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Numero do processo: 15983.001242/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003 e 2004
NULIDADE. INCOMPETÊNCIA.
É nulo de pleno direito o Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal fora do exercício de suas atribuições legais.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 1101-000.966
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por UNANIMIDADE, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício.
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA
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INCOMPETÊNCIA. É nulo de pleno direito o Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal fora do exercício de suas atribuições legais. Recurso de Ofício Negado Acordam os membros do colegiado, por UNANIMIDADE, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO (Presidente), EDELI PEREIRA BESSA, BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR, MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, NARA CRISTINA TAKEDA, JOSÉ RICARDO DA SILVA (Vicepresidente). Acompanhou o julgamento o patrono do sujeito passivo, Dr. Hugo Zapari, OABDF 33.899. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório Em 22/12/2009, foi expedido o Ato Declaratório Executivo nº 72 que suspendeu o direito aos benefícios fiscais da imunidade tributária fundada no art. 150, inciso VI, “c”, da Constituição Federal, usufruídos pelo contribuinte, Instituto Superior de Educação Santa Cecília – ISESC, referente aos anoscalendário de 2003 a 2007, e formalizado no processo administrativo nº 15983.00817/200985 (proc. fls.325). Este mesmo Ato determinou o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no período em questão. Desta forma, em atendimento ao ADE nº 72 de 2009, em 22/12/2009, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ e CSLL (proc. fls. 5 a 11, e 15 a 21), objetos do presente processo administrativo. Intimado via postal, o contribuinte teve ciência do lançamento em 29/12/2009 (proc. fls. 368). Em 21/01/2010, o Serviço de Fiscalização (SEFIS) da DRF de Santos enviou Memorando Interno ao Gabinete do Senhor Delegado da Unidade, comunicando que o auditor fiscal, Eráclito de Oliveira Jordão, responsável pela lavratura do Auto de Infração, “teve sua aposentadoria publicada no Diário Oficial em 17/12/2009, fato que chegou ao nosso conhecimento somente em 11/01/2010”. Em conclusão, mencionava que o ato administrativo do lançamento deveria ser considerado nulo, por força do disposto no artigo 10º do decreto nº 70.235/72 e do artigo 142 do CTN. Solicitou então, que após a edição do ato de nulidade, o processo retornasse ao SEFIS, para notificação do sujeito passivo e demais providências. (proc. fl. 370). O contribuinte apresentou Impugnação em 27/10/2010 (proc. fls. 374 a 421). De início alegou a nulidade do lançamento por não observância das Portarias nº 500/1995 e 3.007/2002, da Receita Federal do Brasil que versam sobre critérios e motivação para seleção de contribuintes a serem fiscalizados, bem como, por cerceamento do direito de defesa. O interessado afirmou que recebeu, via postal, o Auto de Infração acompanhado apenas do demonstrativo consolidado do crédito tributário e do termo de encerramento. O Impugnante ressaltou que os outros elementos constantes do processo administrativo fiscal não lhe foram entregue ou, sequer, exibidos. Desta feita, afirmou que seu direito de defesa foi cerceado, pois não teve conhecimento do motivo que levou a autoridade administrativa para tributálo. Outro argumento aduzido pelo interessado foi o de que é impossível o cancelamento administrativo da imunidade, e a consequente exigência de tributos, tendo em vista a existência de ações judiciais em trâmite. O contribuinte fez menção à Ação Declaratória de Imunidade de Contribuições Sociais que tramita na 2ª Vara Federal de Santos, e a Ação Declaratória de Impostos Federais, na 3ª Vara da Justiça Federal de Brasília. Por outro lado, o Impugnante assegurou que inexistiu distribuição de patrimônio aos associados. Relatou que “a legislação veda a percepção de benefício econômico ou vantagem em função do exercício de atividade de direção, diretamente Fl. 758DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15983.001242/200918 Acórdão n.º 1101 000.966 S1C1T1 Fl. 2 3 relacionada com a entidade mantenedora, não havendo qualquer óbice que os componentes da direção e/ou conselho desta, exerçam atividades nas entidades mantidas e, em face desta atividade laboral, recebam remuneração ou vantagens econômicas que atinjam de forma isonômica todos os que prestam serviços nas entidades mantidas, desde que estejam qualificados para tanto”. Em tese subsidiária, o contribuinte alegou que, ainda que não fizesse jus à imunidade tributária, a tributação do IRPJ e da CSLL com base nos fatos geradores anuais de 31 de dezembro dos anoscalendário de 2003 e 2004 é inválida, pois como não optou pelo pagamento mensal por estimativa (em face da imunidade de que goza), resta evidente que eventual tributação somente pode ser realizada pela autoridade administrativa com base nos fatos geradores de 31/03, 30/06, 30/09 e 31/12 de cada um dos anoscalendário de 2003 e 2004. Ademais, entendeu que os lançamentos relativos aos fatos geradores trimestrais encerrados em março/03, junho/03, setembro/03, dezembro/03, março/04, junho/04 e setembro/04, foram atingidos pelo instituto da decadência, de conformidade com o art. 150, §4º do CTN. O Impugnante ainda defendeu a invalidade da glosa da “provisão para contingências”, bem como erro na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano calendário de 2004. O interessado afirmou que ainda que não fosse dedutível a provisão relativa a débitos do IRPJ e da CSLL, ela o é em se tratando do PIS e da COFINS, nos termos da legislação de regência. Além disso, mesmo que não dedutível, a autuação deveria incidir sobre o importe de R$ 7.239.438,61, resultante da adição, ao Lucro Real (no caso, prejuízo fiscal de R$ 1.400.221,01), da provisão de R$ 8.639.659,62, tida como indedutível. Em complementação, o Postulante asseverou que não houve Lucro Real no anocalendário de 2004, em face da existência de débitos de contribuições para o PIS, para a COFINS e para o INSS, decorrente de autuações com base no mesmo MPF. Por fim, o contribuinte aduziu a impossibilidade da exigência dos tributos lançados, pertinentes ao 4º trimestre de 2004, em razão da isenção de que trata o artigo 8º da MP 213/2008, convertida na Lei nº 11.096/05. Tal legislação versa sobre a isenção de IRPJ e CSLL concedida às entidades aderentes ao PROUNI. O Impugnante afirmou ter aderido ao programa em 03/12/2004, desta forma, passou a gozar da referida isenção a partir do fato gerador de dezembro de 2004, razão pela qual não poderia a autoridade fiscalizadora exigir IRPJ e CSLL incidentes sobre eventual lucro do 4º trimestre de 2004. Em resposta ao Memorando Interno enviado pela SEFIS, em 21/01/2010, o Gabinete do Delegado da DRF/Santos, por seu mandatário titular principal, proferiu o seguinte despacho em 14/02/2010 (proc. fls.706): “Tratase de auto de infração a este gabinete encaminhado em 22/01/2010 (sextafeira) para verificação de possível emissão de ato de anulação do lançamento pela existência de erro de fato. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Antes da análise dos autos por este Gabinete (houve feriado local em 26/01/2010), apresentou o contribuinte em 27/01/2010 a impugnação de folhas 363/403. Assim, compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento manifestarse, não sendo mais possível a este Gabinete propor a anulação do lançamento, como sugerido pelo SEFIS desta DRF/Santos. À EAC6 (Eqcob)/Secat para encaminhamento deste processo à DRJ para julgamento.” Em 21/06/2011, a DRJ em Campinas exarou Acórdão que julgou procedente a Impugnação e Improcedente os lançamentos, com o consequente cancelamento da exigência do crédito tributário. Recorreuse de ofício (proc. fls. 746 a 754). Antes de adentrar ao mérito, o Colegiado manifestouse sobre a nulidade do lançamento por vício formal tendo em vista que a autoridade lançadora, quando da elaboração dos Autos de Infração em 22/12/2009 e, mais ainda, quando da ciência dos mesmos por parte da autuada em 29/12/2009, já não dispunha de competência legal para efetuar os lançamentos e constituir o crédito tributário, posto que, aposentado, não estava mais no “pleno e regular exercício das atribuições inerentes ao cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil”. A 2ª Turma ressaltou que no caso em tela, o servidor não dispunha mais da competência a que alude tanto os artigos 142 do CTN como o artigo 10, caput, do Decreto nº 70. 235/72. Desta forma, determina o art. 59 do mesmo Decreto, que todos os atos são nulos, devendo ser cancelado integralmente o Auto de Infração em análise, pois lavrado por pessoa incompetente. O órgão julgador a quo ainda ressaltou que, a despeito da nulidade decretada, “os lançamentos de IRPJ e CSLL dos anoscalendários de 2003 e 2004, não poderiam ser mantidos, em face de tais lançamentos terem sido efetuados pelo Fisco com base no regime anual de apuração, opção que não lhe cabe exercer, posto que de exclusiva faculdade do contribuinte”. É o Relatório. Voto Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora. O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso de Ofício interposto pela 2ª Turma da DRJ em Campinas tendo em vista o cancelamento do crédito tributário. No caso em análise, servidor público aposentado, não mais detentor da competência para constituir o crédito tributário, lavrou Auto de Infração. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15983.001242/200918 Acórdão n.º 1101 000.966 S1C1T1 Fl. 3 5 Segundo José dos Santos Carvalho Filho, “competência é círculo definido por lei dentro do qual podem os agente exercer legitimamente sua atividade”. Tanto o CTN como o Decreto nº 70.235/72 exigem autoridade administrativa competente, ou seja, agente público em pleno gozo e exercício de suas atribuições legais. Art. 142 do CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Art. 10 do Decreto nº 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: O gozo de aposentadoria acarreta o afastamento do servidor do exercício de suas atividades, ou seja, retiralhe suas atribuições legais. Desta forma, o auditor fiscal aposentado que lavra Auto de Infração não possui competência legal para tanto e, segundo preceitua o art. 59 do Decreto nº 70. 235/72, tratase de ato nulo. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Portanto, a incompetência do auditor fiscal tendo em vista que este não integrava mais os quadros efetivos da carreira em razão da concessão de sua aposentadoria, quando da lavratura dos Autos de Infração, acarretam na nulidade dos mesmos. Ante o exposto, é de se NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, mantendo nulo o crédito tributário exigido. Nara Cristiana Takeda Taga Relatora Fl. 761DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Fl. 762DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10783.902709/2008-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/10/1999
DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO.
O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/10/1999 DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1863; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 261 1 260 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10783.902709/200809 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.599 – 3ª Turma Sessão de 9 de outubro de 2013 Matéria COFINS Base de Cálculo Desconto Padrão Agência de Publicidade Veículo de divulgação Recorrente TELEVISÃO VITÓRIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/10/1999 DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 27 09 /2 00 8- 09 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902709/200809 Acórdão n.º 9303002.599 CSRFT3 Fl. 0 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em suposto pagamento a maior da COFINS. O alegado direito creditório é decorrente de haverem sido incluídos, na base de cálculo da contribuição recolhida, valores recebidos pelo veículo de comunicação, mas repassados às agências de publicidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, sintetizado pelos fragmentos a seguir transcritos: “A DRFB Vitória, por meio do despacho decisório, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Irresignada, apresentou, (...), a manifestação de inconformidade de fls. (...), na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do faturamento mensal, assim entendido “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 30, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. (...) Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902709/200809 Acórdão n.º 9303002.599 CSRFT3 Fl. 0 3 (...) Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos (...)” A DRJ indeferiu o pedido de perícia formulado e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Ao recurso voluntário interposto foi negado provimento, nos termos do Acórdão 310201.302, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/10/1999 PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso especial, onde postula a reforma do acórdão em foco, para que lhe seja reconhecido o direito a excluir da base de cálculo da Cofins as receitas repassadas às agências de publicidade, e, com isso, seja homologada a compensação declarada. O especial do sujeito passivo foi, por mim, admitido. Em suas contrarrazões, a PGFN defende a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito à base de cálculo da Cofins devida pelo veículo de divulgação. De um lado, a Fazenda entende que a Fl. 263DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902709/200809 Acórdão n.º 9303002.599 CSRFT3 Fl. 0 4 contribuição incide sobre o total da receita proveniente do faturamento constante das Notas Fiscais emitidas pela reclamante, enquanto esta defende a exclusão do desconto padrão pago por ela às agências de propaganda. A meu sentir, não merece reparo o acórdão recorrido, pois a Cofins, diferentemente do que acontece com o IRPJ e a CSLL, à época da ocorrência dos fatos geradores objeto destes autos, incidia sobre o total do faturamento, assim entendido, as receitas provenientes da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos, e não sobre o lucro ou a diferença entre as receitas e as despesas, como acontece com esses dois tributos. No caso sob análise, dúvida não há que a Fiscalização tributou, tãosomente, as receitas oriundas do faturamento realizado pela recorrente, com base nas Notas Fiscais de serviços por ela emitidas, como determinava a legislação dessa contribuição, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento em análise. É incontroverso nos autos que os valores lançados correspondem aos das faturas emitidas pela Fiscalizada. A discórdia entre ela e o Fisco reside na pretensão de se excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos pagamentos de desconto padrão às agências de propaganda. A defesa socorrese do art.19 da Lei 12.232/2010 que dispõe sobre a interpretação da legislação de regência sobre os valores correspondentes ao desconto padrão de agência. Acontece, porém, que essa lei, conforme explicitado linhas abaixo, aplicase, exclusivamente, às relações dos serviços de publicidade com a Administração Pública. Não dispõe sobre o tratamento tributário das pessoas que menciona, como não poderia ser. A incidência das contribuições devidas pelas agências publicitárias e pelos veículos de divulgação, à época dos fatos em análise, obedecia à regra geral das demais pessoas jurídicas, sem qualquer regalia ou diferenciação. No caso em exame, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e, após, a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. Uma entre o veiculo de divulgação e o anunciante e outra entre a agência de propaganda e o veículo de divulgação. E cada uma dessas relações negociais haverá repercussão financeira, e, por conseguinte, tributária. No caso específico dos autos, a relação entre anunciante e veiculo de divulgação gera receita para este, no valor total da fatura por ele emitida contra àquele. Já na relação estabelecida entre a agência de propagada e o veículo de divulgação, a receita gerada será da agência, também, no valor da fatura comercial emitida contra o veículo anunciante. Quanto à tributação dessas receitas em relação ao PIS e à Cofins, não há novidade: comporão o faturamento tanto da agência quanto do veículo de divulgação, e, por conseguinte, integrarão a base de cálculo dessas contribuições, devidas por essas duas pessoas jurídicas. Assim, a receita referente à fatura emitida pelo veículo de divulgação deverá ser, por ele, oferecida à tributação dessas duas contribuições. O mesmo procedimento é esperado da agência de publicidade, em relação à receita recebida do veículo de divulgação. Notese que as faturas emitidas, tanto pelo veículo de divulgação contra a anunciante, quanto a da agência contra o veiculo de divulgação, referemse a serviços prestados por duas pessoas jurídicas distintas, e cada uma delas foi remunerada pelo serviço prestado. Essa remuneração, qualquer que seja a classificação adotada, contábil, fiscal, econômica, não importa, representa faturamento da prestadora do serviço, e como tal está sujeita à incidência do PIS e da Cofins. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902709/200809 Acórdão n.º 9303002.599 CSRFT3 Fl. 0 5 Poderseia argumentar, como de fato o fez a recorrente, que os valores correspondentes ao descontopadrão não seriam receitas do veículo de divulgação, a teor do disposto no 1art. 19 da Lei nº 12.232/2010. Acontece, porém, que, conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único desse dispositivo legal, a norma nele incerta somente disciplina as relações de publicidade com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das Normas Padrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. Diante disso, dúvida não há de que a norma trazida no art. 19 da Lei nº 12.232/2010, é inaplicável ao caso sob exame, por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. As atividades publicitárias entre particulares permanecem regidas com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965, que não dispõe sobre exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins, do descontopadrão pago às agências de publicidade pelos veículos de divulgação. 1 Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902709/200809 Acórdão n.º 9303002.599 CSRFT3 Fl. 0 6 Em outro giro, o que a recorrente pretende, na realidade, é tributar apenas a receita líquida, deduzindo as despesas incorridas com a prestação dos serviços. Essa pretensão poderia encontrar abrigo se estivéssemos tratando de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou ainda da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, onde a incidência está associado ao conceito de lucro, grosso modo, receitas menos despesas, mas não sobre as contribuições incidentes sobre o faturamento, como é o caso da Cofins, que tem como base de cálculo as receitas oriundas da venda de bens, de serviços ou de ambos. As exclusões permitidas são somente aquelas listadas, numerus clausus, na lei instituidora da contribuição, in casu, a Lei Complementar 70/1991, e nas demais que alteraram o texto original, sobretudo a Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Dentre as exclusões legais não se encontra a pretendida pelo sujeito passivo. Assim, à mingua de previsão legal autorizativa para se proceder à exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do descontopadrão pago às agências de publicidade pelo veículo de comunicação, preditos valores devem, necessariamente, compor a base de cálculo das contribuições citadas. Além das razões enumeradas nas linhas precedentes, peço emprestado os argumentos da nobre relatora do acórdão recorrido, que deixo de transcrever porque já consta dos autos e a transcrição alongaria ainda mais este voto, mas fica o registro das merecidas homenagens à ilustre Conselheira. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910110/2011-18
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 01 10 /2 01 1- 18 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 24): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 32, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910110/201118 Acórdão n.º 3802002.235 S3TE02 Fl. 45 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 10/05/2013 (fls. 31), interpondo recurso tempestivo em 03/06/2013 (fls. 32). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 15375.003890/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1997 a 30/11/1998
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Aplica-se o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA COM O PRESTADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI 8.212/1991 COM A REDAÇÃO DA LEI 9.528/1997.
O art. 31 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação inicial, impunha ao tomador de serviços a obrigação solidária de recolher as contribuições devidas em razão dos serviços prestados, não comportando benefício de ordem.
Não comprovado o recolhimento prévio pela prestadora de serviços, não pode ser elidida a responsabilidade do tomador dos serviços.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. PREJUÍZO AOS SÓCIOS.
Os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito do disposto no art. 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal, conforme farta jurisprudência do STJ.
É flagrante o prejuízo aos sócios gerentes com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN.
A Súmula 88 do CARF dispõe que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Numero da decisão: 2301-003.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 04/1998, anteriores a 05/1998, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de determinar que a Relação de Co-Responsáveis (CORESP), o "Relatório de Representantes Legais (RepLeg) e a ¿Relação de Vínculos (VÍNCULOS), anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento refere se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA COM O PRESTADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI 8.212/1991 COM A REDAÇÃO DA LEI 9.528/1997. O art. 31 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação inicial, impunha ao tomador de serviços a obrigação solidária de recolher as contribuições devidas em razão dos serviços prestados, não comportando benefício de ordem. Não comprovado o recolhimento prévio pela prestadora de serviços, não pode ser elidida a responsabilidade do tomador dos serviços. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. PREJUÍZO AOS SÓCIOS. Os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito do disposto no art. 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 5. 00 38 90 /2 00 9- 77 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 283 2 executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal, conforme farta jurisprudência do STJ. É flagrante o prejuízo aos sócios gerentes com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN. A Súmula 88 do CARF dispõe que a Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 04/1998, anteriores a 05/1998, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de determinar que a Relação de CoResponsáveis (CORESP), o "Relatório de Representantes Legais (RepLeg) e a ¿Relação de Vínculos (VÍNCULOS), anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Fl. 207DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 284 3 Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Trata se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrado em face do HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA RITA S/A, pertinente às contribuições previdenciárias da parte do segurado, cota patronal, bem como das designadas ao financiamento do SAT (até 06/1997) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT (a partir de 07/1997), devidas pela empresa em epígrafe, na qualidade de responsável solidário, conforme se infere do Relatório Fiscal às fls 41/51. O relatório narra, ainda, que o crédito em comento é oriundo da responsabilidade da ora recorrente devido aos serviços prestados mediante cessão de mãode obra pela empresa Núcleo de Patologia Clínica S/C Ltda., tendo sido apurado o crédito através da verificação de notas fiscais/faturas devidamente lançadas na contabilidade. Em virtude de tal conduta, foi lavrado contra o contribuinte o lançamento de R$ 2.402,19 (dois mil quatrocentos e dois reais e dezenove centavos). O contribuinte tomou ciência em 06/05/2003 e, descontente com a autuação do fisco, apresentou impugnação tempestiva às fls. 71/104, enquanto o Núcleo de Patologia Clínica S/C Ltda, apesar de devidamente citada, não o fez. Às fls. 107, foi solicitado que a auditora notificante analisasse os documentos acostados à impugnação, quais sejam guias de recolhimento. Esta, por sua vez, informou que a prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra encontrase atestada através da consignação do valor da retenção de 11% em notas fiscais emitidas pela empresa prestadora a partir de 02/1999. Salienta ainda que a retenção é aplicada aos serviços quando executados mediante cessão de mãodeobra e que tais serviços são necessários pra o regular funcionamento do hospital, embasando a continuidade dos mesmos. Entretanto, foi mantida a autuação pelo acórdão proferido pela Diretoria da Receita Previdenciária em Contagem/MG, às fls. 111/118, cuja ementa assim dispôs: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – CESSÃO DE MÃODEOBRA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços prestados. Nos termos do artigo 31, da Lei 8.212/91. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 285 4 As contribuições sociais em atraso, arrecadas pelo INSS, estão sujeitas aos acréscimos legais, nos percentuais definidos pela legislação (artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91 e alterações). Lançamento Procedente Irresignada, interpôs Recurso Voluntário, sob exame, às fls. 127/140, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) O relacionamento da recorrente com sua respectiva prestadora de serviços não caracteriza cessão de mãodeobra, invalidando a responsabilização solidária. 2) A responsabilidade solidaria atribuída pela Lei nº 8.212/1991, só deve ser considerada quando devidamente comprovada a impossibilidade do cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte originário. Dessa forma, certificase que a notificação fundamentouse em presunção fiscal. 3) Inexistência de comprovação do fato gerador de tributo praticado com excesso de poder, infração da lei ou violação do contrato social, por parte dos diretores da ora Recorrente, configurando ilegitimidade da inclusão dos referidos diretores como corresponsáveis. 4) É imprescindível que a situação completa da empresa prestadora de serviço seja examinada no Banco de Dados do INSS, pois, caso a dívida já tenha sido paga ou assumida pelo devedor principal, sejam os valores retirados do processo administrativo em comento, para que não sofra a base de cálculo a tributação. 5) Requer a nulidade do emprego da taxa Selic para correção dos débitos, haja vista as vicissitudes que lhe tiram qualquer legalidade. Ademais, segundo os autos, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG decidiu por aplicar a Súmula Vinculante nº 08, anulando, assim, a parcela decaída do crédito pertinente às competências compreendidas entre 01/09/1997 a 31/11/1997 (fl. 182). Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Fl. 209DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 286 5 Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Da Decadência Constatase que parcela dos débitos compreendidos no presente lançamento foi atingida pelo inegável decurso do prazo decadencial previsto em lei para a cobrança de valores relativos às contribuições previdenciárias. No caso em apreço, quando da autuação, o prazo de decadência de que gozava o INSS para constituir seus créditos era de 10 (dez) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/1991. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre Fl. 210DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 287 6 matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. Ocorre que este Código prevê a aplicação de duas regras, aparentemente conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 211DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 288 7 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando as normas acima transcritas, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 289 8 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . No presente caso, verificase que o débito lançado referese ao pagamento contribuições previdenciárias, cota patronal, parcela do segurado bem como as designadas ao financiamento do SAT e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, no período 01/1996 a 12/1998. Depreendese dos autos que a Recorrente efetuou o pagamento de algumas das contribuições devidas à Seguridade Social. Além disso, não restou comprovado que sua conduta tenha sido eivada de dolo, fraude ou simulação,o que configura o pressuposto fático ensejador da aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, estando, assim, afastada a incidência do disposto no artigo 173, I do mesmo dispositivo legal. Deste modo, considerando que o crédito previdenciário foi constituído em 06/05/2003, envolvendo as competências de 01/09/1997 a 31/11/1998, encontramse decaídos os períodos até 04/1998, isto é, anteriores a 05/1998. Da configuração da cessão de mãodeobra Os fatos geradores objeto da presente autuação ocorreram quando ainda estava em vigor o disposto no art. 31 da Lei nº 8.212/1991 com a redação dada pela Lei 9.528/1997, segundo o qual: Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 290 9 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mão deobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. A configuração da cessão de mãodeobra depende, conforme dispositivo lega, da configuração dos seguintes requisitos: 1) Serviço colocado à disposição do contratante; 2) Realização dos serviços nas dependências do contratante ou de terceiros; 3) Serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade da empresa. Ora, o contrato de cessão de mãodeobra tem por objeto a obtenção da própria mãodeobra para a realização de determinada finalidade. Em outras palavras, a mão deobra contratada é a razão nuclear da conclusão do contrato, ao contrário das relações de empreitada, nas quais a mãodeobra é meio para a concretização de obra ou tarefa desejada pelo contratante. Sabese que a empreitada é “o contrato em que uma das partes (empreiteiro) se obriga, sem subordinação ou dependência, a realizar certo trabalho para a outra (dono da obra), com material próprio ou por este fornecido, mediante remuneração global ou proporcional ao trabalho executado.” (PEREIRA, 2006). Tratase, portanto, de contrato oneroso e bilateral, e que, ainda, possui a característica de ser limitado no tempo, pois a empreitada deve ter início, meio e fim. É contratação que já nasce destinada a morrer, quando atinge o fim pactuado pelas partes. O contrato de cessão de mãodeobra, por sua vez, tem objeto diferente, o qual, conforme já afirmado, consiste na disponibilização contínua da própria mãodeobra, em Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 291 10 sentido amplo, contratada para realização de um determinado serviço necessário ao salutar e adequado funcionamento da empresa contratante. A título de exemplo, destacase a seguinte situação: uma empresa terceiriza seu serviço de limpeza predial, e, para tal, contrata determinada prestadora de serviço. A prestadora, por sua vez, irá disponibilizar, para a contratante, certo número de pessoas, com o objetivo de realizar o serviço de limpeza, de maneira que o objeto do contrato é a força de trabalho, isto é, a própria mão deobra para que esta fique à disposição da contratante, ou seja, sob o seu poder de comando. Nesse contexto, é valente destacar que a determinação da disponibilidade como requisito para a caracterização do conceito de cessão de mãodeobra demonstra a atenção do legislador para a lógica que rege a relação contratual em comento. Ora, como o objeto do contrato de cessão consiste na obtenção da própria mãodeobra pelo contratante, é mais do que esperado, para não dizer óbvio, que deverá aquela ficar à disposição deste para a realização do serviço contratado. Também é necessário, para que seja considerada cessão de mãodeobra, que a prestação dos serviços seja realizada de forma contínua, nas dependências da contratante ou nas de terceiros, relacionada ou não a sua atividade fim. A caracterização da continuidade dos serviços deve ser analisada sob a ótica da empresa, isto é, a partir da consideração de se os serviços prestados importam, ou não, para o desenvolvimento da sua atividade. Dizse contínuo o serviço de que a empresa depende constantemente, de modo que a mãodeobra empregada não será utilizada apenas um vez ou por um período determinado de tempo. Dessa forma, inexiste continuidade quando o serviço contratado destinase ao atendimento de uma necessidade específica da empresa para determinado momento, não restando configurado, portanto, nestes casos, o conceito de cessão de mãodeobra previsto §2º do artigo 31 da Lei 8.212/91. Se o caráter contínuo na prestação relacionase com a essencialidade do serviço contratado para o andamento regular das atividades da empresa, podese afirmar que a continuidade do serviço é uma consequência lógica da colocação da mãodeobra contratada à disposição do contratante. Todavia, a verificação da efetiva prestação continuada do serviço contratado demanda uma análise meticulosa a partir das peculiaridades do caso concreto, uma vez que, embora seja pressuposto da caracterização da continuidade prevista no §2º do artigo 31 da Lei 8.212/91, a não utilização única, eventual ou por um determinado período de tempo da mão obra contratada, não se pode olvidar que o negócio jurídico contratual realizado entre as partes poderá ser extinto pelas várias formas de extinção de contratos previstas em nosso ordenamento jurídico, por exemplo, o advento do termo final do prazo entre elas convencionado. Ora, o contrato movimentase na direção indicada por seu fim, ou seja, a satisfação do interesse do contratante. No caso da cessão de mãodeobra, considerada dentro da ótica do direito previdenciário, essa faceta teleológica é verificada na colocação da mãode Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 292 11 obra contratada à disposição do contratante para a execução de um serviço essencial à empresa de forma não eventual. Assim, não resta caracterizada a continuidade, para fins de cessão de mãode obra, à luz da legislação vigente na época da ocorrência dos fatos geradores quando, por exemplo, em um contrato de prestação de serviços com prazo de duração de 12 meses, o obreiro responsável pela manutenção das instalações elétricas da empresa contratante apenas procede com a execução do serviço diante de um problema pontual nas referidas instalações ou limitase a ir às dependências da contratante uma única vez no mês. Nesse contexto, portanto, não há que se falar em dever de retenção, uma vez que a prestação do serviço pela mãodeobra contratada se deu, neste caso, de maneira preponderantemente eventual, o que contraria a melhor interpretação do conceito de continuidade previsto no §2º do artigo 31 da Lei 8.212/91. Reiterese que a verificação da continuidade, ou não, na prestação do serviço pela mãodeobra contratada não pode se dar, unicamente, à luz do prazo de duração do contrato firmado entre as partes, visto que o estabelecimento de um termo final é uma característica comum à celebração de grande parte dos negócios jurídicos, em especial, as relações contratuais. Assim, deve o caráter contínuo do serviço contratado ser analisado a partir de considerações fáticas, dentro da perspectiva pragmática, considerandose, sobretudo, a sua maneira de execução, no mundo fenomênico, pela mãodeobra contratada, isto é, de forma contínua e nãoeventual. Destarte, para efeitos previdenciários, a expressão “serviços contínuos”, relacionase, intrinsecamente, com a realização de atividades consideradas de necessidade contínua pela empresa contratante, razão pela qual carecem de mãodeobra que fique a sua disposição para a execução do serviço tido como necessário. Todavia, não é requisito para a configuração da continuidade legalmente exigida a contratação constante de uma determinada empresa, como também não é necessário que sejam sempre os mesmos funcionários os responsáveis pela prestação dos serviços contratados. O que se exige, portanto, é a disponibilização contínua da própria mãode obra, em sentido amplo, contratada para realização de um serviço, e não a do prestador ou de determinado trabalhador, razão pela qual podem ser, por exemplo, efetuadas trocas do próprio prestador ou dos trabalhadores envolvidos, desde que seja mantido, na essência, o serviço anteriormente prestado, restando caracterizada, portanto, a continuidade legalmente exigida. Do pressuposto acima destacado, podese afirmar, ainda, que existe outro requisito, não expressamente previsto no artigo 31 da Lei 8.212/91, necessário à configuração do conceito previdenciário de cessão de mãodeobra, qual seja, a impessoalidade na execução do serviço contratado, uma vez que a realização deste não leva em conta a pessoa do responsável pela sua execução, como é típico nas relações empregatícias. E diferente não poderia ser, pois, consoante o já afirmado, a cessão de mão deobra tem por objeto apenas a obtenção da própria mãodeobra para a realização de Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 293 12 determinada finalidade, não se considerando, portanto, as qualificações pessoais do prestador de serviços, o qual pode, por uma série de razões, ser intermitentemente substituído por outro trabalhador ao longo da concretização dos serviços pactuados. Destarte, podese afirmar que o contrato de cessão de mãodeobra tem por característica a fungibilidade pessoal dos responsáveis pela concretização dos serviços contratados, uma vez que não se leva em consideração a pessoa do obreiro, tendo por conteúdo exclusivo a colocação de prestadores de serviços sob o poder de comando da pessoa contratante para a execução, em suas dependências ou nas de terceiros, de serviços contínuos relacionados ou não com a atividadefim da empresa. Quanto ao local de execução, o art. 31 da Lei 8.212/91 deixa claro que os serviços contratados devem ser prestados nas dependências da empresa contratante ou nas de terceiros, compreendendo estas os locais indicados pela contratante, que não sejam seus próprios e que, também, não pertençam à empresa contratada. Pois bem. No caso dos autos, a autuação decorreu do não recolhimento da contribuição devida pela tomadora de serviços médicos prestados através de cessão de mãodeobra, que eram realizados na própria empresa tomadora, configurandose, portanto, a exigência quanto ao local da prestação. Quanto à continuidade na prestação dos serviços, verificase que os serviços de exames de cateterismo cardíaco são intimamente relacionados à atividade da empresa. Embora os serviços prestados não precisem ter vinculação à atividade fim, os serviços prestados por um Hospital dependem constantemente da realização desses serviços, tanto que a empresa Núcleo de Patologia Clínica S/C foi contratada por diversos períodos. Se não bastassem tais elementos suficientes para configurar a cessão de mão deobra, a própria empresa tomadora dos serviços efetuou a retenção nos meses subsequentes, quando foi alterado art. 31 da Lei nº 8.212/1991 pela Lei nº 9.711/1998, que passou a exigir a retenção de 11% do valor da nota fiscal ou recibo de prestação de serviços nas hipóteses de cessão de mãodeobra, o que representa reconhecimento pela própria empresa da natureza dos serviços prestados. Assim, verificada a ocorrência da cessão de mãodeobra no período autuado, fica a tomadora dos serviços responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias em relação aos serviços que lhe foram prestados, somente se eximindo da obrigação caso comprovasse que o prestador recolheu previamente as contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura (art. 31, §3º da Lei nº 8.212/1991). Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 294 13 Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Da Exclusão dos Corresponsáveis Quanto à solicitada exclusão do sócio gerente, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, no meu particular entendimento, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. O prejuízo aos corresponsáveis é imediato, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será imediatamente inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os corresponsáveis listados na relação anexa ao Auto de Infração. No caso da pessoa jurídica contribuinte, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois ela, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 295 14 É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Pelo referido comando, esta responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sócio administrador, para o diretor responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, esta transferência só poderá acontecer quando houver prova de que estes praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sócios diretores ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais só aceitam a citação dos corresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e só nessa hipótese, poderá constar o nome do corresponsável. Sim, pois partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sócio administrador, do diretor ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos corresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do corresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao corresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Para encerrar qualquer controvérsia, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula 88, que assim dispõe: Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 296 15 A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Logo, resta claro o prejuízo aos corresponsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente Auto de Infração, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN, pois essa relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 220DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 297 16 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 221DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 298 17 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 299 18 Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Fl. 223DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.003890/200977 Acórdão n.º 2301003.279 S2C3T1 Fl. 300 19 Ante ao exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, para que sejam excluídos do auto de infração os períodos até 04/1998, isto é, anteriores a 05/1998, em face da decadência, para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício, bem como para que o rol de corresponsáveis contido no auto de infração tenha finalidade meramente informativa. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de janeiro de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 224DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10855.905706/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
SIMPLES - IPI - DIREITO AO CRÉDITO - INEXISTÊNCIA
Não gera direito a crédito os insumos adquiridos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Inteligência do §5o, artigo 5o da Lei 9.317/96 e artigo 118 do RIP/2002 (Decreto 4.544/02).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
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Inteligência do §5o, artigo 5o da Lei 9.317/96 e artigo 118 do RIP/2002 (Decreto 4.544/02). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 57 06 /2 00 8- 28 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Trata o presente de pedidos de compensação – PerDComps – de ressarcimento de crédito de IPI, homologadas parcialmente “em razão de apuração de menor saldo credor ressarcível e da glosa de notas fiscais que teriam, sido emitidas por estabelecimentos optantes pelo SIMPLES.” Conforme relato pela de decisão de primeira instância administrativa, “a manifestante alega que o Despacho seria nulo por não descrever circunstanciada e materialmente a ocorrência do fato gerador; o porquê de sua ocorrência e exteriorização, sob pena de se cobrar, lançar ou exigir tributo e contribuições por presunção fiscal. Também defende seu direito ao crédito com base no princípio da nãocumulatividade, legislação e julgados. Após analisar as razões da Recorrente a 2ª Turma da DRJ/RPO proferiu o acórdão no 1437.431, por meio do qual manteve o Despacho Decisório que concluiu pela parcial procedência da compensação: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, por intermédio do qual reiterou suas razões de impugnação. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10855.905706/200828 Acórdão n.º 3302002.281 S3C3T2 Fl. 11 3 Voto O Recurso é tempestivo e atende os demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, o processo administrativo em discussão tem por objeto a glosa de créditos de IPI com fundamento no fato dos insumos adquiridos serem não tributados ou tributados pelo SIMPLES. Em seu recurso a Recorrente discorre sobre princípios constitucionais e, genericamente, sobre a existência de seus créditos. A Lei nº 9.317/96 proíbe a transferência do crédito de IPI por empresa optante pelo SIMPLES, verbis: “Art. 5º... § 5º A inscrição no SIMPLES veda a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS”. A compreensão desta limitação é fácil, em troca do benefício fiscal de redução de alíquota, vedouse o benefício fiscal. O Regulamento do IPI, implementado pelo Decreto nº 4.544/2002, também traz esta mesma vedação em seu artigo 118, vejamos: “Art. 118. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao imposto.” Logo, não é possível aproveitar o crédito decorrente dos insumos adquiridos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Registro que a avaliação da constitucionalidade dos dispositivos normativos citados não é de competência deste tribunal administrativo, razão pela qual deixo de apreciála. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado mantendo incólume a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 10/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 11040.000431/2001-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. NÃO CABIMENTO.
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.
CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI RECEBIDO DE TERCEIRO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL RECONHECENDO A PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO.
Conforme definido pelo Superior Tribunal de Justiça em acórdão submetido ao regime do art. 543-C, do CPC (REsp 1.129.971), O prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do crédito-prêmio do IPI, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32, é de cinco anos. Precedentes: EREsp. Nº 670.122 - PR Primeira Seção,Rel. Min. Castro Meira, julgado em 10 de setembro de 2008; AgRg nosEREsp. Nº 1.039.822 - MG, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24 de setembro de 2008.
No caso concreto, tenho que o mandado de segurança foi impetrado em 6 de junho de 2005, portanto, decorridos mais de cinco anos entre a data da extinção do benefício (5 de outubro de 1990) e a data do ajuizamento do writ, encontram-se prescritos eventuais créditos de titularidade da recorrente.
No caso concreto, o mandado de segurança impetrando por SIMAB S/A, que permitia a transferência de créditos-prêmio de IPI a terceiros, não teve a segurança concedida nas instâncias superiores.
Recursos voluntário e de ofício negados.
Numero da decisão: 3202-001.024
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. NÃO CABIMENTO. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI RECEBIDO DE TERCEIRO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL RECONHECENDO A PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO. Conforme definido pelo Superior Tribunal de Justiça em acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC (REsp 1.129.971), “O prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do créditoprêmio do IPI, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32, é de cinco anos. Precedentes: EREsp. Nº 670.122 PR Primeira Seção,Rel. Min. Castro Meira, julgado em 10 de setembro de 2008; AgRg nosEREsp. Nº 1.039.822 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24 de setembro de 2008. No caso concreto, tenho que o mandado de segurança foi impetrado em 6 de junho de 2005, portanto, decorridos mais de cinco anos entre a data da extinção do benefício (5 de outubro de 1990) e a data do ajuizamento do writ, encontramse prescritos eventuais créditos de titularidade da recorrente”. No caso concreto, o mandado de segurança impetrando por SIMAB S/A, que permitia a transferência de créditosprêmio de IPI a terceiros, não teve a segurança concedida nas instâncias superiores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 04 31 /2 00 1- 13 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11040.000431/200113 Acórdão n.º 3202001.024 S3C2T2 Fl. 472 2 Recursos voluntário e de ofício negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, que não acolheu o pedido de compensação da Recorrente, bem como suspendeu a exigibilidade dos créditos tributários objeto de autos de infração integrantes deste processo. Além disso, a DRJ de Porto Alegre recorre de ofício em razão da exoneração da multa de ofício. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, verbis: O contribuinte acima qualificado apresentou, nas fls. 01, 15, 18. 20 e 21, os formulários “pedido de compensação de crédito com débito de terceiros”, instruídos, excetuandose as fls. antes referidas, com os documentos das fls. 02 a 43. Tais pedidos foram apresentados para compensar débitos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), no valor total de R$ 1.093.915,81, com creditoprêmio do IPI, de terceiro, decorrente do Mandado de Segurança n° 2000.51010007323, e da Medida Cautelar n° Fl. 472DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11040.000431/200113 Acórdão n.º 3202001.024 S3C2T2 Fl. 473 3 2000.02.01.0515557, cópia na fl. 2, ações essas impetradas por Simab S/A contra o Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro/RJ. A Delegacia da Receita Federal em Pelotas, pelo Despacho Decisório DRF/PEL, de 13 de março de 2006, com suporte no Relatório Fiscal das fls. 60/61, indeferiu os Pedidos de Compensação de Crédilo com Débito de Terceiros, sob a alegação de que a ação antes referida não transitou cm julgado, e também em razão do cancelamento, pelos Atos Declaratórios Executivos n°s. 8 e 9 (fls. 56 a 59), dos Documentos Comprobatórios de Compensação (DCC) n°s 00062556, 00062605 . 00062723, 00062897 e 00062988 (cópias nas fls. 51 a 55), cujos créditos provém da Simab S/A, em favor de Nelson Wendt & Cia. Ltda. Registrese que os DCC acima citados foram expedidos em atendimento à determinação contida no documento da fl. 03, expedido pelo Tribunal Regional Federal da 2a Região, e correspondem aos débitos objeto dos pedidos de compensação referidos no item 1. Acrescentese que o contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório, referido no item 2, em 28 de março de 2006, conforme consta na fl. 62. Inconformado, o interessado apresentou, tempestivamente, em 27 de abril de 2006, manifestação de inconformidade contra o indeferimento dos pedidos de compensação, fls. 139 a 156, instruída com os documentos das fls. 157 a 244. Nessa mesma data apresentou, nas fls. 245 a 266, impugnação contra os autos de infração referidos no item precedente, instruída com os documentos das fls. 267 a 352. As alegações apresentadas são, em síntese, as seguintes: COMPENSAÇÕES Depois de rápido relatório dos fatos, onde defende que a Simab S/A é legitima detentora de créditos, e que tem o direito, rcconhccido judicialmente, dc transferir tais créditos a terceiros, alega o contribuinte que são válidos e definitivos os DCC emitidos pela Secretaria da Receita Federal (SRF); que existem decisões judiciais válidas e vigentes, que garantem as compensações efetuadas, transcrevendo parte das decisões relacionadas com a ação judicial patrocinada por Simab S/A; que o Despacho Decisório violou os princípios que regem a atuação da Administração Pública; que, por força de decisão judicial regularmente proferida, foi reconhecido pelo próprio Fisco o direito dos créditos, bem como praticados todos os atos administrativos pertinentes à espécie; que a autoridade administrativa não pode recusar eficácia à ordem emanada de órgão judiciário. Transcreve parte de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre, referente a compensação de crédito com débito Fl. 473DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11040.000431/200113 Acórdão n.º 3202001.024 S3C2T2 Fl. 474 4 de terceiro, em que o cedente do crédito é o mesmo do processo ora em exame. Ao final, requer: a) a reunião da manifestação de inconformidade e da impugnação apresentadas, para decisão simultânea, nos termos do § 3o do art. 18 da Lei n° 10.833/03; b) que sejam processadas as compensações regularmente efetuadas; c) que seja cancelado o Despacho Decisório objeto desta Manifestação de Inconformidade; d) que se determine à Autoridade que se abstenha de ativar a cobrança dos débitos no sistema PROFISC; e) que se proceda a imediata suspensão da exigibilidade dos tributos compensados, nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional. AUTOS DE INFRAÇÃO Repetindo os argumentos da manifestação de inconformidade, relatados no item 3.1,o interessado acrescenta, na impugnação aos autos de infração, o seguinte: que é incabível o lançamento de ofício, face à validade e definitividade dos DCC emitidos;que impôese a exclusão da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório, transcrevendo acórdãos nesse sentido; requer, ao final, seja julgada procedente a impugnação apresentada, para julgar nulo ou improcedente o auto de infração atacado. A decisão da DRJ de Porto Alegre ficou assim ementada: COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS, COM CRÉDITOPRÊMIO DO IPI, RECEBIDO DE TERCEIRO. A compensação de débitos, com créditoprêmio do IPI, de terceiro, determinada por decisão judicial mandamental provisória, mas com eficácia delimitada no tempo, pelo STJ, que garante a suspensão da exigibilidade dos débitos, não pode ser homologada na esfera administrativa, porque a homologação extingue definitivamente o crédito Tributário (débito do sujeito passivo). A compensação homologada sob condição resolutória, porque a decisão judicial que autorizou o crédito está sujeita a alteração, ainda assim suspende a exigibilidade do débito fiscal. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Deve ser cancelada a multa de ofício, quando / aplicada sobre créditos tributários cuja exigibilidade esteja suspensa por decisão judicial. Solicitação Deferida em Parte Fl. 474DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11040.000431/200113 Acórdão n.º 3202001.024 S3C2T2 Fl. 475 5 Inconformada com tal decisão, a Recorrente tempestivamente protocolou recurso voluntário reiterando seus argumentos anteriormente apresentados. . É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. No que tange ao recurso de ofício, correto foi o entendimento da DRJ de Porto Alegre ao afastar a multa de ofício, especialmente por conta do que dispõe a Súmula 17 do CARF, verbis: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. O recurso voluntário, por sua vez, preenche as condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A questão central dos autos cingese ao fato da existência de demanda judicial versando sobre o aproveitamento do créditoprêmio de IPI promovida por SIMAB S/A, nos autos do Mandado de Segurança 2000.51.01.0007322. Referido mandamus teria reconhecido o direito da SIMAB S/A de compensar os seus créditosprêmio de IPI ou transferi los a terceiros. A matéria relativa ao mandamus já foi objeto de análise pelo ilustre conselheiro Daniel Mariz Gudiño, no acórdão 3201001.156, conforme trecho abaixo transcrito: Questão mais intrincada diz respeito aos efeitos da decisão judicial não transitada em julgado que reconheceu a possibilidade de terceiros – no caso, a Recorrente – utilizarem créditoprêmio da SIMAB S/A. Conforme já relatado, a referida decisão foi proferida no Mandado de Segurança nº 2000.51.01.0007322, corroborada pela última vez no Tribunal Regional Federal da 2ª Região em sede de embargos de declaração, tendo sua publicação datada de 02/07/2004. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11040.000431/200113 Acórdão n.º 3202001.024 S3C2T2 Fl. 476 6 Contudo, como bem relatado no despacho decisório, essa decisão teve seus efeitos suspensos por força de decisão que deu provimento ao agravo interposto pela Fazenda Nacional na Medida Cautelar nº 10.000/RJ. ... E mais, apenas para demonstrar a razoabilidade da lógica do dispositivo supra mencionado, convém esclarecer que a decisão que favorecia à SIMAB S/A foi reformada no Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.020.969/RJ, havendo, inclusive, aplicação de multa por posteriores recursos protelatórios. Nesse sentido, confirase a ementa do acórdão proferido quanto aos últimos embargos de declaração interpostos pela cedente dos créditos da Recorrente: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DO CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. MATÉRIA DE ORDEM INFRACONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. PRETENSÃO INFRINGENTE. EMBARGOS MANIFESTAMENTE PROTELATÓRIOS. MULTA. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. 1. Não havendo omissão, obscuridade ou contradição, merecem ser rejeitados os embargos declaratórios interpostos pela empresa que têm o propósito infringente. 2. A extinção do créditoprêmio de IPI foi operada pela ausência de confirmação legal do benefício, pois o art. 1º, da Lei 8.402∕92 não o abrangeu, muito embora tivesse tratado de um outro benefício previsto no art. 5º, do DecretoLei 491∕69. A verificação da existência ou não de lei que confirmaria o benefício é tema infraconstitucional, invocandose apenas reflexamente a aplicação do art. 41, §1º, do ADCT, por não poder o STJ, como qualquer outro tribunal, desconsiderar as normas (princípios e regras) constitucionais em vigor. Nesse sentido, se a invocação do art. 41, §1º, do ADCT é reflexa, o seu tratamento deriva do art. 257 do RISTJ e da Súmula n. 456, do STF, não havendo que se falar em prequestionamento. 3. Hipótese de interposição dos segundos embargos de declaração veiculando matéria idêntica cujo mérito já foi decidido inclusive em sede de recurso representativo da controvérsia (REsp. Nº 1.129.971 BA, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.2.2010). O intuito protelatório do recurso assim se evidencia, o que faz incidir a norma do parágrafo único do art. 538 do CPC. Aplicação de multa em 1% do valor da causa à empresa recorrente. 4. Embargos de declaração rejeitados, com a fixação de multa. (EDcl nos EDcl no REsp 1020969/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/10/2010, DJe 05/11/2010) Fl. 476DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11040.000431/200113 Acórdão n.º 3202001.024 S3C2T2 Fl. 477 7 Verificando o sítio do Superior Tribunal de Justiça, noto também que a Medida Cautelar nº 10.000/RJ anteriormente mencionada perdeu objeto, conforme despacho do Ministro Mauro Campbell assim ementado: MEDIDA CAUTELAR COM PEDIDO LIMINAR PARA A ATRIBUIÇÃO DE EFEITO SUSPENSIVO ATIVO A RECURSO ESPECIAL. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL. PERDA DE OBJETO. MEDIDA CAUTELAR PREJUDICADA (ART. 34, XI, DO RISTJ). O trecho a seguir do despacho do Ministro Campbell na Medida Cautelar nº 10.000/RJ não deixa dúvida a respeito da prescrição dos créditosprêmio de IPI compensados pela SIMAB: Sendo assim, dada à ausência de efeito suspensivo nos embargos de declaração e ao preceito de que o recurso extraordinário porventura interposto pela parte não impede a execução da sentença (art. 497 do CPC), entendo que vigente e eficaz está o acórdão proferido às fls. 899/918, que reconheceu a prescrição dos créditosprêmio de IPI levados à compensação pela aludida empresa. Tal não poderia ser diferente, já que a MC nº. 10.000RJ foi proposta pela Fazenda Nacional e objetivava antecipar os efeitos do provimento de seu recurso especial, que ora já está provido nos termos do acórdão de fls. 899/918. Certamente, não há como extrair interpretação juridicamente viável no sentido de que uma medida cautelar proposta por uma parte, quando procedente, venha a favorecer os interesses da outra, principalmente quando o provimento principal já foi obtido. Desse modo, nada tenho a prover (grifamos) Em despacho datado de 4 de dezembro de 2012, na PET no RE nos EDcl no AgRg no RE nos EDcl no AgRg nos EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RESP Nº 1.020.969 – RJ, a Ministra Eliana Calmon, VicePresidente do STJ, determinou “considerando o escoamento do prazo recursal quanto à decisão de fls. 1679/1684, seja procedida a baixa destes autos, após a certificação do trânsito em julgado do processo e sua remessa ao e. Tribunal de origem”. Na mesma data do referido despacho, consta no sitio do STJ a certidão de trânsito em julgado do processo (ERESP 1020969). Por fim, como já definido pelo Superior Tribunal de Justiça em acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC (REsp 1.129.971), “O prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do créditoprêmio do IPI, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32, é de cinco anos. Precedentes: EREsp. Nº 670.122 PR Primeira Seção,Rel. Min. Castro Meira, julgado em 10 de setembro de 2008; AgRg nosEREsp. Nº 1.039.822 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24 de setembro de 2008. No caso concreto, tenho que o mandado de segurança foi impetrado em 6 de junho de 2005, portanto, Fl. 477DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11040.000431/200113 Acórdão n.º 3202001.024 S3C2T2 Fl. 478 8 decorridos mais de cinco anos entre a data da extinção do benefício (5 de outubro de 1990) e a data do ajuizamento do writ, encontramse prescritos eventuais créditos de titularidade da recorrente” Diante do exposto, e sendo desnecessária manifestação em relação ao que foi aventado sobre a aplicação ou não do artigo 170A do CTN ao caso, NEGO PROVIMENTO aos recursos voluntário e de ofício. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 478DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 37311.011284/2005-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Aplicando-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2403-002.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em: NEGAR provimento ao Recurso de Ofício..
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 31 1. 01 12 84 /2 00 5- 89 Fl. 767DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em: NEGAR provimento ao Recurso de Ofício.. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 37311.011284/200589 Acórdão n.º 2403002.315 S2C4T3 Fl. 768 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício, apresentado contra Acórdão nº 0327.752 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.835.3967, no montante inicial de R$ 1.736.027,37, retificado para R$ 511.903,60. Observase que houve o julgamento deste processo nesta Colenda 3ª Turma Ordinária, em 28.07.2011, Acórdão nº 2403000.677, Relator Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, mas apenas do Recurso Voluntário impetrado pelo sujeito passivo e, para efeitos de saneamento do processo,,este retornou a esta Turma de Julgamento para apreciação do Recurso de Ofício impetrado. Ainda, anotese que tramita um Recurso Especial impetrado pela PGFN. Segue o Relatório do Acórdão nº 2403000.677 desta 3ª Turma Ordinária, em 28.07.2011: Tratase de recurso voluntário interposto tempestivamente, às fls. 683 a 698, aditado às fls. 699 a 707 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Jundiaí São Paulo às fls.628 a 643, que julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento oriundo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° – AI n° 35.835.2967, no valor de R$ 1.736.027,37 (um milhão, setecentos e trinta e seis mil, vinte e sete reais e trinta e sete centavos), sendo tal numerário reduzido para tanto R$511.903,60 (quinhentos e onze mil, novecentos e três reais e sessenta centavos), após decisão de 1 instância que reconheceu como decadentes as competências 05/1996 a 11/2000 com base no art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional. Segundo o relatório fiscal às fls.50 a 59, tratase a presente NFLD de levantamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos ou creditados aos segurados individuais, conforme determina o artigo 22 da lei 8.212/91 inciso III, e apuradas sobre valores lançados na contabilidade da empresa, como também o saldo mensal da conta caixa, nos valores que excederam a um limite razoável, que no presente caso foi considerado pelo auditor fiscal como sendo o valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), valor inicial da conta caixa existente no mês 04/1996, e apuradas pela fiscalização. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 16/12/2005, de forma pessoal, e apresentou impugnação às fls.378 a 380, e aditamento às fls. 409 a 424 onde, em síntese: Alegou que os valores apurados como prólabore indireto foram indevidamente qualificados como tais, pois os pagamentos Fl. 769DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 efetuados, em hipótese alguma, podem ser considerados como retirada de prólabore dos sócios, pois os mesmos são pagamentos alheios a esse tipo de qualificação. Isto posto, afirmou que sobre os mesmos não poderiam incidir a contribuição previdenciária que foi apontada pela fiscalização; Ressaltou que empresas que juridicamente não possuem qualquer ligação com a autuada, pois possuem CNN diferentes e autônomos, foram consideradas indevidamente para efeitos do levantamento do débito. Por fim, requereu a anulação do presente auto de infração, com a conseqüente declaração de inexistência do grupo econômico e da solidariedade passiva aludida pelo fiscal, com a exclusão da empresa M.V. Empreendimentos & Participação Ltda, do pólo passivo do auto de infração ora enfrentado. Ainda, em sede de aditamento de recurso, afirmou que o auditor desconsiderou despesas efetuadas pela empresa a fim de que pudesse fazer incidir contribuição previdenciária sobre as mesma;. Ressaltou a ilegalidade na tributação sob pro labore indireto, argumentando inexistir lei instituidora dessa espécie de tributo; Afirmou que o relatório elaborado pelo autuante em nenhum momento apresenta condições que pudessem evidenciar elementos para a caracterização da MV Empreendimentos & Participações Ltda como pertencente ao mesmo grupo econômico das demais empresas, apenas relatando de forma sucinta o histórico societário da empresa, indicando de um lado o sócio Miguel Bento Vieira e do outro, a sócia Estoril Sol S/A, hoje sucedida pela empresa Terras do Horizontes Participações Ltda., em razão da aquisição da sua quotaparte, no percentual de 50% da MV Empreendimentos & Participações Ltda; Discorreu sobre a constituição e surgimento da empresa, aduzindo possuir personalidade própria, objeto distinto, sócios diferentes, com o fito de corroborar a descaracterização de grupo econômico; Pormenorizando o surgimento da sociedade entre o sócio gestor da autuada, Sr. Miguel BentoViei e Estoril Sol Empreendimentos & Participações Ltda, na construção do prédio, consignou que o referido sócio sempre teve autonomia e independência em relação à sua sócia, seja a antiga Estoril Sol Empreendimentos e Participações Ltda, seja em relação a atual Terras do Horizonte Empreendimentos e Participações Ltda; Ao final, instou o recebimento do aditamento à defesa, assim como o conseqüentemente deferimento do pedido de revisão do lançamento, para em seguida, considerando a primariedade da empresa, seja decretada a inexistência de infração e a nulidade do auto de infração; Ademais, requereu a exclusão da empresa MV Empreendimentos e Participações Ltda. do grupo econômico mencionado pelo auditor fiscal. A Recorrida, conforme o Acórdão nº 0327.752 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, reconhecendo a extinção do crédito tributário Fl. 770DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 37311.011284/200589 Acórdão n.º 2403002.315 S2C4T3 Fl. 769 5 de 05/1996 a 11/2000, em função da decadência com fulcro no art.150,§ 4º , CTN, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/2004 NFLD DEBCAD N°35.835.2967 GRUPO ECONÔMICO. GRUPO DE FATO E DE DIREITO. COORDENAÇÃO E CONTROLE. RECURSOS E ESFORÇOS CONCENTRADOS PARA OBJETIVOS COMUNS. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei previdenciária, nos termos do inciso IX do Artigo 30 da Lei n° 8.212/91. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE. STF. Prescreve a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual, em se tratando de lançamento de oficio, devese aplicar o prazo decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). AFERIÇÃO INDIRETA. HIPÓTESE PREVISTA EM LEI. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 5a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE o crédito tributário lançado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Submetase à apreciação do Segundo Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, Fl. 771DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 de 10 de dezembro de 1997, e art. 366 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por se tratar de decisão sujeita a recurso de oficio, nos termos do § 2° do artigo 366 do RPS c/c inciso II do art. 1° da Portaria MPS n° 158. A exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento do recurso de ofício em segunda instância. Cientifiquese o interessado. Encaminhese à DRF de origem. Sala de Sessões, em 04 de novembro de 2008 A decisão de primeira instância, às fls. 634, reconheceu a extinção do crédito tributário de 05/1996 a 11/2000, em função da decadência com fulcro no art.150,§ 4º , CTN: No caso sob exame, considerando que, em consulta ao Sistema AGUIA (de arrecadação), constam recolhimentos antecipados pela empresa incidentes sobre as folhasdepagamento dos segurados a seu serviço, e que o crédito previdenciário foi constituído com a ciência do contribuinte em 16/12/2005, a competência mais remota para a qual poderia haver lançamento é 12/2000. Desse modo, considerando o prazo decadencial de cinco anos para a constituição do crédito tributário, contado do fato gerador, consoante estabelecido no §4 º do art. 150 do CTN, A Recorrente impetrou Recurso Voluntário onde combateu a decisão de primeira instância e reiterou os argumentos já deduzidos em sede de Impugnação. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 37311.011284/200589 Acórdão n.º 2403002.315 S2C4T3 Fl. 770 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator (I) Em relação ao RECURSO VOLUNTÁRIO PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Será analisado apenas o Recurso de Ofício, na qual se conhece pois atende o limite do valor de alçada. Anotese que a única matéria a transitar no Recurso de Ofício é a questão da decadência pois a decisão de primeira instância reconheceu a extinção do crédito tributário de 05/1996 a 11/2000, em função da decadência com fulcro no art.150,§ 4º , CTN: DA DECADÊNCIA. Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Fl. 774DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 37311.011284/200589 Acórdão n.º 2403002.315 S2C4T3 Fl. 771 9 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Para a verificação da ocorrência de recolhimentos feitos pela Recorrente, observemos a informação veiculada na decisão de primeira instância. A Decisão de primeira instância expressamente constatou a presença de recolhimentos feitos pela Recorrente, às fls. 634, reconheceu a extinção do crédito tributário de 05/1996 a 11/2000, em função da decadência com fulcro no art.150,§ 4º , CTN posto ter No caso sob exame, considerando que, em consulta ao Sistema AGUIA (de arrecadação), constam recolhimentos antecipados pela empresa incidentes sobre as folhasdepagamento dos segurados a seu serviço, e que o crédito previdenciário foi constituído com a ciência do contribuinte em 16/12/2005, a competência mais remota para a qual poderia haver lançamento é 12/2000. Desse modo, considerando o prazo decadencial de cinco anos para a constituição do crédito tributário, contado do fato gerador, consoante estabelecido no §4 º do art. 150 do CTN, Na hipótese presente da NFLD nº 35.835.3967, verificase então que há a presença de recolhimentos antecipados a homologar pela AuditoriaFiscal, na qual, pelo posicionamento desta Colenda Turma, basta um único recolhimento feito em qualquer competência para se considerar a ocorrência de recolhimentos antecipados a ensejar a aplicação do art. 150, § 4º, CTN. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação do auto de infração pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 16.12.2005 e o período objeto da NFLD se refere a 05/1996 a 12/2004. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 11/2000, inclusive. Correta portanto a decisão de primeira instância que reconheceu a decadência até a competência 11/2000 com base no art. 150, § 4º, CTN. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do Recurso de Ofício e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 776DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10940.903159/2009-68
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/01/2003
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98.
As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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(NOVA DENOMINAÇÃO DE CARNELOS COMÉRCIO DE FERRAMENTAS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/01/2003 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 31 59 /2 00 9- 68 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903159/200968 Acórdão n.º 3801002.589 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto parcialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF em Ponta Grossa/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 18972.33719.230806.1.7.048110, devido à inexistência de crédito de R$ 6.443,72 para efetuar a compensação pretendida de R$ 9.373,68, uma vez que o pagamento COFINS (código 2172) teria sido integralmente utilizado para quitação de débito próprio. Cientificada em 01/06/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando, em síntese, que pela nova sistemática do PIS e da Cofins, trazida pelas Leis nºs 9.718, de 1998, e 10.637, de 2002, qualquer receita ingressada na contabilidade da pessoa jurídica incide as contribuições, independentemente da atividade por ela exercida. No entanto, quando das exclusões da base de cálculo, há distinção entre as deduções para as pessoas jurídicas em geral e para as instituições financeiras. Pois, enquanto estas gozam do benefício da exclusão/compensação plena e irrestrita de suas despesas operacionais, os demais contribuintes se sujeitam à cobrança das contribuições sobre uma base muito maior, já que podem apenas deduzir o custo da compra de mercadorias adquiridas para revenda, desequilibrando uma relação que não encontra nenhuma razão de ordem material, ou até mesmo qualquer justificativa de ordem econômica ou social, para que se estabeleça. Assim, as instituições financeiras vêm recolhendo a Cofins e o PIS com base no chamado ‘lucro bruto’, uma vez que são deduzidas todas as despesas operacionais relacionadas a sua atividade, sendo tributada tãosomente pela diferença entre o custo de sua atividade e o valor cobrado por ela. Já os demais contribuintes pagam os tributos com base em sua receita, independentemente da classificação contábil, sem que possam deduzir/compensar integralmente suas despesas operacionais. Destarte, por força do que dispõe expressamente o art. 150, inciso II, da Carta Magna, impõese a extensão deste benefício às demais empresas privadas, como é o seu caso. A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CRÉDITOS NO SISTEMA DE NÃOCUMULATIVIDADE. EQUIPARAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS EM GERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903159/200968 Acórdão n.º 3801002.589 S3TE01 Fl. 4 3 O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja reconhecido o seu direito à compensação, referente aos indevidos pagamentos a título da contribuição, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903159/200968 Acórdão n.º 3801002.589 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. A interessada alega com fundamento no princípio constitucional da isonomia que tem o direito de deduzir da base de cálculo da contribuição, a totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência. Não assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. Para o período de apuração em discussão, aplicavamse os dispositivos da Lei da Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) Como apresentado nos recursos da recorrente, as exclusões e deduções da base cálculo estão discriminadas no §2º e seguintes do art. 3º da Lei 9.718/98: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903159/200968 Acórdão n.º 3801002.589 S3TE01 Fl. 6 5 regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) (Produção de efeito) § 3º Nas operações realizadas em mercados futuros, considera se receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903159/200968 Acórdão n.º 3801002.589 S3TE01 Fl. 7 6 II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 8o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro de 1997; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903159/200968 Acórdão n.º 3801002.589 S3TE01 Fl. 8 7 (...) Grifouse Com efeito, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na lei e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não integram esse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre o faturamento a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Quanto às argumentações referentes à ofensa ao princípio da isonomia, é importante consignar que a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a restituição/compensação postulada carece de previsão legal. Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Ademais, falece à autoridade julgadora administrativa competência para examinar eventual ofensa ao princípio da isonomia. No que tange ao pedido, assinalese desprovido de fundamentação, de não incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, é importante assinalar, ainda, que, na legislação tributária, a multa de mora sempre esteve integrada para inibir o pagamento de tributos com atraso, conforme os seguintes dispositivos: art. 74 da Lei nº 7.799, de 1989; art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991; art. 59º da Lei nº 8.383, de 1991; art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995 e o vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” (Grifouse) Como visto, o legislador ordinário estabeleceu como acréscimo legal a multa de mora para o recolhimento espontâneo após o vencimento do prazo legal. Não se tem notícia de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento em sede de recurso repetitivo de controvérsia de que se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903159/200968 Acórdão n.º 3801002.589 S3TE01 Fl. 9 8 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1. Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (REsp 962379, DJe 28/10/2010) Além do mais, na situação em comento não há que se alegar o benefício da denúncia espontânea porque não há notícia do pagamento dos débitos compensados, assim, se não há pagamento a destempo não é possível aplicar o instituto da denúncia espontânea. Tenhase presente que de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9430/1996 a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por tais razões, nos cálculos dos débitos pagos fora do prazo de vencimento devem incidir as multas de mora, como bem assentou a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10983.721336/2010-27
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. INEXISTÊNCIA.
Para a decretação da nulidade, o prejuízo deve ser comprovado.
As intimações para apresentação de documentos em fase pré-lançamento podem conter prazos diversos.
GRATIFICAÇÃO DE CONFIDENCIALIDADE. TRIBUTAÇÃO.
A regra geral é a tributação da totalidade dos rendimentos. Exclusivamente as verbas especificadas em lei não sofrem tributação, o que não é o caso da gratificação de confidencialidade.
Numero da decisão: 2403-002.377
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva, que votaram pela não tributação de abono de confiabilidade. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Marcelo Freitas de Souza Costa
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Julio de Souza, e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. INEXISTÊNCIA. Para a decretação da nulidade, o prejuízo deve ser comprovado. As intimações para apresentação de documentos em fase prélançamento podem conter prazos diversos. GRATIFICAÇÃO DE CONFIDENCIALIDADE. TRIBUTAÇÃO. A regra geral é a tributação da totalidade dos rendimentos. Exclusivamente as verbas especificadas em lei não sofrem tributação, o que não é o caso da gratificação de confidencialidade. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva, que votaram pela não tributação de abono de confiabilidade. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Marcelo Freitas de Souza Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 13 36 /2 01 0- 27 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Julio de Souza, e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10983.721336/201027 Acórdão n.º 2403002.377 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Acórdão 0731.365 da .6 ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Trata este processo de auto de infração, cujo objeto é a constituição de crédito de contribuição previdenciária, relativo ao período de 01/2006 a 12/2007, incidente sobre os valores pagos a título de indenização de confidencialidade, considerado pela fiscalização como integrante da remuneração do segurado, no valor de R$ 242.797,05. Inconformada com o auto de infração, a autuada apresentou instrumento de impugnação, cujos termos, no essencial, traz os seguintes argumentos: Reclama que a autoridade fiscalizadora atropelou os ditames regulamentares com respeito da prestação de esclarecimentos pela contribuinte, e conseqüentemente, em relação a fiscalização. Relata que foram exigidas grande quantidades de informações e documentos em exíguos prazos de dois, cinco e dez dias, ultimando em prejudicar sobremaneira a resposta do contribuinte, podendo, inclusive, ser motivo de nela inserir ambigüidades e contradições, em afronta ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Isto, ao seu ver, transborda em muito o limite do razoável (CF, art. 37; art. 2º, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999), viola as garantias do devido processo legal e do contraditório (CF art. 5º, II e LV), e, objetivamente fere os limites impostos pelo art. 844; art. 835, §3°, do RIR/99. Sustenta que a indenização de confidencialidade não possui natureza salarial. É prêmio que possui valor variável e que é pago sem habitualidade ao pessoal de nível gerencial. Carreia aos autos, ainda, trecho de decisão de proferida no âmbito da 6ª Vara do Trabalho de Florianópolis, em litígio entre empregada da impugnante e esta. Conclui que não há como considerar a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de gratificação de confidencialidade. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Por fim, requer: a produção de todas as provas em direito admitidas: a documental inclusa, a documental superveniente, requisição de informações a repartições públicas, diligências, exibição de documentos em posse de terceiros. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · A autoridade fiscalizadora atropelou os ditames regulamentares com respeito da prestação de esclarecimentos pela contribuinte, e conseqüentemente, em relação à fiscalização. · O prazo para apresentação dos documentos é de 20 dias conforme RIR/99. · Relata que foram exigidas grande quantidades de informações e documentos em exíguos prazos de dois, cinco e dez dias. · Fiscalização não compreendeu as particularidades da matéria. · O sigilo e a confidencialidade são de grande valor para empresas que exploram atividade que envolve o uso de tecnologia de ponta. · É comum que a determinados empregados seja imposta a confidencialidade. · A indenização de confidencialidade não possui natureza salarial. É prêmio que possui valor variável e que é pago sem habitualidade ao pessoal de nível gerencial. Cita decisão da Justiça do Trabalho. É o relatório Fl. 344DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10983.721336/201027 Acórdão n.º 2403002.377 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NULIDADE A recorrente alega que a autoridade fiscalizadora atropelou os ditames regulamentares com respeito da prestação de esclarecimentos pela contribuinte, e conseqüentemente, em relação à fiscalização, que o prazo legal (artigo 844 RIR/99) para apresentação dos documentos é de 20 dias e relata que foram exigidas grande quantidades de informações e documentos em exíguos prazos de dois, cinco e dez dias. Não entendo haver aqui razão para declarar a nulidade do lançamento. Para a decretação da nulidade, o prejuízo deve ser comprovado. No início da ação fiscal, por meio do Termo de Início da Ação Fiscal, foram dados prazos de 5 dias úteis, 10 e 20 dias para apresentação de documentos. Seguiramse 7 Termos de Intimação Fiscal com prazos diversos. As intimações para apresentação de documentos ocorreram em fase pré lançamento. Era uma fase de investigação acerca do cumprimento das obrigações. Não constatei prejuízo para a recorrente. Não percebo cerceamento ao contraditório e ampla defesa. GRATIFICAÇÃO DE CONFIABILIDADE A recorrente alega que a gratificação de confidencialidade não possui natureza salarial, que é prêmio, que possui valor variável e que é pago sem habitualidade ao pessoal de nível gerencial. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Conforme apresentado no Relatório Fiscal e comprovado por documento (Termo Aditivo ao Contrato Individual de Trabalho – Quadro Gerencial), os empregados obrigamse a manter sigilo acerca das informações da empresa desde a contratação até 36 meses após a rescisão. Pela manutenção do sigilo, quando da rescisão, a empresa paga uma gratificação. O que cabe decidir aqui é se a verba é tributável ou não. Segundo o artigo 28 da Lei 8.212/91, a tributação incide sobre a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10983.721336/201027 Acórdão n.º 2403002.377 S2C4T3 Fl. 5 7 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; As verbas não sujeitas à incidência são, exclusivamente, as especificadas no parágrafo 9º do próprio artigo 28 e lá não está prevista a gratificação por confidencialidade. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: e) as importâncias:(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; A verba não é eventual, é prevista no contrato de trabalho, tem tempo definido para o pagamento, tem o período aquisitivo definido como o prazo do contrato de trabalho e uma obrigação desde a contratação até 36 meses após a rescisão. Entendo, portanto, correta a decisão de primeira instância. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 347DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 19515.001208/2010-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.199
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 20 8/ 20 10 -5 4 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001208/201054 Resolução nº 2403000.199 S2C4T3 Fl. 303 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 1630.675 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP, que julgou procedente o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, AIOP nº 37.097.0543, no montante inicial de R$ 10.083.631,94. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições à Seguridade Social destinadas a Outras Entidades e Fundos: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Salário Educação); ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA); ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC); Serviço Social do Comércio (SESC) e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa (SEBRAE), no período de 01/2007 a 12/2007. Conforme o Relatório Fiscal, em relação ao objeto social, aponta o estatuto social, a "Fundação tem por objetivo precípuo colaborar com o Instituto do Coração InCor, Unidade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo HCFMUSP, atuando nas áreas de saúde, do ensino, da pesquisa e da cultura, em especial, nos campos da cardiologia e da penumologia clínica e cirúrgica, visando colaborar na realização das atividades o InCorHCFMUSP". Em relação aos fatos geradores, o Relatório Fiscal relata: 5.1. Da perda de isenção das Contribuições Sociais 5.1.1. Através do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 04/2005, emitido em 10/10/2005, a Fundação teve a sua isenção cancelada a partir de 01/11/1994, por infração aos incisos III (redação original) e V e ao § 5o do art. 55 da Lei n° 8.212/91: "Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97)." "§ 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de Fl. 309DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001208/201054 Resolução nº 2403000.199 S2C4T3 Fl. 304 3 serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluídopela Lein° 9.732, de 1998)." 5.1.2. Diante do cancelamento da isenção, o contribuinte ingressou com recurso administrativo (processo n° 35462.001570/200587), cujo provimento foi negado conforme decisão no Acórdão n° 280/2007, de 27/02/2007, da 4a Câmara de Julgamento do CRPS, que entendeu insubsistente a violação ao inciso V do art. 55 da Lei n° 8.212/91, mas reconheceu violado o inciso III do mesmo artigo, e conseqüentemente, manteve o Ato Cancelatório de Isenção (cópias anexas). 5.1.2.1. Com relação à violação ao inciso III, do art. 55, da Lei n° 8.212/91, consta no referido processo que "a autoridade fiscal se preocupa com o fato de que a entidade não promoveria a assistência social gratuita, nos termos que exige a legislação. Para tanto, afirma que a Fundação não presta qualquer tipo de serviço assistencial, mas utilizase do INCOR, Autarquia Estadual vinculada ao Hospital das Clinicas, cuja função, por natureza, é a de se colocar a disposição da população fornecendo atendimento gratuito à saúde, não podendo, portanto, tais serviços serem vistos como se estivessem sendo prestados pela Zerbini." 5.1.2.2. Entende o relator que "Para a Fundação Recorrente fazer jus a isenção da cota patronal teria que, ou ser uma instituição de saúde, ou possuir uma e assim disponibilizar serviços médicos a população, sem ônus para esta, ou, de outra ótica, promover a assistencial social por seus outros aspectos. O que não pode se aceitar, crê este Relator, é que a entidade usufrua de uma isenção fiscal, por um serviço que quem estaria prestando seria o próprio Estado." 5.1.3. O contribuinte interpôs novo recurso administrativo através do Pedido de Uniformização de Jurisprudência (cópia anexa), em que solicitou a anulação do Ato Cancelatório n° 04/2005 e do Acórdão n° 280/2007, em razão de divergência entre o teor deste último e do Acórdão n° 06/00299/98, da 6a Câmara de Julgamento do CRPS, que deu provimento ao recurso da empresa e julgou improcedente o Ato Cancelatório n° 12/96, por descumprimento aos requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Ao recurso interposto foi determinada a aplicação das disposições do Recurso Especial de que trata o art. 7°, inciso II, do RICSRF, conforme despacho n° 205459/2008, de 06/10/2008, do 2o Conselho de Contribuintes, 5a Câmara (cópia anexa). 5.2. Das remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais 5.2.1. No decorrer da ação fiscal, a empresa apresentou o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS), renovado pela Resolução CNAS n° 196, de 22/11/2007, com validade no período de 14/10/2004 a 13/10/2007. Apresentou também a Certidão do Conselho Nacional de Assistência Social que certifica que foi deferido o pedido de renovação do CEAS pela Resolução 003/2009 de 23/01/2009, por força do art. 37 da Medida Provisória 446/2008, com validade no período de 14/10/2007 a 13/10/2010 (cópias anexas). Fl. 310DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001208/201054 Resolução nº 2403000.199 S2C4T3 Fl. 305 4 5.2.2. Em todo o período fiscalizado, verificouse que foi informado em GFIP o código FPAS 639, utilizado pelas entidades beneficentes de assistência social isentas da cota patronal (isenção requerida e concedida pela Previdência Social). Porém, em razão do Acórdão n° 280/2007, que reconheceu violado o inciso III do art. 55 da Lei n° 8.212/91 e manteve o Ato Cancelatório n° 04/2005, a empresa não faz jus à isenção dessa parcela patronal da contribuição previdenciária. 5.2.3. O crédito apurado corresponde, em cada competência, ao montante das contribuições sociais devidas pelo empregador, sobre as remunerações pagas ou creditadas aos empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no período de 01/2007 a 12/2007, inclusive 13° salário. 5.2.3.1. Na determinação da base de cálculo foram utilizadas as remunerações dos empregados e dos contribuintes individuais informadas nas GFIP's. Embora tenham sido informadas com o FPAS incorreto, ou seja, 639 quando o correto seria 515, as remunerações declaradas foram consideradas corretas. Em razão do volume de documentos foram anexados os extratos das GFIP enviadas eletronicamente com as bases de cálculo por categoria; 5.2.3.2. Também foi utilizada como base de cálculo, a remuneração discriminada na "Lista dos Prestadores de Serviços do INSS", referente aos contribuintes individuais reconhecidos pela empresa, mas não informados em GFIP (Anexo I). Para fins de esclarecimento, podese resumir tais fatos na seguinte seqüência: (i) Houve a perda de isenção das contribuições sociais, através do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 04/2005, emitido em 10/10/2005, na qual a Fundação Zerbini teve a sua isenção cancelada a partir de 01/11/1994, por infração aos incisos III (redação original) e V; ao § 5 o do art. 55 da Lei n° 8.212/91; (ii) O contribuinte ingressou com recurso administrativo (processo n° 35462.001570/200587), cujo provimento foi negado conforme decisão no Acórdão n° 280/2007, de 27/02/2007, da 4a Câmara de Julgamento do CRPS, que entendeu insubsistente a violação ao inciso V do art. 55 da Lei n° 8.212/91, mas reconheceu violado o inciso III do mesmo artigo; (iii) O contribuinte interpôs novo recurso administrativo através do Pedido de Uniformização de Jurisprudência, em que solicitou a anulação do Ato Cancelatório n° 04/2005 e do Acórdão n° 280/2007, em razão de divergência entre o teor deste último e do Acórdão n° 06/00299/98, da 6a Câmara de Julgamento do CRPS, que deu provimento ao recurso da empresa e julgou improcedente o Ato Cancelatório n° 12/96, por descumprimento aos requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/91. (iv) Ao recurso interposto foi determinada a aplicação das disposições do Recurso Especial de que trata o art.7°, inciso II, do RICSRF, conforme despacho n° 205459/2008, de 06/10/2008, 5a Câmara, do 2 o Fl. 311DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001208/201054 Resolução nº 2403000.199 S2C4T3 Fl. 306 5 Conselho de Contribuintes (cópia às fls. 189). O Relatório Fiscal apontou que o processo administrativo, relativo ao Ato Cancelatório de Isenção da Fundação Zerbini, encontravase ainda em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao tempo da ação fiscal e do lançamento em questão (tela de consulta juntada às fls. 190/191). Em relação aos acréscimos legais, o Relatório Fiscal aponta que, em virtude da Medida Provisória n° 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09, bem como consoante art. 106, II, ' c ' , do CTN, a legislação vigente ao tempo da ocorrência dos fatos geradores deve ser aplicada para todo o período (01/2007 a 12/2007) por ser mais benéfica ao contribuinte. O período objeto do débito, conforme o Relatório Discriminativo de Débito DD, às fls. 06, é de 01/2007 a 12/2007. A Recorrente teve ciência do AIOP em 12.05.2010, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância, apenas requerendo a anulação da presente autuação em função do Acórdão da CSRF nº 920200.492, de 09.03.2010, na qual, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte referente ao processo nº 35462.001570/200587, na qual se restaurou a isenção do contribuinte como entidade beneficente de assistência social anteriormente revogada pelo Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 04/2005, emitido em 10.10.2005, cancelando a isenção a partir de 01.11.1994: 2.1. Que o Ato Cancelatório n° 04 foi revogado por decisão da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que deu provimento ao Recurso de Divergência do Contribuinte n° 249.351, nos autos do processo n° 35462.001570/200587, conforme Acórdão n° 920200.492 de 09/03/10 e, neste sentido, junta certidão expedida pelo Secretário da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, (fls. 370). 2.2. Acrescenta que referido Acórdão ainda não está disponível, requerendo permissão para posterior juntada ou, alternativamente, que a DRJ oficie à Câmara solicitando o encaminhamento de sua decisão. 2.3. Considerando o restabelecimento que entende ser definitivo da condição de entidade beneficente de assistência social isenta de todas as contribuições patronais e que o Acórdão referido que revogou o Ato Cancelatório é anterior a data da autuação fiscal, infere que o presente auto de infração é nulo. 2.4. Ao final requer o acolhimento de sua impugnação e o cancelamento do débito fiscal reclamado. 2.5. Em 28/03/2011 a Autuada apresentou petição (fls. 101) e documentos (fls. 102/105) informando e comprovando a alteração de seu Patrono neste processo Ademais, o contribuinte anexa, às fls. 94, a Certidão do Julgamento do Recurso de Divergência nº 249.351, interesse da FUNDAÇÃO ZERBINI, nos autos do processo n° 35462.001570/200587, na qual por maioria de votos se restaurou a isenção do contribuinte como entidade beneficente de assistência social Fl. 312DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001208/201054 Resolução nº 2403000.199 S2C4T3 Fl. 307 6 A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1630.675 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP , a seguir: ASSUNTO CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Ementa: CONTRIBUIÇÃO DESTINADAS A TERCEIROS. Em decorrência dos arts. 2° e 3o da Lei n° 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. Ato Cancelatório de isenção submetido à apreciação e julgamento em Recurso Especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não assegura à Entidade direito à fruição da imunidade da cota patronal enquanto pendente a apreciação de recurso. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001208/201054 Resolução nº 2403000.199 S2C4T3 Fl. 308 7 DECISÃO ADMINISTRATIVA. EFICÁCIA E EXECUÇÃO. É definitiva a decisão administrativa: de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto, na parte que não for objeto do referido recurso ou não estiver sujeita a recurso de ofício; de segunda instância, quando dela não caiba recurso ou, quando cabível, decorrido o prazo sem sua interposição; e de instância especial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 13a Turma de Julgamento, por unanimidade"^ votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Intimese para ciência do crédito mantido e interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no prazo de 30 dias, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. I o da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002, observandose que a exigibilidade do crédito encontrase suspensa enquanto pendente a definitividade da Decisão proferida nos autos do processo n° 35462.001570/200587. Sala de Sessões, em 08 de abril de 2011. Anotese que a decisão da primeira instância, às fls. 111, se posiciona quanto às matérias não expressamente questionadas pelo contribuinte na Impugnação, considerandoas atingidas pela preclusão: 3.2. As matérias não expressamente questionadas presumemse legítimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 9.532/97. 3.3. Também, estabelece o art. 16 do citado Decreto que a impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta; os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em complemento, o § 4o do citado artigo é manifesto ao prescrever que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvados os casos específicos ali descritos. (...) 6. Pretendendo o cancelamento do débito fiscal reclamado, o único argumento apresentado na impugnação é de que o Ato Cancelatório n° 04 foi revogado por decisão da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que deu provimento ao Recurso de Divergência do Contribuinte n° 249.351, nos autos do processo n° Fl. 314DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001208/201054 Resolução nº 2403000.199 S2C4T3 Fl. 309 8 35462.001570/200587, conforme Acórdão n° 920200.492 de 09/03/10. Ainda, a decisão de primeira instância, exarada em 08.04.2011, esclarece que a decisão da CSRF no processo n° 35462.001570/200587, na qual emanou o Acórdão CSRF n° 920200.492, de 09.03.2010, ainda estava pendente de julgamento de Recurso da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN: 8. Por tudo o quanto exposto, tendo em vista que o Acórdão n° 9202 00.492 de 09/03/10 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferido nos autos do processo n° 35462.001570/200587, relativo ao Ato Cancelatório de Isenção da Fundação Zerbini, ainda não pode ser considerado como definitivo, uma vez constatada a existência de recurso pendente de julgamento, não merece acolhida a impugnação apresentada que considera encerrada a questão sobre o seu direito à isenção. Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde: (I) Combate a decisão de primeira instância ao reiterar o argumento deduzido em sede de Impugnação quanto ao alcance do Acórdão da CSRF nº 920200.492, de 09.03.2010, na qual, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte referente ao processo nº 35462.001570/200587, na qual se restaurou a isenção do contribuinte como entidade beneficente de assistência social anteriormente revogada pelo Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 04/2005, emitido em 10.10.2005. (II) Acrescenta novos argumentos não deduzidos anteriormente em sede de Impugnação: (a) Descreve o historio da FUNDAÇÃO ZERBINI. Assim, a Fundação Zerbini é uma entidade de direito privado sem fins econômicos, com autonomia administrativa, devidamente inscrita no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sob n° 50.644.053/000113, que tem conforme previsto em seu Estatuto Social, dentre seus objetivos precípuos, fornecer e colaborar com os meios adequados p a ra o desenvolvimento técnico e científico do Instituto do Coração InCor, sendo este último uma Unidade Hospitalar pertencente a uma pessoa Jurídica de direito público, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, instituído pelo DecretoLei n° 13.192/43. Vale esclarecer que a atuação da Fundação Zerbini junto ao Hospital das Clínicas, na Unidade Hospitalar denominada Instituto do Coração InCor, decorre de expressa autorização do Poder Executivo Estadual e devidamente formalizada nos termos do Convênio n° 01/94 e aditamentos. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001208/201054 Resolução nº 2403000.199 S2C4T3 Fl. 310 9 (...) Para a efetiva execução dos seus objetivos estatutários a Fundação Zerbini mantém convênio com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo com objetivo precípuo de colaborar com o Instituto do Coração InCor. O convênio tem como objetivo principal a assistência integral à saúde no atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde SUS, além de outras ações InCor Unidade Hospitalar do Complexo Hospitalar na execução de diversos projetos assistenciais e de interesse social. Ainda, em cumprimento a legislação, a Fundação Zerbini celebrou convênios com a Secretaria de Estado da Saúde, a Secretaria Municipal da Saúde e, principalmente, o credenciamento junto ao Ministério da Saúde, chancela obrigatória para atuar no atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde —SUS. (...) Foi neste sentido que o E. Conselho Nacional de Assistência Social CNAS concedeu o Registro e Certificado de Entidade Beneficente e, desta forma, além dos competentes e necessários Decretos de reconhecimento de Utilidade Pública, afora as demais exigências legais, ter se habilitado junto ao Ministério da Previdência Social nos termos do § 7o , do Art. 195 de Constituição Federal (does. Anexos). Conforme o anexo relatório de atividades da Fundação Zerbini para o exercício de 2010, o InCorHCFMUSP manteve seu atendimento de excelência e sua vocação voltada p a r a a assistência daqueles que buscam o serviço de saúde pública, ou seja, cerca de 80% do total do atendimento prestado se direcionaram a pacientes SUS. (b) Da imunidade tributária da Fundação Zerbini A imunidade é prerrogativa conferida pela Constituição Federal Brasileira e pelo Código Tributário Nacional às entidades assistenciais que preenchem os requisitos previstos em t a i s dispositivos normativos. (...) A principal atividade benemerente desenvolvida pela Fundação Zerbini, visa antes de mais nada auxiliar à União Federal o cumprimento do artigo 6o da magna carta, que atribuí a este, exclusivamente o dever de prover a saúde. (...) Cumpre esclarecer ainda que o artigo 55 da Lei 8.212/91, foi revogado pela Medida Provisória de n.446 de 10 de Novembro de 2008, a qual foi rejeitada pela Câmara dos Deputados. A MP n°. 446 dispôs em seu artigo 48 que revogava o art. 55 da Lei n°. 8.212/91. Tal dispositivo regula a imunidade das contribuições sociais. A MP suspende (paralisa temporariamente) as leis ou dispositivos de lei com ela incompatíveis. Quando aprovada e convertida em lei, aí sim revogará as leis incompatíveis. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001208/201054 Resolução nº 2403000.199 S2C4T3 Fl. 311 10 Caso contrário, tem fim a aludida suspv R AO, retornando à vigência os dispositivos de lei paralisados temporariamente pelo advento da Medida Provisória. Assim, não obstante o texto da MP n°. 446 determinasse que o artigo 55 da Lei n°.8.212/91 foi revogado", é preciso lembrar que medida provisória não tem o condão de revogar lei; a eficácia de uma medida provisória limitase a apenas suspender a eficácia da legislação com ela incompatível. Logo, outra conclusão não há, a não ser de que, com a rejeição da MP n°. 446, o art. 55 da Lei n°. 8.212/91 volta a vigorar. A jurisprudência inclusive tem considerado válidos os certificados de Entidade Beneficente de Assistência SocialCEBAS concedidos na vigência da referida MP 446/2008. Feitas estas considerações, a Ré Fundação Zerbini, informa à Vossa Excelência que sempre atendeu os requisitos do mencionado art. 55. (...) Em recente parecer da lavra do Eminente Professor Ives Gandra da Silva Martins, intitulado: "Imunidade Tributária das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior Inconstitucionalidade de Disposições da Lei n. 9.532/97Requisitos Exclusivos p a r a Gozo da do Artigo 14 do Código Tributário Nacional", exarou (...) (c) Da decisão do CARF que restabeleceu a imunidade de contribuições da Seguridade Social que havia sido cancelada pela Secretaria da Receita Previdenciária Em razão da decisão de 1ª instância administrativa, nos autos do processo administrativo n° 35462.001570/200587, por intermédio da qual a informação fiscal de P v r a dos auditores fiscais foi julgada procedente, foi emitido o Ato Cancelatório de n° 04/2005, que cancelou o benefício da imunidade da recorrente. (...) Assim, adveio o acórdão de n° 280/2007, que conheceu do recurso mas negoulhe provimento, mantendo a vigência do ato cancelatório de n° 04/2005. (...)Em sentido contrário, a corroborar a tese da ora recorrente de que não é necessário que a Fundação Zerbini tivesse hospital próprio, jà se pronunciou o E.Tribunal Regional da 4a Região quando do julgamento da Apelação de n° 000327470.2008.404.7201/SC: (...) Diante disso, é de caráter comezinho o entendimento de que a decisão do Recurso Especial, acima mencionado, restabeleceu a imunidade tributária da ora recorrente, em especial quanto às contribuições da seguridade social em comento, ressaltando que essa decisão, no tocante ao mérito, não sofrerá reforma, pois, no momento, o referido processo encontrase aguardando julgamento de Embargos de Declaração, os quais tem como escopo único processual, sanar a omissão, contradição ou obscuridade da decisão atacada. Nesse sentido, colacionase aos autos julgados emanados por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Fl. 317DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001208/201054 Resolução nº 2403000.199 S2C4T3 Fl. 312 11 (...) Portanto, o restabelecimento da condição de imune da recorrente é desfecho certo, razão pela qual minará o auto de infração ora em apreço, tornandoo absolutamente improcedente. (...) Portanto, o auto de infração em apreço é indubitavelmente improcedente, uma vez que, diante da inquestionável imunidade da recorrente, o mesmo não apresenta hipótese jurídica nem factível para sua realização. (...) Assim, demonstrada e comprovada a mácula do auto de infração, em razão de haver decisão imutável proferida no processo administrativo 35462.001570/200587 que estabeleceu a imunidade da recorrente, outra alternativa não pode haver senão a de acolher a preliminar p a r a anular o auto de infração objeto do presente processo administrativo fiscal, bem como p a r a no mérito julgar improcedente o lançamento decorrente do Auto de Infração em apreço. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001208/201054 Resolução nº 2403000.199 S2C4T3 Fl. 313 12 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Tratase de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 1630.675 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP, que julgou procedente o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, AIOP nº 37.097.0543, no montante inicial de R$ 10.083.631,94. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições à Seguridade Social destinadas a Outras Entidades e Fundos: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Salário Educação); ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA); ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC); Serviço Social do Comércio (SESC) e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa (SEBRAE), no período de 01/2007 a 12/2007. Conforme o Relatório Fiscal, em relação ao objeto social, aponta o estatuto social, a "Fundação tem por objetivo precípuo colaborar com o Instituto do Coração InCor, Unidade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo HCFMUSP, atuando nas áreas de saúde, do ensino, da pesquisa e da cultura, em especial, nos campos da cardiologia e da penumologia clínica e cirúrgica, visando colaborar na realização das atividades o InCorHCFMUSP". Para fins de esclarecimento, podese resumir tais fatos na seguinte seqüência: (i) Houve a perda de isenção das contribuições sociais, através do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 04/2005, emitido em 10/10/2005, na qual a Fundação Zerbini teve a sua isenção cancelada a partir de 01/11/1994, por infração aos incisos III (redação original) e V; ao § 5 o do art. 55 da Lei n° 8.212/91; (ii) O contribuinte ingressou com recurso administrativo (processo n° 35462.001570/200587), cujo provimento foi negado conforme decisão no Acórdão n° 280/2007, de 27/02/2007, da 4a Câmara de Julgamento do CRPS, que entendeu insubsistente a violação ao inciso V do art. 55 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001208/201054 Resolução nº 2403000.199 S2C4T3 Fl. 314 13 da Lei n° 8.212/91, mas reconheceu violado o inciso III do mesmo artigo; (iii) O contribuinte interpôs novo recurso administrativo através do Pedido de Uniformização de Jurisprudência, em que solicitou a anulação do Ato Cancelatório n° 04/2005 e do Acórdão n° 280/2007, em razão de divergência entre o teor deste último e do Acórdão n° 06/00299/98, da 6a Câmara de Julgamento do CRPS, que deu provimento ao recurso da empresa e julgou improcedente o Ato Cancelatório n° 12/96, por descumprimento aos requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/91. (iv) Ao recurso interposto foi determinada a aplicação das disposições do Recurso Especial de que trata o art.7°, inciso II, do RICSRF, conforme despacho n° 205459/2008, de 06/10/2008, 5a Câmara, do 2 o Conselho de Contribuintes (cópia às fls. 189). O Relatório Fiscal apontou que o processo administrativo, relativo ao Ato Cancelatório de Isenção da Fundação Zerbini, encontravase ainda em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao tempo da ação fiscal e do lançamento em questão (tela de consulta juntada às fls. 190/191). A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância, apenas requerendo a anulação da presente autuação em função do Acórdão da CSRF nº 920200.492, de 09.03.2010, na qual, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte referente ao processo nº 35462.001570/200587, na qual se restaurou a isenção do contribuinte como entidade beneficente de assistência social anteriormente revogada pelo Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 04/2005, emitido em 10.10.2005, cancelando a isenção a partir de 01.11.1994:. Ademais, o contribuinte anexa, às fls. 94, a Certidão do Julgamento do Recurso de Divergência nº 249.351, interesse da FUNDAÇÃO ZERBINI, nos autos do processo n° 35462.001570/200587, na qual por maioria de votos se restaurou a isenção do contribuinte como entidade beneficente de assistência social A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1630.675 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP , Anotese que a decisão da primeira instância, às fls. 111, se posiciona quanto às matérias não expressamente questionadas pelo contribuinte na Impugnação, considerandoas atingidas pela preclusão. Ainda, a decisão de primeira instância, exarada em 08.04.2011, esclarece que a decisão da CSRF no processo n° 35462.001570/200587, na qual emanou o Acórdão CSRF n° 920200.492, de 09.03.2010, ainda estava pendente de julgamento de Recurso da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN. Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde, dentre outros argumentos, (I) Combate a decisão de primeira instância ao reiterar o argumento deduzido em sede de Impugnação quanto ao alcance do Acórdão da CSRF nº 920200.492, de 09.03.2010, na qual, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001208/201054 Resolução nº 2403000.199 S2C4T3 Fl. 315 14 DA QUESTÃO CONTROVERTIDA O ponto central em discussão é o referente ao andamento do Acórdão da CSRF nº 920200.492, de 09.03.2010, na qual, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte referente ao processo nº 35462.001570/200587, na qual se restaurou a isenção do contribuinte como entidade beneficente de assistência social anteriormente revogada pelo Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 04/2005, emitido em 10.10.2005. Ou seja, devese verificar a ocorrência, ou não, da decisão definitiva no âmbito administrativo do processo nº 35462.001570/200587, relacionado ao Acórdão da CSRF nº 920200.492, de 09.03.2010. Outrossim, em consulta ao "site" de tramitação de processos do Ministério da Fazenda (http://comprot.fazenda.gov.br/egov/default.asp), consulta realizada em 12.10.2013, temse que, desde 18.02.2011, o processo nº 35462.001570/200587 encontrase no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF do CARF, ou seja, sem uma decisão definitiva no âmbito administrativo: Fl. 321DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001208/201054 Resolução nº 2403000.199 S2C4T3 Fl. 316 15 DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se conhecer a decisão definitiva no âmbito administrativo do processo nº 35462.001570/200587. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte: (i) informe a decisão definitiva no âmbito administrativo do processo nº 35462.001570/200587, ou seja, após o julgamento de todos os recursos no âmbito do CARF; (ii) no escopo do processo nº 35462.001570/200587, anexe aos autos as cópias dos Recursos impetrados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e ou pelo Contribuinte, em relação ao Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF nº 920200.492, de 09.03.2010, bem como cópia das respectivas decisões no âmbito do CARF. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 322DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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