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Numero do processo: 10805.723119/2015-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
(Súmula CARF nº 1)
Numero da decisão: 2401-005.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1)
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PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 31 19 /2 01 5- 37 Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 10805.723119/201537 Acórdão n.º 2401005.806 S2C4T1 Fl. 1.457 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada). Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), por meio do Acórdão nº 0370.695, de 28/04/2016, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 499/503): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 Ementa: LIVRO CAIXA. OBRIGATORIEDADE DE ESCRITURAÇÃO. A dedução das despesas relativas ao trabalho não assalariado está sujeita à observância do requisito indispensável de escrituração do Livro Caixa, individualizando as receitas e as despesas, que devem estar acompanhadas de documentação idônea que lhes dê suporte. Impugnação Improcedente Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2008/403570848498016, decorrente de procedimento de revisão da Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), relativamente ao anocalendário de 2007, em que a fiscalização apurou a dedução indevida de despesas de livrocaixa, no valor de R$ 389.688,78 (fls. 431/435): A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindose o imposto suplementar, juros de mora e multa de ofício. O contribuinte foi cientificado da autuação, em 29/03/2012, e solicitou retificação do lançamento, a qual foi indeferida, por falta de comprovação das despesas escrituradas em livrocaixa (fls. 445/447). Recebido o resultado, em 14/10/2015, apresentou impugnou à exigência fiscal, destinada à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (fls. 02/03). Intimado por via postal em 11/05/2016 da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente protocolou recurso voluntário no dia 09/06/2016, em que alega, em síntese, os seguintes argumentos de fato e de direito (fls. 504/507 e 509/516): Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 10805.723119/201537 Acórdão n.º 2401005.806 S2C4T1 Fl. 1.458 3 (i) é contador autônomo, devidamente registrado no órgão de classe, recebendo rendimentos de trabalho não assalariado; (ii) a fim de comprovar a veracidade das receitas e das despesas declaradas, anexa o livrocaixa do período de jan/2007 a dez/2007, além dos comprovantes das receitas do período escriturado. Quanto aos demonstrativos das despesas, já foram juntados no momento da apresentação da sua impugnação; e (iii) está incorreta a justificativa para o lançamento fiscal, porquanto não há que se falar em excesso de despesas em relação às receitas recebidas por serviços prestados como autônomo. As eventuais deduções mensais superiores à respectiva receita foram transportadas e compensadas nos meses subsequentes, dentro do mesmo anocalendário de 2007. É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Ao compulsar os documentos do processo administrativo, constato que o contribuinte, quando da apresentação da impugnação, com protocolo em 14/10/2015, preencheu a petição com a seguinte observação (fls. 02): (...) A Notificação de Lançamento em referência trata de matéria que é objeto de discussão na ação judicial nº 0001923 69.2015.403.6126, na qual figuro como parte ou como substituto processual (...) Por meio da consulta processual na página da Internet da Justiça Federal em São Paulo, verifiquei que o Processo Judicial nº 000192369.2015.4.03.6126 possui os seguintes dados principais: Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 10805.723119/201537 Acórdão n.º 2401005.806 S2C4T1 Fl. 1.459 4 Data de distribuição: 07/04/2015 1ª Vara Federal Autor: Antônio Granado Andreu Assunto: Imposto de Renda da Pessoa Física. Notificação de Lançamento nº 2008/403570848498016 Fase atual: remessa ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF/3ª Região) Na movimentação processual, com data de 11/03/2016, está registrada a prolatação de sentença com resolução de mérito, em que o pedido foi julgado improcedente, disponibilizada no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região em 17/05/2016, páginas 226/263. Eis o trecho inicial da sentença de primeiro grau: 1 (...) Tratase de ação anulatória de crédito tributário ajuizada por ANTONIO GRANADO ANDREU em face da UNIÃO FEDERAL, objetivando a declaração de inexistência do crédito tributário referente ao Imposto de Renda de pessoa física, ano calendário 2008, constituído de ofício na Notificação de Lançamento 2008/403570848498016, em virtude de dedução indevida de despesas de Livro Caixa na Declaração de Ajuste Anual 2007/2008. Alega que é contador autônomo e que recebeu notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física em razão de suposta declaração de despesas escrituradas em Livro Caixa em montante superior ao total dos rendimentos declarados que permitem essa dedução, sendo glosado o valor de R$389.688,79, informado a título de Livro Caixa, indevidamente deduzido. (...) É de verse a identidade de objeto entre a ação judicial e o processo administrativo, que se referem ao crédito tributário consubstanciado na Notificação de Lançamento nº 2008/403570848498016. A existência de ação judicial com o mesmo objeto impede o curso do contencioso administrativo, na linha de entendimento do enunciado da Súmula nº 1 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim redigida: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 1 http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/?numeroProcesso=000192369.2015.403.6126 Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 10805.723119/201537 Acórdão n.º 2401005.806 S2C4T1 Fl. 1.460 5 Ao optar pela discussão judicial, antes ou após o lançamento fiscal, o sujeito passivo abdica da esfera administrativa, porque prevalecerá o entendimento do Poder Judiciário. A renúncia às instâncias administrativas ou a desistência do recurso interposto configura fato impeditivo do direito de recorrer, não podendo ser conhecida a petição na parte concomitante. Conclusão Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, em razão da opção pela discussão da matéria controvertida na via judicial. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1460DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.901218/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados na DIPJ e na escrituração contábil. Não se presta como prova as declarações elaboradas pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1302-003.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Bárbara Santos Guedes, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados na DIPJ e na escrituração contábil. Não se presta como prova as declarações elaboradas pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Bárbara Santos Guedes, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
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PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados na DIPJ e na escrituração contábil. Não se presta como prova as declarações elaboradas pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Bárbara Santos Guedes, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 12 18 /2 00 9- 15 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.901218/200915 Acórdão n.º 1302003.063 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata de recurso voluntário apresentado em face ao Acórdão nº 1635.197, da 5ª Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 26/04/2007 DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples alegação da contribuinte de que teria efetuado recolhimento a maior que o devido, sem apresentar justificativa e muito menos juntar aos autos documentos comprobatórios, não é suficiente para desconstituir a confissão do débito em DCTF, que presumese líquido e certo, e caracterizar a ocorrência de pagamento a maior. A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende compensar pagamento indevido/a maior de CSLL. A declaração não foi homologada pela DERAT/São Paulo, pois o pagamento estava integralmente utilizado para quitação de débito da recorrente, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados na DCOMP. Na manifestação de inconformidade, foi alegado que o crédito existe pelo fato de o contribuinte ter recolhido, de forma indevida, valor maior de CSLL apurado no 1º trimestre de 2007, conforme demonstra a DIPJ/2008, os comprovantes de pagamento e a DCTF apresentada. O acórdão da DRJ/SP1 não acatou as alegações, pois o DARF indicado como origem do crédito corresponde exatamente ao débito confessado da DCTF, inexistindo, a principio, pagamento indevido. A DIPJ/2008 e a DCTF retificadora, esta última apresentada após a ciência da decisão da DERAT/São Paulo, não seriam suficientes para comprovação do recolhimento a maior. Da análise das declarações, verificouse que, na DIPJ/2008, a base de cálculo do tributo foi apurado com a aplicação do percentual de 12%, enquanto que na DCTF original foi aplicado o percentual de 32%. Entretanto, não foi apresentado nenhuma documentação que pudesse demonstrar a natureza das atividades da empresa, sendo que em seu contrato social constam, como objeto social, as seguintes atividades: (1) administração de bens próprios, (2) participação em empreendimentos imobiliários e (3) a participação em outras sociedades como sócia ou acionista. A ciência do Acórdão da DRJ ocorreu em 03/02/2012, e o recurso voluntário foi apresentado em 01/03/2012, com as seguintes alegações: afirma que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade demonstram e esclarecem a atividade por ela exercida, de empreendimentos imobiliários, e os Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.901218/200915 Acórdão n.º 1302003.063 S1C3T2 Fl. 4 3 motivos que a levaram ao cálculo da base de cálculo do tributo, adotando o percentual de 12% em vez de 32 %. pelo Princípio da Verdade Material, é oportuno esclarecer que a recorrente atua no ramo de empreendimentos imobiliários e tem sua tributação na forma do Lucro Presumido, aplicando sobre as receitas tributáveis decorrentes das vendas de imóveis próprios o percentual de 12% para apurar a base de cálculo dos tributos. em 2007 obteve receitas oriundas exclusivamente da venda de imóveis próprios, ensejando a aplicação do percentual de 12%, nos termos do artigo 15, caput, c/c §4º da Lei nº 9.249/95, bem como do artigo 3º, §7º da IN SRF n° 93/97. houve erro de fato no cálculo de CSLL da recorrente no período de 2007, com a utilização de alíquota de 32%, que acabou interferindo diretamente no valor final do tributo, resultando em recolhimento a maior. andou mal a decisão recorrida quando da avaliação do contrato social, pois não se trata da simples leitura para deduzir a atividade da recorrente como colocado, mas sim da leitura aliada à atividade e cálculos do tributo, devidamente demonstrado na DIPJ. demonstrada a atividade exercida pela recorrente, não se pode utilizar de presunção para tributar o sujeito passivo, nos termos do artigo 118, caput, c/c inciso II do CTN. agiu de boa fé, fornecendo todos os elementos para análise e devida homologação da compensação, inclusive cuidando de retificar a DCTF para que não pairassem dúvidas quanto aos valores corretos dos tributos. a DCTF, como instrumento de confissão de dívida, comporta prova em contrário, sob pena de a Administração Pública locupletarse à custa do sujeito passivo. o artigo 16 da Lei nº 9.779/99 delega à SRF a competência para dispor sobre obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições, tendo por finalidade amenizar o rigor da norma invocada, haja vista as inúmeras situações que podem levar o contribuinte a ter o seu débito declarado de maneira incorreta, em virtude de erro de fato que, via de conseqüência, pode acarretar indevida confissão de débito tributário por erro na declaração. não pode prevalecer o entendimento de que a DCTF apresentada, com erro, constitui confissão absoluta de dívida. restou demonstrado que houve erro de fato na DCTF original, com o preenchimento de CSLL com valor superior ao que de fato e de direito era devido, ao aplicar a alíquota de 32% em vez de 12%. a MP nº 2.18849/2001, em seu artigo 18, permite a retificação das declarações dos tributos administrados pela SRF, nas hipóteses permitidas, possuindo a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.901218/200915 Acórdão n.º 1302003.063 S1C3T2 Fl. 5 4 ao tempo da publicação do Despacho Decisório denegatório, estava vigente IN SRF nº 974/2009, que dispunha em seu artigo 9º, § 3º, sobre a possibilidade de retificação de DCTF nos casos em que houvesse prova inequívoca do erro de fato da DCTF. nestes termos, não há como subsistir o entendimento posto no acórdão recorrido no sentido de que a DCTF apresentada após o início de qualquer procedimento fiscal não produz efeitos. a decisão recorrida incorreu em contradição quando afirmou que débito espontaneamente confessado em DCTF tem presunção de liquidez e certeza, mas que poderia ser desconstituído se apresentadas provas contundentes de que a verdade material é outra. ocorre que as provas foram apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade, mas que a turma da DRJ/SP1, ausente o Princípio da Razoabilidade, entendeu que não surtiram seus efeitos jurídicos característicos e válidas, razão pela qual deve ser reformado acórdão recorrido. consta no acórdão recorrido que, nos termos do artigo 16, §4º do Decreto nº 70.235/72, a prova documental deve ser apresentada junto com a manifestação de inconformidade, fato que ocorreu com a apresentação da DIPJ/2008, DCTF e pagamentos, que dão suporte ao direito creditório a que faz jus, sempre agindo de boafé, não podendo ser penalizada tendo indeferido seu pedido de compensação. Junto com o recurso voluntário, a recorrente apresentou o Livro Diário e o Laudo de Avaliação de Créditos. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.901218/200915 Acórdão n.º 1302003.063 S1C3T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.057, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.681715/2009 91, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.057): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim dele eu conheço. A lide neste processo se concentra na questão da prova da atividade exercida pela recorrente. Isto porque não há dúvidas que, no caso do Lucro Presumido, a alíquota a ser aplicada para determinação da base de cálculo dos tributos é de 8% quando a receita financeira decorre da exploração de atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. (artigo 15, §4º da Lei nº 9.249/95, incluído pela Lei nº 11.196/2005) A recorrente afirma que incorreu em erro de fato no preenchimento da DCTF original quando aplicou o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinar o lucro presumido, base de cálculo dos tributos. Aduz que sua receita decorre exclusivamente da atividade de venda de imóveis próprios, ensejando a aplicação do percentual de 8%. E entende que a comprovação do erro de fato se deu com a apresentação, junto com a manifestação de inconformidade, da DIPJ/2008, das DCTF retificadas e dos pagamentos. Aduz que faltou razoabilidade por parte da 5ª Turma da DRJ quando da análise dos citados documentos. Na apresentação do recurso voluntário, além das declarações já mencionadas, a recorrente apresentou cópia do Livro Diário Geral de Contabilidade e Laudo de Avaliação de Créditos. Passo a me pronunciar. Discordo da recorrente quando alega que faltou razoabilidade quando análise dos documentos. Como bem ressaltou o voto condutor da decisão recorrida, não há qualquer explicação quanto aos valores discrepantes informados entre a Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.901218/200915 Acórdão n.º 1302003.063 S1C3T2 Fl. 7 6 DCTF original e a DIPJ/2008. E esta explicação era devida, já que, de acordo com o contrato social, a recorrente exerce 3 (três) atividades econômicas, sendo que nem todas permitem a aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta. De fato, as atividades que constam no contrato social seriam: (1) a administração de bens próprios; (2) a participação em empreendimentos imobiliários; e (3) a participação em outras sociedades como sócia ou acionista. A recorrente informa, na DIPJ/2008, como Código da Atividade Econômica (CNAE fiscal) o 64.620/00 Holdings de Instituições não financeiras. Para tessas atividades econômicas o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, para determinação da base de cálculo dos tributos, é de 32%. A exceção poderia ser, talvez, a participação em empreendimentos imobiliários, para a qual a recorrente deveria comprovar a venda de imóveis próprios. As declarações fiscais apresentadas DIPJ/2008 e DCTF retificadas, são suficientes para comprovar que as receitas decorrem exclusivamente da atividade de venda de imóveis próprios ? Entendo que não, uma vez que as declarações são preenchidas pela própria recorrente, que é parte interessada na presente demanda, fato enfraquece a força probante dos documentos. É preciso esclarecer que as declarações devem refletir a escrituração do contribuinte, seus registros contábeis e resultados apurados. O artigo 923 do RIR/99 dispõe que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. E é com base neste artigo que devemos analisar se o Livro Diário Geral e o Laudo de Avaliação de Créditos, apresentados juntamente com o recurso voluntário, seriam suficientes para comprovar que a totalidade da receita auferida no anocalendário de 2007 seria exclusivamente decorrente de venda de imóveis próprios. O Laudo de Avaliação de Crédito tão somente descreve as atividades da recorrente, afirmando que, de acordo com sua operação de administração e vendas de bens próprios, tem a opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Consta a afirmação de que a empresa utilizou indevidamente o coeficiente de 32%. Ao final, elabora uma tabela com os valores que teria a compensar: Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.901218/200915 Acórdão n.º 1302003.063 S1C3T2 Fl. 8 7 Ocorre que, ainda que o laudo tenha sido elaborado por contador, a afirmação sem a devida comprovação não faz prova a favor do pleito. Estão ausentes os documentos que comprovem que as receitas são decorrentes exclusivamente da venda de imóveis próprios. O mesmo raciocínio se aplica ao Livro Diário Geral. Em pese a tentativa de demonstrar que as receitas seriam todas decorrentes de vendas, considerando os históricos dos lançamentos contábeis "venda de unidades" em destaque, faltou a comprovação com documentação hábil, requisito necessário nos termos do artigo 923 do RIR/99. É preciso lembrar que a aplicação do percentual de 8% será sobre a comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato (§4º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95). Na ausência destes elementos, entendo que não houve a prova de que a receita teria origem exclusivamente na venda de imóveis próprios, não sendo possível afirmar que a alíquota a ser aplicada, para determinação da base tributável dos tributos, seria de 8%. Nestes termos, não é possível reconhecer o direito creditório pela ausência de certeza e liquidez, nos termos do artigo 170 do CTN, motivo pelo qual a decisão recorrida deve ser mantido. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.900676/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE.
Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras.
Numero da decisão: 1201-002.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE. Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 06 76 /2 01 1- 01 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10630.900676/201101 Acórdão n.º 1201002.400 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP que julgou improcedente a manifestação de inconformidade para indeferir o pedido de restituição. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido a título de imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos sobre aplicação em fundos de investimento. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a restituição foi indeferida em face de que "não foi confirmada a existência do crédito pleiteado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil." Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente tendo como principal fundamento: "apenas mediante a condução de robusto conjunto probatório tendente à demonstração ampla e transparente do cumprimento dos preceitos estipulados nos §§2º e 3º do art. 150 da nossa Carta Política se revelaria verossímil corroborar com a incidência, de plano, da imunidade recíproca em favor da entidade autárquica, o que não é o caso dos presentes autos." Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: o recorrente mesmo sendo uma autarquia municipal instituto de previdência dos servidores públicos municipais de Águas Formosas (Lei nº 1.204/2007), tendo feito aplicações em fundos de investimento através da conta de investimentos nº 9.000x, mantida no Banco do Brasil, suportou descontos em virtude de retenções a título de imposto de renda no biênio 2003/2004; o entendimento que resultou na decisão de improcedência da manifestação de inconformidade apresentando como esteio a sustentação de ausência dos diplomas legais alusivos à criação do INPREMAF, contemplando a pormenorização de seus objetivos e finalidades, não deve permanecer carecendo ser reformada a aludida decisão; com efeito, a respeitável decisão está estribada na necessidade de comprovação da existência de lei municipal, hipótese em que deverá ser aplicado, supletivamente, os preceitos expressos no CPC, onde o artigo 337, dispondo sobre as normas gerais das provas, preceitua que o teor e a vigência de norma municipal será exigida como prova quando o julgador assim o determinar; temse ainda que no artigo 399 do mesmo diploma legal, está consignado que o julgador "requisitará às repartições públicas em qualquer tempo ou grau de jurisdição as certidões necessárias à prova das alegações das partes"; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10630.900676/201101 Acórdão n.º 1201002.400 S1C2T1 Fl. 4 3 ademais, nos dados inseridos no CNPJ, consta que a recorrente tem como atividade econômica principal a arrecadação proveniente da "seguridade social obrigatória"; destarte, no que pertine ao entendimento da necessidade da comprovação de tais diplomas legais, deveria ter sido solicitado ao recorrente, à Câmara Municipal ou ao Executivo Municipal, antes do julgamento final, os diplomas legais ausentes nos autos e entendidos como imprescindíveis para o deferimento da pretensão do recorrente. Portanto, a apresentação dos documentos ora acostados não é intempestiva; de outro lado, não deverá ser mantido o entendimento quanto à necessidade de comprovação da existência de elementos comprobatórios no sentido de que os recursos financeiros aplicados no fundo de investimento "vinculamse efetivamente as atividades ou serviços de prestação obrigatória e exclusiva do Estado"; não é prudente indeferir o pedido da restituição das retenções efetivadas ao arrepio da Constituição Federal exigindo prova da inexistência do desvio de finalidade na atuação do recorrente, quando esta, como bem salientou a relatora Maria Lucia Aguilera, compete à fiscalização tributária, conforme legislação vigente. com o fito de sanar a prova documental entendida como necessária, anexa aos autos cópia da legislação pertinente à Recorrente e dos balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.399, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10630.900675/2011 59, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.399): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. O crédito pleiteado pela Contribuinte se refere às retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras em virtude de ser uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10630.900676/201101 Acórdão n.º 1201002.400 S1C2T1 Fl. 5 4 A declaração de voto da ilustre julgadora Maria Lucia Aguilera na decisão de primeira instância, a meu ver, irretocável, cujos trechos trago a colação, contém todos os elementos necessários para se proferir a decisão: (...) A imunidade recíproca tem previsão no art.150, VI, “a”, §§2ºe 3º da Constituição Federal – CF, verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (...) § 2º A vedação do inciso VI, “a”, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3º As vedações do inciso VI, “a”, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel (...) Quanto às pessoas alcançadas pela imunidade recíproca, a própria Constituição Federal – CF expressamente consignou a proteção ao entes que compõem a Federação – União, Estados, Distrito Federal e Municípios, os quais gozam de autonomia uns em relação aos outros, nos termos dos arts. 1ºe 18 da CF. Aos entes políticos, formadores da Federação, a Constituição Federal – CF atribuiu patrimônio e competências executivas, que não podem ser afetados pela tributação. Assim, o patrimônio, os serviços prestados e a renda auferida pelos entes da Federação estão protegidos pela imunidade recíproca. Além dos entes da Federação, a imunidade recíproca alcança as autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público (art. 150, §2º da CF). A definição de autarquia se encontra no art. 5º, inciso I, DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, in verbis: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10630.900676/201101 Acórdão n.º 1201002.400 S1C2T1 Fl. 6 5 Art. 5º Para os fins desta lei, considerase: I Autarquia o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. (...) A característica mais marcante, que determina a natureza jurídica autárquica, é a atividade ser típica da Administração Pública e exercida pela entidade, por atribuição legal. Nos termos do art. 6º da Constituição Federal – CF, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010, a previdência social se inclui entre os direitos sociais. (...) No presente caso, invoca a defesa ser a requerente uma autarquia criada por Lei editada pelo Município de Águas Formosas/MG, para instituir Regime Próprio de Previdência Social, de acordo com os preceitos do art. 40 da CF: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). Para a implementação deste regime de previdência próprio do funcionalismo público, a competência exclusiva da União, para a instituição da contribuição previdenciária, no caso dos servidores públicos, foi transferida aos Estados, Distrito Federal e Municípios, instituidores do regime previdenciário em favor de seus servidores. É o que dispõe, verbis: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10630.900676/201101 Acórdão n.º 1201002.400 S1C2T1 Fl. 7 6 o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). De fato, a regulamentação da instituição e funcionamento dos regimes próprios veio a ocorrer somente após dez anos da sua promulgação, com a edição da Lei Federal nº 9.717/98 de 28 de novembro de 1998, seguida da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, e da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003. (...) Por sua vez, art. 40, caput, da CF, assegurou aos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, um regime de previdência próprio, de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas. Assim, foi criada a possibilidade de o ente público deixar de verter as contribuições previdenciárias ao RGPS e adotar sistema próprio de previdência social para os seus servidores, que em decorrência do chamado pacto federativo, representado pela autonomia política e administrativa de cada ente federativo, a eles foi facultado legislar concorrentemente sobre a organização e funcionamento, princípio aplicado também sobre os seus sistemas de previdência, desde que obedecidos os limites constitucionais e regras gerais. (...) E nos termos do art. 5º da Lei nº 9.717, de 1998, os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal não poderão conceder benefícios distintos dos previstos no Regime Geral de Previdência Social, de que trata a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, salvo disposição em contrário da Constituição Federal. Diante desse quadro jurídico, em se tratando de autarquia, instituída por Lei Municipal, para gerir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, de filiação compulsória, em substituição ao regime geral de previdência social, e por isso de caráter público, e não privado, a imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, §§2º e 3º da CF, deve se estender aos seus rendimentos de aplicações financeiras, vinculados a suas finalidades essenciais. (...) Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10630.900676/201101 Acórdão n.º 1201002.400 S1C2T1 Fl. 8 7 Comprovado o status de autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, não há que se falar também em exploração de atividade econômica, porque se trata de entidade dedicada a regime público de previdência, conforme acima já explicado. Com relação à impossibilidade de contraprestação pelo usuário, registrese, por oportuno, que, nos termos do art. 40 da CF, as fontes de “receita” da autarquia são as contribuições do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, vinculadas ao custeio, em benefício destes, do regime previdenciário próprio, o que configura “contribuição”, mas não “contraprestação” do usuário. Apesar de tudo, cumpre aquiescer com o Relator que, no caso dos presentes autos, não é possível deferir os pedidos de restituição, porque o Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas/MG – INPREMAF não trouxe aos autos a legislação municipal (leis, decretos e outros instrumentos) comprobatória de que a Requerente é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Cumpre deixar claro a divergência em relação ao voto proferido pelo Exmo. Relator, no que diz respeito à extensão da prova requerida, para o deferimento do pedidos de restituição. Para esta Relatora, basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. A prova aqui requerida é de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. No âmbito do presente processo, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Para comprovar que se trata de uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10630.900676/201101 Acórdão n.º 1201002.400 S1C2T1 Fl. 9 8 servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998 a recorrente trouxe aos autos, na fase recursal, a cópia dos atos normativos abaixo relacionados: 1) Lei nº 1.095/2002 dispõe sobre a criação do Regime próprio Previdenciário dos Servidores Públicos do Município de Águas Formosas, cria o instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF, e regulamenta o Fundo Municipal d Previdência dos Servidores Públicos de Águas Formosas PREVAF, e dá outras providências (doc. de fls. 67/100) e Certidão de Publicação expedida pela Prefeitura Municipal de Águas Formosas (doc. de fls. 101); 2) Lei Complementar nº 1.204, de 23 de abril de 2007 dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005 (doc. de fls. 102/147); 3) Lei nº 1.239, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 148/149); 4) Lei nº 1.240, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 150/151); 5) Lei nº 1.418, de 27 de maio de 2013 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005", alterada pela Lei nº 1.240/2008. (doc. de fls. 152/153). Também anexou os balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004 (doc. de fls. 65/66). Assim, entendo, na esteira da declaração de voto proferido pela eminente relatora, que a recorrente apresentou prova normativa de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. Ademais, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10630.900676/201101 Acórdão n.º 1201002.400 S1C2T1 Fl. 10 9 instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante de todo o exposto, a recorrente faz jus a imunidade recíproca e teria direito a restituição das retenções de fonte efetuadas sobre as suas aplicações financeiras. Assim, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário no sentido de deferir o pedido de restituição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.012707/2002-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 17/02/1998 a 06/08/1999
VALOR ADUANEIRO. AJUSTES AO VALOR DE TRANSAÇÃO. CRITÉRIO DE PONDERAÇÃO.
Sendo necessário adicionar valores de gastos com projetos e royalties em plantas industriais cujos componentes sejam importados e nacionais, há que se ponderar a aplicação desses valores relativamente às mercadorias componentes.
VALOR ADUANEIRO. AJUSTES AO VALOR DE TRANSAÇÃO. ACRÉSCIMO. CABIMENTO.
Integram o valor aduaneiro das mercadorias importadas, as parcelas pagas pela contribuinte importadora relativa aos dispêndios incorridos a titulo de serviços de engenharia e royalties que permitiram a confecção dos bens integrantes das plantas petroquímicas instaladas no país de importação
Numero da decisão: 9303-007.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 17/02/1998 a 06/08/1999 VALOR ADUANEIRO. AJUSTES AO VALOR DE TRANSAÇÃO. CRITÉRIO DE PONDERAÇÃO. Sendo necessário adicionar valores de gastos com projetos e royalties em plantas industriais cujos componentes sejam importados e nacionais, há que se ponderar a aplicação desses valores relativamente às mercadorias componentes. VALOR ADUANEIRO. AJUSTES AO VALOR DE TRANSAÇÃO. ACRÉSCIMO. CABIMENTO. Integram o valor aduaneiro das mercadorias importadas, as parcelas pagas pela contribuinte importadora relativa aos dispêndios incorridos a titulo de serviços de engenharia e royalties que permitiram a confecção dos bens integrantes das plantas petroquímicas instaladas no país de importação
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AJUSTES AO VALOR DE TRANSAÇÃO. CRITÉRIO DE PONDERAÇÃO. Sendo necessário adicionar valores de gastos com projetos e royalties em plantas industriais cujos componentes sejam importados e nacionais, há que se ponderar a aplicação desses valores relativamente às mercadorias componentes. VALOR ADUANEIRO. AJUSTES AO VALOR DE TRANSAÇÃO. ACRÉSCIMO. CABIMENTO. Integram o valor aduaneiro das mercadorias importadas, as parcelas pagas pela contribuinte importadora relativa aos dispêndios incorridos a titulo de serviços de engenharia e royalties que permitiram a confecção dos bens integrantes das plantas petroquímicas instaladas no país de importação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 27 07 /2 00 2- 11 Fl. 2914DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase processo originado dos autos de infração de Imposto de Importação II, às efls. 04 e 05, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, às efls. 893 e 894, lavrados contra a contribuinte em 17/09/2002, por ter a fiscalização constatado que a empresa deixou de recolher II e de IPI vinculado à importação, na importação de duas plantas petroquímicas. Os valores apurados foram acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa Selic e multa proporcional. O Relatório de Fiscalização esclarece o procedimento de apuração dos valores às efls. 1603 a 1646. Tratase da aquisição de duas plantas petroquímicas importadas por partes e montadas no Brasil, com tecnologia fechada, detida pela empresa Montell Technology Company B.V, e, para entrega da planta pronta, foram contratadas as empresas Tecnimont S.p.A., italiana, e Tecnimont do Brasil Ltda., brasileira e do mesmo grupo econômico da empresa italiana. A fiscalização entendeu que a contribuinte teria contratado a compra das plantas completas, montadas e operando no Brasil. Assim, aplicou o comentário 6.1 do Comitê Técnico de Avaliação Aduaneira, para considerar uma única transação, importada em remessas parciais, e recalculou o valor aduaneiro declarado pelo contribuinte. Considerando que as plantas são constituídas pelos equipamentos e que outros custos devem ser a ele acrescentados, tais como serviços de engenharia e royalties, a fiscalização analisou cada item dos contratos e definiu como cada elemento seria considerado no valor aduaneiro, para aplicação do art. 1o do AVAGATT, com os ajustes do art. 8o, em linha com um estudo de caso realizado pelo comitê técnico de valoração (estudo de caso 1.1). A contribuinte apresentou impugnação às efls. 1660 a 1702, em 04/11/2002, pleiteando (i) que seja tornado insubsistente o auto de infração, quer por não ser cabível a aplicação da valoração aduaneira, quer por não terem sido corretamente aplicadas as normas sobre a valoração aduaneira, e (ii) sucessivamente, que sejam retificados e recalculados os valores lançados. A 2ª Turma da DRJ/FNS, no acórdão nº 4.105, prolatado em 28 de maio de 2004, às efls. 2000 a 2017, por unanimidade, rejeitou as preliminares suscitadas pela impugnante e, no mérito, julgou improcedente a impugnação, para manter o crédito tributário lançado. Intimada do acórdão da DRJ em 22/06/2004 (efl. 2028), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 15/07/2004, às efls. 2032 a 2080. Apresentou, resumidamente, os seguintes argumentos: Fl. 2915DF CARF MF Processo nº 11080.012707/200211 Acórdão n.º 9303007.357 CSRFT3 Fl. 2.915 3 a) impossibilidade da retroatividade na aplicação de estudo de caso para embasar autuação fiscal; b) a fiscalização aplicou incorretamente o comentário 6.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira à situação de fato tratada nos autos, já que, para a construção das plantas petroquímicas, a empresa efetuou a aquisição de bens de mais de um fornecedor, tanto no Brasil como no exterior; c) não há permissão legal para a autoridade fiscal lavrar auto de infração para tributar serviços pelo II e pelo IPI; d) as autoridades julgadoras não interpretaram corretamente a expressão "condição de venda" presente no art. 8º, 1, "c" do AVAGATT, pois não há como se admitir que os pagamentos feitos pela empresa à Montell se consubstanciaram numa condição de venda dos bens adquiridos da Tecnimont Itália e da Tecnimont Brasil; e) pugna pela devida observância dos princípios da neutralidade e da equidade, com base nas regras de valoração aduaneira, e do princípio da objetividade, que deve pautar os ajustes do art. 8º do AVAGATT; e f) no mérito, considera que não deve subsistir o lançamento tributário efetuado no presente caso, a pretexto de se aplicar as regras do AVAGATT às importações realizadas pela contribuinte, para fins de construção de duas plantas petroquímicas. Ao final, requer o total provimento do recurso, para que se julgue nulo o lançamento tributário efetuado. Sucessivamente, requer que os valores lançados sejam retificados e recalculados, em face dos critérios desiguais utilizados pela fiscalização para o cálculo dos tributos cobrados e das respectivas penalidades. Nos termos da Resolução nº 30301.152, efls. 2156 a 2165, a então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência, para entre outras providências esclarecimento sobre a rubrica "serviços de engenharia", do contrato firmado com a Tecnimont S.p.A., para indicação do valor de cada etapa do estudo de Hazop, relativo ao estudo de segurança e operação das plantas, bem como o valor do gerenciamento da obra. O despacho à efl. 2362 informa que a diligência foi cumprida e que a contribuinte se manifestou a respeito do respectivo relatório. O recurso voluntário foi apreciado pela então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes em 07 de julho de 2008, resultando no acórdão nº 30335.466, às e fls. 2367 a 2398, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 17/02/1998 a 06/08/1999 Imposto de importação e Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado. Bases de cálculo. Métodos de valoração aduaneira. A declaração a menor do valor aduaneiro de mercadorias é infração que autoriza o lançamento da diferença entre o tributo devido e o recolhido em cada importação, calculado mediante o uso da alíquota ad valorem e do valor aduaneiro apurado em Fl. 2916DF CARF MF 4 conformidade com os métodos definidos no Acordo de Valoração Aduaneira (AVA). Ajustes do artigo 8 do AVAGATT. Parâmetro de rateio. Comprovada importação de duas plantas industriais em remessas fracionadas quando contrato por preço global firmado entre importadora (e proprietária) brasileira e empreiteira estrangeira obriga a segunda, perante a primeira, a projetar, construir, operar e apoiar a proprietária no processo de treinamento de pessoal de duas plantas petroquímicas tecnologicamente licenciadas por sociedade empresária estrangeira com importação de parte dos materiais, máquinas e equipamentos. Pagamentos relativos à construção feitos no território nacional devem ser contemplados na recomposição do valor global das plantas petroquímicas para desonerar o valor aduaneiro de parcela do rateio dos encargos inerentes à construção da planta industrial vinculados a pagamentos incorridos no exterior. Ajuste decorrente de projetos de engenharia. Na determinação do valor aduaneiro, o acréscimo dos projetos ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas é cabível quando o serviço é prestado fora do pais de importação e necessário para a produção das mercadorias importadas, vedado esse acréscimo sendo exclusivamente baseado em dados objetivos e quantificáveis. Ajustes decorrentes de royalties e de direitos de licença. Na determinação do valor aduaneiro, os acréscimos de royalties e de direitos de licença ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas somente é cabível quando tais rubricas se caracterizam como condição de venda do objeto da mercancia. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar todas as preliminares trazidas no recurso voluntário. No mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (1) por unanimidade de votos, excluir, in totum, o ajuste decorrente dos pagamentos feitos à holandesa Montel Technology Company B.V., sob as rubricas "taxa de assistência técnica para planta de polietileno", "taxa de assistência técnica para planta de polipropeno", "taxa de licença para planta de polietileno", "taxa de licença para planta de polipropeno" e "taxa de licença para o reator em fase gasosa para planta de polipropeno"; (2) por maioria de votos, reduzir de 87,37% para 56,850% o parâmetro utilizado nos ajustes do artigo 8 do AVAGATT, quando necessário o rateio, e excluir, in totum, o ajuste decorrente dos pagamentos feitos à italiana Tecnimont S.p.A. sob as rubricas "serviços de engenharia" e "serviços de engenharia referente a ordens de alteração", vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Celso Lopes Pereira Neto, que negaram Fl. 2917DF CARF MF Processo nº 11080.012707/200211 Acórdão n.º 9303007.357 CSRFT3 Fl. 2.916 5 provimento. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida. Fizeram sustentação oral o Advogado Heleno Taveira Torres, OAB/SP 194506, e o Procurador da Fazenda Nacional Hermes de Alencar Benevides Neto. Embargos de declaração da Procuradoria Intimada do acórdão nº 30335.466 em 04/02/2009 (efl. 2402), a PGFN apresentou embargos de declaração em 09/03/2009 (efls. 2404 a 2410), embasado em alegada omissão no acórdão. Os embargos foram analisados pelo então Presidente da Terceira Seção de Julgamento do CARF nos termos do despacho às efls. 2412 e 2413, datado de 16/03/2011, que entendeu por rejeitálo, definitivamente, em face da manifesta improcedência dos vícios apontados. Recurso especial da Procuradoria A PGFN foi intimada do despacho de admissibilidade de embargos (efls. 2412 e 2413) em 02/06/2011 (efl. 2414), e apresentou recurso especial em 15/06/2011 (efls. 2415 a 2423), fundamentado no artigo 7º, incisos I e II do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 147/2007. Explica que o acórdão de recurso voluntário reduziu, por maioria de votos, o parâmetro utilizado nos ajustes do valor aduaneiro, quando necessário o rateio, de 87,837% para 56,850%. Ademais, discorda do entendimento do colegiado a quo, que excluiu a totalidade do ajuste decorrente dos pagamentos feitos à italiana Tecnimont S.p.A. sob as rubricas "serviços de engenharia" e "serviços de engenharia referente a ordens de alteração". Considera que os serviços de engenharia são fundamentais para a instalação e funcionamento das plantas industriais, tornandose parte essencial da sua produção e comercialização, pois sem eles não haveria possibilidade de se executar a obra contratada e importada para o Brasil. Consequentemente, pondera que seus custos devem ser acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas pela interessada, cuja finalidade era a implantação de duas plantas petroquímicas. Nestes pontos, considera que a decisão recorrida merece ser reformada, por ter violado e negado vigência aos artigos 1º e 8º do AVAGATT, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30/94 e promulgado pelo Decreto Executivo nº 1355/94. Ao final, requer o conhecimento e provimento do seu recurso especial. O então Presidente da 2ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial por contrariedade à lei da Procuradoria em 29/05/2015, no despacho de efls. 2817 a 2820, com base no art. 4º (disposições transitórias) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 2009, dando lhe seguimento. A contribuinte foi intimada do acórdão nº 30335.466, do recurso especial da Procuradoria e do respectivo despacho de admissibilidade em 19/07/2016 (efl. 2858). Fl. 2918DF CARF MF 6 Consoante o despacho à fl. 2908, a empresa não recorreu da parte do crédito mantida nem apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais da Portaria MF nº 147/2007, aplicáveis em face do disposto no art. 4º da Portaria MF nº 256/2009, vigente à época em que fora interposto o acórdão recorrido. O fundamento para a interposição do recurso especial foi o fato de a decisão recorrida ser nãounânime e supostamente contrária à lei ou evidência de prova. No acórdão os seguintes pontos careceram de unanimidade: a) aplicação 87,837% como parâmetro de ajuste do valor aduaneiro, pelo art. 8 do AVAGATT; e b) exclusão in totum do ajuste decorrente dos pagamentos à empresa italiana Tecnimont S.p.A. para as rubricas "serviços de engenharia" e "serviços de engenharia referentes a ordens de alteração". A discussão recai sobre múltiplos contratos jurídicos complexos, visando em seu conjunto à aquisição de plantas industriais e de tecnologias para produção de produtos petroquímicos. Nesse sentido, a análise dos contratos entre a contribuinte o fornecedor de tecnologia de produção e empresas empreiteiras, todos visando a posta em marcha de um processo produtivo sofisticado, envolve bem mais do que a simples aquisição de mercadorias importadas. Daí as dificuldades de apuração do valor aduaneiro nessa importação. Importase um conjunto de bens, cujos preços de transação, isoladamente, não representam o valor tributável pela operação, por isso aplicáveis as regras ajuste na valoração. Desde logo, saliento que aqui não mais estão mais em questão as demais matérias, inclusive o conteúdo da importação: duas plantas petroquímicas, uma para produção de polímeros de polietileno e outra para produção de polímeros de polipropeno. Ocorre que o julgado recorrido assim se posicionou, admitindo também que a remessa de planta industrial corresponde a uma importação fracionada, sujeita a ajustes na valoração e havendo decisão nãounânime somente em relação ao critérios para valoração. Tratase de estabelecer se houve correção na aplicação dos critérios para valoração, cumprindo a implementação do art. VII do AVAGATT. a) aplicação 87,837% como parâmetro de ajuste do valor aduaneiro Entendo adequado o critério utilizado no lançamento para o ajuste do valor da importação. Ocorre que em relação às plantas industriais, como um conjunto de instalações destinadas à produção, existiam, no caso concreto, máquinas e equipamentos, importados e nacionais, sendo essas as mercadorias envolvidas na construção, mas somente as importadas podiam se sujeitar à valoração aduaneira, por isso a apuração de índice para rateio dos demais preços estabelecidos nos contratos. Aliás, os agentes fiscais deixaram isso patente no seu Relatório de Fiscalização, à efl. 1626: Fl. 2919DF CARF MF Processo nº 11080.012707/200211 Acórdão n.º 9303007.357 CSRFT3 Fl. 2.917 7 2. Efetivamente, as plantas petroquímicas são constituídas pelos equipamentos — reatores, vasos de pressão, trocadores de calor, bombas, extrusoras —, assim como materiais para estes equipamentos, gaxetas, flanges, tubos, válvulas, etc., ou seja, tudo que faz parte do funcionamento do processo petroquímico. 3. Os prédios em alvenaria e as estruturas metálicas servem apenas como proteção e sustentação; respectivamente, para alguns equipamentos, ou seja, não fazem parte do processo petroquímico, são elementos integrantes dos encargos relativos à construção e montagem relacionados com as mercadorias importadas: as duas plantas petroquímicas. Esta é a razão para a utilização apenas das máquinas e equipamentos para apreciar o custo físico das planta petroquímicas, conforme demonstrado no quadro do Relatório Fiscal à efl. 1627, abaixo transcrito: Exemplificando, não seria lógico pretender verificar critérios de valoração para as mercadorias importadas pela atribuição de peso relativo ao contrato de construção com a empresa Tecnimont do Brasil, sendo ela contratada para a realização da obra no Brasil, com aquisição local de materiais para construção das instalações. Isso atingia a cifra de U$ 65.313.78,81 e nem mesmo poderia ser incorporado ao preço das instalações, conforme determina o item 3 da Nota ao Artigo 1 do AVAGATT1. Além disso, com a vênia do relator do acórdão a quo, também não vejo como incluir os valores de contratação de serviços de engenharia e de assessoria no rateio, quando estes serão utilizados, posteriormente, para recomposição do preço nas mercadorias efetivamente importadas. Entendo não ser possível utilizar, como parâmetro, um valor para apuração do índice de rateio e, em seguida, aplicar esse índice calculado sobre o próprio parâmetro. Com efeito isso caracterizaria uma circularidade, o que com certeza indica uma interpretação equivocada da norma. Outra incoerência contida na interpretação dada pela decisão recorrida reside no fato de considerar in totum o valor de um gasto (com engenharia / assessoria), na apuração do índice de rateio, quando esse gasto somente será em parte considerado no valor aduaneiro. Ademais, como destacado nas considerações da Procuradoria da Fazenda Nacional, à efl. 2421: 1 3. O valor aduaneiro não incluirá os seguintes encargos ou custos, desde que estes sejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (a) encargos relativos à construção, instalação, montagem, manutenção ou assistência técnica executados após a importação, relacionados com as mercadorias importadas, tais como instalações, máquinas ou equipamentos industriais; (...) Fl. 2920DF CARF MF 8 ... há uma diferença enorme entre o valor contábil de uma planta petroquímica e o valor aduaneiro desta, sendo certo que aquele serve a interesses patrimoniais e este a interesses fiscais no momento da importação. Tanto é assim que o AVAGATT excetua do valor aduaneiro, os valores que não tem origem no exterior. Na hipótese, o objeto da fiscalização foi o valor aduaneiro das plantas petroquímicas importadas. O valor alegado pela autuada (U$$ 65 milhões, fl. 1691), como afirmado por ela própria, foi a titulo da construção civil efetuada no Brasil. Esse valor nunca poderia fazer parte do valor aduaneiro das plantas petroquímicas importadas. Contabilmente. é claro que os gastos executados no Brasil integram o valor contábil das plantas, mas o Acordo não admite tal parcela como integrante do valor aduaneiro Assim, diferentemente do que entendeu o relator do acórdão recorrido, não vejo como atribuir peso para rateio utilizandose valores contratados que não estavam entre as mercadorias utilizadas nas plantas industriais e por isso entendo que se deva manter o parâmetro de rateio de 87,837% apurado pela fiscalização. Não vejo em que isso contraria os critérios de valoração aduaneira do art. VII doAVAGATT, pelo contrário penso que melhor o traduz. b) exclusão do ajuste decorrente dos pagamentos à Tecnimont S.p.A. por serviços de engenharia No acórdão recorrido, à efl. 2388, é inconteste que os serviços de engenharia referemse a serviços técnicos de projeto de detalhamentos concernentes as obras civis, mecânica, elétrica e de instrumentação, além dos estudos relacionados à segurança e operação das plantas industriais, daí se concluir que se constituem em parte indissociável delas. Outrossim, na decisão recorrida, foi considerado que estes serviços englobam atividades de gerenciamento do projeto e da obra, correspondendo à coordenação, supervisão e controle, sendo contratados em de forma global, sem possibilidade de detalhamento dos preços dessas atividades. Na sequência, o relator do recorrido afirma que, para fins de valoração conforme ao artigo 8 do AVAGATT seria imperativo que a prestação desses serviços fosse necessária à produção das mercadorias importadas e que fosse realizada fora do país, devendo ainda ser objetivamente quantificáveis. Como o gerenciamento de obra seria serviço realizável em solo brasileiro, não se ligando à produção dos materiais e equipamentos importados e cujo preço não poderia ser segregado dos demais serviços de engenharia, não seria possível sustentar o ajuste pelo referido artigo 8. Abordando a valoração com fulcro na literalidade do art. 8 do AVAGATT, item "b", (iv), podeseia chegar à conclusão acima descrita, pois nele está posto: Artigo 8 1.Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (...) Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 11080.012707/200211 Acórdão n.º 9303007.357 CSRFT3 Fl. 2.918 9 (b) o valor devidamente atribuído dos seguintes bens e serviços, desde que fornecidos direta ou indiretamente pelo comprador, gratuitamente ou a preços reduzidos, para serem utilizados na produção e na venda para exportação das mercadorias importadas e na medida em que tal valor não tiver sido incluído no preço efetivamente pago ou a pagar: (...) (iv) projetos da engenharia, pesquisa e desenvolvimento, trabalhos de arte e de design e planos e esboços necessários à produção das mercadorias importadas e realizados fora do país de importação. (Grifos na transcrição) Todavia, os agentes fiscais, nesse ponto, não aplicaram a literalidade do artigo 8, mas a interpretação dada pelo Estudo de Caso 1.1 feito pelo Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da OMC, que não sendo regra impositiva, serve de critério interpretativo para essa matéria, como admitiu o próprio conselheiro relator no início de seu voto, à efl. 2378: No exame das razões recursais, preliminarmente, entendo inexistir óbice de natureza legal para o uso feito pela fiscalização aduaneira do Estudo de Caso 1.1, elaborado pelo Comitê Técnico de Valoração Aduaneira e divulgado no Brasil l6 em data posterior ocorrência dos fatos geradores dos tributos ora exigidos. O estudo de caso é apenas isso, um estudo de caso, e sua divulgação é um subsidio para facilitar a interpretação do Acordo de Valoração Aduaneira. Ademais, quando meramente interpretativa, até a legislação tributária aplicase a atos ou fatos pretéritos. (Grifei.) No Relatório de Fiscalização, item 14 à efl. 1634, tratando dos serviços de engenharia é feita a comparação do contrato da Tecnimont S.p.A. com o item 7, letra a) do Estudo de Caso, no qual está posto: 1. A firma NAVAL, domiciliada no pais de importação I, subscreve um contrato com a firma BORG, domiciliada no pais de exportação E, para a construção e venda pela BORG de uma planta industrial destinada à produção de gás metano liquido. O preço de venda da planta a ser pago pela NAVAL à BORG é de 2.000 milhões de unidades monetárias. Entretanto, uma cláusula no contrato proporciona 500 milhões de unidades monetárias adicionais, a serem pagos pela NAVAL à BORG, relativamente ao projeto de engenharia e à pesquisa e desenvolvimento necessários à construção da planta industrial. (...) 7. O valor de transação é calculado pela adição dos seguintes montantes ao preço de venda da planta industrial, fixado no Fl. 2922DF CARF MF 10 contrato com a BORG em 2.000 milhões de unidades monetárias: (...) a) 500 milhões de unidades monetárias, a pagar à BORG, relativos ao projeto de engenharia e à pesquisa e desenvolvimento, necessários à construção da planta industrial (ver parágrafo 1., anterior). Esta adição não constitui um ajuste ao Artigo 8 do AVA, mas é de fato parte do preço total efetivamente pago ou a pagar de acordo com o contrato. 0 serviço de engenharia fornecido pelo próprio vendedor das mercadorias é faturado normalmente em separado. Em alguns países esta distinção se deve a diferentes tipos de autorização para pagamentos ao exterior (Departamento do Comércio para mercadorias, Departamento da Indústria para a assistência técnica). O preço efetivamente pago ou a pagar 6 o pagamento total efetuado ou a ser efetuado pelo comprador ao vendedor pelas mercadorias importadas. (Grifei.) Ora, em face da especificidade do Estudo manejado pela fiscalização, que em muitíssimo se assemelha ao caso concreto, entendo mais adequado o critério de valoração por ela sugerido. Contudo, melhor analisando o contrato da a Tecnimont S.p.A., se pode observar que o preço global do projeto é definido na Cláusula 24, às efls. 2681 a 2683, que dispõe: CLAUSULA 24 PREÇO DO PROJETO E PAGAMENTO 24.1 PREÇO GLOBAL DO PROJETO A PROPRIETÁRIA Pagara à EMPREITEIRA como remuneração total e integral da execução dos SERVIÇOS DO PROJETO e cumprimento de todas as obrigações sob o CONTRATO, o seguinte PREÇO GLOBAL DO PROJETO: (...) consistindo de: 24.1.1 Serviços Técnicos A serem prestados pela EMPREITEIRA conforme definido no CONTRATO. (...) consistindo de: 24.1.1.1 Serviços de Engenharia a serem prestados pela EMPREITEIRA nos termos do ANEXO 14 "Serviços de Engenharia" (...) 24.1.1.2 Assessoria na Construção .a ser prestada pela EMPREITEIRA nos termos do subparágrafo 5.4.3. (...) Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 11080.012707/200211 Acórdão n.º 9303007.357 CSRFT3 Fl. 2.919 11 24.2 Valores provisórios A PROPRIETÁRIA pagará à EMPREITEIRA os valores provisórios definidos abaixo, caso a EMPREITEIRA efetivamente preste os Serviços e/ou forneça equipamentos e materiais adicionais, sob as condição definidas no presente, 24.2.1 Serviços Técnicos por Serviços Técnicos adicionais prestados pela EMPREITEIRA. mediante aprovação da PROPRIETÁRIA conforme definido abaixo. (...) 24.2.1.1 Assessoria Técnica a ser prestada pela EMPREITEIRA e/ou pelos Vendedores para o COMISSIONAMENTO e postaemmarcha das INSTALAÇÕES, a pedido da, PROPRIETÁRIA, nos termos do Parágrafo 5.5. (...) 24.2.1.2 Serviços de Engenharia referente a ORDENS DE ALTERAÇÃO a serem prestados pela EMPREITEIRA, a pedido da PROPRIETÁRIA. (...) 24.2.2 Equipamentos e materiais por equipamentos e materiais adicionais fornecidos pela EMPREITEIRA mediante aprovação da PROPRIETÁRIA, conforme definido abaixo. (...) (Negritei.) Daí se vê que diferentemente do que foi afirmado no acórdão a quo, os valores dos "Serviços de Engenharia" do item 24.1.1.1 estão segregados dentro do item "24.1 PREÇO GLOBAL DO PROJETO". Igualmente, o item "24.2.1.2 "Serviços de Engenharia referente a ORDENS DE ALTERAÇÃO" também tem seu valor segregado, contudo, padece de um problema intrínseco ao fato de se tratar de "Valores provisórios", pois só seriam efetivamente pagos caso houvesse a demanda da PROPRIETÁRIA. Contudo, há que se observar que os dados da coluna "VALORES (US$)" da planilha à efl. 1627 foram retirados dos certificados de averbação 970324/01 e 960528/02 e das respostas às intimações 35/01, às efls. 1582 a 1584 e 47/01, às e fls. 1585 e 1586, indicando que os pagamentos que, proporcionalmente, compuseram a valoração existiram. Dessarte, novamente discordo do voto do relator da Câmara Baixa, para comungar do entendimento do acórdão de piso, mantendoo quanto a matéria recorrida. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional, para, no mérito, darlhe provimento quanto a ambas as questões recorridas. (Assinado digitalmente) Fl. 2924DF CARF MF 12 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2925DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010283/2006-69
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE INIDONEIDADE NA CONDUTA DO CONTRIBUINTE.
Se nos autos há indicação que os pagamentos pelo contribuinte ao plano de saúde foram efetuados, e não há inidoneidade na conduta do contribuinte, erros da empresa emissora dos documentos não afastam a possibilidade de dedução de despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de voto, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, mantendo inalterado o resultado do julgamento. Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que não lhe acolheu.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE INIDONEIDADE NA CONDUTA DO CONTRIBUINTE. Se nos autos há indicação que os pagamentos pelo contribuinte ao plano de saúde foram efetuados, e não há inidoneidade na conduta do contribuinte, erros da empresa emissora dos documentos não afastam a possibilidade de dedução de despesas médicas.
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CABIMENTO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE INIDONEIDADE NA CONDUTA DO CONTRIBUINTE. Se nos autos há indicação que os pagamentos pelo contribuinte ao plano de saúde foram efetuados, e não há inidoneidade na conduta do contribuinte, erros da empresa emissora dos documentos não afastam a possibilidade de dedução de despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de voto, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, mantendo inalterado o resultado do julgamento. Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que não lhe acolheu. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 02 83 /2 00 6- 69 Fl. 157DF CARF MF 2 Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 2001000.133, de 30 de novembro de 2017, proferido por esta 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção, que deu provimento ao Recurso Voluntário, cuja ementa abaixo: DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE INIDONEIDADE NA CONDUTA DO CONTRIBUINTE. Se nos autos há indicação que os pagamentos pelo contribuinte ao plano de saúde foram efetuados, e não há inidoneidade na conduta do contribuinte, erros da empresa emissora dos documentos não afastam a possibilidade de dedução de despesas médicas.Destacamos, também, passagens dos Embargos da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional: Destacamos, também, passagens dos Embargos da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional: I – OBSCURIDADE QUANTO À EXTENSÃO DO PROVIMENTO DO RECURSO (...) Entretanto, exsurge dúvida quanto à extensão do provimento, se parcial ou total. O Colegiado, entretanto, nada falou sobre as seguintes despesas médicas declaradas pelo contribuinte e glosadas pela autoridade fiscal: Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10980.010283/200669 Acórdão n.º 2001000.689 S2C0T1 Fl. 3 3 Ouroclin Assistência Médica S/C Ltda: R$ 3.750,00 Clínica de Repouso Curitiba: R$ 5.450,00 Instituto de Medicina e Cirurgia do Paraná: R$ 11.180,00 Nesse contexto, fazse mister que a Turma ora embargada se manifeste para esclarecer seu posicionamento, declinando as razões de convencimento para o aceite ou não das despesas declaradas e, consequentemente, explicitando o alcance do provimento do recurso. II – OMISSÃO QUANTO ÀS RAZÕES APONTADAS PELA DRJ PARA NÃO ACATAR AS DESPESAS MÉDICAS DECLARADAS PELO CONTRIBUINTE Noutro giro, observase que o Colegiado restou omisso ao não se manifestar sobre as relevantes razões declinadas pela DRJ para não acatar as despesas declaradas pelo contribuinte. Nesse contexto, fazse mister que o Colegiado se manifeste para esclarecer se, no seu posicionamento, as razões declinadas pela DRJ são suficientes ou não para manter a glosa fiscal. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator, Os embargos de Declaração pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), apresentados tempestivamente, contra Acórdão nº 2001000.133, apontando obscuridade quanto à extensão do provimento, e omissão ao não se manifestar sobre as relevantes razões declinadas pela DRJ. Constou no Despacho de Admissibilidade uma ideia importante, que embasou a aceitação dos embargos, para que na turma, com transparência, se rediscutisse os problemas apontados: Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. Reexaminamos o processo, e os fundamentos da decisão anterior. Para dirimir dúvidas, acataremos os embargos para esclarecer os vícios apontados, e comentaremos cada assunto, repetindo passagens do acórdão embargado, adicionando explicações do que havia sido decidido, em relação a esses problemas: Esclarecemos que o provimento ao recurso se refere às despesas médicas que constam do recurso voluntário, quais sejam: Ernesto Bernardo Michel (R$ 7.500,00), e junto à Proclin (R$ 5.010,00), Ouroclin (R$ 3.750,00). As despesas da Clínica de Repouso Curitiba, R$ 5.450,00; e Instituto de Medicina e Cirurgia do Paraná, R$ 11.180,00, já não foram litigadas na impugnação, conforme menciona o acórdão de impugnação: Fl. 159DF CARF MF 4 Quanto às despesas relativas à Clinica de Repouso Curitiba (R$ 5.450,00) e ao Instituto de Medicina do Paraná (R$ 11.180,00), o interessado não apresenta qualquer comprovação e até admite essas glosas, conforme declaração retificadora apresentada em 26/12/2005 (fls. 35/38). Em relação às despesas às quais foi dado provimento, reforçamos que o entendimento expresso no acórdão embargado, referese ao lançamento, conforme consta do acórdão: "(...) a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade, ou de conduta inidônea do contribuinte, o que não ocorreu." Observese que argumentos do acórdão de impugnação foram examinados, mas não necessitam ser rebatidos, principalmente se o fundamento da segunda instância entendeu pela insuficiência ou falha no lançamento. Também se aponte que fundamentos adicionais, além do que foi disposto no lançamento original, se constituem em inovação, cerceando direito de defesa, suprimindo instância. Se o lançamento fundamentou a recusa a documentos nos argumentos a, b ou c; não se pode em instâncias de julgamento recusarse documentos por x,y ou z, nem em primeira, nem em segunda instância. Além disso, a decisão de segunda instância reexamina o lançamento, em relação ao que o recurso voluntário litiga. Tratase de um novo julgamento. Tanto o acórdão de impugnação como o de recurso voluntário devem se restringir à legislação e aos fundamentos apontados no lançamento. O recurso voluntário pode solicitar reexame do lançamento e ignorar o acórdão de impugnação. Superados os problemas apontados no lançamento não podem ser colocados outros problemas, novos argumentos, nas instâncias seguintes. Aproveitamos os embargos para esclarecer especificamente a aceitação do recibo da Ouroclin (R$ 3.750,00), para o qual a fundamentação do lançamento se restringiu a falta de comprovação do efetivo desembolso dos valores e bloco de notas com emissão em 06/03/1997. Os argumentos utilizados para a Proclin valem, para a Ouroclin, e foram os seguintes: "Os problemas indicados nos documentos (emissão de recibos por empresa, notas fiscais em datas posteriores, indicação de serviço hospitalar) concernem, em nosso entendimento em problemas documentais da empresa. Na documentação do processo, há indicação que os pagamentos pelo contribuinte ao plano de saúde foram efetuados, apesar da existência de problemas nos documentos. Considerando que a empresa é prestadora de planos de saúde, existe indicação dos pagamentos, não foi demonstrado que o contribuinte agiu de maneira inidônea, entendemos que essa despesa médica deve ser restabelecida, e não há, portanto, aplicação de multa. Em relação aos documentos de Ernesto Bernardo Michel (R$ 7.500,00, tratamos no acórdão, assim: Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10980.010283/200669 Acórdão n.º 2001000.689 S2C0T1 Fl. 4 5 No caso dos recibos de R$ 7.500,00 de dentista a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, não foi acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. O lançamento limitouse a indicar a falta de carimbo do profissional, problema documental que pode ser contornado, do ponto de vista da prova, por inúmeras maneiras, sendo que nos recibos acostados no processo já consta tal carimbo. Adicionese ao acórdão embargado, aos fundamentos do voto, os comentários feitos. Conclusão Em face do exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração, sanando os vícios apontados no acórdão, indicando claramente o alcance do litígio, e reitero o voto por dar provimento ao recurso voluntário, aceitando as despesas médicas indicadas. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720390/2013-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO RECALCULADA PARA INCIDIR SOBRE O MONTANTE DE DÉBITO NÃO COMPENSADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE
Em face da alteração dada pela Lei nº 13.097, de 2015, ao § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, reduz-se a multa isolada ao montante do débito não compensado, aplicando-se ao caso a retroatividade benigna prevista na alínea "c" do artigo 106 do CTN.
Numero da decisão: 1301-003.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa isolada ao montante do débito não compensado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2010 MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO RECALCULADA PARA INCIDIR SOBRE O MONTANTE DE DÉBITO NÃO COMPENSADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE Em face da alteração dada pela Lei nº 13.097, de 2015, ao § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, reduz-se a multa isolada ao montante do débito não compensado, aplicando-se ao caso a retroatividade benigna prevista na alínea "c" do artigo 106 do CTN.
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BASE DE CÁLCULO RECALCULADA PARA INCIDIR SOBRE O MONTANTE DE DÉBITO NÃO COMPENSADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE Em face da alteração dada pela Lei nº 13.097, de 2015, ao § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, reduzse a multa isolada ao montante do débito não compensado, aplicandose ao caso a retroatividade benigna prevista na alínea "c" do artigo 106 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa isolada ao montante do débito não compensado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 03 90 /2 01 3- 59 Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10805.720390/201359 Acórdão n.º 1301003.289 S1C3T1 Fl. 617 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão nº 12061.935, proferido pela 15ª Turma da DRJ/RJ1, na sessão de 06 de dezembro de 2013, que, ao apreciar a impugnação apresentada, entendeu: a) por maioria de votos, ACOLHER o pedido de juntada do presente processo ao de nº 10805.722742/201290; e b) por unanimidade de votos, JULGAR PROCEDENTE o lançamento da multa isolada, no valor de R$ 3.674.573,34 (três milhões, seiscentos e setenta e quatro mil, quinhentos e setenta e três reais e trinta e quatro centavos). Inferese dos autos que o presente auto de infração foi lavrado com o escopo de exigir multa isolada de 50% (cinqüenta por cento), no valor de R$ 3.674.573,34, em razão do resultado da apreciação do processo administrativo nº 10805.722742/201220, que resultou na homologação parcial da declaração de compensação e na não homologação de outras apresentadas naquele processo, tendose por base legal o artigo 74, §17º da Lei nº 9.430/96 (introduzido pelo artigo 62 da Lei nº 12.249/2010 c/c artigo 139, inciso I, alínea "d", da mesma Lei nº 12.249/2010). Irresignado, o contribuinte apresentou sua impugnação, que foi apreciada pela 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, que, por unanimidade de votos, decidiu pela procedência do lançamento. O referido julgado restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 PROCESSOS FORMALIZADOS COM BASE NO MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. JUNTADA. Os processos formalizados com base nos mesmos elementos de prova deverão ser juntados, a fim de que sejam apreciados em conjunto. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE ISOLADA. PROCEDÊNCIA. É cabível a imposição de multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada (§ 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, incluído pela Lei nº 12.249/2010). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10805.720390/201359 Acórdão n.º 1301003.289 S1C3T1 Fl. 618 3 Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de representante legal, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. Em uma primeira apreciação, este colegiado, mediante Resolução nº 1301 000.301, resolveu converter o julgamento em diligência, para que este feito foi apensado ao processo administrativo nº 10805.722742/201220, para fins de julgamento conjunto após concluída a diligência nele requisitada. Após, colocado novamente em pauta, nos termos da Resolução nº 1301 000.421, resolveuse novamente converter o julgamento em diligência, para que este processo fosse sobrestado e aguardasse o julgamento definitivo daquele outro, por existir relação de prejudicialidade entre as matérias discutidas nos processos. Encerrada a discussão nos autos do processo administrativo nº 10805.722742/201220, o presente processo foi remetido a este Relator, para continuação do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Análise do Recurso Voluntário Tratase de Auto de Infração lavrado com o escopo de exigir multa isolada de 50%, no valor de R$ 3.674.573,34, com base no disposto no artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96 (introduzido pelo artigo 62 da Lei nº 12.249/2010), em decorrência das declarações de compensações homologadas ou parcialmente homologadas, todas transmitidas em novembro de 2011, apreciadas no bojo do processo administrativo nº 10805.722742/201220. De acordo com aquele processo (proc. nº 10805.722742/201220), o contribuinte solicitou o PER, cujo crédito de R$ 13.966.503,15 se refere a um suposto saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2010, sendo o referido crédito objeto de compensações em diversas Dcomps. Por meio de despacho decisório ocorrido no bojo daquele processo, o crédito foi reconhecido em parte, no montante de R$7.277.221,50, valor este que serviu de base para o lançamento tributário (multa isolada) deste processo ( nº 10805.720390/201359). Na seqüência e após ter sido julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, em decisão final, este colegiado, ao apreciar o recurso voluntário interposto, deulhe parcial provimento para reconhecer um crédito adicional de R$ 1.226.781,65. Por sua vez, no presente processo, o contribuinte renova suas alegações, já apresentadas naquele processo, de que as compensações realizadas possuem amplo lastro e Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10805.720390/201359 Acórdão n.º 1301003.289 S1C3T1 Fl. 619 4 materialidade, defendendo o acerto na composição do saldo negativo apurado no ano calendário de 2010. Pois bem. Em que pese as considerações do contribuinte sobre o mérito do direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2010, não há como se adentrar nessa discussão, por haver decisão definitiva na esfera administrativa (proc. nº 10805.722742/201220), que reconheceu parcialmente o crédito apresentado. Com efeito, naqueles autos, realizouse duas diligências para apuração da liquidez e certeza do crédito pretendido, acolhendo, inclusive, pleito do contribuinte que sustentou que parcela dos rendimentos submetida à incidência do imposto de renda na fonte em 2010 dizia respeito a aplicações financeiras iniciadas em anos anteriores, reconhecendo parcialmente o direito creditório apresentado. Quanto à aplicação da multa isolada, objeto do presente processo, observase que a fiscalização fundamentou sua exigência no artigo 74, §17º, da Lei nº 9.430/1996, introduzido pelo artigo 62 da Lei nº 12.249/2010. É de se ver a redação, em sua versão original: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013.) (...). § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010. (...) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010). (....). Da leitura dos dispositivos transcritos acima, vigente à época, extraise que a base de cálculo da multa isolada por compensação não homologada é o valor do crédito indevido, e a conduta sancionada é a simples apresentação da Dcomp, cujos débitos totais ou parciais não foram homologados. Tratase, portanto, de multa sancionadora de conduta que prescinde da existência do dolo do infrator. Portanto, de acordo com a norma jurídica acima, mesmo nos casos de mera divergência de entendimento entre o contribuinte e o Fisco sobre a existência ou o valor do crédito de compensação, sem qualquer suspeita de falsidade na declaração do contribuinte, haverá a aplicação da multa isolada de 50% sobre o valor do crédito indeferido ou indevido. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10805.720390/201359 Acórdão n.º 1301003.289 S1C3T1 Fl. 620 5 Com efeito, a aludida penalidade pecuniária tem como fato gerador o ato de promover a compensação posteriormente não homologada, ou seja, considerase ocorrido o fato gerador da multa isolada na data de apresentação da Declaração de Compensação, pois neste momento houve a transgressão de norma previamente estabelecida, a qual exige o aproveitamento de crédito líquido e certo, passível de restituição. Quanto à base de cálculo para lançamento da multa isolada, no momento do lançamento, como visto, a redação original previa que o cálculo da multa isolada seria efetuado no percentual de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. Essa redação foi alterada pela Lei nº 13.097, de 2015, que deu nova redação ao aludido parágrafo, passando a prevê a aplicação da multa sobre o débito objeto de declaração não homologada. § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) Essa modificação altera a exigência constante do presente lançamento, pois, a Fiscalização considerou no auto de infração o valor do crédito registrado nos pedidos de compensação, o difere do valor dos débitos efetivamente compensados, em decorrência do provimento parcial dado ao recurso voluntário por este colegiado nos autos do processo nº 10805.722742/201220 . Isso porque, deve ser aplicada ao caso o que se convencionou chamar de retroatividade benigna, prevista na alínea "c" do artigo 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulenta e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, de acordo com esta norma jurídica, a superveniência de penalidade menos severa, resulta em sua aplicação em detrimento da lei vigente ao tempo da sua prática, impondose a redução da multa isolada aplicada, para ser recalculada sobre o débito não homologado. Conclusão Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10805.720390/201359 Acórdão n.º 1301003.289 S1C3T1 Fl. 621 6 Com esses fundamentos, considerando que o valor do crédito adicional reconhecido foi no valor de R$ 1.226.781,65, a multa isolada deve ser reduzida de acordo o débito não compensado após a devida atualização do crédito adicional reconhecido. Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reduzindo o valor da multa isolada aplicada, para que seja recalculada sobre o débito não homologado. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 621DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722023/2014-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
PRESTADORAS DE SERVIÇOS. SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADOS EMPREGADOS. PROVA. AUSÊNCIA.
Para a caracterização do sócio de empresa prestadora de serviços como vinculado à tomadora na categoria de segurado empregado é necessária a comprovação fática da pessoalidade, não-eventualidade, onerosidade e subordinação jurídica. Não demonstrados os requisitos exigidos para o segurado empregado, resulta improcedente o lançamento na matéria.
Numero da decisão: 2202-004.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PRESTADORAS DE SERVIÇOS. SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADOS EMPREGADOS. PROVA. AUSÊNCIA. Para a caracterização do sócio de empresa prestadora de serviços como vinculado à tomadora na categoria de segurado empregado é necessária a comprovação fática da pessoalidade, não-eventualidade, onerosidade e subordinação jurídica. Não demonstrados os requisitos exigidos para o segurado empregado, resulta improcedente o lançamento na matéria.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADOS EMPREGADOS. PROVA. AUSÊNCIA. Para a caracterização do sócio de empresa prestadora de serviços como vinculado à tomadora na categoria de segurado empregado é necessária a comprovação fática da pessoalidade, nãoeventualidade, onerosidade e subordinação jurídica. Não demonstrados os requisitos exigidos para o segurado empregado, resulta improcedente o lançamento na matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 20 23 /2 01 4- 35 Fl. 1515DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, (RJ) (fls. 1453/1457): O presente processo versa sobre Autos de Infração nos quais são exigidas contribuições previdenciárias previstas no art. 22, incisos I, II , “c” e III da Lei n° 8.212, de 24/07/91, com as alterações das Leis 9.732/98 e 9.876/99 (DEBCAD 51.001.5271 e 51.001.5298), bem como contribuições destinadas às Entidades e Fundos Paraestatais (DEBCAD 51.001.5280, FNDE, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT). 2. Em seu relatório (fls. 596/602), o Autuante informa que as contribuições apuradas incidem sobre remunerações pagas a segurados caracterizados como empregados, mediante notas fiscais de prestação de serviços, emitidas por pessoas jurídicas, as quais foram consideradas intermediárias na relação contratual entre a autuada e tais pessoas físicas que lhes prestaram serviços. Fundamentou no que preceitua a Lei n° 8.212/91 art. 12, inciso I, alínea "a". 3. Esclarece o Auditor que no exame da escrituração contábil foram constatados pagamentos de remuneração a diversas pessoas físicas, por meio de interpostas pessoas jurídicas, escriturados nas contas SERVIÇOS PREST. DE GERENCIAMENTO e SERVIÇOS PREST. DE CONSULTORIA – PJ, conforme discriminado no ANEXO I – Levantamento CV (coluna F – LEV). Detalha o autuante Em que pese referidos pagamentos de remuneração terem sido escriturados e declarados como pagos a pessoa jurídica, ficou evidenciado que os serviços foram prestados de forma não eventual e pessoal, mediante subordinação e remuneração: 4.1.1.1.Os contratos celebrados entre as partes estabelecem que os serviços serão prestados pelo sócio da empresa contratada, ora chamado de executivo designado. 4.1.1.2.Os Contratos de Prestação de Serviços apresentados possuem cláusula específica, determinando que os serviços serão prestados nos estabelecimentos do sujeito passivo, conforme as diretrizes emanadas dos Sócios e da Diretoria Geral da contratante, ou seja, mediante subordinação. 4.1.1.3. Ademais, na contabilidade do sujeito passivo observamse lançamentos relativos a pagamentos de “Adiantamentos de Despesas de Viagem”, gastos com “Viagens e Estadias” e “Seguro de Vida em Grupo” para diversos segurados citados. 4.1.1.4.Com base nas informações constantes dos sistemas informatizados da RFB, especialmente na Declaração de informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, constatamos que o sujeito passivo foi a única fonte de receita Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 13603.722023/201435 Acórdão n.º 2202004.723 S2C2T2 Fl. 516 3 das empresas contratadas, configurando a dependência econômica dos prestadores de serviços. 4.1.1.5.Em outra análise, nas GFIP‘s constantes dos sistemas informatizados da RFB não foram confirmados vínculos empregatícios nas empresas contratadas, o que evidencia que os sócios mencionados nos contratos prestaram, pessoalmente, os serviços contratados. 4.1.2. Com efeito, caracterizado o vínculo empregatício de acordo com o artigo 3° da Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT, o fisco reputou devidas as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos trabalhadores considerados empregados, tendo como base de cálculo os aportes efetuados por intermédio de “interposta pessoa jurídica” (pejotização). 4. Relata que em face da escrituração contábil (Levantamento CI), foram caracterizados como base de cálculo os pagamentos efetuados a título de “seguro de vida pessoal”, em benefício de diretores, conselheiros e dependentes. Referemse aos pagamentos efetuados para TOKIO MARINE SEGURADORA, MONGERAL S/A SEGUROS E PREVIDÊNCIA e SUL AMÉRICA SEGUROS DE VIDA E PREVIDÊNCIA. 5. O lançamento foi sistematizado nos seguintes Levantamentos: Levantamento CE – CONTRIBUIÇÃO SEG EMPREGADOS, desmembrado dos Levantamentos FE e CV apuração de contribuições devidas pelos segurados empregados, em todo o período de apuração. Levantamento CI – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, utilizado para apuração dos valores pagos a contribuintes individuais, em função de premiação aos vencedores das Copas de Hipismo, nos meses de abril e outubro de 2011, e dos valores de seguro de vida pessoal pagos para diretores, conselheiros e suas esposas, em todo o período de apuração. Levantamento CV – CARACTERIZAÇÃO DE VINCULO, relativo às bases de cálculo de segurados considerados empregados pela auditoria, em todo o período de apuração. Levantamento FC – FOLHA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, referente às diferenças de base de cálculo de contribuintes individuais (administradores e autônomos), reconhecidas pelo sujeito passivo em folha de pagamento, mas que não foram corretamente declaradas na GFIP, no período de 01/2010, 03/2010 a 12/2010, 02/2011, 04/2011, 05/2011, 08/2011 e 12/2011. Levantamento FE – FOLHA EMPREGADOS, contém as bases de cálculo de segurados empregados, não reconhecidas pelo sujeito passivo em folha de pagamento e não declaradas na GFIP, em todo o período apuração. Fl. 1517DF CARF MF 4 Levantamento TR – FOLHA TRANSPORTADOR ROD AUTÔNOMO contém as diferenças de base de cálculo de contribuintes individuais (transportadores rodoviários autônomos) reconhecidas pelo sujeito passivo em folha de pagamento, mas que não foram corretamente declaradas na GFIP, no período de 02/2010, 07/2010 e 09/2010. Da impugnação 6. Cientificada do lançamento em 16/09/2014, a autuada apresentou sua impugnação em 15/10/2014 e 16/10/2014, através dos instrumentos de fls. 1.309/1.413, aduzindo, em síntese, o seguinte: 6.1. Informa que os levantamentos FE (Folha de Empregados) e CI (contribuinte individual) não foram impugnados, bem como que traz impugnação parcial aos levantamentos FC e TR. "realmente, houve diferença entre a folha e a declaração na GFIP, resultando no recolhimento a menor das contribuições, no que tange aos seguintes autônomos: Murilo Chaves Vilela, Otilio da Rocha, Airto Quintino de Oliveira, José Ivo dos Santos, Hei ias Cardoso Leal e José Genecelio dos Santos Reis, em fev/2010, Vanda Lúcia Maria de Oliveira, em Jun/2010, Fábio Teixeira da Mota, em jul/2010, Marcelo Rosa e Darcival Paimerim, em set/2010, Marcelo Rosa e Giovani Sousa Santos, em noy/2010, e Rodrigo Frattari, em abr/11. " Porém, quanto aos demais contribuintes individuais indicados no Anexo II, referentes aos Levantamentos FC e TR, demonstrarseá a regularidade do recolhimento dos tributos. 6.2. Quanto aos levantamentos FC Folha Contribuinte Individual, alega: No caso dos administradores Marcelo Alves Martins, Márcio Alves Martins, José Alves Martins Filho e Mauro Alves Martins, na competência de agosto de 2010, por equívoco, as remunerações a eles pagas não foram incluídas na GFIP. Porém, como demonstram os anexos extratos de folha de pagamento (Does. 3.1.3) e GPSs referentes à agosto de 2010 (does. 3.1.4), a despeito de não terem sido declarados em GFIP, a Impugnante efetuou regularmente a contribuição previdenciária devida. 6.3. Em relação ao Levantamento CV (Caracterização de vínculo), aduz a nulidade do auto de infração por entender ter havido violação direta ao disposto no art. 114 da Constituição Federal e afronta ao art. 129 da Lei nº 11.196/05. 6.4. Afirma que "jamais poderia decidir pela existência ou não de vínculo de emprego, bem como sobre a desconstituição do contrato de prestação de serviços, das pessoas listadas no respectivo auto e, consequentemente, exigir o recolhimento de verbas típicas da relação de emprego. Ainda mais sem ouvir e entrevistar tais pessoas.” Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 13603.722023/201435 Acórdão n.º 2202004.723 S2C2T2 Fl. 517 5 \(...) Importante ressaltar, ainda, que o auto de infração que caracterizou o vínculo empregatício foi lavrado com base em presunções que, consoante será detalhado adiante, nada se assemelham à licitude das contratações efetuadas pela empresa autuada. (...) 6.5. Destaca que os serviços prestados pelas pessoas jurídicas cujos contratos foram desconsiderados pela i. Auditora foram, todos, de consultoria. Descreve os objetos de alguns dos contratos. 6.6. Defende que, como consequência do princípio da liberdade de iniciativa, têm as empresas o direito constitucionalmente garantido de se organizarem da forma que melhor atenda às suas necessidades. 6.7. Ressalta que o conteúdo do contrato não basta para se negar um vínculo de emprego, mas, por outro lado, o reconhecimento desse mesmo vínculo de emprego depende do exame detalhado de todas as circunstâncias, para averiguar se estão presentes os requisitos essenciais. “A verificação física mencionada no relatório da fiscalização do auto de infração não englobou entrevista com qualquer dos prestadores. Aliás, vários destes prestam serviços em outras cidades. Os objetos dos contratos são diferentes uns dos outros. Assim, podese afirmar categoricamente que NÃO houve análise da presença dos requisitos da relação de emprego dos 36 profissionais. (...) Da leitura do trecho acima, vêse que a fiscalização se ateve à menção de trechos dos contratos de prestação de serviço como se fossem provas cabais da existência da relação de emprego entre a Impugnante e os prestadores. (...) O citado trecho, supostamente presente em todos os contratos, dizendo que "os serviços serão prestados nos estabelecimentos do sujeito passivo, conforme as diretrizes emanadas dos Sócios e da Diretoria Geral da contratante", que caracterizaria, em tese, a subordinação, está presente em apenas 12 (doze) dos 36 (trinta e seis) contratos que foram desconsiderados pela fiscalização 6.8. Cita doutrina e Jurisprudência para concluir que, das pessoas listadas no auto, jamais existiu relação jurídica de emprego com a Impugnante. Ao contrário, houve contrato de Fl. 1519DF CARF MF 6 prestação de serviços, de contornos diversos daqueles descritos pela legislação trabalhista. Discorre: “Se isso não bastasse, ressaltese, ainda, que referidos prestadores listados não tinham horário, não se sujeitavam a controle, e dirigiam, com critérios próprios, o seu trabalho, assumindo os riscos de seu empreendimento. (...) Quanto à pessoalidade, os serviços de consultoria são, em geral, personalíssimos, posto que serviços intelectuais e especializados. Do mesmo modo, os serviços são, obviamente, remunerados. Tais características não maculam a relação contratual tida entre as partes. E o mais importante: ausente, ainda, o requisito fundamental que caracteriza a relação de emprego, qual seja, a subordinação jurídica. Ora, no caso da autuada, em momento algum esteve presente o requisito subordinação jurídica. Na maioria dos contratos 24 deles , não há qualquer menção sobre o modo como seriam prestados os serviços. E, mesmo naqueles 12 (doze) em que o contrato menciona que os serviços serão prestados sob as diretrizes emanadas dos Sócios e da Diretoria Geral da Contratante, não há subordinação. (...) Não se trata de simples fuga do Direito do Trabalho e de seus custos, mas de estratégias de inovação nesse setor de alto nível de qualificação (...) 6.9. Ressalta que as prestadoras suportam todos os ônus inerentes à atividade empresarial, assumindo também o risco das atividades que exercem. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ) julgou parcialmente procedente a impugnação em decisão cuja a ementa é a seguinte (fls. 1451): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PRESTADORAS DE SERVIÇOS. SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADOS EMPREGADOS. PROVA. AUSÊNCIA. Para a caracterização do sócio de empresa prestadora de serviços como vinculado à tomadora na categoria de segurado empregado é necessária a comprovação fática da pessoalidade, nãoeventualidade, onerosidade e subordinação jurídica. Não demonstrados os requisitos exigidos para o segurado empregado, resulta improcedente o lançamento na matéria. Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 13603.722023/201435 Acórdão n.º 2202004.723 S2C2T2 Fl. 518 7 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECLARAÇÃO EM GFIP. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PERDA DA ESPONTANEIDADE. A declaração em GFIP identifica o pagamento. Constatado o inadimplemento, total ou parcial, de contribuições incidentes sobre as remunerações creditadas a segurados contribuintes individuais, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil efetuar o lançamento do crédito tributário correspondente. A alegação de pagamento sem declaração que o identifique, depois de iniciado o procedimento fiscal, não afasta o lançamento de ofício dos valores devidos, em função da perda da espontaneidade (artigo 138 do CTN). Cientificado da decisão acima, o contribuinte não apresentou recurso voluntário, ficando a lide restrita, portanto, ao recurso de ofício apresentado pela DRJ. É o Relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Tratase de recurso de ofício em face da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ) que considerou não comprovada a ocorrência da denominada pejotização em razão dos seguintes fundamentos: 9.4. Entretanto, a Impugnante, acertadamente, aponta a ausência de demonstração de cada um dos elementos da relação de emprego, fato que inquina o lançamento neste ponto meritório. (...) 9.6. Como elementos probatórios, a autoridade lançadora juntou, por amostragem, cópias de contratos de prestação de serviços celebrados entre as prestadoras e o Autuado. 9.7. Do exame dos itens acima descritos, e não há outros fundamentos no relatório fiscal, e do que consta dos autos, entendo não comprovado que os sócios das empresas prestadoras de serviços caracterizamse como segurados empregados, diante da escassez fática de demonstração dos requisitos da relação empregatícia, notadamente da subordinação jurídica, como se passa a expor. 9.8. Nos itens 4.1.1.2 e 4.1.1.3 do relatório fiscal, a Fiscalização apontou cláusulas que estão constantes em 1/3 Fl. 1521DF CARF MF 8 apenas dos Contratos de Prestação de Serviços (12 de 36 contratos), as quais determinam que os serviços seriam prestados nos estabelecimentos do sujeito passivo, conforme as diretrizes emanadas dos Sócios e da Diretoria Geral da contratante. Depreendeu desta única afirmativa que estaria presente a subordinação, sem juntar ao feito quaisquer elementos que demonstrassem que o segurado comprometer seia a acolher o poder de direção no modo de sua prestação de serviços. 9.9. Outrossim, a contabilidade do sujeito passsivo contendo lançamentos relativos a pagamentos de “Adiantamentos de Despesas de Viagem”, gastos com “Viagens e Estadias” e “Seguro de Vida em Grupo” para os diversos titulares “pejotizados” não indicam que os serviços prestados pelos mesmos são executados de modo subordinado ao tomador de serviços. Poderiam indicar, se fosse o caso dos autos, remuneração indireta a segurados caracterizados como Contribuintes Individuais 9.11. Na situação dos Autos, o Autuante não descreveu as atividades dos segurados envolvidos no objeto do lançamento ou sequer segmentou os segurados por feixes de indícios convergentes acerca dos quais se identificariam os fatos geradores das contribuições exigidas. Tal fato inquina não somente a demonstração da subordinação porventura existente, mas também a natureza dos serviços prestados no sentido de haver eventualidade ou não, de acordo com a proporção das inserções dos trabalhadores nas atividades fim da empresa tomadora de serviços. 9.13. Apenas para ilustrar, dentre os defensores da idéia ampliativa do conceito de subordinação, Maurício Godinho Delgado propõe que o ponto de identificação da subordinação seja “a inserção estrutural do obreiro na dinâmica do tomador de serviços”. Nas palavras do ilustre jurista e Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, “estrutural é, pois, a subordinação que se manifesta pela inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de seus serviços, independentemente de receber (ou não) suas ordens diretas, mas acolhendo, estruturalmente, sua dinâmica de organização e funcionamento”. 9.14. Não trazendo ao feito relato de fatos e provas das circunstâncias que levaram às afirmações de que o agir das contratadas apontadas se automatizava à dinâmica organizacional e funcional da empresa contratante, bem como os demais préstimos da relação de emprego, a autoridade lançadora deixou de captar motivo para o lançamento, não restando caracterizado o labor de segurado empregado nos moldes do art. 12, inc. I, alínea “a” da Lei nº 8.212/91. 9.15. Por tais considerações, sou pela improcedência do levantamento denominado CV e de seus reflexos no levantamento CE (CONTRIBUIÇÃO SEG EMPREGADOS). Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 13603.722023/201435 Acórdão n.º 2202004.723 S2C2T2 Fl. 519 9 Correta a decisão da DRJ. Nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional compete a autoridade administração a demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária cujo ônus, como visto, não se desincumbiu a autoridade lançadora. Em face do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 1523DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.949412/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE.
O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1837; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.949412/200809 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.444 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente BRACOL HOLDING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 94 12 /2 00 8- 09 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.949412/200809 Acórdão n.º 3402005.444 S3C4T2 Fl. 3 2 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de análise de PER/DCOMP apresentado pela interessada, através da qual requer o ressarcimento de crédito de IPI. A autoridade administrativa prolatou Despacho Decisório eletrônico, por meio do qual indeferiu o pedido de ressarcimento apresentado no PER/DCOMP, com a seguinte fundamentação: Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma da decisão, pelas seguintes razões, em síntese: · Preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por ter sido emitido por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e não pela autoridade competente prevista no art. 43 da IN SRF no 600/2005; · nulidade do despacho decisório pela falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.949412/200809 Acórdão n.º 3402005.444 S3C4T2 Fl. 4 3 · nulidade do despacho decisório pela inexistência de motivação demonstrando as razões do indeferimento do pedido, resultando em cerceamento do direito de defesa. · No mérito, alega possuir o direito ao ressarcimento; · requer a correção do ressarcimento pela SELIC; · requer a realização de perícia e diligência, informando que não juntou os documentos comprobatórios do direito creditório por serem em grande quantidade. Por meio do acórdão nº 14035.083,a DRJ em Ribeirão Preto não acolheu as razões de defesa da manifestante, e manteve o Despacho Decisório da DERAT/SP. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando as alegações de sua manifestação de inconformidade, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida pelo indeferimento do pedido de perícia e diligência e pela falta de apreciação de relevante questão; (ii) incompetência do AFRFB; (iii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; (iv) inexistência de motivação; (v) cerceamento do direito de defesa. No mérito, alega (vi) o seu direito ao ressarcimento; e (vii) a correção pela SELIC. Requer (viii) a realização de diligência e perícia. Requer o acolhimento e provimento do recurso, para reconhecimento do direito creditório pleiteado; subsidiariamente, requer o cancelamento do Despacho Decisório e a emissão de nova decisão; cancelamento do Acórdão recorrido por ter negado seu direito à realização de perícia e diligência; e reconhecimento da incidência da Taxa SELIC sobre o valor dos créditos do IPI pleiteados, bem como a homologação das compensações realizadas até o montante do crédito cujo ressarcimento for reconhecido administrativamente. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.440 de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.933860/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.440): Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.949412/200809 Acórdão n.º 3402005.444 S3C4T2 Fl. 5 4 "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Em sede de preliminar a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida e do Despacho Decisório. Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente alega nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, baseada em dois argumentos: (i) indeferimento dos pedidos de perícia e diligência formulados; e (ii) não apreciação de parte dos argumentos de defesa. Referente ao primeiro argumento, a recorrente alegou que a negativa de seu pedido de perícia e diligência formulado na impugnação cerceou seu direito de defesa, especialmente pela quantidade de documentos envolvidos que inviabilizou a anexação dos mesmos nos autos. Alega que tais documentos dariam suporte documental para o reconhecimento de seu direito creditório. A turma julgadora a quo entendeu que não se encontrava presente as condições para o deferimento dos pedidos de diligência e produção pericial formulados, com fundamento nos artigos 18 e 28 do Decreto 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93) Perfeitamente fundamentada a decisão, não há que se considerar qualquer nulidade na decisão. O julgador a quo entendeu que seria desnecessária a perícia solicitada pela impugnante, por entendêla Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.949412/200809 Acórdão n.º 3402005.444 S3C4T2 Fl. 6 5 dispensável para o deslinde do julgamento. Recordese que a realização de perícia somente se justifica se a análise do acervo probatório exige conhecimento técnico especializado. E essa condição, inequivocamente, não se vislumbra no caso em tela, uma vez que as provas necessárias à comprovação do direito creditório pleiteado cingemse a documentos fiscais e contábeis, cuja análise prescinde do parecer de especialista. Quanto ao segundo argumento, de nulidade da decisão pela falta de apreciação de questões levantadas na Manifestação de Inconformidade (item II.1.1 A Incompetência do AFRFB e item II.1.3 A Inexistente Motivação), também não assiste razão à recorrente. Consta expressamente do voto condutor do acórdão recorrido, no subtítulo “preliminares” a expressa manifestação da turma julgadora sobre a autoridade competente para a assinatura do Despacho Decisório e sobre a motivação para a glosa do crédito, conforme constatase pela simples leitura dos seguintes excertos da decisão: “A manifestante requer a nulidade do despacho decisório que indeferiu totalmente o pedido, alegando cerceamento do direito de defesa, pois não haveria a motivação para a glosa dos créditos. Improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária. [...] Também não procede a alegação de que o Despacho Decisório é nulo porque não foi assinado por autoridade competente. Como se verifica à fl. 40, o Despacho foi assinado pelo titular da DERAT/São Paulo. O que confundiu a manifestante é que os cargos de Delegado são ocupados por auditores da Receita Federal. Assim, além de auditor, o signatário do Despacho é também o titular da DERAT.” Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade da decisão recorrida. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A recorrente alega nulidade do Despacho Decisório com base em dois argumentos: (i) incompetência do AFRFB; (ii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; e (iii) inexistência de motivação e cerceamento do direito de defesa. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.949412/200809 Acórdão n.º 3402005.444 S3C4T2 Fl. 7 6 Quanto ao primeiro argumento, de incompetência do AFRFB, a recorrente demonstra seu total desconhecimento da estrutura funcional da Secretaria da Receita Federal do Brasil, visto que a autoridade administrativa titular da unidade (DERAT/SP) é um AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e, por isso, consta tal cargo no Despacho Decisório emitido pela unidade. Ou seja, o documento foi assinado pela autoridade competente (Delegado da DERAT), cujo cargo era AFRFB. A recorrente alega também a nulidade pela falta de intimação para sua manifestação sobre o fim da instrução, fato que teria descumprida uma formalidade essencial prevista no artigo 44 da Lei n° 9.784/99, verbis: Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente, visto que a norma específica que rege o Processo Administrativo Fiscal é o Decreto 70.235/72, aplicandose apenas subsidiariamente as regras da Lei n° 9.784/99. No caso em questão, inexiste tal determinação no PAF, que dispõe sobre a intimação em seu artigo 23, e sobre o prazo para a impugnação em seu artigo 15. Quanto à alegação de nulidade do Despacho Decisório pela inexistência de motivação, a decisão a quo já destacou sua total improcedência, e nenhuma outra razão foi trazida à lide. Expressamente o Despacho Decisório informa o fundamento da negativa do direito creditório pleiteado: “Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP”. Também foi trazido aos autos pela autoridade fiscal o "Demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento", detalhando como ocorreu a utilização do saldo credor do trimestre no abatimento de débitos em períodos subsequentes. Dessa forma, nenhum vício de motivação ou mesmo qualquer cerceamento de direito de defesa pode ser imputado ao Despacho Decisório, que trouxe as informações necessárias para o pleno conhecimento das razões do fisco no indeferimento do pleito. Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade do Despacho Decisório. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.949412/200809 Acórdão n.º 3402005.444 S3C4T2 Fl. 8 7 Mérito No mérito, a recorrente alega seu direito ao ressarcimento do crédito do IPI pleiteado no Pedido de Ressarcimento e a devida correção pela SELIC. Entretanto, não apresenta nenhuma prova de seu direito. Conforme já exposto, a glosa ocorreu pela constatação de utilização integral saldo credor passível de ressarcimento entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior à data de transmissão da PER/DCOMP, conforme demonstrativo de apuração emitido juntamente com o Despacho Decisório. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido, que traz a apreciação do julgador acerca da questão, fundamentos que adoto no presente voto: “A verificação eletrônica da legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte consiste no cálculo do saldo credor de IPI passível de ressarcimento apurado ao fim do trimestre calendário a que se refere o pedido. Outra verificação consiste em analisar se esse saldo se mantem na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP. Constatada a utilização integral ou parcial do saldo credor existente no final do trimestre, glosase a diferença encontrada. O fundamento para tal procedimento está baseado no sistema de apuração e utilização dos créditos do imposto, em conformidade com o artigo 195, do RIPI/2002: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, §3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). §1º. Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no §2º. (Lei n°5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei n°9779, de 1999, art. 11). §2º. O saldo credor de que trata o §1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.949412/200809 Acórdão n.º 3402005.444 S3C4T2 Fl. 9 8 MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei n2 9.779, de 1999, art. 11). Certo é que o saldo credor de IPI apurado em um determinado trimestre e utilizado para abatimento de débitos de trimestres posteriores exaurese e, por conseguinte, não pode ser ressarcido. Caso contrário, a contribuinte deveria recolher aqueles débitos que foram compensados com referidos créditos. Conforme se verifica no "DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO" (fls. 09/10), a totalidade do saldo credor existente no final do trimestre em referência, e que foi objeto do presente PER/DCOMP, foi consumido no abatimento de débitos e não poderia ser incluído no pedido de ressarcimento, estando corretos a glosa e o indeferimento realizados pela delegacia de origem.” Não foi trazido aos autos nenhum elemento que poderia modificar a decisão, que permanece válida em todos os seus fundamentos. Quanto ao direito à correção dos créditos pela SELIC, nada há que ser decidido pela inexistência de qualquer direito creditório passível de ser ressarcido e corrigido. Dessa forma, rejeitase as alegações da recorrente, também no mérito. Por fim, rejeitase também os pedidos de perícia e diligência apresentados na peça recursal, cujas razões foram as mesmas suscitadas na fase processual anterior e já rechaçada pela DRJ, sob o fundamento que seria desnecessária e dispensável para o deslinde do julgamento. Destacase o disposto no artigo 29 do PAF, que dispõe que as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias. Entretanto, destacase que a recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.949412/200809 Acórdão n.º 3402005.444 S3C4T2 Fl. 10 9 determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Não procede qualquer alegação que poderia justificar a total ausência de provas por parte daquele que requer o direito, mesmo aquela que aponta a quantidade de documentos envolvidos que inviabilizaria sua anexação aos autos. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Portanto, indeferese os pedidos de diligência e perícia, rejeitase os pedidos de cancelamento do Despacho Decisório e do acórdão recorrido, pelas razões acima expostas Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 121DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.000063/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. 1 Relatório. Trata o processo de autos de infração, de págs. 3/26, que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, relativamente aos fatos geradores de 31/03/2004, 30/006/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/006/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, no regime de lucro arbitrado; foi aplicada a multa de ofício de 150%; os fatos estão narrados no relatório de Descrição do Fatos, págs. 27/112. 2. Impugnados às págs. 945/1.003, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO, emitiu Resolução de págs. 4.532/4.535, para, haja vista identificação de retenções na fonte de IRRF, CSLL, PIS e Cofins, em Declaração de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 88 .0 00 06 3/ 20 09 -5 5 Fl. 9162DF CARF MF Processo nº 18088.000063/200955 Resolução nº 1201000.611 S1C2T1 Fl. 3 2 Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF entregues por fontes pagadoras, e as cópias de Notas Fiscais, discriminando retenções na fonte entregues na impugnação, págs. 1.131/4.460, a fim de identificar tais retenções, relativas a essas Notas Fiscais; a diligência resultou na Informação Fiscal de pág. 4.745/1.747, que subsidiou o Acórdão nº 1434.365 da DRJ/RPO, de 28/06/2011, págs. 4.748/4.761, que deu parcial provimento; às págs. 4.770/4.776 consta relatório de Informação Fiscal, detalha os valores cancelados e os mantidos. 3. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo Recurso Voluntário, págs. 4.789/4.840, em 13/08/2012; posteriormente, em 12/11/2013, Razões Aditivas, págs. 4.853/4.884; e ainda em 29/09/2014, Memorial de Razões Finais, com arquivos não pagináveis de cópias notas fiscais que constam dos processos, nºs 10886.000050/200986 e 10886.000051/200921, relativos a autos de infração de contribuição para o Programa de Integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, respectivamente, informando que foram autuados na mesma ação fiscal e que ao impugnar aqueles processos, também juntou a cada um deles, outras Notas Fiscais com retenções na fonte, mas que não constaram do presente processo; e requer que se considerem tais retenções. 4. Foi proferido o Acórdão nº 1202001.204, em 25/09/2014, por esta Turma do CARF, págs. 4.913/4.933, que decidiu: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR o pedido de acolhimento de razões aditivas por encontraremse preclusas, em INDEFERIR as preliminares de nulidade suscitadas, e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. 5. O contribuinte apresentou Embargos de Declaração, admitidos, porém rejeitados no Acórdão proferido por esta Turma do CARF; o contribuinte apresentou Recurso Especial, cuja admissibilidade foi negada, porém agravos apresentados foram acolhidos e, em revisão o Recurso Especial foi admitido em parte, relativamente às matérias, págs. 9.057/9.083: 1) ACOLHIDO PARCIALMENTE para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "exame das provas apresentadas após o recurso voluntário" e "imposição da multa qualificada baseada na ausência de declaração ou em declaração a menor de tributo", mas apenas em relação, respectivamente, aos paradigmas nº 10616.716 e 1402001.271; 6. Quanto ao “exame das provas apresentadas após o recurso voluntário”, o despacho de agravo admitiu o recurso do contribuinte em face do acórdão paradigma nº 106 16.716; em relação ao tema “imposição da multa qualificada baseada na ausência de declaração ou em declaração a menor de tributo”, o despacho de agravo admitiu o recurso do contribuinte em face do acórdão paradigma nº 1402001.271: 7. A Procuradoria da Fazenda Nacional PFN apresentou Contrarrazões de págs. 9.092/9.403, pugnando, em síntese pela não aceitação de documentos apresentados a destempo e pela manutenção da qualificação da multa, conforme os seguintes trechos extraídos: Nenhum dos motivos excepcionais previstos nas alíneas foi invocado pelo contribuinte para justificar a aceitação de juntada de documento/argumento após a fase impugnatória inicial. Verificada a preclusão, incabível ajuntada posterior de documentos. Fl. 9163DF CARF MF Processo nº 18088.000063/200955 Resolução nº 1201000.611 S1C2T1 Fl. 4 3 A apresentação de novos documentos pelo sujeito passivo em sede recursal, sem amparo na legislação processual administrativa, implica em supressão de instância. A determinação legal de vedação de juntada de novos documentos tem por fito a preservação das instâncias de julgamento, na medida em que a juntada posterior de documentos implica na supressão de sua análise pelo órgão de julgamento inferior. Se acaso for acatada a juntada posterior de documentos, o processo deve ser remetido à instância inferior para apreciação, de modo que seja preservada sua atribuição e autoridade. Ora, demonstrado que a contribuinte declarou, de forma consciente, informações falsas ao Fisco Federal, não há a menor dúvida de que agiu com dolo. A infração foi reiterada, ou seja, a contribuinte estava ciente dos seus atos, e mais, estava certa de que sairia impune, de que o ilícito estaria "valendo a pena". Então, a fraude é ainda muito mais grave, pois não decorreu de atos isolados, ao contrário, vêse uma clara prática fraudulenta, a merecer repúdio ainda muito maior. 8. Em 18/06/2017, págs. 9.107/9.109, o contribuinte apresentou nova Petição, Fatos Supervenientes relevantes, em que argumenta que: a. o § 1º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, recomenda a formalização de processo único, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, que o caso dos dosi processos de PIS e Cofins citados e do presente processo de IRPJ e CSLL; que apresentou Impugnações em cada um dos três processos, as Notas Fiscais comprobatórias das retenções na fonte do PIS/Pasep, da Cofins, do IRPJ e da CSLL foram divididas nas três Impugnações; que os processos de PIS e Cofins também tiveram o julgamento convertido em diligência, para exame das respectivas Notas Fiscais anexadas, comprobatórias da retenções; b. no processo nº 10886.000050/200986, a Informação Fiscal da diligência propôs que restaria apenas um valor devido de PIS de R$1.066,72 dos meses 02, 03, 04 e 06/2004; c. no processo nº 10886.000051/200921, Acórdão nº 3201.002849, de 24/05/2017, acatou as retenções comprovadas na diligência a cancelou o crédito tributário. 9. A Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF pronunciou o Acórdão nº 9101 003.146 de 04/10/2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2004, 2005 PEDIDO DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO. Não se verifica obstáculo ao conhecimento de pedido do contribuinte, formulado após a oposição do recurso voluntário e antes do julgamento deste, atinente à consideração de documentos pertinentes à matéria tributável e que foram por ele previamente apresentados no bojo de outros processos administrativos que deveriam ter sido unificados pela administração fiscal, tendo em vista a identidade de contribuinte e os elementos Fl. 9164DF CARF MF Processo nº 18088.000063/200955 Resolução nº 1201000.611 S1C2T1 Fl. 5 4 comuns de prova. Inexistência de afronta ao art. 16 do Decreto n. 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para admitir o exame das provas apresentadas após o recurso voluntário, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciálas, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que entendeu estar preclusa a matéria. Votaram pelas conclusões os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Adriana Gomes Rêgo. 2 Voto. Conselheira Relatora Eva Maria Los 2.1 ANÁLISE DAS PROVAS. 10. Por determinação da CSRF, deverão ser examinadas as provas que o contribuinte apresentou, “exame das provas apresentadas após o recurso voluntário”, mesmo depois de proferido o Acórdão DRJ/RPO e apresentado Recurso Voluntário. 11. No tocante às Notas Fiscais anexadas com a impugnação aos presentes autos, a diligência realizada consta de: a. págs. 4.545/4.648, planilha Notas Fiscais Engefort de 14/01/2004 a 29/12/2004, informando as retenções e as Notas Fiscais individalizadamente; b. págs. 4.649/4.667 e 4.671/4.676, Planilhas Notas Fiscais PLANILHA DE NOTAS FISCAIS APRESENTADAS NA IMPUGNAÇAO CUJOS VALORES ENCONTRAMSE INCLUÍDOS NO COMPUTO DA RECEITA INFORMADA AS FLS. 75 E 82. nesta planilha estão listadas as NF, data, valor, IRRF e CSLL destacados, do ano calendário 2005; (as demais se referem aos anos de 2006, 2007 e 2008); a Informação Fiscal da diligência, que ainda informou: Da análise da documentação entregue pelo fiscalizado (fls. 4477 a 4580), apurei que o valor das notas fiscais (fls. 1131 a 4460) apresentadas quando da impugnação encontrase incluído nos totais mensais de receitas apuradas segundo as planilhas representativas dos demonstrativos contábeis dos anoscalendário 2004 e 2005 as fls. 75 e 82, respectivamente. Analisei, ainda, o Relatório de Notas Fiscais Emitidas (fls. 4477 a 4580), elaborado pelo diligenciado, o qual verifiquei conter a composição dos totais mensais informados nos Balancetes de Verificação as fls. 402 a 461 e 660 a 733. Apurei, contudo, que a diligenciada não fez acompanhar de sua impugnação a totalidade das notas fiscais a que se refere o Relatório de Notas Fiscais Emitidas (fls. 4477 a 4580). Atesto, também, que o valor das notas fiscais (fls. 1131 a 1775) apresentadas quando da impugnação encontrase incluído nos totais mensais de! receitas apuradas segundo as planilhas representativas dos demonstrativos contábeis dos anos! Fl. 9165DF CARF MF Processo nº 18088.000063/200955 Resolução nº 1201000.611 S1C2T1 Fl. 6 5 calendário 2004 e 2005 as fls. 75 e 82, respectivamente. Assim, fica atendido o item "a" do despacho a fl. 4467. Já para atendimento ao item "b" do despacho a fl. 4467 elaborei, à luz das informações apresentadas pelo contribuinte, relatório, mes a mes (fls. 4581 a 4607), destacando em colunas próprias, com base nas notas fiscais apresentadas na impugnação (fls. 1131 a 1775), o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro retidos na fonte, concluindo que há Notas Fiscais (fls. 1131 a 1775) apresentadas na impugnação cujos valores estão incluídos no cômputo das receitas apuradas nas planilhas representativas dos demonstrativos contábeis dos anoscalendário 2004 c 2005 as fls. 75 e 82, respectivamente, base para arbitramento do lucro (IRPJ e CSLL). Apurei, ainda, em atendimento ao item "b" do despacho a fl. 4467, que as notas fiscais as fls. 1776 a 4460, apresentadas pelo fiscalizado quando da sua impugnação ao auto de infração de que trata essa informação fiscal, listadas em relatório as fls. 4608 a 4675, não guardam relação com o auto de infração, e os valores das notas fiscais não estão incluídos no cômputo das receitas apuradas nas planilhas representativas dos demonstrativos contábeis dos anoscalendário 2004 e 2005 as fls. 75 e 82, respectivamente, base para arbitramento do lucro (IRPJ e CSLL), dado que as notas fiscais listadas em planilha as fls. 4608 a 4675 têm data de emissão diversa do período fiscalizado no presente processo, que abrangeu o IRPJ e a CSLL tão somente de 01 de janeiro de 2004 a 31 de dezembro de 2005. c. Como relatado, os valores de IRRF e CSLL fonte identificados na diligência foram considerados no Acórdão nº 1434.365 da DRJ/RPO, de 28/06/2011. 12. Notas Fiscais apresentadas com o Memorial de Razões Finais, que constam dos processos nº 18088.00050/200986 (PIS) e nº 18088.00051/200921 (Cofins); a. foram anexados arquivos não pagináveis às págs. 8.577, 5.580, 8.583, 8.586, 8.589, 8.592, 8.595, 8.598, 8.601, 8.604, 8.607, 8.610, 8.613, 8.616, 8.619, com coías de Notas Fiscais emitidas pela Autuada; b. numa verificação aleatória constatouse que muitas das notas fiscais copiadas estão ilegíveis, bem como, grande proporção delas foi emitida nos anos calendário 2006, 2007 e 2008, que não se referem aos anos 2004 e 2005 da presente autuação. 13. À vista do exposto, proponho que os autos sejam enviados à DRF de origem, para a seguinte diligência: a. Identificar as Notas Fiscais anexadas aos processos nº nº 18088.00050/200986 (PIS) e nº 18088.00051/200921 (Cofins), que compuseram a Receita Bruta (base do arbitramento do lucro), que não sejam as mesmas que já foram consideradas na diligência determinada pela DRJ/RPO; b. Selecionar uma amostra aleatória dessas notas fiscais e solicitar do contribuinte a apresentação dos correspondentes comprovantes de pagamento pelas respectivas clientes, a fim de confrontar o valor bruto da Nota Fiscal, com o Fl. 9166DF CARF MF Processo nº 18088.000063/200955 Resolução nº 1201000.611 S1C2T1 Fl. 7 6 valor líquido que recebeu, e confirmar as retenções constantes das Notas Fiscais; c. Apurar os totais mensais e trimestrais de IRRF e CSLL retidos na fonte constantes dessas Notas Fiscais, que devam ser excluídos das exigências fiscais de IRPJ e CSLL dos autos. 2.2 MULTA QUALIFICADA. 14. Quanto ao exame admitido da “imposição da multa qualificada baseada na ausência de declaração ou em declaracã̧o a menor de tributo”, o Acórdão nº 9101003.146 de 04/10/2017, entendeu que: Tendo em vista o retorno dos autos para a Turma a quo, resta prejudicada a análise, neste momento processual, por esta CSRF, da questão atinente à qualificação da multa de ofício. 15. Este entendimento também se aplica ao presente julgamento. 3 Conclusão. Voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 9167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13771.000572/2005-22
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
REVERSÃO DA GLOSA DE AQUISIÇÃO DE CAFÉ. IMPOSSIBILIDADE. PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES, INIDÔNEAS, INEPTAS E INATIVAS. VERDADE MATERIAL. GLOSA. CABIMENTO.
Restando demonstrado que a recorrente efetuou aquisições de café de pessoas jurídicas pseudo-atacadistas, as quais comprovou-se a não existência de fato, e tendo ele se apropriado indevidamente de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas COFINS, mantém-se as glosas dos créditos integrais indevidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) e Alan Tavora Nem, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. REVERSÃO DA GLOSA DE AQUISIÇÃO DE CAFÉ. IMPOSSIBILIDADE. PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES, INIDÔNEAS, INEPTAS E INATIVAS. VERDADE MATERIAL. GLOSA. CABIMENTO. Restando demonstrado que a recorrente efetuou aquisições de café de pessoas jurídicas pseudoatacadistas, as quais comprovouse a não existência de fato, e tendo ele se apropriado indevidamente de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas COFINS, mantémse as glosas dos créditos integrais indevidos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) e Alan Tavora Nem, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 1. 00 05 72 /2 00 5- 22 Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 625 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 1008/1011 dos autos: Tratase de DCOMPs de créditos de Cofins nãocumulativa decorrentes de operações no mercado externo, de que trata o artigo 6º da Lei 10.833/2003, com débitos de outros tributos (cód. 2484 2362), conforme fls. 2/3 e fls. 174/175. A DRF de origem reconheceu "o direito creditório relativo aos créditos apurados pela sistemática de não cumulatividade da COFINS, referente a exportação, período de apuração JULHO/05, no valor de R$ 198.594,22 (cento e noventa e oito mil, quinhentos e noventa e quatro reais e vinte e dois centavos)", e por conseguinte, homologou "AS COMPENSAÇÕES pleiteadas na Declaração de Compensação, fls 1 e 167, até o limite do crédito aqui reconhecido" (fl. 183). A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 185 e seguintes, nesta alegou, em resumo, que: 1. no tocante às notas referentes às aquisições de produtos de origem vegetal as razões da glosa expostas pelo Fisco decorrem da suposta participação das empresas emitentes das notas fiscais nos esquemas apurados nas Operações Tempo de Colheita e Operação Broca; 2. a despeito de parte das empresas emitentes das notas fiscais ter supostamente participado das Operações Tempo de colheita e Broca ou estar sendo objeto de investigação, conforme informa o Fisco em seu relatório, in casu, a Tangará efetivamente adquiriu as sacas de café, além do que, a declaração de inidoneidade, bem como a apuração das irregularidades se deu posteriormente às aquisições, sendo, portanto, ilegítima a glosa dos referidos créditos; Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 626 3 3. diferentemente do Fisco, o instrumento de que dispõe o Contribuinte para verificar a situação fiscal daqueles com os quais negocia é a consulta ao Sintegra e ao CNPJ, além da verificação dos requisitos formais da nota; 4. é desarrazoado atribuirlhe responsabilidade por uma situação posterior à operação, pois não se pode admitir que o ato de declaração de inidoneidade retroaja para produzir efeitos, prejudicando relações anteriores, tratase de conduta inconstitucional, que ofende o art. 37 da Carta Magna que preceitua que a Administração Pública está sujeita ao princípio da publicidade; 5. conforme se verifica no corpo das NF's 93 e 94 (Laticínios Calixto Indústria e Comércio LTDA situação ativa), que acobertaram o transporte da mercadoria de Minas Gerais até o Espírito Santo, as notas fiscais referemse a LEITE em pó e não CAFÉ arábica; 6. quanto à Cafeeira São José LTDA, também ativa, NF's 4981, 4982, 4983,4984, 4973, 4969, 4970, 4971, 4972 e 4974, cumpre esclarecer que só não constam nas notas carimbos dos fiscos estaduais pois a circulação da mercadoria só se deu de Governador Lindemberg a Serra, cidade onde está localizado o Armazéns Gerais Carapina LTDA e deste a Vila Velha, onde está a sede da Tangará, cidade do estado do Espírito Santo; 7. quanto à V. Munaldi — ME, NF 1606, conforme cartão de CNPJ a situação cadastral da empresa é "Baixada", no entanto a data da referida situação é de 08/12/2006, enquanto que a operação se deu em 12/07/2005, ou seja, anterior à baixa da empresa, sendo, portanto, legitimo o crédito da nota; 8. quanto à Boa Safra Comércio de Café LTDA, o relatório fiscal cita a NF 3408 como se houvesse sido emitida em 28/07/05 e no valor de R$ 39.750,00, no entanto, a referida nota foi emitida em 22/07/05 e o seu valor é de R$ 266,85, à visa do que pedese a revisão também deste item, ademais, conforme cartão de CNPJ a empresa só veio a ser considerada inapta pela Receita Federal do Brasil em 09/02/2010, quase 5 (cinco) após a emissão da nota cujo crédito se questiona; 9. quanto à Comercial de Café Arábica LTDA, a NF 3060 foi emitida em 07/07/05, no valor de R$ 65.000,00 (sessenta e cinco mil reais) e encontrase devidamente "carimbada" pelo estado de Minas Gerais, demonstrando a efetiva circulação física das mercadorias, de outro lado, a NF 3075 emitida em 11/07/05 espelha valor total de produtos de R$ 628,30 (seiscentos e vinte e oito reais e trinta centavos) e não R$ 1.331,66 (um mil trezentos e trinta e um reais e trinta centavos), como descrito no relatório fiscal, deste modo temse que além de indevida, a glosa do crédito foi feita .com base num valor que não existe, posto que não é este o valor descrito no documento fiscal; 10. quanto à Colúmbia Comércio de Café LTDA (NF's 4257 e 4258), conforme cartão de CNPJ a situação cadastral da empresa é "suspensa", no entanto a data da referida situação é de 28/09/2006, enquanto que as aquisições se deram em 11/07/2005, ou seja, anterior à suspensão da empresa, sendo, portanto, legítimo o crédito da nota, anexandose ainda, cópia do verso da referida nota fiscal com carimbo do armazém "Armazéns Gerais Carapina LTDA" que atesta a entrada da mercadoria e via de conseqüência demonstra a circulação física das mesmas; Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 627 4 11. além de apresentar todos os documentos e registro retrorreferidos, juntase à presente o comprovante dos pagamentos, feitos através de TED transferência eletrônica disponível, que tem o condão de comprovar a efetividade da operação. A DRJ/RJ determinou o retorno dos autos à DRF em diligência, conforme fl. 289, para a Unidade de origem "1juntar ao processo cópia das folhas do processo nº 13771.000521/200509, mencionadas no item 4 – “Crédito presumido – produtos de origem vegetal” do Parecer Fiscal; 2 verificar se há alguma repercussão no crédito aqui pleiteado dos mesmos fatos apurados naquelas operações (Tempo de Colheita e Broca), juntandose os elementos de prova que entenda cabíveis; 3esclarecer as divergências nas informações constantes da tabela elaborada no item 4 do Parecer Fiscal (número da nota fiscal, nome da empresa e valor). No Termo de Encerramento de Diligência, quanto ao item 1, a Autoridade Fiscal juntou os documentos solicitados; em relação ao item 3, admitiu erros na tabela mencionada e corrigiu as divergências detectadas, e quanto ao item 2 concluiu que (fl. 983): Ficou evidenciado, diante dos fatos relatados e dos diversos depoimentos acostados ao presente parecer que a Tangará efetuou aquisições de café de pessoas jurídicas pseudoatacadistas, tendo se apropriado indevidamente de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas – PIS (1,65%) e Cofins (7,6%). Neste sentido foram reclassificadas as aquisições de Colúmbia Comércio de Café Ltda e V. Munaldi – ME, citadas em diversos depoimentos acostados aos autos, de Cafeeira São Jose Ltda, citada no depoimento de PAULO PANCIERI JÚNIOR, de E. Zappi, Comercial de Café Arábica Ltda e Boa Safra Comércio de Café Ltda, ambas declaradas inaptas pela SRF. Intimada a se manifestar a contribuinte alegou, em síntese, que (fl. 994 e ss): 1. a rejeição dos créditos se dá com base em provas emprestadas, em especial nos depoimentos de produtores rurais, corretores, sócios e diretores de empresas que denomina como “fornecedoras”, no curso das Operações Tempo de Colheita e Broca; 2. a Peticionária não foi arrolada, citada ou instada a manifestarse nas referidas operações, razão pela qual as provas nelas colhidas, não se lhe aplicam, pois cuidamse de PROVAS EMPRESTADAS; 3. não cuidou a SEFIS, apesar de instála a fazêlo, de demonstrar a ligação das aquisições da Peticionária, cujos créditos lhe foram indevidamente glosados com as Operações “Tempo de colheita” e “Broca”. A Inconformada concluiu que: 1. comprovada a boafé da Peticionária, a regularidade das empresas à época das operações, a efetiva ocorrência da operação e o seu pagamento, impõese a revisão da glosa, remanescendo o direito ao crédito integral. 2. alternativamente, pedese a manutenção dos créditos relativos às aquisições da E. Zappi, Cafeeira São José LTDA, Boa Safra Comércio de Café LTDA e Comercial de Café Arábica LTDA, tendo em vista que a Fiscalização não logrou êxito em comprovar qualquer mácula em relação a essas compras. Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 628 5 Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo o crédito tributário, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Planejamento Tributário. Não Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 Matéria não Impugnada Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ou em relação à prova documental que não tenha sido apresentada, salvo exceções legalmente previstas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 28/12/2015 (vide Termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 1029 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs Recurso Voluntário (fls. 1031/1048), cuja tempestividade se afere do Termo de análise de solicitação de juntada (fl. 1071), que data de 15/01/2016. Através do recurso o contribuinte alegou nulidade do acórdão, e requereu a homologação do crédito pretendido, com base em argumentação que reforça as razões de sua manifestação de inconformidade, no sentido de sua boafé e da regularidade das operações efetuadas. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 629 6 Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. fls. 1031/1048), através do qual alegou nulidade do acórdão, e requereu a homologação do crédito pretendido, com base em argumentação que reforça as razões de sua manifestação de inconformidade, no sentido de sua boafé e da regularidade das operações efetuadas. Os argumentos ali apresentados serão devidamente analisados a seguir. 1. Das razões recursais O recorrente se insurge contra o entendimento da DRJ, que julgou improcedente sua manifestação de inconformidade, mantendo a decisão que homologou apenas parcialmente seu pedido de compensação de crédito de Cofins. Afirma que o acórdão da primeira instância inovou, julgando com base em fundamento ausente no parecer SEORT/DRF/VIT 1707/2010, incorrendo em claro vício de motivação. Apresenta as seguintes razões recursais. 1.1. Da preliminar. Vício de motivação – fraude/dissimulação – lançamento – atividade administrativa privativa e vinculada. O recorrente afirma que o acórdão é nulo por padecer de vício de motivação. Defende que o fundamento de que houve fraude/simulação representa ajuste do lançamento, o que tornaria o acórdão nulo, pois a atividade administrativa é vinculada, cabendo ao contribuinte defenderse do que lhe foi imputado, de modo que o caso prejudica seu direito de defesa. Afirma que sequer foi investigada nas operações “Broca” e “Tempo de Colheita”, e que presunções não podem ser feitas por prejudicarem a segurança jurídica. A manifestação da recorrente se deu pela narração feita no acórdão, a respeito dos resultados da operação Tempo de Colheita. No acórdão, foi relatada a verificação da explosão de constituição de empresas atacadistas de café a partir do ano de 2002, período em que houve modificação na legislação de PIS e COFINS, relativa à mudança do regime cumulativo para o nãocumulativo. Tais empresas foram flagradas em situação de irregularidade fiscal em todo o período objeto da fiscalização, o que, somado a outras constatações, levou à conclusão de ocorrência de fraude fiscal. As provas se trataram dos depoimentos de pessoas ligadas às operações, como sócios das empresas fornecedoras e corretores ligados ás operações. Entendo que não assiste razão ao contribuinte em seu pleito preliminar, consoante será devidamente esclarecido a seguir. No caso dos autos, a fiscalização entendeu, conforme despacho decisório constante do autos (fls. 177 e seguintes), que o contribuinte fazia jus apenas à parte do crédito apontado, visto que, apesar de ter adquirido as mercadorias em comento, teria direito apenas ao Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 630 7 crédito presumido disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/04. É o que se extrai da transcrição a seguir: Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 631 8 Notese que, no momento da realização da glosa, a fiscalização já havia mencionado as investigações realizadas na "Operação Tempo de Colheita". Nesse contexto, não houve inovação na decisão recorrida, ou mesmo vício de motivação, aptos a tornála nula. De outro norte, entendo que tampouco houve prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Isso porque, da análise dos autos, denotase que foi oportunizado à recorrente, desde o início do processo administrativo e em todos os momentos processuais, manifestarse sobre os elementos que levaram às glosas realizadas e à sua consequente manutenção pela DRJ. Tanto que a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário apresentados nestes autos demonstram o pleno conhecimento da Requerente acerca do objeto desta lide. Constatase, portanto, que a insurgência da recorrente confundese com o mérito da presente contenda, o qual será devidamente analisado nos tópicos subsequentes. Sendo assim, afasto a preliminar apresentada pelo contribuinte. 1.2. Do mérito. Da ocorrência das operações. Da impossibilidade de desconsideração do negócio jurídico, tendo em vista a inaplicabilidade do parágrafo único do artigo 116 do CTN. Lançamento fundado em presunção e provas emprestadas – incompatibilidade com o Sistema Tributário Nacional. A recorrente alega que é grande exportadora de café, realizando, para tanto, operações com pessoas físicas e jurídicas. Consoante o artigo 15, § 5º, e o entendimento do CARF, seria possível a comprovação da efetiva aquisição e pagamento do preço respectivo, pelo adquirente de boafé, para fins de não ser prejudicado pelas irregularidades das pessoas jurídicas emitentes das notas fiscais de aquisição. Nesse mesmo sentido, apresenta decisão do STJ, em recurso repetitivo, em caso de ICMS, e a súmula 509 da Corte Superior. Afirma, por fim, a adstrição do CARF às decisões do STF e do STJ, pugnando pela revisão da decisão de primeira instância no tocante à inadmissão dos créditos. Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 632 9 Os argumentos foram rejeitados no acórdão recorrido em razão de não importar apenas o fato de ter havido compra, pagamento e recebimento da mercadoria, pois importa à fiscalização questionar de quem se deu essa aquisição. No caso, entendeu que teria ficado demonstrada a realizada da operação com produtores rurais pessoas físicas, não pessoas jurídicas. A recorrente argumenta que o acórdão da primeira instância reconheceu que os supostos atos de fraude não foram praticados por ela e não esclarece em que medida foi dissimulada a ocorrência do fato gerador. Além disso, defende que o artigo 116, § único, do CTN, não poderia ser aplicado porque carece de regulamentação. O acórdão afirmou que, inobstante a dependência de regulamentação mediante lei ordinária, o artigo 116, § único, do CTN, marcou uma fronteira entre o lícito e o ilícito no planejamento empresarial para atingir o melhor resultado do ponto de vista tributário. A atividade realizada pela contribuinte se subsume na tipificação constante deste dispositivo legal. Segue a recorrente impugnando o uso dos depoimentos dos representantes das empresas investigadas como prova de fraude para glosar os créditos de Cofins, pois se trata de prova emprestada, em cujo processo não lhe foi oportunizado o contraditório e a ampla defesa, não lhe sendo, portanto, imputáveis tais acusações. Defende que constitui entendimento pacífico do STF, STJ e CARF a necessidade do contraditório para o uso de provas emprestadas, não se justificando sua responsabilização, dado que foi adquirente de boafé. O acórdão recorrido rejeitou os argumentos, por entender ter ficado caracterizada a incapacidade operacional das empresas atacadistas que atuaram como fornecedoras, cuja existência teria se mostrado "fantasmagórica" do ponto de vista fiscal, apesar dos vultosos valores movimentados. Concluiu que, no seu entendimento, teria restado caracterizado o propósito de criação dessas empresas para a venda de nota fiscal, no intuito de obter vantagens tributárias, e não para a comercialização e café. Ou seja, a primeira instância entendeu não serem aceitáveis os argumentos de que a Recorrente não possuía conhecimento das práticas ilícitas dos fornecedores, pois a prova reunida pela auditoria fiscal apontaria o contrário. Afirmou não caber falar em uso de prova emprestada, por terem as operações Broca e Tempo de Colheita sido deflagradas em conjunto pelo Ministério Público Federal, Receita Federal e Polícia Federal, no intuito de cada uma delas se utilizassem dos elementos da investigação para o cumprimento de suas funções institucionais. Além disso, fundamentou a sua decisão no fato de os documentos terem sido enviados pelo Ministério Público à Receita mediante autorização judicial, por entender haver neles interesse fiscal. Passo, então, à análise dos argumentos acima indicados. No que concerne às provas relacionadas às operações Broca e Tempo de Colheita, conforme já tive a oportunidade de me manifestar em casos anteriores em que me debrucei sobre esta mesma matéria, entendo que não há impedimento legal de adoção destas provas como elemento de convicção da fiscalização e do julgador no que concerne às glosas realizadas. É o que será analisado a seguir. Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 633 10 Conforme acima relatado, é inconteste que o contribuinte não participou neste caso concreto da colheita da prova oral. Cumprenos analisar, então, se a ausência de participação do mesmo naquela oportunidade tornam os depoimentos colhidos e as demais provas posteriormente obtidas imprestáveis para fins de embasar a glosa de créditos objeto da presente demanda. A meu ver, para que tal prova fosse desconsiderada, seria essencial que a prova inicialmente colhida fosse ilegal. Ou seja, as provas subsequentes deixarão de ter validade na medida em que a prova inicial tenha sido obtida ilegalmente. É o caso, por exemplo, de provas obtidas em razão de interceptação telefônica realizada ilegalmente, sem ordem judicial. Uma vez reconhecida a ilegalidade da interceptação telefônica, deverão ser desconsiderados também as demais provas colhidas. No caso dos presentes autos, contudo, não se está diante de uma prova ilegal. Os depoimentos pessoais foram colhidos em procedimento regular de investigação realizado pela Polícia Federal na "operação broca" e "tempo de colheita". A ausência de participação da Recorrente naquela oportunidade da colheita de tais depoimentos não os torna ilegais. O que se poderia cogitar, então, era se tais provas, legais, poderiam ser utilizadas para fins de fundamentar a glosa realizada. Penso que a resposta deve ser positiva na medida em que os depoimentos pessoais obtidos nas referidas operações, somados a outros elementos de prova, forem suficientes à comprovação do vínculo existente entre as operações objeto da lide e o esquema deflagrado. E foi justamente esta a conclusão a que cheguei na análise de processo de outro contribuinte, que culminou no Acórdão nº 3301003.072, em que entendi que os elementos de prova ali apresentados foram suficientes a identificar a participação daquela Recorrente no esquema. Para que se chegue a tal conclusão, contudo, é imprescindível que se conclua que as provas carreadas aos autos conseguem demonstrar a participação da Recorrente no esquema que fora deflagrado por tais operações. Não é esta, porém, a conclusão a que eu chego na análise da presente contenda. Isso porque, entendo que, apesar de ter fundamentado a glosa na "Operação Tempo de Colheita", não logrou a fiscalização demonstrar a relação do contribuinte com o esquema ali relatado. Para que não reste qualquer dúvida acerca da conclusão a que se chega nesta oportunidade, transcrevo a seguir as passagens em que o nome da empresa Tangará foi mencionado, extraídas do termo final de diligência fiscal (fls. 940/987), realizado por solicitação da DRJ para fins de "verificar se há alguma repercussão no crédito aqui pleiteado dos mesmos fatos apurados naquelas operações, juntandose os elementos de prova que entenda cabíveis": No encerramento dos trabalhos de diligência nas “empresas” ACÁDIA, COLÚMBIA, DO GRÃO e L & L, todas mencionaram que, na cidade de COLATINA e outros municípios, existem “mais de 80 (oitenta) empresas que ainda não foram atingidas pela Fiscalização e que continuam a operar como acima exposto”. O que é prática recorrente também nos outros estados produtores de café, Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 634 11 em especial, Minas Gerais, Bahia, Paraná, São Paulo, locais que a Tangará realiza compras de café. (...) O material coletado durante as fiscalizações apresentase em número expressivo. Seria repetitivo demonstrálo no presente trabalho. Desta forma, faremos uma abordagem por amostragem, começando pelos depoimentos de alguns envolvidos e, depois, relatando alguns procedimentos que culminaram com a declaração de inaptidão ou suspensão, por inexistência de fato, evidenciando fornecedores da Tangará. (...) GUIDO HIGINO VITÓRIO CPF 283.299.88600 Produtor rural no município de Guaçui e desde 07/2007 sócio da empresa IRMÃOS VITÓRIO´S COMERCIAL EXPORTADORA DE CAFÉ. Foi sócio da VITÓRIO´S ARMAZÉNS GERAIS. Declarou: “Que, como produtor rural, tentou vender para os exportadores, mas não obteve sucesso, sendo que lhe foi informado que as vendas deveriam ser realizadas por intermédio de pessoas jurídicas. Que tem conhecimento que em Manhuaçu,[cidade onde se localizam diversas empresas fornecedoras de café à Tangará], as empresas laranjas cobram R$ 0,50 por saca de café para emitir notas fiscais; que na região da Serra do Caparão/ES o valor é de R$ 1,00 por saca; (...). Neste parecer, reproduzimos os dados do Relatório apresentado pelos AuditoresFiscais que participaram das diligências. Pela riqueza das informações, identificaremos as Pessoas Jurídicas que “forneceram” notas fiscais para Tangará, mas manteremos os dados das demais empresas para demonstrar a grandeza do esquema de vendas de “Notas Fiscais” e seu crescimento exponencial. Frisamos que estas empresas estão localizadas no estado de Minas Gerais, o que corrobora os diversos depoimentos que relatam a existência do esquema de vendas de notas fiscais em todo o país. (...). Diante do presente cenário inúmeras empresas foram diligenciadas e, conseqüentemente suas inaptidões declaradas pela Receita Federal do Brasil. É o caso da empresa E. Zappi, uma das empresas que forneceu café à Tangará no período analisado. (...). Ficou evidenciado, diante dos fatos relatados e dos diversos depoimentos acostados ao presente parecer que a Tangará efetuou aquisições de café de pessoas jurídicas pseudoatacadistas, tendo se apropriado indevidamente de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas – Pis (1,65%) e Cofins (7,6%). Ou seja, extraise das passagens acima que: 1) a Tangará realiza compras de café em Minas Gerais, Bahia, Paraná e São Paulo, locais em que o esquema fora identificado; 2) alguns fornecedores da Tangará tiveram declarada a sua inaptidão ou suspensão, por Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 635 12 inexistência de fato; 3) há depoimento mencionando que o esquema ocorria na cidade de Munhuaçu, onde se localizam diversas empresas fornecedoras de café à Tangará; 4) a Tangará realizou operações com algumas dessas empresas consideradas como "pseudoatadistas". Ocorre que as afirmativas acima apresentadas não levam à conclusão de que a Recorrente possuía conhecimento do esquema deflagrado e que dele tenha participado. Notese, por exemplo, que a própria fiscalização reconhece ser possível a existência de operações lícitas entre pessoas jurídicas, tanto que manteve o crédito no que concerne à empresa "Comercial de Café Stockl Ltda." (vide fl 978 do termo final de diligência). Nesse contexto, percebese que a glosa embasouse única e exclusivamente em provas emprestadas que não conseguem demonstrar a vinculação da empresa Recorrida com o esquema deflagrado. Nesse mesmo sentido foi a conclusão a que chegaram os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado, Walker Araújo, Sarah Maria Linhares de Araújo e José Renato Pereira de Deus, os quais, embora tenham restado vencidos pelo voto de qualidade, entenderam pela inexistência de elementos de prova suficientes à manutenção da glosa realizada naqueles autos (Acórdão nº 3302004.649). É o que se infere dos fundamentos transcritos a seguir: 2.5. AQUISIÇÃO DE CAFÉ DOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS E DE PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO DA TIPICIDADE CERRADA. O fisco glosou o crédito integral (devido nas operações com pessoas jurídicas) e concedeu o crédito presumido (devido nas operações com pessoas físicas) como se as operações houvessem sido feitas com os produtores pessoas física, em evidente desconsideração do negócio jurídica efetivamente entabulado. A previsão contida nos artigos 116 e 149 do Código Tributário Nacional, que justificariam tamanha ingerência da autoridade fiscal no âmbito decisório do contribuinte, somente podem ser avocados diante de constatada ocorrência de fraude, dolo ou simulação, que não é a hipótese dos autos. E a constatação que não há nenhum dos vícios aptos a justificar a desconsideração do negócio jurídico se dá por dois motivos: (i) porque não há nos autos nenhuma prova que a recorrente efetivamente tenha participado das práticas ilícitas apuradas nas Operações Broca e Tempo de Colheita; e (ii) porque sequer foi apenada com a multa qualificada, o que seria resultado direto da comprovação da ilicitude intentada pela recorrente. 2.5.1. OPERAÇÃO TEMPO DE COLHEITA E BROCA. PROVA EMPRESTADA. (...). Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 636 13 As denúncias oferecidas pelo Ministério Público contra as atividades ilícitas apuradas nas Operações Broca e Tempo de Colheita resultaram na formalização dos Processos n. 2008.50.05.0005383, 2009.50.01.00005193 e 2010.50.05.0001610, bem como no inquérito Policial n. 541/2008DPF/SR/ES. Conforme atestam as certidões emitidas pela Justiça Federal/ Seção Judiciária do Espírito Santo (fls. 22329/ 22337), a recorrente não é investigada ou foi arrolada no pólo passivo das ações em curso supra mencionadas. Da leitura do acima transcrito, verificase que o auditor fiscal não apresentou qualquer prova que conecte a ora recorrente com as atividades das contribuintes investigadas após a sua declaração de inidoneidade. Aliás, como já esclarecido, a maior parte das declarações de inidoneidade/ inaptidão indicadas na autuação são frutos diretos das Operações Broca e Tempo de Colheita. Desse modo e porque não existem provas que sustentem conclusão contrária é de rigor prestigiar o laudo elaborado pela Grand Thorton (empresa de auditoria externa e independente) que registra: * a regularidade de todas as pessoas jurídicas fornecedoras de café no CNPJ e SINTEGRA à época das operações; * o lastro documental de todas as operações, cuja venda é acompanhada por documentação fiscal idônea; * o pagamento de todas as operações através de TED ou depósito bancário; * o depósito de todas as mercadorias em armazéns terceirizados, através de comprovante de depósito e recibo de pesagem que fazem expressa referência às notas fiscais que acobertaram as operações e às placas dos caminhões que fizeram o transporte. O parágrafo único do art. 82 da Lei n. 9.430/1996 assegura o direito ao crédito nos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, diretos e mercadorias ou utilização dos serviços. Da mesma forma o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento no enunciado n. 50910 de Súmula, através do julgamento do Recurso Especial n. 1.148.444/MG, o qual deve ser aqui adotado por analogia: "É lícito ao comerciante de boafé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda". Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 637 14 Ademais, diante da inexistência de provas e até mesmo da demonstração do nexo causal indispensável entre os prejuízos causados ao erário pela prática dos ilícitos apurados nas Operações Tempo de Colheita e Broca (que não investigaram a recorrente), entendo que devem ser revisitadas as lições do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro11 sobre a necessidade de motivação do ato administrativo: " Assim, quando se fala em motivação do ato administrativo, o que se tem é uma garantia do administrado e, em contrapartida, um dever do agente público, dever esse que consiste em (i) delimitar a circunstância fática para o qual o ato administrativo se dirige; (ii) identificar, com precisão, os fundamentos jurídicos que fundamentam o ato administrativo, e, ainda (iii) concatenar, de forma explícita, clara e congruente a relação entre o fato e o fundamento jurídico que subsidia o ato administrativo. Neste mesmo diapasão são as lições do professor Celso Antônio Bandeira de Mello: Dito princípio implica para a Administração o dever de justificar seus atos, apontandolhes os fundamentos de direito e de fato, assim como a correlação lógica entre os eventos e situações que deu por existentes e a providência tomada, nos casos em que este último aclaramento seja necessário para aferirse a consonância da conduta administrativa com a lei que lhe serviu de arrimo. Dar este tratamento à motivação do ato administrativo, em última análise, significa promover uma identificação das ações da Administração Pública sob o prisma de que o Direito Pública precisa ser, antes de tudo, o Direito nãoautoritário, dialógico e, concomitantemente, promotor da concretização (mais homogênea possível) do núcleo essencial dos direitos fundamentais, acima e além de interpretativismos estritos12". Ademais, é certo que para que suceda a efetiva configuração do ilícito, quando esse for fundamentado em presunção, é indispensável a constatação de indícios convergentes. Esses indícios devem ser apresentados pelo auditor fiscal em sua autuação, em atenção ao que determina o art. 9º do Decreto n. 70.235/197213. Da mesma forma o art. 2º da Lei n. 9.784/1998 impõe ao fiscal a incumbência de produzir e apresentar todas as provas necessárias para justificar a penalização do contribuinte, uma vez que: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único: Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I autuação conforme a lei e o Direito; Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 638 15 (...) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados". Há de se destacar, inclusive, que este Conselho já se manifestou pelo cancelamento da glosa quando constatada a insuficiência de provas acerca da fraude apontada. É o que se infere do Acórdão nº 3301004.629, a seguir transcrito: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 GLOSA DE CRÉDITOS INTEGRAIS SOBRE COMPRAS DE CAFÉ DE COOPERATIVAS. PRODUTO FINAL OU INTERMEDIÁRIO. Foi constatado que o contribuinte comprava café, submetiao a beneficiamento e depois o revendia. A fiscalização obteve confirmação deste fato, por meio de resposta à intimação. Nas peças impugnatória e recursal, o contribuinte afirmou o contrário, porém sem carrear provas aos autos. Correta a glosa dos créditos integrais, tendo o Fisco computado créditos presumidos, na forma do art. 8° da Lei n° 10.925/04. "EMPRESAS DE FACHADA. GLOSA DE CRÉDITOS INTEGRAIS. AUSÊNCIA DE PROVAS DIRETAS OU INDIRETAS Dada a ausência de elementos comprobatórios e/ou indiciários relacionados aos anos auditados pelo Fisco, isto é, 2010 e 2011, com fulcro nos art. 50 da Lei n° 9.784/99, deve ser declarado nulo o lançamento tributário derivado das glosas de créditos de PIS e COFINS calculados sobre compras de café de pessoas jurídicas consideradas pelo Fisco como "de fachada. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 GLOSA DE CRÉDITOS INTEGRAIS SOBRE COMPRAS DE CAFÉ DE COOPERATIVAS. PRODUTO FINAL OU INTERMEDIÁRIO. Foi constatado que o contribuinte comprava café, submetiao a beneficiamento e depois o revendia. A fiscalização obteve confirmação deste fato, por meio de resposta à intimação. Nas peças impugnatória e recursal, o contribuinte afirmou o contrário, porém sem carrear provas aos autos. Correta a glosa dos créditos integrais, tendo o Fisco computado créditos presumidos, na forma do art. 8° da Lei n° 10.925/04. Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 639 16 "EMPRESAS DE FACHADA. GLOSA DE CRÉDITOS INTEGRAIS. AUSÊNCIA DE PROVAS DIRETAS OU INDIRETAS Dada a ausência de elementos comprobatórios e/ou indiciários relacionados aos anos auditados pelo Fisco, isto é, 2010 e 2011, com fulcro nos art. 50 da Lei n° 9.784/99, deve ser declarado nulo o lançamento tributário derivado das glosas de créditos de PIS e COFINS calculados sobre compras de café de pessoas jurídicas consideradas pelo Fisco como "de fachada. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (Grifos apostos). De outro norte, verificase que não houve por parte da fiscalização questionamento acerca da efetiva realização das operações. Tanto que a fiscal assim se manifestou: "Não há dúvidas que a compra de café foi efetivamente efetuada pela contribuinte, apenas a apuração do crédito referente a estas compras foi realizada de forma irregular". Ou seja, ela reconhece que todas as operações listadas de fato ocorreram, embora tenha entendido que as aquisições teriam ocorrido, na verdade, de pessoas físicas e não de pessoas jurídicas. Em outras palavras, entendo que o contribuinte, em observância ao seu ônus probatório, comprovou a existência das operações combatidas. A fiscalização, contudo, entendeu por desconsiderálas da maneira que formalizadas (entre pessoas jurídicas), para considerálas como tendo sido realizadas com pessoa física, por entender que a pessoa jurídica fora interposta por meio de esquema fraudulento do qual a Recorrente teria participado. Penso, contudo, que, para que pudesse desconsiderar as operações da forma que formalmente foram realizadas, deveria a fiscalização ter comprovado a participação da Recorrente no esquema fraudulento, o que inexistiu no caso concreto ora analisado. Até porque, é cediço que a fraude não se presume, devendo ser provada, e que cabe ao Fisco a produção de tal prova. Por outro lado, não há como se exigir do contribuinte a produção de prova negativa, no sentido de que "não teria participado da fraude", pois este tipo de prova é impossível de ser produzida. 1.3. Do pedido alternativo de manutenção dos créditos relativos às aquisições da E. Zappi, Cafeeira São José Ltda., Boa Safra Comércio de Café Ltda. e Comercial de Café Arábica Ltda. Ao final, o contribuinte apresentou pedido alternativo no sentido de que ao menos as operações realizadas com as empresas E. Zappi, Cafeeira São José Ltda., Boa Safra Comércio de Café Ltda. e Comercial de Café Arábica Ltda. sejam admitidas, tendo em vista que a fiscalização não teria logrado êxito em comprovar qualquer mácula em relação às mesmas. Sobre este pedido alternativo, o acórdão consignou a impossibilidade de acolhimento, fundamentado na posição assumida pela Cafeeira São José Ltda. nas operações, conforme depoimento de Paulo Pancieri Junior, de guiar o café, como mera fornecedora de nota fiscal, nunca tendo recolhido PIS e COFINS no período fiscalizado. Quanto às demais empresas, por terem sido declaradas inaptas por inexistência de fato. Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 640 17 Conforme analisado no tópico anterior, entendo que, ainda que algumas aquisições tenham sido realizadas de empresas mencionadas nas Operações Broca ou Tempo de Colheita (a exemplo da Munaldi, Colúmbia e São José), as glosas realizadas pela fiscalização não se sustentam no caso concreto aqui analisado, em razão da ausência de comprovação de que a Recorrente, na qualidade de adquirente, tenha, de alguma forma, participado da fraude identificada. E, no caso específico das aquisições realizadas das empresas E. Zappi, Boa Safra Comércio de Café Ltda. e Comercial de Café Arábica Ltda., entendo que a improcedência da glosa realizada se acentua pelo fato de que não há qualquer elemento nos autos que indique a relação dessas empresas fornecedoras com o esquema fraudulento deflagrado nas referidas operações. Conforme reconhecido na decisão recorrida, os depoimentos extraídos da operação tempo de colheita indicam apenas 3 dos fornecedores da Tangará, quais sejam, Munaldi, Colúmbia e São José. A autuação, em tais casos, limitouse ao fato de tais empresas terem sido consideradas inaptas. Acontece que a declaração de inaptidão no caso específico da E. Zappi e da Boa Safra foram realizadas posteriormente ao período objeto da presente demanda (ambas as inaptidões foram realizadas através de processo administrativo datado de 2009 vide fls. 977/978 dos autos, enquanto a presente demanda versa sobre o período de apuração de julho de 2005). Em tais casos, portanto, inexiste comprovação de participação, seja da empresa fornecedora, seja da empresa adquirente, em qualquer fraude apta a afastar o direito ao creditamento pleiteado, revelandose, por consequência, ainda mais acentuada a improcedência da glosa realizada pela fiscalização. 2. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de afastar a preliminar apresentada e, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 641 18 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Redator Em que pese o brilhante voto proferido pela I. Relatora, data venia, divirjo quanto ao seu posicionamento em relação à necessidade de comprovação da participação da ora recorrente no esquema fraudulento e à inaplicabilidade das declarações de inaptidão ao caso dos autos. Desde logo, esclareçase que o presente processo trata de pedido de compensação lastreado em supostos créditos de COFINS, portanto, não estamos analisando qualquer lançamento tributário agravado por dolo, fraude ou simulação, tão pouco, ocupase a lide de eventuais implicações penais de ilícitos cometidos. Dessa maneira, o ônus probatório deve ser considerado de forma diversa daquela que aconteceria nessas situações. O art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 642 19 c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. No que concerne ao direito de crédito tratado nos autos, a fim de evidenciar se maior clareza, reproduzse excerto do voto condutor do Acórdão recorrido: "Ocorre que, no regime nãocumulativo, as empresas adquirentes de mercadorias passaram a gozar do direito de crédito sobre o valor das compras, utilizandose da mesma alíquota válida para o cálculo das próprias contribuições. Porém, no caso aqui tratado, uma particularidade deve ser mencionada: Se a empresa adquirente de café em grão por exemplo, a Tangará – compra diretamente do produtor rural – pessoa física – o valor de seu direito creditório reduzse a 35% daquele referente a mesma compra de um atacadista/pessoa jurídica, regra que passou a valer após 01/02/2004, conforme excertos legais abaixo transcritos, antes desta data o direito creditório reduziase a zero, não existia: Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 643 20 desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009) (...) § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) (...)(gn). Antes do diploma acima citado prevalecia a regra geral, que vedava o creditamento resultante de compras de pessoa física, na forma do §3º do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 644 21 § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...) (gn) Ora, no quadro legal de regime nãocumulativo, que então se instituía passou a ser tributariamente interessante adquirir bens e serviços de pessoa jurídica e não diretamente de pessoa física. Assim, optar por uma pessoa jurídica, no caso atacadista de café, em detrimento de uma produtor rural pessoa física, pode situarse de fato no domínio do assim chamado planejamento tributário do adquirente. Embora, claro, a introdução de um elo a mais na cadeia produtiva eleve os custos desse adquirente, pois aquele atacadista intermediário, além de seus custos operacionais normais, deverá recolher as contribuições incidentes sobre as receitas auferidas nas suas alíquotas normais (1,65% e 7,6%), podendo se creditar no percentual de apenas 35% do crédito, calculado com as mesmas alíquotas. Evidenciase, então, que a aquisição da mercadoria da Pessoa Jurídica, ao invés da aquisição direta do produtor rural, embora, resulte para o adquirente creditamento integral, o seu custo de aquisição necessariamente será maior. De qualquer forma, a escolha por uma forma, ou outra, poderá fazer parte de um planejamento tributário, sem qualquer óbice legal." (grifos no original) Assim, temos que nas operações de compra de café, em relação ao PIS e COFINS não cumulativos, os adquirentes podem se creditar de 35% calculados sobre o valor das aquisições realizadas de pessoas físicas. Contudo, se tais operações de compra forem feitas de pessoas jurídicas, atacadistas, a empresa adquirente passa a ter direito ao creditamento integral. De sorte que, a meu sentir, a compra do produto de uma pessoa jurídica real é requisito inafastável para se fazer jus ao crédito "cheio". No caso concreto dos autos, restam incontroversos alguns fatos: a contribuinte, realmente, realizou aquisições de café; as glosas realizadas pela fiscalização ocorreram em relação a empresas fornecedoras que não existiam de fato, inaptas ou inativas e a ora recorrente não se desincumbiu de comprovar que as aquisições de café foram feitas de empresas reais. Com efeito, a contribuinte em nenhum momento carreou provas ao processo da existência de seus supostos fornecedores, ao contrário, limitouse a comprovar a tradição, isto é, o recebimento do produto e o pagamento, e a argumentar que desconhecia o esquema fraudulento, dessa maneira, no seu entender, comprovando sua boafé. Por um lado, repisese, que a própria fiscalização reconheceu que a contribuinte adquiriu os produtos. Logo, como já dito, esse fato é inconteste. Porém, a suposta Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 13771.000572/200522 Acórdão n.º 3002000.380 S3C0T2 Fl. 645 22 boafé da recorrente não tem o condão de afastar o requisito essencial para ter direito ao creditamento integral em relação a essas compras, isto é, terem sido realizadas de pessoas jurídicas reais. Não se está aqui afirmando que houve máfé da recorrente ou que ela não possa ter sido enganada pelas empresas pseudoatacadistas. Tais situações podem ter ocorrido. Entretanto, a celebração de um negócio jurídico fraudulento entre particulares, mesmo que uma das partes não tenha sido conivente com o delito e, ainda, tenha sido ludibriada, mesmo assim, não pode ser oposto ao Fisco, tampouco empresta materialidade ao crédito pleiteado. Dessarte, forçoso é admitir que a recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar o seu suposto direito creditório. A falta de liquidez e certeza do quantum pleiteado resta evidente, seja pela falta de provas da existência real dos supostos fornecedores da contribuinte, seja pela robustez do conjunto probatório trazido pela fiscalização. Por fim, quanto ao pedido alternativo formulado pela ora recorrente, continuo a divergir da I. relatora e, adoto como fundamento para decidir, o seguinte excerto do voto condutor da Acórdão recorrido: "A recorrente solicita a reversão das glosas dos créditos relativos às aquisições da E. Zappi, Cafeeira São José LTDA, Boa Safra Comércio de Café LTDA e Comercial de Café Arábica LTDA, tendo em vista que a Fiscalização não logrou êxito em comprovar qualquer mácula em relação a essas compras. No entanto, a Cafeeira São José LTDA fora citada (v. depoimento de Paulo Pancieri Júnior mais acima) como empresa que "guiava" o café, isto é, como mera fornecedora de nota fiscal, ressaltandose que nunca recolhera PIS/Cofins no período fiscalizado. As demais (E. Zappi, Boa Safra Comércio de Café LTDA e Comercial de Café Arábica LTDA) foram todas declaradas inaptas em virtude de inexistência de fato, ressaltandose que nunca recolheram quaisquer tributos no período, conforme quadro mais acima neste voto. Assim, a reversão solicitada deve ser indeferida" Ademais, acrescentese que os documentos juntados às fls. 301/313 são suficientes para comprovar a inexistência de fato dessas empresas ou, ao menos, sua inatividade no período em análise nos autos, ou seja, no anocalendário de 2005. Por exemplo, as empresas Boa Safra e Comercial de Café Arábica foram declaradas inaptas, por inexistência de fato, com efeitos a partir de, respectivamente, 01/04/2003 e 01/07/2004. Logo, também não procede o pedido alternativo deduzido no Voluntário. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 1094DF CARF MF
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