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Numero do processo: 10920.720220/2016-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3301-001.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência à Primeira Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 11-054.569 - 2ª Turma da DRJ/REC (fls 2.831 e seguintes): O processo trata dos dois Autos de Infração de fls. 2/19, o primeiro relativo ao IPI não recolhido e lançado com multa de ofício no percentual qualificado de 150%, além de juros, por ter a fiscalização apurado que o estabelecimento deixou de recolher o Imposto em decorrência da escrituração e utilização de crédito indevido, e o segundo relativo a multa regulamentar isolada equivalente a 100% (cem por cento) dos valores das mercadorias, por utilização de notas fiscais irregulares, recebidas e escrituradas pelo contribuinte autuado, mas que não correspondem à saída efetiva de produtos nelas descritos, tudo conforme descrito no Termo de Verificação de Infração (TVI) de fls. 20/64. O montante do Auto de Infração com a multa regulamentar soma R$ 18.124.911,91, enquanto os valores do outro são os seguintes: IMPOSTO 824.467,88 JUROS DE MORA 367.532,62 MULTA PROPORCIONAL (150%) 1.236.701,79 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 2.428.702,29 Além do contribuinte Dioxyl Revestimentos Químicos Ltda, foram também autuados, na condição de responsáveis tributários, uma outra pessoa jurídica - a Evolution Comercial Exportadora Ltda, que segundo a fiscalização praticou fraude em conjunto com o contribuinte - e duas pessoas físicas - Humberto Barbosa Lima, que detém 99% do capital integralizado da empresa Dioxyl e a administra isoladamente, e Afonso Henrique Maia Bastos, que detém igual percentual do capital integralizado da Evolution e administra esta de igual modo. Além do presente Auto de Infração, referido TVI dá conta de outros dois, decorrentes da mesma ação fiscal, de nºs 10920.720219/2016-796 e 10920.720221/2016-45. O primeiro também é relativo ao IPI, lançado com multa de ofício no percentual básico de 75% contra o contribuinte Dioxyl, mas sem os outros sujeitos passivos do Auto do presente processo, enquanto o segundo é relativo ao IRPJ e CSLL lançados com multa qualificada de 150% e os mesmos responsáveis tributários do presente. O Termo de Verificação de Infração informa: Considerações Iniciais Através do Ofício n.º MP/NCCCOET n.º 495/2013 (Documento Memorando SAPAC CURITIBA) e da Notícia de Fato n.º MPPR 0046.13.004681-9 (Documento Notícia de Fato Ministério Público/PR), oriundos do Núcleo de Combate aos Crimes contra a Ordem Econômica e Tributária do Ministério Público do Estado do Paraná, a Delegacia da Receita Federal em Curitiba- PR foi noticiada da possível existência de esquema de “empresas ou estabelecimentos comerciais nas quais possam haver lavagem de dinheiro, em razão do porte, do local e da falta de movimento nos locais ... crimes contra sistema nacional financeiro ... venda de notas fiscais frias ... sonegação de tributos federais e estaduais ... recuperação de créditos de ICMS de forma irregular ... fomento mercantil irregular ... enriquecimento ilícito...”, citando diversas empresas e pessoas físicas do Paraná e de Santa Catarina. Como algumas empresas eram desta jurisdição, a DRF/Curitiba reencaminhou-os a esta DRF/Joinville que, confirmando alguns indícios apontados, instaurou inicialmente fiscalizações contra Evolution, Arueira, Biomade e Norte Sul. Na Evolution, verificou-se que esta prestava serviço de factoring, trocando títulos (duplicatas) emitidos por diversas empresas contra Dioxyl e outra empresa desta jurisdição, também sob procedimento fiscal semelhante, doravante denominada Empresa X, das quais também adquiria produtos com fim específico de exportação. Quanto a Arueira, Biomade e Norte Sul, constatou-se que não tinham movimentação financeira, não declararam receitas, não cumpriam obrigações acessórias, não efetuaram recolhimento de tributos, nem sequer as empresas ou seus sócios foram encontrados nos endereços constantes nos cadastros CNPJ e CPF. As notas fiscais emitidas por Arueira, Biomade e Norte Sul contra Dioxyl e Empresa X indicavam como transportador das mercadorias Rodomoveis Transportes e Transportes Rodomovel. Procuradas, ambas negaram ter transportado mercadorias daquelas até Dioxyl. Instauraram-se então procedimentos contra Dioxyl e Empresa X. Analisando-se suas escriturações fiscal e contábil detectaram-se operações semelhantes àquelas com outras empresas que também tinham os mesmos indícios de irregularidades Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.835 5 apresentados por Arueira, Biomade e Norte Sul. As empresas que constam na escrituração de Dioxyl são Arueira, Biomade e Norte Sul, Madesul, Ambiente, GS, MPR, Renari, Harmony, Loyl e J4, que serão referidas daqui por diante como “noteiras”. O sr. Afonso Henrique Maia Bastos, proprietário de Evolution, é também proprietário de Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda., empresa de consultoria tributária. Afonso, seus irmãos Luciano Maia Bastos e Suzana Paula Maia Bastos Miers, Evolution, Dioxyl, Norte Sul, entre outras diversas pessoas físicas e jurídicas são textualmente citados na denúncia e na Notícia de Fato provenientes do Ministério Público do Estado do Paraná. Encerrados os trabalhos, comprovou-se a existência de esquema arquitetado por Evolution para emissão de notas fiscais frias por empresas noteiras para basear operações de compra e venda simuladas, com o intuito de geração de créditos de ICMS, IPI, PIS e Cofins para aproveitamento em dedução dos tributos devidos por Dioxyl e outra empresa desta jurisdição, também sob procedimento fiscal semelhante, doravante denominada Empresa X, respeitando-se o sigilo fiscal. A seguir são expostos os elementos que levaram a esta conclusão, as características de cada uma das noteiras envolvidas e, ao final, as infrações à legislação tributária cometidas por Dioxyl. Funcionamento do esquema As fiscalizações e diligências efetuadas e a análise dos dados disponíveis e coletados revelou um esquema de compras e vendas simuladas de madeira, pallets e móveis orquestrado por Evolution/Maia Bastos e vendido a Dioxyl e Empresa X, para que a estas fossem gerados créditos de impostos e contribuições a fim de diminuir os valores a recolher aos cofres públicos, como noticiado pelo Ministério Público e pelo GAECO do Estado do Paraná. Evolution Comercial Exportadora Ltda., empresa cujo “objeto social é a ... exportação, importação e industrialização de mercadorias na categoria de empresa comercial exportadora, fomento comercial e mercantil”, localizada à rua Wolfgang Ammon, 87, 4.º andar, sala 44 do Edifício Milano, Centro, São Bento do Sul-SC, com filial à avenida Pres. Affonso Camargo, 2125, loja B, bairro Cristo Rei, Curitiba-PR, pertence a Afonso Henrique Maia Bastos, que também é proprietário da empresa Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda., CNPJ 07.327.085/0001-66, localizada à rua Wolfgang Ammon, 87, 4.º andar, sala 44 do Edifício Milano, Centro, São Bento do Sul-SC (mesmo endereço de Evolution) e não tem filiais. (...)Os indícios levantados ao longo do amplo trabalho de fiscalização e diligências realizados apontam inequívoca e sobejamente pela existência do esquema descrito e participação das empresas indicadas. Na parte documental, as noteiras emitiam as notas fiscais de venda comum contra Dioxyl e Empresa X, que imediatamente revendiam as mercadorias com fim específico de exportação a Evolution, no exato valor da compra descontados os créditos tributários que utilizariam. Evolution então dava entrada aos produtos faturados e emitia as notas fiscais de exportação aos clientes exterior. O infográfico abaixo sintetiza o esquema utilizado e os valores envolvidos: Na parte financeira, as noteiras emitiam títulos (duplicatas) contra Dioxyl e Empresa X pelas suas vendas e imediatamente os descontavam junto à Evolution em operações de factoring. Dioxyl e Empresa X emitiam títulos contra Evolution referentes à suas vendas. Como Dioxyl e Empresa X eram credoras (pelas suas vendas) e devedoras (pelas compras das noteiras cujos títulos foram descontados) a Evolution, faziam-se transferências bancárias mútuas e simultâneas e as dívidas se extinguiam, exceto pela parcela dos créditos tributários gerados que poderiam ser aproveitados por Dioxyl e Empresa X em suas apurações. O infográfico abaixo sintetiza o fluxo financeiro do esquema: (...) Acerca dos valores informados em notas fiscais das noteiras e de Dioxyl e Empresa X, mais um fato aponta pela ficção dos documentos. Ao longo de 2011 Evolution teria adquirido R$ 11,6 milhões de Dioxyl e R$ 9,5 milhões de Empresa X em mercadorias para exportação, mas efetivamente exportou R$ 20,7 milhões, R$ 400 mil a menos que as entradas1. Evolution não possui local para estocagem. Mesmo que se leve em conta tratarem-se de valores globais e a possível variação de início e final de ano nos embarques, Evolution teria vendido 1 Segundo as fichas 23 e 25 de sua DIPJ, Evolution teria adquirido de R$ 10,7 milhões de Dioxyl e R$ 10,8 milhões de Empresa X e exportado R$ 21,5 milhões. Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.837 7 mercadorias ao exterior com prejuízo ou por preço muito próximo do custo, algo um tanto difícil de crer. Ratificando os indícios levantados, em 30/04/2015 o representante de uma das empresas inativas, que efetivamente fabricou os produtos exportados mas encerrou de fato suas atividades logo depois sem recolher qualquer tributo devido, compareceu à Delegacia da Receita Federal em Joinville-SC e prestou declaração, firmada em Termo de Tomada de Declaração, descrevendo e confirmando o modus operandi do esquema descrito acima, relatando que Evolution era quem especificava e encomendava os produtos, que Evolution determinava o faturamento contra Dioxyl e Empresa X, que Evolution pagava pelos produtos, que Evolution trocava imediatamente todos os títulos emitidos, que Evolution contratava o transporte desde sua fábrica diretamente ao porto de embarque, que nunca teve contato comercial com Dioxyl ou Empresa X e, mais importante, que todos sabiam que os faturamentos eram feitos daquela forma para aproveitamento de créditos tributários por Dioxyl e Empresa X. Ora, se os bens eram produzidos e destinados diretamente ao exterior por Evolution, não ocorreu a tradição dos mesmos entre noteiras e Dioxyl e Empresa X nem entre estas e Evolution. Sendo a tradição condição necessária para validade dos negócios jurídicos (arts. 1226 e 1267 da Lei n.º 10.406/2002 Código Civil) as compras e vendas indicadas nos documentos fiscais não são aptas a produzir efeitos. As provas coletadas corroboram os elementos trazidos na denúncia feita ao GAECO (“venda de notas fiscais frias ... vendas de empresas fantasmas ... recuperação de créditos de ICMS de forma irregular ... venda de créditos de ICMS ... vendas de notas fiscais para empresas (rede de pessoas que fornecem notas fiscais por 3% do valor da nota) ... fomento mercantil irregular ... emissão de duplicatas frias”) e na Notícia de Fato n.º MPPR 0046.13.004681-9 (“compra de empresas criadas regularmente, porém inativas ... transferir créditos de ICMS inexistentes, vender notas fiscais frias e fomento mercantil (factoring) irregular ... vender empresas fantasmas”) como condutas em tese praticadas por Afonso Henrique Maia Bastos e suas empresas. (...)Como este Termo refere-se ao procedimento fiscal em relação a Dioxyl, a seguir são detalhados os fatos verificados apenas neste contribuinte, destacando-se que as mesmas características foram encontradas na Empresa X, também sob procedimento fiscal com conclusões constantes nos processos administrativos n.º 10920.720243/2016-13 e 10920.720244/2016-50. Dioxyl Dioxyl Revestimentos Químicos Ltda. tem como CNAE principal 2071-1-00 Fabricação de tintas, vernizes, esmaltes e lacas. Segundo as notas fiscais eletrônicas NF-e emitidas, ao longo de 2011 produzia e comercializava majoritariamente tintas, vernizes, corantes, resinas e solventes classificados nos capítulos 32, 38 e 39 da TIPI, utilizados por indústrias dos setores moveleiro, metal mecânico, plásticos, vidros, imobiliário e automotivo, conforme consta em seu site www.dioxyl.com.br. As vendas dos produtos químicos fabricados pela Dioxyl foram feitas apenas no mercado interno, tendo gerado mensalmente débitos de tributos incidentes sobre o faturamento (ICMS, IPI, PIS e Cofins). Em relação a esses, por se tratar de tributos não-cumulativos, foi possível a dedução de créditos (referentes a entradas tributadas de insumos) dos débitos apurados, conta que, restando positiva, é o valor a recolher aos cofres públicos. Portanto, quanto mais créditos houver menor o valor a pagar. Por outro lado, as operações focadas nesta auditoria referem-se a compras e vendas de madeiras, pallets e móveis, atividades totalmente diversas do objeto principal de Dioxyl, os produtos químicos. Restou claro que esta foi a grande beneficiada das operações simuladas, pois aproveitou os créditos de ICMS, IPI, PIS e Cofins, nas alíquotas de 17%, 5%, 1,65% e 7,6% respectivamente, para dedução dos montantes devidos decorrentes de suas reais operações. A vantagem indevida era gerada por meio do registro das entradas no CFOP 1.102 Compra para revenda e, como os bens entrados eram diretamente revendidos a Evolution com fim específico de exportação, pelo registro das saídas sob CFOP 5.502 Remessa de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, com fim específico de exportação, operação esta feita com suspensão de IPI (art. 43, V, a, do Decreto n.º 7.212/2010 Regulamento do IPI), isenta da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins (art. 5.º da Lei n.º 10.637/2002 e art. 6.º da Lei n.º 10.833/2003) e objeto de não-incidência de ICMS (art. 6.º, inciso II e §1.º inciso I, do Decreto n.º 2.870/2001 Regulamento do ICMS/SC). (...)Verifica-se que 2380 unidades de “painel de madeira...” escriturados sob código DV02240 entraram por R$ 158.986,38, gerando créditos tributários de R$ 47.317,38 e resultando num custo contabilizado de R$ 111.669,00, e que 2380 unidades de mercadoria com código e descrição idênticos foram faturadas para Evolution por R$ 111.669,00, exatamente o valor da nota de entrada descontada dos tributos (70,2% da nota de entrada). (...)Neste verifica-se que os produtos entraram por R$ 72.204,30, gerando créditos tributários de R$ 21.489,39 e resultando num custo contabilizado de R$ 50.714,91, e que produtos com código, descrição e quantidades idênticos foram faturados para Evolution por R$ 50.714,90 (70,2% da nota de entrada). Por que motivo uma empresa com fim lucrativo efetuaria operações como as descritas acima, movimentando cerca de R$ 15 milhões na compra mercadorias para revendê-las pelo preço de custo, sem auferir lucro algum? Qual o propósito negocial ou a lógica comercial de tais operações? Efetuaram-se cruzamentos semelhantes para as outras notas fiscais das noteiras e de Dioxyl, sintetizados na planilha Comparativo Lançamentos Contábeis Noteiras x Evolution. Detectaram-se 127 operações similares às citadas acima, identificadas pelo código XX-YY, onde XX são as letras iniciais da noteira e YY o número sequencial, envolvendo 178 notas fiscais de entrada. Os exemplos acima estão identificados por AM-01 e NO-21. Além daquelas, outras 63 notas fiscais emitidas pelas noteiras foram escrituradas por Dioxyl, que aproveitou os créditos tributários decorrentes de tais entradas. Sob outro aspecto, todas as notas fiscais emitidas por Dioxyl contra Evolution indicavam como transportador o próprio emitente. Inquiriu-se Dioxyl a informar sobre as formas de entrega dos produtos vendidos e, caso tivesse havido entrega de produtos com veículo próprio, para apresentar cópias dos Certificados de Registro e Licenciamento (CRLVs) ou documento equivalente dos veículos de propriedade da empresa naquele ano, bem como detalhamento da conta contábil 196– Veículos, que apresentava saldo inicial de R$ 140.984,19 e saldo final R$ 109.300,00 apenas, indícios de que a empresa não possuía frota própria. Em resposta, Dioxyl afirmou que “todas as mercadorias/produtos (objetos desta fiscalização ... sempre que comercializados, foram retirados de nossa empresa por transportadora contratada pela comercial exportadora”, em contraposição ao consignado nas notas fiscais. Também não entregou documentos dos veículos ou detalhamento da conta contábil. Ou seja, também a forma de transporte indicado nas notas fiscais aponta pela ficção dos documentos. Este foi o procedimento fraudulento de emissão de documentos fiscais por Dioxyl. A parte financeira do esquema iniciava-se com a emissão de títulos (duplicatas) em nome das noteiras no valor integral da nota fiscal, divididos em 3 parcelas com 70%, 25% e 5% do valor total2, imediatamente descontados em operações de factoring junto à Evolution, que escriturava todas as suas operações de factoring em totalizações mensais a débito na conta Clientes Diversos e a crédito em Caixa e Receita Financeira, como no exemplo abaixo: 2 Em algumas operações a parcela de 70% foi dividida em dois títulos. (...)Quando Dioxyl revendia as mercadorias, emitia apenas um título contra Evolution no valor total da nota fiscal que, como demonstrado, eram os mesmos 70% da nota de entrada referente. Evolution foi intimada a apresentar os comprovantes de pagamento pelas aquisições de mercadorias e efetivamente apresentou transferências bancárias à Dioxyl nos valores corretos. Dioxyl também foi intimada a apresentar comprovantes de pagamento pelas aquisições junto às noteiras e apresentou, para os títulos de 70% do valor, transferências bancárias à Evolution. A análise dos comprovantes destes pagamentos não deixa dúvidas quanto ao conluio Evolution-Dioxyl. Numa incrível ‘coincidência’, as transferências bancárias de ambas as partes eram simultâneas, feitas nos mesmos valores, datas e horas, com diferença de poucos segundos, veja-se os comprovantes bancários e os lançamentos contábeis das operações AM-01 e NO-21 já citadas acima: (...)Desta forma, Evolution dava por quitada sua compra e Dioxyl quitava a duplicata com 70% do valor devido à noteira cujo título estava em poder de Evolution. Quanto aos títulos com 25% do valor, os comprovantes de pagamento fornecidos por Dioxyl – na maioria pagamentos de boletos bancários – também indicavam Evolution como beneficiária. Cerca de ¼ destes títulos tiveram vencimento naquele ano de 2011. Em sua contabilidade Dioxyl escriturava os pagamentos a débito em Bancos contra as contas das noteiras a crédito, já Evolution não fazia registro algum da entrada destes recursos, apesar das operações de factoring terem sido registradas na conta Clientes Diversos. Os ¾ restantes dos títulos venciam em 2012 e até em 2013, período fora do escopo deste trabalho. Restavam então os títulos de 5% do valor que, pelos elementos colhidos e a informação da denúncia sobre pagamento de 3% do valor de cada nota fiscal fria, levam a crer ser a remuneração paga a Evolution/Maia Bastos pelos créditos fictícios. Aparentemente baixo, cabe ressaltar que o valor pago por Dioxyl sobre cada nota fiscal equivale em verdade a 16,67% do ganho obtido em créditos. (...)Apesar de intimada para comprovar o pagamento dos títulos de 5%, Dioxyl apresentou somente duplicatas mercantis recibadas de apenas algumas destas operações, em que também se notam semelhanças grotescas. Duplicatas emitidas por empresas distintas eram preenchidas por pessoas com grafias muito semelhantes, senão idênticas. Vejam-se abaixo recortes dos títulos 106/3 de Norte Sul e 31/3 de Arueira: (...)Assim, na parte financeira o esquema estava concluso em Dioxyl. Na Evolution, comprovados seus pagamentos pelas compras junto a Dioxyl e seus recebimentos de Dioxyl pelos títulos de 70% e 25% descontados, faltava a outra ponta do esquema: a aquisição por Evolution de títulos emitidos pelas noteiras. Evolution foi intimada a comprovar os pagamentos pelas aquisições de títulos emitidos por Arueira, Biomade e Norte Sul contra Dioxyl. Trouxe documentos para 111 títulos com valores totais de face de R$ 4.566.688,17 e de aquisição de R$ 3.919.612,15. Os documentos entregues para comprovação de pagamento, totalizando R$ 3.315.057,25 (R$ 635.247,90 a menor), não apresentavam relação direta nem identificação com quaisquer dos títulos, das pessoas jurídicas emitentes (noteiras) ou dos sócios destas. Pelo contrário, tinham inúmeras inconsistências. (...)Outra característica peculiar dos cheques é que na maioria foram preenchidos e assinados pela auxiliar administrativa sra. Silvana Tamanine Richter, que recebeu a fiscalização quando estivemos na Evolution, veja-se cópia de um cheque e de recebimento do Termo de Início: (...)Segundo informações de GFIP, esta pessoa tinha salário mensal de R$ 1.090,00 em 2011. Causa no mínimo estranheza que um mero auxiliar administrativo, com rendimento de apenas dois salários mínimos vigentes à época, tivesse poderes para movimentar milhões de reais das contas bancárias da empresa. Em sua contabilidade, Evolution escriturou todos os cheques do Bradesco e alguns cheques do Banco do Brasil (apenas os emitidos até 01/03/2011) contra a conta Caixa a débito, ou seja, reduzindo saldo de Bancos e aumentando Caixa. Não há despesas pagas via caixa a que se possam atribuir os valores provenientes de Bancos. Desta forma, não permite identificar quem foram os beneficiários dos pagamentos nem mesmo se realmente houve algum pagamento de fato. Esses elementos indicam que os cheques apresentados não representam pagamentos relativos a transações comerciais, mas somente documentos gerados com a finalidade de justificar a simulação da compra dos títulos por Evolution. (...)Ficou claro que Evolution não dispunha de comprovação de pagamento das aquisições dos títulos, angariando documentos esparsos e sem conexão – alguns de suas próprias despesas, alguns com indícios de serem pagamentos aos reais fabricantes das mercadorias – na tentativa justificá-las, deixando patente a total simulação das operações de factoring com as noteiras. Ora, diante do rol de fortes indícios apontados, a única conclusão possível é de que todas as transações entre noteiras, Dioxyl e Evolution foram simuladas em plano operado por Evolution/Maia Bastos, que vendeu a Dioxyl esquema de planejamento tributário fraudulento de compras e vendas fictícias com o único intuito de gerar créditos tributários com vistas à evasão fiscal. Em verdade, as madeiras, pallets e móveis foram produzidos a mando de e sempre pertenceram a Evolution, pois transitaram apenas documentalmente por Dioxyl. As noteiras As empresas Arueira, Biomade, Norte Sul, J4, Ambiente, Loyl, Madesul, Renari, GS e Harmony, referidas como noteiras, tinham como papel no esquema a emissão de notas fiscais contra Dioxyl. Segundo verificado no curso deste procedimento fiscal, Arueira, Biomade, Norte Sul, J4, Ambiente e Alpha Loyl não tinham qualquer atividade, seja financeira ou comercial nem mesmo sede. Também, seus sócios demonstraram não ter capacidade econômica para iniciar as atividades ou ingressar nas empresas das quais faziam parte. Assim, sua única finalidade era emitir notas fiscais a serem utilizadas na geração de créditos de ICMS, IPI, PIS e Cofins para Dioxyl e outras empresas. Inclusive, vislumbrado esse quadro, de forma incidental as pessoas jurídicas em apreço foram baixadas ou estão em processo de baixa de suas inscrições no cadastro CNPJ. Por seu turno, Madesul, Renari, GS e Harmony existiam de fato, porquanto desempenharam suas atividades. Contudo, assim como as outras pessoas jurídicas, também emitiram notas fiscais contra Dioxyl como se esta fosse compradora de suas mercadorias, o que não aconteceu, conforme demonstrado anteriormente. As conclusões individuais dos procedimentos fiscais contra cada uma das noteiras estão detalhadas no Anexo Noteiras, do qual faz parte integrante. Transportadoras As transportadoras Rodomoveis Transportes e Transportes Rodomovel constam na maioria das notas fiscais emitidas pelas noteiras como transportador das mercadorias entre elas e Dioxyl. Intimada a apresentar conhecimentos de transporte relativos a elas, Dioxyl respondeu apenas que “o transporte de mercadorias ... era de responsabilidade dos fornecedores”, sem trazer qualquer documento. Em 08/12/2014 e 12/02/2015 as transportadoras foram intimadas a informar se ao longo de 2011 prestaram algum serviço às noteiras e à Evolution. As respostas foram protocoladas em 16/12/2014 e 26/02/2015. Transportes Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.842 12 Rodomovel informou que “não prestou serviços de transporte para a[s] empresa[s]”. Rodomoveis Transportes informou que “não prestou diretamente serviços de transportes para a empresa ... mas carregamos mercadorias nas dependências da empresa, através da Evolution Comercial Exportadora Ltda., a qual prestamos serviços”. Por ocasião da entrega da 2.ª intimação, inquiriu-se o representante das transportadoras sobre suas operações com Evolution, sobre o que relatou que transportava contêineres diretamente de diversos produtores de móveis ao porto de Itajaí-SC, sempre a mando da própria Evolution, conforme conhecimentos de transporte anexados na resposta à intimação anterior. Também se inquiriu sobre sua relação comercial com Dioxyl, ao que respondeu que nunca transportou mercadorias seja ela como origem ou destino e que já teve que responder pergunta semelhante ao Fisco do Estado de São Paulo. Apresentou então um Termo de Declaração à Delegacia de Polícia da Comarca de São Bento do Sul-SC (Documento Rodomóveis - Boletim ocorrência DRPC) feita em 17/11/2014 no qual “informa que não encontrou nos registros da empresa nenhum transporte de mercadorias para a empresa Dioxyl Revestimentos Químicos”. Não tivemos acesso ao inquérito policial, mas o relato e as circunstâncias levam a crer se tratar do mesmo tema aqui versado. Assim, claro está que as transportadoras indicadas nas notas fiscais emitidas pelas noteiras contra Dioxyl não prestaram tal serviço. Houve apenas transporte de mercadorias entre diversos fabricantes e o porto, sob contratação de Evolution e amparado por sua nota fiscal de exportação. Infrações verificadas Segundo a Portaria MF n.º 187/1993, art. 4.º, sempre que, no decorrer de ação fiscal, forem encontrados documentos emitidos em nome de pessoa jurídica que não exista de fato e de direito ou apesar de constituída formalmente, não possua existência de fato, o contribuinte sob fiscalização deverá ser intimado para comprovar o efetivo pagamento e recebimento dos bens, sob pena de ter glosados os custos e as despesas decorrentes do pagamento não comprovado e ter glosado o crédito fiscal originário de documento inidôneo. A relação de todas as notas fiscais de entrada de compras fictícias das noteiras encontra-se na planilha Notas Fiscais de Entrada – Noteiras, totalizando R$ 18.124.911,91, e das notas fiscais de saída com vendas simuladas para Evolution encontra-se na planilha Notas Fiscais de Saída – Evolution, totalizando R$ 9.495.663,36. As notas fiscais de entrada emitidas pelas noteiras e os respectivos comprovantes de pagamento por Dioxyl compõem o documento NFs de Entrada e Comprovantes de Pagamento. As notas fiscais de saída emitidas por Dioxyl e os respectivos comprovantes de pagamento por Evolution, o documento NFs de Saída e Comprovantes de Pagamento. Na esfera federal importam os reflexos das compras e vendas simuladas na apuração do IPI, da Contribuição para o PIS/PASEP, da Cofins, do IRPJ e da CSLL, sobre os quais se passa a expor. Quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados Segundo o livro Registro de Apuração do IPI, extraído da EFD-ICMS/IPI, Dioxyl apurou saldos devedores entre janeiro e outubro/2011, declarados corretamente Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.843 13 em DCTF, exceto do período de apuração fevereiro/2011 declarado por R$ 607,48, quando o saldo devedor do RAIPI foi R$ 105.605,67. Intimado a esclarecer esta divergência, afirmou o contribuinte que “o saldo devedor de IPI correto é o informado na DCTF, a diferença verificada será corrigida através da retificação extemporânea do EFD ICMS-IPI”. Esta escrituração fiscal substituta serviu então de base ao lançamento para o período fevereiro/2011. Todas as notas fiscais de entrada da planilha Notas Fiscais de Entrada – Noteiras foram creditadas de IPI, pois escrituradas na EFD-ICMS/IPI sob Código da Situação Tributária CST 00 Entrada com Recuperação de Crédito. Dessa forma, por se tratarem de créditos fraudulentos, efetuou-se a glosa dos créditos computados sobre estas entradas. (...)Ainda em relação às operações fictícias, como se tratam de notas fiscais irregulares que não correspondiam à efetiva entrada de mercadorias e que o contribuinte registrou e utilizou, cabível ainda a imposição da multa regulamentar prevista no art. 572 do RIPI: (...)Assim, em relação ao IPI, cabível o lançamento de ofício de R$ 824.467,88 de tributo com multa de ofício de 150% sobre o tributo devido e multa regulamentar de R$ 18.124.911,91 (somatório do valor das mercadorias, campo Valor dos Produtos, consignado nas notas fiscais), contra Dioxyl como contribuinte e Evolution, Afonso e Humberto como responsáveis solidários (vide tópico sobre responsabilidade solidária mais à frente), efetuado no âmbito do processo administrativo 10920.720220/2016-09. Além destes, cabe ainda o lançamento de ofício de R$ 155.824,54 com multa de ofício de 75% pela glosa das demais aquisições para revenda, efetuado no âmbito do processo administrativo 10920.720219/2016-76. (...)Imposição de multa qualificada (...)Todo o conjunto indiciário levantado ao longo deste trabalho aponta para a existência de fraude e ajuste doloso (conluio) a fim de reduzir o montante de imposto devido. É inescapável que tanto Dioxyl como Evolution, através de seus administradores, agiram com a deliberada intenção de reduzir os tributos devidos por aquela através de compras e vendas fictícias. Desta maneira, nos lançamentos de ofício decorrentes de tais operações impõe-se a aplicação de multa qualificada de 150% sobre o tributo apurado, independentemente das demais penalidades cabíveis. Responsabilidade Solidária As constatações retroexpostas são mais que suficientes a provar o interesse comum de Dioxyl e Evolution na situação fática, qual seja, simulação de compras e vendas fictícias para redução do montante de tributos devidos. A parte financeira revelada deixa inequívoco que Evolution não só participava ativamente, mas também era mentora e administradora das transações simuladas Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.844 14 e que, pelos créditos tributários aproveitados, recebia 5% do valor de cada nota fiscal fictícia emitida pelas noteiras – ou 16,67% do crédito gerado na simulação. Os comprovantes bancários das transferências e pagamentos feitos por Dioxyl a Evolution referentes às parcelas de 70% e 25% das notas fiscais trazem expresso que as transações foram efetuadas com sucesso por Humberto Barbosa Lima, CPF 005.076.249-47, sócio da Dioxyl com 99% do capital social integralizado8, a quem competia a administração isolada da empresa, segundo cláusula nona do Contrato Social, e atendeu à Fiscalização no decorrer deste procedimento. Já os comprovantes bancários entregues por Evolution de pagamentos feitos a Dioxyl e de pagamentos ditos como feitos a terceiros pela compra dos títulos das noteiras trazem escrito que as transações foram efetuadas com sucesso por Afonso Henrique Maia Bastos, CPF 743.337.559-72, sócio da Evolution com 99% do capital social integralizado9, a quem competia a administração isolada da empresa, segundo cláusula nona do Contrato Social, e respondeu à Fiscalização no decorrer deste procedimento. Prova inconteste do estreito relacionamento entre ambos, Afonso Henrique Maia Bastos foi o advogado constituído por Humberto para impetrar o mandado de segurança n.º 2007.72.01.004828-6/SC junto à Justiça Federal da 4.ª Região em nome de Dioxyl a fim de discutir “o direito de crédito do IPI em relação aos insumos isentos, não-tributados ou sujeitos a alíquota zero”, arquivado em julho/2010 após sentença desfavorável ao contribuinte. Também representa Dioxyl nas ações de execução fiscal n.º 0005254-63.2002.8.24.0058 e 0001948-13.2007.8.24.0058 movidas pela Fazenda Nacional perante o Poder Judiciário de Santa Catarina, conforme consultas processuais (Documento Consulta Justiça). Ora, sendo Humberto e Afonso os administradores das empresas, que efetuavam as transações bancárias e, em última instância, os reais beneficiários da fraude, ficam patentes suas participações dolosas nas operações aqui expostas. O Código Tributário Nacional, Lei n.º 5.172/1966, dispõe que (a fiscalização transcreve os arts. 124, I, e 135, III): (...)Assim, cabível a responsabilização solidária de Evolution Comercial Exportadora Ltda., CNPJ 05.699.094/0001-52, Humberto Barbosa Lima, CPF 005.076.249-47, e Afonso Henrique Maia Bastos, CPF 743.337.559-72, pelos créditos tributários ora constituídos decorrentes das operações fraudulentas. Representação Fiscal para Fins Penais (...)As condutas dos agentes e os elementos expostos ao longo deste trabalho configuram, em tese, crimes contra a ordem tributária, razão pela qual lavrou-se Representação Fiscal para Fins Penais no âmbito do processo administrativo n.º 10920.720225/2016-23 contra Humberto Barbosa Lima, CPF 005.076.249-47, e de Afonso Henrique Maia Bastos, CPF 743.337.559-72. Nas fls. 50/64, com um anexo que integra o Termo de Verificação, a fiscalização trata das empresas "noteiras", descrevendo as conclusões individuais dos Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.845 15 procedimentos fiscais contra cada uma delas, a saber: Arueira, Biomade, Norte Sul, J4, Ambiente, Loyl, Madesul, Renari, GS e Harmony. O contribuinte, pessoa jurídica, e os três responsáveis tributários (a pessoa jurídica Evolution Comercial Exportadora Ltda e as duas pessoas físicas administradoras - desta e da jurídica autuada como contribuinte) foram cientificados regularmente do Auto de Infração e das responsabilidades em 11/02/2016 (ver fls. 2627/2637) e apresentaram em 14/03/2016 impugnações tempestivas, isoladamente. O contribuinte, cuja Impugnação consta das fls. 2737/2771, alega inicialmente a decadência do lançamento, ressaltando que o prazo para constituição do crédito tributário decai em cinco anos. Em seguida, no item 3 da peça impugnatória, argui haver "incongruência da narrativa utilizada pelo agente fiscal" e que todo o lançamento é baseado em presunção da existência de operações simuladas entre a Dioxyl Revestimentos Químicos Ltda, contribuinte, e as empresas denominadas noteiras. Observa que os Auditores Fiscais, apesar de considerarem as operações simuladas, "por diversas vezes reconhecem a efetiva exportação das mercadorias, ou seja, as operações existiram de fato", citando passagens do TVI no sentido de que os produtos foram fabricados por sujeitos indeterminados a mando da Evolution, foram por ela exportados e as empresas Madesul, Renari, GS e Harmony existiam de fato. Para o contribuinte, as operações tratam de compra e venda legítimas e os Auditores-Fiscais agiram com abuso de poder e de modo contrário às normas tributárias, afrontando o princípio da legalidade, a respeito do qual cita doutrina. Afirma no item 4 inexistir vedação legal às operações, refutando a acusação de simulação. Segundo o contribuinte, "constata-se a ocorrência do erro da autoridade autuante, no tocante ao enquadramento legal do fato descrito (tipificação), posto que os dispositivos legais constantes da Lei Federal invocados pelos agentes fiscais, não discriminam e não se coadunam com o suporte fático concreto, de onde resulta a inocorrência de fato imputável ao Contribuinte e, como conseqüência, gera a nulidade do Auto de Infração". Entende que, "Para que se possa caracterizar a simulação é indispensável que o ato praticado, que se pretende dissimular sob o manto do ato ostensivamente praticado, não pudesse ser realizado por vedação legal ou qualquer outra razão. Como as partes realizaram o negócio não restou caracterizada a declaração enganosa de vontade, essencial na simulação". Também argui ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa, mencionando o art. 5º, LV, da Constituição Federal, contesta "a multa de 205" (ipsis literis) e reputa nulo o Auto de Infração "por não haver penalidade sem lei anterior que a defina, nem infração sem disposição expressa que o tipifique" (final da primeira do item 4 da Impugnação do contribuinte, que possui outro tópico sob o mesmo número, intitulado "DA LEGITIMIDADE DAS OPERAÇÕES"). Continua refutando a fiscalização nos itens seguintes, até o de nº 9, onde afirma que "para que pudesse haver autuação o fisco deveria estar embasado em provas robustas e não em meras SUPOSIÇÕES e CONCLUSÕES PRÓPRIAS", concluindo o seguinte: "Torna-se pois, imperioso como medida de justiça, a anulação dos objurgados itens, uma vez que, no caso em tela, o direito líquido e certo da Impugnante, está materializado em face da constante Ilegalidade e Abusividade dos atos praticados pela autoridade fiscal." O item 10 é dedicado especificamente aos dois Autos de Infração do presente processo, e nele o contribuinte defende o direito aos créditos do IPI, oriundo das operações que a autuação reputou simuladas (a fiscalização considerou que as empresas "noteiras" emitiam notas fiscais frias, gerando créditos do IPI e outros tributos em favor da Dioxyl). Reportando-se ao princípio constitucional da não cumulatividade que rege o IPI e à suspensão do Imposto nas saídas de produtos destinados à exportação (menciona o art. 43, V, e § 1º, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010 - RIPI/2010), afirma que "de nenhuma forma a primeira operação realizada entre a Dioxyl e a empresa produtora da mercadoria por (sic) ser considerada como fim específico para exportação, apenas a revenda do produto da Dioxyl para a Evolution" e, assim, "é assegurado a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto". Também se insurge contra a multa isolada de 100% (lançada em Auto separado, com base no art. 572, II, do RIPI/2010, por utilização de notas fiscais irregulares, recebidas e escrituradas pelo contribuinte Dioxyl), repisando que todas as operações são legítimas e foram realizadas dentro do "rigorismo fiscal". Por ter agido dentro dos ditames legais, argui que "fica de plano afastada qualquer possibilidade de sanção", além de reputar confiscatória e contrária ao princípio da capacidade contributiva a multa aplicada (no subitem 10.3 da peça impugnatória, sob o título "DA NECESSIDADE DE APURAÇÃO DO VALOR CORRETO DO IMPOSTO E DO DESCABIMENTO DE JUROS E MULTA", se refere ora à penalidade de 150% sobre os valores do IPI lançados de ofício, ora à de isolada de 100%, pois num ponto afirma que "a multa sobre os valores discutidos tem a forma de verdadeiro confisco" e, mais adiante, que "No caso concreto, a norma sancionante atribuiu uma penalidade ao hipotético 'ilícito', ou seja, a multa sobre o valor total dos créditos, legal e licitamente aproveitados, em conformidade com a legislação em vigor"). No subitem seguinte ainda considera que "Não há nenhum motivo lícito para a exigência de multa", pelo que da exigência "nasce o enriquecimento ilícito do Erário Público em detrimento do Contribuinte, vedado pela legislação e pelos princípios gerais do direito". O item 11 trata do processo nº 10920.720221/2016-45, relativo ao Auto de Infração do IRPJ e CSLL, enquanto o seguinte é dedicado ao processo nº 10920.720219/2016-76, relativo ao IPI, mas com multa de ofício no percentual de 75% (este foi julgado por esta 2ª Turma em 31/10/2016, que manteve o lançamento conforme o Acórdão nº 11-054.185). Ao final, no item 13, o contribuinte requer o seguinte: a) Primeiramente, o acolhimento da preliminar retro, para reconhecer a decadência dos débitos tributário (sic), com o conseqüente cancelamento (arquivamento); b) Ainda, no mérito, reconheça a IMPROCEDÊNCIA dos presentes Autos de Infração, declarando-se extinta a pretensão fiscal, excluindo-se a aplicação das penalidades, pelos fundamentos de fato e de direito anteriormente expendidos. A pessoa jurídica Evolution Comercial Exportadora Ltda, autuada na condição de responsável tributário, apresenta a Impugnação de fls. 2689/2724, onde repisa as alegações do contribuinte Dioxyl. Há pequenas diferenças, como a arguição de que "Causa Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.847 17 surpresa à Impugnante os termos utilizados que além de denegrirem a imagem da empresa e do sócio, trazem-lhes prejuízo de ordem moral" (fl. 2691), e a reiteração da informação de que a empresa responsável pela contabilidade da Evolution "foi atingida por enchente no decorrer do ano de 2014, o que ocasionou a perda de grande quantidade de documentação" (fl. 2706), ambas ausentes no texto do contribuinte, e é acrescentado um item sob o título "INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA". Neste tópico é refutado o emprego do art. 124, I, do CTN, citado nos Autos de Infração em relação à Evolution (a responsabilidade das duas pessoas físicas é enquadrada no art. 135 do mesmo Código), que alega: - a solidariedade do referido dispositivo 'somente pode existir entre sujeitos que figurem no mesmo pólo de relação obrigacional, pois só assim o interesse poderá ser considerado como comum"; - "O interesse comum não pode ser presumido em razão de um fato escolhido pelo legislador ordinário", que não pode subverter o sentido dos dispositivos do CTN; - nem o interesse comum, requisito da solidariedade, nem esta, pode ser presumido; - as relações entre a Dioxyl e a Evolution se restringiam a compra e venda de mercadorias para serem exportadas ou compra e venda de títulos através de fomento mercantil, inexistindo qualquer conluio visando fraudar a fiscalização, além de constituírem interesses antagônicos; - a Evolution e a Maia Bastos Assessoria Empresarial são empresas distintas e esta prestou sim assessoria empresarial à Dioxyl; - "Se tivesse havido operação simulada, poderia haver imputação de responsabilidade tributária ao adquirente com supedâneo no cometimento de ilícitos, mas esta jamais poderá advir do artigo 124, I, do CTN, porque o interesse comum não existe neste hipótese, e nem a solidariedade é um meio de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária." Ao final a Evolution requer a decadência e improcedência dos Autos de Infração (tal como faz o contribuinte Dioxyl), apenas acrescendo pedido específico para que "seja reconhecida a inexistência de responsabilidade da empresa Evolution Comercial Exportadora, por inexistir operações simuladas ou interesse comum com a Dioxyl". A pessoa física Humberto Barbosa Lima também impugna os lançamentos (fls. 2787/2823), reproduzindo os termos do contribuinte Dioxyl com acréscimo de um item intitulado "INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO SÓCIO". Neste item rejeita a responsabilidade que lhe foi atribuída com base nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN (nos Autos de Infração é mencionado apenas o primeiro dispositivo, mas no TVI constam os dois), arguindo que, como sócio, não pode ser responsabilizado "pela infrações supostamente cometidas pela pessoa jurídica, pois sempre agiu dentro da lei e do contrato social", sendo nula a pretensão fazendária em responsabilizá-lo sem demonstrar que praticou infração à lei ou ao contrato social da sociedade. Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.848 18 No requerimento pede a decadência e improcedência dos Autos de Infração (tal como faz o contribuinte Dioxyl), apenas acrescendo pedido específico para que "seja reconhecida a inexistência de responsabilidade do sócio Humberto Barbosa Lima, pois sempre agiu dentro da lei Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa (fl. 2.831): Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 IPI. REDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO MEDIANTE CRÉDITOS SIMULADOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS EM NOME DE EMPRESA DE FACHADA. DOLO CARACTERIZADO. MULTA QUALIFICADA. Caracteriza fraude, ensejando o lançamento de ofício do tributo com aplicação da multa qualificada no percentual de 150%, o creditamento do IPI com base em notas fiscais emitidas por empresas de fachada, simulando aquisições que inexistiram e reduzindo o montante do Imposto devido. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. 150%. FRAUDE E CONLUIO. LEGALIDADE. A multa de ofício no percentual qualificado de cento e cinquenta por cento, aplicada nos lançamentos de ofício quando caracterizada a fraude, é prevista na legislação do IPI e nada tem de ilegal. MULTA REGULAMENTAR. APROVEITAMENTO DE NOTAS FISCAIS QUE NÃO CORRESPONDEM A EFETIVA SAÍDA. RIPI/2010, ART. 572, II. PENALIDADE IGUAL AO VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. Nos termos do art. 572, II, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010, aos que, em proveito próprio ou alheio, utilizam ou registram nota fiscal que não corresponda à saída efetiva das mercadorias nela constantes, aplica-se a multa isolada equivalente ao valor das mercadorias. JUROS DE MORA. SELIC. LEGALIDADE. Nos lançamentos de ofício é cabível aplicação dos juros de mora com base na taxa Selic, nos termos da legislação vigente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.832 2 Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CINCO ANOS. DOLO. TERMO INICIAL DO PRAZO QUINQUENAL DESLOCADO PARA O INÍCIO DO ANO SEGUINTE AO DO FATO GERADOR. O prazo para a Fazenda constituir o crédito tributário de tributos submetidos ao lançamento por homologação, como o IPI, é de cinco anos, começando a contagem do quinquênio, regra geral, do fato gerador, na forma do art. 150, § 4º, do CTN. Todavia, no caso de dolo o termo inicial é deslocado para o primeiro dia do ano seguinte, nos termos do art. 173, I, do mesmo Código. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOA JURÍDICA ENVOLVIDA EM FRAUDE. CONLUIO. ART. 124, I, DO CTN. SOLIDARIEDADE DE FATO. A solidariedade de fato, prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, atinge a pessoa jurídica que, mediante fraude, contribui para reduzir tributo de outra empresa, com ela conluiada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADORES. DOLO CARACTERIZADO. CTN, ART. 135, III. INCLUSÃO NO POLO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Caracterizado o dolo, por estar comprovada a utilização de notas fiscais sem a efetiva saída de mercadorias, em simulação visando reduzir o recolhimento de tributo e permitir informações inverídicas à Receita Federal, os administradores da pessoa jurídica também respondem pela obrigação tributária, de modo solidário e sem benefício de ordem, nos termos do art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões deste Colegiado. AUTOS DE INFRAÇÃO CONTENDO AS MATÉRIAS TRIBUTADAS E RESPECTIVOS ENQUADRAMENTOS LEGAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. NULIDADE REJEITADA. Não caracteriza a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade dos lançamentos, os autos de infração que atendem ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identificam as matérias tributadas e contêm os Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.833 3 enquadramentos legais correlatos, demonstrando com clareza as exigências. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foram apresentados Recursos Voluntários, conforme se verifica às. fls. 2.880 e seguintes. É o relatório. Voto
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência à Primeira Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 11-054.569 - 2ª Turma da DRJ/REC (fls 2.831 e seguintes): O processo trata dos dois Autos de Infração de fls. 2/19, o primeiro relativo ao IPI não recolhido e lançado com multa de ofício no percentual qualificado de 150%, além de juros, por ter a fiscalização apurado que o estabelecimento deixou de recolher o Imposto em decorrência da escrituração e utilização de crédito indevido, e o segundo relativo a multa regulamentar isolada equivalente a 100% (cem por cento) dos valores das mercadorias, por utilização de notas fiscais irregulares, recebidas e escrituradas pelo contribuinte autuado, mas que não correspondem à saída efetiva de produtos nelas descritos, tudo conforme descrito no Termo de Verificação de Infração (TVI) de fls. 20/64. O montante do Auto de Infração com a multa regulamentar soma R$ 18.124.911,91, enquanto os valores do outro são os seguintes: IMPOSTO 824.467,88 JUROS DE MORA 367.532,62 MULTA PROPORCIONAL (150%) 1.236.701,79 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 2.428.702,29 Além do contribuinte Dioxyl Revestimentos Químicos Ltda, foram também autuados, na condição de responsáveis tributários, uma outra pessoa jurídica - a Evolution Comercial Exportadora Ltda, que segundo a fiscalização praticou fraude em conjunto com o contribuinte - e duas pessoas físicas - Humberto Barbosa Lima, que detém 99% do capital integralizado da empresa Dioxyl e a administra isoladamente, e Afonso Henrique Maia Bastos, que detém igual percentual do capital integralizado da Evolution e administra esta de igual modo. Além do presente Auto de Infração, referido TVI dá conta de outros dois, decorrentes da mesma ação fiscal, de nºs 10920.720219/2016-796 e 10920.720221/2016-45. O primeiro também é relativo ao IPI, lançado com multa de ofício no percentual básico de 75% contra o contribuinte Dioxyl, mas sem os outros sujeitos passivos do Auto do presente processo, enquanto o segundo é relativo ao IRPJ e CSLL lançados com multa qualificada de 150% e os mesmos responsáveis tributários do presente. O Termo de Verificação de Infração informa: Considerações Iniciais Através do Ofício n.º MP/NCCCOET n.º 495/2013 (Documento Memorando SAPAC CURITIBA) e da Notícia de Fato n.º MPPR 0046.13.004681-9 (Documento Notícia de Fato Ministério Público/PR), oriundos do Núcleo de Combate aos Crimes contra a Ordem Econômica e Tributária do Ministério Público do Estado do Paraná, a Delegacia da Receita Federal em Curitiba- PR foi noticiada da possível existência de esquema de “empresas ou estabelecimentos comerciais nas quais possam haver lavagem de dinheiro, em razão do porte, do local e da falta de movimento nos locais ... crimes contra sistema nacional financeiro ... venda de notas fiscais frias ... sonegação de tributos federais e estaduais ... recuperação de créditos de ICMS de forma irregular ... fomento mercantil irregular ... enriquecimento ilícito...”, citando diversas empresas e pessoas físicas do Paraná e de Santa Catarina. Como algumas empresas eram desta jurisdição, a DRF/Curitiba reencaminhou-os a esta DRF/Joinville que, confirmando alguns indícios apontados, instaurou inicialmente fiscalizações contra Evolution, Arueira, Biomade e Norte Sul. Na Evolution, verificou-se que esta prestava serviço de factoring, trocando títulos (duplicatas) emitidos por diversas empresas contra Dioxyl e outra empresa desta jurisdição, também sob procedimento fiscal semelhante, doravante denominada Empresa X, das quais também adquiria produtos com fim específico de exportação. Quanto a Arueira, Biomade e Norte Sul, constatou-se que não tinham movimentação financeira, não declararam receitas, não cumpriam obrigações acessórias, não efetuaram recolhimento de tributos, nem sequer as empresas ou seus sócios foram encontrados nos endereços constantes nos cadastros CNPJ e CPF. As notas fiscais emitidas por Arueira, Biomade e Norte Sul contra Dioxyl e Empresa X indicavam como transportador das mercadorias Rodomoveis Transportes e Transportes Rodomovel. Procuradas, ambas negaram ter transportado mercadorias daquelas até Dioxyl. Instauraram-se então procedimentos contra Dioxyl e Empresa X. Analisando-se suas escriturações fiscal e contábil detectaram-se operações semelhantes àquelas com outras empresas que também tinham os mesmos indícios de irregularidades Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.835 5 apresentados por Arueira, Biomade e Norte Sul. As empresas que constam na escrituração de Dioxyl são Arueira, Biomade e Norte Sul, Madesul, Ambiente, GS, MPR, Renari, Harmony, Loyl e J4, que serão referidas daqui por diante como “noteiras”. O sr. Afonso Henrique Maia Bastos, proprietário de Evolution, é também proprietário de Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda., empresa de consultoria tributária. Afonso, seus irmãos Luciano Maia Bastos e Suzana Paula Maia Bastos Miers, Evolution, Dioxyl, Norte Sul, entre outras diversas pessoas físicas e jurídicas são textualmente citados na denúncia e na Notícia de Fato provenientes do Ministério Público do Estado do Paraná. Encerrados os trabalhos, comprovou-se a existência de esquema arquitetado por Evolution para emissão de notas fiscais frias por empresas noteiras para basear operações de compra e venda simuladas, com o intuito de geração de créditos de ICMS, IPI, PIS e Cofins para aproveitamento em dedução dos tributos devidos por Dioxyl e outra empresa desta jurisdição, também sob procedimento fiscal semelhante, doravante denominada Empresa X, respeitando-se o sigilo fiscal. A seguir são expostos os elementos que levaram a esta conclusão, as características de cada uma das noteiras envolvidas e, ao final, as infrações à legislação tributária cometidas por Dioxyl. Funcionamento do esquema As fiscalizações e diligências efetuadas e a análise dos dados disponíveis e coletados revelou um esquema de compras e vendas simuladas de madeira, pallets e móveis orquestrado por Evolution/Maia Bastos e vendido a Dioxyl e Empresa X, para que a estas fossem gerados créditos de impostos e contribuições a fim de diminuir os valores a recolher aos cofres públicos, como noticiado pelo Ministério Público e pelo GAECO do Estado do Paraná. Evolution Comercial Exportadora Ltda., empresa cujo “objeto social é a ... exportação, importação e industrialização de mercadorias na categoria de empresa comercial exportadora, fomento comercial e mercantil”, localizada à rua Wolfgang Ammon, 87, 4.º andar, sala 44 do Edifício Milano, Centro, São Bento do Sul-SC, com filial à avenida Pres. Affonso Camargo, 2125, loja B, bairro Cristo Rei, Curitiba-PR, pertence a Afonso Henrique Maia Bastos, que também é proprietário da empresa Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda., CNPJ 07.327.085/0001-66, localizada à rua Wolfgang Ammon, 87, 4.º andar, sala 44 do Edifício Milano, Centro, São Bento do Sul-SC (mesmo endereço de Evolution) e não tem filiais. (...)Os indícios levantados ao longo do amplo trabalho de fiscalização e diligências realizados apontam inequívoca e sobejamente pela existência do esquema descrito e participação das empresas indicadas. Na parte documental, as noteiras emitiam as notas fiscais de venda comum contra Dioxyl e Empresa X, que imediatamente revendiam as mercadorias com fim específico de exportação a Evolution, no exato valor da compra descontados os créditos tributários que utilizariam. Evolution então dava entrada aos produtos faturados e emitia as notas fiscais de exportação aos clientes exterior. O infográfico abaixo sintetiza o esquema utilizado e os valores envolvidos: Na parte financeira, as noteiras emitiam títulos (duplicatas) contra Dioxyl e Empresa X pelas suas vendas e imediatamente os descontavam junto à Evolution em operações de factoring. Dioxyl e Empresa X emitiam títulos contra Evolution referentes à suas vendas. Como Dioxyl e Empresa X eram credoras (pelas suas vendas) e devedoras (pelas compras das noteiras cujos títulos foram descontados) a Evolution, faziam-se transferências bancárias mútuas e simultâneas e as dívidas se extinguiam, exceto pela parcela dos créditos tributários gerados que poderiam ser aproveitados por Dioxyl e Empresa X em suas apurações. O infográfico abaixo sintetiza o fluxo financeiro do esquema: (...) Acerca dos valores informados em notas fiscais das noteiras e de Dioxyl e Empresa X, mais um fato aponta pela ficção dos documentos. Ao longo de 2011 Evolution teria adquirido R$ 11,6 milhões de Dioxyl e R$ 9,5 milhões de Empresa X em mercadorias para exportação, mas efetivamente exportou R$ 20,7 milhões, R$ 400 mil a menos que as entradas1. Evolution não possui local para estocagem. Mesmo que se leve em conta tratarem-se de valores globais e a possível variação de início e final de ano nos embarques, Evolution teria vendido 1 Segundo as fichas 23 e 25 de sua DIPJ, Evolution teria adquirido de R$ 10,7 milhões de Dioxyl e R$ 10,8 milhões de Empresa X e exportado R$ 21,5 milhões. Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.837 7 mercadorias ao exterior com prejuízo ou por preço muito próximo do custo, algo um tanto difícil de crer. Ratificando os indícios levantados, em 30/04/2015 o representante de uma das empresas inativas, que efetivamente fabricou os produtos exportados mas encerrou de fato suas atividades logo depois sem recolher qualquer tributo devido, compareceu à Delegacia da Receita Federal em Joinville-SC e prestou declaração, firmada em Termo de Tomada de Declaração, descrevendo e confirmando o modus operandi do esquema descrito acima, relatando que Evolution era quem especificava e encomendava os produtos, que Evolution determinava o faturamento contra Dioxyl e Empresa X, que Evolution pagava pelos produtos, que Evolution trocava imediatamente todos os títulos emitidos, que Evolution contratava o transporte desde sua fábrica diretamente ao porto de embarque, que nunca teve contato comercial com Dioxyl ou Empresa X e, mais importante, que todos sabiam que os faturamentos eram feitos daquela forma para aproveitamento de créditos tributários por Dioxyl e Empresa X. Ora, se os bens eram produzidos e destinados diretamente ao exterior por Evolution, não ocorreu a tradição dos mesmos entre noteiras e Dioxyl e Empresa X nem entre estas e Evolution. Sendo a tradição condição necessária para validade dos negócios jurídicos (arts. 1226 e 1267 da Lei n.º 10.406/2002 Código Civil) as compras e vendas indicadas nos documentos fiscais não são aptas a produzir efeitos. As provas coletadas corroboram os elementos trazidos na denúncia feita ao GAECO (“venda de notas fiscais frias ... vendas de empresas fantasmas ... recuperação de créditos de ICMS de forma irregular ... venda de créditos de ICMS ... vendas de notas fiscais para empresas (rede de pessoas que fornecem notas fiscais por 3% do valor da nota) ... fomento mercantil irregular ... emissão de duplicatas frias”) e na Notícia de Fato n.º MPPR 0046.13.004681-9 (“compra de empresas criadas regularmente, porém inativas ... transferir créditos de ICMS inexistentes, vender notas fiscais frias e fomento mercantil (factoring) irregular ... vender empresas fantasmas”) como condutas em tese praticadas por Afonso Henrique Maia Bastos e suas empresas. (...)Como este Termo refere-se ao procedimento fiscal em relação a Dioxyl, a seguir são detalhados os fatos verificados apenas neste contribuinte, destacando-se que as mesmas características foram encontradas na Empresa X, também sob procedimento fiscal com conclusões constantes nos processos administrativos n.º 10920.720243/2016-13 e 10920.720244/2016-50. Dioxyl Dioxyl Revestimentos Químicos Ltda. tem como CNAE principal 2071-1-00 Fabricação de tintas, vernizes, esmaltes e lacas. Segundo as notas fiscais eletrônicas NF-e emitidas, ao longo de 2011 produzia e comercializava majoritariamente tintas, vernizes, corantes, resinas e solventes classificados nos capítulos 32, 38 e 39 da TIPI, utilizados por indústrias dos setores moveleiro, metal mecânico, plásticos, vidros, imobiliário e automotivo, conforme consta em seu site www.dioxyl.com.br. As vendas dos produtos químicos fabricados pela Dioxyl foram feitas apenas no mercado interno, tendo gerado mensalmente débitos de tributos incidentes sobre o faturamento (ICMS, IPI, PIS e Cofins). Em relação a esses, por se tratar de tributos não-cumulativos, foi possível a dedução de créditos (referentes a entradas tributadas de insumos) dos débitos apurados, conta que, restando positiva, é o valor a recolher aos cofres públicos. Portanto, quanto mais créditos houver menor o valor a pagar. Por outro lado, as operações focadas nesta auditoria referem-se a compras e vendas de madeiras, pallets e móveis, atividades totalmente diversas do objeto principal de Dioxyl, os produtos químicos. Restou claro que esta foi a grande beneficiada das operações simuladas, pois aproveitou os créditos de ICMS, IPI, PIS e Cofins, nas alíquotas de 17%, 5%, 1,65% e 7,6% respectivamente, para dedução dos montantes devidos decorrentes de suas reais operações. A vantagem indevida era gerada por meio do registro das entradas no CFOP 1.102 Compra para revenda e, como os bens entrados eram diretamente revendidos a Evolution com fim específico de exportação, pelo registro das saídas sob CFOP 5.502 Remessa de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, com fim específico de exportação, operação esta feita com suspensão de IPI (art. 43, V, a, do Decreto n.º 7.212/2010 Regulamento do IPI), isenta da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins (art. 5.º da Lei n.º 10.637/2002 e art. 6.º da Lei n.º 10.833/2003) e objeto de não-incidência de ICMS (art. 6.º, inciso II e §1.º inciso I, do Decreto n.º 2.870/2001 Regulamento do ICMS/SC). (...)Verifica-se que 2380 unidades de “painel de madeira...” escriturados sob código DV02240 entraram por R$ 158.986,38, gerando créditos tributários de R$ 47.317,38 e resultando num custo contabilizado de R$ 111.669,00, e que 2380 unidades de mercadoria com código e descrição idênticos foram faturadas para Evolution por R$ 111.669,00, exatamente o valor da nota de entrada descontada dos tributos (70,2% da nota de entrada). (...)Neste verifica-se que os produtos entraram por R$ 72.204,30, gerando créditos tributários de R$ 21.489,39 e resultando num custo contabilizado de R$ 50.714,91, e que produtos com código, descrição e quantidades idênticos foram faturados para Evolution por R$ 50.714,90 (70,2% da nota de entrada). Por que motivo uma empresa com fim lucrativo efetuaria operações como as descritas acima, movimentando cerca de R$ 15 milhões na compra mercadorias para revendê-las pelo preço de custo, sem auferir lucro algum? Qual o propósito negocial ou a lógica comercial de tais operações? Efetuaram-se cruzamentos semelhantes para as outras notas fiscais das noteiras e de Dioxyl, sintetizados na planilha Comparativo Lançamentos Contábeis Noteiras x Evolution. Detectaram-se 127 operações similares às citadas acima, identificadas pelo código XX-YY, onde XX são as letras iniciais da noteira e YY o número sequencial, envolvendo 178 notas fiscais de entrada. Os exemplos acima estão identificados por AM-01 e NO-21. Além daquelas, outras 63 notas fiscais emitidas pelas noteiras foram escrituradas por Dioxyl, que aproveitou os créditos tributários decorrentes de tais entradas. Sob outro aspecto, todas as notas fiscais emitidas por Dioxyl contra Evolution indicavam como transportador o próprio emitente. Inquiriu-se Dioxyl a informar sobre as formas de entrega dos produtos vendidos e, caso tivesse havido entrega de produtos com veículo próprio, para apresentar cópias dos Certificados de Registro e Licenciamento (CRLVs) ou documento equivalente dos veículos de propriedade da empresa naquele ano, bem como detalhamento da conta contábil 196– Veículos, que apresentava saldo inicial de R$ 140.984,19 e saldo final R$ 109.300,00 apenas, indícios de que a empresa não possuía frota própria. Em resposta, Dioxyl afirmou que “todas as mercadorias/produtos (objetos desta fiscalização ... sempre que comercializados, foram retirados de nossa empresa por transportadora contratada pela comercial exportadora”, em contraposição ao consignado nas notas fiscais. Também não entregou documentos dos veículos ou detalhamento da conta contábil. Ou seja, também a forma de transporte indicado nas notas fiscais aponta pela ficção dos documentos. Este foi o procedimento fraudulento de emissão de documentos fiscais por Dioxyl. A parte financeira do esquema iniciava-se com a emissão de títulos (duplicatas) em nome das noteiras no valor integral da nota fiscal, divididos em 3 parcelas com 70%, 25% e 5% do valor total2, imediatamente descontados em operações de factoring junto à Evolution, que escriturava todas as suas operações de factoring em totalizações mensais a débito na conta Clientes Diversos e a crédito em Caixa e Receita Financeira, como no exemplo abaixo: 2 Em algumas operações a parcela de 70% foi dividida em dois títulos. (...)Quando Dioxyl revendia as mercadorias, emitia apenas um título contra Evolution no valor total da nota fiscal que, como demonstrado, eram os mesmos 70% da nota de entrada referente. Evolution foi intimada a apresentar os comprovantes de pagamento pelas aquisições de mercadorias e efetivamente apresentou transferências bancárias à Dioxyl nos valores corretos. Dioxyl também foi intimada a apresentar comprovantes de pagamento pelas aquisições junto às noteiras e apresentou, para os títulos de 70% do valor, transferências bancárias à Evolution. A análise dos comprovantes destes pagamentos não deixa dúvidas quanto ao conluio Evolution-Dioxyl. Numa incrível ‘coincidência’, as transferências bancárias de ambas as partes eram simultâneas, feitas nos mesmos valores, datas e horas, com diferença de poucos segundos, veja-se os comprovantes bancários e os lançamentos contábeis das operações AM-01 e NO-21 já citadas acima: (...)Desta forma, Evolution dava por quitada sua compra e Dioxyl quitava a duplicata com 70% do valor devido à noteira cujo título estava em poder de Evolution. Quanto aos títulos com 25% do valor, os comprovantes de pagamento fornecidos por Dioxyl – na maioria pagamentos de boletos bancários – também indicavam Evolution como beneficiária. Cerca de ¼ destes títulos tiveram vencimento naquele ano de 2011. Em sua contabilidade Dioxyl escriturava os pagamentos a débito em Bancos contra as contas das noteiras a crédito, já Evolution não fazia registro algum da entrada destes recursos, apesar das operações de factoring terem sido registradas na conta Clientes Diversos. Os ¾ restantes dos títulos venciam em 2012 e até em 2013, período fora do escopo deste trabalho. Restavam então os títulos de 5% do valor que, pelos elementos colhidos e a informação da denúncia sobre pagamento de 3% do valor de cada nota fiscal fria, levam a crer ser a remuneração paga a Evolution/Maia Bastos pelos créditos fictícios. Aparentemente baixo, cabe ressaltar que o valor pago por Dioxyl sobre cada nota fiscal equivale em verdade a 16,67% do ganho obtido em créditos. (...)Apesar de intimada para comprovar o pagamento dos títulos de 5%, Dioxyl apresentou somente duplicatas mercantis recibadas de apenas algumas destas operações, em que também se notam semelhanças grotescas. Duplicatas emitidas por empresas distintas eram preenchidas por pessoas com grafias muito semelhantes, senão idênticas. Vejam-se abaixo recortes dos títulos 106/3 de Norte Sul e 31/3 de Arueira: (...)Assim, na parte financeira o esquema estava concluso em Dioxyl. Na Evolution, comprovados seus pagamentos pelas compras junto a Dioxyl e seus recebimentos de Dioxyl pelos títulos de 70% e 25% descontados, faltava a outra ponta do esquema: a aquisição por Evolution de títulos emitidos pelas noteiras. Evolution foi intimada a comprovar os pagamentos pelas aquisições de títulos emitidos por Arueira, Biomade e Norte Sul contra Dioxyl. Trouxe documentos para 111 títulos com valores totais de face de R$ 4.566.688,17 e de aquisição de R$ 3.919.612,15. Os documentos entregues para comprovação de pagamento, totalizando R$ 3.315.057,25 (R$ 635.247,90 a menor), não apresentavam relação direta nem identificação com quaisquer dos títulos, das pessoas jurídicas emitentes (noteiras) ou dos sócios destas. Pelo contrário, tinham inúmeras inconsistências. (...)Outra característica peculiar dos cheques é que na maioria foram preenchidos e assinados pela auxiliar administrativa sra. Silvana Tamanine Richter, que recebeu a fiscalização quando estivemos na Evolution, veja-se cópia de um cheque e de recebimento do Termo de Início: (...)Segundo informações de GFIP, esta pessoa tinha salário mensal de R$ 1.090,00 em 2011. Causa no mínimo estranheza que um mero auxiliar administrativo, com rendimento de apenas dois salários mínimos vigentes à época, tivesse poderes para movimentar milhões de reais das contas bancárias da empresa. Em sua contabilidade, Evolution escriturou todos os cheques do Bradesco e alguns cheques do Banco do Brasil (apenas os emitidos até 01/03/2011) contra a conta Caixa a débito, ou seja, reduzindo saldo de Bancos e aumentando Caixa. Não há despesas pagas via caixa a que se possam atribuir os valores provenientes de Bancos. Desta forma, não permite identificar quem foram os beneficiários dos pagamentos nem mesmo se realmente houve algum pagamento de fato. Esses elementos indicam que os cheques apresentados não representam pagamentos relativos a transações comerciais, mas somente documentos gerados com a finalidade de justificar a simulação da compra dos títulos por Evolution. (...)Ficou claro que Evolution não dispunha de comprovação de pagamento das aquisições dos títulos, angariando documentos esparsos e sem conexão – alguns de suas próprias despesas, alguns com indícios de serem pagamentos aos reais fabricantes das mercadorias – na tentativa justificá-las, deixando patente a total simulação das operações de factoring com as noteiras. Ora, diante do rol de fortes indícios apontados, a única conclusão possível é de que todas as transações entre noteiras, Dioxyl e Evolution foram simuladas em plano operado por Evolution/Maia Bastos, que vendeu a Dioxyl esquema de planejamento tributário fraudulento de compras e vendas fictícias com o único intuito de gerar créditos tributários com vistas à evasão fiscal. Em verdade, as madeiras, pallets e móveis foram produzidos a mando de e sempre pertenceram a Evolution, pois transitaram apenas documentalmente por Dioxyl. As noteiras As empresas Arueira, Biomade, Norte Sul, J4, Ambiente, Loyl, Madesul, Renari, GS e Harmony, referidas como noteiras, tinham como papel no esquema a emissão de notas fiscais contra Dioxyl. Segundo verificado no curso deste procedimento fiscal, Arueira, Biomade, Norte Sul, J4, Ambiente e Alpha Loyl não tinham qualquer atividade, seja financeira ou comercial nem mesmo sede. Também, seus sócios demonstraram não ter capacidade econômica para iniciar as atividades ou ingressar nas empresas das quais faziam parte. Assim, sua única finalidade era emitir notas fiscais a serem utilizadas na geração de créditos de ICMS, IPI, PIS e Cofins para Dioxyl e outras empresas. Inclusive, vislumbrado esse quadro, de forma incidental as pessoas jurídicas em apreço foram baixadas ou estão em processo de baixa de suas inscrições no cadastro CNPJ. Por seu turno, Madesul, Renari, GS e Harmony existiam de fato, porquanto desempenharam suas atividades. Contudo, assim como as outras pessoas jurídicas, também emitiram notas fiscais contra Dioxyl como se esta fosse compradora de suas mercadorias, o que não aconteceu, conforme demonstrado anteriormente. As conclusões individuais dos procedimentos fiscais contra cada uma das noteiras estão detalhadas no Anexo Noteiras, do qual faz parte integrante. Transportadoras As transportadoras Rodomoveis Transportes e Transportes Rodomovel constam na maioria das notas fiscais emitidas pelas noteiras como transportador das mercadorias entre elas e Dioxyl. Intimada a apresentar conhecimentos de transporte relativos a elas, Dioxyl respondeu apenas que “o transporte de mercadorias ... era de responsabilidade dos fornecedores”, sem trazer qualquer documento. Em 08/12/2014 e 12/02/2015 as transportadoras foram intimadas a informar se ao longo de 2011 prestaram algum serviço às noteiras e à Evolution. As respostas foram protocoladas em 16/12/2014 e 26/02/2015. Transportes Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.842 12 Rodomovel informou que “não prestou serviços de transporte para a[s] empresa[s]”. Rodomoveis Transportes informou que “não prestou diretamente serviços de transportes para a empresa ... mas carregamos mercadorias nas dependências da empresa, através da Evolution Comercial Exportadora Ltda., a qual prestamos serviços”. Por ocasião da entrega da 2.ª intimação, inquiriu-se o representante das transportadoras sobre suas operações com Evolution, sobre o que relatou que transportava contêineres diretamente de diversos produtores de móveis ao porto de Itajaí-SC, sempre a mando da própria Evolution, conforme conhecimentos de transporte anexados na resposta à intimação anterior. Também se inquiriu sobre sua relação comercial com Dioxyl, ao que respondeu que nunca transportou mercadorias seja ela como origem ou destino e que já teve que responder pergunta semelhante ao Fisco do Estado de São Paulo. Apresentou então um Termo de Declaração à Delegacia de Polícia da Comarca de São Bento do Sul-SC (Documento Rodomóveis - Boletim ocorrência DRPC) feita em 17/11/2014 no qual “informa que não encontrou nos registros da empresa nenhum transporte de mercadorias para a empresa Dioxyl Revestimentos Químicos”. Não tivemos acesso ao inquérito policial, mas o relato e as circunstâncias levam a crer se tratar do mesmo tema aqui versado. Assim, claro está que as transportadoras indicadas nas notas fiscais emitidas pelas noteiras contra Dioxyl não prestaram tal serviço. Houve apenas transporte de mercadorias entre diversos fabricantes e o porto, sob contratação de Evolution e amparado por sua nota fiscal de exportação. Infrações verificadas Segundo a Portaria MF n.º 187/1993, art. 4.º, sempre que, no decorrer de ação fiscal, forem encontrados documentos emitidos em nome de pessoa jurídica que não exista de fato e de direito ou apesar de constituída formalmente, não possua existência de fato, o contribuinte sob fiscalização deverá ser intimado para comprovar o efetivo pagamento e recebimento dos bens, sob pena de ter glosados os custos e as despesas decorrentes do pagamento não comprovado e ter glosado o crédito fiscal originário de documento inidôneo. A relação de todas as notas fiscais de entrada de compras fictícias das noteiras encontra-se na planilha Notas Fiscais de Entrada – Noteiras, totalizando R$ 18.124.911,91, e das notas fiscais de saída com vendas simuladas para Evolution encontra-se na planilha Notas Fiscais de Saída – Evolution, totalizando R$ 9.495.663,36. As notas fiscais de entrada emitidas pelas noteiras e os respectivos comprovantes de pagamento por Dioxyl compõem o documento NFs de Entrada e Comprovantes de Pagamento. As notas fiscais de saída emitidas por Dioxyl e os respectivos comprovantes de pagamento por Evolution, o documento NFs de Saída e Comprovantes de Pagamento. Na esfera federal importam os reflexos das compras e vendas simuladas na apuração do IPI, da Contribuição para o PIS/PASEP, da Cofins, do IRPJ e da CSLL, sobre os quais se passa a expor. Quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados Segundo o livro Registro de Apuração do IPI, extraído da EFD-ICMS/IPI, Dioxyl apurou saldos devedores entre janeiro e outubro/2011, declarados corretamente Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.843 13 em DCTF, exceto do período de apuração fevereiro/2011 declarado por R$ 607,48, quando o saldo devedor do RAIPI foi R$ 105.605,67. Intimado a esclarecer esta divergência, afirmou o contribuinte que “o saldo devedor de IPI correto é o informado na DCTF, a diferença verificada será corrigida através da retificação extemporânea do EFD ICMS-IPI”. Esta escrituração fiscal substituta serviu então de base ao lançamento para o período fevereiro/2011. Todas as notas fiscais de entrada da planilha Notas Fiscais de Entrada – Noteiras foram creditadas de IPI, pois escrituradas na EFD-ICMS/IPI sob Código da Situação Tributária CST 00 Entrada com Recuperação de Crédito. Dessa forma, por se tratarem de créditos fraudulentos, efetuou-se a glosa dos créditos computados sobre estas entradas. (...)Ainda em relação às operações fictícias, como se tratam de notas fiscais irregulares que não correspondiam à efetiva entrada de mercadorias e que o contribuinte registrou e utilizou, cabível ainda a imposição da multa regulamentar prevista no art. 572 do RIPI: (...)Assim, em relação ao IPI, cabível o lançamento de ofício de R$ 824.467,88 de tributo com multa de ofício de 150% sobre o tributo devido e multa regulamentar de R$ 18.124.911,91 (somatório do valor das mercadorias, campo Valor dos Produtos, consignado nas notas fiscais), contra Dioxyl como contribuinte e Evolution, Afonso e Humberto como responsáveis solidários (vide tópico sobre responsabilidade solidária mais à frente), efetuado no âmbito do processo administrativo 10920.720220/2016-09. Além destes, cabe ainda o lançamento de ofício de R$ 155.824,54 com multa de ofício de 75% pela glosa das demais aquisições para revenda, efetuado no âmbito do processo administrativo 10920.720219/2016-76. (...)Imposição de multa qualificada (...)Todo o conjunto indiciário levantado ao longo deste trabalho aponta para a existência de fraude e ajuste doloso (conluio) a fim de reduzir o montante de imposto devido. É inescapável que tanto Dioxyl como Evolution, através de seus administradores, agiram com a deliberada intenção de reduzir os tributos devidos por aquela através de compras e vendas fictícias. Desta maneira, nos lançamentos de ofício decorrentes de tais operações impõe-se a aplicação de multa qualificada de 150% sobre o tributo apurado, independentemente das demais penalidades cabíveis. Responsabilidade Solidária As constatações retroexpostas são mais que suficientes a provar o interesse comum de Dioxyl e Evolution na situação fática, qual seja, simulação de compras e vendas fictícias para redução do montante de tributos devidos. A parte financeira revelada deixa inequívoco que Evolution não só participava ativamente, mas também era mentora e administradora das transações simuladas Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.844 14 e que, pelos créditos tributários aproveitados, recebia 5% do valor de cada nota fiscal fictícia emitida pelas noteiras – ou 16,67% do crédito gerado na simulação. Os comprovantes bancários das transferências e pagamentos feitos por Dioxyl a Evolution referentes às parcelas de 70% e 25% das notas fiscais trazem expresso que as transações foram efetuadas com sucesso por Humberto Barbosa Lima, CPF 005.076.249-47, sócio da Dioxyl com 99% do capital social integralizado8, a quem competia a administração isolada da empresa, segundo cláusula nona do Contrato Social, e atendeu à Fiscalização no decorrer deste procedimento. Já os comprovantes bancários entregues por Evolution de pagamentos feitos a Dioxyl e de pagamentos ditos como feitos a terceiros pela compra dos títulos das noteiras trazem escrito que as transações foram efetuadas com sucesso por Afonso Henrique Maia Bastos, CPF 743.337.559-72, sócio da Evolution com 99% do capital social integralizado9, a quem competia a administração isolada da empresa, segundo cláusula nona do Contrato Social, e respondeu à Fiscalização no decorrer deste procedimento. Prova inconteste do estreito relacionamento entre ambos, Afonso Henrique Maia Bastos foi o advogado constituído por Humberto para impetrar o mandado de segurança n.º 2007.72.01.004828-6/SC junto à Justiça Federal da 4.ª Região em nome de Dioxyl a fim de discutir “o direito de crédito do IPI em relação aos insumos isentos, não-tributados ou sujeitos a alíquota zero”, arquivado em julho/2010 após sentença desfavorável ao contribuinte. Também representa Dioxyl nas ações de execução fiscal n.º 0005254-63.2002.8.24.0058 e 0001948-13.2007.8.24.0058 movidas pela Fazenda Nacional perante o Poder Judiciário de Santa Catarina, conforme consultas processuais (Documento Consulta Justiça). Ora, sendo Humberto e Afonso os administradores das empresas, que efetuavam as transações bancárias e, em última instância, os reais beneficiários da fraude, ficam patentes suas participações dolosas nas operações aqui expostas. O Código Tributário Nacional, Lei n.º 5.172/1966, dispõe que (a fiscalização transcreve os arts. 124, I, e 135, III): (...)Assim, cabível a responsabilização solidária de Evolution Comercial Exportadora Ltda., CNPJ 05.699.094/0001-52, Humberto Barbosa Lima, CPF 005.076.249-47, e Afonso Henrique Maia Bastos, CPF 743.337.559-72, pelos créditos tributários ora constituídos decorrentes das operações fraudulentas. Representação Fiscal para Fins Penais (...)As condutas dos agentes e os elementos expostos ao longo deste trabalho configuram, em tese, crimes contra a ordem tributária, razão pela qual lavrou-se Representação Fiscal para Fins Penais no âmbito do processo administrativo n.º 10920.720225/2016-23 contra Humberto Barbosa Lima, CPF 005.076.249-47, e de Afonso Henrique Maia Bastos, CPF 743.337.559-72. Nas fls. 50/64, com um anexo que integra o Termo de Verificação, a fiscalização trata das empresas "noteiras", descrevendo as conclusões individuais dos Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.845 15 procedimentos fiscais contra cada uma delas, a saber: Arueira, Biomade, Norte Sul, J4, Ambiente, Loyl, Madesul, Renari, GS e Harmony. O contribuinte, pessoa jurídica, e os três responsáveis tributários (a pessoa jurídica Evolution Comercial Exportadora Ltda e as duas pessoas físicas administradoras - desta e da jurídica autuada como contribuinte) foram cientificados regularmente do Auto de Infração e das responsabilidades em 11/02/2016 (ver fls. 2627/2637) e apresentaram em 14/03/2016 impugnações tempestivas, isoladamente. O contribuinte, cuja Impugnação consta das fls. 2737/2771, alega inicialmente a decadência do lançamento, ressaltando que o prazo para constituição do crédito tributário decai em cinco anos. Em seguida, no item 3 da peça impugnatória, argui haver "incongruência da narrativa utilizada pelo agente fiscal" e que todo o lançamento é baseado em presunção da existência de operações simuladas entre a Dioxyl Revestimentos Químicos Ltda, contribuinte, e as empresas denominadas noteiras. Observa que os Auditores Fiscais, apesar de considerarem as operações simuladas, "por diversas vezes reconhecem a efetiva exportação das mercadorias, ou seja, as operações existiram de fato", citando passagens do TVI no sentido de que os produtos foram fabricados por sujeitos indeterminados a mando da Evolution, foram por ela exportados e as empresas Madesul, Renari, GS e Harmony existiam de fato. Para o contribuinte, as operações tratam de compra e venda legítimas e os Auditores-Fiscais agiram com abuso de poder e de modo contrário às normas tributárias, afrontando o princípio da legalidade, a respeito do qual cita doutrina. Afirma no item 4 inexistir vedação legal às operações, refutando a acusação de simulação. Segundo o contribuinte, "constata-se a ocorrência do erro da autoridade autuante, no tocante ao enquadramento legal do fato descrito (tipificação), posto que os dispositivos legais constantes da Lei Federal invocados pelos agentes fiscais, não discriminam e não se coadunam com o suporte fático concreto, de onde resulta a inocorrência de fato imputável ao Contribuinte e, como conseqüência, gera a nulidade do Auto de Infração". Entende que, "Para que se possa caracterizar a simulação é indispensável que o ato praticado, que se pretende dissimular sob o manto do ato ostensivamente praticado, não pudesse ser realizado por vedação legal ou qualquer outra razão. Como as partes realizaram o negócio não restou caracterizada a declaração enganosa de vontade, essencial na simulação". Também argui ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa, mencionando o art. 5º, LV, da Constituição Federal, contesta "a multa de 205" (ipsis literis) e reputa nulo o Auto de Infração "por não haver penalidade sem lei anterior que a defina, nem infração sem disposição expressa que o tipifique" (final da primeira do item 4 da Impugnação do contribuinte, que possui outro tópico sob o mesmo número, intitulado "DA LEGITIMIDADE DAS OPERAÇÕES"). Continua refutando a fiscalização nos itens seguintes, até o de nº 9, onde afirma que "para que pudesse haver autuação o fisco deveria estar embasado em provas robustas e não em meras SUPOSIÇÕES e CONCLUSÕES PRÓPRIAS", concluindo o seguinte: "Torna-se pois, imperioso como medida de justiça, a anulação dos objurgados itens, uma vez que, no caso em tela, o direito líquido e certo da Impugnante, está materializado em face da constante Ilegalidade e Abusividade dos atos praticados pela autoridade fiscal." O item 10 é dedicado especificamente aos dois Autos de Infração do presente processo, e nele o contribuinte defende o direito aos créditos do IPI, oriundo das operações que a autuação reputou simuladas (a fiscalização considerou que as empresas "noteiras" emitiam notas fiscais frias, gerando créditos do IPI e outros tributos em favor da Dioxyl). Reportando-se ao princípio constitucional da não cumulatividade que rege o IPI e à suspensão do Imposto nas saídas de produtos destinados à exportação (menciona o art. 43, V, e § 1º, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010 - RIPI/2010), afirma que "de nenhuma forma a primeira operação realizada entre a Dioxyl e a empresa produtora da mercadoria por (sic) ser considerada como fim específico para exportação, apenas a revenda do produto da Dioxyl para a Evolution" e, assim, "é assegurado a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto". Também se insurge contra a multa isolada de 100% (lançada em Auto separado, com base no art. 572, II, do RIPI/2010, por utilização de notas fiscais irregulares, recebidas e escrituradas pelo contribuinte Dioxyl), repisando que todas as operações são legítimas e foram realizadas dentro do "rigorismo fiscal". Por ter agido dentro dos ditames legais, argui que "fica de plano afastada qualquer possibilidade de sanção", além de reputar confiscatória e contrária ao princípio da capacidade contributiva a multa aplicada (no subitem 10.3 da peça impugnatória, sob o título "DA NECESSIDADE DE APURAÇÃO DO VALOR CORRETO DO IMPOSTO E DO DESCABIMENTO DE JUROS E MULTA", se refere ora à penalidade de 150% sobre os valores do IPI lançados de ofício, ora à de isolada de 100%, pois num ponto afirma que "a multa sobre os valores discutidos tem a forma de verdadeiro confisco" e, mais adiante, que "No caso concreto, a norma sancionante atribuiu uma penalidade ao hipotético 'ilícito', ou seja, a multa sobre o valor total dos créditos, legal e licitamente aproveitados, em conformidade com a legislação em vigor"). No subitem seguinte ainda considera que "Não há nenhum motivo lícito para a exigência de multa", pelo que da exigência "nasce o enriquecimento ilícito do Erário Público em detrimento do Contribuinte, vedado pela legislação e pelos princípios gerais do direito". O item 11 trata do processo nº 10920.720221/2016-45, relativo ao Auto de Infração do IRPJ e CSLL, enquanto o seguinte é dedicado ao processo nº 10920.720219/2016-76, relativo ao IPI, mas com multa de ofício no percentual de 75% (este foi julgado por esta 2ª Turma em 31/10/2016, que manteve o lançamento conforme o Acórdão nº 11-054.185). Ao final, no item 13, o contribuinte requer o seguinte: a) Primeiramente, o acolhimento da preliminar retro, para reconhecer a decadência dos débitos tributário (sic), com o conseqüente cancelamento (arquivamento); b) Ainda, no mérito, reconheça a IMPROCEDÊNCIA dos presentes Autos de Infração, declarando-se extinta a pretensão fiscal, excluindo-se a aplicação das penalidades, pelos fundamentos de fato e de direito anteriormente expendidos. A pessoa jurídica Evolution Comercial Exportadora Ltda, autuada na condição de responsável tributário, apresenta a Impugnação de fls. 2689/2724, onde repisa as alegações do contribuinte Dioxyl. Há pequenas diferenças, como a arguição de que "Causa Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.847 17 surpresa à Impugnante os termos utilizados que além de denegrirem a imagem da empresa e do sócio, trazem-lhes prejuízo de ordem moral" (fl. 2691), e a reiteração da informação de que a empresa responsável pela contabilidade da Evolution "foi atingida por enchente no decorrer do ano de 2014, o que ocasionou a perda de grande quantidade de documentação" (fl. 2706), ambas ausentes no texto do contribuinte, e é acrescentado um item sob o título "INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA". Neste tópico é refutado o emprego do art. 124, I, do CTN, citado nos Autos de Infração em relação à Evolution (a responsabilidade das duas pessoas físicas é enquadrada no art. 135 do mesmo Código), que alega: - a solidariedade do referido dispositivo 'somente pode existir entre sujeitos que figurem no mesmo pólo de relação obrigacional, pois só assim o interesse poderá ser considerado como comum"; - "O interesse comum não pode ser presumido em razão de um fato escolhido pelo legislador ordinário", que não pode subverter o sentido dos dispositivos do CTN; - nem o interesse comum, requisito da solidariedade, nem esta, pode ser presumido; - as relações entre a Dioxyl e a Evolution se restringiam a compra e venda de mercadorias para serem exportadas ou compra e venda de títulos através de fomento mercantil, inexistindo qualquer conluio visando fraudar a fiscalização, além de constituírem interesses antagônicos; - a Evolution e a Maia Bastos Assessoria Empresarial são empresas distintas e esta prestou sim assessoria empresarial à Dioxyl; - "Se tivesse havido operação simulada, poderia haver imputação de responsabilidade tributária ao adquirente com supedâneo no cometimento de ilícitos, mas esta jamais poderá advir do artigo 124, I, do CTN, porque o interesse comum não existe neste hipótese, e nem a solidariedade é um meio de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária." Ao final a Evolution requer a decadência e improcedência dos Autos de Infração (tal como faz o contribuinte Dioxyl), apenas acrescendo pedido específico para que "seja reconhecida a inexistência de responsabilidade da empresa Evolution Comercial Exportadora, por inexistir operações simuladas ou interesse comum com a Dioxyl". A pessoa física Humberto Barbosa Lima também impugna os lançamentos (fls. 2787/2823), reproduzindo os termos do contribuinte Dioxyl com acréscimo de um item intitulado "INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO SÓCIO". Neste item rejeita a responsabilidade que lhe foi atribuída com base nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN (nos Autos de Infração é mencionado apenas o primeiro dispositivo, mas no TVI constam os dois), arguindo que, como sócio, não pode ser responsabilizado "pela infrações supostamente cometidas pela pessoa jurídica, pois sempre agiu dentro da lei e do contrato social", sendo nula a pretensão fazendária em responsabilizá-lo sem demonstrar que praticou infração à lei ou ao contrato social da sociedade. Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.848 18 No requerimento pede a decadência e improcedência dos Autos de Infração (tal como faz o contribuinte Dioxyl), apenas acrescendo pedido específico para que "seja reconhecida a inexistência de responsabilidade do sócio Humberto Barbosa Lima, pois sempre agiu dentro da lei Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa (fl. 2.831): Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 IPI. REDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO MEDIANTE CRÉDITOS SIMULADOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS EM NOME DE EMPRESA DE FACHADA. DOLO CARACTERIZADO. MULTA QUALIFICADA. Caracteriza fraude, ensejando o lançamento de ofício do tributo com aplicação da multa qualificada no percentual de 150%, o creditamento do IPI com base em notas fiscais emitidas por empresas de fachada, simulando aquisições que inexistiram e reduzindo o montante do Imposto devido. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. 150%. FRAUDE E CONLUIO. LEGALIDADE. A multa de ofício no percentual qualificado de cento e cinquenta por cento, aplicada nos lançamentos de ofício quando caracterizada a fraude, é prevista na legislação do IPI e nada tem de ilegal. MULTA REGULAMENTAR. APROVEITAMENTO DE NOTAS FISCAIS QUE NÃO CORRESPONDEM A EFETIVA SAÍDA. RIPI/2010, ART. 572, II. PENALIDADE IGUAL AO VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. Nos termos do art. 572, II, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010, aos que, em proveito próprio ou alheio, utilizam ou registram nota fiscal que não corresponda à saída efetiva das mercadorias nela constantes, aplica-se a multa isolada equivalente ao valor das mercadorias. JUROS DE MORA. SELIC. LEGALIDADE. Nos lançamentos de ofício é cabível aplicação dos juros de mora com base na taxa Selic, nos termos da legislação vigente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.832 2 Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CINCO ANOS. DOLO. TERMO INICIAL DO PRAZO QUINQUENAL DESLOCADO PARA O INÍCIO DO ANO SEGUINTE AO DO FATO GERADOR. O prazo para a Fazenda constituir o crédito tributário de tributos submetidos ao lançamento por homologação, como o IPI, é de cinco anos, começando a contagem do quinquênio, regra geral, do fato gerador, na forma do art. 150, § 4º, do CTN. Todavia, no caso de dolo o termo inicial é deslocado para o primeiro dia do ano seguinte, nos termos do art. 173, I, do mesmo Código. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOA JURÍDICA ENVOLVIDA EM FRAUDE. CONLUIO. ART. 124, I, DO CTN. SOLIDARIEDADE DE FATO. A solidariedade de fato, prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, atinge a pessoa jurídica que, mediante fraude, contribui para reduzir tributo de outra empresa, com ela conluiada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADORES. DOLO CARACTERIZADO. CTN, ART. 135, III. INCLUSÃO NO POLO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Caracterizado o dolo, por estar comprovada a utilização de notas fiscais sem a efetiva saída de mercadorias, em simulação visando reduzir o recolhimento de tributo e permitir informações inverídicas à Receita Federal, os administradores da pessoa jurídica também respondem pela obrigação tributária, de modo solidário e sem benefício de ordem, nos termos do art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões deste Colegiado. AUTOS DE INFRAÇÃO CONTENDO AS MATÉRIAS TRIBUTADAS E RESPECTIVOS ENQUADRAMENTOS LEGAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. NULIDADE REJEITADA. Não caracteriza a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade dos lançamentos, os autos de infração que atendem ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identificam as matérias tributadas e contêm os Processo 10920.720220/2016-09 Acórdão n.º 11-054.569 DRJ/REC Fls. 2.833 3 enquadramentos legais correlatos, demonstrando com clareza as exigências. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foram apresentados Recursos Voluntários, conforme se verifica às. fls. 2.880 e seguintes. É o relatório. Voto

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Resolução nº  3301­001.009  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  29 de novembro de 2018  Assunto   Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI   Recorrente   DIOXYL REVESTIMENTOS QUÍMICOS LTDA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  declinar  a  competência à Primeira Seção de Julgamento do CARF.    (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira Presidente     (assinado digitalmente)   Liziane Angelotti Meira     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira,  Marcelo  Costa  Marques  D'  Oliveira,  Ari  Vendramini,  Salvador  Cândido  Brandão  Junior,  Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos  Roberto da Silva (Suplente Convocado).    Relatório  Visando à elucidação do caso, adoto e cito o  relatório do constante da decisão  recorrida, Acórdão no 11­054.569 ­ 2ª Turma da DRJ/REC (fls 2.831 e seguintes):  O  processo  trata  dos  dois Autos  de  Infração  de  fls.  2/19,  o  primeiro  relativo  ao  IPI  não  recolhido  e  lançado  com  multa  de  ofício  no  percentual  qualificado  de  150%,  além  de  juros,  por  ter  a  fiscalização  apurado  que  o  estabelecimento  deixou  de  recolher  o  Imposto  em  decorrência  da  escrituração  e  utilização  de  crédito  indevido,  e  o     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .7 20 22 0/ 20 16 -0 9 Fl. 3030DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.031            2 segundo relativo a multa regulamentar isolada equivalente a 100% (cem  por cento) dos valores das mercadorias, por utilização de notas fiscais  irregulares, recebidas e escrituradas pelo contribuinte autuado, mas que  não  correspondem  à  saída  efetiva  de  produtos  nelas  descritos,  tudo  conforme descrito  no Termo de Verificação  de  Infração  (TVI)  de  fls.  20/64.   O montante do Auto  de  Infração com a multa  regulamentar  soma R$  18.124.911,91, enquanto os valores do outro são os seguintes:   IMPOSTO 824.467,88   JUROS DE MORA 367.532,62   MULTA PROPORCIONAL (150%) 1.236.701,79   VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 2.428.702,29   Além  do  contribuinte  Dioxyl  Revestimentos  Químicos  Ltda,  foram  também autuados,  na  condição  de  responsáveis  tributários,  uma outra  pessoa jurídica ­ a Evolution Comercial Exportadora Ltda, que segundo  a fiscalização praticou fraude em conjunto com o contribuinte ­ e duas  pessoas  físicas  ­ Humberto Barbosa Lima,  que  detém 99% do  capital  integralizado da empresa Dioxyl e a administra isoladamente, e Afonso  Henrique  Maia  Bastos,  que  detém  igual  percentual  do  capital  integralizado da Evolution e administra esta de igual modo.   Além  do  presente Auto  de  Infração,  referido  TVI  dá  conta  de  outros  dois, decorrentes da mesma ação fiscal, de nºs 10920.720219/2016­796  e 10920.720221/2016­45. O primeiro também é relativo ao IPI, lançado  com multa de ofício no percentual básico de 75% contra o contribuinte  Dioxyl,  mas  sem  os  outros  sujeitos  passivos  do  Auto  do  presente  processo, enquanto o segundo é relativo ao IRPJ e CSLL lançados com  multa  qualificada  de  150%  e  os  mesmos  responsáveis  tributários  do  presente.   O Termo de Verificação de Infração informa:   Considerações Iniciais   Através  do  Ofício  n.º  MP/NCCCOET  n.º  495/2013  (Documento  Memorando  SAPAC  CURITIBA)  e  da  Notícia  de  Fato  n.º  MPPR  0046.13.004681­9  (Documento  Notícia  de  Fato  Ministério  Público/PR),  oriundos  do  Núcleo  de  Combate  aos  Crimes  contra  a  Ordem  Econômica  e  Tributária  do  Ministério  Público  do  Estado  do  Paraná, a Delegacia da Receita Federal em Curitiba­ PR foi noticiada  da  possível  existência  de  esquema de “empresas  ou  estabelecimentos  comerciais nas quais possam haver lavagem de dinheiro, em razão do  porte,  do  local  e  da  falta  de  movimento  nos  locais  ...  crimes  contra  sistema nacional financeiro ... venda de notas fiscais frias ... sonegação  de tributos federais e estaduais ... recuperação de créditos de ICMS de  forma  irregular  ...  fomento  mercantil  irregular  ...  enriquecimento  ilícito...”, citando diversas empresas e pessoas físicas do Paraná e de  Santa Catarina.   Como  algumas  empresas  eram  desta  jurisdição,  a  DRF/Curitiba  reencaminhou­os  a  esta  DRF/Joinville  que,  confirmando  alguns  indícios  apontados,  instaurou  inicialmente  fiscalizações  contra  Evolution,  Arueira,  Biomade  e  Norte  Sul.  Na  Evolution,  verificou­se  que  esta  prestava  serviço  de  factoring,  trocando  títulos  (duplicatas)  Fl. 3031DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.032            3 emitidos  por  diversas  empresas  contra Dioxyl  e  outra  empresa  desta  jurisdição,  também  sob  procedimento  fiscal  semelhante,  doravante  denominada Empresa X, das quais também adquiria produtos com fim  específico  de  exportação.  Quanto  a  Arueira,  Biomade  e  Norte  Sul,  constatou­se  que  não  tinham  movimentação  financeira,  não  declararam  receitas,  não  cumpriam  obrigações  acessórias,  não  efetuaram  recolhimento  de  tributos,  nem  sequer  as  empresas  ou  seus  sócios  foram  encontrados  nos  endereços  constantes  nos  cadastros  CNPJ e CPF. As notas fiscais emitidas por Arueira, Biomade e Norte  Sul  contra  Dioxyl  e  Empresa  X  indicavam  como  transportador  das  mercadorias  Rodomoveis  Transportes  e  Transportes  Rodomovel.  Procuradas,  ambas  negaram  ter  transportado  mercadorias  daquelas  até Dioxyl.   Instauraram­se  então  procedimentos  contra  Dioxyl  e  Empresa  X.  Analisando­se  suas  escriturações  fiscal  e  contábil  detectaram­se  operações  semelhantes  àquelas  com  outras  empresas  que  também  tinham os mesmos indícios de irregularidades Processo 10920.720220/2016­ 09  Acórdão  n.º  11­054.569  DRJ/REC  Fls.  2.835  5  apresentados  por  Arueira,  Biomade  e  Norte  Sul.  As  empresas  que  constam  na  escrituração  de  Dioxyl  são  Arueira,  Biomade  e  Norte  Sul,  Madesul,  Ambiente,  GS,  MPR,  Renari,  Harmony,  Loyl  e  J4,  que  serão  referidas  daqui  por  diante  como  “noteiras”.  O  sr.  Afonso  Henrique  Maia  Bastos,  proprietário  de  Evolution,  é  também  proprietário  de  Maia  Bastos  Assessoria Empresarial Ltda., empresa de consultoria tributária.   Afonso, seus irmãos Luciano Maia Bastos e Suzana Paula Maia Bastos  Miers,  Evolution,  Dioxyl,  Norte  Sul,  entre  outras  diversas  pessoas  físicas e jurídicas são textualmente citados na denúncia e na Notícia de  Fato provenientes do Ministério Público do Estado do Paraná.   Encerrados  os  trabalhos,  comprovou­se  a  existência  de  esquema  arquitetado  por  Evolution  para  emissão  de  notas  fiscais  frias  por  empresas  noteiras  para  basear  operações  de  compra  e  venda  simuladas, com o  intuito de geração de créditos de  ICMS,  IPI, PIS e  Cofins  para  aproveitamento  em  dedução  dos  tributos  devidos  por  Dioxyl  e  outra  empresa  desta  jurisdição,  também  sob  procedimento  fiscal semelhante, doravante denominada Empresa X, respeitando­se o  sigilo fiscal.   A  seguir  são expostos os elementos que levaram a esta conclusão, as  características  de  cada  uma  das  noteiras  envolvidas  e,  ao  final,  as  infrações à legislação tributária cometidas por Dioxyl.   Funcionamento do esquema As fiscalizações e diligências efetuadas e a  análise  dos  dados  disponíveis  e  coletados  revelou  um  esquema  de  compras e vendas simuladas de madeira, pallets e móveis orquestrado  por Evolution/Maia Bastos e vendido a Dioxyl e Empresa X, para que a  estas  fossem  gerados  créditos  de  impostos  e  contribuições  a  fim  de  diminuir os valores a recolher aos cofres públicos, como noticiado pelo  Ministério Público e pelo GAECO do Estado do Paraná.   Evolution Comercial Exportadora Ltda., empresa cujo “objeto social é  a  ...  exportação,  importação  e  industrialização  de  mercadorias  na  categoria  de  empresa  comercial  exportadora,  fomento  comercial  e  mercantil”,  localizada à rua Wolfgang Ammon, 87, 4.º andar, sala 44  Fl. 3032DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.033            4 do Edifício Milano, Centro, São Bento do Sul­SC, com filial à avenida  Pres. Affonso Camargo, 2125,  loja B, bairro Cristo Rei, Curitiba­PR,  pertence a Afonso Henrique Maia Bastos,  que  também é proprietário  da  empresa  Maia  Bastos  Assessoria  Empresarial  Ltda.,  CNPJ  07.327.085/0001­66, localizada à rua Wolfgang Ammon, 87, 4.º andar,  sala  44  do  Edifício  Milano,  Centro,  São  Bento  do  Sul­SC  (mesmo  endereço de Evolution) e não tem filiais.   (...)Os indícios levantados ao longo do amplo trabalho de fiscalização  e  diligências  realizados  apontam  inequívoca  e  sobejamente  pela  existência do esquema descrito e participação das empresas indicadas.   Na  parte  documental,  as  noteiras  emitiam  as  notas  fiscais  de  venda  comum contra Dioxyl  e Empresa X, que  imediatamente  revendiam as  mercadorias  com  fim  específico  de  exportação  a  Evolution,  no  exato  valor  da  compra  descontados  os  créditos  tributários  que  utilizariam.  Evolution então dava entrada aos produtos  faturados e emitia as notas  fiscais  de  exportação  aos  clientes  exterior.  O  infográfico  abaixo  sintetiza o esquema utilizado e os valores envolvidos:     Na  parte  financeira,  as  noteiras  emitiam  títulos  (duplicatas)  contra  Dioxyl  e  Empresa  X  pelas  suas  vendas  e  imediatamente  os  descontavam  junto  à  Evolution  em  operações  de  factoring.  Dioxyl  e  Empresa X emitiam títulos contra Evolution referentes à suas vendas.  Como  Dioxyl  e  Empresa  X  eram  credoras  (pelas  suas  vendas)  e  devedoras  (pelas  compras  das  noteiras  cujos  títulos  foram  descontados) a Evolution, faziam­se transferências bancárias mútuas e  simultâneas  e  as  dívidas  se  extinguiam,  exceto  pela  parcela  dos  créditos tributários gerados que poderiam ser aproveitados por Dioxyl  e Empresa X em suas apurações. O infográfico abaixo sintetiza o fluxo  financeiro do esquema:     (...)  Acerca  dos  valores  informados  em  notas  fiscais  das  noteiras  e  de  Dioxyl e Empresa X, mais um fato aponta pela ficção dos documentos.  Ao longo de 2011 Evolution teria adquirido R$ 11,6 milhões de Dioxyl  e R$ 9,5 milhões de Empresa X em mercadorias para exportação, mas  Fl. 3033DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.034            5 efetivamente  exportou  R$  20,7  milhões,  R$  400  mil  a  menos  que  as  entradas1. Evolution não possui  local para estocagem. Mesmo que  se  leve em conta tratarem­se de valores globais e a possível variação de  início e final de ano nos embarques, Evolution teria vendido 1 Segundo  as  fichas  23  e  25  de  sua DIPJ, Evolution  teria  adquirido  de R$ 10,7  milhões de Dioxyl e R$ 10,8 milhões de Empresa X e exportado R$ 21,5  milhões.  Processo  10920.720220/2016­09  Acórdão  n.º  11­054.569  DRJ/REC Fls.  2.837  7 mercadorias  ao  exterior  com prejuízo  ou  por  preço muito próximo do custo, algo um tanto difícil de crer.   Ratificando os  indícios  levantados, em 30/04/2015 o representante de  uma  das  empresas  inativas,  que  efetivamente  fabricou  os  produtos  exportados  mas  encerrou  de  fato  suas  atividades  logo  depois  sem  recolher qualquer tributo devido, compareceu à Delegacia da Receita  Federal  em Joinville­SC  e  prestou  declaração,  firmada  em Termo  de  Tomada de Declaração, descrevendo e confirmando o modus operandi  do  esquema  descrito  acima,  relatando  que  Evolution  era  quem  especificava e encomendava os produtos, que Evolution determinava o  faturamento  contra Dioxyl  e Empresa X,  que Evolution  pagava pelos  produtos,  que  Evolution  trocava  imediatamente  todos  os  títulos  emitidos,  que  Evolution  contratava  o  transporte  desde  sua  fábrica  diretamente ao porto de embarque, que nunca  teve contato comercial  com Dioxyl ou Empresa X e, mais importante, que todos sabiam que os  faturamentos  eram  feitos  daquela  forma  para  aproveitamento  de  créditos tributários por Dioxyl e Empresa X.   Ora, se os bens eram produzidos e destinados diretamente ao exterior  por  Evolution,  não  ocorreu  a  tradição  dos  mesmos  entre  noteiras  e  Dioxyl  e  Empresa  X  nem  entre  estas  e  Evolution.  Sendo  a  tradição  condição necessária para validade dos negócios jurídicos (arts. 1226 e  1267  da  Lei  n.º  10.406/2002  Código  Civil)  as  compras  e  vendas  indicadas nos documentos fiscais não são aptas a produzir efeitos.   As  provas  coletadas  corroboram  os  elementos  trazidos  na  denúncia  feita ao GAECO (“venda de notas fiscais frias ... vendas de empresas  fantasmas  ...  recuperação de  créditos  de  ICMS de  forma  irregular  ...  venda de  créditos  de  ICMS  ...  vendas de  notas  fiscais  para  empresas  (rede de pessoas que fornecem notas fiscais por 3% do valor da nota)  ...  fomento  mercantil  irregular  ...  emissão  de  duplicatas  frias”)  e  na  Notícia  de  Fato  n.º  MPPR  0046.13.004681­9  (“compra  de  empresas  criadas  regularmente,  porém  inativas  ...  transferir  créditos  de  ICMS  inexistentes,  vender notas  fiscais  frias e  fomento mercantil  (factoring)  irregular  ...  vender  empresas  fantasmas”)  como  condutas  em  tese  praticadas  por  Afonso  Henrique  Maia  Bastos  e  suas  empresas.  (...)Como  este  Termo  refere­se  ao  procedimento  fiscal  em  relação  a  Dioxyl,  a  seguir  são  detalhados  os  fatos  verificados  apenas  neste  contribuinte,  destacando­se  que  as  mesmas  características  foram  encontradas  na  Empresa  X,  também  sob  procedimento  fiscal  com  conclusões  constantes  nos  processos  administrativos  n.º  10920.720243/2016­13 e 10920.720244/2016­50.   Dioxyl Dioxyl Revestimentos Químicos Ltda. tem como CNAE principal  2071­1­00 Fabricação de tintas, vernizes, esmaltes e lacas. Segundo as  notas  fiscais  eletrônicas NF­e  emitidas,  ao  longo de 2011 produzia  e  comercializava  majoritariamente  tintas,  vernizes,  corantes,  resinas  e  Fl. 3034DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.035            6 solventes classificados nos capítulos 32, 38 e 39 da TIPI, utilizados por  indústrias  dos  setores  moveleiro,  metal  mecânico,  plásticos,  vidros,  imobiliário  e  automotivo,  conforme  consta  em  seu  site  www.dioxyl.com.br.   As  vendas dos produtos químicos  fabricados pela Dioxyl  foram  feitas  apenas  no  mercado  interno,  tendo  gerado  mensalmente  débitos  de  tributos incidentes sobre o faturamento (ICMS, IPI, PIS e Cofins). Em  relação a esses, por se tratar de tributos não­cumulativos, foi possível  a  dedução  de  créditos  (referentes  a  entradas  tributadas  de  insumos)  dos débitos apurados, conta que, restando positiva, é o valor a recolher  aos  cofres  públicos.  Portanto,  quanto  mais  créditos  houver  menor  o  valor a pagar.   Por  outro  lado,  as  operações  focadas  nesta  auditoria  referem­se  a  compras e vendas de madeiras, pallets e móveis, atividades totalmente  diversas  do  objeto  principal  de Dioxyl,  os  produtos  químicos. Restou  claro que esta foi a grande beneficiada das operações simuladas, pois  aproveitou  os  créditos  de  ICMS,  IPI,  PIS  e  Cofins,  nas  alíquotas  de  17%, 5%, 1,65% e 7,6% respectivamente, para dedução dos montantes  devidos decorrentes de suas reais operações.   A vantagem indevida era gerada por meio do registro das entradas no  CFOP 1.102 Compra para  revenda e, como os bens entrados eram  diretamente revendidos a Evolution com fim específico de exportação,  pelo  registro das  saídas  sob CFOP 5.502 Remessa de mercadoria  adquirida  ou  recebida  de  terceiros,  com  fim  específico  de  exportação, operação esta  feita com suspensão de IPI (art. 43, V, a,  do  Decreto  n.º  7.212/2010  Regulamento  do  IPI),  isenta  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  Cofins  (art.  5.º  da  Lei  n.º  10.637/2002  e  art.  6.º  da  Lei  n.º  10.833/2003)  e  objeto  de  não­ incidência  de  ICMS  (art.  6.º,  inciso  II  e  §1.º  inciso  I,  do Decreto  n.º  2.870/2001 Regulamento do ICMS/SC).   (...)Verifica­se  que  2380  unidades  de  “painel  de  madeira...”  escriturados  sob  código  DV02240  entraram  por  R$  158.986,38,  gerando  créditos  tributários  de R$ 47.317,38  e  resultando num  custo  contabilizado  de R$ 111.669,00,  e  que  2380  unidades  de mercadoria  com código e descrição  idênticos foram faturadas para Evolution por  R$ 111.669,00, exatamente o valor da nota de entrada descontada dos  tributos (70,2% da nota de entrada).   (...)Neste  verifica­se  que  os  produtos  entraram  por  R$  72.204,30,  gerando  créditos  tributários  de R$ 21.489,39  e  resultando num  custo  contabilizado de R$ 50.714,91, e que produtos com código, descrição e  quantidades  idênticos  foram  faturados  para  Evolution  por  R$  50.714,90 (70,2% da nota de entrada).   Por  que  motivo  uma  empresa  com  fim  lucrativo  efetuaria  operações  como  as  descritas  acima,  movimentando  cerca  de  R$  15  milhões  na  compra mercadorias para revendê­las pelo preço de custo, sem auferir  lucro algum? Qual o propósito negocial ou a lógica comercial de tais  operações?   Fl. 3035DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.036            7 Efetuaram­se cruzamentos semelhantes para as outras notas fiscais das  noteiras  e  de  Dioxyl,  sintetizados  na  planilha  Comparativo  Lançamentos Contábeis Noteiras x Evolution.   Detectaram­se 127 operações similares às citadas acima, identificadas  pelo  código XX­YY,  onde XX  são  as  letras  iniciais da noteira  e YY o  número  sequencial,  envolvendo  178  notas  fiscais  de  entrada.  Os  exemplos  acima  estão  identificados  por  AM­01  e  NO­21.  Além  daquelas,  outras  63  notas  fiscais  emitidas  pelas  noteiras  foram  escrituradas  por  Dioxyl,  que  aproveitou  os  créditos  tributários  decorrentes de tais entradas.   Sob  outro  aspecto,  todas  as  notas  fiscais  emitidas  por Dioxyl  contra  Evolution indicavam como transportador o próprio emitente. Inquiriu­ se Dioxyl a informar sobre as formas de entrega dos produtos vendidos  e, caso  tivesse havido entrega de produtos com veículo próprio, para  apresentar  cópias  dos  Certificados  de  Registro  e  Licenciamento  (CRLVs)  ou  documento  equivalente  dos  veículos  de  propriedade  da  empresa naquele ano, bem como detalhamento da conta contábil 196–  Veículos, que apresentava saldo inicial de R$ 140.984,19 e saldo final  R$  109.300,00  apenas,  indícios  de  que  a  empresa  não  possuía  frota  própria.   Em  resposta,  Dioxyl  afirmou  que  “todas  as  mercadorias/produtos  (objetos  desta  fiscalização  ...  sempre  que  comercializados,  foram  retirados  de  nossa  empresa  por  transportadora  contratada  pela  comercial  exportadora”,  em  contraposição  ao  consignado  nas  notas  fiscais.   Também  não  entregou  documentos  dos  veículos  ou  detalhamento  da  conta  contábil. Ou  seja,  também  a  forma  de  transporte  indicado  nas  notas fiscais aponta pela ficção dos documentos.   Este foi o procedimento fraudulento de emissão de documentos fiscais  por Dioxyl.   A  parte  financeira  do  esquema  iniciava­se  com  a  emissão  de  títulos  (duplicatas)  em  nome  das  noteiras  no  valor  integral  da  nota  fiscal,  divididos  em  3  parcelas  com  70%,  25%  e  5%  do  valor  total2,  imediatamente  descontados  em  operações  de  factoring  junto  à  Evolution,  que  escriturava  todas  as  suas  operações  de  factoring  em  totalizações mensais a débito na conta Clientes Diversos e a crédito em  Caixa e Receita Financeira, como no exemplo abaixo:   2 Em algumas operações a parcela de 70% foi dividida em dois títulos.   (...)Quando Dioxyl  revendia  as  mercadorias,  emitia  apenas  um  título  contra Evolution no valor total da nota fiscal que, como demonstrado,  eram os mesmos 70% da nota de entrada referente.   Evolution  foi  intimada  a  apresentar  os  comprovantes  de  pagamento  pelas  aquisições  de  mercadorias  e  efetivamente  apresentou  transferências bancárias à Dioxyl nos valores corretos. Dioxyl também  foi intimada a apresentar comprovantes de pagamento pelas aquisições  junto  às  noteiras  e  apresentou,  para  os  títulos  de  70%  do  valor,  transferências bancárias à Evolution.   Fl. 3036DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.037            8 A  análise  dos  comprovantes  destes  pagamentos  não  deixa  dúvidas  quanto ao  conluio Evolution­Dioxyl. Numa  incrível  ‘coincidência’,  as  transferências bancárias de ambas as partes  eram simultâneas,  feitas  nos mesmos valores, datas e horas, com diferença de poucos segundos,  veja­se  os  comprovantes  bancários  e  os  lançamentos  contábeis  das  operações AM­01 e NO­21 já citadas acima:   (...)Desta  forma,  Evolution  dava  por  quitada  sua  compra  e  Dioxyl  quitava  a  duplicata  com  70%  do  valor  devido  à  noteira  cujo  título  estava em poder de Evolution.   Quanto aos títulos com 25% do valor, os comprovantes de pagamento  fornecidos por Dioxyl – na maioria pagamentos de boletos bancários –  também  indicavam  Evolution  como  beneficiária.  Cerca  de  ¼  destes  títulos tiveram vencimento naquele ano de 2011. Em sua contabilidade  Dioxyl escriturava os pagamentos a débito em Bancos contra as contas  das  noteiras  a  crédito,  já  Evolution  não  fazia  registro  algum  da  entrada destes recursos, apesar das operações de factoring terem sido  registradas  na  conta  Clientes  Diversos.  Os  ¾  restantes  dos  títulos  venciam  em  2012  e  até  em  2013,  período  fora  do  escopo  deste  trabalho.   Restavam então os títulos de 5% do valor que, pelos elementos colhidos  e a informação da denúncia sobre pagamento de 3% do valor de cada  nota fiscal fria, levam a crer ser a remuneração paga a Evolution/Maia  Bastos pelos créditos fictícios. Aparentemente baixo, cabe ressaltar que  o valor pago por Dioxyl sobre cada nota fiscal equivale em verdade a  16,67%  do  ganho  obtido  em  créditos.  (...)Apesar  de  intimada  para  comprovar o pagamento dos títulos de 5%, Dioxyl apresentou somente  duplicatas mercantis  recibadas  de  apenas  algumas  destas  operações,  em que também se notam semelhanças grotescas. Duplicatas emitidas  por  empresas  distintas  eram  preenchidas  por  pessoas  com  grafias  muito  semelhantes,  senão  idênticas.  Vejam­se  abaixo  recortes  dos  títulos 106/3 de Norte Sul e 31/3 de Arueira:   (...)Assim, na parte financeira o esquema estava concluso em Dioxyl.   Na  Evolution,  comprovados  seus  pagamentos  pelas  compras  junto  a  Dioxyl  e  seus  recebimentos  de  Dioxyl  pelos  títulos  de  70%  e  25%  descontados,  faltava  a  outra  ponta  do  esquema:  a  aquisição  por  Evolution de títulos emitidos pelas noteiras.   Evolution foi intimada a comprovar os pagamentos pelas aquisições de  títulos  emitidos  por  Arueira,  Biomade  e  Norte  Sul  contra  Dioxyl.  Trouxe documentos para 111  títulos com valores totais de  face de R$  4.566.688,17  e  de  aquisição  de  R$  3.919.612,15.  Os  documentos  entregues  para  comprovação  de  pagamento,  totalizando  R$  3.315.057,25  (R$  635.247,90  a  menor),  não  apresentavam  relação  direta  nem  identificação  com  quaisquer  dos  títulos,  das  pessoas  jurídicas  emitentes  (noteiras)  ou  dos  sócios  destas.  Pelo  contrário,  tinham inúmeras inconsistências.   (...)Outra característica peculiar dos cheques é que na maioria foram  preenchidos  e  assinados  pela  auxiliar  administrativa  sra.  Silvana  Tamanine  Richter,  que  recebeu  a  fiscalização  quando  estivemos  na  Fl. 3037DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.038            9 Evolution, veja­se cópia de um cheque e de recebimento do Termo de  Início:   (...)Segundo informações de GFIP, esta pessoa tinha salário mensal de  R$  1.090,00  em  2011.  Causa  no  mínimo  estranheza  que  um  mero  auxiliar  administrativo,  com  rendimento  de  apenas  dois  salários  mínimos vigentes à época, tivesse poderes para movimentar milhões de  reais das contas bancárias da empresa.   Em  sua  contabilidade,  Evolution  escriturou  todos  os  cheques  do  Bradesco e alguns cheques do Banco do Brasil (apenas os emitidos até  01/03/2011) contra a conta Caixa a débito, ou seja, reduzindo saldo de  Bancos e aumentando Caixa. Não há despesas pagas via caixa a que se  possam atribuir os valores provenientes de Bancos. Desta  forma, não  permite  identificar  quem  foram os  beneficiários  dos  pagamentos  nem  mesmo se realmente houve algum pagamento de fato. Esses elementos  indicam  que  os  cheques  apresentados  não  representam  pagamentos  relativos  a  transações  comerciais,  mas  somente  documentos  gerados  com  a  finalidade  de  justificar  a  simulação  da  compra  dos  títulos  por  Evolution.   (...)Ficou  claro  que  Evolution  não  dispunha  de  comprovação  de  pagamento das aquisições dos títulos, angariando documentos esparsos  e sem conexão – alguns de suas próprias despesas, alguns com indícios  de  serem  pagamentos  aos  reais  fabricantes  das  mercadorias  –  na  tentativa justificá­las, deixando patente a total simulação das operações  de factoring com as noteiras.   Ora,  diante  do  rol  de  fortes  indícios  apontados,  a  única  conclusão  possível é de que todas as transações entre noteiras, Dioxyl e Evolution  foram  simuladas  em  plano  operado  por  Evolution/Maia  Bastos,  que  vendeu  a  Dioxyl  esquema  de  planejamento  tributário  fraudulento  de  compras  e  vendas  fictícias  com  o  único  intuito  de  gerar  créditos  tributários com vistas à evasão fiscal. Em verdade, as madeiras, pallets  e  móveis  foram  produzidos  a  mando  de  e  sempre  pertenceram  a  Evolution, pois transitaram apenas documentalmente por Dioxyl.   As  noteiras As  empresas Arueira, Biomade, Norte Sul,  J4, Ambiente,  Loyl, Madesul, Renari, GS e Harmony, referidas como noteiras, tinham  como papel no esquema a emissão de notas fiscais contra Dioxyl.   Segundo  verificado  no  curso  deste  procedimento  fiscal,  Arueira,  Biomade, Norte  Sul,  J4, Ambiente  e Alpha Loyl não  tinham qualquer  atividade, seja financeira ou comercial nem mesmo sede. Também, seus  sócios  demonstraram  não  ter  capacidade  econômica  para  iniciar  as  atividades  ou  ingressar  nas  empresas  das  quais  faziam  parte.  Assim,  sua  única  finalidade  era  emitir  notas  fiscais  a  serem  utilizadas  na  geração de créditos de ICMS,  IPI, PIS e Cofins para Dioxyl e outras  empresas.  Inclusive, vislumbrado esse quadro, de  forma  incidental as  pessoas  jurídicas em apreço  foram baixadas ou estão em processo de  baixa de suas inscrições no cadastro CNPJ.   Por  seu  turno,  Madesul,  Renari,  GS  e  Harmony  existiam  de  fato,  porquanto  desempenharam  suas  atividades.  Contudo,  assim  como  as  outras pessoas jurídicas, também emitiram notas fiscais contra Dioxyl  Fl. 3038DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.039            10 como  se  esta  fosse  compradora  de  suas  mercadorias,  o  que  não  aconteceu, conforme demonstrado anteriormente.   As conclusões  individuais dos procedimentos  fiscais contra cada uma  das  noteiras  estão  detalhadas  no Anexo Noteiras,  do  qual  faz  parte  integrante.   Transportadoras  As  transportadoras  Rodomoveis  Transportes  e  Transportes Rodomovel constam na maioria das notas fiscais emitidas  pelas  noteiras  como  transportador  das  mercadorias  entre  elas  e  Dioxyl. Intimada a apresentar conhecimentos de transporte relativos a  elas, Dioxyl respondeu apenas que “o transporte de mercadorias ... era  de  responsabilidade  dos  fornecedores”,  sem  trazer  qualquer  documento.   Em  08/12/2014  e  12/02/2015  as  transportadoras  foram  intimadas  a  informar se ao longo de 2011 prestaram algum serviço às noteiras e à  Evolution.  As  respostas  foram  protocoladas  em  16/12/2014  e  26/02/2015. Transportes Processo 10920.720220/2016­09 Acórdão n.º 11­054.569  DRJ/REC Fls. 2.842 12 Rodomovel informou que “não prestou serviços de  transporte  para  a[s]  empresa[s]”.  Rodomoveis  Transportes  informou  que “não prestou diretamente serviços de transportes para a empresa  ... mas carregamos mercadorias nas dependências da empresa, através  da  Evolution  Comercial  Exportadora  Ltda.,  a  qual  prestamos  serviços”.  Por  ocasião  da  entrega  da  2.ª  intimação,  inquiriu­se  o  representante  das  transportadoras  sobre  suas  operações  com  Evolution,  sobre  o  que  relatou  que  transportava  contêineres  diretamente  de  diversos  produtores  de móveis  ao  porto  de  Itajaí­SC,  sempre  a  mando  da  própria  Evolution,  conforme  conhecimentos  de  transporte anexados na resposta à intimação anterior.   Também se  inquiriu  sobre  sua relação comercial com Dioxyl,  ao que  respondeu  que  nunca  transportou mercadorias  seja  ela  como  origem  ou destino e que  já  teve que responder pergunta semelhante ao Fisco  do Estado de São Paulo. Apresentou então um Termo de Declaração à  Delegacia de Polícia da Comarca de São Bento do Sul­SC (Documento  Rodomóveis ­ Boletim ocorrência DRPC) feita em 17/11/2014 no qual  “informa  que  não  encontrou  nos  registros  da  empresa  nenhum  transporte  de  mercadorias  para  a  empresa  Dioxyl  Revestimentos  Químicos”. Não tivemos acesso ao inquérito policial, mas o relato e as  circunstâncias levam a crer se tratar do mesmo tema aqui versado.   Assim,  claro  está  que  as  transportadoras  indicadas  nas  notas  fiscais  emitidas pelas noteiras contra Dioxyl não prestaram tal serviço. Houve  apenas transporte de mercadorias entre diversos fabricantes e o porto,  sob  contratação  de  Evolution  e  amparado  por  sua  nota  fiscal  de  exportação.   Infrações  verificadas  Segundo  a  Portaria  MF  n.º  187/1993,  art.  4.º,  sempre que, no decorrer de ação fiscal, forem encontrados documentos  emitidos em nome de pessoa jurídica que não exista de fato e de direito  ou apesar de constituída formalmente, não possua existência de fato, o  contribuinte  sob  fiscalização  deverá  ser  intimado  para  comprovar  o  efetivo pagamento e recebimento dos bens, sob pena de ter glosados os  custos e as despesas decorrentes do pagamento não comprovado e ter  glosado o crédito fiscal originário de documento inidôneo.   Fl. 3039DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.040            11 A relação de todas as notas fiscais de entrada de compras fictícias das  noteiras encontra­se na planilha Notas Fiscais de Entrada – Noteiras,  totalizando R$ 18.124.911,91, e das notas fiscais de saída com vendas  simuladas  para  Evolution  encontra­se  na  planilha  Notas  Fiscais  de  Saída – Evolution, totalizando R$ 9.495.663,36.   As  notas  fiscais  de  entrada  emitidas  pelas  noteiras  e  os  respectivos  comprovantes  de  pagamento  por  Dioxyl  compõem  o  documento NFs  de  Entrada  e  Comprovantes  de  Pagamento.  As  notas  fiscais  de  saída emitidas por Dioxyl e os respectivos comprovantes de pagamento  por  Evolution,  o  documento  NFs  de  Saída  e  Comprovantes  de  Pagamento.   Na  esfera  federal  importam  os  reflexos  das  compras  e  vendas  simuladas na apuração do IPI, da Contribuição para o PIS/PASEP, da  Cofins, do IRPJ e da CSLL, sobre os quais se passa a expor.   Quanto  ao  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  Segundo  o  livro  Registro  de  Apuração  do  IPI,  extraído  da  EFD­ICMS/IPI,  Dioxyl  apurou  saldos  devedores  entre  janeiro  e  outubro/2011,  declarados  corretamente  Processo  10920.720220/2016­09  Acórdão  n.º  11­054.569  DRJ/REC  Fls.  2.843 13 em DCTF,  exceto do período de apuração  fevereiro/2011  declarado  por  R$  607,48,  quando  o  saldo  devedor  do  RAIPI  foi  R$  105.605,67.  Intimado  a  esclarecer  esta  divergência,  afirmou  o  contribuinte que “o saldo devedor de IPI correto é o informado na  DCTF, a diferença verificada será corrigida através da retificação  extemporânea  do  EFD  ICMS­IPI”.  Esta  escrituração  fiscal  substituta  serviu  então  de  base  ao  lançamento  para  o  período  fevereiro/2011.   Todas as notas fiscais de entrada da planilha Notas Fiscais de Entrada  –  Noteiras  foram  creditadas  de  IPI,  pois  escrituradas  na  EFD­ ICMS/IPI  sob  Código  da  Situação  Tributária  CST  00  Entrada  com  Recuperação  de  Crédito.  Dessa  forma,  por  se  tratarem  de  créditos  fraudulentos,  efetuou­se  a  glosa  dos  créditos  computados  sobre  estas  entradas.   (...)Ainda em relação às operações  fictícias,  como se  tratam de notas  fiscais  irregulares  que  não  correspondiam  à  efetiva  entrada  de  mercadorias e que o contribuinte registrou e utilizou, cabível ainda a  imposição da multa regulamentar prevista no art. 572 do RIPI:   (...)Assim,  em  relação  ao  IPI,  cabível  o  lançamento  de  ofício  de  R$  824.467,88  de  tributo  com  multa  de  ofício  de  150%  sobre  o  tributo  devido e multa regulamentar de R$ 18.124.911,91 (somatório do valor  das  mercadorias,  campo  Valor  dos  Produtos,  consignado  nas  notas  fiscais),  contra  Dioxyl  como  contribuinte  e  Evolution,  Afonso  e  Humberto  como  responsáveis  solidários  (vide  tópico  sobre  responsabilidade  solidária  mais  à  frente),  efetuado  no  âmbito  do  processo administrativo 10920.720220/2016­09.   Além destes, cabe ainda o lançamento de ofício de R$ 155.824,54 com  multa de ofício de 75% pela glosa das demais aquisições para revenda,  efetuado no âmbito do processo administrativo 10920.720219/2016­76.   Fl. 3040DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.041            12 (...)Imposição  de  multa  qualificada  (...)Todo  o  conjunto  indiciário  levantado ao longo deste trabalho aponta para a existência de fraude e  ajuste doloso (conluio) a fim de reduzir o montante de imposto devido.  É  inescapável  que  tanto  Dioxyl  como  Evolution,  através  de  seus  administradores,  agiram  com  a  deliberada  intenção  de  reduzir  os  tributos  devidos  por  aquela  através  de  compras  e  vendas  fictícias.  Desta  maneira,  nos  lançamentos  de  ofício  decorrentes  de  tais  operações impõe­se a aplicação de multa qualificada de 150% sobre o  tributo apurado, independentemente das demais penalidades cabíveis.   Responsabilidade  Solidária  As  constatações  retroexpostas  são  mais  que  suficientes a provar o  interesse  comum de Dioxyl  e Evolution na  situação fática, qual seja, simulação de compras e vendas fictícias para  redução do montante de  tributos devidos. A parte financeira revelada  deixa  inequívoco  que  Evolution  não  só  participava  ativamente,  mas  também  era  mentora  e  administradora  das  transações  simuladas  Processo  10920.720220/2016­09  Acórdão  n.º  11­054.569  DRJ/REC  Fls.  2.844  14  e  que,  pelos  créditos  tributários  aproveitados,  recebia  5%  do  valor  de  cada nota fiscal fictícia emitida pelas noteiras – ou 16,67% do crédito  gerado na simulação.   Os comprovantes bancários das transferências e pagamentos feitos por  Dioxyl  a  Evolution  referentes  às  parcelas  de  70%  e  25%  das  notas  fiscais trazem expresso que as transações foram efetuadas com sucesso  por  Humberto  Barbosa  Lima,  CPF  005.076.249­47,  sócio  da  Dioxyl  com  99%  do  capital  social  integralizado8,  a  quem  competia  a  administração isolada da empresa, segundo cláusula nona do Contrato  Social, e atendeu à Fiscalização no decorrer deste procedimento.   Já os comprovantes bancários entregues por Evolution de pagamentos  feitos  a  Dioxyl  e  de  pagamentos  ditos  como  feitos  a  terceiros  pela  compra dos títulos das noteiras trazem escrito que as transações foram  efetuadas  com  sucesso  por  Afonso  Henrique  Maia  Bastos,  CPF  743.337.559­72,  sócio  da  Evolution  com  99%  do  capital  social  integralizado9, a quem competia a administração isolada da empresa,  segundo cláusula nona do Contrato Social, e respondeu à Fiscalização  no decorrer deste procedimento.   Prova  inconteste  do  estreito  relacionamento  entre  ambos,  Afonso  Henrique Maia Bastos foi o advogado constituído por Humberto para  impetrar o mandado de segurança n.º 2007.72.01.004828­6/SC junto à  Justiça Federal da 4.ª Região em nome de Dioxyl a fim de discutir “o  direito  de  crédito  do  IPI  em  relação  aos  insumos  isentos,  não­ tributados ou sujeitos a alíquota zero”, arquivado em julho/2010 após  sentença desfavorável ao contribuinte. Também representa Dioxyl nas  ações  de  execução  fiscal  n.º  0005254­63.2002.8.24.0058  e  0001948­ 13.2007.8.24.0058  movidas  pela  Fazenda  Nacional  perante  o  Poder  Judiciário  de  Santa  Catarina,  conforme  consultas  processuais  (Documento Consulta Justiça).   Ora, sendo Humberto e Afonso os administradores das empresas, que  efetuavam  as  transações  bancárias  e,  em  última  instância,  os  reais  beneficiários da fraude, ficam patentes suas participações dolosas nas  operações aqui expostas.   Fl. 3041DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.042            13 O  Código  Tributário  Nacional,  Lei  n.º  5.172/1966,  dispõe  que  (a  fiscalização transcreve os arts. 124, I, e 135, III):   (...)Assim,  cabível  a  responsabilização  solidária  de  Evolution  Comercial  Exportadora  Ltda.,  CNPJ  05.699.094/0001­52,  Humberto  Barbosa Lima, CPF 005.076.249­47, e Afonso Henrique Maia Bastos,  CPF  743.337.559­72,  pelos  créditos  tributários  ora  constituídos  decorrentes das operações fraudulentas.   Representação Fiscal para Fins Penais  (...)As condutas dos agentes e  os  elementos  expostos  ao  longo  deste  trabalho  configuram,  em  tese,  crimes  contra  a  ordem  tributária,  razão  pela  qual  lavrou­se  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais  no  âmbito  do  processo  administrativo  n.º  10920.720225/2016­23  contra  Humberto  Barbosa  Lima, CPF 005.076.249­47, e de Afonso Henrique Maia Bastos, CPF  743.337.559­72.   Nas  fls.  50/64,  com um anexo que  integra o Termo de Verificação, a  fiscalização trata das empresas "noteiras", descrevendo as conclusões  individuais dos Processo 10920.720220/2016­09 Acórdão n.º 11­054.569 DRJ/REC  Fls.  2.845  15  procedimentos  fiscais  contra  cada  uma  delas,  a  saber:  Arueira, Biomade, Norte Sul, J4, Ambiente, Loyl, Madesul, Renari, GS  e Harmony.   O  contribuinte,  pessoa  jurídica,  e  os  três  responsáveis  tributários  (a  pessoa  jurídica  Evolution  Comercial  Exportadora  Ltda  e  as  duas  pessoas  físicas  administradoras  ­  desta  e  da  jurídica  autuada  como  contribuinte)  foram  cientificados  regularmente  do Auto  de  Infração e  das  responsabilidades  em  11/02/2016  (ver  fls.  2627/2637)  e  apresentaram em 14/03/2016 impugnações tempestivas, isoladamente.   O  contribuinte,  cuja  Impugnação  consta  das  fls.  2737/2771,  alega  inicialmente  a  decadência  do  lançamento,  ressaltando  que  o  prazo  para constituição do crédito tributário decai em cinco anos.   Em  seguida,  no  item  3  da  peça  impugnatória,  argui  haver  "incongruência da narrativa utilizada pelo agente fiscal" e que todo o  lançamento  é  baseado  em  presunção  da  existência  de  operações  simuladas entre a Dioxyl Revestimentos Químicos Ltda, contribuinte, e  as empresas denominadas noteiras. Observa que os Auditores Fiscais,  apesar  de  considerarem  as  operações  simuladas,  "por  diversas  vezes  reconhecem  a  efetiva  exportação  das  mercadorias,  ou  seja,  as  operações existiram de fato", citando passagens do TVI no sentido de  que os produtos foram fabricados por sujeitos indeterminados a mando  da Evolution, foram por ela exportados e as empresas Madesul, Renari,  GS e Harmony existiam de fato.   Para o contribuinte, as operações tratam de compra e venda legítimas  e os Auditores­Fiscais agiram com abuso de poder e de modo contrário  às normas tributárias, afrontando o princípio da legalidade, a respeito  do qual cita doutrina.   Afirma  no  item  4  inexistir  vedação  legal  às  operações,  refutando  a  acusação  de  simulação.  Segundo  o  contribuinte,  "constata­se  a  ocorrência  do  erro  da  autoridade  autuante,  no  tocante  ao  enquadramento  legal  do  fato  descrito  (tipificação),  posto  que  os  Fl. 3042DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.043            14 dispositivos  legais constantes da Lei Federal  invocados pelos agentes  fiscais,  não  discriminam  e  não  se  coadunam  com  o  suporte  fático  concreto,  de  onde  resulta  a  inocorrência  de  fato  imputável  ao  Contribuinte  e,  como  conseqüência,  gera  a  nulidade  do  Auto  de  Infração". Entende que, "Para que se possa caracterizar a simulação é  indispensável  que  o ato  praticado,  que  se  pretende dissimular  sob  o  manto do ato ostensivamente praticado, não pudesse ser realizado por  vedação legal ou qualquer outra razão. Como as partes realizaram o  negócio não restou caracterizada a declaração enganosa de vontade,  essencial  na  simulação".  Também  argui  ofensa  ao  princípio  constitucional  da  ampla  defesa,  mencionando  o  art.  5º,  LV,  da  Constituição Federal, contesta "a multa de 205" (ipsis literis) e reputa  nulo  o Auto  de  Infração  "por não haver  penalidade  sem  lei  anterior  que a defina, nem infração sem disposição expressa que o tipifique"  (final da primeira do item 4 da Impugnação do contribuinte, que possui  outro  tópico  sob  o  mesmo  número,  intitulado  "DA  LEGITIMIDADE  DAS  OPERAÇÕES").  Continua  refutando  a  fiscalização  nos  itens  seguintes,  até  o  de  nº  9,  onde  afirma  que  "para  que  pudesse  haver  autuação o fisco deveria estar embasado em provas robustas e não em  meras  SUPOSIÇÕES  e  CONCLUSÕES  PRÓPRIAS",  concluindo  o  seguinte:  "Torna­se  pois,  imperioso  como  medida  de  justiça,  a  anulação dos objurgados itens, uma vez que, no caso em tela, o direito  líquido e certo da Impugnante, está materializado em face da constante  Ilegalidade e Abusividade dos atos praticados pela autoridade fiscal."   O  item 10  é  dedicado especificamente  aos  dois Autos  de  Infração  do  presente processo, e nele o contribuinte defende o direito aos créditos  do  IPI,  oriundo  das  operações  que  a  autuação  reputou  simuladas  (a  fiscalização  considerou  que  as  empresas  "noteiras"  emitiam  notas  fiscais  frias,  gerando  créditos  do  IPI  e  outros  tributos  em  favor  da  Dioxyl).   Reportando­se  ao  princípio  constitucional  da  não  cumulatividade  que  rege o IPI e à suspensão do Imposto nas saídas de produtos destinados à  exportação  (menciona  o  art.  43,  V,  e  §  1º,  do  Regulamento  do  IPI  aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010 ­ RIPI/2010), afirma que "de  nenhuma forma a primeira operação realizada entre a Dioxyl  e a  empresa produtora da mercadoria por  (sic) ser considerada como  fim  específico  para  exportação,  apenas  a  revenda  do  produto  da  Dioxyl  para  a Evolution"  e,  assim,  "é  assegurado  a manutenção  e  o  aproveitamento do montante do imposto". Também se insurge contra a  multa  isolada  de  100%  (lançada  em Auto  separado,  com  base  no  art.  572,  II,  do  RIPI/2010,  por  utilização  de  notas  fiscais  irregulares,  recebidas e escrituradas pelo contribuinte Dioxyl), repisando que todas  as  operações  são  legítimas  e  foram  realizadas  dentro  do  "rigorismo  fiscal". Por ter agido dentro dos ditames legais, argui que "fica de plano  afastada  qualquer  possibilidade  de  sanção",  além  de  reputar  confiscatória  e  contrária  ao  princípio  da  capacidade  contributiva  a  multa aplicada (no subitem 10.3 da peça impugnatória, sob o título "DA  NECESSIDADE  DE  APURAÇÃO  DO  VALOR  CORRETO  DO  IMPOSTO  E  DO  DESCABIMENTO  DE  JUROS  E  MULTA",  se  refere  ora  à  penalidade  de  150%  sobre  os  valores  do  IPI  lançados  de  ofício, ora à de isolada de 100%, pois num ponto afirma que "a multa  sobre os valores discutidos tem a forma de verdadeiro confisco" e, mais  adiante,  que  "No  caso  concreto,  a  norma  sancionante  atribuiu  uma  Fl. 3043DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.044            15 penalidade ao hipotético 'ilícito', ou seja, a multa sobre o valor total dos  créditos,  legal  e  licitamente  aproveitados,  em  conformidade  com  a  legislação em vigor"). No subitem seguinte  ainda  considera que  "Não  há  nenhum  motivo  lícito  para  a  exigência  de  multa",  pelo  que  da  exigência  "nasce  o  enriquecimento  ilícito  do  Erário  Público  em  detrimento  do Contribuinte,  vedado  pela  legislação  e  pelos  princípios  gerais do direito". O item 11 trata do processo nº 10920.720221/2016­ 45, relativo ao Auto de Infração do IRPJ e CSLL, enquanto o seguinte é  dedicado  ao  processo  nº  10920.720219/2016­76,  relativo  ao  IPI,  mas  com multa de ofício no percentual de 75% (este foi julgado por esta 2ª  Turma em 31/10/2016, que manteve o lançamento conforme o Acórdão  nº 11­054.185).   Ao final, no item 13, o contribuinte requer o seguinte:   a) Primeiramente, o acolhimento da preliminar retro, para reconhecer a  decadência  dos  débitos  tributário  (sic),  com  o  conseqüente  cancelamento (arquivamento);   b)  Ainda,  no  mérito,  reconheça  a  IMPROCEDÊNCIA  dos  presentes  Autos de Infração, declarando­se extinta a pretensão fiscal, excluindo­ se a aplicação das penalidades, pelos fundamentos de fato e de direito  anteriormente expendidos.   A  pessoa  jurídica  Evolution Comercial  Exportadora Ltda,  autuada  na  condição  de  responsável  tributário,  apresenta  a  Impugnação  de  fls.  2689/2724,  onde  repisa  as  alegações  do  contribuinte  Dioxyl.  Há  pequenas  diferenças,  como  a  arguição  de  que  "Causa  Processo  10920.720220/2016­09  Acórdão  n.º  11­054.569  DRJ/REC  Fls.  2.847 17  surpresa  à  Impugnante os termos utilizados que além de denegrirem a imagem da  empresa e do sócio, trazem­lhes prejuízo de ordem moral" (fl. 2691), e  a  reiteração  da  informação  de  que  a  empresa  responsável  pela  contabilidade  da  Evolution  "foi  atingida  por  enchente  no  decorrer  do  ano  de  2014,  o  que  ocasionou  a  perda  de  grande  quantidade  de  documentação" (fl. 2706), ambas ausentes no texto do contribuinte, e é  acrescentado  um  item  sob  o  título  "INEXISTÊNCIA  DE  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA".  Neste  tópico  é  refutado  o  emprego  do  art.  124,  I,  do  CTN,  citado  nos  Autos  de  Infração  em  relação  à  Evolution  (a  responsabilidade  das  duas  pessoas  físicas  é  enquadrada no art. 135 do mesmo Código), que alega:   ­  a  solidariedade  do  referido  dispositivo  'somente  pode  existir  entre  sujeitos  que  figurem  no mesmo  pólo  de  relação  obrigacional,  pois  só  assim o interesse poderá ser considerado como comum"; ­ "O interesse  comum não  pode  ser  presumido  em  razão  de  um  fato  escolhido  pelo  legislador ordinário", que não pode subverter o sentido dos dispositivos  do CTN;   ­ nem o interesse comum, requisito da solidariedade, nem esta, pode ser  presumido;   ­  as  relações  entre  a Dioxyl  e  a  Evolution  se  restringiam  a  compra  e  venda  de  mercadorias  para  serem  exportadas  ou  compra  e  venda  de  títulos  através  de  fomento  mercantil,  inexistindo  qualquer  conluio  visando  fraudar  a  fiscalização,  além  de  constituírem  interesses  antagônicos;   Fl. 3044DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.045            16 ­  a  Evolution  e  a Maia  Bastos  Assessoria  Empresarial  são  empresas  distintas e esta prestou sim assessoria empresarial à Dioxyl;   ­  "Se  tivesse  havido  operação  simulada,  poderia  haver  imputação  de  responsabilidade  tributária  ao  adquirente  com  supedâneo  no  cometimento de ilícitos, mas esta jamais poderá advir do artigo 124, I,  do CTN, porque o interesse comum não existe neste hipótese, e nem a  solidariedade  é  um  meio  de  incluir  um  terceiro  no  pólo  passivo  da  obrigação tributária."   Ao final a Evolution requer a decadência e improcedência dos Autos de  Infração  (tal  como  faz  o  contribuinte  Dioxyl),  apenas  acrescendo  pedido  específico  para  que  "seja  reconhecida  a  inexistência  de  responsabilidade  da  empresa  Evolution  Comercial  Exportadora,  por  inexistir  operações  simuladas  ou  interesse  comum  com  a Dioxyl".  A  pessoa  física  Humberto  Barbosa  Lima  também  impugna  os  lançamentos  (fls.  2787/2823),  reproduzindo os  termos  do  contribuinte  Dioxyl  com  acréscimo  de  um  item  intitulado  "INEXISTÊNCIA  DE  RESPONSABILIDADE  DO  SÓCIO".  Neste  item  rejeita  a  responsabilidade que lhe foi atribuída com base nos arts. 124, I, e 135,  III,  do CTN  (nos Autos  de  Infração  é mencionado  apenas  o  primeiro  dispositivo, mas no TVI constam os dois),  arguindo que, como sócio,  não pode ser responsabilizado "pela infrações supostamente cometidas  pela  pessoa  jurídica,  pois  sempre  agiu  dentro  da  lei  e  do  contrato  social",  sendo  nula  a  pretensão  fazendária  em  responsabilizá­lo  sem  demonstrar  que  praticou  infração  à  lei  ou  ao  contrato  social  da  sociedade. Processo  10920.720220/2016­09  Acórdão  n.º  11­054.569  DRJ/REC  Fls.  2.848 18 No requerimento pede a decadência e improcedência dos Autos  de  Infração  (tal  como  faz  o  contribuinte  Dioxyl),  apenas  acrescendo  pedido  específico  para  que  "seja  reconhecida  a  inexistência  de  responsabilidade  do  sócio Humberto Barbosa Lima,  pois  sempre  agiu  dentro da lei      Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com a seguinte  ementa (fl. 2.831):    Assunto:  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI  Período  de  apuração:  01/01/2011  a  31/12/2011  IPI.  REDUÇÃO  DO  IMPOSTO  DEVIDO MEDIANTE CRÉDITOS SIMULADOS. NOTAS FISCAIS  EMITIDAS  EM  NOME  DE  EMPRESA  DE  FACHADA.  DOLO  CARACTERIZADO. MULTA QUALIFICADA.   Caracteriza  fraude,  ensejando  o  lançamento  de  ofício  do  tributo  com  aplicação da multa qualificada no percentual de 150%, o creditamento  do  IPI  com  base  em  notas  fiscais  emitidas  por  empresas  de  fachada,  simulando  aquisições  que  inexistiram  e  reduzindo  o  montante  do  Imposto devido.   MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  150%.  FRAUDE  E  CONLUIO. LEGALIDADE.   A multa  de ofício  no  percentual qualificado de  cento  e  cinquenta  por  cento,  aplicada  nos  lançamentos  de  ofício  quando  caracterizada  a  fraude, é prevista na legislação do IPI e nada tem de ilegal.   Fl. 3045DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.046            17 MULTA  REGULAMENTAR.  APROVEITAMENTO  DE  NOTAS  FISCAIS  QUE  NÃO  CORRESPONDEM  A  EFETIVA  SAÍDA.  RIPI/2010,  ART.  572,  II.  PENALIDADE  IGUAL  AO  VALOR  COMERCIAL DA MERCADORIA.   Nos  termos  do  art.  572,  II,  do  Regulamento  do  IPI  aprovado  pelo  Decreto  nº  7.212,  de  2010,  aos  que,  em  proveito  próprio  ou  alheio,  utilizam  ou  registram  nota  fiscal  que  não  corresponda  à  saída  efetiva  das mercadorias nela constantes,  aplica­se a multa  isolada equivalente  ao valor das mercadorias.   JUROS DE MORA. SELIC. LEGALIDADE.   Nos lançamentos de ofício é cabível aplicação dos juros de mora com  base na taxa Selic, nos termos da legislação vigente.   Assunto:  Normas  Gerais  de  Direito  Tributário  Processo  10920.720220/2016­09 Acórdão n.º 11­054.569 DRJ/REC Fls. 2.832 2  Período  de  apuração:  01/01/2011  a  31/12/2011  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CINCO  ANOS.  DOLO.  TERMO INICIAL DO PRAZO QUINQUENAL DESLOCADO PARA  O INÍCIO DO ANO SEGUINTE AO DO FATO GERADOR.   O  prazo  para  a  Fazenda  constituir  o  crédito  tributário  de  tributos  submetidos  ao  lançamento  por  homologação,  como  o  IPI,  é  de  cinco  anos,  começando  a  contagem  do  quinquênio,  regra  geral,  do  fato  gerador, na forma do art. 150, § 4º, do CTN. Todavia, no caso de dolo o  termo  inicial  é  deslocado  para  o  primeiro  dia  do  ano  seguinte,  nos  termos do art. 173, I, do mesmo Código.   RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  PESSOA  JURÍDICA  ENVOLVIDA  EM  FRAUDE.  CONLUIO.  ART.  124,  I,  DO  CTN.  SOLIDARIEDADE DE FATO.   A  solidariedade  de  fato,  prevista  no  art.  124,  I,  do Código Tributário  Nacional, atinge a pessoa jurídica que, mediante fraude, contribui para  reduzir tributo de outra empresa, com ela conluiada.   RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  ADMINISTRADORES.  DOLO  CARACTERIZADO.  CTN,  ART.  135,  III.  INCLUSÃO  NO  POLO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA.   Caracterizado o dolo, por estar comprovada a utilização de notas fiscais  sem  a  efetiva  saída  de  mercadorias,  em  simulação  visando  reduzir  o  recolhimento  de  tributo  e  permitir  informações  inverídicas  à  Receita  Federal, os administradores da pessoa jurídica também respondem pela  obrigação tributária, de modo solidário e sem benefício de ordem, nos  termos do art. 135, III, do Código Tributário Nacional.   Assunto:  Processo  Administrativo  Fiscal  Período  de  apuração:  01/01/2011  a  31/12/2011  ALEGAÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE OU  ILEGALIDADE. MATÉRIA DE  COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO.   Argüições  de  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade  constituem matéria  de  competência  exclusiva  do  Poder  Judiciário,  não  sendo  utilizadas  como fundamento em decisões deste Colegiado.   Fl. 3046DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.047            18 AUTOS  DE  INFRAÇÃO  CONTENDO  AS  MATÉRIAS  TRIBUTADAS  E  RESPECTIVOS  ENQUADRAMENTOS  LEGAIS.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA  NÃO  CARACTERIZADO. NULIDADE REJEITADA.   Não caracteriza a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade  dos lançamentos, os autos de infração que atendem ao disposto no art.  10 do Decreto nº 70.235/72, identificam as matérias tributadas e contêm  os  Processo  10920.720220/2016­09  Acórdão  n.º  11­054.569  DRJ/REC  Fls.  2.833  3  enquadramentos  legais  correlatos,  demonstrando  com  clareza  as  exigências.   Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido  Foram apresentados Recursos Voluntários, conforme se verifica às. fls. 2.880 e  seguintes.   É o relatório.  Voto   Conselheira Liziane Angelotti Meira ­ Relatora.  Observa­se que, em decorrência dos mesmos fatos, foram lançados IRPJ, CSLL  e IPI, conforme se verifica no Termo de Verificação Fiscal. Transcreve­se trecho (fl. 20/22):  Trata  o  presente  trabalho  de  procedimento  fiscal  para  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  tributárias  relativas  a  IRPJ,  CSLL,  IPI,  PIS e COFINS pelo contribuinte supracitado nos períodos de apuração  entre janeiro e dezembro de 2011.  Este  procedimento  individual  fez  parte  de  amplo  trabalho  de  fiscalização  que  envolveu,  além  da  empresa  Dioxyl  Revestimentos  Químicos Ltda. tratada neste Termo, as seguintes empresas: Evolution  Comercial  Exportadora  Ltda.  (CNPJ  05.699.094/0001­52,  MPF  n.'  09.2.02.00­  2014­00323­2),  Arueira  Madeiras  Ltda.  ME  (CNPJ  13.006.498/0001­41,  MPF  n.'  09.2.02.00­2014­  00324­0),  Biomade  Resíduos  Florestais  Ltda.  EPP  (CNPJ  08.149.693/0001­90,  MPF  n.'  09.2.02.00­  2014­00325­9),  Norte  Sul  Comércio  de  Madeiras  e  Materiais de Construção Ltda. ME (CNPJ 00.557.239/0001­67, MPF n.'  09.2.02.00­2014­00326­7),  Madesul  Madeira  Ltda.  ME  (CNPJ  07.167.503/0001­03,  MPF  n.'  09.2.02.00­2015­00110­1),  Ambiente  Indústria e Comércio de Móveis Ltda. ME (CNPJ 09.512.098/0001­30,  MPF  n.'  09.2.02.00­2015­00111­0), GS Comércio  e Representação  de  Madeira  Ltda.  ME  (CNPJ  58.289.828/0001­91,  MPF  n.'  09.2.02.00­ 2015­00112­ 8), Renari Móveis Ltda. ME (CNPJ 03.838.196/0001­86,  MPF n.' 09.2.02.00­2015­00114­4), Harmony Móveis Ltda. EPP (CNPJ  83.162.966/0001­52, MPF  n.'  09.2.02.00­2015­00115­2),  J4 Madeiras  Ltda. ME (CNPJ 08.531.880/0001­34, MPF n.' 09.2.02.00­2015­00118­ 7), Rodomoveis Transportes e Madeiras Ltda. (CNPJ 76.816.792/0001­ 39,  MPF  n.'  09.2.02.00­2014­00385­2  e  09.2.02.00­2015­00054­7)  e  Transportes Rodomovel Ltda. – EPP (CNPJ 07.525.465/0001­05, MPF  n.'  09.2.02.00­2014­00384­4  e  09.2.02.00­2015­00055­5),  além  das  Fl. 3047DF CARF MF Original Processo nº 10920.720220/2016­09  Resolução nº  3301­001.009  S3­C3T1  Fl. 3.048            19 pessoas físicas Humberto Barbosa Lima (CPF 005.076.249­47, MPF n.'  09.2.02.00­2015­00200­0)  e  Afonso  Henrique  Maia  Bastos  (CPF  743.337.559­72, MPF n.' 09.2.02.00­2015­00201­9).  (...)  Detectaram­se diversas infrações à  legislação tributária que resultaram  em lançamentos de ofício contra Dioxyl Revestimentos Químicos Ltda.  com  responsabilidade  solidária  de  Evolution  Comercial  Exportadora  Ltda.,  Humberto Barbosa Lima  e Afonso Henrique Maia Bastos,  por  terem  interesse  comum  e  estarem  diretamente  envolvidos  em  fatos  verificados  no  decorrer  da  ação  fiscal,  materializados  nos  processos  administrativos  no  10920.720221/2016­45  (IRPJ/CSLL)  e  10920.720220/2016­09 (IPI).  Colacionam­se as determinações do RICARF aplicáveis ao presente caso:  Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando­ se a seguinte disciplina:   §1º Os processos podem ser vinculados por:   I  ­  conexão,  constatada  entre  processos  que  tratam  de  exigência  de  crédito  tributário  ou  pedido  do  contribuinte  fundamentados  em  fato  idêntico,  incluindo  aqueles  formalizados em face de diferentes sujeitos passivos;   (...)  Art.  2º  À  1ª  (primeira)  Seção  cabe  processar  e  julgar  recursos  de  ofício  e  voluntário  de  decisão  de  1ª  (primeira)  instância  que  versem  sobre  aplicação  da  legislação  relativa (...)  IV  ­  CSLL,  IRRF,  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  ou  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins),  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do 24 IRPJ,  formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº  152, de 2016) (grifou­se)  Em razão do exposto, voto no sentido de declinar competência para a 1a Seção  do CARF, por se tratar de processo de competência dessa Seção, nos termos dos arts. 6o e 2o,  IV, do RICARF.    (assinado digitalmente)  Liziane Angelotti Meira      Fl. 3048DF CARF MF Original

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11272095 #
Numero do processo: 10935.725462/2018-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3402-004.323
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem intime a Recorrente para tomar as seguintes providências: (i) comprovar o processo produtivo indicado pela defesa, bem como a utilização das máquinas e equipamentos nos quais foram utilizados os bens e serviços que deram origem ao crédito pleiteado a título de depreciação; (ii) demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, a participação dos itens identificados como bens (partes e peças) e serviços de manutenção em cada etapa do processo produtivo, bem como o tempo de vida útil de tais itens, esclarecendo sobre a necessidade de tais itens e se há alguma contribuição quanto ao aumento de vida útil das máquinas ou equipamentos aos quais são aplicados e cujas manutenções são realizadas (em quanto tempo); (iii) elaborar planilha de cálculo da depreciação equivalente a parcela de cada item, se for o caso, indicando detalhadamente a metodologia de cálculo adotada para cada bem e a respectiva fundamentação legal; (iv) demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, o enquadramento das despesas (bens e serviços) que deram origem aos créditos glosados pela Fiscalização e mantidos pela DRJ, bem como a utilização em seu processo produtivo, considerando o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, delimitados no r. voto da Eminente Ministra Regina Helena Costa em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, bem como na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, e Parecer Normativo Cosit nº 5, de17 de dezembro de 2018; (v) comprovar o direito creditório com relação aos fretes sobre compras sem a identificação do documento da carga, tendo em vista o argumento de rastreabilidade plena (notas fiscais correlatas, ordens de compra, registros internos de entrada, tickets de balança e mapeamento logístico interno); e (vi) comprovar as devoluções de vendas sujeitas à incidência não cumulativa e as razões pelas quais ocorreram tais evoluções. Com a comprovação acima, deverá a unidade de origem elaborar Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nesta Resolução, manifestando-se sobre os documentos apresentados pela Recorrente, bem como recalcular as apurações, caso necessário. Cumprida a diligência, a unidade de origem deverá intimar a Recorrente para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos a este Colegiado, com ou sem manifestação da parte, para que se dê prosseguimento ao julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402-004.316, de 10 de dezembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10935.725494/2018-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Anselmo Messias Ferraz Alves, Mariel Orsi Gameiro, José de Assis Ferraz Neto, Larissa Cassia Favaro Boldrin (substituta integral), Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: ARNALDO DIEFENTHAELER DORNELLES

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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem intime a Recorrente para tomar as seguintes providências: (i) comprovar o processo produtivo indicado pela defesa, bem como a utilização das máquinas e equipamentos nos quais foram utilizados os bens e serviços que deram origem ao crédito pleiteado a título de depreciação; (ii) demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, a participação dos itens identificados como bens (partes e peças) e serviços de manutenção em cada etapa do processo produtivo, bem como o tempo de vida útil de tais itens, esclarecendo sobre a necessidade de tais itens e se há alguma contribuição quanto ao aumento de vida útil das máquinas ou equipamentos aos quais são aplicados e cujas manutenções são realizadas (em quanto tempo); (iii) elaborar planilha de cálculo da depreciação equivalente a parcela de cada item, se for o caso, indicando detalhadamente a metodologia de cálculo adotada para cada bem e a respectiva fundamentação legal; (iv) demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, o enquadramento das despesas (bens e serviços) que deram origem aos créditos glosados pela Fiscalização e mantidos pela DRJ, bem como a utilização em seu processo produtivo, considerando o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, delimitados no r. voto da Eminente Ministra Regina Helena Costa em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, bem como na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, e Parecer Normativo Cosit nº 5, de17 de dezembro de 2018; (v) comprovar o direito creditório com relação aos fretes sobre compras sem a identificação do documento da carga, tendo em vista o argumento de rastreabilidade plena (notas fiscais correlatas, ordens de compra, registros internos de entrada, tickets de balança e mapeamento logístico interno); e (vi) comprovar as devoluções de vendas sujeitas à incidência não cumulativa e as razões pelas quais ocorreram tais evoluções. Com a comprovação acima, deverá a unidade de origem elaborar Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nesta Resolução, manifestando-se sobre os documentos apresentados pela Recorrente, bem como recalcular as apurações, caso necessário. Cumprida a diligência, a unidade de origem deverá intimar a Recorrente para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos a este Colegiado, com ou sem manifestação da parte, para que se dê prosseguimento ao julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402-004.316, de 10 de dezembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10935.725494/2018-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Anselmo Messias Ferraz Alves, Mariel Orsi Gameiro, José de Assis Ferraz Neto, Larissa Cassia Favaro Boldrin (substituta integral), Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).

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Com a comprovação acima, deverá a unidade de origem elaborar Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nesta Resolução, manifestando-se sobre os documentos apresentados pela Recorrente, bem como recalcular as apurações, caso necessário. Cumprida a Fl. 14469DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.323 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.725462/2018-83 2 diligência, a unidade de origem deverá intimar a Recorrente para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos a este Colegiado, com ou sem manifestação da parte, para que se dê prosseguimento ao julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402-004.316, de 10 de dezembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10935.725494/2018-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Anselmo Messias Ferraz Alves, Mariel Orsi Gameiro, José de Assis Ferraz Neto, Larissa Cassia Favaro Boldrin (substituta integral), Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2017 a 30/06/2017 NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. O conceito de insumos para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da COFINS, conforme o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA AO PROCESSO PRODUTIVO. Fl. 14470DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.323 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.725462/2018-83 3 Para haver a aplicação das teses do repetitivo REsp. 1.221.170 - PR, onde foi definido o conceito de insumos para fins de creditamento nas contribuições ao PIS/Pasep e COFINS não cumulativos, é preciso que a empresa que deseja enquadrar determinado bem ou serviço como insumo: 1º) Demonstre que realiza qualquer processo produtivo de bens destinado a venda ou prestação de serviços; e 2º) Demonstre que esse bem ou serviço é aplicado direta ou indiretamente no processo produtivo ou prestação de serviços; e 3º) Demonstre que esse bem ou serviço é essencial ao processo produtivo ou prestação de serviços. Além disso, o creditamento do valor relativo ao bem ou serviço não pode ser objeto de nenhuma outra vedação ou autorização legal específicas. NÃO CUMULATIVIDADE. GASTOS POSTERIORES AO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. O processo de produção de bens encerra-se, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindo-se do conceito de insumo bens e/ou serviços utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. PALETES E DEMAIS PRODUTOS UTILIZADOS EM EMBALAGEM DESTINADA AO TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE. As embalagens que não são utilizadas no processo produtivo, mas apenas ao final desse ciclo, destinando-se tão-somente ao transporte não geram, por conseguinte, direito ao crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES PARA FORMAÇÃO DE LOTES DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com transporte para a formação de lote de exportação, não se caracterizam como insumos, por serem suportados em momento posterior à etapa da produção dos bens ou da prestação dos serviços, estando alheio ao dispositivo legal que somente autoriza o crédito de bens e serviços utilizados na produção; e não se enquadram no conceito de frete na operação de venda. NÃO CUMULATIVIDADE. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DEPRECIAÇÃO. O aproveitamento de créditos de PIS/Pasep e COFINS decorrente de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado restringe-se àqueles adquiridos ou construídos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, o que não contempla a depreciação daqueles utilizados nas demais áreas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2017 a 30/06/2017 MATÉRIA NÃO ALEGADA. PRECLUSÃO. Fl. 14471DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.323 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.725462/2018-83 4 A matéria que não for expressamente contestada torna-se definitiva na esfera administrativa. A Contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância, apresentando o Recurso Voluntário solicitando o provimento para o fim de que seja revertida a integridade das glosas pleiteadas neste processo. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, bem como preenche os requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Necessidade de nova conversão do julgamento em diligência Conforme relatório, versa o presente litígio sobre Pedido de Ressarcimento de crédito de COFINS referente ao 2º trimestre de 2018, reconhecido parcialmente através do Despacho Decisório proferido pela DRF Cascavel. Em controvérsia estão créditos relativos a:  paletes e material de embalagem de papelão;  fretes para formação de lotes de exportação;  fretes sobre compras sem descrição da carga;  depreciação de máquinas em unidades tidas pela DRJ como “não produtoras”;  itens classificados como revendas monofásicas;  armazenagem e frete na operação de venda;  devoluções e máquinas em áreas de expedição. Consta nas razões recursais que a Recorrente tem como objeto social as seguintes atividades: Fl. 14472DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.323 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.725462/2018-83 5 Igualmente em razões recursais, a defesa expõe a forma como desenvolve suas atividades de abate e industrialização de aves, assim sintetizado: Com relação aos créditos originados da depreciação de máquinas e equipamentos, segundo a fiscalização, foram glosados os valores referentes à depreciação de máquinas e equipamentos não utilizados na produção de bens destinados à venda, por estarem vinculados a estabelecimentos sem atividade produtiva, como supermercados, administração central e centrais de distribuição, conforme o CNAE informado pela interessada. A Contribuinte, entretanto, sustenta que os referidos bens são empregados em suas unidades recebedoras de grãos, que integram o processo industrial da cooperativa, pois nelas são realizados procedimentos de classificação, limpeza, padronização e armazenagem dos grãos recebidos dos cooperados, visando à obtenção de matéria-prima para fabricação de ração e posterior comercialização. Fl. 14473DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.323 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.725462/2018-83 6 Sustenta, ainda, que essas operações não se limitam a mero beneficiamento ou logística: representam etapas essenciais do processo produtivo, agregando valor econômico e garantindo a qualidade exigida pelo mercado. Diante da especificidade da cadeia produtiva da Recorrente, bem como considerando a premissa adotada pela DRJ ao negar o direito creditório por entender que as máquinas e os equipamentos relacionados à glosa promovida pela fiscalização não são destinados à produção de bens destinados à venda e, ainda, diante dos esclarecimentos prestados pela defesa, em necessária atenção à verdade material, entendo que cabe oportunizar a apresentação de laudo pericial, comprovando as alegações com relação ao processo produtivo em referência. Da mesma forma, uma vez comprovada a utilização das máquinas e equipamentos no processo produtivo, deve a Unidade Preparadora proceder à análise acerca da natureza dos itens identificados como partes e peças integrantes do ativo imobilizado, verificando-se, ainda, o respectivo tempo de vida útil. Caberá esclarecer se tais itens efetivamente contribuem para a ampliação da vida útil ou para a manutenção das condições operacionais das máquinas e equipamentos aos quais são aplicados. Outrossim, considerando que as atividades sob análise compreende alimentos para consumo humano, passando desde a criação, abate, industrialização de produtos de origem animal, com transportes realizados até comercialização para consumidor final (ou até o porto para a posterior exportação das mercadorias) e, por sua vez, considerando a premissa adotada pela Fiscalização e exposta em Relatório Fiscal, entendo que não ocorreu detida e individualizada avaliação dos insumos próprios do segmento da empresa Recorrente, tampouco a segregação dos bens e serviços indicados como insumos em cada etapa desenvolvida. Observo que o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, pelo qual o Egrégio Superior Tribunal de Justiça concluiu que, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma do artigo 3º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, conforme a imprescindibilidade ou a importância de determinado item (bem ou serviço) para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Para análise sobre os critérios da essencialidade e relevância, destaco o voto da Eminente Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considera-se o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância - considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à Fl. 14474DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.323 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.725462/2018-83 7 prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. (sem destaques no texto original) Outrossim, ao tratar sobre o conceito de insumo definido pelo Eg. STJ, o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 5/2018 abordou os gastos com frete posteriores ao processo produtivo da seguinte forma: 17. Das transcrições dos excertos fundamentais dos votos dos Ministros que adotaram a tese vencedora resta evidente e incontestável que somente podem ser considerados insumos itens relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros, o que não abarca itens que não estejam sequer indiretamente relacionados com tais atividades. 18. Deveras, essa conclusão também fica patente na análise preliminar que os Ministros acordaram acerca dos itens em relação aos quais a recorrente pretendia creditar-se. Por ser a recorrente uma indústria de alimentos, os Ministros somente consideraram passíveis de enquadramento no conceito de insumos dispêndios intrinsecamente relacionados com a industrialização (“água, combustível, materiais de exames laboratoriais, materiais de limpeza e (...) equipamentos de proteção individual – EPI”), excluindo de plano de tal conceito itens cuja utilidade não é aplicada nesta atividade (“veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (...), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões”). 19. Prosseguindo, verifica-se que a tese acordada pela maioria dos Ministros foi aquela apresentada inicialmente pela Ministra Regina Helena Costa, segundo a qual o conceito de insumos na legislação das contribuições deve ser identificado “segundo os critérios da essencialidade ou relevância”, explanados da seguinte maneira por ela própria (conforme transcrito acima): a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Fl. 14475DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.323 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.725462/2018-83 8 20. Portanto, a tese acordada afirma que são insumos bens e serviços que compõem o processo de produção de bem destinado à venda ou de prestação de serviço a terceiros, tanto os que são essenciais a tais atividades (elementos estruturais e inseparáveis do processo) quanto os que, mesmo não sendo essenciais, integram o processo por singularidades da cadeia ou por imposição legal. 21. O teste de subtração proposto pelo Ministro Mauro Campbell, segundo o qual seriam insumos bens e serviços “cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes” (fls 62 do inteiro teor do acórdão), não consta da tese acordada pela maioria dos Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, malgrado possa ser utilizado como uma importante ferramenta indiciária na identificação da essencialidade ou relevância de determinado item para o processo produtivo. Vale destacar que a aplicação do aludido teste, mesmo subsidiária, deve levar em conta os comentários feitos nos parágrafos 15 a 18 quando do teste resultar a obstrução da atividade da pessoa jurídica como um todo. 22. Diante da abrangência do conceito formulado na decisão judicial em comento e da inexistência nesta de vinculação a conceitos contábeis (custos, despesas, imobilizado, intangível, etc.), deve-se reconhecer esta modalidade de creditamento pela aquisição de insumos como a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas. 23. Ademais, observa-se que talvez a maior inovação do conceito estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça seja o fato de permitir o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados, como vinha sendo interpretado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 24. Nada obstante, salienta-se que o processo de produção de bens, em regra, encerra-se com a finalização das etapas produtivas do bem e que o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente. Consequentemente, os bens e serviços empregados posteriormente à finalização do processo de produção ou de prestação não são considerados insumos, salvo exceções justificadas, como ocorre com a exceção abordada na seção GASTOS APÓS A PRODUÇÃO relativa aos itens exigidos pela legislação para que o bem ou serviço produzidos possam ser comercializados. (...) 5. GASTOS POSTERIORES À FINALIZAÇÃO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO OU DE PRESTAÇÃO 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra Fl. 14476DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.323 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.725462/2018-83 9 somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo- se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. 57. Nada obstante, deve-se salientar que, por vezes, a legislação específica de alguns setores exige a adoção pelas pessoas jurídicas de medidas posteriores à finalização da produção do bem e anteriores a sua efetiva disponibilização à venda, como ocorre no caso de exigência de testes de qualidade a serem realizados por terceiros (por exemplo o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – Inmetro), aposição de selos, lacres, marcas, etc., pela própria pessoa jurídica ou por terceiro. 58. Nesses casos, considerando o quanto comentado na seção anterior acerca da ampliação do conceito de insumos na legislação das contribuições efetuada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça em relação aos bens e serviços exigidos da pessoa jurídica pela legislação específica de sua área de atuação, conclui-se que tais itens são considerados insumos desde que sejam exigidos para que o bem ou serviço possa ser disponibilizado à venda ou à prestação. 59. Assim, conclui-se que, em regra, somente são considerados insumos bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica durante o processo de produção de bens ou de prestação de serviços, excluindo-se de tal conceito os itens utilizados após a finalização do produto para venda ou a prestação do serviço. Todavia, no caso de bens e serviços que a legislação específica exige que a pessoa jurídica utilize em suas atividades, a permissão de creditamento pela aquisição de insumos estende-se aos itens exigidos para que o bem produzido ou o serviço prestado possa ser disponibilizado para venda, ainda que já esteja finalizada a produção ou prestação. Diante das razões acima, entendo que os créditos originados da aquisição de bens (paletes de madeira e material para embalagem de papelão) e serviços utilizados como insumos, entendo que deve ser oportunizado à Recorrente a comprovação da essencialidade e relevância de referidas despesas, bem como se há o enquadramento no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 5/2018, inclusive sobre eventual exigência legal sanitária e/ou indispensabilidade para a conformidade regulatória (MAPA, SIF, DIPOA). Por fim, considerando a diligência proposta com relação aos itens acima, em homenagem à verdade material, igualmente oportuniza-se à Contribuinte a comprovação do direito creditório com relação aos fretes sobre compras sem a Fl. 14477DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.323 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.725462/2018-83 10 identificação do documento da carga, tendo em vista o argumento de rastreabilidade plena (notas fiscais correlatas, ordens de compra, registros internos de entrada, tickets de balança e mapeamento logístico interno), bem como às devoluções de vendas sujeitas à incidência não cumulativa, tendo em vista o argumento de que tais devoluções ocorreram em razão de exigências sanitárias. Para tanto, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, proponho a conversão do julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade de Origem intime a Recorrente para, dentro de prazo razoável, tome as seguintes providências: (i) Comprovar o processo produtivo indicado pela defesa, bem como a utilização das máquinas e equipamentos nos quais foram utilizados os bens e serviços que deram origem ao crédito pleiteado a título de depreciação; (ii) Demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, a participação dos itens identificados como bens (partes e peças) e serviços de manutenção em cada etapa do processo produtivo, bem como o tempo de vida útil de tais itens, esclarecendo sobre a necessidade de tais itens e se há alguma contribuição quanto ao aumento de vida útil das máquinas ou equipamentos aos quais são aplicados e cujas manutenções são realizadas (em quanto tempo); (iii) Elaborar planilha de cálculo da depreciação equivalente a parcela de cada item, se for o caso, indicando detalhadamente a metodologia de cálculo adotada para cada bem e a respectiva fundamentação legal; (iv) Demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, o enquadramento das despesas (bens e serviços) que deram origem aos créditos glosados pela Fiscalização e mantidos pela DRJ, bem como a utilização em seu processo produtivo, considerando o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, delimitados no r. voto da Eminente Ministra Regina Helena Costa em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, bem como na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, e Parecer Normativo Cosit nº 5, de17 de dezembro de 2018; (v) Comprovar o direito creditório com relação aos fretes sobre compras sem a identificação do documento da carga, tendo em vista o argumento de rastreabilidade plena (notas fiscais correlatas, ordens de compra, registros internos de entrada, tickets de balança e mapeamento logístico interno); (vi) Comprovar as devoluções de vendas sujeitas à incidência não cumulativa e as razões pelas quais ocorreram tais evoluções; (vii) Com a comprovação acima, deverá a Unidade Preparadora elaborar Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nesta Resolução, manifestando sobre os documentos apresentados pela Recorrente, bem como recalcular as apurações, caso necessário; (viii) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Após cumprida a diligência, com ou sem manifestação da parte, retornem os autos para julgamento. Fl. 14478DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.323 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.725462/2018-83 11 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem intime a Recorrente para tomar as seguintes providências: (i) comprovar o processo produtivo indicado pela defesa, bem como a utilização das máquinas e equipamentos nos quais foram utilizados os bens e serviços que deram origem ao crédito pleiteado a título de depreciação; (ii) demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, a participação dos itens identificados como bens (partes e peças) e serviços de manutenção em cada etapa do processo produtivo, bem como o tempo de vida útil de tais itens, esclarecendo sobre a necessidade de tais itens e se há alguma contribuição quanto ao aumento de vida útil das máquinas ou equipamentos aos quais são aplicados e cujas manutenções são realizadas (em quanto tempo); (iii) elaborar planilha de cálculo da depreciação equivalente a parcela de cada item, se for o caso, indicando detalhadamente a metodologia de cálculo adotada para cada bem e a respectiva fundamentação legal; (iv) demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, o enquadramento das despesas (bens e serviços) que deram origem aos créditos glosados pela Fiscalização e mantidos pela DRJ, bem como a utilização em seu processo produtivo, considerando o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, delimitados no r. voto da Eminente Ministra Regina Helena Costa em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, bem como na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, e Parecer Normativo Cosit nº 5, de17 de dezembro de 2018; (v) comprovar o direito creditório com relação aos fretes sobre compras sem a identificação do documento da carga, tendo em vista o argumento de rastreabilidade plena (notas fiscais correlatas, ordens de compra, registros internos de entrada, tickets de balança e mapeamento logístico interno); e (vi) comprovar as devoluções de vendas sujeitas à incidência não cumulativa e as razões pelas quais ocorreram tais evoluções. Com a comprovação acima, deverá a unidade de origem elaborar Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nesta Resolução, manifestando-se sobre os documentos apresentados pela Recorrente, bem como recalcular as apurações, caso necessário. Cumprida a diligência, a unidade de origem deverá intimar a Recorrente para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos a este Colegiado, com ou sem manifestação da parte, para que se dê prosseguimento ao julgamento. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator Fl. 14479DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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Numero do processo: 12448.720744/2012-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual - DAA os valores comprovadamente pagos, ao longo do ano-calendário, a título de despesas médicas tendo em vista os documentos de prova constantes dos autos. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material, admitindo-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo dos contribuintes, ainda que apresentada a destempo, desde que reúna condições para demonstrar a verdade real dos fatos.
Numero da decisão: 2001-007.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a glosa relativa a despesas médicas da base de cálculo do Imposto de Renda no valor de R$ 23.889,23. Assinado Digitalmente Lílian Cláudia de Souza – Relatora Assinado Digitalmente Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Marne Dias Alves (substituto integral), Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Cleber Ferreira Nunes Leite (substituto integral), Lílian Cláudia de Souza, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente). Ausente o conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, substituído pelo conselheiro Carlos Marne Dias Alves.
Nome do relator: LILIAN CLAUDIA DE SOUZA

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DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual - DAA os valores comprovadamente pagos, ao longo do ano-calendário, a título de despesas médicas tendo em vista os documentos de prova constantes dos autos. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material, admitindo-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo dos contribuintes, ainda que apresentada a destempo, desde que reúna condições para demonstrar a verdade real dos fatos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a glosa relativa a despesas médicas da base de cálculo do Imposto de Renda no valor de R$ 23.889,23. Assinado Digitalmente Lílian Cláudia de Souza – Relatora Assinado Digitalmente Fl. 215DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.951 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.720744/2012-16 2 Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Marne Dias Alves (substituto integral), Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Cleber Ferreira Nunes Leite (substituto integral), Lílian Cláudia de Souza, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente). Ausente o conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, substituído pelo conselheiro Carlos Marne Dias Alves. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos desde a autuação até o julgamento da impugnação, valho- me do relatório da decisão da DRJ: “Trata-se de Notificação de Lançamento acostada às fls. 8/15, lavrada em nome do contribuinte acima identificado, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física do ano calendário 2009, exercício 2010, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$16.898,53, acrescido de juros de mora e multa de ofício. O lançamento decorreu da constatação de omissão de rendimentos, no valor de R$9.300,00, e da glosa de dedução relativa à despesa com instrução, no valor de R$2.708,94, e à despesa médica, no importe de R$50.100,27, estas por falta de comprovação. Cientificado do lançamento em 21/12/2011 (fl. 116), o contribuinte, por intermédio de seus procuradores, apresentou a impugnação de fls. 2/7, em 21/01/2012 (fl.2). Alega nulidade do processo por cerceamento de defesa, sob o argumento de que a autuação fundamentou-se em presunções não previstas em lei, que importaram na reversão do ônus da prova, além de o relatório fiscal somente arrolar diversos artigos do Regulamento do Imposto de Renda para enquadrar a infração cometida, o que é inadmissível. No mérito, salienta que a autoridade fiscal, sob singela conclusão, impôs ao contribuinte glosas diversas, sem sequer esclarecer os motivos que poderiam dar ensejo à tamanha arbitrariedade. Diz que não foram levados em consideração os esclarecimentos, tampouco os documentos, apresentados no decorrer do procedimento fiscal. Entende que faz jus ao restabelecimento da cifra de R$8.126,82 a título de despesas com instrução de seus três filhos, conforme evidenciam os documentos fornecidos pelas Faculdades Católicas PUC, Veris Educacional S.A. (IBMEC) e The British School (Escola Britânica do Rio de Janeiro). Ressalta que a auditora fiscal não esclareceu quais as despesas de instrução foram efetivamente glosadas e o porquê de os recibos escolares entregues a ela não serviram para os fins propostos. Insurge-se, ainda, contra a glosa das despesas médicas, assegurando que os gastos foram efetivados e que, por mais uma vez, as cópias dos recibos questionados pela fiscalização estão sendo apresentadas. Enumera os valores deduzidos e os respectivos prestadores dos serviços. Adverte que também não foi especificado a origem e a data do recebimento dos rendimentos considerados omitidos, o que inviabiliza sua defesa. Requer que, ultrapassada a preliminar de cerceamento de defesa, que o presente auto de infração seja julgado insubsistente, por absoluta ausência de fundamento legal.” Fl. 216DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.951 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.720744/2012-16 3 Decisão da DRJ de fls. 124/128 julgou, por unanimidade, parcialmente procedente a impugnação em acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Verificada a omissão de rendimentos, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, de ofício, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor da renda omitida. DESPESAS COM INSTRUÇÃO E MÉDICAS. DEDUÇÃO PARCIAL. As despesas previstas em lei, relativas ao contribuinte ou a seu dependente, acompanhadas de documentação hábil e idônea, devem ser restabelecidas até o montante comprovado dos gastos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Recurso voluntário de fls. 141/204 se insurge apenas quanto a glosa de valores relacionados a despesas médicas, dentre eles:  R$23.889,23 – valor pago ao Bradesco Seguros por meio de reembolsos ao escritório J. G. Garcia de Souza Advogados – do qual é sócio;  R$ 100,00 – Dr. Paulo Gusmão – por se tratar de médico nutrólogo;  Despesas relativas a 03 recibos – Dra. Maria Amélia Bogea que foram considerados ilegíveis pela decisão da DRJ;  Despesas relativas ao laboratório Sérgio Franco – trouxe recibos e boletos do cartão de crédito para comprovar a realização do pagamento;  Quando a despesa relativa ao profissional Dr. Michel Simoni, alega não ter localizado o original dado o tempo decorrido; Às fls. 212/214 é apresentada petição requerendo a tramitação prioritária do processo administrativo por se tratar de idoso. É o relatório. VOTO Conselheira Lílian Cláudia de Souza, Relatora I – ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Antes de adentrar ao mérito, é fundamental aferir o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo. Fl. 217DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.951 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.720744/2012-16 4 Referido recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos, razão pela qual, dele conheço. II – DO MÉRITO A motivação do lançamento, mantido pela DRJ para as glosas de despesas médicas relacionadas aos pagamentos realizados pela Recorrente diz respeito a ausência de sua comprovação. É ver trecho da decisão nesse sentido: “Deve ser mantida a glosa das despesas retratadas nos recibos de fls. 67, 77 e 85, emitidos pela Dra. Maria Amélia Bogea Serra Guimarães, porque se encontram ilegíveis; no Recibo de fl. 87, porque não há previsão legal para dedução de serviços prestados por nutricionista; nos discriminativos de serviços prestados pelo Laboratório Dr. Sérgio Franco (fls. 75/76), porque tais documentos não têm valor legal como recibo e a prova do respectivo pagamento não foi apresentada; nos boletos bancários de fls. 102/105, tendo em vista a falta de identificação da prestação dos serviços; e no Informe de Gastos com Plano de Saúde, fl. 50, acompanhado das faturas de fls. 51/62, uma vez que, quanto à diferença glosada de R$23.889,23 que se quer ver aceita, não foi demonstrado que o contribuinte tenha suportado o ônus desse desembolso. A Declaração de fl. 18, por si só, não prova a efetiva transferência do citado valor para a J.G. Garcia de Souza Advogados. Quanto à despesa declarada junto ao profissional Michael Simoni, nenhum documento foi apresentado.” Com o recurso voluntário são trazidos novos documentos de fls. 160/204. Inicialmente importante frisar que os documentos trazidos pelo sujeito passivo em sede recursal devem ser conhecidos em razão dos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório que devem se sobrepor ao formalismo processual, sobretudo quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, isso porque ao não se apreciar os documentos estaríamos embaraçando o direito do contribuinte de provar suas alegações e isso possivelmente apenas faria com que a discussão – que já se sabia ser infrutífera – seguisse na via judicial. Além disso, nos termos do Art. 149, CTN, quando a autoridade administrativa dispuser de elementos capazes de fazer com que o lançamento possa ser revisto de ofício ela poderá fazê-lo, desde que dentro do prazo decadencial. Assim, não permitir que o sujeito passivo possa, a qualquer tempo, apresentar provas de suas alegações seria, no mínimo, uma ofensa ao princípio da isonomia e da paridade de armas. No mesmo sentido, trecho de voto apresentado pelo colega e conselheiro Wilderson Botto no acórdão de nº 2001-007.705: “Nesse ponto o art. 149 do CTN, determina ao julgador administrativo realizar, de ofício, o julgamento que entender necessário, privilegiando o princípio da eficiência (art. 37, caput, CF), cujo objetivo é efetuar o controle de legalidade do lançamento fiscal, harmonizando-o com os dispositivos legais, de cunho material e processual, aplicáveis ao caso, calhando aqui, nessa ótica, por pertinente e indispensável, a análise dos documentos trazidos à colação pelo Recorrente.” Fl. 218DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.951 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.720744/2012-16 5 Assim, passemos à análise dos documentos trazidos em sede recursal. Conforme relatado, o único fundamento para a glosa dos valores deduzidos da base de cálculo do IRPF relativo a despesas médicas foi ausência de comprovação. No que tange especificamente ao valor de R$ 23.889,23 referente às despesas de plano de saúde mantido junto ao Bradesco Seguros S/A, foi comprovado, por meio dos documentos apresentados que as glosas devem ser afastadas nesse limite. Isso porque, conforme exposto em sua defesa, o recorrente é sócio do escritório J. G. Garcia de Souza Advogados – sociedade que firmou com o Bradesco Seguros o contrato de prestação de serviços médicos. A sistemática firmada foi mediante a assinatura de contrato de adesão com o Bradesco Seguros – seguro de saúde – na segmentação de reembolso de despesas médico hospitalares. Para comprovar as despesas já havia sido apresentado juntamente com a impugnação a declaração de fls. 18 – que foi novamente anexada – e às fls. 50/62 o discriminativo mensal das faturas emitidas pelo Bradesco nas quais constam o Recorrente e seus dependentes como beneficiários dos serviços médicos. Tais documentos não foram aceitos pela primeira instância sob a justificativa de que não teria restado comprovado que o contribuinte teria suportado o ônus. Assim, às fls. 160/185 foram apresentados a declaração do escritório J. G. Garcia de Souza Advogados acompanhados de documentos contábeis que comprovariam o ônus suportado: cópia do livro razão analítico da sociedade de advogados que atesta os valores pagos a título de reembolso em absoluta consonância com as faturas técnicas emitidas pelo Bradesco Saúde detalhando o uso e valores do contribuinte e de seus dependentes. Quanto às despesas relativas à profissional Maria Amélia Bogea foi mantida a glosa das despesas retratadas nos recibos de fls. 67, 77 e 85 por estarem ilegíveis. Às fls. 186/195 são novamente apresentados 10 recibos emitidos por essa profissional, sendo os 07 já aceitos pela decisão da DRJ e 03 ainda mais ilegíveis. Portanto, essas despesas não restaram comprovadas. Às fls. 196 é apresentado recibo no valor de R$ 100,00 que foi aceito pela decisão da DRJ, o que não foi aceito foi o recibo emitido pela profissional Ana Celi no valor de R$ 250,00 que expressamente menciona que os valores seriam relativos a uma consulta nutricional. O recorrente alega se tratar de médico da especialidade nutróloga, entretanto, não traz nenhuma comprovação do alegado, mantida assim a glosa. Por fim, no que concerne às despesas relativas aos serviços prestados pelo Laboratório Dr. Sérgio Franco (fls. 75/76), decisão da DRJ manteve a glosa sob a justificativa de que os documentos apresentados não teriam valor legal como recibo e a prova do respectivo pagamento não foi apresentada. Fl. 219DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.951 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.720744/2012-16 6 Às fls. 197/202 os mesmos documentos analisados pela DRJ foram apresentados. É ver que em cada um dos recibos consta a seguinte observação: “Este recibo não tem valor legal, devendo a nota fiscal ser resgatada no ato da entrega do laudo.” Assim, como nenhum outro documento foi apresentado, também deve ser mantida a glosa. III – DO DISPOSITIVO Ante o exposto, conheço do recurso, e, no mérito, DOU PARCIAL PROVIMENTO para afastar a glosa relativa a despesas médicas da base de cálculo do Imposto de Renda no valor de R$ 23.889,23. Assinado Digitalmente Lílian Cláudia de Souza Fl. 220DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 13005.720482/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3302-003.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Francisca das Chagas Lemos – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Sergio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Marco Unaian Neves de Miranda (substituto[a]integral), Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara, Lazaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCA DAS CHAGAS LEMOS

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Francisca das Chagas Lemos – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Sergio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Marco Unaian Neves de Miranda (substituto[a]integral), Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara, Lazaro Antônio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Embargos de Declaração formalizados pelo Contribuinte, opostos em desfavor do Acórdão de Recurso Voluntário n° 3302-012.300, de 22/11/2021, cuja ementa é a que segue: REGIME NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da COFINS não-cumulativa é a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, excluídas as receitas decorrentes de saídas isentas da contribuição, sujeitas à alíquota zero e as receitas decorrentes da venda de bens do ativo imobilizado. Fl. 936DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-003.090 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.720482/2010-08 2 PRECLUSÃO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A Embargante suscitou os seguintes vícios: (i) Omissão e obscuridade quanto à duplicidade de acréscimo na base de cálculo das receitas de fretes sobre revendas – duplicidade de glosa; (ii) Omissão sobre a necessidade de lançamento para acrescer os fretes à base e que o procedimento contábil adotado está em sintonia com as diretrizes emanadas pelo CPC nº 30, bem como sobre omissão sobre as cópias do Razão juntados – acréscimo dos valores de fretes por parte da Fiscalização; (iii) Obscuridade, contradição e inexatidão material ao ignorar a jurisprudência apresentada pela embargante e o escopo do próprio CARF de revisar os atos administrativos – não observância quanto a jurisprudência. Em despacho de admissibilidade em que foram analisados os argumentos da Embargante, o Presidente da 2ª Turma Ordinária, 3ª Câmara da 3ª Seção deste CARF, deu SEGUIMENTO PARCIAL aos Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte para que o colegiado aprecie as matérias relativas à (a) sanar o lapso manifesto em razão da inexistência de glosa sobre créditos extemporâneos e (b) a omissão quanto à análise da duplicidade de acréscimo na base de cálculo das receitas de fretes sobre revendas. Em Acórdão 3302-002.562, de 27.09.2023, a 2ª. Turma Ordinária resolveu converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem apure a duplicidade de cobrança alegada pela Embargante (duplicidade de acréscimo na base de cálculo das receitas de fretes sobre revendas). Além disso, o Acórdão reconheceu correto o apontamento efetuado pela Embargante, relativamente a inexistência de glosa de créditos extemporâneos. Quanto ao vício relativo 'Omissão e obscuridade quanto à duplicidade de acréscimo na base de cálculo das receitas de fretes sobre revendas', entendeu o colegiado pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem apure a duplicidade de cobrança alegada pela Embargante. O Relatório de Diligência Fiscal de 02.07.2025 (fis. 920 a 923), emitido pela Equipe de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório – EQRAT2, analisou os tópicos “Frete na venda de bens tributados à alíquota zero” e “Rateio na apropriação dos débitos”. Fl. 937DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-003.090 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.720482/2010-08 3 A Embargante, intimada do Relatório de Diligência Fiscal de 02/07/2025, providenciado em razão da Resolução nº 3302-002.562, apresentou MANIFESTAÇÃO em diligência, às fls.930-931. Acolhidos os Embargos, foram encaminhados para inclusão na pauta de julgamento, sob minha relatoria. É o relatório. VOTO Conselheira Francisca das Chagas Lemos, Relatora. I - Admissibilidade Conheço dos Embargos nos limites da admissibilidade, por serem tempestivos, tratarem de matéria de competência desta turma e cumprirem os demais requisitos exigidos. Na origem, o processo refere-se a pedido de ressarcimento de COFINS-não cumulativa – mercado interno, relativo ao 2º trimestre de 2008, montante de R$ 1.568.032,58. II - Dos argumentos da Embargante II.1. Omissão quanto ao lapso manifesto em razão da inexistência de glosa sobre créditos extemporâneos Em Acórdão 3302-002.562, de 27.09.2023, a 2ª. Turma Ordinária reconheceu correto o apontamento efetuado pela Embargante, relativamente a inexistência de glosa de créditos extemporâneos. Decidiu da seguinte forma (fls. 918): No que tange ao lapso manifesto decorrente da inexistência de glosa sobre créditos extemporâneos, entendo que a decisão embargada deve ser modificada para excluir o item 'II – Definitividade da decisão administrativa', considerando que não há discussão nos autos atinente à glosa de créditos extemporâneos. Portanto, correto o apontamento feito pela Embargante em sede recursal. Por outro lado, é importante consignar que a unidade de origem não deve considerar, para o cômputo dos créditos eventualmente deferidos, a glosa de crédito extemporâneo julgada pela DRJ. (Grifei) Fl. 938DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-003.090 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.720482/2010-08 4 Portanto, o tópico arguido pela Embargante restou sanado no Acórdão 3302- 002.562, remediando o Acordão 3302-012.300, desta Turma, de 22.11.2021, que restara omisso ao adotar a decisão de piso. Em consequência, a glosa referida deve ser afastada por se tratar de crédito de competência diversa, não sendo correto a qualificação de apropriação de crédito extemporâneo. II.2. a omissão quanto à análise da duplicidade de acréscimo na base de cálculo das receitas de fretes sobre revendas Conforme destacado no relatório, em face de pedido de conversão do julgamento em diligência, o Relatório de Diligência Fiscal de 02.07.2025 (fis. 920 a 923), emitido pela Equipe de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório – EQRAT2, analisou os tópicos “Frete na venda de bens tributados à alíquota zero” e “Rateio na apropriação dos débitos”. A manifestação da Embargante sobre o relatório de diligência, constante às fls.930- 931, consignou que o Auditor Fiscal estendeu o objeto da diligência para a análise da proporcionalização entre as receitas decorrentes das vendas no mercado interno e aquelas provenientes de exportação, tema que é pertinente aos demais processos objetos da diligência, mas que nesse já foi equacionado na primeira instância. De fato, a Embargante está com a razão. Assim, impõem-se o retorno à origem para que efetue a diligência requerida no Acórdão 3302-002.562, de 27.09.2023, em que a 2ª. Turma Ordinária resolveu converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem apure a duplicidade de cobrança alegada pela Embargante (duplicidade de acréscimo na base de cálculo das receitas de fretes sobre revendas). III - DISPOSITIVO Em razão de todo o exposto, meu voto é no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem apure a duplicidade de cobrança alegada pela embargante, relativa à duplicidade de acréscimo à base de cálculo das receitas de fretes sobre revendas. É como voto. Francisca das Chagas Lemos. Fl. 939DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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Numero do processo: 10120.733952/2018-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2015 a 31/03/2015 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIAS IMPERTIENTES À DEMANDA. NÃO CONHECIMENTO. O contencioso administrativo instaura-se com a manifestação de inconformidade, que deve ser expressa, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido especificamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação. Da mesma forma, também não devem ser conhecidas matérias impertinentes ao deslinde da controvérsia. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2015 a 31/03/2015 REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR, pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela contribuinte. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE. INSUMO SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 188 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, conforme estabelecido na Súmula CARF nº 188. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. DESPESAS PORTUÁRIAS. MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. CRÉDITO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE Segundo a súmula CARF 232, as despesas portuárias na exportação de produtos acabados não configuram insumos para fins de crédito de PIS/COFINS.
Numero da decisão: 3102-002.975
Decisão: Acordam os membros do colegiado em julgar o processo da seguinte forma: i) por unanimidade, por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias impertinentes à presente controvérsia (tópicos III. 3.1 Crédito sobre Despesas com Bens para Laboratório de Análises, Testes e Serviços de Análise de Solos e Qualidade, III. 3.2 Do Crédito sobre Combustíveis e Lubrificantes, III. 3.4 Do Crédito sobre Despesas com Bens Incorporados ao Ativo Imobilizado, III. 3.7 Do Crédito sobre Despesas com Partes e Peças de Reposição Utilizadas em Máquinas e Equipamentos (Outras Operações com Direito ao Crédito)e III. 3.8 Dos Créditos Vinculados às Receitas Suspensas – Saídas no Mercado Interno) e que não foram objeto de manifestação de inconformidade (tópico III. 3.9 Da Apropriação de Créditos Extemporâneos – Legalidade), e, na parte conhecida, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para o fim de reverter as glosas relativas aos gastos com: (a) armazenagem até o momento que o navio atraca no porto e toda soja/milho é transferida para dentro do navio; (b) com fretes devidamente comprovados, na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero; e (c) despesas com aluguel de vagões incorridas junto a Ferrolease; e ii) por voto de qualidade, para manter as glosas sobre: (a) serviços de descarregamento da soja/milho no armazém; (c) elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio; e d) fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos. Restaram vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Joana Maria de Oliveira Guimarães que davam provimento ao recurso em relação a tais itens. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102-002.967, de 14 de outubro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10120.733955/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (substituto[a]integral), Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a)Fabio Kirzner Ejchel, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, o conselheiro(a) Jorge Luis Cabral.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2015 a 31/03/2015 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIAS IMPERTIENTES À DEMANDA. NÃO CONHECIMENTO. O contencioso administrativo instaura-se com a manifestação de inconformidade, que deve ser expressa, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido especificamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação. Da mesma forma, também não devem ser conhecidas matérias impertinentes ao deslinde da controvérsia. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2015 a 31/03/2015 REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. 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SÚMULA CARF N. 188 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, Fl. 654DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 2 registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, conforme estabelecido na Súmula CARF nº 188. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. DESPESAS PORTUÁRIAS. MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. CRÉDITO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE Segundo a súmula CARF 232, as despesas portuárias na exportação de produtos acabados não configuram insumos para fins de crédito de PIS/COFINS. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado em julgar o processo da seguinte forma: i) por unanimidade, por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias impertinentes à presente controvérsia (tópicos III. 3.1 Crédito sobre Despesas com Bens para Laboratório de Análises, Testes e Serviços de Análise de Solos e Qualidade, III. 3.2 Do Crédito sobre Combustíveis e Lubrificantes, III. 3.4 Do Crédito sobre Despesas com Bens Incorporados ao Ativo Imobilizado, III. 3.7 Do Crédito sobre Despesas com Partes e Peças de Reposição Utilizadas em Máquinas e Equipamentos (Outras Operações com Direito ao Crédito)e III. 3.8 Dos Créditos Vinculados às Receitas Suspensas – Saídas no Mercado Interno) e que não foram objeto de manifestação de inconformidade (tópico III. 3.9 Da Apropriação de Créditos Extemporâneos – Legalidade), e, na parte conhecida, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para o fim de reverter as glosas relativas aos gastos com: (a) armazenagem até o momento que o navio atraca no porto e toda soja/milho é transferida para dentro do navio; (b) com fretes devidamente comprovados, na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero; e (c) despesas com aluguel de vagões incorridas junto a Ferrolease; e ii) por voto de qualidade, para manter as glosas sobre: (a) serviços de descarregamento da soja/milho no armazém; (c) elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio; e d) fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos. Restaram vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Joana Maria de Oliveira Guimarães que davam provimento ao recurso em relação a tais itens. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102- 002.967, de 14 de outubro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10120.733955/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Fl. 655DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 3 Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (substituto[a]integral), Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a)Fabio Kirzner Ejchel, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, o conselheiro(a) Jorge Luis Cabral. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2015 a 31/03/2015 MATÉRIA NÃO QUESTIONADA No âmbito do processo administrativo fiscal não se admite a negativa geral, pois a defesa deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, operando-se a preclusão processual relativamente à matéria que não tenha sido expressamente contestada na defesa apresentada. Assim, consideram-se consolidadas na esfera administrativa as glosas que não foram objeto de contestação específica. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Fl. 656DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 4 A autoridade administrativa não tem competência para apreciar alegação, ainda que indireta, de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2015 a 31/03/2015 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Conforme estabelecido no Parecer Normativo Cosit RFB n.º 5, de 2018, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. ESSENCIALIDADE. RELEVÂNCIA. O critério da essencialidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit RFB n.º 5, de 2018, requer que o bem ou serviço creditado constitua elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pela contribuinte; já o critério da relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção do sujeito passivo. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas de fretes relativos às transferências de produtos em elaboração da mesma pessoa jurídica, por serem enquadrados como insumos, geram direito ao crédito no regime não cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins. Entretanto, a contribuinte não está desonerada da comprovação de tais despesas, bem como de sua não incorporação ao custo dos bens e serviços produzidos, evitando-se a duplicidade na apuração de seu direito creditório. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Fretes relativos a transferências entre estabelecimentos da mesma empresa de produto acabado representam despesas operacionais da empresa, não podendo ser classificados como insumos. Igualmente, transferência de mercadorias entre seus estabelecimentos ou para estabelecimentos varejistas não constitui etapa de seu processo produtivo, razão pela qual o respectivo frete também não enseja crédito de PIS/Pasep e de Cofins não cumulativos. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. Os aluguéis de máquinas e equipamentos utilizados na atividade da empresa geram crédito de não-cumulatividade, não havendo restrição a que o aluguel se refira a bens utilizados no processo produtivo. Não há previsão legal para cálculo Fl. 657DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 5 do crédito em relação ao aluguel de veículos por não se incluírem nº conceito de máquinas e equipamentos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE TERRENOS. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa do PIS/PASEP e da Cofins, pode descontar créditos sobre aluguéis de terrenos utilizados nas atividades da empresa pagos a pessoa jurídica, desde que obedecidos todos os requisitos e as condições previstos na legislação. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Indefere-se o pedido de diligência ou perícia quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, bem como quando presentes elementos suficientes para a formação da convicção da autoridade julgadora. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2015 a 31/03/2015 DÉBITOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. EXIGIBILIDADE. A manifestação de inconformidade, apresentada tempestivamente contra o ato de não homologação da compensação, tem a eficácia de suspender a exigibilidade do crédito tributário, mantendo-se a suspensão da cobrança até a decisão definitiva do respectivo processo na esfera administrativa. A Agrex do Brasil S.A. interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões expostas em sede de manifestação de inconformidade e pleiteando, em breve síntese, pela reunião e julgamento em conjunto dos processos conexos e, quanto ao mérito, protesta pela reforma do v. acórdão recorrido, para que sejam julgadas improcedentes as glosas dos créditos efetuadas pela autoridade fiscal na análise do direito creditório pleiteado. Posteriormente, a recorrente junta petição na qual reitera que formulou uma série de PER/Dcomps relativos à mesma matéria (creditamento de insumos das contribuições ao PIS e da COFINS), que versam sobre os mesmos períodos de apuração e têm origem nas mesmas rubricas, tendo a auditoria fiscal gerado 134 (cento e trinta e quatro) processos administrativos para análise, com os respectivos despachos decisórios, sendo os créditos deferidos parcialmente. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão Fl. 658DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 6 paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto à tempestividade e ao mérito, ressalvado quanto à reversão da glosa de créditos calculados sobre as despesas portuárias (serviços de descarregamento da soja/milho no armazém, elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio) e ao frete na transferência de produtos entre estabelecimentos, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre com os requisitos formais de admissibilidade, devendo, por conseguinte, ser conhecido. No que se refere ao pedido de reunião dos processos conexos, para julgamento em conjunto dos Recursos Voluntários, cumpre informar que todos os processos que se encontram neste e. CARF foram distribuídos para minha relatoria e serão julgados na mesma sessão de julgamento, seja de forma autônoma seja por estarem contemplados no lote de repetitivo. Quanto às alegações tecidas nos tópicos III. 3.1 Crédito sobre Despesas com Bens para Laboratório de Análises, Testes e Serviços de Análise de Solos e Qualidade, III. 3.2 Do Crédito sobre Combustíveis e Lubrificantes, III. 3.4 Do Crédito sobre Despesas com Bens Incorporados ao Ativo Imobilizado, III. 3.7 Do Crédito sobre Despesas com Partes e Peças de Reposição Utilizadas em Máquinas e Equipamentos (Outras Operações com Direito ao Crédito) e III. 3.8 Dos Créditos Vinculados às Receitas Suspensas – Saídas no Mercado Interno, deixo de conhecê- las em razão da total impertinência com o presente processo, uma vez que tais matérias não foram objeto do Relatório de Auditoria que embasa o Despacho Decisório, tampouco da Manifestação de Inconformidade e/ou do v. acórdão recorrido. No que se refere às alegações tecidas no tópico III. 3.9 Da Apropriação de Créditos Extemporâneos – Legalidade também deixo de conhecê-las, por se tratar de matéria que não foi objeto de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, considera-se não impugnada, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.23/72, conforme já reconhecido pelo v. acórdão recorrido. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente se limita a afirmar que “nas linhas iniciais referendou a sua discordância a esta glosa”, entretanto, não se verifica qualquer menção expressa aos créditos extemporâneos na Manifestação de Inconformidade. Por outro lado, conheço das matérias propostas nos tópicos III.3.3 Do Crédito sobre Despesas com Arrendamento Mercantil (FERROLEASE S/A), III. 3.5 Do Direito ao Crédito sobre Despesas com Fretes a) Fretes Internos e b) Fretes com Produtos Alíquota Zero, e III. 3.6 Do Crédito sobre Despesas com Serviços Portuários/Aduaneiros – Elevação Portuária, por tratar de matérias que foram Fl. 659DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 7 objeto de manifestação de inconformidade e apreciação pelo v. acórdão recorrido. No mérito, considerando que 91 processos conexos ao presente já foram julgados conjuntamente pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção, deste e. CARF, oportunidade na qual questões de mérito idênticas às atinentes a presente demanda foram devidamente dirimidas, transcrevo parcialmente os fundamentos do v. acórdão nº 3302-014.610, de lavra da i. Conselheira Marina Righi Rodrigues Lara, que bem analisaram a matéria, os quais adoto como razões para decidir, conforme autorizado pelo artigo 50, §1º, da Lei nº 9.784/99: [...] Antes de se adentrar especificamente em cada um dos itens mencionados, revelam- se necessárias algumas considerações iniciais sobre o tema. Recentemente, em sede de repercussão geral, na ocasião do julgamento do RE nº 841.979/PE, o STF reconheceu a autonomia do legislador ordinário para disciplinar a não-cumulatividade das contribuições sociais estabelecido no art. 195, §12, da Constituição Federal (CF/88). Paralelamente, restou decidido que o conceito de insumo para fins da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS não deriva de maneira estanque do texto constitucional. Nesse sentido, o Ministro Relator Dias Toffoli reconheceu que o legislador ordinário teria competência tanto para negar créditos em determinadas hipóteses, quanto para concedê-los em outras, de forma genérica ou restritiva. Diante desse contexto, concluiu pela validade das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, à luz da não cumulatividade. Ou melhor, concluiu-se que as restrições positivamente expressas nas leis não seriam por si só inconstitucionais e deveriam ser analisadas em cada caso concreto. Especificamente sobre o conceito de insumo, previsto no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, destaca-se que o Ministro Relator não invalidou o julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, sob o rito dos repetitivos, de relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Pelo contrário, entendeu que, por se tratar de matéria infraconstitucional, permaneceria o conceito de insumo, objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça. O acórdão proferido na ocasião daquele julgamento foi publicado no dia 24/04/2018, com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN Fl. 660DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 8 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual- EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp n. 1.221.170/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 22/2/2018, DJe de 24/4/2018.) Em síntese, restou pacificado que o conceito de insumo deve ser analisado à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Como se sabe, o Relator do citado caso acompanhou as razões sustentadas pela Ministra Regina Helena Costa, para quem os referidos critérios devem ser entendidos nos seguintes termos: “Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Fl. 661DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 9 Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência.” Fazendo referência aos entendimentos que vinham sendo adotados por este próprio Carf, sustentou a Ministra Regina Helena Costa, a necessidade de se analisar, casuisticamente, a essencialidade ou a relevância de determinado bem ou serviço para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Nos termos do art. 62, §2º, da Portaria MF nº 343/15, Regimento Interno do Carf (Ricarf), o referido julgado é de observância obrigatória e deve ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito deste conselho. Sobre o referido julgamento, foi publicada a NOTA SEI PGFN/MF nº 63/2018, por meio da qual a Procuradoria Geral de Fazenda Nacional (PGFN) reconheceu o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado naquela sede. Entendo por oportuno destacar os seguintes trechos: 14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotaram a interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” (sem grifos no original) (...) 37. Há bens essenciais ou relevantes ao processo produtivo que nem sempre são nele diretamente empregados. O conceito de insumo não se atrela necessariamente ao produto, mas ao próprio processo produtivo. 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividade-fim e que seriam Fl. 662DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 10 mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada refere-se apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividade-fim. (...) 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. 44. Decerto, sob a ótica do produtor, não haveria sentido em fazer despesa desnecessária (que não fosse relevante ou essencial do ponto de vista subjetivo, como se houvesse uma menor eficiência no seu processo produtivo), mas adotar o conceito de insumo sob tal prisma implicaria elastecer demasiadamente seu conceito, o que foi, evidentemente, rechaçado no julgado. Esse tipo de despesa – importante para o produtor – configura custo da empresa, mas não se qualifica como insumo dentro da sistemática de creditamento de PIS/COFINS. Ainda que se possa defender Fl. 663DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 11 uma importância global desse tipo de custo para a empresa, não há importância dentro do processo produtivo da atividade-fim desempenhada pela empresa.” Ademais, com o intuito de expor as principais repercussões decorrentes da definição do conceito de insumos no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR no âmbito da Receita Federal do Brasil, foi emitido o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que consignou a seguinte ementa: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.” Assim, à luz de tais considerações, passa-se a analisar as glosas ainda objeto de discussão nos presentes autos. [...] 2.3. Das despesas com serviços portuários/aduaneiros Quanto às despesas com serviços portuários/aduaneiros, entendeu a DRJ por manter a glosa efetuada pela fiscalização, em razão da ausência de previsão legal expressa do referido crédito no âmbito da não cumulatividade. A Recorrente, por sua vez, defende que os gastos com serviços aduaneiros para uma empresa preponderantemente exportadora são essenciais, cruciais e necessários para organização logística e para embarque com finalidade de fazer chegar as mercadorias ao consumidor final localizado em outro país. Fl. 664DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 12 Nesse contexto, a contratação de empresas nacionais para prestação de serviços de elevação portuária dentro do porto e de despachantes aduaneiros se caracterizam como verdadeiros insumos. Em suas palavras: A elevação portuária nada mais é do que uma combinação de frete destinado à venda e armazenagem, dois típicos insumos expressamente previstos nos artigos 3º das Leis do PIS e da COFINS. Para exata compreensão da essência dessa despesa suportada pela Recorrente, se faz necessário a análise do escopo e objeto do contrato. Foi firmado contrato de prestação de serviços de embarque em navios e outras avenças entre AGREX e Vale S/A (contrato nº 0248/09 apresentado em sede de fiscalização e constante nos autos), assinado em 30 de novembro de 2009, e com vigência entre 1º de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2034. O referido contrato traz o objeto em sua cláusula primeira e o teor segue transcrito na íntegra na sequência: “CLÁUSULA I OBJETO: 1.1 – Constitui objeto do presente contrato a prestação de serviços, pela VALE para a CLIENTE, relacionados com a movimentação de SOJA e MILHO em grão, a granel (“Produtos”), compreendendo: (i) a descarga dos vagões ferroviários contendo o Produto no Terminal Portuário de Ponta Madeira – PDM, Estado do Maranhão (“Terminal”), (ii) a estocagem e armazenagem do Produto para formação de lotes de exportação em ARMAZÉNS GRANELEIROS específicos (conforme indicado no item 9.1), e (iii) o embarque dos Produtos em navios (“Serviços Portuários”). 1.2 – Para o atendimento do objeto deste Contrato, poderá a VALE utilizar-se de bens e serviços de terceiros ou estabelecer algum nível de relação jurídica com terceiros. Nessas hipóteses será sempre integral e exclusiva responsabilidade da VALE o pleno atendimento da CLIENTE, para os efeitos deste Contrato, assim como de sua exclusiva e integral responsabilidade todas as obrigações derivadas da eventual relação jurídica formalizada com terceiros para os fins e atendimento do presente Contrato. 1.3 – A VALE poderá atender, dentro de suas possibilidades, quaisquer outros transportes que a CLIENTE solicitar, desde que mediante prévia negociação entre as PARTES.” Em suma, conforme se afere das cláusulas acima, o contrato traz, de forma bem definida, duas modalidades de serviços, quais sejam: (i) armazenagem das mercadorias; (ii) transporte (elevação) das mercadorias para navio destinado à venda ao exterior. Adentrando na operação propriamente dita, a mercadoria (soja e milho em grãos) chega no Terminal Portuário de Ponta Madeira no Estado do Maranhão, vindo em vagões ferroviários. Na sequência, os funcionários da VALE descarregam a mercadoria e mantém a mercadoria armazenada até a data de embarque no do navio. Fl. 665DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 13 Antes da chegada navio que fará o transporte internacional das mercadorias há um alinhamento prévio entre as partes, dentro das condições previstas no contrato para cada tipo de embarcação. Definido o navio, a Recorrente deve apresentar à VALE, antes da chegada da embarcação, o número do registro de exportação (RE) referente ao SISCOMEX para a liberação do atendimento, bem como o despacho junto a Receita Federal e ao Ministério da Agricultura e a cópia do “Bill of Landing” após o embarque. Quando o navio chega no porto, a VALE executa a terceira etapa do trabalho que consiste em carregar/abastecer o navio com a soja e/ou milho vendidos pela Recorrente. Ao final, a Recorrente efetua o pagamento à VALE de acordo com as condições estabelecidas no contrato e seus anexos, considerando a quantidade de mercadoria exportada, entre outras variáveis. Em relação ao contrato analisado acima, podemos sintetizar serviços prestados em: ARMAZENAGEM E TRANSPORTE PARA O NAVIO. Através da elucidação abaixo podemos compreender ainda melhor o que dizem os contratos: Conforme se afere da ilustração acima, a mercadoria chega até o porto de destino, geralmente via malha ferroviária, e na sequência é feito o descarregamento da SOJA/MILHO no ARMAZÉM. A toneladas de commodities ficam semanas armazenadas em coisas de clima e temperaturas adequadas para não perderem sua qualidade e, quando o navio atraca no porto toda soja/milho é transferida do armazém para dentro do navio através de grandes estruturas de engenharia que fazem o serviço de elevação das mercadorias, ou seja, transportam a soja e o milho para dentro do portão do navio. Uma vez abastecido e liberado pelas autoridades aduaneiras, o navio parte com destino ao destinatário das mercadorias. Feitas tais considerações, entendo que no caso dos autos, adotando-se o entendimento empregado no já citado REsp nº 1.221.170/PR, a questão deve ser analisada sob a perspectiva do inciso II, daquele dispositivo. É que, como mencionado no voto do Ministro Relator Napoleão Nunes Maia Filho, não há que se falar em interpretação literal do direito ao creditamento. O crédito de PIS e Cofins não consiste em benefício fiscal, tampouco é causa de suspensão ou Fl. 666DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 14 exclusão do crédito tributário, e menos ainda representa dispensa do cumprimento de obrigações acessórias. Este decorre da própria dinâmica da não-cumulatividade de tais contribuições. Nesse sentido, a possibilidade de restrição do direito creditório por parte do legislador ordinário nada tem a ver com a interpretação restritiva, nos termos do art. 111 do CTN. Assim, entendo que o mencionado inciso II, ao se referir a bens e serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, reporta-se à atividade econômica de produção ou fabricação por inteiro e não apenas a um de seus estágios específicos. Em outras palavras, pode-se dizer que o processo produtivo visto de forma ampla, não corresponde a atos de produção em sentido estrito, iniciando-se em momento anterior e se consumando na iminência da venda propriamente dita. Tal entendimento dialoga com o próprio fato gerador das contribuições para o PIS e a Cofins, que não incidem sobre a produção de bens ou prestação de serviços, mas sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica. A questão foi inclusive abordada no voto do Ministro Relator Dias Toffoli, no julgamento do RE nº 841.979/PE, nos seguintes trechos: “Como se viu, o texto constitucional não estipulou qual seria a técnica da não cumulatividade a ser observada no tratamento da contribuição ao PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Também se consignou, nas passagens anteriores, que o fato gerador dessas contribuições é deveras distinto dos fatos geradores do ICMS e do IPI. Com efeito, o ICMS pressupõe a circulação de mercadorias ou a prestação de certos serviços (isso é, serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação); e o IPI, a existência de produtos industrializados. Por seu turno, a contribuição ao PIS e a COFINS pressupõem a existência de faturamento ou de receita. Cabe ainda destacar, como já o fez Marco Aurélio Greco, que o processo formativo de um produto ou de uma mercadoria muito se diferencia do processo formativo da receita, a qual, aliás, por estar vinculada a determinado contribuinte, não se submete, propriamente, a um ciclo econômico . O mesmo se aplica quanto ao faturamento. Nesse contexto, anote-se, por exemplo, que, para a formação de receita ou de faturamento, o contribuinte poderá incorrer não só em gastos relacionados com aquele processo formativo de produtos, mas também em outros quanto a bens ou serviços imprescindíveis ou importantes para o exercício de sua atividade econômica.’ Nesse cenário, por não haver outra fase entre a produção/fabricação e a venda de determinados produtos, os gastos com (i) armazenagem das mercadorias e (ii) transporte (elevação) das mercadorias para navio destinadas ao exterior, enquanto em etapa anterior àquela de venda, deve ser analisado sob a ótica do inciso II, do art. 3º, das Leis nsº 10.637/02 e 10.833/03. A venda é o momento em que o sujeito passivo aufere a receita que será tributada, de modo que, até aquele momento, os gastos essenciais e relevantes para que tal operação possa ser executada devem ser reconhecidos como insumos. A operação de venda, em sentido estrito, é tratada em um inciso próprio, qual seja, o inciso IX. É que a partir daquele momento, findar-se-ia a atividade produtiva Fl. 667DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 15 elencada no inciso II, não podendo mais os serviços de fretes serem analisados sob aquela ótica. Nessa linha, não haveria qualquer racionalidade em uma interpretação que negasse o direito ao creditamento em relação ao serviço de armazenagem das mercadorias e transporte (elevação) das mercadorias para navio destinadas ao exterior, apenas por não se enquadrar especificamente na hipótese prevista no inciso IX. Ou seja, como se o fato de se ter utilizado na legislação a expressão frete e armazenagem “na operação de venda”, excluísse a possibilidade do creditamento dos gastos com frete em qualquer outro momento anterior à venda. No entanto, o fato de se aceitar o enquadramento de determinados tipos de fretes como insumos, não implica uma leitura do inciso II como uma “cláusula de fechamento”, capaz de abarcar qualquer bem ou serviço que guarde relação com a atividade econômica produtiva desempenhada pelo contribuinte. É realmente imprescindível que se verifique, no caso concreto, a essencialidade e relevância daquele bem ou serviço. Conforme demonstrado pela Recorrente na exposição do seu processo produtivo, entendo que os serviços de (i) descarregamento da soja/milho no armazém, (ii) armazenagem até o momento que o navio atraca no porto e toda soja/milho é transferida para dentro do navio e (iii) elevação das mercadorias que transportam a soja e o milho para dentro do portão do navio são essenciais para que se proceda com a venda das mercadorias para o exterior. [...] 2.5. Despesas com frete de produtos alíquota zero Como relatado, a r. decisão recorrida manteve as glosas relativas aos fretes de produtos adquiridos à alíquota zero, uma vez que não seria permitido o cálculo de créditos sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento de contribuições, nos termos dos art. 3º, §2º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. A Recorrente, por sua vez, sustenta que a essencialidade dos produtos transportados conferiria aos fretes essencialidade no processo produtivo da Recorrente. Sobre o tema, destaco que o artigo 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, vedando expressamente em seu §2º, inciso II, apenas o aproveitamento de créditos decorrente da aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou Fl. 668DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 16 utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e Como antecipado, do teor do referido dispositivo não há dúvida de que a limitação ao direito creditório se refere tão somente aos bens/serviços não tributados ou sujeitos à alíquota zero, inexistindo na legislação qualquer vinculação entre o direito ao crédito pelo serviço de transporte prestado (frete) e a tributação do bem transportado. Assim, os serviços de transporte utilizados na aquisição de insumos, apesar de integrarem o custo de aquisição dos bens adquiridos, possuem análise autônoma e tratamento tributário independente da carga transportada (isto é, se sujeitam à incidência de tais contribuições), sendo, portanto, possível o desconto de créditos dada a sua essencialidade ao processo produtivo. Pelo exposto, entendo que devem ser revertidas as glosas relativas aos gastos, devidamente comprovados, com fretes na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. 2.6. Despesas incorridas com a empresa Ferrolease; Quanto às despesas com aluguel de vagões incorridas junto a Ferrolease, entendeu a DRJ que, como vagões não são considerados máquinas, mas veículos, tais gastos não estariam aptos a gerar créditos da não-cumulatividade. A Recorrente, por sua vez, sustenta que poderia tal despesa ser classificada como aluguel de máquinas e equipamentos, já que seria óbvio que não se estaria diante de veículo, pois não há no vagão autonomia para deslocar-se sozinho ou transportar algo por si só. Por fim, sustenta que o próprio capítulo 86 da TIPI faz referência de forma segregada a “veículos e material para vias férreas ou semelhantes, e suas partes”, diferenciando, portanto, vagão de locomotiva. Com razão a Recorrente. Conforme demonstrado no Recurso Voluntário, trata-se de vagões que não possuem nenhuma autonomia para se deslocar sozinhos. O vagão é um equipamento que será acoplado a um veículo (locomotiva ou trem) para transporte de produtos e/ou pessoas. O vagão não se move sozinho e, portanto, não pode ser tratado como se veículo fosse. Vejamos algumas imagens: Ademais, entendo que a Recorrente foi capaz de demonstrar a sua utilização no processo produtivo. Sustenta que o elevado volume de suas mercadorias destinadas à exportação é escoado por meio de portos, sendo que o transporte ocorre em grande parte exatamente por meio de ferrovias. Fl. 669DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 17 O laudo técnico apresentando bem destaca a questão: Os principais serviços portuários e aduaneiros indispensáveis nas atividades de exportação dentro do contexto operacional da AGREX DO BRASIL são: i) locação de vagões de carga; e ii) a elevação portuária (Cesta de Serviços ou Box Rate). Tais serviços são indispensáveis nas atividades preponderantes da empresa, considerando o contexto de mercado externo. Para que os grãos e sementes produzidos e adquiridos pela empresa sejam exportados, estes devem percorrer as distâncias entre local de produção e local de exportação, ou seja, o porto. Considerando a AGREX DO BRASIL, são utilizados 5 portos, sendo eles São Luís, Aratu, Tubarão, Santos e Paranaguá e 3 Ferrovias, sendo elas Ferrovia Norte-Sul S.A., Ferrovia Centro-Atlântica, Estrada de Ferro Vitória a Minas e também é utilizado o transporte rodoviário. No Porto é realizado o recebimento da carga dos vagões de trem, que serão armazenados do momento que o grão chega no porto até a sua elevação aos navios Verifica-se, portanto, que os gastos com a locação de vagões advêm da necessidade de se ter o transporte ferroviário à disposição, em especial pelo elevado custo do transporte em si. Nesse contexto, sendo os vagões facilmente enquadráveis como equipamentos essenciais para o processo produtivo da Recorrente, entendo não haver dúvida a respeito da possibilidade dos gastos com aluguéis, com base no inciso V das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Pelo exposto, entendo que também quanto a este ponto, a glosa deve ser revertida. [...] Cumpre ressaltar que a edição das Súmulas CARF nº 2171 e 2322 não interferem na conclusão adotada nos tópicos 2.3 Das despesas com serviços portuários/aduaneiros e 2.4 Das despesas com frentes interno (entre estabelecimentos), vez que, no presente caso, em razão das particularidades da atividade econômica desenvolvida não se trata de produtos acabados, mas de grãos e sementes (matéria orgânica), que se perdem, deterioram e precisam ser transportados para que não se percam no campo, sendo essencial o transporte correto, para estabelecimento adequado, no tempo e condições específicos, para que as sementes mantenham sua qualidade, germinem e se desenvolvam da maneira adequada, até a efetiva exportação, de modo que se entendeu que tais fretes e serviços portuários se enquadram na condição de insumo do processo produtivo, sendo autorizado o creditamento das contribuições ao PIS e da COFINS, nos termos do artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. 1 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. 2 As despesas portuárias na exportação de produtos acabados não se qualificam como insumos do processo produtivo do exportador para efeito de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS não cumulativas. Fl. 670DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 18 Ainda, considerando que, no que se refere ao frete entre estabelecimentos de produtos em elaboração, o v. acórdão recorrido já havia reconhecido o direito ao aproveitamento de créditos da não-cumulatividade na condição de insumo, mas manteve a glosa no caso em concreto em razão da falta de segregação entre fretes de produtos acabados e fretes de produtos em elaboração, sendo reconhecida a condição de produtos em elaboração aos produtos transportados pela recorrente até a efetiva exportação, devem ser revertidas integralmente as glosas sobre fretes internos. Por fim, no que se refere ao tópico 2.5 Despesas com frete de produtos alíquota zero, merece referência que este e. CARF editou a Súmula CARF nº 188, estabelecendo que “[é] permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições”, o que impõe o reconhecimento do direito creditório ora pleiteado. Quanto à reversão da glosa de créditos calculados sobre as despesas portuárias (serviços de descarregamento da soja/milho no armazém, elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio) e ao frete na transferência de produtos entre estabelecimentos, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Na sessão de julgamento, o Colegiado divergiu do voto do ilustre Conselheiro Relator na análise do recurso voluntário do presente processo, especificamente, por voto de qualidade, quanto a reversão da glosa de créditos calculados sobre as seguintes rubricas: despesas portuárias (serviços de descarregamento da soja/milho no armazém, elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio) e fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos. Então, fui designado a redigir o voto vencedor, motivo pelo qual apresento abaixo as razões de decidir. Para a solução da lide, oportuno a delimitação do conceito de insumo aplicável às contribuições em comento (COFINS e PIS/PASEP), em consonância com os artigos 3º, inciso II, das Leis nº10.637/02 e 10.833/03, principalmente para saber quais são os insumos que conferem, ou não, ao contribuinte o direito de apropriar créditos sobre suas respectivas aquisições. Conceito de insumo No que concerne aos bens e serviços utilizados como insumos, a recorrente sustenta que a glosa de créditos efetuadas e ratificadas pelos julgadores da DRJ, em igual sentido, ancoraram-se em uma interpretação restritiva do conceito de Fl. 671DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 19 “insumo” para PIS e COFINS, a qual não se coaduna com o princípio da não cumulatividade previsto no parágrafo 12 do artigo 195 da Constituição Federal, a exemplo da posição de expoentes da Doutrina e dos mais recentes julgados proferidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Após intensos debates ocorridos nas turmas colegiadas do CARF, a maioria dos Conselheiros adotou uma posição intermediária quanto ao alcance do conceito de insumo, não tão restritivo quanto o presente na legislação de IPI e não excessivamente alargado como aquele presente na legislação de IRPJ. Nessa direção, a maioria dos Conselheiros têm aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que eles sejam empregados indiretamente. Transcrevo parcialmente as ementas de acórdãos deste Colegiado que referendam o entendimento adotado quanto ao conceito de insumo: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. (Acórdão 3402-003.169, Rel. Cons. Antônio Carlos Atulim, sessão de 20.jul.2016) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...). (Acórdão 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) Essa questão também já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo que se amolda aquele que vinha sendo usado pelas turmas do CARF, tendo como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Reproduzo a ementa do julgado que expressa o entendimento do STJ: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Fl. 672DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 20 PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Vale reproduzir o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, para se decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS não- cumulativo é necessário que cada item reivindicado como insumo seja analisado Fl. 673DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 21 em consonância com o conceito de insumo fundado nos critérios de essencialidade e/ou relevância definidos pelo STJ, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005, para então se definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Embora o referido Acórdão do STJ não tivesse transitado em julgado, de forma que, pelo Regimento Interno do CARF, ainda não vincularia os membros do CARF, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF3, com a aprovação da dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, 4 c/c o 3 Portaria Conjunta PGFN /RFB nº1, de 12 de fevereiro de 2014 (Publicado(a) no DOU de 17/02/2014, seção 1, página 20) Art. 3º Na hipótese de decisão desfavorável à Fazenda Nacional, proferida na forma prevista nos arts. 543-B e 543-C do CPC, a PGFN informará à RFB, por meio de Nota Explicativa, sobre a inclusão ou não da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013. § 1º A Nota Explicativa a que se refere o caput conterá também orientações sobre eventual questionamento feito pela RFB nos termos do § 2º do art. 2º e delimitará as situações a serem abrangidas pela decisão, informando sobre a existência de pedido de modulação de efeitos. § 2º O prazo para o envio da Nota a que se refere o caput será de 30 (trinta) dias, contado do dia útil seguinte ao termo final do prazo estabelecido no § 2º do art. 2º, ou da data de recebimento de eventual questionamento feito pela RFB, se este ocorrer antes. § 3º A vinculação das atividades da RFB aos entendimentos desfavoráveis proferidos sob a sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC ocorrerá a partir da ciência da manifestação a que se refere o caput. § 4º A Nota Explicativa a que se refere o caput será publicada no sítio da RFB na Internet. § 5º Havendo pedido de modulação de efeitos da decisão, a PGFN comunicará à RFB o seu resultado, detalhando o momento em que a nova interpretação jurídica prevaleceu e o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. (...) 4 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Art. 19. Fica a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II - matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III -(VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem Fl. 674DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 22 art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. Nesse mesmo sentido, a Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. No caso concreto, observa-se que o julgamento da DRJ se deu balizado no conceito de insumo atualmente adotado pela RFB para fins de creditamento de PIS e Cofins, que segue os parâmetros definidos pelo REsp 1.221.170/PR, os quais foram consolidados no Parecer Normativo Cosit nº 05, de 2018. De acordo com o referido Parecer Normativo, a decisão proferida pelo STJ é vinculante para a Secretaria da Receita Federal do Brasil em razão do disposto na Portaria Conjunta sobre essas matérias, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o - (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 675DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 23 PGFN/RFB nº 1, de 2014, e nos termos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF. Dito isso, passa-se à análise das glosas. Despesas aduaneiras com movimentação (serviços de descarregamento da soja/milho no armazém e elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio) Este tópico trata de despesas portuárias para a movimentação de produtos exportados. Com relação às despesas portuárias, o CARF pacificou o entendimento por meio da súmula CARF nº232, in verbis: Despesas portuárias na exportação de produtos acabados não configuram insumos para fins de crédito de PIS/COFINS. Como se sabe, as súmulas CARF são de obediência obrigatória pelos julgadores do CARF. Deve ser mantida, portanto, a glosa. Fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos A glosa desse tópico refere-se a créditos calculados pelo contribuinte sobre despesas com fretes em transferências de bens acabados entre seus estabelecimentos. Segundo a descrição dos fatos do auto de infração, a glosa alcança as transferências de produtos acabados e para esse tipo de despesa não há previsão legal para a tomada de créditos relativamente aos serviços de transporte. A recorrente se insurge contra a conclusão do auto de infração afirmando que, na verdade, o frete da transferência do produto acabado faz parte do processo de venda. Tal situação não descaracteriza o processo de venda nem de produção como um todo, posto que no primeiro caso equivale ao custo de transporte a vencia direta. Assim, com base no inciso IX do artigo. 3º da Lei nº 10.833/03, entende que a glosa deve ser revertida. Sem razão a Recorrente. Pode-se assim resumir a possibilidade de geração de créditos na sistemática da não cumulatividade para as empresas quanto aos fretes: i) na compra de mercadorias para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (artigo 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo do inciso I do artigo. 3° da Lei n° 10.833/03; Fl. 676DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 24 ii) nas vendas de mercadorias, no caso do ônus ser assumido pelo vendedor, nos termos do inciso. IX do artigo. 3º da Lei nº 10.833/03; e iii) o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3° da Lei nº10.833/03. No caso concreto, observa-se, pelos documentos juntados, que as despesas com fretes tratam em parte do transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa. Desta feita, o transporte de produtos acabados da fábrica para outros estabelecimentos da empresa não se enquadram em nenhum dos permissivos legais de crédito citados, pois não possui qualquer identidade com aquele frete que compõe o custo de aquisição dos bens destinados a revenda, não se confunde também com o frete sobre vendas, naquele que o vendedor assume o ônus o frete, tampouco pode ser considerado insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem, já que as operações de fretes ocorrem no período pós produção. Nesse mesmo sentido, foi o voto proferido pelo Conselheiro José Fernandes, no acórdão nº 3302003.212, de 16.05.2016, conforme trecho da decisão, a seguir parcialmente transcrita: De acordo com os referidos preceitos legais, infere-se que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre estabelecimentos fabris integra o custo produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, pelas razões anteriormente aduzidas, há direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matérias-primas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, certamente, durante o ciclo de produção ou fabricação haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, dar-se-á de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de Fl. 677DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 25 aquisição do bem de produção (matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: (...) Em suma, chega-se a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferências dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. (negritos nossos) Fl. 678DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 26 Ademais, o Parecer Normativo COSIT/RFB/ nº 5, de 17/12/2018, ao delimitar os contornos do REsp 1.221.170/PR, sobre essa questão definiu esse mesmo entendimento em seu item 5 (gastos posteriores à finalização do processo de produção), o seguinte: 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. ... 59. Assim, conclui-se que, em regra, somente são considerados insumos bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica durante o processo de produção de bens ou de prestação de serviços, excluindo-se de tal conceito os itens utilizados após a finalização do produto para venda ou a prestação do serviço. Todavia, no caso de bens e serviços que a legislação específica exige que a pessoa jurídica utilize em suas atividades, a permissão de creditamento pela aquisição de insumos estende- se aos itens exigidos para que o bem produzido ou o serviço prestado possa ser disponibilizado para venda, ainda que já esteja finalizada a produção ou prestação. (negritos nossos) Nesse sentido, a recentíssima súmula CARF nº 217 também veda o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Assim, com base nessa motivação, deve ser mantida a glosa. Diante do exposto, entendo que devem ser mantidas as glosas sobre as seguintes rubricas: despesas portuárias (serviços de descarregamento da soja/milho no armazém e elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio) e fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui Fl. 679DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.975 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733952/2018-38 27 adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias impertinentes à presente controvérsia (tópicos III. 3.1 Crédito sobre Despesas com Bens para Laboratório de Análises, Testes e Serviços de Análise de Solos e Qualidade, III. 3.2 Do Crédito sobre Combustíveis e Lubrificantes, III. 3.4 Do Crédito sobre Despesas com Bens Incorporados ao Ativo Imobilizado, III. 3.7 Do Crédito sobre Despesas com Partes e Peças de Reposição Utilizadas em Máquinas e Equipamentos (Outras Operações com Direito ao Crédito) e III. 3.8 Dos Créditos Vinculados às Receitas Suspensas – Saídas no Mercado Interno) e que não foram objeto de manifestação de inconformidade (tópico III. 3.9 Da Apropriação de Créditos Extemporâneos – Legalidade), e, na parte conhecida, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para o fim de reverter as glosas relativas aos gastos com: (a) armazenagem até o momento que o navio atraca no porto e toda soja/milho é transferida para dentro do navio; (b) com fretes devidamente comprovados, na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero; e (c) despesas com aluguel de vagões incorridas junto a Ferrolease. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 680DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10480.728159/2017-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. IMPOSTO DE RENDA. NÃO INCIDÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - ADI Nº 5422. Não incide imposto de renda sobre valores decorrentes do direito de família percebidos pelos alimentados a título de alimentos ou de pensões alimentícias.
Numero da decisão: 2102-004.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Carlos Eduardo Fagundes de Paula – Relator Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Jose Marcio Bittes, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente).
Nome do relator: CARLOS EDUARDO FAGUNDES DE PAULA

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IMPOSTO DE RENDA. NÃO INCIDÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - ADI Nº 5422. Não incide imposto de renda sobre valores decorrentes do direito de família percebidos pelos alimentados a título de alimentos ou de pensões alimentícias. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Carlos Eduardo Fagundes de Paula – Relator Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Jose Marcio Bittes, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente). Fl. 83DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.043 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728159/2017-47 2 RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por Maria Gracineide Cordeiro Mergulhão Teti, inscrita no CPF sob o nº 528.739.194-34, contra o Acórdão nº 08-43.214, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE – 6ª Turma, que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo integralmente o crédito tributário lançado em relação ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao ano-calendário de 2012. A autuação teve origem em procedimento de revisão da declaração de ajuste anual do exercício de 2013, no qual a autoridade fiscal constatou omissão de rendimentos de pensão alimentícia recebidos de pessoa física. Consta na Notificação de Lançamento nº 2017/0000000, que a contribuinte teria deixado de declarar valores recebidos a título de pensão alimentícia, pagos por Alexandre Carlos Cordeiro Teti (CPF nº 224.187.254-72), no montante de R$ 16.856,58, em favor dos dependentes Isabela Mergulhão Teti e Vinícius Mergulhão Teti. Diante da omissão verificada, foi constituído crédito tributário no valor de R$ 4.238,41, correspondente ao imposto suplementar apurado, acrescido dos respectivos juros de mora e multa de ofício, nos termos da legislação vigente. Regularmente notificada, a contribuinte apresentou impugnação administrativa, na qual alegou, em síntese, não ter recebido os valores que fundamentaram o lançamento. Sustentou que os montantes indicados foram pagos diretamente aos filhos, razão pela qual não integrariam sua base de cálculo do imposto de renda. Afirmou, ainda, que haveria incongruência na classificação dos rendimentos, uma vez que a descrição constante da notificação mencionava “aluguéis e outros rendimentos recebidos de pessoa física”, o que, segundo sua ótica, não corresponderia à realidade dos fatos. Juntou aos autos extratos bancários e documentos judiciais alusivos à decisão que fixou os alimentos, afirmando que tais provas comprovariam que os rendimentos não foram percebidos por si, mas sim destinados aos filhos. Argumentou, ainda, que buscaria junto à 7ª Vara de Família a substituição da titularidade da pensão relativa à filha Isabela, por ter esta atingido a maioridade, o que reforçaria a inexistência de obrigação tributária em seu nome. A DRJ de Fortaleza, ao apreciar a impugnação, consignou, inicialmente, que o sistema de processamento eletrônico classificou os rendimentos sob a rubrica “aluguéis e outros rendimentos recebidos de pessoa física”, mas que, na realidade, a autuação dizia respeito exclusivamente a valores de pensão alimentícia, conforme a descrição complementar dos fatos constante da notificação. Ao examinar o mérito, a autoridade julgadora de primeiro grau destacou que a própria impugnante, em sua manifestação, reconheceu que os rendimentos foram pagos aos Fl. 84DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.043 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728159/2017-47 3 dependentes incluídos em sua declaração, o que enseja, por força do art. 72, § 2º, da Instrução Normativa RFB nº 1.500/2014, a tributação conjunta dos rendimentos dos dependentes na declaração do responsável. Assentou, ainda, que o art. 54 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) estabelece de forma expressa que os valores recebidos a título de alimentos ou pensões em dinheiro, fixados por decisão judicial ou acordo homologado, constituem rendimentos tributáveis. Entendeu, portanto, que, ainda que os valores tenham sido depositados diretamente em contas bancárias de filhos menores ou dependentes, tais quantias devem ser tributadas na declaração do responsável, desde que estes estejam incluídos como dependentes na DAA. Concluiu, assim, que a contribuinte não apresentou elementos capazes de afastar a presunção de veracidade da informação constante do sistema, tampouco comprovou fato impeditivo, modificativo ou extintivo da obrigação tributária, motivo pelo qual manteve integralmente o crédito tributário lançado, julgando improcedente a impugnação. Irresignada, a contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, reiterando os argumentos anteriormente expendidos e reafirmando que os valores questionados não foram percebidos por si, mas sim pelos filhos beneficiários da pensão, razão pela qual entende não haver base legal para a tributação em seu nome. Em síntese é o relatório. VOTO Conselheiro Carlos Eduardo Fagundes de Paula, relator. Dos pressupostos de Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. Do mérito A controvérsia reside na exigência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao ano-calendário de 2012, decorrente de omissão de rendimentos de pensão alimentícia recebidos de pessoa física. A contribuinte foi autuada em razão de constar em seu CPF a percepção de valores pagos por Alexandre Carlos Cordeiro Teti, a título de pensão destinada aos filhos Isabela Mergulhão Teti e Vinícius Mergulhão Teti, no montante de R$ 16.856,58, sem a correspondente declaração na DAA do exercício de 2013. Fl. 85DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.043 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728159/2017-47 4 Em sede recursal, a contribuinte reitera os argumentos já expostos na impugnação, afirmando que os valores não foram recebidos por si, mas destinados diretamente aos filhos. Sobre o tema, cumpre mencionar que o Supremo Tribunal Federal julgou, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, que os valores recebidos a título de pensão alimentícia não estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda da pessoa física, conforme se depreende de trecho da ementa abaixo: Ação Direta de Inconstitucionalidade. Legitimidade ativa. Presença. Afastamento de questões preliminares. Conhecimento parcial da ação. Direito tributário e direito de família. Imposto de renda. Incidência sobre valores percebidos a título de alimentos ou de pensão alimentícia. Inconstitucionalidade. Ausência de acréscimo patrimonial. Igualdade de gênero. Mínimo existencial. (ADI nº 5422, Relator Ministro Dias Toffoli, julgado pelo Tribunal Pleno em 06/06/2022, publicado em 23/08/2022). Sendo assim, como os valores recebidos pela Recorrente não estão sujeitos ao imposto de renda da pessoa física, o provimento recursal é medida que se impõe. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, dou-lhe provimento. Assinado Digitalmente Carlos Eduardo Fagundes de Paula Fl. 86DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10855.003100/99-02
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DÍÍ PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2000 SIMPLES - INCLUSÃO - RETROATIVA - ATIVIDADES DE ENGENHARIA - LEI COMPLEMENTAR 123/2006. As atividades de construção de imóveis e de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, não são mais vedadas ao SIMPLES nos termos do artigo 17, § Io, inciso XIII, da LC 123/2006. Aplicação retroativa em virtude do artigo 106, inciso II, alínea "b", do Código Tributário Nacional. SIMPLES. RETROATIVIDADE DE LEI NOVA. JULGAMENTOS PENDENTES. EFEITOS. A lei nova tem repercussão pretérita aos casos pendentes de julgamento, por força do caráter interpretativo da norma jurídica impeditiva anterior, revogada pela nova legislação, devendo seus efeitos se subsumirem à regra do artigo 106 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 301-34.707
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES

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Numero do processo: 10120.733955/2018-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIAS IMPERTIENTES À DEMANDA. NÃO CONHECIMENTO. O contencioso administrativo instaura-se com a manifestação de inconformidade, que deve ser expressa, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido especificamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação. Da mesma forma, também não devem ser conhecidas matérias impertinentes ao deslinde da controvérsia. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR, pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela contribuinte. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE. INSUMO SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 188 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, conforme estabelecido na Súmula CARF nº 188. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. DESPESAS PORTUÁRIAS. MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. CRÉDITO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE Segundo a súmula CARF 232, as despesas portuárias na exportação de produtos acabados não configuram insumos para fins de crédito de PIS/COFINS.
Numero da decisão: 3102-002.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em julgar o processo da seguinte forma: i) por unanimidade, por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias impertinentes à presente controvérsia (tópicos III. 3.1 Crédito sobre Despesas com Bens para Laboratório de Análises, Testes e Serviços de Análise de Solos e Qualidade, III. 3.2 Do Crédito sobre Combustíveis e Lubrificantes, III. 3.4 Do Crédito sobre Despesas com Bens Incorporados ao Ativo Imobilizado, III. 3.7 Do Crédito sobre Despesas com Partes e Peças de Reposição Utilizadas em Máquinas e Equipamentos (Outras Operações com Direito ao Crédito)e III. 3.8 Dos Créditos Vinculados às Receitas Suspensas – Saídas no Mercado Interno) e que não foram objeto de manifestação de inconformidade (tópico III. 3.9 Da Apropriação de Créditos Extemporâneos – Legalidade), e, na parte conhecida, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para o fim de reverter as glosas relativas aos gastos com: (a) armazenagem até o momento que o navio atraca no porto e toda soja/milho é transferida para dentro do navio; (b) com fretes devidamente comprovados, na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero; e (c) despesas com aluguel de vagões incorridas junto a Ferrolease; e ii) por voto de qualidade, para manter as glosas sobre: (a) serviços de descarregamento da soja/milho no armazém; (c) elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio; e d) fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos. Restaram vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Joana Maria de Oliveira Guimarães que davam provimento ao recurso em relação a tais itens. Designado o conselheiro Pedro Sousa Bispo para redigir o voto vencedor. Assinado Digitalmente Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues – Relator Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente e Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (substituto[a]integral), Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a)Fabio Kirzner Ejchel, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, o conselheiro(a) Jorge Luis Cabral.
Nome do relator: MATHEUS SCHWERTNER ZICCARELLI RODRIGUES

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIAS IMPERTIENTES À DEMANDA. NÃO CONHECIMENTO. O contencioso administrativo instaura-se com a manifestação de inconformidade, que deve ser expressa, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido especificamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação. Da mesma forma, também não devem ser conhecidas matérias impertinentes ao deslinde da controvérsia. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR, pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela contribuinte. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE. INSUMO SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 188 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, Fl. 770DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 2 registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, conforme estabelecido na Súmula CARF nº 188. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. DESPESAS PORTUÁRIAS. MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. CRÉDITO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE Segundo a súmula CARF 232, as despesas portuárias na exportação de produtos acabados não configuram insumos para fins de crédito de PIS/COFINS. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em julgar o processo da seguinte forma: i) por unanimidade, por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias impertinentes à presente controvérsia (tópicos III. 3.1 Crédito sobre Despesas com Bens para Laboratório de Análises, Testes e Serviços de Análise de Solos e Qualidade, III. 3.2 Do Crédito sobre Combustíveis e Lubrificantes, III. 3.4 Do Crédito sobre Despesas com Bens Incorporados ao Ativo Imobilizado, III. 3.7 Do Crédito sobre Despesas com Partes e Peças de Reposição Utilizadas em Máquinas e Equipamentos (Outras Operações com Direito ao Crédito)e III. 3.8 Dos Créditos Vinculados às Receitas Suspensas – Saídas no Mercado Interno) e que não foram objeto de manifestação de inconformidade (tópico III. 3.9 Da Apropriação de Créditos Extemporâneos – Legalidade), e, na parte conhecida, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para o fim de reverter as glosas relativas aos gastos com: (a) armazenagem até o momento que o navio atraca no porto e toda soja/milho é transferida para dentro do navio; (b) com fretes devidamente comprovados, na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero; e (c) despesas com aluguel de vagões incorridas junto a Ferrolease; e ii) por voto de qualidade, para manter as glosas sobre: (a) serviços de descarregamento da soja/milho no armazém; (c) elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio; e d) fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos. Restaram vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Joana Maria de Oliveira Guimarães que davam provimento ao recurso em relação a tais itens. Designado o conselheiro Pedro Sousa Bispo para redigir o voto vencedor. Fl. 771DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 3 Assinado Digitalmente Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues – Relator Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente e Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (substituto[a]integral), Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a)Fabio Kirzner Ejchel, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, o conselheiro(a) Jorge Luis Cabral. RELATÓRIO Por bem narrar os fatos ocorridos, adoto o relatório contido na decisão proferida pela 6ª Turma Recursal de DRJ: Trata-se de Pedido de Ressarcimento - PER, de nº 23392.00956.290416.1.1.19- 4090, relativo ao período de apuração de 01/10/2015 a 31/12/2015, referente à Cofins ressarcível/compensável apurada pela empresa em epígrafe, no valor original de R$ 4.689.949,11. Em 16 de março de 2018, em procedimento especial de ressarcimento antecipado, foi proferido o Despacho Decisório Seort nº 350/2018-DRF/GOI, contendo a decisão abaixo exposta, por meio do citado DD: Ementa: Procedimento Especial Ressarcimento. Os créditos de PIS e COFINS de que trata o art. 31 da Lei 12.865/2013, que não foram utilizados em compensações, observadas as condições e limites da Portaria MF nº 348/2014, devem ser pagos à pessoa jurídica solicitante até o limite de 70% do valor pleiteado. Com isso, fora deferido, em cumprimento ao disposto na legislação acima, o valor de R$ 490.602,72, para diversos pedidos de ressarcimento e períodos de apuração, ou seja 70% do montante inicialmente almejado pela defendente, R$ 732.012,91, conforme tabela abaixo colacionada: Fl. 772DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 4 No tocante ao período de apuração sob análise, qual seja, 4° trimestre de 2015, relativo à Cofins-ressarcimento, o montante inicialmente deferido à contribuinte foi de R$ 30.000,00. Isso corresponde a 70% da importância pleiteada, a título de crédito nas aquisições de mercadorias não-tributadas à alíquota zero, no mercado interno. A fim de realizar a análise final do crédito pleiteado, a autoridade fiscal emitiu a informação fiscal EADC1/SRRF01/DF Nº 13/2020, em 08 de junho de 2020, baseando-se no MPF nº 01.2.01.00-2019-00334-2, que autorizou a Auditoria Fiscal dos créditos da empresa sob análise, relativamente aos Pedidos de Ressarcimento – PER de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos, dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro/2015 a dezembro/2017. Foram examinados os seguintes Pedidos de Ressarcimento: Fl. 773DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 5 Para fins de exame do crédito, foi lavrado Termo de Início de Procedimento Fiscal – TDPF, datado de 02/07/2019, cientificado em 16 de julho/2019, e formalizado um e-dossiê (nº 10010-007.382/0719-97). À contribuinte fora concedido prazo de 20 dias para fornecimento de demonstrativos diversos, contrato social e disponibilização de demais documentos. Sobre o procedimento realizado, assim fora descrito: 4. Em 15/08/2019, houve o atendimento parcial da solicitação, por meio da entrega de um CD (compact disk), contendo parte dos itens exigidos. Além disso, foi requerido um prazo de 30 dias para apresentação dos itens restantes. 5. Apesar dos arquivos recebidos em 15/08/2019 terem sido validados com sucesso no sistema de Validação de Arquivos – SVA, houve erro na tentativa de juntá-los ao e-dossiê. 6. Contudo, em 20/08/2019, arquivos substitutos foram juntados ao e-dossiê, em decorrência da análise do termo de solicitação de juntada da interessada. 7. Em 16 de setembro de 2019, por meio do referido e-dossiê, foi fornecida a planilha “Atendimento itens 7 e 8.xlsx”, em cumprimento parcial ao Termo de Início de Procedimento Fiscal. Na mesma data, também foi requerida a prorrogação de prazo de 30 dias para apresentação da complementação. 8. Da mesma forma, em razão de nova solicitação, em 14/10/2019, foi concedida outra prorrogação de prazo, com término em 18/11/2019. 9. No dia 08/11/2019, a interessada incluiu, no devido e-dossiê, a resposta final ao Termo de Início de Procedimento Fiscal. Fl. 774DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 6 10. Em 19 de dezembro de 2019 foi juntado, no mesmo e-dossiê já mencionado, o Termo de Intimação Fiscal nº 001/2019, segundo o qual foi concedido um prazo de 30 dias para a prestação de esclarecimentos, fornecimento de comprovações e justificativas a respeito de determinadas operações da pessoa jurídica. 11. A ciência ocorreu por decurso de prazo, em 03/01/2020. 12. Em 31/01/2020 ocorreu o atendimento parcial ao Termo de Intimação Fiscal nº 001/2019. E ainda, foi solicitada a prorrogação de prazo para o cumprimento total à Intimação, o que se deu em 06/03/2020. 13. A fim de comprovar e/ou esclarecer lançamento informado em uma das planilhas fornecida em 06/03/2020, foi elaborado o Termo de Intimação Fiscal nº 002, de 24 de abril de 2020, cientificado em 30/04/2020 e atendido em 19/05/2020. A fiscalização, de posse da documentação e arquivos digitais fornecidos pela contribuinte, realizou confronto com as informações da Escrituração Fiscal Digital – EFD, tendo observado algumas divergências conforme a seguir. I – FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA RESSARCIMENTO DE CRÉDITO VINCULADO À RECEITA TRIBUTADA NO MERCADO INTERNO 16. Foi constatado que nos PER de nº 17503.85253.190118.1.1.19-7200(COFINS, 3º trimestre de 2017) e de nº 18476.20536.190118.1.1.18-8140 (Pis, 3º trim. de 2017), há pedidos de ressarcimento de crédito vinculado à receita tributada no mercado interno – alíquota básica (cód. 101), referentes ao mês de setembro de 2017, respectivamente, nos montantes de R$ 59.827,65 e R$ 12.988,90. 17. Intimada a apresentar a previsão legal para essas solicitações (Termo de Intimação nº 001/2019, item 1), a interessada respondeu, em 31/01/2020, tratar-se de equívoco no momento de preenchimento dos PER. 18. Portanto, esses créditos foram glosados. No que tange a despesas vinculadas, principalmente, às rubricas energia elétrica e aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, informa a autoridade fiscal que algumas notas fiscais requisitadas, de forma amostral, não foram apresentadas, sendo que em outras o valor encontrado era divergente, quando comparado com o que fora informado na EFD. A seguir, relata a fiscalização que a empresa teria apropriado de forma incorreta créditos extemporâneos: 35. Segundo o exame da planilha fornecida, com a composição da base de cálculo dos créditos em tela, constata-se que há custos, despesas e encargos relativos ao período de Maio/2012 a Abril/2017. 36. Por determinação do § 8º do artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, em se tratando de rateio proporcional, deverá ser considerada a receita bruta de cada mês correspondente aos custos, despesas e encargos incorridos. 37. Por isso, cada apuração de crédito deve ocorrer na EFD-Contribuições do mês correspondente, de modo a aplicar o rateio proporcional com base no registro 0111 Fl. 775DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 7 da EFD-Contribuições condizente ao mês em que ocorreram os custos, despesas ou encargos vinculados àquelas receitas mensais. 38. Em resumo, vale repetir, o crédito relativo aos custos, despesas e encargos de cada mês do período compreendido entre Maio/2012 a Abril/2017 deve ser apurado em cada mês em que esses custos, despesas e encargos ocorreram, nos termos do comando do artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. 39. Ademais, ainda que não se tratasse de crédito extemporâneo, seria impossível o seu aproveitamento, por falta de previsão legal, em razão de sua natureza, já que não se enquadra nas disposições do artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. Vejamos. 40. De acordo com a planilha “Item-4.xlsx”, fornecida pela interessada em 31/01/2020, todos esses dispêndios estão vinculados a procedimentos de preparação para vendas e exportações. São manuseios (movimentações e armazenagens) de produtos acabados, em fase anterior à venda. 41. Quase 90% desses gastos decorrem de “elevação portuária”, que está muito bem explicada nas páginas 70 e 71 do laudo técnico elaborado pela ESALQ JUNIOR CONSULTORIA EM CIÊNCIAS AGRÁRIAS, inclusive com destaque à sua indispensabilidade em relação às atividades que precedem as exportações. 42. Na resposta ao item 4 da Intimação nº 001, de 2019, no item “DA NATUREZA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS”, a interessada defende que “foram apropriados em observância ao critério da essencialidade e relevância para a execução das atividades existentes no objeto social da AGREX”. (...) 44. Conforme o trecho acima transcrito, resta claro que tais dispêndios referem-se a movimentações e armazenagens de produtos acabados, em fase anterior às vendas e exportações e que, caso essa fase não seja realizada, inviabiliza-se a comercialização dos produtos ao mercado externo. Ou seja, a comercialização é fase posterior que depende da realização da fase anterior. 45. Portanto, como se trata de operações de movimentações de produtos acabados em fase anterior à venda, é de se concluir que não se pode classifica-las como fretes e armazenagens sobre vendas (art. 3º, inciso IX, c/c o art. 15 da Lei nº 10.833, de 2003). 46. Da mesma forma, não se pode classificá-las como insumos (artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003), já que se referem a produtos acabados. (...) 49. Por isso, em razão da falta de enquadramento legal, esses créditos foram glosados no período de apuração Maio/2017. Ainda sobre os créditos extemporâneos, destaca a autoridade fiscal que houve apropriação indevida sobre fretes, da seguinte forma: 50. Ainda com relação ao aproveitamento de crédito extemporâneo, agora sobre fretes, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 001, de 2019, item 5.5, foi solicitada a justificativa relativa aos fretes listados em “Anexo_Int_001-2019 - CT Fl. 776DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 8 NF extemporaneos.xls” (fretes e notas fiscais com data de emissão anterior a 31/12/2014, ou seja, anterior ao início do período em análise – 2015 a 2017). 51. Na resposta, defendeu, novamente, o lançamento extemporâneo de créditos do Pis e da Cofins, com fundamento no artigo 3º, § 4º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ou seja, “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subsequentes” (grifei e negritei). 52. Porém, segundo a correta interpretação dessas normas, tal qual conclusão acima, não é possível apurar crédito de um trimestre em trimestres subsequentes. O que pode ocorrer é o aproveitamento de saldo remanescente que porventura exista em determinado mês, em meses posteriores, ou por meio de desconto, ou, nos casos permitidos, objeto de ressarcimento. 53. Por isso, não se pode aceitar o aproveitamento de crédito para estas operações de transporte, de tal forma que foi glosado o crédito básico correspondente a todos os fretes listados na planilha “Anexo_Int_001-2019 -CT NF extemporaneos.xls”. A próxima rubrica verificada pela autoridade é aquela relacionada a fretes sem indicação da mercadoria transportada. Após explanar a possibilidade de utilização dos créditos, informa o motivo da desconsideração destes últimos: 65. Para fins de comprovação destes créditos sobre fretes, por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal foi exigida a indicação das notas fiscais relativas aos itens transportados para cada frete gerador de crédito básico: em relação a todos os fretes de aquisição de mercadorias (item 7) e a todos os fretes sobre operação de venda (item 8). 66. Em atendimento, a interessada forneceu à auditoria duas planilhas: uma, em 19/09/2019, “Atendimento itens 7 e 8.xlsx”, e, outra “Resposta aos Itens 7 e 8 do TDIPF - Etapa 2.xlsx”, em 08/11/2019. 67. Após a consolidação das duas planilhas mencionadas no parágrafo anterior, foram selecionadas as linhas em que não constam identificação das notas fiscais transportadas, nem dos remetentes e nem dos destinatários dos produtos transportados (milho ou soja). 68. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 001, de 2019, item 5.1, foi solicitada a identificação das Notas Fiscais em questão, as quais foram listadas na planilha anexa à intimação, chamada “Anexo_Int_001-2019 - NF não identificadas.xls”. 69. Na resposta apresentada, a interessada discorreu sobre a essencialidade e relevância dos transportes, que classificou como “frete interno”, citou o laudo técnico elaborado pela ESALQ JUNIOR CONSULTORIA EM CIÊNCIAS AGRÁRIAS, e destacou ser “Frete da colheita, que consiste no serviço de transporte para transferência do material colhido na produção agrícola até o armazém”. 70. Todavia, não foi apresentada a identificação de nenhuma das notas fiscais requisitadas. 71. Sendo assim, em decorrência da análise da resposta e dos registros da planilha “Anexo_Int_001-2019 - NF não identificadas.xls” não se tem a indicação dos documentos comprobatórios dos produtos transportados pelos fretes ali listados Fl. 777DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 9 (total de 547 fretes), já que não há identificação das notas fiscais referentes às mercadorias transportadas. 72. Consequentemente, também não se pode aceitar a possibilidade de creditamento das contribuições para estas operações de transporte, pois não há a devida comprovação, para fins de possível enquadramento nas previsões legais anteriormente citadas. 73. Logo, foi glosado o crédito básico correspondente a todos os fretes (547) listados na planilha “Anexo_Int_001-2019 - NF não identificadas.xls”, devido à falta de comprovação das notas fiscais das mercadorias transportadas pelos mencionados fretes. Ainda sobre a rubrica fretes, a auditoria glosou créditos oriundos de operações relacionadas à revenda de bens e de produtos acabados, conforme segue: 80. Quanto aos serviços de transporte relacionados à revenda de bens, a Instrução Normativa nº 1911, de 11 de outubro de 2019, trouxe, em seu artigo 172, §2º, inciso VII, a disposição expressa da exclusão do conceito de insumo dos “bens e serviços utilizados, aplicados ou consumidos em operações comerciais”, de modo a solidificar o entendimento do Parecer Normativo nº 5, de 2018 (parágrafo 168, alínea a). 81. Dessa forma, associando a compreensão trazida no parágrafo anterior com a leitura do artigo 3º, inciso IX, c/c art. 15 da Lei nº 10.833, de 2003, transcrita anteriormente, resta claro que não há previsão de desconto de crédito decorrente do serviço de transporte (transferência) de bens para revenda entre estabelecimentos da própria empresa, já que não se enquadra no conceito de insumo, como visto. (...) 83. Em relação ao serviço de transporte (transferência) de produtos acabados, a interpretação proveniente do Parecer Normativo nº 5, de 2018, está consolidada na Instrução Normativa nº 1911, de 2019, nos termos da qual há a exclusão expressa do conceito de insumo dos “serviços de transporte de produtos acabados realizados entre estabelecimento da pessoa jurídica” (art. 172, §2º, inciso V). 84. Assim, não há dúvidas quanto à impossibilidade de apropriação de créditos sobre os fretes relativos às transferências de bens para revenda e de produtos acabados entre os próprios estabelecimentos da pessoa jurídica. (...) 85. Para fins de identificação dos fretes sobre as transferências de bens para revenda, com base nas planilhas “Atendimento itens 7 e 8.xlsx” e “Resposta aos Itens 7 e 8 do TDIPF - Etapa 2.xlsx” e nas EFD-Contribuições, foram selecionados os CTRC e as notas fiscais de transporte referentes à aquisição de serviço de transporte, com CST igual a 56 (Operação com Direito a Crédito – Vinculada a Receitas Tributadas e Não Tributadas no Mercado Interno, e de Exportação), responsáveis pelas transferências de bens para revenda (CFOP 1152/2152/5152/6152 – transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros para comercialização): soja em grãos, sementes de soja, milho em grãos e sementes de milho, predominantemente. Fl. 778DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 10 (...) 90. Para fins de identificação dos fretes sobre as transferências de produtos acabados, com base nas planilhas “Atendimento itens 7 e 8.xlsx” e “Resposta aos Itens 7 e 8 do TDIPF - Etapa 2.xlsx” e das EFD Contribuições, foram selecionados os CTRC e as notas fiscais de transporte, com CST igual a 56, responsáveis pelas transferências entre estabelecimentos dos produtos identificados na aba “Item 3 – Fabricação Própria” da planilha “Doc.03 – Item 3 TIPF.xlsx” (fornecida pela interessada em 15/08/2019 em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal). Prosseguindo na análise de fretes, a autoridade fiscal desconsiderou créditos calculados em função de fretes relativos às remessas de bens para revenda e de produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns-gerais e, ainda, fretes referentes ao retorno dessas mercadorias. Outros créditos apurados em função de fretes, desta feita, ocorridos quando da aquisição de produtos não sujeitos ao pagamentos das contribuições, foram glosados, já que, nas palavras do auditor-fiscal: 100. Logo, os fretes pagos pelo adquirente na compra de insumos não sujeitos à incidência das contribuições integram o seu custo de aquisição e, portanto, não devem compor a base de cálculo correspondente ao crédito básico das contribuições, em sintonia com o tratamento tributário afeito aos insumos não sujeitos à incidência das contribuições. (...) 104. Por isso, o frete pago pelo adquirente na compra de insumos não sujeitos à incidência das contribuições integra o seu custo de aquisição e, consequentemente, deve ser classificado e computado com estes insumos, ou seja, excluído da base de cálculo do crédito das contribuições. 105. Para fins de identificação desses fretes, com base nas informações das planilhas “Atendimento itens 7 e 8.xlsx” e “Resposta aos Itens 7 e 8 do TDIPF -Etapa 2.xlsx” e das EFD-Contribuições, foram selecionados os CTRC e as notas fiscais de transporte com CST igual a 56, responsáveis pelo transporte das aquisições de mercadorias (basicamente os CFOP 1102/2102; 1101/2101; 1117/2117 e 1116/2116) cujos CST representam não incidência das contribuições (CST 6 – Operação Tributável a Alíquota Zero; CST 73 – Operação de Aquisição a Alíquota Zero; CST 74 – Operação de Aquisição sem Incidência da Contribuição e CST 98 – Outras Operações de Entrada). 106. Trata-se, sobretudo, de aquisições de mercadorias classificadas com NCM nos capítulos 25 (corretivo de solo de origem mineral), 31 (adubos ou fertilizantes) e 38.08 (defensivos agropecuários) da TIPI, que tiveram a redução a 0 (zero) das alíquotas das contribuições, por força do artigo 1º da Lei nº 10.925, de 2004, respectivamente, em seus incisos IV, I e II. 107. Logo, considerando que tais mercadorias não foram tributadas (alíquota zero), nos termos do artigo 1º, incisos I, II e IV, da Lei 10.925, de 2004, combinado com o artigo 3º, § 2º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, impossível se torna qualquer apropriação de crédito de contribuição; seja em relação ao produto Fl. 779DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 11 adquirido; seja quanto ao frete correspondente, já que este integra o custo de aquisição do produto, conforme explicado. Ainda sobre os fretes nas aquisições à alíquota zero, a auditoria fiscal também desconsiderou aqueles relativos às compras de soja e semente de soja, ocorridas com suspensão da incidência da contribuição para o PIS e à Cofins. Nesse sentido, ressalva que: 112. É de se alertar que, a partir da data de publicação da Lei nº 12.865, de 2013, o disposto nos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 não mais se aplica aos produtos classificados nos códigos 12.01, 1208.10.00, 2304.00 e 2309.10.00 da Tipi, de forma que deixa de existir o crédito presumido sobre as aquisições de soja e sementes de soja (existente na legislação anterior). 113. Portanto, considerando que não há direito a crédito na compra de soja e sementes de soja (NCM 1201.90.00 ou 1201.10.00) e que o frete associado integra o seu custo de aquisição, obviamente, também não é passível a apropriação de crédito sobre esse frete. 114. Para apurar a glosa relativa aos fretes pagos nas aquisições de soja e sementes de soja, a partir das planilhas “Atendimento itens 7 e 8.xlsx” e “Resposta aos Itens 7 e 8 do TDIPF - Etapa 2.xlsx” e das EFD-Contribuições, foram selecionadas as operações de compra desses produtos, cuja lista detalhada encontra-se no arquivo “PLAN10 – Fretes sobre aquisicoessoja.xls”. Por fim, sobre o tema fretes, a auditoria acrescenta que: 118. Logo, o frete pago pelo adquirente na compra de milho sujeito ao crédito presumido integra o seu custo de aquisição e, deve ser computado com este produto na mesma base de cálculo do crédito presumido. 119. Para apurar o crédito presumido relativo aos fretes pagos nas aquisições de milho, a partir das planilhas “Atendimento itens 7 e 8.xlsx” e “Resposta aos Itens 7 e 8 do TDIPF - Etapa 2.xlsx” e das EFD-Contribuições, foram selecionados os CTRC com CST igual a 56, correspondentes às aquisições do produto indicado como “MILHO EM GRÃOS”, NCM 1005.90.10. Em seguida, a fiscalização desconsidera créditos indevidamente apurados em relação à locação de vagões de trem, junto à empresa Ferrolease Locação e Venda de Equipamentos Ferroviários S/A, em 2010 e 2011, apropriadas mensalmente. À uma, por não se tratar de insumo da atividade industrial, mas despesa com atividade comercial; e por serem os vagões considerados veículos, posicionados no Código 86.06 da TIPI. Segundo a autoridade fiscal, não há como se classificar a operação acima como arrendamento mercantil, o que permitiria a apropriação de créditos da não- cumulatividade. Isso porque a pessoa jurídica Ferrolease Locação e Venda de Equipamentos Ferroviários não figura como banco ou sociedade de arrendamento mercantil, haja vista o código e descrição de sua atividade econômica principal (CNAE): 46.69-9-99 – Comércio atacadista de outras máquinas e equipamentos não especificados anteriormente; partes e peças. Fl. 780DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 12 Concernente a despesas de aluguel de terreno, a fiscalização glosou créditos referentes à empresa Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S/A, de CNPJ 42.150.664/0001-87. Isso porque não há previsão legal para apropriação desses créditos. A seguir, a autoridade realizou o rateio proporcional, com vistas à apuração da relação percentual entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e à receita bruta total. E, após isso, a relação percentual entre as receitas não tributadas no mercado interno; as receitas de exportação e o total das receitas, vinculadas a estes créditos. 153. Feitas estas considerações, é de se constatar que os créditos básicos remanescentes após os ajustes (glosas/acréscimos) discriminadas nas Tabelas 03 a 13, foram classificados como vinculados à receita tributada no mercado interno, à receita não tributada no mercado interno e à receita de exportação, nos mesmos percentuais de rateio empregados pela própria interessada nas EFD-Contribuições, a seguir transcritos. Após o rateio, apurou o crédito disponível para desconto, os saldos remanescentes, para o cálculo dos montantes a ressarcir. Conclui ao final pelo deferimento parcial dos créditos relativos ao período de apuração de janeiro/2015 a dezembro/2017. Com base em todas as informações constantes do relatório acima, a fiscalização proferiu Despacho Decisório, de nº 82/2020-EADC1/SRRF01/DF, em 16/06/2020, deferindo parcialmente o crédito pleiteado, no montante de R$ 4.078.689,15. Deste valor, fora deduzida a importância de R$ 30.000,00, já devidamente conferida à empresa em epígrafe. Com isso, o saldo remanescente foi de R$ 4.048.689,15. Cientificada da decisão contra si proferida, em 15/09/2020, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 13/10/2020, descrevendo os fatos e relatando sua atividade produtiva. Faz referência, inclusive, à antecipação de créditos que lhe fora deferida. Anexa laudo técnico que entende corroborar seu direito ao crédito alegado. Adentrando ao mérito, a defendente menciona o conceito de insumo que considera correto, sendo que qualquer bem aplicado ou consumido na produção ou fabricação de produto dá ensejo ao creditamento para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins. Nessa toada, cita doutrina e jurisprudência que entende balizar seus argumentos, prosseguindo na alegação a respeito da existência de um conceito próprio de insumos para fins do PIS e da Cofins, à luz da essencialidade, corrente essa que, segundo ela, é majoritária no âmbito tributário e que pode ser vista como um conceito ponderado pautado na essencialidade, no qual tudo aquilo que é essencial para a atividade exercida, dentro de uma análise específica e individual, é insumo. Fl. 781DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 13 Menciona que a RFB passou a incorporar em seus atos internos os dizeres fixados pelo STJ, sendo publicados o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05, de 17 de dezembro de 2018 e a Instrução Normativa nº 1.911, de 11 de outubro de 2019. E que todas as despesas de bens e serviços tidos por insumos, pela manifestante, atendem ao quanto disposto pela Receita Federal do Brasil, conforme validade em laudo técnico relativo às suas operações, elaborado pela empresa ESALQ. Prossegue esboçando seu descontamento, no que tange ao sistema da não- cumulatividade das contribuições sociais, nos seguintes termos: Por essa razão, prevalece o entendimento de que o direito ao crédito emerge da análise de cada caso em concreto, buscando a relação de pertinência do processo produtivo do sujeito passivo com o emprego do respectivo insumo naquele respectivo processo, para então, se perquirir de sua efetiva participação, decidindo- se pela concessão ou não do direito de crédito no caso concreto. Não há, portanto, um critério objetivo definido, mas há um critério que é a relação de relevância e essencialidade do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou de prestação de serviço pelo contribuinte, sendo essa a premissa deve ser perquirida neste caso, assim como tem se adotado pelo CARF em seus julgamentos, com especial enfoque após a definição da extensão da não- cumulatividade pelo STJ. Dessa forma, o Auditor Fiscal quando analisa o direito creditício da Manifestante tendo por base unicamente a literalidade da lei, sem que observe os elementos de relevância e essencialidade de determinada despesas para a consecução das atividades econômicas da empresa, acaba por limitar indevidamente o direito constitucional da Manifestante à não cumulatividade do PIS e da COFINS. Comenta a edição do entendimento firmado pelo STJ no RESP nº 1.221.170 e sua aplicação às atividades da empresa, bem como o parecer COSIT RFB nº 05/2018, e a Instrução Normativa nº 1911/2019. Destaca mais uma vez a edição de parecer técnico emitido pela ESALQ, que, nas palavras da defendente, afere em termos práticos e reais a subsunção dos bens e serviços utilizados pela manifestante em suas atividades. Aduz que a conclusão a que a empresa parecerista chegou, da seguinte forma: Após a visita aos estabelecimentos da empresa, aferição de todos os processos produtivos, conforme se constata no laudo pelas fls. 21/56, os profissionais da ESALQ constataram que os itens abaixo são considerados insumos aos processos produtivos, sendo ainda detalhado o porquê de cada um deles à luz da essencialidade e relevância para as atividades econômicas da Manifestante. Considerando os insumos destacados na resposta ao quesito quatro, considerando o conceito de insumo inicialmente exposto e considerando essencialidade como o item que dependa, intrínseca e fundamentalmente o produto, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou, quando menos, que sua ausência prive a qualidade, quantidade ou suficiência do produto final desenvolvido, em nosso entendimento são insumos para a AGREX os seguintes custos e/ou despesas: Fl. 782DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 14  Frete na aquisição de insumos;  Corretivos agrícolas;  Defensivos agrícolas;  Fertilizantes agrícolas;  Sementes;  Partes e peças de manutenção de máquinas e equipamentos;  Lubrificantes utilizados nas manutenções do maquinário;  Combustível utilizado nas máquinas operacionais;  Frete interno;  Serviço de controle de pragas em armazéns;  Energia elétrica;  Locação de vagões de trem. Considerando os insumos destacados na resposta ao quesito quatro, considerando o conceito de insumo inicialmente exposto e considerando relevância como o item que embora não indispensável à elaboração dos produtos, integre o processo produtivo, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva ou por imposição de legal de órgão ou entidade regulamentadora/fiscalizadora, em nosso entendimento são insumos para a AGREX os seguintes custos e/ou despesas:  Serviços de análise de solo;  Serviços de análise foliar;  Equipamentos de segurança dos funcionários;  Materiais de laboratório para produção de sementes e realização de testes de qualidade de sementes;  Lenhas para secadores de grãos;  Gás LP para secadores de grãos;  Sacarias e Big Bags para armazenamento dos grãos e sementes;  Serviços de elevação portuária. Notem que o parecer dos experts que conheceram toda a operação in loco tecem olhar crítico aos insumos, tal como exige a Receita Federal do Brasil para aferir a essencialidade ou relevância destes para o processo produtivo da Manifestante. Prossegue realizando destaques sobre o Parecer da ESALQ, buscando sair daquilo que nomeou “subjetivismo” ou “achismo” na conceituação do que é ou não é insumo. Passa a detalhar então a relevância para si dos serviços de fretes, relacionados com o armazenamento da produção. Argumenta contra a glosa de créditos apurados em função de fretes internos, realizados entre seus estabelecimentos. Explicita seu processo produtivo em fluxograma, juntando ainda fotos de silos. Nessa toada, prossegue: Fl. 783DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 15 Conforme constatado documentalmente, inclusive sendo reconhecido em laudo técnico da ESALQ, a Manifestante precisa transportar seus produtos(milho/soja) do campo até seus armazéns até que sejam comercializados. Referidos grãos não podem deixar de serem colhidos no tempo correto, tampouco deixados no campo, sob pena de perecimento. Vejamos excerto extraído a fl. 71: “Gastos com armazenagem são imprescindíveis ao processo que resulta na comercialização de bens e produtos. A empresa simplesmente não pode deixar de contratá-los. A armazenagem de bens destinados a revenda e de insumos importados é essencial, está estreitamente ligada à produção e acabarão por gerar receitas à entidade.” Neste contexto, exsurge a necessidade de se transportar os grãos, como elemento essencial em operação denominada “frete interno”, para que a Manifestante possa posteriormente vendê-los ou beneficiá-los... Continua a defesa a mencionar trechos do parecer Esalq, no sentido de demonstrar a utilização dos fretes internos para transporte de seus produtos e a imprescindibilidade do serviço às suas operações. Por fim, menciona longa jurisprudência administrativa que entende balizar seu entendimento. Contesta também a desconsideração de valores creditórios apurados em função de fretes, tomados para transferências de bens para revenda e de produtos acabados entre estabelecimentos próprios, inclusive armazéns. Demonstra mais uma vez jurisprudência administrativa para caucionar seu entendimento. Aduz, nesse sentido, que tais despesas são essenciais para a sua atividade, integrando o próprio custo, bem como são fretes na transferência de produtos “inacabados”, posto que grãos, os quais são limpos, analisados e apenas depois serão comercializados. Cita novamente trechos do parecer da empresa Esalq. Ainda na temática dos fretes, protesta contra a desconsideração de créditos sobre fretes, nas aquisições de produtos com alíquota zero, por ter a autoridade fiscal desconsiderado a essencialidade e a relevância do serviço de frete, para aferir exclusivamente a tributação do produto adquirido, o que afasta o direito de crédito nas operações não tributadas. Considera-se que há "essencialidade" do serviço de frete utilizado na aquisição de insumo em face da própria essencialidade do insumo transportado. A subtração do serviço de frete de aquisição do insumo privaria o processo produtivo da recorrente do próprio insumo, daí a essencialidade de tal serviço, independentemente do efetivo creditamento sobre o insumo transportado. O que importa é que o bem transportado seja essencial ao processo produtivo de interesse, do que decorre a essencialidade da sua remoção até o estabelecimento onde ocorrerá o processo produtivo. Nessa toada, alista mais uma vez jurisprudência do CARF, bem como trechos do relatório da ESALQ. Sobre as glosas de créditos apurados em função de aquisições de milho e sementes de soja, à alíquota zero, contesta-as sob o mesmo argumento Fl. 784DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 16 supramencionado, qual seja, de que tais itens são relevantes e essenciais ao seu processo produtivo. Assim, mesmo que os produtos não sofram tributação, em sendo eles essenciais à atividade econômica da Manifestante, os custos incorridos para a disponibilização deste devem ser incluídos na base de crédito da empresa. Em que pese os produtos não serem tributados e, portanto, não ensejarem ônus na aquisição, os serviços de frete são tributados, sendo que o faturamento do transportador está submetido ao PIS/COFINS. (...) Outrossim, as sementes de soja são elementares no processo de multiplicação dos grãos. Assim, sem a aquisição destas tanto a produção agrícola quanto sua multiplicação ficariam prejudicados. Logo, é de notável essencialidade a aquisição de grãos, sendo que o frete gera direito de crédito, ainda que estes não sejam tributados. Alega que o entendimento do fiscal, no que concerne às glosas proferidas sobre as despesas incorridas nas operações de arrendamento mercantil, é equivocado, posto que: Duas são as linhas de argumentação do auditor fiscal e ambas serão confrontas e derrubadas, por terem sido construídas sob alicerces jurídicos e conceituais vagos e sem solidez. De início o auditor fiscal tenta descaracterizar tais créditos sob o argumento que a operação não se conceitua como arrendamento mercantil. Depois busca desnaturar também tais créditos sob a vertente de não estarem inseridos como aluguéis de máquinas ou equipamentos, por supostamente entender que o bem arrendado é um veículo e que (para veículos) não há previsão legal de crédito. Nada mais do que absurdo, mirabolante, sem nexo e que visa exclusivamente lesar o contribuinte em detrimento do poder público, manifestado por sua sede arrecadatória desproporcional. (...) O leasing, portanto, não é uma operação de crédito perante a lei, embora nº Brasil, na prática, se pareça bastante. Na teoria, a operação pode envolver imóveis, máquinas e equipamentos, veículos, bens de informática e outros. O prazo, o indexador dos valores do contrato e a proporção do valor residual garantido variam para cada operação. A depender da modalidade do leasing, ao final do prazo contratual o arrendatário poderá comprar o bem por um valor previamente acertado ou pelo valor de mercado ou ainda devolver o bem para o arrendador. Este sistema é o chamado leasing operacional, mas no Brasil o que prevalece é uma operação um pouco diferente, que é o leasing financeiro. A grande diferença entre os dois sistemas é que no leasing financeiro o cliente é obrigado a comprar o bem no final da operação por um preço acertado na época do contrato ou pelo valor de mercado. Prossegue argumentando no sentido de o aluguel de vagões tratar-se de arrendamento mercantil, mencionando que, ad argumentandum tantum, poderia Fl. 785DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 17 também tal despesa ser classificada como aluguel de máquinas e equipamentos. Assim, diz que: É obvio que não estamos tratando de um veículo, pois não há no vagão autonomia para deslocar sozinho ou transportar algo por si só. O vagão, na essência, pode ser classificado como uma máquina ou um equipamento que é acoplado a um veículo (locomotiva ou trem) para transporte de produtos e/ou pessoas. Traz aos autos trechos do relatório da empresa ESALQ, no qual explicita o porquê da locação de vagões, e a finalidade disso, pleiteando ao final o reconhecimento dos créditos outrora desconsiderados. Reclama contra a glosa de créditos apurados em função do aluguel de terrenos, da seguinte forma: Veja que a finalidade do arrendamento é proporcionar melhores condições logísticas para o transporte da produção agrícola, ou seja, despesa totalmente ligada a atividade da Manifestante. No caso, é inegável que tal arrendamento poderia ser, sem qualquer objeção, um aluguel e isso deixa claro que aluguel e arrendamento possuem a mesma conotação, tornando-se sinônimos, portanto, entendemos que o pagamento do arrendamento equivale ao pagamento de um aluguel. Dessa forma, a apropriação de crédito do PIS e COFINS em relação as despesas junto a empresa VALEC – Engenharia, Construções e Ferrovia S/A deve ser reconhecida, pois trata-se de um crédito válido e previsto no artigo 3°, inciso IV, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, afastando, assim, a malsinada glosa efetuada pela autoridade administrativa. A auditoria indeferiu créditos apurados em relação às despesas de elevação portuária, por considerá-las incorridas em operação de venda e não de produção. Nesse sentido, aduz que os serviços de elevação portuária são aqueles necessários para a recepção, armazenagem e carregamento dos navios no porto com as mercadorias em vagões de trem. E que sem eles a carga não é exportada. Junta jurisprudência administrativa para balizar seu argumento, citando ainda, nessa toada, o parecer da empresa ESALQ. Por fim, requer a correção de eventual saldo credor a seu favor apurado, bem como manifesta seu repúdio pela compensação de ofício. Finaliza sua peça recursal, com os seguintes pedidos: (I) Seja recebida a presente Manifestação de Inconformidade, com a consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III do CTN c/c art. 74, § 18 da Lei nº 9.430/96. (II) Quanto ao mérito protesta pela reforma o despacho decisório proferido, a fim de reconhecer integralmente o crédito solicitado através do pedido de ressarcimento 23392.00956.290416.1.1.19-4090; Por conseguinte, requer seja restituído em espécie os saldos residuais, de forma integral e devidamente corridos pela Taxa SELIC, consoante REsp nº 176.7945/PR; Fl. 786DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 18 (III) Em adição, requer seja afastada qualquer pretensão de compensação de ofício de saldos creditícios com débitos cuja exigibilidade esteja suspensa ou mesmo a retenção dos valores apurados. (IV) Por fim, caso assim não se entenda em razão de dúvida fática sobre qualquer operação da Manifestante, requer nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que o julgamento seja convertido o julgamento em diligência para nova análise da autoridade fiscalizadora das provas apresentadas e eventuais novos documentos a serem requisitados. É o relatório! A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 08, por meio do Acórdão nº 108-029.801, de 29 de setembro de 2022, decidiu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo parte do direito creditório em litígio, conforme entendimento resumido na seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 MATÉRIA NÃO QUESTIONADA No âmbito do processo administrativo fiscal não se admite a negativa geral, pois a defesa deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, operando-se a preclusão processual relativamente à matéria que não tenha sido expressamente contestada na defesa apresentada. Assim, consideram-se consolidadas na esfera administrativa as glosas que não foram objeto de contestação específica. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não tem competência para apreciar alegação, ainda que indireta, de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Conforme estabelecido no Parecer Normativo Cosit RFB n.º 5, de 2018, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço Fl. 787DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 19 para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. ESSENCIALIDADE. RELEVÂNCIA. O critério da essencialidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit RFB n.º 5, de 2018, requer que o bem ou serviço creditado constitua elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pela contribuinte; já o critério da relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção do sujeito passivo. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas de fretes relativos às transferências de produtos em elaboração da mesma pessoa jurídica, por serem enquadrados como insumos, geram direito ao crédito no regime não cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins. Entretanto, a contribuinte não está desonerada da comprovação de tais despesas, bem como de sua não incorporação ao custo dos bens e serviços produzidos, evitando-se a duplicidade na apuração de seu direito creditório. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Fretes relativos a transferências entre estabelecimentos da mesma empresa de produto acabado representam despesas operacionais da empresa, não podendo ser classificados como insumos. Igualmente, transferência de mercadorias entre seus estabelecimentos ou para estabelecimentos varejistas não constitui etapa de seu processo produtivo, razão pela qual o respectivo frete também não enseja crédito de PIS/Pasep e de Cofins não cumulativos. VENDAS COM SUSPENSÃO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Em não havendo previsão legal expressa que permita a manutenção dos créditos da não-cumulatividade, quando a aquisição tenha sido direcionada à produção de bens ou serviços vendidos com suspensão das contribuições, devem ser estornados os créditos de PIS/Pasep ou Cofins indevidamente apurados, inclusive sobre os fretes dessas aquisições. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. Os aluguéis de máquinas e equipamentos utilizados na atividade da empresa geram crédito de não-cumulatividade, não havendo restrição a que o aluguel se refira a bens utilizados no processo produtivo. Não há previsão legal para cálculo do crédito em relação ao aluguel de veículos por não se incluírem nº conceito de máquinas e equipamentos. Fl. 788DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 20 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE TERRENOS. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa do PIS/PASEP e da Cofins, pode descontar créditos sobre aluguéis de terrenos utilizados nas atividades da empresa pagos a pessoa jurídica, desde que obedecidos todos os requisitos e as condições previstos na legislação. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇO DE ELEVAÇÃO PORTUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Os valores pagos, por serviço de elevação portuária, não permitem a apuração de créditos do PIS/Pasep e Cofins, por falta de previsão legal e tratarem-se, em verdade, de despesas comerciais cuja realização ocorre ao término do processo produtivo. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento. Entretanto, será cabível a aplicação da taxa Selic, quando não ressarcido o crédito da Contribuição ao PIS/Pasep ou da Cofins, no prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data do protocolo do pedido de ressarcimento, à parcela do crédito não ressarcida ou não compensada. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. A competência para análise da compensação de ofício pertence à unidade de jurisdição da contribuinte, não competindo às Delegacias de Julgamento impedir a realização do procedimento, quando houver saldo ressarcível e débitos tributários do sujeito passivo perante a Fazenda Nacional. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Indefere-se o pedido de diligência ou perícia quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, bem como quando presentes elementos suficientes para a formação da convicção da autoridade julgadora. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 DÉBITOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. EXIGIBILIDADE. A manifestação de inconformidade, apresentada tempestivamente contra o ato de não homologação da compensação, tem a eficácia de suspender a exigibilidade do crédito tributário, mantendo-se a suspensão da cobrança até a decisão definitiva do respectivo processo na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 789DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 21 A Agrex do Brasil S.A. interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões expostas em sede de manifestação de inconformidade e pleiteando, em breve síntese, pela reunião e julgamento em conjunto dos processos conexos e, quanto ao mérito, protesta pela reforma do v. acórdão recorrido, para que sejam julgadas improcedentes as glosas dos créditos efetuadas pela autoridade fiscal na análise do direito creditório pleiteado. Posteriormente, a recorrente junta petição na qual reitera que formulou uma série de PER/Dcomps relativos à mesma matéria (creditamento de insumos das contribuições ao PIS e da COFINS), que versam sobre os mesmos períodos de apuração e têm origem nas mesmas rubricas, tendo a auditoria fiscal gerado 134 (cento e trinta e quatro) processos administrativos para análise, com os respectivos despachos decisórios, sendo os créditos deferidos parcialmente. Dos 134 (centro e trinta e quatro) processos, informa que 91 (noventa e um) já foram julgados por este e. CARF, em 19 de junho de 2024, pela C. 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção, e que outros 3 (três) relativos à multa isolada foram analisados pela 1ª Turma Ordinária, 1ª Câmara, da 3ª Seção, sob relatoria do Conselheiro Sr. Marcos Roberto da Silva e um quarto, sob relatoria do Conselheiro Sr. Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe. Quanto aos 39 (trinta e nove) casos restantes, informa que 5 (cinco) foram distribuídos para minha relatoria, razão pela qual, dada a prevenção do relator e a notória conexão dos processos, pleiteia que os processos sejam reunidos para julgamento em conjunto. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre com os requisitos formais de admissibilidade, devendo, por conseguinte, ser conhecido. No que se refere ao pedido de reunião dos processos conexos, para julgamento em conjunto dos Recursos Voluntários, cumpre informar que todos os processos que se encontram neste e. CARF foram distribuídos para minha relatoria e serão julgados na mesma sessão de julgamento, seja de forma autônoma seja por estarem contemplados no lote de repetitivo. Quanto às alegações tecidas nos tópicos III. 3.1 Crédito sobre Despesas com Bens para Laboratório de Análises, Testes e Serviços de Análise de Solos e Qualidade, III. 3.2 Do Crédito sobre Combustíveis e Lubrificantes, III. 3.4 Do Crédito sobre Despesas com Bens Incorporados ao Ativo Imobilizado, III. 3.7 Do Crédito sobre Despesas com Partes e Peças de Reposição Utilizadas em Máquinas e Equipamentos (Outras Operações com Direito ao Crédito) e III. 3.8 Dos Créditos Vinculados às Receitas Suspensas – Saídas no Mercado Interno, deixo de conhecê-las em razão da total impertinência com o presente processo, uma vez que tais matérias não foram objeto do Relatório de Auditoria que embasa o Despacho Decisório, tampouco da Manifestação de Inconformidade e/ou do v. acórdão recorrido. Fl. 790DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 22 No que se refere às alegações tecidas no tópico III. 3.9 Da Apropriação de Créditos Extemporâneos – Legalidade também deixo de conhecê-las, por se tratar de matéria que não foi objeto de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, considera-se não impugnada, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.23/72, conforme já reconhecido pelo v. acórdão recorrido. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente se limita a afirmar que “nas linhas iniciais referendou a sua discordância a esta glosa”, entretanto, não se verifica qualquer menção expressa aos créditos extemporâneos na Manifestação de Inconformidade. Por outro lado, conheço das matérias propostas nos tópicos III.3.3 Do Crédito sobre Despesas com Arrendamento Mercantil (FERROLEASE S/A), III. 3.5 Do Direito ao Crédito sobre Despesas com Fretes a) Fretes Internos e b) Fretes com Produtos Alíquota Zero, e III. 3.6 Do Crédito sobre Despesas com Serviços Portuários/Aduaneiros – Elevação Portuária, por tratar de matérias que foram objeto de manifestação de inconformidade e apreciação pelo v. acórdão recorrido. No mérito, considerando que 91 processos conexos ao presente já foram julgados conjuntamente pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção, deste e. CARF, oportunidade na qual questões de mérito idênticas às atinentes a presente demanda foram devidamente dirimidas, transcrevo parcialmente os fundamentos do v. acórdão nº 3302-014.610, de lavra da i. Conselheira Marina Righi Rodrigues Lara, que bem analisaram a matéria, os quais adoto como razões para decidir, conforme autorizado pelo artigo 50, §1º, da Lei nº 9.784/99: [...] Antes de se adentrar especificamente em cada um dos itens mencionados, revelam-se necessárias algumas considerações iniciais sobre o tema. Recentemente, em sede de repercussão geral, na ocasião do julgamento do RE nº 841.979/PE, o STF reconheceu a autonomia do legislador ordinário para disciplinar a não-cumulatividade das contribuições sociais estabelecido no art. 195, §12, da Constituição Federal (CF/88). Paralelamente, restou decidido que o conceito de insumo para fins da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS não deriva de maneira estanque do texto constitucional. Nesse sentido, o Ministro Relator Dias Toffoli reconheceu que o legislador ordinário teria competência tanto para negar créditos em determinadas hipóteses, quanto para concedê-los em outras, de forma genérica ou restritiva. Diante desse contexto, concluiu pela validade das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, à luz da não cumulatividade. Ou melhor, concluiu-se que as restrições positivamente expressas nas leis não seriam por si só inconstitucionais e deveriam ser analisadas em cada caso concreto. Especificamente sobre o conceito de insumo, previsto no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, destaca-se que o Ministro Relator não invalidou o julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, sob o rito dos repetitivos, de relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Pelo contrário, entendeu que, por se tratar de matéria infraconstitucional, permaneceria o conceito de insumo, objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça. Fl. 791DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 23 O acórdão proferido na ocasião daquele julgamento foi publicado no dia 24/04/2018, com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp n. 1.221.170/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 22/2/2018, DJe de 24/4/2018.) Em síntese, restou pacificado que o conceito de insumo deve ser analisado à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Como se sabe, o Relator do citado caso acompanhou as razões sustentadas pela Ministra Regina Helena Costa, para quem os referidos critérios devem ser entendidos nos seguintes termos: “Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou Fl. 792DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 24 à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência.” Fazendo referência aos entendimentos que vinham sendo adotados por este próprio Carf, sustentou a Ministra Regina Helena Costa, a necessidade de se analisar, casuisticamente, a essencialidade ou a relevância de determinado bem ou serviço para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Nos termos do art. 62, §2º, da Portaria MF nº 343/15, Regimento Interno do Carf (Ricarf), o referido julgado é de observância obrigatória e deve ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito deste conselho. Sobre o referido julgamento, foi publicada a NOTA SEI PGFN/MF nº 63/2018, por meio da qual a Procuradoria Geral de Fazenda Nacional (PGFN) reconheceu o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado naquela sede. Entendo por oportuno destacar os seguintes trechos: 14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotaram a interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” (sem grifos no original) (...) Fl. 793DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 25 37. Há bens essenciais ou relevantes ao processo produtivo que nem sempre são nele diretamente empregados. O conceito de insumo não se atrela necessariamente ao produto, mas ao próprio processo produtivo. 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividade-fim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada refere-se apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividade-fim. (...) 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. 44. Decerto, sob a ótica do produtor, não haveria sentido em fazer despesa desnecessária (que não fosse relevante ou essencial do ponto de vista subjetivo, como se houvesse uma menor eficiência no seu processo produtivo), mas adotar o conceito de insumo sob tal prisma implicaria elastecer demasiadamente seu conceito, o que foi, evidentemente, rechaçado no julgado. Esse tipo de despesa – importante para o produtor – configura custo da empresa, mas não se qualifica como insumo dentro da Fl. 794DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 26 sistemática de creditamento de PIS/COFINS. Ainda que se possa defender uma importância global desse tipo de custo para a empresa, não há importância dentro do processo produtivo da atividade-fim desempenhada pela empresa.” Ademais, com o intuito de expor as principais repercussões decorrentes da definição do conceito de insumos no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR no âmbito da Receita Federal do Brasil, foi emitido o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que consignou a seguinte ementa: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.” Assim, à luz de tais considerações, passa-se a analisar as glosas ainda objeto de discussão nos presentes autos. [...] 2.3. Das despesas com serviços portuários/aduaneiros Quanto às despesas com serviços portuários/aduaneiros, entendeu a DRJ por manter a glosa efetuada pela fiscalização, em razão da ausência de previsão legal expressa do referido crédito no âmbito da não cumulatividade. A Recorrente, por sua vez, defende que os gastos com serviços aduaneiros para uma empresa preponderantemente exportadora são essenciais, cruciais e necessários para organização logística e para embarque com finalidade de fazer chegar as mercadorias ao consumidor final localizado em outro país. Fl. 795DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 27 Nesse contexto, a contratação de empresas nacionais para prestação de serviços de elevação portuária dentro do porto e de despachantes aduaneiros se caracterizam como verdadeiros insumos. Em suas palavras: A elevação portuária nada mais é do que uma combinação de frete destinado à venda e armazenagem, dois típicos insumos expressamente previstos nos artigos 3º das Leis do PIS e da COFINS. Para exata compreensão da essência dessa despesa suportada pela Recorrente, se faz necessário a análise do escopo e objeto do contrato. Foi firmado contrato de prestação de serviços de embarque em navios e outras avenças entre AGREX e Vale S/A (contrato nº 0248/09 apresentado em sede de fiscalização e constante nos autos), assinado em 30 de novembro de 2009, e com vigência entre 1º de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2034. O referido contrato traz o objeto em sua cláusula primeira e o teor segue transcrito na íntegra na sequência: “CLÁUSULA I OBJETO: 1.1 – Constitui objeto do presente contrato a prestação de serviços, pela VALE para a CLIENTE, relacionados com a movimentação de SOJA e MILHO em grão, a granel (“Produtos”), compreendendo: (i) a descarga dos vagões ferroviários contendo o Produto no Terminal Portuário de Ponta Madeira – PDM, Estado do Maranhão (“Terminal”), (ii) a estocagem e armazenagem do Produto para formação de lotes de exportação em ARMAZÉNS GRANELEIROS específicos (conforme indicado no item 9.1), e (iii) o embarque dos Produtos em navios (“Serviços Portuários”). 1.2 – Para o atendimento do objeto deste Contrato, poderá a VALE utilizar-se de bens e serviços de terceiros ou estabelecer algum nível de relação jurídica com terceiros. Nessas hipóteses será sempre integral e exclusiva responsabilidade da VALE o pleno atendimento da CLIENTE, para os efeitos deste Contrato, assim como de sua exclusiva e integral responsabilidade todas as obrigações derivadas da eventual relação jurídica formalizada com terceiros para os fins e atendimento do presente Contrato. 1.3 – A VALE poderá atender, dentro de suas possibilidades, quaisquer outros transportes que a CLIENTE solicitar, desde que mediante prévia negociação entre as PARTES.” Em suma, conforme se afere das cláusulas acima, o contrato traz, de forma bem definida, duas modalidades de serviços, quais sejam: (i) armazenagem das mercadorias; (ii) transporte (elevação) das mercadorias para navio destinado à venda ao exterior. Adentrando na operação propriamente dita, a mercadoria (soja e milho em grãos) chega no Terminal Portuário de Ponta Madeira no Estado do Maranhão, vindo em vagões ferroviários. Na sequência, os funcionários da VALE descarregam a mercadoria e mantém a mercadoria armazenada até a data de embarque no do navio. Antes da chegada navio que fará o transporte internacional das mercadorias há um alinhamento prévio entre as partes, dentro das condições previstas no contrato para cada tipo de embarcação. Definido o navio, a Recorrente deve apresentar à Fl. 796DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 28 VALE, antes da chegada da embarcação, o número do registro de exportação (RE) referente ao SISCOMEX para a liberação do atendimento, bem como o despacho junto a Receita Federal e ao Ministério da Agricultura e a cópia do “Bill of Landing” após o embarque. Quando o navio chega no porto, a VALE executa a terceira etapa do trabalho que consiste em carregar/abastecer o navio com a soja e/ou milho vendidos pela Recorrente. Ao final, a Recorrente efetua o pagamento à VALE de acordo com as condições estabelecidas no contrato e seus anexos, considerando a quantidade de mercadoria exportada, entre outras variáveis. Em relação ao contrato analisado acima, podemos sintetizar serviços prestados em: ARMAZENAGEM E TRANSPORTE PARA O NAVIO. Através da elucidação abaixo podemos compreender ainda melhor o que dizem os contratos: Conforme se afere da ilustração acima, a mercadoria chega até o porto de destino, geralmente via malha ferroviária, e na sequência é feito o descarregamento da SOJA/MILHO no ARMAZÉM. A toneladas de commodities ficam semanas armazenadas em coisas de clima e temperaturas adequadas para não perderem sua qualidade e, quando o navio atraca no porto toda soja/milho é transferida do armazém para dentro do navio através de grandes estruturas de engenharia que fazem o serviço de elevação das mercadorias, ou seja, transportam a soja e o milho para dentro do portão do navio. Uma vez abastecido e liberado pelas autoridades aduaneiras, o navio parte com destino ao destinatário das mercadorias. Feitas tais considerações, entendo que no caso dos autos, adotando-se o entendimento empregado no já citado REsp nº 1.221.170/PR, a questão deve ser analisada sob a perspectiva do inciso II, daquele dispositivo. É que, como mencionado no voto do Ministro Relator Napoleão Nunes Maia Filho, não há que se falar em interpretação literal do direito ao creditamento. O crédito de PIS e Cofins não consiste em benefício fiscal, tampouco é causa de suspensão ou exclusão do crédito tributário, e menos ainda representa dispensa do cumprimento de obrigações acessórias. Este decorre da própria dinâmica da não- cumulatividade de tais contribuições. Nesse sentido, a possibilidade de restrição Fl. 797DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 29 do direito creditório por parte do legislador ordinário nada tem a ver com a interpretação restritiva, nos termos do art. 111 do CTN. Assim, entendo que o mencionado inciso II, ao se referir a bens e serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, reporta-se à atividade econômica de produção ou fabricação por inteiro e não apenas a um de seus estágios específicos. Em outras palavras, pode-se dizer que o processo produtivo visto de forma ampla, não corresponde a atos de produção em sentido estrito, iniciando-se em momento anterior e se consumando na iminência da venda propriamente dita. Tal entendimento dialoga com o próprio fato gerador das contribuições para o PIS e a Cofins, que não incidem sobre a produção de bens ou prestação de serviços, mas sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica. A questão foi inclusive abordada no voto do Ministro Relator Dias Toffoli, no julgamento do RE nº 841.979/PE, nos seguintes trechos: “Como se viu, o texto constitucional não estipulou qual seria a técnica da não cumulatividade a ser observada no tratamento da contribuição ao PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Também se consignou, nas passagens anteriores, que o fato gerador dessas contribuições é deveras distinto dos fatos geradores do ICMS e do IPI. Com efeito, o ICMS pressupõe a circulação de mercadorias ou a prestação de certos serviços (isso é, serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação); e o IPI, a existência de produtos industrializados. Por seu turno, a contribuição ao PIS e a COFINS pressupõem a existência de faturamento ou de receita. Cabe ainda destacar, como já o fez Marco Aurélio Greco, que o processo formativo de um produto ou de uma mercadoria muito se diferencia do processo formativo da receita, a qual, aliás, por estar vinculada a determinado contribuinte, não se submete, propriamente, a um ciclo econômico . O mesmo se aplica quanto ao faturamento. Nesse contexto, anote-se, por exemplo, que, para a formação de receita ou de faturamento, o contribuinte poderá incorrer não só em gastos relacionados com aquele processo formativo de produtos, mas também em outros quanto a bens ou serviços imprescindíveis ou importantes para o exercício de sua atividade econômica.’ Nesse cenário, por não haver outra fase entre a produção/fabricação e a venda de determinados produtos, os gastos com (i) armazenagem das mercadorias e (ii) transporte (elevação) das mercadorias para navio destinadas ao exterior, enquanto em etapa anterior àquela de venda, deve ser analisado sob a ótica do inciso II, do art. 3º, das Leis nsº 10.637/02 e 10.833/03. A venda é o momento em que o sujeito passivo aufere a receita que será tributada, de modo que, até aquele momento, os gastos essenciais e relevantes para que tal operação possa ser executada devem ser reconhecidos como insumos. A operação de venda, em sentido estrito, é tratada em um inciso próprio, qual seja, o inciso IX. É que a partir daquele momento, findar-se-ia a atividade Fl. 798DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 30 produtiva elencada no inciso II, não podendo mais os serviços de fretes serem analisados sob aquela ótica. Nessa linha, não haveria qualquer racionalidade em uma interpretação que negasse o direito ao creditamento em relação ao serviço de armazenagem das mercadorias e transporte (elevação) das mercadorias para navio destinadas ao exterior, apenas por não se enquadrar especificamente na hipótese prevista no inciso IX. Ou seja, como se o fato de se ter utilizado na legislação a expressão frete e armazenagem “na operação de venda”, excluísse a possibilidade do creditamento dos gastos com frete em qualquer outro momento anterior à venda. No entanto, o fato de se aceitar o enquadramento de determinados tipos de fretes como insumos, não implica uma leitura do inciso II como uma “cláusula de fechamento”, capaz de abarcar qualquer bem ou serviço que guarde relação com a atividade econômica produtiva desempenhada pelo contribuinte. É realmente imprescindível que se verifique, no caso concreto, a essencialidade e relevância daquele bem ou serviço. Conforme demonstrado pela Recorrente na exposição do seu processo produtivo, entendo que os serviços de (i) descarregamento da soja/milho no armazém, (ii) armazenagem até o momento que o navio atraca no porto e toda soja/milho é transferida para dentro do navio e (iii) elevação das mercadorias que transportam a soja e o milho para dentro do portão do navio são essenciais para que se proceda com a venda das mercadorias para o exterior. [...] 2.4. Das despesas com fretes interno (entre estabelecimentos) No que se refere aos gatos com frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da contribuinte sustenta a DRJ que por serem serviços realizados após a finalização do processo produtivo dos sujeitos passivos, não poderiam ser considerados como insumos, e, portanto, não gerariam o respectivo crédito. A Recorrente, por sua vez, sustenta que seriam gastos com transporte para transferências de produtos dentro da mesma filial ou entre filiais, sendo tanto para transferência do material colhido na produção agrícola até o armazém quanto de insumos entre unidades filiais, representando, assim, etapa imprescindível para o seu processo produtivo. Com razão a Recorrente. Conforme consta do Laudo Técnico juntado, os produtos transportados nos fretes internos relacionado à colheita seriam principalmente grãos de soja e milho, enquanto aqueles relacionados à transferência de insumos entre filiais seriam os defensivos agrícolas, tais como inseticidas, herbicidas, fungicidas, além de grãos de milho e soja. Destaco, ainda, os seguintes trechos do Laudo: Fl. 799DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 31 “Gastos com armazenagem são imprescindíveis ao processo que resulta na comercialização de bens e produtos. A empresa simplesmente não pode deixar de contratá-los. A armazenagem de bens destinados a revenda e de insumos importados é essencial, está estreitamente ligada à produção e acabarão por gerar receitas à entidade.” 10.04. Qual a importância do transporte adequado dos produtos entre o estabelecimento produtivo e o armazém/silo? Qual a perda potencial caso não ocorra o referido transporte, nos prazos e condições adequados, para fins das atividades da empresa? O transporte adequado dos produtos entre o estabelecimento produtivo e o armazém é extremamente importante. Caso este não esteja dentro dos padrões necessários, pode ocorrer expressivas perdas resultantes da deterioração dos grãos e sementes. (...) Quando sob condições adversas, as sementes enfrentam uma sucessão de alterações que resultam na perda total de viabilidade, sendo estes: degradação das energias, danificação dos mecanismos de energia e síntese, redução da atividade respiratória e biossíntese, redução da velocidade de germinação, redução do potencial de armazenamento, redução de velocidade de crescimento e desenvolvimento das plantas, menor uniformidade no crescimento e desenvolvimento das plantas, menor resistência, redução no rendimento, redução da energia a campo, aumento das plântulas anormais e, por fim, a perda da capacidade de germinar.” Destaco, ainda, algumas considerações trazidas pela própria Recorrente em seu Recurso: Nessa senda, tais despesas são essenciais para a atividade da Recorrente, bem como são fretes na transferência de produtos “inacabados”, posto que grãos, os quais são limpos, analisados e apenas depois serão comercializados. Para escoar, vender ou revender estes grãos é preciso que estes sejam colhidos no momento correto e, na hipótese de não serem carregados do campo para envio direto aos clientes, é preciso que estes sejam armazenados corretamente, para que não se deteriorem, como já narrado. Notem que aqui não se trata de produtos manufaturados, industrializados, como vastíssimo prazo de durabilidade, tais como televisores, refrigeradores, celulares, entre outros, os quais podem ser manejados e armazenados ao livre arbítrio dos fabricantes, sendo produtos efetivamente acabados. Diferente é a situação da Recorrente, que produz grãos, seres vivos, são sementes, matéria orgânica, que se perde, deteriora e precisam ser transportados para que não se percam no campo. O transporte correto, para estabelecimento adequado, no tempo e condições específicos são imprescindíveis para que se tenha um alimento de qualidade, para que as sementes mantenham sua qualidade, germinem e se desenvolvam da maneira adequada. Quanto a este ponto, entendo que deve ser aplicada exatamente a mesma linha de raciocínio do item anterior, qual seja, de que, por não haver outra fase entre a produção/fabricação e a venda de determinados produtos, o frete para a transferência interna de um produto que acabou de ser produzido, enquanto em Fl. 800DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 32 etapa anterior àquela de venda, deve ser analisado sob a ótica do inciso II, do art. 3º, das Leis nsº 10.637/02 e 10.833/03. A venda é o momento em que o sujeito passivo aufere a receita que será tributada, de modo que, até aquele momento, os gastos essenciais e relevantes para que tal operação possa ser executada devem ser reconhecidos como insumos. Conforme demonstrado pela Recorrente, o frete entre as unidades se faz necessário e imprescindível como gasto inserido na logística de movimentação e até mesmo na própria qualidade dos grãos destinados a venda, representando, portanto, etapa essencial à atividade produtiva. Daí, o seu enquadramento como insumo. Nesse contexto, verifica-se que o serviço de transferência interna configura etapa indispensável para que a mercadoria chegue em condições adequadas aos seus principais locais de venda, representando gasto essencial para que se concretize o objetivo final da produção: a venda. Em outras palavras, o frete mesmo entre estabelecimentos, vincula-se diretamente à atividade produtiva, devendo ser considerado, portanto, como insumo. Assim, entendo que devem ser revertidas as glosas relativas às despesas, devidamente comprovadas, com frete na transferência de produtos entre estabelecimentos. 2.5. Despesas com frete de produtos alíquota zero Como relatado, a r. decisão recorrida manteve as glosas relativas aos fretes de produtos adquiridos à alíquota zero, uma vez que não seria permitido o cálculo de créditos sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento de contribuições, nos termos dos art. 3º, §2º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. A Recorrente, por sua vez, sustenta que a essencialidade dos produtos transportados conferiria aos fretes essencialidade no processo produtivo da Recorrente. Sobre o tema, destaco que o artigo 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, vedando expressamente em seu §2º, inciso II, apenas o aproveitamento de créditos decorrente da aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como Fl. 801DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 33 insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e Como antecipado, do teor do referido dispositivo não há dúvida de que a limitação ao direito creditório se refere tão somente aos bens/serviços não tributados ou sujeitos à alíquota zero, inexistindo na legislação qualquer vinculação entre o direito ao crédito pelo serviço de transporte prestado (frete) e a tributação do bem transportado. Assim, os serviços de transporte utilizados na aquisição de insumos, apesar de integrarem o custo de aquisição dos bens adquiridos, possuem análise autônoma e tratamento tributário independente da carga transportada (isto é, se sujeitam à incidência de tais contribuições), sendo, portanto, possível o desconto de créditos dada a sua essencialidade ao processo produtivo. Pelo exposto, entendo que devem ser revertidas as glosas relativas aos gastos, devidamente comprovados, com fretes na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. 2.6. Despesas incorridas com a empresa Ferrolease; Quanto às despesas com aluguel de vagões incorridas junto a Ferrolease, entendeu a DRJ que, como vagões não são considerados máquinas, mas veículos, tais gastos não estariam aptos a gerar créditos da não-cumulatividade. A Recorrente, por sua vez, sustenta que poderia tal despesa ser classificada como aluguel de máquinas e equipamentos, já que seria óbvio que não se estaria diante de veículo, pois não há no vagão autonomia para deslocar-se sozinho ou transportar algo por si só. Por fim, sustenta que o próprio capítulo 86 da TIPI faz referência de forma segregada a “veículos e material para vias férreas ou semelhantes, e suas partes”, diferenciando, portanto, vagão de locomotiva. Com razão a Recorrente. Conforme demonstrado no Recurso Voluntário, trata-se de vagões que não possuem nenhuma autonomia para se deslocar sozinhos. O vagão é um equipamento que será acoplado a um veículo (locomotiva ou trem) para transporte de produtos e/ou pessoas. O vagão não se move sozinho e, portanto, não pode ser tratado como se veículo fosse. Vejamos algumas imagens: Fl. 802DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 34 Ademais, entendo que a Recorrente foi capaz de demonstrar a sua utilização no processo produtivo. Sustenta que o elevado volume de suas mercadorias destinadas à exportação é escoado por meio de portos, sendo que o transporte ocorre em grande parte exatamente por meio de ferrovias. O laudo técnico apresentando bem destaca a questão: Os principais serviços portuários e aduaneiros indispensáveis nas atividades de exportação dentro do contexto operacional da AGREX DO BRASIL são: i) locação de vagões de carga; e ii) a elevação portuária (Cesta de Serviços ou Box Rate). Tais serviços são indispensáveis nas atividades preponderantes da empresa, considerando o contexto de mercado externo. Para que os grãos e sementes produzidos e adquiridos pela empresa sejam exportados, estes devem percorrer as distâncias entre local de produção e local de exportação, ou seja, o porto. Considerando a AGREX DO BRASIL, são utilizados 5 portos, sendo eles São Luís, Aratu, Tubarão, Santos e Paranaguá e 3 Ferrovias, sendo elas Ferrovia Norte-Sul S.A., Ferrovia Centro-Atlântica, Estrada de Ferro Vitória a Minas e também é utilizado o transporte rodoviário. No Porto é realizado o recebimento da carga dos vagões de trem, que serão armazenados do momento que o grão chega no porto até a sua elevação aos navios Verifica-se, portanto, que os gastos com a locação de vagões advêm da necessidade de se ter o transporte ferroviário à disposição, em especial pelo elevado custo do transporte em si. Nesse contexto, sendo os vagões facilmente enquadráveis como equipamentos essenciais para o processo produtivo da Recorrente, entendo não haver dúvida a respeito da possibilidade dos gastos com aluguéis, com base no inciso V das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Pelo exposto, entendo que também quanto a este ponto, a glosa deve ser revertida. [...] Cumpre ressaltar que a edição das Súmulas CARF nº 2171 e 2322 não interferem na conclusão adotada nos tópicos 2.3 Das despesas com serviços portuários/aduaneiros e 2.4 Das despesas com frentes interno (entre estabelecimentos), vez que, no presente caso, em razão das particularidades da atividade econômica desenvolvida não se trata de produtos acabados, mas de grãos e sementes (matéria orgânica), que se perdem, deterioram e precisam ser transportados para que não se percam no campo, sendo essencial o transporte correto, para estabelecimento adequado, no tempo e condições específicos, para que as sementes mantenham sua qualidade, germinem e se desenvolvam da maneira adequada, até a efetiva exportação, de modo que se entendeu que tais fretes e serviços portuários se enquadram na condição de insumo do processo 1 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. 2 As despesas portuárias na exportação de produtos acabados não se qualificam como insumos do processo produtivo do exportador para efeito de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS não cumulativas. Fl. 803DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 35 produtivo, sendo autorizado o creditamento das contribuições ao PIS e da COFINS, nos termos do artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ainda, considerando que, no que se refere ao frete entre estabelecimentos de produtos em elaboração, o v. acórdão recorrido já havia reconhecido o direito ao aproveitamento de créditos da não-cumulatividade na condição de insumo, mas manteve a glosa no caso em concreto em razão da falta de segregação entre fretes de produtos acabados e fretes de produtos em elaboração, sendo reconhecida a condição de produtos em elaboração aos produtos transportados pela recorrente até a efetiva exportação, devem ser revertidas integralmente as glosas sobre fretes internos. Por fim, no que se refere ao tópico 2.5 Despesas com frete de produtos alíquota zero, merece referência que este e. CARF editou a Súmula CARF nº 188, estabelecendo que “[é] permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições”, o que impõe o reconhecimento do direito creditório ora pleiteado. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para o fim de reverter as glosas relativas aos gastos com (i) fretes, devidamente comprovados, na transferência de produtos entre estabelecimentos; (ii) fretes, devidamente comprovados, na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero; e (iii) despesas com aluguel de vagões incorridas junto a Ferrolease. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias impertinentes à presente controvérsia (tópicos III. 3.1 Crédito sobre Despesas com Bens para Laboratório de Análises, Testes e Serviços de Análise de Solos e Qualidade, III. 3.2 Do Crédito sobre Combustíveis e Lubrificantes, III. 3.4 Do Crédito sobre Despesas com Bens Incorporados ao Ativo Imobilizado, III. 3.7 Do Crédito sobre Despesas com Partes e Peças de Reposição Utilizadas em Máquinas e Equipamentos (Outras Operações com Direito ao Crédito) e III. 3.8 Dos Créditos Vinculados às Receitas Suspensas – Saídas no Mercado Interno) e que não foram objeto de manifestação de inconformidade (tópico III. 3.9 Da Apropriação de Créditos Extemporâneos – Legalidade), e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para o fim de: reverter as glosas relativas aos gastos com (i.) serviços de (i.1) descarregamento da soja/milho no armazém, (i.2) armazenagem até o momento que o navio atraca no porto e toda soja/milho é transferida para dentro do navio e (i.3) elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio, (ii) fretes devidamente comprovados, na transferência de produtos entre estabelecimentos; (iii) fretes, devidamente comprovados, na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero; e (iii) despesas com aluguel de vagões incorridas junto a Ferrolease. Fl. 804DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 36 Assinado Digitalmente Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues VOTO VENCEDOR Conselheiro Pedro Sousa Bispo, redator designado Na sessão de julgamento, o Colegiado divergiu do voto do ilustre Conselheiro Relator na análise do recurso voluntário do presente processo, especificamente, por voto de qualidade, quanto a reversão da glosa de créditos calculados sobre as seguintes rubricas: despesas portuárias (serviços de descarregamento da soja/milho no armazém, elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio) e fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos. Então, fui designado a redigir o voto vencedor, motivo pelo qual apresento abaixo as razões de decidir. Para a solução da lide, oportuno a delimitação do conceito de insumo aplicável às contribuições em comento (COFINS e PIS/PASEP), em consonância com os artigos 3º, inciso II, das Leis nº10.637/02 e 10.833/03, principalmente para saber quais são os insumos que conferem, ou não, ao contribuinte o direito de apropriar créditos sobre suas respectivas aquisições. Conceito de insumo No que concerne aos bens e serviços utilizados como insumos, a recorrente sustenta que a glosa de créditos efetuadas e ratificadas pelos julgadores da DRJ, em igual sentido, ancoraram-se em uma interpretação restritiva do conceito de “insumo” para PIS e COFINS, a qual não se coaduna com o princípio da não cumulatividade previsto no parágrafo 12 do artigo 195 da Constituição Federal, a exemplo da posição de expoentes da Doutrina e dos mais recentes julgados proferidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Após intensos debates ocorridos nas turmas colegiadas do CARF, a maioria dos Conselheiros adotou uma posição intermediária quanto ao alcance do conceito de insumo, não tão restritivo quanto o presente na legislação de IPI e não excessivamente alargado como aquele presente na legislação de IRPJ. Nessa direção, a maioria dos Conselheiros têm aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que eles sejam empregados indiretamente. Transcrevo parcialmente as ementas de acórdãos deste Colegiado que referendam o entendimento adotado quanto ao conceito de insumo: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da Fl. 805DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 37 legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. (Acórdão 3402-003.169, Rel. Cons. Antônio Carlos Atulim, sessão de 20.jul.2016) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...). (Acórdão 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) Essa questão também já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo que se amolda aquele que vinha sendo usado pelas turmas do CARF, tendo como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Reproduzo a ementa do julgado que expressa o entendimento do STJ: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. Fl. 806DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 38 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Vale reproduzir o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, para se decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS não- cumulativo é necessário que cada item reivindicado como insumo seja analisado em consonância com o conceito de insumo fundado nos critérios de essencialidade e/ou relevância definidos pelo STJ, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005, para então se definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Embora o referido Acórdão do STJ não tivesse transitado em julgado, de forma que, pelo Regimento Interno do CARF, ainda não vincularia os membros do CARF, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF3, com a aprovação da 3 Portaria Conjunta PGFN /RFB nº1, de 12 de fevereiro de 2014 (Publicado(a) no DOU de 17/02/2014, seção 1, página 20) Art. 3º Na hipótese de decisão desfavorável à Fazenda Nacional, proferida na forma prevista nos arts. 543-B e 543-C do CPC, a PGFN informará à RFB, por meio de Nota Explicativa, sobre a inclusão ou não da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013. § 1º A Nota Explicativa a que se refere o caput conterá também orientações sobre eventual questionamento feito pela RFB nos termos do § 2º do art. 2º e delimitará as situações a serem abrangidas pela decisão, informando sobre a existência de pedido de modulação de efeitos. Fl. 807DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 39 dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, 4 c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. Nesse mesmo sentido, a Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de § 2º O prazo para o envio da Nota a que se refere o caput será de 30 (trinta) dias, contado do dia útil seguinte ao termo final do prazo estabelecido no § 2º do art. 2º, ou da data de recebimento de eventual questionamento feito pela RFB, se este ocorrer antes. § 3º A vinculação das atividades da RFB aos entendimentos desfavoráveis proferidos sob a sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC ocorrerá a partir da ciência da manifestação a que se refere o caput. § 4º A Nota Explicativa a que se refere o caput será publicada no sítio da RFB na Internet. § 5º Havendo pedido de modulação de efeitos da decisão, a PGFN comunicará à RFB o seu resultado, detalhando o momento em que a nova interpretação jurídica prevaleceu e o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. (...) 4 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Art. 19. Fica a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II - matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III -(VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o - (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 808DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 40 créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. No caso concreto, observa-se que o julgamento da DRJ se deu balizado no conceito de insumo atualmente adotado pela RFB para fins de creditamento de PIS e Cofins, que segue os parâmetros definidos pelo REsp 1.221.170/PR, os quais foram consolidados no Parecer Normativo Cosit nº 05, de 2018. De acordo com o referido Parecer Normativo, a decisão proferida pelo STJ é vinculante para a Secretaria da Receita Federal do Brasil em razão do disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014, e nos termos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF. Dito isso, passa-se à análise das glosas. Despesas aduaneiras com movimentação (serviços de descarregamento da soja/milho no armazém e elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio) Este tópico trata de despesas portuárias para a movimentação de produtos exportados. Com relação às despesas portuárias, o CARF pacificou o entendimento por meio da súmula CARF nº232, in verbis: Despesas portuárias na exportação de produtos acabados não configuram insumos para fins de crédito de PIS/COFINS. Como se sabe, as súmulas CARF são de obediência obrigatória pelos julgadores do CARF. Fl. 809DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 41 Deve ser mantida, portanto, a glosa. Fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos A glosa desse tópico refere-se a créditos calculados pelo contribuinte sobre despesas com fretes em transferências de bens acabados entre seus estabelecimentos. Segundo a descrição dos fatos do auto de infração, a glosa alcança as transferências de produtos acabados e para esse tipo de despesa não há previsão legal para a tomada de créditos relativamente aos serviços de transporte. A recorrente se insurge contra a conclusão do auto de infração afirmando que, na verdade, o frete da transferência do produto acabado faz parte do processo de venda. Tal situação não descaracteriza o processo de venda nem de produção como um todo, posto que no primeiro caso equivale ao custo de transporte a vencia direta. Assim, com base no inciso IX do artigo. 3º da Lei nº 10.833/03, entende que a glosa deve ser revertida. Sem razão a Recorrente. Pode-se assim resumir a possibilidade de geração de créditos na sistemática da não cumulatividade para as empresas quanto aos fretes: i)na compra de mercadorias para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (artigo 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo do inciso I do artigo. 3° da Lei n° 10.833/03; ii)nas vendas de mercadorias, no caso do ônus ser assumido pelo vendedor, nos termos do inciso. IX do artigo. 3º da Lei nº 10.833/03; e iii)o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3° da Lei nº10.833/03. No caso concreto, observa-se, pelos documentos juntados, que as despesas com fretes tratam em parte do transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa. Desta feita, o transporte de produtos acabados da fábrica para outros estabelecimentos da empresa não se enquadram em nenhum dos permissivos legais de crédito citados, pois não possui qualquer identidade com aquele frete que compõe o custo de aquisição dos bens destinados a revenda, não se confunde também com o frete sobre vendas, naquele que o vendedor assume o ônus o frete, tampouco pode ser considerado insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem, já que as operações de fretes ocorrem no período pós produção. Fl. 810DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 42 Nesse mesmo sentido, foi o voto proferido pelo Conselheiro José Fernandes, no acórdão nº 3302003.212, de 16.05.2016, conforme trecho da decisão, a seguir parcialmente transcrita: De acordo com os referidos preceitos legais, infere-se que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre estabelecimentos fabris integra o custo produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, pelas razões anteriormente aduzidas, há direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matérias-primas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, certamente, durante o ciclo de produção ou fabricação haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, dar-se-á de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção (matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: (...) Em suma, chega-se a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: Fl. 811DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 43 a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10.637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferências dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. (negritos nossos) Ademais, o Parecer Normativo COSIT/RFB/ nº 5, de 17/12/2018, ao delimitar os contornos do REsp 1.221.170/PR, sobre essa questão definiu esse mesmo entendimento em seu item 5 (gastos posteriores à finalização do processo de produção), o seguinte: 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. Fl. 812DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.967 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.733955/2018-71 44 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. ... 59. Assim, conclui-se que, em regra, somente são considerados insumos bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica durante o processo de produção de bens ou de prestação de serviços, excluindo-se de tal conceito os itens utilizados após a finalização do produto para venda ou a prestação do serviço. Todavia, no caso de bens e serviços que a legislação específica exige que a pessoa jurídica utilize em suas atividades, a permissão de creditamento pela aquisição de insumos estende-se aos itens exigidos para que o bem produzido ou o serviço prestado possa ser disponibilizado para venda, ainda que já esteja finalizada a produção ou prestação. (negritos nossos) Nesse sentido, a recentíssima súmula CARF nº 217 também veda o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Assim, com base nessa motivação, deve ser mantida a glosa. Dispositivo Diante do exposto, entendo que devem ser mantidas as glosas sobre as seguintes rubricas: despesas portuárias (serviços de descarregamento da soja/milho no armazém e elevação que transporta a soja e o milho para dentro do porão do navio) e fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo Fl. 813DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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Numero do processo: 00000.845600/28-78
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 1979
Ementa: FALTA APURADA EM CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO - O fato gerador do imposto de importação é a entrada da mercadoria estrangeira no país, materializando-se, quanto à mercadoria em falta, o fato gerador ficto. Também, na chegada do navio são levados ao conhecimento das autoridades aduaneiras os elementos, necessários à apuração da falta. O "dólar fiscal" e alíquotas tarifárias a serem utilizados no cálculo do crédito tributário são os vigentes nessa ocasião.
Numero da decisão: 302-24.471
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Sálvio Medeiros Costa, que negou, e Levy Valério de Oliveira, Raimundo José Alves Gonçalves e Edwaldo Reis da Silva, relator, que deram provimento parcial, para considerar como data de referência para cálculo do tributo a da conferência final de manifesto, na forma do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Relator designado João da Silva Araújo.
Nome do relator: EDWALDO REIS DA SILVA

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JJ__9.B...•.Jhl.D.D.º de 197 __~ . Recurso n.• 93.427 - Processo ACORDÃO N.o_?A~_~D_ nº OB45/60028/78 • Recorrente Recorrld AGtNCIA MARÍTIMA DICKINSON S/A DRF- SANTOS FAL TA APURADA EM CONFERtNCIA FINAL DE MANIFESTO - O fa- to gerador do imposto de importação é a entrada da mer- cadoria estrangeira no pais, materializando-se, quanto' à mercadoria em falta, o fato gerador ficto. Também na chegada do navio são levados ao conhecimento das autori dades aduaneiras os elementos necessários à 'apuração dã falta. O "dólar fiscal" e aliqu_otas tarifárias a serem' utilizados no cálculo do crédito tributário são os vi- gentes nessa ocasião. Visto, relatado e discutido o presente processo, ACORDAM os membros da 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, , vencidos os ConselheirosSálvio Medeiros Costa, que negou, e Levy V~ lério de Oliveira, Raimundo José Alves Gonçalves e Edwaldo Reis da I ~ Silv~, ~elator, que deram provimento parcial, para considerar como' data de referência ara cálculo do manifesto, na forma do relatório e votos que passam a integrar o pr~ sente julgado. Relator designado João da Silva Araújo. 11 de junho de 1979. -Presidente -Relator designado. ANJOS-Procurador da Faz. Nacional. presente julgamento os seguintes I Conselheiros. EDUARDO NOGUEIRA DA GAMA, ENILA LEITE DE FREITAS CHAGAS e EDUARDO JORGE PEREIRA JUNIOR. -2- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MF- TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, SEGUNDA CAMARA RELATOR Desig. JD~O DA SILVA ARAÚJO RECORRENTE RECDRRIDA AGtNCIA MARíTIMA DICKINSON S/A. DRF - SANTDS Rec. 93.427 Ac • 24.471 • • R E L A T Ó R I O Em ato de conferência final do manifesto nº 1.174/73, do navio "RIO SAN JUAN", entrado no porto de Santos a 09/05/73, fo- ramapurados extravios de volumes, sendo apontada como respons~- '.vel a empresa transportadora, representada.pela agência marítima' acima indicada, da qual se exigiu, pelo Auto de Infração de fls. 1, datado de 22/06/78, indenização do Imposto de Importação, re- ferente às mercadorias em falta, além da multa prevista no art.' 106, inciso 11, alínea "dO, do Decreto-lei nº 37/66. Dentro do prazo legal, a autuada impugnou .a exigência a- penas no tocante ao seu valor, sob o fundamento de que o c~lculo do tributo teve por base a taxa de câmbio e as alíquotas vigora~ tes na data do auto de infração, quando deveriam ser utilizados' os valores vigentes à época da importação. Reconhece, portanto,' as ocorrências apuradas - faltas e acréscimos - e admite sua re~ ponsabilidade pelas mesmas. Alega ainda que a ausência das Decla rações de Importação nos autos constitui cerceamento do seu direi to de defesa, e pede a juntada das mesmas e consequente abertura de nova audiência. Contestou a fiscalização autuante às fls. 10/11, argume~ tando que a ação fiscal se estribou na Orientação Normativa Inrer na nO 30/76, 'da Coordenação do Sistema .de Tributação.---=--~--.--.Aautoridade ..singula.r-.-pela dec_isão de fls_.12/17, jLJlgou 4.~. ,r;n P; s.c.al,..--LUD.damentando-seem disoosicões do De- creto-lei nº 37/66 e Decreto nº 63.431/68, bem como na Orientaçoo Normativa Interna nº 30/76, citando ainda o art. 143 do CTN. Tempestivamente, a interessada recorre a este Conselho' (fls. 22/23, lê), reiterando as mesmas razões da impugnação. ~ o relatório.~ SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Rec. 93.427 Ac 24.471 -3- v O T O " . A questão suscitada no processo a a de saber-se que alíquota e taxa,de c~mbi~ devem ser aplicadas para cálculo do imposto, no ' caso do fato gerador ficto estabelecido no parágrafo ~nico do art. lº do Decreto-lei 37/66. " Este, depois de estabelecer, concorde com o C.T.N., que o fato gerador do Imposto de Importação a a entrada da mercadoria es trangeira no território nacional ( caput do art. lº) estatue no seu parágrafo ~nico, a. figura do mesmo fato gerador, param ficto, ao ' considera~, para efeito da ocorr~ncia do fato gerador, como entra- da no território nacional, a meroadoria qu~ constar como tendo si- do importada, mas posteriormente achada em falta. Esse dispositivo se apoia no art. 116 do C.T.N., pois consideia ocorrido o mesmofa to gerador quando se reunem as circunst~ncias materiais constcinte' do manifesto, do conhecim~nto de carga ou documentos equivalentes- necessárias' a que produza OS efeitos que normalmente lhe são pró-'. . ptios, ou sejam, ~ descarga da mercado~ia, sua entrada no territó- " ". rio nacional. E nenhuma disposição "do Decreto-lei 37/66 ou de outra qualqueL lei dispõe em contrário. E portanto estatue que o mesmo fato gerador ficto ocorre ' no momento estabelecido no .caput do art. lº. O fato de haver empregado o mesmo parágrafo~nico a expre~, sao "cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira", t. 23 arágrafo ~nico, tem levado à interpr~ tação segundo a qual o fato gerador do imposto ocorre no momen em que a autoridade aduanei~a apura a falta referida, resultando' dai conclusão de que a aliquota e taxas cambiais a aplicar sejam ' .a-s-d'a'qt)"e-l-e-mGm-e-R.t.Q~----.:-:- ::- c-;:: -'- _ " -. ---Ta'l-rnt-e-rpretação,-data .vênia,_[JãD~encontra apoio na lei~ no- d'j:TBY 'O~-A'8 ~ . ~."~ . _ _....8, Com efeito, uma mercadoria consta como tendo sido import~- da quando constante de manifesto, conhecimento de carga ou docume~ tDS equivalentes, e desde o momento em que o veIculo condutor (na- 0. • • via, avião et.c... )'entra no porto ou' local 2\ que, segundo tais docu \ _,ment~s, se. destina tal merc'cid~ria, e' a 'autoridadeaduaneira recebe' .~ ~ais documentos •.Recebendo, outross~m,. as folhas de descarga das' • -segue- " i SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Rec. 93.427 Ac • 24.471 -4- • mercadoriai; tem, nesse momento, conhecimento de qualquer falta de mercadoria que deveria ter sido descarregada. Aquele,o momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tribut~ria, tanto para ~s mercadorias efetivamente descarregadas,' como para aquelas q~e porventura venham a ser encontradas em fal- ta; com relação às últimas, o fato gerador é ficto, isto é,consi- dera-se a meicadoria em falta combrealmeote entrada no territ6rio nacional, entrada que ocorre desde o momento em que ocorreria o fa to. gerador real se não houvesse a falta. Interpretar'-se de outra inanei'rà, darido como ocorrido o fato gerador ficto de que se trata em outro momento, seria admitir-se a •. possibilidade jurídica de criar a simples lei tribut~ria fato ger~ dor, ainda que ficto~ diverso do previsto no art. 19 do C6digo Tr! but~rio Nacional - lei complementar da Constit~ição, de maior hie- rarquia. Tal possibilidade jurídica te~ sido rechassada pelo Supremo Tribunal Fed~ral, co~o se vê, entre outros, dos ac6rdãos proferidos. nos Agravos nº 74. 526-in DJ. de 05/10/78, 74. 389-in 'DJ. 10/10/78 e 74.597.1, in DJ 16/03/79; declarando est", em sua ementa, que "o ' artigo 23, do Decreto-lei nº 37, de 1966, que considera ocorrido o fato gerador do Imposto de Importação na data do registro na repa~ tição aduaneira da respectiva declaração, não pode prevalecer sobre a disposição sobranceira do artigo 19 do C6digo Tribut~rio Nacio- ~. segundo o qual o fato gerado.r é a entrada ,do produto estrang~ 1'0 no terri't6rio nacional" (os grifos não são do ori i aI Ora, se disposiç.ão expressa de lei não pode prevalecer, mui to menos simples interpretação da mesma lei que venha conflitar com aquela disposição de lei Comple~éntar da Constiruição, como é o C6digo Tribut~rio Nacional . ._~_. .._...__ .lal_int er.pT-e-tação.-f.e-r-i-l'-ia.re goras e.l.ement.a1'8 s-de-h enn en ecrt'i- ca e f.erir; a o_prLf.lº-rQ~.a-9.ã.-84'=ªffl,l:t*.a dD,3 :L-e:i"-=.-------- --_ .. Por outro lado, apurar uma falta de mercadoria presupoe que. ' a mesma tenha sido consfderada como entrada, e a falta ocorrido a!:'. tei de qualquer início do procedimento da apuração, o que exclue a p'ossibilid,ade .de s'e tomar 'Como momento da ocorrência do fato gerador o ,da apuração posterior dei mesmo ,fpto j~ antes o'corrido. \~ '_ O C60igo Tribut~rio Nacional dispõe no art. 143. que quando' ~ "6'\alor tribut~ve,l esteja expresso em ~oeda estrangeira, no lança- -segue- lan~amento far-se a sua conversa0 em moeda nacional ao cãmbio do dia da ocor'iênci'ado fato gerador, não haven.do no Decreto-lei 37/66 qu~lquer -disposição em contr~rio. E no artigo 144, imperativamente disp~e que "o lançamento re- porta-se ~ data da ocoriência do fato gerador da obrigação e ~ege- ~e pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou re'\.Jogadatt• A interpretação do par~grafo único do art. 23 do Decreto-lei' 37/66 h~ de ~er feita em confo~midade com tais disposiç~es do C.T.N., lei cogente para a Uniao, os E~tados eos Município, e de tais disposiç~es ~ão pode diveigir. Ora, em nenhum momento o Decreto-lei 37/66j e o Decreto nQ' 63.431/68~ disp~em de modo diverso sobre a taxa de c~mbio a ser utilizada na conver;ão da moeda estrangeira, no caso, tornando-se assim, obrigat6ria a aplicação do art. 143 do C.T.N. Em nenhum momento diz que deve' ser aplicada aliquota di~ersa' da correspondente ao momento da ocor~ênci~ do fato gerador estabe- lecido na caput do art. lQ do Decreto-lei 37/66, em consonância com o art. 19 do C6digo Tiibut~rio Nacional. E isso se torna pa{ente na an&lise do Decreto nQ 63.431/68,' que ~egulamentando especificamente a conferência final do manifes- to, disp~e, expressamente, que a mercadoria ficar~ sujeita aos tri bu~os vigentes na data do respectivo fato gerador, que não define, limitando-se a repetir a norma do par~grafo único do art. lQ do De creto-lei 37/66, e que os valores expressos em moeda estrangeira I serão convertidos em moeda nacio~al ~ taxa de ~imbib vigente naqu~ la mesma os é a prevista no caput do artigo lQ do Decreto-lei 37/66. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. .. • • SERVIÇO PÓSLICÓ FEDERAL Rec. 93.427 Ac . 24.471 -5- -11 ! I i i i r I , I i ! i I J ( Relatür / / -_._----- SERVICO PÚBL.ICO FEDERAL. v O T O V E N C I D O i I Rec. 93.427. Ac .,24.471 -6- e, ;;r • • Relativamente à data de referência para cálculo do 1.1. de- vid6, a título de indenizaçio, pelo transportador, no caso d~ fal ta de mercadoria, apurada em conferência final de manifesto, de ' acordo com as regras do Decreto nQ 63.431/68, a Administraçio Fi~ cal tem-se pronunciado algumas v~z~s., sem, entretanto, chegar-se' a entendimento uniforme. ~Vale'menciona~, a respeito, os seguintes atos: a) Ato Declaratório nQ 880/125/Q5, da S.R.R.F. - 8ª Regiio, segundo o qual era o transportador' responsabilizado pela indeniza çio do Imposto de. Importaçio nio recolhido pelo importador, por ' ocasiio de despacho; na.quantia indicada em D.I. "pro-forma" ali'. prevista; , b) O.N.I.nQ 30/76, de 2/06/76, da Cooidenaçio do Sistemade-- -,., ..Tributaçao da S.R.F., declarando que a taxa do dolar e al~quotas' aplicáveis sio as vigentes na datada intimaçio prevista no art. 26 d~ Dec~eio nQ 63.431/68; c) Parecer Normat}voCST nQ 56/77 (D.O.U.- de 31/08/77), en ". - tendendo que a taxa de conversão, alíquotas e demais disposições' pertinent~s eram as vigorantes na data prevista no art. 27 do mes mo Decreto nQ 63.431/68, para intimação do responsável pelo reco- lhimento do tributo; d) e O.N.I. nQ 15/77, de 16/09/77, da mesma C.S.T.,esclare- cendo que a apuração se aperfeiç6a, "ex vi" d~ disposto no art. ' eto nQ 63.431/68, na data em que o responsável for inti mado "a recolher o que for devido"; Dispõe o Decreto-lei nQ 37/66, no ~rt. lQ, reproduzindo, aliás, o preceito do a~t. 19 do Código Tributá~io Nacional ( lei -nQ~,.-1"7-2-/-66,),_qy'e-º-lmpostode Importação tem como fato gerador a -entrada da"mercadoria impor teda no _territór~o naciona1:;e-ach:Jz,--1,-__ no"fJ-aTag.ra'f~e=ci,Ü1C-G"'_="'i.•H3~e.s.a;l-LatJL.,gerado r se presume" oeor rido tem bé~ em relação às mercadorias manifestadas, e cujafa1~8ITenna a se~ .apurada pela autoridade aduaneira. Por outro lado, em seu art. 23, o mesmo di~loma legal consi gera, para efeito concreto e prático dê arrecad'8.çio, ocorrido o I fato imponível, tratando':'s~d~.me~cadoria despacha'da para consumo, na data do registro 'da respectiva D.ecl'araçiod~ Importação; • SERVICO PÚBLICO FEDERAL "Rec. 93.427 Ac • 24 •.471 -7- . , parágrafo único, aduz que, quando houver falt~, na forma do art •lQ, parágraf~ único, ficará a mercadoria "sujeita aos tributos' vigorantes na data em que a autoridaae aduaneira apurar a falta, ou dela tiver conhecimento". apurada pe.- final de ma conhecida e conferaricia Assim, seja o extravio de mercadoria conhecido ou apurado por o~asiio da descarga da m~rcadoria, ou de súaconferancia adu aneira, ou da ~onfetancia final de manifesto, entendo que as alI quotas e valores tributáveis serão sempre os vigotantes na data' desse conhecimento ou apúração, seguindo-se as medidas pr~cessu- ais - fiscais tendentes a cobrança da indenização devida ~ Fazen da Nacional, isto,é, a notificação de lançamento do crédito tri- butário ao resp~nsável pela falta ou extravio, o direito deste a impugnação da exigancia, o julgamento do feito ~ela autoridade ' .de primeira instância, etc. No caso .sob exame, a falta s6 foi la autoridade aduaneira no ato formal da • • nifesto, ou seja, o proc~dimento administrati~o;- fiscal pr6prio, consistente no cànfronto dos registros de descarga com o manifes .to do navio ou dçcumento.de efeito equivalent~, ocasião em que' foi lavrada a representação de fls~ 2, prevista no art. 25, S lQ, do Decr~to nº-63.431/68, que regulamenta a espécie. Só em data' posterior ioi efetivado o lançamento-do crédito tri~utário, pelo auto de infração de fls; 1, medidaque.corresponde a prevista no •art. 26 do citado Decreto nQ 63.431/68 . Assim, por entender qui, nos precisos termos do disposto' afo único do art. 23 do Decreto-lei nº 37/66, as alIqu£ tas e taxas de conversão ~pliGavéis são, no_caso sob exame, as ' vigorantes na data da conferancia final de manifesto, dou provi- mento ao recurso, em parte, para que seja tomada como referancia -.-pa-r-a-G-álc.u~o--do:-Imp_o_~Lt_o---º-ª--!fl1p-ºrtaçiiodevido a data da represe ~ _ tação-de fls.'B2, previ-sta AO citado_art. 25_,~ l_º, do Decreto' - ~~#-'6i'l;""~""=====~================~ Sala de Sessões, 11 de junho l~ 1979 ~WÀLDO Relator. ILVA 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007

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Numero do processo: 10725.720127/2012-79
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis, a título de despesas médicas, os pagamentos feitos a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, relativos ao contribuinte e a seus dependentes, desde que comprovados por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-010.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Heitor de Souza Lima Junior (substituto[a] integral), Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Luciana Costa Loureiro Solar, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES

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REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis, a título de despesas médicas, os pagamentos feitos a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, relativos ao contribuinte e a seus dependentes, desde que comprovados por documentação hábil e idônea. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Heitor de Souza Lima Junior (substituto[a] integral), Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Luciana Costa Loureiro Solar, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Heitor de Souza Lima Junior. Fl. 66DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.028 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10725.720127/2012-79 2 RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Cuida-se de Notificação de Lançamento, fls. 5 a 12, relativa ao Imposto de Renda de Pessoa Física, exercício 2008, ano-calendário 2007 que formalizou a exigência do crédito tributário assim discriminado: Imposto de Renda Suplementar (cód. 2904)...........R$5.315,22 Multa de Ofício.......................................................R$3.986,41 Juros de Mora (até 29/12/2011)..............................R$2.038,38 Total........................................................................R$11.840,01 Na revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, procedeu-se ao lançamento de ofício do Imposto de Renda, originário das alterações promovidas conforme demonstrativo de fl. 11, momento em que foram detectadas as seguintes infrações: dedução indevida de despesas médicas (R$15.000,00), de pensão alimentícia (R$1.934,37) e de previdência oficial (R$ 1.165,00), além de omissão de rendimentos (R$1.287,98). Cientificado do Lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2 e 3, na qual ratifica os valores recebidos da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, bem como o desconto previdenciário sofrido na Cooperativa de Prestação de Serviços – Coopertitel e com pensão alimentícia descontada pela Prefeitura Municipal de Casimiro de Abreu, porque todos foram declarados de acordo com os comprovantes fornecidos pelas fontes pagadoras. Quanto à despesa médica no valor de R$15.000,00, pago à profissional Soraia Matilde Freitas Cesário Cordeiro, junta declaração especificando o beneficiário e local do tratamento como descrito no motivo da glosa fiscal. Ao final, pugnou pelo cancelamento da exigência fiscal. Cientificado da decisão de primeira instância em 13/03/2017,a qual julgou a impugnação procedente em parte, o sujeito passivo interpôs, em 06/03/2017, Recurso Voluntário, alegando, em apertada síntese, que: a) as despesas médicas estão comprovadas nos autos É o relatório. VOTO Conselheiro Marcelo de Sousa Sateles, Relator Fl. 67DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.028 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10725.720127/2012-79 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Primeiramente, deve-se esclarecer que a fiscalização constatou as seguintes infrações: - dedução indevida de despesas médicas no valor total de R$15.000,00; -dedução de pensão alimentícia de R$ 1.934,37; - dedução indevida de previdência oficial no valor de R$ 1.165,00; - omissão de rendimentos recebidos de R$1.287,98. A decisão de piso julgou a impugnação procedente em parte, tendo sido mantido parcialmente o crédito tributário lançado (fls. 48/51), onde foi restabelecida integralmente a dedução de pensão alimentícia de R$ 1.934,37. Em sede de recurso voluntário, o Recorrente não contesta as infrações dedução indevida de previdência oficial de R$ 1.165,00 e omissão de rendimentos recebidos de R$ 1.165,00, logo essas matérias tornaram-se incontroversas no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. Em sede de recurso voluntário, o Recorrente junta aos autos documentos emitidos pela fisioterapeuta Soraia Matilde e Cordeiro (fls. 63/64), os quais entende comprovar as despesas médicas glosadas. Portanto, o litígio recai apenas sobre a infração de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 15.000,00, tendo sido mantida pela decisão a quo por não constar o endereço profissional do fisioterapeuta emitente no documento apresentado pelo Recorrente (fls. 48/51). Antes de se passar à análise dos argumentos de defesa, veja-se o disposto no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, acerca das deduções de despesas médicas permitidas na Declaração de Imposto de Renda: Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a”). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 68DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.028 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10725.720127/2012-79 4 II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. (...) Os documentos juntados pelo Recorrente (fls. 63 e 64), em sede de recurso voluntário, não constam o endereço da profissional emitente tanto do recibo como da declaração, logo não há reparo a ser feito na decisão de piso. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, nego-lhe provimento. Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles Fl. 69DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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