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Numero do processo: 10855.003216/2003-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
CSLL. ESTIMATIVA NÃO PAGA. ENCERRAMENTO DO PERÍODO. INEXIGIBILIDADE DA ESTIMATIVA.
De acordo com a súmula CARF nº 82, após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
Numero da decisão: 1801-001.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Massao Chinen - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ROBERTO MASSAO CHINEN
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CSLL. TERMO DE INÍCIO. DATA DO FATO GERADOR. Nos lançamentos por homologação, não sendo caso de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial iniciase com a data do fato gerador, devendo ser cancelado o lançamento com fato gerador anterior a cinco anos da ciência do auto de infração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 CSLL. ESTIMATIVA NÃO PAGA. ENCERRAMENTO DO PERÍODO. INEXIGIBILIDADE DA ESTIMATIVA. De acordo com a súmula CARF nº 82, após o encerramento do ano calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 32 16 /2 00 3- 81 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o processo de auto de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), do período 06/1998. O auto de infração de CSLL (fls. 06/12) exige o recolhimento de R$ 103.271,80 de contribuição e R$ 77.453,85 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de auditoria interna de pagamentos informados na DCTF: Foi interposta impugnação (fl. 01), que foi julgada procedente em parte pela DRJ/Ribeirão Preto, conforme acórdão de fls. 217/220, prolatado em 28/02/2013. Cientificada da decisão em 21/05/2013, conforme AR de fl. 224, o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário de fls. 226/242, por meio de seu procurador (procuração à fl. 244/245), acompanhado dos documentos de fls. 246/325, que se resume a seguir: Preliminar. Decadência. a. Aponta a improcedência da totalidade do crédito tributário exigido no Auto de Infração, uma vez que já atingido pelo instituto da decadência, a qual deve ser reconhecida de ofício pela autoridade julgadora; b. Explica que a decadência pode ser definida como a perda do direito de a Administração Pública efetuar o lançamento do crédito tributário por vencimento do prazo de que dispunha para tanto. Objetiva imprimir maior segurança jurídica aos fatos da vida, de modo que não fiquem eternamente sob o risco de virem a ser retificados pela Administração. Desse modo, a decadência funciona também como uma sanção à inércia do Fisco. Se este não operar a revisão a que tem direito em prazo certo, não mais poderá vir a fazêlo, ajustandose as obrigações tal qual se encontravam originariamente. Isso significa que é defeso à Administração efetuar o lançamento de valores relativos a fatos geradores sobre os quais já se materializou a decadência, já que nos termos do artigo 156 do Código Tributário Nacional CTN, a decadência extingue o crédito tributário; c. Lembra que a CSLL é tributo sujeito ao lançamento por homologação. Assim, de acordo com o artigo 150 do CTN, cabe ao contribuinte, ante a ocorrência do fato gerador, proceder ao recolhimento do montante que entende devido, o qual se submete ao crivo da Administração Fazendária, que desfruta do prazo de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador, para revisar a CSLL apurada e recolhida pelo contribuinte e eventualmente constituir crédito tributário; d. Com base no artigo 150 do CTN, alega que o termo inicial, para contagem do prazo decadencial nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é a ocorrência do fato gerador, haja vista o artigo 150, §4°, do CTN ter expressamente determinado que transcorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, sem pronunciamento da Fazenda Pública, o crédito considerase homologado e definitivamente extinto. Isso significa que todos os valores relativos a fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos contados regressivamente à data em que se materialize a ciência do lançamento de ofício (que Fl. 333DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.003216/200381 Acórdão n.º 1801001.712 S1TE01 Fl. 333 3 no caso deuse em 05/07/2003 fls. 51) já teriam sido alcançados pela decadência, ficando defeso à administração efetuar seu lançamento; e. Cita decisão do CARF e do STJ; f. Aduz que não restam dúvidas, portanto, que, no caso da CSLL, que constitui claramente tributo sujeito ao chamado lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário encontrase previsto no artigo 150, § 4o, do CTN. Destarte, expirado o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considerase homologado tacitamente o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário; g. Justifica que, uma vez que o lançamento apenas se materializou em 05 de julho de 2003, consoante se verifica às fls. 51 dos autos, e demonstrado o prazo decadencial de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador para constituição do crédito tributário (art. 150, § 4o, do CTN), os valores supostamente devidos a título de CSLL em relação a fatos ocorrido no período de apuração junho de 1998 são inexigíveis, eis que já era defeso ao Poder Público efetuar o seu lançamento quando da ciência do contribuinte; h. Importante destacar que a contagem do prazo decadencial só poderia ser deslocada para a regra estampada no art. 173, I, do CTN, ante a ocorrência das únicas exceções previstas no § 4o do art. 150 do CTN, que consistem na efetiva comprovação de dolo, fraude ou simulação, o que evidentemente não ocorreu; i. Conclui que, diante da cristalina ocorrência da decadência do crédito tributário exigido no presente Auto de Infração, fazse imprescindível o cancelamento do presente lançamento, não podendo subsistir qualquer exigência à Recorrente; Mérito j. Alega que, é incabível a exigência do débito de CSLL, vez que devidamente quitado com pagamentos via guia Darf e compensado com crédito de exercícios anteriores; k. Esclarece que, a Autoridade Julgadora reconheceu os recolhimentos realizados nos montantes de R$ 30.819,51 e R$ 38.540,21, mantendo, no entanto, a exigência de saldo da CSLL, período de apuração junho de 1998, de R$ 72.752,29. Isso porque, apesar de reconhecer a existência de saldo credor na conta de ativo n° 1434, na qual contabilizada a CSLL antecipada pela Recorrente, no montante de R$ 66.147,88 (fls. 70), que atualizado perfazia R$ 72.752,29 (fls. 71), não identificou a compensação de tal valor. Ocorre que, muito embora a compensação em questão, por mero erro formal, tenha sido informada de forma inapropriada na DCTF do período como "Compensações com DARF", foi devidamente formalizada contabilmente, em março de 1999, quando do pagamento do ajuste anual da CSLL de 1998 e entrega da DIPJ 1999, anocalendário 1998; l. Lembra que, à época dos fatos, era autorizada a compensação de tributos da mesma espécie contabilmente, com a informação em DCTF, sendo despicienda a apresentação de Pedido de Compensação, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 21/1997. Demonstra o saldo credor e os lançamentos contábeis a débito realizados, entre abril e junho de 1998, na conta de Ativo n° 1434, referente a CSLL Antecipação, conforme quadro abaixo; Conta Ativo n° 1434 (CSLL Antecipada) Fl. 334DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Período de Apuração Valor Saldo em Abril/98 66.147,88 Maio/98 Selic 6.671,81 Maio/98 30.819,51 367,40 (Selic) Junho/98 38.540,21 TOTAL 141.812,01 Doc. 05 m. Explica que, ao final de junho de 1998, período discutido no presente processo, a Recorrente possuía saldo de CSLL antecipada no montante de R$ 141.812,00, referente a crédito de exercícios anteriores atualizado (R$ 66.147,88 e R$ 6.671,81), a recolhimento das estimativas de maio e junho de 1998 (R$ 30.452,11 + R$ 38.540,21 fls. 87 e 88) e a ajuste de Selic de R$ 367,40. O montante em comento conferia com exato valor da CSLL apurada a pagar no período, consoante se atesta dos lançamentos registrados na Conta de passivo n° 2257; Conta Passivo n° 2257 (CSLL a Pagar) Período de Apuração Valor Abril/98 21.691,92 Março/98 81.579,87 Junho/98 38.540,21 TOTAL 141.812,01 Doc. 06 n. Afirma que resta devidamente comprovado que a Recorrente era detentora de crédito suficiente a suportara CSLL do período, qual seja, R$ 141.812,01. Não obstante, cumpre ainda evidenciar a compensação entre o débito do período e o saído credor de CSLL antecipada existente em junho de 1998, a qual formalizada com a baixa contábil de ambos das contas n° 1434 e 2257, em março de 1999. Apresenta os lançamentos contábeis realizados a partir de julho de 1998, visando atestar a formação do saldo de CSLL antecipado no ano, bem como a apuração da contribuição a pagar no período: Conta Ativo n° 1434 (CSLL Antecipada) Período de Apuração Valor Julho/98 3.070,33 Agosto/98 59.944,47 Setembro/98 24.615,86 + 562,77 (Selic) Outubro/98 45.323,89 Novembro/98 42.995,25997,51 (Selic) Dezembro/98 91.596,64 TOTAL 267.111,70 Doc. 07 Conta Passivo n° 2257 (CSLL a Pagar) Período de Apuração Valor J u l h o / 98 3.070,33 Agosto/98 59.944,47 Setembro/98 24.615,67 Outubro/98 45.886,86 Novembro/98 42.995,25 Dezembro/98 107.292,29 TOTAL 283.804,87 Doc. 08 o. Justifica que a CSLL antecipada entre abril e junho de 1998 perfaz o montante de R$ 141.812,01, o qual acrescido do valor antecipado entre julho e dezembro de 1998, qual seja, R$ 267.111,70, monta o valor total de R$ 408.923,71. A CSLL apurada a pagar entre abril e junho de 1998 perfaz o montante de R$ 141.812,01, o qual acrescido aos débitos apurados entre julho e dezembro de 1998, qual seja, R$ 283.804,87, monta o valor total de R$ 425.616,87. Do confronto entre o valor apurado a pagar entre abril e dezembro de 1998, qual seja, R$ 425.616,87, e o saldo credor da conta CSLL antecipada no Fl. 335DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.003216/200381 Acórdão n.º 1801001.712 S1TE01 Fl. 334 5 período, qual seja, R$ 408.923,71, restou saído de ajuste a pagar de R$ 16.693,16, o qual, acrescido de juros, foi devidamente recolhido em março de 1999, no montante de R$ 17.261,352 (Doc. 9); p. Acrescenta que, como pode se observar do Balancete Analítico do mês de março de 1999 (Doc. 10), com destaque às contas de ativo n° 1434 (Cont. Social Antecipação) e passivo n° 2257 (CSLL a pagar), a Recorrente efetuou a compensação contábil do tributo, mediante registros a crédito (R$ 426.185,06) e a débito (R$ 425.616,87), respectivamente. Dessa forma, em que pese o fato de a Recorrente não ter efetuado a baixa contábil da CSLL a pagar e do crédito de CSLL a recuperar em junho de 1998, mês em que efetuada a compensação discutida, restou devidamente demonstrada a insubsistência do crédito e a compensação realizada, motivo pelo qual o lançamento ora combatido não deve prosperar; q. Assevera que, a despeito do equívoco do erro formal ocorrido no preenchimento da DCTF, bem como da formalização da compensação contábil apenas em março de 1999, o lançamento ora combatido não merece prosperar, inclusive diante do princípio da verdade material que rege os processos administrativos. Com efeito, o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, o que faz com que a autoridade deva buscar a realidade dos fatos conforme ocorrida, podendo determinar a realização de diligências, quando necessárias à complementação da prova ou ao esclarecimento de dúvida relativa aos fatos trazidos ao processo; r. Entende que é dever da autoridade administrativa conhecer de todas as provas e documentos pertinentes à matéria objeto do questionamento, como forma de assegurar que as decisões serão prolatadas baseandose sempre na realidade dos acontecimentos. Destarte, resta evidente que uma vez existente o crédito de CSLL período de apuração junho de 1998 e a compensação ocorrida, não pode a Autoridade Fiscal simplesmente desconsiderálos, sob pena de estar infringindo um dos princípios basilares do processo administrativo o da verdade material, corolário do princípio da legalidade; s. Os equívocos cometidos pela Recorrente ao deixar de prestar informação na DCTF e ao formalizar contabilmente a compensação ocorrida em março de 1999, que foram devidamente supridos peia análise dos lançamentos contábeis e demais documentos, caracterizamse meros erros formais e, sendo assim, não assiste razão à alegação das d. Autoridades Fiscal e Julgadora de que a Recorrente não logrou êxito em comprovar ser detentora de crédito e ter realizado a compensação; t. Pondera que, considerando que o não reconhecimento do crédito e da compensação da CSLL decorre de mero erro formal, a decisão que julgou procedente em parte a impugnação merece ser reformada, porquanto inequivocamente comprovada a existência da totalidade do crédito tributário e a compensação realizada; Pedido u. Ao final, requer seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário para que o pleito seja deferido in totum, reconhecendose: (i) a decadência do crédito tributário; bem com (ii) sua completa improcedência, haja vista ter sido devidamente compensado crédito de CSLL de exercícios anteriores. Requer, outrossim, com fundamento no artigo 16, § 4o, do Decreto 70.235/72, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, notadamente pela posterior juntada de documentos que se fizerem necessários. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Natael Martins, OAB/SP nº 60.723. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Massao Chinen, Relator. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Prejudicial de mérito. Decadência. O exame da matéria revela que o lançamento não é viável, em vista do transcurso do prazo decadencial. A modalidade de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do CTN, operase pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade de pagamento exercida pelo sujeito passivo, expressamente a homologa. Se a autoridade administrativa não homologar o lançamento antes de decorrido o qüinqüênio, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a decadência transcorre em cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, segundo disposição do § 4º do mesmo artigo, nos seguintes termos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ......................................................................................................... § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A regra se aplica também para a CSLL, levando em conta a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, dos artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, objeto da Súmula Vinculante n° 8, que estabeleciam regras de prescrição e decadência para as contribuições sociais para a Seguridade Social. Restou decidido que estas passam a submeterse às regras gerais ditadas pelo CTN, que são as mesmas aplicadas ao IRPJ. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. No presente processo, o lançamento decorreu de procedimento de auditoria interna na DCTF, emitida de forma eletrônica, de forma que não houve qualquer investigação Fl. 337DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.003216/200381 Acórdão n.º 1801001.712 S1TE01 Fl. 335 7 acerca da conduta do contribuinte, tanto assim que a multa exigida foi no percentual de 75% e não a qualificada de 150%. Observo também que houve pagamento no referido período (no valor de R$ 38.540,21, conforme DARF de fl. 15), fato este que é relevante, na medida em que a regra do art. 150, §4° do CTN somente se aplica quando há pagamento a ser homologado. Assim, diante da inexistência de indícios de dolo, fraude ou simulação, e tendo havido pagamento, a contagem decadencial se inicia mesmo na data do fato gerador. Como o débito é do período 06/1998, o direito de constituir o crédito tributário decaiu ao final de junho de 2003. Considerando que a ciência do auto de infração ocorreu em 05/07/2003, conforme AR de fl. 51, impõese reconhecer o transcurso da decadência. E ainda que fosse superada a decadência, o lançamento mesmo assim não poderia prosperar. No ano calendário de 1998 o contribuinte optou pelo lucro real anual. O lançamento, que decorreu de auditoria em DCTF, exige o débito referente à estimativa de CSLL do período 06/1998, conforme consta nos demonstrativos que acompanham o auto de infração, às fls. 08/09 (código 2484 e período 06/98). Entretanto, após encerrado o período, a RFB somente poderá exigir o IRPJ ou CSLL devida apurada ao final do ano e/ou a multa de ofício pela falta de recolhimento das estimativas, a teor da Instrução Normativa SRF nº 093, de 24 de dezembro de 1997, art.16: Dispõe sobre a apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas a partir do ano calendário de 1997. Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Na Jurisprudência do CARF constam vários precedentes na mesma linha de que não cabe exigir a estimativa não paga, depois de encerrado o período de apuração anual, o que acabou justificando a edição da súmula 82: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. ____________________________________________________ Número do Processo 13770.000687/200284 Tipo do Recurso RECURSO DE OFÍCIO Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Acórdão nº 1401000.896 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 08/11/2012 AUDITORIA INTERNA. DCTF. Não comprovada a ocorrência da infração imputada ao contribuinte, devese cancelar o lançamento. LANÇAMENTO ESTIMATIVAS NÃO PAGAS. A falta de recolhimento das estimativas impõe a aplicação da Fl. 338DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 intitulada "multa isolada" e não a constituição do crédito relativo ao imposto acrescido de multa proporcional ____________________________________________________ Número do Processo 10882.001600/200231 Tipo do Recurso RECURSO DE OFÍCIO RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 09/05/2012 Relator(a) Luiz Tadeu Matosinho Machado Nº Acórdão 1302000.908 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA LIMINAR. INFORMAÇÃO EM DCTF. Tendo sido comprovada nos autos a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários pela medida judicial interposta, devidamente informados em DCTF, não mais subsiste a causa do lançamento. CSLL. ESTIMATIVA. EXIGÊNCIA APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. Não subsiste o lançamento de ofício da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL devida por estimativa após o encerramento do anocalendário. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Comprovado que, antes do início do procedimento de ofício, a exigibilidade do tributo estava suspensa, na forma do inc. IV do art. 151 do CTN, não cabe a exigência de multa de ofício em lançamento efetuado para prevenir a decadência. ____________________________________________________ Número do Processo 13656.000497/200354 Tipo do Recurso RECURSO DE OFÍCIO Data da Sessão 25/05/2011 Relator(a) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Nº Acórdão 1402 000.547 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária ESTIMATIVA DECLARADA EM DCTF E NÃO RECOLHIDA. É descabido o lançamento de ofício para a cobrança do IRPJ devido por estimativa em 1998, cabendo apenas, se for o caso, a imposição de penalidade isolada e a cobrança do saldo de imposto com base no lucro real anual, com a data de vencimento da quota única, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. Recurso de Oficio Negado Provimento. ____________________________________________________ Número do Processo 13639.000365/200331, Tipo do Recurso Recurso Voluntário, Data da Sessão 30/05/2008, Relator(a) Waldir Veiga Rocha, Nº Acórdão 10517057 FALTA DE RECOLHIMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO ANUAL DESCABIMENTO Não cabe lançamento após o encerramento do período de apuração anual para exigir estimativa declarada em DCTF e não recolhida. Deixo de apreciar os demais argumentos formulados pela recorrente, em vista da decisão favorável de cancelar a exigência. CONCLUSÃO. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.003216/200381 Acórdão n.º 1801001.712 S1TE01 Fl. 336 9 Por todo o exposto, voto pelo acolhimento da prejudicial de mérito da decadência, e, no mérito, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Fl. 340DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11065.914592/2009-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento.
INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa.
Numero da decisão: 3803-004.476
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 15/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator. EDITADO EM: 15/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 45 92 /2 00 9- 57 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 EDITADO EM: 15/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (DRF/NHO) que não homologou Declaração de Compensação (DCOMP) transmitida pela empresa acima identificada, na qual informa crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS. Referido despacho aponta como motivo para a não homologação da compensação a inexistência de crédito disponível, uma vez que o pagamento efetuado por meio do DARF indicado, no valor de R$ 24.955,24, já teria sido integralmente utilizado para quitar débito do próprio contribuinte. No mérito, a interessada alega que teria ocorrido erro de fato, pois, embora afirme que não retificou suas declarações (DCTF, DIPJ e DACON) o pagamento a maior, no valor original de R$ 372,26, teria sido reconhecido e registrado contabilmente, juntando cópias do comprovante de pagamento e de folha do seu livro razão na tentativa de comprovar suas alegações. Desta forma, conclui que deve ser revisto o "lançamento", pois entende que a decisão atacada estaria em dissonância com a verdade material. Em face da existência de elementos indicadores da plausibilidade do erro de fato alegado na manifestação e considerando a insuficiência de comprovação da existência do crédito informado em DCOMP, o presente processo foi remetido em diligencia à DRF jurisdicionante, nos termos dos art. 18 (com redação dada pela Lei 8.748/93) e art. 29 do decreto 70.235/1972, para análise e demonstração da composição da base de cálculo dos créditos referentes ao período de apuração em questão, devendo a DRF pronunciarse a respeito da legitimidade dos referidos créditos e eventual saldo remanescente após os encontros de contas. Em resposta à diligência solicitada, a DRF de origem analisou os esclarecimentos apresentados pela interessada e concluiu (vide item 5 do relatório) que os elementos apresentados foram insuficientes para comprovar a redução do valor devido e acrescenta que os valores escriturados no Balancete de Apuração induzem justamente ao contrário, que não foram Fl. 137DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.914592/200957 Acórdão n.º 3803004.476 S3TE03 Fl. 3 3 computadas na base de cálculo da contribuição a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais as receitas financeiras, no valor de R$ 15.337,72, conforme os valores escriturados no Balancete de Apuração, sendolhes atribuída a classificação “Receita Tributada à Alíquota Zero”. Aponta que conforme o disposto nos artigos 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, então vigente, toda receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente de sua natureza ou classificação contábil, submetiase à tributação pela COFINS e pelo PIS. Desta forma, após demonstrar a recomposição da base de cálculo da contribuição, a fiscalização apurou um valor original de R$ 29.218,16 a recolher, concluindo então que o pagamento (crédito) informado na DCOMP teria sido totalmente utilizado, corroborando o Despacho Decisório Eletrônico. Após ciência do resultado da diligência, a interessada novamente se manifestou no sentido de defender seu procedimento adotado, argumentando que o crédito utilizado teria suporte em decisão proferida pelo STF, que declarou inconstitucional o alargamento da base de cálculo daquela contribuição realizada pela Lei nº 9.718/98. Após transcrever a supracitada decisão do STF, acrescenta que esta deveria ser seguida pela administração pública, com base no art. 26A da Lei nº 11.941/09. Reitera os pedidos feitos na manifestação de inconformidade original, e requer, assim, o reconhecido o crédito pretendido e a homologação da compensação efetuada. A DRJ em PORTO ALEGRE/RS julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. Deve ser afastada a aplicação do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista que o diploma legal em análise foi julgado inconstitucional em decisão definitiva do plenário do STF (art. 59 do Decreto nº 7.574/2011) e houve sua expressa revogação pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, reconhecese o crédito advindo de recolhimento efetuado sobre receitas financeiras, que não se enquadrem no conceito de faturamento, adotado pela Lei complementar nº 70, de 1991. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, no qual sustenta basicamente os mesmos argumentos esgrimidos na peça vestibular e manifestação pós diligência, inovando ao final, ao mencionar que a apuração por ele efetuada se dera pelo regime de caixa e não pelo regime de competência. Ao final requer a validação do crédito pretendido e da compensação realizada. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, passo à apreciação do apelo. O argumento de que a apuração efetuada pela recorrente se dera pelo regime de caixa e não pelo regime de competência é extemporâneo, precluso e carente de demonstração. Assim é que nada de relevante veio aos autos desde a decisão recorrida, que mostrouse irretocável em seus fundamentos de fato e de direito, e bem por isso deve ser ratificada nesta segunda instância, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99. 1 Releva, outrossim, complementarmente trazer a lume parte de decisão deste Colegiado, desfavorável à pretensão da mesma recorrente, em sessão de julho do corrente, 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) Fl. 139DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.914592/200957 Acórdão n.º 3803004.476 S3TE03 Fl. 4 5 processo nº 11065.914601/200918, que tratava da mesma matéria deste contencioso, em que o eminente relator Hélcio Lafetá Reis brilhantemente assim se manifestou: Conforme acima relatado, restou controvertida nesta instância apenas a existência ou não do direito creditório reclamado, uma vez que a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo, decorrente da inconstitucionalidade já declarada pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), já fora acolhida pela autoridade julgadora de primeira instância. Primeiramente, o Recorrente alega que, com base na autorização prevista no art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 20022, ele teria calculado a contribuição pelo regime de caixa, decorrendo daí a divergência na apuração por ele efetuada e a realizada pela Fiscalização. O cálculo da contribuição com base no regime de caixa já se encontrava autorizado pelo art. 2º da IN SRF nº 104, de 24 de agosto de 1998, aplicandose, portanto, à contribuição apurada em setembro de 2002, que corresponde ao período sob análise nestes autos. Segundo o Recorrente, essa particularidade (apuração pelo regime de caixa) encontrarseia comprovada desde a Manifestação de Inconformidade. Contudo, compulsando os autos, não se constata da Manifestação de Inconformidade, nem de seus anexos, nem mesmo da Manifestação de Inconformidade Complementar, que o contribuinte tivesse comprovado ou alegado tal condição. Conforme o julgador de primeira instância já havia atestado, o então Manifestante não se insurgira quanto aos cálculos efetuados na diligência fiscal, restringindose sua contrariedade à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição. Temse por definitiva, portanto, a questão relativa aos cálculos efetuados pela Fiscalização em procedimento de diligência por falta de expressa impugnação por parte do interessado, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 19723, configurando se a preclusão processual, pelo fato de os argumentos terem sido apresentados em momento posterior ao definido na legislação processual administrativa. Além disso, ainda que se superasse a preclusão, nos termos do parágrafo único do art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, assim como do art. 2º da IN SRF nº 104, de 24 de agosto de 1998, para se valer do regime de caixa 2 Art. 14. As pessoas jurídicas optantes pelo regime de tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido poderão adotar o regime de caixa para fins da incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Parágrafo único. A adoção do regime de caixa, de acordo com o caput , está condicionada à adoção do mesmo critério em relação ao Imposto de Renda e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). 3 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 na apuração da Cofins e da contribuição para o PIS, o sujeito passivo deveria ser optante pelo lucro presumido na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), condição essa não satisfeita, pois, de acordo com a página 4 do PER/DCOMP, o débito de IRPJ que se pretendia compensar fora calculado sobre o lucro real (estimativa mensal), inexistindo outro elemento de prova nos autos que infirme tal constatação. Nesse sentido, além do fato de a discussão da matéria já ter se tornado definitiva na esfera administrativa por ausência de expressa contestação, não assiste razão ao Recorrente ao alegar o direito à apuração da contribuição com base no regime de caixa, tendo em vista tanto a falta de prova de tal alegação, quanto o não preenchimento dos requisitos para essa opção. No que tange à alegação do Recorrente de que o pagamento da contribuição devida em setembro de 2002 já se encontrava homologado tacitamente, desde setembro de 2007, em razão do que a apuração por ele efetuada já havia se tornado definitiva, não sendo passível de revisão por parte da Fazenda Pública, há que se ressaltar que, se de um lado tal argumento lhe favorece, de outro, vai de encontro a seus argumentos de defesa. Não obstante tal matéria relativa à decadência não ter sido apresentada na instância anterior, por se tratar de matéria de ordem pública, ela deve ser apreciada neste julgamento. Efetivamente, na data da realização da diligência requerida pela Delegacia de Julgamento (19/9/2011), o pagamento efetuado relativo à contribuição devida em setembro de 2002 já se encontrava homologado tacitamente. Contudo, a repartição de origem, a par dos recálculos efetuados, não pretendeu exigir do sujeito passivo a diferença de tributo então apurada, tendo procedido ao exame da base de cálculo justamente para verificar se o direito creditório pleiteado encontrarseia confirmado na escrituração contábilfiscal, tudo em conformidade com o regramento do art. 74 da Lei nº 9.430, de 19964. Tal verificação é condição inerente ao procedimento de homologação dos pleitos da espécie, sem o qual, não se poderia confirmar o que fora declarado pelo interessado. Efetuado o cálculo da contribuição devida, com base na escrituração contábilfiscal, cujo valor apurado fora confrontado com o pagamento efetuado pelo sujeito passivo, concluiu a Fiscalização pela inexistência do crédito declarado, situação essa que remanesceu mesmo após a exclusão das 4 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.914592/200957 Acórdão n.º 3803004.476 S3TE03 Fl. 5 7 receitas financeiras da base de cálculo procedida pela Delegacia de Julgamento. Além da inexistência de prova infirmativa dos resultados da diligência realizada, temse que a DCTF retificadora, manejada para possibilitar “a abertura” do crédito informado na PER/DCOMP”, conforme o próprio Recorrente alegara, não produziu nenhum efeito, pois, na data de sua transmissão (28/10/2009), o pagamento efetuado relativo à contribuição devida em setembro de 2002 já se encontrava homologado tacitamente, não sendo mais passível de alteração, conforme o próprio Recorrente atestara. Aqui, vale destacar que a alegação de que a controvérsia presente nos autos se restringiria à incidência ou não da contribuição sobre receitas financeiras, não abarcando a discussão sobre os cálculos efetuados na apuração da contribuição, se mostra desfavorável à defesa do Recorrente, pois, nessa situação, uma vez descabida a retificação da DCTF, conforme acima apontado, temse que todos os dados declarados em sua DCTF original deverão prevalecer, desfavorecendo de todo o seu pleito, pois, foi com base nesses dados declarados que se emitiu o despacho decisório denegatório do direito creditório sobre o qual se controverte nos autos. Conforme já dito, mesmo após a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da contribuição, o pagamento efetuado não foi suficiente para quitar o débito apurado. Nesse sentido, constatase que todos os argumentos de defesa do Recorrente não encontram respaldo nos elementos fáticos presentes nos autos, nem na legislação tributária aplicável, não se estendendo ao presente caso o teor de outras decisões tomadas pela mesma Delegacia de Julgamento, por se tratar de elementos fáticos outros não coincidentes com os presentes nestes autos. Vale ressaltar, portanto, que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência requerida pela DRJ Porto Alegre/RS. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19725, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de 5 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada em ampla auditoria fiscal. Em seu Recurso Voluntário, quando já poderia ter robustecido sua defesa com a demonstração do erro alegado e a apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos que infirmasse os cálculos da Fiscalização, o contribuinte nada traz aos autos. Posto isso, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.914592/200957 Acórdão n.º 3803004.476 S3TE03 Fl. 6 9 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10880.915257/2009-08
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/03/2005
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados, materializada na tentativa de inversão do ônus da prova com transferência para o Fisco da obrigação de comprovação do direito aduzido, impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/03/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados, materializada na tentativa de inversão do ônus da prova com transferência para o Fisco da obrigação de comprovação do direito aduzido, impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/03/2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU DE PERÍCIA DESTINADAS À COMPROVAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RECUSA DELIBERADA DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS CONTEMPLANDO AS ADUZIDAS CORREÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO SUPOSTAMENTE RECOLHIDO A MAIOR. INDEFERIMENTO. A diligência ou a perícia não são instrumentos de inversão do ônus da prova de suposto indébito tributário, não podendo ser utilizadas para suprir deliberada ação omissiva de sujeito passivo que, unilateralmente, resolve não apresentar as declarações retificadoras a que estava obrigado (DCTF, DIPJ e DACON) contemplando as alegadas correções da base de cálculo do tributo supostamente recolhido a maior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/03/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados, materializada na tentativa de inversão do ônus da prova com transferência para o Fisco da obrigação de comprovação do direito aduzido, impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 52 57 /2 00 9- 08 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 13a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 297/306 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório arguido e não homologou a compensação formalizada pela suplicante, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar Fl. 382DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915257/200908 Acórdão n.º 3802001.986 S3TE02 Fl. 382 3 que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. Indeferese o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação, ou a realização de perícia e diligência, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da Impugnação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em meio eletrônico (PER/DCOMP nº 16869.21879.240609.1.3.045475) em 24/06/2009, cujos relatórios foram anexados ao presente processo administrativo (fls.2 e seguintes). Nesta declaração, pretende o Contribuinte quitar os débitos declarados às fls.3, no valor total de R$ 29.112,46, com supostos créditos (R$ 25.065,39) decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF no valor de R$ 253.804,66 (código de receita: 5856), recolhido em 15/03/2005. A origem do crédito do Contribuinte utilizado nesta declaração foi informado às fls. 2, tendo sido indicado o saldo do crédito não aproveitado no PER/DCOMP nº 20051.07261.300509.1.3.040061. 1.1 Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SP) emitiu o Despacho Decisório de fls.5, no qual pronunciouse pela não homologação da compensação diante da inexistência do crédito declarado pelo Contribuinte às fls.2. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 2. Cientificado da solução dada à declaração de compensação apresentada, o Contribuinte, por seu representante legal, interpôs tempestivamente a Manifestação de Inconformidade de 08/12/2009 (fls.9/29), com a juntada de documentos de fls. 30/291 (Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral – CNPJ; Alteração Contratual e Consolidação do Contrato Social; Procuração ad judicia et extra e Substabelecimento; cópia do Despacho Decisório e do PER/DCOMP; planilhas demonstrativas), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: Fl. 383DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 2.1. Afirma ser tempestiva a Manifestação de Inconformidade protocolizada no dia 08/12/2009, considerando a data de ciência do Despacho Decisório. 2.2. Alega que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base unicamente no cruzamento eletrônico das informações constantes em seu sistema informatizado, dispensando qualquer análise manual do caso e também a expedição de termo de intimação prévio, não identificou o crédito tributário existente em favor da Manifestante. 2.3. Confirma a ocorrência de erros materiais em suas declarações que acabaram dificultando o reconhecimento do seu direito creditório, motivo pelo qual pretende demonstrálos na Impugnação, de forma a possibilitar a retificação de oficio do lançamento levado a efeito, em atenção ao principio da verdade material. 2.4. Afirma que a parcela do crédito tributário discutido no presente PER/DCOMP faz parte de um conjunto maior que tem origem numa mesma situação ocorrida entre o período de janeiro/2003 e dezembro/2007, período este no qual tributou indevidamente receitas decorrentes de operações de venda destinadas (i) ao exterior por meio de empresa comercial exportadora (exportação indireta), bem como (ii) a empresas comerciais fabricantes (portanto não atacadistas ou varejistas). 2.4.1. Em relação às vendas destinadas à exportação, a Manifestante alega ter informado erroneamente o Código Fiscal de Operações e de Prestações (CFOP) nas respectivas notas fiscais de saída (5101 — “renda de produção do estabelecimento”, ao invés de 5501 — “remessa de produção do estabelecimento com o fim especifico de exportação”), o que acarretou a tributação indevida das correlatas receitas, já que em tais operações de exportação indireta não incide PIS e COFINS, nos termos dos artigos 5º, III, da Lei nº10.637/02 e 6º, III, da Lei nº10.833/03. 2.4.2. Já a segunda parcela do direito creditório decorre de vendas realizadas às empresas Rassini e Magnet Marelli, posto que, por se tratarem de empresas comerciais fabricantes, deveriam ser observadas as alíquotas comuns do PIS e da COFINS de 1,65% e 7,6%, respectivamente, e não as diferenciadas de 2,3% e 10,8%, conforme dispõe o artigo 3º, incisos I e II, da Lei nº10.485/02. 2.5. Afirma que o crédito total apurado encontrase demonstrado nas planilhas que acompanham sua defesa, estando fundado nos documentos fiscais e comerciais pertinentes, idôneos e revestidos das formalidades legais, sendo de possível reconstituição por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio das diversas informações constantes em seu sistema informatizado, documentos tais que se encontram à disposição desse órgão. 2.5.1. A Manifestante deixou de juntar ao feito todas as notas fiscais de saída emitidas entre os períodos de apuração do credito (jan/03 a dez/07), alegando impossibilidade material e por acarretar demasiado transtorno processual (autuação e manuseio dos autos), já que se trata de milhares e milhares de documentos, motivo pelo qual se faz necessária a conversão do julgamento em diligência e/ou determinação de perícia técnica, nos termos dos artigos 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72 (aplicáveis ao rito da Manifestação de Inconformidade por força do § 11, do artigo 17, da Lei nº9.430/96), a fim de que as planilhas demonstrativas do crédito aqui apresentadas sejam devidamente validadas. 2.6. Ressalta que, quando da identificação dos erros cometidos na tributação das vendas em questão e conseqüente apuração dos correlatos créditos tributários, a Manifestante acabou apenas transmitindo os PER/DCOMP, deixando de promover, porém, a retificação das obrigações Fl. 384DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915257/200908 Acórdão n.º 3802001.986 S3TE02 Fl. 383 5 acessórias envolvidas (DCTF, DACON e DIRPJ), nas quais deveria ter reduzido os montantes de PIS e COFINS devidos nos termos das planilhas mencionadas. 2.6.1. Entende que tal ausência de retificação das obrigações acessórias envolvidas seja prescindível de justificativa para fins de julgamento do presente feito e retificação de oficio do lançamento com base na verdade material. 2.6.2. Explica que tais retificações seriam realizadas via processos administrativos, hoje de competência do chefe da DIORT, nos termos do artigo 2º, inciso III, da Portaria DERAT/SP nº 413/2009, processos administrativos esses morosos, de difícil solução e de eficácia limitada, que poderia acarretar na prescrição do direito creditório, inviabilizando as compensações pretendidas. 2.7. Em razão da ausência de retificação das DCTF envolvidas, os supostos recolhimentos indevidos acabaram sendo integralmente imputados para pagamento dos débitos declarados, não remanescendo qualquer saldo em favor da Manifestante nos seguintes processos: 10880.690.786/200985, 10880.690.781/200952, 10880.690.782/200905, 10880.690.784/200996, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690.783/200941, 10880.915.257/200908, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.925.615/200982, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976, 10880.690.799/200954 e 10880.925.616 7200927. 2.8. Tendo em vista que os 22 (vinte e dois) PER/DCOMP mencionados possuem por base o mesmo direito creditório discutido (mesma origem e fundamento), e considerando o pedido de conversão do julgamento em diligência, mostrase necessário, por medida de economia e celeridade processual, com fundamento na Portaria RFB nº 666/08, o apensamento dos feitos por anexação para julgamento conjunto, de modo a evitar decisões contraditórias entre as Turmas da própria DRJ. 2.9. Afirma que, em função da ausência de retificação da DCTF do período, o respectivo recolhimento acabou sendo integralmente apropriado, não remanescendo valor passível de restituição e compensação. Porém, ao recompor a apuração da contribuição à COFINS devida (exclusão de parte de sua base de cálculo e reajustando a correta alíquota a ser observada sobre parte das receitas de vendas), chegarseá ao saldo devedor correto. Nesses termos, a decisão ora impugnada está fundada, exclusivamente, nos erros cometidos pelo Contribuinte quando do preenchimento de suas obrigações acessórias e na ausência de apreciação de fatos não conhecidos ou não provados por ocasião do despacho decisório. 2.9.1. Contudo, em atenção ao principio da verdade material, cumpre à Administração Fazendária rever o lançamento levado a efeito, mostrando se imprescindível a conversão do julgamento em diligência a fim de que seja validado o saldo credor apurado e utilizado pela Manifestante. 2.9.2. No momento em que o Fisco constata que o contribuinte errou ao prestar informações à Administração Fazendária, ou mesmo prestou informações inconsistentes ou insuficientes, deve de pronto retificar eventuais atos que decorreram dessas equivocadas informações, pautando sua atuação nos fatos efetiva e concretamente ocorridos. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 2.10. De forma a cumprir os requisitos legais previstos no citado artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, informa a Impugnante que a diligencia ou perícia pretendida se justifica em razão da necessidade de se validar, através da análise das notas fiscais de saída emitidas pela Manifestante no período de jan/2003 a dez/07, dos memorandos de exportação, da atividade das empresas comerciais fabricantes cujas alíquotas diferenciadas do PIS e da COFINS foram indevidamente adotadas e demais documentos pertinentes, o crédito tributário apurado e aproveitado para a compensação veiculada nos PER/DCOMP discutidos. Indica Perita Contábil e formula quesitos. 2.11. Assim, requer a Manifestante o conhecimento e regular processamento da presente Manifestação de Inconformidade; o apensamento deste feito aos demais 22 (vinte e dois) processos correlacionados, com os seus encaminhamentos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento; seja determinada a realização de diligência e/ou perícia técnica conforme delimitado; no mérito, em atenção ao principio da verdade material, sejam as defesas julgadas procedentes para o fim de homologar as compensações pleiteadas, extinguindose os créditos tributários em cobrança. 2.11.1. Por derradeiro, protesta a Manifestante pela juntada de eventual documentação complementar que se faça necessária, bem como apresentação de novos esclarecimentos ou quesitos complementares em relação ao pedido de diligência e/ou perícia técnica formulado. 3. A representação processual foi regularizada pela Manifestante por meio da entrega da petição anexada às fls. 292/295. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 08/09/2011 (fls. 310). Inconformada, a interessada apresentou, em 04/10/2011, o recurso voluntário de fls. 311/331, onde reitera que o crédito alegado seria decorrente de pagamento indevido da contribuição do período, ressaltando ainda: a) que, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, a presunção de legitimidade dos atos administrativos é relativa, de sorte que, tendo a recorrente demonstrado a fragilidade do despacho decisório com base nos demonstrativos acostados aos autos, jamais poderia ter sido indeferido o pedido de diligência formulado, imprescindível para a validação do direito creditório pleiteado; b) que apesar de a recorrente haver manifestado a “[...] absoluta impossibilidade material e por acarretar transtorno processual (autuação e manuseio dos autos), já que se trata de milhares de milhares de documentos) [...]”, o julgador de primeira instância manteve o despacho decisório com fundamento, exatamente, na falta de comprovação dos erros materiais e do direito creditório; c) que, “também de forma contraditória indeferiu o pedido de diligência porque: (i) ‘em relação às supostas vendas destinadas à exportação, deixou a Manifestante de apresentar as cópias das Notas Fiscais e contratos comerciais, dentre outros documentos, que comprovariam a destinação dos produtos ao exterior...’; e (ii) ‘em relação às vendas realizadas às empresas Rassini e Magnet Marelli (empresas comerciais fabricantes), (...), faltou igualmente ao Contribuinte comprovar a origem (Notas Fiscais) dos valores incluídos em suas planilhas explicativas (...). Destaquese se que o Contribuinte sequer logrou êxito em comprovar que as citadas empresas compradoras seriam fabricantes de veículos e máquinas (...) não há descrição precisa sequer dos nomes das empresas compradoras, nem da identificação de seu CNPJ’”; Fl. 386DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915257/200908 Acórdão n.º 3802001.986 S3TE02 Fl. 384 7 d) assim, “o julgador desconsiderou por completo os argumentos e fundamentos que embasaram o pedido de diligência, apenas reforçando a necessidade e imprescindibilidade de tal procedimento”; e) que “as empresas ‘Rassini’ e ‘Magnet Marelli’ são, respectivamente, a maior fabricante de molas originais da América do Sul e a maior fabricante de sistemas e componentes automotivos do mundo [...], sendo, portanto, fato notório que se tratam de comerciais fabricantes, dispensando, portanto, provas nesse sentido (Código de Processo Civil, artigo 334, I)”; f) que, “de qualquer forma, a Recorrente apresenta, exemplificativamente, notas fiscais de saídas destinadas às referidas empresas (doc. 03), de modo a provocar a conversão do julgamento em diligência, nos termos requeridos”; g) que, “em relação às saídas destinadas à exportação, [...] apresenta notas fiscais e memorandos de exportação (doc. 04), com o mesmo objetivo de infirmar a alegada presunção de legitimidade dos atos administrativos em que se fundou a decisão recorrida e possibilitar a conversão do julgamento em diligência”; h) que o presente litígio integra um total de 22 processos correlatos os quais devem ser apensados por anexação para julgamento em conjunto, bem como para fins de conversão do julgamento em diligência; i) apresenta argumentos inerentes à materialidade do erro cometido – fonte do aduzido direito creditório – e, forte no princípio da verdade material, defende a obrigatoriedade de a Administração Fazendária rever o lançamento que originou o débito em cobrança, de sorte a adequálo à realidade fática; fundamentase nos artigos 145, III e 149, IV, V e VIII do CTN; transcreve ementas de acórdãos dos Conselhos de Contribuintes em defesa de sua tese; j) que a exposição da situação dos períodos de 2003 a 2007 e a apresentação de planilhas sintéticas e analíticas de apuração do indébito tributário infirmam a suposta presunção de legitimidade em que se funda o despacho decisório; apresenta doutrina em sintonia com seu argumento; k) que o julgador de primeira instância “não conseguiu fundamentar a ausência do direito creditório e também ficou em dúvida sobre a veracidade das alegações da Recorrente, o que, apesar de justificar a conversão do julgamento em diligência, acabou embasando a improcedência da defesa apresentada?!”; l) que os documentos em que se embasaram as planilhas demonstrativas não foram acostados aos autos “seja porque se encontram, em parte, disponíveis no sistema informatizado da Administração Fazendária Federal, seja porque o seu volume mostrase por demais exagerado, fato esse que acabaria por tumultuar o bom andamento do presente processo [...]”; m) assim, “para a validação dos créditos tributários apurados e demonstrados [...] mostrase necessário que o Órgão Fazendário analise as notas fiscais de saída emitidas no período compreendido entre janeiro/2003 e dezembro/2007, de modo a excluir da base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS as Fl. 387DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 receitas decorrentes de vendas destinadas ao exterior e reajustar as alíquotas corretas nas vendas para as empresas comerciais fabricantes, retificando de ofício os débitos erroneamente declarados em DCTF, portanto em desacordo com a verdade material, e, com isso, homologando as compensações pleiteadas”; n) requer a realização de diligência ou de perícia, indicando perita contábil e formulando quesitos. Diante do exposto, requer a interessada a apensação do feito aos demais 22 processos que tratam da mesma matéria, para que seja determinada a realização de diligência ou de perícia técnica, nos termos referenciados, e, no mérito, seja dado provimento ao recurso e homologada integralmente a compensação intentada. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, o pedido de compensação formalizado pelo sujeito passivo em 24/06/2009 objetivava a liquidação de débitos tributários com supostos créditos da interessada decorrentes de aduzido pagamento a maior da COFINS nãocumulativa (código de receita 5856) realizado em 15/03/2005, na quantia de R$ 25.065,39 (saldo do crédito não aproveitado no PER/DCOMP nº 20051.07261.300509.1.3.040061, onde foi informado como fonte do reclamado direito recolhimento no valor de R$ 253.804,66, efetuado em 15/03/2005). Atendome, de início, unicamente à questão de direito reclamada pela interessada, é verdade que a tese em que a mesma se alicerça possui verossimilhança, já que, de fato, o PIS e a COFINS não incidem sobre as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação (Lei nº 10.637/2002, artigo 5º, inciso III1 e Lei nº 10.833/2003, artigo 6º, inciso III2). No tocante às vendas a “empresas comerciais fabricantes”, a Lei nº 10.485/2002, em seu artigo 3º, estabelece alíquotas reduzidas das aludidas contribuições no caso de as vendas para as empresas Rassini e Magnet Marelli se enquadrarem na hipótese que o legislador procurou albergar com a edição da norma em tela3. 1 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. 2 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. 3 Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1o desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 388DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915257/200908 Acórdão n.º 3802001.986 S3TE02 Fl. 385 9 Em diversas situações em que analisamos recursos contra a nãohomologação de pedidos de compensação foi feita verdadeira auditoria nas provas colacionadas aos autos pelo sujeito passivo, mesmo quando tais provas foram apresentadas somente em sede de recurso voluntário. Nos casos em que tal análise não foi possível neste foro, nos manifestamos pela baixa dos autos em diligência para a confirmação dos registros fiscais, planilhas e documentos apresentados pela interessada a fim de verificar a liquidez e a certeza do direito creditório aduzido. Em todos esses casos, frisese, o contribuinte sempre demonstrou procurar adequar a sua situação fática às obrigações acessórias correspondentes, com apresentação, quando possível, das declarações retificadoras a que estava obrigado. Esta é a linha de entendimento normalmente consensual que esta Turma tem adotado nos inúmeros casos que julgou concernentes a recursos contra a nãohomologação de pedidos de compensação, e isso, justamente, em homenagem ao princípio da verdade material. Contudo, a realidade ora examinada diverge de outras tantas já apreciadas por esta Turma, uma vez que, agora, o sujeito passivo pleiteia o completo exame de sua escrituração pela Administração Fazendária sem ter retificado nenhuma das declarações de apresentação obrigatória (DCTF, DACON e DIPJ) em sintonia com o suposto pagamento indevido da contribuição. Com efeito, como a própria recorrente informa em sua manifestação de inconformidade, e reitera em seu recurso voluntário, deixou de providenciar “[...] a retificação das obrigações acessórias envolvidas (DCTF, DACON e DIRPJ, nas quais deveria ter reduzido os montantes de PIS e COFINS devidos, conforme se encontra demonstrado nas planilhas acima já mencionadas” (v. fls. 318). Assim, a interessada comparece novamente aos autos apresentando, a título comprobatório do direito creditório, unicamente, “planilhas sintéticas e analíticas”, bem como amostras de notas fiscais de saídas destinadas às empresas Rassini e Magnet Marelli, além de exemplos de notas fiscais e de memorandos de exportação. Em seu recurso voluntário a interessada afirma que os documentos em que se embasaram as planilhas demonstrativas não foram acostados aos autos “seja porque se encontram, em parte, disponíveis no sistema informatizado da Administração Fazendária Federal, seja porque o seu volume mostrase por demais exagerado, fato esse que acabaria por tumultuar o bom andamento do presente processo [...]”. De fato, a própria reclamante assevera que as notas fiscais representam “[...] milhares e milhares de documentos [...]” (v. fls. 316), mas entende que a validação dos créditos tributários apurados em suas planilhas torna “[...] necessário que o Órgão Fazendário analise as notas fiscais de saída emitidas no período compreendido entre janeiro/2003 e dezembro/2007, de modo a excluir da base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS as receitas decorrentes de vendas destinadas ao exterior e reajustar as alíquotas corretas nas vendas para as empresas comerciais fabricantes, retificando de ofício os débitos erroneamente declarados em DCTF, portanto em desacordo com a verdade material [...]”. A leitura que faço desses argumentos é a de que o sujeito passivo pretende transferir para o Fisco o ônus de comprovação do direito creditório que alega em seu favor e, b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Fl. 389DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 pior, sem ter sido minimamente diligente no que concerne à apresentação das declarações a que estava obrigado (DCTF, DIPJ e DACON) contemplando as proclamadas corretas bases de cálculo e montantes devidos do PIS e da COFINS. Com isso, o sujeito passivo privou a Administração Tributária da auditoria eletrônica das informações que integram as declarações de apresentação obrigatória, e agora, pretende que a mesma Administração dispense seus já reconhecidamente escassos recursos de mãodeobra especializada na análise dos “[...] milhares e milhares de documentos [...]” da empresa, pleito que não guarda a menor razoabilidade diante da realidade presente. Não pode ser ignorado o fato de que a ausência de apresentação das declarações retificadoras (DCTF, DACON e DIPJ) não se deu por esquecimento, equívoco ou motivo de força maior, mas foi uma atitude deliberada do sujeito passivo, que, unilateralmente, concebeu tais obrigações como prescindíveis. Também procurou justificar se alegando morosidade no exame das declarações retificadoras, “[...] de difícil solução e de eficácia limitada [...]”, que poderia redundar na “[...] prescrição do direito creditório [...]” (o que não é verdade, uma vez que diante da competência do fato gerador – de fevereiro de 2005 – e da data em que foi apresentado o PER/DCOMP, 20/06/2009, leiase, momento em que se pode afirmar o pleno conhecimento do “equívoco” pela interessada –, é evidente que havia elástico tempo hábil à apresentação das declarações). Confirase o seguinte trecho extraído de sua manifestação de inconformidade (v. fls. 16 do processo eletrônico), que corrobora a firmação acima consignada: Ocorre que, quando da identificação dos erros cometidos na tributação das vendas em questão e conseqüente apuração dos correlatos créditos tributários, a Manifestante acabou apenas transmitindo os PER/DCOMP's de modo a aproveitar o direito creditório existente em seu favor e se resguardar quanto a eventual decurso do prazo prescricional, deixando de promover, porém, a retificação das obrigações acessórias envolvidas (DCTF, DACON e DIRPJ), nas quais deveria ter reduzido os montantes de PIS e COFINS devidos, conforme se encontra demonstrado, também, nas planilhas acima já mencionadas. Tal ausência de retificação das obrigações acessórias envolvidas, não obstante seja prescindível de justificativa para fins de julgamento do presente feito e retificação de ofício do lançamento com base na verdade material, se explica pela necessidade de se realizar via processos administrativos, hoje de competência do chefe da DIORT, nos termos do artigo 2º, inciso III, da Portaria DERAT/SP nº 413/2009, processos administrativos esses, como se sabe, morosos, de difícil solução e eficácia limitada, podendo acarretar, consequentemente, a prescrição do direito creditório, inviabilizando as compensações pretendidas. (grifos nossos) Logo, o pedido de diligência ou de perícia formulado não se subsume às hipóteses em que o Processo Administrativo Fiscal as admite, seja diante da preclusão da apresentação da prova documental do direito (notadamente, as declarações retificadoras da interessada) – § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 –, seja pelo fato de a baixa dos autos para que a Fazenda reconstitua a escrituração da empresa – lembrando, que negouse a apresentar as declarações retificadoras a que estava obrigada –, mediante a análise de “[...] milhares e milhares de documentos [...]”, revestirse em procedimento impraticável, o que autoriza seu indeferimento com base no artigo 18 do mesmo Decreto nº 70.235/72. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915257/200908 Acórdão n.º 3802001.986 S3TE02 Fl. 386 11 A verdade material, tão invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. No caso presente, como já dito, houve deliberada ação omissiva da recorrente caracterizada pela recusa na prestação das obrigações acessórias a que estava obrigada, não sendo razoável admitir a inversão do ônus da prova do direito para o Fisco, que, no entender do sujeito passivo, teria a obrigação de se debruçar sobre sua farta documentação para provar direito o qual deveria ter sido demonstrado, pelos meios normativamente estipulados, por quem alega e detém interesse. Assim, manifestome no sentido de rejeitar diligência ou perícia destinada a confirmar o crédito tributário reclamado, bem como indefiro a apensação do feito aos outros 22 processos da interessada para a realização de diligência conjunta, por consequência lógica. Inadmitida a baixa dos autos em diligência, passase à analise propriamente dita do mérito da compensação vislumbrada. Nesse âmbito, a reconhecida necessidade de exame dos documentos da interessada revela que o indébito reclamado carece dos necessários pressupostos de liquidez e de certeza como requisito indispensável à liquidação de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. De fato, a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN, o que não se constatou na realidade presente. Nesse sentido, a seguinte decisão do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. FINSOCIAL COM O CONFINS. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS AUTORIZATIVOS. LEI 8.383/91. ART. 170 DO CTN. A Lei no 8.383/91 não revogou normas consignadas no Código Tributário Nacional (art. 170), que é Lei Complementar e dispõe acerca dos pressupostos necessários a autorizar o instituto da compensação. Hipótese expressa na legislação (art. 156 do CTN) de extinção do crédito tributário, a compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza. Líquidos e certos, na definição legal (para justificarem a compensação), são os créditos tributários expressamente declarados pelo Fisco e os reconhecidos, como tais, por sentença judicial com trânsito em julgado. A liquidez e certeza do crédito é pressuposto indesjungível da compensação, tal qual como concebida na legislação pertinente e devem ser provados pelo credor, sendo inválido, para tal fim, a confissão ficta da Fazenda respectiva. A jurisprudência se firmou no sentido de que a compensação da contribuição para o FINSOCIAL paga indevidamente depende do Fl. 391DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 reconhecimento judicial da inconstitucionalidade em cada caso concreto, desservindo de título para esse fim os precedentes judiciais que, incidentalmente, deixaram de aplicar o art. 92 da Lei no 7.689/88. Recurso provido. Decisão unânime. (Recurso Especial no 98.899/SC. Relator Min. Demócrito Reinaldo. Publicado no D.J. de 29/10/1996 – grifos nossos) Inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, legítima a cobrança dos créditos tributários que intentava extinguir por compensação. Deixo de examinar os argumentos destinados a contraditar as razões do indeferimento do pleito pela primeira instância, uma vez que a linha aqui adotada, muito embora, no mérito, deságue no mesmo entendimento pelo desprovimento do recurso em vista da não comprovação do direito creditório, aborda tratamento divergente com respeito à possibilidade de apreciação da prova, nos termos acima tratados. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 22 de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 392DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10540.720359/2010-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL
A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerar-se-á não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazê-lo em outro momento processual.
QUADRO COMPARATIVO DE MULTAS. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N. 11.941/2009. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPARAÇÃO DE MULTAS POR INFRAÇÕES DE NATUREZAS DISTINTAS.
Para fins de aplicação do artigo 106, II, do CTN, não se deve comparar a multa de ofício atualmente prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, com o somatório da multa de mora antes prevista no art. 35, II, alínea a da Lei nº 8.212/91 com a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no revogado §5o do art. 32 da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), por se tratar de penalidades de naturezas distintas.
MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991
Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada com base no revogado inciso II, a do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, dada pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009.
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI N. 8.212/1991. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. CANCELAMENTO.
A multa de ofício prevista no novel artigo 35-A da Lei n. 8.212/1991 não pode ser aplicada retroatividade, por não se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte. Necessidade de cancelamento da multa de ofício aplicada retroativamente, em face da impossibilidade de sua conversão em multa de mora pelo órgão julgador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para no período de 02/2007 a 11/2008: Excluir a multa de ofício e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o relator Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão das multas. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Conselheira Carolina Wanderley Landim - Relatora Designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerarseá não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazêlo em outro momento processual. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 03 59 /2 01 0- 23 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 QUADRO COMPARATIVO DE MULTAS. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N. 11.941/2009. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPARAÇÃO DE MULTAS POR INFRAÇÕES DE NATUREZAS DISTINTAS. Para fins de aplicação do artigo 106, II, do CTN, não se deve comparar a multa de ofício atualmente prevista no art. 35A da Lei n. 8.212/1991, com o somatório da multa de mora antes prevista no art. 35, II, alínea “a” da Lei nº 8.212/91 com a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no revogado §5o do art. 32 da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), por se tratar de penalidades de naturezas distintas. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991 Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada com base no revogado inciso II, ‘a’ do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, dada pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI N. 8.212/1991. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. CANCELAMENTO. A multa de ofício prevista no novel artigo 35A da Lei n. 8.212/1991 não pode ser aplicada retroatividade, por não se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte. Necessidade de cancelamento da multa de ofício aplicada retroativamente, em face da impossibilidade de sua conversão em multa de mora pelo órgão julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para no período de 02/2007 a 11/2008: Excluir a multa de ofício e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o relator Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão das multas. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora Designada Fl. 173DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720359/201023 Acórdão n.º 2403001.914 S2C4T3 Fl. 161 3 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 120 a 146, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE SÍTIO DO MATO contra Acórdão nº 1527.293 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 112 a 117, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.296.4958, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 657.371,68. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias dos empregados, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados (códigos de levantamento TR / TR1 / TZ), que deixaram de ser consideradas nas bases de cálculo oferecidas à tributação pelo sujeito passivo através da declaração em GFIP, no período de 01/2006 a 12/2008. O Relatório Fiscal aponta o enquadramento da entidade para fins de recolhimento das contribuições sociais previdenciárias: • Tratase de Órgão do Poder Público Municipal que não possui regime próprio de Previdência Social. • Contribuição previdenciária patronal alíquota de 20%, incidente sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. (FPAS 582 Órgãos do Poder Público). • Contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) correspondente ao CNAE Fiscal 84.11600 (Administração Pública em Geral) alíquotas de 1 % até 05/2007 e 2% a partir de 06/2007, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. O Relatório Fiscal, às fls. 2 a 13, mostra os fatos geradores como sendo as remunerações pagas aos segurados empregados (servidores) da Prefeitura, que deixaram de ser declaradas nas GFIP existentes antes da data de início da ação fiscal: 3.1. Os fatos geradores deste Auto de Infração são as remunerações pagas aos segurados empregados (servidores) da Prefeitura, que deixaram de ser declaradas nas GFIP existentes antes da data de início da ação fiscal: 3.2. As remunerações dos segurados empregados, assim considerados os ocupantes de cargos efetivos, agentes políticos, cargos comissionados e temporários (art. 12, inciso I, da Lei 8.212/91), foram apuradas com base nos dados fornecidos pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia TCM (período 01/2006 a 12/2008). 3.3. Os valores declarados nas GFIP foram apurados com base nos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil GFIP WEB e Plenus MV2. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720359/201023 Acórdão n.º 2403001.914 S2C4T3 Fl. 162 5 3.4. Foram lançadas, como bases de cálculo do auto de infração em tela, as diferenças entre o valor total da despesa da Prefeitura com pessoal (ativo, subsídio de Prefeito e Vice Prefeito, Temporários e Subsídio de Secretário), extraída dos dados do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia TCM e a base de cálculo informada na GFIP, uma vez que, intimada a apresentar a documentação constante dos termos de Início de Procedimento Fiscal, a Prefeitura não atendeu à intimação, respondendo que "não existe nesta prefeitura nenhum dos documentos solicitados, haja visto que o exgestor Alfredo de Oliveira Magalhães Júnior se quer fez a comissão de Transmissão (...)" vide Of. GAB. N° 240/2010 da prefeitura Municipal de Sítio do Mato anexa ao auto de infração. 3.5. Os lançamentos das diferenças apuradas na forma do item anterior foram feitos sem proceder à individualização dos segurados, conforme previsto na Norma de Execução Cofis n° 03, de 06/08/2009. As divergências foram apuradas conforme planilha de cálculo, anexa ao auto de infração e enviada ao contribuinte juntamente com o termo de intimação fiscal. 3.6. A utilização dos dados obtidos junto ao TCM está embasada no artigo 33, § 3 o , da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, uma vez que a Prefeitura não entregou os documentos solicitados pela fiscalização (com exceção dos documentos relativos ao atual Prefeito e Secretários de Administração e Finanças). 3.7. Intimada em 28/09/2010 a prestar esclarecimentos sobre as divergências entre os valores da remuneração constantes dos dados do TCM e GFIP, a Prefeitura enviou o ofício GAB. N° 274/2010 afirmando que já haviam respondido aos questionamentos no Ofício N°240/2010, no qual foi relatado que "não existe nesta prefeitura nenhum dos documentos solicitados, haja visto que o exgestor Alfredo de Oliveira Magalhães Júnior se quer fez a comissão de Transmissão (...)". 3.8. O lançamento, por rateio, das divergências entre o somatório de duas ou mais competências (vide relatório de lançamentos anexo), corrige eventuais distorções entre regimes contábeis de caixa (nos dados do TCM) e de competência (na GFIP). Além disso, o rateio foi executado de forma a aproveitar todos os recolhimentos do sujeito passivo, para que não houvesse sobra de recolhimento em uma competência e apuração de divergência na seguinte. Os valores constantes dos dados do TCM foram sempre maiores que as bases informadas em GFIP (com exceção das competências janeiro e 13° salário de 2006, 2007 e 2008). 3.9. O percentual do GILRAT dos órgãos da administração pública em geral até a competência maio de 2007 era de 1%. Foi alterado de 1 % para 2% com a publicação do Decreto 6.042, de 12/02/2007, que altera o Anexo V do Decreto 3.048/99 (validade a partir de 06/2007). Constatase que a Prefeitura não procedeu à mencionada alteração, continuando a informar o Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 percentual de 1% nas GFIP de 06/2007 a 13/2008, ocasionando, portanto, o cálculo da contribuição com valor menor que o devido nesse período. Esta diferença de valor foi lançada no auto de infração debcad n°37.296.4931. O Relatório Fiscal, às fls. 2 a 13, mostra os fatos geradores das obrigações principais e acessórias: GF DECLARADO EM GFIP Para o lançamento das bases de cálculo declaradas nas GFIP que foram entregues antes do início da ação fiscal, incluindo todos os segurados categoria 01 (empregado), 12 (Demais Agentes Públicos), 20(Servidor Público ocupante, exclusivamente de cargo em comissão, Servidor Público ocupante de cargo temporário) e 21 (Servidor Público Titular efetivo, magistrado, membro do Ministério Público e do Tribunal e Conselho de Contas). Este levantamento não participa da apuração do débito apurado nesta ação fiscal e foi criado somente para realizar a apropriação dos recolhimentos (GPS) e demais créditos existentes, como as deduções e autos de infração de fiscalização anterior; TR DIFERENÇA TCM X GFIP, ATÉ NOVEMBRO DE 2008 Para o lançamento das diferenças apuradas entre a base de cálculo extraída dos dados do TCM e as bases de cálculo informadas em GFIP. A base de cálculo extraída dos dados do TCM é constituída pela soma da despesa com pessoal ativo, subsídio de Prefeito e VicePrefeito, Pessoal Temporário e Subsídio de Secretário, diminuída da despesa com salário família, estes dados foram disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia à Receita Federal do Brasil. Ressaltase que a Prefeitura não apresentou nenhum dos documentos solicitados pela fiscalização, com exceção dos documentos relativos ao atual Prefeito e Secretários de Administração e Finanças. TR1 DIFERENÇA TCM X GFIP, ATÉ NOVEMBRO DE 2008 Para o lançamento das diferenças apuradas entre a base de cálculo extraída dos dados do TCM e as bases de cálculo informadas em GFIP. A base de cálculo extraída dos dados do TCM é constituída pela soma da despesa com pessoal ativo, subsídio de Prefeito e VicePrefeito, Pessoal Temporário e Subsídio de Secretário, diminuída da despesa com salário família, estes dados foram disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia à Receita Federal do Brasil. Este levantamento é um desmembramento do levantamento TR, criado pelo sistema de auditoria fiscal (SAFIS), após seleção do critério mais benéfico de aplicação de multas. TZ DIFERENÇA TCM X GFIP. APÓS NOVEMBRO DE 2008 Para o lançamento das diferenças apuradas entre a base de cálculo extraída dos dados do TCM e as bases de cálculo informadas em GFIP. A base de cálculo extraída dos dados do TCM é constituída pela soma da despesa com pessoal ativo, subsídio de Prefeito e VicePrefeito, Pessoal Temporário e Subsídio de Secretário, diminuída da despesa com salário família, estes dados foram disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia à Receita Federal do Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720359/201023 Acórdão n.º 2403001.914 S2C4T3 Fl. 163 7 Brasil. Este levantamento foi feito separado em função das mudanças no critério de aplicação da multa, introduzidas pela Lei n° 11.941/2009. O Relatório Fiscal, às fls. 2 a 13, informa ainda em relação às bases de cálculo para a apuração dos valores devidos as divergências resultantes da diferença entre o total de remuneração nos dados do TCM e a base de cálculo da contribuição previdenciária declarada em GFIP: Para a apuração dos valores devidos foram lançadas como bases de cálculo as divergências resultantes da diferença entre o total de remuneração nos dados do TCM e a base de cálculo da contribuição previdenciária declarada em GFIP. Sobre estas diferenças foram aplicadas as alíquotas previstas no item 1.6. Além das deduções, a crédito foram lançadas as Guias da Previdência Social GPS recolhidas pelo contribuinte (código de pagamento 2402) e os créditos previdenciários já constituídos por documento de débito apurado em fiscalização anterior NFLD n° 35.608.5694, de 14/09/2006 competências 04 e 05 de 2006 (NFLD: Notificação Fiscal de Lançamento de Débito). Quanto à aplicação dos acréscimos moratórios, a fiscalização realizou um comparativo de multas visando a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte, considerando se a Lei 11.941/2009, nestes termos: 5.16. Conforme demonstrado no quadro acima, no período de janeiro 2006 a janeiro/2007 o comparativo de multa restringiu se ao descumprimento da obrigação acessória, já que neste período não se aplicava multa moratória nos Órgãos da Administração Pública. 5.17. A multa por descumprimento de obrigação acessória menos gravosa para o período de janeiro de 2006 a setembro de 2007 é a prevista na legislação atual art. 32A, I, da Lei 8.212/91 (código de fundamento legal 78). Nas competências 10/2007 e 11/2007 e 03/2008 a 11/2008 a multa menos gravosa é a prevista na legislação anterior (item 5.9, "a" CFL 68). Já nas competências envolvidas no período de 12/2007, 01/2008 e 02/2008, a multa menos gravosa ao sujeito passivo é a prevista na legislação atual (multa de ofício de 75% CFL 78). As multas por descumprimento de obrigação acessória relacionadas a GFIP foram consignadas em Autos de Infração distintos. 5.18. As competências 12/2008 e o 13° Salário de 2008 não foram incluídas na comparação, uma vez que, para estes fatos geradores, aplicase diretamente o art. 35A da Lei n° 8.212/91, atualmente em vigor. 5.19. Para as competências do 13° salário de 2006 e 2007, cujas GFIP foram enviadas já na vigência da legislação atual (art. 32 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A da lei 8.212/91), foi lançada multa por descumprimento de obrigação acessória prevista na legislação atual (item 5.6). Enquanto que, em relação à multa pelo descumprimento da obrigação principal, foi aplicada multa prevista na legislação anterior (multa moratória de 24% item 5.9 a). 5.20. A cobrança de juros de mora está prevista para todo o período, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/91. Informa ainda o Relatório Fiscal que no procedimento fiscal, foram emitidas as seguintes autuações: Autos de Infração de Obrigações Principais constitutivos do crédito relativo a contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social e a outras contribuições sociais arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal e de competência privativa do auditorfiscal (Valores consolidados em 14 de outubro de 2010): AUTO DE INFRAÇÃO n° 37.296.4958 (R$ 2.281.468,46) referente às contribuições previdenciárias patronais (período de 01/2006 a 12/2008), incidentes sobre remunerações de segurados empregados (diferença entre a despesa com remuneração informada ao TCM e na GFIP); AUTO DE INFRAÇÃO n° 37.296.4958 (R$ 657.371,68) referente às contribuições previdenciárias dos segurados (período de 01/2006 a 12/2008), incidentes sobre remunerações de segurados empregados (diferença entre a despesa com remuneração informada ao TCM e na GFIP). AUTO DE INFRAÇÃO n° 37.296.4931 (R$ 28.688,32) referente à contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT (período de 06/2007 a 12/2008) declarada a menor na GFIP, devido ao fato de a alíquota ter sido majorada de 1 % para 2% a partir de 06/2007 e a Prefeitura não ter procedido essa modificação. Autos de infração de obrigações acessórias destinados a registrar a ocorrência de infração à legislação previdenciária por descumprimento de obrigação acessória, a constituir o respectivo crédito da Previdência Social, relativo à penalidade pecuniária aplicada, e a instaurar o processo administrativo de débito: AUTO DE INFRAÇÃO n° 37.296.4915 (CFL 78) R$ 6.500,00 por apresentar a GFIP com incorreções ou omissões; AUTO DE INFRAÇÃO n° 37.296.4907 (CFL 68) R$ 157.496,90 por apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias; AUTO DE INFRAÇÃO n° 37.296.4974 (CFL 38) R$ 14.317,78 por deixar de exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720359/201023 Acórdão n.º 2403001.914 S2C4T3 Fl. 164 9 AUTO DE INFRAÇÃO n° 37.296.4966 (CFL 35) R$ 14.317,78 por deixar de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. A Recorrente teve ciência do AIOP em 20.10.2010, conforme Aviso de Recebimento – AR às fls. 68. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, é de 01/2006 a 12/2008. A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 69 a 71: O MUNICÍPIO DE SÍTIO DO MATO, inscrito no CNPJ/MF sob o n° 16.417.792/000134, com sede administrativa na praça Nossa Senhora do Rosário, s/n, centro, na cidade de Sítio do Mato, estado da Bahia, representado pelo prefeito municipal, Danilson dos Santos Silva, brasileiro, solteiro, portador da cédula de identidade n° 0687604001 SSP/BA, inscrito no CPF/MF sob o n° 917.473.255/20, residente e domiciliado na rua Nova Lima, s/n, centro, na cidade de Sítio do Mato, O vem, respeitosamente, perante Vossa Senhoria, IMPUGNAR O AUTO DE INFRAÇÃO acima epigrafado, pelas razões a seguir aduzidas. Tratase de auto de infração em razão de supostas divergências de valores da remuneração de pessoal, onde os fatos geradores apurados não teriam sido declarados na GFIP pelo contribuinte. Ressalta, de logo, que o atual gestor do impugnante assumiu o mandato de prefeito no dia 1º (primeiro) de janeiro de 2009 e os fatos objeto do auto de infração em epígrafe teriam ocorrido antes desta data. Informa, ainda, que ao assumir o cargo de prefeito municipal de Sítio do Mato, o atual gestor não encontrou qualquer documento referente ao período de I º(primeiro) de janeiro de 2005 a 31(trinta e um) de dezembro de 2008, inclusive as folhas de pagamento de pessoal e GFIP. O exgestor, Alfredo de Oliveira Magalhães Júnior, sequer fez a transição de governo, o que, inclusive, ensejou a emissão de parecer prévio pelo TCM Tribunal de Contas dos Municípios, pela rejeição das contas do exercício financeiro de 2008, de responsabilidade do exalcaide, o qual fora mantido pela Câmara Municipal de Sítio do Mato. Portanto, o exgestor teve as suas contas do ano de 2008 rejeitadas, sendo um dos motivos a não realização da transição de governo, conforme documentos anexos. O impugnante não acredita que os fatos que ensejaram o auto de infração em epígrafe tenham de fato ocorrido. Porém, Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 necessita de documentos para comprovar o equívoco. No entanto, tais documentos não se encontram na sede da prefeitura municipal porque foram levados pelo exprefeito. O impugnante é a Fazenda Pública Municipal. O interesse público é indisponível. Os danos que poderão ser causados aos munícipes são irreparáveis. Diante disso, fazse necessária a produção de provas para demonstrar que os fatos que ensejaram o auto de infração ora impugnado não ocorreram. Fica também impugnado o auto de infração porque não há relação com os nomes das pessoas que supostamente teriam sido omitidos na declaração da GFIP. Em face do exposto, requer seja julgado improcedente o auto de infração contra o impugnante. Requer, ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especificamente os documentos ora anexados e a notificação do exprefeito municipal de Sítio do Mato, ALFREDO DE Q OLIVEIRA MAGALHÃES JÚNIOR, brasileiro, divorciado, empresário, residente e domiciliado na fazenda Salinas, município de Bom Jesus da Lapa, para que apresente todas as folhas de pagamento de pessoal e GFIP referentes ao período de I o (primeiro) de janeiro de 2005 a 31 ( t r i n ta e um) de dezembro de 2008. Nestes termos, pede deferimento. De Sítio do Mato para Vitória da Conquista, 18 de novembro de 2010. Danilson dos Santos Silva Prefeito Municipal A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1527.293 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 112 a 117, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTE PATRONAL. ÓRGÃO PÚBLICO . INCIDÊNCIA . São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que prestem serviços à empresa, conforme prevê o art. 22, incisos I, II, da Lei n.° 8.212, de 1991. CABE LANÇAMENTO DE OFÍCIO SEMPRE QUE A EMPRESA DEIXAR DE APRESENTAR DOCUMENTOS OU INFORMAÇÕES OU APRESENTAR DE FORMA DEFICIENTE . CABE À EMPRESA O ÔNUS DA PROVA EM CONTRÁRIO . Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720359/201023 Acórdão n.º 2403001.914 S2C4T3 Fl. 165 11 cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Art. 33, parágrafo 3 o ,da Lei n° 8.212, de 1991). PROVA DOCUMENTAL . MOMENTO DE APRESENTAÇÃO PRECLUSÃO TEMPORAL . A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. MULTA DE MORA . ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. MOMENTO DA COMPARAÇÃO . Sobre as contribuições sociais em atraso incide multa de mora de caráter irrelevável. Para o cálculo da multa de mora deve ser aplicada a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme art. 106 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), comparandose a penalidade imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando o pagamento do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal, conforme Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 04/12/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo 10540.720358/201089, do Auto de Infração (AI), cadastrado sob número 37.296.4958, acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE o lançamento contestado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Intimese o sujeito passivo do inteiro teor do presente Acórdão, fornecendolhe cópia da decisão, mediante entrega ou remessa da segunda via, intimandoo ainda a recolher o débito, no prazo de 30 (trinta) dias, ressalvado o direito de interpor recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no mesmo prazo, facultado pelos artigos 25, II, e 33, ambos do Decreto 70.235, de 1972. Sala de Sessões, em 31 de maio de 2011. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 120 a 146, em apertada síntese: Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 () Inicialmente, faz um relato da autuação. (i) Da ilegalidade da cobrança da contribuição dos exercentes dos cargos públicos; (ii) Da ilegalidade da cobrança da incidente sobre os avulsos e autônomos no período anterior à vigência da lei Complementar 84/1996; (iii) da ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre o 13o. Salário; (iv) da ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre o SAT; (v) Da incidência de contribuição previdenciária sobre contratos nulos; (vi) Imposição indevida de acréscimos – Juros SELIC; (vii) Da indevida utilização da taxa TR/TRD como fator de correção; Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 204. É o Relatório. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720359/201023 Acórdão n.º 2403001.914 S2C4T3 Fl. 166 13 Voto Vencido Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 204. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, fls. 120 a 146, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE RIO DE CONTAS contra Acórdão nº 1527.293 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 112 a 117, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.296.4958, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 657.371,68. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias dos empregados, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados (códigos de levantamento TR / TR1 / TZ), que deixaram de ser consideradas nas bases de cálculo oferecidas à tributação pelo sujeito passivo através da declaração em GFIP, no período de 01/2006 a 12/2008. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.296.4958 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.296.4958) Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720359/201023 Acórdão n.º 2403001.914 S2C4T3 Fl. 167 15 Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.296.4958, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DO MÉRITO (i) Da ilegalidade da cobrança da contribuição dos exercentes dos cargos públicos; Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720359/201023 Acórdão n.º 2403001.914 S2C4T3 Fl. 168 17 (ii) Da ilegalidade da cobrança da incidente sobre os avulsos e autônomos no período anterior à vigência da lei Complementar 84/1996; (iii) da ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre o 13o. Salário; (iv) da ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre o SAT; (v) Da incidência de contribuição previdenciária sobre contratos nulos; (vi) Imposição indevida de acréscimos – Juros SELIC; (vii) Da indevida utilização da taxa TR/TRD como fator de correção; Analisemos em conjunto os itens (i) a (vii). Observemos os pontos de argumentação que a Recorrente apresentou em sede de Impugnação, às fls. 69 a 71: O MUNICÍPIO DE SÍTIO DO MATO, inscrito no CNPJ/MF sob o n° 16.417.792/000134, com sede administrativa na praça Nossa Senhora do Rosário, s/n, centro, na cidade de Sítio do Mato, estado da Bahia, representado pelo prefeito municipal, Danilson dos Santos Silva, brasileiro, solteiro, portador da cédula de identidade n° 0687604001 SSP/BA, inscrito no CPF/MF sob o n° 917.473.255/20, residente e domiciliado na rua Nova Lima, s/n, centro, na cidade de Sítio do Mato, O vem, respeitosamente, perante Vossa Senhoria, IMPUGNAR O AUTO DE INFRAÇÃO acima epigrafado, pelas razões a seguir aduzidas. Tratase de auto de infração em razão de supostas divergências de valores da remuneração de pessoal, onde os fatos geradores apurados não teriam sido declarados na GFIP pelo contribuinte. Ressalta, de logo, que o atual gestor do impugnante assumiu o mandato de prefeito no dia 1º (primeiro) de janeiro de 2009 e os fatos objeto do auto de infração em epígrafe teriam ocorrido antes desta data. Informa, ainda, que ao assumir o cargo de prefeito municipal de Sítio do Mato, o atual gestor não encontrou qualquer documento referente ao período de I º(primeiro) de janeiro de 2005 a 31(trinta e um) de dezembro de 2008, inclusive as folhas de pagamento de pessoal e GFIP. O exgestor, Alfredo de Oliveira Magalhães Júnior, sequer fez a transição de governo, o que, inclusive, ensejou a emissão de parecer prévio pelo TCM Tribunal de Contas dos Municípios, pela rejeição das contas do exercício financeiro de 2008, de responsabilidade do exalcaide, o qual fora mantido pela Câmara Municipal de Sítio do Mato. Portanto, o exgestor teve Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 as suas contas do ano de 2008 rejeitadas, sendo um dos motivos a não realização da transição de governo, conforme documentos anexos. O impugnante não acredita que os fatos que ensejaram o auto de infração em epígrafe tenham de fato ocorrido. Porém, necessita de documentos para comprovar o equívoco. No entanto, tais documentos não se encontram na sede da prefeitura municipal porque foram levados pelo exprefeito. O impugnante é a Fazenda Pública Municipal. O interesse público é indisponível. Os danos que poderão ser causados aos munícipes são irreparáveis. Diante disso, fazse necessária a produção de provas para demonstrar que os fatos que ensejaram o auto de infração ora impugnado não ocorreram. Fica também impugnado o auto de infração porque não há relação com os nomes das pessoas que supostamente teriam sido omitidos na declaração da GFIP. Em face do exposto, requer seja julgado improcedente o auto de infração contra o impugnante. Requer, ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especificamente os documentos ora anexados e a notificação do exprefeito municipal de Sítio do Mato, ALFREDO DE Q OLIVEIRA MAGALHÃES JÚNIOR, brasileiro, divorciado, empresário, residente e domiciliado na fazenda Salinas, município de Bom Jesus da Lapa, para que apresente todas as folhas de pagamento de pessoal e GFIP referentes ao período de I o (primeiro) de janeiro de 2005 a 31 ( t r i n ta e um) de dezembro de 2008. Nestes termos, pede deferimento. De Sítio do Mato para Vitória da Conquista, 18 de novembro de 2010. Danilson dos Santos Silva Prefeito Municipal Por outro lado, a Recorrente em sede de Recurso Voluntário discute matérias de direito que não foram veiculadas em sede de Impugnação: (i) Da ilegalidade da cobrança da contribuição dos exercentes dos cargos públicos; (ii) Da ilegalidade da cobrança da incidente sobre os avulsos e autônomos no período anterior à vigência da lei Complementar 84/1996; (iii) da ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre o 13o. Salário; (iv) da ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre o SAT; (v) Da incidência de contribuição previdenciária sobre contratos nulos; Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720359/201023 Acórdão n.º 2403001.914 S2C4T3 Fl. 169 19 (vi) Imposição indevida de acréscimos – Juros SELIC; (vii) Da indevida utilização da taxa TR/TRD como fator de correção; Da instauração da fase litigiosa do procedimento Nos termos do art. 56 do Decreto 7574/2011 e dos arts. 14 e 15 do Decreto 70235/1972, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento além do que, deve estar instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Ademais, eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Outrossim, o art. 16 do Decreto 70.235/1972 disciplina que a Impugnação deve conter, dentre outros requisitos, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (gn) Evidentemente, os argumentos deduzidos pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário não o foram em sede de Impugnação. Da preclusão para apresentação da prova documental Ainda, embora não seja a hipótese presente na argumentação deduzida pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário, quando se trata de prova documental, o art. 16, § 4º do Decreto 70.235/1972 determina que estas provas sejam apresentadas em sede de Impugnação, admitindo, porém, que sejam apresentadas em algumas situações: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Da matéria não impugnada Nos termos do art. 58 do Decreto 7574/2011 e dos arts. 17 do Decreto 70235/1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ou seja, para se discutir as matérias aduzidas pela autuação fiscal, o momento processual adequado é aquele da Impugnação: Decreto 70235/1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Decreto 7574/2011 Art.58.Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Decreto no 70.235, de 1972, art. 17, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). Fl. 191DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720359/201023 Acórdão n.º 2403001.914 S2C4T3 Fl. 170 21 Ora, diante do preceituado pelo art. 17, Decreto 70.235/1972, percebese que a matéria de direito argüida pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário inova totalmente em relação ao que foi interposto em sede de Impugnação. Portanto, diante do exposto, concluo pela preclusão da discussão de matéria de direito neste momento processual do Recurso Voluntário posto que não foi contestada anteriormente pela Recorrente em sede de Impugnação. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO, em função da preclusão da discussão de matéria de direito neste momento processual do Recurso Voluntário posto que tal matéria anteriormente não foi contestada pela Recorrente em sede de Impugnação. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 192DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 Voto Vencedor Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Designada. Conforme já informado no voto do eminente relator, Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, tratase de processo administrativo decorrente do AIDEBCAD de n. 37.296.4958, através do qual são exigidas as contribuições previdenciárias relativas aos segurados empregados, das competências de 01 a 03, 06, 07 e 13/2006, 09 e 10/2007 e 01 a 13/2008. Conforme consta do Relatório Fiscal às fls. 0510, o fiscal autuante, em virtude das alterações promovidas pela MP 449/2008 na Lei n. 8.212/1991, efetuou o comparativo das multas para que fosse aplicada a penalidade supostamente menos severa ao contribuinte, a teor do art. 206, II do CTN, assim procedendo da seguinte forma: Sistemática atual [(obrigação principal + multa de 75%) + multa de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou inexatas, com valor mínimo de R$ 500,00 por competência] em comparação com a sistemática passada [(obrigação principal + multa de 24%) + 100% do valor das contribuições que deixaram de ser declaradas, observados os limites mensais]. Inicialmente, entendo que em relação às competências de 01/2006 a 03/2006, 06/2006, 07/2006 e 13/2006, ressalvado o método de comparação adotado, o fiscal autuante aplicou corretamente as normas vigentes à época desses fatos geradores, deixando de lançar a penalidade pelo recolhimento das contribuições fora do prazo, em virtude da vedação prevista no art. 239, §9º. Vejamos: Art. 239... § 9º As multas impostas calculadas como percentual do crédito por motivo de recolhimento fora do prazo das contribuições e outras importâncias, não se aplicam às pessoas jurídicas de direito público, às massas falidas e às missões diplomáticas estrangeiras no Brasil e aos membros dessas missões. Posteriormente, este dispositivo foi alterado pelo Decreto 6.042 de 12/02/2007, restando excluída tal proibição. Sendo assim, a partir da competência 02/2007, o fiscal autuante, com o intuito de identificar a penalidade aplicável ao presente processo, efetuou a comparação entre as multas previstas na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e as previstas após as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. Para tanto, efetuou quadro comparativo, através da qual somou à multa de mora prevista no art. 35, II, alínea “a” da Lei nº 8.212/91 a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no art. 32, §5o da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), comparando Fl. 193DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720359/201023 Acórdão n.º 2403001.914 S2C4T3 Fl. 171 23 o seu resultado com as penalidades previstas na legislação atual – multa de ofício de 75%, somada à multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no atual art. 32A da Lei n. 8.212/1991 (CFL 78). Como resultado desse confronto, a Fiscalização concluiu ser a sistemática antiga mais benéfica nas competências de 10/2007 e 03 a 11/2008, diante do que lançou a multa de mora de 24% prevista no artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, e, quanto às competências de 09/2007 e 01 e 02/2008, entendeu ser a sistemática nova mais favorável, tendo, por conseguinte, lançado a multa de 75% sobre os créditos tributários apurados nessas competências. A autoridade lançadora considerou, portanto, que a sanção progressiva prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/91 tem natureza de multa de ofício, daí porque a comparou com a multa de 75% inserida no regime jurídico das contribuições previdenciárias em dezembro de 2008, pela inclusão do art. 35A na Lei nº 8.212/91, promovida pela MP 449/2008. No entanto, entendo ser equivocado o procedimento eleito pelo Autuante para quantificação das sanções, seja porque cumulou penalidades referentes a infrações distintas: multa de mora por falta de recolhimento da contribuição previdenciária somada à multa por falta de declaração em GFIP, comparando o seu resultado à soma da multa de ofício prevista no atual artigo 35A da Lei n. 8.212/1991 com a multa por omissões ou incorreções em GFIP prevista no atual art. 32A da Lei n. 8.212/1991 (CFL 78); seja porque considerou que a multa de 24% teria natureza de multa de ofício, entendimento com o qual não coaduno. Vejamos. Antes das alterações introduzidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a multa moratória encontrava previsão no art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Vejamos o que dispunha o referido dispositivo, com a redação vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 194DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinquenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Como se infere da norma acima colacionada, a multa moratória incluída em notificação fiscal de lançamento ou Dívida Ativa era progressiva, aumentando a depender da fase em que se efetivasse o pagamento ou parcelamento do crédito tributário, podendo alcançar o patamar de 100% caso parcelada depois de ajuizada a execução fiscal. Ocorre que, atualmente, se encontra em vigor norma punitiva da mora mais benéfica, já que o art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação veiculada pela Lei nº 11.941/2009, passou a determinar a aplicação do art. 61 da Lei nº 9.430/96 aos débitos previdenciários, segundo o qual a penalidade moratória não pode ultrapassar o percentual de 20%. Ou seja, a multa de mora deve ser limitada a 20%, em observância ao quanto disposto no art. 61 da Lei n. 9.430/1996, e não mais ser elevada em função da fase em que o pagamento se efetivasse, até o patamar de 100%. Isto porque, apesar de a lei tributária de regência ser aquela em vigor à época da ocorrência do fato gerador, adotase a retroatividade benigna quando a lei posterior comine à infração penalidade da mesma natureza e menos gravosa, nos termos do art. 106, II, ‘a’ do CTN (Código Tributário Nacional). Esse é, inclusive, o posicionamento adotado pelo CARF, conforme se verifica do excerto abaixo transcrito: “A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.720359/201023 Acórdão n.º 2403001.914 S2C4T3 Fl. 172 25 Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica” (Processo nº 35301.007211/200667, Acórdão nº 2403002.067– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, segunda seção de julgamento, Sessão de 15 de maio de 2013, Presidente e Relator Carlos Alberto Mees Stringari).. Com o advento da MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, não só foi alterada a redação do art. 35 da Lei 8.212/91, que trazia as regras de aplicação das multas de mora progressiva, mas também foi acrescentado à Lei nº 8.212/91 o art. 35A, o qual passou a apenar a falta de recolhimento do tributo com a multa de ofício correspondente a 75% do crédito tributário objeto de lançamento, penalidade essa até então inexistente no ordenamento jurídico. Dessa forma, em relação à multa de ofício, aplicada no montante de 75% nas competências de 09/2007 e 01 e 02/2008, estas devem ser canceladas, por não existir na legislação vigente à época do fato gerador multa de ofício em decorrência da falta de pagamento da contribuição previdenciária, mas tãosomente multa de mora. Vale notar que a exclusão da multa de ofício de 75% ora realizada é a única medida que pode ser efetuada por esse órgão julgador, que não tem competência para convertê la em multa de mora, pois isso demandaria um novo lançamento para constituição de crédito tributário relativo à penalidade de natureza distinta, atividade essa privativa da autoridade administrativa, nos termos do art. 142 do CTN. O CARF vem se posicionando no sentido de ser incabível a conversão de multas de naturezas distintas, a uma porque, tratandose de penalidade, não se pode adotar o princípio da fungibilidade; a duas porque, para a cobrança da multa de mora seria necessário novo lançamento, que não pode ser realizado pela autoridade julgadora. Vejamos o trecho da ementa e voto proferido em sede de Recurso Voluntário nº 160.001 nos autos do processo 10380.1007171200338 (Decisão publicada em 04.02.2009): CONVERSÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM MULTA DE MORA NOVO LANÇAMENTO A conversão de multa de oficio isolada, exigida por meio de Auto de Infração, em multa de mora, caracteriza um novo lançamento, o que é vedado à instância de julgamento. Recurso parcialmente provido. (...) “Quanto à decisão de primeira instância, importa salientar que esta, a pretexto de mitigar a multa de oficio aplicada por meio de Auto de Infração, na verdade converteua em multa de mora, promovendo assim um novo lançamento, o que é vedado à Autoridade Julgadora. Ademais, em se tratando de penalidades, é inaplicável o principio da fungibilidade, tendo em vista a Fl. 196DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 tipicidade cerrada que cerca essa espécie de exigência tributária.” Dessa forma, a atividade do lançamento é privativa da autoridade administrativa, sendo defeso ao órgão julgador, seja ele administrativo ou judicial, a mudança de classificação ou de enquadramento ao suporte normativo estabelecido pela autoridade competente. O que pode a autoridade julgadora, com respaldo no artigo 106 do CTN, é apenas reduzir a penalidade aplicada, caso lei posterior comine a determinado fato penalidade menos severa. A mudança da natureza da multa aplicada,contudo, não é permitida. Assim, a multa de mora por descumprimento de obrigação principal da nova sistemática deve ser comparada com multa de mora por descumprimento de obrigação principal da sistemática anterior; do que resulta a necessidade de limitar a 20% a penalidade aplicada nos meses 10/2007, 03 a 11/2008, e excluir a multa de 75% sobre o crédito tributário apurado em 09/2007 e 01 e 02/2008. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto pelo cancelamento da multa de ofício de 75% aplicada nas competências 09/2007 e 01 e 02/2008 e pela redução da multa de mora para o percentual de 20% nas competências de 10/2007, 03 a 11/2008. É como voto. Carolina Wanderley Landim Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10880.933370/2008-86
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PROVA.
Tem-se por acertada a decisão da autoridade administrativa denegatória do direito creditório pleiteado, assim como de não homologação da compensação formulada, cujo fundamento fático encontra-se confirmado na escrituração contábil-fiscal da pessoa jurídica trazida aos autos pelo Recorrente.
Numero da decisão: 3803-004.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PROVA. Temse por acertada a decisão da autoridade administrativa denegatória do direito creditório pleiteado, assim como de não homologação da compensação formulada, cujo fundamento fático encontrase confirmado na escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica trazida aos autos pelo Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 33 70 /2 00 8- 86 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.933370/200886 Acórdão n.º 3803004.196 S3TE03 Fl. 106 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 15 de julho de 2004, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, período de apuração março de 2003, no valor de R$ 10.468,40, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o cancelamento do despacho decisório, alegando que, conforme constara da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) Retificadora, apresentada em 19 de dezembro de 2006, o valor devido da contribuição no período seria de R$ 23.475,46, e não de R$ 32.119,46, valor este recolhido por meio de DARF, evidenciadose um crédito tributário de R$ 8.644,00. Segundo o então Manifestante, em 27 de outubro de 2008, após a ciência do despacho decisório, procedera à retificação da Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF) do período sob análise, em que se corrigiu o valor do débito, em conformidade com o apurado na DIPJ retificadora. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, da DCTF retificadora e da DIPJ retificadora (fls. 12 a 17). A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2003 Ementa: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos declarados originalmente por intermédio de DIPJ e de DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.933370/200886 Acórdão n.º 3803004.196 S3TE03 Fl. 107 3 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO. O crédito tributário ora mantido permanecerá suspenso enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no art. 151 do CTN (Lei nº 5.172/66). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ressaltou o relator a quo que a DCTF retificadora fora apresentada após o despacho decisório, em desconformidade com os termos do art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), em que se estipula que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada com créditos líquidos e certos, sendo a DCTF o instrumento hábil de confissão de dívida, suficiente à exigência do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5.º do Decretolei nº 2.124, de1984, e Instruções Normativas da Receita Federal). Destacouse, também, que, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de1972, o prazo para apresentação de provas documentais visando a esclarecer eventual equívoco ocorrido em ato da Administração finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em momento posterior. Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, repete os elementos fáticos apontados na Manifestação de Inconformidade, transcreve excertos da doutrina e da jurisprudência administrativa e requer a anulação da decisão recorrida, com o deferimento do direito creditório e a consequente homologação da compensação pleiteada, ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, como forma de se prestigiarem os princípios da oficialidade e da verdade material, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a DIPJ é meio hábil para comprovar o correto valor do débito devido, tendo em vista que a Administração tributária, por meio de simples consulta a outras declarações apresentadas eletronicamente, como o Dacon, pode aferir as informações prestadas pelo sujeito passivo; b) em face dos princípios da legalidade objetiva e da verdade material, tem direito à apresentação de documentos após a manifestação de inconformidade, pois a Constituição Federal confere aos processos administrativos a função de prevenção de conflitos de interesses que envolvam a Administração Pública, conflitos esses que podem ser levados à apreciação do Poder Judiciário, denotando a natureza não contenciosa do processo administrativo; c) o processo administrativo se diferencia do processo judicial quanto à busca da verdade, sendo objeto do primeiro a verdade material, em que o julgador pode determinar outras investigações para apurar os fatos, e do segundo a verdade formal, verdade essa colhida dos fatos trazidos aos autos pelas partes envolvidas; d) a autoridade fiscal, no cumprimento de sua função, deve sempre agir de acordo com a lei, não lhe sendo deferido discricionariedade ou faculdade para agir de acordo com outros interesses que não o interesse público, dado que se submete ao princípio da legalidade objetiva; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.933370/200886 Acórdão n.º 3803004.196 S3TE03 Fl. 108 4 e) em nenhum momento do processo, ventilouse quanto a uma possível ilegitimidade do direito creditório, controvertendose apenas quanto à suficiência da documentação carreada aos autos para comprovar o indébito, em razão do que tornase imprescindível a realização de diligência; f) no que tange aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, as obrigações acessórias (DCTF, Dacon, DIPJ etc.) são consideradas meio idôneo de prova, uma vez que são nas declarações que o contribuinte apura e informa o quanto devido. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte traz aos autos mapa de apuração da contribuição e cópias do Dacon e de partes do Diário Geral, com seus termos de abertura e de encerramento (fls. 85 a 102). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da confirmação do fato apurado pela repartição de origem, assim como por ausência de provas adicionais que pudessem comprovar as alegações do então Manifestante. Para se contrapor às referidas decisões, o Recorrente trouxe aos autos cópias da DCTF retificadora, da DIPJ retificadora e do Dacon, mapa de apuração da contribuição e cópias de partes do Diário Geral, com seus termos de abertura e de encerramento, que, em seu entendimento, seriam bastantes para demonstrar o tributo devido no período sob comento, sendo que, no caso deste Colegiado entender de forma diversa, requer que se converta o julgamento em diligência à repartição de origem para se obterem documentos e informações adicionais. De pronto, destaquese que, inobstante o fato de o Recorrente ter trazido aos autos, na segunda instãncia, cópia de parte do Diário Geral, num movimento tendente a suprir a falta de prova documental atestada pelo julgador a quo, considerando o teor do referido livro, constatase que, ao invés de corroborar a tese do Recorrente, temse a confirmação do valor da contribuição devida no período que constou da DCTF original e que serviu de base à decisão tomada no despacho decisório. À fl. 97 dos autos, consta a provisão para o PIS no montante de R$ 32.119,46, valor esse coincidente com o recolhido por meio de DARF, nos termos presentes no despacho decisório, não havendo, nas demais folhas da cópia parcial do Diário Geral, qualquer informação quanto a uma possível alteração ou estorno do valor da contribuição devida no período. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.933370/200886 Acórdão n.º 3803004.196 S3TE03 Fl. 109 5 Inexiste, ainda, qualquer elemento da escrituração contábilfiscal ou da documentação que a lastreia que pudesse demonstrar, ao menos, a base de cálculo da contribuição no período, sem o que não se vislumbra fundamento à contrariedade enfática externada pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, no presente caso, o elemento da escrituração trazido aos autos, conforme acima destacado, depõe contra o próprio Recorrente, sendo que as provas adicionais que porventura possam existir encontramse em seu poder, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à desconsideração das provas presentes nos autos, com a pretensa preponderância do princípio da verdade material sobre os demais elementos normativos que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, informações essas confirmadas na escrituração contábilfiscal trazida aos autos pelo interessado, não se vislumbrando a possibilidade de inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer a realização de diligência junto à repartição de origem. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.933370/200886 Acórdão n.º 3803004.196 S3TE03 Fl. 110 6 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) O contribuinte, no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, da DCTF retificadora e da DIPJ retificadora, não se referindo a qualquer elemento de sua escrituração contábilfiscal que pudesse comprovar as suas alegações relativas ao indébito reclamado. No Recurso Voluntário, quando já havia sido alertado pelo julgador de primeira instância da necessidade de comprovação dos dados declarados, o contribuinte traz aos autos planilha por ele elaborada e cópia de parte do Diário Geral, sendo que esta, muito antes de amparar suas alegações, confirma os dados que serviram de base à prolação do despacho decisório. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726348/2011-59
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA ATRASO NA ENTREGA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 48 /2 01 1- 59 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COTRANS LOCAÇÃO DE VEICULOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Curitiba (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de auto de infração (fl. 40) lavrado em virtude de entrega intempestiva da DCTF. Alega a impugnante a nulidade do lançamento e do auto de infração, capitulação legal equivocada, decadência e cobrança abusiva dos juros de mora. A DRJ CuritibaPR , através do acórdão nº 0639.988, de 27 de março de 2013 (fls. 46/50), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/10/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na apresentação da DCTF é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da respectiva declaração. Ciente da decisão em 25/04/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 54), apresentou o recurso voluntário em 21/05/2013, onde pugna pela improcedência do lançamento alegando estar albergada pelo instituto da denúncia espontânea e o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório Fl. 87DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.726348/201159 Acórdão n.º 1803001.842 S1TE03 Fl. 82 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de DCTF. Alega a recorrente que estaria albergada pelo instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, pois entregou as DCTFs antes de qualquer procedimento fiscal. Alude também quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, o que ensejaria a sua inconstitucionalidade e conseqüente desconstituição do lançamento. Não assiste razão à interessada. As matérias alegadas no recurso voluntário não foram objeto de prequestionamento na impugnação mas em homenagem ao amplo direito de defesa serão apreciadas no presente voto. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que é defeso ao colegiado julgador administrativo enveredar na análise da constitucionalidade da lei tributária, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não colhe a recorrente no que tange ao instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Com efeito, o acolhimento da tese da denúncia espontânea quando presentes seus pressupostos, somente se aplica em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias (multa pelo atraso na entrega de declarações por exemplo). Neste sentido, a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721488/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1402-000.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo de Andrade Couto.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 48 8/ 20 11 -0 0 Fl. 43308DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Resolução nº 1402000.210 S1C4T2 Fl. 43.309 2 RELATÓRIO Tratase de autos de infração lavrados em face de omissão de receitas baseadas em depósitos bancários que o contribuinte, devidamente intimado, em tese deixou de comprovar suas origens (art. 42 da Lei nº 9.430/96). Os extratos bancários em que se baseia autuação foram alcançados pelo próprio contribuinte. Houve arbitramento de lucros em razão de a Fiscalização considerar imprestável a escrita do contribuinte. Em relação à omissão, transcrevo excerto do relatório de primeira instância, baseado no Termo de Verificação Fiscal lavrado pela autoridade autuante: O interessado foi autuado, em 07/10/2011, no IRPJ e reflexos, por presunção de omissão de receitas nos anoscalendário de 2006 e 2007, tendo seu lucro sido arbitrado. Foi exigido o crédito tributário total de R$ 63.264.093,37, incluindo imposto, contribuições, multas de 150% e juros de mora calculados até 30/09/2011 (fls. 1 a 42536). A fiscalização, em seu Termo de Verificação Fiscal (TVF), reportase, na descrição dos fatos, aos arts. 264, 527, 530, inciso II, item “a”, 532, 537 e § único, e 957, todos do RIR/99, art. 42 da Lei n° 9.430/96, arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 1964, e art. 1º, incisos I e II, da Lei n° 8.137, de 1990. O TVF dá conta, em resumo, de que: “(...) Em 26/06/2010, intimamos o contribuinte ... cientificado por via postal em 01/07/2010, a apresentar livros fiscais, contratos sociais e suas alterações e ... extratos de contas bancárias e aplicações financeiras com saldos de movimentação financeira de R$ 92.431.385,85 e R$ 127.727.115,65, segundo as informações fornecidas pelas instituições financeiras ... referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007 respectivamente. Verificamos pelas ... DIPJ entregues pelo contribuinte, que este optou pela sistemática de ... lucro presumido e declarou ... receita bruta ... R$ 1.584.999,67 e R$ 2.286.369,30 em 2006 e 2007, respectivamente. (...) Atendendo a intimação ... apresentou, em 08/07/2010, o primeiro dos inúmeros pedidos de prorrogação de prazo para entrega de documentos, através de seu contador .... Em 28/07/2010 ... apresentou ... livros Razão, Diário, de ISS, Relatórios de Notas Fiscais Eletrônicas de Serviços, extratos bancários do Banco do Brasil, Bradesco e BankBoston. ... entregou ... relatórios referentes a valores expressivos (amostra escolhida por ele), creditados em suas contas bancárias, tentando mostrar a origem e o destino destes valores .... Fl. 43309DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Resolução nº 1402000.210 S1C4T2 Fl. 43.310 3 No exame da documentação apresentada verificamos ... examinando os extratos bancários do banco Bradesco verificamos que os saldos iniciais em 01/01/2006 e 01/01/2007 foram adulterados (o saldo inicial de cada ano foi aumentado). Isto pode ser evidenciado, somando e subtraindo os débitos e créditos do primeiro dia e confrontando com o saldo seguinte ... os livros fiscais (Razão e Diário) ... se referem ... ao anocalendário de 2007 e, mesmo assim, não refletem a ... movimentação financeira ... nas contas bancárias, conforme podemos ... verificar através da comparação dos livros e dos extratos bancários. Estes Diário e Razão de 2007 revelam ... deficiências que os tornam imprestáveis para a ... identificação da ... movimentação financeira ... inclusive bancária, posto que a escrituração ... reporta somente pequenos valores ... sem ... discriminações, numa única conta contábil denominada caixa/bancos. Perguntado, o contribuinte respondeu que foi contabilizado somente o que ... "consideram efetivamente da empresa" e não a real movimentação financeira ...; supostamente, a amostra de relatórios ou "processos" de clientes, apresentada por iniciativa do contribuinte, teria por objetivo demonstrar ... o que ocorre quando um cliente deposita um ... valor em conta bancária da Ranur. A tentativa foi ... um ... fracasso. Foram entregues várias caixas com "processos", onde o contribuinte apresenta um demonstrativo, seguido de numerosos documentos sem a devida organização e esclarecimento, que possam fazer conexão destes papéis com as indicações do demonstrativo inicial. ... se o contribuinte queria comprovar fatos contábeis, seriam esperadas comprovações hábeis e idôneas, em papéis de emissão de terceiros, da parte dos valores adentrados em contas bancárias do contribuinte que tivessem servido à liquidação de obrigações por conta e ordem dos ... seus clientes. No entanto, quase nada, neste grande amontoado de papel apresentado, poderia comprovar que o contribuinte tivesse, de fato, suportado em suas contas bancárias, o ônus de pagamentos por conta dos ... clientes. ... assim, lavramos o Termo de Intimação Fiscal de 26/08/2010, onde solicitamos o esclarecimento e a demonstração dos saldos iniciais e finais dos movimentos bancários na contabilidade e nas DIPJ's que divergem dos extratos bancários apresentados. Mais, pedimos para esclarecer os saldos diários nos próprios extratos bancários do ... Bradesco que não batem .... Para tanto, intimamos o contribuinte a apresentar os extratos bancários originais e fornecidos pelo próprio banco ... (Bradesco). Solicitamos, também, que as contas contábeis que contabilizam a movimentação bancária fossem apresentadas de forma individualizada por conta bancária e banco, seguindo as boas normas de contabilidade. [...]... instada ... apresentou, por uma segunda vez, os extratos bancários do ... Bradesco. Nestes ... extratos há coerência de valores iniciais e de saldos diários subseqüentes, porém são diferentes dos extratos bancários anteriormente apresentados ... evidenciando que ... foram ... adulterados. Fl. 43310DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Resolução nº 1402000.210 S1C4T2 Fl. 43.311 4 ... para apurar ... quais os ... corretos, solicitamos que o contribuinte assinasse ... declaração abrindo mão do sigilo bancário para que ... solicitássemos ao ... Bradesco uma cópia oficial de extratos .... ... entregues os extratos oficiais ... pudemos verificar que os ... corretos ... foram apresentados ... na segunda vez, ou seja, os primeiros ... foram fraudados. À vista da gravidade do fato ..., que, em tese, capitulase ao crime de fraude (adulteração de documentos de terceiros), o contribuinte foi inquirido a explicarse .... Em resposta ... apresentou uma terceira versão dos ... extratos, esta coincidente com a segunda. Esta ... veio acompanhada de ... carta ... do gerente ... da agência que sedia a conta ... onde ... alega que as diferenças ... entre o último (igual ao segundo) e o primeiro extrato se deveriam a ... "atualizações das movimentações financeiras via on line demandam certo tempo para serem compiladas, tendo sua finalização apenas no final do dia e, por esta razão, o extrato retirado por este sistema apresentou diversificações (sic)". Observandose, porém: 1) que a diferença de que se trata se resume ao valor dos lançamentos de saldo inicial de cada anocalendário; 2) que as diferenças alçam valores expressivos; 3) que os valores, em tese fraudados, não guardam coerência interna, nos próprios extratos apresentados, com os saldos parciais subsequentes; 4) que, ao considerar os problemas de sistemas alegados pelo gerente da agência, observamos que a movimentação bancária em tela é dos anoscalendário de 2006 e 2007 e AMBAS, primeira e segunda versão dos extratos, foram extraídas no dia 05/07/2010 para a contacorrente n° 8001, e no dia 06/06/2010 para a contacorrente n° 28002, ambas da agência 3304 do banco Bradesco, resultando num tempo de "finalização via on line" entre mais de 3 e 4 anos, e não "ao final do dia", como alegado. ... a conclusão ... é ... que o contribuinte fraudou seus extratos bancários e que o gerente ... ao tentar "explicar" o fato material do crime, tornouse conivente com a fraude praticada. É nossa obrigação ... salientar a gravidade do comportamento do contribuinte ...: apresentar documentos bancários adulterados ... de forma a trazerlhe proveito na apuração das exações fiscais, fatos estes comprovados pela entrega de duas versões divergentes ... e pela utilização, na escrita contábil ... dos valores adulterados, ao invés daqueles ... verdadeiros, com o agravante de que esta escrita foi refeita e apresentada ... APÓS a constatação da, em tese, fraude documental. ... esta fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal de 20/05/2011, no intuito de ter claramente a demonstração, por crédito em conta corrente, do que é receita da empresa e o que é valor de cliente ....(grifo nosso) Fl. 43311DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Resolução nº 1402000.210 S1C4T2 Fl. 43.312 5 Devido ao volume de créditos em conta corrente foi feito um corte, deixando os valores abaixo de R$ 20.000,00 fora ... da amostragem .... Nesta intimação, deixamos claríssimo que estavam intimados a demonstrar e comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos constantes nas contascorrentes dos bancos, cujos valores foram apresentados individualmente na planilha "Relação de Créditos em ContaCorrente dos AnosCalendário dos 2006 e 2007", anexo ao Termo .... Mais, devido ao fato do contribuinte afirmar que grande parte dos valores creditados é utilizada como pagamento efetuado em nome dos clientes, deixamos claríssimo que, além de demonstrar a origem, o contribuinte deveria demonstrar claramente, de forma sistemática e organizada, o montante que seria de repasse para pagamento em nome do cliente e o montante que seria seu próprio movimento de receita ou despesa. Alegando dificuldade no atendimento ... o contribuinte solicitou mais prazo .... O contribuinte, tentando atender às intimações anteriores, o fez de forma desordenada e incompleta, razão pela qual, em 29/06/2011, devolvemos todos os documentos ... entregues. Naquele ato foram devolvidas 3 caixas contendo documentos que o contribuinte denomina ... "processos". A devolução ... foi feita no intuito de dar nova oportunidade para que o contribuinte organizasse de maneira inteligível a sua documentação; apresentasse, demonstrasse e comprovasse a origem e o destino dos valores depositados em suas contas correntes bancárias, de forma coerente. Mais uma vez, solicitamos que a documentação fosse apresentada de forma a demonstrar, com clareza e ordenadamente, quais valores se referiam a pagamentos por conta dos clientes (terceiros), com a devida comprovação do efetivo pagamento, e quais valores seriam pertinentes à movimentação financeira própria. Não cabe a esta fiscalização fazer a contabilidade da empresa, ou organizar documentos entregues sem nenhum critério, com planilhas codificadas, de difícil entendimento, com documentos e registros obscurecidos por códigos de uso exclusivo da empresa e anotados sob formas de registros pessoais (do contribuinte) e absolutamente incomuns. .... Até 22/07/2011 o contribuinte havia apresentado, somente, no que denominou "da melhor forma possível", documentos referentes aos meses de janeiro a agosto de 2006. Sendo assim, lavramos o último Termo de ReIntimação Fiscal (desta mesma data), para que ... apresentasse os documentos comprovantes dos créditos em conta corrente ... solicitados em intimações anteriores, referentes aos meses de setembro de 2006 a dezembro de 2007, concedendo ... o prazo final de 31/07/2011. No dia 01/08/2011, o contribuinte compareceu a esta delegacia portando mais 23 caixas de documentos, a serem somadas às 10 caixas anteriormente entregues. Muitos documentos estavam rasgados, embolorados, desorganizados, molhados, mofados, grudados, dobrados, muitos dentro de sacos plásticos sujos, outros na forma de Fl. 43312DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Resolução nº 1402000.210 S1C4T2 Fl. 43.313 6 cópia reprográfica de má qualidade, ilegível, ou muito clara, de ponta cabeça, etc etc. Juntos a documentos que poderiam, em um ou outro caso, ser considerados comprobatórios, foram entregues outros, em muito maior número, que de nada adiantavam para a finalidade almejada, de comprovação de pagamentos (centenas, ouso dizer, milhares de folhas inúteis). 3. DA ANÁLISE [...]3.2. Dos documentos Conforme já descrito ... a documentação apresentada, em grande parte, não oferecia condições ... de análise ou auditoria. Mesmo assim, esta fiscalização examinou cada folha de documento, das inúmeras caixas entregues, para ter a exata dimensão dos valores que poderiam ser considerados suportados documentalmente e os valores que não poderiam, de forma alguma, se considerar comprovados. Todos os créditos em conta corrente, que foram relacionados nas planilhas constantes do presente procedimento, limitamse aos de valor superior a R$ 20.000,00 .... 3.3. Do humor da empresa [...]A sistemática de atendimento a esta fiscalização sempre foi de dificultar o entendimento do funcionamento da empresa, assim como apresentar alto volume de documentos inchando o trabalho fiscal, misturando documentos úteis com documentos não úteis ou inábeis. Um simples olhar nos documentos anexados a este processo demonstra este fato. 3.4. Dos créditos em conta corrente Para lavrar o auto de infração ... consideramos os valores creditados em conta corrente como receita bruta da empresa, para os quais não foram devidamente comprovados a origem, o destino ou ambos. (...) O que se nota é um recurso do contribuinte de apresentar um número de documentos muito volumoso, sem critério, sem sistematização para dificultar o montante real de sonegação fiscal. Porém, esta fiscalização examinou minuciosamente e adotou alguns procedimentos: notas fiscais, recibos em nome de cliente sem a devida comprovação de pagamento efetuado pela Ranur não foram considerados, visto que não está comprovado quem pagou a nota fiscal ou o recibo; documento de emissão própria não é documento hábil para comprovação de pagamento por conta de terceiro para terceiro; documentos que não apresentam valores monetários juntamente com documento comprovante de pagamento não demonstram efetivo pagamento de qualquer valor pela Ranur; comprovante de pagamento efetuado pela Ranur sem contrapartida de documento de comprovação de serviços prestados ou mercadoria vendida não faz prova de pagamento feito para terceiro; Fl. 43313DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Resolução nº 1402000.210 S1C4T2 Fl. 43.314 7 documentos que entre si não se correlacionam através de datas, valores, códigos, numeração etc, apenas estão juntos num "processo" não fazem prova de pagamento ou recebimento pela Ranur; folhas de livros fiscais que foram desconsiderados por esta fiscalização por serem considerados parte de uma contabilidade imprestável para a determinação do lucro da empresa, não fazem por si só prova de recebimento ou pagamento para ou pela Ranur; notamos que a sistemática de recebimento do cliente Samsung, geralmente é feito em 2 etapas: o primeiro recebimento é um valor aproximado do valor de ICMS em data próxima do pagamento realmente efetuado pela Ranur. Em seguida, a empresa faz uma prestação de contas e recebe o valor restante do que ele diz ter pago em nome do cliente; via de regra, a empresa demonstra os valores pagos de ICMS, que é feito pelo Banco do Brasil, apresentando o darf de pagamento e o valor sacado da conta da Ranur, coincidindo em data e valor. Porém outros serviços como por exemplo de capatazia, armazenagem, ele muitas vezes apresenta notas fiscais ou recibos, ou recibos onde o nome do pagante é o cliente, e não demonstra o efetivo pagamento feito pela Ranur; no recebimento com a empresa ARA Química o recebimento geralmente é de uma vez só e a Ranur demonstra pagar todos os tributos referentes ao "processo" analisado. No caso da Samsung, a Ranur paga apenas o ICMS, sendo os outros tributos tais como Cofins, Pis, Taxa de utilização de Sicomex, IPI, II pagos pela própria Samsung; .... Procedemos à digitalização de documentos que comprovam os pagamentos efetuados ... em nome dos clientes, assim como os documentos que não colaboram com a definição de que os valores analisados são receita ou não, para que se perceba a alegação de dificultar o trabalho ... e para evidenciar que esta fiscalização analisou todos estes documentos para firmar convicção da tese de arbitramento. Como o contribuinte não conseguiu (ou não quis) comprovar ... com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem e motivação de inúmeros créditos em suas contas bancárias, presume se, legalmente, que tais créditos constituem omissão de receita. A presunção legal, neste caso, é "juris tantum" .... Por isso, foi concedida ao contribuinte a oportunidade de demonstrar a incorreção da presunção em sucessivas intimações. Entretanto, mesmo tendo sido concedidos prazos razoáveis e suficientes ... este se manifestou de forma insatisfatória. É claro que o contribuinte pode até utilizarse do recurso de mostrar uma documentação volumosa e desorganizada, seja para não constituir prova criminal contra si mesmo ou por outra finalidade .... Do ponto de vista ... tributário, os motivos do contribuinte não vêm ao caso, importando, tão somente, o montante e a natureza econômica dos rendimentos auferidos. .... Fl. 43314DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Resolução nº 1402000.210 S1C4T2 Fl. 43.315 8 3.5. Da Sistemática de Apuração do Lucro [...]Quando apresenta documento hábil estes documentos não comprovam o efetivo pagamento de valores que o contribuinte diz ser por conta de cliente; O enorme volume de documentos apresentados como um grande amontoado de papel, sem esclarecimentos, muitos inúteis para demonstrar efetivo pagamento, só fez obscurecer o montante a ser considerado como receita bruta; O relato de conta corrente com a empresa Samsung tem lançamentos que não estão nos livros ou nos extratos bancários, não tem outros lançamentos que tem nos livros fiscais ou extratos bancários; Cada valor de crédito em conta corrente a ser comprovado raramente batia em data e valor; A comprovação de determinados valores de crédito continha documentos que comprovavam valores maiores do que deveriam comprovar; [...]Da análise da documentação enviada para demonstrar a origem e o destino dos créditos constantes das contas bancárias, elaboramos as planilhas "Relação de Créditos em Conta Corrente de 2006 e 2007" dos bancos BankBoston, Banco do Brasil e Banco Bradesco, citando para cada crédito bancário acima de R$ 20.000,00 o que seria considerado comprovado e o que não foi passível de comprovação. 4. DA BASE DE CÁLCULO (...) Após os prazos das inúmeras intimações, verificamos que os créditos bancários não foram ... comprovados e/ou declarados com documentos hábeis e idôneos, sendo relacionado individualmente no "Demonstrativo de Créditos Bancários de Origem não Comprovada", anexo a este Termo de Verificação Fiscal. Os extratos bancários são prova do ilícito tributário ... e fazem parte deste processo. Foram computados mensalmente os valores relacionados no Demonstrativo anexo, como segue: (...) Créditos em conta referentes à transferência de mesma titularidade não foram considerados nestas planilhas. 5.2. Do Crédito em Conta Bancária (...) 5.3. Da Multa Qualificada Conforme exposto ... o contribuinte apresentou duas versões ... para extrato de movimentação da mesma conta bancária, com referência ao mesmo período. ... Como agravante ... o contribuinte, tendo a oportunidade de refazer a contabilidade através de livro caixa, utilizou os extratos adulterados. A não escrituração correta do movimento financeiro da empresa, a apresentação de documentos bancários incorretos, o não atendimento a esta fiscalização a contento, a utilização de valores adulterados na escrita contábil como foi claramente descrito, demonstram que o Fl. 43315DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Resolução nº 1402000.210 S1C4T2 Fl. 43.316 9 contribuinte agiu com dolo, evidente intuito de sonegação e fraude como definido nos artigos da Lei n° 4.502. Assim sendo, caracterizado o dolo, a fraude e o crime contra a ordem tributária, conforme os dispositivos legais acima referidos, cabe a aplicação da multa de cento e cinqüenta por cento, conforme disposto no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (art. 957 do RIR/99). Podemos adicionar ... reincidência da infração, pois ocorreu a adulteração dos extratos bancários do anocalendário de 2006 e ... do anocalendário de 2007. A conduta reiterada de tentar retardar ou impedir o conhecimento de fato gerador pela autoridade fiscal, evidencia o intuito doloso ... A multa qualificada em razão de conduta reiterada é causa suficiente a sustentar a aplicação da penalidade no percentual de 150%. (...)”Os autos de infração constam às fls. 42490 a 42536, com as bases legais da autuação do IRPJ à fls. 42500 e 42502. A empresa apresentou impugnação ao auto de infração, em 28/10/2011 (fls. 42540 a 42576), por meio de seu advogado (fls. 42576 a 42599), alegando, em resumo, que: 1 ocorreu a decadência do período de janeiro a agosto de 2006, nos moldes do art. 150, § 4º, do CTN, conforme argumentos de praxe, mas para afastála e aplicar a multa qualificada, a fiscalização imputa a si a existência de fraude, em razão de extratos bancários supostamente adulterados; 2 a fiscalização não soube interpretar suas operações financeiras, pois sua atividade não se limita ao transporte de cargas: o agenciamento de carga engloba cotação e contratação de frete internacional e nacional junto às agências marítimas, cias. aéreas, e transportadoras, bem como consolidação desconsolidação de cargas, oferecendo aos seus clientes todo o suporte operacional e logístico do início ao fim das operações de importação e exportação; 3 classificar sua contabilidade como "imprestável" é um erro de interpretação das operações, já que toda sua movimentação foi considerada receita e muitos documentos fornecidos não foram analisados, conforme provaremos; e mesmo que a contabilidade fosse "imprestável", isso não autoriza imputar como receita todos os créditos da sua conta bancária, pois foram entregues elementos suficientes para o arbitramento sobre uma base de cálculo correta, como a sua receita, representada pelas Notas Fiscais emitidas; 4 as "caixas" e "processos" entendidos como documentos imprestáveis embasam as movimentações da empresa, demonstram a origem e destino dos valores depositados em sua conta bancária; apesar do descontentamento da fiscalização, todos os elementos solicitados foram fornecidos, de modo que permitiriam a realização da auditoria corretamente; adiante será demonstrada a efetiva comprovação da origem e destino dos valores creditados em conta; afinal, os valores recebidos por agenciadoras de cargas destinamse ao Fl. 43316DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Resolução nº 1402000.210 S1C4T2 Fl. 43.317 10 pagamento de impostos, taxas, armazenagem, capatazia, Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante, honorários, etc.; 5 a fiscalização imputa a si o cometimento de fraude, apesar da carta do gerente do banco explicando o erro, pois todos os extratos os três fornecidos e o quarto obtido pela fiscalização junto ao Bradesco , foram emitidos pelo banco, de modo que o primeiro, que difere dos demais, traz erro do banco, conforme a referida carta; além disso, apresentou voluntariamente outros dois extratos para comprovar sua boa fé, demonstrando não ter intenção de fraudar; e mais: abriu mão de seu sigilo para a fiscalização solicitar ao banco o extrato; com base na mesma, se houve adulteração de extrato, indagase: por que o banco não foi incluído no pólo passivo como responsável solidário e na representação fiscal para fins penais? 6 quanto ao contrato com a construtora, a fiscalização extrapolou os limites do MPF, com descabidas alusões a fatos estranhos ao objeto deste Auto de Infração, pois foi demonstrada a efetiva saída de valores da sua conta para a da construtora, de modo que não há razão para as observações impertinentes; 7 prova os valores pagos de ICMS e demonstra que o valor sacado da sua conta coincide em data e valor; como, então, considerar todos os valores creditados em conta como receita omitida? Aliás, a fiscalização reconhece o pagamento do ICMS em diversos casos, mas não leva isso em consideração na lavratura do Auto de Infração; veja se que a Samsung, sua principal cliente, com 90% do serviço, adianta valores para o pagamento das despesas de importação, em especial do ICMS, sendo certo que, conforme o Contrato de Prestação de Serviços (Anexo II), recebe R$ 350,00 por importação, cabendo notar que o ICMS é pago no ato de registro da DI e normalmente é depositado pela Samsung um valor aproximado, como adiantamento, para o pagamento do imposto e demais taxas; 8 eis alguns exemplos de incompatibilidade entre a base de cálculo do arbitramento e a documentação fornecida, que demonstram a fragilidade da autuação, visto que esta vem acompanhada de "Relação de Créditos em ContaCorrente do Ano Calendário de 2006 e 2007 do Banco do Brasil", na qual 95% dos valores foram considerados receita, embora a documentação apresentada tenha sido a mesma em todos os casos; demonstrase, assim, a inexistência de um trabalho fiscal documentalmente embasado; não traz todos os "processos" que estão na mesma situação, por ser inviável apresentar toda documentação, pois são inúmeras caixas de documentos; mas, se necessário, toda essa documentação está à disposição; 9 por exemplo, o caso n.º 1, cujas provas estão no Anexo III, que trata de crédito em 10/02/2006, no valor de R$ 87.442,11, com origem na Samsung Eletr. Da Amazônia Ltda., cujo valor considerado como receita foi R$ 2.047.89; mas tudo está perfeitamente especificado na prestação de contas, sendo R$ 87.442,11 de "ADIANTAMENTO ICMS", gastando no desembaraço R$ 92.874,68, sendo credora de R$ 5.389,52; a nota fiscal de serviços n.º 001733 mostra o valor recebido de honorário e o comprovante bancário de 09/03/2006 e a GARE ICMS demonstram que foram recolhidos R$ 85.394,22, de ICMS; Fl. 43317DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Resolução nº 1402000.210 S1C4T2 Fl. 43.318 11 demais documentos (recibo, fatura, nota fiscal da mercadoria, guia da União, entre outros) demonstram o pagamento das taxas de liberação, desconsolidação, armazenagem, AFRMM, etc.; 10 o caso n.º 2, cujas provas estão no Anexo IV, que trata de crédito em 19/05/2006, no valor de R$ 211.507,05, com origem na Samsung Eletr. Da Amazônia Ltda., cujo valor considerado como receita foi R$ 158.547,24; mas a Samsung adiantou R$ 211.507,05 para pagamento dos impostos e taxas, valor consistente com R$ 161.245,87 da 1ª prestação de contas e com R$ 50.261,18 da 2ª prestação de contas; a documentação anexa mostra que teve que utilizar do próprio bolso R$ 25.090,07, já que os valores efetivamente devidos foram superiores aos adiantamentos; assim, apenas o ICMS da 1ª prestação de contas (R$ 175.708,82) e da 2ª (R$ 52.959,81) ultrapassa o crédito em sua conta corrente; este "processo" está instruído com notas de serviço, de pagamento de taxas, de imposto, entre outros; 11 eis o caso n.º 3, cujas provas estão no Anexo V, que trata de crédito em 09/05/2007, no valor de R$ 27.890,00, de origem não comprovada, sendo todo o valor considerado receita; mas, no "processo" fornecido constam todos os dados, quais sejam: a origem foi a Ara Química S/A e o valor dos serviços prestados foi R$ 700,00, conforme a nota fiscal de serviços; o valor de R$ 27.890,00 foi o adiantamento para o pagamento dos impostos e taxas, conforme os documentos e prestação de contas anexa; ao final da operação, a Ara Química S/A ficou credora em R$ 331,96; todos esses documentos estavam com a fiscalização que, incompreensivelmente, utilizou como receita o valor integral do depósito em conta; 12 eis o caso n.º 4, cujas provas estão no Anexo VI, que trata de crédito em 05/09/2007, no valor de R$ 30.015,84, com origem na Samsung Eletr. Amazônia Ltda., cujo valor considerado receita foi de R$ 18.141,12; mas recebeu esse valor de adiantamento, sendo que R$ 7.503,96 eram relativos à 1ª prestação de contas, R$ 7.503,96 à 2ª, R$ 7.503,96 à 3ª, e R$ 7.503,96 à 4ª; os "processo" estão perfeitamente instruídos com todos os comprovantes de pagamento, demonstrando que a receita auferida foi R$ 1.400,00 (R$ 350,00 por processo), com base nas notas fiscais de serviços; 13 como já foi dito, em alguns "processos" foi considerado comprovado o pagamento realizado, tendo por base os mesmos documentos apresentados para todos os casos, não tendo sido imputada qualquer receita, mesmo existindo nota fiscal de serviços; eis dois exemplos: a) caso n.º 5, cujas provas estão no Anexo VII, com crédito em 10/03/2006, no valor de R$ 249.112,46, com origem na Samsung Eletr. Amazônia Ltda.; b) o caso n.º 6, cujas provas estão no Anexo VIII, com crédito em 20/07/2006, no valor de R$ 325.987,54, com origem na Samsung Eletr. Amazônia Ltda. A decisão da DRJ julgou improcedente a impugnação, recebendo a seguinte ementa: Fl. 43318DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Resolução nº 1402000.210 S1C4T2 Fl. 43.319 12 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não ocorreu a decadência do direito de lançar IRPJ (Lucro Arbitrado) e reflexos dos dois primeiros trimestres de 2006, pois o art. 150, § 4º, do CTN, não é aplicável se não houve o pagamento antecipado dos tributos referentes à matéria autuada, considerandose existente o pagamento antecipado quando efetuada a declaração do tributo referente à matéria em tela e quando a autuação trata de falta de recolhimento. Neste caso, o início do prazo decadencial referente ao primeiro trimestre de 2006 deuse em 1º de janeiro de 2007, de forma que ao lançamento efetuado em 07/10/2011 não se aplica o instituto da decadência. Preliminar indeferida. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006, 2007 LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Afastada a credibilidade dos valores dos serviços prestados registrados nas Notas Fiscais, correto o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, entendida esta como a receita omitida em conformidade com a presunção legal de depósitos bancários de origem não comprovada. MULTA QUALIFICADA. A adulteração de extratos bancários, bem como sua utilização após a constatação de que estavam adulterados para recompor a escrituração do livro Caixa configura fraude. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Devidamente intimada, o contribuinte apresentou recurso voluntário reforçando seus argumentos da impugnação, atacando ainda as conclusões da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 43319DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Resolução nº 1402000.210 S1C4T2 Fl. 43.320 13 VOTO A empresa autuada desenvolve atividade de agenciamento de cargas. Alega que os recursos movimentados em suas contas correntes não traduzem seu faturamento, uma vez que recebe adiantamentos de seus clientes para fins de pagamento de ICMS, frete, seguro e outras despesas referentes a operações de importação. Analisando os argumentos da recorrente e a documentação anexada em sede recurso, parece assistir razão ao contribuinte. Contudo, diante da enorme quantidade de depósitos, e da demonstração pormenorizada de somente três depósitos, ou seja, amostra irrelevante, não se pode inferir que a origem de todos os depósitos esteja comprovada. Compulsando os documentos que foram apresentados à Fiscalização no decorrer do procedimento fiscal, vislumbro substancial diferença entre o seu conteúdo e aquele apresentado anexo ao presente recurso. Os novos documentos são detalhados e organizados, demonstrando a aplicação dos recursos adiantados pelos clientes, inclusive mediante anexação de guias de recolhimentos de tributos e comprovantes de pagamentos de despesas de frete, seguro, bem como documentação comprobatória de operações de câmbio. A Recorrente chega a comprovar, inclusive, que transferência entre contas de sua titularidade não foi excluída na determinação da receita considerada omitida. Contudo, analisando os autos, constato que, quando intimada, apresentou documentação absolutamente diversa para tentar demonstrar a origem de tal depósito, acabando por induzir em erro a autoridade fiscal. Não se pode admitir, contudo, que tal fato possa implicar cobrança de tributo sobre valores que não denotam auferimento de receita, a teor do que dispõe o próprio dispositivo legal que embasa a autuação (art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/96). Em relação aos documentos apresentados no decorrer do procedimento fiscal, reforço que, além de não contarem, em regra, com a riqueza de elementos de prova e comprovação de aplicação dos recursos recebidos de clientes, foram disponibilizados à Fiscalização de modo desorganizado, dificultando em demasia sua análise. Diante do impasse, entendo que os autos devam retornar à autoridade fiscal para que intime a Recorrente a apresentar, nos mesmos moldes realizados em sede de recurso voluntário para três casos específicos, a demonstração da aplicação dos recursos supostamente adiantados por seus clientes para pagamentos de despesas relativas à importação. Tal documentação deverá ser agrupada por depósito e deverá conter comprovação dos pagamentos alegados. O prazo fixado para demonstração detalhada a ser realizada pelo contribuinte deverá ser de 60 (sessenta) dias, prorrogável a critério da autoridade fiscal. Frisese que eventuais pedidos de prorrogação de prazo deverão ser fundamentados e acompanhados de elementos que demonstrem que o contribuinte, no prazo inicial, tenha disponibilizado à Fiscalização a maior parte das comprovações ora solicitadas. Caberá à autoridade fiscal a análise dos pedidos de prorrogação de prazo, à luz do princípio da razoabilidade e dos parâmetros ora estabelecidos, podendo, inclusive, indeferilos caso reste caracterizado qualquer embaraço ou atitude protelatória por parte do contribuinte. Fl. 43320DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Resolução nº 1402000.210 S1C4T2 Fl. 43.321 14 Após recebimento da documentação, deverá a autoridade fiscal analisála, apontando quais os depósitos poderão ser ou não considerados como receita omitida. Tal relatório deverá ser apresentado ao contribuinte para, no prazo de 30 (trinta) dias, manifestarse a respeito. Após, retornemse os autos para prosseguimento do julgamento. Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Fl. 43321DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10680.009774/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2302-000.196
Decisão: RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 22/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ADRIANA SATO, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS. RELATÓRIO Na presente NFLD estão sendo cobrados os débitos referentes às contribuições destinadas à Seguridade Social relativas à parte dos segurados, bem como à parte patronal, Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10680.009774/200722 Resolução nº 2302000.196 S2C3T2 Fl. 2 2 incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais (trabalhadores autônomos) e segurados empregados (estagiários em descordo com a legislação específica e trabalhadores contratados mediante contrato administrativo) – no período de 08/1996 a 12/2004, conforme relatório fiscal às fls. 56 a 60. Não concordando com o lançamento, a autuada apresentou impugnação, na forma das fls167 e ss. A Delegacia da Receita Previdenciária em Belo Horizonte exarou a decisão de fls. 198 a 209, mantendo o lançamento fiscal. Não concordando com a decisão de primeira instância, o autuada interpôs recurso, fls. 204 a 220. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 212. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. No julgamento realizado por esta Turma em 30 de setembro de 2011, nos autos 15504.018778/200837, foi colacionada a informação de que teria havido um acordo judicial que poderia englobar os presentes autos. Entretanto, não há cópia da petição inicial dos autos do mandado de segurança, tampouco foi oportunizada à autuada a possibilidade de se manifestar acerca do conteúdo de tal acordo judicial. Caso a questão tenha sido levada ao Poder Judiciário, a decisão nessa esfera subjuga a administrativa, portanto seria caso de não conhecimento por este Colegiado. De acordo com o disposto no art. 126, § 3º da Lei n ° 8.213/1991, bem como no art. 38, parágrafo único da Lei 6.830 de 1980, a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. No mesmo sentido já se posicionou o CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por meio do verbete de Súmula de n 1, nestas palavras: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desse modo, deve o julgamento ser convertido em diligência para que seja juntada cópia da petição inicial do mandado de segurança, bem como do acordo judicial. Também deve ser informado se o presente auto de infração está incluído no Parcelamento Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10680.009774/200722 Resolução nº 2302000.196 S2C3T2 Fl. 3 3 Especial. Após juntadas das informações deve ser oportunizado prazo para que o Estado de Minas Gerais se manifeste acerca dessa Resolução, bem como dos dados juntados. Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 232DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 15374.916999/2009-86
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 05/05/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE.
O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo.
Numero da decisão: 3803-004.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 05/05/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/05/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 69 99 /2 00 9- 86 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 18085.77291.030805.1.3.044940, fls.1/5, em que utilizou como crédito pagamento a maior de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e SegurosIOF relativo ao fato gerador ocorrido em 5 de maio de 2002, no valor de R$ 100,91, do DARF pago de R$ 2.412,47. Despacho Decisório Eletrônico da Derat/São Paulo, fl. 7, de 9 de abril de 2009, não homologou a DComp, visto que o crédito já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não tendo restado créditos disponíveis, conforme o DARF discriminado no PeR/DComp. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 13/18, a Contribuinte alegou, em síntese, que: a) o crédito utilizado teve origem na apuração de equivoco no procedimento adotado para cálculo do IOF nas operações de empréstimos, conforme laudo técnico em anexo (doc.01); b) equivocouse no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF e não demonstrou a existência de crédito de I0F, e declarou como devido exatamente o valor recolhido; c) os equívocos nas declarações não criam tributos, e não podem, comprovado erro de fato, gerar obrigação tributária; d) se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário, e se o valor confessado não corresponde às hipóteses de incidência, a confissão de divida e o consequente pagamento são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária; f) o valor realmente devido para esta competência é de R$ 1.302,5, e não R$ 2.412,47,, como erroneamente declarado em DCTF". Sustentou que "a existência deste crédito pode ser facilmente observada, bastandose comparar os valores apresentados como devidos, conforme planilha em anexo (doc.2), com a guia de recolhimento da mesma competência (doc.3)”. Em julgamento da lide, a DRJ/Rio de Janeiro I, fls. 96/104, manifestouse pela validade do despacho decisório, aduzindo que: a) na forma da legislação de regência, o instrumento que veicula alteração na DCTF é a DCFT Retificadora, inexistindo previsão normativa para que tal declaração seja substituída por Dcomp, ou pleiteada em sede de manifestação de inconformidade; b) ainda que, em nome da verdade material, a falta de DCTF Retificadora fosse superada, como requer o interessado, não há previsão normativa para que a escrituração contábil da pessoa jurídica e os documentos que a embasam sejam substituídos por planilha, como a que o interessado traz, fls. 65/66; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.916999/200986 Acórdão n.º 3803004.525 S3TE03 Fl. 151 3 c) aos autos, não foram juntados nem os contratos de empréstimos (relacionados nas ditas planilhas) que deram origem ao I0F, nem a prova da escrituração dos lançamentos contábeis correspondentes; d) tratandose de operações de crédito, como é o caso, o contribuinte do IOF é a pessoa física ou jurídica tomadora do crédito (art. 3º, inciso I, da Lei n° 8.894, de 21 de junho de 1994); ocorre que nas dezenas de operações de empréstimos concedidos as pessoas estão identificadas por números de matriculas na mencionada planilha; e) na forma do art.166 do CTN, a restituição do IOF só pode ser feita a quem suportou tal encargo, ou a quem este houver autorizado. Assim, ainda que o interessado tivesse logrado demonstrar que houve erro na metodologia utilizada no calculo do IOF, tal não o aproveitaria, porque não foi autorizado por aqueles que, efetivamente, suportaram o IOF. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. I0F. ANOCALENDÁRIO DE 2002. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. I0F. ANOCALENDÁRIO 2002. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 8 de outubro de 2011, irresignada, apresentou recurso voluntário, 109/124, em 8 de novembro de 2011, em que reitera os mesmos termos da manifestação de inconformidade e, adicionalmente, pede a realização de diligência para apuração do crédito existente, caso não se ache suficiente o que consta dos autos. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A questão dos autos diz respeito à prova da alegação de direito ao crédito utilizado na compensação, tanto do erro em que incorrera na apuração do imposto, como de sua autorização dos aplicadores/poupadores. A decisão recorrida foi clara ao dispor, com correção, que a planilha anexada à defesa pudesse substituir a escrituração contábil, bem como sobre a necessidade de estarem anexas aos autos cópias dos contratos de mútuo. Mesmo diante dessas balizas legais colocadas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente não os traz aos autos, e, ademais, não teve o desvelo, ao menos, de apresentar qualquer justificativa de impossibilidade de cumprir tais exigências processuais. Argumenta a Recorrente que, por ser entidade de previdência fechada, estaria autorizada pelo contribuinte de direito, o Conselho Deliberativo da entidade, para pleitear a restituição. O argumento é insubsistente e não está ao abrigo da exigência do art. 166 do CTN, já evocado pela decisão de piso, na medida em que aquele que suportou o ônus do imposto é o sujeito apto a autorizar o pedido de restituição. Acrescentese que, conquanto estivesse cumprida tal exigência, ainda estaria prejudicada pela falta de comprovação do indébito. Quanto ao pedido de diligência, pontuese que esta providência de instrução do processo não se presta para levantar as provas que haveriam de estar nos autos desde a apresentação da manifestação de inconformidade, ressalvadas as hipóteses de posterior apresentação constantes do art. 16 do Decreto nº 70.235/721. Ante o que, não pode ser deferido. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 153DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.916999/200986 Acórdão n.º 3803004.525 S3TE03 Fl. 152 5 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito). Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16682.720575/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DEMONSTRAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DOS SINDICATOS NA NEGOCIAÇÃO PARA PAGAMENTO DA PLR. FALTA DE INDICAÇÃO DO NOME DO ENTE SINDICAL NO INSTRUMENTO DE ACORDO. DESCARACTERIZAÇÃO DO ACORDO. IMPOSSIBILIDADE.
Mesmo que não conste do instrumento de negociação para pagamento da PLR o nome do ente sindical, caso se comprove que este participou das negociações, deve-se considerar como cumprida a regra que exige a participação dos sindicatos nas tratativas para pagamento da PLR.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS CONCERNENTES AO PAGAMENTO DA VERBA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS DE AFERIÇÃO DAS METAS PARA PAGAMENTO DE PLR. DESCONSIDERAÇÃO DO ACORDO. IMPOSSIBILIDADE.
A falta de apresentação dos documentos em que conste a aferição dos resultados alcançadas com vistas ao pagamento da PLR, não descaracteriza o plano, quando este contiver as regras claras e objetivas exigíveis para pagamento do benefício. Sendo cabível, nestas situações, a imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória, seguida do lançamento das contribuições por arbitramento.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NEGOCIAÇÃO EFETUADA COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. NÃO APLICAÇÃO DO ART. 612 DA CLT.
Não se aplica aos ajustes firmados entre empresa e comissão de empregados para pagamento da PLR o art. 612 da CLT, o qual trata do quorum para aprovação de acordos ou convenções coletivas de trabalho.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EXIGÊNCIA DE QUE O PERCENTUAL DO LUCRO A SER DISTRIBUÍDO SEJA NEGOCIADO ENTRE EMPRESA E EMPREGADO. INEXISTÊNCIA.
Inexiste regra legal que obrigue que o percentual do lucro, a ser distribuído aos empregados, seja objeto de negociação entre estes e o empregador.
PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do salário-de-contribuição.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. IMUNIDADE. AUSÊNCIA E/OU IMPOSSIBILIDADE DE CONVENÇÃO COLETIVA DO SINDICATO ESPECÍFICO. CCT DE SINDICATO CONGÊNERE. VALIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA.
A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, mormente por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho, conquanto que observados os requisitos legais inscritos na Lei nº 10.101/2000.
Na hipótese de inexistência de Convenção Coletiva de Trabalho do Sindicato específico de parte dos trabalhadores da contribuinte, sobretudo em razão de impossibilidade técnica de fazê-lo, a adoção de CCT de Sindicato congênere não fere os pressupostos legais de tal verba, mormente quando adotado para todo o grupo econômico da empresa, em observância ao princípio da razoabilidade, bem como à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretada de maneira ampla e não restritiva.
INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Incidem juros sobre a multa de ofício, a serem aplicados após a constituição do crédito.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-003.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar dos AI n.º 37.179.534-6, n.º 37.179.536-2 e n.º 37.179.537, os levantamentos decorrentes dos seguintes planos de PLR: a) PAM DTVM PPRL 2003; b) UBS PAM DTVM AC PLR 2007 e c) UBS PAM DTVM AC PLR 2007 prorrogado; e d) PPRL 2006 UBS Gestora, exceto segurados contribuintes individuais Marcelo Kalim e Marcelo Mesquita Oliveira; e) CCT PLR Bancos 2007; e f) CCT PLR Bancos 2008. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento e o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo (relator), que dava provimento parcial em menor extensão, por não afastar os planos CCT PLR Bancos 2007 e CCT PLR Bancos 2008. II) Pelo voto de qualidade manter o lançamento referente ao Plano PPRL 2006 UBS Gestora, dos segurados contribuintes individuais Marcelo Kalim e Marcelo Mesquita Oliveira. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que ao dar provimento também nesta parte, davam provimento integral. III) Por unanimidade de votos, em relação ao AI n.º 37.179.547-8, dar provimento parcial para exclusão da multa decorrente dos fatos geradores constantes nos levantamentos de PLR, a exceção daqueles efetuados aos segurados contribuintes individuais Marcelo Kalim e Marcelo Mesquita Oliveira por força do PPRL 2006 UBS Gestora - pagamentos efetuados na competência 02/2008. IV) Pelo voto de qualidade, manter os juros sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que afastavam a sua incidência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Apresentará declaração de votos a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Redator Designado
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DEMONSTRAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DOS SINDICATOS NA NEGOCIAÇÃO PARA PAGAMENTO DA PLR. FALTA DE INDICAÇÃO DO NOME DO ENTE SINDICAL NO INSTRUMENTO DE ACORDO. DESCARACTERIZAÇÃO DO ACORDO. IMPOSSIBILIDADE. Mesmo que não conste do instrumento de negociação para pagamento da PLR o nome do ente sindical, caso se comprove que este participou das negociações, devese considerar como cumprida a regra que exige a participação dos sindicatos nas tratativas para pagamento da PLR. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS CONCERNENTES AO PAGAMENTO DA VERBA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS DE AFERIÇÃO DAS METAS PARA PAGAMENTO DE PLR. DESCONSIDERAÇÃO DO ACORDO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de apresentação dos documentos em que conste a aferição dos resultados alcançadas com vistas ao pagamento da PLR, não descaracteriza o plano, quando este contiver as regras claras e objetivas exigíveis para pagamento do benefício. Sendo cabível, nestas situações, a imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória, seguida do lançamento das contribuições por arbitramento. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NEGOCIAÇÃO EFETUADA COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. NÃO APLICAÇÃO DO ART. 612 DA CLT. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 75 /2 01 1- 11 Fl. 3571DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Não se aplica aos ajustes firmados entre empresa e comissão de empregados para pagamento da PLR o art. 612 da CLT, o qual trata do quorum para aprovação de acordos ou convenções coletivas de trabalho. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EXIGÊNCIA DE QUE O PERCENTUAL DO LUCRO A SER DISTRIBUÍDO SEJA NEGOCIADO ENTRE EMPRESA E EMPREGADO. INEXISTÊNCIA. Inexiste regra legal que obrigue que o percentual do lucro, a ser distribuído aos empregados, seja objeto de negociação entre estes e o empregador. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. AUSÊNCIA E/OU IMPOSSIBILIDADE DE CONVENÇÃO COLETIVA DO SINDICATO ESPECÍFICO. CCT DE SINDICATO CONGÊNERE. VALIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, mormente por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho, conquanto que observados os requisitos legais inscritos na Lei nº 10.101/2000. Na hipótese de inexistência de Convenção Coletiva de Trabalho do Sindicato específico de parte dos trabalhadores da contribuinte, sobretudo em razão de impossibilidade técnica de fazêlo, a adoção de CCT de Sindicato congênere não fere os pressupostos legais de tal verba, mormente quando adotado para todo o grupo econômico da empresa, em observância ao princípio da razoabilidade, bem como à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretada de maneira ampla e não restritiva. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Incidem juros sobre a multa de ofício, a serem aplicados após a constituição do crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar dos AI n.º 37.179.5346, n.º 37.179.5362 e n.º 37.179.537, os levantamentos decorrentes dos seguintes planos de PLR: a) PAM DTVM PPRL Fl. 3572DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16682.720575/201111 Acórdão n.º 2401003.112 S2‐C4T1 Fl. 3.572 3 2003; b) UBS PAM DTVM AC PLR 2007 e c) UBS PAM DTVM AC PLR 2007 prorrogado; e d) PPRL 2006 UBS Gestora, exceto segurados contribuintes individuais Marcelo Kalim e Marcelo Mesquita Oliveira; e) CCT PLR Bancos 2007; e f) CCT PLR Bancos 2008. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento e o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo (relator), que dava provimento parcial em menor extensão, por não afastar os planos CCT PLR Bancos 2007 e CCT PLR Bancos 2008. II) Pelo voto de qualidade manter o lançamento referente ao Plano PPRL 2006 UBS Gestora, dos segurados contribuintes individuais Marcelo Kalim e Marcelo Mesquita Oliveira. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que ao dar provimento também nesta parte, davam provimento integral. III) Por unanimidade de votos, em relação ao AI n.º 37.179.5478, dar provimento parcial para exclusão da multa decorrente dos fatos geradores constantes nos levantamentos de PLR, a exceção daqueles efetuados aos segurados contribuintes individuais Marcelo Kalim e Marcelo Mesquita Oliveira por força do PPRL 2006 UBS Gestora pagamentos efetuados na competência 02/2008. IV) Pelo voto de qualidade, manter os juros sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que afastavam a sua incidência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Apresentará declaração de votos a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 3573DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 45.389 de lavra da 11.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I, que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração – AI. a) AI n.º 37.179.5346: contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT; b) AI n.º 37.179.5362: contribuições patronais para outras entidades ou fundos (INCRA e SalárioEducação); c) AI n.º 37.179.5370: contribuição dos segurados não descontadas; e d) AI n.º 37.179.5478: aplicação de multa pela conduta de não declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. De acordo com o relatório fiscal, fls. 297/370, os fatos geradores constantes nos lançamentos foram: a) pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados a empregados e contribuintes individuais em desconformidade com a lei que rege a matéria; b) pagamentos declarados na DIRF sob o código de retenção “0588 – rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício”, sem declaração na GFIP. A apuração desses valores deuse por arbitramento, em razão do não atendimento do sujeito passivo à intimação para esclarecimento da divergência entre as duas declarações. Informase que a empresa UBS Gestora de Recursos Humanos Ltda foi incorporada pela autuada em 01/08/2007. São apresentados os instrumentos de negociação que deram origem ao pagamento de participação nos lucros ou resultados, aos quais nos reportaremos pelos mesmos códigos definidos pela Autoridade Lançadora. São eles os seguintes: a) PAM DTVM PPRL 2003: plano de pagamento de PLR firmado entre a empresa Pactual Asset Management S/A DTVM (autuada) e comissão de empregados, em 17/12/2003, vigente por dois anos e prorrogável por igual período; b) UBS PAM DTVM AC PLR 2007: Acordo Coletivo para pagamento de PLR no exercício de 2007, firmado entre o Banco UBS Pactual S/A e Coligadas (dentre estas a autuada) e o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Município do Rio de Janeiro, em 20/12/2007, com vigência retroativa a 01/01/2007, com expiração em 31/12/2007, com possibilidade de prorrogação; c) UBS PAM DTVM AC PLR 2007 prorrogado: prorrogação do Acordo citado na alínea anterior, vigente para o ano de 2008; Fl. 3574DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16682.720575/201111 Acórdão n.º 2401003.112 S2‐C4T1 Fl. 3.573 5 d) CCT PLR Bancos 2007: Convenção Coletiva de Trabalho para pagamento de PLR aos empregados dos Bancos no exercício de 2007, firmada em 18/10/2007, com vigência de 01/09/2007 a 31/08/2008; e) CCT PLR Bancos 2008: Convenção Coletiva de Trabalho para pagamento de PLR aos empregados dos Bancos no exercício de 2008, firmada em 03/11/2008, com vigência de 01/09/2008 a 31/08/2009; f) PPRL 2006 UBS Gestora: plano de pagamento de PLR firmado entre a empresa UBS Gestora de Recursos Ltda (incorporada) e comissão de empregados, em 14/07/2006, vigente por dois anos e prorrogável por igual período. O fisco apresentou, para cada um desses instrumentos, os motivos que levaram a considerálos como desconformes com a Lei da PLR (Lei n.º 10.101/2000). A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovida s pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. A empresa impugnou as exigências, todavia, suas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância que declarou improcedentes as defesas (ver fls. 3.315/3.348). Irresignada apresentou recurso, no qual alega que os pagamentos de PLR foram efetuados em total consonância com a legislação de regência, sendo descabidas as exigências das contribuições e a multa por descumprimento de obrigação acessória relativa à omissão de fatos geradores na GFIP. Quanto ao levantamento relativo à comparação DIRF X GFIP, o sujeito passivo não se insurgiu. O recorrente defendeu a impossibilidade de aplicação de juros sobre as multas aplicadas, requereu a produção de todas as provas em direito admitidas e a intimação dos fatos processuais no endereço do seu patrono. Em razão da extensão das alegações trazidas pelo fisco e pela autuada, as mesmas serão tratadas em minúcias no desenvolvimento do voto. É o relatório. Fl. 3575DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. I) Das questões relativas ao pagamento de PLR Passaremos a ponderar sobre as razões que levaram o fisco a desconsiderar os instrumentos de negociação para pagamento de PLR, considerando as verbas decorrentes dos mesmos como sujeitas à tributação. a) PAM DTVM PPRL 2003 – pagamento efetuado na competência 01/2007 a1 – falta de participação dos sindicatos De acordo com o fisco, o instrumento não contempla a participação dos sindicatos aos quais estariam vinculados os empregados da autuada (SEMCRJ e SIMCSP). Afirmase que o instrumento em questão não contém referência aos sindicatos como participantes do ajuste, faltando até o espaço para a assinatura dos representantes destes no corpo do documento. Esta ausência, afirmou o fisco, foi confirmada por declarações prestadas pelos próprios sindicados. A empresa acostou o Edital de convocação dos empregados para discussão da proposta de PLR e autorização para a Diretoria do Sindicato celebrar o ajuste (fl. 3.222). Foi juntada Ata da Assembleia Geral de Empregados, realizada em 17/12/2003, na qual foi eleita Comissão para negociar o plano de PLR, o qual foi aprovado (fl. 3.223). Afirma a recorrente que o Sindicato dos Empregados no Mercado de Capitais no Rio de Janeiro (SEMCRJ) assinou o Edital e a Ata da Assembleia e o próprio plano de PLR, tendo carimbado e rubricado todas as suas folhas. No seu entender, a participação do sindicato na s negociações é evidente. Ao decidir a questão, a DRJ entendeu que o fato da participação do Sindicato não constar no corpo do instrumento de negociação seria indicativo do não cumprimento da regra legal que prevê a participação de representante sindical nas negociações paga pagamento da PLR. Entendemos que nesse ponto a empresa merece razão. É que a simples omissão do nome do Sindicato SEMCRJ no instrumento não seria suficiente para descaracterizar um processo de negociação em que todos os documentos foram assinados pelo Presidente do Sindicato. Esse formalismo não se justifica, na medida em que materialmente a norma que prevê a participação do ente sindical nas negociações para pagamento da PLR foi respeitada, posto que em todas as fases do processo o representante sindical esteve presente, Fl. 3576DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16682.720575/201111 Acórdão n.º 2401003.112 S2‐C4T1 Fl. 3.574 7 conforme atestam as suas assinaturas nos documentos, inclusive no Plano de PLR, conforme fls. 875/878. Verificase ainda declaração do SEMCRJ, fl. 874, de que o plano em questão encontrase arquivado na sede do Sindicato. As declarações prestadas pelos Sindicatos de que não teriam participado de acordos para pagamento de PLR (fls. 2.464 e 2.501), na verdade, referemse à existência de acordos coletivos de trabalho, o que não é o caso do instrumento sob enfoque, o qual diz respeito à negociação com comissão de empregados para pagamento de PLR. Assim, esses documentos referidos no relatório fiscal como comprobatórios da falta de participação do sindicato nas negociações de PLR não são hábeis a descaracterizar o ajuste em questão. Vemos também que a exigência de documentos que comprovariam a eleição dos representantes dos empregados na comissão de negociação da PLR foi suprida pela Ata da Assembléia Sindical de fl. 3.223. a2 – ausência de regras claras e objetivas A auditoria afirmou que os critérios enunciados no Anexo I (índices de lucratividade) e Anexo II (programa de metas), ambos do Plano de PPR, não apresentam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e de regras adjetivas. Alega o Auditor que a previsão de limites máximo e mínimo do lucro a ser distribuído, sem que se estabeleça qual o critério a ser utilizado para definição do percentual, representaria desobediência à norma que dispõe quanto às regras claras e objetivas que devem constar no plano de PLR. Afirma que a definição do percentual do lucro a ser destinado aos trabalhadores teria que ser previamente definido nas negociações e jamais fixado unilateralmente pelo empregador. Não merece razão o fisco. A Lei n.º 10.101/2000, ao estabelecer a necessidade da existência de regras claras que presidirão o pagamento da PLR, referese à definição da forma como parte do lucro será distribuídos aos trabalhadores. Vejamos o dispositivo: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 3577DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Quis o legislador que a empresa definisse com os seus empregados qual parte do lucro seria partilhada entre os beneficiários, não parecendo razoável que a lei quisesse tratar até da definição de qual o percentual do lucro seria destinado aos empregados. Concordamos com o recurso, quando expõe que a lei não prevê que na negociação para pagamento da PLR obrigatoriamente deva constar o percentual ou montante do lucro a ser distribuído. De fato, a destinação do resultado a ser distribuído é uma decisão da alta administração da empresa que irá levar em conta, não apenas o incentivo aos empregados, mas fatores tais como investimentos necessários à continuidade da atividade empresarial, conjuntura do mercado, dentre outros. Não é razoável supor que a destinação do lucro das empresas tenha que ser dedidida em negociações que ocorrem, via de regra, em período anterior ao da obtenção do resultado. Caso houvesse essa obrigatoriedade, os próprios empregados seriam os prejudicados, posto que as empresas frente a incertezas da atividade empresarial iriam determinar a distribuição dos lucros no limite mínino, para não correr riscos de não cumprir o acordado. No caso sob apreciação, foi previsto na cláusula 5.ª do ajuste que a PLR corresponderá a no mínimo 3% e no máximo 21% do resultado, podendo haver, de acordo com a cláusula 6.ª , até uma destinação superior ao limite máximo. A fixação de limites no acordo, que nem seria obrigatória, é mais uma garantia fornecida pela empresa aos seus empregados, de que a distribuição respeitará o piso determinado. Isso exposto, não há como se acolher a tese de que a indicação de limites do lucro a ser distribuído, representaria afronta a Lei da PLR, por não constar da negociação o exato montante destinado aos trabalhadores. Também não hei de concordar com a Autoridade Lançadora quando afirma que a discrepância existente entre os valores distribuídos entre os empregados seria indicativo de que a PLR era distribuída como mera liberalidade. Não há na Lei n.º 10.101/2000 qualquer exigência de que os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados seja isonômica para todos os empregados, até porque determinadas funções têm uma maior contribuição na formação do resultado da empresa. Há, todavia, um aspecto que não se pode deixar de considerar. Falo da recusa da empresa em apresentar as avaliações dos empregados, as quais foram utilizadas para mensurar o valor da PLR a ser pago individualmente. Somente com a apresentação do recurso é que vieram aos autos os documentos de, fls. 3.485/3.556, os quais comprovariam que houve a avaliação individual para todos os empregados. Esse fato, por si só não é suficiente para que seja, em razão da ausência de regras claras acerca da obtenção do direito ao recebimento da verba, desconsiderado o plano Fl. 3578DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16682.720575/201111 Acórdão n.º 2401003.112 S2‐C4T1 Fl. 3.575 9 para pagamento de PLR. Para que se tenha o plano como desconforme com a lei de regência, é necessário que se demonstre que as os critérios/condições estipuladas no instrumento de negociação sejam incompreensíveis ou inexeqüíveis. Isso não restou demonstrado quanto ao ajuste denominado PAM DTVM PPRL 2003. Observese que os documentos acostados com o recurso, fls. 3.485/3.556, apresentam avaliações individuais dos empregados, embora não possamos, apenas com base nos mesmos, concluir que os valores pagos a título de PLR estariam em conformidade com o que foi acordado. Tem o fisco, é inegável, a prerrogativa de verificar se os pagamentos de PLR foram efetuados em conformidade com as negociações efetuadas. Sem a apresentação de relatórios que contenham a aferição das metas para cada empregado, o fisco fica impedido de verificar se determinado segurado recebeu a verba em valor além do que estava previsto nas regras fixadas entre patrão e trabalhadores. Ao sonegar esses documentos, a autuada criou um obstáculo ao fisco de concluir com segurança se a parcela intitulada de PLR não conteria verbas outras suscetíveis de tributação. Diante dessa recusa, surgiu para a auditoria a possibilidade desconsiderar os pagamentos como participação nos lucros e exigir as contribuições previdenciárias sobre a totalidade dos valores apresentados sob a referida rubrica. Essa possibilidade tem por fundamento jurídico o § 3.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, assim redigido: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Ocorre que não foi esse o caminho trilhado pela Autoridade Lançadora para edificar os lançamentos. É que sequer foi lavrado auto de infração pela não exibição dos Fl. 3579DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 documentos solicitados (ver TEPF de fls. 295/296), tampouco, mencionouse na motivação do lançamento que as contribuições estariam sendo lançadas por arbitramento em razão da recusa do sujeito passivo em atender a intimações da auditoria. Verificase, assim, que os elementos apresentados pelo fisco são insuficientes para desconsideração do plano de PLR em questão, além de que não houve a devida motivação para que fosse efetuado o arbitramento das contribuições, o que nos leva à conclusão de que são improcedentes as contribuições decorrentes da desconsideração do acordo PAM DTVM PPRL 2003. b) UBS PAM DTVM AC PLR 2007 – pagamentos efetuados nas competências 10/2007 (antecipação) e 02/2008 b1 – falta de participação dos sindicatos Nesse acordo coletivo o fisco aponta a falta de participação dos sindicatos aos quais estariam vinculados os empregados da autuada (SEMCRJ e SIMCSP). O sujeito passivo afirmou no recurso que o Acordo em questão foi firmado por todas as empresas do grupo econômico a que pertence com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (CONTRAF/CUT). Em adição, alegou que mesmo que os sindicatos representativos dos trabalhadores não tivessem participado das negociações para pagamento da PLR, os planos não poderiam ser desconsiderados, uma vez que atenderam aos comandos constitucionais e da legislação ordinária. Junta decisão judicial que abonaria a sua tese. A participação dos sindicatos dos empregados nas negociações para regulamentação do pagamento da PLR é obrigatória. Tal exigência, fixada na Lei n.º 10.101/2000, prevê que as tratativas devam se dar por convenção, acordo coletivo ou por comissão de empregados, neste último caso com participação do ente sindical. Portanto, não procede o argumento da recorrente de que a participação do sindicato seria dispensável, posto que a norma impõe como condição de validade do instrumentos de negociação, que esta se dê com a chancela de entidade representativa dos trabalhadores. Na situação sob testilha, resta comprovado nos autos que houve no acordo denominado UBS PAM DTVM AC PLR 2007 a participação da Confederação CONTRAF (ver fls. 2.854/2.859) e que os instrumentos de negociação foram arquivados no SEMCRJ, Sindicato representativo da categoria profissional dos empregados da autuada. Devese afastar, portanto, a ausência de participação do ente sindical no acordo em questão. b2 – não apresentação das documentos de avaliação dos empregados O fisco, também para esse acordo, afirmou que seria motivo para desconsideração do acordo o fato da empresa, apesar de intimada por diversas vezes, haver deixado de apresentar os formulários de avaliação individual mencionadas na cláusula 5.ª do instrumento do ajuste em questão. Recaímos na mesma questão tratada acima. É que o relatório fiscal, no item 1.35.2.1 reconhece que no acordo havia as regras quanto à participação e um programa de metas, além de mecanismos de aferição do cumprimento das referidas metas. Todavia, acusa a empresa de não disponibilizar os relatórios de avaliação dos empregados, de forma que se pudesse verificar se a PLR havia sido paga em conformidade com o ajuste. Fl. 3580DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16682.720575/201111 Acórdão n.º 2401003.112 S2‐C4T1 Fl. 3.576 11 Conforme nos pronunciamos acima, a falta de apresentação dos citados relatórios não é causa de para que se conclua que o plano de PLR não atende a norma de regência. Esta, vale repetir, estabelece que haja negociação entre empregador e empregados, que resulte em regras claras e objetivas quanto ao direito à verba. Como visto, o fisco reconhece que tais exigência foram cumpridas. O fato da empresa deixar de apresentar os relatórios que definiriam a participação de cada empregado não afeta o plano de PLR, mas impossibilita que o fisco verifique se o benefício foi pago conforme o ajustado. Assim, diante dessa impossibilidade, poderia a Autoridade Lançadora ter autuado a empresa por descumprimento de obrigação acessória e apurado as contribuições por arbitramento, em razão da falta de colaboração da empresa com o fisco. Não se verificando este proceder, entendemos que as contribuições apuradas em razão da suposta invalidade do acordo UBS PAM DTVM AC PLR 2007 devem ser excluídas. c) CCT PLR Bancos 2007 pagamentos efetuados nas competências 10/2007 (antecipação) Esta Convenção combinada com o acordo UBS PAM DTVM AC PLR 2007 foi a base legal para pagamento da antecipação da PLR de 2007 em 10/2007. Segundo o fisco, o ajuste foi efetuado por entidades cujas categorias econômica e profissional não estão relacionadas à categoria econômica da autuada e à categoria profissional dos seus empregados. Para a empresa, o grupo econômico que integra participou da negociação que deu origem a Convenção para pagamento de PLR do setor bancário em 2007, posto que o SEMC – RJ não possuía convenção própria dispondo sobre PLR. Por esse motivo, a inclusão da recorrente na Convenção Coletiva dos Bancos garantiu aos seus empregados mais benefícios, que aqueles previstos no acordo. A previsão legal de participação dos sindicatos nas negociações para pagamento de PLR visa à proteção dos trabalhadores, evitando que estes fiquem a mercê da vontade do patrão. Por isso, ao nosso sentir, o pagamento do PLR tem obrigatoriamente que estar respaldado em regra coletiva de trabalho definida pela categoria profissional dos trabalhadores beneficiários, sob pena de não atender as exigências da Lei n. 10.101/2000. Entendemos que o pagamento de PLR com esteio na Convenção dos Bancos fere a lei de regência, sendo procedentes as contribuições lançadas em razão da desconsideração da CCT PLR Bancos 2007. d) PPRL 2006 UBS Gestora – pagamentos efetuados na competência 02/2008 Fl. 3581DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 Esse plano para pagamento de PLR foi firmado com a empresa UBS Gestora, incorporada pela autuada, todavia o pagamento se deu após a incorporação, por esse motivo os fatos geradores foram tratados no presente processo. Para o fisco há irregularidades no instrumento de negociação firmado entre comissão de empregados e a empresa. d1 – falta de participação do sindicato Afirmase que no instrumento decorrente da negociação não consta nenhuma referência à participação do SEMCRJ. Acrescentase que o Sindicato foi intimado a esclarecer se havia participado das tratativas, tendo confirmado a sua participação e juntado os seguintes documentos: a) Edital de Convocação para Assembleia, cuja pauta era discussão e aprovação do PLR; b) Ata da referida Assembleia; c) Plano de Participação nos Lucros e Resultados. Novamente o SEMCRJ foi intimado a apresentar a lista de presença dos empregados que compareceram à Assembleia, todavia, o intimado respondeu que a referida lista não foi elaborada. Por esse motivo, o fisco desconsiderou o “Acordo” pelo fato de no seu instrumento não haver referência ao Sindicato acordante e de não ter sido comprovado a existência do quorum exigido pela CLT (art. 612). A recorrente afirma que a participação do ente sindical está comprovada pela assinatura do seu Presidente no instrumento, além de que há nos autos declaração de que o Plano de PLR foi arquivado no Sindicato. Ainda de acordo com a empresa, a negociação para pagamento da PLR se deu com comissão de empregados, não sendo aplicáveis a esta as exigências da CLT, as quais se referem a acordos coletivos. Assevera que, embora na resposta à intimação, o Sindicato se refira a acordo coletivo, a negociação da PLR ocorreu com comissão de empregados. Não podemos deixar de dar razão à empresa. O Plano de PLR foi subscrito pelo Sindicato, o qual convocou Assembleia para tratar do ajuste, tendoo aprovado. A menção ao Sindicato no instrumento não é necessária, posto que a lei de regência da PLR não faz essa exigência. O inciso I do art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000 prevê a participação sindical, o que efetivamente ficou demonstrada com a assinatura do Presidente no Plano de PLR. Quanto ao descumprimento dos requisitos da CLT, o fisco tratou o ajuste firmado entre empresa e empregador como se fora um acordo coletivo, todavia, se contradiz, na medida em que no item 1.36.7 do relatório fiscal menciona: “1.36.7. PLR pago com base no instrumento PPRL 2006 UBS Gestora – analisando o instrumento decorrente de negociação de comissão, denominado Plano de Participação nos Lucros ou Resultados, firmado pela UBS Gestora e pela Comissão de Empregados, composta pelos Srs. Bernardo Ottoni de Villemor Salgado e Felipe Novaes Garcia, na data de 14/07/2006, que Fl. 3582DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16682.720575/201111 Acórdão n.º 2401003.112 S2‐C4T1 Fl. 3.577 13 serviu de fundamento para pagamento de PLR relativo ao ano calendário de 2006 e parte de 2007...” Portanto, as exigência da CLT mencionadas pelo fisco para descaracterizar o plano não merece acolhida. d2 – ausência de regras claras e objetivas Assevera o fisco que a previsão dos limites máximo e mínimo para distribuição dos resultados, sem a definição do percentual dentro do intervalo, seria indicativo do descumprimento da exigência legal de que o instrumento de PLR contenha regras claras, posto que a fixação da parcela distribuível ficaria a mercê da vontade da empresa. Conforme já ponderamos neste voto, não há exigência legal no sentido de que conste do plano a definição do valor do resultado a ser repartido com os trabalhadores, sendo prerrogativa da empresa a definição do referido percentual. A auditoria afirma que outra causa suficiente para desconsideração do plano foi a recusa da empresa em apresentar os relatórios de aferição individual do cumprimento das metas estabelecidas no plano. Sobre essa questão também já nos posicionamos contrariamente, posto que, nosso entendimento, é no sentido de que a falta de apresentação dos documentos não tem o condão de descaracterizar o instrumento de PLR que esteja formalmente em consonância com a lei de regência, mas poderia dar ensejo a autuação por descumprimento de obrigação acessória e apuração das contribuições por arbitramento, caminho este que não foi seguido pela Autoridade Lançadora. d3 – pagamento de PLR a contribuintes individuais Afirmase ainda que os pagamentos efetuados em 2008 aos segurados Marcelo Mesquita de Salles Oliveira e Marcelo Kalim, em decorrência do Plano PPRL 2006 UBS Gestora, devem sofrer a incidência de contribuições, uma vez que os mesmos atuavam no período aquisitivo como diretores não empregados da empresa, portanto, enquadrados na categoria de contribuintes individuais e apenas empregados fazem jus ao pagamento de participação nos lucros ou resultados. A empresa alega que o fisco não tem razão, posto que, quando do pagamento da verba (02/2008) os segurados em questão eram empregados da recorrente, fato reconhecido pelo fisco no item 1.31.3.4 e 1.35.2.6 do relatório fiscal. Quanto a essa questão, não merece razão a recorrente. É que os segurados Marcelo Kalim e Marcelo Mesquita Oliveira, embora no momento do pagamento atuassem como empregados da recorrente, a causa jurídica do repasse da PLR foi o trabalho prestado à USB Gestora na condição de diretores não empregados. Nessa toada, a verificação da incidência de contribuições deve ser verificada tomandose em consideração o vínculo com o empregador quando do exercício da atividade laboral. Superada essa questão, passemos a verificar se a tributação para a Seguridade Social alcança os pagamentos de PLR a diretores não empregados, enquadrados no Regime Geral de Previdência Social RGPS na condição de contribuintes individuais. Fl. 3583DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 Essa discussão nesse Tribunal Administrativo encontra decisões nos dois sentidos. Uns entendem que a exclusão dessa parcela do saláriodecontribuição tem guarida no que dispõe a Lei das S/A (Lei n.º 6.404/76). Há os que, de modo diverso, afirmam que a única lei a regular essa matéria seria a Lei n.º 10.101/2000, a qual, por tratar apenas do pagamento de PLR a empregados, não exoneraria da tributação as verbas pagas a título de PLR aos contribuintes individuais. Filiamonos a segunda corrente. De fato, a própria Corte Constitucional reconheceu que a PLR, somente a partir da edição da MP 794/1994, por várias vezes reeditada e finalmente convertida na Lei n.º 10.101/2000, passou a não integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É o que se observa do julgado (RE 505.597): REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. Nesse sentido, a Lei n.º 8.212/1991, art. 28, § 9.º, alínea “j”, ao excluir da incidência das contribuições os pagamentos efetuados de acordo com a lei específica, quis se referir à PLR paga em conformidade com a Lei n.º 10.101/2000, a qual é destinada apenas aos empregados. A Lei da PLR em nenhum momento trata do pagamento da verba a trabalhadores não empregados, todavia, em seu art. 2.º é expressa em se reportar às pessoas físicas que mantém com o empregador o vínculo de emprego. Eis o texto: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. Vêse, assim, que a lei não contempla o pagamento de participação nos lucros aos contribuintes individuais. Toda a instituição e regulamentação do pagamento visam ao segurado empregado. Fl. 3584DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16682.720575/201111 Acórdão n.º 2401003.112 S2‐C4T1 Fl. 3.578 15 De se concluir que em relação ao plano PPRL 2006 UBS Gestora devese manter a contribuição decorrente dos pagamentos efetuados aos diretores não empregados (Marcelo Mesquita de Salles Oliveira e Marcelo Kalim). e) UBS PAM DTVM AC PLR 2007 prorrogado – pagamentos efetuados nas competências 11/2008 (antecipação) e 02/2009 Esse acordo diz respeito à prorrogação do UBS PAM DTVM AC PLR 2007, tendo o fisco detectado as mesmas irregularidades já tratadas, quando analisamos a procedência das contribuições decorrentes do acordo prorrogado. Assim, as nossas conclusões acerca da falta de participação dos sindicatos e a não apresentação de documentos de avaliação dos empregados, são pela não incidência de contribuições sobre as parcelas pagas com base nesse acordo. f) CCT PLR Bancos 2008 pagamentos efetuados nas competências 11/2008 (antecipação) Esta Convenção combinada com o acordo UBS PAM DTVM AC PLR 2008 foi a base legal para pagamento da antecipação da PLR de 2008 em 11/2008. Da mesma forma como entendemos para a CCT PLR Bancos 2007, deve ser mantida a incidência de contribuições sobre a parcela paga na competência 11/2008, com base na CCT PLR Bancos 2008. Omissão da declaração dos valores em GFIP Observase que a empresa não contestou a incidência de contribuições sobre os valores apurados mediante comparação entre a DIRF e a GFIP, portanto, a discrepância assinalada pelo fisco representa infração ao que dispõe o inciso IV da Lei n.º 8.212/1991. Quanto aos valores pagos a título de PLR, em razão das conclusões acima, devem ser afastadas da lavratura todos os pagamentos, a exceção daqueles efetuados para os segurados Marcelo Kalim e Marcelo Mesquita Oliveira por força do PPRL 2006 UBS Gestora – pagamentos efetuados na competência 02/2008. Ressalvandose que, quanto aos pagamentos com base no CCT PLR Bancos 2007 e CCT PLR Bancos 2008, embora tenhamos votado pela procedência das contribuições lançadas, o entendimento majoritário da turma foi pela não incidência de contribuições sobre tais parcelas e a decisão, portanto devese aplicar ao AI relativo à omissão de fatos geradores na GFIP o mesmo resultado. Juros sobre multa de ofício A incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício encontra fundamento legal nos art. 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. É que no lançamento de ofício o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa. Portanto, sobre a multa por lançamento de ofício há a incidência de juros SELIC. Fl. 3585DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 Esse posicionamento é adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu pela aplicabilidade da Taxa de Juros SELIC sobre as multas de ofícios decorrentes de Autos de Infração, correção essa que passa a incidir a partir da lavratura desses. É o que se pode ver do acórdão assim ementado: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806. Recurso especial negado. (Processo n.º 16327.002244/9933, Relator Conselheiro Elias Freire, Sessão 16/02/2012) Assim, curvamonos à jurisprudência predominante nesse Tribunal Administrativo para afastar a tese recursal de que não pode incidir juros sobre a multa de ofício imposta nos lançamentos guerreados. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso para afastar dos AI n.º 37.179.5346, n.º 37.179.5362 e n.º 37.179.5370 as contribuições decorrentes dos planos de PLR: a) PAM DTVM PPRL 2003; b) UBS PAM DTVM AC PLR 2007; c) UBS PAM DTVM AC PLR 2007 prorrogado; d) PPRL 2006 UBS Gestora, exceto para aos pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais Marcelo Kalim e Marcelo Mesquita Oliveira; Para o AI n.º 37.179.5478, excluase a multa decorrente dos fatos geradores constantes nos referidos levantamentos, mais os pagamentos efetuados com base no CCT PLR Bancos 2007 e CCT PLR Bancos 2008. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 3586DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16682.720575/201111 Acórdão n.º 2401003.112 S2‐C4T1 Fl. 3.579 17 Voto Vencedor Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Redator Designado Não obstante as sempre bem fundamentadas razões de decidir do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, relativamente aos levantamentos CCT PLR Bancos 2007 e CCT PLR Bancos 2008, como passaremos a demonstrar. Consoante se positiva dos autos, a contribuinte fora autuada em relação a alguns pagamentos de PLR, consubstanciados nos levantamentos elencados no processo e contemplados com especificidade pelo nobre Conselheiro Relator. Com mais especificidade, a nossa divergência em relação ao voto do Relator, a qual restou acolhida pela maioria da Turma, razão da elaboração do ora voto vencedor, diz respeito exclusivamente os levantamentos CCT PLR Bancos 2007 e CCT PLR Bancos 2008. Em suma, extraise do voto do ilustre Relator que a manutenção da exigência fiscal sobre os pagamentos das PLR’s contemplados em tais levantamentos fora motivada exclusivamente em razão de o Programa ter adotado Convenção Coletiva de Trabalho de Sindicato não específico para os trabalhadores beneficiários, qual seja, Sindicato dos Bancos, enquanto o correto seria adotar referida Convenção do Sindicato dos Empregados no Mercado de Capitais do RJ – SEMC/RJ. Por outro lado, suscita a contribuinte que os Planos de PLR para os anos calendário 2007 e 2008 foram negociados para todo o grupo econômico da Recorrente, assim também ocorreu para as Convenções Coletivas de PLR. Em defesa de sua pretensão, assevera que a entidade sindical específica da categoria que se enquadra parte os empregados da recorrente, ora beneficiários, Sindicato dos Empregados no Mercado de Capitais do RJ – SEMC/RJ, não dispunha à época das negociações dos Programas de PLR sob análise de Convenção Coletiva próprio regulamentando tal verba, como se verifica da Declaração desta entidade constante dos autos, razão pela qual a empresa levou a efeito a CCT dos Bancos para fins de instituição de referido programa, o que veio a ser ratificado e arquivado pela SEMC/RJ. Em que pesem os substanciosos fundamentos de fato e de direito constantes do voto do ilustre Conselheiro Relator, constatase que a pretensão da contribuinte merece acolhimento, impondo seja afastada, igualmente, a incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos de PLR consubstanciados em referidos levantamentos (CCT PLR Bancos 2007 e CCT PLR Bancos 2008). Fl. 3587DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 Antes mesmo de se adentrar as questões de mérito propriamente ditas, em relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila a legislação de regência que regulamenta a verba sub examine, bem como alguns estudos a propósito da matéria, senão vejamos: A Constituição Federal, por meio de seu artigo 7º, inciso XI, instituiu a Participação dos empregados nos Lucros e Resultados da empresa, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, desvinculandoa expressamente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;” Por seu turno, a legislação tributária ao regulamentar a matéria, impôs algumas condições para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9º, alínea “j”, que assim preceitua: “Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei: [...] j – a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica.” (grifos nossos) Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória nº 794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte: “Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o artigo 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem Fl. 3588DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16682.720575/201111 Acórdão n.º 2401003.112 S2‐C4T1 Fl. 3.580 19 constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. [...]” Após reedições a MP retro fora convertida na Lei nº 10.101/2000, trazendo em seu bojo algumas inovações, notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores. [...] Art.3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou Fl. 3589DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. [...]” Em suma, extraise da evolução da legislação específica relativa à participação nos lucros e resultados que existem dois momentos a serem apartados quanto aos requisitos para não incidência das contribuições previdenciárias. Para o período até 29/06/1998, era vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre. Posteriormente a 30/06/1998, além da exigência acima, passou a ser proibido o pagamento de mais de duas parcelas no mesmo ano civil. No que tange aos demais requisitos, especialmente àqueles inscritos no artigo 2º, as disposições legais continuaram praticamente as mesmas, exigindo regras claras e objetivas relativamente ao método de aferição e concessão da verba em comento. A teor dos preceitos inscritos na legislação encimada, constatase que a Participação nos Lucros e Resultados, de fato, constitui uma verdadeira imunidade, eis que desvinculada da tributação das contribuições previdenciárias por força da Constituição Federal, em virtude de se caracterizar como verba eventual e incerta. Entrementes, não é a simples denominação atribuída pela empresa à verba concedida aos funcionários, in casu, PLR, que irá lhe conferir a não incidência dos tributos ora exigidos. Em verdade, o que importa é a natureza dos pagamentos efetuados, independentemente da denominação pretendida/atribuída pela contribuinte. E, para que a verba possua efetivamente a natureza de Participação nos Lucros e Resultados, indispensável se faz a conjugação dos pressupostos legais inscritos na MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, dependendo do período fiscalizado. Nessa esteira de entendimento, é de fácil conclusão que as importâncias pagas aos segurados empregados intituladas de PLR somente sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos legais de aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas, tão somente, quando assim não restar caracterizada. Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Por outro lado, convém frisar que tratandose de imunidade, os pagamentos a título de PLR não devem observância aos rigores interpretativos insculpidos nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, os quais contemplam as hipóteses de isenção, com necessária interpretação restritiva da norma. Ao contrário, no caso de imunidade, a doutrina e jurisprudência consolidaram entendimento de que a interpretação da norma constitucional poderá ser mais abrangente, de maneira a fazer prevalecer a própria vontade do legislador constitucional ao afastar a tributação de tais verbas, o que não implica dizer que a PLR não deve observância ao regramento específico e que a norma constitucional que a prescreve é de eficácia plena. Fl. 3590DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16682.720575/201111 Acórdão n.º 2401003.112 S2‐C4T1 Fl. 3.581 21 Na hipótese vertente, passando à análise das razões do lançamento fiscal em confrontação com os fundamentos do voto do ilustre Conselheiro Relator, constatase que as CCT’s PLR Bancos 2007 e 2008, combinadas com os acordos UBS PAM DTVM AC PLR 2007 e UBS PAM DTVM AC PLR 2008, respectivamente, foram o lastro para o pagamento da antecipação das PLR’s de 2007 e 2008, em 10/2007 e 11/2008. No entendimento do Fisco, o ajuste fora efetuado por entidades cujas categorias econômica e profissional não estão relacionadas à categoria econômica da autuada e à categoria profissional dos seus empregados. Para a empresa, o grupo econômico que integra participou da negociação que deu origem a Convenção para pagamento de PLR do setor bancário em 2007 e 2008, posto que o SEMC – RJ não possuía convenção própria dispondo sobre PLR. Por esse motivo, a inclusão da recorrente na Convenção Coletiva dos Bancos garantiu aos seus empregados mais benefícios, que aqueles previstos no acordo. A previsão legal de participação dos sindicatos nas negociações para pagamento de PLR visa à proteção dos trabalhadores, evitando que estes fiquem a mercê da vontade do patrão. Por isso, ao nosso sentir, a inclusão da autuada e de todas as empresas do grupo que integra em Convenção Coletiva de âmbito nacional, trouxe maiores garantias aos seus trabalhadores, não sendo razoável que esta convenção seja desconsiderada, mesmo que o Sindicato ao qual estejam filiados os seus empregados não tenha sido parte na referida convenção. Vejase que estamos falando de empregados que atuam em atividades similares aos dos trabalhadores do setor bancário, pelo que entendemos ser perfeitamente possível a inclusão destes na Convenção dos Bancos para pagamento de PLR, sem que isso venha a ferir a lei de regência, especialmente por ser Sindicato congênere ao específico. Ora, os empregados da recorrente não podem ser prejudicados por uma impossibilidade/limitação técnica de seu Sindicato específico, não fazendo sentido, portanto, inviabilizar o Programa de PLR em razão da SEMC/RJ não possuir Convenção Coletiva contemplando a matéria, como restou confirmado pela Declaração firmada por esta entidade Sindical. Não se trata, pois, de uma omissão por parte da recorrente, a qual buscou uma solução, na Convenção Coletiva de Trabalho PLR dos Bancos, para conceder aludida verba a seus empregados, não se cogitando, portanto, em PLR paga sem qualquer base ou ausente de negociação, o que seria capaz de contrariar a legislação de regência. Mais a mais, o princípio da razoabilidade oferece proteção ao pleito da contribuinte e, bem assim, à conduta por ela utilizada, sobretudo quando as CCT’s dos Bancos foram ratificadas e arquivadas pelo SEMC/RJ, bem como as atividades desenvolvidas pelos bancários são bastante similares com os trabalhadores objeto destes levantamentos. A propósito da matéria, a 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, analisou processo bastante similar, admitindo para fins de instituição do Programa de PLR dos empregados da mesma empresa Acordos/Convenções de Sindicatos de outras regiões, o que Fl. 3591DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 reforça a razoabilidade da tese encampada nestes autos com base na mesma lógica, como segue: “[...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. Para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, a PLR paga a empregados deve resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo. O enquadramento sindical deve levar em consideração a base territorial do local da prestação dos serviços. Esta regra deve ser ressalvada quando se tornar necessária a observância dos princípios constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e do direito adquirido e, ainda, na hipótese de transferência temporária do empregado. A extensão da PLR pactuada em acordo coletivo de trabalho para trabalhadores da empresa que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato, não é, por si só, fato que altere a natureza do pagamento efetuado. [...] Recurso especial da Fazenda Nacional negado e do Contribuinte provido.” (Acórdão n° 920202.079 – Processo n° 44000.000608/200441 – Sessão de 22/03/2012) Na esteira desse raciocínio, impende afastar a incidência das contribuições previdenciárias, igualmente, sobre as PLR’s consubstanciadas nos levantamentos CCT PLR Bancos 2007 e CCT PLR Bancos 2008, uma vez observados todos os pressupostos legais para tanto, notadamente o artigo 2º, inciso II, da Lei nº 10.101/2000, ora tratado. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para decretar a improcedência dos levantamentos CCT PLR Bancos 2007 e CCT PLR Bancos 2008, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 3592DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16682.720575/201111 Acórdão n.º 2401003.112 S2‐C4T1 Fl. 3.582 23 Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Ouso diverjir do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, quanto a regularidade dos planos de PLR, mesmo considerando seu fundamentado voto. Da análise breve dos fatos narrados tanto pela autoridade fiscal, quanto pelo Conselheiro, alguns pontos me chamam a atenção, e me levam a discordar de seu entendimento. Não vou aqui, transcrever os dispositivos que entendo restaram infringidos, posto ter a autoridade fiscal apontadoos em seu relatório. Ademais o próprio relator, quando da apreciação, transcreveu a legislação pertinente. 1. Concordo com a autoridade fiscal que descreve que o sindicato que firmou o acordo não é o que representa os trabalhadores. os trabalhadores de corretora de titulo e valores mobiliários não são considerados bancários, razão pela qual entendo que não a legitimidade para representar os trabalhadores na negociação. Tanto o é, que os sindicatos representativos prestaram declarações destacando a sua não participação. Neste ponto, também concordo que a rubrica de representante sindical, não convalida o acordo, devendo ser cumprido um rito, quanto a convocação efetiva do sindicato, para não apenas assinar, como constar das negociações. Notese, apenas para ratificar dito posicionamento que para os anos de 2007 e 2008 os acordos já foram firmados com o sindicato devido. Transcrevo baixo os dispositivos da CLT que legitimam a formalização de acordos. 2. Art. 611 Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) 3. § 1º É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da empresa ou das acordantes respectivas relações de trabalho. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) 4. § 2º As Federações e, na falta desta, as Confederações representativas de categorias econômicas ou profissionais poderão celebrar convenções coletivas de trabalho para reger as relações das categorias a elas vinculadas, inorganizadas em Sindicatos, no âmbito de suas representações. 5. OJ SDC N. 22 TST – LEGITIMIDADE PARA DÍSSIDIO, é necessário a correspondência entre a as atividades exercidas pelos setores profissional e econômica, o Fl. 3593DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 24 que no meu entender demonstrar que é apenas o sindicato representativo que possui legitimidade para formalizar os acordos. 6. Também não acato a tese de que o arquivamento dos acordos no sindicato legitimariam o processo. 7. Quanto a inexistirem regras claras e objetivas, também entendo acertado o posicionamento do auditor fiscal notificante. Conforme descrito a recorrente estabelece um percentual de 3% a 21% do resultado, mas a empresa poderá utilizar percentual acima, sem caracterizar novação. (anexo i). liberalidade do empregador. Ora, é justamente essa liberdade do empregador em pagar algo, além do acordado é que determina o afastamento do PLR nos moldes descritos no texto constitucional, atribuindo características de mero ganho indireto do empregado, pago por vontade do empregador. Destacase, ainda que a empresa não apresentou os relatório de avaliação dos empregados, o que no meu entender demonstrar o grau de subjetividade do plano, afastandoo de regras claras e objetivas.. 8. No mencionado anexo 2 programa de metas – estabelece o limite de 2.5 e máximo de 35 salários a que farão jus os empregados. Poderá ser dobrado, ou mesmo ultrapassar o limite, dependendo da nota atribuida ao empregado. Quando nos deparamos, com as planilhas descrita pela autotidade fiscal em seu voto, identificamos valores , muito maiores do que os limites previstos nos acordos, o que novamente, demonstra que não se tratava de pagamento de PLR, dentro dos parâmetros legais, mas, verdadeiros prêmios, pagos sob a nomenclatura de PLR, mas sem cumprir os dispositivos, para que sejam esses pagamentos excluídos dos conceito de salário de contribuição. Os valores pagos conforme tabela trazida pelo auditor demonstram o não cumprimento dos limites acordados, demonstrando liberalidade. (fl. 314) 9. Em relação ao planos de PLR 2007 discordo, ainda do entendimento do ilustre conselheiro de que que outra causa suficiente para desconsideração do plano foi a recusa da empresa em apresentar os relatórios de aferição individual do cumprimento das metas estabelecidas no plano. Sobre essa questão também já nos posicionamos contrariamente, posto que, nosso entendimento, é no sentido de que a falta de apresentação dos documentos não tem o condão de descaracterizar o instrumento de PLR que esteja formalmente em consonância com a lei de regência, mas poderia dar ensejo a autuação por descumprimento de obrigação acessória e apuração das contribuições por arbitramento, caminho este que não foi seguido pela Autoridade Lançadora. 10. Divirjo do ilustre conselheiro, que entendeu que a não apresentação dos relatório de aferição, não fundamentaria o lançamento, gerando apenas autuação, podendo neste caso o auditor valerse do arbitramento. 11. O auditor em praticamente todos os levantamentos destacou que não restaram comprovados o estabelecimentos de regras claras e objetivas, considerando que não foram apresentadas os instrumentos de aferição A possibilidade de pagamento com subjetividade, em percentual de distribuição de livre estabelecimento pela empresa , como os que ocorreram demonstra a ingerência da empresa. Ao descumprir quaisquer dos preceitos da lei 10.101, não há que se falar em mera autuação, mas possibilidade de lavratura do AI, sobre as verbas pagas à título de PLR em desconformidade com a lei 10.101. 12. Ora,, a lei é bem clara; se a intenção do legislador, não fosse “amarrar” a forma com que as empresas irão distribuir lucros e resultados desvinculados do salário, qual seria o Fl. 3594DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16682.720575/201111 Acórdão n.º 2401003.112 S2‐C4T1 Fl. 3.583 25 objetivo de tanto detalhamento na própria lei de PLR. Entendo que neste caso, bastaria, o texto constitucional. 13. Entendo estar dentro da competência do auditor observar se os acordos firmados encontramse em conformidade com a exigência legal, estando, ainda, dentro de sua competência o lançamento de importâncias que entender devidas, pelo descumprimento dos referidos requisitos legais. 14. A empresa por outro lado, tem a ampla e irrestrita liberdade de pagar PLR, eleger por qual dos instrumentos previstos na lei irá consolidar o ato, determinar as regras, critérios, metas a serem alcançados ou mesmo a maneira de aferilas, contudo deverá observar as exigências legais quanto a formalização dos atos. Ao contrário do defendido pelo recorrente, no meu entender o descumprimento de qualquer dos requisitos transforma, sim, a natureza do pagamento. Ou seja, não é que a verba deixe de ser distribuição de lucro ou resultados, mas a sua natureza passa a ser de verba salarial, equiparandose a diversas outras verbas, que pelo seu mero pagamento, são por si só verbas salariais, como é o caso dos prémios, gratificações, gorjetas etc. 15. O legislador, não criaria exigências para afastar a natureza salarial, se entendesse que as mesmas não interfeririam na natureza do pagamento. Assim, rechaço totalmente o argumento de que o descumprimento de meras formalidades não alterariam a natureza do pagamento feito ao empregado. 16. CONCLUSÃO: face os pontos aqui destacados, presentes em praticamente todos os planos firmados, entendo que deva ser negado provimento ao recurso. Fl. 3595DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/10/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 14/10/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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