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Numero do processo: 10840.900782/2006-44
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO.
O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado.
Numero da decisão: 1003-000.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 07 82 /2 00 6- 44 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10840.900782/200644 Acórdão n.º 1003000.166 S1C0T3 Fl. 104 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 08442.68392.150803.1.3.042002 em 15.08.2003, fls. 0105, utilizandose do pagamento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), código 2372, no valor original de R$3.145,71 arrecadado em 30.04.2003 referente ao 1º trimestre de 2003 e apurado pelo regime do lucro presumido, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 0608, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 3.145,71 Valor do crédito original reconhecido: 38,44 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível Inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1438.418, de 21.08.2012, efls. 6569: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 06.09.2012, efl. 100, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.10.2012, efls. 7697, esclarecendo que: Em 30/04/2003 foi efetuado um pagamento de um Darf no valor de R$ 15.742,90 (quinze mil setecentos e quarenta e dois reais e noventa centavos), referente à CSLL do 1º trimestre de 2003, porém o valor devido era R$ 12.597,19 (doze mil quinhentos e noventa e sete reais e dezenove centavos), gerando assim um crédito de R$ 3.145,71 (três mil cento e quarenta e cinco reais e setenta e um centavos). O valor do débito de CSLL foi informado erroneamente em DCTF no valor de R$ 15.704,46. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10840.900782/200644 Acórdão n.º 1003000.166 S1C0T3 Fl. 105 3 Para a veracidade dos fatos, anexamos ao presente os seguintes documentos: Livros diários com as páginas onde consta os lançamentos contábeis que demonstra o valor devido de CSLL no 1o trimestre de 2003 R$ 12.597,19, e o lançamento no valor de R$ 3.145,71 que demonstra o valor que foi compensado através de PER/DCOMP n° 08442.68392.150803.1.3.042002, bem como o lançamento do pagamento do Darf no valor de R$ 15.742,90 referente CSLL. Assim, requer a este conselho o deferimento do pleito, a fim de que seja reconhecido o crédito no valor de R$ 3.145,71, tendo em vista que este contribuinte anexa às provas hábeis da composição e da existência do referido crédito. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido para reconhecer o direito creditório de CSLL, código 2372, no valor original de R$3.145,71 arrecadado em 30.04.2003 referente ao 1º trimestre de 2003 e apurado pelo regime do lucro presumido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10840.900782/200644 Acórdão n.º 1003000.166 S1C0T3 Fl. 106 4 favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal3. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. No voto condutor do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1438.418, de 21.08.2012, efls. 6569, consta como motivação explícita, clara e congruente para o indeferimento do pleito que "no caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, não apresentou qualquer elemento contábil que comprovasse o indébito pleiteado". Consta na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2003, fl. 23: Ficha 18A Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido 1 ° Trimestre Valor [...] 13.BASE DE CALCULO DA CSLL ......139.968,74 14.CSLL Apurada ....................................12.597,19 [...] 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10840.900782/200644 Acórdão n.º 1003000.166 S1C0T3 Fl. 107 5 21. CSLL A PAGAR ...............................12.597,19 Analisando essas informações verificase que a CSLL apurada no valor de R$12.597,19 decorre da aplicação da alíquota de 9% (nove por cento) sobre a base de cálculo de R$139.968,74 (art. 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 da Lei nº 9.,249, de 26 de dezembro de 1995 e Ato Declaratório Executivo Corat nº 27, de 27 de março de 2003). O recolhimento do tributo devido foi efetivado em quota única em 30.04.2003, porém no valor de R$15.742,90, fl. 59. Esses dados coincidem com aqueles constantes no Livro Diário do ano calendário de 2003, efls. 7689, onde está registrado: DIÁRIO GERAL DA CONTABILIDADE Período:MARÇO/2003 folha 0100 [...] DATA CONTA DEVEDORA CONTA CREDORA HISTÓRICO VALOR [...] 31/03 59520 CONTR. SOCIAL 21313 CONTR. SOCIAL CONTR. SOCIAL DEVIDA NO 1º TRIM./03 12.597,19 [...] 30/04 23313 CONTR. SOCIAL 1120 BANCO DO BRASIL S/A 101.3459 PAGTO CONF. GUIA REF. 1º TRIM./03 15.742,90 Por essa razão, tendo em vista o princípio da verdade material, cabe reconhecer o direito creditório como pagamento a maior de CSLL, código 2372, no valor original de R$3.145,71 arrecadado em 30.04.2003 referente ao 1º trimestre de 2003 e apurado pelo regime do lucro presumido. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, está comprovada como sendo erro de fato. Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de CSLL, código 2372, no valor original de R$3.145,71 arrecadado em 30.04.2003 referente ao 1º trimestre de 2003 e apurado pelo regime do lucro presumido, para compensação dos débitos confessados no Per/DComp até o limite desse crédito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.720258/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. AVERBAÇÃO JUNTO AO RGI. OBRIGATORIEDADE.
Quanto às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da respectiva DITR.
ITR. IMÓVEL INVADIDO. PERDA DA POSSE. INOCORRÊNCIA.
Não se verificando a perda da posse em função da não cessação do poder sobre o bem, dentre eles, o direito de reavê-lo de quem quer que injustamente o possua ou detenha, presente a aptidão legal para figurar no pólo passivo da obrigação tributária atinente ao ITR.
Numero da decisão: 2402-006.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. AVERBAÇÃO JUNTO AO RGI. OBRIGATORIEDADE. Quanto às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da respectiva DITR. ITR. IMÓVEL INVADIDO. PERDA DA POSSE. INOCORRÊNCIA. Não se verificando a perda da posse em função da não cessação do poder sobre o bem, dentre eles, o direito de reavê-lo de quem quer que injustamente o possua ou detenha, presente a aptidão legal para figurar no pólo passivo da obrigação tributária atinente ao ITR.
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RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. AVERBAÇÃO JUNTO AO RGI. OBRIGATORIEDADE. Quanto às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da respectiva DITR. ITR. IMÓVEL INVADIDO. PERDA DA POSSE. INOCORRÊNCIA. Não se verificando a perda da posse em função da não cessação do poder sobre o bem, dentre eles, o direito de reavêlo de quem quer que injustamente o possua ou detenha, presente a aptidão legal para figurar no pólo passivo da obrigação tributária atinente ao ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 02 58 /2 00 8- 12 Fl. 280DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento para constituição de ITR, exercício 2004, no valor principal de R$ 234.636,46, acrescido de multa de ofício (75%) e juros legais (Selic), relativo ao NIRF 5.663.0875 SERINGAL BELO HORIZONTE. Foram apuradas as seguintes infrações: 1 Área de Preservação Permanente não comprovada; 2 Área de Reserva Legal não comprovada; e 3 VTN declarado não comprovado. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que foi julgada procedente em parte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ fls. 204/221, para i) alterar o VTN arbitrado de R$ 1.184.412,00 (R$ 133,08/há) para R$ 889.822,00 (R$ 99,98/há); ii) reconhecer a APP de 150, ha; e iii) reconhecer a Área de Interesse Ecológico de 4.246,1 ha. Em seu Recurso Voluntário de fls. 230/247, aduz, em resumo: 1 O Imóvel objeto do Auto de Infração está encravado em área de interesse ecológico, onde se pode constatar que 47,71% da área do imóvel ficou inserida na Zona 4 do Zoneamento sócio econômico e ecológico do estado de Rondônia. Reserva florestal criada através da Lei Complementar nº 52/1991. Que o § 7º do artigo 10 da Lei 9.393/96 o dispensaria de fazer a prévia comprovação das APPs, das ARL e das áreas sob regime de servidão florestal. 2 Que a reserva legal corresponderia a 80% da área do imóvel, por se situar na Amazônia Legal; 3 Que a alíquota aplicada pela Fiscalização, de 20%, configuraria confisco da propriedade privada; e 4 Que o imóvel sofreu invasão pelo movimento denominado "LIGA CAMPONESA POBRE LCP"; que devido ao esbulho possessório sofrido não pode explorar economicamente o imóvel; que a recorrente perdeu a posse do imóvel. É o relatório. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10240.720258/200812 Acórdão n.º 2402006.566 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 27.02.2012 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 16.03.2012. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Da ilegitimidade passiva: Quanto à alegação de que não deveria incidir o imposto sobre o imóvel que foi invadido, em função de não poder mais dele se utilizar, tenho que não merece prosperar. De acordo com o artigo 4° da Lei n° 9.393/96, contribuinte do ITR pode ser o proprietário do imóvel rural, o titular do seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, sem ordem de preferência. A certidão de RGI acostada às fls. 110, lavrada em 10.06.2002, informa a propriedade do imóvel como sendo da Sra Eunice Picinato. Tanto o DIAT/DITR/2004, quanto os ADA/1997, protocolizado em 11.11.2002 e ADA/2003, protocolizado em 17.06.2004, foram apresentados em nome do recorrente. A questão sob análise resumese a avaliar se o fato de imóvel ter sido supostamente invadido afastaria, do recorrente, sua condição de possuidor para fins de sujeição passiva para o ITR. Inicialmente, cumpre destacar que não consta dos autos comprovação, sequer evidência, de que tal condição (invasão) tenha se dado/mantida à data do fato gerador em questão (01.01.2004), tampouco qual o tamanho da área suposta e efetivamente invadida e se tal área referese, sem qualquer sombra de dúvida, ao imóvel em questão. Vejamos: No Termo de Audiência de fls. 179, lavrado em 23.06.2004 nos autos do PJ 019.04.0007489, fezse consignar o seguinte, abaixo transcrito e de interesse para o caso: Que o recorrente tinha a posse da área litigiosa nos idos de 15.04.2003; ...que o esbulho teria ocorrido a partir de 10.06.2003; ..que, ao que se percebe, os invasores saíram da área quando a polícia esteve no locam tendo posteriormente ingressado. Após a expedição do Mandado de Reintegração de Posse em 23.06.2004 não se tem notícia, nos autos, do imediato cumprimento da ordem judicial. É dizer, não se tem a confirmação de que, efetivamente, mantinhase a invasão do imóvel à época ou ao redor da data do fato gerador da exação (01.01.2004), sequer na data da expedição daquele mandado. O que se tem, já às fls. 176, é uma certidão de 11.03.2005 relatando a não localização de qualquer invasor no local; e, na mesma data, o Auto de reintegração de Posse. Fl. 282DF CARF MF 4 O Código Civil de 2002 estabelece a perda da posse quando cessar a poder sobre o bem ao qual se refere o artigo 1.196 1 do mesmo diploma. Por sua vez, aquele artigo 1.196 estabelece que o possuidor é aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. Prosseguindo, o artigo 1.228 dispõe que o proprietário tem o direito de, quanto à coisa, i) Usar, ii) Gozar, iii) Dispor; e iv) Reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Na mesma linha, especificamente no que se refere à posse, o art 1.210 prevê que "o possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado." No mesmo sentido, o artigo 926 do CPC/73 estabelecia que o possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação e reintegrado no de esbulho. Da dicção acima, notase que ainda que não esteja na imediata posse do bem, ao Possuidor de Direito é assegurada a Reintegração efetiva na posse, além do quê, o possuidor de máfé responderá, junto ao possuidor de direito, por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de máfé. Não há, assim, a perda definitiva da posse se o possuidor, frisase, ainda na condição de possuidor, tomou as providências em tempo hábil, diligenciou, de forma a reaver a coisa de quem quer que injustamente a possua ou detenha. É o que se denota do Mandado de Reintegração alhures informado. Em outras palavras: exercido a tempo o direito de reaver a posse do bem, tenho que o recorrente detém legitimidade para figurar no polo passivo da obrigação tributária do ITR, na condição de possuidor a qualquer título, consoante preceitua o artigo 4º da Lei 9.393/96. Interpretação diversa conduziria ao entendimento de que ou o imposto poderia ser cobrado dos "invasores", o que não se afigura razoável, sob o ponto de vista de sua precisa identificação; ou terseia uma isenção não prevista em lei para o imóvel envolvido. Glosa da ARL: Consoante se denota do demonstrativo de apuração do ITR devido, às fls. 132, a Fiscalização promoveu alterações na DITR do contribuinte no que toca às Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e ao VTN declarado. Vejamos: 1 Art. 1.223. Perdese a posse quando cessa, embora contra a vontade do possuidor, o poder sobre o bem, ao qual se refere o art. 1.196. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10240.720258/200812 Acórdão n.º 2402006.566 S2C4T2 Fl. 4 5 Como mencionado no relatório deste voto, o acórdão recorrido promoveu alteração no VTN utilizado pela Fiscalização. Contra esse ponto, não houve recurso do contribuinte. A Fiscalização acatou a dedução das APP em 79,0 ha e promoveu a glosa da Reserva Legal declarada em 7.900 ha. Nesse ponto, frisese que o contribuinte, em sua DITR/04, não deduziu Área de Interesse Ecológico, muito embora a tenha informado no ADA utilizado pela Fiscalização. Não obstante, o acórdão de piso considerou a APP de 150,0 ha e a de Interesse Ecológico de 4.246,19 ha, mantendo a controvérsia, quanto às áreas dedutíveis, com relação à Reserva Legal. Nesse sentido, não serão enfrentadas as questões que não guardam relação direta com a ARL, tal como prevista na lei. Prosseguindo na análise, o § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, que deve ser aplicado em sua literalidade por força do artigo 111 do CTN2, elenca as áreas que podem ser deduzidas da área tributável para fins de apuração do ITR. Vejamos: 2 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (...) Fl. 284DF CARF MF 6 Assim sendo, o artigo 10 da Lei 9.393/96 disciplina os contornos da apuração do ITR, verbis. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) As áreas de preservação permanente APP, consoante definidas na Lei 4.771/65, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas, podem ser classificadas como legais (art. 2º) e administrativas (art. 3º). Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10240.720258/200812 Acórdão n.º 2402006.566 S2C4T2 Fl. 5 7 Quanto às primeiras, as legais, temos as florestas e demais formas de vegetação natural situadas próximas a fontes de recursos hídricos e a relevos com importância a preservação dos eco sistemas, tais como: i) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal; ii) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; iii) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; iv) no topo de morros, montes, montanhas e serras; v) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; e vi) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues. Por sua vez, as APP administrativas, declaradas por ato do poder público, são as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Percebese que há uma evidente diferença entre as duas espécies de APP. Enquanto que para as legais, já determinadas no diploma legal, a finalidade é intrínseca ao que se propõe a lei; para as administrativas, a finalidade a ser alcançada pelo administrador público está textualmente prevista nas alíneas daquele artigo 3º. Assim, indubitavelmente, a ação do poder público tornase imprescindível para a constituição dessas APP administrativas. Frisese que a supressão total ou parcial dessas áreas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Por seu turno, ainda de acordo com o diploma encimado, as reservas legais são áreas localizadas no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessárias ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas, cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. Devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada (§ § 4º e 8º do artigo 16 da Lei 4.771/65). A Fl. 286DF CARF MF 8 obrigatoriedade da aprovação acima citada foi introduzida na lei de regência, por conta da MP 2.16667/2001. Veja, a obrigatoriedade de se ter aprovada a localização da ARL pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada está diretamente relacionada à vedação a que se constitua reserva legal sobre área de preservação permanente, já dedutível, observadas as exigências legais, na apuração do imposto. Com isso, tendese a evitar a utilização da mesma área, por mais de uma vez, como dedução do ITR. Assim, podese resumir: APP Pode haver a supressão, quando assim determinar o interesse público; ARL Não pode haver a supressão, mas somente sua utilização em regime de manejo florestal sustentável. E, por fim, naquilo que interessa ao caso, temos as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que, destacase: ampliem as restrições de uso previstas para as APP e ARL. Em outras palavras: ainda que haja ato do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição de efetivas restrições de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não possui suporte legal. Confirase. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Acórdão nº 9202003.051 – Sessão de 12 de fevereiro de 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrarse inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada. Acórdão nº 9202004.576 – Sessão de 24 de novembro de 2016 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10240.720258/200812 Acórdão n.º 2402006.566 S2C4T2 Fl. 6 9 Reforçase: para efeito de exclusão do ITR, a Área de Interesse Ecológico deve ser assim declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Quer dizer com isso, que a área declarada em caráter geral não satisfaz, por si só, a condição legal para sua dedutibilidade. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. O reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental – ADA). Prosseguindo, a alínea "e" do inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, com a redação dada pela lei 11.428/2006, autorizou a dedução, a partir de 01.01.2007, das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Notese que áreas cobertas por florestas nativas secundárias em estágio inicial de regeneração não foram contempladas pelo dispositivo.3 Malgrada a digressão acima, seja qual for a área que, ao amparo do inciso II, do § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, se pretenda expurgar daquela tributável pelo ITR, o fato é que ela deve constar consignada no competente Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme preconiza o artigo 17O da Lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei 10.165/2000. Confirase. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Por sua vez, o Ato Declaratório Ambiental – ADA é um instrumento legal que possibilita ao Proprietário Rural uma redução do Imposto Territorial Rural – ITR, em até 100%, sobre a área efetivamente protegida, quando declarar no Documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural, Interesse Ecológico, Servidão Florestal ou Ambiental, áreas cobertas por Floresta Nativa e áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas. É documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto Sobre a 3 http://www.fundacaofia.com.br/gdusm/florestas_estagios.htm Fl. 288DF CARF MF 10 Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. Deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. O texto legal encimado evidencia uma atuação conjunta de órgãos autônomos no sentido de manter o controle em relação à desoneração tributária. Ademais, prevê a necessidade de pagamento de uma taxa de vistoria, a qual, em sendo realizada, e não se confirmando a existência das áreas excluídas de tributação, poderá ensejar o lançamento de ofício do tributo, sendo inequívoco que o ADA é obrigatório para aqueles que desejam se beneficiar da redução do tributo devido a título de ITR. É dizer: é instrumento eleito pelo legislador para controle, integração de órgãos e fonte de custeio da atividade de vistoria, questões absolutamente indispensáveis ao acompanhamento do cumprimento dos preceitos da legislação relativos à limitação da utilização de tais áreas, bem assim da correção no gozo da benesse fiscal. Nesse contexto, o legislador estabeleceu a forma que entendeu adequada para promover tal controle e fiscalização, não sendo possível a este Conselho deixar de aplicar comando legal válido e vigente apenas pela eventual convicção de que tal atividade poderia ser levada a termo de outra forma. Reprisese. Não há esforço interpretativo que, a partir da literalidade da frase "a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória", possa ser capaz de concluir pela desnecessidade da obrigação imposta pelo legislador. É entendimento corrente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória a apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Situação diversa da verificada em períodos anteriores ao ano de 2001, como se depreende da Súmula Carf. nº 41, segundo a qual, “a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No caso em tela, o que se vê é a utilização da função extrafiscal do tributo, mediante sua aplicação como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Voltando às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir, após aprovação do local pelo órgão ambiental e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA, no prazo estabelecido em norma regulamentar. 4 Em suma: a existência das ARL, APP, áreas cobertas por floresta nativa ou qualquer outra especificada naquele inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, por si só não assegura ao contribuinte a não tributação das áreas s que se refere. Há de se cumprir as exigências legais. 4 Artigo 9º, § 3º, I da IN SRF 256/2002. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10240.720258/200812 Acórdão n.º 2402006.566 S2C4T2 Fl. 7 11 Notem por sua vez, que os prazos acima destacados não se tratam de mera formalidade ou desprovidos de propósito razoável. Vejamos: Se por um lado é indubitável que as ARL devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, por outro, o que se questiona é se tal providência pode ser efetivada a qualquer tempo. Tenho que não. Tal averbação é condição legal para que o sujeito passivo possa, a rigor, se valer de tal isenção e não ter contra si constituído o crédito tributário a ela relacionada. Logo, todas as circunstâncias constitutivas 5 e fatos devem estar perfeitamente configurados à data do fato gerador da obrigação principal. E mais, a averbação em registro próprio possibilita a determinação dos limites e localização das ARL, viabiliza o efetivo controle de sua manutenção pelo poder público, além de dar publicidade de seus contornos à eventuais adquirentes da propriedade. Seria, a grosso modo, uma via de mão dupla. Assim dispõe o § 1º do artigo 12 do Decreto 4.382/2002, de obediência obrigatória por este colegiado: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal; § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Já no que toca ao prazo para o protocolo do ADA, da mesma forma de evidente obrigatoriedade legal, veja que está relacionado á viabilidade do exercício do poder de polícia a cargo do IBAMA. Admitir o protocolo a qualquer tempo conduzira, por óbvio, ao inegável prejuízo no exercício da atividade estatal, já que poderia não mais dispor de tempo hábil à tomada de eventuais providências no âmbito do lançamento de oficio do ITR. Esvaziaria, assim entendido, o propósito legal. Na mesma linha, o inciso I do § 3º do artigo 10 daquele Decreto 4.382/2002 estabelece: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de reserva legal; III de reserva particular do patrimônio natural; IV de servidão florestal; 5 o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Fl. 290DF CARF MF 12 V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo; VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual.. § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo; E II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis. Nesse diapasão, em atenção à parte final daquele inciso I do parágrafo 3º acima, a Instrução Normativa SRF nº 256/2002, que é, na forma do artigo 100 do CTN, norma complementar das leis e, portando, de observância obrigatória por todos os contribuintes, estabelece em seu artigo 9º, o prazo para a apresentação do referido ADA, para fins do seu aproveitamento em matéria tributária. Reforçase: não se trata de criar tributo ou mesmo restringir/limitar o exercício do direito do contribuinte, que se deu por força da lei 9.393/96 e artigo 17O da Lei 6.938/81, mas sim de regulamentar seu exercício. Em outras palavras: para se valer dessa isenção condicionada, seu cumprimento deve se dar de forma a efetivamente assegurar ao Estado, por meio de seu órgão ambiental, a possibilidade de se aferir o escorreito enquadramento da área a ele declarada e que pretende ver excluída da apuração do ITR. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10240.720258/200812 Acórdão n.º 2402006.566 S2C4T2 Fl. 8 13 Assim, não resta dúvida que para fins de exclusão da área tributável, aquelas áreas deverão ser obrigatoriamente informadas em ADA, protocolado pelo sujeito passivo no IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo. É o que exige o Decreto 4.382/2002, de observância obrigatória por este colegiado, a teor do artigo 62 do RICARF. Conforme se extrai do excerto abaixo, que constou do voto vencedor no acórdão 9202005753, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a jurisprudência neste Conselho consolidouse no sentido de aceitar o ADA protocolizado até o início da ação fiscal. Confirase: É certo que, no caso da Área de Preservação Permanente (APP), tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), é claro que a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, estabeleceu o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR, para que o Contribuinte providencie o protocolo do ADA. E tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. Não retrata, com a devida venia, o entendimento deste relator. Não seria razoável imaginar que tal informação pudesse ser prestada em data, por exemplo, próxima a da ação fiscal, porquanto a potencial vistoria pelo órgão ambiental não observaria, decerto, o lustro legal para a constituição do imposto, fosse o caso. Da mesma forma, supor que a atividade de polícia, legalmente exigida e que traria certa segurança ao considerar isentas aquelas áreas, possa ser substituída pela exclusiva atuação privada (por meio de laudos técnicos), não me parece atender ao interesse público. No mesmo sentido, como bem destacado no voto acima parcialmente colacionado, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas, conforme estabelece a lei, em determinados locais do imóvel, são de PRESERVAÇÃO PERMANENTE existentes a época do fato gerador do tributo, consoante preceitua o inciso II do § 3º do artigo 10 do Decreto 4.382/2002. Vale dizer: as florestas e demais formas de vegetação natural devem estar em permanente preservação, sobretudo na data do fato gerador. Dito isso, como se aferir tal circunstância pelo órgão de controle ambiental, admitindose a apresentação do ADA em data significativamente distante da do fato gerador do tributo ? Fl. 292DF CARF MF 14 Em outras palavras, haveria como o IBAMA empreender alguma vistoria eficaz a partir de um ADA apresentado após 4 anos do exercício a que se referem as informações nele prestadas, ainda que tenha sido entregue antes de o início da ação fiscal ? Não basta que no imóvel existam rios ou qualquer outro curso d´água, lagoas ou reservatórios de d´ água naturais ou artificiais, topo de morros, montes ou serra, fazse necessário, aí sim, que nesses locais efetivamente haja floresta ou demais formas de vegetação natural permanentemente preservadas. Da mesma forma, não se pode imaginar que a dispensa à prévia comprovação, por parte do declarante, no que toca às APP e ARL declaradas para fins de isenção do ITR, consoante estabelece o § 7º do artigo 10 da L. 9.393/96, o estaria desincumbindo da obrigação legal imposta pelo § 1º do artigo 17O da Lei 6.938/81. Longe disso. Uma coisa é a desnecessidade da prévia apresentação da comprovação das áreas quando da entrega da DITR; outra, a obrigatoriedade de que tais informações sejam prestadas tempestivamente ao IBAMA, por meio do competente ADA e ao Fisco, quando intimado por autoridade competente no exercício de seu dever funcional. E veja, o parágrafo 7º encimado foi originalmente introduzido ao artigo 10 da Lei 9.393/96 por meio da Medida Provisória 1.95650/2000, de 26.05.2000, ao passo que aquele que impõe a obrigatoriedade do ADA, por meio da posterior Lei 10.165/2000 de 27.12.2000. Com isso, considerando o período em que ambos vigeram não há, a meu ver, como entender que aquele primeiro desobrigou a apresentação do ADA. Não há, no meu entender, qualquer antinomia entre os dispositivos, na medida em que tratam de circunstâncias diferentes. Voltando ao prazo para apresentação do ADA, a IN SRF 256/2002, em sua redação original, o estabelecia como sendo "de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR". Com a entrada em vigor da obrigatoriedade de sua apresentação anual, o órgão ambiental o estabeleceu como sendo de 1º de janeiro a 30 de setembro. .6 Daí a alteração naquela IN SRF 256/2002, que passou a estabelecer, a partir da IN RFB 861, de 17 de julho de 2008, ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente." Em resumo, podese dizer, no que toca à dedução das áreas elencadas nos inciso I ao VI do artigo 10 do Decreto nº 4.382/2002, que além dos requisitos de ordem formal previstos na legislação, há de se comprovar, quando intimado, sua efetiva existência, a teor do inciso II do parágrafo 3º retro citado, por meio de laudo técnico que deve, de forma clara, especificar, detalhar, dimensionar e localizar cada uma das áreas eventualmente existente à época do fato gerador. Voltando ao caso sob análise, o ADA acostado às fls. 111 e apresentado em sede de fiscalização, aponta: APP=> 79,00 ha; ARL=> 2.794,81 ha; e Área de Interesse Ecológico => 4.246,19 há. Por sua vez, aquele apresentado, também tempestivamente às fls. 158, aponta: APP=> 150,00 ha; ARL=> 7.900,00 há, englobando a de Interesse Ecológico. Considerando que a averbação da ARL no RGI derase, tão somente, em 10.07.2008, concluo, em função do acima exposto, pelo não aproveitamento, como dedução, da área de 2.794,81 ha informada no ADA encimado. Da alíquota: 6 http://www.ibama.gov.br/imovelrural/atodeclaratorioambientalada/oqueeoada Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10240.720258/200812 Acórdão n.º 2402006.566 S2C4T2 Fl. 9 15 Por fim, quanto à alegação de que a Fiscalização utilizouse de uma alíquota de 20% para o cálculo do imposto, em flagrante ofensa ao princípio constitucional do não confisco, cumpre tecer algumas considerações. Conforme se percebe do quadro "Cálculo do Imposto", do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO acima colado, a autoridade autuante utilizouse da alíquota de 20%, a teor do artigo 11 da Lei 9.393/96. Nesse rumo, uma vez observadas as disposições legais, não cabe a este colegiado afastar sua aplicação (art. 62 do RICARF), tampouco pronunciarse acerca de sua constitucionalidade (art. 72 do RICARF c/c Súmula CARF nº 2). Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 294DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900423/2014-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 42 3/ 20 14 -8 8 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10850.900423/201488 Resolução nº 1402000.703 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de reconhecer, integralmente, o suposto crédito de IRPJ, utilizado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que houve preenchimento equivocado de suas DIPJ e DCTF. Desse modo, inicialmente, não seria detectável tal direito creditório em face desse erro escusável, tendo, então, prontamente promovido a retificação eficaz das declarações, denotando o total de IRRF percebido no ano calendário de 2010, bem como o recolhimento de IRPJ, procedido já no anocalendário de 2011, que configurouse indevido fatos estes que, conjuntamente, dariam margem ao crédito pleiteado. Também relata que o suposto crédito fora utilizado em 17 pedidos de compensação diferentes, requerendo a reunião dos feitos em que tramitam. Acrescenta, ao final, que diante da procedência de seu direto, não haveria prejuízo ao Erário na homologação das compensações. Acosta documentos que supostamente registrariam a origem e a apuração do crédito pretendido. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, entendendo que, pelo sistema DIRF, consta saldo de IRRF sofrido muito menor do que o alegado pela ora Recorrente, confirmados tais valores na própria documentação trazida aos autos em sede de Manifestação de Inconformidade, a qual aponta que o montante de IRRF excedente, que permitiria a existência do crédito nos termos alegados, teria sido efetuado sob razão e CNPJ de terceiro. Este foi o fundamento da denegação do crédito pela C. Instância anterior. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, primeiramente esclarecendo que os valores de IRRF retidos em nome de terceiros, na verdade, são de titularidade de Consórcio de empresas do qual fazia parte na época dos fatos, tendo direito ao seu aproveitamento. No mais, reitera suas demais alegações acerca da retificação de declarações e histórico da origem do crédito. Traz novos documentos em relação à existência do mencionado Consórcio. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10850.900423/201488 Resolução nº 1402000.703 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.698, de 16/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10850.900418/201475, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.698): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Conforme relatado, em r. Despacho Decisório eletrônico, o crédito pretendido foi rejeitado, posto que não houve a comprovação da sua existência, constando em observação que o valor do IRRF do anocalendário de 2010 informado pelas Fontes Pagadoras foi deveras menor do que aquele declarado pela Contribuinte, de modo que o recolhimento efetuado já em 2011 não configurou a existência de nenhum direito creditório, mas apenas saldou débito apurado no período, sem ultrapassar a monta apurada e devida. Por sua vez, mesmo tendo a Recorrente esclarecido em Manifestação de Inconformidade a origem do crédito, apontando para erro escusável em suas declarações do exercício de 2011 e a devida retificação posteriormente promovida, a DRJ a quo entendeu que não houve a demonstração ou comprovação da existência do crédito, constatando inclusive que a precisa monta controversa dos recolhimentos de IRRF valor que observouse no r. despacho decisório que não constava das informações fornecidas pelas Fontes Pagadoras deramse em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore CNPJ nº 08.727.318/00018: Assim, temos que o fundamento do v. Acórdão recorrido foi de reconhecer que as retenções de IRRF que formariam o suposto crédito pretendido são de terceiro. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10850.900423/201488 Resolução nº 1402000.703 S1C4T2 Fl. 5 4 Em sede de Recurso Voluntário, em razão de tal nova constatação da DRJ, a Recorrente informa que fazia parte de tal Consórcio, o qual não possui personalidade jurídica, sendo ela a titular, na proporção de sua participação, de parte dos valores de IRRF retidos. Provando o alegado, traz cópia de 1º Alteração do Contrato de Constituição de Consórcio, onde efetivamente consta como parte e consorciada. Pois bem, primeiro, no que tange aos aspectos processuais da demanda, cabe aqui registrar a aceitação de tal nova demonstração e documentação, vez que ausentes na Manifestação de Inconformidade. Devese ter em vista que o r. Despacho Decisório, contra o qual fora oposta a Manifestação de Inconformidade fundamentou a negativa do crédito na ausência de comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior e, observou, que nas informações das Fontes Pagadoras, a monta dos recolhimentos era inferior àquela declarada pela Contribuinte. Apenas isso. Não se mencionou terceiros ou Consórcio nessa primeira decisão denegatória. Ao seu turno, a DRJ a quo corretamente aprofundou a investigação dos fatos e constatou que essa diferença de retenções de IRRF correspondia a valores retidos em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore inclusive espontaneamente consultando sistemas da Receita Federal do Brasil. Fica, então, claro que o fundamento de que as retenções ainda controversas foram efetuadas em nome de terceiro é motivação nova e incidental na demanda, sendo objetivamente trazida apenas em sede de julgamento da Manifestação de Inconformidade. Antes disso, não se falava em outra pessoa jurídica, e muito menos em Consórcio, para denegar as compensações declaradas. Desse modo, entendese que os documentos trazidos, principalmente a cópia da 1ª Alteração do Contrato de Consórcio, devem ser aceitos e deles deve se conhecer, considerando a previsão da alínea "c" do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/721, a qual deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas de regência do processo administrativo fiscal, especialmente o art. 18 daquele mesmo Decreto, o Código de Processo Civil vigente e à luz do princípio da busca pela verdade material. Dito isso, primeiramente temos que a Recorrente combateu com eficácia a fundamentação da DRJ a quo para denegar o crédito. Nesse sentido, a constatação e correspondente afirmação dos I. Julgadores a quo de que os comprovantes de rendimentos em 1 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10850.900423/201488 Resolução nº 1402000.703 S1C4T2 Fl. 6 5 nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore tornamse ineficazes para afastar totalmente a pretensão da Parte pugnante, vez que demonstrado que a Contribuinte participava desse mesmo Consórcio, sendo, comprovadamente, titular de parte das retenções de IRRF. É certo que os Consórcios de empresas não possuem personalidade jurídica. Logo, a própria designação outra Pessoa Jurídica beneficiária utilizada pela DRJ revelase data maxima venia equivocada. Ainda que passível/obrigado a possuir de registro no CNPJ, assim como hoje em dia também ocorre com as Sociedades em Conta de Participação, tal comando, de forma alguma, é capaz de, per si, atribuir personalidade jurídica aos Consórcios. Seguramente, os Consórcios podem ser descritos como uma reunião por meio contratual de empresas, que visa propiciar a divisão das receitas, custos e despesas de uma determinada atividade ou empreita a ser desenvolvida, proporcionalmente ao avençado entre as partes celebrantes. Tal figura de Direito Comercial é até hoje regulada pelos arts. 278 e 279 da Lei das S/A2, sendo alterado este último dispositivo pela Lei nº 11.941/2009. Ainda que uma maior e mais detalhada regulamentação na esfera tributária tenha apenas ocorrido com o advento da Lei nº 12.402/2011 e da correspondente IN nº 1.119/2011, tal figura contratual e interempresarial há muito já guardava relevância fiscal, com regulação presente em pontuais normativos que reconheciam e atribuíam efeito tributário a tal contrato, assim como às suas estipulações, encaixandose na exceção inicial do art. 123 do CTN. 2 Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo não circulante, do qual constarão: I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10850.900423/201488 Resolução nº 1402000.703 S1C4T2 Fl. 7 6 Por exemplo, IN nº 105/84 já obrigava a inscrição dos Consórcios no CNPJ se estes pagassem, individualmente, rendimentos sujeitos à retenção na fonte ou auferisse rendimentos em decorrência de suas atividades. Confirmando o afirmado e complementando a demonstração acima expedida, confirase o comentário de Hiromi Higuchi3, ainda sobre a regulamentação tributária dos Consórcios, antes de 2011 (as retenções referentes à presente lide são referentes a 2010): O ADN nº 21, de 081184, esclareceu que o fato de aplicar se aos consórcios o mesmo regime tributário a que estão sujeitas as pessoas jurídicas, não os obriga, nem autoriza, a apresentar declaração de rendimentos. Esclarece ainda que para efeito de aplicação do referido regime tributário, os rendimentos decorrentes das atividades desses consórcios devem ser computadas nos resultados das empresas consorciadas, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. O seu item 3 dispõe que o valor do imposto retido na fonte sobre rendimentos auferidos pelos consórcios será compensado na declaração de rendimentos das pessoas jurídicas consorciadas, no exercício financeiro competente, proporcionalmente à participação contratada. (destacamos) Oportunamente digase aqui que a previsão expressa e específica de retenção de tributos na fonte, sobre recebimentos dos Consórcios, em nome individual das empresas consorciadas, somente surge com o advento da IN nº 1.199/20114. A única exceção na legislação infralegal anterior a 2011, que determinava retenção em nome das empresas participantes, era o art. 16 da IN nº 480/2004, que regulava apenas pagamentos advindos do Poder Público que não é, aqui, o caso. Diante disso, temos cenário em que certamente não estáse diante de retenções efetuadas em favor de outra pessoa jurídica, vez que as empresas participantes de Consórcio são as titulares da retenções efetuadas em seu nome, devendo ser, desde já, afastada a fundamentação do V. Acórdão recorrido. As cópias da 1ª Alteração de Contrato de Consórcio juntadas, que possuem todos os sinais de registro cartorial, já fazem prova da existência do dito Consórcio e da participação da Recorrente em tal pacto. Desse modo, tendo em vista o tratamento tributário de tais valores à época dos pagamentos e retenções, resta certo que a Contribuinte faz jus a parte desses valores de IRRF, compensável com 3 Imposto de Renda das Empresas. 41ª Ed. São Paulo : IR Publicações, 2016. p. 216. 4 Art. 7º Nos recebimentos de receitas decorrentes do faturamento das operações do consórcio sujeitas à retenção do imposto sobre a renda, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, na forma da legislação em vigor, a retenção deve ser efetuada em nome de cada pessoa jurídica consorciada, proporcionalmente à sua participação no empreendimento. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10850.900423/201488 Resolução nº 1402000.703 S1C4T2 Fl. 8 7 o IRPJ devido no anocalendário de 2010, proporcionalmente à sua participação no Consórcio. Ocorre que, o conjunto probatório que se apresenta é incompleto, não podendo da Alteração Contratual se verificar a precisa proporção da Recorrente em tal reunião contratual pactuada. Tampouco está clara a contabilização específica, individual e proporcional das receitas auferidas por meio do referido Consórcio, correspondente ao IRRF em questão. Mesmo sendo ônus do contribuinte a prova do seu direito creditório, temos que no presente caso já foi demonstrada, com eficácia, a improcedência do fundamento adotado pelo v. Acórdão recorrido, não podendo prevalecer tal decisão. Considerando a necessidade de reforma de tal posição jurisdicional anterior e a existência de provas idôneas e fortes indícios de procedência, ainda que parcial, do pleito original da Contribuinte, entendese ser, aqui, cabível a determinação de diligência. Diante do exposto, resolvese por encaminhar os autos à D. Unidade Local de fiscalização, para que: 1) seja intimada a Recorrente a apresentar: 1.a) Cópia do Contrato de Consórcio original, pelo qual fora constituído o Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore (CNPJ nº 08.727.318/00018), apontando em arrazoado a ser apresentado junto de tal documentação a percentagem de sua participação nas receitas referentes ao IRRF retido; 1.b) Cópias das todas as eventuais alterações contratuais do Consórcio, procedidas até ao final do anocalendário de 2010; 1.c) Demonstração, por meio de documentos idôneos e arrazoado explicativo, da contabilização das receitas correspondentes ao IRRF retido pelo Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, bem como a sua oferta à tributação, na proporção de sua participação no referido Consórcio, mencionada no Item 1.a; 2) Após, a D. Unidade Local, à luz do Parecer COSIT nº 02/2018, deverá analisar a documentação trazida, os arrazoados apresentados, as declarações fiscais e as demonstrações presentes nos autos, elaborando Relatório, claro, fundamentado e conclusivo, no qual seja atestado se houve ou não a comprovação satisfatória de que o crédito pretendido pela Contribuinte é procedente, considerando em tal análise as retenções efetuadas pelas Fontes Pagadoras em nome do Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, na proporção de sua participação em tal contrato. 3) Deverá ser dada ciência ao Contribuinte do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para manifestação formal, antes do retorno dos autos para julgamento." Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10850.900423/201488 Resolução nº 1402000.703 S1C4T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.938362/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-005.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 83 62 /2 01 1- 01 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.938362/201101 Acórdão n.º 3401005.272 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o COFINS, solicitado através do PER/DCOMP. O Interessado foi cientificado de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde sustenta que o Despacho Decisório deixou de analisar a questão principal do Pedido de Restituição apresentado, qual seja, a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição para o COFINSem face da inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98, uma vez que a referida contribuição incidiu sobre Receitas Financeiras e Outras Receitas. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, constatando que não houve omissão do Despacho Decisório quanto ao mérito da demanda, uma vez que a fundamentação para o indeferimento do Pedido de Restituição indica que o Darf foi utilizado integralmente para fazer face a débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Informa também que, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Porém, na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de COFINSdo período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa toda a argumentação já exposta na sua Manifestação de Inconformidade sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins. No entanto, desta feita requer a juntada de demonstrativos e documentos contábeis, os quais alega fazerem prova do pagamento indevido ou a maior de tributo, pedindo sua apreciação em respeito ao Princípio da Verdade Material. Em anexo, apresentou duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.938362/201101 Acórdão n.º 3401005.272 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.257, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.938340/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.257): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conheci mento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor de R$ 568,44, objeto de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS/Pasep, solicitado através de PER/DCOMP. A DRJ/BHE julgou sua Manisfestação de Inconformidade improcedente, pois o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de PIS/Pasep do período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. No seu Recurso Voluntário, o contribuinte busca corrigir esta deficiência probatória, anexando duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. Contudo, entendo que ainda sim não restou comprovado o alegado pagamento a maior. Isto porque o Recorrente não fez prova do valor que deveria ter sido recolhido, no período, a título de contribuição para o PIS/Pasep. Com efeito, a indicação de rubricas contábeis com receitas financeiras e outras receitas, as quais, no entendimento do Recorrente, deveriam estar excluídas da base de cálculo das contribuições, não significa que tais valores foram efetivamente computados no cálculo inicial. Nos pedidos de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, é necessário que o contribuinte apresente toda sua escrituração fiscal referente ao período para que nova apuração seja realizada, a fim de ser cotejada com a Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.938362/201101 Acórdão n.º 3401005.272 S3C4T1 Fl. 5 4 apuração inicial e assim verificar eventuais excessos ou déficits. Com os documentos apresentados, não é possível sequer comprovar que as receitas elencadas na planilha foram realmente incluídas no cálculo inicial (que resultou na apuração de R$ 15.058,00). Apesar de ter anexado uma planilha com a memória de cálculo das contribuições, o Recorrente não apresentou as rubricas contábeis, constantes do Livro Razão, que pudessem comprovar o valor total das receitas sobre as devem incidir as alíquotas das contribuições. Ao invés, anexou apenas as folhas do Razão com as receitas financeiras que deveriam ser excluídas do cálculo. Observese que até mesmo as receitas de exportação, que foram originalmente excluídas, também deveriam ser conferidas através dos registros contábeis. Em suma, deveria ser feita uma nova apuração das contribuições, o que restou inviabilizado pela ausência da documentação contábil necessária. O art. 170 da Lei nº 5.172/66 (CTN) determina a necessidade de liquidez e certeza do crédito. Apesar de se referir literalmente à compensação, obviamente aplicase também à restituição: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nos pedidos de compensação ou de restituição, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado permanece a cargo do contribuinte, conforme art. 373 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Além disso, pelo quanto exposto no Despacho Decisório, verifico que a alocação integral do DARF para quitação de débito do contribuinte indica que, ao tempo da sua emissão, a DCTF que continha este débito não havia sido retificada. O Recorrente não apresentou qualquer prova de que, mesmo a destempo, tenha feito tal retificação. Nos termos do Parecer COSIT nº 02, de 2015, a retificação da DCTF é imprescindível para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.938362/201101 Acórdão n.º 3401005.272 S3C4T1 Fl. 6 5 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.902330/2009-34
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas.
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do direito creditório, ônus da prova que compete ao contribuinte, não há que se falar em compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.400
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere a alegação de afastamento da prescrição do crédito postulado e, no mérito, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas. PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do direito creditório, ônus da prova que compete ao contribuinte, não há que se falar em compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-09-25T14:14:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-09-25T14:14:37Z; Last-Modified: 2018-09-25T14:14:37Z; dcterms:modified: 2018-09-25T14:14:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-09-25T14:14:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-09-25T14:14:37Z; meta:save-date: 2018-09-25T14:14:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-09-25T14:14:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-09-25T14:14:37Z; created: 2018-09-25T14:14:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2018-09-25T14:14:37Z; pdf:charsPerPage: 1926; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-09-25T14:14:37Z | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 90 1 89 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.902330/200934 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.400 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 13 de setembro de 2018 Matéria CSLL PER/DCOMP Recorrente LUIZ FLOR & FILHOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas. PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do direito creditório, ônus da prova que compete ao contribuinte, não há que se falar em compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 23 30 /2 00 9- 34 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10469.902330/200934 Acórdão n.º 1002000.400 S1C0T2 Fl. 91 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere a alegação de afastamento da prescrição do crédito postulado e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 70/76) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 55/63), proferida em sessão de 28 de julho de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1134.501, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efl. 07/11) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 25/03/2009 (efl. 03), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 15594.10345.301106.1.3.045790, transmitido em 30/11/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A competência originária para apreciar declaração de compensação é do Delegado da Receita Federal do domicilio fiscal do contribuinte, sendo do dever deste último identificar perfeitamente na declaração qual o direito creditório que julga possuir. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10469.902330/200934 Acórdão n.º 1002000.400 S1C0T2 Fl. 92 3 Do PER/DCOMP O contribuinte transmitiu o PER/DCOMP em referência objetivando a restituição de crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL (2484), relativo ao período de apuração dezembro de 2005, pretendendo, outrossim, efetivar a compensação de débito próprio de estimativa de CSLL (2484) relativo ao período de apuração maio de 2006. Do Despacho Decisório Analisando o PER/DCOMP em comento o titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo lavrou despacho decisório (efl. 03) no qual informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 2.271,09, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação de débito próprio do contribuinte, no entanto, verificadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado, não ocorrendo a homologação da compensação. Isto porque, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito/saldo disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/12/2005 2484 R$ 2.646,41 31/01/2006 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 2308347481 R$ 2.646,41 DB: cód 2484 PA 31/12/2005 R$ 2.646,41 Valor Total R$ 2.646,41 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2009 Principal: R$ 1.370,20 Multa: R$ 274,04 Juros: R$ 446,27 Por conseguinte, a DRF/Natal/RN não homologou a compensação declarada, tendo em vista a inexistência do crédito. Da Manifestação de Inconformidade O contencioso administrativo fiscal tem início com a impugnação efetivada pelo contribuinte, através de manifestação de inconformidade (efl. 07/11), contra o conteúdo do citado despacho decisório (efl. 03). Delimitando a lide do contencioso tributário, aduziuse, em síntese, que houve um erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois o valor do crédito decorreria de saldo Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10469.902330/200934 Acórdão n.º 1002000.400 S1C0T2 Fl. 93 4 negativo, conforme DIPJ retificada, não sendo proveniente de pagamento indevido ou a maior como anotado no dito PER/DCOMP. Com isso, postulouse a desconstituição do despacho decisório com o reconhecimento do crédito e a efetivação da compensação. Do Acórdão da Manifestação de Inconformidade A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso administrativo fiscal, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo a quo, as razões de decidir do meritum causae: Conforme observado, relativamente à compensação da DCOMP não homologada, o despacho decisório assim decidiu em virtude da inexistência do crédito. E de outra forma não poderia decidir, tendo em vista às informações veiculadas pela contribuinte em sua DCOMP, em consonância com os demais sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB. Ressaltese que, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados a uma sequência continua de operações, cuja participação da postulante é primordial, materializandose através da correção dos valores informados no PER/DCOMP e em perfeita sintonia com os diversos sistemas informatizados da RFB, haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP) e nos sistemas da RFB, concluise que não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, haja vista a ausência de atributos essenciais pertinentes ao mesmo (art. 170 do CTN) aliada, inclusive, à verdadeira intenção da peticionante, demonstrada na manifestação que ora se analisa, de retificar o crédito pleiteado (origem e valor) na DCOMP, o qual a autoridade a quo não tinha como adivinhar, por constituirse em crédito diverso ao informado no pedido. Sobre o pedido de retificação da DCOMP presente na manifestação de inconformidade, resultaria na apreciação do pleito em novas bases (novos fundamentos materiais do crédito), equivalendose a um novo pedido, o que, como restará comprovado pelo exame da legislação a seguir transcrita, não é competência dessa delegacia, devendo a análise do direito material do contribuinte ser enfrentada na primeira instância decisória competente (DRF do domicílio da contribuinte): (...). Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10469.902330/200934 Acórdão n.º 1002000.400 S1C0T2 Fl. 94 5 Por outro lado, a competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, conforme expresso no art. 229, IV, da mesma Portaria, se instaura quando da manifestação de inconformidade oposta pelo contribuinte à apreciação das autoridades locais: (...). Ademais, os pedidos de retificação devem observar as condições previstas nos arts. 56 a 61 da Instrução Normativa SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005, condições também veiculadas nos arts. 76 a 81 da vigente Instrução Normativa RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008, pleito que a legislação não abraça após a emissão do despacho decisório. Logo, temse que, de acordo com o Regimento Interno da Receita Federal, a competência original para conhecer do pedido de compensação é da Delegacia da Receita Federal em Natal/RN, unidade que jurisdiciona o domicílio da interessada. Assim, do exame dos autos, resta patente que, tal como apresentada a Declaração de Compensação à época do despacho, mostrase correta a decisão exarada pela DRF/Natal/RN, não merecendo reparo a decisão prolatada, que não poderia nortear o exame do crédito suplicado sendo a partir dos elementos consignados pelo sujeito passivo em suas declarações. Por outro lado, não pode este colegiado acatar o pleito, nos moldes em que se apresenta (novos fundamentos para o crédito), sob pena de incorrerse em supressão de instância e em invasão de competência administrativa. Logo, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho. Do Recurso Voluntário No recurso voluntário o sujeito passivo postula o provimento recursal para garantir nova análise do crédito pela DRF/Natal/RN, assim como para confirmar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e por conseguinte afastar eventual arguição de prescrição do crédito. Para tanto, em síntese, o contribuinte alega que: a) o recurso é tempestivo e existe sucumbência apta a autorizar o manejo recursal, considerando que a DRJ declinou da competência de analisar o pedido de compensação formulado na manifestação de inconformidade, quando se deparou com o pedido de apreciação do direito creditório baseado em saldo negativo, haja vista que a Delegacia da Receita Federal em Natal/RN (DRF/Natal/RN) analisou o PER/DCOMP com fundamento em pagamento indevido ou a maior, na forma como transmitido; b) a DRJ não apreciou o direito creditório da recorrente, considerando que a competência administrativa originária para conhecer e apreciar PER/DCOMP é da DRF/Natal/RN, unidade que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte, no entanto o sujeito passivo não intenta promover supressão de instância, mas sim busca garantias processuais para que se retorne os autos para a DRF/Natal/RN julgar a matéria e, se necessário, posteriormente poder ser ofertado recurso ao contribuinte, se for o caso; c) deve operar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão da necessidade de nova decisão da DRF/Natal/RN, bem como deve ser afastada qualquer prescrição do crédito postulado. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10469.902330/200934 Acórdão n.º 1002000.400 S1C0T2 Fl. 95 6 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 26/09/2011, efls. 67/69, e protocolo em 26/10/2011, efl. 70), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal observandose efetiva sucumbência do contribuinte, a recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas, em contra fluxo, existe fato extintivo relativo a preclusão consumativa que se operou quanto a matéria não apresentada na primeira oportunidade, isto é, na manifestação de inconformidade e que foi trazida pela primeira vez para discussão por ocasião do recurso voluntário, qual seja, a alegação de afastamento da prescrição do crédito postulado. Vejase, referida matéria não foi relatada na manifestação de inconformidade, logo após a intimação do teor do despacho decisório, sendo uma inovação alegada no recurso voluntário. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10469.902330/200934 Acórdão n.º 1002000.400 S1C0T2 Fl. 96 7 § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância (DRJ) para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário para o CARF (segunda instância) em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estarseia, inclusive, diante de uma evidente supressão de instância. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos a exemplo dos Acórdãos ns.º 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103 e 1002000.084. De toda sorte, ad argumentandum tantum, o alegado afastamento da prescrição do crédito, se referente ao suposto crédito de pagamento indevido ou a maior, na forma como transmitido no PER/DCOMP, não é objeto de controvérsia, esta é relativa a não comprovação do próprio crédito de pagamento indevido ou a maior. Caso eventualmente estivesse comprovado o pagamento indevido ou a maior, não se falaria em prescrição do crédito, sendo desnecessária essa análise. Ainda argumentando, com relação a eventual não prescrição do direito creditório pretendido a partir da via recursal, baseado em saldo negativo, que não foi veiculado no PER/DCOMP originalmente transmitido, mas que o recorrente pretende que seja apreciado nestes autos como tal (pretensão de mudança da natureza do crédito postulado a ser analisado), entendo que não é da competência desta Turma Extraordinária apreciála, pois, em verdade, a pretensão de modificação da natureza do crédito pretendido na restituição, não é permitida, logo o crédito de saldo negativo não é objeto da lide, a Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10469.902330/200934 Acórdão n.º 1002000.400 S1C0T2 Fl. 97 8 despeito do pedido formulado em recurso, pelo que o pronunciamento sobre a dita prescrição não nos compete. Pontuo, desde logo, que, no mérito, discorrerei melhor da temática "análise do crédito a ser restituído como saldo negativo ao invés de pagamento indevido ou a maior na forma constante no PER/DCOMP transmitido", sendo suficiente, neste momento, consignar que não cabe a este Colegiado falar sobre prescrição ou não de direito creditório relativo a saldo negativo, que pode ser objeto de postulação em outro eventual PER/DCOMP/processo. Sem mais, conheço apenas parcialmente o Recurso Voluntário, deixando de conhecer do argumento de afastamento da prescrição do crédito. Apreciação de requerimento antecedente a análise do mérito Quanto ao pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, consigno que é decorrência automática da interposição tempestiva do recurso competente, conforme disciplina o art. 151, inciso III, do CTN, tendo ocorrido a suspensão até decisão administrativa final terminativa ou irreformável. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), posteriormente informando que se cuidaria em verdade de saldo negativo, alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10469.902330/200934 Acórdão n.º 1002000.400 S1C0T2 Fl. 98 9 O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária (DRF/Natal/RN), de mãos do PER/DCOMP transmitido, não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débito próprio do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade do ato da Administração tributária, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. Noutro prisma, vejase que na manifestação de inconformidade o contribuinte alega que cometeu erro de preenchimento no PER/DCOMP, sendo o direito creditório baseado em saldo negativo e não em pagamento indevido ou a maior e a DIPJ retificada comprovaria o crédito, enquanto isso, no recurso voluntário, o sujeito passivo esclarece que pretende ver o processo retornar para a DRF/Natal/RN, a fim de que aprecie o crédito conforme as novas bases "saldo negativo". Pois bem, não havendo nulidade procedimental, inexiste possibilidade de se determinar o retorno dos autos para a unidade de origem "reiniciar o procedimento". O pedido do sujeito passivo para devolução dos autos para a DRF/Natal/RN, em verdade, trata de uma espécie de "reprocessamento" do PER/DCOMP, sem previsão legal ou infralegal e protocolado ou pretendido iniciar a partir de instâncias recursais e não diretamente junto a unidade de jurisdição do contribuinte. Assemelhase a retificação do PER/DCOM ou a transmissão de um novo PER/DCOMP, que implicaria em um novo procedimento, o qual não guardaria contato com estes autos, ainda que baseado no saldo negativo mencionado como existente. A retificação do PER/DCOM ou a transmissão de um novo PER/DCOMP implicaria seguir o fluxo normal disciplinado em normas próprias que regem a mencionada declaração, sendo certo que a pretensão de modificar a natureza do crédito, impõe novas bases, novos fundamentos materiais para o crédito, equivalendo, efetivamente, a um novo pedido, não sendo permitido nestes autos. Mesmo assim, pontuo que, a despeito das alegações do contribuinte quanto a existência de direito creditório proveniente de saldo negativo, com base em DIPJ Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10469.902330/200934 Acórdão n.º 1002000.400 S1C0T2 Fl. 99 10 retificada, ao meu ver, nestes autos, não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado direito crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e outras da escrita fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração analítica dos valores e lançamentos, dentro da escrituração contábil e fiscal, da base de cálculo da CSLL, das estimativas fiscais apuradas mensalmente e, consequentemente, do saldo negativo, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Observese que nos autos não foram juntados outros elementos probatórios, tais como, a escrita contábil e outras escritas fiscais. Não constam dos autos, por exemplo, o Livro Diário, o Livro de Apuração do Lucro Real, os balancetes transcritos na escrita contábil, deixandose, igualmente, de apresentar, face a inexistência de elementos de prova, uma demonstração criteriosa do suposto direito a crédito, não havendo como confirmar o alegado crédito, não tendo sido realizado um trabalho analítico de esclarecimento do suposto crédito com apresentação de memória do cálculo da apuração, informação quanto ao método de apuração da estimativa mensal (receita bruta x balanço de suspensão/redução), demonstração detalhada da formação do saldo negativo. Em suma, não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontarse DIPJ, DCTF, LALUR, códigos de recolhimento, informativo quanto ao método, balancetes de apuração de resultados, a fim de comprovar o crédito, inclusive para também se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e dos valores retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10469.902330/200934 Acórdão n.º 1002000.400 S1C0T2 Fl. 100 11 É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. A demonstração analítica do direito creditório, a partir da apresentação da escrituração contábil e fiscal, com a evidenciação da composição das estimativas a recolher, quer calculadas sobre base de cálculo estimada, quer a partir de balancetes de suspensão ou de redução, com a comprovação e confrontação dos valores recolhidos ou retidos, evidenciando as antecipações ou retenções excedentes ao exigido para o período de apuração, resultando no crédito que se convencionou denominar de saldo negativo, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute direito de crédito objeto de pedido de compensação, por conseguinte, na falta de comprovação do saldo negativo, não há que se falar de crédito passível de compensação. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes. Por outro lado, também não compete a segunda instância administrativa o procedimento de revisão do PER/DCOMP constituído em linguagem competente pelo próprio contribuinte, haja vista que está limitada aos termos da norma individual e concreta produzida pelo próprio contribuinte, que, no mínimo, deveria ter procedido com a retificação, a fim de emitir nova norma jurídica constitutiva. Logo, verificandose correção no julgamento a quo (DRJ), bem como observando que a Administração Tributária (DRF/Natal/RN) não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que se refere a alegação de afastamento da prescrição do crédito postulado, e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.935913/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PROCESSUAL - PRECLUSÃO - INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72.
Opera-se preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-003.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PROCESSUAL PRECLUSÃO INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. Operase preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 59 13 /2 00 9- 14 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 15374.935913/200914 Acórdão n.º 1302003.051 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o processo de pedido de compensação de crédito oriundo de pretenso indébito de IRPJ apurado no anocalendário de 2004. Inicialmente, o pleito não foi homologado em razão de, na forma do despacho decisório constante dos autos, terse verificado que o DARF que dera origem ao pedido estar alocado, integralmente, à débito declarado em DCTF. Cientificado do respectivo despacho, o contribuinte manejou a sua manifestação de inconformidade sustentando, em apertada síntese, que teria se equivocado quando do preenchimento da mencionada DCTF tendo apresentado, junto com a sua petição, cópia de declaração retificadora, por meio da qual, exclui o débito relativo ao primeiro trimestre de 2004. Ao analisar a manifestação do recorrente, a DRJ do Rio de Janeiro houve por bem julgála improcedente dado entender que a DCTF retificadora teria sido transmitida em 21/07/2009 e, portanto, após a ciência, pela empresa, de despacho decisório concernente a pedido de compensação tratado em processo conexo, relativo ao mesmo crédito. Ato contínuo, e sem maiores explicações, considerou não demonstrada a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Cientificado do acórdão supra em 16 de setembro de 2011 (sextafeira), conforme AR juntado à efls. 111, o recorrente interpôs suas razões de insurgência em 18 de outubro de 2011 (terçafeira), tal como se extrai do carimbo aposto à efls. 113, alegando que: a) a DCTF retificadora seria, per se, suficiente para comprovar o crédito pleiteado, não se observando, na hipótese, a perda da espontaneidade pelo fato de ter sido transmitida após despacho decisório proferido em outro processo de compensação, cujo objeto é o mesmo crédito tratado neste feito; b) a par do alegado anteriormente, a retificação realizada teria se dado porque o contribuinte, sujeito ao regime de lucro presumido, teria aplicado o percentual de presunção de 32% sobre a sua receita bruta quando, como demonstra através de Solução de Consulta de nº 340/04 de 29 de julho de 2004, estaria sujeita ao percentual de 8% por desenvolver atividade hospitalar. A vista do exposto, sustenta que faria, sim, jus ao direito creditório pleiteado, requerendo, pois, a reforma do acórdão combatido e a homologação de seu pleito. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 15374.935913/200914 Acórdão n.º 1302003.051 S1C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.047, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.943401/2009 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.047): "O recurso é tempestivo mas, todavia, não merece conhecimento. De fato, o contribuinte argui, em manifestação, apenas e tão somente, que o crédito se originaria de erro no registro de sua DCTF, justificando a respectiva retificação apenas em tal alegação genérica. Apenas quando da interposição de seu recurso voluntário o contribuinte suscita se tratar de empresa que desenvolve atividade hospitalar e que, nesta esteira, faria jus á redução de sua base de presunção... há, neste passo, inegável, e vedada, inovação da matéria em litígio em aberto e incontendível afronta aos preceitos dos arts. 16 e 17 do Decreto 70.235/72. A matéria abordada pelo recurso voluntário, pois, já estaria abarcada por preclusão lógica. Como esta é a única questão tratada no recurso voluntário e, não tendo sido arguída em primeira instância, consentaneamente, o próprio apelo carece dos requisitos mínimos a sua apreciação. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725811/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula CARF nº 103)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A origem dos depósitos bancários deve ser comprovada com documentos hábeis e idôneos, que permitam a identificação individualizada dos créditos.
IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE.
Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
Numero da decisão: 2202-004.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os valores cuja origem foi comprovada nos termos detalhados pela Auditoria Fiscal às e-fls. 4409/4492, e a multa isolada no percentual de 50%. Acordam ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto ao pleito de exclusão da incidência de juros sobre multa de ofício, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), que deram provimento nesse ponto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Dilson Jathay Fonseca Neto.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Redator Designado.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto) e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula CARF nº 103) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A origem dos depósitos bancários deve ser comprovada com documentos hábeis e idôneos, que permitam a identificação individualizada dos créditos. IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
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NÃO CONHECIMENTO Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula CARF nº 103) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A origem dos depósitos bancários deve ser comprovada com documentos hábeis e idôneos, que permitam a identificação individualizada dos créditos. IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê leão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os valores cuja origem foi comprovada nos termos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 58 11 /2 00 9- 33 Fl. 4510DF CARF MF 2 detalhados pela Auditoria Fiscal às efls. 4409/4492, e a multa isolada no percentual de 50%. Acordam ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto ao pleito de exclusão da incidência de juros sobre multa de ofício, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), que deram provimento nesse ponto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Dilson Jathay Fonseca Neto. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Redator Designado. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto) e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado por ocasião da Resolução nº 2202000.603 que determinou a conversão do Julgamento em Diligência (fls. 4299/4300): Em desfavor do contribuinte, DARKE MAGALHÃES DE ABREU, foi lavrado auto de infração no qual se cobra imposto de renda apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados em 2005, e rendimentos recebidos de pessoas físicas e jurídicas. O imposto resultante foi de R$ 3.025.800,21, elevandose a exigência para R$ 6.491.551,76, com os acréscimos legais, inclusive multa isolada por falta de antecipação de carnêleão, no caso dos rendimentos pagos por pessoas físicas. De acordo com o relatório fiscal (fls. 3/15), foram identificados alguns dos autores dos depósitos nas contas do autuado. Neste caso, os créditos foram tributados especificamente como rendimentos pagos por pessoas físicas ou jurídicas. Os argumentos do impugnante são, em síntese, os seguintes: Fl. 4511DF CARF MF Processo nº 10580.725811/200933 Acórdão n.º 2202004.745 S2C2T2 Fl. 4.511 3 1. A conta no Bradesco, nº 61638, é conjunta, mas o outro titular não foi intimado, implicando nulidade do lançamento, conforme diversos julgados do Conselho de Contribuintes. 2. Exerce a atividade de leiloeiro. Por lei, está impedido de constituir pessoa jurídica. Assim, os resultados dos leilões têm de necessariamente transitar por sua conta pessoal, remanescendo apenas a sua comissão. Enumera diversas empresas e órgãos públicos para os quais efetuara repasses desta espécie, e junta documentos relativos aos leilões, inclusive declaração do Bradesco atestando haver recebido repasses que somaram em 2005 R$ 4.716.250,00 (fls. 1147). O volume de todos estes repasses justifica plenamente os créditos em suas contas. A título de exemplo, identifica quatro pessoas que teriam arrematado veículos nos leilões. Sendo estes os fatos, a aplicação da Lei que exige a comprovação individualizada da origem dos depósitos estaria condicionada a uma investigação prévia por parte da fiscalização, para determinar se há indícios de irregularidades nos depósitos. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 3. No máximo se poderia admitir a tributação com base nas comissões de 5% sobre os créditos em sua conta, exceto no caso de leilão de imóveis, quando é de 3%, conforme a lei. 4. Não se pode cumular a multa de ofício com a multa isolada por falta de adiantamento mensal do imposto (carnêleão), conforme julgados administrativos. 5. Incabível a aplicação de juros de mora sobre as multas de ofício, conforme julgados administrativos. Requer perícia com base tanto nos documentos anexados como em outros de que dispõe, para que sejam excluídos os depósitos cuja origem forem porventura identificadas." A DRJ julga a impugnação procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A origem dos depósitos bancários deve ser comprovada com documentos hábeis e idôneos, que permitam a identificação individualizada dos créditos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COTITULAR NÃO INTIMADO. Fl. 4512DF CARF MF 4 Todos os titulares de conta conjunta devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos, sob pena de nulidade do lançamento na parte correspondente a estes créditos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A autoridade julgadora entendeu por bem excluir os depósitos bancários da conta conjunta Bradesco no. 61638 por falta de intimação do cotitular. Tendo em vista o montante de crédito tributário excluído, a autoridade de primeira instância recorreu de ofício. Intimado, o sujeito passivo irresignado interpôs, recurso voluntário. Na petição o recorrente apresenta considerações de defesa que, em apertada síntese, são a seguir expendidas: I — Da desconsideração das provas apresentadas, com violação do princípio do contraditório e da ampla defesa; II – Da violação ao princípio da verdade real; III – Do indiferimento de prova pericial imprescindível – cerceamento do direito de defesa; IV – Das operações bancárias no ano de 2005 ; V – Da origem dos depósitos; VI – Da impossibilidade de cumulação da multa de ofício com a multa isolada; VII –Dos juros sobre a multa;" Na sessão de 03 de dezembro de 2014 esta turma converteu o julgamento, em diligência por meio da Resolução nº 2202000.603 do então Conselheiro Relator Antonio Lopo Martinez para: 1) Intimar o contribuinte a elaborar uma planilha no prazo de 30 (dias) que correlacione os documentos que anexou aos autos, e os argumentos suscitados no recurso, com os depósitos bancários que estão sendo objeto do lançamento, discriminando argumentos com folhas e razões para exclusão. A origem dos depósitos bancários devem ser demonstrados, individualizadamente, sendo essa uma competência do recorrente. O prazo poderá ser prorrogado pela autoridade fiscal, caso se justifique. 2) Que a autoridade fiscal se manifeste, em parecer conclusivo, sobre a planilha elaborada, documentos relacionados e esclarecimentos prestados, sobre a possível comprovação dos depósitos questionados, dandose vista a recorrente, com prazo de 10 (dez) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Intimado, o Recorrente promoveu a juntada das planilhas e documentos de fls. 4331/4398 no qual procura identificar a origem dos depósitos bancários. Fl. 4513DF CARF MF Processo nº 10580.725811/200933 Acórdão n.º 2202004.745 S2C2T2 Fl. 4.512 5 A Auditoria Fiscal apresentou relatório circunstanciado de fls. 4407/4408 na qual explica a metodologia utilizada para análise dos documentos. Logo em seguida, junta os 3 anexos (fls. 4409/4492), nos quais detalha os valores cujas origens foram comprovadas. O Recorrente, novamente intimado, apresentou a manifestação de fls. 4496/4500, na qual alega que "através da Diligência Fiscal a base de cálculo tributável passou de R$ 11.002.910,54 para R$ 2.843.710,82 (planilha anexo), o que ainda não corresponde à base de cálculo real, haja vista que dos valores depositados na conta corrente do Autuado, apenas 5% corresponde efetivamente a renda passível de incidência do imposto de renda." É o relatório Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) RECURSO DE OFÍCIO Conforme se verifica pela parte dispositiva da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 3325) o valor exonerado pela primeira instância é inferior ao previsto na Portaria MF 63, de 09 de fevereiro de 2017, motivo pelo qual, não conheço do recurso de ofício.1 2) RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1) DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA E DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Alega a Recorrente que a decisão recorrida deixou de examinar a farta documentação apresentada pelo Impugnante, sem qualquer motivação, em flagrante ofensa ao princípio da verdade material e ampla defesa. De acordo com a decisão recorrida, a mencionada documentação não foi analisada, pois o ônus de comprovar, individualizadamente, a origem dos depósitos caberia à Impugnante, conforme se constata pelo trecho abaixo transcrito: O impugnante alega que os depósitos em questão proviriam de sua atividade de leiloeiro. Não apresenta, porém, documentos que comprovem individualizadamente a sua origem. Cita quatro operações que teriam dado origem a créditos em suas contas, mas não indica quais seriam estes depósitos nem que estejam incluídos na autuação. Julga que o fato de ser leiloeiro inverteria o ônus da prova, e que caberia ao fisco investigar se as suas contas estão regulares. O artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, porém, atribui expressamente ao titular da conta bancária a obrigação de comprovar individualizadamente a origem dos Fl. 4514DF CARF MF 6 depósitos através de documentação hábil e idônea, sem eximir desta obrigação qualquer pessoa, física ou jurídica, em virtude da atividade econômica que exerce. Sendo seu o ônus da prova, cabe recusar a perícia que propõe para que se determine a origem dos créditos em suas contas com base nos documentos que afirma ter em seu poder. É correta a afirmação da decisão recorrida quanto a inversão do ônus da prova por força da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Fl. 4515DF CARF MF Processo nº 10580.725811/200933 Acórdão n.º 2202004.745 S2C2T2 Fl. 4.513 7 Todavia, embora o contribuinte não tenha feito a individualização dos depósitos bancários, promoveu, desde a impugnação, a juntada de uma série de documentos para esse fim, o que motivou a conversão do julgamento em diligência por parte desta turma. Como bem observado pelo então Conselheiro Relator Antonio Lopo Martinez: O recorrente com a sua impugnação e recurso apresentou aproximadamente 3000 folhas nas quais almeja demonstrar uma parte dos depósitos bancário, entende que estaria demonstrando aquilo que foi requisitado para autoridade fiscalizadora. Não há como se negar que em se tratando de lançamento baseado em depósitos bancários, é função do contribuinte demonstrar a origem, não cabendo ao fisco o dever de produzir prova ao favor do deste. Cabe ao recorrente, produzir a prova convincente e idônea, individualizada de cada depósito. Para evitar argumentos de cerceamento de direito de defesa, entendo que o recorrente poderá ter seus documentos reapreciados, entretanto cabe a ele provar o que alega, com documentos que respaldem de modo individualizado cada um dos depósitos que foram objeto do lançamento. (grifos no original) Intimada a analisar a documentação juntada pelo Recorrente, em cumprimento da diligência solicitada pelo CARF, a Auditoria Fiscal reconheceu a comprovação da origem da maioria dos depósitos. Conforme descrita às fls. 4407/4408, a metodologia utilizada pela Auditoria Fiscal foi a seguinte: Feitas as observações iniciais, seguese a análise da documentação apresentada. Neste sentido, faço as seguintes considerações: 1. As informações contidas em toda a documentação trazida ao processo, foram utilizadas para construção de planilhas eletrônicas de modo a subsidiar identificações de créditos nas diversas contascorrentes do autuado, referentes aos leilões efetuados. 2. Os créditos desonerados pelo julgamento de 1ª Instância aparecem nas planilhas de alocações, apenas visando o entendimento global da movimentação de valores. 3. Foram considerados como recursos provenientes da atividade de leiloeiro e pagos em moeda corrente pelos arrematantes, os valores em espécie depositados por Darke Magalhães de Abreu, em datas imediatamente posteriores à realização do leilão e anteriores à prestação de contas ao comitente. 4. Para identificar a relação depósito X leilão, as anotações manuscritas nas diversas cópias de documentos apresentados pelo interessado foram minuciosamente analisadas. Neste sentido foram consideradas informações como a identificação de valores pagos parte em cheque e parte em moeda corrente, valor Fl. 4516DF CARF MF 8 total pago em dinheiro, aglutinação de lotes num único pagamento, diversos pagamentos referentes a um único lote, etc. 5. Foram objeto de pesquisa efetuada aos diversos sistemas da RFB em busca de possíveis relacionamentos, os depositantes identificados nas contascorrentes do autuado que não constassem da relação dos arrematantes dos leilões a que poderiam pertencer. 6. A auditoria desconsiderou a utilização do método de aproximação de valores, efetuada por inúmeras vezes pelo autuado, com o objetivo de relacionar depósitos a lotes de leilão. 7. Os depósitos identificados como recursos provenientes da atividade de leiloeiro foram considerados recursos de terceiros, à exceção da comissão de 5%, devida ao leiloeiro, a cada negociação. 8. Os depósitos aglutinados foram identificados para análise e constam em planilhas secundárias, identificadas da letra A até a letra J, correspondendo aos meses de janeiro a dezembro/2005. 9. Os códigos R e B, utilizados na terceira coluna da planilha do anexo I (Informações Documentos Leilões) referemse ao tipo de documento onde constam as informações extraídas para a planilha, onde R corresponde ao “Relatório de Leilões” e B ao “Boleto emitido para o arrematante”. 10. Nas planilhas correspondentes aos anexos II a V a coluna identificada como “Valor II” referese ao valor considerado para tributação, após análise de toda documentação apresentada. Em relação aos valores desconsiderados pela Auditoria Fiscal o Recorrente insiste na necessidade de exclusão, tendo em vista estar comprovado que decorrem da atividade de leiloeiro. Todavia, conforme já exposto, a comprovação da origem dos depósitos é ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Em face do exposto, entendo comprovados os depósitos nos termos detalhados pela Auditoria Fiscal às fls. 4409/4492. 2.2) DA INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊLEÃO. Quanto a questão da multa isolada, aplicada no percentual de 50%, calculada com base no art. 44, §1º, alínea "a", da Lei nº 9.430/96, insurgese o contribuinte pela impossibilidade de concomitância com a multa de ofício, aplicada com base no art. 44, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.430/96, nos percentuais de 75% e 150%. A matéria questionada foi analisada pela 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa de acórdão abaixo: IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Fl. 4517DF CARF MF Processo nº 10580.725811/200933 Acórdão n.º 2202004.745 S2C2T2 Fl. 4.514 9 Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Acórdão n° 920200.883, sessão de 11/05/2010). Ainda mais recentemente, a 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais se manifestou no mesmo sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Em se tratando de lançamento de oficio, somente deve ser aplicada a multa de oficio vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Acórdão 9202003.552, sessão de 28/01/2015) Deste modo, entendo por cancelar a multa isolada por aplicação concomitante com multa de oficio. 2.3) DA EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DOS JUROS SOBRE MULTA Por fim, alega que a cobrança de juros Selic sobre a multa de oficio lançada não encontra respaldo legal, uma vez que os juros de mora à taxa Selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Este Conselho já apreciou a presente matéria, no Acórdão nº 110200.060 (julgado na sessão de 28/08/2009), a Conselheira Sandra Maria Faroni, bem sintetiza o argumentação que permite a conclusão não incidência dos juros sobre a multa de ofício, vejamos: “A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor Fl. 4518DF CARF MF 10 originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 5°, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.62131/98), arts. 29 e 30. O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a submissão, a partir de 10 de janeiro de 1997, a juros de mora calculados segundo a Selic, dos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994 e que não tenham sido objeto de parcelamento, e dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União. Em síntese, em se tratando de débitos de tributos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995 só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre multa no caso de multa lançada isoladamente; não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1° do art. 161 do CTN.” A fim de demonstrar o entendimento majoritário do CARF no sentido acima exposto, colaciono a ementa de diversos julgados: JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir Fl. 4519DF CARF MF Processo nº 10580.725811/200933 Acórdão n.º 2202004.745 S2C2T2 Fl. 4.515 11 de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão 20216.397, sessão de 14.07.2005). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Acórdão 101 96.008, sessão de 1/03/2007). INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio.(Acórdão 10196.607, sessão de 06/03/2008). Inclusive há decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pelo Acórdão 910100.722 (1a. Turma da CSRF), julgado na sessão de 8 de novembro de 2010, de relatoria da Conselheira Karem Jureidini Dias: RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. A fundamentação do referido acórdão da 1a. Turma da CSRF é de que a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre ‘débitos decorrentes de tributos e contribuições’, sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora a taxa Selic sobre a multa de oficio. Assim, a conclusão é de que a taxa SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97. Por tais razões, afasto a incidência dos juros aplicáveis sobre a multa de ofício. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo os valores cuja origem foi comprovada nos termos detalhados pela Auditoria Fiscal às fls. 4409/4492, bem como a multa isolada no percentual de 50% e a incidência de juros sobre multa. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Voto Vencedor Fl. 4520DF CARF MF 12 Conselheiro Ronnie Soares Anderson O caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9.430/96, que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981/95, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REspnº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: Fl. 4521DF CARF MF Processo nº 10580.725811/200933 Acórdão n.º 2202004.745 S2C2T2 Fl. 4.516 13 De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida, ponto acerca do qual, portanto, divirjo do encaminhamento de voto da D. Relatora. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os valores cuja origem foi comprovada nos termos detalhados pela Auditoria Fiscal às efls. 4409/4492, e a multa isolada no percentual de 50%. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 4522DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.902978/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 02 97 8/ 20 08 -3 8 Fl. 497DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 498 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Tratase de Manifestação de Inconformidade, proposta em razão da expedição de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação Eletrônica ("PER/DCOMP"), cujos dados são os seguintes: [...] O Despacho Decisório assim fundamentou a não homologação da compensação pretendida pelo Contribuinte: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, ..., mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado o Despacho Decisório, o Contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade, afirmando que seria detentor do crédito declarado, já que teria realizado recolhimento a maior e que teria, inclusive, retificado a respectiva DCTF, da qual apresenta cópia. Requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade, porque estaria"... demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2004 A 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO COMPENSADO Declaração de compensação, sem que o respectivo crédito esteja prévia e devidamente formalizado pelo Contribuinte, segundo os mecanismos institucionais e informatizados de controle da competente Autoridade Administrativa. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10875.902978/200838 Resolução nº 3301000.962 S3C3T1 Fl. 499 3 No âmbito do processo administrativo fiscal, é pressuposto indispensável efetivação da compensação a comprovação da existência e da demonstração do respectivo crédito. A mera alegação da sua existência, desacompanhada de provas, não basta para sua comprovação, por desatender às disposições do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, basicamente repisando os argumentos antes apresentados. Em síntese, alega que sobre os redutores de velocidade que fabrica estaria reduzida a zero a alíquota de Cofins e a impossibilidade de desconsideração da DCTF e da DACON retificadoras. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste Seção de Julgamento emitiu a Resolução convertendo o julgamento em diligência, para "que a DRF competente verifique e confirme, à luz da DCTF retificadora apresentada, a existência ou não do crédito alegado pela Recorrente nestes autos ". Sobreveio então informação fiscal da Delegacia da Receita Federal em Campinas, sobre a qual se manifestou a contribuinte. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10875.902978/200838 Resolução nº 3301000.962 S3C3T1 Fl. 500 4 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário foi dado por tempestivo na dita resolução1. A recorrente dá conta de que retificou DCTF e DACON após o despacho decisório que deu pela não homologação a compensação pretendida, o que, a seu ver, teria ocorrido única e exclusiva em virtude da ausência de retificação destas declarações. Um exame da conclusão do acórdão da DRJ aponta que esta só consideraria retificações anteriores ao despacho decisório (ainda que não tenha afirmado categoricamente o aceite ou não das retificações posteriores): Finalmente, e considerando os pressupostos (informações e documentos), sobre os quais se assenta o Despacho Decisório recorrido (cronologicamente: DCTF original e retificação anterior ao Despacho Decisório, respectivas DARF e PER/DCOMP); e, considerando os demais documentos e elementos constantes dos autos, impõese a inexorável constatação de que o Contribuinte, tendo deixado de atender as exigências legais do Decreto 70.235/1972, não logrou demonstrar a efetiva existência do crédito, do qual pretendia se compensar. Entendo que a retificação extemporrânea da DCTF não causa prejuízo ao direito alegado, desde que comprovado por outros meios. Na mesma linha apontou o Resolução citada. Sigo jurisprudência do CARF: RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10875.902978/200838 Resolução nº 3301000.962 S3C3T1 Fl. 501 5 (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/ 200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). Alega a recorrente o seu direito a crédito em função de que sobre os redutores de velocidade que fabrica estaria reduzida a zero a alíquota de Cofins, pelo art. 3º da Lei 10.485/04. Segue, em sua versão original: Art. 3º Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à receita bruta da venda: I dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei; II dos produtos referidos no art. 1o, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. De fato, como lá informa: Aduz ter equivocadamente aplicado a alíquota de 3% a tais produtos, apontando planilhas, tendo havido indevido pagamento a maior a justificar seu crédito: Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10875.902978/200838 Resolução nº 3301000.962 S3C3T1 Fl. 502 6 [...] A informação fiscal decorrente da diligência determinada pela dita resolução concluiu que "apurandose, com base nas notas fiscais anexadas, que o contribuinte, a princípio, faria jus a um crédito de COFINS de [...]" (grifos do original), mas deu pela "ausência de registros contábeis que atestem, de forma inequívoca, que as receitas relativas às notas fiscais". Reproduzo o trecho completo: Pois bem. Juntamente ao Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: Recibos de Entrega de DCTF e sua cópia parcial (fls.194 a 202), Recibos de Entrega de DACON e sua cópia parcial (fls. 203 a 218), Planilha de Vendas referente ao mês de jan/2004 (fl.220), Demonstrativo com a apuração da base de cálculo da COFINS jan/2004 (fl. 223), Planilha com a relação das notas fiscais de vendas de redutores de velocidade – período jan/2004 (fls.224 e 225), Cópia de notas fiscais de vendas (fls.226 a 230), Memória de Cálculo dos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Pasep e COFINS (fls.232, 234 a 239) e Demonstrativo com a relação dos débitos compensados por pagamentos indevidos ou a maior (fl.241). Embora o contribuinte tenha evidenciado na Memória de Cálculo dos pagamentos indevidos ou a maior (fls.232 e 237) o montante de R$ 1.559.302,84 (um milhão, quinhentos e cinqüenta e nove mil, trezentos e dois reais e oitenta e quatro centavos), oriundo das vendas de redutores de velocidade no mês de janeiro de 2004, o que teria acarretado, aplicandose a alíquota de 3%, na apuração indevida da COFINS de R$ 46.779,10 (quarenta Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10875.902978/200838 Resolução nº 3301000.962 S3C3T1 Fl. 503 7 e seis mil, setecentos e setenta e nove reais e dez centavos), fez a anexação aos autos de notas fiscais, cuja somatória monta apenas em R$ 266.357,81 (duzentos e sessenta e seis mil, trezentos e cinqüenta e sete reais e oitenta e um centavos). Considerando que a nota fiscal é o documento hábil para a comprovação da operação comercial, para fins de determinação do valor do crédito da COFINS passível de compensação, serão utilizadas tão somente as notas fiscais carreadas aos autos. Assim, de conformidade com o determinado na Resolução nº 3202 000.138, expedida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), foram averiguadas as alegações contidas na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, bem como examinados os documentos juntados aos autos, o que inclui a DCTF retificadora, ainda que transmitida em data posterior à emissão do Despacho Decisório Eletrônico, apurandose, com base nas notas fiscais anexadas, que o contribuinte, a princípio, faria jus a um crédito de COFINS de R$ 7.990,72 (sete mil, novecentos e noventa reais e setenta e dois centavos): [...] No entanto, em razão da ausência de registros contábeis que atestem, de forma inequívoca, que as receitas relativas às notas fiscais, para as quais foi calculado o crédito da COFINS, foram de fato contabilizadas na base de cálculo da contribuição inicialmente apurada, tornase prejudicada a emissão de qualquer juízo de valor acerca do direito do contribuinte ao referido crédito. Em sua manifestação quanto à relatada informação fiscal, a recorrente esclarece: [...] 28. Não bastasse o exposto, e exclusivamente para que não haja qualquerdúvida acerca de seu direito creditório, a Recorrente acosta aos presentes autos a integralidade das Notas Fiscais de venda dos redutores de velocidade (doca 03), relacionadas na planilha de fls. 224/225, que bem demonstra o valor indevidamente tributado e que foi utilizado na PER/DCOMP que deu origem à presente discussão. 29. A Recorrente junta também o razão da conta COFINS À RECOLHER (doca 04 – documento não paginável), que permite a identificação precisa, nota por nota, do valor creditado na conta contábil com base nas Notas Fiscais de venda. À título exemplificativo, vejase o registro realizado nessa conta em razão da emissão da Nota Fiscal n.º 83919 (fls. 226): [...] 34. Por fim, à Recorrente cumpre sinalizar que, em 09/03/2012, acostou aos autos mídia digital3 com a integra dos lançamentos contábeis da Recorrente nos anos de 2003 e 2004, conforme comprovante de fls. 243/244, de modo que a DRF não poderia ter deixado de realizar juízo de valor acerca Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10875.902978/200838 Resolução nº 3301000.962 S3C3T1 Fl. 504 8 do direito creditório em questão sob a justificativa de inexistência de registros contábeis comprobatórios, assim como o fez. Tratouse de evidente desrespeito às determinações deste E. CARF. Identifiquei que, de fato, a contribuinte anexou aos autos: a) na sequencia da referida manifestação sobre a informação fiscal, diversas notas fiscais (fls. 305 a 392), tratando de "REDUTOR", e um arquivo não paginável de conta de livro razão "COFINS 2004" (fl. 493), com milhares de registros; e b) antes da resolução que determinou a diligência, , "Recibos de Entrega de Arquivos Digitais" em CD/DVD (fls 242 e 244), que pode bem ser a "mídia digital [...] com a integra dos lançamentos contábeis da Recorrente nos anos de 2003 e 2004", como manifestado pela contribuinte. Pelo exposto, considerando a busca pela verdade material e tendo em vista que há nos autos demonstrativos contábeis que podem comprovar os indébitos apontados, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que a Delegacia de Origem: 1) Verifique a liquidez e certeza dos créditos alegados, com base nos elementos constantes e mencionados dos autos; intimando a contribuinte a apresentar informações e documentos que entender necessários; e 2) Conceda prazo de trinta dias para a contribuinte se manifestar, finda a diligência, sobre o relatório dela decorrente, retornando os autos, em seguida, ao CARF para retomada do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 504DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.726576/2016-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório. Inicio com a transcrição do relatório da Decisão de Piso sobre o caso. Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls.80/184, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, os AuditoresFiscais autuantes verificaram em síntese que: 1. A contribuinte fiscalizada, juntamente com a empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190, durante o período de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 26 57 6/ 20 16 -5 7 Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.673 2 setembro de 2011 a dezembro de 2012, perpetrou um esquema de sonegação fiscal junto a 29 unidades filiadas, deixando de tributar R$97.999.029,99 de receitas auferidas. 1.1. Tratase de ação conjunta, denominada Operação “Avaritia”, envolvendo a Receita Federal, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, amparados por medidas obtidas junto à Justiça Federal, para desbaratar esquema de sonegação fiscal perpetrado há muitos anos. 1.2. Constatouse que o GRUPO EMPRESARIAL MICROCAMP utilizou CNPJs autônomos, supostamente desvinculados da matriz, para efetuar uma rede de negócios oferecendo cursos de informática e de línguas estrangeiras, ocultando da tributação fiscal em média 77% da receita bruta auferida. 1.3. A simulação consistia no uso de diversas empresas, supostamente independentes, quando de fato respondiam contábil, financeiramente e administrativamente à fiscalizada. 1.4. Verificouse que a fiscalizada, juntamente com a empresa MC CURSOS E RECEBIMENTOS DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190, comandavam 29 (vinte e nove) unidades num esquema fraudulento de omissão de receitas. 1.5. Segue demonstrativo especificando, para cada uma das unidades, a receita efetivamente auferida no anocalendário 2012 e os valores declarados à Receita Federal do Brasil no mesmo período por meio das DIPJ 2012/2013: Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.674 3 Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.675 4 1.6. A documentação apreendida no curso da Operação “Avaritia”, analisada ao longo da fiscalização, demonstra que os maiores retornos financeiros do conglomerado seriam provenientes da sonegação fiscal mediante o emprego de fraudes à administração tributária, por meio da redução premeditada das receitas de todas as unidades componentes do grupo. 1.7. O registro de um novo CNPJ por filial teve por finalidade garantir que, caso a sonegação fiscal fosse descoberta em uma dessas filiais, esse fato não viesse a afetar o patrimônio das demais unidades da rede, que continuariam a exercer suas atividades normalmente. 2. DA QUALIFICAÇÃO DA FISCALIZADA 2.1. A contribuinte fiscalizada é empresa individual de responsabilidade limitada, cuja titular é ELOYSE NATHALIA NICOLAU TUFFI, CPF: 409.539.89810. A mesma é resultado da transformação da natureza jurídica da empresa MICRO SAMPA Comércio Serviços e Participações Ltda, sociedade empresária limitada, ocorrida em 07/02/2013. 2.2. Por sua vez, a MICRO SAMPA Comércio Serviços e Participações Ltda. foi constituída, em 03/10/2011, por Eloyse Nathalia Nicolau Tuffi, na situação de sócia e administradora, com participação de R$5.000,00 no capital social, e por José Nabais Nicolau, CPF: 019.250.40887, na situação de sócio com participação de R$95.000,00 no capital social, que se retirou da sociedade em 27/04/2012. Em 28/03/2012 foi registrada na JUCESP a abertura de filial na Av. Rebouças, nº 2.511, São Paulo – SP. Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.676 5 2.3. A empresa tem como objeto social “explorar com exclusividade as seguintes atividades: a) cursos especializados em tema de informática, línguas estrangeiras e de quaisquer outras matérias de interesse cultural, treinamento, pesquisa de programas educacionais, técnicos profissionais e correlatos; b) comércio atacadista e varejista de livros, apostilas, tratados, periódicos e outras publicações; c) atividade “holding” de participação em outras empresas e aquisições societárias.” 2.4. Apresentou as seguintes Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ): 2.5. Para o anocalendário 2012, consignou em DIPJ os seguintes valores como Receita Bruta trimestral, IRPJ a pagar e CSLL a pagar: 2.6. Confrontandose a Receita Bruta declarada com Movimentação Financeira a crédito, decorrente de depósitos em contas correntes, constatouse a existência da seguinte diferença relevante: 2.7. A empresa não apresentou DCTF para os períodos de apuração do anocalendário 2011. Para anocalendário 2012, declarou em DCTF somente débitos relativos ao IRPJ e à CSLL: Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.677 6 2.8. Quanto ao Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON), relativos aos meses janeiro/2012 a abril/2012, a empresa informou apenas receitas isentas e/ou sem incidência das contribuições PIS e COFINS: 3. DA AÇÃO FISCAL 3.1. A ação fiscal foi iniciada em 26/02/2014 com a entrega do Termo de Início de Ação Fiscal. 3.2. Em 18/03/2014, por meio de seu procurador Sr. Sérgio Galvão de Souza Campos, OAB/SP n° 56.448, a empresa solicitou prazo de 20 (vinte) dias para atendimento do Termo de Início de Ação Fiscal, o qual foi concedido nos termos em que solicitado. 3.3. Em 23/04/2014, a fiscalizada providenciou a entrega dos seguintes documentos: 1) Livro Caixa no. de ordem 01, relativo ao período 01/01/2012 a 31/12/2012; e 2) Extrato bancário do Banco Bradesco (Agência 0895, conta 01097628), relativo ao período 29/11/2011 a 31/12/2012. 3.4. Como o atendimento foi parcial, na mesma data lavrouse novo termo de constatação e intimação fiscal (n° 003), datado de 23 /04/2014, reiterando a intimação quanto aos documentos faltantes. 3.5. As informações acima foram reiteradamente solicitadas à fiscalizada em: 30/05/2014, 10/07/2014, 14/08/2014, 23/09/2014 e 30/10/2014, por meio dos termos de reintimação nºs 04, 05, 06, 07 e 08; todos juntados ao presente processo administrativo fiscal. 3.6. Em 31/10/2014, a fiscalizada apresentou pedido de prorrogação de prazo para apresentação dos documentos solicitados. 3.7. Em 26/11/2014, a fiscalizada apresentou resposta ao termo de reintimação n° 08, informando que, em relação aos extratos bancários, a empresa já entregou todos os extratos que mantinha em seu poder, e que somente realizou atividades préoperacionais Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.678 7 durante o ano calendário 2011. Na mesma data, a contribuinte foi intimada a informar todas as atividades econômicas efetuadas durante os anoscalendário 2011 e 2012. 3.8. As informações acima solicitadas foram reiteradas nos termos nºs 10 e 11, lavrados respectivamente em 23/12/2014 e 26/01/2015. 3.10. Em relação aos termos supracitados, a fiscalizada apresentou a seguinte resposta (fls.963): 1 No ano de 2011, mais precisamente desde a sua constituição em 07/11/2011, a empresa realizou tão somente atividades pré operacionais, preparandose para assumir o papel de fornecedora de material didático para os alunos da rede de escolas Microcamp, em decorrência da separação ocorrida entre os sócios das empresas componentes da referida rede. 2 No ano de 2012, a empresa atuou como centralizadora de compras para a rede de escolas Microcamp assumindo afetivamente a atividade de fornecedora de material didático para os alunos e para consumo nas próprias unidades. 3.11. Em 09/03/2015 a fiscalizada foi cientificada da continuidade do procedimento fiscal. 3.12. Em 14/04/15 foram entregues, em meio magnético, os documentos apreendidos na Operação Avaritia. 3.13. Em 29/05/2015, a empresa foi intimada a escriturar os livros caixa relativos ao período de jan/2011 a dez/2012 (Termo 13): 1) Recompor a escrituração do Livro Caixa apresentado, referente ao ano calendário 2012, bem como proceder a escrituração de Livro Diário ou Livro Caixa relativo ao anocalendário 2011, incluindo toda a movimentação financeira efetuadas nas seguintes contas bancárias: a) Banco Itaú, Agência nº 262, contas correntes n°s 840374 e 870900; b) Banco Bradesco, Agência n° 895 contas correntes n°s 1097628, 1097636, 1097644 e 1098136; Agência nº 1914 conta corrente 169650. 3.14. A intimação acima foi reiterada em 29/05/2015 e 08/07/2015 nos termos de reintimação nºs 14 e 15. 3.15. Em 16/07/2015 a fiscalizada solicitou prazo de 90 dias para atendimento do termo de reintimação n° 15. 3.16. O pleito da fiscalizada foi parcialmente atendido, recebendo o prazo de 30 dias, conforme Termo de Prorrogação de Prazo n° 16 lavrado em 27/07/2015. 3.17. Conforme solicitado pela contribuinte, a fiscalização forneceu cópia dos extratos bancários e do livro caixa, este último relativo ao anocalendário 2012. 3.18. Os termos nºs 18, 19, 20, 21 e 22, tiveram o mesmo objeto, qual seja, todos intimaram a fiscalizada a apresentar os documentos de escrituração. Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.679 8 3.19. Em 04/05/2015, a fiscalizada solicitou prazo para atendimento dos termos supracitados. Na mesma ocasião, a fiscalização concedeu prazo de 30 dias. 3.20. Os termos nºs 24 e 25, lavrados em 28/06/2016 e 22/07/2016, respectivamente, reiteraram os documentos já solicitados. 3.21. Até a lavratura do Termo de Verificação Fiscal, em 01/12/2016, não houve atendimento dos últimos termos lavrados. 4. DA ANÁLISE DOS DOCUMENTOS 4.1. Durante o período fiscalizado, a fiscalizada movimentou as seguintes contas bancárias: 4.2. O total movimentado nas contas correntes durante os anoscalendário 2011 e 2012 foi: 4.3. De acordo com os documentos apreendidos, verificouse que cada conta recebeu uma denominação específica, uma referência interna, e desempenhou papel próprio dentro do grupo organizacional: • Conta 1097682 – HOLDING 002 – CONDOMÍNIO – Recebe os valores enviados pelas unidades a título de condomínio. • Conta 1097633 – HOLDING 005 – INVESTIMENTOS – Recebe os valores enviados pelas unidades a título de investimentos. • Conta 1097644 – HOLDING 006 CRC – Faz o gerenciamento dos cheques recebidos pelas unidades, conforme comprovantes bancários e relatórios de borderô. • Conta 870900 – HOLDING PRESIDÊNCIA – Conta denominada “presidência”, cujos valores são utilizados em gastos pessoais dos sócios. • Conta 840374 – HOLDING PRESIDÊNCIA – Também referenciada por conta “presidência”, seus valores também são utilizados em gastos pessoais dos sócios. Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.680 9 4.4. As referidas contas bancárias são abastecidas pelas unidades filiadas, sendo que, às fls.97/117, é apresentado um resumo operacional do funcionamento de cada uma delas, com amparo em extensa sustentação documental, abrangendo movimentos do Caixa, detalhamento de contas contábeis, extratos de contas bancárias, correspondências, contratos e cheques. 5. DA MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA 5.1. A empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190, também passou por um procedimento de fiscalização, executado com amparo no TDPF n° 08190 002014004487. 5.2. Foi apreendida vasta documentação, na sede da fiscalizada, relativa à MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, por meio da qual foi demonstrada a atuação de ambas, de forma centralizada e coordenada, no comando das unidades filiadas. 5.3. A empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190, é sociedade empresarial, com capital social formado por cotas de responsabilidade limitada. De acordo com seu contrato social, constitui o seu objeto social: “prestação de serviços de cobrança e recebimento de cheques e outros títulos de crédito, exceto judiciais, bem como na área de cursos especializados em temas de informática, línguas estrangeiras, técnicos e profissionais”. Registrou seus dados cadastrais no CNPJ informando como atividade principal: “atividades de cobrança e informações cadastrais”, CNAE 82911 00. 5.4. A empresa teve como sócios proprietários, durante os anoscalendário de 2011 e 2012, o Sr. Eloy Tuffi, CPF: 507.066.08887 e a Sra. Marlene Rito Nicolau, CPF: 116.227.99828; sendo que cada um possuía 50% do capital social e ambos exerciam poderes de gerência. 5.5. Apresentouse, como procurador da empresa, o Sr. Sérgio Galvão Souza Campos, OAB/SP 56.248, que é o mesmo procurador da ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI. 5.6. A MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA declarou, por intermédio de DIPJ, os seguintes valores de receita bruta, imposto de renda a pagar (IRPJ) e contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), relativamente aos anoscalendário de 2011 e 2012: 5.7. Ainda, relativamente aos anoscalendário 2011 e 2012, apresentou as DCTFs abaixo especificadas, contendo os seguintes valores de COFINS e PIS/PASEP: Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.681 10 5.8. Referida empresa movimentou durante os anoscalendário 2011 e 2012 o total de R$23.104.755,29 (total creditado nas contas correntes) que, comparado com as receitas declaradas, leva ao demonstrativo a seguir: 5.9. Como se vê, a movimentação no ano de 2011 corresponde a mais de 458 vezes a receita declarada durante aquele anocalendário. Em 2012, a movimentação é superior a 72 vezes a receita declarada. 5.10. Segundo DIMOF informada pela instituição financeira ITAÚ UNIBANCO S/A, CNPJ 60.701.190/000104, as únicas contas movimentadas pela empresa durante os anos de 2011 e 2012 foram: 1) conta corrente 800650, agência 0895 e 2) conta corrente 00549, agência 444; ambas do Banco Itaú. A seguir, há um demonstrativo evidenciando a movimentação mensalmente consolidada destas contas: Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.682 11 5.11. Em 26/02/2014, na execução do Mandado de Busca e Apreensão MBA n° 19/2014 efetuado no endereço sede da empresa ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI, foram coletados diversos documentos sobre o funcionamento da empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/0001 90, demonstrando a forma de operação desta empresa dentro do GRUPO EMPRESARIAL MICROCAMP. 5.12. De acordo com os documentos coletados, as contas bancárias 800650 e 00549 recebiam, respectivamente, as seguintes denominações: "Holding 004 Remessas" e " Holding 008 Cobranças"; e possuíam funções específicas no controle e gerenciamento dos Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.683 12 valores enviados pelas filiais (daí a sua elevada movimentação financeira). Respectivas contas eram supridas em grande parte por depósitos em cheques de clientes e depósitos em dinheiro feitos pelas unidades. 5.13. A conta 800650 responde pelo recebimento e administração dos valores enviados a título de REMESSAS, que correspondem a um percentual do faturamento das filiais, variando entre 13% e 35%, dependendo do porte da receita auferida. 5.14. A forma de operação desta conta bancária foi demonstrada por uma série de relatórios, extratos bancários, gerenciais, e outros, todos obtidos na execução do supracitado MBA 19/2014. 5.15. A título exemplificativo, cabe apresentar o Relatório de Movimento do Caixa, datado de 12/01/2012, que registra de forma individualizada os valores enviados por cada uma das unidades (filiais) a título de REMESSAS, quais sejam: SANTOS, ITAQUERA, INTERLAGOS, TATUAPÉ, etc... (fls.123). 5.16. Os valores registrados no Movimento do Caixa eram conciliados no extrato bancário, como se vê a seguir no extrato bancário parcial da referida conta datado de 05/01/2012 (fls.123). 5.17. Há ainda vários documentos que ilustram o pagamento de várias obrigações tributárias referentes às unidades, pagas com recursos da conta bancária n° 800650 (fls.124/126). 5.18. Juntamse outros documentos que demonstram o pagamento das mais variadas despesas das empresas filiais com recursos da presente conta bancária (fls.126/129). 5.19. Diversos acordos judiciais trabalhistas foram adimplidos com recursos da conta bancária n° 800650, conforme demonstram os documentos de fls.129/131. 5.20. Também foram coletados vários relatórios gerenciais que demonstram os valores enviados por cada uma das unidades a título de remessas, dentre os quais os gerenciais de JUNDIAÍ e MOGI DAS CRUZES referentes a fev/2012 (fls.131/132). 5.21. Por fim, com relação à referida conta também foram encontrados documentos que comprovam: Pagamento de IPVA de veículo de outra unidade, pagamentos de contas pessoais da Sra. Marlene Nicolau Rito Tuffi, tais como: seguranças, empregados domésticos, condomínio edifício regency, condomínio marina Guarujá, Iate Clube de Santos, conta de luz, serviços de tv por assinatura, etc... 5.22. Já a conta 00549 Banco Itaú, agência 444, responde pela cobrança e controle dos valores não recebidos no prazo pactuado, objeto de cobrança administrativa efetuada pela MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA. 5.23. Às fls.133, a título exemplificativo, há vários acordos amigáveis, referentes às diversas unidades que foram objeto de negociação com os alunos inadimplentes. 5.24. Assim como a conta bancária anterior, a conta 005490 também é controlada via relatórios gerenciais de movimento de caixa, conciliados por meio de extratos bancários, conforme documentos de fls.134. Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.684 13 5.25. Em 13/11/2014, a empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES SS LTDA foi questionada especificamente sobre suas atividades econômicas e objetivos sociais, nos seguintes termos: “informar de maneira exaustiva quais foram todas atividades econômicas e objetivos sociais exercidos pela empresa durante os anoscalendário 2011 e 2012”. 5.26. Em resposta a esse questionamento, em 25/11/2014, a empresa apresentou os seguintes esclarecimentos: Prezados senhores MC CURSOS E RECEBIMENTOS DE CHEQUES S/S LTDA, sediada à Av. Rebouças, 2511, Pinheiros, São Paulo SP, inscrita nos CNPJ sob nº. 11.693.962/000190, por seus procuradores abaixo assinados, em atendimento à solicitação contida no termo de intimação no. 007, acima referido, vem prestar os seguintes esclarecimentos: 1 A empresa tem em seu objeto social as atividades de cobrança e informações cadastrais; Educação profissional de nível médio e ensino de idiomas. 2 A empresa iniciou suas operações, de fato, no ano de 2011, em decorrência da separação ocorrida entre os sócios que compunham as diversas empresas da rede educacional Microcamp. 3 Sua atividade principal consiste em custodiar os cheques recebidos pelas escolas da rede Microcamp, até a sua data de depósito. Efetuar os respectivos depósitos em sua conta, ou da escola cedente, monitorar a efetiva compensação dos referidos cheques, cobrar aqueles que devolvidos e repassar os valores recebidos às escolas cedentes, quer pela transferência para a conta bancária da referida escola, quer pelo pagamento de contas e documentos das mesmas escolas, por sua conta e ordem. 4 Vale dizer, a empresa funcionou como uma espécie de caixa central da rede de escolas, mormente durante o traumático período da separação dos sócios, em que toda uma gama de dificuldades operacionais se assomou, seja em relação aos controles herdados da antiga organização, seja, mesmo, em relação à indisponibilidade das assinaturas autorizadas para movimento das contas das escolas, gerando a necessidade da referida centralização, situação essa que só veio a se normalizar no corrente ano de 2014. 5 Importante ressaltar que a empresa não fez adiantamento de recursos às escolas, limitandose a administrar seus recebíveis e pagar suas contas de acordo com a disponibilidade de cada uma destas escolas. 6 Suas receitas se resumem aos valores dos serviços cobrados das escolas pela administração de seu fluxo de caixa, assim como os valores cobrados dos devedores inadimplentes a título de honorários e taxas administrativas, quando da realização de cobranças. A empresa permanece à disposição de V.Sas. para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais. 5.27. A resposta apresentada corrobora a constatação de que a empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190, utilizava as suas contas bancárias a serviço de todo o GRUPO EMPRESARIAL MICROCAMP. Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.685 14 5.28. Ora "funcionou como caixa central da rede de escolas", "monitorar a efetiva compensação" e todos os demais documentos coligidos durante a ação fiscal demonstram que estas unidades, na realidade FILIAIS, jamais foram independentes. Possuíam, na realidade, um comportamento MATRIZFILIAIS. O objetivo era um só: transacionar a maior quantidade possível de receitas sem tributação. Tanto assim que as unidades, em média, tributavam 25% das receitas auferidas. 5.29. Assim, resta claro o funcionamento da empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA dentro do grupo empresarial MICROCAMP, representando função financeira específica, apoiando a verdadeira matriz ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI por meio da captação de receitas não tributadas, com o propósito específico de sonegar tributos e contribuições incidentes sobre o faturamento das filiais. 6. DAS FILIAIS DO GRUPO MICROCAMP 6.1. As ações fiscais levadas a efeito nas empresas ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI, CNPJ 14.423.288/000111, e MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 111.693.962/00019, demonstram o liame entre essas empresas e todas as unidades filiadas, registradas com CNPJ supostamente independentes, utilizados com a finalidade única de obscurecer a verdadeira estrutura da empresa. 6.2. Conforme controles gerenciais apreendidos na sede da empresa ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI, as filiais eram divididas em times, representados por diversas cores, de acordo com o seu faturamento, conforme resumido a seguir para o anocalendário 2012: • TIME AZUL I: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$4.130.000,00; • TIME AZUL II: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$3.700.000,00; • TIME AZUL III: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$3.200.000,00 • TIME VERDE I: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$2.910.000,00; • TIME VERDE II: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$2.670.000,00; • TIME VERDE III: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$2.430.000,00; • TIME AMARELO I: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$2.165.000,00; • TIME AMARELO II: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$1.950.000,00; • TIME LILÁS I: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$1.660.000,00; • TIME LILÁS I: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$805.000,00 no período janeiro/2012 a julho/2012. Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.686 15 6.3. Inicialmente, eram estabelecidos parâmetros às filiais para geração de FATURAMENTO; de controle de gastos: DESPESAS e de valores de REMESSAS a serem enviados à matriz (por meio da conta bancária 800650). Posteriormente, para fins gerenciais e de controle, os valores previstos eram comparados com os efetivamente ocorridos. 6.4. Pelo escrutínio da farta documentação apreendida pela Polícia Federal na sede da empresa ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI, constatouse que esta, juntamente com a MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, representam o cérebro administrativo e de gestão financeira de recursos de uma grande e complexa empresa e suas 29 (vinte e nove) unidades filiadas, com a finalidade única de fraudar o recolhimento dos tributos federais, prejudicando o erário público. 6.5. A sonegação endêmica dos tributos e contribuições federais perpetrada pelo GRUPO EMPRESARIAL MICROCAMP tomam proporções homéricas quando se toma a empresa como um todo, e não como um forjado e pretendido conjunto de partes independentes. 6.6. De acordo com o Demonstrativo 1: Receitas efetivamente auferidas x declaradas à RFB, previamente reproduzido, o GRUPO EMPRESARIAL MICROCAMP omitiu, no anocalendário 2012, R$59.424.412,07 de receitas auferidas, ou seja 76,44% do seu faturamento não foi oferecido à tributação. 6.7. Conforme o faturamento, referidas filiais deveriam enviar REMESSAS à matriz, cujos valores variavam entre 13% (treze por cento) e 35% (trinta e cinco por cento) do faturamento, dependendo do valor de receita auferida. Quanto maior o faturamento da filial, maior o percentual destinado ao envio de remessas. 6.8. Estes valores transitavam pela conta 800650 (MC CURSO 11.693.962/000190), cujo total enviado no anocalendário 2012 foi de R$17.847.634,17, compatível com a movimentação financeira da conta neste período, o que corrobora que nesta conta transitavam apenas estes valores. A conta foi utilizada com este único propósito. 6.9. Esta constatação, juntamente com os demais documentos apreendidos pela Polícia Federal, corroboram o faturamento do GRUPO EMPRESARIAL MICROCAMP referente a todas as filiais no valor de R$77.444.304,43, durante o anocalendário 2012. 6.10. Outros fatores também dão conta do gerenciamento conjunto das filiais por conta da matriz. Tomase, por exemplo, as DIPJs enviadas pelas filiais. De todas as vinte e nove filiais, vinte e sete enviaram as DIPJs na mesma data, 07/06/2013, entre 10h49m e 11h19min, ou seja, num espaço de 30 minutos, o que constitui prova clara de que as empresas estavam sendo coordenadas conjuntamente, pois de outra forma tal fato jamais ocorreria. 6.11. Na sede da fiscalizada foram encontrados diversos documentos, incluindo relatórios e gerenciais de controle interno emitidos por programas específicos, desenvolvidos com a finalidade de fornecer as posições financeira, operacional e econômica de qualquer uma das filiais. 6.12. No exercício das funções administrativa e gerencial, a fiscalizada enviava um representante para avaliação da unidade. Ao final da visita, era elaborado um relatório de Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.687 16 assessoria em que o representante elencava os pontos verificados e a orientação dada para saneamento das inconformidades. 6.13. Às 145/152, há uma série de documentos apresentados no "CONGRESSO MICROCAMP JANEIRO 2012 – FINANCEIRO ADMINISTRATIVO" com números consolidados e gerenciais comparativos dos anoscalendário 2010 e 2011. Referidos documentos, mais uma vez, corroboram o fato da fiscalizada atuar de forma centralizada na condução dos serviços prestados pelas unidades filiadas: 6.14. Desta forma, resta comprovado o controle exercido pela fiscalizada perante as unidades filiadas. 7. DO GRUPO MICROCAMP 7.1. De acordo com a documentação apreendida na sede da fiscalizada, a qual foi exaustivamente analisada, e também conforme o previamente exposto, concluise que o GRUPO MICROCAMP opera da forma centralizada, sendo que a MATRIZ é representada pela FISCALIZADA, e as filiais, a partir de setembro de 2011, são as unidades representadas pelas pessoas jurídicas especificadas Demonstrativo 1: Receitas efetivamente auferidas x declaradas à RFB. 7.2. Como demonstrado nos tópicos anteriores, a fiscalizada exercia o controle administrativo, econômico e financeiro de suas filiais, por meio dos diversos relatórios gerados na sede da fiscalizada, das comunicações via email, da análise dos relatórios de fluxo de caixa e dos extratos bancários. Assim, verificouse que a fiscalizada é a matriz do GRUPO MICROCAMP, e as unidades filiadas respondem prontamente ao controle exercido pela matriz. 7.3. O uso de unidades com CNPJs e contratos sociais distintos, comandados pela fiscalizada, tinha por finalidade, além da significativa sonegação fiscal, criar uma situação societária que possibilitasse à fiscalizada fugir da tributação de seus impostos e contribuições pela sistemática do Lucro Real, imposta às grandes empresas, conforme o art.246 do RIR/99. 7.4. A execução em detalhes e o espaçamento no tempo dos vários procedimentos adotados pelo GRUPO MICROCAMP para criar uma grande empresa pulverizada em unidades aparentemente estanques revela uma construção jurídica e contábil minuciosa efetuada com a finalidade única de dar credibilidade a práticas que individualmente poderiam não contrapor, aparentemente, ao ordenamento jurídico, mas que, se analisadas em conjunto, demonstram a tentativa da fiscalizada em se inserir indevidamente num contexto societário diverso do que ocorria na realidade. 7.5. O caso em foco é complexo e composto de operações estruturadas em sequência, vale dizer, de uma sequência de procedimentos em que cada um corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial pensada e encadeada a partir da coordenação central de uma matriz com a finalidade de obter determinada vantagem ilícita. Neste caso, o uso de CNPJs independentes só tem sentido para os seus sócios se os mesmos conseguirem captar diretamente, ou por meio do uso de terceira empresa (fiscalizada), os recursos não contabilizados e não tributados, ou seja, à margem da legalidade. 7.6. Na medida em que o uso destas filiais corresponde apenas a uma pluralidade de meios para atingir um fim, é preciso indagar também, nas operações em sequência, qual a origem do numerário que possibilitou a criação das filiais e a quem é dado o Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.688 17 retorno direto do investimento. A resposta a essa pergunta é clara na análise dos documentos que foram apreendidos na sede da fiscalizada, pois fica evidente que esta empresa é de fato o centro financeiro e operacional do GRUPO MICROCAMP, e é utilizada pelos seus sócios proprietários para coordenar o fluxo financeiro do grupo como um todo. É quem efetua todo o investimento em novas filiais e, posteriormente, capta os valores não tributados resultante destas atividades em um caixa único que se mistura para fazer o seu redirecionamento, procedendo à abertura de novas filiais, aquisição de bens pessoais e para proveito da vida pessoal de seus proprietários. 7.7. A visualização da realidade fática existente nas operações do GRUPO MICROCAMP somente pode ser conhecida se as empresas forem examinadas como um todo. Fatos concretos, existentes no mundo real, permitem concluir que não existem 29 ou mais empresas independentes, mas apenas uma grande empresa que se utilizou de simulação para deliberadamente reduzir os tributos e contribuições que eram devidos sobre as atividades por elas desempenhadas. 7.8. A decomposição do GRUPO MICROCAMP em partes que não tem nenhum sentido, supostamente desconectadas da existência da matriz da empresa, excede manifestamente os direitos de liberdade de organização empresarial pretendida pelo legislador comercial. Essa forma de organização também se contrapõe frontalmente à legislação tributária federal e à legislação penal, caracterizando conduta enquadrada como Crime Contra a Ordem Tributária. 7.9. De fato, a construção minimamente arquitetada pelos proprietários do GRUPO MICROCAMP, cuja execução encontrase em andamento há mais de 10 (dez) anos, possibilitou uma omissão de receitas de R$ 98 milhões de reais, considerando apenas o período setembro de 2011 a dezembro de 2012. 8. DO LUCRO ARBITRADO 8.1. A exigência para que a fiscalizada apure seus tributos e contribuições utilizando a sistemática do LUCRO REAL é decorrente da previsão contida no art. 14 da Lei n° 9.718, de 27/11/1998, com redação dada pela Lei 10.637/2012. 8.2. O lucro da fiscalizada foi arbitrado, tendo em vista que a mesma, obrigada à tributação com base no lucro real, não mantém escrituração que permite a efetiva aferição do lucro real. 8.3. Frisese que a fiscalizada tampouco informou a movimentação financeira das contas de sua titularidade, apesar de intimada a fazêlo no período de 29/05/2015 até a lavratura do Termo de Verificação Fiscal, em 01/12/2016. 8.4. As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL deverão ser apuradas em conformidade com a sistemática do LUCRO ARBITRADO, seguindo os mandamentos contidos na legislação tributária federal. 8.5. Tendo em vista que a fiscalização apurou a receita bruta da fiscalizada por meio de seus controles internos e gerenciais, comprovados e fundamentados em documentação hábil e idônea apreendida na sede da empresa, o lançamento farseá de acordo com o art.27 da Lei 9430/96, sendo o lucro arbitrado tomandose por base a receita bruta conhecida. Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.689 18 8.6. Conforme disposto nos artigos 15, 16 e 24 da Lei 9.249/95, os percentuais a serem aplicados sobre a receita bruta conhecida proveniente da prestação de serviços será de 38,4%. 8.7. Ressaltese que a tributação também se deu com respaldo no §1º do artigo 24 da Lei 9.249/95, visto que não foi possível detectar se havia alguma receita cujo percentual de presunção seria diferente do percentual aplicado à prestação de serviços. 9. DOS MONTANTES TRIBUTÁVEIS 9.1. Na execução dos Mandados de Busca e Apreensão nºs 18, 19 e 20, realizados nas sedes das empresas ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES e MC CURSOS E RECEBIMENTOS DE CHEQUES S/S LTDA, foram coletadas diversas planilhas que demonstram o real faturamento das unidades filiais e, consequentemente, os valores de receitas brutas auferidas do conjunto matrizfiliais do GRUPO MICROCAMP deixados à margem da tributação. 9.2. Referidos demonstrativos de faturamentos mensais foram corroborados por procedimentos de auditoria fiscal, mediante o confronto direto com o restante dos documentos apreendidos, em especial: demonstrativos de fechamento mensais, relatórios de conciliação das contas das filiais, relatórios de endividamento, extratos bancários da matriz e das unidades filiadas, relatórios de fluxos de caixa. Referidos documentos foram juntados ao presente processo administrativo fiscal. 9.3. No ANEXO 1, às fls.186/190, encontrase especificado o faturamento mensal de cada filial durante o período setembro/2011 a dezembro/2012. 9.4. As bases de cálculo, mensalmente consolidadas, para apuração do IRPJ e demais contribuições CSLL, COFINS, PIS/PASEP, encontramse abaixo especificadas e correspondem ao faturamento global de todas as unidades, conforme especificado no ANEXO 1: Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.690 19 9.5. Desta forma, tributouse de ofício o total de R$ 97.999.029,99, sendo R$20.254.725,56 correspondente ao período setembro/2011 a dezembro/2011, e R$77.744.304,43 correspondente ao período janeiro/2012 a dezembro/2012. 9.6. Cumpre esclarecer que os valores referentes aos períodos de apuração janeiro/2011 a agosto/2011 encontramse lançados de ofício no processo administrativo 10830.727.419/201588, pois anteriormente a agosto de 2011 o comando destas filiais era efetuado pela empresa CRC CENTRAL DE RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA ME, CNPJ 08.831.108/000138, cujos sócios eram o Sr. Eloy Tuffi, CPF: 507.066,08887 e a Sra. Marlene Rito Nicolau, CPF: 116.227.99828. 10. DA QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE 10.1. Restou demonstrado o real papel da fiscalizada ENNT COMÉRCIO E SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI como a matriz do GRUPO MICROCAMP. 10.2. Seja administrando de forma centralizada as unidades filiais, por meio de vários relatórios técnicos e financeiros, procedimentos de auditoria e adequação das unidades, seja solvendo obrigações contraídas pelas filiais, cobrando estas pelas "remessas" enviadas, impondo valores a serem transferidos a este título; fica evidente que há uma estrutura MATRIZFILIAIS. 10.3. Desta forma, a inscrição das unidades filiais em CNPJs bases distintos da matriz, procura dar uma aparente autonomia a estas e tem por objetivos: a) transacionar receitas auferidas pelo grupo à margem da tributação, b) burlar os controles exercidos pela Receita Federal do Brasil, c) restringir o alcance de uma eventual fiscalização exercida pelo Fisco e d) blindar o grupo econômico quanto às ações trabalhistas e recolhimento de contribuições previdenciárias. Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.691 20 10.4. Não fosse desta forma, o grupo MICROCAMP estaria obrigado a tributar suas receitas sob a sistemática do LUCRO REAL, posto que o seu faturamento é superior a R$48.000.000,00, o que impediria a sua opção pelo lucro presumido. Isto acarretaria maior controle dos órgãos fiscalizatórios, que não veriam uma série de empresas pretensamente independentes e sim um grupo de empresas sob a óptica de matriz e filiais. 10.5. Assim, diante deste quadro, a fiscalizada incidiu nas ilicitudes contempladas nos artigos 166, 167 e 187 do Código Civil, Lei 10.406/2002, que tratam do NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. 10.6. Fica evidente que os proprietários da fiscalizada sempre tiveram a intenção de fraudar a fiscalização tributária federal, transfigurando a realidade de suas unidades, dependentes administrativamente e economicamente, criando uma situação simulada que pudesse ser oposta à Fazenda Pública e demais órgãos regulatórios e fiscalizatórios. 10.7. Os proprietários da MICROCAMP excederam manifestamente os limites impostos pelo objetivo econômico das transações societárias, utilizandose de má fé para concretizar seus intentos. 10.8. Como detalhado no curso da ação fiscal, a independência dessas filiais nunca existiu de fato, sendo que estas são totalmente geridas, controladas e rigidamente auditadas pela fiscalizada, sobrando pequena margem de decisões para os diretores e gerentes das filiais, conforme é característico nesse tipo de organização de empresas. 10.9. Também restou cabalmente demonstrado, por uma série de documentos coligidos durante a presente ação fiscal, que os recursos financeiros, denominados REMESSAS, que variavam entre 17% e 35% do faturamento de cada uma das filiais, foram carreados para a conta 800650 do Banco Itaú (agência 444) da empresa MC CURSOS E RECEBIMENTOS DE CHEQUES S/S LTDA, que nada mais é do um braço da matriz ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI. 10.10. Vale lembrar que, dos recursos creditados na conta 800650, mais de 34% era transferido para a conta 800790, agência 262 do Banco Itaú, pertencente à fiscalizada (ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI), conta esta denominada PRESIDÊNCIA, utilizada para gastos pessoais dos sócios, conforme demonstrou a análise de seu extrato bancário. 10.11. Desta forma, ficou comprovado que o centro de comando do GRUPO EMPRESARIAL MICROCAMP é seu principal CNPJ formalizado, o qual compõe a matriz do grupo, o CNPJ 11.423.288/000111 representado pela fiscalizada a empresa ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI. 10.12. Há dados suficientes para demonstrar que os Contratos Sociais e CNPJs de filiais, opostos à Receita Federal como empresas autônomas, são manifestações de vontade inverídicas, não representando outras empresas, mas parte de uma organização integrada por seus fluxos financeiros e interesses negociais. 10.13. Outrossim, não há documentos que demonstrem que os recursos financeiros carreados das filiais para a matriz da Escola MICROCAMP retornem em idênticos montantes para as filiais que os remeteram, o que poderia indicar que seriam empresas independentes. Ao contrário, a análise da movimentação financeira das filiais corrobora que o Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.692 21 faturamento do grupo Microcamp, carreado para contas bancárias da fiscalizada e da MC Cursos e Recebimentos de Cheques, não retornou para as filiais, haja vista que estas apresentaram movimentação financeira no montante de R$25.247.684,84 em 2012 (vide tabela a seguir), correspondente a apenas 1/3 (um terço) do faturamento do grupo em 2012 que foi de R$77.744.304,43. 10.14. Assim, ficou demonstrado que a empresa MC Cursos e Recebimento de Cheques não atuava como empresa de cobrança de recursos de terceiros, pois os recursos recebidos das filiais, na forma de depósitos em dinheiro e cheques de clientes, não retornavam para estas. O objeto social não passou de simulação para ocultar o real intuito de sua constituição, que era recolher as "remessas", servindo ao propósito de retardar o conhecimento pelo Fisco das Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.693 22 receitas auferidas pelo grupo, já que é típico para empresas que atuam de forma lícita nesse ramo de atividade apresentarem movimentação financeira bem acima da receita tributável. 10.15. A fiscalizada, ENNT Comércio e Serviços, também não atuava como holding, conforme disposto no contrato social, pois, em consulta aos registros na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), constatouse que a fiscalizada não detinha e não detém qualquer participação societária nas unidades do grupo MICROCAMP. Na verdade, atuava como matriz da MICROCAMP, com poder de direção sobre todas as unidades filiais. 10.16. Da complexa teia de operações societárias que resultou na criação fictícia de unidades autônomas surge a motivação para a consecução desses atos: essa sequência de práticas que, em tese, contraria os ordenamentos civil, penal e tributário, foi minimamente erigida pelos proprietários da Escola MICROCAMP, visando ocultar a verdadeira estrutura da empresa, seu esquema de funcionamento e a pretendida sonegação fiscal. 10.17. A organização simulada construída pela fiscalizada passou despercebida durante anos pela fiscalização federal, uma vez que a fiscalizada, por ter se constituído na forma de CNPJs diversos, estava circunscrita a diversas Delegacias da Receita Federal, e as unidades eram observadas como se fossem empresas independentes. 10.18. Foi somente a atuação da área de inteligência da Receita Federal, em associação com o Ministério Público Federal e com a Polícia Federal, que possibilitou a visualização da empresa como um todo, com o consequente descobrimento da simulação existente por detrás das formalidades legais. 10.19. Sendo um conjunto de unidades pequenas, o GRUPO MICROCAMP não se sujeitou a procedimentos obrigatórios de auditoria independente e publicidade de seus atos, o que contribuiu sobremaneira para a ocultação de suas receitas e favoreceu a propagação da SONEGAÇÃO FISCAL para volumes expressivos como decorrência de omissões de receitas, uma vez que as filiais, em média, tributavam 25% das receitas auferidas. 10.20. Os fatos ora narrados revelam a prática de sonegação fiscal sob o manto de uma documentação pretensamente legal, com as seguintes características: (i) deixa a realidade dos fatos oculta ao fisco federal, uma vez que, se os documentos forem analisados individualmente e em período estanque no tempo, possuem características lícitas, mas, se analisados em seu conjunto e durante todo o tempo em que demoraram para ter seus fins implementados, demonstram cabalmente sua ilicitude; (ii) estão eivados de simulação e fraude, pois ocultam em seu cerne o seu real propósito; (iii) foram praticados com o conhecimento de várias pessoas físicas e o fim específico de promover a redução do recolhimento dos tributos federais 10.21. Em face do lançamento de ofício do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, cumpre aplicar a multa de ofício nos moldes do art. 44, da Lei n° 9.430/96, que impõe a cominação da multa no percentual de 150% nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A operação arquitetada de transformar filiais em empresas independentes para fugir à apuração de impostos e contribuições propiciou a criação de um grupo de empresas artificial e foi engendrada com o evidente intuito de praticar a OMISSÃO DE RECEITAS. 10.22. Os fatos arrolados nesse Relatório evidenciam a simulação de uma complexa operação envolvendo uma matriz não formalizada com filiais constituídas na forma de empresas supostamente independentes sediadas em várias regiões no Brasil, com a finalidade de iludir o fisco, cujo único resultado foi a redução ilícita dos tributos e contribuições devidos pela fiscalizada. Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.694 23 11. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 11.1. No decorrer da Ação Fiscal levada a efeito, constatouse a relação de responsabilidade solidária dos seguintes contribuintes: i. MC Cursos e Recebimento de Cheques S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/0001 90; ii. Senhor Eloy Tuffi, CPF 507.066.08887; iii. Senhora Marlene Rito Nicolau, CPF 116.227.99828; iv. Senhora Eloyse Nathalia Nicolau Tuffi, CPF: 409.539.89810. 11.2. A fiscalizada e a empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190, atuavam de forma conjunta e coordenada na gerência do fluxo financeiro e administrativo do GRUPO MICROCAMP, operando conjuntamente com todas as filiais na omissão de receitas perpetrada por todo o grupo. 11.3. Dessa forma, de acordo com a previsão legal contida no inciso I do art.124 do CTN, constatase a SOLIDARIEDADE PASSIVA da empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190, por todos os débitos fiscais constituídos ou a constituir em nome da fiscalizada, por estar caracterizado o interesse comum na situação que constituí o fato gerador da obrigação tributária. 11.4. A Sra. Marlene Rito Nicolau, CPF 116.227.99828, durante o período setembro/2011 a dezembro/2012, foi a principal interessada nos resultados do GRUPO EMPRESARIAL MICROCAMP, com estreita e direta ligação com todas as suas operações, tendo funções de comando e preponderância de decisões sobre todos os gerentes e diretores das filiais e demais funcionários em geral. 11.5. Às fls.173/176, colacionouse documentos que demonstram as vantagens auferidas pela Sra. Marlene Rito Nicolau, inclusive com pagamentos de gastos pessoais com recursos da conta 800650 (MC Cursos e Recebimentos de Cheques S/S). 11.6. A Sra. Marlene Rito Nicolau e seu excônjuge Sr. Eloy Tuffi, durante o período fiscalizado, figuraram no quadro societário das 29 (vinte e nove) filiais especificadas no Demonstrativo 1 e da empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA. Esta condição permitiu a estas pessoas auferirem vantagens ilícitas, decorrentes deste esquema de sonegação fiscal. 11.7. A Sra. Eloyse Nathalia Nicolau Tuffi, CPF 409.539.89810, titular da fiscalizada, também auferiu vantagens indevidas. Filha do Sr. Eloy Tuffi e da Sra. Marlene Nicolau Rito, cedeu o seu nome para figurar como titular da fiscalizada e era beneficiada pelo esquema à medida que recebia valores decorrentes das contas utilizadas pelo GRUPO MICROCAMP, conforme documentos juntados às fls.177/178, coletados por amostragem, que demonstram pagamentos de gastos pessoais com recursos da conta 800650 (MC Cursos e Recebimento de Cheques S/S). 11.8. Sendo assim, as pessoas físicas (a) Sr. Eloy Tuffi, CPF 507.066.088 87, (b) Sra. Marlene Nicolau Rito, CPF 116.227.99828 e (c) Sra. Eloyse Nathalia Nicolau Tuffi, CPF 409.539.89810, possuem RESPONSABILIDADE PESSOAL pelos créditos tributários Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.695 24 constituídos ou a constituir tendo por sujeito passivo a fiscalizada ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI, conforme disposto no art. 135 do CTN. Todos praticaram atos com infração de lei que resultaram na redução dolosa dos tributos e contribuições administrados pela Fazenda Pública. Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 28/11/2016 foram lavrados autos de infração, acompanhados dos respectivos demonstrativos de responsáveis solidários, com os valores a seguir discriminados: • Imposto de Renda Pessoa Jurídica, às fls.05/26, no valor de R$9.371.906,83, mais juros e multa de 150%, no total de R$27.762.586,36; • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, às fls.28/50, no valor deR$2.822.372,04, mais juros e multa de 150%, no total de R$8.360.870,93; • PIS, às fls.52/64, no valor de R$636.993,62, mais juros e multa de 150%, no total de R$1.891.276,60; e • COFINS, às fls.66/78, no valor de R$2.939.970,82, mais juros e multa de 150%, no total deR$ 8.728.970,19. DAS IMPUGNAÇÕES A contribuinte principal e os sujeitos passivos solidários apresentaram as impugnações de fls.1074/1082, 1106/1114, 1120/1128, 1135/1183 e 1255/1302, expondo, em síntese, que: 1. Os contribuintes (i) MC CURSOS E RECEBIMENTOS DE CHEQUES S/S LTDA, (ii) MARLENE RITO NICOLAU, sócia e administradora da sociedade MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, e (iii) ELOYSE NATHALIA NICOLAU TUFFI, representante da autuada ENNT e prestadora de serviços à empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, alegam que: 1.1. A manutenção da rede de escolas de informática por intermédio de empresas autônomas, juntamente com o sujeito principal da obrigação tributária, possibilitou uma maior facilidade de administração, seja para a apuração de resultados, o controle do caixa, a gestão operacional, dentre outros. Tal fato não é vedado em lei, sendo, portanto, lícito e oponível ao Fisco. Não aceitar esse procedimento implica em violação a preceito constitucional. 1.2. A responsabilização dos ora recorrentes não tem fundamento legal. A devedora de qualquer tributo é a empresa autuada, e a responsabilização só pode ser transferida quando a autuada não puder arcar com o pagamento. 1.3. A transferência da responsabilidade só ocorre nos casos expressamente previstos em lei, conforme o disposto nos artigos 134, 135 e 137 do CTN, sendo que os recorrentes não se enquadram em nenhuma das hipóteses legais. Ademais, em que pese a previsão legal de solidariedade, esta não é aplicável, por se tratar de responsabilidade pessoal. 1.4. O termo de responsabilidade tributária não atende ao disposto nos incisos I e II, do art. 124 do CTN, pois não há relação entre os recorrentes e a obrigação principal, tendo em vista que jamais participaram da sociedade, além da falta de identificação da hipótese normativa aplicável. Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.696 25 2. A responsabilidade tributária do contribuinte ELOY TUFFI deve ser afastada, eis que: 2.1. O Fisco não especificou quais seriam as condutas praticadas com excesso de poder, ou infração à lei; 2.2. Jamais foi sócio, diretor ou representante da empresa fiscalizada ENNT COMÉRCIO SERVIÇO E PARTICIPAÇÃO EIRELI; 2.3. Desde dezembro de 2013, não faz parte dos quadros societários da empresa incluída no pólo passivo como responsável solidária MC CURSOS E RECEBIMENTOS DE CHEQUES S/S, bem como a empresa MC CURSOS encontrase em pleno funcionamento, logo, aplicase ao presente as regras do parágrafo único do artigo 1003 do Código Civil, no sentido que o sócio retirante responde pelas obrigações até 2 anos após sua saída da sociedade; 2.4. Após a separação do casal formado pelo impugnante e Marlene Rito Nicolau, no ano de 2011 (fls.1188/1192), a empresa MC CURSOS, e demais unidades localizadas na Capital e Litoral, estão sendo administradas exclusivamente pela sócia Marlene Rito Nicolau, conforme a declaração de fls.1187, logo não se aplicam as regras previstas nos artigos 124, I, e 135, III do CTN, eis que não houve nenhuma infração a lei ou ao contrato social praticada pelo impugnante, bem como não existe no lançamento tributário uma única passagem sobre o impugnante. 3. O lançamento é nulo por cerceamento do direito de defesa, em função de: 3.1. Ausência de acesso dos impugnantes ao trabalho investigativo da Receita Federal, mencionado no termo de verificação fiscal; 3.2. Falta de análise das provas apresentadas pela contribuinte fiscalizada durante o procedimento fiscalizatório; 3.3. Não foi oportunizado à empresa fiscalizada, ou ao impugnante, manifestaremse sobre os valores constante do auto de infração e relatório de ação fiscal que serviram de base de cálculo para o arbitramento do lucro; 3.4. Ausência de individualização dos documentos apreendidos pela Polícia Federal. Cabe destacar que a Polícia Federal e o Fisco apreenderam documentos, computadores e depois objetos da fiscalizada, o que acarretou a total desorganização das empresas e o desaparecimento de informações necessárias para a defesa da autuada. É certo que os arquivos foram digitalizados pelo Fisco e entregues à empresa, mas de forma desordenada, tornando impossível de ser utilizada. 3.5. Foram trazidos ao processo fiscal, e serviram de base para a autuação, documentos de outras 29 empresas, incluindo dados de movimentação financeira e declarações fiscais, sem que tivesse sido instaurado o competente procedimento fiscal contra as mesmas, o que acarreta a nulidade dos autos de infração, por descumprimento das formalidades relativas ao procedimento fiscal. 4. Os autos de infração são improcedentes inocorrência de ato jurídico simulado e pela aplicação indevida dos artigos 166, 167 e 187 do código civil, ao invés do artigo 116, parágrafo único do CTN. Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.697 26 4.1. A constituição de diferentes empresas com uma mesma atividade, em lugares distintos, não tem o condão de dissimular a ocorrência do fato gerador. Referidas sociedades vão prestar serviços e obter renda, que serão fatos geradores de diversos tributos e contribuições sociais. Também não muda a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Permite, sim, a opção por modalidade de tributação menos gravosa, mas isto não é hipótese de desconsideração do ato jurídico. 4.2. Nenhuma simulação ocorreu na espécie, pois a intenção da Autuada foi de constituir uma rede de escolas de informática com administração isolada de cada uma, visando uma melhor apuração de resultados, melhor administração e uma futura rede de franquias. E os atos praticados foram de conformidade com sua intenção e na forma da lei. 4.3. Cada empresa constitui uma escola autônoma, com administração própria, empregados registrados, apuração de resultado diferenciado, declarações de impostos autônomas, situados em imóveis alugados, devidamente ocupados, como movimento de pessoas, ministração de aulas, material pedagógico e demais condições de empresa autônoma. 4.4. A constituição de diversas empresas com administração própria, pessoal próprio, ônus de compra de material escolar diferenciado, atividades constituídas para uma modelagem de venda de franquias, não se assemelham jamais a um grupo de filiais. 5. Em face da ausência de dolo, fraude ou simulação, bem como pelo fato dos tributos terem sido pagos nas datas previstas em lei, desapareceu o direito de constituir o crédito tributário em relação aos meses anteriores a dezembro/2011, eis que atingido pela decadência. 6. A multa qualificada não pode prosperar, pelo fato de que a estrutura empresarial não configura ato simulado, e porque a eventual ofensa a dispositivos do Código Civil não poderia ensejar a sua desconsideração, que só ocorreria nas hipóteses do parágrafo único do artigo 116 do CTN, ou seja, quando praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Uma vez que o Fisco não comprovou o dolo, a impugnante requer a exclusão da multa de 150%, aplicandose a multa de 75%. 7. Houve erro da determinação da base de cálculo, pela ausência de separação das receitas de prestação de serviço e das receitas da venda. 7.1. Embora conheça o faturamento de cada atividade desempenhada pela fiscalizada, e pelas empresas tidas como filiais, ainda assim o Fisco arbitrou o lucro pela alíquota mais elevada, considerando toda a receita bruta conhecida como oriunda de prestação de serviço, em clara afronta ao parágrafo único do art. 537 do RIR/99; 7.2. O processo deve ser convertido em diligência para apurar o quantum devido com base no lucro presumido, e não no lucro arbitrado, determinar todas as receitas das unidades, e separar as receitas de prestação de serviços (tributadas a 32% do faturamento) e as receitas de vendas de livros e materiais didáticos (tributadas a 8% do faturamento). 8. Ocorreu erro da eleição da base de cálculo, em função da inexistência de prova da receita auferida. Ao desprezar a contabilidade e utilizarse tão somente de relatório gerencial para encontrar a base de cálculo dos tributos, que se trata de controle interno e pode estar equivocado ou ser manipulado, o Fisco utilizou de indícios. Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.698 27 8.1. O lançamento tributário deve ser retificado para incluir como base de cálculo os valores tido pela fiscalização como efetivamente remetidos pelas empresas denominadas de filiais para a fiscalizada, retratado no item 43 do “Termo de Verificação Fiscal”, como o total movimentado nas conta correntes durante os anoscalendário de 2011 e 2012. 9. Houve ilegalidade na determinação do regime de apuração, em decorrência da opção pelo Lucro Presumido e a Impossibilidade de Arbitramento: o Fisco tinha conhecimento da suposta receita omitida (movimentação financeira), pois todos os documentos lhes foram franqueados, logo, uma vez que a fiscalizada é optante pelo lucro presumido, o arbitramento só se justificaria se houvesse ultrapassado o teto, o que não ocorreu (item 43 Movimentação financeira, 2011 de R$1.347.340,83 e 2012 de R$30.441.297,74), ou se a fiscalização desconhecesse por completo a receita omita, o que também não é o caso. 9.1. O termo de verificação fiscal demonstra que foi apresentada a escrituração contábil. Para dizer que a mesma não está de acordo com as regras fiscais e contábeis, o Fisco deveria têla confrontado com os extratos bancários, mas não o fez, o que demonstra a ilegalidade do arbitramento do lucro, e a consequente nulidade da autuação. 10. Os autos de infração são improcedentes devido à imprecisão e falibilidade dos documentos utilizados para determinação do faturamento e à falta de qualquer outro elemento que corrobore os valores apurados. 10.1. O Fisco utilizou, como base para a autuação, tabelas elaboradas pela área comercial das escolas, desprovidas de qualquer rigor contábil, nas quais constam valores a título de faturamento. 10.2. Analisando os documentos tomados como base para determinação do faturamento (Anexo 3 do presente processo), vêse que logo abaixo da linha "Faturamento" vem a linha "Inadimplência", na qual consta que valores substanciais do suposto faturamento não foram efetivamente recebidos e, portanto, não poderiam compor a base de cálculo do imposto de renda e da CSLL. 10.3. O faturamento apurado foi de aproximadamente R$ 98 milhões nos dois anos. A movimentação financeira das escolas totalizou cerca de R$ 25 milhões (parágrafo 177 do relatório fiscal). A movimentação da autuada ENNT foi de R$ 26 milhões (parágrafo 19 do Relatório) dos quais aproximadamente R$ 6 milhões vieram de contas da MC Cursos (parágrafo 74 do Relatório) e a movimentação financeira da MC Cursos totalizou R$ 23 milhões. Ora, a soma desses valores totaliza R$ 68 milhões (25+266+23=68). Isto só para argumentar já que esta movimentação inclui grande parte de valores duplicados, transferências entre contas, aplicações e resgates, cheques devolvidos mais de uma vez, dentre outros lançamentos. Mesmo assim, não se atingem os R$ 98 milhões. 10.4. Ademais, uma vez que as provas da sonegação imputada à fiscalizada e ao responsável solidário são folhas de papel sem assinatura ou carimbo, não tendo o Fisco confrontado tais projeções com o faturamento efetivamente auferido, disponível em conta bancária, deve ser cancelado o tópico do auto de infração que acusa o impugnante de ter praticado sonegação. 11. Houve o indevido arbitramento do lucro, já que a soma dos faturamentos das empresas não as obrigaria à apuração do Lucro Real. Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.699 28 11.1. Conforme o artigo 13 da Lei 9718/98, com a redação dada pela Lei 10637/2002, para estabelecer que a fiscalizada estaria obrigada à apuração do imposto de renda pelo Lucro Real no ano calendário de 2011, o Fisco deveria ter demonstrado que, no ano calendário de 2010, o faturamento da empresa teria excedido o limite de R$ 48.000.000,00, o que não foi feito. 12. Requer a conversão em diligencia para exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins das receitas com vendas de livros, tributadas à alíquota zero. 13. Os impostos pagos devem ser abatidos dos valores cobrados por meio dos autos de infração, cabendo ao Fisco o fazer, por ser o procedimento correto e por economia processual, não deixando que tal apuração se faça no âmbito do recurso administrativo. Portanto, a impugnante requer a conversão em diligência para apuração e compensação dos impostos anteriormente pagos pelas empresas que compuserem a receita considerada. 14. Protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos. 15. A fiscalizada requer que todas as notificações, intimações e demais correspondências sejam enviadas para a sede da empresa, na Av. Rebouças n° 2511, São Paulo/SP, CEP 05401300. É o relatório. Analisando as impugnações apresentadas a Delegacia de Julgamento julgou improcedentes as impugnações e manteve o auto de infração na íntegra. Cientificados do acórdão da impugnação foram apresentados recursos voluntários por parte de: ELOY TUFFI fls. 1481/1511 => Alegações de: 1. Nulidade por não existir a indicação de sua participação 2. Nulidade do arbitramento por não existirem justificativas de desclassificação da escrita 3. Nulidade por cerceamento do direito de defesa. 4. Mérito: Inexistência de responsabilidade solidária Recorrente não foi sócio da ENNT Afastouse da MC CURSOS desde 2013 e desde 2011 separouse da sócia 5. Mérito => Autonomia das empresas citadas no lançamento 6. Mérito => erro na identificação da base de cálculo 7. Impossibilidade de arbitramento 8. Descabimento da qualificação da multa. Ausência de dolo 9. Decadência dos FG anteriores a dez/2001 em face da ausência de dolo Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.700 29 MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES SS LTDA fls. 1516/1535 A impugnação trata apenas da ausência de responsabilidade por parte da empresa. O recurso fala de: Insubsistência do Termo de Sujeição Passiva Inaplicabilidade do art. 135 Inaplicabilidade do art. 124, I Redução da Multa Agravada, na verdade, qualificada Decadência ENNT COMÉRCIO E SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI fls. 1553/1596 NULIDADES: 1. Cerceamento do direito de defesa 2. Descumprimento de formalidades do procedimento. Acesso de informações das demais empresas sem MPF MÉRITO: 1. Legalidade do procedimento da autuada 2. Desconsideração do abuso de forma simulação 3. Precedentes que militam em favor do recorrente 4. Imprestabilidade do valor apurado no auto. Descabimento do arbitramento. Ausência de segregação das receitas. 5. PIS e COFINS sobre produtos de alíquota zero 6. Compensação dos impostos pagos 7. Multa qualificada MARLENE RITO NICOLAU fls. 1624/1633 Recurso idêntico ao da MC CURSOS ELOYSE NATHALIA NICOLAU TUFFI fls. 1641/1650 Recurso idêntico ao da MC CURSOS É o relatório Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.701 30 Voto. Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos legais, assim deles tomamos conhecimento. Após iniciarmos a análise dos recursos apresentados pelo sujeito passivo e pelos responsáveis solidários verificamos, em verdade, que, além da análise do conteúdo da operação e da forma como foi apurada a omissão de receitas imputada pela fiscalização, verificamos que existem pontos apresentados no recurso que carecem de melhor aprofundamento. Por isso, para a conclusão da análise do presente caso, necessário se faz uma melhor explicação cerca dos seguintes pontos: 1) Valores dos tributos pagos por todas as empresas envolvidas no presente auto de infração. Quanto a este ponto verificamos que o próprio Termo de Verificação Fiscal informa que existem pagamentos relativos aos tributos objeto da autuação (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) realizados pelas empresas que foram englobadas nesta autuação. No entanto o mesmo termo não realizou a demonstração de todos os valores pagos, apenas informou que estes poderiam ser deduzidos posteriormente da autuação. Temos, então, que se faz necessário a quantificação de todos os valores pagos pelas empresas a fim de que se possa, acaso mantida a autuação, determinar a dedução dos valores já pagos relativos aos mesmos tributos. 2) Valores de PIS e COFINS relativos a faturamento decorrente da venda de livros. Com relação a este ponto os recorrentes informam que o valor da possível omissão de receitas foi lançado integralmente para a tributação do PIS e COFINS sem que tenham sido deduzidos os valores relativos às vendas de livros que estariam sujeitas à alíquota zero. Desta forma fazse necessário esclarecer se, na apuração dos valores das omissões imputadas constam os valores de faturamento relativos à venda de livros e, também se é possível obter o valor do faturamento derivado exclusivamente da venda de livros, para possibilitar a exclusão dos valores. Assim, diante da necessidade de maiores esclarecimentos e informações para bem realizarmos a análise do presente processo, proponho converter o presente processo em diligência a fim de que o processo retorne à Delegacia de Origem para que sejam adotadas as seguintes providências: 1) Intimar a empresa a apresentar os DARFs dos recolhimentos realizados a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS de todas as empresas cujo faturamento foi incluído na autuação; Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.702 31 2) Intimar a empresa a apresentar planilha demonstrativa do faturamento de todas as empresa que seja relativo à venda de livros sujeito à alíquota zero de PIS e COFINS; 3) Elaborar demonstrativo, totalizado por mês, dos valores dos pagamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS de todas as empresas englobadas na autuação a partir das informações apresentadas pela empresa e também do que puder ser obtido dos sistemas de controle de pagamentos da RFB; 4) Elaborar, se for possível, a partir das informações apresentadas pela empresa e dos documentos acostados ao processo, demonstrativo totalizado mensalmente das receitas relativas à venda de livros que esteja sujeita à alíquota zero de PIS e COFINS; 5) Apresentar relatório com suas considerações acerca dos documentos apresentados e dos demonstrativos apresentados. 6) Intimar a empresa do resultado da diligência, abrindolhe prazo para manifestação de 30 (trinta) dias acerca do resultado da diligência. É como voto. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 1702DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.912350/2012-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES.
Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ, o percentual de 8%.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhece-se o direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-002.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ, o percentual de 8%. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhece-se o direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ, o percentual de 8%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhecese o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 23 50 /2 01 2- 56 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10783.912350/201256 Acórdão n.º 1201002.563 S1C2T1 Fl. 3 2 Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de pagamento indevido de IRPJ. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que a contribuinte não preenchia os requisitos para caracterizarse como prestadora de serviços hospitalares, nos termos de consulta por ela mesmo formulada à Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal tendo em vista a adoção dos percentuais de 8% e 12% para fins de presunção do lucro tributável pelo IRPJ e CSLL, respectivamente, e não 32% como adotado originariamente, o que gerou o recolhimento indevido. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado preliminarmente que a decisão de primeira instância é nula, uma vez não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório. Se superada a preliminar, argúi a recorrente que preenche os requisitos para ser considerada como prestadora de serviços hospitalares, nos termos da legislação de regência da matéria, conforme apontam os fatos devidamente comprovados nos autos mediante a farta documentação apresentada. Colaciona jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.556, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.912343/2012 54, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10783.912350/201256 Acórdão n.º 1201002.563 S1C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.556): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Nulidade da decisão de primeira instância. É arguida a nulidade da decisão de primeira instância por não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório, qual seja, o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Ocorre que essa utilização deuse em face do percentual de Lucro Presumido aplicado à receita, inicialmente 32% como informou a própria recorrente e não 8% (IRPJ) ou 12% (CSLL) como é o pretendido. E essa é exatamente a fundamentação da manifestação de inconformidade e, por óbvio, foi a matéria tratada na decisão de piso. Vêse pois que, embora a decisão não tenha se detido em específico no fato de que o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação de débitos, essa conclusão é facilmente extraída da fundamentação, em que é analisada toda a questão relativa ao percentual de Lucro Presumido aplicável em face da atividade da recorrente: se 32%, como considerado na decisão, o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação do quanto devido pela contribuinte, não restando assim nenhum saldo a restituir. Rejeitase a preliminar. Mérito. Argúi a recorrente que é prestadora de serviços hospitalares, incidindo pois a exceção prevista na alínea "a", do inciso III, do § 1º, do artigo 15, da Lei nº 9.249/95: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1o Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10783.912350/201256 Acórdão n.º 1201002.563 S1C2T1 Fl. 5 4 citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA. (Destaque acrescido) Traz extenso arrazoado em que justifica o enquadramento de sua atividade como de prestação de serviços hospitalares, anexando documentos. Colaciona também jurisprudência nesse sentido. Junto com a manifestação de inconformidade, veio a Solução de Consulta nº 09/2008, emitida pela DISIT da Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, base da decisão de piso. Ao final dessa Solução de Consulta, são discriminados os requisitos cumulativos para que a contribuinte seja considerada como prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus então aos percentuais de Lucro Presumido de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Tais requisitos foram analisados individualmente na decisão de piso. O primeiro requisito é o desempenho de atividade prevista no inciso I, alínea "c", do artigo 27 da IN SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004: “prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação”. Conforme a decisão de primeira instância, segundo o que consta no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES: "... ali está registrado que a interessada presta atendimento de internação, dispondo de nove leitos. Além disso, presta serviços de apoio ao diagnóstico e terapia, pois dispõe de equipamentos para diagnóstico por imagem ( raio x – fl. 81) e serviço de diagnóstico por anatomia patológica ou citopatológica (...). Por estas razões, concluo que a interessada atende o primeiro requisito estatuído na Solução de Consulta nº 9. Quanto ao segundo requisito, assim está registrado no voto condutor da decisão de piso: O segundo requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, assim dispõe: “b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10783.912350/201256 Acórdão n.º 1201002.563 S1C2T1 Fl. 6 5 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; e” [...] Como esclarece o contribuinte, a empresa está situada em endereço próprio, no meio andar do 7º andar do prédio do Centro Hospitalar Granmater, o que se encontra ratificado pelo OF/SESA/GEVS/NVS/CHEFIA/N ° 634, de 23 de setembro de 2008, da Secretaria de Saúde do Espírito Santo que informa (...): “A empresa NEOCARE CUIDADOS INTENSIVOS EM NEONATOLOGIA S/S LTDA, CNPJ 03.826.269/0001 10, está na área do CENTRO HOSPITALAR GRANMATER, CNPJ 03.691.392/000170, fazendo parte do seu Projeto Arquitetônico, aprovado conforme o "Programa Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde" e de"Dimensionamento Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes", estando apta conforme legislação em vigor. Portanto, seu licenciamento faz parte do conjunto do Centro Hospitalar Granmater.” Deste modo, em 23 de setembro de 2008, estava apta a exercer suas atividades. Sucede que o pedido formulado referese ao ano calendário de 2.006. Então, há que se ver se o Hospitalar Granmater, onde a empresa funciona, atendia os requisitos estabelecidos pela Vigilância Sanitária, ..., quanto ao período em exame: Entendeu o então relator que, como a licença, no ano calendário 2006, não abrangeu todo o ano, mas um período de sete meses, esse requisito não restaria preenchido. Contudo, o que se poderia concluir quanto a essa questão seria, no máximo, que, nos meses em que não havia a licença, não teria havido o preenchimento do referido requisito. No entanto, essa conclusão não pode ser aceita, pois não poderia haver a aplicação de sistemáticas diversas de apuração do lucro para fins do IRPJ e da CSLL em um só ano, nem tampouco a de que haveria uma extensão do não preenchimento do requisito para todo o ano de 2006. Como visto também, as licenças foram válidas por um período de sete meses, o que corresponde a mais da metade do ano. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10783.912350/201256 Acórdão n.º 1201002.563 S1C2T1 Fl. 7 6 Portanto, quanto ao segundo requisito, concluise que ele foi preenchido. No que respeita ao terceiro requisito, consta do multicitado voto: Passo ao exame do terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7 ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, que determina: “c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil.” A fim de examinar a matéria, transcrevemos parte da ementa contida na Solução de Consulta nº 9: “PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Considerase prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação do lucro presumido, o estabelecimento assistencial de saúde que atender cumulativamente aos seguintes requisitos previstos no art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005: (...) c) tratarse de empresário ou de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Novo Código Civil, reunindo fatores de produção e circulação, com profissionalismo e economicidade, e valendose de profissionais não só para o desenvolvimento das atividades auxiliares mas também para o exercício da atividadefim.”(grifei) Esta matéria também foi tratada pela Solução de Consulta DISIT nº 252, de 13 de setembro de 2.005, da 9ª Região Fiscal, parcialmente transcrita: “14. À vista do exposto, concluise que, para fins de definição dos percentuais de presunção a serem utilizados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, constitui prestação de serviços hospitalares a atividade exercida nos ramos de imagenologia, ginecologia e obstetrícia, desde que a contribuinte seja constituída de fato e de forma como sociedade empresária, o que pressupõe a existência: (i) de estrutura física própria, na conformidade do art. 27, § 1º, da IN SRF nº 480, de 2004, cf. redação dada pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005; e (ii) de empregados Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10783.912350/201256 Acórdão n.º 1201002.563 S1C2T1 Fl. 8 7 com competência técnica para realizar sua atividade fim sem a necessidade de atuação dos sócios.”(grifei) Segundo o que consta ..., a empresa não possui médicos (profissionais SUS) e possui 20 profissionais não SUS. Tais informações não elucidam se há médicos contratados pela empresa. De acordo com os contratos sociais ..., no ano de 2.006, as sócias da empresa eram Cíntia Ginaid de Souza e Circe Ginaid de Souza, ambas médicas. Do exame dos documentos anexos aos autos não há como se inferir que a empresa possua profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fim, sem a necessidade de atuação dos sócios, restando incomprovado o atendimento ao terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9. Não há dúvidas de que a recorrente é pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária. A questão levantada é a de que não se pode saber se a empresa possuía "profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fins, sem a necessidade de atuação dos sócios". Em que pese a fragilidade da questão relacionada à atuação dos sócios, uma vez que pode existir uma sociedade com sócios que sejam profissionais habilitados em número suficiente para a prestação do serviço a que se destina a empresa, não é crível que uma prestadora de serviços de UTI neonatal, localizada no prédio de um hospital, com vários leitos, não disponha de profissionais médicos, além dos sócios, para a prestação dos serviços. É quase certo que haja a prestação de serviços de médicos que também o fazem para o próprio hospital em que se insere fisicamente a recorrente, ou que tenha havido a contratação de profissionais por meio também de pessoas jurídicas. Assim, aqui também há que se entender preenchido o requisito. Por fim, no que tange ao quarto requisito, assim registrou o relator no voto condutor da decisão recorrida: Por fim, o quarto requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, determina: “d) que os estabelecimentos hospitalares (em regime de atendimento de urgência ou não), sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007, aqui para efeito de cálculo do percentual reduzido de IRPJ, a ser utilizado por empresas prestadoras de tais serviços, nas Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10783.912350/201256 Acórdão n.º 1201002.563 S1C2T1 Fl. 9 8 condições previstas nas leis e dispositivos sobre o assunto.” Tendo em vista a citação do ADI nº 19 de 10/12/2007, segue a transcrição do dispositivo: “Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'', da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 , os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida.” Nos autos não há provas suficientes para comprovar que a empresa disponha de “estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos”. Portanto, o quarto requisito estatuído pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, restou incomprovado. Mais uma vez, frisese, a recorrente é uma prestadora de serviços de UTI neonatal que funciona fisicamente no prédio de um hospital. Não há dúvida quanto a possuir estrutura material e de pessoal (quanto a esta última vejase comentário ao requisito anterior) destinada a atender a internação de pacientes Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10783.912350/201256 Acórdão n.º 1201002.563 S1C2T1 Fl. 10 9 (as notas fiscais constantes dos autos confirmam esse tipo de serviço) com assistência permanente durante vinte e quatro horas, com disponibilidade de serviços de radiologia e laboratório. Portanto, cumprido também o quarto e último requisito. Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 217DF CARF MF
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