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Numero do processo: 13984.720243/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE - ENVIO PELO CORREIO COM AR. RECEBIMENTO POR PESSOA IDENTIFICADA. REGULARIDADE.
O fato da carta de intimação (AR) ter sido recebida por pessoa diversa e não diretamente pelo contribuinte, não invalida o ato, bastando que a carta tenha sido entregue no endereço informado pelo próprio contribuinte, com a devida assinatura do responsável pelo recebimento da correspondência.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Prevalece a Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - DITR elaborada pelo próprio contribuinte, a qual não foi retificada. Portanto, é de ser desconsiderado o laudo técnico acostado posteriormente.
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO.
Faz-se necessário que sejam declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual.
ÁREA DE RESERVA LEGAL.
É exigência legal que esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de lhe dar publicidade.
ÁREA DE SERVIDÃO FLORESTAL.
É indispensável que seja averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, em relação a qual o proprietário voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa
VALOR DA TERRA NUA. RATIFICAÇÃO DO VALOR ATRIBUÍDO NO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL. CABIMENTO.
O laudo técnico elaborado por profissional habilitado que optou por adotar o valor da terra nua atribuído pelo Fisco no Termo de Intimação Fiscal, prevalece sobre a DITR, tendo em vista que foi acostado pelo próprio contribuinte.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE ENVIO PELO CORREIO COM AR. RECEBIMENTO POR PESSOA IDENTIFICADA. REGULARIDADE. O fato da carta de intimação (AR) ter sido recebida por pessoa diversa e não diretamente pelo contribuinte, não invalida o ato, bastando que a carta tenha sido entregue no endereço informado pelo próprio contribuinte, com a devida assinatura do responsável pelo recebimento da correspondência. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Prevalece a Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR elaborada pelo próprio contribuinte, a qual não foi retificada. Portanto, é de ser desconsiderado o laudo técnico acostado posteriormente. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Fazse necessário que sejam declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. ÁREA DE RESERVA LEGAL. É exigência legal que esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de lhe dar publicidade. ÁREA DE SERVIDÃO FLORESTAL. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 02 43 /2 00 9- 20 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O laudo técnico elaborado por profissional habilitado que optou por adotar o valor da terra nua atribuído pelo Fisco no Termo de Intimação Fiscal, prevalece sobre a DITR, tendo em vista que foi acostado pelo próprio contribuinte. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL Tratase de processo de autuação contra o contribuinte acima qualificado, para cobrança de Imposto sobre a Propriedade Rural – ITR, exercício 2005, no qual, o interessado foi intimado do início do procedimento fiscal, através do Termo de Intimação Fiscal n° 09205/00017/2009 (fls. 10/12), em 05/10/2009 (fl. 13), para comprovação dos dados informados na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR, e para juntar a matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural, bem como juntar documentos referentes à declaração do ITR dos exercícios 2004, 2005, 2006 e 2007. Contra o interessado supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01/05, por meio do qual fora exigido o pagamento do ITR do Exercício 2005, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 11.679,06, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Santana, com área de 1.007,0 ha., NIRF 0.969.3858, localizado no município de Lages/SC. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13984.720243/200920 Acórdão n.º 2102002.758 S2C1T2 Fl. 117 3 Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou o Valor da Terra Nua declarado por meio de Laudo de Avaliação do Imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, razão pela qual o VTN foi alterado com base em informações do Sistema de Preços de Terra SIPT; que, em atendimento à intimação fiscal, o contribuinte apresentou laudo de avaliação no qual constou opção por adotar o VTN indicado no Termo de Intimação Fiscal, sob a justificativa de que a escolha do valor se deu por orientação da Auditora Fiscal, sendo que essa nega ter dado tal orientação, por caber ao contribuinte justificar o VTN utilizado na DITR apresentada; que, quanto às informações fornecidas no Resultado da Avaliação, não cabe isenção de áreas não pleiteadas anteriormente pelo contribuinte, posto que, ainda que fosse cabível, para comprovar as áreas de preservação permanente, interesse ecológico e servidão florestal deveria ser apresentado, entre outros documentos, o ADA protocolizado no prazo legal junto ao Ibama; e que, conforme documentação apresentada, foi considerado o valor de R$ 1.800/ha., extraído do SIPT, e alterada a área total do imóvel para 1.007,0 ha. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 06/51. No presente processo os valores declarados e as retificações de ofício da declaração do ITR de 2005 constam em fls 04. Em fls. 20/49, o contribuinte acostou um LAUDO COMPLETO DE AVALIAÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA, no qual para o ano de 2005, especificamente em fls. 38 traz o VTN idêntico ao apurado pelo Fisco. Os valores declarados, retificados de ofício e constantes do laudo apresentam o seguinte histórico: ITR 2005 Declarado, fl. 04 Retificação de ofício Laudo, fl. 37 01 Área Total do Imóvel 1.013,0 ha 1.007,0 ha 1.007,017 ha 02 Área de Preservação Permanente 13,0 ha 13,0 ha 56,42 ha 03 – Área de Reserva Legal 0,0 ha 0,0 ha 0,0 ha Área de int. Eco. e de Ser. Florestal 0,0 ha 0,0 ha 201,40 ha 04 – Área Tributável 1.000,0 ha 994,0 ha 749,20 ha 05– Área Ocupada com Benfeitorias 10,0 ha 10,0 ha 10,21 ha 06 – Área Aproveitável 990,0 ha 984,0 ha 738,99 ha Valor da Terra Nua R$ 64.000,00 R$ 1.812.600,00 R$ 1.812.630,60 16 Valor da Terra Nua Tributável R$ 63.174,40 R$1.789.036,20 R$ 359.946,11 As divergências entre o laudo e a retificação de ofício estão centralizadas na descrição das áreas, no entanto as áreas declaradas pelo contribuinte e retificadas pelo Fisco, beneficiam aquele. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com o lançamento lavrado pelo fisco, o contribuinte interpôs impugnação em 12/01/2010 (fls. 55/57), acompanhada dos documentos de fls. 58 e seguintes. Em síntese, sustentou que o levantamento topográfico georreferenciado efetuado no imóvel a partir de 2007 confirma que 60% do terreno está ocupado com áreas de preservação permanente e adensamento de vegetação nativa, mantidos há mais de 20 anos, o que demonstra que antes do Exercício de 2005, a propriedade já possuía esses recursos naturais preservados, até porque eles não se formam em poucos anos; e, por haver uma defasagem do exercício de 2005 para a data de início do levantamento topográfico em 2007, as informações disponibilizadas à SRF não estavam atualizadas. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Alegou que não apresentou o ADA por falta de informação sobre o assunto, diante de pouca divulgação no meio rural, e em maio/2006, recebeu Notificação do IBAMA que não continha em sua descrição solicitação desse documento, porém, visando regularizar a situação perante esse órgão, encaminhou para protocolo os ADAs referentes aos anos de 2002 à 2006; Referiu as seguintes as razões para a anulação do lançamento: a garantia de que no Exercício de 2005 a propriedade possuía as Áreas de Preservação Permanente e Adensamentos de Vegetação Nativa muito semelhantes à condição atual, conforme laudo de avaliação do VTN e mapa georreferenciado, bem como que o imóvel, com mais de 60% de sua área coberta de mata nativa e situado próximo do município de Lages/SC, presta vários serviços ambientais para a continuidade da sobrevivência humana com qualidade de vida, quais sejam, produção de água, manutenção de biodiversidade e captura de gás carbônico. Requereu que fosse declarada a anulação total do lançamento, sob o fundamento que no exercício de 2005 a propriedade rural em questão apresentavase com a ocupação e uso do solo referente às Áreas de Preservação Permanente APP e Adensamentos de Vegetação Nativa muito semelhante a condição atual, confirmada, segundo o Recorrente, pela apresentação do mapa georreferenciado e A.R.T. (2007). DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A Turma de primeira instância ao examinar a impugnação do contribuinte proferiu a seguinte decisão (excertos), fls. 89/94: [...] O contribuinte não discordou expressamente da alteração do VTN do imóvel feita no lançamento de ofício, tendo apenas apresentado argumentos visando demonstrar que mais de 60% de seu imóvel se refere a áreas de preservação permanente e vegetação nativa e que não apresentou o ADA por falta de informação sobre o assunto, fatos que justificariam a anulação do lançamento. [...] Na DITR/2005 processada foi declarada como área isenta apenas a de preservação permanente de 13,0 ha. No Laudo de Avaliação citado constou informação sobre existência no imóvel nos anosbase 2004, 2005 e 2006 de Área de Preservação Permanente de 56,42 ha. e Área de Interesse Ecológico e Servidão Florestal de 201,40 ha., sendo que essa foi informada como de reserva legal para o anobase 2007. No documento de fls. 61, intitulado Ato Declaratório Ambiental 2004, protocolado junto ao Ibama em 08/01/2010, constou informação sobre existência no imóvel de APP de 43,62 ha. e Área de Reserva Legal de 201,00 ha. No Mapa de fls. 64, elaborado em setembro/2006, constou informação sobre existência no imóvel de APP de 43,13 ha. e não constou informação sobre área de reserva legal. [...] Não é impossível que no cumprimento de sua obrigação legal o contribuinte venha a equivocarse e fornecer dados que não Fl. 119DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13984.720243/200920 Acórdão n.º 2102002.758 S2C1T2 Fl. 118 5 condizem com a realidade de seu imóvel, porém, nessa situação, cabe a ele apresentar comprovação dos erros cometidos em sua declaração, visando a retificação dos dados considerados no lançamento. A autoridade julgadora pode autorizar a alteração de dados declarados quando restar comprovado o erro no preenchimento da declaração e a alteração pretendida não resultar em agravamento da exigência inicial, mesmo que o dado que se pretenda corrigir não tenha sido objeto de alteração no procedimento de ofício. [...] Ressalto, ainda, que o imóvel foi tributado pela alíquota mínima, posto que foram aceitos todos os dados declarados na DITR/2005 quanto à distribuição das áreas do imóvel. Por todo o exposto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributado exigido. DAS RAZÕES RECURSAIS O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0425.905 da 1ª Turma da DRJ/CGE em 26/10/2011 (fl. 97). Sobreveio Recurso Voluntário em 21/11/2011 (fls. 105/114), que, em síntese, reprisou as alegações da impugnação. No mérito, acrescentou que não poderia ser alterado o valor do imposto devido, porque o percentual de exclusão para efeito da apuração do valor tributável, em nada foi alterado, em razão do imóvel ter aproveitamento total, e o que não está ocupado com florestamento, está ocupado com mata nativa. Referiu que a inexistência do ADA anteriormente à fiscalização, não tem o condão de justificar o procedimento fiscalizatório, isso porque, segundo o Recorrente, o referido documento é objeto da competência das leis ambientais, e o ITR é de competência das leis tributárias, com finalidades distintas e exclusivas. Ratificou que o imóvel objeto do lançamento tem 60% de cobertura florestal nativa, secular, e que o Recorrente faz questão de preservar, sendo que onde não tem mata nativa ou florestamento destinado à exploração de madeira, há pequenas partes do solo formadas por banhados, lagoas, sangas grotas, morros de pedra, que de alguma forma beneficiam a preservação da fauna e das fontes naturais de água. Colacionou jurisprudências no sentido que não há lei que obrigue o contribuinte a apresentar o ADA e Registro em Cartório das reservas referentes à preservação do meio ambiente para fins tributários. Insurgiuse acerca da apresentação de fichas de vacinas e notas fiscais de aquisição de vacinas para comprovação de áreas ocupadas por pastagens, sob a alegação que o Estado de Santa Catarina, está há anos livre da febre aftosa sem vacinação, bem como que outras vacinas necessárias à preservação da saúde dos animais não tem exigência legal, sendo que o Recorrente adquireas quando necessário. Sustentou por fim, nulidade da intimação, em razão do contribuinte ser absolutamente incapaz e representado por curador, bem como sustentou que foi juntado o Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 mandado de averbação do termo de curado por ocasião dos esclarecimentos da fl. 50, bem como alegou erro na apuração do imposto devido, em decorrência da isenção tributária das áreas de preservação permanente e reserva legal. Requereu a anulação da intimação, com a consequente anulação do lançamento. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Em que pese o Recorrente tenha sustentado nulidade da intimação como alegação de mérito, passo a analisála como preliminar. O fato da carta de intimação (AR) ter sido recebida por pessoa diversa e não diretamente pelo contribuinte, não invalida o ato, bastando que a carta tenha sido entregue no endereço informado pelo próprio contribuinte, com a devida assinatura do responsável pelo recebimento da correspondência, por analogia ao art. 8º, II , Lei 6830/80. Ainda, verificase que não ocorreu cerceamento de defesa, pois os esclarecimentos ao termo de intimação fiscal (fl. 50), bem como a impugnação (fl. 55/57) e o recurso voluntário (fls. 105/114), foram apresentados por pessoa legítima, qual seja, o contribuinte, devidamente assistido por seu curador, Marco Antonio Arruda. Ademais, o Código Tributário Nacional, dispõe em seu art. 126, que a capacidade passiva tributária independe da capacidade civil das pessoas naturais, assim, não padece de qualquer vício a intimação, tampouco o lançamento realizado pela autoridade fiscal. No mérito, o presente recurso se cinge à controvérsia dos requisitos para a exclusão de Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal, Interesse Ecológico e Servidão Florestal, da base de cálculo do ITR. A fim de um melhor entendimento da matéria, se faz necessária a transcrição do art. 10, III, da Lei 9.393/97, que define a base de cálculo do ITR, qual seja o Valor da Terra Nua e Valor da Terra Nua não Tributável: Art. 10 [...] III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; O valor da Terra Nua, por sua vez, também é definido no mesmo artigo: 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13984.720243/200920 Acórdão n.º 2102002.758 S2C1T2 Fl. 119 7 I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; A área tributável segue a mesma disciplina e encontrase definida no mesmo diploma legal: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 4771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei 7803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei 12651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei 11428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei 11727, de 2008) O Valor da Terra Nua deve ser combinado com o grau de utilização para a apuração da alíquota aplicável, na tabela progressiva. No caso em questão, existem algumas discussões: a) exigência de ADA; e b) não incidência de ITR sobre determinadas áreas (Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal, Interesse Ecológico e Servidão Florestal). A partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00, a entrega da ADA tem sido exigida como requisito à redução de imposto a pagar. Para que se compreenda adequadamente a alteração normativa e seu reflexo sistemático dentro do ordenamento, é preciso que se observe que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Em outros termos, a mera inserção de área de preservação permanente no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência, que poderá ser confrontada com a descrição contida em laudo técnico – documento elaborado por terceiro que corroborará a situação inserida no ADA. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Contudo, em que pese esta relatora entenda que o ADA não é exigência necessária para a constituição da Área de Preservação Permanente, prevalece a Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR, exercício 2005 (fls. 06/09), no qual o contribuinte declarou 13,00/ha de Área de Preservação Permanente, sem que tenha retificado a sua declaração posteriormente. Portanto, o laudo técnico elaborado em 2009 (fls. 20/42) retroativo aos anosbase 2004 à 2007, no qual constam 56,42 ha, divergindo inclusive do ADA, protocolado em 08/01/2010, referente ao ano de 2005, que consta uma A.P.P. de 43,62689 ha, não pode prevalecer sobre a declaração do próprio contribuinte, que constou área expressivamente inferior de A.P.P, ou seja, de 13 ha aceita pelo Fisco. Constatase ainda, que o ADA consiste em dados e informações diversas da DITR/2005, e inclusive, demonstra Área de Reserva Legal, que anteriormente não foi declarada por aquele, compreendida em 201/ha. No entanto, o que se vislumbra, é que a área apontada como de Reserva Legal está expressa em Áreas de Interesse Ecológico e Servidão Florestal, conforme se depreende do laudo técnico (fl. 37). Ainda que houvesse Área Reserva Legal, conforme descrito no ADA, que repiso, é um ato unilateral, este não persistiria, tendo em vista que não foi declarada na DITR/2005, tampouco constou expressamente no laudo técnico, não cabendo isenção de áreas não pleiteadas anteriormente pelo contribuinte. Ademais, é exigência legal que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. A averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal, documento que cria um registro público da sua existência e faz surgir uma obrigação real de preservação. Outrossim, em julgamento recente (EREsp 1027051 – 26/08/2013), a 1ª Seção do STJ, pacificou o entendimento das turmas de direito público, no sentido que a isenção do Imposto Territorial Rural – ITR, vale tão somente para as Áreas de Reserva Legal registradas na matrícula do imóvel, sob o fundamento que a União e os Municípios possam fiscalizar os contribuintes que declaram ter áreas de reserva legal dentro da propriedade para aproveitamento do benefício fiscal. Quanto às Áreas de Interesse Ecológico, fazse necessário que sejam declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I – destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II – comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não sendo aceita a área declarada em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º , II, “b” e “c”; RITR/2002, art. 15; IN SRF nº 256, de 2002, art. 14). No que tange às Áreas de Servidão Florestal, é indispensável que sejam averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais o proprietário voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa, localizadas fora das áreas de reserva Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13984.720243/200920 Acórdão n.º 2102002.758 S2C1T2 Fl. 120 9 legal e de preservação permanente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, art. 2º; RITR/2002, art. 14; IN SRF nº 256, de 2002, art. 13). A par das considerações acima expostas, verificamse exigências específicas para as Áreas de Reserva Legal, Interesse Ecológico e Servidão Florestal, as quais não foram devidamente cumpridas pelo contribuinte. Portanto, não podem prevalecer para efeitos de isenção do Imposto Territorial Rural àquelas áreas, inclusive porque não foram declaradas pelo contribuinte na DITR, exercício 2005, e tampouco retificadas posteriormente. Passo a analisar o arbitramento do Valor da Terra Nua – VTN, da propriedade do contribuinte. Verificase que o laudo técnico elaborado por profissional habilitado, optou por adotar o VTN de R$ 1.800,00 (fl. 38), informado no Termo de Intimação Fiscal (fl. 11), e utilizado na Notificação de Lançamento de fl. 01/05. Assim, considerando que o laudo técnico ratificou o valor arbitrado pela autoridade fiscal, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB, deixo de considerar o valor declarado pelo contribuinte na DITR/2005, que consta o valor de R$ 63,17 (fl. 08), tendo em vista que o laudo foi acostado pelo próprio contribuinte. Ante o exposto, rejeito a preliminar e no mérito NEGO PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 19515.002124/2010-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 22/09/2005, 23/11/2005, 25/11/2005, 28/11/2005, 26/12/2005, 27/12/2005
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. OPERAÇÕES DENTRO E FORA DA BOLSA DE VALORES. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. NÃO CABIMENTO.
Incabível o reajustamento da base de cálculo quando a responsabilidade pela retenção e pelo pagamento do imposto de renda na fonte recai sobre a mesma pessoa física, procurador e representante das sociedades estrangeiras em operações de compra e venda de ações no mercado nacional.
ERRO DE LANÇAMENTO. FATO GERADOR INEXISTENTE. CANCELAMENTO.
Constatada a inexistência do fato gerador indicado no Auto de Infração impõe-se o seu cancelamento na respectiva tributação de ofício.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONCOMITÂNCIA. VIAS JUDICIAL ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
DEPÓSITO JUDICIAL. REQUISITOS. ART 151, II CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Na hipótese de depósito judicial apenas parcial, o lançamento se impõe visando a garantir o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário com a imputação da multa de ofício e dos juros de mora aplicáveis sobre o montante do imposto não pago.
DÉBITOS VENCIDOS. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. LEGALIDADE. ART. 163 CTN.
A existência simultânea de dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo permite que a autoridade fiscal competente proceda a imputação proporcional dos pagamentos na forma estabelecida no art. 163 do CTN.
Numero da decisão: 2201-002.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da exigência as multas de ofício relativas aos fatos geradores ocorridos até 28/11/2005, inclusive. Fez sustentação oral o Dr. Rodrigo Souza de Castelo Branco, OAB/RJ 134944.
(Assinatura digital)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinatura digital)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Ricardo Anderle (Suplente convocado) e Marcio de Lacerda Martins. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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ALIENAÇÃO DE AÇÕES. OPERAÇÕES DENTRO E FORA DA BOLSA DE VALORES. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. NÃO CABIMENTO. Incabível o reajustamento da base de cálculo quando a responsabilidade pela retenção e pelo pagamento do imposto de renda na fonte recai sobre a mesma pessoa física, procurador e representante das sociedades estrangeiras em operações de compra e venda de ações no mercado nacional. ERRO DE LANÇAMENTO. FATO GERADOR INEXISTENTE. CANCELAMENTO. Constatada a inexistência do fato gerador indicado no Auto de Infração impõese o seu cancelamento na respectiva tributação de ofício. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONCOMITÂNCIA. VIAS JUDICIAL ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DEPÓSITO JUDICIAL. REQUISITOS. ART 151, II CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Na hipótese de depósito judicial apenas parcial, o lançamento se impõe visando a garantir o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário com a imputação da multa de ofício e dos juros de mora aplicáveis sobre o montante do imposto não pago. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 24 /2 01 0- 38 Fl. 668DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/01 /2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.002124/201038 Acórdão n.º 2201002.132 S2C2T1 Fl. 661 2 DÉBITOS VENCIDOS. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. LEGALIDADE. ART. 163 CTN. A existência simultânea de dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo permite que a autoridade fiscal competente proceda a imputação proporcional dos pagamentos na forma estabelecida no art. 163 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da exigência as multas de ofício relativas aos fatos geradores ocorridos até 28/11/2005, inclusive. Fez sustentação oral o Dr. Rodrigo Souza de Castelo Branco, OAB/RJ 134944. (Assinatura digital) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinatura digital) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Ricardo Anderle (Suplente convocado) e Marcio de Lacerda Martins. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Ricardo Abecassis Espírito Santo Silva, representante do Banco Espírito Santo S/A, pessoa jurídica sediada no exterior, responde pela apuração e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o Ganho de Capital gerado pelas operações de venda de ações do Banco Bradesco S/A, realizadas com o investidor estrangeiro Fundo de Pensões do Banco Espírito Santo, com sede em Lisboa, Portugal. O Auto de Infração, fls. 314 a 334, foi lavrado pela autoridade fiscal para exigir do contribuinte, acima identificado, o crédito tributário de R$20.568.272,43, sendo R$8.950.992,73 de imposto de renda na fonte, R$6.713.244,53 de multa de ofício de 75% e R$4.904.035,17 de juros de mora calculados até 30/06/2010. Da alienação das ações O contribuinte apurou o ganho de capital a partir dos dados relativos ao valor de venda, o custo de aquisição, as datas das operações e a quantidade de ações vendidas, conforme discriminados no quadro abaixo, a saber: Data da Operação Quantidade de ações Valor da venda (R$) Custo de aquisição (R$) Ganho de Capital (R$) 22/09/2005 3.300.000 336.600.000,00 119.726.071,82 216.873.928,18 Fl. 669DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/01 /2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.002124/201038 Acórdão n.º 2201002.132 S2C2T1 Fl. 662 3 23/11/2005 100.000 6.752.044,89 1.575.364,25 5.176680,64 25/11/2005 144.142 9.908.992,80 2.252.914,90 7.656.077,90 28/11/2005 22.500 1.524.534,06 350.951,66 1.173582,40 26/12/2005 201.800 14.073.238,59 3.147.646,43 10.925.592,16 27/12/2005 88.200 6.123.828,33 1.375.730,50 4.748.097,83 Apurado o ganho de capital, o contribuinte efetuou os pagamentos do imposto acrescido de juros de mora calculados até 30/09 e 29/12/2005 e a multa de mora referente ao fato gerador de 22/09/2005, conforme especificado no quadro a seguir: Data da operação IRRF devido (R$) Data do pagamento Juros de Mora (R$) Total recolhido (R$) DARF (fl.) 22.636.350,00 30/09/2005 0,00 (*)23.233.949,64 143 22/09/2005 9.894.739,23 29/12/2005 375.010,62 10.269.749,84 144 23/11/2005 776.502,10 29/12/2005 7.765,02 784.267,12 95 25/11/2005 1.148.411,69 29/12/2005 11.282,11 1.159.895,80 94 29/11/2005 176.037,36 29/12/2005 1.760,37 177.797,73 93 26/12/2005 1.638.838,82 29/12/2005 0,00 1.638.838,82 92 27/12/2005 712.214,67 29/12/2005 0,00 712.214,67 91 (*) incluído o valor da multa de mora de R$ 597.599,64 Da denúncia espontânea – ação judicial O contribuinte ajuizou, em 11/04/2006, ação judicial objetivando o reconhecimento do instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Efetuou, em 24/02/2006, o depósito judicial de R$ 2.293.389,09 (DARF fl. 454) correspondente às multas moratórias em litígio cujo valor apurou na forma do documento de fl. 505. Do Lançamento O Auto de Infração lavrado pela fiscalização está acompanhado dos demonstrativos de cálculo de fls. 314 e 315 e do Termo de Verificação de fls. 316 a 326 que resume o lançamento nos seguintes termos, a saber:: Constatado que o sujeito passivo não antecipou a totalidade do pagamento, ao arrepio do art. 150 do CTN; reputase que a vertente diferença de Imposto Retido na Fonte IRRF incidente sobre as Rendas e Proventos de Qualquer Natureza deve ser a exigida cumulada de acréscimos legais (juros de mora e de multa de ofício), previstos para os créditos constituídos por Auto de Infração. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/01 /2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.002124/201038 Acórdão n.º 2201002.132 S2C2T1 Fl. 663 4 Base tributável Visto que o recolhimento do Imposto Retido na Fonte IRRF incidente sobre as Rendas e Proventos de Qualquer Natureza auferidos por residentes ou domiciliados no exterior deve ser efetuado na data da ocorrência do fato gerador, em consonância com o art. 100 do DecretoLei n° 5.844/1943, art. 865,1, do RIR/99, e p. 70 do Mafon 2005; inferese que, em relação de Imposto Retido na Fonte IRRF incidente sobre "Rendas e Proventos de Qualquer Natureza", a base de cálculo da diferença apurada deve ser considerada líquida, cabendo por isso o reajustamento da respectiva base de cálculo, sobre a qual deve recair o imposto, conforme previsto na Lei n° 4.154/1962, art. 5º (RIR/99, art. 725). Além disso, o cálculo da diferença entre o valor que deveria ter sido efetivamente recolhido e, o recolhido (com insuficiência) pelo sujeito passivo deve ser efetuado obedecendose à proporcionalidade entre o principal e respectivos acréscimos e encargos legais (imputação proporcional de pagamento), como apurado no Demonstrativo de Cálculo anexo. O demonstrativo de cálculo, a que se refere a autoridade fiscal no trecho acima reproduzido, encontrase às fls. 314 e 315 e mostra a imputação proporcional dos pagamentos ao IRRF com a base de cálculo já reajustada. As diferenças apuradas foram transportadas para o Demonstrativo de Apuração de fls. 327 e 328, conforme o quadro abaixo: IRRF (R$) IRRF reajustado (R$) Data do Vencimento Data do pagamento Diferença (R$) 22.636.350,00 26.631.000,00 22/09/2005 30/09/2005 4.576.878,80 9.894.739,23 11.640.869,68 30/09/2005 29/12/2005 3.344.763,50 776.502,10 913.531,88 23/11/2005 29/12/2005 218.752,36 1.148.411,69 1.351.072,58 25/11/2005 29/12/2005 327.715,16 176.037,36 207.102,78 28/11/2005 29/12/2005 47.255,86 1.638.838,82 1.928.045,67 26/12/2005 29/12/2005 305.272,31 712.214,67 837.899,61 27/12/2005 29/12/2005 712.214,67 Totais 43.509.522,20 8.950.992,73 Da Impugnação Fl. 671DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/01 /2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.002124/201038 Acórdão n.º 2201002.132 S2C2T1 Fl. 664 5 Cientificado do lançamento, o interessado apresentou a impugnação de fls. 337 a 376, acompanhado da documentação de fls. 377 a 534, pretendendo demonstrar a improcedência da autuação apoiandose nas razões de fato e de direito, a seguir resumidas. Informa que o IRRF incidente sobre os ganhos de capital auferidos nas operações de venda de ações do Banco Bradesco foi regularmente recolhido pelo Banco Espírito Santo (BES) à alíquota de 15% juntamente com os juros de mora devidos pelo atraso nos pagamentos. As multas de mora foram depositadas em juízo face ao entendimento que deverão ser afastadas pela aplicação da denúncia espontânea. Questiona a aplicação da regra de reajustamento da base de cálculo pois não houve qualquer assunção de ônus financeiro pela fonte pagadora, e sim pelo representante do beneficiário, sociedade domiciliada no exterior. Esclarece que o impugnante, na qualidade de procurador da instituição financeira estrangeira, assinou a Ordem de Transferência de Ativos Escriturais Negociação Fora de Bolsa de Valores dirigida ao Banco Bradesco S/A, acompanhada da Declaração de Comprovação do Recolhimento do Imposto de Renda devido pelo alienante na transferência de ativos escriturais negociados fora da Bolsa de Valores (fls. 527 a 529) e efetuou o recolhimento do IRRF em 30/09/2005 e 29/12/2005. Enfim, considera insubsistente a autuação face à denúncia espontânea e solicita o cancelamento do lançamento. Da decisão de 1ª instância A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), por meio do Acórdão nº 1631.218, julgou procedente em parte a impugnação a partir dos argumentos resumidos a seguir. Constataram erro no lançamento quanto à ocorrência de fato gerador no dia 30/09/2005 e cancelaram o lançamento nesta data. Afastaram os efeitos do reajustamento da base imponível sobre todas as operações realizadas. Na operação de venda realizada fora na Bolsa de Valores, a responsabilidade do impugnante advém diretamente do disposto no art. 26 da Lei nº 10.833, de 2003. Já nas operações realizadas na Bolsa de Valores a responsabilidade é do representante do investidor estrangeiro no País, conforme definido no art. 785, II do RIR/99. Relevaram o fato de os comprovantes (DARF fls. 407 a 411) terem sido emitidos em nome do alienante Banco Espírito Santo S/A, sociedade estrangeira que tem o impugnante como representante no Brasil. Não conheceram da matéria relacionada à denúncia espontânea com a aplicação da Súmula CARF nº 1. Constataram que o depósito judicial não foi integral pois o interessado não efetuou a imputação proporcional dos pagamentos como deveria. Agindo assim, tornou obrigatório o lançamento com multa de ofício dos valores remanescentes do imposto não pago. Mantiveram o lançamento dos valores remanescentes conforme o quadro a seguir reproduzido. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/01 /2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.002124/201038 Acórdão n.º 2201002.132 S2C2T1 Fl. 665 6 Multa de Ofício Tributo Período de apuração Valor Principal (%) Valor IRRF 22/09/2005 1.598.634,88 75 1.198.976,16 IRRF 23/11/2005 81.722,58 75 61.291,94 IRRF 25/11/2005 108.705,90 75 81.529,43 IRRF 28/11/2005 16.190,44 75 12.142,83 IRRF 26/12/2005 16.065,54 75 12.049,16 IRRF 28/12/2005 4.669,85 75 3.502,39 Do Recurso de Ofício Por força do que determina o artigo 34, I, do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de oficio da decisão que exonerou do lançamento os valores discriminados abaixo, a saber: Multa de Ofício Tributo Período de apuração Valor Principal (%) Valor IRRF 22/09/2005 2.978.243,92 75 2.233.682,94 IRRF 30/09/2005 3.344.763,5 75 2.508.572,62 IRRF 23/11/2005 137.029,78 75 102.772,34 IRRF 25/11/2005 219.009,26 75 164.256,95 IRRF 28/11/2005 31.065,42 75 23.299,06 IRRF 26/12/2005 289.206,77 75 216.905,08 IRRF 28/12/2005 125.684,89 75 94.263,66 Do Recurso Voluntário Cientificado do Acórdão nº 1631.218 em 26/08/2011, AR fl. 591, o interessado apresentou em 27/09/2011, o Recurso Voluntário de fls. 597 a 656 com base nas razões de fato e de direito, a seguir resumidas. Requer que o recurso seja admitido e integral provido, cancelandose integralmente os créditos tributários de imposto sobre a renda retida na fonte (IRRF) mantida pelo acórdão recorrido. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/01 /2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.002124/201038 Acórdão n.º 2201002.132 S2C2T1 Fl. 666 7 Afirma que, contrariamente ao que foi decidido pela DRJ de São Paulo 1, o depósito judicial é suficiente para suspender a exigibilidade do crédito tributário dispensando a aplicação da multa de ofício. Alega que, mesmo que se entenda que o depósito judicial seja insuficiente, deve ser determinada a redução dos acréscimos legais proporcionalmente aos valores que já se encontram depositados judicialmente. Sucessivamente, requer o provimento do recurso para reconhecer que os valores relativos ao IRRF cujos fatos geradores ocorreram em 22/09/2005, 23/11/2005, 25/11/2005 e 28/11/2005 encontramse integralmente depositados, cancelandose a exigência desses créditos e dos respectivos acréscimos legais. Ainda sucessivamente, requer que seja determinado que a cobrança dos créditos tributários mantidos na autuação fique suspensa até o julgamento definitivo da Ação Ordinária nº 2006.61.00.0081234. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins Da apreciação do Recurso de Ofício A autoridade julgadora de primeira instância deve recorrer de oficio sempre que sua decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos em valor (lançamento principal e decorrentes) fixado pelo Ministro da Fazenda. Assim está estabelecido no artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo artigo 67, da Lei nº 9.532, de 1997. In casu, a decisão de primeira instância exonerou em R$7.125.003,54 o lançamento do imposto sobre a renda retido na fonte, alterandoo de R$8.950.992,73 para R$1.825.989,19, conforme especificado no quadro anexado à fl. 585. Assim, forçoso submeter a decisão ao recurso obrigatório. Nesses termos, tomo conhecimento do recurso de oficio que possui os requisitos exigidos para a sua admissibilidade. A decisão de 1ª instância está dividida em três itens, quais seja: cancelamento do lançamento referente ao fato gerador de 30/09/2005; afastamento do reajustamento da base de cálculo do imposto de renda na fonte incidente sobre a venda das ações na Bolsa de Valores e nas operações realizadas fora da Bolsa de Valores. No demonstrativo de cálculo utilizado pela autoridade fiscal para subsidiar o lançamento (fls. 403 e 404) consta a indicação da ocorrência de fato gerador em 30/09/2005. Constato a inexistência de fato gerador nesta data e que o pagamento de R$9.894.739,23, que serviu de referência para o reajustamento da base de cálculo, corresponde, na realidade, a pagamento complementar referente à venda das ações, realizada fora da bolsa de valores, em 22/09/2005. Quanto ao valor do imposto de renda sobre o ganho de capital apurado na alienação de 3.300.000 ações ordinárias do Banco Bradesco S/A realizadas fora da Bolsa de Valores: Fl. 674DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/01 /2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.002124/201038 Acórdão n.º 2201002.132 S2C2T1 Fl. 667 8 Nessas operações, verifico que a autoridade fiscal efetuou o lançamento aplicando sobre as importâncias apuradas do imposto de renda retido na fonte, a sistemática prevista no art. 725 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, in verbis: "Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº 4.154, de 1962, art. 5º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 63, § 2º). " Assim, o reajustamento da base de cálculo do imposto devido foi efetuado no lançamento sob a justificativa de que houve a assunção, por parte da fonte pagadora Espírito Santo Fundos de Pensões S/A – Administradora do Fundo de Pensões do Banco Espírito Santo, do ônus do imposto devido pelo beneficiário Banco Espírito Santo S/A. Entretanto, tal procedimento não se justifica uma vez que a operação foi realizada por procurador de ambas as partes envolvidas na operação e, face ao disposto no art. 26 da Lei nº 10.833, de 2003, único responsável pela retenção e recolhimento do imposto, a conferir: Art. 26. O adquirente, pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere o art. 18 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil. Portanto, ratifico a decisão das autoridades julgadoras de primeira instância nos exatos termos do voto condutor do acórdão recorrido que, face à clareza da redação, reproduzo a seguir, com grifos que acrescentei: Ante o exposto, baseandose nos elementos integrantes dos autos, notase que restou plenamente caracterizada que a legitimidade da atribuição da sujeição passiva ao impugnante, uma vez que se constituía na a qualidade de representante legal do adquirente das ações do Banco Bradesco S/A. Neste contexto, observase que o interessado apresentou elementos à autoridade lançadora, demonstrando que a operação realizada fora do mercado de balcão, apresentou um resultado ganho de capital no valor de R$ 216.873.928,18 (fl. 498), implicando a apuração do imposto de renda correspondente a R$ 32.531.089,23, cuja importância foi objeto de pagamentos realizados em atraso, através dos DARF recolhidos em nome do Banco Espírito Santo S/A, CNPJ n° 05.720.823/000105 (alienante), nas datas de 30/09/2005 (R$ 23.233.949,64) e 29/12/2005 (R$ 10.269.749,84), conforme cópias acostadas às fls. 399 e 406. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/01 /2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.002124/201038 Acórdão n.º 2201002.132 S2C2T1 Fl. 668 9 Decerto, o preenchimento dos DARF e a realização do pagamento em nome do beneficiário dos rendimentos provenientes da operação de venda ocorreu em face de providências conduzidas pelo próprio impugnante, cuja inconsistência na realização do procedimento decorre, inclusive, em face de sua dupla condição de representante legal no Brasil de ambas as sociedades estrangeiras. Entretanto, o material probatório anexado fins de comprovação da efetiva ocorrência do fato constitutivo da operação, não se traduzem condizentes para estabelecer a situação fática que incitaria a materialização do reajustamento da base imponível do imposto, prevista no art. 5º da Lei n° 4.154/1962, trasladada no art. 725 do RIR/99, tendo em conta que as informações processuais alusivas à negociação indicam que a assunção do encargo pelo pagamento da tributação incidente sobre o ganho de capital ocorreu, exclusivamente, pelo próprio alienante. Assim, injustificável o reajustamento da base de cálculo do imposto de renda incidente sobre o valor de venda das ações do Banco Bradesco S/A, realizada fora do mercado de balcão, na operação realizada em 22/09/2005. O recorrente apurou corretamente o IRRF devido nesta operação de R$ 32.531.089,23 mas efetuou os pagamentos nas datas de 30/09/2005 (R$ 23.233.949,64) e 29/12/2005 (R$ 10.269.749,84). Quanto às operações realizadas na Bolsa de Valores, aplicase o disposto nos arts. 778 e 785 do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, que além de sujeitar o residente ou domiciliado no exterior às mesmas regras de tributação do imposto previstas para os residentes e domiciliados no País, coloca o representante legal do investidor estrangeiro como responsável pela retenção e pagamento do imposto. Assim, cabe ao recorrente, comprovada sua condição de representante da sociedade estrangeira Banco Espírito Santo S/A, responder pela retenção e recolhimento do imposto incidente sobre os ganhos líquidos auferidos nas operações realizadas em Bolsa de Valores. Conseqüentemente, impõese afastar, neste caso também, os efeitos do reajustamento da base de cálculo do IRRF incidente sobre as operações realizadas na Bolsa de Valores. Ainda no bojo da decisão da instância de piso, foi analisado o pedido do recorrente para que a apuração do imposto devido, a comunicação do débito à RFB e sua quitação extemporânea sejam considerados em seu conjunto como uma “denúncia espontânea”, nos moldes preconizados no artigo 138 do CTN. Entretanto, o recorrente, pretendendo se exonerar da multa moratória, postulou judicialmente o reconhecimento do instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN e efetuou depósito judicial do valor contestado. Neste caso, não há como conhecer desta questão já submetida ao judiciário. É o que estabelece a súmula CARF nº 1, a saber: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/01 /2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.002124/201038 Acórdão n.º 2201002.132 S2C2T1 Fl. 669 10 Portanto, ratifico a decisão do Colegiado de 1ª Instância e assim, verificando que a decisão recorrida está fundamentada em elementos de prova, todos eles constantes dos autos, e estando os seus argumentos em perfeita sintonia com a legislação de regência, nego provimento ao recurso de oficio. Da apreciação do Recurso Voluntário Por meio do recurso voluntário, o interessado se insurge contra a decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo 1 nos pontos a seguir relacionados: Informa que o depósito judicial foi efetuado em 24/02/2006 no montante de R$2.293.389,09 com o objetivo de assegurar a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários relativos às multas moratórias em litígio, na forma do art. 151, II do CTN e que: “(i) contrariamente ao que foi decidido pela DRJ de São Paulo 1, o depósito judicial é suficiente para suspender a exigibilidade do crédito tributário dispensando a aplicação da multa de ofício. (ii) ainda que se entenda que o depósito judicial é insuficiente, deve ser determinada a redução dos acréscimos legais proporcionalmente aos valores que já se encontram depositados judicialmente.” Portanto, a questão aqui se resume em verificar se o montante depositado pelo recorrente corresponde de fato ao exigido pela legislação. Enquanto o recorrente sustenta ter depositado em juízo o valor integral do crédito tributário em litígio e pleitear os benefícios da denúncia espontânea nos termos do art. 138 do CTN, o i. relator do acórdão recorrido conclui que o valor depositado em juízo não foi suficiente para amortizar os créditos tributários exigíveis. Para sustentar o seu entendimento, o i. relator, após a realização da imputação proporcional dos pagamentos aos débitos, apresentou o quadro abaixo demonstrando, para cada fato gerador, o total necessário para a amortização dos saldos consolidados em 24/02/2006. Concluiu que o montante depositado não corresponde ao valor integral do crédito tributário apurado, conforme demonstra o quadro a seguir, a conferir: DARF ( 0473) Saldo devedor consolidado em 24/02/2006 Período de Apuração Valor Principal (R$) Data Valor pago Principal Juros Multa Total 30/09/2005 23.233.949,64 22/09/2005 32.531.089,23 29/12/2005 10.269.749,84 1.598.634,88 319.726,97 106.948,67 2.025.310,52 23/11/2005 776.502,10 29/12/2005 784.267,12 81.722,58 16.344,51 3.187,18 101.254,27 25/11/2005 1.148.411,69 29/12/2005 1.159.895,80 108.705,90 21.741,18 4.239,53 134.686,61 28/11/2005 176.037,36 29/12/2005 177.797,73 16.190,44 3.238,08 631,42 20.059,94 Fl. 677DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/01 /2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.002124/201038 Acórdão n.º 2201002.132 S2C2T1 Fl. 670 11 26/12/2005 1.638.838,82 29/12/2005 1.638.838,82 16.065,54 3.180,97 390,39 19.636,90 27/12/2005 712.214,67 29/12/2005 712.214,67 4.669,85 909,21 113,47 5.692,53 TOTAL 2.306.640,77 Depósito fl. 454 (numeração do eprocesso) Ressaltese que o quadro acima reproduzido consta do voto condutor do acórdão e foi preparado a partir da imputação proporcional dos pagamentos realizada conforme os demonstrativos de fls. 544/551 ou 551/558, numeração do eprocesso. O saldo devedor total apurado acima indica que não houve o depósito do montante integral do crédito tributário em litígio na via judicial, consoante determina o art. 151, II, do CTN. Assim, as autoridades julgadoras mantiveram o lançamento dos saldos devedores referentes aos fatos geradores, apontados no quadro acima, com multa de ofício de 75% e juros de mora. Por outro lado, o recorrente contesta a utilização da imputação proporcional dos pagamentos como realizada nos demonstrativos de consolidação e de vinculação de fls. 551 a 558 (numeração eprocesso), deixando transparecer que a utilização desse método majorou indevidamente os créditos tributários. Entretanto, não tem razão o recorrente. Cabe ao Fisco realizar a imputação dos pagamentos feitos a destempo e efetuar a distribuição proporcional desses valores entre as parcelas do crédito tributário, quais sejam o principal, os juros e a multa devidos na data do recolhimento. Na hipótese de o depósito judicial ficar aquém do legalmente exigido, o lançamento se impõe para resguardar o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário remanescente. Para que tenha o efeito de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o depósito tem que corresponder integralmente ao valor exigido pela Receita Federal. É o que se depreende do disposto no art. 151, II, do CTN, entendimento que encontra eco em diversos julgados dos tribunais superiores, como por exemplo: “DEPÓSITO DO MONTANTE CONTROVERTIDO. CTN ART. 151, II. O montante integral do crédito tributário, a que se refere o art. 151, II, do Código Tributário Nacional, é aquele exigido pela Fazenda Pública, e não aquele reconhecido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Recurso Especial conhecido e provido”.(STJ, 2ª T.,Resp 69.648/SP,Ari Pargendler) “PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO EM GARANTIA DO JUÍZO. INTEGRALIDADE. LIBERAÇÃO...O depósito de que trata o art. 151, II, do CTN, pode ser feito independentemente de autorização judicial. Independente assim, da propositura da ação cautelar. De qualquer modo, só suspende a exigibilidade do crédito tributário quando integral, vale dizer, da quantia correspondente ao que o credor pretende recebe, sendo inadmissível qualquer disputa a respeito de seu valor...”(TRF5, 1ª T, AG 0502386, rel. O Juiz Hugo de Brito Machado) Súmula nº 112 do STJ: Fl. 678DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/01 /2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.002124/201038 Acórdão n.º 2201002.132 S2C2T1 Fl. 671 12 O depósito do montante integral do tributo é o depósito em dinheiro do valor que é exigido pelo Fisco. Por outro lado, verificase que o depósito judicial foi realizado em uma única guia com valor que corresponderia aos diversos fatos geradores, sem a sua individualização. Assim sendo, considero aplicável a regra de imputação definida no art. 163 do CTN, a saber: Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: I em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; II primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos; III na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV na ordem decrescente dos montantes. Assim, tendo em vista que todos os débitos referemse a obrigações decorrentes de responsabilidade tributária, e referemse ao mesmo imposto, a imputação dos pagamentos deve ser realizada obedecendo a ordem dos prazos de prescrição, estabelecendo o Código que a imputação se dá na sua ordem crescente, ou seja, dos débitos mais antigos para os mais recentes. Sendo assim, considerandose o valor depositado de R$ 2.293.389,09 e a regra prevista no art. 163 do CTN os créditos tributários devem ser amortizados como demonstrado no quadro abaixo, a saber: Data de vencimento Principal (R$) Juros de Mora (R$) Multa de Mora (R$) Total (R$) Amortizado (R$) 22/09/2005 1.598.634,88 319.726,97 106.948,67 2.025.310,52 2.025.310,52 23/11/2005 81.722,58 16.344,51 3.187,18 101.254,27 101.254,27 25/11/2005 108.705,90 21.741,18 4.239,53 134.686,61 134.686,61 28/11/2005 16.190,44 3.238,08 631,42 20.059,94 20.059,94 26/12/2005 16.065,54 3.180,97 390,39 19.636,90 12.077,75 27/12/2005 4.669,85 909,21 113,47 5.692,53 0,0 TOTAIS 2.306.640,77 2.293.389,09 Fl. 679DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/01 /2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.002124/201038 Acórdão n.º 2201002.132 S2C2T1 Fl. 672 13 Dessa forma, verifico que o depósito foi integral para os quatro primeiros débitos, restando insuficiente apenas para aqueles com vencimento em 26/12/2005 e 27/12/2005. Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício e dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da exigência as multas de ofício relativas aos fatos geradores ocorridos até 28/11/2005, inclusive. (Assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 680DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/01 /2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 19515.002124/201038 Acórdão n.º 2201002.132 S2C2T1 Fl. 673 14 INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201 002.132. Brasília, 13 de janeiro de 2014. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 1ª TO / 2ª Câmara / 2ª Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: ______/______/_______ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 681DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/01 /2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO
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Numero do processo: 13820.001015/2002-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
IPI - CRÉDITO BÁSICO - LEI 9.826/99 - CRÉDITOS APURADOS EM DILIGENCIA - DEFERIMENTO
Constatada a existência de créditos em procedimento de diligência, devem ser deferidos os créditos pleiteados até o limite do crédito reconhecido. Os créditos glosados que não foram discutidos após intimação do contribuinte para tanto tornam-se incontroversos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.377
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Os créditos glosados que não foram discutidos após intimação do contribuinte para tanto tornamse incontroversos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 10 15 /2 00 2- 53 Fl. 838DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de retorno de diligência solicitada para que fossem analisados os documentos trazidos pelo Contribuinte em sede de impugnação administrativa e aferidos os valores efetivamente devidos (e se devidos) a título de IPI. Conforme já relatado nos termos da Resolução no 20100.773, de 04 de setembro de 2008 (fls. digitais 393 e segs.), verbis: “Tratase de pedido de ressarcimento de IPI com base nos termos do artigo 5º da Lei nº 9.826/99, referente ao período de apuração do 3º trimestre do ano de 2000. Parte dos produtos produzidos teriam sido remetidos a Zona Franca de Manaus e o restante destinados à fabricação de motocicletas. Por serem saídas com suspensão do IPI, a Recorrente teria direito a manter o creditamento e, conseqüentemente, ao ressarcimento de valores e compensação com tributos federais. Intimada a apresentar documentos que comprovassem o crédito pleiteado, a Recorrente não se manifestou, tendo sido indeferido seu pedido de ressarcimento (fls. 49). Inconformada, a Recorrente apresentou suas razões de inconformidade – fls. 51/234, oportunidade em que anexou o que seriam os documentos comprobatórios da existência do crédito, como notas fiscais de entrada e saída (amostragem), cópia da DIPJ e DCTFs, do livro de registro de apuração do IPI e do livro diário onde se registraram os créditos. Alegou a existência do crédito e a desnecessidade de apresentar os documentos requeridos pela autoridade administrativa. Foi apensado aos autos deste processo o de nº 13820.000251/200171, em que a Recorrente havia pleiteado os mesmos créditos sem obter êxito em razão da ausência dos documentos necessários, a despeito das intimações recebidas. Logo, extinguiuse o processo sem o que a Recorrente define como “julgamento do mérito”, posto que sequer foi apresentada manifestação de inconformidade contra o indeferimento do direito ao crédito. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13820.001015/200253 Acórdão n.º 3302002.377 S3C3T2 Fl. 11 3 Após a análise dos documentos, a Segunda Turma da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu o acórdão nº 11.773, em 29/03/06, fls. 239/245, por meio do qual manteve a negativa do despacho decisório sob os seguintes fundamentos: (i) a autoridade administrativa pode e deve solicitar a apresentação de documentos que comprovem a existência de créditos pleiteados pelos contribuintes e, pelas regras que regem o processo administrativo, é a Recorrente quem deve comprovar a existência de seu direito; (ii) a Recorrente apenas teria instruído o pedido de ressarcimento com uma planilha genérica, com os totais mensais do crédito pleiteado e cópia do livro de apuração do IPI; (iii) as cópias do livro de apuração trazidos divergem daquelas que foram apresentadas no processo de nº 13820.000251/2001 71; (iv) não teria constado do processo: a relação dos produtos fabricados pela empresa; a indicação de qual teria sido enviado a ZFM; a menção à classificação fiscal dos produtos fabricados; as notas fiscais de compra (insumos) ou as informações sobre o insumo utilizado na industrialização; (v) não teria havido comprovação do envio dos produtos a ZFM; (vi) os documentos apresentados posteriormente ao indeferimento do pedido de ressarcimento não podem ser analisados pela Delegacia na fase de julgamento, em razão de ser de competência da DRF; (vii) sem mencionar que o simples não atendimento à fiscalização já seria razão suficiente para o indeferimento do pleito. Indignada, a Recorrente opôs Recurso Voluntário por meio do qual reiterou suas razões de inconformidade e acrescentou as alegações de que teria apresentado toda a documentação necessária à comprovação de seu direito, a qual sequer foi analisada pela Delegacia de Julgamento, discorreu, ainda, acerca da possibilidade de serem aceitos documentos quando da apresentação de manifestação de inconformidade, inclusive se a autoridade administrativa não compareceu à sede da empresa para verificação dos documentos in locu. Rechaçou, ainda, o fato de a decisão ter se fundamentado na ausência de provas produzidas no processo de nº 13820.000251/200171, por se tratarem de procedimentos autônomos, sendo certo que o direito ao crédito estaria comprovado nestes autos.” A Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte converteu o julgamento em diligência com as seguintes determinações: “Em vista deste fato e da ausência de diligência in locu para verificação dos documentos, voto no sentido de converter o Fl. 840DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 presente julgamento em diligência, para que o agente administrativo: analise os documentos apresentados junto ao recurso de manifestação de inconformidade, para concluir se são suficientes para justificar o crédito pleiteado; não sendo suficientes, a autoridade administrativa deverá (a) intimar a Recorrente para apresentar documentação suporte hábil no prazo de 30 dias, (b) analisar tais documentos, (c) elaborar parecer conclusivo acerca da existência ou não de créditos e (d) intimar a Recorrente para manifestação, acerca do parecer, em 30 dias; sendo suficientes para a concessão do crédito a autoridade administrativa deverá (a) elaborar parecer conclusivo, (b) intimar a Recorrente para manifestação, acerca do parecer, em 30 dias.” Após realizar as devidas diligências, as autoridades fazendárias realizaram Termo de Informação Fiscal (fls. dig. 557/561), no qual indicou a glosa de R$ 599,80, sendo que dos R$ 16.293,30 pleiteados foram entendidos como existentes e devidos R$ 15.693,50. A Recorrente foi intimada a se manifestar em 30 dias, sem apresentar qualquer manifestação. A seguir os autos foram remetidos a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – para julgamento. É o relatório. Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, trata de retorno de diligência que foi determinada para que fosse procedida à análise dos documentos apresentados em sede de impugnação pela Recorrente, bem como para que fosse averiguada a existência de crédito tributário a ser restituído a título de IPI em vista da atividade incentivada do contribuinte com empresas sitas à Zona Franca de Manaus. De acordo com “Termo de Informação Fiscal”, anexo às fls. 557/561, a auditoria reconheceu que o contribuinte teria direito à R$ 15.693,50, dos R$ 16.293,30 pleiteados. Indicou, portanto, parra fins de glosa, o valor de R$ 599,80. Não houve discordância, por parte da Recorrente, sobre a indicação de glosa, o que a tornou incontroversa. Uma vez concordes fiscalização e contribuinte, entendo pela procedência parcial do pedido de ressarcimento em comento. Ante o exposto, conheço do recurso voluntário apresentado para o fim de DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, reconhecendo o crédito apurado pela auditoria à fls. 557/561. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13820.001015/200253 Acórdão n.º 3302002.377 S3C3T2 Fl. 12 5 É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 842DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 19515.005659/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.
Impõe-se a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada procedente em parte, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração.
No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias.
Correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Com esteio nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial para a) excluir a penalidade aplicada em relação aos fatos geradores rechaçados no Auto de Infração DEBCAD n. 37.119.537-3. - Processo n° 19515.005660/2008-71; e b) recalcular o valor da multa determinando o recálculo da multa com fulcro no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos AIs correlatos. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Carolina Wanderley Landim, que davam provimento parcial em maior extensão, para recalcular o valor da multa de acordo com a regra do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Elias Sampaio Freire. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire Presidente e Redator Designado
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada procedente em parte, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 56 59 /2 00 8- 46 Fl. 735DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com esteio nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial para a) excluir a penalidade aplicada em relação aos fatos geradores rechaçados no Auto de Infração DEBCAD n. 37.119.5373. Processo n° 19515.005660/2008 71; e b) recalcular o valor da multa determinando o recálculo da multa com fulcro no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos AIs correlatos. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Carolina Wanderley Landim, que davam provimento parcial em maior extensão, para recalcular o valor da multa de acordo com a regra do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Elias Sampaio Freire. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire – Presidente e Redator Designado Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.005659/200846 Acórdão n.º 2401003.329 S2C4T1 Fl. 722 3 Relatório PRODUTOS ROCHE QUÍMICOS E FARMACÊUTICOS S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 12a Turma da DRJ em São Paulo/SP I, Acórdão n° 1632.503/2011, às fls. 499/534, que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em relação ao período de 01/2003 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 23/24, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração (Descumprimento de Obrigação Acessória), lavrado em 29/09/2008, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa com base nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. De conformidade com o Relatório Fiscal da Infração, a presente penalidade fora aplicada em razão da contribuinte deixar de informar em GFIP a totalidade das remunerações dos segurados empregados, cujas contribuições previdenciárias (obrigação principal) pertinentes foram lançadas no AI n° 37.119.5373 – Processo n° 19515.005660/200871. Com mais especificidade, consoante explicitado no Relatório Fiscal da Infração, a fiscalização constatou que não foram declaradas em GFIP [...] verbas remuneratórios sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias, de 01/2003 a 12/2006, relativas ao PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS RESULTADOS EMPRESA (executado em desconformidade à Lei n. 10.101, de 19 de Dezembro de 2000), cujo detalhamento das ilegalidades de aludido programa encontrase no Auto de Infração DEBCAD n. 37.119.5373. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 555/603, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. De início, suscita prejudicialidade deste processo relativo à obrigação acessória com aqueles referentes à obrigação principal, impondo seja sobrestado o presente feito até julgamento final dos autos de infração correlatos, em face da dependência entre eles. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo, com esteio no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, pugna pelo recálculo da multa nos termos da Lei n° 11.941/2009, mais precisamente a alteração introduzida na Lei n° 8.212/91, com a inclusão do artigo 32A, mais benéfico a contribuinte, o que enseja a sua necessária observância no cálculo da penalidade imputada. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender que a conduta da contribuinte, ao deixar de informar em GFIP os valores sob análise, Fl. 737DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 assim o foi simplesmente em razão de não considerálos como fatos geradores das contribuições previdenciárias, conduta que não guarda relação com o fundamento legal do presente lançamento que contempla penalidade ao contribuinte que apresentar documento com dados não correspondentes aos fatos geradores [...], inexistindo, portanto, motivação legal para autuação que se contesta. Opõese à penalidade imposta, aduzindo para tanto que malfere os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, consagrados pela Constituição Federal, mais precisamente em seu artigo 37. Suscita, ainda, que foram aplicadas 48 (quarenta e oito) multas no decorrer do período objeto da autuação enquanto o correto seria a aplicação de uma única penalidade pela infração eventualmente incorrida pela contribuinte. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.005659/200846 Acórdão n.º 2401003.329 S2C4T1 Fl. 723 5 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a presente autuação foi lavrada em virtude de a recorrente ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, mais precisamente deixando de informar as verbas remuneratórias sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias, de 01/2003 a 12/2006, relativas ao PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS RESULTADOS EMPRESA (executado em desconformidade à Lei n. 10.101, de 19 de Dezembro de 2000), cujo detalhamento das ilegalidades de aludido programa encontrase no Auto de Infração DEBCAD n. 37.119.5373. – Processo n° 19515.005660/200871. Nesse contexto, a contribuinte foi autuada, com fundamento no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, ensejando a constituição do presente crédito previdenciário decorrente da aplicação da multa calculada com arrimo no artigo 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada: [...] IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] § 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior.” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: [...] Fl. 739DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras;” Verificase, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que deu margem à aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social. Em suas razões recursais, pretende a recorrente a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte substancial da exigência fiscal, suscitando basicamente a prejudicialidade da presente autuação com os processos onde se encontram lançadas as contribuições previdenciárias pertinentes (obrigação principal), pugnando pelo recálculo da multa com base no artigo 32A da Lei n° 8.212/91, ou mesmo o seu afastamento em razão da ausência de motivação legal para tanto, além de malferir os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Relativamente a prejudicialidade arguida pela contribuinte, merece acolhimento sua pretensão, razão pela qual impõese constatar qual fora o resultado do julgamento do processo principal (Auto de Infração DEBCAD n. 37.119.5373. – Processo n° 19515.005660/200871) de maneira a refletir no presente, senão vejamos. Destarte, incluído na pauta do dia 15/05/2012, a Egrégia 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a SJ do CARF entendeu por bem conhecer do recurso voluntário interposto nos autos do processo n° 19515.005660/200871 e darlhe provimento parcial, o fazendo sob a égide dos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. OBSERVÂNCIA. Para que os valores pagos a título de PPR não sejam excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias, é mister que haja a observância dos requisitos legais contidos na Lei nº 10.101/00. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É correta a aplicação da taxa SELIC para as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas em atraso pela Receita Federal. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.005659/200846 Acórdão n.º 2401003.329 S2C4T1 Fl. 724 7 Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido em parte.” Com mais especificidade, extraise da parte dispositiva do julgado acima o seguinte resultado: “[...] Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso de ofício para NEGARLHE PROVIMENTO, bem como pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que os valores pagos a título de PPR aos funcionários localizados em São Paulo e Rio de Janeiro (CNPJ’s nos 33.009.945/000123 e 33.009.945/002339), decorrente dos acordos coletivos firmados para o período de 2006, sejam excluídos do lançamento, bem como para excluir os valores exigidos a título de PLR, relativamente aos acordos coletivos de 2003 a 2005, incidentes sobre os pagamentos realizados aos funcionários localizados nos estabelecimentos de São Paulo e Rio de Janeiro (CNPJ’s nos 33.009.945/000123 e 33.009.945/002339), com exceção dos pagamentos realizados aos funcionários alcançados pelas seguintes previsões contratuais: (i) “Premiação negociada entre Diretorias e Presidência”; (ii) “Premiação Extraordinária da Força de Vendas”; e (iii) Setores de venda de que tratam o § 2º da Cláusula VI dos acordos de 2003 a 2005. [...]” Ainda irresignada naqueles autos (processo n° 19515.005660/200871), a contribuinte opôs Embargos de Declaração, os quais foram conhecidos e providos, simplesmente para estender o resultado do julgamento encimado aos processos n°s 19515.005661/200815 DEBCAD 37.119.5438 (segurados) e Processo nº 19515.005663/200812 DEBCAD 37.1195470 (Terceiros), corrigindose, ainda, erro de escrita contido na Ementa do decisório combatido, nos termos do Acórdão n° 2402003.826, assim ementado: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS E DEVIDAS A TERCEIROS. Constatada a omissão do Acórdão quanto ao julgamento dos recursos voluntários relativos às contribuições previdenciárias dos segurados e devidas a terceiros, correto o manejo dos embargos de declaração objetivando sanar o vício apontado. INCRA. HIGIDEZ DA CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL. ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Tendo em vista o julgamento pelo STJ do REsp nº 977.058/RS, submetido à sistemática do art. 543C do CPC, é devida a contribuição ao INCRA, cuja decisão deve ser reproduzida neste Fl. 741DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Conselho, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. Embargos Acolhidos.” Dessa forma, no julgamento da presente autuação impõese à observância à decisão levada a efeito nos processos suso mencionados, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, uma vez que os fatos geradores pretensamente não informados em GFIP foram caracterizados/lançados naqueles autos. Na esteira desse entendimento, no mérito, uma vez rechaçada em parte a exigência fiscal com esteio nas remunerações dos segurados empregados, assim consideradas as verbas pagas a título de PLR, aludida decisão deve, igualmente, ser adotada neste julgamento, afastando, por conseguinte, a penalidade aplicada pertinente aos valores concedidos àquele título, os quais foram excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias, na linha do decidido no processo principal. No que concerne à pretensa ausência de motivação legal para o presente lançamento, não merece guarida a argumentação da contribuinte, eis que a simples leitura do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, acima transcritos, vigentes à época dos fatos geradores, se mostram como evidentes fundamentos à penalidade em face da conduta da empresa. DO CÁLCULO DA MULTA – LEI Nº 11.941/2009 RETROATIVIDADE Por derradeiro, em que pese à procedência parcial do lançamento em seu mérito, destacase que posteriormente à lavratura do Auto de Infração fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova redação ao artigo 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentando, ainda, o artigo 32A aquele Diploma Legal, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a consequente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96, senão vejamos: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos Fl. 742DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.005659/200846 Acórdão n.º 2401003.329 S2C4T1 Fl. 725 9 necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 8o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV do caput deste artigo impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 743DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” Partindo dessa premissa, em face da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, impõese à aplicação desse novo calculo da multa, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 744DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.005659/200846 Acórdão n.º 2401003.329 S2C4T1 Fl. 726 11 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” (grifamos) Antes mesmo de contemplar as razões meritórias, mister analisarmos o disposto no artigo 113 do Código Tributário Nacional, o qual determina que as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes da legislação de regência, de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar a contribuinte de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Como se observa, a nova legislação, de fato, contemplou inédita formula de cálculo de aludidas multas que, em suma, vem sendo conduzida pelo Fisco e fora adotada no Acórdão recorrido, da seguinte forma: 1) Na hipótese do descumprimento de obrigações acessórias ocorrer de maneira isolada (p.ex. tão somente deixar de informar a totalidade dos fatos geradores em GFIP), com a ocorrência da observância da obrigação principal (pagamento do tributo devido), aplicarseá para o cálculo da multa o artigo 32A da Lei n° 8.212/91; 2) Por seu turno, quando o contribuinte, além de inobservar as obrigações acessórias, também deixar de recolher o tributo correspondente, a multa a ser aplicada deverá obedecer aos ditames do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, que remete ao artigo 44 da Lei n° 9.430/96, determinando a aplicação de multa de ofício de 75%; Não obstante parecer simples, aludida matéria encontrase distante de remansoso desfecho. Isto porque, a legislação anterior apartava as autuações por descumprimento de obrigações acessórias das notificações fiscais (NFLD) decorrentes de inobservância das obrigações principais, levando a efeito multas distintas, inclusive, no segundo caso, com aplicação de multa de mora variável no decorrer do tempo (fases processuais). Assim, com a introdução de novas formas de cálculo da multa, nos casos de descumprimento de obrigações tributárias (principal e acessória), os lançamentos pretéritos, bem como aqueles mais recentes que abarcam fatos geradores relacionados a período anterior a referida alteração, tiveram que ser reanalisados com a finalidade de se verificar a melhor modalidade do cálculo da penalidade e, se mais benéfico, aplicálo. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 A propósito da matéria, o ilustre Conselheiro Júlio César Vieira Gomes se manifestou com muita propriedade, conforme se depreende do excerto do Voto condutor do Acórdão n° 2402001.895, exarado nos autos do processo n° 15983.000199/200892, de onde peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir: “ [...] O recorrente já se beneficiou do direito à relevação de parte da multa aplicada pela correção parcial da falta, mas ainda não quanto à retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao exame desse direito. Seguem transcrições: [...] Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos Fl. 746DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.005659/200846 Acórdão n.º 2401003.329 S2C4T1 Fl. 727 13 casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparando com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara em DCTF R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa de ofício a ser aplicada? Nenhuma. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de fraude) sobre a diferença de R$ 20.000,00. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a DCTF já teria constituiria o crédito tributário sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Seguem transcrições: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Fl. 747DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, Fl. 748DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.005659/200846 Acórdão n.º 2401003.329 S2C4T1 Fl. 728 15 a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. [...] Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: [...] Fl. 749DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 16 De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazê lo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.005659/200846 Acórdão n.º 2401003.329 S2C4T1 Fl. 729 17 §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ressaltase que a verificação da regra mais benéfica deve ser em relação ao valor da multa aplicada no autode infração, anteriormente à qualquer outra redução em face da correção parcial da falta ou outro motivo. Isto porque a retroatividade benéfica do artigo 106 do CTN se opera no plano da subsunção do fato à nova regra jurídica. A relevação de parte da multa pela correção parcial da falta do decorrer do processo deve ser realizada após a incidência da nova regra. Melhor explicando: devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32A, inciso II da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor; após, a relevação de parte da multa remanescente na proporção da correção parcial da infração. [...]” Na esteira desse entendimento, em que pese à procedência parcial do lançamento em relação ao mérito, impõese determinar o recálculo da multa, com fulcro no artigo 32A da Lei n° 8212/91, na forma prescrita na legislação hodierna mais benéfica, retroagindo, portanto, para alcançar fatos pretéritos. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades suscitadas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os tributos ora exigidos e multa aplicada, encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 18 A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Fl. 752DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.005659/200846 Acórdão n.º 2401003.329 S2C4T1 Fl. 730 19 Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir a penalidade aplicada em relação aos pretensos fatos geradores rechaçados no Auto de Infração DEBCAD n. 37.119.5373. – Processo n° 19515.005660/200871, bem como recalcular a multa nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, se mais benéfico ao contribuinte, pelas razões de fato e de direito encimadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 20 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire – Redator Designado Ouso divergir do ilustre conselheiro relator no que diz respeito à regra de aplicação da multa mais benéfica. Na hipótese dos autos o contribuinte foi autuado pela entrega da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com previsão legal no art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212, de 1991. A obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente, nos temos do art. 113, § 1°, do CTN, tendo por fato gerador, de acordo com o art. 114 do mesmo diploma legal, a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Já o fato gerador da obrigação tributária acessória, diz o art. 115 do CTN, é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Isto porque em se tratando de obrigação acessória, clara é a disposição do § 3° do art. 113 do CTN, de que a sua inobservância convertea em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária, como no dizer de Luiz A. Gurgel de Faria, in. Código Tributário Nacional Comentado, que havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados ao tributo. Assim sendo, já que pelo simples fato da sua inobservância, a obrigação acessória é convertida em principal (CTN, art. 113, § 3°), sujeitandose, portanto, ao lançamento de oficio, na forma do art. 149 do CTN. Relembrese que, no presente caso o contribuinte foi autuado pela entrega da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com previsão legal no art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que a MP n.º 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, ao mesmo tempo em que revogou os referidos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, promoveu nova sistemática de aplicação de multas. Assim dispunha o revogado art. 32, § 5º da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: “§ 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009)” Fl. 754DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.005659/200846 Acórdão n.º 2401003.329 S2C4T1 Fl. 731 21 Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas, in verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão» desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." É Indubitável a aplicação da multa benéfica, conforme disciplina do art. 106, II, “c” do CTN. O ponto submetido a apreciação deste colegiado resumese em definir como deve ser aplicada a multa nos termos da atual regência normativa. O supracitado art. 32, § 5º, destinavase a punir a apresentação, pelo contribuinte, de declaração inexata quanto aos dados relativos a fatos geradores de tributos, independentemente da existência ou não de tributo a recolher. Ante o exposto e em decorrência da alteração legislativa, o acórdão recorrido optou por aplicar a regra contida no art. 32A da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a constatação pelo Fisco de que o contribuinte apresentara declaração inexata ensejaria o direito de aplicação da multa do art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 1991, que poderia corresponder a 100% do valor relativo às contribuições não declaradas, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei 8.212, de 1991, in verbis: Fl. 755DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 22 § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) 0 a 5 segurados1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados50 x o valor mínimo Nessa mesma hipótese, caso se verificasse, além da declaração incorreta, a existência de tributo não recolhido, terseia, em acréscimo, a incidência da multa prevista na redação anterior do art. 35, inciso II, da referida lei (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009), in verbis: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Fl. 756DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.005659/200846 Acórdão n.º 2401003.329 S2C4T1 Fl. 732 23 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).” Vêse, pois, na sistemática revogada, a existência de multas diversas para fatos geradores igualmente distintos e autônomos: uma, prevista no art. 32, § 5°, que tem natureza de multa por descumprimento de obrigação acessória e, portanto, constituirá o próprio crédito tributário, não guardando vinculação com a obrigação principal de pagamento do tributo devido no prazo de lei; e a outra, consistente em penalidade pecuniária que decorre do não recolhimento do tributo devido dentro do respectivo vencimento, prevista no art. 35, II. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ou seja, a multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Deste modo, impõese determinar a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos AIs correlatos. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 24 Isso posto, divirjo do relator para DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO, determinando o recálculo da multa com base no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. É como voto. Elias Sampaio Freire. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 13855.720041/2008-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. TERRAS SUBMERSAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, traduzida na Súmula nº 45 do CARF, a qual é de observância obrigatória, não incide Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. MARGENS DE REPRESA DE USINA HIDRELÉTRICA. INEXISTÊNCIA DE ADA. RECONHECIMENTO DAS ÁREAS SUBMERSAS. DECORRÊNCIA POR DEFINIÇÃO LEGAL.
Uma vez reconhecida à existência e a não incidência de ITR sobre as áreas submersas por represa de Usina Hidrelétrica, por decorrência lógica/legal impõe-se admitir as suas margens como área de preservação permanente, por definição da própria legislação de regência, especialmente artigo 2o, alíneas a e b, da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal), independentemente de apresentação de ADA.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, conhecer do recurso em relação às áreas alagadas. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. No mérito:1) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso com relação às áreas alagadas; 2) por maioria de votos, negar provimento ao recurso com relação às áreas marginais consideradas APP. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator-Designado
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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TERRAS SUBMERSAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, traduzida na Súmula nº 45 do CARF, a qual é de observância obrigatória, não incide Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. MARGENS DE REPRESA DE USINA HIDRELÉTRICA. INEXISTÊNCIA DE ADA. RECONHECIMENTO DAS ÁREAS SUBMERSAS. DECORRÊNCIA POR DEFINIÇÃO LEGAL. Uma vez reconhecida à existência e a não incidência de ITR sobre as áreas submersas por represa de Usina Hidrelétrica, por decorrência lógica/legal impõese admitir as suas margens como área de preservação permanente, por definição da própria legislação de regência, especialmente artigo 2o, alíneas “a” e “b”, da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal), independentemente de apresentação de ADA. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 00 41 /2 00 8- 72 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, conhecer do recurso em relação às áreas alagadas. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. No mérito:1) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso com relação às áreas alagadas; 2) por maioria de votos, negar provimento ao recurso com relação às áreas marginais consideradas APP. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – RedatorDesignado EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação de Lançamento, em 14/04/2008, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2005, incidente sobre o imóvel rural denominado “Furnas 863 – Usina Hidrelétrica de Estreito” localizado no município de Pedregulho/SP, cadastrado na RFB sob o nº 2.707.3408, conforme peça inaugural do feito, às fls. 01/07, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário a então Terceira Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0415.052/2008, às fls. 122/131, que julgou procedente o lançamento fiscal em Fl. 335DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13855.720041/200872 Acórdão n.º 9202002.892 CSRFT2 Fl. 212 3 referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara, em 19/06/2009, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 310200.410, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 ITR TERRAS SUBMERSAS. Não incide o ITR sobre as terras submersas utilizadas como reservatórios para usinas hidrelétricas. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. As áreas que circundam os reservatórios e suas ilhas são áreas de preservação permanente, isentas de ITR. Recurso Voluntário Provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 180/192, com arrimo no artigo 7o, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: De início, suscita que o Acórdão fora proferido em julgamento realizado em 19/06/2009, anteriormente à vigência do RICARF, aprovado pelo Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, possibilitando a interposição do presente recurso especial por contrariedade à lei, com esteio no antigo Regimento Interno do Conselho, contemplado pela Portaria MF n° 147/2007. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, o qual reconheceu a não incidência do ITR sobre as áreas alagadas, por entender ter contrariado a legislação de regência, mais precisamente os artigos 29 do CTN e 1o da Lei n° 9.393/1996, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente. Em defesa de sua pretensão, assevera que os dispositivos legais que regulamentam a matéria, especialmente o artigo 29 do Códex Tributário, c/c artigo 1° da Lei n° 9.393/1996, os quais contemplam o conceito do fato gerador do ITR, não trazem em seu bojo qualquer ressalva em função do uso ou da atividade urbana do município, bastando que o imóvel esteja localizado fora das zonas urbanas dos municípios para se caracterizar como rural e, portanto, sujeito à incidência do tributo em epígrafe. Neste sentido, sustenta que esses imóveis com outras atividades econômicas, mesmo aqueles desapropriados em favor de empresa estatal concessionária de serviços públicos de eletricidade, destinados aos reservatórios de usina hidrelétrica, também estão sujeitos ao ITR. Contrapõese ao afastamento da tributação a pretexto de a contribuinte não ser proprietária dos imóveis desapropriados para construção de usinas hidrelétricas, defendendo que aludido tema já fora objeto de análise por parte da Receita Federal do Brasil, notadamente pela COSIT, a qual emitiu Parecer n° 15/2000, concluindo que o serviço de energia elétrica é um serviço público privativo, de competência da União, podendo, no Fl. 336DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 entanto, ser explorado não só pela União, mas também pelas pessoas jurídicas dos outros entes da Federação e pelos particulares. Dessa forma, alega a recorrente que a contribuinte Furnas Centrais Elétricas SA é a legítima proprietária dos imóveis que, após desapropriados por iniciativa do poder público, foram incorporados ao seu patrimônio, mesmo que afetados ao uso especial de serviço público privativo da União (produção, geração e distribuição de energia elétrica). Relativamente à área de preservação permanente, pugna pela reforma do Acórdão recorrido, sob o argumento de ter malferido os preceitos inscritos no artigo 10, § 4°, da Instrução Normativa SRF n° 43/1997, com redação dada pelo artigo 1o, inciso II, da IN/SRF n° 67/1997, bem como o artigo 111 do Código Tributário Nacional. Opõese ao entendimento da Turma recorrida, aduzindo para tanto que para comprovação das áreas de preservação permanente, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. No presente caso, tratandose do exercício de 2005, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Acrescenta, para efeito de não incidência do ITR sobre a área de preservação permanente, que a contribuinte deveria ter informado aludida área em sua Declaração de ITR, providenciando em seguida, dentro do prazo legal, a protocolização do requerimento do competente ADA junto ao IBAMA/órgão conveniado. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à protocolização do requerimento do ADA ou mesmo a comprovação das áreas declaradas submersas e de preservação permanente, impõese à manutenção do presente lançamento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de terem sido observados os pressupostos para conhecimento do recurso, uma vez tempestivo e por tratarse de decisão não unânime, além da existência do pré questionamento da matéria e indício de contrariedade à lei, conforme Despacho nº 2200.049/2011, às fls. 195. Instada se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 202/208, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, ressaltando a inobservância dos pressupostos de conhecimento do recurso especial, mormente quando a Fl. 337DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13855.720041/200872 Acórdão n.º 9202002.892 CSRFT2 Fl. 213 5 matéria (não incidência de ITR sobre terras alagadas) já se encontra sumulada, bem como em razão da ausência de ADA quanto à área de preservação permanente não ter sido objeto da autuação fiscal. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Com a devida vênia ao ilustre Presidente da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando parte da pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida totalmente sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Inicialmente, impende contemplar a argumentação da contribuinte no sentido de que o recurso especial ofertado pela Procuradoria da Fazenda Nacional não preenche os pressupostos regimentais para seu conhecimento. DAS ÁREAS ALAGADAS Destarte, relativamente a não incidência de ITR sobre terras submersas em razão de instalação de reservatório de usina hidrelétrica, a hipótese contemplada nos autos causa pequena confusão em relação as alterações regimentais ocorridas entre o Acórdão recorrido e a interposição do Recurso Especial. Com efeito, quando fora proferida a decisão guerreada (19/06/2009), estava em plena vigência o Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, que possibilitava à Fazenda Nacional a interposição de recurso especial por contrariedade à lei, o que fora mantido pelo novo RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, para os Acórdãos exarados até a entrada em vigor das novas normas regimentais, razão do conhecimento da peça recursal por parte do ilustre Presidente da Turma recorrida. Entrementes, tanto o regimento hodierno (artigo 67, § 2°) quanto o pretérito (artigo 7°, § 3°) estabelecem que o recurso especial não deverá ser conhecido quando o Acórdão recorrido aplicar Súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, CARF ou CSRF, senão vejamos: Portaria MF n° 147, de 28/06/2007 “Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Câmaras que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou que na apreciação de matéria preliminar decida pela anulação da decisão de primeira instância.” Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância.” In casu, o que torna digno de realce é que à época do decisório combatido (19/06/2009) inexistia Súmula contemplando a matéria, bem como o regramento processual era prescrito pela Portaria MF n° 147/2007, o que, repitase, possibilitou a interposição do recurso especial por contrariedade à lei. No entanto, quando da protocolização do recurso especial, em 23/02/2010 (fl. 180), além do novo Regimento Interno RICARF (não aplicável), a Súmula CARF n° 45 já havia sido aprovada e publicada (DOU de 22/12/2009), nos seguintes termos: “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.” Neste sentido, ainda que se pretenda adotar o antigo Regimento Interno inscrito na Portaria MF n° 147/2007, à época da protocolização do recurso especial a matéria objeto de contestação já se encontrava sumulada, o que faz incidir a hipótese de não conhecimento da peça recursal estabelecida no artigo 7°, § 3°. Diante dos fatos acima alinhavados, estando a pretensão da Procuradoria da Fazenda Nacional em dissonância com os pressupostos regimentais VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL, relativamente à não incidência de ITR sobre as áreas alagadas. No entanto, uma vez vencido quanto ao conhecimento do recurso, na linha do que restou decidido no voto vencedor da lavra do ilustre Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, passo à análise do mérito da questão. Destarte, como acima assentado a matéria objeto de contestação nesta empreitada, qual seja, a incidência de Imposto Territorial Rural sobre terras submersas encontrase sumulada por este Colegiado, no sentido contrário do entendimento da recorrente (Súmula nº 45 acima transcrita). Fl. 339DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13855.720041/200872 Acórdão n.º 9202002.892 CSRFT2 Fl. 214 7 E, segundo o artigo 72, § 4 º do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho, inexistindo razão para maiores discussões nos presentes autos, impondo seja mantida a não incidência de ITR sobre o imóvel rural sob análise, razão pela qual NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DA PROCURADORIA. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo o ilustre Presidente da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a contrariedade à lei suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os preceitos inscritos no artigo 10, § 4°, da Instrução Normativa SRF n° 43/1997, com redação dada pelo artigo 1o, inciso II, da IN/SRF n° 67/1997, bem como o artigo 111 do Código Tributário Nacional, os quais estabelecem que a comprovação das áreas de preservação permanente está condicionada à emissão ou protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). No presente caso, tratandose do exercício de 2005, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Acrescenta, para efeito de não incidência do ITR sobre a área de preservação permanente, que a contribuinte deveria ter informado aludida área em sua Declaração de ITR, providenciando em seguida, dentro do prazo legal, a protocolização do requerimento do competente ADA junto ao IBAMA/órgão conveniado. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à protocolização do requerimento do ADA ou mesmo a comprovação das áreas declaradas submersas e de preservação permanente, impõese à manutenção do presente lançamento. Em suas contrarrazões, pretende a contribuinte não seja conhecida a peça recursal da Procuradoria da Fazenda Nacional, suscitando que aludida matéria não fora objeto da autuação fiscal. Não obstante compartilhar em parte com a contribuinte, tendo em vista que, de fato, aludida matéria (exigência do ADA para comprovação das áreas de preservação permanente) não fora contemplada por ocasião da lavratura do auto de infração, o certo é que, desde a defesa inaugural, onde se estabelece a lide, a autuada defende que referida área encontrase fora do campo de incidência do ITR independentemente da emissão ou requisição atempada do ADA. Dessa forma, tal questão fora devidamente discutida nos Acórdãos de primeira e segunda instância, bem como nas respectivas peças recursais, o que demonstra que, efetivamente, compõe a lide objeto deste processo, devendo, portanto, ser conhecida a peça recursal, mormente por se escorar em pretensa contrariedade à lei. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, quanto à área de preservação permanente, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Isto porque, referidas glebas de terra são consideradas como área de preservação permanente pela própria legislação de regência, mais precisamente artigo 10, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.393/1996, c/c artigo 2o, alíneas “a” e “b”, da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal), preceituando este último dispositivo o seguinte: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais;” Melhor elucidando, por decorrência do afastamento da tributação das áreas submersas pelo reservatório da Usina Hidrelétrica objeto do presente lançamento, devese reconhecer que a área correspondente à sua margem, igualmente, encontrase fora do campo de incidência do ITR, em razão de se caracterizar por definição legal como área de preservação permanente. Ou seja, é a própria legislação que reconhece como de preservação permanente referidas áreas, rechaçando, portanto, a tributação do ITR, na linha do que foi exposto no decisum atacado. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13855.720041/200872 Acórdão n.º 9202002.892 CSRFT2 Fl. 215 9 A jurisprudência desta Turma não discrepa do entendimento, consoante se positiva do Acórdão n° 920202.225 – Sessão de 28/06/2012, da lavra do nobre Conselheiro Elias Sampaio Freire, exarada nos autos do processo n° 10980.014503/200542, de onde peço vênia para transcrever ementa e excerto do voto e adotar como razões de decidir, in verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 USINA HIDRELÉTRICA. ÁREAS SUBMERSAS. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. súmula CARF nº 45. Consideramse de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação natural situadas ao longo de qualquer curso d´agua, , inclusive as áreas de entorno das terras submersas por águas que formam reservatórios artificiais com fins de geração e distribuição de energia elétrica. Recurso especial provido. Voto Quanto a questão referente às áreas alagadas, a controvérsia foi dirimida com a aprovação da súmula CARF nº 45, (publicada do DOU em 22.12.2009) in verbis: “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.” Em relação à tributação pelo ITR das áreas marginais, estas também não prosperam, já que, forte no inciso II do artigo 10 da Lei nº 9393/96, as áreas marginais de lagos, reservatórios, dentre outros, são consideradas áreas de preservação permanente. Por sua vez, A Lei nº 4771/65 — Código Florestal, em seu art. 2º, disciplina que consideramse de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação natural situadas ao longo de qualquer curso d´agua, inclusive as áreas de entorno das terras submersas por águas que formam reservatórios artificiais com fins de geração e distribuição de energia elétrica. Precedentes desta 2ª Turma da CSRF: [...] Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte. [...]” (grifamos) Fl. 342DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Diante das razões encimadas, tratandose de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante definição da própria legislação de regência, impõese o reconhecimento de referida área, para efeito da fruição da isenção em comento. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2a Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 343DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13855.720041/200872 Acórdão n.º 9202002.892 CSRFT2 Fl. 216 11 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Campos, Designado Em que pese o brilhantismo do voto do Ilmo. Conselheiro Relator, peço vênia para divergir, estritamente quanto ao conhecimento do recurso. Com efeito, o recurso está baseado no art. 7o, inciso I da Portaria MF n° 147, de 2007, a seguir: Portaria MF n° 147, de 28/06/2007 “Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Câmaras que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou que na apreciação de matéria preliminar decida pela anulação da decisão de primeira instância.” Salientese que, conforme consta do § 3o acima “não cabe recurso de decisão que aplique súmula”. Entretanto, o Conselheiro Relator entendeu por não conhecer do recurso, porque, no momento da protocolização do recurso especial, em 23/02/2010, já havia sido publicada a Súmula CARF n° 45 (DOU de 22/12/2009), nos seguintes termos: “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.” Entendo de maneira diferente. Notese que o recurso se refere ao acórdão nº 310200.410, exarado em 19/06/2009 que, apesar de tratar do mesmo assunto posteriormente pacificado pela súmula CARF n° 45, não a aplicou. Nem poderia têla aplicado, porque a súmula é posterior ao acórdão. Em vista do exposto, voto por conhecer do recurso, também no tocante às áreas alagadas. (Assinado digitalmente) Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 344DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930873/2011-83
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-002.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.930873/201183 Recurso nº Acórdão nº 3801002.521 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERAÇÃO CRM. Recorrida FAZENDA NACIONAL 01/09/2002a30/09/2002 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 73 /2 01 1- 83 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.359, julgado na sessão de 11 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre(DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.930873/201183 , em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. 4 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, onde apresentou as suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei 6 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. 7 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.003929/2008-26
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. CÁLCULO DE RESTITUIÇÃO. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ERRO NO CÁLCULO DO RECORRENTE.
Não merece reparo o cálculo do acórdão de primeira instância referente a restituição de imposto quando sua correção é reconhecida na defesa do contribuinte, cujo apelo baseou-se em erro de cálculo quanto ao valor principal a ser restituído e induziu o próprio recorrente a erro na identificação do valor dos juros de mora apurados pela Receita Federal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Melo.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. CÁLCULO DE RESTITUIÇÃO. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ERRO NO CÁLCULO DO RECORRENTE. Não merece reparo o cálculo do acórdão de primeira instância referente a restituição de imposto quando sua correção é reconhecida na defesa do contribuinte, cujo apelo baseou-se em erro de cálculo quanto ao valor principal a ser restituído e induziu o próprio recorrente a erro na identificação do valor dos juros de mora apurados pela Receita Federal. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Melo.
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CÁLCULO DE RESTITUIÇÃO. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ERRO NO CÁLCULO DO RECORRENTE. Não merece reparo o cálculo do acórdão de primeira instância referente a restituição de imposto quando sua correção é reconhecida na defesa do contribuinte, cujo apelo baseouse em erro de cálculo quanto ao valor principal a ser restituído e induziu o próprio recorrente a erro na identificação do valor dos juros de mora apurados pela Receita Federal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Melo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 39 29 /2 00 8- 26 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relativamente ao exercício 2007, anocalendário 2006, a contribuinte transmitiu várias declarações retificadoras (fls. 38), até que a declaração transmitida em 01/03/2008 (fls. 44) deu origem ao processamento de uma notificação de lançamento que exigiu a devolução do valor da restituição paga a maior (fls. 09). O cálculo demonstrado nessa notificação de lançamento foi o seguinte: Imposto a restituir declarado R$1.943,48 Imposto já restituído com base em declarações retificadas R$2.311,07 Restituição indevida a devolver R$367,59 Juros de mora calculado até 03/2008 R$36,90 A contribuinte impugnou alegando que deixou de informar na DIRPF o valor de IRRF de R$2.049,28 relativo aos proventos do Ministério da Defesa, os quais são isentos em razão de moléstia grave. Em primeira instância foi reconhecido que na declaração retificadora objeto do lançamento (fls. 20/22) somente foram informados como rendimentos tributáveis o rendimento recebido de FIEB e que não contou da declaração o IRRF de R$2.049,28 referente aos proventos isentos do Ministério da Defesa. Consequentemente, determinou a inclusão do IRRF de R$2.049,28 o que implicou em imposto a restituir de R$3.992,76, do qual foi subtraído o valor de R$2.311,00 já restituído (conforme notificação de fls. 9), restando saldo a restituir de R$1.681,69. Este valor acrescido de juros à taxa Selic foi pago à contribuinte (fls. 68 e 71). A ciência do acórdão ocorreu em 03/07/2008 e recurso voluntário foi interposto no dia 01/08/2008. Na peça recursal, após ressaltar os principais fatos do processo, a recorrente alega: 1) “com a apresentação da terceira retificadora, já demonstrada nestes autos, a saber, erro o valor referente à restituição da FIEB, no valor de R$8.088,60, com pagamento de IRRF descontado em fonte no valor de R$1.943,48” (sic); 2) ficou um saldo remanescente a ser restituído no valor de R$1.943,48, acrescido de juros e correção, não restituído até o momento; ao contrário, a DRF descontou, indevidamente, o valor de R$261,79 e devolveu a título de correção conforme constou do acórdão; 3) tendo sido depositado em sua conta o valor de R$1.943,48, que subtraído o valor reconhecido no acórdão R$1.681,69, obtémse a quantia de R$295,30, que subtraindose a diferença devida à contribuinte leva à conclusão de que recebeu como juros apenas R$33,51, lesando a contribuinte que sequer teve acesso à planilha de cálculos . É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.003929/200826 Acórdão n.º 2802002.681 S2TE02 Fl. 78 3 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator A argumentação da recorrente reportase a uma metodologia de cálculo da restituição que representa contrariedade contra a execução do acórdão, somente indireta e superficialmente podese reconhecer um recurso contra o acórdão de primeira instância. Somente a contestação do acórdão da DRJ é que permite o conhecimento em sede de recurso voluntário e é com essa feição que será analisado o recurso da contribuinte interposto tempestivamente. O acórdão recorrido deferiu em parte a impugnação ao admitir a inclusão do IRRF de R$2.049,28 o que implicou em imposto a restituir de R$3.992,76, do qual foi subtraído o valor de R$2.311,00 já restituído (conforme notificação de fls. 9), restando saldo a restituir de R$1.681,69. Não merece reparo o acórdão recorrido. A recorrente adota premissa equivocada ao considerar que “ficou um saldo remanescente a ser restituído no valor de R$1.943,48, acrescido de juros e correção, não restituído até o momento”, pois esse valor somente fazia sentido antes da decisão de primeira instância. A restituição de R$1.943,48 foi informada pela contribuinte na DIRPF retificadora transmitida em 26/02/2008 (fls. 20/22, na numeração digital n. 44). O erro praticado pelo contribuinte, foi corrigido com a inclusão do IRRF retido pelo Ministério da Defesa, do que resultou um imposto a restituir de R$3.992,76 (e não mais 1.943,48), do qual é necessário subtrair o valor já restituído (incontroverso, fls. 08) de R$ 2.311,07 (o acórdão equivocouse apenas em ignorar os centavos). É uma questão aritmética, o saldo a restituir é de R$1.681,69, tal como constou no acórdão impugnado. Este valor acrescido de juros à taxa Selic foi pago à contribuinte (fls. 68 e 71). A recorrente cometeu erro no demonstrativo de fls. 08, no qual com base nos mesmos valores do acórdão recorrido (exceto diferença nos centavos) concluiu que o total a receber com juros e correção era de R$1.943,48. A memória de cálculo da DRF para identificar o montante de juros de mora consta às fls. 68 (numeração digital n. 1334), onde consta juros calculados com base na Selic, de janeiro de 2007 a julho de 2008 (mês do depósito em conta da contribuinte, fls. 71). Outro equívoco da contribuinte é afirmar que foi depositado em sua conta R$1.943,48, pois o valor depositado foi de R$1.976,99 (fls. 70/71). Dos já mencionados erros da contribuinte decorreu a conclusão equivocada acerca dos juros pagos pela Receita Federal. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Devese, portanto, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 155DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000708/2003-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
Numero da decisão: 2202-002.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt
.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 07 08 /2 00 3- 25 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt . Fl. 701DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13888.000708/200325 Acórdão n.º 2202002.500 S2C2T2 Fl. 544 3 Relatório Contra o contribuinte CARLOS ALBERTO MARQUES DOS SANTOS, CPF n° 919.331.61868, foi lavrado auto de infração do imposto de renda relativo a rendimentos ao ano calendário de 1998 apurados com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Onde foi lançando imposto no valor de R$ 45.132,71, mais acréscimos legais, totalizando R$ 109.803,36. A motivação do auto de infração foi descrita pela autoridade lançadora no termo de verificação fiscal conforme documentos de fls. 341 a 355. O contribuinte apresentou impugnação tempestivamente, onde alega em síntese, os seguintes argumentos (fls. 364/376): 1) Alega que não foi verificado o real detentor dos valores depositados na conta. Indica ter comunicado ao auditor fiscal que era apenas intermediário entre a Copagaz Distribuidora e os terceiros ,Cerâmica Almeida, N, Rossini & Cia e Industria de Pisos Avaré Ltda. 2) Com a solicitação da documentação para comprovar o mencionado, conseguiu apenas documentos da Cerâmica Almeida para o prova do alegado, tendo o auditor fiscal excluído esses depósitos. 3) Apesar de várias tentativas, do impugnante junto a Rossini & Cia e Indústria de Pisos Avaré Ltda, estas não lhe forneceram os documentos solicitados. 4) O auditor fiscal deveria buscar o real detentor dos valores sob sua análise, sendo que esta conduta não fora adotada neste caso, pois o Sr. Auditor Fiscal se limitou a argumentar que o contribuinte não comprovou a origem desses valores. 5) O interessado argumenta que utilizou todos os recursos ao seu alcance para esclarecer, entretanto não conseguiu reunir toda a documentação para esclarecer os fatos. Nesse sentido solicita que seja suspenso o auto de infração e que seja diligenciado junto a empresas anteriormente mencionadas para que as mesmas produzam os documentos. 6) Alega a impossibilidade de cálculo dos valores devidos com base em depósitos bancários. 7) Comenta sobre a Súmula No. 182 do TFR, que define como ilegítimo o lançamento de impostos com base em depósitos bancários. Cita diversas decisões judiciais e administrativas que respaldam essa tese. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – DRJ/SDR, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade de votos pela procedência do Fl. 702DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 lançamento, através do acórdão DRJ/SDR n° 12.403, de 29 de março de 2007 (fls. 427/433), consubstanciado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL Quando se tratar de presunções legais, cabe ao contribuinte o ônus de produzir provas hábeis e irrefutáveis da nãoocorrência da infração. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada quando da interposição da impugnação, sendo, ainda, prerrogativa da Autoridade Julgadora de 1ª instância indeferir a realização de diligências, quando considerálas prescindíveis ou impraticáveis, ensejando indeferimento, outrossim, o pedido de produção de prova pericial formulado sem observância dos requisitos legais exigidos. Assim sendo, é de se rejeitar o pedido de produção de provas, formulado no desfecho da peça impugnatória. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Devidamente cientificado dessa decisão em 18 abril de 2007, ingressa o contribuinte tempestivamente com recurso voluntário em 03 de maio de 2007, às fls 441/458, onde requer a reforma da decisão reiterando os argumentos trazidos na impugnação Em 18 de dezembro de 2008, o julgamento foi convertido em diligência, através da Resolução 10402.103, onde foi solicitado que a autoridade preparadora: intime a COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA. CNPJ 03.327.583/001481, a prestar esclarecimentos sobre quais foram os valores que foram pagos pelo contribuinte em nome das empresas N. Rossini & Cia CNPJ 48.386.775/000173 e Fl. 703DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13888.000708/200325 Acórdão n.º 2202002.500 S2C2T2 Fl. 545 5 Indústrias de Pisos Avaré CNPJ 67.243.923/000145 através de cheques emitidos do Banco do Brasil conta bancária 27.7223, e BANESPA conta bancária 0059920028186. intime a N. Rossini & Cia CNPJ 48.386.775/000173 a prestar esclarecimentos sobre quais foram os valores que foram depositados para contribuinte para efetuar o pagamento da empresa COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA. CNPJ 03.327.583/001481, através do Banco do Brasil conta bancária 27.7223, e BANESPA conta bancária 0059920028186. intime a Indústrias de Pisos Avaré CNPJ 67.243.923/000145 a prestar esclarecimentos sobre quais foram os valores que foram depositados para contribuinte para efetuar o pagamento da empresa COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA. CNPJ 03.327.583/001481, através do Banco do Brasil conta bancária 27.7223, e BANESPA conta bancária 0059920028186. Após o cumprimento da diligência seja intimado o contribuinte para no prazo de 15 (quinze) dias se manifeste a respeito do mesmo. E que a autoridade lançadora elabore um parecer conclusivo a respeito das informações. Houve cumprimento da diligência, e a autoridade preparadora elaborou o parecer de fls. 506 e 507. Como o contribuinte não foi intimado, para se manifestar a respeito do resultado da diligência e parecer elaborado pela autoridade preparadora os autos foram converidos novamente em diligência para que o Recorrente fosse intimado a se manifestar. O que foi devidamente cumprido. É o relatório. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, de parte das origens dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos, o contribuinte alega que apesar de ser titular da conta bancária, era apenas intermediário entre a Copagaz Distribuidora e os terceiros ,Cerâmica Almeida, N, Rossini & Cia e Industria de Pisos Avaré Ltda. Afim de podermos atestar se os argumentos do Recorrente são condizentes. Em 18 de dezembro de 2008, o julgamento foi convertido em diligência, através da Resolução 104 02.103, onde foi solicitado que a autoridade preparadora: Fl. 705DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13888.000708/200325 Acórdão n.º 2202002.500 S2C2T2 Fl. 546 7 intime a COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA. CNPJ 03.327.583/001481, a prestar esclarecimentos sobre quais foram os valores que foram pagos pelo contribuinte em nome das empresas N. Rossini & Cia CNPJ 48.386.775/000173 e Indústrias de Pisos Avaré CNPJ 67.243.923/000145 através de cheques emitidos do Banco do Brasil conta bancária 27.7223, e BANESPA conta bancária 0059920028186. intime a N. Rossini & Cia CNPJ 48.386.775/000173 a prestar esclarecimentos sobre quais foram os valores que foram depositados para contribuinte para efetuar o pagamento da empresa COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA. CNPJ 03.327.583/001481, através do Banco do Brasil conta bancária 27.7223, e BANESPA conta bancária 0059920028186. intime a Indústrias de Pisos Avaré CNPJ 67.243.923/000145 a prestar esclarecimentos sobre quais foram os valores que foram depositados para contribuinte para efetuar o pagamento da empresa COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA. CNPJ 03.327.583/001481, através do Banco do Brasil conta bancária 27.7223, e BANESPA conta bancária 0059920028186. Como resultado da diligência as empresas derem as seguintes respostas: Indústria de Pisos Avare Lida: Que já não dispõem mais dos documentos correspondentes. (ft 504) Copagaz Distribuidora de Gás Ltda: (fl 505) Que o sistema financeiro e contábil da empresa não consegue identificar a origem dos pagamentos feitos :pelas outras duas empresas em questão, e que, para ID ano de 1998, aparecem no sistema da empresa, pagamentos feitos pela N. Rossini e Indústria de Pisos Avaré, mas sem a informação de que tais valores foram depositados pelo Sr. Carlos Alberto Marques dos Santos. (fl. 506). N. Rossini & Cia Ltda: Essa empresa, não apresentou rnovimentação financeira significativa desde 2005, não declara qualquer receita desde 2006, está omissa da entrega da DIPJ ano calendário 2008. Localizado o COntador da empresa, Nilson Guazelli, CPF 749,814.12800, este informou que a empresa está inativa desde 2005, confirmando as informações 'levantadas via sistema. A empresa não atendeu ao pedido de informações. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte não conseguiu comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade mas sim de terceiros. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Assim, por tudo o que dos autos consta, VOTO TO NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO do contribuinte. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 707DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910080/2011-40
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 80 /2 01 1- 40 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 19): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 29, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910080/201140 Acórdão n.º 3802002.212 S3TE02 Fl. 41 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 10/05/2013 (fls. 27), interpondo recurso tempestivo em 03/06/2013 (fls. 29). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900858/2012-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 08 58 /2 01 2- 10 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900858/201210 Acórdão n.º 3801002.635 S3TE01 Fl. 66 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900858/201210 Acórdão n.º 3801002.635 S3TE01 Fl. 67 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo do Pedido de Restituição – PER nº 05775.25137.091007.1.2.042268 por meio do qual a contribuinte solicita o crédito no valor de R$ 10,74, relativo ao DARF de PIS (código de receita 8109), no valor de R$ 10,74, recolhido em 15/07/2003. Em 01/08/2012 (Rastreamento nº 029227584)) o pedido de restituição foi indeferido, pelo fato de que o DARF discriminado na PER acima identificada estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS do período de apuração de junho03, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. Uma vez cientificada do despacho decisório a contribuinte apresentou em 03/09/2012 a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada alega o direito à restituição pleiteada em face do entendimento, adotado em algumas sentenças judiciais, de que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. Sustenta que o ICMS não integra o conceito de faturamento (receita bruta), uma vez que tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual. Argumenta que o Supremo Tribunal Federal STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) e transcreve, para fundamentar sua tese, parte do voto do ministro relator proferido no RE 2407852/ MG. Diz, também, que a inclusão do ICMS na base dessas contribuições é ilegal, posto que o mesmo não representa riqueza da contribuinte. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de deferir integralmente o pedido de restituição. Pede adicionalmente, que os valores a serem restituídos sejam acrescidos da taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 INCONSTITUCIONALIDADE Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900858/201210 Acórdão n.º 3801002.635 S3TE01 Fl. 68 4 Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900858/201210 Acórdão n.º 3801002.635 S3TE01 Fl. 69 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme asseverado no presente recurso, a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Por conta da suspensão dos julgamentos determinada pelo STF, os processos envolvendo a mesma matéria, pendentes de serem examinados por este Conselho, ficaram também suspensos, em sintonia com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/07/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e na Portaria CARF nº 01, de 3/01/2012. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos do aludido artigo, não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, entendo que não assiste razão à recorrente. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900858/201210 Acórdão n.º 3801002.635 S3TE01 Fl. 70 6 Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. A recorrente alega ainda a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, inclusive colacionando entendimento expresso no voto do eminente Relator do RE nº 240.7852/MG em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ocorre que as alegações acerca da inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900858/201210 Acórdão n.º 3801002.635 S3TE01 Fl. 71 7 para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, acima transcrito. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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