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Numero do processo: 16327.001570/2005-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila. Ausente, a conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila. Ausente, a conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto, até aquela fase processual: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte acima identificada, contra o Despacho Decisório de fls. 107115, que indeferiu RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 57 0/ 20 05 -9 7 Fl. 605DF CARF MF Processo nº 16327.001570/200597 Resolução nº 3402001.623 S3C4T2 Fl. 606 2 o Pedido de Restituição de PIS, código de receita 4574 — PIS – Entidades Financeiras e Equiparadas, períodos de apuração 01/05/2002 a 31/05/2005, no valor de R$ 57.041,80. Conforme relatado pela auditorafiscal no parecer que subsidiou a decisão denegatória do pleito, a questão central arguida no Pedido de Restituição "é a de que teriam sido indevidos os recolhimentos de PIS que efetuou relativos aos períodos de apuração 05/2002 a 05/2005, em razão do fato de que não haveria incidência de tributação sobre as receitas decorrentes de atos cooperativos, às quais tais recolhimentos se referem, por força do disposto nos artigos 79, 87 e 111 da Lei 5.764/71, que disciplina o regime jurídico das sociedades cooperativas.". O Pedido de Restituição foi indeferido pela autoridade fiscal pelos motivos a seguir sintetizados/reproduzidos: a) Diz que os artigos 79, 87 e 111 da Lei 5.764/71, que instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas, ao preverem a tributação dos resultados ou renda das operações com não associados, qualificadas como atos não cooperativos, implicitamente estão reconhecendo isenção de tributação dos resultados ou renda nas operações decorrentes de atos cooperativos. Sendo assim, tais artigos podem ter efeito normativo com relação ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, cuja base de cálculo é o resultado ou renda, mas não sobre o PIS e a COFINS, cuja base de cálculo são as receitas. Portanto, tais comandos legais nada estipulam quanto à tributação das receitas das cooperativas, pelo PIS e pela COFINS; b) Esclarece que a tributação das receitas das sociedades cooperativas, tanto daquelas decorrentes de atos cooperativos como daquelas oriundas de atos não cooperativos, está expressamente prevista em inúmeros diplomas legais que as sujeitam à incidência do PIS e da COFINS. c) Informa que a Emenda Constitucional de Revisão – ECR 01/94 incluiu, inicialmente, as cooperativas de créditos no rol das pessoas jurídicas obrigadas ao recolhimento de PIS sobre a Receita Bruta Operacional, sujeição esta também prevista no artigo 1º da Lei 9.701/98. Posteriormente, consoante disposto nos artigos 2º e 3º da Lei 9.718/98, nos artigos 1º e 2º da Medida Provisória 1.807/99, reeditada pela Medida Provisória 1.8586/99, e no artigo 15 da Medida Provisória 2.15835/99, ficaram sujeitas ao PISFaturamento; d) Por fim, informa que o art. 30 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, autorizou a dedução da base de cálculo do PIS e da COFINS, das receitas originárias do ato cooperativo (a partir de 2005); e) Conclui que: i. para os fatos geradores ocorridos entre 05/2002 e 12/2004, por força de dispositivos legais, não se pode reconhecer como legítima a pretensão do interessado de excluir da base de cálculo do PISFaturamento as receitas originárias dos atos cooperativos; ii. a partir de 01/2005, nos termos do art. 30 da Lei 11.051/2004, a pretensão do interessado poderia ter procedência; iii. contudo, o demonstrativo “Levantamento da Contribuição do PIS” (fl. 87), no qual a contribuinte indica seu pretenso direito creditório do anocalendário de 2005, de R$ 10.730,66 (valor atualizado até 10/2005), não está acompanhado de evidenciações, documentos e registros contábeis que mostrem Fl. 606DF CARF MF Processo nº 16327.001570/200597 Resolução nº 3402001.623 S3C4T2 Fl. 607 3 que as receitas às quais os recolhimentos de PIS se referem, tenham sido, de fato, originárias de operações realizadas apenas com os associados, constituindo ingressos decorrentes de atos cooperativos passíveis de exclusão da base de cálculo do PIS. ". Ausente tais informações, não há como reconhecer como legítimo o pleito da interessada, em face da inexistência de prova de liquidez e da certeza do pretenso direito creditório de 2005. A ciência do Despacho Decisório foi dada à contribuinte em 11/12/2015 (fl. 119). Em 12/01/2016, a Manifestação de Inconformidade da contribuinte com as assinaturas dos Diretores Operacional e Administrativo foi recepcionada pela Receita Federal do Brasil RFB (fls. 123133). Em 13/01/2016, a Divisão de Orientação e Análise e Análise Tributária Diort informou à contribuinte de que a Manifestação de Inconformidade estava em desacordo com o disposto no inciso I do artigo 771 do Estatuto Social da Empresa e a intimou a apresentar, em 30 dias, uma declaração assinada pelo Diretor Presidente da Cooperativa ratificando a Manifestação de Inconformidade apresentada em 12/01/2016. Em 20/01/2016, o Diretor presidente ratificou a Manifestação de Inconformidade apresentada pelos diretores operacional e administrativo; informou que o inciso II do art. 792 do Estatuto Social da Cocrealpa atribui ao Diretor Administrativo a função de substituir o Diretor Presidente; e apresentou outra Manifestação de Inconformidade (fls. 245255). Para fins de análise do recurso, considerouse a Manifestação de Inconformidade apresentada tempestivamente pelos diretores administrativo e operacional e ratificada pelo diretor presidente, que, em apertada síntese, contém as seguintes alegações: Do Direito de ser Restituída dos Montantes Recolhidos Indevidamente a Título de PIS, no período de maio de 2002 a maio de 2005 A contribuinte informa que a constituição de uma cooperativa se destaca pela cooperação de seus associados que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens e serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem escopo de lucro, porque seu objetivo fim é prestar serviço ao associado, fomentando sua atividade no mercado, de modo que essas operações realizadas configuram genuínos atos cooperativos. A manifestante transcreveu os artigos 79, 85, 86, 87 e 111 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971 e afirma que: b. com exceção feita às cooperativa de créditos, as demais cooperativas podem interagir com terceiros, o que configura os denominados atos não cooperativos. c. não há receita ou faturamento nas operações decorrentes do ato cooperativo — o resultado financeiro obtido é denominado de "sobra". Já nas operações realizadas com não associados, que se revestem de feição mercantil, há receita; d. o resultado (chamado de "sobra") das operações decorrentes do ato cooperativo não deve ser tributado, enquanto que os originados das operações de ato nãocooperativo, devem ser tributados ( artigos 87 e 111 da Lei Cooperativista); Fl. 607DF CARF MF Processo nº 16327.001570/200597 Resolução nº 3402001.623 S3C4T2 Fl. 608 4 e. o ato cooperativo não gera receita ou faturamento para a sociedade cooperativa, de modo que o resultado financeiro dele decorrente (a "sobra") não está sujeito à incidência tributária. Já o ato nãocooperativo, isto é, aquele prestado com nãoassociado, gera receita à sociedade, devendo o resultado ser levado à conta especifica para que possa servir à tributação; f. as cooperativas de crédito não podem interagir com terceiro, sendolhes permitido tão somente praticar atos cooperativos; g. por força do artigo 22, § 1.°, da Lei 8.212, de 1991, aplicamse as normas das instituições financeiras às cooperativas de crédito; h. á época dos fatos, a Resolução BACEN nº 2.771, de 2000, que disciplinava a constituição e o funcionamento das cooperativas de crédito, determinava que essas entidades não podiam manter operações financeiras com nãoassociados e, por consequência, somente podiam captar depósitos, bem como liberar empréstimos a seus associados; i. pela razão de a cooperativa de crédito somente poder operar com seus associados, é impossível falar em incidência de PIS sobre o resultado decorrente de "sobras", haja vista que proveniente de operações com seus associados; j. a lei cooperativista (art. 87 c/c o 111) prevê a não incidência tributária sobre o resultado do ato cooperado ("sobra"); k. a base de cálculo do PIS é o faturamento; e as cooperativas não auferem lucro quanto às atividades típicas, nem possuem receita própria. Desse modo, não é possível falar em tributação de ato cooperativo, pois ele não consiste num ato empresário; dele não resulta um faturamento, nem visa o lucro; l. não é possível admitir a tributação da cooperativa de crédito manifestante pelo PIS, pois referida sociedade não aufere lucro e portanto não tem faturamento. Ao final do tópico, conclui dizendo que "a alegação contida no aludido Despacho de que a ora manifestante não teria comprovado que o resultado financeiro ("sobra") obtido nas competências em comento decorreria de operações com seus associados, haja vista que como demonstrado e comprovado, às cooperativas de crédito não é dado interagir com terceiros, de modo que suas operações se resumem, tão somente, a atos cooperativos, ou seja, aqueles realizados entre a cooperativa e seus cooperados, os quais, como fartamente mencionado, não sofrem incidência tributária."; e requer o julgamento procedente da Manifestação de Inconformidade. A 4ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 1461.227 (fls. 261 a 269), sessão de 09 de junho de 2016, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o disposto no Despacho Decisório exarado pela autoridade administrativa de origem. No entendimento da DRJ/RPO, as sociedades cooperativas são instituições financeiras sujeitas à aplicação do art.22 §1º, da lei 8.212/91, da Lei 9.718/98 e, a partir de 2005, do art.30 da Lei 11.051/2004. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2005 PIS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. TRIBUTAÇÃO ATÉ 12/2004. POSSIBILIDADE. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 16327.001570/200597 Resolução nº 3402001.623 S3C4T2 Fl. 609 5 Os ingressos decorrentes de atos cooperativos praticados pelas cooperativas de crédito estão sujeitos à tributação pelo PIS. RECEITAS AUFERIDAS A PARTIR DE 01/2005. AUSÊNCIA DE PROVA. É ônus do contribuinte a comprovação do direito creditório peticionado. Não demonstrado pelo contribuinte que as receitas da cooperativa de crédito são exclusivas de atos cooperativos, tornase inadmissível a aplicação da isenção prevista no art. 30 da lei nº 11.051/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do teor do Acórdão 1461.227 em 29/06/2016 (fls.273), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 27/07/2016 (fls. 275 a 294), com as seguintes alegações, em síntese: (i) inconstitucionalidade do §1º do art.3º da Lei 9.718/98; (ii) impossibilidade de tributação do ato cooperado praticado, pela sua natureza jurídica e pela prática exclusiva de operações com associados. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. A questão devolvida a este colegiado cingese sobre a configuração das operações da Recorrente como ato exclusivamente praticado com associados, de forma a afastar a tributação da contribuição pela impossibilidade de tributação do ato cooperado. Os fatos analisados referemse ao período compreendido entre 01/05/2002 a 31/05/2005. A questão foi analisada por esta turma julgadora recentemente. Transcrevo excerto do voto vencido (vencedor, neste ponto) do Acórdão 3402004.942, de 27 de fevereiro de 2018, da lavra do i. Relator Diego Diniz Ribeiro, no sentido de se aplicar à cooperativa de crédito a legislação da contribuição ao PIS e COFINS relativa às instituições financeiras: “34. Da análise de tais dispositivos legais é possível concluir que o legislador tributário previu um regime próprio de tributação para as instituições financeiras, dentre as quais expressamente se destacam as cooperativas de crédito. Assim, para tais atividades empresariais, o legislador previu uma tributação sobre a receita bruta com base no regime cumulativo, permitindo, por sua vez, a dedução de determinadas despesas incorridas para a geração de receita. 35. Desse modo, não tem como subsistir a alegação da recorrente de que pratica ato cooperativo e que tal ato não seria passível de tributação, uma vez Fl. 609DF CARF MF Processo nº 16327.001570/200597 Resolução nº 3402001.623 S3C4T2 Fl. 610 6 que ela própria qualificase como instituição financeira (ainda que sob o regime cooperativo), o que faz com que o contribuinte seja tributado na forma prevista na legislação para este tipo de atuação empresarial. 36. Ademais, o Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE n. 599.362, afetado por repercussão geral, reconheceu que os atos cooperativos são potencialmente sujeitos à tributação. [...]” O referido julgado, bem como outros julgados do CARF, aplicou o resultado do julgamento do RE 599.362/RJ, de 06 de novembro de 2014, de relatoria do Ministro Dias Toffoli, sujeito a repercussão geral, decidido em favor da tributação do PIS e COFINS sobre o denominado ato cooperativo. Transcrevo a ementa do sobredito julgado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 146, III, C, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE IMUNIDADE OU DE NÃO INCIDÊNCIA COM RELAÇÃO AO ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/71. RECEPÇÃO COMO LEI ORDINÁRIA. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA. MP Nº 2.15835/ 2001. AFRONTA AO PRINCÍPIO DA ISONOMIA. INEXISTÊNCIA. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a Fl. 610DF CARF MF Processo nº 16327.001570/200597 Resolução nº 3402001.623 S3C4T2 Fl. 611 7 sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. (STF; RE 599362, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe027 DIVULG 09022015 PUBLIC 10022015). Complementando, transcrevo excerto do voto do Relator, Ministro Dias Tóffoli: (...). O entendimento de que as sociedades cooperativas não possuem faturamento, nem receita, e que, portanto, não haveria a incidência de qualquer tributo sobre a pessoa jurídica levaria ao mesmo resultado prático de se conferir a elas imunidade tributária, com a ressalva de que não há autorização constitucional para tanto. (...). A Câmara Superior também decidiu no sentido de que as cooperativas de crédito são consideradas instituições financeiras, razão pela qual se submetem a regime jurídico específico, distinto das cooperativas comuns (Acórdão 9303003.271, Relator Conselheiro Henrique Torres). Entretanto, a situação é diferente para o período 01/2015 a 05/2005, após a vigência do art. 30 da lei nº 11.051/2004. Com a edição do art. 30 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, as sociedades cooperativas de créditos, na apuração dos valores devidos a título de Cofins e PIS faturamento, ficaram autorizadas a excluir da base de cálculo os ingressos decorrentes do ato cooperativo (isenção): Art. 30. As sociedades cooperativas de crédito, na apuração dos valores devidos a título de Cofins e PIS – Faturamento, poderão excluir da base de cálculo os ingressos decorrentes do ato cooperativo, aplicandose, no que couber, o disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e demais normas relativas às cooperativas de produção agropecuária e de infraestrutura. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 16327.001570/200597 Resolução nº 3402001.623 S3C4T2 Fl. 612 8 Apesar de reconhecer a validade do referido dispositivo legal, o julgador a quo não deferiu o pedido do contribuinte pela ausência de prova do recolhimento indevido, especialmente quanto à comprovação de que a cooperativa não teria praticado nenhum ato com não cooperado, mas apenas a alegação de vedação estatutária e impedimento legal para realização de atos com não cooperados. A recorrente, ainda que defenda que a questão seria exclusivamente de direito, juntou um relatório contendo seu cadastro de clientes, o qual especifica o número da matrícula dos associados bem como a situação cadastral de cada um deles. Como a referida alteração legal permitiu a exclusão da base de cálculo das cooperativas de crédito dos ingressos decorrentes de atos cooperativos, e não determinou o simples reconhecimento pleno e irrestrito de todas as entradas como atos cooperativos, impõe se apurar na escrita contábil da sociedade cooperativa aqueles valores que fazem parte da base de cálculo da contribuição, e aqueles valores que devem ser excluídos, conforme disposto no artigo 30 da Lei 11.051. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) analise os documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário que procuraram comprovar a condição de cooperados (fls.478 a 602), bem como a escrita contábil da cooperativa, e confirme se todos os ingressos do período compreendido entre 01/2005 e 05/2005 foram decorrentes do ato cooperativo; (ii) apresente um demonstrativo com os valores originados de atos cooperados e aqueles originados de atos não cooperados. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É a resolução. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 612DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.725865/2017-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 19/06/2012
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE.
Só é considerado válido o planejamento tributário - conjunto de medidas e atos adotados pelo contribuinte na organização de sua vida econômico-fiscal - se este se pautar pela legalidade, com o afastamento de abuso de direito em relação aos atos e negócios praticados.
OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. SIMULAÇÃO.
O fato de cada uma das transações dentro do grupo societário, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando restar comprovado o abuso de direito, visto que, por trás da verdade declarada, uma aparente reorganização societária representada por um conjunto de reorganização societária, existia uma única intenção, qual seja, a majoração artificial do custo das ações do acionista pessoa física e a obtenção de benefícios fiscais, que, de outra forma, não poderiam ser alcançados.
CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado.
VALORES DEPOSITADOS EM CONTA CAUÇÃO. GARANTIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
Não se considera como custo de aquisição os valores depositados em conta caução, destinados a cobrir garantias estabelecidas em contrato de compra e venda.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A prática da simulação com o propósito de dissimular - intuito doloso - no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto, caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2301-005.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o crédito tributário relativo às parcelas depositadas em conta caução, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Virgílio Cansino Gil, que deram provimento integral ao recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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VALIDADE. Só é considerado válido o planejamento tributário conjunto de medidas e atos adotados pelo contribuinte na organização de sua vida econômicofiscal se este se pautar pela legalidade, com o afastamento de abuso de direito em relação aos atos e negócios praticados. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. SIMULAÇÃO. O fato de cada uma das transações dentro do grupo societário, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando restar comprovado o abuso de direito, visto que, por trás da verdade declarada, uma aparente reorganização societária representada por um conjunto de reorganização societária, existia uma única intenção, qual seja, a majoração artificial do custo das ações do acionista pessoa física e a obtenção de benefícios fiscais, que, de outra forma, não poderiam ser alcançados. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. VALORES DEPOSITADOS EM CONTA CAUÇÃO. GARANTIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 58 65 /2 01 7- 24 Fl. 1210DF CARF MF 2 Não se considera como custo de aquisição os valores depositados em conta caução, destinados a cobrir garantias estabelecidas em contrato de compra e venda. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática da simulação com o propósito de dissimular intuito doloso no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto, caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o crédito tributário relativo às parcelas depositadas em conta caução, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Virgílio Cansino Gil, que deram provimento integral ao recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário (efls 1137/1168) interposto em face do Acórdão nº 0964.691 (efls 1107/1128), exarado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) em sessão de julgamento realizada em 29 de setembro de 2017, que julgou improcedente a impugnação (efls 648/675) apresentada em face do Auto de Infração1 por omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores, acrescido de juros de mora e de multa de ofício qualificada (150% sobre o valor do imposto). 2. Fazse a transcrição do inteiro teor do relatório2 contido na decisão recorrida, como o mínimo necessário para se compreender o contexto fático da autuação e a controvérsia devolvida à apreciação do Colegiado. 1 Termo de Verificação Fiscal (TVF) anexado às efls. 9/39. 2 Efls.1108/1116. Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10880.725865/201724 Acórdão n.º 2301005.754 S2C3T1 Fl. 1.211 3 Para ALIPIO JOSE GUSMAO DOS SANTOS, já qualificado nos autos, foi lavrado em 02/05/2017, pela DEMAC3/Belo Horizonte/MG, o Auto de Infração de fls. 2/8, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 63.516.299,85, sendo R$ 21.045.825,00 de imposto de renda pessoa física (código 2904), R$ 10.901.737,35 de juros de mora calculados até maio/2017 e R$ 31.568.737,50 de multa proporcional de 150% (passível de redução). Decorreu o citado lançamento da ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte, relativamente ao anocalendário de 2012, exercício financeiro de 2013, quando foi constatada a seguinte infração: Sobre o imposto decorrente dessa infração aplicouse a multa de ofício qualificada (150%) e formalizouse o processo administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais nº 10880.725867/201713, visto ter ficado demonstrada a ocorrência de fatos que configurariam, em tese, crime contra a Ordem Tributária, consoante definido pelo art. 1º da Lei nº 8.137, de 1990. Toda a auditoria está detalhada no Relatório Fiscal (ou Termo de Verificação Fiscal – TVF) de fls. 9/39, destacandose o que segue: ... ... 2) Breve descrição do caso O Sr. Alípio José Gusmão dos Santos (doravante denominado "ALÍPIO") era proprietário da empresa CFF PARTICIPAÇÕES LTDA (CFF), CNPJ 15.224.502/000173. A CFF, após um expressivo número de rearranjos societários, detinha 100% das ações da ABA PORTO PARTICIPAÇÕES S/A (ABAPORTO), CNPJ 15.255.561/000109. Esta, por sua vez, possuía a totalidade das quotas da TECONDI TERMINAL PARA CONTÊINERES DA MARGEM DIREITA S/A (TECONDI), CNPJ 02.390.435/000115, TERMARES TERMINAIS MARÍTIMOS ESPECIALIZADOS LTDA (TERMARES), CNPJ 53.730.495/000170 e TERMLOG TRANSPORTE E LOGÍSTICA LTDA (TERMLOG), CNPJ 13.969.897/000108. Estas três empresas juntas recebiam a denominação de COMPLEXO TECONDI. Será demonstrado neste TVF que, valendose de planejamento tributário abusivo, a CFF foi utilizada no processo apenas com o objetivo de se majorar o custo de aquisição e, por conseguinte, reduzir a tributação referente ao ganho de capital na operação de alienação do COMPLEXO TECONDI para a ECOPORTO HOLDING S/A (ECOPORTO), CNPJ 10.940.722/000180. ... ... 6) Apuração do ganho de capital pelo contribuinte 3 Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes. Fl. 1212DF CARF MF 4 Na DAA 2013/2012, ALÍPIO informa a alienação das quotas da CFF da seguinte forma: · Quantidade de ações alienadas: 182.169.067 · Custo de aquisição médio unitário R$ 1,00 · Custo total de aquisição: R$ 182.169.067,00 (I) · Valor de alienação: R$ 372.179.145,86 (II) · Ganho de Capital (II) – (I): RS 190.010,078,86 (III) · Valor recebido em 2012: R$ 339.406.396,73 (IV) · Percentual para diferimento (III) / (II): 51,053392 (V) · Ganho de Capital Proporcional em 2012 (V) x (IV): 173.278.478,19 (VI) · Imposto devido em 2012 15% de (VI): 25.991.771,72 · Imposto pago em 2012: 25.991.771,72 Em resposta a intimação no curso deste procedimento fiscal, o contribuinte informou que a diferença de R$ 7.941.339,244 entre o valor total da venda estabelecida em contrato e aquele informado no demonstrativo de apuração de ganhos de capital referese ao pagamento de sua parte de comissão ao Banco Bradesco de Investimentos relativa à intermediação do negócio, como a seguir reproduzido: ... ... 7) Custo de Aquisição das ações CFF considerado pelo contribuinte A precisa determinação do custo de aquisição das ações da CFF é peça fundamental deste trabalho e subsídio necessário para o estabelecimento do tributo devido pelo contribuinte. Assim, a maior parte dos questionamentos nas intimações efetuadas teve como objetivo a busca dos valores corretos, nas várias operações realizadas por ALÍPIO, utilizadas como formadores do custo de aquisição. Para se chegar ao custo de aquisição das ações da CFF é imperioso examinar o histórico das quotas da ABAPORTO. No curso do procedimento fiscal, o contribuinte, após intimado a demonstrálo, apresentou respostas que podem ser consolidadas da seguinte forma: . Em relação a CFF, também consolidando as respostas encaminhadas por ALÍPIO, temse a seguinte situação: 4 Valor de alienação da totalidade das quotas da CFF para a ECOPORTO, no montante de R$ 760.240.970,19. Parte atribuível a Alípio: R$ 380.120.485,10. Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10880.725865/201724 Acórdão n.º 2301005.754 S2C3T1 Fl. 1.212 5 Notese então que o valor registrado pelo contribuinte em sua DAA 2013/2012 é exatamente o informado em suas respostas ao longo deste procedimento fiscal, qual seja, R$ 182.169.067,00. Adiante, neste termo será demonstrado que este valor não corresponde àquele que deveria ter sido utilizado. Mais ainda, será visto que o custo de aquisição correto é o da linha 2 do quadro acima, qual seja, R$ 28.315.806,00. 8) Real propósito das transformações societárias ... ... Valendome da analogia utilizada pelo renomado jurista5, o filme é claro, ALÍPIO e CÉSAR6, por vias indiretas, possuíam juntos 50% do COMPLEXO TECONDI. Desejavam, então, alienar suas participações à ECOPORTO. Por motivos já expostos e aceitos por este AuditorFiscal, tais ativos foram reunidos na ABAPORTO. A ECOPORTO então injetou dinheiro na empresa para que ela fizesse frente à aquisição dos 50% restantes em mãos de terceiros e na seqüência adquiriu os 50% detidos por ALÍPIO e CÉSAR, por R$ 760.240.970,19. Esta é a operação do mundo real e assim deve ser tributada. Introduzir uma pessoa jurídica no negócio, com nenhum objetivo justificável, a não ser o da economia tributária é ato ilegal. Tentase valer de análises estanques do arcabouço legal, com o objetivo de se maquiar o fato gerador. 9) Fatos geradores identificados7 Conforme atestam as respostas do contribuinte e contratos examinados o valor da operação referente à alienação da totalidade das quotas da CFF foi de R$ 760.240.970,19. Como ALÍPIO detinha 50% das quotas da CFF couberamlhe R$ 380.120.485,10. O contribuinte pleiteia a dedução de R$ 7.941.339,24 referentes à comissão paga ao Banco Bradesco BBI S/A pela intermediação no negócio, conforme extrato do contrato da operação: 5 Prof. Marco Aurélio Greco, em sua obra Planejamento Tributário, 3ª edição. 6 Carlos César Floriano, CPF 035.509.68892, sócio de Alípio. 7 Efls. 33. Fl. 1214DF CARF MF 6 ... ... Assiste razão ao contribuinte. Com efeito, a Instrução Normativa RFB nº 84 de 11 de outubro de 2001, assim dispõe: ... ... Assim, efetuandose este abatimento, o valor tributável é R$ 372.149.185,86. Conforme atesta o demonstrativo de apuração de ganhos de capital da DAA 2013/2012, bem como resposta encaminhada pelo contribuinte, o valor recebido por ele em 2012, por conta da alienação das ações da CFF, foi de R$ 339.406.396,73. Por fim, ALÍPIO informou ainda que a diferença entre o valor de alienação e o recebido é motivo de pendência judicial entre as partes. O quadro a seguir resume toda a operação: 10) Infrações apuradas8 10.1) Omissão/Apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores Conforme explicado de forma detalhada no tópico 9, o contribuinte não fez a devida apuração do ganho de capital em eventos no ano de 2012. O quadro a seguir consolida todas as informações anteriores: 10.2) Multa qualificada ... ... 8 Efls. 35. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10880.725865/201724 Acórdão n.º 2301005.754 S2C3T1 Fl. 1.213 7 Conforme fartamente demonstrado neste TVF, o planejamento tributário abusivo perpetrado pelo contribuinte, em conjunto a seu genro e sócio CÉSAR, procurou, indubitavelmente, modificar as características do fato gerador de modo a reduzir o montante do imposto devido. Ao introduzir na operação de alienação do COMPLEXO TECONDI uma pessoa jurídica9 desnecessária ao negócio, verificouse que o único propósito desejado foi criar uma situação que possibilitou o incremento do custo de aquisição. Esta manobra foi feita de forma intencional buscando a redução tributária. Cada passo da operação foi meticulosamente planejado e implementado de forma a alcançar o objetivo almejado, conforme detalhadamente explicado nos passos 4 e 5. ... ... 11) Representação Fiscal para Fins Penais Considerando a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, nos termos dos artigos 1 º e 2º da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, abaixo transcritos, formalizouse, mediante protocolização de processo10 administrativo que deverá seguir os trâmites do processo por meio do qual foi constituído o crédito tributário a cabível representação fiscal para fins penais, nos moldes do Decreto nº 2.730/1998 e da Portaria RFB nº 2.439/2010 com as alterações dadas pela Portaria RFB nº 3.182/2011: ... ... 12) Encerramento Diante dos fatos acima relatados foi lavrado Auto de Infração, do qual o presente Termo de Verificação Fiscal é parte integrante e indissociável, para constituição do crédito tributário devido, referente ao imposto de renda das pessoas físicas. Para surtir os efeitos legais, lavro o presente termo, em duas vias de igual teor e forma, com ciência ao sujeito passivo pela via postal. [todos os destaques são do original] Cientificado do lançamento o contribuinte, por intermédio de procuradores habilitados (doc. fl. 678), apresentou impugnação, às fls. 633/665, cujos termos, em apertada síntese, são os que seguem: TEMPESTIVIDADE ... ... REUNIÃO DO PROCESSO PARA JULGAMENTO CONJUNTO COM O PROCESSO Nº 10880.725954/201771 · A autuação aqui impugnada está amparada nos mesmos fatos e nos mesmos fundamentos que ensejaram a lavratura do auto de 9 CFF Participações. 10 Nº 10880.725867/201713. Fl. 1216DF CARF MF 8 infração em face de Carlos César Floriano e Luciana David Gusmão dos Santos Floriano (esta última na qualidade de responsável solidária), objeto do processo administrativo fiscal nº 10880.725954/201771. · Diante disso, os fundamentos que serão apresentados na presente impugnação e os documentos aqui anexados são os mesmos que compõem a impugnação que, nesta data, é apresentada por Carlos César Floriano. · Desta feita, a fim de evitar julgamentos conflitantes a respeito dos mesmos fatos e fundamentos de defesa, requer seja o presente processo reunido, para julgamento conjunto, ao processo administrativo fiscal nº 10880.725954/201771. SÍNTESE DA AUTUAÇÃO · A autuação decorre da venda, por ALÍPIO e por terceira pessoa (Sr. Carlos César Floriano, doravante apenas designado CÉSAR), de participações societárias de sua titularidade na holding company denominada CFF Participações Ltda (CFF PARTICIPAÇÕES). · A Fiscalização considerou abusiva a inclusão da CFF PARTICIPAÇÕES no processo de alienação de investimentos por ALÍPIO E CÉSAR, pois, de acordo com a autoridade fiscal, a participação de tal empresa teria acarretado, de forma supostamente indevida, a majoração do correspondente custo de aquisição, o que ensejou, por consequência, a diminuição do ganho de capital oferecido à tributação por ALÍPIO. · A questão aqui, portanto, está intrinsecamente relacionada a pretenso abuso de forma que teria ensejado a diminuição do imposto de renda sobre o ganho de capital que foi apurado e pago por ALÍPIO E CÉSAR na operação de alienação de seus investimentos. · Todavia, ao contrário do que considerou a fiscalização, a participação da CFF PARTICIPAÇÕES foi provida do necessário propósito negocial. A bem da verdade, dificilmente teria sido realizada a venda em questão se não existisse a apontada holding, conforme será comprovado. FATOS RELEVANTES PRECEDENTES · Nesse item11, (...), o impugnante descreve os atos praticados que desencadearam as reestruturações societárias que resultaram, ao final, na alienação dos investimentos por ALÍPIO E CÉSAR. Segundo o autuado, referida situação afasta uma das premissas consideradas no TVF, qual seja, a de que ALÍPIO E CÉSAR, desde o início, teriam a intenção de alienar suas participações (50%) no COMPLEXO TECONDI à ECOPORTO. OS FATOS RELACIONADOS ÀS MOVIMENTAÇÕES SOCIETÁRIAS · Nesse item, (...), o contribuinte descreve por que foi necessário que as participações societárias tituladas por ALÍPIO E CÉSAR na 11 Feita a leitura integral ao tempo da sessão de julgamento em primeira instância (29/09/2017). Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10880.725865/201724 Acórdão n.º 2301005.754 S2C3T1 Fl. 1.214 9 ABA PORTO passassem a ser detidas por uma holding, no caso, a CFF PARTICIPAÇÕES. · Esclarece que a situação por ele descrita é uma realidade que se observa em todas as empresas de grande porte que possuem relações societárias com partes não relacionadas. As diversas participações societárias são sempre mantidas, diretamente, por holding. · Afirma que os “fatos relatados são absolutamente relevantes ao deslinde da controvérsia, porque, a partir deles, fica claro que a CFF PARTICIPAÇÕES NÃO foi constituída como mero veículo voltado à economia fiscal. Houve verdadeira e determinante motivação extratributária não só para a constituição da CFF PARTICIPAÇÕES como também para sua participação nos movimentos de reestruturação societária e a subsequente concretização do negócio com a ECOPORTO”. [destaques do original] O PROPÓSITO EXTRATRIBUTÁRIO, A SUBSTÂNCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS E O REFLEXO DESSA CONSTATAÇÃO NO JULGAMENTO DA IMPUGNAÇÃO · À luz da evolução legislativa e da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, constatase uma definitiva mudança de visão a respeito da caracterização de abuso de forma em negócios jurídicos realizados com a precípua finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Na antiga visão adotada na análise de estruturas realizadas, privilegiavase a forma sobre a substância. Na visão atual da jurisprudência do CARF, contudo, constatase a busca da essência dos negócios jurídicos, do propósito negocial, a fim de julgar se a estrutura realizada e a respectiva economia fiscal gerada são lídimas. · Ainda que as estruturas utilizadas possam gerar economia fiscal, elas não poderão ser consideradas abusivas se possuírem objetivo extratributário. Não há nenhuma ilicitude em se utilizar estruturas que gerem economia fiscal aos contribuintes. Justificada a estrutura dentro do contexto fático, isto é, existente a motivação extrafiscal para a utilização de determinada estrutura em negócio jurídico válido, não se pode concluir que a forma utilizada, ainda que tenha gerado um resultado fiscal mais favorável ao contribuinte, seja abusiva ou ilícita. · São vários os exemplos de casos analisados pelo CARF (cujas ementas transcreve) em que houve o reconhecimento da legitimidade de operações realizadas com o resultado de economia fiscal e com o reconhecimento do respectivo propósito extratributário. · O contribuinte, agindo sob motivação extratributária, pode usar estruturas válidas e previstas na legislação, obtendo, como consequência legítima desse procedimento, maior eficiência tributária. Fl. 1218DF CARF MF 10 · No presente caso, a partir dos fatos apresentados e devidamente comprovados, fica claro que a CFF PARTICIPAÇÕES não foi constituída nem recebeu, por via de aumento de seu capital, as quotas representativas do capital social da ABAPORTO com o mero objetivo de reduzir o ganho de capital de ALÍPIO E CÉSAR na operação de venda em foco. · Ficou clara a motivação extratributária ao se incluir a CFF PARTICIPAÇÕES na estruturação societária legitimamente adotada e absolutamente necessária à concretização do negócio realizado entre ALÍPIO E CÉSAR, de um lado, e a ECOPORTO, de outro lado, e, nesse sentido, fica completamente afastada a premissa considerada pela Fiscalização no TVF que ensejou a lavratura do auto de infração aqui impugnado. · A Fiscalização aponta que (i) “... o papel da CFF foi apenas permitir que, por meio do MEP, uma reserva de capital fosse transformada em reserva de lucros ...”; e (ii) “... Ao introduzir na operação de alienação do COMPLEXO TECONDI uma pessoa desnecessária ao negócio, verificouse que o único propósito desejado foi criar uma situação que possibilitou o incremento do custo de aquisição ...” [destaques do original] · A partir da demonstração da importância extratributária da CFF PARTICIPAÇÕES no contexto da negociação realizada com a ECOPORTO, considerandose todos os fatos que foram narrados, fica clara a invalidade das premissas acima. A contextualização dos fatos evidencia que o movimento realizado por ALÍPIO E CÉSAR na CFF PARTICIPAÇÕES a partir da subscrição com ágio da participação da ECOPORTO na ABAPORTO – capitalização da reserva de lucros – foi absolutamente legítimo e amparado na legislação. · O interessado transcreve o art. 10, parágrafo único, da Lei nº 9.249/9512. · O aumento do custo de aquisição do investimento de ALÍPIO E CÉSAR, em razão da capitalização da reserva de lucros ocorrida na CFF PARTICIPAÇÕES, decorre da lei. A movimentação societária realizada teve motivações verdadeiramente extratributárias, o que torna legítimo o incremento do custo de aquisição do investimento que foi realizado por ALÍPIO E CÉSAR. · É irrelevante o período de tempo entre o ingresso da ECOPORTO na ABA PORTO e o posterior exercício da opção de compra, pela ECOPORTO, da participação que ALÍPIO E CÉSAR detinham na CFF PARTICIPAÇÕES, ao contrário do entendimento da Fiscalização. · Resta muito claro, no caso presente, que a inserção da CFF PARTICIPAÇÕES na reestruturação do investimento então detido por ALÍPIO e CÉSAR foi devidamente motivada dentro de um legítimo contexto fático negocial. Consequentemente: (i) foi legítima e amparada na legislação a capitalização, por ALÍPIO e CÉSAR, da reserva de lucros contabilizada na CFF 12 No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados, a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10880.725865/201724 Acórdão n.º 2301005.754 S2C3T1 Fl. 1.215 11 PARTICIPAÇÕES em decorrência da avaliação do investimento na ABA PORTO pelo MEP no momento do ingresso da ECOPORTO na referida sociedade, o que elevou o custo da aquisição do investimento de ALÍPIO e de CÉSAR; e (ii) foi absolutamente correto o valor do custo de aquisição considerado por ALÍPIO na apuração do ganho de capital quando da alienação de sua participação na CFF PARTICIPAÇÕES à ECOPORTO. FUNDAMENTO SUBSIDIÁRIO: NECESSIDADE DE AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA, POR ABSOLUTA AUSÊNCIA DE AMPARO LEGAL · Ainda que fosse possível a manutenção do lançamento do valor principal, o que só admite por argumentação, a multa qualificada imposta jamais poderia subsistir. · O CARF tem decidido que a imposição de multa qualificada depende, necessariamente, (i) da intenção do agente e (ii) da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Nesse sentido, transcreve algumas ementas de julgados daquele órgão colegiado. · Considerando os elementos demonstrados com a presente impugnação, a conduta de ALÍPIO não pode ser classificada como sonegação, fraude ou conluio. FUNDAMENTO SUBSIDIÁRIO: NECESSIDADE DE REVISÃO DA BASE TRIBUTÁRIA – PARTE DO VALOR DA ALIENAÇÃO É INCERTA · Ainda que a autuação pudesse ser mantida, mera argumentação, parte do crédito lançado deverá ser desconstituída, na medida em que a Fiscalização considerou a integralidade do montante da operação, sem levar em conta que parcela desse valor ainda não foi recebida por ALÍPIO. · Ao final do procedimento fiscalizatório, ALÍPIO recebeu intimação para (i) apresentar a relação dos pagamentos recebidos por ocasião da alienação da participação societária da CFF PARTICIPAÇÕES; (ii) explicar a diferença entre o somatório dos valores recebidos e o total da operação previsto em contrato e subsequentemente informado em Declaração de Ajuste Anual; e (iii) informar se ainda há valores pendentes de recebimento (doc. 21 TIPF nº 13). · Em resposta à referida intimação, ALÍPIO apresentou manifestação, acompanhada dos respectivos documentos comprobatórios (doc. 22), que novamente se anexa com a presente impugnação, nos seguintes termos: 1) ocorreram apenas dois recebimentos: (a) o primeiro deles no importe de R$ 338.529.145,86, na data da celebração do CONTRATO DE COMPRA E VENDA (CCV) das quotas representativas do capital social, em 19/06/2012; e (b) o segundo deles no importe de R$ 887.250,87, em agosto de 2012, por conta do estabelecido nas cláusulas 3.3 e 3.4, b, do CCV. Fl. 1220DF CARF MF 12 2) a diferença entre o valor recebido e os R$ 380.120.485,10 indicados no CONTRATO DE COMPRA E VENDA das quotas da CFF PARTICIPAÇÕES LTDA é assim composta: (a) R$ 7.941.339,24 são relativos à comissão paga ao BRADESCO já anteriormente noticiada por ALÍPIO e reportada à Fiscalização em resposta a uma das intimações; (b) os R$ 31.150.000,00 remanescentes foram retidos pela Compradora para garantir o adimplemento de contingências. Referido valor nunca foi disponibilizado pela ECOPORTO a ALÍPIO, havendo litígio entre as partes a esse respeito, conforme detalhadamente relatado nas anexas notificações trocadas entre as partes. Se e quando houver o recebimento do referido montante pelo Fiscalizado, haverá o tempestivo recolhimento do imposto de renda. · Se existe um valor (R$ 31.150.000,00) incerto a ser ou não recebido por ALÍPIO em virtude da garantia ao adimplemento de contingências, resta evidenciado que tal quantia não pode ser computada no valor da alienação para fins de apuração do ganho de capital. · Mesmo que ALÍPIO tenha, na apuração do ganho de capital no ano calendário de 2012, indicado o valor da venda considerando o montante retido e garantido para o adimplemento de contingências, referido montante não pode ser considerado na autuação. Afinal, o erro cometido pelo contribuinte não justifica que a Fiscalização valhase dele para, na autuação, refazer o cálculo do ganho, a partir do questionamento quanto ao custo de aquisição do direito alienado, considerando parcela que de fato só poderá fazer parte do preço de venda mediante evento futuro e incerto, que corresponde à liberação do valor dado em garantia ao adquirente quando da negociação realizada. · Assim, ainda que pelos fundamentos expostos a autuação não pudesse ser integralmente desconstituída, mera argumentação, ao menos o valor do crédito deveria ser recalculado, considerandose como valor da venda, não o montante de R$ 380.120.485,10, mas, sim, a quantia de R$ 348.970.485,10, que corresponde ao valor efetivamente recebido. PEDIDO · Diante do exposto, pede e espera ALÍPIO seja o auto de infração julgado totalmente improcedente. · Se as autoridades julgadoras não afastarem integralmente a autuação, mera argumentação, requerse ao menos sejam acolhidos os fundamentos subsidiários acima expostos. fim da transcrição do relatório contido no Acórdão. 3. Ao julgar improcedente a impugnação, o acórdão recorrido tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 19/06/2012 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10880.725865/201724 Acórdão n.º 2301005.754 S2C3T1 Fl. 1.216 13 Só é considerado válido o planejamento tributário conjunto de medidas e atos adotados pelo contribuinte na organização de sua vida econômicofiscal se este se pautar pela legalidade, com o afastamento de abuso de direito em relação aos atos e negócios praticados. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. SIMULAÇÃO. O fato de cada uma das transações dentro do grupo societário, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando restar comprovado o abuso de direito, visto que, por trás da verdade declarada, uma aparente reorganização societária representada por um conjunto de reorganização societária, existia uma única intenção, qual seja, a majoração artificial do custo das ações do acionista pessoa física e a obtenção de benefícios fiscais, que, de outra forma, não poderiam ser alcançados. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática da simulação com o propósito de dissimular intuito doloso no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto, caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício. 4. Interposto o recurso voluntário (efls 1137/1168), a Recorrente deduz as mesmas alegações e pedidos feitos na impugnação, sendo necessário destacar o acréscimo contido na parte inicial das razões com o título "Fator imprescindível a ser considerado no julgamento do presente recurso voluntário" (efls. 1138/1140). 4.1. Faço a transcrição: 2. Tanto a autuação fiscal quanto a decisão recorrida analisaram, de forma isolada, a prévia capitalização da reserva de lucros ocorrida no âmbito da CFF Participações Ltda. —sociedade cuja venda gerou a autuação ora combatida—, e, por isso, acabou concluindo que tal capitalização teria, como único objetivo, majorar o custo de aquisição do investimento e reduzir o ganho de capital apurado. 3. Contudo, nenhum fato pode ser analisado de forma isolada, sob pena de não serem identificadas as verdadeiras razões que o ensejaram. No presente caso, todas as movimentações societárias havidas foram motivadas por razões extrafiscais, conforme será abaixo demonstrado. 4. Vale já destacar que, mesmo tendo realizado uma análise, com a devida vénia, limitada, as autoridades julgadoras reconheceram que: Fl. 1222DF CARF MF 14 (i) os movimentos societários ocorridos não foram realizados exclusivamente para reduzir o efeito fiscal do ganho de capital na venda de participação societária por ALÍPIO; e (ii) é legítimo que as pessoas se utilizem de mecanismos lícitos que lhes garantam maior eficiência do ponto de vista da carga tributária, vale dizer, a menor onerosidade fiscal legalmente admitida, desde que eles sejam motivados não só visando à redução do custo fiscal, mas também por um fundamento extra tributário. 5. É o que está refletido nos seguintes trechos contidos no acórdão recorrido: "...O próprio Impugnante admite em sua defesa que, além da conveniência operacional e negocial na situação sob exame, também havia conveniência do ponto de vista fiscal, ficando evidente que não só as vantagens operacionais e negociais eram almejadas pelos sócios. Assim, AINDA QUE NÃO EXCLUSIVAMENTE PARA ESSE FIM, a reestruturação foi, de fato, utilizada com o propósito de reduzir o ganho de capital dos sócios (entre eles o impugnante) na venda de suas participações societárias...." (fls. 1.119) "...Com efeito, não se pode desconsiderar que pessoas físicas e jurídicas têm o direito de planejar suas operações dentro de parâmetros mais econômicos, buscando a redução de custos e a otimização de lucros. No entanto, deve o planejamento tributário pautarse pela legalidade, sendo defesa a utilização de artifícios fraudulentos, dolosos ou simulados com o propósito de reduzir ou excluir a incidência de tributos. (...) A economia de tributo, fruto de um planejamento tributário legalmente praticado, distinguese da simulação, pois no planejamento os meios empregados devem ser lícitos...." (fls. 1.117/1.118) 6. Como visto, o próprio acórdão recorrido expressamente reconhece que, no caso, o que ele denomina reestruturação societária prévia à alienação do investimento por ALÍPIO não TEVE O FIM EXCLUSIVO de reduzir o impacto tributário resultante da alienação do investimento, de tal sorte que a(s) outra(s) finalidade(s) extrafiscais dessa reestruturação haverão de adequadamente ser consideradas no julgamento deste recurso. 7. Neste arrazoado, demonstrarseá que todas as providências adotadas foram indispensáveis dentro de todo contexto fático que culminou na alienação de investimento por Alípio, estando absolutamente correta a respectiva apuração do ganho de capital. 8. É possível afirmar que, sem que existisse a CFF Participações Ltda. cuja venda das quotas deu origem à autuação combatida—, nem alípio nem seu então sócio conseguiriam ter solucionado o problema que foi criado por um terceiro e que, por certo, se não sanado rapidamente, teria acarretado a destruição do Complexo Tecondi. 5. Constam nos autos o oferecimento de contrarrazões pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (efls 1171/1207). 6. Cumpre também noticiar a apresentação de memoriais pelo Recorrente. É o relatório. Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10880.725865/201724 Acórdão n.º 2301005.754 S2C3T1 Fl. 1.217 15 Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 7. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 8. Com o exame acurado dos autos, podese verificar a coincidência de argumentos e pedidos apresentados no recurso voluntário e na peça impugnatória. 9. Percebese que o cerne da controvérsia a ser apreciada pelo Colegiado diz respeito aos efeitos tributários decorrentes da complexa situação fática relatada nos autos, referindonos às reorganizações societárias que redundaram na criação da CFF Participações no plano negocial. 10. A Recorrente, de um lado, centra a argumentação, preponderantemente, em razões extrafiscais para adotar o planejamento tributário descrito nos autos, e sustenta a licitude do movimento realizado pelo Recorrente na CFF Participações, qual seja, a capitalização da reserva de lucros, por motivações que diz serem extratributárias. 11. Em nosso entendimento, porém, a análise acurada da complexa situação fática descrita nos autos, evidencia que esta se amolda à modalidade de planejamento por meio de "empresa veículo", com a inserção da empresa CFF Participações, utilizada, entre outros motivos, para majorar o custo de aquisição, de modo artificial, e com isso reduzir a tributação referente ao ganho de capital na operação de alienação do COMPLEXO TECONDI para a ECOPORTO. 12. E a formação de tal convicção, além dos elementos constantes nos autos, também está alicerçada em decisões deste CARF, inclusive em julgado proferido por este Colegiado, no enfrentamento de questões fáticas com relação de similaridade com o caso dos autos. 12.1. Cito os acórdãos: § Acórdão nº 2301005.261 (sessão de julgamento: 08/05/2018). Extrato da ementa: OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. LUCROS SOCIETÁRIOS ORIGINÁRIOS DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM HOLDINGS. INCORPORAÇÃO REVERSA. AUMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO EM DESCOMPASSO COM O PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 10 DA LEI 9.249, de 1995 (ART. 135 DO RIR 99). A capitalização de lucros societários, não tributados, sem substrato econômico e meros reflexos da aplicação do método de equivalência patrimonial em holdings puras, seguidas de correspondentes incorporações reversas, não se subsume ao parágrafo único do art. 10 da Lei 9.249, de 1995 (art. 135 do RIR 99), para fins de majoração do custo da aquisição de ações a serem alienadas e conseqüente apuração de ganho de capital. Fl. 1224DF CARF MF 16 § Acórdão 2402005.946 (sessão de julgamento: 08/08/2017). Extrato da ementa: CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. 13. Formada a convicção quanto ao aspecto fático subjacente ao planejamento tributário, e diante da coincidência de argumentos entre as razões recursais e as constantes na impugnação, valendonos da prerrogativa conferida pelo artigo 57, § 3º do Regimento Interno do CARF, por concordar em parte com o teor da fundamentação, exceto na questão relativa montante depositado em contacaução (item 14 infra), fazse a transcrição de parte do voto contido na decisão de primeira instância, que ora adoto como razões de decidir. APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA DE VALORES Repisando a síntese feita pelo impugnante, a autuação em apreço decorreu da venda, por ALÍPIO (e Carlos César Floriano CÉSAR), de participações societárias de sua titularidade na holding company denominada CFF Participações Ltda (CFF PARTICIPAÇÕES). A Fiscalização considerou abusiva a inclusão da CFF PARTICIPAÇÕES no processo de alienação de investimentos por ALÍPIO E CÉSAR, pois, tal fato acarretou, de forma indevida, a majoração do correspondente custo de aquisição, o que ensejou, por conseqüência, a diminuição do ganho de capital oferecido à tributação por ALÍPIO. Em outras palavras, segundo o autuante, valendose de planejamento tributário abusivo, a CFF PARTICIPAÇÕES foi utilizada no processo apenas com o objetivo de se majorar o custo de aquisição e, por conseguinte, reduzir a tributação referente ao ganho de capital na operação de alienação do COMPLEXO TECONDI para a ECOPORTO HOLDING S/A (ECOPORTO). Concluise da extensa peça de defesa que o contribuinte admite ter feito reorganizações societárias que culminaram com a alienação, cujo ganho de capital por ele declarado foi questionado pela Fiscalização, haja vista a constatação pelo autuante de ter havido majoração no custo de aquisição. O contribuinte considerou como tal o valor de R$ 182.169.067,00 ao passo que a autoridade fiscal demonstrou no TVF ser R$ 28.315.806,00, em face do planejamento tributário abusivo praticado com vistas à alienação em comento. Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10880.725865/201724 Acórdão n.º 2301005.754 S2C3T1 Fl. 1.218 17 O cerne da extensa peça de defesa pode ser sintetizado no seguinte excerto: “Ainda que estruturas utilizadas possam gerar economia fiscal, elas não poderão ser consideradas abusivas se possuírem objetivo extratributário. Não há nenhuma ilicitude em se utilizar estruturas que gerem economia fiscal aos contribuintes. Justificada a estrutura dentro do contexto fático, isto é, existente a motivação extrafiscal para a utilização de determinada estrutura em negócio jurídico válido, não se pode concluir que a forma utilizada, ainda que tenha gerado um resultado fiscal mais favorável ao contribuinte, seja abusiva ou ilícita”. Com efeito, não se pode desconsiderar que as pessoas físicas e jurídicas têm o direito de planejar suas operações dentro de parâmetros mais econômicos, buscando a redução de custos e a otimização de lucros. No entanto, deve o planejamento tributário pautarse pela legalidade, sendo defesa a utilização de artifícios fraudulentos, dolosos ou simulados com o propósito de reduzir ou excluir a incidência de tributos. Como ensina Marco Aurélio Greco, em Planejamento Tributário, 3ª edição, 2011, Dialética, págs. 212 e 213, deve existir sempre uma motivação extratributária: Ou seja, sempre que o exercício da autoorganização se apoiar em causas reais e não unicamente fiscais, a atividade do contribuinte será irrepreensível e contra ela o Fisco nada poderá objetar, devendo aceitar os efeitos jurídicos dos negócios realizados. Como se vê, o Fisco não pode interpretar os negócios privados como bem entender, apenas com o intuito de enquadrálos na hipótese tributariamente mais onerosa. Não é isto que estou sustentando. No entanto, os negócios jurídicos que não tiverem nenhuma causa real e predominante, a não ser conduzir a um menor imposto, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem um caráter abusivo; neste caso, o Fisco a eles pode se opor, desqualificandoos fiscalmente para requalificálos segundo a descrição normativotributária pertinente à situação que foi encoberta pelo desnaturamento da função objetiva do ato. Ou seja, se o objetivo predominante for a redução da carga tributária, terseá um uso abusivo do direito. (...) Com a tese do abuso de direito aplicado no planejamento fiscal, se o motivo predominante é fugir à tributação, o negócio jurídico será abusivo e seus efeitos fiscais poderão ser neutralizados perante o Fisco. Ou seja, sua aplicação não se volta a obrigar ao pagamento de maior imposto, mas a inibir as práticas sem causa, que impliquem menor tributação. Vêse, pois, que, além de aferir a licitude dos negócios jurídicos, é preciso perquirir a racionalidade econômica do planejamento, o propósito negocial que deu causa às operações, pois o planejamento tributário não deve ser utilizado com intuito único ou principal de redução de tributos, sob risco de ser considerado como abuso de forma. A economia de tributo, fruto de um planejamento tributário legalmente praticado, distinguese da simulação, pois no planejamento os meios empregados Fl. 1226DF CARF MF 18 devem ser lícitos. O que se busca é uma forma alternativa com o fim de alcançar o mesmo resultado econômico ou equivalente, evitando a ocorrência do pressuposto de incidência tributária, com a adoção da forma jurídica real, ainda que alternativamente à mais onerosa, sempre havendo compatibilidade entre a forma adotada e o conteúdo econômico visado. Ao contrário, na simulação haverá sempre um ilícito oculto. O fato gerador na verdade ocorre, mas é descaracterizado ou não é tipologicamente reconhecido em sua aparência como hipótese de incidência legal, sendo a forma mero pretexto para esconder o real objetivo das partes. Configurase a simulação na medida em que a vontade manifestada formalmente pelo contribuinte nos negócios praticados não corresponde ao que se desejou de fato e o ato praticado na realidade é outro. Tratamse de atos ou negócios que, embora não proibidos, são praticados pelo contribuinte sem o propósito negocial, mediante a utilização de artifícios dolosos visando exclusivamente à diminuição da carga tributária. É certo que ninguém é obrigado, na condução de seus negócios, a escolher os caminhos, os meios, as formas ou os instrumentos que resultem em maior ônus fiscal. Contudo, os limites da legalidade circundam o território dessa busca, de forma que a economia lícita de tributos baseiase no pressuposto da adoção de formas alternativas ou indiretas que representem realmente o fenômeno econômico praticado. No caso concreto a intenção do sujeito passivo que emerge dos autos era uma só: a reorganização societária visou apenas e tão somente majorar o custo de aquisição das ações e, via de consequência, reduzir o ganho de capital na venda realizada logo em seguida. Como resultado disso tudo, pagar menos imposto sobre o ganho de capital. Os argumentos expendidos na defesa não possuem força suficiente para sustentar a licitude do planejamento tributário pretendido. O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (integralização de capital social) divergiam da real intenção subjacente (venda de participações societárias), caracterizase a simulação, cujo elemento principal é a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados. Observase que a Fiscalização não considerou irregulares as reestruturações societárias implementadas por ALÍPIO E CÉSAR. O que a autoridade fiscal não admitiu foi a majoração ilícita dos custos das ações alienadas e a consequente omissão de ganhos de capital. O que se extrai do TVF é que a reestruturação efetuada para que a venda das ações fosse efetivada não é irregular, porém, que é ilícito valerse das capitalizações de lucros de equivalência patrimonial, através do múltiplo proveito do mesmo lucro, para, indevidamente, majorar o custo das ações. O próprio impugnante admite em sua defesa que, além da conveniência operacional e negocial na situação sob exame, também havia conveniência do ponto de vista fiscal, ficando evidente que não só as vantagens operacionais e negociais eram almejadas pelos sócios. Assim, ainda que não exclusivamente para este fim, a reestruturação foi, de fato, utilizada com o propósito de reduzir o ganho de capital dos sócios (entre eles o impugnante) na venda de suas participações societárias. Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10880.725865/201724 Acórdão n.º 2301005.754 S2C3T1 Fl. 1.219 19 Uma das principais alegações do impugnante, no sentido de demonstrar que a majoração do custo das ações alienadas foi regular, reside na aplicação da norma contida no art. 10, da Lei nº 9.249/1995, cujo parágrafo único é a base legal do art. 135 do RIR/1999, a seguir transcrito: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). Segundo esse dispositivo legal, se houver aumento de capital social com a utilização de lucros ou reservas de lucros, o custo de aquisição das quotas ou ações da pessoa jurídica sofrerá o reflexo dessa operação, sendo, portanto, majorado. Contudo, o art. 135 do RIR/99 não ampara a forma como o contribuinte calculou o custo de aquisição das ações. O art. 227, caput, da LSA, define o termo “incorporação” como sendo a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. A utilização do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), segundo o art. 24813, da Lei nº 6.404/1976 (LSA), é obrigatória no caso de investimentos considerados relevantes em sociedades controladas, como é o caso das empresas mencionadas no TVF. Oportuno transcrever um trecho do TVF: Em um movimento inusitado, mas com propósito claro a ser explicado mais à frente, ALÍPIO e CÉSAR inseriram outra empresa no cenário, no caso a CFF, empresa criada especificamente para este procedimento. ALÍPIO e CÉSAR subscreveram ações da CFF, valendose da totalidade de suas respectivas participações na ABAPORTO. Neste ponto, então, ALÍPIO e CÉSAR eram donos, à razão de 50% cada, da CFF, que controlava 100% da ABAPORTO e, que por sua vez, era proprietária de 100% de cada uma das três empresas do COMPLEXO TECONDI. No passo seguinte, a ECOPORTO subscreveu 41,29% das ações da ABAPORTO, pagando por elas aproximadamente R$ 540 milhões. Notese que o valor para o qual a ABAPORTO foi autorizada a emitir nota promissória, portanto se endividar, para adquirir a participação de terceiros no COMPLEXO TECONDI foi de valor próximo, RS 522 milhões. O ato final foi, então, a alienação por ALÍPIO e CÉSAR da totalidade de suas quotas na CFF, detentoras dos 51,71 % restantes da ABAPORTO. ... ... 13 Com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1228DF CARF MF 20 Partamos do estágio imediatamente após a reunião da totalidade das participações acionárias na ABAPORTO. Qual seria a operação esperada, usual, natural neste momento? Obviamente, a venda por ALÍPIO c CÉSAR de suas ações da ABAPORTO para a ECOPORTO. O custo de aquisição de ALÍPIO no momento seria o valor que ele pagou a CÉSAR pelas ações da ABAPORTO, qual seja, cerca de RS 28 milhões de reais. O objetivo do planejamento tributário abusivo estabelecido era inflar este valor, de modo a diminuir a base de cálculo para o imposto sobre o ganho de capital a ser apurado na operação. A entrada da CFF é a peça chave da operação. A partir do momento em que a CFF detém a totalidade das ações da ABAPORTO, estabelecese a relação de controle da primeira sobre a segunda, o que faz com que a participação acionária na ABAPORTO seja avaliada pelo método da equivalência patrimonial (MEP), conforme dispõe o artigo 248 da Lei 6.404 de 15/12/1976. A utilização do método, no caso em tela, é bastante simples. Basta se aplicar o percentual de ações que se tem, aqui 100%, pelo valor do patrimônio líquido (PL) da controlada. Como em um primeiro momento o capital na ABAPORTO, que compunha a totalidade do PL, era de R$ 62.296.000,00, este mesmo valor era o que deveria constar na contabilidade da CFF como correspondente ao valor de sua controlada. A entrada na operação da ECOPORTO, em 29/05/2012, pagando R$ 540.369.046,09 por 41,19% das ações da ABAPORTO teve reflexos contábeis relevantes. Foram registrados na contabilidade da ABAPORTO um incremento no capital social de R$ 43.811.988,00, bem como uma reserva de capital, correspondente ao ágio pago, no valor de R$ 496.557.058,09. Em 31/05/2012, foram realizados balanços patrimoniais na controlada e controladora. Uma vez que o PL da ABAPORTO foi incrementado em relação ao capital social, bem como com a edição da reserva correspondente ao ÁGIO, efeito similar ocorreu na valoração do respectivo ativo na controladora CFF. A contabilidade desta é fechada mediante o registro da devida contrapartida, no caso, uma receita com equivalência patrimonial. Esta receita é transportada para o resultado do exercício, gerando lucro/reserva de lucros na empresa. O passo a seguir é o que finaliza o processo. Vejamos o que dizia o artigo 1014 da Lei nº 9.249 de 26/12/1995, com a redação da época da operação em comento: 14 O parágrafo único é a base legal do art. 135 do RIR/1999. Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 10880.725865/201724 Acórdão n.º 2301005.754 S2C3T1 Fl. 1.220 21 A CFF então capitalizou o lucro/a reserva de lucro. Valendose da literalidade do dispositivo reproduzido, o contribuinte adiciona ao seu custo de aquisição a parcela que lhe cabe do lucro capitalizado. Com isto, elevou de cerca de R$ 28 milhões para aproximadamente R$ 182 milhões o seu custo de aquisição. Sem a CFF na operação, com ALÍPIO e CÉSAR como sócios da ABAPORTO, quando da entrada da ECOPORTO na sociedade, o mesmo registro contábil relativo ao ágio seria feito. Entretanto, como a reserva de ágio é classificada como de capital, sua eventual incorporação ao capital social não traria o benefício de majoração do custo de aquisição, um vez que a lei prevê o incremento apenas diante da incorporação de lucro/reserva de lucros. E não poderia ser diferente, pois a previsão legal é apenas um atalho para que o acionista não tenha que receber eventual lucro para, aí sim, reinvesti lo na empresa. Como, então, o objetivo da lei é evitar a bitributação dos lucros, obviamente o benefício fiscal de se contabilizar o custo de aquisição não pode ocorrer, em se tratando de capitalização de reservas de capital, pois estas correspondem a rendimentos da empresa que não passaram pelo resultado, ou seja, não tributados. Percebese, então, claramente, que o papel da CFF foi apenas permitir que, por meio do MEP, uma reserva de capital fosse transformada em reserva de lucro. ... ... Percebese, desde o início, o interesse do contribuinte em construir o melhor cenário possível do ponto de vista tributário para desencadear a alienação dos ativos referentes ao COMPLEXO TECONDI. Desnecessário dizer ser legítimo a qualquer um buscar tal situação. O que se mostra contrário à lei, e aqui é o caso, é quando esta construção altera ou distorce a situação fática. A assunção do controle da ABAPORTO pelo ECOPORTO em dois passos, bem como a utilização da CFF na operação são exemplos contundentes disso. Uma das características utilizadas em planejamentos tributários abusivos que se valem deste expediente é ter uma infinidade de operações estruturadas em sequência, todas elas em geral, perfeitamente legais. Quem se vale disto deseja que as operações Fl. 1230DF CARF MF 22 sejam apreciadas uma a uma, sem que se examine o contexto global do caso. ... ... ... ALÍPIO e CÉSAR, por vias indiretas, possuíam juntos 50% do COMPLEXO TECONDI. Desejavam, então, alienar suas participações à ECOPORTO. Por motivos já expostos e aceitos por este AuditorFiscal, tais ativos foram reunidos na ABAPORTO. A ECOPORTO, então, injetou dinheiro na empresa para que ela fizesse frente à aquisição dos 50% restantes em mãos de terceiros e na sequência adquiriu os 50% detidos por ALÍPIO e CÉSAR, por R$ 760.240.970,19. Esta é a operação do mundo real e assim deve ser tributada. Introduzir uma pessoa jurídica no negócio, com nenhum objetivo justificável, a não ser o da economia tributária é ato ilegal. Tentase valer de análises estanques do arcabouço legal com o objetivo de se maquiar o fato gerador. A sequência de operações descritas no TVF e na impugnação demonstra que houve um aumento indevido do custo de aquisição das ações alienadas, em razão da capitalização dos mesmos lucros em duplicidade, o que fere a legislação e as regras e princípios contábeis. Em que pese o esforço do peticionário em procurar demonstrar que houve a necessidade da participação da CFF na alienação em comento, na verdade não se vislumbra qualquer propósito negocial além da intenção de reduzir o pagamento do tributo, porquanto a conduta do autuado não pode ser tomada como planejamento tributário lícito, cabendo à autoridade fiscal a desconsideração das operações realizadas e a tributação do fato verdadeiramente ocorrido. Dessa forma, em vista de todas as evidências detalhadamente descritas no TVF, obtidas através de documentos e esclarecimentos fornecidos tanto pelo interessado quanto coletados pela autoridade fiscal, esta procedeu à apuração do real custo de aquisição e, via de consequência, ao real ganho de capital proveniente da alienação das participações societárias já mencionadas. Segundo o impugnante “é irrelevante o período de tempo entre o ingresso da ECOPORTO na ABAPORTO e o posterior exercício da opção de compra, pela ECOPORTO, da participação que ALÍPIO E CÉSAR detinham na CFF PARTICIPAÇÕES, ao contrário do entendimento da Fiscalização”. Quanto a isso, assim se manifestou a autoridade fiscal no TVF: Entre a entrada efetiva da ECOPORTO na ABAPORTO, 29/05/2012, até a alienação das ações da CFF, 19/06/2016, passaramse 21 dias. Seria durante este curtíssimo espaço de tempo, menos de um mês, que a ECOPORTO teria como sócios as pessoas físicas, e, portanto, estaria sujeita aos "riscos" sucessórios alegados. O contribuinte poderia alegar que o prazo realmente foi curto, mas tão somente por escolha do adquirente, uma vez que a opção de compra pactuada previa a possibilidade que a aquisição se desse em até um ano e aí, então, os "riscos" estariam presentes. Ora, acreditar que o adquirente efetivamente se decidiu pela aquisição dos ativos (e para fazer frente a tal, despender centenas de milhões de reais) em apenas 3 semanas é exercício de extrema boa vontade. Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 10880.725865/201724 Acórdão n.º 2301005.754 S2C3T1 Fl. 1.221 23 Tratouse de negócio de expressiva monta, mais de um bilhão de reais, que envolveu pessoas jurídicas e pessoas físicas de grande porte, banco de renome no mercado, escritório de advocacia conceituado. É cristalino que a operação estava absolutamente desenhada para ser realizada em dois passos, única e exclusivamente, para que fossem alcançados os benefícios tributários aqui já apresentados. Não se trata aqui então de se dizer que o intervalo foi curto. É mais do que isso. O que se afirma, por tudo que já foi mostrado, é que este lapso temporal foi necessário apenas para se revestir a operação da natureza desejada. Não importa aqui se um dia ou um ano. O objetivo final era claro, inflar o custo de aquisição de ALÍPIO e CÉSAR para redução do valor do imposto sobre o ganho de capital. [destaquei] Percebese, desde o início, o interesse do contribuinte em construir o melhor cenário possível do ponto de vista tributário para desencadear a alienação dos ativos referentes ao COMPLEXO TECONDI. Desnecessário dizer ser legítimo a qualquer um buscar tal situação. O que se mostra contrário à lei, e aqui é o caso, é quando esta construção altera ou distorce a situação fática. A assunção do controle da ABAPORTO pela ECOPORTO em dois passos, bem como a utilização da CFF na operação são exemplos contundentes disto. Uma das características utilizadas em planejamentos tributários abusivos que se valem deste expediente é ter uma infinidade de operações estruturadas em sequência, todas elas, em geral, perfeitamente legais. Quem se vale disto deseja que as operações sejam apreciadas uma a uma, sem que se examine o contexto global do caso. Com efeito, não é crível que outra tenha sido a intenção do impugnante, conforme já mencionado à saciedade. O requerente cita em seu socorro alguns julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Contudo, melhor se adequam à presente situação os Acórdãos a seguir mencionados que são, inclusive, mais recentes do que aqueles citados na peça de defesa: GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. LUCROS ORIGINÁRIOS DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. HOLDINGS. CAPITALIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AUMENTO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. EXPURGOS DOS ACRÉSCIMOS INDEVIDOS. Inaplicável a majoração do custo de aquisição de participação societária alienada por pessoa física, com fulcro no art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995 (art. 135 do RIR/99), na hipótese de capitalização de lucros e reservas em "holdings" investidoras, os quais são meros reflexos da aplicação do método de equivalência patrimonial, seguida de incorporação reversa e nova capitalização. As capitalizações indevidas devem ser expurgadas, considerandose como ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação e o respectivo Fl. 1232DF CARF MF 24 custo de aquisição atribuído pela fiscalização. É válida a apuração do custo de aquisição das ações alienadas pela pessoa física com base na sua participação no acervo líquido da última "holding" incorporada, líquido dos dividendos distribuídos, conforme metodologia adotada pela autoridade lançadora. (Ac. CARF 2401004.608 – 4ª Câmara – 1ª Turma Ordinária – Sessão de 08/02/2017) OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser conferida ao art. 135 do Decreto nº 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. (Ac. CSRF15 9202005.240 – 2ª Turma – Sessão de 22/02/2017) GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. LUCROS ORIGINÁRIOS DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM HOLDINGS. INCORPORAÇÃO REVERSA. AUMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. O fato de cada uma das transações dentro do grupo societário, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando restar comprovado que o aumento do custo das ações de acionistas pessoas físicas se deu através de planejamento tributário que capitalizou dividendos em duplicidade, pois são meros reflexos da aplicação do método de equivalência patrimonial nas holdings, seguida de correspondentes incorporações reversas, com o fim de majoração do custo da aquisição de ações a serem alienadas e consequente apuração de ganho de capital, por configurar conduta abusiva e dissociada dos fins visados pela legislação pertinente. (Ac. CARF 2301004.480 – 3ª Câmara – 1ª Turma Ordinária – Sessão de 15/02/2016) GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO. No que diz respeito à venda de dois imóveis por meio de empresa da qual a impugnante é sócia, não há impedimento legal para que ela organize o seu patrimônio da forma que melhor lhe convier, desde que não ultrapasse os limites estabelecidos em lei. A holding familiar tem por finalidade a proteção do patrimônio não se prestando como empresa de “passagem” ou “veículo”, constituindo prova da artificialidade para reduzir o imposto referente ao ganho de capital devido pela pessoa física. Demonstrado que os atos negociais praticados ocorreram em sentido contrário ao contido na norma jurídica, com o intuito de se eximir ou reduzir da incidência do tributo, cabível a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado. (Ac. CARF 2301004.530 – 3ª Câmara – 1ª Turma Ordinária – Sessão de 19/02/2016) 15 Câmara Superior de Recursos Fiscais Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10880.725865/201724 Acórdão n.º 2301005.754 S2C3T1 Fl. 1.222 25 Por todo o exposto, comungo com o entendimento do autuante devidamente explicitado no TVF, por seus corretos fundamentos, pelo que deverá ser mantido o lançamento a título de “Ganhos de capital na alienação de bens e direitos – Omissão/Apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em Bolsa de Valores”. NECESSIDADE DE REVISÃO DA BASE TRIBUTÁRIA – PARTE DO VALOR DA ALIENAÇÃO É INCERTA ... Já a comissão de R$ 7.941.339,24 paga ao BRADESCO foi devidamente considerada pela autoridade fiscal nos cálculos por ela efetuados ao apurar a omissão de ganhos de capital, conforme já noticiado. NECESSIDADE DE AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA Afirmou o impugnante que o CARF tem decidido que “a imposição de multa qualificada depende, necessariamente, (i) da intenção do agente e (ii) da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Nesse sentido, transcreve algumas ementas de julgados daquele órgão colegiado”. No dizer do requerente, os elementos demonstrados com a presente impugnação levam à conclusão que a sua conduta não pode ser classificada como sonegação, fraude ou conluio, razão pela qual não procede a multa qualificada aplicada. Resumindo, o contribuinte contestou a aplicação da multa qualificada sob o argumento de que não houve qualquer ato simulado nas reestruturações societárias já mencionadas, tendo estas sido motivadas por objetivos negociais legítimos. Ocorre que os fatos narrados no TVF demonstram inequivocamente a consciência do contribuinte quanto à forma em que o custo de suas ações foi majorado. Em que pesem seus argumentos descreverem que a conduta teria como base uma suposta autorização legal para a majoração, é evidente o seu conhecimento de que o custo de aquisição das ações, de R$ 182.169.067,00, que apurou para fins de cálculo do ganho de capital, foi consideravelmente superior àquele efetivamente despendido, R$ 28.315.806,00, conforme já analisado. Tentou o contribuinte extrair da reestruturação societária efeitos tributários que a esta não são inerentes, majorando, com as sucessivas capitalizações indevidas de lucros, o custo das suas ações e, consequentemente, reduzindo o valor do imposto de renda incidente sobre o ganho da capital. Não se trata a majoração indevida do custo das ações de uma mera interpretação inadequada do art. 135 do RIR/1999. O que se extrai dos fatos ocorridos é a clara intenção de majorar o custo das ações com capitalizações indevidas de lucros. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício nos casos em que restar evidenciado o intuito de fraude/simulação/conluio é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430, de 1996, transcrito abaixo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Fl. 1234DF CARF MF 26 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, 2007) ... ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Já os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 1964, assim definem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, excetuandose a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública, onde se utilizando subterfúgios escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. O conceito de dolo encontrase no inciso I16 do art. 18 do Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal, que dispõe ser o crime doloso aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. A doutrina decompõe, ainda, o dolo em dois elementos: o cognitivo, que é o conhecimento do agente do ato ilícito; e o volitivo, que é a vontade de atingir determinado resultado ou em assumir o risco de produzilo. No caso em apreço, como já se viu, ficou configurada a simulação, caracterizada por um conjunto de atos formais e sucessivos que, apesar de individualmente aparentarem legalidade, não representam a real intenção das partes, 16 Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984. Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 10880.725865/201724 Acórdão n.º 2301005.754 S2C3T1 Fl. 1.223 27 para os quais não se vislumbra sequer uma motivação senão a de se eximir do pagamento do imposto devido. Assim, pela sua própria definição, a simulação sempre decorre de conduta fraudulenta, já que sempre é resultado de vontade deliberada do contribuinte que, conhecendo a formalidade correta, opta pela via transversa com o único intuito de não recolher o tributo que seria devido. Destarte, estando prevista pela legislação de regência e, tendo sido apurados todos os pressupostos para sua aplicação, encontrase plenamente justificada a aplicação da multa qualificada de 150%. O contribuinte cita em seu socorro Acórdãos do CARF. Contudo, aqui também melhor se adequam os Acórdãos a seguir mencionados que são igualmente mais recentes do que aqueles citados na peça de defesa: IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. ELISÃO FISCAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO. A interpretação da norma tributária, até para a segurança do contribuinte, deve ser primordialmente jurídica, mas a consideração econômica não pode ser abandonada. Assim, uma relação jurídica sem qualquer finalidade econômica, digo, cuja única finalidade seja a economia tributária, não pode ser considerada um comportamento lícito. Reconhecese a liberdade do contribuinte de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, salvo simulação e outras patologias do negócio jurídico, como o abuso de direito e a fraude à lei, conforme ensina Marco Aurélio Greco. (Planejamento Tributário 3ª ed. Dialética: 2011, p. 319). MULTA QUALIFICADA. DOLO E FRAUDE. MANUTENÇÃO. A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, inclusive de simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se escapar, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias e etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. (Ac. CSRF17 9202003.128 – 2ª Turma – Sessão de 27/03/2014; Ac. CARF 2801003.958, 1ª Turma Especial, Sessão de 10/02/2015) PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. SIMULAÇÃO. A simulação existe quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado. O fato gerador decorre da identificação da realidade e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, e não de vontades formalmente declaradas pelas partes contratantes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A prática da simulação com o propósito 17 Câmara Superior de Recursos Fiscais Fl. 1236DF CARF MF 28 de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto, caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996. (Ac. CARF 2202003.318 – 2ª Câmara – 2ª Turma Ordinária – Sessão de 13/04/2016) CONSIDERAÇÕES FINAIS Os julgados administrativos, bem assim as lições de tributaristas, citados tanto pelo contribuinte, quanto por esta relatora, a despeito de sua inestimável validade como fonte de consulta, não hão que ser tomados como normas complementares da legislação tributária, nos moldes estabelecidos pelo art. 96 do CTN, em função da inexistência de ato legal que lhes confira efetividade de caráter normativo. ((FFIIMM DDAA TTRRAANNSSCCRRIIÇÇÃÃOO DDOO VVOOTTOO IINNSSEERRTTOO NNOO AACCÓÓRRDDÃÃOO NNºº 00996644..669911)) PPEEDDIIDDOO SSUUBBSSIIDDIIÁÁRRIIOO MMOONNTTAANNTTEE DDEEPPOOSSIITTAADDOO EEMM CCOONNTTAACCAAUUÇÇÃÃOO 14. Fazse necessário tecer breves considerações sobre o pedido subsidiário formulado pelo Recorrente para excluir da base tributária o montante depositado em contacaução (R$ 31.150.000,00), destinado a garantir adimplemento de contingências. 14.1. A peça recursal aborda o assunto no tópico intitulado ''NECESSIDADE DE REVISÃO DA BASE TRIBUTÁRIA – PARTE DO VALOR DA ALIENAÇÃO É INCERTA " (efls 1165/1167) e sustenta a pretensão em observância a cláusula contratual estabelecida no item 3.4, 'a' do instrumento de compra e venda firmado. 14.2. A decisão de primeira instância se pronunciou nos seguintes termos (efls 1124/1125): Acrescentou que a diferença entre o valor recebido e os R$ 380.120.485,10 indicados no CCV das quotas da CFF PARTICIPAÇÕES LTDA é assim composta: (a) R$ 7.941.339,24 são relativos à comissão paga ao BRADESCO; e (b) os R$ 31.150.000,00 remanescentes foram retidos pela Compradora para garantir o adimplemento de contingências. Afirmou que este último valor nunca lhe foi disponibilizado, havendo litígio entre os contratantes a esse respeito, conforme detalhadamente relatado nas anexas notificações trocadas entre as partes. Esclareceu que se e quando houver o recebimento do referido montante (R$ 31.150.000,00) pelo Fiscalizado, haverá o tempestivo recolhimento do imposto de renda. Concluiu dizendo que se existe um valor (R$ 31.150.000,00) incerto a ser ou não recebido pelo autuado, em virtude da garantia ao adimplemento de contingências, resta evidenciado que tal quantia não pode ser computada no valor da alienação para fins de apuração do ganho de capital. Com efeito, os documentos enviados pelo contribuinte acerca desse assunto, durante a ação fiscal (fls. 387/419) e novamente apresentados com a impugnação (fls. 1068/1100), dão indício de que ficaram diversas pendências a serem resolvidas entre os contratantes. Tais documentos são correspondências trocadas, nos anos de 2014, 2015 e 2016, entre ALÍPIO E CÉSAR, de um lado, e a ECOPORTO, de outro. Contudo, somente a partir deles não se pode afirmar que a importância de R$ 31.150.000,00 não Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 10880.725865/201724 Acórdão n.º 2301005.754 S2C3T1 Fl. 1.224 29 foi paga ao impugnante, “por ter sido retida pela compradora para garantir o adimplemento de contingências”, conforme afirmado na peça de defesa. Nesses documentos não há sequer menção ao referido montante. Prejudicado o reclamo passivo quanto a este aspecto. 14.3. Ao tempo dos debates18, o deslinde da questão específica sobre os valores depositados em conta caução, sobreveio com a apreciação de atos normativos emanados da RFB: § Solução de Consulta nº 58 SRRF04/Disit, de 27 de agosto de 2013 (Publicada no DOU de 30/08/2013, seção 1, página 15); § Solução de Consulta nº 3 Cosit, datada de 22 de janeiro de 2016 (Publicada no DOU de 03/02/2016, seção 1, página 12). 14.4. Após se aferir a aplicabilidade ao caso concreto, acabou sendo determinante a conclusão exposta no item 77.3 da Solução de Consulta nº 3 Cosit: 77. Diante do disposto acima, considerando as peculiaridades do negócio objeto da presente consulta, concluise que: ... 3) o custo de aquisição da participação societária corresponde ao valor total pago aos Vendedores, devendo ser ajustado caso o preço acordado pelas partes esteja sujeito a condições que alterem seu valor; 14.5. Fazse a transcrição de parte dos fundamentos expostos na citada Solução de Consulta: 40. Importante destacar que os valores depositados na conta caução, apesar de essa ter sido aberta em nome dos Vendedores, ainda não podem ser considerados como custo de aquisição, pois esses valores se destinam a cobrir as garantias impostas pelo Comprador, e só estarão à disposição dos Vendedores na forma e nos prazos estipulados em contrato. ... 52. Com relação à questão da remuneração dos valores depositados na conta caução, essa de fato não interfere no preço pago pela participação societária. Tratase de receita financeira, a qual deverá ser oferecida à tributação pelo titular da conta caução, no caso pelos Vendedores. Entretanto, a parcela dessa remuneração que for repassada ao Comprador, em atendimento a previsão contratual, deverá ser por ele reconhecida como receita e oferecida à tributação. ... 18 Conforme previsão do artigo 58, V, do Regimento Interno do CARF. Fl. 1238DF CARF MF 30 61. Com base no contrato anexado pela Consulente, é possível constatar que o custo de aquisição não está determinado, pois foram estabelecidas diversas condições, as quais vinculam o recebimento de valores pelos Vendedores, e a devolução de valores para os Compradores, a eventos futuros e incertos, o que implica, respectivamente, no aumento ou na redução do preço anteriormente consignado no contrato. Por óbvio, essas variações irão se refletir na apuração do ágio amortizável, a saber: ... b) os valores depositados em conta caução não podem ser considerados como pagamento feito aos Vendedores, pois esses valores se destinam a cobrir as garantias impostas pelo Comprador, não estando, deste modo, plenamente disponíveis aos Vendedores, o que somente ocorrerá nas datas e montantes estabelecidos no contrato; 14.6. Assim, diante dos fundamentos acima delineados e da conclusão exposta no item 77.3 da Solução de Consulta nº 3 Cosit, de 22/01/2016, por se amoldar ao caso em julgamento, este Relator se utilizou da prerrogativa conferida pelo artigo 58, § 3º do Regimento Interno do CARF, para reformular parte do voto original e propor o acolhimento do pedido subsidiário apresentado pelo Recorrente, para fins de se excluir do valor da venda, o montante retido em conta caução, destinado a garantir o adimplemento de contingências. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 15. Em vista do exposto VOTO por dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o crédito tributário relativo às parcelas depositadas em conta caução. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Declaração de Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Com a devida vênia ao voto do ilustre relator, trago aqui as razões pelas quais dou total provimento ao Recurso Voluntário. Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o contribuinte é livre para estruturar as suas operações empresariais até o limite da lei, isto é, a menos que haja proibições Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 10880.725865/201724 Acórdão n.º 2301005.754 S2C3T1 Fl. 1.225 31 de determinados atos ou estruturas, não há óbice para que ele se estruture da maneira que julgar mais adequada, qualquer que seja a fundamentação. Nesse sentido, destaquese o parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional não é uma norma geral antielisiva, mas apenas uma norma anti dissimulação, sendo que o parágrafo único carece de regulamentação nos termos da lei. Aliás, a tentativa de regulamentação do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional por meio da Medida Provisória n. 66/02 foi veemente rejeitada pelo Congresso Nacional. Como conseqüência de tal cenário, inexiste base legal no Brasil para adoção de teorias como o propósito negocial, abuso de forma, abuso de direito ou consideração econômica do fato gerador. Assim, considerando que no âmbito do Direito Privado vige o princípio da livre iniciativa, liberdade de contratar, liberdade contratual, eis que há a liberdade de estruturação dos negócios nos limites da lei. No âmbito do Direito Público, as formas de Direito Privado devem ser respeitadas a menos que haja fraude, dolo ou simulação, sendo que tais situações devem ser comprovadas (e não meramente presumidas) pela Administração Pública. No caso em tela, ainda que se entendesse que haveria necessidade de propósito negocial nas operações praticadas pelo contribuinte, cumpre salientar que o conjunto probatório trazido pelo Recorrente é suficiente para demonstrar que todas as operações efetuadas tiveram razões econômicas e negociais que nada tem a ver com a questão tributária. Nessa linha, vale lembrar que o Recorrente (e outro sócio) era dono de 50% do COMPLEXO TECONDI, sendo que os demais 50% era de propriedade de membros da FAMÍLIA BARBEITO, que comunicou ao Recorrente, por escrito, sua decisão de vender seus 50% do COMPLEXO TECONDI, sem informar quem seria(m) o(s) interessado(s) (fls. 683/687). Em 18 de fevereiro de 2012, a FAMÍLIA BARBEITO, por meio de notificações, informou ao Recorrente (fls. 700/701) que havia celebrado com a Libra Holding S/A (“LIBRA”) –a principal concorrente do COMPLEXO TECONDI – contrato de compra e venda de seus 50%(cinquenta por cento) do COMPLEXO TECONDI, dandolhe 30 (trinta) dias de prazo para, querendo, exercer o direito de preferência nas mesmas condições negociados com a LIBRA, ou, ainda, o direito de venda conjunta, também assegurado no acordo de sócios (tag along). Transcorrido tal prazo sem que qualquer dessas opções fosse exercida, a venda à LIBRA resultaria concretizada, com a seguinte consequência: o Recorrente e CESAR passariam a ter, como sócia cocontroladora do COMPLEXO TECONDI, a principal concorrente do próprio COMPLEXO TECONDI, uma situação, no mínimo, insustentável, dado o evidente conflito de interesse que haveria nesse cenário. Deveras, a LIBRA passaria a ter acesso a todas as informações comerciais do COMPLEXO TECONDI (clientes, fornecedores, preços praticados etc.), podendo simplesmente banilo do seu mercado de atuação. Ocorre que o Recorrente não tinha interesse em se desfazer de sua participação no COMPLEXO TECONDI, muito menos pelo preço que havia sido negociado entre a FAMÍLIA BARBEITO e a LIBRA, preço esse que considerava abaixo do real. Restava, Fl. 1240DF CARF MF 32 portanto, o exercício do direito de preferência, o que se deu no dia em 09 de março de 2012 (fls. 816/820 do processo). Desse modo, o Recorrente foi buscar recursos para adquirir os 50% do COMPLEXO TECONDI pertencentes à FAMÍLIA BARBEITO. O Banco Bradesco S/A, procurado, se dispôs a financiar a compra com uma condição: que a participação no COMPLEXO TECONDI fosse segregada da ABA INFRA e da RETROPORTO e concentrada em uma nova sociedade, que teria como único negócio o COMPLEXO TECONDI. A razão disso era muito simples: a ABA INFRA detinha participações societárias em outras empresas e o Bradesco não queria expor seu crédito ao risco de outras atividades ou negócios fora do âmbito do COMPLEXO TECONDI. Por esse motivo, e como etapa precedente e preparatória à operação de empréstimo, era necessária a realização de cisão parcial da ABA INFRA e da RETROPORTO, por meio da qual as participações societárias no COMPLEXO TECONDI seriam vertidas para uma nova e específica sociedade. E foi o que aconteceu, com a criação da Aba Porto Participações S/A. Cumpre mencionar o seguinte trecho Protocolo de Justificação que foi devidamente arquivado na JUCESP (fls. 933/975): “1. Justificação: 1.1 A ABA é proprietária de 50% das ações emitidas pela Tecondi Terminal para Contêineres da Margem Direita S.A. ("Tecondi"), com sede na Avenida Eng. Alves Freire, s/nº, Ponto 4, Cais do Saboó, Porto de Santos, Santos/SP, inscrita no CNPJ/MF sob nº 02.390.435/000115, sendo a Tecondi uma sociedade cujo propósito específico é a exploração de terminal portuário localizado no Porto de Santos, objeto do Contrato de Arrendamento nº PRES/028.98 celebrado com a CODESP em 12 de junho de 1998. 1.2 A Retroporto é proprietária de 50% das quotas representativas do capital social da Termares Terminais Marítimos Especializados Ltda. ("Termares"), com sede na cidade de Santos, Estado de São Paulo, no Cais do Saboo, s/nº, Pátio 1, 2 e 3, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 53.730.495/000170, sendo a Termares uma sociedade cujo propósito específico é a exploração de terminal portuário localizado no Porto de Santos, objeto do Contrato de Arrendamento nº 005/91, de sociedade que celebrou com a CODESP em 30 de abril de1991. 1.3 A ABA e a Retroporto, em decorrência de direito de preferência a elas assegurado, respectivamente, em acordo de acionistas firmado com os atuais acionistas da Tecondi e no contrato social da Retroporto, estão em vias de adquirir as participações societárias representativas dos outros 50% do capital social da Tecondi e da Termares, sendo que o processo de captação dos recursos para tanto necessários está em andamento, tendo a instituição financeira que irá financiar tais aquisições solicitado a segregação dos ativos que serão adquiridos em uma sociedade de propósito específico para que possa conceder o financiamento almejado. 1.4 Diante do acima exposto, objetivase com a cisão segregar da ABA e da Retroporto as participações societárias que elas possuem, respectivamente, na Tecondi e na Termares (conforme indicado acima) e Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 10880.725865/201724 Acórdão n.º 2301005.754 S2C3T1 Fl. 1.226 33 todos os direitos e obrigações relativos às mencionadas participações societárias, transferindoos, mediante subrogação, à ABA Porto, cujo objeto social é exclusivamente o de participar em sociedades empresárias que exercem atividades portuárias.” (grifamos) Vale destacar que há nos autos prova documental dessa exigência feita pelo Bradesco. Dessa forma, a criação das estruturas de negócio aqui discutidas não teve outro motivo que não fosse a forma mais adequada para a captação dos recursos junto ao Banco (e conforme exigência do próprio Banco) diante da necessidade negocial (naquele momento) para aquisição da participação societária do outro grupo de sócios. Além disso, a própria fiscalização reconheceu a existência de razões extrafiscais para a cisão parcial da ABA INFRA e da RETROPORTO, conforme o trecho abaixo: “...Embora nesta situação entendase como o negócio natural a alienação individual de cada um destes ativos por seus proprietários originais, podese compreender o movimento de reunião do controle acionário destas empresas como um desejo do adquirente em negociar com apenas um interlocutor. Outra movimentação consistente seria o fato de que como houve alavancagem para o negócio, a instituição financeira ficaria mais resguardada desta forma. (...) Daí então a peculiaridade da operação, conseguese entender como justificada a presença da ABAPORTO. ...” (destacamos – p. 1517 do TVF) Diante de tal cenário, não há como se falar em simulação de operações lícitas e que possuem uma adequada justificação negocial, sendo que a fiscalização, no meu entender, não conseguiu demonstrar a simulação e a inexistência de propósito negocial diante dos argumentos trazidos pelo Recorrente. Com base no exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 1242DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.903309/2008-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem:
1) informe se houve apresentação de DCTFs retificadoras do ano-calendário de 2003 pelo Recorrente e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da RFB, juntando ao processo a DCTF que prevaleceu no 4º trimestre de 2003;
2) informe se a DCTF retificadora do 4º trimestre de 2003 de e-fls. 62 (recepcionada em 11/01/2005 e cuja cópia parcial foi apresentada pelo Recorrente no Recurso Voluntário) está ativa nos sistemas de controle da RFB ou foi retificada (e-fls. 38);
3) confirme se o recolhimento vindicado como indevido e correspondente a 3ª quota da CSLL, código DARF nº 6012 - PA.31/12/2003, vencimento em 31/03/2004, no valor de R$ 7.721,84 (e-fls. 37) foi, de fato, alocado a algum débito ou se está disponível para alocação;
4) junte ao processo cópia integral da DIPJ e do DACON que prevaleceram no ano-calendário de 2003, ou intime o Recorrente a apresentá-los, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB;
5) intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábil-fiscal na qual conste a origem ao crédito postulado referente ao 4º trimestre de 2003, juntamente com a elaboração de quadro analítico discriminando os valores e períodos correspondentes.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: 1) informe se houve apresentação de DCTFs retificadoras do anocalendário de 2003 pelo Recorrente e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da RFB, juntando ao processo a DCTF que prevaleceu no 4º trimestre de 2003; 2) informe se a DCTF retificadora do 4º trimestre de 2003 de efls. 62 (recepcionada em 11/01/2005 e cuja cópia parcial foi apresentada pelo Recorrente no Recurso Voluntário) está ativa nos sistemas de controle da RFB ou foi retificada (efls. 38); 3) confirme se o recolhimento vindicado como indevido e correspondente a 3ª quota da CSLL, código DARF nº 6012 PA.31/12/2003, vencimento em 31/03/2004, no valor de R$ 7.721,84 (efls. 37) foi, de fato, alocado a algum débito ou se está disponível para alocação; 4) junte ao processo cópia integral da DIPJ e do DACON que prevaleceram no anocalendário de 2003, ou intime o Recorrente a apresentálos, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 5) intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábilfiscal na qual conste a origem ao crédito postulado referente ao 4º trimestre de 2003, juntamente com a elaboração de quadro analítico discriminando os valores e períodos correspondentes. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 03 30 9/ 20 08 -1 1 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10783.903309/200811 Resolução nº 1002000.036 S1C0T2 Fl. 67 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RJ1: Versa o presente processo sobre declaração de compensação (fls. 04/09) em que o interessado aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL código 6012 referente ao mês de março de 2003, no valor de R$ 7.721,84. O pagamento foi efetuado em 31/03/2004 (fl. 07). Com o referido crédito o interessado compensou débito de CSLL código 23721 PA 3o trimestre 2004, vencimento em 31/10/2004, no valor de R$ 6.366,01. A declaração de compensação foi entregue em 12/11/2004. O Despacho Decisório n° 781128777, de 12/08/2008 (fl. 16), não reconheceu o crédito em questão, por já ter sido utilizado para quitação de débitos anteriores, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 21/08/2008 (doc fls. 26), o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 29/08/2008 (fl. 01/03), alegando em síntese que: . apurou na DIPJ/2004 ano base 2003, um saldo de CSLL no 4o trimestre/2003 (ficha 17 linha 48) no valor de R$ 15.147,13; . o citado valor foi quitado com Darf cód. 6012 PA: 31/12/2003, vencimento de 30/01/2004 no valor de R$ 7.564,50 (doc. fls.10/11), Darf cód 6012 PA 31/12/2003, vencimento em 27/02/2004, no valor de R$ 7.564,50, acrescidos de juros legais no valor de R$ 75,74, correspondente ao montante de R$ 7.640,14 (doc fls. 12/13), remanescendo o valor de R$ 18,13, quitado com contribuições retidas no primeiro trimestre de 2004; . em virtude da falta de controle, acabou recolhendo indevidamente uma "pseudo" 3o quota da CSLL, conforme DARF cód. 6012 PA.31/12/2003, vencimento em 31/03/2004, no valor de R$ 7.564,50, acrescido de juros legais no valor de R$ 157,34, correspondendo ao montante de R$ 7.721,84, quitado junto ao Banco Real, Agência 0349, conta 8054701, conforme faz prova o documento de fls 14; . o debito ora reclamado de CSLL cód. 23721 referente ao 3o trim/2004, com vencimento em 31/10/2004, no valor de R$ 6.366,01 foi quitado com per/dcomp n° 21790.71615.121104.1.3.048993 tendo como valor original do crédito a importância de R$ 7.721,84. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10783.903309/200811 Resolução nº 1002000.036 S1C0T2 Fl. 68 3 . portanto, o crédito existe e é suficiente para quitar o débito em questão. . por todo o exposto, espera seja conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade, revisto o despacho decisório anterior e se homologue a compensação em tela. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RJ 1, conforme acórdão n. 1236.409, de 30 de março de 2011 (efl. 49), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Não comprovada a alegação de pagamento indevido ou a maior, deixase de reconhecer o direito creditório pleiteado, por falta de certeza e liquidez, não se homologando, conseqüentemente, a declaração de compensação. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 57/58), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados (grifos do original). Diz que o relator do acórdão recorrido " (...) aponta uma discrepância entre as informações prestadas na DCTF E DIPJ". Afirma que "A recorrente na manifestação de inconformidade inicial, não esclareceu a 'discrepância' alegada pelo Ilustre Relator, em virtude de não haver realmente discrepância, pois a DCTF ORIGINAL, apresentada em 13/02/2004 (doc. 1 anexo) foi RETIFICADA em 11/01/2005, (doc. 2 anexo), fato este, que 'acreditamos' não tenha sido observado pelo Ilustre Relator". Alerta que " (...)consta na DCTF RETIFICADORA e na DIPJ os mesmos valores, quais sejam, R$ 15.147,13 a ser pago em DUAS quotas de R$ 7.564,50 cada uma, acrescida do valor de R$ 18,13 referente a retenção de contribuições no 1o trimestre de 2004, não havendo portanto, 'discrepância', conforme relatado pelo Ilustre Relator". Com o fito de comprovar suas alegações, junta aos autos cópias parciais das DCTFs original do 4º trimestre do anocalendário de 2003, recepcionada em 13/02/2004 pela administração tributária, e retificadora do 4º trimestre do anocalendário de 2003, recebida em 11/01/2005. Ao final, requer o provimento do presente Recurso Voluntário. É o relatório do essencial. Voto Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10783.903309/200811 Resolução nº 1002000.036 S1C0T2 Fl. 69 4 Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, constato que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP de nº 21790.71615.121104.1.3.048993 transmitido em 12/11/2004, sob a alegação de que o crédito original de R$ 5.868,91, nele informado, já havia sido utilizado integralmente no pagamento do débito do tributo de código de receita 6012, do período de apuração de 31/03/2004 (efls. 20). O pleito do ora Recorrente não foi acolhido pela DRJ RJ1, conforme excertos a seguir transcritos que indicam a motivação do indeferimento: Analisando as alegações acima, constatamos que os recolhimentos informados pelo interessado efetivamente ocorreram, conforme pesquisa no sistema da RFB SIEF FISCALIZAÇÃO ELETRÔNICA ANALISAR VALORES PAGAMENTO, (doc. 29/31). Sucede, porém, que o débito de estimativa confessado na DCTF não foi de R$ 15.147,13, mas sim de R$ 22.693,50, a ser pago em TRÊS quotas de R$ 7.654,50 (cfr. pesquisas, fls. 32/41). Considerando que o interessado não esclareceu a discrepância entre as informações prestadas na DCTF e na DIPJ, deixo de reconhecer qualquer direito creditório em seu favor. Em face do todo o exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação pleiteada. Relativamente à discrepância noticiada, constato que foi colacionada no Recurso Voluntário uma DCTF retificadora do 4º trimestre de 2003 recepcionada em 11/01/2005, na qual o valor da CSLL, reputado como indevido pelo ora Recorrente e relativo ao período em questão, coincide com o valor de R$ 15.147,13 constante da DIPJ do anocalendário de 2003. Essa constatação, a priori e em juízo de delibação, justificaria o erro de preenchimento da DCTF do 1º trimestre de 2004 relativamente ao pagamento das cotas de CSLL correspondentes ao 4º trimestre de 2003 e o direito do Recorrente ao crédito vindicado, motivo porque fazse necessário confirmar se esta declaração foi aceita nos sistemas de controle da RFB, e se está ativa ou foi retificada. Assim, lastreado nos princípios da verdade material e do formalismo moderado, entendo que o deslinde do caso depende, primeiramente, da confirmação (ou não) da aceitação na base de dados da Receita Federal do Brasil da DCTF retificadora do 4º trimestre de 2003 recepcionada em 11/01/2005, bem como do batimento das informações nela colhidas com a escrituração contábilfiscal do Recorrente e com outras declarações do mesmo período por ele apresentadas, mormente a DIPJ e o DACON. No presente caso, apenas parte desses documentos e declarações estão juntados aos autos, motivo porque voto por baixar o processo em diligência junto à Unidade de Origem para que: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10783.903309/200811 Resolução nº 1002000.036 S1C0T2 Fl. 70 5 1) informe se houve apresentação de DCTFs retificadoras do anocalendário de 2003 pelo Recorrente e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da RFB, juntando ao processo a DCTF que prevaleceu no 4º trimestre de 2003; 2) informe se a DCTF retificadora do 4º trimestre de 2003 de efls. 62 (recepcionada em 11/01/2005 e cuja cópia parcial foi apresentada pelo Recorrente no Recurso Voluntário) está ativa nos sistemas de controle da RFB ou foi retificada (efls. 38); 3) confirme se o recolhimento vindicado como indevido e correspondente a 3ª quota da CSLL, código DARF nº 6012 PA.31/12/2003, vencimento em 31/03/2004, no valor de R$ 7.721,84 (efls. 37) foi de fato alocado a algum débito ou se está disponível para alocação; 4) junte ao processo cópia integral da DIPJ e do DACON que prevaleceram no anocalendário de 2003, ou intime o Recorrente a apresentálos, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 5) intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábilfiscal na qual conste a origem ao crédito postulado referente ao 4º trimestre de 2003, juntamente com a elaboração de quadro analítico discriminando os valores e períodos correspondentes. Após, cientificar o Recorrente sobre o resultado da diligência e retornar os autos ao Relator para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.002375/96-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 10/11/1994
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA.
Não deve ser conhecido recurso especial quando ausente a necessária similitude fática
Numero da decisão: 9303-007.823
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Não deve ser conhecido recurso especial quando ausente a necessária similitude fática Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 23 75 /9 6- 62 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10860.002375/9662 Acórdão n.º 9303007.823 CSRFT3 Fl. 230 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 380200.740, de 21 de novembro de 2011, (fls. 189 a 194 do processo eletrônico), proferido Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado o Contribuinte ao fim de ação fiscal em cujo curso a autoridade administrativa constatou a irregularidade assim explicitada no termo de "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal": "(...) O contribuinte acima identificado adquiriu em 22/11/94, conforme Nota Fiscal n° 078390 emitida pela Faria Veículos Ltda. (cópias às fls.) e Nota FiscalFatura n° 140252 emitida pela Autolatina Brasil S.A. (cópias às fls.), um automóvel com isenção do IPI amparada pela Lei 8199/91, revigorada pela Lei 8843/94. Entretanto, em diligência efetuada em cumprimento ao programa FITAXI, constatamos que o Sr. José Roberto Alves não tem exercido regularmente a profissão de condutor autônomo de passageiros, conforme o conteúdo dos Termos lavrados em 28/08/96 e 11/09/96, documento de fls. Isto contra ria o disposto no artigo 2o do Decreto 192/91, que estabelece o direito a isenção do IPI para automóveis de passageiros "quando adquiridos para efetiva utilização na atividade de transporte individual de passageiros (táxi)." Em face do exposto, está sendo exigido de ofício, no presente Auto de Infração, o pagamento do tributo dispensado (IPI), acrescido dos encargos previstos no art. 10 da IN DpRF 57/91, bem como das penalidades previstas na legislação do IPI." O Contribuinte apresentou impugnação, alegando em síntese, que: realmente adquiriu o veículo Logus, CLI 1.8, conforme Nota Fiscal Fatura n° 078390, em 22/11/94, com isenção do IPI, amparado pela Lei 8.199/91, revigorada pela Lei 8.843/94; Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10860.002375/9662 Acórdão n.º 9303007.823 CSRFT3 Fl. 231 3 posteriormente, com orientação e participação efetiva da Delegacia da Receita Federal de Guarulhos, onde se encontra arquivado o processo legal, o veículo foi transferido ao seu filho Marcelo Ribeiro Alves, CPF 179.119.78840, taxista, que se encontrava em condições legais para a transferência, e direito de gozo da isenção; cumpriu fielmente suas obrigações e responsabilidades de taxista e beneficiário da isenção, porquanto o veículo ainda era de sua propriedade; e a diligência do FITAXI ocorreu quando o veículo já havia sido legalmente transferido, o que obviamente impediria que o veículo ainda permanecesse no local diligenciado; conforme se verifica, não houve infração (...), pois o veículo, apesar de transferido entre proprietários de profissões idênticas, e sob orientação da Receita Federal de Guarulhos, continua no efetivo trabalho de servir à população no transporte de passageiros no Ponto de Táxi na praça Padre João Alvares Centro, n° 1, em ItaquaquecetubaSP A DRJ em Campinas/SP julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/11/1994 IPI. ISENÇÃO. TAXISTA. TRANSFERÊNCIA DO VEÍCULO. ADQUIRENTE QUE TAMBÉM ATENDIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS PARA O GOZO DO INCENTIVO. AUTORIZAÇÃO DA DRF. DEVER INSTRUMENTAL. DESCUMPRIMENTO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A EXIGÊNCIA DO IMPOSTO. A autorização prévia para transferência do veículo constitui dever instrumental do beneficiário da isenção do IPI instituído no interesse da fiscalização. O seu descumprimento está sujeito à multa residual por descumprimento de obrigação acessória. A exigência do crédito tributário Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10860.002375/9662 Acórdão n.º 9303007.823 CSRFT3 Fl. 232 4 na forma do arts. 6º das Leis nº 8.199/1991 e nº 8.989/1995 somente é cabível quando o adquirente não atende aos pressupostos legais para o gozo da isenção. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 196 a 202) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda diz respeito ao afastamento da exigência do IPI e da multa de ofício prevista nos arts. 6º das Leis n.º 8.199/1991 e n.º 8.989/1995. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de n.º 20302.771. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão paradigma, documento de fls.203 a 205. O Recurso Especial foi admitido, conforme despacho de fls. 207 e 208 sob o argumento que pela simples comparação das ementas dos acórdãos recorrido e paradigma, ficou caracterizada a divergência jurisprudencial. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 214 a 216, manifestando pelo não provimento do Recurso da Fazenda Nacional. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10860.002375/9662 Acórdão n.º 9303007.823 CSRFT3 Fl. 233 5 constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A Fazenda Nacional entende que isenção pretendida só seria possível se previamente autorizada pela Secretaria da Receita Federal ‑ art. 70 do Decreto n° 192, de 20.08.91, e item 11 da IN SRF n°57, de 26.08.91. Assim, junta o acórdão paradigma 203‑ 02.771 que dispõe ser necessária a autorização da SRF: Acórdão paradigma 203‑ 02.771 Apesar de comprovado nos autos que o adquirente do táxi é, também, cadastrado na Prefeitura de Recife‑ PE como profissional autônomo, a isenção pretendida só seria possível se previamente autorizada pela Secretaria da Receita Federal ‑ art. 70 do Decreto n° 192, de 20.08.91, e item 11 da IN SRF n° 57, de 26.08.91. Assim, conheço do recurso e nego‑ lhe provimento.” No entanto, no presente auto versa sobre a cobrança do IPI, acrescido de multa de ofício, referente à alienação de veículo objeto de gozo da isenção prevista pela Lei n.º 8.199/91 – aquisição de automóvel de passageiros a ser utilizado como táxi. Analisando os autos, verificase que o veículo foi alienado a pessoa que, inequivocamente, exercia a profissão de taxista e preenchia os requisitos legais para o gozo da isenção, conforme atestado pela DRF/Guarulhos no processo nº 10875.002283/9513, a fls. 38 dos autos: Em atendimento à solicitação feita através do despacho de fls. 27, verificando o processo n° 10875.002283/9513, constatase que a Isenção do Imposto de Produto Industrializado I.P.I., na aquisição de automóvel de passageiro ou veículo de uso misto para utilização exclusiva na atividade de transporte individual de passageiro, na categoria de aluguel taxi, solicitado pelo Marcelo Ribeiro Alves, CPF n° 179.119.78840, foi reconhecida em Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10860.002375/9662 Acórdão n.º 9303007.823 CSRFT3 Fl. 234 6 23/10/95, nesta Delegacia da Receita Federal em Guarulhos, conforme a cópia da Autorização do direito ao benefício anexo em fls. 29. Tendo o beneficiário acima mencionado, devolvido a autorização de aquisição do veículo ou documento original em duas vias da concessão de isenção de fls 02 e 03, para cancelar e anexar ao processo mencionado no parágrafo anterior, onde provou a não utilização do benefício fiscal. Quanto ao procedimento administrativo que Autoriza a Transferência da Propriedade do Veículo à pessoa que satisfaça os mesmos requisitos exigidos para gozo da isenção do IPI, conforme exposto, seria reconhecido pela Delegacia da Receita Federal em Taubaté. Verificase que no presente caso houve a autorização da SRF de Guarulhos/SP, mas a DRJ em Campinas/SP entendeuse que seria competente para dar a autorização a SRF de Taubaté/SP. O Fundamento do acórdão recorrido foi para dar provimento ao Recurso em virtude de que houve um autorização pela SRF de Guarulhos/SP, além do contribuinte também atender aos requisitos determinados na lei. No acórdão paradigma, não teve nenhuma autorização, ao contrário do acórdão recorrido. Assim, havendo situação fática diversa entre o acórdão recorrido e o indicado como paradigmas não se pode reconhecer a existência da divergência jurisprudencial, razão pela qual não deve ter prosseguimento o recurso especial da Fazenda Nacional. Diante do exposto, negase seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional por ausência de similitude fática. É como Voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10860.002375/9662 Acórdão n.º 9303007.823 CSRFT3 Fl. 235 7 Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001951/2007-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.619
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
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CRÉDITO. FRETES. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. SELIC. Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL EM LIQUIDAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 19 51 /2 00 7- 80 Fl. 713DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 3 2 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 4 3 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.316, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 5 4 Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 6 5 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; (iii) do crédito presumido – atividade agroindustrial – produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; (iv) possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS e Cofins (v) previsão legal para a incidência da Selic. Efetuado o exame de admissibilidade pelo Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, após a apresentação de Agravo pelo contribuinte, mediante reexame da admissibilidade pelo Presidente da CSRF, foi dado seguimento ao recurso especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e Fl. 717DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 7 6 mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes – 61.697.999)”; “enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins (61.697.4350) e “correção dos créditos pela taxa Selic (61.697.4353)”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos; · A autorização para ressarcir ou compensar o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 conforme o inc. I e inc. e II do art. 36 opera efeitos para pedidos de compensação/ressarcimento realizados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação da lei, isto é, a partir de 01/11/2009, tendo em vista que a publicação da Lei 12.058/2009 ocorreu em 14/10/2009; · Uma vez que a própria Lei estipulou expressamente que a compensação na forma do art. 36 não pode ser aplicada para pedidos de compensação anteriores ao mês subsequente à publicação da lei (novembro de 2009), deve ser negado provimento ao recurso especial do contribuinte neste ponto; · Os artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a incidência da taxa Selic sobre crédito oriundo de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativa, na medida em que estabelecem que o aproveitamento dessa modalidade de crédito não ensejará atualização monetária ou incidência de juros. É o relatório. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.593, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 13161.001374/200726, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.593): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as cinco matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352); 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999); 2) Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 3) Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 4) correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353) O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 9 8 Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. Essa interpretação menos rigorosa já foi mesmo adotada pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais1: [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às cinco matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)"; "possibilidade de tomada Fl. 720DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 10 9 de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999)"; "enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)"; "possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353)". Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS Da mesma forma, houve a divergência, vez que o aresto paradigma reconhece o direito a apuração e ressarcimento do crédito sobre essas mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 do NCM. · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS Vide item acima. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 11 10 No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303 005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303 006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303 006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303 006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303 006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303 006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303 005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303 005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303 005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303 005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 12 11 Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 13 12 Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Fl. 724DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 14 13 Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Fl. 725DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 15 14 Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Fl. 726DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 16 15 Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E Fl. 727DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 17 16 COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição Fl. 728DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 18 17 essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] Fl. 729DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 19 18 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 20 19 (...)1 Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso." (...) "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, discordo de sua conclusão, quanto ao enquadramento da atividade de cerealista, como atividade industrial, para efeito de gozo do crédito presumido da agroindústria do PIS e da Cofins, e, consequentemente, quanto ao ressarcimento/compensação do seu saldo credor trimestral. O contribuinte pleiteia créditos presumidos da agroindústria, a título de PIS e da Cofins, calculados sobre os custos das aquisições de produtos agrícolas in natura (soja e milho), beneficiados e vendidos por ele também in natura. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: 1 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do enquadramento da atividade de cerealista como atividade industrial e do consequente direito ao aproveitamento do crédito presumido da agroindústria (a título de PIS e Cofins), por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.593 (processo 13161.001374/200723). Fl. 731DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 21 20 I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, conforme demonstrados nos autos, o contribuinte não utilizou os produtos agrícolas, soja e milho, como matériasprimas para a fabricação de produtos derivados desses cereais. Não houve industrialização alguma. Os cereais foram adquiridos, beneficiados e comercializados in natura nos mercados interno e externo. De fato, o contribuinte exerceu apenas e tão somente as atividades de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os cereais, soja e milho, in natura, ou seja, exerceu atividade agrícola que se enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, citado e transcrito anteriormente, que veda, de forma expressa, o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tal atividade. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo. As mercadorias produzidas industrialmente devem ser destinadas à alimentação humana ou animal e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir as matériasprimas de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e/ ou de cerealista, conforme previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004. Quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do crédito presumido da agroindústria, ora reclamado, embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar tais créditos, demonstrase, a seguir, a falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: Fl. 732DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 22 21 "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receias decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, quanto ao aproveitamento de crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, e, consequentemente, não reconhecer o seu direito ao ressarcimento/compensação de tais créditos." Fl. 733DF CARF MF Processo nº 13161.001951/200780 Acórdão n.º 9303007.619 CSRFT3 Fl. 23 22 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes relativos ao transporte de insumos adquiridos com alíquota zero. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 734DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.722772/2015-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
PROVA EMPRESTADA. VALIDADE.
Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO A LEI.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração a lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, bem como seus mandatários.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO AOS RESPONSÁVEIS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA
O contraditório fiscal é instaurado após a ciência do lançamento e Termos de Solidariedade, não comportando cerceamento de defesa a não intimação dos responsáveis tributários no curso do procedimento fiscal. A atividade de lançamento é privativa da autoridade fiscal, não comportando compartilhamento com os responsáveis tributários.
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO.
A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, impossibilita o julgamento de primeira instância e proporciona o não conhecimento do recurso voluntário.
REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. MANDATO. AUSÊNCIA.
A irregularidade na representação processual pela ausência de mandato para o signatário da impugnação administrativa, quando não houver o saneamento no momento processual oportuno, impede o conhecimento do recurso voluntário. A fase litigiosa é instaurada pela impugnação administrativa, formalizada por pessoa legitimada.
SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. BASE LEGAL. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE.
Inexistindo previsão legal, não podem as autoridades julgadoras administrativas decidir pelo sobrestamento do processo, sob pena de violar o princípio da legalidade inserto na Constituição da República. O princípio da oficialidade impede que o andamento de um processo fique sobrestado no aguardo de decisão referente a outro processo interposto pelo mesmo contribuinte.
INTIMAÇÃO PARA ADVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE.
As intimações devem ser dirigidas exclusivamente ao domicílio tributário apenas do sujeito passivo, que pode ser o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária ou o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que por ele autorizado.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
Numero da decisão: 1201-002.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa, que davam provimento parcial para afastar a responsabilidade tributária dos mandatários recorrentes (José Agostinho Miranda Simões, Nabil Akl Abdul Massih, Paulo Roberto dos Santos Mina e Luiz Alberto Panaro).
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 PROVA EMPRESTADA. VALIDADE. Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO A LEI. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração a lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, bem como seus mandatários. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO AOS RESPONSÁVEIS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA O contraditório fiscal é instaurado após a ciência do lançamento e Termos de Solidariedade, não comportando cerceamento de defesa a não intimação dos responsáveis tributários no curso do procedimento fiscal. A atividade de lançamento é privativa da autoridade fiscal, não comportando compartilhamento com os responsáveis tributários. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, impossibilita o julgamento de primeira instância e proporciona o não conhecimento do recurso voluntário. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. MANDATO. AUSÊNCIA. A irregularidade na representação processual pela ausência de mandato para o signatário da impugnação administrativa, quando não houver o saneamento no momento processual oportuno, impede o conhecimento do recurso voluntário. A fase litigiosa é instaurada pela impugnação administrativa, formalizada por pessoa legitimada. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. BASE LEGAL. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. Inexistindo previsão legal, não podem as autoridades julgadoras administrativas decidir pelo sobrestamento do processo, sob pena de violar o princípio da legalidade inserto na Constituição da República. O princípio da oficialidade impede que o andamento de um processo fique sobrestado no aguardo de decisão referente a outro processo interposto pelo mesmo contribuinte. INTIMAÇÃO PARA ADVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE. As intimações devem ser dirigidas exclusivamente ao domicílio tributário apenas do sujeito passivo, que pode ser o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária ou o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que por ele autorizado. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa, que davam provimento parcial para afastar a responsabilidade tributária dos mandatários recorrentes (José Agostinho Miranda Simões, Nabil Akl Abdul Massih, Paulo Roberto dos Santos Mina e Luiz Alberto Panaro). (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 PROVA EMPRESTADA. VALIDADE. Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO A LEI. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração a lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, bem como seus mandatários. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO AOS RESPONSÁVEIS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA O contraditório fiscal é instaurado após a ciência do lançamento e Termos de Solidariedade, não comportando cerceamento de defesa a não intimação dos responsáveis tributários no curso do procedimento fiscal. A atividade de lançamento é privativa da autoridade fiscal, não comportando compartilhamento com os responsáveis tributários. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 27 72 /2 01 5- 41 Fl. 10403DF CARF MF 2 A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, impossibilita o julgamento de primeira instância e proporciona o não conhecimento do recurso voluntário. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. MANDATO. AUSÊNCIA. A irregularidade na representação processual pela ausência de mandato para o signatário da impugnação administrativa, quando não houver o saneamento no momento processual oportuno, impede o conhecimento do recurso voluntário. A fase litigiosa é instaurada pela impugnação administrativa, formalizada por pessoa legitimada. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. BASE LEGAL. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. Inexistindo previsão legal, não podem as autoridades julgadoras administrativas decidir pelo sobrestamento do processo, sob pena de violar o princípio da legalidade inserto na Constituição da República. O princípio da oficialidade impede que o andamento de um processo fique sobrestado no aguardo de decisão referente a outro processo interposto pelo mesmo contribuinte. INTIMAÇÃO PARA ADVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE. As intimações devem ser dirigidas exclusivamente ao domicílio tributário apenas do sujeito passivo, que pode ser o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária ou o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que por ele autorizado. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa, que davam provimento parcial para afastar a responsabilidade tributária dos mandatários recorrentes (José Agostinho Miranda Simões, Nabil Akl Abdul Massih, Paulo Roberto dos Santos Mina e Luiz Alberto Panaro). (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Fl. 10404DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.404 3 Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães. Relatório A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), por unanimidade, julgou improcedentes as impugnações administrativas, conforme o acórdão nº 0272.627, a seguir ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 PROVA EMPRESTADA. VALIDADE. Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO A LEI. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração a lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, bem como seus mandatários. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 INTIMAÇÃO AOS RESPONSÁVEIS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA O contraditório fiscal é instaurado após a ciência do lançamento e Termos de Solidariedade, não comportando cerceamento de defesa a não intimação dos responsáveis tributários no curso do procedimento fiscal. A atividade de lançamento é privativa da autoridade fiscal, não comportando compartilhamento com os responsáveis tributários. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA Fl. 10405DF CARF MF 4 Petição apresentada fora do prazo legal não caracteriza Impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar. IMPUGNAÇÃO. QUALIFICAÇÃO DO IMPUGNANTE. AUSÊNCIA DE REPRESENTAÇÃO. É prérequisito para impugnar que haja representante legal constituído pela interessada. Não havendo comprovação nos autos da regularidade da representação, mesmo após intimação da interessada para o fazer, não é de se conhecer do recurso. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. BASE LEGAL. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. Inexistindo previsão legal, não podem as autoridades julgadoras administrativas decidir pelo sobrestamento do processo, sob pena de violar o princípio da legalidade inserto na Constituição da República. O princípio da oficialidade impede que o andamento de um processo fique sobrestado no aguardo de decisão referente a outro processo interposto pelo mesmo contribuinte. INTIMAÇÃO PARA ADVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE. As intimações devem ser dirigidas exclusivamente ao domicílio tributário apenas do sujeito passivo, que pode ser o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária ou o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que por ele autorizado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: Tratase de lançamento tributário levado a termo contra o contribuinte em epígrafe, onde constituídos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS nos seguintes montantes: O procedimento fiscal dos anos calendário de 2011 e 2012 decorreu do conhecimento de operação levada a efeito pela Secretaria da Fazenda e Ministério Público, ambos do Governo do Estado de São Paulo, nomeada Operação Yellow. Foram lavrados Termos de Responsabilidade solidária contra 17 contribuintes, sendo 06 pessoas jurídicas e 11 pessoas físicas. Todas as questões de fato e de direito que embasaram o lançamento fiscal estão acostadas no Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 75 a 90), Relatório de Solidariedade tributária Fl. 10406DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.405 5 das pessoas jurídicas integrantes do Grupo FN (fls. 453 a 533) e nos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária por Responsabilidade Tributária, relativo a cada um dos responsáveis acima individualizados. Intimado a apresentar os Livros de Registro de Entradas, Registro de Saídas, Livro Registro de Inventário, Escrituração Contábil Digital (ECD) e Livro de apuração do Lucro Real (LALUR), o contribuinte, após reintimações e sucessivos pedidos de prorrogação, decorridos 224 dias após a primeira intimação, apresentou apenas os Livros de Entradas e Saídas, não apresentando os demais. Desta feita, a autoridade fiscal optou pelo arbitramento do Lucro, consoante determina a legislação tributária (art. 530, III, RIR/99). A apuração da Receita tributável deuse a partir das Notas Fiscais eletrônicas (Nfe), considerando que a DIPJ 2012 foi apresentada com os campos de IRPJ e CSLL zerados, e também que não foram apresentadas as DCTFs, DACONs, DIPJ2013, ECDs, Livro Registro de Inventário e LALUR. Portanto, com base nas Nfe, todas relacionadas no Anexo I do Termo de Verificação Fiscal, foram apurados os tributos devidos nos anos calendário 2011 e 2012, considerando que as expressivas vendas não foram informadas / confessadas pelo contribuinte em suas declarações. Os tributos foram lançados com multa qualificada de 150%, identificada prática dolosa e sistemática de sonegação e fraude. Consta ainda, no Relatório de Solidariedade / Responsabilidade Tributária – Grupo FN, que a fiscalizada foi constituída por Fl. 10407DF CARF MF 6 interpostas pessoas. No Contrato Social há clara falsidade ideológica, uma vez que ali figuram interpostas pessoas, que servem aos reais beneficiários para blindagem patrimonial e fuga das responsabilidades societárias e tributárias. A partir dos elementos coletados no curso da Operação Yellow, somados aos demais colhidos no curso do procedimento fiscal, restou comprovado que a DMR pertence a um grupo econômico, nominado pela fiscalização como “Grupo FN”, subdividido em dois grandes segmentos, nominados Segmento Soja e Segmento Ovos, estando a DMR inserida no Segmento Ovos. O Grupo FN atuava, nos períodos fiscalizados, por meio de diversas pessoas jurídicas, como uma única grande EMPRESA (por segmento) – entendida esta como atividade econômica organizada, cuja estrutura pode ser resumida, basicamente, em quatro pilares: Foram identificadas, como pertencentes ao Segmento Ovos as seguintes pessoas jurídicas, cada qual com uma atribuição precípua no Grupo: Durante as auditorias, portanto, foi evidenciado que referidas pessoas jurídicas integravam um grupo econômico de fato, orquestrado por pessoas físicas na condição de: a) Reais administradores: os verdadeiros donos do negócio; Fl. 10408DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.406 7 b) Sócios formais: pessoas cujos nomes compunham os quadros societários das pessoas jurídicas do Grupo; sendo, ora pessoas físicas que não possuíam poderes de gestão (sócios), ora pessoas físicas que possuíam poderes de gestão (sócios administradores), ora pessoas jurídicas constituídas fora do Brasil – “offshore”. c) Mandatários: pessoas físicas que recebiam procurações para agirem, ostensivamente, em nome de algumas pessoas jurídicas do Grupo, mantendo ocultos os reais administradores. Da arquitetura e modo de agir do grupo ficou evidenciada a responsabilidade tributária entre as pessoas físicas e jurídicas envolvidas, previstas nos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III do Código Tributário Nacional, conforme quadro abaixo: Os elementos motivadores da responsabilidade imputada encontramse nos respectivos Termos de Sujeição Passiva e Relatório de Solidariedade Tributária das Pessoas Jurídicas integrantes do Grupo FN, anexos ao presente processo, que demonstram, identificam e delimitam a solidariedade/responsabilidade tributária de cada uma das pessoas físicas e jurídicas pelos créditos tributários ora lançados. Cientificados dos Autos de Infração e demais Termos do processo, contribuinte e responsáveis apresentaram suas contestações, que podem ser assim resumidas: Impugnação do contribuinte (fls. 8850 a 8873): 1. Deve ser declarado nulo o procedimento fiscal pelo cerceamento do direito de defesa, vez que cabia ao Fisco realizar seu trabalho de forma específica, utilizando os dados e documentos que dispunha; 2. Deve ser declarado nulo o procedimento fiscal porquanto nulas são as provas utilizadas no processo, obtidas por meio ilícito, já que não obedeceram ao critério temporal; Fl. 10409DF CARF MF 8 3. A multa deve ser diminuída para seu patamar comum (75%) porquanto não há prova do evidente intuito de fraude; 4. A ação fiscal é improcedente porque se utilizou indevidamente do arbitramento. Impugnação da responsável Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih (fls. 9078 a 9108): 5. Deve ser declarado nulo o procedimento fiscal porquanto nulas são as provas utilizadas no processo, obtidas por meio ilícito, já que não obedeceram ao critério temporal, contrariando expressamente decisão pacificada do STJ e Súmula Vinculante nº 24 do STF; 6. A responsabilidade tributária não alcança as multas aplicadas a contribuinte, seja pela responsabilidade pessoal de quem a ela deu causa (artigo 137), como também por não ser obrigação principal (artigo 124, inciso I). 7. O interesse comum previsto no art. 124, inciso I, do CTN, somente enseja a responsabilidade tributária se o imputado tenha praticado atos de gerência e de administração, ou de qualquer modo tenha refletivo na atividade geradora do fato imponível, devendo aquele artigo ser interpretado em conjunto com o art. 135 do CTN: não há como admitir a solidariedade passiva tributária a pessoa que não tenha exercido qualquer ato de gerência ou de administração à frente da pessoa jurídica fiscalizada. 8. Não há provas no processo, de forma implícita ou explícita, que Maria de Fátima Massih tenha, de qualquer forma, praticado atos, determinantes ou de interesse, em relação ao fato gerador do suposto ilícito tributário, para que seja responsabilizada pelo crédito tributário. Impugnação da responsável Andréa Ferreira Abdul Massih (fls. 8992 a 9024): 9. Deve ser declarado nulo o procedimento fiscal porquanto nulas são as provas utilizadas no processo, obtidas por meio ilícito, já que não obedeceram ao critério temporal, contrariando expressamente decisão pacificada do STJ e Súmula Vinculante nº 24 do STF; 10. A responsabilidade tributária não alcança as Multas aplicadas a contribuinte, seja pela responsabilidade pessoal de quem a ela deu causa (artigo 137), como também por não ser obrigação principal (artigo 124, inciso I). 11. O interesse comum previsto no art. 124, inciso I, do CTN, somente enseja a responsabilidade tributária se o imputado tenha praticado atos de gerência e de administração, ou de qualquer modo tenha refletivo na atividade geradora do fato imponível, devendo aquele artigo ser interpretado em conjunto com o art. 135 do CTN: não há como admitir a solidariedade passiva tributária a pessoa que não tenha exercido qualquer ato de gerência ou de administração à frente da pessoa jurídica fiscalizada. Fl. 10410DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.407 9 12. Não há provas no processo, de forma implícita ou explícita, que Andréa Massih tenha, de qualquer forma, praticado atos, determinantes ou de interesse, em relação ao fato gerador do suposto ilícito tributário, para que seja responsabilizada pelo crédito tributário. Impugnação do responsável Simon Nemer Ferreira Abdul Massih (fls. 8920 a 8950): 13. Deve ser declarado nulo o procedimento fiscal porquanto nulas são as provas utilizadas no processo, obtidas por meio ilícito, já que não obedeceram ao critério temporal, contrariando expressamente decisão pacificada do STJ e Súmula Vinculante nº 24 do STF; 14. A responsabilidade tributária não alcança as Multas aplicadas a contribuinte, seja pela responsabilidade pessoal de quem a ela deu causa (artigo 137), como também por não ser obrigação principal (artigo 124, inciso I). 15. O interesse comum previsto no art. 124, inciso I, do CTN, somente enseja a responsabilidade tributária se o imputado tenha praticado atos de gerência e de administração, ou de qualquer modo tenha refletivo na atividade geradora do fato imponível, devendo aquele artigo ser interpretado em conjunto com o art. 135 do CTN: não há como admitir a solidariedade passiva tributária à pessoa que não tenha exercido qualquer ato de gerência ou de administração à frente da pessoa jurídica fiscalizada. 16. Não há provas no processo, de forma implícita ou explícita, que Simon Massih tenha, de qualquer forma, praticado atos, determinantes ou de interesse, em relação ao fato gerador do suposto ilícito tributário, para que seja responsabilizado pelo crédito tributário. Impugnação do responsável João Shoiti Kaku (fls. 8920 a 8950): 17. Os Autos de Infração devem ser declarados nulos, porquanto o impugnante não fora cientificado do procedimento fiscalizatório que culminou na imputação de sua solidariedade passiva, ferindo princípios da Ampla defesa e Contraditório; 18. Os Autos de Infração são nulos, porquanto não foram instruídos com documentos essenciais para embasar o montante do crédito tributário apurado, permitindo concluir que não são líquidos e certos, bem como não concedem ao impugnante a possibilidade de exercer seu direito de defesa em sua plenitude; 19. O Termo de Solidariedade passiva é nulo, uma vez que foi lavrado por autoridade incompetente, AFRFB, sendo a competência de imputar responsabilidade pelo artigo 135 do CTN é exclusiva da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional; Fl. 10411DF CARF MF 10 20. O impugnante não realizou quaisquer atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, do contrato social ou Estatuto, porquanto refugiam à sua esfera de atribuições; o poder de gerência é restrito à família Abdul Massih, única e verdadeira dona desse conglomerado, ficando o impugnante apenas na responsabilidade de obtenção de linhas de crédito perante as instituições financeiras (consultoria financeira); 21. Para que haja a imputação de responsabilidade pelo artigo 124, inciso I do CTN, é fundamental que se realize, pessoalmente, em conjunto com outras, a materialidade do próprio fato gerador, pois somente assim se caracterizará o interesse jurídico que imputa a solidariedade; 22. Não há qualquer prova nos autos que demonstre a condição de diretor ou gerente financeiro do Impugnante junto ao Grupo, bem como não há qualquer indício de sua participação no comando das operações do Grupo; não há qualquer vínculo do impugnante com o Grupo e do Impugnante com os fatos geradores das obrigações tributárias, não havendo, portanto, o interesse comum previsto no art. 124; 23. A multa aplicada de 150% tem caráter confiscatório, atentando contra a Constituição Federal e o entendimento do STF; 24. Requer o Impugnante, subsidiariamente, o sobrestamento do processo administrativo fiscal até ulterior conclusão definitiva da Ação Penal nº 001913358.2013.8.26.0071 proposta pelo Ministério Público do Estado de São Paulo em curso perante a 1ª Vara Criminal da Comarca de BauruSP, uma vez que se busca aferir se o impugnante possui relação com os acontecimentos narrados nesse processo administrativo, evitandose, assim, a existência de conclusões divergentes; 25. Requer o impugnante que quaisquer intimações e notificações sejam realizadas em nome do seu procurador; Impugnação do responsável Nemr Abdul Massih (fls. 9264 a 9295): 26. Deve ser declarado nulo o procedimento fiscal porquanto nulas são as provas utilizadas no processo, obtidas por meio ilícito, já que não obedeceram ao critério temporal, contrariando expressamente decisão pacificada do STJ e Súmula Vinculante nº 24 do STF; 27. A responsabilidade tributária não alcança as Multas aplicadas a contribuinte, seja pela responsabilidade pessoal de quem a ela deu causa (artigo 137), como também por não ser obrigação principal (artigo 124, inciso I). 28. O interesse comum previsto no art. 124, inciso I, do CTN, somente enseja a responsabilidade tributária se o imputado tenha praticado atos de gerência e de administração, ou de qualquer modo tenha refletivo na atividade geradora do fato imponível, devendo aquele artigo ser interpretado em conjunto com o art. 135 do CTN: não há como admitir a solidariedade passiva tributária à pessoa que não tenha exercido qualquer ato Fl. 10412DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.408 11 de gerência ou de administração à frente da pessoa jurídica fiscalizada. 29. Não há provas no processo, de forma implícita ou explícita, que Nemr Massih tenha, de qualquer forma, praticado atos, determinantes ou de interesse, em relação ao fato gerador do suposto ilícito tributário, para que seja responsabilizado pelo crédito tributário. Impugnação do responsável José Agostinho Miranda Simões (fls. 8763 a 8783): 30. O fisco, apesar de ter lançado mão dos documentos da “Operação Yellow”, não se cuidou em intimar o Impugnante para que esclarecesse sobre sua participação no suposto grupo econômico “Grupo FN”, desrespeitando os princípios do devido processo legal e verdade material. 31. O impugnante era funcionário da empresa FN, empresa de prestação de serviços que tinha contrato com a autuada, e recebia procuração para a consecução dos serviços de assessoria financeira, agindo em nome do seu chefe, Nemr Abdul Massih; não exercia qualquer poder de mando ou administração: ilegítima, portanto, a sua sujeição passiva tributária, por não ter praticado nenhum ato contrário a lei ou estatuto social, além de não possuir qualquer interesse na situação que constituiu a obrigação tributária; 32. Os mandatos outorgados destacados no Termo de Sujeição Passiva Solidária são específicos, limitados e em conjunto, sempre vinculando o impugnante outorgado ao controle e comando de sua empregadora, que na verdade era a mandatária em função do contrato de assessoria financeira firmada entre ela (FN) e a fiscalizada (DMR); não havia qualquer outorga de poderes para administrar, para dispor do patrimônio, para declarar tributos tampouco administrálos. 33. O artigo 137 inciso I do CTN excetua os mandatários quando agindo em cumprimento de ordem expressa emitida por seus empregadores e outorgantes Impugnação do responsável Paulo Roberto dos Santos Mina (fls. 8786 a 8804): 34. O fisco, apesar de ter lançado mão dos documentos da “Operação Yellow”, não se cuidou em intimar o Impugnante para que esclarecesse sobre sua participação no suposto grupo econômico “Grupo FN”, desrespeitando os princípios do devido processo legal e verdade material; 35. O impugnante era funcionário da empresa FAROLEO Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, empresa que contratava prestação de serviços da empresa FN Assessoria Empresarial Ltda, tendo sido alocado nesta (FN) para a consecução de trabalhos de interesse da sua empregadora (FAROLEO), sendo que os fragmentos de prova demonstram que Fl. 10413DF CARF MF 12 o Impugnante recebia ordem de seus empregadores, recebendo salário em função do seu emprego; não exercia qualquer poder de mando ou administração: ilegítima, portanto, a sua sujeição passiva tributária, por não ter praticado nenhum ato contrário a lei ou estatuto social, além de não possuir qualquer interesse na situação que constituiu a obrigação tributária; 36. Os mandatos outorgados destacados no Termo de Sujeição Passiva Solidária são específicos, limitados e em conjunto, sempre vinculando o impugnante outorgado ao controle e comando da outorgante, com poderes específicos para o monitoramento financeiro em função da contratação de prestação de serviços da FN; não havia qualquer outorga de poderes para administrar, para dispor do patrimônio, para declarar tributos tampouco administrálos. 37. O artigo 137 inciso I do CTN excetua os mandatários quando agindo em cumprimento de ordem expressa emitida por seus empregadores e outorgantes Impugnação do responsável Nabil Akl Abdul Massih (fls. 9115 a 9136): 38. O fisco, apesar de ter lançado mão dos documentos da “Operação Yellow”, não se cuidou em intimar o Impugnante para que esclarecesse sobre sua participação no suposto grupo econômico “Grupo FN”, desrespeitando os princípios do devido processo legal e verdade material; 39. O impugnante era funcionário da empresa FN, empresa de prestação de serviços que tinha contratos com a autuada DMR, e recebia procuração para a consecução dos serviços de assessoria financeira; não exercia qualquer poder de mando ou administração: ilegítima, portanto, a sua sujeição passiva tributária, por não ter praticado nenhum ato contrário a lei ou estatuto social, além de não possuir qualquer interesse na situação que constituiu a obrigação tributária; 40. Os mandatos outorgados destacados no Termo de Sujeição Passiva Solidária são específicos, limitados e em conjunto, sempre vinculando o impugnante outorgado ao controle e comando da outorgante, com poderes específicos para o assessoramento financeiro em função da contratação de prestação de serviços entre FN e DMR; não havia qualquer outorga de poderes para administrar, para dispor do patrimônio, para declarar tributos tampouco administrálos. 41. O artigo 137 inciso I do CTN excetua os mandatários quando agindo em cumprimento de ordem expressa emitida por seus empregadores e outorgantes; Impugnação do responsável Luiz Alberto Panaro (fls. 9174 a 9182): 42. O fisco, apesar de ter lançado mão dos documentos da “Operação Yellow”, não se cuidou em intimar o Impugnante para que esclarecesse sobre sua participação no suposto grupo econômico “Grupo FN”, desrespeitando os princípios do devido processo legal e verdade material; Fl. 10414DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.409 13 43. O impugnante era funcionário da empresa FN, empresa de prestação de serviços que tinha contratos com a autuada DMR, e recebia procuração para a consecução dos serviços de assessoria financeira; não exercia qualquer poder de mando ou administração: ilegítima, portanto, a sua sujeição passiva tributária, por não ter praticado nenhum ato contrário a lei ou estatuto social, além de não possuir qualquer interesse na situação que constituiu a obrigação tributária; 44. Os mandatos outorgados destacados no Termo de Sujeição Passiva Solidária são específicos, limitados e em conjunto, sempre vinculando o impugnante outorgado ao controle e comando de sua empregadora, com poderes específicos para o assessoramento financeiro em função da contratação de prestação de serviços entre FN e DMR; não havia qualquer outorga de poderes para administrar, para dispor do patrimônio, para declarar tributos tampouco administrálos. 45. O artigo 137 inciso I do CTN excetua os mandatários quando agindo em cumprimento de ordem expressa emitida por seus empregadores e outorgantes; Impugnação do responsável Dario Aprigio da Silva (fls. 9139 a 9171): 46. Deve ser declarado nulo o procedimento fiscal porquanto nulas são as provas utilizadas no processo, obtidas por meio ilícito, já que não obedeceram ao critério temporal, contrariando expressamente decisão pacificada do STJ e Súmula Vinculante nº 24 do STF; 47. A responsabilidade tributária não alcança as Multas aplicadas a contribuinte, seja pela responsabilidade pessoal de quem a ela deu causa (artigo 137), como também por não ser obrigação principal (artigo 124, inciso I). 48. O interesse comum previsto no art. 124, inciso I, do CTN, somente enseja a responsabilidade tributária se o imputado tenha praticado atos de gerência e de administração, ou de qualquer modo tenha refletivo na atividade geradora do fato imponível, devendo aquele artigo ser interpretado em conjunto com o art. 135 do CTN: não há como admitir a solidariedade passiva tributária a pessoa que não tenha exercido qualquer ato de gerência ou de administração à frente da pessoa jurídica fiscalizada. 49. Não há provas no processo, de forma implícita ou explícita, que Dario Silva tenha, de qualquer forma, praticado atos, determinantes ou de interesse, em relação ao fato gerador do suposto ilícito tributário, para que seja responsabilizada pelo crédito tributário; a fiscalização apenas indicou a empresa da qual a impugnante faz parte (offshore PARAKALO S/A), deixando de demonstrar atos que realmente tenham contribuído para o ilícito fiscal imputado a DMR. Fl. 10415DF CARF MF 14 Impugnação do responsável FAS – Empreendimentos e Incorporações (fls. 8807 a 8848 repetida em 8876 a 8907): 50. Deve ser declarado nulo o procedimento fiscal porquanto nulas são as provas utilizadas no processo, obtidas por meio ilícito, já que não obedeceram ao critério temporal, contrariando expressamente decisão pacificada do STJ e Súmula Vinculante nº 24 do STF; 51. A responsabilidade tributária não alcança as Multas aplicadas a contribuinte, seja pela responsabilidade pessoal de quem a ela deu causa (artigo 137), como também por não ser obrigação principal (artigo 124, inciso I). 52. O interesse comum previsto no art. 124, inciso I, do CTN, somente enseja a responsabilidade tributária se o imputado tenha praticado atos de gerência e de administração, ou de qualquer modo tenha refletivo na atividade geradora do fato imponível, devendo aquele artigo ser interpretado em conjunto com o art. 135 do CTN: não há como admitir a solidariedade passiva tributária a pessoa que não tenha exercido qualquer ato de gerência ou de administração à frente da pessoa jurídica fiscalizada. 53. Não há provas no processo, de forma implícita ou explícita, que a empresa tenha, de qualquer forma, praticado atos, determinantes ou de interesse, em relação ao fato gerador do suposto ilícito tributário, para que seja responsabilizada pelo crédito tributário; a participação em mesmo Grupo Econômico não configura o “interesse comum” a ensejar a responsabilização tributária. 54. Todo capital social de formação da empresa FAS Empreendimentos é proveniente exclusivamente da sócia fundadora Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih e de empréstimos junto a Instituições Bancárias, que foram pagos pela própria empresa, através de doações em pecúnia de seu pai José Ferreira, por antecipação de legítima. Não foi provado pelo Auditor que a FAS escondeu ou blindou o patrimônio do Grupo. Impugnação do responsável FN – Assessoria Empresarial Ltda (fls. 9296 a 9343): 55. Deve ser declarado nulo o procedimento fiscal porquanto nulas são as provas utilizadas no processo, obtidas por meio ilícito, já que não obedeceram ao critério temporal, contrariando expressamente decisão pacificada do STJ e Súmula Vinculante nº 24 do STF; 56. A responsabilidade tributária não alcança as Multas aplicadas a contribuinte, seja pela responsabilidade pessoal de quem a ela deu causa (artigo 137), como também por não ser obrigação principal (artigo 124, inciso I). 57. O interesse comum previsto no art. 124, inciso I, do CTN, somente enseja a responsabilidade tributária se o imputado tenha praticado atos de gerência e de administração, ou de qualquer modo tenha refletivo na atividade geradora do fato imponível, devendo aquele artigo ser interpretado em conjunto Fl. 10416DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.410 15 com o art. 135 do CTN: não há como admitir a solidariedade passiva tributária a pessoa que não tenha exercido qualquer ato de gerência ou de administração à frente da pessoa jurídica fiscalizada. 58. Não há provas no processo, de forma implícita ou explícita, que a empresa tenha, de qualquer forma, praticado atos, determinantes ou de interesse, em relação ao fato gerador do suposto ilícito tributário, para que seja responsabilizada pelo crédito tributário; a participação em mesmo Grupo Econômico não configura o “interesse comum” a ensejar a responsabilização tributária. Impugnação do responsável FAMA Ovos Ltda (fls. 8954 a 8989): 59. Deve ser declarado nulo o procedimento fiscal porquanto nulas são as provas utilizadas no processo, obtidas por meio ilícito, já que não obedeceram ao critério temporal, contrariando expressamente decisão pacificada do STJ e Súmula Vinculante nº 24 do STF; 60. A responsabilidade tributária não alcança as multas aplicadas a contribuinte, seja pela responsabilidade pessoal de quem a ela deu causa (artigo 137), como também por não ser obrigação principal (artigo 124, inciso I). 61. O interesse comum previsto no art. 124, inciso I, do CTN, somente enseja a responsabilidade tributária se o imputado tenha praticado atos de gerência e de administração, ou de qualquer modo tenha refletivo na atividade geradora do fato imponível, devendo aquele artigo ser interpretado em conjunto com o art. 135 do CTN: não há como admitir a solidariedade passiva tributária a pessoa que não tenha exercido qualquer ato de gerência ou de administração à frente da pessoa jurídica fiscalizada. 62. Não há provas no processo, de forma implícita ou explícita, que a empresa tenha, de qualquer forma, praticado atos, determinantes ou de interesse, em relação ao fato gerador do suposto ilícito tributário, para que seja responsabilizada pelo crédito tributário; a participação em mesmo Grupo Econômico não configura o “interesse comum” a ensejar a responsabilização tributária. Impugnação do responsável DOVOS Distribuidora de Ovos Ltda (fls. 9027 a 9076): 63. Deve ser declarado nulo o procedimento fiscal porquanto nulas são as provas utilizadas no processo, obtidas por meio ilícito, já que não obedeceram ao critério temporal, contrariando expressamente decisão pacificada do STJ e Súmula Vinculante nº 24 do STF; 64. A responsabilidade tributária não alcança as Multas aplicadas a contribuinte, seja pela responsabilidade pessoal de Fl. 10417DF CARF MF 16 quem a ela deu causa (artigo 137), como também por não ser obrigação principal (artigo 124, inciso I). 65. O interesse comum previsto no art. 124, inciso I, do CTN, somente enseja a responsabilidade tributária se o imputado tenha praticado atos de gerência e de administração, ou de qualquer modo tenha refletido na atividade geradora do fato imponível, devendo aquele artigo ser interpretado em conjunto com o art. 135 do CTN: não há como admitir a solidariedade passiva tributária a pessoa que não tenha exercido qualquer ato de gerência ou de administração à frente da pessoa jurídica fiscalizada. 66. Não há provas no processo, de forma implícita ou explícita, que a empresa tenha, de qualquer forma, praticado atos, determinantes ou de interesse, em relação ao fato gerador do suposto ilícito tributário, para que seja responsabilizada pelo crédito tributário; a participação em mesmo Grupo Econômico não configura o “interesse comum” a ensejar a responsabilização tributária. Registrese que os responsáveis tributários Roberto Madrigano e a pessoa jurídica Parakalo S/A não apresentaram impugnação. A responsável Modena Agropecuária apresentou impugnação, porém de forma intempestiva, conforme será explicitado. Os responsáveis solidários interpuseram os tempestivos recursos voluntários, como se identifica abaixo, reiterando os mesmos argumentos das impugnações administrativas: DMR Representação Comercial Ltda Intimação no Domicílio Tributário Eletrônico (DTE): 18/04/2017 (fls. 9.662) Data da ciência: 03/05/2017 (fls. 9.663) Não interposição de Recurso Voluntário. Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih Intimação via postal , com aviso de recebimento: 20/04/2017 (fls. 9.668) Recurso Voluntário: 24/05/2017 (fls. 9.861). Andréa Ferreira Abdul Massih Intimação via postal, com aviso de recebimento: 24/04/2017 (fls. 9.676) Recurso Voluntário:22/05/2017 (fls. 10.211). Simon Nemer Ferreira Abdul Massih Intimação via postal, com aviso de recebimento: 24/04/2017 (fls. 9.677) Recurso Voluntário:22/05/2017 (fls. 10.252). Nemr Abdul Massih Intimação via postal, com aviso de recebimento: 27/04/2017 (fls. 9.681) Recurso Voluntário: 22/05/2018 (fls. 10.076). Dario Aprigio da Silva Intimação via postal, com aviso de recebimento: 25/04/2017 (fls. 9.679) Recurso Voluntário: 22/05/2017 (fls. 10.037). João Shoiti Kaku Intimação via postal, com aviso de recebimento: 28/04/2017 (fls. 9.682). Recurso Voluntário: 22/05/2017 (fls. 9.756). Fl. 10418DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.411 17 José Agostinho Miranda Simões Intimação via postal , com aviso de recebimento: 24/04/2017 (fls. 9.670) Recurso Voluntário: 22/05/2014 (fls. 9.735). Paulo Roberto dos Santos Mina Intimação via postal, com aviso de recebimento: 24/04/2017 (fls. 9.675). Recurso Voluntário: 22/05/2017 (fls. 9.695). Nabil Akl Abdul Massih Intimação via postal, com aviso de recebimento: 24/04/2017 (fls. 9.671) Recurso Voluntário: 22/05/2017 (fls. 9.841). Luiz Alberto Panaro Intimação via postal, com aviso de recebimento: 25/04/2017 (fls. 9.672) Recurso Voluntário: 22/05/2017 (fls. 9.714). FAS – Empreendimentos e Incorporações Ltda. Intimação via postal, com aviso de recebimento: 24/04/2017 (fls. 9.673) Recurso Voluntário: 22/05/2018 (fls. 9.989). FN – Assessoria Empresarial Ltda Intimação via postal, com aviso de recebimento: 24/04/2017 (fls. 9.678) Recurso Voluntário:22/05/2017 (fls. 10.293). FAMA Ovos Ltda. Intimação via postal, com aviso de recebimento: 24/04/2017 (fls. 9.674) Recurso Voluntário: 22/05/2018 (fls. 10.156). DOVOS Distribuidora de Ovos Ltda Intimada via edital, publicado em 18/04/2017 (fls. 9.660) Data de ciência: 03/05/2017 Recurso Voluntário:22/05/2017 (fls. 10.340). Roberto Madrigano Intimação via postal , com aviso de recebimento: 24/04/2017 (fls. 9.669) Não interposição de Recurso Voluntário. Parakalo S/A; Intimação via postal, com aviso de recebimento: 25/04/2017 (9.680) Não interposição de Recurso Voluntário. MODENA Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda. Intimação via postal negativa, com aviso de recebimento (fls. 9.664 e 9.665). Intimada via edital, publicado em 04/05/2017 (fls.9.667) Data de ciência: 19/05/2017 Não interposição de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. Os recursos voluntários são tempestivos, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. I. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Fl. 10419DF CARF MF 18 O acórdão recorrido ratificou a exigência tributária, explicitando a inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício, com observância da garantia ao contraditório e a ampla defesa, in verbis: 1.2.1 Das provas obtidas por meio ilícito. Nulidade do procedimento fiscal. As contestações de defesa do presente tópico foram argüidas igualmente pelos responsáveis tributários Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih (fls. 9078 a 9108), Andréa Ferreira Abdul Massih (fls. 8992 a 9024), Simon Nemer Ferreira Abdul Massih (fls. 8920 a 8950), Nemr Abdul Massih (fls. 9264 a 9295), Dario Aprigio da Silva (fls. 9139 a 9171), FAS – Empreendimentos e Incorporações (fls. 8807 a 8848 / 8876 a 8907), FN – Assessoria Empresarial Ltda (fls. 9296 a 9343), FAMA Ovos Ltda (fls. 8954 a 8989), e DOVOS Distribuidora de Ovos Ltda (fls. 9027 a 9076). Por óbvio, a análise de mérito a se desenvolver e concluir, a todos aqueles aproveita. Defendem os sujeitos passivos que as provas obtidas no processo fiscal são exclusivamente duas: O Relatório da Operação Yellow e tramitações do processo 0038906 50.2002.4.03.6182 perante a 7ª Vara Federal da Comarca de São Paulo. Aduzem que as provas que dão suporte ao relatório da Operação Yellow foram obtidas por meio ilícito, sem a observância da lei. Acrescentam que o Superior Tribunal de Justiça, em sintonia com a Súmula Vinculante nº 24 do STF, entende como inaceitável em matéria de investigação de suposta fraude tributária, que seja autorizado qualquer procedimento cautelar invasivo (entre eles a interceptação telefônica), antes do lançamento definitivo do crédito tributário. Apresentam julgados em Habeas Corpus e reproduzem a Súmula Vinculante nº 24 do STF: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo.” Neste esteio, defendem que as provas utilizadas neste processo administrativo foram obtidas de forma ilícita, já que não obedeceram ao critério temporal, contrariando expressamente decisão pacificada do STJ e Súmula Vinculante nº 24 do STF. Ainda nessa linha, ponderam que igual questionamento sobre a ilicitude e irregularidade dos meios de obtenção de prova usados no curso de investigação criminal foi levado à apreciação da 1ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, isso no bojo de mandado de segurança impetrado contra decisão de juiz criminal de 1º grau que, assim alegavase nos autos do mandamus, não poderia deixar de apreciar a arguição de nulidade levantada (sobre a ilicitude da prova) em defesa preliminar do então indiciado antes de se decidir pelo recebimento da denúncia. Registra que a ordem mandamental fora deferida pelo referido Tribunal. Transcreve parte da decisão, da qual oportunamente se destaca: Fl. 10420DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.412 19 Portanto, é que se mostra de rigor a concessão parcial da segurança impetrada para cassar a decisão atacada, a fim de que os alegados vícios apontados na exceção de nulidade absoluta sejam apreciados, de forma fundamentada, por ocasião do exame da defesa preliminar e juízo de deliberação sobre o recebimento da denúncia. (fl. 9088) Concluem, ato contínuo, que a prova colhida no procedimento investigatório e que é base para estes autos de infração está sub judice, que os documentos, gravações e mensagens que os fundamentam não podem prosperar, porquanto, no mínimo, a responsabilização solidária imputada é prematura, pois deveria aguardar que os elementos que compõe o relatório da Operação Yellow fossem judicialmente declarados como prova. Ao cabo, defendem que não tem qualquer valor probatório tudo que se assenta nos autos do "processo federal número 0038906 50.2002.4.03.6182, [...], já que este processo não transitou em julgado e até que isso aconteça não há qualquer verdade ali produzida. Isso sem dizer, ainda, "que aquele processo trata de questões específicas, que não se comunicam com o aqui tratado" (fl. 9089). Análise De antemão devese desqualificar premissa sobre a qual se debruçam os responsáveis tributários: as provas do procedimento fiscal teriam sido obtidas exclusivamente do Relatório da Operação Yellow e das tramitações do processo 003890650.2002.4.03.6182 perante a 7ª Federal da Comarca de São Paulo. Negativo! Na essência, o lançamento tributário lastreouse tão somente nas Notas Fiscais eletrônicas, comprobatórias de operações comerciais da autuada, transmitidas por ela para a Secretaria do Estado da Fazenda de SP – SEFAZ/SP, e não declaradas à Fazenda Nacional. As condutas dolosas que ensejaram a responsabilidade tributária, estas sim, foram advindas do conjunto probatório recebido igualmente da SEFAZ/SP e dos demais documentos componentes dos autos do processo crime 0019133 58.2013.8.26.0071, decorrente da Operação Yellow, e não do processo de 2002 a que se referem os impugnantes em suas defesas. Um parênteses: o antigo processo crime é citado nos Relatórios Fiscal e de Solidariedade apenas para registrar o reconhecimento pelo Poder Judiciário da existência do Grupo Econômico e das condutas crime perpetradas pelo Grupo desde períodos de apuração anteriores, dolosamente perpetuadas. Importante consignar: o acesso a todo o acervo probatório que não estava na posse original da Receita Federal do Brasil RFB foi devidamente franqueado pelo Juízo Criminal de sua guarda (fls. 866/868), ou foi fornecido diretamente pela SEFAZ/SP mediante Convênio de Cooperação Técnica celebrado entre a União (RFB) e o Estado de São Paulo (SEFAZ), datado de Fl. 10421DF CARF MF 20 22/05/2013, publicado no D.O.U em 24/05/2013, cujo escopo é o intercâmbio de informações cadastrais e econômicofiscais e a prestação de mútua assistência na fiscalização e cobrança dos tributos federais e estaduais que administram (anexo 20 ao Relatório de Solidariedade, fls. 871 a 875). Numa breve síntese, contestam os impugnantes o instituto da prova emprestada, alegando que o uso daquela no procedimento fiscal não seria possível antes da configuração do crime, do seu trânsito em julgado. A razão e o direito não os protegem. De pronto, como já visto, foi devidamente autorizado à Secretaria da Receita Federal do Brasil o acesso a elementos de prova então sob a guarda do Juízo Criminal da 1ª Vara Criminal da Comarca de Bauru/SP e/ou da Secretaria de Fazenda Estadual do Estado de São Paulo. Nesse esteio, observado que se tenha o respeito ao contraditório, como de fato se teve pelo exame dos autos, é plenamente admissível o uso de prova emprestada, como regulado pelo art. 372 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, do Novo Código de Processo Civil CPC ("Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindolhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório."). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ, de longa data, o admite (o expediente do empréstimo de provas): "É firme o entendimento desta Corte que, respeitado o contraditório e a ampla defesa, é admitida a utilização no processo administrativo de 'prova emprestada' devidamente autorizada na esfera criminal. Precedentes: MS 10128/DF, Rel. Min. Og Fernandes, Terceira Seção, DJe 22/2/2010, MS 13.986/DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Terceira Seção, DJe 12/2/2010, MS 13.501/DF, Rel. Min. Felix Fischer, Terceira Seção, DJe 09/2/2009, MS 12.536/DF, Rel. Min. Laurita Vaz, Terceira Seção, DJe 26/9/2008, MS 10.292/DF, Rel. Min. Paulo Gallotti, Terceira Seção, DJ 11/10/2007" (MS 15.823/DF, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Seção, DJe 18/8/11). Aliás, o próprio STJ não condiciona ao esgotamento da instância criminal o uso de prova lá colhida para trazêla ao âmbito cível. Vide, a propósito, o julgado havido no AgRg no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 24.940 RJ1, caindo por terra a linha argumentativa dos impugnantes. Ainda mais recentemente, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) enfrentou o tema nos seguintes termos: “(…) Em vista das reconhecidas vantagens da prova emprestada no processo civil, é recomendável que essa seja utilizada sempre que possível, desde que se mantenha hígida a garantia do contraditório. No entanto, a prova emprestada não pode se restringir a processos em que figurem partes idênticas, sob pena de se reduzir excessivamente sua aplicabilidade, sem justificativa razoável para tanto. Independentemente de haver identidade de partes, o contraditório é o requisito primordial para o aproveitamento da prova emprestada, de maneira que, assegurado às partes o contraditório sobre a prova, isto é, o direito de se insurgir contra a prova e de refutála Fl. 10422DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.413 21 adequadamente, afigurase válido o empréstimo (…). (EREsp 617.428/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado em 04/06/2014, DJe 17/06/2014)”. Em decisão àquela contemporânea, o Supremo Tribunal Federal – STF, na relatoria da Ministra Carmem Lúcia, decidiu que “dados obtidos em interceptação de comunicações telefônicas e em escutas ambientais, judicialmente autorizadas para produção de prova em investigação criminal ou em instrução processual penal, podem ser usados em procedimento administrativo disciplinar, contra a mesma ou as mesmas pessoas com relação às quais foram colhidos” (AgRg em MS 27.459/DF. Rel. Min. Carmem Lucia. Tribunal Pleno. Publicado no DJe de 19/02/2014). Dessa forma, assentaram os Tribunais Superiores que, observado o contraditório no processo de destino da prova trasladada, é lícito o seu compartilhamento, não sendo sequer imprescindível que haja identidade de partes entre ele e a demanda de origem da prova emprestada, o que também não se aplica aos autos, considerando a perfeita identidade entre os sujeitos da investigação criminal e os sujeitos passivos tributários. Fechando o dueto “doutrinajurisprudência”, cumpre citar eminentes Processualistas brasileiros, Fredie Didier Jr., Paula Sarno Braga e Rafael Oliveira, que sobre o tema destacam: “A doutrina sintetiza as regras na utilização da prova emprestada: a) a prova emprestada guarda eficácia do processo em que foi colhida, na conformidade do poder de convencimento que trouxer consigo; b) a eficácia e a aproveitabilidade da prova emprestada estão na razão inversa da possibilidade de sua reprodução; c) a eficácia da prova emprestada equivale à da produzida mediante precatória; d) no processo para o qual será ela transportada, terão de ser observadas as normas atinentes à prova documental; e) é imprescindível que a parte contra a qual vai ser usada esta prova tenha sido parte no primeiro processo” (Curso de Direito Processual Civil, V. 2, 7. ed., Salvador: JusPodivm, 2012, p. 52). De fácil conclusão, portanto, que as provas obtidas no curso deste procedimento fiscal o foram de foram lícita, porquanto as provas foram pautadas por autorização judicial expressa e por convênio técnico entre as administrações tributárias; a prova emprestada é instrumento autorizado expressamente pelo moderno ordenamento jurídico; a jurisprudência e doutrina condicionam a legitimidade da prova emprestada apenas ao devido contraditório no processo destino; a legislação e jurisprudência permitem o compartilhamento de provas obtidas até mesmo no curso de investigações criminais ou processos crime não transitados em julgado; e por fim, porque foram respeitados o contraditório e ampla defesa, considerando a Fl. 10423DF CARF MF 22 ciência dos responsáveis tributários de todos os Termos e Relatórios que amparam o procedimento fiscal. A combater outra linha de defesa dos responsáveis neste ponto, digase que se inquérito policial, denúncia formalizada e Juízo Criminal devidamente instado existem e atuam, não é aqui, em instância administrativa, que se vai discutir a aplicação ao caso do Enunciado nº 24 da Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal ("Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo"), com o propósito de se duvidar da legalidade da persecução criminal iniciada, supostamente, antes da definitividade do crédito tributário. A bem da verdade, não estamos a tratar aqui de crime contra a ordem tributária, mas de infrações à legislação tributária que tipificam aquele. Aqui nos interessa a segunda parte do enunciado da SV, qual seja, a legitimidade do lançamento tributário, sendo matéria estranha à administração tributária a tipificação penal, tratada em instância adequada. Imprópria, portanto, a avocação de referida Súmula para desqualificar o procedimento fiscal: aquela veio para proteger e limitar a tipificação penal, e não para restringir o lançamento tributário, objeto deste Acórdão! Registrese ainda, que os julgados, jurisprudências e doutrinas citadas ou transcritas pelas impugnantes em suas defesas servem apenas como forma de ilustrar e reforçar suas argumentações, ora desarticuladas, não vinculando a administração àquelas interpretações, isto porque não têm eficácia normativa, (art. 100 do CTN), como também, não sendo elas participantes das ações judiciais que geraram a citada jurisprudência, elas não podem se beneficiar do seu resultado (artigo 472, do Código de Processo Civil), mesmo porque foram proferidas sob circunstâncias diversas das suas próprias. Portanto, perfeitamente legal a prova emprestada e inexistente qualquer ilicitude na sua concreta utilização, não havendo que se falar em nulidade do procedimento. 1.2.2 Da não ciência dos Responsáveis tributários do procedimento fiscal instaurado. Nulidade. As contestações de defesa do presente tópico foram argüidas igualmente pelo responsável tributário João Shoiti Kaku (fls. 8920 a 8950), “real administrador” segundo TVF, e pelos responsáveis tributários do núcleo “Mandatários”, José Agostinho Miranda Simões (fls. 8763 a 8783), Paulo Roberto dos Santos Mina (fls. 8786 a 8804), Nabil Akl Abdul Massih (fls. 9115 a 9136), e Luiz Alberto Panaro (fls. 9174 a 9182). Por óbvio, a análise de mérito a se desenvolver e concluir, a todos aqueles aproveita. Os responsáveis solidários do Núcleo “Mandatários” alegam que apesar de o Fisco ter lançado mão de uma gama enorme de documentos apreendidos na malsinada “Operação Yellow”, não se cuidou em intimar o Impugnante para que esclarecesse sobre a sua participação no suposto grupo econômico denominado Fl. 10424DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.414 23 pelo fisco de “Grupo FN”, em homenagem aos princípios do devido processo legal e verdade material. Nesta mesma linha, João Shoiti Kaku alega que não fora cientificado do procedimento fiscalizatório instaurado em face da empresa autuada que culminou na imputação da sua solidariedade passiva, e sendo a instauração do contraditório coma sua oitiva elemento imprescindível à busca da verdade material durante esta fase investigativa, o Auto de Infração está maculado de nulidade, uma vez que os AFRFB descumpriram as formalidades que regem o Direito Processual, razão pela qual os lançamentos tributários efetuados devem ser desconstituídos, sob pena de ofensa aos princípios da Ampla defesa e Contraditório. Análise De se esclarecer aos impugnantes que somente a partir da lavratura do Auto de Infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, a partir de então, argüir o contraditório e a ampla defesa. A sujeição passiva solidária constatada durante o procedimento fiscal, instrumentalizada com os autos de infração, não comportou cerceamento do seu direito de defesa, porque concedida aos responsáveis solidários, na fase de impugnação, a oportunidade de contestar as imputações, o que foi levado a efeito conforme demonstram as contestações apresentadas. Ademais, antes da impugnação não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito, de ofício, pela Administração Fazendária. O ato do lançamento é privativo da autoridade fiscal, e não uma atividade compartilhada com os sujeitos passivos, conforme consignado no artigo 142 do Código Tributário Nacional. 1.2.3 Do cerceamento do direito de defesa. Não disponibilização dos elementos de prova do lançamento no processo administrativo fiscal. Responsável tributário. Nulidade. O responsável João Shoiti Kaku, alega cerceamento do seu direito de defesa, suscitando a nulidade dos Autos de Infração lavrados, em razão dos mesmos não terem sido instruídos com documentos essenciais para embasar o montante do crédito tributário apurado (obrigações acessórias e Notas fiscais eletrônicas), permitindo concluir que os valores apostos pelos AFRFB não são líquidos e certos, bem com não concedem ao Impugnante a possibilidade de exercer seu direito de defesa em sua plenitude, diante da impossibilidade de validar os valores declarados pela empresa Autuada em suas obrigações assessórias (sic). Análise De pronto, afirmase que as Notas Fiscais eletrônicas transmitidas pelo contribuinte e utilizadas na aferição dos Fl. 10425DF CARF MF 24 créditos tributários lançados foram TODAS relacionadas no Anexo I ao Termo de Verificação Fiscal, contendo inclusive a Chave eletrônica que permite o pleno acesso ao seu conteúdo, bem como as declarações apresentadas, sendo que muitas destas últimas sequer foram transmitidas ou estavam completamente zeradas. Naturalmente, a relação pormenorizada de todas as Notas fiscais permite o pleno contraditório e ampla defesa, prescindindo a juntada dos documentos físicos, porquanto emitidos pelo próprio contribuinte e sequer questionados por ele em sua impugnação apresentada, posteriormente considerada “não conhecida”. Sobre a suposta impossibilidade de aferir o acertamento do cômputo da Fiscalização sobre referidas Notas (na igualmente suposta impossibilidade de acesso ao documentário do Contribuinte), digase, primeiro, que o imputado responsável tributário solidário passivo tem seu limite de contenda justamente nisso: desfazer o laço que o une ao Contribuinte e, principalmente, aos fatos geradores atualizados por esse último, libertandose da previsão legal que o vincula. Registrese que o sujeito passivo da obrigação tributária é identificado como contribuinte ou responsável, conforme o art. 121 do CTN. É contribuinte a pessoa que tenha relação direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, no caso concreto, a DMR; e responsável aquele que, sem se revestir da condição de contribuinte, tem sua obrigação decorrente de lei, no caso, o Sr. João Shoiti Kaku. De certo, portanto, que todos os elementos da exação tributária estão dispostos no processo administrativo fiscal, cuja aferição sequer foi contestada pelo próprio contribuinte, que tem relação direta com o fato gerador tributário (omissão de receitas). Igualmente, o responsável, que a lei trouxe para dentro da relação jurídica tributária, tem acesso aos mesmos elementos probatórios da infração, sendo descabida a alegação de cerceamento de defesa por não acesso às provas. Em segundo lugar, como se extrai do Relatório de Solidariedade acostado ao processo, e adiante se confirma, os responsáveis aqui incursos, dentre eles o Impugnante, têm direta determinação sobre os negócios de todos quantos figuram no disputado Grupo Econômico, de maneira que não soa razoável alegar alguma restrição de acesso a quaisquer documentários da empresa DMR por um dos seus reais administradores, Sr. João Shoiti Kaku, mesmo que prescindíveis a aferição do quantum da infração, por já constarem nos autos. Improcedente, também, a argüição de nulidade neste ponto. 1.2.4 Da nulidade do Termo de Solidariedade Passiva. AFRFB. Autoridade incompetente. O responsável João Shoiti Kaku defende também a nulidade do Termo de Solidariedade Passiva por ter sido lavrado por servidor não revestido da autoridade competente para tal: A Fl. 10426DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.415 25 autoridade lançadora apenas possui a incumbência de investigar e demonstrar através de provas e indícios a conduta ilícita dos sócios e administradores, enquanto que cabe à PGFN reunir esses elementos factuais e decidir pela coresponsabilidade ou não dos envolvidos, em eventual processo de execução fiscal. E acrescenta: Se a competência para imputar a responsabilidade pelo artigo 135 do CTN é exclusiva da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, é óbvio que o processo administrativo está inquinado por nulidade, isso porque a competência para exigir do impugnante o adimplemento do crédito tributário fora emanado pela autoridade fiscal desprovida de aptidão. Análise Conforme dispõe o artigo 142 do CTN e o artigo 10 do Decreto 70.235/72, o auditor fiscal é a autoridade administrativa competente para constituir o crédito tributário em todos os seus aspectos, dentre os quais a identificação do sujeito passivo da relação jurídico tributária. Conforme já pontuado neste Voto, o responsável tributário é espécie de sujeito passivo (contribuinte ou responsável), estando, portanto, dentro da competência e dever da autoridade fiscal, a identificação no lançamento, não só do contribuinte, mas também de eventual responsável tributário, devendo apontar os elementos necessários para caracterizar aquela responsabilidade, a fim de trazêlo legitimamente para dentro da relação jurídica tributária. De relevo acrescentar que a própria Procuradoria da Fazenda Nacional já se manifestou em Parecer quanto à natureza da responsabilidade solidária dos administradores, além da competência para sua imputação, sendo adequada alguma transcrição (PARECER/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009): Fl. 10427DF CARF MF 26 Portanto, extraise de referido Parecer que além da autoridade fiscal, podem também declarar a responsabilidade tributária prevista no art. 135, imputada ao impugnante, a Procuradoria da Fazenda Nacional e a própria autoridade judicial, inclusive em momentos distintos do Auto de Infração, considerando que a responsabilidade por infração à lei não têm natureza de obrigação tributária, por decorrer de ato ilícito, contrariando a base conceitual dos tributos (art. 3º do CTN). Isto considerado, improcedente a arguição de nulidade do Termo de Responsabilidade tributária, porquanto lavrado por servidor competente para tal. 1.3 CONSIDERAÇÕES PERTINENTES A PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS NA CONSTITUIÇÃO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS E NO CONTENCIOSO FISCAL. Em sede preliminar, enfrentadas as questões argüidas pelo contribuinte, cumpre discorrer muito brevemente sobre características peculiares dos processos administrativos fiscais onde controlados créditos tributários constituídos contra uma pluralidade de sujeitos passivos, como no presente caso. Considerando o não conhecimento da Impugnação interposta pelo Contribuinte da exação tributária, de relevo afirmar que as Impugnações apresentadas pelos Responsáveis tributários, no que tange ao mérito da infração tributária, e não ao vínculo de responsabilidade, aproveitam ao próprio contribuinte e aos demais responsáveis que porventura não as tenha argüido. Fl. 10428DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.416 27 É o que regulamenta a Portaria RFB nº 2.284 de 29/11/2010, cujos excertos pertinentes ao atual litígio cabe descrever: Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis. ... Art. 7º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante. § 2º Os autos somente serão encaminhados para julgamento depois de transcorrido o prazo para apresentação de impugnação ou recurso para todos os autuados ou impugnantes, conforme o caso. § 3º No caso de impugnação quanto ao crédito tributário e quanto ao vínculo da responsabilidade e, posteriormente, recurso voluntário apenas no tocante ao vínculo, a exigência quanto ao crédito tributário tornase definitiva para os demais autuados que não recorreram. § 4º A desistência de impugnação ou recurso não prejudica os demais autuados que também impugnaram ou recorreram. § 5º A decisão definitiva que afasta o vínculo de responsabilidade opera efeitos imediatos. ... Art. 9º Não cumprida a exigência e nem impugnado o crédito tributário lançado, será declarada a revelia para todos os autuados. Parágrafo único. No caso de impugnação apenas do vínculo de responsabilidade, a revelia se opera em relação aos demais que não impugnaram o lançamento. Fl. 10429DF CARF MF 28 Art. 10. O crédito tributário será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em dívida ativa, somente após o término do prazo de cobrança amigável para todos os obrigados. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que houver pendência de julgamento exclusivamente quanto ao vínculo de responsabilidade, caso em que o encaminhamento deverá ocorrer em relação aos autuados que não discutem o vínculo. Neste esteio, atestase que a Impugnação apresentada pelos Responsáveis tributários, nos 66 pontos de discordância relacionados, instaura a fase litigiosa do processo quanto ao mérito e aos respectivos vínculos de responsabilidade. Outrossim, as Impugnações apresentadas aproveitam, no mérito, a revelia dos responsáveis Roberto Madrigano e Parakalo S/A, bem como as inconformidades intempestivas e ilegítimas por falta de representação legal. (grifado no original) Igualmente, não vislumbro quaisquer das hipóteses dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/19721, endossando a ausência de nulidade e prevalecendo a validade da constituição do crédito tributário, tal como formalizado. II. DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA LITIGIOSA O acórdão recorrido delimitou a controvérsia do presente litígio, explicitando as impugnações administrativas insuscetíveis de conhecimento: Da Tempestividade das Impugnações Os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS do presente processo foram lavrados e cientificados ao contribuinte em 26/11/2015 (fl. 8718) e aos responsáveis tributários em datas diversas, conforme tabela abaixo: 1 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio” Fl. 10430DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.417 29 Considerando as datas de ciência dos Autos de Infração e os prazos para impugnação, atestase que a Impugnação do contribuinte e dos responsáveis tributários estão tempestivas, com exceção dos responsáveis Roberto Madrigano e Parakalo S/A, que não apresentaram contestação, e do responsável Modena Agropecuária, cuja impugnação foi apresentada a destempo, o que será tratado em item seguinte. Destarte, a despeito de tempestiva, a Impugnação do Contribuinte DMR Representação Comercial Ltda não será conhecida, conforme adiante será esclarecido; as demais impugnações apresentadas foram, portanto, conhecidas, delas tomando conhecimento por instaurarem a fase litigiosa do processo. 1.1.2 Da não Representação Legal do contribuinte DMR na Impugnação. Parte ilegítima. Não conhecimento da Impugnação. O contribuinte DMR Representação Comercial Ltda apresentou Impugnação tempestiva às folhas 8850 a 8873. Entretanto, a autoridade preparadora identificou ilegitimidade da signatária da sua contestação – Sra. Sandra Regina Madrigano Dias da Silva (fl. 8873), porquanto não apresentada qualquer Procuração lhe outorgando poderes de representação societária. Observase que o Sr. Roberto Madrigano foi nomeado Administrador segundo cláusula 8ª do Contrato Social consolidado após a 12ª Alteração contratual (fl. 9385): Fl. 10431DF CARF MF 30 Registrese que a autoridade preparadora, em conduta diligente, intimou o sujeito passivo (fl. 9388), em prazo razoável de 15 dias, a sanear a irregularidade apresentando a documentação que conferia poderes a Sra. Sandra Madrigano para representar a DMR no instrumento de inconformidade protocolizado. Encaminhada ao domicílio tributário eleito pela DMR junto ao CNPJ, referida Intimação foi devolvida (fls. 9389/9390 – motivo: recusado). Ato contínuo, foi providenciado o devido Edital para formalizar a ciência, afixado em 30/05/2016, registrando a ciência em 14/06/2016. Até o dia 05/07/2016, data de encaminhamento do processo administrativo fiscal para Julgamento na 1ª instância administrativa (fl.9393), o contribuinte não havia saneado a irregularidade de sua representação. Destarte, até a presente data desta relatoria, nenhum requerimento de juntada posterior de Procuração foi identificado. Nestes casos, há entendimento jurídico majoritário no sentido da aplicação subsidiária do artigo 76 do Novo Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015), ao processo administrativo. São tais os termos do dispositivo: Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício. § 1o Descumprida a determinação, caso o processo esteja na instância originária: I o processo será extinto, se a providência couber ao autor; II o réu será considerado revel, se a providência lhe couber; III o terceiro será considerado revel ou excluído do processo, dependendo do polo em que se encontre. Atestase, portanto, que foi conferida ao contribuinte a oportunidade de saneamento da irregularidade, em prazo razoável, mas até então não atendida por ele. Por sua vez, aplicase também subsidiariamente aos processos administrativos Fiscais, a Lei 9.784/99, que regula o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, que assim dispõe em seu artigo 63: Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: Fl. 10432DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.418 31 I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. Diante do acima exposto, considerando que a Impugnação foi interposta por terceiro não legitimado à representação do contribuinte DMR Representação Comercial Ltda, que intimada não saneou a irregularidade, considero NÃO CONHECIDA a Impugnação, não instaurando a fase litigiosa do processo quanto ao contribuinte e não suspendendo a exigibilidade do crédito tributário atacado. 1.1.3 Da Intempestividade da Impugnação do Responsável Tributário Modena Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda. Em relação ao responsável Modena Agropecuária, após tentativa de postagem para o seu domicílio tributário constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ, a correspondência foi devolvida pelos Correios (fls. 8746 / 8747). Assim dispõe o Decreto nº 70.235/72 que regula o Processo Administrativo Fiscal: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 10433DF CARF MF 32 I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Desta feita, foi afixado Edital em 15/12/2015 nas dependências da DRF Barueri (fl. 8760), órgão da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o seu domicílio tributário. Conforme dispõe o Decreto 70.235/72, neste mesmo artigo 23, §2º, considerase feita a Intimação, no caso de publicação de Edital, 15 dias após a publicação do Edital. Neste caso, publicado o Edital em 15/12/2015, considerase cientificado o sujeito passivo em 30/12/2015: § 2° Considerase feita a intimação: ... IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Considerando que o dia 31/12 é um dia de expediente reduzido no âmbito da Receita Federal do Brasil, o prazo inicial de contagem foi deslocado para o primeiro dia útil seguinte, qual seja, dia 04/01/2016: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. O prazo para apresentar impugnação, portanto, começou em 04/01/2016 e, conseqüentemente, acabou após 30 dias em 02/02/2016. Considerando que a Impugnação foi apresentada em 03/02/2016, atestase sua intempestividade, sendo que dela não se toma conhecimento, por não instaurada a fase litigiosa do procedimento: Fl. 10434DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.419 33 Concordo com posicionamento acima, tornandose definitivo o acórdão recorrido para DMR Representação Comercial Ltda., Roberto Madrigano, Parakalo S/A e Modena Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda. III. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Em síntese, a responsabilidade solidária foi imputada aos recorrentes, ante o interesse comum no fato (artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional), combinado com a participação efetiva no ilícito tributário tanto de mandatários, prepostos e empregados (artigo 135, inciso II, do Código Tributário Nacional) como de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas (artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional). O interesse comum não equivale ao propósito meramente econômico, como se extrai da ementa do acórdão nº 1402001.481, proferido pela outrora 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento: SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacida de de gerar a tributação. De acordo com conselheiro, Leonardo de Andrade Couto, quando da relatoria do supracitado acórdão nº 1402001.481, "é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. (...) Mais ainda, é necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico mas sim jurídico, entendendose como tal aquele derivado de uma relação jurídica de qual o sujeito de direito seja parte integrante, e que interfira em sua esfera de direitos e deveres e o legitima a postular em juízo em defesa do seu interesse." Inobstante, o Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009 esclareceu a responsabilidade pessoal do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, opinando que: " a) A responsabilidade do dito “sóciogerente”, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de “gerente” (administrador), e não da sua condição de sócio; b) A responsabilidade do administrador, por força do art. 135 do CTN, na linha da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito; (...) d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode Fl. 10435DF CARF MF 34 ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador; (...) j) A jurisprudência do STJ aponta para a responsabilidade solidária, inclusive em precedentes desfavoráveis à Fazenda Nacional, em que se afirma que o “sóciogerente” só pode ser responsabilizado solidariamente se detiver poderes de gerência e se tiver praticado ato ilícito no exercício dessa gerência, na forma do art.135, III, do CTN; (...) u) Sendo solidária a responsabilidade decorrente de ato ilícito praticado pelo administrador, este, uma vez atestada administrativamente sua responsabilidade, está sujeito a todos instrumentos de proteção do crédito tributário, como o arrolamento de bens e direitos, a inscrição no CADIN e a medida cautelar fiscal, estando, sujeito, outrossim, à negativa de expedição de Certidão Negativa de Débito." O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em votação unânime, proferiu acórdão, relatado pelo saudoso Ministro Teori Albino Zavascki, exigindo a individualização da conduta para atribuição da responsabilidade tributária, definida no artigo 135 do Código Tributário Nacional: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. 2 Neste sentido, o acórdão recorrido não diverge da exposição acima, havendo minha concordância com seu inteiro teor, inexistindo novos argumentos ou provas, quando da interposição dos recursos voluntários. Desse modo, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", consoante o artigo 57, parágrafo terceiro, do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, in litteris: 2.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A ATUAÇÃO DO GRUPO FN 2 Resp nº 1.101.728/SP, julgado em 11.03.2009. Fl. 10436DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.420 35 A fiscalização fundamentou a responsabilidade solidária dos sócios, mandatários e procuradores, assim como das demais empresas do grupo, na prática de sonegação e outras infrações à lei, enquadrando a sujeição passiva no art. 124, I, combinado com o art. 135, II ou III, do CTN: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” (...) “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” A omissão de informações na declaração apresentada e/ou a omissão das declarações, a exemplo de DCTF, representam ofensa à lei, materializada na sonegação. O dolo ficou caracterizado pela reiteração de atos tendentes, inegavelmente, a impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, assim como de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração. Detectada a infração à lei, sonegação fiscal, houve a responsabilidade dos mandatários, prepostos e empregados, segundo as disposições do art. 135, II, e dos “sócios” administradores da empresa, ao tempo do fato gerador, segundo as disposições do art. 135, III, do CTN, dada a infração de lei, a qual acarretou a falta de recolhimento do tributo devido, pela ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Com efeito, a pessoa jurídica é uma ficção da lei, não sendo capaz, portanto, de implementar suas ações por si própria, mas sim por meio da atuação dos seus diretores, gerentes e representantes ou dos seus mandatários, prepostos e empregados, quem demonstra capacidade de expressar vontade, elemento subjetivo necessário para caracterizar o ato ilícito, do qual resulta a responsabilidade. Retomese, então e por sua abrangência, alguns trechos do Relatório de Solidariedade fiscal de fls. 453/533, onde verseá a Fl. 10437DF CARF MF 36 vinculação de todos quantos aqui mencionados, pessoas físicas e jurídicas, na gênese dos fatos geradores sob atenção, seja pelo viés do interesse comum, seja, na qualidade de procurador ou sócioadministrador de direito ou de fato, por excesso de poder, infração de lei, contrato social ou estatutos, tudo discorrido e a cada passo referenciado aos mencionados elementos de prova: [...] 1.1. Pessoas Jurídicas No exercício das funções de Auditoresfiscais da Receita Federal do Brasil, realizamos Auditorias Fiscais Tributárias nas seguintes pessoas jurídicas (pjs) e períodos: Fl. 10438DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.421 37 Neste Grupo, cada pessoa jurídica possuía uma função precípua: a) à holding informal cabia centralizar a administração geral do Grupo; b) às PJs patrimoniais cabia a gerência do patrimônio do Grupo; c) às PJs industriais, a industrialização dos produtos comercializados pelo Grupo; e d) às PJs comerciais, a formalização da comercialização de tais produtos. Evidenciouse, também, que o Grupo agia sob comando único, com objetivos e estruturas comuns e com intercomunicação patrimonial, sendo que, as pessoas jurídicas, embora formalmente independentes, realizavam, de forma complementar, as situações configuradoras dos fatos geradores dos tributos lançados: a) aquisição de renda (IRPJ); b) auferimento de lucros (CSLL); e c) auferimento de receita (Cofins e PIS). Fl. 10439DF CARF MF 38 Assim agindo, o Grupo, ainda, cometeu diversas infrações a dispositivos legais, resultando em elevados valores lançados de impostos (IRPJ e CSLL), contribuições (PIS e COFINS) e multas, por descumprimento de obrigações tributárias. Da estrutura e do modo de agir, restou manifesta, entre as pessoas jurídicas componentes do Grupo, a existência de obrigações tributárias solidárias pelos tributos lançados, nos termos da legislação aplicável artigo 124, I do Código Tributário Nacional – CTN: [...] Desta forma, consoante os elementos probatórios anexos, o presente relatório objetiva demonstrar a existência, a estrutura e o modo de agir do Grupo FN, culminando com a delimitação da solidariedade tributária (124, I do CTN) das pessoas jurídicas, pelos débitos lançados. 1.2. Pessoas Físicas e Offshore: As pesquisas e elementos colhidos também evidenciaram que a atuação do Grupo era orquestrada por pessoas que ostentavam três qualidades de vínculos: a) Reais administradores: eram os verdadeiros donos do negócio. Pessoas físicas que, utilizandose de interpostas pessoas (testasdeferro, offshore e/ou procuradores) administravam as pessoas jurídicas auditadas de forma oculta. Eles organizavam toda a atividade do Grupo, decidiam, empreendiam, idealizavam, coordenavam e se beneficiavam das atividades desenvolvidas, enfim, todos praticavam atos de gestão. Estes administradores, no entanto, na maioria dos casos, não pertenciam aos quadros societários das pessoas jurídicas auditadas. Foram detectadas ostentando esta qualidade: De fato, estes reais administradores, para não declararem e não pagarem a totalização dos tributos devidos pelas pessoas jurídicas do Grupo (o que, em tese, se configura sonegação fiscal), bem como afastaremse da solidariedade/responsabilidade tributária em relação a tais tributos, valeramse dos seguintes expedientes: Utilização de interpostas pessoas (físicas – testasdeferro ou jurídicas – offshore) nos quadros societários de suas pessoas jurídicas, especialmente as pjs comerciais, as quais responderiam pelas obrigações destas, no lugar deles (reais administradores); Esvaziamento patrimonial das pessoas jurídicas do Grupo (auditadas); o patrimônio ficava centralizado (blindado) junto às Fl. 10440DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.422 39 pjs patrimoniais FAS (e Modena) – para não ser alcançado por obrigações das demais pjs; Dissolução irregular de sete das dez pessoas jurídicas auditadas, as quais deixaram de funcionar em seu domicílio fiscal, sem qualquer comunicação: “Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente” (Súmula 435 do STJ). b) Sócios formais: pessoas cujos nomes compunham os quadros societários das pessoas jurídicas do Grupo, sendo: b.1) ora, pessoas físicas, sem estofo patrimonial, conhecidas por testasdeferro; pessoas sem conhecimento e capacidade econômica para empreender que cediam seus nomes mantendo ocultos os reais administradores, aparecendo no contrato social como sócios ou sócios administradores. b.2) ora, pessoas jurídicas constituídas fora do Brasil offshore (SAFIs1), desprovidas de finalidades societárias de fato, adquiridas pelos reais administradores, também com o intuito de se ocultarem, bem como ocultarem possíveis bens, vez que é “notória a dificuldade de acessar o patrimônio enviado para o exterior, com a utilização dessas empresas “estrangeiras”, situadas em “paraísos fiscais”. A identificação dos sócios formais encontrase no item 5.2, do presente relatório. c) Procuradores: pessoas físicas que recebiam procurações para agirem, ostensivamente, em nome de algumas pessoas jurídicas do Grupo, mantendo ocultos os reais administradores; A identificação dos procuradores encontrase no item 5.3, do presente relatório. Nestas condições, verificouse que os reais administradores, aliados aos sócios formais e aos procuradores, além de terem nítido interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores dos tributos lançados, ainda cometeram diversas infrações a leis, restando evidente a existência de obrigações tributárias solidárias e responsabilizações pessoais nos termos dos artigos 124, I e 135, II e III do CTN: [...] A identificação das principais infrações a leis cometidas encontrase no item 5.4 do presente relatório. Desta forma, o presente relatório objetiva, também, indicar as pessoas físicas vinculadas ao Grupo, bem como delimitar a solidariedade/responsabilidade das mesmas frente aos débitos levantados junto às pessoas jurídicas auditadas (artigo 124, I e 135, II e III do CTN). Fl. 10441DF CARF MF 40 Salientase que, no presente relatório, as informações relativas às pessoas físicas (e offshore) são de caráter genérico, bastando para descrever o conjunto de suas relações com o Grupo, o que se faz necessário ao entendimento completo do ocorrido. Todos os elementos probatórios, no entanto, que demonstram tais relações, foram juntados nos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária/Responsabilidade Tributária , direcionados, individualmente, a cada pessoa física (ou offshore), e que acompanham os respectivos autos de infração. Por fim, ficou claro, como será demonstrado no presente relatório, que esta estrutura foi arquitetada para proteger/ocultar patrimônio e reais sócios/administradores das pessoas jurídicas auditadas. 2 – ELEMENTOS PROBATÓRIOS No dia 21 de maio de 2013, Agentes Fiscais da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (SEFAZ) e Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Estado de São Paulo, em ação conjunta batizada de Operação Yellow, executaram mandados de busca e apreensão, em diversos endereços de pessoas jurídicas e físicas relacionadas com o aqui denominado Grupo FN, resultando na apreensão de documentos em papel e de mídias contendo arquivos digitais. Da citada operação, somadas as informações captadas por interceptações telefônicas, resultou, na seara penal, contra várias pessoas físicas envolvidas nas ações do Grupo, decretos de PRISÕES TEMPORÁRIAS, SEQUESTROS E ARRESTOS de bens móveis e imóveis, dentre outras medidas autorizadas pelo Poder Judiciário, diante de acusações de delitos apenados com reclusão, especialmente, formação de quadrilha, falsificação documental (material e ideológica) e lavagem de dinheiro entre outras. Frente a amplitude do caso, a Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil, na 8º Região Fiscal, constituiu Grupo Especial de Fiscalização, mediante a Portaria SRRF08/G Nº 32, datada de 13/02/2014, centralizando todos os procedimentos fiscais relativos à Operação Yellow, junto à Delegacia da Receita Federal em Bauru (DRF/Bauru) – ANEXO 20 DOC. 01. A Receita Federal do Brasil teve autorização para o acesso e utilização dos elementos de provas coletados, deferida pelo Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito da 1ª Vara Criminal da Comarca de BauruSP, juntada aos autos do processo crime 001913358.2013.8.26.0071, fls. 2226 (referência a pedido feito às fls. 2126 e 2127) ANEXO 20 DOC. 02. A isto, se soma o Convênio de Cooperação Técnica celebrado entre a União Secretaria da Receita Federal do Brasil e o Estado de São Paulo – Secretaria da Fazenda, datado de 22/05/2013, publicado no D.O.U. em 24/05/2013, que tem como escopo o intercâmbio de informações entre os citados Fiscos ANEXO 20 DOC. 03. Fl. 10442DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.423 41 Desta maneira, a Receita Federal do Brasil utilizouse dos seguintes elementos de provas: 2.1. Fornecidos pelo GAECO/Bauru, que acompanham os feitos penais: a) Cópias das oitivas das pessoas físicas Thiago Leite Ortega (acompanha o presente relatório ANEXO 48), Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih (acompanha o Termo de Sujeição Passiva Solidária desta), Cecília Raimundo de Oliveira (acompanha o Termo de Sujeição Passiva Solidária desta) e Ed Henrique Gomes da Silva (acompanha o Termo de Sujeição Passiva Solidária deste). b) Cópia da degravação 01 de interceptação telefônica, datada de 14/05/2012 (acompanha o presente relatório ANEXO 23); cópia das degravações de interceptações telefônicas 34 (de 02/06/2012) e 35 (de 05/06/2012), ambas acompanham o Termo de Sujeição Passiva Solidária da senhora Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih e do senhor Nemr Abdul Massih; cópia da degravação de interceptação telefônica 05 (de 15/03/2012), que acompanha o Termo de Sujeição Passiva Solidária do senhor João Shoiti Kaku. 2.2. Fornecidos pela SEFAZ/Bauru: a) Cópias das mensagens eletrônicas – emails, citadas no presente relatório e/ou nos Termos de Sujeições Passivas Solidárias (que acompanham os respectivos lançamentos); b) Cópias de documentos físicos apreendidos durante as buscas e apreensões (custodiados na SEFAZ) citados no presente relatório e/ou nos Termos de Sujeições Passivas Solidárias (que acompanham os respectivos lançamentos); c) Cópia do Relatório de Diligência efetuada, pela Fiscalização Estadual SP, para instruir processo GDOC 51220209485 – pedido de reativação de inscrição estadual da DMR (juntada ao Termo de Sujeição Passiva de Roberto Madrigano). 2.3. Demais elementos probatórios foram obtidos junto aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil e informações cadastrais prestadas por instituições financeiras (ANEXO 21) e cartórios extrajudiciais, bem como através de diligências realizadas durante os trabalhos. 3 – AUDITORIAS REALIZADAS As auditorias fiscais aqui tratadas são as seguintes: Fl. 10443DF CARF MF 42 [...] As descrições minuciosas dos fatos geradores, dos montantes tributáveis e das penalidades aplicáveis, bem como das infrações cometidas constam nos Autos de Infrações e Termos de Verificações Fiscais que os acompanham, controlados nos seguintes processos: Salientase, desde já, que, conforme ficará amplamente demonstrado abaixo, o Grupo FN atuava, nos períodos auditados, como uma única grande EMPRESA (por segmento) – entendida esta como atividade econômica organizada. [...] PESSOAS JURÍDICAS (PJs) 4.1. – O Grupo FN O Grupo FN revelase um desdobramento do denominado “Grupo Abdul Massih”, ou “Grupo Sina”, cuja história, há muito, vem sendo escrita em execuções fiscais junto à Justiça Federal e revela, como característica marcante, a utilização de interpostas pessoas, nos contratos sociais de suas pessoas jurídicas, com a finalidade – principal – de afastar a solidariedade/responsabilidade tributária dos reais beneficiários: a própria família Abdul Massih e pessoas próximas. Neste sentido, bastante esclarecedor o explicitado no seguinte fragmento, extraído do Agravo de Instrumento 0015886 63.2013.4.03.0000/SP – TRF3, impetrado pelo “Grupo Abdul Massih”, exarado pelo Exmo. Desembargador Federal Johonsom Di Salvo, em 24/07/2013 – cópia integral segue no ANEXO 22 DOC. 01 (Destacamos): “Considerou o d. Juiz Federal que: (...) O débito neste processo atinge cerca de vinte milhões de reais (fl. 189), porém, o total das dívidas com a União ultrapassa um bilhão de reais (!), considerandose o grupo de empresas interligado à executada (fl. 188). Os documentos de fls. 223 e ss., indicam a prática de condutas encetadas pelos administradores do grupo para fraudar credores, pois retratam casos de esvaziamento patrimonial da executada e sócios, concentração de dívidas e confusão de ativos, centralização da administração em membros do clã dos Abdul Massih, além da utilização de "offshore" com o objetivo de blindar o patrimônio familiar.” Fl. 10444DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.424 43 (...) No caso, o “modus operandi” adotado pelo grupo (...), mostra se bem explicitado (...). Assim, revelamse ciclos de evolução do Grupo “Abdul Massih” em fases distintas, distinguindose, nas sociedades operacionais, o afastamento gradativo da família Abdul Massih, do quadro societário, ao tempo em que são substituídos por interpostas pessoas – pessoas de confiança da família, ou sem estofo patrimonial, isto é, de “laranjas” (...) Denotase, ainda, no último ciclo evolutivo societário o ingresso de sociedades offshore como sócias majoritárias das pessoas jurídicas, o que condiz com o alegado aperfeiçoamento do esquema de fraudes, dada a notória dificuldade de acessar o patrimônio enviado para o exterior, com a utilização dessas empresas “estrangeiras”, situadas em “paraísos fiscais”(...)” De fato, é explicitado, na citada execução, que a atuação cíclica do Grupo demonstra, de forma inequívoca, que a família Abdul Massih e pessoas próximas ao longo dos anos, vem administrando (utilizandose de interpostas pessoas) diversas pessoas jurídicas, que vão sendo alternadas/abandonadas ao longo do tempo (com enormes dívidas tributárias), porém todas elas, em essência, vão dando continuidade ao exercício das mesmas atividades, mantendose, nítida, uma unidade funcional (homocêntrica) – ao longo do tempo – geradora da renda, da receita e do lucro (fatos geradores dos tributos lançados). Destacamos, neste ínterim, que os débitos discutidos na execução fiscal agravada (acima), referemse aos anos de 1992 a 2002, e, após análise de farta prova documental, o juízo a quo concluiu pela responsabilização da agravante (Sina Alimentos), que, formalmente, foi constituída em 2008 – dado evidente caráter continuativo das atividades do Grupo – o que foi assim tratado pelo juízo ad quem: “Nas razões recursais a empresa recorrente sustenta (...) a inexistência de justo motivo para a inclusão da agravante [Sina Alimentos] no pólo passivo porquanto não demonstrada a existência de grupo econômico, até porque os créditos tributários em execução se referem ao período de 1992 a 2002 e a empresa agravante foi constituída apenas em 19 de maio de 2008, após o ajuizamento da execução, inexistindo assim qualquer vínculo entre o patrimônio e a gestão da empresa executada, nem tampouco prova concreta de fraude ou de abuso de personalidade jurídica.” (...) “ressalto que não há qualquer espaço nesta sede para se perscrutar em detalhes a alegada inocorrência de responsabilidade tributária fundada na caracterização de grupo econômico que foi reconhecida na origem diante de minuciosa petição acompanhada de farta documentação acostada pela exequente, resultado de diligente pesquisa (fls. 315/1.256) (...) Fl. 10445DF CARF MF 44 Deveras, os elementos documentais abrigados na execução indicam claramente a existência de multiplicidade de empresas administradas, formalmente ou não, por membros da família "Abdul Massih", com nítido esvaziamento patrimonial da executada associado ao incremento patrimonial de outras empresas do grupo econômico de fato (...)” – Destacamos. Do mesmíssimo modo, a forma de atuação do Grupo Abdul Massih é revelada pela Desembargadora Federal Doutora Marli Ferreira, em 03/2015, no seguinte agravo de instrumento – cópia integral ANEXO 22 DOC. 02: “AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0009590 88.2014.4.03.0000/SP 2014.03.00.0095901/SP RELATORA: Desembargadora Federal MARLI FERREIRA AGRAVANTE: ZUNER CORRETORA DE ALIMENTOS LTDA ADVOGADO: SP130130 GILMAR BALDASSARRE e outro AGRAVADO (A): União Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO: SP000004 RAQUEL VIEIRA MENDES E LÍGIA SCAFF VIANNA PARTE RÉ: SINA IND/ DE ALIMENTOS LTDA; MULTIOLEOS OLEOS E FARELOS LTDA FAROLEO COM/ DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA SINA IND/ DE OLEOS VEGETAIS LTDA SINA COM/ E EXP/ DE PRODUTOS ALIMENTICIOS DMR REPRESENTACAO COML/ LTDA DOV OLEOS VEGETAIS LTDA ZUNA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS S/C LTDA FAS EMPREENDIMENTOS E INCORPORACAO LTDA MODENA AGROPECUARIA LTDA ORIGEM: JUÍZO FEDERAL DA 10 VARA DAS EXEC. FISCAIS SP No. ORIG.: 00546698620054036182 10F Vr SÃO PAULO/SP” “VOTO Depreendese dos documentos trazidos à colação que o juiz monocrático determinou, em 08/11/2013, (fls. 26/29) a reunião dos processos de execução nºs 004750077.2007.403.6182 e 004591582.2010.4036182 ao feito originário a fim de garantir a rápida solução dos litígios (artigo 28 da Lei nº 6.830/80), em razão do reconhecimento da existência do grupo econômico e solidariedade pelo pagamento de créditos no que tange às pessoas físicas e jurídicas, "in verbis": Fl. 10446DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.425 45 "... Conforme a farta documentação juntada aos autos pela União, verificase que há diversas pessoas jurídicas administradas ao longo do tempo por um ou mais membros da família Abdul Massih. Entre 1996 a 2001, percebese que os membros dessa família deixaram de deter participações societárias diretas nas sociedades em questão, passando atuar por meio de interpostas pessoas. Ademais, também ao longo de tempo, em especial após 2001, foram criadas novas pessoas jurídicas para exercer atividades operacionais do grupo, como se verifica pelo seu faturamento e movimentação financeira, bem como foram admitidas sociedades offshore como cotistas majoritárias das pessoas jurídicas que integram o grupo econômico em tela. No que diz respeito especificamente à Zuner (...) mesmo após a transferência do controle em 1996, a condução dos negócios sociais continuou cabendo à família Abdul Massih, por meio da outorga reiterada e sucessiva de procurações até 2002 (fl. 182). Constatase, destarte, a utilização do expediente de interposição de pessoas que apenas formalmente constam como controladoras, com o intuito de burlar os credores. Esse expediente, ademais, foi utilizado em diversas outras pessoas jurídicas que integram o mesmo grupo econômico (fls. 183 et sec). Posteriormente, as atividades operacionais do grupo foram transferidas a outras pessoas jurídicas. E o patrimônio amealhado pelos controladores com os negócios encetados por meio das empresas que se tornaram inativas foi distribuído entre outras pessoas jurídicas, com intuito uma vez mais de furtarse ao pagamento dos credores, por meio da chamada blindagem patrimonial. (...) Assim sendo, o pedido de inclusão das pessoas listadas à fl. 212 no polo passivo da presente execução fiscal, como responsáveis solidárias pelo pagamento dos créditos exequendos, é procedente. Ademais, também defiro o pedido de arresto cautelar, com fundamento no disposto nos arts. 615, III, e 798, do Código de Processo Civil brasileiro, nos termos em que requerido às fls. 212213. Notese que, no caso, a existência de periculum in mora é patente, tendo em vista os complexos expedientes utilizados pelos controladores da executada original e das demais pessoas jurídicas para se furtar ao pagamento dos tributos.” (Destacamos). No mesmo agravo, dado o pleno reconhecimento de sua existência e ficando evidente seu sucessivo modo de agir, o Grupo informou ter confessado seus débitos, solicitando a suspensão das execuções fiscais debatidas e o cancelamento do arresto, pois teria parcelado os citados débitos, o que lhe foi Fl. 10447DF CARF MF 46 negado, nos seguintes termos, em 05/03/2015 – cópia integral ANEXO 22 DOC. 02: “Assim, a suspensão da exigibilidade ocorre somente após a homologação do referido parcelamento, o que não ficou comprovado. Considerando a ausência de suspensão da exigibilidade e a declaração de grupo econômico, bem como os indícios de que a empresa pretende burlar os credores, não pode ser cancelado o arresto que consiste em medida de proteção do crédito em cobro.” Destarte, não merece acolhida a pretensão deduzida neste recurso. Ante o exposto, nego provimento ao presente agravo de instrumento. É como voto. MARLI FERREIRA Desembargadora Federal Relatora” (Destacamos). Ao longo do tempo, pois, o Grupo Abdul Massih vem, sucessivamente, substituindo as pessoas jurídicas com débitos tributários, por novas pessoas jurídicas, no entanto, mantendo sempre o mesmo “negócio”. Desta maneira, vem pagando muito pouco dos tributos devidos e, consequentemente, tendo vultosos recursos disponíveis para retroalimentar as atividades do Grupo. Assim chegase em 2010, 2011 e 2012 – anos relativos aos fatos geradores dos tributos ora lançados, com o conhecido “Grupo Abdul Massih”, aqui denominado Grupo FN, já desdobrado em novas pessoas jurídicas, sendo administrado ainda por alguns membros da família “Abdul Massih” (ou pessoas próximas), mas mantendo, basicamente, o mesmo negócio e forma de agir. Tal fato é, pormenorizadamente, explicitado na degravação da interceptação telefônica, abaixo descrita, em que João Shoiti Kaku, um dos atuais administradores do Grupo, conversa com uma representante do Banco Fibra ANEXO 23. [...] Em meio à conversa, o real administrador, senhor Kaku, informa que a holding (FN), a qual verificouse administrar o Grupo, está no topo e, ao lado dela, a PJ patrimonial (FAS), que é a dona de todos os imóveis ... “que compra todos os imóveis e que não tem nenhuma embaixo dela”, e ainda esclareceu que, como todo o imobilizado está em nome da FAS, que “é a parte real”, não será encontrado a depreciação (custo) junto a outras pessoas jurídicas: “(...) em cima de tudo funciona a holding que é a FN, que futuramente vai mudar para SINA: a SINA vai passar a ser a holding. Kaku continua:” Fl. 10448DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.426 47 (...) “Agora do lado da FN, como se fosse uma assessoria, nós temos uma empreendimentos imobiliários, que é dona de todos os imóveis, que é a FAS Empreendimentos e Incorporação Lt, que compra todos os imóveis, e que não tem nenhuma embaixo dela. Que o dono da FAS é NEMR, que também é dono das SINAS e da FAMA em 100%.” (...) “Perguntado se houve novas aquisições, uma vez que tiveram investimentos de R$ 190 milhões, KAKU responde que R$ 190 milhões é o endividamento total do Grupo e confirma que todo o imobilizado está em nome da FAS.” (...) “Perguntado sobre a depreciação, KAKU informou que não vai encontrar, que fica tudo na FAS, que é a parte real.(...)” (Destacamos). Abaixo da FN, salienta o real administrador, senhor Kaku, estão as PJs industriais, que, embora sendo as principais geradoras de riqueza do Grupo, são tratadas como prestadoras de serviços: “(...) Abaixo (da FN), você tem todas as prestadoras de serviços que cada uma funciona em cada fábrica...Nós temos a SINA MATRIZ,... SINA Alimentos. Ela era a SINA de Bauru, que era prestadora. Essa SINA Alimentos está com a matriz em Bauru, presta serviços para a fábrica de Bauru. Depois você tem Sina filial Orlândia, Sina filial Santo Anastácio e Sina filial Pirapozinho. Antes tinha uma Sina para Santo Anastácio, uma Sina para Orlândia e uma Sina Pirapozinho. Nós transformamos tudo numa única Sina Alimentos Matriz em BAURU, depois todas as filiais, uma em Orlândia, uma em Santo Anastácio e uma em Pirapozinho, essas são as prestadoras de serviço dos quais o Sr. NEMR é o acionista principal. Diz que abaixo tem todas(...)” “Depois tem a FAMA Ovos, que está na fábrica de ovos de Diadema, que futuramente se tornará SINA Diadema. Que estas são as prestadoras de serviços, onde todos os funcionários estão registrados(...)”(Destacamos). Embaixo das PJs industriais, continua o real administrador, senhor Kaku, estão as PJs comerciais, citando algumas delas: “(...)Diz que embaixo de cada prestadora de serviços estão as comerciais: embaixo da SINABauru está a MULTIÓLEOS, que tem linhas de créditos com voces; embaixo da SINAAlimentos filial Orlândia está a DOV; abaixo da SINA Sto. Anastácio tem a FARÓLEO; que agora estão botando no ar a SINAAlimentos Pirapozinho, que por enquanto embaixo dela terá a MULTIÓLEOS e FARÓLEO, elas que vão pegar óleo, mandar para lá e beneficiar e voltar como mercadoria para elas;” Fl. 10449DF CARF MF 48 “depois tem a DOVOS e a DMR que estão embaixo da FAMA Ovos, explorando lá como irmãs.” “Depois tem todas essas comerciais, das quais KAKU não quer falar por telefone, mas diz que a Sandra e o Bicudo sabem, existem offshores, SAFIs que são donas delas, que o acionista o pessoal daí sabe quem é. Que todas as empresas são controladas em 100% ou 99%.(...)” Por fim, o senhor Kaku também informa a existência de uma gestão única do Grupo: “Perguntado sobre como é gerenciado o caixa robusto que aparece no balanço consolidado, KAKU diz que os caixas não se misturam, cada unidade, Multióleos Faróleo sobrevive com caixa próprio, cada uma gerencia o seu caixa, que não há nada vinculado a operações, KAKU explica que existe uma gestão única, mas que é estimulada a concorrência entre as empresas.” (...) [...] FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP (CNPJ 04.350.935/000159) elementos juntados no ANEXO 01. [...] Constam como sócios formais, desde sua constituição, os senhores Nemr Abdul Massih (um dos reais administradores do Grupo FN) e Fernando Antonio Martins de Oliveira. Durante os períodos auditados, a FN foi utilizada para centralizar a direção, o controle e a administração do Grupo. Por meio da FN, os reais administradores – evitando se exporem diretamente e procurando afastar suas responsabilidades, concentravam a gestão administrativa, comercial, financeira e trabalhista das demais pessoas jurídicas do grupo, funcionando “em cima de tudo” como acentuado pelo real administrador João Shoiti Kaku (item 4.1 acima): [...] Esta concentração de poderes de mando, muitas vezes, era formalizada através de contratos de assessoria empresarial entre a FN (CONTRATADA) e as demais pessoas jurídicas do grupo (CONTRATANTES). Para exemplificar, foi juntada (ANEXO 28) cópia do contrato de assessoria, firmado entre a FN e a DMR, cuja amplitude se resume nas seguintes cláusulas: [...] De forma paralela, as pessoas jurídicas do Grupo (por meio dos sócios testasdeferro ou representantes das sócias offshore), ainda outorgavam procurações com amplos poderes de gestão (especialmente para movimentação bancária) à FN, com Fl. 10450DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.427 49 cláusula de substabelecimento, do que é exemplo a cópia do contrato firmado entre a DMR e a FN juntada no ANEXO 29: [...] Detectouse que, durante os períodos auditados, tais procurações, no caso das pessoas jurídicas DMR, Dov, Dovos, Multioleos e Faroleo, foram substabelecidas pela FN para 04 procuradores (Panaro, Nabil, Mina e Miranda – identificados no item 5.3) que recebiam amplos poderes de gestão e agiam ostensivamente frente a terceiros, especialmente instituições financeiras, mantendo ocultos os reais administradores. Foram juntadas cópias dos substabelecimentos, que abarcam todo o período auditado (2010 a 2012), no ANEXO 30 – foram juntadas, ainda, cópias de vários substabelecimentos, para representação frente a inúmeras instituições financeiras, demonstrando a intensa atividade dos citados procuradores: [...] Desta forma, frente a terceiros, especialmente instituições financeiras, representando demais pessoas jurídicas do Grupo, a FN atuava diretamente, representada pelo sócio formal, senhor Nemr (real administrador), ou atuava por meio dos citados procuradores. A atuação direta da FN, representando outra pessoa jurídica do Grupo, foi alvo de questionamento, por instituição financeira, quando da análise para liberação de cartão corporativo para a Faroleo. A citada instituição considerou inválida a procuração por conceder poderes somente a uma PJ, o que foi justificado pela FN (por meio de seu colaborador) como sendo a forma do Grupo trabalhar, sendo que o senhor Nemr assinava pela empresa ANEXO 31: [...] Normalmente, contudo, a FN apresentavase, frente ao público, especialmente instituições financeiras, por meio dos citados procuradores (Panaro, Nabil, Miranda e Mina), cujo vínculo empregatício com o Grupo assim se afigura nas Guias de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs: [...] Nos bastidores, no entanto, quem agiam, em nome das pessoas jurídicas auditadas, eram os reais administradores, pois eram eles que controlavam a FN e as demais pessoas jurídicas, especialmente dando ordens diretas aos citados procuradores. Dentre os reais administradores, o senhor Nemr e a senhora Fátima eram tratados, por José Agostinho Miranda Simões (Miranda), procurador da FN, como “chefe” e “patroa”, respectivamente, o que revela o poder de comando destes sobre Fl. 10451DF CARF MF 50 pessoa que representava a FN perante terceiros, além do que, na mesma mensagem é nítido o poder decisório dos dois no tocante a alteração contratual de outra pessoa jurídica do Grupo, a FAS – ANEXO 32: “From: José Miranda Sent: Tuesday, July 31, 2012 5:10 PM To: Fátima Massih ; advmauad@uol.com.br Subject: Re: RE Sim ele sabia, pois a alteraçao e de 28.06.2011, como o Comite nao tinha Ata, pois nao era autorizado, por ter escrita confidencial, mas tudo bem, fazer o que, mas ja falei com SR NEMR, mostrei para o CHEFE a alteraçao da FAZ (OITAVA), E me explicou que nao da vinculo, pois a FAZ locou as salas do 13, 12, 3, 16, 2 andar, mas nao locou as suas salas (Matriz da FAZ ) 1305 3 1306, portanto nao existe contrato de locaçao, SR. NEMR as vezes acha muito exagerado as opinioes dos Advogados, se tiver duvidas, falamos com Sr. NEMR e mudamos para RAFAEL DE BARROS, okei PATROA. outrossim, o caso da Sexta Feira (SEGURANÇA PARA SAQUE) de hipotse alguma coloquei SR NEMR no meio, quem falou talvez foi o DR GILMAR para o MARCILIO, nos cobrou quase que insestantemente este expediente, tanto e que acatei as normas do Sr. Damas, e fui de carro para retirar o boy, mas ja tinha ido buscalo, sds patroa” (Destacamos). Neste sentido, as mensagens abaixo transcritas também revelam o poder de comando dos reais administradores sobre os representantes da FN. a) Mensagem datada de 18/03/2011, relata reunião presidida pela real administradora, senhora Andréa, visando passar orientações gerais para contratação de funcionários da área de finanças do Grupo, com a presença dos “Líderes das Áreas Financeiras” das demais pessoas jurídicas do Grupo especialmente: Faroleo, Multioleos, Sina Comércio, Dov, DMR, Fama..., revelando poder de comando da real administradora, senhora Andréa, sobre pessoas que representavam a FN perante terceiros (Paulo, Panaro e Nabil) – ANEXO 33: [...] b) Mensagem datada de 13/01/2012 (às 19:35 hs), na qual a real administradora, Sra. Fátima, chama a atenção do Sr. Miranda (procurador), ameaçando demitir empregado subordinado deste, revelando assim pleno poder de comando da citada real administradora, sobre pessoa que representava a FN perante terceiros (Sr. Miranda) ANEXO 34: [...] c) Mensagem datada de 20/12/2012, produzida pela real administradora, Sra. Andréa, com cópia para real administrador, Sr. Simon, visando implementar rotinas de Fl. 10452DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.428 51 trabalho entre o comercial e o financeiro das fábricas do Grupo. Nesta mensagem, novamente, se revela poder de comando destes reais administradores, sobre pessoas que representavam a FN perante terceiros (Paulo, Panaro e Nabil) – ANEXO 35: [...] d) Mensagem datada de 01/02/2013, em que o real administrador, senhor Mansour, ordena ao “procurador”, Sr. Panaro, o depósito da quantia de R$ 10.000,00 para ele, no que foi atendido – de pronto revelando poder de comando do citado real administrador, sobre pessoa que representava a FN perante terceiros (Panaro). Salientase que este atendimento foi suportado por outras duas pessoas jurídicas do Grupo – Dov e Multioleos. Observação: Dova é o antigo nome da Dofar – ANEXO 36: [...] FASEmpreendimentos e Incorporações Ltda. (CNPJ 03.752.053/000157) – elementos juntados no ANEXO 02 e Modena Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda. (CNPJ 10.637.365/000185) – elementos juntados no ANEXO 03; Estas duas pessoas jurídicas – FAS e MODENA eram utilizadas para blindagem patrimonial, por meio das quais os reais administradores concentravam afastados dos débitos das demais pessoas jurídicas os bens imóveis e instalações industriais do Grupo (tanto no segmento soja, quanto no segmento ovos). Tal fato era do conhecimento de instituições financeiras, tanto que, em trecho de parecer para aprovação de empréstimo, do Banco HSBC, de 10 milhões, pelo Grupo, via pessoa jurídica FAS, consta– ANEXO 37: “DEVIDO CONTRATO SOCIAL, A EMPRESA FAS NAO PODE DAR GARANTIAS A TERCEIROS. TRATASE DE HOLDING IMOBILIARIA COM GESTAO SEPARADA DAS EMPRESAS OPERACIONAIS (FABRICAS). PARA MANTER A BLINDAGEM TRIBUTARIA OS ADVOGADOS NAO CONCORDARAM COM A FORMATACAO DE UM CONTRATOMAE PARA INCLUIR AS DEMAIS EMPRESAS/RISCOS. DIANTE DISSO, EH REQUERIDA APROVACAO DA GARANTIA DE HIPOTECA APENAS PARA A EMPRESA FAS.” (...) RECOMENDO O ATENDIMENTO DA PROPOSTA, SUJEITO A INCLUSAO DO AVAL DA DOV IND OLEOS VEGETAIS (QUE EH UMA DAS PRINCIPAIS EMPRESAS OPERACIONAIS DO GRUPO E CEDERA 10% GARANTIA DPSA NESTA OPERACAO) (...)”(Destacamos). Fl. 10453DF CARF MF 52 FAS: A FAS foi constituída em 2000, tendo como sócios Simon Nemer Ferreira Abdul Massih e Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih, sendo que, em 2001, foi admitida também como sócia Andréa Ferreira Abdul Massih (todos reais administradores do Grupo FN). Em 2012, a Sra. FÁTIMA retirase, formalmente, desta sociedade, no entanto, juntamente com os demais, continua atuando como real administradora do Grupo FN, como amplamente demonstrado no Termo de Sujeição Passiva Solidária direcionado a ela e que acompanha os respectivos lançamentos realizados junto às pessoas jurídicas do Grupo. [...] De fato, os reais administradores, por meio dela, centralizavam o patrimônio imobilizado do Grupo, como fora bem pontuado pelo administrador João Shoiti Kaku ANEXO 23: “Perguntado se houve novas aquisições, uma vez que tiveram investimentos de R$ 190 milhões, KAKU responde que R$ 190 milhões é o endividamento total do Grupo e confirma que todo o imobilizado está em nome da FAS. (....) Perguntado sobre a depreciação, KAKU informou que não vai encontrar, que fica tudo na FAS, que é a parte real.” (Destacamos). As informações prestadas pelo senhor Kaku revelam, ainda, que o dinheiro gerado pelo Grupo (incluindose aí o que deixou de ingressar aos cofres públicos) retroalimentava suas atividades, inclusive a compra de “um monte de fábricas” ANEXO 23: “Perguntado sobre as empresas, Multióleos, DOV, com crescimento do faturamento e redução de margem, em que o custo cresceu, KAKU diz que não quer falar sobre isso por telefone, aonde eles deixam essa parte do resultado, que não queria falar por telefone, que a gente sai comprando um monte de fábricas, que já explicou pessoalmente, a origem da onde a gente compra, que compramos Pirapozinho desembolsando R$ 14 milhões e o endividamento cresceu muito pouco, que não quer falar por telefone, que foi dito ao Bicudo pessoalmente.” (Destacamos). Assim, especialmente os parques industriais – Sina Indústria, Sina Alimentos e Fama Ovos, geradores da riqueza, funcionavam em imóveis e instalações de propriedade da FAS, como também acontecia com outras pessoas jurídicas do Grupo, como sintetiza o controle mensal de recebimentos da FAS, de abril de 2012 ANEXO 38. Desta maneira, como todo o imobilizado do Grupo era – formalmente – da FAS, as demais pessoas jurídicas (industriais e comerciais), ligadas diretamente à produção e comercialização dos produtos, não possuíam patrimônio para responder, minimamente, pelos abissais débitos tributários deixados pelo caminho. Fl. 10454DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.429 53 Além disto, como – formalmente – a FAS não tinha qualquer ligação – aparente – com as demais pessoas jurídicas do Grupo, vez que estas eram compostas por interpostas pessoas, sem qualquer elo – formal – com àquela, dificilmente os credores, inclusive o Fisco, conseguiriam responsabilizar a FAS, pelos débitos do Grupo. Acontece que os elementos probatórios colhidos, no entanto, são mais do que suficientes para demonstrar que na realidade todo o patrimônio imobilizado que estava em nome da FAS, era do Grupo FN e utilizado a serviço deste, fomentando a geração da renda, da receita e do lucro (fatos geradores dos tributos lançados) de todo o Grupo: a) ora, diretamente, pelo uso dos próprios prédios e maquinários: a.1) SINA Alimentos Bauru: planta industrial de propriedade da FAS ANEXO 05. a.2) SINA Alimentos Orlândia: adquirida em leilão pela FAS ANEXO 05. a.3) SINA Indústria de Óleos Vegetais Santo Anastácio: planta industrial locada pela FAS da empresa Monte Mor S/A – ANEXO 04. a.4) Fama Ovos – Diadema: propriedade da FAS ANEXO 14. b) ora, indiretamente, servindo para afiançar empréstimos tomados de instituições bancárias em benefício do Grupo, fomentando a alavancagem financeira do Grupo, como revela a Carta de Fiança em que a FAS aparece como fiadora das empresas DMR, DOV, DOVOS, FN Assessoria, FAMA OVOS, FARÓLEO, MULTIÓLEOS entre outras, visando a garantia de todas e quaisquer obrigações decorrentes de operações de crédito com o Banco Itaú BBA S/A, no valor total de R$ 60.000.000,00 (sessenta milhões de reais), com vencimento em 12/06/2015. ANEXO 39 c) ora, ainda, servindo ao Grupo com empréstimos diretos, formalizados através de contratos de mútuos, dos quais são exemplos os empréstimos prestados para a DOV (4 milhões), FAROLEO (3,5 milhões) e MULTIOLEOS (2 milhões) todos datados de 22/12/2009 e todos com vencimento em 21/12/2013. ANEXO 40: “A quantia pecuniária ora emprestada (...) deverá ser devolvida (...) no prazo de quarenta e oito (48) meses, ou seja, no dia 21/12/2013 (...)” Em 29/01/2010, portanto um mês depois da data adotada nos contratos de mútuos, mensagem entre integrantes do Grupo deixa claro que o dinheiro emprestado pela FAS, para fomentar a atividade do Grupo, é proveniente de empréstimos tomados de instituições bancárias, e que a formulação dos contratos de Fl. 10455DF CARF MF 54 mútuos foi determinação do real administrador, Sr. Nemr ANEXO 41: “Fritzen, boa tarde Transmiti para o Sr. Nemr as suas informações sôbre os empréstimos da FAS para as outras empresas do Grupo; ele achou interessante fazermos contratos de mútuo com 48 meses (igual período do dinheiro emprestado para FAS pelo HSBC) por causa do IR Fonte que é de 15%; os empréstimos foram os seguintes: 4.000.000,00 para a Dov Ind.de Óleos Ltda. 3.500.000,00 para a Faróleo Alimentos LTda. 2.000.000,00 para a Multióleos Óleos e Farelos Ltda. Daria para você fazer estes contratos? ou pediria para o Jurídico fazer? Já temos que cobrar os primeiros juros pois já venceu o 1º mes do empréstimo. Fritzen, estou com problemas no meu Yahoo (não consigo abrir) se precisar mandar mensagem mande pelo hotmail (recupero.fas@hotmail.com) abraços e bom fim de semana (Ah! favor me mandar a folha de pagamento)” (Destacamos). [...] Com base neste Total Transacionado entre Comerciais e Industriais, verificouse o marcante relacionamento entre as pessoas jurídicas operacionais (industriais e comerciais) do Grupo, na busca – comum – pelo faturamento, pela receita e pelo lucro, revelado no seguinte quadro (segmento grãos): [...] Segmento Grãos: Faroleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. (CNPJ 05.055.406/000140) – elementos juntados no ANEXO 06; Dov Óleos Vegetais Ltda (CNPJ 05.262.304/000140) – elementos juntados no ANEXO 07; Multioleos Óleos e Farelo Ltda (CNPJ 06.247.827/000180) – elementos juntados no ANEXO 08; Dofar Distribuidora de Rações e Farelos Ltda – ME (CNPJ 06.247.822/0001 58) – elementos juntados no ANEXO 09; Cromais Distribuidora de Produtos Industrializados Ltda (CNPJ 11.326.673000152) – elementos juntados no ANEXO 10; Fl. 10456DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.430 55 W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda (CNPJ 12.369.189/0001 73) – elementos juntados no ANEXO 11; Orted Óleos e Cereais Ltda (CNPJ 14.041.985/000108) – elementos juntados no ANEXO 12; Petry Comércio, Importação & Exportação Ltda (CNPJ 14.465.186/000169) – elementos juntados no Anexo 13; Segmento Ovos: Dovos Distribuidora de Ovos Ltda. (CNPJ 13.723.665/0001 75) – elementos juntados no Anexo 15; DMR Representação Comercial Ltda. (CNPJ 04.740.534/0001 05) – elementos juntados no Anexo 16; As pessoas jurídicas comerciais também não possuíam patrimônio imobilizado, pois, como visto, tal patrimônio do Grupo ficava “apartado”, junto à FAS, distante da atividade produtiva. As pessoas jurídicas comerciais eram utilizadas, pelos reais administradores, principalmente, para formalizar a realização das vendas, para terceiros, dos produtos industrializados (sob encomenda) pelas empresas industriais do Grupo. Importante ressaltar, novamente, o fato de que as industriais do Grupo, basicamente, registravam suas operações como industrialização por conta e ordem das pessoas jurídicas comerciais. Assim, o faturamento das industriais originouse, fundamentalmente, da prestação de serviço às comerciais, qual seja, a industrialização por encomenda feita pelas comerciais. Assim, é até intuitivo concluir que a receita bruta Grupo se concentrou, em sua maior parte, nas pessoas jurídicas comerciais. Visando demonstrar isto (e tendo em vista o escopo das auditorias), delimitouse, por ano, para análise comparativa de valores, a receita bruta total do grupo (somente CFOPs de receita bruta), entendida esta como: a receita bruta da holding + receita bruta das patrimoniais + receita bruta das industriais + receita bruta das comerciais. No ano de 2011, somente a totalização da receita bruta das pjs comerciais auditadas (WAS, MULTIOLEOS, DOV, FAROLEO, CROMAIS, DMR e DOVOS), extraída das Notas Fiscais Eletrônicas – NFEs, corresponde a 94,97% do total da receita bruta do Grupo (a receita bruta das demais pessoas jurídicas foram extraídas das DIPJs); salientese que não foi detectada receita bruta declarada pela SINA INDUSTRIA no período, no entanto, tal ausência não influencia o resultado aqui pretendido4, qual seja, demonstrar que o faturamento do Grupo Fl. 10457DF CARF MF 56 era concentrado nas comerciais: [...] No ano de 2012, somente a totalização da receita bruta das pessoas jurídicas comerciais auditadas (WAS, MULTIOLEOS, DOV, FAROLEO, CROMAIS, ORTED, DOFAR, PETRY, DMR e DOVOS), extraída das Notas Fiscais Eletrônicas – NFEs, corresponde a 91,49% do total da receita bruta do Grupo (a receita das demais pessoas jurídicas foram extraídas das DIPJs): [...] Salientase que a receita bruta das pessoas jurídicas comerciais auditadas foi extraída das Notas Fiscais Eletrônicas – NFes, individualizadas nas planilhas constantes no ANEXO 50 – A e B. Desta forma, nas pessoas jurídicas comerciais ficava registrada a maior parte da renda do Grupo, refletindo, evidentemente, sobre estas, montantes tributários devidos expressivamente maiores de Cofins, PIS, IRPJ e CSLL, relativamente às demais pessoas jurídicas do Grupo. Contudo, reiteradamente, as pessoas jurídicas comerciais auditadas não confessavam, ao Fisco, a totalidade devida de tais tributos; confessavam, apenas, ínfimos valores: [...] Evidentemente, isto ocorria, tudo indica, pois, no caso de possíveis lançamentos de ofício, o débito tributário recairia sobre estas pessoas jurídicas comerciais, que não possuíam mínimo patrimônio ou capacidade financeira ou econômica para saldar qualquer dívida – enquanto os bens do grupo estariam blindados junto à FAS. Além disto, as repercussões penais pela sonegação (em tese) recairiam sobre os sócios testasdeferro, também sem patrimônio, afastando a responsabilização dos reais administradores. [...] Assim, como exaustivamente foi visto, à holding informal (FN) cabia centralizar a administração geral do Grupo; e às PJs patrimoniais (FAS e Modena) cabia a gerência do seu patrimônio imobilizado. No campo propriamente operacional, às PJs industriais cabia a industrialização dos produtos comercializados pelo Grupo; e às PJs comerciais a comercialização de tais produtos; [...] Todas as pessoas jurídicas do Grupo eram subordinadas a uma unidade diretiva comum, em que o controle central era exercido pela família Abdul Massih e pessoas próximas (reais administradores), notadamente através da FN, como claramente explica o real administrador Kaku: Fl. 10458DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.431 57 [...] A gestão e/ou administração do grupo, como delineado, cabia, assim, aos reais administradores (a família Abdul Massih e pessoas próximas), quando do surgimento das obrigações tributárias auditadas, os quais eram os verdadeiros gestores, agindo com poderes de direção, gerência e “mando”, sendo eles: 1 – NEMR Nemr Abdul Massih, CPF: 824.535.19891: chamado de “chefe” pelos integrantes do Grupo; 2 – FÁTIMA Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih, CPF: 032.308.45838; 3 ANDRÉA Andréa Ferreira Abdul Massih, CPF: 227.644.34804; 4 SIMON Simon Nemer Ferreira Abdul Massih, CPF: 292.680.16885; 5 KAKU João Shoiti Kaku, CPF: 634.844.98820; 6 MANSOUR Joseph Tanus Mansour, CPF: 136.105.71810, (relativamente à: PETRY, DOFAR, ORTED e WAS); Como já salientado, no presente relatório, as informações relativas às pessoas físicas são de caráter genérico, bastando para descrever o conjunto de suas relações com o Grupo, o que se faz necessário ao entendimento completo do ocorrido. Desta maneira, pelo momento, o item 4.2.1, acima, em que se discorre sobre a FN, demonstra de forma suficiente a atuação dos reais administradores no comando do Grupo. Paralelamente a isto, demais elementos probatórios, que reafirmam tal comando, seguem juntados nos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária Responsabilidade Tributária), direcionados, individualmente, a cada pessoa física, que acompanham os respectivos lançamentos, não tendo sido anexados ao presente relatório. [...] Verificouse que os reais administradores (donos do negócio) integraram, nos quadros societários das pessoas jurídicas do Grupo, interpostas pessoas físicas, nitidamente sem a mínima capacidade econômica e conhecimentos suficientes para empreender neste complexo ramo de negócio, no qual trafega elevadas somas monetárias diariamente. Para exemplificar o afirmado, citase as declarações prestadas por Thiago Leite Ortega, para o Ministério Público do Estado de São Paulo, em 27 de maio de 2013, tomada em Termo de Declarações – ANEXO 48, após deflagrada a “Operação Yellow”. Fl. 10459DF CARF MF 58 Salientase que Thiago é sócio formal (testadeferro) da pessoa jurídica Orted, que apresentou elevada receita bruta, em 2012 (de acordo com valores extraídos de NFEs), da ordem de 240 milhões de reais, tendo o mesmo declarado que: “Estudou até o primeiro colegial, em escola pública. Perguntada sua profissão, disse `ter feito de tudo´, como padeiro, ajudante de mecânica, fazendo entregas em empresas, etc´. Perguntado o que faz atualmente, disse `não faço nada há um mês´. No mês passado, era ajudante de padaria. Não era registrado. (...) Tem exesposa e dois filhos. É difícil sustentalos sem trabalho. Não tem vínculos ou quaisquer bens móveis ou imóvel em seu nome. Seus pais são falecidos. Tem três irmãos: sua irmã vendedora numa loja de brinquedos, um irmão caminhoneiro e uma irmã menor que é costureira. Perguntado se já teve empresa, disse que SIM, CHAMADA `ORTED´. Procurou seu Advogado, ora presente, na data de hoje e foi orientado a nada dizer, porque deseja ter acesso aos autos. Não vai dar dados de como soube do Procurador que ora constituiu, que nunca foi seu Advogado antes. Não vai responder às seguintes questões: Como foi aberta a empresa Orted? (...) (negritamos e sublinhamos) Conforme informado no citado Termo de Declarações, corroborado pelos cadastros da Receita Federal, Thiago mora na Rua Luis Rossetti, 237, São Paulo, SP, em residência bastante modesta: [...] Os elementos probatórios apurados, durante as auditorias realizadas, revelam que os demais sócios formais – pessoas físicas (especialmente os relacionados com as pessoas jurídicas dissolvidas irregularmente), encerram situação de vida similar à de Thiago. Tais elementos foram juntados nos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária/Responsabilidade Tributária, direcionados, individualmente, a cada um deles e acompanham os respectivos lançamentos (feitos nas pessoas jurídicas a que se vinculam), não tendo sido anexados ao presente relatório. No que pese, no entanto, tal realidade, os elementos analisados também demonstram que tais sócios entendiam muito bem do que estavam participando. Neste sentido é emblemática carta apreendida durante a Operação Yellow, em que uma exsócia de pessoa jurídica antiga do Grupo (Kimpro Distribuidora de Produtos Alimentícios Ltda) Kimpro), solicita dinheiro ao senhor Nemr, invocando os valores que ela ajudou a sonegar “Diante dos valores que direta ou indiretamente AJUDEI a SONEGAR, que não foi pouco” Fl. 10460DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.432 59 Tal carta (ANEXO 53) não revela situações contemporâneas aos fatos geradores aqui tratados, mas revela, claramente, o modo de agir do Grupo: [...] Do mesmo modo, os reais administradores também integraram, nos quadros societários de algumas pessoas jurídicas do Grupo, interpostas pessoas jurídicas, constituídas fora do Brasil – chamadas offshore. Estas offshore eram vendidas como se fossem mercadorias por escritório sediado em Montevidéu, no Uruguai, que colocava à disposição do Grupo uma relação de “sociedades anônimas”, para serem escolhidas ANEXO 49. [...] Desta maneira, quando o Grupo necessitava de outras offshore (SAFI), era feito o pedido, como exemplifica a seguinte mensagem do advogado do Grupo, Victor Mauad ANEXO 49: [...] Conforme demonstrado no item 4.3.2, todas as offshore constam no mesmo endereço – Calle Juncal, 1327 – apto 2201 – Montevidéu – ANEXO 47. A evidente motivação para a inserção destas pessoas jurídicas, constituídas no Uruguai, nos quadros societários das pjs do Grupo, parece estar explicitada em um documento manuscrito apreendido na Alameda Santos, 455, 12º andar, Sala 1203/1204 (ANEXO 49A), onde se lê: “Não é crime a sonegação de imposto no Uruguai”: [...] “SAFIS – Ações ao portador – não há registro de quem são os donos – somente os diretores”: [...] “No Uruguai – não tem imposto – IRPF – não existe no Uruguai”:[...] “Há controles internos em relação à lavagem de dinheiro”: [...] “o escritório Posadas – pode prestar serviço de acionista”: [...] “CX 2”: [...] Diante de tais elementos, é de se concluir que estas offshore, embora fossem, formalmente, constituídas no Uruguai, eram desprovidas de quaisquer finalidades societárias, servindo, apenas, para estruturar, formalmente, as pessoas jurídicas do Grupo, para realizarem os fatos geradores dos tributos lançados. [...] Fl. 10461DF CARF MF 60 De posse das premissas básicas do Relatório de Solidariedade produzido pela fiscalização, pautadas nos elementos probatórios elencados oriundos do Ministério Público de São Paulo, da SEFAZ/SP e da própria RFB, passemos a apreciar as argumentações dos contribuintes contra as imputações de responsabilidade a que foram sujeitos. Em geral, as impugnações apresentadas pelos diversos responsáveis solidários, pessoas físicas e jurídicas, são semelhantes, principalmente dentro do mesmo núcleo de infração (reais administradores, procuradores e Pessoas Jurídicas vinculadas), sendo que as argumentações comuns serão tratadas conjuntamente, enquanto as específicas, em separado. 2.2 DAS ARGUMENTAÇÕES COMUNS A MAIS DE UM RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. 2.2.1 Da impossibilidade de aplicação do art. 124, I, dissociado do art. 135 do CTN. Necessária existência de atos de administração e gestão para caracterizar a solidariedade. Da formação do Grupo Econômico. As contestações de defesa do presente tópico foram argüidas igualmente pelos responsáveis tributários Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih (fls. 9078 a 9108), Andréa Ferreira Abdul Massih (fls. 8992 a 9024), Simon Nemer Ferreira Abdul Massih (fls. 8920 a 8950), Nemr Abdul Massih (fls. 9264 a 9295), Dario Aprigio da Silva (fls. 9139 a 9171), João Shoiti Kaku (fls. 8920 a 8950), José Agostinho Miranda Simões (fls. 8763 a 8783), Paulo Roberto dos Santos Mina (fls. 8786 a 8804), Nabil Akl Abdul Massih (fls. 9115 a 9136), e Luiz Alberto Panaro (fls. 9174 a 9182), FAS – Empreendimentos e Incorporações (fls. 8807 a 8848 / 8876 a 8907), FN – Assessoria Empresarial Ltda (fls. 9296 a 9343), FAMA Ovos Ltda (fls. 8954 a 8989), e DOVOS Distribuidora de Ovos Ltda (fls. 9027 a 9076). Defendem igualmente os impugnantes, que o “interesse comum” a que se refere o artigo 124, inciso I do CTN, não se resume a interesse econômico, devendo existir, para que se configure a solidariedade passiva tributária, interesse jurídico na realização da situação que deu origem ao fato gerador do tributo, o que torna imprescindível que a pessoa responsabilizada tenha exercido poderes de direção. Em raciocínio lógico, complementam que não há como admitir a solidariedade passiva tributária a pessoa que não tenha exercido qualquer ato de gerência ou de administração à frente da pessoa jurídica fiscalizada (DMR). O responsável João Kaku, na mesma linha, acrescenta que é fundamental que se realize, pessoalmente, em conjunto com outras, a materialidade do próprio fato gerador, pois somente assim se caracterizará o interesse jurídico que imputa a solidariedade. Por sua vez, as pessoas jurídicas impugnantes (FAS, FAMA, DOVOS e FN) acrescentam que participar de empresas que se Fl. 10462DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.433 61 relacionam, tendo em vista determinada atividade econômica, não revela, por si só, a solidariedade descrita nos artigos 124, inciso I, combinado com o artigo 135, inciso III, ambos do CTN. Análise De antemão, verificase que o objetivo dos impugnantes é desqualificar a responsabilidade tributária prevista no artigo 124, I, cuja matriz é o “interesse comum” na situação que constitua o fato gerador tributário, quando desvinculada de atos de gerência ou administração da sociedade, ou quando não participarem efetivamente do fato gerador que deu causa à responsabilidade. Ocorre que, em contradição, os responsáveis do núcleo “reais administradores”, Maria de Fátima Massih, Andrea Massih, Simon Massih, Nemr Massih e João Kaku foram assim considerados não somente por configurado o “interesse comum” no fato gerador tributário, mas também pelas obrigações decorrentes de atos praticados por eles com infração à lei. Noutras palavras, a necessária associação do art. 124, I com o artigo 135 para legitimar a aplicabilidade do primeiro, no seu caso, já é realidade, porquanto a eles foram imputadas ambas as hipóteses de responsabilização. Entretanto, o alcance do “interesse comum”, doravante enfrentado, aplicase igualmente aos impugnantes acima identificados, porquanto a responsabilidade do artigo 124, inciso I, é independente daquela prevista no art. 135, sendo suficiente a sua hipótese de incidência para configurar a responsabilidade. Pois vejamos. Para deslinde da controvérsia, primeiramente é necessário compreender o conceito de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, previsto no art. 124, I, do CTN. A norma de responsabilidade tributária tem o objetivo de garantir o crédito tributário e, por motivos de conveniência e necessidade, a lei elege um terceiro para ser o responsável pelo pagamento do tributo, em caráter pessoal, subsidiário ou solidário. O art. 124, do CTN, trata da responsabilidade solidária das pessoas expressamente designadas por lei e das que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, tendo como premissa a vinculação da terceira pessoa ao fato gerador, consoante artigo 128 do CTN: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Fl. 10463DF CARF MF 62 Portanto, o “interesse comum” pressupõe haver liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo econômico, inclusive as pessoas físicas, o que está fartamente comprovado no Relatório de Solidariedade (fls. 453/533), com excertos relevantes reproduzidos no item 2.1 precedente, e nos documentos a ele acostados. Verificase, no caso concreto, a existência de várias sociedades formais (a DMR, dentre as demais) e outra verdadeira sociedade, que se pode chamar de real (o Grupo FN). A sociedade formal, DMR Representação Comercial Ltda, tinha como quotistas o Sr. Rodrigo Madrigano, sócio administrador e a offshore uruguaia Parakalo S/A. Termo de Sujeição Passiva acostado às folhas 8519 a 8523, juntamente com Relatório de Solidariedade, revelam que Rodrigo Madrigano tratase de interposta pessoa, sem qualquer conhecimento, capital ou poder de gerência necessários à consecução do objetivo societário. Por outro lado, a Parakalo S/A era uma offshore uruguaia, interposta pessoa jurídica constituída fora do país, segundo Termo de Sujeição Passiva acostado às folhas 8515 a 8518. As empresas, mesmo formal e aparentemente independentes como a DMR, realizavam, de forma complementar, as situações configuradoras dos fatos geradores e também atuavam sob comando único, com objetivo e estruturas comuns e com intercomunicação patrimonial. Demonstrase nos autos que a direção centralizada do grupo se caracterizava pelo gerenciamento a nível de detalhes, das empresas, com instruções ou diretivas. O grupo mantinha, de fato, uma estrutura única “setorizada” em diversas pessoas jurídicas, cabendo à direção unitária decidir pela própria realização das operações e negócios das demais sociedades, bem como administrar os encargos deles decorrentes, como é a atividade consistente no pagamento de tributos e cumprimento de obrigações acessórias, caracterizando neste esteio o interesse comum. Neste contexto, a fiscalizada (DMR) existe para dar suporte às atividades empresárias da sociedade real. Se existe irregularidade na sociedade, ou seja, se ela é formalmente integrada por interpostas pessoas, a conseqüência é que o fato gerador não será realizado pela sociedade formal e sim pela sociedade real. Portanto, o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador não é daquela sociedade formal e sim da sociedade real (o Grupo Econômico) já que os administradores, ao praticarem o ilícito, ou seja, a interposição de pessoas e demais infrações legais apontadas, atuam também com o propósito de praticar ilícitos tributários, cujos valores serviriam para enriquecer a todos ilicitamente. Nesse contexto, a formação do Grupo Econômico, com inexistência de autonomia das unidades, autônomas apenas na aparência, com blindagem patrimonial, comando centralizado dissimulado, sucessivas dissoluções irregulares fraudulentas e utilizandose das estruturas das pessoas jurídicas constituídas por meio de interpostas pessoas ou offshores, caracterizam o “interesse comum” na situação que constituiu o fato gerador da Fl. 10464DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.434 63 obrigação tributária por todos os partícipes, na medida em que tais condutas geravam renda, lucro e receitas tributáveis que eram sonegadas para o fim de financiamento e fomento de todo o Grupo econômico, Destarte, a sociedade real (o Grupo FN) é chamada a integrar a relação jurídica em sua totalidade, ou seja, pessoas jurídicas e pessoas físicas, sem distinção de patrimônios, por na realidade constituírem uma só grande empresa, sob o comando dos seus reais administradores, impugnantes Maria de Fátima Massih, Andrea Massih, Simon Massih, Nemr Massih e João Kaku, além dos mandatários José Miranda, Paulo Mina, Nabil Massih, Luiz Panaro e Dario Aprigio Silva, todos agentes das Pessoas Jurídicas do Grupo FN, também impugnantes, FAS, FN, Fama, e Dovos, e igualmente partícipes e beneficiárias dos valores sonegados. Registrese, por específico, que Dario Aprígio Silva foi imputado como responsável tributário por ser o Procurador da offshore Parakalo S/A no Brasil, interposta pessoa jurídica uruguaia, sem qualquer finalidade societária, utilizada pelo Grupo FN para composição da DMR. Ou seja, tanto a offshore quanto o seu Procurador no país integraram o Grupo e suas articulações, compondo a unicidade empresarial com fins ilícitos. Parakalo S/A não apresentou impugnação, estando definitiva sua condição de responsável tributário, enquanto Dario Aprígio Silva não apresentou qualquer alegação ou prova que o desvinculasse do interesse comum fraudulento do Grupo. Por sua vez, a alegação das pessoas jurídicas impugnantes (FN, FAS, FAMA e DOVOS) de que a participação em Grupo Econômico, por si só, não justifica a responsabilidade tributária, é verdadeira, DESDE QUE, este Grupo Econômico sirvase ao seu objetivo social de forma lícita, sem utilização de interpostas pessoas para acobertamento dos seus reais administradores, sem prática reiterada de sonegação e fraude tributárias, sem o cometimento de ilícitos penais. Definitivamente não é o caso do Grupo FN. Registrese, ainda, que o próprio Poder Judiciário já reconheceu, em decisões judiciais anteriores (fls. 995/1006), a existência do grupo econômico comandado pelo clã dos Abdul Massih por meio de práticas fraudulentas, envolvendo a fiscalizada e demais pessoas jurídicas do grupo, como podemos exemplificar: Fl. 10465DF CARF MF 64 A mera alegação dos impugnantes, nas suas respectivas peças de contestação, da inexistência de qualquer relação jurídica ou efetiva entre eles, pessoas físicas e jurídicas, e os fatos geradores apontados pela fiscalização junto a DMR, sem qualquer documento com efeito probante em contrário, não se mostra o bastante para desconstituir todo o elemento probatório juntado ao procedimento fiscal, seja ele oriundo do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime organizado (GAECO), do Ministério Público do Estado de São Paulo, seja da SEFAZ/SP ou da própria RFB, relacionados às fls. 461 a 462 e anexados ao Relatório de Solidariedade Tributária produzido pela fiscalização. O entendimento aqui firmado é adotado também pelo CARF, inclusive pela CSRF, conforme jurisprudência a seguir: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. (Acórdão nº 9101002.349, de 14/06/2016, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Comprovado nos autos como verdadeiro sócio da pessoa jurídica, pessoa física, acobertada por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em Fl. 10466DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.435 65 nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão nº 108 09617, de 28/05/2008, da 8ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA. Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão nº 1301001323, de 06/01/2013. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara. Rel. Paulo Jakson da Silva Lucas). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. A coordenação de uma sociedade empresária formalmente constituída, mas integrada por sócios que não possuem o conhecimento, o capital e o poder de gerência necessários à consecução do objetivo societário e, de outro lado, de uma sociedade de fato que contrata, presta serviços e é remunerada possui as mesmas características de um consórcio de empresas (apesar de não o ser) que permitem a responsabilização da empresa de fato, conforme o artigo 124, I, do CTN, e, por consequência, permitem a responsabilização pessoal dos sócios de fato. (Acórdão nº 1801002024, de 29/07/2014 – 1ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento. Rel. Neudson Cavalcante Albuquerque)”. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado nos autos como verdadeiro sócio da pessoa jurídica, pessoa física, acobertada por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, gerindo, na prática, seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal.(Acórdão nº 1202001.034, de 08/10/2013 – Rel. Vivane Vidal Wagner) ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Quando utilizadas para afastar fatos apresentados pela autoridade fiscal e baseados em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. (Acórdão 2401003.057, de 18/06/2013) AUSÊNCIA DE PROVAS SUFICIENTES EM RECURSO. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as Fl. 10467DF CARF MF 66 justifiquem não são suficientes para ilidir o feito fiscal. (Acórdão 2802001.908, de 19/09/12) MERAS ALEGAÇÕES. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. COMPROVAÇÃO DOS FATOS. A defesa deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. (Acórdão 1101000.795, de 11/09/12) Diante do exposto, é de concluir que está correta a responsabilização de todos os impugnantes, imputada com base no art. 124, I, do CTN, cuja aplicabilidade é dissociada do artigo 135 do CTN, quando incorrida a sua hipótese de incidência. 2.2.2 Dos atos praticados com infração a lei pelos reais administradores. Imputação do artigo 135, III, do CTN 2.2.2.1 Da inexistência de provas de poder de gerência e prática de atos ilegais do núcleo “reais administradores” – família Abdul Massih, sobre os fatos geradores da DMR. As contestações de defesa do presente tópico foram argüidas igualmente pelos responsáveis tributários Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih (fls. 9078 a 9108), Andréa Ferreira Abdul Massih (fls. 8992 a 9024), Simon Nemer Ferreira Abdul Massih (fls. 8920 a 8950) e Nemr Abdul Massih (fls. 9264 a 9295). Contestaram os reais administradores acima identificados, invariavelmente, que nenhum documento juntado aos autos demonstra, de forma implícita ou explícita, que eles teriam praticado atos, determinantes ou de interesse, em relação ao fato gerador de suposto ilícito tributário junto a DMR. Entretanto, como visto até então, a DMR era apenas uma das sociedades de fachada que acobertam a sociedade real, o grupo FN, este sim, a sociedade real, que era administrada diretamente pela família Abdul Massih e pessoas próximas por meio de procurações. Alegam os impugnantes que o ônus de provar cabe ao fisco, mas que não há tais provas relacionadas diretamente a DMR. Por tudo o exposto, basta a prova do poder de gerência / administração no grupo econômico para vincular tais pessoas à DMR, porquanto esta é o braço comercial do segmento ovos comandado pelo Grupo. Pois vejamos. Nemr Abdul Massih exercia a gestão e/ou administração diretamente, ou ainda por meio de duas pessoas jurídicas FN Assessoria Empresarial e FAS Empreendimentos imobiliários. No Termo de Solidariedade Passiva (fl. 8302) e seus anexos, há elementos probatórios incontestes dos seguintes fatos e condutas, de lá transcritos: Fl. 10468DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.436 67 Todas estas afirmações constantes do referido Termo são reveladas por documentos anexados às folhas a ele imediatamente subseqüentes, que não foram contrapostas em sua impugnação, para eventualmente desconstituir seu vínculo com o reconhecido Grupo Econômico, e por conseqüência, o vínculo com a DMR. Somamse a estes elementos probatórios específicos, todos os demais descritos no Relatório de Solidariedade Passiva Tributária às folhas 453 a 533 e seus 53 anexos. Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih exercia a gestão e/ou administração do grupo diretamente ou por meio de duas pessoas jurídicas: FN Assessoria Empresarial (sem vínculo Fl. 10469DF CARF MF 68 formal mas com poder de mando, conforme degravações e emails) e FAS Empreendimentos imobiliários, na condição de Diretora no período fiscalizado. No Termo de Solidariedade Passiva (fl. 8019) e seus anexos, há elementos probatórios incontestes dos seguintes fatos e condutas, de lá transcritos: Todas estas afirmações constantes do referido Termo são reveladas por documentos anexados às folhas a ele imediatamente subseqüentes, que não foram contrapostas em sua impugnação, para eventualmente desconstituir seu vínculo com o reconhecido Grupo Econômico, e por conseqüência, o vínculo com a DMR. Somamse a estes elementos probatórios Fl. 10470DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.437 69 específicos, todos os demais descritos no Relatório de Solidariedade Passiva Tributária às folhas 453 a 533 e seus 53 anexos. Andrea Ferreira Abdul Massih exercia a gestão e/ou administração diretamente, ou ainda por meio de duas pessoas jurídicas FN Assessoria Empresarial e FAS Empreendimentos imobiliários, apresentandose na condição de Diretora. No Termo de Solidariedade Passiva (fl. 7920) e seus anexos, há elementos probatórios incontestes dos seguintes fatos e condutas, de lá transcritos: Uma série de emails é transcrita também, ao término do Termo de Sujeição Passiva, para corroborar o papel de Andrea na gestão do Grupo FN Todas estas afirmações constantes do referido Termo são reveladas por documentos anexados às folhas a ele imediatamente subseqüentes, que não foram contrapostas em sua impugnação, para eventualmente desconstituir seu vínculo com o reconhecido Grupo Econômico, e por conseqüência, o vínculo com a DMR. Somamse a estes elementos probatórios específicos, todos os demais descritos no Relatório de Solidariedade Passiva Tributária às folhas 453 a 533 e seus 53 anexos. Simon Nemer Ferreira Abdul Massih, exercia a gestão e/ou administração vinculado formalmente a três pessoas jurídicas do grupo no período fiscalizado: FAS, Sina Indústria Alimentos e Sina Indústria de óleos Vegetais. No Termo de Solidariedade Passiva (fl. 8525) e seus anexos, há elementos probatórios incontestes dos seguintes fatos e condutas, de lá transcritos: Fl. 10471DF CARF MF 70 Todas estas afirmações constantes do referido Termo são reveladas por documentos anexados às folhas a ele imediatamente subseqüentes, que não foram contrapostas em sua impugnação, para eventualmente desconstituir seu vínculo com o reconhecido Grupo Econômico, e por conseqüência, o vínculo com a DMR. Somamse a estes elementos probatórios específicos, todos os demais descritos no Relatório de Solidariedade Passiva Tributária às folhas 453 a 533 e seus 53 anexos. Portanto, ao contrário do que alegam os impugnantes, sobejam elementos comprobatórios do exercício de administração e gestão de todo o Grupo FN por aqueles membros da família Abdul Massih. Sendo inconteste também o modus operandi com o fim de sonegação fiscal, blindagem patrimonial e uso de interpostas pessoas, conforme item precedente, prática reiterada pelo Grupo por vários anoscalendários, foram identificadas várias infrações à lei cometidas pelos reais administradores: a) Lei 4.502/1964: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 10472DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.438 71 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. b) Lei 8.137/90, artigos 1° e 2°: “Art. 1°. Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; c) Decreto Lei 2.848/1940 (Código Penal), artigo 288 Associação Criminosa “Art. 288 – Associaremse 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes. d) Decreto Lei 2.848/1940 (Código Penal), artigo 299 Falsidade Ideológica “Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante; Detectada a infração à lei, sonegação fiscal dentre outras, há a responsabilidade pessoal dos “sócios” administradores da empresa (diretores, gerentes ou representantes), ao tempo do fato gerador, pelos tributos ora lançados, por resultantes de sua ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, conforme prevê o artigo 135, inciso III do CTN. Mantida, portanto, a responsabilidade tributária solidária dos impugnantes. 2.2.2.2 Da inexistência de provas de poder de gerência e de atos ilegais praticados por João Shoiti Kaku, sobre os fatos geradores da DMR – reais administradores. Fl. 10473DF CARF MF 72 João Shoiti Kaku, imputado como responsável tributário no “núcleo” reais administradores, alega que apenas prestava serviços esporádicos de consultoria financeira para empresas do Grupo, mas sem pertencer à estrutura organizacional e sem qualquer domínio das atividades e decisões formadas pelos efetivos controladores do Grupo (Família Abdul Massih). Acrescenta que não há qualquer prova nos autos que demonstre a condição de diretor ou gerente financeiro junto ao Grupo, bem como não há qualquer vínculo do Impugnante com o Grupo e do Impugnante com os fatos geradores das obrigações tributárias. Junta Declarações de FN, MODENA e SINA de que não exerce e nunca exerceu controle, gestão ou propriedade dessa empresa, sendo a sua pessoa completamente estranha ao quadro societário, diretivo ou de funcionários da empresa. Pois vejamos. Segundo consta no Relatório de Solidariedade Tributária, somado ao Termo de Sujeição Passiva às folhas 8199 a 8209, João Shoiti Kaku exercia sua condição de gestor / administrador do grupo na condição de Diretor Financeiro da FN, embora não formalmente, mas evidenciado pelos elementos colhidos na Operação Yellow. Todas estas afirmações constantes do referido Termo são reveladas por documentos anexados às folhas a ele imediatamente subseqüentes, que não foram contrapostas em sua impugnação, para eventualmente desconstituir seu vínculo com o reconhecido Grupo Econômico e, por conseqüência, o vínculo com a fiscalizada DMR. A mera negativa do vínculo com o Grupo, somada à juntada das declarações (fls. 9259/9261) de outras pessoas jurídicas do Grupo de sua não vinculação ou gerência, não são elementos probatórios o bastante para desconstituir tudo o que provado Fl. 10474DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.439 73 nos autos, seja no Relatório de Solidariedade, seja no próprio Termo de sujeição particular. Comprovada a sua atuação de administração de todo o Grupo, mormente na seara financeira, resta afirmar que, em conluio com os demais “reais administradores”, praticou infrações a lei (relacionadas no item precedente) que o sujeitam à responsabilidade tributária pessoal, porquanto seus atos concorreram para as obrigações tributárias lançadas, segundo preceitua o artigo 135, inciso III do CTN. Mantida, portanto, a responsabilidade solidária do Sr. João Shoiti Kaku, também por incorridas as hipóteses do artigo 135 inciso III do CTN. 2.2.3 Da não responsabilidade dos Procuradores por não exercício do poder de direção e gerência. Mera condição de empregados das pessoas jurídicas. As contestações de defesa do presente tópico foram argüidas igualmente pelos responsáveis tributários do núcleo “Mandatários”, José Agostinho Miranda Simões (fls. 8763 a 8783), Paulo Roberto dos Santos Mina (fls. 8786 a 8804), Nabil Akl Abdul Massih (fls. 9115 a 9136), e Luiz Alberto Panaro (fls. 9174 a 9182). Alegam os mandatários acima identificados que eram meros funcionários das empresas do Grupo, FN Assessoria Empresarial (Luiz Panaro, José Miranda e Nabil Massih), e FAROLEO Comércio de Produtos Alimenticios Ltda (Paulo Mina), não exercendo qualquer poder de mando ou administração. Aduzem todos igualmente que os mandatos outorgados que foram destacados no Termo de Sujeição Passiva Solidária são específicos, limitados e em conjunto, sempre vinculando o impugnante outorgado ao controle e comando da outorgante. Acrescentam que não há poderes para administrar, não há poderes para dispor do patrimônio, não há poderes para declarar tributos tampouco administrálos – os poderes são específicos para o monitoramento financeiro em função da contratação de prestação de serviços da FN. Análise Sendo composta por interpostas pessoas, a sociedade DMR era administrada centralizadamente pelo Grupo, como todas as demais PJs componentes. Esta gestão administrativa, comercial, financeira e trabalhista era efetuada, sobretudo, por meio da FN Assessoria Financeira, diretamente ou principalmente por meio de contratos de assessoria empresarial (fl. 1029): Fl. 10475DF CARF MF 74 De forma paralela, a DMR, como as demais pessoas jurídicas do grupo (por meio dos sócios testasdeferro ou representantes das sócias offshore) ainda outorgavam procurações com amplos poderes de gestão à FN (especialmente para movimentação bancária), com cláusula de substabelecimento, conforme documento firmado entre a DMR e a FN juntado no Anexo 29 ao Relatório de Solidariedade (fls.1083/1084): Foi detectado pela fiscalização, que no período auditado, a procuração da DMR à FN, bem como das demais pessoas jurídicas do Grupo (Dov, Dovos, Multioleos e Faroleo), foi substabelecida pela FN para 04 procuradores (Panaro, Nabil, Mina e Miranda), que recebiam amplos poderes de gestão e agiam ostensivamente frente a terceiros, especialmente instituições financeiras, mantendo ocultos os reais administradores, conforme exemplo abaixo (substabelecimentos às fls. 1085 a 1098): Fl. 10476DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.440 75 Esse modus operandi era reproduzido nas demais empresas do Grupo, todas geridas de forma centralizada pela família Abdul Massih e pessoas próximas através de procurações substabelecidas. De fato, segundo consta no Relatório de Solidariedade, a FN apresentavase frente ao público, especialmente instituições financeiras, por meio dos citados procuradores (Panaro, Nabil, Miranda e Mina), cujo vínculo empregatício como o Grupo assim se afigura nas Guias de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs: Os procuradores atuavam não somente em representação da DMR, mas também de outras empresas do Grupo, mantendo ocultos os reais administradores: O exame dos substabelecimentos juntados aos autos, e da amplitude de atuação dos mandatários frente a várias empresas do Grupo, mormente junto aquelas que movimentam mais de 90% de todo o seu faturamento (PJs comerciais), com total Fl. 10477DF CARF MF 76 autonomia de circulação de tamanho patrimônio econômico e financeiro, nos revela o real poder de administração, financeira e patrimonial, dos outorgados, concedido pelo maior Diretor do Grupo, o Sr. Nemr Abdul Massih, por meio da FN. Ao contrário do que alegam José Agostinho Miranda Simões, Nabil Akl Abdul Massih, Paulo Roberto dos Santos Mina e Luiz Alberto Panaro, suas condutas estão precisamente individualizadas. Atuaram como mandatários substabelecidos de F.N. Assessoria Empresarial Ltda., esse sim, mandatário original do Contribuinte DMR, e, nesse arranjo, fezse ocultar um dos reais administradores do Grupo Econômico em voga, a dizer, Nemr Abdul Massih. Não se deve perder de vista todo o artifício e ardil construído ao derredor do funcionamento do referido Grupo e serviente de cenário de fundo, como já visto. A dizer, os instrumentos procuratórios não estão soltos, nem são episódicos. Têm função a desempenhar no enredo todo. Nesse passo, já se diga que a imputação que lhes corre não é à força da prática de ato de gestão (art. 135, inciso III, do CTN), mas senão, no contexto de operação do Grupo, atuar com "excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos" no desempenho de mandato, bem que animados pelo interesse comum perseguido por esse mesmo Grupo (arts. 124, inciso I, e 135, inciso II, do CTN), como alinhavado linhas atrás. Por oportuno, digase que os termos dos substabelecimentos de fls. 8255, 8257 e 8259 são, sim, amplíssimos, visto que conferem totais poderes sobre a vida empresária do Contribuinte à possível atuação individual ou combinada de dois dentre os seguintes procuradores: Luiz Alberto Panaro, Nabil Akl Abdul Massih, José Agostinho Miranda Simões e Paulo Roberto dos Santos Mina, sem interferência dos sócios da substabelecedora F.N. Assessoria Empresarial Ltda. Frisese, que os mandatários movimentavam a maioria dos recursos financeiros que circulavam por todo o Grupo FN, cuja Receita Bruta somente das empresas outorgantes ultrapassou R$ 1 bilhão de reais em cada um dos anos calendário fiscalizados. Neste esteio, é transparente a participação dos mandatários nos objetivos escusos do grupo, configurado tanto o interesse comum quanto as infrações à lei apontadas. Registrese ainda que, nesse ponto, ainda que se tenha por formalmente regulares os instrumentos de mandato citados, o propósito está desvirtuado. Donde a imprestabilidade, na hipótese, do art. 137, inciso II, do CTN, adiante também tratada. Detectadas as infrações à lei apontadas no item precedente (sonegação fiscal, dentre outras), há a responsabilidade dos mandatários, prepostos e empregados, segundo as disposições do art. 135, II, não merecendo reparos os Autos de Infração e Termos de Sujeição Passiva solidária. 2.2.4 Da não responsabilidade dos mandatários quando infrações forem cometidas no exercício regular de mandato. Artigo 137, inciso I, do CTN. Fl. 10478DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.441 77 As contestações de defesa do presente tópico foram argüidas igualmente pelos responsáveis tributários do núcleo “Mandatários”, José Agostinho Miranda Simões (fls. 8763 a 8783), Paulo Roberto dos Santos Mina (fls. 8786 a 8804), Nabil Akl Abdul Massih (fls. 9115 a 9136), e Luiz Alberto Panaro (fls. 9174 a 9182). Em outro turno, defendem os mandatários que, a despeito de não haver nenhum interesse deles na obrigação tributária e não haver nenhum ato temerário e contrário à lei, deve ser observado o que dispõe o artigo 137 do Código Tributário, notadamente em seu inciso, onde a responsabilidade pessoal do agente das infrações é excetuada quando praticadas no exercício regular de mandato. Aduzem que a legislação tributária excetua sua responsabilidade (dos outorgados) quando agindo em cumprimento de ordem expressa emitida por seus empregadores e outorgantes, como no presente caso. Análise O artigo 137 do CTN trata da responsabilidade por infrações, e responsabiliza pessoalmente os agentes nos casos ali previstos: Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas. O inciso I, carreado aos autos como defesa pelos impugnantes, de fato excetua a responsabilização PESSOAL dos mandatários no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito. Transpondo para a realidade dos fatos, os Procuradores do Grupo FN, agindo nos exatos termos do Substabelecimento a eles outorgado, não poderiam responder isoladamente, e pessoalmente, pelas infrações apontadas, e de fato não respondem. Fl. 10479DF CARF MF 78 A responsabilidade tributária a eles imputada é solidária, não pessoal, sob fundamento legal diverso (art. 135, inciso II), porquanto praticaram ilícitos tributários e penais em conluio com a família Abdul Massih, no exercício do seu mandato, dos quais resultaram obrigações tributárias lançadas. Noutras palavras, a não incidência do artigo 137, inciso I, na hipótese concreta de incidência dos autos, não salvaguarda os responsáveis da hipótese incorrida prevista no artigo 135, inciso II. Mantidas as responsabilidades tributárias solidárias imputadas. 2.2.5 Da não responsabilidade sobre a multa de ofício As contestações de defesa do presente tópico foram argüidas igualmente pelos responsáveis tributários Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih (fls. 9078 a 9108), Andréa Ferreira Abdul Massih (fls. 8992 a 9024), Simon Nemer Ferreira Abdul Massih (fls. 8920 a 8950), Nemr Abdul Massih (fls. 9264 a 9295), Dario Aprigio da Silva (fls. 9139 a 9171), FAS – Empreendimentos e Incorporações (fls. 8807 a 8848 / 8876 a 8907), FN – Assessoria Empresarial Ltda (fls. 9296 a 9343), FAMA Ovos Ltda (fls. 8954 a 8989), e DOVOS Distribuidora de Ovos Ltda (fls. 9027 a 9076). Alegam os impugnantes que a responsabilidade por multa decorrente de infração tributária não pode ser repassada aos responsáveis, seja pela responsabilidade pessoal de quem a ela deu causa (artigo 137 do CTN), como também por não ser obrigação principal (artigo 124, inciso I do CTN). Análise A Responsabilidade Tributária tratada no Capítulo V do CTN diz respeito ao crédito tributário, conforme explicitado nos art 128 e 135. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. O crédito tributário, por sua vez, é composto pelo principal e sua Fl. 10480DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.442 79 penalidade pecuniária, quando aplicável, a teor dos art. 113 e 139 do CTN. A este propósito, vide trecho da ementa nos Embargos de Divergência no REsp 760.290/PR: "Por outro lado, do exame sistemático das normas insertas no Código Tributário Nacional (arts. 113, §§ 1º e 3º, e 139), observase que crédito tributário não diz respeito apenas a tributo em sentido estrito, mas alcança, também, as penalidades que incidam sobre ele." A invocação do artigo 124, inciso I, em sua defesa é totalmente descabida, quando aquela prevê apenas a hipótese de solidaridade (interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal), e não o objeto da solidariedade, o crédito tributário, tratado no artigo 128. Igualmente infeliz é a citação do artigo 137 para tentar livrarse da responsabilidade imputada segundo os artigos 124, I, e 135, incisos II ou III. Ao contrário do que tenta transparecer os impugnantes, a responsabilidade do artigo 137 é direcionada aos Agentes das infrações dolosas quando estes agirem CONTRA aqueles que representam, tratandose de responsabilidade PESSOAL, eximindo o próprio contribuinte da obrigação tributária. Por óbvio não é a situação com a qual aqui nos deparamos. Os reais administradores, mandatários e demais pessoas do Grupo Econômico, agiam coordenadamente, em conluio, sem que houvesse qualquer abuso de direito de umas sobre as outras a ensejar eventual responsabilidade pessoal. Abundam nos correntes autos elementos que evidenciam não só a existência do Grupo Econômico, mas também a intervenção ativa de tantos quantos citados (pessoas jurídicas e físicas) na conformação dos fatos geradores sobre os quais foram exigidos os consequentes tributos incidentes e respectivas multas de ofício. Afastadas, portanto, as argumentações tendentes a separar tributo e multa para fins de incidência de responsabilidade solidária, ou tendentes a conferir pessoalidade às responsabilidades imputadas. 2.3 DAS ARGUMENTAÇÕES ESPECÍFICAS DOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS 2.3.1 Do sobrestamento do julgado O responsável solidário Sr. João Shoiti Kaku aduz que os Autos de Infração impugnados são oriundos da Operação Yellow, que deu origem à Ação Penal nº 00191358.2013.8.26.0071 proposta pelo Ministério Público do Estado de São Paulo em curso perante a 1ª Vara Criminal da Comarca de Bauru/SP. Requer o impugnante que, subsidiariamente às suas razões de defesa, seja determinado o sobrestamento do feito (processo administrativo fiscal) até a conclusão definitiva da mencionada ação penal, uma vez que se busca auferir (sic) se o Impugnante Fl. 10481DF CARF MF 80 possui relação com os acontecimentos narrados nesse processo administrativo, evitandose, assim, a existência de conclusões divergentes. Análise Registrese que o requerimento do contribuinte para sobrestamento do julgamento até pronunciamento do Poder Judiciário quanto a legalidade das provas e responsabilidades, oriundas da Operação Yellow, não tem qualquer respaldo legal na esfera administrativa. Confunde o impugnante conceitos de independência das instâncias cível, penal e administrativa, no sentido de ali se admitir alguma exceção. Ela, exceção, existe, mas é quanto à aplicação do resultado havido numa das instâncias sobre as outras, e não quanto ao sobrestamento dos feitos em si. Por outras palavras, não se paralisa um processar d'uma instância para espera da conclusão d'outra instância. O que se faz, isso sim, é aplicar o resultado d'uma sobre a outra, quando o caso. O condicionamento, acaso existente, como na hipótese em que na seara penal sentenciase a inexistência do fato (art. 386, inciso I, do DecretoLei nº 3.689, de 03 de outubro de 1941, Código de Processo Penal CPP) ou a negativa de autoria (art. 386, inciso IV, CPP), influi/determina o resultado na apuração das instâncias cível e administrativa. Mas e mesmo antes que a instância penal chegue a termo, não se obsta o seguimento em si dos processamentos cível e administrativo. Frisese, por oportuno, que o processo administrativo é regido por princípios, dentre os quais, o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final (art. 2º, inciso XII, da Lei nº 9.784/99). Assim, não pode a autoridade administrativa proceder ao sobrestamento de processo com litígio regularmente instaurado pela apresentação de Impugnação. Aliás, a função precípua da Administração é o controle da legalidade do ato administrativo, controle esse que somente se consuma quando o processo houver logrado transpor todos os escalões da esfera administrativa. Assim, também sob esse enfoque, é desejável que o processo tenha o seu curso normal até a decisão final. Este posicionamento é referendado pela jurisprudência administrativa, a exemplo dos acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do Conselho de Contribuintes, cujas ementas se transcrevem a seguir: “SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. BASE LEGAL. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. Inexistindo previsão legal, não podem as autoridades julgadoras administrativas decidir pelo sobrestamento do processo, sob pena de violar o princípio da legalidade inserto na Constituição da República. O princípio da oficialidade impede que o andamento de um processo fique sobrestado no aguardo de decisão referente a outro processo interposto pelo mesmo contribuinte.” (CARF, 2ª Turma, 2ª Câmara, 1ª Seção, acórdão 1202000.514, sessão de 23/05/2011) Fl. 10482DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.443 81 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Apenas a cobrança do débito deverá aguardar o pronunciamento principal, se demonstrada a ocorrência de uma das causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário.” (2º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, acórdão nº 20218000, sessão de 22/05/2007) Não há que se falar, portanto, em sobrestamento do presente processo administrativo fiscal por inexistente qualquer respaldo legal para o feito. 2.3.2 Da Multa com efeito confiscatório O mesmo responsável solidário Sr. João Shoiti Kaku defende também que a doutrina e jurisprudência já firmaram posicionamento no sentido de que as multas não podem assumir caráter confiscatório, sendo imperiosa a sua redução, em respeito ao artigo 150, IV da Constituição Federal, que vedada (sic) a utilização de tributo com efeito de confisco. Cita doutrinas e julgados e conclui que não há necessidade de maiores considerações sobre o caráter confiscatório da multa aplicada, no percentual de 150% sobre a base de cálculo arbitrada pelos AFRFB, em total afronta à Constituição Federal e ao entendimento firmado pelo C. STF. Análise A multa de ofício aplicada aos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS está especificada no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo aplicável, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A multa é devida pela falta de pagamento ou recolhimento, ou, em outras palavras, pelo descumprimento da obrigação principal, independentemente de quem seja o sujeito passivo ou de sua intenção. O aspecto subjetivo, qual seja, a intenção dolosa, é causa tão somente de qualificação da multa, o que também ocorreu no presente caso. Enfim, a exclusão da multa ou sua redução somente pode ocorrer com suporte na legislação tributária. O argumento de que referidas multas tributárias ensejam o confisco é ele de fundo constitucional/legal. Nessa quadra, diga se que a instância administrativa não está autorizada a afastar a aplicação de qualquer Lei, como a acima identificada. Ao contrário, à Administração Pública cumpre aplicar a Lei de ofício. Assim está anotado no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, introduzido pela Medida Provisória nº 449, Fl. 10483DF CARF MF 82 de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Arguições de inconstitucionalidade de Leis ou ofensa a princípios constitucionais (como o do não confisco) fogem à alçada da administração pública, sendo matéria privativa do Poder judiciário, a quem devem ser dirigidas tais demandas. A tal propósito e no mesmo sentido está o enunciado nº 02 da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" 2.3.3 Do recebimento de Intimações e notificações por Procurador O responsável solidário Sr. João Shoiti Kaku, ao cabo de sua Impugnação, solicita que quaisquer intimações e notificações sejam realizadas em nome do procurador do Impugnante LUIZ EDUARDO DE SOUZA NEVES SCHEMY, OAB/SP nº 203.946, com escritório na Alameda Jaú, nº1.754, 7º andar, São Paulo – Capital, CEP 01420 006. Análise O artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, abaixo transcrito, disciplina integralmente a matéria. Seus incisos I, II e III configuram as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o §3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 10484DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.444 83 I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) O inciso II considera que a intimação via postal deve acontecer no domicílio tributário apenas do sujeito passivo. Já o §4° dispõe que, para fins de intimação, o domicílio tributário do contribuinte pode ser apenas dois locais: o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; ou o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Assim, caso o impugnante fosse intimado, via postal, no endereço de seu advogado, tal ato não acarretaria qualquer efeito jurídico de intimação, pois estaria em desconformidade com o artigo 23, inciso II e §§ 3° e 4°, do Decreto n° 70.235/1972, não tendo o seu requerimento poder de flexibilizar a previsão legal expressa. Indeferido, portanto, o pleito do sujeito passivo. 2.3.4 Da inexistência de prova da blindagem patrimonial feita pela FAZ – Empreendimentos Imobiliários Alega a empresa FAZ que não foi provado que a empresa blindou ou escondeu o patrimônio do Grupo FN. Acrescenta que todo capital social é proveniente exclusivamente da sócia fundadora Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih e de empréstimos junto a Instituições bancárias, que foram pagos pela própria empresa, através de doações em pecúnia de seu pai José Ferreira por antecipação de legítima. Fartos elementos probatórios juntados ao processo, inclusive oitivas e degravações, comprovam a utilização das empresas FAZ e MODENA para concentração do patrimônio do grupo, inclusive parques industriais, para blindagem do patrimônio e financiamento do grupo, seja por meio de contratos de mútuo, seja através de garantias junto às instituições financeiras. Quanto a alegação de que o Capital social de formação da empresa é proveniente da sócia Maria de Fátima Massih e de empréstimos bancários pagos por seu pai, nenhuma prova material foi apresentada neste sentido, a ponto de desconstituir todo o elemento probatório do processo. Ademais, a “formação do Capital Social” pode ser via subscrição em espécie ou em imobilizado, nada aqui demonstrado ou comprovado. Uma das formas de blindagem patrimonial identificadas pela Operação Yellow ocorria via “compra de indústrias”, conforme Relatório Fiscal, o que via de regra destina o patrimônio para as contas de Investimento ou Imobilizado, não refletindo no Capital social da empresa FAZ, o Fl. 10485DF CARF MF 84 que também desconstitui sua alegação quanto a origem do seu capital social como forma de contraprova à blindagem patrimonial. 2.4 CONSIDERAÇÕES SOBRE DEMAIS PROCESSOS DO GRUPO De relevo registrar que da auditoria sobre o Grupo Econômico foram lavrados Autos de Infração equivalentes sobre o mesmo contexto fático, respeitadas as particularidades das exigências formalizadas em cada um dos segmentos de atuação: Dos autos formalizados como estampado no quadro acima, de fl. 463,todos eles já foram objeto de respectivos Acórdãos então proferidos pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA DRJ/SDR, e pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP – DRJ/SPO em que mantidas as exigências e as imputações de responsabilidade tributária solidária passiva. Proferidos pela primeira foram os Acórdãos de nº: 1540.876, de 06/09/2016 (Cromais Distribuidora de Produtos Industrializados Ltda.); 1540.914, de 15/09/2016 (Dofar Distribuidora de Rações e Farelos Ltda. ME); 1540.730, de 03/08/2016 (Dov Óleos Vegetais Ltda.); 1541.257, de 26/01/2017 (Faróleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda.); 1541.258, de 26/01/2017 (Multióleos Óleos e Farelos Ltda.); 1540.938, de 21/09/2016 (Orted Óleos e Cereais Ltda.); 1540.796, de 22/08/2016 (Petry Comércio, Importação e Exportação Ltda.); e 1540.768, de 17/08/2016 (W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda.). Pela DRJ/SPO, foi proferido o Acórdão de nº 1676.516, de 10 de março de 2017 (DOVOS Distribuidora de ovos Ltda), onde igualmente mantidas as exigências e imputações de responsabilidade. Resta, portanto, apenas o presente julgado para concluir a 1ª instância administrativa do Grupo FN, assim nominado pela fiscalização. Isto considerado, fazse necessário atestar que, servindome do art. 50, §1º, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, atesto que vários excertos dos referidos julgados foram aqui reproduzidos (seja pela qualidade, seja pela verdade material que carreiam) quando relativos a situações fáticas comuns ao Grupo Econômico, naturalmente preservando as peculiaridades do presente litígio: Fl. 10486DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.445 85 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Outrossim, pela similitude, o presente processo administrativo fiscal deve, ao seu cabo, ser vinculado aos demais processos do Grupo Econômico, em homenagem à eficiência administrativa, evitandose considerações díspares sobre a mesma situação jurídica. CONCLUSÃO Ante o exposto e o contido nos autos, voto no sentido de considerar IMPROCEDENTE a IMPUGNAÇÃO, para: NÃO CONHECER a impugnação apresentada pelo Contribuinte DMR Representação Comercial Ltda, por ilegitimidade na sua representação, tornando definitiva a sua sujeição passiva tributária relativa aos créditos tributários em litígio; MANTER, integralmente, as exigências do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, consubstanciadas nos Autos de Infração, acrescidas de multa de ofício de 150% e dos juros de mora cabíveis; MANTER a responsabilidade tributária dos sujeitos passivos solidários Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih, Andréa Ferreira Abdul Massih, Simon Nemer Ferreira Abdul Massih, Nemr Abdul Massih, Dario Aprigio da Silva, João Shoiti Kaku, José Agostinho Miranda Simões, Paulo Roberto dos Santos Mina, Nabil Akl Abdul Massih, Luiz Alberto Panaro, FAS – Empreendimentos e Incorporações, FN – Assessoria Empresarial Ltda, FAMA Ovos Ltda e DOVOS Distribuidora de Ovos Ltda; CONSIDERAR DEFINITIVA, por não contestada, a Responsabilidade Tributária dos sujeitos passivos solidários Roberto Madrigano e Parakalo S/A; CONSIDERAR DEFINITIVA, por contestação intempestiva, a Responsabilidade Tributária do sujeito passivo MODENA Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda; Certamente, a mera a acusação de omissão de receitas da atividade, sem a escrituração fiscal e contábil, isoladamente, não proporciona a responsabilidade solidária de quem era sócio, integrava administração da sociedade ou era seu mandatário. Todavia, a responsabilidade solidária dos recorrentes é compatível com a hipótese dos autos, havendo a motivação suficiente para imposição dos artigos 124, inciso I, Fl. 10487DF CARF MF 86 135, incisos II e III, do Código de Tributário Nacional. A nítida e indispensável evidência pela autoridade fiscal da conduta dolosa, individualizando cada responsável tributário e sua participação na sonegação, caracterizou a existência do interesse comum e direto na evasão fiscal. IV. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA (150%) CONFISCATÓRIA A qualificação da multa de ofício pressupõe a observância do artigo 10, incisos III e IV, do Decreto nº 70.235/1972 e do artigo 50, inciso II, da Lei nº 9.784/99: Decreto nº 70.235/1972 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: [...] III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Lei nº 9.784/99 Artigo. 50 Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; Este Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em diversos precedentes, expõe que a multa qualificada (150%) é imputada quando evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio, necessitando da comprovação das hipóteses dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Fl. 10488DF CARF MF Processo nº 10825.722772/201541 Acórdão n.º 1201002.634 S1C2T1 Fl. 10.446 87 Logo, a imposição da multa qualificada (150%), preconizada no artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, é admissível na presente acusação fiscal, sem viés confiscatório, posto que demonstrada a evasão fiscal, com efetiva participação da contribuinte e demais responsáveis tributários. Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." V. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA A responsabilidade tributária é independente da criminal, sendo assim, inviabilizando o sobrestamento do presente processo administrativo fiscal, enquanto tramita a ação penal. Durante o procedimento fiscal, várias diligências foram realizadas, fundamentando a responsabilização tributária de diversas pessoas físicas e jurídicas, porém, não se restringiram às informações compartilhadas, oriundas do processo criminal. Convergindo com tal posicionamento, citase a ementa do acórdão nº 1401 002.897, relatado pelo conselheiro, Daniel Ribeiro Silva, proferido pela 1ª Turma Ordinária, 4ª Câmara, 1ª Seção de Julgamento, validando a prova emprestada e indeferindo o pretendido sobrestamento do processo administrativo fiscal: SOBRESTAMENTO DO FEITO PARA AGUARDAR AÇÃO PENAL. IMPOSSIBILIDADE Salvo exceções, as decisões judiciais e administrativas são independentes no âmbito de suas respectivas esferas (civil, penal, administrativa, tributária, trabalhista etc.), até porque um mesmo fato pode consistir em ilícito tributário mas não penal, e vice e versa. Por sua vez, a eventual absolvição na esfera penal não acarreta necessariamente na improcedência do PAF. O processo administrativo fiscal é regido por princípios próprios, como o da oficialidade, que obriga a administração a impulsioná lo até sua decisão final. (...) PAF. PROVA EMPRESTADA. VALIDADE. Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria e fiscalização de tributos, autorizando a p ermuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. Isto posto, voto pelo conhecimento e NEGO PROVIMENTO aos Recursos Voluntários. (assinado digitalmente) Fl. 10489DF CARF MF 88 Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 10490DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.725427/2015-99
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/08/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando o retorno dos autos à DRJ para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando o retorno dos autos à DRJ para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 54 27 /2 01 5- 99 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11128.725427/201599 Acórdão n.º 3002000.563 S3C0T2 Fl. 312 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1673.291 da DRJ/SPO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Este processo compõe um conjunto de processos, referentes ao mesmo interessado, cujos autos de infração descrevem situações fáticas quase idênticas, todas enquadradas no mesmo tipo infracional, além de estarem todos os processos relacionados ao mesmo processo judicial. Por tal motivo, são analisados conjuntamente, ainda que para cada um se emita o seu próprio acórdão, repetindose, porém, o mesmo teor do relatório, da fundamentação e da decisão, com adaptações para atender particularidades de cada processo. Autuações De início, notemos que as folhas inaugurais dos autos de infração trazem a informação de que o crédito constituído está com a exigibilidade suspensa em razão de antecipação de tutela concedida pelo Juízo da 14ª Vara Civil da subseção Judiciária de S. Paulo– TRF3 nos autos do processo 0005238 86.2015.4.03.6100. Perfazem o conjunto de processos um crédito total de R$ 90.000,00, correspondendo a este o montante de R$ 5.000,00. Quanto ao objeto, tratam da obrigação de prestar informações, imputada ao transportador, sobre a carga transportada, no prazo estabelecido pela RFB. A infração cometida seria aquela tipificada no art. 107, IV, “e”, do Dec.lei 37/66, que reza: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ......................................................................................................... ................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11128.725427/201599 Acórdão n.º 3002000.563 S3C0T2 Fl. 313 3 ......................................................................................................... .................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações em tela se referem a transporte marítimo, para o qual as informações e os prazos estariam definidos, segundo a autuação, na IN RFB 800/07,que diz (grifamos): Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: ......................................................................................................... ................................................ II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: ......................................................................................................... ................................................ d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) ......................................................................................................... ................................................ III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. De acordo com a citada IN, “CE” corresponde ao conhecimento eletrônico, definido como “declaração eletrônica das informações constantes do conhecimento de carga (Bill of Lading BL), informado à autoridade aduaneira na forma eletrônica, mediante certificação digital do emitente” (art. 2º, XI, com a redação da IN RFB 1473/14). Ainda conforme a IN, os conhecimentos da carga se dividem em genéricos ou máster, e em agregado, house ou filhote (art. 2º, §1º, V, “c”). Isto posto, as 19 (dezenove) ocorrências enquadradas no tipo infracional pela autoridade fiscal podem ser descritas como o registro de CE agregado sem a observação da antecedência mínima de 48 horas da atracação do navio. Estão sintetizadas no quadro abaixo (todas as atracações foram no Porto de Santos): Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11128.725427/201599 Acórdão n.º 3002000.563 S3C0T2 Fl. 314 4 " Segundo as autuações, o impugnante, por ser um agente de carga, também estaria sujeito à obrigação de prestação de Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11128.725427/201599 Acórdão n.º 3002000.563 S3C0T2 Fl. 315 5 informações, uma vez que é equiparado a transportador pela IN RFB 800/07 para os fins deste ato normativo. Impugnações As impugnações, embora com algumas variações ente si, trazem um conjunto de alegações que se resume ao seguinte: · As autuações são nulas porque contrariaram a ordem judicial de não exigência de multa para as situações em tela; · Os autos de infração que tratam de mais de uma ocorrência são nulos, pois cada ocorrência seria uma infração, merecedora de uma autuação própria; · O autuante não descreveu os fatos de forma completa nem fundamentou suficientemente a sua subsunção ao tipo infracional; · O autuante indicou no enquadramento legal dispositivos que em nada se relacionam com o objeto das autuações; · O prazo mínimo de antecedência se refere apenas ao manifesto de carga e ao conhecimento genérico; · Houve prestação da informação, de modo que a hipótese infracional não se configurou; · O impugnante está acobertado pela denúncia espontânea porque prestou as informações antes de iniciado procedimento fiscal; · O valor da multa aplicada deve se limitar a R$ 5.000,00 por veículo; · O valor da multa estabelecido pela legislação é exagerado em vista da inexistência de dano à fiscalização; Ação judicial Consta cópia da decisão concessora da tutela antecipada do suprarreferida processo judicial. Seu breve relatório diz tratarse de ação ajuizada por associação nacional, da qual a impugnante é membro, contra a União para que (i) se reconheça a impossibilidade da aplicação de penalidade do art. 107, IV, “e”, do Dec.lei 37/66, em razão da ilegalidade da IN RFB 800/07 e (ii) se reconheça a possibilidade de denúncia espontânea." (grifos no original) Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO) julgou a Impugnação de modo a não conhecêla, quanto à matéria objeto de ação judicial, e julgála improcedente, quanto à matéria diferenciada, por Acórdão que possui a seguinte ementa: Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11128.725427/201599 Acórdão n.º 3002000.563 S3C0T2 Fl. 316 6 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/07/2011, 07/07/2011, 08/07/2011, 22/07/2011, 25/07/2011, 08/08/2011 PRESTAÇÃO A DESTEMPO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA. MULTA.. A prestação de informação sobre a conclusão da desconsolidação no SISCOMEX CARGA sem observar a antecedência mínima estabelecida pela IN RFB 800/07 caracteriza a infração prevista no art. 107, IV, “e”, do Dec.lei 37/66. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/07/2011, 07/07/2011, 08/07/2011, 22/07/2011, 25/07/2011, 08/08/2011 ALEGAÇÕES DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Ao levar previamente ao Poder Judiciário a questão controversa, o impugnante renunciou à sua discussão na esfera administrativa. A prévia existência de um processo judicial, por si só, sem haver expressa ordem do juiz, não afasta o dever da autoridade fiscal de lançar. Não há limitação para a quantidade ocorrências que podem ser objeto de uma mesma autuação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (178/202), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados e argumentando que não há concomitância entre o processo judicial e o administrativo, pois a recorrente figuraria apenas como substituída naquele. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 11128.725427/201599 Acórdão n.º 3002000.563 S3C0T2 Fl. 317 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A principal controvérsia, por ora, posta sob análise cingese à existência ou não de concomitância entre o processo administrativo e o judicial em casos de ações coletivas propostas por associações de classe, da qual o contribuinte faça parte. Essa matéria se mostra, atualmente, pacificada no âmbito desta Corte, como demonstram os recentes Acórdãos: Acórdão 1402001.629: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastadas a concomitância e a renúncia à discussão administrativa, é de se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância que deixou de apreciar todos os argumentos de impugnação. Nova decisão deve ser proferida, em atenção ao duplo grau de jurisdição previsto nas regras de regência do processo administrativo fiscal. Acórdão 9303005.472: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 317DF CARF MF Processo nº 11128.725427/201599 Acórdão n.º 3002000.563 S3C0T2 Fl. 318 8 Período de apuração: 01/10/1999 a 30/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Recurso Especial do Procurador negado. Acórdão 9303005.057 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/1995 a 31/10/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. Ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. Assim, a existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Embora seja certo que as entidades de classe, quando propõem ações coletivas, estão agindo no interesse de seus filiados, também é correto supor que estes podem não ter manifestado sua concordância com a propositura daquelas ações. Mesmo quando assembléias aprovam o caminho judicial a ser seguido pela entidade, ainda assim, devemos ter em conta que a decisão da maioria não reflete, necessariamente, a vontade de todos os filiados. Creio oportuno trazer a colação as Súmulas do Supremo Tribunal Federal que ratificam a independência das entidades de classe, quanto à propositura de ações coletivas: Fl. 318DF CARF MF Processo nº 11128.725427/201599 Acórdão n.º 3002000.563 S3C0T2 Fl. 319 9 Súmula STF nº 629 A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes. Súmula STF nº 630 A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. (grifos nossos) Assim, pareceme não ser razoável o reconhecimento da concomitância somente pela existência de uma ação coletiva movida por entidade de classe, da qual o contribuinte faça parte, sem que esteja clara a vontade deste, pois diferentemente das ações individuais, nas quais resta cristalina a intenção de o contribuinte optar pela via judicial, nas coletivas, isto, em princípio, não ocorre. Ademais, quando o sujeito passivo impetra uma ação individual versando sobre a mesma matéria discutida em processo administrativo, ocorre uma presunção legal absoluta da desistência tácita ao contencioso administrativo. Contudo, em ações coletivas, ajuizadas por substitutos processuais, não se aplica tal presunção, pois do contrário, estaria se violando os Direitos Constitucionais ao Contraditório e à Ampla Defesa. Desta forma, entendo não existir concomitância no presente caso. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917122/2013-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2013
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO
É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório.
ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.365
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1775; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.917122/201355 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.365 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 22 /2 01 3- 55 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.917122/201355 Acórdão n.º 3302006.365 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação apenas parcial da compensação declarada, pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, limitandose a alegar a nulidade da decisão, sob o argumento de ausência de fundamentação. Questionou o então Manifestante a validade da decisão eletrônica, não submetida ao crivo de um Auditor Fiscal, e discorreu acerca do instituto da nulidade dos atos administrativos, trazendo aos autos farta doutrina e jurisprudência. Pugnou, também, pela posterior produção de provas, considerando a ausência de motivação da decisão a impossibilitar o conhecimento prévio da prova a ser produzida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1451.414, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, declarando a validade do Despacho Decisório, sob o argumento de que o documento, ainda que eletrônico, possuía todos os elementos legalmente exigidos, proferido por autoridade competente e motivado pela verificação dos valores objeto de outras declarações. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.361, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.917118/201397, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.361): Sinteticamente, a Recorrente questiona a validade do Despacho Decisório por meio do qual foi denegado o pedido de compensação de tributos, sob o argumento de que ele limitouse a afirmar. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.917122/201355 Acórdão n.º 3302006.365 S3C3T2 Fl. 4 3 "A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 1.248,99 Valor do crédito original reconhecido: 114,34 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2013. (...) Para detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereçowww.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008." Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente não traz aos autos qualquer prova documental e para a dilação de sua entrega invoca o artigo 16, § 4º, a), do Dec. 70235 sob o argumento de que "... demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por força maior." eis que ao seu ver "... a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas." Já no Recurso Voluntário também sustenta tratarse de um ato vinculado que, portanto, necessita ser realizado em conformidade com o ordenamento jurídico. Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.917122/201355 Acórdão n.º 3302006.365 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.006113/2002-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
COMPENSAÇÃO DE VALORES DISCUTIDOS JUDICIALMENTE. DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS.
Verificado em diligência que os créditos que seriam utilizados para extinguir os débitos do processo já foram utilizados em outro expediente, deve ser mantida a exigência dos valores dos débitos remanescentes da referida contribuição dos meses de julho a dezembro de 1997, objeto da presente autuação.
Numero da decisão: 3302-006.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente)
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 COMPENSAÇÃO DE VALORES DISCUTIDOS JUDICIALMENTE. DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Verificado em diligência que os créditos que seriam utilizados para extinguir os débitos do processo já foram utilizados em outro expediente, deve ser mantida a exigência dos valores dos débitos remanescentes da referida contribuição dos meses de julho a dezembro de 1997, objeto da presente autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 61 13 /2 00 2- 13 Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10283.006113/200213 Acórdão n.º 3302006.144 S3C3T2 Fl. 770 2 Relatório Por bem descrever os fatos do contencioso, adoto e transcrevo o relatório da Resolução nº 3302000.565, de 29/03/2017: Tratase de auto de infração (fls. 234/241), em que formalizada a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 6.222.889,62, sendo R$ 2.336.808,56 da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de julho a dezembro de 1997, R$ 2.133.474,64 de juros moratórios, calculados até 31/5/2002, e R$ 1.752.606,42 de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). De acordo com a descrição dos fatos e anexos que integra o referido o auto de infração, o lançamento resultou da realização de trabalho de auditoria interna nas DCTF dos 3º e 4º trimestres de 1997, em que foram constatadas irregularidades nos créditos vinculados/informados nas respectivas DCTF, a saber: a) não foram confirmados os valores dos créditos, apurados no âmbito do processo judicial nº 9501111024, vinculados aos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de julho a dezembro de 1997, sob o argumento de processo judicial não fora localizado; e b) não foi confirmado o pagamento, no valor de R$ 6.808,56, relativo ao débito da referida contribuição do mês de julho de 1997. Em sede de impugnação, em síntese, a autuada alegou que: a) o crédito tributário fora regularmente pago e/ou compensado, mediante procedimento específico e sob o crivo da Administração Pública, que homologara todas as compensações realizados no período abarcado pelo procedimento em análise; e b) os créditos compensados, inquinados indevidos ou incomprovados, resultaram de direito creditório judicialmente reconhecido, em função de exigências sabidamente inconstitucionais, os quais foram, em procedimento próprio, profundamente analisados e referendados pela mesma Administração Tributária, como se deduzia da documentação apresentada com a peça impugnatória. Os autos foram baixados em diligência perante a unidade de Receita Federal de origem, por meio dos Despachos de fls. 248/250 e 273/274. Com base na documentação colacionada aos autos, as informações prestadas, relevantes para o deslinde da controvérsia, foram as seguintes: a) a ação judicial transitou em julgado em 7/11/1997; b) o pedido de desistência execução do título judicial foi protocolado em 8/4/2003; e c) o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de julho de 1997, no valor de R$ 6.808,56, foi confirmado no Sistema Sinal. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10283.006113/200213 Acórdão n.º 3302006.144 S3C3T2 Fl. 771 3 Por meio do Despacho de fl. 645, novamente, os autos retornaram em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem (i) apurasse o saldo credor passível de compensação, obedecendo a decisão final proferida no âmbito do processo judicial nº 91.00267791, (ii) verificasse, na escrituração contábil, se houve registro de compensações do crédito informado e, caso confirmado, apresentasse demonstrativos dos tributos e períodos compensados, e (iii) verificasse a suficiência ou não do saldo credor para as compensações porventura efetuadas. Em resposta, por meio do Relatório de Diligência Fiscal de fl. 653, a autoridade fiscal informou que o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep, a ser compensado pelo sujeito passivo, encontravase demonstrado na planilha de fls. 648/651, elaborado pela autuada, o qual fora utilizado na compensação dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep a partir do mês de janeiro de 1997 até o mês de março de 2000 e dos débitos da Cofins a partir do mês de janeiro de 1998 até o mês de março de 2000, quando foi totalmente utilizado. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 657/664), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi considerado procedente em parte, para excluir apenas a importância de R$ 6.808,56, relativo ao pagamento da Contribuição para o PIS/Paesep do mês de julho de 1997, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 Ementa: COMPENSAÇÃO DE VALORES DISCUTIDOS JUDICIALMENTE. A compensação de crédito tributário com direito creditório reconhecido judicialmente, após o trânsito em julgado, só produz os seus efeitos na seara administrativa quando o contribuinte comprova ter cumprido todos os ritos processuais previstos na legislação tributária. PAGAMENTO DE DARF. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É de se afastar a cobrança de ofício de crédito tributário na parte em que o sujeito passivo comprova o seu pagamento espontâneo. Lançamento Procedente em Parte Em 4/6/2004 (fl. 664), a autuada foi cientificada da referida decisão. No dia 6/7/2004, protocolou o recurso voluntário de fls. 667/674, no qual alegou que não procedia o fundamento apresentado pelo órgão de julgamento de primeiro grau, pois, se não instaurara o processo de execução, logo, desse processo não poderia haver desistência. Ademais, o v. acórdão recorrido respaldouse em dispositivo inaplicável, pois, segundo o disposto Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10283.006113/200213 Acórdão n.º 3302006.144 S3C3T2 Fl. 772 4 no art. 12, § 7º, combinado com o estabelecido no art. 17, ambos da Instrução Normativa SRF 21/1997, eram apenas duas as exigências válidas e aplicáveis em caso de direito creditório judicialmente reconhecido, a saber: a) comprovação do trânsito em julgado da decisão determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação; e b) apresentação de cópia do inteiro teor do processo judicial. Na Sessão de 23 de agosto de 2006, os membros da Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº 20201.054 (fls. 690/692), converteram o julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem, conclusivamente, se pronunciasse sobre a existência de recolhimentos efetuados a maior, a título de Contribuição para o PIS/Pasep, nos períodos informados pela recorrente, levandose em consideração o que determinava o artigo 6º, parágrafo único, da Lei Complementar 7/1970 (faturamento do sexto mês anterior), informando, inclusive, caso viessem a ser apurados, os alegados créditos a restituir/compensar. Em caso positivo, se manifestasse sobre as compensações realizadas, a suficiência dos saldos acumulados desses pagamentos a maior, atualizados monetariamente com base nos índices da tabela anexada à Norma de Execução SRF/Cosit/Cosar 08/1997, bem como procedesse de imediato o bloqueio dos créditos confirmados até que o presente processo fosse julgado em definitivo. Por meio da Informação Fiscal de fl. 696, esclareceu a autoridade fiscal que intimara a recorrente a apresentar os elementos necessários ao desenvolvimento da diligência fiscal, porém, como tais elementos não foram apresentados, não era possível prestar as informações solicitadas na referida diligência. A Resolução nº 3302000.565, de 29/03/2017 foi para que a unidade da RFB de origem informasse se, no âmbito do processo nº 10283.007497/9871 ou do processo nº 10283.007498/9834, teria havido ou não a homologação total ou parcial da compensação dos valores dos débitos remanescentes da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de julho a dezembro de 1997, objeto da presente autuação, com os créditos reconhecidos no âmbito da ação ordinária nº 91.00267791, e foi assim fundamentada: No entendimento deste Relator não há elementos nos autos suficientes para decisão da lide em destaque, pelas razões a seguir aduzidas. Previamente, cabe esclarecer que, no período em que realizado o procedimento compensatório em apreço, a compensação do crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado encontravase disciplinada na Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, com as alterações da Instrução Normativa SRF nº 73 de 15 de setembro de 1997, Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10283.006113/200213 Acórdão n.º 3302006.144 S3C3T2 Fl. 773 5 especificamente, no caput do art. 12 e seus §§ 1º a 7º, a seguir transcritos: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. § 1º A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. § 2º A compensação de ofício será precedida de notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 3º A compensação a requerimento, formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo III, poderá ser efetuada inclusive com débitos vincendos, desde que não exista débitos vencidos, ainda que objeto de parcelamento, de obrigação do contribuinte."; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) § 4º Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido. § 5º Se o valor a ser ressarcido ou restituído, na hipótese do § 4º, for insuficiente para quitar o total do débito, o contribuinte deverá efetuar o pagamento da diferença no prazo previsto na legislação especifica. § 6º Caso haja redução no valor da restituição ou do ressarcimento pleiteado, a parcela do débito a ser quitado, na hipótese do § 4º, excedente ao valor do crédito que houver sido deferido, ficará sujeita à incidência de acréscimos legais. § 7º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. l7. [...] Da simples leitura dos preceitos normativos transcritos, extraise que a compensação de créditos decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, além do atendimento dos requisitos estabelecidos no citado art. 12, o contribuinte deveria cumprir o disposto no art. 17 da citada Instrução Normativa, que segue transcrito: Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10283.006113/200213 Acórdão n.º 3302006.144 S3C3T2 Fl. 774 6 processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) grifos não originais Embora a recorrente não tenha, antes da apresentação da DCTF, formalizado a desistência da execução do título judicial, perante o Poder Judiciário, e assumido todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios, há elementos seguros nos presentes autos que demonstram que a autuada não deu prosseguimento ao processo de execução do título judicial de nº 1998.34.00.0064627 (fls. 631/641). Cabe ainda ressaltar, que consta do referido processo petição da recorrente, com data de 2/7/1998, requerendo o arquivamento provisório dos autos do citado processo de execução, pelo prazo prescricional; e na data de 8/4/2003, expressamente, a recorrente formalizou a referida desistência, em caráter definitivo, confirmada por meio da certidão expedida pelo Diretor de Secretaria do juízo competente (fls 266/268). Embora as providências adotadas conforme prescrito, inequivocamente, elas atendem o objetivo visado pela norma em comento, no sentido de evitar a devolução, em duplicidade, do valor do crédito reconhecido por decisão judicial. Corrobora o asseverado, o fato de o § 2º do art. 81 da Instrução Normativa RFB 1300/2012, que atualmente disciplina a matéria, expressamente, prevê que a comprovação da “desistência da execução do título judicial pelo Poder Judiciário” pode ser feita mediante apresentação de “declaração pessoal de inexecução do título judicial protocolada na Justiça Federal e certidão judicial que a ateste”. Eis a redação do referido preceito normativo, in verbis: Art. 81 . É vedada a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. [...]§ 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, a compensação poderá ser efetuada somente se o requerente comprovar a homologação da Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10283.006113/200213 Acórdão n.º 3302006.144 S3C3T2 Fl. 775 7 desistência da execução do título judicial pelo Poder Judiciário e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução, ou apresentar declaração pessoal de inexecução do título judicial protocolada na Justiça Federal e certidão judicial que a ateste. (grifos não originais) [...] Com base nessas considerações, afastase o motivo da manutenção da exigência dos débitos apresentado na decisão recorrida. Entretanto, o atendimento dessa condição, certamente, revelase insuficiente para se concluir pelo cancelamento da exigência dos débitos remanescentes na questionada autuação, pois a simples informação na DCTF da compensação do débito com crédito reconhecido por decisão judicial, embora necessária, não é condição suficiente para concretização da procedimento compensatório em apreço. Com efeito, de acordo com o art. 12 da Instrução Normativa SRF 21/1997, além da informação na DCTF, a realização da compensação em comento necessitava da apresentação de pedido de compensação perante a unidade da RFB da jurisdição do contribuinte. E no caso em tela, noticiam os autos que, com esse objetivo, a recorrente, no dia 1/12/1998, formalizou o referido pedido de compensação por meio dos processos nºs 10283.007497/9871 e 10283.007498/9834, protocolados perante a unidade da RFB de origem, sendo um relativo aos créditos do Finsocial e o outro relativos aos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, ambos os créditos reconhecidos por decisão judicial, conforme informação prestada no Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 222/226. A propósito, consta do item 2 do referido termo, a informação de que era procedente a compensação dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep do ano de 1997, consoante se lê no fragmento que segue transcrito: Em síntese, reconhecemos o direito do contribuinte acima especificado, sendo procedente a compensação de PIS x PIS e PIS x COFINS, tendo sido observados, inclusive, os procedimentos do IN SRF n° 21/1997, com as alterações introduzidas pela IN SRF n° 73/1997. Porém, embora tenha concluído pela procedência da compensação dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep do ano de 1997, no referido termo, não foi discriminado quais os valores dos débitos da dita contribuição foram compensados. Ademais, não há nos autos essa informação, o que impossibilita que este Relator pronunciese, conclusiva e fundamentadamente, a respeito da manutenção ou não da exigência dos valores débitos remanescentes da referido contribuição dos meses de julho a dezembro de 1997, objeto da presente autuação. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10283.006113/200213 Acórdão n.º 3302006.144 S3C3T2 Fl. 776 8 Em 21/09/2017, veio aos autos a Informação fiscal em atendimento à Resolução nº 3302000.565, de 29/03/2017, com o seguinte conteúdo: (...) 1. Conforme telas anexas (extrato SIEF acerca da situação das PERDCOMPS transmitidas e extrato SIEF relativamente aos débitos possíveis para o período de diligencia solicitada), bem como telas já constantes nos autos, inferese que os processos nº10283.007497/9871 e nº 10283.007498/9834 foram arquivados sem apreciação do mérito por falta de entrega de documentação por parte do contribuinte e, mormente, pela ausência de elementos probantes do alegado crédito de PIS e FINSOCIAL. Logo não há que se falar em verificação de homologação de compensação nesses PAFs. 2. Em tese, na ação objeto dessa demanda do CARF, percebese que o PIS foi pago a maior que o devido pelo contribuinte, pois que STF considerou inconstitucionais os decretos 2445 e 2449, discussão encerrada pela resolução nº 49 do Senado. Dessa forma, caberia ao contribuinte o reconhecimento de valor recolhido indevidamente sobre essa rubrica no período compreendido de julho/97 a dezembro/97, provados os efetivos recolhimentos através de DARFs . 3. De qualquer maneira, após análises desses dois PAFs pela COGER (uma vez que houve reconhecimento parcial de homologação tácita sem se verificar o mérito da questão pelo SEORT/DRF/MNS e não ratificação pelo delegado da DRF/MNS à época dos fatos), tais créditos, provenientes de ações judiciais transitadas em julgado, foram tratados no PAF nº 10283.008295/200267, havendo, enfim, reconhecimento integral desses indébitos, porém restando saldo a pagar de tributo (conforme telas anexas – situação de PERDCOMP), pois que o indébito possuía valor menor que os débitos acostados nas compensações declaradas. Cientificada da informação acima, para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, a recorrente deixou fluir o prazo in albis, e retornou o processo. Em 17/04/2018, nova resolução, nos mesmos moldes da anterior ao que a autoridade preparadora reportouse à Informação fiscal prestada anteriormente. Após, o expediente retornou a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10283.006113/200213 Acórdão n.º 3302006.144 S3C3T2 Fl. 777 9 O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase de plano à questão de fundo da lide. Superada a questão formal da comprovação da desistência da execução, pelo i. relator da resolução que trouxe as informações almejadas há muito tempo no contencioso, só nos resta observar que os créditos que seriam utilizados para extinguir os débitos deste processo já foram utilizados em outro expediente. Corolário disso, é possível pronunciarse, conclusiva e fundamentadamente, a respeito da manutenção da exigência dos valores dos débitos remanescentes da referida contribuição dos meses de julho a dezembro de 1997, objeto da presente autuação. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 777DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910521/2009-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) verifique: (i) a efetiva disponibilidade do crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP); (ii) se os valores estão corretos; e (iii) se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB, inclusive outras declarações da Recorrente, como, por exemplo, as respectivas DIPJ e Dacon - observando-se que, após a diligência ora solicitada, a Unidade de Origem deverá consolidar Informação Fiscal em face das verificações realizadas, cientificando a Recorrente do seu teor e concedendo-lhe prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que, querendo, apresente contrarrazões.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício)
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) verifique: (i) a efetiva disponibilidade do crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP); (ii) se os valores estão corretos; e (iii) se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB, inclusive outras declarações da Recorrente, como, por exemplo, as respectivas DIPJ e Dacon observandose que, após a diligência ora solicitada, a Unidade de Origem deverá consolidar Informação Fiscal em face das verificações realizadas, cientificando a Recorrente do seu teor e concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que, querendo, apresente contrarrazões. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 10 52 1/ 20 09 -9 9 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10882.910521/200999 Resolução nº 2402000.709 S2C4T2 Fl. 220 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 90/215) em face do Acórdão n. 05 40.775 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Campinas (SP) DRJ/CPS (efls. 71/86), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 12/23) e não reconheceu direito creditório com fulcro em pagamento indevido ou a maior de IRRF. O sujeito passivo foi cientificado do Acórdão n. 0540.775 (efls. 71/86), em 31/07/2013 (efl. 88), cujo entendimento encontrase sumarizado na ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, sobretudo quando argumenta ter errado ao confessar em DCTF débito maior do que aquele que alega seria devido. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não há como homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em face do Acórdão n. 0540.775 (efls. 71/86), a impugnante, agora Recorrente, apresentou, em 28/08/2013, Recurso Voluntário (efls. 90/215), reforçando a procedência do direito creditório, esgrimindo, em linhas gerais, os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade (efls. 12/23). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 90/215) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. Inicialmente, é relevante destacar que a gênese desta lide encontrase no Despacho Decisório n. de rastreamento 849783720 data de emissão 23/10/2009 (efl. 2) que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP n. 38431.37313.100709.1.3.040179 (efls. 07/11): Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10882.910521/200999 Resolução nº 2402000.709 S2C4T2 Fl. 221 3 Em face do Despacho Decisório acima reproduzido, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade (efls. 12/23), julgada improcedente pela DRJ/CPS, nos termos do Acórdão n. 0540.775 (efls. 71/86), que transcrevo no essencial: [...] Cientificada do Despacho Decisório Eletrônico por via postal, em 05/11/2009, conforme documento de fls. 28, a contribuinte, por intermédio de seus advogados (instrumento de procuração e substabelecimento às fls. 29/34), apresentou em 04/12/2009 manifestação de inconformidade de fls. 12/23, acompanhada dos documentos de fls. 24/69, com as alegações a seguir sintetizadas. Ao expor os fatos, reportase à origem do crédito no recolhimento a maior realizado pela Requerente a título de IRRF, código de receita 0561, relativo ao período de apuração de dezembro de 2007, no montante original de R$ 40.148,59 (doc. 05). Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10882.910521/200999 Resolução nº 2402000.709 S2C4T2 Fl. 222 4 Argúi, então, a ocorrência de cerceamento de defesa por ausência de prévia intimação para prestar informações, alegando limitações probatórias do sistema eletrônico e inobservância do art. 65 da IN RFB nr. 900/2008. Acerca da origem do crédito, assevera que: em DCTF de dezembro de 2007, a Requerente informou débito do 3ª decêndio de dezembro/2007, de código 0561, no valor de R$ 3.407.916,67, vinculado a pagamentos de R$ 3.281410,59 e R$ 126.506,08, este último indicado como origem do crédito, pois, de sua composição, constou a parcela de R$ 40.148,59 (doc. 4) que não se refere a débito de código 0561, mas sim a débito de código 0473 (IRRF – rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior) retido do funcionário Julio Moura Neto, expatriado, conforme tabela anexa (doc. 06); percebendo o equívoco, a Requerente efetuou o pagamento, com acréscimos legais, no valor total de R$ 50.881,26 (doc 7), com o código correto 0473; para o período de apuração dezembro/2007, a Requerente apurou débito de código 0561 no valor de R$ 3.367.768,08 e não de R$ 3.407.916,67, referindose a diferença de R$ 40.148,59 a IRRF retido do citado funcionário expatriado, mas a DCTF não foi retificada; Defende que, apesar do equívoco procedimental de não retificar a DCTF, o direito creditório existe, sendo passível de compensação. Invoca o art.165 do CTN e acrescenta que deve ser abrandado o rigor formal e observado o princípio da verdade material. Cita doutrina e decisões do Conselho do Contribuinte. Finaliza requerendo a reforma do Despacho Decisório e a homologação integral da compensação. [...] Importante, de início, destacar que o tratamento da declaração de compensação transmitida pela contribuinte se deu de forma eletrônica. A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem do crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. [...] Como dito, o ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Com efeito, por meio da DCOMP nº 38431.37313.100709.1.3.040179, a contribuinte declarou a existência de crédito correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRRF, código 0561, no valor original de R$ 40.148,59 integrante do recolhimento efetuado em 10/01/2008 no valor de R$ 126.506,08. Verificado que o DARF apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP, a compensação promovida com aquele crédito não foi homologada. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10882.910521/200999 Resolução nº 2402000.709 S2C4T2 Fl. 223 5 Assim, presentes nos sistemas informatizados elementos suficientes para constatação da indisponibilidade do pagamento indicado como crédito, não se vislumbra irregularidade na produção do Despacho Decisório. E, quanto ao questionamento relativo à intimação/diligência prévia, registrese que sua realização não se encontra dentre os pressupostos legais, contidos no art. 74 da Lei 9.430/96, para a não homologação da compensação, quais sejam observância do prazo de homologação tácita e não confirmação de crédito líquido e certo. Atentese, inclusive, para a impropriedade de eventual pretensão de alegar cerceamento de defesa quanto à nãohomologação das compensações apresentadas. Cumpre esclarecer que o direito à ampla defesa e ao contraditório, previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, é uma garantia do processo administrativo, isto é, da fase litigiosa do procedimento fiscal, a qual, nos casos de restituição e/ou compensação, iniciase, nos termos do art. 74, §11 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c art. 14 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a manifestação de inconformidade. O procedimento fiscal tendente a verificar a legitimidade do direito creditório utilizado nas compensações declaradas, o qual antecede a fase litigiosa, é um procedimento de certificação do quanto informado pelo sujeito passivo, razão pela qual pode se tornar inquisitório, ou não, a critério da autoridade administrativa competente. Nesse contexto, a participação da contribuinte se limita ao fornecimento de informações, quando requisitado pela autoridade fiscal. A intimação fiscal para esclarecimentos trata, em verdade, de faculdade atribuída à autoridade administrativa competente para decidir sobre o crédito utilizado em restituição e/ou compensação, dado que a prova do indébito tributário resta a cargo do sujeito passivo. É o que se extrai da legislação de regência: [...] A contestação das informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até mesmo de eventuais irregularidades somente pode ser realizada em momento posterior à decisão, com a apresentação da manifestação de inconformidade, iniciando o devido processo administrativo. Ademais, a ausência de intimação prévia não é causa de cerceamento de defesa posto que, cientificado do Despacho Decisório, é concedido à contribuinte prazo para manifestação de inconformidade oportunidade em que pode esclarecer os motivos de sua discordância e apresentar as correspondentes provas documentais de seu crédito. Acrescentese que, até mesmo para os casos de lançamento de ofício, quando a iniciativa da exigência do crédito tributário parte da Fazenda Pública mediante lavratura de Auto de Infração, a jurisprudência administrativa já consagrou entendimento acerca da questão, a teor da súmula 46 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No tocante ao mérito, das razões apresentadas na manifestação de inconformidade inferese que a contribuinte alega que, na DCTF de dezembro/2007, o débito de IRRF código 0561 seria menor do que aquele efetivamente devido, porque uma parcela do valor declarado (R$ 40.148,59) corresponderia a débito de código 0473 (retenção sobre pagamento efetuado a beneficiário no exterior). A diferença Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10882.910521/200999 Resolução nº 2402000.709 S2C4T2 Fl. 224 6 corresponderia a débito de código 0473 indevidamente declarado como sendo de código 0561. Todavia, a retificação da DCTF somente ocorreu após a ciência do Despacho Decisório, como admite a interessada e se confirma nos sistemas informatizados. De fato, para o mês de dezembro/2007, a interessada apresentou DCTF original em 09/02/2008 e quatro DCTF retificadoras em 29/04/2008, 19/05/2008, 06/11/2009 e 17/05/2010, conforme pesquisa a seguir reproduzida [...] DCOMP e da ciência do Despacho Dcisório, débito de código 0561, no valor de R$ 3.407.916,67 absorvendo integralmente, entre outros, o pagamento alegado como origem do crédito. Somente nas retificadoras transmitidas a partir de 06/11/2009, após a ciência do Despacho Decisório em questão (em 5/11/2009), é que o débito foi reduzido para R$ 3.367.768,08, vinculado aos mesmos pagamentos das declarações anteriores. Assim, mais do que informar a utilização do pagamento de valor principal de R$ 126.506,08, a contribuinte confessou, na DCTF válida quando da emissão do Despacho Decisório, a existência de débito no valor de R$ 3.407.916,67, E, se algum erro houve nestas informações, ele não foi devidamente comprovado na manifestação de inconformidade. De fato, para justificar sua alegação de que o débito seria menor, a interessada, apresenta, além de DCOMP e DCTF: comprovantes de arrecadação dos valores principais de R$ 126.506,08 (código 0561, fls. 55) e R$ 37.055,76 (código 0473, com acréscimos moratórios, fls. 58) planilha de fls. 57 demonstrando as retenções que teriam ensejado o recolhimento de R$ 126.506,08, como segue: [...] Ocorre que apenas a apresentação de planilha de fls. 57 e do recolhimento efetuado sob código 0473, não é suficiente para afastar a confissão antes formalizada em DCTF que fora retificada somente após a ciência do Despacho Decisório em litígio. Nestas circunstâncias, para suportar a argüição de erro veiculada em sua defesa, a contribuinte deveria fazer prova de que a retenção sobre rendimentos de trabalho assalariado pagos, seria menor do que o valor declarado em DCTF original, identificando a composição dos valores confessados em cada DCTF, para o período em questão, bem como a contabilização dos fatos geradores e das correspondentes retenções. Registrese que é a escrituração contábil e fiscal da pessoa jurídica, sustentada pela apresentação de documentos probatórios dos fatos nela contemplados, o meio pelo qual se demonstra a efetiva base de cálculo e apuração dos tributos federais. Todavia, no presente processo, a interessada deixou de acostar aos autos elementos de sua escrituração contábil e fiscal, bem como a documentação que suporta os registros ali efetuados, de modo a comprovar o alegado erro na DCTF, identificando o registro do fato gerador do IRRF sobre rendimento do trabalho assalariado e comprovando uma base de cálculo minorada que teria ensejado uma retenção distinta, menor do que aquela confessada em DCTF original. Recordese que a DCTF é instrumento de confissão de dívidas, por expressa disposição legal (§§ 1º e 2º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13/06/1984) e pressupõese que, à época da entrega dessas declarações a contribuinte verificou a Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10882.910521/200999 Resolução nº 2402000.709 S2C4T2 Fl. 225 7 ocorrência do fato gerador do tributo e apurou o montante a pagar conforme confessado, declarado e recolhido. Necessário então provar que houve o erro a ser retificado. Não se trata aqui, de privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material. Contudo, tendo em vista que a interessada pretende infirmar informações por ela própria prestadas em declaração retificadora, é necessário que a dita pretensão esteja calcada em provas documentais robustas que contemplem, inclusive, os correspondentes registros contábeis. Concluindo, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. E, tratandose de prova documental, importa recordar o que dispõe o Decreto nº 70.235/72 (aqui aplicável nos termos do art. 74, §11, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003): [...] Logo, a manifestação de inconformidade deveria ser instruída com os elementos de provas das alegações nela contidas. Também oportuno consignar que o ônus da prova do indébito tributário incumbe à Requerente, quanto ao fato constitutivo de seu direito, conforme artigo 333, do Código de Processo Civil. Com efeito, a compensação, por ser forma de extinção do crédito tributário, consoante art. 156, inciso II, do CTN, exige a certeza e liquidez dos créditos a compensar, o que só reforça o ônus do contribuinte de provar os fatos extintivos do direito do Fisco. A jurisprudência administrativa é pacífica nesse sentido, da qual citamse, como exemplo, as seguintes ementas: [...] Acrescentese, ainda, que o princípio da verdade material foi observado por meio da concessão de prazo para apresentação de provas do crédito pretendido, não podendo ser invocado pela interessada para transferir ao Fisco ônus que é seu. Entendimento nesse sentido também foi externado pelo CARF conforme ementa a seguir transcrita: [...] Enfrentando a decisão da instância de piso, a impugnante, agora Recorrente, apresentou as seguintes razões de fato de direito a seguir transcritas, no essencial: a) em sede preliminar: nulidade da decisão recorrida por preterição do direito de defesa (Utilização indevida de novo critério jurídico para manter o indeferimento do direito creditório pleiteado; e Ausência de intimação específica para apresentação de documento para o esclarecimento do direito creditório); b) no mérito, existência do direito creditório pleiteado e suficiência do saldo a compensar. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10882.910521/200999 Resolução nº 2402000.709 S2C4T2 Fl. 226 8 Alternativamente, a Recorrente requer diligência fiscal na hipótese de se entender que as informações e documentos apresentados não são suficientes para a confirmação da integralidade do direito creditório pleiteado. Muito bem. Na espécie, a Recorrente tomou ciência do teor do Despacho Decisório n. de rastreamento 849783720 data de emissão 23/10/2009 (efl. 2) na data de 05/11/2009 (e fl. 28), e, apresentou, além da DCTF original em 09/02/2008, quatro DCTF retificadoras, sendo a última, que se encontra ativa, em 17/05/2010: E, nas referidas DCTF, informou débito de deembro/2007, sob código 0561, com os valores e vinculações a seguir resumidos e extraídos das pesquisas expostas na seqüência: Posteriormente, em sede de recurso voluntário, a Recorrente reforça os argumentos aduzidos frente à primeira instância e colaciona novos documentos, inclusive DARF de recolhimento de IRRF (efls. 120/215). De se observar que as informações declaradas em DCTF original ou retificadora que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º. do art. 9º. da Instrução Normativa RFB n. 1.599/2015, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fito de decidir sobre o indébito tributário. Nessa perspectiva, não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10882.910521/200999 Resolução nº 2402000.709 S2C4T2 Fl. 227 9 da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB n.1.599/2015. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra a não homologação da DCOMP, o órgão julgador de segunda instância poderá baixar em diligência à unidade de origem com espeque no art. 18 do Decreto n. 70.235/1972 , quando se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral do crédito (ou homologação integral da DCOMP). Ressaltese, por oportuno, que a diligência em destaque é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a unidade de origem que tem as condições de avaliar as questões fáticas relacionadas à análise do crédito, inclusive se este já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar, inclusive, improcedência parcial da DCOMP. Assim, a unidade de origem deverá verificar: i) a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), ii) se os valores estão corretos; e iii) se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB, inclusive outras declarações da Recorrente, como, por exemplo, as respectivas DIPJ e Dacon. É esse, inclusive, o entendimento da RFB, consolidado no Parecer Normativo COSIT n. 2, de 28 de agosto de 2015, com o qual eu me alinho. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 90/215), e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à Unidade de Origem para verificar: i) a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), ii) se os valores estão corretos; e iii) se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB, inclusive outras declarações da Recorrente, como, por exemplo, as respectivas DIPJ e Dacon observandose que, após a diligência ora solicitada, deverá a Unidade de Origem consolidar Informação Fiscal em face das verificações realizadas, cientificando a Recorrente do seu teor e concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que, querendo, apresente contrarrazões. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 227DF CARF MF
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