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Numero do processo: 19515.002283/2006-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001
IRPJ. PRELIMINAR DE NULIDADE. ERRO DE INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO
Incabível a preliminar de nulidade de erro de identificação do sujeito passivo, pois o processo administrativo fiscal seguiu plenamente seu curso procedimental, não se vislumbrando qualquer prejuízo aparente e tendo a recorrente, no caso concreto, todas as oportunidades cabíveis para argumentar, como de fato o fez, e inúmeras vezes em nome e com poderes outorgados por empresa que, depois, vem ela mesma alegar que não existia.
Numero da decisão: 9101-003.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem a fim de que se julgue o recurso voluntário, para que, afastada a nulidade apontada, adentre-se ao julgamento de mérito do recurso apresentado pelo contribuinte, bem como do recurso de ofício interposto pela DRJ de origem. Votaram pelas conclusões, quanto ao mérito, os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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PRELIMINAR DE NULIDADE. ERRO DE INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Incabível a preliminar de nulidade de erro de identificação do sujeito passivo, pois o processo administrativo fiscal seguiu plenamente seu curso procedimental, não se vislumbrando qualquer prejuízo aparente e tendo a recorrente, no caso concreto, todas as oportunidades cabíveis para argumentar, como de fato o fez, e inúmeras vezes em nome e com poderes outorgados por empresa que, depois, vem ela mesma alegar que não existia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem a fim de que se julgue o recurso voluntário, para que, afastada a nulidade apontada, adentrese ao julgamento de mérito do recurso apresentado pelo contribuinte, bem como do recurso de ofício interposto pela DRJ de origem. Votaram pelas conclusões, quanto ao mérito, os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 83 /2 00 6- 56 Fl. 897DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Fl. 898DF CARF MF Processo nº 19515.002283/200656 Acórdão n.º 9101003.744 CSRFT1 Fl. 898 3 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 653 a 664, contra o Acórdão nº 1401000.501, de 31 de março de 2011 (efls. 639 a 648, que, por unanimidade de votos, reconheceram, de ofício, a nulidade dos autos de infração, por erro na sujeição passiva, prejudicadas as análise dos recurso voluntários e de ofício. Transcrevese a ementa e a decisão do acórdão recorrido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Anocalendário: 2001 NULIDADE CONFIGURADA POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA POR INCORPORAÇÃO E POSTERIOR CISÃO TOTAL DA INCORPORADORA. Extinguindose a incorporada, responde a incorporadora, na qualidade de sucessora, pelos tributos devidos pela sucedida, fato que impõe seja aquela identificada como sujeito passivo na condição de responsável tributário. Posteriormente, havendo a cisão total da incorporadora, caberá às suas sucessoras a responsabilidade pelos tributos devidos pela empresa extinta. É inadmissível a lavratura de auto de infração contra pessoa jurídica regularmente extinta por incorporação à data da ciência do lançamento. Nulidade do lançamento reconhecida de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por reconhecer, de ofício, a nulidade dos autos de infração por erro na sujeição passiva, prejudicadas as análises dos recursos voluntário e de ofício. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação a decretação de nulidade do auto de infração diante da lavratura do mesmo em nome da empresa incorporada, alegando que os acórdãos paradigmas esboçaram entendimento diametralmente oposto, mantendo se o lançamento. Transcrevese as ementas dos acórdãos indicados como paradigmas, no que interessa ao exame da matéria: Acórdão nº10323.043, de 24.05.2007: SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. INDICAÇÃO DA INCORPORADA COMO SUJEITO PASSIVO. Fl. 899DF CARF MF 4 VALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO APÓS A INCORPORAÇÃO. A pessoa jurídica incorporadora é responsável, por sucessão, pelo crédito tributário devido pela incorporada, devendo aquela (incorporadora) constar do auto de infração na condição de sujeito passivo, No entanto, é válido o auto de infração lavrado após formal encerramento de atividades da incorporada, que contém sua indicação (incorporada) no pólo passivo da obrigação tributária, desde que assegurados o devido processo legal e a ampla defesa ã sucessora Acórdão nº10808.499, de 19.10.2005: IRPJ – PRELIMINAR DE NULIDADE – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – Incabível a preliminar de nulidade de cerceamento ao direito de defesa, pois o processo administrativo fiscal seguiu plenamente os trâmites legais, tendo a recorrente todas as oportunidades cabíveis para argumentar, não se vislumbrando qualquer prejuízo aparente. IRPJ – PRELIMINAR DE NULIDADE – FALTA DE DESCRIÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO – Não há que se acolher a preliminar de nulidade ante a falta de descrição suficiente do auto de infração, eis o mesmo preenche todos os pressupostos legais em sua elaboração, e a autuada demonstrou pleno conhecimento da matéria em sua defesa, não se verificando quaisquer irregularidades nesse sentido. O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 670 a 673. Em suas razões recursais, a Recorrente defende a inexistência de nulidade em razão da lavratura do Auto de Infração em nome da empresa incorporada, alegando que nos termos dos artigos 59 c/c 60 do Decreto nº 70.235/72, a cientificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente e b) quando resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte. Entende a Recorrente que nenhuma das situações acima teve lugar nesse processo e que a defesa do autuado foi exercida plenamente e que não se vislumbrou qualquer prejuízo para a parte, não havendo motivo para a anulação do ato em questão. Ao final, requer seja mantido em sua integralidade o lançamento por inexistência de vício de lançamento. Cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da PFN (efls. 686 a 697), aduzindo, em apertada síntese, que o reconhecimento da nulidade nos autos do processo administrativo pode ser feito a qualquer momento e de ofício pela autoridade fiscal ou autoridade julgadora competente para prática do ato administrativo, ainda que tal questionamento tenha sido feito pelo contribuinte. Que no presente caso, o auto de infração foi lavrado pela autoridade fiscal em nome da empresa ESTREL ADMINISTRAÇÃO E CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA, cuja ciência da autuação se deu em 27.10.06. Que, todavia, conforme documentação acostada às contrarrazões, a sociedade empresarial constante do pólo passivo do auto de infração havia sido extinta por incorporação pela empresa ADMINISTRADORA E CORRETORA DE SEGUROS UNIBANCO LTDA, em 30.09.2002. Fl. 900DF CARF MF Processo nº 19515.002283/200656 Acórdão n.º 9101003.744 CSRFT1 Fl. 899 5 Que, posteriormente ao ato de incorporação acima, a ADMINISTRADORA E CORRETORA DE SEGUROS UNIBANCO LTDA, passou por um processo de cisão total, em 29.10.2004, entre as empresas UNIBANCO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA e MARCEP CORRETAGEM DE SEGUROS. Que, à época que o auto de infração foi formalizado a pessoa jurídica ESTREL já não existia mais no mundo jurídico em razão de sua extinção pela incorporação e cisão realizadas, inclusive tendo sido devidamente baixadas perante a Receita Federal do Brasil. Que com o procedimento de incorporação uma ou mais sociedade são absorvidas por outra, que as sucede. E que, no mesmo sentido, o processo de cisão de uma sociedade empresarial, consiste na transferência de parcela ou total do patrimônio da companhia para uma ou mais sociedades já existentes ou constituídas para esse fim, de modo que a empresa cindida se extingue, deixando de existir no mundo jurídico. Desse modo, entende a Recorrida que restou caracterizado o erro na indicação do sujeito passivo na autuação vinculada a este processo administrativo, tornando inviável o lançamento tributário pretendido. É o Relatório. Fl. 901DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Conhecimento O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, tendo sido indicados mais de dois acórdãos paradigmas. No despacho de admissibilidade, foram considerados dois acórdãos paradigmas para fins de comprovação da divergência: 10323.043, da 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes; e, 10808.499, da 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. O contribuinte, em suas contrarrazões, não questiona o conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Desta forma, por ser tema incontroverso, concordo e adoto as razões do Presidente da Quarta Câmara da 1ª Seção do CARF para conhecimento do recurso especial, nos termos do permissivo do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/99. Em síntese, a questão posta para análise deste Colegiado é se a indicação de sujeito passivo extinto por incorporação no pólo passivo da obrigação tributária configura, por si só, motivo de nulidade do ato administrativo de constituição do respectivo crédito tributário. No acórdão recorrido firmouse o posicionamento que “é inadmissível a lavratura de auto de infração contra pessoa jurídica regularmente extinta por incorporação à data da ciência do lançamento”. Nos paradigmas, ao contrário, consignouse que “é válido o auto de infração lavrado após formal encerramento de atividades da incorporada, que contém sua indicação (incorporada) no pólo passivo da obrigação tributária, desde que assegurados o devido processo legal e a ampla defesa à sucessora” (10323.043), bem como que “não há que se acolher a preliminar de nulidade ante a falta de descrição suficiente do auto de infração, eis que o mesmo preenche todos os pressupostos legais em sua elaboração, e a autuada demonstrou pleno conhecimento da matéria em sua defesa, não se verificando quaisquer irregularidades nesse sentido” (10808.499). Antes de se adentrar ao objeto do recurso especial em exame (ilegitimidade passiva), importante pontuar fatos observados pelo Julgador na análise dos acontecimentos que envolveram a lavratura do auto de infração. Verificase, nas p 94, 98, 134, 139, 146, 167 e na própria Impugnação de p. 188 e seguintes que, mesmo após a extinção do contribuinte por incorporação, fato comprovado nos autos em fase de julgamento do Recurso Voluntário, através do cumprimento de intimação de p. 530, o mesmo sempre manifestouse nos autos como Estrel Administração e Corretagem de Seguros Ltda., com sede na cidade de São PauloSP, na Rua João Moreira Salles, nº 130, Bloco A, Nível 1. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 19515.002283/200656 Acórdão n.º 9101003.744 CSRFT1 Fl. 900 7 Somente em Recurso Voluntário, de p. 393 e seguintes, é que o sucessor, Unibanco Empreendimentos e Participações S/A, apresentouse nos autos como sucessor do contribuinte Estrel Administração e Corretagem de Seguros Ltda., indicando como endereço de sua sede na Rua João Moreira Salles, 130, Bloco A, Nível 1, São Paulo – SP. É também importante pontuar, que, por ocasião da apresentação da Impugnação aos autos de infração lavrados, a procuração aos advogados subscritores da defesa, de p. 203, foi outorgada por Estrel Administração e Corretagem de Seguros Ltda., em setembro/02, e substabelecida em dezembro/05, com a juntada de contrato social da referida empresa, arquivado na JUCESP em 22.02.2002 para comprovação de poderes. Fl. 903DF CARF MF 8 E, por fim, em todos os atos praticados pelo contribuinte e seu sucessor, no decorrer do processo administrativo, inclusive impugnação e recurso voluntário, foi apontado o óbice da ilegitimidade passiva como matéria de defesa para afastar os autos de infração lavrados. A razão da autuação, de forma singela, resumese ao uso de despesas dedutíveis não comprovadas pelo contribuinte por ocasião das intimações da fiscalização. A DRJ de origem, através do v. acórdão de p. 352/365, deu parcial provimento à impugnação, reduzindo substancialmente os créditos tributários constituídos a título de IRPJ e CSLL. No recurso voluntário, que não teve o mérito analisado, a Recorrente questiona dois tipos de despesas que entende dedutíveis e comprovadas nos autos, mas não consideradas pela DRJ. O Colegiado de origem, à vista dos documentos anexados, devidamente arquivados na JUCESP, de ofício, através do v. acórdão recorrido, reconheceu a ilegitimidade passiva do contribuinte indicado no auto de infração, uma vez que foi extinto por incorporação em 30.09.2002 e a cientificação dos autos de infração, em nome do contribuinte extinto, deuse em 27.10.2006, o que, nos termos do v. acórdão recorrido, leva a “inarredável conclusão de que são nulos os lançamentos efetuados, por erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, vez que a relação jurídica não pode ter existência em razão do manifesto equívoco na identificação do sujeito passivo” (grifo no original). Não se discute que houve um erro na identificação do sujeito passivo. Mas, a questão a ser dirimida, ao ver deste Julgador, restringese em definir, neste Colegiado, se esse erro na identificação foi relevante para alterar aspectos materiais do auto de infração lavrado, ou se se trata de um erro formal, passível de convalidação à vista dos fatos acima apresentados para concluirse pela nulidade, ou não, dos próprios autos de infração. Sob o ponto de vista material, ao ver deste Julgador, não há vícios que possam resultar na nulidade do auto de infração. De se observar que a defesa de mérito, em relação à dedutibilidade de despesas glosadas pela fiscalização, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, foi regularmente desenvolvida pela sucessora do contribuinte (as empresas em questão fazem parte do mesmo Grupo econômico), em todas as fases do processo Fl. 904DF CARF MF Processo nº 19515.002283/200656 Acórdão n.º 9101003.744 CSRFT1 Fl. 901 9 administrativo, na medida em que foi sendo intimada, seja em resposta às intimações fiscais, seja na apresentação da impugnação e recurso voluntário. Ademais, nos outros aspectos formais da autuação, não houve questionamento pela nulidade do ato administrativo de constituição dos créditos tributários de IRPJ e CSLL, restando a discussão restrita às questões de mérito: dedutibilidade ou não de despesas e sua comprovação. Não houve preterição de defesa do contribuinte no caso concreto. Sob o ponto de vista formal, não se pode negar que, no momento de lavratura do auto de infração, a Estrel Administração e Corretagem de Seguros Ltda. já tinha sido incorporada e, desta forma, a autuação deveria ter feito a menção de que o responsável pelos tributos constituídos era a sua sucessora. Ainda que tenha ocorrido esse lapso, todas as intimações foram encaminhadas ao endereço da sucessora (que é mesmo da Estrel), que as respondeu, em parte, como se fosse a própria Estrel e, no recurso voluntário, em nome próprio, na condição de sucessora. Requisitos de forma, contudo, não são um fim em si mesmos. Existem para resguardar direitos, notadamente, em relação ao contribuinte, ao contraditório e ampla defesa. Em última análise, é a violação desses direitos que gera a nulidade, não o erro isoladamente considerado, como se verifica no presente caso. Os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, por sua pertinência ao presente voto e deslinde da controvérsia, são abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (sublinhamos) No caso, ainda que se tenha identificado no auto de infração a empresa sucedida como o sujeito passivo, é fato que a sucessora, na qualidade de responsável tributário por sucessão, teve plenas condições de fazer a defesa administrativa cabível, apresentandose como tal, apontando, quanto ao mérito da cobrança em si, todos os argumentos de defesa, Fl. 905DF CARF MF 10 inclusive apresentando documentos hábeis a comprovar suas alegações, exercendo o contraditório e a ampla defesa. Não há nulidade sem prejuízo da parte (paradigma 10808.499). Sem ingressar outros aspectos subjetivos da conduta do contribuinte, não seria forçoso afirmar que, neste caso concreto, ao argüir o erro de identificação do sujeito passivo, a recorrida acaba por beneficiarse da própria torpeza ao identificarse inúmeras vezes como ESTREL, para ao final dizer que na realidade não existe mais. Concluo que, não havendo supressão de aspecto importante para a constituição do crédito tributário, nem prejuízo ao exercício do direito de defesa do contribuinte, ainda em respeito ao Principio da Verdade Material, não se verifica nulidade no lançamento, devendo ser reformado o v. acórdão recorrido, conforme fundamentos trazidos nos acórdãos paradigmas e pelos argumentos acima despendidos. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, reformando o v. acórdão recorrido, bem como determinar a baixa dos autos ao Colegiado competente para o julgamento do Recurso Voluntário para que, afastada a nulidade apontada, possam adentrar ao julgamento de mérito do recurso apresentado pelo contribuinte, bem como do recurso de ofício interposto pela DRJ de origem. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 906DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.912036/2011-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.773
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13839.912032/2011-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13839.912032/201118, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior RELATÓRIO Trata o presente processo administrativo de pedido de restituição realizado através de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. A unidade de origem proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 12 03 6/ 20 11 -9 8 Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13839.912036/201198 Resolução nº 3301000.773 S3C3T1 Fl. 3 2 Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade para instaurar o contencioso administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, juntando documentos para subsidiar a existência de seu crédito. Em síntese, a contribuinte afirmou: O recolhimento a maior no período de apuração decorre de uma revisão de seus lançamentos, onde identificou um crédito de tributo em virtude da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, antes da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF. Em razão da consolidação do entendimento do STF pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo, afirma que a Administração Pública tem o dever de devolver o que restou recolhido indevidamente, em obediência aos princípios garantidos na Constituição Federal (art. 37). Transcreveu o art. 1º do Decreto nº 2346/1997, e sustentou que cabe aos órgãos administrativos aplicar o entendimento firmado pelo STF, no exercício de sua competência de apreciar a constitucionalidade das leis. Requer a aplicação do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual dispõe expressamente sobre a obrigação de seus julgadores afastarem a aplicação de lei julgada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo Plenário do STF. Quanto ao crédito, argumentou que no mês de apuração em foco, considerando a original vigência da Lei nº 9.718, de 1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo, conforme comprova a sua DIPJ do período, anexada aos autos. Apresenta relatórios contábeis detalhando o crédito pleiteado, afirmando que decorre exclusivamente das receitas financeiras. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Em suas razões de voto, a DRJ trouxe os seguintes argumentos: A declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no controle difuso somente obriga a Administração Tributária em relação aos autores das ações em que foram prolatadas e não em relação aos demais contribuintes, mesmo nos casos, como o do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em que a inconstitucionalidade foi reconhecida pela Suprema Corte inclusive sob o rito do art. 543B, do CPC (RE nº 585.235), que trata da repercussão geral de recursos com fundamento em idêntica controvérsia. Não foi expedido o ato da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, e, além disto, as decisões proferidas pelo STF sobre a questão não têm efeitos erga omnes. O Despacho Decisório em exame não homologou a compensação pretendida, mediante a justificativa de inexistência de saldo disponível em favor do contribuinte, uma vez Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13839.912036/201198 Resolução nº 3301000.773 S3C3T1 Fl. 4 3 que o recolhimento da contribuição, ora examinado, está integralmente vinculado a débitos do contribuinte. Quando da interposição da manifestação de inconformidade, o contribuinte tem o dever de apresentar as provas em torno da pertinência da restituição, total ou parcial, do pagamento espontaneamente efetuado. A DIPJ e o demonstrativo de cálculo da composição da referida receita, denominado "Referência Contábil", elaborado pelo próprio contribuinte, não é meio legítimo, por si só e independentemente dos necessários elementos comprobatórios, para justificar o direito à restituição. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário que ora se analisa, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, acrescentando: A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em março de 2010 a Portaria nº 294/2010, autorizando os Procuradores da Fazenda Nacional a não apresentar contestação e não interpor recursos, bem como desistir dos já interpostos, para os casos em que se discute o alargamento da base de cálculo perpretada pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista a decisão do Plenário do STF, no julgamento do RE nº 585.235, julgado sob o rito da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC, que reconheceu a inconstitucionalidade do dispositivo. Ainda, para demonstrar a liquidez do crédito, junta aos autos balancetes contábeis para complementar os demonstrativos contábeis (memória de cálculo) e a DIPJ trazidos com a manifestação de inconformidade. Invocando a verdade material, requer a realização de diligência para verificação das receitas financeiras auferidas no período de apuração em referência para fins de constatar o crédito pleiteado pela Recorrente. É a síntese do necessário VOTO Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.768, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.912032/201118, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.768): "O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição. Realizada a suma adrede, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13839.912036/201198 Resolução nº 3301000.773 S3C3T1 Fl. 5 4 informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos; iii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 12/2000. Desta feita, o montante pago foi utilizado para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não há impedimento para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Este entendimento vem sendo adotado em sede de Recurso Voluntário pelo E. CARF, conforme se destaca das ementas abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13839.912036/201198 Resolução nº 3301000.773 S3C3T1 Fl. 6 5 O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 10283.902681/200913. Relator WALBER JOSE DA SILVA. Data da Sessão 21/05/2013. Nº Acórdão 3302002.104) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2001 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QORG. (Número do Processo 10280.905792/201126. Relatora SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA. Data da Sessão 27/07/2017. Nº Acórdão 3302004.623) (grifo não consta do original) Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrada por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13839.912036/201198 Resolução nº 3301000.773 S3C3T1 Fl. 7 6 (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO.Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301 004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. Análise a ser realizada a seguir. II) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no mês de apuração em foco (12/2000), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. Para demonstrar o montante de crédito a que tem direito, juntou aos autos a sua DIPJ do exercício 2001 (fls. 68201), onde se constata em fls. 90, na ficha 19A, correspondente ao cálculo da contribuição ao PIS, a informação presente no tem 02 o montante de R$ 1.665.065,93 a título de receitas de variações cambiais, que corresponde exatamente ao montante de R$ 10.822,93 se aplicada a alíquota de 0,65% sobre esta base de cálculo. Também juntou em fls. 67 um demonstrativo contábil referente ao mês de dezembro/2000, onde consta este mesmo montante discriminado como "receitas financeiras líquidas". A r. decisão proferida pela d. DRJ afirmou que tais documentos são meramente informativos, não sendo capazes de informar a origem e veracidade do crédito. No entanto, a DIPJ, por ser uma obrigação acessória exigida pela legislação, constitui sim importante elemento de prova, com forte indício de veracidade das informações ali constantes. Em que pese a d. DRJ não ter aceitado a DIPJ como prova suficiente para dar liquidez e certeza ao crédito pleiteado pela Recorrente, é de se observar que as informações constantes nesta mesma DIPJ foram, na época, utilizadas para formar a base de cálculo da contribuição ao PIS e calcular o montante de imposto devido para ser informado na DCTF. Depreendese de fls. 90 (DIPJ) a informação contida no item 15, informandose o montante total das receitas auferidas no período, somandose o faturamento com as receitas financeiras, correspondendo à base de cálculo da contribuição. Sobre este montante total de R$ 83.720,52, incluindose as receitas financiras, foi declarado em DCTF e pago o montante de PIS respectivo via guia DARF (fls. 56). Assim, estas informações prestaram para subsidiar a declaração acerca do montante de tributo devido, mas, segundo a DRF, não se prestam a informar o montante de tributo recolhido a maior. Não faz sentido. As informações presentes na DIPJ, é verdade, possui caráter meramente informativo, assim como qualquer outra prova. A declaração prestada neste documento revela uma presunção de que os valores nela prestados corresponderiam ao fato gerador materializado. A Recorrente apresentou, com seu Recurso Ordinário, balancetes do exercício do ano 2000 para trazer mais elementos de prova a fim de subsidiar a liquidez e certeza do crédito pleiteado (fls. 265277). No entanto, o valor informado a título de receitas financeiras na DIPJ (fls. 90) é maior do que o valor informado no balancete de dezembro/2000 (fls. 274). Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13839.912036/201198 Resolução nº 3301000.773 S3C3T1 Fl. 8 7 Na DIPJ resta informado um total de R$ 1.665.065,93 a título de receita financeira, o que representa o valor de R$ 10.822,93 de PIS, valor este pleiteado no PER/DCOMP. Por sua vez, tanto no demonstrativo de cálculo apresentado nas razões do Recurso Voluntário (fls. 218219), quanto nos balancetes referidos, a Recorrente afirma que o valor das receitas financeiras auferidas é de R$ 1.572.443,97, cujo montante de contribuição ao PIS representa R$ 10.220,89. Em outros termos, o montante de crédito decorrente do pagamento de PIS a maior sobre suas receitas financeiras demonstrado no recurso voluntário é um pouco inferior ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. Não restam dúvidas, portanto, da existência de recolhimento de PIS sobre receitas financeiras no período em análise. Entretanto, apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF e em virtude do princípio da verdade material, acolho os balancetes juntados com o Recurso Voluntário para fins de complementação do acervo probatório. III) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição ao PIS sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira. Sobre este assunto, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manisfestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria. E esta conduta já é adotada mesmo antes da decisão da d. DRJ proferida nestes autos, inobstante a afirmação lá contida no sentido de que não existia ato oficial da PGFN. Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado em Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13839.912036/201198 Resolução nº 3301000.773 S3C3T1 Fl. 9 8 repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/193, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Preenchese as três hipóteses do Regimento Interno do CARF (RICARF) este caso de alargamento da base cálculo das contribuições PIS/COFINS intentada pelo disposto no art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998. Neste sentido: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002, 01/07/2003 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS E VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Sendo "receitas" não operacionais e variações cambiais ativas, e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS. (Número do Processo 13502.000463/200585. Nº Acórdão 3201 003.681. Data da Sessão 22/05/2018) Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Como o período de apuração em que se discute o pagamento indevido é 12/2000, em tal momento aplicavase para a Recorrente o regime de tributação previsto na Lei 9.718/1998. Entretanto, apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF e em virtude do princípio da verdade material, como os balancetes foram juntados com o recurso voluntário e, ainda, os valores demonstrados nestas provas são inferiores aos valores pleiteados no PER/DCOMP e informados na DIPJ, tendo em vista, ainda, sua possibilidade de influência no julgamento da causa, submeto estes documentos para apreciação da Recorrida, em diligência para confirmação dos créditos, para posterior retorno para julgamento. Isto posto, uma vez comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição ao PIS no período em referência, e uma vez comprovada a liquidez e certeza do crédito a restituir declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. No entanto, a liquidez e certeza do crédito ainda não está clara, diante da divergência entre os valores informados no PER/DCOMP e DIPJ e os valores Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13839.912036/201198 Resolução nº 3301000.773 S3C3T1 Fl. 10 9 informados nos balancetes a título de receitas financeiras auferiras. Por isso, é necessária a conversão do feito em diligência pra fins de: 1. verificação dos balancetes juntados com o recurso voluntário, confrontandoos com os valores demonstrados e pleiteados no PER/DCOMP e DIPJ; 2. elaboração de relatório discriminando as receitas financeiras do período; 3. a identificação do montante de PIS indevidamente recolhido, se houver receitas financeiras no período; 4. Em seguida, dêse vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência em 30 dias. 5. posterior retorno para julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para fins de: 1. verificação dos balancetes juntados com o recurso voluntário, confrontando os com os valores demonstrados e pleiteados no PER/DCOMP e DIPJ; 2. elaboração de relatório discriminando as receitas financeiras do período; 3. a identificação do montante de PIS/COFINS indevidamente recolhido, se houver receitas financeiras no período; 4. Em seguida, dêse vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência em 30 dias. 5. posterior retorno para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 330DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.720288/2008-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
SALDO NEGATIVO IRPJ. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO PARCIAL.
À vista da comprovação, o crédito pleiteado deve ser reconhecido, homologando-se as DCOMPs, na ordem de suas apresentações (novembro e outubro/2001), considerando-se a homologação tácita já reconhecida em despacho decisório, relativa ao mês de dezembro/2002.
Numero da decisão: 1302-002.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO PARCIAL. À vista da comprovação, o crédito pleiteado deve ser reconhecido, homologandose as DCOMPs, na ordem de suas apresentações (novembro e outubro/2001), considerandose a homologação tácita já reconhecida em despacho decisório, relativa ao mês de dezembro/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 02 88 /2 00 8- 52 Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10280.720288/200852 Acórdão n.º 1302002.917 S1C3T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 0125.621, de 30/10/2012, da 1ª Turma da DRJ de Belo Horizonte (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2001 SALDO NEGATIVO IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO. Tendo sido consideradas não homologadas as compensações de estimativa IRPJ e não logrado êxito o contribuinte em comprovar a existência do crédito pleiteado, este revelase inexistente. DÉBITOS COMPENSADOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A apresentação de declaração de compensação retificadora faz reiniciar o prazo de cinco anos para a homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na primeira oportunidade em que o Recurso Voluntário foi submetido ao Carf, esta Turma, por unanimidade, converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1302 000.395, de 21/01/2016), cujas razões transcrevo a seguir: Em 25/07/2003 a contribuinte apresentou três Declarações de Compensação DCOMP para utilização do que seria saldo negativo de IRPJ do exercício 2002. Na primeira delas (DCOMP n° 00315.58642.250703.1.3.021944) informou que o mesmo saldo negativo seria de R$ 39.802,15, formado por estimativa devida em dezembro/2001; na segunda (DCOMP n° 07563.59391.250703.1.3.023965) que o saldo negativo seria de R$ 39.841,63, formado em razão de estimativa devida em dezembro/2002 para liquidação de débito de estimativa de IRPJ apurado em janeiro/2003 sem valor; e na terceira (DCOMP n° 36007.08793.250703.1.3.02 0910) que o saldo negativo seria de R$ 37.227,15, formado por estimativa devida em dezembro/2001 para liquidação de débito de estimativa apurado em outubro/2002 no valor de R$ 37.227,15. A primeira DCOMP foi retificada uma vez, em 13/04/2007 (DCOMP n° 13389.15693.130407.1.7.027069), para informar como direito creditório o saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2001 no valor original de R$ 271.972,52, detalhando sua composição com a indicação das estimativas apuradas ao longo do anocalendário 2001, e mantendo o mesmo débito compensado de R$ 39.802,15. A autoridade administrativa admitiu esta retificação visto que pretendeu promover correção de erro material incorrido pelo contribuinte. A segunda DCOMP foi retificada duas vezes: 1) em 28/07/2003 (DCOMP n° 08363.56352.280703.1.7.020307), ensejando o aumento do direito creditório para R$ 69.674,90 em razão de antecipação apurada em dezembro/2001, e aumento do débito compensado de estimativa de IRPJ apurada em dezembro/2002 para R$ 69.674,90; e 2) em 13/04/2007 (DCOMP n° 19046.50977.130407.1.7.027964), informando o saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2001 no valor de R$ 271.972,52, sem detalhar sua composição e compensando o mesmo débito de estimativa devida em dezembro/2002, mas agora no valor de R$ 69.674,90. A Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10280.720288/200852 Acórdão n.º 1302002.917 S1C3T2 Fl. 4 3 primeira retificação foi admitida pelo Sistema de Controle de Créditos, mas a segunda foi indeferida porque destinada a aumentar o débito compensado. A terceira DCOMP foi retificada uma vez em 13/04/2007 (20338.94707.130407.1.7.027506), para informar o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001 no valor original de R$ 271.972,52, mantendo o débito compensado de R$ 37.227,15. A retificação não havia sido admitida pela autoridade administrativa porque destinada a aumentar o débito compensado, porém em nova análise concluiuse por sua admissibilidade. Frente a tais condições, o despacho decisório de fls. 135/143, proferido para retificar erro material constatado no anterior despacho de fls. 113/120, expressamente aborda as compensações veiculadas nas DCOMP 13389.15693.130407.1.7.027069, 08363.56352.280703.1.7.020307 e 20338.94707.130407.1.7.027506. Analisando o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001, no valor de R$ 271.972,52, a autoridade administrativa negou validade às antecipações compensadas com saldo negativo do anocalendário 2000, visto que naquele período a contribuinte não indicara o crédito em DIPJ, mas sim apurou IRPJ a pagar no anocalendário 2001. Considerando que as demais estimativas recolhidas eram inferiores ao IRPJ devido no anocalendário 2001, não foi reconhecida qualquer parcela do direito creditório. A autoridade fiscal declarou a homologação tácita da compensação veiculada na DCOMP n° 08363.56352.280703.1.7.020307 e negou homologação às compensações tratadas nas DCOMP n° 13389.15693.130407.1.7.027069 e 20338.94707.130407.1.7.027506. Cientificada do despacho decisório em 24/02/2012 (fl. 145), a contribuinte manifestou sua inconformidade afirmando a regularidade das compensações promovidas para liquidação das estimativas do anocalendário 2001 e arguindo a homologação tácita do IRPJ apurado no exercício 2002 em virtude do decurso do prazo previsto no art. 150, §4° do CTN. Juntou à sua defesa demonstrativo de recolhimentos de IRPJ promovidos de 1996 a 2000, utilizados para compensação das estimativas de IRPJ devidas no anocalendário 2001, além de outros elementos referentes à apurações passadas de IRPJ (fl. 162/178) A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos porque não foi juntada à defesa a escrituração da contribuinte, e afastou a alegação de homologação tácita em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 SALDO NEGATIVO IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO. Tendo sido consideradas não homologadas as compensações de estimativa IRPJ e não logrado êxito o contribuinte em comprovar a existência do crédito pleiteado, este revelase inexistente. DÉBITOS COMPENSADOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 10280.720288/200852 Acórdão n.º 1302002.917 S1C3T2 Fl. 5 4 A apresentação de declaração de compensação retificadora faz reiniciar o prazo de cinco anos para a homologação da compensação. Cientificada da decisão de primeira instância em 04/02/2013 (fl. 197), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 01/03/2013 (fls. 198/210). Assevera que o adimplemento das estimativas foi realizado utilizandose crédito acumulado de anos anteriores decorrentes de valores recolhidos a maior, e aduz que tais pagamentos podem ser comprovados no sistema SINAL. Requer prazo para juntada dos referidos comprovantes de recolhimento que estão sendo objeto de busca pelos colaboradores do Solicitante. Renova a alegação de homologação tácita da apuração do IRPJ devido no anocalendário 2001 em razão do decurso do prazo previsto no art. 150, §4° do CTN, aplicável em razão da liquidação dos débitos por compensação. Subsidiariamente aduz que a aplicação do art. 173, I do CTN também evidenciaria a decadência depois de transcorridos 9 (nove) anos da ocorrência do fato gerador. Apreciando o recurso voluntário, a 1a Turma Ordinária da 1a Câmara desta 1a Seção de Julgamento assim decidiu na sessão de julgamento de 07 de novembro de 2013: Acordam os membros do colegiado: 1) por voto de qualidade, em REJEITAR a preliminar de decadência do direito de o Fisco revisar o direito creditório compensado, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e José Ricardo da Silva; e 2) por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do votos que integram a a resolução. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. No voto condutor da Resolução n° 1101000.113 esta Conselheira: 1) expressou seus fundamentos para rejeitar a preliminar de decadência do direito de o Fisco revisar o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002; 2) acompanhou o Relator em seu entendimento contrário à homologação tácita das DCOMP n° 13389.15693.130407.1.7.027069 e 20338.94707.130407.1.7.027506, em virtude das retificações promovidas pela contribuinte; e 3) concluiu pela necessidade de diligência nos seguintes termos: Quanto à existência do direito creditório alegado, a autoridade administrativa não confirmou as estimativas de IRPJ do anocalendário 2001 que teriam sido liquidadas por meio de compensação com saldos negativos de período anterior. Isto porque, na DIPJ do anocalendário 2000 não houve a informação de saldo negativo, como se vê à fl. 110, na qual consta que as estimativas do ano calendário 2000 seriam iguais ao débito apurado naquele período. Em sua manifestação de inconformidade, a interessada apresenta demonstrativo no sentido de que as estimativas de IRPJ no anocalendário 2001 teriam sido compensadas com créditos anteriores de 1996 a 2000. Especificamente Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 10280.720288/200852 Acórdão n.º 1302002.917 S1C3T2 Fl. 6 5 no anocalendário 2000, indica como indevidas as antecipações de abril a junho/2000, o que poderia significar que estas antecipações não teriam sido informadas na DIPJ daquele anocalendário, pois as anteriores seriam suficientes para liquidar o débito apurado no período. Demais disso, parte das estimativas compensadas do anocalendário 2001 foram genericamente vinculadas a saldos negativos anteriores, podendo não estar necessariamente vinculadas ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000. Assim, no mérito, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que, a partir dos elementos trazidos em manifestação de inconformidade, especialmente o demonstrativo de fl. 162, a autoridade administrativa verifique junto à escrituração do sujeito passivo se estimativas de IRPJ devidas no anocalendário 2001 foram liquidadas mediante compensação com créditos de mesma espécie, oriundos de saldos negativos apurados no anocalendário 2000 ou anteriores. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado, a ser cientificado ao sujeito passivo com a concessão de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. A autoridade fiscal intimou a contribuinte e obteve em resposta os esclarecimentos de fls. 231/558. No Relatório de Diligência Fiscal de fls. 559/571 observa que o demonstrativo de fl. 164 foi substituído pelo documento de fl. 236, e interpretando que a contribuinte poderia estar alegando que liquidou as estimativas de IRPJ devidas em 2001 com créditos de pagamento indevido verificados nos DARF relacionados nos demonstrativos de fls. 164 e 236, registra que apenas o pagamento de 30/08/96 estaria disponível para utilização, e seu valor seria suficiente para quitar parcialmente o débito de IRPJ de março/2001, sendo que esta parcela, somada aos demais pagamentos demonstrados para maio e junho/2001, e acrescida de retenções na fonte não consideradas anteriormente, ainda assim totalizaria montante inferior ao IRPJ devido no anocalendário 2001. Com referência aos créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ de período anterior, constatou na escrituração da contribuinte que as estimativas de 2001 foram liquidadas mediante a utilização de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 no montante de R$ 345.321,08, e de crédito correspondente a lucro inflacionário no valor total de R$ 135.091,66. Com referência aos créditos de lucro inflacionário, para demonstrar a inviabilidade de sua utilização a autoridade fiscal discorreu sobre a formação, controle, realização e tributação do lucro inflacionário e abordou os registros correspondentes no LALUR, destacando que em vez de adicionar a parcela realizada do lucro inflacionário ao lucro líquido para, assim, determinar lucro real, a empresa apurava o imposto devido sobre o lucro inflacionário de forma autônoma, como se nenhuma relação tivesse essa receita tributável com os demais rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda e ainda utilizava o saldo do lucro inflacionário como crédito na quitação desse imposto devido. Os pagamentos do imposto sobre o lucro inflacionário também eram adicionados ao montante acumulado, e este saldo era atualizado pela taxa SELIC, sendo, ao final do anocalendário, convertido em crédito se apurado prejuízo fiscal. A autoridade fiscal também indicou outros aspectos desta apuração para evidenciar o registro contábil dos créditos como impostos a recuperar. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 10280.720288/200852 Acórdão n.º 1302002.917 S1C3T2 Fl. 7 6 No que tange ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000, a autoridade fiscal apurou na escrituração da contribuinte as antecipações escrituradas e sua quitação por meio de pagamento ou de compensação com os referidos créditos de lucro inflacionário. Desconsiderando estas compensações, a autoridade fiscal demonstrou que as demais antecipações eram insuficientes para liquidar o IRPJ devido no anocalendário 2000, concluindo que não houve apuração de saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2000 e, assim, não havia crédito para compensar débitos de IRPJ no anocalendário de 2001. Retomando a apuração do anocalendário 2001, a autoridade fiscal confirmou estimativas equivalentes às indicadas na análise inicial, e atestou que elas são inferiores ao IRPJ devido no período. Observou, ainda, que havia divergências entre as estimativas informadas em DCOMP e em DIPJ/DCTF, as quais decorreriam do fato de a contribuinte não considerar na DCOMP as estimativas quitadas com créditos indevidos originados de lucro inflacionário acumulado. Por sua vez, tendo em conta as estimativas pagas e confirmadas, inexistiria saldo negativo no ano calendário 2001. Cientificada do resultado da diligência em 06/03/2015 e da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, em 08/04/2015 a contribuinte requereu e lhe foi concedido prazo suplementar de 20 (vinte) dias. Em 27/04/2015 foi apresentada a petição de fls. 578/584, na qual a contribuinte diz que promoveu o controle de créditos no LALUR, que a autoridade fiscal interpretou equivocadamente seus registros, que o crédito utilizado para compensação referese a saldo negativo de períodos anteriores, e que a demonstração de realização do lucro inflacionário está equivocada, apresentando a correspondente retificação. Acrescenta que a página do LALUR foi indevidamente intitulada como "Lucro Inflacionário", mas se refere a crédito anterior por recolhimento a maior, e esclarece que o lucro inflacionário foi totalmente realizado no exercício 2005. Diz que seu percentual anual de lucro em comparação com a receita bruta evidencia que os recolhimentos por estimativa excederiam o imposto devido, e pede que sejam homologadas as compensações. Diante deste contexto, cumpriria investigar a origem do saldo de créditos da conta 1.1.2.05.20 (IRPJ Estimativa 2000) e se ele, ao contrário do que consignado na DIPJ do anocalendário 2000, revelaria saldo negativo que suportasse as estimativas do anocalendário 2001 aqui em debate. De outro lado, as mencionadas compensações com parcelas correspondentes a IRPJ (L.Inflac.) Estimativa 2000 não teriam qualquer relevância no presente litígio, vez que não foram computadas na determinação do saldo negativo do anocalendário 2001 utilizado nas compensações aqui sob análise. Esclareçase, porém, que nos registros da parte B do LALUR apresentados à autoridade fiscal encarregada da diligência (fls. 237/247 e 429/456) observase que a contribuinte mantinha naquele livro fiscal, assim como na contabilidade, fichas separadas para controle do que considerava créditos por recolhimento a maior: uma referente a estimativas normais de IRPJ e outra decorrente de pagamentos de IRPJ possivelmente devido em virtude de lucro inflacionário realizado. Em cada grupo de fichas a contribuinte acumulava separadamente o valor das estimativas pagas (as normais sempre superiores às vinculadas a lucro inflacionário), atualizandoas monetariamente, e deduzindo deste saldo as estimativas compensadas, sendo que ao final do anocalendário restituía ao saldo de créditos as estimativas que se mostravam indevidas em razão da apuração final (apuração de prejuízo ou de imposto menor que o pago durante o anocalendário), bem como agregava ao saldo de estimativas normais as retenções na fonte aproveitadas no ajuste anual. As duas Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 10280.720288/200852 Acórdão n.º 1302002.917 S1C3T2 Fl. 8 7 fichas de controle somente se comunicaram em razão da transferência, em 31/07/99, da parcela de R$ 100.000,00 dos créditos vinculados a lucro inflacionário para o saldo de créditos decorrentes de estimativas normais. Apesar disso, tendo em conta a reversão de créditos ao final do anocalendário 1999 por apuração de IRPJ anual inferior às estimativas, o saldo de créditos daquela ficha totalizou R$ 312.547,42, e assim suportou, naqueles registros, a compensação das estimativas que, juntamente com outros pagamentos ao longo do anocalendário 2000, formou o saldo negativo utilizado na compensação das estimativas aqui questionadas. Registrese, ainda, que há várias irregularidades no controle fiscal assim procedido pela contribuinte. Primeiro porque a parte B do LALUR se destina ao registro dos valores que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos de apuração futuros e não constem da escrituração comercial, assim como dos valores excedentes a serem utilizados no cálculo das deduções nos períodos de apuração subsequentes, dos dispêndios com programa de alimentação ao trabalhador, valetransporte e outros previstos no RIR/99, conforme seu art. 262, inciso III e IV. Os recolhimentos de IRPJ superiores ao devido no ajuste anual não se enquadram nestas categorias, e representam mero direito de crédito que pode e deve ser controlado contabilmente, o que pode também ter sido feito pela contribuinte, mediante lançamentos a débito nas contas 1.1.2.05.20 (IRPJ Estimativa 2000) e 1.1.2.05.21 (IRPJ (L.Inflac.)Estimativa 2000). Além disso, a contribuinte agregou as atualizações monetárias a partir do recolhimento das estimativas, o que foi apenas parcialmente admitido até 31/12/96 na forma do art. 37, §4° da Lei n° 8.981/95. Já, com referência à atualização dos créditos pela variação da taxa SELIC a partir de 01/01/96 (art. 39, §4° da Lei n° 9.250/95), seu acréscimo era possível na forma de juros simples, e não compostos, como calculado pela contribuinte. Por fim, observese que nos termos dos arts. 449 e 450 do RIR/99, as pessoas jurídicas que apresentavam saldo de lucro inflacionário diferido em 31/12/95 estavam obrigadas a realizar, no mínimo, 10% deste valor a cada ano a partir de 01/01/96 e, caso optassem por apurar o lucro real anualmente, sujeitandose ao recolhimento de estimativas mensais com base na receita bruta e acréscimos (como, aliás, informado pela contribuinte em sua DIPJ), tais antecipações deveriam contemplar, também, o imposto incidente sobre 1/120 do saldo do lucro inflacionário remanescente em 31/12/95. É possível, portanto, que em observância a estas regras, a contribuinte tenha recolhido mensalmente tais antecipações e, ao apurar prejuízo ao final do anocalendário mesmo com a adição decorrente da realização do lucro inflacionário, entendeu por converter estas antecipações em crédito a recuperar. Assim, com a ressalva dos equívocos antes mencionados, a conta 1.1.2.05.21 (IRPJ (L.Inflac.)Estimativa 2000) também poderia abrigar créditos passíveis de compensação com as estimativas devidas no anocalendário 2001, conforme o efeito da realização do lucro inflacionário na apuração do lucro real ao final do anocalendário. Retomando a verificação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 na escrituração da contribuinte, notase às fls. 397/414 que, ao contrário do que consignado na parte B do LALUR, quando registrou estimativas compensadas com o saldo de créditos transferido de 1999 em quase todos os meses do anocalendário 2000 (com exceção de abril, maio e junho, quando foram promovidos pagamentos), na contabilidade a contribuinte registrou IRPJ a recolher apenas nos meses de abril, maio e junho/2000, liquidando tais obrigações com lançamentos em contrapartida a sua conta bancária. Ao final do ano calendário, porém, é registrada a obrigação de R$ 144.444,47, liquidada mediante compensação. Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 10280.720288/200852 Acórdão n.º 1302002.917 S1C3T2 Fl. 9 8 Significa dizer que, além das estimativas recolhidas em abril, maio e junho/2000, nos valores de R$ 16.951,27, R$ 26.001,67 e R$ 29.706,54 como indicado à fl. 397, a contribuinte também registrou IRPJ quitado mediante compensação em 31/12/2000 no valor de R$ 144.444,47. Considerando, como exposto na DIPJ, a apuração de débito no valor de R$ 144.444,47, há evidências, nestes registros contábeis, de saldo negativo de IRPJ, no anocalendário 2000, ao menos de R$ 72.659,48, diversamente do que indicado na DIPJ e tomado como referência pela autoridade fiscal em sua análise inicial do crédito. Apenas que os registros do Livro Razão referentes à conta 1.1.2.05.20 (IRPJ Estimativa 2000) no anocalendário 2000 não foram juntados aos autos, e não foi possível confirmar se o IRPJ a recolher de R$ 144.444,47 foi mesmo liquidado em contrapartida a lançamento nessa conta. Por esta razão, aliás, os registros contábeis juntados aos autos não permitem aferir a composição do saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 2000, como originalmente requerido na Resolução n° 1101000.113. Acrescentese, ainda, que os demais elementos apresentados à autoridade fiscal encarregada da diligência indicam que nos períodos anteriores, de 1995 a 1999, a contribuinte teria acumulado outros créditos a recuperar a título de IRPJ, os quais seriam passíveis de compensação se evidenciado que as antecipações foram superiores ao IRPJ devido a cada anocalendário, ou seja, na condição de saldo negativo, e não de antecipações indevidas ou recolhidas a maior, como interpretou a autoridade fiscal encarregada da diligência a partir dos demonstrativos de fl. 162 e 236. Isto porque, embora em tais demonstrativos a contribuinte vincule individualmente os pagamentos de 1996 a 2000 para liquidação das estimativas de IRPJ devidas no anocalendário 2001, seus registros no LALUR, que podem ter acompanhado os registros contábeis nas contas 1.1.2.05.20 (IRPJ Estimativa 2000) e 1.1.2.05.21 (IRPJ (L.Inflac.)Estimativa 2000) e nas semelhantes que lhes antecederam para registro contábil de créditos a recuperar de 1995 a 1999 (como indicado no plano de contas à fl. 275), permitem cogitar que as estimativas foram, a cada ano, confrontadas com o IRPJ devido ao final do período, e o excedente acumulado como crédito a recuperar, como esperado na sistemática do lucro real anual, apesar de o controle contábil não distinguir o saldo negativo apurado em cada anocalendário, mas sim acumulálos, ao final, nas duas contas contábeis referidas. Por todo o exposto, ante as evidências de que a contribuinte, desde o ano calendário 1995, acumula nas contas do grupo n° 1.1.2.05 (fl. 275) recolhimentos de estimativas e de realização mensal de lucro inflacionário em valor superior ao IRPJ apurado ao final do anocalendário, e tendo em conta que o saldo remanescente em 31/12/2000 poderia ter suportado, ao menos em parte, a compensação das estimativas de IRPJ de janeiro a abril/2001 e de julho a dezembro/2001 nos valores informados na DCOMP n° 13389.15693.130407.1.7.027069, o presente voto é no sentido de novamente CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal se manifeste sobre a regularidade da formação dos saldos de crédito apontados em 31/12/2000 nas contas 1.1.2.05.20 (IRPJEstimativa 2000) e 1.1.2.05.21 (IRPJ (L.Inflac.)Estimativa 2000), para tanto avaliando: • As estimativas apuradas a partir do anocalendário 1995, os pagamentos promovidos e as liquidações por meio de compensação escrituradas na forma do art. 66 da Lei n° 8.383/91, considerando não só os recolhimentos normais de estimativas como também aqueles decorrentes de realização mensal do lucro inflacionário, assim como as informações nas DIPJ e DCTF apresentadas; Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 10280.720288/200852 Acórdão n.º 1302002.917 S1C3T2 Fl. 10 9 • O IRPJ devido ao final de cada anocalendário, considerando na sua base de cálculo a realização do lucro inflacionário que possivelmente motivou os recolhimentos indicados na escrituração do sujeito passivo; e • Os critérios de atualização aplicados aos créditos que, acumulados, resultariam no saldo final de 31/12/2000. Confirmando a disponibilidade de créditos de IRPJ em 31/12/2000, passíveis de compensação com as estimativas de IRPJ de janeiro a abril/2001 e de julho a dezembro/2001, indicadas na DCOMP n° 13389.15693.130407.1.7.027069 como liquidadas por compensação, a autoridade fiscal deverá imputar o crédito aos débitos, informando quais estimativas teriam a compensação legitimada, e qual sua repercussão na determinação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado, a ser cientificado ao sujeito passivo com a concessão de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. Em atendimento à intimação constante do Termo de Diligência Fiscal (fls. 610 a 613), a recorrente apresentou a documentação de fls. 619 a 716, em complemento à de fls.301 a 492 apresentada quando da realização da diligência fiscal encerrada em 6/3/2015. Além desses, foram também juntados ao processo os documentos de fls. 717 a 1.099, extraídos dos sistemas informatizados da RFB. O conjunto de dados contábeis e fiscais assim constituído foi então analisado e os valores computados, respeitandose as regras de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e de atualização monetária vigentes em cada um dos períodos de apuração, tendo sido, ao final, organizados e sintetizados nos quadros que compõem o item 3 do Relatório de Diligência Fiscal. Com base em tais informações e documentos, a DRF apresentou as seguintes conclusões no Termo de Diligência Fiscal: 4. CONCLUSÃO 4.1 Crédito de Saldo Negativo de IRPJ Anocalendário 2000 O conjunto formado pelos dados extraídos da documentação contábil e fiscal apresentada pela contribuinte (fls. 619 a 716 e fls. 301 a 492) e pelos dados arquivados nas bases informatizadas da RFB (DIPJ fls. 717 a 884, DCTF fls. 885 a 944, DARF fls. 945 a 1.023, DIRF fls. 1.024 a 1.074, Sapli fls. 1.075 a 1.081 e 1.100 a 1.101), referente aos anoscalendário 1995 a 2000, permite afirmar que a empresa apurou saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 282.966,60, conforme demonstrado nos itens 3.1 a 3.6 deste relatório. 4.2 Crédito de Saldo Negativo de IRPJ Anocalendário 2001 O saldo negativo de IRPJ resultante do ajuste anual ao final do anocalendário 2000 foi suficiente para quitar, por compensação, parte das estimativas mensais de IRPJ apuradas ao longo do anocalendário 2001 (Quadro 25). Uma vez que foi constatada a existência de montante remanescente do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1999, admitiuse a possibilidade de que Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 10280.720288/200852 Acórdão n.º 1302002.917 S1C3T2 Fl. 11 10 as estimativas mensais de IRPJ do anocalendário 2001 não quitadas com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 pudessem ser compensadas, sem a formalização de processo, com o que restava disponível do saldo negativo do ano calendário 1999 (Quadro 26). Após efetuados os ajustes exigidos pelas normas reguladoras, verificouse que a contribuinte teria apurado saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 465.705,13 ao final do anocalendário 2001 (Quadro 27). 4.3 DCOMP n°s 36007.08793.250703.1.3.020910, 13389.15693.130407.1.7.027069 e 08363.56352.280703.1.7.020307 Crédito de Saldo Negativo de IRPJ AC 2001 O saldo negativo de IRPJ resultante do ajuste anual ao final do anocalendário 2001 foi suficiente para quitar, por compensação, os débitos referentes a estimativas mensais de IRPJ apuradas ao longo do anocalendário 2002 da seguinte forma: a) as estimativas de janeiro/2002 a setembro/2002, foram compensadas sem processo administrativo por se tratar de compensação entre tributos da mesma espécie; b) o IRPJ a pagar nos meses de outubro/2002 e dezembro/2002 foram compensados também com o saldo negativo IRPJ do anocalendário 2001, só que por meio do envio à RFB das DCOMP eletrônicas n°s 36007.08793.250703.1.3.02 0910 (fls. 1.095 a 1.099) e 08363.56352.280703.1.7.020307 (fls. 1.090 a 1.094); c) a estimativa apurada no mês de novembro/2002, informada na DCOMP n°13389.15693.130407.1.7.027069 (fls. 1.082 a 1.089), foi quitada apenas em parte, uma vez que o saldo remanescente do crédito foi insuficiente para extinguir a totalidade do débito, conforme se demonstra a seguir: Quadro 28 Diário/Razão. Saldo Negativo IRPJ AC 2001. Compensação. R$. IRPJ + IRPJ sobre Lucro Inflacionário a Compensar Índice de Correção Selic Crédito Atualizado Período de Apuração do Débito IRPJ Receita 2362 Data da Compensação Principal Multa Juros Saldo do Débito Saldo do Crédito Saldo do Crédito em Valor Original 1,0253 477.487,47 Jan/2002 28/02/2002 48.882,93 0,00 428.604,54 418.028,42 1,0378 433.829,90 Fev/2002 28/03/2002 46.611,40 0,00 387.218,50 373.114,76 1,0515 392.330,17 Mar/2002 30/04/2002 47.008,68 0,00 345.321,49 328.408,45 1,0663 350.181,93 Abr/2002 31/05/2002 33.212,22 0,00 316.969,71 297.261,29 1,0804 321.161,10 Mai/2002 28/06/2002 37.848,55 0,00 283.312,55 262.229,31 1,0937 286.800,20 Jun/2002 31/07/2002 38.515,80 0,00 248.284,40 227.013,25 1,1091 251.780,40 Jul/2002 30/08/2002 37.306,11 0,00 214.474,29 193.376,87 1,1235 217.258,92 Ago/2002 30/09/2002 36.108,75 0,00 181.150,17 161.237,35 1,1373 183.375,24 Set/2002 31/10/2002 35.222,10 0,00 148.153,14 130.267,43 1,2994 169.269,49 Dez/2002 28/07/2003 69.674,90 13.934,98 7.183,48 0,00 78.476,13 60.394,13 1,8965 114.537,47 Out/2002 13/04/2007 37.227,15 7.445,43 27.447,58 0,00 42.417,31 22.366,10 1,8965 42.417,31 Nov/2002 13/04/2007 39.802,15 7.960,43 28.653,57 17.708,65 0,00 0,00 4.4 Utilização dos Créditos de Saldo Negativo de IRPJ do AC 1994 ao AC 2001 Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 10280.720288/200852 Acórdão n.º 1302002.917 S1C3T2 Fl. 12 11 Os montantes originais e a destinação dada aos créditos correspondentes a saldo negativo de IRPJ apurados nos anocalendário 1994 a 2001 podem ser visualizados de forma sintética no quadro abaixo: Quadro 29 Saldo Negativo IRPJ Anocalendário 1994 a 2001. Utilização de Créditos. R$. Compensação de IRPJ a Pagar Referente a Períodos Subsequentes Saldo Negativo IRPJ AC 1995 AC 1996 AC 1997 AC 1998 AC 1999 AC 2000 AC 2001 AC 2002 Saldo Remanes cente 1994 19.085,71 19.085,71 0,00 1995 119.772,12 76.059,71 1.202,25 42.510,16 1996 305.177,62 260.864,15 44.313,47 0,00 1997 352.185,91 209.892,47 26.426,24 115.867,20 1998 296.410,70 296.410,70 0,00 1999 469.678,25 278.092,07 134.496,45 57.089,73 2000 282.966,60 282.966,60 0,00 2001 465.705,13 465.705,13 0,00 Concluída a diligência, a Recorrente foi devidamente cientificada. Todavia, não manifestouse. Os autos retornaram ao Carf. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator A tempestividade e os demais pressupostos de admissibilidade do Recurso Voluntário foram analisados por ocasião da referida Resolução e o recurso foi conhecido. Conforme consignado na citada Resolução, diante da possibilidade de que, a Recorrente, desde o anocalendário 1995, pudesse estar acumulando nas contas do grupo n° 1.1.2.05 (fl. 275) recolhimentos de estimativas e de realização mensal de lucro inflacionário em valor superior ao IRPJ apurado ao final do anocalendário, e tendo em conta que o saldo remanescente em 31/12/2000 poderia ter suportado, ao menos em parte, a compensação das estimativas de IRPJ de janeiro a abril/2001 e de julho a dezembro/2001 nos valores informados na DCOMP n° 13389.15693.130407.1.7.027069, converteuse o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal se manifestasse sobre a regularidade da formação dos saldos de crédito apontados em 31/12/2000 nas contas 1.1.2.05.20 (IRPJ Estimativa 2000) e 1.1.2.05.21 (IRPJ (L.Inflac.) Estimativa 2000), avaliando os pontos específicos retro indicados. O recurso voluntário reapresenta as afirmações da manifestação de inconformidade. Em preliminar sustenta que teria havido a decadência. No mérito, ressalta que a exigência não procede; que seus créditos são suficientes à extinção dos débitos; que há a Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 10280.720288/200852 Acórdão n.º 1302002.917 S1C3T2 Fl. 13 12 necessidade de se corrigir seus créditos pela Selic; e reitera o pedido de homologação das DCOMPs. Conforme conclusão do Relatório de Diligência Fiscal (RDF) retro transcrito, em relação ao Crédito de Saldo Negativo de IRPJ Anocalendário 2001, verificouse que o saldo negativo de IRPJ resultante do ajuste anual ao final do anocalendário 2000 foi suficiente para quitar, por compensação, parte das estimativas mensais de IRPJ apuradas ao longo do anocalendário 2001 (Quadro 25 do RDF). Uma vez que foi constatada a existência de montante remanescente do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1999, admitiuse a possibilidade de que as estimativas mensais de IRPJ do anocalendário 2001 não quitadas com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 pudessem ser compensadas, sem a formalização de processo, com o que restava disponível do saldo negativo do anocalendário 1999 (Quadro 26). Após efetuados os ajustes exigidos pelas normas reguladoras, verificouse que a contribuinte teria apurado saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 465.705,13 ao final do anocalendário 2001 (Quadro 27). Verificouse, ainda, em relação às DCOMP n°s 36007.08793.250703.1.3.02 0910, 13389.15693.130407.1.7.027069 e 08363.56352.280703.1.7.020307 Crédito de Saldo Negativo de IRPJ AC 2001 que, o saldo negativo de IRPJ resultante do ajuste anual ao final do anocalendário 2001 foi suficiente para quitar, por compensação, os débitos referentes a estimativas mensais de IRPJ apuradas ao longo do anocalendário 2002 da seguinte forma: a) as estimativas de janeiro/2002 a setembro/2002, foram compensadas sem processo administrativo por se tratar de compensação entre tributos da mesma espécie; b) o IRPJ a pagar nos meses de outubro/2002 e dezembro/2002 foram compensados também com o saldo negativo IRPJ do anocalendário 2001, só que por meio do envio à RFB das DCOMP eletrônicas n°s 36007.08793.250703.1.3.02 0910 (fls. 1.095 a 1.099) e 08363.56352.280703.1.7.020307 (fls. 1.090 a 1.094); c) a estimativa apurada no mês de novembro/2002, informada na DCOMP n°13389.15693.130407.1.7.027069 (fls. 1.082 a 1.089), foi quitada apenas em parte, uma vez que o saldo remanescente do crédito foi insuficiente para extinguir a totalidade do débito. Conforme Quadro 28, retro reproduzido, o RDF registrou a existência de débito de R$17.708,65. Ao final, o RDF demonstrou (Quadro 29 retro reproduzido), em relação à utilização dos Créditos de Saldo Negativo de IRPJ do AC 1994 ao AC 2001 que, os montantes originais e a destinação dada aos créditos correspondentes a saldo negativo de IRPJ apurados nos anocalendário 1994 a 2001. Nesse Quadro, deixou claro que não há outros créditos em favor da recorrente. Com base nos levantamentos efetuados na última diligência, em especial o Quadro 28 retro reproduzido, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o saldo de direito creditório, no montante original de R$130.267,43, homologando se as DCOMPs, na ordem de suas apresentações (novembro e outubro/2001), considerandose Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 10280.720288/200852 Acórdão n.º 1302002.917 S1C3T2 Fl. 14 13 a homologação tácita já reconhecida em despacho decisório, relativa ao mês de dezembro/2002. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1165DF CARF MF
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Numero do processo: 13874.720252/2017-78
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA
São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes.
Numero da decisão: 2002-000.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1182; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 73 1 72 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13874.720252/201778 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.281 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2018 Matéria IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente PAULO STEFANI NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2015 DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 4. 72 02 52 /2 01 7- 78 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13874.720252/201778 Acórdão n.º 2002000.281 S2C0T2 Fl. 74 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 32 a 36), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2016. A alteração implicou na redução do imposto a restituir de R$ 5.135,85 para R$78,45. Tal notificação decorreu da não apresentação pelo contribuinte de declaração do plano de saúde informando sobre a existência de beneficiários e a discriminação do valor da cada um, resultando na apuração de dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 18.390,56. Impugnação Cientificada ao contribuinte, a NL foi objeto de impugnação, em 25/7/2017, às fls. 4/5 dos autos, na qual o contribuinte indicou estar apresentando documentação com os requisitos exigidos pela fiscalização. A impugnação foi apreciada na 19ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente por deficiência da comprovação apresentada (fls. 38 a 41). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 29/11/2017 (fl. 45), o contribuinte, em 22/12/2017 (fl. 46), apresentou recurso voluntário, às fls. 46 a 60, no qual alega que fez a comprovação exigida por meio de declaração emitida pela Associação dos Policiais Civis da Região de Sorocaba Itapetiniga e por cópia da DMED apresentada pela instituição à Receita Federal do Brasil. Diligência Em sessão realizada em 23/5/2018, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 2002000.010 (fls.64/66), para que a Unidade da RFB de origem confirmasse a apresentação da DMED relativa ao anocalendário 2015 pela Associação dos Policiais Civis da Região de Sorocaba Itapetiniga, anexando a estes autos as informações pertinentes ao recorrente. Em atendimento, foram anexadas as informações de fls.68/69. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13874.720252/201778 Acórdão n.º 2002000.281 S2C0T2 Fl. 75 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe registrar que na diligência realizada, foi determinada a intimação do recorrente quanto aos documentos juntados. Da análise dos autos, constatase que isso não ocorreu. Não obstante, tendo sido o resultado apurado favorável ao recorrente, entendo ser dispensável o retorno dos autos à origem para tal mister. O litígio recai sobre a despesa médica informada com a Associação dos Policiais Civis da Região de Sorocaba Itapetiniga, no montante de R$18.390,56. São dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999). A autoridade autuante e o colegiado de primeira instância não acataram o documento comprobatório da despesa, tendo em vista a falta de indicação da existência ou não de outros beneficiários do plano de saúde. Em atendimento à diligência realizada, foi juntada aos autos a Declaração de Serviços Médicos e de Saúde Dmed apresentada pela Associação dos Policiais Civis da Região de Sorocaba Itapetiniga, consignando que o montante de R$18.390,56 tem como único beneficiário o recorrente (fl.68). Dessa feita, o recorrente faz jus a deduzir o valor declarado. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, para cancelar a glosa da despesa médica no valor de R$18.390,56. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000741/2003-66
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a decadência do direito da Fazenda de lançar de ofício créditos tributários antes de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Numero da decisão: 1003-000.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a decadência do direito da Fazenda de lançar de ofício créditos tributários antes de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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score : 1.0
Numero do processo: 10166.001915/2004-35
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
SIMPLES FEDERAL. COMÉRCIO VAREJISTA DE MATERIAIS ELÉTRICOS E HIDRÁULICOS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E REPAROS.
O exercício da atividade de comércio varejista de materiais elétricos e hidráulicos com prestação de serviços de instalação e reparos não pode ensejar exclusão do Simples Federal fundamentada no exercício da atividade de construção de imóveis ou obra de construção civil.
SIMPLES FEDERAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO.
A data de início dos efeitos da exclusão do Simples Federal constante de ADE decorre de determinação legal e não pode ser afastada por jurisprudência não vinculante, desprovida de eficácia normativa.
Numero da decisão: 1003-000.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 SIMPLES FEDERAL. COMÉRCIO VAREJISTA DE MATERIAIS ELÉTRICOS E HIDRÁULICOS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E REPAROS. O exercício da atividade de comércio varejista de materiais elétricos e hidráulicos com prestação de serviços de instalação e reparos não pode ensejar exclusão do Simples Federal fundamentada no exercício da atividade de construção de imóveis ou obra de construção civil. SIMPLES FEDERAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO. A data de início dos efeitos da exclusão do Simples Federal constante de ADE decorre de determinação legal e não pode ser afastada por jurisprudência não vinculante, desprovida de eficácia normativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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COMÉRCIO VAREJISTA DE MATERIAIS ELÉTRICOS E HIDRÁULICOS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E REPAROS. O exercício da atividade de comércio varejista de materiais elétricos e hidráulicos com prestação de serviços de instalação e reparos não pode ensejar exclusão do Simples Federal fundamentada no exercício da atividade de construção de imóveis ou obra de construção civil. SIMPLES FEDERAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO. A data de início dos efeitos da exclusão do Simples Federal constante de ADE decorre de determinação legal e não pode ser afastada por jurisprudência não vinculante, desprovida de eficácia normativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 19 15 /2 00 4- 35 Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10166.001915/200435 Acórdão n.º 1003000.130 S1C0T3 Fl. 686 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 661/663, numeração em papel) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade (consignando "solicitação indeferida") apresentada contra o Despacho Decisório de 01/03/2007 (folhas 59/63) que indeferiu, a partir de 01/01/2002, o pedido de inclusão no Simples Federal com data retroativa a 03/11/1999, efetuado em 25/02/2004 (folha 01), bem como determinou a emissão do Ato Declaratório Executivo DRF/BSA nº 10, de 02 de março de 2007 (folha 65), que excluiu a empresa do Simples Federal a partir de 01 de janeiro de 2004, em razão de ter restado evidenciado, por constar dos contratos sociais vigentes à época, às folhas 28 a 30, 31 a 34 e 35 a 39, o exercício de atividade econômica impeditiva, "comércio (varejista) e prestação de serviços de (instalação predial) elétrica e hidráulica, com compra e venda de ferragens e materiais de construção; sem depósito no local", que constituiria atividade impeditiva à opção pelo Simples Federal por corresponder a serviços de execução de obra de construção civil constante do art. 9º, inciso V e § 4º da Lei nº 9.317. A recorrente alega, em síntese: I Que as atividades da recorrida correspondem à prestação de serviços de instalações elétricas e hidráulicas, restringindose a pequenos consertos de chuveiros, duchas, válvulas de descargas e reparos para descargas, serviços de elétrica e hidráulica; II Que se a recorrente prestasse serviços de construção civil na área de elétrica e hidráulica, teria que obrigatoriamente ter em seus quadros pelo menos um profissional com formação em engenharia civil ou em engenharia elétrica e desenvolveria seus trabalhos de construção ou reforma com base em projetos previamente aprovados pelo CREA e também pelos órgãos próprios do Executivo; III Que conforme jurisprudência que transcreve, o termo inicial dos efeitos de sua exclusão do Simples é a data de sua efetiva notificação "e não a data de 01/01/2002 como pretende o FISCO Nacional", "com fundamento no princípio geral da ciência dos atos, expostos na Lei 9.784/99 e no Decreto nº 70.235/72". A contribuinte menciona os documentos comprobatórios que acostou, cópias de notas fiscais de serviços e de compras que demonstram o exercício da atividade que alega. Anexou, ainda, livros de registro de serviços prestados relativos aos anos 2002 a 2004. É o relatório. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10166.001915/200435 Acórdão n.º 1003000.130 S1C0T3 Fl. 687 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. O Simples Federal (e também o Nacional) apresentam como critério básico para permissão ou vedação ao regime, além do volume de receitas, a natureza das atividades econômicas exercidas pelas empresas. É de se notar que o inciso V do art. 9º da Lei nº 9.317/96, nessa esteira, referese a atividades notadamente pertencentes ao setor econômico imobiliário, incluindo construção civil, e o § 4º, especificamente, de execução de obra de construção civil, citando exemplos: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) V que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; (...) § 4º Compreendese na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997) (...) Os documentos acostados aos autos pela recorrente, em especial as notas fiscais de revenda às folhas 04 a 20, atestam o exercício de atividade comercial de venda de materiais elétricos e hidráulicos, bem como a prestação de serviços de instalação e reparos relativos a tais equipamentos. Não me parece razoável associar tal atividade à de execução de obras de construção civil, já que não há nenhuma prova ou indício neste sentido. O mencionado Despacho Decisório simplesmente associa 'serviços de elétrica e hidráulica" a "reforma ou benfeitoria agregada ao solo ou subsolo", sem a devida contextualização, e o acórdão da DRJ considera que as notas fiscais acostadas "não são de pequenos reparos, mas de efetiva instalação hidráulica e elétrica como consta do objeto social da empresa", mais uma vez associando tal objeto à execução de obra de construção civil, também sem nenhum argumento para tal associação. Os serviços prestados pela empresa associamse, na verdade, à sua atividade de comércio varejista: instalação e reparos dos equipamentos que comercializa. Anexei aos autos resultados da pesquisa do nome fantasia da empresa na internet, Service Materiais Elétricos e Hidráulicos. Surge o endereço da empresa constante do contrato social e uma foto de sua fachada, que reforça a convicção de ser a recorrente típico comércio de material elétrico e hidráulico, em relação ao qual presta serviços de instalação e reparos, atividade distinta da alegada execução de obras de construção civil. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10166.001915/200435 Acórdão n.º 1003000.130 S1C0T3 Fl. 688 4 No que se refere às alegações da recorrente acerca da irretroatividade dos efeitos da exclusão do Simples Federal constantes do ADE, resta informála de que a data de início dos efeitos da exclusão do Simples Federal determinada pelo referido ato decorre de determinação legal e não pode ser afastada por jurisprudência não vinculante, desprovida de eficácia normativa. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 688DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720170/2014-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2009
REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES A QUALQUER TÍTULO. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE, DE FORMA GERAL.
A partir de 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título (como licenciamento de exploração de direitos autorais para transmissão de programas de televisão), a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, exceção feita (neste último aspecto) somente às remunerações pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador a partir de 1º de janeiro de 2006, quando passou a ter eficácia o art. 20 da Lei nº 11.452/2007.
Numero da decisão: 9303-007.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2009 REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES A QUALQUER TÍTULO. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE, DE FORMA GERAL. A partir de 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título (como licenciamento de exploração de direitos autorais para transmissão de programas de televisão), a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, exceção feita (neste último aspecto) somente às remunerações pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador a partir de 1º de janeiro de 2006, quando passou a ter eficácia o art. 20 da Lei nº 11.452/2007.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2009 REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES A QUALQUER TÍTULO. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE, DE FORMA GERAL. A partir de 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título (como licenciamento de exploração de direitos autorais para transmissão de programas de televisão), a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, exceção feita (neste último aspecto) somente às remunerações pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador a partir de 1º de janeiro de 2006, quando passou a ter eficácia o art. 20 da Lei nº 11.452/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 70 /2 01 4- 46 Fl. 600DF CARF MF Processo nº 19515.720170/201446 Acórdão n.º 9303007.398 CSRFT3 Fl. 601 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte (fls. 472 a 485), contra o Acórdão 3201003.036, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 387 a 405), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO – CIDE Anocalendário: 2009 CIDEREMESSAS. DIREITOS AUTORAIS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE. A incidência da CIDE sobre os valores pagos a título de royalties referentes a exploração de direitos autorais prescindem da ocorrência de transferência de tecnologia, de acordo com o § 2° do artigo 2° da Lei n° 10.168/2000. INCIDÊNCIA DE CIDE E CONDECINE. INEXISTÊNCIA DE DUPLA TRIBUTAÇÃO Incidência simultânea da CIDE e da CONDECINE sobre os valores pagos a título de royalties referentes a exploração de direitos autorais, porquanto diferentes suas finalidades e destinações, o que lhes confere a validade da natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico. Recurso Voluntário Negado O contribuinte inicialmente opôs Embargos de Declaração (fls. 452 a 457), que não foram admitidos (fls. 460 a 462) Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 577 a 579), não adentra na (mais que conhecida) discussão sobre o suposto bis in idem na incidência simultânea da CIDERemessas e da CONDECINE, tãosomente alegando que, em razão da natureza das suas remessas, sobre elas não deveria incidir a primeira contribuição. Conforme consta do Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 166), a empresa ESPN Internacional, sediada na Holanda, é detentora dos direitos internacionais de transmissão de diversos eventos esportivos, e o contribuinte adquiria direitos exclusivos para sublicenciar no Brasil o serviço de programação, mediante remessas mensais, sendo que, como argumento basilar, diz o recorrente que o § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, “ao tratar de ‘royalties a qualquer título’, referese a “royalties relativos a matérias tecnológicas de qualquer título”, sendo que “não há como dissociar o texto do § 2º do caput do próprio caput ... o qual faz menção expressa aos conhecimentos tecnológicos e transferência de tecnologia”, consignado que “o CARF adotou entendimento consubstanciado nos Acórdãos paradigmas, no sentido de afastar a incidência das contribuições interventivas exigidas sobre remessas ao Exterior de valores à título de royalties sobre cessão de direitos autorais”. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 19515.720170/201446 Acórdão n.º 9303007.398 CSRFT3 Fl. 602 3 A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (fls. 581 a 597), defendendo que “A CIDE não é devida ... , unicamente, quando há transferência de tecnologia, incidindo, também, sobre as importâncias ... remetidas a residentes ou domiciliados no exterior a título de royalties devidos pelo licenciamento para exploração de direitos autorais, independentemente de os contratos relativos a tal licença estarem atrelados àquela transferência”. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito, a discussão cingese à exigência ou não da CIDE sobre remessas para o exterior de royalties em um contrato de licenciamento de exploração de direitos autorais para transmissão de programas de televisão. A Jurisprudência majoritária desta 3ª Turma é bem retratada em Acórdão recente, de minha lavra (nº 9303005.984, de 29/11/2017 – Processo da SONY PICTURES), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES A QUALQUER TÍTULO. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE, DE FORMA GERAL. A partir de 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, exceção feita (neste último aspecto) somente às remunerações pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador a partir de 1º de janeiro de 2006, quando passou a ter eficácia o art. 20 da Lei nº 11.452/2007. Outro Acórdão, de 06/03/2012 (nº 930301.864), também em um Processo da SONY PICTURES, tendo a Turma composição diversa (mas da qual eu também fazia parte), de relatoria do ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, vai no mesmo sentido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 Fl. 602DF CARF MF Processo nº 19515.720170/201446 Acórdão n.º 9303007.398 CSRFT3 Fl. 603 4 CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYALTIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE. A transferência de tecnologia não é, como regra, pressuposto para a incidência da CIDE, e o caso concreto (que o próprio contribuinte caracteriza como remessa de “royalty sobre direito autoral sublicenciado” – Item 13 do Recurso Especial, fls. 477) está contemplado no § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, com as alterações da Lei nº 10.332/2001, que ampliou (e muito) o campo de incidência da contribuição: Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Quanto aos serviços técnicos, a Súmula CARF nº 127 espancou qualquer dúvida a respeito: Súmula CARF nº 127: A incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. E norma legal superveniente, aplicável aos programas de computador, também deixa isto bem claro, se vista a contrario sensu, que é o § 1ºA do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, incluído pelo art. 20 da Lei nº 11.452/2007: § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, Fl. 603DF CARF MF Processo nº 19515.720170/201446 Acórdão n.º 9303007.398 CSRFT3 Fl. 604 5 salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Ora, se a transferência de tecnologia fosse pressuposto para a incidência da contribuição, qual a razão de ser desta norma ?? Se a CIDE já não incidisse pelo fato de que não estivesse envolvida na operação a transferência de tecnologia, por óbvio, seria ela totalmente desnecessária. Recentemente (23/10/2017), foram publicados dois Acórdãos do STJ, exatamente com o mesmo teor (REsp nº 1.642.249SP e nº 1.650.115SP, respectivamente, das empresas SYMANTEC e TELEFONICA), que, especificamente, tratam de programas de computador, mas, em seu bojo, também abordam as mais recorrentes discussões quanto à incidência ou não da CIDERemessas em casos análogos. Transcrevo, no que interessa, a Ementa do segundo: ... CIDE REMESSAS. ART. 2°, CAPUT E § 1°, DA LEI N. 10.168/2000 E ART. 10, I, DO DECRETO N. 4.195/2002. INCIDÊNCIA SOBRE O PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NO EXTERIOR PELA EXPLORAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS RELATIVOS A PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE) AINDA QUE DESACOMPANHADOS DA "TRANSFERÊNCIA DA CORRESPONDENTE TECNOLOGIA ". ISENÇÃO APENAS PARA OS FATOS GERADORES POSTERIORES A 31.12.2005. ART. 20, DA LEI N. 11.452/2007. SIGNIFICADOS DAS EXPRESSÕES: "TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA ", "TRANSFERÊNCIA DA CORRESPONDENTE TECNOLOGIA ", "FORNECIMENTO DE TECNOLOGIA " E "ABSORÇÃO DE TECNOLOGIA ". (...) 3. O fato gerador da CIDE Remessas é haver pagamento a residente ou domiciliado no exterior a fim de remunerar (art. 2°, caput e §§ 2° e 3°, da Lei n. 10.168/2000): ................... e) royalties, a qualquer título (art. 2°, § 2°, da Lei n. 10.168/2000). ................... 9. Não há qualquer contradição deste raciocínio com as finalidades da Lei n. 10.168/2000 de incentivar o desenvolvimento tecnológico nacional, visto que a contribuição CIDE Remessas onera a importação da tecnologia estrangeira nas mais variadas formas. O objetivo então é fazer com que a tecnologia (nas várias vertentes: licença, conhecimento/comercialização, transferência) seja adquirida no mercado nacional e não no exterior, evitandose as remessas de remuneração ou royalties. Tal a intervenção no domínio econômico. Precedente: REsp 1.186.160SP, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 26.08.2010. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 19515.720170/201446 Acórdão n.º 9303007.398 CSRFT3 Fl. 605 6 (Resp nº 1.650.115SP, Relator Min. Mauro Campbell Marques, Dje 23/10/2017) Por fim, se alguém suscitar a polêmica quanto ao “Caráter Taxativo x Exemplificativo” do Decreto nº 4.195/2002 (que regulamentou a lei e não elencaria a hipótese), me basta o art. 99 do CTN, que é cristalino ao dizer que “O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos”. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 605DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13952.720028/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.531
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 2. 72 00 28 /2 01 1- 11 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13952.720028/201111 Acórdão n.º 3402005.531 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 06038.741, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13952.720028/201111 Acórdão n.º 3402005.531 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 45DF CARF MF
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Numero do processo: 13656.900550/2009-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 1002-000.409
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. 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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 147/150) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 142/144), proferida em sessão de 21 de setembro de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 0936.973, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ/JFA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 08/12) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 25/03/2009 (efl. 07), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 21438.55197.110505.1.3.047760, transmitido em 11/05/2005, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AnoCalendário: 2004 ESTIMATIVA CSLL. COMPENSAÇÃO. Pagamento efetuado a título de estimativa de CSLL não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: O interessado transmitiu a Dcomp n.º 21438.55197.110505.1.3.047760, visando compensar os débitos Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13656.900550/200912 Acórdão n.º 1002000.409 S1C0T2 Fl. 156 3 nela declarados, com crédito oriundo de pagamento a maior à CSLL, efetuado em 30/12/2004; A DRFPoços de Caldas/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada; A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fl. 07/11) [efls. 08/12], na qual alega que efetuou pagamento de estimativa de janeiro de 2004. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 20.816,03, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/01/2004 2484 R$ 27.541,68 30/12/2004 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 4828021598 R$ 27.541,68 DB: cód 2484 PA 31/01/2004 R$ 27.541,68 Valor Total R$ 27.541,68 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2009 Principal: R$ 7.238,94 Multa: R$ 1.447,78 Juros: R$ 3.665,07 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: A empresa apurou estimativa de CSLL para o período de apuração 01/2004 e em 30/12/2004 efetuou o pagamento de estimativa para o período correspondente no valor de R$ 27.541,68. Posteriormente transmitiu a Dcomp n.º 21438.55197.110505.1.3.047760 na qual utiliza parte do pagamento como crédito a ser compensado. No entanto, se o total de estimativa pago for maior que o valor do imposto e/ou contribuição devido no exercício, o excesso deve compor o saldo negativo do período e poderá ser objeto de pedido de restituição pela empresa ou ser usado para compensação, ou seja, devese apurar o saldo negativo e esse valor é que será usado para compensação, não se podendo usar pagamentos isolados de uma ou outra estimativa. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13656.900550/200912 Acórdão n.º 1002000.409 S1C0T2 Fl. 157 4 Com fulcro no parágrafo 14, do artigo 74, da Lei 9.430/1996, que prevê que "a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação", foi emitida a Instrução Normativa SRF n.º 460/2004, cujo artigo 10 estabelece que "a pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período". Tal Instrução Normativa foi revogada pela de n.º 600/2005, que manteve a mesma disposição. Como se vê, se a empresa efetuou pagamento total de estimativa de CSLL que foi maior que a devida no exercício, ela deveria utilizar tal pagamento quando da apuração da CSLL anual, seja para dedução da CSLL devida ou na composição do respectivo saldo negativo e valor é que seria o crédito passível de compensação. Salientese que não é possível a retificação de Dcomp depois emitido o Despacho Decisório respectivo. Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade, pelo não reconhecimento do direito creditório e pela não homologação da compensação pleiteada. Como se vê a DRJ esclarece que, em verdade, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que, segundo a primeira instância, o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, razão pela qual o juízo a quo manteve a não homologação da compensação, não sendo extinto o débito indicado para compensar. No recurso voluntário, em síntese, o contribuinte, pessoa jurídica tributada pelo lucro real, reitera os termos da impugnação. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13656.900550/200912 Acórdão n.º 1002000.409 S1C0T2 Fl. 158 5 Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 03/11/2011, efls. 145/146, e protocolo em 24/11/2011, efl. 147), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito, observo nulidade no acórdão vergastado, inclusive seguindo os precedentes constantes dos Acórdãos ns.º 1302002.855 e 1302002.866, ambos de 13/06/2018, bem como o Precedente deste Colegiado da 2.ª Turma Extraordinária, da sessão de 09 de agosto de 2018, Acórdão n.º 1002000.359. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13656.900550/200912 Acórdão n.º 1002000.409 S1C0T2 Fl. 159 6 das obrigações por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório e, em especial, a DRJ manteve a não homologação, sob o fundamento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta forma, em verdade, com tal conclusão, o direito creditório não chegou a ser efetivamente analisado e, neste sentido, a decisão da DRJ não se aprofundou acerca do crédito, o que, no meu entender e seguindo os precedentes anteriormente citados, ocasiona a nulidade da decisão da primeira instância recursal. Vejase que nos precedentes citados as conclusões foram as mesmas: Acórdão n.º 1302002.866 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/12/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1302002.855 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 08/08/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1002000.359 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AnoCalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13656.900550/200912 Acórdão n.º 1002000.409 S1C0T2 Fl. 160 7 o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Efetivamente, nos termos da Súmula CARF n.º 84, a última instância recursal já pacificou entendimento no sentido de que "o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação." O enunciado sumular acima transcrito foi confeccionado a partir dos seguintes paradigmas: Acórdão n.º 120100.404, de 23/2/2011; Acórdão n.º 120200.458, de 24/1/2011; Acórdão n.º 110100.330, de 09/7/2010; Acórdão n.º 910100.406, de 02/10/2009; Acórdão n.º 10515.943, de 17/8/2006. Ressaltese, ademais, que o art. 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF) n.º 600, de 2005 (originalmente constante no art. 10 da IN SRF n.º 460, de 2004), que proibia expressamente a compensação da estimativa fiscal nos termos defendidos pelo despacho decisório e pela decisão recorrida, foi posteriormente revogado pela Instrução Normativa SRF n.º 900, de 2008, que não trouxe igual disciplina proibitiva, inexistindo, para o contexto destes autos, dúvidas quanto a possibilidade de utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa fiscal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. Além disto, como consta daqueles precedentes citados no início deste voto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Divisão de Tributação da 9.ª Região Fiscal da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9.ª Região Fiscal, já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta n.º 285 SRRF/9.ª RF/Disit, de 17 de julho de 2009, eis a ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. (...) A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeito à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 1996, arts. 2.º e 6.º; Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n.º 3, de 2000; IN RFB n.º 900, de 2008, arts. 2.º a 4.º e 34. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13656.900550/200912 Acórdão n.º 1002000.409 S1C0T2 Fl. 161 8 Acrescentese, outrossim, que a CoordenaçãoGeral de Tributação, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovou a Solução de Consulta COSIT n.º 19, de 05 de dezembro de 2011, apreciando indagação interna relacionada ao mesmo objeto ora em discussão, tendo concluído que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1.º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1.º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2.º e 74; IN SRF n.º 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, concluo que é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Destaquese que se o entendimento deflagrado para não homologação da compensação estava equivocado, conforme enunciado sumular do CARF, então, efetivamente, não houve uma exauriente análise da legitimidade do direito creditório indicado no PER/DCOMP, pelo que se dá provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de se compensar pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais, reformandose o acórdão neste ponto, devendo a DRJ proceder a análise do direito creditório. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13656.900550/200912 Acórdão n.º 1002000.409 S1C0T2 Fl. 162 9 Aliás, a DRJ pode, inclusive de ofício, independentemente de requerimento expresso do sujeito passivo, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, determinar a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo contribuinte. Considerando o até aqui esposado e reconhecendo a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, entendo pela nulidade do julgamento da DRJ, devendo ser proferida nova decisão. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento parcial para anular o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta análise o direito creditório do Recorrente, podendo, inclusive, determinar a realização de diligências, em busca da verdade material, para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 13052.000022/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO.
São cabíveis Embargos de Declaração para que a Turma Julgadora se manifeste acerca de ponto debatido em sede de Recurso Voluntário sobre o qual restou omisso o acórdão proferido.
RESSARCIMENTO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. ESSENCIALIDADE AO PROCESSO PRODUTIVO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Ainda que se reconheça o direito ao crédito sobre a aquisição de insumos no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS, em sede de Pedido de Ressarcimento de créditos é ônus do contribuinte demonstrar a sua essencialidade ao processo produtivo.
Numero da decisão: 3201-003.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanear a omissão apontada acerca da apuração dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos sobre a aquisição de insumos, atribuindo efeitos infringentes para fins de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário apenas para manter a garantia do "direito à correção pela SELIC a partir da negativa, ou seja, do Despacho Decisório DRF/SCS de 04/11/2005", nos termos em que já decidido no acórdão nº 3201000.933, de 21 de março de 2012.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. São cabíveis Embargos de Declaração para que a Turma Julgadora se manifeste acerca de ponto debatido em sede de Recurso Voluntário sobre o qual restou omisso o acórdão proferido. RESSARCIMENTO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. ESSENCIALIDADE AO PROCESSO PRODUTIVO. ÔNUS PROBATÓRIO. Ainda que se reconheça o direito ao crédito sobre a aquisição de insumos no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS, em sede de Pedido de Ressarcimento de créditos é ônus do contribuinte demonstrar a sua essencialidade ao processo produtivo.
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OMISSÃO. CABIMENTO. São cabíveis Embargos de Declaração para que a Turma Julgadora se manifeste acerca de ponto debatido em sede de Recurso Voluntário sobre o qual restou omisso o acórdão proferido. RESSARCIMENTO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. ESSENCIALIDADE AO PROCESSO PRODUTIVO. ÔNUS PROBATÓRIO. Ainda que se reconheça o direito ao crédito sobre a aquisição de insumos no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS, em sede de Pedido de Ressarcimento de créditos é ônus do contribuinte demonstrar a sua essencialidade ao processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanear a omissão apontada acerca da apuração dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos sobre a aquisição de insumos, atribuindo efeitos infringentes para fins de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário apenas para manter a garantia do "direito à correção pela SELIC a partir da negativa, ou seja, do Despacho Decisório DRF/SCS de 04/11/2005", nos termos em que já decidido no acórdão nº 3201000.933, de 21 de março de 2012. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 00 22 /2 00 5- 29 Fl. 386DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Consoante acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário, é o relatório do feito: Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP (formulário instituído pela IN SRF no 379. de 2003) relativo ao quarto trimestre de 2004, conforme fl. 01, depois retificado pelo documento de fl. 12. Foram juntadas ao processo cópias de atas, de documento de procuração e de identificação. A seguir foram anexados documentos fiscais, tendo a Fiscalização realizado verificação acerca da correção dos ressarcimentos pleiteados e produzido o Termo de Verificação Fiscal de fls. 33/38, donde se mostra relevante extrair: Durante a fiscalização foi constatado que na apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS a empresa não incluiu a receita proveniente da cessão de créditos do ICMS a terceiros. (fl. 33) (...) Há que se observar que o art. 3° da Lei n° 10.637/2002, bem, como os incisos do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, definem as despesas e custos em relação aos quais é permitido o cálculo de créditos de PIS. E somente sobre aqueles itens expressamente relacionados cabe apurar créditos, não havendo margem para outras despesas. Outro ponto a destacar é que o termo "insumo", empregado no inciso II referese a bens e serviços empregados como tal na fabricação dos produtos do estabelecimento. E a definição de insumo encontrase na legislação do imposto sobre Produtos industrializados, restringindose a matérias primas, produtos intermediários e embalagens aplicados no produto, além de serviços de industrialização sob encomenda. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13052.000022/200529 Acórdão n.º 3201003.918 S3C2T1 Fl. 387 3 (...) Tal demonstrativo revela que os valores lançados na linha 13 se compõem de despesas tais como: manutenção de máquinas e equipamentos; serviços de terceiros RI; comissões; compra de material de consumo; laboratórios; assistência médica; embarques; programa vale transporte; manutenção informática; e fretes e carretos. Exceto as despesas com fretes, todas as demais, no trimestre em questão, não encontram amparo legal para a constituição de créditos a descontar dos débitos mensais de PIS. (fl. 35) Com base naquele Termo esta anexado à fl. 40 o Despacho Decisório DRF/SCS. de 04/11/2005, onde o Sr. Delegado da Receita Federal em Santa Cruz do Sul (RS) revê de oficio o despacho que autorizou a compensação e/ou o pagamento prévio do ressarcimento solicitado, reconhecendo o direito ao ressarcimento e/ou compensação de créditos no valor de R$ 35.949,69, negando o direito ao valor restante no montante de R$ 14.319,24. Intimou a contribuinte a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados e esclareceu a possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. A contribuinte foi cientificada em 18/11/2005. conforme cópia de AR de fl. 42. tendo sido anexadas Declarações de Compensação, extratos e demonstrativos que confirmam a realização de compensações (ti s. 43/81). Não conformada com a decisão administrativa, apresenta a contribuinte, através de procuradores, em 15/12/2005 — fls. 83/109 — sua manifestação contrária, onde aponta. Em síntese, os seguintes argumentos: DOS FATOS • é uma pessoa jurídica que se dedica A industrialização de couros e peles, destinando parte de seus produtos para o exterior; • com base na MPs n°66, posteriormente convertida na Lei n° 10.637, de 2002. passou a calcular a contribuição para o PIS sobre a sistemática nãocumulativa, aplicando a alíquota de 1,65%; • nos termos do art. 1° daquela lei, considerou seu faturamento, tendo deduzido os créditos listados no art. 3° daquela norma; • em relação ao quarto trimestre de 2004, ao realizar tal encontro de contas apurou crédito da contribuição a seu favor, tendo protocolizado pedido de compensação/ressarcimento perante a RFB. Posteriormente protocolou pedido complementar: Fl. 388DF CARF MF 4 • a empresa, ao ser submetida ao processo fiscalizatório, teve valores glosados conforme constam do Parecer Fiscal. Lista os valores recusados; • a autoridade fiscal menciona que o valor do beneficio fiscal negado é de R$ 14.319.24, sendo que o valor objeto de discussão 6, na verdade, a soma dos valores glosados. Conforme mencionados; • apresenta sua manifestação de inconformidade, onde demonstra a ilegalidade do ato administrativo. DO DIREITO DA NATUREZA JURÍDICA DA TRANSFERÊNCIA DE ICMS • traça arrazoado acerca da natureza jurídica da transferência do ICMS. apontando legislação e concluindo que: a) a transferência de ICMS é uma faculdade que a lei prevê para que o contribuinte exportador possa utilizar seus créditos fiscais acumulados, pois os produtos exportados não sofrem incidência de dito tributo nas saídas; b) os créditos excedentes de ICMS acumulados em vista das aquisições/entradas tributadas de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários podem ser transferidos para outros estabelecimentos no Estado, nos termos da legislação vigente. DO ENTENDIMENTO DA AUTORIDADE FISCAL • conforme o Parecer exarado pela autoridade fiscal, deveria haver incidência de PIS e de COFINS sobre os valores correspondentes as transferências de ICMS efetuadas pela empresa; • conforme o parecer, a transferência de ICMS foi enquadrada como unia suposta receita, razão pela qual deveria integrar a base de cálculo da contribuição. No entanto. tal entendimento está destituído de qualquer alicerce jurídico ou contábil, pois em hipóteses alguma a transferência de IC.M.Spode ser entendida como 'receita'. DAS RECEITAS QUE COMPÕEM A BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/COFINS • fala sobre o conceito de receita bruta. registrando as Leis n's 9.718, de 1998. 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e concluindo que a hipótese de incidência material do PIS e da COFINS continuou a ser o total da receita bruta da empresa. havendo alteração apenas no que se refere à possibilidade de dedução das aquisições efetuadas, observada a implantação da sistemática da nãocumulatividade; Fl. 389DF CARF MF Processo nº 13052.000022/200529 Acórdão n.º 3201003.918 S3C2T1 Fl. 388 5 • não houve qualquer mudança na amplitude das receitas submetidas incidência do PIS e da COFINS. não havendo como se considerar que o valor das transferências de ICMS efetuadas em favor de terceiros possam ser considerados como receitas tributáveis. DA IMPOSSIBILIDADE DE CONSIDERAR A TRANSFERÊNCIA DE ICMS COMO RECEITA TRIBUTÁVEL PELAS CONTRIBUIÇÕES DO PIS E DA COFINS • as empresas exportadoras acumulam créditos de ICMS, os quais sempre foram transferidos para terceiros, sem que, ate o momento, fossem suscitadas quaisquer dúvidas relativamente a uma suposta natureza jurídica de receita, que há total ausência das características elementares para tanto; • discorre acerca do conceito de receita e sua aplicação ao caso, entendendo que uma operação só poderá ser caracterizada como Receita, se, uma vez ocorrida, houver alteração na situação patrimonial da empresa; • traça arrazoado acerca da forma de registro contábil quando ocorre a transferência dos créditos excedentes de ICMS; • a transferência de ICMS não pode ser considerada como uma receita tributável, ainda que tal operação, mesmo se forçosamente equiparada a urna alienação, não será uma forma de capitalização da empresa, posto que com tal operação aquela não obtém qualquer resultado, havendo modificação tão somente de sua situação de liquidez, não havendo mudança na situação patrimonial; • registra decisão do Poder Judiciário, concluindo não haver qualquer sustentação para se pretender considerar como receita, para fins de incidência do PIS e da CORNS, dos valores dos créditos excedentes de ICMS transferidos/cedidos para outras pessoas jurídicas. DO DIREITO À INCLUSÃO DOS VALORES PAGOS A TERCEIROS COMO CRÉDITO NA APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA 0 PIS E COFINS • fala sobre o principio da nãocumulatividade tributária. dizendo ser necessário analisarse a forma de implantação do sistema nãocumulativo no tocante às contribuições ao PIS e à COFINS, no sentido de demonstrar que a autoridade fiscal está ilegalmente afastando a possibilidade de aproveitamento integral dos valores suportados pela empresa nas etapas posteriores. DA IMPLANTAÇÃO DO PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE QUANTO ÀS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS Fl. 390DF CARF MF 6 • refere à teoria do imposto sobre valor agregado, o método adotado para o seu cálculo no caso do PIS e da COFINS, e transcreve parte de exposição de motivos; • discorre sobre o conceito do que sejam insumos, dizendo que dentro daquele, no seu caso, se poderiam incluir as matérias primas, o material de embalagem e produtos intermediários empregados diretamente no processo produtivo. Elenca uma série de elementos que entende possam ser enquadrados como insumos; • o entendimento da autoridade fiscal é no sentido de restringir a utilização dos créditos, admitindo somente aqueles consumidos no processo produtivo. Com isso, as contribuições que, conforme dispositivo constitucional e legal expressos, deveriam ser efetivamente nãocumulativas, tornamse cumulativas e oneram substancialmente o preço final das mercadorias; • aponta entendimentos doutrinários e da jurisprudência administrativa; • como não admitir que os significativos custos relativos aos serviços prestados empresa, especialmente em relação ás comissões pagas a empresas de representação comercial, publicidade, vigilância, limpeza, combustíveis, manutenção da frota, não sejam considerados custos necessários à sua atividade? Em relação ás comissões, essas são contabilmente registradas como despesas diretas com vendas; • as receitas obtidas pelos prestadores de tais serviços e vendedores de mercadorias são devidamente tributadas pelo PIS e COFINS, razão pela qual, caso não venham a ser consideradas como dedutíveis da base de cálculo das mesmas, inequivocamente haveria a cumulatividade tributária, proibida pela CF e pela lei; • o entendimento da autoridade fiscal vai de encontro à própria disposição constitucional que inseriu o principio da nãocumulatividade das contribuições sociais , desconsiderando, também, que sequer o legislador federal poderia deixar de observar a norma contida no art. 195, § 12, da CF, cuja eficácia é plena para aqueles setores específicos da economia, definidos por lei, em relação aos quais a não cumulatividade deverá ser urna regra que atinja os fins para os quais foi instituída. DA ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC • ressalta que a partir de 1º /01/1996, era cabível a incidência de juros equivalentes à taxa SEL1C na compensação ou restituição de tributos, nos termos do art. 39, § 4°, da Lei n°9.250, de 1995; • urna vez que está pleiteando o ressarcimento de valores de contribuição, apenas poderá ser aplicada , em relação Fl. 391DF CARF MF Processo nº 13052.000022/200529 Acórdão n.º 3201003.918 S3C2T1 Fl. 389 7 a tais valores, a variação da taxa SELIC ocorrida entre o mês do pedido até a efetiva restituição; • registra precedentes da CSRF quanto ao direito à atualização; • não pode ficar a mercê dos efeitos negativos do transcurso do tempo. Sendo plenamente legitimo atualizar pela taxa SELIC os créditos indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, desde a apuração até o efetivo ressarcimento. DO PEDIDO • requer e espera que sua impugnação seja julgada procedente, corn vistas a ser deferido o ressarcimento da contribuição para o PIS objeto da glosa fiscal, no valor de R$ 23.612.33, acrescido de taxa SELIC; • pede deferimento. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou os documentos que compõem as fls. 110/124. O processo foi encaminhado à DRJ/Porto Alegre (RS), sendo que aquele Órgão produziu a informação de fl. 126 e remeteu o feito a esta DRJ. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 ASSERTIVAS. ILEGALIDADES. INCONSTITUCIONALIDADES. A apreciação de alegações que se refiram à existência de inconstitucionalidades ou ilegalidades, essas contidas em leis ou atos. está deferida ao Poder Judiciário, por força do texto constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS. RESSARCIMENTO. GLOSA BENEFÍCIO FISCAL. ICMS. COMERCIALIZAÇÃO. Mostrase indevido o ressarcimento de suposto montante credor de PIS, se na base de cálculo daquela contribuição não foram incluídos valores resultantes da comercialização de beneficio fiscal. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CALCULO. APURAÇÃO. Fl. 392DF CARF MF 8 Do valor da contribuição apurada segundo o regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos listados na legislação de regência. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos no regime da nãocumulatividade, somente serão considerados insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS objeto de ressarcimento. Solicitação Indeferida O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário acerca da inclusão do crédito de cessão dos créditos de ICMS na base de cálculo da contribuição e a correção de seu crédito pela SELIC. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. Em sessão de julgamento ocorrida em 21 de março de 2012, esse Turma Julgadora, à unanimidade, deu provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. CRÉDITO. Deve ser reconhecido o direito da recorrente à correção monetária do seu crédito pelos índices da SELIC, conforme consta de decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista no artigo 543C do CPC. Após o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, qual seja, a Delegacia da Receita Federal de Santa Crus do Sul / RS, esta opôs Embargos de Declaração aduzindo omissão acerca da glosa de despesas apontadas, para as quais a contribuinte descontou créditos na apuração da base de cálculo da Contribuição. Os referidos Embargos foram admitidos por despacho de fls. 253/254 e a mim distribuídos por sorteio, vez que o Relator original do feito não mais compõe este colegiado. O feito foi novamente levado a julgamento em sessão de 20 de fevereiro de 2017, onde esta Turma acordou pela conversão do feito em diligência (Resolução n° 3201 000.835), nos seguintes termos do voto desta Relatora: Fl. 393DF CARF MF Processo nº 13052.000022/200529 Acórdão n.º 3201003.918 S3C2T1 Fl. 390 9 Assim, voto no sentido de CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora intime o Contribuinte a, no prazo mínimo de 30(trinta) dias, fornecer, relativamente aos itens destacados "no item do 19 do Parecer n.º 24 – DRF/SCS/SAORT, DE 17/11/2014 (fls. 246248), no valor de R$ 16.004,27", a descrição acerca da natureza dos itens contabilizados nas referidas linhas de despesa, esclarecendo se estes são ou não utilizados no se processo produtivo. A Autoridade Preparadora poderá, ainda, solicitar demais informações e documentos que entenda necessários para o esclarecimento ora solicitado, devendo, ao final, apresentar parecer fundamentado quanto às glosas efetuadas, indicando se cada uma das despesas integra ou não o processo produtivo do contribuinte, justificando. Após, deverá ser concedido prazo de 30 (trinta) dias para que o contribuinte se manifeste, retornando os autos para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme relatado, a omissão a ser saneada foi apontada pela Delegacia da Receita Federal de Santa Cruz do Sul que aduziu "o r. Acórdão não se manifestou expressamente sobre a glosa de diversas despesas, conforme indicado no item do 19 do Parecer n.º 24 – DRF/SCS/SAORT, DE 17/11/2014 (fls. 246248), no valor de R$ 16.004,27." As glosas indicadas no mencionado item 19 do Parecer Fiscal são: _ 4153.8 Manut. Máquinas e Equipamentos; _ 4158.0 Serviços de terceiros – PJ; _ 4201.8 – Comissões; _ 15562556 Compra Material Consumo; _ 4133.6 Programa Alim. Trabalhador; _ 4145.2 Combustíveis veículos; _ 4154.3 Manutenção veículos; _ 4163.4 – Laboratórios; _ 4261.4 Serviços Terceiros PJ; _ 4132.4 Assistência Médica; _ 4202.0 Despesas c/ embarques; Fl. 394DF CARF MF 10 _ 4150.6 4151.8 4152.0 – 4155.5; _ 4134.8 Programa vale transporte; _ 4250.0 – Informática; _ 4203.1 Fretes e carretos. Com efeito, o acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário deixou de se manifestar acerca das referidas glosas, pelo que, deve ser sanado o vício apontado. A matéria em debate cingese à definição do conceito de insumo trazido pelas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 para fins de autorização da apuração de créditos de PIS e Cofins. A partir dessa definição, com a exata compreensão das atividades exercidas pelo contribuinte, é que se deve passar ao exame de cada uma das classes de créditos apropriados. Essa questão já é há muito debatida por essa Turma julgadora e por esse CARF, inclusive, com diversas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais que vêm concluindo pela necessária distinção do conceito de insumo da legislação do PIS e da COFINS relativamente ao IPI (conceito restritivo) e do Imposto de Renda (conceito amplo). Ademais, o Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de Controvérsia, portanto, de aplicação obrigatória por esta Corte Administrativa, chancelou exatamente o critério da essencialidade e relevância dos bens ao processo produtivo para fins de autorização ao creditamento, critério este já há muito aplicado por esta Turma Julgadora. Transcrevo a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para Fl. 395DF CARF MF Processo nº 13052.000022/200529 Acórdão n.º 3201003.918 S3C2T1 Fl. 391 11 determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Destarte, verificase a impertinência dos fundamentos utilizados pela Fiscalização para efetuar a glosa integral das despesas apropriadas pelo contribuinte sob a superficial justificativa de que a legislação apenas autoriza a dedução dos custos expressamente elencados. Na hipótese ora em exame, devese perquirir se as despesas glosadas pela Fiscalização correspondem ou não à insumos essenciais ao processo produtivo da Recorrente. E foi exatamente nesse sentido que se orientou a Resolução proferida no presente feito. Solicitouse que fosse intimado o Contribuinte a fornecer, relativamente aos itens destacados "no item do 19 do Parecer n.º 24 – DRF/SCS/SAORT, DE 17/11/2014 (fls. 246248), no valor de R$ 16.004,27", a descrição acerca da natureza dos itens contabilizados nas referidas linhas de despesa, esclarecendo se estes são ou não utilizados no se processo produtivo. Pois bem. Em resposta à Diligência solicitada, a Fiscalização elaborou o Relatório de fls. 376 e seguintes, onde consignou: Dos Termos de Diligência Fiscal 2 Em 21/09/2017, a Interessada foi intimada a apresentar documentos e esclarecimentos diversos (fls. 267268), a fim de verificar a natureza das despesas e a consistência das informações prestadas. 3 Em 06/11/2017, a Interessada foi reintimada a apresentar documentos e esclarecimentos diversos (fls. 271272). 4 Em 29/11/2017, a Interessada solicitou a prorrogação do prazo para a entrega dos documentos solicitados (fl. 279). Fl. 396DF CARF MF 12 Do atendimento aos termos 5 Em 09/01/2018, a interessada acostou aos autos os seguintes documentos: 5.1 resposta à intimação (fl. 291); 5.2 check list (fl. 292); 5.4 atos constitutivos (fls. 301315); 5.5 contas do Razão Contábil (fls. 318375). 5.3 planilhas de apoio ao preenchimento do Dacon (fls. 293 298); Ou seja, foi amplamente oportunizado à Recorrente a devida demonstração e comprovação do seu direito quanto à questão controvertida, qual seja, o direito de crédito sobre a aquisição de insumos aplicados diretamente no processo produtivo. Não obstante, o Contribuinte se limitou a apresentar tabelas sintéticas extraídas das suas contas contábeis, com exatamente as mesmas informações indicadas na própria Resolução desta Turma, informando, apenas "que as contas contábeis envolvidas com o prefixo “41” definem as contas voltadas diretamente à produção e que as contas de prefixo “42” definem as contas voltadas às áreas comercial e/ou administrativa, vinculadas à produção da empresa, sendo que a conta 14311 é uma conta do Ativo Circulante Estoques e que seu consumo ocorre por requisição do material." Assim esclareceu o referido Relatório: 12 Em uma análise preliminar da documentação apresentada pela Interessada e acostada aos autos, constatase, de plano, que as informações solicitadas não estão completas. 13 No caso, não foram apresentados documentos hábeis capazes de comprovar os fatos contábeis que originaram os lançamentos na escrituração da entidade (fl. 292). 14 Salvo melhor juízo, entendo que a documentação apresentada não é capaz, por si só, de comprovar que as despesas glosadas foram aplicadas na produção. 15 Além disso, a Interessada não esclareceu em que etapa do processo produtivo esses itens (despesas) teriam sido utilizados e também não apresentou descritivo sobre a função dos itens no seu processo produtivo, seu local de aplicação dentro da cadeia de produção e a vinculação da despesa glosada em relação ao fluxo produtivo da empresa. Em análise dos autos, observo como absolutamente correta a ponderação fiscal. A Recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar o seu direito à apropriação dos créditos glosados, ou seja, não comprovou (ou sequer descreveu) a natureza dos itens incluídos em cada uma das contas contábeis, tampouco esclareceu a sua pertinência ao processo produtivo. Assim, correta é a conclusão fiscal: Conclusão Fl. 397DF CARF MF Processo nº 13052.000022/200529 Acórdão n.º 3201003.918 S3C2T1 Fl. 392 13 16 Atentese que este é um procedimento fiscal de diligência1 e não um procedimento de fiscalização. Por isso, é da Interessada o ônus de comprovar documentalmente o direito creditório por ela informado em pedido de ressarcimento. 17 Desse modo, concluo que, por falta de provas, não é possível afirmar que as despesas glosadas efetivamente integraram o processo produtivo da Interessada. Logo, ainda que omissa a decisão recorrida acerca do postulado reconhecimento do direito ao crédito do PIS e da COFINS não cumulativos sobre a aquisição de insumos vinculados ao processo produtivo, cujo direito socorre à Recorrente, não há como legitimar a apropriação de créditos sobre insumos cuja essencialidade ao processo produtivo não restou comprovada pelo contribuinte. Por fim, apenas para fins de esclarecimento, os demais pontos já examinados no acórdão de Recurso Voluntário proferido (acórdão nº 3201000.933, de 21 de março de 2012) mantêmse inalterados, posto que não foram objeto dos presentes Embargos de Declaração. Por todo exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração para sanear a omissão apontada acerca da apuração dos créditos de PIS e COFINS não cumulativos sobre a aquisição de insumos, atribuindo EFEITOS INFRINGENTES para fins de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apenas para manter a garantia do "direito à correção pela SELIC a partir da negativa, ou seja, do Despacho Decisório DRF/SCS de 04/11/2005", nos termos em que já decidido no acórdão nº 3201000.933, de 21 de março de 2012. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 398DF CARF MF
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