437 (Banco Itaú) e n° 3702355 (Banco Real) pertenciam exclusivamente ao cônjuge do Interessado. Outrossim, os elementos constantes dos autos atestam a titularidade conjunta das contas em epígrafe; e) para provar que os depósitos efetuados seriam pagamentos de empréstimos concedidos à empresa CAOLIM, o impugnante deveria Fl. 5581DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10707.001523/200835 Resolução nº 2201000.224 S2C2T1 Fl. 5 4 demonstrar materialmente que cada depósito foi efetuado como pagamento de um valor anteriormente repassado à mencionada empresa; f) documentos juntados às fls. 3.615 a 3.648 esclarecem a origem de parte dos depósitos que foram efetuados na conta n° 6507335 (Banco Unibanco), permitindo concluir que os valores em questão não pertenciam ao autuado. Por essa razão, deve ser excluído do montante tributável o somatório de depósitos de R$ 42.103,00, relativo ao ano calendário de 2003, e de R$ 72.866,43, relativo ao anocalendário de 2004; g) da análise da documentação apresentação, concluise que não houve um depósito de R$ 40.000,00 no dia 21/ 12/2004 na conta n° 058437 (Banco Itaú), mas sim uma aplicação desse valor no fundo Itaú DI FACFI. O crédito de R$ 40.000,00 em 21/ 12/2004 que consta no extrato de fl. 3.650 não diz respeito a um depósito, mas sim a um lançamento bancário para compensar os dois débitos de R$ 40.000,00 que também foram lançados nessa data. Desse modo, deve ser excluído do montante tributável o referido crédito, no valor de R$ 40.000,00 na conta n° 058437 (Banco Itaú) em 21/12/2004; h) quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, o interessado desistiu parcialmente de sua impugnação. Quanto à parcela que não houve desistência, o impugnante nada trouxe para rechaçar a omissão de alugueis recebidos de pessoas físicas nos anos calendário de 2003 a 2004; i) Com relação à multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, o interessado desistiu de impugnar tal infração. A parcela de crédito tributário relativa à referida multa já foi transferida para o processo n° 15374.720.390/201047 (fls. 3.662 a 3.666), encontrandose fora do presente litígio. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte alegou, em síntese: a) decadência do direito de a fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo aos valores omitidos pelo interessado nos meses de janeiro a outubro de 2003; b) erro na identificação do sujeito passivo quando presume omissão de rendimentos equivalentes a 50% do valor dos créditos efetuados em contas conjuntas cuja titularidade dos recursos foi integralmente reconhecida pela primeira titular das contas; c) se a própria fiscalização reconheceu que os depósitos tiveram origem nas duplicatas endossadas, não há como aplicar ao caso as regras previstas no Art. 42 da Lei n° 9.430/96; d) se a fiscalização reconhece que os créditos efetuados nas contas bancárias do recorrente provêm de duplicatas endossadas a seu favor, mas sustenta que esses endossos não teriam contrapartida em empréstimos feitos pelo próprio Recorrente e sua esposa, é inevitável, então, compreender que tais créditos em comento são doações isentas do IRPF; Fl. 5582DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10707.001523/200835 Resolução nº 2201000.224 S2C2T1 Fl. 6 5 e) os depósitos realizados na conta n° 3702355, mantida no Banco Real, referemse ao aluguel de imóvel de Propriedade Comum do Casal; f) não podem ser considerados rendimentos omitidos os valores depositados na conta mantida no Banco de Boston, pelo simples fato de que a aludida conta bancária era utilizada pelo RECORRENTE para receber os valores dos aluguéis dos demais imóveis de sua propriedade, cujos rendimentos foram, em parte, declarados em suas Declarações de Ajuste Anual; g) logo, não pode prosperar a presunção em questão, que despreza os demais rendimentos imputados ao RECORRENTE, inclusive os espontaneamente declarados em suas Declarações de Ajuste Anual. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Compulsandose os autos, que possui 5.572 páginas, não foi possível identificar a ocorrência de intimação da cotitular das contas bancárias constantes da autuação, inclusive, o histórico do Termo de Verificação Fiscal não informa a existência de intimação da cotitular. O caput do artigo 42 da lei 9.430/96 estabelece um requisito de validade para a verificação da presunção de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, qual seja que o titular dos valores depositados nas contas de depósito ou de investimento seja regularmente intimado e não comprove a origem dos recursos utilizados nas operações. Já o § 6º do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, introduzido pelo art. 58 da Lei 10.647, de 2002, determina que, no caso de contas bancárias mantidas em conjunto, não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos deve ser imputado a cada titular, mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Assim, no caso de contas conjuntas, que a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96, deve ser imputada a todos os titulares da conta, fazse necessária a intimação de todos os cotitulares a fim de comprovarem a origem dos depósitos. Acerca da matéria, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou o Enunciado de Súmula n.º 29, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem se intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Nesse contexto, a fim de que seja realizada a devida análise acerca da comprovação da origem dos depósitos, tendo em vista que se trata de conta conjunta, em Fl. 5583DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10707.001523/200835 Resolução nº 2201000.224 S2C2T1 Fl. 7 6 obediência ao princípio da verdade material, bem como com o fito de aferir o cumprimento da Súmula n.º 29 do CARF, fazse relevante a conversão do processo em diligência. Diante dessas considerações, conduzo o meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando à unidade preparadora que efetue a juntada da intimação realizada à cotitular. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 5584DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 12/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10880.728198/2016-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem adote as seguintes providências: (i) com relação à glosa de créditos registrados na entrada de bebidas prontas para o consumo (operações sujeitas à sistemática monofásica): (i.a) deverá a autoridade fiscal, intimar o autuado para fazer prova cabal de sua alegação referente à glosa de créditos em operações posteriormente sujeitas a indevido débito na saída, alertando-se à Recorrente de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis/fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito, inclusive em razão de aplicação subsidiária do art. 6º do NCPC (Código de Processo Civil); (i.b) com base na prova produzida nesses termos pela Recorrente, reconstitua-se a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindo-se os débitos porventura indevidamente lançados; e (i.c) repercuta a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em Relatório circunstanciado, em que se mencionem também quaisquer outras informações que julgar pertinentes; (ii) com relação à alegação de ilegitimidade passiva do estabelecimento autuado, considerando os argumentos da Recorrente sobre o processo de incorporação ocorrido durante o procedimento fiscal, consignando que "após a incorporação, o referido estabelecimento filial (CNPJ nº 02.808.708/008183) continuou sendo explorado pela empresa sucessora, com o CNPJ nº 07.526.557/003478 e que portanto o Auto de Infração só poderia ter sido lavrado contra o estabelecimento que sucedeu aquele ao qual foram imputadas as infrações e não contra o estabelecimento matriz da pessoa jurídica", solicito à autoridade fiscal: (ii.a) intimar a Recorrente a apresentar os documentos concernentes à reestruturação societária incorporação (ATAS e Termos da Assembléia, etc), bem como apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, que tenha como objeto subsidiar a situação posta nos autos; (ii.b) ao final, deverá o Fisco fazer constar no Relatório conclusivo posição sobre a análise dos documentos e sobre as alegações promovidas pela Recorrente nesse tópico; (iii). Quanto ao PAF nº 10880.727.044/2015-61 citado pela Recorrente em seu recurso, calcular e informar no Relatório conclusivo o reflexo da decisão atual nele constante, determinado que cópia desta diligência seja juntado àquela processo; (iv) quanto à glosa oriunda da aquisição de insumos de empresa do mesmo grupo econômico, intimar a autuada para que comprove suas alegações, alertando-a de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis/fiscais e os documentos que os legitimam; (v) tendo em conta o direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria-¬prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 592.891, com repercussão geral, solicita-se verificar se existem glosas que seriam afastadas com base exclusivamente neste entendimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem adote as seguintes providências: (i) com relação à glosa de créditos registrados na entrada de bebidas prontas para o consumo (operações sujeitas à sistemática monofásica): (i.a) deverá a autoridade fiscal, intimar o autuado para fazer prova cabal de sua alegação referente à glosa de créditos em operações posteriormente sujeitas a indevido débito na saída, alertando-se à Recorrente de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis/fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito, inclusive em razão de aplicação subsidiária do art. 6º do NCPC (Código de Processo Civil); (i.b) com base na prova produzida nesses termos pela Recorrente, reconstitua-se a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindo-se os débitos porventura indevidamente lançados; e (i.c) repercuta a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em Relatório circunstanciado, em que se mencionem também quaisquer outras informações que julgar pertinentes; (ii) com relação à alegação de ilegitimidade passiva do estabelecimento autuado, considerando os argumentos da Recorrente sobre o processo de incorporação ocorrido durante o procedimento fiscal, consignando que "após a incorporação, o referido estabelecimento filial (CNPJ nº 02.808.708/008183) continuou sendo explorado pela empresa sucessora, com o CNPJ nº 07.526.557/003478 e que portanto o Auto de Infração só poderia ter sido lavrado contra o estabelecimento que sucedeu aquele ao qual foram imputadas as infrações e não contra o estabelecimento matriz da pessoa jurídica", solicito à autoridade fiscal: (ii.a) intimar a Recorrente a apresentar os documentos concernentes à reestruturação societária incorporação (ATAS e Termos da Assembléia, etc), bem como RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 28 19 8/ 20 16 -5 1 Fl. 2033DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, que tenha como objeto subsidiar a situação posta nos autos; (ii.b) ao final, deverá o Fisco fazer constar no Relatório conclusivo posição sobre a análise dos documentos e sobre as alegações promovidas pela Recorrente nesse tópico; (iii). Quanto ao PAF nº 10880.727.044/2015-61 citado pela Recorrente em seu recurso, calcular e informar no Relatório conclusivo o reflexo da decisão atual nele constante, determinado que cópia desta diligência seja juntado àquela processo; (iv) quanto à glosa oriunda da aquisição de insumos de empresa do mesmo grupo econômico, intimar a autuada para que comprove suas alegações, alertando-a de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis/fiscais e os documentos que os legitimam; (v) tendo em conta o direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria-¬prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 592.891, com repercussão geral, solicita-se verificar se existem glosas que seriam afastadas com base exclusivamente neste entendimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 1686/1785), abaixo transcrito: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2010), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010; consoante capitulação legal consignada às fls. 914 e 915, foi lavrado o auto de infração à fl. 912, em 27/07/2016, para exigir R$ 10.219.731,18 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 4.201.000,38 de juros de mora calculados até 31/07/2016, e R$ 7.664.798,31 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 22.085.529,87. Fl. 2034DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 A AMBEV S/A, CNPJ 07.526.557/0001-00, sujeito passivo da autuação, sucedeu por incorporação, em janeiro de 2014, o estabelecimento com CNPJ 02.808.708/0081- 83, COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS – AMBEV, no qual a ação fiscal havia sido iniciada, conforme os arts. 129 e 132 do CTN. Fatos e Infrações Consoante a descrição dos fatos do auto de infração, às fls. 913/915, e o teor do relatório fiscal (termo de descrição dos fatos), às fls. 797/911, não houve o recolhimento do imposto, de janeiro a dezembro de 2012, em razão do aproveitamento dos seguintes tipos de créditos indevidos: CRÉDITOS DE INSUMOS PARA BEBIDAS Créditos fictícios do imposto apropriado como se devido fosse na aquisição de insumos (concentrados, filmes “stretch” e artefatos como rolhas e tampas plásticas) de estabelecimentos situados na Amazônia Ocidental, escriturados da seguinte maneira: “Outros Créditos - Aquisição Mercadorias Oriunda da Amazônia Ocidental – IPI rec. s/aquisição Amazônia” ou “Aquisição Mercadorias Oriunda da Amazônia Ocidental – art. 175 Dec. 4.544 26/12/2002” A isenção do imposto em tela para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus e na Amazônia Ocidental e comercializados em outras partes do país é prevista, respectivamente, nos arts. 81, II, e 95, III, do RIPI/2010. O dispositivo específico sobre a Zona Franca de Manaus (art. 81, II) não assegura o aproveitamento dos créditos pelas aquisições por estabelecimentos localizados em outras regiões do país. Por outro lado, para a isenção do art. 95, III, há a possibilidade de aproveitamento dos créditos (crédito incentivado, art. 237) pelos adquirentes em outras regiões se forem satisfeitas as seguintes condições cumulativas: 1. Que o produto seja elaborado com matéria prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional; 2. Que o estabelecimento seja localizado na Amazônia Ocidental (estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima); 3. Que o estabelecimento tenha projeto aprovado no Conselho de Administração da Suframa. Ademais, consoante a redação do Decreto-lei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º, os insumos adquiridos com isenção devem ser empregados no processo industrial de produtos sujeitos ao imposto. A fruição de créditos incentivados indevidos implica a glosa destes na escrita fiscal. Intimada a contribuinte a esclarecer a origem dos créditos fictos (incentivados) registrados na escrita fiscal, há o seguinte a destacar conforme os dados fornecidos. Créditos de rolhas e tampas plásticas adquiridas de RAVIBRAS Embalagens da Amazônia Ltda., CNPJ 08.658.519/0001-73: ROLHA PLAST VERDE PC TW NIV ROLHA PLAST AZUL PC NIV ROLHA PLAST GUARANÁ ANT BRANCO ANTARCTI ROLHA PLAST GUARANÁ VERMELHA NIV11 R ROLHA PLAST SODA L ANT ROLHA PLAST SUKITA VERDE TAMPA PLAST AMARELA GUARANÁ ANTART O dispositivo legal para isenção declarado como adotado pela RAVIBRAS (RIPI/2002, art. 69, II; RIPI/2010, art. 81, II) nas vendas prevê apenas a isenção nas saídas dos Fl. 2035DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 produtos do industrializados, sem a possibilidade de apropriação de créditos pelo adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237). Créditos de filme “stretch” adquirido de VALFILM Amazônia Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 03.071.894/0001-07: FILME STRETCH 500 MM 27 MICRA Idem nas saídas de produtos da VALFILM a partir de maio de 2010 (isenção prevista no seguinte dispositivo: RIPI/2010, art. 81, II). Créditos de concentrados adquiridos de AROSUCO Aromas e Sucos Ltda., CNPJ 03.134.910/0001-55: CONC NAT LIMAO DIET FE1403 KIT CONC NAT LIMAO FE1403 KIT CONC NAT S LARANJA BR KIT CONC NAT S TONICA FE 1401 KIT No caso da AROSUCO também foi informado que a falta de destaque do imposto nas saídas de concentrados (exceto quanto aos concentrados de sabor guaraná) se deveu à isenção prevista (RIPI/2010, art. 81, II). Sem, portanto, a possibilidade de apropriação de créditos pelo adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237). Créditos de concentrados adquiridos de PEPSI-COLA Industrial da Amazônia Ltda., CNPJ 02.726.752/0001-60: KIT PEPSI COLA 350050602 PEPSICO KIT PEPSI COLA TWIST KIT PEPSI COLA LIGH KIT H2OH LIMAO KIT PTWZERO; Os concentrados (kits) foram produzidos pela PEPSI-COLA com a utilização de insumo (corante caramelo) produzido, por sua vez, pela empresa D. D. WILLIAMSON do Brasil Ltda., CNPJ 02.789.565/0001-25, localizada na Zona Franca de Manaus. Na fabricação do corante caramelo foi utilizado, até junho de 2011, açúcar de cana fornecido pela Usina Itamarati S/A, CNPJ 15.009.178/0001-70, situada no Estado do Mato Grosso, que não compõe a chamada Amazônia Ocidental, abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, nos termos do Decreto-lei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967, art. 4º. Em procedimento de diligência encetado, a D. D. WILLIAMSON informou que, a partir de 14/06/2011, passara a fornecer o corante caramelo à PEPSI-COLA com, na respectiva composição (misturados), açúcar proveniente da Usina Itamarati S/A e açúcar mascavo oriundo da Cooperativa Agroextrativista da Vila União, CNPJ 10.778.894/0001-07, situada em Eirunepe, Amazonas. Em resposta a intimação, a PEPSI-COLA declarou que era habilitada pela SUFRAMA a produzir concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas com ambos os incentivos: Zona Franca de Manaus (RIPI/2010, art. 81, II) e Amazônia Ocidental (RIPI/2010, art. 95, III). O corante caramelo, utilizado na produção de kits (concentrados de refrigerante) pela PEPSI-COLA, é industrializado pela D. D. WILLIAMSON com açúcar fabricado em Mato Grosso a partir de cana de açúcar lá cultivada e não se caracteriza como matéria prima agrícola e, por conseguinte, os concentrados de refrigerante não são produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Por isso, não há direito ao crédito pelas aquisições de concentrados de refrigerante fornecidos pela PEPSI-COLA de janeiro a dezembro de 2012. Fl. 2036DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Alcance do conceito de matéria prima agrícola de produção regional do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435, de 1975 No caso da produção dos concentrados de refrigerante fornecidos pela PEPSI-COLA, empregados no processo industrial da unidade da AMBEV em Almirante Tamandaré, PR, o corante caramelo é um insumo do insumo que, no fim das contas, não é uma matéria prima agrícola, ainda que seja um insumo de produção regional. O corante caramelo é resultante de um processo industrial a partir de açúcar cristal e açúcar mascavo, de certa complexidade, com a aplicação de diversos compostos químicos e que abrange duas etapas, conforme consta do relatório fiscal: “a) Processo de hidrólise: ocorre através da inversão da sacarose, sendo utilizados como matérias-primas o açúcar cristal, água e catalisador ácido. Esse processo quebra a molécula da sacarose, gerando outros tipos de açúcares. O produto resultante é o açúcar hidrolisado, que é uma mistura de sacarose, glicose e frutose. b) Processo de manufatura do corante caramelo: ocorre em reatores, através do processo de caramelização, utilizando o açúcar hidrolisado da etapa anterior, acrescido de água, sal de amônio e solução alcalina. Durante todo esse processo existe o acompanhamento de técnicos de laboratório, coletando e analisando todos os parâmetros de qualidade”. A cana de açúcar é a matéria prima agrícola por excelência na produção dos açúcares, mas não é a matéria prima agrícola e extrativa vegetal na produção dos concentrados. A autuada efetuou a apropriação de créditos fictos nas aquisições dos “kits” para refrigerantes sem a indispensável utilização de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais. Nem a aquisição de corante caramelo daria azo ao aproveitamento de créditos, pois os açúcares cristal e mascavo são, também, produtos intermediários e não matérias primas agrícolas e extrativas vegetais. Na justificativa do projeto do Decreto-lei nº 1.435, de 1975, o termo “matérias primas agrícolas” exclui da definição insumos oriundos da agroindústria. Em uma primeira industrialização, pode-se falar na utilização de matéria prima extrativa vegetal de produção regional. Contudo, na etapa posterior (segunda industrialização), trata-se do emprego de produto intermediário. À luz do art. 4º do RIPI/2010, após um processo de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento ou reacondicionamento, renovação ou recondicionamento), o artefato de natureza agrícola resultante não pode mais ser considerado como matéria prima agrícola in natura: é produto intermediário. A isenção prevista no diploma legal é objetiva (em razão do produto) e não subjetiva (em razão do beneficiário); assim, é imprescindível a comprovação da legitimidade da isenção para cada produto, sendo a aprovação de projeto pela SUFRAMA (órgão com competência exclusiva para a aprovação de projetos) apenas um dos requisitos para a efetiva fruição do benefício fiscal. Os créditos incentivados apropriados pelo sujeito passivo são, destarte, indevidos, pois se referem a aquisições de kits para refrigerantes da PEPSI-COLA, assim como os créditos referentes às aquisições de kits da AROSUCO (exceto aqueles de guaraná) com base na isenção do art. 81, II, do RIPI/2010. Esses créditos fictos devem ser glosados. Erro de classificação fiscal e a alíquota zero dos “concentrados de refrigerantes” Para o aproveitamento de créditos fictos relativos a insumos adquiridos com a isenção do art. 95, III, do RIPI/2010, os créditos devem ser calculados como se o imposto fosse devido, ou seja, os insumos devem sofrer a incidência do imposto, com alíquota diferente de zero. É o texto do Decreto-lei nº 1.435, 16 de dezembro de 1975, art. 6º, § 1º, matriz legal para o crédito incentivado do RIPI/2010, art. 237: § 1° Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados Fl. 2037DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 como matérias-primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto.(g.m.) O subitem 2106.90.10 da TIPI, correspondente a “preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas”, tem a alíquota de 0%. Todavia, constam nas notas fiscais de aquisição dos concentrados ou “kits” oriundos da PEPSI-COLA (isenções dos arts. 81, II, e 95, III, do RIPI/2010, quanto aos kits para fabricação de refrigerante) e da AROSUCO (isenção do art. 81, II, do RIPI/2010, no tocante aos kits de sabores diferentes de guaraná; isenção do art. 95, III, do RIPI/2010, no caso dos kits de sabor guaraná) o código de classificação fiscal NCM 2106.90.10 Ex 01, com alíquota de 27% (alterada para 20% a partir de 31/05/2012 pelo Decreto nº 7.742, de 2012) e o seguinte texto: "Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado". Todos os sobreditos códigos de classificação fiscal vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores. Há erro de classificação fiscal cometido pelas empresas fornecedoras PEPSI-COLA (fornece insumos para a fabricação das bebidas refrigerantes Pepsi e H2OH) e AROSUCO (fornece insumos para a fabricação das bebidas refrigerantes sabor guaraná, limão, laranja e água tônica), à luz das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) e das Regras Gerais Complementares da NCM (RGC/NCM). Ora, no próprio texto do código de classificação fiscal adotado pelas empresas fornecedoras em questão há a alusão a “preparações compostas”, ao passo que nas notas fiscais os insumos em questão são referidos como “concentrados” e identificados como itens únicos. Nas notas fiscais emitidas pela AROSUCO, os concentrados são discriminados como “kits”, conforme a nota fiscal nº 1.206 (reprodução parcial à fl. 848). Em nota fiscal emitida pela PEPSI-COLA (documento auxiliar de nota fiscal eletrônica – DANFE, com reprodução à fl. 849), há a discriminação das várias partes integrantes do “concentrado de refrigerante”, sendo as seguintes as considerações do termo de descrição dos fatos e de encerramento da ação fiscal: “Observa-se que kits sabor Pepsi-Cola, em verdade, seriam duas mercadorias, no mínimo: "Aroma Ingr 35005*06 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III”; "Acid Ingr 35005 *01*01 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III” E que kits sabor Pepsi-Cola light, em verdade, seriam quatro mercadorias, no mínimo: "Aroma Ingr 35009*60 01A 4UN p/ vol”; "Aroma Ingr 35009*61 1UN p/ vol acid, organic, 8, pg III"; " SAIS: INGR. 35009*61*05 2 UM P/VOL" ; "Acid Ingr 35009 *80*33A 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III” Ainda que, em algumas notas os kits sejam discriminados como um item único, os concentrados ou "kits", em realidade, chegam à AMBEV em partes, não em um único componente. Mesmo que os fornecedores Pepsi e Arosuco entendam que o concentrado é uma preparação composta, uma mercadoria única, já pronta, os produtos que a Pepsi ou a Arosuco chamam de "concentrado" ou "kit" são na realidade conjuntos de matérias- primas e produtos intermediários, que saíram dos seus estabelecimentos embalados separadamente, em bombonas, ou sacos, na forma líquida (Flavours ou aromas) ou sólida (sais). O que ocorre é que o concentrado apenas é produzido na etapa de fabricação dos refrigerantes, nas linhas de produção da AMBEV, quando ao xarope simples, Fl. 2038DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 previamente obtido pela adição dos sais à água, são adicionados os aromas (Flavours ou aromas), quando, aí sim, é obtido o concentrado”. Por ocasião de visita à fábrica em diligência efetuada em filial do sujeito passivo, foi constatado o seguinte: “Que o processo produtivo do estabelecimento pode ser resumido da seguinte forma: 1) As matérias-primas, recebidas dos fornecedores em embalagens individuais, são encaminhadas a uma sala de estocagem. 2) Recebem açúcar de determinados fornecedores que não os do item 1, não oriundo de Manaus, com o qual é elaborado, por meio de dissolução em água, o xarope simples a quente na xaroparia simples”. 3) A água utilizada para a fabricação dos refrigerantes, após receber tratamento, alimenta um equipamento conhecido como “dissolvedor”, onde é produzido o xarope simples por meio do aquecimento do açúcar e sua diluição em água. 4) Que, na linha de produção, na área da Xaroparia Simples, produz-se o Xarope Simples, por meio do aquecimento do açúcar cristal e refinado, insumo não proveniente da região da Amazônia, e da sua diluição em água. 5) E que os Kits denominados Parte B fornecidos pela Arosuco são sólidos transportados em caixas, os quais conteriam os sais: conservantes e acidulantes. 6) Que os Kits denominados Parte A fornecidos pela Arosuco são transportados em bombonas, sendo líquidos que formariam os Flavours, extrato natural do sabor do refrigerante (Sukita Uva e outros), NCM 2106.90.10, conforme rótulo. 7) Que o kit sólido, transportado em caixas, é dissolvido a quente no tanque de sais e enviado ao tanque de xarope. O kit líquido é dissolvido a frio e enviado, após o kit sólido, ao tanque de xarope, quando são dissolvidos no xarope simples, sendo que todo o processo leva cerca de 5 a 6 horas. Produzido assim o Xarope Composto. Em outra linha, a produção da Pepsi necessita de um tempo de maturação de 12 a 24 horas. 8) Que os kits não são transportados em conjunto, porque cada parte exige diluição prévia para serem agregados, e também porque os kits da Arosuco em caixas, parte sólida, demandam diluição a quente (cerca de 95º C), para que se dissolvam completamente, antes de serem misturados ao Xarope Simples, enquanto, a parte do flavour (kit A da Arosuco e Kit Pepsi-Cola no da Pepsi Amazonia) não pode ser aquecido porque perderia as propriedades sensoriais, com temperatura elevada. A parte do Acidulante, Kit B, deve aguardar alcançar 25ºC para poder ser agregado, bem como nos demais refrigerantes produzidos a partir dos insumos provenientes da Arosuco. 9) Que a partir do Xarope Composto, na linha de envase, produz-se o refrigerante propriamente por meio da diluição em água carbonatada. 10) Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente, e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, pois o kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. 11) Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. 12) Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. 13) Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto5; muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. 14) Que para o refrigerante da Pepsi-Cola, o Kit denominado Pepsi-Cola é composto de Extrato de noz de cola, corante caramelo e Flavours; o Kit denominado Acidulante contém como conservantes o Ácido Fosfórico, que compõe a Parte Pepsi Acidulante. Ambas partes são líquidos transportados (acondicionados) em bombonas separadas. Fl. 2039DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 15) Que, na sala de estoque de Insumos para a área da Xaroparia Composta, constatou- se que: a) o Kit Pepsi Acidulante – Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 – líquido; b) e o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, também líquido; 16) São insumos fornecidos pela Pepsi Industrial da Amazônia para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, os quais não podem ser transportados em conjunto, só podendo ser misturados na hora da preparação do Xarope Composto. 17) E, conforme informado pelo mencionado corpo técnico: a) que, na preparação do Xarope Composto, primeiramente, o Kit Pepsi-Cola é dissolvido no Xarope Simples, etapa realizada na área da Xaroparia Composta, e posteriormente, é agregado ao tanque o Kit Pepsi Acidulante. b) e que, a mistura denominada de Xarope Composto permanece no tanque por um período de 12 a 24 h para a maturação do composto. c) que, a mistura do Kit Pepsi Acidulante e do Kit Pepsi-Cola ao serem dissolvidos rendem 1703 litros de Xarope Composto. d) que, após a maturação, o Xarope Composto é transportado para a área de envase, quando então inicia-se a etapa de dissolução da mistura em água carbonatada para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, quando 1.703 (mil setecentos e três) litros de Xarope Composto produzido na filial de Curitiba produz 10.000 (dez mil) litros de refrigerante Pepsi-Cola”. A seguir, transcrição de trecho do auto de infração que consta do processo administrativo fiscal de n° 10830-725.247/2015-16: "Para melhor esclarecer este assunto, em 13/03/2015, 01/06/2015 e 15/09/2015 realizamos diligências nas salas de estocagem de matérias-primas da AMBEV e no início das linhas de produção de Gatorade e Refrigerantes, em companhia do Gerente de fábrica Fábio Henrique Cardoso de Souza. 225) A pessoa citada acima esclareceu que: a) Quanto ao processo produtivo básico de refrigerantes e Gatorade i) Recebimento de matérias-primas - As matérias-primas, basicamente aromas e sais, são recebidos dos fornecedores, e então encaminhados a uma sala de estocagem, antes do preparo propriamente dito. ii) Tratamento da água - A água utilizada para a fabricação dos refrigerantes é "declorada", após tratamento. iii) Adição dos sais - Essa água declorada alimenta um equipamento (tanque de solução), conhecido como "dissolvedor", onde lhe são adicionados os sais industrializados; iv) Adição de Aromas - A solução resultante é então encaminhada aos tanques onde serão adicionados os aromas (flavours), de acordo com a formulação do refrigerante a ser fabricado v) Enchimento - A mistura é então dirigida às linhas de enchimento, onde é feita uma diluição. No caso dos refrigerantes é adicionado o gás, e finalmente segue para envase. b) Quanto ao recebimento das matérias-primas i) Os aromas chegam à AMBEV acondicionados em bombonas e os sais acondicionados em sacos, conjunto esse convencionalmente chamado de "kit" para fabricação de refrigerante. Os Aromas, chamados de flavours, são os componentes que contêm os aromas das bebidas a serem fabricadas, p.ex. laranja, tangerina, limão, guaraná. Vêm embalados em bombonas, e se apresentam na fase líquida. Fl. 2040DF CARF MF Fl. 9 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 iii) Os sais vêm embalados em sacos, na fase sólida, e são basicamente acidulantes e conservantes. iv) No caso dos refrigerantes, os sais são ácido cítrico, sorbato e benzoato. v) Tais componentes do kit não podem ser misturados já no fornecedor e transportados lá na forma do concentrado pronto, porque as misturas para cada produto tem dosagens e sequências diferentes, e se o concentrado já viesse pronto, o volume do produto seria maior. vi) Os kits, quando são recebidos do fornecedor, não apresentam ainda as características essenciais do concentrado pronto. Para que isso aconteça é necessário que eles sejam misturados apenas durante o processo de preparo das bebidas, na AMBEV. 226) Fomos então às salas de estocagem de matérias-primas e registramos fotos de kits básicos para elaboração de Gatorade, Guaraná Antárctica, Sukita Laranja e Soda Limonada”.(g.m.) Reproduções fotográficas de kits básicos para elaboração de Gatorade, Guaraná Antárctica, Sukita Laranja e Soda Limonada às fls. 853/864. As fotografias apresentadas em resposta ao Termo de Intimação nº 006 demonstram igualmente que: “Quanto ao chamado concentrado “Pepsi zero”, são na verdade cinco mercadorias distintas: 1) Kit Pepsi zero sais: embalagem contendo composto de edulcorante INS 950 e 955; conservante INS 211; sequestrante INS 385. 2) Kit Pepsi zero flavour: embalagem contendo aromatizante. 3) Kit Pepsi zero acidulante: conforme embalagem, seria composto de acidificante INS 330 e 338. 4) Kit Pepsi zero natural flavour. 5) Kit Pepsi zero Max flavour: embalagem contento aromatizante IV. E, quanto ao chamado concentrado “Pepsi twist”, seriam as três mercadorias distintas: 1) Kit Pepsi twist (limão): kit 92318*01. 2) Kit Pepsi twist (cola flavour): kit 35005*14. 3) Kit Pepsi twist sais: composto de conservante INS 211 e estabilizante INS 331. Já o chamado concentrado “Água tônica”, seriam as duas mercadorias distintas: 1) Kit A: composto de aroma natural. 2) Kit B: formado de dois acidulantes e dois conservantes. E, por fim, o chamado concentrado “Guaraná Antarctica zero”, seriam as duas mercadorias distintas: 1) Kit A: FE 1431Z (aroma natural, corante de caramelo, extrato vegetal de guaraná). 2) Kit B: acidulante INS 334, conservante INS 211 e dois edulcorantes”. O fluxograma da elaboração de refrigerantes ou Gatorade é reproduzido à fl. 866: no Tanque de Solução (Dissolvedor), há a obtenção de xarope simples, a partir da mistura de água declorada e sais; no Tanque para Adição dos Aromas (Flavours), há a obtenção do xarope final ou concentrado líquido (ponto somente a partir do qual é obtido o concentrado propriamente dito); o produto final (refrigerante ou Gatorade) é obtido a partir da mistura de água e gás carbono (para refrigerante). “O que ocorre é que o concentrado apenas é produzido na etapa de fabricação dos refrigerantes, nas linhas de produção da AMBEV, quando ao xarope simples, Fl. 2041DF CARF MF Fl. 10 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 previamente obtido pela adição dos sais à água, são adicionados os aromas (flavours), sendo nesta ocasião obtido o concentrado. E, a despeito dos fornecedores adotarem o código da NCM Ex 01 do subitem 2106.90.10, esse ex-tarifário é próprio para preparação composta, e os concentrados para refrigerante não podem assim serem classificados, pois algo que não está preparado nem misturado, não se caracteriza como preparação. Repise-se: para ser classificada nos ex-tarifários do código 2106.90.10. da NCM é indispensável que os ingredientes que formam determinada preparação composta estejam misturados. E, quando da entrada no estabelecimento da Ambev, as partes dos concentrados não estão misturadas, e, portanto, não se constituem na preparação composta a que se refere a Nota Explicativa da posição 2106. Ainda que em manifestação às constatações relatadas no Termo de Constatação Fiscal, os representantes da fiscalizada afirmem que as Partes que comporiam um concentrado ou kit são transportadas em conjunto, a verdade é que, conforme relatado em ambos Termos de Constatação Fiscal, cada Parte (Parte A ou Parte B da Arosuco, e Kit Pepsi ou Kit Pepsi Acidulante, da Pepsi) é embalada e acondicionada separadamente, tanto que a Parte A se trata de um líquido, transportado em Bombonas, e a Parte B, um sólido (pó), embalado em caixas, ainda que possam ser transportadas em um único caminhão por exemplo, de Manaus a Curitiba. Segundo o dicionário eletrônico Houaiss, o vocábulo "preparação" indica uma ação - o ato de preparar, e um resultado - o preparado: "Ato ou efeito de preparar-se; preparo, preparamento, preparativo 1 operação ou processo de aprontar qualquer coisa para uso ou serviço 2 elaboração dos alimentos para transformá-los nos diversos pratos, iguarias, etc. 3 feitura de um preparado; preparo 4 m.q. PREPARADO ("produto") (grifo nosso) Portanto, os termos "preparações", citados nos Ex 01 e Ex 02 devem ser entendidos como produtos prontos para uso, cuja origem advém de um processo de preparo. Para que se caracterize um bem chamado de preparação, os insumos empregados devem sofrer algum tipo de processamento, de transformação, podendo ser uma simples mistura de ingredientes ou complementada com algo mais elaborado como cozimento, por exemplo. Não é o caso dos "kits". Conforme constatado em razão da diligência efetuada, o que certamente ocorria no processo de industrialização de refrigerantes no estabelecimento da Ambev Curitiba, pois que os produtos elaborados bem como as matérias-primas são idênticos —, os componentes dos chamados “concentrados” são misturados pelo adquirente durante o processo de elaboração da bebida final, procedimento que é executado seguindo complexas edetalhadas especificações técnicas. O que se verificou no curso deste procedimento fiscal é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta. Não existe preparação, seja ela simples ou composta, em que os ingredientes estejam acondicionados em embalagens individuais, como é o caso dos insumos no momento em que dão entrada na Ambev!!! O que ocorre é que no momento da ocorrência do fato gerador, cada componente (Parte) se enquadra em um código de classificação próprio, podendo incluir inclusive bens que não se classificam na posição 21.06. Veja-se. Fl. 2042DF CARF MF Fl. 11 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 No mesmo sentido dos dicionários, a Nomenclatura do Sistema Harmonizado emprega o vocábulo "Preparação" como uma mercadoria misturada, pronta para uso pelo seu adquirente. Quando as matérias misturadas se classificam no mesmo Capítulo da NCM, a preparação é do tipo "simples". A elas a Nomenclatura se refere apenas como preparações. Exemplificando: a) Preparações de carne do Capítulo 16, cuja Nota de Subposição n° 1 diz: 1.- Na acepção da subposição 1602.10, consideram-se "preparações homogeneizadas" as preparações de carne, miudezas ou sangue, finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (...) b) Preparações do Capítulo 20, cujas Notas de Subposição n° 1 e n° 2 dizem: 1.- Na acepção da subposição 2005.10, consideram-se "produtos hortícolas homogeneizados", as preparações de produtos hortícolas finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (..) 2.- Na acepção da subposição 2007.10, consideram-se "preparações homogeneizadas" as preparações de frutas finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (...) Visível é que as preparações ("simples") acima citadas contém cada uma, apenas um tipo de matéria base. Numa são carnes (Capítulo 16), noutra são produtos hortícolas (Capítulo 20), e na última são apenas frutas (Capítulo 20). Cada um desses alimentos de base da preparação é classificado num determinado Capítulo. Nas preparações ("simples") não há mistura de matérias de base de Capítulos diferentes. Quando as preparações contêm matérias de base de Capítulos distintos, a Nomenclatura as distingue das preparações ("simples"), denominando-as de preparações compostas. Exemplificando, no caso das preparações alimentícias da posição 21.04, em que há uma mistura de substâncias de base como carne, peixe, produtos hortícolas e frutas, a Nota de Subposição n° 3 diz: "3.- Na acepção da posição 21.04, consideram-se "preparações alimentícias compostas homogeneizadas" as preparações constituídas por uma mistura finamente homogeneizada de diversas substâncias de base, como carne, peixe, produtos hortícolas, frutas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à mistura para tempero, conservação ou outros fins. Estas preparações podem conter, em pequenas quantidades, fragmentos visíveis." (grifo nosso) Da mesma forma que no exemplo acima, os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 tratam de "preparações compostas" constituídas por uma mistura de diversas substâncias, as quais por diluição deveriam produzir o refrigerante. Não é o caso dos chamados "kits" ou "concentrados" adquiridos pela fiscalizada. Fl. 2043DF CARF MF Fl. 12 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Esses são um conjunto de mercadorias, partes que, como já dito, estão acondicionadas cada uma na sua embalagem individual; não estão misturadas e não estão prontas para uso pelo adquirente, no caso, a fiscalizada. A mistura dos componentes dos kits para refrigerantes se caracteriza como a operação de transformação definida no artigo 4°, inciso I, do RIPI/2010: Art. 4º- Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei n° 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei n° 4.502, de 1964, art. 3°, parágrafo único): I - a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); Nos termos do art. 3°, do RIPI de 2010, o kit para elaboração de refigerantes, ou concentrado é um produto industrializado resultante de uma operação de transformação intermediária, pois, em etapas posteriores do processo industrial, esse concentrado ou preparado líquido recebe tratamento adicional, até transformar-se em refrigerante, produto final fabricado pela AMBEV. Art. 3° Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei n°4.502, de 1964, art. 3°). Assim, para definição do enquadramento na NCM dos "concentrados", o que deve ser analisado são as características dos produtos no momento da ocorrência do fato gerador, quando cada uma das partes dos kits apresenta suas próprias características individuais. As empresas do Grupo AMBEV e seus fornecedores, como a Pepsi-Cola, podem realizar suas operações da forma que considerarem mais conveniente e chamar os produtos pelos nomes que julgarem adequados. No entanto, o fato de nomearem diversos produtos como se um único fosse, isto é, a ficção de que cada componente dos kits não se constitui isoladamente em uma mercadoria, não os transforma perante a legislação em um único produto, já que não encontra guarida na legislação regente da matéria. De acordo com a legislação, cada uma das partes deve seguir sua classificação própria. E, prosseguindo no tema classificação fiscal, tem-se, como já mencionado, que os procedimentos, no Brasil, são regulamentados pelo conjunto de normas do chamado Sistema Harmonizado (SH), tabela internacional de designação e codificação de mercadorias publicada e administrada pela Organização Mundial das Aduanas (OMA), da qual o Brasil é signatário. A classificação fiscal de mercadorias deve ser realizada com aplicação das Regras Gerais Interpretativas para o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (RGI-SH), constantes do Anexo à Convenção Internacional de mesmo nome, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo n° 71, de 11 de outubro de 1988, e promulgada pelo Decreto n° 97.409, de 23 de dezembro de 1988, com posteriores alterações aprovadas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, por força da competência que lhe foi delegada pelo art. 2° do Decreto n° 766, de 3 de março de 1993, bem assim das Regras Gerais Complementares (RGC) à Nomenclatura Comum do Mercosul, constante da Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados e da Tarifa Externa Comum (NCM/TIPI/TEC). Os Pareceres de Classificação da Organização Mundial das Aduanas (OMA) e os Ditames do Mercosul são, igualmente, de cumprimento obrigatório para a solução de consultas de classificação fiscal de mercadorias. Repise-se: a classificação fiscal de mercadorias deve, do mesmo modo, seguir as orientações e esclarecimentos fornecidos pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), internalizadas no Brasil pelo Decreto n° 435, de 27 de janeiro de 1992. Fl. 2044DF CARF MF Fl. 13 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 A versão atual das NESH foi aprovada pela Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (IN RFB) n° 807, de 11 de janeiro de 2008, atualizada pelas IN RFB n° 1.072, de 30 de setembro de 2010 e n° 1.260, de 20 de março de 2012, por força da delegação de competência outorgada pelo art. 10 da Portaria MF n° 91, de 24 de fevereiro de 1994. E, as NESH são elemento subsidiário fundamental e indispensável para interpretação da Nomenclatura do SH e correta classificação fiscal de uma determinada mercadoria. Estas normas determinam a metodologia dos procedimentos por meio das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH). Tanto a Tarifa Externa Comum (TEC) quanto a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) têm por base estrutural a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que, por sua vez, tem sua forma derivada a partir do Sistema Harmonizado. Como constatado em diligência realizada na unidade industrial de CNPJ nº 07.526.557/0034-78 os componentes dos "kits" saem do estabelecimento industrial embalados em bombonas, caixas ou contêineres, cujo conteúdo pode ser líquido ou sólido. As citadas mercadorias vêm sendo classificadas pela Pepsi e pela Arosuco, bem como pela Ambev e por outros produtores nacionais, no código 2106.90.10 – Ex 01 da TIPI, fazendo uso do argumento de que são "sortidos apresentados para venda a retalho". A Regra Geral 1 assim dispõe: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Determinada, portanto, pela mencionada Regra Geral é que a classificação de mercadorias deve ser feita pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, só se fazendo recurso às demais RGI quando não for possível o enquadramento por aplicação da RGI-1, bem como nos casos de produtos com características específicas. De outra feita, a RGI-6 aplica às subposições as mesmas Regras utilizadas em nível de posição, enquanto que as RGC são utilizadas no nível da NCM. 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. A análise e aplicação das Regras de classificação e os esclarecimentos fornecidos pelas NESH irão, desse modo, definir o código correto para classificação das mercadorias. À luz da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado n° 3b (RGI n° 3b) que, entende-se que atendidas determinadas condições, alguns bens, dentre eles produtos compostos constituídos pela reunião de diferentes materiais, devem ser classificados em código único, próprio para o artigo que lhes confira a característica essencial: 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos Fl. 2045DF CARF MF Fl. 14 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Todavia, considerando as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.072, de 30 de setembro de 2010, e pela Instrução Normativa RFB nº 1.262, de 2012, especificamente o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), tem-se que excluídos são, do campo de aplicação da mencionada regra (Regra 3 b) do Sistema Harmonizado), os produtos destinados à fabricação de bebidas, tais como os kits fornecidos pela Pepsi ou Arosuco: XI) a presente regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. E, mais, somente nos casos específicos previstos nas Regras 2 a) e 3 b) das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), existiria a possibilidade de classificação de componentes de kits ou sortidos como se formassem uma mercadoria única. Assim, o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b) elimina qualquer possibilidade de que esta Regra do Sistema Harmonizado possa ser aplicada no caso sob análise, prevendo expressamente que os conjuntos para a fabricação industrial de bebidas não podem ser classificados de acordo com a Regra 3 b). Do exposto até então, já afastada a possibilidade de serem entendidos o conjunto de mercadorias denominadas pela fiscalizada de “concentrado de refrigerante” como um produto único. O cerne da questão resume-se, desse modo, em definir se os diversos componentes dos “Concentrados de refrigerantes”, atendem à definição de “sortidos apresentados para venda a retalho” sendo classificados num código único. A respeito das mercadorias constituídas pela reunião de artigos diferentes, bem como dos produtos “apresentados em sortidos acondicionados para venda a retalho”, as NESH esclarecem, item X da Regra 3 b): X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: a) serem compostas, pelo menos, de dois artigos diferentes que, à primeira vista, seriam suscetíveis de se incluírem em posições diferentes. Não seriam, portanto,considerados sortido, no sentido desta Regra, seis garfos para fondue, por exemplo. b) serem compostas de produtos ou artigos apresentados em conjunto para a satisfação de uma necessidade específica ou exercício de uma atividade determinada; c) serem acondicionadas de maneira a poderem ser vendidas diretamente aos consumidores sem novo acondicionamento (em latas, caixas, panóplias, por exemplo). Embora seja constituído de elementos classificados em posições distintas da nomenclatura, e de seus elementos servirem à satisfação de uma atividade específica e bem determinada (a produção de determinada bebida refrigerante), o “kit” objeto desta consulta não atende ao requisito previsto no item “c” da Nota Explicativa acima reproduzida, pois que não há que se falar em sortidos acondicionados para venda a retalho. Ora, a venda a retalho, também chamada de varejo, caracteriza-se pela venda de produtos em pequenos volumes, diretamente ao consumidor final. O produto em apreço, entretanto, trata-se nitidamente de um produto intermediário, o qual servirá de insumo em uma segunda etapa produtiva da qual se originará o produto acabado. A dosagem Fl. 2046DF CARF MF Fl. 15 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 dos componentes também demonstra claramente que se trata de um artigo destinado à aplicação industrial, incompatível, portanto, com o conceito de venda a varejo. Afastada as hipóteses de enquadramento suscitadas pela Regra 3-b, conclui-se que a classificação fiscal da mercadoria "Concentrados de refrigerantes" deverá ser efetuada para cada um dos componentes do "kit" individualmente, conforme a composição de cada um deles. Em função de exclusões previstas nas NESH, igualmente é inaplicável a Regra 2 a) do Sistema Harmonizado aos produtos do capítulo 21 da TIPI. 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. O item III da Nota Explicativa da Regra 2 a), transcrito a seguir, ao tratar dos artigos incompletos ou inacabados, prevê que a primeira parte da RGI 2 a) não se aplica, normalmente, aos produtos das Seções I a VI. Tal exclusão abrange os produtos do capítulo 21 da TIPI, que fazem parte da Seção IV da Nomenclatura. III) Tendo em vista o alcance das posições das Seções I a VI, a presente parte da Regra não se aplica, normalmente, aos produtos dessas Seções. Ademais, por produto incompleto ou inacabado, entende-se como aquele em que o processo de fabricação foi interrompido em determinado ponto por alguma necessidade ou conveniência de embalagem, manipulação, ou de transporte. Tais produtos devem apresentar as características essenciais do artigo completo ou acabado, e não devem servir para outra finalidade que não seja a de se tornarem o produto completo ou acabado cujas características eles apresentam. De qualquer maneira, os kits adquiridos pela AMBEV não apresentam, no estado em que são recebidos, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Exemplos são os Kits B do Guaraná Antárctica (FE 1430 - Sais), e os Kits B da Soda Limonada Antárctica (FE 1403 - Sais), compostos de Acidulante e Conservantes, que não apresentam as características essenciais do artigo completo ou acabado, o concentrado. Quanto à segunda parte da Regra 2 a), que trata de um artigo apresentado desmontado ou por montar, o item VII da Nota Explicativa da Regra 2 a), a seguir transcrito, deixa claro que os kits fornecidos pela Pepsi ou Arosuco não se enquadram como artigos apresentados desmontados ou por montar: Notas Explicativas – Regra 2 a) VII) Deve considerar-se como artigo apresentado no estado desmontado ou por montar, para a aplicação da presente Regra, o artigo cujos diferentes elementos destinam-se a ser montados, quer por meios de parafusos, cavilhas, porcas, etc., quer por rebitagem ou soldagem, por exemplo, desde que se trate de simples operações de montagem. Observe-se que o item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) diz em sua parte final que "Os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificar-se por aplicação da Regra 1". Tal texto refere-se a produtos misturados, que não é o caso dos kits para refrigerantes. Assim, o item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) só vem a corroborar o entendimento já esposado de que os concentrados não podem ser classificados como um produto único mediante aplicação da Regra 1. Para definição da classificação fiscal dos kits ou chamados “concentrados” de refrigerantes, inclusive os de sabor guaraná, o procedimento correto é analisar individualmente cada embalagem, onde estão acondicionados produtos misturados, utilizando-se a Regra 1 para classificar o componente analisado, de acordo com o conteúdo da embalagem. Fl. 2047DF CARF MF Fl. 16 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Colaciona-se documentação referente à análise efetuada pelo CCA (Conselho de Cooperação Aduaneira) nos anos de 1985 e 1986 sobre a classificação fiscal de bases de bebidas constituídas por diferentes componentes importados em conjunto em proporções fixas em uma remessa, e que elimina qualquer possibilidade de discussão sobre o que pretende o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b). A análise foi realizada em função de consulta sobre a classificação fiscal de bens com características idênticas à dos insumos adquiridos pela AMBEV, um deles, inclusive, referente a Concentrado de Pepsi-Cola. Ao final da análise, decidiu-se incluir nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b). O idioma original da documentação em questão é o inglês. Por isto, junto com a análise efetuada pelo CCA, está a sua tradução juramentada. A tradução juramentada encontra-se nos autos do presente processo administrativo fiscal. A seguir estão transcritos trechos retirados da tradução juramentada em questão: O Secretariado recebeu cartas de três administrações em busca de aconselhamento sobre a classificação no CCCN da Base de Preparação da Bebida Fanta Frutada, Concentrado de Mirinda Laranja e Concentrado de Pepsi-Cola. As cópias destas três cartas encontram-se como anexo a este documento assim denominados Anexos I a III deste documento. Em uma das cartas, foi levantada uma questão em relação a se a base da bebida deveria ser classificada numa única posição pela aplicação da Regra de Interpretação 3 (b) ou os componentes individuais deveriam ser classificados em separado. (...) Em suas sessões de outubro de 1985 (na 55a. Sessão do Comitê de Nomenclatura e 55a. Sessão do Comitê do Sistema Harmonizado Interino), os Comitês examinaram a classificação das bases de bebidas constituídas por diferentes componentes importados conjuntamente em proporções fixas em uma remessa. Os Comitês concordaram com que os componentes individuais deveriam ser classificados separadamente. Os Comitês também concordaram em incorporar o conteúdo da decisão na Nota Explicativa da Regra Interpretativa 3 (b), como um exemplo da não aplicação desta Regra (...) Regra Interpretativa Geral 3 (b) . Novo Item (XI). Após Item ( X ), insira o seguinte novo Item ( XI) : " (XI) A presente Regra não se aplica a produtos constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto, mesmo estando em embalagem comum, em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. " (grifo nosso) Evidente é, da decisão do CCA que deu origem ao item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), que essa Regra 3b) não se aplica a insumos para fabricação industrial de bebidas que sejam produtos constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto, como é o caso das denominadas Partes dos concentrados ou kits utilizados pela Ambev. Um dos fundamentos para a decisão do CCA de que a Regra 3 b), das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), não pode ser aplicada a bases para refrigerantes foi a ausência na Seção IV da Nomenclatura de uma Nota semelhante à Nota 3 da Seção VI e à Nota da Seção VII. A Nota 3 da Seção VI e a Nota da Seção VII dizem respeito à classificação dos produtos que se apresentam em sortidos compostos de diversos elementos constitutivos distintos. Fl. 2048DF CARF MF Fl. 17 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Todavia, estas Notas apenas visam os sortidos cujos elementos constitutivos se reconheçam como destinados, após mistura, a constituir um produto das Seções VI ou VII. Não há nas NESH a previsão de que possa ser aplicada a Regra 3 do Sistema Harmonizado quando os sortidos são destinados, após mistura, a constituir um produto da Seção IV. Nos textos traduzidos também constam motivos pelos quais a Regra 2 a) das NESH não pode ser aplicada a bases para refrigerantes. Assim, mesmo antes da inclusão do item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), já existiam normas nas NESH que mostravam que kits de produtos do capítulo 21 não poderiam ser classificados como uma mercadoria única. Com a incorporação do item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), eliminou-se qualquer dúvida de que os componentes individuais das bases para bebidas devem ser classificados separadamente. Inicia-se então, a reclassificação dos componentes dos concentrados de refrigerantes em separado, de acordo com as Regras estabelecidas para Interpretação do Sistema Harmonizado”. Classificação fiscal correta das partes dos kits de refrigerante São as seguintes as considerações acerca dos corretos códigos de classificação fiscal a ser aplicados aos componentes dos kits (concentrados para refrigerantes) adquiridos pela contribuinte: “Da diligência realizada, constatou-se que em relação às mercadorias que formariam o chamado “concentrado” para refrigerante PepsiCola: Que para o refrigerante da Pepsi-Cola, o Kit denominado Pepsi-Cola é composto de Extrato de noz de cola, corante caramelo e Flavours; o Kit denominado Acidulante contém como conservantes o Ácido Fosfórico, que compõe a Parte Pepsi Acidulante. Ambas partes são líquidos transportados em bombonas separadas. Que, na sala de estoque de Insumos para a área da Xaroparia Composta, constatou-se que: a) o Kit Pepsi Acidulante – Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 – líquido; b) e o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, também líquido; São insumos fornecidos pela Pepsi Industrial da Amazônia para a produção do refrigerante Pepsi-Cola, os quais não podem ser transportados em conjunto, só podendo ser misturados na hora da preparação do Xarope Composto. E, conforme informado pelo mencionado corpo técnico: a) que, na preparação do Xarope Composto, primeiramente, o Kit Pepsi-Cola é dissolvido no Xarope Simples, etapa realizada na área da Xaroparia Composta, e posteriormente, é agregado ao tanque o Kit Pepsi Acidulante. b) e que, a mistura denominada de Xarope Composto permanece no tanque por um período de 12 a 24 h para a maturação do composto. c) que, a mistura do Kit Pepsi Acidulante e do Kit Pepsi-Cola ao serem dissolvidos rendem 1703 (mil setecentos e três) litros de Xarope Composto. d) que, após a maturação, o Xarope Composto é transportado para a área de envase, quando então inicia-se a etapa de dissolução da mistura em água carbonatada para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, quando 1703 litros de Xarope Composto produzido na filial de Curitiba produz 10.000 (dez mil) litros de refrigerante Pepsi-Cola. Já com relação às mercadorias fornecidas pela Arosuco para elaboração do refrigerante Guaraná Antartica, nomeadas pelo fornecedor de “concentrado” para o Guaraná verificou-se, o Kit denominado kit A é composto de Flavours: Extrato de Guaraná, Aromatizante, corante caramelo IV; o Kit denominado kit B é composto de Ácido Cítrico, Benzoato de Sódio e Sorbato de Potássio. Kit A é líquido, transportado em bombonas e o Kit B é sólido, transportado em caixas. Fl. 2049DF CARF MF Fl. 18 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, poiso kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto(*); muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. (*) Para uma melhor compreensão, ressalta-se que o corpo técnico também esclareceu que a produção da bebida refrigerante é obtida a partir da diluição do Xarope Composto em água carbonatada; e que essa preparação denominada de Xarope Composto também alimenta as máquinas de refrigerantes. Quanto aos demais refrigerantes, Soda Limonada, Sukita Uva, Sukita Laranja, e Água tônica, verificou-se que: Que a Arosuco fornece insumos para a fabricação de refrigerantes Guaraná Antarctica, Soda Limonada, Soda Limonada diet, Sukita Uva, Sukita Laranja, Guaraná diet, Água tônica. Que os insumos utilizados para a fabricação de refrigerantes são identificados como “kit concentrado para refrigerantes”. Que esses insumos chegam ao estabelecimento parte em bombonas (kits A da Arosuco), parte em caixas (kits B da Arosuco) E que os Kits denominados Parte B fornecidos pela Arosuco são sólidos transportados em caixas, os quais conteriam os sais: conservantes e acidulantes. Que os Kits denominados Parte A fornecidos pela Arosuco são transportados em bombonas, sendo líquidos que formariam os Flavours, extrato natural do sabor do refrigerante (Sukita Uva e outros), NCM 2106.90.10, conforme rótulo. E para todos os kits: Que o kit sólido, transportado em caixas, é dissolvido a quente no tanque de sais e enviado ao tanque de xarope. O kit líquido é dissolvido a frio e enviado, após o kit sólido, ao tanque de xarope, quando são dissolvidos no xarope simples, sendo que todo o processo leva cerca de 5 a 6 horas. Produzido assim o Xarope Composto. Em outra linha, a produção da Pepsi necessita de um tempo de maturação de 12 a 24 horas. Que os kits não são transportados em conjunto, porque cada parte exige diluição prévia para serem agregados, e também porque os kits da Arosuco em caixas, parte sólida, demandam diluição a quente (cerca de 95º C), para que se dissolvam completamente, antes de serem misturados ao Xarope Simples, enquanto a parte do flavour (kit A da Arosuco e Kit Pepsi-Cola no da Pepsi Amazonia) não pode ser aquecido porque perderia as propriedades sensoriais, com temperatura elevada. A parte do Acidulante, Kit B, deve aguardar alcançar 25ºC para poder ser agregado, bem como nos demais refrigerantes produzidos a partir dos insumos provenientes da Arosuco. Que a partir do Xarope Composto, na linha de envase, produz-se o refrigerante propriamente por meio da diluição em água carbonatada. Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, poiso kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. Fl. 2050DF CARF MF Fl. 19 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto(*); muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. (*)Para uma melhor compreensão, ressalta-se que o corpo técnico também esclareceu que a produção da bebida refrigerante é obtida a partir da diluição do Xarope Composto em água carbonatada; e que essa preparação denominada de Xarope Composto também alimenta as máquinas de refrigerantes. Quanto às bebidas sem adição de açúcar, tem-se que a Soda Limonada Zero, constatou- se também que: Também se verificou os insumos enviados pela Arosuco para a produção do refrigerante Soda Antarctica Diet, que são dois kits: Kit A da Soda Antarctica Diet, líquido transportado em bombona plástica; e Kit B da Soda Antarctica Diet, sólido transportado em caixa. Que, no caso da produção do refrigerante Soda Antarctica Diet, de acordo com o relato do referido corpo técnico, na área da Xaroparia Composta: a) primeiramente, o Kit B da Soda Antarctica Diet é dissolvido a quente (95ºC) por 20 minutos, em separado no Tanque de Sais, onde permanece até que alcance a temperatura em torno de 25ºC, sendo então enviado ao Tanque maior por um sistema de tubulação quando é diluído em água, já que não é agregado ao refrigerante diet açúcar para a sua mistura é dissolvido no Xarope Simples; b) e, posteriormente, o Kit A da Soda Antarctica Diet é dissolvido a frio, em separado, no Tanque de Sais, sendo então agregado ao Tanque maior junto ao preparado originado do Kit B, quando também é dissolvido em água, produzindo-se assim o Xarope Composto, o qual apresenta o mesmo fator de diluição mencionado para o refrigerante para os insumos da Pepsi-Cola. c) que o Kit A da Soda Antarctica Diet não pode ser fervido ou aquecido, por perder causar a perda das características do produto refrigerante, sendo que é composto do líquido natural da bebida a ser fabricada; d) que o Kit B da Soda Antarctica Diet é composto dos sais, como os acidulantes e conservantes. Que, ainda, de acordo com o relato do referido corpo técnico, na área de Envase, o Xarope Composto, produzido a partir do Kit A da Soda Antarctica Diet e do Kit B da Soda Antarctica Diet em conjunto, é transportado para área do Envase, para sua dissolução em água carbonatada. E por fim, com relação a todos insumos, sejam fornecidos pela Pepsi, sejam fornecidos por Arosuco: Por fim, relata-se que foi informado pelo corpo técnico que, a um, as partes dos kits são transportadas em embalagens individuais, porém na mesma remessa, e, a dois, que não seria possível produzir, a partir de cada “Kit” (parte do nomeado “kit” de refrigerante pelo fornecedor em suas notas fiscais), o refrigerante, porque, se apenas uma das partes fosse diluída em água carbonatada, a preparação resultante não teria as mesmas características de identidade presentes no refrigerante elaborado a partir do kit completo. O aroma, o sabor e a coloração (elementos das características sensoriais), bem como as características físico-químicas não seriam iguais. Prosseguindo-se na análise da classificação fiscal mais acertada para as partes dos kits de refrigerante, incia-se pelo chamado Kit Pepsi-Cola código 35005*06, e Kits Flavours, tanto da Pepsi Zero, quanto da Pepsi Twist e Pepsi Twist Zero, e pelos chamados Kits A das bebidas fornecidos pela Arosuco bem como do Kit que contém o líquido natural, suco, extrato, para preparação da H2OH Limão. Fl. 2051DF CARF MF Fl. 20 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Tem-se, do material colhido e informações angariadas no curso da ação fiscal (fotos, diligência e outros), em resumo que: - Kit Pepsi-Cola código 35005*06, Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour, e Kits Pepsi Twist Zero que contenha flavours: são os kit que contêm extrato de noz de cola, além de outros aromatizantes/saborizantes e de corante caramelo dos kits destinados à preparação dos refrigerantes PepsiCola; - kit A do Guaraná Antartica (versão regular e versão diet): é o kit que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes dos kits sabor guaraná (Guaraná Antartica e Guaraná Antartica Diet); - kit A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, e Kits fornecidos pela Pepsi: são os kits que contém o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante dos denominados: - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica Zero, o Kit A dos concentrados natural limão diet fe1403 z kit ; - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica, o Kit A dos concentrados natural limão fe1403 kit; - Para a bebida Água Tônica Antarctica, o Kit A dos concentrados natural s tônica fe1401 kit; - Para o refrigerante Sukita Laranja, o Kit A dos concentrados natural laranja rm FE 1411 – Sukita Laranja RM kit; - Para o refrigerante H2OH limão, o Kit A do kit h2oh limão; - Para o refrigerante Sukita Uva, os Kits A dos concentrados natural Sukita Uva FE1456– destinados à preparação dos refrigerantes SUKITA; - Kit Pepsi Twist código 92318*01, Kit Pepsi Twist Zero (limão), e o Kit que contém o líquido natural para preparação da H2OH Limão. Importante observar o disposto na RGI 3 a) do SH, que assim versa: 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. Dada a ausência de uma posição mais específica, uma preparação que contenha extrato que é ingrediente fundamental no aroma ou no sabor da bebida, além de outras substâncias, classifica-se no escopo da posição 21.06, a qual trata das "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições", conforme esclarecem as Notas Explicativas dessa posição: “Classificam-se especialmente aqui: [...] As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em conseqüência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, Fl. 2052DF CARF MF Fl. 21 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também freqüentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. Verifica-se da estrutura da posição 21.06, que a mesma se desdobra em apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos "Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas", que por certo não se trata dos produtos em comento. Assim, uma preparação que contenha extrato de noz de cola e outros aromatizantes/saborizantes deve ser enquadrada na subposição 2106.90, destinada a "outras" preparações. Já a subposição 2106.90 só se desdobra em um único item 2106.90.10 da NCM :"Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas", que é a correta. Por fim, verifica-se que no código NCM 2106.90.10 há dois Ex-tarifários (exceções tarifárias): o Ex 01 e o Ex 02, a seguir transcritos: "Ex 01 - Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado Ex 02 - Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante do Capítulo 22, com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" (grifos nossos) Os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 tratam de “preparações compostas” constituídas por uma mistura de diversas substâncias, as quais por diluição deveriam produzir o refrigerante. Exaustivamente exposto já foi que, não se trata do caso dos “concentrados de refrigerante” fornecidos pela Pepsi e pela Arosuco, pois este é um conjunto de partes, mercadorias, cada uma na sua embalagem individual, as quais não estão misturadas e não estão prontas para uso, diferenciando-se da definição de preparações compostas. Como já dissecado neste Relatório, os concentrados para refrigerantes (conjunto de componentes não misturados, embalados individualmente) não podem ser chamados de "preparações compostas". E, volve-se a dizer: os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 trazem como condição de enquadramento que as preparações não alcoólicas correspondam a "extratos concentrados" ou "sabores concentrados". Não são contemplados no ex- tarifário da NCM 2106.90.10 “concentrados” ou “sabores”, como faz o texto. O Ex 01 da NCM 2106.90.10 se refere a “extratos concentrados” ou “sabores concentrados”. E, é isento de dúvidas o fato de que a mercadoria para ser classificada em qualquer um dos Ex-tarifários há de ser uma preparação composta concentrada, tanto que uma diferença fundamental entre o Ex 01 e o Ex 02 é a "capacidade de diluição". No primeiro, a capacidade de diluição é superior a 10 vezes, enquanto no segundo é igual ou menor do que 10 vezes. Além disso, no próprio Ex ao final do texto há referência à preparação composta como concentrado. Um componente, parte, que corresponda a uma mistura de extrato (ingrediente fundamental no aroma ou no sabor da bebida) com outros aromatizantes/saborizantes forma uma preparação composta. A diferença entre extrato concentrado e sabor concentrado é que neste último o extrato do vegetal de origem é totalmente substituído por aromatizantes/saborizantes artificiais. O refrigerante que não contém matéria-prima natural, elaborado a partir de sabor concentrado, é denominado de artificial. Não é o caso dos refrigerantes engarrafados por Ambev. Fl. 2053DF CARF MF Fl. 22 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 A Lei nº 8.918, de 1994, mandamento válido para qualquer bebida, foi regulamentada pelo Decreto nº 2.314, de 1994, posteriormente revogado pelo Decreto nº 6.871, de 2009. Em ambos, consta uma definição apurada sobre concentrados para bebidas, abaixo transcrita, na dicção do Regulamento vigente: "Art. 13. A bebida deverá conter, obrigatoriamente, a matéria-prima vegetal, animal ou mineral, responsável por sua característica sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco. [...]. § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal." (...) “Art. 30. O preparado líquido ou concentrado líquido para refrigerante, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para o respectivo refrigerante.” Deste modo, o extrato concentrado, por ser uma preparação composta, deve conter o extrato vegetal de sua origem e os todos os demais aditivos necessários (matérias de base classificadas em capítulos distintos), a fim de apresentar, quando diluído, as mesmas características de identidade presentes no refrigerante elaborado a partir dele. O Regulamento Técnico para Fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade para Refrigerantes, Anexo à Portaria nº 544, de 16 de novembro de 1998, complementa os padrões de identidade e qualidade estabelecidos no Decreto nº 6.871 de 2009. Quando esse Regulamento aborda a Composição e Requisitos dos refrigerantes, estabelece como requisito: "As características sensoriais e físicoquímicas deverão estar em consonância com a composição do produto". Da diligência realizada, bem como dos DANFE que acompanham as mercadorias adquiridas pela autuada da Pepsi-Cola e da Arosuco, visível é que cada mercadoria/componente cujo ingrediente fosse o extrato e outros aromatizantes ao serem simplesmente diluídos, não apresentariam as mesmas características sensoriais e físico-químicas do refrigerante a cuja elaboração se destinam. Isto porque os “kits” são formados por esses componentes sempre em conjunto com outras partes, que, por óbvio, são indispensáveis à elaboração do refrigerante. Certo é que o aroma, o sabor e a coloração (elementos das características sensoriais), bem como as características físico-químicas não seriam iguais. Se assim não fosse, como já dito, seriam desnecessárias as demais partes de cada concentrado de refrigerante. Para que se tenha um produto próprio a ser nomeado de extrato concentrado, haveria esse produto de ser composto de todo o conteúdo das "partes" do concentrado de refrigerante, reunidos nesse único produto. Isso posto, cada componente dos concentrados adquiridos da Pepsi e da Arosuco para fabricação de refrigerantes pela fiscalizada deve ser classificado individualmente. E, devem ser classificados no código NCM 2106.90.10 (“Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas”), cuja alíquota do IPI é zero os seguintes insumos: - Kit Pepsi-Cola código 35005*06, Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour, e Kits Pepsi Twist Zero que contenha flavours: são os kit que contêm extrato de noz de cola, além de outros aromatizantes/saborizantes e de corante caramelo dos kits destinados à preparação dos refrigerantes PepsiCola; - kit A do Guaraná Antartica (versão regular e versão diet): é o kit que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes dos kits sabor guaraná (Guaraná Antartica e Guaraná Antartica Diet); Fl. 2054DF CARF MF Fl. 23 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 - kit A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, e Kits fornecidos pela Pepsi: são os kits que contém o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante dos denominados: - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica Zero, o Kit A dos concentrados natural limão diet fe1403 z kit ; - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica, o Kit A dos concentrados natural limão fe1403 kit; - Para a bebida Água Tônica Antarctica, o Kit A dos concentrados natural s tônica fe1401 kit; 11 Para o refrigerante Sukita Laranja, o Kit A dos concentrados natural laranja rm FE 1411 – Sukita Laranja RM kit; 11 Para o refrigerante H2OH limão, o Kit A do kit h2oh limão; 11 Para o refrigerante Sukita Uva, os Kits A dos concentrados natural Sukita Uva FE1456– destinados à preparação dos refrigerantes SUKITA; 11 Kit Pepsi Twist código 92318*01, Kit Pepsi Twist Zero (limão), e o Kit que contém o líquido natural para preparação da H2OH Limão. Tais componentes não se enquadram no Ex 01 do referido código, uma vez que para ser extrato concentrado, que é uma preparação composta, deverá conter o extrato vegetal de sua origem e todos os demais aditivos necessários, a fim de apresentar, quando diluído, as mesmas características de identidade presentes na bebida elaborada a partir dele. Entende-se, portanto, com base na RGC-1, estrutura basilar da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto 6.006, de 28 de dezembro de 200610 e, subsidiariamente, nos esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008, com alterações da IN RFB nº 1.072, de 2010, e da IN RFB nº 1.262, de 2012, que: o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, e Kits Flavours, tanto da Pepsi Zero, quanto da Pepsi Twist e Pepsi Twist Zero (Kit Pepsi Twist Zero (limão), Kit Pepsi Twist (limão), Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour e kits Pepsi Twist Zero flavours); o kit A do Guaraná Antarctica (versão regular e versão diet), que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes, e os kits A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, os quais contêm o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante (natural limão diet fe1403 z kit, natural limão fe1403 kit, natural; s tônica fe1401 kit, natural laranja rm kit, h2oh limão, e destinados à preparação dos refrigerante SUKITA) e bem como o Kit que contém o líquido natural, suco, extrato, para preparação da H2OH Limão; classificam-se no código 2106.90.10 da NCM :"Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas", cuja alíquota conforme a TIPI é 0% (zero). Nos itens a seguir, trata-se da classificação fiscal dos demais kits dos chamados concentrados para refrigerantes adquiridos por Ambev. Quanto ao Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, de acordo com informações prestadas durante a diligência realizada na unidade situada em Curitiba (filial Curitibana), seria uma Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 a qual, de acordo com a manifestação da ora autuada, teria ainda, cafeína em sua composição. Do rótulo, verifica-se que é composto de Acidificante INS 338 e corante INS 150d. O mesmo ocorre com Kit Pepsi Zero Acidulante: conforme fotografias fornecidas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 006, seria composto de acidificantes INS 330 e 338. E, de acordo as mencionadas fotografias fornecidas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 006, o Kit Pepsi Twist Sais seria uma Solução de conservante INS Fl. 2055DF CARF MF Fl. 24 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 211 e estabilizante INS 331, enquanto que o Kit Pepsi Zero Sais seria composto de edulcorante INS 950 e 955; conservante INS 211; sequestrante INS 385. Assim também ocorre com os demais kits dos insumos fornecidos por Pepsi, os quais contêm ingredientes comumente utilizados em diversos produtos da indústria alimentícia, tais como sais, acidulantes e conservantes, que são comercializados já misturados pelo fornecedor, na forma líquida e sólida, os Kits Pepsi Twist Zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Acidulante e Kit para preparação da bebida H2OH Limão que que não contenha o extrato ou suco natural. Já os Kits B fornecidos pela Arosuco, conforme as fotos das embalagens e demais informações angariadas na referida diligência (na qual mostrou-se caixa aberta de um Kit B aparentando ser um único produto), seriam sólidos, transportados em caixas em embalagens separadas dos kits A. E, no caso dos insumos do refrigerante Guaraná Antarctica, o Kit B seria composto de Ácido Cítrico, Benzoato de Sódio e Sorbato de Potássio, bem como o Kit B dos insumos do refrigerante Soda Limonada; e o Kit B do Guaraná Antarctica Zero seria composto de acidulante INS 334, Benzoato de Sódio e dois edulcorantes. Quanto aos demais insumos dos refrigerantes, o Kit B seria composto de diversos sais, como acidulantes (Ácido Cítrico), conservantes (Benzoato de Sódio e/ou Sorbato de Potássio), sequestrante (EDTA cálcio dissódico), e, no caso dos refrigerantes sem adição de açúcar, Edulcorantes. Em suma, as partes dos kits fornecidos que não contém extrato vegetal de guaraná, nem líquido natural dos refrigerantes sabor limão ou laranja, ou Sukita ou extrato de noz de cola, são formadas por acidulantes, conservantes e outros ingredientes, como edulcorantes e/ou sequestrantes. Nesse sentido, manifestação da autuada quanto ao Termo de Constatação Fiscal da Diligência realizada em abril de 2016, trecho colacionado abaixo: “(...) do Termo, que a Parte B do Kit fornecido pela empresa Arosuco é composto de diversos sais, ácidos e conservadores químicos, caracterizados em gênero como conservantes e acidulantes”. Procedendo-se à classificação fiscal dos kits B, ou as chamadas Partes B dos insumos das bebidas fabricadas pela Ambev, bem como do Kit Pepsi Acidulante, tem-se que as matérias-primas utilizadas nos kits fornecidos pela Pepsi ou pela Arosuco não se caracterizam como óleos essenciais da posição 33.01. Em verdade, a mistura de pelo menos dois desses ingredientes (conservantes, acidulantes, sequestrante e/ou edulcorantes) resulta numa preparação para uso em diversos alimentos, mas não especificamente para aplicação em bebidas. Por aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI-1/SH, as "Preparações alimentícias diversas" classificam-se no Capítulo 21. Como não se verifica uma posição específica que trate das preparações em questão, resta a posição 21.06, que trata das "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições ". Verifica-se da estrutura da posição 21.06, que a essa se desdobra em apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos "Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas", enquanto a subposição 2106.90 é reservada a "outras" preparações. Assim, a preparação em análise deve ser enquadrada na subposição 2106.90. Tendo em vista que a preparação sob análise é utilizada de forma geral para qualquer tipo de indústria alimentícia e, portanto, não é do tipo específico utilizado para elaboração de bebidas de que trata o item 2106.90.1, e igualmente não é do tipo utilizado para fabricação de pudins do item 2106.90.2, nem é um complemento alimentar do item 2106.90.3, mas também não é uma mistura à base de ascorbato de sódio referido no item 2106.90.3, nem se enquadra como goma de mascar do item Fl. 2056DF CARF MF Fl. 25 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 2106.90.5, e muito menos como caramelos do item 2106.90.6, resta-lhe o item residual "Outras" do código 2106.90.9. Diante desse fato, dentre os componentes fornecidos pela Pepsi e pela Arosuco, os Kits B e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Acidulante e Kit para preparação da bebida H2OH Limão que que não contenha o extrato ou suco natural, os quais são os formados por uma mistura de conservantes, acidulantes, sequestrante e/ou edulcorantes, e de outras matérias que não o extrato vegetal de guaraná nem o líquido natural refrigerantes sabor limão ou laranja ou ainda uva, ou extrato de noz de cola, devem ser classificados no código residual 2106.90.90, reservado às "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições - Outras - Outras", tributado à alíquota zero do IPI. Conclui-se desse modo, que os créditos incentivados escriturados pela autuada no período de apuração de janeiro a dezembro de 2012, em razão da aquisição dos kits “Kit A” e “Kit B” da AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA., inclusive os kits para elaboração dos refrigerantes de sabor de Guaraná, e Kits Kit 35005*06 – Kit PepsiCola e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi Zero sais, Kit Pepsi Twist cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour, Kit Pepsi Zero natural flavour e Kit Pepsi Twist código 92318*01, e kits Pepsi Twist ZERO, e kits H20H limão da PEPSI COLA INDUSTRIAL DA AMAZONIA LTDA., são indevidos porque para a classificação fiscal das mercadorias adquiridas NCM 2106.90.10 e NCM, a TIPI previa à época dos fatos, a alíquota 0% (zero). Em síntese, tem-se que: São créditos indevidos e hão de serem glosados os decorrentes das aquisições de concentrados para refrigerantes, que não os de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), a qual declarou que a falta de destaque do IPI nas vendas dos desses concentrados estava amparada na isenção prevista no atual art. 81, II, do Regulamento do IPl de 2010, em razão de não haver previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada. Também são indevidos e hão de serem glosados, os créditos fictos calculados e escriturados em decorrência das aquisições de concentrados para refrigerantes, que não os de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. São créditos indevidos e hão de serem glosados os decorrentes das aquisições de concentrados para refrigerantes de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. Em relação aos insumos filmes plásticos produzidos pela VALFILM AMAZONIA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA., CNPJ sob o nº 03.071.894/0001-07, informou essa que, a partir de 05/2010, fez uso, na saída de seus produtos, da isenção prevista no art. 81, II do RIPI de 2010, por conseguinte, nos períodos de apuração a partir de junho Fl. 2057DF CARF MF Fl. 26 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 de 2010, não havia previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada, logo, são esses créditos indevidos e hão de serem glosados. Já, a RAVIBRAS EMBALAGENS DA AMAZONIA LTDA., Cadastro de Pessoas Jurídicas – CNPJ sob o nº 08.658.519/0001-73, apresentou declaração confirmando que suas vendas eram isentas por se enquadrarem no art. 81, II do RIPI de 2010, ou seja, não havia previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada, portanto, são esses créditos indevidos e hão de serem glosados. E por fim, a fiscalizada creditou-se indevidamente das aquisições de janeiro de 2012 a dezembro de 2012, de Kits Kit 35005*06 – Kit PepsiCola e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi Zero sais, Kit Pepsi Twist cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour, Kit Pepsi Zero natural flavour e Kit Pepsi Twist código 92318*01, e kits Pepsi Twist ZERO, e kits H20H limão, e de janeiro de 2012 até dezembro de 2012, aquisições da Pepsi INDUSTRIAL DA AMAZONIA LTDA, pois que a saída dos “kits” deu-se com a isenção do art. 9º do Decreto-lei nº 288, de 1967, que não gera crédito ficto, bem como, porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. Considerando o acima exposto, conclui-se que esses créditos foram indevidamente escriturados e utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, o que ocasionou a falta de recolhimento de IPI, devendo serem glosados”. Os valores glosados dos créditos incentivados indevidos estão consignados na planilha inserta no relatório fiscal à fl. 888. Responsabilidade do adquirente pela infração à legislação tributária A responsabilidade pela infração à legislação tributária é do adquirente, tendo este que verificar se os insumos recebidos cumprem todas as prescrições legais e regulamentares previamente ao cálculo e à escrituração fiscal do crédito incentivado (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 62). Aliás, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável (CTN, art. 136); ou seja, a responsabilidade por infrações não tem como antecedente lógico o dolo ou a culpa. Os componentes dos “kits” foram recebidos pela adquirente como se fossem um produto único, sem discriminação e quantificação individualizadas. Adicionalmente, no relatório fiscal: “No presente caso, ocorreram danos ao erário em função do cálculo e aproveitamento de créditos fictos indevidos por parte da fiscalizada, resultantes da aplicação de alíquota incorreta do IPI, além do aproveitamento de entradas Na hipótese da autuada se considerar prejudicada pelos fornecedores, terá o direito de buscar na Justiça seu direito de regresso, para reaver os montantes perdidos. O Superior Tribunal de Justiça tem decisões neste sentido, como é o caso do Recurso Especial nº 58.845 (DJ de 28/08/2000, Ministra Eliana Calmon Relatora), que tratou de caso onde o contribuinte de direito era o vendedor. A Ementa está transcrita em parte a seguir: 1. Pelo mecanismo dos impostos indiretos, a relação jurídica que se estabelece é entre o contribuinte de direito e o fisco. (...) 3. Possibilidade de vir o contribuinte de direito (vendedor) a ingressar com direito de regresso pelo desfalque contra o contribuinte de direito (o comprador). Fl. 2058DF CARF MF Fl. 27 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Ressalta-se que o entendimento esposado quanto ao comerciante de boa-fé aproveitar os créditos de ICMS, decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, não pode no presente caso ser aplicado, porque a autuada se trata de adquirente de produtos isentos. A decisão prolatada no REsp nº 1.148.444 do Superior Tribunal de Justiça (DJ de 27/04/2010, Ministro Luiz Fux Relator), que entendeu que o adquirente que receber as chamadas "notas frias" pode manter os créditos só foi adotado porque ficou demonstrado que ocorreu o pagamento da operação comercial que precedeu o aproveitamento do ICMS. Nesse Recurso Especial, houve comprovação de pagamento do ICMS, já que o tributo está incluído no preço de venda da mercadoria, e “no que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas". A autuação trata de caso diverso, uma vez que a fiscalizada calculou um crédito ficto, assim não houve pagamento de imposto nas aquisições, pois os produtos saíram do fornecedor com isenção do IPI. E, mais, havendo dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias, os contribuintes devem formular consultas para a Receita Federal do Brasil, procedimento atualmente regulado por meio da IN RFB nº 1.464, de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente. No caso dos kits para refrigerantes, não se formalizou qualquer consulta sobre sua classificação. Tratando-se de procedimento que implicaria aproveitamento de milhões de reais a cada mês, a autuada se desejasse agir com diligência no cumprimento de suas obrigações fiscais, só aproveitaria os créditos fictos caso tivesse base muito sólida. Constatando que os fornecedores não tomaram a iniciativa de esclarecer o assunto, à fiscalizada caberia solicitar que eles formalizassem consulta. O estabelecimento industrial não teria motivos para deixar de atender a tal pedido, a não ser que tivesse receio do resultado da consulta. Os fornecedores sempre estiveram cientes da importância da classificação fiscal de seus produtos, em função dos enormes valores de créditos gerados para seus adquirentes. O fato dos fornecedores não terem formalizado consulta sobre classificação fiscal de mercadorias junto à Receita Federal seria motivo suficiente para a fiscalizada entender que eles não confiam na correção da classificação que adotam e se abster de aproveitar o crédito duvidoso. A fiscalizada não demonstrou o menor interesse em se certificar da correção da classificação indicada pelos fornecedores, apesar de não existir base legal para aproveitamento de créditos que não correspondam ao exato produto entre o valor tributável do IPI e a alíquota correta do imposto. E mais, a fiscalizada se aproveitou de créditos incentivados, tendo sido ela, e não o fornecedor, que efetuou o cálculo do imposto mediante aplicação de alíquota incidente incorreta. Isso posto, entende-se que restou caracterizada responsabilidade da autuada, que, ao menos, assumiu o risco que permitiu a ocorrência da infração”. Créditos totais glosados no importe de R$ 24.406.881,48, consoante as planilhas às fls. 779 e 888. CRÉDITOS REFERENTES A ARTIGOS ADQUIRIDOS PARA USO E CONSUMO Foram aproveitados, outrossim, créditos distintos de créditos básicos admissíveis, alusivos a artefatos adquiridos para uso e consumo em 2012, mais especificamente: itens de manutenção e material intermediário de produção, conforme detalhamento inequívoco na planilha que integra o termo de descrição dos fatos às fls. 896 e 897. Na acepção do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, incluem-se entre as matérias primas e os produtos intermediários aqueles que, embora não integrem o produto final, sofram alterações (desgaste, dano ou perda de propriedades físicas e químicas) na ação exercida diretamente sobre o produto em industrialização. Nem todos os insumos Fl. 2059DF CARF MF Fl. 28 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 adquiridos e utilizados na produção caracterizam-se como matérias primas ou produtos intermediários. Na mesma linha lógica já havia o Parecer Normativo nº 181, de 1974. De acordo com o relatório fiscal: “Destarte, nos termos do Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, e do Parecer Normativo n° 181, de 1974, e, em consonância com o inciso I do art. 226 do RIPI de 2010, geram direito ao crédito, além das matérias primas, produtos intermediários "stricto-sensu" e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens — desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente — que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, isto é, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. E não existe amparo legal que dê direito ao crédito do imposto referente aos insumos peças e partes de máquinas, produtos para higienização do maquinário ou de embalagens, produtos utilizados na manutenção das máquinas, inclusive lubrificantes e óleos. Não devem ser aceitos, portanto, os valores referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, equipamentos de segurança, filtros e retentores, material de limpeza e higienização, material elétrico e hidráulico, peças de reposição e uniformes dos empregados, para gerar o crédito básico, uma vez que esses bens não se incluem no conceito de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, consumidos no processo de industrialização, únicos insumos admitidos por lei”. O direito ao crédito de IPI pressupõe a existência de duas condições aditivas: a) integração do insumo ao produto final ou consumo daquele em contato direto com o produto em industrialização; b) o insumo não pode ser parte ou peça de máquinas e equipamentos, nem pode corresponder a produtos empregados na manutenção de máquinas e equipamentos, incluídos óleos e lubrificantes. Créditos indevidos no montante de R$ 24.657,33 discriminados nos demonstrativos às fls. 897 e 898. CRÉDITOS DE BEBIDAS ADQUIRIDAS PARA COMERCIALIZAÇÃO Houve, ademais, no período de janeiro a dezembro de 2012, a apropriação de créditos de IPI na entrada de produtos acabados (bebidas refrigerantes) provenientes de diversos estabelecimentos da AMBEV. As industrializações não foram efetuadas por encomenda e a impugnante deu saída às bebidas recebidas mediante a emissão de notas fiscais de venda para terceiros, com destaque do imposto, e de notas fiscais de transferência para outros estabelecimentos filiais com suspensão do imposto. O estabelecimento matriz da empresa fiscalizada é optante do Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI), sendo a opção válida para todos os estabelecimentos. Durante o ano de 2012, o sujeito passivo estava sujeito ao Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI), previsto nos arts. 58-A a 58-U da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 (RIPI/2010, arts. 204 a 206), de acordo com o disposto originalmente na Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, art. 4º, ou seja, sem poder se creditar do imposto destacado nas notas fiscais de transferência de bebidas em virtude de que: a) se trata de produtos acabados destinados a comercialização e não de matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem; Fl. 2060DF CARF MF Fl. 29 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 b) o imposto incide sobre os produtos acabados uma única vez, na saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, vale dizer, o imposto não é mais devido em operação posterior (art. 58-N, I); c) não houve operação de industrialização por encomenda, que representa uma exceção ao regime de incidência única (na industrialização por encomenda, há incidência do imposto também na saída do estabelecimento encomendante) (art. 58-N, § único). Planilha de notas fiscais às fls. 780/790 e créditos indevidos no total de R$ 818.682,68 discriminados no demonstrativo às fls. 897 e 898. CRÉDITOS DE CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES ADQUIRIDOS DE OUTRO ESTABELECIMENTO DA MESMA EMPRESA COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL Ocorreu também, no período de janeiro a dezembro de 2012, a apropriação de créditos de IPI na entrada de “kits” para refrigerantes acobertados por notas fiscais emitidas por diversos estabelecimentos da AMBEV, conforme a transcrição que segue: “Acontece que, tais kits foram classificados incorretamente nas notas fiscais de entrada, no Ex 01 do código 2106.90.10. "preparações para elaboração de bebidas" (NCM 2106.90.10) e "Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" (Ex 1 da NCM 2106.90.10) ". De tudo até aqui exposto, considera-se que foi devidamente provado que o enquadramento no Ex-tarifário 01 é indevido, sendo que os kits de refrigerante a seguir listados são classificados de acordo com as regras do Sistema Harmonizado na posição da NCM 2106.90.10, para qual a Tabela de Incidência de IPI, à época dos fatos previa a alíquota de 0% (zero): - CONC NAT S GUARANA DIET FE1431 KIT - KIT PTWZERO - KIT PEPSI COLA TWIST - CONC NAT LIMAO DIET FE1403 KIT - CONC NAT S TONICA FE 1401 KIT - CONC NAT S LARANJA BR KIT - CONC NAT S GUARANA FE1430 BOMBONA 20L KI - CONC NAT LIMAO FE1403 BOMBONA - CONC NAT S GUARANA FE1430 BOMBONA Intimou-se a fiscalizada então demonstrar o pagamento realizado pela aquisição desses insumos, em resposta, a autuada asseverou que a transferência de recursos ao emitente é realizada via encontro de contas. Também apresentou documentos e notas fiscais relacionadas a resposta apresentada. Não restou claro que a autuada tenha arcado com o ônus financeiro do imposto na entrada dos produtos, e, considerando que tais créditos básicos são indevidos e que, caso a autuada se considere prejudicada pelos fornecedores, terá o direito de buscar na Justiça seu direito de regresso, para reaver os montantes perdidos, há que serem glosados tais créditos. O Superior Tribunal de Justiça tem decisões neste sentido, como é o caso do Recurso Especial n° 58.845 (DJ de 28/08/2000, Ministra Eliana Calmon Relatora), que tratou de caso onde o contribuinte de direito era o vendedor. A Ementa está transcrita em parte a seguir: 1. Pelo mecanismo dos impostos indiretos, a relação jurídica que se estabelece é entre o contribuinte de direito e o fisco. (...) Fl. 2061DF CARF MF Fl. 30 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 3. Possibilidade de viro contribuinte de direito (vendedor) a ingressar com direito de regresso pelo desfalque contra o contribuinte de direito (o comprador). E, mais, havendo dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias, os contribuintes devem formular consultas para a Receita Federal do Brasil, procedimento atualmente regulado por meio da IN RFB n° 1.464, de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente. No caso dos kits para refrigerantes, não se formalizou qualquer consulta sobre sua classificação”. Portanto, foram glosados os créditos básicos escriturados em razão da entrada de insumos (kits de refrigerantes) por ser a alíquota prevista para tais mercadorias de 0% (zero), nos termos do art. 25, da Lei n° 4.502, de 1964, e art. 226, do RIPI/2010, no montante de R$ 1.283.622,24, consoante planilha à fl. 791. Glosa dos Créditos e Reconstituição da Escrita Fiscal O crédito passível de glosa é no importe de R$ 26.531.843,73, sendo que, em virtude da existência de saldos credores no período fiscalizado, foi empreendida a reconstituição da escrita fiscal, conforme demonstrativo às fls. 923/925. A escrita fiscal passível de reconstituição não é aquela definida pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC), tendo em conta que os pedidos de ressarcimento cumulados com declarações de compensação (PER/DCOMP) dos trimestres de 2012 encontravam-se, à época da lavratura da peça fiscal, pendentes de análise. E, adicionalmente, há a seguinte transcrição: “Cabe ressaltar quanto à reconstituição da escrita fiscal, que por ter sido objeto de PerdComp analisada e indeferida, havendo inclusive lançamento anterior do saldo devedor (processo administrativo fiscal de nº 10880.727044/2015-61), houve alteração da escrita fiscal da fiscalizada do saldo credor do período anterior (quarto trimestre de 2011) aos períodos de apuração de janeiro de 2012 a dezembro de 2012, que foi considerado inexistente. Igualmente, o estorno de crédito (débito) escriturado em janeiro de 2012, em razão do pedido de ressarcimento do quarto trimestre de 2011, foi considerado igual a zero. A partir dessa escrita, é que se realizou a reconstituição em função das glosas e demais lançamentos da autuação. Nos períodos de apuração em que a fiscalizada apresentou Pedido de Ressarcimento do trimestre anterior (abril, julho e outubro de 2012), em sua escrituração, houve Estorno de Créditos no valor dos pedidos formulados, na forma de débitos de IPI. Deste modo, tendo a fiscalização concluído pela glosa de diversos créditos escriturados, o que implicou saldo credor inexistente em todos os períodos em que o sujeito passivo formulou tais pedidos de ressarcimento – sendo, portanto, esses improcedentes –, a fiscalização, ao realizar a reconstituição da escrita fiscal, incluiu, no período de apuração nos quais se constatou estorno de crédito efetuado pela fiscalizada, crédito no mesmo valor do estorno, para impedir que a glosa de créditos, em conjunto com o estorno de crédito já escriturado, resultasse em cobrança de valores em duplicidade. A escrita fiscal para o período janeiro de 2012 a dezembro de 2012 passa a ser a descrita no Auto de Infração, e, no fim do período de apuração de 2012, não houve saldo credor disponível ao final do período e sim, tributo a pagar”. Considerações Finais Foram articuladas as seguintes considerações pela autoridade fiscal acerca da classificação fiscal dos insumos fornecidos pelas empresas PEPSI e AROSUCO: “A análise das características dos insumos fornecidos por Pepsi e Arosuco, evidenciou que o produto que as empresas chamam de "concentrado" é na realidade um conjunto de matérias-primas e produtos intermediários. Assim, o termo "concentrado" foi empregado de maneira tecnicamente incorreta, e seu uso refletiu apenas a prática comercial das empresas. Fl. 2062DF CARF MF Fl. 31 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 E, a classificação fiscal é definida pelas características intrínsecas e extrínsecas da mercadoria no momento da ocorrência do fato gerador. É irrelevante, para fins de classificação fiscal, que Pepsi e Arosuco sempre remetam os produtos para fabricantes de bebidas, pois a legislação não permite que o enquadramento na TIPI seja determinado caso a caso, conforme a utilização que será dada pelos destinatários da mercadoria. Manifesto é que as características de um produto industrializado são influenciadas pela utilização para a qual o produto foi concebido. Entretanto, mesmo nas situações em que o destino e a forma de utilização da mercadoria são fundamentais, a NESH não prevê que se deva analisar a motivação de destinatários específicos ou outros aspectos da realidade econômica em que se insere o fabricante. Analisa-se, sim, a embalagem do produto, o seu formato, e outras características que independem dos fatores mencionados. Por exemplo, uma das características que podem definir o código de classificação da mercadoria é sua apresentação. O art. 6º do RIPI, de 2010, trata das definições de embalagens de transporte e de apresentação, aplicadas quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto. A NESH prevê vários casos em que o código de classificação a ser adotado é determinado pela embalagem de apresentação onde está acondicionada a mercadoria. Como exemplo, traz-se trecho da NESH, transcrito a seguir, retirado das Considerações Gerais do Capítulo 28: Alguns produtos inorgânicos não misturados, embora normalmente incluídos no Capítulo 28, podem excluir-se deste Capítulo quando se apresentem sob formas ou acondicionamentos especiais ou ainda quando tenham sido submetidos a tratamentos que não modifiquem a sua constituição química. É o que sucede nos seguintes casos: a) Produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos que se apresentem em doses ou acondicionados para venda a retalho (posição 30.04). (...) Prosseguindo-se no exemplo, de acordo com a NESH, todos os produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos que se apresentem em doses ou acondicionados para venda a retalho são excluídos do Capítulo 28, devendo ser classificados na posição 30.04. Deve-se observar que tal regra é válida para qualquer operação, inclusive na hipótese de que ocorram saídas destinadas a adquirentes que nunca utilizem os produtos para fins terapêuticos ou profiláticos Ainda com relação ao mencionado exemplo, se o estabelecimento industrial, por outro lado, vender produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos sem que eles estejam acondicionados para venda a retalho ou em doses, eles devem ser classificados no Capítulo 28, ainda que o fabricante em questão tenha contrato de exclusividade com adquirente que utilize a mercadoria somente para usos terapêuticos ou profiláticos. Voltando-se aos kits ou concentrados para preparação de refrigerantes, como já devidamente exposto, os kits não podem ser classificados em código próprio para preparação composta, pois algo que não está misturado, pronto para uso pelo adquirente, não se caracteriza como preparação. Mesmo que se alegue que em trabalhos anteriores realizados pelo Fisco em estabelecimentos da Ambev jamais houve qualquer tipo de discordância quanto ao enquadramento dos "kits" para a fabricação de bebidas no Ex 01 do código 2106.90.10, tal argumentação não merece prosperar. A fiscalizada decidiu por sua conta e risco calcular os créditos incentivados aplicando as alíquotas de 27% (vinte e sete por cento) ou 20% (vinte por cento) nas aquisições dos Fl. 2063DF CARF MF Fl. 32 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 kits, apesar da inexistência de consultas para a Receita Federal do Brasil sobre a correta classificação dos insumos adquiridos. Certo é que não houve, por parte do Fisco, emissão de qualquer ato administrativo dando amparo à classificação fiscal adotada pela fiscalizada. E, não está correto asseverar que o tratamento fiscal conferido por Ambev aos kits tenha sido homologado no âmbito dos lançamentos prévios. Em procedimentos fiscais anteriores relativos aos créditos oriundos das compras de Pepsi e Arosuco, o Fisco tratou do direito de Ambev aproveitar créditos do IPI correspondentes ao valor do tributo incidente sobre “concentrados” procedentes da Zona Franca de Manaus, no caso de bens que somente faziam jus à isenção do art. 69, inciso II, do RIPI, de 2002. Não tendo analisado a correção da classificação utilizada para os insumos isentos, o Fisco empregou em seus relatórios o código e alíquota adotados pela empresa, sem que isto significasse concordância ou não com sua correção. A análise do direito ao crédito do IPI em aquisições de insumos isentos há muito tempo vem sendo efetuada pela Justiça, inclusive em ações judiciais propostas por engarrafadores de refrigerantes. Nestas ações, os “concentrados” são tratados como uma mercadoria única cuja alíquota é de 27% (vinte e sete por cento), mas não está em julgamento se os insumos são ou não uma mercadoria única, nem a correta classificação fiscal de acordo com a NCM. Aguarda-se a decisão final do STF sobre o direito ao crédito oriundo de insumos isentos fabricados em Manaus. Na hipótese de que o STF decida adotar entendimento favorável às empresas no que se refere ao crédito oriundo dos insumos isentos, isto não significaria concordância da Justiça com os critérios e formas de cálculo utilizados pelos contribuintes. Há que se ter em mente que a citação, pelo Fisco, dos códigos de classificação adotados, pelo contribuinte, não se caracteriza como homologação de critério jurídico. Entender que a cada encerramento, ainda que parcial, de procedimento de fiscalização, há homologação das classificações fiscais adotadas pelo contribuinte, significaria que o simples encerramento de uma ação fiscal relativa ao IPI, mesmo que não se tenha avaliado a correção de códigos de classificação fiscal, produziria efeito similar ao de Soluções de Consulta emitidas pela Receita Federal. E, quanto a quaisquer afirmações de que a reclassificação fiscal das mercadorias pretendida pela Fiscalização haveria de estar respaldada por laudo técnico, é cediço que cabe ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil determinar a classificação fiscal de mercadorias de acordo com as regras do Sistema Harmonizado independentemente da existência de laudo técnico. Ademais, a questão que se discute quanto à classificação fiscal é se podem ser classificados como se fossem uma mercadoria única os kits acondicionados individualmente e assim transportados até o adquirente. São incontroversos os dados que levaram a fiscalização a concluir pelo erro na classificação e alíquota utilizada pela empresa. Nesse sentido, o § 1°, do art. 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, que diz que não se considera como aspecto técnico, a classificação fiscal de produtos: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. (...) Fl. 2064DF CARF MF Fl. 33 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Retornando-se a classificação fiscal das mercadorias que teriam gerado o creditamento incentivado nesta autuação considerado indevido, concluiu-se que para ser classificada nos ex-tarifários do código 2106.90.10. da NCM é indispensável que os ingredientes que formam determinada preparação composta estejam misturados. Sendo que, no momento em que os insumos são recebidos por Ambev, eles não estão misturados, e, portanto, não se constituem na preparação composta a que se refere a Nota Explicativa da posição 2106. Averiguou-se, no curso deste procedimento fiscal, é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta. E repita-se, não existe preparação, seja ela simples ou composta, em que os ingredientes estejam acondicionados em embalagens individuais!!! O que ocorre é que no momento da ocorrência do fato gerador, cada componente (Parte) se enquadra em um código de classificação próprio, podendo incluir inclusive bens que não se classificam na posição 21.06. Tanto é que, de acordo com a decisão do CCA objeto de tradução juramentada, a matéria pura benzoato de sódio, ainda que fazendo sendo um dos componentes (Parte) de um kit para fabricação de bebidas, deve ser classificada separadamente no código 2916.31. Os trechos transcritos da NESH da posição 21.06 não especificam o entendimento a ser adotado em relação a mercadorias classificadas na posição 29.16, referindo-se sim, a um produto industrializado em que, em alguns casos, tem o benzoato de sódio como um de seus ingredientes. E, constatou-se que, sendo os kits formados por vários componentes acondicionados em embalagens individuais, tratam-se de mercadorias que não estão prontas para uso pelo adquirente (aquele que utiliza os insumos para elaborar refrigerantes), precisando passar por operação de industrialização intermediária. Depois da etapa do processo industrial, em que acontece a mistura dos componentes dos kits (Parte A e Parte B, Kit Pepsi e Kit Pepsi Acidulante), o qual ocorre no estabelecimento da Ambev após o fato gerador, aí então é que se forma uma preparação composta, produto da industrialização ocorrida no estabelecimento fiscalizado, a qual ainda recebe tratamento complementar, com o acréscimo de água e gás carbônico. Caso não fosse necessária a adição de água, a preparação composta não poderia ser chamada de concentrado, preparação classificada na posição 21.06 cuja característica básica é ter um volume muito menor do que as bebidas não alcoólicas da posição 22.02. E a Nota Explicativa da posição 2106, quando fala em tratamento complementar, não está se referindo à operação de industrialização realizada com as matérias-primas após seu recebimento pelo engarrafador. Refere-se, sim, à adição de água e outras operações complementares efetuadas sobre o concentrado – preparação composta, produto da industrialização ocorrida no estabelecimento fiscalizado, resultante da mistura de diversos ingredientes. Sobre a definição correta de concentrado, menciona-se o § 4º do art. 13, do Decreto n° 6.871, de 2009, o qual define expressamente as características do concentrado: § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal.” E claro é que a norma transcrita nesse dispositivo, art. 13, do Decreto n° 6.871, de 2009, não abrange apenas “bebida pronta concentrada (e não de concentrados ou sabores para a fabricação de bebidas)”, que são os concentrados cuja diluição é feita pelo consumidor final, pois em seus §§ 6º e 7º dão orientações que são de interesse apenas de estabelecimentos que industrializam bebidas, como é o caso de Ambev: Fl. 2065DF CARF MF Fl. 34 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Art. 13. A bebida deverá conter, obrigatoriamente, a matéria-prima vegetal, animal ou mineral, responsável por sua característica sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco. § 1o A bebida que apresentar característica sensorial própria da matéria-prima de sua origem, ou cujo nome ou marca se lhe assemelhe, conterá, obrigatoriamente, esta matéria-prima, ressalvados os casos previstos no caput. § 2º O xarope e o preparado sólido para refresco que não contiverem a matéria-prima de origem vegetal serão classificados e considerados artificiais, integrando à sua denominação o termo artificial. [...] § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal.” [...] § 6o Na bebida que contiver gás carbônico, a medida da pressão gasosa será expressa em atmosfera, à temperatura de vinte graus Celsius. § 7o A água destinada à produção de bebida deverá atender ao padrão oficial de potabilidade. E vale, por fim, aqui repisar que o fato da aquisição das Partes dos denominados concentrados ocorrer em conjunto por questões industriais e logísticas, em nada altera a classificação fiscal a ser dada para cada Parte (componente)”. Ciência e Impugnação A empresa tomou ciência da exação em 01/08/2016, conforme o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem – Comunicado (fl. 933). Em 31/08/2016, insubmissa, a contribuinte apresentou, por meio de Termo de Solicitação de Juntada (fl. 935), a impugnação às fls. 936/980, subscrita pelos patronos da pessoa jurídica qualificados na documentação de representação às fls 981/992 e instruída com a documentação às fls. 1.021/1.615 e 1.622/1.635, em que aduz, em síntese, o seguinte: Preliminarmente – Nulidade do auto de infração: 1) Ilegitimidade Passiva: o auto de infração foi lavrado em relação a empresa sucessora que não realizou as operações que deram causa à glosa de créditos; a Companhia de Bebidas das Américas – AMBEV, CNPJ 02.808.708 foi incorporada em janeiro de 2014 pelo sujeito passivo da autuação, a AMBEV S/A, CNPJ 07.526.557/0001-00, que é o estabelecimento matriz, localizado em São Paulo, SP; o estabelecimento que efetuou os créditos, ora glosados, era uma filial da empresa, com CNPJ 02.808.708/0081-83, situada em Almirante Tamandaré, PR, e, depois da incorporação, passou a ter o CNPJ 07.526.557/0034- 78, desenvolvendo a mesma atividade fabril anterior; por força do CTN, art. 51, § único, c/c 132, e do RIPI/2010, art. 24, que tratam da autonomia dos estabelecimentos no tocante ao cumprimento das obrigações tributárias e da responsabilidade tributária pelos sucessores, o auto de infração somente poderia ter sido lavrado contra o estabelecimento sucessor, conforme julgados do CARF; há a resposta nº 29 referente a “Perguntão” da própria Receita Federal, pela qual seriam da filial resultante da incorporação os direitos e obrigações relativos ao estabelecimento adquirido; a autuação deve ser anulada por erro na identificação do sujeito passivo; 2) Alteração dos Critérios Jurídicos: houve violação do art. 146 do CTN, uma vez que não pode haver modificações abruptas nos critérios jurídicos adotados pela Administração Tributária; no caso concreto, houve mudança de entendimento pela fiscalização quanto aos motivos de vedação ao aproveitamento de créditos referentes a aquisições de produtos da PEPSI-COLA, da AROSUCO e da VALFILM: a) erro de classificação fiscal dosinsumos; b) matérias primas regionais submetidas a processamento industrial anterior; em autos de infração lavrados anteriormente sobre Fl. 2066DF CARF MF Fl. 35 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 operações semelhantes, a causa das glosas foi a falta de cumprimento de requisitos do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75, e nunca a classificação fiscal dos “kits”; assim como, anteriormente eram aceitas matérias primas com processamento industrial prévio; tudo conforme amostra de autuações anteriores (processos nº 10880.727044/2015-61 e nº 10480.721667/2015-32), a classificação fiscal adotada para os “kits” (2106.90.10 Ex 01) e a apropriação de créditos referentes a produtos elaborados na ZFM com insumos industrializados foram homologadas expressamente em atos oficiais, sendo que a previsibilidade (segurança jurídica) deve reger o sistema tributário e a retroação de normas mais gravosas é expressamente vedada pela Constituição Federal (art. 150, III), em harmonia com os arts. 144 e 146 do CTN, de acordo com doutrina e jurisprudência; a lavratura do auto de infração questionada somente poderia ter ocorrido mediante a expedição prévia de norma de caráter geral (ato normativo) ou individual (notificação fiscal) com a comunicação da mudança de procedimento das autoridades fazendárias; de qualquer modo, a aceitação em ações fiscais anteriores do tratamento fiscal dado pelo sujeito passivo às questões caracterizaria prática reiteradamente adotada pela Administração Tributária e, portanto, norma complementar à legislação tributária (art. 100, III, do CTN), o que motivaria, no mínimo, o afastamento da multa, dos juros e da correção monetária exigidos; 3) Iliquidez e Incerteza do Lançamento: o lançamento é ilíquido e incerto, portanto nulo, conforme entendimento do CARF, pois não foi utilizada a escrita fiscal definida pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC) em virtude da pendência de análise dos pedidos de ressarcimento apresentados pela contribuinte no tocante aos trimestres de janeiro a dezembro de 2012, contudo, os pedidos de ressarcimento/compensação deveriam ter sido considerados como plenamente eficazes por força do CTN, art. 150, § 1º, pelo qual o pagamento antecipado extingue o crédito sob condição resolutória de ulterior homologação; o saldo credor existente em dezembro de 2011 não deveria ter sido desprezado, pois o indeferimento do pedido do processo administrativo nº 10880.727044/2015-61 depende de decisão definitiva; portanto; o saldo credor de dezembro de 2011 e todos os créditos objeto de PER/DCOMP dos trimestres de 2012 foram desconsiderados indevidamente, o que implica a exclusão de créditos passíveis de ressarcimento no montante de R$ 20.961.717,80 (doc. 09); a glosa do saldo credor de 2011 não foi definitiva, sendo que a contestação teve o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário (CTN, art. 151, III), embora, segundo a doutrina, não haja suspensão mas sim um simples impedimento procedimental (o crédito não se encontraria definitivamente constituído); tendo sido ofertada a impugnação em janeiro de 2016 (doc. 09) em relação ao processo administrativo nº 10880.727044/2015-61, o julgamento do presente feito deve ser sobrestado até a superveniência de decisão final naquele processo, conforme manifestações do CARF nessa linha; No mérito – Direito aos créditos glosados: 1) Falta de preenchimento dos requisitos do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 para o aproveitamento de créditos de insumos adquiridos dos fornecedores AROSUCO, PEPSI-COLA, RAVIBRÁS e VALFILM, e ainda que cumpridos os requisitos, não haveria o direito aos créditos em face da alíquota zero dos insumos adquiridos da AROSUCO e da PEPSI-COLA: 1.1) A correta interpretação do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75, impõe que seja aceita, além da utilização de matéria prima regional in natura (matéria prima bruta), a utilização de matéria prima processada: a noção de matéria prima empregada pela lei é ampla e genérica, sendo que qualquer produto pode funcionar como matéria prima de outro produto; o mencionado art. 6º não faz alusão a “matéria prima bruta” ou “provinda da natureza”, sendo a única interpretação possível é a de que o benefício é aplicável a qualquer mercadoria que contenha matérias primas de base vegetal, independentemente de haver ou não processamento; do benefício são apenas excetuadas as matérias primas de origem animal; o benefício é de natureza objetiva; conforme a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 8/98 (doc. 05), que trata do processo produtivo básico dos concentrados para refrigerantes, é “admitida a realização, por Fl. 2067DF CARF MF Fl. 36 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 terceiros, na Zona Franca de Manaus, de atividades ou operações inerentes ao atendimento às etapas de produção”, ou seja, há o reconhecimento de que o benefício abrange produtos elaborados com matérias primas de origem agrícola ou extrativas vegetais submetidas a processamento anterior por outras empresas da ZFM; na mesma Portaria Interministerial, acerca da fabricação do corante caramelo, inexiste a exigência de que o açúcar seja originário da Amazônia Ocidental; 1.2) O entendimento oficial da SUFRAMA, órgão que detém a competência exclusiva para aprovar e fiscalizar os projetos de empresas que pretendam usufruir dos benefícios fiscais do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 (além de estabelecer normas, exigências, limitações e condições para a aprovação dos projetos), em resposta a consulta formulada pela PEPSI-COLA (doc. 06), é o seguinte: “a) A fabricação de concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas a partir de matéria-prima industrializada com extrato vegetal produzido a partir de matéria- prima industrializada com extrato vegetal produzido localmente que não seja típico da região amazônica (por ex. açúcar de cana) é beneficiada com o incentivo previsto no art. 6º do Decreto-lei n. 1.435/75 (...)” O contribuinte de boa-fé, adquirente dos produtos, não pode ser penalizado pelo “entendimento oficial” dos órgãos que disciplinam e jurisdicionam o incentivo (no caso, MPO/MICT/MCT e SUFRAMA) e a atuação das autoridades fazendárias deve ser coerente com a posição oficial do órgão ao qual compete exclusivamente aprovar os projetos referentes ao benefício fiscal, o que é ratificado por decisão do CARF; a anulação de ato administrativo por “vício de ilegalidade” deve ser efetuada de forma expressa e com observância do devido processo legal, não meramente por via interpretativa, de acordo com posição do STJ: “quando se confere a certo e determinado órgão administrativo alguma atribuição operacional, se está, ipso facto, excluindo os demais órgãos administrativos do desempenho legítimo dessa mesma atribuição; essa é uma das pilastras do sistema organizativo e funcional estatal e abalá-la seria o mesmo que abrir a porta da Administração para a confusão, a celeuma e mesmo o caos”; o auto de infração é improcedente, pois a glosa de créditos relativos aos produtos da AROSUCO e da PEPSI-COLA contraria o disposto no art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75; 2) Os créditos sobre a aquisição de produtos fabricados na Zona Franca de Manaus têm apropriação assegurada; a empresa fornecedora é titular de incentivo fiscal com tratamento diferenciado assegurado pelo art. 40 do ADCT, o que foi reconhecido pelo STF em ressalva contida em acórdão proferido no RE 566.819/RS, sendo que a repercussão geral será apreciada nos autos do RE nº 592.891/SP; a manutenção dos créditos garante o tratamento tributário mais benéfico para as aquisições oriundas da ZFM; 3) Ilegitimidade (nulidade por carência de motivação fática e, no mérito, improcedência) da glosa de créditos em virtude de erro de classificação fiscal dos “kits” adquiridos da PEPSI-COLA e da AROSUCO: 3.1) O trabalho fiscal é nulo porque, à luz da “teoria dos motivos determinantes”, não houve comprovação do “erro” pelo Fisco, sendo cruciais a indicação dos motivos de fato e de direito e a perfeita correlação (subsunção) do fato à norma para a validade do ato administrativo; sendo auto de infração, os requisitos do art. 142 do CTN devem estar presentes (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável e cálculo do montante do tributo devido); não há elementos técnicos para embasar a reclassificação fiscal, esta empreendida “com base em alegações calcadas em conhecimentos empíricos, sem amparo em laudo técnico que justificasse a nova classificação fiscal imputada de ofício”; a classificação fiscal dos produtos é de responsabilidade dos respectivos fornecedores, e a fiscalização deveria ter aprofundado a investigação, colhendo informações dos fornecedores e submetendo-as a órgão técnico especializado, inclusive com a colheita de amostras e solicitação de perícia, não só meras fotografias de embalagens dos “kits”; há precedentes do CARF de nulidade Fl. 2068DF CARF MF Fl. 37 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 absoluta para situações de reclassificação fiscal sem prova técnica; a motivação fática da glosa também é insuficiente, além de deficiente, porque a NCM 2106.90.10 Ex 01 contempla, além dos concentrados, os sabores: seria necessário também comprovar que nenhum dos componentes dos “kits” corresponde ao conceito de “sabores” para a fabricação de bebidas; 3.2) Para a fiscalização, mesmo que os insumos destinados à fabricação de bebidas fornecidos pela PEPSI-COLA e pela AROSUCO estivessem de acordo com as diretrizes do Decreto-lei nº 1.435/75, não haveria créditos do imposto a apropriar “como se devido fosse” em virtude de erro de classificação fiscal: os insumos deveriam ser enquadrados em códigos diversos, com alíquota zero, e não no código NCM 2106.90.10 Ex 01, já que os “kits” não poderiam ser tratados como produtos únicos e não constituem “preparações compostas para fabricação de refrigerantes” por não estarem prontas para uso pelo adquirente (a diluição e a gazeificação são feitas por este e não pelo fornecedor); a acusação fiscal tem esteio na presunção de que a PEPSI-COLA e a AROSUCO teriam aplicado as RGI/SH 2.a) e 3.b) com o objetivo de tratar os “kits” como mercadorias únicas classificadas no código NCM 2106.90.10 Ex 01, mas é manifestamente improcedente porque a fiscalização olvidou da RGI/SH nº 1, regra preponderante sobre as demais; prossegue a impugnante conforme a transcrição que segue: “Com efeito, assim dispõe o NCM 2106.90.10, "ex. 01", cerne da acusação fazendária: "21.06 Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições. 2106.90.10 Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas. Ex 01 (IPI) Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" A mera leitura das normas transcritas revela que o código 2106.90.10 designa apenas as preparações destinadas à fabricação de bebidas e o seu "ex. 01", mais específico, restringe-se às "preparações compostas" (mais de uma substância) não alcoólicas, utilizadas "para a elaboração" de refrigerantes/refrescos (posição 22.02), com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. O discrimen utilizado na especificação da NCM, portanto, é finalístico, sendo a sua pedra de toque o fato de uma determinada preparação composta, sem teor alcoólico e com determinada capacidade de diluição, ser remetida para a fabricação de refrescos/refrigerantes. É esta a especificidade do "ex" em relação à descrição contida no "caput" da subposição. De outro lado, as notas da posição 2106, universo no qual se insere a NCM n. 2106.90.10, inclusive o respectivo "ex. 01", são claras no sentido de que os extratos concentrados ou sabores para a preparação industrial de bebidas estão nela compreendidos, ainda que necessitem de processo industrial complementar ou da adição de outros ingredientes, para se tornarem aptos ao consumo: “(...) a presente posição compreende: A) As preparações para utilização na alimentação humana, quer no estado em que se encontram, quer depois de tratamento (cozimento, dissolução ou ebulição em água, leite, etc.). • Classificam-se especialmente aqui: 7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em conseqüência, a bebida em questão pode, Fl. 2069DF CARF MF Fl. 38 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também freqüentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. 12) As preparações compostas para fabricação de refrescos ou refrigerantes ou de outras bebidas, constituídas por exemplo, por: - xaropes aromatizados ou corados, que são soluções de açúcar adicionadas de substâncias naturais ou artificiais destinadas a conferir-lhes, por exemplo, o gosto de certas frutas ou plantas (framboesa, groselha, limão, menta, etc.), adicionadas ou não de ácido cítrico ou de agentes de conservação; - um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, uma preparação composta da presente posição (ver o n° 7, acima), contendo, por exemplo, quer extrato de cola e ácido cítrico, corado com açúcar caramelizado, quer ácido cítrico e óleos essenciais de frutas (por exemplo, limão ou laranja); - um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, sucos de frutas adicionados de diversos componentes, tais como ácido cítrico, óleos essenciais extraídos da casca da fruta, em quantidade tal que provoque a quebra do equilíbrio dos componentes do suco natural; - suco de fruta concentrado adicionado de ácido cítrico (em proporção que determine um teor total de ácido nitidamente superior ao do suco natural), de óleos essenciais de frutas, de edulcorantes artificiais, etc. Estas preparações destinam-se a ser consumidas como bebidas, por simples diluição em água ou depois de tratamento complementar. Algumas preparações deste tipo servem para se adicionar a outras preparações alimentícias. ...................................” Como se vê, diferentemente do que sustenta a Fiscalização, enquadram-se no conceito de "preparações compostas", a que se refere o ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM, todas as substâncias formadas por um conjunto de ingredientes que lhes confira um propriedade aromática passível de determinar, isoladamente ou mediante combinação com outras substâncias, o sabor característico de determinada bebida. Acentue-se que a própria Fiscalização admite que: “O que se verificou no curso deste procedimento fiscal é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta.” (p. 71). Ora, diante da expressa admissão de que todos os ingredientes dos kits são preparações compostas e da circunstância de que todos eles são utilizados como insumos para a fabricação de refrescos, é forçoso concluir pela sua inclusão no âmbito do ex 01 da posição 2106.90.10 da TIPI/NCM. O item XI da RGI 3b) da NESH em nada interfere com a questão. Tal item apenas diz que a regra em questão “não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo”, sem, contudo, especificar qual o tratamento a ser dado a tais mercadorias. Essa observação é importante, pois a regra contém três possibilidades de classificação (letras “a”, “b” e “c”) e, como nenhuma delas se aplica ao caso, fica confirmado que a solução do caso não pode se basear na referida RGI 3. Por isso, são igualmente irrelevantes para o caso as manifestações do Conselho de Cooperação Aduaneira citadas pela Fiscalização. Até porque, tais manifestações não estão listadas quer na IN RFB 1.459/2014, quer na IN RFB 873/2013. Fl. 2070DF CARF MF Fl. 39 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Para aferir a correta classificação dos produtos adquiridos pela Impugnante deve, pois, ser observada a RGI/SH 1, mesmo porque o texto do ex 01 da suposição 2106.90.10 e as respectivas notas explicativas são suficientes para a correta classificação dos “kits”. Afinal, como explicam as notas da posição 2106, as preparações compostas para a fabricação de bebidas podem conter apenas “parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida” para utilização “depois de tratamento complementar”, inclusive com a eventual “adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono”, ou mesmo de “outras preparações alimentícias”. A segregação de tais preparações se justifica para “evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc”, justamente porque elas “não se destinam a ser consumidas como bebidas”, mas sim como insumos para a fabricação das bebidas. Diante disso, cai por terra a tese da Fiscalização de que só poderiam ser consideradas como "preparações compostas", nos termos do ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM, aquelas que já estivessem de tal maneira processadas que permitissem a obtenção da bebida mediante mera diluição em água. Nitidamente, o Fisco confunde a bebida pronta em estado concentrado (como as da posição 20.09 da NCM) com os diversos tipos de concentrados e sabores utilizados como insumos para a fabricação de bebidas (posição 2106.90.10, ex 01, da NCM). Prova disso é a utilização, como argumento de acusação, da Lei 8.918/94 e seu regulamento, os quais tratam da "padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas". Os arts. 13, §4°, e 30 do Decreto 6.817/200931, transcritos no TDF, tratam justamente do produto concentrado, isto é, da bebida pronta concentrada (e não de concentrados ou sabores para a fabricação de bebidas). Aliás, o caput do art. 13 diz serem inaplicáveis suas previsões ao "xarope" e ao "preparado sólido para refresco", o que realça o equívoco do Fisco. Assim, na medida em que a Fiscalização reconhece todos os “kits” contemplam os sabores específicos das bebidas respectivas (sabor “Pepsi”, sabor “guaraná”, “sabor Sukita” etc.), bem como as substâncias adicionais que os modificam, é evidente que todos eles caracterizam, no seu conjunto ou individualmente, preparações compostas para a fabricação de bebidas abrangidas pelo ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM. Em outras palavras, os “kits” autuados consistem em ingredientes destinados à fabricação de bebidas, compostos por substâncias diversas, as quais, consideradas no conjunto ou individualmente, classificam-se como preparações compostas, com a função de conferir à bebida a ser produzida o seu sabor próprio e as suas demais características sensoriais, dando identidade ao produto vendido aos consumidores. Certo, alega a Fiscalização que "as partes dos kits fornecidos que não contém extrato vegetal de guaraná, nem líquido natural dos refrigerantes sabor limão ou laranja, ou Sukita ou extrato de noz de cola, são formadas por acidulantes, conservantes e outros ingredientes, como edulcorantes e/ou sequestrantes", sendo que "a mistura de pelo menos dois desses ingredientes resulta numa preparação para uso em diversos alimentos, mas não especificamente para aplicação em bebidas." (destacamos) Ocorre que tais ingredientes, ainda que não tenham sabores específicos, são formados pela reunião de várias substâncias e cada kit contém a quantidade exata para mistura com os extratos e outros aromatizantes característicos de cada bebida. Dessa maneira, os itens adicionais contribuem para formação do aroma do produto final, o que justifica a sua classificação no ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM. De qualquer forma, ainda que, para argumentar, se entendesse que as partes dos kits com acidulantes, conservantes e outros itens que não contêm extratos ou aromatizantes específicos, devessem ser classificadas em outro código da NCM, não haveria qualquer valor de IPI a ser glosado pelo Fisco no caso concreto. De fato, os documentos fiscais juntados aos autos demonstram que todos os "kits" contemplam os sabores específicos das bebidas respectivas (sabor "Pepsi", sabor Fl. 2071DF CARF MF Fl. 40 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 "guaraná", "sabor Sukita" etc.), bem como as substâncias adicionais que os modificam, sendo comercializados por preços compreensivos do todo (cujo dimensionamento se dá pela fórmula de cada bebida, objeto de segredo industrial). Isso se explica porque a aquisição dos sabores em conjunto com as substâncias adicionais dá-se por questões industriais e logísticas, sendo certo que estas últimas, isoladamente consideradas, não possuem valor econômico para os fins da operação praticada. Vale dizer, a prova acostada pelo próprio Fisco confirma não se trata de produtos vendidos separadamente, mas de unidades para diluição e envase acondicionadas separadamente por questões de eficiência logística (menor volume transportado), como, aliás, é expressamente admitido pelas notas da posição 2106 acima citadas. Assim, ainda que houvesse a segregação dos itens adicionais do kit que não constituem extratos ou outros aromatizantes, nem assim haveria crédito tributário a constituir, pois eles não têm valor econômico, no contexto da operação. Em face do exposto, conclui-se que não houve erro de classificação fiscal nas notas de aquisição dos “kits” de concentrados e sabores destinados à fabricação de bebidas, pois: (1) o “kit” contempla uma unidade de ingredientes para a fabricação de bebidas que, pela diversidade de substâncias envolvidas, configura preparação composta; e (2) cada item do “kit”, isoladamente considerado, também configura preparação composta que confere sabor e outros traços sensoriais à bebida fabricada. Além disso, mesmo que parte dos itens devesse ser classificada em outra subposição da NCM, não haveria valor econômico individual que possibilitasse a glosa do IPI”. 4) É improcedente a glosa de créditos relativos a mercadorias adquiridas para emprego no processo industrial: matérias primas e materiais intermediários tais como peças e partes de máquinas, produtos para higienização de maquinário ou de embalagens, produtos utilizados na manutenção das máquinas, combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, equipamentos de segurança, filtros e retentores, material de limpeza e higienização, material elétrico e hidráulico, uniformes de empregados; todos os itens mencionados são necessários e foram consumidos na atividade produtiva, não sendo destinados ao ativo permanente; o disposto no RIPI/2010 (art. 226, I, c/c art. 610, II) e no PN/CST nº 65/1979 sofre distorção interpretação da fiscalização, porque não há necessidade do contato direto com o produto final, mas deve haver a aplicação dos bens, de alguma maneira, na produção; alguns itens são imprescindíveis ao processo produtivo, consoante laudo técnico anexado (doc. 07); em alguns julgados, há posição do CARF favorável ao direito ao crédito em situações similares; 5) Não houve falta de recolhimento de IPI em decorrência da alegada apropriação indevida de crédito na entrada de bebidas prontas para o consumo, provenientes de empresas do mesmo grupo econômico e sujeitas ao regime monofásico, pois o tributo foi ulteriormente pago na saída das mercadorias, conforme documentação anexada; quando muito, a fiscalização poderia ter exigido acréscimos moratórios de forma isolada por força da postergação na satisfação da obrigação principal, mas nunca o tributo (bis in idem), conforme ato normativo referente a IRPJ e CSLL e precedentes do CARF; ademais, foram computadas entradas de mercadorias a título de devoluções de vendas realizadas previamente e registradas sob os códigos de CFOP nº 1403, 1410, 2401, 2410, 2411 e 2949, e que devem ser excluídas do lançamento; 6) Quanto aos kits destinados ao preparo de refrigerantes, recebidos de fornecedores de outras regiões do país, primeiramente, a classificação fiscal adotada está correta, conforme já discorrido em tópico precedente; em segundo lugar, o pagamento de recursos ao emitente de notas fiscais é feito mediante encontro de contas, o que é normal nas relações entre empresas de um mesmo grupo econômico, sendo que os créditos não decorrem do pagamento do imposto pelo remetente, mas da cobrança do imposto na operação anterior (RIPI/2010, art. 226), sendo incontroverso o destaque do IPI na documentação fiscal emitida e o direito ao crédito, sob pena de ocorrência de bi- tributação e de violação do princípio da nãocumulatividade; além do mais, é despropositada a exigência de demonstração do pagamento pelo valor de compra para assegurar a manutenção dos créditos, já que a comprovação da assunção do ônus Fl. 2072DF CARF MF Fl. 41 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 financeiro do imposto somente é necessária na hipótese de repetição de imposto pago indevidamente pelo fornecedor (CTN, art. 166); 7) A impugnante é adquirente de boa-fé e os créditos aproveitados devem ser convalidados, uma vez que a correta classificação fiscal dos produtos, as respectivas alíquotas e os valores do imposto são de responsabilidade do emissor da nota fiscal (RIPI/2010, arts. 407 e 413), conforme situação análoga na órbita do ICMS com pronunciamento do STJ. Por fim, requer que seja reconhecida a improcedência das acusações fiscais, com o cancelamento definitivo do auto de infração; por outro lado, com o fito de dirimir dúvidas porventura existentes, pugna pela realização de diligência e/ou perícia técnica no que concerne às operações com produtos sujeitos ao regime monofásico, conforme os quesitos enunciados em anexo. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 14- 62.485 - 8ª Turma da DRJ/RPO (fls . 1686/1688), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 GLOSA DE CRÉDITOS. CRÉDITOS INCENTIVADOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos incentivados concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, a despeito de que os projetos sejam aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. GLOSA DE CRÉDITOS. CRÉDITOS INCENTIVADOS. PRODUTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. São passíveis de aproveitamento na escrita fiscal apenas os créditos incentivados relativos a produtos com classificação fiscal correspondente a alíquota diferente de zero, sendo os produtos oriundos da Amazônia Ocidental e, portanto, isentos. GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITOS FICTÍCIOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a aquisições de produtos onerados pelo imposto. GLOSA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE ARTEFATOS DESCARACTERIZADOS COMO MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS OU MATERIAL DE EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados no processo industrial, segundo o estrito entendimento albergado na legislação tributária do que pode ser considerado como insumos. GLOSA DE CRÉDITOS. BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL. INCIDÊNCIA ÚNICA DO IMPOSTO. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. No regime de tributação especial previsto para as bebidas não alcoólicas, as saídas de produtos acabados têm incidência única do imposto na origem, sendo para fins de comercialização as respectivas aquisições e sem direito a crédito na escrita fiscal. Fl. 2073DF CARF MF Fl. 42 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 GLOSA DE CRÉDITOS. CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ASSUNÇÃO DO ÔNUS FINANCEIRO. Devem ser glosados os créditos concernentes a concentrados para refrigerantes adquiridos com erro de classificação fiscal e de alíquota, sendo correta a alíquota de 0% e inexistente a comprovação de que a adquirente tenha arcado com o ônus financeiro do imposto destacado nas notas fiscais de aquisição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 ÁREA DE COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA FEDERAL. Todas as empresas sujeitas ao cumprimento de obrigações tributárias principais e acessórias, ainda que haja imunidade condicionada ou isenção, podem ser objeto de fiscalização tributária, sendo o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a autoridade competente para a condução das atividades. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INCORPORAÇÃO. Mesmo sendo o caso de estabelecimento filial que continue a atividade industrial e mantenha a documentação e livros fiscais, inexiste nulidade por erro de identificação do sujeito passivo se o auto de infração for lavrado contra o estabelecimento matriz, pois, na hipótese de ocorrência de incorporação, a pessoa jurídica incorporadora é responsável pelos tributos devidos pela empresa sucedida (estabelecimento matriz e filiais) até a data do ato sucessório. NULIDADE. FALTA DE LIQUIDEZ E DE CERTEZA DA EXIGÊNCIA FISCAL. DESCONSIDERAÇÃO INDEVIDA DE SALDOS CREDORES. Em virtude da ausência de erros na fixação da dimensão quantitativa do crédito tributário constituído, com o cômputo de todos os saldos credores legítimos existentes na escrita fiscal, inexiste nulidade por falta de liquidez e de certeza da peça acusatória. NULIDADE. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOBSERVÂNCIA DE PRÁTICAS REITERADAS PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. A alteração de estratégia de fiscalização, com o aprofundamento das investigações acerca da legitimidade de créditos incentivados relativamente a procedimento fiscal anterior, não corresponde a modificação de critérios jurídicos (aplicação retrospectiva de ato normativo com disposições mais onerosas ao sujeito passivo) ou inobservância de práticas reiteradas pela Administração Tributária, e, destarte, inexiste nulidade. NULIDADE. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO. A classificação fiscal de mercadorias consiste em atividade de índole estritamente tributária, sendo que a reclassificação fiscal dos produtos recebidos dos fornecedores foi perfeitamente motivada, com a perfeita subsunção dos fatos às normas tributárias que tratam de classificação fiscal de mercadorias. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indefere-se o pedido de realização de diligência ou perícia prescindível para o deslinde da causa, a despeito da presença dos requisitos básicos como a indicação do perito e a formulação dos quesitos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 2074DF CARF MF Fl. 43 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. 1873 e seguintes. Esta turma do CARF, por meio da Resolução no. 3301-000.005 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária(fl 1965/2020), determinou diligência na unidade de origem para que seja dado ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional de laudo técnico apresentado pelo contribuinte às fls. 1935/1963. A Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do documento, conforme documento às fls. 2022/2029. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Constam do Recurso Voluntário as seguintes alegações: 1. Nulidade do Auto de Infração 1.1. Ilegitimidade passiva. Erro na determinação do sujeito passivo. Precedentes. 1.2. Erros na reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento. 1.3. Alteração dos critérios jurídicos adotados pelas autoridades fiscais em relação aos “kits” para a produção de refrigerantes fornecidos pela PEPSI/AROSUCO e aos materiais de embalagem fornecidos pela VALFILM. Violação ao art. 146 do CTN. 2. Direito aos créditos glosados pelo Fisco 2.1. Ilegitimidade da glosa dos créditos relativos aos insumos e materiais de embalagem para fabricação de refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus. 2.1.1. Direito ao crédito presumido de IPI relativamente aos insumos para a fabricação de bebidas e materiais de embalagem da Zona Franca de Manaus – ZFM. 2.1.2.1. A reclassificação fiscal das mercadorias pretendida pelo Fisco não está respaldada por laudo técnico. Motivação (acervo probatório) deficiente. Violação ao art. 142 do CTN (verdade material). 2.1.2.2. Improcedência da glosa de crédito amparada na alegação de que os insumos adquiridos junto à PEPSI e à AROSUCO seriam tributados à alíquota zero de IPI, por ser inaplicável a NCM n. 2601.90.10, “ex. 1”. 2.2. Ilegitimidade da cobrança do IPI relativo aos produtos sujeitos ao regime especial de que trata o art. 58-N da Lei n. 10.833/03. O imposto foi recolhido na saída das mercadorias. Haveria, no máximo, postergação no seu pagamento. 2.3. Ilegitimidade da glosa de créditos oriundos da aquisição de bens de uso ou consumo pela Recorrente (matérias primas, materiais de embalagem e materiais intermediários de produção). 2.4. Ilegitimidade da glosa de créditos oriundos da aquisição de insumos tributados de empresa do mesmo grupo econômico. Considerando as alegações da Recorrente e com o objetivo de melhor subsidiar o julgamento da presente lide e de se evitar a exigência em duplicidade de crédito tributário, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 proponho converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem adote as seguintes providências: (i) com relação à glosa de créditos registrados na entrada de bebidas prontas para o consumo (operações sujeitas à sistemática monofásica): (i.a) deverá a autoridade fiscal, intimar o autuado para fazer prova cabal de sua alegação referente à glosa de créditos em operações Fl. 2075DF CARF MF Fl. 44 da Resolução n.º 3301-001.250 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.728198/2016-51 posteriormente sujeitas a indevido débito na saída, alertando-se à Recorrente de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis/fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito, inclusive em razão de aplicação subsidiária do art. 6º do NCPC (Código de Processo Civil); (i.b) com base na prova produzida nesses termos pela Recorrente, reconstitua-se a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindo-se os débitos porventura indevidamente lançados; e (i.c) repercuta a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em Relatório circunstanciado, em que se mencionem também quaisquer outras informações que julgar pertinentes; (ii) com relação à alegação de ilegitimidade passiva do estabelecimento autuado, considerando os argumentos da Recorrente sobre o processo de incorporação ocorrido durante o procedimento fiscal, consignando que "após a incorporação, o referido estabelecimento filial (CNPJ nº 02.808.708/008183) continuou sendo explorado pela empresa sucessora, com o CNPJ nº 07.526.557/003478 e que portanto o Auto de Infração só poderia ter sido lavrado contra o estabelecimento que sucedeu aquele ao qual foram imputadas as infrações e não contra o estabelecimento matriz da pessoa jurídica", solicito à autoridade fiscal: (ii.a) intimar a Recorrente a apresentar os documentos concernentes à reestruturação societária incorporação (ATAS e Termos da Assembléia, etc), bem como apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, que tenha como objeto subsidiar a situação posta nos autos; (ii.b) ao final, deverá o Fisco fazer constar no Relatório conclusivo posição sobre a análise dos documentos e sobre as alegações promovidas pela Recorrente nesse tópico; (iii). Quanto ao PAF nº 10880.727.044/2015-61 citado pela Recorrente em seu recurso, calcular e informar no Relatório conclusivo o reflexo da decisão atual nele constante, determinado que cópia desta diligência seja juntado àquela processo; (iv) quanto à glosa oriunda da aquisição de insumos de empresa do mesmo grupo econômico, intimar a autuada para que comprove suas alegações, alertando-a de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis/fiscais e os documentos que os legitimam; (v) tendo em conta o direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria-¬prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 592.891, com repercussão geral, solicita-se verificar se existem glosas que seriam afastadas com base exclusivamente neste entendimento. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 2076DF CARF MF
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Numero do processo: 14041.001151/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 21 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 20 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 1301-001.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Bianca Felicia Rothschild, Rafael Taranto Malheiros, Lucas Esteves Borges, Marcelo Jose Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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LANÇAMENTO FONTE Recorrente CAST INFORMÁTICA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Bianca Felicia Rothschild, Rafael Taranto Malheiros, Lucas Esteves Borges, Marcelo Jose Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 03-45.617, proferido pela 2ª Turma da DRJ/BSB, que, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação apresentada, para manter em parte o crédito tributário exigido. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito, complementando-o ao final: Contra o contribuinte identificado no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 2 a 37, formalizando lançamento do crédito tributário abaixo discriminado, atinente ao período de 01/02/2004 a 31/12/2007, incluindo juros de mora calculados até 31/10/2008 e multa de ofício de 75%, perfazendo um total de R$ 516.021,80. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 01 15 1/ 20 08 -7 9 Fl. 1557DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1301-001.001 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.001151/2008-79 Antes de adentrar no relatório propriamente dito, cumpre registrar que os números de fls. aqui referenciados dizem respeito à numeração do processo em papel, antes de efetuada a sua digitalização. Consoante Termo de Verificação Fiscal às fls. 789 a 791, parte integrante do auto de infração, o procedimento fiscal realizado na empresa objetivou verificar diferenças entre valores declarados nas DIRF e os declarados em DCTF, relativos ao IRRF, PIS, Cofins e Contribuições Sociais retidas na fonte nos anos de 2004 a 2007. Após algumas prorrogações de prazo para atendimento a intimações, a empresa apresentou comprovantes de recolhimentos e de retenção na fonte dos impostos e contribuições efetuadas por órgãos públicos e outras pessoas jurídicas, registros contábeis do Razão Analítico e Diário Geral, bem como Planilhas de Levantamento dos impostos e contribuições. Tendo em vista a apresentação de comprovantes de recolhimentos e de compensações efetuadas, a Fiscalização lavrou termos, intimando a interessada a apresentar as respectivas DCTF retificadoras, conciliando os respectivos valores de débitos com os recolhidos/compensados. Em atendimento, a empresa apresentou em 29/10/2008 e 05/11/2008, cópias das DCTF retificadoras, acompanhadas dos respectivos recibos de entrega e dos demonstrativos dos valores retificados. Assim, com base nos valores extraídos do Razão Contábil da empresa, das informações constantes dos demonstrativos apresentados pelo contribuinte e dos valores declarados nas DCTF retificadoras, procedeu-se ao lançamento, relativamente a fatos geradores ocorridos nos anos de 2004 a 2007, das diferenças devidas das contribuições retidas na fonte sobre pagamentos de pessoas jurídicas a PJ de direito privado (código 5952), relativas ao PIS, Cofins e CSLL, nas proporções de (0,65/4,65)%, (3,00/4,65)% e (1,0/4,65)%, respectivamente, conforme Planilha de Débitos das Contribuições Sociais Retidas na Fonte - CSRF, à fl. 793. Destaca, ainda, a autoridade fiscal que os numeradores das frações representam as alíquotas de cada contribuição do total de 4,65% retido pelas fontes pagadoras. Cientificado da exigência pessoalmente em 14/11/2008, conforme ciência constante do auto de infração, o contribuinte apresentou em 15/12/2008 a petição impugnativa acostada às fls. 799 a 807, contrapondo-se ao feito com os argumentos a seguir sumariados. Em sede de preliminar, alega a interessada violação ao princípio da legalidade e cerceamento do direito de defesa, com base no Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 2º, X, e 26 da Lei nº 9.784/99. Nesse sentido, aduz que a Fiscalização não procedeu à análise de toda a documentação fornecida pela empresa, descumprindo parte da determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal, e não deu ciência ao contribuinte de todas as análises realizadas no curso da ação fiscal. Transcreve, ainda, ementa de Acórdão nº 105-14111, que trata de nulidade de decisão de primeira instância por análise superficial dos argumentos apresentados. Ainda preliminarmente, defende a requerente que a exigência fiscal resultou do mero cruzamento das contas do Livro Razão com as declarações de pagamento retificadas durante o procedimento fiscal, o que estaria em desacordo com o art. 177, §7º, da Lei nº 11.638/07, que dispunha que “os lançamentos de ajuste efetuados exclusivamente para harmonização de normas contábeis, (...), e as demonstrações e apurações com eles elaboradas não poderão ser base de incidência de impostos e contribuições nem ter quaisquer outros efeitos tributários”. Acrescenta que tal dispositivo estava plenamente vigente à época dos fatos geradores sob análise, uma vez que sua revogação somente se operou a partir de 03/12/2008, com a Medida Provisória nº 449/08. Ainda a esse respeito, consigna que o art. 38 da Medida Provisória nº 449/08 “criou livros auxiliares a contabilidade nos lançamentos sem efeito tributário ou exigidos pela norma contábil”, o que implicaria dizer que somente a partir de 04/12/2008 a empresa Fl. 1558DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1301-001.001 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.001151/2008-79 estava obrigada a detalhar o que é lançamento contábil e o que é extracontábil. Cita ementa do Acórdão 103-21739. Com relação ao mérito, sustenta que as diferenças constatadas decorrem de erro material, vez que, ao preencher a DCTF, efetuar lançamentos no Livro Razão e recolher as respectivas Contribuições Sociais Retidas na Fonte, ou deixou de informar o valor correto ou cometeu erro na digitação. Como comprovação, anexa as planilhas abaixo relacionadas: a) Ano-calendário 2004 – Planilha Pericial nº 001.1; b) Ano-calendário 2005 – Planilha Pericial nº 002.1; c) Ano-calendário 2006 – Planilha Pericial nº 003.1; d) Ano-calendário 2007 – Planilha Pericial nº 004.1. No que concerne à aplicação da multa de ofício, assevera que: a) a multa apresenta cunho confiscatório e indevido porque a escrita contábil em nenhum momento foi desclassificada e o contribuinte atendeu a todas as intimações e notificações; b) o princípio da proporcionalidade impede o reconhecimento da validade de uma multa de 75%; c) o contribuinte em momento algum agiu com intuito de fraude, capaz de justificar a aplicação da multa qualificada. Por fim, requer: 1. Preliminarmente, reconhecimento da nulidade do auto de infração, tendo em vista que não foi observado o cumprimento integral do Mandado de Procedimento Fiscal, caracterizando cerceamento do direito de defesa; 2. Deferimento do processo de impugnação, excluindo a diferença a recolher referente a CSRF, tendo em vista o erro de fato cometido pelo contribuinte; 3. Determinação do cancelamento da autuação, tendo em vista que o mesmo se baseia exclusivamente em lançamentos de ajuste efetuados e nas demonstrações e apurações contábeis, o que é vedado pela Lei nº 11.638/07; 4. Baixa imediata do lançamento efetuado, conforme documentos anexos, que comprovam a existência de erro material, bem como sua realização com base em lançamentos contábeis; 5. Seja afastada a multa de ofício de 75%, pela falta de tipificação de fraude e simulação, por não ter ocorrido a desclassificação da escrita contábil e pelo recebimento da DCTF retificada durante a diligência fiscal; 6. Provimento integral da impugnação. Remetidos os autos para julgamento em primeira instância, a DRJ Brasília, por meio do despacho às fls. 907 a 910, determinou o retorno do processo à DRF Brasília para que, em diligência, fossem apreciados os argumentos apresentados pelo contribuinte quanto aos “erros materiais” por ele cometidos (fl. 805, planilhas periciais e documentos anexos). Foi solicitado, ainda, que a autoridade fiscal elaborasse relatório conclusivo quanto à procedência ou não das alegações constantes da impugnação, juntando aos autos cópias do livro Razão na parte relativa à conta contábil tratada nos autos, notas fiscais e outros documentos utilizados para as conclusões alcançadas. Em 21/07/2010, a DRF Brasília, por meio do Relatório de Diligência Fiscal de fls. 911 a 913, relatou suas conclusões relativas aos fatos geradores referentes ao ano de 2004. Em consequência, a DRJ Brasília remeteu novamente os autos à DRF, para que os erros apontados relativos a 2005, 2006 e 2007 fossem apreciados pela unidade de origem (fl. 1.065/1.066). Fl. 1559DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1301-001.001 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.001151/2008-79 Em atenção ao solicitado, a Fiscalização, por meio de novo Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1.070 a 1.081), apresentou suas conclusões acerca de cada um dos anos envolvidos, reconhecendo apenas parcialmente os erros alegados pela impugnante. Cientificada do resultado da diligência, o contribuinte apresentou nova manifestação (fls. 1.083 e 1.084), ratificando todas as informações constantes de suas planilhas periciais e reiterando as argumentações expostas em sua impugnação. Naquela oportunidade, a r. turma julgadora julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, cujo julgamento se encontra sintetizado pela seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. Reputa-se válido o auto de infração que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual. FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. A falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, impõe ao Fisco o dever de previamente constituí-lo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. ESCRITURAÇÃO. PROVA A FAVOR DO CONTRIBUINTE. NECESSIDADE DE DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. A escrituração, por si só, não faz prova a favor do contribuinte, devendo estar acompanhada de documentos probatórios, consoante art. 923 do RIR/99. PAGAMENTOS ESPONTÂNEOS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ALOCAÇÃO. AFASTAMENTO DA MULTA PROPORCIONAL. Deve a Fiscalização, ao deparar-se com divergências entre os valores declarados em DCTF e os lançados em sua escrita contábil, efetuar os lançamentos de ofício sobre as diferenças, com a finalidade precípua de constituir o crédito tributário, na forma do art. 142 do CTN, formalizando-o e conferindo-lhe eficácia. Por sua vez, havendo recolhimentos referentes aos créditos tributários lançados, devem ser alocados com o afastamento da correspondente multa proporcional imputada. ERROS MATERIAIS. COMPROVAÇÃO. Comprovada a ocorrência de erros materiais, por meio de documentação hábil e idônea, torna-se necessária a alteração da exigência do crédito tributário, de forma a excluir o valor do tributo inapropriadamente considerado como devido no período. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. PROPORCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresenta recurso voluntário, com juntada de novos documentos, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 1560DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1301-001.001 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.001151/2008-79 Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Porém, do exame dos autos, considero que o processo ainda não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Dos Fatos A presente controvérsia origina-se da lavratura de auto de infração que objetivou cobrar diferenças entre valores declarados nas DIRF e os declarados em DCTF, relativamente ao PIS, COFINS e CSLL retidas na fonte, nos anos de 2004 a 2007, acrescidas de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazendo um total de R$ 516.021,80. Cientificado da exigência, o Contribuinte apresentou impugnação, cujos argumentos foram analisados pela DRJ, que entendeu por julgar parcialmente procedente o lançamento, nos seguintes termos: i) alterar as exações fiscais, conforme segue: Os valores das contribuições, por consequência, passaram a ser: Fl. 1561DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 1301-001.001 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.001151/2008-79 ii) alocar os pagamentos de R$ 4.008,86 e R$ 30.225,00 aos créditos tributários constituídos nos lançamentos de ofício referentes aos fatos geradores março e maio de 2004, respectivamente; afastar a multa proporcional correspondente; e retificar de ofício as DCTF relativas a abril de junho de 2004, para excluir tais valores; (iii) manter a imputação da multa de 75% aos demais lançamentos fiscais. Ainda irresignado, o Contribuinte ingressa com Recurso Voluntário, aduzindo as preliminares de “erro na identificação do sujeito passivo”(inédita) e de cerceamento de defesa e imprecisa identificação do fato gerador.; faz juntada de documentos; pede diligência. Quanto ao mérito, defende a inexistência de divergências apontadas pela autoridade lançadora. Da Juntada de Documentos Antes da análise dos argumentos do Contribuinte, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da interposição do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação. Em que pese existir entendimento pela não admissão destes documentos com fulcro nesse dispositivo, penso que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindo-o de apresentar provas, sob pena de ferir os princípios da verdade material, da racionalidade, da formalidade moderada e o da própria efetividade do processo administrativo fiscal. Primeiro, de acordo com esse mesmo Decreto, em seu artigo 18, pode o julgador, espontaneamente, em momento posterior à impugnação, determinar a realização de diligência, com a finalidade de trazer aos autos outros elementos de prova para seu livre convencimento e motivação da sua decisão. Se isso é verdade, porque não poderia o mesmo julgador aceitar Fl. 1562DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 1301-001.001 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.001151/2008-79 provas, ainda que trazidas aos autos após à Impugnação, quando verificado que são pertinentes ao tema controverso e servirão para seu livre convencimento e motivação da decisão? A rigidez na aceitação de provas apenas em um momento processual específico não se coaduna com a busca da verdade material, que é indiscutivelmente informador do processo administrativo fiscal pátrio. Desse modo, existindo matéria controvertida, e o contribuinte traz novos elementos de provas relacionados a essa matéria, de modo a corroborar, materialmente, com o desfecho da lide, ainda que as apresente após sua Impugnação. não deve estas provas ser desconsideradas pelo julgador administrativo, em face do momento processual em que ocorre a juntada. Note-se que a possibilidade de conhecer de elementos de provas trazidos posteriormente à impugnação, não só representa uma medida de racionalização e maximização da efetividade jurisdicional do processo administrativo fiscal, como também representa um positivo reflexo na redução da judicialização de litígios tributários. Logo, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça regra atribuindo o efeito de preclusão a respeito de prova documental, isso não impede, segundo meu modo de ver, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial os princípios da verdade material, da racionalidade e o da própria efetividade do processo administrativo fiscal, que o julgador conheça e analise novos documentos apresentados após a defesa inaugural. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101- 002.781, em que também se conheceu da possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por estes motivos, os documentos apresentados devem ser admitidos e apreciados. Da Preliminar: Erro na Identificação do Sujeito Passivo Alega a Recorrente nulidade do Auto de Infração, por ter sido lavrado para exigência de imposto devido por terceiros, sobretudo beneficiários de rendimentos pagos pela Recorrente, aduzindo que já decorreu o prazo para apresentação de declaração pelas pessoas físicas contribuintes do imposto e o ano-calendário relativamente às pessoas jurídicas beneficiárias dos rendimentos. Sustenta que a legislação federal prescreve o dever de retenção e recolhimento do imposto, relativamente aos pagamentos feitos às pessoas físicas e jurídicas; e que qualquer diferença no recolhimento do imposto desta natureza, deve ser exigido dos contribuintes, e não das fontes pagadoras; cita o Parecer Cosit nº 1/2002, decisões administrativas e a Súmula CARF nº 12 em abono ao que sustenta. Fl. 1563DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 da Resolução n.º 1301-001.001 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.001151/2008-79 Equivoca-se. Como visto, procedeu-se ao lançamento, em razão de ter sido verificado diferenças entre os valores declarados nas DIRF e os declarados em DCTF, relativamente ao PIS, COFINS e CSLL retidos na fonte nos anos de 2004 a 2007. A defesa, desde a origem, aduz ter ocorrido erro no preenchimento da DCTF, concluindo inexistir diferença a ser lançada. Por essa linha de defesa, pelo menos neste momento, é de concluir que as retenções ocorreram. Assim, se ocorreram, me parece que a alegação de se exigir as diferenças da Fonte aos beneficiários dos pagamentos representaria dupla exigência fiscal (exatamente porque eles já sofreram retenções das contribuições exigidas!). Nesse sentido, rejeita-se a preliminar alegada. Da Preliminar: Cerceamento de defesa e imprecisa identificação do fato gerador. Aduz a Interessada ter ocorrido cerceamento do direito de defesa e imprecisa identificação do fato gerador das contribuições, pois não procedeu a análise de toda a documentação fornecida pela empresa, pois a autuação decorreu com o mero cotejo entre os valores declarados em DCTF e os constantes em Livro Razão da empresa. Em que pese suas alegações, elas não merecem prosperar. O artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 estabelece requisitos necessários ao auto de infração, para que este seja considerado válido. Nesse sentido, enumera itens que devem constar no auto, de forma a propiciar à autuada todas as informações necessárias ao exercício do contraditório e da ampla defesa, quando da apresentação da impugnação. O caso, pelo que se percebe, o autuante verificou a ocorrência do fato gerador, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificando o sujeito passivo e aplicou a penalidade cabível, tudo em conformidade com a legislação aplicável. No mesmo modo, os autos foram devidamente fundamentados, constando claramente sua descrição e os fundamentos de fato e de direito que deram origem ao lançamento. Observa-se, também, que os autos de infração estão acompanhados de todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, não existindo, portanto, qualquer violação aos princípios mencionados pelo Contribuinte. Quanto à alegação de que a Fiscalização não procedeu a análise de toda a documentação fornecida pela empresa, há de se registrar que a autuação decorreu do cotejo de declarações e informações constantes em Livro Razão e Diário, bem como demonstrativos apresentados pelo próprio Contribuinte, comprovantes de recolhimento e compensações efetuadas. Ou seja, não prospera a alegação do Contribuinte, e eventual contraprova, ou documentação que porventura possa refutar as conclusões fiscais, devem ser apresentadas pelo próprio Contribuinte, nos termos do Decreto-Lei nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal. Logo, rejeita-se a preliminar alegada. Fl. 1564DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 da Resolução n.º 1301-001.001 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.001151/2008-79 Do Mérito Quanto ao mérito, a defesa destaca a improcedência da exigência fiscal, considerando que efetuou regularmente as retenções e recolhimento de tributos. Aponta que as diferenças lançadas decorrem dos lançamentos em Razão Contábil por regime de competência, enquanto o fato gerador das contribuições é aferido por regime de caixa; colaciona artigo de lei (art. 177 da Lei 6.404/1964 e art. 35 da Lei 10.833/2003); e aduz que divergência é plenamente justificável diante da legislação que transcreveu e dos documentos apresentados, enfatizando que além dos documentos existentes, acostou ao Recurso Voluntário cópia de documentos que confirmam o equívoco entre os lançamentos no Razão Contábil e nas DCTFs, confirmando, em sua ótica, a suficiência dos valores recolhidos a título de retenção de contribuições devidas. Sustenta que mesmo na hipótese de se entender pela irregularidade dos lançamentos em Diário, na forma procedida, há de se prestigiar o princípio da verdade material para reconhecer a suficiência dos valores recolhidos pela Recorrente a título de retenções sobre valores pagos a pessoas jurídicas, pois a mera irregularidade nos lançamentos em Livros fiscais – sem quaisquer prejuízos ao fisco, não pode justificar a imposição de exigência tributária. Pugna, por fim, pelo acolhimento das razões descritas em Recurso, com o reconhecimento da impropriedade do lançamento fiscal efetuado, diante da suficiência dos valores retidos e devidamente recolhidos à Receita Federal do Brasil. Pois bem. Concordo com a Recorrente de que que eventual irregularidade de lançamentos efetuados pela Interessada nos Livros Fiscais não deve justificar a imposição de exigência tributária, se o recolhimento do tributo for realizado, se o caso, com acréscimos legais. Mas, nesse caso, há de analisar provas, ou indício delas, para se identificar a suficiência dos valores recolhidos a título de retenções sobre valores pagos a pessoas jurídicas. Compulsando os autos, encontro provas de que a pretensão do Contribuinte, pelo menos em parte, pode ser acolhida. Vejamos o exemplo dado pelo próprio Contribuinte: ele efetua o lançamento no Razão Contábil em 31/05/2004, no valor de R$ 9.750,00. Este valor é identificado em DCTF apresentada no 2º Trimestre de 2004. Nesta DCTF, observa-se o lançamento posterior à data do registro no Razão, mas no mesmo valor principal de R$ 9.750,00, acrescido de juros de mora e multa, totalizando DARF no valor de R$ 12.957,75. Outro exemplo: lançamento em 31/08/2004, no valor de R$ 12.000,00, a título de “IRRF S/Serviços PJ”. O mesmo valor consta da DCTF apresentada no 3º Trimestre de 2004, mas em data posterior. Este mesmo valor de R$ 12.000,00 consta na folha 27 da DCTF, acrescido de juros de mora e multa, totalizando DARF no importe de R$ 15.488,40. Diante disso, observa-se a necessidade de aferir toda essa mecânica, através da análise de documentação fiscal e contábil, destacando, inclusive, se os pagamentos foram com acréscimos de juros de mora e multa (se não for o caso de denúncia espontânea), o que deve ser feito através de diligência. Da Conclusão Fl. 1565DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 da Resolução n.º 1301-001.001 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.001151/2008-79 Sendo assim, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem tome conhecimento dos documentos juntados, e realize os seguintes procedimentos: - Inicialmente, intimar o contribuinte para que ele demonstre, em planilha, os lançamentos efetuados e correspondência unívoca, indicando as linhas do Razão, com a declaração da DCTF, apontando as provas, trazendo planilhas auxiliares, por período de apuração. - Analisar os documentos juntados, para apurar se efetivamente há incongruências entre os valores registrados de FONTE no Razão e DCTF/DARF, determinando os montantes que efetivamente correspondem à realidade; se assim entender necessário, intimar o Contribuinte para trazer documentos pertinentes, especificando-os; - Verificar, no caso dos valores lançados, se houve ou não a efetiva retenção, ou seja, se o pagamento ao beneficiário foi efetivado com ou sem descontos de retenção, pois nesse caso, encerrado o ano-calendário, a obrigação de declarar o imposto passa a ser do Contribuinte caso NÃO tenha havido e, não mais da fonte pagadora; - Identificar os valores já glosados do lançamento por ocasião da decisão da DRJ; Após as apreciações necessárias, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo, bem assim planilha discriminando: os valores da fonte devidos e apurados com base no Razão; os valores confessados em DCTF; os valores efetivamente recolhidos, com indicação das folhas dos autos que alicerçam suas conclusões (para cada mês); se o pagamentos foram realizados com acréscimos de juros de mora e multa (se não foi o caso de denúncia espontânea); Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultando-lhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1566DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10983.903702/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do julgamento Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do julgamento Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 0724.565 3ª Turma da DRJ/FNS, de 27 de maio de 2011, que, naquela oportunidade, apreciou a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendendo, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do relatório e voto do relator. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 03 70 2/ 20 09 -2 1 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10983.903702/200921 Resolução nº 1301000.357 S1C3T1 Fl. 162 2 Colhese dos autos que através do Despacho Decisório de fls. 6, não foi homologada a Declaração de Compensação (Dcomp) transmitida pela interessada em 28/10/2005, em que recolhimento efetuado em 29/04/2005, a título de estimativa mensal, é utilizado como crédito do tipo pagamento indevido ou a maior, para compensar com débito de CSLL (vencto: 31/10/2005), no valor principal de R$ 49.846,18. Na fundamentação do referido despacho, consta que: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Ciente desta decisão, e com ela não concordando, a interessada encaminhou manifestação de inconformidade, na qual argúi, em síntese, o seguinte: O art. 74 da Lei n° 9.430/96, com suas posteriores alterações, confere ao sujeito passivo o direito de se efetuar a compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF; O rol taxativo previsto no § 3 o do art. 74 da referida lei, à época dos fatos (04/01/2005), não trazia em seus incisos a limitação específica ao direito de compensar sustentada pela autoridade fiscalizadora, levando à inevitável conclusão de que a compensação realizada é legítima e pertinente, devendo, desta feita, ser homologada pelo agente público em atenção à vinculação dos atos administrativos; Ao não homologar a compensação realizada, deveria a autoridade administrativa especificar diretamente a norma legal desrespeitada, não servindo para tanto normas secundárias regulamentares (IN 600/05), as quais não se prestam a criar obrigações ou impor limitações aos contribuintes; A lei em vigor tem efeito imediato e geral (Lei de Introdução ao Código Civil, art. 6o), o que mostra que a norma jurídica, em regra, projeta sua eficácia para o futuro. Isso não impede que, em certas situações, possa a lei reportarse a fatos pretéritos, dandolhes efeitos jurídicos, ou modificando os efeitos jurídicos que decorreriam da aplicação, àqueles fatos, da lei vigente à época de sua ocorrência; Por conseqüência lógica do que acima foi expendido, no presente caso, temse que a homologação objeto de discussão ocorreu no dia 04/01/2005, portanto, não estando sujeita à aplicação da Instrução Normativa n° 600/2005, publicada em 30/12/2005, ficando, pois a recorrente afastada de sua observância, sendolhe aplicada a norma imediatamente anterior; Assim sendo, a motivação dada pelo respeitável auditor encontrase equivocada, dando ensejo imediato à reconsideração do despacho decisório exarado, para readequação da fundamentação legal apresentada; Com o advento da Lei n° 10.833/03, que incluiu o § 11 ao art. 74 da Lei n° 9.430/96, a apresentação de manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade do crédito (tem efeito suspensivo). Desta feita, impõese a aplicação desta norma ao caso concreto ora em discussão. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10983.903702/200921 Resolução nº 1301000.357 S1C3T1 Fl. 163 3 A 3ª Turma da DRJ/FNS, na sessão realizada em 27 de maio de 2011 analisou a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e, mediante o Acórdão nº 07 24.565, indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita:: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA D E PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 RECOLHIMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago indevidamente ou a maior de IR ou de CSLL, a título de estimativa mensal, no âmbito do regime de tributação pelo lucro real anual, não pode ser objeto de compensação, pois esse valor só pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 DESPACHO DECISÓRIO. DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do despacho decisório, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e alentada manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimada da decisão de primeira instância em 11/07/2011, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 10/08/2011. Após historiar a decisão de primeira instância, sob sua ótica, a interessada repisa os argumentos apresentados em sua peça inicial de defesa, cujos tópicos serão analisados, por ocasião do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator José Eduardo Dornelas Souza O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Trata o presente processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, em que o crédito apontado para o referido encontro de contas está representado por suposto PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO de IRPJ no período de apuração mar/2005. O indeferimento do pleito está consubstanciado no entendimento de que, tratandose de antecipação obrigatória (ESTIMATIVA), o eventual pagamento a maior ou indevido só pode ser aproveitado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10983.903702/200921 Resolução nº 1301000.357 S1C3T1 Fl. 164 4 Em virtude do entendimento nas instâncias precedentes de que o aproveitamento de antecipações obrigatórias só pode ser feito na apuração final do resultado fiscal, nenhum juízo foi feito acerca do pagamento efetuado pela Recorrente representar, efetivamente e à época em que foi realizado, PAGAMENTO A MAIOR ou INDEVIDO. Nos termos do preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real tem a opção de promover o pagamento do imposto mensalmente, de forma estimada, com base na RECEITA BRUTA. O art. 35 da Lei nº 8.891, de 1995, recepcionado pela Lei nº 9.430/96, admite que o recolhimento com base na receita bruta possa ser suspenso ou reduzido, desde que o contribuinte demonstre, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o calculado com base no lucro real do período em curso. Resta evidente, assim, que, para que o pagamento reste caracterizado como tendo sido feito a maior ou indevidamente, é necessário, primeiro, definir qual a forma adotada pelo contribuinte para calcular o recolhimento mensal, se com base na RECEITA BRUTA ou com suporte em BALANÇOS OU BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO, e, depois, confrontálo com o que foi apurado à época em que a ESTIMATIVA era devida Obviamente, se o contribuinte recolhe a ESTIMATIVA com base na RECEITA BRUTA e, em momento posterior, levanta um BALANÇO DE SUSPENSÃO E REDUÇÃO que aponta para PREJUÍZO FISCAL no período acumulado, descabe falar em pagamento a maior ou indevido, eis que o recolhimento foi efetuado com base na legislação de regência. No caso, o contribuinte simplesmente deixou de exercer a opção prevista pelo art. 35 da Lei nº 8.981/95 (elaboração de BALANÇO DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO). No caso vertente, embora o contribuinte tenha alegado recolhimento a maior, ele não junta qualquer documento que demonstre o erro cometido. Aliás, nem mesmo informa qual teria sido esse erro. Por outro lado, as instâncias administrativas precedentes rejeitaram a homologação da compensação pleiteada sob o fundamento de que a legislação somente admitia a compensação de estimativas ao final do período de apuração (compondo eventual saldo negativo) sem, portanto, examinarem o mérito da existência (ou não) do alegado pagamento à maior de estimativas. Em decorrência, deixaram de instruir o processo com cópia da DIPJ e da DCTF, no mínimo. Constato ainda que não há nos autos se o valor pago teria sido levado pelo contribuinte como crédito na apuração do resultado. Desta forma, entendo razoável oportunizar à interessada trazer novos elementos e esclarecimentos que possam demonstrar que tratase de erro de fato na apuração do imposto que resultou em pagamento indevido e não mera reapuração de estimativa promovida após a sua determinação e recolhimento regulares. Ante ao exposto, conduzo meu voto, no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa da unidade de origem: a) Acostar aos autos DIPJ do ex 2006/AC 2005, original e retificadoras, se houver; b) Acostar aos autos DCTF em que constem as informações do PA mar/2005, original e retificadoras, se houver; Fl. 164DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10983.903702/200921 Resolução nº 1301000.357 S1C3T1 Fl. 165 5 c) Intimar a recorrente a esclarecer e comprovar o erro que levou ao alegado recolhimento a maior de estimativa de IRPJ no PA mar/2005. Apresentar memórias de cálculo, balanços/balancetes de suspensão/redução, LALUR, entre outros documentos, conforme o caso. A autoridade fiscal designada para o cumprimento das diligências solicitadas deverá apresentar relatório conclusivo acerca das alegações e documentos apresentados pelo contribuinte, se manifestando ao final sobre a existência, ou não, de recolhimento em valor maior do que o devido no PA mar/2005, além de apresentar outras considerações relevantes para o deslinde da questão Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 165DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722024/2008-59
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 2001-000.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que a mesma proceda ao atendimento das solicitações de informações conforme quesitos estabelecidos no voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Rocha Paura - Relator
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Honório Albuquerque de Brito (Presidente), André Luís Ulrich Pinto e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: MARCELO ROCHA PAURA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que a mesma proceda ao atendimento das solicitações de informações conforme quesitos estabelecidos no voto do relator. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura - Relator Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Honório Albuquerque de Brito (Presidente), André Luís Ulrich Pinto e Marcelo Rocha Paura. Relatório Do Lançamento Trata o presente de Notificação de Lançamento (e-fls. 3/6), lavrada em 20/10/2008, em desfavor do recorrente acima citado, no qual a autoridade fiscal, durante procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual – DAA, relativa ao exercício de 2006, formalizou o lançamento suplementar de ofício contendo a infração de omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 43.673,39. Da Impugnação O interessado apresentou a impugnação (e-fls. 2), alegando, em síntese, os seguintes argumentos, extraídos do relatório do julgamento anterior: Argumenta, em síntese, que não houve omissão, pois informara estes mesmos rendimentos em declaração retificadora entregue em 18/12/2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 22 02 4/ 20 08 -5 9 Fl. 89DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 2001-000.049 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.722024/2008-59 Do Julgamento em Primeira Instância No Acórdão nº 15-29.158 (e-fls. 25/26), os membros da 3ª Turma de Julgamento, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), por unanimidade de votos, decidiram pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário e, do voto do relator a quo, podemos destacar o seguinte: A impugnação foi apresentada com observância do prazo estabelecido no artigo 15 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, cabendo a apreciação do seu mérito. Posteriormente à declaração retificadora a que se refere em sua impugnação, o interessado havia apresentado mais duas outras retificadoras, excluindo os rendimentos anteriormente informados, uma em 06/09/2007, e outra em 13/10/2008. Nestas declarara somente rendimentos de outras fontes, no total de R$ 22.147,33. São estes, portanto, os dados que prevalecem, e sobre eles foi efetuado o lançamento de ofício. Por estas razões, voto pela improcedência da impugnação. Do Recurso Voluntário Inconformado com o resultado do julgamento de 1ª instância e amparado pelo contido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, o interessado interpôs o recurso tempestivo (e-fls. 30/33), onde apresentou os seguintes argumentos de defesa: ... Conforme declaração IRPF 2006 ano 2005, recibo no 23.03.40.43.28- 78, entregue em 31.03.2006, o Recorrente declarou uma renda tributável de R$44.310,21 considerando os valores constantes do seus contracheques, em vista do não recebimento do comprovante de rendimentos por parte de sua empregadora. Em consulta ao site da Receita Federal e posteriormente no próprio órgão, verificou que havia divergência de informações, o que ensejou no envio de declaração retificadora, recibo no 25.32.67.22.24-88 em 18.12.2006, cópias anexas, cujo valor dos seus rendimentos tributáveis forma inferiores aquele declarado anteriormente, ou seja, de R$43.673,39. Vê-se, pois que tal valor corresponde exatamente aquele que fora discriminado no anexo ao Termo de Intimação Fiscal no 2006/60536231971038 expedido em 11/08/2008, consequentemente em data posterior aquela do envio da sua declaração retificadora. Observa-se do todo acima exposto, que a Auditora-Fiscal que fez a analise cometeu grave equívoco por não reconhecer a declaração retificadora enviada pelo Recorrente cujos dados estão exatamente correspondentes aqueles que fora objetivado na fiscalização. Assim esta plenamente comprovado que inexistiu omissão de rendimentos por parte do Recorrente, o que, igualmente, comprova o erro na analise de suas declarações de imposto de renda. Não obstante a apresentação de defesa comprovando tais fatos, pasmem senhores, ainda assim, além de não reconhecê-los ainda criaram duas novas declarações retificadora jamais existentes ou enviadas pelo Recorrente, conforme consta da carta que o notificou Fl. 90DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 2001-000.049 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.722024/2008-59 do resultado do julgamento proferido no processo em tramitação na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, uma em 06/09/2007 e outra em 13/10/2008. O Recorrente não entendeu como houve a criação fantasiosa de duas declarações retificadoras que o mesmo jamais as enviou, como forma de justificar um erro grosseiramente efetivado pela fiscalização e sem nenhum fundamento. Toda documentação acostada pelo recorrente comprovam de forma inconteste que os fatos se deram como declarados, e que o erro da fiscalização jamais poderia penalizá- lo ou impor-lhe uma obrigação efetivamente cumprida, ou seja, o Recorrente declarou corretamente seus rendimentos; a fiscalização errou na analise de seu processo, inexiste qualquer imposto ou diferença de imposto a recolher; há restituição pendente de pagamento; houve reincidência de erro grosseiro quando do julgamento de sua defesa pela 3a Turma de Julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Rocha Paura, Relator. Da Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo à sua análise. Da Matéria em Julgamento A matéria constante na presente autuação devolvida a este Conselho para reanálise por meio de Recurso Voluntário é a omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 43.673,39. Do Mérito Como visto, o recorrente afirma, em sua peça recursal, que foram “criadas” duas novas declarações retificadoras, segundo ele jamais existentes ou enviadas por ele, conforme transcrição abaixo: Não obstante a apresentação de defesa comprovando tais fatos, pasmem senhores, ainda assim, além de não reconhecê-los ainda criaram duas novas declarações retificadora jamais existentes ou enviadas pelo Recorrente, conforme consta da carta que o notificou do resultado do julgamento proferido no processo em tramitação na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, uma em 06/09/2007 e outra em 13/10/2008. O Recorrente não entendeu como houve a criação fantasiosa de duas declarações retificadoras que o mesmo jamais as enviou, como forma de justificar um erro grosseiramente efetivado pela fiscalização e sem nenhum fundamento. Fl. 91DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 2001-000.049 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.722024/2008-59 Da Proposta de Diligência Considerando as alegações do sujeito passivo. Considerando que nos autos somente consta a cópia completa da DIRPF retificadora, entregue em 06/09/2007 (e-fls. 16/18). Considerando que das demais DIRPF citadas nesta lide administrativa, somente constam o seu protocolo de envio, como segue: - DIRPF original, entregue em 31/03/2006 (e-fls. 42); - DIRPF retificadora, entregue em 18/12/2006 (e-fls. 10); e - DIRPF retificadora, entregue em 13/10/2008 (e-fls. 14). Considerando a necessidade de que sejam anexadas as cópias integrais das DIRPF, anteriormente citadas, a fim de elucidar/comprovar os fatos desta controvérsia administrativa, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de origem providencie o seguinte: 1) Juntada aos autos, de cópias completas das DIRPF/2006 entregues para o CPF 292.658.435-00, em 31/03/2006, 18/12/2006 e 13/10/2008; 2) Juntada aos autos, caso existentes, de cópias completas de DIRPF/2006, diversas das constantes no item 1. 3) Juntar aos autos, caso existentes, de cópias dos extratos das DIRF enviadas para o sujeito passivo; 4) Intimar Produman Engenharia Manutenção e Montagem Ltda., CNPJ nº 00.860.705/0002-89 para que informe expressamente se realizou ou não pagamentos ao Sr.º Eduardo Dias Machado de Santana, CPF nº 292.658.435-00, durante o ano-calendário de 2005, apresentando os recibos de pagamento e discriminando, se for o caso, seu montante mensal, valor total anual e eventuais retenções efetuadas; 5) Intimar o sujeito passivo para manifestar-se, caso queira, acerca dos rendimentos tributáveis recebidos de Produman Engenharia Manutenção e Montagem Ltda., CNPJ nº 00.860.705/0002-89, no valor de R$ 22.147,33, informados na DIRPF entregue no dia 06/09/2007; e 6) Fornecer ao sujeito passivo cópias completas das DIRPF/2006, com datas de entrega de 06/09/2007 e 13/10/2008; A Unidade de origem, em atenção ao disposto no § único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, deve cientificar o sujeito passivo acerca de todas as informações solicitadas nesta diligência, concedendo-lhe prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de manifestação. Fl. 92DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 2001-000.049 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.722024/2008-59 Conclusos, retornem os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura Fl. 93DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002732/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/10/2005
ENQUADRAMENTO DA EMPRESA NO GRAU DE RISCO PARA CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA SAT/ RAT.
O enquadramento de empresa no grau de risco leve, médio ou grave, deve levar em consideração a atividade econômica preponderante de cada estabelecimento, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda.
Numero da decisão: 2201-009.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário decorrente do reenquadramento da alíquota do SAT/RAT para o estabelecimento matriz.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/10/2005 ENQUADRAMENTO DA EMPRESA NO GRAU DE RISCO PARA CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA SAT/ RAT. O enquadramento de empresa no grau de risco leve, médio ou grave, deve levar em consideração a atividade econômica preponderante de cada estabelecimento, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário decorrente do reenquadramento da alíquota do SAT/RAT para o estabelecimento matriz. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/10/2005 ENQUADRAMENTO DA EMPRESA NO GRAU DE RISCO PARA CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA SAT/ RAT. O enquadramento de empresa no grau de risco leve, médio ou grave, deve levar em consideração a atividade econômica preponderante de cada estabelecimento, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário decorrente do reenquadramento da alíquota do SAT/RAT para o estabelecimento matriz. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de fls. 906/918, a qual julgou procedente em parte o lançamento de Contribuição Social Previdenciária relacionados ao período de apuração: 01/12/1997 a 31/10/2005, acrescido de multa lançada e juros de mora. Peço vênia para transcrever o relatório produzido na decisão recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 27 32 /2 00 8- 04 Fl. 958DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.048 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.002732/2008-04 Trata-se de crédito relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, no valor de R$236.856,88 (Duzentos e trinta e seis mil, oitocentos e cinquenta e seis reais e oitenta e oito centavos), no período de dezembro de 1997 a outubro de 2005, correspondente às diferenças de contribuições devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e a contribuintes individuais, bem como as contribuições devidas às Terceiras Entidades e diferenças de acréscimos legais, conforme relatório fiscal de fls.564/565. Segundo a auditoria fiscal (fls.564) a empresa executa serviços de dosagem, mistura e transporte de concreto para obras de construção civil, atividade que ocupa a maioria dos empregados, assim definindo a alíquota da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão de maior incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho para a empresa a taxa de 3%. Daí, a apuração da diferença de contribuição a esse titulo no estabelecimento matriz da empresa, no período de 01/1999 a 10/2005. A ação fiscal foi comandada pelo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n° 09378903F00 (fls.558) para o período de apuração de novembro de 1997 a outubro de 2005 e prazo de execução prorrogado até 21 de agosto de 2007, cuja ciência foi firmada pelo procurador e contador da empresa, Sr. Rogério Alexandre Marques, na data de 28/02/2007. A documentação foi solicitada por intermédio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos - TIAD de fls.560/Vol.Ill, datado de 28/02/2007. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD n° 37.051.353-3 foi lavrada em 14/06/2007, tendo a notificada tomado ciência pessoal da mesma em 10/07/2007 de acordo com assinatura do seu procurador às Íls.0l e, conforme informação prestada às fls.656/V ol.1V, a empresa apresentou defesa tempestiva, peça processual juntada às fls.566/642/Vo1.III e IV, protocolo n° 36378005163/2007-22. Da Impugnação O contribuinte foi intimado e impugnou o auto de infração, e fazendo, em síntese, através das alegações a seguir descritas. Em suas alegações, a defendente argumenta, em síntese, o que se segue: a)- tendo sido notificada do lançamento do débito em 10/07/2007 é tempestiva a impugnação apresentada; b)- que efetuou corretamente o enquadramento do SAT do seu estabelecimento matriz, já que a distinção entre os estabelecimentos enseja grau de riscos diferenciados para os seus empregados, sendo ilógico aferir esse grau de risco considerando a empresa como um todo como fez o auditor fiscal. Este não é o espírito da norma consubstanciado na Lei n° 8.212 de 1991, no seu artigo 22, inciso II, não se tratando apenas de criação de uma fonte de arrecadação, mas também para distinguir os riscos das atividades realizadas por empregados da empresa em cada estabelecimento autônomo; c)- que o SAT tem por finalidade financiar os benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Assim, a exigência da contribuição deve ser compatível com as tarefas desenvolvidas em cada estabelecimento, devendo ser diferenciada a alíquota de cada um, porquanto diferentes atividades terão diferentes graus de risco e, também, alíquotas diferentes; d)- é evidente que os empregados que lidam com papéis, telefones e computadores não estão sujeitos aos mesmos riscos dos empregados da área operacional da empresa que atuam na preparação e transporte de concreto e manutenção de veículos e equipamentos. Pelo cartão do CNPJ da matriz, anexo à impugnação, verifica-se que, pelo Código CNAE daquele estabelecimento, trata-se apenas de atividade administrativa da empresa. E que nem mesmo os seus empregados das atividades operacionais estão sujeitos a riscos uma vez que vem obtendo laudos favoráveis em seu favor em perícias de pesquisa de insalubridade e periculosidade efetuadas pela Justiça do Trabalho em diversos locais; Fl. 959DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.048 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.002732/2008-04 e)- cita várias decisões do STJ para respaldar o seu entendimento alegando que as decisões das instâncias administrativas não podem dissociar desse posicionamento majoritário por se tratar de fonte do Direito Administrativo; f)- a própria fiscalização pôde constatar in locu a distinção entre os estabelecimentos operacionais e administrativos da empresa e verificar os diferentes graus de riscos entre as atividades neles desenvolvidas pelos seus funcionários; g)- que o levantamento de débito da filial 0012-31 não procede, pois que tais recolhimentos foram efetuados no CNPJ da empresa Via Engenharia S/A, tomadora de seus serviços, já tendo, ela própria, requerido a regularização do erro material ocorrido, bem como a notificada em questão. Junta guias de recolhimento (GPS) e cópia do protocolo de requerimento de averbação para comprovar o alegado. Em razão desse fato, requer a baixa do processo em diligência para apuração do trâmite do citado pedido; h)- que após minuciosa análise dos valores dos débitos e respectivas origens, a impugnante elaborou o “Relatório de conferências entre os valores recolhidos e os valores apurados pelo Auditor Fiscal” (doc. 14) que indica os equívocos existentes na fiscalização. Assim, requer o acolhimento do relatório como parte integrante da impugnação e a conseqüente baixa do processo em diligência para que seja feita nova análise na documentação da empresa, sendo essa a melhor medida a ser adotada por ser menos onerosa, dada a quantidade de documentos; i)- por fim, pede 0 acolhimento e procedência da impugnação para: (i) declarar a insubsistência do auto de infração e cancelamento do débito e encargos no que se refere ao re-enquadramento efetuado pelo auditor fiscal referente a alíquota de SAT; (ii) o cancelamento do débito correspondente a filial 0012-31, uma vez que já foi requerida a averbação dos recolhimentos para essa inscrição; e (iii) a baixa do processo em diligência para que seja analisada a documentação fiscal em seu poder e com a finalidade de revisar o débito em face do seu relatório de conferência. Tendo em vista as alegações da impugnante e a análise procedida nos autos, e de conformidade com o artigo 18 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, o processo foi baixado em diligência para manifestação da Auditoria Fiscal sobre os aspectos a seguir e demais providências: l- No que pertine o reenquadramento da alíquota do SAT/RAT efetuado pela fiscalização, constata-se o seguinte: 1.1- pelos documentos que compõem a impugnação (Ata da Assembléia de Constituição da empresa, art. 3° - fls.583/Vol.III) a notificada possuía por objetivo social: a) execução de serviços de elaboração, mistura, transporte, fiscalização e lançamento de concreto pré-misturado; b) execução de todos os serviços ligados a engenharia de concreto; c) a exploração e aproveitamento de jazidas minerais no território nacional; d) a pesquisa, a lavra, mineração industrialização comércio e exploração de granito e seus derivados; e) a importação e exportação de bens de produção, mercadorias e serviços dentro do objeto da sociedade; f) a participação com capital, trabalho ou ambos em outras sociedades do país e do exterior. De acordo com Estatuto Social aprovado pela Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 30 de julho de 1999, art. 3°- fls.588/589/Vol.III, constitui objeto social da sociedade: a) execução de serviços de elaboração, mistura, transporte, fiscalização e lançamento de concreto pré-misturado; b) execução de todos os serviços ligados a engenharia de concreto; e c) a participação com capital, trabalho ou ambos em outras sociedades do país e do exterior; 1.2- a auditoria fiscal atesta que a notificada se enquadra no grau de risco correspondente a taxa de contribuição de 3% pois que executa serviços de dosagem, mistura e transporte de concreto para obras de construção civil, atividades que ocupam a maioria de seus empregados. No entanto, não foram consignadas nestes autos as atividades exercidas pela empresa, por estabelecimento, e informado, em cada um deles, o número de segurados existentes, separadamente por competência, inclusive as atividades-meio uma vez que os seus segurados não são considerados para a apuração Fl. 960DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-009.048 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.002732/2008-04 do grau de risco, tais como, os serviços de administração geral, recepção, faturamento, cobrança, contabilidade, vigilância, dentre outros, conforme prevê a legislação; 1.3- deve haver um único enquadramento para a empresa como um todo, alertando-se que, de acordo com os atos normativos, a empresa com mais de um estabelecimento e diversas atividades econômicas deverá somar o número de segurados alocados na mesma atividade em todos os estabelecimentos, prevalecendo como preponderante a atividade que ocupe o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, considerados todos os estabelecimentos; 2- Assim, registre-se o acerto da Auditoria Fiscal em considerar que, a partir de julho/ 1997, o enquadramento do SAT/RAT deve ser único para uma mesma pessoa jurídica, conforme prevê a legislação previdenciária, em especial, o artigo 26 do ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173, de 1997 e, atualmente, o artigo 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999, sendo que este manteve a redação anterior de que “considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos”. No entanto, entendemos, s.m.j., ser necessária a demonstração, por competência, do enquadramento no grau de risco a que a notificada estava sujeita, de acordo com esse conceito. Ressalte-se que, pela análise do objetivo social da impugnante, a mesma poderia exercer mais de uma atividade econômica no período de novembro/ 1997 a outubro/2005. 3- Em face do exposto, os autos foram encaminhados à Auditoria Fiscal para se manifestar quanto ao enquadramento da notificada no correspondente grau de risco, apresentando planilha discriminativa, por competência e por estabelecimento, constando a indicação da atividade exercida em cada estabelecimento, a quantidade de segurados e a definição da atividade preponderante naquele mês. Ressalte-se que tal diligência visou demonstrar o cumprimento dos dispositivos previstos no artigo 86 da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, em especial, os seguintes comandos: alínea c do inciso I do § 1°, bem como o inciso II, e estando em consonância da determinação prevista no caput do art. 37 da Lei n° 8.212, de 1991. 4- Ainda quanto ao “Relatório de conferências entre os valores recolhidos e os valores apurados pelo Auditor Fiscal" (doc. 14), constante as fls.611/641, em que a notificada alega existir equívocos nos levantamentos efetuados, foi solicitado para que o mesmo fosse apreciado pela fiscalização em sua inteireza e de forma pormenorizada, indicando, por cada item questionado, se existem ou não valores a serem retificados e suas razões. Em caso positivo de alteração do levantamento, deverá ser providenciada planilha, por levantamento e por competência, relativa a retificação, contendo os valores apurados originariamente, os a serem excluídos e o saldo remanescente, bem como a motivação que deu ensejo à alteração. 5 Quanto ao pedido da empresa de regularização de erro nas guias de recolhimento da sua filial 0012-31, por ter tais recolhimentos sido feitos no CNPJ da empresa Via Engenharia S/A, tomadora de seus serviços, para tanto juntando cópias das guias de recolhimento que coincidem com os valores apurados pela fiscalização (fls.602/610) e cópia do protocolo do pedido de averbação (fls. 559 - proc. n° 10166006391/2007-11), considerando que tal fato constitui uma prejudicial ao julgamento do presente processo de lançamento fiscal, foi solicitado para ser informado, antecipadamente, pelo órgão próprio se foi deferido o pleito da requerente no processo em questão, para permitir à conferência dos valores apurados naquele estabelecimento da empresa pela fiscalização. 6- Por fim, após o cumprimento de todos os itens da diligência requerida, foi solicitado para ser elaborada planilha demonstrando os valores levantados, os valores a serem excluídos e o saldo remanescente, por levantamento e por competência, inclusive elaborando o documento de retificação. 7- Ato contínuo ao cumprimento da diligência, foi solicitado para dar conhecimento da mesma a notificada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, se for do seu interesse, ou para pagamento, conforme prevê o § 2° do artigo 243 do RPS. Fl. 961DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-009.048 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.002732/2008-04 8- Saliente-se que, preferencialmente, o presente lançamento deverá ser apreciado e julgado em conjunto com o processo de Auto de Infração DEBCAD n° 37.051.352-5, devido à estrita relação da matéria a ser apreciada entre os mesmos. Às fls.86l a 885, em atendimento à diligência requerida, foram juntados aos autos Informação Fiscal e Relatório Fiscal Complementar, contendo os esclarecimentos solicitados, e às fls.859 a 864, O Formulário para Cadastramento e Emissão de Documentos - FORCED, retíficando os valores de SAT lançados nas competências 12/1997, 01/1998, 02/1998, 01/1999, 02/1999, 04/1999, 05/1999, 12/1999, 08/2000, 09/2000 e planilha demonstrativa de valores levantados, valores excluídos e valores remanescentes, informando, em síntese, o seguinte: a)- a partir de julho de 1997, o enquadramento do SAT/RAT deve ser único para uma mesma pessoa jurídica, conforme prevê a legislação previdenciária, e é feito pela atividade preponderante; b)- é de responsabilidade da empresa o enquadramento no correspondente grau de risco, observada a sua atividade econômica preponderante e é feito mensalmente; c)- foi excluído do levantamento Fol - Folha de pagamento, cobrança diferença de sat/rat na competência dezembro de 1997 o valor de R$251,84, em janeiro de 1998 o valor de R$249,55 e em fevereiro de 1998 0 valor de R$363,05, em decorrência da atividade preponderante. A folha de pagamento da empresa no período de dezembro de 1997 a fevereiro de 1998 era composta por quatro diretores, urna secretária, um gerente comercial, sendo que este fora admitido em janeiro de 1998; d)- foi excluído do levantamento RAT » diferença de SAT, cobrança de diferença de SAT /RAT na competência janeiro de 1999 o valor de R$236,04, em fevereiro de 1999 o valor de R$245,90, em abril de 1999 o valor de R$191,07, em maio de 1999 o valor de R$190,09, em dezembro de 1999 o valor de R$42,25, em agosto de 2000 0 valor R$24,08, e em dezembro de 2000 o valor de R$2,00, porque a empresa calculava a guia de recolhimento de algumas filiais no CNPJ da matriz no período fiscalizado e recolhia 3% sobre o salário de contribuição das filiais. Às fls. 889/890, consta que foi encaminhado ao contribuinte cópia do Relatório Fiscal Complementar, tendo tomado ciência em 13/08/2008 e que o mesmo não se manifestou. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte a autuação, conforme ementa abaixo (e-fl. 906): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/10/2005 ENQUADRAMENTO DA EMPRESA NO GRAU DE RISCO PARA CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA SAT/ RAT. O enquadramento de empresa no grau de risco leve, médio ou grave, deve levar em consideração a atividade econômica preponderante da empresa e não a de cada estabelecimento, conforme dispõe a legislação previdenciária. DECADÊNCIA A decadência das contribuições previdenciárias deve-se operar em cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional, em decorrência da Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplica-se a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião da extinção do crédito tributário, nas modalidades previstas no artigo 156 do CTN ou na fase de execução fiscal da divida. Fl. 962DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-009.048 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.002732/2008-04 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da parte procedente, extraímos o seguinte trecho: (...) Portanto, face às decisões proferidas no processo n° 10166.00639l/2007-11, (cópia às fls.89l/892, destes autos), o crédito apurado pela fiscalização relativo ao estabelecimento n° 02.229.411/0012-31, deve-ser retificado, para excluir os valores lançados nas competências 08/2002, 09/2002, 10/2002,l l/2002,12/2002,13/2002, 01/2003 e 02/2003. (...) Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ, apresentou o recurso voluntário de fls. 944/954, alegando em síntese: que para a matriz administrativa da empresa o enquadramento para pagamento do SAT/RAT no período autuado deveria ser o de grau leve. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator. Do Recurso Voluntário O presente Recurso Voluntário foi apresentado no prazo a que se refere o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72 e por isso, dele conheço e passo a apreciá-lo. Do enquadramento para fins de aplicação da Alíquota SAT/RAT A recorrente alega que o enquadramento da matriz administrativa da empresa deveria ser o grau leve e, portanto estaria correto o seu enquadramento e pagamento do SAT/RAT sob uma alíquota de 1% (um por cento), tendo em vista que, naquele estabelecimento as atividades eram tipicamente administrativas, conforme constou de trecho do relatório extraído da decisão recorrida, cujo trecho transcrevo: c)- foi excluído do levantamento Fol - Folha de pagamento, cobrança diferença de sat/rat na competência dezembro de 1997 o valor de R$251,84, em janeiro de 1998 o valor de R$249,55 e em fevereiro de 1998 o valor de R$363,05, em decorrência da atividade preponderante. A folha de pagamento da empresa no período de dezembro de 1997 a fevereiro de 1998 era composta por quatro diretores, urna secretária, um gerente comercial, sendo que este fora admitido em janeiro de 1998; Da documentação juntada aos presentes autos, extraímos: Cartão CNPJ da Matriz em que consta que a atividade (CNAE) sedes empresas, unid. Administ. Locais (fl. 608): Fl. 963DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-009.048 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.002732/2008-04 Fls. 693/853 – planilha indicativa de segurados por CNPJ Fls. 874/877 – planilha demonstrativa de valores levantados, valores excluídos e valores remanescentes. A recorrente alega, nos termos da legislação e da jurisprudência que o enquadramento do estabelecimento matriz estaria correto. A seguir, transcrevemos a legislação que rege a matéria: Lei n° 8.212/1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57e58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. (...). Decreto nº 3.048/99: Art. 202. ... (...) Fl. 964DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-009.048 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.002732/2008-04 § 3º Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5° É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revê-lo a qualquer tempo. § 6° Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos.(Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). Como se verifica da legislação, o enquadramento nos correspondentes graus de risco para fins de recolhimento da contribuição ao SAT/RAT é de responsabilidade da empresa e deve ser feito mensamente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, ou seja, aquela que concentra o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, levando-se em consideração a empresa como um todo (matriz e filiais). Entretanto, tal entendimento estava em dissonância com o entendimento pacífico nesse sentido, exarado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, que já tinha esposado seu entendimento por meio da Súmula n° 351: STJ 351: A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. (grifou-se) De acordo com este entendimento, o enquadramento deve ser feito a partir de cada estabelecimento com CNPJ próprio e não em toda a empresa como um todo. Significa dizer que estabelecimentos que concentram atividades distintas podem ter alíquotas da contribuição ao SAT/RAT também distintas. Neste sentido, a Instrução Normativa RFB n° 1.453 de 24 de fevereiro de 2014, que passou a disciplinar sobre o enquadramento para fins de Seguro Acidente do Trabalho, nos seguintes termos: - empresa com um estabelecimento e uma única atividade econômica, enquadrar-se-á na respectiva atividade; - empresa com estabelecimento único e mais de uma atividade econômica, simulará o enquadramento em cada atividade e prevalecerá, como preponderante, aquela que tem o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos; - empresa com mais de um estabelecimento e com mais de uma atividade econômica deverá apurar a atividade preponderante em cada estabelecimento, por CNPJ, exceto com relação às obras de construção civil. Atualmente, este entendimento, passou a constar do Parecer n° 2.120/2011, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, de 10/11/11 e foi publicado o Ato Declaratório PGFN nº 11/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda aos 15/12/2011, abaixo reproduzido, que o acolheu integralmente: ATO DECLARATÓRIO Nº 11 /2011 A PROCURADORA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado Fl. 965DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-009.048 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.002732/2008-04 da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” (negritamos) Por força do disposto no art. 62, § 1º, II, "c" do RICARF (Portaria MF n° 343/15), é vedado aos membros das turmas de julgamento deste tribunal administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto nos casos de Ato Declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro do Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10522/2002. Desse modo, embora a legislação previdenciária, à época do lançamento, se baseasse na atividade preponderante da empresa como um todo para fins de enquadramento no grau de risco, desde 11/06/2008 já vigia o entendimento do Superior Tribunal de Justiça consolidado no enunciado de nº 351, acima reproduzido, encampado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, e atualmente, nos termos da já mencionada IN-RFB 1453/2014, a apuração da atividade preponderante deve se dar por estabelecimento individualizado pelo seu CNPJ. Sendo assim, deve ser cancelada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 37.051.353-3, quanto ao reenquadramento da alíquota SAT/RAT. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e dou-lhe provimento, para cancelar a parte do auto quanto ao reenquadramento da alíquota do SAT/RAT para o estabelecimento matriz (CNPJ n° 02.229.411/0001-89). (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 966DF CARF MF Documento nato-digital
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