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Numero do processo: 17546.000208/2007-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1998 a 30/06/2006
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RELATIVA À COTA DO SEGURADO EMPREGADO A SER RETIDA DA SUA REMUNERAÇÃO..
As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração. Art. 30, I, "a" e "b", da Lei n.º 8.212/91.
REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, cartão premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
HABITUALIDADE
O pagamento efetuado em pecúnia independe de ter sido de forma habitual ou eventual para que esta verba integre a remuneração do segurado. Os termos habitual e eventual estão ligados ao lapso temporal. O aspecto temporal de incidência das contribuições previdenciárias é mensal. Assim, se no decorrer do mês houve prestação de serviço remunerada, são devidas as contribuições e a base de cálculo será o montante devido ao segurado.
CO-RESPONSÁVEIS
Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Auto de Infração, para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança e não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula n.º 88 do CARF.
MULTA MORATÓRIA
A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.376
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, para manter a incidência contributiva previdenciária sobre a verba "prêmio incentivo" paga através de cartões eletrônicos com a intermediação da empresa Incentive House S/A. Por maioria de votos para aplicar a Súmula 88 do CARF, que é expressa ao dizer que os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Auto de Infração, sendo meramente ilustrativos a fim de esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança, não atribuindo responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, nem comportando discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal. Vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes que não conheceram do recurso nesta parte. Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, devendo ser mantida a multa como lançada, considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91. Vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
Fez sustentação oral: Renato Silveira OAB/SP 222047
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. Art. 30, I, "a" e "b", da Lei n.º 8.212/91. REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, cartão premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. HABITUALIDADE O pagamento efetuado em pecúnia independe de ter sido de forma habitual ou eventual para que esta verba integre a remuneração do segurado. Os termos habitual e eventual estão ligados ao lapso temporal. O aspecto temporal de incidência das contribuições previdenciárias é mensal. Assim, se no decorrer do mês houve prestação de serviço remunerada, são devidas as contribuições e a base de cálculo será o montante devido ao segurado. CORESPONSÁVEIS Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Auto de Infração, para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança e não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 02 08 /2 00 7- 49 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula n.º 88 do CARF. MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, para manter a incidência contributiva previdenciária sobre a verba "prêmio incentivo" paga através de cartões eletrônicos com a intermediação da empresa Incentive House S/A. Por maioria de votos para aplicar a Súmula 88 do CARF, que é expressa ao dizer que os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Auto de Infração, sendo meramente ilustrativos a fim de esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança, não atribuindo responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, nem comportando discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal. Vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes que não conheceram do recurso nesta parte. Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, devendo ser mantida a multa como lançada, considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91. Vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Fez sustentação oral: Renato Silveira OAB/SP 222047 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Fl. 634DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000208/200749 Acórdão n.º 2302003.376 S2C3T2 Fl. 570 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 21/12/2006 e cientificada ao sujeito passivo em 22/12/2006, referese às contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados, não descontadas dos mesmos, e incidentes sobre os valores pagos a título de prêmio incentivo, através de cartões magnéticos operados pela empresa Incentive House S/A, no período de 09/1998 a 06/2006. Conforme consta do relatório fiscal de fls.08/11, a notificada não apresentou a relação dos beneficiários do programa, sendo tomados por base, para a incidência contributiva previdenciária, os valores constantes das notas fiscais emitidas pela Incentive House S/A , com o respaldo da contabilidade da recorrente. A contribuição dos segurados foi aferida no percentual mínimo, devido à impossibilidade de verificar a faixa salarial de cada um, eis que não discriminados. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência para que o fisco examinasse os documentos juntados com a defesa, segundo a qual seria possível a identificação de cada segurado e respectiva faixa salarial. Em resposta de fls. 243/245, a fiscalização diz que as relações juntadas estão incompletas, não sendo possível alterar o lançamento. Através do Acórdão de fls.378/380, o julgamento foi convertido em nova diligência para que o fisco apurasse a contribuição devida de cada segurado, com base nos documentos apresentados pela defesa. Relatório Complementar de fls. 382/386, reitera que as relações apresentadas são deficientes e o crédito será retificado apenas para aqueles segurados passíveis de identificação, assim como para excluir o período decadente até 11/2000. A fiscalização junta relação dos segurados, notas fiscais não incluídas na relação dos beneficiários apresentada junto com a impugnação, relação de segurados que não foram localizados nas folhas de pagamento e relação das notas fiscais da empresa Incentive House S/A, fls. 387/411. A recorrente foi devidamente cientificada do resultado das diligências efetuadas e Acórdão de fls. 490/501, julgou o lançamento procedente em parte, frente à retificação proposta e para excluir as competências até 11/2001, pela homologação tácita exposta no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que há conexão com a NFLD 35.848.0426, requerendo o julgamento simultâneo; b) a nulidade da NFLD por falta de clareza no relatório fiscal, não havendo a identificação do fato imponível; c) que a multa deve ser recalculada com base na Lei n.º 11.941/2006; Fl. 636DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000208/200749 Acórdão n.º 2302003.376 S2C3T2 Fl. 571 5 d) que a empresa Incentive House S/A deveria ter sido diligenciada; e) que a NFLD é nula pela responsabilidade imposta aos sócios gerentes; f) incompetência da Receita Federal do Brasil para apreciar controvérsias decorrentes da relação de trabalho; g) que os pagamentos havidos tem natureza indenizatória, são eventuais, que não está remunerando trabalho, mas fazendo uma promessa de recompensa; h) que 51% dos profissionais recebeu a parcela em uma vez; i) que não deve incidir juros de mora sobre a multa. Requer a anulação da NFLD, a reunião do processo com o de n.º DEBCAD 35.848.0426, a exclusão dos coresponsáveis, o cancelamento da exigência fiscal, a improcedência e insubsistência da exigência fiscal, ou o recálculo da multa no patamar mínimo de 20%, sem a incidência de juros sobre a multa e que as notificações e ciências sejam encaminhadas para os patronos da recorrente. Os autos vieram a julgamento e Resolução n.º 2302000.207, desta 2ªTO da 3ªCâmara, exarada em 13/03/2013, converteu o julgamento em diligência para que o presente processo fosse reunido com a NFLD DEBCAD 35.848.0426, para a tramitação conjunta, caso ainda esteja pendente de julgamento, conforme determina o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256, de 22/06/2009: Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. ... § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. E, caso já houvesse decisão definitiva, que esta fosse informada a esta Câmara. Em cumprimento à solicitação de diligência, foi anexado aos autos a decisão proferida na NFLD 35.848.0426 , da 3ªTO, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, através do Acórdão 24030037, de 02/12/2010, que deu provimento parcial ao recurso voluntário para acatar a decadência de parte do débito, ou seja até a competência 11/2001, com fulcro no artigo 150,§4º do Código Tributário Nacional e para que a multa aplicada seja recalculada, considerando a redação do artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, na hipótese de se mostrar mais benéfica ao contribuinte. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 É o relatório. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000208/200749 Acórdão n.º 2302003.376 S2C3T2 Fl. 572 7 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade conheço do recurso e passo ao seu exame. Conexão com a NFLD 35.848.0426 A recorrente solicitou a reunião desta NFLD com a acima citada em vista da conexão, já que a presente trata, exclusivamente, das contribuições previdenciárias relativas à cota dos segurados empregados e incidentes sobre as suas remunerações sobre os mesmos fatos geradores constantes daquela, que se consubstanciaram no pagamento de premiação incentivo, através de cartões magnéticos operados pela empresa Incentive House S/A, no período de 09/1998 a 06/2006. O pleito do contribuinte foi atendido na medida em que foi acostado aos autos o Acórdão proferido naquele Processo Administrativo Fiscal exarado pela 3ªTurma Ordinária, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, através do Acórdão 24030037, de 02/12/2010. Portanto, antes da Resolução para a conexão expedida em 13/03/2013. Naquele decisório, o mérito do lançamento restou mantido para considerar como remuneratórias as parcelas pagas aos segurados empregados a título de prêmio incentivo. Nulidade do Lançamento Não vislumbro a tese de nulidade da notificação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 639DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trouxeram fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000208/200749 Acórdão n.º 2302003.376 S2C3T2 Fl. 573 9 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. É também inócua a alegação de falta de clareza no Relatório Fiscal, posto que a recorrente pode, desde a fase da impugnação apresentar suas razões ao crédito lançado, mostrando perfeita compreensão do mesmo, tanto que o débito foi retificado para aquelas alegações que se mostraram procedentes. CoResponsáveis Quanto à solicitada exclusão dos administradores do pólo passivo da notificação, cabe esclarecer que a relação de coresponsáveis, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o parágrafo 3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização dos sócios somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Fl. 641DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Formalizando a posição a ser tomada pelos Colegiados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais foi editada a Súmula n.º 88, nestas palavras: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Diligência na empresa Incentive House Não há qualquer motivo para ser efetuada diligência na empresa Incentive House, com relação a este lançamento, já que aquela empresa apenas intermediou o pagamento de prêmio incentivo efetuado pela recorrente aos seus empregados, que é a responsável legal pelo desconto e recolhimento da contribuição relativa a cota do segurado, por disposição do artigo 30, I, letras "a" e "b", da Lei n.º 8.212/91. Incompetência da Receita Federal do Brasil em apreciar controvérsias da relação de emprego Esta alegação da recorrente se mostra totalmente improcedente no presente lançamento que não está dirimindo qualquer dúvida, controvérsia ou constatação de existência ou não de relação de emprego. A questão dos autos cingese à falta de recolhimento de contribuições previdenciárias devidas nos termos da Lei n.º 8.212/91, mais precisamente de contribuições incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados da recorrente que se consubstanciam em salário de contribuição, na forma como disposto pelo artigo 28 da citada lei. A ação fiscal está respaldada no artigo 33, da Lei n.º 8.212/91, que confere à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para executar as atividades relativas à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e aos recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do artigo 11 da mesma lei: Fl. 642DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000208/200749 Acórdão n.º 2302003.376 S2C3T2 Fl. 574 11 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11, as contribuições incidentes a título de substituição e as devidas a outras entidades e fundos Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; (Vide Lei nº 11.098, de 2005) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) (Regulamento) b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; (Vide Lei nº 11.098, de 2005) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) (Regulamento) d) as das empresas, incidentes sobre faturamento e lucro; e) as incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos. Quanto à natureza dos pagamentos A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Seguridade Social, o AuditorFiscal da Previdência Social, há época do lançamento) examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o pagamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o AFPS deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa do INSS de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, e art. 33, §§ 3°e 6º da Lei n 8.212/91, conforme já citado em parágrafo anterior. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 De acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente concedeu premiação a seus empregados no período fiscalizado, através de créditos em cartões eletrônicos efetivada por intermédio da empresa INCENTIVE HOUSE S.A. Os valores pagos através de cartões de premiação foram considerados salário, e passíveis de incidência contributiva previdenciária por se enquadrarem no conceito de salário de contribuição e por não constarem das excludentes legais de tal conceito. "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A Constituição Federal, no seu artigo 195, I, alínea “a”, estabelece: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) O dispositivo constitucional transcrito cuida não de “remuneração”, não de “folha de pagamento”, mas fala de “folha de salários”. A “folha de salários” é composta por lançamentos onde constam o nome dos trabalhadores e todas as parcelas devidas a estes em decorrência do serviço executado. Assim, qualquer tipo de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais faz parte da “folha de salários”, que, nos termos da Carta Política de 1988, é a base de incidência da contribuição social devida pelos empregadores. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000208/200749 Acórdão n.º 2302003.376 S2C3T2 Fl. 575 13 Ainda, para que não restasse dúvidas sobre a amplitude da base de incidência da contribuição social em questão, o dispositivo constitucional transcrito acrescentou “....e demais rendimentos do trabalho”. Além da “folha de salários e demais rendimentos do trabalho”, também integram a base de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do § 11 do artigo 201 da Constituição Federal, os “ganhos habituais do empregado, a qualquer título”. A seu turno, a Lei 8.212, de 24/07/1991, dispõe em seu artigo 22: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação alterada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Assim, todas as parcelas que fazem parte da remuneração, creditadas a qualquer título, são base de incidência constitucional da contribuição em questão, excluídas apenas as arroladas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, face à isenção concedida por lei, entre as quais não se encontram os prêmios concedidos para incremento da produtividade. É inquestionável, portanto, a natureza salarial da verba premial de incentivo à produtividade. Quanto à arguição da recorrente de que o pagamento havido possui natureza indenizatória por ser habitual, primeiro é de se ver que consta dos autos, que a partir de 2004, o mesmo é efetuado mensalmente. Além disso, é de se ver que a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Nestes termos, notase que a indenização tem como pressuposto a reparação de um dano, seja jurídico ou fático. In casu, os segurados não tiveram um dano causado pelo tomador de serviços que ensejasse uma reparação. As provas contidas nos autos, corroboradas pelas afirmações da recorrente, demonstram que os segurados receberam os valores pelo fato de terem prestado serviços à recorrente. É cediço que para fins de incidência das contribuições previdenciárias não importa o nome jurídico conferido à verba, mas sim a natureza da mesma e os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória, por tudo que já foi explicitado. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Os comandos constitucional (art. 201, § 11) e legal (art. 28, I da Lei n ° 8.212/1991) dispõem claramente que os ganhos sob a forma de utilidades é que somente integrarão o saláriodecontribuição caso sejam pagos de forma habitual. A presente verba não foi paga em utilidade, mas sim em pecúnia, portanto independe de ter sido de forma habitual ou eventual para que esta verba integre a remuneração do segurado. Os termos habitual e eventual estão ligados ao lapso temporal e o aspecto temporal de incidência das contribuições previdenciárias é mensal. Assim, se no decorrer do mês houve prestação de serviço remunerada, são devidas as contribuições e a base de cálculo será o montante devido ao segurado. Não importa se durante dez anos o segurado recebeu em um único mês um valor maior, haja vista a apuração das contribuições não ocorrer em período anual, quinquenal, ou decenal. Caso não se adotasse tal entendimento, poderia se chegar à construção teratológica de que o empregado que trabalhou somente um mês para a sociedade empresária não teria que contribuir para a Previdência Social. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Multa Quanto à multa, a recorrente requer que seja aplicada a retroatividade benigna exposta no artigo 106 do Código Tributário Nacional para fazer incidir alterações introduzidas pela MP nº 449/2008, consubstanciadas na Lei n.º 11.941/99. Todavia, é de se notar que o benefício da retroatividade benigna contido na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado sempre que uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. No caso em tela, à época do fatos geradores, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória, conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Fl. 646DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000208/200749 Acórdão n.º 2302003.376 S2C3T2 Fl. 576 15 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente notificação fiscal de lançamento de débito –NFLD, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 647DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do Fl. 648DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000208/200749 Acórdão n.º 2302003.376 S2C3T2 Fl. 577 17 lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a exigência da contribuição previdenciária incidente sobre valores pagos aos segurados empregados a título de prêmio incentivo, com a intermediação da empresa Incentive House S/A. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 650DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13888.000428/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 09/07/1993 a 29/09/1995
PIS/PASEP. DECRETOS-LEIS Nº 2.445/88 E Nº 2.449/88. PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO
Para os pedidos efetuados até 09/06/2005 prevalece a orientação do E. Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 sujeitam-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN.
Numero da decisão: 3302-002.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a decadência, nos termos do voto do Relator.
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
(Assinado Digitalmente)
EDITADO EM: 18/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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DECRETOSLEIS Nº 2.445/88 E Nº 2.449/88. PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO Para os pedidos efetuados até 09/06/2005 prevalece a orientação do E. Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 sujeitamse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a decadência, nos termos do voto do Relator. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 04 28 /2 00 3- 17 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 2 EDITADO EM: 18/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. “A interessada acima qualificada ingressou com Declaração de Compensação (Dcomp) à fl. 01, protocolada em 14/03/2003, visando à compensação do débito fiscal de sua responsabilidade, no valor de R$ 14.273,56 (quatorze mil duzentos e setenta e três reais e cinquenta e seis centavos), vencido em 14/03/2003, com créditos financeiros decorrentes de pagamentos indevidos, a título de contribuição para o PIS, efetuados mensalmente nos termos dos Decretoslei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, a partir de 09 de julho de 1993 a 29 de setembro de 1995, incidentes sobre os fatos geradores dos meses de competência de junho de 1993 a agosto de 1995. Por meio do Despacho Decisório às fls. 83/87, datado de 14/05/2007, de cuja ciência a interessada foi intimada em 23/05/2007, a DRF em Piracicaba, SP, não reconheceu o crédito financeiro indicado na Dcomp e não homologou a compensação do débito fiscal declarado por ela, sob o argumento de que, na data de seu protocolo, o direito à repetição/compensaçãodos créditos financeirosdecorrentes de recolhimentos a maior para o PIS, objeto deste processo administrativo, se encontrava decaído nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), arts. 165, I, e 168, I, c/c a interpretação dada pelo Ato Declaratório SRF n° 96, de 26/11/1999. Cientificada daquele despacho decisório, inconformada, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade às fls. 90/112, requerendo a esta DRJ a sua reforma para que seja homologada a compensação do débito fiscal, objeto deste processo administrativo, alegando, em síntese, a inocorrência da decadência do seu direito à repetição dos valores reclamados, tendo em vista que a extinção de crédito tributário sujeito a lançamento por homologação, como a contribuição para PIS, ocorre com a homologação expressa ou tácita do pagamento; não ocorrendo a homologação expressa, a tácita ocorre depois de 05 (cinco) anos, contados do respectivo fato gerador, quando então se inicia a contagem do prazo quinquenal para se exercer o direito à repetição/compensação de tais indébitos, resultando um prazo total de 10 (dez) anos, ou seja, 05 (cinco) anos para a extinção tácita, como no presente caso, e mais 05 (cinco) para a repetição/compensação.” Fl. 168DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13888.000428/200317 Acórdão n.º 3302002.176 S3C3T2 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento, julgar a manifestação de inconformidade improcedente nos termos do voto do relator. Intimada do acórdão supra, em 13/02/2008, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 10/03/2008. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. A presente discussão centrase no prazo prescricional para a Recorrente exercer seus direito de restituição dos valores pagos a maior nos períodos calendários de 1993, 1994 e 1995, a título de PIS recolhidos nos termos dos malsinados DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88, os quais foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 148.754/RJ, com decisão publicada em 04/03/1994. A Recorrente ingressou com Declaração de Compensação – DCOMP em 14/03/2003, requerendo a compensação dos valores pagos a maior nos períodos de 1993, 1994 e 1995. Cumpre trazer a baila os dispositivos legais, dispostos nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, que regulamentam a matéria, e assim prescrevem: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na Fl. 169DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 4 elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.” (...) “Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; II – na hipótese do inciso III do art. 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.” Por sua vez, é certo que o PIS cobrado com base nos DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88 só passou a ser indevido quando da definitiva exclusão de tais diplomas legais do ordenamento jurídico, ou seja, a partir da publicação da Resolução nº 49, do Senado Federal, a qual suspendeu a execução daquelas normas, atribuindo efeito erga omnes à decisão da Suprema Corte exarada em sede de Recurso Extraordinário. Nesse diapasão, transcrevemos parte do voto do i. Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, proferido no Acórdão nº 9900000381, na sessão de 28/08/2012, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que expõe: “Em outras palavras, antes da Resolução nº 49, o tributo em debate era devido e deveria ser recolhido em época própria, ou melhor, os pagamentos foram efetuados com fulcro na legislação de regência vigente. Nessa toada, ao admitir como termo a quo do prazo prescricional subexamine a data do pagamento do tributo indevido, estamos privilegiando o contribuinte que não o pagou, eis que não cumpriu a legislação de regência válida à época e não suportará lançamento fiscal com o fito de exigir tal exação, porquanto declarada inconstitucional posteriormente. Em outra via, o contribuinte que cumpriu com suas obrigações tributárias, pagando o tributo em dia, será penalizado por seguir os preceitos dos malfadados diplomas legais. Mais a mais, repitase, à época dos pagamentos do PIS exigido pelos Decretos nºs 2.445/88 e 2.449/88, tal tributo era efetivamente devido, só passando a ser indébito quando da suspensão da execução daquelas normas, mediante Resolução do Senado Federal. Na esteira desse entendimento, as razões de decidir do Acórdão atacado representam, além da observância ao princípio da legalidade, o cumprimento do dever legal do julgador de se fazer justiça.” Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13888.000428/200317 Acórdão n.º 3302002.176 S3C3T2 Fl. 4 5 Coadunome do supracitado entendimento, não se podendo admitir como termo inicial do prazo prescricional em análise, a data do pagamento do tributo, senão estaríamos, dentre outros, privilegiando àqueles que não agiram em conformidade com os malsinados DecretosLeis, que não cumpriram a legislação vigente e válida naqueles períodos. Ocorre, todavia que esse tema vem sendo objeto de inúmeras discussões no judiciário. O Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, com repercussão geral reconhecida, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC nº 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso do vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por sua vez, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN”. Quanto aos pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação do E. STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador. Outrossim, para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. Neste sentido a Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiu: “PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n°118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Contribuição para o Programa de Integração Social PIS exigido com base nos Decretos nºs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE nº 148.754/RJ, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contandose da data da ocorrência do fato gerador. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 6 Recurso extraordinário provido em parte.” (CSRF – Acórdão nº 9900000.381, Sessão de 28/08/2012, Rel. Cons. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Também, a Terceira Sessão de Julgamento desse E. Conselho, assim decidiu: “PIS/PASEP. DECRETOSLEIS Nº 2.445/88 E Nº 2.449/88. PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO. Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nela contida sobre prescrição expressa no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário provido em parte.” (3ª Sessão – Acórdão nº 3202000.652, Sessão 24/02/2013, Rel. Cons. Luis Eduardo Garossino Barbieri) No caso em tela, o pedido de restituição foi protocolado em 14/03/2003, para os fatos geradores ocorridos em 1993, 1994 e 1995, estando em conformidade com os julgados supracitados, impondo seja reconhecido o direito da Recorrente à compensação/restituição dos valores pagos a maior no período em que estiveram vigentes os DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88. Reconhecer o direito a pleitear a restituição, não implica reconhecer o valor a restituir pleiteado. O valor a restituir deverá ser apurado pela autoridade da RFB, a quem compete conferir liquidez e certeza do crédito a restituir. Esclareçase que o valor a restituir apurado pela autoridade é passível de contestação pela recorrente. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13888.000428/200317 Acórdão n.º 3302002.176 S3C3T2 Fl. 5 7 Isto posto, voto no sentido de conhecer o recurso e, no mérito darlhe provimento. É como voto, Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013. GILENO GURJÃO BARRETO Relator Fl. 173DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 13830.002038/2006-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2003, 2004
DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos.
JUROS DE MORA. COBRANÇA. CABIMENTO. CONFISCO
O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 2101-002.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator), Mara Eugênia Buonanno Caramico e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. JUROS DE MORA. COBRANÇA. CABIMENTO. CONFISCO O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 20 38 /2 00 6- 90 Fl. 918DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13830.002038/200690 Acórdão n.º 2101002.594 S2C1T1 Fl. 919 2 (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator), Mara Eugênia Buonanno Caramico e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de lançamento de Imposto Sobre a Renda Pessoa Física, no valor de R$ 55.207,48 (fls. 202 a 226, que retifica o auto de infração de fls. 02 a 26 e 199), decorrente de omissão de rendimentos do trabalho sem vinculo empregaticio recebidos da fonte pagadora Economus Adm. e Corretora de Seguros nos anoscalendário 2003 e 2004, bem como de deduções indevidas de dependentes (sogros) nos anoscalendário 2001, 2003 e 2004, dedução de previdência privada no anocalendário 2004, e de despesas médicas nos anoscalendário de 2001, 2003 e 2004. Quanto a estas últimas, é de se notar ter sido, no âmbito da ação fiscal relacionada, lavrada Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz (Processo 13830.000948/200638, na forma de fls. 32 a 38), na qual foram declarados inidôneos os recibos emitidos pelo profissional Ruy H. Matsunaga no período de 01/01/2001 a 31/12/2004. O imposto correspondente ao conjunto de infrações acima foi apurado e, tendo sido configurada a existência de fraude, nos termos do artigo 72 da Lei n° 4.502/1964, foi aplicada a multa qualificada de 150% sobre o valor apurado, prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo artigo 18 da MP 303/06. Apresentou o contribuinte, a propósito, impugnação ao auto, de fls. 230 a 245 onde se insurgiu exclusivamente contra a glosa de despesas médicas realizadas no auto, uma vez que entende como devidamente comprovadas as mesmas despesas por documentos idôneos, consistindose assim a única matéria controversa que permanece em litígio. Mais especificamente, retroagindose, assim, agora aos elementos de prova de interesse à única questão litigiosa (glosa de despesas médicas perpretadas), verificase que o contribuinte recebeu termo de intimação de fls. 27 a 30, onde se requeria, de forma expressa, que se comprovasse o efetivo pagamento dos serviços declarados como dedutíveis nas declarações dos anoscalendário de 2001, 2003 e 2004. Em resposta de fl. 52, alegou que os pagamentos eram sempre efetuados de forma parcelada e em moeda corrente proveniente da venda de bens de pequenos valores, anexando cópias de recibo e declarações de alguns profissionais de fls. 53 a 131. Posteriormente, intimado na forma de fl. 132, a apresentar os originais de tais recibos, apresentou através de resposta de fl. 138/139 parte dos referidos recibos originais. Na referida impugnação, alega o contribuinte em síntese que: Fl. 919DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13830.002038/200690 Acórdão n.º 2101002.594 S2C1T1 Fl. 920 3 a) foi intimado a apresentar documentos que atestassem a efetiva prestação dos serviços em questão quais sejam: pedidos de exames, prescrição de receitas, etc, além do que deveria provar os respectivos desembolsos realizados àquele titulo mediante a apresentação de ordens de pagamento, transferência e extratos bancários ou quaisquer documentos que se prestem a tal finalidade. b) ao oferecer os recibos de prestação de serviços, acompanhado, em determinados casos, de declaração dos profissionais atestando a prestação dos serviços e complementando, em sede impugnatória, o encaminhamento de todos os recibos em sua forma original, teria obedecido ao comando normativo constante da Lei n° 9.250/95, em seu artigo 8°, II, "a", §§ 2° e 3°, e do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999, em seu artigo 80, § 1° , III, o qual estabelece que somente na hipótese de carência de documentação, pode ser feita a indicação do cheque nominativo pelo qual o pagamento foi efetuado, tendo afirmado a respeito que pagou pelos serviços em moeda corrente e de forma parcelada. c) Ainda, entende que o mesmo conjunto de documentos (recibos originais e/ou declarações dos profissionais) teria o condão de demonstrar a efetiva utilização dos serviços em questão. d) Entende que a exigência de qualquer forma adicional de comprovação do pagamento violaria o princípio da legalidade. e) Ressalta que a autoridade fazendária, autorizada pela dicção do artigo 73, do Decreto n° 3000/99, diligenciou no sentido de obter a comprovação das despesas dedutíveis. Entende ter seguido à risca a ordem que lhe foi dirigida, comprovando as despesas, de tal arte que resta inquestionável o cometimento de arbitrariedade por parte daquela na medida em que impõe uma penalidade diante da não existência de qualquer infração, colacionando jurisprudência administrativa a respeito que sustentaria sua tese. f) Finalmente, defendeu a necessidade de afastamento de aplicação, pela autoridade administrativa, de leis que violem a Constituição Federal, omitindose, porém, na forma de fl. 241, de apontar quais seriam as inconstitucionalidades que teriam ocorrido no caso em questão. Assim, requereu o contribuinte, em sede impugnatória, que fossem restabelecidas, restabelecendo a dedução das despesas glosadas pela utilização dos serviços prestados por Maria Ezoe de Castro Sanches, Dirce Maria A. B. Muniz, Maria Graciete Ricci e Marcelo Custódio Rubira (2001); Adriana Margi e Andréia Cristina Guimarães (2003), Valéria Aparecida Coneglian Fabron, Renata de Carvalho Zane, Michele Rossi e Andréia Cristina Guimarães (2004), visto que perfeitamente comprovados por documentos idôneos, garantindo se ao impugnante a restituição de imposto de renda no valor de R$ 13.234,10 conforme demonstrativo incluso. Assim, as glosas referentes aos valores declarados e glosados, relativos aos profissionais Ruy H. Matsunaga (anos calendário 2003 e 2004) e Fabíola Trípoli (ano calendário de 2003), tratamse de matéria incontroversa já desde a 1a. instância. A autoridade julgadora de 1a. instância julgou integralmente procedente o lançamento, na forma de voto de fls. 305 a 314. Resumidamente, a autoridade julgadora de 1a. instância: Fl. 920DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13830.002038/200690 Acórdão n.º 2101002.594 S2C1T1 Fl. 921 4 a) afastou a nulidade do auto por cerceamento do direito de defesa, dado que ficou caracterizada, nos autos, a ampla oportunidade oferecida ao contribuinte de apresentar, no curso do procedimento fiscal (e mesmo na fase impugnat6ria), os documentos, informações e esclarecimentos requisitados pela Fiscalização e tendo sido demonstrado, também, que o contribuinte conheceu plenamente tanto das acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, como da totalidade dos atos processuais e tendo lhe sido assegurado, acerca de cada um destes, o direito de reação ou defesa. Descartouse, ainda, a ocorrência de qualquer das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 25 de março de 1972, regulador do PAF. b) Ressaltou a existência de dúvida quanto à idoneidade dos recibos por parte da fiscalização, citando, a propósito, a Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz, de 20/04/2006, objeto do processo administrativo n° 13830.000948/200638, onde se concluiu que os recibos, emitidos pelo profissional Rui Matsunaga no período de 01/01/2001 a 31/12/2004, são inidôneos, tendo sido alguns dos mesmos utilizados pelo autuado no período. c) Concluiu que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação a juízo da autoridade lançadora e que tal comprovação/justificação não foi realizada satisfatoriamente, e que, assim, as glosas vertentes se encontram perfeitamente embasadas, julgamento totalmente procedente o lançamento. Insurgese o contribuinte contra a autoridade julgadora de 1a. instância através do Recurso Voluntário de fls. 324 a 349, onde repisa os argumentos tecidos em sua impugnação, acrescentando: a) digressão sobre o fato gerador do Imposto de Renda e sobre a necessidade de se considerar como dedutíveis despesas comprovadas e da necessidade de aplicação do princípio da verdade material ao caso fático, de forma a se considerar as despesas em questão como dedutíveis. b) sustentação sobre a incompatibilidade a seu ver existente entre a taxa de juros SELIC e o disposto no art. 161 do Código Tributário Nacional, no sentido da mesma se constituir em juros remuneratórios e não moratórios, não podendo aquela ser aplicada ao valor lançado sob litígio, sendo entendimento do contribuinte que é de se aplicar ao caso concreto o que dispõe o art. 161, §1°, do CTN, que prevê como percentual de juros, nesta hipótese, o índice de 1% para os juros de mora. Cita, a propósito, julgado do STJ que declararia a inconstitucionalidade da Taxa SELIC para fins de aplicação tributária. c) Novos argumentos sobre a necessidade de afastamento da aplicação da multa de ofício ao valor lançado, dado que inconstitucional esta última, ressaltando a propósito o caráter em seu entendimento confiscatório da referida multa. Solicita assim, o contribuinte que seja dado provimento a seu recurso, a fim de desconstituir o auto de infração guerreado, restabelecendose a dedução das despesas glosadas, visto que perfeitamente comprovadas por documentos idôneos, devendo ser “escanteados, também, os excessivos rigorismos formais”. Se assim não for entendido, que seja o auto de infração derrubado, dado “genuíno confisco que a multa aplicada representa, bem como por utilizar índice de atualização (SELIC) flagrantemente ilegal. “ É o relatório. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13830.002038/200690 Acórdão n.º 2101002.594 S2C1T1 Fl. 922 5 Voto Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. 1. Quanto à preliminar de nulidade do Auto de Infração: Alinhome aqui integralmente aos argumentos tecidos pela autoridade de 1a. instância no voto guerreado, às fls. 309/310, sendo certo que: a) O interessado teve oportunidade de apresentar, no curso do procedimento fiscal (e mesmo na fase impugnatória), todos os documentos, informações e esclarecimentos capazes de influenciar a convicção da autoridade julgadora, admitidas, inclusive, na fase impugnatória, todas as provas produzidas pelo contribuinte, nos termos facultados pelo artigo 16, inciso III, e § 4°, do Decreto n° 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/1993, e alterações introduzidas pelo art. 67 da Lei n°9.532, de 10/12/1997. b) O contribuinte conheceu plenamente tanto das acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, como da totalidade dos atos processuais e tendo lhe sido assegurado, acerca de cada um destes, o direito de reação ou defesa. Caracterizado assim, o pleno respeito ao contraditório e ampla defesa, descartandose também a ocorrência de qualquer das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do mesmo Decreto 70.235, de 1972, AFASTO a preliminar de nulidade do auto em questão. 2. Quanto ao mérito: Dedutibilidade de serviços médicos/odontológicos à luz das provas carreadas aos autos Inicialmente, ressalto que quanto às referentes aos valores declarados e glosados, relativos aos profissionais Ruy H. Matsunaga (anos calendário 2003 e 2004) e Fabíola Trípoli (anocalendário de 2003), tratamse de matéria incontroversa já desde a 1a. instância, visto que não impugnadas. Assim, não se constituem em matéria sob litígio no âmbito do presente julgamento. De forma a facilitar a convicção de cada julgador deste Colegiado, apresento quadro que resume as provas carreadas aos autos até a fase impugnatória pelo recorrente, exclusivamente no que diz respeito à matéria sob litígio (parte de glosa de despesas médicas e assemelhadas para os anoscalendário de 2001, 2003 e 2004): ANO CALENDÁRIO 2001 PRESTADOR (A) VALOR DA GLOSA ELEMENTOS DE PROVA MARIA EZOÉ C. SANCHES R$ 9.000,00 Recibos de efls. 499 a 564, Recibo de efl. 139, no valor de R$ 250,00, datado de 26/01 (original porém, não anexado à impugnação) e Declaração de efl. 565 DIRCE MARIA A.B. MUNIZ R$ 5.000,00 Recibos de efls. 571 a 600 e Declaração de efl. 603 Fl. 922DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13830.002038/200690 Acórdão n.º 2101002.594 S2C1T1 Fl. 923 6 ANO CALENDÁRIO 2001 MARIA GRACIETE RICCI R$ 7.000,00 Recibos de efls. 609 a 641 e Declaração de efl. 645 MARCELO CUSTÓDIO RUBIRA R$ 9.000,00 Recibos de efls. 652 a 670 e Cópia de Recibo de efl. 135, no valor de R$ 1.200,00 datado de 30 de janeiro de 2001 (não há original anexo aos autos, na impugnação se duplicou o recibo de 15 de março de 2001, vide efl. 652) ANO CALENDÁRIO 2003 PRESTADOR (A) VALOR DA GLOSA ELEMENTOS DE PROVA ADRIANA MARGI R$ 1.500,00 Recibos de efls. 676 a 680 ANDRÉIA CRISTINA GUIMARÃES R$ 5.000,00 Recibos de efls. 686 a 710 e Declaração de efls. 720 e 724 ANO CALENDÁRIO 2004 PRESTADOR (A) VALOR DA GLOSA ELEMENTOS DE PROVA VALÉRIA APARECIDA CONEGLIAN FABRON R$ 1.624,00 Recibos de efls. 732 a 734 e Declaração de efls. 738 e 742 RENATA DE CARVALHO ZANE R$ 1.000,00 Declaração de efl. 748 e Recibos de efl. 752 a 756 MICHELE ROSSI R$ 4.000,00 Recibos de efls. 762 a 790 e Receituário de efls. 794 e 795 ANDRÉIA CRISTINA GUIMARÃES R$ 5.000,00 Recibos de efls. 800 a 808 e Declaração de efls. 812 Pertinente, agora, transcrever os dispositivos que encerram o cerne da presente questão de mérito, a saber, os arts. 73, caput, 80, caput e §1o., inciso III, 845, inciso II, e 932 todos do Decreto no 3.000, de 1999, aqui reproduzidos com referência à respectiva base legal que os suporta : RIR/99 Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). (...) Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): (...) Fl. 923DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13830.002038/200690 Acórdão n.º 2101002.594 S2C1T1 Fl. 924 7 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Art.845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 79): (...) II abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios (g.n.); Art.932. Havendo dúvida sobre quaisquer informações prestadas ou quando estas forem incompletas, a autoridade tributária poderá mandar verificar a sua veracidade na escrita dos informantes ou exigir os esclarecimentos necessários (Decreto Lei nº5.844, de 1943, art. 108, §6º). A propósito, como já tive oportunidade de me manifestar em outras ocasiões, entendo que a interpretação sistemática correta do conjunto dos dispositivos acima, a fim de tenham plena vigência e sem a existência de qualquer antinomia é no sentido do art. 80, §1o. inciso III do RIR/99, ao limitar a dedução de pagamentos a título de serviços médicos e assemelhados àqueles que constem de recibo e/ou indicados como pagos através de cheques nominativos devidamente especificados, estabelecer condição mínima, necessária mas não necessariamente suficiente à dedutibilidade das despesas. Entendo que a suficiência de tais recibos e/ou indicação de cheques nominativos de pagamento como comprovantes para fins de dedutibilidade das despesas, está, consoante expressamente respaldado pelo art. 73 supra reproduzido, condicionada ao juízo da autoridade tributária que pode, assim, no caso de existência de dúvida (razoável, em pleno respeito ao princípio da razoabilidade) quanto aos mesmos, perfeitamente em linha com o disposto no art. 932 do mesmo diploma, solicitar esclarecimentos adicionais (tais como elementos que comprovem o efetivo pagamento e a efetiva prestação dos serviços, ou seja, a efetiva utilização dos serviços pelos beneficiários). Nesta hipótese, uma vez não tendo sido satisfatórios os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, é de completa legalidade a realização do lançamento de ofício, abandonandose (ou seja, glosandose) as parcelas para as quais o contribuinte não logrou êxito em esclarecêlas de forma satisfatória, na forma prevista pelo art. 845 supra. Realizada tal digressão, verifico que para o caso sob análise: a) o contribuinte se utilizou para fins de dedução, durante dois anos calendário seguidos (2003 e 3004), de recibos (emitidos pelo profissional Ruy H. Matsunaga) declarados como inidôneos antes do início da ação fiscal, no forma de Súmula de Fl. 924DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13830.002038/200690 Acórdão n.º 2101002.594 S2C1T1 Fl. 925 8 Documentação Tributariamente Ineficaz, de 20 de abril de 2006, objeto do processo administrativo n° 13830.000948/200638. b) Consoante apontado pelo auto de infração em suas fls. 207 a 209, durante a ação fiscal, mesmo diante da existência dos recibos e/ou declarações por parte dos prestadores, houve a declaração do contribuinte de inexistência de pagamento efetivo que não em moeda corrente, com recursos originado da venda de bens de pequenos valores, bens não objeto de declaração. c) Constatouse, ainda, o elevado montante associado a tais despesas constante da declaração do contribuinte. Assim, plenamente razoável que a fiscalização, diante de dúvida quanto a efetividade das despesas declaradas, tenha solicitado inicialmente, através do termo de fls. 27 a 30, recibos e provas de efetivo pagamento dos serviços prestados, posteriormente complementados através de termo de fls. 132 e 135, solicitando documentos que efetivamente comprovassem a efetiva prestação dos serviços (tratamentos realizados) pelos profissionais junto ao autuado. Diante de tal cenário e da comprovação exclusiva de efetiva prestação dos serviços pelo profissional João Clavico Sobrinho, através de fichas da arcada dentária e radiografias (com os valores deste prestador tendo sido aceitos como dedutíveis pela fiscalização), entendo como escorreito o procedimento de glosa dos valores para os quais não restaram comprovados nos autos nem o efetivo pagamento nem a efetiva prestação dos serviços, tendo a fiscalização elegido esta comprovação alternativa como condição de dedutibilidade, tudo em plena obediência aos dispositivos legais supra mencionados. Ou seja, com fulcro no solicitado nos termos de fls. 27 a 30 e de fls. 132 a 135, também considero, com base nos elementos carreados aos autos, que, uma vez solicitados pela fiscalização os esclarecimentos devidos na forma legalmente amparada, não se comprovou de forma satisfatória a condição de dedutibilidade aplicável ao caso em questão, em linha com o princípio da verdade material, qual seja: a efetiva prestação dos serviços pelo beneficiário e/ou a prova de seu efetivo pagamento, a partir de dúvida razoável existente quanto à declaração do autuado e quanto aos elementos posteriormente encaminhados à autoridade fiscal, na forma dos itens a) a c) supra. A propósito ainda, reproduzo, por fim, constatações que respaldam, sob a forma de indícios veementes, o critério legalmente permitido e aqui utilizado pela fiscalização à luz do princípio da verdade material, as quais podem ser extraídas dos itens 03 a 05 de fls. 208 a 209 do auto de infração e que estabelecem: (...) Entendese que alguns procedimentos médicos/odontológicos apresentados (fls. 78), pelo custo ou pela complexidade (problemas na coluna vertebral, tendinite, distensão de vértebras, etc) necessitariam de exames mais acurados, como uma análise laboratorial, radiografia ou de algumas despesas com medicamentos, que acentuariam o EFETIVO TRATAMENTO médico/odontológico. Serão apresentados algumas evidências verificadas por profissional a seguir; Fl. 925DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13830.002038/200690 Acórdão n.º 2101002.594 S2C1T1 Fl. 926 9 4 Quanto aos pagamentos a profissional Maria Ezoe C. Sanches, fisioterapeuta, foi apresentado relatório (fls. 78) dos tratamentos efetuados. Consta que o autuado apresentava algesia na coluna vertebral e problemas posturais, sendo realizado terapia mamal, ultrasom e um tratamento para o problema citado, escrito em letra ilegível no relatório da profissional. No mesmo relatório consta que foram efetuados "alguns tratamentos" em Fábio B. Balbo (dores no joelho direito), Bruno B. Balbo (tendinite no punho direito) e Isabella B. Balbo (distengão de vértebras). Nos anoscalendário 2001 e 2002, o autuado pagou honorários à profissional no valor total de R$ 16.900,00. Pelo relatório, as enfermidades são de ordem estrutural, envolvem a coluna vertebral e nervos e, o tratamento foi de valor substancial. Não foi apresentado, apesar de intimado (fls. 132/135), nenhum resultado de exame radiográfico, ultrasom, testes eletrônicos, enfim algum laudo que justificasse tratamento de tamanha monta em termos pecuniários e para enfermidades complexas, pois conforme já citado, envolvia até a coluna vertebral. 5 Quanto aos pagamentos à profissional Dirce Maria A. B. Muniz, cirurgia dentista, no valor total de R$ 5.000,00 durante o anocalendário 2001 (R$ 2.000,00 para Fábio B. Balbo, R$ 1.500,00 para Bruno B. Balbo e R$ 1.500,00 para Isabella B. Balbo) e à profissional Maria Graciete Ricci, cirurgiã dentista, no valor total de R$ 7.000,00, durante o anocalendário de 2001, referentes serviços prestados ao autuado e aos dependentes Fábio, Bruno e Isabella (a profissional não discriminou o valor correspondente a cada um, nem nos recibos, nem na declaração (fls. 57/65), que, pelos valores dos recibos, concluise que não foram tratamentos simples os efetuados pelas duas profissionais, entretanto o autuado não apresentou nem a ficha preenchida pelo profissional com a arcada dentária de cada paciente, prática comum adotada pela maioria dos profissionais da área. Apresentou apenas as declarações (fls. 61 e 141) que são meras repetições dos recibos, não comprovando a efetividade da prestação de serviços. A dependente Isabella usou os serviços de três profissionais (das duas já citadas e do profissional Joao C. Sobrinho) e, o autuado e os demais dependentes, de dois profissionais, durante o ano calendário 2001. Como o uso dos serviços dos profissionais foram concomitantes e os recibos não detalham os tratamentos efetuados em cada paciente, muito menos foram apresentadas fichas ou quaisquer documentos que detalham, não se pode deduzir que este ou aquele profissional é especialista em cada tipo de tratamento. 0 autuado procurou os dois profissionais para fazer a declaração que efetivamente prestou os serviços e recebeu os honorários (fls. 61 e 141), mas não pediu a ficha do paciente, e tudo indica que não_foi por desconhecimento, pois para o profissional Joao C. Sobrinho, ele pediu (fls. 55/56, 101, 103/104 e 130/131). (...)” Fl. 926DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13830.002038/200690 Acórdão n.º 2101002.594 S2C1T1 Fl. 927 10 Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte nesta seara, mantendose em sua totalidade a glosa das despesas médicas e assemelhadas em litígio para as quais o contribuinte não conseguiu comprovar nem a efetividade do pagamento nem a efetiva prestação de serviços. 3. Quanto aos Juros SELIC e à multa de ofício aplicada Na forma do art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995 e art. 39, §4o., da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995 e art. 61, § 3o. da Lei n° 9.430, de 1996, desde 1.° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste ponto, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em plena observância ao princípio da legalidade, já se manifestou sobre a plena aplicabilidade da taxa SELIC no cômputo dos juros cobrados nos casos de recolhimento de tributo em atraso, por meio da Súmula CARF n.° 4, de obediência mandatória e que assim prevê: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desse modo, sobre o crédito tributário não pago na data do seu vencimento, são devidos os juros de mora, calculados segundo a taxa SELIC. Quanto à argumentação de inconstitucionalidade da referida taxa SELIC e da multa moratória, esta última a partir de seu efeito confiscatório, também já é matéria sumulada no âmbito do presente Conselho a impossibilidade de pronunciamento sobre constitucionalidade de matéria no âmbito do presente Colegiado, dada sua incompetência (Súmula CARF n.° 2), abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesta seara, com a devida vênia à argumentação do recorrente, entendo que não há como se afastar a aplicação de qualquer lei por (flagrantemente) inconstitucional, sem que haja prévia pronúncia acerca da inconstitucionalidade da mesma, atividade que este Conselho julga estranha à sua competência, na forma da Súmula acima. Destarte, neguese provimento ao Voluntário também quanto a estas matérias recorridas. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte. É como voto. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13830.002038/200690 Acórdão n.º 2101002.594 S2C1T1 Fl. 928 11 (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 928DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/ 10/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10218.000108/2005-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL/UTILIZAÇÃO LIMITADA E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO POSTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. AMBOS ANTES AÇÃO FISCAL. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Tratando-se de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel, bem como ADA, ainda que posteriores à ocorrência do fato gerador, mas anteriores ao inicio da ação fiscal, impõe-se o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo que dava provimento em parte e Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira que davam provimento integral ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
EDITADO EM: 30/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL/UTILIZAÇÃO LIMITADA E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO POSTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. AMBOS ANTES AÇÃO FISCAL. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratando-se de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel, bem como ADA, ainda que posteriores à ocorrência do fato gerador, mas anteriores ao inicio da ação fiscal, impõe-se o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo que dava provimento em parte e Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira que davam provimento integral ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator EDITADO EM: 30/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2072; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 151 1 150 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10218.000108/200523 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.398 – 2ª Turma Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria ITR ARL E APP ADA E AVERBAÇÃO INTEMPESTIVOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AGRO INDUSTRIAL DE MADEIRAS VALE FÉRTIL LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL/UTILIZAÇÃO LIMITADA E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO POSTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. AMBOS ANTES AÇÃO FISCAL. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel, bem como ADA, ainda que posteriores à ocorrência do fato gerador, mas anteriores ao inicio da ação fiscal, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 01 08 /2 00 5- 23 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo que dava provimento em parte e Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira que davam provimento integral ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 30/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório AGRO INDUSTRIAL DE MADEIRAS VALE FÉRTIL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 09/03/2005 (AR fl. 33), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2001, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Vale Fértil”, localizado no município de Pacaja/PA, inscrita na RFB sob nº 4.168.8678, conforme peça inaugural do feito, às fls. 25/32, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2a Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Recife/PE, Acórdão nº 11 20.410/2007, às fls. 75/85, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara, em 28/09/2011, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 210201.589, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 200 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10218.000108/200523 Acórdão n.º 9202003.398 CSRFT2 Fl. 152 3 ITR. EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ADA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A despeito de ser obrigatória desde o exercício 2001 a apresentação do ADA ao Ibama como condição para a exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente para fins de tributação pelo ITR, a lei não estabelece um prazo para a sua apresentação. Assim, não pode este prazo ser estipulado em Instrução Normativa, restringindo um direito do contribuinte. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência da área de reserva legal, devidamente averbada à margem do Registro de Imóveis, e em percentual correspondente ao limite legal para aquela localidade (80%), deve a mesma ser reconhecida e excluída da área total do imóvel para fins de tributação pelo ITR.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 121/136, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos/CARF a respeito das mesmas matérias, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 39100.037 e 30239.244 (ADA) e 30236.585 e 30238.382 (Necessidade Averbação Tempestiva ARL), impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovadas as divergências arguidas. Infere que a Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), na redação dada pela Lei nº 7.803/1989, impõe que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel. Aduz que a Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual dispôs sobre a declaração das áreas na Lei nº 9.393/1996, em nada alterou a necessidade da averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, eis que, igualmente, contemplou essa exigência, remetendo às disposições do Código Florestal, instituído pela Lei nº 4.771/1965. Tece comentários a propósito do conceito e finalidade da “Reserva Legal”, traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, notadamente Código Florestal, aprovado pela Lei nº 4.771/1965, bem como Lei nº 7.803/1989, a qual estabeleceu a necessidade da averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel, concluindo que aludida exigência visa justamente atender o fim precípuo da reserva legal, a partir da publicidade dessa situação de fato e de direito. Contrapõese ao entendimento da Turma recorrida, aduzindo para tanto que áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando averbadas na matrícula do imóvel, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Fl. 175DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Elucida, ainda, para fins de não incidência do ITR, que a averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel, deve ser procedida antes do fato gerador do tributo, somente passando a produzir efeitos a partir de tal providência, não retroagindo, portanto, a fatos geradores ocorridos anteriormente a esse ato, em observância ao disposto no artigo 144 do Código Tributário Nacional, com vistas a assegurar os interesses coletivos relativamente à proteção do meio ambiente. Relativamente à área de Preservação Permanente, defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Aduz que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de reserva legal/utilização limitada e preservação permanente está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente artigo 17 da Instrução Normativa SRF n° 60/2001, c/c Decreto n° 4.382/2002. Em defesa de sua pretensão, assevera que as exigências encimadas foram expressamente inseridas no art. 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF/nº 43/1997, (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997. No presente caso, tratandose do exercício de 2001, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à averbação em comento e a protocolização atempada do requerimento do ADA, impõese à manutenção das glosas realizadas pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito das mesmas matérias, conforme Despacho S/N/2013, de fls. 145/146. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte não apresentou suas contrarrazões. É o Relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10218.000108/200523 Acórdão n.º 9202003.398 CSRFT2 Fl. 153 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF as divergências suscitadas pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida nos decisórios paradigmas trazidos à colação, bem como a legislação de regência, os quais exigem a averbação tempestiva da reserva legal à margem da matrícula do imóvel e, bem assim, o protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisum guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência da prévia averbação de reserva legal e requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Turma recorrida malferiu as normas insertas nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, mormente tratandose do exercício de 2001, posteriormente ao advento da alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, bem como a exigência do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, quanto às áreas de preservação permanente e reserva legal, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA ou mesmo a averbação procedida antes do fato gerador, não são, em si, exclusivas condições eleitas pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal/utilização limitada. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa das áreas de reserva legal e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros Fl. 178DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10218.000108/200523 Acórdão n.º 9202003.398 CSRFT2 Fl. 154 7 meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal ou procedida a averbação tempestiva, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA ou mesmo a averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. In casu, relativamente à Área de Reserva Legal, o que torna ainda mais digno de realce, e que fora determinante ao deslinde da controvérsia e ao próprio Acórdão recorrido, em vista deste evidente conflito entre as normas que regulamentam a matéria, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material da área declarada pela contribuinte como de reserva legal, o que se constata na hipótese dos autos, como se verifica da Averbação (Av. 021/Mat. 092) procedida à margem da matrícula do imóvel, datada de 22/05/2023, posteriormente à ocorrência do fato gerador, mas antes do início da ação fiscal, às fls. 13, afastando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pela autuada. Nesta mesma lógica, melhor sorte não está reservada à Procuradoria quanto à exigência tempestiva do ADA. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, acima explicitado, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10218.000108/200523 Acórdão n.º 9202003.398 CSRFT2 Fl. 155 9 Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, contemplando o tema e rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda nos presentes autos, senão vejamos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” No entanto, a jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento de que, após a alteração introduzida pela Lei n° 10.165/2000, em que pese à legislação de regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem acolhendo a pretensão do contribuinte, reconhecendo a isenção de tais áreas, ainda que apresentado ADA intempestivo, como se vislumbra na hipótese dos autos. A corroborar este entendimento, ressaltase que a Instrução Normativa SRF n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, somente exigindo a apresentação de referido documento, ao contrário do estipulado nas Instruções Normativas SRF nºs 43/1997 e 67/1997, as quais prescreviam o prazo de 06 (Seis) meses, contados da data da entrega da DITR, para protocolização do requerimento do ADA. Assim, inobstante Instruções Normativas não vincularem este Órgão, tratandose de legislação mais recente impõese a sua observância, inclusive para fatos geradores pretéritos, com arrimo no artigo 106 do Códex Tributário, reforçando a tese em favor do contribuinte, que apresentou ADA, às fls. 14, contemplando as áreas objeto da demanda, ainda que intempestivamente protocolizado, datado de 31/03/2004 (anterior ao início da ação fiscal). Nesse sentido, o certo é que a Averbação da Área de Reserva Legal/Utilização Limitada e a informação da APP constante do ADA, mesmos intempestivos (após o fato gerador, mas antes da ação fiscal), apresentados pela contribuinte se prestam a comprovar a existência de aludidas áreas, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional, mormente em homenagem ao princípio da verdade material, na linha do que restou assentado no Acórdão recorrido. Partindo dessas premissas, tratandose de áreas de reserva legal/utilização limitada e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pelo contribuinte, ainda que apresentado o ADA e procedida à averbação intempestivamente (ambos antes da ação fiscal), impõese o restabelecimento de referidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 182DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.016300/00-38
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1998
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC)
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo
Numero da decisão: 1803-002.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente acima identificada formalizou em 10.10.2000, fls. 0306, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) no valor de R$8.324,13 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 63 00 /0 0- 38 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.016300/0038 Acórdão n.º 1803002.382 S1TE03 Fl. 174 2 destinado ao Fundo de Investimento do Nordeste (FINOR) correspondente à aplicação do percentual de 24% (vinte e quatro por cento) do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado com base no lucro real constante na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativamente ao anocalendário de 1999, fl. 100. No Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais está registrado que a Recorrente é “contribuinte com declaração de incorporação (ex. 97/97), fls. 0506. Na Informação Fiscal, fls. 123124, consta: A empresa acima identificada protocolou Pedido de Revisão de Ordem d Emissão de Incentivos Fiscais – PERC referente ao exercício de 1997, tendo em vista constar no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais a ocorrência: 12 Contribuinte com Declaração de Incorporação exercício 1997, anocalendário 1997 (LEI 9069/95 AR 60). (fl. 2) 2. A interessada fez a opção em incentivos fiscais com aplicação no FINOR (Ficha 10 — DIPJ Declaração de Imposto de renda Pessoa Jurídica – exercício d 1997), fls. 91, nos termos do disposto no Capítulo III do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000, de 26/03/99 (RIR/99). 3. A protocolização do PERC foi feita em 10.10.2000, dentro do prazo legal estipulado pelo Ato Declaratório Executivo CORAT n° 96, de 10 de setembro de 2002. 4. O parágrafo único do art. 614 do RIR do RIR/99, abaixo transcrito, dispõe sobre a regularidade fiscal como condição para o benefício fiscal ora tratado: Art. 614. ... Parágrafo único. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal , relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais [art. 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995]. 5. Assim, foi intimada a empresa requerente, através do Termo de Intimação n° 417, de 11/06/2008, fl. 75, a sanar pendências de Débitos Relativos a Tributo Federais e à Dívida Ativa da União; bem como de Débitos relativos ao INSS, além d pendências relativas ao FGTS. Enfim regularizar quaisquer pendências que impossibilitassem a concessão do benefício fiscal pleiteado. 5.1. A intimação foi respondida pela empresa Entre Rios Agro Indústria Ltda apresentando o Certificado de regularidade Fiscal do FGTS –CRF; além da Certidão Negativa de Débito do INSS, solicitando no mesmo documento a concessão de um prazo de 20 (vinte) dias úteis para a apresentação da Certidão Conjunta de Débitos relativos Tributos federais e à Dívida Ativa da União , em virtude da mesma se encontrar e Processo de renovação (fls.77). Até a presente data não foram sanadas as pendências de Débitos relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União, conforme verifica.se no extrato Informações de Apoio para Emissão de Certidão (fls.105). Tendo em vista que até a presente data ainda não foram sanadas as pendências de Débitos relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União, conforme verificase no extrato Informações de Apoio para Emissão de Certidão (fls.105), além de confirmarse em consulta ao CADIN, no Sistema Sisbacen EMFSR Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.016300/0038 Acórdão n.º 1803002.382 S1TE03 Fl. 175 3 existência de pendências da empresa Entre Rios Agro Indústria Ltda na Procuradoria da Fazenda Nacional (fls.112). Face ao exposto, proponho o indeferimento do PERC. DESPACHO DECISÓRIO Com base nos fundamentos consubstanciados na informação fiscal de fls. 113/114, que aprovo, por força do art. 238 do Regimento Interno da Secretaria da Receit Federal do Brasil, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n° 95, de 30 de abril d 2007, publicada no Diário Oficial da União de 02.05.07, Edição Extraordinária, indefiro Presente PERC. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 128139, com os argumentos abaixo: A impugnante apresentou Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, referente ao exercício de 1997, requerendo a concessão de incentivos fiscais com aplicação no FINOR — Fundo de Investimento do Nordeste. No ato da solicitação do PERC, a empresa apresentou dentre os documentos necessários, a Certidão de Regularidade do FGTS CRF, bem como a Certidão Negativa de Débito Previdenciária, requerendo prazo para apresentar a Certidão Conjunta de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União, em virtude da mesma se encontrar em processo de renovação. Contudo, o dileto auditor fiscal opinou pelo indeferimento do PERC [...]. Em que pese o respeito tributado ao ilustre auditor responsável pelo PERC, o indeferimento do mesmo é descabido, tendo em vista que restou claro que a única ocorrência que, a principio, justificaria o indeferimento do PERC, seria a suposta falta de apresentação de Certidão de Regularidade Fiscal relativo aos tributos federais e à Dívida Ativa da União, conforme se pode apreender [...]. DO DIREITO [...] DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL O processo administrativo tributário visa a destacar o respeito aos princípios e garantias processuais constitucionalmente albergados no regime constitucional pátrio, onde se assegura aos litigantes, seja em processo administrativo ou judicial, o direito ao contraditório em todas as suas fases e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. [...] Essencialmente à matéria combalida na presente manifestação, impõese a alusão ao princípio constitucional da verdade material, corolário do princípio da legalidade, que se consubstancia na busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal, pela aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência, entre a materialidade do evento econômico e sua formalização através do lançamento tributário. Tratase, portanto, de princípio constitucional de observância obrigatória pela Administração tributária, no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. O processo administrativo tributário busca a obtenção dos fatos verdadeiros. Não só aquela verdade eminentemente formal, mas, sim, aquela encontrada no mundo fenomênico. [...] Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.016300/0038 Acórdão n.º 1803002.382 S1TE03 Fl. 176 4 Nos casos em que não existe, ou é deficiente a prova direta, a Administração fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe, agora, de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá recorrer a todos os elementos à sua convicção. [...] Nesse sentido, o que se observa é uma flagrante falta de observação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que o auditor fiscal, quando da realização da informação fiscal [...], simplesmente glosou as notas fiscais, conforme relação [...] referente às compras de insumos que originaram o crédito solicitado pela manifestante, por entender que houve falta de comprovação. Ora, se é comprovação, o que pretende o ilustre fiscal, então peça que o contribuinte se manifeste à cerca das notas que estão sem a devida comprovação, de forma que dê, ao contribuinte, o direito à ampla, defesa e ao contraditório, e não que haja de forma a impedir que o contribuinte realize o direito que lhe cabe, de acordo com o que enuncia os citados princípios. [...] O DIREITO AO PERC O art. 592 do Decreto n° 3.000, de 26/03/99, que dispõe sobre o Regulamento do Imposto de Renda, aduz que a pessoa jurídica quando tributada com base no lucro real poderá optar pela dedução do imposto de renda pessoa jurídica para a aplicação em incentivos fiscais [...]. Assim, dando seguimento às permissividades constantes na legislação tributária federal, a Impugnante, conforme Declaração de Imposto de, Renda Pessoa Jurídica relativa ao exercício de 1997, aplicou os valores deduzidos no Fundo de Investimento no Nordeste. [...] Por seu turno, ciente do atendimento às exigências contidas na legislação para o deferimento do PERC, a Impugnante, dentro do prazo estatuído pelo Ato Declaratório Executivo competente, ingressou formalmente com o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, apresentando, dentre outros documentos, as certidões de regularidade fiscal do FGTS e da Previdência, haja vista que a certidão relativa a débitos e contribuições federais administrados pela Receita Federal estava em vias de ser renovada. Diante da situação supracitada, a autoridade fiscal entendeu pelo indeferimento do PERC. De certo, o Decreto n°. 3.000 dispõe, no parágrafo único do art. 614, que a concessão de incentivo ou benefício fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. [...] Ocorre que, a regularidade fiscal exigida deve se restringir ao período em que se der o gozo do citado benefício, sendo irrazoável, para a concessão do PERC relativo exclusivamente ao exercício de 1997, a sua exigência ad etemum. [...] Somente a título de argumentação, ainda que procedesse a exigência quanto a necessidade de a empresa se encontrar em toda a sua existência regular perante o fisco, no presente caso, as pendências averiguadas pelo nobre auditor não foram totalmente sanadas por motivos alheio ,à vontade Impugnante, haja vista restar pendente de apreciação no órgão 'fazendário o pleito da empresa requerendo a regularização de pagamentos efetuados. Conforme pode ser verificado da tabela abaixo, com exceção do débito n°. 30.2.99.00612511 objeto do Processo Administrativo n°. 10380.217704/9931, todos os demais débitos estão garantidos o que demonstra que o saneamento das Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.016300/0038 Acórdão n.º 1803002.382 S1TE03 Fl. 177 5 pendências só não efetivado em virtude da morosidade da autoridade administrativa em processar no seu sistema interno a baixa ou suspensão dos débitos. Todavia, a maior parte desses débitos, em virtude da inércia da autoridade administrativa, consta como se estivessem ativos ajuizados sem nenhuma garantia que lhe retirasse a característica de exigível. Portanto, e diante da situação específica em que se encontra a Impugnante, é totalmente descabido e ilegal o indeferimento de incentivos já aplicados pela empresa em prol do desenvolvimento da Região Nordeste,uma vez que a resolução das pendências está sendo dificultada pelo próprio órgão fazendário competente para o deferimento do PERC. Todavia, fazse imprescindível ressaltar que a empresa diuturnamente, aciona a autoridade administrativa com o fito de concluir saneamento das pendências e demonstrar que efetivamente estar regula perante o fisco federal. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Destarte, à vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Impugnação, pelos motivos de fato e direito alegado, principalmente pela ofensa aos princípios da legalidade, ampla defesa e contraditório, pelo principio da fundamentação e todos os outros que desses decorrem. Protesta provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidos, notadamente pela posterior juntada de documentos que se fizerem necessários. Desta forma, nos termos acima descritos, deve ser deferido o pedido em sua totalidade, para que se defira o presente PERC pelas razões de direito apresentadas por se tratar da mais lídima e salutar JUSTIÇA! Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 08 15.960, de 07.08.2009, fls. 145149: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 INCENTIVO FISCAL APLICAÇÃO DO IMPOSTO EM INVESTIMENTOS REGIONAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais (art. 60 da Lei n° 9.069/95). PEDIDO PARA JUNTADA ULTERIOR DE PROVA DOCUMENTAL. INEXISTÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.016300/0038 Acórdão n.º 1803002.382 S1TE03 Fl. 178 6 A prova documental deverá ser apresentada no momento da impugnação, sob pena de preclusão desse direito, salvo se demonstrada uma das hipóteses discriminadas nos incisos "a" a "c" do § 4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, condições as quais não foram demonstradas pelo sujeito passivo. Solicitação Indeferida Notificada em 20.08.2009, fl. 166, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.09.2009, fls. 152162, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: Ressaltase que a Recorrente ingressou com o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, relativo ao período de 1997, apresentado em 10/10/2000, requerendo a concessão de incentivos fiscais com aplicação no FINOR — Fundo de Investimento do Nordeste. Ap5s a solicitação do PERC, a empresa foi intimada para comprovar sua regularidade, em relação aos débitos tributários da Secretaria da Receita Federal e Procuradoria da Fazenda Nacional, em relação ainda ao FGTS, bem como às contribuições previdenciárias. Na 'ocasião, foram apresentadas as certidões de regularidade do FGTS e das contribuições previdenciárias. Contudo, a Delegacia da Receita Federal exarou Despacho Decisório indeferindo o PERC, sob a alegativa do contribuinte estar com pendências junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB e là Procuradoria da Fazenda Nacional — PFN. Inconformada com o indeferimento do PERC, a Recorrente apresentou impugnação demonstrando a insubsistência e improcedência do Despacho Decisório que indeferiu o PERC. Assim, a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Fortaleza/CE decidiu pela improcedência da impugnação, indeferindo o PERC, baseada no descumprimento ao art. 60 da Lei n° 9.069/1995. [...] Em que pese o respeito tributado ao ilustre auditor responsável pelo PERC, o indeferimento deste é descabido, pois restou claro que, a princípio, a única justificativa para o indeferimento do PERC seria a suposta falta de apresentação de Certidão de Regularidade Fiscal relativa aos tributos federais e à Dívida Ativa da União. Outrossim, imperioso ressaltar que a empresa já se encontra munida com às certidões de regularidade da Previdência Social e do FGTS, que ora seguem anexas, bem como em fase de renovação de certidão de regularidade fiscal relativo aos tributos federais administrados pela Receita Federal e da Procuradoria da Fazenda Nacional. [...] DO DIREITO AO PERC O art. 592 do Decreto n° 3.000, de 26/03/99, que dispõe sobre o Regulamento do Imposto de Renda, aduz que a pessoa jurídica quando tributada com base no lucro real poderá optar pela dedução do imposto de renda pessoa jurídica para a aplicação em incentivos fiscais [...]. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.016300/0038 Acórdão n.º 1803002.382 S1TE03 Fl. 179 7 Assim, dando seguimento às permissividades constantes na legislação tributária federal, a Recorrente, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica relativa ao exercício de 1997, aplicou os valores deduzidos nP Fundo de Investimento no Nordeste. [...] Por seu turno, ciente do atendimento às exigências contidas na legislação para o deferimento do PERC, a Recorrente, dentro do prazo estatuído pelo Ato Declaratório Executivo competente, ingressou formalmente com o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, apresentando, dentre outros documentos, as certidões de regularidade fiscal do FGTS e dos débitos relativos à Previdência, haja vista que a certidão relativa a débitos e contribuições federais administrados pela Receita Federal estava em vias de ser renovada. Diante da situação supracitada, a autoridade fiscal entendeu pelo indeferimento do PERC. De certo, o Decreto n° 3.000 dispõe no parágrafo único do art. 614, que a concessão de incentivo ou benefício fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. [...] Ocorre que a regularidade fiscal exigida deve se restringir ao período em que se der o gozo do citado benefício, sendo irrazoável, para a concessão do PERC relativo exclusivamente ao exercício de 1997, a sua exigência ad etemum. [...] Somente a título de argumentação, ainda que procedesse a exigência quanto à necessidade de a empresa se encontrar em toda a sua existência, regular perante o fisco, no presente caso, as pendências averiguada,s pelo nobre auditor já foram totalmente sanadas, uma vez que a empresa já está com as certidões de regularidade fiscal do FGTS e da Previdência Social. Portanto, e diante da situação específica em que se encontra a Recorrente, é totalmente descabido e ilegal o indeferimento de incentivos já aplicados pela empresa em prol do desenvolvimento da Região Nordeste, uma vez que a mesma já está regular perante os órgãos exigidos, conforme se faz prova pela documentação anexa. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Destarte, à vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhido o presente Recurso Voluntário, pelos motivos de fato e direito alegados, principalmente pela ofensa aos princípios da legalidade, ampla defesa e contraditório pelo principio da fundamentação e todos os outros que desses decorrem, pára, ao final, ser deferido o PERC. Protesta provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidos, notadamente pela posterior juntada de documento que se fizerem necessários. Desta forma, nos termos acima descritos, deve ser concedido o pedido em sua totalidade, para que se defira o presente PERC pelas razões de direito apresentadas por se tratar da mais lídima e salutar JUSTIÇA! Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.016300/0038 Acórdão n.º 1803002.382 S1TE03 Fl. 180 8 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O litígio versa sobre o PERC formalizado pela Recorrente com o escopo de usufruir do benefício fiscal relativo ao FINOR. Seu pleito foi indeferido sob o fundamento primordial de que a Recorrente estava em situação irregular. O pressuposto é de que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), fica condicionada à comprovação pela Recorrente da regularidade tributária. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação desta regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica (DIPJ) na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo. Assim, até esgotada a discussão administrativa, o que no presente caso ainda não aconteceu, a Recorrente pode demonstrar a sua regularidade fiscal, para fins de fruição do incentivo fiscal1. Sobre a matéria a Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, determina: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Regulamentando a questão o enunciado da Súmula CARF nº 37 assim dispõe: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (grifos acresentados) 1 Fundamentação Legal: art. 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995 e Súmula CARF nº 37. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.016300/0038 Acórdão n.º 1803002.382 S1TE03 Fl. 181 9 A falta de definição legal acerca do momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada, torna possível à Recorrente fazêlo em qualquer fase do processo. Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para a Recorrente comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ela a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Assim, com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos considerase implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeitos de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Ademais, o CPC determina que não dependem de prova os fatos notórios, afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária, admitidos, no processo, como incontroversos e em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Neste sentido, tem cabimento aceitar as certidões, a cuja informação a própria Administração Pública deu publicidade em sítios institucionais2. A Súmula Vinculante nº 8, de 2008, do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional o parágrafo único do art. 5º do Decretolei nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, que suspendia a prescrição dos créditos cuja cobrança judicial tivesse sido sustada pelo seu reduzido valor, e, ainda, o contido no art. 53 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (“A prescrição dos créditos tributários pode ser reconhecida de ofício pela autoridade administrativa. Em relação ao CNPJ da Incorporadora nº 06.385.934/000175, fl. 40, verificase que constam nos autos as seguintes cópias: Certidão Negativa de Débitos Relativos às Contribuições Previdenciárias e às de Terceiros emitida em 07.03.2008, fl. 97; e Certidão de Regularidade do FGTS – CRF emitida em 09.07.2008, fl. 101. O óbice que consta nos autos que impede a fruição do benefício fiscal é a Pendência na PGFN, fl. 75: Processo 10380200.660/200457 CNPJ 07.953.763/000104 Tributo 0810 Pis Inscrição 3070400068122 Data Inscrição – 08.04.2004 Situação Ativa Não Ajuizável Em Razão Do Valor PFN Responsável Ceara [...] Processo 10380200661/200400 CNPJ 07.953.763/000104 2 Fundamentação legal: art. 37 caput da Constituição Federal e art. 334 do Código de Processo Civil. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.016300/0038 Acórdão n.º 1803002.382 S1TE03 Fl. 182 10 Tributo 4493 Cofins Inscrição 306000272695 Data Inscrição – 08.04.2004 Situação Ativa Não Ajuizável Em Razão Do Valor PFN Responsável Ceará Em relação ao processo nº 10380.200660/200457, temse que encontrase no Arquivo Geral da Samf/CE desde 01.09.20093. O mesmo aconteceu ao processo nº 10380.200661/200400, que também encontrase no Arquivo Geral da Samf/CE desde 01.09.20094. Nesse sentido, não mais subsiste a causa excludente, porque tais débitos são atualmente inexeqüíveis. Desse modo é admissível e reconhecimento do benefício fiscal. Em face do exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para que se prossiga na análise do mérito do PERC pela autoridade preparadora. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=10380200660200457&DDMovimentoQ=01092009&SQO rdemQ=0> . Acesso em:22 set.2014 4 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/E gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=10380200661200400&DDMovimentoQ=03072009&SQO rdemQ=0> . Acesso em:22 set.2014. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.016300/0038 Acórdão n.º 1803002.382 S1TE03 Fl. 183 11 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10880.979154/2009-68
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/03/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 91 54 /2 00 9- 68 Fl. 31DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979154/200968 Acórdão n.º 3801004.545 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de PIS/PASEP cód. 8109, no montante de R$ 8,75,, ocorrido em 15/03/2002, com débito próprio de PIS cód. 8109. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 14/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciarias. Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 15763. 42953. 14II05.I.2. 043753, relativo ao período de apuração fev/2002. Nesse período, Fl. 32DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979154/200968 Acórdão n.º 3801004.545 S3TE01 Fl. 5 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 1.345,80, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/03/2002 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, solicitando ainda que o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente. É o Relatório. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979154/200968 Acórdão n.º 3801004.545 S3TE01 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins que teriam sido pagos a maior. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na inclusão na base de cálculo de PIS e COFINS de valores recebidos a título de pedágio pela Requerente mas que por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001 não é considerado como receita operacional ou rendimento tributável da empresa, não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. De fato, o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, previa a exclusão da receita bruta das empresas transportadoras de carga do valor recebido a título de ValePedágio instituído pela Lei nº 10.209, de 2001, in verbis: Art. 34. As empresas transportadoras de carga, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido a título de ValePedágio, quando destacado em campo específico no documento comprobatório do transporte (Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001, art. 2º , alterado pelo art. 1º da Lei nº 10.561, de 13 de novembro de 2002). Parágrafo único. As empresas devem manter em boa guarda, à disposição da SRF, os comprovantes de pagamento dos pedágios cujos valores foram excluídos da base de cálculo. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito ou mesmo cópia dos conhecimentos de transporte, nos quais estivessem destacados os Fl. 34DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979154/200968 Acórdão n.º 3801004.545 S3TE01 Fl. 7 5 valores recebidos do ValePedágio, conforme prevê o artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001. Se limitou, tãosomente, a apresentar uma planilha na qual estaria a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados, porém sem nenhum documento que a embasasse. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 35DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11080.002444/2004-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2002.
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. ART. 3º, § 1°, LEI N° 9.718/98
A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal
em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Especial negado.
Numero da decisão: 9303-003.055
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. ART. 3º, § 1°, LEI N° 9.718/98 A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ - Relatora. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/ 08/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado). Relatório Trata-se de recuso especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 202-17.773 proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes que deu provimento ao recurso voluntário interposto.. A ementa da decisão guerreada está assim redigida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, compreendido como a receita bruta de venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1° do art. 3° da Lei nº 9.718/98 por decisão proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. As variações cambiais não se configuram receita de venda de bens e serviços, não se submetendo a incidência de PIS e de Cofins. Recurso provido. A Fazenda Nacional ingressou com recurso especial argüindo que somente é possível o afastamento da aplicação de normas por razão de inconstitucionalidade, em sede de recurso administrativo, nas hipóteses de haver resolução do Senado Federal suspendendo a execução de lei declarada inconstitucional pelo STF, de decisão do STF em ação direta, de autorização da extensão dos efeitos da decisão pelo Presidente da República, ou de dispensa do lançamento pelo Secretário da Receita Federal ou desistência da ação pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional. Pelo Despacho nº 33000-274 de fls. 559-D, sob o entendimento de que o recurso atende às formalidades legais, deu-se seguimento ao recurso. A contribuinte apresentou contrarrazões onde argui o não conhecimento do recurso especial, sob o entendimento de que não teria , o paradigma, tratado de matéria similar. Nesse sentido (sic): “Por outro lado, o acórdão dito como paradigma não trata das mesmas questões que foram analisadas pelo acórdão recorrido. Segundo consta no acórdão acostado pela Recorrente como sendo o acórdão paradigma, em sede preliminar, apenas se refere da impossibilidade de apreciar questões de mérito constitucional. Porém, não trata especificamente da inconstitucionalidade do §1°, do art. 3°, da Lei n.° 9.718/98.”. No mérito, tece vários argumentos, dentre as quais, a imunidade das receitas decorrentes das variações monetárias positivas em função da flutuação da taxa de câmbio, ocasionadas pela desvalorização da moeda nacional frente à moeda estrangeira, receitas estas diretamente Fl. 226DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/ 08/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 11080.002444/2004-95 Acórdão n.º 9303-003.055 CSRF-T3 Fl. 2 3 ligadas às exportações, fora assim do âmbito de incidência de PIS. No mais, pede para que seja mantida a decisão recorrida. O processo foi primeiramente distribuído para o i. Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão que entendeu (SIC): Porém, ocorre que o tema da inclusão da variação cambial na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 638.710/RS. Assim, por meio da Resolução nº 9303000.011, de 14 de março de 2013, decidiram “ os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o recurso por força do art. 62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, bem como o art. 2º, § 2º, I, da Portaria CARF nº 001 de 2012, e Recurso Extraordinário 638.7109/RS.” Em set/2013, juntada do seguinte pedido da contribuinte: (sic) “ ... diante do exposto, sob a ótica da decisão do RE nº 627815, em que foi reconhecida a não incidência do PIS/COFINS sobre a variação cambial, em sede de repercussão geral, a ora Recorrida requer que o Recurso Especial interposto pela Fazenda pública seja pautado e levado â mesa da sessão de julgamento da Colenda Câmara Superior, e, com fulcro no art. 62 A do RICARF, lhe seja negado o provimento, sendo, por conseguinte, mantido o acórdão recorrido e determinado o cancelamento integral do auto de infração combatido.” Tendo em vista que a Portaria MF n° 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os §§ 1° e 2° do art. 62-A do Regimento Interno acima referido e, ainda, considerando que o relator originário não mais integra a 3ª Turma da CSRF, os autos foram redistribuídos mediante sorteio a esta relatora. É o relatório. Voto Fl. 227DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/ 08/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 4 Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ O recurso atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. A matéria submetida a apreciação deste Eg. Conselho cinge-se ao alargamento na base de cálculo da contribuição no período submetido à Lei nº 9.718/98. Por uma questão incidental, e sob o manto da imunidade, a possibilidade de incidência de PIS/Cofins sobre as receitas de variações cambiais Discute-se pagamento a titulo de COFINS dos períodos de apuração de 28/02/1999 a 31/12/2002, decorrente da não contabilização como receita os valores oriundos das variações cambiais de exportação e importação. O acórdão recorrido (nº 202-17.773) entende que o dispositivo legal que suporta a incidência das contribuições sobre as receitas financeiras foi declarado inconstitucional pelo STF, em decisão que vincula a Administração Pública por forca do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997; O acórdão citado como paradigma (nº 203-11.788) deu entendimento diverso à matéria, entendendo que, por integrar a estrutura da Administração e, em face da força vinculante do art. 22-A do regimento interno então vigente, o Conselho de Contribuintes não pode apreciar matéria de inconstitucionalidade enquanto não houver Resolução do Senado federal. Penso não assistir razão à recorrente. Explico. De fato, a matéria, encontra-se referenciada no encerramento do julgamento (RE 390840/MG) proferido pelo Supremo Tribunal Federal – STF, relativo ao artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que transitou em julgado em 29/09/2006. Nem se diga que deveria ter sido aguardado a edição de Resolução do Senado para que se possa estender na via administrativa os efeitos da declaração de inconstitucionalidade proferida em controle difuso. O Supremo Tribunal Federal em razão da legislação, inclusive de natureza constitucional (Constituição Federal, art. 103-A), reconhece que os julgamentos definitivos de declaração de inconstitucionalidade, proferidos em sede de controle incidental, também irradiam eficácia vinculante, a qual opera independentemente da intervenção do Senado. As decisões plenárias do STF, mesmo que em sede de controle difuso, são passíveis de serem aplicadas nesta instância administrativa, nos termos do atual Regimento Interno do CARF. Isto porque, visando prestigiar os princípios da celeridade processual e o da segurança jurídica, além de buscar diminuir a litigiosidade das pretensões envolvendo a Fazenda Nacional, o já Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, através da Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, introduziu a possibilidade do Tribunal Administrativo aplicar às lides que lhe são submetidas as decisões do Supremo Tribunal proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, desde que seja oriunda do Pleno da Suprema Corte. A inovação veio prescrita no art. 49, parágrafo único, inc. I daquele Regimento, in verbis: Fl. 228DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/ 08/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 11080.002444/2004-95 Acórdão n.º 9303-003.055 CSRF-T3 Fl. 3 5 "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Ressalte-se que o dispositivo acima não está deferindo ao órgão administrativo a competência de afastar a aplicação de norma cogente sob o pejo de inconstitucionalidade, o que não seria possível por força a separação dos Poderes Constituídos, nos termos, inclusive, da jurisprudência sumulada do órgão administrativo. Na hipótese, o afastamento da norma tida como inconstitucional foi realizada por quem tem competência institucional para tanto, no caso o Supremo Tribunal Federal. O Regimento apenas autoriza a aplicação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade havida pelo Pleno do STF aos casos submetidos ao Conselho de Contribuintes. E que não se alegue que a decisão plenária do Supremo Tribunal mencionada no art. 49, p. único, I do Regimento se refere apenas a decisão oriunda do controle concentrado de constitucionalidade, cujos efeitos são notoriamente erga omnes e vinculantes. Não é mais a decisão do Senado que confere eficácia geral ao julgamento do Supremo. A própria decisão da Suprema Corte contém essa força normativa. Ressalte-se, ainda, o fato de a adoção da sistemática da súmula vinculante pela Emenda Constitucional nº 45/2004 reforça a noção de superação da exclusividade do ritual enunciado no referido art. 52-X, da Constituição Federal, para conferir efeito vinculante erga omnes às decisões plenárias e definitivas do Egrégio Supremo Tribunal Federal declaratórias de inconstitucionalidade. A institucionalização desse novo instituto constitucional inequivocamente atribui ao próprio Supremo Tribunal Federal tal faculdade, sem qualquer interferência do Senado Federal e irrelevante a natureza do processo em que se perfizer, de conhecimento direto ou incidente. E mais. Em 28.05.2009 foi publicada a Lei nº 11.941/09, a qual, em seu artigo 79, inciso XII, revogou o inciso I do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que determinava a incidência do PIS e da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas, e não apenas sobre os valores relativos ao seu faturamento, decorrente da venda de bens e serviços. Em sessão de julgamento do dia 23/05/2013, do Pleno do STF, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Extraordinário da União nº 627.815, declarando inconstitucional a incidência de PIS/COFINS sobre receitas de variações cambiais. RE/627815 - REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE DAS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 229DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/ 08/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 6 Decisão: 0 Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto da Relatora, conheceu e negou provimento ao recurso extraordinário. Plenário, 23.05.2013. Imunidade: PIS/Cofins e receita cambial decorrente de exportação - 1 É inconstitucional a incidência da contribuição para PIS e Cofins sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação. Com base nessa orientação, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário no qual sustentada ofensa aos artigos 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da CF, sob a alegação de que a expressão contida no texto constitucional “receitas decorrentes de exportação” não autorizaria interpretação extensiva a alcançar receita decorrente de variação cambial positiva. Rememorou-se que o STF teria assentado que a imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da CF somente tutelaria as receitas decorrentes das operações de exportação, de modo a não alcançar o lucro das empresas exportadoras. Isso porque se trataria de imunidade objetiva, concedida às receitas advindas das operações de exportação, e não subjetiva, a tutelar as empresas exportadoras, no que se refere ao seu lucro (RE 474132/SC, DJe de 1º.12.2010 e RE 564413/SC, DJe de 3.11.2010). Recordou-se que, nos aludidos precedentes, fora fixado que receitas seriam ganhos auferidos pela pessoa jurídica e que se incorporariam ao seu patrimônio. Desta forma, não se restringiriam à noção de faturamento (percebido na alienação de mercadorias e serviços), mas abarcariam também o produto de operações financeiras e de qualquer outra natureza, desde que revelador de capacidade contributiva. Esclareceu que exportação, por sua vez, seria a operação de envio de bem ou prestação de serviço a pessoa residente ou sediada no exterior. Portanto, receita decorrente de exportação configuraria o ingresso proveniente de operação de exportação de bem ou serviço, sempre que se incorporasse ao patrimônio da empresa exportadora. RE 627815/PR, rel. Min. Rosa Weber, 23.5.2013. (RE-627815) Lembrando que por força do art. 62-A do RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CONCLUSÃO Em razão de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/ 08/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 11080.002444/2004-95 Acórdão n.º 9303-003.055 CSRF-T3 Fl. 4 7 MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Fl. 231DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/ 08/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
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Numero do processo: 15374.944178/2009-30
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
TRIBUTÁRIO - ICMS - INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IPI.
Conforme explicita o art. 47, II, a, do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço da venda], nele já está inserido, de modo que a expressão valor da operação deve ser compreendida com sua inclusão.
Numero da decisão: 3802-002.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 TRIBUTÁRIO - ICMS - INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. Conforme explicita o art. 47, II, a, do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço da venda], nele já está inserido, de modo que a expressão valor da operação deve ser compreendida com sua inclusão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Conforme explicita o art. 47, II, “a”, do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo “valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço da venda], nele já está inserido, de modo que a expressão “valor da operação” deve ser compreendida com sua inclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 94 41 78 /2 00 9- 30 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/JFA, a qual, por unanimidade de votos julgou improcedente o pedido de homologação da compensação relativa à PER/DCOMP nº 18047.83164.141105.1.3.040971, onde se pretendeu a extinção de débitos no montante de R$ 13.988,42, tendo por lastro crédito originário de pagamento a Maior/Indevido do IPI realizado em 31/01/2001, de valor original igual a R$ 60.576,95 o que corrigido pela selic acumulada informada na DCOMP resulta no crédito atualizado de R$ 111.134,47. Restou, assim, o saldo original no valor de R$ 52.952,17 (fls. 54/58), nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 19/04/2010 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a nãohomologação da DCOMP e sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Data do Fato Gerador: 31/01/2001 Conforme explicita o art. 47, II, “a”, do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo “valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço da venda], nele já está inserido, de modo que a expressão “valor da operação” deve ser compreendida com sua inclusão. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado com lastro da DCOMP, é de ser não homologação a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15374.944178/200930 Acórdão n.º 3802002.137 S3TE02 Fl. 416 3 Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem, em preliminar, nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa, no mérito, apresenta a tese da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, sob o argumento de que tais impostos não representam receita ou faturamento, segundo os conceitos jurídicos contidos na doutrina e na jurisprudência. Esta tese apresentada pelo recorrente tem como fundamento para excluir o ICMS da base de cálculo do IPI. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Preenchidos os requisitos regulares do desenvolvimento positivo do Recurso ora interposto pelo recorrente, voto pelo seu Conhecimento. O recorrente, inconformado com a decisão de primeira instância, interpôs o presente recurso ordinário para que este Órgão analisasse novamente as suas pretensões. E, nesse sentido, a questão central é saber se é possível se incluir na base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI parcela referente ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços pago quando da operação de saída da mercadoria. O artigo 47, II, “a”, do Código Tributário Nacional, estabelece que a base de cálculo do IPI é composta pelo “valor da operação” de que decorrer a saída da mercadoria. Notese que o ICMS, por ser cálculo por dentro do valor da operação, nele já está inserido, de modo que a expressão “valor da operação” deve ser compreendida com sua inclusão. Nesse sentido, a jurisprudência da Segunda Turma do STJ é pacífica no sentido de que o ICMS integra a base de cálculo do IPI. Transcrevese: TRIBUTÁRIO – IPI – BASE DE CÁLCULO – INCLUSÃO DO ICMS. Doutrina e jurisprudência são uníssonas em proclamar a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Tratase de uma espécie tributária, cujo cálculo é feito com o ICMS embutido e não em destaque, o que só ocorre a partir da primeira operação, como claro está no art. 47 do CTN. Recurso especial improvido (REsp. Nº 610.908 – PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.09.2005). Ainda em reforço ao entendimento aqui noticiado, a doutrina de Misabel Machado Derzi caminha no mesmo sentido: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Na questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI, quando a operação configure o fato gerador dos dois impostos, vem prevalecendo a tese da Administração Fazendária Federal (Pareceres Normativos CST nº 39/70 e 341/71). A posição vitoriosa na doutrina e nos tribunais é de que o ICM ou ICMS se inclui na base de cálculo do IPI, sob fundamento de que o montante do imposto estadual sobre operações de circulação integra o produto que saiu do estabelecimento industrial, nesse valor estará computado o imposto pago a título de ICMS. O Tribunal Federal de Recursos assim decidiu por vezes (ver Lex Jurisprudência do Tribunal Federal de Recursos, nº 50, p. 54 e nº 57, PP. 9091: AP. Civ. 56.988/SP e 88.101 – Rel. Min. Armando Rollemberg; AP. Civ. 82/299/SP e 85/363/SP – Rel. Min. Torreão Brás; AP. Civ. 92.507/SP – Rel. Miguel Ferrante) (...) a principal argumentação está centrada no fato de que o ICM ou ICMS integra a própria base de cálculo, ou seja, o valor da operação inclui o valor do ICMS, sendo o destaque em documento fiscal destinado à simples controle. Já o IPI é calculado por fora do valor da operação de que resulta a saída pela industrialização. Sendo assim, não há que ser feito nenhum reparo a decisão inferior. A sistemática da cobrança do ICMS desde o Decretolei 406/68 e interpretando literalmente a Constituição Federal brasileira, já previa a inclusão do então ICMS na base de cálculo do imposto na mesma operação, de modo a permitir a dedução nas operações seguintes. Ou seja, a sistemática foi mantida pela LC 87/96 (artigo 2º, § 7º). As outras matérias trazidas aos autos, como cerceamento de defesa, nulidade do despacho decisório e prova pericial, necessário se faz rechaçar tais considerações, já que, como é sabido, para se configurar o cerceamento de defesa, como pretendido pelo recorrente, haveria de existir aquilo que a doutrina chamou de prejuízo, o que não se verificou em nenhum momento na marcha processual administrativa. Insta observar que, no procedimento aqui adotado, foram seguidas as normas inseridas no Decreto nº 70.235/72. Com relação à nulidade apontada, a matéria está regulamentada no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Apreciando os autos de forma detida, chegase a conclusão de que não se apresenta nenhuma das hipóteses legais ali contidas. Portanto, é de se considerar improcedente também tal argumento de defesa. Por último, não há que se falar em prova pericial quando a tese apontada pelo recorrente é de direito, apenas: Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Notese que o recorrente aplicou a tese ao seu bel prazer, excluindo o valor do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, o que, pelo seu raciocínio, resultaria em parcela indevida do IPI recolhido por meio do DARF indicado na DCOMP. Portanto, não há que se falar em prova pericial. Nesse sentido, CONHEÇO do recurso ora interposto e NEGOLHE provimento para manter em sua integralidade a decisão a quo, que não reconheceu o direto creditório e não homologou a compensação requerida. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15374.944178/200930 Acórdão n.º 3802002.137 S3TE02 Fl. 417 5 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 15374.907446/2008-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marciel Eder Costa.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marciel Eder Costa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 07 44 6/ 20 08 -5 1 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.907446/200851 Resolução nº 1802000.552 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Da Notificação de Lançamento. Tratase de pedido de compensação que é objeto da declaração 00440.64629.260906.1.7.041060, no valor de R$ 788.128,94 referente a suposto pagamento indevido de estimativa de CSLL, no mês de 12/2003. Referido pedido foi julgado improcedente, uma vez que o recolhimento declarado CSLL estimativa 12/2003 como origem de crédito não foi identificado nos registros eletrônicos da RFB. Da Impugnação Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que, equivocadamente, informou no Per/Dcomp que seu crédito seria referente a pagamento indevido de estimativa, quando, na verdade, era oriundo de saldo negativo de CSLL, apurado em 2003. Alegou, ainda, que incorreu em mero erro formal e acrescentou que o crédito pleiteado foi corretamente demonstrado e informado na DIPJ do ano de 2004. Do Acórdão da DRJ Em sessão de 17 de maio de 2012, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 proferiu o Acórdão 1246.579, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação declarada, com base nos seguintes fundamentos: Que a contribuinte declarou ter crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de CSLL de dezembro de 2003 quando, na verdade, o que tinha, era saldo negativo desse citado tributo. Que a contribuinte alega erro formal na descrição do crédito pretendido e solicita, na manifestação de inconformidade, que seu pedido seja analisado considerandose a natureza do crédito tida como correta, ou seja, saldo negativo de 2003, e não como declarara na Dcomp. Que as estimativas constituem antecipações referentes ao tributo cujo fato gerador ocorrerá ao fim do ano calendário e, assim, não se confundem, em sua natureza, com o saldo negativo, já que este incorpora o resultado de toda a apuração do período. Que com base nessa assertiva, concluise que o erro alegado pela interessada foi tal que efetivamente impediu a análise, por parte do órgão competente, do pedido formulado. Que todas as verificações e batimentos feitos pelo órgão de origem tiveram como base crédito diverso daquele que, conforme manifestação de inconformidade, seria de fato o pretendido. Que a retificação da declaração de compensação só pode ocorrer enquanto não prolatada decisão administrativa. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.907446/200851 Resolução nº 1802000.552 S1TE02 Fl. 4 3 Que o art. 170 do CTN autoriza a compensação tributária nas condições que estipular ou cuja estipulação, em cada caso, atribuir à autoridade administrativa, e que a lei estabelece prazo limite para a retificação da declaração de compensação, o que, no caso concreto, não foi respeitado. Que diante dos fatos analisados, e considerando que a aceitação da retificação pretendida implica na apreciação de pedido diverso daquele que ensejou a emissão do despacho recorrido, não é devida a homologação da compensação. Do Recurso Voluntário Cientificado da decisão em 22/04/2013, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 21/05/2013, onde alega, em preliminar, que neste processo discutese um crédito pleiteado de R$ 190.191,09, portanto, parte dos R$ 788.128,94 e que referido crédito teve sua existência não reconhecida por análise e posterior decisão da DRJ/RJ 1 proferida nestes mesmos autos. Afirma que se tratam de dois valores distintos, que ainda não foram apreciados pela Receita Federal do Brasil, devendo os autos serem encaminhados à DRJ competente para a prolação de outro acórdão. No mérito, reforça a alegação de que teria informado equivocadamente que o tipo de crédito que pretende compensar decorre de Pagamento Indevido ou a Maior, quando na verdade a indicação correta seria de Saldo Negativo de CSLL, o que configura mero erro formal. Alega ainda que no momento do preenchimento de sua Declaração de Informações EconômicosFiscais da Pessoa Jurídica 2004, a Recorrente informou corretamente o Saldo Negativo de CSLL no valor de R$ 788.128,94, e que mesmo assim o direito de crédito da contribuinte não fora reconhecido, e as compensações pleiteadas não foram homologadas. Afirma que essa decisão baseouse em premissas equivocadas, ferindo os Princípios norteadores da Administração Pública. Prossegue afirmando que a não homologação fundouse numa suposta inexistência de crédito, e que se referidos créditos tivessem sido identificados, a homologação teria ocorrido, porém, o agente fiscal, ao invés de investigar a fundo a existência ou não dos supostos créditos, preferiu não apurar os fatos. Ressalta que os documentos ora anexados demonstram claramente a existência do crédito pleiteado, e pleiteia a homologação da compensação requerida. Esse o Relatório. Segue o meu VOTO. VOTO Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. DA TEMPESTIVIDADE Fl. 192DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.907446/200851 Resolução nº 1802000.552 S1TE02 Fl. 5 4 A ciência do Acórdão da DRJ deuse em 22/04/2013. O Recurso Voluntário foi apresentado em 21/05/2013, portanto, tempestivamente. Sendo assim, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR ALEGADA A preliminar arguida pela Recorrente há de ser superada, pois o presente processo será decidido em conjunto com os processos ns. 15374.907477/200804 e 15374.907449/200895, sendo que o que a decisão, conforme adiante demonstrado, buscará a confirmação ou negativa definitiva da existência do crédito declarado de R$ 788.128,94, que compreende todos os pedidos de compensação postos em litígio, pelo que não é caso de sobrestamento de nenhum desses feitos. DO MÉRITO Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão 1246.579, proferido em sessão de 17 de maio de 2012, pela 6ª Turma da DRJ/SP1, o qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação declarada pelo contribuinte. A autoridade fiscal decidiu pela não homologação da compensação declarada, face à informação equivocadamente prestada pela contribuinte, cujo erro impediu a análise do pedido formulado. Ao analisar as alegações da Recorrente e a documentação trazida aos autos, entendo assistirlhe razão. Embora a contribuinte tenha descrito de forma equivocada o crédito pretendido, o que impossibilitou a análise do pedido, e o prazo para retificação já tenha se esgotado, é dever da Administração perseguir a verdade material. Acolho em meu voto o trabalho de autoria do professor JAMES MARINS, in verbis: "O princípio da verdade material que governa o procedimento e o processo administrativo opõemse ao princípio da verdade formal que preside o processo civil, pois este prioriza a formalidade processual probatória — como ônus processual próprio das partes que tem como motor o princípio da segurança jurídica que cria amarras e restrições à atividade promovida pelo magistrado no processo judicial. No processo judicial a convicção do juiz advém unicamente do conjunto de elementos produzidos pelas partes em rígido sistema de preclusão. Isso não significa que a verdade formal não possa conter a verdade material, mas apenas que a liberdade investigativa, os meios próprios de averiguação dos eventos de interesse tributário (diligências administrativas como a fiscalização in loco) e as faculdades procedimentais e processuais conferidas à Administração, se apresentam como instrumentos mais apropriados para a aproximação com a verdade material do que aquelas que são usualmente disponíveis no processo judicial. Enquanto no processo judicial de caráter civil ao magistrado não é licito tomar a frente do processo e determinar ex officio a produção de provas que entender indispensáveis, no procedimento e no processo administrativo tributário a autoridade administrativa pode e deve promover as diligências averiguatórias e probatórias que contribuam para a aproximação com a verdade objetiva ou material." (Direito Processual Tributário Brasileiro — Administrativo e Judicial, ed. Dialética, 3a. edição, pág.1 80) (g. n.) Nesse sentido, temse pronunciado este E. Conselho reiteradamente. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.907446/200851 Resolução nº 1802000.552 S1TE02 Fl. 6 5 No presente caso, vêse que o crédito no valor de R$ 788.128,94, indicado como pagamento indevido a título de estimativa de dezembro de 2003, corresponde exatamente ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, que foi apurado e declarado em DIPJ. A Contribuinte apurou as estimativas de CSLL "com base na receita bruta e acréscimos" até o mês de novembro de 2003, e a estimativa do mês de dezembro de 2003 foi apurada "com base em balancete de suspensão ou redução". Esta (a Contribuinte) informou em DIPJ que havia recolhido até o mês de novembro de 2003 estimativas no montante de R$ 2.320.705,82, o que teria gerado o alegado excedente de R$ 788.128,94, tanto em relação ao mês de dezembro de 2003, como em relação ao ano calendário de 2003. Conforme a Ficha 17 da DIPJ, parte das estimativas apuradas ao longo do ano (R$ 633.414,13) teriam sido objeto de pedido de parcelamento. Nesse contexto, entendo que o julgamento do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que a Delegacia de origem, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, dos dados constantes dos próprios sistemas da Receita Federal, e de outros que se entenda relevantes: 1. discrimine o valor das estimativas efetivamente recolhidas até a data de apresentação do PER/DCOMP objeto destes autos, destacando especialmente as parcelas quitadas no referido parcelamento; 2. verifique e informe se houve excesso no pagamento de CSLL em 2003, seja em relação às estimativas mensais, seja em relação ao ajuste anual; 3. indique o valor do excedente, bem como sua disponibilidade, caso tal excedente seja confirmado. Dessa forma, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem (DERAT Rio de Janeiro, RJ), atenda ao acima solicitado. Esse o meu Voto. Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Fl. 194DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10845.725353/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA PARCIAL. ALCANCE.
O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira parcial também se enquadra no dispositivo isentivo.
Numero da decisão: 2202-002.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente em exercício e Relator.
Composição do colegiado: participaram do presente julgamento os conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fábio Brun Goldschmidt, Márcio de Lacerda Martinez (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA PARCIAL. ALCANCE. O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira parcial também se enquadra no dispositivo isentivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), que negavam provimento. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente em exercício e Relator. Composição do colegiado: participaram do presente julgamento os conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fábio Brun Goldschmidt, Márcio de Lacerda Martinez (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 53 53 /2 01 2- 80 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Foi lavrada Notificação de Lançamento (efls. 14 a 18) em face de MARIA REGINA TEIXEIRA, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário de 2007, exercício 2008, tendo sido constatada uma omissão de rendimentos de R$ 6.996,56, recebidos do INSS – Instituto Nacional do Seguro Social, que resultou em um imposto a restituir de R$ 511,01, após as alterações de ofício. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação (efls. 2 a 13), que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), conforme Acórdão DRJ/SP1 nº 1643.737, da 21ª Turma (efls. 43 a 48), que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção por moléstia grave é prevista exclusivamente para rendimentos oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão, sendo concedida a partir da data de comprovação da existência de uma das patologias enumeradas de forma taxativa no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A ausência de documentação hábil e probatória da existência de uma das patologias indicadas pela legislação de regência, obsta a isenção. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. A cegueira apontada como moléstia grave pela legislação vigente corresponde à a cegueira efetiva do indivíduo, em que a acuidade visual apurada no olho menos comprometido e com a melhor correção óptica, é igual ou menor que 0,05. Impugnação Improcedente Conforme despacho de efl. 77, da DRF/Santos (SP), a contribuinte teve ciência pessoal do acórdão da DRJ em 7 de fevereiro de 2014, porém já havia apresentado recurso voluntário em 2 de agosto de 2013. Em seu recurso (efls. 55 a 71), apresentado em 2 de agosto de 2013, a contribuinte alega o seguinte, em síntese: requereu o reconhecimento da isenção do IRPF, tendo em vista ser portadora de cegueira, conforme artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88; o seu pedido foi indeferido pela autoridade fiscal sob o argumento de que tal isenção somente alcança os portadores de cegueira total, o que não é o seu caso; a sua impugnação foi julgada improcedente pela DRJ de São Paulo, que manteve o mesmo entendimento da autoridade local; esse entendimento contraria a jurisprudência do STJ e do próprio CARF, conforme RESP 1.196.500/MT e Acórdão CARF nº 210201.301; a lei de regência não distingue cegueira total e parcial e ao aplicador da lei não é dado restringir onde a lei não o fez. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10845.725353/201280 Acórdão n.º 2202002.878 S2C2T2 Fl. 79 3 Apresentou, em anexo ao recurso, laudos médicos comprobatórios da patologia e informes de rendimentos do INSS. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, relator Em despacho de efl. 77, a unidade preparadora informa que “a contribuinte teve ciência pessoal do acórdão da DRJ em 07/02/2014, entretanto já havia apresentado o recurso voluntário em 02/08/2013. Assim, encaminho ao CARF/MF/DF, para apreciação do recurso”. Portanto, deve ser considerado tempestivo o recurso. Como também atende às demais condições de admissibilidade, merece ser conhecido. Tratase de proventos de aposentadoria recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que a contribuinte argumenta serem isentos, uma vez que é portadora de moléstia grave – cegueira parcial , nos termos da Lei nº 7.713/88, artigo 6º, inciso XIV, que assim dispõe: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) A contribuinte comprovou que os rendimentos, objeto da notificação de lançamento, foram recebidos a título de aposentadoria. Quanto à comprovação de que é portadora de moléstia grave, pelos documentos apresentados, constatase que ela apresenta perda completa da visão do olho direito e perda parcial da visão do olho esquerdo, desde o ano de 2003, conforme já reconhecido pela decisão da DRJ. A controvérsia, portanto, reside no alcance da isenção do imposto de renda aos portadores de cegueira, ou seja, se a isenção limitase aos portadores de cegueira total ou se enquadra também os acometidos por cegueira parcial. Segundo entendimento já firmado por este Conselho, consoante decisões abaixo, os proventos de aposentadoria e pensão dos portadores de cegueira, ainda que parcial, são alcançados pela isenção concedida pela Lei nº nº 7.713/88, artigo 6º, inciso XIV, porquanto inexiste qualquer distinção feita pelo legislador no referido dispositivo. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. ALCANCE. A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício, de sorte que o contribuinte acometido por cegueira parcial também se enquadra no texto legal. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2102002.782). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. ALCANCE. A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício, de sorte que o contribuinte acometido por cegueira parcial também se enquadra no texto legal. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 210201.301). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA PARCIAL. ALCANCE. O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira total faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira parcial também se enquadra no dispositivo isentivo. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2101002.460). Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para cancelar a Notificação de Lançamento, devendo a unidade que jurisdiciona a contribuinte proceder à restituição do imposto por ela pleiteada na Declaração de Ajuste Anual, exercício 2008, anocalendário 2007, com os devidos acréscimos legais, excluindose o que já foi restituído. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10845.725353/201280 Acórdão n.º 2202002.878 S2C2T2 Fl. 80 5 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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