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Numero do processo: 10950.721725/2012-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.127
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva– Presidente Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .7 21 72 5/ 20 12 -0 0 Fl. 4132DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 4.133 ___________ Relatório Foi lavrado auto de infração em face do contribuinte Texsa do Brasil Ltda., na condição de contribuinte, e de Edilson Marques de Azevedo, como responsável tributário, para a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme segue: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 3.557/3.585): R$407.997,07. Período de apuração: 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008; b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 2.594/2.615): R$205.198,67. Período de apuração: 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008; b) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 3.586/3.593): R$524.740,71. Período de apuração: 01 a 12/2007 e 01 a 12/2008. Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS (fls. 2.616/3.623): R$113.674,07. Período de apuração: 01 a 12/2007 e 01 a 12/2008. O lançamento de ofício foi motivado pela deficiência da contabilidade da contribuinte, que não registrava as receitas auferidas, o que teria impedido a apuração do lucro real. Em face da omissão de receitas da atividade, relativas aos depósitos bancários cuja origem não foi esclarecida, nos anoscalendário de 2007 e 2008, foi constituído o crédito tributário pelo método do arbitramento, conforme as regras dos artigos 258, 259, 518, 530, I e II, 532, 537, 927, 928, do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999). Inconformada, a contribuinte (fls. 3.631/3.662) e o responsável tributário (fls. 3.912/3.919) interpuseram Impugnação. Na sua peça de resistência, a contribuinte aduz que: i) é empresa 100% brasileira, fabricante e comerciante atacadista de óleos lubrificantes destinados a máquinas e automóveis, comerciante atacadista de lubrificantes, filtros, peças e acessórios, importação e exportação de produtos automotivos, transporte rodoviário de cargas, fundada em 10/08/2001 pelos sócios Carlos César Lemes e Walmir Vieira; ii) no início das atividades, devido a desinteresse dos sócios e demora em obtenção de licenças e registros, só ocorreu em 12/2005, ocorrendo a primeira venda e emissão Fl. 4133DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10950.721725/201200 Resolução nº 1103000.127 S1C1T3 Fl. 4.134 3 da nota fiscal em 25/01/2006; portanto, não é verdade que tenha iniciado as atividades em 01/09/2011; iii) recebe pagamentos em dinheiro, cheques próprios e de terceiros, depósitos, ordens de pagamento e transferências eletrônicas bancárias, situações em que inexistem documentos físicos, sendo a transação eletrônica o único documento; por isso, o conceito de documentação hábil e idônea já não é o mesmo que o admitido há décadas; que o seus livros Razão de 2007 e 2008, possuem 730 folhas, o que demonstra o seu volume de operações e dá uma idéia da dificuldade de apresentar, nos prazos exigidos, todos os comprovantes dos créditos bancários, mas que, ainda assim, apresentou todos os documentos e informações solicitados pelo Fisco; iv) optou pelo regime do lucro real trimestral na apuração do IRPJ e da CSLL e pela sistemática da nãocumulatividade do PIS da Cofins. v) diz que é nulo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) nº 09.1.05.00.2011000999, pois a contribuinte não foi intimada da sua prorrogação (teve início em 04/04/2011 e prorrogado para 14/09/2011), razão pela esposa a tese de que o MPFF, extinguiuse em 02/08/2011, conforme os arts. 11 a 15 da Portaria RFB nº 11.371, de 2007; vi) cerceamento ao direito de defesa, por não ter recebido cópia do ofício MPF/UMR nº 1101/2010, que deu origem ao procedimento fiscal, impedindoa de contraditá lo; vii) quanto à interposição fraudulenta de terceiros, aduz a contribuinte que os cartórios extrajudiciais são instituições que contribuem para a elaboração diária do direito para a comunidade, com os atos notariais e de registro, vivendose, assim, evolução do Direito e suas técnicas, para se adaptar à pluralização do fenômeno jurídico contemporâneo, mas que somos apegados aos padrões do Direito Civil no final da era clássica e, nesse contexto, há novas formas construtivistas do Direito Privado, flexíveis e elásticas que se amoldam ao fenômeno jurídico superior à rigidez das técnicas ainda utilizadas, sendo um exemplo prático o mandato público para administrar sociedade empresária, em relação ao qual o Código Civil, de 2002, criou algumas ressalvas como aos administradores se fazerem substituir ou serem substituídos em suas funções, sem o consentimento expresso dos demais sócios; ressalta que a representação das sociedades é um dos pontos capitais do direito empresarial, mediante a qual ela se protege, pois dá publicidade a todos de qual pessoa é o seu administrador e os poderes que lhe foram outorgados, o que legitima os atos do administrador e o exime da responsabilidade por atos regulares de gestão – ele só responderá por atos estranhos aos negócios da sociedade ou objeto social. viii) nega a interposição fraudulenta de terceiros e que não há nos autos prova de que Edílson Marques de Azevedo era “sócio de fato” da contribuinte; ix) não exibiu documentos relativos aos pagamentos dos sócios, pois os mesmo não lhes foram requeridos e que, no período fiscalizado, não houve lucros a distribuir, conforme evidenciado nas fls. 85 a 96 e 128 a 136 do processo; x) sobre a acusação de omissão de receitas, destaca que entregou espontaneamente os documentos exigidos pela fiscalização; Fl. 4134DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10950.721725/201200 Resolução nº 1103000.127 S1C1T3 Fl. 4.135 4 xi) a presunção da omissão de receitas se deveu à não individualização dos créditos bancários e depósitos provenientes das contas Caixa e Transitória. xii) aduz que os seus registros nos livros Diário e Razão, não são sintéticos em partidas mensais, mas de forma analítica, clara e individualizada, especificando a data, as contas contábeis envolvidas, os valores a débito e a crédito e histórico mencionando a documentação hábil e idônea, e acusa que o auditor não verificou as entradas do Caixa, tais como recebimentos de clientes em cheques e dinheiro, que deram suporte aos créditos bancários decorrentes de transferências da conta Caixa, o que era imperioso, e destaca que tais valores não estão sujeitos à presunção da Lei nº 9.430, de 1996. xiii) justifica a utilização da conta transitória, diante das várias contas debitadas e/ou creditadas, por uma questão de simplificação, e informa que não há registro de receitas na mesma. xiv) no que tange ao arbitramento, baseado na suposta imprestabilidade da contabilidade para apuração do lucro real, afirma ser indevido, porque a sua contabilidade se reveste de perfeita ordem e forma e deveria ter sido realizada a apuração no lucro real trimestral. xv) afirma que a autuação por presunção legal de omissão de receitas não comporta qualificação da multa, mas apenas a multa de ofício de 75% e que não há prova de ato doloso, com fins de sonegação tributária; xvi) alega que a multa é confiscatória. O responsável solidário, por sua vez, alega que: i) diz que é nulo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) nº 09.1.05.00.2011000999, pois a contribuinte não foi intimada da sua prorrogação (teve início em 04/04/2011 e prorrogado para 14/09/2011), razão pela esposa a tese de que o MPFF, extinguiuse em 02/08/2011, conforme os arts. 11 a 15 da Portaria RFB nº 11.371, de 2007; ii) cerceamento ao direito de defesa, por não ter recebido cópia do ofício MPF/UMR nº 1101/2010, que deu origem ao procedimento fiscal, impedindoa de contraditá lo; iii) quanto à interposição fraudulenta de terceiros, aduz a contribuinte que os cartórios extrajudiciais são instituições que contribuem para a elaboração diária do direito para a comunidade, com os atos notariais e de registro, vivendose, assim, evolução do Direito e suas técnicas, para se adaptar à pluralização do fenômeno jurídico contemporâneo, mas que somos apegados aos padrões do Direito Civil no final da era clássica e, nesse contexto, há novas formas construtivistas do Direito Privado, flexíveis e elásticas que se amoldam ao fenômeno jurídico superior à rigidez das técnicas ainda utilizadas, sendo um exemplo prático o mandato público para administrar sociedade empresária, em relação ao qual o Código Civil, de 2002, criou algumas ressalvas como aos administradores se fazerem substituir ou serem substituídos em suas funções, sem o consentimento expresso dos demais sócios; ressalta que a representação das sociedades é um dos pontos capitais do direito empresarial, mediante a qual ela se protege, pois dá publicidade a todos de qual pessoa é o seu administrador e os poderes que lhe foram outorgados, o que legitima os atos do administrador e o exime da Fl. 4135DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10950.721725/201200 Resolução nº 1103000.127 S1C1T3 Fl. 4.136 5 responsabilidade por atos regulares de gestão – ele só responderá por atos estranhos aos negócios da sociedade ou objeto social. iv) nega a interposição fraudulenta de terceiros e que não há nos autos prova de que era “sócio de fato” da contribuinte; v) não exibiu documentos relativos aos pagamentos dos sócios, pois os mesmo não lhes foram requeridos e que, no período fiscalizado, não houve lucros a distribuir, conforme evidenciado nas fls. 85 a 96 e 128 a 136 do processo; vi) diz que a RFB é incompetente para a imputação de responsabilidade a terceiros, cuja competência é da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a ser exercido na fase de execução do crédito tributário constituído; e vii) requereu o cancelamento do arrolamento de bens e direitos efetuado em seu nome. As impugnações protocoladas foram julgadas totalmente improcedentes. Inconformada, a contribuinte ofertou Recurso Ordinário, reiterando as razões já expostas na Impugnação ofertada. É o relatório. Passo ao voto. Voto Diz o Decreto nº 70.235/72, art. 33, que da decisão proferida em primeira instância administrativa federal, da qual a parte for sucumbente, caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Conforme consta das fls. 3.626 dos autos, o agente fiscal autuante atribuiu a Edílson Marques de Azevedo responsabilidade tributária pelos fatos geradores praticados pela recorrente. O responsável solidário ofertou impugnação (fls. 3.912/3.919), julgada improcedente, sendo ele, portanto, sucumbente, o que lhe dá o direito à interposição de recurso voluntário, conforme as regras do art. 33, do Decreto nº 70.235/72. Todavia, não há nos autos prova da intimação do responsável solidário tributário sobre o resultado da Impugnação que interpôs. Dessa forma, em homenagem ao disposto no art. 33, do Decreto nº 70.235/72, voto por converter o julgamento em diligência, para que os autos sejam remetidos à Delegacia da Receita Federal de Origem, com a finalidade de que se proceda a intimação do responsável tributário Edílson Marques de Azevedo sobre o resultado do julgamento proferido pela 2a Turma da DRJ/CTA. É como voto. Fl. 4136DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10950.721725/201200 Resolução nº 1103000.127 S1C1T3 Fl. 4.137 6 Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Fl. 4137DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA
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Numero do processo: 13804.001093/2002-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
IPI. RESSARCIMENTO. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DO PEDIDO. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME CRIADO PELO ART. 543-C, CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008 QUE INSTITUÍRAM OS RECURSOS REPRESENTATIVOS DA CONTROVÉRSIA.
Conforme pacificado pela Primeira Seção do STJ, nos Embargos de Divergência em Agravo Regimental 1220942/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 10/04/2013, DJe 18/04/2013, o pedido de ressarcimento, sistemática diversa (sistemática extraordinária de aproveitamento) onde os créditos outrora escriturais passam a ser objeto de ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos em virtude da impossibilidade de dedução com débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos (normalmente porque isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), ou até mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por lei... foi exatamente a situação caracterizada no Recurso Representativo da Controvérsia REsp.nº 1.035.847 - RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, onde foi reconhecida a incidência de correção monetária.
No dizer da Colenda Corte Superior:A lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também a chamada "resistência ilegítima" exigida pela Súmula n. 411/STJ. Precedentes....O Fisco deve ser considerado em mora somente a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri e Mônica Monteiro Garcia de los Rios. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Roberto Domingo.
Luiz Roberto Domingo Presidente (em exercício) e Relator Designado.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 03/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Luiz Roberto Domingo (Vice-Presidente no exercício da presidência).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. RESSARCIMENTO. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DO PEDIDO. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME CRIADO PELO ART. 543-C, CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008 QUE INSTITUÍRAM OS RECURSOS REPRESENTATIVOS DA CONTROVÉRSIA. Conforme pacificado pela Primeira Seção do STJ, nos Embargos de Divergência em Agravo Regimental 1220942/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 10/04/2013, DJe 18/04/2013, o pedido de ressarcimento, sistemática diversa (sistemática extraordinária de aproveitamento) onde os créditos outrora escriturais passam a ser objeto de ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos em virtude da impossibilidade de dedução com débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos (normalmente porque isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), ou até mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por lei... foi exatamente a situação caracterizada no Recurso Representativo da Controvérsia REsp.nº 1.035.847 - RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, onde foi reconhecida a incidência de correção monetária. No dizer da Colenda Corte Superior:A lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também a chamada "resistência ilegítima" exigida pela Súmula n. 411/STJ. Precedentes....O Fisco deve ser considerado em mora somente a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri e Mônica Monteiro Garcia de los Rios. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Roberto Domingo. Luiz Roberto Domingo Presidente (em exercício) e Relator Designado. Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. EDITADO EM: 03/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Luiz Roberto Domingo (Vice-Presidente no exercício da presidência).
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RESSARCIMENTO. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DO PEDIDO. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME CRIADO PELO ART. 543C, CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008 QUE INSTITUÍRAM OS RECURSOS REPRESENTATIVOS DA CONTROVÉRSIA. Conforme pacificado pela Primeira Seção do STJ, nos Embargos de Divergência em Agravo Regimental 1220942/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 10/04/2013, DJe 18/04/2013, o pedido de ressarcimento, “sistemática diversa (sistemática extraordinária de aproveitamento) onde os créditos outrora escriturais passam a ser objeto de ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos em virtude da impossibilidade de dedução com débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos (normalmente porque isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), ou até mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por lei”... “foi exatamente a situação caracterizada no Recurso Representativo da Controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, onde foi reconhecida a incidência de correção monetária”. No dizer da Colenda Corte Superior:“A lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também a chamada "resistência ilegítima" exigida pela Súmula n. 411/STJ. Precedentes.”...“O Fisco deve ser considerado em mora somente a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento.” RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 10 93 /2 00 2- 56 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri e Mônica Monteiro Garcia de los Rios. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Roberto Domingo. Luiz Roberto Domingo – Presidente (em exercício) e Relator Designado. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 03/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Luiz Roberto Domingo (Vice Presidente no exercício da presidência). Relatório Trata o presente processo sobre pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, calculado pelo regime alternativo de que trata a Lei n° 10.276/01 e IN SRF 069/01, concernente ao 4° trimestre/2001. A recorrente é sucessora, por incorporação, da empresa COINBRA FRUTESP COM. E IND. LTDA, cadastrada no CNPJ/MF sob n° 04.633.354/000124, que por sua vez, impetrou pedido de ressarcimento de Credito Presumido de IPI, relativo ao Quarto Trimestre do ano calendário de 2001 (fls.4), juntamente com pedidos de compensação (fls.6, 43, 44, 84 a 88). Após a realização de diligências pela fiscalização, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo proferiu, em 30/07/2008, Despacho Decisório no qual reconheceu direito creditório no montante de R$ 23.038.419,23 (fls.389 a 395). A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 405 a 408) na qual contesta a omissão do Despacho Decisório quanto à aplicação da taxa SELIC sobre o valor do direito creditório pleiteado. A 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, em sessão de julgamento datada de 15/02/2012, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório. O Acórdão 1436.800 foi assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Fl. 456DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13804.001093/200256 Acórdão n.º 3101001.635 S3C1T1 Fl. 456 3 Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde reprisa seus argumentos acerca da incidência da taxa SELIC nos valores objeto de ressarcimento. Requer a reforma da decisão da DRJ/Ribeirão Preto e declaração de aplicação da taxa SELIC sobre o direito creditório pleiteado, a partir do mês seguinte à data da protocolização do pedido de ressarcimento, que ocorreu em 24/01/2002. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. O processo foi distribuído a esse conselheiro relator. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A controvérsia cingese à incidência da taxa SELIC sobre o valor do crédito pleiteado e deferido. Em relação aos créditos de IPI, o STJ decidiu, no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, ser cabível a incidência da SELIC, conforme ementa abaixo reproduzida: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como Fl. 457DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O STJ, no REsp 993.164/MG, também de relatoria do Ministro Luiz Fux, decidiu sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, reconhecendo a incidência da taxa SELIC sobre direito de crédito de IPI, em caso de oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito creditório por parte do contribuinte. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. [...] 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), Fl. 458DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13804.001093/200256 Acórdão n.º 3101001.635 S3C1T1 Fl. 457 5 descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). [...] 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O entendimento foi consolidado na Súmula STJ nº 411: SÚMULA N. 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009 A admissão da correção monetária ao creditamento de IPI condicionase a existência de um ato administrativo de oposição ilegítima ao creditamento. Como regra geral, a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. A jurisprudência do STJ e do STF é no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, sendo admitida apenas quando o aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. É forma de se evitar o enriquecimento sem causa e de dar integral cumprimento ao princípio da não cumulatividade. No caso sob exame, não houve oposição administrativa indevida da Fazenda Nacional, negando crédito que foi posteriormente reconhecido. A recorrente requereu o ressarcimento no montante de R$ 23.060.160,63, e foi reconhecido pela unidade de origem seu direito creditório no montante de R$ 23.038.419,23, conforme Despacho Decisório de 03/07/2008(fls.389 a 395). A diferença decorreu do fato de que a auditoria fiscal desconsiderou, da base de cálculo do incentivo, o valor de aquisições de mercadorias de revenda, o que não foi contestado pela recorrente. Também não há que se equiparar o instituto do ressarcimento com a restituição pelo pagamento indevido de tributo. No caso em tela, não houve pagamento indevido, mas sim um incentivo fiscal, não ocorrendo o enriquecimento sem causa do Fisco em caso de demora no ressarcimento. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 6 Em face do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Sala das sessões, em 24 de abril de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Voto Vencedor Conselheiro Luiz Roberto Domingo. Ouso descordar do excelente voto do Ilustre Conselheiro Relator Rodrigo Mineiro Fernandes que é fundado na pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que definiu, num primeiro momento e de forma genérica, sobre a atualização monetária do creditamento do IPI quando houvesse oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula STJ 411), uma vez que o entendimento daquela Eg. Corte evoluiu ao apreciar casos específicos de atualização do direito creditório decorrente do saldo credor de IPI, objeto de ressarcimento. Notese que, o STJ utilizou do entendimento genérico do direito à atualização monetária do “creditamento do IPI” (crédito escritural), para garantir o mesmo tratamento aplicável ao direito creditório objeto de ressarcimento. Nesse sentido é o REsp 993.164/MG, citado. A Primeira Seção do STJ, no entanto, interpretando a legislação tributária de forma sistêmica, pronunciou entendimento acerca das circunstância em que há aplicação de atualização monetária em pedido de ressarcimento de crédito de IPI, seja quando há oposição expressa do Fisco em relação ao direito creditório ou quando há demora injustificada, conforme ementa do Embargos de Divergência em Agravo 1220942 / SP: TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. DIFERENÇA ENTRE CRÉDITO ESCRITURAL E PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM DINHEIRO OU MEDIANTE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. MORA DA FAZENDA PÚBLICA FEDERAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DO PEDIDO. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME CRIADO PELO ART. 543C, CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008 QUE INSTITUÍRAM OS RECURSOS REPRESENTATIVOS DA CONTROVÉRSIA. 1. É pacífico o entendimento do STJ no sentido de que, em regra, eventual possibilidade de aproveitamento dos créditos escriturais não dá ensejo à correção monetária, exceto se tal creditamento foi injustamente obstado pela Fazenda. Jurisprudência consolidada no enunciado n. 411, da Súmula do STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". 2. No entanto, os equívocos na aplicação do enunciado surgem quando se está diante de mora da Fazenda Pública para apreciar pedidos administrativos de ressarcimento de créditos Fl. 460DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13804.001093/200256 Acórdão n.º 3101001.635 S3C1T1 Fl. 458 7 em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos. 3. Para espancar de vez as dúvidas a respeito, é preciso separar duas situações distintas: a situação do crédito escritural (crédito de um determinado tributo recebido em dado período de apuração e utilizado para abatimento desse mesmo tributo em outro período de apuração dentro da escrita fiscal) e a situação do crédito objeto de pedido de ressarcimento (crédito de um determinado tributo recebido em dado período de apuração utilizado fora da escrita fiscal mediante pedido de ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos). 4. Situação do crédito escritural: Devese negar ordinariamente o direito à correção monetária quando se fala de créditos escriturais recebidos em um período de apuração e utilizados em outro (sistemática ordinária de aproveitamento), ou seja, de créditos inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados em períodos de apuração subseqüentes. Na exceção à regra, se o Fisco impede a utilização desses créditos escriturais, seja por entendêlos inexistentes ou por qualquer outro motivo, a hipótese é de incidência de correção monetária quando de sua utilização, se ficar caracterizada a injustiça desse impedimento (Súmula n. 411/STJ). Por outro lado, se o próprio contribuinte acumula tais créditos para utilizálos posteriormente em sua escrita fiscal por opção sua ou imposição legal, não há que se falar em correção monetária, pois a postergação do uso foi legítima, salvo, neste último caso, declaração de inconstitucionalidade da lei que impôs o comportamento. 5. Situação do crédito objeto de pedido de ressarcimento: Contudo, no presente caso estamos a falar de ressarcimento de créditos, sistemática diversa (sistemática extraordinária de aproveitamento) onde os créditos outrora escriturais passam a ser objeto de ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos em virtude da impossibilidade de dedução com débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos (normalmente porque isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), ou até mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por lei. Tais créditos deixam de ser escriturais, pois não estão mais acumulados na escrita fiscal para uso exclusivo no abatimento do IPI devido na saída. São utilizáveis fora da escrita fiscal. Nestes casos, o ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos se dá mediante requerimento feito pelo contribuinte que, muitas vezes, diante das vicissitudes burocráticas do Fisco, demora a ser atendido, gerando uma defasagem no valor do crédito que não existiria caso fosse reconhecido anteriormente ou caso pudesse ter sido utilizado na escrita fiscal mediante a sistemática ordinária de aproveitamento. Essa foi exatamente a situação caracterizada no Recurso Representativo da Controvérsia REsp.nº 1.035.847 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 8 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, onde foi reconhecida a incidência de correção monetária. 6. A lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também a chamada "resistência ilegítima" exigida pela Súmula n. 411/STJ. Precedentes: REsp. n.1.122.800/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 1.3.2011; AgRg no REsp. n. 1082458/RS e AgRg no AgRg no REsp. n. 1088292/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgados em 8.2.2011. 7. O Fisco deve ser considerado em mora somente a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento. 8. Embargos de divergência providos. (EAg 1220942/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/04/2013, DJe 18/04/2013) (grifos acrescidos) Esse entendimento vem ao encontro do meu entendimento acerca das formas jurídicas em que o crédito tributário é convertido em crédito escritural e o saldo credor é convertido em crédito tributário. Cumpre destacar que o crédito de natureza escritural tem a finalidade de viabilizar o princípio da não cumulatividade. Tais créditos participam da apuração do imposto devido por meio da compensação, ou seja, do montante de “débito escritural” devido em face da ocorrência do fato gerador, pela saída do produto industrializado do estabelecimento da Recorrente, deverá deduzir (compensado) os créditos escriturais advindos das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, bem como os créditos presumidos. Dessa operação de compensação poderá surgir um débito escritural – que automaticamente se transformará em crédito tributário a ser recolhido pelo Contribuinte (imposto a pagar) – ou um crédito escritural – o qual se denomina “saldo credor de IPI” passível de compensação no período de apuração subseqüente e, mantido ao final do trimestre passível de ressarcimento (indébito) por meio de pedido formulado à Receita Federal. Mesmo que sua produção seja tributada à alíquota zero ou isenta, persistirá em favor do contribuinte o direito à manutenção do crédito escritural pago na entrada, por força do que determina o art. 11 da Lei nº 9.779/99, in verbis: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13804.001093/200256 Acórdão n.º 3101001.635 S3C1T1 Fl. 459 9 É de notarse que o sistema de direito positivo estabelece a forma para que um crédito tributário transformese em crédito escritural: por meio do destaque do imposto na nota fiscal de saída e conseqüente ingresso no estabelecimento industrial do adquirente, de modo que o imposto devido pelo fornecedor passa a ser direito creditório escritural para adquirente contribuinte do IPI. Assim é a aquisição de um produto tributado que confere ao industrial submetido à tributação do IPI o direito ao crédito escritural. Da mesma maneira, o sistema de direito positivo estabelece a forma para que um crédito escritural transformese em “crédito tributário” (imposto devido) ou “indébito tributário” (saldo credor de IPI à ressarcir), ou seja, direito creditório que o Contribuinte tem em face do Fisco por acúmulo de saldo credor na conta gráfica: Art. 256. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3o, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1o Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2o (Lei no 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei no 9.779, de 1999, art. 11). § 2o O saldo credor de que trata o § 1o, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 268 e 269, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Ora, dado o fato de o contribuinte acumular saldo credor no trimestre, deve ser o direito ao ressarcimento, na forma de pedido de ressarcimento/restituição ou na forma de pedido de compensação, que contempla implicitamente o ressarcimento. Os aspectos temporal, espacial e material da normas de incidência que confere a transformação da natureza jurídica do crédito escritural em direito creditório tributário contra o Fisco, se revelam no exato momento em que o contribuinte protocoliza seu pedido de ressarcimento/restituição/compensação. Nesse instante, aquilo que era crédito escritural passa a ser um dever jurídico que o Fisco tem de adimplir em face do contribuinte via ressarcimento. Não há como conceberse que alguém que esteja sob a imposição legal do dever de pagar esteja livre para exercer essa obrigação quando melhor lhe prouver. O credor de qualquer relação jurídica não pode ficar submetido à vontade do devedor para ver satisfeito seu direito subjetivo. Nesse sentido é que o art.49 da Lei nº 9.784/99 impõe um prazo para que a Administração cumpra essa obrigação de pagar, in verbis: Fl. 463DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 10 Art. 49. Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo de até trinta dias para decidir, salvo prorrogação por igual período expressamente motivada. Feitas essas considerações, passemos ao caso concreto. O pedido de ressarcimento (fls. 01) foi formalizado em 24/01/2002, mas somente em 14/10/2003, houve a primeira movimentação do processo, tendo a Fiscalização intimando o contribuinte do início da fiscalização MPFD N' 08.1.90.002003042200, em 06/01/2004 (fl. 67), e do encerramento da fiscalização, em 10/04/2007 (fls 299/303). O reconhecimento do crédito veio somente em 30/07/2008, ou seja, mais de seis anos após o ingresso do pedido. É evidente o descumprimento do prazo previsto pelo art. 49 da lei 9.784/99, configurada, portanto, a mora da Administração em pagar sua dívida para com o Contribuinte, devendo, assim, incidir juros de mora e atualização monetária com base na variação da SELIC. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reconhecer a atualização do direito creditório “a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento”. Sala das sessões, em 24 de abril de 2014. [Assinado digitalmente] Luiz Roberto Domingo – Relator Designado Fl. 464DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Numero do processo: 10280.002916/2004-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS.
A pessoa jurídica que, embora não qualificada formalmente como comercial exportadora, adquira ou receba mercadorias com o fim específico de exportação, à alíquota zero, desoneradas da incidência da contribuição para o PIS/Pasep, para posterior remessa ao mercado exterior, sem submetê-los a processo de industrialização, não poderá descontar os créditos decorrentes da não-cumulatividade relativamente às respectivas operações.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. A pessoa jurídica que, embora não qualificada formalmente como comercial exportadora, adquira ou receba mercadorias com o fim específico de exportação, à alíquota zero, desoneradas da incidência da contribuição para o PIS/Pasep, para posterior remessa ao mercado exterior, sem submetêlos a processo de industrialização, não poderá descontar os créditos decorrentes da nãocumulatividade relativamente às respectivas operações. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que chega para exame deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em razão da insurgência do contribuinte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 29 16 /2 00 4- 91 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10280.002916/200491 Acórdão n.º 3102001.468 S3C1T2 Fl. 137 2 epigrafado ao Acórdão nº. 0116.830 (fls. 7577), da 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA. Em instante prévio à apreciação da manifestação recursal, convém que sejam revisitados os atos e fases processuais já vencidas. Pois bem. Conforme bem descrito no relato empreendido pela autoridade julgadora de origem: “O direito de utilizar os créditos, entretanto, não beneficia a empresa exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. É o que determina o art. 7º da Lei nº 10.637/2002 (...). (...) importa observar que as notas fiscais apensadas pelo interessado aos autos, para comprovar a receita de exportação auferida, são as que constam às fls. 107/215 do Anexo II. Com base no Código Fiscal de Operações e de Prestações (Cfop) e nas informações complementares, entendese que as citadas notas fiscais representam vendas de mercadorias adquiridas de terceiros com fim específico de exportação, o que impede, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 7º da Lei nº 10.637/2002, c/c inc. VII e IX do art. 46 da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, a utilização de crédito calculado sobre custos, encargos e despesas vinculados às mesmas. Este entendimento também deve ser aplicado à nota fiscal nº 5991 (fl. 27 do Anexo II), já que, muito embora tenha sido informado o Cfop nº 7.11, que indica venda de produção do estabelecimento, remete às notas fiscais nº 173 e 174 (fls. 216 e 217 do Anexo II), correspondentes a mercadorias destinadas com fins específicos de exportação. Considerando que somente gera direito a crédito os custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação de produção do próprio sujeito passivo, CONCLUISE QUE NÃO HÁ QUALQUER CRÉDITO A SER RECONHECIDO AO POSTULANTE. (...) (...) ante a inexistência de crédito a ser reconhecido ao interessado, não cabe, no processo em análise, a compensação de que trata a DCOMP à fl. 11.” Cientificada em 21/09/2009 (fl. 122v), a contribuinte apresentou, em 21/10/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 61/66, da qual consta: “Frisese que em momento algum o Agente Fiscal contestou a exatidão dos créditos apurados. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10280.002916/200491 Acórdão n.º 3102001.468 S3C1T2 Fl. 138 3 Contudo, mesmo assim, aplicando uma interpretação completamente errônea, o mesmo glosou a totalidade dos créditos (...). Depreendese do referido Parecer que o Auditor parte da premissa de que a Manifestante é uma empresa comercial exportadora, o que é um completo equívoco. (...) a Manifestante não é, nem nunca foi empresa comercial exportadora, mas sim, uma empresa industrial de madeiras, que adquire madeira serrada, seca ou madeira de aproveitamento, entre outras e que após sofrerem processo de industrialização, são transformadas em Decking, Piso e outros produtos beneficiados. Tudo conforme podese verificar nas Notas Fiscais de entrada e saída, bem como da descrição do processo produtivo da empresa, já anexados ao processo. Portanto, resta claro que essa empresa não se caracteriza, para os efeitos da lei, como “empresa comercial exportadora” e que suas aquisições não têm “fim específico de exportação”. Importante ressaltar que o Nobre AuditorFiscal deixou de considerar o Código Fiscal de Operação – CFOP, constante em cada uma das Notas Fiscais. (...) (...) tratase [o Código Fiscal de Operações e Prestações CFOP] de valiosa ferramenta para a administração tributária e de segurança para o contribuinte, pois permite, facilmente, de forma clara e objetiva, a correta definição da operação realizada, não deixando margens para eventuais desencontros de interpretação entre o contribuinte e a fazenda, que poderiam surgir se, ao invés da utilização de códigos, cada contribuinte pudesse, livremente, descrever a sua operação. (...) Assim é que, dentre outras tantas operações ou prestações identificadas, temos os códigos específicos a serem utilizados para amparar as “remessas com fim específico de operação” (sic), que são os códigos 5.501 e 6501 (...). Sendo assim, incompreensível a atitude do Nobre Auditor ao desconsiderar os CFOPs contidos nas referidas Notas Fiscais de entrada ao definir a correta natureza da operação fiscal. (...) Ora, o que ocorre é que, à época, o setor de faturamento da empresa utilizou nas NF de venda códigos CFOP 7.12/7102, referentes a comércio de mercadoria adquirida de terceiros. Mas, como certamente é sabido pelo agente fiscal, este código difere em muito do código de venda de produtos adquiridos por comercial exportadora, com fins específicos de exportação, que é o CFOP 7.501. E é somente para esta operação (de aquisição, Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10280.002916/200491 Acórdão n.º 3102001.468 S3C1T2 Fl. 139 4 por comercial exportadora, com fins específicos de exportação) que a lei veda a manutenção do crédito (...). (...) Dessa forma, também com relação a este ponto, completamente descabida a argumentação constante do parecer. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência do despacho decisório guerreado, espera e requer a recorrente seja acolhida a presente manifestação de inconformidade para o fim de que seja deferida na íntegra a compensação efetuada no processo (...).” Após delimitar a matéria impugnada, a 3a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belém/PA, através do acórdão já referenciado, manteve a linha do Despacho Decisório de fls. 48/55, o que se colhe da ementa clara e precisa do julgado guerreado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. A pessoa jurídica exportadora que adquira ou receba mercadorias com o fim específico de exportação, desoneradas da incidência da contribuição para o PIS/Pasep, não poderá descontar créditos decorrentes da nãocumulatividade desta contribuição relativamente às respectivas operações. DCOMP. QUANTUM RECONHECIDO DE CRÉDITO. A declaração de compensação, para ser homologada, depende da existência de direito creditório. Regularmente intimado, o contribuinte manejou o Recurso Voluntário em análise, pelo qual basicamente reitera os argumentos já deduzidos em sua manifestação de inconformidade, continuando sua defesa quanto ao seu não enquadramento como empresa exportadora, de forma que haveria equívoco do Agente Fiscal em observar os CFOP’s nas Notas Fiscais informadas o CFOP 7.501, que seria código de venda de produtos adquiridos por comercial exportadora, com fins específicos de exportação. Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que, até a presente data, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Reproduzo o voto lido em sessão, que reproduz os fundamentos do acórdão e que foi acompanhado pela unanimidade dos presentes, inclusive por este redator designado: Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10280.002916/200491 Acórdão n.º 3102001.468 S3C1T2 Fl. 140 5 Verificado o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. O recorrente busca demonstrar que não se caracteriza, para os efeitos da lei, como “empresa comercial exportadora”, e que suas aquisições não teriam fim específico de exportação, de modo que a referida classificação como tal teria partido de equívoco do Auditor Fiscal, o qual teria sido mantido pelo acórdão combatido. Nesse sentido, é de primordial importância discorrer sobre a sistemática da nãocumulatividade com relação às contribuições ao PIS/Pasep. Destacase que estas possuem como fato gerador o faturamento mensal, o que pode ser entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Dessa forma, a Lei nº 10.637/2002, ao prescrever sobre essa sistemática, estabelece, em seu artigo 5º, uma série de atividades sobre as quais não há a incidência dos aludidos tributos, o que faz nascer, para o contribuinte, um direito ao crédito decorrente das operações anteriores, nas formas estabelecidas pelo §1º deste, tal como abaixo se observa. “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria.” (grifo nosso) A recorrente defende, portanto, que nunca foi “empresa comercial exportadora, mas sim, uma empresa industrial de madeiras, que adquire madeira serrada, seca ou madeira de aproveitamento, entre outras e que após sofrerem processo de industrialização, são transformadas em decking, piso e outros produtos beneficiados”. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10280.002916/200491 Acórdão n.º 3102001.468 S3C1T2 Fl. 141 6 Com relação ao regime aplicável às empresas comerciais exportadoras, a Lei nº 1.248/1972, que prescreve em seu artigo 1º que: “Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento.” (grifo nosso). As empresas comercias exportadoras, pela sistemática imposta pelo supracitado diploma, nos termos de seu artigo 3º, não gozam dos benefícios tributários concedidos para fins de exportação, os quais, para serem usufruídos, imprescindem do preenchimento da condição de produtorexportador, como abaixo se observa: “Art. 3º São assegurados ao produtorvendedor, nas operações de que trata o artigo 1º deste Decretolei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à exceção do previsto no artigo 1º do Decretolei nº 491, de 05 de março de 1969, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora”. Nesses termos, relativo ao presente caso, como ressalta o Eminente Relator da 3a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belém/PA: “Primeiramente, ao que consta do presente processo administrativo, tenho que não há lugar a dúvidas quanto ao fato de que a empresa não é, do ponto de vista formal, uma comercial exportadora. Contudo, também se faz presente nos autos que este não é o fator determinante à negativa do crédito pretendido pela contribuinte, como na sequência se esclarece”. E continua: “No caso concreto, pelo que consta nos autos, revelase evidente que a contribuinte recebeu o bem madeira com desoneração de PIS/PASEP, ou seja, a adquirente tinha pleno conhecimento da desoneração, haja vista o teor das anotações constantes das respectivas notas fiscais de entrada”. Como observa o acórdão atacado, a recorrente recebeu mercadorias finalizadas, desoneradas de PIS/Pasep, e que já teriam como finalidade a exportação. Nessa linha, as saídas da Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10280.002916/200491 Acórdão n.º 3102001.468 S3C1T2 Fl. 142 7 recorrente, para o período ora discutido, corresponderam, somente, à remessa, dessas mesmas mercadorias já prontas e acabadas, para o exterior, o que impera constatar uma atuação da recorrente com empresa comercial exportadora, pelo menos com relação ao período, às saídas e mercadorias em questão. Consolidando o entendimento ora esboçado, há de se ressaltar que o recorrente não oferece elementos probatórios suficientes para amparar suas alegações, afastando o que defende a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, ao contrário, militam em seu desfavor os documentos presentes neste processo administrativo. Nesse quadro, a Manifestação de Inconformidade de fls. 89 não traz qualquer documento hábil para provar o que argumenta a recorrente, trabalhando com a mera hipótese de erro do Auditor Fiscal, ou mesmo de seu setor contábil, mas sem indiciar, precisamente, elementos que corroborem essas teses. No mesmo sentindo se encaminhou seu Recurso Voluntário,que sem trazer elementos probatórios novos, repete a defesa de sua peça anterior. Ao contrário, as Notas Fiscais constantes nos Anexos deste processo, fazem prova em sentido contrário, corroborando com o entendimento dado pela Receita Federal, como lembra o acórdão combatido: Acrescendo ao que até aqui foi consignado, constatase que a contribuinte, em suas notas fiscais de saída referentes ao trimestre de apuração objeto dos autos lançou os CF0Ps 7102 (Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, fls. 01/101 do anexo III) e 5102 (Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, fls. 30/32). Apesar de na nota fiscal n° 5784 (fl. 45 do anexo III) constar o CFOP 7.11 (venda de produção do estabelecimento), esta corresponde às. NFs de entrada n° 307 e 308, cujas mercadorias foram adquiridas com fins específicos de exportação. Ou seja, a interessada ratifica, por intermédio de documentação fiscal, que recebeu produtos acabados e, no trimestre em tela, suas saídas corresponderam exclusivamente a tais bens (e não a quaisquer outros que porventura possa, eventualmente, haver efetivamente submetido a processo industrial). A jurisprudência deste Conselho é clara quanto à imprescindibilidade da prova das alegações do recorrente: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. O raciocínio formulado pela recorrente apresenta equívoco evidente ao dizer que demonstrou seus créditos conforme intimação da auditoriafiscal, e bem por isso não apresentou a comprovação de seus créditos na manifestação de inconformidade. Ora, a manifestação de inconformidade é o recurso manejável contra o despacho decisório que apontou a ilegitimidade da comprovação apresentada pela recorrente com Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10280.002916/200491 Acórdão n.º 3102001.468 S3C1T2 Fl. 143 8 pertinência aos créditos pleiteados. Cumpria à manifestante apontar nos autos os documentos que eventualmente comprovariam seus créditos, ou trazer cópia deles, de forma organizada, para que os julgadores pudessem analisar tais comprovantes. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. A falta de previsão legal para o creditamento levado a efeito pela recorrente de transferências de mercadorias acabadas de um estabelecimento para outro é, de per si, o bastante para afastar a defesa da recorrente, que aliás confessa o conhecimento da carência de base legal para o seu procedimento. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da nãocumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da nãocumulatividade. CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL DOS CUSTOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. A rubrica Outras receitas integram o total das receitas, mas não necessariamente a receita total sujeita à incidência não cumulativa. Para que ficasse evidenciada a impropriedade do cálculo apresentado pela recorrente, devia a auditoriafiscal provar que as Outras receitas eram decorrentes de operações que, por suas naturezas, fossem sujeitas à incidência não cumulativa. Em outras palavras, aqui o ônus de provar o erro do cálculo apresentado pela recorrente é da auditoriafiscal, pois Outras receitas é rubrica residual, que engloba todas as demais receitas não incluídas nas linhas anteriores do DACON (versão 1.3), inclusive as decorrentes de venda de bens do ativo permanente, sendo irrelevante a classificação contábil adotada para essas receitas, e assim não devem entrar automaticamente na parcela do denominador para que se encontre o percentual de Fl. 252DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10280.002916/200491 Acórdão n.º 3102001.468 S3C1T2 Fl. 144 9 rateio referente às receitas de exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Processo nº 13986.000233/200440, Recurso nº 267.946 Voluntário, Acórdão nº 310100.738 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 03 de maio de 2011, Matéria PIS NÃO CUMULATIVO RESSARCIMENTO, Recorrente AGRÍCOLA FRAIBURGO, Recorrida FAZENDA NACIONAL)”. Assim, é perfeitamente possível vislumbrar que em hipóteses, como a que ora se apresenta, em que a empresa adquire produtos, já finalizados, com saídas à alíquota zero, com o intuito de realizar nova operação de saída, também à alíquota zero, para o mercado exterior, não gerarão a essa o direito de crédito de PIS/Pasep, o qual já foi gozado pela primeira empresa que transferiu as mercadorias à alíquota zero. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para lhe negar provimento. Sala das Sessões, em 26 de abril de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 253DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10880.000644/2002-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997
ALEGAÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não ocorreram as hipóteses do art. 59 do Decreto n° 70.235/72.
JUNTADA DE NOVAS PROVAS DOCUMENTAIS. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, ressalvado o disposto nas alíneas "a" a "c" do § 4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972.
ASSUNTO: CONTRIBUICAO PARA 0 PIS/PASEP
COISA JULGADA. COMPENSAÇÃO CONVALIDADA. EXONERAÇÃO DA EXIGÊNCIA.
O direito à compensação de Pis com Pis foi reconhecido judicialmente e estes débitos foram objeto de compensações convalidadas pela Derat.
RECURSO DE OFÍCIO IMPROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e José Henrique Mauri.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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INOCORRÊNCIA. Não ocorreram as hipóteses do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. JUNTADA DE NOVAS PROVAS DOCUMENTAIS. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvado o disposto nas alíneas "a" a "c" do § 4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972. ASSUNTO: CONTRIBUICAO PARA 0 PIS/PASEP COISA JULGADA. COMPENSAÇÃO CONVALIDADA. EXONERAÇÃO DA EXIGÊNCIA. O direito à compensação de Pis com Pis foi reconhecido judicialmente e estes débitos foram objeto de compensações convalidadas pela Derat. RECURSO DE OFÍCIO IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 06 44 /2 00 2- 63 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.000644/200263 Acórdão n.º 3101001.578 S3C1T1 Fl. 14 2 Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e José Henrique Mauri. Relatório Tratase de Recurso de Ofício da decisão proferida por unanimidade, pela DRJ/SPI, conforme acórdão nº 1626.172 de fls. 371, conforme o exposto a seguir: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 ALEGAÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não ocorreram as hipóteses do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. JUNTADA DE NOVAS PROVAS DOCUMENTAIS. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvado o disposto nas alíneas "a" a "c" do § 4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972. ASSUNTO: CONTRIBUICAO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 COISA JULGADA. COMPENSAÇÃO CONVALIDADA. EXONERAÇÃO DA EXIGÊNCIA. O direito à compensação de Pis com Pis foi reconhecido judicialmente e estes débitos foram objeto de compensações convalidadas pela Derat. Impugnação Procedente” Ainda: “Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os membros da 9' Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, por unanimidade, julgar procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário. Submetase à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. A exoneração do crédito feita por este acórdão só será definitiva se mantida em grau recursal.” O voto condutor da decisão recorrida, de autoria do julgador José Manuel Recouso de la Fuente, exposto em fls. 373 a 376, apresentase assim: Fl. 494DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.000644/200263 Acórdão n.º 3101001.578 S3C1T1 Fl. 15 3 “A impugnação é tempestiva, admissível, instaura o litígio e dela conheço. Nulidade A empresa requer a insubsistência do ato administrativo. O disciplinamento das nulidades é dado pelos arts. 59, 60 e 61 do Decreto n° 70.235/72: Art. 59. São nulos: I— Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II — Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. As hipóteses previstas de insubsistência dos atos processuais estão precisamente definidas no artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, e não ocorreram na situação presente. Juntada de documentos após a inconformidade. A defesa requer juntada posterior de documentos. Quanto ao momento de produção das provas o Decreto n° 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal), diz que cabe à defesa trazer juntamente com suas alegações todos os documentos que dêem a elas força probante: Art. 16. A impugnação mencionará: (..) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos discordância e as razões e provas que possuir; (.)§4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante faze lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não ficou demonstrada qualquer das hipóteses de diferimento probatório. O Processo Administrativo Fiscal que possui regras diferenciadas do Processo Civil. Nesse sentido, cabe expor o ensinamento de Francisco de Assis Praxedes: "No procedimento tributário administrativo, só se verifica o procedimento escrito, isto é, todos os atos processuais se exprimem por escrito. E de um modo apenas se movem os atos processuais. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.000644/200263 Acórdão n.º 3101001.578 S3C1T1 Fl. 16 4 Dizer que o procedimento é apenas escrito é o mesmo que dizer que inexiste o procedimento oral no processo tributário administrativo federal, no âmbito do Ministério da Fazenda. Sendo o procedimento escrito, a conclusão é de que os meios de prova permitidos são a documental e a pericial, para a demonstração dos fatos deduzidos na petição de impugnação" (PRAXEDES, Francisco de Assis. O Processo Tributário Administrativo no Âmbito Federal, Revista Resenha Tributária n° 21/82 — Comentários 1.3, P. 429) A produção de prova documental no Processo Administrativo Fiscal dáse na impugnação. Não se configurando nenhum dos motivos ensejadores da excepcionalidade, precluiu o direito à apresentação uma vez que presentes as circunstâncias legais que a autorizam, conforme Decreto 70.235/72. Litígios Judiciais As ações judiciais tratam de diversas empresas, algumas homônimas em diferentes períodos, razão pela qual a personalidade deve ser diferenciada pelo CNPJ e aduzimos aos nomes homônimos (Perdigão Agroindustrial S/A) o índice (1), (2) OU (3), para tratar dos fatos: CNPJ fatos até 29 de setembro de 95 até 30 de maio de 1997 até 27 de fevereiro de 2009 (fl. 2624) 89.421.903/000150 Perdigão Agroindustrial S/A (1) 82.829.730/000164 Perdigão Alimentos S/A Perdigão Agroindustrial S/A (2) 86.547.619/000136 Perdigão S/A Com. E Ind. Perdigão Agroindustrial S/A (3) Ação Cautelar 96.00382530 (fl. 188 a 205). Em 29/11/96, Perdigão Avícola Rio Claro, CNPJ 59.403.246/000157, e Perdigão Agroindustrial S/A (2) (Perdigão Alimentos S/A), CNPJ 82.829.730/0001 64, moveram ação cautelar. Perdigão Agroindustrial S/A (2) (Perdigão Alimentos S/A), CNPJ 82.829.730/000164, representa: Perdigão Agroindustrial S/A (1) CNPJ 89.421.903/000150, Tobby Nutrição Animal Ltda CNPJ 79.505.863/0001 70, Itapevi Agrícola Ltda CNPJ 49.870.777/000104, Videira Investimentos e Participações Ltda CNPJ 82.745.118/000103, conforme petição (item 2). Tratase de Pis que teriam pago, autoras e representadas, de 1991 a 95 (item 8 c/c 39 das petições). As litisconsortes: a) dizem ter juntado planilhas e comprovantes originais desses pagamentos (item 8); b) alegam direito (art. 66, Lei 8.383/91) de compensar o excesso de Pis resultante da comparação entre os DL's 2.445 e 2.449/88 e a LC 7/70; c) pedem liminar para não serem autuadas por compensar as diferenças de Pis com Pis (item 29 "b"). Em 13/12/96 a liminar foi parcialmente deferida para afastar só a IN 67/92 (fl. 208 c/: 424.2 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.000644/200263 Acórdão n.º 3101001.578 S3C1T1 Fl. 17 5 Ação Ordinária 97.00007588 (fl. 209 a 222) Em 13/1/97 foi proposta a ação principal pelas 2 litisconsortes sobre os mesmos pagamentos. Em suma, querem compensar ou repetir parte do Pis pago por elas e as representadas (item 8): EMPRESA CNPJ de até lobby Nutrição Animal Ltda. 79.505.863/000170 06/12/1991 12/04/1995 Itapevi Agrícola Ltda. 49.870.777/000104 29/11/1991 15/09/1995 Videira Investimentos e Participações Ltda. 82.745.118/000103 20/04/1992 20/10/1993 Perdigão Agroindustrial S/A (1) 89.421.903/000150 29/11/1991 15/09/1995 Perdigão Agroindustrial S/A. (2) (antiga Perdigão Alimentos) 82.829.730/000164 29/11/1991 13/10/1995 Perdigão Avícola Rio Claro Ltda. 59.403.246/000157 29/11/1991 14/11/1995 Pedese produção probatória bem como a inconstitucionalidade dos Decretos Lei n° 2.445 e 2.449/88 com validação da Lei Complementar n° 7/70, e reconhecer crédito da diferença, a corrigir, entre o pago e o devido pela LC 7/70 no período acima mencionado (item III, b da petição), o direito a atualizar, corrigir (Lei 9.250/95) e compensar com prestações vincendas de Pis, ou condenar à restituição com correção e juros (fl 13, da petição). A PGFN contesta, dentre outras preliminares, a falta de documentação hábil, prescrição, decadência e no mérito sustenta constitucionalidade e legalidade do Pis (fl. 224). Em 13/11/98, afastando a necessidade de dilação probatória e rejeitando as preliminares, o juiz julga procedentes os pedidos das ações cautelar e principal, condicionado ao reexame, magistrado diz que os DARF's com a inicial fazem prova dos recolhimentos. Afasta a prescrição e a decadência. Diz que a empresa quer compensar os recolhimentos a maior com débitos da própria contribuição. Embora discorde do RE 148.754 e da Resolução 49 do Senado, declara que a contribuição poderá ser exigida pela LC 7/70. Ressalva a discricionariedade fiscal para apreciar oportunidade, conveniência e condições para autorizar a compensação. Diz que débitos e créditos atualizamse igualmente (art. 9° Lei 8.177/91 e 3° Lei 8.218/91, afastado o IPC. A empresa deve atender aos requisitos acima, especificar os débitos e créditos a compensar. A autora fez prova do recolhimento indevido e seu requerimento deve prosperar para a mesma espécie tributária, ficando prejudicado o pedido de repetição (fl. 230). Declara corretos os pagamentos da contribuição ao PIS, com fulcro na Lei Complementar n° 7/70, indexados pela legislação vigente à época do recolhimento, e o direito das autoras compensação das importâncias recolhidas indevidamente, comprovadas pelos documentos que instruem a inicial, com o próprio PIS, nos moldes da Lei n° 8.383/91, com correção monetária aplicável à cobrança de tributos desde o recolhimento indevido com juros legais a partir do trânsito em julgado desta decisão (fl. 230). O TRF reconhece a inconstitucionalidade dos DecretosLeis, diz subsistir a obrigação pela LC 7/70 e legislação superveniente, afasta os juros Selic (art. 39, § 4°, Lei 9.250/95) e as restrições da IN 67/92. 0 acórdão diz subsistir a Fl. 497DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.000644/200263 Acórdão n.º 3101001.578 S3C1T1 Fl. 18 6 obrigação pela LC 7/70 e legislação superveniente, por ter sido recepcionada pela CF, compensando valores excedentes com base nos DL's 2.445/88 e 2.449/88 exclusivamente com parcelas do próprio Pis, com correção monetária aplicada pela Fazenda nos créditos fiscais, sem juros moratórios, nem aplicar o art. 39 da Lei 9.250/95, ressalvada a fiscalização acerca da existência ou não dos crédito a compensar, exatidão dos números e documentos comprobatórios, quantum a compensação procedimento conforme a Lei 8.383/91. O TRF deu parcial provimento a apelação da União Federal e A remessa oficial para excluir os juros, pois nessa compensação não há mora do devedor (fl. 253260). Os Embargos de Declaração na apelação da autora não foram providos, por maioria (fl. 290). O Recurso Especial determina utilização dos seguintes índices para atualização do crédito do contribuinte: 1) de 03/90 a 01/91, o IPC; 2) de 02 a12/91, o INPC; 3) a partir de 01/92, a UFIR; 4) e, a partir de 01/96, exclusivamente a SELIC, com observância dos seguintes índices: 01/89 (42,72%), 02/89 (10,14%),03/90 (84,32%), 04/90 (44,80%), 05/90 (7,87%) e 02/91 (21,87%), sem cumulação com outros índices de correção ou juros (fl.306). Houve trânsito em julgado em 17/3/2005 e, após, reclamação e desistência (fl. 303 c/c 313). Processo 12.157.000137/200825. Em 27/7/2010 esta Turma julgou o processo acima citado (por força de medida liminar em Mandado de Segurança ora em curso no TRF). Nele, Perdigão Agroindustrial S/A (3) informara valores de PIS que teria compensado. Houve Despacho Decisório convalidando as compensações de Pis devido de 1/12/96 a 30/4/98 e de 1/8/2001 a 30/6/2002, e de parte do débito de julho de 2002 (fl. 322). Notamos que a DCTF daquela empresa não contém os valores aqui autuados (fl. 324 e 325). No entanto, as cópias extraídas daqueles autos (fl. 322) mostram que tais compensações correspondem ao Pis dos períodos e valores aqui autuados (fl. 29 c/c 101 a 103 e 182 a 184). Ou seja, os valores constam das DCTF's da incorporada Perdigão Agroindustrial S/A (2). Seriam, desse modo, de responsabilidade da impugnante e de sua atual sucessora (BRF). Reconhecido o direito de autocompensar Pis com Pis (Lei 8.383/91) por decisão já transitada em julgado e dada a abrangência daquela convalidação, voto pela exoneração destas exigências. (...)” Esse o relatório Voto Fl. 498DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.000644/200263 Acórdão n.º 3101001.578 S3C1T1 Fl. 19 7 Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, Tomo conhecimento do presente Recurso de Ofício, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Conforme o voto condutor da decisão recorrida transcrita acima que é muito complexo por tratarse de uma auditoria dos fatos, não merece qualquer reparo e, portanto deve ser mantida pelos seus próprios argumentos. Assim, NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, para manter a decisão recorrida. É como voto. Relatora – VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Fl. 499DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /07/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000805/2010-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 08 .0 00 80 5/ 20 10 -8 6 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10508.000805/201086 Resolução nº 2401000.353 S2C4T1 Fl. 189 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 15 28.055 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Salvador (BA), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.302.7834. O crédito em questão visa à exigência das contribuições dos segurados empregados, cujos fatos geradores as remunerações constantes em folha de pagamento. Conforme o relatório fiscal, fls. 15 e segs., as contribuições lançadas decorreram de divergências entre as remunerações contidas nos arquivos digitais da folha de pagamento e aquelas declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Afirmase que na competência 02/2007 a empresa não declarou na GFIP, nem recolheu os valores pagos a título de abono. Para o fisco há também diferenças da rubrica “reembolso de aluguel” nas competências 07 a 09, 11 e 12/2007, cujos valores da folha suplantaram as quantias declaradas em GFIP. Foram identificadas ainda diferenças de contribuição dos segurados relativas ao pagamento do 13. salário de 2007. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovida s pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. Cientificado do lançamento em 07/12/2010, o sujeito passivo ofertou defesa, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que a declarou improcedente. Inconformada, a empresa interpôs recurso, no qual, em apertada síntese, apresentou os argumentos abaixo. Pugna pela tempestividade do recurso e faz um apanhado dos principais fatos do processo. Assevera que ocorreu cerceamento ao seu direito de defesa, posto que o relatório fiscal apresentase contraditório, incongruente e ininteligível. Advoga que, ao contrário do que afirmou a DRJ, o AI não contém os requisitos legais de validade. Sustenta que em relação ao suposto abono pago na competência 02/2007, não há no discriminativo do débito a menção a tal rubrica. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10508.000805/201086 Resolução nº 2401000.353 S2C4T1 Fl. 190 3 Argumenta que o levantamento sobre a rubrica aluguel não foi esclarecida a contento no relato do fisco, impedindolhe de se defender satisfatoriamente. Afirma que não foi possível entender a suposta divergência entre a “tabela itens” e a GFIP nas competências 01; 05; 07 a 09; 11 e 12/2007. O AI, alega, deve ser anulado por afrontar os princípios da ampla defesa e do contraditório. Depois passa aos argumentos de mérito. Não é legítima a incidência de contribuições sobre os valores pagos a título de abono salarial previsto em acordo coletivo, que foram repassados de forma eventual e extraordinária. Chama atenção de que se tratava de valores fixos, não se alterando em razão do cargo exercido ou do salário auferido, o que lhe retira a natureza de contraprestação pelo trabalho. Advoga que o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/2008, ao excluir do saláriodecontribuição apenas os abonos desvinculados do salário por força de lei, extrapolou o seu poder regulamentar, alterando o teor da Lei n.º 8.212/1991. Assevera que, após o pagamento da 2.ª parcela, teve que recalcular o valor do 13. salário de 2007, em razão de recomposição salarial de parte do quadro, todavia, as diferenças relativas ao décimo terceiro, incluídas na folha de dezembro foram efetivamente recolhidas, conforme documentos juntados à defesa. Sustenta ser ilegítima a aplicação cumulativa de multa de mora e multa de ofício. Cita precedente do CARF. Ao final, postula pelo recebimento do recurso no efeito suspensivo e pede a declaração de insubsistência do lançamento. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10508.000805/201086 Resolução nº 2401000.353 S2C4T1 Fl. 191 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da necessidade da conversão do julgamento em diligência Observase que na apuração das contribuições o fisco efetuou o comparativo dos valores constantes nos arquivos digitais de folha de pagamento com as declarações efetuadas mediante a GFIP, obtendo deste confronto as bases de cálculo não declaradas, das quais foram calculadas as contribuições devidas. Todavia, as explicações presentes no relatório fiscal não são suficientes para apresentar com clareza o caminho seguido pelo fisco para chegar à base de cálculo. Tanto que no seu relato a autoridade lançadora, para motivar o lançamento, faz menção a uma “tabela” que traria diversas informações utilizadas no cálculo da contribuição mensal. Afirma que esta tabela estaria acostada ao AI. Ocorre que revirei os autos e não localizei a mencionada “tabela”. Entendo, que sem essas informações não teremos como prosseguir na apreciação das alegações recursais. Assim, o processo deve retornar à autoridade fiscal, de modo que sejam acostadas informações que detalhem a forma de obtenção da base de cálculo, demonstrando inclusive, por competência, qual o valor das contribuições declaradas, o montante recolhido e as diferenças lançadas. Caso as alegações apresentadas na defesa/recurso possam alterar o lançamento, o fisco deve elaborar planilha demonstrativa da retificação decorrente. Após o pronunciamento fiscal, ao sujeito passivo deve ser oportunizado o prazo legal para manifestação. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902550/2012-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/08/2009
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/08/2009 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 139 1 138 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.902550/201215 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801003.546 – 1ª Turma Especial Sessão de 29 de maio de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente VIACAO CIDADE DO ACO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/08/2009 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 50 /2 01 2- 15 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902550/201215 Acórdão n.º 3801003.546 S3TE01 Fl. 140 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902550/201215 Acórdão n.º 3801003.546 S3TE01 Fl. 141 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$24.893,37. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2009 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902550/201215 Acórdão n.º 3801003.546 S3TE01 Fl. 142 4 Data do fato gerador: 31/08/2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902550/201215 Acórdão n.º 3801003.546 S3TE01 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 31/08/2009 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902550/201215 Acórdão n.º 3801003.546 S3TE01 Fl. 144 6 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902550/201215 Acórdão n.º 3801003.546 S3TE01 Fl. 145 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10510.721601/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.582
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ROMELIA ANDRADE DIAS
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ROMELIA ANDRADE DIAS RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior.
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Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .7 21 60 1/ 20 11 -1 4 Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10510.721601/201114 Resolução nº 2202000.582 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor da contribuinte, ROMELIA ANDRADE DIAS, em auto de infração relativo ao imposto sobre a renda, exercício 2010, ano calendário 2009 (fls.224 a 239), formalizouse a exigência de imposto suplementar, no valor de R$385.935,90, acrescido de multa de ofício e juros de mora, calculados até abril de 2011, bem como de multa isolada, no valor de R$845,80, perfazendo um crédito tributário total, até a data da notificação, de R$715.406,11. A ação fiscal iniciouse em 6/1/2011, mediante ciência do termo competente, pelo qual o cônjuge da contribuinte foi intimado a, dentre outros, apresentar os extratos relativos às contas bancárias mantidas junto às instituições financeiras no Brasil e no exterior, no anocalendário de 2009 (fls.3/4). O intimado não apresentou os extratos, sob o argumento de que a legislação lhe asseguraria o sigilo bancário (fls.5/6), o que implicou a expedição das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), pelas quais as instituições financeiras Banco do Brasil S/A e Banco do Estado de Sergipe S/A foram intimadas a apresentar dados relativos à movimentação das contas correntes por ele mantidas junto a essas instituições (fls.64 a 69). Em atendimento, foram apresentados as cartas resposta/ documentos de fls.70 a 173. Com base nos extratos obtidos, a autoridade fiscal procedeu à elaboração de demonstrativo com a movimentação das contas bancárias e o encaminhou em anexo a Termo de Intimação para, dentre outros, comprovar com documentos hábeis a origem dos depósitos/créditos ali identificados (fls.174 a 191). Como cotitular das mesmas contas bancárias, a contribuinte fora igualmente intimada a fazêlo (fls.192 a 209). A contribuinte refere então atendimento parcial e respalda a falta de apresentação dos extratos bancários no fato de não se encontrar incursa no disposto no art. 1º, § 4º e art. 5º, § 2º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001 (fls.214/215). A autoridade fiscal, então, imputoulhe a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais a contribuinte regularmente intimada não teria comprovado a origem dos recursos utilizados nessas operações. Também fora apurada falta de recolhimento do imposto de renda devido a título de carnêleão. A contribuinte não contesta a multa isolada aplicada sobre a ausência de recolhimentos do carnêleão. E os argumentos em relação à omissão de rendimentos são, em síntese, os seguintes: que é nulo o procedimento fiscal por quebra do sigilo bancário sem ordem judicial; que atendera parcialmente ao termo de início de fiscalização porque respaldada na Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, que expressamente veda a identificação da origem ou natureza dos gastos efetuados; que o acesso aos seus dados bancários viola o disposto no art. 6º da mesma lei, por inexistência de prévio procedimento fiscal iniciado; que a exposição dos seus dados a terceiros que viessem a acessar a autoridade fiscal também viola o Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10510.721601/201114 Resolução nº 2202000.582 S2C2T2 Fl. 4 3 parágrafo único do mesmo artigo; que a inexistência nos autos das solicitações formuladas às instituições financeiras igualmente descumpre o art. 8º do mesmo diploma legal; que não é reconhecida legítima pelo poder judiciário a previsão do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; que a constituição do crédito tributário viola também o art. 11, § 3º da Lei nº 9.311, de 1996, para o qual denomina prova emprestada o termo de início de fiscalização lavrado; que sua atividade profissional é a prestação de serviços na rede imobiliária; que a movimentação financeira de suas contas bancárias diz respeito a recebimento de aluguéis de seus imóveis, a gastos com o pagamento de aluguéis aos proprietários de imóveis que administra, a aquisição de imóveis oferecidos pelos proprietários, ou ainda a transações financeiras com terceiros; que os valores recebidos a título de aluguel eram normalmente transferidos para a conta da pessoa jurídica de que era responsável; que não agira de máfé em não os haver declarado, pois os movimentava nas contas correntes das pessoas físicas e os repassava à pessoa jurídica sempre que necessário; que os cheques devolvidos certamente implicariam redução no valor do crédito tributário apurado; que os depósitos bancários não poderiam servir de base para o lançamento do imposto de renda, especialmente quando não há prova de variação patrimonial a descoberto ou de sinais exteriores de riqueza; e que não configura crime a falta de pagamento de um tributo, decorrente de simples omissão, se não carregada de dolo. Cita doutrina e jurisprudência, e requer a improcedência da ação fiscal (fls.243 a 261). A DRJ julga a impugnação procedente em parte a impugnação, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVAS. Para excluir a presunção legal de rendimentos omitidos, a origem dos depósitos bancários deve ser comprovada com documentos hábeis e idôneos, que permitam a identificação individualizada dos créditos e dos alegados negócios a eles relativos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. no que toca aos pontos principais. Acrescentese que o recorrente apresenta junto com o recurso vasta documentação na qual alega que estaria demonstrado o solicitado pela fiscalização. É o relatório. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10510.721601/201114 Resolução nº 2202000.582 S2C2T2 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A decisão da autoridade recorrida foi fundamentada principalmente na ausência de provas nos termos como se reproduz a seguir: A presunção em favor do Fisco transfere à contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos. Trata se, entretanto, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Mas é ineficaz a mera alegação de que os depósitos sejam valores que repassara aos seus clientes nas operações imobiliárias realizadas, seja de pessoas físicas ou de pessoa jurídica de quem é responsável, se não comprova esse fato com documentos hábeis e próprios às operações que afirma. Igualmente ineficazes são os argumentos: de que os depósitos bancários seriam meio inidôneo para a autuação, e de que não há prova de variação patrimonial a descoberto ou de sinais exteriores de riqueza, porque fundamentada a autuação na presunção legal; e de que a simples omissão não caracterizaria crime, se não carregada de dolo, porque a responsabilidade no direito tributário é objetiva e independe da intenção do agente, conforme dispõe o art. 136 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) O recorrente com o seu recurso apresenta documentação de fls. 304 a 1102, no qual entende que estaria demonstrando aquilo que foi requisitado para autoridade fiscalizadora. Considerando o teor do recurso, bem como os aspectos fundamentalmente fáticos citados no recurso, penso que no caso concreto, o recorrente tem direito a ter suas documentação apreciada. Diante dos fatos, e tendo em vista a vasta documentação acostada, e os argumentos enunciados no recurso, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido mais uma vez em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1 – Que a fiscalização aprecie as provas, particularmente aquelas apresentadas no recurso, bem como realize intimações e diligências que julgar necessárias para formação de sua convicção sobre as explicações propostas pela recorrente; Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10510.721601/201114 Resolução nº 2202000.582 S2C2T2 Fl. 6 5 2 Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11065.001095/2008-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO INEQUÍVOCA DO STF. POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, pode-se afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal.
É inconstitucional a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os ingressos de valores pertinentes à cessão onerosa de crédito de ICMS decorrentes de exportações de mercadorias para o exterior.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-002.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyasaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO INEQUÍVOCA DO STF. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, podese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. É inconstitucional a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os ingressos de valores pertinentes à cessão onerosa de crédito de ICMS decorrentes de exportações de mercadorias para o exterior. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 10 95 /2 00 8- 14 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11065.001095/200814 Acórdão n.º 9303002.782 CSRFT3 Fl. 426 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyasaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: Tratase de recurso voluntário tempestivamente ofertado contra decisão que homologou apenas parcialmente compensação comunicada pela empresa. Na Dcomp, eletronicamente transmitida, pretendeuse utilizar o saldo credor da contribuição PIS decorrente da exportação de mercadorias ocorridas no quarto trimestre de 2007. A fiscalização, no entanto, entendeu que o saldo credor seria menor do que o alegado pela ora recorrente em virtude da não inclusão na base de cálculo da contribuição de parcela que entende ser receita tributável. A parcela discutida se refere à transferência do saldo credor de ICMS apurado em decorrência de operações de exportação imunes de que cuida a Lei Complementar 87. A empresa o utilizou para pagamento de aquisições de mercadorias na forma deferida pelo regulamento estadual do imposto, e entende que não há, na espécie, receita, mas mera mutação patrimonial. Diferentemente, entenderam as autoridades administrativas que intervieram no processo que a operação consiste numa alienação onerosa de um direito e dá surgimento, por isso, a receita. E como não há na legislação de regência (Lei 10.637/2002) hipótese de exclusão dessa parcela, adicionaram na na base de cálculo recompondo o saldo credor do período, do que resultou a redução do direito creditório postulado. De fato, assim restou anotado no relatório da ação fiscal (os negritos são meus): O contribuinte não ofereceu à tributação tais cessões de crédito de ICMS. Tendo em vista que essa operação equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, a qual origina receita tributável, deve a mesma compor a base de cálculo do PIS/Pasep, que, conforme o art. 1° da Lei n° 10.637/02, parágrafos 1° e 2°, corresponde à totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por ela exercida e da classificação contábil adotada para a escrituração de suas receitas. Para o fim de melhor compreendermos seu enquadramento no campo de incidência da contribuição, passamos a discorrer sobre tal operação de forma detalhada. Ao realizarse a aquisição de certo produto sujeito à incidência do ICMS, estáse, em verdade, efetuando duas operações: a compra da mercadoria propriamente dita e a compra do crédito de imposto inerente àquele produto, sobre o qual, inclusive, também é feito creditamento de PIS/Pasep por parte do Fl. 426DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11065.001095/200814 Acórdão n.º 9303002.782 CSRFT3 Fl. 427 3 adquirente. Esse crédito de ICMS originalmente adquirido na operação de compra costuma ser alienado de forma conjunta com a mercadoria que lhe deu origem, compondo a receita obtida na operação e, conseqüentemente, sofre a incidência de PIS/Pasep. Não há, como se sabe, previsão legal para se excluir o ICMS embutido na nota fiscal da base de cálculo da referida contribuição e, no que tange ao cálculo do crédito de PIS/Pasep pelo novo adquirente, poderá ele calculálo sobre o valor, de toda a operação, incluindo o próprio ICMS. Na cessão de créditos de ICMS, há também a alienação do crédito fiscal, porém de forma separada das mercadorias que o originaram. Assim sendo, não há por que dispensar tratamento tributário diferenciado na hipótese de o contribuinte optar por alienar isoladamente o crédito de ICMS a terceiro. Caso tal crédito não sofresse tributação, estarseia proporcionando ao cedente um benefício sem amparo legal, visto que o contribuinte creditouse de PIS/Pasep sobre o mesmo quando de sua aquisição. Ou seja, a incidência da contribuição na cessão a terceiros apenas restabelece o equilíbrio tributário na operação. Convém ressaltarmos que tais valores devem compor a base de cálculo da referida contribuição mesmo na hipótese de não transitarem por conta de resultado, visto que é irrelevante, para fins de apuração do faturamento, a denominação ou classificação contábil das receitas auferidas. O recurso reapresenta a tese de que a operação constitui mera mutação patrimonial, visto que envolve apenas contas patrimoniais sem qualquer interferência no resultado da empresa. E cita decisões do extinto Conselho de Contribuintes que a ratificam. A Câmara a quo negou provimento ao Recurso Voluntário do sujeito passivo, que foi julgado nos termos do Acórdão 340200.954, de 10 de dezembro de 2010 (fls. 200/207), proferido pelos membros da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, e cuja ementa ficou assim redigida: NORMAS REGIMENTAIS. SÚMULA ADMINISTRATIVA. OBRIGATORIEDADE DE ADOÇÃO. Nos termos do § 4o do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, é obrigatória a aplicação de entendimento consolidado em Súmula Administrativa dos Conselhos de Contribuintes por ele substituídos. NORMAS PROCESSUAIS. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA ADMINISTRATIVA N° 02. Nos termos de Súmula aprovada em sessão plenária datada de 18 de setembro de 2007, "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a Fl. 427DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11065.001095/200814 Acórdão n.º 9303002.782 CSRFT3 Fl. 428 4 inconstitucionalidade de legislação tributária". NORMAS TRIBUTÁRIAS. PIS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE SALDO CREDOR DE ICMS. Por expressa disposição legal (art. 16 da Lei 11.945/2009) a cessão onerosa de crédito de ICMS decorrente de exportações, autorizada pelo art. 25 da Lei Complementar 87/96, configura receita que deve ser incluída pelo detentor original do crédito na base de cálculo da contribuição devida na forma nãocumulativa até 31 de dezembro de 2008. Cientificada regularmente da decisão, inconformada, a Recorrente interpôs, em 13/07/2011, o Recurso Especial de fls. 221/257, reafirmando as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória e requerendo integral provimento do presente Recurso. O Recurso Especial interposto logrou seguimento, nos termos do despacho de fls. 416/417. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 419/421. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator A questão que se apresenta a debate cingese em se definir se os ingressos relativos à cessão onerosa de créditos de ICMS decorrentes de operação de exportação são tributáveis pela Contribuição ao PIS/Pasep. O entendimento pessoal deste relator, por diversas vezes externado neste Colegiado, é no sentido de que tais ingressos representam receita e, como tal, até 1º de janeiro 2009, estavam sujeitos à incidência da Cofins e do PIS. Somente a partir dessa data, por força da norma inserta no art.17, c/c o art. 33, I, “d”, da Lei nº 11.945, de 2009, a referida receita foi expressamente excluída da base de cálculo dessas contribuições. Todavia, esse não é o entendimento do Supremo Tribunal Federal, que, em decisão plenária, à quase unanimidade, vencido apenas o Ministro Dias Toffoli, entendeu que tais ingressos não estão sujeitos à incidência dessas contribuições. Cabe então verificar os efeitos dessa decisão pretoriana sobre a tributação ora em exame. Entendo que o controle concreto de constitucionalidade tem efeito interpartes, não beneficiando nem prejudicando terceiros alheios à lide. Para que produza efeitos erga omnes, é preciso que o Senado Federal edite resolução suspendendo a execução do dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF. Não desconheço que o Ministro Gilmar Mendes há muito vem defendendo a desnecessidade do ato senatorial para dar efeitos geral às decisões da Corte Maior, mas essa posição ainda não foi positivada no ordenamento jurídico brasileiro, muito embora alguns passos importantes já tenham sido dados, como é o caso da Fl. 428DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11065.001095/200814 Acórdão n.º 9303002.782 CSRFT3 Fl. 429 5 súmula vinculante. De qualquer sorte, a resolução senatorial ainda se faz necessária, para estender efeitos de decisões interpartes a terceiros alheios à demanda. De outro lado, o regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trouxe a possibilidade de se estender as decisões do STF, em controle difuso, aos julgados administrativos, conforme preceitua a Portaria nº 256/2009, Anexo II, art. 62. Este dispositivo reproduz a mesma redação prevista no regimento anterior (art. 49, na redação dada pela Portaria nº 147/2007): É vedado afastar a aplicação de lei, exceto ... “I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Notese que tal dispositivo cria uma exceção à regra que veda a este Colegiado afastar a aplicação de dispositivo legal, mas exige que a inconstitucionalidade desse dispositivo já tenha sido declarada por decisão definitiva do plenário do STF. Não basta qualquer decisão da Corte Maior. Tem de ser de seu plenário, e, devese entender como definitiva a decisão que passa a nortear a jurisprudência desse tribunal nessa matéria. Em outras palavras, decisão definitiva, na acepção do art. 62 do RICARF, é aquela assentada na Corte. O art. 62A1 do Anexo II ao Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, foi mais além. Tornou obrigatória a observância das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do CPC, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O caso dos autos, a meu sentir, amoldase, perfeitamente, à norma inserta nos artigos 62 e 62A mencionados, já que a questão da incidência dessas contribuições sobre os ingressos relativos à cessão onerosa de créditos de ICMS decorrentes de operação de exportação, como dito linhas acima, foi enfrentada pelo plenário do STF no Recurso Extraordinário 606.107 Rio Grande do Sul, na sistemática prevista no Art. 543B do CPC, cujo acórdão foi assim ementado: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5,869, de 11 de janeiro de de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11065.001095/200814 Acórdão n.º 9303002.782 CSRFT3 Fl. 430 6 Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditar. se do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as Fl. 430DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11065.001095/200814 Acórdão n.º 9303002.782 CSRFT3 Fl. 431 7 empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Aplicandose, pois, ao caso ora em exame, a decisão do STF que julgou inconstitucional a incidência das contribuições sociais sobre os ingressos de valores relativos à cessão onerosa de crédito de ICMS decorrentes de exportações, devese cancelar a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre tais receitas. Por derradeiro, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é. A interpretação pretoriana deve sempre prevalecer, ainda que com ela não concordemos. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 431DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 18184.000030/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN.
Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados.
APURAÇÃO FISCAL. VALORES EM DUPLICIDADE. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Deve ser retificado o lançamento para exclusão de valores que comprovadamente estejam contemplados em outro crédito fiscal.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2401-003.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. APURAÇÃO FISCAL. VALORES EM DUPLICIDADE. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Deve ser retificado o lançamento para exclusão de valores que comprovadamente estejam contemplados em outro crédito fiscal. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 4. 00 00 30 /2 00 8- 36 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18184.000030/200836 Acórdão n.º 2401003.349 S2C4T1 Fl. 247 3 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela 13.ª Turma da Delegacia da Receita Previdenciária – São Paulo I que, no Acórdão n. 1627.245, fls. 212 e segs., declarou parcialmente procedente o crédito consignado na NFLD n.º 35.554.5217. Na referida decisão, o órgão a quo, observando a Súmula Vinculante n. 08 do STF, excluiu da NFLD em razão da decadência as contribuições lançadas no período de 01/1992 a 11/1997, por aplicação do art. 173, I, do CTN. A DRJ justificou a aplicação do dispositivo acima para aferição do prazo decadencial no fato de que se trata de típico lançamento de ofício para apurar as contribuições não declaradas (período anterior à GFIP) e não recolhidas no prazo legal. Para o período não decadente foram excluídas, por proposta do fisco em sede de diligência, as contribuições que teriam sido lançadas em duplicidade na NFLD n. 35.108.9789. Ver quadro de fl. 231. A empresa, tento sido cientificada do Acórdão por edital, não se manifestou. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, posto que o valor originário exonerado foi de R$ 3.154.249,20 (três milhões, cento e cinquenta e quatro mil e duzentos e quarenta e nove reais e vinte centavos), portanto, acima do valor mínimo fixado pela Portaria MF n.º 03, de 03/01/20081. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18184.000030/200836 Acórdão n.º 2401003.349 S2C4T1 Fl. 248 5 ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Considerando que não houve contestação do sujeito passivo acerca da decisão de primeira instância, deve prevalecer o critério adotado pela DRJ para contagem do prazo decadencial, a qual tomou como base o disposto no art. 173, I, do CTN. A ciência da lavratura deuse em 08/04/2003, portanto, acertou o órgão recorrente ao excluir pela decadência as competências de 09/1992 a 11/1997. Duplicidade na apuração fiscal Consta a fl. 163 pronunciamento conclusivo da Autoridade Fiscal no sentido de que houve no presente lançamento a inclusão indevida de contribuições que já teriam sido apuradas na NFLD n. 35.108.9799, o que me leva a concordar com a sua proposta de exclusão de tais parcelas, conforme demonstrado no Discriminativo Analítico do Débito Retificado, fls. 193 e segs. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso de ofício. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11516.722340/2011-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.144
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência, por unanimidade de votos, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência, por unanimidade de votos, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro - no exercício da presidência (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 2413DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FER REIRA MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11516.722340/2011-62 Resolução nº 1103-000.144 S1-C1T3 Fl. 2.380 2 RELATÓRIO Lançamento Foram lavrados em 13/12/2011 contra a recorrente Autos de Infração para a exigência de IRPJ e CSLL, acrescidos de juros de mora e multa de ofício qualificada (150%). A lavratura das autuações fiscais decorreu do arbitramento do lucro da recorrente em razão da imprestabilidade de sua escrituração para a determinação do lucro real. O termo de verificação fiscal de fls. 1374-1435 descreve, em suma, o seguinte: 1. O procedimento de fiscalização foi iniciado por meio de MPF-Diligência, tendo sido inicialmente solicitados à recorrente contratos sociais e suas alterações; balanços e balancetes; livros diário, razão e apuração do lucro real; relação das contas correntes bancárias; e demais registros contábeis em meio magnético, documentos estes que foram apresentados à fiscalização. 2. Em um segundo momento, foram solicitados os comprovantes dos lançamentos contábeis realizados a débito na conta 3.2.1.04.00004 – Juros e Comissões Bancárias, solicitação essa que não foi plenamente atendida pela recorrente, que limitou-se a apresentar contratos de empréstimos, controles financeiros e alguns extratos bancários contendo supostos recebimentos e pagamentos dos empréstimos. 3. Posteriormente foi emitido MPF-Fiscalização contra a recorrente e foram solicitados vários outros documentos. 4. No termo de intimação nº 2/2011 foram solicitados documentos e extratos bancários comprovando o efetivo recebimento dos valores pagos pela NB Fomento, tendo a recorrente apresentado controles financeiros e vários extratos bancários contendo os históricos “CRED TED”, “TRANSF. MESMA TITULARIDADE” e “TRANSF VALOR ENTRE CONTA”. 5. Nos termos de intimação nºs 3/2011, 4/2011 e 5/2011 foram solicitados documentos referentes aos contratos de serviços prestados e empréstimos contraídos, inclusive extratos bancários que pudessem comprovar as entradas e saídas de recursos financeiros. 6. No termo de intimação nº 6/2011 foram novamente solicitados alguns comprovantes de recebimentos e pagamentos de empréstimos contraídos, pois não foram apresentados em resposta às intimações anteriormente emitidas. 7. Também por meio do termo de intimação nº 6/2011 a recorrente foi intimada a identificar, por meio de documentos hábeis e idôneos emitidos pelas instituições financeiras, o emitente e o beneficiário de várias movimentações bancárias. 8. No termo de intimação nº 7/2011 a recorrente foi intimada a comprovar, com documentos emitidos pela instituição financeira contendo identificação do emitente e do beneficiário, o pagamento de juros – conta 3.2.1.04.00003 para Eder Gomes Viana, Terralis Construções Ltda., Cia Via Construções Ltda., Cajoti – Obras e Transportes Ltda., Sinasc – Sinalização e Conservação de Rodovias Ltda. e Paraná Equipamentos S/A. 9. Também no termo de intimação supra referido foram novamente solicitados comprovantes de pagamentos e recebimentos de empréstimos contraídos junto à NB Fl. 2414DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FER REIRA MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11516.722340/2011-62 Resolução nº 1103-000.144 S1-C1T3 Fl. 2.381 3 Fomento e NB Multicrédito e os comprovantes dos itens 3 e 9 do termo de intimação nº 6/2011. 10. Em 2007 e 2008 a recorrente contraiu alguns empréstimos, tendo contabilizado os juros pagos em duas contas de despesas: conta 3.2.1.04.00004 – juros e comissões bancárias (juros pagos a instituições financeiras), na qual foi debitado o valor de R$58.498.517,00 nos dois anos e conta 3.2.1.04.00003 – juros de mora (juros pagos a empresas ou a órgãos públicos decorrentes de pagamento/compensação em atraso), na qual foi debitado o valor de R$11.614.112,49 nos dois anos. 11. Na conta 4.1.3.01.00001 foram registradas todas as receitas oriundas de descontos recebidos, no valor de R$12.656.716,87 em 2007 e 2008, provenientes, em sua grande maioria, de descontos obtidos em pagamentos de empréstimos ao Banco Pine S.A. (R$9.638.899,22) e à NB Multicrédito (R$1.743.914,39). 12. A recorrente apresentou apenas duas comprovações das transações realizadas junto à NB Fomento, realizadas por meio de TED. Em relação às demais transações, foram apresentados apenas extratos bancários, que não comprovam emitente e beneficiário da transferência, cópia de supostos ofícios enviados ao banco, recibos de pagamentos relativos a períodos não fiscalizados (anteriores a 2007) e três recibos relativos ao período fiscalizado. 13. Um dos recibos acima mencionados indica que o valor de R$230.280,00 teria sido pago pelo DNIT, mas esse órgão afirmou que a legislação não permite o pagamento de prestação de serviço, oriunda de contrato, a terceiro não participante do contrato. Além disso, o valor desse recibo não coincide com os registros contábeis. 14. Para comprovar pagamento realizado em 22/05/2007 à NB Fomento, no valor de R$1.634.000,00, a recorrente apresentou TED na qual a própria recorrente figurava como beneficiária. 15. Há disparidade na apropriação de juros em relação a um mesmo contrato, tendo sido apropriados juros de 10,12% em relação às parcelas 32 a 38 e de 70,70% para as parcelas 42 a 50. 16. Não foram observadas as regras e princípios da contabilidade quanto aos lançamentos contábeis relativos aos empréstimos da recorrente junto à NB Fomento. 17. Dos diversos lançamentos realizados pela recorrente na conta 2.1.1.03.00003 – NB Fomento (operações de empréstimos), apenas a transação realizada em 14/11/2007 foi comprovada por meio de TED e constatou-se que a transação realizada em 31/03/2008 corresponde à transferência para o circulante. 18. O contrato 1/2007, firmado com NB Multicrédito, foi registrado na contabilidade como NB Fomento. Para comprovar a entrada de recursos, a recorrente apresentou apenas solicitação de transferência enviada pela NB Multicrédito ao Bradesco e, para comprovar a saída, apresentou TED tendo como emitente CBEMI e como favorecido a NB Multicrédito, cujo valor, conforme recibo de quitação apresentado, corresponde a parcelas dos empréstimos 1/2007 a 5/2007. Para o valor residual, foi apresentada solicitação de transferência enviada à CEF. Tais documentos não comprovam a transação. Fl. 2415DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FER REIRA MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11516.722340/2011-62 Resolução nº 1103-000.144 S1-C1T3 Fl. 2.382 4 19. Igualmente não foram comprovadas as transações consubstanciadas nos contratos 2/2007 a 11/08 (NB Multicrédito), com exceção da TED acima mencionada. 20. Foram comprovadas, por meio de TED, as entradas dos contratos 12/2008 a 14/2008 (NB Multicrédito), não tendo sido comprovados, porém, os pagamentos. 21. Os documentos hábeis a demonstrar a origem dos recursos, os valores, os efetivos recebimentos e pagamentos e os beneficiários são os documentos bancários que deram suporte às operações registradas de forma sintética nos extratos bancários (são exemplo: DOC, TEC e cheque nominal). 22. Os recibos emitidos em nome do DNIT não podem ser aceitos porque não há previsão legal de transferência de valores do DNIT para a NB Multicrédito, pois aquele órgão não participa do contrato de mútuo. 23. Também não podem ser aceitos os recibos emitidos em nome do Rodoanel Sul, pois os contratos de mútuo 10/08 a 14/08 foram celebrados junto à NB Multicrédito após o pagamento da última fatura emitida contra o Rodoanel Sul e o termo de encerramento de contrato, ou seja, não havia direito de crédito algum, pois não existiam serviços a serem prestados, tampouco valores a serem recebidos. 24. De acordo com diligência feita pela fiscalização na Rodoanel Sul, não apenas o contrato estava encerrado como a Rodoanel Sul não efetuou nenhum dos pagamentos que seriam supostamente comprovados pelos recibos em questão. 25. Em relação às despesas de juros de mora lançadas na conta 3.2.1.04.00003, no valor total de R$11.614.112,49, decorrentes de pagamentos realizados em atraso, foram selecionadas algumas empresas, por amostragem, para verificação das efetivas despesas. Não foram comprovados, porém, diversos lançamentos realizados pela recorrente. 26. Foram identificados graves defeitos na emissão de notas fiscais de prestação de serviços, a saber: • Não foram apresentadas as notas fiscais nºs 447, 448, 586, 759, 856, 857, 924, 925, 926, 927, 928, 929, 968, 991, 992, 995, 996 e 997; • Não foi observada a ordem cronológica, tendo sido emitidas notas fiscais com numeração inferior em data posterior às numerações seguintes (por exemplo: nota fiscal nº 328, emitida em 25/01/2007, anteriormente à nota fiscal nº 311, emitida em 27/03/2007); • Foram encontradas notas fiscais em branco sem serem canceladas: nºs 671, 672, 673, 737, 789, 790, 806, 808, 828, 846, 859, 860, 938, 939, 949, 950, 951, 952, 976, 986, 987 e 1004; • Em relação às notas fiscais canceladas nºs 828, 872 e 969, foram encontradas impressões nas vias seguintes à primeira que divergem completamente da primeira via ou com primeira via em branco, procedimento esse que é típico da emissão de nota fiscal calçada, em que se tem uma informação na primeira via da nota fiscal e outra totalmente diferente nas demais. Fl. 2416DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FER REIRA MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11516.722340/2011-62 Resolução nº 1103-000.144 S1-C1T3 Fl. 2.383 5 27. O contribuinte apropriou, em 31/03/2008, juros de mora no valor de R$2.825.238,24, referente a débitos de Cofins compensados com saldo negativo de IRPJ e CSLL (por meio de DCOMP), mas os débitos compensados eram relativos aos períodos de apuração 12/1999 a 12/2003, de modo que os juros de mora deveriam ter sido apropriados a cada período correspondente, e não integralmente no dia 31/03/2008. 28. A recorrente não observou a legislação comercial e fiscal quanto ao reconhecimento das receitas e despesas. O art. 409 do RIR prevê o diferimento da tributação do lucro até o efetivo recebimento dos serviços prestados (empreitada ou fornecimento contratado com pessoa jurídica de direito público ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária), ou seja, pode ser diferido o resultado do batimento entre a receita e a despesa, devendo a empresa, quando auferir lucro, excluí-lo da tributação daquele período e incluí-lo no período em que efetivamente receber os valores devidos. 29. A recorrente, porém, só reconhecia a receita quando da emissão de fatura (e não quando da prestação do serviço) e a despesa quando da sua realização. A escrituração da recorrente não permite visualizar a origem da despesa, quando foi paga e quando foi apropriada, o que impossibilita o batimento entre custo e receita para se apurar o verdadeiro lucro/prejuízo contábil da empresa. 30. A recorrente adquiriu em 11/12/2007 75.000 debêntures do tipo CVRD-A6 da Vale pelo valor de R$525.000,00 e no dia seguinte reavaliou tais ativos, com base em Parecer Técnico Contábil, para o valor de R$46.890.000,00, valor esse que foi transferido para o capital social como subscrição dos sócios, o que possivelmente foi feito para inflar o patrimônio líquido com o objetivo de participar de concorrências públicas, pois, de acordo com o sítio www.debentures.com.br, o valor unitário máximo dos títulos em 12/12/2007 era R$2,00. 31. Foi verificado que a recorrente apresentou balanços diferentes para a fiscalização e para as contratantes Rodoanel Sul e DER/SP, tendo sido todos assinados pelo mesmo sócio. As demonstrações financeiras apresentadas à fiscalização indicavam resultado inferior àquele apurado nos balanços apresentados ao Rodoanel Sul e ao DER/SP. 32. As divergências existentes entre os balanços decorrem de diferenças nas contas de empréstimos, juros, receita operacional e do reconhecimento de despesas em descompasso com as receitas, ou seja, têm relação com as irregularidades anteriormente mencionadas. 33. A autoridade fiscal concluiu o termo de verificação fiscal afirmando que não identificou meros erros e defeitos pontuais da contabilidade auditada, mas, na verdade, as principais colunas do registro contábil estão comprometidas pelos defeitos na emissão de notas fiscais e pelo regime de reconhecimento adotado incorretamente, em descompasso com a apropriação dos custos, além de que grande parte dos vultosos passivos, despesas financeiras e juros com fornecedores não foram comprovados, de modo que não restou ao fisco outro caminho senão o arbitramento do lucro. 34. Foi realizado o arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base em sua receita bruta, pois entendeu-se que seria o método mais próximo para se chegar ao resultado fiscal, tendo sido os valores extraídos da folha nº 375 do Livro Diário nº 80 (2007) e da folha nº 661 do Livro Diário nº 92 (2008). Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FER REIRA MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11516.722340/2011-62 Resolução nº 1103-000.144 S1-C1T3 Fl. 2.384 6 35. Não foram subtraídas as retenções informadas pelo contribuinte nas declarações do Imposto de Renda, haja vista que tais valores já foram objeto de compensação por saldo negativo de IRPJ e CSLL. 36. Tendo em vista que o contribuinte praticou atos com evidente intuito de fraude, em especial nos tópicos 3 e 4 do TVF, foi imputado o agravamento da multa de ofício, nos termos do art. 44, I, §1º da Lei nº 9.430/96. 37. Foi formalizada representação fiscal para fins penais. Impugnação Quanto à impugnação apresentada pela recorrente (fls. 1445-1539), transcrevo parte do relatório do acórdão de primeiro grau, por sua pertinência: Em sua impugnação o sujeito passivo apresenta os argumentos a seguir resumidos: Após se identificar e apresentar um relatório do lançamento, alega que o AI não possui número de ordem de emissão nem número tomado no “COMPROT” – consulta de processo. A única referência de numeração do processo administrativo teria sido feita apenas pelos Auditores Fiscais no TVF. Em seu entender, tal situação dificultaria a identificação e a impugnação do débito lançado, fato que caracterizar- se-ia em cerceamento do direito de defesa e tornaria o processo inexistente. Assevera que nem o AI emitido no dia 13/12/2011 nem o TVF emitido no dia 30/11/2011 foram assinados por nenhum dos Auditores Fiscais e que tal falta caracterizar-se-ia em erro insanável, tornando nulo o suposto documento de lançamento. Alega que, apesar de o Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência (MPFD) nº 09.2.01.002011000901 ter sido referido no Termo de Início da Diligência datado de 10/02/2010 e no Termo de Intimação 01/2011, de 15/03/2010, constam dos Termos de Intimação de nº 02/2011 ao de nº 08/2011, o MPF nº 09.2.01.002011003293, “porém, embora conste nestes Termos de Intimação e, também no Termo de Verificação Fiscal, não foi e nem está disponibilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em seu sitio na rede mundial de computadores”. Transcreve dispositivos normativos que tratam das regras aplicáveis ao sigilo das operações financeiras e ao processo administrativo fiscal e adiante assevera: De acordo com a PT/RFB3014/2011, o MPF-Diligência se presta a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive, para atender exigência de instrução processual. As ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativas aos tributos administrados pela RFB que podem resultar em lançamento de ofício com ou sem exigência de crédito tributário, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FER REIRA MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11516.722340/2011-62 Resolução nº 1103-000.144 S1-C1T3 Fl. 2.385 7 exigem o MPF-F – MANDADO DE PROCEDIMENTOS FISCAL – FISCALIZAÇÃO. Com base nesse entendimento, conclui, a Defendente, que o Auditor Fiscal “deixou de prestar e esclarecer corretamente informações que impede e/ou dificultou a empresa contribuinte de tomar pleno conhecimento do crédito lançado, o que, em tese, caracteriza CERCEAMENTO DE DEFESA”. Afirma que os atos praticados pelo Auditor Fiscal Saul Rosa de Souza, ou de cuja elaboração ele tenha participado, são nulos por falta de autorização, pois seu nome não constaria do MPF. Transcreve dispositivos legais que corroborariam sua decisão. Afirma que, de acordo com as informações sobre emissão e prorrogação de MPF no portal da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a última prorrogação do MPF-D nº 09.2.01.002011000901 extinguiu-se em 04/11/2011. Logo, ao emitir o auto de infração em 13/12/2011, a Fiscalização teria deixado de observar o art. 15 da Portaria RFB nº 3.014/2011, o que consistiria em uma ilegalidade. Discorre sobre o ato vinculado e transcreve trecho doutrinário relativo ao tema para concluir em seguida que qualquer ato praticado sem o respaldo de MPF é ilegal e irregular. Assevera também que, a partir da expedição do Decreto nº 3.723/2001, o MPF não pode mais ser considerado mero procedimento de controle interno da RFB dos processos fiscais em andamento. Transcreve o art. 5º, X e XII da Constituição Federal de 1988 (CF/88) e em seguida afirma que a prestação de informação acerca das operações financeiras dos contribuintes, sem ordem judicial, ofende o devido processo legal e a reserva de jurisdição para a quebra do sigilo de dados. Reproduz trechos doutrinários e dispositivos normativos para concluir que tais provas devem ser desconsideradas por terem sido obtidas de forma irregular e/ou ilegal. Adiante afirma: Ora, assim considerando o objetivo do MPF-D nº 09.2.01.002011000901 – “COLETA DE INFORMAÇÃO RELATIVA À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA/FINANCIAMENTOS DE LONGO PRAZO” – em consonância com os ditames aplicados pelas: LC nº 105/2001; Decreto nº 3.724/2001 e, PT/RFB nº 3.014/2011, a diligência procedida pelos Auditores Fiscais na empresa Rodoanel Sul e, solicitação de informações ao DER/SP, foram totalmente irregulares e caracterizam, em tese, quebra de sigilo fiscal, de forma que, agindo assim, o Auditor Fiscal afrontou as normas jurídicas tributárias, procedimento este que macula sobremaneira a Lei Maior. Dessa forma, em seu entender, o AI deve ser julgado nulo. Cita e transcreve dispositivos legais que tratam da descaracterização da contabilidade e afirma adiante que “o instituto da desconsideração da Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FER REIRA MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11516.722340/2011-62 Resolução nº 1103-000.144 S1-C1T3 Fl. 2.386 8 contabilidade e conseqüente arbitramento do Lucro, […], devem ser utilizados como último recurso”. Transcreve decisões administrativas e judiciais que corroborariam o seu entendimento, bem como, parecer da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social e Súmulas do CARF e em seguida dispõe que os indícios levantados pela fiscalização não tornam imprestável a sua contabilidade, sendo, portanto, ilegal e irregular o arbitramento efetuado pela Fiscalização. Razão por que o AI deve ser declarado nulo também por esse motivo. Afirma ser descabida, confiscatória e improcedente a multa de ofício de 150%, uma vez que não preenche os pré-requisitos legais e por caracterizar confisco ilegalmente. Transcreve decisões judiciais e trechos doutrinários. Sob o título “Das Apropriações dos Juros”, a Defendente transcreve trecho do TVF e, após discorrer sobre o conceito de “contabilidade” e de “plano de contas”, apresenta justificativa para manter em sua contabilidade ao mesmo tempo mais de uma conta para registrar os juros e uma conta para “descontos obtidos”. No que se refere à Representação Fiscal para Fins Penais, a Defendente afirma que os Auditores Fiscais teriam se equivocado ao capitular sua tese de ocorrência de crime em Portaria Ministerial e não no Código Penal. Destaca a diferença entre sonegação e elisão fiscal, para em seguida concluir o tema nos seguintes termos: Os Auditores Fiscais não lograram comprovar as suspeitas levantadas e relatadas no Termo de Verificação Fiscal e, menos ainda, que a impugnante, deliberadamente, tenha agido com dolo e intenção clara, adulterando documento ou fraudando registros contábeis a fim de provocar prejuízo ao Tesouro Federal, pagando menos IRPJ e CSLL. De forma que não procede a representação fiscal para fins penais, vez que, a denuncia pela fiscalização da RFB, como disse, se fundamenta em suposições […] Transcreve trechos do TVF no qual o Auditor Fiscal teria levantado suspeitas com relação a sua conduta, afirmando que elas não poderiam ser criteriosamente provadas. Apresenta um conceito de desconto bancário e discorre sobre o capítulo 3 do TVF, transcrevendo as contas contábeis ali dispostas: descontos obtidos, juros de mora e juros e comissões bancárias. Sobre esse ponto afirma: Esclarece-se que, juros pagos decorrentes de empréstimos contraídos juntos às instituições financeiras, para capital de giro, integram o CUSTO do produto ou do serviço, enquanto que, os pagos à administração pública por atraso no recolhimento do tributo representam DESPESA. Apenas por essa razão são necessárias contas diversas para registros desses valores. Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FER REIRA MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11516.722340/2011-62 Resolução nº 1103-000.144 S1-C1T3 Fl. 2.387 9 A existência da conta nº 3.2.1.04.00001 – DESCONTOS OBTIDOS, justifica-se pelo fato de que os juros são levados a CUSTO pelos valores diferidos e, não necessariamente pagos, fato destacado pelo Auditor Fiscal consoante ao Termo de Verificação Fiscal, e portanto, os descontos obtidos deverão constar como “RECEITA” a fim de não provocar distorções na apuração de resultado. Continua: Relataram ainda os Auditores Fiscais (fls. 13/62) que, “foram apresentados catorze (14) contratos de empréstimos contraídos juntos à NB Multicrédito, relacionados na planilha abaixo. Todos são contatos de mútuo em que a CBEMI dá em garantia seus contratos de prestação de serviços firmados com órgãos públicos ou outras empreiteiras, como o caso do RODOANEL SUL”. Todos os contratos de “empréstimos” citados pelo Auditor Fiscal são na verdade “contrato de desconto bancário”. Do total de quatorze contratos examinados, o de nº 239 datado em 18/05/2006, teve como contratantes, a empresa CBEMI Construtora Brasileira e Mineradora Ltda e NB Fomento S/A e, tratava-se de “Contrato de Fomento Mercantil de Prestação de Serviços Conjugada com a Compra de Ativos Mercantis”, tinha como objeto da cessão o crédito decorrente do Contrato de Prestação de Serviço nº 063/07 com a Rodoanel Sul 5 Engenharia Ltda. Os outros treze contratos foram entre a CBEMI Construtora Brasileira e Mineradora Ltda, impugnante, como “Cedente” de direitos, NB Multicrédito Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados, e como “Cessionário”, a empresa C&D Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda, condição de “Instituição Administradora” e, NB Gestora Ltda como “Intervenienteanuente” e, referiam-se a “Cessão de Direitos de Créditos e Outras Avenças”. Os contratos numerados de 001/07 a 005/07 (cinco) tinham como objeto da cessão o crédito decorrente do Contrato de Empreitadas com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte – DNIT. Os contratos de nºs 006/07 a 014/08 (nove) tiveram por objeto da cessão o crédito decorrente do Contrato de Empreitadas nº 063/07 com a empresa Rodoanel Sul 5 Engenharia Ltda. Dos 10 (dez) contratos que tiveram como objeto da cessão crédito decorrente do contrato nº 063/07 com a tomadora, Rodoanel Sul 5 Engenharia Ltda, com exceção do contrato nº 239/06, os demais possuíam garantia adicional constituído por Notas Promissórias emitidas pela CBEMI e avalizadas pelos fiadores do contrato. Como devia saber, o contrato de empréstimo se diferencia do relativo a um investimento não só no fato de envolver um investidor e uma instituição de investimento, mas, também pela legislação, inclusive tributária, aplicável em cada um dos casos. No que se refere aos comentários efetuados pelo Auditor Fiscal a respeito dos “documentos hábeis e idôneos” para comprovar Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FER REIRA MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11516.722340/2011-62 Resolução nº 1103-000.144 S1-C1T3 Fl. 2.388 10 determinado registro contábil ou determinada operação financeira ou bancária, transcreve trecho do TVF que dispõe sobre a apresentação de documentos em atendimento ao Termo de Intimação nº 01/2011, 06/2011 e 07/2011, bem como os arts. 221 e 320 do Código Civil, art. 923 do Decreto 3.000/1999 e trecho do Parecer Normativo CST nº 10/1976, para em seguida asseverar: Portanto, os livros, documentos e informações apresentados, tais como contratos de empreitadas e de cessão de direitos de créditos, notas fiscais, TED – Transferência Eletrônica Disponível, extratos bancários, recebidos de pagamentos, etc., são hábeis, idôneos e legais até que se comprovem o contrário. Os comprovantes de depósito, TED, DOC ou qualquer outro, relativos a créditos efetuados, referentes a contrato de cessão de créditos são emitidos, de propriedade e guarda da empresa cessionária e, garantido pelo sigilo bancário e fiscal. O que seria de estranhar era encontrar os contratos originais com a empresa CBEMI, beneficiária/cedente. As cópias apresentadas pela CBEMI foram cedidas pela cessionária e, assim, a empresa fiscalizada, CBEMI, não deveria apresenta-las à fiscalização, vez que, são documentos protegidos pelo sigilo fiscal (CF, LC 105/2001, Decreto nº 3.724/2001). IMPROCEDENTES, portanto, as alusões efetuadas pelos Auditores Fiscais com o fito de descaracterizar os livros contábeis, documentos e, informações e, por conseqüência, a desconsideração da contabilidade da empresa e, finalmente arbitrar o lucro para fins de cobrança de IRPJ e CSLL, sem os créditos legais. A seguir dedica-se, a Defendente, a tratar individualmente dos contratos mencionados no TVF. Sob o título “Das Acusações de Fraudes e Simulações”, transcreve trecho do TVF afirmando que as “acusações são graves, descabidas e inverídicas, e serão juntados todos os documentos examinados pelo Auditor para estabelecer a verdade”. Em seguida transcreve parte do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 e requer prazo de 60 dias para apresentar as provas documentais a serem emitidas pelas entidades bancárias. Por fim, requer o acolhimento da impugnação; o deferimento do pedido de juntada futura das cópias dos comprovantes que serão enviados pelas entidades bancárias; declaração de nulidade dos autos de infração por erro insanável, a falta de assinatura dos autuantes; declaração de improcedência da desconsideração da contabilidade, do arbitramento do lucro e dos débitos lançados. No dia 05/03/2012 a Defendente apresentou adendo à sua impugnação, fls. 2.117 a 2.121, no qual reitera os argumentos apresentados na impugnação e requer a juntada e a apreciação de novos documentos os quais foram anexados às fls. 2.122 a 2.261. Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FER REIRA MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11516.722340/2011-62 Resolução nº 1103-000.144 S1-C1T3 Fl. 2.389 11 Acórdão da DRJ Em 08/08/2013, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Salvador, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento da impugnação, admitir o exame das provas apresentadas após o prazo de impugnação, rejeitar as alegações de nulidade e, no mérito, considerar a impugnação improcedente, para manter integralmente os lançamentos de IRPJ e CSLL, juntamente com os acréscimos legais correspondentes. No acórdão recorrido foi consignado, em suma, o seguinte: i. Os novos documentos trazidos aos autos pelo contribuinte após o protocolo da impugnação foram integralmente utilizados no convencimento, conforme referências feitas ao longo do voto; ii. Não foi acolhido o argumento de que o auto de infração é nulo por não ter sido indicado seu número de emissão e o número do processo (Comprot), pois tais elementos não constituem pressupostos essenciais de existência do AI, conforme o art. 142 do CTN e não impedem a apresentação de defesa, tendo sido assegurado à defendente o acesso a todos os elementos necessários a explanar as razões porque entende ser o AI improcedente; iii. Improcede o argumento de que AI e TVF não foram assinados, pois houve assinatura digital pelo auditor fiscal Saul Rosa de Souza, conforme a MP 2.200-2/01, não havendo nulidade; iv. O MPF é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, de modo que não se pode falar em nulidade do lançamento em virtude de eventuais falhas na sua emissão, tese contemplada por julgados do Conselho de Contribuintes; v. Poderão advir consequências dos erros na utilização do MPF, mas não a ponto de ocasionarem a nulidade dos atos praticados por auditor fiscal no exercício de sua competência atribuída por lei; vi. Dessa forma, também não há nulidade do AI em razão da ausência do nome do auditor fiscal no MPF ou de descumprimento do art. 15 da Portaria nº 3.014/2011; vii. A obtenção de informações acerca de operações financeiras sem ordem judicial não ofende o devido processo legal e a reserva de jurisdição para a quebra do sigilo de dados, pois a autoridade fiscal observou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001; viii. Também não merece prosperar a alegação de que a coleta de informações pelos auditores fiscais nas empresas Rodoanel Sul e DER/SP foram totalmente irregulares, visto que, nos termos do art. 195 do CTN, “para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los”; ix. A análise sobre a regularidade ou não da desconsideração da contabilidade e do arbitramento passa, portanto, pela resposta às seguintes questões: (a) há comprovação de que os juros apropriados foram efetivamente incorridos?; (b) os empréstimos registrados na contabilidade podem ser comprovados?; (c) o registro das receitas e a emissão das Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FER REIRA MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11516.722340/2011-62 Resolução nº 1103-000.144 S1-C1T3 Fl. 2.390 12 notas fiscais foram feitos de forma regular?; (d) os juros de períodos anteriores foram apropriados no mês da compensação?; e (e) há descompasso entre o registro das despesas com o das receitas? x. Verificou-se que, nem no âmbito do procedimento de fiscalização, nem em sua impugnação, a defendente logrou êxito em apresentar o fundamento dos registros que efetuou em sua contabilidade concernente aos seguintes registros: despesas lançadas na conta juros de mora código 3.2.1.04.00003 no montante de R$300.633,10; lançamento de despesa na conta Juros e Comissões Bancárias – código 3.2.1.04.00004 dia 03/01/2007 – R$52.531,33; lançamento de despesa na conta Juros e Comissões Bancárias – código 3.2.1.04.00004 dia 22/05/2007 – R$354.000,00; lançamento de despesa na conta Juros e Comissões Bancárias – código 3.2.1.04.00004 dia 21/06/2007 – R$979.177,44; e dia 30/06/2008 – R$2.449.003,12; disparidade na apropriação de juros; xi. Foi registrado que, dentre os valores apontados pela fiscalização, apenas o pagamento no valor de R$151.700,00, lançado no dia 10/03/2008, foi comprovado pela Defendente, conforme Aviso de Lançamento juntado às fls. 2.153, não tendo sido apresentado fundamento para os demais lançamentos nem no procedimento de fiscalização nem na impugnação; xii. Quanto aos empréstimos não comprovados, deve ser observado que: (a) correspondência enviada à instituição financeira solicitando a transferência de recurso não prova a efetividade da solicitação nela contida; (b) recibo puro e simples não é instrumento hábil o suficiente para comprovar a transferência de recursos, especialmente quando tais transferências podem ser comprovadas com documentos emitidos por instituição financeira ou mesmo quando existem outros documentos indicados em lei como necessários à eficácia da relação frente a terceiros, como é o caso da notificação, a que se refere o art. 290 do Código Civil, que deve ser feita ao devedor de crédito cedido; (c) documento emitido pela instituição financeira, inclusive extrato bancário, que não indique com clareza a origem, o destino, a data e o valor da transferência não é documento hábil para confirmar as transferências de recurso de que tratam os contratos de empréstimos sob exame; (d) os livros contábeis por si só não são instrumentos hábeis a fim de comprovar os fatos contábeis neles registrados; e (e) a defendente, enquanto cliente da instituição financeira, tem o direito de obter informações a respeito da origem dos TED que foram creditadas em suas contas correntes, por força do art. 1º, I, da Resolução Bacen nº 3694/09, não cabendo alegar que as informações atinentes à origem dos recursos seriam de propriedade exclusiva de terceiros; xiii. Quanto ao contrato de fomento mercantil e prestação de serviço conjugada com a compra de ativos mercantis nº 239, firmado com a NB Fomento, o conjunto de documentos apresentados pela defendente não foi capaz de demonstrar com clareza as informações consignadas nos termos aditivos, muito menos foram capazes de fundamentar os registros contábeis dos referidos contratos; xiv. Em relação ao contrato nº 01/2007, não é suficiente para comprovar a transação a transferência de R$17.258.222,02 que a defendente fez à NB Multicrédito; xv. No que tange aos contratos nºs 02/2007, 03/2007, 04/2007, 05/2007, 06/2007, 11/2008, 12 e 13/2008, 09/2007 e 14/2008 os documentos apresentados pela impugnante não são hábeis a comprovar a efetividade da transação; Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FER REIRA MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11516.722340/2011-62 Resolução nº 1103-000.144 S1-C1T3 Fl. 2.391 13 xvi. A respeito das notas fiscais, a impugnante alegou que a forma utilizada para imprimir documentos pode ter gerado as imperfeições apontadas pela auditoria, que algumas notas fiscais podem ter sido extraviadas e que não foram emitidas notas fiscais calçadas, mas não justificou a ausência de apresentação de notas à fiscalização e a razão pela qual não foi observada a ordem cronológica e foram canceladas notas fiscais em branco; e xvii. É procedente o arbitramento realizado pelo auditor fiscal, pois, diante das questões postas pelo auditor fiscal, da incapacidade do sujeito passivo apresentar a comprovação de fatos relevantes registrados em sua escrituração contábil e da constatação de que foram elaboradas demonstrações contábeis díspares para um mesmo período, sendo apresentada para fins de fiscalização a que menos favorecia ao fisco, restou evidente a subsunção dos fatos narrados à previsão do art. 47, II da Lei nº 8.981/95, isto é, a escrituração contábil da defendente revela deficiências que a tornam imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real. Recurso Voluntário Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 2332 a 2354 (e-processo), no qual reiterou os argumentos contidos na impugnação e aduziu, em suma, o seguinte. Preliminarmente, arguiu a nulidade do auto de infração em razão de vícios relacionados à execução do mandado de procedimento fiscal, a saber: i. O procedimento foi iniciado em 09/02/2011 pelo MPF-Diligência nº 09.2.01.00-2011- 00090-1, com o objetivo de “coleta de informações relativa a movimentação financeira/financiamento de longo prazo”, tendo sido mencionado nos termos de intimação nºs 2/2011 e 8/2011 e no termo de verificação fiscal o MPF-Fiscalização nº 09.2.01.00-2011-00329-3, que não está disponível no sítio da RFB. Há incorreção no procedimento porque o MPF-Diligência se presta a coletar informações ou outros elementos de interesse da Administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual, ao passo que as ações que objetivam a verificação do cumprimento de obrigações tributárias e que podem resultar em lançamento de ofício exigem o MPF-F; ii. O art. 7º da Portaria RFB 3014/11 exige que o MPF contenha nome e matrícula do auditor fiscal responsável. O MPF-D nº 09.2.01.00-2011-00090-1 traz como responsável e supervisor apenas o auditor Carlos André Soares Nogueira, que assinou sozinho o termo de início de diligência e o termo de intimação nº 01/2011. Já os termos de intimação 2/2011 e 7/2011 foram emitidos e assinados pelos auditores fiscais Carlos André Soares Nogueira e Saul Rosa de Souza, o qual não costa do MPF-D. Os termos de intimação 8/2011 e 9/2011 e os termos de retenção de livros e documentos de ciência, por sua vez, foram assinados apenas por Saul Rosa de Souza, que não consta do MPF-D. Dessa forma, e não tendo sido alterado o MPF-D, os atos praticados por Saul Rosa de Souza são nulos por falta de legitimidade, implicando nulidade de todos os demais atos que deles decorreram, inclusive os autos de infração; e iii. O prazo de extinção do MPF-D 09.2.01.00-2011-00090-1 se deu em 04/11/2011, mas o auto de infração foi lavrado apenas em 13/12/2011, o que configura outro motivo para que seja reconhecida a nulidade da autuação fiscal. Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FER REIRA MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11516.722340/2011-62 Resolução nº 1103-000.144 S1-C1T3 Fl. 2.392 14 No mérito, a recorrente afirmou que: i. Houve erro insanável da fiscalização, pois não permitiu à recorrente, anteriormente à realização do arbitramento, regularizar as deficiências apontadas em sua escrituração, o que está em dissonância com a jurisprudência do CARF, notadamente o acórdão 01- 04.557 da CSRF; ii. O fiscal deveria ter considerado, no lançamento de ofício, as retenções de IRPJ e CSLL sofridas pela recorrente, conforme a Solução de Consulta Interna nº 23/06, para, ao menos, não exigir multa de ofício e juros de mora sobre tais valores; iii. As retenções remontam cerca de R$3,5 milhões e, tendo sido aplicada multa de 150%, foram exigidos, na autuação fiscal, R$5,2 milhões a título de multa de ofício calculada sobre os valores retidos na fonte e não considerados pela autoridade fiscal, além dos juros de mora; iv. Tendo em vista que as retenções na fonte já foram aproveitadas na apuração de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL que foram objeto de pedidos de compensação apresentados pela recorrente, requereu apenas o cancelamento da multa de ofício e dos juros de mora sobre os valores retidos na fonte ou, subsidiariamente, o cancelamento também do principal (valor das retenções), sendo, nessa hipótese, ajustadas as declarações de compensação de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL; v. Também subsidiariamente, isto é, apenas caso seja mantido o arbitramento realizado, deve ser cancelada a qualificação da multa, sendo a multa de ofício reduzida para 75%, pois a autoridade fiscal não descreveu qual conduta da recorrente ensejaria a qualificação da multa de ofício, isto é, se houve sonegação, fraude ou conluio, conforme acórdão 101- 94.258 e a Súmula nº 14 do CARF; vi. A autoridade fiscal nem poderia fazer essa comprovação, pois a base de cálculo do lucro arbitrado foi determinada com base nas receitas apuradas pela própria recorrente, não havendo que se falar em intuito doloso; vii. Além disso, o fato de o autuante apontar a existência de demonstrações financeiras diversas, havendo divergência entre os valores indicados para o fisco e os valores indicados para órgãos públicos para fins de licitação não comprova a existência de intuito doloso, especialmente porque a autoridade fiscal não é capaz de apontar qual das demonstrações estaria correta, cf. fls. 1430. É o relatório. Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FER REIRA MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11516.722340/2011-62 Resolução nº 1103-000.144 S1-C1T3 Fl. 2.393 15 VOTO Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos Conforme relatado, a presente controvérsia diz respeito ao arbitramento realizado pela autoridade fiscal em razão da suposta imprestabilidade da escrituração da recorrente. Às fls. 1433, a autoridade fiscal consignou que “sobre o resultado da aplicação do arbitramento dos valores acima mencionados não foram subtraídas as retenções informadas pelo contribuinte nas declarações do Imposto de Renda, haja vista que tais valores já foram objeto de compensação por saldo negativo de IRPJ e CSLL (...)”. Alega a recorrente (fls. 2345-2350) que o valor das retenções sofridas, de aproximadamente R$3.500.000,00, deveria ter sido deduzido pela autoridade fiscal, ao menos, para fins de cálculo da multa de ofício e dos juros de mora. Para que o argumento da recorrente possa ser devidamente apreciado, entendo necessário verificar se as DCOMP mencionadas pela autoridade fiscal às fls. 1433-1434 e abaixo mencionadas já foram apreciadas e homologadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil competente: Exercício 2008 Saldo negativo do IRPJ: R$ 1.514.745,77 DCOMP: 01003.66046.200808.1.7.02-1375 31942.68609.270808.1.7.02-1987 Saldo negativo da CSLL: R$ 1.230.903,33 DCOMP: 06593.52564.200808.1.7.03-0215 11634.06523.270808.1.7.03-7700 Exercício 2009 Saldo negativo do IRPJ: R$ 1.856.305,75 DCOMP: 10671.56395.070710.1.3.02-6793 08639.25627.070710.1.3.02-8078 28895.16173.070710.1.3.02-0061 1712288847.070710.1.3.02-0194 18961.29963.070710.1.3.02-7884 07580.12936.070710.1.3.02-6100 08413.30758.070710.1.3.02-0176 42495.01501.070710.1.3.02-5428 08033.87037.070710.1.3.02-2076 12921.37037.070710.1.3.02-4807 36932.24024.071010.1.3.02-5783 29747.55297.3103.11.1.3.02-7067 Saldo negativo da CSLL: R$ 738.130,70 21915.71163.310311.1.3.03-6544 Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FER REIRA MARTINS VASCONCELOS Processo nº 11516.722340/2011-62 Resolução nº 1103-000.144 S1-C1T3 Fl. 2.394 16 Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Receita Federal do Brasil: a) informe se as DCOMP acima indicadas foram apreciadas e homologadas; e b) cientifique a recorrente para apresentar manifestação limitada ao resultado da diligência, no prazo legal de 30 (trinta) dias, conforme o art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11, findo o qual os autos devem ser devolvidos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Breno Vasconcelos Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por BRENO FER REIRA MARTINS VASCONCELOS
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