Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,621)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,034)
- Primeira Turma Ordinária (15,998)
- Primeira Turma Ordinária (15,960)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,348)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,399)
- Quarta Câmara (84,588)
- Terceira Câmara (66,999)
- Segunda Câmara (55,305)
- Primeira Câmara (19,845)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,995)
- Segunda Seção de Julgamen (114,032)
- Primeira Seção de Julgame (76,215)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,845)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,373)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,717)
- HELCIO LAFETA REIS (3,595)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,216)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,468)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10580.722932/2009-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 9202-005.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patricia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10580.722932/2009-23
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5779998
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.643
nome_arquivo_s : Decisao_10580722932200923.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PATRICIA DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10580722932200923_5779998.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patricia da Silva - Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6960703
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470412783616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 200 1 199 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.722932/200923 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.643 – 2ª Turma Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOSE ASSIS MOREIRA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patricia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 29 32 /2 00 9- 23 Fl. 200DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 16/02/2016, foi dado provimento unânime ao Recurso Voluntário em epígrafe, consubstanciado no Acórdão nº 2402004990 (fls.124/134), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA FASE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário, o que importa não conhecimento da matéria não impugnada. NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO Na dicção do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta, procedimento este menos oneroso para as partes e para a administração pública em geral. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido. Não compete ao CARF refazer o Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10580.722932/200923 Acórdão n.º 9202005.643 CSRFT2 Fl. 201 3 lançamento com outros critérios jurídicos, mas apenas cancelar a exigência. Recurso Voluntário Provido. O processo foi encaminhado à PGFN em 17/3/16 (fls.135). De acordo com o disposto no RICARF, anexo II, artigo 79, § 2º, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria em 18/4/16. Mas, ainda em 18/3/16, a PGFN apresentou o presente Recurso Especial visando rediscutir a questão dos rendimentos recebidos acumuladamente regime de caixa x regime de competência Na origem, o lançamento ocorreu porque, segundo a fiscalização: a) o contribuinte teria omitido rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 21.858,59; b) dos documentos da RT 02350199200505002, apresentados pelo contribuinte, teriam sido apurados o valor bruto de R$ 82.873,05, IRRF de R$ 16.047,73, INSS de R$ 0,00 e rendimento tributável de R$ 62.010,51, sendo que o contribuinte não teria apresentado o recibo dos honorários advocatícios o contribuinte ainda teria recebido rendimentos do trabalho assalariado no valor de R$ 26.333,52, conforme comprovante de rendimentos da Fundação Petrobrás de Seguridade Social (Petros), de tal modo que o total dos rendimentos tributáveis a declarar seria de R$ 88.344,03; c) o contribuinte teria compensado indevidamente IRRF no valor de R$ 481,25, correspondente à diferença entre o IRRF declarado (R$ 16.539,52) e o IR efetivamente retido na fonte (R$ 16.058,27), dos quais R$ 16.047,73 seriam atinentes à RT e R$ 10,54 seriam atinentes ao comprovante de rendimentos da Petros. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou que: a) teria se equivocado ao informar que a fonte pagadora dos rendimentos da RT seria a Petros, ao invés da Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras), o que caracterizaria erro material sanável através dos documentos em anexo; b) conforme planilha de cálculo da RT, teria recebido verbas trabalhistas da Petrobras no valor de R$ 83.354,42; c) os rendimentos tributáveis seriam de R$ 61.934,37, sobre os quais teria incidido o IRRF no valor de R$ 16.529,10, de tal forma que a quantia líquida recebida seria de R$ 66.825,32, conforme recibo de alvará em anexo; d) do valor recebido, R$ 21.420,05 se referiria a verbas indenizatórias não tributáveis, conforme cálculo da Justiça do Trabalho; Fl. 202DF CARF MF 4 e) quanto ao IRRF, estaria demonstrada nas planilhas em anexo que o valor efetivamente retido seria de R$ 16.529,10; f) o valor real dos rendimentos tributáveis a serem declarados e retificados seria de R$ 36.928,08 (=R$ 61.934,37 R$ 25.006,32, referentes aos rendimentos tributáveis e os honorários advocatícios), o que seria até menor do que o valor declarado na DIRPF retificadora, de R$ 40.151,92; g) por equívoco, teria deixado de deduzir na DIRPF retificadora o valor total dos honorários pagos, conforme recibos de fls. 13 e 14; h) a soma dos rendimentos tributáveis seria de R$ 63.261,60, dos quais R$ 36.928,08 relativos à RT e R$ 26.333,52 relativos à Petros, o que seria até menor do que o montante declarado na DIRPF. Diante do julgado, visa a Fazenda Nacional rever o recorrido e cientificado o contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Na interposição do presente recurso, entendo cumpridos todos os pressupostos de admissibilidade. Importante pressuposto para o deslinde da presente questão é a Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, entendo não caber provimento ao Recurso Especial, mantendo como razão de decidir os fundamentos constantes do acórdão a quo,por irrepreensíveis: O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte deste Conselho. É sabido, ademais, que a tradição jurídica brasileira adotou a tese da nulidade absoluta do ato inconstitucional. Isto é, prevalece o entendimento segundo o qual são absolutamente Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10580.722932/200923 Acórdão n.º 9202005.643 CSRFT2 Fl. 202 5 nulos os atos normativos contrários à lei fundamental, pois tais atos são repudiados pela necessidade de se preservar o princípio da supremacia da Constituição e, consequentemente, a unidade da ordem jurídica nacional. Tomandose de empréstimo a assertiva do Min. Celso de Mello (STF, ADI 652), "esse postulado fundamental de nosso ordenamento normativo impõe que preceitos revestidos de menor grau de positividade jurídica guardem, necessariamente, relação de conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política, sob pena de sua ineficácia e de sua completa inaplicabilidade". Daí porque, nas palavras do citado Ministro: – Atos inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica. – A declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados, eis que o reconhecimento desse supremo vício jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do Poder Público, desampara as situações constituídas sob sua égide e inibe – ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos – a possibilidade de invocação de qualquer direito. – A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia da lei e das normas afetadas pelo ato declarado inconstitucional. Esse poder excepcional – que extrai a sua autoridade da própria Carta Política – converte o Supremo Tribunal Federal em verdadeiro legislador negativo. (destacou se) Nessa toada, considerandose a nulidade absoluta do ato inconstitucional, e considerandose que a declaração de inconstitucionalidade alcança atos pretéritos praticados com base na lei destituída de carga de eficácia jurídica, devese conhecer de ofício da matéria que se passa a analisar e julgar logo abaixo. No caso concreto, vêse que os rendimentos cuja omissão foi apurada pela fiscalização são atinentes a uma reclamatória trabalhista movida em face da Petrobras. Da descrição dos fatos e enquadramento legal, vêse que os rendimentos foram "recebidos acumuladamente" e tributados no mês do recebimento. Essa matéria, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: Fl. 204DF CARF MF 6 Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pela recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). Naquele recurso extraordinário, com trânsito em julgado em 09/12/2014, a Suprema Corte manteve o acórdão do TRF4, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). Foi seguida a divergência aberta pelo Min. Marco Aurélio, para quem os contribuintes, em casos idênticos aos dos autos, são penalizados duplamente, pois, não recebendo as parcelas nas épocas devidas, são compelidos a ingressar em Juízo e ainda sofrem a junção dos valores para efeito de incidência do imposto, o que viola o princípio da isonomia. Mais ainda, e considerando que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica, não se poderia, na visão do citado Min., desconsiderar o fenômeno das épocas próprias, reveladas pela disponibilidade jurídica. A título de ilustração, segue a ementa do julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26/11/2014 PUBLIC 27/11/2014) A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10580.722932/200923 Acórdão n.º 9202005.643 CSRFT2 Fl. 203 7 "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Segue a ementa do decisum: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Cumpre observar que o regime jurídico instituído pela Lei nº 12.350/2010, conversão da Medida Provisória nº 497/2010, que acrescentou o art. 12ª à Lei 7.713/1988, não é aplicável ao presente lançamento, pois aplicável apenas aos rendimentos recebidos nos anos calendário 2010 e seguintes. Vejase: Art. 12A. [...]. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, ao ano calendário de 2010. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Noutro giro verbal, o imposto deve ser apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época Fl. 206DF CARF MF 8 em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou critério jurídico totalmente equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Esse critério equivocado impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. A adoção do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, poderia inclusive colocar os rendimentos numa faixa de isenção do imposto, ou, ainda, numa faixa de tributação menos onerosa ao recorrente. Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por consequência, do montante do tributo devido. Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, deve ser cancelada a exigência. Em caso análogo, assim se decidiu: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10580.722932/200923 Acórdão n.º 9202005.643 CSRFT2 Fl. 204 9 Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62ª do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos , mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. (Número do Processo 13002.720640/201122, RECURSO VOLUNTÁRIO, Sessão de 11 de março de 2015, Relator(a) Marcelo Vasconcelos de Almeida, Acórdão nº 2802003.359) Sobreleva ressaltar que os fundamentos acima são suficientes para embasar a decisão, não sendo necessário enfrentar, um a um, os argumentos da parte recorrente. Isto é, a prestação jurisdicional foi dada na medida exata da pretensão deduzida, sendo inútil e desnecessário analisar os demais fundamentos recursais. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 208DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito à necessidade de desconstituição integral do lançamento, na forma proposta pelo Colegiado recorrido. Reitero aqui, inicialmente, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória, auferida através de reclamatória trabalhista. Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 06, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10580.722932/200923 Acórdão n.º 9202005.643 CSRFT2 Fl. 205 11 gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 210DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001466/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
EMBARGOS DO CONSELHEIRO. CONTRADIÇÃO
Considerando que inadmitidos embargos anteriormente opostos, vez que superado o desencontro da fundamentação com o dispositivo, impende proceder-se a anulação do Acórdão 1402-002.364 suprimindo-se, assim, a contradição no processamento do feito.
EMBARGOS DO CONTRIBUINTE. OMISSÃO.
Não há omissão da decisão quando não atendida a pretensão do recorrente na medida em que os motivos apresentados não são suficientes para afastar na CSLL a glosa ante ao excesso de despesas quanto às contribuições PIS e COFINS devidas ano-base 2008.
Numero da decisão: 1402-002.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração interpostos pelo Conselheiro relator, com efeitos infringentes para anular Acórdão 1402-002.364 e negar provimento aos embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo contra o Acórdão 1402-001.135.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil de Oliveira Pinto (vice-presidente), Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichelle Macei.
Nome do relator: Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DO CONSELHEIRO. CONTRADIÇÃO Considerando que inadmitidos embargos anteriormente opostos, vez que superado o desencontro da fundamentação com o dispositivo, impende proceder-se a anulação do Acórdão 1402-002.364 suprimindo-se, assim, a contradição no processamento do feito. EMBARGOS DO CONTRIBUINTE. OMISSÃO. Não há omissão da decisão quando não atendida a pretensão do recorrente na medida em que os motivos apresentados não são suficientes para afastar na CSLL a glosa ante ao excesso de despesas quanto às contribuições PIS e COFINS devidas ano-base 2008.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.001466/2010-60
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5764330
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.497
nome_arquivo_s : Decisao_16327001466201060.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira
nome_arquivo_pdf_s : 16327001466201060_5764330.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração interpostos pelo Conselheiro relator, com efeitos infringentes para anular Acórdão 1402-002.364 e negar provimento aos embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo contra o Acórdão 1402-001.135. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil de Oliveira Pinto (vice-presidente), Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichelle Macei.
dt_sessao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
id : 6911269
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470452629504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1648; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.582 1 1.581 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001466/201060 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1402002.497 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2017 Matéria PLR Embargante CONSELHEIRO LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA E MERRIL LYNCH BANCO MÚLTIPLI S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DO CONSELHEIRO. CONTRADIÇÃO Considerando que inadmitidos embargos anteriormente opostos, vez que superado o desencontro da fundamentação com o dispositivo, impende procederse a anulação do Acórdão 1402002.364 suprimindose, assim, a contradição no processamento do feito. EMBARGOS DO CONTRIBUINTE. OMISSÃO. Não há omissão da decisão quando não atendida a pretensão do recorrente na medida em que os motivos apresentados não são suficientes para afastar na CSLL a glosa ante ao excesso de despesas quanto às contribuições PIS e COFINS devidas anobase 2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração interpostos pelo Conselheiro relator, com efeitos infringentes para anular Acórdão 1402002.364 e negar provimento aos embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo contra o Acórdão 1402001.135. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 66 /2 01 0- 60 Fl. 1583DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil de Oliveira Pinto (vicepresidente), Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichelle Macei. Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 16327.001466/201060 Acórdão n.º 1402002.497 S1C4T2 Fl. 1.583 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela PGFN que vislumbrou suposta contradição na fundamentação do acórdão e seu dispositivo. Em sede de informações o relator de então deu por superados os "embargos" na medida em que presente mero erro formal de digitação sendo esses, portanto, inadmitidos. No entanto, tal feito foi pautado e julgado na sessão de 24/01/2017 ignorando que os embargos não tinham sido admitidos vez que superado o desencontro da fundamentação com o dispositivo ao que impende procederse a anulação do Acórdão 1402002.364 suprimindose, assim, a contradição no processamento do feito. Temse, ainda, Embargos anteriormente opostos pelo contribuinte nos quais pretende efeitos infringentes com alegação de suposta omissão quanto à análise das razões veiculadas em sede do Recurso Voluntário a indicar a inexistência de excesso de despesas quanto às contribuições do PIS e COFINS devidos no anobase 2008 conforme pode ser evidenciado pelo documento da "Composição da Base de Cálculo da Contribuição Social"; elucidativo para exoneração do crédito tributário lançado de CSLL. É o relatório. Fl. 1585DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator No que trata aos Embargos opostos por este signatário impende procederse sua anulação na medida em que o Conselheiro que me antecedera na relatoria do presente feito já havia superadoo entendendo trataremse os Embargos opostos pela Fazenda Nacional por inadmissíveis em função de tratarse de mero erro material prontamente retificado. Por um equívoco deste signatário realizouse indicação de pauta e proferimento de voto que fora acolhido por este colegiado; o que merece, assim, ser corrigido com a anulação do acórdão n.1402002.364 tendo em conta que os embargos já haviam sido inadmitidos pelo conselheirorelator anterior. No entanto, consta ainda dos autos Embargos opostos pelo contribuinte que ora merecem ser julgados na medida em que admitidos pela Presidência desta T.O. Alega o contribuinte, em sede de embargos, que a decisão proferida restou omissa quanto à análise das razões veiculadas em sede do Recurso Voluntário a indicar a inexistência de excesso de despesas quanto às contribuições do PIS e COFINS devidos no ano base 2008 conforme pode ser evidenciado pelo documento da "Composição da Base de Cálculo da Contribuição Social"; elucidativo para exoneração do crédito tributário lançado de CSLL. No julgamento do recurso de ofício quanto à suposta dedução em excesso do PIS e da COFINS em valores maiores que aqueles declarados em DCTF esta 2ª T.O. entendeu por negar provimento ao reexame necessário mantendo a decisão da DRJ no sentido da improcedência das glosas fiscais realizadas apenas com relação ao IRPJ na medida em que comprovados os valores lançados na DCTF pela DIPJ 2009 (f.1264) ao contrário da CSLL na medida em que o contribuinte não se desincumbiu do ônus da prova. Em sede do Recurso Voluntário o contribuinte sustenta que as mesmas razões adotadas para o cancelamento da autuação no IRPJ aplicamse para exoneração da CSLL cobrada, no entanto, esta Eg. 2ª T.O. entendeu que "...embora alegue que na DIPJ/2009 adotou para a CSLL os mesmos procedimentos do IRPJ, não traz qualquer documento contábil apto para infirmar a decisão recorrida (tal qual fez na impugnação, vide juntada do LALUR, fls.923 943, limitandose a informar que constam da DIPJ2009 (ficha17)." (f.1271). O acórdão proferido ao contrariar o interesse da recorrente, na medida em que mantém a autuação quanto à CSLL, não padece de omissão alguma na medida em que o contribuinte não se desincumbiu de demonstrar que não houve na apuração da CSLL excesso de despesas quanto às contribuições PIS e COFINS devidas anobase 2008. Oportuno observar que mesmo indicando em sede do Recurso Voluntário que o documento da "Composição da Base de Cálculo da Contribuição Social" seria instrumento apto para demonstrar o equívoco da autoridade tributária o contribuinte não trouxe fundamentação suficiente para demonstrar que não houve excesso; ao contrário do que empreendeu no que toca ao IRPJ no qual restou cristalino pelo LALUR não sendo crível pretender a aplicação automática mutatis mutandis para o cancelamento da glosa também na CSLL. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 16327.001466/201060 Acórdão n.º 1402002.497 S1C4T2 Fl. 1.584 5 Nesse contexto, não há omissão no voto condutor do aresto. Simplesmente entendeuse que os motivos apresentados não são suficientes para afastar na CSLL a glosa ante ao excesso de despesas quanto às contribuições PIS e COFINS devidas anobase 2008. 3. Conclusão: Diante do exposto entendemos pela procedência dos Embargos opostos pelo Conselheiro signatário para anulação do acórdão n. 1402002.364 e pela improcedência dos Embargos opostos pelo contribuinte com a manutenção, assim, da decisão proferida em sede do acórdão n. 1402001.135. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 1587DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.001441/2003-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. COMPROVAÇÃO NOS AUTOS.
A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIRPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos.
Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo.
Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito de negativa e por outros meios idôneos.
Numero da decisão: 1301-002.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. COMPROVAÇÃO NOS AUTOS. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIRPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito de negativa e por outros meios idôneos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11831.001441/2003-13
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5755280
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.515
nome_arquivo_s : Decisao_11831001441200313.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 11831001441200313_5755280.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6883389
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470471503872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1700; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 243 1 242 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11831.001441/200313 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.515 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2017 Matéria PERC Recorrente EMPRESA DE TRANSPORTES CPT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. COMPROVAÇÃO NOS AUTOS. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIRPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito de negativa e por outros meios idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 14 41 /2 00 3- 13 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11831.001441/200313 Acórdão n.º 1301002.515 S1C3T1 Fl. 244 2 José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1622.846, proferido pela 7ª Turma da DRJ/SP1, na sessão de 17 de setembro de 2009, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião da decisão de primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), relativo ao ano calendário de 1999, exercício de 2000, formulado em 28/02/2003, pela empresa acima identificada (fl. 01). Em Despacho Decisório exarado em 29/08/2008 (fl. 126), concluiuse que a interessada não fazia jus ao beneficio fiscal do FINOR, tendo sido o pleito indeferido pelo não atendimento as intimações que solicitaram a regularização de pendências de débitos controlados pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) e pela Secretaria da Receita Federal (RFB), com fulcro no art. 60 da Lei n° 9.069/1995. Cientificada em 18/11/2008 (fl. 127 verso), a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, protocolizada 17/12/2008 (fls. 128/130), alegando, em síntese: • o débito inscrito na PGFN sob o no 80.6.02.04841515 está garantida por depósito judicial e, portanto, com exigibilidade suspensa por medida judicial, conforme prevê o inciso II do art.151 do CTN (doc.3); • Quanto as pendências com o FGTS apresenta Certificado de Regularidade do FGTS (doc.04); • Pede o deferimento integral de seu PERC. Ao apreciar as razões apresentadas, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 PERC Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal no âmbito da RFB condicionase à comprovação pelo contribuinte, seja pessoa Mica ou jurídica, à quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11831.001441/200313 Acórdão n.º 1301002.515 S1C3T1 Fl. 245 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, a empresa ingressou com Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), relativo ao anocalendário de 1999, e teve seu pedido indeferido, tendo em vista a falta de comprovação de regularidade fiscal. Ressaltese que os incentivos fiscais de aplicação do imposto de renda em investimentos regionais e setoriais destinam parte do imposto, efetivamente pago pelas pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real e apurado em dado anocalendário, para aplicação em projetos considerados de interesse para o desenvolvimento e o incremento de atividades regionais, sendo que os recursos assim alocados são geridos por fundos de investimentos. Nesses termos, na real verdade, estes incentivos levam os contribuintes que os fruem a assumir compromissos que, em última análise, têm mais a ver com os interesses do Estado que como os deles próprios1, gerando ao Estado maiores vantagens financeiras do que previamente arrecadasse tributos para, depois, aplicálos aos gastos públicos. Daí o caráter extrafiscal do caso em análise. As pessoas jurídicas optam pelo incentivo fiscal e, uma vez preenchidos os requisitos necessários, adquirem o direito ao incentivo fiscal, gerandolhes direitos, que somente podem ser suprimidos, nos termos da Lei. Pois bem. Como demonstram os autos, em momento algum foi feita uma análise específica da existência de débitos ativos em face da decorrente no momento da opção ao benefício para o FINOR (DIPJ 1999). Todas as manifestações das Autoridades Fazendárias se voltaram a analisar todas as pendências constantes do sistema da Receita Federal do Brasil, sem, inclusive, haver preocupação de se investigar e demonstrar que estas existiam ou não à época do opção efetuada pelo Contribuinte. A título de exemplo, ao analisar em 2003 pedido o contribuinte, o fisco apontou débito de 2002, ainda que a opção tenha ocorrido em 1999, sendo assim, inquestionável que o indeferimento do PERC se deu em razão da existência de débitos no momento em que os decisórios ocorreram. 1 Roque Carrazza, Imposto sobre a Renda (perfil constitucional e temas específicos), 3ª edição, p. 143. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11831.001441/200313 Acórdão n.º 1301002.515 S1C3T1 Fl. 246 4 Nestes termos, certamente, o v. Acórdão colide com o teor da Súmula nº 37 a seguir transcrita: Súmula CARF nº. 37 " Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72." O sentido da norma (artigo 60 da Lei nº 9069/95) não é tolher o direito do contribuinte ao usufruto dos benefícios em questão; pelo contrário, possui a intenção final de fomento econômico regional, condicionando apenas o seu gozo à quitação ou regularização de eventuais débitos e pendências fiscais em aberto na época em que ocorreu a opção. Assim, ainda que novos débitos surjam após a data da entrega da declaração, estes apenas terão relevância para a concessão de benefícios nos períodos posteriores, temporalmente correspondentes a tais créditos tributários ativos. Superada a ponderação de necessidade de reforma do v. Acórdão, a qual se mostra imperiosa, deve ser feita a análise devida da documentação constante dos autos, seja trazida pelo contribuinte, seja acostada pelos Órgãos de Fiscalização, à luz da Súmula mencionada. A empresa recorrente fez acostar ao seu recurso extrato (fls. 195) emitido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, noticiando que existem 6 (seis) inscrições e que todas se encontram na situação "ativa ajuizada garantia". Além disso, há nos autos prova de regularização perante a CEF/FGTS, em conformidade com as certidões requeridas pela autoridade fiscal (fls. 117/122). Assim, não há obstáculo para o deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) apresentado pelo contribuinte, pois do exame do citado extrato, constato que não há tributo federal que obste a certidão positiva com efeitos de negativa, posto que todos os débitos inscritos e representados pelas seis inscrições encontramse ajuizados e com a respectiva garantia. Com referência ao FGTS, como se viu, há nos autos certidão emitida. Tal prova basta, por si, segundo meu juízo, para atestar a regularidade exigida pelo artigo 60 da Lei nº 9.069/95, como termo para o usufruto do benefício pretendido pelo contribuinte, vez que seria, então, a única suposta pendência remanescente da empresa. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reformar o v. Acórdão recorrido e deferir o Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal, em seus termos, concedendo integralmente ao contribuinte o benefício pretendido. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11831.001441/200313 Acórdão n.º 1301002.515 S1C3T1 Fl. 247 5 Fl. 253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720392/2007-66
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2003 NULIDADE Não restando caracterizado nenhum fato ou circunstância que pudesse macular a autuação com o vício da nulidade, especialmente os previstos no art. 59 do Decreto 70.235/1972 - PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa, cabe rejeitar as preliminares. OMISSÃO DE RECEITA - AQUISIÇÕES JUNTO A FORNECEDORES - PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO Restou comprovado, por intermédio de documentos coletados junto a fornecedores, que o sujeito passivo adquiriu mercadorias e não escriturou parte destas compras em sua contabilidade. A não escrituração de pagamento efetuado pela empresa autoriza a presunção legal de que o mesmo foi realizado com recursos provenientes de receitas omitidas.
Numero da decisão: 1802-000.973
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2003 NULIDADE Não restando caracterizado nenhum fato ou circunstância que pudesse macular a autuação com o vício da nulidade, especialmente os previstos no art. 59 do Decreto 70.235/1972 - PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa, cabe rejeitar as preliminares. OMISSÃO DE RECEITA - AQUISIÇÕES JUNTO A FORNECEDORES - PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO Restou comprovado, por intermédio de documentos coletados junto a fornecedores, que o sujeito passivo adquiriu mercadorias e não escriturou parte destas compras em sua contabilidade. A não escrituração de pagamento efetuado pela empresa autoriza a presunção legal de que o mesmo foi realizado com recursos provenientes de receitas omitidas.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10280.720392/2007-66
conteudo_id_s : 5756684
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-000.973
nome_arquivo_s : Decisao_10280720392200766.pdf
nome_relator_s : José de Oliveira Ferraz Corrêa
nome_arquivo_pdf_s : 10280720392200766_5756684.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
id : 6884783
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470478843904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1791; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 191 1 190 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720392/200766 Recurso nº 883.569 Voluntário Acórdão nº 180200.973 – 2ª Turma Especial Sessão de 03 de outubro de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente COTTOMALHAS TECIDOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 NULIDADE Não restando caracterizado nenhum fato ou circunstância que pudesse macular a autuação com o vício da nulidade, especialmente os previstos no art. 59 do Decreto 70.235/1972 PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa, cabe rejeitar as preliminares. OMISSÃO DE RECEITA AQUISIÇÕES JUNTO A FORNECEDORES PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO Restou comprovado, por intermédio de documentos coletados junto a fornecedores, que o sujeito passivo adquiriu mercadorias e não escriturou parte destas compras em sua contabilidade. A não escrituração de pagamento efetuado pela empresa autoriza a presunção legal de que o mesmo foi realizado com recursos provenientes de receitas omitidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 192 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho . Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 193 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração de fls. 69 a 122, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES, nos valores de R$ 66.169,29, R$ 66.169,29, R$ 104.062,10, R$ 208.124,30 e R$ 425.854,40, respectivamente, incluindose nestes montantes os juros moratórios e a multa de 75%. O Relatório de Encerramento dos trabalhos de fiscalização (fls. 123/124) apresenta os seguintes fundamentos para a autuação a presente fiscalização originouse de demanda interna, quando foi verificado pela SAPAC que o contribuinte, no ano calendário 2003, informou uma Receita, na PJSIMPLIFICADA 2004 — SIMPLES, em descompasso com as informações contidas no Dossiê Integrado Compras DIPJ Terceiros; o fiscalizado foi cientificado do Termo de Início em 10 de maio de 2007. Transcorrido o prazo apresentou parte dos documentos solicitados; dando continuidade a ação fiscal, já iniciada, intimamos novamente o contribuinte a apresentar todos os documentos e comprovantes já solicitados através do Termo de Início de Fiscalização, cuja ciência ocorreu em 13 de junho de 2007. Em resposta ao termo, o fiscalizado apresentou parte dos documentos solicitados; Em 24 de agosto de 2007, intimamos novamente a PJ para apresentar as Notas Fiscais de Compras, bem como data e valor dos pagamentos referentes a cada compra/NF, do período 01/01/2003 a 31/12/2003; Em 05 de outubro de 20007, e 14 de novembro de 2007, intimamos a citada empresa para apresentar duplicatas, ordem bancária, cheques etc. visando a perfeita execução da Ação Fiscal, ora em desenvolvimento, no intuito de apurar o cometimento, em tese, de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica fiscalizada, e em prestígio ao princípio da verdade material, solicitamos Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo em nome dos Fornecedores: Real Especialidades Têxteis Ltda., CNPJ: 53.859.526/000198, Malharia Caryma Ltda, CNPJ: 79.386.678/000104, Têxtil Everest Ltda, CNPJ: 44.995.926/000130, Campeã S/A Ind. Têxtil., CNPJ: Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 194 4 84.686.443/000178, Douat Cia Têxtil, CNPJ: 82.610.726/0001 00, Vicunha Têxtil S/A, CNPJ: 07.332.190/000940, Excim Imp. Exp. S/A, CNPJ: 02.384.871/000181, Ima Tecidos da Moda Limitada, CNPJ: 21.126.271/000168, Kanxa Ind. Ltda, CNPJ: 55.812.200/000130, Linhanyl Paraguaçu S/A, CNPJ: 00.139.737/000270, Tecelag J.P. SA, CNPJ: 68.303.54410001 66, para que nos apresentasse os efetivos pagamentos realizados no período de 01/01/2003 a 31/12/2003, a empresa, objeto desta ação fiscal; em resposta aos Termos, as Pessoas Jurídicas, fornecedoras, apresentaram Notas Fiscais Faturas, cobranças vinculadas, contas correntes, etc., bem como planilhas contendo: n° das NF, data de emissão, vencimento, parcelas recebidas, data do recebimento; à vista dos documentos apresentados pelos fornecedores, elaboramos uma planilha, sendo consolidado os pagamentos efetivamente pagos mensalmente, ensejando uma nova Intimação para o contribuinte “comprovar/apresentar registro contábil, contendo compras e pagamento efetuados aos FORNECEDORES, bem como a origem dos recursos utilizados para esses pagamentos, no período de 01/01/2003 a 31/12/2003”; o fiscalizado apresentou registros contábeis, contendo compras e pagamentos aos fornecedores, onde detectamos que o mesmo logrou comprovar somente parte da origem dos recursos utilizados para os pagamentos das referidas compras, conforme xerocópia do Livro Razão em anexo. Isto posto, e observado que o fiscalizado só logrou comprovar parte da origem dos recursos utilizados para os pagamentos das referidas compras, procedemos ao lançamento com base na infração “OMISSÃO DE RECEITAS POR OMISSÃO DE COMPRAS”, com fulcro no Art. 281, inciso II, do RIR/99, falta de escrituração de pagamento efetuados, sendo apurado crédito tributário de R$ 870.379,40 (oitocentos e setenta mil, trezentos e setenta e nove reais e quarenta centavos). Informamos que houve a exclusão da fiscal que iniciou o procedimento, e inclusão desta AFRFB signatária em 11 de dezembro de 2007, conforme Mandado de Procedimento Fiscal Complementar em anexo a este Processo. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fls. 128 a 133, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 0115.669 (fls. 164 a 171), a Contribuinte apresentou as seguintes razões de defesa: 4. Foi penalizado de forma fictícia, com base em informações de terceiros, que nem sequer teve acesso, prejudicando o contraditório e a ampla defesa, por desconhecimento de supostas provas nas quais foram baseados todos os levantamentos que levaram a autuação. Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 195 5 5. Ocorreram falhas no rito processual do Mandado de Procedimento Fiscal. Pede a sua nulidade. 6. Acessou o site da Receita Federal em 12/09/2007 e 18/09/2007, e a resposta foi que não havia ação fiscal em andamento ou MPF emitido disponível para o CNPJ 83.918.979/000109. 7. Aponta a existência de outro MPF, de número 0210100 2007 004240, que o informou sobre a circularização das pessoas jurídicas fornecedoras de mercadorias. Foram solicitadas as mesmas informações já respondidas em 31/08/2007, o que demonstrava uma desorganização nos trabalhos que vinham sendo executados, ao seu ver, arbitrariamente, uma vez que não se obteve a confirmação se o MPF havia sido expedido ao Administrado, conforme consulta feita pela internet. Aproveitaramse informações direcionadas a um MPFF que não se concluiu por não ter nem mesmo se iniciado de direito. 8. A informação que embasou a autuação, sendo interna constante na base de dados da Receita Federal, em nenhum momento foi apresentada ao administrado. A autuação desconsiderou todas as informações prestadas através de Notas Fiscais, Balanços, Balancetes, Livros Diário e Razão, Declaração de Imposto de Renda, em detrimento de relatórios alegadamente enviados pelas empresas fornecedoras de materiais ao administrado, trilhando assim o caminho das presunções, que muitas vezes se confunde com ficções. 9. Aventa que seu nome pode estar envolvido em fraude impetrada por terceiros que poderiam ter utilizado seus dados cadastrais. 10. Anexa Termo de Conclusão de Fiscalização expedido pela Secretaria Executiva da Fazenda do Pará, com base em fiscalização de profundidade referente ao período fiscalizado 01/01/2002 a 31/12/2003, que em nada se manifesta acerca de omissão de receitas por omissão de compras. 11. Anexa Relatório de Projeto Fronteira, documento de uso interno da Secretaria Executiva da Fazenda do Pará – solicitado oficialmente àquele órgão, que aponta as efetivas entradas de mercadorias no território paraense, ratificando as informações constantes nos Livros Fiscais e Contábeis do Administrado, que em nenhum momento foram constestados pela AFRB. 12. Em nenhum momento a fiscalização glosou os livros fiscais do autuado. 13. Requer a improcedência total dos autos de infrações. Como mencionado, a DRJ Belém/PA considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Simples Nacional Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 196 6 Exercício: 2004 Ementa: OMISSÃO E RECEITAS. NOTAS FISCAIS DE COMPRAS Comprovado por intermédio de documentos coletados junto a fornecedores que o sujeito passivo recebeu mercadorias e não escriturou as respectivas notas fiscais na contabilidade, procede o lançamento por omissão de receitas da atividade. MPF. FALHAS PROCEDIMENTAIS. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA. Eventual desrespeito às regras relativas ao MPF não implica a nulidade dos atos administrativos posteriores, haja vista seu caráter subsidiário. DIREITO DE DEFESA. Não há que se falar em violação do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do auto de infração. No decurso da ação fiscal não existe litígio ou contraditório. Art.14 do Decreto n.° 70.235/1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 29/12/2009, a Contribuinte apresentou em 27/01/2010 o recurso voluntário de fls. 178 a 185, desenvolvendo argumentos sobre os tópicos abaixo. DO CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA: equivocouse a Autoridade Julgadora em 1ª Instância, quando em seu parecer alega que o Administrado elegeu o instituto do cerceamento ao seu direito de defesa ainda na fase fiscalizatória do procedimento fiscal. O que de fato se ponderou, por ocasião da lavratura dos Autos de Infrações, foi a ausência documental de supostas provas (notas fiscais) enviadas pelos fornecedores do Administrado à autoridade fiscalizadora, uma vez que somente planilhas demonstrativas por este (AFRFB) confeccionadas foram apresentadas; indagase ainda a legitimidade dessas supostas informações se nenhum procedimento fiscal estava em vigor anteriormente a 13/12/2007, e de que forma foram obtidas, uma vez que os fatos jurídicos serão aqueles enunciados que puderem sustentarse em face das provas em direito admitidas; é oportuno ainda ressaltar que conforme disposto no Artigo 7° do Decreto 70.235/1972, “o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de oficio escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo ...” o que segundo o entendimento da Autoridade Julgadora somente ocorreu em 13/12/2007; dessa forma, de que legalidade se revestem as planilhas apresentadas pelo AFRFB, que vitimizaram o Administrado, quando lhes faltam juridicidade, uma vez que inexiste ato jurídico perfeito para a percepção das mesmas junto aos fornecedores do Administrado? Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 197 7 ultrapassada esta questão jurídica, como afirmar categoricamente que o Administrado recebeu as supostas mercadorias enviadas pelos seus fornecedores, se nem sequer tomou conhecimento das possíveis notas fiscais? Havia algum canhoto de nota fiscal assinado ou mesmo conhecimento de transporte firmado atestando o fato? É impossível no ordenamento comercial vigente que se compre utilizandose o nome de outra pessoa, pagando se os títulos religiosamente no prazo? Quantos empréstimos consignados em nome de pessoas idôneas já foram feitos de forma fraudulenta, tendo esses descoberto somente quando perceberam seus rendimentos menores? O que se falar das fraudes envolvendo benefícios e aposentadorias concedidos pela Previdência social, descobertos e cancelados muito tempo depois? DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL: quanto às irregularidades em relação ao MPF, o que se verifica na análise do julgador, é a completa inobservância ao rito processual, querendo fazer crer que os direitos fundamentais do Administrado não foram atingidos. Lembrase que em matéria tributária, a literalidade da norma jurídica é o único e exclusivo dado objetivo para os integrantes do processo em litígio; a Autoridade Julgadora entendeu que a falta de notificação de prorrogação do MPF motivou o pedido de nulidade do lançamento, quando na realidade o Administrado é que não tomou ciência de todos os procedimentos inerentes ao processo que vinha sofrendo, incorrendo a Administração Pública na prática do inciso II do Artigo 59 do Decreto 70.235/1972; como já fortemente debatido e pacificado no mundo jurídico tributário, absterse dos impulsos da subjetividade e manterse no nível físico da literalidade textual, é o procedimento a ser seguido para se concretizar o fim epistemológico a que o legislador se propôs, não se admitindo interpretação extensiva ou analógica; se a Autoridade Julgadora de 1ª Instância entendeu que o procedimento fiscal se iniciou com o MPF de n° 02.1.01.002007007681, o qual o Administrado tomou ciência em 13/12/2007, o que dizer então do MPF de n° 02.1.01.00 2007004240, assinado pela Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, Sra. Marly G. C. Guimarães, matrícula 26.346, cujo Administrado tomou ciência em 10 de maio de 2007, bem como de todas as intimações inerentes ao mesmo, que foram atendidas a contento (apresentandose também os Livros Diário e Razão), inclusive uma datada de 24/08/2007, respondida em 31/08/2007 e outra de 22/10/2007 ? concluise, então, que por mais de 05 meses (maio a outubro de 2007), a Receita Federal do Brasil agiu de forma arbitrária para com o Administrado, uma vez que nenhum Mandado de Procedimento Fiscal pode ter sua veracidade confirmada no sítio da Secretaria da Receita Federal, não existindo nenhum valor legal quaisquer informações obtidas. DA FISCALIZAÇÃO: a Autoridade Julgadora insiste na tese de que o Administrado deixou de escriturar supostas notas fiscais de compras querendo imputar ao mesmo o dever de arcar com o ilícito, incorrendo ainda na aberração de afirmar, sem conhecimento de causa, que um Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 198 8 relatório de uso interno da Secretaria de Estado da Fazenda — SEFA, denominado Projeto Fronteira, na realidade é uma cópia das informações enviadas pelo contribuinte àquele órgão; o relatório, de fato e de direito, é um instrumento de fiscalização de que dispõe o Estado, que registra todas as aquisições de mercadorias que adentram o solo paraense, justamente para confrontar com os registros fiscais produzidos pelos contribuintes; quanto ao Termo de Encerramento de Fiscalização expedido pela SEFA/PA, juntado aos autos como mais uma prova do desbabimento em imputar ao Administrado aquisições que não efetuou, seria extremamente desconcertante ao fisco estadual não ter identificado tamanha discrepância apontada pela fiscalização da Receita Federal do Brasil, uma vez que aquele fisco também se vale de relatórios mensais de entradas e saídas de mercadorias, tanto através do Projeto Fronteira como através do Sintegra. DO MÉRITO: como afirmado pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância, a presente lide se iniciou com o Mandado de Procedimento Fiscal de n° 02.1.01.002007007681, do qual o administrado tomou ciência em 13/12/2007, que foi modificado pelo Mandado de Procedimento Fiscal Complementar, de número 02.1.01.0020070076811, devido a uma incorreção naquele que tratava de IRPJ e não do SIMPLES, o tributo a ser inspecionado, o qual se deu ciência em 17/12/2007, data efetiva legal do início do procedimento fiscal; nenhuma outra notificação foi expedida ao Administrado concernente à ação fiscal em tela, quanto aos procedimentos subseqüentes de fiscalização, conforme disposto no artigo 8° do Decreto 70.235/1972, que não o seu Termo de Encerramento, datado de 27/12/2007; dessa forma, quaisquer procedimentos adicionais não abraçados por esse dispositivo se constituem em cerceamento a seu direito de defesa, consoante artigo 59 do citado Decreto, uma vez que colima com a falta de intimação ao contribuinte acerca de ato processual sobre o qual deveria se manifestar; não há que se falar, então, do MPF n° 02.1.01.00 2007004240, datado de 10 de maio de 2007, também impugnado em 1ª Instância, tendo em vista ter sido a peça inicial de todo o processo fiscalizatório, mas que não existiu de direito, por não cumprir com as formalidades legais. Ato nulo não gera efeitos tributários, é como se não existisse na ótica tributária. Provas porventura produzidas por meio de um ato nulo serão consideradas ilegítimas, por ferirem rito processual, que também têm características de ilícitas, por afrontarem o inciso LVI do artigo 5° da Constituição Federal; reiteramos a tese de que o Administrado se viu vitimizado pelo uso indevido de seu cadastro fiscal, onde se utilizaram de seu nome para efetuarem compras sem o seu conhecimento, elegendo uma vez mais como prova evidente o Relatório de Projeto Fronteira fornecido pela Secretaria Executiva da Fazenda do Estado do Pará, anexado ao processo e, infelizmente, por falta de conhecimento legal, refutado por ocasião do julgamento em 1ª Instância. Ao final do recurso, a Contribuinte faz uma síntese dos pontos de discordância acima apontados: Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 199 9 a) cerceamento ao direito de ampla defesa em processo administrativo, com base no disposto nos Artigos 8° e 59, Inciso II, do Decreto 70.235/1972; b) nulidade do MPF n° 02.1.01.002007007681, que se utilizou de ato inexistente e nulo, personificado no MPF n° 02.1.01.00 2007004240, procurando substituílo, conforme explicitado na impugnação em 1ª Instância; c) descaracterização das compras em nome do Administrado pelo uso fraudulento do seu nome Este é o Relatório. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 200 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples, no período de janeiro a dezembro de 2003. A autuação está fundamentada em omissão de receitas, apurada com base na presunção legal contida no art. 281, II, do RIR/1999 – falta de escrituração de pagamentos efetuados. De acordo com a Fiscalização, a Contribuinte só logrou comprovar parte da origem dos recursos utilizados nas compras que realizou junto a seus fornecedores. Quanto às preliminares suscitadas pela Recorrente, não vislumbro nenhuma das hipóteses que poderiam macular as autuações pelo vício da nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto 70.235/1972 – PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa. Especificamente em relação ao cerceamento do direito de defesa, importa mencionar que vício dessa espécie é mais comumente verificado nas decisões, uma vez que estas são proferidas na fase litigiosa, quando o Contribuinte vem exercer o seu direito de defesa. Assim, quando constatado, este tipo de nulidade normalmente se dá pela falta de apreciação dos argumentos apresentados nas peças de defesa. Isso não significa, entretanto, negar a possibilidade de que este tipo de nulidade ocorra já no ato de lançamento. Pior do que não ter um argumento de defesa apreciado, é não ter como se defender. E é exatamente por isso que o ato administrativo de lançamento deve estar muito bem fundamentado, com a minuciosa apresentação dos fatos que motivaram a prática do ato, e das conseqüências jurídicas decorrentes destes fatos. No caso concreto, observo que a Contribuinte teve a ciência de todos os termos e autos de infração que compõe o processo, e que neles estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento e as infrações que lhe foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas. Vêse que no curso da auditoria, várias empresas fornecedoras de produtos da área têxtil, em atendimento à fiscalização, apresentaram uma séria de documentos referentes a vendas que realizaram para a autuada (notas fiscais, extratos de cobranças, relatórios de contas correntes, etc., bem como planilhas contendo n° das NF, data de emissão, vencimento, parcelas recebidas e datas de recebimento). Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 201 11 Todas estas informações foram consolidadas em planilhas, e a empresa fiscalizada foi intimada a “comprovar/apresentar registro contábil, contendo compras e pagamento efetuados aos FORNECEDORES, bem como a origem dos recursos utilizados para esses pagamentos, no período de 01/01/2003 a 31/12/2003”. Contudo, a Fiscalização constatou que somente uma parte destas operações havia sido escriturada no Livro Razão, o que motivou a autuação por omissão de receitas com base na falta de escrituração de pagamentos efetuados, os quais estão muito bem detalhados nos inúmeros documentos que antecederam o auto de infração. A Contribuinte, portanto, possuía plenas condições para exercer o seu direito de defesa, e não tem razão de ser a alegação de cerceamento deste direito. Também não procede a alegação de ilegalidade da ação fiscal, por ter sido deflagrada sem que fosse precedida de um MPF válido. Como já mencionado, a fiscalização foi iniciada em 10/05/2007, conforme AR de fl. 8, pelo qual foram encaminhados por via postal tanto o Termo de Início de Ação Fiscal, quanto o MPF nº 2007/004240. No curso da fiscalização, este primeiro MPF foi substituído pelo MPF nº 2007/004810, cientificado à Contribuinte em 20/06/2007, também por via postal, conforme AR de fls. 11. E para a conclusão do procedimento, foi emitido ainda um outro MPF, de nº 2007/007681, com ciência pessoal à Contribuinte em 13/12/2007 (fl. 01), pelo qual foi designado um outro Auditor Fiscal, que concluiu os trabalhos de auditoria. Embora os dois primeiros MPF tenham sido encaminhados por via postal, e devidamente recebidos pela Contribuinte, percebese que ela procura explorar o fato de estes instrumentos terem sido novamente entregues em 13/12/2007, desta vez pessoalmente, junto com o terceiro MPF. De imediato, cabe mencionar que os antigos Conselhos de Contribuintes pacificaram o entendimento no sentido de que o MPF possui a natureza de um instrumento meramente administrativo, e que eventual irregularidade em relação a ele não contamina o lançamento que tenha obedecido as regras do Processo Administrativo Fiscal – Decreto nº 70.235/1972, conforme ementas transcritas abaixo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades, tampouco deslocar a data do inicio do procedimento fiscal no âmbito do processo administrativo. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF um instrumento de controle administrativo da atividade fiscal. (Acórdão 1024791, de 21/09/2006) Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 202 12 PIS. MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento meramente administrativo. Eventual irregularidade em relação ao mesmo não contamina o lançamento que tenha obedecido às regras do Processo Administrativo Fiscal. (Acórdão 20177550, de 17/03/2004) Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.A despeito da correta emissão dos Mandados de Procedimento Fiscal MPF, este se constitui de mero controle administrativo, visando, sobretudo, proporcionar segurança ao contribuinte, não tendo o condão de tornar nulo lançamento corretamente efetuado, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional e o Decreto nº 70.235/72, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão 201 79542, de 24/08/2006) PAF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A competência para execução de fiscalização, delegada através de Mandado de Procedimento Fiscal, não desconhece o princípio da competência vinculada do servidor administrativo e da indisponibilidade dos bens públicos. O MPF é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, na medida em que a competência que o auditor fiscal tem para realizar o trabalho de lançamento decorre da Lei. Ademais, continuação de trabalho fiscal com prorrogação feita, tempestivamente, por meio eletrônico, é válida nos termos das Portarias do Ministério da Fazenda de n° 1265/1999 e 3007/2001. (Acórdão 10808696, de 25/01/2006) Realmente, a competência dos Auditores Fiscais está definida em Lei, em sentido estrito, e as repercussões de eventuais irregularidades cometidas em relação ao MPF limitamse às relações entre a Administração Tributária e seus integrantes, no âmbito específico do Direito Administrativo. Não bastassem essas razões para refutar as alegações da Recorrente, vêse que todo o procedimento de auditoria sempre esteve amparado em MPF válido. A Contribuinte alega que a consulta realizada no sítio eletrônico da Receita Federal, durante a fase de auditoria, não confirmou a emissão do MPF. Não há prova disso nos autos, mas ainda que houvesse um problema dessa natureza, por uma falha nos sistemas eletrônicos, bastaria que a Contribuinte diligenciasse junto à Delegacia da Receita Federal para confirmar que a ordem para a instauração do procedimento fiscal (MPF) havia sido realmente emitida, e assinada por pessoa competente, conforme os documentos de fls. 3 ou 4, os quais, inclusive, já havia recebido por via postal, como já mencionado. Nesse sentido, também são improcedentes as alegações de que nenhuma outra intimação válida foi feita, além das realizadas nos dias 17/12/2007 e 27/12/2007. Todas as intimações anteriores, respondidas tanto pela Contribuinte, quanto por seus fornecedores, foram validamente expedidas, não havendo qualquer vício em relação à prova coletada pela Fiscalização. A Contribuinte também alega que não tomou ciência de todos os procedimentos inerentes à fiscalização que vinha sofrendo, o que, no seu entendimento, também acarretaria cerceamento do direito de defesa. Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 203 13 Vêse, contudo, que os documentos obtidos junto aos fornecedores foram consolidados em planilhas, e que a Contribuinte foi intimada a comprovar o registro das aquisições que efetuou, bem como a origem dos recursos utilizados nestas operações, pelo que, também nesse caso, as críticas ao trabalho fiscal são inconsistentes. Mesmo assim, vale lembrar que no procedimento/processo administrativo fiscal o contraditório é normalmente diferido para a fase litigiosa, sem qualquer prejuízo à ampla defesa da Contribuinte, eis que a fase dos trabalhos de auditoria é regida pelo princípio inquisitorial, não havendo a necessidade de a Contribuinte nem mesmo ser cientificada das informações que estão sendo coletadas junto a terceiros, ressalvados os casos expressamente previstos em lei, o que não é o caso. Deste modo, todas as preliminares suscitadas devem ser rejeitadas. Quanto ao mérito, a Contribuinte não traz elementos de prova suficientes para refutar a grande quantidade de informações que constam dos Anexos I, II e III do presente processo, referentes às operações que realizou junto a seus fornecedores. Ela optou por se concentrar mais nas questões formais de nulidade. Com relação às operações propriamente ditas, que embasaram o lançamento, a Contribuinte reitera a tese de que foi vítima de uso indevido de seu cadastro fiscal; que se utilizaram de seu nome para efetuar compras sem o seu conhecimento; e elegeu novamente como prova disso o Relatório do “Projeto Fronteira”, fornecido pela Secretaria Executiva da Fazenda do Estado do Pará (fls. 146 a 157). Para obter este relatório, a Contribuinte apresentou ao Fisco Estadual o requerimento de fls. 147, nos seguintes termos: COTTOMALHAS TECIDOS LTDA., com Inscrição Estadual n° 15.181.6450 e CNPJ n° 83.918.979/000109, situada (...), vem à presença de V. Sa., solicitar que lhe seja fornecida uma cópia do relatório designado “Projeto Fronteira”, relativo ao período de 01/01/2003 à 31/12/2003, pelo motivo que passa a expor abaixo, agradecendo desde já a gentileza no atendimento do seu pleito, que em muito irá contribuir para que se faça justiça: 1 — Em maio de 2007, a Secretaria da Receita Federal iniciou um procedimento de fiscalização relativamente ao ano de 2003, conforme Termo de Início de Ação Fiscal número 02101002007 004240, que culminou, em 27/12/2007, em uma autuação por “omissão de receitas por omissão de compras”; 2 — Indagado pelo contribuinte em questão, a fiscalização da Receita Federal informou que a autuação baseouse em relatórios fornecidos pela Secretaria da Fazenda Estadual (SEFA), no qual foram informadas aquisições superiores às declaradas pelo contribuinte. Tendo em vista que todas as Notas Fiscais de aquisições de mercadorias são devidamente lançadas no livro próprio, conforme cópia em anexo, solicitamos para efeito de defesa junto à Receita Federal os Relatórios de Fronteiras referentes ao Ano de 2003 gerados por este órgão Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 204 14 para que possamos sustentar legalmente nossa escrituração e a veracidade das informações prestadas através da DIEF. Atenciosamente. BelémPa, 14 de Janeiro de 2008. O primeiro ponto a destacar é que a Fiscalização da Receita Federal não se baseou “em relatórios fornecidos pela Secretaria da Fazenda Estadual (SEFA), no qual foram informadas aquisições superiores às declaradas pelo contribuinte”, como consignado no documento acima. Ao contrário, o lançamento dos tributos federais está fundamentado em extensa e detalhada documentação obtida junto aos fornecedores da autuada, consistente em notas fiscais, extratos de cobranças, relatórios de contas correntes, etc., bem como planilhas contendo n° das NF, data de emissão, vencimento, parcelas recebidas e datas de recebimento. O mencionado relatório, por sua vez, é um espelho das informações prestadas pela própria Contribuinte à Secretaria de Fazenda do Pará, e não o resultado de um procedimento de fiscalização desenvolvido pelo Fisco Estadual, como sugerido no recurso. Mas ainda que representasse as conclusões de uma fiscalização desenvolvida pelo Fisco Estadual, esse relatório de notas fiscais não seria suficiente para refutar todas as informações colhidas pela Fiscalização da Receita Federal. É importante destacar que parte das operações informadas pelos fornecedores estava escriturada no livro Razão da autuada. Com efeito, a omissão de receitas correspondeu apenas a uma parte das compras, ou seja, às compras que não estavam escrituradas. Portanto, não há dúvidas de que estes terceiros realmente eram fornecedores da autuada. Além disso, as mencionadas empresas prestaram informações muito detalhadas sobre as vendas que realizaram para a interessada, e esta sequer diligenciou junto àquelas para identificar quem estaria utilizando indevidamente o seu nome. A Contribuinte simplesmente traz uma alegação genérica de que foi vítima de uso indevido de seu cadastro fiscal; que utilizaram seu nome para efetuar compras sem o seu conhecimento, mas não traz qualquer elemento de prova que pudesse dar um mínimo de sustentação a tais alegações. Deste modo, não ilidida a presunção legal de omissão de receitas, deve ser mantida a autuação. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 205 15 Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979321/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10880.979321/2009-71
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5758702
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.731
nome_arquivo_s : Decisao_10880979321200971.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10880979321200971_5758702.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
dt_sessao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
id : 6898658
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470487232512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.979321/200971 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201001.731 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2017 Matéria Compensação Recorrente TRANSPORTADORA GATÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 21 /2 00 9- 71 Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10880.979321/200971 Acórdão n.º 1201001.731 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10880.979321/200971 Acórdão n.º 1201001.731 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10880.979321/200971 Acórdão n.º 1201001.731 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10880.979321/200971 Acórdão n.º 1201001.731 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 35DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720777/2013-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
REGISTROS CONTÁBEIS
Uma vez comprovado que as técnicas contábeis utilizadas pelo sujeito passivo não ensejaram redução indevida do lucro, deve ser exonerada a autuação.
Numero da decisão: 1401-001.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 REGISTROS CONTÁBEIS Uma vez comprovado que as técnicas contábeis utilizadas pelo sujeito passivo não ensejaram redução indevida do lucro, deve ser exonerada a autuação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.720777/2013-45
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5777300
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-001.992
nome_arquivo_s : Decisao_19515720777201345.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 19515720777201345_5777300.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6946574
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470499815424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1367; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2.026 1 2.025 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720777/201345 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401001.992 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica Recorrente SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 REGISTROS CONTÁBEIS Uma vez comprovado que as técnicas contábeis utilizadas pelo sujeito passivo não ensejaram redução indevida do lucro, deve ser exonerada a autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 77 /2 01 3- 45 Fl. 2068DF CARF MF 2 Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: A MATÉRIA LITIGIOSA Por meio dos Autos de Infração de fls. 424/440 da DEFIS São Paulo foi lançado o crédito tributário discriminado na tabela abaixo, referente a fatos geradores ocorridos em 31/12/2008 e 31/12/2009: Descrição Tributo (R$) Multa (%) Juros Fl. Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) 22.695.156,70 150 Taxa Selic 432 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) 8.170.256,41 150 Taxa Selic 440 2. A Fiscalização entendeu que houve exclusões indevidas e faltas de adição na apuração das bases de cálculo. O lançamento, no valor total de R$ 89.485.070,25 (fl. 3), foi integralmente impugnado. B FISCALIZAÇÃO B.1 PROCEDIMENTO FISCAL 3. Em atenção ao Termo de Intimação Fiscal (TIF) n° 1 (fl. 37), a Contribuinte apresentou a planilha da fl. 66 com a composição das exclusões lançadas na linha 09A/40 da DIPJ 2010 no montante de R$ 1.403.710.553,20 e informou que adota o procedimento de apurar o lucro real e a base de cálculo da CSLL através da movimentação dos saldos de ativo e passivo. Esse procedimento consiste na adição dos saldos patrimoniais e exclusão desses saldos no exercício subsequente (fl. 63). 4. No TIF n° 5 (fls. 49/50), a Fiscalização solicitou esclarecimentos, conforme segue: 1) Consta na linha 40, da Ficha 09 A, da DIPJ/2010 (anocalendário 2009) referente a "Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis" o valor de R$ 1.403.710.553,20. E como se sabe a composição da linha 40 é o "montante dos saldos das provisões não dedutíveis (no valor de R$ 1.328.653.081,07; valor informado na Ficha 17, linha 05, da DIPJ/2009)" com o "montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados". Dai é necessário o contribuinte comprovar a regularidade dos elementos que compõem o "montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados" no valor de R$ 75.057.472,13; 5. A Contribuinte respondeu (fl. 90) que o art. 13 da Lei 9.249/95 proíbe que na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL sejam deduzidas provisões, exceto as expressamente autorizadas pela legislação. Logo, as despesas com a constituição de provisões indedutíveis devem ser adicionadas ao lucro líquido para apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Contudo: Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.027 3 (...) ao invés de adicionar apenas a diferença de provisão constituída em determinado período de apuração, a Requerente exclui todo o saldo adicionado no ano anterior e exclui (adiciona) todo o saldo de provisões existente ao final do período de apuração, tendo como resultado final a adição efetiva apenas da diferença de provisão constituída no período. (...) Neste caso específico, a Requerente já havia informado em resposta ao TIF n° 01/2012, item02, que no anocalendário de 2009, exercício 2010, e em planilha apresentada à fiscalização, que havia procedido à exclusão fiscal no montante de R$ 1.403.710.553,20 e adicionado o montante de R$ 1.314.501.651,58, informando têlo feito exatamente com base na metodologia acima descrita. (...) Solicita a Requerente, assim, que se observe a planilha anexa (DOC 1) [fls. 99/100], em que estão discriminadas todas as contas de provisão, sem distinção, e suas respectivas nomenclaturas constantes da contabilidade da Requerente no anoscalendários de 2008 e 2009 e que podem ser facilmente verificadas em sua escrituração digital acessível a essa fiscalização. Também se observa quatro colunas, em que constam valores adicionados e excluídos nos anoscalendários de 2008 e 2009. São elas: "Adição 2009", "Exclusão 2009" e "Adição 2008", "Exclusão 2008". Segundo a sistemática acima descrita, utilizada pela Requerente, o valor do saldo da conta de provisão adicionado fiscalmente num ano é integralmente excluído no ano seguinte, procedendose à adição do valor com o novo saldo da conta. Assim, o que a planilha anexa (DOC. ) demonstra é que os valores dos saldos das provisões adicionados no anocalendário de 2008 ("Adição 2008") corresponde exatamente ao valor excluído em 2009 ("Exclusão 2009"). Há, porém, algumas exceções, em que há diferenças na planilha originalmente entregue a essa fiscalização entre os valores da coluna "Adição 2008" e "Exclusão 2009", cujas explicações seguem abaixo: (fls. 91/92) 6. As diferenças a que a Contribuinte se refere são mostradas na tabela abaixo (dados extraídos da planilha de fls. 99/100 (doravante denominada "Planilha")): Exclusão 2009 Adição 2008 Diferença Linha Conta Descrição (1) (2) (1) (2) 15 18300011 023.025 Provisão Reav. de Bens Rec. Destin. Vda 2.942.740,23 2.969.018,37 26.278,14 20 20500030 023.044 Provisão Ctas a Rec.exZen IN003CisaTrad 1.680.368,64 0,00 1.680.368,64 35 13200117 023.062 Provisão Variação Cambial Adiant. Cliente 10.648.571,55 10.062.670,91 585.900,64 38 13200112 023.066 Provisão Perda Ctas Corr. Receb. Terc. 7.499,36 1.687.868,01 1.680.368,65 39 10400101 023.069 Provisão p/ Dev. Vendas Estoque 208.698.866,72 127.366.793,41 81.332.073,31 42 13200120 023.073 Provisão Notas Crédito USDVC 241.204,27 18.922,00 222.282,27 47 13200121 023.081 Provisão de Juros Barter a Apropriar 8.774,96 3.994.545,74 3.985.770,78 57 14400072 050.002 Provisão p/ MTM Hedge Ativo 18800036/38 60.782.264,27 57.407.557,43 3.374.706,84 60 Nihil 023.080 Provisão p/ inventário Imobilizado Depreciação 0,00 6.445.442,00 6.445.442,00 7. Sobre as diferenças das linhas 15, 47 e 60, a Contribuinte alega que a exclusão de 2009 foi menor que a adição de 2008, logo não houve qualquer prejuízo para o Fisco. Fl. 2070DF CARF MF 4 8. Sobre as diferenças das linhas 20 e 38: b) Conta 20500030 (Descrição 023.044), no valor de R$ 1.680.368,64: o valor excluído em 2009 relativamente a esta conta deve ser considerado em conjunto com aqueles lançados na Conta 13200112 (Descrição 023.066), de forma que, se somadas as exclusões de 2009 lançadas em ambas as contascontábeis acima citadas encontraremos o valor de 1.687.868,01, exatamente o valor que se encontra na "Adição 2008" vinculada à Conta 13200112 (Descrição 023.066). (fl. 92) 9. Sobre a diferença da linha 39: c) Conta 10400101 (Descrição 023.069), no valor de R$ 81.332.073,31: esta conta contábil está relacionada na planilha originalmente entregue equivocadamente, pois na verdade, em que pese a nomenclatura adotada pela conta, não se trata de uma "provisão", mas de um ajuste contábil com o objetivo de reconhecer as devoluções de vendas efetuadas. Essa conta possui natureza devedora, pois representa, em realidade, uma previsão de acréscimo patrimonial decorrente da devolução de vendas, com contrapartida no resultado (crédito) que, por não representar um acréscimo patrimonial efetivo (tratase apenas de previsão), é excluído pela Requerente de sua apuração fiscal. Portanto, esses valores não seguem a sistemática até agora aplicável de se excluir em 2009 o saldo adicionado em 2008, razão pela qual os valores informados na coluna "Adição 2008" da planilha originalmente entregue a essa fiscalização não espelhou, de forma mais didática, a sistemática fiscal aplicada a essa conta. (...) Apenas para esclarecer a sistemática adotada para essa conta contábil, haja vista sua natureza peculiar, a Requerente, diferentemente do procedimento adotado para provisões efetivas, exclui de sua apuração fiscal ao final do ano o saldo da conta 104001001 (pois se trata de um mero ajuste contábil, sem acréscimo patrimonial efetivo) e adiciona o saldo existente dessa mesma conta contábil no final do ano anterior (valores que haviam sido excluídos na apuração fiscal do ano anterior). 10. A diferença da linha 57 resultaria de um ajuste contábil da mesma natureza: e) Conta 14400072 (Descrição 050.002), no valor de R$ 3.374.706,84: neste caso também se trata de um ajuste contábil de mesma natureza daquele já explicado no item "c" acima, razão pela qual pede pela desconsideração da planilha originalmente apresentada e a consideração da que ora se anexa ao presente. (fl.93) 11. Sobre o método de contabilização da conta 10400101 (linha 39), a Contribuinte acrescentou que decorre do Pronunciamento Contábil n° 30 (CPC 30) e apresentou o exemplo abaixo: 8) Vamos partir de um exemplo conceitual para entender a contabilização acima referida. Para isso, adotaremos como premissa uma venda a ser feita pela Syngenta a um distribuidor de R$ 1000,00 de uma mercadoria contabilizada no estoque a R$ 600,00. No momento da venda, teríamos o registro da baixa "Conta de Estoque" contra a despesa lançamento (1), no valor de R$ 600,00 e do "Contas a receber" em contrapartida da Receita lançamento (2), no valor de R$ 1000,00 resultando numa receita efetiva de R$ 400,00 e que é efetivamente tributada, conforme abaixo: Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.028 5 7 Fls. 1.887 9) Ainda neste exemplo conceitual, em decorrência do ajuste contábil acima descrito, a Syngenta faz uma estimativa de que dos R$ 1000 em mercadorias alienadas ao seu distribuidor (já tributados como acima demonstrado) 20% das vendas (R$ 200) não foram realizadas ao consumidor final. Contabilmente, a Requerente assim procederá: 10) Ou seja, através dos lançamentos (3) e (4), a Requerente realiza o seu ajuste contábil, diminuindo o seu "Contas a receber" em R$ 200 (estimativa de vendas que não foram realizadas pelo distribuidor ao consumidor final) lançamento (4). O impacto deste ajuste no resultado (diminuindo a receita) é adicionado no LALUR, mantendo íntegra a tributação da receita decorrente da venda feita ao distribuidor (R$ 1000). Já o "Custo da Mercadoria Vendida (CMV)" também é ajustado proporcionalmente à previsão de 20% (R$ 120) e é excluído no LALUR para preservar o valor real do custo (...) 11) É por isso que se disse na resposta ao TIF n° 0005 que não há que se comparar o valor da coluna "Exclusão 2008", de R$ 236.665.724.30, com o valor da coluna "Exclusões 2009", de R$ 208.698.866,7 da planilha então apresenta à fiscalização, pois a natureza deste lançamento especifico é outra. (fls. 86/87) 12. Nas respostas de fls. 89/98 e 84/88, não se encontrou explicação específica para as diferenças das linhas 35 e 42, entretanto a Contribuinte afirma que se expurgarmos os efeitos dos itens "a" a "f" acima, verificaremos que o valor dos saldos adicionados em 2008 ("Adição 2008") é substancialmente menor que o valor excluído em 2009 ("Exclusão 2009"), resultando no montante a título de Fl. 2072DF CARF MF 6 diferença não excluída de R$ 5.663.537,24, o que revela não ter ocorrido qualquer prejuízo ao fisco (fl. 93). O valor mencionado equivale à soma das diferenças das linhas 15, 35, 47 e 60. 13. A Fiscalização constatou também, com base na planilha da fl. 165, as diferenças assinaladas na tabela abaixo, referentes aos anoscalendário de 2009 e 2010: Conta Descrição Exclusão 2010 (1) Adição 2009 (2) Diferença (1) (2) 13200117 023.062 Provisão Variação Cambial Adiant. Cliente 1.058.523,44 0,00 1.058.523,44 13200120 023.073 Provisão Notas Crédito USD VC 40.499,59 2.279,49 38.220,10 B.2 SOBRE A POSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DOS SALDOS DAS PROVISÕES 14. A Fiscalização entende que: Como é sabido a reversão da provisão constituirá também uma receita que deve ser classificada como operacional no demonstrativo do Resultado Exercício (no grupo “Outras Receitas Operacionais”). Como conseqüência a empresa deverá baixar o valor correspondente na parte B e excluílo na parte A do LALUR. (...) (...) Entretanto, quando a provisão constituída não chega a ser utilizada ou for utilizada, só parcialmente, o seu saldo, por ocasião da apuração dos resultados do período de apuração seguinte, deverá ser revertido a crédito de resultado desse período de apuração. (...) Portanto, este saldo não pode ser excluído na parte A do LALUR, pois não ocorreu a reversão integral, pois este saldo, não utilizado ou utilizado parcialmente, não corresponde a uma recuperação de despesa. (fl. 414) 15. Logo, as diferenças de R$ 26.278,14, R$ 3.985.770,78 e R$ 6.445.442,00 não foram, nem poderiam ter sido excluídas em 2009, pois representam provisões não utilizadas. 16. O comentário da Fiscalização destinase apenas a se contrapor ao entendimento da Contribuinte segundo o qual os valores em questão seriam excluíveis, e que, em conjunto com a diferença da linha 35, totalizariam um montante não excluído de R$ 5.663.537,24, que deveria ser compensado com eventuais faltas de adição ou exclusões indevidas. 17. Da mesma forma, os valores de R$ 120.039,62, R$ 21.820.264,14, R$ 78.754,89 e R$ 15.944.105,52 não foram nem poderiam ter sido excluídos do lucro líquido em 2010, porque representam provisões não utilizadas. B.3 AUTUAÇÃO 18. Nos Autos de Infração, são apontadas as seguintes faltas de adição e exclusões indevidas (fls. 422/423): Conta Falta de adição em 2009 Exclusão indevida em 2009 Falta de adição em 2008 20500030 0,00 1.680.368,64 1.680.368,64 10400101 0,00 0,00 81.332.073,31 14400072 0,00 0,00 3.374.706,84 13200117 0,00 585.900,64 585.900,64 Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.029 7 1.058.523,44 0,00 0,00 0,00 222.282,27 222.282,27 13200120 38.220,10 0,00 0,00 Total 1.096.743,54 2.488.551,55 87.195.331,70 19. A motivação apresentada foi, em suma, a que segue: 19.1 Conta 20500030 (Item 2.2 do TVF) Provisão indedutível de R$ 1.680.368,64 não foi adicionada às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no exercício de sua constituição (anocalendário 2008), e foi excluída indevidamente no exercício seguinte, já que não utilizada. 19.2 Conta 10400101 (Item 2.3 do TVF) Os R$ 81.332.072,31, que a Contribuinte alega serem uma previsão, compõem os R$ 208.698.866,72 que foram excluídos em 2009, logo deviam ser adicionados em 2008: R$ 81.332.072,31 (falta de adição 2008) = R$ 208.698.866,72 (exclusão 2009) R$ 127.366.793,41 (adição 2008) 19.3 Conta 14400072 (Item 2.5 do TVF) A Contribuinte alega que os R$ 3.374.706,84 não foram lançados como provisão, mas como ajuste contábil, de modo que não caberia a adição em 2008. Entretanto, em 2009, aquele valor foi excluído do lucro real a título de reversão dos saldos das provisões não dedutíveis. Como foi excluído em 2009, deveria ter sido adicionado em 2008. R$ 3.374.706,84 (falta de adição em 2008) = R$ 60.782.264,27 (exclusão 2009) R$ 57.407.557,43 (adição 2008) 19.4 Conta 13200117 (Item 3.1 do TVF) A provisão indedutível de R$ 585.900,64 não foi adicionada às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no exercício de sua constituição (anocalendário 2008), e foi excluída indevidamente no exercício seguinte, já que não utilizada. 19.5 Conta 13200117 (Item 4.1 do TVF) A planilha da fl. 165 comprova que R$ 1.058.523,44 deixaram indevidamente de ser adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano de sua constituição (2009). 19.6 Conta 13200120 (Item 3.2 do TVF) A provisão indedutível de R$ 222.282,27 não foi adicionada às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no exercício de sua constituição (anocalendário 2008), e foi excluída indevidamente no exercício seguinte, já que não utilizada. 19.7 Conta 13200120 (Item 4.2 do TVF) A planilha da fl. 165 comprova que R$ 38.220,10 deixaram indevidamente de ser adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano de sua constituição (2009). 19.8 Contas Diversas (Item 4.3 do TVF) Os valores de R$ 120.039,62, R$ 21.820.264,14, R$ 78.754,89 e R$ 15.944.105,52 não foram nem poderiam ter sido excluídos do lucro líquido em 2010, porque representam provisões não utilizadas. 20. A Fiscalização ainda afirma que: 20.1 As normas dos CPC 30 só foram implementadas em 2010, logo não justificam os procedimentos contábeis de 2008 e 2009. (fl. 417) Fl. 2074DF CARF MF 8 20.2 a SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA efetuou operações indevidas de postergação e redução na base de cálculo de IRPJ e da CSLL, conforme preceitua o art. 273 do Regulamento do Imposto de Renda/99. (fl. 422) 20.3 Foi aplicada a multa administrativa qualificada de 150%, pois está configurado em tese o dolo específico previsto no art. 44, § 1° Lei n° 9.430/1996 (Redação dada pela Lei n°11. 488/2007) c/c o art. 72 da Lei n° 4.502/1964. (fl. 422) B.4 TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA (TSPS) 21. A motivação apresentada para atribuir responsabilidade a 5 (cinco) pessoas físicas foi a seguinte: 2 CONSTATAMOS que Vossa Senhoria era um dos dirigentes da empresa no ano calendário 2008 e 2009, portanto, época da ocorrência dos fatos apurados pela fiscalização, conforme consta no Estatuto Social e pesquisa no sistema da Junta Comercial do Estado de São Paulo. 3 Com isto, e tendo em vista o disposto nos artigos 124, 134 e 135 do Código Tributário Nacional CTN , fica Vossa Senhoria CIENTIFICADA da exigência tributária de que trata os Autos de Infração lavrados de IRPJ e CSLL, devidos contra o sujeito passivo supra referido, relativos ao período de apuração(01/01/2008 a 31/12/2009). (TSPS, fls. 445, 447, 449, 451 e 453) C 1ª IMPUGNAÇÃO, DA CONTRIBUINTE C.1 DO VÍCIO DE REPRESENTAÇÃO E SEU SANEAMENTO 22. A Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração em 27/05/2013 (fl. 443) e, em 26/06/2013, interpôs a Impugnação de fls. 465/504, momento em que foi intimada a regularizar sua representação, conforme despacho transcrito abaixo: Contribuinte orientado sobre a procuração não conter prazo de validade limitado, conforme estabelece o § 3° da cláusula 7ª do ato constitutivo registrado da pessoa jurídica, e orientado a apresentar de imediato a ratificação expressa. Sujeito a indeferimento. (Cód. Civil, art. 46, item III, e art. 662). (fl. 465) 23. O referido parágrafo tem a seguinte redação: Parágrafo 3º As procurações outorgadas pela Sociedade serão assinadas por dois diretores em conjunto e, além de mencionarem expressamente os poderes conferidos, deverão, com exceção daquelas para fins judiciais, conter período de validade limitado. (fl. 537) 24. A procuração apresentada, fls. 515/516, não contém termo final de validade. 25. Em 27/06/2013, a Contribuinte apresentou a petição de folhas 1.321/1.322, alegando que: 3.1 Assim, muito embora a procuração em questão tenha sido utilizada em um processo administrativo, o instrumento de mandato foi outorgado com a cláusula "ad judicia et extra", ou seja, tanto para fins judiciais quanto outros, não se lhe aplicando, portanto, referida limitação. 4 Não obstante a inaplicabilidade da referida restrição, a Requerente, por razões de cautela e a fim de evitar quaisquer percalços no andamento do presente processo administrativo, apresenta anexo novo instrumento de mandato, ratificando todos os Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.030 9 atos anteriormente praticados, nos termos do artigo 662 do Código Civil. (Grifos no original) 26. O referido instrumento, de fls. 1.323/1.324, foi outorgado sem período de validade limitado. Um dos mandatários, Antonio Alexandre Cruz Felippe, substabeleceu (fls. 1.325/1.326) parte dos poderes que recebeu a Marcos de Carvalho, signatário da Impugnação, limitando a validade da outorga a 31/03/2014. 27. A Contribuinte argumenta que a primeira procuração apresentada não se sujeitaria à limitação estabelecida na cláusula 7, § 3°, do seu Contrato Social porque o instrumento de mandato foi outorgado com a cláusula "ad judicia et extra", ou seja, tanto para fins judiciais quanto outros. 28. Contudo, a referida cláusula 7 dispõe que as procurações outorgadas pela sociedade deverão conter um período de validade limitado, com exceção daquelas para fins judiciais. Ou seja, se o instrumento de mandato for outorgado para fins judiciais e nãojudiciais, deverá ter um período de validade limitado para fins nãojudiciais. Logo, como a procuração apresentada não contém período de validade limitado, não pode ser usada em processo administrativo. 29. Dessa forma, os autos foram encaminhados à Delegacia Especial de Fiscalização de Comércio Exterior e Indústria em São Paulo (DELEX), Divisão de Fiscalização, DIFIS Indústria – EFVI, a fim de que a Contribuinte fosse intimada a regularizar sua representação, sob pena de não conhecimento da Impugnação (despacho de fls. 1785/1786). 30. A Contribuinte regularizou sua representação apresentando a procuração de fls. 1856/1857, outorgada por dois de seus diretores, com validade até 30/04/2017. Um dos outorgados, Gustavo Duarte Paes, OAB/SP 206.756, é o signatário do documento de fls. 1828/1829, em que se ratificam todos os atos anteriormente praticados. C.2 DAS EXCLUSÕES INDEVIDAS E FALTAS DE ADIÇÃO 31. A Contribuinte alegou, em síntese, que: 19 Um exame do Termo de Constatação Fiscal que acompanha os autos de infração revela que contas contábeis relativas a efetivas provisões são tratadas da mesma forma que outras contas contábeis cujo objetivo é reconhecer e contabilizar ajustes decorrentes da adoção das normas internacionais do International Financial Reporting Standards ("IFRS"). (fl. 472) 31.1 As contas 2050030, 13200117 e 13200120 seriam de provisão, e as 10400101 e 1440072, de ajuste. 24 No tocante às contas cujo objetivo é a harmonização dos antigos critérios contábeis ao IFRS, devese destacar que foram efetuados lançamentos iniciais para o anocalendário de 2008 cuja contrapartida se deu em contas de patrimônio líquido, em observância ao que dispõe o item 3 do CPC 13. (fl. 474) 32. A Contribuinte passa a se manifestar sobre cada conta em que teria havido falta de adição ou exclusão indevida: Fl. 2076DF CARF MF 10 C.2.1 RUBRICA CONTÁBIL 10400101 RECONHECIMENTO DE RECEITAS E CUSTOS (AJUSTE DE CUSTO DE MERCADORIA VENDIDA IN CHANNEL) 28.1 A presente conta tem como objetivo registrar a ajuste no estoque, como redução do CMV, em decorrência dos ajustes efetuados por conta do estorno da receita contabilmente realizada como determina o CPC 30. (fl. 475) 33. Embora o CPC 30 só tenha sido aprovado em 7 de agosto de 2009, foi elaborado a partir do IAS 18 Revenue (IASB), que entrou em vigor em 01/01/1984. 33.4 (...) Logo, os procedimentos adotados pela Impugnante para o reconhecimento de suas receitas de venda para o anocalendário de 2008 e 2009 já seguiam a orientação contábil internacional, não sendo uma inovação ou um ajuste unilateralmente aplicado pela Impugnante como parece crer a D. Autoridade Fiscal. 34. A Contribuinte apresenta um Laudo (doc. 4, fls. 602/659, com anexos de fls. 660/1.136), em que consta o seguinte posicionamento sobre a natureza dos estornos: Notase que não se trata de provisão para devolução de vendas calculada com base em expectativa de retornos. O procedimento em questão visa, de fato, à adequação das receitas registradas nas demonstrações financeiras face ao benefício econômico que as mesmas resultaram para a entidade, conforme dispõem a norma internacional do IFRS (IAS 18) e do CPC 30. (...) Consequentemente, os lançamentos contábeis decorrentes do estorno de receita e custo de produtos vendidos a distribuidores mas ainda não comercializados devem ser considerados como ajustes decorrentes das novas normas contábeis e, portanto, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, seus efeitos devem ser neutralizados nos termos do art. 16 da Lei n° 11.941/09. 35. Conclui a Contribuinte que: 34 Assim, resta claro que os lançamentos efetuados na conta 10400101 não correspondem a uma provisão mas sim à ajustes de harmonização ao IFRS, razão pela qual a lógica adotada pela D. Autoridade Fiscal para comparar os valores de adição e exclusão não merece prosperar. 36. De forma simplificada, utilizandose valores hipotéticos, apresentase no Laudo um exemplo de como os estornos afetam a demonstração do resultado e não afetam a apuração do IRPJ e da CSLL: Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.031 11 Verificase, assim, que a Syngenta adota o procedimento de efetuar os lançamentos contábeis em dois grupos, quais sejam (i) estorno de receitas; e (ii) estorno dos custos correspondentes. (fl. 622) Apenas para fins elucidativos, a rubrica contábil 14000101 (Provisão p/ Dev. Vendas Estoque) com relação à qual a autoridade fiscal concluiu que a exclusão efetuada no ano calendário de 2009 deveria representar uma adição no ano calendário de 2008 corresponde, no exemplo dado acima, ao valor de $ 20,00. Notase que tal exclusão não configura uma provisão contábil mas sim a aplicação da neutralidade fiscal do RTT de um ajuste contábil efetuado com base nas novas normas contábeis brasileiras. (fls. 622/623) (...) Transcrevemos a seguir o quadro de adições e exclusões relativas à conta contábil 10400101 nos anos calendários de 2008, 2009 e 2010. Fl. 2078DF CARF MF 12 Constatamos que o procedimento adotado pela Syngenta para neutralizar o efeito do reconhecimento contábil do estorno de custos foi adequado e não resultou em redução indevida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos seguintes termos: Em 2008 a Syngenta (i) adicionou ao resultado tributável o valor correspondente à adoção inicial, no montante de R$ 127.366.793,41 (vide quadros 7 e 8 e Anexo III.1.1). Como explicado no tópico 4.1.2, tal valor foi contabilmente lançado diretamente a crédito em conta de patrimônio líquido. Não obstante, tendo em vista o procedimento adotado pela Syngenta de excluir da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL o saldo final do período de apuração, foi necessário adicionar o valor da adoção da Lei 11.638 nas apurações das referidas bases de cálculo para evitar exclusão indevida; e (ii) excluiu do resultado tributável o saldo final da conta, no valor de R$ 236.665.724,30. Tal exclusão em 2008 correspondeu a uma adição de mesmo montante em 2009, como se verifica no QUADRO 9 acima. Em 2009 a Syngenta (i) adicionou ao resultado tributável o valor de R$ 236.665.724,30, correspondente ao saldo final de 2008/saldo inicial de 2009 que havia sido excluído no ano anterior; e (ii) excluiu do resultado tributável o valor de R$ 208.698.886,72 (Anexo III.2.1), correspondente ao saldo final de 2009, posteriormente adicionado em 2010. (fls. 627/628) 37. Segundo a Contribuinte: 41 Resta evidente, portanto, o equivoco cometido pela D. Autoridade Fiscal na análise da conta contábil n° 10400101 (Ajuste de Custo de Mercadoria Vendida In Channel), não havendo que se falar na adição do valor de 81.332.073,31 na apuração do IRPJ e da CSLL para o anocalendário de 2008. Tratase, como amplamente demonstrado cima, de conta contábil utilizada para harmonização das demonstrações financeiras às normas contábeis internacionais cujo saldo excluído em determinado anocalendário é adicionado ao anocalendário seguinte. (fl. 484) C.2.2 RUBRICA CONTÁBIL 14400072 AVALIAÇÃO DE INSTRUMENTOS FINANCEIROS A VALOR JUSTO (HEDGE) (AJUSTE DE HEDGE) 38. Sobre a conta em epígrafe, a Contribuinte alega que: 43 (...) o lançamento contábil ora questionado, conforme constou no Termo de Verificação Fiscal, encontrase equivocado em relação ao número da conta contábil utilizada. 43.1 De fato, a D. Autoridade Fiscal apontou a conta 14400072 como sendo a conta contábil relativa ao controle do Hedge quando a operação em questão é contabilizada por meio das contas n°s 18800036 e 18800038 (Ajuste de Hedge). (...) 45 A presente conta contábil, assim como detalhado em relação ao item anterior, não é uma mera conta de provisão como entendeu a D. Autoridade Fiscal, mas sim uma conta utilizada para fins de harmonizar a contabilidade aos princípios e normas do IFRS. (fl. 485) 39. A Contribuinte transcreve trechos do Laudo, do qual extraímos o que segue (fls. 633 e segs.): Com base nas análises efetuadas e documentos disponibilizados, observase que a Syngenta tem como política interna efetuar a contratação de instrumentos financeiros com fins de proteção de seus ativos e passivos lastreados em moeda estrangeira contra riscos de perda financeiras frente às oscilações da taxa de Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.032 13 câmbio. Tais instrumentos financeiros são denominados pela Syngenta como "hedge". Para fins de registro contábil dessas operações, a Syngenta adota o procedimento de efetuar a avaliação do valor justo de seus instrumentos financeiros de hedge, sendo que as variações no valor desses instrumentos são registradas contabilmente para atender ao disposto na legislação contábil para harmonização das normas brasileiras ao padrão internacional do IFRS, especialmente no que tange ao disposto nos CPCs 14 e 38. Sob a ótica fiscal, os lançamentos contábeis decorrentes dos procedimentos descritos acima são neutralizados para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de forma que a Syngenta efetua uma adição do valor de perdas provisionadas e efetua uma exclusão do valor de ganhos registrados, com o objetivo de garantir a neutralidade fiscal (...). Nos períodos de apuração seguintes, o valor ajustado na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL no ano calendário anterior é revertido, ou seja, o valor adicionado das perdas provisionadas é excluído e o valor excluído dos ganhos registrados é adicionado. Concomitantemente, apurase qual o valor de perdas provisionadas no ano e se efetua uma adição, bem como se apura o valor de ganhos e efetuase uma exclusão. Tal procedimento visa assegurar que a movimentação das rubricas contábeis destinadas ao registro dessas operações que transitou no resultado do período seja neutralizada para fins fiscais nos termos do Regime Tributário de Transição previsto no art. 16 da Lei n° 11.941/09, o qual fora abordado em maiores detalhes no tópico IV deste Laudo. (...) 4.2.2. Verificação dos lançamentos contábeis do hedge para atender as práticas contábeis vigentes A Syngenta adota o procedimento de registrar as variações no valor justo dos instrumentos financeiros de hedge em observância do disposto nos itens 57 e 58 do CPC 14 abaixo transcritos. Procedimento este também comumente denominado como "Marcação a Mercado (MTM)": "57. As operações com instrumentos financeiros derivativos destinadas a hedge nos termos deste Pronunciamento devem atender, cumulativamente, às seguintes condições: (...) 58. O nãoatendimento, a qualquer tempo, das exigências previstas no item [57] implica a aplicação e observância dos critérios previstos nos itens 17 e 18 deste Pronunciamento e na imediata transferência, para o resultado do período, no caso do hedge defluxo de caixa, dos valores acumulados na conta de patrimônio líquido (ajustes de avaliação patrimonial) decorrentes da operação de hedge (...)." (...) Assim, enquanto não realizadas as transações para as quais foram contratados os instrumentos de hedge, as marcações a mercado devem ser registradas em Fl. 2080DF CARF MF 14 contrapartida da rubrica de Ajustes de Avaliação Patrimonial (AAP) no Patrimônio Líquido da Syngenta. (...) Todavia, destacase o disposto no item 58 do CPC 14 que grifamos acima, no que tange ao tratamento contábil a ser dispensado aos valores acumulados na conta de AAP nos casos em que há descumprimento dos requisitos dos previstos no item 57 desse pronunciamento. Segundo esse dispositivo, nessa hipótese, os valores dessa conta deverão ser transferidos para o resultado do período. Sobre o assunto, como veremos adiante, constatamos que a Syngenta registra os resultados da marcação a mercado em contrapartida da conta de AAP. Porém, uma parcela de operações cujos requisitos não foram cumpridos é registrada diretamente em contas do resultado do período dentro das normas técnicas especificadas pelo CPC. Tendo esclarecido o procedimento contábil adotado pela Syngenta para fins de registro das operações de hedge, verificamos, por meio dos balancetes e razões contábeis, que os lançamentos são realizados da seguinte forma: Para facilitar a visualização desses lançamentos nas demonstrações financeiras, demonstramos, a seguir, tais registros em forma de razonetes contábeis considerando os valores hipotéticos abaixo: 1. Adoção Inicial da Lei 11.638 marcação a mercado 2007 R$ 200 2. Marcação a mercado Hedge R$ 100 3. Marcação a mercado Hedge accounting R$ 50 Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.033 15 Por se tratarem de lançamentos contábeis de harmonização das normas contábeis brasileiras às normas internacionais, o efeito de tais contabilizações no resultado da empresa deverá ser neutralizado para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, nos termos do Regime Tributário de Transição RTT. Para atingir tal objetivo, a Syngenta efetua uma adição na apuração do IRPJ e da CSLL do valor de efeitos do hedge que afetam o resultado de forma devedora (despesa) e, da mesma forma, efetua uma exclusão dos efeitos credores que afetam o resultado (receita) de modo a manter a neutralidade fiscal. Com o objetivo de confirmar o procedimento de contabilização e seu reflexo fiscal acima descrito, elegemos a rubrica contábil 18800036 (a qual foi objeto do auto de infração) para demonstrar detalhadamente os lançamentos contábeis realizados para o cumprimento das normas contábeis de conversão para o IFRS. Os valores do QUADRO 12 abaixo foram extraídos dos razões contábeis do ano calendário de 2008 dessa conta. A íntegra dos razões contábeis consta nos Anexos V.1 (págs. 23, 4647 e 59) e V.2 (pág. 59) desse documento. [Os anexos V.1 e V.2 encontramse às fls. 947/1.041 e 1.042/1.136] Fl. 2082DF CARF MF 16 (...) Porém, os lançamentos realizados em contrapartida do resultado do período de apuração, nas contas 43660049 e 43590026, as quais registram perdas e ganhos de hedge no MTM, nos valores de R$ 2.946.682,45 e R$ 32.667.206,77, respectivamente, totalizaram em resultado positivo líquido de R$ 29.720.524,32. (...) Assim, resumidamente, a movimentação da rubrica contábil 18800036 consistiu no lançamento de adoção inicial da Lei n° 11.638/07 e nos registros de operações do ano calendário de 2008 em contrapartida do resultado do período e/ou na conta do patrimônio líquido de AAP, conforme demonstrado abaixo: 4.2.3. Verificação da neutralidade fiscal dos lançamentos contábeis de MTM de operações de hedge Conforme descrito no tópico III desse laudo, para neutralizar os impactos fiscais decorrentes dos lançamentos contábeis do CPC 14 e 38 (equivalente ao IAS 39 e IAS 32 do IFRS), a Syngenta utilizou metodologia que consiste, na prática, em computar, fiscalmente, por meio de adição, no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), parte "A", o saldo integral das contas de ativo existente ao final do período de apuração, excluindo, por outro lado, o valor que havia sido adicionado na competência anterior. (...) (...) como notaremos a partir da análise do QUADRO 14 abaixo, cujos valores foram extraídos das apurações do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL de 2008, a Syngenta efetuou adequadamente a neutralização dos lançamentos contábeis realizados nesse período de apuração. Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.034 17 Ao adicionar e excluir referidos montantes, foi apurada redução das bases de cálculo no valor líquido (Adição menos Exclusão) de R$ 29.720.524,28 (Anexo III.1.1) correspondente à neutralização fiscal do impacto positivo no resultado do período de apuração conforme demonstrado no QUADRO 13 do tópico 4.2.2, causado pelos lançamentos contábeis que visam à harmonização das regras brasileiras ao padrão internacional de contabilidade do IFRS no que atine a avaliação a valor justo de instrumentos financeiros de que trata o CPC 14. 40. A Contribuinte conclui que: 47 Como se verifica do Laudo KPMG o resultado positivo de marcação a mercado (MTM) de Hedge obtidos pela Impugnante em decorrência da adoção para o ano calendário de 2008 do IFRS resultaram em um montante de R$29.720.524,28 (conforme Quadro 12 acima). 47.1 Esse valor, no entanto, em decorrência da neutralidade fiscal que deve ser observada por força da adoção de tais normas contábeis, foi excluído da apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL por meio dos lançamentos de adição e exclusão no Lalur como detalhado no Quadro 14 acima. 47.2 Logo, temse que o efeito fiscal dos lançamentos de hedge na conta contábil sob comento não impactaram na apuração do lucro tributável da Impugnante. (fls. 487/488) C.2.3 RUBRICA CONTÁBIL 20500030 PROVISÃO CTAS A REC. EXZEN IN003 CISATRAD (FUNRURAL CISA TRADING) 51 (...) devese destacar que não procede a alegação constante do Termo de Verificação Fiscal de que o montante de R$1.680.368,64 foi indevidamente excluído no anocalendário de 2009 por não ter sido adicionado no anocalendário de 2008. 51.1 De fato, ao examinar o LALUR de 2008 verificase a existência de uma adição no valor de R$1.680.368,64 na conta "Ajuste de Provisão Perda Contas Correntes Receb. Terceiros de Setembro de 2008". 51.2 Dessa forma, não há como se determinar que a Impugnante adicione novamente o mesmo valor à apuração do seu lucro tributável sob pena de tributação em duplicidade do mesmo valor. (fl. 489) 41. No Laudo, procurase demonstrar que os lançamentos efetuados na conta em epígrafe e na de n° 13200112, se considerados em conjunto, não afetaram o lucro real nem a base de cálculo da CSLL (fls. 644/647). Fl. 2084DF CARF MF 18 C.2.4 RUBRICAS CONTÁBEIS 13200117 (VARIAÇÃO CAMBIAL ADIANTAMENTOS) E 13200120 (VARIAÇÃO CAMBIAL NOTAS DE CRÉDITO) VARIAÇÃO CAMBIAL 61 No tocante à contabilização, conforme se verifica do Laudo KPMG, com exceção dos registros iniciais (saldos iniciais de abertura que, como explicado no item 24 acima são lançados contra contas de patrimônio líquido), todos os demais lançamentos contábeis foram realizados em contrapartida do resultado do período, como se verifica dos quadros 19 e 20 do referido laudo. 61.1 Ressaltese que os lançamentos iniciais (saldos de harmonização), nos valores de R$ 18.922,00 e R$ 416.731,00, foram efetuados em contrapartida da conta de patrimônio líquido 37400070, conforme se constata do item 4.4.1 do Laudo KPMG. 62 Assim, a fim de garantir a neutralidade dos registros contábeis efetuado por meio das contas ora analisadas a Impugnante procedeu aos respectivos ajustes por meio de adições e exclusões no Lalur. (fl. 493) 42. Do Laudo consta ainda que: Como demonstrado nessas rubricas contábeis (Anexo V.1 págs 2535, 3441, 8889, 9094 e Anexo V.2 págs. 6975, 7778, 82, 84, 8889, 9094), observase que, com exceção dos registros efetuados para o saldo inicial de harmonização de práticas contábeis, os lançamentos foram realizados em contrapartida do resultado do período de apuração, conforme exemplificamos no Anexo V.2 (págs. 6975, 7778, 82, 84, 8889, 9094), os quais foram anulados fiscalmente por meio de adições e exclusões na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL dos anos calendários de 2008 e 2009. (...) Com a finalidade de garantir que qualquer impacto em resultado fosse anulado fiscalmente, a Syngenta efetuou ajuste à apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL das contas #13200120 e #13200117. O procedimento adotado foi o de efetuar ajustes (adições e exclusões) pelos saldos patrimoniais destas contas contábeis. Porém, conforme demonstrado no QUADRO 21 a seguir, o valor líquido entre adições e exclusões efetuadas pela Syngenta na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL corresponde, exatamente, ao valor que transitou pelas contas de resultado no período nos anos calendários de 2008 e 2009 que foram objeto do auto de infração. Como pode ser constatado no quadro acima, os valores registrados nas contas #13200120 e #13200117 foram anulados fiscalmente através da adição de seus saldos na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL (Anexo III.1.1). Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.035 19 O referido procedimento foi também adotado para o ano calendário de 2009, conforme demonstrado no quadro a seguir: Notase que as movimentações contábeis nessas rubricas que afetaram diretamente o resultado do anocalendário de 2009 conforme demonstrado nos quadros 19 e 20 desse laudo foram anuladas fiscalmente por meio de adições/exclusões dos saldos do ano anterior e do ano corrente (Anexo III.2.1). (fls. 655/657) C.3 INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA (§§ 68/78 DA IMPUGNAÇÃO) 43. Em momento algum foi tipificada a conduta da Contribuinte passível de aplicação da multa qualificada. O TVF menciona apenas a existência de dolo específico que, na opinião da Fiscalização, configuraria "em tese" a conduta passível de qualificação da multa. 44. Há que se ter em mente que no presente caso discutese apenas a classificação contábil e os efeitos dos registros contábeis efetuados pela Contribuinte nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 45. Ressaltese que os procedimentos contábeis e fiscais da Contribuinte foram auditados por renomadas empresas de auditoria, tendo sido confirmado a regularidade dos registros. 46. Em casos inclusive mais graves que o presente, em que se constata omissão deliberada de receita, o CARF entende que não se aplica a multa qualificada (Súmula CARF n° 14). C.4 ERROS NA BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO FALTA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO DO PRÓPRIO PERÍODO DE APURAÇÃO (§§ 79/82) 47. A Fiscalização deixou de considerar a compensação dos prejuízos do período (linha 72 da Ficha 09A da DIPJ/2009), no montante de R$ 2.317.351,48. ERROS NA BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO POSTERGAÇÃO 86. Caso o contribuinte venha a apurar lucro e recolher tributo em exercício posterior, e antes da ação fiscal, resta clara a existência da postergação, na medida em que existe um recolhimento, ainda que a posteriori, de valores que seriam devidos em datas passadas. Fl. 2086DF CARF MF 20 86.1 Nessa situação não é correta a exigência do tributo no período de competência, quando a empresa já procedeu ao seu recolhimento em períodos seguintes. 86.2 No caso dos autos, verificase claramente que a Impugnante apurou tributo devido para os anoscalendário de 2008, 2009 e 2010. Portanto, no presente caso, ocorreu mera postergação do tributo lançado no auto de infração, na medida em que o tributo que deixou de ser pago no anocalendário de 2008 e 2009, foi pago pela Impugnante nos anoscalendário subsequentes. (fl. 500) C.5 INAPLICABILIDADE DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO (§§ 88/93) 48. De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre apenas da obrigação principal e, nos termos do art. 113, § 1°, do CTN, esta surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo. A penalidade pecuniária não faz parte da obrigação principal, pois é decorrente de uma sanção pelo não pagamento do tributo. 49. Consoante o art 161 do CTN, o crédito não pago no vencimento pode sofrer acréscimos de juros de mora, que são cumuláveis com as penalidades pecuniárias. 50. A jurisprudência do CARF já se firmou no sentido de que não incidem juros de mora sobre multa de ofício, uma vez que o art. 61 da Lei 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. C.6 DILIGÊNCIA (§ 98) 51. Caso este órgão julgador entenda necessário, poderá determinar a realização de diligências, razão pela qual apresenta desde já seus quesitos e nomeia assistente técnico. D 2ª IMPUGNAÇÃO, DO RESPONSÁVEL JORGE BUZZETO 52. Jorge Buzzeto tomou ciência dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS, fls. 445/454) em 27/05/2013 (fls. 455/459), e, em 26/06/2013, interpôs a Impugnação de fls. 1.137/1.145, alegando, em síntese, o que segue: 52.1 No TSPS não se faz qualquer referência à razão pela qual lhe foi imputada a responsabilidade solidária (§ 8). 52.2 Consoante a Portaria RFB 2.284/2010, sempre que houver pluralidade de sujeitos passivos, caberá à Fiscalização reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis (§ 11). 52.3 A mera indicação de dispositivos legais, in casu, os arts. 124, 134 e 135 do CTN, não satisfaz a exigência de demonstrar a perfeita adequação do fato à infração prevista em lei (§§ 14/15). 52.4 Não foi demonstrado o interesse comum do Impugnante na situação que constitui o fato gerador, nem indicado o dispositivo legal que prevê a sua solidariedade (hipóteses do art. 124 do CTN). O art. 134 do CTN não prevê a responsabilização dos dirigentes de pessoas jurídicas. O art. 135 também não se aplica porque não restou configurada a prática de qualquer infração por parte do Impugnante, inexistindo, dessa forma, dolo ou culpa que justifiquem sua responsabilização (§§ 18/21). Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.036 21 52.5 O STJ entende que o mero inadimplemento fiscal não caracteriza infração à lei apta a deflagrar a responsabilização dos dirigentes da pessoa jurídica (REsp 1.339.565). 52.6 O TSPS é nulo porque não foi instruído com provas da ocorrência de qualquer das situações previstas nos dispositivos legais que menciona (§ 24). 52.7 O lançamento em questão não merece prosperar, como demonstrado pela Syngenta em suas razões de impugnação. Para evitar maiores delongas, o Impugnante faz referência à citada Impugnação, bem como às provas que a embasaram, em especial o Laudo Técnico da KPMG (§§ 26/27). 52.8 Pelos motivos que apresentou, pede o cancelamento do TSPS e, subsidiariamente, o cancelamento do lançamento, pelas razões constantes na Impugnação da Contribuinte. E 3ª IMPUGNAÇÃO, DO RESPONSÁVEL DANIEL BACHNER 53. Daniel Bachner tomou ciência dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS, fls. 445/454) em 27/05/2013 (fls. 455/459), e, em 26/06/2013, interpôs a Impugnação de fls. 1.173/1.181, com as mesmas alegações e pedidos da Impugnação de Jorge Buzzeto, já relatada. F 4ª IMPUGNAÇÃO, DO RESPONSÁVEL LAÉRCIO VALENTIN GIAMPANI 54. Laércio Valentin Giampani tomou ciência dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS, fls. 445/454) em 27/05/2013 (fls. 455/459), e, em 26/06/2013, interpôs a Impugnação de fls. 1.210/1.218, com as mesmas alegações e pedidos da Impugnação de Jorge Buzzeto, já relatada. G 5ª IMPUGNAÇÃO, DO RESPONSÁVEL WAGNER LOURENÇO REINAS 55. Wagner Lourenço Reinas tomou ciência dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS, fls. 445/454) em 28/05/2013 (fls. 455/459), e, em 26/06/2013, interpôs a Impugnação de fls. 1.246/1.254, com as mesmas alegações e pedidos da Impugnação de Jorge Buzzeto, já relatada. H 6ª IMPUGNAÇÃO, DO RESPONSÁVEL ANTONIO CARLOS MOTTA GUIMARÃES 56. Antonio Carlos Motta Guimarães tomou ciência dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS, fls. 445/454) em 27/05/2013 (fls. 455/459), e, em 26/06/2013, interpôs a Impugnação de fls. 1.285/1.293, com as mesmas alegações e pedidos da Impugnação de Jorge Buzzeto, já relatada. I DILIGÊNCIAS 57. Para esclarecer obscuridades diversas, o julgamento foi convertido em diligência, por meio da Resolução 12.000.375, de 06/06/2014, fls. 1385/1410. Além disso, foi solicitado à Fiscalização que auditasse a documentação apresentada pela Contribuinte a fim de verificar (i) se as metodologias contábeis adotadas cumpriam a função de ajustar adequadamente o lucro líquido para apuração das bases de cálculo dos tributos; em caso positivo, (ii) se aquelas metodologias foram corretamente aplicadas; e (iii) se houve postergação. Fl. 2088DF CARF MF 22 58. Intimada, a Contribuinte ofereceu a Resposta de fls. 1420/1434, acompanhada de Laudo Complementar (fls. 1435/1467) e 34 anexos (fls. 1468/1673). Às fls. 1771/1772, a Fiscalização apresentou Informação Fiscal, de 10/02/2015, com o resultado da diligência. 59. Na Manifestação de fls. 1782/1783, datada de 09/03/2015, a Contribuinte demonstra ter tomado ciência pelo sistema ECAC do teor da Informação Fiscal, e requereu o acolhimento da Impugnação anteriormente interposta. 60. Pelo Despacho de fls. 1785/1786, a Presidência dessa 9ª Turma de Julgamento devolveu os autos do processo à autoridade preparadora a fim de que a Contribuinte fosse intimada a regularizar a sua representação. 61. A Intimação encontrase à fl. 1795, e as Respostas da Contribuinte, às fls. 1797/1799 e 1825/1826. Da decisão de primeiro grau A Delegacia de Julgamento deu provimento integral aos recursos voluntários dos responsáveis para afastar a sujeição passiva de todos e parcial ao recurso voluntário (fls. 18801927), nos termos que se seguem. Exclusões indevidas Com relação à autuação de exclusões indevidas, a DRJ, com base no manual de "perguntas e respostas da pessoa jurídica", afastou a imposição tributária com os seguintes fundamentos: 66. Nos casos em que a Fiscalização constatou, com base na Planilha, que a exclusão 2009 superou a adição 2008, a diferença foi tratada tanto como falta de adição em 2008 quanto como exclusão indevida em 2009, conforme tabela abaixo: Conta Adição 2008 (1) Exclusão 2009 (2) Falta de adição 2008 Exclusão indevida 2009 (2) (1) 20500030 0,00 1.680.368,64 1.680.368,64 13200117 10.062.670,91 10.648.571,55 585.900,64 13200120 18.922,00 241.204,27 222.282,27 67. De pronto, devese destacar que a diferença só poderia ser tratada como falta de adição ou como exclusão indevida, mas nunca como duas infrações independentes, pois se fosse corrigida a falta de adição não haveria exclusão indevida, e viceversa. 68. Contudo, a Fiscalização entendeu que as infrações seriam autônomas porque a falta de adição decorreria da exclusão efetuada no ano seguinte, ou seja, se houve exclusão, devia ter havido a prévia adição. Já as exclusões indevidas, foram assim consideradas por se tratarem de saldos não utilizados de provisões, Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.037 23 conforme justificativas apresentadas nos itens 2.2, 3.1 e 3.2 do TVF. No entanto, como vimos, o fato de o saldo não ter sido utilizado não afasta a possibilidade de exclusão da respectiva reversão, logo é improcedente a parte do lançamento que decorre das glosas de exclusões. Sobre as faltas de adição, trataremos na seção seguinte. Não adições A DRJ analisou, para cada item de provisão, a alegação da defesa de que adotou métodos de registro equivalentes ao de adicionar as despesas indedutíveis do período. Assim, analisou tais métodos diante da prova apresentada para cada um dos itens de provisão. Com relação aos itens de autuação (i) "CONTA 20500030 DESCRIÇÃO 023.044 PROVISÃO CTAS A REC EXZEN IN003CISATRAD FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 1.680.368,64 EM 2008", (ii) "CONTA 10400101 DESCRIÇÃO 023.069 PROVISÃO P/ DEV. VENDAS FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 81.332.073,31 EM 2008", (iii) "CONTA 14400072 (18800036/38) DESCRIÇÃO 050.002 PROVISÃO P/ MTM HEDGE ATIVO FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 3.374.706,84 EM 2008", (iv) "CONTA 13200117 DESCRIÇÃO 023.062 PROVISÃO VARIAÇÃO CAMBIAL ADIANT. CLIENTE FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 585.900,64 EM 2008", e (v) "CONTA 13200120 DESCRIÇÃO 023.073 PROVISÃO NOTAS CRÉDITO USD VC FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 222.282,27 EM 2008", julgou procedente a impugnação, conforme apresentaremos com mais minúcias no voto, e da sua decisão recorreu de ofício. Já em relação a estas duas últimas contas, ou seja, "CONTA 13200117 DESCRIÇÃO 023.062 PROVISÃO VARIAÇÃO CAMBIAL ADIANT. CLIENTE" e "CONTA 13200120 DESCRIÇÃO 023.073 PROVISÃO NOTAS CRÉDITO USD VC", julgou improcedente a impugnação para as faltas de adição relativas ao anos de 2009, sob o fundamento de que o contribuinte não comprovou suas alegações. Também em relação ao argumento de postergação, negou provimento a impugnação uma vez que, no curso da diligência fiscal, a própria defesa aduziu que se tratou de um simples argumento adicional de defesa, sem demonstrar a sua efetiva ocorrência. De igual sorte, manteve a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Por fim, desqualificou a multa por considerar que a autoridade lançadora não motivou a imposição da penalidade majorada com base em fatos específicos capazes de se subsumirem à definição legal. Por razões, similares também afastou a imposição das responsabilidades tributárias, uma vez que a autoridade apenas aduziu que as pessoas físicas trazidas ao pólo passivo da relação tributária eram diretores da pessoa jurídica. Recorreu de ofício da desqualificação da multa e da exoneração de responsabilidade das pessoas físicas. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Apesar de todos cientificados, só a pessoa jurídica apresentou recurso voluntário, às fls. 1.987 a 2.002. Na peça, reafirma as razões da decisão quanto à matéria sujeita ao recurso de ofício e aduz as seguintes considerações em relação à falta de adição de Fl. 2090DF CARF MF 24 valores para o anocalendário de 2009, relativamente às contas "13200117 DESCRIÇÃO 023.062 PROVISÃO VARIAÇÃO CAMBIAL ADIANT. CLIENTE" e "CONTA 13200120 DESCRIÇÃO 023.073 PROVISÃO NOTAS CRÉDITO USD VC", conforme abaixo se segue. Em síntese, reitera os procedimentos contábeis que adotou e assevera que provavelmente a DRJ se equivocou na análise dos documentos apresentados, que correspondem ao livro razão e a laudo contábil. Em relação a esse último documento, aduz que a DRJ deve ter se equivocado ao considerar o laudo complementar e não o laudo original, em que constam todas as explicações acerca dos procedimentos adotados. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Do recurso de ofício Exclusões indevidas Conforme vimos no relatório, a DRJ afastou a autuação quanto a esse item com base nas seguintes razões esteadas nas orientações formuladas no manual de "perguntas e respostas": 66. Nos casos em que a Fiscalização constatou, com base na Planilha, que a exclusão 2009 superou a adição 2008, a diferença foi tratada tanto como falta de adição em 2008 quanto como exclusão indevida em 2009, conforme tabela abaixo: Conta Adição 2008 (1) Exclusão 2009 (2) Falta de adição 2008 Exclusão indevida 2009 (2) (1) 20500030 0,00 1.680.368,64 1.680.368,64 13200117 10.062.670,91 10.648.571,55 585.900,64 13200120 18.922,00 241.204,27 222.282,27 67. De pronto, devese destacar que a diferença só poderia ser tratada como falta de adição ou como exclusão indevida, mas nunca como duas infrações independentes, pois se fosse corrigida a falta de adição não haveria exclusão indevida, e viceversa. 68. Contudo, a Fiscalização entendeu que as infrações seriam autônomas porque a falta de adição decorreria da exclusão efetuada no ano seguinte, ou seja, se houve exclusão, devia ter havido a prévia adição. Já as exclusões indevidas, foram assim consideradas por se tratarem de saldos não utilizados de provisões, conforme justificativas apresentadas nos itens 2.2, 3.1 e 3.2 do TVF. No entanto, como vimos, o fato de o saldo não ter sido utilizado não afasta a possibilidade de Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.038 25 exclusão da respectiva reversão, logo é improcedente a parte do lançamento que decorre das glosas de exclusões. Sobre as faltas de adição, trataremos na seção seguinte. De fato, se a provisão é indedutível, todos os efeitos do seu registro em contrapartida do resultado do exercício devem ser anulados. A sua constituição (e aumento) tem como contrapartida um registro de despesa que reduz o lucro comercial, logo impõe a adição equivalente para fins de apuração do lucro real. Por outro lado, a sua reversão tem como contrapartida um registro de receita e, assim, autoriza ao contribuinte excluir o valor para fins de determinação do lucro real. Não há, pois, reparos a fazer no procedimento adotado pelo sujeito passivo quanto a esse item. A decisão recorrida que afastou a autuação deve ser mantida pelos seus próprios e corretos fundamentos. Não adições Conforme expomos no relatório, a DRJ analisou cada item de provisão para verificar se o contribuinte promoveu corretamente as adições das despesas indedutíveis. Passamos a analisar especificamente cada um desses itens. CONTA 20500030 DESCRIÇÃO 023.044 PROVISÃO CTAS A REC EXZEN IN003CISATRAD FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 1.680.368,64 EM 2008 A DRJ afastou a autuação relativamente a este item com base nas seguintes razões: 77. Com base na Planilha, linha 20, a Fiscalização considerou que houve falta de adição de R$ 1.680.368,64 em 2008, correspondente à exclusão 2009 menos a adição 2008. A Contribuinte, ao encaminhar a referida Planilha, alegou que a conta em epígrafe deveria ser analisada em conjunto com a de n° 13200112 (linha 38 da Planilha), pois, assim procedendo, a Fiscalização constataria que os totais das exclusões e adições referentes às duas contas eram iguais a R$ 1.687.868,01. 78. Nos itens 2 e 2.2 do TVF, a Fiscalização afirma que a provisão indedutível de R$ 1.680.368,64 deveria ter sido adicionada ao lucro líquido, mas não o foi, conforme resposta ao TIF n° 05/2012 (Doc. 01, fls. 99/100). Contudo, analisando a resposta da Contribuinte, o que se verifica é que na conta n° 13200112, linha 38, houve uma exclusão de R$ 7.499,36 e uma adição de R$ 1.687.868,01; e que, se somarmos esses valores à exclusão de R$ 1.680.368,64 registrada na conta 20500030, linha 20, o resultado é uma exclusão de 1.687.868,00 e uma adição de R$ 1.687.868,01. 79. A Fiscalização considerou que o método M1, além de válido, foi aplicado corretamente, pois não questionou os ajustes feitos em contas cujas exclusões de um ano eram iguais às adições do ano anterior, segundo informações contidas na Planilha. Vale dizer, a Fiscalização entendeu que só havia infração nos casos em que as exclusões registradas na referida Planilha não coincidiam com as adições anteriores. Logo, de acordo com esse mesmo critério, não há fundamento para afirmar que a Contribuinte deixou de adicionar R$ 1.680.368,64 em 2008, pois a tabela em foco indica apenas que houve a adição do valor correto por meio de conta diversa da que registrou a sua exclusão. Como o efeito de adicionar "X" Fl. 2092DF CARF MF 26 pela conta "Y" é igual ao de adicionar "X" pela conta "Z", o lançamento é, na parte sob análise, improcedente. A planilha a que a DRJ se refere e que a autoridade utilizou para embasar a autuação é a que consta da fl. 99100. Nela é claramente aferível o que a DRJ esclareceu com rigor na sua decisão, ou seja, que a contabilização da mesma provisão foi realizada por meio de duas contas diversas, o que levou a autoridade fiscal a erro. Abaixo, reproduzo duas linhas pertinentes ao caso: Notase que o último valor da linha 28 (resultado da diferença entre os dos primeiros valores) corresponde, com a diferença de um único centavo, ao valor da linha 20. Seria uma coincidência irrealizável na prática que tais itens, a despeito das descrições não guardarem uma correlação perfeitamente identificável, correspondesse a provisões distintas. Nego, assim, provimento ao recurso de ofício quanto a esse item para manter a decisão de primeiro grau pelos seus próprios fundamentos. CONTA 10400101 DESCRIÇÃO 023.069 PROVISÃO P/ DEV. VENDAS FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 81.332.073,31 EM 2008 Após uma longa análise acerca dos critérios adotados pela autoridade fiscal para promover o lançamento com base nas informações prestadas pela autuada, sobretudo por meio das planilhas de fls. 66 e 99100, a DRJ aduziu as seguintes razões: 88. Especificamente sobre a conta 10400101, foi dito que: possui natureza devedora, pois representa, em realidade, uma previsão de acréscimo patrimonial decorrente da devolução de vendas, com contrapartida no resultado (crédito) que, por não representar um acréscimo patrimonial efetivo (tratase apenas de previsão), é excluído pela Requerente de sua apuração fiscal. (fl. 92) 89. A previsão é registrada por meio de lançamento a débito da conta Estoque e a crédito de Custo de Mercadoria Vendida (CMV, lançamento 3, fl. 87). Apenas para esclarecer a sistemática adotada para esta conta contábil, haja vista sua natureza peculiar, a Requerente, diferentemente do procedimento adotado para provisões efetivas, exclui de sua apuração ao final do ano o saldo da conta 104001001 (pois se trata de um mero ajuste contábil, sem acréscimo patrimonial efetivo) a adiciona o saldo existente dessa mesma conta contábil no final do ano anterior (valores que haviam sido excluídos na apuração fiscal do ano anterior). 90. Ou seja, a Contribuinte alega que, adotando uma segunda metodologia (M2), faz uma estimativa de recuperação de custos, que é registrada com um lançamento a débito de estoque e crédito de CMV. Como não se trata de uma recuperação efetiva, o crédito poderia ser excluído na apuração do lucro real, mas, em vez Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.039 27 disso, é feita a exclusão do saldo final e a adição do saldo existente na mesma conta no final do período anterior. 91. M2 guarda semelhança com M1, sendo que em decorrência da contabilização das provisões surge uma despesa indedutível, que deve ser adicionada ao lucro líquido, enquanto na previsão existe uma recuperação de custos não tributável, que pode ser excluída. Assim, adaptando os razonetes que usamos com as provisões temos: (...) 92. Consequentemente o efeito de excluir (subtrair) as recuperações de custos é igual ao de excluir o saldo final do período e adicionar o saldo final do período anterior. Se este saldo tiver sido excluído no período anterior, o efeito de excluir as recuperações de custos é igual ao de excluir o saldo final e adicionar o saldo excluído no período anterior. Portanto, para este tipo de conta e de acordo com a metodologia M2, esperase que o saldo adicionado num período seja igual ao excluído no período anterior. Assim, segundo a Contribuinte, não se poderia afirmar que houve falta de adição de R$ 81.332.073,31 em 2008 porque não haveria igualdade entre a exclusão 2009 e a adição 2008. 93. De fato, para contas em que se adota M2, não se espera que a exclusão 2009 seja igual à adição 2008, mas que a adição 2009 seja igual à exclusão 2008. Além disso, observando M2, o efeito de excluir o saldo final e adicionar o saldo excluído no período anterior equivale ao de excluir as recuperações de custos. 94. Sendo assim, o julgamento foi convertido em diligência para que a Contribuinte comprovasse: (i) de quanto foi a recuperação de custos lançada a débito da conta 10400101 e a crédito do resultado em 2008; e (ii) que as adições e exclusões efetivamente realizadas na apuração das bases de cálculo dos tributos produziram efeito equivalente ao de excluir, no máximo, a recuperação de custos comprovada em (i). 95. A Contribuinte apresentou a Resposta de fls. 1420/1432 acompanhada do Laudo Complementar de fls. 1435/1467 e dos Anexos I a XXXIV de fls. 1468/1673. Para a conta 10400101, foi apresentado o quadro abaixo, segundo o qual foram lançados R$ 109.298.930,89 (=R$ 236.665.724,30 R$ 127.366.793,41) a débito da conta em questão e a crédito de contas de resultado. Fl. 2094DF CARF MF 28 96. A Contribuinte informou que, para comprovar os lançamentos contábeis detalhados acima, foram anexados ao Laudo Complementar o resumo das informações constantes do SPED (Anexos mencionados no quadro). O ajuste nas bases de cálculo dos tributos teria sido feito no LALUR por meio de uma exclusão de R$ 236.665.724,30 (fl. 546) e de uma adição de R$ 127.366.793,41 (fl. 544), que equivalem exatamente à exclusão dos R$ 109.298.930,89 lançados a crédito e contas de resultado. 97. Em atenção aos questionamentos contidos no item 62.2 da Resolução 12.000.375 e após análise da documentação apresentada, a Fiscalização concluiu: (i) que a metodologia adotada pela Contribuinte cumpre a função de ajustar adequadamente o lucro líquido para apuração do IRPJ e da CSLL dos anos calendário 2008 e 2009; e (ii) que a referida metodologia foi corretamente aplicada (Informação Fiscal de fls. 1771/1772). 98. Sendo assim, devese exonerar a Contribuinte da parte do lançamento que se refere à conta 10400101. Conforme acima explicado, esse item de autuação foi diligenciado e o seu resultado, confeccionado pela própria autoridade diligenciante, foi integralmente favorável ao contribuinte. Desse modo, também nego provimento ao recurso de ofício quanto a esse item para manter a decisão de primeiro grau pelos seus próprios fundamentos. CONTA 14400072 (18800036/38) DESCRIÇÃO 050.002 PROVISÃO P/ MTM HEDGE ATIVO FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 3.374.706,84 EM 2008 A DRJ afastou a autuação relativamente a este item com base nas seguintes razões: 99. Segundo consta da Impugnação, a parcela sob análise referese às contas contábeis 18800036 e 18800038, o não à conta 14400072, como informado pela Fiscalização (fl. 485, § 43.1). 100. O equívoco de fato ocorreu, mas, ao contrário do que afirma a Contribuinte, não foi causado pela Fiscalização, mas por ela mesma, quando, numa de suas respostas à Fiscalização (fl. 93), fez referência à "Conta 14400072 (Descrição 050.002)". Observando a Planilha, linha 54, notamos que a descrição da conta 14400072 não é 050.002, mas "023.093 Provisão de Risco 14400072". Nessa mesma planilha, é possível perceber que a Contribuinte insere o n° da conta no final de sua descrição, de tal forma que a diferença de R$ 3.374.706,84, linha 57, referese às contas 18800036/38. 101. Assim, para evitar qualquer equívoco, fica esclarecido que estamos tratando da diferença de R$ 3.374.706,84, observada pela Fiscalização na linha 57 da Planilha, para a conta cuja descrição é "050.002 Provisão p/ MTM Hedge Ativo 18800036/38". 102. A Contribuinte incluiu a conta em questão no rol das exceções à metodologia M1 (fl. 93) e informou à Fiscalização que a diferença de R$ 3.374.706,84 se trata de um ajuste contábil de mesma natureza daquele já explicado no item "c" acima. O referido item "c" diz respeito à conta 10400101, já analisada neste voto. 103. Por considerar insuficiente a explicação, a Fiscalização tratou a "Provisão p/ MTM Hedge Ativo" como se fosse uma provisão indedutível, ou seja, entendeu que Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.040 29 a adição 2008 deveria ser igual à exclusão 2009, conforme a regra de contabilização adotada pela Contribuinte (M1). Verificando, porém, que não existia a igualdade, concluiu que houve falta de adição. 104. Para entender o novo método de contabilização que a Contribuinte afirma adotar para a conta em questão, utilizamos os razonetes abaixo, que se baseiam nas explicações encontradas no Laudo (fl. 638): (...) 105. Sendo assim, ao contrário do que ocorre com as contas que seguem a metodologia M1, a exclusão de A3 e a adição de A4, ou a exclusão de A3 A4, não pode ser feita pela exclusão de Sf(X) Sf(X1), pois este valor não é igual à diferença entre aqueles somatórios. A metodologia contábil adotada para esta conta (M3) consistiria em excluir A3 e adicionar A4 na apuração do lucro real. Essa conclusão está de acordo com o Laudo, segundo o qual o ajuste no lucro líquido para essas contas não é feito por adição ou exclusão de saldos, mas por adição de perdas e exclusão de ganhos: Sob a ótica fiscal, os lançamentos contábeis decorrentes dos procedimentos descritos acima são neutralizados para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de forma que a Syngenta efetua uma adição do valor de perdas provisionadas e efetua uma exclusão do valor de ganhos registrados, com o objetivo de garantir a neutralidade fiscal (...). (Laudo, fls. 633/634) 106. Consta ainda do Laudo que: Com o objetivo de confirmar o procedimento de contabilização e seu reflexo fiscal acima descrito, elegemos a rubrica contábil 18800036 (a qual foi objeto do auto de infração) para demonstrar detalhadamente os lançamentos contábeis realizados para cumprimento das normas contábeis de conversão para o IFRS. (fls. 636/638) 107. Embora a própria Contribuinte informe que as operações de hedge envolvem as contas 18800036 e 18800038, o movimento efetivamente ocorrido nesta última não foi tratado na Impugnação nem no Laudo. 108. Sendo assim, como não se tratou da conta 18800038, e por serem insuficientes as comprovações apresentadas, a Contribuinte foi intimada, na diligência anteriormente mencionada, a comprovar (i) quanto foi lançado a crédito e a débito da conta 14400072 em contrapartida a contas de resultado para 2008, ou seja, quanto valem A3 e A4; e (ii) que adicionou ao lucro líquido, no mínimo, A4 A3 caso A4 seja maior que A3, ou que excluiu, no máximo, A3 A4 caso A4 seja maior que A3. 109. Em sua resposta, a Contribuinte explicou inicialmente que a conta 18800038 não teve movimentação em 2008 e, sobre a conta 18800036, informou que A3 equivale a R$ 35.825.487,34, e A4, a R$ 6.104.963,02 (R$ 2.946.682,45 + R$ 3.158.280,57), conforme quadro da fl. 1425, abaixo reproduzido: Fl. 2096DF CARF MF 30 110. A Contribuinte informou que, para comprovar os lançamentos contábeis detalhados acima, foram anexados ao Laudo Complementar o resumo das informações constantes do SPED (Anexos mencionados no quadro). 111. Como A4 é menor que A3, a Contribuinte poderia excluir do lucro líquido, no máximo, R$ 29.720.524,32 (=R$ 35.825.487,34 R$ 6.104.963,02). O efetivo ajuste no lucro líquido teria sido feito por meio de uma exclusão de R$ 87.128.081,71 e uma adição de R$ 57.407.557,43, que equivalem a uma exclusão de R$ 29.720.524,28, ou seja, R$ 0,04 a menos que o máximo admitido. 112. Em atenção aos questionamentos contidos no item 62.2 da Resolução12.000.375 e após análise da documentação apresentada, a Fiscalização concluiu: (i) que a metodologia adotada pela Contribuinte cumpre a função de ajustar adequadamente o lucro líquido para apuração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2008 e 2009; e (ii) que a referida metodologia foi corretamente aplicada (Informação Fiscal de fls. 1771/1772). 113. Sendo assim, devese exonerar a Contribuinte da parte do lançamento que se refere à conta 10400072. Da mesma forma que os itens precedentes, o presente foi diligenciado e o seu resultado, confeccionado pela própria autoridade diligenciante, foi integralmente favorável ao contribuinte. Pelas mesmas razões, nego provimento ao recurso de ofício quanto a esse item para manter a decisão de primeiro grau pelos seus próprios fundamentos. CONTA 13200117 DESCRIÇÃO 023.062 PROVISÃO VARIAÇÃO CAMBIAL ADIANT. CLIENTE FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 585.900,64 EM 2008; E CONTA 13200120 DESCRIÇÃO 023.073 PROVISÃO NOTAS CRÉDITO USD VC FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 222.282,27 EM 2008 A DRJ afastou a autuação relativamente a este item com base nas seguintes razões: 114. Por serem insuficientes os esclarecimentos apresentados, a Contribuinte foi intimada, na diligência anteriormente mencionada, a comprovar (i) que metodologia foi usada para neutralizar os lançamentos feitos nas contas 13200120 e 13200117 em contrapartida a contas de resultados; e (ii) que a metodologia em questão produziu efeito equivalente ao de, Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.041 31 simultaneamente, adicionar, no mínimo, as despesas indedutíveis lançadas a débito de resultado e excluir, no máximo, as receitas não tributáveis lançadas a crédito. 115. Em sua resposta, a Contribuinte explicou inicialmente que, para as contas em foco, utilizou metodologia semelhante à descrita para a conta 10400101. Recordamos que, para esta conta, a Contribuinte usava a metodologia M2, que consiste em excluir o saldo final e adicionar o saldo inicial, excluído no período anterior. 116. Em 2008, salvo o lançamento de harmonização, todos os outros na conta 13200120 teriam contas de resultado como contrapartida, conforme relação abaixo: 117. Dessa forma, teria havido um movimento total de R$ 16.642,51 (=R$ 213.980,20 R$ 197.337,69) a débito de contas de resultado, que deveriam ser adicionados ao lucro líquido. O ajuste teria ocorrido por meio de adição de R$ 18.922,00 e exclusão de R$ 2.279,49, conforme se verificaria no LALUR (fls. 894 e 896). 118. Para a conta 13200117, salvo o lançamento de harmonização, todos os outros teriam ocorrido em contrapartida à conta de resultado 43590098, conforme tabela abaixo, que indica um débito total de R$ 10.062.670,91 para ser adicionado ao lucro líquido de 2008: 119. A referida adição constaria do LALUR na forma das parcelas R$ 416.731,00 (fl. 894) e R$ 9.645.939,91 (fl. 896). Fl. 2098DF CARF MF 32 (...) [o parágrafo 120 omitido trata do anocalendário 2009, que será analisado no trecho do voto relativo ao recurso voluntário] 121. Em atenção aos questionamentos contidos no item 62.2 da Resolução 12.000.375 e após análise da documentação apresentada, a Fiscalização concluiu: (i) que a metodologia adotada pela Contribuinte cumpre a função de ajustar adequadamente o lucro líquido para apuração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2008 e 2009; e (ii) que a referida metodologia foi corretamente aplicada (Informação Fiscal de fls. 1771/1772). 122. Sendo assim, devese exonerar a Contribuinte da parte do lançamento que se refere às contas 13200117 e 13200120, e diz respeito a faltas de adição em 2008. (...) Mais um item similar aos anteriores, pois foi diligenciado e o seu resultado, confeccionado pela própria autoridade diligenciante, foi integralmente favorável ao contribuinte. Pelas mesmas razões, nego provimento ao recurso de ofício quanto a esse item para manter a decisão de primeiro grau pelos seus próprios fundamentos. Aqui, porém, o lançamento foi mantido em relação ao anocalendário de 2009. Dessa forma, será esse tópico tratado na parte abaixo do voto dedicada ao recurso voluntário. Multa qualificada Como damos provimento ao recurso voluntário, logo abaixo neste voto, esse item ficaria prejudicado. De todo modo, ainda que fosse mantido o crédito tributário relativo ao valor principal, seguramente, como decido pela DRJ, não deve prosperar a qualificação. Além de a autoridade lançadora não ter consignado na sua fundamentação as razões específicas para a qualificação da multa, estas razões, nem por um esforço hermenêutico podem ser aferidas das peças do processo. Afinal, na pior das hipóteses, o que foi afastado em grande medida pela própria DRJ, estariam configurados erros no registro de provisões e não atos deliberados do contribuinte para se evadir da tributação. Deve ser negado o recurso de ofício também em relação a esse ponto. Responsabilidades Por fim, relativamente ao recurso de ofício, também concordamos com a decisão recorrida que exonerou as responsabilidades. Afinal, o fato de ser diretor não impõe diretamente a responsabilidade por tributos da pessoa jurídica, especialmente no caso de não caracterização de uma prática dolosa. Do recurso voluntário Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.042 33 CONTA 13200117 DESCRIÇÃO 023.062 PROVISÃO VARIAÇÃO CAMBIAL ADIANT. CLIENTE FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 1.058.523,44 EM 2009; E CONTA 13200120 DESCRIÇÃO 023.073 PROVISÃO NOTAS CRÉDITO USD VC FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 38.220,10 EM 2009 A DRJ manteve esse único item de autuação com base nas seguintes razões: 120. Quanto a 2009, a Contribuinte informou simplesmente que foi utilizada a mesma metodologia, ou seja, para a conta 13200120, adicionouse o saldo inicial (R$ 2.279,49) e excluiu se o final (R$ 241.204,27), enquanto, para a conta 132000117, houve uma adição de R$ 10.648.571,55. Não consta da Resposta nem do Laudo Complementar a relação de lançamentos feitos nas contas em questão no anocalendário 2009, e os 34 anexos só se referem a 2008. 121. Em atenção aos questionamentos contidos no item 62.2 da Resolução 12.000.375 e após análise da documentação apresentada, a Fiscalização concluiu: (i) que a metodologia adotada pela Contribuinte cumpre a função de ajustar adequadamente o lucro líquido para apuração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2008 e 2009; e (ii) que a referida metodologia foi corretamente aplicada (Informação Fiscal de fls. 1771/1772). 122. Sendo assim, devese exonerar a Contribuinte da parte do lançamento que se refere às contas 13200117 e 13200120, e diz respeito a faltas de adição em 2008. Contudo, para 2009, em relação a essas duas contas e apesar da opinião externada pela Fiscalização, o lançamento deve ser mantido, pois a Contribuinte limitouse a afirmar que utilizou o mesmo procedimento descrito para 2008, sem comproválo. É curioso o fato de a DRJ não concordar com a conclusão da diligência realizada pela autoridade fiscal (relatório consta das fls. 17711772), em que consta expressamente que também para o anocalendário de 2009 o procedimento de registros utilizada pelo contribuinte anula os efeitos das provisões indedutíveis na apuração do lucro real. De fato, no laudo complementar (fls. 1435/1.467), consta uma longa explanação acerca da metodologia adotada para o anocalendário de 2008, em que o perito trabalha com os valores dos registros contábeis e fiscais para demonstrar que não houve apropriação no lucro real de provisões indedutíveis, enquanto, para o ano de 2009, tece apenas a afirmação de que "O mesmo procedimento foi também adotado para o ano calendário de 2009 e seguintes". Não nos parece, contudo, que nem o perito e nem a defesa foram omissos. Teceram com detalhes apenas um dos anos como técnica de demonstração, uma vez que a simples inferência já nos levaria à conclusão de que o contribuinte adotou o mesmo método para o anocalendário de 2009. Fl. 2100DF CARF MF 34 E mais do que isso, o procedimento adotado pelo contribuinte foi atestado pela autoridade fiscal. Evidentemente, a interpretação da autoridade que fez a diligência não pode sobrepujar à da autoridade julgadora. Claro que o julgador não tem que se submeter a uma interpretação emanada por outra autoridade. Nada obstante, não estamos tratando de interpretações acerca de questões de direito ou da leitura de provas documentais. A autoridade diligenciante atesta que o contribuinte registrou em 2009 as provisões ora debatidas com o mesmo método adotado em 2008. Se o julgador concordou com o método para 2008, deveria ter concordado com o método também para 2009; do contrário, está negando força probatória à investigação feita pelo próprio agente fiscal. Ao rejeitar a conclusão da autoridade diligenciante, o julgador de primeiro grau não promove uma interpretação diversa da posta por aquela autoridade, ele efetivamente desqualifica a sua capacidade para atestar uma prova. Para tal, deveria, no meu entender, se debruçar sobre documentos carreados aos autos que negassem a afirmação da autoridade diligenciante ou determinar nova diligência para infirmar a primeira. Dizer que não há prova a favor do contribuinte, quando a própria autoridade fiscal diligenciante afirma que o oposto, é, no meu sentir, uma apreciação equivocada acerca dos meios probatórios. Afinal, não é incomum a determinação de diligência para que a autoridade fiscal ateste a ocorrência de fatos por meio da verificação dos registros contábeis e documentos sem que se determine a juntada desses documentos ao feito. A ação da autoridade diligenciante é justamente para atesta fatos que seriam de verificação mais difíceis pela autoridade julgadora. Enfim, uma vez que todos os demais itens de autuação foram decorrentes da compreensão equivocada da autoridade lançadora acerca do procedimento adotado pelo sujeito passivo, que os presentes itens foram escriturados corretamente, segundo a legislação tributária para o ano de 2008, que um laudo técnico atesta que tal procedimento foi adotado também para o ano de 2009 e, finalmente, que um agente fiscal, na condição de diligenciante, faz a mesma afirmação, não me cabe além de dar provimento à defesa também quanto a este item e, desse modo, dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento ao recurso de ofício e dou provimento ao recurso de voluntário com o fito de afastar a autuação remanescente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.043 35 Fl. 2102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900606/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF.
À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
Numero da decisão: 3802-003.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.900606/2009-41
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5914827
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3802-003.412
nome_arquivo_s : Decisao_16327900606200941.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Solon Sehn
nome_arquivo_pdf_s : 16327900606200941_5914827.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
id : 7463069
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050866499452928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1523; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 99 1 98 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.900606/200941 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.412 – 2ª Turma Especial Sessão de 20 de agosto de 2014 Matéria DCOMP ELETRÔNICO CSRF Recorrente ITAÚ SEGUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 06 06 /2 00 9- 41 Fl. 99DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – SP (fls. 32/35), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 23/02/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa haja vista que o despacho decisório consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.PAGAMENTO UTILIZADO PARA QUITAR DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Considerase confissão de dívida o débito declarado em DCTF, descabendo à autoridade administrativa a sua retificação de ofício mormente se o contribuinte não comprova a existência do erro material alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 13/12/2012, o Recorrente foi cientificada da decisão (ciência eletrônica fl. 39). Nas razões apresentadas em seu recurso voluntário protocolado em 11/01/2013 (fls. 41/46), alega ter recolhido indevidamente valores referente a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), nos pagamentos efetuados a outras pessoas jurídicas prestadoras de serviços, argumentando que, na época, existiam algumas situações em que dos prestadores de serviços eram dispensados ou não exigida a referida retenção. Pelo que se vê, o recorrente supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 15/20 (PER/DCOMP nº 39640.64134.240205.1.3.04 1059), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES PAGAMENTO DE PJ a PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS CSRF (cód. receita 5952), relativo ao período de apuração encerrado em 21/02/2004. É o que basta, no presente momento, para a análise restrita a ser feita por este colegiado. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 16327.900606/200941 Acórdão n.º 3802003.412 S3TE02 Fl. 100 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Conforme relatado, constatase que o processo em epígrafe diz respeito a pedido de compensação cujo crédito em que se alicerça a interessada é relativo a alegado recolhimento a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES sobre PAGAMENTO DE PJ a PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS, denominada CSRF (cód. receita 5952), relativo ao período de apuração encerrado em 21/02/2004. De acordo com o artigo 7°, § 1º e § 3º, Inciso I, combinado com o art. 2º, inciso II e VII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009) – RICARF, temos que: Art. 7º... § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção” (grifei). § 3º Na hipótese do § 1º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ). I Da Primeira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ). No caso presente, o assunto em debate se enquadra na hipótese de que trata o inciso II e VII do artigo 2o do Anexo II do RICARF: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I – ...; II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Esta Terceira Seção do CARF, portanto, não pode se manifestar sobre o mérito do litígio, uma vez que a competência para o seu exame é da Primeira Seção deste Conselho, como demonstrado. Da Conclusão Fl. 101DF CARF MF 4 Por todo o exposto, e considerando a falta de competência material desta Terceira Seção do CARF para o exame da contenda, voto para não conhecer do recurso voluntário interposto pela interessada, devendo os autos ser encaminhados à Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. Sala de Sessões, em 20/08/2014. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900416/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10882.900416/2009-41
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5900772
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.399
nome_arquivo_s : Decisao_10882900416200941.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10882900416200941_5900772.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7419448
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050866630524928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1801; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.900416/200941 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.399 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria Compensação PIS/Cofins Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 16 /2 00 9- 41 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10882.900416/200941 Acórdão n.º 3402005.399 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10882.900416/200941 Acórdão n.º 3402005.399 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.708, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10882.900416/200941 Acórdão n.º 3402005.399 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10882.900416/200941 Acórdão n.º 3402005.399 S3C4T2 Fl. 6 5 cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10882.900416/200941 Acórdão n.º 3402005.399 S3C4T2 Fl. 7 6 indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10882.900416/200941 Acórdão n.º 3402005.399 S3C4T2 Fl. 8 7 estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10882.900416/200941 Acórdão n.º 3402005.399 S3C4T2 Fl. 9 8 criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10882.900416/200941 Acórdão n.º 3402005.399 S3C4T2 Fl. 10 9 nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10882.900416/200941 Acórdão n.º 3402005.399 S3C4T2 Fl. 11 10 (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13679.720024/2017-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Documentos anexados aos Autos, como exames, atestados, podem complementar as informações do Laudo, na formação da convicção do Julgador.
Numero da decisão: 2001-000.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Documentos anexados aos Autos, como exames, atestados, podem complementar as informações do Laudo, na formação da convicção do Julgador.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13679.720024/2017-12
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912302
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.518
nome_arquivo_s : Decisao_13679720024201712.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE RICARDO MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13679720024201712_5912302.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7441366
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050866637864960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1462; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13679.720024/201712 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.518 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente ADHEMAR CECÍLIO DE MEDEIROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Documentos anexados aos Autos, como exames, atestados, podem complementar as informações do Laudo, na formação da convicção do Julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 9. 72 00 24 /2 01 7- 12 Fl. 258DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2015, anocalendário de 2014, em que foi apurada omissão de rendimentos. Abaixo, reproduzse trecho da fundamentação do lançamento: "Ausência de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, D. Federal, Estados ou Municípios. Ambulatório Municipal/Posto de Saúde, têm competência para emitir laudos periciais pra fins de isenção de imposto renda, desde que possuam médico ou junta médica com atribuições periciais." O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Brasília. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 113/146. Em síntese, alega ser portador de moléstia (cardiopatia grave) e que a data real da incapacidade retroage a 1991. Informa que recebe proventos de aposentadoria. Argumenta que apresentou exames, atestados e grande quantidade de documentos que comprovam a constatação pretérita da doença. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13679.720024/201712 Acórdão n.º 2001000.518 S2C0T1 Fl. 3 3 estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada Fl. 260DF CARF MF 4 mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” A decisão de primeira instância fundamenta o não reconhecimento da isenção, ao argumento de que, conforme o Laudo, a doença só pode ser reconhecida a partir de 2017. Embora o Laudo seja o documento essencial para o reconhecimento da isenção, nada impede que o Julgador, com base em outros elementos trazidos aos Autos, firme sua convicção no sentido de definir eventual lacuna ou incongruência do documento emitido pela perícia. É o que ocorre nos presentes Autos. A documentação acostada justifica a aceitação dos argumentos esposados pelo recorrente, haja vista que por documentação suficiente (f. 152/202), comprovase que ele padece da doença indicada no Laudo em data anterior à da ocorrência do fato gerador analisado neste procedimento. Portanto, devese reconhecer o direito à isenção pleiteada pelo recorrente, haja vista que foi feita prova neste processo. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.733459/2012-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete à autoridade administrativa declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO.
A prova documental deve ser apresentada com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. INSCRIÇÃO PGFN. PARCELAMENTO. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA.
Mantém-se o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa.
Numero da decisão: 1001-000.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete à autoridade administrativa declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. INSCRIÇÃO PGFN. PARCELAMENTO. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. Mantém-se o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.733459/2012-17
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5902659
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.701
nome_arquivo_s : Decisao_11080733459201217.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
nome_arquivo_pdf_s : 11080733459201217_5902659.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7425391
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050866858065920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1334; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 100 1 99 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.733459/201217 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.701 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 07 de agosto de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente MAGLIA CONTABILIDADE SOCIEDADE SIMPLES LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013 INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete à autoridade administrativa declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. INSCRIÇÃO PGFN. PARCELAMENTO. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. Mantémse o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 34 59 /2 01 2- 17 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11080.733459/201217 Acórdão n.º 1001000.701 S1C0T1 Fl. 101 2 Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1264.398, de 27/03/2014 (efls. 67/74), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos constam do original) Tratase do Ato Declaratório ExecutivoADE DRF/POA nº 579.625, de 03.09.2012 (fls.33), de exclusão do Simples Nacional a partir de 01.01.2013 (art.17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e alínea “d” do inciso II do art.73, c/c inciso I do art.76, ambos da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional – CGSN nº 94, de 2011). 2 A causa do ADE foi uma inscrição em Dívida Ativa da União (fls.57). 3 Em MI às fls.2/17, de 26.10.2012, o interessado diz que, “ainda que em se tratando de controle difuso, está pugnando incidentalmente pela declaração de inconstitucionalidade da Lei Complementar n° 123, de 2006”. Alega, ainda, que: a) “os arts.17, V, e 30, II, da Lei Complementar n° 123, de 2006, desrespeitam as previsões constitucionais, que, em momento algum condicionaram o tratamento diferenciado e favorecido do pequeno empresário à situação de regularidade fiscal, nem outorgaram à lei infraconstitucional este condão”; b) “quando a Constituição fala em tratamento diferenciado objetiva incentivar a manutenção das atividades das empresas beneficiadas; não se pode admitir que uma lei infraconstitucional venha de encontro com as previsões e garantias da Lei Maior”; c) “o pedido de inclusão no Simples Nacional merece ser deferido já que a Fazenda podese utilizar de outros meios (execuções fiscais) para cobrar ou discutir qualquer valor de que entende ser credora”; d) “a Lei Complementar n° 123, de 2006, se omite em questão crucial, pois não prevê qualquer modalidade de parcelamento, sendo omissa em relação à forma de pagamento de tributos eventualmente devidos”; e) “ao prever a exclusão do Simples Nacional, a dita lei não permite que tais débitos sejam parcelados, e, ao não prever parcelamentos, torna letra morta os enunciados de proteção e beneficiamento ao micro e pequeno empresários”; f) “falta lógica à Lei Complementar nº 123, de 2006, quando analisada à luz do dispositivo constitucional que a autoriza (pár. único do art.146)”; Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11080.733459/201217 Acórdão n.º 1001000.701 S1C0T1 Fl. 102 3 g) “o regime de tratamento diferenciado é um direito constitucional líquido e certo do empresário requerente, que faz jus ao tratamento diferenciado e beneficiado, em razão de seu faturamento”; h) “a omissão da lei complementar além de afrontar a Constituição, cria às micro e pequenas empresas embaraços intransponíveis, seja por excluílas do sistema de tributação simplificada, seja por inviabilizar a emissão de certidão de regularidade fiscal”; 4 No mérito, o interessado diz que formalizou pedido de parcelamento. 5 O interessado protesta por todos os meios de prova. Pede a desconstituição do ADE e seu efeito suspensivo. 6 Pede, ainda, que as futuras intimações sejam expedidas, também, em nome do Bel. Clóvis Fernando da Silva Pereira, OAB RS 54.664, com endereço na Avenida Coronel Aparício Borges, 11, bairro TeresópolisCEP 90.680570, Porto Alegre, RS, sob pena de nulidade. 7 Com a MI, vieram os documentos de fls.18/30. Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls. 61/66, entre elas, o Aviso de RecebimentoAR, de 26.09.2012 (fls.62). A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Ciente da decisão de primeira instância em 10/04/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 77, a recorrente apresentou recurso voluntário (efls. 80/97) em 12/05/2014 segundafeira, conforme carimbo aposto à efl. 80. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade (efls. 2/17) que foram fundamentadamente afastados em primeira instância. Por concordar com todos os seus termos e conclusões, peço vênia para transcrever os excertos a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, com base no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF: 10 Alega o interessado que a norma legal em que se embasa a exclusão é inconstitucional. Imputa, ainda, de inconstitucionais, outras disposições da mencionada lei complementar. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11080.733459/201217 Acórdão n.º 1001000.701 S1C0T1 Fl. 103 4 11 O controle da legalidade ou da constitucionalidade de leis compete exclusivamente ao Poder Judiciário (incisos I, alínea “a”, e III, alínea “b”, e parágrafo 1º do art. 102 da Constituição da República Federativa do BrasilCF 1988). 12 O Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação que lhe deu a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009), que rege o processo administrativo fiscal, proíbe que esta DRJ e os demais órgãos de julgamento afastem a aplicação ou deixem de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de que seriam inconstitucionais: Art.26A No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 13 Na mesma linha, a Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (e alterações), que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), veda aos membros do órgão julgador de segunda instância administrativa afastar a aplicação de lei e de outros diplomas, sob o fundamento de inconstitucionalidade, senão vejamos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. 14 A matéria já foi objeto da seguinte súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Diário Oficial da União, de 09.12.2010): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 15 Observese, ainda, que, em sessão de 30.10.2013, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 627.543, submetido à sistemática do art.543B do CPC (repercussão geral), decidiu pela constitucionalidade do atacado inciso V do art.17 da Lei Complementar nº 123, de 2006. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11080.733459/201217 Acórdão n.º 1001000.701 S1C0T1 Fl. 104 5 16 Assim, enquanto não declarada a sua inconstitucionalidade, com a sua subsequente exclusão do mundo jurídico, a lei atacada goza de presunção de validade, vinculando todos os atos da administração pública. 17 Ante a isso, as questões levantadas pelo interessado estão fora da órbita da autoridade julgadora administrativa. 18 Às DRJ compete verificar a correta aplicação da lei, sem, contudo, proferir juízo acerca de sua constitucionalidade ou de outros aspectos atinentes à sua validade no mundo jurídico. 19 Sendo assim, não se conhece das alegações de inconstitucionalidade. 20 O interessado protesta por todos os meios de prova em direito. 21 O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, determina que a prova documental seja apresentada juntamente com a peça de impugnação/manifestação de inconformidade: Art. 16 (...) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (grifos e sublinhas nossos) 22 Então, é por força de texto expresso de lei que a instrução da peça impugnatória, com os documentos em que esta se funda, é atividadeônus da qual o interessado se deve desincumbir durante a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento. 23 No caso, o interessado sequer alega tenha ocorrido uma ou mais das circunstâncias impeditivas de cumprimento da lei, listadas nas alíneas “a” e “c” acima. 24 O mesmo Decreto nº 70.235, de 1972 (e alterações posteriores), determina a forma processual para a requisição de diligências e perícias, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (grifos nossos) Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11080.733459/201217 Acórdão n.º 1001000.701 S1C0T1 Fl. 105 6 25 Assim, em face da sobredita legislação de regência, o pedido do interessado deve ser rejeitado. 26 Com relação ao parcelamento de débitos do Simples Nacional, temse que é matéria reseRvada à lei, que deve autorizar a sua concessão. 27 A Lei Complementar n° 123, de 2006, não trazia, em sua edição original, previsão expressa para parcelamento de débitos do Simples Nacional. Por sua vez, o parcelamento da Lei n° 10.522, de 2002, não contemplou débitos do Simples Nacional. 28 A partir da Lei Complementar n° 139, de 10 de novembro de 2011, que alterou a Lei Complementar n° 123, de 2006, todos os contribuintes com débitos do Simples Nacional podem solicitar parcelamento (o parcelamento deixou de ser para os débitos que obstavam o ingresso no Simples Nacional e passou a ser parcelamento de débitos do Simples Nacional). 29 Com relação ao pedido para suspensão dos efeitos do ADE, temse que a Manifestação de Inconformidade tempestivamente apresentada implica, por si só, a suspensão dos efeitos da exclusão (art.151, inciso III, do Código Tributário Nacional). 30 Com relação ao endereçamento das correspondências, cumpre ressaltar que, embora não seja atribuição desta DRJ promover o encaminhamento deste ato decisório ao interessado – atribuição que compete às DRFs e suas projeções locais , cabe observar que a intimação via postal é, por força de lei, efetuada no domicílio tributário (art.23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), que é o endereço que a pessoa jurídica fornece a esta RFB, para fins cadastrais. 31 Posto isso, temse que este processo versa sobre exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, em razão de débitos de exigibilidade não suspensa. 32 A Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, dispõe que a existência de débito (com o INSS ou com as Fazendas Públicas) cuja exigibilidade não estiver suspensa impede a permanência ou o ingresso no Simples Nacional: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifos nossos) Diante da sobredita situação, a mesma lei determina que a exclusão do Simples Nacional é obrigatória: Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11080.733459/201217 Acórdão n.º 1001000.701 S1C0T1 Fl. 106 7 II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; (...) grifos nossos 34 Nesse caso, a mencionada Lei Complementar nº 123, de 2006, prescreve que a exclusão produzirá efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário subsequente à ciência do ato de exclusão: Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos:(...) IV na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência da comunicação da exclusão. (grifos nossos) 35 É ainda a Lei Complementar nº 123, de 2006, que preceitua que, se dentro de 30 (trinta) dias da ciência do ato de exclusão, os débitos forem regularizados, será permitida a permanência da pessoa jurídica no Simples Nacional: Art.31 (...) § 2º Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. (grifos nossos) 36 Temse, então, que é a lei que determina os fatos que dão causa à exclusão. 37 Uma inscrição em Dívida Ativa da UniãoDAU, formalizada em 22.06.2012, deu causa à exclusão (fls.57): (omissis) 38 A inscrição, a gerência e o cancelamento da extinção de débitos inscritos em Dívida Ativa da UniãoDAU são atribuições da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), que mantém um sistema próprio (SIDA), para acompanhamento dos débitos inscritos. 39 No SIDA, temse que a proposta de parcelamento, de 10.07.2012, da mencionada inscrição, foi rejeitada em 05.08.2012 (fls.64). 40 De 20.08.2012 a 22.08.2013, a dívida ficou na situação de “não ajuizável em razão do valor”, sem registro de pagamento ou de parcelamento (não é demais observar que apenas em 22.08.2013 foi cadastrada nova proposta de parcelamento da dita inscrição, e, após pagamentos efetuados em 24.08.2013, 31.10.2013 e 04.12.2013, a dívida foi extinta por pagamento, segundo o que se lê às fls.63/66). 41 Conforme Aviso de Recebimento às fls.62, o interessado tomou ciência do ADE em 26.09.2012. Pela sobredita norma de lei (nosso item 35), então, teria até o dia 26.10.2012, para regularizar os débitos que deram causa à sua exclusão do Simples Nacional. 42 E, como se viu, a sobredita inscrição não estava regularizada no prazo de 30 (trinta) dias da ciência do ato de exclusão. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11080.733459/201217 Acórdão n.º 1001000.701 S1C0T1 Fl. 107 8 43 Ante a isso, o ADE deve ser mantido. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
